Manual para o Cuidador - Unidade de Saúde Familiar de Condeixa

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Manual para o Cuidador - Unidade de Saúde Familiar de Condeixa
MANUAL PARA O CUIDADOR
MANUAL PARA O CUIDADOR
2015
Estudantes do 4º Ano da Licenciatura de Enfermagem da Escola
Superior de Enfermagem de Coimbra:
João André Ferrinho Jordão
Mariana Patrícia Gonçalves Cunha
Rita Arriscado Cabrita Bettencourt de Alarcão
Revisto por:
Ana Catarina Gonçalves Escaroupa
Cláudia Pires Escaroupa
Daniela Ventura Gonçalves
Roberto Nuno Simões Duarte
MANUAL PARA O CUIDADOR
Índice
INTRODUÇÃO ................................................................................................ 5
1- A UNIDADE DE SAÚDE FAMILIAR DE CONDEIXA .................................. 6
1.1-
HORÁRIOS E CONTATOS .................................................................... 6
1.2 – COMO FUNCIONA O ATENDIMENTO NA UNIDADE DE SAÚDE
FAMILIAR DE CONDEIXA ............................................................................... 6
1.3- EQUIPA MULTIPROFISSIONAL............................................................... 7
1.4- TIPO DE CONSULTAS ............................................................................. 8
2- REDES DE APOIO NA COMUNIDADE ...................................................... 9
2.1- CUIDADOS CONTINUADOS ................................................................... 9
2.2- VISITA DOMICILIÁRIA ........................................................................... 13
2.3 – OUTRAS INSTITUIÇÕES DE APOIO ................................................... 14
3 – A PENSAR NO CUIDADOR .................................................................... 16
3.1 – A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DO CUIDADOR ..................................... 16
3.2 – DIREITOS DO CUIDADOR (Souza, et al., 2005) ................................. 17
3.3 – ESTRATÉGIAS DE RELAXAMENTO E DISTRAÇÃO .......................... 18
3.4 – EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE APOIO AO CUIDADOR .............. 21
4- CUIDADOS À PESSOA IDOSA ................................................................ 24
4.1 – CUIDADOS À PESSOA COM TRAQUEOSTOMIA .............................. 24
4.2 – CUIDADOS À PESSOA COM SONDA NASOGÁSTRICA .................... 27
4.3 – CUIDADOS À PESSOA COM DISFAGIA ............................................. 34
4.4 – CUIDADOS À PESSOA COM SONDA VESICAL ................................. 37
4.5 – CUIDADOS À PESSOA COM OSTOMIA DE ELIMINAÇÃO ................ 38
4.6 – PREVENÇÃO DE QUEDAS ................................................................. 48
4.6.1 – Equipamentos ............................................................................... 49
4.7 – POSICIONAMENTOS E TRANSFERÊNCIAS ...................................... 50
4.7.1 – Equipamentos ............................................................................... 56
4.8 – CUIDADOS DE HIGIENE E CONFORTO ............................................ 56
4.9 – PREVENÇÃO DE ÚLCERAS DE PRESSÃO ....................................... 60
4.10 – CUIDADOS À PESSOA COM DEMÊNCIA ......................................... 62
MANUAL PARA O CUIDADOR
4.11 – CUIDADOS À PESSOA COM DIABETES .......................................... 63
4.12 – CUIDADOS À PESSOA COM HIPERTENSÃO ARTERIAL ................ 73
4.13 – CONTATOS NECESSÁRIOS EM CASO DE URGÊNCIA E OUTRAS
SITUAÇÕES .................................................................................................. 78
4.14 – O QUE FAZER EM CASO DE ÓBITO NO DOMICILIO ...................... 78
CONCLUSÃO................................................................................................ 81
BIBLIOGRAFIA
MANUAL PARA O CUIDADOR
LISTA DE SIGLAS
HTA – Hipertensão Arterial
RNCCI – Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados
ULDM – Unidade de Longa Duração e Manutenção
UMDR – Unidade de Média Duração e Reabilitação
USF – Unidade de Saúde Familiar
VD – Visita Domiciliária
MANUAL PARA O CUIDADOR
INTRODUÇÃO
Em Portugal, desde os anos 60 tem-se verificado uma melhoria significativa nas
condições habitacionais, de segurança, higiene pública e de alimentação. Essas
melhorias, aliadas ao avanço da ciência e da tecnologia, resultaram em ganhos para a
saúde e no aumento da esperança média de vida, contudo, infelizmente, isso nem
sempre significou o aumento da qualidade de vida.
Atualmente uma grande parte da população portuguesa apresenta, ainda, baixos
rendimentos, dificuldades socioecónomicas, baixa literacia e vive em condições
habitacionais precárias. Aliado a este paradigma tem-se verificado o aumento da
incidência de doenças crónicas e incapacitantes.
Deste modo, a promoção da saúde e prevenção de doenças crónicas, da incapacidade
e perda de autonomia na população em geral constituem uma abordagem prioritária no
sector de saúde, principalmente ao nível da adaptação e melhoria dos contextos
ambientais e de suporte às principais necessidades da população com algum grau de
dependência.
Consequentemente, a equipa multiprofissional da Unidade de Saúde Familiar (USF) de
Condeixa defende a excelência dos cuidados prestados à pessoa, atendendo à sua
dimensão biopsicossocial, e que esses cuidados, quando possível, devem ser prestados
no domicílio, junto da família e com o auxílio da mesma.
Por conseguinte, surgiu a necessidade de criar este manual com o objetivo de dar
resposta às necessidades da pessoa e do cuidador. Com este manual pretendemos,
então, orientar e esclarecer, de uma forma simples e ilustrativa, a forma como os
cuidados devem ser prestados à pessoa dependente e, ainda, estimular o envolvimento
entre o cuidador, a pessoa que é cuidada, a equipa de saúde e a comunidade, com vista
a promover a saúde e a qualidade de vida dos mesmos.
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MANUAL PARA O CUIDADOR
1- A UNIDADE DE SAÚDE FAMILIAR DE CONDEIXA
A Unidade de Saúde familiar de Condeixa tem como missão:
“prestar cuidados de saúde globais e personalizados, com responsabilidade e
competência, em tempo útil, aos nossos utentes, contribuindo para a vigilância e
promoção da sua saúde através de ações de prevenção, diagnóstico e tratamento”
(USF Condeixa).
Todas as informações referentes ao funcionamento e atendimento do utente estão
disponíveis para consulta no site da Unidade de Saúde Familiar de Condeixa
(http://www.usfcondeixa.com/hfa.php). Contudo, seguem-se algumas informações
pertinentes.
1.1- HORÁRIOS E CONTATOS
Horário de funcionamento da USF: Dias úteis das 08 às 20 horas.
Horário de Atendimentos da USF: Dias úteis das 08h15m – 19h45m.
Para sua comodidade pode usar o telefone durante o horário de funcionamento da USF
para marcar consultas, pedir informações e resolver outros assuntos administrativos.
Poderá também aconselhar-se diretamente com o seu Médico ou Enfermeiro de Família,
diariamente, em horário a determinar pelos mesmos.
Contatos da USF:

Telefone: 239 940 170

Fax: 239 940 091

E-mail: [email protected]
1.2 – COMO FUNCIONA O ATENDIMENTO NA UNIDADE DE SAÚDE FAMILIAR DE
CONDEIXA
O utente ao chegar à USF deve dirigir-se sempre aos serviços administrativos.
O atendimento é feito por ordem de chegada, no entanto, os utentes que têm consulta
/tratamento marcado(a) têm prioridade e devem passar à frente.
Junto das Administrativas poderá solicitar os seguintes serviços:

Marcação de consultas durante o horário de funcionamento da USF;
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MANUAL PARA O CUIDADOR

Pedir renovação de receitas e fornecimento de contraceptivo das 10.00h às
19.00h, respeitando um prazo de 3 dias úteis para levantar o pedido;

Pedir credenciais, guias de transporte e outras das 10.00h às 19.00h respeitando
um prazo de 3 dias úteis para levantar o pedido;

Pedir reembolsos, isenções e emissão de cartões das 10.00h às 19.00h;

Marcação de consultas e tratamentos.
Em relação à marcação de Consultas:
Poderá marcar consultas através dos seguintes meios:

Telefone: 239940170

Presencial

e-agenda (Portal da Saúde – Marcação eletrónica de consultas)

Email – [email protected]*
* Nome completo e n.º utente do SNS.
Em relação à marcação de Tratamentos de Enfermagem e Injeções:
Deverá fazer a marcação do seu tratamento ou injetável junto das administrativas, e
caso a prescrição seja feita por um profissional externo à USF, deve fazer-se
acompanhar da respectiva prescrição.
Em relação ao ato da Vacinação do Plano Nacional de Vacinação deve marcar uma
hora com a sua Enfermeira de Família para assegurar que se desloca à USF e que é
atendido, mas não necessita de prescrição médica. Contudo, deverá trazer sempre o
Boletim Individual de Saúde.
1.3- EQUIPA MULTIPROFISSIONAL
A equipa multiprofissional da USF Condeixa é constituída por médicos, enfermeiros e
assistentes técnicas.
Nome
Email
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MANUAL PARA O CUIDADOR
Médicos
José Miguel Figueiredo Conceição - Coordenador
[email protected]
da USF
Carla Maria Santos Silva
[email protected]
Fernando Pais e Pinto
[email protected]
Luís Mendes Almeida
[email protected]
Rosália Maria Teixeira Apolónia Baeta Pereira
[email protected]
Enfermeiros
Alda Celina Reis Veloso
[email protected]
Joana Maria Falcão Ribeiro Silva Matias
[email protected]
Paula Alexandra Veríssimo Amaro
[email protected]
Sandra Cristina Varino Figueiredo Caseiro
[email protected]
Sandra Maria Ribeiro Rodrigues Silva Valada
[email protected]
Elise Peça Arruda Vilas Boas
[email protected]
Assistentes Técnicas
Maria Lurdes Mendes João Félix Morais
[email protected]
Maria Odete Pereira Almeida Pinto Lopes
[email protected]
Licinia Maria de Oliveira Garrido
[email protected]
1.4- TIPO DE CONSULTAS

Vigilância e Promoção da Saúde nas diversas fases da Vida

Planeamento Familiar

Saúde Materna

Saúde do Recém-nascido, Criança e Adolescente

Saúde do Adulto e do Idoso

Programa de Saúde do Adulto/Idoso e cuidados a doentes dependentes crónicos
e de patologia múltipla

Cuidados em situação de doença aguda.
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MANUAL PARA O CUIDADOR
2- REDES DE APOIO NA COMUNIDADE
Na comunidade são várias as instituições existentes que disponibilizam apoio e serviços
à pessoa dependente e/ou ao prestador de cuidados. Estas instituições visam proteger
os direitos da pessoa e assegurar a prestação de cuidados à mesma.
2.1- CUIDADOS CONTINUADOS
“A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) é constituída por
um conjunto de instituições, públicas ou privadas, que prestam (ou virão a prestar)
cuidados continuados de saúde e de apoio social a pessoas em situação de
dependência, tanto na sua casa como em instalações próprias” (Segurança Social,
2014).
“Nos cuidados continuados integrados a pessoa em situação de dependência,
independentemente da sua idade, recebe cuidados de saúde e apoio social. O
objetivo é ajudar a pessoa a recuperar ou manter a sua autonomia a maximizar a
sua qualidade de vida” (Ibidem).
Principal objetivo da RNCCI (Idem):
Prestar cuidados continuados integrados a pessoas que, independentemente da idade,
se encontrem em situação de dependência.
Objetivos específicos (Segurança Social, 2014):

Melhorar as condições de vida e de bem-estar das pessoas em situação de
dependência, através da prestação de cuidados continuados de saúde e/ou de
apoio social;

Promover a manutenção no domicílio das pessoas com perda de funcionalidade
ou em risco de a perder, sempre que, mediante o apoio domiciliário, possam ser
garantidos os cuidados terapêuticos e o apoio social necessários à provisão e
manutenção de conforto e qualidade de vida;

Atuar através do apoio, do acompanhamento e do internamento tecnicamente
adequados à respectiva situação;

Melhorar, de forma contínua, a qualidade na prestação de cuidados continuados
de saúde e de apoio social;
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MANUAL PARA O CUIDADOR

Apoiar os familiares, ou prestadores informais, na sua formação e qualificação
para melhorar a prestação dos cuidados;

Articular e coordenar em rede os cuidados em diferentes serviços, setores e
níveis de diferenciação;

Prevenir lacunas em serviços e equipamentos, em consequência da progressiva
cobertura a nível nacional das necessidades das pessoas em situação de
dependência, em matéria de cuidados continuados integrados e de cuidados
paliativos.
Têm direito aos cuidados continuados integrados as pessoas nas seguintes situações
(Ibidem):
•Dependência funcional temporária (por estar a recuperar duma doença, cirurgia,
etc.);
•Dependência funcional prolongada;
•Idosos com critérios de fragilidade (dependência e doença);
•Incapacidade grave, com forte impacto psicológico ou social;
•Doença severa, em fase avançada ou terminal.
A RNCCI dispõe de (Idem):
 Unidades de internamento, que podem ser de:
•Cuidados continuados de convalescença;
•Cuidados continuados de média duração e reabilitação;
•Cuidados continuados de longa duração e manutenção;
•Cuidados paliativos.
 Unidades de ambulatório.
 Equipas hospitalares de cuidados continuados de saúde e de apoio social.
 Equipas domiciliárias de cuidados continuados de saúde e de apoio social.
Tipos de internamento (Segurança Social, 2014):
Unidade de Convalescença - para internamentos até 30 dias
Esta unidade visa promover a recuperação completa das pessoas que estiveram
internadas num hospital devido a uma situação de doença súbita ou ao agravamento
duma doença ou deficiência crónica, que já não necessitam de cuidados hospitalares,
mas que requeiram de cuidados de saúde que, pela sua frequência, complexidade ou
duração, não possam ser prestados no domicílio.
A Unidade de Convalescença assegura:
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MANUAL PARA O CUIDADOR
•Cuidados médicos permanentes;
•Cuidados de enfermagem permanentes;
•Exames complementares de diagnóstico, laboratoriais e radiológicos;
•Prescrição e administração de medicamentos;
•Cuidados de fisioterapia;
•Apoio psicológico e social;
•Higiene, conforto e alimentação;
•Convívio e lazer.
Unidade de Média Duração e Reabilitação (UMDR) - internamentos com duração
entre 30 e 90 dias
A UMDR pretende apoiar e auxiliar pessoas que perderam temporariamente a sua
autonomia, mas que é possível recuperá-la, e que necessitam de cuidados de saúde,
apoio social e reabilitação que, pela sua frequência ou duração, não podem ser
prestados no domicilio.
A UMDR assegura:
•Cuidados médicos diários;
•Cuidados de enfermagem permanentes;
•Cuidados de fisioterapia e de terapia ocupacional;
•Prescrição e administração de medicamentos;
•Apoio psicossocial;
•Higiene, conforto e alimentação;
•Convívio e lazer.
Unidade de Longa Duração e Manutenção (ULDM) - para internamentos com mais
de 90 dias seguidos
Tem por objetivo dar reposta a pessoas com doenças ou processos crónicos,
independentemente do grau de dependência de complexidade que apresentem, que
não reúnam condições para serem cuidadas em casa ou na instituição onde residem.
A ULDM presta apoio social e cuidados de saúde de manutenção que pretendem
prevenir ou retardar o agravamento da situação de dependência, favorecendo o conforto
e a qualidade de vida.
A ULDM pode ter ainda internamentos com menos de 90 dias (máximo 90 dias por ano)
quando há necessidade de descanso do principal cuidador.
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MANUAL PARA O CUIDADOR
A ULDM assegura:
• Atividades de manutenção e de estimulação;
•Cuidados de enfermagem permanentes;
•Cuidados médicos;
•Prescrição e administração de medicamentos;
•Apoio psicossocial;
•Controlo fisiátrico periódico;
•Cuidados de fisioterapia e de terapia ocupacional;
•Animação sociocultural;
•Higiene, conforto e alimentação;
•Apoio no desempenho das atividades da vida diária.
Unidade de Cuidados Paliativos - não existe período limite de internamento
A Unidade de Cuidados Paliativos assegura cuidados a pessoas com situação clínica
complexa e de sofrimento, devido a uma doença severa e/ou avançada, incurável e
progressiva.
A Unidade de Cuidados Paliativos assegura:
•Cuidados médicos diários;
•Cuidados de enfermagem permanentes;
•Exames complementares de diagnóstico laboratoriais e radiológicos;
•Prescrição e administração de medicamentos;
•Cuidados de fisioterapia;
•Consulta, acompanhamento e avaliação de doentes internados em outros
serviços ou unidades;
•Acompanhamento e apoio psicossocial e espiritual;
•Atividades de manutenção;
•Higiene, conforto e alimentação;
•Convívio e lazer.
Custos:

Se estiver internado numa Unidade de Convalescença ou numa Unidade de
Cuidados Paliativos não tem de pagar qualquer valor.

Só paga quando estiver internado numa Unidade de Internamento de Média
Duração e Reabilitação ou numa Unidade de Longa Duração e Manutenção.

Os custos referentes aos cuidados de saúde são pagos pelo Serviço Nacional
de Saúde (Ministério da Saúde) ou por outros subsistemas de saúde.
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MANUAL PARA O CUIDADOR

O utente só paga os custos referentes ao apoio social, podendo uma parte desta
despesa ser comparticipada pela Segurança Social.

Neste caso, o valor a pagar vai depender dos rendimentos do agregado familiar,
que é calculado pela Equipa de Coordenação Local.

A parte comparticipada pela Segurança Social é transferida diretamente para a
Instituição onde está internado.

A Unidade só lhe pode cobrar, no que toca a cuidados e serviços de saúde e de
apoio social, o valor diário apurado e que se comprometeu a pagar quando
assinou o Termo de Aceitação do Internamento.

Todas as outras despesas, que não sejam parte dos cuidados e serviços
acordados, são da exclusiva responsabilidade do utente quando por si
solicitadas.
Para mais informações:
Consulte o site da Segurança Social disponível para consulta na bibliografia, na página
90, do presente manual.
2.2- VISITA DOMICILIÁRIA
Os cuidados de saúde prestados no domicílio definem-se como sendo:
“a componente de um continuado cuidado de saúde global em que os serviços de
saúde são prestados aos indivíduos e famílias nos seus locais de residência com a
finalidade de promover, manter ou recuperar a saúde, ou maximizar o nível de
independência enquanto se minimiza os efeitos da deficiência e doença incluindo a
doença terminal” (Stanhope e Lancaster, 1996, p. 882).
Tipos de Visitas Domiciliárias (VD):

Caráter Assistencial - realizada em situações de doença ou quando o individuo
e a família precisam de ajuda e não podem por si só prestar o autocuidado;

Caráter Investigador - sempre que seja necessário colher dados acerca da
família e/ou pessoa;

Caráter Educativo - quando há necessidade de realizar educação para a saúde;

Caráter Misto.
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MANUAL PARA O CUIDADOR
Critérios de Marcação e Prioridade:
No que se refere à VD em situação de doença aguda, quer médica quer de enfermagem,
esta tem critérios definidos de marcação e de prioridade, que estão diretamente
relacionados com o grau de dependência do utente inscrito.
De uma forma programada, o enfermeiro e/ou o Médico fazem uma avaliação da
justificação dos pedidos de VD de acordo com a situação clínica. Se justificado, a visita
domiciliária poderá ser efetuada no próprio dia ou num dia subsequente, de acordo com
critérios clínicos, de oportunidade e aceitabilidade, e com os critérios de marcação
estipulados, descritos a seguir, para a realização de consultas no domicílio.
Critérios de Inclusão para a realização de consultas no domicílio:

Doença crónica instável ou exacerbação aguda de doença crónica;

Doença aguda episódica (ex.: doença infecto-contagiosa);

Utentes que necessitem de continuação de cuidados após alta hospitalar;

Utentes acamados ou com incapacidades diversas;

Recém-nascidos e puérperas;

Utentes com doença oncológica avançada ou em estadio final de outras doenças
crónicas.
Critérios de Exclusão para a realização de consultas no domicílio:

Residir fora da área de influência da USF (Concelho de Condeixa);

Situações urgentes/emergentes;

Problemática exclusivamente do tipo social;

Situações de complacência (patologia aguda ou crónica em doente sem critérios
de dependência física).
2.3 – OUTRAS INSTITUIÇÕES DE APOIO
 Centro Social da Ega – 239 941 270
 Casa de Saúde Rainha Santa Isabel - 239 949 070
 Rede Social de Condeixa - 239 949 120
 Santa Casa da Misericórdia - 239 949 150
 Centro de Dia de Anobra – 239 943 911
 Centro de Dia de Condeixa-A-Nova – 239 949 150
 Centro de Dia de Condeixa-A-Velha - 961 444 087
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MANUAL PARA O CUIDADOR
 Centro de Dia de Vila Seca – 239 932 394
 Alojamento Sénior (Lar Bruscos) – “Doce Viver” – 239 932 582
 Casa de Repouso Nossa Senhora do Amparo (Arrifana) – 239 941 723
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MANUAL PARA O CUIDADOR
3 – A PENSAR NO CUIDADOR
3.1 – A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DO CUIDADOR
Atualmente, com a evolução científica e tecnológica na área da saúde, a população
portuguesa, devido ao aumento da esperança média de vida, tem-se vindo a tornar cada
vez mais envelhecida, ou seja, existe um maior número de pessoas idosas (com 65
anos ou mais) comparativamente ao número de jovens e crianças (Rodrigues, 2011).
Esta realidade nem sempre é acompanhada do aumento da qualidade de vida, pois a
pessoa ao longo do seu ciclo vital é confrontada com situações de doença e/ou acidente
o que pode por em risco o bem-estar da mesma e originar situações de dependência.
“Estas situações têm-se tornado cada vez mais evidentes devido ao aumento da
prevalência de doenças crónicas e incapacitantes e vieram colocar aos governos,
às famílias e à sociedade em geral, desafios para os quais não estavam preparados
(DGS, Programa Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas, 2006, apud
Rodrigues, 2011), daí a necessidade de refletir e intervir nestes grupos vulneráveis”
(Rodrigues, 2011).
Surge, assim, a necessidade de criar condições para que a pessoa possa regressar ao
seu contexto familiar rapidamente, após a fase aguda, sempre que possível. Para tal é
necessário que os familiares ou pessoas significativas possuam de conhecimentos e
habilidades necessários à prestação de cuidados (Ibidem). É neste processo de
transição que os profissionais de saúde devem intervir e apoiar para que os
conhecimentos sejam interiorizados e, consequentemente sejam assegurados cuidados
de saúde individualizados e de excelência.
Irrompe, então, o dever de desenvolver intervenções dirigidas aos cuidadores para que
estes adquiram capacidades e habilidades necessárias à prestação de cuidados
independentemente da idade e do grau de dependência da pessoa (Rodrigues, 2011).
Consequentemente, este manual surge com vista a dar resposta a essas necessidades
e exigências.
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MANUAL PARA O CUIDADOR
Assim sendo, é também da nossa preocupação o bem-estar físico, psicológico,
emocional, financeira e social do prestador de cuidados informais (pessoa que cuida de
outra pessoa em situação de dependência e que não recebe remuneração), pois
reconhecemos o papel crucial que este desempenha na prestação de cuidados à
pessoa dependente e na promoção da sua qualidade de vida. Contudo, se o cuidador
não estiver são na sua dimensão biopsicossocial os cuidados de excelência, que
pretendemos, não serão assegurados.
“O processo de cuidar implica diversas adaptações físicas, sociais, cognitivas e
emocionais (Cupertino, Aldwin & Oliveira, 2006, apud, Rodrigues, 2011), podendo
revelar-se um processo difícil, desgastante e até mesmo vir a comprometer o bemestar do cuidador” (Rodrigues, 2011).
Deste modo, é necessário não nos centrarmos apenas na pessoa, mas sim na díade
pessoa cuidada – prestador de cuidados, pois a sobrecarga do cuidador pode levar ao
comprometimento físico, psicológico e/ou financeiro, que por sua vez vai diminuir a
qualidades dos cuidados prestados e por em risco o bem-estar de ambos.
3.2 – DIREITOS DO CUIDADOR (Souza, et al., 2005)
1. Tenho o direito de cuidar de mim;
2. Tenho o direito de receber ajuda e apoio dos meus familiares na participação
dos cuidados à pessoa;
3. Tenho o direito de procurar ajuda;
4. Tenho o direito de, por vezes, ficar aborrecido, deprimido e triste;
5. Tenho o direito de não deixar que os meus familiares ou outros tentem
manipular-me com sentimentos de culpa;
6. Tenho o direito de receber afeição, respeito, perdão e aceitação por parte dos
meus familiares e comunidade em geral;
7. Tenho o direito de orgulhar-me do que faço;
8. Tenho o direito de proteger a minha individualidade, os meus interesses e
necessidades;
9. Tenho o direito de receber ensinos e treino para o desenvolvimento das
minhas habilidade de maneira a ser capaz de cuidar melhor da pessoa dependente;
10. Tenho o direito de ser feliz.
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MANUAL PARA O CUIDADOR
3.3 – ESTRATÉGIAS DE RELAXAMENTO E DISTRAÇÃO
É imperativo que o prestador de cuidados reserve algum tempo do seu dia-a-dia para
si, para relaxar, descansar, mimar-se, divertir-se e praticar alguma atividade física, pois
só assim conseguirá preservar o seu bem-estar biopsicossocial.
Estratégias de Relaxamento e Distração (Souza, et al., 2005)

Veja programas televisivos do seu interesse nas horas livres;

Enquanto vê televisão movimente as mãos e os pés para estimular a circulação,
manter as extremidades quentes e ativas;

Leia um livro, uma revista ou o jornal;

Ouça música do seu gosto ou ponha música ambiente enquanto presta os
cuidados ao outro (irá promover o relaxamento e a interação entre ambos);

Converse com a pessoa e partilhem histórias;

Saia de casa para apanhar ar fresco nem que seja só para ir ao café e voltar;

Faça massagens a si próprio nos pés e pescoço ou peça a alguém se for
possível;

Quando for às compras faça o percurso mais longo e passeie nas zonas
envolventes antes de entrar nas lojas;

Se a pessoa for capaz de deambular saia com ela e passeiem as duas nem que
seja por curtos períodos de tempo;

Quando se levantar de manhã alongue os músculos (espreguice-se
completamente). Quando se for deitar faça alongamentos novamente,
sobretudo, ao nível das costas e pernas para aliviar a tensão muscular;

Se for possível convide os seus amigos para sair ou para irem a sua casa, se
não puder ausentar-se;

Tente rir ao longo do dia. Rir é um ótimo exercício e irá proporcionar sensação
de bem-estar e relaxamento;

Praticar atividade física regularmente ajuda a reduzir o cansaço físico e
psicológico e a tensão muscular;

Se possível solicite a ajuda de familiares, vizinhos ou amigos para participarem
na prestação de cuidados;

Se se sentir muito cansado ou mesmo esgotado fale com o médico e o
enfermeiro de família, pois existem inúmeras redes de apoio na comunidade.
Juntos encontrarão uma solução que seja do agradado de todos, nem que seja
temporária, para que possa descansar e recompor-se.
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MANUAL PARA O CUIDADOR
Nunca se esqueça nós estamos aqui disponíveis para ajudá-lo
quando mais precisar!
Alguns exercícios que pode realizar em casa:
Existem inúmeros tipos de exercícios que pode realizar, mas damos-lhe algumas dicas
de exercícios fáceis de realizar e em que a maior parte é possível fazê-los sentado e
em pé.
Pescoço (Souza et al., 2005)

Exercícios de flexão (tente encostar o queixo ao peito);

Exercícios de extensão (olhar para cima);

Exercícios de rotação (rodar a cabeça) e lateralização (olhar para um lado e para
o outro e tentar encostar a orelha no ombro).
Ombros (Ibidem)

Tente elevar os ombros (com se estivesse a tentar chegar
com eles às orelhas) ao mesmo tempo que inspira
profundamente (deixa o ar entrar no pulmões pelo nariz). De
seguida, deixe-os cair enquanto expira (deixa sair o ar dos
pulmões pela boca);
19
MANUAL PARA O CUIDADOR

Faça exercícios circulares rodando os ombros para a frente e para trás.
Membros superiores (braços)

Faça rotações dos braços (abrir até formar uma cruz com o corpo e depois rodálos);

Levantar um braço e baixar o outro, flexão/extensão dos braços alternadamente;

Fazer a extensão de um dos braços e respectiva mão (estique) e com a outra
mão tente puxar a esticada em direção ao peito (ver na figura);

Sentado, tente fazer com uma mão, atrás das costas, tocar no cotovelo do outro
braço (como se pode observar na figura). Faça para ambos os braços;

Afaste os braços (abdução horizontal dos braços formando uma cruz com o
corpo) e depois cruze os braços, como se fosse dar um abraço a si próprio;
 Abra e feche as mãos várias vezes;
 Estique os braços para a frente e junte as mãos, entrelaçando os dedos, e faça
rotações ao nivel dos pulsos;
 Com a mão bem aberta, toque a ponta de cada dedo na ponta do polegar.
Quanto mais distanciar os dedos, maior será a extensão atingida.
Tronco

Coloque as mãos em torno da cintura e realize movimentos de rotação do tronco,
para ambos os lados.
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MANUAL PARA O CUIDADOR
Membros Inferiores (pernas)

Deite-se em decúbito dorsal (barriga para cima), faça flexão (dobre) de um dos
joelhos e tente segurá-lo com as mãos durante alguns segundos. Faça o mesmo
para a outra perna;

Sentado, faça a extensão das pernas e dos pés, alternadamente (como se pode
observar na imagem);

Faça caminhadas e alterne períodos sentado e em pé, pois não deve ficar muito
tempo seguido em nenhuma das posições;

Quando se levantar e antes de se deitar faça alongamentos às pernas.
3.4 – EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE APOIO AO CUIDADOR
A comunidade dispõe de diversos recursos para apoiar o cuidador na prestação dos
cuidados à pessoa idosa ou mesmo de substitui-lo quando este já não reúne
capacidades e/ou condições para o fazer.
Recursos disponíveis:

Visitas Domiciliárias
As Visitas Domiciliárias podem ser realizadas pelo Médico e/ou Enfermeiro e podem ser
de caráter investigacional, assitencial, educativo ou misto, conforme as necessidades
da pessoa e/ou cuidador.

Apoio Domiciliário
Consiste em fornecer apoio às pessoas em situação de carência e/ou dependência na
realização de diversas tarefas (Quaresma, 1996).
Objetivos do apoio domiciliário (Ibidem):
21
MANUAL PARA O CUIDADOR
o
Ajudar a manter a pessoa, o mais tempo possível, no seu ambiente,
retardando a necessidade de admissão em habitação colectiva ou hospital;
o
Contribuir para a diminuição das situações de incapacidade física e mental e
de isolamento.
Tipos de tarefas em que são auxiliados (Idem):

o
Cuidados de higiene e conforto:
o
Higiene da habitação;
o
Tratamento de roupas;
o
Confecção ou distribuição de refeições;
o
Compras no exterior;
o
Companhia e recreio;
o
Acompanhamento da pessoa idosa ao exterior;
o
Execução de pequenas reparações no domicílio.
Centros de Dia
Os centros
de dia pretendem
dar
resposta
às necessidades
da
pessoa
independentemente da idade e do grau de dependência (Idem):
o
Prestando-lhes acolhimento e informações necessárias;
o
Apoiando a pessoa no ajustamento à sua situação e às tarefas próprias do
seu estadio do ciclo vital;
o
Favorecendo as relações inter-pessoais com o objetivo de combater o
isolamento social;
o
Disponibilizando diversas formas de ajuda adequadas a cada pessoa, que
não existem na comunidade local.
Segundo Quaresma (1996), as valências dos Centros de Dia poderão ser, entre outras
as seguintes:

o
Convívio/ocupação (animação);
o
Alimentação;
o
Tratamento de roupas;
o
Higiene;
o
Serviços de saúde e ajuda doméstica domiciliária.
Lares
22
MANUAL PARA O CUIDADOR
Os lares são equipamentos de alojamento coletivos, de carácter temporário ou
permanente, que proporciona serviços durante as 24 horas (Ibidem).
Os objetivos do lar são (Idem):
o
Proporcionar habitação de forma a garantir à pessoa uma vida confortável,
respeitando tanto quanto possível a sua independência;
o
Assegurar a satisfação das suas necessidades básicas;
o
Contribuir para a estabilização ou retardamento do processo de
envelhecimento;
o
Apoiar as pessoas residentes na comunidade em regime de frequência
diurna.
23
MANUAL PARA O CUIDADOR
4- CUIDADOS À PESSOA IDOSA
4.1 – CUIDADOS À PESSOA COM TRAQUEOSTOMIA
Técnicas para favorecer a pessoa a adaptar-se à sua traqueostomia (Ibidem):
- Estabelecer meios eficazes de comunicação e divulgar esses meios aos
restantes elementos que convivem com a pessoa;
- Ensinar a pessoa a tapar a cânula de modo a facilitar a falar;
- Ensinar a pessoa a não tossir de frente para as pessoas e a colocar um lenço
à frente da cânula, para evitar a projeção de secreções. (A posição de “curvado para a
frente” favorece a saída das secreções);
- Estimular a independência e a autoestima da pessoa.
Alimentação (Idem)
A pessoa com traqueostomia pode comer sem restrições. O momento das refeições
deverá ser rigorosamente vigiado uma vez que poderá conduzir à presença de comida
e líquidos na traqueia.
Se verificar que a pessoa com traqueostomia apresenta uma quantidade abundante de
secreções e/ou dificuldade respiratória, contacte o seu médico e/ou enfermeiro de
família para que o possam ajudar.
Para prevenção a pessoa deve:

Proceder à aspiração de secreções da cânula de traqueostomia antes de iniciar
a refeição (a aspiração durante ou após a refeição pode conduzir ao vómito);

Realizar a suas refeições sentada ou com a cabeceira elevada;
24
MANUAL PARA O CUIDADOR

Ingerir bastantes líquidos facilitadores da fluidificação das secreções;

Evitar o uso de babetes que possam impedir a respiração pela traqueostomia;
Higiene diária (Banho total) (Idem)
Cuidados a ter durante a higiene:

Evitar salpicar ou molhar a traqueostomia;

No duche, deve colocar o chuveiro direccionado para as costas ou para a parte
inferior do corpo;

Tapar a cânula da traqueostomia com um dispositivo impermeável, mas que
permita respirar de forma eficaz.
Vestuário:
A pessoa com traqueostomia pode usar qualquer tipo de roupa desde que não seja
demasiado justa ao nível do pescoço.
Exteriorização acidental da cânula:
Aquando a exteriorização da cânula deve:

Manter a calma;

Introduzir a cânula de imediato.
Importante: Independentemente das condições existentes, a cânula deve ser
introduzida de imediato para manter uma passagem de ar.
25
MANUAL PARA O CUIDADOR
Como cuidar da traqueostomia (Veiga, et. al, 2011)
A pele em torno do estoma pode apresentar-se irritada
devido a movimentos de fricção e/ou à presença de
secreções. Assim, a periodicidade de realização deve ser,
pelo menos, uma vez por dia ou com maior frequência se
a situação clínica ou o conforto da pessoa o tornar
necessário.
1. Lave as mãos;
2. A pessoa deve ficar numa posição confortável, mantendo ligeira hiperextensão
da cabeça (cabeça ligeiramente inclinada para trás);
3. Utilize soro fisiológico na limpeza da pele periférica ao estoma. Não instilar soro
no estoma;
4. Use compressas para a limpeza da região circundante, sem fricção;
5. Se for observado rubor ou exsudato em torno do estoma, contacte o enfermeiro
de família ou o médico;
6. Limpe e hidrate a pele do pescoço com particular atenção nas zonas de pele que
ficam sujeitas à maceração provocada pelas fitas, mas com cuidado para não
deixar que o creme entre em contato com o estoma;
7. Utilize compressas de tecido não tecido ou penso para traqueostomia, se for
observado exsudato ou se a pele se encontrar ruborizada devido a fricção;
8. Assegurar que a troca das fitas é sempre realizada com a colaboração de um
segundo elemento. Este fixa a cânula de traqueostomia, enquanto o cuidador
troca das fitas de fixação;
9. No final, verifique que a cânula ficou bem fixa, mantendo o espaço de um dedo
entre as fitas e o pescoço.
10. Por último, volte a lavar as mãos.
Nota: Não se esqueça que o orificio da traqueostomia comunica com o exterior. Devese ter cuidado para que não entrem substâncias ou objetos (ex. água, areia, comida,
insetos, perfumes, etc.) pelo orificio, daí a importância de usar filtros apropriados para
evitar essas situações e possiveis complicações (Souza et al., 2005).
26
MANUAL PARA O CUIDADOR
Se verificar que a pessoa apresenta uma quantidade abundante de secreções e
dificuldade em respirar e que você cuidador não possui de meios nem conhecimentos
para realizar a aspiração das mesmas pela traqueostomia, contate o médico e/ou o
enfermeiro de família para que possam ir ajudá-lo.
4.2 – CUIDADOS À PESSOA COM SONDA NASOGÁSTRICA
Uma sonda nasogástrica é um tubo que é introduzido pelo nariz até ao estômago e
permite a alimentar e hidratar a pessoa em questão (Veiga et al., 2011).
Cuidados a ter com a Alimentação:
Preparação da alimentação (Queirós, 2012):

Em primeiro lugar o local da preparação das refeições deve estar limpo, assim
como os materiais que vai utilizar para confecionar os alimentos. Verifique a
validade dos alimentos e se as embalagens não estão danificadas;

De seguida, lave as mãos de forma cuidada antes de tocar nos alimentos;

Caso sejam prescritas pelo médico refeições industrializadas, estas só podem
ser consumidas até 24 horas depois de abertas as embalagens e têm um custo
mais elevado que as refeições preparadas em casa;

As dietas caseiras devem ser preparadas com alimentos naturais cozidos e
triturados e devem ter uma consistência líquida (evitar resíduos pois irão obstruir
(entupir) a sonda);


As refeições preparadas em casa têm uma validade de 12 horas após a sua
confeção;
Fazer refeições variadas (deve utilizar uma grande variedade de alimentos –
legumes, batata, arroz, massa, carne, peixe – segundo as indicações médicas
no momento da alta).
27
MANUAL PARA O CUIDADOR
Notas Importantes:
 As refeições preparadas em casa devem arrefecer à temperatura ambiente
e podem ser guardadas no frigorífico (máximo 12 horas).
 As refeições devem ser administradas à temperatura ambiente. Como
tal deve retirar do frigorífico (cerca de 30 minutos antes), para um recipiente
lavado, apenas a porção que irá dar à pessoa. Deste modo não haverá
necessidade de aquecer a comida em banho-maria ou micro-ondas (Queirós,
2012).
 Refeições muito frias podem provocar cãibras e/ou diarreia e refeições muito
quentes podem provocar queimaduras internas à pessoa e são mais
susceptíveis de contaminação bacteriana (Veiga et al., 2011).
Materiais necessários para a alimentação por sonda:

Cadeira ou almofadas para elevar a cabeceira (se pessoa acamada);

Resguardo impermeável de proteção (se necessário);

Copo com água;

Seringa de 100 ml;

Recipiente com a refeição.
Cuidados a ter durante a alimentação:
1- Antes de alimentar a pessoa deve colocá-la numa posição sentada (numa cadeira
ou cama) ou semi-sentada (cama), apoiando-lhe bem as costas com recurso a
almofadas (Queirós, 2012);
28
MANUAL PARA O CUIDADOR
2 – Disponha perto de si todo o material necessário e verifique sempre a
temperatura da alimentação (na parte interna do pulso);
3 – Através da observação deve confirmar o posicionamento da sonda (para
facilitar esse processo, quando a sonda for colocada pelo enfermeiro pode, com uma
caneta, fazer uma pequena marca no tubo para indicar a sua posição correta da sonda)
(Monteiro e Costa, 2011);
Deve ter sempre o cuidado de verificar a marca feita pela caneta na sonda, sob forma
de se certificar que esta está bem colocada.
4- De seguida, dobre a sonda e retire o “clamp” (dispositivo que tapa a extremidade
da sonda) com a sonda dobrada para evitar a entrada de ar e a saída de líquidos
(Monteiro e Costa, 2011);
5- Depois adapte a seringa (vazia) à extremidade da sonda e aspire para ver se saí
algum conteúdo gástrico. Poderá não sair conteúdo ou mesmo fazer vácuo quando
29
MANUAL PARA O CUIDADOR
aspira. Caso verifique saída de muito ar (uma seringa – 100ml), contacte o seu médico
e/ou enfermeiro porque a sonda poderá estar mal colocada.

Se aspirar uma quantidade:
- inferior a 50 ml – deve introduzir o conteúdo aspirado e pode alimentar a
pessoa na totalidade da alimentação;
- entre 50 e 100 ml – deve introduzir o conteúdo alimentar e dar metade da
alimentação;
- igual ou superior a 100 ml – deve introduzir o conteúdo alimentar mas não
alimente a pessoa. Ao fim das duas horas volte a avaliar e se a pessoa
apresentar o mesmo conteúdo gástrico é sinal de estase gástrica (atraso do
esvaziamento gástrico) e não se administra na mesma a refeição. Nestes casos,
haverá necessidade de reavaliações mais frequentes e só quando o conteúdo
gástrico aspirado for inferior a 100 ml é que se pode alimentar a pessoa (apenas
metade da refeição).
Se a estase gástrica persistir deve consultar o médico ou enfermeiro e ele
indicar-lhe-á o que fazer!
6 – Depois destes cuidados e de ter a certeza que irá introduzir os alimentos no
estômago, encha a seringa com a dieta e enquanto faz isso clamp a sonda ou deixea dobrada com uma mão para não entrar ar nem sair conteúdo gástrico;
7 – Introduza a dieta na sonda lentamente, sob forma de prevenir mal-estar
gástrico, gases, diarreia e /ou vómitos (Queirós, 2012);
30
MANUAL PARA O CUIDADOR

Segundo Monteiro e Costa, (2011) a quantidade a administrar em
cada refeição não deve exceder os 350 ml (Queirós, 2012). Deve questionar
o médico e/ou o enfermeiro, pois o número de refeições e as quantidades a
administrar podem variar, de pessoa para pessoa, de acordo com as suas
necessidades ou situação.
Nota: Em caso de diarreia deve aumentar o tempo de pausa alimentar (aumentar o
espaçamento entre as refeições) ou diminuir o ritmo da administração. Se este quadro
se mantiver contacte o médico e/ou enfermeiro.
8 - No final de administrar a refeição deve lavar a seringa com água corrente.
De seguida, encha a seringa com 20 a 30 ml de água à temperatura ambiente e
introduza-a na sonda de forma a mantê-la preenchida com água e lavá-la, evitando,
assim, o acúmulo de resíduos e a sua obstrução (entupimento) (Veiga et al., 2011).
9 - Após a alimentação deve deixar a pessoa na mesma posição (sentada
ou semi-sentada) ou virada em decúbito lateral direito (virada para a direita), pelo
menos durante 30 minutos, para facilitar o esvaziamento gástrico e prevenir a
regurgitação e/ou vómitos e, consequentemente, a aspiração dos alimentos para os
pulmões (Ibidem).
10 – Ter o cuidado de deixar sonda clampada (fechada) sempre que não
estiver a ser usada.
Nota: Se a quantidade de urina eliminada nas 24 horas diminuir, pode indicar
desidratação. Nesse caso deve administrar água nas quantidades referidas em cima
referidas, mas mais vezes ao dia, se não estiver contraindicado pelo médico.
Se a pessoa vomitar:
31
MANUAL PARA O CUIDADOR

Informar o enfermeiro de família e ele ir-lhe-á dizer como deve proceder.
Contudo, deverá atender a alguns princípios básicos se tal acontecer:

Virá-la imediatamente para o lado (se acamado) ou sentá-la para prevenir a
aspiração dos alimentos para os pulmões (Monteiro e Costa, 2011);

Se verificar algum dos seguintes sinais: face cianosada (azulada a roxa),
dificuldade respiratória ou alteração do comportamento e/ou da consciência
deverá ligar imediatamente para o enfermeiro de família ou mesmo para o
112, pois é sinal que a pessoa aspirou conteúdo alimentar para os pulmões
e pode estar em dificuldades;

Se não se verificarem os sinais descritos em cima, mantenha a pessoa
vigiada. Deverá mante-la nas posições referidas no primeiro ponto e
aguardar, pelo menos, uma hora até voltar a alimentá-la. Passado o tempo
Não se esqueça de ir administrando água à temperatura ambiente (50 a 60 ml de
cada vez) entre as refeições (1,5 a 2L/dia – exceto se contraindicado pelo médico)
para prevenir a desidratação ou outros problemas.
recomendado comece por dar chá (50 a 60 ml) para verificar se a pessoa
volta a vomitar. Se voltar a acontecer contate imediatamente um profissional
de saúde (Monteiro e Costa, 2011).
Complicações comuns resultantes da administração de alimentação por sonda
nasogástrica:
As complicações estão relacionadas, sobretudo com: o mal posicionamento da sonda,
contaminação na preparação da dieta ou dos materiais necessários à sua
administração, administração inadequada e/ou intolerância a algum componente da
refeição ou das fórmulas usadas (Unamuno e Marchini, 2002).

Administrações rápidas levam a quadros de distensão abdominal, vómitos e
diarreias;
 A obstipação também é uma complicação que se verifica com alguma
frequência, devido à baixa quantidade de resíduos da dieta (pelo que as
32
MANUAL PARA O CUIDADOR
refeições devem ser variadas e ricas em legumes e fibras, assim como, deve ser
administrada água com regularidade);
Se tiver de administrar medicação:

Em primeiro lugar sempre que o médico prescrever um medicamento novo deve
perguntar se pode ou não administrá-lo via sonda nasogástrica, uma vez que,
existem medicamentos que não devem ser administrados pela sonda
nasogástrica ou juntos com a dieta/refeição, e se não poder como deve fazer
(Queirós, 2012);

Se os medicamentos poderem ser administrados através da sonda deve triturálos (ex. com uma colher, fundo de um copo, etc.) e juntá-los, separadamente, a
água morna (também um de cada vez) para que se dissolvam;

Deve administrar os medicamentos um a um e administrar água limpa (sem
medicamento) no intervalo de cada administração para estes não se misturarem
nem obstruam a sonda;
 No final da administração deve encher a seringa com cerca de 50 ml para se
certificar que a medicação foi toda para o estômago da pessoa e ao mesmo
tempo para proceder à lavagem da sonda.
Cuidados de Higiene e Conforto:

Realizar higiene oral, pelo menos, três vezes por dia sob forma de prevenção da
secura das mucosas e outras complicações (Veiga et al., 2011);

A higiene nasal deve ser realizada aquando da prestação dos cuidados de
higiene totais (banho) ou parciais.
Deve ser retirado o adesivo de fixação com bastante cuidado, para não tirar a
sonda da posição correta, para ser possível lavar a região nasal com água e
sabão e aplicar creme hidratante. De seguida deve aplicar o adesivo de
33
MANUAL PARA O CUIDADOR
preferência anti-alérgico, conforme as imagens e se possível não colocá-lo
exatamente na mesma posição para prevenir o aparecimento de feridas.
Aquando da aplicação do novo adesivo verifique se a sonda não está a fazer
pressão sobre a parede da narina pois isso irá provocar lesões na pele como,
por exemplo, úlceras de pressão;

Pode aplicar, ainda, outro adesivo se a pessoa tender a puxar a sonda ou se
isso lhe proporcionar maior conforto. No entanto, o adesivo de fixação da sonda
ao pé do nariz deverá ser suficiente.

Mudar o adesivo sempre que este se descolar (Monteiro e Costa, 2011) e
verificar se a sonda está na posição correta.
Notas Importantes:
 Caso a pessoa puxe a sonda (ou esta se encontre fora do sitio correto) ou caso
tenha saído totalmente não tente colocá-la de novo! Lave-a com água e sabão
e guarde-a num local limpo e seco, pois a sonda pode ser reutilizada. De
seguida, contate o enfermeiro de família para combinar com o mesmo a
recolocação da sonda.
 Deve também combinar com o enfermeiro de família a periocidade com que se
irá trocar a sonda nasogástrica.
4.3 – CUIDADOS À PESSOA COM DISFAGIA
34
MANUAL PARA O CUIDADOR
Complicações comuns da disfagia (Santos, et.al., 2014):
O processo de deglutição é mais lento nos idosos, pelo que, a presença de disfagia é
frequentemente observada nesta faixa etária, existindo por vezes descoordenação entre
a deglutição e a proteção das vias aéreas que podem originar:
 Engasgamento
 Falta de ar
 Pneumonia de aspiração
 Desnutrição e desidratação
Sintomas de disfagia (Ibidem):

Recusa alimentar;

Tosse durante ou após a deglutição;

Sialorreia (excesso de saliva que a pessoa vai deixando cair pelo boca);

Alteração da voz;

Engasgamento;

Presença de alimentos na boca (não consegue deglutir a totalidade dos
alimentos).
Cuidados na alimentação de uma pessoa com disfagia (Veiga, et. al, 2011):
1- Use espessantes nos alimentos de consistência líquida (modificam a consistência)
para esta adquirir uma consistência mais espessa que a pessoa possa tolerar;
2 – Opte por alimentos mais macios e evite alimentos sólidos (deve triturá-los);
3 – Evite, também, alimentos duros, farinhentos e
secos (ex. Farofa e bolachas);
4 – Sente a pessoa com a cabeça ligeiramente fletida (
previne a aspiração), se estiver acamada deve elevar
ao máximo a cabeça tentando estabelecer um ângulo
de 90º;
5 – Alimente a pessoa com pequenas quantidades de cada vez;
6 – Evitar que a pessoa fale enquanto está a comer;
35
MANUAL PARA O CUIDADOR
7 - Evite alimentar a pessoa se estiver sonolenta (diminui significativamente a
capacidade de deglutir);
8 - Tenha em atenção a temperatura, textura, aparência,
aroma e sabor dos alimentos (são todas qualidades
importantes na escolha dos alimentos);
9 – As sopas podem ser engrossadas com farinhas,
massas, arroz, etc.;
10 - Faça refeições variadas (deve utilizar uma grande variedade de alimentos –
legumes, batata, arroz, massa, carne, peixe, etc.) e nutricionalmente completas;
11 - Respeite as preferências da pessoa e confecione um prato visivelmente agradável;
11 - Evite alimentos viscosos, secos e duros de mastigar.
Em caso de engasgamento
 Aplique 5 pancadas fortes entre as omoplatas, com a mão em concha num
movimento de baixo para cima. A outra mão deve estar a apoiar o peito da
pessoa.
 Se a pessoa continuar asfixiada, fique de pé, atrás, com os seus braços ao redor
da cintura da pessoa, ligeiramente acima do umbigo e abaixo do limite das
costelas. Agarre firme o pulso com a outra mão e faça um rápido puxão para
cima. Repita cinco vezes numa sequência rápida.
36
MANUAL PARA O CUIDADOR
Se a pessoa a seu cuidado tem dificuldades em engolir e se engasga
frequentemente procure o seu enfermeiro de família que o pode
aconselhar ou encaminhar para o técnico de saúde mais competente
para o ajudar.
4.4 – CUIDADOS À PESSOA COM SONDA VESICAL
Cuidados na manutenção do cateter urinário (Veiga, et. al, 2011):
37
MANUAL PARA O CUIDADOR
Quando consultar o seu médico/enfermeira de família?





Se tiver febre ou a urina tiver um cheiro intenso ou for espessa ou turva.
Se apresentar inflamação na uretra ou na saída da sonda.
Se observar sangue dentro ou à volta da sonda;
Quando não urinar ou o volume de urina diminuir acentuadamente apesar
da ingestão abundante de líquidos;
Se perder urina em grande quantidade por fora da sonda.
 Lave as mãos antes de mexer na sonda;
 Limpe a pele a volta da sonda com água e sabão, pelo menos, uma vez por dia
para evitar a acumulação de secreções;
 O cateter liga-se a uma saco coletor que pode ser fixado na lateral da cama, da
cadeira de rodas ou na perna da pessoa (caso seja capaz de deambular (andar));

Evite dobras no circuito de drenagem (evitar o refluxo de urina);

Não abra o sistema para evitar contaminação do mesmo;

Mantenha o sistema de drenagem abaixo do nível da bexiga (mesmo que o saco
coletor tenha válvula anti-refluxo) e não deixe que o saco fique muito cheio para
evitar o refluxo de urina;

Não deve clampar o cateter (retirar o saco coletor e colocar uma tampa de
proteção), só se for estiramento necessário para a mobilização da pessoa;

Ao retirar o saco da urina, para colocar um novo, clamp (feche) a sonda para evitar
perdas de urina;

O cateter não precisa de nenhum tipo de fixação externa porque tem um balão
(bexiga) interno que a impede de sair do lugar. Contudo, tenha cuidado para não
puxar o cateter, porque irá ferir a uretra e provocar traumatismos;

Deve combinar com o enfermeiro de família a periodicidade da troca da sonda.
Notas Importantes:
 Promover a ingestão de 1,5l de água por dia!
 A troca do cateter urinário (sonda vesical) é realizada pelo enfermeiro de
família.
4.5 – CUIDADOS À PESSOA COM OSTOMIA DE ELIMINAÇÃO
Um estoma ou ostomia resulta de um procedimento cirúrgico que realiza uma ligação
entre um órgão e o exterior do corpo.
38
MANUAL PARA O CUIDADOR
Tipos de Ostomias de Eliminação:

Ileostomia (ligação de uma porção terminal do intestino delgado ao exterior);

Colostomia (ligação de uma porção do intestino grosso ao exterior);

Urostomia (ligação de uma porção do aparelho urinário ao exterior) (pode ter
diversos nomes consoante a porção do aparelho urinário exteriorizada).
39
MANUAL PARA O CUIDADOR
Nota: Se verificar alguma alteração no estoma ou funcionamento do mesmo, contacte
o seu médico e/ou enfermeiro de referência.
Cuidados a ter com a ostomia de eliminação:
Em primeiro lugar deve conversar com o médico ou enfermeiro sobre o melhor
dispositivo para si, pois existem inúmeros no mercados, e sobre os cuidados a ter. Ele
irá ajudá-lo neste processo de transição e adaptação, esclarecendo as suas dúvidas e
receios, assim como, ensinando-lhe e treinando consigo os cuidados que deve ter para
que haja uma boa recuperação e sejam prevenidas complicações.
 Princípios básicos
A grande parte dos problemas referidos em cima são evitados se tiver cuidados de
higiene adequados e se usar dispositivos adequados ao seu estoma.
A pessoa ostomizada deve ter em conta os seguintes cuidados e princípios de modo a
prevenir complicações e a obter uma melhor qualidade de vida (ABC.MED.BR, 2013):

Evitar carregar peso em excesso, que aumente a pressão intra-abdominal;

Evitar exercícios ou atividades que exijam grandes esforços;

Evitar o uso de cintas que possam comprimir a ostomia;

Evitar alimentos ou bebidas que produzam muitos gases;

Mastigar bem os alimentos;

Manter a pele em volta da ostomia sempre limpa e hidratada;

Não usar, na pele em volta da ostomia, substâncias agressivas (ex. álcool,
mercúrio, etc.) nem cremes ou outros produtos (só os recomendados e
específicos para estomas);

Ter cuidado para que insetos, em especial as moscas, não pousem na
ostomia ou na pele ao redor.
 Cuidados de Higiene e conforto
40
MANUAL PARA O CUIDADOR
A pessoa ostomizada deve ser incentivada a participar, de forma gradual, nos cuidados
ao estoma com vista a tornar-se autónoma, caso o seu estado de saúde permita (Veiga
et al., 2011).
Princípios gerais na prestação dos cuidados de higiene à ostomia:
Materiais necessários (Veiga et al., 2011):
 Compressas, papel higiénico ou esponja natural;
 Toalha de algodão macia;
 Taça com água morna e resguardo impermeável (se for o prestador de cuidados
a realizar a lavagem à ostomia e troca do saco);
 Régua medidora de ostomia e tesoura;
 Saco coletor de ostomia (se necessário);
 Protetor cutâneo (placa ou outro).
Prestação dos cuidados de higiene – princípios:

Lavar as mãos antes da substituição do saco e higienização do local da
ostomia (Veiga et al., 2011);

Posicionar a pessoa, expondo a área a cuidar, e aplicar resguardo (prestador
de cuidados) ou adotar a posição que lhe facilite o processo (Ibidem);

Dependendo do sistema utilizado, a substituição do saco deve ser efetuada,
diariamente, aquando da prestação dos cuidados de higiene totais ou
parciais (a presença de água facilita a remoção das placas adesivas) ou
quando os sacos coletores estiverem quase cheios. No caso de ter um
sistema de despejo, proceder ao esvaziamento do mesmo aquando este
estiver quase cheio.
Nota: Não é necessário tirar o saco e trocá-lo sempre que toma banho. Contudo, deve
protege-lo com um saco de plástico e adesivo para garantir que não se descole. Deve
também conhecer a durabilidade dos materiais e trocá-los nos períodos recomendados
para evitar complicações.

Remover o saco coletor, com uma mão, de cima para baixo, suavemente
para não lesar a pele, e com a outra mão apoie a pele. Coloque o saco usado
no caixote do lixo;
41
MANUAL PARA O CUIDADOR

Limpar as fezes e muco do estoma e placa, se existir, com papel higiénico
ou compressas (Veiga et al., 2011);

Remover a placa suavemente (Ibidem);

Observar as caraterísticas do estoma (se alterações da forma, cor, tamanho,
cheiro, etc. consulte o seu médico) e lavar o estoma e os tecidos circundantes
(à volta) com água, sabão neutro e esponja macia (Idem);

Não esfregar com força e nem usar esponjas ásperas;

Limpar e secar suavemente, sem esfregar, o estoma e a zona circundante
até ficar sem humidade (Veiga et al., 2011). Sempre que possível deixe a
pele secar ao ar, após a sua limpeza, pelo seu efeito reparador.

Depois de limpo e seco, lave as mãos novamente;

De seguida, meça o diâmetro do estoma e recorte a placa do saco coletor na
medida correta (Veiga et al., 2011). O recorte deve corresponder ao tamanho
exato do estoma, não devendo ultrapassar mais de 3 mm do diâmetro real,
para que o contacto entre as fezes ou urina e a pele seja mínimo.

Aplicar produto barreira protetor da pele (se necessário) (cremes, placas, etc.)
(evita o contato de urina ou fezes com a pele, prevenindo lesões) (Ibidem);
42
MANUAL PARA O CUIDADOR
Nota: As placas protetoras podem permanecer até se encontrarem integras (3 a 4 dias
no máximo), no entanto, sempre que se mudar o saco, o estoma e a pele envolvente
devem ser limpas e secas de forma a não danificar a barreira protetora.

Aplicar saco coletor de baixo para cima (existem sacos que já vêm com a
placa e é só preciso colar (1º imagem) e outros que são de encaixe e em que é
necessário aplicar primeiro uma placa e depois o saco (2º e 3º imagens)).
- Se o sistema coletor for de encaixe, no fim de colocá-lo, deve verificar
se ficou bem adaptado (prevenir acidentes);
- Verifique também se ficou bem adaptado ao estoma, ou seja, se não
ficou por cima do mesmo (sinal que recortou menos do que devia) ou se ficou
muito espaço à volta (sinal que recortou mais do que devia).
- Existem, ainda, sacos drenáveis e não drenáveis. Se o saco for drenável
deve fechá-lo (como lhe indicaram) e colocar o clamp (evitar que saia o conteúdo
fecal ou urina).
43
MANUAL PARA O CUIDADOR
Nota: Após a troca do saco tente permanecer ou que a pessoa permaneça alguns
minutos (cerca de 10) sem dobrar o corpo (sentar, baixar) para garantir a aderência do
saco e, consequentemente evitar que se descole.
Quando e como esvaziar o Saco Coletor:
Como referido em cima, existem sacos drenáveis, ou seja, que permitem abrir e esvaziar
o conteúdo acumulado. Deste modo, não há necessidade de estar sempre a trocar o
saco cada vez que este fica cheio.

No caso das ileostomias e urostomias deverá esvaziá-las quando estiverem 1/3
do espaço preenchido. Nas colostomias poderá esvaziá-las até ½ da capacidade
do saco.

Deverá evitar trocas desnecessárias e sacos muito cheios (facilita o
descolamento do saco e da placa).

Todos os sacos que podem ser drenados devem ser trocados diariamente, de
preferência durante a manhã (altura do dia em que haverá menor volume de
conteúdo para drenar).

Os sacos urostomias durante a noite devem ser conectados a um saco de
drenagem noturna para evitar o acúmulo de urina, o que pode provocar o seu
extravasamento ou a ineficácia da válvula anti-refluxo.

Para esvaziar o saco, use um recipiente para drenar as fezes ou urina ou
coloque-se na sanita, retire o clamp e deslize a mão, por cima do saco, no
sentido descendente (de cima para baixo) para que o conteúdo saia. De seguida,
limpe e se necessário lave a parte de baixo do saco (por onde saiu as fezes ou
urina), sem deixar entrar água para dentro do saco. Por último, retire o ar e volte
a colocar o clamp.

No caso de o saco estar cheio de gases pode também abri-lo (se for saco
drenável) e deslizar a mão (como explicado em cima) por forma a fazer o ar sair
e reduzir o volume do saco.
44
MANUAL PARA O CUIDADOR
Nota: Guarde os sacos que não está a usar num local arejado, limpo, seco, fora do
alcance da luz solar e não os dobre.
Se observar alterações no estoma ou na pele circundante (ex. vermelhidão,
prurido (comichão) ou feridas) contate imediatamente o médico ou enfermeiro
de família!
 Cuidados na Alimentação
Se anteriormente não tinha restrições alimentares, em princípio também não as terá por
ter ostomia. No entanto, deve abordar essas questões com o médico.
Como qualquer outra pessoa deve tentar manter uma alimentação saudável, variada e
equilibrada. Para tal deve ter em consideração os seguintes conselhos:

Ter uma alimentação fracionada (pelo menos 5 refeições por dia), ou seja,
aumentar o número de refeições, caso não faça as recomendadas, e diminuir a
quantidade de alimentos que ingere (comer mais vezes mas menos quantidade
de cada vez);

Mastigar bem os alimentos e os horários das refeições devem ser regulares;

Após a cirurgia, vá introduzindo os alimentos de forma progressiva, em
pequenas quantidades, na sua dieta para perceber qual a reação do seu
organismo aos mesmos;

Ingerir bastantes legumes (na sopa e como acompanhamento) (principalmente
os verdes), fruta (2 a 3 peças/dia) e muita água (2 a 3 litros por dia).
Alguns alimentos podem interferir na produção de cheiros e flatulência (gases) ou na
consistência das fezes:

Em relação aos odores:
- ovos, queijo, alhos, cebolas, vegetais da família da couve, espargos, peixes,
feijão, cogumelos, algumas vitaminas ou medicamentos (cheiros mais intensos);
45
MANUAL PARA O CUIDADOR
- espinafres, iogurtes, alface e salsa (diminuem os odores).

Em relação à flatulência (gases):
- feijão, couve, pepino, legumes, cebolas, rabanete e bebidas gaseificadas
incluindo a cerveja (aumentam a flatulência);
- iogurtes e água (entre as refeições e não durante) (diminui a flatulência).

Em relação à consistência das fezes:
- alimentos ricos em fibra, grãos, milho, aipo, pipocas, nozes, frutos secos, fritos,
cascas de fruta, farinha, batatas, arroz e banana (fezes mais consistentes);
- feijão, espinafres, leite, vegetais crus, frutos silvestres, figos, laranjas e frutos
secos (fezes menos consistentes, mais liquidas). As fezes podem, também,
tornar-se mais liquidas se fizer refeições maiores do que as habituais, se ingerir
líquidos em excesso ou comida a altas temperaturas.
Nota: Os condimentos fortes e os sumos de frutas ácidas podem provocar irritação nos
estomas. Contudo, nas pessoas com urostomias aconselha-se a ingestão de sumos de
citrinos e ameixas frescas ou secas, com o objetivo de acidificar a urina, diminuindo
assim os odores desagradáveis e o risco de infeções (Ragué e Valentí, 1999).
Deve ser a própria pessoa a ir experimentando diversos alimentos a fim de
descobrir quais os mais adequados à sua situação e quais lhe provocam menos
problemas ou irritações.
Por último, deve ter cuidado para manter o seu peso, pois se aumentar muito de peso,
após a operação, a ostomia tornar-se-á mais plana e sentirá mais dificuldades em
adaptar os dispositivos.
Alimentos aconselhados e a evitar em caso de (Tavares, 2009):
Diarreia
Obstipação / Prisão de ventre
Insista
Insista
Evite
Urina muito
concentrada
Insista
Evite
46
MANUAL PARA O CUIDADOR
Papa de arroz Frutos frescos:
(pacote)
laranja, limão,
melão,
ananás,
manga,
ameixas, …
Papa de arroz
feita em casa.
(Arroz
bem
cozido
em
muita água e
um pouco de
sal)
Torradas
secas de pão
Estufados,
fritos,
refogados
Ameixas secas Banana
e frutos frescos
como a laranja,
tangerina,
limão,
morangos,
melão,
melancia,
pêssegos, kiwi,
ameixas,…
Beber
mais Chocolate
água e chá negro
(mas evitar o
chá preto)
Beber
muitos
líquidos (água)
Beber sumos de
laranja / limonada,
naturais
Ingestão
Leite
Legumes:
couve galega,
nabiças
Cenoura
e Bebidas
Sumo de laranja
batata, pêra e alcoólicas
natural
em
maçã cozidas
jejum
Banana
Café e chá Um copo de
forte
uma
bebida
quente (ex: chá)
meia hora antes
da refeição
Massa cozida Legumes
sem gorduras
Chá preto
Beber
muita
água fora das
refeições
Alguns sites de interesse:

Associação Portuguesa de Ostomizados – www.apostomizados.pt. E-mail:
[email protected] Telefone: 218 596 054.

Associação Portuguesa de Enfermeiros de Cuidados em Estomoterapia –
http://apece.no.sapo.pt/

Liga de Ostomizados de Portugal – www.lop.pt
Laboratórios de material de ostomia:

B-Braun:
http://www.bbraun.pt/index.cfm?7D3B35352A5AE6266C60E202687485F2
47
MANUAL PARA O CUIDADOR

Coloplast: http://www.coloplast.pt

Hollister: http://www.hollister.com

Convatec: http://www.convatec.com

Cristal Médica (Roupa intima): http://www.cristalmedica.com
4.6 – PREVENÇÃO DE QUEDAS
Poder-se-á fazer prevenção de quedas, fazendo alguns ajustes no domicílio e nos
estilos de vida e em simultâneo garantir que as pessoas adotem uma alimentação
adequada e se mantenham fisicamente ativas (DGS, 2008).
Prevenir as quedas em toda a casa é fácil através de algumas medidas:

O piso não deve ser escorregadio;

Mantenha uma boa iluminação em toda a casa e uma luz acesa na entrada
principal;

As lâmpadas devem ser de fácil acesso, manutenção e substituição;

Nunca deixe fios elétricos e de telefone desprotegidos. Prenda-os à parede;

Evite tapetes soltos no chão, principalmente nas escadas. Se usar, fixe-os ao
chão;

Retire tacos, fios e obstáculos que impeçam a livre circulação pela casa;

Pinte de cores diferentes ou faça marcas visíveis no primeiro e no último degrau
das escadas. Elas devem ter boa iluminação e degraus com piso antiderrapante.
Converse com o seu médico sobre a necessidade de colocar barras de apoio
(corrimão);

Use sapatos com saltos largos e calcanhares reforçados, para evitar que o pé
se movimente. Não use chinelos. Prefira os sapatos fechados;

As cadeiras, camas e sofás/poltronas devem ser mais altos, para facilitar o
sentar e o levante, firmes, fortes e com apoios. Evite cadeiras de plástico pois é
mais fácil de escorregar e cair;

Os objetos pessais e os frequentemente utilizados devem estar a uma altura de
fácil acesso, ou seja, entre a linha dos olhos e a cintura;

Instale barras de apoio na casa de banho, ao pé da sanita e na banheira, e
corrimões nas escadas. Se a pessoa não for capaz de se manter em pé na
banheira/chuveiro existem cadeiras próprias para a pessoa se sentar a tomar
banho;
48
MANUAL PARA O CUIDADOR

Cuidado para não errar a dosagem dos medicamentos;

Não use camisolas e roupões compridos, para evitar tropeçar, principalmente se
tiver que se levantar durante a noite;

Ao dormir, deixe a luz do corredor acesa para auxiliar a visão, caso acorde
durante a noite;

Se cair e tiver dores, procure assistência médica. Deixe o telefone num local de
fácil acesso, se necessitar de pedir ajuda;

No quintal, evite a acumulação de folhas e flores húmidas no chão e obstáculos
no jardim (ex. Vasos, estátuas, etc.);

Há uma altura correta para o auxiliares de marcha, adequada a cada pessoa, e
uma forma adequada de os usar. Peça orientações ao profissional de saúde a
esse respeito.
Existe uma variedade de equipamentos que pode adquirir a fim de diminuir as quedas.
Materiais como auxiliares de marcha, tapetes anti-derrapantes, suportes para auxiliar
no uso do sanitário e da banheira.
4.6.1 – Equipamentos
49
MANUAL PARA O CUIDADOR
4.7 – POSICIONAMENTOS E TRANSFERÊNCIAS
 Posicionamentos
A alternância de posicionamentos é de elevada importância na medida em que:

Mantem a integridade da pele, prevenindo úlceras de pressão;

Previne atrofias musculares;

Ajuda na mobilização das secreções brônquicas;

Promove o conforto e bem-estar da pessoa;

Alterna o campo de visão.
Tipos de posicionamentos:
Decúbito dorsal (deitado de barriga para cima):

Posicionar o utente em decúbito dorsal, no centro da
cama, com a coluna vertebral alinhada;

Proteger proeminências ósseas com material de
prevenção de úlceras de pressão, se necessário (ex.
almofadas, rolos, sacos de areia, etc.);

Posicionar a cabeça e cintura escapular (ombros) numa
almofada baixa;

Posicionar os membros superiores em ligeira abdução (abertura) do ombro e
flexão do cotovelo;

Posicionar o antebraço e mão em pronação (virada para baixo) com uma
almofada baixa; - Proceder de igual modo para o outro membro
50
MANUAL PARA O CUIDADOR

Aplicar pequenas almofadas nas regiões popliteias (por baixo do joelho);

Aplicar pequenas almofadas sob as regiões aquilianas (calcanhares), deixando
livres os calcanhares;

Aliviar a roupa junto dos pés;

Verificar o alinhamento corporal, observando-o dos pés da cama.
Decúbito lateral (deitado de lado):

Posicionar ou assistir a posicionar-se em decúbito dorsal, no lado oposto ao do
decúbito a executar;

Colocar uma almofada junto ao membro inferior do lado o qual se vai virar a
pessoa;

Executar flexão dos membros superior e inferior do lado oposto ao decúbito e
rodar o cliente com movimento firme e suave;
51
MANUAL PARA O CUIDADOR

Posicionar o membro inferior, do lado do decúbito em ligeira flexão;

Posicionar o membro inferior, do lado oposto ao decúbito, sobre a almofada
fazendo um ângulo de aproximadamente 90º a nível das articulações do joelho
e coxofemoral;

Posicionar a cabeça sobre uma almofada com volume ajustado à altura do corpo;

Posicionar o membro superior, do lado oposto do decúbito, com o ombro e
cotovelo em flexão, sobre uma almofada que acompanha todo o membro;

Verificar o alinhamento corporal, observando-o dos pés da cama.
Decúbito ventral (deitado de barriga para baixo):

Posicionar o cliente em decúbito dorsal, no lado da cama mais próxima do
cuidador;

Aplicar almofadas sobre a base da cama ao nível do abdómen e membros
inferiores (deixando libertas as cristas ilíacas (anca) e a pélvis (bacia));

Manter os membros superiores ao longo do corpo, rodar a pessoa sobre si
próprio deixando-o deitado sobre o abdómen, com a cabeça lateralizada e os
membros inferiores em ligeira abdução (abertura);

Posicionar o membro superior do lado para o qual a cabeça está voltada, com o
braço em abdução (abertura), antebraço em flexão de aproximadamente 90º e
mão em extensão com os dedos em abdução;
52
MANUAL PARA O CUIDADOR

Posicionar o membro superior do lado oposto, com o braço em ligeira abdução,
rotação interna, antebraço e mão em extensão;

Colocar uma almofada de modo a que os dedos dos pés não toquem na cama;

Verificar o
observando-o dos pés da cama.
alinhamento corporal,
53
MANUAL PARA O CUIDADOR
 Transferências
Para a cadeira de rodas ou para a cama:
• Quando for transferir a pessoa para a poltrona, traga-a para perto do leito (sente-a
junto à beira da cama com os pés pendentes). Não se afaste nesse momento, pois ela
poderá ter tonturas e cair;
• Para ter uma boa base de apoio, mantenha seus pés um pouco afastados, um apontar
para cama e o outro para a cadeira de rodas;
54
MANUAL PARA O CUIDADOR
• Apoie os braços da pessoa sobre os seus ombros;
• Os seus joelhos devem estar um pouco flexionados e suas mãos devem segurar a
cintura da pessoa;
• Se quiser melhorar o apoio, coloque um cinto bem largo para poder segurá-lo com
mais firmeza;
• Quando sentar a pessoa coloque almofadas nas zonas de pressão para não surgirem
lesões e verifique o alinhamento corporal;
• Caso ela não possa sair do leito, procure mudá-la de posição várias vezes durante o
dia (deitar de lado ou de costas, etc.);
• Para colocá-la novamente no leito é só seguir estes passos em sequência invertida
(Queirós, 2012).
55
MANUAL PARA O CUIDADOR
4.7.1 – Equipamentos
4.8 – CUIDADOS DE HIGIENE E CONFORTO
A pessoa pode tomar banho de chuveiro em pé ou sentada, dependendo de sua
condição física, e o cuidador deve considerar algumas medidas de segurança (Dafundo,
2010).
Recomendações gerais sobre higiene:
Não substitua a pessoa naquilo que ela conseguir fazer sozinho!

Respeite os hábitos de higiene que a pessoa já tinha. Não há necessidade de
impor uma nova regra. Não é necessário que tome banho todos os dias.
Consoante a sua disponibilidade pode alternar o banho total com o banho parcial
(face, boca, axilas, genitais e pés);

O momento da higiene pode ser usado para melhorar a auto estima da pessoa
(pentear, cortar a barba, cortar o cabelo);

O material que necessita é semelhante ao usado por si ou que a pessoa já
utilizava anteriormente;

Pense e prepare todo o material previamente;

Verifique a temperatura do local e da água. A pessoa pode ter a sensibilidade
reduzida e queimar-se sem dar conta;

Escolha um sabonete neutro e uma esponja macia e use creme hidratante para
o corpo;

Se o banho for na cama, não se esqueça de colocar plásticos ou toalhas para
proteger a roupa da cama e o colchão;
56
MANUAL PARA O CUIDADOR

Tenha à mão toalhas e roupa de vestir para evitar que a pessoa apanhe frio e
fique doente (Ibidem).
Higiene da boca:

A higiene da boca deve ser efetuada diariamente, pelo menos, uma vez. Se a
pessoa não conseguir colaborar use uma espátula envolvida numa compressa;

Coloque a pessoa numa posição de sentada para facilitar o bochechar e evitar
que se engasgue (Idem).
Como proceder quando a pessoa usa prótese:
1. Retire a prótese e a escove-a fora da boca, com escova de dentes mais dura
e sabão neutro ou dentífrico apropriado;
2. Para a limpeza das gengivas, bochechas e língua o cuidador pode utilizar
escova de dentes mais macia ou com um pano ou gaze humedecidas em água.
O movimento de limpeza da língua é realizado de dentro para fora, é necessário
ter cuidado para que a escova não toque no final da língua, pois pode tocar na
garganta e originar vómitos.
3. Enxaguar bem a boca e recolocar a prótese (Queirós, 2012).
Higiene da cabeça:

A lavagem da cabeça pode efetuar-se num momento diferente dos cuidados de
higiene no corpo. Deve ser efetuada, pelo menos, uma a duas vezes por
semana. Não se esqueça de proteger a roupa da cama da água.
Higiene das unhas:

As unhas devem manter-se curtas e serem cortadas a direito com uma tesoura
e tratar dos cantos com uma lima.
Banho na cama:
Material:

Duas bacias com água morna (uma só com água e
outra para a água e sabonete/gel/champôo);
57
MANUAL PARA O CUIDADOR

Uma manápula ou esponja;

Sabonete neutro;

Creme Hidratante;

Pente/escova;

Copo com água morna, dentífrico, escova de dentes e
manápula;

Champôo;

Plástico para proteger a cama;

Roupa, pijama ou camisa de dormir, caso esteja acamado e de preferência
aberto atrás, e roupa interior;

Lençóis;

Fralda, se necessário.
Como realizar o banho na cama:
Incentive a pessoa a fazer sozinha o que for capaz ou a colaborar consigo!

Providenciar os recursos para junto da pessoa;

Lavar e cuidar do cabelo, se necessário;

Lavar a cavidade oral;

Lavar os olhos, com água simples, do canto externo para o interno;

Despir a camisa e lavar os membros superiores. Lavar e secar da parte distal
para a proximal (no sentido da mão para a axila).. Incentive a pessoa a mergulhar
as mãos na bacia;
Nota: Ao lavar o corpo da pessoa passe primeiro água, depois lave com o
sabonete/ gel e de seguida passe novamente água (importante para ficar bem
lado e evitar pele seca e, consequentemente lesões).

Executar o mesmo para o outro membro;

Lavar e secar o pescoço, tórax e abdómen, com especial atenção às pregas do
pescoço, umbigo e região infra mamária;

Lavar e secar todo o membro inferior da parte distal para a proximal (no sentido
do pé para a virilha);

Lavar e secar os pés colocando-os dentro da bacia se possível (Aplicar uma
substância emoliente, se tiver calosidades e remove-las com muito cuidado);
58
MANUAL PARA O CUIDADOR

Virar ou assistir a pessoa a virar-se para o lado oposto do cuidador e lavar e
secar a região dorsal (costas);

Lavar e secar as nádegas;

Massajar o dorso, nádegas e zonas de proeminência óssea utilizando substância
hidratante, de acordo com o estado da pele da pessoa;

Posicionar os membros inferiores com os joelhos em flexão e abdução
(abertura);

Lavar e secar os orgãos genitais;

Proporcione o bem-estar massajando o corpo com creme hidratante;

Deixe o corpo alinhado e apoiado em almofadas (de acordo com o
posicionamento em que ficar, como mencionado em cima nos posicionamentos).
Banho no chuveiro:

Se a pessoa tiver dificuldade em manter-se de pé adapte um banco ou cadeira
ao polibã ou chuveiro. Caso os possa adquirir, existem cadeiras de assentos
próprias que se adaptam tanto aos polibãs como à banheira.

Avalie a necessidade de vigiar a pessoa durante o banho. Se for possível deixea sozinho de modo a tornar-se o mais autónomo possível; não faça aquilo que
ela pode fazer sozinho.

Lavar e secar o corpo, começando pelas zonas mais limpas para as mais sujas,
dando especial atenção às orelhas, axilas, umbigo, pregas cutâneas e espaços
interdigitais (entre os dedos).

Respeite a privacidade e dignidade da pessoa.
Alguns dispositivos de segurança:

Tapete anti-derrapante;

Barra de apoio para as mãos;

Assento ou cadeira para a banheiro ou polibã.
59
MANUAL PARA O CUIDADOR
4.9 – PREVENÇÃO DE ÚLCERAS DE PRESSÃO
Uma úlcera de pressão é provocada pelo peso do corpo sobre uma superfície, cama ou
cadeira, quando se fica por um longo período de tempo na mesma posição. Pode
também ser provocada pela frição do corpo contra o lençol ou almofada (Dafundo,
2010).
As úlceras de pressão podem aparecer:

Orelhas;

Ombros;

Cóccix;

Ancas;

Tornozelo;

Calcanhares.
60
MANUAL PARA O CUIDADOR
Medidas para prevenir o aparecimento de úlceras de pressão:

Manter a pele sempre limpa e seca, mudando ou limpando as zonas sujas com
a frequência adequada às necessidades da pessoa;

Minimizar a exposição da pele à humidade;

Ter uma alimentação e hidratação adequadas;

Mudar frequentemente de posição (de 2 em 2 horas, no máximo), realizando
posicionamentos adequados e alternados, e se puder deve mexer com
frequência os braços, as pernas e o restante corpo;

Durante a mudança de posição é importante que o utente não seja “arrastado”
mas sim “levantado”.

Vigiar a pele com frequência – uma vermelhidão que não desaparece pode ser
o primeiro sinal de uma úlcera de pressão.

É importante massajar a pele com um creme apropriado, nas várias parte do
corpo, até este ser totalmente absorvido;

Se tiver zonas de pele vermelhas, não deve massajar em cima dessas zonas,
mas sim na região à volta com a ponta dos dedos e de forma suave;

Usar almofadas para aliviar as zonas de pressão do corpo sobre a cama ou
cadeira (nos locais mais propícios à formação de úlceras de pressão);

Deve colocar as almofadas numa posição em que o utente se sinta confortável;
Equipamentos disponíveis para prevenção das úlceras de pressão:

Camas articuladas;

Colchão de pressão alterne;

Almofadas;

Cadeira de rodas;

Calcanheiras;
61
MANUAL PARA O CUIDADOR
O que fazer se surgir uma úlcera de pressão?

Contacte de imediato a sua ENFERMEIRA DE FAMÍLIA;

Evite deitar ou sentar a pessoa sobre essa zona do corpo em que tem a ferida
ou a zona avermelhada.
4.10 – CUIDADOS À PESSOA COM DEMÊNCIA
A Demência manifesta-se por uma diminuição progressiva da
capacidade mental, acompanhada frequentemente pela perda
da memória, da reflexão, do juízo crítico, da concentração e da
capacidade de aprendizagem podendo levar a alterações da
personalidade.
Sinais de alerta de uma demência:
 Perda de memória;
 Dificuldades na comunicação;
 Dificuldade com tarefas complexas;
 Dificuldade no planeamento e organização das suas tarefas;
 Dificuldade com funções de coordenação motoras;
 Desorientação no tempo e no espaço;
 Alterações de personalidade;
 Perda da iniciativa;
 Comportamento inadequado;
 Paranoia;
 Agitação;
 Alucinações.
As terapias disponíveis são ainda pouco eficazes… a estimulação das
atividades, das funções cerebrais e dos sentidos parece ser a chave.
Cuidar da pessoa com demência (Câmara, 2014):
Aspetos importantes que devem ser realizados:

Promover a adesão ao regime farmacológico prescrito para controlar os
sintomas que a doença provoca e, tentar impedir o avanço dos mesmos;
62
MANUAL PARA O CUIDADOR

Proporcionar momentos de arteterapia e outras técnicas expressivas (cantar,
dançar, desenhar, pintar, esculpir, recitar, representar e escrever) no sentido de
promover o bem-estar físico, psicossocial e emocional;

Incentivar a prática de jogos para a estimulação cognitiva de acordo com os
gostos da pessoa (jogo de cartas, xadrez, damas, loto, etc.);

Terapia de orientação é imprescindível para orientar a pessoa sobre a realidade,
de forma organizada, criando estímulos ambientais que facilitem a sua
orientação a nível temporal (fotografias, recordar momentos marcantes para a
pessoa, etc.);

Desenvolver
atividades
que
estimulem
a capacidade
de
se
manter
independente, trabalhando a melhoria da capacidade psico-motora e as
atividades pessoais e de vida diárias.
Algumas medidas a adotar em casa para a prevenção de acidentes:

Instalação no domicílio de dispositivos de segurança, incluindo alarmes de
incêndio e detetores de gás;

Evitar pisos escorregadios, tapetes e obstáculos/barreiras que impossibilitem a
marcha ou possam aumentar o risco de quedas;

Colocar apoios de segurança no duche/wc/quarto de dormir, controladores fixos
de água, são outras ações preventivas de acidentes;

A colocação de espelhos nas portas, fechos ocultos ou fechos de segurança.
4.11 – CUIDADOS À PESSOA COM DIABETES
A diabetes mellitus é uma doença que resulta de uma deficiente capacidade de
utilização pelo organismo da nossa principal fonte de energia – a glucose, ou seja o
nosso conhecido açúcar. À quantidade de glucose no sangue chama-se – glicémia.
(Campos, 2014)
63
MANUAL PARA O CUIDADOR
Os sinais mais comuns da diabetes são:

Aumento do apetite;

Perda de peso;

Desanimo, fraqueza, cansaço físico;

Aumento do peso;

Sede constante;

Vontade de urinar com muita frequência;

Lesões nos membros inferiores ou nos pés de difícil cicatrização;

Infeções frequentes;

Alterações visuais.
Hiperglicemia – elevação de açúcar no sangue.
Quais os sintomas de hiperglicémia e hipoglicémia (Ibidem)
Hiperglicemia
Glicémia em jejum: >120
- Dor de cabeça;
- Náuseas e vómitos;
- Dores abdominais;
- Vertigens;
- Taquicardia e polipneia
- Hálito cetónico.
Hipoglicemia
Glicémia em jejum: <60
- Nervosismo;
- Tremores;
- Dor de cabeça;
- Sudação intensa;
- Frio;
- Pele viscosa;
- Fome intensa;
- Visão turva;
- Falta de coordenação;
- Coma e morte.
64
MANUAL PARA O CUIDADOR
Cuidados a ter na Diabetes Mellitus
Alimentação saudável, variada e equilibrada:

Alimentação fracionada em 6-7 refeições/dia

Intervalos de 2-3h entre as refeições;

Respeitar os horários das refeições;

Comer devagar;

Preferir cozidos, grelhados e estufados. Nos assados evitar os molhos. Não fritar
ou guisar;

Evitar o consumo de sal e bebidas alcoólicas;

Iniciar o almoço e o jantar com uma sopa de legumes e acompanhar as refeições
com legumes no prato.
Uma alimentação equilibrada e saudável contribui para:

Obter glicémias mais próximas dos valores normais;

Ajudar a manter o peso corporal normal;

Diminuir os riscos de doença cardiovascular.
65
MANUAL PARA O CUIDADOR
COMER REGULARMENTE
EVITAR

 Carnes magras (frango, perú,
coelho, pato); retire sempre as Carnes gordas (vaca, porco, borrego,
gorduras visíveis e a pele antes de cabrito).
as cozinhar.
Enchidos, bacon e patês.
Todo o tipo de peixe.
Ovo cozido /escalfado (1 por semana).
Estrelados, mexidos ou omoletes.
Pão de mistura/integral meio sal. Batata, Bolos, bolachas, biscoitos, rebuçados,
massa, arroz, grão e feijão (em bombons, chocolates e sobremesas.
quantidades
adaptadas
às
suas
necessidades)
Folhados e salgados.
A cada refeição deve ingerir uma das
seguintes escolhas:
1 pão de mistura/centeio/integral ou
1 fatia de Broa de milho;
2 batatas (tamanho de um ovo) ou
4 colheres de sopa de arroz ou massa;
6 colheres de sopa de feijão ou lentilha
ou
12 colheres de sopa de ervilhas ou favas
Leite
magro/meio-gordo.
magros
Iogurtes Leite e iogurtes gordos. Queijo gordo
Natas e leite condensado
Queijo magro/meio-gordo
66
MANUAL PARA O CUIDADOR
Legumes sem qualquer restrição e a Alimentos processados (ex: sopas
todas as refeições. Sopa ao almoço e instantâneas, refeições congeladas) e
jantar, sempre sem batata.
conservas.
Toda a fruta (2 ou 3 peças/dia).
Frutas em calda, secas ou cristalizadas.
Frutos secos, com moderação.
Azeite para temperar e cozinhar (o Óleo, manteiga, margarina e banha.
mínimo indispensável).
Ervas aromáticas (salsa, louro, pimenta, Molhos em conserva, molho de soja,
cebola, alho). Faça marinadas.
caldos knorr, maionese, mostarda e
Sal - mínimo possível. Máximo 3,8 g/dia = ketchup.
3/4 colher de chá.
Água (pelo menos 1,5 L). Chá, café, com Bebidas
alcoólicas,
moderação.
gaseificada.
sumos,
água
67
MANUAL PARA O CUIDADOR
Exercício físico:

Deve realizar quatro a sete dias por semana;

Durante pelo menos 30 a 60 minutos, menos não traz qualquer
benefício nem efeito;

Estratégias: usar as escadas, fazer o percurso mais longo, usar menos o
automóvel, sair com a família ou amigos para passear ao ar livre, etc.;

Ir aumentando gradualmente a intensidade e duração do exercício físico;

Exercícios recomendados: caminhadas, dançar, natação, andar de bicicleta.
Cuidados a ter em conta com o pé Diabético (Moreira, 2014):
Fatores de risco:
 Défice de Conhecimento
- Avalie diariamente os pés: olhe para áreas vermelhas, bolhas ou feridas;
- Peça ajuda se não o conseguir fazer sozinho;
- Consulte os serviços de saúde se encontrar algum problema;
 Úlceras (Feridas)
 Circulação comprometida
- Avalie a presença de claudicação no membro inferior (dor ao esforço que alivia
em repouso);
- Observe possíveis mudanças de coloração do membro (cianose, edema, rubor,
etc...);
 Perda de sensibilidade
- estar atento à presença de parestesias (formigueiro), dor e/ou diminuição da
sensibilidade.
68
MANUAL PARA O CUIDADOR
 Deformidades
Défice Conhecimento
Sensibilidade
Úlceras
Circulação
Deformidades
Os inimigos
1. Os sapatos

Para proteger os pés, deve usar sempre calçado;

Devem ajustar-se bem ao pé, sem serem apertados;

Poderão ter um ligeiro salto de dois centímetros;

Não devem ser bicudos;

Devem ser fechados;

Use meias de cor clara para poder despistar alguma ferida;

Não use sapatos que magoem.
2. As unhas

Devem ser cortadas em linha reta, de forma a evitar que encravem;

Preste especial atenção á mudança de cor e espessura das unhas, se estas se
tornarem amarelas e espessas deve comunicar ao seu enfermeiro ou médico.
3. As calosidades

Mantenha a pele limpa e macia;

Lave regularmente os pés e seque-os logo de seguida, preste especial atenção
à zona entre os dedos;
69
MANUAL PARA O CUIDADOR

Use um creme hidratante nos pés sem perfume e não o coloque entre os dedos;

Não corte as calosidades, deixe que seja o profissional de saúde a fazê-lo.
4. As micoses interdigitais

Quando lavar os pés, seque bem entre os dedos;

Não coloque creme entre os dedos.
5. Os corpos estranhos: areias, pregos, agulhas, vidros…

Não se lese com cortadores de unha ou lâminas de barbear;

Antes de se calçar observe o seu sapato e despiste a presença de corpos
estranhos.
6. Perda de sensibilidade

Antes de introduzir os pés na água deve verificar a temperatura da àgua;

Não coloque os pés em contato com aquecedores nem em frente à lareira, pois
pode não sentir e queimar-se. O mesmo é recomendado em relação ao uso de
botijas de água quente, opte por usar meias e se necessitar mesmo de usar
botijas coloque-a na cama, 30 minutos antes de se deitar, para a aquecer e
depois retire-a quando se for deitar.
Monitorização da glicémia capilar: (Ibidem)
Valores ideiais:
Horário de avaliaçao da glicémia:
 Antes das refeições e duas horas após a refeição;
 Sempre que surjam manifestações de hipo ou hiperglicemia.
70
MANUAL PARA O CUIDADOR
Avaliação da glicémia:
1. Preparar o material: monitor de glicémia, tiras, lancetas, caneta de punção,
algodão;
2. Lavar e secar as mãos e, se necessário, aquecê-las;
3. Colocar a tira no monitor de glicémia;
4. Introduzir a lanceta na caneta de punção e regular a profundidade;
5. Efetuar a picada na face lateral de um dos dedos;
6. Aproximar a gota de sangue à tira; a determinação inicia-se automaticamente;
7. Fazer pressão no local da picada com uma bola de algodão;
8. Registar o valor da glicémia, a hora e se foi em jejum ou após as refeições.
Nota: Se a máquina não funcionar experimente aquecê-la durante 5 minutos debaixo
dos braços, mas nunca no microondas, lareira, etc.
Medicação para o controlo da diabetes:
 Antidiabéticos orais
 Insulina
Locais de administração de insulina:
 Abdómen
Alta velocidade de absorção
 Braços
 Coxas
 Quadris
Baixa velocidade de absorção
71
MANUAL PARA O CUIDADOR
Administraçao de insulina:
1. Preparar o material: insulina, caneta de insulina, algodão, álcool;
2. Lavar as mãos;
3. Quando a insulina é turva, emulsioná-la, fazendo-a rodar entre os dedos, até
obter uma coloração uniforme;
4. Ajustar a quantidade de insulina a administrar na caneta;
5. Desinfetar o local de administração com algodão e álcool;
6. Com a mão não dominante fazer uma prega suave e encostar a caneta à
prega perpendicularmente;
7. Premir o botão de injeção até ouvir um clique e aguardar 8 a 10 segundos;
8. Retirar a caneta e aplicar uma ligeira pressão no local de injeção, sem
massajar;
9. Registar a dose, a hora, o local de administração e o tipo de insulina.
Considerações gerais:
72
MANUAL PARA O CUIDADOR

Administrar a insulina, rodando o local de injeção na mesma região anatómica

A coloração da insulina de ação prolongada é turva e a coloração da insulina de
ação rápida é límpida;

Cuidados de manutenção: a insulina em uso deve ser conservada à temperatura
ambiente e a insulina armazenada deve ser conservada no frigorífico;
4.12 – CUIDADOS À PESSOA COM HIPERTENSÃO ARTERIAL
A hipertensão arterial (HTA) define-se como sendo uma subida constante da pressão
arterial sistólica (máxima) acima dos 140 mmHg e da pressão arterial diastólica (mínima)
acima dos 90 mmHg em adultos (Monahan et al., 2007).
Segundo a Direção Geral de Saúde (2011), um estilo de vida saudável requer:
 Adoção de uma alimentação saudável, variada e equilibrada, rica em legumes,
leguminosas, verduras e frutas e pobre em gorduras;
 Prática regular e continuada de exercício físico;
 Controlo e manutenção de peso normal, isto é, índice massa corporal igual ou
superior a 18,5 mas inferior a 25, e perímetro da cintura inferior a 94 cm, no
homem, e inferior a 80 cm, na mulher;
 Restrição do consumo excessivo de álcool (máximo 2 bebidas/dia);
 Diminuição do consumo de sal (valor ingerido inferior a 5,8 g/dia);
 Deixar de fumar;
 Aprender a controlo o stress da vida diária.
A adoção destas medidas constitui a melhor forma de prevenir a HTA ou de minimizar
os riscos da doença, promovendo a sua saúde e melhor qualidade de vida.
Fatores de Risco para Hipertensão Arterial:

Idade (superior a 55 anos para os homens e 65 anos para as mulheres);

Tabagismo;

Obesidade (índice de massa corporal > 30 Kg/m²);

Sedentarismo (inatividade física);

Alimentação pouco saudável;

Consumo exagerado de sal e álcool;

Dislipidémia;

Diabetes mellitus;
73
MANUAL PARA O CUIDADOR

História familiar de hipertensão arterial ou de doença cardiovascular periférica;

Raça afro-americana;

Stress.
Sintomas da Hipertensão Arterial:
Se hipertensão grave ou prolongada não tratada, poderá sentir:

Dores de cabeça (sobretudo de manhã);

Visão enevoada;

Náuseas e/ou vómitos;

Cansaço;

Falta de ar;

Desassossego;

Vertigens;

Rubor facial;

Rinorragias espontâneas (sangramento pelo nariz).
Cuidados a ter na Hipertensão Arterial:
 Deve avaliar e registar, numa folha ou livro próprio, de forma periódica a
tensão arterial (em casa se tiver um aparelho próprio, no trabalho, na
farmácia, etc.), em diferentes momentos do dia ou caso sinta algum dos
sintomas referidos em cima;
 Se verificar que está com a tensão alta, deve tentar relaxar e voltar a avaliar
passados 5 a 10 minutos;
 Caso a tensão arterial persista e sinta mal-estar deve dirigir-se ao médico.
IMPORTANTE: A medicação é para ser tomada de forma diária e contínua de acordo
com as instruções que o seu médico lhe der. O facto de se sentir melhor e de ter
avaliações normais de tensão arterial não significa que possa deixar de tomar a
74
MANUAL PARA O CUIDADOR
medicação, pois se o fizer a tensão poderá voltar a subir e causar consequências
mais graves. Só deverá deixar a medicação se for essa a indicação do seu médico.
 O registo regular dos valores da tensão arterial são importantes na medida
em que permitirão ao seu médico controlar a sua doença e fazer os ajustes
necessários à medicação.
 O tratamento medicamentoso deve ser feito juntamente com a adoção de
medidas não farmacológicas, ou seja, adotando estilos de vida saudáveis
(referidos em cima):
Alimentação saudável, variada e equilibrada:

Alimentação fracionada em 6-7 refeições/dia

Intervalos de 2-3h entre as refeições;

Comer devagar;

Preferir cozidos, grelhados e estufados. Nos assados evitar os molhos. Não fritar
ou guisar;

Evitar o consumo de sal e bebidas alcoólicas;

Iniciar o almoço e o jantar com uma sopa de legumes e acompanhar as refeições
com legumes no prato.
COMER REGULARMENTE
EVITAR
 Carnes magras (frango, perú, coelho, Carnes gordas (vaca, porco, borrego,
pato); retire sempre as gorduras visíveis cabrito).
e a pele antes de as cozinhar.
Enchidos, bacon e patês.
Todo o tipo de peixe.
Ovo cozido /escalfado (1 por semana).
Estrelados, mexidos ou omoletes.
Pão de mistura/integral meio sal. Batata, Bolos, bolachas, biscoitos, rebuçados,
massa, arroz, grão e feijão (em bombons, chocolates e sobremesas.
quantidades
adaptadas
às
suas
necessidades)
Folhados e salgados.
75
MANUAL PARA O CUIDADOR
Leite
magro/meio-gordo.
magros
Queijo magro/meio-gordo
Iogurtes Leite e iogurtes gordos. Queijo gordo
Natas e leite condensado
Legumes sem qualquer restrição e a Alimentos processados (ex: sopas
todas as refeições. Sopa ao almoço e instantâneas, refeições congeladas) e
jantar, sempre sem batata.
conservas.
Toda a fruta (2 ou 3 peças/dia).
Frutas em calda, secas ou cristalizadas.
Frutos secos, com moderação.
Azeite para temperar e cozinhar (o Óleo, manteiga, margarina e banha.
mínimo indispensável).
Ervas aromáticas (salsa, louro, pimenta, Molhos em conserva, molho de soja,
cebola, alho). Faça marinadas.
caldos knorr, maionese, mostarda e
Sal - mínimo possível. Máximo 3,8 g/dia ketchup.
= 3/4 colher de chá.
76
MANUAL PARA O CUIDADOR
Água (pelo menos 1,5 L). Chá, café, com Bebidas
alcoólicas,
moderação.
gaseificada.
sumos,
água
Exercício físico:

Deve realizar quatro a sete dias por semana;

Durante pelo menos 30 a 60 minutos, menos não traz qualquer benefício nem
efeito;

Estratégias: usar as escadas, fazer o percurso mais longo, usar menos o
automóvel, sair com a família ou amigos para passear ao ar livre, etc.;

Ir aumentando gradualmente a intensidade e duração do exercício físico;

Exercícios recomendados: caminhadas, dançar, natação, andar de bicicleta.
77
MANUAL PARA O CUIDADOR
4.13 – CONTATOS NECESSÁRIOS EM CASO DE URGÊNCIA E OUTRAS
SITUAÇÕES
 Número de Emergência – 112

Bombeiros Voluntários de Condeixa - 239 941 503 ou 239 942 115

GNR (Condeixa-A-Nova) – 239 940 250

Intoxicações – INEM - 808 250 143

Saúde Pública – 808 211 311

Saúde 24 – 808 242 400

Linha Emergência Social - 144

Linha Vida – SOS Droga - 1414

Linha do Medicamento – 800 222 444
Farmácias:

Farmácia Ferreira (Condeixa-A-Nova) - 239941521 | 239941503

Farmácia Rocha (Condeixa-A-Nova) – 239941301

Farmácia Conímbriga (Ega) - 239948542

Farmácia S. Tomé (Condeixa-A-Velha) - 239941384
4.14 – O QUE FAZER EM CASO DE ÓBITO NO DOMICILIO
Se o óbito ocorrer na residência contate o médico de família, o médico assistente ou
delegado de saúde da sua área de residência para que este passe um certificado de
óbito. Este documento é gratuito e servirá depois para declarar o óbito na Conservatória
do Registo Civil (Portal do Cidadão, 2013).
Faltas Justificadas
78
MANUAL PARA O CUIDADOR
“O trabalhador pode faltar durante cinco dias consecutivos, por exemplo em caso
de morte do cônjuge, pais, filhos, sogros ou genros” (Ibidem).
“Pode faltar durante dois dias consecutivos em caso de morte dos avós, irmãos ou
cunhados, para além destes poderá igualmente faltar durante dois dias seguidos
em caso de morte de qualquer pessoa que vivesse com o trabalhador, mesmo que
não existisse qualquer ligação de sangue entre os dois” (Idem).
Em relação à colheita de órgãos:
“Após a morte, são potenciais dadores, todos os cidadãos nacionais e
estrangeiros, residentes em Portugal que não tenham manifestado, através da
inscrição no Registo Nacional de Não Dadores (RENNDA) do Ministério da Saúde,
a sua indisponibilidade como dadores” (Portal do Cidadão, 2013).
Subsídio de Funeral (Portal do Cidadão, 2013):
O Estado disponibiliza sob a forma de um Subsídio de Funeral, um montante fixo em
dinheiro, a qualquer pessoa que tenha descontado para o regime geral. Para tal, deve
dirigir-se ao Centro Distrital de Segurança Social, da sua área da residência, num prazo
no prazo de seis meses, a partir do primeiro dia do mês seguinte, àquele em ocorreu o
óbito e preencher um formulário próprio.
A par deste formulário é necessário apresentar:

Uma fotocópia de certidão de óbito ou certidão de nascimento com o óbito
averbado;

O recibo original da agência funerária comprovativo do pagamento das despesas
de funeral;

O modelo RP5033/1-DGSSS, no caso de a morte ser da responsabilidade de
terceiros.
Pensão de Viuvez:
“A pensão de Viuvez deverá ser requerida, num prazo de cinco anos a contar da
data de morte do beneficiário, nos serviços de segurança social da área da
residência” (Ibidem).
Pensão de Sobrevivência:
79
MANUAL PARA O CUIDADOR
“A pensão de Sobrevivência só é atribuída se o beneficiário falecido tiver
descontado para a Segurança Social por um período igual ou superior a 36 meses.
Para tal, os interessados devem dirigir-se aos serviços de segurança social da área
da residência no prazo de cinco anos a contar da data da morte do familiar” (Idem).
80
MANUAL PARA O CUIDADOR
CONCLUSÃO
Ao longo da elaboração deste manual pretendemos utilizar uma linguagem simples e
clara, a fim de o leitor ser capaz de perceber as informações e colocá-las em prática.
Esperamos que este manual seja útil para a pessoa, independentemente da sua idade
e grau de dependência, e para o seu cuidador, pois pretendemos trabalhar em parceria
com os mesmos com o objetivo de assegurar cuidados de excelência e promover a
saúde e a qualidade de vida de ambos.
Acreditamos que a parceria dos cuidados entre os profissionais de saúde e a pessoa e
os cuidadores é novo paradigma para o qual se deve caminhar e investir. Deste modo,
tentámos dar enfâse à importância do papel do prestador de cuidados informal na
maximização das potencialidades da pessoa, na minimização da sua dependência e na
manutenção e/ou aumento da qualidade de vida da mesma.
Este manual fornece, assim, inúmeras orientações a fim de garantir que os cuidados de
excelência sejam prestados em casa, sempre que possível. Contudo, quando não é
possível, existem redes de apoio disponíveis na comunidade, referenciadas no
documento, que têm como objetivo auxiliar ou assegurar os cuidados à pessoa
dependente e também de promover a qualidade de vida do cuidador.
Em suma, esperamos que este documento seja uma mais-valia para si e para todos os
que o rodeiam, no que diz respeito à promoção de hábitos e estilos de vida saudáveis,
de uma vida saudável, do envelhecimento ativo e na manutenção ou maximização da
autonomia da pessoa dependente, para que todos juntos possamos alcançar melhores
indicadores e ganhos em saúde.
81
NOME DO DOCUMENTO
BIBLIOGRAFIA
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que devem existir para evitar complicações. Setembro, 2013. [Em linha]. [Consult. 1
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Dependente no Domicílio. Unidade Saúde Familiar de Dafundo- ACES Oeiras – Baixo
Mondego. Julho, 2010.
DAFUNDO - Orientações para a prevenção de úlceras de pressão. Unidade Saúde
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VEIGA, Bárbara; et al. – Manual de Normas de Enfermagem – Procedimentos
Técnicos. 2º ed. Lisboa 2011. [Em linha]. [Consult. Jan. 2015]. Disponível em: <
http://forumenfermagem.org/dossier-tecnico/documentos/orientacoes-tecnicas/manualde-procedimentos-tecnicos-de-enfermagem-acss#.VNZuCK0pXIV>.
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