Flavio Shiro - TNT - escritório de arte

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Flavio Shiro - TNT - escritório de arte
F LÁ V I O S H I R Ó , T a na k a
Sapporo, Japão | 1928
Pintor, gravador, desenhista e cenógrafo Flávio Shiró Tanaka viveu o choque cultural decisivo para sua arte quando saíu de Sapporo,
no Japão, onde nasceu em 1928 e chegou aos 4 anos de idade numa colônia japonesa em Tomé Açu no Pará, em plena Amazônia
brasileira em 1932, adotando o nome de Flavio. “Ali fui marcado definitivamente pela emoção tropical”diz ele. Ele nunca soube ao
certo porque seu pai, um dentista culto e artista nas horas vagas, decidiu partir para o Brasil com sua família. Mas o Japão resistiu
aos trópicos para os Tanaka em Tomé-Açu : seu pai lia poemas em japonês todos os dias para a família e sua mãe tocava depois do
banho os instrumentos musicais Koto e Shamissen trazidos de Sapporo.
Nos anos 40, Shiró vive um novo choque cultural com a mudança para São Paulo, ainda adolescente. A segunda guerra mundial
havia começado e por causa da posição do Japão, aliado à Alemanha nazista, os imigrantes japoneses eram encarados de modo
mais hostil no Brasil. O diploma de Odontologia do pai não foi reconhecido e a família Tanaka foi trabalhar nas plantações de chá
em Mogi das Cruzes, antes de abrir uma quitanda na Rua Augusta, no centro de São Paulo. A cidade, em plena expansão, tinha
muito a oferecer à vocação artística do jovem Shiró: incentivado pelo pai, em 1943 ele começa a frequentar as sessões de
modelo vivo do Grupo Santa Helena, conhece artistas como Alfredo Volpi (1896 - 1988) e Francisco Rebolo (1902 - 1980), Mario
Zanini, Fransisco Rebolo, Manoel Martins, pintando os arredores da cidade de São Paulo e participa de sua primeira mostra de
pintores com telas expressionistas, aos 19 anos. Em 1947, integra o Grupo Seibi. No ano seguinte, trabalha na molduraria do
pintor Tadashi Kaminagai (1899 - 1982).
Shiró que oscilou, em mais de cinco décadas de carreira artística, entre a arte figurativa e não figurativa. Ele insiste, no entanto,
em privilegiar a força da Amazônia brasileira em sua obra e sorri mostrando uma tela com traços negros que à primeira vista
poderia sugerir uma caligrafia oriental : isso é um igarapé da Amazônia. Mas é engraçado… Andre Malraux, célebre ministro da
cultura da França, quando viu essa tela na II Bienal de Paris, em 1961, pensou que era um Cristo crucificado.
Sua relação com Paris começou em 1953, quando obteve uma bolsa de estudos por um ano, lá estuda mosaico com Gino
Severini (1883 - 1966), gravura em metal com Johnny Friedlaender (1912 - 1992) e litografia na École National Supérieure des
Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes. Nunca mais ele se separou da cidade, onde comprou um velho galpão no
bairro do Marais e o transformou, ele mesmo, em sua bela residência e ateliê. Ele nunca se separou também do Brasil e trabalha
uma parte do ano em seu ateliê no bairro do Catete, no Rio.
O artista participou de inúmeras Bienais Internacionais, como São Paulo, França, Argentina, Havana e importantes Salões de
Arte Internacionais tanto dentro do território brasileiro como no exterior . Sua exposições já figuraram em outras importantes
coleções e museus, como Guggenheim Internacional de Nova Iorque, MAM-Ba, MNBA – RJ, entre outras.
O artista tem sua obra reconhecida e esta entre os artistas renomados da arte no Brasil.
Do Japão, ele guarda as pinceladas vigorosas que podem vir de sua descendência dos samurais do século IX, descoberta há
pouco tempo. Flávio Shiró se define: « sou como uma figueira brava, ligado a três continentes por raízes aéreas ».
Fonte:
http://www.rfi.fr/actubr/articles/063/article_8.asp Por Maria Emilia Alencar
Reportagem publicada em 09/03/2005 Última atualização 21/03/2005 14
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