Anais do Congresso ABIPTI 2014

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Anais do Congresso ABIPTI 2014
ORGANOGRAMA
APRESENTAÇÃO
Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação - ABIPTI
Proporcionar um ambiente inovador no Brasil é um desafio de longa data e tem sido uma das principais
pautas de discussão nos encontros do governo e da sociedade civil na busca do desenvolvimento socioeconômico, não apenas no cenário nacional como também internacional.
Presidente
Isa Assef dos Santos – Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi)
Vice-Presidente Região Norte
Luiz Augusto Mesquita de Azevedo, diretor presidente da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac)
Vice-Presidente Região Nordeste
Maria Gricélia Pinheiro de Melo, diretora regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-PB)
Vice-Presidente Região Centro-Oeste
Maurício Antônio Lopes, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Vice-Presidente Região Sul
Luiz Antonio Antoniazzi, presidente da Fundação de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Cientec)
Vice-Presidente Região Sudeste
Paulo Roberto Santos Ivo, executivo de Desenvolvimento de Negócios e Relações Institucionais do Instituto Eldorado
Diretora Executiva
Flaudemira Araujo Paula
Coordenação Editorial
Cristina M. S. Blaudt
Projeto Gráfico e Diagramação
Silvestre Comunicação Digital - responsável técnico: José Martins
FICHA CATALOGRÁFICA
O Congresso ABIPTI, em sua 8ª edição, constitui-se em um evento técnico com a finalidade de fomentar,
debater e difundir conhecimentos junto aos atores integrantes do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e
Inovação (SNCTI) e em áreas correlatas, incluindo também temáticas transversais, adotou o tema intitulado
“Ambiente Inovador no Brasil: Desafios para o Desenvolvimento Socioeconômico”.
Pressupõe-se que o papel de cada ator no cenário científico e tecnológico existente no País, seja ele público ou privado, deva contribuir para que em suas ações e projetos a inovação tecnológica se faça presente e
resulte em melhoria dos índices de competitividade da produção econômica brasileira, para que o desenvolvimento socioeconômico realmente ocorra em nosso País.
Com o objetivo de propiciar uma espaço de discussão das atividades que as Entidades de Pesquisa,
Desenvolvimento e Inovação (as EPDIS) vivenciam e desenvolvem em seus ambientes institucionais, a ABIPTI
convocou por meio de chamada pública a apresentação de trabalhos que abordassem o tema central do Congresso e que foram enquadrados nos seguintes subtemas:
1.Contribuição das ICTs para a competitividades das empresas
2.A proteção do conhecimento no âmbito das ICTs
3.O uso das tecnologias sociais para o desenvolvimento regional sustentável
4.Inovação em saúde para o bem estar social
Na oportunidade, a ABIPTI agradece a inestimável colaboração da Comissão Técnico-Científica,
responsável pela orientação e avaliação dos trabalhos aqui apresentados e que sem dúvida enriquecem
ainda mais o Congresso ABIPTI 2014.
Isa Assef dos Santos
Presidenta da ABIPTI
Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação – ABIPTI
www.abipti.org.br
SCLN 109 Bloco C, Salas 201 a 204
CEP: 70752-530 – Brasília/DF
Telefone: (61) 3348-3131 – Fax: (61) 3348-3117
COMISSÕES
COMISSÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA
COMISSÃO ORGANIZADORA
Abraham Sicsú (SECTMA/PE)
Bibiana Marcondes de Moura
Célia Cristina Barbosa
Cristiane de Castro Rosa
Cristina Maria Santos Blaudt
Flaudemira Araujo Paula
Jacinta Jorge Beltrão
Leandro Alberto Lins Duarte
Luis Felipe da Silva
Maria Elisabete Ferreira
Oscar Roberto Guimarães Júnior
Cezar Augusto (CDTN)
Hideraldo Almeida (SETEC/MCTI)
Marconi Edson Esmeraldo Albuquerque (CNPq)
Maria Luciana da Silva Nóbrega (UNIVASF)
Maria Elisabete Ferreira (ABIPTI)
Rafael de Brito Dias (UNICAMPI/FCA)
Rafael Leite Pinto de Andrade (CNPq)
Renato Frota (FUCAPI)
Wayne Brod Beskow (CNPq)
SUMÁRIO
Subtema 1 - Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A captação de recursos para inovação fora do âmbito da Incubadora Tecnológica de
Campina Grande - ITCG e o papel da Central de Projetos: Um panorama inicial
12
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema
Local de Inovação de Campinas (SP)
205
A Contribuição do INT para Inovação em Tecnologias Assistivas Promovendo o Aumento da Competitividade Nacional
22
215
Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia e Inovação da Unisul: Contexto, Processo
de Estruturação e Principais Resultados Alcançados na Relação Universidade-Empresa-Governo
32
Parques Tecnológicos como Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Industrial de Pernambuco:
Novas Concepções e Primeiros Passos
223
A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
46
Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma
contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para
as Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
58
Rotosimp: Um Relato da Experiência em Produção de Simuladores para Treinamento Industrial
233
Desafios e Perspectivas na Promoção da Inovação pela Interação ICT- empresas: Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia de São Paulo - IFSP e o Arranjo Produtivo e Inovativo Local Calçadista de Birigui - SP
69
SIBRATEC como Instrumento de promoção da Inovação nas Micro e Pequenas Empresas
244
Desenvolvimento tecnológico inovador da empresa Brasil Vital no Programa de
Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás – PROIN.UEG
77
Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do Sistema Municipal de São Carlos (SP)
256
Sistema Local de Inovação: um estudo sobre a ótica da inovação no Tocantins
87
266
Educação e Industrialização: a experiência no Polo Industrial de Manaus
Fatores de Bloqueio à Criatividade e Inovação: Um Estudo com Acadêmicos
de Engenharia da Região do Vale do Paranhana
96
Tecnologia para inovação: 90 anos de contribuição do INT para a competitividade das empresas
277
Uma análise das melhores práticas das ICT´s nos sistemas de inovação do Brasil,
Coreia do Sul, México e Espanha
288
FUNDEP Participações S/A: Transformando Conhecimento em Tecnologia
109
Gestão da Qualidade para Inovação: Indicadores de Produtividade para a
competitividade no Processo de Incubação
118
Gestão de Ecossistemas de Aplicativos e a Competitividade do
Mercado: Estudo de Caso Brasileiro
127
INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o
Desenvolvimento de Aplicações Móveis
136
Avaliação e Incorporação de Tecnologias de Construção em uma Edificação
de Pesquisa e Produção em Saúde
299
INEAGRO CABUGI e a Incubação de Empresas mais Competitivas
no Semiárido Potiguar: Estudo de Casos
146
Acesso e Proteção da Informação e do Conhecimento referente a Novas
Tecnologias: a experiência de uma ICT pública brasileira.
308
Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas
Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
155
Comitê para o Desenvolvimento Estratégico do Centro Biomédico da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro: Uma estratégia para estimular o ambiente inovador em saúde
319
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
166
Estratégias institucionais para o desenvolvimento da pesquisa tecnológica e a inovação
328
O Brasil Fazendo o Dever de Casa para o Ranking de Inovação
Tecnológica e Desenvolvimento Humano
180
Patentes associadas ao uso de recursos biológicos: ações institucionais e os desafios da MP 2.186-16/01
340
Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo
sobre a oferta de conhecimento da UFJF
193
Subtema 2 - A proteção do conhecimento no âmbito das ICTs.
SUMÁRIO
Subtema 3 - O uso das tecnologias sociais para o desenvolvimento regional sustentável
A construção de casas populares: inovando com o EPS
349
Avaliação e Incorporação de Tecnologias de Construção em
uma Edificação de Pesquisa e Produção em Saúde
353
Empresas paranaenses trabalhando em prol do Desenvolvimento Sustentável
– Dialogando na Indústria, estudo de caso
363
Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal
de Mato Grosso – ITCP-UFMT
372
Indústria acessível
382
Inovação Social E Transferência De Tecnologias Na Cadeia Produtiva de Couro Na Região De Ipirá/BA
393
Projeto Rio Mamanguape Beneficia Pequenos Produtores com Tecnologias
Sociais Para o Desenvolvimento Sustentável e sua Permanência na Terra
403
Viabilidade econômica e social da integração entre as cadeias produtivas
da piscicultura e fruticultura irrigada em São João do Piauí-PI
416
Subtema 4 - Inovação em saúde para o bem estar social
e-Health: Sensoriamento Eletrônico da Saúde Humana para Diagóstico e
Tratamento de Endemias nas Comunidades Remotas da Amazônia
424
Qualidade de Vida no Trabalho: A Relação entre a Sobrecarga de Trabalho e o Turnover
437
Dias 6 e 7
de maio de 2014
Brasília (DF)
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A captação de recursos para inovação fora do âmbito da Incubadora Tecnológica de Campina Grande - ITCG e o papel
da Central de Projetos: Um panorama inicial
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
projetos, especialmente, através de capacitações específicas no formulário FINEP, o que, consequentemente, pode
se traduzir em benefícios para a sociedade que vão desde a ampliação da captação de recursos até a fixação local
de mão de obra especializada. Nesse contexto, a ITCG e sua Central de Projetos, pode se configurar como um diferencial para estas empresas que estão fora do seu escopo, promovendo essa aproximação, apoiando-as no alcance da
maturidade necessária para uma captação de recursos mais perene, efetiva e consolidada. Vale ressaltar que esta
é a primeira vez que tal análise é feita e que deve ser aprofundada posteriormente.
1.INTRODUÇÃO
SILVA, Maria Helena. Coordenadora da Central de Projetos. Fundação Parque Tecnológico da Paraíba
[email protected]
AMORIM, Elisonete Vieira. Gerente de Inovação. Fundação Parque Tecnológico da Paraíba
[email protected]
MONTEIRO, Geneceuda Ferreira. Assessora de Comunicação. Fundação Parque Tecnológico da Paraíba
[email protected]
Palavras-Chave: Captação de recursos. Inovação. Competitividade.
Resumo
Diante do cenário favorável e das perspectivas de apoio à inovação, visíveis na postura do Governo Federal, a exemplo do PLANO INOVA EMPRESA, levando-se em consideração o papel da Fundação PaqTcPB que atua na promoção
da inovação e desenvolvimento local desde 1984, e ainda objetivando identificar gargalos e ampliar a captação de
recursos no Estado da Paraíba, a Central de Projetos da ITCG executou uma pesquisa a fim de conhecer o perfil do
empreendedor, possível demandante de recursos para a inovação, englobando: sua constituição, a experiência na
elaboração de projetos para captação de recursos reembolsáveis e não reembolsáveis, a ocorrência de recebimento
de recursos subvencionados, os itens que têm maior necessidade de captação de recursos e qual a estimativa de
recursos. A metodologia utilizada foi a pesquisa de campo, realizada no mês de Fevereiro/2013, através de um questionário estruturado com questões fechadas e abertas, abordando 35 empreendedores de segmentos econômicos
variados e que estão fora do âmbito de apoio da Incubadora Tecnológica de Campina Grande - ITCG. Levou-se em
consideração, para análise comparativa posterior, o número de projetos aprovados pela FINEP/2012. A pesquisa
mostrou que: 74,3% dos indivíduos sondados nunca elaboraram um projeto para captação de recursos, 97,2% nunca receberam recursos de subvenção, 80% se constituem como empresa privada, essencialmente MPE´s e estão
localizados, principalmente em Campina Grande e na capital João Pessoa e que o montante de recursos pretendidos varia entre R$100.000,00 e R$1.000.000,00. Por outro lado, segundo a FINEP (dados referentes a 2012, www.
finep.gov.br, acessado em 15/03/2013), foram aprovados 565 projetos entre recursos reembolsáveis e não reembolsáveis. Destes, apenas 72 (12,74%) referem-se a projetos aprovados no Nordeste e apenas 08 (1,41%) a projetos
aprovados na Paraíba. Dos projetos aprovados na Paraíba, 02 destinaram-se a empresas, sendo um não reembolsável e outro reembolsável, os outros 06 estão distribuídos entre instituições ligadas ao ensino e ao empreendedorismo e inovação, todos não reembolsáveis. Os resultados da pesquisa dão base para os números da FINEP. Existe
pouca experiência na elaboração de projetos pelos empreendedores, e embora alguns já tenham atuado na elaboração de projetos, o índice de aprovação ainda é muito baixo. Destaque-se aqui que os resultados da pesquisa não se
harmonizam (em parte) com a capacidade reconhecida do Estado no cenário nacional reconhecido como referência
em C, T & I. Os empreendedores revelaram um considerável grau de disposição em se preparar para a elaboração de
A captação de recursos para inovação fora do âmbito da Incubadora Tecnológica de Campina Grande - ITCG e o papel da Central de Projetos: Um panorama inicial
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No cenário nacional, o Governo Federal vem demonstrando que reconhece o valor da inovação tecnológica
como um fator de competitividade fundamental para a inserção e manutenção das empresas no mercado. Este
reconhecimento se traduz através da disponibilização de recursos financeiros de subvenção, não só no âmbito
federal, mas em diversas instâncias através de instituições como FINEP, CNPq, ANPROTEC, SEBRAE, BNDES,
SENAI que juntas, somam esforços no apoio à inovação. A inserção de pesquisadores no setor produtivo, a cooperação entre empresas e instituições de ciência e tecnologia, a difusão da cultura do empreendedorismo e
da inovação, a formação de recursos humanos especializados, entre outros, são vistos como fatores que podem
alavancar a inovação nas empresas. Neste sentido, várias chamadas públicas foram lançadas neste ano, a
exemplo do PLANO INOVA EMPRESA, com intervenções maciças e de investimentos de recursos visando, aliado
a outras ferramentas, promover a inovação.
No cenário estadual, apresentam-se a Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba – FAPESQ/PB – com o lançamento de editais com recursos de subvenção e a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba – Fundação PaqTcPB
que exercem um papel fundamental na promoção da inovação. A Fundação PaqTcPB através da sua Incubadora de
empresas a Incubadora Tecnológica de Campina Grande – ITCG vem, há quase 30 anos, empreendendo esforços
para apoiar as empresas na promoção da inovação, permeada pela forte rede de articulação que mantém com
instituições diversas. O seu papel articulador ultrapassa fronteiras e busca alcançar empresas que estão fora do
seu âmbito físico de atuação, contribuindo de forma efetiva com o desenvolvimento local e regional. Neste sentido, a
pesquisa de campo realizada com empresas que estão fora do âmbito da incubadora revela que os possíveis demandantes de recursos de inovação são micros e pequenas empresas, que na sua maioria nunca apresentaram projetos
nem captaram recursos de subvenção. Este pode ser um dos motivos pelo qual, em 2012, a Paraíba teve apenas
oito projetos aprovados pela FINEP.
Diante dos fatos, a Fundação PaqTcPB/ITCG pode empreender esforços e intervir na mudança desse quadro e
promover novos resultados no que diz respeito à ampliação da captação de recursos e a solidificação de Campina
Grande como uma cidade que oferece condições favoráveis para o desenvolvimento do empreendedorismo inovador.
A expectativa é que este trabalho sirva como base para aprofundamento da discussão sobre a questão de
acesso a recursos e inovação, principalmente no que diz respeito ao Nordeste e à Paraíba. Além disso, que possa
contribuir com o conhecimento da realidade e com um posicionamento estratégico das instituições que fazem parte
do sistema de C, T & I, de maneira a atender o mercado e as demandas das empresas e de toda a sociedade.
2. O ACESSO A RECURSOS PARA PROMOÇÃO DO EMPREENDEDORISMO E DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS
A inovação é reconhecidamente um dos principais fatores de competitividade das empresas. O Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vem aportando recursos de subvenção para pequenas empresas, destinados à promoção da inovação, cujo acesso ainda acontece de forma tímida, principalmente em algumas regiões
do país. Pesquisas revelam que ainda há dificuldades de acessar estes recursos, bem como desconhecimento
de informações e escassez de serviços técnicos especializados para capacitar e/ou auxiliar empreendedores na
captação dos mesmos.
A captação de recursos para inovação fora do âmbito da Incubadora Tecnológica de Campina Grande - ITCG e o papel da Central de Projetos: Um panorama inicial
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A Pesquisa de Inovação - PINTEC 20111 cujo objetivo é fornecer informações para a construção de indicadores
das atividades de inovação das empresas brasileiras, destaca o tema “financiamento” na sua abordagem, segmentando, inclusive, a questão de financiamento público. Na parte de “Apoio do governo” as informações englobam
financiamentos, incentivos fiscais, subvenções, participação em programas públicos voltados para o desenvolvimento tecnológico e científico, entre outras. Dados presentes na pesquisa revelam que o financiamento de máquinas e
equipamentos foi o principal instrumento utilizado, pelas empresas, para inovar alcançando um percentual de 25,6%
e outros programas de apoio que incluem bolsas oferecidas pelas Fundações de Apoio à Pesquisa - FAP´s e pelo
Programa Recursos Humanos em Áreas Estratégicas – RHAE - Inovação, do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico que alcançou 7,9%.
Segundo os números relatados, os instrumentos menos utilizados foram a subvenção econômica – 1,0% e o
financiamento a projetos de P & D e inovação tecnológica em parceria com universidades ou institutos de pesquisa
– 1,3%. Na questão de problemas e obstáculos à inovação, a pesquisa revela que a empresa não inovou devido a
diversos fatores, os quais estão listados como os principais problemas que podem ter prejudicado as suas atividades
inovativas. Nesta lista, aparecem fatores de natureza econômica como custos, riscos, fontes de financiamentos
apropriadas (escassez de fontes de financiamentos) e deficiências técnicas; escassez de serviços técnicos externos
adequados e falta de pessoal qualificado, além de problemas de informação.
Por sua vez, em se tratando de empreender, o Relatório GEM – Global Entrepreneurship Monitor de 20122
(pesquisa de âmbito mundial iniciada em 1999 pelas instituições Babson College e London Business School e no
Brasil, conduzida pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade – IBQP em parceria com o SEBRAE), aponta
como uma das principais dificuldades para empreender, a questão do apoio financeiro. De 2000 pessoas entrevistadas na região Nordeste, 50% destacou que entre os fatores que necessitam de melhorias para empreender é a
questão do apoio financeiro.
Chama a atenção nestas pesquisas os fatos do pouco acesso aos recursos de subvenção e a principal dificuldade elencada para empreender ter sido a questão do apoio financeiro.
3. O CENÁRIO ATUAL DE PROMOÇÃO DA INOVAÇÃO E DO EMPREENDEDORISMO NO PAÍS
Ações recentes do Governo Federal na área de ciência, tecnologia e inovação a exemplo dos investimentos significativos da união e dos estados (nestes últimos anos, principalmente através das FAP´s – Fundações de Amparo
à Pesquisa), sinalizam para o fato de que a inovação tecnológica é reconhecidamente fator estratégico adotado para
promoção do desenvolvimento do país, através da criação de um ambiente favorável para a promoção da inovação
dentro das empresas, mesmo diante das realidades regionais díspares encontradas internamente.
Este ambiente favorável inclui o apoio à inserção de pesquisadores no setor produtivo, a cooperação entre
empresas e instituições de ciência e tecnologia, a difusão da cultura do empreendedorismo e da inovação, a formação de recursos humanos especializados, o apoio à implementação de centros de pesquisa e desenvolvimento
e inovação dentro das empresas. Esta disponibilidade de recursos de subvenção vem colocar o governo como um
corresponsável no desafio de inovar.
As seleções públicas com recursos de subvenção lançadas em 2013, como parte do Plano INOVA EMPRESA nas
áreas de: Tecnologia da Informação e Comunicação, Nanotecnologia, Energia, Construção Sustentável, Biotecnologia, Saúde e Agronegócio são exemplos de intervenções maciças e de investimentos de recursos visando, aliado a
outras ferramentas, promover a elevação do patamar de inovação dentro das empresas. Só o Plano Inova Empresa
vai aplicar R$ 32,9 bilhões nos próximos dois anos, algo nunca visto no país. Além disso, o TECNOVA que foi inicia-
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
do em 2012 está em andamento com alguns parceiros para conduzir o programa de apoio à Inovação em micros e
pequenas empresas, de maneira descentralizada, pelas diferentes regiões.
No início de maio de 2013, reforçando estas ações e abordando outro partícipe do sistema de C, T & I , o SEBRAE lançou uma Chamada Pública cujo objetivo foi promover o fomento ao empreendedorismo inovador nas Instituições de Ensino Superior – IES. E ainda, o CNPq apoiou a melhoria da infraestrutura de incubadoras do Brasil para
promover a inovação nestas e consequentemente nos empreendimentos apoiados por elas.
Como forma de complementar os recursos de subvenção, o governo lançou o INOVACRED que objetiva descentralizar as ações da FINEP numa ação de promoção da inovação nas empresas através de operações de crédito.
Segundo a FINEP, a expectativa é que até 2014 sejam credenciadas cerca de 20 bancos e apoiadas cerca de mil
empresas inovadoras.
Obviamente, o histórico de apoio a C, T & I no Brasil não é recente e vem ocorrendo de forma sistemática por
instituições como FINEP (criada em 1967), CNPq (criado em 1951), BNDES (criado em 1952) entre outras, porém,
agora mais do que nunca numa tomada de consciência de que a inovação é um dos principais caminhos para promover o desenvolvimento e o crescimento econômico e que surge como resultado da sinergia, necessária, entre
governo, empresas, instituições de ciência e tecnologia e instituições de ensino e pesquisa. É nesse contexto que se
insere a promoção da inovação no Brasil.
3.1. O CENÁRIO ATUAL DE PROMOÇÃO DA INOVAÇÃO NO ESTADO DA PARAÍBA
No estado da Paraíba, várias ações vêm sendo implementadas a partir de parcerias entre os governos federal
e estadual. O Programa Primeira Empresa – PRIME, operado em 2009, e o Programa de Subvenção à Pesquisa em
Microempresas e Empresas de pequeno porte – PAPPE INTEGRAÇÃO, operado em 2010 através da FAPESQ-PB com
recursos não reembolsáveis da FINEP foram aplicados na pesquisa e no desenvolvimento de processos e/ou produtos inovadores e já apoiaram mais de 120 empreendimentos, nos segmentos de: TIC, energia, saúde, alimentos
entre outras.
As ações mais recentes foram o lançamento dos Editais de Redes Digitais e do TECNOVA em 2013, com recursos do Ministério das Comunicações e da FINEP, respectivamente, aliado a recursos do Governo do Estado através
da FAPESQ/PB. Neste último, os recursos somaram R$ 13,5 milhões. Foram aprovados 31 projetos de empresas,
sendo 05 na área de TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação; 06 na área de saúde, 01 na área de energia
e 19 na área de desenvolvimento social. Os valores dos projetos oscilam entre R$ 189 mil e 597 mil. O objetivo do
TECNOVA é investir na inovação para o desenvolvimento de produtos (bens ou serviços) e/ou processos inovadores
– novos ou significativamente aprimorados – de empresas paraibanas de pequeno porte para setores econômicos
considerados estratégicos e promover a competitividade das empresas e da economia local. Atualmente, o TECNOVA
está na fase de contratação dos projetos.
4. O PAPEL DA FUNDAÇÃO PARQUE TECNOLÓGICO DA PARAÍBA/ITCG
A Fundação Parque Tecnológico da Paraíba - Fundação PaqTcPB vem, desde 1984, atuando como importante
vetor do empreendedorismo e da inovação em Campina Grande, reconhecida como uma cidade inovadora e um dos
principais Polos Tecnológicos da região. Grande parte dessa imagem é decorrente da atuação da Fundação PaqTcPB,
da Incubadora Tecnológica de Campina Grande - ITCG e de esforços de personalidades marcantes no cenário nacional de Ciência e Tecnologia a exemplo de Lynaldo Cavalcanti e Telmo Araújo que desde muito cedo, vislumbraram a
vocação da cidade.
IBGE. Pesquisa de Inovação, 2011.
IBQP.SEBRAE.FGV. Empreendedorismo no Brasil – Relatório Executivo 2012.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Promover o empreendedorismo inovador no Estado da Paraíba e apoiar a criação, o crescimento e o desenvolvimento de empresas inovadoras através da apropriação dos conhecimentos e tecnologias geradas nas Instituições de P&D e da inserção de produtos, serviços e processos no mercado interno e externo é um dos grandes
objetivos da ITCG, permeado pelo seu importante papel de articulador entre empresas e instituições diversas.
Este apoio e esforço de inserção de empresas bem sucedidas no mercado ocorre, entre outros fatores, a partir de uma ação sinérgica entre os Governos, as Fundações, as Empresas, as Universidades e outras instituições a
exemplo de SEBRAE, as Federações de Indústria, a Anprotec e o BNDES que juntos têm reunido esforços e recursos
financeiros a fim de aplicar diretamente nas empresas que pretendem promover a inovação.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Quanto à elaboração de projetos para captação de recursos, a grande maioria nunca empreendeu esforços
para elaboração de projetos. Este é um fato significativo e demonstra a necessidade que existe de empreender um
esforço maior por parte do sistema de C, T & I para divulgar, sensibilizar e apoiar a elaboração de projetos.
Gráfico 2 – Já recebeu recursos de subvenção?
A sua atuação, através da divulgação das oportunidades de fomento à inovação nas empresas e no apoio à
elaboração de projetos para órgãos como FINEP e CNPq, ocorre, principalmente, no atendimento a empreendedores
que estão ligados ao Programa de Incubação da ITCG.
No entanto, diante da conjuntura atual de promoção da inovação, a ITCG compreende que o seu papel de
articulador deve ultrapassar fronteiras e alcançar um maior número de empresas que estão fora do seu escopo e
âmbito físico de atuação, contribuindo de forma efetiva com o desenvolvimento local e regional solidificando-se como
um habitat de inovação que potencializa os esforços no sentido de tornar o município de Campina Grande um locus
de destaque na promoção e transformação econômica, urbana, social, cultural e científico-tecnológica, atuando em
novos segmentos e modelos de negócios.
5. A REALIDADE DO ACESSO A RECURSOS POR EMPRESAS DA PARAÍBA
De acordo com dados da FINEP (2012), na Paraíba o índice de aprovação de projetos foi muito baixo, alcançando menos de 2% em seus editais de apoio à inovação. Tendo em vista mudar essa realidade a ITCG, através de
uma pesquisa de campo, identificou um público diferenciado e pouco conhecedor das ações de promoção do empreendedorismo inovador, que deve ser alvo de uma estratégia de atuação para melhorar estes indicadores. A ideia
é que se possa embasar uma reunião de esforços articulados, com forças para promover a estruturação, ampliação
e sustentação de um ambiente propício à inovação no estado.
A pesquisa, realizada com 35 empreendedores, com questões fechadas e abertas, mostrou que o perfil das
empresas que estão fora do âmbito da ITCG, é essencialmente composto por micros e pequenas empresas, a maioria
delas localizada na capital ou em Campina Grande (a 2ª maior cidade do Estado da Paraíba), as suas necessidades
de recursos situam-se entre 100 mil e hum milhão de reais, na sua maioria nunca elaboraram um projeto para
captação de recursos e nunca acessaram recursos de subvenção (inclusive desconhecendo o termo), conforme se
observa nos gráficos a seguir:
Fonte: Pesquisa de campo realizada pela autora – Fev/2013.
Observa-se que, quanto ao acesso de recursos, na sua maioria, os empreendedores nunca receberam recursos
de subvenção.
Gráfico 3 – Forma de constituição
Gráfico 1 Voce já atuou na elaboração de projetos?
Fonte: Pesquisa de campo realizada pela autora – Fev/2013.
Fonte: Pesquisa de campo realizada pela autora – Fev/2013.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Quanto à constituição, a maioria se constitui como empresa privada, essencialmente MPE´s, seguida de
pessoa física.
Gráfico 4 – Localização da empresa/instituição
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A maior necessidade de aporte de recursos é para máquinas e equipamentos. Os itens de pessoal, serviços de
terceiros e adequação de infraestrutura da empresa aparecem em seguida.
Conforme já citado anteriormente, o índice de aprovação de projetos da Paraíba em 2012, junto à FINEP foi
muito baixo. Naquela instituição, foram aprovados 565 (www.finep.gov.br, acessado em 15/03/2013), destes, apenas 72 (12,74%) referem-se a projetos aprovados no Nordeste e apenas 08 (1,41%) a projetos aprovados na Paraíba.
Dos projetos aprovados na Paraíba, 02 destinaram-se a empresas, sendo 01 não reembolsável e outro reembolsável,
os outros 06 estão distribuídos entre instituições ligadas ao ensino e ao empreendedorismo e inovação, todos não
reembolsáveis.
6. Conclusão
Merece destaque o fato de que a maior necessidade da empresa é a aquisição de máquinas e equipamentos.
Este item está presente como possível de utilização dos recursos, em praticamente todos os editais.
Fonte: Pesquisa de campo realizada pela autora – Fev/2013.
A maioria dos empreendedores está localizada em Campina Grande e João Pessoa.
Gráfico 5 – Qual a sua maior necessidade de recursos?
Percebe-se também que existe uma coerência com os resultados apresentados nas pesquisas PINTEC 2011 e
com os resultados da FINEP 2012. É evidente a existência de uma lacuna entre o movimento deflagrado pelo governo
brasileiro de promoção da inovação, representado aqui pela disponibilidade de apoio financeiro com subvenção e as
empresas da Paraíba. Assim sendo, certamente, diversos fatores devem ser responsáveis por esta realidade. Porém,
dentro do foco da pesquisa, as empresas têm pouco conhecimento sobre as políticas públicas de apoio à inovação,
pouca experiência na elaboração de projetos e, consequentemente, baixo índice de aprovação, além disso, veem
este acesso como algo altamente burocrático e inacessível.
Observe-se também que estes resultados não se harmonizam (em parte) com a capacidade reconhecida de
Campina Grande no cenário nacional, tida como referência em C, T & I, que, teoricamente, deveriam ser transferidas
para a sociedade. Parece que ainda falta este reconhecimento se traduzir em resultados concretos para o mercado,
para as empresas e para o sistema local de ciência, tecnologia e inovação.
Por outro lado, observam-se, de acordo com o número de empresas apoiadas, que os resultados em termos
de apresentação e aprovação de projetos são melhores quando da descentralização dos recursos para os Estados,
através da FAP´s. Talvez pelo fato de que as instituições locais conhecerem melhor o mercado, as potencialidades,
as fragilidades e poderem intervir de forma mais próxima, apoiando as empresas nas suas principais demandas
relativas às dificuldades para elaborar projetos e captar recursos.
Apesar das dificuldades que se apresentam, os empreendedores revelaram disposição para mudar esse
cenário através do conhecimento das políticas de financiamento, da participação em capacitações e do compromisso com uma participação mais efetiva na submissão de propostas o que, consequentemente, se traduzirá em mais
benefícios para o município e para o Estado.
Podemos refletir que há muito que se fazer. O papel da ITCG nesse panorama deve ser de incansável canal entre
as instituições de apoio à inovação e estas empresas.
Fonte: Pesquisa de campo realizada pela autora – Fev/2013.
A captação de recursos para inovação fora do âmbito da Incubadora Tecnológica de Campina Grande - ITCG e o papel da Central de Projetos: Um panorama inicial
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Para tanto, é necessário planejar uma estratégia para promover, de forma sustentável, a preparação das empresas para a inovação e para a elaboração de projetos, o acesso aos editais, tornando-se uma cultura no dia a dia
das mesmas, o que com o tempo se traduzirá na captação de recursos de forma mais equilibrada. Esta intervenção
pode se configurar como um elemento que complementa o movimento pela inovação nas empresas e deve contribuir
para solidificar Campina Grande como uma cidade que oferece condições favoráveis para o desenvolvimento do empreendedorismo e da inovação.
A captação de recursos para inovação fora do âmbito da Incubadora Tecnológica de Campina Grande - ITCG e o papel da Central de Projetos: Um panorama inicial
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Finalmente, podemos resumir a pesquisa e seus resultados no seguinte:
Figura 1 – RESUMO DA PESQUISA
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. C.E.S.A.R. Manual de Incentivos à Inovação: como gerar inovação usando incentivos governamentais no Brasil.
Recife: C.E.S.A.R, 2009.
2. IBGE. Pesquisa de Inovação 2011. Rio de Janeiro: IBGE, 2013. 2012.
3. IBQP. Relatório GEM:Empreendedorismo No Brasil – Relatório Executivo 2012. Paraná: IBQP, 2013.
4. Movimento Brasil Competitivo. Seminário de Inovação – Apostila Específica: Inovação e Competitividade. Brasília:
CDT/UnB, 2007.
5.Ministério das Relações Exteriores. Manual de Orientações Gerais sobre Inovação. Brasília: MRE, 2011.
6. SEBRAE. Diretrizes de Atuação do Sistema SEBRAE em acesso à inovação e tecnologia. SEBRAE: Brasília, 2007.
7.http://www.cnpq.br/web/guest/chamadas-publicas?p_p_id=resultadosportlet_WAR_resultadoscnpqportlet_INSTANCE_0ZaM&filtro=abertas. Acessado em 21 de Março/2013.
8. http://www.finep.gov.br/editais/vigentes.asp. Acessado em 21 de março/2013.
9. http://www.finep.gov.br/transparencia/projetos_aprovados.asp. Acessado em 21 de março/2013
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A captação de recursos para inovação fora do âmbito da Incubadora Tecnológica de Campina Grande - ITCG e o papel da Central de Projetos: Um panorama inicial
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A Contribuição do INT para Inovação em Tecnologias Assistivas Promovendo o Aumento da Competitividade Nacional
Jannuzzi, Anna Haydée Lanzillotti - Analista em Ciência e Tecnologia, Instituto Nacional de Tecnologia,
[email protected]
Mizrahi, Saul Eliahú - Tecnologista, Instituto Nacional de Tecnologia
[email protected]
Cicero, Janete Rocha - Técnica, Instituto Nacional de Tecnologia
[email protected]
Palavras-chave: Transferência de Tecnologia; Desenho Industrial; Propriedade Industrial
Resumo
O presente trabalho refere-se ao relato de experiência do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) no âmbito do
Projeto Escola Inclusiva, apresentando desde a concepção e desenvolvimento de produtos com conteúdo tecnológico até sua comercialização, perfazendo o ciclo da inovação. Este Projeto apresentou como um de seus objetivos,
a construção de modelos e protótipos de objetos pedagógicos para pessoas com autismo. A execução ocorreu em
duas etapas com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro
e em parceria com a Universidade Federal Fluminense e duas Redes de Ensino Municipais do Estado do Rio de Janeiro. Como resultados foram registrados oito objetos pedagógicos como desenhos industriais, no Instituto Nacional da
Propriedade Industrial pelo Núcleo de Inovação Tecnológica do Instituto (NIT-INT) e, posteriormente, quatro desses
ativos foram licenciados sem exclusividade para uma microempresa. O trabalho evidenciou que o alinhamento das
políticas públicas de Educação Especial e de Ciência, Tecnologia e Inovação possibilitaram o desenvolvimento de um
projeto de pesquisa aplicada, a proteção intelectual e a colocação no mercado de recursos pedagógicos que atendem as demandas nacionais relacionadas à Educação Especial.
1. INTRODUÇÃO
A experiência aqui relatada origina-se na solicitação de um grupo de professores de educação especial para
crianças com autismo. Esta demanda surgiu da necessidade em atender às questões relacionadas à educação de
acordo com a legislação pertinente ao tema, observando à determinação da inclusão de pessoas com necessidades
educacionais especiais nos sistemas regulares de ensino, conforme determina o Art. 58 da Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional – LDB (Lei n° 9.394/96). Este dispositivo jurídico substituiu o modelo de educação excludente, permitindo que se desenvolvesse um modelo de escola inclusiva que contemple a pessoa com deficiência.
Neste contexto, políticas públicas para um atendimento educacional especializado foram implementadas. Estas políticas se concretizam, principalmente, na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva (MEC, 2008), no Decreto de nº 7.611/2011 e na Resolução n° 4/2009 do MEC que, em conjunto, ampliaram o escopo de atuação dos profissionais de educação os quais passaram a demandar recursos pedagógicos para
dar suporte ao processo de ensino aprendizagem da pessoa com deficiência.
Além dessas normas, no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Portaria n° 39/2012 criou
A Contribuição do INT para Inovação em Tecnologias Assistivas Promovendo o Aumento da Competitividade Nacional
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
uma Rede de Núcleos de Tecnologia Assistiva com o intuito de estabelecer uma rede de pesquisa e desenvolvimento
conforme as diretrizes previstas no Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SDH-PR, SNPD, 2013).
O Instituto Nacional de Tecnologia (INT), que se tornou membro da rede, já atuava no desenvolvimento de tecnologia
assistiva há mais de 30 anos.
É importante ressaltar que o Instituto, por ter sido criado para atender as demandas da indústria, sempre apresentou um modo de produção de conhecimentos científicos não-linear, portanto, com as características que seriam
típicas do “modo 2” proposto por Gibbons, Trow, Scott et al. (1994), no qual o conhecimento é produzido no contexto
das aplicações, havendo o predomínio da transdisciplinaridade, heterogeneidade de instituições, e, principalmente,
em um ambiente no qual os pesquisadores se preocupam e são responsáveis pelas implicações não-científicas de
seu trabalho. Acresce-se ainda que as políticas públicas voltadas à inovação, dentre elas a promulgação da Lei de
Inovação (Lei 10.973/04), fez com que o INT pudesse se vincular mais fortemente ao setor produtivo.
Nesse sentido, a implementação de políticas públicas de inclusão a pessoa com deficiência associada às
políticas de promoção da pesquisa científica e tecnológica com vistas à inovação, permitiram ao INT a elaboração de
projetos de pesquisa para o desenvolvimento de recursos pedagógicos para crianças com autismo. Essa experiência
será aqui relatada mostrando a contribuição do Instituto para o aumento da competitividade de uma microempresa,
por meio da execução de um projeto realizado em duas etapas, que abrange desde a concepção e desenvolvimento
de produtos com conteúdo tecnológico até sua comercialização, perfazendo o ciclo da inovação.
O trabalho está divido em quatro partes. Na primeira faz-se uma breve apresentação do projeto. Em seguida,
mostra-se como o Núcleo de Inovação Tecnológica do INT atuou na seleção e definição das proteções à propriedade
industrial geradas no âmbito do projeto. Na terceira parte são apresentadas as estratégias do INT para captação da
empresa do setor de objetos pedagógicos, assim como das negociações que levaram ao Contrato de Transferência
de Tecnologia. Finalmente, o trabalho é concluído pela discussão das principais limitações e dificuldades enfrentadas pelo INT em cada etapa do processo de inovação.
2. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS NO INT: O PROJETO ESCOLA INCLUSIVA
As tecnologias assistivas englobam produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços para
proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência para promoção de sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. O INT possui uma competência técnica acumulada, ao longo de
vários anos, nesse campo tecnológico. Desde 1975, a Divisão de Desenho Industrial (DvDI) contribui com o desenvolvimento de produtos, como a construção de cadeiras de rodas para atletas paraolímpicos, que aplicam conceitos
de ergonomia e modelagem tridimensional virtual e física. Por sua vez, a Divisão de Engenharia de Avaliação e Produção (DEAP), a partir de 1983, passou a desenvolver tecnologias que buscam contribuir com a melhoria da qualidade e com o aumento da produtividade nas organizações brasileiras, através do desenvolvimento e disseminação
de técnicas, procedimentos e sistemas computacionais em diversas áreas da engenharia de produção. Atualmente,
essas duas divisões em conjunto tem desenvolvido tecnologias voltadas a atender às demandas de escolas, na
gestão e facilitação da aprendizagem dos alunos com deficiências, na criação de novos conceitos de produtos e na
adaptação de produtos já existentes no mercado. As pesquisas visam à aplicação destas tecnologias na rede pública de ensino, realizando sua adequação com ênfase nos aspectos gerenciais, levando em consideração também
a necessidade de contribuir com a formação integral do aluno, facilitando o processo de inclusão digital e social,
diretrizes prioritárias do governo federal.
Desse modo, dentre as linhas de pesquisa do INT que engloba o desenvolvimento de Tecnologia Assistiva
com o propósito de apoiar as atividades relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem no ambiente escolar,
cita-se a Linha de Pesquisa denominada “Tecnologias para Instituição de Ensino”. Neste escopo de atuação estão
às atividades do Projeto Escola Inclusiva, registrado no INT sob o n˚ PRJ13.16 que embasam o presente relato de
experiência.
A Contribuição do INT para Inovação em Tecnologias Assistivas Promovendo o Aumento da Competitividade Nacional
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
O Projeto Escola Inclusiva apresenta-se como resultado do trabalho conjunto desenvolvido pela DVDI e DEAP
e foi financiado com recurso da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro –
FAPERJ, por meio de dois editais de fomento, nos períodos 2009-2010 e 2011-2012. O projeto foi desenvolvido em
parceria com a Universidade Federal Fluminense e duas Redes de Ensino Municipais do Estado do Rio de Janeiro.
Na primeira fase do projeto, entre 2009-2010, foi desenvolvida a pesquisa denominada “Perspectivas Educacionais Inclusivas para o Aluno com Autismo na Rede Pública de Ensino”. O objetivo era promover condições de acessibilidade, aprendizagem e desenvolvimento para inclusão do aluno com autismo numa Rede de Ensino Municipal.
Esta etapa alcançou os seguintes resultados:
• Disseminação de metodologias para o processo de ensino da criança com autismo através de cursos de
formação. O “I Encontro de Educação Continuada” foi realizado em 29/06/2011. Posteriormente, foram realizados
mais onze (11) cursos de formação com duração total de 50 horas;
• Realização do “I Seminário sobre Autismo da Baixada Fluminense”, realizado em 30/11/2010 com
172 participantes;
• Construção do modelo conceitual dos objetos definidos pela equipe: jogo de atenção conjunta; prancheta
tipo cavalete; quadro de atividades diárias; boneco em tamanho natural para facilitar a comunicação em diversas
faixas etárias; relógio com visor para identificação, através de imagens e atividades do dia a dia; jogo de atenção
conjunta; jogo de pareamento; jogo de associação;
• Criação de vídeos com conteúdos específicos para a criança autista;
• Elaboração da Cartilha “Autismo – Orientações para Identificação de Comportamentos Autísticos”;
• Construção dos protótipos de dois (2) objetos, a saber: Jogo de atenção conjunta e prancheta tipo cavalete
por empresa contratada;
• Realização de estudo de casos com os responsáveis pelos alunos das escolas para validação dos objetos pedagógicos;
• Adaptação do programa de computador SIGESC AVA, registrado pelo INT em 24/10/2008, para utilização
dos professores em atendimento a necessidade de criar conteúdos relevantes para o contexto de atuação com a
criança autista.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
• Realização do II Seminário sobre Autismo da Baixada Fluminense;
• Apresentação e publicação de artigos científicos em congressos internacionais e nacionais.
• Entrega dos objetos pedagógicos (jogo de atenção conjunta, relógio de parede, quadro de atividades e bonecos) para avaliação quanto à utilização com alunos e professores da Educação Especial.
• Adaptação da Tecnologia SIGESC WEB, programa de computador registrado pelo INT em 11/08/2006, para
gestão pedagógica no modelo Escola Inclusiva.
• Treinamento das equipes de profissionais de Educação Especial das Redes de Ensino de São João de Meriti
e Niterói na utilização da Tecnologia SIGESC WEB.
3. PROTEÇÃO A PROPRIEDADE INTELECTUAL DOS RECURSOS PEDAGÓGICOS
O Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), presente no INT desde 2001, tem como uma de suas atribuições
previstas no Artigo 16, inciso II da Lei de Inovação, avaliar e classificar os resultados decorrentes das atividades e
projetos de pesquisa institucionais. Neste sentido, o NIT estabeleceu uma série de procedimentos para determinar
se uma criação é passível de obter uma proteção intelectual, bem como selecionar a proteção mais adequada de
acordo com suas características.
Os procedimentos podem ser sumarizados em: a) recepção do coordenador do projeto e pesquisadores envolvidos no projeto; b) apresentação da criação pelos pesquisadores por meio de reuniões e preenchimento de
formulários; c) verificação da presença de contratos relativos ao projeto que façam menção a divisão da propriedade
intelectual (p.ex. acordos de cooperação técnico-científicos, termos de outorga de agências de financiamento, etc); d)
seleção pelo NIT da melhor(es) forma(s) de proteção dos resultados do projeto; e) redação dos pedidos de solicitação
de registro/depósito; f) realização dos trâmites administrativos internos e externos para a finalização da proteção; e
g) manutenção da proteção durante toda sua vigência.
No caso do projeto em discussão, a princípio aventou-se a proteção dos recursos pedagógicos por meio de
modelos de utilidade, dado que estes abrangem criações relacionadas à forma ou disposição introduzida em objeto
de uso prático tridimensional que confira melhoria funcional no seu uso. Os objetos pedagógicos possuíam o requisito da funcionalidade, todavia, as buscas de anterioridades em bases patentárias revelaram a existência de objetos
que poderiam ser impeditivos à concessão de uma patente de modelo de utilidade.
Na segunda fase do projeto, entre 2011-2012, foi realizada a pesquisa denominada “Desenvolvimento e produção de Recursos Pedagógicos para suporte à inclusão de alunos com deficiência em escolas públicas dos sistemas municipais de ensino”. Esta etapa foi uma continuidade das atividades realizadas na primeira fase e teve como
objetivo a produção de recursos pedagógicos/materiais didáticos que contribuíssem na efetivação do processo de
inclusão de alunos com deficiência matriculados nas escolas públicas, de maneira a favorecer o acesso aos conteúdos e às experiências no ambiente escolar.
Os principais resultados alcançados foram:
• Registros como desenho industrial dos objetos pedagógicos: bonecos e expressões faciais;
• Realização do I Seminário de Educação Inclusiva de Niterói;
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Assim sendo, a proteção limitou-se aos desenhos industriais, que são formas plásticas ornamentais de um
objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto, proporcionando resultado
visual novo e original na sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial (Art. 95 da Lei
n° 9.279/96). Os objetos protegidos encontram-se relacionados na Tabela 1 abaixo:
2011-2012
2009-2010
Tabela 1 – Objetos pedagógicos registrados como desenhos industriais (DI) no INPI de acordo com as etapas
do Projeto Escola Inclusiva.
Objeto e N° Registro
Tipo de resultado
Jogo de atenção conjunta
DI 7102702-5
Esforço inovador empreendido pelas emDescrição do Protótipo
Neste objeto foram utilizadas imagens figurativas do dia-a-dia da cidade, aplicadas em uma prancha
MDF, no formato de uma paisagem da cidade (ex: Pão de Açúcar). As imagens foram coladas em pinos presos a prancha que possuem um trilho (caminho) que pode ser percorrido pelo próprio usuário,
ativando a sua coordenação motora, ou pela professora, a partir do lado traseiro da prancha, enquanto
o expectador acompanha o movimento da peça e trabalha a sua concentração conjunta.
Prancheta tipo cavalete
DI7102703-3
Prancheta para desenho e reprodução de imagens em tamanho próximo ao A2 (75x51cm), com cavalete dobrável e facilmente armazenado. Possui 150 cm de altura, com capacidade de regulagem da
prancheta de acordo com a necessidade e altura do usuário. O objeto faz uso de pilot de quadro branco
com apagador para a atividade de desenhar. O objeto foi desenvolvido tendo como principal material
o MDF e a sua forma não possui quinas vivas e áreas que possam oferecer perigo físico ao usuário.
Relógio de parede
DI 7105420-0
Relógio de parede em MDF recortado, pintado com tinta para magneto e posteriormente serigrafado.
A parte principal possui um formato de círculo com o espaço central livre para a aplicação de números
produzidos em ferrite em dois locais diferentes: Na parte superior, representa o início de uma tarefa, e
a inferior, o fim da mesma. Do lado direito do círculo, o produto possui um prolongamento de MDF com
espaço para serem fixadas imagens recortadas e coladas em ferrite, ilustrando a tarefa. O relógio possui a função de auxiliar o professor na demonstração e ensino de noção de tempo por parte do autista.
Quadro de atividades diárias
DI7103349-1
Quadro de atividades diárias com figuras e códigos de identificação, para auxiliar os professores na
sala de aula sobre as diversas atividades realizadas no dia-a-dia com cada aluno. O quadro é dividido
em colunas individuais – cada aluno tem a sua e uma é para a apresentação da sala – feito em MDF e
pintado com tinta especial para magnetos – usada com imãs tipo ferrite. As colunas portanto possuem
uma área para fixação de imagens com ferrite e uma área para escrever com pilot branco. Todas as
colunas possuem dois trilhos na parte traseira com diversos níveis de altura para serem fixados em
duas barras horizontais fixadas na parede.
Bonecos em tamanho natural com expressões
faciais
BR 30 2013 004079 8 (menino-corpo)
BR 2013 004080 1 (menina-corpo)
BR 30 2014 000327 5 (menino-expressões)
BR 30 2014 000328 3 (menina-expressões).
Bonecos em tamanho natural (150 cm) de menino e menina, sendo o corpo produzido em chapa galvanizada. As peças de vestuário são confeccionadas em “ps” c/ manta magnética. O objeto possui a
função de auxiliar na associação de partes da vestimenta individual e identificar sua finalidade no dia-adia. Também é possível ampliar o seu uso com peças de roupas vinculadas a profissões (ex.: bailarina,
jogador de futebol) e atividades (ex.: correr, dormir), para estimular a associação de imagens.
portamento inovador, incentivos, obstáculos, estratégias adotadas pelas empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
o nome de todos os autores, mas o INT constava como único titular. Isto ocorreu devido à dificuldade de obtenção
das procurações necessárias para a proteção da propriedade industrial gerada como resultado do projeto em tempo
hábil para que os pesquisadores começassem a divulgar os protótipos.
No final do ano de 2013, a titularidade dos quatro desenhos industriais gerados na primeira fase do projeto
foi corrigida parcialmente com a inclusão da co-titularidade da UFF, sendo que os novos desenhos registrados em
janeiro de 2014 ainda estão pendentes de retificação. As prefeituras não serão incluídas uma vez que as várias
tentativas de abordagens do NIT do INT, por meio de Ofício e reuniões presenciais, foram infrutíferas na obtenção de
uma procuração.
4. O CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA
O INT, segundo o Art. 8º do seu Regimento Interno, tem como missão participar do desenvolvimento sustentável
do Brasil, por meio da pesquisa tecnológica, da transferência do conhecimento e da promoção da inovação. Neste
sentido, o Instituto, como uma organização produtora de soluções tecnológicas, tem como um de seus objetivos,
celebrar contratos de transferência de tecnologia a fim de garantir que sua missão está sendo cumprida.
Os contratos de transferência de tecnologia, particularmente para exploração de patentes e desenhos industriais, visam à capacitação tecnológica e o aperfeiçoamento técnico de um processo produtivo ou de um produto final,
mediante a introdução de uma nova técnica na produção, possibilitada pela transmissão contratual da tecnologia
(ASSAFIM, 2005). O termo tecnologia é aqui entendido no seu sentido mais restrito como “o conjunto de conhecimentos e informações próprio de uma obra que pode ser utilizada de forma sistemática para o desenho, desenvolvimento
e fabricação de produtos” (MYCIT, 1998 apud ASSAFIM, 2005).
A Lei da Propriedade Industrial (Lei 9.279/96) e a Lei de Inovação (Lei 10.973/04) não impõem nenhuma forma
determinada para validade de um contrato de licença. Todavia, os contratos de transferência de tecnologia estão
sujeitos aos requisitos ou elementos próprios de todos os contratados firmados pela União, sob pena de nulidade
ou anulabilidade. Neste sentido, o INT tem se baseado nos Modelos de Contratos dispostos no livro “Propriedade
Intelectual: conceitos e procedimentos”, publicado pela Escola da Advocacia Geral da União, bem como no procedimento administrativo interno da qualidade, POQ AD/311 - Abertura de Processo Administrativo para Contrato de
Transferência de Tecnologia sem Exclusividade, construído pelo NIT a partir de experiências advindas da submissão
de processos administrativos a Consultoria Jurídica da União do Estado do Rio de Janeiro (CJU/RJ).
Assim sendo, de uma maneira geral, os Contratos de Transferência de Tecnologia do INT para exploração de
patentes ou desenhos industriais possuem a seguinte estrutura: preâmbulo com a qualificação do licenciante e licenciado; objeto com a relação dos ativos de propriedade intelectual; as condições de licenciamento; remuneração
e forma de pagamento; vigência, rescisão; qualidade do produto final que deve ser assegurada pelo licenciado; prazo
de assistência técnica fornecida pelo INT; responsáveis pelo acompanhamento do contrato; publicidade; averbação
junto ao INPI e foro para a solução de pendências em relação ao contrato.
Destaca-se ainda que apesar dos objetos pedagógicos terem sido desenvolvidos em parceria com a UFF e com
prefeituras municipais do Estado do Rio de Janeiro, os desenhos industriais foram registrados, primeiramente, com
No entanto, a redação do Contrato é apenas uma pequena parte da instrução processual necessária a celebração
do instrumento jurídico. O processo administrativo se inicia com uma manifestação de interesse da empresa por meio
de uma “Carta de Intenções” e apresentação de documentos de regularidade jurídica da empresa. Em seguida, o NIT
pede ao dirigente máximo do Instituto uma autorização formal para iniciar as tratativas do licenciamento. Uma vez
autorizado, uma Minuta do Contrato é redigida e encaminhada à empresa para avaliação. Paralelamente, os demais
documentos formais que comprovam a regularidade fiscal, qualificação econômico-financeira e a qualificação técnica
da empresa, são solicitados. O cadastrado atualizado no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (SICAF) pode substituir os documentos de regularidade fiscal e os de qualificação econômico-financeira. Apesar da Lei de
inovação e seu Regulamento, Decreto n° 5.563/05, dispensar o processo licitatório nas licenças sem exclusividade,
os documentos formais exigidos são semelhantes aos dispostos na Lei de Licitações e Contratos, n° 8.666/93. A apre-
A Contribuição do INT para Inovação em Tecnologias Assistivas Promovendo o Aumento da Competitividade Nacional
A Contribuição do INT para Inovação em Tecnologias Assistivas Promovendo o Aumento da Competitividade Nacional
De uma maneira geral, como os objetos desenvolvidos eram resultados finais do projeto, os recursos pedagógicos foram protegidos após o término do financiamento da FAPERJ. Tal fato retardou o processo das
proteções intelectuais tendo em vista que o desenhista industrial dedicado exclusivamente ao projeto era mantido
por meio de bolsa e para a proteção de desenhos industriais faz-se necessário a apresentação de vários desenhos
técnicos dos objetos. Dessa maneira, evidencia-se que a contribuição de colaboradores como bolsistas em projetos
de pesquisa podem implicar na descontinuidade de suas atividades.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
sentação desses documentos pelas empresas, tem sido o principal fator de morosidade na finalização dos contratos.
Além de apensar os documentos supramencionados, antes de encaminhar o processo para análise pela CJU/
RJ, o NIT deve fazer um documento ao Diretor, solicitando sua concordância quanto às justificativas apresentadas,
em relação à opção de transferência sem exclusividade (Art. 6º, § 1º do Decreto n° 5.563/2005), motivação para
a contratação direta da empresa (Art. 26 da Lei 8.666/93) e da remuneração estipulada (Art. 26 da Lei 8.666/93).
Finalmente, a minuta definitiva do contrato com as alterações acordadas com a empresa e os documentos formais
do Instituto, que incluem cópias do ato de nomeação do Diretor com RG e CPF, do regimento interno, Política de
Inovação e comprovação da titularidade dos ativos de propriedade industrial deve ser juntada ao processo. Após o
retorno do processo da CJU/RJ, a minuta de contrato é corrigida, de modo a incorporar as recomendações da Advocacia Geral da União, e o contrato de transferência de tecnologia é assinado e publicado.
No caso dos objetos pedagógicos, a empresa de nome fantasia MAMULENGO, foi captada pelos próprios pesquisadores do projeto. A empresa que atua no mercado de objetos pedagógicos há mais de dez anos, conta com uma
equipe multiprofissional – psicoterapeuta, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, pedagogos e educadores - que são agentes
chaves para a difusão da tecnologia. Além desses atributos, a empresa foi escolhida por possuir uma loja física com
espaço próprio para divulgação e treinamento do uso dos objetos e um sistema de vendas pela internet, o que poderia ampliar a rede de potenciais clientes.
A escolha da licença não exclusiva dos desenhos industriais por parte do Núcleo de Inovação Tecnológica se
baseou, primeiramente, no fato que os objetos transferidos eram tecnologias sociais. Além do mais, a MAMULENGO
é uma microempresa com capacidade produtiva limitada e a licença sem exclusividade permite ao INT celebrar
outros contratos de transferência de tecnologia preponderando à defesa do interesse público.
Em relação ao valor e a forma de pagamento da tecnologia, optou-se pela abordagem do preço de mercado.
Essa abordagem, segundo Neto, Santos e Gomes (1998) produz uma estimativa do valor, considerando-se o preço
de venda de tecnologias semelhantes ou equivalentes, de emprego idêntico e condições de negociação parecidas,
sendo útil para ativos comuns, para os quais existem dados de mercado. O valor encontrado por esta metodologia
também foi reduzido, uma vez que a Lei de Inovação, no seu Art. 27, inciso III, determina que na aplicação da Lei
deve-se observar a diretriz de assegurar tratamento favorecido a empresa de pequeno porte.
No tocante aos aspectos técnicos da transferência de tecnologia, é importante destacar que muitos dos objetos
protegidos por direitos de propriedade intelectual podem exigir adaptações nas instalações ou processos produtivos
do licenciado. Dificilmente, como afirmado por Fernandes (1998), uma transferência se dá por uma simples troca
de informações na forma de desenhos, manuais, especificações, relatórios e procedimentos. O material escrito
é limitado sendo necessário que os pesquisadores envolvidos no projeto tenham que dar suporte técnico, mesmo
após a assinatura e publicação do contrato. Neto, Santos e Gomes (1998), mostram que esse é um problema comum
de gerenciamento de contratos desta natureza, tendo em vista que muitos pesquisadores acham que seu trabalho
está concluído nesta etapa, porém, para a empresa, a transferência somente estará concluída quando o produto
estiver sendo comercializado.
Na transferência de tecnologia ora apresentada, apesar do projeto ter atingido a fase de protótipo, o suporte
técnico permanece até hoje. Vários desenhos técnicos ainda estão sendo redimensionados para que a empresa possa explorar o objeto do contrato na sua plenitude. É importante dizer que a incapacidade da criação para ser explorada na forma e nos níveis requeridos, desencadeia a responsabilidade da licenciante, desde que as inconsistências
sejam pré-existentes ou simultâneas a celebração do contrato (ASSAFIM, 2005).
Em relação aos procedimentos administrativos que são imputados ao NIT, resta dizer que mesmo após a publicação do instrumento contratual, os contratos necessitam de acompanhamento para que os recolhimentos de royalties sejam feitos nos prazos e distribuídos adequadamente aos pesquisadores. Além disso, na situação específica da
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transferência dos resultados desse projeto, como as proteções foram realizadas em dois momentos e a inclusão de
co-titulares foi feita posteriormente a publicação do contrato, o NIT ainda está negociando com a empresa um Termo
Aditivo ao contrato de transferência de tecnologia.
O fato dos ativos de PI estarem inicialmente registrados somente sob a titularidade do INT facilitou o processo
de finalização do contrato de transferência. Acordos e contratos que envolvem mais de uma instituição científica e
tecnológica chegam a levar mais de um ano para serem firmados.
Por fim, é importante ressaltar que os royalties são recolhidos pelo INT por meio de Guia de Recolhimento da
União, sendo assim, os recursos gerados pela inovação não podem ser reaplicados em outros projetos de P&D institucionais, tampouco serem utilizados para manutenção e crescimento do acervo de propriedade intelectual.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A experiência relatada evidenciou que o alinhamento das políticas governamentais voltadas à educação especial e inovação possibilitou o desenvolvimento de um projeto com a colocação no mercado de recursos pedagógicos
que atendem as demandas nacionais.
No entanto, ainda são observados alguns entraves para o processo de inovação. Especificamente quanto
ao Projeto Escola Inclusiva um dos principais gargalos para sua execução foi a equipe reduzida nas instituições
participantes. O INT, responsável por adaptar e projetar os objetos pedagógicos, contou com apenas dois servidores,
três bolsistas e um estagiário. Representando a UFF, contava-se uma professora doutora no tema autismo, esta se
responsabilizava pela capacitação dos profissionais das escolas e validação dos objetos pedagógicos. As equipes
das escolas envolvidas no Projeto atuaram na concepção, aplicação e avaliação dos resultados referentes à utilização dos objetos pedagógicos. Ressalta-se que os profissionais das escolas, atuaram no Projeto em paralelo às
atividades rotineiras das escolas. Assim sendo, nota-se que muitos participantes eram colaboradores temporários,
o que dificulta a continuidade do projeto que não é finalizado simultaneamente com o término do financiamento pelas agências de fomento. Acresce-se ainda que conforme citado no processo de transferência de tecnologia, faz-se
necessário a presença dos pesquisadores envolvidos na criação e desenvolvimento dos produtos tecnológicos para
que estes possam ser comercializados. Isto ocorre, pois as tecnologias desenvolvidas precisam ser adaptadas conforme a evolução das pesquisas e necessidades dos produtores.
No que concerne à proteção a propriedade intelectual observou-se que apesar de todos os esforços do governo
para divulgação das políticas públicas de inovação, ainda existe desconhecimento das normas relativas à inovação
nas instituições que tangenciam os atores principais do sistema nacional de inovação, como no caso das redes municipais de ensino. Além disso, as burocracias públicas, caracterizadas pela presença de organizações com regras
e procedimentos explícitos e regularizados, hierarquia e divisão do trabalho por especialidade, também se apresentaram como um obstáculo para obtenção dos documentos formais necessários a finalização das proteções.
Especificamente quanto à transferência de tecnologia, destaca-se o fato dos pesquisadores do Instituto estar
atuando como agentes de inovação. A captação de empresas é uma atribuição que deveria ser realizada pelo NIT.
Assim sendo, evidenciou-se que enquanto a garantia da proteção intelectual está consolidada e superada no INT,
ainda restam grandes desafios para a transferência das tecnologias apropriadas, como melhoria das técnicas de
negociação, prospecção e captação de parceiros comerciais e acompanhamento e manutenção de contratos.
Por outro lado, a experiência mostrou alguns pontos positivos. Primeiramente, a oferta de financiamento público
alinhada a políticas relacionada ao tema Educação Especial, mostrando que de fato existe uma aderência e preocupação governamental entre a elaboração e a execução dessas políticas.
O financiamento público continuado da pesquisa científica, como no relato de experiência ora apresentado,
A Contribuição do INT para Inovação em Tecnologias Assistivas Promovendo o Aumento da Competitividade Nacional
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
que abrangeu os primeiros estágios da pesquisa e seus desdobramentos, permitiu que o empresário reduzisse seus
riscos e se sentisse mais seguro para empreender em uma nova linha de produtos. Ressalta-se que o desenvolvimento dos protótipos na fase final de cada etapa do projeto foi fundamental para a garantia dessa segurança.
A cooperação interinstitucional, envolvendo vários segmentos da sociedade – Instituições Científicas e Tecnológicas, prefeituras, escolas e cidadãos – em diferentes esferas de poder, permitiu a ampliação do grupo de
pesquisa e a integração de uma equipe multidisciplinar com competências complementares necessárias para a
execução do projeto.
Outro ponto que deve ser destacado é que o conhecimento acumulado nesta experiência possibilitou que os
pesquisadores envolvidos cumprissem seu papel enquanto disseminadores da ciência, por meio de publicações
técnico-científicas e apresentações em eventos científicos, assim como a realização de palestras junto a outros
atores da sociedade.
A transferência dos resultados do Projeto Escola Inclusiva para a MAMULENGO também permitiu ao NIT do INT
consolidar competências no que diz respeito às regras e procedimentos administrativos, junto a Advocacia Geral da
União, para a elaboração e finalização de um contrato de transferência de tecnologia.
Por fim, registra-se que a experiência relatada pode ser aplicada em situações semelhantes, onde demandas
da sociedade são atendidas por meio do desenvolvimento, proteção e transferência de tecnologias que podem aumentar a competitividade das empresas nacionais.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
6. REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas
para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências. Publicado no DOU de 22/06/1993 e
republicado em 06/07/1994 e retificado em 06/07/1994.
BRASIL. Lei 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Publicado
no DOU. de 15/05/1996.
BRASIL. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Publicado
no DOU de 23/12/1996.
BRASIL. Lei 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências. Publicado no DOU de 03/12/2004
BRASIL. Decreto 7.611, de 17 de novembro 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional
especializado e dá outras providências. Publicado no DOU de 18/11/2011 e republicado em 18/11/2011 - Edição
extra.
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outubro de 2009. Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf. Acesso
em: 03/07/2013.
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1998.
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A Contribuição do INT para Inovação em Tecnologias Assistivas Promovendo o Aumento da Competitividade Nacional
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A Contribuição do INT para Inovação em Tecnologias Assistivas Promovendo o Aumento da Competitividade Nacional
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia
e Inovação da Unisul: Contexto, Processo de Estruturação
e Principais Resultados Alcançados na Relação Universidade-Empresa-Governo
Schmitz, Ademar - Gerente do Escritório de Projetos da AGETEC
[email protected]
Holthausen, Fábio Zabot - Gerente do Escritório de PI e TT da AGETEC
[email protected]
Dandolini, Gertrudes Aparecida – Professora-Pesquisadora do PPGEGC-UFSC
[email protected]
De Souza, João Artur – Professor-Pesquisador do PPGEGC-UFSC
[email protected]
Palavras-Chave: inovação; empreendedorismo; relação universidade-empresa-governo.
Resumo
As universidades têm sido chamadas cada vez mais a assumirem a missão de contribuir para o desenvolvimento
social e econômico, para além do ensino e da pesquisa, que, historicamente, já vêm realizando. Uma das formas de
fazê-lo é assumindo uma postura mais inovadora e empreendedora, seja contribuindo para odesenvolvimento de
uma cultura mais inovadora e empreendedora nas regiões onde atuam, seja transferindo o conhecimento existente entre “seus muros” para o setor produtivo, para o governo e para a sociedade, seja adotando estratégias que
as tornem, elas próprias, organizações inovadoras e empreendedoras. Com o objetivo de compreender como
as universidades podem assumir este novo papel, o presente artigo apresenta um estudo de caso descritivo realizadona Agência de Inovação e Empreendedorismo (AGETEC) da Universidade do Sul de Santa Catarina
(UNISUL). O estudo de caso foi desenvolvido por meio das etapas definição do problema, delineamento da pesquisa,
coleta e sistematização dos dados, análise dos dados e composição dos resultados e pautou-se num levantamento
realizado por meio de entrevistas semiestruturadas com os gestores e colaboradores da Agência e da Universidade
e por meio da análise documental de registros e dados da própria Agência. O estudo de caso descreve o contexto
acadêmico e regional no qual a Agência foi implantada, o processo de implantação, a estruturaçãoe os principais
resultados alcançados incluindo, mas não se limitando,captação de recursos, projetos de pesquisa, prestação de
serviços, propriedade intelectual, transferência de tecnologia, incubadoras de base tecnológica e social, parque
tecnológico e núcleo estruturante de empreendedorismo. Até o momento, os resultados apontam uma significativa
melhoria da relação da Universidade com as empresas da região, com os governos municipal e estadual e com a
sociedade de uma forma geral, além de benefícios diretos e indiretos para a Universidade e para as empresas. Faz-se
necessário, no entanto, aprofundar os estudos empíricos acerca dos resultados da implantação da Agência,incluindo
um aprofundamento dos dados quantitativos e daqueles resultados não necessariamente registrados pela própria
Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia e Inovação da Unisul: Contexto, Processo de Estruturação e Principais Resultados
Alcançados na Relação Universidade-Empresa-Governo
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Agência (introdução de inovações no mercado pelas empresas, aumento da receita operacional das empresas,
qualidade de vida da região, entre outros). Ademais, um levantamento e/ou estudo comparativo da criação de
outras agências de inovação ou estruturas equivalentes em universidades nacionais e internacionais poderia ampliar o nível de conhecimento acerca dos resultados obtidos por meio de um maior envolvimento das universidades
para o desenvolvimento social e econômico e a contribuição para a sustentabilidade das universidades.
1.INTRODUÇÃO
Para Carlsson (2006), um Sistema Nacional de Inovação (SNI) é o conjunto de instituições distintas que, conjuntamente e individualmente, contribuem para o desenvolvimento e a difusão de novas tecnologias.De um ponto de
vista amplo, o conceito de SNI é a chave para explicar o comportamento e o desempenho do conjunto de instituições
nas quais o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável têm base (NIOSI, 2002). Tidd et al. (2008) afirmam que os SNI em que uma empresa está inserida são de grande importância, já que influenciam sobremaneira
tanto a direção quanto a intensidade de suas próprias atividades de inovação.
Assim como as empresas, também as universidades precisam inovar. Isso significa que elas precisam repensar seus papéis e posições, isto é,tornarem-se inovadoras e mais empreendedoras, em pelo menos três áreas (VAN
VUGHT, 1999): no processo de ensino e de aprendizagem, na pesquisa e na transferência de conhecimento. Aqui, a
transferência de conhecimento deve ser considerada no seu aspecto mais amplo, que vai desde aorientação aalunos
em trabalhos de pesquisa até o licenciamento de tecnologia e a criação de empresas a partir de conhecimentos
existentes na universidade.
A partir desse desafio, o presente artigo visa compreender como as universidades podem assumir o papel
de contribuir como desenvolvimento econômico e social do seu entorno, considerado a terceira missão das universidades1, tornando-se mais inovadoras e empreendedoras de forma a buscar mecanismos alternativos de financiamento de suas atividades. O estudo apresenta um exemplo de como promover o estreitamento da relação
da universidade com o governo e com o setor produtivo, bem como quais benefícios podem ser alcançados para a
universidade, para as empresas e para a sociedade nesse processo de troca.Para esse fim, a presente pesquisa foi
realizada a partir de um estudo de caso, que relata o contexto, o processo de implantação, a estruturação e os principais resultados alcançadoscom a criação da Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia e Inovação
(AGETEC) da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Enquanto a presente seção introduz o conteúdo do artigo,a seção 2 apresenta as bases conceituais que permitiram realizar o estudo de caso, a seção 3 apresenta os procedimentos metodológicos utilizados, a seção 4 traz os
resultados obtidos com a realização do estudo em forma de relatório descritivo e, finalmente, a seção 5 apresenta
as principais conclusões e a indicação de estudos futuros.
2. BASES CONCEITUAIS
2.1. A INOVAÇÃO E OS TIPOS DE INOVAÇÃO
Segundo o Manual de Oslo (OCDE, 2005), uma inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço)
novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método
organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas.Sob essa
definição, quatro tipos de inovação podem ocorrer: inovação em produto, inovação em processo, inovação organi-
1
A primeira e a segunda missões das universidades são o ensino e a pesquisa, respectivamente. Ademais, no contexto brasileiro,
o desenvolvimento econômico e social pode ser compreendido no escopo da extensão universitária, para a qual a transferência de
conhecimento tem papel fundamental.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
zacional e inovação de marketing. As atividades de inovação são etapas científicas, tecnológicas, organizacionais,
financeiras e comerciais que conduzem, ou visam conduzir, à implementação de inovações (OCDE, 2005).
Já para a Lei de Inovação (BRASIL, 2004), “inovação é a introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos ou serviços”. Ou seja, as inovações podem ocorrer
em produtos, processos e serviços. Embora esta definição seja um pouco menos abrangente do que a definição dada
pelo Manual de Oslo, ela explicitamente considera que as inovações possam ocorrer tanto no ambiente produtivo
quanto no ambiente social.
2.2. OS SISTEMAS NACIONAIS DE INOVAÇÃO (SNI)E A TRÍPLICE-HÉLICE (TH)
A abordagem de sistemas de inovaçãoenfatiza a importância da interação entre empresas, instituições públicas de pesquisa e de política tecnológica para o sucesso da inovação (SCHARTINGER et al., 2002).Tidd et al. (2008)
afirmam que os SNI em que uma empresa está inserida são de grande importância, já que influenciam sobremaneira
tanto a direção quanto a intensidade de suas próprias atividades de inovação.
Uma das formas de melhor compreender um SNI é analisando-o do ponto de vista da tríplice-hélice (TH). A TH de
relaçõesuniversidade-empresa-governo transcende os modelos anteriores de relações institucionais, nos quais ou
a economia ou a política predominaram, e busca uma nova configuração de forças institucionais emergentes (ETZKOWITZ et al. 2000).A THainda postula que a integração universidade-empresa-governo é a chave para melhorar as
condições para a inovação na sociedade baseada no conhecimento,espaço em quea indústria opera como o locus
de realização de produção, o governo representa um orientador das relações que garantem interações e trocas e a
universidade atua como uma fonte de geração e disseminação de conhecimento (ETZKOWITZ, 2003).
À medida que o conhecimento torna-se cada vez mais importante para a inovação, a universidade passa a desempenhar um papel maior na sociedade baseada em conhecimento, tornando-se um elemento-chave dos SNI, seja como
provedora de capital humano, seja como “terra-fértil” para a criação de novas empresas (ETZKOWITZ et al., 2000).
2.3. A INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA DA UNIVERSIDADE
No passado, as missões da universidade envolviam apenas o ensino e a pesquisa. Em função das mudanças no
ambiente internacional e nas relações entre os três principais operadores dosSNI (universidade, empresa e governo),
as universidades têm atualmente assumido uma terceira missão: a de contribuir para odesenvolvimento econômico
e social (ETZKOWITZ et al, 2000) de seu meio. A incorporação desta nova missão é referenciada na lituratura como
universidade empreendedora, também sinônima de universidade inovadora (CLARK, 1998).
Uma universidade empreendedora pode ser vista com aquela orientada para a inovação e o desenvolvimento
de uma cultura empreendedora e tem um novo caráter gerencial na governança, liderança e planejamento, que inclui uma maior responsabilidade do corpo docente para acessar fontes externas de financiamento(KIRBY, URBANO E
GUERRERO, 2011). Esta nova posturapode significar de três modos: a própria universidade, como uma organização,
torna-se empreendedora; os membros da universidade se tornam de alguma forma empreendedores; e a interação
da universidade com o meio segue um padrão empreendedor (RÖPKE, 1998, p. 2).
De forma a contribuir com o desenvolvimento econômico e social do seu entorno, assumindo a inovação e o
empreendedorismo com a forma de fazê-lo e, ao mesmo tempo, permitir a autossustentabilidade de sua própria
instituição, as universidades passam a realizar uma série de atividades que, no passado, não faziam parte do seu
cotidiano. Philpott et al. (2011) apresentam um espectro destasatividades, que vão desde atividades “hard” (bem
características do empreendedorismo) até atividades “soft” (menos características do empreendedorismo). Das
mais soft para as mais hard, podemos citar: formação de pós-graduandos com qualidade, publicação de resultados
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acadêmicos, captação de recursos para a pesquisa, prestação de serviços (consultoria), cursos de treinamento industrial, contratos de pesquisa, patenteamento e licenciamento, criação de spin-offs e criação de parques tecnológicos. Cada uma destas atividades contribui para o desenvolvimento social e econômico e para a sustentabilidade da
própria universidade.
2.4. OS NÚCLEOS DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA (NIT) E AS AGÊNCIAS DE INOVAÇÃO
Após a edição da Lei de Inovação2, as universidades públicas estatais tiveram um processo de relacionamento
definido, permitindo, e por vezes com um pouco mais de facilidade, uma interação com vistas à proteção de ativos
intangíveis afetos à propriedade intelectual e àsua transferência para a sociedade.Seguindo o modelo (ou parte
dele) previsto na Lei de Inovação, as universidades públicas não estatais, privadas, comunitárias3 e empresariais
aproveitaram o momento para se lançar como alternativa viável para esse novo modelo relacional.
A estrutura responsável por gerir essa política de inovação e promover o relacionamento entre os envolvidos
foi denominada de Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), que é o “núcleo ou órgão constituído por uma ou mais ICT
com a finalidade de gerir sua política de inovação” (BRASIL, 2004). Segundo Lotufo (2009, p.54), “a atuação do NIT
favorece a criação de um ambiente propício para a transferência de tecnologia e para a proteção do conhecimento
na ICT. Consequentemente, o NIT passa a ser o interlocutor central com setor privado e com a própria instituição”.
Ainda segundo Lotufo (2009, p.55), podemos caracterizar os NIT de acordo com seus perfis, baseado em suas
atividades e em categorias, levando-se em consideração suas missões.Os NIT podem ter o perfil legal, administrativo ou
voltado a negócios. No legal, a principal função é a de regulação e formalização, baseado no departamento jurídico. No
administrativo, a atuação do NIT é baseada em processos administrativos de aprovações e encaminhamentos. Por fim,
o perfil voltado a negócios está mais interessado no desenvolvimento de negócios a partir dos resultados da pesquisa.
Baseados nas missões, os NIT podem ser categorizados em:aqueles que enfatizam a busca de royalties como
fonte extra de recursos para a universidade;que buscam maximizar o desenvolvimento regional a partir da transferência de tecnologia; e os que buscam maximizar o benefício à sociedade em geral a partir dos resultados da
pesquisa acadêmica (LOTUFFO, 2009, p. 55/56). Os NIT que cumulativamente assumem os perfis e missões acima
elencados são normalmente estruturados em forma de agências de inovação, como é o caso da Inova da UNICAMP
e AGT da PUC-RS (concepção inicial, que mais tarde foi expandida para um sistema).
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Quanto aos objetivos, a presente pesquisa caracteriza-se como descritiva, uma vez que objetiva a descrição
das características de determinado fenômeno (GIL, 2002), neste caso a relação da universidade com o setor produtivo e o com governo.Quanto aos procedimentos, caracteriza-se como um estudo de caso, uma forma de se fazer
pesquisa social empírica ao investigar-se um fenômeno atual dentro de seu contexto de vida real, cujas fronteiras
entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas, podendo várias fontes de evidência ser usadas (YIN,
2010).Para Schramm (1971), “a essência de um estudo de caso é tentar esclarecer uma decisão ou um conjunto de
decisões: o motivo pelo qual foram tomadas, como foram implementadas e com quais resultados”.
2
Lei nº 10.973/04: Dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras
providências (BRASIL, 2004).
3
Recentemente reconhecidas pela Lei nº 12.881/2013.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Yin (2010) afirma ainda que “o estudo de caso, como outras estratégias de pesquisa, representa uma maneira de se investigar um tópico empírico seguindo-se um conjunto de procedimentos pré-especificados”, que,no
estudo em questão,são:
• Etapa 01: definição do problema e delineamento da pesquisa. Nesta etapa, o problema de pesquisa foi
definido e o delineamento da pesquisa realizado. Trata-se de um estudo de caso único e holístico: apenas um “caso”
será estudado e o será numa visão global, sem envolver mais de uma unidade de análise (YIN, 2010), considerando
o período compreendido entre 2005-2013.
• Etapa 02: coleta e sistematização dos dados.Nesta etapa, os dados foram coletados e sistematizados. A coleta das evidências foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com colaboradores e gestores da Agência,
bem como em documentos (proposta de criação, planejamento estratégico, resoluções e regulamentos) e registros
da Agênciae da Universidade.
• Etapa 03: análise de dados.Nesta etapa, os dados coletados e sistematizados na etapa anterior foram analisados por meio do método de análise de conteúdo, de forma que se pudesse realizar a construção da explanaçãodo caso.
• Etapa 04:descrição do caso. Nesta etapa, foi realizada a estrutura descritiva do caso, a fim de organizar o
estudo de caso, em forma de relato de experiência.
Dessa forma, os pesquisadores puderam focar num fenômeno contemporâneo inserido num contexto de vida
real, preservando as características holísticas e significativas dos eventos (YIN, 2010).
4. A AGÊNCIA DE INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO DA UNISUL
A AGETEC, Agência de Inovação e Empreendedorismo da Unisul, tem por missão “promover o estreitamento da
relação da Unisul com o setor produtivo e o governo, gerando conhecimento científico e tecnológico entre pesquisadores, empresas e organizações públicas, visando à melhoria da qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão,
o empreendedorismo e a inovação”. De acordo com o planejamento estratégico realizado em 2010, a Unisul se
tornaria referência entre as universidades catarinenses na gestão e desenvolvimento da pesquisa aplicada, na
inovação e transferência de tecnologia e no empreendedorismo em 2014.
4.1. CONTEXTO ACADÊMICO E REGIONALQUANDODA IMPLANTAÇÃO DA AGÊNCIA
Embora a constituição de uma universidade esteja pautada nas atividades de ensino, de pesquisa e de extensão, historicamente,na Unisul, predominaram as atividades de ensino.As atividades de pesquisa e de extensão
passaram a se intensificar no final da década de 1990, com a criação de pró-reitorias específicaspara estas áreas,
e já no início da década de 2000 percebia-se que as competências para pesquisa e para a extensão apontavam
oportunidades de fomento externo.
Considerando o predomínio das atividades de ensino, inciativas direcionadas a um maior estreitamento da
relação com o governo e com o setor produtivo eram ao mesmo tempo vitais e complexas: vitais, pois vinham em consonância com o novo modelo de universidade que vinha sendo exigido, mais atento às questões sociais e econômicas e com a incumbência de rever o seu modelo de financiamento; complexas, pois, para uma universidade cuja
cultura e processos estavam direcionados para o ensino, conceber uma relação mais dinâmica com o setor produtivo
gerava uma série de problemas, tais como a tensão entre o conhecimento como bem público ou bem privado e as
diferencias de “timing” entre a universidade e o setor produtivo.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
ganhando pauta, inclusive por conta da Lei de Inovação, a qual exigia que as universidades criassem seus NIT,
prioritariamente para gerir sua política de propriedade intelectual e transferência de tecnologia.A Unisul não teve
seu projeto para criação de NIT aprovado no edital da FAPESC de 2005, mas, mesmo assim, um grupo de professores
persistiu nas discussões acerca da necessidade de criação de uma estrutura para estreitar a relação da universidade com o governo e com o setor produtivo nas questões relacionadas à inovação.
Outros dois aspectos que merecem atenção são o encolhimento do número de matriculas na Unisul ocorrida
na segunda metade da década de 2000e o contexto regional onde a Unisul está inserida. Historicamente, a Unisul
teve um crescimento significativo no número de matrículas, prioritariamente por conta de sua expansão territorial
(de Tubarão para o estremo sul e a capital do estado) no ensino presencial e na adoção do ensino adistância (para
todo o Brasil).Aexemplo do que aconteceu na maioria das instituições congêneres, estes números começarama cair
na segunda metade da década de 2000, o que fazia com que as universidades tivessem que buscar mecanismos
alternativos para financiamento de suas atividades.
No contexto regional, Tubarão está localizada numa das regiões com menor índice de desenvolvimento humano
(IDH) de Santa Catarina e caracterizada por ser uma região onde, economicamente, predomina o comércio, sem
grandes potencialidades industriais ou de serviços intensivos em conhecimento. A região caracteriza-se ainda por
uma fraca articulação entre a universidade, o governo e o setor produtivo, bem como de pouca e desarticulada
representação política.
4.2. PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO DA AGETEC
A implantação da AGETEC pode ser compreendida em quatro fases,cujosprincipais acontecimentos podem ser
observados no Quadro 1. A primeira fase inicia em 2005, quando um grupo autônomo de professores do Campus
de Tubarão organizou-se e submeteu uma proposta para implantação do NIT da Unisul ao Edital da FAPESC. Embora
o projeto não tenha sido aprovado, o grupo continuou as discussões, tanto que, em 2006,foi constituída pelo Reitor
da UNISUL uma comissão para estudar a possibilidade de um programa de interação universidade-empresa. Os trabalhos da comissão resultaram na criação de dois projetos estratégicos em 2008: um para a criação do Instituto de
Ciência, Tecnologia e Inovação da Unisul (ITEC) e outro para a criação da política de propriedade intelectual da Unisul.
O projeto de criação do ITEC foi aprovado para ser implantado na gestão que iniciou em 2009, sendo o da política de
propriedade intelectual incorporado ao primeiro.
Assim, com a posse da nova reitoria da Unisul em 2009, inicia-se a segunda fase, que é a implantação propriamente dita da AGETEC. O grupo designado para conduzir os trabalhos de implantação do então ITEC, em seus
primeiros encontros, entendeu que,em vez de criar um instituto (estrutura executora de pesquisa aplicada), devesse
ser criada uma agência (facilitadora da interação da universidade com o setor produtivo e com o governo). Esta nova
proposição foi apresentada e acatada pela reitoria e a Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia
e Inovação da Unisul (AGETEC) passou a ser estruturada no âmbito da Pró-Reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e
Inovação (Pro-PPGI), inicialmente com o Escritório de Projetos (EPD), o Escritório de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia (EPITT) e a Consultoria Jurídica (CONJUR).
A formalização da AGETEC tanto no âmbito da universidade (gabinete do reitor e conselho universitário), quanto
no âmbito da fundação mantenedora (conselho de administração) se deu em 2010, mesmo ano em que foram criadas a política de propriedade intelectual da Unisul e várias instruções normativas referentes à execução de projetos
oriundos da relação da Unisul com o setor produtivo e com o governo. Também, neste mesmo ano, foi realizado o
Primeiro Seminário Nacional de Inovação em Tubarão, representando o primeiro evento no qual universidade, empresas e governo discutem a inovação na região de Tubarão.
Mas esta não era uma característica apenas da Unisul. No Brasil de uma forma geral, este assunto vinha
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Ano
Principais Fatos
2005
Grupo autônomo de estudos a partir do Campus de Tubarão
2006
Comissão para Estudo do Programa de Interação Universidade-Empresa
2007
Proposta de Criação do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação da Unisul (Projeto IGLU)
2008
Projetos Estratégicos (Implantação do ITEC; Propriedade Intelectual)
2009
Transformação do ITEC em AGETEC e sua organização interna
2010
Formalização da AGETEC
Fase
Criação e aprovação da Política de Propriedade Intelectual da Unisul
Fase 1
passa a ser reconhecida como Agência de Inovação e Empreendedorismo da Unisul, vinculadaàPró-Reitoria de Ensino, de Pesquisa e de Extensão (Pró-EPEX) e à Pró-Reitoria de Desenvolvimento Institucional(Pro-DI). Nestas novas
diretrizes, a AGETEC passa a ter uma responsabilidade maior como agência de desenvolvimento institucional e regional, incorporando as inciativas relacionadas à incubação de empresas6 e criando o Núcleo de Empreendedorismo
(NUEMP), com a finalidade de colaborar com a geração de novas oportunidades de negócios junto ao setor produtivo
e o governo.
4.3. ESTRUTURAÇÃO DA AGÊNCIA
Fase 2
Criação de várias instruções normativas
Criação do Seminário Nacional de Inovação
2011
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Atualmente, a AGETEC está vincula à Pró-Reitoria de Ensino, de Pesquisa e de Extensão (Pro-EPEX) e à de
Desenvolvimento Institucional (Pro-DI), sendo a estrutura organizacional composta conforme organograma apresentado na Figura 1.
Realização do Seminário Nacional de Inovação 2011
Das seis estruturas previstas, cinco estão atualmente em operação, com as seguintes finalidades:
Prêmio Stemmer de Inovação
Prêmio Finep de Inovação
2012
Realização do Seminário Nacional de Inovação 2012
Prêmio Stemmer de Inovação
Fase 3
• Escritório de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia (EPPIT): gerir a propriedade intelectual e
a transferência de conhecimento/tecnologia no âmbito da Unisul.
Realização do Congresso Brasileiro de Propriedade Intelectual
Gerenciamento Projetos Conta Individual
Criação do UniParque
2013
• UniParque – Negócios de Inovação e Empreendedorismo: estimular a inovação e o empreendedorismo nas
empresas e gerir as iniciativas de fomento e de desenvolvimento de parques tecnológicos.
Realização do Seminário Nacional de Inovação 2013
Mudança de núcleo para agência de inovação e empreendedorismo
Vinculação da agência a duas pró-reitorias: Pro-EPEX e Pro-DI
• Escritório de Projetos (EPD): auxiliar na prospecção, na elaboração, na aprovação e na gestão dos projetos,
zelando pela execução dos projetos de acordo com as diretrizes institucionais da Unisul, bem como de acordo com
os editais, contratos e convênios que os regem.
Fase 4
Estruturação do Núcleo de Empreendedorismo (NUEMP)
• Consultoria Jurídica (CONJUR): prestar assessoria jurídica à AGETEC e a seus escritórios e estruturas, bem
como viabilizar a segurança jurídica das relações contratuais externas.
Ênfase no desenvolvimento institucional e regional
Quadro 1: Principais fatos que caracterizam a história da AGETEC
Os anos 2011 e 2012 representam a terceira fase da AGETEC, caracterizada por um crescimento exponencial das
atividades da agência,prioritariamente por conta do aumento do número de projetos e pelo aumento da captação de
recursos. Nesta fase, houve ainda a consolidaçãodo Seminário Nacional de Inovação (edições 2011 e 2012) e
a realização,em 2012, do Congresso Brasileiro de Propriedade Intelectual. Também nesta fase iniciou-se o reconhecimento externo da excelência da Unisul para como as questões relacionadas à inovação, representado por prêmios
e vistas de benchmarking. Em 2011,aconteceainda a elaboração do projeto de criação do UniParque – Negócios de
Inovação e Empreendedorismo da Unisul, parque tecnológico que iniciou suas atividades em 2012. Também no ano de
2012 os projetos conta individual4 passaram a ser acompanhados e apoiados pelo escritório de projetos da Agência.
Em 2013, com a posse de uma nova gestão na Unisul, inicia-se a quarta fase da AGETEC. Em consonância com
as novas diretrizes institucionais, a AGETEC deixa de ser o Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Unisul5 e
Figura 1: Organograma Atual da AGETEC
4
Modalidade de projetos nos quais os recursos são depositados diretamente na conta bancária do pesquisador, sendo a universidade
responsável solidária na execução técnica e financeira dos projetos.
5
Embora chamada de Agência, a AGETEC era reconhecida como o Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Unisul.
6
Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia e Inovação da Unisul: Contexto, Processo de Estruturação e Principais Resultados
Alcançados na Relação Universidade-Empresa-Governo
Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia e Inovação da Unisul: Contexto, Processo de Estruturação e Principais Resultados
Alcançados na Relação Universidade-Empresa-Governo
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Até 2013, embora acompanhadas pela AGETEC, as incubadoras da Unisul estavam vinculadas aos respectivos campi.
39
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
No âmbito do NUEMP, estão ainda as incubadoras de base tecnológica, a saber: o Centro Regional de Inovação e
Empreendedorismo (CRIE) e o Instituto de Apoio à Inovação e Tecnologia de Palhoça (INAITEC). Enquanto a primeira é
mantida integralmente pela Unisul e está localizada em Tubarão, a segunda está localizada na Palhoça, sendo a Unisul,
neste caso, apenas apoiadora da iniciativa, pois a incubadora tem como fundadoras outras entidades da região.
A estrutura que ainda está por ser implantada é a de Coordenação de Centros e Institutos de Pesquisa (C&IP),
que visa promover a harmonização das políticas e diretrizes para a criação de centros e institutos de pesquisa.
Embora esta estrutura ainda não esteja formalmente criada, a AGETEC já apoia a criação e a operação de alguns
laboratórios e centros de referência em pesquisa e prestação de serviços.
Quando entrou em operação em 2009, a equipe era composta por 1 (um) professor com dedicação integral
(diretor da agência), 2 (dois) professores com dedicação parcial (gerente do escritório de projetos, gerente do escritório de propriedade intelectual e transferência de tecnologia, que cumulava a função de consultor jurídico) e 1
(um) analista (prospecção de fomento). Como o passar do tempo, devidoao aumento das atividades, outros recursos
humanos foram sendo incorporados. Atualmente, a equipe é composta por 17 (dezessete) colaboradores, assim
qualificada:1 (um) professor com dedicação integral (diretor da agência); 5 (cinco) professores com dedicação parcial
(gerente EPD, gerente EPITT/CONJUR, 2 (dois) membros NUEMP, GIF), 3 (três) analistas (prospecção e elaboração
de projetos, execução de projetos e coordenador do UniParque), 5 (cinco) assistentes administrativos (prospecção,
recursos humanos, aquisições, financeiro e projetos conta individual), 1 (um) assistente de serviços jurídicos e 2
(dois) estagiários (prospecção e execução de projetos).
4.4. PRINCIPAIS RESULTADOS ALCANÇADOS
Para análise dos principais resultados alcançados, levou-se em consideração a necessidade de a universidade
contribuir para o desenvolvimento econômico e social do meio em que está inserida, bem como a de buscar formas
alternativas para a sua sustentabilidade, o que pode acontecer por meio deatividades desempenhadas por universidades inovadoras e empreendedoras elencadas por Philpott et al. (2011), descritas na seção 2.4. No início da
análise,verificou-se que três atividades (formação de alunos pós-graduados de qualidade, publicação de resultados
acadêmicos e cursos de treinamento industrial) não estão diretamente relacionadas à Agência, embora ambas sejam afetadas e afetem as demais atividades.Nesse sentido, a análise não considerará estas atividades, deixando-as
para estudos futuros.
1)Prospecção e Captação de Recursos
A prospecção de recursos é realizada por meio demonitoramento edivulgação das oportunidades de fomento
existentes emnível estadual, nacional e internacional. As oportunidades são divulgadas via boletins de fomento
para todos os colaboradores da Universidade. A divulgação das oportunidades, com futuro apoio para elaboração
de propostas e projetos, contribuiu para um significativo aumento de recursos captados para projetos de pesquisa,
projetos de extensão, organização de eventos, participação em eventos externos, bem como para a criação e
modernização de infraestrutura para ensino, pesquisae extensão.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
dores e extensionistas; bolsas de estudo, pesquisa e extensão, revertidas parcialmente em mensalidades; desoneração
de muitos dos custos da Universidade; bem comogeração de conhecimentos e tecnologias para futuros licenciamentos.
Em números, no período compreendido entre 2009 e 2013 foram realizadas 217 captações de recursos, incluindo aquelas destinadas à realização de eventos, projetos de pesquisa, prestação de serviços, infraestrutura,
extensão e prêmios.
2)Projetos de Pesquisa e Prestação de Serviços
A profissionalização do gerenciamento de projetos se deu a partir da criação de um escritório especializado
em projetos para e em parceria com o setor produtivo e o com governo. Com a criação do escritório, processos mais
ágeis e adequados foram criados, bem como metodologias, manuais e boas práticas de gerenciamento de projetos
no âmbito acadêmico.O escritório executa ainda todas as atividades burocráticas dos projetos, deixando para os
pesquisadores e prestadores de serviços apenas as atividades técnicas dos projetos.
Como contribuições para o desenvolvimento econômico e social do seu entorno, pode-se citar: a possibilidade
de as empresas e o governo contar com os conhecimentos da Universidade; a disponibilização de serviços altamente
qualificados;a resolução de problemas práticos; a possibilidade de pesquisas mais avançadas; a ampliação da performance das empresas; bem como a criação devínculos mais sólidos entre a Unisul, o governo e as empresas.
Para a sustentabilidade da Universidade, geram-se: aumento da receita decorrente dos projetos de pesquisa
e de prestação de serviços;remuneração adicional de professores e demais colaboradores; bolsas de trabalho e de
pesquisa para alunos, revertidas parcialmente em mensalidades; estruturação e ampliação de laboratórios; expectativa de royalties em decorrência de licenciamentos; e outras formas de transferência de conhecimentos e tecnologias
desenvolvidos no decorrer dos projetos.
Em números, 106 projetos de pesquisa foram aprovados no período compreendido entre 2009 e 2013, sendo
17 na modalidade conta institucional e 89 na modalidade conta individual. Neste mesmo período, foram aprovados
32 projetos de prestação de serviços, que, de alguma forma, subsidiaram também a realização de outras pesquisas.
3)Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia
A criação da Política de Propriedade Intelectual da Unisul permitiu: inserção do tema em seminários e eventos da Universidade; criação de um setor específico para atendimento aalunos, professores, pesquisadores e
empresários em suas dúvidas e encaminhamento das questões envolvendo propriedade intelectual; mapeamento
e definição dos processos e fluxos de análise e proteção interna de PI; criação de protocolo de análise jurídica de
PI nos contratos e convênios da Universidade. Em decorrência disso, já houve pedido de patenteamento de 1 (um)
processo, pedido de proteção de 2 (duas)marcas, pedido de proteção conjunta de 1 (um)software e a co-titularidade
com empresas de 2 (dois) ativos de propriedade intelectual. A criação da politica de propriedade intelectual permitiu
ainda a transferência de 1 (uma)tecnologia, cujo recebimento de royaltiespossibilitoureceitas adicionais para a Universidade e o pagamento de prêmio aos pesquisadores que desenvolveram a tecnologia.
Dentre as contribuições para o desenvolvimento econômico e social do seu entorno pode-se citar a ampliação
do número de projetos de pesquisa e de extensão, a ampliação do número de eventos organizados e a participação
de professores, pesquisadores e extensionistas em eventos nacionais e internacionais, o que permite o aumento da
reputação da Unisulem sua relação com o setor produtivo, com o governo e com a sociedade.
Como contribuições para o desenvolvimento econômico e social do seu entorno,citam-se a ampliação da competitividade e a geração de riquezas pelas empresas beneficiadas e a ampliação da segurança jurídica na exploração
dos direitos de propriedade intelectual. Já para a sustentabilidade da Universidade, conta-se comas receitas em decorrência da transferência da tecnologia, com o pagamento adicional de pesquisadores e com o aumento do número de
contatos buscando conhecimentos e tecnologias inovadoras, o que pode converter-se em futuras receitas.
No que diz respeito à contribuição para sustentabilidade da Universidade, citam-se: aumento da receita em função
da captação dos recursos; estruturação e ampliação de laboratórios; remuneração adicional de professores, pesquisa-
Em termos de números, houve pedido de patenteamento de 1 (um)processo, pedido de proteção de 2 (duas)
marcas, pedido de proteção conjunta de 1 (um)software,co-titularidade com empresas de 2 (dois) ativos de proprie-
Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia e Inovação da Unisul: Contexto, Processo de Estruturação e Principais Resultados
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
dade intelectual e 1 (uma) transferência de tecnologia realizada.
4)Criação de Start-Ups
O apoio para a criação de novas empresas se dá, prioritariamente, por meio das incubadoras de base tecnológica.A CRIE está localizado em Tubarão e já possui empresas graduadas e outras estão em processo de pré-incubação
e incubação. As contribuições para o desenvolvimento econômico e social incluem a criação de novas empresas na
região, a criação de novas vagas de emprego, a ampliação da arrecadação do município, estado e federação e a
formação/capacitação de empresários.
Como contribuição para a sustentabilidade da Universidade, podem ser citadas uma pequena receita oriunda
das taxas pagas pelas empresas incubadas e umaexpectativa de receita advinda de contribuições de empresas
graduadas (ainda não formalizada). Outra expectativa é pelo aumento da demanda de alunos com interesse em
empreender.No entanto, há algumas dificuldades sendo enfrentadas pela coordenação da CRIE paratorná-la autossustentável. A principal é a falta de apoio por parte do governo municipal e das associações empresariais, que fazem
com que a CRIE tenha deser mantida com recursos da Universidade, pois as taxas pagas pelas empresas incubadas
não cobrem as despesas da incubadora, isto é, esta incubadora não é uma estrutura autossustentável.
Em números, 4 (quatro) empresas já foram graduadas pela CRIE e, neste momento, existem 7 (sete) empresas
incubadas, sendo 2 (duas) geridasadistância e 5 (cinco) presenciais.
Como a atuação da AGETEC no INAITEC, incubadora localizada na Palhoça, ainda está sendo formalizada, não
é possível avaliar seusresultados, mas estima-se que serão mais profícuos do que os da CRIE, dado a localizaçãogeográfica da incubadora (Grande Florianópolis) e omaior apoio recebido pelas instituições externas. Ademais, o
espaço físico e a capacidade de incubação de empresas do INAITEC são superiores aos da CRIE.
5)Criação de Parque Tecnológico
O UniParque está aberto para empresas de qualquer ramo, desde que comprovem ser inovadoras e empreendedoras. Atualmente, com quase todo o espaço sendo utilizado, a maioria das empresas sãoda área de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC). Há, inclusive, um movimento da Associação das Empresas de Tecnologia
da Região de Tubarão (ATEC) para que o UniParque passe a ser o espaço de concentração de suas associadas.
Como contribuição para o desenvolvimento econômico e social do seu entorno,destacam-se: ampliação do
número de contratações; atração de profissionais altamente qualificados para a região; captação de recursos externos pelas empresas; reconhecimento das empresas por meio de prêmios; criação de uma spin-off a partir de
um empresa do parque; desconto corporativo para estudantes colaboradores das empresas em cursos da Unisul;
e aumento da qualidade de vida dos colaboradores das empresas pela proximidade com a universidade, praça de
alimentação, serviços bancários, dentre outros. É importante ressaltar que empresas do parque já foram beneficiadas com a transferência de tecnologia oriundas da Universidade, com a captação de recursos externos não reembolsáveis e com o recebimento de prêmios de reconhecimento externo.
Como benefícios para a sustentabilidade da Universidade, citam-se oaumento da receita da universidade, por
conta o pagamento do aluguel das empresas hospedadas no parque, por conta da transferência de tecnologia para
as empresas e por conta da prestação de serviços para as empresas. Ademais, há expectativa para o desenvolvimento de projetos conjuntos e para a ampliação de número de alunos que sejam colaboradores das empresas.
Em números, existem, neste momento,9 (nove) empresas hospedadas do UniParque, com aproximadamente
170 empresados, utilizando uma área de 1.585 m2, o que corresponde a 70% da área disponível do parque.
O número de empresasque mantêm relações comaUniversidade cresceu significativamente ao longo dos últimos
Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia e Inovação da Unisul: Contexto, Processo de Estruturação e Principais Resultados
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
anos. Além da proximidade que estas empresas têm com os professores, existe um boletim periódico com oportunidades de fomento,que é enviado gratuitamente para as empresas e, para aquelas que venham a elaborar propostas, há
possiblidades de orientação com relação aos critérios de elegibilidade e critérios técnicos para a submissão de projetos.
Uma das maiores conquistas da Agência foi a inclusão da região de Tubarão como um dos polos de inovação
do Estado de Santa Catarina. Os Polos de Inovação são uma iniciativa do Governo do Estado de Santa Catarina,
que, por meio do Programa InovaSC da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS), selecionou 12 (doze)
cidades para serem os polos de inovação do estado. A seleção da cidade de Tubarão se deu graças àarticulação
da Unisul com o governo municipal e com as principais entidades associativas do setor privado, consequência
direta da atuação da AGETEC.
Merece atenção ainda o reconhecimento externo sendo recebido. Segundo a visão da AGETEC, em 2014, a
Unisul seria referência entre as universidades catarinenses na gestão e no desenvolvimento da pesquisa aplicada,
na inovação e na transferência de tecnologia e no empreendedorismo. Apesar da dificuldade em mensurar o “ser
referência”, percebe-se que existem várias evidências de que esta visão foi atingida. Dentre elas, citam-se:Prêmio
Stemmer de Inovação 2011: Primeiro Lugar – Categoria ICT Inovadora; Prêmio Stemmer de Inovação 2012: Primeiro
Lugar – Categoria Organização Inovadora; Prêmio FINEP de Inovação 2011: Segundo Lugar – Categoria ICT Inovadora – Etapa Regional (RS, SC e PR); Benchmarking Internacional: Universidade Técnica Particular de Loha (UTPL), por
exemplo; e Benchmarking Nacional: Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB) e Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UnoChapecó), por exemplo.Ademais, o estreitamentoda relação e o reconhecimento
da Agência podem ser percebidos por meio das constantes demandas do governo e do setor produtivo por produtos, processos e serviços relacionados à inovação e ao empreendedorismo em praticamente todas as áreas
de conhecimento da Universidade.
5.Considerações Finais
Os resultados apontam uma significativa melhoria da relação da Unisul com as empresas da região, com os
governos municipal e estadual e com a sociedade de uma forma geral, além de benefícios diretos e indiretos para a
Universidade e para as empresas. Consequentemente, há contribuições da Universidade para com o desenvolvimento econômico e social do seu entorno, considerando-se que as atividades desenvolvidas contribuem também para a
sustentabilidade da própria Universidade.
Para as empresas, a proximidade com a Universidade traz uma série de benefícios, tais como o acesso a conhecimentos e tecnologias;fomento para o desenvolvimento de novos produtos e processos; força política para pleitear
benefícios e melhorias juntoa esferas públicas; ambientes mais propícios para a inovação e o empreendedorismo;
contratação de profissionais qualificados e a capacitação de colaboradores, entre outros.
Para a Universidade,existem benefícios tais como: captação de recursos, que viabiliza a realização de atividades
que não poderiam ser realizadas com recursos próprios; capitalização do conhecimento, que incrementa a receita da
Universidade; realização de pesquisas com foco prático para o desenvolvimento econômico e social; fortalecimento
de uma cultura inovadora e empreendedora entre professores, pesquisadores e demais colaboradores; ampliação
da remuneração de professores e pesquisadores;ampliação do número de bolsas para alunos, parcialmente revertidas em mensalidades; aquisição e modernização de infraestrutura para o ensino, pesquisa e extensão, entre outros.
Faz-se necessário, no entanto, aprofundar estudos empíricos acerca dos resultados da implantação da Agência que levem emconsideraçãodados sobre a introdução de inovações no mercado pelas empresas, o aumento da
receita operacional das empresas, a captação de recursos externos pelas empresas, a qualidade de vida da região,
o nível salarial e de escolaridade da região, bem como dados quantitativos mais aprofundados sobre a operação da
própria Agência. Ademais, um levantamento eum estudo comparativo da criação da AGETEC com a criação de outras
agências de inovação ou estruturas equivalentes em universidades nacionais e internacionais poderia ampliar o
nível de conhecimento acerca dos resultados obtidos.
Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia e Inovação da Unisul: Contexto, Processo de Estruturação e Principais Resultados
Alcançados na Relação Universidade-Empresa-Governo
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
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Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia e Inovação da Unisul: Contexto, Processo de Estruturação e Principais Resultados
Alcançados na Relação Universidade-Empresa-Governo
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da
Vida no Brasil
Minadeo, Roberto - Analista em C&T III do CNPq
Professor do Mestrado em Ciências Políticas do Centro Universitário Euro-Americano UNIEURO
[email protected]
Palavras-chave: Transferência de conhecimento; Interação Universidade-Empresa.
Resumo
A importância das ICT’s à competitividade empresarial é crucial. Em primeiro lugar, cabe apontar que praticamente em todos os países, a pesquisa básica tem ficado a cargo de instituições governamentais ou de entidades
privadas financiadas pelo Estado. Tais pesquisas foram a base de inúmeros resultados levados ao mercado, especialmente no campo militar, mas também em informática e outros setores. O artigo utiliza dados secundários,
obtidos mediante uma Linha de Pesquisa do autor, ativa há muitos anos, em História Empresarial. A busca de situações ligadas ao tema, ou seja, de ICT’s ou de empresas privadas que delas se beneficiaram é fruto dessa Linha
de Pesquisa. O trabalho com dados secundários propicia uma riqueza de situações, embora menor intensidade de
informações em cada um deles do que se houvesse acesso a dados primários. Porém, em virtude da ausência de
recursos e da dificuldade de acesso às fontes, já há uma razoável experiência em artigos de diversas temáticas
utilizando essa Metodologia – que é basicamente descritiva e de caráter histórico, após o natural recurso às fontes
bibliográficas para a construção de um Referencial Teórico a respeito do tema. As instituições escolhidas para este
artigo são: a) Fiocruz; b) Instituto Butantã; c) Instituto Agronômico de Campinas e d) Embrapa. Todas atuam em temas que envolvem Ciências da Vida, embora com focos diferentes, até mesmo em função de seus respectivos históricos institucionais. Além disso, trata-se de instituições de excelência internacional, e com resultados diversos no que
concerne à criação de conhecimentos e ao seu repasse ao setor privado – nas mais diversas formas. Além disso,
no caso da Fiocruz, há que se destacar a criação de uma organização responsável pela produção de medicamentos
em caráter comercial – ou seja, um passo derivado dos investimentos em P&D, e inserido nas políticas nacionais de
Saúde Pública. O resultado esperado é um compilação de situações, que possui duas finalidades: a) colocar o leitor
em dia no tocante à temática, mediante a Metodologia adotada; trata-se, portanto, de uma relação das situações
descritas e que passam por uma breve análise; a) a respeito das orientações no tocante à C&T em geral; e b) sobre
a relação das ICT’s com o setor privado; e c) no tocante às ICT’s e as políticas públicas em diversos matizes – como
o exemplo acima apresentado a respeito da atuação da Fiocruz.
INTRODUÇÃO
Já existem inúmeros estudos sobre os ICT’s escolhidos. Após um breve referencial teórico, surge o foco do
artigo: a descrição de transferências de tecnologia feitas ao setor privado por parte deles. Foi um estudo baseado em dados secundários, que trouxe grande riqueza de informações, permitindo notar o avanço desses ICT’ s
e sua inserção no mundo empresarial – apesar de naturais problemas políticos interferindo em suas linhas de
ação de modo diverso. Limitação do artigo se refere ao fato de não ter sido possível coletar dados primários.
A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERENCIAL TEÓRICO
A inovação é arriscada; mas qualquer atividade econômica, por definição, possui risco, e viver do passado
ou acomodar-se traz em si maiores riscos do que procurar construir o futuro (BEATTY, 1998). A inovação pode
ser entendida como “solução de um problema”, vistos estes como aquilo que impede uma empresa qualquer de
conseguir seus fins. Em toda atividade humana há problemas, que clamam por resolução – que é uma atividade
subjetiva que encontra novas formas de realizar a atividade objetiva, que é constituída por rotinas (ZAWISLAK,
1996). Dada a sociedade competitiva atual, há necessidade de provar que se é melhor que os demais; mas, há
medo em errar. Assim, ao mostrar alguma ideia nova, surgem pessoas indispostas, pois automaticamente se
tornam concorrentes e acionam seu lado racional e analítico (FERNANDES, 1999).
Silva e Batalha (2001) afirmam que a atratividade em inovar é maior com a dificuldade da concorrência em
imitá-la. Três fatores influem na manutenção das vantagens das inovações: a) grau de proteção; b) natureza das
alterações necessárias para inovar; e c) paradigma tecnológico dominante.
Importante centro de inovação em saúde, a Clínica Mayo se iniciou em 1889, seis anos após a cidade de
Rochester ser devastada por um tornado. A escassez de recursos pode ser considerada uma condição para
inovar; ainda hoje, a cidade conta com apenas 30 mil habitantes e a Clínica está na zona rural. Desde o início,
os irmãos William e Charles criaram grupos de trabalho cooperativos e uma política de portas abertas. A inovação
é fruto também da diversidade, segundo a qual médicos de diferentes disciplinas podem colaborar no cuidado
dos pacientes (NEREN, 2010). Centro de referência de inovação na indústria, a 3M produz cerca de 50 mil itens.
31% dos US$ 27 bilhões de suas receitas de 2010 vieram de produtos lançados nos últimos 5 anos. Em 2010
investiu US$ 1,4 bilhão em P&D. Elementos de sua criatividade (TIDD & BESSANT & PAVITT, 2008; CRÍTICA...,
2011): a) reconhecimento; b) reforço dos valores centrais; c) movimentação do pessoal para permitir combinações criativas; d) alocação de espaços e permissão para a criatividade pessoal; e) aceitação dos erros no
processo de pesquisa; f) contratação de inovadores; g) reconhecimento do poder de associação; h) estímulo de
amplas perspectivas; i) recrutamento de voluntários para projetos.
A partir dos anos 1980, estudam-se relações entre a economia e a inovação, à busca da questão sobre o quanto a inovação traz desenvolvimento, e como o crescimento é medida de processos inovadores. Um
problema ao analisar o desenvolvimento é que este se tornou uma lei não escrita, vital no Pós II Guerra. Mas,
a inovação é um campo de batalha de relações diversas, conforme trocas entre produtivos, consumidores,
agentes governamentais e outros. Assim, não há como determinar de antemão os rumos do processo inovador
(ANDRADE, 2006).
Tidd: Bessant e Pavitt (2008) apresentam 4 tipos de inovação: a) nos produtos e serviços oferecidos; b) no
processo de criação de produtos/serviços; c) de posição: no contexto de lançamento de produtos/serviços; e d)
de paradigma: nos modelos que orientam os negócios da empresa (ex.: linhas aéreas low cost low fare).
A introdução de uma inovação no mercado implica novo dinamismo à economia. Os lucros dessa inovação
acirram a competição, atraindo o que Schumpeter chama imitadores: pessoas que investem no que foi criado
pelo inovador. No primeiro momento, elevam-se as taxas de investimento, nível de emprego e crescimento
da economia; em um segundo momento, a oportunidade de realização de altos lucros na área da inovação
é reduzida, pelo aumento de oferta, havendo redução dos investimentos e menor oferta de emprego. Assim,
o desenvolvimento econômico é visto por Schumpeter como dinâmico e em transformação, sobretudo pelo
caráter assimétrico das inovações (SHIKIDA & BACHA, 1998).
Para Schumpeter, a inovação é a principal responsável pelo desenvolvimento econômico. Assim, esta
variável deve ser focada nos estudos de crescimento. A imitação que segue uma inovação bem sucedida leva à
A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
diluição do lucro obtido pelas empresas inovadoras. Assim, como fruto da inovação com a imitação haverá continuidade do progresso tecnológico. A inovação é um processo de aprendizado não linear, fruto de complexas
interações locais, nacionais e mundiais entre diversos agentes, firmas e outras organizações voltadas à busca
de novos conhecimentos (TORRES, 2009).
As organizações públicas de pesquisa em saúde e agricultura possuem histórico de inovação. No Brasil,
citam-se variedades agrícolas, técnicas de produção agropecuária, vacinas, protocolos epidemiológicos e soros – com destaque a: a) Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Butantã, Carlos Chagas e Adolfo Lutz (saúde); e b)
Instituto Agronômico de Campinas e Embrapa (agricultura) (BIN, 2008).
A partir dos anos 1980, ocorreu uma mudança nas organizações públicas e privadas de pesquisa – que
levou as organizações públicas a buscar ferramentas de gestão que lhes trouxesse maior eficiência. Quando o
Estado mantém uma organização fazendo pesquisa agrícola ou em saúde ele o faz não apenas porque se não
fizer ninguém mais fará, como prescreve a abordagem das falhas de mercado, mas é porque há uma razão de
desenvolvimento, uma opção de política, que pode interferir profundamente nos resultados da produção de
alimentos e na saúde da população. Mas as organizações públicas de pesquisa só poderão fazê-lo de forma
efetiva, eficiente e eficaz, se lograrem efetividade, eficiência e eficácia, o que não é, de forma nenhuma, garantido pela sua condição jurídica, nem tampouco é uma decorrência direta da boa ciência. Será garantido pela sua
capacidade de transformar boa ciência em benefícios à sociedade.
A busca de competitividade não se refere ao jogo concorrencial tal como ocorre para empresas, nem à
excelência científica. Para as organizações públicas de pesquisa, a competitividade está ligada à capacidade
de mudar suas estruturas. Isso porque os recursos para C,T&I são cada vez mais competitivos e cada vez mais
ampliam-se as interfaces para buscar esses recursos em diferentes fontes, sejam estas públicas ou privadas
(BIN, 2008).
A inovação é uma forma natural de inserção dos institutos de pesquisa nas novas bases de produção
e apropriação do conhecimento, sem alterar a justificativa para sua existência, historicamente atrelada ao
cumprimento de grandes missões institucionais, que em muitos casos são singulares e atribuídas a estas organizações públicas por consenso social e político, formando a base de sua legitimidade, competitividade e
sustentabilidade (BIN, 2008).
Segundo Bin (2008), as organizações públicas precisam seguir o princípio da legalidade, pelo qual o gestor
deve seguir a lei, e incorrer em desvio de poder ou de finalidade. As principais implicações de tal princípio nas
organizações públicas de pesquisa, recaem sobre quatro pontos centrais:
• Autonomia financeira.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Quadro I: Situações de Inovação no Brasil de empresas associadas a Centros Públicos de Pesquisa ou Instituições de Ensino Superior, nas temáticas dos ICT’s escolhidos
A Bug Agentes Biológicos, de Piracicaba (SP), utiliza vespas parasitas para o controle de pragas provocadas por lagartas
sem uso de pesticidas e sem perturbar o ecossistema local – para controlar pragas na cana, soja e outras lavouras. A Bug
nasceu em 2003 na incubadora da ESALQ, como associação do biólogo Heraldo Negri com o agrônomo Diogo Carvalho.
Seu principal produto é a trichogramma, uma vespa, cultivada em ovos vendidos em cartelas, e que, quando nasce, é solta
na lavoura parasitando ovos de mariposas e borboletas, as principais pragas – quando em fase de lagarta – das grandes
culturas. A trichogramma responde por metade do faturamento da Bug, cuja clientela cultiva 350 mil hectares de lavoura;
em vários casos, substituem totalmente o agrotóxico. Os insetos da Bug proporcionam, segundo a empresa, uma economia de 30% em relação aos agrotóxicos. Além disso, as vespas normalmente só precisam ser aplicadas uma vez, no início
do plantio, enquanto agentes químicos são borrifados até seis vezes durante a safra. O risco biológico é baixo, porque a
trichogramma sempre existiu por aí, na natureza e parasita apenas os ovos dessas pragas. Ou seja, a vespa evita que a
praga cresça descontroladamente, assim, ela mesma deixa de se multiplicar. Na ESALQ, Heraldo estudou por 20 anos a
vespa. Diogo fazia mestrado no mesmo campus. As pesquisas dos dois – e de vários outros acadêmicos – já mostravam
bons resultados, mas não havia aplicação mercadológica do inseto. Em 2001, criaram a empresa, na incubadora da
universidade. Até 2005, pesquisaram e desenvolveram produtos, com o aporte – a fundo perdido – de R$ 1,2 milhão da
FAPESP. Em 2005, veio o primeiro pedido, para 500 hectares de cana. Em 2010, foi a primeira empresa a registrar um
inseto (a trichogramma), junto à ANVISA, ao IBAMA e ao Ministério da Agricultura. Em 2011, protocolou ácaros e insetos
predadores. Cada processo levou cerca de três anos. Cada cartela é vendida em uma embalagem engenhosa e patenteada
com 24 tabletes, com cerca de 2,5 mil vespas/tablete. Para aplicar, o agricultor caminha pela plantação e solta um tablete
a cada 20 metros. A cartela cobre um hectare. Em 2011, a Bug se fundiu à Promip, de Marcelo Poletti, um negócio criado
em 2006, focado em ácaros e predadores microscópicos. Houve o aporte de capital de um fundo gerido pelo BNDES na
empresa (CARVALHO, 2012; MOREIRA, 2013).
Israel Barreira Motta passou a atuar em cosméticos, pois sua experiência em nanoemulsão mostrou-se útil em ampliar o
desempenho dos cosméticos na pele. Em 2008, criou a Allegê, cujas vendas nas farmácias de manipulação começaram
em 2011. O projeto foi aprovado pelo Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), formado pelo IPT,
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), Sebrae e pelos consultores do centro. Depois de avaliado o plano
de negócios, houve um curso de 30 dias aos representantes da empresa. Depois, começaram-se 4 anos, nos quais se
investiram R$ 600 mil para conhecer melhor a pele do brasileiro. Além do capital próprio, a Finep ofereceu recursos, para
marketing e consultoria. Israel trabalha com sua esposa, médica, que contata os médicos, e cuida do processo administrativo. Cerca de 80% das receitas de dermocosméticos vêm de prescrições médicas (MAGALHÃES, 2012).
A Natura criou a linha Chronos junto com a Univ. Federal de S. Catarina (BARIFOUSE, 2009).
Em 2010, a Biolab lançou o Xeomin, toxina botulínica de segunda geração; sua vantagem sobre o Botox é não precisar de
refrigeração no armazenamento – o que facilita a vida das clínicas. O Biolab foi criado pelos irmãos Fernando, Cleiton e
Paulo de Castro Marques, fundadores da União Química. A partir de 2000 começou a fazer parcerias, como a que levou
ao Xeomim, com a alemã Merz. Em 2009 lançou o protetor solar Photoprot, que usa nanopartículas e atinge FPS 100. Foi
criado em conjunto com a UFRGS após R$ 5 milhões em investimentos (ARAGÃO, 2010).
• Autonomia para celebração de contratos.
• Autonomia na gestão de recursos humanos.
• Autonomia político-institucional, uma vez que estas organizações, apesar de serem organizações de
Estado, estão sujeitas a influências das mudanças políticas – como na nomeação de cargos de comando.
Fonte: elaboração própria.
Os três primeiros fatores focam o aspecto burocrático-administrativo, e o último ponto tem uma natureza
política, que deriva da relação que se estabelece entre a organização que faz pesquisa e o governo. Não sendo
mandatório, este tipo de restrição de natureza política não é conhecida a priori, sendo sua variação um elemento de tensão contínuo com o qual a organização deve lidar. Assim, os limites dessas organizações são traçados
de antemão, havendo uma rigidez maior do que as estruturas privadas.
A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
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A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
INSTITUTO AGRONÔMICO DE CAMPINAS
O Instituto Agronômico (IAC) foi fundado em 1887 pelo Imperador D. Pedro II. Teve importância ao desenvolvimento das pesquisas em ciências agrárias no país. Wihlem Dafert, doutor em química, veio dirigi-lo (AZEVEDO, 20032004; FUCK, 2005).
O IAC desenvolve diversos projetos científicos e tecnológicos; presta serviços aos produtores – com destaque ao
controle de qualidade de laboratórios. Também atua na introdução e adaptação de novas variedades – como ocorreu
com o algodão paulista, com fibras que permitem produzir de tecidos superiores. Parte importante da produção de
algodão herbáceo do país vem das variedades do IAC (SOUZA; GARCIA, 1998).
Os institutos de pesquisa agropecuária do estado de São Paulo são coordenados pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), e incluem os Institutos: Agronômico (IAC), Biológico, Economia Agrícola (IEA), Pesca,
Tecnologia de Alimentos (ITAL), Zootecnia (IZ), e quinze Pólos Regionais, ligados à APTA Regional. Em estudo de 2005,
analisando seus resultados (indicadores de geração e transferência de conhecimento, e captação de recursos) e
insumos (orçamentos anuais), o IAC foi a unidade mais eficiente no índice agregado de geração e transferência de
conhecimento: o mais eficiente na geração e segundo colocado na transferência (VICENTE; MARTINS, 2007).
Quadro II: Transferências Tecnológicas do IAC
Desde 1997, o IAC – Instituto Agronômico de Campinas – criou e patenteou 17 novas variedades de cana – 22% do total
liberado e cerca de 10% da área de cana do país – que atendem produtores de dentro e fora de São Paulo. Havia pesquisas
em andamento visando ampliar a produtividade, elevar o teor de sacarose e a resistência a doenças, além de adaptar a
cultura às condições de outras regiões do Brasil. Desde o início de 2008, o IAC exporta tecnologia para o México, mediante
uma parceria com o grupo Piasa (BARROS, 2008).
Em São Paulo, a Copereste criou em 1953, na região de Ribeirão Preto, uma estação experimental. Em 1968 a Copersucar
iniciou um programa de melhoramento genético da cana, incorporando a Copereste e firmando protocolos de cooperação
com a Embrapa e o IAC, ao qual cedeu sementes produzidas em sua Estação Experimental para o programa de seleção do
IAC (CESNIK, 2007).
Número de Convênios empresariais do IAC no período 1994-98 e valor repassados ao IAC (R$ mil)
Número de Convênios
Empresas Privadas (a)
Total (b)
Valor convênios (a)
Total (b)
1994
52
55
-
1995
56
63
856
1.747
1996
53
55
1.147
1.511
1997
65
69
1.429
2.537
1998
62
67
1.577
2.884
Nos convênios empresariais destacam-se os do FUNCAFÉ, consórcio atuante na pesquisa em café, e com
recursos obtidos da EMBRAPA.
Fonte: Mello (2000, Tabelas 4.10 e 4.11).
Fonte: elaboração própria.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Embrapa estudos em melhoramento genético. Até o final dos anos 1970, a organização absorveu e repassou as
tecnologias existentes (em insumos e equipamentos), ingressando nos anos 1980 no desenvolvimento tecnológico
– para reduzir a dependência externa. A Embrapa atua mediante 37 Centros de Pesquisa, 3 Serviços e 11 Unidades
Centrais, em quase todos os Estados da Federação, nas mais diferentes condições, operando orçamento anual de
R$ 660 milhões. Conta com 8.619 colaboradores, sendo 2.221 pesquisadores – 45% com Mestrado e 55% com
Doutorado. A Embrapa realiza tarefas de P&D de caráter público, nos segmentos em que a iniciativa privada não
tem interesse em investir – pela baixa rentabilidade – e em segmentos nos quais a iniciativa privada também atua.
Contribuiu para que de 1975 a 2001, a produção brasileira dos principais grãos (trigo, arroz, milho, soja e feijão)
crescesse 148%, com aumento de apenas 34% na área plantada e de 84% na produtividade. Um dos resultados da
Embrapa Soja (denominação atual do Centro Nacional de Pesquisa de Soja – CNPS, criado em 1975) de Londrina
(PR) é o lançamento de cerca de dez tipos de sementes de soja ao ano (SILVA & MELO, 2001; FUCK, 2005). A ação
da Embrapa Suínos e Aves (2009-2012) leva em conta, além das linhas da União e da matriz, as demandas do setor
produtivo – algo não observado na FIOCRUZ-PR (BASSI; SILVA; LEIS, 2012).
Quadro III: Transferências Tecnológicas da EMBRAPA
A Embrapa lançou o algodão colorido, coroando pesquisas iniciadas em 1989, na unidade de Campina Grande, Paraíba.
O produto apresenta valor de mercado de 30 a 50% superior, por dispensar o tingimento, em relação ao algodão branco.
Além disso, não apresenta risco de apresentar alergias, pois a cor é totalmente natural. No ano 2000, a fibra marrom
começou a ser produzida, vindo a ver dois anos depois, e as versões safira e rubi em 2005. Em 2006, o algodão colorido
foi plantado em 2 mil hectares (INOVAÇÃO..., 2008).
Em 2009, um consórcio de 300 cientistas de 25 países, integrado pela Embrapa, criou uma nova tecnologia capaz de interpretar cerca de 2,87 bilhões de elementos contidos em 22 mil genes que compõem a constituição genética de 17 raças
bovinas – após seis anos de trabalho e US$ 54 milhões em investimentos. As descobertas em bovino podem auxiliar no
estudo de doenças humanas. A pesquisa comprovou que os genes dos seres humanos têm características mais parecidas
com o genoma bovino do que com os genes de macacos, ratos, cães ou camundongos. A alta resistência dos bovinos a
micro-organismos contidos em seu rúmen pode ajudar nas pesquisas sobre a imunidade em seres humanos, em: metabolismo, lactação e digestão (ZANATTA, 2009).
Até o final da década de 80, toda a semente básica de soja no Paraná era distribuída pelo governo estadual. O desenvolvimento de uma nova cultivar de soja leva até 10 anos. A primeira cultivar da Embrapa Soja veio em 1981, recomendada ao
Paraná. Depois vieram outras, a todos os estados brasileiros produtores. Para o Paraná, até 2003, a Embrapa Soja desenvolvera 40 cultivares. Com o aumento da área cultivada a produção de sementes subiu de 25 empresas em 1970 para
159 em 1988, caindo a 91 em 2002. A Embrapa Soja começou um projeto de transferência de tecnologia de cultivares
de soja a partir da safra 1990/91. Em 1999, criou-se a Fund. Meridional, por 61 empresas do Paraná, São Paulo e Santa
Catarina. A participação das cultivares da Embrapa na produção de sementes no Paraná passou de 3% em 1991, tendo
picos de 64% até 2003 (DOMIT et al., 2007).
A partir dos anos 1980, exportações de uvas brancas do vale do São Francisco foram iniciadas, mas o mercado preferia
uvas sem sementes – com difícil adaptação àquelas condições. Em 1997, a Embrapa Uva e Vinho iniciou pesquisas visando obter cultivares de uvas de mesa sem semente. Chegou-se à BRS Clara e à BRS Morena, com a primeira produção de
ambas em 2001, havendo parcerias com empresas. São indicadas ao Vale do São Francisco e a regiões de São Paulo e de
Minas Gerais (CAMARGO et al., 2003a; CAMARGO et al., 2003b).
Fonte: elaboração própria.
EMBRAPA
A Lei 5.851, de 07/12/1972, lançou as bases para a criação da Embrapa, em abril/1973. A Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), veio trazer soluções ao agronegócio brasileiro mediante a geração, adaptação
e transferência de tecnologias. Oriundos da escola de Brieger, E. Paterniani e A. Blumenschein, introduziram na
A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
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A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
FIOCRUZ
A Fiocruz visa gerar, absorver e difundir conhecimentos em saúde, ao integrar pesquisa, ensino, informação,
tecnologia e produção de bens e serviços. Atua em ciência e tecnologia em saúde, com pesquisa básica e aplicada,
ensino, assistência hospitalar e ambulatorial de referência, formulação de estratégias de saúde pública, informação
e difusão, formação de RH, produção de diversos produtos ligados à saúde, controle de qualidade e desenvolvimento
de tecnologias para a saúde. A Fiocruz atua na: a) formulação de políticas; b) na execução dessa função, em especial
após incorporar a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP); e c) formulação das políticas de saúde (WILLCOX, 2004;
FUCK, 2005).
As primeiras epidemias de febre amarela no país ocorreram em Pernambuco (1865) e na Bahia. No Pará houve
doze mil enfermos, de uma população de 16 mil pessoas, de março a junho de 1850; a taxa de morbidade era de
4,98%; e a partir de agosto a doença deixa de ser epidêmica, passando a um estado duradouro de endemia. Em
1871, novo surto em Belém chega a 154 mortes, com um lento crescimento, que chegou a 466 óbitos em 1900.
Em função das dificuldades da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, seus empreendedores convidam
Oswaldo Cruz em 1910, que chega em 25/06 a Belém, rumo a Porto Velho. Prometeu ao Governo estadual erradicar
a febre amarela em um ano. Em novembro, Oswaldo Cruz chega a Belém com sua equipe. Um comunicado foi dirigido
à população, sobre a doença e como evitar a propagação. As operações foram iniciadas em 12/11/1910; apenas
nesse mês, 5.085 prédios foram visitados e extintos 9.975 focos de larvas; expurgaram-se 305 casas e 7.925 metros
de galerias de esgotos. Em janeiro/1911, 39.402 prédios foram visitados e 33.393 focos de larvas foram destruídos.
Em julho/1913 voltam a Manguinhos os inspetores trazidos por Oswaldo Cruz ao Pará. Nesse imenso Estado, foram
vistos mais 12 casos em 1929 e os últimos focos em 1948 (FRAIHA NETO, 2012).
Enquanto Pasteur estudava microbiologia no final do século XIX a situação sanitária do Rio de Janeiro e de outros grandes centros se agravava. Oswaldo Cruz tomou contato com microbiologia na Faculdade de Medicina no Brasil. Gradua-se em 1892 e vai a Paris especializar-se. É chamado, em 1899 a São Paulo para confirmar o diagnóstico
de peste bubônica, de Vital Brasil e Adolfo Lutz, no porto de Santos. Com a confirmação do diagnóstico, é preciso o
soro. O governo paulista cria um laboratório para produzi-lo. No Rio de Janeiro, cria-se o Instituto Soroterápico Federal, na Fazenda de Manguinhos, pelo Barão de Pedro Affonso, para produzir soros e vacinas contra a peste bubônica
detectada no porto de Santos em 1899 e que ameaçava o Rio de Janeiro. O Barão de Pedro Affonso detinha alguma
experiência. Oswaldo Cruz é contratado em 1900, defendia o monopólio da produção e aplicação da vacina ao Estado, havendo conflito com a visão do Barão, o que motivou sua saída. Assim, em 1902, Oswaldo Cruz assumiu a
direção do Instituto que foi o primeiro a produzir soro no Brasil. Em 1903 ganha também a posição de Diretor Geral
de Saúde Pública – planejando o saneamento da Capital, planejando uma ação de extermínio dos ratos e depois da
sua famosa campanha contra o mosquito transmissor da febre amarela. Também começa a construir Manguinhos,
amplia a produção de soros e vacinas, ingressando em: fabricação de produtos biológicos, pesquisas médico-experimentais e ensino de bacteriologia – área na qual inicia pesquisas em 1906. Em 1908, a organização é renomeada
“Instituto Oswaldo Cruz”. Em 1908, Alcides Godoy desenvolveu a vacina contra a peste manqueira, registrou a
patente e cedeu a invenção ao Instituto Oswaldo Cruz, sendo nova fonte de recursos. O número de produtos de Manguinhos passou de 11 em 1907 para 26 em 1917. Com a morte de Oswaldo Cruz, em 1917, assume Carlos Chagas.
Em 1925, criou o Curso de Higiene e Saúde Pública, anexo à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, sob a coordenação de Manguinhos. Em 1937, o governo incorpora a renda de Manguinhos e restringe a sua produção à medicina
humana, suspendendo a ligada ao uso veterinário. Em 1937, começa a produzir a vacina contra a febre amarela –
considerada erradicada cinco anos depois. Em 1954 é criada a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), que entra
em operação quatro anos depois, oferecendo cursos de Mestrado e Doutorado em Saúde Pública. Apenas em 1974
a Fundação Oswaldo Cruz retoma os direitos de manejar aqueles recursos. Em 1974, o curso de formação geral foi
denominado Curso de Especialização em Saúde Pública, o Mestrado da ENSP foi reconhecida pelo MEC e em 1980,
teve início a primeira turma de doutorado. Em 1982, foi implantado o Programa de Educação Continuada – PEC/
ENSP. Nos anos 1980 a Fiocruz lança a primeira vacina brasileira contra o sarampo; ao final dessa década se verifica
o último caso de poliomielite no país. Em receitas, passam de R$ 5 milhões em 1996 para quase R$ 60 milhões em
A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
1999 – com o que a Fiocruz ganha a posição de produtora de 60% das vacinas feitas no país (CINQUENTENÁRIO...,
2001; VIEIRA, 2001; HENZE, 2011; BATISTELLA, 2013).
Em 1985 o sanitarista Sergio Arouca assumiu a presidência da Fiocruz. Após um período de descaso que incluiu fechamentos de laboratórios, a instituição recuperou o prestígio na pesquisa, em P&D e no ensino em saúde
pública. Foram recontratados os dez pesquisadores que haviam sido cassados em 1970. Também em sua gestão se
criaram: a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, os departamentos de Farmacologia e Farmacodinâmica
e de Genética, o Biotério Central, o Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, a Prefeitura
do Campus, a Creche, o Horto Florestal, o Apiário, e o Sítio Arqueológico (VIEIRA, 2001; GROSSMAN; ARAÚJO; ARAÚJO-JORGE, 2009).
Quadro IV: Transferências Tecnológicas da FIOCRUZ
Desde a década de 70, a Fiocruz pesquisa o Schistossoma mansoni (Sm), causador da esquistossomose. Chegou a um
antígeno recombinante do Sm, por engenharia genética, o Sm14. A pesquisa avançou para a fase de escalonamento do
processo de produção desse antígeno com a demonstração de proteção experimental em diferentes modelos animais. Viuse potencial no SM14 contra o Fasciola hepática, causador da fasciolose. Houve sucesso na vacinação de ovinos contra
a Fasciola hepatica, base para experimentos em humanos. Um depósito da patente despertou o interesse da empresa
australiana CSL, que fez parceria em 1997 com a Fiocruz no desenvolvimento da vacina veterinária, com pagamento inicial de US$ 40 mil pelos conhecimentos adquiridos. Mas, não houve sucesso na criação da vacina. O Instituto Butantã
foi contratado para auxiliar a Fiocruz no desenvolvimento de aspectos do Sm14. Em 2003, assina-se contrato com a
Pfizer, que paga US$ 120 mil, também sem sucesso. Em 2005, uma empresa de venture capital (Alvos) passa a gerir o
desenvolvimento da vacina veterinária e a busca de um sócio para produzi-la e comercializá-la, pagando R$ 250 mil à
Fiocruz; houve sucesso em testes clínicos, e a recebe-se aporte da FINEP de R$ 4 milhões. Em 2006 o Infectious Diseases
Research Institute, dos EUA, passou a colaborar com o projeto Sm14, fornecendo um insumo. Em 2007, a Alvos também
passa a gerir o desenvolvimento da vacina contra esquistossomose. O Ludwig Institute for Cancer Research passa a prestar
serviços ligados à produção do Sm14. Em 2010, a Ourofino Agronegócio associa-se à Fiocruz para criar as vacinas contra
a esquistossomose e fasciolose hepática. Em 2011, a vacina contra a esquistossomose ainda estava em desenvolvimento
na Fiocruz e a vacina contra a fasciolose sendo transferida a Ourofino (MONTENEGRO, 2011).
A Fiocruz teve sucesso em receber tecnologia para produzir a Hib (vacina contra Haemophilus influenzae b), escolhendo
uma empresa líder na área farmacêutica que detinha a tecnologia (SmithKline Beechan) e disposta a transferi-la. Garantiu-se que o Ministério da Saúde compraria as vacinas durante e após o período de absorção da tecnologia. A garantia da
compra do bulk da SK durante o período de transferência também foi importante para o sucesso. Assim, o envase se iniciou
em 1999, sendo previsto o domínio do ciclo tecnológico até 2004. Resultado: oferta de 7,5 milhões de doses no primeiro
ano (1999) e total transferência tecnológica (GADELHA; AZEVEDO, 2003).
Fonte: elaboração própria.
INSTITUTO BUTANTAN (IB)
O Instituto Bacteriológico foi criado em 1893. Em função do surto de peste bubônica em Santos, cria-se em 1899
o Instituto Serumtherápico, focado na produção dos soros que seriam necessários, pois o único produtor à época era
o Instituto Pasteur de Paris. O Serumtherápico é instalado em um antigo engenho de açúcar, distante da capital, na
Fazenda Butantan, sendo seu primeiro diretor Vital Brazil; já em 1901 começa a produzir soros antiofídicos. Em 1925,
surgiu o IB mediante a fusão dos Institutos Serumtherápico, Bacteriológico e Vacinogênico – este último também criado
em 1892, focado na produção de vacinas contra varíola em larga escala. O IB possui expertise em identificar princípios
ativos de medicamentos e tem fama internacional em pesquisa de animais peçonhentos, sendo o maior produtor
nacional de soros e vacinas antiofídicas, com 62 mil espécies em 1998. Também atua em saúde pública, produzindo
imunobiológicos e biofármacos (CINQUENTENÁRIO..., 2001; TEIXEIRA & ALMEIDA, 2003; FUCK, 2005).
A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Forte contribuição do IB veio com o estudo das ações do veneno de uma cobra, Bothrops jararaca, que levou à
descoberta da bradicinina em 1949. Em 1965, o IB prosseguiu as pesquisas, chegando aos primeiros hipertensivos
naturais. Uma delas foi sintetizada pela Squibb, dando origem ao Captopril, o hipertensivo mais utilizado em todo
o mundo. Quanto aos recursos humanos do IB, havia, em 1998, 885 colaboradores, dos quais cerca de 20% eram
pesquisadores (MELLO, 2000).
Quadro V: Transferências Tecnológicas do IB
De 1995 a 1998, inúmeros parceiros concederam recursos ao IB, porém, havendo apenas um parceiro privado: a Sadia
S.A., que, em 1998 cedeu R$ 50 mil em Convênio focado em surfactante; destaca-se que nesse ano os Convênios do Butantan somaram R$ 3,015 milhões (MELLO, 2000).
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Thales Novaes de. Aspectos sociais e tecnológicos das atividades de inovação. São Paulo: Lua Nova, 66:
139-166, 2006.
ARAGÃO, M. Um rival para o Botox. Exame, v. 44, n. 969, 02 jun. 2010, p. 61-62.
AZEVEDO, João Lúcio de. A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz: sua inclusão na USP e sua contribuição
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Fonte: elaboração própria.
CONCLUSÕES
A realização da pesquisa mediante dados secundários apresenta dificuldades em relação à coleta de material,
ao mesmo tempo em que propicia a riqueza de se ver e analisar obras correlatas – como a Tese de Doutorado de
Montenegro (2011) sobre uma transferência de sucesso empreendida pela Fiocruz.
No Quadro I, a trajetória da Bug é ilustrativa: formada por acadêmicos em uma empresa incubada na Universidade, que teve apoio a fundo perdido da FAPESP, conquistou clientes, fundiu-se a outra empresa e recebeu recursos
de outras fontes, incluindo o BNDESPAR. Não se trata do objetivo central do artigo, porém, mostra como o desenvolvimento científico, a partir da Academia, produz resultados econômicos. Também a Allegê possui um histórico rico,
que aponta diversas fontes aportando recursos e conhecimentos ao negócio. Também a criação do Xeomin e da linha
Chronos são ilustrativas, apontando a importância da união dos conhecimentos de empresas com Universidades
nacionalmente renomadas.
Quanto aos ICT’s estudados, pode-se dizer que a Embrapa detem um vasto histórico de desenvolvimento de novas cultivares, repassadas ao setor produtivo, o que é possível pela existência de inúmeras unidades e de seu vasto
quadro de pesquisadores. Algo semelhante ocorre com o IAC, embora detenha menor estrutura e recursos.
Já o IB e a FIOCRUZ estão focados em atividades mais complexas de per si; ou seja, neste estudo podem aparentar menos resultados – mas por serem atividades distintas, devem ser medidos de outra forma. Mas, ambos
apresentam ricos resultados ligados à vida acadêmica – fundamental como base de toda a sua atuação; igualmente
ambos possuem resultados sólidos de transferências de tecnologias ao setor privado. As pesquisas do IB que levaram ao Captopril mostram o acerto dessa afirmativa – tendo sido iniciadas nos anos 1940 e retomadas nos anos
1960, quando a Embrapa sequer existia.
Costuma-se afirmar que há pouca interação empresa-academia no país, o que talvez não seja uma realidade,
pois, além do que se mostrou nos ICT’s estudados, existe uma grande realidade em dezenas de incubadoras de base
tecnológica em Universidades, como a que permitiu o surgimento da Bug. Assim, a descrição dessa realidade pode
basear posteriores políticas públicas no setor de C&T.
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A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
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A Importância das ICT´s focadas no ramo das Ciências da Vida no Brasil
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições Científicas e
Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
Fonseca, Marcelo. Analista em C&T - Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
[email protected]
Palavras-chaves: Interação Instituições de Ciência e Tecnologia e empresas; sistemas nacionais de inovação; economia da inovação.
Resumo
Há um consenso na literatura econômica acerca da contribuição da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) tanto
para o crescimento econômico quanto para o aumento da competitividade de países e regiões. Porém, a discussão principal é que esses três elementos são essenciais na determinação do estilo de desenvolvimento dos
países e das regiões e, sobretudo, na maneira pela qual o processo de desenvolvimento não só impacta como
também modificará a qualidade de vida das suas populações. Ainda que os avanços propiciados pela ação do
Estado através da política de CT&I acima mencionados sejam evidentes, vários problemas surgiram e ficaram sem
uma resposta adequada, sendo que um deles merece especial destaque: a falta de ações compartilhadas entre
ICT’s, empresas e Estado que é comum nas economias desenvolvidas. É exatamente em função da percepção
desses problemas que o governo federal concebeu a Lei de Inovação e uma série de instrumentos governamentais
que foram pensados para melhorar esse quadro. Busca-se estimular uma maior participação e ação conjunta de
empresas com as ICT’s. O objetivo do artigo é analisar as características e os desafios da interação entre ICT’s
e empresas utilizando uma abordagem neo-schumpeteriana. A análise concentrar-se-á em questões relativas
aos canais de informação para transferência do conhecimento. O estudo, de natureza exploratória, foi realizado
por meio do levantamento de informações secundárias, disponíveis em trabalhos acadêmicos (dissertações, teses, artigos e livros) da área de economia da tecnologia. As ICT’s se configuram em um dos principais pilares da
política de inovação brasileira recente que podem contribuir para o desenvolvimento regional mais harmonioso.
Conclui-se que as ICT’s têm contribuído para o desenvolvimento tecnológico em vista da sua maior aproximação
com o setor empresarial. O melhor entendimento da inovação como um processo sistêmico é fundamental para
fomentar a construção de novas competências nos núcleos de inovação tecnológica. Dessa forma, é imperativo
utilizar o conhecimento das ICT’s para reduzir as desigualdades econômicas e sociais e contribuir para o aumento
da competitividade da empresa nacional.
1. INTRODUÇÃO
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
nológico tem produzido, a longo prazo, muitos benefícios aos países industrializados e aos países em desenvolvimento.
Nos países desenvolvidos está consolidada a ideia de que a Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) têm oferecido
várias oportunidades às empresas e aos cidadãos e é reconhecida sua importância na disputa, cada vez mais acirrada,
pelo comércio internacional. Os esforços executados para ampliar os investimentos públicos e privados, em pesquisa
científica e tecnológica, e de distribuir os resultados desses investimentos em melhoria do bem-estar da sociedade,
têm garantido a essas nações papel de destaque no cenário internacional. Pode-se creditar parte do sucesso até agora
obtido pelos países centrais a uma importante mudança de posição do poder público: de discreto coadjuvante nesse
processo, passou a atuar como protagonista, assumindo o papel incentivador dos agentes privados.
O papel da CT&I para o bem-estar da sociedade e a competitividade de empresas e regiões é destacado também por várias organizações como, por exemplo, a Organization for Economic Cooperation and Development (OCDE)
e a Organização das Nações Unidas (ONU). O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, United
Nation Development Programme, em inglês) destaca, no Relatório de Desenvolvimento Humano (UNDP, 2010), um
estudo do impacto da tecnologia no desenvolvimento humano.
O relatório do PNUD atribui significativa importância ao progresso tecnológico e as alterações nas estruturas
sociais para a melhoria das condições de vida dos países mais pobres. Apesar de criticar o acesso não igualitário a
esses benefícios, o Relatório reforça que o fluxo de ideias entre países – que vão das tecnologias para proteção da
saúde às práticas produtivas – têm sido transformadores.
No contexto brasileiro, o Governo Federal vem realizando esforços para o fortalecimento das atividades inovativas no Brasil, incentivando o financiamento de projetos e a criação de mecanismos legais para impulsionar a
transferência de tecnologia. A transferência de tecnologia refere-se a um processo caracterizado pela aplicação dos
conhecimentos científicos no processo produtivo.
Visto isso, este artigo pretende analisar as interações entre as ICT’s e as empresas. O intuito é entender quais
os tipos de relacionamento que contribuem para geração de tecnologia dentro das universidades/institutos de
pesquisa.
2. TEORIA NEO-SCHUMPETERIANA E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Schumpeter (1982) recuperou ideias clássicas de desenvolvimento, mudanças descontínuas e progresso técnico e propôs que o elemento motriz da evolução do capitalismo é a inovação, seja ela em forma de introdução de
novos bens ou técnicas de produção.
Ele fez a distinção entre invenção (descoberta de um princípio que enriquece o conhecimento e que não possui,
por si só, o aspecto econômico) e inovação (criação de uma função de produção nova através do emprego de recursos inéditos em busca do lucro) e desenvolveu a ideia de que os ciclos longos da economia estão submetidos à lógica
de destruição criadora embutida na inovação.
Para Schumpeter, mesmo partindo de objetivos individuais, os efeitos da inovação são amplos e levam à reorganização da atividade econômica, garantindo o aspecto instável e evolutivo do sistema capitalista. Dessa forma,
o desenvolvimento é definido pela realização de inovações, que se caracterizam pela introdução de novas combinações produtivas ou mudanças nas funções de produção.
Nas últimas décadas aumentou o reconhecimento da importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento econômico e social das nações. Os impactos dos avanços tecnológicos podem ser observados desde aspectos
mais amplos da vida em sociedade até as particularidades do dia a dia. Inegavelmente, o progresso científico e tec-
No final dos anos 1970, os chamados economistas “neo-schumpeterianos”, ou evolucionistas, apontam para
uma estreita relação entre crescimento econômico e mudanças que ocorrem com a difusão de inovações tecnológicas. As inovações introduzidas no sistema, embora sejam geradas em um núcleo produtivo, costumam ter uso bastante difundido. Esse caráter genérico dado às tecnologias possibilita a sua aplicação não só nos setores em que
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
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59
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
foram geradas, mas também em um amplo leque de atividades com repercussões em todos os setores da economia.
A abordagem “neo-schumpeteriana” surge como uma alternativa às deficiências imputadas à teoria neoclássica tradicional, pois permite compreender a inovação, ou seja, a introdução de novidades, como uma mudança descontínua que altera as condições estruturais e afasta a economia da posição de equilíbrio. Segundo Bezerra (2010),
os “neo-schumpeterianos” estão mais interessados em explicar as diferentes propriedades do processo inovativo e
de que modo as diferentes combinações dessas propriedades geram assimetrias entre os agentes.
2.1 HIPOTESE DE “CATCHING UP” E O SISTEMA NACIONAL DE INOVAÇÕES
A hipótese de catching up defende que o progresso tecnológico de um país decorre da interação entre dois tipos
de firmas: as firmas inovadoras que são responsáveis pela difusão das inovações no sistema econômico e as firmas
imitadoras ou defensivas, cuja busca tecnológica se baseiam na adaptação de tecnologia existente.
Mais especificamente, os modelos de catching up derivam de uma extensão do argumento de Schumpeter
para a difusão do progresso tecnológico mundial. O ponto de partida é a existência de níveis diferenciados de capacitações tecnológicas entre regiões que determinam um gap de produtividade entre elas. Há diferenciação entre
regiões adiantadas ou desenvolvidas e regiões atrasadas.
O nível de capacitação de cada região está subordinado tanto a sua capacidade de inovação e difusão quanto
sua capacidade de imitar a inovação introduzida pelas outras regiões. Assim, a taxa de crescimento de cada região
(país) é diretamente proporcional ao tamanho de seu gap, isto é, inversamente proporcional ao seu nível de capacitação tecnológica.
A probabilidade de uma região realizar o catching up está condicionada à capacidade inovativa e ao esforço
imitativo da região atrasada. No entanto, depende também, inversamente, do esforço de inovação e difusão da
região desenvolvida. De forma resumida, pode-se afirmar que a fronteira tecnológica permite o deslocamento e as
taxas de crescimento do produto e de elevação da produtividade das regiões atrasadas têm de ser suficientes para
compensar o deslocamento da fronteira.
Os países atrasados (“seguidores”), que não possuem infraestrutura científica para deslocar a fronteira do
conhecimento, podem alavancar seu progresso tecnológico a partir de duas fontes. A primeira é a absorção das
inovações desenvolvidas nos países líderes por meio da imitação tecnológica. A segunda fonte é o desenvolvimento de inovações a partir dos avanços científicos realizados pelos países líderes, o que caracterizaria as chamadas
“janelas de oportunidades” (Oliveira, Jayme Jr. e Lemos, 2006)
Para que o gap se reduza, é necessário que o esforço inovação/imitação do país (região) atrasado seja superior ao do país (região) adiantado. Além disso, tem-se como ponto importante a capacidade de reter e apropriar a
inovação por meio da difusão da tecnologia, tanto já incorporada no processo produtivo ou produto como na forma de
know-how. Em grande parte, o processo de estagnação prematuro das regiões atrasadas deve-se à não capacidade
de endogeneização tecnológica.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
e científica do país, aos gastos em P&D, à qualificação da mão de obra, entre outros, e constituem os chamados
Sistemas Nacionais de Inovação (SNI).
O Sistema Nacional de Inovação é conceituado como um conjunto de instituições distintas que contribuem para
o desenvolvimento da capacidade de inovação e aprendizado de um país ou região. A idéia básica do conceito de
sistemas de inovação é que o desempenho inovativo depende não apenas do desempenho de empresas e organizações de ensino e pesquisa, mas também de como elas interagem entre si e com vários outros atores, e como as
instituições afetam o desenvolvimento dos sistemas. Desse modo, entende-se que os processos de inovação que
ocorrem no âmbito da empresa são, em geral, gerados e sustentados por suas relações com outras empresas e organizações, ou seja, a inovação consiste em um fenômeno sistêmico e interativo, caracterizado por diferentes tipos
de cooperação (Cassiolato 2005).
Diante desse conceito é possível afirmar que quanto mais desenvolvido é o SNI de um país, maior o progresso
tecnológico e mais elevado são os ganhos de competitividade dessa economia. O progresso tecnológico depende do
desenvolvimento do SNI, ou seja, o seu maior desenvolvimento permite a evolução da mudança técnica e um crescimento econômico de longo prazo mais elevado. Um país terá mais chances de realizar o catching up, quanto mais
seu SNI possuir características semelhantes às dos países adiantados (Albuquerque, 1999).
3. Os ICT’s E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO
Segundo a Lei de Inovação1, são considerados ICT’s os órgãos ou entidades da administração pública que tenham
por missão institucional, dentre outras, executarem atividades de pesquisa básica ou aplicada de caráter científico
ou tecnológico. Para fins estatísticos foi adotado um conceito mais abrangente de ICT, ampliando a definição constante na Lei de Inovação, pois são abordadas as práticas de relacionamento que se aplicam tanto às universidades e
aos institutos de pesquisa públicos, como aos privados, registrando-se as devidas distinções, quando couberem.
No ano-base 2012, o Formulário para Informações sobre a Política de Propriedade Intelectual das Instituições
Científicas e Tecnológicas do Brasil (FORMICT) foi preenchido por 193 instituições. Dessas, 160 declararam-se como
instituições públicas e 33 como instituições privadas. No que diz respeito à natureza das instituições, observou-se
que 59,6% correspondem ao nível federal. Já as instituições em nível estadual correspondem a 20,7%, enquanto as
instituições em nível municipal apenas 2,6%. Dessa forma, o total de instituições públicas foi de 82,9% e o de instituições privadas, 17,1% (BRASIL, 2012).
Universidades e institutos de pesquisa públicos, privados e empresa apresentam grandes diferenças institucionais (Tabela 1). Estudar e conhecer estas diferenças são fundamentais para uma interação de sucesso entre uma
empresa e os diversos tipos de ICT.
A questão fundamental é que o processo de catching up ocorre quando um país seguidor consegue sustentar ao longo do tempo um processo superior ao dos países líderes por causa de uma significativa eficiência
na absorção tecnológica.
Entretanto, o atraso tecnológico não é a única condição para que ocorra o processo de catching up. É
necessário também que o país atrasado possua uma série de características sócio-econômicas que lhe permitam obter as “vantagens do atraso”. Essas características estão relacionadas com a infraestrutura educacional
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
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1
Lei no 10.973, de 02 de dezembro de 2004. Dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica
no ambiente produtivo e dá outras providências. Publicado no Diário Oficial da União em 03 de dezembro de 2004.
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
3.1. CANAIS DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA
Tabela 1. Comparação entre universidades e institutos de pesquisa públicos, privados e empresas
ICT
Aspectos
Universidades
Finalidade
Institutos de Pesquisa
Públicas
Privadas
Público
Privado
Empresas
Sem fins lucrativos
Instituições de direito privado, sem fins
Sem fins lucrativos
Instituição de direito privado, sem fins
Instituição de direito privado,
lucrativos
com fins lucrativos
lucrativo; algumas com fins lucrativos
Orientação
Vocação
Propriedade
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
ensino, pesquisa, extensão,
Ensino (principalmente), pesquisa,
Pesquisa, serviços, alguns possuem
Depende do fim estatutário: ensino, pesquisa,
serviços
extensão, serviços
programa de pós-graduação
extensão, serviços, desenvolvimento tecnológico
Formar profissional e avançar no
Formar profissionais; algumas desen-
Pesquisa aplicada e prestação de
Depende do fim estatutário, com pesquisa
conhecimento
volvem pesquisa
serviço tecnológico
aplicada e prestação de serviço tecnológico
Negócios com rentabilidade
Importante
Importante
Importante
Muito importante
Muito importante
Muito importante e necessária
Muito importante e necessária para as
Importante
Somente quando não gera risco estratégico
Somente quando não gera
Mercado
A transferência de tecnologia pode ser entendida como o conjunto de etapas que descrevem a transferência formal de invenções resultantes das pesquisas científicas realizadas pelos ICT’s ao setor produtivo (Stevens,
Toneguzzo, & Bostrom, 2005). Dessa forma, a aquisição externa de tecnologia por meio de transferência permite que
as empresas possam adquirir novos produtos, processos ou tecnologia sem a necessidade de participar dos estágios
iniciais, muitas vezes caros e arriscados, da pesquisa e desenvolvimento (P&D).
Existem vários tipos de interações possíveis entre ICT’s e empresas, alguns dos quais estão diretamente ligados
às necessidades de P&D da empresa, enquanto outros podem apoiar as demandas de capacitação e prestação de
serviços. Há também aqueles que possibilitam criar oportunidade de construção de imagem por meio de apoios e
patrocínios (figura 1).
Figura 1 – Tipos de interação entre empresas e ICT’s
intelectual
Publicação
instituições que fazem pesquisa
Conhecimento
Mais básico e menos
risco estratégico
Básico e aplicado
Menos básico e mais aplicado
Totalmente aplicado
Privado
Administrativo
Privado
aplicado
Direito
Administrativo
Aplicado e direcionado
a uma necessidade ou
propósito específico
Privado
Fonte: CRÓSTA (2011)
Muitos autores vêm reconhecendo que o conhecimento e o aprendizado afetam a sociedade e a economia
como um todo. E os ICT’s, como uma importante fonte de conhecimento, possui um papel fundamental no desenvolvimento econômico dos países.
Nesse contexto, a literatura apresenta trabalhos que destacam a importância dos Institutos como fonte
de inovação para empresas. Neto (2012) afirma que boa parte das ideias que dão origem às inovações é gerada
fora das empresas ou das organizações. Isso implica participação de um diversificado elenco de atores que podem
interagir em rede de acordo com suas próprias éticas e lógicas, bem como são motivados por interesses variados.
A conquista de novos mercados tem cada vez mais sido caracterizada pela aceleração das inovações tecnológicas envolvendo condicionantes em várias dimensões, incluindo a formação de alianças e parcerias com fornecedores, investidores de risco, e ICT’s (FONSECA, PINTO & ALONSO, 2007).
Outro importante desafio a ser enfrentado reside na separação existente tradicionalmente entre o sistema
universitário e as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas empresas. Além do estímulo à participação
eventual de pesquisadores em projetos de interesse da empresa, mecanismos como incubadoras de empresas
nascentes nas universidades, parques tecnológicos congregando universidades, centros de pesquisas e empresas
com interesse em tecnologia e inovação podem ser estimulados por políticas públicas a fim de criar links de cooperação, em benefício da economia do país (Raupp, 2010).
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
62
Fonte: Comitê Anpei “Promovendo a Interação ICT-Empresa”
Segundo Takahashi (2005) duas são as condições mínimas para que ocorra uma efetiva transferência de tecnologia: o transferidor precisa estar disposto a transferir e o receptor precisa ter condições de absorver o conhecimento
transferido. Somente com a absorção do conhecimento e o seu domínio pelo receptor, o processo de transferência
de tecnologia se completa.
De acordo com os artigos 6° e 7° da Lei de Inovação, é facultado às ICT’s celebrarem contratos de transferência de tecnologia e de licenciamento para outorga de direito de uso ou de exploração de criação por ela desenvolvida
e, também, para obter o direito de uso ou de exploração de criação protegida de terceiros.
Regras claras e duradouras, estabilidade macroeconômica e institucional e a participação dos ICT’s ajudam
bastante a construir um ambiente aonde as empresas buscam a transferência de conhecimento e tecnologia. O
papel dos ICT’s, na dinâmica inovativa das sociedades tecnologicamente avançadas, está em transformação e é
necessário que o sistema seja aperfeiçoado. Indicamos aqui alguns mecanismos de transferência de conhecimento
e tecnologia que devem ser estimulados e apoiados pelos ICT’s.
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
3.1.1. RECURSOS HUMANOS
A integração entre as Universidades e as empresas é um tema que tem despertado cada vez mais atenção, haja
vista que, na economia do conhecimento, a ciência exerce uma forte influência na capacidade de inovação das empresas.
Segundo Schwartzman (2007) o papel principal de uma universidade é o de formar profissionais capazes de entender sua área de conhecimento e desenvolver pesquisas que estejam na fronteira do conhecimento O autor afirma
ainda que as universidades e centros de pesquisa não devem desenvolver a capacidade tecnológica que o país não
possui e acabar por renunciar ao trabalho educacional e científico de qualidade.
Nos EUA há um nível de colaboração mais forte entre a academia e as empresas. Entretanto, essa não é a
realidade da maioria dos países da Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE), motivo
pelo qual se torna importante intensificar as atividades de transferência de conhecimento e tecnologia.
Nas organizações voltadas à inovação e aprendizagem, a gestão das pessoas deve ser bastante focada, pois é
ela a sustentação de uma cultura de aprendizagem.
3.1.2 Escritório de Transferência de Tecnologia
Escritórios de Transferência de Tecnologia (ETT) são órgãos especializados em transferir conhecimento e tecnologia de ICT’s com as quais estão vinculados para outras organizações. Os ETT’s possuem como objetivo, fundamentalmente, estabelecer uma ponte entre a produção de tecnologia e as empresas nas ações de transferência do
conhecimento produzido nos ICT’s.
Compete ao ETT articular o processo de transferência de tecnologia, estreitando os laços entre pesquisadores
e empresários. O escritório viabiliza os acordos de transferência de tecnologia, atua como divulgador de informações
tecnológicas e presta assistência técnica e jurídica. Dessa forma, o ETT desempenha um variado conjunto de atividades que, praticamente, abrange todos os aspectos da intermediação tecnológica.
O aumento da comercialização da propriedade intelectual, tal como ocorre nos EUA, aumenta a relevância que
os ETT vêm desempenhando nos mercados em que a economia tem como setores competitivos os de alto valor
agregado (Chapple, Lockett, Siegel, & Wright, 2005). Países como a Suécia e a Alemanha investem também pesadamente em infraestrutura para transferência de conhecimento em suas universidades (Sellenthin, 2009).
Entre os países emergentes, há o caso da China, cuja postura empreendedora da universidade é uma realidade
que tem intervindo no processo de desenvolvimento econômico do país (Eun, Lee, & Wu, 2006).
O fato é que os ETT possuem influência direta sobre a colaboração entre empresa e universidade, de modo que
a excelência em pesquisa desta, a gestão orientada para negócios do escritório e a receptividade dos departamentos
da mesma para com os serviços do escritório afetam positivamente a chance dele se envolver na colaboração com
empresas (Muscio, 2010).
3.1.3 Incubadoras de Empresas e Empreendedorismo Tecnológico
O empreendedorismo está diretamente ligado à identificação e à exploração de oportunidades econômicas
e, dentre as muitas definições encontradas na literatura, uma que parece englobar os diferentes aspectos do empreendedorismo é: empreendedorismo é o processo de fazer algo novo (criação) e/ou algo diferente (inovação) com
o propósito de criar riqueza para o indivíduo e agregar valor para a sociedade (DORNELAS, 2001).
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
O empreendedorismo tecnológico tem algumas particularidades em relação ao empreendedorismo tradicional
que tornam tal processo de criação mais difícil (FONSECA, 2003). As empresas de base tecnológica fazem, em geral,
parte de uma nova indústria e propõem ao mercado algum tipo de inovação, por isso sofrem o processo de “liability
of newness”. Isto é, ainda não existe no mercado uma base de conhecimento sólida para o tipo de produto ou ação
que a nova empresa está propondo. Em conseqüência, o processo de criação e de legitimização da nova empresa
torna-se mais difícil. Mais do que criar uma empresa, muitas vezes os empreendedores tecnológicos precisam criar
um mercado.
Um movimento positivo no Brasil relacionado com o empreendedorismo tecnológico são as incubadoras de
empresas. Constitui-se numa área de estudos recentes da administração contemporânea, que toma força principalmente quando se acentua a preocupação com o fenômeno de criação de empresas. Esse campo de estudos busca
compreender o empreendedorismo como fenômeno social que tem se expandido consideravelmente e vem despertado o interesse de diversas áreas das ciências humanas e gerenciais
Por meio das incubadoras é possível apoiar novos empreendimentos de projetos inovadores através da oferta
de inúmeras facilidades e apoio aos empreendedores, tais como: consultorias especializadas, orientações e capacitações gerenciais, espaço físico e infraestrutura operacional, administrativa e técnica.
As Incubadoras abrigam empresas cujos produtos, processos ou serviços são gerados a partir de resultados
de pesquisas aplicadas. Na maioria das vezes, as Incubadoras de Empresas são constituídas através de convênios
ou termos de cooperação, firmados entre várias instituições comprometidas com o desenvolvimento da região, isto
é, contando com o apoio de universidades, institutos de pesquisa, prefeituras, empresas e associações de classe.
Wolffenbuttel (2001) e Wolfarth (2004) analisam de forma positiva a interação universidade-empresa em estudos de caso sobre incubadoras de empresas e parques tecnológicos. Tais autores afirmam, também, que este é
um caminho que possui um potencial muito grande para alavancar novas empresas, proporcionando condições de
desenvolvimento sustentável.
3.1.4. CONTRATO DE P&D
Uma empresa tecnologicamente avançada precisa de muito esforço de P&D para se manter competitiva no
mercado. A liderança tecnológica, resultante de vultosos investimentos em P&D, é um importante fator de competitividade das empresas. Entretanto, nas últimas décadas têm aumentado consideravelmente esses custos,
assim como o número de opções tecnológicas, fazendo com que muitas empresas se associem para desenvolver
inovações tecnológicas.
Assim, novos projetos necessitam ser avaliados de forma criteriosa de modo a evitar que grandes investimentos
sejam realizados sem que haja qualquer possibilidade de sucesso. O tamanho da firma passa a ser uma limitação
importante ao desenvolvimento tecnológico, pois há escassez de recursos humanos e financeiros. Essa característica talvez possa incentivar a busca de tecnologias em fontes externas, ao invés de desenvolvê-la na própria empresa.
O instrumento utilizado para regular o negócio jurídico entre a empresa e a ICT é o contrato de P&D ou simplesmente encomenda de pesquisa. É a peça jurídica celebrada entre duas ou mais partes que tenha por objeto
a obrigação de realizar pesquisas e trabalhos teóricos e/ou experimentais. Visa promover um progresso evolutivo,
resolvendo sistematicamente uma incerteza científica e/ou técnica.
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
65
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Pimentel (2010) divide os contratos envolvendo P&D em dois grupos:
a)Contratos que tem como objetivo a criação de soluções para problemas científicos e tecnológicos em atividades voltadas à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, bem como criação de signos
distintivos como as marcas.
b)Contratos que objetivam comercialização dos direitos provenientes da propriedade intelectual, tais como:
licença ou cessão de patentes ou pedidos de patentes de invenção e de modelo de utilidade; licença ou cessão de
direitos de registro ou pedidos de registro de desenho industrial, e; licença ou cessão de direitos de registro ou pedidos de registro de marcas.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERÊNCIAS
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tecnológicas do Brasil: relatório Formict 2012 – Brasília: MCTI, 2013
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
CASSIOLATO, J, LASTRES, H. Sistemas de inovação e desenvolvimento: as implicações de política. Revista São Paulo
em Perspectiva. v19 nº1 p 34-45. São Paulo 2005
A cooperação entre as ICT’s e as empresas é um tema em constante debate no cenário nacional e um dos importantes elementos constitutivos do Sistema Nacional de Inovação. A transferência de tecnologia é um dos pontos
básicos do compromisso das ICT’s com a sociedade.
CHAPPLE, W., Lockett, A., Siegel, D., & Wright, M. (2005). Assessing the relative performance of U.K. university technology transfer offices: parametric and non-parametric evidence. Research Policy, 34(3), 369-384. Disponível em <
http://www.economics.rpi.edu/workingpapers/rpi0423.pdf. Acesso em: 20 jan. 2014.
No mundo atual, as organizações competem em ambientes complexos, cercado de incertezas e que demandam
mudanças rápidas e contínuas. A competitividade de cada nação aparece, cada vez mais, vinculada à manutenção
de um Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação forte e harmônico, que permita ações cooperativas e
estimule a transferência tecnológica.
CRÓSTA, Vera. WORKSHOP ANPEI: ICT- EMPRESA: construindo parcerias de sucesso, São Paulo, 2011.
A principal conclusão desse trabalho é que a integração das ICT’s à estratégia empresarial e a constante criação
de novas tecnologias são dois elementos essenciais para a sobrevivência da empresa em um ambiente competitivo.
O Governo Federal vem realizando esforços para o fortalecimento das atividades inovativas no país. Incentivando, entre outras coisas, o financiamento de projetos que visam alavancar a interação entre setor público e privado,
bem como o desenvolvimento de mecanismos legais para impulsionar a transferência de tecnologia.
A Lei da Inovação de 2004 é um bom exemplo de estímulo para parcerias ICT-Empresa. Essa Lei trouxe incentivos à inovação nas empresas e tornou obrigatória a criação de Núcleos de Inovação Tecnológica pelas ICT para fazer
a gestão do conhecimento ali desenvolvido.
A escolha do mecanismo de transferência deve levar em consideração elementos como o horizonte do tempo
e o objetivo da aquisição. A motivação para a transferência de conhecimento pode ser, dentre outras, construir e
alavancar competência técnica ou realizar atividades inovativas incrementais.
Como agenda de futuras pesquisas, sugere-se a aplicação deste estudo em alguns setores da economia para
a devida comparação. Além disso, estudos específicos sobre elementos da relação ICT-Empresa, como os incentivos
públicos, podem ser úteis para esclarecer e fortalecer a compreensão sobre o tema.
CURI, C., Daraio, C., & Llerena, P. (2012). University technology transfer: how (in)efficient are French universities? Cambridge Journal of Economics, 36(3), 629-654. doi: 10.1093/cje/bes020. Disponível em < http://www.beta-umr7522.
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Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
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Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Desafios e Perspectivas na Promoção da Inovação pela
Interação ICT- empresas: Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia de São Paulo - IFSP e o Arranjo Produtivo e Inovativo Local Calçadista de Birigui - SP
Cerizza, Andréia de Alcântara. Professora, IFSP campus Birigui
[email protected]
Paulino, Luis Antonio. Professor. Unesp campus Marília
[email protected]
Palavras-chave: Parceria ICT-empresa, Inovação, Internacionalização de empresas, Arranjos e Sistemas Produtivos e
Inovativos Locais, Desenvolvimento Local.
Resumo
Na proposta de trabalho apresentada, foi discutida a importância de uma ICT, no caso, o Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP campus Birigui, na perspectiva da inovação, para a manutenção,
crescimento e desenvolvimento do arranjo produtivo local calçadista de Birigui-SP, por meio de projetos cooperados,
com foco em pesquisa aplicada, desenvolvimento e inovação (PD&I) e extensão tecnológica, no diagnóstico, consultorias, análises, ensaios e serviços tecnológicos. O estudo se configurou em pesquisa-ação, pela participação no
processo de inserção da ICT na localidade, e quanto aos procedimentos: bibliográfica e relato de experiência, sobre
a inserção e as perspectivas perante a formulação de parceria ICT-empresas, neste caso as empresas calçadistas
sendo representadas pelo SINBI – Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui. Os resultados previstos
são ponderados em três perspectivas: Melhoria da competitividade do Arranjo Produtivo Local, pelo fortalecimento
da ICT junto à comunidade e pelas possibilidades de Desenvolvimento Local.
1. INTRODUÇÃO
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP – é uma autarquia federal de ensino, fundada em 1909, como Escola de Aprendizes Artífices e ao longo de seu centenário, atuou como Escola Técnica Federal de
São Paulo e Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo. Com a transformação em Instituto, em dezembro de
2008, passou a ter relevância de universidade, destacando-se pela autonomia e pela estruturação educacional baseada
no tripé ensino, pesquisa e extensão. Em 29 de janeiro de 2010, o IFSP campus Birigui iniciou suas atividades, ofertando
educação profissional, além de atividades de pesquisa e extensão, configuradas em visitas técnicas, estágios, iniciação
cientifica, eventos diversos entre outros.
A cidade de Birigui é considerada a maior produtora de calçados infantis do Brasil e da América Latina. Em 2012,
segundo dados levantados pelo sindicato patronal local, o arranjo possui mais de 350 empresas que produzem 59.108
Competitividade e Canais de Transferência de Conhecimento: Desafios e Estratégias para as Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT’S) Implementarem Políticas de CT&I
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Desafios e Perspectivas na Promoção da Inovação pela Interação ICT- empresas: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São
Paulo - IFSP e o Arranjo Produtivo e Inovativo Local Calçadista de Birigui - SP
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
milhões de pares de calçados por ano (SINBI, 2014). A estrutura produtiva local conta com uma gama de empresas
fornecedoras de matérias-primas, insumos, componentes, máquinas e equipamentos e com um conjunto de agentes
formalizados tais como sindicatos, centro de capacitação técnica, que juntamente com instituições informais, tecem uma
rede de relações, possibilitando estratégias para o crescimento e competitividade do arranjo.
Na dimensão técnica-científica, no que tange ao calçado, há poucas iniciativas voltadas à inovação tecnológica; além
disso, na internacionalização de empresas, o setor calçadista exporta apenas 3% de sua produção, segundo dados do SINBI em 2012. Foi criada em 1999 uma associação nomeada APEMEBI - Associação de Pequenos e Médios Exportadores
de Birigui, cujas atividades foram cessadas em 2006, e há muitos questionamentos acerca da importação de materiais
e produtos acabados realizados e também a dimensão da estrutura local para a internacionalização em si. Diante do
exposto, a proposta de trabalho se baseia na importância da parceria público-privada, no caso específico ICT- empresas,
valorizando a inovação como elemento indutor de competitividade.
Objetivos
O objetivo central do trabalho foi relatar o processo de inserção do IFSP, enquanto ICT, junto à comunidade
local e quais as perspectivas de incremento e adensamento tecnológico ao setor produtivo calçadista (considerado
um arranjo produtivo e inovativo local), pelo fortalecimento das relações de cooperação público-privada, por meio
de implementação de projetos cooperados, com o setor produtivo em destaque, com foco em pesquisa aplicada,
desenvolvimento e inovação (PD&I) e extensão tecnológica, no diagnóstico, consultorias, análises, ensaios e serviços
tecnológicos, para o aumento da competitividade global das empresas locais, o fortalecimento da ICT junto à comunidade em questão e a potencialização do desenvolvimento local.
Dentre os objetivos específicos, procurou-se: Desenvolver referencial teórico sobre Inovação, Internacionalização de empresas, Arranjos e Sistemas Produtivos e Inovativos Locais e Desenvolvimento Local; Demonstrar
como a ICT se estabelece na comunidade; Descrever como a comunidade interna da ICT está assimilando a interação academia- setor produtivo; Verificar o potencial de desenvolvimento da comunidade pela realidade produtiva
(APL) e interação ICT-empresa.
Metodologia
Diante dos objetivos expostos, onde foram elencadas as concepções teóricas, a pesquisa se configura em
pesquisa-ação, pela participação no processo de inserção da ICT na localidade, e quanto aos procedimentos: bibliográfica e relato de experiência, sobre a inserção e as perspectivas perante a formulação de parceria ICT-empresas,
neste caso as empresas sendo representadas pelo SINBI – Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui. A elaboração e os resultados foram desenvolvidos a partir dos elementos de análise do trabalho: Perspectiva
de melhoria da competitividade do Arranjo Produtivo Local, Fortalecimento institucional pelo tripé ensino-pesquisa-extensão e Possibilidades de Desenvolvimento Local.
2. O ARRANJO PRODUTIVO E INOVATIVO LOCAL - APIL CALÇADISTA DE BIRIGUI-SP: O PAPEL DO SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DO CALÇADO E VESTUÁRIO DE BIRIGUI - SINBI
Em 1958, os irmãos Assumpção iniciaram a produção de calçado infantil em Birigui, contando com 10 empregados e fabricando 20 pares por dia (SOUZA, 2006; VEDOVOTTO, 1996). Pelos dados de 2012, o APIL produz 59.108
milhões de pares de calçados por ano, representando 52% da produção anual do segmento (SINBI, 2014). Além da
produção de calçado infantil, O APIL possui uma produção significativa de calçado feminino, representando 17,4%
da produção diária de calçados. A cidade recebe diariamente trabalhadores de vários municípios vizinhos, que fazem
parte do arranjo: Bilac, Braúna, Buritama, Clementina, Coroados, Gabriel Monteiro, Glicério, Penápolis, Rinópolis,
Brejo Alegre, entre outros e emprega 21.986 pessoas na atividade econômica em destaque (SINBI, 2014).
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Paulo - IFSP e o Arranjo Produtivo e Inovativo Local Calçadista de Birigui - SP
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A estrutura produtiva local conta com uma gama de empresas fornecedoras de matérias-primas, insumos, componentes, máquinas e equipamentos e com um conjunto de agentes formalizados tais como sindicatos, centro de
capacitação técnica, que juntamente com instituições informais, tecem uma rede de relações, ditando estratégias
para o crescimento e competitividade do arranjo. As associações de classe identificadas no arranjo são a Associação
Brasileira das Indústrias de Calçados (ABICALÇADOS), a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para
Couro, Calçados e Artefatos (ASSINTECAL) e a Associação de Pequenos e Médios Exportadores de Birigui (APEMEBI,
que cessou as atividades em 2006).
Existem também organizações de pesquisa, formação e treinamento, tais como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo campus Birigui, Faculdade de Ciências e Tecnologia de Birigui – FATEB,
o centro de treinamento do Serviço Nacional da Indústria - SENAI e a Escola de Tecnologia – ETEC Paula Souza. O
arranjo conta também com uma incubadora de empresas e um instituto voltado para responsabilidade social empresarial - o Pró-Criança. Existe ainda uma significativa articulação do arranjo com o Centro das Indústrias do Estado de
São Paulo – CIESP Alta Noroeste e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE, sediados
em Araçatuba e o Posto de Atendimento ao Empreendedor de Birigui (Posto de Atendimento ao Empreendedor - PAE).
No APIL em questão, a participação da esfera pública local é contínua e significativa. A Prefeitura Municipal de
Birigui, pela Secretaria de Indústria, Comércio e Agronegócios de Birigui (SINCOAGRO), desenvolve eventos, por meio
de uma gestão participativa, onde os organismos de apoio opinam e articulam atividades para o benefício da população. A interação tem propiciado troca de experiências entre as instituições e consequentemente um fortalecimento
de toda a comunidade, pois potencializa o grau de comprometimento e enraizamento na localidade, comuns em
APILs, para Lastres e Cassiolato (2005). Outras características evidenciadas são dimensão territorial; diversidade
de atividades e atores econômicos, políticos e sociais, conhecimento tácito, governança, inovação e aprendizado
interativos.
Além da ascensão do calçado feminino, que está reorganizando o território do calçado infantil, e que
demonstra a versatilidade do APIL em absorver novos focos dentro do setor, outros destaques locais verificados
foram governanças territoriais, as alianças regionais, nacionais e internacionais. A análise dos sistemas de governança encontrados no arranjo produtivo local de Birigui permitiu o desenho das redes de transação e de
poder existentes no APL, como também a identificação do papel do sindicato patronal - SINBI nessas governanças
(CERIZZA, 2009). O Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui (SINBI) iniciou suas atividades em
1979, coincidindo com a implantação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Birigui.
Foi apenas na década de 90, em virtude de uma crise enfrentada pelo setor decorrente do Plano Collor (1990)
e do Plano Real (1994), que o sindicato ampliou seu papel perante as necessidades da categoria. Atualmente, além
do desenvolvimento de políticas inerentes ao setor, o sindicato participa de ações relativas à capacitação tecnológica, promoção da marca Birigui, responsabilidade social empresarial, preservação da história e cultura calçadista e
a questão ambiental. A articulação realizada pelo sindicato junto às outras organizações de apoio é perceptível por
várias ações conjuntas. Todas as organizações de apoio citadas na pesquisa possuem vínculos com o SINBI.
Verifica-se, por algumas ações desenvolvidas pelos agentes locais, que a concepção de arranjo produtivo se
materializa segundo a definição da REDESIST, em que os Sistemas Produtivos e Inovativos Locais, ou SPILs, são conjuntos de agentes econômicos, políticos e sociais que se constituem num dado território, desenvolvendo atividades
similares e congruentes, que apresentam articulações de produção, cooperação e aprendizagem. Os APIL(s) diferem
dos SPIL(s) pelo fato de não serem solidificados e não apresentarem significativo vínculo entre os agentes (LASTRES
e CASSIOLATO, 2005).
No caso específico da territorialidade observada pelas empresas em arranjos produtivos, para Albagli & Maciel
(2002) essas constituem o meio pelo qual as relações sociais, a cultura e os códigos da população incidem direta-
Desafios e Perspectivas na Promoção da Inovação pela Interação ICT- empresas: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São
Paulo - IFSP e o Arranjo Produtivo e Inovativo Local Calçadista de Birigui - SP
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
mente sobre a atividade produtiva. Os autores acrescentam que na concepção do desenvolvimento endógeno, “as
relações entre empresas constituem ainda um mecanismo fundamental de dinamismo das economias locais e regionais” e reforçam, numa observação sistêmica, que esses arranjos envolvem empresas e agentes locais, citando
os organismos de pesquisa, educação e treinamento (ALBAGLI & MACIEL, 2002, p. 16).
3. ELEMENTOS PARA A COMPETITIVIDADE GLOBAL: INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS
Segundo o Manual de Oslo, “uma inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional
nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas” (MANUAL DE OSLO, 2005,
p.55). Ao verificar a tecnologia no âmbito calçadista, é perceptível um fortalecimento em sistemas de tecnologia da
informação e automação. O setor de serviços de informática cresceu significativamente. A parte de automação é uma
realidade vivenciada pelas grandes empresas, porém em algumas etapas do processo produtivo. As iniciativas de
capacitação tecnológica são notadas principalmente no desenvolvimento de produtos. As grandes empresas do APL
de Birigui detêm o acesso rápido às tendências e as pesquisas de mercado e influenciam empresas de menor porte
sobre os modelos que efetivamente serão utilizados na próxima estação.
Apesar da influencia das grandes empresas sobre algumas de porte menor, muitas empresas obtêm também
acesso às tendências de moda pelo Fórum de Design e Tecnologia, da Assintecal e do SEBRAE, e pelo Caderno de
Tendências do SENAI. Essas organizações trabalham unificadas no evento Fórum de Inspirações, realizado no SINBI
anualmente. Outro meio de acesso às tendências efetua-se por uma empresa prestadora de serviço, a Pesquisa e
Produto, que realiza pesquisas do mercado e das tendências da moda. Esses canais de informações são importantes
para as pequenas empresas, pois permitem diminuir suas dependências para com as grandes empresas. Outro elemento indutivo de competitividade global contemplado no estudo exposto é a internacionalização de
empresas, classificada em Internacionalização para Dentro (inward) – processo de importação, obtenção de licenças
ou franquias e aquisição de tecnologia e Internacionalização para Fora (outward) – denominação estabelecida às
atividades de exportação, concessão de licenças ou franquias e investimento direto no exterior (BARRETO, ROCHA,
2003). Os motivos que Ricupero e Barreto (2007) destacam para a tendência de internacionalização de empresas
são: a busca por recursos, mercados e tecnologia; a concorrência em escala mundial e unificada; para manter mercados internos; expansão internacional dos negócios, fortalecimento das possibilidades de competição pela proximidade com o mercado consumidor; por poder usufruir das vantagens oriundas dos blocos econômicos das fontes
internacionais de financiamento; transpor barreiras protecionistas e acessibilidade junto às redes de fornecedores.
Conforme Rocha (2002), a internacionalização de empresas brasileiras intensificou-se a partir de 1990, influenciado por fatores como o aumento da concorrência do mercado interno e a globalização. No APL em questão, em
1999 foi organizado um consórcio para exportação. Algumas MPEs aderiram à ideia e desenvolveram uma associação, nomeada APEMEBI - Associação de Pequenos e Médios Exportadores de Birigui, que obteve apoio da APEX
– Agência de Promoção de Exportação, órgão do governo instituído com o intuito de estimular as exportações, porém
a associação finalizou suas atividades em 2006 (SOUZA, 2006).
4. INSERÇÃO DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SP CAMPUS BIRIGUI NA LOCALIDADE
COMO POSSÍVEL PARCEIRO EM PROJETOS DE INOVAÇÃO TECNOLOGIA
A Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRP) é o órgão da Reitoria que planeja, dirigi, supervisiona e coordena as atividades de pesquisa e de inovação tecnológica do IFSP, contando com um NIT – Núcleo de Inovação
Tecnológica. O Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) é o órgão por meio do qual a Pró-Reitoria exerce as atividades de fomento e gestão da inovação tecnológica. O NIT apoia parcerias do IFSP “com órgãos de governo,
empresas e demais organizações da sociedade, criando oportunidades para que as atividades de ensino, de
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pesquisa e de inovação tecnológica se beneficiem dessas interações e contribuam para o desenvolvimento tecnológico do País” (REGIMENTO GERAL DO IFSP, Art.87, 2013).
Dentre as várias propostas e ações desenvolvidas pelo NIT voltadas a inovação tecnológica, foi criado o Programa Hotel de Projetos e regulamentado o Programa Hotel de Projetos, pela Resolução 925, de 06 de agosto de
2013, que possui como objetivo o apoio a projetos empreendedores, ofertando formação empresarial, estímulo à
postura empreendedora, incentivo às empresas inovadoras de base tecnológica e interação entre a academia e o
mercado, por meio de pré- incubação, com estrutura física e de serviços, para Projetos Experimentais de Inovação
(PEI) escolhidos por editais de seleção. No art.3, do referido regulamento, PEI “aqueles que promovam inovações
de base tecnológica em produtos, processos e serviços ou que levem a inovações ou sociais, focando nas áreas tecnológicas e sociais de atuação do IFSP”.
Outro evento produzido pela PRP foi o 5º Workshop de Negócios e Inovação, nos dias 21 e 22 de agosto de
2013, no Campus Birigui, que teve como objetivo contribuir para disseminar a inovação no estado de São Paulo,
promovendo amplo debate com segmentos da sociedade sobre Inovação e Empreendedorismo, com enfoque nas
tendências da Inovação, Sustentabilidade e Empreendedorismo. O IFSP recebeu empresários, acadêmicos e outros
grupos representativos da região, Concomitantemente ao Workshop de Negócios e Inovação foram realizados o 4º
Congresso de Iniciação Científica e a 5ª Vitrina de Inovação Tecnológica. Os parceiros foram SEBRAE/SP, Prefeitura
Municipal de Birigui, CTI Renato Archer, Unesp, SINBI, UNISINBI, Faculdade Metodista, CIESP e SENAI.
Em âmbito local, com a publicação das chamadas públicas que privilegiaram a atuação dos institutos Federais, em outubro de 2013, tais como a Chamada 94/2013, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico - CNPq e o Ministério da Educação (MEC), por intermédio da Secretaria de Educação Profissional e
Tecnológica – SETEC, que objetivou a seleção de propostas para apoio financeiro a projetos cooperados com o setor
produtivo e a 89/2013, CNPq e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI e o Ministério do Trabalho e Emprego - MTE objetivo selecionar propostas para apoio financeiro a projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico
e extensão de incubadoras; ficou evidente o reconhecimento das necessidades dos segmentos econômicos que
compõem a cidade, numa interação entre ICT-empresas, como forma de fortalecer ambos, no desenvolvimento de
projetos de pesquisa significativos a sociedade e a comunidade acadêmica.
No final de 2013 foi desenvolvido um Grupo de Estudos, com professores, técnicos administrativos e discentes,
tendo como objetivo o desenvolvimento de pesquisa relacionada à Inovação Territorial e Tecnológica, intitulado GEITT.
Já foram realizadas três visitas técnicas, duas em empresas da localidade que possuem solicitação de patentes e
uma visita ao Centro Tecnológico de Lins- CETEC. Também foram elencados os referencias teóricos contemplando
Inovação Tecnológica, Territorial, Desenvolvimento Local, Sustentabilidade e Economia Solidária. Foi desenvolvido
também o projeto de extensão, de Formação Inicial e Continuada – FIC em Capacitação Tecnológica. Em 2014,
serão realizadas palestras de sensibilização, com o objetivo de potencializar as possibilidades de cooperação público-privada, pois segundo Carvalho (2009), para competir com foco em inovação, as empresas precisam construir
competências diferenciadas e que podem demandar investimentos de longo prazo.
5. RESULTADOS PREVISTOS
Os resultados previstos são ponderados em três perspectivas: Melhoria da competitividade do Arranjo Produtivo
Local, pelo fortalecimento da ICT junto à comunidade e pelas possibilidades de Desenvolvimento Local.
- Melhoria da competitividade do Arranjo Produtivo Local
Para fortalecer a parceria ICT-empresa, está em fase de análise um acordo de cooperação entre a ICT e o
SINBI, com ênfase na melhoria do APL calçadista (nas demandas de inovação tecnológica e internacionalização de
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empresas) para o enfrentamento da competividade global. O acordo consiste em mútua cooperação dos partícipes
no desenvolvimento de projetos de pesquisa aplicada e extensão tecnológica, referentes às chamadas públicas
decorrentes de agências de fomento ou da própria instituição (IFSP), que contemplem a participação dos Institutos
Federais, no intuito de contribuir para o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação na localidade, especificamente no Arranjo Produtivo Local Calçadista e as empresas do vestuário de Birigui.
O objeto da parceria envolve, portanto, diagnosticar as demandas do setor produtivo calçadista e do vestuário,
por meio da participação em reuniões, visitas técnicas as empresas sindicalizadas, para organização de projetos
futuros; e viabilizar a inserção do alunado em pesquisa: iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso, com
pesquisa de campo nos setores produtivos citados. Nesse contexto, a relação formalizada se configura positiva, pois
cria um imperativo cotidiano de reflexão sobre a importância da inovação tecnológica na realidade empresarial, e
como criar estratégias de negócios e tecnológicas, tornando aparente as reais necessidades tecnológicas e propiciando uma interação de mais-valia com a ICT, pois reconhece a importância da pesquisa no cotidiano social; bem
como as competências a serem construídas em seu negócio.
- Fortalecimento institucional pelo tripé ensino-pesquisa-extensão
A interação ICT-empresas impacta incisivamente na pesquisa científica/ tecnológica do IFSP, criando assim
uma identidade de pesquisa valorativa ao alunado e professorado, pois promove um interesse mútuo de conhecimento sobre o assunto em questão, já que, além da importância da temática na própria missão do IFSP, há inúmeras
iniciativas do CNPq e outras agências de fomento, por meio de chamadas públicas, para a realização de pesquisas
aplicadas, com viés na inovação, principalmente na inovação tecnológica. No caso específico, na localidade, o IFSP
desenvolve três áreas de atuação: Gestão, Informática e Indústria. Há múltiplas possibilidades de interação entre
as áreas de atuação e a temática proposta, pois possibilita a pesquisa do produto e do processo, mercadológica e
organizacional, já que a Inovação Tecnológica perpassa todas as áreas de conhecimento que geram impacto direto
ao setor produtivo.
A pesquisa aplicada e a extensão tecnológica geram novas demandas de conhecimento, de relações efetivas
junto à comunidade externa e possibilita a interação escola-empresa por meio de iniciação científica, participação
em projetos de pesquisa, trabalhos de conclusão de cursos, bem como estágios e visitas técnicas, potencializando o ensino-aprendizagem; proporciona um ambiente acadêmico mais dinâmico, motiva a permanência tanto do
professorado, com perfil de pesquisa, quanto do alunado. Algumas ações: a criação do Grupo de Estudos sobre
Inovação Territorial e Tecnológica, visitas técnicas para conhecer as demandas do setor, bem como desenvolver projetos de pesquisa, vários projetos de iniciação científica em desenvolvimento, sobre inovação tecnológica e outros.
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to, de relações de poder/campo de forças, de cultura, que todo território possui, mas com suas particularidades de
formação social, de identidade construída, de territorialidade. A inovação, seja empresarial, territorial, baseada no
todo ou em iniciativas públicas, privadas e por meio de agentes promotores, concebe um ideário competitivo de que
pela criação ou recriação de produtos, processos, aspectos mercadológicos e organizacionais, bem como a capacidade de uma dada localidade possuir o que Marshall precisava como aprendizado implícito, tácito, que está “no ar”,
possui forma e conteúdo no direcionamento das políticas territoriais de competitividade atualmente.
6.CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na perspectiva da Inovação Tecnológica, que valoriza criar e recriar produtos e ou processos, como competência essencial para a manutenção, melhoria e ampliação do setor produtivo do país, a interação academia-empresa
é de altíssima relevância, pois ratifica o ethos do Instituto Federal, que possui como premissa a atuação na educação, na ciência e na tecnologia, que se configura na SETEC – Secretaria de Educação Tecnológica, junto ao MEC
e no SNI, Sistema Nacional de Inovação, e especificamente no IFSP. Foi evidenciada a necessidade de sensibilizar
a comunidade empresarial no que tange as possibilidades de inovação tecnológica por meio de parceria ICT-empresa. Foi verificado o potencial de pesquisa a ser idealizado junto ao setor calçadista e a importância de diagnosticar
quais são mais relevantes em termos de atendimento a demanda potencial de inovação
Foi observado a possibilidade de desenvolvimento de pesquisas aplicadas em outros setores produtivos/segmentos econômicos da cidade tais como moveleiro, metalúrgico, comércio, inclusive lojas de fábrica (em torno de
25), serviços, setor sucroalcooleiro, moveleiro, metalúrgico, têxtil (confecções, mais de 80 empresas). A cidade tem
participação significativa no setor agrícola, responsável pela produção de 37,5% do milho, 30,8% do arroz, 30%
da soja, 28% do sorgo entre outras culturas (PREFEITURA MUNICIPAL DE BIRIGUI, 2013). Muitos desses setores
estão se mobilizando institucionalmente para obter representatividade e se fortalecer perante a competitividade
vivenciada.
Uma característica em APILs é inovação e aprendizado interativos, como possibilidade de absorver e criar produtos, métodos e processos como fator de sobrevivência, crescimento e desenvolvimento do arranjo. O aprendizado
constitui fonte fundamental para a transmissão de conhecimentos e a ampliação da capacitação produtiva e inovativa das empresas e outras organizações (LASTRES e CASSIOLATO, 2005). É perceptível a preocupação dos agentes
para com a sustentabilidade da cidade, procurando assim, por meio de parcerias, de trocas de experiências e de
ações efetivas, dinamizar as possibilidades de enfrentamento competitivo global. O empreendedorismo em todos
os âmbitos já foi evidenciado, agora é o momento de inovar.
- Possibilidades de Desenvolvimento Local
Desenvolvimento, aqui compreendido com o desabrochamento das capacidades (materiais e imateriais) de
um dado território, de forma endógena, algo a ser valorizado frente às demandas globais. Na visão de desenvolvimento endógeno, o território age como promotor de recursos e consequentemente agente do desenvolvimento, e
não meramente suporte geográfico das ações sócio - econômicas (PIRES et al., 2006). Na concepção do desenvolvimento endógeno, “as relações entre empresas constituem ainda um mecanismo fundamental de dinamismo
das economias locais e regionais” e reforçam, numa observação sistêmica, que esses arranjos envolvem empresas,
agentes locais, organismos de pesquisa, educação e treinamento.
Na localidade, a sustentabilidade dos sistemas produtivos se dá pela criação e recriação de produtos e
serviços, bem como modos relacionais, que somente e especificamente aquela comunidade pode ofertar, levando
ao vívido econômico o que no vívido social se manifesta, que é a exclusividade de modos de vida, de empoderamen-
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Desenvolvimento tecnológico inovador da empresa
Brasil Vital no Programa de Incubadoras da Universidade
Estadual de Goiás – PROIN.UEG
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Conroi, Thierry Patrick. Sócio-proprietário da Brasil Vital
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SOUZA, M. A. B. Aglomeração Calçadista de Birigüi: Origem e Desenvolvimento (1958-2004). Editora do Escritor,
2006.
Palavras-chaves: competitividade; Brasil Vital; inovação; incubadora; PROIN; UEG.
Resumo
Este artigo apresenta uma metodologia desenvolvida no CPqD para medição do grau de inovação tecnológica de
suas plataformas tecnológicas por meio do uso de indicadores quantitativos baseados em quatro critérios: (i)
Ciência e Tecnologia, (ii) Propriedade Intelectual, (iii) Estabelecimento de Referências e Padrões e (iv) Mercado.
Esta metodologia caracteriza-se por promover a inovação tecnológica e fortalecer o elo de ligação das atividades de
pesquisa e desenvolvimento (P&D) com o mercado, constituindo um diferencial de competitividade para as empresas. Sua utilização no relacionamento das atividades de P&D do CPqD com as empresas vem mostrando resultados
bastante promissores.
VEDOVOTTO, N. M. Birigui: a revolução que começou pelos pés. São Paulo: Saga, 1996.
Especialista em Gerenciamento de Projetos. Docente em IESs e pesquisador no Programa de Incubadoras da UEG. Universidade
Estadual Goiás - UEG, Anápolis-GO, (62) 3328-1170.
2
Doutor em Bioquímica. Assessor de Projetos na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UEG. Docente em Ciências Moleculares.
Universidade Estadual Goiás - UEG, Anápolis-GO, (62) 3328-1153.
3
Especialista em Gestão Estratégica de Negócios. Coordenador do Programa de Incubadoras da UEG e Conselheiro fiscal da RGI. Universidade Estadual Goiás - UEG, Anápolis-GO, (62) 3328-1170.
4
Mestre em Educação. Pró-Reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis na UEG e Vice-coordenadora no FORPROEX. Universidade Estadual Goiás - UEG, Anápolis-GO, (62) 3328-1110.
5
Graduado em Engenharia Agronômica pela Ecole Nationale Superieure Agronomique de Rennes-Ensar – França. Produtor de Spirulina. Sócio-proprietário da Brasil Vital, Anápolis-GO, (62) 9909-5454.
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Paulo - IFSP e o Arranjo Produtivo e Inovativo Local Calçadista de Birigui - SP
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1. INTRODUÇÃO
A Universidade Estadual de Goiás – UEG, autarquia de direito público interno vinculada à Secretaria de Estado
de Ciência e Tecnologia - SECTEC, caracterizada como ICT que de acordo com a Lei de Inovação (Lei Estadual nº
16.922, de 08 de fevereiro de 2010) promove o desenvolvimento tecnológico e a inovação nas microrregiões que ela
está presente em consonância com as metas e prioridades estabelecidas pelo Estado de Goiás e Governo Federal.
A UEG, por meio do Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás - PROIN privilegia, em sua atuação,
o apoio a empresas e projetos que investem no desenvolvimento de novos produtos, serviços e processos, na busca contínua da inovação e da liderança tecnológica. O processo de inovação é apoiado em todas as suas etapas
e dimensões: da pesquisa aplicada ao desenvolvimento de mercados para produtos e serviços inovadores e da
incubação de empresas de base tecnológica à estruturação e consolidação dos processos de pesquisa e desenvolvimento das empresas visando o aumento de competividade e o potencial econômico regional. A Brasil Vital, empresa
inovadora vinculada à incubadora de empresas da UEG, atua em biotecnologia no desenvolvimento do processos
tecnológicos para o enriquecimento da Spirulina a fim de atender os mercados do centro-oeste (acho que não é só
centro-oeste a atuação dele) brasileiro. Os resultados dos processos em biotecnologia da empresa incubada são
produtos de projeto técnico-científico para o aprimoramento de mecanismos de inovação e da qualificação empresarial apoiado pela Universidade e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Goiás - FAPEG. Com foco no relato de
experiência da contribuição UEG para o aumento da competitividade das empresas goianas é relatado no presente
artigo o desenvolvimento tecnológico do empreendimento incubado no PROIN.UEG Brasil Vital, contemplado no edital de subvenção econômica de inovação TECNOVA - Chamada Pública FAPEG 07/2013.
2 INTRODUÇÃO
O potencial de riquezas instaladas nos 246 municípios do Estado de Goiás e o crescimento existente em suas
microrregiões induzem a criação e o fortalecimento de uma rede de inovação tecnológica. A Universidade Estadual
de Goiás – UEG atua na compatibilização de competências tecnológicas e recursos humanos já instalados ou a
serem desenvolvidos e, provê soluções que potencializam os diferenciais competitivos do Estado em relação aos
demais estados brasileiros.
A UEG se destaca pela capilaridade, presente em 39 municípios com 42 unidades universitárias, atende as
demandas e oportunidades locais e regionais, promotoras da integração academia e setor produtivo, no desenvolvimento de pesquisas básicas e aplicadas por meio de ações direcionadas ao campo da inovação, completando
a instância articuladora com o governo e a sociedade (Oliveira, 2013). Esta situação favorável a UEG possibilita a
disseminação da inovação tecnológica regional fomentando um ecossistema de inovação com a integração de stakeholders6 a fim de estimular as relações institucionais entre empresas, agentes de inovação, instituições de ensino
superior e aproximação dos centros de criação e de difusão do conhecimento dos diferentes setores institucionais.
Este artigo tem o objetivo de demonstrar sistematicamente o papel da Universidade Estadual de Goiás no incentivo à inovação com vistas a evidenciar o ambiente inovador e o Programa de Incubadoras – PROIN.UEG como
organismo de promoção ao empreendedorismo e o desenvolvimento tecnológico para a potencialização da competitividade da empresa Brasil Vital.
No decorrer do artigo são apresentados: o empreendimento Brasil Vital, seus processos biotecnológicos por
meio do cultivo e beneficiamento da Spirulina7 e suas experiências em pesquisa e desenvolvimento; a interação do
empreendimento com o Instituto de Ciência e Tecnologia - ICT e o PROIN.UEG; o processo de incubação e o desenvol
6
Stakeholders “significa “parte interessada” e é um tema pouco mais amplo que os Shareholders, foi utilizado pela primeira pelo americano R. Edward Freeman, no livro “Gerência estratégica: Uma aproximação da parte interessada” (Ptiman 1984).
7
Spirulina (Arthrospira platensis), uma cianobactéria que cresce em águas salobras e alcalinas. A microalga Spirulina vem sendo
cultivada fotoautotroficamente para a produção de biomassa com alto conteúdo de proteína, ácidos graxos polissaturados e vitaminas
para alimentação humana e animal.
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vimento do empreendimento, destacando o projeto “Brasil Vital - Novas biotecnologias de enriquecimento de Spirulina com aplicação no setor alimentício, nutracêutico e cosmético”, contemplado na chamada pública para recursos
de subvenção TECNOVA.
3. A BRASIL VITAL
A micro empresa Brasil Vital atua na área de biotecnologia, através da cultura e valorização da Spirulina (Arthrospira platensis) e desenvolve biotecnologias para o enriquecimento da produção desta micro alga, com geração
de novos produtos e divulgação de suas propriedades nutricionais e de saúde no Brasil e na Europa. Instalada numa
propriedade rural na região de Anápolis-GO, a empresa conta atualmente com 4 tanques de cultura, de 100m² cada,
equipados com instalações para realizar a colheita, a secagem e a embalagem de seus produtos. O empreendimento
registrado como empresa individual de responsabilidade limitada, dirigida pelo Engenheiro Agrônomo Thierry Patrick
Conroi, foi constituída para beneficiar e comercializar produtos à base e derivados da Spirulina. A equipe, composta
por duas pessoas, limita seu potencial em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Para contornar essa dificuldade o empreendedor busca de informação sobre vários temas ligados a sua atividade e apoio em Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e recentemente a empresa conseguiu ingressar em uma incubadora de empresas de base tecnológica.
Após seu ingresso no Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás – PROIN.UEG, a Brasil Vital estabeleceu interação com a Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas – UnUCET, com acesso a
laboratórios, além de professores pesquisadores das áreas de biotecnologia e farmácia. A incubadora de empresas
fornece apoio nos seguintes eixos: empreendedor, tecnologia, gestão, mercado e finanças; além de qualificação, assessoria, consultoria, possibilitando também a pesquisa aplicada como elemento indutor da ligação entre a empresa
e o meio acadêmico. A empresa possui outras parcerias estratégicas que fomentam o seu desenvolvimento como o
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Senai (Vila Canaã, em Goiânia-GO) que fornece suporte com equipamentos, laboratórios, profissionais altamente capacitados na área de alimentos e de automação. Outro parceiro é a
Federação Francesa dos Produtores de Spirulina que contribui com o know-how8 de profissionais que iniciaram os
processos de cultura e fizeram um relevante trabalho de coleta e divulgação de conhecimentos.
A empresa Brasil Vital conta com o suporte empresarial e tecnológico, por meio do processo de incubação e se
configura com uma estrutura adequada para desenvolver o cultivo e elaboração de produtos derivados de Spirulina
para emprego nas indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética.
3. A SPIRULINA
Segundo VILLAR (2013), a Spirulina era consumida em tempos remotos pelo povo asteca que realizava a
colheita no lago Texcoco, situado no vale do México e estabelecia o processo de desidratação, transformando em
bolos secos chamados tecuitlatl. A redescoberta da Spirulina ocorreu nos anos 60 com a descrição de um torrão de
alga verde-azul vendido e consumido pela tribo Kanembu na beira de lagos no Chade, no continente africano, onde
era adicionada a sopas e molhos.
A Spirulina apresenta elevado conteúdo proteico e é considerada uma das fontes mais ricas de provitamina
A (beta-caroteno) e de ferro absorvível, além de apresentar altos níveis de vitaminas e outros minerais, compostos
fenólicos, ficocianina, ácido gama-linolênico e outros ácidos graxos essenciais. Comparando com outros alimentos, a
Spirulina contém 1,8 mais cálcio do que o leite, 6,7 vezes mais proteínas do que o tofu, 31 vezes mais beta-caroteno do que a cenoura e 51 vezes mais ferro do que os espinafres. 3 g de Spirulina traz mais antioxidantes do que 5
Know-how é o conhecimento de técnicas necessárias para executar eficazmente um processo produtivo. (En inglés: know-how).
Fonte: Lan Gran Enciclopedia da Economía. Disponível em http://www.economia48.com/spa/d/know-how/know-how.htm. Acesso em
21/02/14 às 10:42.
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porções de frutas ou legumes. A Spirulina é também um forte candidato para ser nutracêutico. Além de efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, há pesquisas indicando efeito de polissacarídeos específicos na proteção do fígado e
dos rins, na modificação do perfil lipídico do sangue (baixando colesterol e triglicérides) e na prevenção de anemias
(M.E. Gershwin and Amha (Eds), 2010).
A Spirulina só começou a ser cultivada 25 anos atrás e várias técnicas podem ser melhoradas ou elaboradas.
Os processos de cultivo foram desenvolvidos para maximizar o crescimento das bactérias, sem se preocupar com
a composição e a qualidade dos produtos. O foco dos processos biotecnológicos da Brasil Vital é otimizar o potencial de produção de moléculas valiosas descobertas pelos cientistas ao longo das pesquisas como a ficocianina, o
ramnose, a spirulan e a immulina. O estabelecimento desses processos requer tempo e necessita de muito recurso
financeiro e equipamentos de monitoramento, fora do alcance de uma micro empresa isolada.
Atualmente a Spirulina é vendida na Europa, Estados Unidos, Ásia e Oceania como complemento alimentar ou
como ingredientes para alimentos e bebidas funcionais. No Brasil, é reconhecida desde 1995, como complemento nutricional, e classificada como novo alimento pela ANVISA (Portaria nº 19, de 15 de março de 1995 - DOU de
16/03/95). Segundo Chai Siah Ku (2013) estima-se que 90% da Spirulina consumida no Brasil seja importada e que
há apenas 4 produtores no país aptos a cultivar.
A Brasil Vital apresenta a Spirulina em forma de granulados o que permite obter uma dose diária significativa de
vitaminas e minerais ao ser acrescentada em alimentos á escolha do consumidor. Esta apresentação é inovadora,
pois atualmente a Spirulina é comercializada na forma de cápsulas, o que inviabiliza a ingestão da dose diária suficiente para obter repercussões na saúde. A adição de Spirulina aos alimentos modifica a cor, mas não altera significativamente o sabor dos alimentos. Com o intuito de melhorar a aceitação do consumidor a empresa desenvolve um
processo de aromatização da Spirulina na colheita, a fim de facilitar sua integração na alimentação.
A empresa pretende comercializar diretamente para os consumidores e por meio de parcerias com lojas de
produtos naturais e farmácias de manipulação, para atingir um público que: frequenta academias; desejam perder
peso, como auxilio a um regime; necessitam de suplemento em ferro; desejam melhorar a saúde através da alimentação, especialmente para as pessoas em situação de risco: colesterol ou triglicérides alto, pré-diabete. Devido ao
alto teor de vitaminas, de antioxidantes e de polissacarídeos da Spirulina, os centros de estética e os SPAs são também clientes potenciais. A ramnose, o polissacarídeo principal da Spirulina com 10 a 15% do seu peso, foi escolhido
entre 50 moléculas pela empresa Vichy como o ativo anti-ruga e anti-envelhecimento mais eficiente para os cremes
liftactive (5% do produto). A empresa pretende enriquecer a Spirulina e propor um produto com 20 a 25% de ramnose
para os fornecedores de ingredientes cosméticos.
5. HISTÓRICO DE P&D DA EMPRESA
O empreendedor responsável pela empresa se formou em melhoramento de plantas e teve a oportunidade
de se especializar em biotecnologia no laboratório de biologia celular e molecular do INRA, em Versailles (Instituto
Nacional de Pesquisa Agronômico da França). No Laboratório de Cultura de Tecido da EMBRAPA Recursos Genéticos
e Biotecnologia – CENARGEM, em Brasília-DF, continuou sua experiência de pesquisa antes de se instalar numa
fazenda no norte do país.
O trabalho de P&D nas culturas de Spirulina iniciou-se quando o empreendedor se formou no sul da França e viu
as necessidades de melhoramento dos processos artesanais de cultivo, de processamento ou de secagem. No início
das pesquisas realizadas, verificou-se a ausência de equipamentos de cultivo no comércio, obrigando cada produtor
a desenvolver equipamentos próprios em função dos seus recursos e dos materiais disponíveis na sua região. Para
o aprimoramento tecnológico da produção a Brasil Vital utiliza tanques de cultura realizados com geomembranas
de polietileno da alta densidade, atóxicas; estufas cobrindo os tanques com um sistema leve a base de tubo de PVC
reforçados; rodas d’água para a agitação das culturas, concebidas com chapas de Pead alimentar associadas a um
Desenvolvimento tecnológico inovador da empresa Brasil Vital no Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás – PROIN.UEG
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
moto-redutor de baixa potência; mesas de colheita, onde o meio de cultura passa por um processo de filtração
para reter as cianobactérias enquanto o meio volta para o tanque; prensas da sala de processamento e extrusor para
modelar a pasta de alga em formato de espaguete, as bandejas de secagem. Alguns processos encontram-se em
fase de desenvolvimento como é o caso do sistema de tratamento do meio de cultura, trocado uma ou duas vezes
por ano, para qual uma bomba está sendo modificada para funcionar como emulsificador; e o sistema de secagem
onde se pesquisa o uso de uma bomba de calor a ser acoplada com um coletor solar. Essas ações de P&D contam
com a participação da Federação Francesa dos Produtores de Spirulina, com mais de 80 produtores, incluindo a Brasil Vital devido a origem do sócio, são desenvolvidas ações ligadas às cepas de cianobactéria, aos insumos utilizados
na cultura, à definição das boas práticas de fabricação, à qualidade dos produtos e ao controle de contaminações.
Para o desenvolvimento tecnológico e da inovação inerente ao projeto, o Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás - PROIN.UEG oferece durante o processo de incubação, a assessoria e o suporte ao
desenvolvimento do Plano Tecnológico da empresa e a qualificação adequada para a gestão da inovação, contidos
na metodologia de incubação relacionada ao Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos – CERNE,
criado pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores – ANPROTEC e Serviço
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado - SEBRAE. Dentre parcerias formalizadas, a empresa possui apoio
da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás – FAPEG, por meio do projeto “Brasil Vital - Novas biotecnologias de enriquecimento de Spirulina com aplicação no setor alimentício, nutracêutico e cosmético”, vencedor da
Chamada pública nº. 07/2013, de subvenção econômica à inovação TECNOVA.
6. INTERAÇÃO DA BRASIL VITAL COM A ICT, POR MEIO DO PROIN.UEG
A Universidade Estadual de Goiás – UEG, uma instituição com autonomia científica, didático-pedagógica é orientada pelos princípios de excelência acadêmica e compromisso social, fundamentada na sua identidade de universidade pública estatal. Sua criação em 1999, delineou uma nova e promissora realidade no Ensino Superior do
Estado. Vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Goiás - SECTEC, sua estruturação é uma das
políticas para o desenvolvimento do Estado e ascende com a missão de “produzir e socializar o conhecimento científico
e o saber, desenvolver a cultura e a formação integral de profissionais e indivíduos capazes de se inserirem criticamente na sociedade e promoverem a transformação da realidade socioeconômica do Estado de Goiás e do Brasil”.
A Universidade Estadual de Goiás, a partir de da 55ª Plenária de Conselho Universitário, em ato Resolução CsU
nº 009/2010, deliberou seu Plano de Desenvolvimento Institucional 2010/2019 (PDI) atendendo a Lei nº 16.922,
de 08 de fevereiro de 2010, que dispõe sobre o incentivo à inovação tecnológica no âmbito do Estado de Goiás, passou a reconhecer suas competências e resolve implantar sistemas de inovação, proteger o conhecimento inovador,
produzir e comercializar invenções, colaborando para o desenvolvimento socioeconômico e tecnológico do Estado,
incentivar e firmar parcerias de pesquisa conjunta com empresas e instituições de ensino e pesquisa, visando à obtenção de inovação que viabilize a geração, o desenvolvimento e a fabricação de produtos.
A UEG, sendo uma ICT, observado o disposto na Lei Federal de Inovação Federal de Inovação - Lei Nº 10.973,
de 02/12/2004 e Lei Goiana de Inovação - Lei Estadual nº 16.922, de 08 de fevereiro de 2010, disponibiliza seus
laboratórios, equipamentos, instrumentos, materiais e demais instalações com pequenas empresas e microempresas, em atividades voltadas para a inovação tecnológica, para atividades de incubação e a utilização de seus laboratórios, equipamentos, instrumentos, materiais e demais instalações por empresas privadas de capital nacional e
organizações de direito privado sem fins lucrativos, voltadas para atividades de pesquisa, desde que a permissão
não afete ou contrarie sua atividade-fim.
Neste contexto, o Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás, denominado PROIN.UEG foi
constituído na forma de órgão denominado Incubadora de Empresas de Base Tecnológica, sem fins lucrativos, vinculada à Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis da UEG. O Programa foi instituído nos moldes
delineados na Lei Goiana de Inovação (Lei Estadual n.º 16.922, de 08/02/2010), que dispõe sobre o incentivo à
Desenvolvimento tecnológico inovador da empresa Brasil Vital no Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás – PROIN.UEG
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
inovação tecnológica no âmbito do Estado de Goiás, com vistas à obtenção de autonomia tecnológica, capacitação
e competitividade no processo de desenvolvimento industrial do Estado de Goiás, nos termos da Lei precitada e em
consonância com o regramento constante do artigo nº. 158 da Constituição do Estado de Goiás, de modo a permitir
a perfeita compreensão da fisiologia de seu funcionamento, tanto dentro da UEG quanto no âmbito das entidades e
órgãos participantes.
O PROIN.UEG tem por missão assegurar a disseminação da inovação, empreendedorismo e competitividade na
Universidade e no Estado de Goiás. Seu público-alvo são alunos dos cursos de graduação e de pós-graduação da
UEG e de outras instituições de ensino superior; membros do corpo técnico-administrativo da UEG; empreendedores
da iniciativa privada; docentes e pesquisadores da UEG e de outras instituições de ensino e pesquisa; comunidade
em geral. E, para cumprir a sua finalidade, o PROIN.UEG conta com o apoio de recursos humanos, tecnológicos e de
infraestrutura da Universidade Estadual de Goiás.
São objetivos do PROIN.UEG:
a)implantar a infraestrutura física de serviços e tecnológica para atender às demandas da pré-incubação, incubação de empresas residentes, não residentes e empresas associadas;
b)formar parcerias com Universidades, Sociedade, Órgãos Governamentais e Setor Produtivo no Estado de
Goiás (Hélice Quádrupla);
c)prospectar e identificar as potencialidades de empreendimentos inovadores no Estado de Goiás;
d)promover eventos, cursos e treinamentos com foco no empreendedorismo e inovação;
e)oferecer suporte às necessidades dos empreendimentos incubados;
f) buscar fontes de financiamento e captação de recursos para o PROIN.UEG e empreendimentos incubados;
g)auxiliar os empreendimentos na elaboração de projetos para captação de recursos;
h)criar projetos que possibilitem a sustentabilidade da Incubadora;
i) gerar novos negócios, empregos e renda;
j) contribuir com o desenvolvimento socioeconômico do Estado de Goiás;
k)estimular a transversalidade, interdisciplinaridade e interação entre os cursos de graduação da UEG e a Incubadora;
l) promover a interação entre docentes, pesquisadores e empreendimentos incubados; e
m) disseminar e estimular a cultura da propriedade intelectual e transferência tecnológica.
A Brasil Vital está incubada na modalidade residente, na fase instalação, desde agosto 2013, seu ingresso se
deu por meio do Processo de Seleção de Empreendimentos 01/2013 do PROIN.UEG. Nessa seleção, a empresa foi
selecionada entre 25 empreendimentos inscritos, no qual apenas 6 foram considerados aptos para o processo incubação. A empresa Brasil Vital se destacou entre pelo alinhamento de seus objetivos com as atividades de ensino,
pesquisa e extensão da UEG e pelo potencial tecnológico para a geração de produtos inovadores.
6.1 – O processo de incubação no PROIN.UEG
A empresa recebe da incubadora de base tecnológica um conjunto de atividades personalizadas, voltadas para
sua modalidade de incubação e fase de desenvolvimento atual.
São Fases do Processo de Incubação (PROIN, 2013): desenvolvimento e validação na modalidade Pré-Incubação; instalação, crescimento, consolidação e graduação nas modalidades Incubação Residente e Não-Residente;
acompanhamento do negócio em Pós-Incubação; e suporte empresarial e tecnológico em Associação, conforme as
Fases do Processo de Incubação no PROIN.UEG (Figura 1).
Desenvolvimento tecnológico inovador da empresa Brasil Vital no Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás – PROIN.UEG
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Figura 1 - Fases do Processo de Incubação no PROIN.UEG.
Na modalidade Residente, pela qual a empresa Brasil Vital está incubado, mediante assinatura do Contrato de
Utilização do Sistema Compartilhado de Incubação, o empreendimento recebe infraestrutura e serviços oferecidos
pelo Programa por tempo estimado para crescimento e consolidação do negócio. A empresa recebe apoio da Incubadora e permanece instalada na sede do PROIN.UEG. A duração da modalidade Incubação Residente é 24 (vinte
e quatro) meses, podendo ser prorrogado por mais 12 (doze) meses. Além dos 9,6 m² de escritório de incubação, a
Brasil Vital, mantêm para sua produção, um terreno de 10.000m² útil, em zona rural de Anápolis-GO.
No processo de avaliação da incubadora, a empresa deve alcançar a pontuação mínima exigida por fase de Incubação para evoluir no processo de incubação. A empresa caso não alcance a pontuação exigida, terá seu processo
prorrogado ou, expirando-se o período de prorrogação será desligado da incubadora. Após o desenvolvimento satisfatório da empresa, por meio de avaliação, este poderá se graduar, estando apto a continuar vinculado à Incubadora
por meio da modalidade Pós-Incubação.
6.2 – Desenvolvimento da Empresa
Durante o processo de incubação, a Brasil Vital após vários meses de teste e melhoramento dos equipamentos,
ampliou sua estrutura com a instalação de 4 novos tanques de 100m² e duplicação do tamanho do coletor solar. A
documentação necessária para os alvarás e licenças foram escritos pelo empreendedor e as licenças foram solicitadas a medida do avanço da empresa: outorga do uso de água, licença ambiental, alvará sanitário. Um manual
de boas práticas de fabricação foi elaborado e as primeiras análises de produtos foram realizadas. A comprovação
da segurança do consumo de Spirulina é necessário perante a ANVISA para obtenção de registro e autorização para
o início da comercialização. O requerimento para a Spirulina, como complemento alimentar, foi protocolizado em
setembro de 2014. A empresa contratou em maio deste ano um técnico, para cuidar dos cultivos, formando ele a
cultura. Pouco depois uma nutricionista, que entrou na equipe como responsável técnica e finalmente uma auxiliar
de produção foi contratada no início de setembro.
Desenvolvimento tecnológico inovador da empresa Brasil Vital no Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás – PROIN.UEG
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Mesmo antes da ampliação – duplicação da capacidade instalada dos tanques, planejada para 2014 e 2015,
a empresa produz atualmente em torno de 80 kg de Spirulina seca por mês, ou seja uma produção de 8 gramas/m²
ao dia. A qualidade da produção é boa, tendo em vista que todas as análises microbiológicas e de metais pesados
foram satisfatórias. A produção está sendo estocada com validade do produto de 2 anos e há ampliação da equipe
técnica (profissionais em agronomia, gastronomia, química e farmácia) em fase de admissão e contratação. As
atividades comerciais estão em desenvolvimento, a partir de um Plano Mercadológico (Marketing e Comercial), junto
à Incubadora da UEG. A identidade visual da empresa está definida, assim como os rótulos do produto, embalagens
e endereço eletrônico (web site). Em 2013, a empresa começou a divulgar informações sobre a Spirulina durante o
mês de agosto com a participação no 3º Festival Gastronômico e Cultural de Anápolis, junto ao programa Anápolis
aCredita, na I Jornada de Nutrição Alimentar, participação na Feira de Ciência e Tecnologia de Anápolis, assim como
será no IX Encontro Regional de Incubadoras de Empresas do Centro-Oeste - ERINCO.
de produtos inovadores, com apoio da Universidade Estadual de Goiás – UEG e seus parceiros consolidam esforços para a
produção e comercialização de inovações e a colaboração para o desenvolvimento socioeconômico e tecnológico regional.
6. PROJETO BRASIL VITAL - NOVAS BIOTECNOLOGIAS DE ENRIQUECIMENTO DE SPIRULINA COM APLICAÇÃO NO SETOR
ALIMENTÍCIO, NUTRACÊUTICO E COSMÉTICO
Portanto, o fortalecimento de ações de promoção ao empreendedorismo e o desenvolvimento tecnológico para
a potencialização da competitividade de empresas proporciona aos empreendimentos maiores chances de incremento e consolidação no mercado. Desta forma, concluímos que a UEG, como uma ICT, contribui diretamente para
o desenvolvimento econômico, tecnológico e inovador em âmbito nacional e regional.
O projeto contemplado pela Brasil Vital, com o valor de R$421.090,00 em investimentos não-reembolsáveis,
na chamada nº. 07/2013 – TECNOVA, em co-execução com a UEG e Senai, contempla, por 24 meses, o desenvolvimento de processos inovadores de enriquecimento biotecnológico da Spirulina que permitem o melhoramento do
produto atual e o desenvolvimento de novos produtos que poderão ter aplicação em mercados onde a empresa está
ausente atualmente.
O incentivo à inovação no âmbito do Estado de Goiás, com vistas à obtenção de autonomia tecnológica, capacitação e competitividade no processo de desenvolvimento industrial é o combustível para o Programa de Incubadoras
da Universidade Estadual de Goiás - PROIN.UEG no suporte tecnológico e da inovação inerente a empresa Brasil
Vital que recebe durante seu processo de incubação a assessoria e apoio para a elaboração do Plano Tecnológico e
a qualificação adequada para a gestão da inovação. O PROIN.UEG que assegura a disseminação da inovação, empreendedorismo e competitividade vislumbra na empresa Brasil Vital, potencial tecnológico para a geração de produtos inovadores, resultados esperados no processo de incubação, a partir de biotecnologia empregadas nos produtos
derivados e à base de Spirulina enriquecida para emprego em indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética.
Em seu planejamento, a Brasil Vital busca do desenvolvimento de processos biotecnológicos que otimizam o
potencial de produção de moléculas valiosas e pretende desenvolver processos inovadores no beneficiamento da
Spirulina para diferenciar as características em diferentes segmentos:
• Setor alimentício: (a) nutrição humana - introdução de aromas e temperos naturais ou artificiais, permitindo
aliar propriedades gastronômicas ao seu excelente perfil nutricional, utilizando Spirulina aromatizada; valorização
dos produtos por meio de enriquecimento para o mercado de nutrição humana, tais como cereal matinal e suplemento alimentar para praticantes de atividade física à base de Spirulina enriquecidas e aromatizadas; (b) nutrição
animal: ração enriquecida para animais domésticos de pequeno porte.
• Setor nutracêutico: desenvolvimento de medicamentos antioxidantes e anti-inflamatórios, na proteção do fígado e dos rins, na modificação do perfil lipídico do sangue, baixando colesterol e triglicérides e na prevenção de anemias.
• Setor cosmético: incorporação de ingredientes cosméticos (óleos) para obtenção de um padrão novo, cujo estudo tecnológico será desenvolvido com processos de extração e purificação de compostos derivados, da formulação
e realização de dois produtos cosméticos com intuito de obter efeitos de nutritivos, antioxidante e anti-inflamatório
(ficocianina/betacaroteno) ou anti-ruga (ramnose).
Além de desenvolver processos e produtos inovadores, o projeto permite a realização de estudos tecnológicos
necessários, para saber como a Spirulina enriquecida e comporta com sua utilização na casa dos consumidores e
nas indústrias de processamento. Como desdobramento do desenvolvimento tecnológico o projeto contemplado
possibilita a geração de produtos inovadores que possam gerar registros e propriedade intelectual.
CONCLUSÃO
O apoio ao desenvolvimento e viabilização de políticas de inovação tecnológica para o Estado de Goiás a fim de
promover a transformação da realidade socioeconômica por meio da implantação de sistemas de inovação, visando à
obtenção da formalização e do crescimento das empresas goianas bem como geração, desenvolvimento e a fabricação
Desenvolvimento tecnológico inovador da empresa Brasil Vital no Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás – PROIN.UEG
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Desenvolvimento tecnológico inovador da empresa Brasil Vital no Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás – PROIN.UEG
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
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Desenvolvimento tecnológico inovador da empresa Brasil Vital no Programa de Incubadoras da Universidade Estadual de Goiás – PROIN.UEG
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Araujo, Tatiane Regina Froner de. Cargo: Analista de Projetos. Instituição: Fundação Centro de Análise, Pesquisa
e Inovação Tecnológica – FUCAPI
[email protected]
Costa, Alana de Souza Leão.Cargo: Analista de Projetos. Instituição: Fundação Centro de Análise, Pesquisa e
Inovação Tecnológica – FUCAPI
[email protected]
Junior, Dalton Chaves Vilela. Cargo:Líder de projetos educacionais.Instituição: Fundação Centro de Análise,
Pesquisa e Inovação Tecnológica – FUCAPI
[email protected]
Souza, Mickela da Silva.Cargo: Analista de Projetos. Instituição: Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica – FUCAPI
[email protected]
Pimenta, Niomar Lins.Cargo:Diretor do Departamento de Educação. Instituição: Fundação Centro de Análise,
Pesquisa e Inovação Tecnológica – FUCAPI
[email protected]
Figueiredo, Carlos M. S. Cargo: Professor-Pesquisador. Instituição: Fundação Centro de Análise, Pesquisa e
Inovação Tecnológica – FUCAPI
[email protected]
Palavras-chave: educação, indústria, processos produtivos
Resumo
O programa de capacitação empresarial realizado pela Fucapicom empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) tem
como objetivos: aumentar o conhecimento dos colaboradores do PIM; viabilizar a utilização do conhecimento adquirido
para resolução de problemas práticos e incrementar a inovação nestas empresas; aproximar as indústrias das EPDIs
locais, destacadamente da própria Fucapi. O programa é realizado por meio de ações de capacitação associadas ao
desenvolvimento de atividades e projetos nas indústrias que utilizam como base o conhecimento adquirido na capacitação. As ações são realizadas por meio de um diagnóstico onde são: (i) levantadas as principais necessidades
da empresa; (ii) apresentadas e negociadas alternativas de capacitação; (iii) realizadas atividades de capacitação
em sala de aula presencial na Fucapi ou na empresa; (iv) propostos e realizados exercícios práticos durante as aulas
onde os participantes identificam ações de melhoria para problemas e oportunidades existentes em suas empresas;
(v) realizados projetos de final de curso onde soluções para necessidades prioritárias da empresa são desenvolvidas.
As capacitações realizadas incluem extensões,cursos de pós-graduação, cursos técnicos e de graduação.As primeiras
Educação e Industrialização: a experiência no Polo Industrial de Manaus
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
atividades foram realizadas em outubro de 2012 e continuam em andamento. Desde o início já foram capacitadas
mais de 2.000 pessoas, incluindo sete cursos de pós-graduação, sete cursos técnicos, um curso de graduação,
bolsas para outros três cursos de graduação, dois programas amplos de extensão totalmente customizados para
a demanda do cliente e diversos cursos de extensão. Na atualidade, participam, em suas diferentes modalidades,
cinco empresas industriais do Polo Industrial de Manaus, nos setores eletroeletrônico, de duas rodas e químico,
de origens asiática, americana e brasileira. Os programas têm aumentado a competitividade e a produtividade dos
participantes. Os resultados incluem uma melhor preparação de pessoas com pouco tempo de empresa, a reciclagem em temas fundamentais, a integração das empresas, o aumento da motivação de colaboradores, a solução de
problemas e a proposição de melhorias empresariais e até mesmo o teste de tecnologias educacionais de clientes.
na região, especialmente junto às empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e como instituição educacional.
1. INTRODUÇÃO
Quatro décadas de operações possibilitaram a ampliação das competências locais para gerir atividades de
maior complexidade. Essa capacidade foi introduzida na região principalmente a partir da força propulsora representada pela presença de empresas transnacionais. Um reflexo significativo dessa realidade pode ser percebido pela
participação da indústria na composição do PIB do Amazonas:
A indústria brasileira tem sido submetida a uma intensa concorrência mundial, que tem colocado em risco
as conquistas do setor, obtidas ao longo dos últimos anos. Visando dar competitividade à indústria brasileira e
afastar essas ameaças, o governo tem procurado estabelecer políticas industriais que norteiam as ações das
empresas, com o intuito de fortalecer aspectos como investimentos e inovação.
Mesmo a despeito da crise mundial que tem assustado principalmente os países desenvolvidos, há uma
tendência de um bomcrescimento da indústria do PIM nos próximos anos. O cenário desenhado por diversos
especialistas mostra, no entanto, alguns importantes obstáculos que devem ser enfrentados para tornar essa
evolução robusta e sustentável.
Um desses óbices tem chamado a atenção dos representantes industriais, sendo tema constante nos
fóruns do setor e assunto frequente nas entrevistas que os líderes empresariais concedem: a questão da falta
de recursos humanos qualificados. A formação de recursos humanos na área de tecnologia, no Brasil, tem sido
um constante gargalo para que as empresas possam manter seu papel de protagonistas no processo do desenvolvimento econômico mundial.
Para mitigar esse cenário de deficiência na formação de recursos humanos qualificados, a Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica – Fucapi tem defendido a tese de que o fortalecimento do processo de formação e capacitação de profissionais para as empresas do Polo Industrial de Manaus deve contar
com a efetiva parceria entre as instituições de ensino e as indústrias. Nos últimos três anos essa proposta tem
se tornado realidade pela evolução do processo de cooperação tecnológica e educacional entre a Fucapi e empresas do PIM.
Um desses casos de sucesso está relatado neste artigo. A empresa não está mencionada, mas faz parte
do segmento eletroeletrônico.
2. O PAPEL DA FUCAPI
A Fucapi é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, que tem como foco de atuação as áreas
de educação, tecnologia e a prestação de serviços técnicos especializados. Sua missão é realizar, de forma
sustentável, atividades educacionais, serviços técnicos especializados, pesquisas e inovações tecnológicas voltadas
para o desenvolvimento da Amazônia.
Criada em 1982, como instituição de análise de projetos industriais, tendo como instituidores a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) e o
Grupo Executivo Interministerial de Componentes e Materiais (GEICOM), este órgão vinculado, à época, ao Governo
Federal, a Fucapi passou a atuar, mais à frente, em 1986, em duas dimensões: como agente de inovação tecnológica
Educação e Industrialização: a experiência no Polo Industrial de Manaus
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3. O POLO INDUSTRIAL DE MANAUS (PIM)
O Polo Industrial incentivado de Manaus (PIM) é o elemento central da economia do estado doAmazonas.
Representa uma conquista relevante para a Região Norte,principalmente para a Amazônia Ocidental. Caracterizado
em um parque fabril com mais 400empresas, o PIM tem um faturamento bruto superior a US$ 35,2 bilhões (2011),
geração de 125 mil empregos diretos e um passivo ambiental ínfimo.
Os principais segmentos industriais do PIM são o eletroeletrônico, de duas rodas e de informática.
• Avanço de 18,9%, em 1960 (período pré-PIM) para53,7%, já em 1980;61,3%, em 2000 e aproximadamente
45% atualmente, o que demonstra a indução do desenvolvimento de outros segmentos econômicos como a área de
serviços.
4. METODOLOGIA UTILIZADA
A inovação tecnológica tem exigido o investimento em mecanismos mais ágeis para a produção do conhecimento nas instituições e empresas.Compreendê-los, identificar os fluxos para sua disseminação entre as organizações
com interessescomuns, e entender em que contextos eles são criados, são aspectos fundamentais para suas transformações em produtos e atividades socialmente úteis.
Diversos mecanismos que explicam as formas de produção e a transferência de conhecimento entre seus produtores e usuários têm sido utilizados para entender e ampliar esse processo.
O Modelo Linear, ou Modo 1 é um processo típico de ambientes onde a criação do conhecimento está restrita à
academia e aos centros de pesquisa. Esse Modelo é utilizado principalmente nos países do terceiro mundo, ou em
desenvolvimento, que potencializam sua estrutura científica e tecnológica para a produção de trabalhos acadêmicos,
gerando artigos publicados em eventos científicos, em detrimento da inovação.
No modelo linear, o fluxo da produção do conhecimento segue uma trajetória sequencial, a partir da fonte que
o produziu até a empresa que o transformará em produto ou serviço. Ocorre em um contexto de relativa
homogeneidade e organização hierárquica, partindo da pesquisa básica realizada nas universidades e instituições
de pesquisa, orientada, na maioria das vezes, por interesse do próprio pesquisador.
Os trabalhos produzidos podem ser apresentados na forma de uma publicação em congresso ou revista especializada, ou tornar-se um projeto de pesquisa aplicada que se transforme em um protótipo.Os resultados obtidos
podem levar ao interesse de sua produção e comercialização por uma empresa.Riscos da não transformação da
pesquisa básica em um produto comercialsão elevados pela pouca interação entre os pesquisadores e os atores que
geram a demanda social. Em geral, esses trabalhos transformam-se em publicações ou em conhecimento adquirido
para a instituição.
Outros modelos, mais recentes, buscam explicar as relações entre os produtores de conhecimento e seus
usuários, em um contexto de aplicação e em um ambiente de inovação, fortalecendo o papel da academia nesse
processo.(Martin e Etzkowits, 2000).
Educação e Industrialização: a experiência no Polo Industrial de Manaus
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
São modelos que se preocupam com o cenário contemporâneo em que as novas formas de produção
do conhecimento são não lineares, se preocupam com a solução de problemas, são multidisciplinares e
interdisciplinares, conformam redes e são mais responsáveis socialmente.
A Hélice Tríplice é uma abordagem que leva em conta essa visão de economia baseada em conhecimento e em
inovação tendo sido desenvolvida a partir dos trabalhos de Etzkowitz e Leydesdorff (1998). A Hélice Tríplice caracteriza a dinâmica da inovação dentro de um contexto de evolução, onde as relações se estabelecem entre três esferas
institucionais, envolvendo três atores distintos: a universidade, a iniciativa privada e o governo.
Nesse modelo, a cada ator cabe um papel específico, identificado a seguir:
(i)À academia, ou universidade, cabe o papel de ensinar, pesquisar as fronteiras do conhecimento e apoiar o
desenvolvimento tecnológico;
(ii)As empresas produzem riqueza agregando aos seus produtos o conhecimento produzido e
(iii) O estado tem por missão mobilizar os demais atores, viabilizando cooperações.
O modelo da Hélice Tríplice é baseado na interdisciplinaridade entre as tecnologias, as ciências e os mercados
e entre as universidades, as indústrias e o governo, tendo como foco o ator Universidade.Foi criado para capturar
as novas e complexas relações estabelecidas entre os tradicionais produtores do conhecimento, os tradicionais
usuários do conhecimento e o tradicional “supra” ator, o Estado, responsável por algumas despesas, mas, aparentemente, sem muito envolvimento.
A Hélice Tríplice leva em consideração (i) a crescente importância que os resultados científicos e tecnológicos
estabelecem para a performance econômica de um país; (ii) a necessidade de redução do tempo entre os resultados
acadêmicos de uma pesquisa e sua incorporação em um bem comercial e (iii) a busca, por parte das empresas, de
relações mais diretas com os detentores do conhecimento, ampliando esforços para atuação em P&D nas próprias
firmas ou nas universidades e centros de pesquisa.
Neste trabalho, o modelo da Hélice Tríplice será utilizado para explicar as ações de cooperação técnica entre a
Fucapi e uma empresa do setor eletroeletrônico do PIM.
5. ESTUDO DE CASO
O estudo de caso a seguir, apresenta um cenário típico de demanda por qualificação empresarial motivada por
demandas tecnológicas provenientes da Lei de Informática. Nesse contexto, fica claro o modelo de HéliceTríplice,
onde empresas tecem parcerias com instituições de ensino e pesquisa para melhorar seu processo produtivoe, consequentemente, sua competitividade, por meio do emprego de inovações tecnológicas.
Como relatado, comprova-se que, para alcançar resultados mais eficientes, não basta apenas o emprego de
uma nova tecnologia.É necessário que o processo seja acompanhado por atividades de qualificação profissional
visando não somente a realização de novos desenvolvimentostecnológicos, mas também para a mudança da cultura
institucional e o uso correto e efetivo das mesmas.
5.1. DEMANDA TECNOLÓGICA
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
• Gestão de Materiais: Definição de quando e quanto produzir. Nessa atividade, as empresas gerenciam fornecedores e estoques com base em um Plano de Produção.
• Gestão de Processo: Planejamento e programação das etapas de produção de um determinado produto.
Normalmente, envolve etapas mínimas de Inserção Automática, Inserção Manual, Inspeção e Montagem.
• Gestão de Capacidade: Envolve o alinhamento às demandas externas para uso eficaz dos recursos de produção, visando obtenção de ganhos.
Ainda que muitos conceitos e ferramentas sejam usados para o controle/manutenção dessas atividades, a
competividade pela qual passam tais indústrias, sejam com concorrentes locais ou globais, as forçam a buscar
melhorias de processos que permitam o aumento de seus ganhos ou, até mesmo, condições de permanência no
mercado. Como alguns desafios, podemos citar:
• O processo produtivo está sujeito a problemas típicos como quebras de máquinas, falta de materiais e pessoas, e que podem se apresentar imprevisíveis;
• A programação de produção pode ter que se adaptar, caso novas demandas comerciais surjam sem aviso
prévio. Isso faz com que o processo produtivo possa apresentar novos gargalos perante um novo mixde produtos;
• É difícil manter e monitorar a enorme quantidade de dados gerados por processos produtivos complexos,
dificultando a rápida tomada de decisão;
• Muitas atividades de gerência de processos são apontadas ainda de forma manual, usando formulários ou
planilhas, por exemplo, podendo causar erros ou imprecisões;
• Toda a dinâmica inerente ao processo, dados os aspectos anteriores, aliada ao conhecimento especializado
necessário para atuar sobre o mesmo, consiste de um grande desafio.
Dessa forma, fica clara a importância de investimentos em novas tecnologias que permitam um melhor
conhecimento sobre o processo produtivo, bem como que permitam monitorar eventos para rápida tomada de
decisão. Particularmente, sugere-se o uso de sistemas computadorizados que recebam e congreguem dados em
tempo real das várias fases da linha de produção, e cuja análise sirva de insumopara novos planejamentos, sujeitos
a menos erros e/ou com resultados mais eficientes.
Assim, como projetos de Pesquisa e Desenvolvimento, foram propostas duas soluções tecnológicas:
SOLUÇÃO 1 – Gestão do Conhecimento baseado em Sistemas MES (Manufacturing Execution System)
Sistemas de gestão do conhecimento produtivo são tidos como ferramentas de gerenciamento e racionalização
dos recursos produtivos, agregando informações e conhecimentos acumulados das produções passadas, tal como a
linha de produção que apresenta melhor desempenho para um determinado produto.
Manufacturing Execution System (MES) é um sistema de execução e controle da fábrica, ou seja, é um sistema
de chão-de-fábrica orientado para a melhoria de desempenho que complementa e aperfeiçoa os sistemas integrados de gestão (planejamento e controle) da produção.
Este estudo de caso considera uma empresa doPIM com perfil de manufatura de produtos eletroeletrônicos. De
forma similar a outras indústrias, seu processo produtivo apresenta as seguintes características:
O projeto de pesquisa consiste da gestão do conhecimento amparada num sistema de informação para a
manufatura, no caso o MES. Nesse caso, obtém-se um importante aglutinador para um comportamento, não-determinístico, mas previsível que ocorra dentro de uma faixa de desempenho desejada. Além disso, a tecnologia de MES
Educação e Industrialização: a experiência no Polo Industrial de Manaus
Educação e Industrialização: a experiência no Polo Industrial de Manaus
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
se torna um instrumento de medição de desempenho e da eficácia e efetividade, da aplicação dos conhecimentos
tácitos e explícitos praticados na gestão produtiva, e com isso permite que a gestão do conhecimento possa aprimorar tais conhecimentos e inovar suas ações operacionais e de desenvolvimento de novos produtos. Lembrando
que o sistema produtivo se caracteriza como um sistema complexo adaptativo evolutivo, onde cada empresa possui
características próprias (ex.: capital intelectual, cultura organizacional e outras) a serem consideradas individualmente para sua gestão do conhecimento.
O sistema proposto disponibiliza uma interface de acesso a tecnologias de gestão do conhecimento em ambiente fabril. Tal sistema é composto de software de coleta de dados nas diversas fases de produção, em especial,
expedição de matéria prima, inserção automática e inserção manual, que são fases importantes do processo que
interferem na qualidade do produto produzido. A coleta de dados básica baseia-se na identificação de insumos utilizados em cada etapa do processo, índices de produtividade de máquinas, índice de paradas e suas justificativas.
Todas essas informações são obtidas por interfaces automáticas nas máquinas ou estações de coleta (fixas ou
móveis), onde operadores de linha podem interagir. Todas as informações são concentradas em um banco de dados,
onde um software com interface gráfica permite a geração e visualização de relatórios.
Com esse sistema, torna-se fácil a socialização dos conhecimentos fabris, bem como a combinação de
conhecimentos que desvelem novos conhecimentos, que por sua vez permitem as inovações incrementais para
a melhoria produtiva.
SOLUÇÃO 2 – Planejamento de capacidade produtiva baseado em Simulação
Esta solução consiste na segunda etapa do projeto, descrito na solução1. Esta etapa do projeto se propõe a
medir os resultados da fase anterior, culminando na elaboração de uma metodologia de planejamento de capacidade
produtiva que atenda principalmente ao planejamento de curto prazo. Conhecido na literatura como PCP trata-se do
planejamento mais operacional e que realmente deve refletir o que vai ser feito no dia-a-dia do chão-de-fábrica. Dela
resultou o real valor agregado à empresa de estudo. Entre detalhes decisivos a serem considerados, destacam-se:
• Os diferentes tempos de setups para mutáveis sequências de produção;
• Os roteiros de produção alternativos frente a imprevistos;
• Os recursos mais apropriados (em função de sua real eficiência ou qualidade de realização) para determinadas circunstâncias de produtos, tarefas, pessoas e insumos;
• Os variados tamanhos de lotes de processamento e de transferência que podem ser empregados – dentro
ou fora dos padrões estabelecidos - para acelerar a produção, atender a um pedido (prioritário) ou melhorar o grau
de utilização de um recurso crítico.
A metodologia consiste da aplicação de uma ferramenta de simulação de produção com os dados coletados
pela Solução 1, o MES, e divide-se nas seguintes etapas principais:
(1) No simulador é modelado o processo produtivo da fábrica, com seus principais recursos como máquinas e insumos intermediários;
(2) Os dados de produtividade observados pelo MES são alimentados no simulador, que permite ao engenheiro visualizar o desempenho global do sistema;
(3) Com uma visão global do processo produtivo, são identificados gargalos e direcionadas ações específicas, que
podem ser testadas previamente no próprio simulador.
Com tal metodologia espera-se dar mais flexibilidade e agilidade para atender mudanças no mix de produção,
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
na variação da quantidade solicitada e na alteração das datas de entrega; além disso, possibilitar a rápida introdução de novos produtos e, proporcionar agilidade no uso de alternativas frente às quebras de máquinas e falta de
materiais e colaboradores.
5.2. SOLUÇÃO EDUCACIONAL
O avanço tecnológico e as propostas paraa solução degargalos industriais, especificamente aqueles que tratam
do processo produtivo, têm esbarradoem uma questão importante: a qualificação de mão-de-obra.
Essa qualificação perpassa não só pela exigência de conhecimento do processo produtivo como também está
intrinsecamente ligada aos saberes básicos, pois em conjunto a vivência (conhecimento empírico), conhecimentos
acadêmicos primários, secundários e, conforme o caso, em nível superior é que acabam otimizando e propiciando os
resultados esperados das soluções propostas por sistemas informatizados.
Nessa linha de pensamento, a FUCAPI atua frente ao corpo da indústria, ajustando-se ao clima organizacional
e identificando as necessidades de treinamento dos colaboradores.
Ao estabelecer parceria com diversas indústrias, nesse caso em específico, a FUCAPI percebeu a importância
deenquadramento das necessidades de capacitação aos processos produtivos. Assim, realizou visitas técnicas iniciais àempresa, onde seus analistas de projetoreuniram-se com os gestores e líderes da mesma.
Dessas visitas, a organização foi orientada a procurar analisar o perfil de seus colaboradores e cargos que ocupam a fim de medir, equalizar e equilibrar a prevalência dos perfis de seus gestores, em diversos níveis, para traçar
um plano de desenvolvimento de seus potenciais. Em paralelo, a empresa apresentou seus indicadores e destacou
os considerados importantes para o seu processo, de modo que os colaboradores envolvidos nos treinamentos fossem instruídos a pensar e a trabalhar com a análise desses indicadores.
Os treinamentos suscitaram uma interface cada vez maior da academia com a atmosfera fabril, levando o projeto a prover as seguintes melhorias:
• Monitoramento da expectativa e da eficácia: iniciou-se um processo de medição das expectativas dos
colaboradores relativo ao aprendizado e a aplicação de ferramenta avaliativa (questionário) após módulo ministrado. Desta forma, no (i) início da disciplina procura-se medir as expectativas em relação à disciplina e sondagem de
aplicação do aprendizado em suas atividades de trabalho; (ii) e no fechamento da disciplina é realizado um levantamento da aplicabilidade do conteúdo nas atividades do colaborador.
• Revisão das ementas: realinhamento das ementas com os gerentes da empresa para que avaliassem a necessidade de inserção de algum conteúdo ou remodelagem de outro(s).
• Revisão das apostilas (resumos mais práticos).
• Visita dos professores à empresa: cada professor irá visitar a empresa com o objetivo de obter informações
concretas sobre os setores/suas atividades para trabalhar ementa com foco na melhoria dos indicadores.
• Ajuste no critério de seleção dos professores, procurando aqueles com maior experiência no ambiente fabril.
• Contratação de um professor tutor (técnico), com a missão de: (i) Acompanhamento e supervisão dos trabalhos dos alunos, na Fucapi e na empresa; (ii) Monitoramento dos conteúdos ministrados e auxiliar os professores
nos exemplos e aplicações de teoria e prática; (iii) Reunião com gestores da empresa para verificar como os trabalhos
dos alunos estão sendo aplicados.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
• Realização de trabalho ao final de cada módulo de aprendizagem: os alunos passaram a apresentar trabalhos com foco nas sugestões para as melhorias dos indicadores estabelecidos pela empresa.
• Feedback constante para os professores sobre as visitas técnicas, expectativas e eficácia dos módulos.
• Uso de seminários de aplicação prática.
• Realização de trabalhos finais através da Metodologia de CCQ – Círculo de Controle da Qualidade.
O que é o CCQ? (Campos, 2004)
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7. REFERÊNCIAS
CAMPOS, Vicente Falconi. TQC-Controle da Qualidade Total. Nova Lima-MG: INDG Tecnologia e Serviços Ltda, 2004.
ETZKOWITZ, H., LEYDESDORFF, L. The Endless Transition: A Triple Helix of University-Industry-Government Relations.
Minerva, no. 36, pp. 203-208. England, 1998.
MARTIN, B. R., ETZKOWITZ, H. The origin and evolution of the university species. VEST. Mode 2.Triple Helix.TidskriftFörVetenskaps – OchTeknikstudier. Number 3-4, vol 13, pp. 9-34, 2000.
- É um grupo de estudo para melhoria de resultados.
- Necessário para descobrir e atacar a(s) causa(s) raiz(es).
- Equipes de 5 e 7 membros escolhidos .
- Aplicados em organizações que precisam conscientizar as pessoas por meio da solução de problemas.
6. RESULTADOS OBTIDOS
Tecnologicamente, a disponibilização concentrada e organizada de informações de produção traz novas alternativas de soluções para o melhor planejamento do processo produtivo, atuação sobre problemas e melhoria da
qualidade de produto. Tais aspectos, conjuntamente, possibilitaram maior competitividade da empresa, pois foram
observados os seguintes efeitos:
• Otimização de ativos, redução de despesas operacionais, de custos de produção e aumento da lucratividade:
Com a observação da produtividade de máquinas foi possível planejar melhor a produção, reduzindo gargalos e tempos ociosos nas mesmas. Particularmente, na empresa de estudo de caso, pode-se eliminar um turno de produção
sem afetar as quantidades de itens produzidos, gerando significativa economia;
• Redução de Estoques e Menor perda de componentes: a monitoração constante do processo produtivo
permitiu a rápida atuação sobre problemas, eliminando desperdícios com fabricação de itens fora dos padrões de
qualidade. Ainda, um melhor planejamento levou a um domínio maior sobre os índices de peças em estoque;
• Formalização e padronização dos métodos e procedimentos de programação de produção: A disseminação
de conhecimento entre engenheiros e operadores foi ampliada, pois a coleta de dados e geração de relatórios
estimulou o registro de problemas e ações que não se restringem ao domínio de só uma pessoa;
• Redução no tempo de planejamento: O apoio de ferramentas automatizadas eliminou retrabalhos anteriormente feitos manualmente, bem como permitiu um estudo maior de possibilidades.
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Fatores de Bloqueio à Criatividade e Inovação: Um Estudo
com Acadêmicos de Engenharia da Região do Vale do
Paranhana
Pereira, Daniele dos Santos Guidotti
Mestranda, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional,
Faculdades Integradas de Taquara - FACCAT
[email protected]
Professor Doutor, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional,
Faculdades Integradas de Taquara - FACCAT
[email protected]
Palavras Chaves: Inovação, Criatividade, Desenvolvimento Empresarial, Desenvolvimento Regional
Resumo:
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que teve por finalidade investigar a existência e identificar os
fatores de bloqueio à criatividade em acadêmicos da área da Engenharia de Produção de uma Instituição de Ensino
Superior da Região do Vale do Paranhana e compará-los com os resultados obtidos a partir do estudo realizado por
Jung, Frank e Caten (2010) com pesquisadores de um Polo de Inovação Tecnológica da mesma região. Para tanto,
foi utilizado o mesmo método para coleta e análise dos dados proposto por estes autores. O estudo estabelece uma
relação entre os resultados obtidos com os acadêmicos e os pesquisadores e contribui para a proposição de novas
ideias e métodos aplicados ao desenvolvimento da criatividade e, consequente, maior geração de inovações tecnológicas na região.
INTRODUÇÃO
A inovação é tema cada vez mais recorrente, especialmente nos últimos anos, quando passou a ser percebida
como fator fundamental para o êxito das organizações, uma vez que está fortemente associada ao empreendedorismo, ao desenvolvimento econômico e a produtividade.
Alencar (1996) refere que inovação é o processo através do qual uma nova ideia é introduzida, adotada e implementada em uma organização como resposta a determinado problema. E junto ao conceito de inovação situa-se
o de criatividade, entendida igualmente como processo, cujo resultado é um novo produto, percebido como satisfatório, útil e ao qual atribuímos valor. Logo, inovação exige criatividade, bem como desenvolvimento e aplicação
de conhecimentos (BENEDETTI; CARVALHO, 2006). Corroborando, Anderson (1992) considera que o indivíduo criativo é aquele que consegue ir além das fronteiras da tecnologia, conhecimento, normas sociais e crenças.
Além disso, sabe-se que o ambiente no qual o sujeito está inserido também tem fortes implicações no processo
criativo. Alencar e Fleith (2003) referem que as inovações não são frutos exclusivos de um conjunto de habilidades
cognitivas e de traços de personalidade, mas de outros fatores igualmente relevantes, tais como os sociais e culturais. O ambiente reveste-se de suma importância e pode determinar a efetividade criativa dos indivíduos, sendo
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
um meio que pode estimular ou bloquear o processo criativo.
Nesse sentido, Xu e Rickards (2007) afirmam que a criatividade potencial se torna real sob condições favoráveis
e que as características ambientais exercem forte influência no desenvolvimento e manifestação da criatividade. Corroborando, Runco (2007) refere que todas as pessoas possuem potencial criativo, mas é necessário oportunidade
para desenvolvê-lo. Hughes e Chafin (1996) afirmam que o desafio é criar um ambiente que predisponha a criatividade, aproveitando as habilidades criativas dos indivíduos e tornando-os ainda mais criativos.
Alencar (1993) diz ser necessário que algumas condições se façam presentes para que o pensar criativo e as
inovações tornem-se efetivas. Para este autor é preciso conhecer os fatores que, intervindo nesse processo,
constituem-se em bloqueio à criatividade e obstam as inovações. Os fatores pessoais, tais como os emocionais,
perceptuais e intelectuais podem afetar a criatividade, assim como os sociais, ou seja, aqueles ligados a valores,
normas e pressupostos mantidos pela sociedade e que contribuem com a inércia do potencial criativo.
A Macroergonomia busca entender as organizações como um sistema sócio-técnico, o qual inclui quatro subsistemas: (i) o tecnológico, formado pela infraestrutura física, máquinas, equipamentos, instrumentos, informações
científicas e tecnológicas, recursos e insumos existentes, etc.; (ii) o social, que integra grupos formais e informais
que estabelecem conexões entre o indivíduo e a organização; (iii) o ambiente externo, o qual inclui todos os elementos externos aos limites da organização; e (iv) o do trabalho/organizacional, definido pela interação com os outros
anteriores, considerando a natureza do trabalho, a forma e as peculiaridades do processo de gestão, a variedade
de atividades e tarefas e suas respectivas relevâncias (TRIST, 1978; PASMORE, 1988; HENDRICK, KLEINER, 2000).
Diferentemente das fases anteriores da ergonomia, a Macroergonomia refere-se a um contexto ampliado, não
mais restrito a aspectos pontuais, mas com uma atuação no processo organizacional igualmente, focando o ser
humano, o processo de trabalho e a organização (BROWN Jr., 1990; HENDRICK, KLEINER, 2000). Assim, essa abordagem amplia a compreensão das relações do homem com o meio e permite uma análise sistemática a partir dos
subsistemas referidos.
Para que as organizações sejam capazes de promover o desenvolvimento de novos produtos, é fundamental
conhecer os fatores que bloqueiam a criatividade e romper com essas barreiras, proporcionando, assim, um ambiente criativo.
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que teve por finalidade investigar a existência e identificar
os fatores de bloqueio à criatividade em acadêmicos da área da Engenharia de Produção de uma Instituição de Ensino Superior da Região do Vale do Paranhana e compará-los com os resultados obtidos a partir do estudo realizado
por Jung, Frank e Caten (2010) com pesquisadores de um Polo de Inovação Tecnológica da mesma região. Para tanto, foi utilizado o mesmo método para coleta e análise dos dados proposto por estes autores. O estudo estabelece
uma relação entre os resultados obtidos com os acadêmicos e os pesquisadores. O trabalho possui a seguinte estrutura: a seção de desenvolvimento apresenta o cenário onde o estudo foi realizado, os procedimentos metodológicos
e a análise dos dados, a conclusão traz os resultados do estudo.
DESENVOLVIMENTO
O estudo foi realizado com acadêmicos de um curso superior de graduação em Engenharia de Produção de uma
Instituição de Ensino Superior localizada na cidade de Taquara, na região do Vale do Paranhana, RS. Todos acadêmicos participantes da pesquisa residem e atuam profissionalmente nesta região.
A região é composta por seis municípios: Taquara, Parobé, Igrejinha, Três Coroas, Rolante e Riozinho. O
território abrange parte das regiões geomorfológicas do Litoral, Depressão Central, Patamares da Serra e Serra
Geral. No aspecto econômico, a região está servida por indústrias de pequeno, médio e grande porte, destacando-se, as indústrias de calçados, produtos alimentícios, móveis, metalurgia, madeira, têxteis, possuindo uma
Fatores de Bloqueio à Criatividade e Inovação: Um Estudo com Acadêmicos de Engenharia da Região do Vale do Paranhana
Fatores de Bloqueio à Criatividade e Inovação: Um Estudo com Acadêmicos de Engenharia da Região do Vale do Paranhana
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maior concentração no setor calçadista (FEE, 2009).
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Quadro 1: Categorias, subcategorias em função das respectivas questões
Segundo Dorr (2013) o Vale do Paranhana emprega aproximadamente cinquenta e três mil pessoas, sendo que
63% dos trabalhadores atuam na indústria, 21,34% no comércio e 10,82% na prestação de serviços.
CATEGORIAS
SUBCATEGORIAS (Fatores de Bloqueio à Criatividade)
Nesta mesma região Jung, Frank e Caten (2010) realizaram um estudo com pesquisadores de um Polo de
Inovação Tecnológica que possui a unidade gestora localizada na cidade de Taquara. Os Polos de Inovação Tecnológica, que integram o Programa de Polos da Secretaria da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do RS,
são resultado da parceria entre Instituições de Ensino Superior, Empresas e Governo, e têm por escopo desenvolver
e transferir as tecnologias necessárias ao desenvolvimento regional sustentável, estimulando uma maior competitividade, uma produção diversificada, o aumento na renda da população, bem como a criação de novos postos de
trabalho (SOUZA, 2006).
A. Social
A.1 – Instabilidade Emocional / Insegurança
A.2 – Comunicação Interpessoal
A.3 – Estímulo Familiar à Inovação
A.4 – Estímulo à Inovação no Ensino Fundamental
A.5 – Estímulo à Inovação no Ensino Médio
A.6 – Estímulo à Inovação no Ensino Superior
A.7 – Ideias Pré-Concebidas / Pré-Conceitos
O método utilizado para a elaboração do instrumento para levantamento e análise dos dados foi baseado no
trabalho de Jung, Frank e Caten (2010) que utilizou os princípios da Macroergonomia. A Teoria Macroergonômica
considera a existência de quatro subsistemas que exercem influência nas atividades humanas, a saber: (i) Organizacional, (ii) Técnico, (iii) Social e (iv) Ambiente Externo (DEWES et al. 2012).
B. Organizacional
B.1 – Normatização / Regras Pré-Existentes
B.2 – Carga Horária para Pensar em Inovações
B.3 – Acesso a Informações na Organização
B.4 – Estímulo à Inovação e Empreendedorismo
B.5 – Condições de deslocamento ao trabalho
B.6 – Exigência a Iniciativa de Inovar
B.7 – Clima Organizacional
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C. Ambiente Externo
C.1 – Interação com a Natureza
C.2 – Diferenças Culturais (Social e Organizacional)
C.3 – Legislação Aplicada à Pesquisa
C.4 – Restrições Econômicas do Mercado
C.5 – Contexto Produtivo Regional
C.6 – Cenário Socioeconômico Mundial
C.7 – Restrições Tecnológicas do Mercado às Ideias
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D. Técnico
D.1 – Acesso a Novos Equipamentos e Instrumentos
D.2 – Apoio Organizacional à Busca de Informações
D.3 – Recursos Financeiros para Atualização
D.4 – Estado de Conservação da Infraestrutura
D.5 – Deficiência da Manutenção da Infraestrutura
D.6 – Conhecimento da Infraestrutura Existente
D.7 – Utilização da Infraestrutura Existente
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O universo da pesquisa era formado por 234 acadêmicos. A amostra utilizada foi de 93 indivíduos, que representa 39,74% do total. Nesta amostra, 63,22% dos acadêmicos atuam na indústria, 21,34% no comércio, 10,32%
na prestação de serviços e 5,12% sem ocupação profissional. Foi proposta uma estratificação da amostra também
em relação aos setores de atuação em que os acadêmicos desempenham atividades, a saber: 65,61% no setor Administrativo, 18,27% no setor de produção e 16,12% no setor de TI - Tecnologia da Informação.
Como instrumento de pesquisa foi utilizado um questionário estruturado, composto por vinte e oito questões,
com escala do tipo Lickert de cinco pontos, referentes aos quatro subsistemas: (i) social, (ii) organizacional, (iii) técnico e (iv) ambiente externo. Foram elaboradas sete questões distribuídas aleatoriamente ao longo do instrumento.
Os participantes foram solicitados a assinalar a pontuação que melhor refletia a relevância dos aspectos referidos no tocante à criatividade, sendo 1 para o menos importante e 5 para o mais importante. Cada um desses quatro
subsistemas foi considerada como uma categoria, a qual foi dividida em outras sete subcategorias. Estas foram consideradas como Fatores de Bloqueio à Criatividade, com base nos estudos de Bruno-Faria e Alencar (1996), Quinn,
Anderson e Flikelstein (1996), e Alencar e Fleith (2003). Assim, na elaboração do instrumento tomou-se como base
os princípios do método de análise de conteúdo de Bardin (2002) que prevê formulação de categorias e subcategorias para determinada análise. No Quadro 1 são apresentadas as categorias e subcategorias com as respectivas
questões que constam no instrumento de pesquisa.
QUESTÕES
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Responderam ao instrumento de pesquisa 93 acadêmicos, que representam 39,74% dos que cursam graduação em Engenharia de Produção. Ressalta-se que 94,88% dos acadêmicos pesquisados trabalham e 5,12% já trabalharam em organizações da região do Vale do Paranhana. Em relação aos subsistemas Organizacional e Técnico
os dados refletem a opinião dos acadêmicos em relação as empresas privadas e instituições públicas em que atuam
ou atuaram.
Os dados obtidos com os acadêmicos foram inseridos em uma planilha onde obteve-se uma média para cada
subsistema. Na sequência, foram elaborados gráficos com resultados individuais e comparativos com os dados
provenientes do estudo realizado por Jung, Frank e Caten (2010) com 13 indivíduos que representam 100% dos
pesquisadores do Polo de Inovação Tecnológica do Vale do Paranhana.
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Empresas
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Inicialmente foi proposta uma análise gráfica comparativa entre os resultados obtidos na pesquisa com os
acadêmicos, indicados com A = Acadêmicos e aqueles obtidos por Jung, Frank e Caten (2010) indicados por P =
Pesquisadores, para cada subsistema (ver Figura 1).
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Figura 2: Média das questões relacionadas aos respectivos subsistemas
Figura 1: Média da participação de cada subsistema no bloqueio à criatividade
Verifica-se que todos os quatros subsistemas exercem algum tipo de influência, segundo os participantes.
Além disso, pode-se observar que, tanto para pesquisadores como para acadêmicos, o subsistema que impacta
mais a criatividade é o Organizacional, seguido pelos subsistemas Técnico, Social e Ambiente Externo, os quais,
resguardas algumas variações nas médias, aparecem exatamente na mesma ordem de relevância.
Na sequência, são apresentados os resultados obtidos na pesquisa, ver Figura 2, para cada subsistema com
a média obtida para cada questão que compõe cada um destes. Neste caso é possível identificar quais questões
que impactam mais cada um dos subsistemas.
Observa-se que não há uma grande variação nos resultados. O Subsistema Técnico aparece com as médias
mais significativas, especialmente no que diz respeito à relevância do apoio organizacional à busca de informações
sobre novas tecnologias e equipamentos para pesquisa, aspecto mais destacado. O acesso a novos instrumentos
e equipamentos também foi considerado importante.
Por outro lado, os pesquisadores e os acadêmicos pontuaram com as menores médias o fator deficiência na
manutenção da infraestrutura. Esse resultado pode indicar que o aspecto estrutural tende a ser mais valorizado
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do que o humano, ou seja, há maiores investimentos no patrimônio físico em detrimento do intelectual. Contudo,
em que pese a necessidade de adequadas condições físicas, sabe-se que o elemento humano é fundamental para
o êxito da organização.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Para a análise qualitativa dos resultados foram correlacionados os valores das questões, ver Figura 2, às subcategorias - Fatores de Bloqueio à Criatividade. Os resultados são apresentados na Figura 3.
No tocante ao subsistema social, tanto para os pesquisadores quanto para os acadêmicos, a comunicação
interpessoal obteve a maior média, ao passo que o estímulo à inovação no ensino médio e a instabilidade emocional/insegurança foram os fatores menos impactantes, respectivamente.
Com relação ao subsistema organizacional, os fatores mais relevantes foram, segundo os pesquisadores, a
carga horária para pensar em inovação, e para os alunos, o clima organizacional. As condições de translado foram
consideradas como menos significativas para ambos.
No que se refere ao ambiente externo, os pesquisadores consideraram que o contexto produtivo regional impacta a criatividade, os acadêmicos afirmaram que as restrições econômicas do mercado são mais importantes.
Entretanto, em ambos os resultados, a legislação aplicada à pesquisa obteve as médias mais baixas.
A partir dos dados pode-se observar que, tanto para os pesquisadores como para os acadêmicos, os subsistemas mais impactantes na criatividade e na inovação são o técnico e o organizacional. No entanto, deve-se
levar em consideração na análise o que Mervis e Rosch (1981) afirmam quando referem que existe uma complexidade no tocante à análise dos fatores de bloqueio.
Com base nestes pressupostos, deve-se considerar nesta análise qualitativa as seguintes limitações: (i) as
categorias foram estruturadas com base em referencial teórico, (ii) os limites não são necessariamente precisos,
e (iii) existe uma relação próxima entre os grupos de subcategorias e uma vinculação entre as categorias.
Gardner (1996) explica que um indivíduo não pode ser criativo num plano abstrato, ou seja, descontextualizado, sendo a criatividade sempre condicionada pela influência da interação entre indivíduo e ambiente.
Percebe-se que os principais fatores de bloqueio à criatividade encontram-se nos subsistemas Técnico e Organizacional, especialmente no Apoio Organizacional à Busca de Informações, na Carga Horária para Pensar em
Inovações e no Acesso à Informação na Organização, apontados tanto pelos pesquisadores quanto pelos alunos.
Outros aspectos apontados como relevantes são a Comunicação Interpessoal e a Exigência à Iniciativa de Inovar,
destacadas pelos primeiros, e o Estímulo à Inovação e o Clima Organizacional, ressaltados pelos segundos.
Na realidade, é oportuno mencionar que embora o Apoio Organizacional à Busca de Informações situe-se no
subsistema Técnico, é ele fortemente relacionado ao Organizacional. Contudo, sua inclusão no subsistema referido
se deve ao fato de que as informações são de caráter técnico-científicas, bem como são necessárias para o desempenho técnico do indivíduo (DEWES et al., 2012). A partir daí, pode-se inferir que o subsistema Organizacional é o
que mais afeta a criatividade dos pesquisadores e dos alunos.
Nesse sentido, os estudos realizados por Bruno-Faria e Alencar (1996) também evidenciaram alguns aspectos
que estimulam ou inibem a criatividade e que corroboram com o exposto, tais como: (i) a estrutura organizacional; (ii)
o suporte da chefia, do grupo e da organização; (iii) o estilo de trabalho e de participação; (iv) os recursos tecnológi-
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Fatores de Bloqueio à Criatividade e Inovação: Um Estudo com Acadêmicos de Engenharia da Região do Vale do Paranhana
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
cos e materiais, (v) o treinamento e o sistema de comunicação empresarial, dentre outros. Assim, vê-se que o ambiente
em que se desenvolve o trabalho e as condições de que os trabalhadores dispõem para realizá-lo são fundamentais ao
processo criativo.
Amabile e Gryskiewicz (1989) referem dois estímulos importantes à formação de um ambiente favorável à criatividade e que aparecem entre os fatores com as maiores médias, tanto nos resultados dos pesquisadores quanto dos
alunos: (i) suporte organizacional, o qual envolve mecanismos para o desenvolvimento de novas ideias, planejamento
e definição das metas de trabalho, etc., e (ii) desafios, ou seja, tarefas desafiadoras que estimulem o pensar criativo.
Os resultados obtidos vão ainda ao encontro das constatações de Alves et al. (2007), os quais afirmam que o
primeiro passo para a criatividade é a incorporação explícita da inovação nas metas e objetivos organizacionais. Os autores destacaram igualmente a cultura e a estrutura organizacionais e a comunicação como fatores que exercem uma
influência direta sobre o potencial criativo. Assim, reconhecendo-se a relevância desses fatores, a organização torna-se
uma facilitadora do acesso à informação interna e externa e, ao conferir determinadas condições técnicas e ambientais
aos seus trabalhadores, deve ter o apoio e a exigência de iniciativas inovadoras como partes de sua estratégia.
Isaksen et al. (2001), ao analisarem o clima organizacional, explicaram que se trata de uma variável importante
que influencia tanto no processo organizacional quanto no psicológico. Eles advertem que o clima influencia e é influenciado pela organização, em atividades tais como: (i) resolução de problemas, (ii) decisão de fazer, (iii) comunicação
e coordenação, (iv) processos individuais de aprendizado e criação, e (v) níveis de motivação e compromisso.
Os fatores com as médias mais baixas relacionam-se, fundamentalmente, aos subsistemas Social e Ambiente
Externo, com exceção das Condições de Deslocamento ao Trabalho, integrante da categoria Organizacional. Nesse
sentido, a Legislação Aplicada a Pesquisa, o Estímulo à Inovação no Ensino Universitário, as Diferenças Culturais e o
Cenário Socioeconômico Mundial não aparecem como fatores de bloqueio significativos.
Quanto aos aspectos com as médias mais altas, o papel da Carga Horária para Pensar em Inovações e o Apoio
Organizacional à Busca de Informações, são relativamente consoantes considerando-se os resultados dos pesquisadores e dos alunos, respectivamente. No que tange aos pesquisadores, o destaque dado à Carga Horária para
Pensar em Inovações pode ser explicado, talvez, pelo fato de a mesma ser insuficiente para uma reflexão voltada à
geração de novas ideias.
Já o fator Apoio Organizacional à Busca de Informações, na segunda posição, pode ser resultado da falta de
acesso às principais bases de dados internacionais de periódicos científicos. No caso, a unidade gestora do Polo de
Inovação Tecnológica ainda não investiu na aquisição de acesso a qualquer base de dados internacional, inviabilizando
a consulta dos pesquisadores a novas e importantes informações técnico-científicas (JUNG; FRANK; CATEN, 2010).
Além disso, a análise revela a existência de fatores vinculados ao proceso de comunicação que podem estar
interagindo e afetando a criatividade dos pesquisadores. Observa-se que os fatores Acesso a Informações na Organização e Comunicação Interpessoal estão na quarta e quinta posição respectivamente.
Uma comunicação organizacional deficiente pode influenciar o proceso criativo. Para Kreps (1990), a comunicação organizacional constitui-se em um proceso através do qual os indivíduos obtêm as informações pertinentes sobre a própria organização (situação sócio-econômica, novas propostas e estratégias), bem como sobre as mudanças
que nela ocorrem. Para Kunsch (2003), a comunicação interna é planejada em torno de propósitos e estratégias
claramente definidas para viabilizar uma interação entre a organização e seus colaboradores.
A Comunicação Interpessoal também foi um fator destacado como fonte de bloqueio à criatividade e foi descrita
por Bruno-Faria e Alencar (1996) como ausência de diálogo, inexistência ou poucas atividades em grupo, falta de
confiança entre os indivíduos e não-aceitação de novas ideias e conflitos.
Fatores de Bloqueio à Criatividade e Inovação: Um Estudo com Acadêmicos de Engenharia da Região do Vale do Paranhana
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
É importante ponderar que determinados fatores ao serem analisados de forma integrada podem caracterizar
o perfil organizacional como não favorável à criatividade. Neste caso, ressalta-se que não necessariamente o fato de
uma instituição “permitir” e “possuir” atividades voltadas à inovação garante um ambiente favorável à criatividade
(DEWES et al., 2012). Isto fica evidenciado quando são destacados na pesquisa os fatores: Exigência à Iniciativa de
Inovar, que ficou na terceira posição, e Estímulo à Inovação e Empreendedorismo, sexta posição.
Com relação aos alunos, o Apoio Organizacional à Busca de Informações, o Clima Organizacional e o Estímulo à
Inovação obtiveram as maiores médias, sendo percebidos como fatores preponderantes no bloqueio à criatividade.
Na sequência aparecem a Carga Horária para Pensar em Inovações e o Acesso à Informação na Organização como
fatores que também exercem influência.
É importante mencionar que, tanto para os pesquisadores como para os alunos, o subsistema que menos
impacta a criatividade é o Ambiente Externo, seguido do subsistema Social. Esse resultado comprova a relevância
dos subsistemas Técnico e Organizacional no tocante ao bloqueio da criatividade e ratifica o quanto a natureza do
trabalho, a forma e as características da gestão, as atividades e as tarefas são fatores que influenciam diretamente
a criatividade, seja promovendo-a ou bloqueando-a.
Percebe-se que aspectos ligados à infraestrutura são mais relevantes para os acadêmicos do que para os
pesquisadores, talvez porque, os acadêmicos ainda na maioria jovens em formação e menos experientes, com em
média de 18 a 25 anos de idade, demandam condições infraestruturais mais estimuladoras. Recursos Financeiros
para Atualização foi considerado importante barreira para os alunos, o que deve se explicar pelo fato de que ainda
arcam com os custos de seu curso de graduação em andamento.
Os pesquisadores, por outro lado, destacaram a Normatização e as Regras Pré-Existentes, o Contexto Produtivo Regional e a Comunicação Interpessoal. Pode-se inferir que a experiência e a idade dos pesquisadores exercem
influência na percepção desses aspectos como importantes para criatividade. Ao trabalharem com pesquisa, esses
indivíduos sentem o impacto das normas a serem respeitadas, as quais são, por vezes, limitadoras. Ademais, o Contexto Produtivo Regional pode ser um fator de bloqueio em razão das peculiaridades culturais e socioeconômicas
dos municípios, bem como em razão da dificuldade de acesso às informações e dados dos mesmos. Daí talvez o
motivo da Comunicação Interpessoal ser destacada como fator relevante, o que pode ser devido também à forma de
trabalho do pesquisador.
CONCLUSÃO
Este artigo apresentou os resultados de uma pesquisa que teve por finalidade investigar a existência e identificar os fatores de bloqueio à criatividade em acadêmicos da área da Engenharia de Produção de uma Instituição de
Ensino Superior da Região do Vale do Paranhana. Os resultados mostraram que todos os quatro subsistemas influenciam o processo criativo dos acadêmicos. Entretanto, os subsistemas Técnico e Organizacional aparecem como
os mais importantes, uma vez que os principais Fatores de Bloqueio destacados foram a Carga Horária para Pensar
em Inovações (Subsistema Organizacional) e o Apoio Organizacional à Busca de Informações (Subsistema Técnico).
O Clima Organizacional, o Estímulo à Inovação e ao Empreendedorismo e o Acesso à Informação na Organização
foram considerados Fatores de Bloqueio relevantes pelos acadêmicos, os quais, como visto, se encontram inseridos
no mercado de trabalho e já trazem consigo os impactos dos referidos fatores. Por outro lado, os pesquisadores de
acordo com os resultados de Jung, Frank e Caten (2010) ressaltaram a influência a Comunicação Interpessoal, a
Exigência à Iniciativa de Inovar e o Acesso à informação na Organização.
A pesquisa mostrou o quanto as organizações podem influenciar no desenvolvimento de processos criativos e
inovadores, seja facilitando-os e promovendo-os, seja dificultando-os e bloqueando-os. Em função disto, a criação de
Fatores de Bloqueio à Criatividade e Inovação: Um Estudo com Acadêmicos de Engenharia da Região do Vale do Paranhana
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
ambientes organizacionais que favoreçam a criatividade e a inovação torna-se importante.
REFERÊNCIAS
Nesse sentido, os resultados obtidos neste trabalho são corroborados pelo estudo de Bruno-Faria e Alencar (1996) que identificaram fatores que estimulam a criatividade no ambiente organizacional e que devem ser
considerados pelos gestores e trabalhadores.
ALENCAR, E. M. L. S. Criatividade. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1993.
O estudo demonstrou que uma vez que esses aspectos citados por Bruno-Faria e Alencar (1996) se tornam
parte da cultura e da estratégia organizacional, bem como aqueles demandados pelos trabalhadores, a criatividade
e as inovações podem ser potencializadas.
______. Barreiras à criatividade pessoal: desenvolvimento de um instrumento de medida. Psicol. esc. educ.,
Campinas, v. 3, n. 2, 1999.
Os resultados obtidos contribuem para a compreensão de que a análise sistêmica de determinados fatores
pode revelar um perfil organizacional não favorável ao desenvolvimento da criatividade e a inovação, muito embora
possam existir nestas organizações atividades voltadas à inovação. Embora os dois estudos sejam convergentes em
muitos pontos, os resultados dos acadêmicos apresentam uma amplitude muito maior do que a dos pesquisadores.
Os acadêmicos relataram os fatores de forma bem mais intensa do que os pesquisadores.
Por fim, destaca-se a relevância da continuidade de estudos dessa natureza, bem como de sua aplicação em
contextos diversos, de modo que se favoreça a compreensão dos fenômenos que podem se constituir em bloqueios
à criatividade.
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Palavras-chave: inovação. P&D, startup, seed money, investimento, produto tecnológico, Tecnologia, Ciência e Tecnologia, venture capital
Resumo
Nos últimos anos é possível identificar no Brasil uma expressiva evolução na geração do conhecimento científico dentro das universidades e centros de tecnologia, que são agentes fundamentais na geração de conhecimento no país.
Contudo observa-se significativa deficiência no binômio Ciência e Tecnologia no Brasil, refletida pela desproporção
entre a produção científica gerada e a sua respectiva transformação em inovação. Esse cenário gera problemas, uma
vez que em uma economia do conhecimento, a capacidade de introduzir inovações ao processo produtivo é central
para o desenvolvimento de uma nação. O objetivo do presente trabalho é demonstrar como a Fundep Participações
S.A. (Fundepar) contribui para que a lacuna entre produção científica e inovação seja menor. Para tanto, a Fundepar
inaugura no Brasil um modelo bem sucedido aplicado em universidades, tanto públicas quanto privadas, de países
desenvolvidos, que consistem em viabilizar o aporte de recursos em Empresas Emergentes Inovadoras oriundas da
Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.
INTRODUÇÃO
Na última década o Brasil tem se tornado um importante player econômico e político no cenário regional e internacional. O país se destaca, inclusive, na produção cientifica e tecnológica. Os recursos aportados pelo Governo
Brasileiro para fomentar o processo de Pesquisa e Desenvolvimento dentro das Universidades e investimento em
recursos humanos foram expressivos, contribuindo para o aumento do número de mestres, doutores e consequentemente depósito de patentes e trabalhos publicados. Nos gráficos 1, 2 e 3 é possível observar o resultado das ações
da política governamental no incentivo do processo de P&D no Brasil.
Fatores de Bloqueio à Criatividade e Inovação: Um Estudo com Acadêmicos de Engenharia da Região do Vale do Paranhana
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FUNDEP Participações S/A: Transformando Conhecimento em Tecnologia
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Gráfico 1. Fonte: Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.
Gráfico 3. Relação entre Título de Mestres e Doutores. Fonte: Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da
Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.Gerais – UFMG.
Inovar significa a sobrevivência de um país frente aos diversos competidores internacionais. Um país só cresce
se ele agregar valor aos produtos que produz. Como uma das principais responsáveis pela inovação, as Universidades veem recebendo incentivos que contribuem significativamente para a geração do conhecimento científico
e, consequentemente, da Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico. Contudo, a parceria com as empresas de base
tecnológica é fundamental para que esse conhecimento gerado seja aplicado à sociedade.
A inovação é a introdução no mercado de produtos, processos, métodos ou sistemas não existentes anteriormente ou com alguma característica nova e diferente da até então em vigor.1 É a adoção de métodos de produção
novos ou significativamente melhorados, incluindo métodos de entrega dos produtos. Tais métodos podem envolver
mudanças no equipamento ou na organização da produção, ou uma combinação dessas mudanças, e podem derivar
do uso de novo conhecimento2.
1
Gráfico 2. Pedidos de patentes no órgão internacional WIPO Fonte: Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT)
da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.
FUNDEP Participações S/A: Transformando Conhecimento em Tecnologia
110
2
GUIMARÃES, Fábio Celso de Macedo Soares. FINEP. Rio de Janeiro, 2000.
OECD. Oslo Manual. Paris, OCDE/Eurostat, 1997, cap.3, pag.51.
FUNDEP Participações S/A: Transformando Conhecimento em Tecnologia
111
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
No cenário de inovação, o conhecimento que é gerado na Academia pode, ou não, ser repassado para as empresas/sociedade. Se o conhecimento for explorado gerando retorno para a sociedade, podemos determinar que
houve inovação. A participação das empresas nesse cenário é crucial e o relacionamento entre os dois atores é fundamental para o sucesso do processo inovador. O relacionamento entre os dois entes está demonstrado na Figura 1:
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
O grande desafio existente consiste em investir na empresa em um momento em que ainda não exista a maturidade mercadológica, uma empresa emergente originária da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, que
possua um produto de P&D gerado dentro da UFMG. É objetivo da Fundepar auxiliar no amadurecimento dessas
Startups e contribuir para sua alavancagem e crescimento.
Desenvolvimento
Figura 1: Agentes da Inovação. Fonte: Apresentação Fundepar/2013
Somada ao aumento do peso do Brasil no cenário de P&D internacional, a intenção do governo brasileiro é de
impulsionar o desenvolvimento interno, portanto o “desenvolvimento tecnológico e a inovação são cruciais para o
crescimento da produtividade e do emprego”3. Contudo existe uma lacuna entra a produção científica e as inovações
e essa lacuna é aumentada pela carência de investimento nas empresas de base tecnológica.
Em linhas gerais, o ciclo de vida de uma empresa de base tecnológica é composto por ideias/conhecimento,
pesquisa aplicada, desenvolvimento do produto, comercialização, maturação da empresa e crescimento. Existem
hoje vários atores, dentre eles o governo, que investem nas diversas fases desse ciclo, contudo, observa-se uma deficiência de investimento e subsídio no momento em que a Startup é criada, em que ainda não houve a consolidação
mercadológica.
Fundep Participações S/A (Fundepar) é uma empresa subsidiária da Fundação de Desenvolvimento da
Pesquisa (Fundep), criada no início de 2013 pela Fundação para investir, inicialmente, em startups da Universidade
Federal de Minas Gerais. A Fundep é uma instituição de direito privado, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria e possui excelência em solução na gestão administrativo-financeira de projetos de pesquisa, inovação,
desenvolvimento tecnológico, apoio institucional e extensão. Criada pela Universidade Federal de Minas Gerais em
1975, a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa - Fundep é importante interlocutora entre os agentes no cenário
da geração do conhecimento e parceria e tem como objetivo apoiá-los.
Entendendo seu importante papel no cenário de inovação e, paralelamente, sua atuação como grande parceira
da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, a Fundep resolveu inovar e buscar soluções para amparar empresas emergentes de base tecnológica.
A Fundep observou que havia uma deficiência de apoio financeiro em negócios inovadores, que encontram-se
em estágio inicial. Conforme Figura 2, são vários os entraves para investimento nas empresas nascentes e inovadoras. Por parte do Governo, a burocracia é a grande vilã, uma vez que os recursos demoram muito para serem liberados, atrasam o início do projeto e contribuem para que o produto, inicialmente muito inovador, torne-se obsoleto ou
perca a competitividade.
Já o Mercado busca investimentos com retornos em curto prazo, e o perfil das empresas investidas diferem bastante do perfil das Startups. A Academia possui alguns entraves intrínsecos a sua personalidade jurídica, dificultando
bastante o investimento em empresas inovadoras.
Existem muitas fontes de recursos não reembolsáveis para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento dentro
das Universidades4 e, não obstante, o Governo tem envidado esforços para incentivar a inovação dentro das empresas, seja através recursos não reembolsáveis, renúncias fiscais ou financiamento a baixo custo5. Contudo, essas
empresas encontram-se em um estado mais maduro, com produtos desenvolvidos e já comercializados.
Considerando que a inovação consiste na aplicação mercadológica da tecnologia ou conhecimento gerado
e o cenário brasileiro mostra-se favorável e em expansão, torna-se necessário aprimorar os elos que viabilizam o
relacionamento entre os agentes de inovação (universidade, mercado e empresas), facilitando essa interação, e o
fortalecimento de cada ator, dentre eles as Startups, a fim de potencializar o processo de inovação no Brasil.
3
Manual de Oslo, Pag. 12 (http://download.finep.gov.br/imprensa/manual_de_oslo.pdf)
Alguns programas e incentivos governamentais: Edital Subvenção Econômica da Finep, Lei da Informática, Lei do Bem, Funtel e Funtec
do BNDES, Programa Inova, Tecnova entre outros.
5
Exemplo: Fundos setoriais, Encomendas Verticais e Transversais da Finep, Editais da Capes e CNpQ, Recursos não reembolsáveis das
Fundações de Amparo Estaduais.
4
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Figura 2: Tríplice Hélice de Inovação. Fonte: Apresentação Fundepar/2013
FUNDEP Participações S/A: Transformando Conhecimento em Tecnologia
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Baseando-se em modelos bem sucedidos da Universidade de Oxford, e o Imperial College Business, ligado à
Universidade de Londres, a Fundep criou a Fundepar com o intuito investir em empresas nascentes que possam
transmitir para a sociedade o conhecimento produzido na Universidade.
A Fundepar foi criada para executar o Programa de Fundep de Investimentos em Empresas Emergentes Inovadoras, esse formato foi necessário para viabilizar o investimento de uma fundação de apoio à pesquisa em empresas que visam lucro. A instituição da Fundepar, por si, foi um grande desafio, já que os próprios órgãos envolvidos
no registro da empresa, como a Junta Comercial, não aceitaram imediatamente a abertura de uma empresa com o
objetivo social de ser uma holding, a partir de uma fundação de apoio à pesquisa. Neste caso foi necessário então
a comprovação de que os resultados positivos obtidos na atividade da empresa seriam ao final destinadas à UFMG,
gerando um ciclo de crescimento sustentável.
A modalidade do investimento adotada pela Fundepar é o seed money (capital semente)6, portanto esse investimento não será a fonte financiadora principal ou única das empresas. A atuação da Fundepar ocorrerá através da
compra de participações acionárias (“equity”) minoritárias em projetos ou empresas que surjam de dentro da universidade, com participações de professores ou alunos da instituição e com o perfil inovador.
O modelo de investimento adotado pela Fundepar é inédito no Brasil, contudo pode ser facilmente aplicado a
outras Instituições de Ensino Superior ou Institutos de Ciência e Tecnologia, ampliando a conexão entre as tecnologias desenvolvidas a partir de pesquisas e a geração e disponibilização de novos produtos no mercado.
O investimento da Fundepar em Statups possui alguns diferenciais que contribuem para o sucesso da medida.
O primeiro diferencial diz respeito ao relacionamento com o pesquisador, principal ativo intangível das empresas a
serem investidas. A Fundep, ao longo dos seus 38 anos de experiência, estreitou o elo com os pesquisadores. Essa
ligação de longo prazo resulta na confiança entre os dois entes, contribuindo significativamente para o favorecimento
da gestão compartilhada das empresas a serem constituídas.
O segundo grande diferencial está na sua própria missão, que consiste em “incentivar a transferência de conhecimento para além do campus da UFMG”7. Isto posto, a Fundepar possui uma pressão menor que a do mercado para
o prazo de maturação de suas empresas investidas, portanto o capital investido Fundepar é um capital paciente.
O foco são as empresas emergentes, que necessitam de certo tempo de amadurecimento, consolidação e crescimento. O desinvestimento se dará com um prazo maior daquele comumente praticado no mercado, propiciando à
investida uma melhor chance de sobrevivência e crescimento. Ao se tornar sócia dos projetos, a Fundepar atuará
ativamente na gestão das empresas, compartilhando decisões com os demais sócios do negócio e trazendo para
dentro da empresa investida a experiência na gestão financeira e administrativa.
Inicialmente, o programa contou apenas com recursos próprios da Fundep, no entanto obteve recentemente
a sinalização de que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), aportará outros 6
milhões. Já existem tratativas para que outros parceiros institucionais integrem o programa, que tem por objetivo
levantar 50 milhôes de reais em três anos.
A captação inicial ocorreu pela emissão de debêntures pela Fundep Participações S.A. e adquiridas pela Fundep. A origem deste recurso foi o Fundo Fundep de Apoio ao Desenvolvimento Institucional (FFADI), e para que fosse
possível essa utilização, a Fundep obteve autorização da Curadoria das Fundações do Ministério Público de Minas
Gerais para destinação do recurso.
O processo de seleção das empresas é demonstrado pela Figura 3 e o período de para submissão de propostas é contínuo.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Figura 3: Fluxograma do Processo de Seleção. Fonte: Apresentação Fundepar/2013
Na seleção das propostas apresentadas, a Fundepar analisa os seguintes critérios para o investimento, a saber:
6
Seed Money é o recurso injetado em uma empresa na sua fase inicial. Normalmente o investidor desse tipo de capital são os “Angel
Investors” ou incubadoras.
7
Fonte: apresentação Fundepar/2013
FUNDEP Participações S/A: Transformando Conhecimento em Tecnologia
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Figura 4: Critérios de Investimento. Fonte: Apresentação Fundepar/2013
FUNDEP Participações S/A: Transformando Conhecimento em Tecnologia
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
Desde sua criação, a Fundepar já viabilizou a análise de 46 novos negócios de diversas áreas de atuação (biotecnologia, tecnologia da informação, engenharia, educação, entre outros). Essa ação contribui para a abertura de
novas oportunidades e entrada das tecnologias desenvolvidas na UFMG no mercado, estimulando o ambiente empreendedor da Universidade Federal de Minas Gerais. Dessa análise, duas empresas foram aprovadas pelos Comitês de Tecnologia e Investimento e foi dado início ao processo de negociação para verificar se haverá investimento/
aporte da Fundepar e, consequentemente, início de operação dessas empresas. As demais empresas analisadas
continuarão mantendo a relação com a Fundepar, com objetivo de amadurecer seu modelo de negócio e sendo possíveis candidatas a receber o aporte.
O modelo desenvolvido pela Fundep para a criação da Fundepar superou algumas barreiras jurídicas, que envolveram desde a aprovação do programa junto ao Ministério Público até a definição do formato de apoio à gestão
das empresas formalizado pelo Acordo de Acionistas e forma de participação envolvendo condições diferenciadas
para emissão de debêntures, quando necessário.
O Acordo de Acionistas, por exemplo, espelha toda a relação estabelecida entre a Fundepar e o pesquisador,
prevendo de forma diferenciada o direito de tag along, drag along, forma de administração, composição da diretoria,
maior alinhamento na gestão de propriedade intelectual e caracterização de não concorrência.
A Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa - Fundep, ao criar a Fundepar, visa contribuir para a otimização do
processo de inovação no Estado de Minas Gerais, e futuramente, no Brasil. O fortalecimento das empresas de base
tecnológicas em conjunto com a expansão da geração do conhecimento tecnológico nas Universidades irá contribuir
para a inovação e, consequentemente, o desenvolvimento e crescimento do país. Inovar é pensar em conjunto e para
fora, criar mercado, criar demanda, gerar emprego e desenvolver. Para isso o binômio Ciência e Tecnologia no Brasil
deve ser próximo com o intuito de gerar produtos tecnológicos com alto valor agregado, trazendo benefícios tanto
para a sociedade como para a economia brasileira.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Gestão da Qualidade para Inovação: Indicadores de Produtividade para a competitividade no Processo de Incubação
Clarim, Haroldo de Jesus, Coordenador de Gestão Tecnológica, Instituto Nacional de Tecnologia, Rio de Janeiro
[email protected]
Simões, Maria Gabriela Pinto de Almeida, Chefe da Divisão de Gestão da Qualidade, Instituto Nacional de Tecnologia,
Rio de Janeiro
[email protected]
Gaio, Arnaldo Pinheiro Costa, Tecnologista, Instituto Nacional de Tecnologia, Rio de Janeiro
[email protected]
Palavras-chaves:gestão da qualidade, produtividade, incubadora de empresas, competitividade, inovação.
Resumo
Desde a década de 1980, as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) fazem parte do movimento de incubação,
que cresce no Brasil desde então, apoiando o processo de inovação. As incubadoras têm como missão fundamental
apoiar novos empreendedores, o que muitas vezes significa transformar uma ideia em uma inovação. A incubação de
uma ideia que venha gerar uma inovação tem, na incubadora, um terreno fértil, pois como outputs desse processo
tem-se uma empresa graduada pronta para competir no mercado de forma independente e com empreendedores
qualificados. Este trabalho, partindo de um estudo exploratório, tem como objetivo principal determinar de que forma
o modelo de gestão proposto pela ISO 9001:2008, modelo este reconhecido e utilizado mundialmente, apoiado no
uso de indicadores de produtividade pode melhorar a eficácia e eficiência praticadas na gestão das incubadoras.
Pretende-se ainda propor a utilização de medidas de produtividade como critérios de comparação ou identificação de
boas práticas de incubação, promovendo desta forma a melhoria do sistema nacional de inovação. Como resultados,
o trabalho pretende mostrar que a adoção do modelo de gestão da qualidade ISO 9001:2008 capacita a equipe da
incubadora da ICT, tornando-a competente para assessorar as empresas incubadas em relação à gestão e pode ser
aplicada visando à satisfação de seus clientes através do princípio da abordagem factual explícito nos requisitos de
monitoramento e medição de processos, de produto e de análise de dados. Por fim, o trabalho revela ainda como o
Programa de Excelência na Gestão da ABIPTI pode ser utilizado como uma forma de melhorar a gestão das Incubadoras das ICT’s, de modo a aumentar a competitividade das empresas incubadas e de integração ao Programa Nacional
de Apoio às Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos (PNI).
1. INTRODUÇÃO
Pequenas e médias empresas possuem um papel relevante na economia, pois geram emprego, renda e arrecadação de impostos na prestação de seus serviços ou venda de seus produtos. Conforme apontado pelo SEBRAE
(2006) apud COSTA et all (2010), essas empresas empregam mais da metade da população economicamente ativa
e são geradoras de quase 38% da riqueza do país.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A mortalidade prematura de empresas é o alvo de vários estudos que procuram entendê-la, e, entre seus objetivos, está o de buscar caminhos para reduzi-la de forma a estender os benefícios que essas empresas trazem à
sociedade. As incubadoras foram adotadas no Brasil como instrumento para estimular o empreendedorismo e reduzir a mortalidade das empresas. O processo de incubação como instrumento redutor da taxa de mortalidade das
empresas é apresentado no Manual de Incubadoras do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI.
“Estatísticas de incubadoras americanas e europeias indicam que a taxa de mortalidade entre empresas que passam pelo processo de incubação é reduzida a 20%, contra 70% detectado entre empresas
nascidas fora do ambiente de incubadora. No Brasil, estimativas já apontam que a taxa de mortalidade
das micro e pequenas empresas que passam pelas incubadoras também fica reduzida a níveis comparáveis aos europeus e americanos. Para as nascidas fora do ambiente de incubadora, o SEBRAE aponta
uma taxa de mortalidade de 80% antes de completarem o primeiro ano de funcionamento. (MCTI, 2000)”.
Neste contexto, o uso de medidas de produtividade como elementos do sistema de gestão da qualidade das
incubadoras, com base na norma ISO 9001, pode auxiliar no aumento da competitividade das empresas incubadas,
reduzindo assim sua mortalidade. Devido à disponibilidade de recursos, um grau pequeno de ineficiência nas grandes
empresas algumas vezes não afeta seu desenvolvimento, contudo, o mesmo não ocorre nas pequenas empresas, onde
uma gestão pouco eficiente pode conduzir rapidamente ao insucesso. Uma vez que as pequenas e micro empresas
constituem de forma geral a tipologia de empresas incubadas, neste caso o importante é garantir uma gestão eficiente
dos recursos disponíveis. Segundo Santos (2013), os custos decorrentes da falta de eficiência podem comprometer a
sobrevivência e o crescimento das empresas incubadas independentemente da sua área de negócios.
As incubadoras, enquanto instrumentos de política de estado, cumprem sua missão captando recursos voltados para sua gestão e apoio aos empreendimentos incubados, bem como para a promoção do empreendedorismo e
da cultura da inovação. O Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos (PNI) foi
criado pelo MCTI em 2000, baseado na premissa de que o processo de incubação é um dos mais eficazes mecanismos de formação de empresas sólidas.
Observa-se, ao longo do movimento de instalação e promoção das incubadoras como instrumentos da política
nacional de pesquisa científica, tecnológica e inovação do MCTI, uma preocupação dos gestores das incubadoras
com a melhoria de seu sistema de gestão. Pode-se observar esta preocupação em várias organizações que apoiam
ou integram as incubadoras em rede regional ou nacional. A ANPROTEC (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), em relação a empreendimentos inovadores em âmbito nacional, e as redes
de Incubadoras como A REINC, no Rio de Janeiro, a RMI, em Minas Gerais, a RPITec, em São Paulo, a REGINP no Rio
Grande do Sul, a RINEPE, em Pernambuco, a RAMI, no Amazonas, entre outras redes em todas as regiões do Brasil
demonstram a preocupação com a melhoria da gestão das incubadoras como forma de alavancar os resultados.
Como exemplo de ação na linha de melhoria de gestão das incubadoras a ANPROTEC lançou, com abrangência
nacional em 2011, o CERNE (Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos Empreendedores) como
uma de suas ações para melhoria da gestão. Neste mesmo sentido existem outras iniciativas de Incubadoras com
sistema de gestão da qualidade implantado, como é o caso da Incubadora do INATEL (Instituto Nacional de Telecomunicações), também como esforço de uma incubadora, em particular, para melhoria da sua gestão.
Some-se ainda, conforme identificado por Santos (2013), referindo a empresas de base tecnológica (EBT),
existir uma lacuna na literatura no que diz respeito à avaliação da eficiência e evolução da produtividade das empresas em contexto de incubação.
Sendo assim, o tema torna-se relevante porque traz a preocupação não somente com a eficácia da gestão, mas
também com sua eficiência. E tanto a eficácia quanto a eficiência na gestão de incubadoras podem ser atingidas com
a adoção pela incubadora do modelo de gestão da qualidade da ISO 9001:2008 e, ainda de forma complementar,
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
ser estimulado pela adoção do modelo de Excelência em Gestão da ABIPTI, programa que visa à melhoria contínua
da gestão, utilizando-se os critérios de excelência estabelecidos pelo Prêmio Nacional da Qualidade - PNQ. Pretende-se, desta forma, dar uma resposta ao problema da competitividade de Incubadoras e abordar características
específicas daquelas pertencentes às ICTs, podendo ser estendidas às demais.
O que indicadores de produtividade podem fazer pela gestão da qualidade de Incubadoras e para aumentar a
competitividade das empresas Incubadas? Para responder a esses questionamentos este trabalho adota a pesquisa
exploratória, definida por Gil (2002) como aquela que “têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o
problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses”. O trabalho está alicerçado em uma pesquisa
bibliográfica, objetivando determinar de que forma o modelo de gestão proposto pela ISO 9001:2008, apoiado pelo
uso de indicadores de produtividade, pode melhorar a eficácia e eficiência praticadas na gestão das incubadoras.
Por fim, pretende-se ainda propor a utilização de medidas de produtividade como critérios de comparação ou identificação de boas práticas de incubação, promovendo-se, assim, a melhoria do sistema nacional de inovação.
A avaliação de desempenho e a análise comparativa das melhores práticas (benchmarking) ajudam as Empresas de Base Tecnológica - EBT e demais empresas incubadas a tornarem-se mais produtivas e eficientes, evitando a
sua morte prematura, Santos (2013). Neste sentido, a adoção de indicadores de produtividade pode criar padrões
de comparação em relação aos resultados dos processos das incubadoras e dados para os policy makers, gerentes
das incubadoras, associações como a ANPROTEC e demais partes interessadas buscarem: as melhores práticas de
incubação.
2 REVISÃO TEÓRICA
2.1 Incubadoras
Definido no Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos – PNI (MCTI,
2000), Incubadoras de empresas são “mecanismos de estímulo e apoio logístico, gerencial e tecnológico ao empreendedorismo inovador e intensivo em conhecimento, com o objetivo de facilitar a implantação de novas empresas
que tenham como principal estratégia de negócios a inovação tecnológica”. Segundo a ANPROTEC (2014), as incubadoras de empresas têm por objetivo oferecer suporte aos empreendedores para que eles possam desenvolver ideias
inovadoras e transformá-las em empreendimentos de sucesso.
Conforme a mesma ANPROTEC (2014), existem diversos tipos de incubadoras: as de base tecnológica; as tradicionais; as mistas e as sociais. Conforme o Manual de Incubadoras desenvolvido pelo MCTI, uma Incubadora de Base
tecnológica “é o local que abriga empresas cujos produtos, processos ou serviços são gerados a partir de resultados
de pesquisas aplicadas, nos quais a tecnologia representa alto valor agregado”. Incubadora de Empresas de Setores
Tradicionais, ainda segundo o Manual do MCTI, é aquela “que abriga empresas ligadas aos setores tradicionais da
economia, as quais detém tecnologia largamente difundida e queiram agregar valor aos seus produtos, processos ou
serviços por meio de um incremento em seu nível tecnológico”. E por fim, conforme definido no Manual do MCTI, as
Incubadoras Mistas são aquelas que abrigam empresas de base tecnológica ou de setores tradicionais.
No Brasil, conforme Manual de Implantação de Incubadoras MCT (2000), a primeira incubadora foi instalada
em 1985, na cidade de São Carlos, seguida pela instalação de incubadoras em Florianópolis, Curitiba, Campina
Grande e Distrito Federal. Ainda no mesmo documento do MCTI (2000), em 1987, foi criada a Associação Nacional
de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (ANPROTEC), que iniciou a articulação
do movimento de criação de incubadoras de empresas no Brasil, afiliando incubadoras de empresas ou suas instituições gestoras. Pode-se afirmar que a instituição logrou êxito na promoção das incubadoras, pois houve um salto
conforme os números apresentados por Costa, França e Teixeira (2010) de 02 incubadoras em 1984 para, conforme
dados de pesquisa realizada pela ANPROTEC (2012), 384 incubadoras em 2011.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Como já apresentado, há um histórico de trabalhos e ações implantadas nas incubadoras com a finalidade de
melhorar sua gestão, de apoiar os empreendedores e suas empresas, gerando melhores resultados no processo
de incubação. A REINC (2014), por exemplo, explicita esta preocupação em sua página na internet, onde é possível
encontrar uma série de estudos e trabalhos voltados para gestão das incubadoras como: Manual do Sistema de
Gestão por Indicadores; Indicadores do SEBRAE-RJ, entre outros com o objetivo de fomentar a melhoria da gestão
das incubadoras.
Além do Manual de Implantação MCT (2000), o MCTI desenvolveu o Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos (PNI). Destaca-se nessa ação a preocupação não só com o aumento do
número de incubadoras, mas também com a otimização de recursos. Caminhando na mesma direção, os indicadores de produtividade como parte do sistema de gestão da qualidade conforme ISO 9001:2008 podem ser um dos
meios utilizados, quando pertinente, para proceder esta otimização, conforme definido no portal do MCTI (2014):
“O Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos – PNI - visa a
congregar, articular, aprimorar e divulgar os esforços institucionais e financeiros de suporte a empreendimentos residentes nas incubadoras de empresas e parques tecnológicos, a fim de ampliar e otimizar a
maior parte dos recursos que deverão ser canalizados para apoiar a geração e consolidação de um crescente número de micro e pequenas empresas inovadoras.”
O Relatório Técnico desenvolvido em conjunto pela ANPROTEC E MCT,I ANPROTEC (2012), com dados de 2011,
aponta que “o movimento das incubadoras de empresas no Brasil encontra-se entre os maiores do mundo e que
o crescimento da quantidade de incubadoras vem sendo fomentado por diversos programas de incentivo ao empreendedorismo e à inovação, como a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) e o Plano de Ação de Ciência,
Tecnologia e Inovação (PACTI) (2007- 2010)”.
Esse crescimento do número de incubadoras leva a questão do acompanhamento de seu desempenho. Conforme ANPROTEC (2012), foi implantado o Sistema de Acompanhamento de Parques Tecnológicos e Incubadoras
de Empresas (SAPI), envolvendo a ANPROTEC e diversos parceiros como a, o Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação (MCTI), a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq) e demais parceiros do Programa Nacional de Apoio a Incubadoras de Empresas e Parques
Tecnológicos (PNI).
2.2 Produtividade, Eficiência e Eficácia
Os conceitos de produtividade e eficiência são tão úteis no gerenciamento de processos quanto o conceito
de eficácia. Esse gerenciamento é factual quando se utiliza de medição de desempenho dos processos. Conforme
definido por Corrêa & Corrêa (2004), medição de desempenho é o “processo de quantificação da eficiência e da
eficácia das ações tomadas” na gestão desses processos, que podem ser operacionais ou não. Medidas selecionadas adequadamente fornecem a base necessária para a atuação em um processo, uma vez que apoiam análises
com base em dados. “Elas são essenciais para qualquer esforço direcionado à melhoria da qualidade. Não se pode
controlar aquilo que não se pode medir” (Ward (1996) apud Araujo (1997))
Santos (1966) apud SOUZA (2013) entendem produtividade como uma medida da economia dos meios, que
mostra a relação entre volumes de produção e insumos, buscando formas de obter maiores volumes de produção
com as mesmas quantidades ou com quantidades menores de insumos, ou ainda, de gerar a mesma quantidade
de produto observada em um período anterior, porém com redução dos insumos. A produtividade pode aumentar
também quando a taxa de variação do volume de produção for superior a taxa de variação dos insumos.
Ritzman & Krajewski (2004) mostram como calcular a produtividade através da fórmula “valor dos resultados
(produtos e serviços) dividido pelo valor dos insumos (salários, custo do equipamento e assim por diante) utilizados”.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Ou seja, a produtividade é uma medida de desempenho, uma métrica utilizada para quantificar a eficiência e a eficácia de ações (Corrêa & Corrêa, 2004).
de importância); 2) simplicidade (relativo a clareza); 3) abrangência; 4) rastreabilidade (relativo a acessibilidade), 5)
comparabilidade; 6) estabilidade (relativo a rapidez de disponibilidade) e 7) baixo custo de obtenção.
A produtividade pode e deve ser aplicada em vários níveis de decisão ou de agregação. Pode ser utilizada como
uma das medidas de desempenho de análise crítica da direção ou em qualquer outro processo de uma organização.
Pode ainda refletir a situação de um país ou de um setor dentro de uma organização. Por exemplo, o PIB nacional
per capita, o número de veículos produzidos por homem-mês e os quilos de tecidos produzidos por máquina-dia são
medidas de produtividade (Corrêa & Corrêa, 2004).
A seletividade refere-se a uma característica chave do produto ou processo e em específico em relação à produtividade ganha relevância quando da seleção das entradas referentes às quais a produtividade será medida. A simplicidade refere-se à facilidade de entendimento, principalmente por quem os utiliza - o que é uma questão fundamental
para seu efetivo uso. A abrangência refere-se a sua representatividade em termos estatísticos, em relação ao produto
ou ao processo. A rastreabilidade refere-se à facilidade de se obter dados e verificar os cálculos para gerar o indicador.
A comparabilidade é uma característica importante para entender a situação dos seus processos e produtos em relação
a concorrentes, referenciais de excelências ou melhores práticas. A estabilidade refere-se à padronização, à rotina para
obtenção dos resultados, o que permite fazer previsão quando o processo está sob controle. E, por fim, o baixo custo
de obtenção é uma característica fundamental, pois não pode ser proibitiva sua obtenção. Portanto, o desenho de indicadores de produtividade deve ser focado em sua real utilidade para a gestão de incubadoras.
Cabe ainda explicitar que em todos os processos de melhoria podemos utilizar o conceito do ciclo PDCA, também utilizado como referência para a norma ISO 9001:2008 e para o processo de melhoria contínua proposto pelo
MEG, FNQ (2013).
Garcia et all (2007) propõem um programa de melhoria da produtividade, dentro de um Ciclo de Produtividade,
com identidade com o próprio Ciclo PDCA. Este ciclo consiste em um método para a melhoria contínua da produtividade na organização por meio de quatro etapas bem definidas, conforme apresentado na Figura 1.
2.3 Utilização da Gestão de Incubadoras com base na ISO 9001:2008
As incubadoras oferecem aos empreendedores serviços de apoio, visando torná-las empresas graduadas, competitivas, capazes de sobreviver no mercado, que gerem emprego, renda, inovação, entre outros benefícios à sociedade e à economia. Neste cenário, a implementação de um sistema de gestão ISO 9001:2008 mostra-se pertinente.
No macroprocesso de uma incubadora, a principal entrada são os empreendedores ou empresas a serem incubadas e as principais saídas são empreendedores qualificados e empresas graduadas, competitivas o bastante para
sobreviverem no mercado. Nesse processo, as empresas incubadas ou seus empreendedores são os clientes e o produto é o resultado do processo de incubação, que envolve não apenas a graduação de empresas, mas a qualificação de
empreendedores, visando à difusão da cultura empreendedora, conforme estabelecido pelo MCTI no PNI (2014, site).
A ISO 9001:2008 traz a “abordagem de processo para o desenvolvimento, implementação e melhoria da eficácia de um sistema de gestão da qualidade para aumentar a satisfação do cliente pelo atendimento aos seus
requisitos” (ABNT, 2008). O resultado do processo de incubação é o produto das incubadoras e pode ser: empreendedores qualificados; empresas graduadas ou até mesmo empresas descontinuadas antes de graduar.
Os empreendedores e suas empresas possuem necessidades declaradas e não declaradas que precisam
ser atendidas para se obter sucesso nos processos de incubação. O sistema de gestão com base na norma ISO
9001:2008 fornece o arcabouço ideal para elaborar processos com o fim de atender às necessidades dos clientes,
visando sempre o aumento de sua satisfação, o que, no caso das empresas incubadas, significa elaborar processos
com o fim de atender às necessidades dos empreendedores e empresas incubadas.
Figura 1 – Ciclo de produtividade
Fonte: Sumanth apud Garcia et al (2007)
Um programa de melhoria da produtividade pode ser implantado pelas incubadoras como parte da medição de
competitividade tantos das empresas incubadas quanto das incubadoras. No manual de Incubadoras (MCT, 2000),
temos como sugestão da própria ANPROTEC ao PNI a verificação da “eficiência na gestão dos recursos recebidos,
medida através: da produtividade; de processos que indiquem gestão da qualidade”.
Quando da proposição de indicadores, inclusive medidas de produtividade, deve-se atentar para alguns critérios de forma a se obter dados que vão suportar as decisões em direção à melhoria dos processos. Takashina e
Flores (1996) apresentam sete critérios úteis para definição de indicadores de produtividade: 1) seletividade (grau
Gestão da Qualidade para Inovação: Indicadores de Produtividade para a competitividade no Processo de Incubação
122
Segundo a ABNT (2008), o desempenho dos processos pode ser medido e monitorado conforme item 8.2.3
da ISO 9001:2008. Todos os processos desenhados são parte da cadeia que gera empresas graduadas e empreendedores qualificados ou são processos de apoio à realização de sua missão. Quando aplicável, poderiam ser
desenhadas medidas de produtividade para processos tanto de apoio quanto dentro da cadeia de fornecimento.
Esses indicadores poderiam ser utilizados tanto pelo governo, na avaliação ou desenho de ações e programas de
apoio ao processo de incubação, quanto por demais partes interessadas e pelas próprias incubadoras na melhoria
de seu sistema de gestão.
Medidas de produtividade aplicadas aos processos de incubação podem levar à melhoria do sistema de gestão
em relação a sua eficácia e eficiência, podem melhorar a gestão de recursos, disponibilizando mais recursos para
processos com maior necessidade, podem fazer alterações nos processos ou até mesmo uma reengenharia dos
mesmos, visando atender melhor aos requisitos dos clientes com o intuito de aumentar sua satisfação.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Conforme preconizado na ISO 9000:2005, o sistema de gestão da qualidade baseado na norma ISO 9001:2008
e os modelos de excelência são baseados em princípios comuns, ABNT (2005). Ambos estimulam a melhoria contínua,
permitem a identificação de oportunidades de melhoria, permitem a avaliação da organização com base em um
referencial e possibilitam o reconhecimento externo. O modelo de excelência adotado pela ABIPTI possibilita avaliar
as práticas utilizadas no sistema de gestão em relação aos critérios de excelência estabelecidos internacionalmente.
reconhecido e que é adotado pelas empresas. Esse aprendizado permite um apoio às empresas incubadas na área
de gestão e o consequente aprendizado de suas equipes dentro de uma linguagem e de referenciais utilizados pelo
mercado. Por fim, isso qualifica o apoio de gestão, fortalecendo a gestão das empresas incubadas e tornando-as
mais aptas a atenderem grandes clientes com poder de compra, que normalmente possuem mais exigências, como
a de que seus fornecedores tenham um sistema de gestão da qualidade conforme ISO 9001:2008.
Deste modo, as incubadoras ligadas as ICT´s podem implementar o sistema de gestão ISO 9001:2008 e utilizar a participação no Programa de Excelência na Gestão da ABIPTI como forma de avaliar seu sistema de gestão e
alavancar a melhoria do mesmo
4. CONCLUSÃO
Os indicadores de produtividade podem integrar o sistema de gestão e atender a ambos referenciais. Os mesmos podem ser utilizados nas análises críticas do sistema de gestão e no monitoramento de processos, dando uma
abordagem factual às ações de melhoria definidas nas análises críticas.
3. ALAVANCANDO A PRODUTIVIDADE PARA A OBTENÇÃO DA COMPETITIVIDADE
A competitividade surge também como um tema importante quando aplicado a incubadoras, pois permite observar duas vertentes, a saber: a competitividade das empresas incubadas e a garantia do sucesso das incubadoras
no processo de incubação, isto quando comparadas a referenciais nacionais e internacionais, utilizando medidas de
produtividade. Deve ser destacado que o sucesso obtido por meio do uso de comparações através de indicadores de
produtividade está inserido no gerenciamento de processos.
Atender ao empreendedor ou à empresa incubada através da gestão dos seus processos justificaria a
implementação de um sistema de gestão da qualidade ISO 9001:2008 em uma incubadora. Conhecer os processos, a interação entre eles, suas entradas e saídas e utilizar medidas de produtividade podem ser úteis para
garantir que os resultados dos processos de incubação satisfaçam às necessidades dos empreendedores e de
suas empresas incubadas de forma otimizada. Produtividade e otimização estão ligados, porque melhorar a
relação entre inputs e outputs é melhorar a eficiência dos processos de incubação. E o uso desses indicadores
pode permitir um melhor planejamento da incubadora em relação à aplicação de recursos nos processos,
priorizando aqueles com desempenho insatisfatório, permitindo através dos ganhos com o aumento da produtividade dos processos existentes, implantar novos processos para melhorar os resultados do processo de
incubação e a utilização de recursos para inovação.
Por fim, a adoção do modelo de gestão da qualidade conforme modelo ISO 9001:2008 pode ser uma alternativa, por ser um modelo certificável e reconhecido mundialmente.
No caso particular das ICTs, podemos ainda apresentar como estes dois focos podem ser mais facilmente atendidos quando, de forma complementar, existir a busca da Excelência conforme Critérios do Programa de Excelência
na Gestão da ABIPTI. Pois as ICT´s utilizariam referenciais reconhecidos que permitiriam a comparação com as incubadoras de outras ICTS, de outras instituições e de outros países.
Conforme Takashina & Flores (1996), benchmarking é “a atividade de comparar um processo com os líderes
reconhecidos, inclusive de outros ramos, para identificar as oportunidades de melhoria da qualidade”. A FNQ define
referencial comparativo pertinente como “informação quantitativa, considerada como uma referência apropriada
para permitir avaliar o nível de competitividade de um resultado alcançado, no mercado ou no setor de atuação,
considerando as estratégias da organização”.
Em ambos os casos poderiam ser identificados os processos com maior produtividade de cada incubadora.
Esses resultados poderiam ser analisados para identificar quais práticas levaram a esses resultados e as mesmas
serem disponibilizadas como boa prática de gestão, para que outras incubadoras avaliem a pertinência de tais práticas e as adotem em busca da excelência na gestão. No caso das Incubadoras das ICTs isso pode ser realizado dentro
do Programa de Excelência em Gestão da ABIPTI.
A busca pela excelência da gestão através do referencial ISO 9001:2008 e o uso de medidas de produtividade
podem aumentar a competitividade das Incubadoras de nossas ICTs e de outras instituições quando comparadas a
resultados de outros países. Os resultados podem ser utilizados também para desenho de outras ações direcionadas
às necessidades identificadas e ao aperfeiçoamento das políticas e programas governamentais.
Em relação às incubadoras deve-se destacar que ter um sistema certificado avaliado periodicamente por uma
terceira parte também traz benefícios à incubadora e, principalmente, às empresas incubadas. O fato de o sistema
ser certificado mostra que os requisitos de gestão da qualidade da norma ISO 9001 estão devidamente implantados ou mantidos. Isso significa que temos um sistema, conforme ABNT (2008), capaz de “atender aos requisitos do
cliente, os estatutários e os regulamentares, aplicáveis ao produto e aos seus requisitos”. Todo esse processo gera
um aprendizado que capacita a equipe da incubadora em relação à gestão, em relação a um modelo mundialmente
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Arquivo consultado em 17 de Janeiro de 2014.
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medir resultados. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 1996.
Gestão da Qualidade para Inovação: Indicadores de Produtividade para a competitividade no Processo de Incubação
126
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Gestão de Ecossistemas de Aplicativos e a Competitividade do Mercado: Estudo de Caso Brasileiro
Fontão, Awdren1; Padilla, Rafael1; Feijó, Jackson1; Bessa, Thiago1; Bezerra, Allan2; Luz, Marlon1; Beu, Francisco2
1
Evangelista de Desenvolvedores. Instituto Nokia de Tecnologia – INdT.
{awdren.fontao, rafael.padilla, jackson.feijo, thiago.bessa, marlon.luz}@indt.org.br
Gerente de Projeto. Instituto Nokia de Tecnologia – INdT.
{allan.bezerra, francisco.beu}@indt.org.br
2
Palavras-chave: Ecossistemas, software, competitividade, conhecimento, metodologia, aplicativos móveis.
Resumo
Com o cenário evolutivo no mercado de aplicações móveis, as empresas têm buscado formas de atrair e engajar
colaboradores externos com o objetivo de expandir a sua atuação e, com isso, responder a demanda em crescimento
por produção de aplicações móveis inovadoras e que permitam a empresa estar em condições para competir com
as concorrentes, além de melhorar a visão dos colaboradores externos sobre a sua atuação. Este artigo apresenta
então uma experiência na gestão de ecossistemas de software voltado para aplicativos, que engloba a apresentação
de uma metodologia para capacitação, engajamento e acompanhamento de desenvolvedores, dentro do ecossistema da Nokia. Com a aplicação da metodologia a Nokia conseguiu avançar de 3,89% de engajamento de desenvolvedores para 58%.
INTRODUÇÃO
A existência de diferentes cenários de desenvolvimento de software nos últimos anos, com destaque para o de
aplicativos (Apps), vem impactando a indústria de software. Soluções de software passam a ser construídas levando
em consideração as diferentes infraestruturas, impactando o processo de desenvolvimento tradicional.
Do ponto de vista econômico e social, este fato permite que as empresas explorem o envolvimento de desenvolvedores externos, alterando inclusive os seus processos de desenvolvimento. Este cenário vem sendo explorado
na forma de Ecossistemas de Software (ECOS). Segundo Bosch (Bosch, 2009), ECOS consistem de uma plataforma
de software, um conjunto de desenvolvedores internos e externos e uma comunidade de especialistas em serviço
à comunidade de usuários que constroem solução de elementos relevantes para satisfazer às necessidades deles.
No cenário de aplicativos móveis, Bentley (Bentley, 2014) define um ECOS voltado para aplicativos, como ECOS
App, onde a loja de aplicativos é um ambiente utilizado para publicar, armazenar e acessar aplicativos. O ECOS App
consiste em um sistema de evolução cooperativa de aplicativos, desenvolvedores e usuários, que formam complexos
relacionamentos preenchendo nichos, competindo e cooperando, de uma forma similar a ecossistemas biológicos
(Lin & Ye, 2009).
Em um ECOS App, empresas precisam agregar valor a seus produtos que, neste caso, são os dispositivos
móveis, por meio dos aplicativos disponibilizados em suas lojas. No entanto, dificilmente estas empresas conseguem
atender toda a demanda da sociedade somente com a sua estrutura interna (Bosch, 2009). Neste contexto, as coGestão de Ecossistemas de Aplicativos e a Competitividade do Mercado: Estudo de Caso Brasileiro
127
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
munidades de desenvolvedores atuam diretamente na solução para esta limitação (Cusumano, 2010).
O projeto trabalhou modelos de gestão para a constituição e fortalecimento de um novo Ecossistema de Software para a plataforma Nokia/Microsoft Windows Phone.
O Framework proposto foi aplicado no mercado brasileiro com forte envolvimento da academia fortalecendo a
relação empresa-universidade e tem inspiração em um processo de desenvolvimento rápido de apps com foco na
experiência do usuário apresentado por Fontão em (Fontão, Bonifácio, & Nicolay, 2012). O modelo proposto foi
dividido em estágios e os resultados mostram uma grande contribuição em termos quantitativos e qualitativos na
oferta de Apps e consequente valor agregado ao produto. Os indicadores utilizados mostram impacto direto dos resultados desse trabalho na competitividade da empresa no mercado brasileiro.
Objetivos
Levando em consideração o cenário apresentado na seção anterior os seguintes objetivos foram definidos:
• Definir e implantar um modelo de gestão que tenha impacto direto no mercado brasileiro de aplicativos e
seus indicadores indicadores;
• Aumentar a oferta de Aplicativos (Apps) para as plataformas da Nokia através do fortalecimento de um Ecossistema de Software composto por desenvolvedores independentes, empresas e universidades brasileiras;
• Aumentar a quantidade de Aplicativos (Apps) de sucesso através da definição de um modelo de governança baseado
em capacitação, suporte técnico e coaching de desenvolvedores independentes, empresas e universidades brasileiras;
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Neste momento, foi percebido que essa abordagem não era sustentável, pois não permitia que o App ECOS da
Nokia se expandisse, pois não permitia o estabelecimento de um relacionamento entre Nokia e o desenvolvedor de
apps, o que acontecia era somente um treinamento, em sua grande maioria de menos de uma semana que tinha
como foco somente apps publicadas na loja de apps.
O cenário citado causava um impacto negativo na qualidade da loja de aplicativos. A partir disso, percebeu-se
uma necessidade de “educar” o desenvolvedor em um caminho de engajamento que pudesse levar a expansão
natural do App ECOS da Nokia.
Como uma forma de apoiar na resolução deste problema, a metodologia (representada graficamente na Fig. 1)
foi criada e aplicada a partir de 2013 a fim de oferecer um caminho que leve um desenvolvedor a alcançar sucesso
dentro de um App ECOS e que permita que este aprenda e potencialize suas habilidades de desenvolvimento de
aplicativos. Essa metodologia ainda tinha como objetivo permitir uma melhor interação e relacionamento entre os
envolvidos dentro do App ECOS da Nokia.
Para conseguir utilizar essa metodologia, um evangelista deve ter conhecimento de outras áreas, além de
desenvolvimento de aplicativos móveis, tais como qualidade de aplicativos, design de aplicativos, processos de
desenvolvimento de software, marketing digital e gerência de times distribuídos.
Inicialmente é importante definirmos claramente os indicadores que foram utilizados durante a execução desse projeto:
• Desenvolvedor participante: individuo ou empresa que participou de uma ação desse programa;
• Desenvolvedor ativo: uma pessoa ou empresa que efetivamente publicou pelo menos 1 aplicativo a cada 6
meses (semestre);
• Apoiar o engajamento de desenvolvedores, desenvolvimento de aplicativos, a qualidade de aplicativos e o
desenvolvimento de habilidades de um desenvolvedor para a criação de soluções inovadoras; Capacitar alunos através
da oferta de treinamentos gratuitos para as plataformas móveis da Nokia: Nokia Asha e Lumia (Windows Phone);
• Desenvolvedores de Sucesso (DS): desenvolvedor com mais de 38 mil downloads;
• Expandir o App ECOS da Nokia, atraindo novos e formando desenvolvedores especializados nas plataformas
móveis da Nokia e potenciais talentos para a empresa e parceiros.
• Aplicativos Publicados: número total de aplicativos publicados pelos desenvolvedores.
Metodologia
O Instituto Nokia de Tecnologia (INdT) é o parceiro tecnológico e científico da Nokia no Brasil, tem sua sede
situada na cidade de Manaus no estado do Amazonas, e tem trabalhado em ações para motivar e engajar desenvolvedores dentro do App ECOS da Nokia. Este instituto possui uma equipe formada em 2012 conhecida como evangelistas, que são pessoas com conhecimento técnico das plataformas Nokia e boas habilidades de comunicação e
relacionamento interpessoal, que participam em treinamentos, palestras e competições de desenvolvimento com o
objetivo de expandir o App ECOS da Nokia através da formação de novos desenvolvedores de apps, de novas apps e
da descoberta de novos talentos profissionais na área de desenvolvimento de software.
• Desenvolvedor Ouro: desenvolvedor com mais de 150mil downloads em um período de 1 ano no mercado brasileiro;
A metodologia aplicada visou oferecer um caminho que leve um desenvolvedor a alcançar sucesso dentro de
um App ECOS e que permita que este aprenda e potencialize suas habilidades de desenvolvimento de apps. O projeto
foi dividido em duas fases:
a.Fase 1 (2012): uma abordagem quantitativa – Essa fase iniciou com o oferecimento da plataforma como
uma nova opção aos desenvolvedores para a criação de Aplicativos. Esse estágio foi baseado em uma abordagem
em largura com foco na participação em eventos de desenvolvedores; estabelecimento de parceria com para atender
grandes públicos em uma abordagem 1 para muitos. Foco na quantidade de alunos treinados e na quantidade de
apps publicadas, sem parâmetros de qualidade;
Durante o ano de 2012 e até o início de 2013, o grupo de evangelistas do INdT não utilizava qualquer
abordagem de modo a contribuir para a maior produtividade e desempenho dentro da Nokia, assim com, para um
maior engajamento de pessoas e desenvolvimento de habilidades dos desenvolvedores em treinamentos voltados
para a plataforma Windows Phone no App ECOS da Nokia. Isso então implicava que as ações eram focadas somente
em um indicador quantitativo referente ao número de aplicativos publicados em um período (número de apps), sem
levar em consideração outros aspectos importantes, tais como as habilidades do desenvolvedor, as necessidades do
usuário e muito menos a qualidade dos aplicativos que seriam publicados na loja.
b.Fase 2 (2013): uma abordagem qualitativa com foco em retenção – Essa fase objetivou o estabelecimento
propriamente de um ecossistema introduzindo métricas de qualidade e retenção desses desenvolvedores. O foco
principal foi ensinar tecnologias do App ECOS Nokia por meio do processo de desenvolvimento de aplicativos, da concepção ao acompanhamento do aplicativo publicado bem como do desenvolvedor externo. Entender a motivação dos
envolvidos para integrar, estender e modificar o conhecimento em um ECOS, além da interação entre os envolvidos.
Parceria, imersão tecnológica, planejamento, construção e publicação de apps e o acompanhamento dos desenvolvedores. Essa abordagem deixou de lado o discurso para grandes públicos e buscou uma abordagem mais seletiva
dos desenvolvedores que iriam ser trabalhados para impactar indicadores de qualidade;
Gestão da Qualidade para Inovação: Indicadores de Produtividade para a competitividade no Processo de Incubação
Gestão de Ecossistemas de Aplicativos e a Competitividade do Mercado: Estudo de Caso Brasileiro
128
129
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Detalhando a Fase 2, do trabalho feito em 2013, podemos dividir a metodologia aplicada como: Parceria e Imersão,
Planejamento e Construção e, por fim, Acompanhamento. Nas próximas seções essas etapas são detalhadas.
Parceria e Imersão
Nesta fase, o evangelista está inserido dentro do ambiente do parceiro e o objetivo é promover treinamento com
os participantes selecionados de forma a promover um ambiente propício para troca de experiências. O evangelista
poderá ter uma visão mais aproximada dos participantes e do parceiro, assim como, uma percepção inicial do envolvimento destes participantes.
Faz parte desta fase, também, colher as informações sobre experiências passadas dos participantes no que diz
respeito a desenvolvimento de aplicativos e App ECOS em que atuam, para então chegar a uma “fotografia” da atuação e engajamento dos participantes nos ecossistemas conhecidos. Estas informações estão relacionadas a itens
como perfis de desenvolvedores e publicadores, aplicações publicadas, categoria das aplicações, nível de avaliação
deste participantes como publicador pelos membros dos App ECOS que participam e intensidade deste engajamento. Isto é realizado por meio de uma entrevista com os participantes que foram selecionados para o treinamento.
A partir disso, o evangelista apresenta as oportunidades dentro do App ECOS da Nokia, incluindo: plataformas,
serviços, suporte, promoções e programas de apoio. Tendo apresentado o ecossistema de uma forma macro, o evangelista proporciona um nivelamento dentro dos conceitos e práticas de aplicativos (oportunidades e codificação), experiência do usuário e guias de interface de aplicativos dentro do ECOS. Finalizando a parte de conceituação e apresentação, o evangelista leva os desenvolvedores à imersão com as ferramentas de desenvolvimento, abordando a
sua instalação, configuração, criação de projeto, estrutura de projeto, emuladores e ferramentas de suporte (Fig. 2).
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Planejamento & Construção
Nesta fase, os desenvolvedores são motivados a planejar, por meio de protótipos feitos em forma de desenhos
em papel, as telas do aplicativo a ser desenvolvido e o fluxo esperado de utilização do aplicativo (Fig. 3), já aplicando
o padrão de interface da plataforma do App ECOS. É importante salientar que os desenvolvedores são motivados a
questionar alguns aspectos:
1.Por que eu utilizaria meu aplicativo?
2.O que torna meu aplicativo atrativo para o usuário?
3.O que torna meu aplicativo atrativo em relação a aplicativos em outros ecossistemas?
Após a conclusão deste passo, os desenvolvedores deverão fazer uma análise crítica do próprio aplicativo.
Neste momento, irão identificar a viabilidade na implementação dos requisitos do aplicativo e analisar de forma
comparativa aplicativos similares em plataformas de outros App ECOS, valorizando, principalmente, os comentários
negativos de usuários. O desenvolvedor após esta fase adquire as seguintes habilidades: construir e analisar interfaces de aplicativos, organizar os caminhos pelos quais o usuário poderá navegar dentro de um aplicativo e analisar
o próprio projeto de aplicativo e os aplicativos com certa similaridade presentes em outros App ECOS.
Nesta fase, pode ser destacado o trabalho do evangelista para fazer com que o desenvolvedor tenha um relacionamento com os outros desenvolvedores e com o próprio evangelista, começando, assim, a desenvolver a habilidade de relação interpessoal. Também deve ser estimulada a auto-avaliação de envolvimento do desenvolvedor em
outros App ECOS. Podemos citar ainda o desenvolvimento da capacidade de analisar oportunidades a partir da
perspectiva do usuário do aplicativo dentro do App ECOS e a utilização de um ambiente de desenvolvimento:
instalação, configuração, criação de projetos, emulação e instalação do aplicativo em um celular.
Fig. 3. Planejamento: interface, fluxo e análise
Após o planejamento o objetivo passa a ser que o desenvolvedor entregue um aplicativo pronto (configurado
corretamente e desenvolvido) para ser disponibilizado aos membros do App ECOS. O desenvolvimento do aplicativo
(Fig. 4) é direcionado pelo evangelista levando-se em consideração os critérios de aceitação de cada App ECOS, que
são regras estabelecidas para a publicação nas lojas de aplicativos. O objetivo principal com isso é reduzir o risco do
aplicativo ser reprovado logo na primeira submissão, desmotivando, assim, o desenvolvedor iniciante a desenvolver
futuramente novos aplicativos. Além disso, o desenvolvedor é instruído em padrões de interface e usabilidade específicos da plataforma.
Nesta fase, o desenvolvedor adquire as seguintes habilidades: criação e padronização de projeto de aplicativos,
de forma que estes estejam prontos para serem publicados na loja de aplicativos do respectivo App ECOS.
Fig. 2. Parceria e Imersão: primeiro contato com desenvolvedores e ao lado ferramentas
Gestão da Qualidade para Inovação: Indicadores de Produtividade para a competitividade no Processo de Incubação
130
O objetivo desta fase é preparar material para publicação e submeter o aplicativo para a loja relacionada ao App
ECOS em questão. O material para publicação envolve: imagens das telas valorizando as características importantes
do aplicativo, nome do aplicativo, palavras-chave, descrição voltada para o usuário, notas de entrega do aplicativo
para controle do desenvolvedor e o pacote com o aplicativo.
Gestão de Ecossistemas de Aplicativos e a Competitividade do Mercado: Estudo de Caso Brasileiro
131
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Tendo o desenvolvedor preparado o material de publicação, o aplicativo poderá ser submetido para a loja. O
aplicativo fica então em um estado de submetido para as lojas que definem critérios de aceitação, tais como a Nokia
Store, Windows Phone Store e App Store. Por outro lado, existem lojas, como a Google Play, que não utilizam critérios
de aceitação na submissão, e neste caso o desenvolvedor espera somente algumas horas para o aplicativo estar
disponível, sem precisar de uma avaliação.
Nesta fase o desenvolvedor adquire as seguintes habilidades: preparação do aplicativo dentro de diretrizes para
publicação específicas de um App ECOS; conhecimento dos passos para submeter um aplicativo dentro de uma loja de
aplicativos. Nesta fase encerra-se o treinamento, mas não o contato do evangelista com o desenvolvedor e o parceiro.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Economia de Aplicativos, como metas quantitativas como foco; Fase 2 – Ecossistema Nokia/Microsoft como um
Ecossistema consolidado com Aplicativos de Qualidade e alta retenção de desenvolvedores através do conceito de
Desenvolvedor Ativo.
Na fase 1 foram realizados 102 eventos no Brasil envolvendo um total de 59 Universidades. Nessa fase foram
envolvidos 4446 desenvolvedores principalmente em eventos com grandes audiências em uma nítida estratégia
quantitativa. Desse total 3.89% dos participantes efetivamente produziram e publicaram aplicativos, um percentual
pequeno mais esperado para a fase em questão. Um total de 233 Aplicativos foram produzidos e nenhum deles alcançou o patamar estabelecido em número de downloads.
Na fase 2 a estratégia foi totalmente alterada para uma abordagem baseada em qualidade e na retenção desses
desenvolvedores. O número de eventos foi reduzido e um número menor de universidades permaneceu no programa.
Nessa fase 716 desenvolvedores foram envolvidos em 25 ações/capacitações de 15 universidades diferentes. Com
uma carga horária dedicada ao pós-treinamento as métricas de Aplicativos publicadas subiu significativamente de
233 para 586. Acompanhando essa tendência os números de casos de sucesso e ouro cresceu significativamente.
Quantitativo
Atribuímos o crescimento das métricas a aplicação da metodologia proposta baseada nas ações pós-treinamento (coaching) e relacionamento continuado com os desenvolvedores participantes do programa.
Fig. 4. Construção: configuração do projeto e codificação
Esta fase tem como objetivo acompanhar as publicações dos aplicativos submetidos e manter o vínculo com
os desenvolvedores e a instituição parceira. Os desenvolvedores informam os dados do aplicativo em uma planilha
online1 para que o controle seja feito pelo evangelista. Esta planilha contém informações sobre o nome do aplicativo,
e-mail de contato do desenvolvedor, status do aplicativo (i.e., Published, Certification Failed e Processing Certification), ação (o que o aplicativo faz e comentários do evangelista), o nome do desenvolvedor, link do aplicativo na loja
quando publicado e a aplicação de cores para identificar o status. Caso o aplicativo tenha sido reprovado, o campo
ação é preenchido pelo evangelista com o que deve ser feito.
Com o aplicativo aprovado e publicado, o desenvolvedor passa a acompanhar a vida do seu aplicativo na loja
usando um relatório com a quantidade de downloads (acumulados e média diária), análises de usuários (número de
estrelas e comentários) e distribuição de downloads (localidade e dispositivos). Nesta fase, espera-se que o desenvolvedor adquira as habilidades: acompanhamento de status e da tomada de decisões para a aprovação; análise de
relatórios para atender as necessidades dos usuários; ações que, dependendo do desempenho do aplicativo, façam
com que os downloads aumentem e que seja um aplicativo bem avaliado pelos usuários.
Resultados Alcançados
Diante dos objetivos desse projeto a implantação desse projeto foi dividida em 2 etapas conforme descrito
no item anterior com objetivos muito bem definidos: Fase 1 – Nokia/Microsoft como um 3º Ecossistema para a
1
http://sdrv.ms/1etKeUP
Gestão da Qualidade para Inovação: Indicadores de Produtividade para a competitividade no Processo de Incubação
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Qualitativo
Acompanhamento
Métricas
2012
2013
Desenvolvedores Participantes
4446
716
Quantidade de Ações
102
25
Quantidade de Universidades Participantes
59
15
Aplicações Publicadas
233
586
Desenvolvedores Ativos
173
419
% De desenvolvedores ativos (retenção)
3.89%
58%
Desenvolvedores de Sucesso
0
33
Desenvolvedores Ouro
0
12
Tabela 1 – Comparativo de Indicadores
No atual mercado de telefonia os aplicativos desenvolvidos por terceiros tornaram-se primordiais como fator de decisão de compra por consumidores. O presente projeto propôs e implantou uma metodologia para gestão de um Ecossistema de Aplicativos através de uma rede de colaboração aberta com forte participação de universidades brasileiras.
Como resultado tivemos um impactou significativamente a oferta de Aplicativos para a plataforma Nokia/Microsoft em
termos de quantidade e qualidade permitindo a retenção desses desenvolvedores em um modelo sustentável.
CONCLUSÃO
Tendo em vista o cenário atual de desenvolvimento de aplicativos móveis e a necessidade das empresas que
detém as tecnologias de abrir o conhecimento e as plataformas internas para colaboradores externos, precisa-se
estabelecer não somente a disponibilização de conteúdo e ferramentas de apoio ao desenvolvimento mas sim estabelecer de dentro da empresa o contato aproximado com os desenvolvedores externos.
O papel desses profissionais que representam a empresa é o de tornar a atividade de desenvolver para uma
determinada plataforma uma atividade envolvente, a estes profissionais chamamos de Evangelistas. O artigo além
de definir algumas características apresentou através de um relato de experiência a importância de se definir es-
Gestão de Ecossistemas de Aplicativos e a Competitividade do Mercado: Estudo de Caso Brasileiro
133
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
tratégias que façam com que o desenvolvedor se sinta parte do processo mesmo não estando dentro da empresa. Podemos dizer então que a atividade técnica tem que estar inteiramente ligada a atividade mais social
de acompanhamento do desenvolvedor, isso melhora a imagem da empresa e ajuda a formar novos profissionais.
REFERÊNCIAS
O artigo, então compartilha uma metodologia adotada para engajamento de desenvolvedores mesmo com um
time reduzido e com áreas focadas de atuação. Para trabalhos futuros é necessário que se faça um estudo da aplicação da mesma metodologia em outros tipos de comunidades que não somente Windows Phone.
Bosch, J. (2009). From Software Product Lines to Software Ecosystems, (Splc), 1–10.
Bentley, P. J. (2014). How to be a Successful App Developer : Lessons from the Simulation of an App Ecosystem.
Cusumano, M. A. (2010). Platforms and Services: Underständing the Resurgence of Apple. Communications of the
ACM, 53, 22–24. doi:10.1145/1831407.1831418
Fontão, A., Bonifácio, B., & Nicolay, A. (2012). Apps Framework: um processo centrado no usuário aplicado para o
desenvolvimento de aplicativos móveis – Um estudo de caso. IADIS WWW/Internet Conference, 91–98.
Lin, F. L. F., & Ye, W. Y. W. (2009). Operating System Battle in the Ecosystem of Smartphone Industry. 2009 International Symposium on Information Engineering and Electronic Commerce. doi:10.1109/IEEC.2009.136
Gestão da Qualidade para Inovação: Indicadores de Produtividade para a competitividade no Processo de Incubação
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Gestão de Ecossistemas de Aplicativos e a Competitividade do Mercado: Estudo de Caso Brasileiro
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional
para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
O Projeto INdT Mobile Labs é uma das iniciativas da Nokia Brasil que visa treinar a comunidade de desenvolvedores, estudantes e pequenas empresas no desenvolvimento de aplicações móveis para a plataforma Windows
Phone e S40. O projeto iniciou-se em 2013 como resultado de um acordo entre a Nokia Brasil, Governo Federal,
Instituto Nokia de Tecnologia (INdT) e o Instituto Nacional de Telecomuncações (INATEL), localizado na cidade de
Santa Rita do Sapucaí, sul do de Minas Gerais.
Atualmente o INdT Mobile Labs também encontra-se nas cidades de Guadalajara, no México, em parceria com
a Universidade Jesuíta de Guadalajara (ITESO) e em Santiago, no Chile, em parceria com a Fundación Chile.
Padilla, Rafael1; Beu, Francisco2; Pivotto, Andrea3
Evangelista de Desenvolvedores. Instituto Nokia de Tecnologia – INdT.
{rafael.padilla}@indt.org.br
1
Gerente de Projeto. Instituto Nokia de Tecnologia – INdT.
{francisco.beu}@indt.org.br
2
Gerente de Projeto. Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL.
{andrea}@inatel.br
3
Objetivos
A iniciativa de implementação do INdT Mobile Labs procura obter seus objetivos com a implantação de um
laboratório para desenvolvimento de apps na sede do INATEL.
Os objetivos do INdT Mobile Labs 2013 foram:
• Capacitação para o desenvolvimento de aplicativos móveis locais com foco em qualidade e inovação;
• Suportar projetos selecionados para fomentar a criação de novas empresas;
• Troca de conhecimento entre ambas instituições para apalancar inovação no ecosistema de apliações móveis;
Palavras-chaves: Aplicações móveis, desenvolvimento regional, parceria universidade-empresa, aplicativos móveis.
Resumo
• Fortalecimento do desenvolvimento regional e criação de um pólo de desenvolvimento de apps;
Metas
O Projeto INdT Mobile Labs é uma parceria realizada entre o Instituto Nokia de Tecnologia (INdT – Manaus Amazonas)
e o Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL – Santa Rita do Sapucai – Minas Gerais), que visa a capacitação
nas plataformas Nokia de estudantes, profissionais e empreendedores da região de Santa Rita do Sapucaí-MG, tendo
como objetivo o desenvolvendo talentos para o desenvolvimento de aplicações móveis fortalecendo intercambio de
conhecimento entre ambas instituições e o desenvolvimento regional de ambas localidades.
As metas do projeto em 2013 foram:
• Meta 1: Capacitar 120 (cento e vinte) alunos no desenvolvimento de aplicativos móveis para sistemas operacionais da Nokia;
• Meta 2: Capacitar 10 professores para suportarem os alunos durante as aulas dos cursos de Engenharia
da Computação;
1. INTRODUÇÃO
Os dispositivos móveis deixaram de ser somente acessórios para compor o cotidiano do ser humano. Esta
evolução tem encorajado usuários a incorporar cada vez mais tecnologias para a realização de tarefas diárias,
pois além de permitir operações básicas de um aparelho celular (ligações e envio de mensagens), tais dispositivos
passaram a agregar novos recursos e facilidades, como a internet móvel e a personalização através de aplicativos
móveis (apps)[1].
Tendo acesso a essas tecnologias, é possivel ter acesso a diversos serviços atráves de um telefone inteligente,
gerando oportunidades para que empresas, organizações públicas e instituições privadas consigam agregar valor a
seus produtos e serviços por meio de aplicativos móveis.
Este mercado movimentou 68B de reais em 2013 e pode chegar à 88B de reais em 2014 no mundo [2], movimentando a chamada Economia de Aplicações.
Na década de 90, com o advento da Internet, as empresas viram a possibilidade de criarem uma página web e
ali venderem seus produtos e serviços. Atualmente, vive-se uma realidade semelhante com a criação apps. O processo de criação e desenvolvimento destas aplicações geram oportunidades de negócios para estudantes, programadores e empresários.
INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
136
• Meta 3: 50 novos publicadores de aplicativos Windows Phone com um ou mais apps publicados por cada publicador;
• Meta 4: 2 apps desenvolvidos por estagiários e bolsistas do projeto que tenham no mínimo 4.5 estrelas (consumer
review) e estejam relacionados com as seguintes áreas foco: Mapas, utilizade pública, processamento de imagens.
Metodologia
A metodologia empregada consistiu em treinamentos in-loco no INATEL ministrado por profissionais do INdT
para capacitação de alunos e professores.
Uma visita técnica aconteceu na sede do INdT, em Manaus, na qual participantes do projeto do INATEL puderam
trocar experiências com os profissionais do INdT e conhecer metodologias empregadas para o desenvolvimento de
aplicativos móveis.
Foram realizadas reuniões semanais com o INdT envolvendo a gerência do projeto, o líder técnico, o orientador
técnico e o designer a fim de reportar o status do projeto.
INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
137
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Durante a realização do projeto, foram selecionados 13 bolsistas e estagiários do INATEL que ficaram
responsáveis pela realização da Meta 4.
Resultados Alcançados
No balanço final do projeto de 2013, todas as metas do projeto foram atingidas, obtendo os seguintes resultados:
• Foram capacitados 126 alunos em três etapas de treinamentos in loco no INATEL assim como 16 especialistas do INATEL;
• Obtivemos 58 publishers de Windows Phone, totalizando 99 aplicativos publicados na loja Windows Phone;
• Foram desenvolvidos e publicados 3 aplicativos com foco nas áreas de imagem, utilidade pública e mapas;
• 50% dos aplicativos publicados foram avaliados com no mínimo 4 estrelas pelos usuários do Windows Phone;
• 5 desenvolvedores do INATEL ganharam destaque nacional pela excelência de seus aplicativos;
Figura 1: Aplicativos desenvolvidos e publicados na primeira etapa de treinamento
• Um dos aplicativos desenvolvido pelo INATEL foi destaque no jornal Estadão.
• Mais de 400mil downloads entre os quais 2 desenvolvedores obtiveram mais de 150mil downloads das
apps desenvolvidas.
Paralelamente a realização da primeira etapa de treinamentos, dois especialistas do INATEL foram capacitados
para replicarem o treinamento de Desenvolvimento de Aplicativos para Windows Phone – Módulo Básico.
Durante os dias 21 e 25 de outubro de 2013, deu-se início a segunda etapa de treinamentos, ministrados por dois
especialistas do INATEL, Gilson Massayoshi Nakano e Pedro Júlio Matuck.
• Publicação de Caso de Sucesso no Blog da Nokia – Histórias de Desenvolvedores [4].
A Tabela 1 detalha os treinamentos realizados na primeira etapa, ministrados por Rafael Padilla (evangelista de
tecnologia do INdT) entre os dias 9 e 13 de setembro de 2013 na sede do INATEL:
A Tabela 2 detalha os treinamentos realizados nesta etapa.
Treinamentos
Carga horária
Participantes
Treinamentos
Carga horária
Participantes
Desenvolvimento de Aplicativos para Windows Phone – Módulo Básico
20 horas
20
Desenvolvimento de Aplicativos para Windows Phone – Módulo Básico
20 horas
46
Desenvolvimento de Aplicativos para Windows Phone – Módulo Básico
20 horas
19
Desenvolvimento de Aplicativos para Windows Phone – Módulo Avançado
8 horas
24
Tabela 2: Treinamentos da segunda etapa, realizados em outubro - 2013
Tabela 1: Treinamentos da primeira etapa, realizados em setembro - 2013
Nesta primeira etapa de treinamentos, foram capacitados 70 estudantes e especialistas do INATEL. Durante o
treinamento foram desenvolvidos e publicados 70 aplicativos na loja do Windows Phone (Windows Phone Store) por
33 estudantes. A Figura 1 mostra os ícones de alguns destes aplicativos.
Figura 2: Aplicativos desenvolvidos e publicados na segunda etapa de treinamento
INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
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INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Nesta segunda etapa de treinamentos, foram capacitados 39 estudantes e profissionais da região de Santa Rita
do Sapucaí e foram gerados 12 apps, um por cada estudante.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A Figura 4 mostra fotos dos treinamentos realizados durante as etapas de capacitações.
Uma terceira etapa de treinamentos, divididos em dois cursos, foi realizada pelos especialistas do INATEL durante os dias 2 e 6 de dezembro de 2013. A Tabela 3 detalha os treinamentos realizados nesta etapa.
Treinamentos
Carga horária
Participantes
Desenvolvimento de Aplicativos para Windows Phone – Módulo Básico
20 horas
8
Desenvolvimento de Aplicativos para Windows Phone – Módulo Avançado
20 horas
9
Tabela 3: Treinamentos da terceira etapa, realizados em dezembro - 2013
Na terceira etapa de treinamentos, foram capacitados 17 estudantes e profissionais da região de Santa Rita do
Sapucaí foram gerados 17 apps.
Todos os participantes dos treinamentos que tiveram aplicativos publicados participaram da promoção My App
My Business, administrada pela Nokia Brasil, que teve como objetivo premiar desenvolvedores brasileiros de sucesso.
Figura 4: Fotos dos treinamentos realizados no INATEL
A Figura 5 mostra a comissão formada por membros do INATEL e INdT que deram suporte ao projeto.
Figura 3: Aplicativos desenvolvidos e publicados na terceira etapa de treinamento
INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
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Figura 5: Fotos dos coordenadores do INATEL e INdT em visita à Santa Rita do Sapucaí
INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Todos alunos capacitados pelos treinamentos receberam um certificado ilustrados pela Figura 6.
Foco
Descrição na loja
Viamun é um guia fácil para informações de locais perto do usuário.
Com este app o usuário pesquisa locais rapidamente através de categomapas
rias mais populares: Lazer (cinema, estádios, parques, bares, museus,
teatros), Hotéis, Restaurantes, Saúde, Polícia, Bancos, Hospitais...
ViaMun
O SmartProfile é um aplicativo que adiciona perfis pessoais pré definiutilidade pública
dos para certas ocasiões ou locais especificos, disparando configurações
consecutivas que o usuário escolheu para um determinado perfil.
SmartProfile
Figura 6: Modelo de certificado recebido pelos alunos capacitados pelos treinamentos
Com o Funpix o usuário escolhe
Os aplicativos publicados e desenvolvidos pelos bolsistas e estagiários do INATEL estão listados na Tabela 4.
imagens
molduras de categorias e estilos diferentes, faz o melhor ajuste nas fotos
e compartilhar com os amigos pelo Facebook.
Funpix
Tabela 4: Aplicativos desenvolvidos por bolsistas e estagiários do INATEL
CONCLUSÃO
Esta semana o aplicativo Whatssapp foi comprado por 19Bilhões de Dólares pelo Facebook, com 450 milhões
de usuários [3] essa app e 50 pessoas trabalhando é um grande exemplo do impacto que uma simples app pode
ter nessa industria tecnologica.
O projeto Mobile Labs projeto Mobile labs, implementado no Brasil através da parceria INdT e INATEL é uma sementeira de aplicações móveis inovadoras as mesmas podem receber aportação de fundos de investimento, criando
na região um pólo regional de desenvolvimento de aplicações , aumentando o conhecimento desenvolvendo talentos
e criando oportunidades para estudantes, empreendedores e desenvolvedores.
Um exemplo prático é o app Stay on the Road [4], que teve mais de 200 mil downloads entre vários contribuiram
para a elevação da quantidade e qualidade dos aplicativos disponíveis na loja do Windows Phone.
INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
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INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
O projeto Mobile Lab demonstra que é possivel em pouco tempo treinar alunos e empreendedores para
que possam desenvolver aplicações móveis para as plataformas Nokia criando assim oportunidades locais com
impacto no desenvolvimento regional atraindo os beneficios da economia de aplicações gerando empregos e
novas empresas.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERÊNCIAS
[1] Miao, Z., Yuan, B.: Discussion on Pervasive Computing Paradigm. TENCON 2005 - 2005 IEEE Reg. 10 Conf. 1–6
(2005).
[2] Dados da consultoria Gartner, Markets and Markets e Forrester Research 2012.
[3] RevistaIstoÉDinheiro : http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/140321_ELES+GANHARAM+BILHOES+COM+UM+APLICATIVO
[4] Blog Nokia http://www.blognokia.com.br/developer/historias-de-desenvolvedores-2/
INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
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INdT Mobile Labs: Construindo o Ecossistema Regional para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
INEAGRO CABUGI e a Incubação de Empresas mais Competitivas no Semiárido Potiguar: Estudo de Casos
André Luiz Azevedo Alcântara1, Jalmir Dantas de Araújo1, Igor Wescley Silva de Freitas1, Lucas Ambrosio1, José Anjo1,
Marcos Vinícius Cândido Henriques1.
1
INEAGRO-CABUGI, Universidade Federal Rural do Semi-árido, Campus Angicos, Rua Gamaliel Martins Bezerra s/n,
59515-000, Angicos-RN, Brasil
Palavras-chaves: Incubação, economia criativa.
Resumo
Este trabalho expõe e analisa a influência de práticas inovadoras na competitividade de empresas incubadas do município de Angicos-RN. A UFERSA, Campus de Angicos, no Rio Grande do Norte, por meio da Incubadora de Negócios
INEAGRO CABUGI, procura contribuir para a competitividade das micro e pequenas empresas incubadas. A incubadora oferece o acesso a serviços de consultoria e assessoria em gestão financeira, marketing e produção, o que era
antes dificultado ou impossibilitado, devido a Angicos ser um município com pequeno produto interno bruto e uma
cultura de inovação nos negócios ainda incipiente. A partir do edital de seleção lançado no mês de fevereiro de 2013,
a Incubadora norteou-se para trabalhar os aspectos que efetivamente contribuíssem para melhorar o caráter de cada
empreendimento incubado. Um caso de estudo é o da A & M Artesanatos, cujo empreendedor, o artesão Marcos
José, confecciona peças em madeira retratando animais e o cenário sertanejo, além de criar esculturas de personalidades famosas. A presença da ação da universidade, por meio de seu programa de extensão, proporcionou o acesso
de uma clientela especializada ao artesão, auferindo credibilidade aos seus produtos. Outro caso a ser analisado é
o da Sorveteria Sertão Gelado, que fabrica o sorvete de “pelo”, fruta exótica da região. A ação da incubadora levou
o produto da empresária a ganhar uma boa repercussão na mídia regional, contribuindo para a divulgação de sua
sorveteria e aumento de sua receita.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
mento socioeconômico da comunidade. Neste sentido, a Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA, em
particular, incentiva e promove, por meio de apoio logístico e financeiro a projetos, a execução em seus campi de atividades de extensão, definindo-a como um dos eixos prioritários em seu Projeto Político Institucional (UFERSA, 2011):
Ao reafirmar o compromisso social da Universidade como forma de inserção nas ações de promoção
e garantia dos valores democráticos, de igualdade e desenvolvimento social, a extensão se coloca como
prática acadêmica, indissociável do ensino e da pesquisa, que objetiva interligar a universidade com as
demandas da sociedade.
A UFERSA, cujo campus central situa-se em Mossoró-RN, atualmente mantém duas incubadoras: a Incubadora
do Agronegócio de Mossoró – IAGRAM, e a Incubadora Tecnológica e Multissetorial do Sertão do Cabugi – INEAGRO
CABUGI, no campus de Angicos-RN. Ambas já possuem uma considerável experiência na graduação de empreendimentos, principalmente no setor de agronegócios voltados à convivência com o clima semiárido.
A Incubadora Tecnológica e Multissetorial do Sertão do Cabugi – INEAGRO CABUGI foi criada e mantida por seis
anos pela Associação dos Criadores de Ovinos e Caprinos do Sertão do Cabugi, com sede em Lajes-RN. Seu nome
original, Incubadora de Empresas do Agronegócio da Caprinovinocultura do Sertão do Cabugi, atestava que sua área
de atuação era restrita à incubação de empresas deste setor. Lançando editais nos anos de 2005, 2007 e 2009, a
INEAGRO- CABUGI, mesmo em meio a grandes dificuldades enfrentadas pelo setor de agronegócio devido às secas
recorrentes, graduou cinco empreendimentos. Em 2010, a INEAGRO-CABUGI passou a ter como mantenedora a
UFERSA, mudando seu nome como consequência de uma preocupação em abranger uma maior gama de negócios,
além de transferir sua sede para o campus de Angicos. Desde então, a incubadora conta com a parceria da Fundação
Guimarães Duque – FGD, órgão vinculado à própria universidade, para a captação e gestão de recursos, além do
apoio do SEBRAE-RN, do Banco do Nordeste, do Banco do Brasil e do Centro Tecnológico do Agronegócio do Rio
Grande do Norte – CTARN.
1. INTRODUÇÃO
Com a evolução das políticas brasileiras de fomento ao empreendedorismo, as incubadoras de empresas têm
alcançado um papel de destaque dentre os mecanismos capazes de promover empreendimentos inovadores e competitivos, que contribuam para o desenvolvimento socioeconômico de regiões com carência de investimentos. A
partir desta nova visão, a inovação em serviços e produtos tem sido uma característica cada vez mais valorizada no
processo na criação de novos negócios, por permitir a exploração de nichos econômicos inéditos para uma região,
contribuindo assim para a criação de novos postos de trabalho e a geração de renda. Além disso, o espírito empreendedor inovador incentiva diretamente uma melhor educação técnica e científica dos agentes humanos envolvidos, por exigir o uso de conhecimentos que estão fora do padrão adotado.
Figura 1 - Logotipo da Incubadora Tecnológica e Multissetorial do Sertão do Cabugi – INEAGRO CABUGI, representando o
Pico do Cabugi, vulcão extinto localizado no município de Angicos-RN.
A incubadora é composta integralmente por professores e técnicos administrativos da universidade, os quais
passam por uma capacitação contínua. Atualmente, a incubadora desenvolve esforços, a partir de cursos oferecidos
pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores – ANPROTEC, para que sua
operacionalização se dê conforme o modelo CERNE – Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos.
O CERNE foi desenvolvido pela ANPROTEC e pelo SEBRAE, com o intuito de nortear as incubadoras no sentido de
obterem um modelo de gestão estabelecido e eficiente.
Com isto em vista, as ICT’s, em especial as universidades federais, têm buscado uma maior integração com
incubadoras, ou mesmo serem responsáveis pela criação delas, seguindo o novo paradigma que defende uma maior
conexão entre o conhecimento gerado no meio acadêmico, por meio de pesquisas, e o mercado de negócios. Estas
ações podem ser enquadradas como práticas de extensão da universidade, por influenciarem no próprio desenvolvi-
O município de Angicos, no Rio Grande do Norte, distante cerca de 170 km da capital do estado, Natal, situa-se
em uma região cujo clima é o semiárido. Este severo clima, que abrange boa parte do nordeste e constitui 12% do
território brasileiro, apresenta sérios desafios às diversas atividades econômicas ligadas direta ou indiretamente à
agropecuária. A irregularidade das chuvas, com longos períodos de estiagem, a escassez de rios perenes, o solo com
INEAGRO CABUGI e a Incubação de Empresas mais Competitivas no Semiárido Potiguar: Estudo de Casos
INEAGRO CABUGI e a Incubação de Empresas mais Competitivas no Semiárido Potiguar: Estudo de Casos
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
baixa permeabilidade e a forte evaporação dificultam o abastecimento de água e, por consequência, a produtividade
agrícola. Os açudes têm seu abastecimento bastante comprometido pela escassez de chuvas, e também apresentam
problemas relacionados à qualidade da água (BRITO, 2007), prejudicando consideravelmente as atividades do setor
primário, que constituem boa parte das atividades econômicas, afetando todas as outras atividades no município.
As dificuldades ambientais enfrentadas, aliadas a uma carência na qualidade dos serviços prestados pelos
poderes públicos, refletem no mediano índice de desenvolvimento humano (IDH), 0,624, segundo dados do censo
de 2010 (ATLAS, 2013). A educação básica é pouco desenvolvida, embora tenha tido avanços. Mais de 75% da
população de 18 a 24 anos não frequenta nenhum tipo de instituição de ensino 2010 (ATLAS, 2013), prejudicando
a qualificação para atuar em setores tecnológicos da economia. A UFERSA apresenta, no campus de Angicos, 800
alunos matriculados em cursos ligados à Ciência e Tecnologia e à Sistemas de Informação; no entanto, uma pequena
parcela dos egressos é originária do município.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
instituições de apoio às pequenas empresas, como os oferecidos pelo SEBRAE. Esta falta de dinamismo de regiões
pouco influentes como Angicos é compatível com o pensamento de estudiosos urbanos:
[…] o baixo dinamismo da economia nacional é comandado por “ilhas dinâmicas” localizadas nas
diversas macrorregiões do País, enquanto outras áreas sofrem impactos mais adversos, por não serem tão
competitivas ou por estarem submetidas a intensos processos de reestruturação. Isso tende a ampliar as
diferenciações e a heterogeneidade intra-regionais (ARAUJO, 1999).
No entanto, os novos elementos de tecnologia da informação surgidos na última década, em conjunto com o
crescente dinamismo imposto pela atual economia, podem vir a fazer com que a sobrevivência e competitividade das
empresas, sejam de pequeno, médio ou grande porte, dependa da sua capacidade em se adequar às novas técnicas
e métodos gerenciais, mesmo em pequenos centros. A constante mudança dos hábitos dos consumidores, além
do advento das tecnologias de redes sociais, têm o potencial de operar uma pressão para que as empresas sejam
mais inovadoras e eficientes, mudando até mesmo quadros que pareceriam estagnados, como os do município de
Angicos. Além disso, a disseminação de boas práticas de gestão econômica é imprescindível para que as empresas
atinjam o objetivo de uma maior competitividade nesta nova conjuntura.
Isto vale até mesmo para modelos de negócio considerados tradicionais. Um dos exemplos estudados neste
trabalho, uma sorveteria, situada em Angicos, incubada pela INEAGRO-CABUGI, ilustra bem a importância da inovação
para o incremento da competitividade, além da presença e divulgação nos meios midiáticos, incluindo redes sociais, jornais e rádio. Aliada à boa gestão, a empresária foi capaz de expandir seu mercado. Outro exemplo, o de um
artesão, cuja empresa também é incubada, inova ao confeccionar peças de madeira representativas de personalidades
culturais conhecidas da região, e ao ampliar a divulgação de seus produtos a eventos do meio acadêmico.
2. OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
Figura 2 - Representação da microrregião de Angicos, no Rio Grande do Norte. Fonte: Wikimedia Commons.
A competitividade das empresas no setor de serviços, o qual constitui a maior parte das atividades econômicas
no município de Angicos, é prejudicada pela baixa qualificação técnica dos trabalhadores atuantes no comércio. Este
fenômeno acarreta em prejuízo para a prática da inovação nas empresas, uma vez que a implementação de novas
ideias é vista como demasiadamente arriscada. Esta visão também é defendida em (BANCO MUNDIAL, 2008):
Sugerimos que a falta de capacitação básica dos trabalhadores é provavelmente o único e mais importante obstáculo ao uso de novas tecnologias e equipamentos ou ao livre fluxo de práticas inovadoras
nas empresas. Na verdade, os trabalhadores sem qualificação são possivelmente avessos ao risco e se
sentem mais confortáveis executando procedimentos simples e rotineiros, que não exigem treinamento
formal adicional.
O objetivo geral da atuação da Incubadora Tecnológica e Multissetorial do Sertão do Cabugi – INEAGRO CABUGI é
de melhorar a competitividade das empresas incubadas em seus respectivos ramos de negócio, por meio da promoção
de boas práticas de gestão financeira e administrativa e da divulgação mais efetiva de seus serviços e produtos.
2.2 Objetivos Específicos
Ainda com relação à atuação da incubadora nas empresas incubadas, podemos ainda listar alguns objetivos
específicos, que acreditamos serem indicadores da melhoria da competitividade das empresas.
• Disseminação da cultura da inovação nas pequenas empresas locais;
• Difusão das boas práticas de gestão;
• Valorização da identidade visual das empresas, fortalecendo suas marcas, contribuindo, em âmbito local,
para o amadurecimento empresarial neste aspecto;
A população de Angicos, em sua maior parte ainda com baixa escolaridade, acaba se acostumando com uma
menor qualidade nos diversos serviços oferecidos. Por exemplo, embora o setor de alimentação tenha recebido uma
boa injeção de recursos com a chegada de estudantes advindos de outras regiões do estado e do Brasil durante
os últimos quatro anos, ainda se observa uma modesta evolução qualitativa das práticas do setor. Os serviços de
hospedagem e transporte também sofrem desta inércia, repousando na maioria das vezes na informalidade. Isto
também deve ser creditado às dificuldades de acesso dos empreendedores a serviços de qualificação oferecidos por
• Promover a busca por espaço nos meios midiáticos, como programas de rádio ou reportagens em jornais, por
meio da concepção de produtos diferenciados;
INEAGRO CABUGI e a Incubação de Empresas mais Competitivas no Semiárido Potiguar: Estudo de Casos
INEAGRO CABUGI e a Incubação de Empresas mais Competitivas no Semiárido Potiguar: Estudo de Casos
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• Criar uma cultura de participação dos empresários em feiras de negócios;
• Contribuir para o aumento da competitividade, não apenas das empresas incubadas, como também das
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
empresas concorrentes, gerando uma pressão por melhoria da qualidade dos serviços e produtos oferecidos.
3. METODOLOGIA
A UFERSA, Campus de Angicos, por meio da incubadora de negócios INEAGRO-CABUGI, procura contribuir para
a competitividade das micro e pequenas empresas incubadas. A incubadora promove o acesso dos incubados ou
pré-incubados a serviços de consultoria e assessoria em gestão financeira, a partir da indicação e contratação de
cursos técnicos especializados oferecidos por serviços de apoio como o SEBRAE. Além disso, atua firmemente para
melhorar as práticas de marketing e produção, ajudando as empresas incubadas a destacarem-se dentre as outras
da região.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
possuindo uma coleção de belos e bem trabalhados produtos, porém ainda comuns aos demais artesãos da região.
Suas ferramentas eram rústicas, prejudicando a eficiência do processo de entalhar a madeira. Seu talento era pouco
valorizado, carecendo de um melhor retorno financeiro, o que desencorajava o artesão a tentar criar novos produtos
e atingir novos mercados.
A Incubadora conta com condições de elaborar e implementar estratégias e atitudes dentro das organizações
atendidas, visando distinguir suas condutas das dos concorrentes locais, mesmo que em componentes básicos da
gestão, como em questões de organização de fluxo de caixa. Outros procedimentos contábeis e financeiros, que
lhes deem condições de mensurar suas finanças ou seus estoques de matéria-prima, também são valores que se
busca agregar ao negócio, oferecendo condições de cobrar preços mais justos por seus produtos, tornando-os mais
rentáveis.
A partir do edital de seleção lançado no mês de fevereiro de 2013, a Incubadora norteou-se para trabalhar
os aspectos que efetivamente contribuíssem para melhorar a competitividade dos empreendimentos incubados,
dando-lhes uma forte identidade. Foram selecionadas ideias empreendedoras inovadoras, que resultassem em produtos com algum aspecto que os diferenciassem dos negócios já estabelecidos. Primeiramente, deu-se ênfase
à construção do manual de identidade visual das empresas, o qual influenciou notavelmente na identificação das
marcas em meio às outras da região.
Figura 4 - Detalhe da exposição das obras da A & M Artesanatos no lançamento do documentário 40 Horas em Memória,
que resgata a história da ação do educador Paulo Freire na cidade de Angicos.
No contexto de comunicação organizacional e marketing, a participação dos incubados em feiras de negócios
proporcionou oportunidades de demonstração de seus produtos a potenciais consumidores, possibilitando um teste de mercado. Esta participação foi custeada por recursos financeiros provenientes de projetos executados pela
incubadora, enquanto que a universidade colaborou com apoio logístico, incluindo o transporte. Com isso, estabeleceu-se um networking, possibilitando o acesso a novos fornecedores, a profissionais relacionados ao ramo de
negócio, e, principalmente, a novos clientes, por meio de rodadas de negócios, ou mesmo simples trocas de contatos
comerciais.
Para a divulgação, foram utilizadas algumas ferramentas as quais esses empreendedores dificilmente teriam
acesso, devido aos custos elevados. Um exemplo disso é a veiculação de um programa semanal, denominado Inova
Semiárido, em uma rádio comunitária da cidade de Angicos, todas as quintas-feiras, sendo composto por entrevistas,
informações do mundo empresarial, e “dicas” dos acadêmicos da UFERSA para melhorar as práticas de gestão, além
da divulgação de novos serviços e produtos relacionados aos negócios incubados. Desta forma, além de divulgá-los,
as empresas aliam aos seus produtos a marca de credibilidade da UFERSA.
As capacitações em gestão financeira e administrativa de negócios contribuíram fortemente para a elevação da
qualidade dos serviços e produtos dos incubados, levando a uma visível melhoria da competividade nos respectivos
setores do município. Neste trabalho, analisamos dois exemplos de pequenas empresas que julgamos bem ilustrativos desta mudança induzida pelo processo de incubação: uma empresa de artesanato e uma sorveteria, ambas
selecionados no edital de seleção de 2013.
4. RESULTADOS ALCANÇADOS
O primeiro caso de estudo é o da A & M Artesanatos, cujo empreendedor, o artesão Marcos José, antes da incubação, trabalhava informalmente na confecção de peças em madeira retratando animais e o cenário sertanejo,
INEAGRO CABUGI e a Incubação de Empresas mais Competitivas no Semiárido Potiguar: Estudo de Casos
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Figura 3 - Matéria veiculada no jornal Tribuna do Norte, de Natal-RN, em 06 de fevereiro de 2014 a respeito da A & M
Artesanatos, empresa de artesanato incubada pela INEAGRO-CABUGI.
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A A & M Artesanatos foi uma das selecionadas no edital de incubação da INEAGRO em 2013, devido principalmente ao potencial criativo e caráter cultural de seu negócio. Aproveitando a oportunidade de eventos científicos
realizados em Angicos com temáticas voltadas para a educação freiriana (uma vez que esta cidade foi a anfitriã da
famosa experiência de alfabetização do método Paulo Freire, em 1963), o artesão, por sugestão da incubadora,
entalhou esculturas do educador, comercializando-as junto aos participantes, dentre os quais a então secretária de
educação do Estado do Rio Grande do Norte, professora Betânia Ramalho. Outros clientes, admiradores do educador
e, impressionados com o trabalho do artesão, também adquiriram obras que retratavam Paulo Freire.
A presença da ação da incubadora proporcionou o acesso de uma clientela especializada ao artesão, auferindo
credibilidade aos seus produtos, possibilitando ao mesmo produzir, por exemplo, miniaturas de personalidades e lembranças de casamento. Estas ações resultaram em uma drástica melhoria da competitividade da A & M Artesanatos com
relação a outros produtos de artesanato da região, tornando-a uma das referências culturais do município de Angicos.
Figura 5 - Exposição de obras produzidas pela A & M Artesanatos no IV Seminário da IAGRAM, dentre elas um busto do
educador Paulo Freire. Também estão presentes esculturas de animais típicos da caatinga, e da planta palmatória, com seus
frutos chamados de “pelos”.
Outro caso é o da Sorveteria Sertão Gelado, que já fabricava o sorvete de “pelo”, fruta característica da região,
um produto idealizado pela própria empresária. O “pelo” é extraído da “palmatória”, uma cactácea muito comum no
bioma da caatinga. Este fruto é incluído em alguns pratos exóticos pela população local, sendo reconhecido como
um dos aspectos culturais históricos da população de Angicos. O fruto é de difícil extração, mas o seu sabor é valorizado, sendo o doce produzido a partir dele apreciado em toda a região.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
da Sertão Gelado, divulgando os diferentes sabores de sorvete oferecidos, em especial o sorvete de “pelo”, passou
a ser bem acessada pela comunidade da região.
A equipe da incubadora percebeu que o sorvete de “pelo” poderia proporcionar à empresa uma oportunidade
única de destaque e marketing, a partir da consultoria promovida para a criação da identidade visual da empresa,
pensou-se em explorar o “pelo” como agregado à sua própria identidade. Além disso, imaginou-se que a notoriedade
do produto poderia levar a uma boa repercussão na mídia. Viabilizou-se, assim, junto à assessoria de imprensa da
Universidade, uma matéria sobre o produto, encaminhando a mesma a diversos meios de comunicação. A partir de
então, o produto foi exposto em matérias publicadas por revistas especializadas em negócios, blogs, jornais locais e
regionais, além de ser veiculada no Globo Rural, atingindo assim uma impressionante repercussão nacional. Com a
boa exposição, a empresária chegou a produzir, por semana, cerca de 50 litros de sorvete de “pelo”, além de outros
sabores com caráter regional, como jerimum e rapadura, dando à sorveteria uma identidade singular.
Figura 6 - O sorvete de “pelo”, produzido pela empresa incubada Sertão Gelado.
A sorveteria aumentou sua atuação no comércio de sorvetes e lanches, passando a comercializar seus produtos não apenas no município, mas também em toda a microrregião de Angicos. A mudança de competitividade foi nítida, acelerada pela
grande exposição da sorveteria nos meios de comunicação. É reconhecido que o carro-chefe desta notoriedade foi o seu produto
diferenciado sorvete de “pelo”. Embora ele não traga um excepcional retorno financeiro à empresa, serviu como um excelente
chamariz para os outros produtos da sorveteria.
5. CONCLUSÕES
A empresária Kaline Castro, com o apoio da incubadora, fortaleceu suas práticas de gestão financeira por meio
de cursos oferecidos pelo SEBRAE, além de incrementar a qualidade de seus produtos e serviços, e aumento de
receita, gerenciando de forma mais eficiente a compra de matéria-prima. Também foi incentivada a expansão de
mercado da sorveteria, para atender a outros municípios. Em pouco tempo, a empresária percebeu que a presença
nas redes sociais é um elemento que pode ser muito útil para a abertura de novos mercados. A página no Facebook
Com ações adequadas e direcionadas à particularidade de cada empreendimento, através de consultorias e assistência às
diversas facetas de negócios, além de ações que envolvem a logística para acesso a novos mercados, a Universidade Federal Rural
do Semiárido tem conseguido, através do seu programa de extensão, a incubadora INEAGRO CABUGI, oferecer aos negócios incubados condições necessárias para atingir um nível de profissionalismo suficiente para inserir e permanecer no mercado com competitividade. Isto demonstra que é possível tornar negócios rentáveis por meio do empreendedorismo inovador e do apoio profissional e
institucional adequado superando dessa maneira as dificuldades impostas pela situação socioeconômica da região onde estejam
inseridos. É importante saber que esse direcionamento pode ser dado em qualquer local no qual as ICT’s estejam resididas.
INEAGRO CABUGI e a Incubação de Empresas mais Competitivas no Semiárido Potiguar: Estudo de Casos
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERÊNCIAS
1. UFERSA, Projeto Pedagógico Institucional, 2011, 34 f. Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Mossoró, 2011.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação
em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
2. BRITO, L. T. de L.; MOURA, M. S. B. de; GAMA, G. F. B. Potencialidades da água de chuva no semi-árido brasileiro.
Petrolina: Embrapa Semi-Árido, 2007, cap. 2, p. 35-39.
3. ATLAS do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2013. Disponível em: <http://atlasbrasil.org.br/2013/>.
4. BANCO MUNDIAL, Conhecimento e inovação para a competitividade; tradução, Confederação Nacional da Indústria. – Brasília: CNI, 2008, p. 35.
5. ARAÚJO, Tânia Bacelar de. “Dinâmica regional brasileira e integração competitiva.” Anais: Encontros Nacionais da
ANPUR 7, 2013.
Cândido, Ana Clara. Pesquisadora CNPq modalidade DTI, Instituto EuvaldoLodi de Santa Catarina.
[email protected]
Battisti, Patrícia. Pesquisadora CNPq modalidade DTI, Instituto EuvaldoLodi de Santa Catarina.
patrí[email protected]
Neves, Mirela.Coordenadora da área de Gestão e Inovação, Instituto EuvaldoLodi de Santa Catarina.
[email protected]
Palavras-chave: Inovação, Mapeamento Estratégico, Projeto NAGI.
Resumo
O presente artigo pretende relatar a experiência da implementação de uma ferramenta de Mapeamento Estratégico
da Inovação em empresas catarinenses. Esta ação está inserida no âmbito do Projeto “Núcleos de Apoio à Gestão
da Inovação” – NAGI coordenado pelo Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina (IEL/SC) em parceria com a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e Instituto Stela. O Projeto NAGI tem como objetivo estruturar a
gestão da inovação e promover a competitividade das empresas. Iniciativas como esta contemplam a agenda
de ações do governo federal voltada à promoção da ciência, tecnologia e inovação. O projeto está estruturado em
quatro principais etapas: Mapeamento Estratégico da Inovação, consultoria para implementação da metodologia de
Gestão Integrada da Inovação, programa de capacitação (cursos EaD e presencial, workshops) e desenvolvimento
de ferramentas e metodologias para criação de ambiente de inovação e comercialização de produtos. Na aplicação
do Mapeamento Estratégico da Inovação foi utilizada uma ferramenta de benchmarking, desenvolvida em parceria
com o IEL/SC e a empresa PROBE Network e a Codexx Associates Ltd (Reino Unido). Esta ferramenta compreende
a análise de indicadores de prática e performance que permitem avaliar o posicionamento da empresa em relação
a inovação. Além disso, são coletados dados qualitativos por meio de entrevistas aplicadas aos principais gestores
da empresa. Com base nesses dados, define-se o plano de ação a ser implementado na etapa de consultoria. Os resultados preliminares evidenciam que a maior parte destas empresas nunca havia realizado algum tipo de análise/
avaliação de indicadores de inovação. As empresas mostraram-se satisfeitas com as primeiras impressões e discussões promovidas através desta etapa do projeto. No entanto, a principal dificuldade percebida, na maioria das
empresas, é a ausência de uma estrutura básica de gestão organizacional (planejamento estratégico, indicadores,
redes de relacionamento, etc.). Neste cenário, as atividades previstas no âmbito do projeto NAGI, embora constituam
um trabalho de base para inovação, são de extrema importância para as empresas estruturarem o seu processo de
gestão de inovação e, consequentemente, aumentar a sua capacidade competitiva.
1. GESTÃO E INOVAÇÃO
A inovação é um tema atualmente em alta, alguns dizem ser uma palavra de modismo, mas a realidade é que
têm sido bastante discutida e apresenta forte intersecção com diversas áreas do conhecimento, especialmente com
INEAGRO CABUGI e a Incubação de Empresas mais Competitivas no Semiárido Potiguar: Estudo de Casos
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Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
as engenharias e o desenvolvimento de novos produtos. No entanto, apesar de nos remeter muitas vezes a ideia
de algo tecnológico, a inovação vai além desta abordagem. Schumpeter (1942), por exemplo, define inovação em 5
principais abordagens:
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
• deve-se priorizar o desenvolvimento na própria organização, mas identificando instrumentos de realização de
parcerias com outras empresas, fornecedores, centros de pesquisas, quando a empresa não domina certa tecnologia;
• o processo de inovação deve estar alinhado à estratégia tecnológica da empresa;
1)Introdução de um novo bem.
• o processo de inovação deve ser dirigido ao mercado e orientado ao cliente;
2)Introdução de um novo método de produção.
• deve haver realimentação e interação entre as fases do processo de inovação.
3)Abertura de novo mercado
4)Novas fontes de matéria-prima.
5)Mudanças organizacionais.
Segundo a principal referência para o tema inovação no Brasil que é a Lei da Inovação (Lei No 10.973, de 2 de
dezembro de 2004), inovação é a introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que
resulte em novos produtos, processos ou serviços.
Longe de desconsiderar a importância dos estudos de Schumpeter, atualmente o principal material de base
para padronização dos conceitos de inovação é o Manual de Oslo (OECD, 2005) reconhecido internacionalmente.
Através desta referência, quatro principais tipos de inovação são tidos em consideração:
• Inovação de Produto
De acordo com o Manual de Oslo (p. 32) “... a empresa inovadora tem determinadas características que podem
ser agrupadas em duas categorias principais de competências” Estas são designadas de competências estratégicas
e competências organizacionais. A primeira, diz respeito a visão de longo prazo, capacidade de identificar e, até, antecipar tendências do mercado, além disso processar e assimilar informações tecnológicas e econômicas. No caso
das competências organizacionais, a disposição para o risco e capacidade de gerenciá-lo, bem como a cooperação
interna entre os setores da empresa associada a cooperação externa com consultorias, pesquisa de público, clientes
e fornecedores são aspectos considerados. Ressalta-se a importância do envolvimento de toda a empresa no processo de mudança e investimento em capital intelectual.
Nas próximas seções relatar-se-á a experiência da aplicação de uma ferramenta de Mapeamento Estratégico na
Inovação em empresas catarinenses, bem como a contextualização das ações de inovação na qual estão inseridas.
2. CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROJETO NAGI
O Projeto “Núcleos de Apoio à Gestão da Inovação” - NAGI conta com o apoio financeiro da Financiadora de
Estudos e Projetos - FINEP1. O projeto NAGI é coordenado pelo Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina (IEL/SC) em
parceria com a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e Instituto Stela.
• Inovação de Processo
• Inovação de Marketing
• Inovação Organizacional
É possível ainda, classificar as inovações em incrementais e radicais. A inovação incremental abrange a melhoria de produto ou processo existente, cujo desempenho tenha sido significativamente melhorado ou a reconfiguração
de uma tecnologia já existente para outros propósitos. A inovação radical, por sua vez, diz respeito a produto ou
processo cujas características, atributos ou uso difiram significativamente, se comparados aos produtos e processos
existentes. Tais inovações podem envolver tecnologias radicalmente novas ou podem se basear na combinação de
tecnologias existentes para novos usos (HBE, 2003).
Jonash e Sommerlatte (2001) consideram a gestão da inovação em toda a organização, numa visão ampliada
para clientes, fornecedores e parceiros estratégicos.
O Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina - IEL/SC é uma entidade da Federação das Indústrias do Estado de
Santa Catarina - FIESC. Como função principal promove, estimula e articula a parceria entre indústrias, instituições
de ensino/pesquisa e entidades governamentais, agindo como indutor e executor de projetos respaldados por estratégias estabelecidas por seu Conselho Consultivo. A ampliação de escopo contribuiu para tornar o IEL/SC uma
referência para os demais núcleos regionais, na busca da consolidação de seu papel dentro da CNI - Confederação
Nacional das Indústrias. O IEL/SC atua especialmente em duas áreas: Educação; Gestão e Inovação, sendo que a
articulação do projeto é de responsabilidade da área “Gestão e Inovação”. Onegócio Gestão e Inovação, o IEL/SC
em que o projeto NAGI está inserido, proporciona às empresas industriais a oportunidade de acesso a ferramentas
de gestão empresarial de alto nível. Atua na articulação, elaboração e gerenciamento de projetos para melhoria da
competitividade de diversas empresas e na implementação de ferramentas de apoio a Gestão da Inovação, com o
objetivo de promover a geração de ambientes inovadores, fomentando e apoiando as empresas catarinenses.
A estrutura de inovação é composta por cinco elementos fundamentais: estratégia de inovação, processo de
inovação, recursos de inovação, organização da empresa para a inovação e aprendizado obtido ao longo do processo
de inovação.
A UDESC é uma universidade pública de abrangência estadual que possui 45 anos de existência. Atua nas
áreas de saúde, tecnologia, educação, arte e socioeconômicas. Possui um curso de Pós-Graduação em Gestão da
Inovação. O Instituto Stela é formado por pesquisadores, foi responsável pela concepção da Plataforma Lattes, do
Portal da Inovação e do Portal SINAES, entre outros.
Para os autores Montanha, Leonel, Ogliari, Dias e Geisler (2008) existem algumas diretrizes para a gestão integrada da inovação:
• o processo de inovação deve ser contínuo e sustentável;
O Projeto NAGI tem como objetivo geral estruturar a gestão da inovação em 40 empresas do Estado de Santa
Catarina dos seguintes setores econômicos: têxtil, agronegócio, construção civil, bens de capital, metal mecânico,
cerâmica, plástico, móveis e madeira.
• o processo de inovação deve ser formalizado, porém favorecendo a criatividades dos profissionais;
1
Corresponde a chamada pública: Pró-Inova – Núcleos de Apoio à Gestão da Inovação 11/2010 da Financiadora de Estudos e Projetos
(FINEP). No total foram aprovadas 24 propostas dispersas pelas regiões do Brasil.
Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
156
Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
157
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Quanto à estrutura do projeto, são destacadas quatro etapas de implementação nas empresas:
1) Mapeamento Estratégico da Inovação
2) Consultoria para implementação da metodologia de Gestão Integrada da Inovação
3)Programa de capacitação sobre inovação na modalidade presencial e a distância
4) Desenvolvimento de ferramentas e metodologias para criação de ambientes de inovação e comercialização
de produtos.
Para que o objetivo possa ser atendido, foram estabelecidos alguns procedimentos metodológicos, como: estruturação do núcleo do projeto envolvendo as três instituições parceiras, a revisão e atualização do diagnóstico da
inovação e desenvolvimento de um modelo do plano nas empresas, a divulgação do projeto e seleção das empresas
no estado de Santa Catarina, realização de capacitação para as empresas selecionadas, realização do diagnóstico
nas empresas, realização do diagnóstico nas empresas.
A metodologia de gestão integrada da inovação utilizada neste projeto foi baseada no modelo NUGIN (Núcleo
de Apoio ao Planejamento de Gestão da Inovação), este modelo foi desenvolvido em 2006, dentro de um projeto
aprovado pela FINEP, com o objetivo de apoiar as empresas na implantação dos seus processos de inovação. A
metodologia tem um formato modular de implantação visando aplicar os conteúdos adequados às necessidades de
cada empresa, conforme figura 1 abaixo:
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A aplicação desta metodologia foi dividida em duas rodadas, em cada uma das rodadas participam 20 empresas, totalizando as 40 propostas no projeto.
3. ETAPA DO MAPEAMENTO ESTRATÉGICO DA INOVAÇÃO
A presente seção abordará especificamente a etapa “1” do Projeto NAGI, Mapeamento Estratégico da Inovação,
no que diz respeito a sua implementação nas empresas da primeira rodada.
O IEL/SC em parceria a PROBE Network e com a Codexx Associates Ltd (Reino Unido) desenvolveu um questionário de Mapeamento Estratégico da Inovação que é a ferramenta utilizada na aplicação que será aprofundado
nesta seção.
O questionário consiste em 25 indicadores que foram formulados através de um consistente estudo teórico
elaborado sob responsabilidade da PROBE Network e discutido conjuntamente com os consultores do IEL/SC. Este
conjunto de indicadores está dividido em dois aspectos: prática e performance. Os indicadores de prática constituem
um conjunto de ferramentas gerenciais e tecnológicas implementadas na empresa, por exemplo: planejamento estratégico, banco de ideias, sistema da qualidade, etc. Já os indicadores de performance são os resultados mensuráveis obtidos pela empresa, como por exemplo: produtividade, satisfação dos clientes, índice de defeitos, etc.
O trabalho de sistematização da gestão da inovação nas empresas inicia-se com uma etapa que é o mapeamento estratégico. Trata-se de um diagnóstico para conhecer a maturidade da empresa quanto a inovação, identificando os seus pontos fortes e as principais oportunidades de melhorias relacionadas à inovação. O mapeamento
estratégico da inovação proporciona informações importantes para a elaboração de um plano de capacitação de
pessoal e implementação da metodologia. Este processo é baseado em um diagnóstico envolvendo a pontuação de
um conjunto de indicadorese entrevistas com os principais gestores da empresa.
3.1 Caracterização da Amostra
As empresas que compõem a amostra passaram por uma seleção para que pudessem entrar no projeto2. Entre
os requisitos e aspectos levados em consideração na seleção realizada pela coordenação do projeto, destaca-se:
• Empresa com no mínimo dois anos de existência
• Possuir sede em Santa Catarina
• Faturamento superior a R$ 3,6 milhões anual
• Possui estrutura de base em inovação, P&D, etc.
O quadro1 apresenta as principais perguntas realizadas no formulário de inscrição do projeto que contempla
uma análise qualitativa da seleção da etapa de seleção das empresas participantes do projeto. Ressalta-se a importância desta etapa para o sucesso da implementação das atividades previstas no âmbito do projeto. Além do interesse da alta direção, a disponibilidade de tempo e recursos humanos são indispensáveis para o desenvolvimento
do trabalho na empresa.
Figura 1 – Etapas da metodologia da gestão integrada da inovação – IEL/SC. Fonte: Elaborado pelo IEL/SC
2
De acordo com os critérios de faturamento utilizado pela FINEP: Pequena Empresa: Acima de R$ 3,6 milhões e menor ou
igual a R$ 16 milhões; Média Empresa: superior a R$ 16 milhões e menor ou igual a R$ 90 milhões; Grande Empresa: superior
a R$ 90 milhões.
Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
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Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Perfil da empresa
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Quadro 2 - Caracterização da amostra
Faça uma breve descrição do histórico da empresa, seu posicionamento no mercado, principais clientes e principais produtos, certificações.
Estrutura para inovação
Setor
Localidade
Porte
Empresa A
Metalmecânico
Joinville
Médio
Empresa B
Construção civil
Florianópolis
Médio
possui uma área de engenharia e atividades relacionadas à inovação. Descreva
Empresa C
Agronegócio
Navegantes
Pequeno
também o perfil da equipe que atualmente atua com inovação ou a equipe que
Empresa D
Cerâmica
Sangão
Pequeno
pretende disponibilizar para atuar no processo de gestão da inovação.
Empresa E
Plástico
Içara
Pequeno
Empresa F
Construção Civil
Indaial
Pequeno
Empresa G
Plástico
Blumenau
Grande
faturamento, informar se possui registros de patente concedidos ou em trami-
Empresa H
Construção Civil
Blumenau
Pequeno
tação, e se obteve recurso para inovação por meio de mecanismos de fomento
Empresa I
Metalmecânico
Lages
Pequeno
como editais públicos ou investidores.
Empresa J
Bens de Capital
Chapecó
Pequeno
Empresa K
Metalmecânico
Timbó
Médio
Empresa L
Têxtil
Timbó
Pequeno
Descreva se a empresa possui uma área específica para o desenvolvimento de
atividades de P&D e inovação, se possui laboratórios e sua aplicabilidade e/ou se
Histórico de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação
Relatar as atividades relacionadas a inovação/inovações realizada/s na empresa,
apresentar a evolução de investimentos em P&D em percentual aproximado do
Motivação para a Gestão da Inovação
Descreva os motivos pelos quais a sua empresa está interessada em participar do
projeto NAGI e implementar a metodologia de gestão da inovação.
Expectativas
Fonte: Elaboração dos próprios autores
Descrever quais os principais resultados que a sua empresa espera ter com a
implementação da metodologia de Gestão Integrada da Inovação e com a sua
inserção no projeto NAGI.
Descreva sucintamente o comprometimento da direção da empresa com a implementação da metodologia, qual a disponibilidade da direção em participar de
reuniões de trabalho para definições estratégicas (expectativa de 8 horas mês).
Descreva também a disponibilidade de pessoal técnico para a execução das atividades.
Fonte: Elaboração dos autores com base nos documentos oficiais do Projeto NAGI
Portanto, as empresas que compõem a amostra da análise realizada no presente estudo foram aprovadas
nesta etapa de seleção e assim foram inseridas no Núcleo Integrado de Apoio à Gestão da Inovação, o quadro 2
apresenta a característica da amostra. Devido ao compromisso de sigilo com as empresas participantes do projeto,
optou-se por não divulgar o nome das empresas participantes e assim trata-las por letras. Ressalta-se que o presente
estudo apresenta os resultados da aplicação em 12 empresas do Projeto, constituindo assim resultados preliminares considerando que a amostra total da aplicação no final do projeto será de 40 empresas.
3.2 Aplicação
Nesta seção são apresentados os resultados preliminares da aplicação da etapa de mapeamento estratégico
da inovação. O resultado da análise qualitativa (entrevistas a equipe do Projeto NAGI na empresa) é bastante importante no sentido de enriquecer a percepção sobre a experiência de inovação e/ou estrutura de base necessária para
a implementação da metodologia de gestão integrada da inovação.
De maneira geral observou-se que a maioria das empresas analisadas teve pontuação mais elevadas nos
indicadores que tratam da performance em comparação com a pontuação obtida nos indicadores de práticas. Isto
porque tais empresas apesar de terem resultados mensuráveis positivos, muitas vezes não possuem métodos e processos sistematizados das suas atividades. Desta forma, não existindo garantias de que estes resultados possam
ser sustentáveis a longo prazo.
Esta situação geralmente pode ser explicada pela cultura da empresa, as empresas mais conservadoras
sustentam as suas estratégias em manter tudo como sempre foi feito, pois acreditam que só assim terá garantias de
que os resultados mensuráveis não serão prejudicados. Pensando desta forma, é como se o mercado não pudesse
sofrer alterações e a concorrência não tivesse o dinamismo que tem atualmente. Algumas empresas relataram a
busca pela inovação como forma de atingir o diferencial do mercado. No entanto, as dificuldades para a implementação do processo de gestão da inovação são tidas como um grande desafio para as empresas, algumas afirmaram
não saber como a inovação poderia ser inserida no seu negócio e como poderia ser pensada para aproveitar e criar
novas oportunidades. Entre os aspectos nomeadas pelas empresas como barreiras para implementação do processo de gestão da inovação destaca-se:
• Elevados custos da inovação
• Falta de orçamento para inovação
Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
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Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
161
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
• Sobrecarga de trabalho da equipe
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
nenhuma delas esteve posicionada nos cenários “pró-ativo”, “desafiador” e “promissor”. Das doze empresas analisadas, cinco delas estão posicionadas no cenário “vulnerável”, seguido de quatro empresas no cenário “reativo” e três
delas no cenário “incipiente”. Estas empresas compõem o núcleo de inovação do Projeto NAGI do IEL/SC e foram as
primeiras empresas a receber a vista de mapeamento estratégico.
• Resistência às mudanças
• Falta de conhecimento
• Rigidez organizacional
É importante ressaltar a expectativa que as empresas participantes do projeto têm sobre as atividades previstas ao longo das consultorias. Esperam iniciar um processo de gestão da inovação com a ajuda obtida no projeto.
Assim, destacam-se alguns pontos mencionados nas entrevistas:
• Criar um programa forte, contínuo e que nos traga benefícios
• Aproveitar melhor as ideias de todos os colaboradores
• Criar um programa que seja rentável e focado em resultados
• Mudar a cultura da empresa, estimular todos a contribuírem com o projeto
Os resultados foram muito próximos das expectativas de posicionamento pelas empresas. Analisando o gráfico
da figura 2, as empresas que estão no cenário “vulnerável” tiveram resultados melhores de performance, afirmando
que apesar dos seus resultados nos últimos anos ter sido favorável, este não foi sustentado por uso de conjunto de
práticas para as estratégias de crescimento da empresa. Ou seja, não houve alterações significativas nos processos
operacionais e/ou gestão. Situações como esta fortalecem a importância das empresas adotarem metodologias de
gestão da inovação, conforme a proposta do projeto NAGI.
As empresas posicionadas no cenário “incipiente” são aquelas que demonstram ações estratégicas iniciais
pensando em termos de inovação, apresentam resultados de performance e prática relativamente parecidos. As
empresas posicionadas no cenário “promissor” apesar de apresentarem resultados melhores em termos de prática,
os resultados de performance estão um pouco abaixo. Entre as possíveis explicações para esta situação, em alguns
casos pode ser argumentada pela implementação recente de métodos e processos ou também pela falta de sistematização de algumas ações iniciadas na empresa.
• Faça parte da estratégia da alta direção, não seja alterado e/ou cancelado
• Objetivos e metas claras para que as equipes mostrem os resultados obtidos
A partir do consenso dos indicadores em cada uma das empresas analisadas foi possível posicionar a empresa
de acordo com o seu grau de maturidade de inovação. Neste sentido, seis cenários possíveis foram identificados
para a classificação do grau de maturidade de inovação das empresas. De acordo com o resultado dos indicadores
nos aspectos de performance e prática, os cenários são descrições (NUGIN, 2005):
• Incipiente: São empresas que, em termos de prática e performance, apresentaram resultados abaixo de 20%
sinalizando oportunidades de melhorias e progresso.
• Promissor: São empresas que possuem mais de 50% de prática, porém não obtiveram os resultados dessas
práticas. Neste caso, devem-se avaliar as práticas para verificar sua efetividade. Quando as práticas são recentes, os
resultados poderão vir ao longo do tempo.
• Vulnerável: São empresas que tem bons resultados, porém não tem práticas sistematizadas, portanto estão
numa posição de vulnerabilidade quanto a sustentação dos seus resultados no futuro.
• Reativo: São empresas que possuem índices de prática e performance inferiores a 50%.
• Pró-ativo: São empresas que possuem entre 60% e 80% de prática e performance. Oportunidades de melhoria podem ser identificadas, mas as empresas nesta posição já são consideradas inovadoras.
• Desafiador: São empresas que obtiveram pontuação entre 80% e 100% de prática e performance. São consideradas líderes em relação a sua capacidade de inovar.
A figura 2 reúne o resultado do grau de maturidade de inovação através dos cenários em que se encontram as
12 empresas analisadas na etapa de mapeamento estratégico da inovação. No gráfico as empresas estão identificadas por letras conforme caracterização da amostra feita anteriormente no quadro 2.Entre as empresas analisadas
Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
162
Figura 2 – Posicionamento das empresas pelos resultados do mapeamento estratégico. Fonte: Elaborado pelo IEL/SC
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O contato e o trabalho direto com as empresas inseridas no projeto NAGI permite o constante aperfeiçoamento
da metodologia NUGIN, aproximando-a da realidade atual e para os setores e tamanho das empresas. Embora as
especificidades de cada setor exijam algumas adaptações da metodologia, observa-se situações que independem
do tamanho ou modelo de negócio da empresa. Neste aspecto, ressalta-se a falta de comunicação interna e disseminação do planejamento estratégico na maioria das empresas, salvo exceções, ficou bastante claro que embora
desejem inovar, ainda carecem de uma base estratégica dos seus negócios.
Durante as aplicações do mapeamento estratégico da inovação alguns pontos importantes são evidenciados:
• Ausência de estrutura de gestão da inovação
• Falta de entendimento sobre o papel da inovação para a competitividade da empresa. Muitas vezes o
conceito de inovação é visto apenas com caráter tecnológico, dificultando a visão prática da inovação para a
realidade atual da empresa
• Incorporação da inovação no planejamento estratégico da empresa, quando não há um planejamento formal
recomenda-se que sejam feitos exercícios e reflexões sobre a promoção de uma cultura de inovação internamente
Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
163
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
• Ter um processo de gestão da inovação facilitará a comunicação das empresas com os seus parceiros
• Fazer esta auto avaliação através dos resultados do mapeamento estratégico da inovação permite que as
empresas repensem estrategicamente sobre o seu modelo de negócio
Por fim, a discussão sobre os resultados obtidos visa também facilitar a implementação da metodologia de
gestão integrada da inovação, pois retrata a realidade da empresa e percepção do núcleo de inovação. Para as
empresas serve como um espelho onde podem seauto avaliar, os resultados das análises qualitativas e quantitativas são disponibilizados para as empresas de forma sistemática reunindo um conjunto de evidências que embora
fossem conhecidas pelos colaboradores/direção ainda não haviam sido tratadas de forma aberta e reflexiva. Proporcionar conversas sobre o assunto de inovação na empresa e despertar a motivação dos envolvidos no processo é
também uma das contribuições indiretas do projeto.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERÊNCIAS
CORAL, E.; OGLIARI, A.; ABREU, A. F. Gestão integrada da inovação: estratégia, organização e desenvolvimento de
produtos. São Paulo, SP: Atlas, 2008.
HBE – HARVARD BUSINESS ESSENTIALS. Managing creativity and inovation. Harvard Business Press, Boston, Massachusets, 2003
JONASH, R. S. E SOMMERLATTE, T. O valor da inovação: (the innovation premium) como as empresas mais avançadas
atingem alto desempenho e lucratividade. Rio de Janeiro: Campus, 2001.
MONTANHA, I.R; LEONEL, C.E.L; OGLIARI, A; DIAS, A; GEISLER,L. Importância, Definições e Modelos de Inovação. In:
CORAL, E.; OGLIARI, A.; ABREU, A. F. Gestão integrada da inovação: estratégia, organização e desenvolvimento de
produtos. São Paulo, SP: Atlas, 2008.
OECD. Manual de Oslo. Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados sobre Inovação. Terceira Edição. OCDE e
Eurostat. 2005. Disponível em http://www.finep.gov.br/imprensa/sala_imprensa/manual_de_oslo.pdf. Acesso em:
14 de fevereiro de 2014.
SCHUMPETER, J. A. Capitalism, Socialismand Democracy. New York: Harper and
Brothers, 1942.
Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
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Mapeamento Estratégico da Inovação: Relatos da Aplicação em Empresas Catarinenses no Âmbito do Projeto NAGI
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Este artigo apresenta a metodologia e sua aplicação nas diversas plataformas tecnológicas do CPqD, visando o
gerenciamento da inovação e o planejamento estratégico da instituição. Isto inclui a definição de um plano de ação
com objetivos principais de ampliação de equipes, investimentos em recursos humanos e infraestrutura laboratorial
e incremento e consolidação de parcerias com universidades e ICTs nacionais e internacionais.
Desenvolvimento
Paradisi, Alberto - Diretor de Inovação Tecnológica - CPqD
[email protected]
Cunha, Cleida Aparecida Queiroz - Pesquisadora de Telecomunicações - CPqD
[email protected]
Tronco, Tania Regina - Pesquisadora de Telecomunicações – CPqD
[email protected]
2. PLATAFORMAS TECNOLÓGICAS
O CPqD é uma Fundação privada, autônoma, focada na inovação com base em tecnologias de informação e
comunicação, com o objetivo de contribuir para a competitividade e a inclusão digital do país. Sua forma de atuação
é pautada em programas de pesquisa de desenvolvimento (P&D) orientados pelo mercado e seus resultados são
direcionados ao mercado, como ilustra a Figura 1.
Palavras-chaves: Inovação Tecnológica, Plataformas Tecnológicas, Indicadores, Métricas.
Resumo
Este artigo apresenta uma metodologia desenvolvida no CPqD para medição do grau de inovação tecnológica de
suas plataformas tecnológicas por meio do uso de indicadores quantitativos baseados em quatro critérios: (i) Ciência
e Tecnologia, (ii) Propriedade Intelectual, (iii) Estabelecimento de Referências e Padrões e (iv) Mercado. Esta
metodologia caracteriza-se por promover a inovação tecnológica e fortalecer o elo de ligação das atividades de
pesquisa e desenvolvimento (P&D) com o mercado, constituindo um diferencial de competitividade para as empresas. Sua utilização no relacionamento das atividades de P&D do CPqD com as empresas vem mostrando resultados
bastante promissores.
1. INTRODUÇÃO
Atualmente, a inovação tecnológica tem um papel estratégico fundamental no desenvolvimento socioeconômico, contribuindo para a melhoria da qualidade e diversidade dos produtos e serviços, a expansão dos mercados e a
racionalização de custos nas empresas. No entanto, o caminho para se chegar à inovação engloba desde a criação
de um ambiente inovador, que propicie a geração de novas idéias, até o desenvolvimento e implantação destas
idéias no mercado. Isto se traduz em muitos desafios para a gestão da inovação tecnológica, tais como: a definição
de estratégias empresarias, a capacitação tecnológica, a gestão da criatividade, a motivação, e em especial, o planejamento e acompanhamento dos resultados dos projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) tecnológico visando
avaliar sua real contribuição para a inovação e consequente competitividade da empresa. As atividades de planejamento e acompanhamento dos resultados de P&D, por sua vez, envolvem modelos, métodos e ferramentas de
medição e a definição de indicadores quantitativos em aspectos importantes dos setores de ciência e tecnologia e
de mercado. Neste contexto, o papel dos Institutos de Ciência e tecnologia (ICT) destaca-se fundamentalmente como
um elo de ligação e fortalecimento entre as universidades, cujo foco é a pesquisa cientifica (centradas na geração
de conhecimento), e as empresas, cujo foco são produtos inovadores (centradas portanto na exploração do conhecimento), colaborando na produção e disseminação do conhecimento para as empresas. Assim, o presente artigo tem
por objetivo ilustrar uma metodologia desenvolvida no CPqD, ICT focado na inovação com base nas tecnologias da
informação e comunicação (TICs), para avaliar o grau de inovação de suas plataformas tecnológicas. Esta metodologia, centrada na gestão do conhecimento tecnológico, destaca-se pela definição e uso de indicadores que abrangem
desde a geração até a exploração do conhecimento pelas empresas no mercado.
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
166
Fonte: CPqD, Apresentação Institucional. Figura 1 Modo de Operação do CPqD
Somente quando o P&D atinge o mercado é que a inovação de fato é produzida (SERAFIM, 2011), gerando capital
intelectual, contribuindo para a geração de empregos, para o desenvolvimento da sociedade e para a inclusão digital.
Por outro lado, há necessidade de se antecipar a demanda futura, pois a geração/adaptação de tecnologias é, tipicamente, bastante demorada. Neste sentido, atualmente, a base de conhecimento do CPqD está sendo estruturada nas
denominadas “plataformas tecnológicas” que visam estabelecer capacidades de P&D de curto, médio e longo prazo
que suportem o desenvolvimento presente e futuro, atingindo diversos mercados, como ilustra a Figura 2.
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
167
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Figura 2 Plataformas Tecnológicas e Mercado
O conceito de plataforma tecnológica inclui uma família de tecnologias chave (componentes) que são comuns
a diversos produtos do portfólio da empresa e que podem ser integradas para gerar novos produtos e/ou para uma
evolução dos produtos existentes (WALTERS, 2011).
A Figura 3 ilustra, a titulo de exemplo, quatro plataformas tecnológicas do CPqD, e seus respectivos componentes,
nas áreas de comunicações ópticas, comunicações sem fio, sensores e inteligência de localização.
Figura 3 Exemplos de Plataformas Tecnológicas e seus componentes
De acordo com Walters (2011) e Serafim (2011), a chave para a inovação em produtos está no gerenciamento
das plataformas tecnológicas subjacentes. Para este gerenciamento, podem ser empregados os mapas de rotas
tecnológicas (roadmaps) (PHAAL, 2001) que visam explorar a dinâmica das tecnologias emergentes num horizonte
de curto prazo, as atividades de desenvolvimento de longo prazo e, especialmente, desenvolver, implementar e executar mapas estratégicos de modo a alinhar as necessidades do mercado às capacidades tecnológicas da empresa.
Através dos roadmaps também é possível identificar limitações tecnológicas e as tendências de evolução global,
evitando obsolescências e gerenciando riscos, uma vez que os roadmaps fornecem caminhos alternativos, caso algum dos caminhos iniciais se mostre inviável. Desse modo, é um método impulsionado pelas inovações tecnológicas
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
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Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
necessárias para que as empresas atendam a mercados futuros, construindo uma visão de futuro e determinando
quais são as tecnologias necessárias para se chegar lá.
As plataformas tecnológicas também podem ser empregadas para exploração de novas tecnologias e oportunidades emergentes. Estas tecnologias podem ser testadas e avaliadas antes de sua incorporação nas plataformas.
Atualmente, o CPqD conta com um programa de pesquisa e desenvolvimento que tem como inspiração grandes
temas estruturantes, centrados nas necessidades das pessoas, e que possuem enorme potencial para provocar significativas repercussões nos próximos anos: Banda Larga, para o setor de telecomunicações; Smart Grid, para o setor
de energia elétrica; Banco do Futuro e universalização bancária, para o setor financeiro; Cidades Inteligentes, englobando os conceitos de governo eletrônico e de Inclusão Digital, para a administração pública e Defesa e Segurança para
soberania nacional. A Figura 4 ilustra uma visão global deste ecossistema e a interação entre a gestão tecnológica, a
gestão mercadológica, os temas estruturantes, o portfólio de produtos, as plataformas tecnológicas e o mercado.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Negócios. Para isto, é necessário conhecer a situação atual de cada plataforma e estabelecer um plano de ação de
forma a atingir o objetivo. Esse processo inclui a escolha de um líder técnico para cada plataforma tecnológica,
responsável por identificar o estado da arte, a situação atual e estabelecer um plano de ação. Neste contexto, o
estado da arte tem que ser algo tangível, mensurável, contextualizado à organização, motivador e direcionador para
ações de melhoria. Isto envolve a coleta de medidas e a definição de indicadores.
2. Metodologia para Avaliar o Grau de Inovação Tecnológica
A metodologia para medição do grau de inovação tecnológica das plataformas tecnológicas do CPqD é centrada na gestão do conhecimento e destaca-se por meio do uso de indicadores quantitativos baseados em quatro
critérios: (i) Ciência e Tecnologia (CT), (ii) Propriedade Intelectual (PI), (iii) Estabelecimento de Referências e Padrões (RP) e (iv) Mercado (ME), como ilustra a Figura 5.
Figura 5 Estado da Arte – Dimensões para Medição
Figura 4 Visão Ecossistema P&D, Mercado e Inovação
O CPqD tem como objetivo atingir e manter suas plataformas tecnológicas estratégicas no estado da arte, onde
“estado da arte” aqui significa o nível mais alto de desenvolvimento alcançado em um tempo definido. Para o período
de 2013 a 2016, o CPqD definiu como objetivo estratégico atingir o estado-da-arte nas plataformas tecnológicas de
Comunicações Ópticas, Comunicações Móveis e Redes sem fio, Smart Grid e Sistemas de Suporte a Operações e
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
170
Nesta figura é exemplificada a situação atual de uma plataforma tecnológica “x” que ainda não atingiu o estado da arte pleno (nível 5 na escala, nos quatro critérios).
Estes critérios abrangem desde a geração de conhecimento (CT), a proteção do conhecimento (PI), a
disseminação do conhecimento (RP) até a exploração do conhecimento (ME).
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
171
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A seguir, cada um destes critérios é detalhado, juntamente com a definição de seus respectivos indicadores.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Tabela 3 Pesos dos pedidos de patentes
3. Indicadores de Inovação Tecnológica
O indicador CT corresponde a uma medida da quantidade e da qualidade relativa da produção técnica de
cada plataforma tecnológica. Para avaliar a qualidade, são estabelecidos diferentes pesos para cada contribuição,
dependendo da relevância, de acordo com a Tabela 1.
Tabela 1 Peso das Contribuições
A seguir, esta somatória é classificada em níveis de acordo com a Tabela 4:
Tabela 4 Níveis e métricas de PI
* Conjunto a ser definido para cada área
O valor final do indicador CT é obtido através da soma do número de produções técnicas, multiplicadas por
seu respectivo peso, classificada em diferentes níveis de acordo com a Tabela 2:
Tabela 2 Níveis e Métricas de CT
O CPqD promove a cultura de proteger conhecimentos com mecanismos de direito de propriedade intelectual,
identificando aqueles mais estratégicos - seja de software, hardware, métodos, sistemas ou serviços. Assim, todo
pesquisador é orientado a proteger o conhecimento desenvolvido sob a forma de: depósito de patentes, registros
de marcas, registros de programas de computador, registros de direitos autorais, sigilo, contratos e oposições aos
pedidos de propriedade industrial de terceiros, caso se mostrem conflitantes com os interesses do CPqD.
O CPqD possui uma política de incentivo à formação na pós-graduação e estimula a participação de seus
colaboradores em cursos formais de mestrado e doutorado, que se mostrem alinhados com os projetos de P&D
da área técnica. Além disso, as áreas técnicas do CPqD têm colaborado com várias universidades, laboratórios e
projetos, no Brasil e no exterior, fomentando a produção técnica.
O indicador PI é obtido através da somatória do número de patentes solicitados, com maior peso para as
mais recentes, de forma a manter o acervo atualizado, de acordo com a Tabela 3.
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
172
Em particular, o depósito de patentes tem crescido nos últimos anos devido à diretriz de reconhecer e premiar o
espírito inovador de seus profissionais, denotando o compromisso da instituição com a inovação e com os mecanismos de proteção intelectual utilizados. Por meio de um programa de reconhecimento, os profissionais envolvidos
são premiados por destaque criativo, quando a patente é depositada, e por destaque inventivo, quando é concedida.
O indicador RP é obtido através da soma do número de contribuições para a elaboração de normas e padrões,
com diferentes pesos em função do tipo de participação em órgãos e fóruns de padronização, sendo considerados
os tipos de apenas participação, de contribuição efetiva e de liderança de grupo. Além disso, são consideradas
também diferentes abrangências: local, regional e global, como mostrado na Tabela 5.
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
173
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Tabela 5 Pesos para o tipo e abrangência da participação
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Neste caso, a forma de cálculo é a seguinte:
A = receita advinda da comercialização (U$)
B = tamanho do mercado global (U$)
Forma de Cálculo: (A/B) * 1.000
As inovações decorrentes do programa de P&D do CPqD podem ser licenciadas com a transferência de tecnologia para a indústria em geral, ou por meio da criação de novas empresas, atingindo o mercado.
A seguir, esta soma é classificada em níveis de acordo com a Tabela 6.
Tabela 6 Pesos para Contribuição Local, Regional e Global
Em relação ao licenciamento tecnológico, várias transferências foram realizadas nos últimos 3 anos para a
indústria nacional, nas áreas de comunicações ópticas, comunicações sem fio e de sensoriamento óptico a fibra.
Como conseqüência desse aporte tecnológico, essas empresas tornaram-se mais competitivas em seus segmentos.
4. CONSIDERAÇÕES
Com relação à metodologia e aos indicadores definidos anteriormente, alguns conceitos inovadores foram
acrescentados às suas definições, tais como:
• No critério CT foi acrescentada a visão de relevância (diferentes pesos).
• No critério PI foi dado um estímulo para a atualização do acervo atualizado (pesos maiores para os pedidos
de patente mais recentes.
• No critério RP foi dado um estímulo para participação em órgãos de padronização globais (pesos maiores
para contribuição e liderança).
• Já com relação ao critério ME, a participação passou a considerar mercado global foi acrescida, estimulando
a internacionalização das empresas.
O CPqD é associado e participa ativamente de importantes fóruns internacionais de padronização. Esta participação é fundamental para garantir a compatibilidade e a interoperabilidade mundial das soluções desenvolvidas e comercializadas.
O indicador ME avalia o percentual de participação no mercado global através da comercialização de produtos que incorporaram tecnologias que são resultantes de projetos de P&D da área. A Tabela 7 ilustra os diferentes
níveis deste indicador.
Após a definição dos indicadores, um líder técnico é selecionado para cada plataforma e orientado a especificar
direcionadores e efetuar as medidas para determinar a situação atual da plataforma. Então, um plano de ação é
elaborado para que o estado da arte seja atingido num determinado período de tempo. Este plano inclui ações como
a ampliação da equipe, investimentos em recursos humanos e infraestrutura laboratorial e incremento/consolidação
de parcerias com universidades e ICTs nacionais e internacionais.
A Figura 6 ilustra uma visão geral da metodologia proposta.
Tabela 7 Níveis e métricas de ME
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
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Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Figura 7 Situação Atual Plataforma Comunicações Ópticas
Figura 6 Metodologia de Trabalho
Atualmente esta metodologia já está sendo aplicada no P&D do CPqD e tem se mostrado efetiva. No entanto, ainda não é possível quantificar plenamente estes ganhos, pois se encontra em estágio inicial do período de
avaliação proposto.
Após a validação desta metodologia, novas plataformas serão incluídas no processo e uma prática corporativa
será elaborada para o sistema de qualidade do CPqD, como mostrado na Figura 6.
A título de exemplo, a Figura 7 e a Figura 8 ilustram, respectivamente, a situação atual da primeira medida
da plataforma de comunicações ópticas e a situação prevista para 2016, após implementação do plano de ação. A
avaliação da situação atual revelou necessidade de ações de melhoria no estabelecimento de referências e padrões
globais. Assim, o líder técnico deu início a uma série de trabalhos de alinhamento junto a fóruns internacionais
visando participações com contribuições efetivas para assim obter maior compatibilidade e interoperabilidade das
tecnologias. Em 2016, é previsto que todos os indicadores atinjam o nível 5, retratando o estado da arte em comunicações ópticas.
Figura 8 Situação da Plataforma de Comunicações Ópticas Após Plano de Ação
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
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Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
3. CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
Neste trabalho foi descrita uma metodologia desenvolvida no CPqD para medir o grau de inovação tecnológica de suas
plataformas tecnológicas por meio do uso de indicadores qualitativos e quantitativos. Esta metodologia caracteriza-se por três
aspectos: (1) promover a inovação tecnológica, (2) fortalecer o elo de ligação das atividades de pesquisa e desenvolvimento
(P&D) do CPqD com o mercado e (3) integrar e medir a evolução das plataformas do CPqD com base em roadmap tecnológicos.
Os resultados obtidos na aplicação desta metodologia em quatro plataformas tecnológicas são promissores e, em uma fase
seguinte, novas plataformas devem ser incluídas para ampliar a abrangência da avaliação. A metodologia proposta apresenta diversos aspectos inovadores, sendo suficientemente genérica para utilização em outras ICTs, o que contribuiria significativamente
para sua consolidação e enriquecimento.
PHAAL, R.; FARRUKH, C.; PROBERT, D. Technology Roadmapping: linking technology resources to business objectives. In: Centre
for Technology Management, University of Cambridge Press, 2001.
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
178
SERAFIM, L. O Poder da Inovação. Editora Saraiva, 2011.
WALTERS, C.; BOULTON, C. A platform approach to management of technology risk. Disponível em: <http://www.42technology.
com/news/technology-risk/>, Acesso em 20 fev. 2014.
Metodologia para Medição do Grau de Inovação Tecnológica Através do Uso de Indicadores Quantitativos
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
O Brasil Fazendo o Dever de Casa para o Ranking de
Inovação Tecnológica e Desenvolvimento Humano
país alcançou a autossuficiência na produção de petróleo e acaba de descobrir novos super-campos de produção
de petróleo, somada à sua prospecção nas camadas do pré-sal. Ademais, o país também transparece em estar bem
posicionado para se beneficiar do elevado crescimento da demanda mundial por alimentos e da associada elevação
de seus preços.
Albrecht Anversa, Marcus Vinícius
Doutorando em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
Analista em Ciência e Tecnologia do MCTI/Instituto Nacional de Tecnologia - INT
O maior desafio que se coloca atualmente para o país é o de ser capaz de evitar a complacência com essa
bonança passageira. Efetivamente, aproveitar a oportunidade histórica que se apresenta para um conjunto de políticas ativas que faça ancorar o crescimento e o desenvolvimento brasileiros em vantagens competitivas construídas
com base em ganhos tecnológicos. Não, como de praxi, na exploração não-sustentável de recursos naturais e de
mão de obra barata. Em outras palavras, o grande desafio brasileiro atual é o de conseguir transformar a política de
C,T& I em uma efetiva política de inovação e fazer dessa a base da nova política de desenvolvimento com grande
repercussão no social.
Gilaberte Pádua, Thalissa
Mestranda em Propriedade Industrial pelo Instituto de Nacional de Propriedade Industrial - INPI
Assessora da Direção do MCTI/Instituto Nacional de Tecnologia - INT
Palavras-chaves: Inovação Tecnológica; EMBRAPII; Desenvolvimento Social, Educação.
Resumo
Este trabalho tem por objetivo analisar a perda da competitividade industrial e de inovação tecnológica do Brasil,
acrescentado pela queda do setor responsável em criar o capital humano, a massa crítica, em proporcionar inovações: a educação. O Brasil se encontra em um grande encruzilhada, tendo uma janela de oportunidades
econômica em aberto, que precisa ser explorada sob a pena de perder os possíveis ganhos econômicos e, especialmente, os de desenvolvimento social. Em virtude do quadro exposto, têm-se criado políticas públicas voltadas para
enfrentar um dos gargalos de nossa economia que é a integração entre o setor público e privado, isto é existência da
parceria público-privado tendo como um dos objetivos a transferência das inovações tecnológicas gestadas nas Instituições Científicas Tecnológicas - ICTs sejam levadas ao mercado. Uma das políticas criadas recentemente é o Projeto
Piloto de Aliança Pública e Privada com vistas à constituição da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial
- Embrapii, na qual será exposto a sua organização e gestão no decorrer do trabalho. Na execução do Projeto Piloto,
no caso, os projetos de âmbito do Instituto Nacional de Tecnologia - INT, foi percebida a importância, a dependência e
a constatada deficiência na área da educação. Através disso é abordado o estado do Sistema Educacional Brasileiro,
um dos alicerces que propicia o desenvolvimento científico, tecnológico e inovativo, que repercutem no desenvolvimento social do país. Para isso nos valemos da análise comparativa do desempenho econômico e inovativo da Coreia
do Sul e Finlândia que apostaram seu futuro na valorização do homem através da educação, uma receita que muitos
discursam, prometem, mas costumeiramente relegada. Por fim, um dos principais resultados obtidos no trabalho
foi que as políticas públicas voltadas para o incremento da competitividade industrial, da inovação tecnológica e do
desenvolvimento social estão diretamente ancoradas nas políticas e objetivos educacionais.
1. A Perda da Competividade Industrial e da Inovação Tecnológica
Apesar de o arcabouço legal vigente e as várias políticas públicas instituídas, no que tange a escala global, o
Índice Global de Inovação 2013, vide o Quadro1, página 3, acionou o “alerta amarelo”. Anuncia que Brasil caiu seis
posições em relação a 2012, alcançando o 64º lugar. O ranking produzido pela Organização Mundial da Propriedade
Intelectual - OMPI, Instituto Insead e Universidade Cornell mostra que o Brasil é apenas o oitavo colocado na América
Latina e Caribe, atrás da Costa Rica (39º), o melhor colocado de toda a América Latina, do Chile (46º), Uruguai (52º),
Argentina (56º) e México (63º). Em comparação com 2011, a queda brasileira foi de 17 posições. O resultado
brasileiro foi mal nos índices que avaliam: instituições (95º) - ambientes políticos, regulatórios e empresariais -;
sofisticação do mercado (76º) - crédito, investimento e competitividade -; pesquisa e capital humano (75º) - educação
e P&D -; e resultados de atividade criativa (72º) - ativos intangíveis, bens e serviços criativos e criatividade online.
O Índice Global de Inovação (2013) vem mostrando ao longo dos últimos anos que a inovação tem-se tornado
mais disseminada e dispersa geograficamente.
1. INTRODUÇÃO
Na primeira década do século XXI foi apontado o alinhamento dos astros da economia mundial em posições favoráveis à economia brasileira, uma clara janela de oportunidades para a construção de uma bem sucedida política
de desenvolvimento. O mercado interno estava em expansão como fruto dessa estabilidade e das políticas sociais
recentes, em especial. O país desenvolveu liderança na tecnologia de produção e uso de etanol em motores a explosão, uma tecnologia que também contribui para a redução da emissão de gases de efeito estufa. Além disso, o
O Brasil Fazendo o Dever de Casa para o Ranking de Inovação Tecnológica e Desenvolvimento Humano
180
O Brasil Fazendo o Dever de Casa para o Ranking de Inovação Tecnológica e Desenvolvimento Humano
181
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Quadro 1: Índice Global de Inovação
País/Economia
Pontuação (0–100)
Posição
Renda
Posição
Região
Posição Taxa de Eficiência
Posição
Suíça
66.59
1
HI
1
EUR
1
1.00
12
Suécia
61.36
2
HI
2
EUR
2
0.81
55
Reino Unido
61.25
3
HI
3
EUR
3
0.80
60
Países Baixos
61.14
4
HI
4
EUR
4
0.91
26
Estados Unidos
60.31
5
HI
5
NAC
1
0.74
86
Finlândia
59.51
6
HI
6
EUR
5
0.79
67
Cingapura
59.41
8
HI
8
SEAO
2
0.64
121
Dinamarca
58.34
9
HI
9
EUR
6
0.76
78
Irlanda
57.91
10
HI
10
EUR
7
0.81
57
Canadá
57.60
11
HI
11
NAC
2
0.78
68
Coreia do Sul
53.31
18
HI
18
SEAO
4
0.72
95
Portugal
45.10
34
HI
32
EUR
23
0.73
92
China
44.66
35
UM
3
SEAO
8
0.98
14
Croácia
41.95
37
HI
34
EUR
25
0.82
50
Costa Rica
41.54
39
UM
4
LCN
1
1.02
9
Lituânia
41.39
40
UM
5
EUR
26
0.69
105
Bulgária
41.33
41
UM
6
EUR
27
0.88
35
Arábia Saudita
41.21
42
HI
36
NAWA
4
0.80
61
Chile
40.58
46
UM
8
LCN
2
0.74
88
Uruguai
38.08
52
UM
11
LCN
4
0.85
45
Argentina
37.66
56
UM
14
LCN
5
0.94
20
Tailândia
37.63
57
UM
15
SEAO
9
0.76
76
África do Sul
37.60
58
UM
16
SSF
2
0.71
99
Rússia
37.20
62
UM
19
EUR
35
0.70
104
México
36.82
63
UM
20
LCN
7
0.81
56
Brasil
36.33
64
UM
21
LCN
8
0.78
69
Índia
36.17
66
LM
3
CSA
1
1.02
11
Fonte: CORNELL UNIVERSITY; INSEAD & ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL - OMPI, 2013.
Nota: Classificação de Grupos de Rendas dos Países pelo Banco Mundial (julho de 2012): LI = baixa renda ($1,005 ou menos);
LM = renda média-baixa ($1,006 - $3,975); UM = renda média-alta ($3,976 - $12,275), e HI = renda alta. ($12,276 ou mais)
Regiões são baseadas na classificação das Nações Unidas (11 de fevereiro de 2013): EUR = Europa; NAC = América do Norte;
LCN = América Latina e no Caribe; CSA = Central e Sul da Ásia; SEAO = Sudeste da Ásia e Oceania; NAWA = Norte de África e Ásia
Ocidental, e SSF = África Subsaariana.
O Brasil Fazendo o Dever de Casa para o Ranking de Inovação Tecnológica e Desenvolvimento Humano
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Ao analisar os dados da Costa Rica observamos alguns fatores que apontam para o seu êxito na liderança do rankig
de inovação 2013 em relação às demais países da América Latina. O país é um dos países democráticos
(democracia representativa) mais consolidados das Américas, e é o único país da América Latina incluso na lista
das 22 democracias mais antigas do mundo. Desde os anos de 1850, está expresso de forma clara em sua Constituição o papel da educação, sendo implementada por vários presidentes, como José Maria Castro Madriz (1847-1849;
1866-1868), que a visualizava como um meio para manter a cultura democrática, isto é, a própria democracia, e
era dever do Estado prover esse meio. O maior impulso para a educação foi dado por Mauro Fernández, Ministro da
Educação (1887-1888), em favor do ensino gratuito.
Sua característica territorial, em especial, a sua localização no istmo da América Central, dá-lhe um acesso
fácil aos mercados norte-americanos, visto que se situa no mesmo fuso horário centrais dos Estados Unidos, além
do acesso direto por oceano à Europa e Ásia. O governo segue realizando o plano traçado destinado à expansão da
indústria de alta tecnologia, tendo a presença da gigante fabricante de processadores para computadores, a INTEL,
como consequencia dessa política. Existem também isenções fiscais para os investidores que quiserem apostar no
país, embora não salvos de algumas polêmicas como é o caso do uso barato, bastante módico, da energia elétrica
por parte da INTEL, que responde por 4,9% do PIB anual, 20% das exportações da Costa Rica (El ECONOMISTA.ES,
2013), e de outras empresas como a Holcim, Alunasa e Cemex.
Apesar de ser um pequeno país de uma região com uma imagem não muito boa no quesito índice de desenvolvimento humano, a Costa Rica é um Estado que vem tratando de fazer as coisas bem, apesar do atraso em matéria de
infraestrutura pública e da endêmica corrupção que sofre em todos os estratos sociais.
A respeito do êxito da Costa Rica em relação ao Brasil no quesito produtividade, Michael Porter (2004) comenta:
“Não se pode simplesmente confiar em adquirir tecnologia – é preciso ser capaz de criar tecnologia…
Mas acho razoável dizer que o conceito de cluster, de empresas que veem a si próprias como parte de
clusters e trabalham de forma proativa para aumentar sua eficiência, é algo que ainda não se firmou
no Brasil. E vai ter de se firmar, porque sabemos, pelo exemplo das economias realmente avançadas,
que os clusters são o ponto de onde vem a inovação e os rápidos níveis de aumento da produtividade.
O Brasil perdeu a fábrica da Intel na América Latina para a Costa Rica. A empresa estava escolhendo
entre o Brasil, a Argentina, o México e a Costa Rica. O país perdeu porque a Intel considerou que as
condições para um cluster produtivo e eficiente não estavam presentes aqui no mesmo nível da Costa
Rica, esse pequenino país. E o que a Costa Rica tinha que o Brasil não tinha? Um sistema de educação
melhor, montes de engenheiros de software formando-se todos os anos, um conjunto de institutos de
pesquisa capazes de trabalhar com a Intel assim que ela estivesse lá, utilização generalizada da tecnologia da informação, acesso à internet e conhecimentos de computação quase universais. Um cluster
preexistente em eletrônica e montagem de aparelhos eletrônicos que provia uma base de fornecedores
da qual a Intel podia lançar mão. Na competição moderna, um país não atrai investimento estrangeiro
apenas passando um cheque ou sendo uma grande economia com um mercado imenso”.
Como já observamos, a indústria brasileira perdeu boa parte da competividade frente ao mercado mundial. Dados da ONU, compilados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial - IEDI, mostram que em 1990 o
Brasil respondia por 2% do Produto Interno Bruto (PIB) manufatureiro mundial. Em 2011, ficou com 1,7%. No período,
a Índia aumentou sua fatia de 1% para 2,1%; a Coreia do Sul, de 1,4% para 3,1%; e o México perdeu menos que o
Brasil, passando de 2% para 1,8% (IEDI, 2011, apud CARVALHO, 2013).
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
2. A CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA E INOVAÇÃO INDUSTRIAL – EMBRAPII
No intuito de minimizar esse problema, recentemente o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação - MCTI
- editou em 4 de agosto de 2011 a Portaria 593 que viabilizou a criação do Projeto Piloto de Aliança Estratégica
Pública e Privada com vistas à constituição da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial - Embrapii. O
governo lançou o Plano Inova Empresa, a qual a Embrapii se insere, mesclando um alto investimento governamental
em tecnologia e articulação com agências reguladoras e bancos públicos, visando atacar a baixa produtividade. Decerto as iniciativas são audaciosas, mas essenciais para geração de competitividade.
As empresas, em geral, reconhecem os benefícios da inovação como forma de subsistência no mercado, e, até,
de forma incipiente estão tentando investir mais. Contudo, um maior planejamento deve ser feito pelas organizações
a fim de direcionar os investimentos em projetos que realmente tragam resultados positivos.
2.1. Projeto Piloto de Aliança Pública e Privada - EMBRAPII
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
ao contrário do que acontece no resto do mundo. Assim, a medida vai ajudar na convergência da inovação e na
transferência do conhecimento entre as empresas privadas.
2.2. Interação Entre os Atores do Programa Piloto EMBRAPII
Os atores presentes no projeto piloto de aliança estratégica público e privado são: Confederação Nacional das
Indústrias - CNI, Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT, Instituto Nacional de Tecnologia - INT, Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia do SENAI na Bahia - SENAI-CIMATEC/BA.
Queremos ressaltar que parte do diferencial do modelo Embrapii está na forma de operacionalização. Assim
enumeramos algumas vantagens, a saber:
• Processo de negociação direta entre ICT e empresa, que facilita entendimento e definição do escopo do projeto;
Atualmente, a participação brasileira na produção científica atinge o nível de 2,39 % da produção mundial. Entretanto, o Brasil não conseguiu, ainda, estabelecer um vínculo entre o conhecimento científico tecnológico e a produção
no setor empresarial. Enquanto o país ocupa a 13ª posição no ranking internacional da produção cientifica, enfrenta
o 30º lugar no ranking mundial de patentes depositadas no Escritório de Patentes dos Estados Unidos, totalizando
2.831 registros.
• Premissa de agilidade e desburocratização, principalmente na aprovação dos projetos por parte das ICTs.
Afinal, projetos com foco na inovação não podem demorar muito tempo em sua tramitação;
Acresce-se a isso que as indústrias brasileiras não costumam ter centros de P&D endógenos. A inovação do parque
fabril, conforme dados da última PINTEC, normalmente ocorre mais pela aquisição de máquinas e equipamentos do
que por novos processos e produtos. A capacidade de inovação das indústrias brasileiras ainda é incipiente, segundo
os dados da Pesquisa de Inovação Tecnológica - PINTEC, publicada no ano de 2010. Sendo assim é mister uma política de Estado eficiente a fim de disseminar e robustecer a cultura da importância da P&D para as empresas como
forma de garantir sua vantagem e sua preservação no mercado.
• Prestação de contas objetiva e simplificada sendo de responsabilidade das ICTs o gerenciamento e
arquivamento de toda documentação técnica e contábil para futuras comprovações do desenvolvimento do projeto,
caso venha a ser necessário.
Note-se que o problema supracitado já era vislumbrado há doze anos como de extrema importância para o
desenvolvimento tecnológico, econômico e social. De fato, Brito Cruz, em seu artigo publicado no ano de 2000, “a
universidade, a empresa e a pesquisa que o país precisa” já apontava a necessidade de um ambiente adequado que
estimulasse os setores empresariais ao investimento no conhecimento a fim de aumentar a competitividade, riqueza
e desenvolvimento.
• Disponibilidade imediata dos recursos: sem a necessidade de análise de relatórios intermediários para o
aporte de novas parcelas para o projeto, o que leva, muitas vezes, na interrupção do mesmo;
Para melhor compreensão do sistema apresentamos um esquema, Figura 1, página 9, de como a relação
entre os atores se estabelece e qual a devida efetividade do programa em comparação as outras diversas políticas públicas existentes.
Decerto, nos últimos anos a formação de recursos humanos em nível de pós-graduação aumentou consideravelmente, mas é necessário inserir estes mestres e doutores no setor empresarial. Ao contrário dos brasileiros, a situação é inversa nos países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha e Japão.
A Embrapii pretende contribuir para a eliminação de grande lacuna na articulação entre os setores público e privado,
tendo como perspectiva a promoção da inovação nas empresas brasileiras, explorando a competência estabelecida
das ICTs. A ação piloto da Embrapii, ainda em curso, atua com três institutos tecnológicos, a saber: Instituto Nacional
de Tecnologia - INT, Instituto Nacional de Pesquisas Tecnológicas - IPT, e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia do SENAI na Bahia - SENAI-CIMATEC/ BA. Salienta-se, ainda, que
o custeio do projeto é compartilhado entre a empresa, a Embrapii (Governo) e o instituto, sendo o aporte da empresa
necessariamente financeiro.
Inicialmente, a estrutura da Embrapii está baseada no modelo implementado no Instituto Fraunhofer, na Alemanha.
Organizado de forma descentralizada, ele é composto atualmente por sessenta unidades de pesquisa em diversos
países. Segundo, o ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, um dos benefícios que a parceria com o Fraunhofer pode trazer é a questão de patentes no Brasil. Aqui, dois terços delas vêm do setor público,
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Figura 1: Relação entre os Atores do Projeto Piloto EMBRAPII
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Figura 2: Cadeia Produtiva para o Produto Carro Chefe no Projeto Piloto EMBRAPII, Gestão INT
FONTE: ORGANIZADO POR THALISSA GILABERTE, 2013.
Abaixo, Figura 2, página 10, a cadeia produtiva para o produto carro chefe em dois níveis a montante e dois níveis a
jusante. Ressalta-se que a cadeia produzida leva em consideração apenas o modelo de gestão do Instituto Nacional
de Tecnologia - INT. Senão vejamos:
FONTE: ORGANIZADO POR THALISSA GILABERTE, 2013.
O Brasil Fazendo o Dever de Casa para o Ranking de Inovação Tecnológica e Desenvolvimento Humano
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O Brasil Fazendo o Dever de Casa para o Ranking de Inovação Tecnológica e Desenvolvimento Humano
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
3. O PAPEL DA EDUCAÇÃO NO INCREMENTO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E SEU IMPACTO NUMA ECONOMIA COM
DESENVOLVIMENTO SOCIAL.
Temos dois países com realidades bem distintas, nos aspectos culturais e em seus sistemas educacionais,
mas que apostaram seriamente neste último, a educação, como molas vitais para o seu crescimento e desenvolvimento econômico. Estas duas nações costumam ocupar posições de destaque nos rankings do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que mede o aprendizado em leitura, matemática e ciências. Poderíamos também
citar o caso de Cuba e seu modelo educacional bem avaliado pela UNESCO, a ponto de exportar a sua principal
“matéria-prima” para países como Honduras, Bolívia, Venezuela, Moçambique,...., nos referimos aos profissionais
qualificados como os médicos, sendo um dos destinos atuais, o Brasil. Entretanto, analisaremos a Coreia do Sul (18o
no ranking do Índice Global de Inovação) e Finlândia (6o) que apostaram em seu modelo econômico, em especial, na
industrialização de utensílios e componentes eletrônicos de alta tecnologia, e consequentemente, na dependência
dos incrementos da inovação tecnológica, fase a alta concorrência que ocorre nesse ramo da economia.
Ao estudarmos o papel da educação no processo de crescimento econômico destes dois países, ou de
qualquer país, a análise deve sempre ir além da estimação de seu peso relativo na composição da renda. A contabilidade do crescimento econômico considera a variável capital humano, cujo componente principal é a educação,
que é medida principalmente pela média de anos de escolaridade formal da população adulta, ser visto como um
insumo, mas que explica relativamente pouco do crescimento (LEE, 1996). Há, entretanto, de considerar que sua
mensuração é prejudicada quando reduzida somente aos anos de escolaridade. Ao analisarmos o exemplo da Coreia
da Sul e da Finlândia, ele irá nos mostrar que a educação pode contribuir mais no desenvolvimento de um país do
que a contabilidade do crescimento sugere. Ela aumenta a produtividade dos trabalhadores, a habilidade no desenvolvimento da ciência e tecnologia com o incremento de inovações tecnológicas, o que também facilita a absorção
de tecnologias vindas do Exterior.
Enquanto os coreanos aplicam um sistema baseado na tradicional disciplina, com muitas horas diárias de
estudo e investimentos pesados do governo, os finlandeses são bem menos formais e aplicam comparativamente
menos capital no sistema educacional. Entretanto, é a utilizada a mesma viga mestra que sustenta os dois modelos
educacionais: seleção e formação de professores de ponta, com reconhecimento profissional e boas condições de
trabalho. A educação básica tem a prioridade no sistema escolar da Coreia do Sul e não propriamente do Ensino
Superior. Na Finlândia, a disputa pelo posto de professor da rede pública é acirrada, sendo que apenas 10% dos
candidatos conseguem vaga nos cursos de formação, requisito para poder lecionar, e o mínimo de formação exigida
é o mestrado. Enquanto apenas 2% dos jovens estudantes brasileiros, em média, dizem sonhar com a profissão de
professores, conforme o estudo da Atratividade da Carreira Docente no Brasil, da Fundação Vitor Civita, na Finlândia
a carreira do magistério atrai a elite dos estudantes.
Podemos ter a ideia da receita de sucesso do modelo educacional finlandês através das impressões abaixo, obtidas
por estudo em loco feito por Lúcia Maria Leite da Silva (2012)
[...] é resultado de políticas públicas que reconhecem a importância da atividade docente e da complexidade que envolve a formação de futuros professores. A profissão de professor na Finlândia é uma das
mais procuradas e conceituadas, embora as áreas tecnológicas venham cooptando um número maior
de aspirantes a cada ano. O elevado status da profissão faz com que a sociedade tenha um respeito
imensurável pelo docente e o salário inicial, apesar de não constar entre os mais elevados do país, ainda é atraente: cerca de dois mil euros. Mesmo sendo um valor relativamente baixo para viver na capital
do país, cujo custo de vida é mais elevado em relação às outras cidades finlandesas, não se pode dizer o
mesmo quando se opta por morar na região metropolitana ou em cidades pouco distantes. Nesse caso,
os excelentes e eficientes meios de transporte integrados oferecidos pelo governo minimizam o problema. Não há como não ter uma vida digna em um país que zela pelo bem- estar social e reverte os altos
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impostos cobrados em benefícios para a população. Além disso, o rigor fiscal e o estrito cumprimento da
lei fazem com que o país tenha um dos menores índices de corrupção do mundo. Praticamente todas
as instituições de ensino são públicas, com exceção de algumas de caráter confessional, que, mesmo
assim, seguem as diretrizes governamentais e não cobram mensalidades, pois recebem subsídios.
A Finlândia atualmente também é reconhecida como um exemplo de sociedade do conhecimento, baseada
em uma economia altamente competitiva e inovadora. Parte do êxito é devido à centralidade dada às políticas de
pesquisa, desenvolvimento e inovação, dentro da realidade finlandesa, desde o final da década de 80. Esta prioridade refletiu no direcionamento de vultosos recursos humanos e financeiros para o setor de C,T&I e para a instituição de mecanismos efetivos de cooperação entre as instituições de ensino superior e a indústria, focado a partir
de um sistema nacional de inovação. O investimento finlandês na área passou de 1,7% do PIB em 1980, para 2,3%
em 1985, e 3,4% em 2000 (BRITTO, 2013). Este nível de investimento está sendo mantido até os dias de hoje. O
setor privado tem a participação de dois terços das verbas, destacando-se o papel desempenhado pela Nokia, que
se constituiu, na primeira metade dos anos 2000, como o centro de expressivo cluster de empresas de tecnologia
da informação e comunicação.
Nesse sistema em que ocorre a cooperação entre as instituições científicas e tecnológicas (ICTs) e a indústria,
concorrem vários atores que fomentam a pesquisa básica (Academia da Finlândia) e aplicada (Tekes). Estes articulam a pesquisa interdisciplinar em centros de excelência e redes de pesquisadores, incentivam o empreendedorismo
e apoiam a internacionalização das empresas finlandesas. (BRITTO, 2013). O sistema reside na internacionalização,
não só por meio da presença das empresas e produtos nacionais em outros mercados, mas também da mobilidade
acadêmica, do desenvolvimento de projetos conjuntos de pesquisa e da criação de redes internacionais de inovação
tecnológica.
Na verdade, o fator crucial foi o reconhecimento que deveria se realizar a construção do um modelo de ensino
fundamental universal, que foi iniciado nos anos de 1970, visando lograr um sistema educacional que atendesse
bem a todos os alunos, independentemente de suas aptidões específicas e posição social. Para a sua execução,
seria imprescindível possuir um corpo docente altamente qualificado.
Devemos ressaltar que a experiência finlandesa no campo da educação tem raízes históricas, políticas, geográficas, culturais e sociais próprias, que dificilmente podem ser transpostas para outros contextos. Entretanto, ao estudarmos estes exemplos bem-sucedidos, no caso, do sistema educacional, das políticas econômica e de C,T&I
implementados pela Finlândia, podemos obter dados, subsídios para uma reflexão de nossa própria realidade, da
trajetória das políticas educacionais, econômicas e de C,T&I, que norteiem para os caminhos de reforma que podemos vislumbrar no horizonte.
Cabe ressaltar que os êxitos alcançados pela Finlândia na educação, com reflexos na transformação deste país
em uma economia competitiva, inovativa e intensiva em conhecimento, são resultados de reformas realizadas em
longo prazo, que foram mantidas e aprofundadas por décadas (três no mínimo). A atual realidade finlandesa é fruto
de debates e consequentemente, na edificação de amplos consensos pluripartidários, sociais, que mobilizaram diversos atores políticos na realização das decisões tomadas.
Como afirma Manuel Castells e Pekka Himanen (2002) a respeito da Finlândia, que estenderíamos às demais
nações que seguem a mesma receita, na qual a inovação tecnológica está a serviço na constituição de uma sociedade possuidora de uma economia dinâmica, competitiva, em que todos desta sejam beneficiados
[...] a experiência finlandesa também oferece certa esperança aos países que atualmente encontram-se
estagnados em níveis de desenvolvimento muito inferiores em todo o mundo. Em contraste com a imagem da Finlândia como um país escandinavo rico, deve recordar-se que há tão somente três gerações, a
Finlândia era um país muito pobre, a maioria da população trabalhava na agricultura, dependia em grande
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
parte dos seus recursos florestais, tinha uma integração muito fraca com os principais canais de capital,
mercados e tecnologia do mundo e uma cobertura pública muito limitada das necessidades de sua população. [...] A capacidade de dar um salto em meio século desde as profundidades do atraso econômico até
a vanguarda do desenvolvimento informacional mostra que o que conta no modo como as sociedades e
pessoas melhoram sua vida e seus projetos não é o destino histórico, mas o esforço humano.
Quanto à Coreia do Sul, transformado de um país pobre e carente de recursos naturais, saído de uma guerra
devastadora, para uma nação industrializada e de economia desenvolvida, é atribuída à interação de vários fatores
econômicos e também não econômicos que valem a pena serem analisados. Os fatores econômicos incluem a industrialização pesada, a estratégia de comércio voltada para fora e o forte dirigismo do governo. Fatores não econômicos
incluem a política educacional bem-sucedida (KIM, 2001) e a homogeneidade étnica e cultural (WORLD BANK, 2006,
apud MILTONS & MICHELON, 2008).
Observando-se dados disponibilizados pelo Banco da Coreia e Escritório Nacional de Estatística da Coreia
(SONG, 2013) relativos ao crescimento do PNB sul coreano entre 1960 e 2001, em termos per capita, verifica-se um
crescimento ininterrupto no período 1960-1996, seguido por uma queda nos anos imediatamente anteriores à crise
de 1997-98 com posterior recuperação. Esse crescimento notável do PNB per capita foi acompanhado, até o início
dos anos 1990, de distribuição de renda relativamente equitativa (SONG, 2003).
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Em fase disso, visando a continuar o crescimento e progresso econômico, enfrentando a gargalo em que
estava envolvido o seu modelo econômico baseado na indústria manufatora de alta tecnologia voltada para a exportação, com acirrada concorrência no mercado, o governo de Kim Young-Sam (1993-1997) organizou a Comissão
Presidencial para a Reforma Educacional (PCER), em fevereiro de 1994, com o propósito de formar um consenso nacional sobre o desenvolvimento educacional de longo prazo. Em seu primeiro programa de reforma (1995), mostrou
que seu objetivo era eliminar práticas como o ensino orientado exclusivamente para os exames e o excesso de aulas
privadas extras. Buscava-se preparar melhor os alunos para a transição para a “sociedade do conhecimento”.
Segundo Kim e Han (2002; apud MILTONS & MICHELON, 2008), foram propostas as seguintes direções
gerais do plano de reforma: a) construção da base para uma sociedade de educação aberta e de ensino continuada; b) diversificação e especialização do sistema universitário; c) gerenciamento autônomo da educação primária e
secundária; d) currículo que desenvolva personalidade e criatividade; e) um sistema de entrada nas faculdades que
diminua o ônus sobre os cidadãos; f) valorização da individualidade dos estudantes; g) construção de um sistema
que garanta e suporte os fornecedores de educação; h) treinamento efetivo de professores e h) garantia de que 5%
do PIB iria para o orçamento educacional.
Como bem conclui Michelle Miltons e Ednaldo Michelon (2008) nos estudos sobre a educação e seu impacto
no crescimento econômico da Coreia do Sul
O governo do presidente Syngman Rhee (1948-1960) teve como foco a reconstrução do país, num período
que obteve massiva assistência externa, em especial, a norte-americana. Este último via a educação como forma
da população sul-coreana em absorver, defender e manter o estilo e valores da democracia representativa de
origem liberal. Para isso, os norte-americanos, que ocuparam o país de 1945 a 1948, planejaram dar a assistência
financeira e pedagógica a todos os níveis de escolaridade. Em novembro de 1945, o governo militar norte-americano
institui o Comitê Nacional de Planejamento Educacional, composto por educadores sul-coreanos e oficiais do governo americano, com o objetivo de estabelecer um novo sistema educacional (LEE, 2006).
Esta ênfase a todos os níveis da educação foi alterada sob Syngman Rhe, quando deu prioridade à alfabetização e a universalização do ensino elementar. Como o projeto de desenvolvimento do período 1948-1961
era, basicamente, um projeto de reconstrução da nação, a política educacional objetivava garantir que toda a população sul-coreana estivesse minimamente qualificada, a fim de atender a demanda das manufaturas intensivas em
trabalho que começavam a se desenvolver. Mesmos durante a Guerra da Coreia a educação não pararia e foi fundamental para a reconstrução após o conflito (MOERHRD, 2007, apud MILTONS & MICHELON, 2008). As atividades
educacionais foram desenvolvidas em tendas e em barracas improvisados em áreas livres (NAHM, 1996).
[...] capital humano exerce papel positivo na determinação do crescimento econômico. Investir em
educação é uma tomada consciente de decisão, seja por quem irá adquirir o conhecimento, seja pelo
empregador que irá desfrutar das habilidades adquiridas pelo trabalhador. Quanto investir depende
de quanto a educação pode proporcionar, ou seja, sua taxa de retorno. O crescimento econômico virá
do aumento da produtividade que a educação irá gerar e da capacidade inovativa adquirida pelos trabalhadores, que resultará em avanço tecnológico. Em coerência com as teorias apresentadas, a
educação associada à experiência prática, permitiu à Coreia absorver mais eficientemente tecnologias,
desenvolver know-how técnico e, por fim, tornar o país um fornecedor de produtos intensivos em conhecimento. Todas estas questões levam a crer que a Coreia está na trajetória correta rumo à sociedade do
conhecimento. A ênfase do governo na educação, como forma de contribuir no projeto de desenvolvimento, nesta nova fase, onde as taxas do PIB ainda avançam, mas a uma velocidade bem menor, não
deverá mudar mesmo após este objetivo ser alcançado. Afinal, ser uma economia intensiva em conhecimento exigirá, sempre, priorizar a educação.
CONCLUSÃO
Na década de 90 a Coreia do Sul estava num sério impasse quanto ao seu modelo econômico baseado na industrialização de alta tecnologia, ao contrário de Hong Kong, Cingapura e Emirados Árabes Unidos que ingressaram
no setor de serviços, com grande rendimento, sendo os dois primeiros em resposta à crescente competição industrial dos países com salários baixos. Certos estudos (KIM, 1980, 1993, 1997; LEE, BAE & CHOI, 1994; apud KIM, 2009)
mostram que nas décadas de 1960 e 1970, as empresas sul-coreanas entraram no estágio específico da trajetória
tecnológica, adquirindo e assimilando tecnologias estrangeiras plenamente desenvolvidas e intensivas de trabalho.
Era o período que o foco dos esforços das empresas era a imitação, o do uso de engenharia reversa. Na década de
1980, a Coreia do Sul teve progressos num direção inversa, para o chamado estágio transicional (KIM, 2009),
adquirindo e assimilando, de modo crescente, tecnologias estrangeiras intensivas de conhecimento. Na década de
1990, alguns ramos industriais chegaram a ingressar num estágio em pé de igualdade com os principais países
avançados, na fronteira tecnológica, na qual o crescimento dependeria do desenvolvimento de know-how técnico
próprio. Nesse contexto a engenharia reversa fica para traz e a inovação torna-se a palavra de ordem.
Aos analisarmos as políticas públicas aplicadas à educação pela Coreia do Sul e Finlândia, e até Costa Rica,
cada em suas singularidades, contexto econômico, histórico, geográfico, sociológico,..., compreendemos então o
sucesso desses países em seu desenvolvimento social econômico ou a boa posição no ranking do Índice Global de
Inovação. É um farol para as Políticas Públicas de Desenvolvimento Industrial, de Inovação Tecnológica e Desenvolvimento Humano, como por exemplo, o Projeto Embrappi, tenham plena eficiência ao contar com o principal dos
ativos: o Capital Humano, e seu fundamental insumo, a Educação. Compreendemos então que existe esperanças
para mudanças que levem às nações a ter uma economia competitiva, inovadora, uma sociedade menos desigual,
inclusiva, solidária, fraterna e próspera.
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Palavras-chave: produção científica, produção tecnológica, UFJF, PCTJFR.
Resumo
Na economia baseada no conhecimento, os parques tecnológicos configuram como mecanismo de integração entre os principais atores do sistema nacional de inovação. Dentre suas funções, está a identificação de demandas
tecnológicas proveniente das empresas, assim como a identificação da oferta de conhecimento existente nas universidades e ICTs. Dessa forma, o presente estudo tem o objetivo de identificar as principais áreas da UFJF com potencial de desenvolvimento tecnológico. Para isso foram analisados indicadores relativos à infraestrutura existente,
à produção científica e tecnológica, além do potencial empreendedor da instituição. Dentre os principais resultados
identificou-se o quantitativo de pesquisadores, laboratórios e cursos de pós graduação distribuídos por área do
conhecimento; a produção científica e tecnológica; as principais áreas do conhecimento apoiadas pela pré incubação e incubação de empresas e; as principais áreas com potencial tecnológico da UFJF.
1. INTRODUÇÃO
O recurso mais fundamental para a competitividade das empresas na economia moderna globalizada é o conhecimento (LUNDVALL e JOHNSON, 1994). A crescente intensificação da mudança tecnológica está relacionada fundamentalmente ao processo de produção de conhecimento e às relações de tal processo com a atividade econômica. Entretanto, o conhecimento só se caracteriza como base para a construção de vantagens competitivas se estiver assentado
sobre a capacidade de inovação, contribuindo para a sustentabilidade empresarial e regional (SENDIN et al., 2003).
Diante dessa nova lógica complexa é necessário estabelecer novas relações, além de reestruturar as antigas.
A partir da segunda metade do século XX temos um contexto diverso do desenhado no século XIX; se as relações
eram vistas linearmente, o aprimoramento das tecnologias de informação e comunicação intensificaram as muParque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo sobre a oferta de conhecimento da UFJF
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
danças nas estruturas e nas formas de se relacionar, onde prevalece o conhecimento concebido de forma interativa
e colaborativa. As relações não são mais as mesmas, os saberes se modificaram e a economia passa a ser baseada
no conhecimento, onde a inovação é vista como um catalisador de vantagem competitiva para as organizações e o
conhecimento é o principal insumo desse processo.
política também estão intimamente relacionados com a mudança de paradigma. Ainda segundo a autora, a descrição schumpeteriana de revoluções tecnológicas como processos de “destruição criativa” é aplicável não só para
a economia, mas também para as políticas e instituições. Nesse contexto, a economia baseada no conhecimento
emerge e há uma mudança no papel das instituições.
Na Era da Tecnologia da Informação, a pesquisa acadêmica assume importância econômica, pois cria oportunidades tecnológicas que devem ser aproveitadas pelas empresas para criação e utilização de novos produtos e processos (KLEVORICK et al., 1995). Além de o conhecimento possibilitar a absorção da produção tecnológica externa,
também pode ser utilizado como ferramenta na aplicação da ciência em inovações (RIGHI e RAPINI, 2006). Nessa
perspectiva, a pesquisa acadêmica contribui para o aumento da eficiência da P&D aplicada na indústria, orientando
a pesquisa para os setores demandantes, na criação de equipamentos e instrumentação utilizados por empresas
nos seus processos de produção ou pesquisa e na utilização de capital humano e competências, sob a forma de
alunos, docentes e redes de capacidades científicas e tecnológicas, que facilitam a difusão de novos conhecimentos
e protótipos de novos produtos e processos (MOWERY e SAMPAT, 2006).
Nessa nova economia, a inovação é vista como um catalisador de vantagem competitiva para as organizações,
sendo o conhecimento o principal insumo do processo de inovação. O conhecimento se apresenta como fator essencial para estimular a geração de inovação, sendo que esta se apresenta como fator importante para o desenvolvimento econômico dos países. Nesse contexto, a interação entre universidades (detentoras de conhecimento)
e empresas (detentoras de inovação) torna-se cogente para o fortalecimento econômico e social de um país, principalmente no caso de economias emergentes. Entretanto, o processo de conversão de conhecimento em inovação é
complexo devido à sua natureza dinâmica.
Entretanto, fazer com que o conhecimento gerado nas universidades se insira no processo produtivo das empresas é o grande desafio dos atores componentes dos sistemas de inovação (universidades-empresas-governos). Para
isso, os parques tecnológicos surgem como organizações híbridas na tentativa de promover a interação entre os atores.
A partir de uma perspectiva teórica, a abordagem linear2 vem sendo substituída por abordagens que enfatizam
a natureza dinâmica e social do processo de transferência de conhecimento e a importância da dimensão tácita do
conhecimento (BRAMWELL e WOLFE, 2008). Na visão de Cassiolato e Lastres (2008), a inovação, sendo um processo interativo e não linear, é resultante da conjugação de fatores sociais, políticos, institucionais e culturais, os quais
moldam as especificidades dos sistemas de inovação.
O Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região (PCTJFR) é um empreendimento cujo principal propósito está consolidado na promoção da integração do conhecimento científico-tecnológico gerado nas universidades
com as demandas empresarias, a fim de impactar o desenvolvimento regional e beneficiar a sociedade. Para isso,
diversos estudos têm sido realizados para a elaboração do Plano de Negócios do empreendimento.
O modelo Hélice Tripla, assim como outros modelos de sistemas de inovação, pressupõe que, a partir da
interação entre universidades, empresas e governos, podem ocorrer novas relações estabelecidas fora das fronteiras institucionais, chamadas organizações híbridas (incubadoras de empresas, parques tecnológicos, entre outros)
(ETZKOWITZ, 2002).
Por ser a instituição âncora do PCTJFR, a UFJF será sua principal fornecedora de recursos humanos especializados e, também, de conhecimento. Por isso, fez-se necessário identificar as principais áreas da UFJF com
potencial de interação com empresas.
Dessa forma, os parques tecnológicos são fruto de uma “destruição criativa” – Era da Tecnologia da Informação – e surgem com o intuito de acelerarem a conversão de conhecimento em inovação por meio de um habitat
propício ao desenvolvimento de novas tecnologias em prol do desenvolvimento econômico e social, o que configura
os parques de terceira geração3. Os parques desta geração devem se moldar de forma específica, respeitando a
cultura e características regionais de onde estão inseridos.
Destarte, o presente estudo foi realizado para subsidiar a elaboração do Plano de Negócios do PCTJFR e seu
objetivo foi identificar o potencial tecnológico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) por meio da análise de
indicadores científicos e tecnológicos da instituição.
2. ECONOMIA BASEADA NO CONHECIMENTO
Devido à natureza evolucionária do sistema econômico, as mudanças de paradigmas induzem aos padrões de
crescimento chamados de ondas longas. Ao seguir o trabalho de Kondratiev1, Schumpeter defendeu a ideia de fases
do desenvolvimento como ciclos econômicos, os quais muitos economistas preferem chamar de “ondas” ou fases de
crescimento (FREEEMAN e SOETE, 1997).
Na década de 90, surge a quinta onda do Progresso Técnico que corresponde ao paradigma tecno-econômico
da tecnologia da informação e é caracterizado pelo desenvolvimento da microeletrônica e das tecnologias associadas às comunicações.
Ao analisar a transição do modelo de produção em massa (quarta onda: Era do Petróleo e Automobilismo) para
o modelo de redes flexíveis (quinta onda: Era da Tecnologia da Informação), Perez (2001) conclui que critérios de
gestão são alterados em todos os campos, desde a seleção de produto e design até as estruturas organizacionais,
formas de operação e as relações pessoais. Tais fenômenos como a globalização e a tendência de descentralização
De forma coerente, O PCTJFR foi concebido no sentido de catalisar as vantagens competitivas da região. Um
dos principais objetivos do empreendimento é aproximar as instituições geradoras de conhecimento à base empresarial existente, aumentando a competitividade regional por meio da indução de processos inovadores nas cadeias
produtivas locais. Foi planejado e está sendo implantado para ser o principal instrumento acelerador do processo de
inovação na Zona da Mata mineira, tendo como parte integrante de sua missão o desenvolvimento regional. Além
de atrair novas empresas, o Parque tem o papel de fortalecer as que já existem na região. Para isso, o estudo sobre
a oferta de conhecimento da UFJF torna-se primordial para atuação do PCTJFR como agente ativo no processo de
desenvolvimento regional.
3. METODOLOGIA
Para a elaboração deste mapeamento foi utilizado quatro macro indicadores: infraestrutura científico-tecnológica (n° de Doutores; n° de Mestres; n° de Especializações; n° de Cursos de Doutorados; n° de Cursos de Mestrado;
n° de Laboratórios e; n° de Grupos de Pesquisa); produção científica (nº de artigos em periódicos; n° de livros; n°
de capítulos de livros; n° de trabalhos completos publicados em anais de eventos; n° de resumos expandidos publi-
Expressa em termos de forças ligadas à demanda (“market-pull”) e à oferta (“technology push”).
Conceito relacionado aos parques de 3ª geração, conhecidos também como “Parques Estruturantes” que acumularam as experiências dos parques de 1ª e 2ª geração e constituíram-se como atores ativos no processo de desenvolvimento econômico e tecnológico de países emergentes.
2
3
1
Kondratiev, N. D., The long waves in economic life. Review of Economics and Statistics, Vol. 17, n. 6, p. 105-115, 1935.
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cados em anais de eventos e; n° de resumos publicados em anais de eventos); produção tecnológica (n° de projetos
de P&D; n° de contratos de TT; n° de projetos de pesquisa; n° de depósitos de patentes; n° de trabalhos técnicos e;
n° de projetos inscritos no PII); empreendedorismo (nº de empresas da incubadora e; nº de projetos pré-incubados).
A coleta de dados a respeito da infraestrutura científico-tecnológica foi realizada por meio do site da UFJF, dados
do Centro de Gestão do Conhecimento Organizacional da UFJF (CGCO) e informações do setor de Transferência e
Tecnologia do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFJF (Critt).
Os dados referentes à produção científica foram obtidos do Lattes Institucional por meio do CGCO e o período
utilizado para análise foi de 2000 a 2012.
Já em relação à produção tecnológica, os dados referentes aos projetos de P&D e projetos de pesquisa foram
disponibilizados pela Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FADEPE) e foram
analisados apenas os projetos em vigência. Os dados referentes aos contratos de transferência de tecnologia e
projetos inscritos no PII foram obtidos no setor de Transferência de Tecnologia do Critt e foram contabilizados dados
acumulados. Os dados referentes aos depósitos de patentes são provenientes do setor de Proteção ao Conhecimento do Critt e também são dados acumulados. Já os dados referentes a trabalhos técnicos são provenientes do Lattes
Institucional, obtidos por meio do CGCO, e foram utilizados os dados do período de 2000 a 2012.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A UFJF foi criada em 23 de dezembro de 1960 e constitui-se como polo científico e cultural de uma região de
2,5 milhões de habitantes no Sudeste do Estado de Minas Gerais.
Atualmente, o campus de Juiz de Fora possui 18 unidades acadêmicas, que oferecem cerca de 40 cursos de
graduação, 62 de especialização, 29 de mestrado, 3 de mestrado profissional e 15 de doutorado, além de Ensino
Fundamental e Médio, por meio do Colégio de Aplicação João XXIII e outros convênios, e cursos de Ensino à Distância. No ano de 2012, estavam matriculados mais de 20 mil alunos nestas diversas modalidades de ensino. Destes,
cerca de 15 mil estavam na graduação presencial, 914 no mestrado e 390 no doutorado. No que tange o corpo docente, a UFJF possui cerca de 220 professores substitutos e visitantes e 1077 professores efetivos, destes mais de
73% possuem doutorado.
Os investimentos nos cursos de pós-graduação são um dos principais fatores que vem contribuindo para o
desenvolvimento e reconhecimento da instituição. Esses cursos têm crescido consideravelmente. Em 2003 a instituição possuía apenas 6 cursos de mestrado e 1 de doutorado, atualmente possui 32 cursos de mestrados e 15 de
doutorados conforme Gráfico 1.
Gráfico 1 – Evolução dos cursos de pós-graduação stricto sensu da UFJF.
Após a coleta de dados da produção científica e tecnológica, foi alocado um peso para cada indicador, visto que
o grau de importância de cada um deve ser levado em consideração. O quadro 1 apresenta o peso correspondente
a cada indicador de produção científica e produção tecnológica.
PRODUÇÃO CIENTÍFICA
PESO
PRODUÇÃO TECNOLÓGICA
PESO
Nº de artigos em periódicos
5
Nº de projetos de P&D
2
Nº de livros
2
Nº de contratos de TT
3
Nº de capítulos de livros
1
Nº de projetos de pesquisa
2
Nº de trabalhos completos
1
Nº de trabalhos técnicos
0,2
Nº de resumos expandidos
0,3
Nº de depósitos de patente
3
Nº de resumos
0,3
Nº de projetos inscritos no PII
1
Fonte: elaborado pelo próprio autor
Esta alocação de peso foi realizada com base em documento utilizado no concurso público da UFJF4 que define
os critérios de pontuação para avaliação na prova de títulos de candidatos ao cargo de professor.
Além da infraestrutura e produção científica e tecnológica, também foi identificado o arcabouço de suporte ao
empreendedorismo e inovação existente na UFJF. A análise foi realizada com base em informações da Pré Incubadora e Incubadora do CRITT.
4. RESULTADOS
4.1. Infraestrutura científico-tecnológica
4
Kondratiev, N. D., The long waves in economic life. Review of Economics and Statistics, Vol. 17, n. 6, p. 105-115, 1935.
Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo sobre a oferta de conhecimento da UFJF
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Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo sobre a oferta de conhecimento da UFJF
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Além de fortalecer a infraestrutura científico-tecnológica, tal evolução potencializou a geração de conhecimento. Hoje a instituição possui o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energia Elétrica (INERGE), cujo objetivo é
desenvolver pesquisas e criar patentes na área, além de 109 laboratórios e 93 grupos de pesquisa distribuídos em
16 unidades acadêmicas.
4.2. Produção científica
A produção científica da UFJF – medida em termos de n° de artigos em periódicos, n° de livros, n° de capítulos
de livros, n° de trabalhos completos, n° de resumos expandidos e n° de resumos – também evoluiu bastante nos
últimos anos, principalmente a produção de artigos em periódicos, conforme Gráfico 2.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Para identificar as áreas de conhecimento que possuem maior destaque de produção científica, foi alocado um
peso para cada indicador, visto que o grau de importância de cada um deve ser levado em consideração. Com isso, as
áreas que possuem produção científica com maior relevância são Medicina (7381,5), Química (4304,0), Odontologia
(4125,5), Física (3776,2), Engenharia Elétrica (3199,4) e Educação Física e Desporto (3115,7). O Gráfico 3 apresenta o percentual do total de produção científica ajustada da UFJF (período 2000 a 2012) por área de conhecimento.
Gráfico 3 – Percentual de produção científica ajustada da UFJF por área do conhecimento (2000 a 2012).
Gráfico 2 – Evolução da produção científica total da UFJF por indicador.
Fonte: extraído de UFJF e FDC (2013).
Fonte: extraído de UFJF e FDC (2013).
Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo sobre a oferta de conhecimento da UFJF
Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo sobre a oferta de conhecimento da UFJF
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
4.3. Produção tecnológica
Com relação à produção tecnológica da UFJF, sua evolução pode ser identificada por meio do número acumulado de depósitos de patentes, conforme Gráfico 4. Apesar da produção tecnológica na instituição ainda apresentar-se
incipiente, é visível o crescimento do número de depósitos de patentes na última década.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Para identificar as áreas com maior potencial de geração de tecnologia, também foram alocados pesos aos indicadores de produção tecnológica, as áreas com maior relevância são Engenharia Elétrica (12,0%), Física (7,26%),
Farmácia (7,1%), Educação (5,81%) e Química (5,69%), conforme Gráfico 5.
Gráfico 5 – Produção tecnológica ajustada da UFJF por área do conhecimento.
Gráfico 4 – Evolução do número acumulado de depósitos de patentes da UFJF.
Fonte: extraído de UFJF e FDC (2013).
Fonte: extraído de UFJF e FDC (2013).
Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo sobre a oferta de conhecimento da UFJF
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Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo sobre a oferta de conhecimento da UFJF
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
4.4. Empreendedorismo
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
5. CONSIDERAÇÕES
O principal órgão responsável por traçar as diretrizes da política de inovação da UFJF é a Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico (SEDETEC). A SEDETEC foi instituída em setembro de 2002 para fortalecer a integração universidade/empresa e tem como objetivo ser um agente ativo no desenvolvimento econômico regional, consolidando
a relação com os parceiros da UFJF. Também compete à SEDETEC monitorar as ofertas e as demandas tecnológicas
relacionadas com o setor empresarial, de forma a gerenciar os processos de prestação de serviços tecnológicos da
universidade. Atualmente, a Secretaria coordena o parque tecnológico da UFJF e os processos de pré-incubação,
incubação e pós-incubação, estando o Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (CRITT) sob sua
subordinação.
Criado por meio da Resolução 16/1995 e qualificado como NIT pela Resolução 31/2005, ambas do Conselho
Superior (CONSU), o CRITT possui como suas atribuições, o gerenciamento da política de inovação da UFJF – observadas as diretrizes traçadas pela SEDETEC – e a coordenação da Incubadora de Base Tecnológica (IBT). A partir de
sua qualificação como NIT, o CRITT também assumiu a responsabilidade de zelar pela manutenção da política institucional de estímulo à proteção de criações, licenciamento, inovação e outras formas de transferência de tecnologia.
Com seu Sistema de Gestão da Qualidade certificado na norma NBR ISO 9001:2008, o CRITT atua com excelência,
padronização e melhoria contínua visando à eficiência de seus processos finalísticos – transferência de tecnologia,
incubação de empresas de base tecnológica e oferta de treinamentos.
As áreas com maior potencial empreendedor na UFJF podem ser identificadas por meio dos projetos submetidos à pré-incubação e das empresas inseridas no processo de incubação. As que apresentam maior potencial empreendedor são Ciência da Computação com 26, Engenharia Elétrica com 8, Farmácia com 5 e Odontologia com 4,
conforme Gráfico 6. A área do conhecimento intitulada “Outros”, representa o acumulado das áreas que possuem
apenas 1 projeto ou empresa, são elas: Biologia, Bioquímica, Ciências Exatas, Comunicação, Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica, Medicina e Recursos Humanos.
Gráfico 6 – Percentual de empresas da incubadora e projetos pré-incubados no Critt por área do conhecimento.
Antes de indicar considerações gerais, gostaríamos de apontar algumas limitações deste estudo. Em primeiro
lugar, foram utilizados os dados do Currículo Lattes que, apesar de serem considerados um padrão nacional de
avaliação representando um histórico das atividades científicas, acadêmicas e profissionais de pesquisadores cadastrados, estes dependem da atualização e preenchimento correto dos dados por parte do pesquisador. Outro fator
a ser considerado, relacionado à produção tecnológica, os dados provenientes dos setores do Critt (NIT da UFJF) e
da FADEPE podem diferir da realidade, visto que muitos projetos podem estar sendo realizados informalmente, conforme a literatura sobre empreendedorismo acadêmico ressalta.
No entanto, este estudo cumpre seu objetivo e contribui para indicar as potenciais áreas tecnológicas da UFJF
que poderão servir de insumo para as demandas tecnológicas das empresas do PCTJFR.
Diante dos resultados apresentados das análises da infraestrutura científico-tecnológica, produções científica e
tecnológica e empreendedorismo pode-se concluir que a UFJF possui geração de conhecimento diversificada, assim,
não é possível distinguir uma especialização científica em determinada área. Entretanto, pode-se observar uma estrutura mais robusta e com maior potencial de geração de conhecimento aplicado em determinadas áreas do conhecimento.
As áreas com maior produção científica relevante (dados ajustados) são Medicina, Química, Odontologia, Física,
Engenharia Elétrica e Educação Física e Desporto. No que tange a produção tecnológica ajustada, as áreas que apresentam maior volume são Engenharia Elétrica, Farmácia, Física e Química5. No que se refere às empresas apoiadas
pela incubadora e projetos apoiados pela pré incubação, as áreas com maior destaque são Ciência da Computação,
Engenharia Elétrica, Farmácia e Odontologia.
Diante dessas considerações, pode-se elencar como possíveis áreas com potencial imediato para geração de
conhecimento tecnológico: Engenharia Elétrica, Física, Farmácia, Odontologia, Química e Ciência da Computação. Estas áreas além de possuírem produção tecnológica significativa, perante as demais áreas de conhecimento, também
apresentam uma base científica existente.
Ao relacionar a áreas supracitadas com a infraestrutura científica e tecnológica existente na UFJF, percebe-se
que das seis áreas listadas, quatro possuem Mestrado e Doutorado e duas possuem apenas mestrado (Farmácia
e Odontologia). No que tange o número de doutores, todas apresentam percentual de doutores no departamento
acima de 70%.
No mais, é importante salientar que a atração de empresas para se instalarem no PCTJFR nas áreas listadas
(Engenharia Elétrica, Física, Farmácia, Odontologia, Química e Ciência da Computação), além de gerar possível interação imediata com a produção de conhecimento tecnológico da UFJF, poderá potencializar a produção de
conhecimento na instituição.
Destarte, as informações contidas neste documento apresentam-se de suma importância para indicar uma
possível segmentação do PCTJFR por meio do conhecimento do potencial tecnológico da UFJF.
Fonte: extraído de UFJF e FDC (2013).
Não foi listada a área Educação, visto que esta apresenta produção relevante apenas no indicador “trabalhos técnicos”, os
outros indicadores apresentam-se nulos.
5
Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo sobre a oferta de conhecimento da UFJF
202
Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo sobre a oferta de conhecimento da UFJF
203
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
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Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação
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<http://www.ufjf.br/critt/parque-tecnologico/plano-de-negocios/ >. Acesso em 12 fev. 2014.
Palavras-chave: Parques Tecnológicos, ICTs, Triple Helix e Sistema Local de Inovação.
Resumo
O presente estudo tem por objetivo a análise e reflexão acerca do processo de consolidação do Sistema Local de
Inovação no município de Campinas (SP) a partir das iniciativas das ICT’s (Instituições Científicas e Tecnológicas),
destacando-sea contribuição de seus Parques Tecnológicos como facilitadores de uma ação conjunta para criar as
bases de integração do ecossistema de inovação. Desta forma, por meio do referido trabalho pretende-se destacar
os desafios enfrentados pelas ICT’s para promover uma ação conjunta e orquestrada, dentro das relações preconizadas no modelo Triple Helix. A estruturação de um ambiente propício à inovação depende de um grande esforço para
promover os arranjos institucionais entre universidades, indústria e governo para a efetiva constituição de sistemas
de inovação. O entendimento das questões levantadas no referido estudo permite entender o processo, apontar os
primeiros resultados e demonstrar os esforços dessas Instituições de Campinas para enfrentar os desafios citados e
estabelecer estratégias para fortalecer e consolidar o Sistema Local de Inovação no Município.
1. INTRODUÇÃO
Campinas (SP) possui um território singular no que tange sua infraestrutura científica e tecnológica. Assim, no
decorrer de sua trajetória histórica e geográfica observa-se a ocorrência de um número considerável de iniciativas
que formaram um importante ecossitema de inovação.
Conforme Gomes (1995), Castro (2006), Lemos (2002) e Silva (2010), durante o processo histórico de Campinas houve uma série de iniciativas das esferas pública e privada para a consolidação de ambientes que pudessem
favorecer a dinâmica, e, consequentemente, a infraestrutura de CT&I no munícipio. Essas iniciativas foram materializadas no espaço da cidade e trouxeram como resultado a organização territorial diferenciada de Campinas. No
Geógrafo e Aluno de Mestrado do Programa de Pós Graduação em Geografia no Instituto de Geociências da UNICAMP. Contato: (19) 992978851.Email:[email protected](Autor-Apresentador)
2
Doutor em Engenharia Elétrica, coordenador do Sistema Local de Inovação da Agência de Inovação da Unicamp desde 2007.
Atualmente, atua como Diretor do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, Diretor do Depto. de Tecnologia e Inovação do
CIESP-Campinas e Diretor Adjunto do Depto. Tecnologia do CIESP São Paulo. Foi Diretor-Executivo da Fundação Fórum Campinas, entidade que congrega 11 das principais ICTs de Campinas de 2002 a 2011 e Diretor de Desenvolvimento Econômico de
Campinas nos anos 2011 e 2012. Contato: (19) 35212619. Email: [email protected]
3
Professor Titular do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da UNICAMP. Contato:
(19)35214558. Email: [email protected]
1
Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região: estudo sobre a oferta de conhecimento da UFJF
204
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP)
205
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
percurso histórico do município, observa-se a instalação de um consideravel número de ICTs, principalmente a partir
da década de 1980, que propiciou a fixação de espaços voltados às atividades de P&D.
Nesse contexto, torna-se possível visualizar as bases para composição de um Sistema Local de Inovação,em
especial a partir de estratégias de interação entre as ICTs, em específico, na instalação de Parques Tecnológicos.
As relações presentes em determinado sistema de inovação poderão determinar a capacidade de aprendizado
de um país, região ou localidade, e assim a capacidade de inovação e de adaptação às mudanças. Dessa forma,
podemos entender que o Sistema Local de Inovação – SLI – consiste no conjunto de instituições que, na escala
local possuem intuito de formular, planejar, executar, financiar e apoiar atividades de CT&I. Contudo, para que esse
sistema se desenvolva e seja dinâmico torna-se necessária a integração entre as ICT’s, as empresas e as esferas
governamentais. (LOPES; LUGONES, 1999)
Os Parques e Polos Tecnológicos inserem-se neste conceito. Eles têm por objetivopromover o desenvolvimento
de empresas de alta tecnologia, criadas nas localidades ou para elas atraídas, aumentando o potencial de geração
de inovação e de ganhos econômicos. Resumem-se na forma territorial de polarização que se inscreve em determinada região com intuito de desenvolvimento territorial, oferecem economias de aglomeração e forte concentração dos
setores de técnica elevada. Por esta razão, conforme Benko (1996), os Parques Tecnológicos devem ser implantados
em regiões com bom potencial de CT&I, em áreas próximas às universidades e institutos de P&D.
Dentro desta lógica, demonstra-se que os Parques Tecnológicos instalados em Campinaspodem agir como instrumentos facilitadores para a consolidação do Sistema Local de Inovação, visto que um dos objetivos dos Parques, em
geral, é aproximar universidades, indústrias e governo, ou seja, é um elemento de convergênciaque, de fato, torna
as ações para inovação mais concretas, constituindo um bom indicador para verificar as relações entre os atores.
A relação desses três atores, segundo Etzkowitz e Leydesdorff (2000), consiste em uma abordagem desenvolvida para discutir os arranjos institucionais entre universidades, indústria e agências governamentais, denominada
de Triple Helix, que no presente estudo é alvo de análise, pois o modelo aplicado aos Parques Tecnológicos pode ser
uma boa referência para a estruturação e implantação desta realidade numa escala maior e mais complexa a ser
aplicada em Campinas.
Desta forma, o estudo possibilita reflexões, com base no Modelo Triple Helix, para a consolidação de um Sistema Local de Inovação em Campinas, analisando as ações de governo e das ICTs. Assim, pretende-se destacar,entre os desafios enfrentados pelas ICT’s para promover uma ação conjunta, a contribuição do desenvolvimento dos
Parques Tecnológicos neste contexto.
O presente trabalho está dividido em quatro seções além do item introdutório. A primeira consiste na descrição
da trajetória histórica de Campinas, com ênfase no surgimento de suas ICTs e seus Parques Tecnológicos. Na segunda seção são discutidas as ações das ICT’s para a consolidação do Sistema Local de Inovação. Na terceira seção
há uma discussão sobre os primeiros resultados dos Parques Tecnológicos como instrumentos para consolidação
do Sistema Local de Inovação. Por último, na quarta seção são estabelecidas as considerações acerca do estudo
realizado. Deste modo, o entendimento das questões levantadas nesteestudo permite compreender o processo,
apontar os primeiros resultados e demonstrar os esforços dessas instituições de Campinas a fim de promover ações
e alavancar políticas públicas para enfrentar os desafios e estabelecer estratégias para fortalecer o Sistema Local
de Inovação.
2. TRAJETÓRIA HISTÓRICA DE CAMPINAS, SUAS ICTS E SEUS PARQUES TECNOLÓGICOS
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
mento e a integração, através das ferrovias, da maior parte dos núcleos que dariam origem aos atuais municípios da
Região Metropolitana. Porém, logo em seguida, nos anos 1930, a crise cafeeira provocou fortes mudanças políticas
no país, que resultaram em grandes transformações na economia urbana e industrial em inúmeros municípios, dentre eles Campinas. (AGEMCAMP, 2011)
Conforme Castro (2006), nos anos 1960 houve o movimento de expansão da indústria na região, com forte reflexo no incremento populacional de Campinas. Em destaque, a Unicamp começou a ser implantada efetivamente na
cidade de Campinas em 1965 e, desde sua origem, é vocacionada à pesquisa tecnológica e empenhada a construir
um forte vinculo com o setor produtivo.
Silva (2010), afirma que na década de 1970, em paralelo à instalação da Unicamp, surgiu a concepção de
PACT enquanto política pública municipal. Nesta estava presente a ideia de transformar Campinas no Silicon Valley
brasileiro. Para tanto, foi estabelecido o PPDI5, pelo Prefeito Orestes Quércia, a partir de uma iniciativa do Governo
Federal, com o intuito de iniciar a implantação do empreendimento. Para os profissionais que defendiam o PACT
como uma proposta inovadora, tal idealização indicava que Campinas poderia se tornar no futuro um Pólo de Alta
Tecnologia devido à existência de infraestruturas de C&T de excelente qualidade, como as universidades Unicamp
e PUC-Campinas, o CPqD6 que fora criado em 1976, favorecida por outras características importantes como por
exemplo a localização geográfica servida que conecta-se com diversos mercados importantes por meio de rodovias,
ferrovias e o aeroporto.
4
Nesse primeiro momento, de implantação do PATC, há forte presença do poder público federal e de alguns
membros da comunidade de pesquisa. Os membros da comunidade acadêmica da Unicamp participaram ativamente do processo de elaboração da política pública que deveria assentar o potencial de CT&I. Em destaque, o Físico
e Professor da Unicamp, Rogério Cezar Cerqueira Leite, foi um dos criadores e Presidente da CODETEC7. O Professor
Cerqueira Leitevislumbrava a possibilidade de replicar no município de Campinas as experiências norte-americanas
do Silicon Valley e Route 128 (EUA), pois, de acordo com ele, Campinas tinha uma tradição em termos de pesquisa
que a habilitava a ter um Parque Tecnológico. (SILVA, 2010)
A localização de indústrias, comércio e serviços ao longo dos eixos rodoviários, fora dos centros urbanos, em
espaços intermunicipais, interligou mais estreitamente a economia das várias cidades, impulsionando a unificação
do mercado de trabalho local e estimulando os fluxos de pessoas e produtos, configurando simultaneamente a
modernização da função de centralidade de Campinas. Essa década promoveu a definição das funções urbanas dos
diferentes municípios que localizavam-se no entorno de Campinas, a dinâmica regional provocou o avanço populacional, que destacou-se no estado de São Paulo.
Nesse contexto, conforme Gomes (1995) a proposta de criação do PACT encontrou um ambiente favorável junto
ao poder público municipal e ao governo do estado de São Paulo. Assim sendo, em 1983 foi criado o CIATEC8 pela
Prefeitura Municipal, na gestão do prefeito Magalhães Teixeira, com o objetivo institucional de prover as condições
de infraestrutura que favorecessem a proximidade e a integração das atividades dos setores de indústria, comércio,
educação, serviços, tecnologia e P&D. Em 1986, o Decreto Municipal n° 8847 designou uma área de 682 mil m²,
de propriedade da FEPASA (Ferrovia Paulista), para a implantação de empresas de base tecnológica. A área passou
a ser denominada de Parque Tecnológico CIATEC-I, local em que , conforme a Lei Municipal n° 5700, de 11 de julho
de 1986, as empresas de base tecnológica que viessem a se instalar eram isentas do pagamento de ISS e IPTU, até
31 de dezembro de 1990. Posteriormente, na mesma decada, foi instituído formalmente as estruturas do Parque
Parque de Alta Tecnologia de Campinas.
Plano Preliminar de Desenvolvimento Integrado.
6
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás.
7
Companhia de Desenvolvimento Tecnológico
8
Centro de Indústrias de Alta Tecnologia
4
5
No início, a economia de Campinas (SP), era baseada no plantio da cana de açucar, e logo em seguida, em meados do século XIX, o cultivo do café assumiu rapidamente lugar de destaque. A economia cafeeira propiciou o surgi-
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP)
206
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP)
207
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Tecnológico CIATEC- II, situado em uma área de aproximadamente 8 milhões m², composta por várias propriedades
particulares, e situada ao lado da Unicamp e da PUC-Campinas. E, dentro desse contexto histórico e geográfico, os
municípios situados no eixo da Rodovia Anhangüera, e, também, Paulínia, Cosmópolis e Indaiatuba, chegaram aos
anos 1990 com implantação industrial significativa. E, os municípios situados ao norte/nordeste de Campinas foram
incorporados na dinâmica econômica e espacial metropolitana. A expansão urbana também ocorreu devido aos
loteamentos e condomínios horizontais de médio e alto padrão, que elevaram o preço da terra.
Observa-se a fixação efetiva de uma quantidade consideravel de ICTs, pois neste período o ambiente passou
cada vez mais a ser favorável para atividades ligadas à CT&I. Porém, observa-se que a presença de um número
expressivo de ICTs e EBTs9 não aconteceu como resultado diretodas iniciativas das décadas de 1970 e 1980, especialmente no que tange a criação dos CIATEC I e II.
São muitas as razões para a ausência de resultados expressivos a partir destas iniciativas pioneiras, em termos de políticas públicas locais, para implantação de Polos e Parques de C&T. Entre estas há fatores econômicos,
legais, institucionais, políticos, entre outros. Entretanto, a falta de diálogo, e consequentemente de entendimento,
impossibilitou acontinuidade das ações, principalmente por parte do poder público local.Por esta razão, em 1999, os
dirigentes das principais ICTs, liderados pelo reitor da Unicamp, passaram a se reunir para discutir ações conjuntas
que pudessem superar as dificuldades encontradas neste processo histórico de Campinas. Em 4 de Abril de 2002,
os dirigentes de onze ICTs instituíram a FFC10. A missão principal da Fundação é criar ações para promover, ampliar
e intensificar a utilização de CT&I para potencializar o desenvolvimento sócio-econômico. Nesse contexto, o objetivo
principal é criar elos mais fortes para que ICTs, empresas, governo e demais integrantes do ecossistema de inovação
atuem conjuntamente e de forma sistêmica.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Neste contexto, destaca-se a iniciativa das ICTs, que resolveram assumir este protagonismo no sentido de criar
as bases necessárias para uma mudança de paradigma em termos de relacionamento, integração e desenvolvimento. Com a possibilidade da criação de Parques Tecnológicos, fruto de uma política bem sucedida do Governo do
estado de São Paulo, a atuação conjunta passa a ser exercitada e facilitada pela necessidade imediata de integração
para o desenvolvimento efetivo dos empreendimentos. Com isto a necessidade decultivo de um ambiente interativo
entre os agentes que o compõe passa a ser compreendido e valorizado, facilitando a criação das bases de um SLI
para o município e toda a região.A discussão sobre a atuação das ICT’s de Campinas para a consolidação do SLI é
abordada no próximo item deste trabalho.
3. O MODELO “TRIPLE HELIX”, AS ICT’S E A CONSOLIDAÇÃO DO SISTEMA LOCAL DE INOVAÇÃO
De acordo com Morgado (2010), o Modelo Triple Helix foi desenvolvido em meados da década de 1990, por
Henry Etkowitz e Loet Leydesdorf, através da análise de padrões de desenvolvimento encontrados nos EUA, associados a indústrias de alta tecnologia, tecidos industriais compostos por um número significativo de pequenas e
médias empresas, e ao estabelecimento de uma densa rede relacional e dinâmica, entre os três atores: Universidade, Indústria e Governo. Conforme Etzkowitz, L. Leydesdorff (2000), o Modelo considera que cada ator pode se relacionar com os outros dois para desenvolver uma sobreposição emergente de comunicações, redes e organizações,
entre essas esféras. A Figura 1, a seguir, ilustra o Modelo Triple Helix.
Figura 1: Representação do Modelo Triple Helix.
Nesta mesma época, o governo do Estado de São Paulo, por meio de sua Secretaria de Desenvolvimento
Econômico, organizou um grupo de pesquisadores e especialistas para estudar os Parques Tecnológicos. Como resultado destes estudos iniciados em 2002, em 6 de fevereiro de 2006, o governo estadual instituiu o SPTec, através
do Decreto n° 50.50411, que consiste numa ação de apoio e suporte ao desenvolvimento de Parques Tecnológicos
objetivando atrair investimentos e gerar novas empresas intensivas em conhecimento.No início o foco era apoiar
cinco parques no estado de São Paulo, Campinas, São Carlos, São José dos campos, Ribeirão Preto e São Paulo. Em
2008, uma nova diretriz foi definida ampliando o escopo. Atualmente, existem 28 iniciativas no Estado de São Paulo.
Como resultado da criação do SPTec, Campinas já possui cinco iniciativas de Parques Tecnológicos, fato que
a destaca de outras cidades do Estado de São Paulo, pois é o único município com mais de duas iniciativas. Os
Parques são: Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, Polis de Tecnologia do CPqD do Centro de Pesquisa e
Desenvolvimento em Telecomunicações,CTI-Tec do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, o CIATEC II da
Prefeitura Municipal e o TechnoPark que é privado. Estas inciativas entraram no SPTec por meio de credenciamento
prévio, respectivamente nos anos 2008, 2010, 2011 e os dois últimos em 2013.
Em decorrência da importância de Campinas e de seu potencial a Secretaria de Desenvolvimento Econômico,
Ciência e Tecnologia do Governo do Estado de São Paulo passou a incentivar a organização de um sub-sistema regional de Parques Tecnológicos na região. Esta ação conjunta das ICTs de Campinas acontece com a participação
e apoio da FFC, que vêm trabalhando como meio de interlocução, integração e coordenação entre os Parques
e o Governo. Desta forma, entende-se que o olhar sobre atrajetória histórica de Campinas nos permite analisaras
questões levantadas no presente trabalho, visto que o esforço inicial para a viabilização de diversasiniciativas voltadas para melhor aproveitamentodas capacidades locais não foi suficiente para estabelecer uma nova dinâmica de
atuação, a exemplo do que acontece com as principais referências mundiais.
Empresas de Base Tecnológica.
Fundação Fórum Campinas.
11
Sistema Paulista de Parques Tecnológicos.
9
10
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP)
208
Fonte: Etzkowitz, L. Leydesdorff (2000). Tradução: Baldoni, L. (2014)
O conceito do Modelo Triple Helix explica que as relações entre os três atores, ou seja, indútria, universidade
e governo precisam acontecer de forma integrada. Este modelo explica e justifica o funcionamento de um Sistema Local de Inovação, assim como o de um Parque Tecnológico, que na sua essência é um SLI circunscrito num
território delimitado para este fim. Para o efetivo funcionamento desta tríade é preciso que haja a superação das
dificuldades comuns a esses atores, tais como: a diferença de ritmo entre a Universidade e a Indústria, ou seja, a indústria demanda resultados imediatos enquanto que a produção acadêmica trabalha com uma perspectiva de mais
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP)
209
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
longo prazo, o que dificulta a consolidação de parcerias; os governos locais atuam muito focados na gestão básica
do múnicipio, e com um horizonte de realizaçôes limitado aotempo do mandato de seus governantes, dificultando
assim a discussão de estratégias de mais longo prazo; as Universidades públicas possuem limitaçõesinstitucionais
e de ordem cultural ou burocrática que restringema implantaçãode estratégias empreendedoras mais efetivaspara
consolidar parcerias com outros agentes.
Em síntese, as dificuldades de relacionamento entre essas três esferas do Modelo Triple Helix,em uma escala
local, resultam em limitação, baixo dinamismo ou mesmo estagnação do ecossistema de inovação. Por outro lado,
o conceito de Sistema de Inovação é bastante amplo epode abranger a escalalocal ou até mesmo setorial, regional
enacional. Os sistemas de inovaçãosão caracterizados pelo aprendizado e cujo ativo principal é o conhecimento, são
movimentados pela interação entre os atores que o compõem, ou seja, pelas instituições públicas e privadas que
trabalham para planejar, executar e gerir atividades de CT&I.
No Brasil, segundo Morel (1979), os fatores econômicos, históricos e sociais influenciaram as atuais características do sistema de CT&I. Nossa herança colonial foi pouco favorável ao desenvolvimento desse sistema devido
ao incipiente sistema escolar e àinexistência de universidades.Somente a partir de 1950 houve a consolidação do
capitalismo industrial no Brasil e sua proeminência em relação ao modelo agrário-exportador. A industrialização
trouxe o crescimento da população urbana como verificado, por exemplo, no caso da cidade de Campinas. Nesse
período, o Estado juntamente com o capital estrangeiro passaram a intervir de forma mais intensa na economia
através de atitudes de carater mais empreendedor. Porém, destaca-se que o maior problema se caracterizou no
sistema científico desvinculado das necessidades tecnológicas do sistema produtivo, pois nesse período a indústria
e a comunidade acadêmica não se conectavam.Entretanto, conforme Furtado (2005) uma verdadeira idade de ouro
para a CT&I ocorreu na década de 70 devido àformação de institutos públicos e a promoção da pós-graduação nas
universidades públicas. Nesse período, o financiamento à inovação tecnológica com a criação do FNDCT12 e da
Finep13 foi consolidado e o sistema de C&T brasileiro assumiu uma dimensão maior. Porém, a partir dos anos 1980,
o sistema de C&T brasileiro encontrou-se estacionário devido à crise provocada pelo excessivo endividamento externo da economia brasileira.
Em síntese, Pacheco & Corder (2010) consideram que o desenho do SNI14 brasileiro se consolidou a partir de
três etapas: nos anos 1950, quando o sistema de C&T obteve expressão institucional inspirado nas reformas dos
sistemas de C&T dos EUA e da França; nos anos 1970, em que a política de C&T foi condicionada pela forte presença
do Estado na economia e pelas estratégias de desenvolvimento; e ao final dos anos 1990, quando os órgãos, o marco regulatório e os instrumentos adaptaram-se ao contexto de uma economia aberta e mais competitiva.
Os investimentos sistemáticos na pós-graduação e na pesquisa tecnológica ampliaram a presença do Brasil
no cenário internacional em determinadas áreas , como por exemplo, a agropecuária, saúde, aeronáutica e a exploração de petróleo. Porém, pode-se considerar que estes casosestão restritos a algumas atividades, o que influi
negativamenteno desempenho global do sistema de inovação do Brasil.Quase sempre esses casos bem sucedidos
dependem do que acontece na escala local.
Cooke et al (2004), defende a importância de políticas públicas para a consolidação deSLI, pois as regiões,
através de seus governos, podem construir as bases para formação de SLI em suas cidades chaves. Para tanto é
preciso que haja a presença deatores/agentes chave, tais como: uma região metropolitana dinâmica do ponto de
vista industrial e econômico, Universidades, Centros de Pesquisas, Entidades de apoio ao desenvolvimento e à
inovação, Parques Tecnológicos, Incubadoras, uma forte comunidade acadêmica, empreendedora e criativa.Portan-
Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Financiadora de Estudos e Projetos.
14
Sistema Nacional de Inovação.
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13
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP)
210
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
to, com base em suatrajetória histórica e geográfica, como também, em sua dinâmica e vocação paraCT&I, Campinas
é uma cidade chave para a constituição de um SLI. Entretanto, um dos principais desafios que o município enfrenta
é o estabelecimento de uma pauta de ações conjuntas desses atores anteriormente citados.
A consolidação de umSLI em Campinas não se limita à presença de um bom aparato de CT&I, mas também o
estabelecimento de umaboa infraestrutura urbana e social, visando proporcionar alta qualidade de vida para seus
habitantes. Isto se justifica em função de que o elemento principal de uma região pautada na economia do conhecimento é o fator humano. Ou seja, é preciso formar ou atrair e manter gente altamente capacitada. A integração dos
atores de um ecossitema de inovação visando um trabalho sinérgico é condição para o sucesso econômico e social,
com vista ao um desenvolvimento sustentado. Por esta razão os governos de algumas das cidades mais competitivas
do mundo buscam desenvolver estratégias queampliem a capacidade de sua indústria de gerar mais inovação com
o objetivo de fortalecer seu desenvolvimento sócioeconômico.Deste modo, considera-se que a uniãodas ICTs em
torno a um projeto de desenvolvimento locval apoiado na inovação é um mecanismo eficaz para vencer as barreiras
apontadas anteriormente.A seguir, o Quadro 1, elenca as principais ICTs presentes em Campinas.
Quadro 1: Instituições do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP).
Instituição
Fundação
IAC - Instituto Agronômico
1887
IZ – Instituto de Zootecnia
1905
IB – Instituto Biológico
1937
PUC-Campinas – Pontifícia Universidade Católica de Campinas
1941
ITAL – Instituto de Tecnologia de Alimentos
1963
UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas
1965
CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral
1967
CPqD - Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações
1976
CTI – Centro de Tecnologia da Informação - Renato Archer
1982
Embrapa Meio Ambiente
1982
Embrapa Informática Agropecuária
1985
Embrapa Monitoramento por Satélite
1989
FITec Inovações Tecnológicas
1994
Venturus Centro de Inovação Tecnológica
1995
CNPEM Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM)
LNLS — Laboratório Nacional de Luz Síncrotron
CTBE - Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol
1997
LNBio - Laboratório Nacional de Biociências
LNNano - Brazilian Nanotechnology National Laboratory
Centro de Pesquisas Avançadas Wernher von Braun
1997
Instituto de Pesquisas Eldorado
1999
Fonte: Fundação Fórum Campinas. Org. Baldoni (2014).
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP)
211
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
As ICTs de Campinas começaram a envidar esforços de forma integrada, em especial, a partir da instituição da
FFC em 2002, que passou a promover diversas iniciativas, visando proporcionar maior aproximação e integração com
os setores empresarial e governamental. Com isto, os primeiros resultados já foram alcançados no decorrer destes
últimos dez anos de atuação, no sentido de se promover um consenso entre estes atores em relação à importância
estratégica da C&T&I para o desenvolvimento regional. Mais recentemente com a criação e efetiva estruturação dos
Parques Tecnológicos em Campinas, foi possível de institucionalizar o relacionamento entre as partes, por meio dos
primeiros instrumentos jurídicos, na forma de Acordos de Cooperação e Convênios,que criaram assim uma base de
diálogo permanente e uma pauta bem definida e focada de ações a serem realizadas.
4. PARQUES TECNOLÓGICOS COMO INSTRUMENTOS PARA A CONSOLIDAÇÃO DO SISTEMA LOCAL DE INOVAÇÃO
Entende-se que um dos atributos centrais do SLI consiste em propiciar um ambiente favorável à inovação que
facilite a troca de informações, e também o apoio às atividades inovativas. Assim sendo, as ICTs, por meio da FFC,
passaram a atuar para estabelecer os vínculos necessários com os demais atores para o desenvolvimento de uma ação
conjunta em favor do desenvolvimento regional. Com a possibilidade de criação de seus próprios Parques Tecnológicos,
estes passaram a ser elementos focais com relações bem estabelecidas com o Governo do Estado. Desta forma, os
Parques Tecnológicos passaram a ter uma importância maior em Campinas por que, ao mesmo tempo em que eles são
importantes instrumentos de atração de novas empresas e investimento, em função de sua natureza e características
operacionais, eles passaram a auxiliar no exercício de integração e parceria, motivando a discussão de políticas públicas. Sendo assim, eles passaram a contribuir de forma direta para a constituição efetiva do SLI de Campinas.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Campinas revela a necessidade de uma estratégia conjunta desses três atores. Contudo, observa-se que algumas
medidas de estreitamento de relacionamento entre as ICTs, realizadas por meio da atuação da FFC,já existem . Por
ser um processo complexo, os resultados alcançados ainda não foram suficientes para a efetiva consolidação de um
SLI,quandocontrapostos ao potenciallocal. Entretanto, pode-se afirmar que o processo está em curso e é promissor.
Em contrapartida, embora existam obstáculos a serem transpostos, os Parques Tecnológicos podem atuar, a
partir de uma escala reduzida, como instrumentos facilitadores para consolidaçãodo SLI de Campinas. Neste contexto, observa-se queos resultados obtidos pelos Parques, promovidos por algumas ICTs, numa escala menor, são
indicadores importantes do sucesso a ser alcançado com esta integração.
Em resumo, destaca-se que a iniciativa de se criar tantos Parques Tecnológicosem Campinas, liderados principalmente por ICTs de renome, tem auxiliado a superar as barreiras existentes até o momento para a integração
dos atores e a promoção do trabalho sinérgico afim de torna-losempreendimentos exitosos e, em função disto, estes
empreendimentos têm exercido importante papel na função de âncoras para a composição do SLI.
6. AGRADECIMENTOS
À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP, pelo auxílio recebido, mediante Processo
número 2013/07702-0. Também, à Agência de Inovação da Unicamp.
O Parque Tecnológico, analisado sob a perspectiva de um SLI, pode ser considerado um sub-Sistema Local
de Inovação, pois consistitui-se em um ambiente estruturado para promover a atuação conjunta de empresas e
ICTs visando promover e acelerar a geração de inovação.Portanto, o Parque Tecnológico é um modelo de SLI e uma
referência quanto à sua importância e eficiência organizacional. Desta forma, as ICTs de Campinas, em conjunto
com a FFC e o governo estadual, vêm atuando conjuntamente para criar as condições para o estabelecimento de um
ecossistema de inovação sinérgico e dinâmico.
Um bom exemplo é o resultado alcançado até o momento em relação ao Parque Científico e Tecnológico da
Unicamp. Este consiste em mais uma inciativa desta universidade, que busca, através de uma estratégia de caráter
empreendedor,estreitar as relações com as empresas e outras ICTs. De acordo com Baldoni e Furtado (2013), a
vinda de laboratórios e centros de P&D de grandes instituições para o Parque favorecerão a formação de redes de
relacionamentos com potencial paraimpactar a dinâmica do Campus universitário, e, sobretuto, a cidade de Campinas, que irá beneficiar-se dessa nova dinâmica.
Como resultado deste esforço foi éoprojeto de implantação no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp,do
Centro de P&D da empresa Lenovo para a América Latina, cuja previsão de investimentos inicial é da ordem de cem
milhões de dólares em P&D. Este resultado foi fruto de uma ação conjunta de governo - tanto em nível estadual,
como municipal, - com a Unicamp, demonstrando de forma clara que o esforço conjunto dos atores locais é um
fator fundamental de sucesso individual e conjunto.Em suma, a visão dos Parques Tecnológicos como instrumentos para consolidação do SLI é complexa e os desdobramentos dessas iniciativas ainda não são suficientes para a
formaçãode um SLI dinâmico na cidade de Campinas. Porém,considera-se que apesar dos obstáculos, os Parques
Tecnológicos de Campinas geridos pelas ICTs podem atuar, em escala intra urbana, como instrumentos para a consolidação de um SLI dinâmico no futuro.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
No caso da cidade de Campinas,verifica-se queapesar das muitas iniciativas ao longo de sua trajetória histórica, a necessária aproximação entre governo, empresase universidades não aconteceu de forma suficientemente
efetivapara resultar emum impacto significativo na geração sistêmica de inovação em nível local. O exemplo de
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP)
212
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP)
213
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
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Palavras-chave: Sistema, Inovação, Parques Tecnológicos, Desenvolvimento.
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A mudança da matriz econômica de Pernambuco enseja uma oportunidade para o adensamento de cadeias produtivas com potencial de inovação. Diante disto, pode-se construir políticas públicas setoriais que articulem a academia, os empresários e o governo na forma de tríplice hélice, tendo como órgão central de governança os Parques
Tecnológicos. O artigo apresenta um novo modelo conceitual com características próprias que o difere dos demais
modelos por sua área de atuação, área esta não restrita aos limites físicos do Parque. Além disso, o artigo ressalta
que a implantação de um Sistema Estadual de Parques Tecnológicos em Pernambuco se consolida com a constituição do terceiro e do quarto Parques Tecnológicos.
1. INTRODUÇÃO
O presente artigo tem como objetivo apresentar a experiência, em curso no Estado de Pernambuco, da construção
de um Sistema Estadual de Parques Tecnológicos como instrumento de apoio ao desenvolvimento industrial.
Nos últimos anos uma nova dinâmica econômica foi instalada no Estado. A partir de investimentos estruturadores, o PIB Estadual dobrou nos últimos dez anos. Por sua vez, o Governo do Estado adotou uma forte política
de atração de empresas diversificando sua matriz econômica e desenvolvendo mecanismos para adensar as
cadeias produtivas em implantação, especialmente aquelas com maior potencial de inovação. Com a consolidação
de Parques Tecnológicos como mecanismo de suporte à atração e desenvolvimento sustentável de negócios, em
setores dinâmicos selecionados, o Estado se credencia para receber investimentos significativos nesses setores.
Dessa forma, o Estado está adotando uma concepção de Parque Tecnológico mais abrangente que as concepções usuais. Uma das principais características dessa concepção é tornar os parques tecnológicos o centro
nevrálgico da implementação de políticas públicas que, uma vez constituídas, devem estimular e apoiar o desenvolvimento das principais cadeias produtivas. As políticas devem ter a sua governança centrada nesses parques. Outra
característica que diferencia o modelo em curso é a forma de interação entre Empresas, Instituições de Ciência e
Parques Tecnológicos como Instrumentos para Consolidação do Sistema Local de Inovação de Campinas (SP)
214
Parques Tecnológicos como Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Industrial de Pernambuco: Novas Concepções e Primeiros Passos
215
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Tecnologia (ICT) e Governo, onde o espaço físico do Parque Tecnológico não limita a abrangência, nem da política,
nem dos seus beneficiários. Além disso, o trato multidisciplinar dos problemas técnicos para consolidar um setor industrial no Estado não pode ser visto isoladamente, mas sim na sua interação com diferentes cadeias tecnológicas.
Pernambuco já possui um Parque Tecnológico estruturado de renome internacional, voltado para a Tecnologia
da Informação e Economia Criativa: o Porto Digital. Conta ainda com um segundo Parque em consolidação na área
de eletroeletrônica, o Parque Tecnológico de Eletroeletrônica – PARQTEL, e mais dois novos Parques em implantação
para dar sustentação a segmentos relevantes da nova economia, um deles na área de metal-mecânica e outro na
área de fármacos e biociências.
No entanto, Pernambuco ainda carece, de forma explícita, de políticas setoriais voltadas para o desenvolvimento das áreas abrangidas pelos Parques Tecnológicos. Em geral, os instrumentos utilizados para o fomento e suporte
ao desenvolvimento setorial, são genéricos e não direcionados para o fortalecimento do sistema local de inovação.
Existe a necessidade de uma maior articulação dos habitats de inovação, de modo que atuem, efetivamente, como
indutores para soluções de problemas técnicos de ponta.
Este artigo indica as lacunas que devem ser preenchidas com o desenvolvimento de uma Política Estadual que:
a) seja explicitamente voltada para cada um dos setores dinâmicos da economia; b) estimule os sistemas locais de
inovação; c) e defina claramente os Parques Tecnológicos como elementos centrais da gestão e implantação dessa
política pública, consubstanciada no Sistema Estadual de Parques Tecnológicos.
CONTEXTUALIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DO SISTEMA ESTADUAL DE PARQUES TECNOLÓGICOS
O Governo de Pernambuco está convencido de que um dos principais impulsionadores do desenvolvimento
econômico sustentável do Estado são os habitats de inovação, considerando que eles criam continuamente novas
oportunidades para a economia e para a sociedade.
Um fator a ser explorado mais explicitamente na nova Matriz Econômica de Pernambuco é a dependência externa brasileira na produção de bens de capital de maior valor agregado e de intermediários. Esta dependência deve
ser superada com base no aumento da capacidade tecnológica nacional relevante, definida por Rosenthal (2005, p.
26 apud Sicsu, 2012, p. 47) como: “um processo dinâmico e cumulativo de geração e/ou incorporação de inovações
tecnológicas em setores estratégicos (associados ao projeto nacional de desenvolvimento)”.
No mundo atual as tecnologias dominantes são um misto de tecnologia da informação, eletrônica, mecânica e
design. Isso ocorre em todas as áreas: transporte, comunicação, saúde, educação, segurança pública, saneamento,
energia, gerenciamento, etc.
Na área de Metal Mecânica, a existência do Complexo Industrial Portuário de SUAPE já garante um polo dinâmico que tem mais de 80 empresas implantadas com grandes perspectivas de ampliação, estas empresas estão
“ancoradas” em um porto com vocação para se tornar um hub internacional. No local existem dois Estaleiros em
funcionamento e uma Refinaria de Petróleo que tem previsão de entrar em funcionamento ainda em 2014. No entanto, nota-se a necessidade de se estruturar i) serviços de base tecnológica sofisticada; ii) laboratórios de suporte
às médias e pequenas empresas; iii) locais para incubação e apoio às startups e iv) mecanismos de interação efetiva
entre as entidades geradoras de conhecimento e o setor empresarial.
Por outro lado, a existência do Polo Farmoquímico de Goiana – com a presença da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (HEMOBRAS), de outras empresas do setor, de Grupos de Pesquisa qualificados da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e de várias pequenas empresas de biotecnologia – revela a necessidade
de se implantar um ambiente de negócios onde a sociedade possa se beneficiar das novas tecnologias desenvolvidas
e que ainda não tiveram a oportunidade de se colocar no mercado, pela falta de um habitat de inovação adequado.
Parques Tecnológicos como Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Industrial de Pernambuco: Novas Concepções e Primeiros Passos
216
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A eletroeletrônica é uma área trans-industrial e somente em conjunto com outras áreas potencializa o valor
agregado de seus produtos. Desta forma, Pernambuco oferece ampla oportunidade de desenvolvimento para esse
setor, pela possibilidade concreta de cooperação com segmentos de Tecnologia da Informação e Comunicação, Design e Metal Mecânico.
Em síntese, visando contribuir para uma maior interação desses habitats de inovação com segmentos empresariais – de modo que construam projetos indutores de soluções de problemas técnicos de ponta e identifiquem mecanismos específicos para cada setor – as instâncias de Governo, do Setor Privado e das Entidades do Conhecimento
buscaram alternativas de suporte ao Desenvolvimento Industrial do Estado, destacando-se a construção do Sistema
Estadual de Parques Tecnológicos.
MODELO CONCEITUAL
A Secretaria de Ciência e Tecnologia de Pernambuco contratou em 2013, o Núcleo de Gestão do Porto
Digital-NGPD, para elaborar um trabalho de consultoria1 visando a construção de um modelo conceitual a ser
adotado pelo PARQTEL. O modelo conceitual adotado, bem como as idéias apresentadas nessa seção, são frutos
dos debates estabelecidos com entidades representativas: do segmento empresarial; das universidades Universidade Federal de Pernambuco-UFPE e Universidade de Pernambuco-UPE; e dos Órgãos do Governo do Estado de
Pernambuco responsáveis pela área de ciência e tecnologia e desenvolvimento econômico.
A literatura especializada, no final dos anos 90, passa a identificar uma aglomeração empresarial como “clusters” ou arranjos produtivos. Um mecanismo que oferece oportunidades para as empresas aumentarem suas
conexões que estimulam a aprendizagem e a inovação (Nadvi, 1995; Meyer-Stamer et al. 1998). Esses aglomerados
proporcionam uma redução de custos de transação nas relações entre empresas que ocorre no contexto dos “clusters” (Scott, 1986; Saxenian, 1994). A redução do custo de transação viabiliza, segundo Storper (1995), processos
de desintegração vertical de produção nas empresas que passam a buscar especializações para diminuir riscos e
aumentar ganhos de escala.
Mas, para que esses “clusters” se transformem em “sistemas de inovação”, torna-se necessário a criação de
ambientes favoráveis à inovação a partir de uma perspectiva sistêmica e evolucionária, com a adoção de mecanismos
de promoção e suporte mais complexos do que a simples aglomeração. Mytelka (2004) alerta para a superação de
determinadas práticas e hábitos enraizados nas culturas organizacionais e locais, que podem impedir a criação de um
ambiente favorável à inovação. Hassink (2004) aponta para a existência de forças econômicas em certas regiões que
trabalham para preservar seu status quo desacelerando o avanço da inovação e o surgimento de setores dinâmicos.
Lundval (1992), Nelson e Rosenberg (1993), Edquist (1997), entre outros, introduziram o modelo de sistemas de inovação, definindo-o como “uma rede de empresas e outros agentes econômicos que, junto com instituições
e com as políticas públicas, dão suporte ao desenvolvimento sustentável num ambiente de acirrada competição
global, favorecendo um ambiente de inovação a introduzir novos produtos, processos e formas de produção no mercado”. Esse Sistema de Inovação por sua vez é constituído de camadas, com seus respectivos elementos no modelo
conceitual proposto por Mytelka (2000).
A primeira camada é aquela formada pelas políticas públicas setoriais, que suportam a criação de três ativos
intangíveis essenciais para o desenvolvimento baseado em inovação, quais sejam:
- Ligações. As formas de interação entre empresas com outras organizações para levar a novos produtos,
serviços, processos e formas de organização para o mercado. Estas interações devem ser fortalecidas, pois elas
1
SUASSUNA, Marcos; SILVA, Fábio Q. B. Modelo conceitual do PARQTEL 2013. Recife: Mega Consultores Associados, 2013.
Parques Tecnológicos como Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Industrial de Pernambuco: Novas Concepções e Primeiros Passos
217
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
constroem relações de confiança entre as organizações, favorecendo a diminuição dos custos de transação.
- Aprendizagem. A fruição de ligações entre organizações e empresas, gera conhecimento implícito ou explícito
reforçando as relações não comerciais de Storper (1995), criando vantagens competitivas locais.
- Investimento. Estímulo a uma cultura de investimento (capital próprio das empresas ou de terceiros)
para a inovação.
As políticas públicas devem estimular os três componentes do sistema local de inovação, que vem a ser
a segunda camada:
- O ambiente institucional local, com todas as suas regras, leis, práticas, diferentes incentivos e fomento,
modelam o comportamento e as expectativas das organizações. Em contraposição, a ausência das políticas públicas enfraquece este componente do sistema local de inovação.
- O tecido organizacional, composto de empresas, universidades, incubadoras de empresas, parques tecnológicos, centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação, agências governamentais, bancos, investidores e etc., direcionado pelo ambiente institucional, para o crescimento da economia local (STORPER, 1998, p. 24).
- O território (local e seu entorno) precisa ser constantemente melhorado para dar suporte e direcionar a
localização de empresas e organizações (DA SILVA, SUASSUNA, MACIEL, 2009).
O Sistema Local de Inovação e a Política Pública de desenvolvimento setorial interagem e evoluem, levando a
constantes ajustes e exigindo uma gestão estratégica dinâmica e compartilhada num modelo de governança, que
constitui a terceira camada.
A gestão do sistema local de inovação fornece suporte ao desenvolvimento e evolução dos componentes no ambiente da política pública e de seus instrumentos. A gestão da política pública tem o papel de acompanhar, avaliar e
rever a implantação da política e de articular os atores de acordo com os seus compromissos, no intuito de contribuir
para evolução do sistema local de inovação. Esta é uma tarefa complexa, uma vez que envolve interesses diversos
e, muitas vezes, conflitantes entre os atores. Para balancear estes interesses, uma gestão de Governança deve ser
construída por meio da articulação e interação entre o Governo local (Municipal e Estadual), o Setor Empresarial e a
Academia, conforme defendido por Etzkowitz e Leydesdorff (2000).
Esse modelo conceitual, trabalhado inicialmente para fundamentar a gestão de um Parque Tecnológico específico, o PARQTEL, hoje define os fundamentos e diretrizes para articular todos os Parques Tecnológicos setoriais
de Pernambuco. O sistema de Parques passa a ser o elemento central de governança e gestão do sistema local
de inovação em cada uma das cadeias produtivas dos parques, tendo como finalidade gerir a implantação de uma
política pública de desenvolvimento para cada setor, articular atores, implementar instrumentos e acompanhar os
resultados das ações para o fortalecimento institucional do tecido organizacional e do território. Na medida em que
Pernambuco trabalha com a perspectiva de constituir mais dois Parques Tecnológicos, além dos dois já estabelecidos, esse modelo conceitual fundamenta a constituição deste Sistema Estadual de Parques Tecnológicos.
A EXPERIÊNCIA DE PARQUES TECNOLÓGICOS DE PERNAMBUCO
Pernambuco tem dois Parques Tecnológicos constituídos (Porto Digital e PARQTEL) e outros dois a serem implantados (Metal-mecânica e Fármacos-e-Biociências).
Os Parques Tecnológicos atuam como articuladores dos polos dinâmicos com potencial de desenvolvimento
que se consolidam ou emergem no atual cenário. Esse conjunto de parques deverá cumprir a função de atender
Parques Tecnológicos como Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Industrial de Pernambuco: Novas Concepções e Primeiros Passos
218
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
à demanda dos grandes empreendimentos em instalação no Estado e, ao mesmo tempo de forma complementar,
produzir e acelerar o crescimento de novas iniciativas locais com potencial de inserção no mercado local.
O PORTO DIGITAL
A implantação do primeiro Parque Tecnológico de Pernambuco, no Bairro do Recife, permitiu a atração de empresas especializadas no desenvolvimento de software e serviços agregados, em vez das tradicionais commodities
das antigas empresas com foco local. Produtos de alto valor agregado e empresas com foco mundial e capacidade
de competição global passaram a fazer parte da balança comercial do Estado. Os fatos que deram origem ao surgimento do setor de TIC e de sua importância para a Economia de Pernambuco estão descritos a seguir:
Na década de 1970, em Pernambuco, despontaram grandes empreendimentos, em particular o Banorte e o
Bompreço, que utilizavam a Tecnologia da Informação (TI) de forma intensiva. Nesta mesma época, foi criado o curso
de Ciência da Computação na Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE), com objetivos diversos, dentre os
quais a formação de pessoal para atender as demandas locais.
Nos anos 90, esses empreendimentos foram descontinuados e, como legado, se estabeleceu no Estado uma
série de pequenos empreendimentos especializados em TI, formados basicamente por profissionais oriundos dos
quadros de pessoal daqueles empreendimentos e de especialistas formados pela UFPE. Além disso, o crescimento
da demanda externa por profissionais de TI, no Brasil e no exterior, estimulava a migração de capital humano especializado formado em Pernambuco, para outros mercados, causando uma evasão de “cérebros”, o recurso mais
valioso da nova Economia do Conhecimento.
Percebida essa evasão como uma perda para economia local, uma estratégia de consolidação desse setor
foi desenvolvida pela UFPE e por empresas locais e gestores estaduais. Uma das primeiras iniciativas foi a criação
do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R) em 1996. O C.E.S.A.R. foi criado, com o apoio da
UFPE e empresas privadas locais, para ser um centro de referência em pesquisa, inovação e empreendedorismo, na
intenção de reter o capital humano qualificado na região. Em complementação, cinco anos depois (2001), foi criado
o Porto Digital, projeto de Política Pública para dar escala ao setor de TI em Pernambuco e consolidar a estratégia.
Desde sua criação, o Porto Digital é gerenciado de forma privada por uma Organização Social (OS) sem fins lucrativos, o Núcleo de Gestão do Porto Digital (NGPD), que mantém um contrato de gestão com o Governo do Estado. Esse
arranjo possibilita que o NGPD, além de se constituir na governança do parque tecnológico, seja também um ponto de
articulação de diversas instituições voltadas para o desenvolvimento econômico e social na sua área de atuação.
Os esforços de doze anos de atuação (2001-2013) resultaram num ambiente estruturado que concentra: cerca
de duzentas e trinta empresas e organizações de serviços associados (7100 funcionários); três incubadoras de empresas; uma instituição de ensino superior; e dois institutos de pesquisa. As empresas do Porto Digital faturaram no
ano de 2010 R$ 1 bilhão de reais, 65% dos quais originados de contratos firmados fora do Estado de Pernambuco.
O fato demonstra a importância da capitação recursos para o sucesso do empreendimento.
PARQTEL
O PARQTEL é resultado de uma articulação entre empresários e governo, incentivados por professores da UFPE,
com objetivos tais como, i) congregar empreendimentos de base tecnológica no setor; ii) desenvolver Pesquisa e
Desenvolvimento (P&D) nas suas áreas de atuação; iii) gerar produtos e serviços inovadores; e, iv) promover o desenvolvimento econômico e social de Pernambuco.
Sua origem deve-se a um projeto, elaborado entre outubro de 1995 e março de 1996, coordenado pela Secretaria
de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (SECTMA)2, com o apoio do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP)3.
O projeto se desenvolveu em decorrência de uma série de reuniões realizadas entre a Associação Brasileira da In-
2
3
Atualmente Secretaria de Ciência e Tecnologia (SECTEC).
Atualmente ITEP/OS.
Parques Tecnológicos como Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Industrial de Pernambuco: Novas Concepções e Primeiros Passos
219
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
dústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE - Regional Nordeste), a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado
de Pernambuco (FACEPE), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), a Associação de
Usuários de Informática e Telecomunicações (SUCESU), a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC), a UFPE, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), a Empresa Municipal de
Informática (EMPREL), a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), o ITEP e a SECTMA.
Após algumas descontinuidades, devido a questões de ordem política, em 2008 foi conveniado com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o projeto “Fortalecimento do Sistema Pernambucano de Inovação em Empresas
de Base Tecnológica Através dos Parques Tecnológicos - InovaPE”. Participaram também MCT/FINEP e SECTEC/ITEP/
FACEPE. Um dos subprojetos desse convênio tinha o objetivo de estruturar e consolidar o PARQTEL, sobretudo, a
construção do Centro de Gestão Tecnológica e a Administrativa e aquisição e instalação de equipamentos e mobiliários.
Em 2012, a Universidade de Pernambuco (UPE) no intuito de aumentar a sinergia da universidade com o setor
produtivo da eletroeletrônica, criou um campus avançado de tecnologia no PARQTEL, para desenvolver o Programa
de Doutorado em Engenharia de Sistemas e Computação, em parceria com a Universidade de Goiás – UFG.
Essa iniciativa consolidou o PARQTEL como vetor de mudança regional nesta área de atuação.
FÁRMACOS E BIOTECNOLOGIA
A criação de um Parque Tecnológico de Fármacos e Biociências está ancorada na existência de diversos grupos
de pesquisa nas diferentes ICT do Estado. Como exemplo principal cita-se o Núcleo de pesquisa em Inovação
Terapêutica da UFPE – Instituto Suely Galdino (NUPIT-ISG) constituído como um núcleo de pesquisa, desenvolvimento e inovação em fármacos.
A iniciativa conta ainda com o apoio e parceria da Prefeitura do Recife (PCR), da UPE, da Empresa Novartis Biociências S.A, da Associação de Empresas e Entidades de Biotecnologia do Estado de Pernambuco (BIOTEC-PE) e do
Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP/OS).
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
CONCLUSÃO
É necessário, para a consolidação de potenciais ambientes de inovação, uma política que induza uma maior
interação entre os habitats de inovação. Essa política deve ser baseada na construção de projetos indutores que
tratem de soluções de problemas técnicos de ponta. Para isso, deve-se ter claro o mecanismo de criação desses
projetos. É preciso que eles incentivem os agentes envolvidos a se auto-selecionar para resolver um problema posto.
As soluções possíveis devem ser obtidas a partir das demandas governamentais, sociais ou empresariais, as quais
formarão a base para a criação de um portfólio adequado de projetos indutores.
A partir dessas demandas e de acordo com os estudos desenvolvidos sugerimos uma governança do Sistema
Estadual de Parques Tecnológicos de Pernambuco dotada de quatro lógicas, a saber:
1. Setor de Decisão, seguindo o modelo da Hélice Tripla, com atribuições de decidir sobre:
•
•
•
•
•
Políticas que envolvem ou tratem das atividades do Parque;
Seleção de prioridades industriais e empresariais;
Aprovação de projetos empresariais e de suas localizações;
Ordenação e alocação de financiamentos públicos e privados;
Elaboração de parcerias público-privadas.
2. Setor de Planejamento e Coordenação, com vistas a proceder:
•
•
•
•
•
Sub-regionalização das localizações das empresas;
Manutenção do sistema básico de informação;
Avaliação de projetos empresariais;
Formulação de oportunidades de novos projetos empresariais;
Acompanhamento e supervisão da execução dos projetos empresariais.
3. Setor de Financiamento, com atribuições de:
O Parque conta com quatro vetores principais: i) um centro de treinamento Tecnológico e Científico (CTTC), ii)
uma planta piloto para produção de fármacos e medicamentos (Sist-Farma), iii) laboratórios multiuso para empresas
de biotecnologia (Biotec) e iv) pesquisa aplicada com fitoterápicos e plantas medicinais (FitoPlaM).
•
•
•
•
O conceito utilizado para o Parque é de um ambiente propício à interação e cooperação entre governo, universidades, centros de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico, além de empresas. Essa parceria visa essencialmente
o desenvolvimento socioeconômico de segmentos estratégicos para o país, em particular na área de saúde.
4. Setor de Controle e Avaliação, com objetivos de:
METAL MECÂNICA
O Parque de Metal-mecânica, cujo projeto está em elaboração, contará com uma incubadora para 20 empresas
do setor, 10 laboratórios associados, um laboratório multiusuário, um centro tecnológico de metal-mecânica e um
centro de construção e montagem operacionalizado pela Escola Politécnica da UPE. Além desses serviços e estruturas, deverá contar com um anfiteatro, salas de aula, biblioteca e ambientes administrativos.
Dentre os serviços disponibilizados, o Parque de metal-mecânica deverá: i) dar apoio logístico e técnico à
instalação de laboratórios para a finalização de tecnologias estratégicas: ii) dar suporte a novos empreendimentos;
iii) disponibilizar cursos de capacitação e treinamento para executivos, engenheiros, técnicos e trabalhadores das
empresas de SUAPE, Recife e Goiana; iv) estimular a integração entre universidades, escolas, institutos de pesquisa
e empresas; v) dar acesso a rede de pesquisa, inovação e desenvolvimento; e vi) atuar como intermediador de oportunidades de financiamento em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Parques Tecnológicos como Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Industrial de Pernambuco: Novas Concepções e Primeiros Passos
220
•
•
•
•
Administrar bolsas de oportunidades de negócios empresariais no setor;
Administrar e localizar empresas incubadas;
Cadastrar linhas de financiamentos: público e privado para empresas;
Administrar fundo de investimento para o setor.
Avaliar formação e disponibilidade de recursos humanos;
Avaliar as inovações tecnológicas nos empreendimentos industrial-empresariais;
Avaliar resultados dos processos: produtivo e de serviços de desenvolvimento;
Avaliar impactos de montante e de jusante na cadeia produtiva e no meio ambiente.
As diferentes formas de interação entre os agentes constituem um importante elemento que, com uma
Governança efetiva do Parque, permitirão interações horizontais, verticais e multilaterais entre órgãos governamentais, universidades, entidades empresariais e empresas.
Para o fortalecimento do sistema local de inovação, Pernambuco ainda carece, de forma explícita, de políticas setoriais voltadas para o desenvolvimento das áreas abrangidas pelos Parques Tecnológicos implantados e em implantação.
Esta lacuna deve ser preenchida com a instituição de uma política estadual explicitamente voltada para cada
um dos setores dinâmicos da economia. Política esta que estimule os sistemas locais de inovação e defina claramente os Parques Tecnológicos como elementos centrais da sua gestão. Esta política pública deverá ser capaz de
estruturar e direcionar instrumentos existentes, bem como, de definir e dar suporte à implantação de outros instrumentos específicos para constituir o Sistema Estadual de Parques Tecnológicos.
Parques Tecnológicos como Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Industrial de Pernambuco: Novas Concepções e Primeiros Passos
221
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERÊNCIAS
DA SILVA, Fabio Q. B.; SUASSUNA, Marcos; MACIEL, Sheyla de Moraes Um modelo de desenvolvimento local baseado
em inovação e o papel dos parques tecnológicos na sua implantação. Revista da Micro e Pequena Empresa (FACCAMP), v.3, p.25 -­‐ 37, 2009.
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ETZKOWITZ, H.; LEYDESDORFF, L. The dynamics of innovation: from National Systems and “Mode 2” to a Triple Helix
of university–industry–government relations. Research Policy, Vol. 29, Issue 2, pp. 109-­‐123, 2000.
HASSINK, R. The Learning Region: A Policy Concept to Unlock Regional Economies from Path Dependency? In: Proceedings of the Conference on Regionalization of Innovation Policy – Options and Experiences, Berlin, June 4th-­‐5th,
2004.
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Case Studies from Mexico, Brazil, Paraguay, Korea, and Thailand. Berlin: German Development Institute, 1998.
MYTELKA, Lynn K. Local Systems of Innovation in a Globalized World Economy. Industry and Innovation, Vol. 7, N. 1,
pp. 15-­‐32, 2000.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia –
Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação
tecnológica para competitividade
Paes, Carla dos Santos Macedo, Assistente em C&T, Instituto Nacional de Tecnologia
[email protected]
Clarim, Haroldo de Jesus – Instituto Nacional de Tecnologia
[email protected]
Souza, Cristina Gomes de, Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca
[email protected]
Palavras-chave: Gestão do Conhecimento, Gestão de Estratégica, Inovação Tecnológica, Competitividade, Recursos Humanos.
NADVI, Khalil. Industrial Clusters and Networks: Case Studies of SME Growth and Innovation. Vienna: UNIDO Smal
and Medium Industries Branch, 1995.
Resumo
NELSON, R.; ROSENBERG, N. National Innovation Systems. A Comparative Analysis. New York: Oxford University Press,
1993.
O presente trabalho apresenta o resultado do mapeamento do capital intelectual de uma Instituição de Ciência e
Tecnologia – ICT e objetiva mostrar que fazer a gestão da inovação é a soma dos resultados que vão desde o planejamento estratégico organizacional até a gestão do conhecimento, com vistas a alavancar o potencial de competitividade de uma Organização Pública Federal para estruturá-la de forma a atender as demandas do mercado e da
sociedade. Este mapeamento permitiu que a Instituição construísse uma metodologia de recrutamento e seleção
de recursos humanos por edital de concurso público voltado ao perfil de pesquisador, com foco na competência
essencial. Esse resultado permitiu que o INT realizasse a implementação de novos métodos organizacionais na
prática do negócio, organização do trabalho e/ou relações externas, garantindo ganhos de eficiência em processos
administrativos e melhoria na prestação de serviços técnicos especializados por seus pesquisadores, como motor
de competitividade no cenário de inovação tecnológica. Nesse estudo de caso do INT apresentamos o resultado dos
perfis de pesquisadores identificados alinhados à gestão da estratégia da Instituição com a estrutura organizacional
para atingimento da missão institucional em consonância com as políticas e estratégias nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, com ações prioritárias focadas no aumento da competitividade industrial e contribuição para o
desenvolvimento socioeconômico da sociedade brasileira.
SAXENIAN, A. Regional Networks: Industrial Adaptation in Silicon Valley and Route 128. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1994.
SCOTT, A.J. High Technology Industry and Territorial Development: the Rise of the Orange County Complex, 1955-­
‐1984, Urban Geography, Vol. 7, pp. 3-­‐45, 1986.
Sicsu, A.B. Estudos Universitários, Revista de Cultura da UFPE, Ed. Universitária da UFPE, V 31, Nº 12, PP 47
STORPER, M. The Resurgence of Regional Economies, Ten Years Later: The Region as a Nexus of Untraded Interdependencies. European Urban and Regional Studies, Vol. 2, pp. 191-­‐221, 1995. DOI: 10.1177/096977649500200301.
Industrial policy for latecomers: products, conventions, and learning. In: STORPER, M.; THOMADAKIS, T.; TSIPOURI, L.
Latecomers in the Global Economy.
1. INTRODUÇÃO
A economia do Brasil hoje é centro das atenções mundiais, junto com os demais países componentes do BRICS.
Ser hoje a 7ª maior econômica do mundo em PIB nominal e a sétima maior por paridade de compra (PPC), é resultado das reformas econômicas realizadas no país nos últimos 20 anos.
O desafio da atualidade das organizações é estar preparadas para acompanhar o desenvolvimento econômico,
estudando cenários e realizando pesquisas de tendências mercadológicas que faça o Brasil mais competitivo, desenvolvendo inovação tecnológica em produtos, processos e serviços.
Parques Tecnológicos como Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Industrial de Pernambuco: Novas Concepções e Primeiros Passos
222
O Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
O Instituto Nacional de Tecnologia é uma instituição pública federal mais de 90 anos, de característica multidisciplinar com inserções em várias áreas de atuação e em todos os segmentos em ciência, tecnologia e mais recentemente em inovação.
Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o INT destaca-se entre as instituições de
pesquisa do Ministério que mais contribui para a inovação no país, sendo parceiro preferencial da indústria nacional.
Para tanto, foi necessário investir em seu quadro de pessoal, mudando a estratégia da organização ao
internalizar conceitos e criar metodologias, com objetivo de identificar qual é o modelo de negócio do INT.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Para isso é necessário conhecer quais são as necessidades da Instituição e de que forma a área de gestão de
pessoas possa influenciar no processo decisório do INT.
No Congresso Interno do INT no ano de 2012 foi a apresentado o modelo de gestão de competências para a
Instituição, onde os resultados do mapeamento de gestão de competências permitiu identificar junto às áreas organizacionais o perfil do pesquisador da Instituição.
Esta identificação foi realizada a partir da análise de dados sobre pessoal no período compreendido entre 2007
a 2010, especialmente visando suprir a falta de pessoas qualificadas para atender as linhas de atuação do INT, conforme ilustrado nas figuras 1, 2 e 3.
A abordagem deste trabalho é apresentar o resultado do mapeamento do perfil do pesquisador do INT e seu
desdobramento na contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade industrial e o desenvolvimento socioeconômico da sociedade brasileira.
2. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
O INT vem enfrentando perda de seu quadro de pessoal desde a década de 80, quando do estabelecimento do
Regime Jurídico Único, Lei 8.112/90 e o acesso ao seu quadro efetivo de servidores ser realizado estritamente por
concurso público.
O papel da área de gestão de pessoas numa organização é essencial quando seus processos são preparados
para atender com qualidade os objetivos da instituição, alinhados ao planejamento estratégico, com ações que conciliam desde a entrada de recursos humanos até o seu progresso, por meio de programas de capacitação, desenvolvimento e gestão do conhecimento.
Figura 1 – Doutores do INT
Figura 2 – Mestres do INT
No quadro 1 verificamos esta afirmação e identificamos que há períodos de sazonalidade de entrada e saída
de pessoas. Antes de 1990, o INT contava em seu quadro com mais de 350 servidores, e no ano de 2013 com 260,
uma diferença de 90 pessoas, mostrando uma curva decrescente de pessoal. O que isso implica? Reformulação de
estratégia, planejamento, junção ou extinção de áreas, para que a Instituição possa atender aos compromissos contratuais assumidos, sem deixar de cumprir com seus Objetivos estabelecidos em seu Mapa Estratégico.
Quadro 1 – Quantitativo de Servidores Ativos Período de 1985 a 2013
Figura 3 – Especialistas do INT
O Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
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O Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Essa metodologia permitiu formatar o Termo de Referência para a realização de concurso público com base
no modelo de gestão de competências, com a contratação de 35 novos servidores para as áreas técnicas, com formação acadêmica diversa, concentrada nas seguintes grandes áreas: Engenharias e Ciências Exatas.
O resultado apresentado foi a melhoria nos sistemas de trabalho da área de gestão de pessoas, sendo considerada
o centro armazenador de todas as informações sobre dados de pessoal, que anteriormente, estavam dispersos por
outros setores do INT, dificultando o entendimento e extração de dados necessários para análise de resultados.
No quadro 2 verificamos as informações de dados de pessoal de forma consolidada.
Quadro 2 – Quantitativo do Corpo Funcional de 2007 a 2013
Gestão da Informação, Gestão do Conhecimento, Inteligência Competitiva
Gestão da Informação
Gestão do Conhecimento
Inteligência Competitiva
Foco: Negócio da Organização
Foco: Capital Intelectual da Organização
Foco: Estratégias da Organização
• Prospecção, seleção e obtenção da in-
• Desenvolvimento da cultura organizacional
• Desenvolvimento da capacidade criativa do
formação
voltada ao conhecimento
capital intelectual da organização
• Mapeamento e reconhecimento dos
• Mapeamento e reconhecimento dos fluxos in-
• Prospecção, seleção e filtragem de infor-
fluxos formais de informação
formais de informação
mações estratégicas nos dois fluxos informacionais: formais e informais
• Tratamento, análise e armazenamento da
• Tratamento, análise e agregação de valor às in-
• Agregação de valor às informações prospecta-
informação utilizando tecnologias de infor-
formações utilizando tecnologias de informação
das, selecionadas e filtradas
• Disseminação e mediação da infor-
• Transferência do conhecimento ou socialização
• Utilização de sistema de informação estratégi-
mação ao público interessado
do conhecimento no ambiente organizacional
co voltado à tomada de decisão
• Criação e disponibilização de produtos
• Criação e disponibilização de sistemas de in-
• Criação e disponibilização de produtos e
e serviços de informação
formação empresariais de diferentes naturezas
serviços específicos à tomada de decisão
Trabalha essencialmente com os fluxos
Trabalha essencialmente com os fluxos infor-
Trabalha com os dois fluxos de informação: for-
formais de informação
mais de informação
mais e informais
mação
Identificar o perfil do pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) que trabalha diretamente com
inovação tecnológica seja através de patenteamento de invenções ou de outros processos de transferência de tecnologia entre a referida instituição e empresas dentro deste universo multidisciplinar é um desafio.
Fonte: Divisão de Gestão de Pessoas
VALENTIM (2002), afirma que num processo de inteligência competitiva os dados, a informação e o conhecimento
são matérias-primas para decisão e que este será o grande diferencial das organizações para esse novo milênio.
Assim, o desafio das organizações está intrinsecamente ligado ao fator de desenvolver suas atividades através
da análise dos dados, das informações tecnológicas e da difusão do conhecimento adquirido através das realizações
de pesquisas, num processo constante de melhoria contínua com objetivo de se tornarem competitivas e atender ao
aumento da produtividade e da qualidade da organização.
Para atingir a excelência da gestão da inovação e informação tecnológica as organizações deverão estruturar-se
para a gestão da informação, do conhecimento e da inteligência competitiva, com foco no negócio, no desenvolvimento de seu capital intelectual e nas estratégias da organização, conforme modelo proposto por VALENTIM (2002):
O Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
226
TIGRE (2006) afirma que as inovações organizacionais sempre cumpriram um papel fundamental no aumento
da produtividade e no desenvolvimento industrial. Mais recentemente, a disponibilidade de novas ferramentas de
Tecnologias da Informação e da Comunicação - TIC abriu a possibilidade de introdução de formas de gestão apropriadas para dar resposta às crescentes pressões competitivas. As mudanças organizacionais geralmente envolvem a
transformação de processos de negócios, mudanças nas cadeias hierárquicas de comando e controle, novas formas
de acesso a informações e reformulação nas formas tradicionais de operação.
Para que tais inovações organizacionais ocorram, serão necessárias mudanças significativas nas qualificações
profissionais, na forma de organização do trabalho, na integração funcional, no controle operacional, nas relações
interorganizacionais e na própria cultura gerencial (TIGRE, 2006).
Faz-se necessário a busca deste capital intelectual que fará a diferença entre as organizações, bem como a
quantidade e, principalmente, a qualidade das patentes geradas no Brasil.
CHIAVENATTO (2010) afirma que as pessoas não são recursos que a organização consome e utiliza e que produzem custos. Ao contrário, as pessoas constituem um poderoso ativo que impulsiona a competitividade organizacional, da mesma forma que o mercado e a tecnologia.
Com efeito, para as organizações desenvolverem suas competências essenciais deverão traçar perfil de pesquisador que possa construir ações e projetos dentro das estratégias, com vistas a produzirem pesquisas com qualidade e quantidade, gerando futuros depósitos de patentes.
O Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
227
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Para este paradigma ser quebrado, as ICTs deverão buscar que suas atividades estejam inseridas no contexto
do cenário político, econômico e social, no sentido de acompanhar os principais modelos de tecnologia e gestão da
inovação, além de estabelecer parcerias com universidades e empresas públicas e privadas.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Quadro 3 podemos verificar esta afirmação.
A presente afirmação deve-se ao fato de haver incentivo governamental para que a difusão do conhecimento
e a transferência de tecnologia aconteça mais entre as universidades, potenciais produtores de capital intelectual
qualificado, com empresas. As universidades assim configuradas surgiram no final do século XX e são intituladas
como “empreendedoras”, emergiu com o fortalecimento do papel desempenhado por essas instituições – geradoras
do conhecimento – no processo de inovação tecnológica, em consonância com a Triple Helix Theory, baseada na
relação entre academia – indústria – governo (SOUZA, BARBASTEFANO e ARAUJO, 2009).
Diferentemente das universidades que têm atualmente este perfil empreendedor, as ICT’s têm dificuldades de
obterem fontes de financiamento para desenvolverem seus projetos, além de não terem forte atuação de convênios
com empresas para desenvolvimento de pesquisas. O Governo Federal tem buscado mudar esta situação para que
as ICT’s realizem mais parcerias entre instituições públicas e privadas (PPP’s), bem como fomentam recursos em
fontes financiadoras do governo para desenvolver determinado tipo de projeto, como é o caso dos projetos de financiamento da PETROBRAS repassando recursos à Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) do MCTI, iniciado no
ano de 2000, com objetivo de promover o desenvolvimento econômico e social do país.
Destacamos que ainda é incipiente as pesquisas quantitativas sobre o tema proposto do perfil do pesquisador
das ICTs, posto que o versado na literatura contemporânea trata especificamente dos casos de universidades.
3. METODOLOGIA E RESULTADOS
As organizações no processo de melhoria contínua de seus processos investem em seu capital intelectual de
forma que possam estabelecer critérios para obter ganhos de competitividade (PAES et. al, 2012). Para tanto, é
fundamental ter e manter equipes capacitadas e desenvolvidas nas competências essências mapeadas e delineada
pela instituição, de forma a alavancar os projetos de pesquisa e desenvolvimento e, evidentemente, dar sustentabilidade organizacional.
A proposta da metodologia do mapeamento do capital intelectual ocorre desde a entrada dos recursos humanos na instituição através de concurso público, passando pela capacitação anual proposta no Plano Anual de
Desenvolvimento de Gestão de Pessoas (PDGP) alinhado com os objetivos da instituição estabelecidos no planejamento estratégico e as atividades desenvolvidas pelos profissionais, até a captação de pessoas com o perfil adequado para atender aos projetos de pesquisas promovidos pela instituição.
Além desse fato deve ser considerado igualmente os servidores que completarão as exigências legais para
aposentadoria.
Do quantitativo total de servidores do INT de 261 em dezembro de 2013, o Quadro 4, reflete a situação do
quadro de servidores do INT no período de 2011 a 2015.que poderão aposentar-se voluntariamente, reduzindo este
quantitativo para 157.
Quadro 4 – Projeção do Quantitativo de Servidores do INT Aposentáveis
Diante deste cenário, o papel da área de recursos humanos na gestão do conhecimento organizacional torna-se
fundamental, para que possa realizar o mapeamento do capital intelectual, para poder convergir às ações propostas
pela instituição com a formação e qualificação do profissional que desenvolverá as atividades de ciência, tecnologia
e inovação tecnológica através de pesquisa e desenvolvimento.
Em contraponto a entrada de 71 servidores nos quadros de pessoal do INT, está o quantitativo da saída de 51
servidores aposentados ou outras formas de vacância, tais como exoneração, posse em outro cargo inacumulável,
redistribuição etc., no mesmo período, que impactaram no desenvolvimento das atividades desenvolvidas, conforme
Diante da situação apresentada, a área de recursos humanos da instituição iniciou a implantação de metodologia e procedimentos dos seus principais processos e atividades em gestão de pessoas, organizando e padronizando
seus dados e relatórios de gestão com objetivo de subsidiar as ações de estratégia do INT para alcançar as metas
firmadas no Termo de Compromisso de Gestão (TCG) assumido junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
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O Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
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Com isso, a área de recursos humanos contribuiu para que o INT tivesse aumento de sua capacidade na formação de pesquisadores oriundos de instituições de ensino, de formação médio, médio técnico e superior, com diversidade de fontes de fomento e aumento gradativo de bolsistas, estagiários e prestadores de serviços, para suprir
a demanda no atendimento aos compromissos assumidos em projetos e processos tecnológicos.
é o seguinte: a definição de um objeto para uma disciplina e, por conseguinte, a própria delimitação e pertinência
dessa disciplina p assam pela metadisciplina e não o revés.
Da mesma forma, o aumento do quadro de colaboradores ao quadro de servidores ativos ajudou a equilibrar as
atividades desenvolvidas pelas Unidades Organizacionais da estrutura da instituição, possibilitando ao INT garantir
o aumento dos recursos financeiros, ampliando a sua carteira de projetos que atualmente é próximo de 60 milhões
de reais, com recursos do Tesouro e outras fontes de fomento.
A partir da situação apresentada, a presente proposta pretende contribuir para que haja maiores subsídios
para capacitar os técnicos da área de gestão de pessoas e gestores de equipes do Instituto Nacional de Tecnologia
de sua atuação na formação de recursos humanos adequados desde a sua entrada por concurso público até a sua
aposentadoria, de forma a reter o conhecimento produzido com o repasse através de transferência do conhecimento
na capacitação de novos servidores e colaboradores.
É fato que a curva da evolução de pessoal colaborador está crescente, em contraponto a curva decrescente de
entrada de servidores, e entendemos que para o INT alavancar a continuidade de suas ações e atuação frente às
políticas públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação, deverá ser feita uma análise da situação presente e planejar
ações de gestão de estratégia para aumento do ingresso do número de servidores, objetivando o atingimento das
metas institucionais, sua missão, seus valores e visão de futuro, com sérios prejuízos no futuro se não iniciar imediatamente ações deste tipo.
Com a identificação de qual é o perfil do pesquisador para o INT, de forma a agregar o valor do conhecimento
a ser formado com a retenção do talento gerado, com vistas a preservar o conhecimento gerado, desenvolver competências críticas em gestão e garantir recursos humanos adequados para o crescimento do INT, tornaram-se os
objetivos estratégicos validados no mapa estratégico institucional que na área de Recursos Humanos deverão ser
alcançados através de indicadores definidos em painéis de contribuição, alinhados ao mapa estratégico da instituição para os próximos 10 anos.
Propomos assim um modelo de capacitação e formação de recursos humanos para verificarmos como se comporta ao longo do tempo os indicadores estabelecidos, bem como indicar as alternativas necessárias para propor
projetos de desenvolvimento de recursos humanos capazes de garantir o crescimento da instituição, conforme
Figura 4, onde apresentamos o modelo de capacitação e formação de recursos humanos que foi idealizado no sentido de entender como atingir a inovação tecnológica numa organização.
4. CONCLUSÃO
Da mesma forma, para a aplicação da metodologia proposta é necessário que a área de recursos humanos possa
participar da gestão do conhecimento organizacional e da gestão de estratégia da instituição, com intuito de garantir
recursos humanos adequados para propiciar a inovação, a pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo.
Com o desenvolvimento desta metodologia de recrutamento e seleção através de edital de concurso público
permitirá ganhos de eficiência em processos administrativos para promover a melhoria na prestação de serviços
técnicos especializados pelos pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia, com vistas a objetivar a projeção
da instituição como uma organização competitiva no cenário de ciência, tecnologia e inovação nacional, ao ampliar
sua área de atuação no cenário econômico, político e social.
A inovação quando cria aumento de competitividade pode ser considerada como um fator fundamental no
crescimento econômico de uma sociedade. No caso do INT identificar o perfil do pesquisador através do mapeamento do capital intelectual da instituição, desenvolvendo método de recrutamento e seleção por edital de concurso
público é uma proposta inovadora e implementação de novos métodos organizacionais na prática do negócio, organização do trabalho e/ou relações externas.
Figura 4 – Modelo de Capacitação e Formação de Recursos Humanos (Carla Paes - 2010)
Este modelo indica que a instituição deverá investir em recursos humanos capacitados continuamente, dentro
do perfil a ser definido pelo plano de ação e metas institucionais, cujas atividades sejam definidas em plano de trabalho e sua competência mapeada em conjunto com o planejamento estratégico da instituição, bem como investir
na qualidade de sua infraestrutura organizacional e laboratorial, como equipamentos de última geração, permitindo
o atingimento do melhor desempenho frente aos produtos e processos desenvolvidos. Este movimento é contíuo e
cíclico, sendo alimentado constantemente, pelo dinamismo da transferência do conhecimento.
O desafio está em separar da realidade total um campo particular, susceptível de mostrar-se autônomo e que,
ao mesmo tempo, permaneça integrado nessa realidade total. E aqui enfrentamos outro problema importante, e que
O Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
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O Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERÊNCIAS
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Reimpressão, São Paulo, 2008.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Rotosimp: Um Relato da Experiência em Produção de Simuladores para Treinamento Industrial
- Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Disponível em <http://www.mct.gov.br>.
PAES, Carla dos S. Macedo, CLARIM, Haroldo de Jesus e MUSSE, Catarina Salamão. Modelo de Gestão de Competências: Estudo de Caso do Instituto Nacional de Tecnologia. VIII Congresso Nacional de Excelência em Gestão – VIII
CNEG, 2012, Rio de Janeiro.
Silva Júnior. Jordão Moreira. Instrutor Técnico, SENAI PB
[email protected]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil (Atualizado em 26/01/2014).
- Relatório de Atividades do Instituto Nacional de Tecnologia período de 2007 a 2010. Disponível em <http://www.int.
gov.br/documentos/relatorio_de_atividades_int_2007-2010.pdf>.
SOUZA, Cristina Gomes de, BARBASTEFANO, Rafael Garcia, ARAUJO, Fernando Oliveira. Análise dos Padrões de Depósitos de Patentes de Universidades Brasileiras, artigo apresentado no XXIX Encontro Nacional de Engenharia de
Produção – A Engenharia de Produção e o Desenvolvimento Sustentável: Integrando Tecnologia e Gestão, Salvador
– BA, Brasil, 06 a 09 de outubro de 2009.
TIGRE, Paulo Bastos. Gestão da Inovação – A Economia da Tecnologia no Brasil, Editora Campus Elsevier, 4ª Tiragem,
Rio de Janeiro, 2006, ISBN 85-352-1785-8.
VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Inteligência Competitiva em Organizações: dado, informação e conhecimento, artigo
publicado na revista DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação, V. 3, no. 4, ago/2002.
O Perfil do Pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia – Resultado de uma contribuição aos estudos de inovação tecnológica para competitividade
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Palavras-chave: 1 Tecnologia. 2 Simuladores. 3 Treinamento.
Resumo
O presente trabalho relata a experiência vivenciada pela equipe de projetos de inovação e tecnologia do SESI/SENAI
da Paraíba. Na criação e execução do SIMULADOR PARA TREINAMENTOS DE DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS
PARA INDÚSTRIA, denominado ROTOSIMP. Iniciou com o lançamento do edital de Inovação em 2011, com objetivo
de promover o apoio a projetos que compreendam o desenvolvimento de produtos, processos e serviços prestados
pelos SESI/SENAI em parceria com empresas do setor industrial. Contudo, surgiu o projeto colaborativo entre SESI/
SENAI e a Felinto Indústria e Comércio Ltda da cidade de Campina Grande PB. Sua execução a partir de outubro
de 2011, culminando em novembro de 2013, totalizando 20 meses de desenvolvimento e a entrega dos produtos
resultantes à indústria parceira, realizando assim a missão do SENAI em transferir conhecimento e tecnologias para
uma indústria mais competitiva. Com isso, foi criado o primeiro Simulador e Curso de Rotogravura Digital do Brasil.
Tendo em vista o crescimento da utilização das tecnologias digitais nos diversos contextos, torna-se imperativo propor soluções para os treinamentos industriais que se apropriem do potencial dessas tecnologias. Este projeto surgiu
da observação das práticas de capacitação para as atividades industriais aos integrantes do quadro funcional da
Felinto, que passam pelo treinamento no uso da impressora Windmöller & Hölscher Heliostar SL e seus processos e operações, visando à formação para a produção de embalagens flexíveis, que é o processo utilizado pela
empresa, em sua linha de produção. Logo, o projeto aplica uma metodologia baseada no desenvolvimento cognitivo
usando níveis de conhecimento e procedimentos de ações com o uso do ROTOSIMP, como também auxiliado com
um kit de interação similar ao de operação da impressora, que retratam no virtual as ações realizadas no trabalho
desenvolvido no ambiente da indústria, voltados a desenvolver competências profissionais sobre a demanda da indústria por mão de obra qualificada. A ideia partiu da união da tecnologia de simulação em realidade tridimensional,
multimídia e o hipertextos no ambiente computacional, com o acompanhamento de um facilitador que auxiliará no
treinamento do trabalhador, garantindo um melhor aproveitamento e construção da competência gerando, contudo,
mesmo que virtualmente uma experiência prévia para a execução na prática mais eficiente e eficaz, fazendo assim
uma educação profissional sobre uma pedagogia de formação por competência, contribuindo dessa forma para a
qualidade de vida do trabalhador que se sente mais valorizado, reduzindo os impactos ambientais com a redução do
uso de matéria prima e economia de energia elétrica, bem relevantes na medida em que o processo de treinamento
é desenvolvido no meio digital, amortecendo gradativamente o uso de insumos como papéis, plásticos e outros materiais, utilizados no método convencional proporcionando uma economia para a Indústria; diminuindo os gastos e
aumentando os lucros e rendimentos para todos.
Rotosimp: Um Relato da Experiência em Produção de Simuladores para Treinamento Industrial
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
1. INTRODUÇÃO
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
FIGURA 2 – PRODUTOS DESENVOLVIDOS PELO PROJETO ROTOSIMP
A economia do Brasil hoje é centro das atenções mundiais, junto com os demais países componentes do BRICS.
Ser hoje a 7ª maior econômica do mundo em PIB nominal e a sétima maior por paridade de compra (PPC), é resultado das reformas econômicas realizadas no país nos últimos 20 anos.
O desafio da atualidade das organizações é estar preparadas para acompanhar o desenvolvimento econômico,
estudando cenários e realizando pesquisas de tendências mercadológicas que faça o Brasil mais competitivo, desenvolvendo inovação tecnológica em produtos, processos e serviços.
Com o lançamento do edital de Inovação SESI/SENAI 2011, que tinha como objetivo promover o apoio a projetos de inovação tecnológica e social que compreendiam o desenvolvimento de produtos, processos e serviços prestados pelos Departamentos Regionais do SESI e SENAI de cada estado em parceria com empresas do setor industrial,
a equipe de projetos do SENAI PB, em conjunto com a gerência de educação do SESI PB, prospectaram indústrias
que tivessem dentro de suas necessidades o interesse em participar do referido edital, e foi encontrado na Felinto
Indústria e Comércio Ltda. um cenário de oportunidades.
Fundada em 13 de janeiro de 1966, em Campina Grande, no estado da Paraíba, a Felinto Indústria e Comércio Ltda. com uma extensão territorial de 120.000m²; tendo mais de 50.000m² de área construída. E capacidade
produtiva: 14.400.000kg/ano; sendo 10.200.000kg de embalagens plásticas e 4.200.000kg de papel. Destaca-se
nacionalmente pela grande variedade de aparatos tecnológicos que permite-lhe caminhar em constante inovação
de técnicas sem recorrer a terceirização de serviços, pois é na própria empresa que é feito todo o processo que vai
desde a extrusão da matéria prima (polietileno, polipropileno, etc...) que será transformada em filme para confecção
das embalagens, até os testes laboratoriais para então serem distribuídas. Garantindo assim à qualidade dos seus
produtos, fato que a torna referência nacional em tecnologia aplicada à fabricação de embalagens flexíveis.
Figura 1 – Foto dos colaboradores da Indústria Felinto em seu portão de entrada
Fonte: Projeto ROTOSIMP
Tendo em vista o crescimento da utilização das tecnologias digitais nos diversos contextos do cotidiano, torna-se imperativo propor soluções educacionais para os treinamentos industriais que se apropriem do potencial dessas tecnologias. Este projeto surgiu da observação das práticas de capacitação para as atividades industriais aos
integrantes do quadro funcional do setor de rotogravura da empresa parceira, quando esses são contratados ou
remanejados e passam pelo treinamento no uso da impressora Windmöller & Hölscher Heliostar SL e seus processos e operações, buscando a formação para a produção de embalagens usando rotogravura, que é um processo de
impressão gráfica onde a matriz é constituída por um cilindro metálico gravado e cromado tendo sua área impressa
em relevo, por onde passa a tinta que será impressa na superfície do papel. Para tal método, se faz uso de tintas
altamente secativas a base de solvente este método de impressão consiste no movimento rotativo das impressoras
utilizadas, caracterizado pela sua rapidez e qualidade das imagens.
Fonte: Módulo Felinto Imprimindo sua Trajetória
Surgindo então o primeiro projeto colaborativo entre SESI/SENAI na Paraíba e à Indústria Felinto, chegando a
obter êxito em sua aprovação, sendo colocado em execução em 03 de outubro de 2011, culminando em 30 de novembro de 2013 com a entrega dos produtos desenvolvidos pelo projeto à indústria para ser aplicado no treinamento
para colaboradores, ao SESI servindo como modelo metodológico possível de ser replicado em outras indústrias e ao
SENAI como portfólio de atuação de desenvolvimento de tecnologias digitais no estado da Paraíba. Criando assim o
primeiro Simulador e Curso de Rotogravura Digital do Brasil.
Rotosimp: Um Relato da Experiência em Produção de Simuladores para Treinamento Industrial
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Fonte: Módulo Felinto Imprimindo sua Trajetória
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Este é o processo utilizado pela Indústria Felinto na sua linha de produção de embalagens flexíveis, e seu treinamento visa possibilitar o aprimoramento e crescimento no âmbito pessoal e profissional dos colaboradores desenvolvendo competências profissionais sobre a demanda da indústria na necessidade de mão de obra qualificada.
• Desenvolver um ambiente digital caracterizado por um software interativo multimídia com recursos de multimodos, que proporcionará a vivência de uma situação real no virtual para a realização de cursos e treinamentos de
colaboradores da indústria;
No inicio do trabalho foi percebido que o modelo de treinamento aplicado na indústria naquela ocasião apresentava algumas deficiências que poderiam ser contornadas como exemplo: o desperdício de material, a falta de
conhecimento teórico dos operadores novatos e principalmente o fato de que estes operadores em treinamento
eram colocados diretamente na operação da máquina apenas acompanhado por um colaborador mais experiente.
• Diminuir os impactos ambientais com a redução do uso de matéria prima e moderação no uso de energia
elétrica, bem relevantes na medida em que o processo de treinamento é desenvolvido no meio digital, diminuindo
gradativamente o uso de insumos como papéis, plásticos e outros materiais, utilizados no método convencional o
que pode, inclusive, proporcionar economia e ganhos para a Indústria;
O treinamento de mão de obra para a operação da impressora Heliostar SL era desenvolvido durante um ano e
feito para 16 pessoas por média em cada treinamento. Esta impressora é considerada uma das melhores do seguimento e no Brasil são encontradas em um número bastante reduzido. Na Paraíba temos três desse modelo sendo duas
na Felinto e uma em outra indústria do Estado. Com características de pode imprimir 450 metros por minuto em linha
de produção a impressora funciona de rolo para rolo entintando a película a ser impressa, usando tintas a base de solventes de acetato e/ou álcool com uma temperatura de secagem na ordem de 180ºC. A máquina é equipada de acordo
com as necessidades e requisitos especiais do cliente, relativos aos materiais a serem impressos como películas finas,
papéis fortes, películas de alumínio e compostos, encontra-se em sua disposição 10 mecanismos de impressão. É
operada através de painéis digitais em telas de touch screem que registram todas as etapas de produção.
• Possibilitar à indústria um novo incremento facilitador de aprendizagem para os treinamentos dos colaboradores com o acompanhamento profissional e tecnologias digitais buscando um melhor aproveitamento e construção
da competência laboral diminuindo os gastos e aumentando os lucros e rendimentos para todos.
Figura 4 – Foto da Impressora Heliostar SL
O ROTOSIMP proporcionará, além da melhoria no processo de ensino aprendizagem em treinamentos industriais, promoverá um significativo diferencial mercadológico, pois o Sistema Indústria da Paraíba que passará a ser
reconhecido não apenas pela qualidade dos seus cursos, mas também, pela vanguarda no uso de tecnologias voltadas à educação, processos e serviços. Isso, posto ao setor industrial teremos uma maior participação no segmento,
uma vez que inexistirá no mercado um produto semelhante que consiga estimular os colaboradores a retomarem
ou manterem os estudos, e ao mesmo tempo, proporcionar ludicidade e conhecimento em um modelo customizado.
Este projeto é inovador devido ao fato de utilizar tecnologias computacionais 3D de virtualização e simulação
de eventos reais, voltandos para a educação profissionalizante visando auxiliar no processo de formação de
mão de obra para atividades do trabalho industrial. Como também customizando a aquisição do conhecimento pelo colaborador possibilitando a solução de problemas na formação como: a diminuição do custo operacional
de treinamento, gastos de insumos e matéria prima com a diminuição o seu uso, possibilitando segurança ao trabalhador por não expor inexperientes no ambiente de trabalho já que antes de ser encaminhado às atividades de
trabalho propriamente dito passa ambiente pelo virtual.
Fonte: Site Felinto disponível em < http://www.felinto.com.br/br/tecnologias.php
Essa metodologia possibilita uma maior aproximação da vida digital na qual os jovens e adultos da atualidade
estão envolvidos com o aprendizado de uma profissão e ou aprofundamento de conhecimento laboral, trazendo assim a uma educação profissional continuada para dentro do seu mundo, contribuindo dessa forma para a qualidade
de vida do trabalhador que se sente mais valorizado. O ROTOSIMP está estruturado sobre uma pedagogia de formação por competência, onde, os colaboradores serão capacitados em todas as áreas necessárias para desenvolvimento de suas funções dentro da empresa, possibilitando à indústria a utilização da metodologia em suas atividades
de cursos e treinamentos. Nesse contexto, o SESI e o SENAI Paraíba identificaram a oportunidade de um projeto com
foco no desenvolvimento de metodologias e produtos educacionais com tecnologias que propiciem maior adesão dos
colaboradores da indústria com o reconhecimento da necessidade de se preparar com condições teóricas e práticas
para atender as demandas industriais correntes. Para isso os objetivos deste projeto foram:
Este projeto foi desenvolvido por uma equipe altamente capacitada, multidisciplinar composta por profissionais
do próprio SESI e do SENAI PB. Além de outros contratados que contribuíram não só com o seu trabalho, mais também com toda a experiência de vida. O Simulador para Treinamentos de Desenvolvimento de Competências para a
Indústria enriquece não só as pessoas enquanto trabalhadores, mas contribui também para o crescimento do setor
industrial na medida em que lhe proporciona acolher um projeto criado exclusivamente para estes fins, o que torna
seu desenvolvimento e uso, um diferencial em meio ao universo fabril. A equipe presente em todo o desenvolvimento
das etapas deste projeto, com o know-how de conhecimento, poderá desenvolver novos produtos e processos no que
se refere ao uso de tecnologias para ofertar cursos e treinamentos ou soluções para problemas da indústria com a
utilização de ambientes virtuais, simulações entre outros serviços de seu portfólio, com a replicação dos modelos
e customização para atender a demanda particular de cada indústria, que desejar aplicar estas soluções em suas
atividades industriais assim como no SESI e SENAI nos seus processos de ensino e aprendizagem.
Figura 6 – Equipe SESI/SENAI de desenvolvimento
Fonte: Projeto ROTOSIMP
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O nome ROTOSIMP foi originado da junção de três nomes: ROTO de rotogravura; SIM de simulador, onde na
simulação há reprodução idêntica de todas ou quase todas as características, reações, variáveis e situações encontradas na realidade. Com o objetivo para o aprendizado ou treinamento dos colaboradores na realização de determinado procedimento ou tarefa tal qual na vida real; IMP de impressora rotográfica utilizada no projeto como elemento
prático de estudo.
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Figura 8 – Telas do Administrador e Resultados
Os produtos desenvolvidos: CURSO DE IMPRESSOR DE ROTOGRAVURA DIGITAL E IMPRESSO PARA A INDÚSTRIA
FELINTO /SESI / SENAI PB. PROGRAMA DE TREINAMENTO MULTIMÍDIA; SIMULADOR INSTRUCIONAL; SIMULADOR
OPERACIONAL; SIMULADOR DE DEFEITOS. Todo o material foi customizado para as necessidades da empresa, podendo ser modificado para adequações como também receber etapas ou módulos com carga de conhecimentos
transversais e específicos, tão valorizados pelo setor industrial sem sair do contexto do curso abordado, mais de
maneira integrada.
Figura 7 – Produtos do Projeto ROTOSIMP: Software, Módulos e Teclado Operacional,
Fonte: Projeto ROTOSIMP
A utilização na indústria deverá ser feita com o kit didático auxiliado pela estrutura da sala de treinamento da
própria empresa composta por um computador que possibilite com seus recursos tecnológicos uma perfeita utilização do Software, além da lousa interativa, juntamente com um projetor de multimídia que possibilitará a apresentação e trabalhos em grupos dos colaboradores possibilitando a flexibilidade das capacitações em diferentes setores
industriais em treinamento.
Fonte:Projeto ROTOSIMP
Sua parte digital consiste em um Software desenvolvido para os sistemas operacionais MS Windows, em uma
plataforma computacional de hardware nos padrões atuais, além de necessitar de dois monitores de 22” de tela
com touch screem somado a um hardware específico que foi desenvolvido no próprio projeto: um teclado adaptado
com as operações de botoeiras da impressora Heliostar SL. A parte impressa é composta pelo Manual do Software;
Manual Metodológico; Módulos: Felinto Imprimindo sua Trajetória; Tecnologia Aplicada à Industria; Preparação para
o Mundo do Trabalho; Saúde e Segurança no Trabalho; Almoxarifado; o Manual da Impressora e o livro Manual de
Rotogravura subdividido em seus capítulos.
A aplicação é executada em plataforma mono usuário com um gerenciamento por administrador que controla toda plataforma do curso, responsável pela alimentação do banco de dados e pelo o acompanhamento das
atividades dos colaboradores. Alimentando com informações e dados de problemas e soluções encontrados na
impressão na impressora HELIOSTAR SL no módulo do Simulador de Defeitos, tendo acesso aos relatórios de
acompanhamento contendo as avaliações e resultados de desempenho dos colaboradores de forma individual em
cada etapa do Simulador. O usuário colaborador realizará todas as etapas do programa do curso com seus respectivos módulos de informação e avaliações, demonstrações e práticas virtuais. Não poderá avançar nos módulos sem
que obtenha êxito mínimo nas tarefas programadas, poderá sair e retornar na etapa em execução se necessário. Ao
término de suas avaliações o colaborador terá um retorno com a demonstração de seus resultados.
Rotosimp: Um Relato da Experiência em Produção de Simuladores para Treinamento Industrial
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O grande desafio do ROTOSIMP é fazer com que os colaboradores que já estão no ambiente de trabalho, sintam
a necessidade de se qualificar e possam fazê-lo usando este produto. A equipe de desenvolvimento partiu justamente da necessidade de se ter o conhecimento teórico sobre a produção de embalagens flexíveis pelo processo
de rotogravura de forma mais aprofundada garantindo que a prática realizada pelos colaboradores tenha uma boa
base teórica respeitando as experiências adquiridas anteriormente pelos colaboradores que são o público alvo e já
possuem uma grande quantidade de informações e conhecimentos, mas sempre se faz necessário um retorno ao
treinamento visando o aprimoramento.
Os módulos foram idealizados da seguinte maneira: Módulo de Tecnologia Aplicada à Indústria visa fornecer
ao colaborador um primeiro contato com as tecnologias relacionadas à informação de maneira profissional, para a
melhoria de sua produtividade, organização e padrão de qualidade. Esse módulo têm uma carga horária de 20 horas
e sua ementa é composta por conceitos de Comunicação; Informação e Conhecimento; Introdução á Informática e
suas Tecnologias; Introdução à Automação. A metodologia utilizada permitirá que conteúdos abordados sejam trabalhados de maneira interativa, lúdica e prazerosa, tal como a leitura de uma revista.
Para dá apoio a essa leitura é possível fazer uso dos elementos de interação, utilizando jogos e materiais instrutivos presentes dentro do módulo, a avaliação deverá ser feita individualmente respondendo ao quiz do
Software composto por trinta questões, onde o aluno deverá responder pelo menos 70% das questões com resposta
correta, se ele responder cinco questões consecutivas de maneira errada receberá um comunicado que deverá retornar aos estudos, pois não está apto a prosseguir devendo ler e discutir com o facilitador suas dúvidas, objetivando
a aquisição do conhecimento que o leve a progredir em seu treinamento.
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Figura 11 – Tela do Simulador Instrucional
Figura 9 – Telas do Quis de Avaliação
Fonte: Projeto ROTOSIMP
Fonte: Projeto ROTOSIMP
Figura 10 – Prática Virtual
O Simulador da impressora Heliostar SL é subdividido em três módulos: Simulador Instrucional, Simulador de
Execução e Simulador de Defeito. O Simulador Instrucional será apresentado de maneira ilustrativa totalmente em
3D contendo cada componente e as peças da impressora com riqueza de detalhe levando ao colaborador a interagir
podendo conhecer a fundo cada componente.
Figura 12 – Tela do Simulador de Execução
Fonte: Projeto ROTOSIMP
As etapas dos conteúdos específicos estão na sala de treinamento com os temas da galvanoplastia, gravação
de cilindros, fábrica de tintas, almoxarifado e impressora. O material didático adotado no curso foi o livro Manual de
Rotogravura que vem a somar os conhecimentos já adquiridos pelos colaboradores, com uma linguagem simples e
intuitiva para que assim possam ter um conhecimento teórico mais ampliado. Compreendendo também o manual
da Impressora Heliostar SL. Ainda são apresentados os demonstrativos da lavagem de cilindros e peças, pesagem e
armazenamento, todos em vídeo de instruções que foram dadas em demonstrações realizadas na própria empresa,
Finalizando então com o Curso de Rotogravura Digital.
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Fonte: Projeto ROTOSIMP
O segundo Simulador é o de Execução sendo a operação de uma tarefa de impressão e os procedimentos de
operação da impressora, no simulador o colaborador terá que aplicar os diversos conhecimentos adquiridos nas
seis salas de treinamento, este simulador é constituído por tarefas que serão realizadas por meio de manipulação
das telas dos painéis de controle, demonstração de execução através de animações em 3D com fidelidade ao real,
apresentando cada minuciosidade dos procedimentos. Como neste momento o usuário já vivenciou todo o estudo
necessário para o trabalho na impressora, aqui ele terá algumas liberdades de escolhas que serão realizadas para
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atingir o objetivo da tarefa e de acordo com os conhecimentos devendo ser respeitados os limites de mínimo e máximo de cada procedimento.
Por fim, o Simulador de Defeitos que contém uma quantidade de problemas recorrentes no processo de impressão, apresentando possíveis causas e ações reparadoras além do quiz de verificação de conhecimentos específicos. Neste simulador são encontrados os problemas que são cadastrados dentro do modo Administrador do
Simulador de Defeitos, contendo o código do erro. Para ter acesso à solução, basta clicar na linha do erro que logo
será mostrado a tela com a possível correção para aquele referido problema, em seguida é apresentado um quiz com
uma avaliação do conhecimento do operador. Seguindo os passos de evolução do conhecimento dentro do simulador
esta etapa é a última; com a mesma interação que se encontra no menu inicial e poderá ser incrementada sempre
que tiver um novo problema, como também perguntas para o quiz com soluções para estes.
Figura 13 – Tela do Simulador de Defeitos
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REFERÊNCIAS
FELINTO. Indústria e Comércio Ltda. WEBSITE Disponível em < http://www.felinto.com.br/br/index.php. Acesso em
fevereiro de 2014.
SENAI. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Edital de Inovação SESI/SENAI 2001. Brasília – BR.
______. PROJETO: SESI / SENAI INOVAÇÃO 2011. SIMULADOR PARA TREINAMENTOS DE DESENVOLVIMENTO DE
COMPETÊNCIA PARA INDÚSTRIA - Qualificação/SENAI. Departamento Regional da Paraíba - Campina Grande, 2013.
WINDMÖLLER & HÖLSCHER. Indústria. MANUAL DA IMPRESSORA HELIOSTAR SL. CD de Informação W & H - S I S
Version 3.1.0. Windmöller&Hölscher KG POstfach 1660. http://www.wuh-lengerich.de
Fonte: Projeto ROTOSIMP
Praticamente todo este material foi desenvolvido visando um curso com uma carga horaria de 180 horas. Este
tempo pode ser diminuído ou aumentado de acordo com a necessidade ou o tempo disponível para o treinamento.
O ideal é que ele seja feito na sua íntegra respeitando o tempo de aprendizagem de cada colaborador, assim com o
facilitador deve incentivar cada colaborador para que esse chegue da melhor forma aos seus objetivos, um melhor
conhecimento, uma melhor forma de trabalhar e principalmente um reconhecimento condizente com o trabalho
desenvolvido com rendimentos e condições de trabalho.
Nós que fazemos a equipe deste projeto temos grande satisfação em contribuir com a formação de conhecimento
dentro do ambiente de trabalho, acreditando que os frutos que serão colhidos nessa jornada não se restringirão aos
recursos financeiros, mas aos valores primordiais como respeito, confiança, seriedade, compromisso e autonomia. E por
que não dizer esperança de um mundo melhor! Agarremo-nos firme a nossa missão de continuarmos essa história, imprimindo nossa colaboração em cada capítulo que ainda virá. É o SENAI e o SESI cumprindo a sua missão de promover
a educação profissional e tecnológica, a inovação e a transferência de tecnologias para as indústrias. Deixamos nossas
congratulações a todos que desenvolveram este projeto assim como confiamos a você, colega facilitador, o trabalho de
dar prosseguimento a este projeto, esperando sempre colher os melhores frutos dessa semente plantada para dias mais
justos e valorosos para todos nós.
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SIBRATEC como Instrumento de promoção da Inovação
nas Micro e Pequenas Empresas
VELHOa, Sérgio R.K., CAMPAGNOLOb,c, Jorge M., UECHId, Cristina A.S., OLIVEIRAe, Cezar L. C., COSTAf, Maíra M.
Tecnologista Pleno em Ciência e Tecnologia na Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e de Inovação do
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
[email protected]
a
Coordenador Geral de Serviços Tecnológicos na Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e de Inovação do
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
[email protected]
c
Professor Doutor Associado IV do Centro Tecnológico do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC).
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
ABSTRACT
It is consensus that competitiveness of Brazilian industrial companies across global scenario should be improved by
innovation increasing, among other factors. Brazilian government has adopted a series of initiatives to improve rate of
innovation in industry, including the start of Brazilian Association for Industrial Research and Innovation (EMBRAPII)
and Brazilian System of Technology (SIBRATEC). The “Centers of Innovation” component (SIBRATEC-CI) consists of 13
thematic nationwide networks with 134 members of science and technology institutions. It has an extensive capillary
favoring support to micro and small enterprises through the country. This paper analyzes results of SIBRATEC-CI and
results of pilot project in public and private strategic alliance established by the Working Group of EMBRAPII, during
2012 to 2013. From comparison of preliminary results of both initiatives, this article shows that target companies
are complementary, with EMBRAPII focused on large enterprises in innovation projects with an emphasis on
pre-competitive stage and SIBRATEC focused on micro and small enterprises.
b
Coordenadora de Tecnologia Industrial Básica na Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e de Inovação do
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Mestre em Engenharia Biomédica pela UnB, [email protected]
gov.br
d
Analista Sênior de Ciência e Tecnologia na Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e de Inovação do Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovação e Mestre em Engenharia Biomédica pela UFRJ
[email protected]
e
Tecnologista Pleno em Ciência e Tecnologia na Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e de Inovação do
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Mestre em Ciência da Informação pela UnB
[email protected]
f
Palavras-chaves: competitividade, EMBRAPII, SIBRATEC, inovação.
Resumo
É consenso a necessidade de melhorar a competitividade das empresas brasileiras frente ao cenário mundial, entre
outros fatores, pelo aumento da inovação. O governo brasileiro tem adotado uma série de medidas para melhorar os
índices de inovação da indústria, entre elas a criação da Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) e as Redes do Sistema Brasileiro de Tecnologia (SIBRATEC). O componente “Centros de Inovação” - CI do SIBRATEC é composto por 13 Redes temáticas de abrangência nacional com 134 instituições associadas. Possui uma
ampla capilaridade que favorece o apoio às micro e pequenas empresas no território nacional. Foram analisados,
no período de 2012 a 2013, os resultados das Redes SIBRATEC-CI e do projeto piloto de aliança estratégica pública
e privada instituído pelo Grupo de Trabalho da EMBRAPII. A partir da comparação dos resultados preliminares de
ambas as iniciativas, esse artigo mostra que os públicos-alvo atendidos são complementares, com a EMBRAPII mais
focada nas grandes empresas em projetos de inovação com ênfase na fase pré-competitiva e o SIBRATEC focado nas
micro e pequenas empresas.
SIBRATEC como Instrumento de promoção da Inovação nas Micro e Pequenas Empresas
244
1. INTRODUÇÃO
As empresas brasileiras necessitam de uma maior competitividade frente ao cenário atual e futuro da economia
mundial. Isso é um desejo, além de uma necessidade, não somente do setor empresarial, representado pela sua entidade
máxima a Confederação Nacional da Indústria - CNI, como pelas políticas de governo industrial e de ciência, tecnologia e
inovação, expressas no Plano Brasil Maior e na Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2012-2015.
Há convergência de ideias de que o aumento da competitividade passa, entre outros fatores, pelo aumento
da atividade inovadora nas empresas, especificamente, na indústria por meio de produtos e processos novos ou
substancialmente melhorados. Entretanto, para efetivar a inovação é necessário que o conhecimento se transforme
em negócios, pois o país consegue gerar conhecimento de qualidade, mas ainda apresenta dificuldades para ser
transformado em produtos e processos inovadores no mercado. O Brasil ocupa o 14° lugar no ranking dos países
com maior volume de produção científica no mundo e cresce a uma taxa de 8% ao ano, contra uma média mundial
de 2% ao ano (BRASIL, 2013a). Entretanto o país ocupa apenas a 64ª colocação entre as nações mais inovadoras no
Índice Global de Inovação 2013 realizado pela OMPI, INSEAD e Universidade de Cornell (CEBRI, 2013).
A maior parte dos mestres e doutores encontra-se atualmente em instituições científicas e tecnológicas - ICT
(VELLOSO, 2004), que contam com uma infraestrutura de laboratórios com destacado apoio governamental e onde
ocorre parte significativa da geração do conhecimento. Assim, é necessário interagir esse conhecimento com o mercado por meio das indústrias para que se possam gerar a inovação e aumentar a competitividade das empresas
brasileiras com o objetivo de gerar maior riqueza à nação.
A Pesquisa de Inovação 2011 - PINTEC 2011, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
revelou que no último ciclo, de 2008 a 2011, houve quedas em pontos percentuais nas taxas de inovação geral e de
produto em praticamente todos os portes de empresas industriais. Na PINTEC 2008 a taxa geral de inovação apontava que 38,1% das empresas haviam sido inovadoras, sendo que na pesquisa de 2011 o percentual foi de 35,6%
(BRASIL, 2013c). DE NEGRI e CAVALCANTE (2013) indicam que a crise econômica de 2008-2009 teve impacto tanto
na taxa de inovação quanto nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Uma análise do perfil inovador das empresas de pequeno porte (ZUCOLOTO e NOGUEIRA, 2013) justifica a
opção do apoio a essas com os dados da PINTEC 2008, pois as “empresas de micro e pequeno porte (entre dez e
99 empregados) representam 90,8% das firmas industriais brasileiras, 88,0% das empresas inovadoras e 71,8% das
firmas que realizam atividades internas de P&D”. Entre os principais problemas e obstáculos à inovação levantados
pela PINTEC 2011 estão a escassez de fontes de financiamento, seguido pelos elevados custos da inovação, dos
riscos econômicos excessivos e da falta de pessoal qualificado.
São necessárias, assim, ações que incentivem a inovação nas empresas brasileiras, principalmente as micro,
SIBRATEC como Instrumento de promoção da Inovação nas Micro e Pequenas Empresas
245
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
pequenas e médias, com o objetivo de melhorar sua competividade e produtividade e consequentemente o crescimento econômico do País.
2. O SIBRATEC-CI e a EMBRAPII
O governo brasileiro, com o objetivo de elevar o dispêndio empresarial em pesquisa e desenvolvimento de
0,59% em 2010 para 0,90% em 2014, conforme meta do Plano Brasil Maior (BRASIL, 2011) e Estratégia Nacional
de Ciência, Tecnologia e Inovação 2012-2015, vem investindo em algumas iniciativas de transferir o conhecimento
represado nas ICT à indústria, para gerar a inovação. São destaques, entre outros esforços, o Sistema Brasileiro de
Tecnologia em seu componente Centros de Inovação - SIBRATEC-CI e a Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação
Industrial - EMBRAPII, ambos estratégicos na ENCTI 2012-2015 (BRASIL, 2012a).
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Tanto a EMBRAPII quanto o SIBRATEC-CI atuam no apoio a projetos cooperativos de ICT com empresas, levando-as de um cenário pré-competitivo a um cenário competitivo, conforme Figura 1, que vão, dentro do modelo de
Funil da Inovação, apresentado na Figura 2, desde o desenvolvimento de bancada em escala laboratorial e aplicação
do conhecimento até o desenvolvimento de protótipos (CARVALHO; SANTOS; BARROS NETO, 2011), e no caso específico da EMBRAPII, até o escalonamento (scale-up) para a produção, em limites permeáveis como se pode verificar
na Figura 3. Contribuem, assim, para o desenvolvimento tecnológico de novos produtos, processos ou soluções empresariais e para a construção de um ambiente favorável à inovação.
O SIBRATEC-CI é composto por Redes temáticas compostas por unidades ou grupos de desenvolvimento pertencentes às ICT com experiência na interação com empresas. Destina-se, assim, a gerar e transformar conhecimentos
científicos e tecnológicos em produtos ou processos produtivos com viabilidade comercial, tanto para apoiar o surgimento de novas empresas de base tecnológica, quanto para possibilitar o desenvolvimento de inovações radicais ou
incrementais em produtos ou processos produtivos (BRASIL, 2008).
Atualmente, estão estruturadas treze Redes SIBRATEC-CI, nos temas: Manufatura e bens de capital; Eletrônica
para produtos; Microeletrônica; Nanocosméticos; Equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos; Plásticos
e borrachas; Insumos para saúde e nutrição animal; Nanodispositivos e nanosensores; Nanomateriais e nanocompósitos; Tecnologias digitais de informação e comunicação; Tecnologias para veículos elétricos; Visualização avançada; e Vitivinicultura.
Cada Rede SIBRATEC-CI possui recursos na Financiadora de Estudos e Projetos - Finep reservados para a
execução de projetos cooperativos entre ICT e empresas. Cada projeto deve possuir o valor mínimo de quinhentos
mil reais. O núcleo de coordenação da Rede, formada por até cinco membros da própria Rede, tem dentre suas
atribuições analisar e aprovar propostas de projetos cooperativos. Os projetos aprovados são recomendados à Finep,
que pode celebrar um novo convênio para execução do projeto cooperativo.
Figura 1 - Modelo de escopo de projetos adaptado da União Europeia (Fonte: CNI, 2011)
O Projeto Piloto de Aliança Estratégica Pública e Privada, denominado neste artigo como projeto piloto da EMBRAPII, foi criado pela Portaria nº 593, de 4 de agosto de 2011 e implementado pelo Grupo de Trabalho da EMBRAPII
em dezembro do mesmo ano.
A EMBRAPII credencia ICT de alto nível para desenvolverem projetos de inovação cooperativos com a indústria,
sobretudo nas etapas pré-competitivas que envolvam maior risco técnico e financeiro. A EMBRAPII foi implantada em
setembro de 2013 (BRASIL, 2013d), mas, desde dezembro de 2011, vem operando por meio do projeto piloto, que envolve a CNI e os institutos tecnológicos: Instituto Nacional de Tecnologia (INT), habilitado para desenvolver projetos nas
áreas de petróleo e gás, naval, automotivo, química e complexo da saúde; Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), nas áreas de novos materiais, nano, micro e biotecnologia; e o Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial – Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (SENAI–CIMATEC), nas áreas de automação e manufatura. Cada instituito tecnológico estabeleceu em seu Plano de Ação a prospecção de empresas nas áreas citadas para
captação de projetos cooperativos, cujos riscos financeiros são compartilhados de forma equânime: 1/3 é pago pela
empresa, na forma de contrapartida financeira; 1/3 é pago pelo instituto, na forma de contrapartida econônica; e 1/3
é pago pela Finep. Para execucção do Plano de Ação, os recursos financeiros referentes à parte governamental são previamente disponibilizados. A prestação de contas dos recursos governamentais investidos é realizada a posteriori, com
base nos resultados obtidos e previstos no Plano de Ação. Dessa forma, por meio dos Institutos EMBRAPII, os projetos
cooperativos são iniciados assim que articulados entre as partes envolvidas – empresa e ICT.
SIBRATEC como Instrumento de promoção da Inovação nas Micro e Pequenas Empresas
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Figura 2 - Modelo de Funil de Inovação (Fonte: DESIGN, 2013)
SIBRATEC como Instrumento de promoção da Inovação nas Micro e Pequenas Empresas
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Pode-se, assim, estimar o número de micro e pequenas empresas industriais do país, a partir dos dados do IBPT
(2012) e considerando os mesmos percentuais do IBPT (2012) aos dados do IBGE (BRASIL, 2012b). Essa estimativa
é apresentada na Tabela 2.
Tabela 2 - Estimativa do número de indústrias pelo porte (Fontes: IBPT, 2012 e BRASIL, 2012b)
Porte
IBPT
IBGE
Média e Grande
173.900
47.331
Micro e Pequena
927.427
252.422
TOTAL
1.101.327
299.753
A diferenciação do foco das ações governamentais para dois grandes públicos-alvo, isto é, a micro e pequena
empresa e a média e grande empresa industrial é considerável, visto que esses dois grandes públicos apresentam
esforços de inovação dintintas, conforme apontados na PINTEC 2008.
Figura 3: Fases no Processo de Inovação
As duas iniciativas contam com aporte de recursos governamentais às ICT para desenvolvimento de projetos com
contrapartida financeira das empresas apoiadas. No SIBRATEC-CI, a contrapartida difere conforme a iniciativa de apoio
e o porte da empresa (classificação do BNDES). Já na EMBRAPII, a contrapartida é fixa em um terço, conforme descrita
na Tabela 1. Ainda, estas empresas podem usufruir de financiamento de seus ciclos produtivos, por exemplo, em programas prioritários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES (MANTEGA, 2005).
Tabela 1: Percentual de contrapartida financeira das empresas por porte.
Contrapartida financeira em relação
ao valor total do projeto
Receita Bruta Anual
Porte
(R$ milhões)
SIBRATEC-CI
EMBRAPII
Grande
>300
50%
33%
Média-Grande
>90 até 300
50%
33%
Média
>16 até 90
33%
33%
Pequena
>2,4 até 16
10%
33%
Micro
Até 2,4
5%
33%
Segundo a PINTEC 2011, realizada pelo IBGE, o “porte da empresa tem relação estreita com a realização e
o perfil da inovação nas empresas industriais e de serviços”. Dessa forma, as maiores empresas apresentam taxa
de inovação superior, bem como maior intensidade de realizar inovações de produto para o mercado nacional e
de processo para o setor no Brasil. Por exemplo, nas empresas industriais com 500 ou mais pessoas ocupadas,
56,0% foram inovadoras em produto e processo, já nas empresas com 10 a 29 pessoas ocupadas, esse índice foi
de 33,8% (BRASIL, 2013c). Conclui-se que as médias e grandes empresas são mais inovadoras por apresentarem
em sua maioria um corpo de pesquisadores e um centro de pesquisa e desenvolvimento com uma infraestrutura
de laboratórios atuante, bem como uma equipe de gestores de projetos para fomentarem linhas de financiamento
aos projetos de inovação sejam essas públicas ou privadas, reembolsáveis ou não reembolsáveis. São responsáveis
também, pelo principal montante agregado de dispêndios em inovação (ZUCOLOTO e NOGUEIRA, 2013).
Já as micro e pequenas empresas apresentam maior dificuldade para inovar por não ter uma infraestrutura adequada e, pelo porte, apresentar projetos de maior risco. Há exceções, por exemplo, as micro e pequenas empresas de
base tecnológica, extremamente inovadoras, que conseguem captar recursos para financiar seus melhores projetos.
3. PÚBLICO-ALVO DO SIBRATEC-CI E DA EMBRAPII
O foco de ambos os esforços é a indústria brasileira que, segundo o IBPT (2012), conta com cerca de 1.101.327
empresas, sendo 923.911 empresas industriais e 177.416 empresas agroindustriais (alimentos, bebidas e fumo),
de um universo de 8,98 milhões de empresas. Já o IBGE apresenta números mais modestos com cerca 299.753
empresas (indústrias extrativas e de transformação, dado de 2010), pois considera as empresas inscritas e ativas
no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, com pelo menos uma pessoa ocupada, e inscritas na Classificação
Nacional de Atividades Econômicas - Indústrias, o CNAE 2.0. O IBGE apontava em 2010 para um total de 4,53
milhões de empresas inscritas no CNPJ do Ministério da Fazenda (BRASIL, 2012b). Ainda, segundo SEBRAE (2011),
são criados 1,2 milhão de empreendimentos formais no país anualmente.
SIBRATEC como Instrumento de promoção da Inovação nas Micro e Pequenas Empresas
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
4. RESULTADOS DO SIBRATEC-CI E DA EMBRAPII
Até novembro de 2013, 14 projetos cooperativos com empresas haviam sido contratados pelas Redes SIBRATEC-CI: 01 da Rede de Manufatura e Bens de Capital, 02 da Rede de de EPP, 03 da Rede de Nanocosméticos, 03
da Rede de Visualização Avançada e 04 da Rede de Microeletrônica, 01 da Rede de Vitivinicultura (BRASIL, 2013b).
Os projetos e seus valores são apresentados na Tabela 03.
Tabela 3 - Projetos Cooperativos das Redes SIBRATEC-CI (Fonte: BRASIL, 2013b)
Gráfico 1 - INVESTIMENTOS NAS REDES SIBRATEC-CI IMPLANTADAS (FONTE: BRASIL, 2013B)
Em razão de se criar um ambiente de inovação para estas empresas é necessária uma maior agilidade (fast track)
para a liberação de recursos, assim como é importante que os valores dos projetos cooperativos sejam acessíveis a esse
público, pois um número maior de empresas poderia se beneficiar. O acompanhamento dos resultados das Redes SIBRATEC-CI indica que, embora existam muitos projetos aprovados pelas coordenações das Redes, há dificuldades para a
contratação dos projetos, o que atrasa significativamente sua execução.
Apesar disso, houve um crescimento do número de projetos cooperativos aprovados pelos Núcleos de Coordenação das Redes SIBRATEC-CI submetidos à agência financiadora FINEP, que aponta uma perspectiva de aumento em
147% no número de projetos cooperativos a serem contratados pelas Redes SIBRATEC-CI em 2014, como pode ser
verificado na Figura 5, o que demonstra o vencimento de uma curva de aprendizado.
Com efeito, as Redes SIBRATEC-CI, por demandar uma contrapartida financeira menor das micro e pequenas
empresas, de 5% a 10% ao invés dos 33% da EMBRAPII e por se apoiar nas ICT que já possuem uma infraestrutura
de laboratórios com maior tradição de competência na fase mais inicial do modelo do Funil de Inovação, tem seu
foco nas micro e pequenas empresas. Isso pode ser verificado na Figura 4, em que dos 14 projetos cooperativos, 11
projetos (77% do total investido) são executados com micro e pequenas empresas.
SIBRATEC como Instrumento de promoção da Inovação nas Micro e Pequenas Empresas
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
atendidos até 0,63% do total das médias e grandes empresas – utilizando a estimativa a partir dos dados do
IBGE - ou 0,17% do total das médias e grandes empresas – utilizando a estimativa a partir dos dados do IBPT.
As Redes SIBRATEC-CI possuem 134 instituições credenciadas com 47 projetos aprovados pelas coordenações, o que resulta em 0,35 projetos por ICT. Entretanto, recentemente a Rede SIBRATEC-CI de
Eletrônica para Produtos aprovou 12 projetos para 7 instituições, ou seja, 1,71 projetos por ICT. Assim, especulando que, em universo de 134 ICT, cada instituição executasse 3 projetos por ano, teríamos um montante de 402 projetos anuais nessa iniciativa. Isso aumentaria a possibilidade de capilarizar a inovação nas
micro e pequenas empresas.
5. CONCLUSÃO
Pelo modelo adotado, a EMBRAPII tende a captar projetos em médias e grandes empresas, focados
no final do modelo do funil de inovação, incluindo o escalonamento para a produção, em que o risco dos
projetos é maior. Já o SIBRATEC-CI, atuando em sintonia e de forma complementar à EMBRAPII, deve focar-se em projetos no início do modelo do funil de inovação para o aumento da competitividade de micro e
pequenas empresas, capilarizando transversalmente os esforços de inovação.
Gráfico 2: Número de Projetos Cooperativos Contratados e em Análise pela FINEP
O atraso na contratação de projetos cooperativos não ocorre no modelo adotado pelo projeto piloto da
EMBRAPII, em que os recursos são previamente liberados para suas ICT, dando maior agilidade no desenvolvimento de produtos e processos inovadores pela indústria, fundamental para a competitividade das empresas.
A EMBRAPII deverá focar-se no público de médias e grandes empresas, como já ocorre no projeto
piloto em execução, mesmo sem a existência hoje de um valor mínimo estipulado para os projetos, como
ocorre no SIBRATEC-CI.
Até dezembro de 2013, a EMBRAPII possuía 41 projetos cooperativos contratados, dos quais 32 (78%)
foram firmados com grandes empresas. Assim, por este modelo, pode-se afirmar que a EMBRAPII concentra-se em projetos de empresas de maior porte, com mais maturidade na fase inicial do modelo do Funil
de Inovação. A EMBRAPII, portanto, deve apoiar projetos na fase pré-competitiva e sintonizados com as
políticas de governo.
Ambas as iniciativas são complementares, entretanto, para seu sucesso há a necessidade de corrigir
deficiências estruturais das relações entre instituições governamentais de apoio, ICT e empresas, que impedem ou inibem a convivência em um ambiente de inovação, de formar a viabilizar um fluxo de recursos
ágil, aprimorar os modelos de fomento e adotar mecanismos de apoio exitosos de outras iniciativas.
Estas iniciativas de levar as ICT, onde se encontra grande parte do conhecimento, a interagir com as
empresas e gerar a inovação é extremamente positivo, por promover o desenvolvimento dessas instituições com equipes focadas no mercado, conhecendo as empresas e suas demandas e potencializando
sua competitividade. Inicia-se um processo de reconhecimento mútuo, em que uma parte reconhece as
urgências da outra, as áreas de excelência e principalmente o foco nos resultados efetivos dos projetos,
que resultam em renda e maior desenvolvimento econômico e social.
Há uma curva de aprendizado que está rapidamente sendo escalada pelas instituições e pelas empresas que veem oportunidade nos projetos cooperativos e inicia-se a queda dos paradigmas anteriores.
O valor dos projetos contratados no projeto piloto da EMBRAPII tem grande variação. Alguns, inclusive, inferiores aos limites mínimos do SIBRATEC-CI, que é de R$500 mil. A média dos valores dos projetos
aprovados no projeto piloto da EMBRAPII é de cerca de R$2,4 milhão, superior à média dos projetos contratados pelo SIBRATEC-CI, de R$1,4 milhão.
O projeto piloto da EMBRAPII contratou em média 13,7 projetos por cada uma das três instituições. Considerando que cada instituição possa atender em média até 15 projetos por ano quando ultrapassada a curva
de aprendizagem, pode-se especular que, em um universo de 20 instituições com condições de se credenciar na EMBRAPII, seriam executados 300 projetos por ano. Considerando um projeto por empresa, seriam
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
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SIBRATEC como Instrumento de promoção da Inovação nas Micro e Pequenas Empresas
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SIBRATEC como Instrumento de promoção da Inovação nas Micro e Pequenas Empresas
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do
Sistema Municipal de São Carlos (SP)
Martinelli, Marcos Alberto 1
Wanda Aparecida Machado Hoffmann 2
Palavras-chaves: competitividade, EMBRAPII, SIBRATEC, inovação.
Resumo
A pesquisa retrata a observação empírica do relacionamento entre a administração local de um município brasileiro
e os demais elementos que compõe o chamado Sistema Produtivo e Inovativo Local (SPIL). O estudo do Sistema
Municipal de São Carlos (SP) se justifica em razão do município, localizado no centro do estado de São Paulo,
ter características voltadas à temática Ciência, Tecnologia e Inovação (C, T&I). A pesquisa investigou se as relações
estabelecidas entre a secretaria local especializada em C, T&I e as demais estruturas relacionadas ao tema (SPIL)
poderiam ser consideradas como um modelo de sistema próprio, com protagonismo e liderança da administração
municipal. O intuito foi de analisar os avanços das relações entre a ciência, tecnologia e sociedade, buscando responder o seguinte problema de pesquisa: “existe um sistema municipal de ciência, tecnologia e inovação em São
Carlos (SP)?”. O estudo do sistema municipal de São Carlos permite - sob a ótica da base para o topo - ter uma visão
maior, melhor compreensão das transformações e funcionamento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. O resultado obtido aponta para a existência de um sistema municipal consolidado localmente que, no entanto, revela-se carente de um modelo de governança institucional capaz de oferecer o suporte necessário às políticas
públicas perenes, uma vez que estas dependem de maior tempo de maturação para se mostrarem efetivas.
1. INTRODUÇÃO
A partir de 1988, ano marcado pela importante reforma constitucional brasileira, cresceram as pressões para
que houvesse a inserção dos municípios como protagonistas dentro do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia
e Inovação (SNCTI). Um dos reflexos desse movimento constou no PACTI - Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e
Inovação (2007-2010) que, além da previsão de investimentos, incorporou diretrizes apontam para a promoção e
integração das ações do governo federal com os governos estaduais e municipais (PACTI, 2010; FAPESP, 2012).
O reconhecimento da importância da dimensão local tem demonstrado uma mudança de paradigma dentro
das políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I), exigindo uma flexibilização político-institucional que permita dotar os territórios locais de um conjunto de elementos próprios para a promoção da C,T&I. Mais desafiador
ainda é articular localmente esse conjunto de elementos para que possam atuar de forma sistemática e colaborativa. Os autores citam “sistemas locais de inovação”, “sistemas produtivos e inovativos locais”, “arranjos produtivos
Aluno regular do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
[email protected]
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Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
[email protected]
1
Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do Sistema Municipal de São Carlos (SP)
256
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
locais” e outras expressões para delinear tais sistemas. Entretanto, raramente é utilizada a expressão “sistema
municipal” para definir esse conjunto de elementos. A pesquisa realizada no município de São Carlos (SP) parte
da compreensão do papel histórico da C,T&I, sua sistematização e conexões com a sociedade e empreendimentos
humanos. Pretende-se responder ao problema de pesquisa: “Existe um sistema municipal de ciência, tecnologia e
inovação em São Carlos (SP)?”.
O município de São Carlos (SP) foi escolhido como foco da pesquisa, pois a cidade reúne um conjunto significativo
de instituições de ensino, pesquisa e extensão, indústrias e empresas de base tecnológica - com destaque nacional
em número de publicações científicas - sendo objeto de vários estudos a respeito desse polo tecnológico. Assim, o
estudo da localidade selecionada poderá colaborar na compreensão sobre a existência de sistemas municipais de
C,T&I. Os dados obtidos em relação à localidade produzem um contexto e são úteis para permitir a descrição do
perfil socioeconômico, levantamento do PIB per capita e número de pesquisadores em relação à população. Os indicadores de contexto contêm informações sobre algumas dimensões básicas, espacial e populacional, população,
população economicamente ativa (PEA) e produto interno bruto (PIB), dentre outros (HAYASHI at al, 2006).
A pesquisa se justifica em razão da crescente adesão de governos locais à tendência de estabelecer políticas
municipalistas também na área de C,T&I. Os argumentos que sustentam essa proposta foram articulados pelos integrantes do Fórum de Secretários e Dirigentes Municipais para a área de C,T&I (FORUM CTI) a partir de meados da
década de 1990 e sua repercussão ecoou não somente no PACTI, mas também na organização e nos debates que
ocorreram durante a 4ª. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável
(CNCTIDS, 2010).
Observa-se na pesquisa que várias cidades apresentam experiências exitosas como consequencia da interação
entre a administração municipal, instituições de ensino, ciência e tecnologia e empresas. Essas experiências têm em
comum a adoção de um sistema municipal de C,T&I que represente um ambiente de inovação nos municípios brasileiros e que fortalece o desenvolvimento socioeconômico destes, fortalecendo a tecnologia e a inovação no Brasil.
2. O SISTEMA NACIONAL DE C,T&I
A ciência consolidou o seu papel fundamental no curso e no desfecho da Segunda Guerra Mundial, podendo,
talvez, ser apontada como a responsável pelo seu resultado final (VIDEIRA, 2013). Os sistemas de C,T&I que surgiram
após a Segunda Guerra Mundial foram caracterizados pela influência dos governos envolvidos na “guerra fria” (1945
a 1989) liderados, principalmente, pelos EUA e pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A profunda
mudança na geopolítica no pós-guerra exigiu adaptações dos atores sociais e ajustes de seus papéis frente à nova
realidade. As formas assumidas a partir de então pelo desenvolvimento capitalista, em contraposição ao sistema socialista, criam grandes tensões que, por sua vez, originam demandas por inovações tecnológicas. É nesse ambiente
que se articulam políticas para a área de ciência e tecnologia, ao mesmo tempo em que se estabelecem instrumentos nacionais de planejamento econômico.
Somente nesse período o Brasil elaborou algo mais consistente em termos de políticas de ciência, tecnologia e
inovação, sendo considerado o pioneiro na América Latina. Assim, enquanto os países desenvolvidos reorganizavam
sistemas com quase dois séculos de evolução adaptativa, o Brasil dava os seus primeiros passos na institucionalização dos processos que levariam ao avanço técnico e científico necessários ao seu desenvolvimento econômico. As primeiras ações para institucionalizar o sistema nacional ciência e tecnologia emergiram na metade dos anos
1950 quando a produção interna de bens tornou-se uma variável importante no processo de desenvolvimento do
país. Foi com o intuito de mover-se de uma economia baseada na produção de commodities para uma economia
industrial que o Brasil estabeleceu duas perspectivas para a ciência e tecnologia (C&T): primeiro, a criação de instituições de C&T e, segundo, apoiar setores considerados estratégicos para o crescimento econômico do país. No Brasil
a SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – foi criada em 1948. No ano seguinte foi a vez do Centro
Brasileiro de Pesquisas Físicas e em 1951 foi instalado o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e a Coordenadoria
Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do Sistema Municipal de São Carlos (SP)
257
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A criação das duas instituições em 1951 (CNPq e CAPES)
foi uma demonstração do governo em promover a pesquisa científica e marca os primeiros passos para o estabelecimento da infraestrutura de pós-graduação no país. A criação do CNPq refletiu o interesse estratégico e militar na
área de pesquisa e foi a primeira tentativa do governo em dotar o país de uma instituição voltada para a promoção
de auxílios à pesquisa e à formação do cientista (BAUMGARTEN, 2008; RADAELLI, 2010).
O sistema voltaria a ser repensado em meados dos anos 1960, com a criação da Coordenação de Programas
de Pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COOPE) e Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Em 1964, foi instituído o Fundo de Desenvolvimento Técnico Científico
(Funtec) junto ao Banco de Desenvolvimento Nacional (BNDES). Nesse período o Brasil começava a experimentar o
planejamento centralizado no setor de ciência e tecnologia sob o regime da ditadura militar, associado ao processo
que induzia a industrialização do país (MOREL, 1979).
Apontado como um marco no desenvolvimento de um Sistema Nacional de Inovação (SNI) foi a criação, em
1967, da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), empresa pública brasileira de fomento à ciência, tecnologia
e inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privada. A FINEP
só seria de fato implantada dois anos depois juntamente com o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (FNDCT), quando se estabeleceu também um Plano Básico de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(PBDCT), todos em 1969. A FINEP, desde então, tem se expandido para tornar-se a mais importante fonte de recursos
para o desenvolvimento de C&T no Brasil (BAUMGARTEN, 2008; RADAELLI, 2010).
Três anos depois, em 1972, os planejadores brasileiros organizam o setor de forma sistêmica sob a tutela do
então Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. O Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) assume a centralidade do sistema. Em 1975, o CNPq mantém a sua sigla, mas ela muda de significado, passando a significar Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Sua forma jurídica passou a ser a de fundação e a sua missão
era se tornar um órgão de assessoramento superior para formulação da política setorial. Na mesma época se instituiu o então Conselho Científico e Tecnológico (CCT), instância de representação e articulação com o governo central
(BAUMGARTEN, 2008; VELOSO FILHO, NOGUEIRA, 2006).
Uma importante iniciativa foi a criação de organizações federais de pesquisa e desenvolvimento em setores
com perspectiva de futuro estratégico para o Brasil, tais como: agro business, aeronáutica, petróleo, biomedicina,
telecomunicações, mineração, ferro, aço, defesa, etc. Nasceriam então as políticas setoriais alinhadas à política
econômica explícita de industrialização por meio de substituição de importações. São exemplos da implantação de
políticas setoriais a criação do CTA - Centro Técnico Aeroespacial em 1954; o INPE - Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais, em 1961; a Petrobrás - Petróleo Brasileiro S.A., em 1953 e a EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, em 1973 (RADAELLI, 2010).
Para Baumgarten (2008) os Planos Básicos de Desenvolvimento Científico e Tecnológico estavam alinhados
a lógica do desenvolvimento econômico e foram integrados aos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND’s) que
se sucederam por três períodos: 1973-1974; 1975-1979 e 1980-1985. Entretanto, muitas fragilidades ficaram evidentes nesse modelo. O descompasso entre a política nacional de ciência e tecnologia explicitada pelos planejadores
do governo e as incapacidades implícitas da ciência brasileira se mostrou evidente. Elas se articulam precariamente
aos aspectos mais globais da política econômica, ao contrário do que aconteceu em países europeus, asiáticos e,
principalmente, nos EUA.
Assim, durante a fase inicial da institucionalização da C,T&I os recursos foram canalizados para o desenvolvimento da infraestrutura científica e tecnológica, sendo que a maior parte foi utilizada nos programas de pós-graduação e projetos de pesquisas desenvolvidas em instituições públicas. Em relação aos investimentos de P,D&I pelas
empresas privadas, os níveis baixos de P&D empresarial foi se consolidando como uma cultura, tendo como característica a reduzida interação entre os institutos de pesquisas, universidades e empresas (RADAELLI, 2010).
Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do Sistema Municipal de São Carlos (SP)
258
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A flexibilização institucional se manifesta por meio de parcerias com os governos estaduais e o Distrito
Federal, que participam na implementação de projetos estruturantes. O consolidação do SNCTI o MCTI também
lança encomendas para incluir os estados que não são atendidos por meio de chamadas públicas, propõe a gestão
compartilhada das Fundações de Amparo à Pesquisa dos estados (FAP´s) e atua no convencimento de cada estado
da Federação para implementar leis estaduais de inovação. Além dos estados, merecem destaque junto ao MCTI as
parcerias com os Ministérios da Educação, Saúde, Defesa, Fazenda, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
e Minas e Energia, o Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de CT&I (CONSECTI), a Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência (SPBC), a Associação Brasileira dos Institutos de Pesquisas Tecnológicas (ABIPTI), o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobras, o Conselho Nacional das Fundações
Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Nacional de
Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI), a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e o Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). Outras atividades deste programa são: o aperfeiçoamento do marco legal e regulatório, com a aprovação e implementação da lei de regulamentação do Fundo Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão e de fomento,
e a consolidação de fóruns de integração de políticas e iniciativas dos atores de C,T&I, com destaque para a revitalização e a dinamização do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), como instância de assessoramento
superior do Governo Federal, e para a estruturação de um sistema articulado com o setor empresarial (MCTI, 2013).
A complexidade do SNCTI foi objeto de estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), que desenvolveu um retrato do ambiente de C,T&I brasileiro. O resultado foi o mapeamento que facilita a concretização de
acordos na área de C,T&I e poderá trazer benefícios para o país ao diminuir o esforço de atores nacionais e internacionais no momento de compreender, direcionar e estabelecer as relações políticas e comerciais entre instituições.
Para elaborar o Quadro de Atores Selecionados no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCT&I)3
foi necessário entender a organização dos relacionamentos – intra e interatores – entre instituições governamentais
de CT&I, ministérios, empresas, agências e institutos. Não constam desta versão os atores do sistema vinculados
à temática social, Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT´s), institutos focados em tecnologias e pesquisas sociais,
dentre outros (CGEE, 2013).
Quanto à dimensão espacial do SNCTI a tendência em meados dos anos 2010 era a abordagem do tema regional a partir de articulações e parcerias com os governos estaduais. Essa abordagem macro-regional apresenta as
seguintes limitações: insistência na concentração da base nacional de C,T&I, principalmente na região Sudeste do
país, atração de novos setores para as regiões centrais e consequente dificuldade na inserção das regiões periféricas no novo padrão de desenvolvimento que caracteriza a Economia do Conhecimento. Na visão dos autores Sicsú e
Bolanõ (2007) está em curso um esforço de reconstrução da base do sistema, inclusive uma maior conscientização
dos governos estaduais e municipais a respeito da importância da C,T&I no processo de desenvolvimento.
O primeiro município a configurar um sistema próprio foi o município de Vitória (ES), em 1991. Era composto
por secretaria, conselho e fundo. Foi em Vitória (ES) que o movimento municipalista representado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) realizou o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Municipais de Ciência, Tecnologia
e Inovação (FORUM CTI), criado em 2001, durante as atividades do Workshop “Políticas e Experiências Locais de
Ciência & Tecnologia”. Desse encontro se extraiu a “Carta de Vitória” preconizando que o FORUM CTI teria o objetivo
de constituir-se como agente ativo na política nacional de ciência, tecnologia e inovação, considerada como meio
e instrumento essencial para a melhoria da qualidade de vida da população e promoção local do desenvolvimento
sustentável (RAMOS, 2012).
Em menos de uma década, o número de municípios que promovem localmente a C,T&I subiu para 115 municípios. Em 2011 eram 193 e no início de 2013 a relação atingiu um total de 266 municípios, significando um in-
3
Visualização disponível em: http://www.cgee.org.br/quadro/quadro_atores.php
Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do Sistema Municipal de São Carlos (SP)
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
cremento de 78 novas adesões (aumento de 67,8%) no biênio 2009/2011 e 73 novas adesões (aumento de 37,8%)
no período 2011/2013. Com base na troca de experiências locais, os dirigentes do fórum divulgam modelos-piloto
para as localidades que pretendem criar seus próprios sistemas, adequando cada um dos modelos quatro modelos
sugeridos ao porte do município (FACITEC, 2011; FORUM CTI, 2012).
3. O SISTEMA MUNICIPAL DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO EM SÃO CARLOS (SP)
São Carlos (SP) é considerada a “Capital da Tecnologia” e no município estão instalados diversos sistemas e
mecanismos utilizados para induzir a criação de empresas inovadoras. Geralmente são denominados clauster’s,
polos ou parques tecnológicos, distritos ou centros industriais, núcleos ou centros de inovação, entre outros, cada
um com suas peculiaridades, atendendo a diferentes fases da criação de empresas, ou seja, da geração da ideia à
produção em escala. O polo tecnológico de São Carlos, que data de 1984, é considerado um dos mais antigos do
país (SANTOS JUNIOR, MELLO, 1996).
Com fluxos permanentes de recursos por parte dos governos estadual e federal, o município de São Carlos (SP)
recebe investimentos nos setores de P,D&I, que resultam em altos índices de registro de patentes do país. São 14,5
patentes por 100 mil habitantes, quando a média nacional é de 3,2 e a do estado de São Paulo, 7,6. Não obstante
o seu destacado papel histórico no ciclo do café e pioneirismo na implantação das indústrias na região central do
estado paulista, foi em razão da produção científica do seu polo educacional (formado principalmente pela tríade:
USP, UFSCar e EMBRAPA) que o Congresso Nacional conferiu por meio da lei 12.504, de 11 de outubro de 2011, o
título de “Capital Nacional da Tecnologia” (Lei 12504, 2011). O projeto de lei também faz referência a maior concentração per capita de profissionais com doutorado do país: enquanto a média brasileira é de 1 doutor para cada 5.423
habitantes, em São Carlos ela é de 1 para 180 (CRNKOVIC, MORETTI, 2013).
Ao final 2009 o município de São Carlos (SP) projetava uma população total de 230 mil habitantes, sendo que
as estimativas da prefeitura local apontam para 20 mil estudantes de graduação e pós-graduação, distribuídos em
78 cursos de graduação e 48 programas de pós-graduação. Os cursos de mestrado e doutorado têm reconhecida
qualidade internacional e estão concentrados, sobretudo, na área de ciências exatas (PMSC, 2011).
Esses fatores contribuem para sustentar um importante padrão de desenvolvimento econômico e social. Tomando-se por base a relação PIB per capita, o crescimento médio entre os anos de 2001 e 2011 se manteve a uma
taxa média de 8 % ano. O município de São Carlos possuía um PIB per capita de 10.624 reais em 2001 e registrou o
valor de 23.124 reais em 2010 (IBGE, 2012).
Pelos critérios defendidos pelo FORUM CTI, um município como o de São Carlos (SP) se classifica como o “tipo
4”. Essa tipificação leva em conta o fato de tratar-se uma cidade média com muitas médias e grandes empresas e
milhares de pequenos negócios (FACITEC, 2011). Para o tipo 4 recomenda-se um sistema municipal composto por
uma plataforma tecnológica com ações e projetos testados e implantados. O Quadro 1 compara o modelo piloto
sugerido pelo FORUM CTI e a realidade de São Carlos (SP) em 2012.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Quadro 1. Comparação entre o modelo piloto do FORUM CTI e o sistema de São Carlos (SP)
Recomendação
Ação ou projeto equivalente em São Carlos
Contemplado?
Centro de Vocação Tecnológica
Existe uma rede local de telecentros (Postos de Inclusão Digital) e
Não
Telecentro com biblioteca multimídia
o Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB)
Sim
Observatório astronômico
Existe o observatório (USP)
Sim
Museu de história local
Existe o museu histórico e pedagógico
Sim
Ensino de línguas
Existem iniciativas privadas
Sim
Incubadora social
Existe uma secretaria que se dedica à economia solidária
Sim
Núcleo de agentes de inovação e desenvolvimento
Não
Pré-incubadora de negócios
Existe uma incubadora de turismo
Sim
Incubadora de negócios
Existem duas incubadoras de base tecnológica
Sim
Incubadora mista regional
Não
Museu Histórico
Existe o “Museu de Pedra”
Sim
Instância de C, T&I
Existe o COMCITI
Sim
Museu de ciência
Existe o Museu de Ciência Mário Tolentino
Sim
Parque Tecnológico
Existem dois parques tecnológicos
Sim
Sistema municipal de C,T&I
Existem secretaria, conselho e fundo especializado
Sim
A partir das demandas colocadas pela sociedade, especialmente as representações setoriais, a administração
municipal em São Carlos (SP) faz constar em sua agenda política o apoio às empresas, ora atuando diretamente, ora
estimulando a contribuição das Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT) existentes no município. Até os anos 1990
eram as próprias ICT’s que exerciam a liderança nesse processo. Pode-se citar como exemplo a realização de feiras
que se propunham a promover a temática ciência, tecnologia e inovação, tais como as Feiras de Alta Tecnologia de
São Carlos (Fealtec). A partir dos anos 2000 a administração direta passa a liderar a organização de centros empresariais, conselhos, exposições, seminários, feiras e mostras relacionadas ao tema. Entre os anos de 2001 e 2010
foram estimulados novos distritos industrias e o segundo parque tecnológico, além de reunir pesquisadores, empresas e governos em oito “Mostras do Conhecimento”, duas “Mostras de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas”,
dois encontros do FORUM CTI e duas reuniões da Unidade Temática de C&T da Rede Mercocidades (PMSC, 2011).
O melhor exemplo da assunção desse protagonismo está na realização da 4ª. Mostra de Ciência e Tecnologia
em Políticas Públicas (MCTPP), realizado entre os dias 25 e 29 de outubro de 2010 com um grande número de expositores e recebeu um público estimado em 20 mil pessoas no Pavilhão São Carlos Exposhow. A Mostra teve 320
programas ou projetos de tecnologia aplicada em exposição e 50 expositores, entre eles quatro cidades da Argentina
e do Uruguai, além de oito municípios brasileiros, de cinco estados diferentes, além de São Carlos. Na programação
paralela à MCTPP a Feira do Conhecimento reuniu 26 expositores, entre escolas e ICT´s. Na programação do evento
constaram, também, o Seminário Internacional e Prêmio Mercocidades que reuniu as cidades do Mercosul em torno
das discussões e reflexões acerca da implantação da ciência e tecnologia em favor do desenvolvimento da sociedade. Na oportunidade o prefeito municipal de São Carlos (SP) anunciou a conclusão do um novo museu na cidade,
chamado de Museu de Ciência Prof. Mário Tolentino.
Considerando-se os critérios formais e as recomendações do FORUM CTI a hipótese de São Carlos (SP) ter
constituído um modelo próprio de C,T&I está configurada, como fica claro no Quadro 1, podendo esse modelo servir
como estímulo e orientação para outras localidades que desejam trilhar o mesmo caminho. Entretanto, tão relevante
quanto as estruturas são os relacionamento e articulações estabelecidos, sem a qual não podem se caracterizar
Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do Sistema Municipal de São Carlos (SP)
260
Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do Sistema Municipal de São Carlos (SP)
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
como sistema. A simples presença dos elementos necessários não constituiria um sistema, pois este depende em
muito de uma articulação institucional perene para efetividade da política pública. Em relação a atuação percebida
em 2011, o sistema municipal de C,T&I em São Carlos (SP) pode ser visualizado como consta na Figura 1.
Figura 1: Visualização das conexões que configuram a atuação do Sistema Municipal de C,T&I de São Carlos (SP).
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
interventor brasileiro, processos contemporâneos às crises globais que marcaram os anos 1980. As constantes alterações na legislação têm produzido, ao invés de políticas públicas abrangentes, políticas setoriais. Essas
políticas, ou planos setoriais, acabam por privilegiar os já privilegiados. Seu domínio é restrito aquele que delas se
beneficiam. Assim, os planos setoriais não são dominados pelos que podem agir para a promoção do desenvolvimento endógeno. A iniciativa de criar estruturas municipais de C, T&I se justifica em razão de que os agentes locais
podem se apropriar desses conhecimentos e desenvolver competências necessárias para adaptar as políticas setoriais no atendimento da realidade local. Municípios que tomaram para si essa missão têm elevada a capacidade
de promover o conhecimento como forma de obter melhores resultados tanto na captação quanto na gestão dos
recursos disponíveis. As razões dessa diferença é que nessas localidades ampliam-se as oportunidades das políticas setoriais se reproduzirem localmente, beneficiando as empresas de base tecnológica e empresas tradicionais
que buscam ser inovadoras. As políticas públicas locais relacionadas à C,T&I, tendem a transversalidade e aproximam de outras articulações em âmbito municipal e regional e, sinalizam para os demais atores sociais e agentes
econômicos os caminhos para a apropriação do avanço técnico e científico como forma de promover negócios e
produtos ou serviços inovadores.
Mas, não se deve identificar que somente as dificuldades de governança seja uma característica do setor público ou das ICT’s. Segundo Sérgio Machado Rezende, Ministro de Ciência e Tecnologia (2005-2010) “O maior gargalo
ainda são [as] empresas. A maioria ainda não acredita que podem inovar e que a inovação pode mudar a vida delas”
(FAPESP, 2012).
Na tentativa de superar esses gargalos, as melhores práticas compartilhadas dentro do FORUM CTI foram resumidas na Proposta de Programa “A inserção dos municípios no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação”,
com recomendações que orientam a constituição de um sistema municipal de ciência e tecnologia (FACITEC, 2011,
p. 163). Seus dirigentes têm alertado para o emprego de boa técnica na elaboração de diagnósticos e planejamentos, refletindo melhor qualificação nos projetos e ações do governo que visam conscientizar o empresário quanto à
necessidade da incorporação cada vez maior de C,T&I para que suas empresas se mantenham competitivas em um
mercado cada vez mais globalizado.
No estudo do sistema municipal de ciência, tecnologia e inovação praticado em São Carlos (SP) se identifica
grande semelhança com o que preconiza o FORUM CTI. É possível que o exemplo de São Carlos tenha servido para
inspirar os demais municípios e, em um processo que se retro alimenta, é possível que as boas práticas de outros
municípios tenham servido em algum momento histórico de referência para as práticas locais. O estudo do sistema
municipal de São Carlos (SP) permite - sob a ótica da base para o topo - ter uma visão maior e melhor compreensão
das transformações e funcionamento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Observa-se, admitindo que a tríade formada por secretaria-conselho-fundo municipal constitui a centralidade
do sistema municipal de C,T&I, que a falta de governança e carência de recursos limitam a atuação sistemática
do conjunto. Porém, há possibilidade de outras pesquisas acadêmicas avançarem em estudos e propostas de um
modelo de governança que aprimorem o grau de comprometimento dos elementos articulados, pois estes se
demonstram dispostos à cooperação. Se coerentemente organizados e devidamente legitimados eles podem
constituir um exemplar Sistema Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, como sugere a presente pesquisa.
4. Considerações finais
As razões da limitação e baixo comprometimento dos elementos que compõem o sistema local de C,T&I têm
suas raízes nas tensões político-ideológicas presentes desde os anos de governo militar e na crise do Estado
Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do Sistema Municipal de São Carlos (SP)
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
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Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do Sistema Municipal de São Carlos (SP)
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Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação: Estudo do Sistema Municipal de São Carlos (SP)
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Sistema Local de Inovação: Um estudo sobre a ótica da
inovação no Tocantins
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Mas antes de estimular o pensamento inovador nos empresários, é preciso capacitar os mesmos, mostrando
a importância da inovação para o sucesso da empresa. Um dos desafios relacionados à gestão da inovação trata de
cultivar um ambiente favorável para que ela possa acontecer nas organizações e isso geralmente não é fácil, requer
tempo e investimento em novas tecnologias e até em novos processos.
1.1 Conceito de Inovação
Ednaldo Chagas Oliveira
Anny Kelly Vieira Mota
Kleber Abreu Sousa
Inovação é um tema bastante amplo que vem sendo cada vez mais debatido, tanto no contexto empresarial
quanto nas universidades. Em função disso, diversos autores apresentam visões diferentes sobre a inovação.
Palavras-chaves: Inovação Tecnológica; Sistema local; Programas de Inovação.
Resumo
A inovação é um elemento essencial para que uma organização se mantenha no mercado. Neste sentido esse artigo
tem como objetivo destacar a importância do sistema local de inovação para o desenvolvimento das empresas do
Estado do Tocantins, demostrando quais as entidades e os principais programas que fomentam a inovação e apoiam
as empresas Tocantinenses na busca por novos mercados, aumentando a competitividade, melhorando processos
e desenvolvendo novos produtos. Este trabalho também buscar ressaltar quais as principais deficiências do sistema
local de inovação. Para o desenvolvimento do artigo foi utilizada a pesquisa bibliográfica em livros revistas e na internet, com o objetivo de fundamentar o estudo.
Abstract
Innovation is an essential element for an organization to stay on the market. In this sense this article aims to highlight
the importance of local innovation system for development of companies in the State of Tocantins, showing which
entities and major programs that foster innovation and support the Tocantins companies to search for new markets,
increasing competitiveness by improving processes and developing new products. This work also seek to emphasize
that the main weaknesses of the local innovation system. To develop the product to literature was used in books and
magazines on the internet, aiming to support the study.
KEYWORDS: Technological Innovation; Local System; Innovation Programs.
1. INTRODUÇÃO
Em um mundo cada vez mais globalizado e competitivo, é necessário que as empresas sejam cada vez mais
inovadoras, buscando sempre um diferencial para se destacar das demais. Mas as micro e pequenas empresas
encontram muito dificuldades para inovar, elas dependem muito de incentivos do governo e do sistema local de
inovação, que contempla desde micros até as grande indústrias.
O Tocantins, assim como o resto todo o Brasil tem um cenário empreendedor bastante interessante que nos
coloca em destaque. Porém, este destaque está mais relacionado ao tamanho da população empreendedora do
que pelo planejamento empreendedor. Infelizmente por aqui essa atividade ainda acontece mais no sentido de uma
necessidade e não de oportunidade, e com muito pouco conteúdo inovador. Por esse motivo que o sistema local
de Inovação é muito importante para auxiliar o desenvolvimento da inovação nas organizações, principalmente as
pequenas que tem pouco conhecimento sobre inovação.
Sistema Local de Inovação: um estudo sobre a ótica da inovação no Tocantins
266
Para Paiva, Carvalho Jr e Fensterseifer (2009), o conceito de inovação está fortemente associado ao conceito
de aprendizado, isto é, a inovação é um processo continuo e de acúmulo de conhecimento ao longo do tempo. A ideia
de implementação é introduzida com muita propriedade, para distinguir inovação de invenção. Invenção é a geração
de novas ideias, enquanto isso inovação é a implementação dessas ideias.
O Manual de Oslo (1997), por sua vez, apresenta o conceito de inovação da seguinte forma: Uma inovação é
a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um
novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de
trabalho, ou nas relações externas (MANUAL DE OSLO, 1997, p.55).
Assim, o requisito mínimo para se definir uma inovação é que o produto, o processo, o método de marketing
ou organizacional sejam novos (ou significativamente melhorados) para a empresa. Isso inclui produtos, processos
e métodos que as empresas são as pioneiras a desenvolver e aqueles que foram adotados de outras empresas ou
organizações (MANUAL DE OSLO, 1997).
Segundo a visão de Toledo (1994), o processo de inovação tecnológica, descrito através de modelos tradicionais, se inicia com a identificação de uma necessidade ou oportunidade de melhoria e incorpora conhecimentos
e restrições dos ambientes tecnológico, econômico e social, até resultar, eventualmente, numa invenção. Quando
incorporada em um produto e introduzida no mercado, esta invenção se torna uma inovação, e inicia-se a etapa de
difusão, com seu lançamento no mercado.
De acordo com Peter Drucker (1988), “inovação é o esforço para criar mudanças objetivamente focadas no
potencial econômico ou social de um empreendimento”. Assim, a inovação é um fator essencial para o crescimento
de uma empresa num ambiente cada vez mais competitivo.
Segundo Paulo Antônio Zawislak (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2008), é considerado invenção, e não inovação, uma
nova tecnologia ou produto que não seja capaz de gerar retorno suficiente para compensar o investimento feito no
conhecimento, na informação necessária e na criatividade despendida, muito menos para gerar um lucro extraordinário para quem assim empreendeu. Para gerar esse retorno, é importante que haja uma integração entre tecnologia, mercado e empresa, constituindo uma “visão estratégica da inovação” (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2008).
O dicionário Aurélio define inovação como a ação ou efeito de inovar. Introdução de alguma novidade na legislação, nos costumes, na ciência, nas artes etc.
Como foi observado cada autor tem uma visão diferente sobre inovação, mas geralmente inovação está ligada
a ideia da criação de processos ou produtos novos ou até melhoramentos dos já existentes.
1.3 Tipos de Inovação
Segundo o Manual de Oslo (1997), diferenciam-se quatro tipos de inovação: de produto, de processo, de
marketing e organizacional.
Sistema Local de Inovação: um estudo sobre a ótica da inovação no Tocantins
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
• Inovação de produto: é a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado no que
concerne a suas características ou usos previstos.
Incluem-se melhoramentos significativos em especificações técnicas, componentes e materiais, softwares incorporados, facilidade de uso ou outras características funcionais.
• Inovação de processo: é a implementação de um método de produção ou distribuição novo ou significativamente melhorado. Incluem-se mudanças significativas em técnicas, equipamentos e/ou softwares. 23
• Inovação de marketing: é a implementação de um novo método de marketing com mudanças significativas
na concepção do produto ou em sua embalagem, no posicionamento do produto, em sua promoção ou na fixação
de preços.
• Inovação organizacional: é a implantação de um novo método organizacional nas práticas de negócios da
empresa, na organização do seu local de trabalho ou em suas relações externas.
O Manual de Oslo (1997) também determina que todas as inovações devem conter algum grau de novidade,
sendo que três conceitos para a novidade das inovações são discutidos: nova para a empresa, nova para o mercado,
e nova para o mundo. Nesse sentido, o requisito mínimo para se considerar uma inovação é que a mudança introduzida tenha sido nova para a empresa. Os conceitos de nova para o mercado e nova para o mundo dizem respeito
ao fato de determinada inovação ter sido ou não implementada por outras empresas, ou de a empresa ter sido a
primeira no mercado ou na indústria ou no mundo a implantar tal inovação.
1.4 Funções de um Sistema de Inovação
De modo geral um sistema de inovação tem a função de apoia às varias formas de inovação em uma determinada localidade.
De acordo com Davila, Epstein e Shelton (2007), os sistemas de inovação realizam cinco importantes funções,
são elas: Eficiência, comunicação, coordenação, aprendizado e alinhamento.
A primeira função de um sistema de inovação consiste em incrementar a eficiência do processo de inovação.
O sistema precisa transformar grandes ideias em realidades comercializáveis com rapidez e com o mínimo de recursos. Esta função é especialmente importante na inovação incremental, em que seguir um conjunto definido de
etapas e pontos de decisão abrevia o prazo de lançamento no mercado e aumenta o retorno sobre os recursos investidos. Essa função é compatível com a de sistemas de produção que codificam os estágios do processo (de acordo
com custos, agilidade e qualidade) a fim de aumentar a eficiência (DAVILA; EPSTEIN; SHELTON, 2007).
Segundos os mesmos autores, a segunda função dos sistemas de inovação é criar as linhas de comunicação
mais apropriadas no âmbito da companhia e com participantes externos do processo. À medida que a equipe de
inovação exige conhecimento especializado de outras partes da organização, os sistemas facilitam seu acesso a tal
conhecimento no momento oportuno.
De tal modo, a informação referente ao desenvolvimento dessa inovação e às suas consequências precisa fluir
e ser utilizada. Nesse sentido, equipes multifuncionais (largamente utilizadas no desenvolvimento de produtos) compostas por elementos com capacidade funcionais diferentes, como P&D, manufatura, vendas, distribuição, finanças e
gerenciamento, viabilizam a comunicação ao longo das diversas bases de conhecimento dos integrantes dessas equipes, ou mediante um plano que descreva o momento em que determinadas funções são anexadas ao grupo. Sistemas
formalizados também facilitam a comunicação com parceiros internos e externos por meio de reuniões periódicas de
planejamento e revisão e pelo estabelecimento de marcos explícitos de objetivos (DAVILA; EPSTEIN; SHELTON, 2007).
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A terceira função dos sistemas de inovação proposta por Davila, Epstein e Shelton (2007) é a coordenação entre
projetos e equipes com o mínimo esforço. Um esforço em um sistema de coordenação é um plano para permitir trabalho paralelo em projetos com o mínimo de comunicação. Garantir a disponibilidade dos recursos no momento em
que se fazem necessários é outro item de coordenação que os sistemas viabilizam. A quarta função é a do aprendizado. Os sistemas estabelecem uma disciplina para gerir o conhecimento que é constantemente criado em inovação.
Os sistemas podem captar a informação presente no desempenho da inovação ao longo de toda a vida da iniciativa
(da ideação até a comercialização) e disponibilizá-la para a equipe e a administração. A informação pode ser usada
para identificar problemas e potenciais aperfeiçoamentos. Mas importante ainda, o aprendizado incrementa o entendimento do processo de inovação como tal.
Cada vez que um projeto de inovação é executado, algo se aprende sobre como aperfeiçoá-lo, especialmente
em projetos incrementais nos quais esforços similares são empreendidos repetidamente, o conhecimento é também
gerado a respeito do modelo de negócios, da tecnologia e das oportunidades que são identificadas, mas cuja concretização não é possível dentro da estrutura do projeto em andamento (DAVILA; EPSTEIN; SHELTON, 2007).
O conhecimento precisa ser conservado a fim de produzir benefícios para a organização e melhorar sua vantagem competitiva. Costuma-se dizer que “se a nossa empresa soubesse tudo aquilo que ela realmente sabe, muitos
problemas estariam resolvidos” (DAVILA; EPSTEIN; SHELTON, 2007).
A quinta função dos sistemas de inovação é alinhar os objetivos das varias partes interessadas. As pessoas
em todos os níveis da organização precisam entender a sua estratégia e as respectivas implicações disso para
suas operações. A informação relativa ao desempenho da inovação precisa ser transmitida e comparada com os
objetivos da inovação. De acordo com Davila, Epstein e Shelton (2007), sistemas adequadamente projetados têm
a capacidade de reunir as pessoas certas e o conhecimento certo para criar as atividades indispensáveis para que
a inovação realmente aconteça.
Na busca pela melhoria da competitividade das empresas, sistema de inovação e suas organizações de apoio
têm despertado crescente interesse nas economias industrializadas e em desenvolvimento, envolvendo diversos dos
seus segmentos social, econômico e político. No que se refere a política pública, o foco da política tecnológica e de
inovação tem buscado novas formas de apoio e assistência. (Vedovello e Figueiredo, 2006).
2. LEI DA INOVAÇÃO DO ESTADO DO TOCANTINS
A lei da Inovação do Estado do Tocantins foi publicada no diário oficial do Tocantins em 06 de julho de 2011.
A lei n° 2.458, de 5 de julho de 2011, Dispõe sobre o incentivo à inovação e à pesquisa científico-tecnológica
nas atividades produtivas do Estado do Tocantins e seu objetivo é estabelecer as medidas de incentivo à inovação
e à pesquisa científico- tecnológica nas atividades produtivas, com vistas à obtenção de autonomia, capacitação e
competitividade no processo de desenvolvimento industrial do Estado do Tocantins.
Abaixo estão elencados os principais artigos da Lei da Inovação do Estado do Tocantins:
Art. 1 Esta Lei estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científico-tecnológica nas atividades
produtivas, com vistas à obtenção de autonomia, capacitação e competitividade no processo de desenvolvimento
industrial do Estado do Tocantins.
Art. 2 Para os fins desta Lei, consideram-se:
I – inovação, a introdução de novidade ou aperfeiçoamento nos meios produtivo, ambiental ou social que resulte em novos processos, produtos ou serviços, bem ainda em ganho de qualidade ou produtividade em processos,
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
produtos ou serviços já existentes, com vistas a ampliar a competitividade no mercado;
II – agência de fomento, o órgão ou entidade de natureza pública ou privada que tenha dentre os seus objetivos
o financiamento de ações que visem a estimular e promover a inovação e o desenvolvimento científico e tecnológico;
III – agência de inovação, o órgão ou entidade de natureza pública ou privada que tenha dentre os seus objetivos estruturar os sistemas de inovação nas diferentes regiões mediante o fortalecimento das instituições científicas
e tecnológicas, o incremento de suas interações com os setores produtivos locais e a construção de canais qualificados de informação tecnológica, no âmbito do sistema estadual de ciência e tecnologia;
IV – Instituição Científica e Tecnológica – ICT, o órgão ou entidade da Administração Pública Direta ou Indireta
que tenha a missão especial de executar atividades ligadas à inovação tecnológica, à pesquisa básica ou aplicada de
caráter científico ou tecnológico, ao desenvolvimento tecnológico e à extensão tecnológica, no Estado do Tocantins;
V – Núcleo de Inovação Tecnológica – NIT, o núcleo ou órgão constituído por uma ou mais ICT, com a finalidade
de gerir sua política de inovação;
VI – instituição de apoio, o órgão com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de
desenvolvimento institucional, científico e tecnológico;
VII – criação, a invenção, modelo de utilidade, desenho industrial, programa de computador, topografia de circuito integrado, novos cultivos ou cultivos essencialmente derivados, e qualquer outro desenvolvimento tecnológico
que acarrete ou possa acarretar o surgimento de novo produto, processo ou aperfeiçoamento incremental, obtido
por um ou mais criadores;
VIII – criador ou inventor, o pesquisador que seja inventor, obtentor ou autor de criação;
IX – inventor independente, a pessoa física, não ocupante de cargo efetivo, cargo militar ou emprego público,
que seja inventor, obtentor ou autor de criação;
X – pesquisador público, o ocupante de cargo efetivo, cargo militar ou emprego público, que realize pesquisa
básica ou aplicada, de caráter científico ou tecnológico;
XI – Empresa de Base Tecnológica – EBT, o empreendimento legalmente constituído, com sede e administração
no Estado do Tocantins, cuja atividade produtiva esteja baseada no desenvolvimento de novos produtos e processos
fundamentados na aplicação sistemática de conhecimentos científicos e tecnológicos e na utilização de técnicas
consideradas avançadas ou pioneiras;
XII – incubadoras de empresas, o mecanismo que estimule a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas
empresas industriais ou de prestação de serviços, de base tecnológica ou de manufaturas leves por meio da formação complementar do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais e que, além disso, facilite e agilize
o processo de inovação tecnológica das micro e pequenas empresas;
XIII – polo tecnológico, o aglomerado de empresas de base tecnológica situadas em determinada área geográfica;
XIV – parques tecnológicos, os complexos de organizações de base científica ou tecnológica, estruturados de
maneira planejada, concentrada e cooperativa, que agreguem empresas de base tecnológica ou em instituições de
ensino e pesquisa, públicas ou privadas, vinculadas ou não, promotoras da cultura da inovação, da competitividade
industrial, do aumento e da capacidade empresarial, com base na disseminação de conhecimento e de tecnologia
para o incremento da produção de riqueza;
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270
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
XV – tecnologia social, compreendendo produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social;
XVI – transferência de tecnologia, a transferência de licença de direitos, exploração de patentes ou de uso de
marcas, e os de aquisição de conhecimentos tecnológicos, em especial os de fornecimento de tecnologia e prestação
de serviços de assistência técnico-científica.
Parágrafo único. No âmbito do Estado do Tocantins, é considerada agência de fomento à pesquisa e à inovação,
nos termos do inciso II do caput deste artigo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Tocantins – FAPT, em
consonância com a Lei Complementar 71, de 31 de março de 2011.
“A Lei da Inovação estimula o maior entrosamento, intercâmbio entre os pesquisadores, as universidades e
empresas. É um incentivo fiscal do governo do Estado em que a empresa poderá incorporar os produtos inovadores
e reduzir os seus impostos.” afirmou o secretário do Desenvolvimento Econômico Ciência, Tecnologia e Inovação do
Estado do Tocantins, Paulo Massuia.
O incentivo descrito nessa lei propõe uma integração entre a administração pública, a iniciativa privada e as
instituições de pesquisa, para que o conhecimento gerado nestas instituições possa fomentar as atividades produtivas no Tocantins.
2.1 Deficiências do sistema de inovação do Tocantins
Por ser um estado ainda relativamente novo e ainda em formação é compreensível que no Tocantins o Sistema
Local de Inovação ainda se encontra em formação, por esse motivo algumas deficiências podem ser encontrada,
mas com o tempo elas devem ser sanadas com o aperfeiçoamento das politicas publicas de apoio à inovação.
O Sistema Local de Inovação do Estado do Tocantins, assim como o sistema nacional encontra algumas deficiências, como a falta de divulgação das informações para os empresários, a falta de divulgação dos programas que
fomentam a inovação no estado, assim como a falta de conhecimento dos pequenos e micros empresários sobre os
editais, que geralmente são voltados para empresas de médio e grande porte.
3. ENTIDADES DO SISTEMA LOCAL DE INOVAÇÃO
O sistema local de Inovação do Tocantins é composto por dois principais órgãos que fomentam e apoio a
inovação nas empresas, são eles:
SEDECTI - Secretaria do Desenvolvimento Econômico Ciência, Tecnologia e Inovação. Que tem a missão de promover o desenvolvimento econômico sustentável do Tocantins, criando ambientes competitivos para novos negócios,
por meio da qualificação de pessoas, processos, produção cientifica e inovação.
FAPT- Fundação de Amparo á Pesquisa do Estado o Tocantins, foi criada em março de 2011 e tem o objetivo de
leva acesso a ciência. Como o principal papel apoiar projetos de pesquisa e inovação científica e tecnológica, visando
o desenvolvimento econômico do Estado do Tocantins.
3.1 Programas de apoio a Inovação no Tocantins
No Estado do Tocantins podemos destacar alguns programas de apoio e que fomentam a inovação, abaixo são
descritos os principais.
Sistema Local de Inovação: um estudo sobre a ótica da inovação no Tocantins
271
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
3.1.1 Inova Tocantins
O Inova Tocantins é um programa de apoio à pesquisa em empresas, que tem como objetivo favorecer e incentivar o desenvolvimento de processos e/ou produtos inovadores no Tocantins. O apoio é oferecido por meio de
repasse de recursos na forma de subvenção econômica, para as micros e pequenas empresas que apresentarem os
melhores projetos de inovação tecnológica.
O primeiro edital foi lançado em 2010 e oito projetos foram selecionados. Até o final de 2013 as empresas apresentarão a conclusão e os resultados de suas pesquisas. Os projetos beneficiados são enquadradas nos setores do
agronegócio, agroindústria, biotecnologia, tecnologia da informação e comunicação, mineração, comércio/serviços,
bioenergia e indústria.
Atuam como financiadores do Programa: a Sedecti, Finep – Agência Brasileira de Inovação e Sebrae/TO - Serviço
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Tocantins. Até o momento foram investidos de R$ 2 milhões nos projetos
de inovação.
Abaixo são citados os Projetos apoiados pelo programa:
1 - Empresa Ribeiro e Avelino: criação de software GestFazenda – Gestão propriedade rural.
2 - Empresa Milanes: aperfeiçoamento da produção de variedades exclusiva de sorvetes com frutos do cerrado.
3 - Empresa Minart Móveis: produação de carteira estudantil com computador integrado.
4 - Empresa Eletro Rural: produção de paredes térreas modulares com utilização de ispor na matéria prima.
5 - Empresa Agroaçai: desenvolvimento de plantio mecanizado de açaí em várzeas sub-irrigadas.
6 - Empresa Casa do Notbook: desenvolvimento de um software aplicativo de banco de dados para comercialização.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A implantação de um Parque Tecnológico do Tocantins teve inicio em 2012, quando o CDE - Conselho de Desenvolvimento Econômico do Tocantins aprovou a liberação de recursos no valor de R$ 279.020,00 destinados à contratação da Fundação Certi, a mais conceituada empresa do Brasil em projetos de viabilidade de implantação de
parques tecnológicos.
A prospecção de investidores para o Parque Tecnológico do Tocantins já está sendo realizada, por meio do
projeto ‘O Brasil no Tocantins’, que busca investidores nacionais e internacionais através de varias estratégias. O
governo do Estado e a Prefeitura de Palmas também investirão na área com estudos de viabilidade, compromissos
com licenciamentos e direcionamento do projeto.
Paralelamente a implantação do Parque Tecnológico o governo do Estado apoiará a implantação de centros tecnológicos e incubadoras de empresas nas cidades de Gurupi e Araguaína, escolhidas por possuírem universidades e
comunidade acadêmica com condições para desenvolver projetos de empresas tecnológicas.
3.1.3 Sibratec
No Tocantins o Sibratec entrou em funcionamento em agosto de 2011, por meio de convênio assinado, entre a
Sedecti, o IEL/TO - Instituto EuvaldoLodi e o Senai/TO – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Para o desenvolvimento do projeto foram liberados R$ 2.450.963,63, desse valor, R$ 1.924.663,63, foram financiados pela
Finep– Agência Brasileira de Inovação e R$ 526.300,00, pela Sedecti. Também são parceiros na execução deste
projeto a UFT – Universidade Federal do Tocantins e a Unitins – Universidade Estadual do Tocantins.
Com a intenção de estreitar as relações entre academia e empresários foi criado o Comitê Gestor, que se reúne
frequentemente com os parceiros, para discutir e elaborar ações que vão ao encontro das necessidades dos empresários.
O Comitê buscar reduzir as dificuldades em atingir o mercado e atender as demandas específicas de cada setor.
Por meio da Extensão Tecnológica o projeto Sibratec vai atender 94 empresas tocantinenses, sendo que em
cada atendimento poderão ser investidos de R$ 10.000,00 a R$ 30.000,00 à depender da modalidade de atendimento. O seguimentos prioritários são:
7 - Empresa Industec: Pesquisa e desenvolvimento tecnológico de pisos de concreto permeável.
-Madeira e Móveis;
8 - Empresa A Predilar: Box Light – divisórias para banheiros.
-Vestuário;
Subvenção econômica
-Alimentos;
O Programa de Subvenção Econômica é uma modalidade de concessão de recursos financeiros não-reembolsável, para empresas públicas ou privadas que desenvolvem projetos de inovação estratégicos para o país.
Essa modalidade de apoio está sendo realizada no país à partir da aprovação e regulamentação da Lei de
Inovação e da Lei do Bem. A subvenção poderá ser aplicada no custeio de atividades de pesquisa, desenvolvimento
tecnológico e inovação em empresas nacionais.
3.1.2 Parque tecnológico
-Mineração;
-Cerâmica;
-Artefatos de cimentos.
Condições para o atendimento
Parque tecnológico é um centro que reúne instituições de ensino, incubadoras de empresas, centros de pesquisa e laboratórios criando um ambiente favorável à inovação tecnológica. À medida que passam a compartilhar do
mesmo ambiente essas instituições geram benefícios econômicos para seus participantes e para as comunidades,
devido à colaboração mútua em busca do mesmo objetivo que é apoia a inovação.
O SENAI/TO como executor do projeto irá prospectar empresas em todo o Estado, levantando e diagnosticando
as empresas aptas a participarem do projeto. Por demanda espontânea empresas podem procurar diretamente o
SENAI/TO para se submeter ao atendimento. Contudo, a demanda da empresa deverá se enquadrar nas modalidades de atendimento e a empresa deverá possuir condições mínimas para ser atendida (ex. profissionais capazes
de absorver os conhecimentos tecnológicos).
Sistema Local de Inovação: um estudo sobre a ótica da inovação no Tocantins
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
3.1.4 Tecnova
O Tecnova – Programa de Inovação Tecnológica realiza contratos de transferências de recursos, criando
condições financeiras favoráveis para apoiar e consolidar o sistema estadual de inovação, por meio de recursos de
subvenção econômica.
O Programa Tecnova financiará projetos de pesquisa e inovação em mais de 30 empresas tocantinenses, das
áreas da indústria, comércio e serviços com faturamento de até R$ 3,6 milhões dos setores: interesse regional
(alimentos, confecção, construção civil, madeira, móveis e agronegócio); interesse nacional (petróleo e gás, energias
alternativas, TIC - Tecnologia da Informação e Comunicação). Cada empresa poderá receber um recurso de R$ 120
mil a R$ 400 mil.
O investimento total será de R$ 9,6 milhões, sendo R$ 8,7 milhões em subvenção econômica e contrapartida
de R$ 2 milhões, do Governo do Estado. Os recursos já estão disponíveis e o lançamento do edital de seleção dos
projetos está previsto para acontecer no segundo semestre de 2013.
São parceiros do Tecnova no Tocantins a Finep – Agência Brasileira de Inovação, o IEL- Instituto Euvaldo Lodi, a
Fapt - Fundação de Amparo a Pesquisa do Tocantins e a Faciet - Federação das Associações Comerciais e Indústrias
do Tocantins.
3.1.5 Rede Tocantinenses de Inovação
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
e R$ 29,3 em atividades científicas e técnicas correlatas. O recurso foi distribuído entre instituições estaduais, como
a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência Tecnologia e Inovação (Sedecti), que desenvolve programas de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, como também promovem iniciativas inovadoras que
melhoram o nível de competitividade das empresas.
“Os Dados divulgados pelo IBGE comprovam que o Estado do Tocantins teve o quarto maior crescimento do
País em aplicação de recursos destinados a ciência e tecnologia e inovação no ano de 2011”, declarou o secretário
da Sedecti, Paulo Massuia.
4. METODOLOGIA DE PESQUISA
Para desenvolver o artigo foi utilizada a pesquisa bibliográfica com o objetivo de fundamentar o estudo. “A
pesquisa bibliográfica trata do levantamento, seleção e documentação de toda bibliografia já publicada sobre o
assunto que está sendo pesquisados, em livros, revistas, jornais, boletins, monografias, teses, dissertações, material
cartográfico, com o objetivo de colocar o pesquisador em contato direto com todo o material já escrito sobre o mesmo.” (LAKATOS E MARCONI 1987, p. 66),
Pode-se definir pesquisa como o processo formal e sistemático de desenvolvimento do método cientifico. O
objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos
científicos. Assim, tem-se que pesquisa é um processo que, a partir da utilização de uma metodologia cientifica, permite a obtenção de novos conhecimentos da realidade (GIL, 1994).
A Rede Tocantinense de Inovação (RTI) foi formada e institucionalizada em julho de 2012. O objetivo dessa
rede é organizar e estimular parcerias entre o governo, universidade e setor empresarial, para identificar e gerar
estratégias integradas na criação de uma cultura de inovação no Tocantins, promover eventos de formação, estímulo
e divulgação da inovação; além de construir e disponibilizar um ambiente digital de comunicação e colaboração que
possa potencializar a criação, a transferência e a retenção de conhecimento nos processos, experiências e boas
práticas de inovação.
A importância metodológica de um trabalho pode ser justificada pela necessidade de embasamento científico
adequado, pela busca da melhor abordagem para endereçar as questões da pesquisa (MIGUEL, 2010).
Após
o levantamento das informações, foi realizada uma “filtragem,” com a finalidade de analisar as informações coletadas e formular a base para o desenvolvimento do artigo propriamente dito, utilizando essa triagem o andamento do
trabalho aconteceu com maior agilidade. Podemos concluir que esse tipo de pesquisa foi de grande utilidade e nos
auxiliou muito no desenvolvimento de todo o trabalho.
A SEDECTI tem o papel de articular os atores de inovação do Estado, promovendo encontros regulares para o
desenvolvimento da RTI, partindo do princípio da promoção de uma Política Estadual de Inovação por meio da participação e colaboração de entidades representativas da sociedade.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
3.2 Dados sobre a inovação no Tocantins
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o Tocantins é o quarto Estado brasileiro que mais investe recursos na área da ciência, tecnologia e inovação. Verba é destinada ao apoio
de pesquisadores, com bolsas para estudos em pós-graduação dentro e fora do Brasil, para construir laboratórios
nas universidades e desenvolver ações de fomento à inovação de empresas e outros negócios que gerem emprego
e renda à população.
De acordo com o levantamento, o Estado vem investindo cada vez mais em Ciência e Tecnologia e Pesquisa e
Desenvolvimento. Segundo o IBGE, o governo aumentou em quase 30% os investimentos no setor, saindo de uma
aplicação de R$ 26,3 milhões em 2007, para quase R$ 34 milhões em 2011 – dados atualizados pelo instituto. Segundo o IBGE, o Estado é o quinto colocado no aumento dos investimentos no setor, ficando atrás apenas de Goiás,
Pernambuco, Acre e Espírito Santo.
Segundo a Agência Tocantinense de Noticias (ATN) ao todo, o governo do Estado investiu R$ 67,8 milhões
em ciência, pesquisa, tecnologia e desenvolvimento no ano de 2011. Conforme dados do Ministério da Ciência e
tecnologia (MCT), R$ 33,9 milhões foram destinados à ciência e tecnologia, R$ 4,6 em pesquisa e desenvolvimento,
Sistema Local de Inovação: um estudo sobre a ótica da inovação no Tocantins
274
O objetivo deste trabalho foi destacar a importância do Sistema Local de Inovação do Estado do Tocantins, para
o desenvolvimento das empresas locais. Como foi observado já existem vários programas de apoio à inovação no
Estado do Tocantins, mas esses programas não são amplamente divulgados, geralmente os pequenos empresários
não tem acesso as informações dos editais e ficam de fora dos programas.
Todo o estudo demonstrou também que sendo o Tocantins um estado ainda muito novo, com apenas 25 anos
de criação, o sistema de inovação ainda se encontra em formação e amadurecimento dos programas que fomentam
a inovação e os problemas existentes devem ser amenizados com o passar do tempo.
Apesar de algumas deficiências a pesquisa demonstrou que já ouve um grande avanço na politicas públicas de
apoio a inovação no estado. Nos últimos anos ouve um crescimento de cerca de 30% no setor, sendo o Tocantins o
quinto colocado no aumento dos investimentos no setor.
Com relação ao desenvolvimento do trabalho como um todo, os resultados obtidos foram considerados satisfatórios, porém a dificuldade de acesso as informações foi o maior problema, para o desenvolvimento do trabalho,
mas apesar das dificuldades o artigo foi concluído com êxito.
Sistema Local de Inovação: um estudo sobre a ótica da inovação no Tocantins
275
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERÊNCIAS
DADOS sobre inovação no Tocantins. Disponível em: http://atn.to.gov.br/noticia/ Acesso em 19 Jan. 2014
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Tecnologia para inovação: 90 anos de contribuição do INT
para a competitividade das empresas
DAVILA, Tony; EPSTEIN, Marc J.; SHELTON, Robert. As Regras da Inovação. São Paulo: Ed. Artmed, 2007.
DICIONÁRIO do Aurélio. Disponível em: http://www.dicionariodoaurelio.com/inovação/ Acesso em 21 Jan. 2014
DRUCKER, Peter F. The discipline of innovation. Boston: Harvard Business Review, 1998.
GIL, Antônio C.. Métodos e técnicas de pesquisa social. Sao Paulo: Atlas, 1994
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1991.
LEI DA INOVAÇÃO do Estado do Tocantins. Disponível em: http://www.jusbrasil.com.br/diarios/ acesso em 12
Dez.2013.
Paes, Carla dos Santos Macedo, Assistente em C&T, Instituto Nacional de Tecnologia
[email protected]
Clarim, Haroldo de Jesus – Instituto Nacional de Tecnologia
[email protected]
Souza, Cristina Gomes de, Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca
[email protected]
MIGUEL, P. A. C. (org.). Metodologia de pesquisa em engenharia de produção e gestão de operações. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2010.
OSLO MANUAL. Diretrizes para a coleta e interpretação de dados sobre inovação. 3. ed.
OECD: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. FINEP, 1997.
Palavras-chaves: Inovação Tecnológica, Competitividade, Tecnologia, EMBRAPII, Recursos Humanos.
Resumo
TIDD, J.; BESANT, J.; PAVITT, K. Managing innovation. Chichester: John Willey & Sons Ltd., 2005.
O presente trabalho objetiva apresentar a contribuição de uma instituição de ciência e tecnologia (ICT) que desde
a sua fundação trabalha para a promoção da ciência e tecnologia do país, bem como sua forte atuação junto à indústria, atendendo às políticas públicas de C&T I e ajudando no desenvolvimento de pesquisa tecnológica, com vistas
a permitir ganhos de eficiência nos processos e produtos industriais no cenário econômico e social do país. O estudo
de caso do INT contempla o alinhamento da gestão do capital intelecutal com a estrutura organizacional de forma a
atingir a missão institucional do INT que é “participar do desenvolvimento sustentável do Brasil, por meio da pesquisa
tecnológica, da transferência do conhecimento e da promoção da inovação”, norteado pelo avanço de conhecimento
e em consonância com as políticas e estratégias nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, bem como sua visão
de futuro que é “ser reconhecido como referência nacional até 2021 em pesquisa e desenvolvimento tecnológico”
tendo, para tanto, ações de gestão estratégica e organizacional, com referência nas áreas prioritárias focadas no
aumento da competitividade industrial e da qualidade de vida da população brasileira.
VEDOVELLO, C.; FIGUEIREDO, P. N. Capacidade tecnológica industrial e sistema de inovação, capítulo 1, 4, 5 e 6,
editora FGV, 2006.
1. INTRODUÇÃO
PAIVA,E.; CAVALHO JR; FENSTERSEIFER. Estratégia de produção e de operações. Porto Alegre: Bookman, 2009.
PROGRAMAS de apoia a inovação do Estado do Tocantins. Disponível em: http://www.sedecti.to.gov.br/sedecti/
acesso em 15 Dez.2013
REDE Tocantinense de inovação. Disponível em: http://www.sedecti.to.gov.br/novo/ Acesso em 18 Jan.2014.
TOLEDO, J. C. Gestão da mudança da qualidade de produto. Gestão & Produção, v. 1, n. 2, p. 104-124, ago. 1994.
Ao iniciarmos a apresentação de uma das mais antigas instituições de ciência e tecnologia do país, faz-se
necessário abordar a sua gênese até o desenvolvimento atual, passando pelas transformações e crises, naturais em
todo processo de crescimento e reconhecimento como uma instituição de referencia em pesquisa.
Abordaremos também como o INT está organizado, qual são seus objetivos estratégicos e como está alinhado
à política pública de ciência e tecnologia do país, a qual está estatuída na Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia
e Inovação – ENCTI do MCTI para o Desenvolvimento do País, trazendo uma análise de seus principais indicadores
extraídos de Relatórios de Gestão e Termos de Compromisso de Gestão firmados com o Governo Federal, bem como
Sistema Local de Inovação: um estudo sobre a ótica da inovação no Tocantins
276
Tecnologia para inovação: 90 anos de contribuição do INT para a competitividade das empresas
277
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
quais são seus principais eixos temáticos que colaboram para o progresso e o desenvolvimento do país nas áreas de
Ciência, Tecnologia e Inovação.
Este trabalho teve como base a pesquisa realizada sob a responsabilidade do Dr. Simon Schwartzman a partir
de um convênio entre o Instituto Nacional de Tecnologia e o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro,
entre os anos de 1979 e 1981.
O objetivo da pesquisa do Dr. Simon foi o de registrar os esforços de desenvolvimento científico e tecnológico
nacional embasado por uma série de estudos históricos que buscam definir com maior precisão qual a base real de
experiências e recursos institucionais e humanos sobre as quais a história do INT tem se assentado. Os últimos anos
têm presenciado, como não poderia deixar de ser, tanto sucessos quanto fracassos, e existe uma consciência cada
vez mais nítida de que um dos fatores mais importantes para diferenciar um do outro foram os ensinamentos da
experiência passada, se foram ou não tomados em conta para o assentamento dos novos rumos do instituto.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
O INT sempre ocupou um lugar importante como centro de análise e pesquisas tecnológicas do governo federal
para a indústria e o comércio. Conhecer a história do INT é conhecer em profundidade um aspecto importante do que
foi, ou deixou de ser, a política tecnológica e industrial dos governos brasileiros neste período. Além disto, permite
conhecer um pouco mais intimamente às vicissitudes que afetam às instituições governamentais na área tecnológica. Desta forma, a história do INT, ao servir para uma melhor compreensão do passado, poderá quem sabe orientar
os que têm a responsabilidade pelas decisões sobre o futuro.
3. PROMOÇÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NAS EMPRESAS
O INT tem atuação nacional e investiu nos últimos anos no apoio à Inovação Tecnológica nas Empresas. A Figura
2 abaixo representa as parcerias e projetos estabelecidos, parcerias e projetos em negociação e projetos em desenvolvimento no âmbito nacional, indicando os respectivos parceiros e fontes de financiamento dos projetos.
É de Ernesto Lopes da Fonseca Costa (1934) fundador do INT a frase: “fazer indústria, hoje em dia, não é mais,
como outrora, possuir fórmulas empíricas que passavam de pai a filho como legado de família, mas sim, aplicar os
princípios científicos que permitam atingir os fins colimados”. Esta declaração mostra como o pensamento do
idealizador de instituto tecnológico era avançado para a época, onde iniciava com Thomas Khun a crítica ao pensamento da reta razão lógica dominante.
2. A HISTÓRIA DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA
Fundado em 1921, o Instituto Nacional de Tecnologia - INT é órgão público federal da administração direta,
pertencente à estrutura do Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT, conforme figura 1.
Figura 2 – Mapa de atuação Nacional do INT em parcerias e projetos
Com esta atuação, a assistência à indústria passa a assumir importância cada vez maior a partir da década de
90. O INT passa a emprestar seus técnicos para resolver dificuldades nas indústrias, assim como oferecer cursos
para o pessoal técnico da indústria. A pesquisa, além dos trabalhos relativos às características de matérias-primas e
sua possível utilização, incorpora também o problema da busca de “novos produtos, e novas técnicas”. Com isso, a
determinação e obtenção de componentes passa a se combinar com os estudos dos processos industriais.
Figura 1 – Unidades de Pesquisas do MCTI
Sistema Local de Inovação: um estudo sobre a ótica da inovação no Tocantins
278
Essa afirmação pode ser ilustrada na temporal abaixo, nas figuras 3 e 4 a instituição mostrando a instituição
longo da história da ciência, tecnologia e inovação no país.
Tecnologia para inovação: 90 anos de contribuição do INT para a competitividade das empresas
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
No ano de 1975 o INT participa na elaboração do programa de governo PRÓ-ÁLCOOL (Programa Nacional do Álcool) ao pesquisar a qualidade dos combustíveis e dos materiais componentes dos motores à combustão. Em 1990
o INT colabora na conclusão do Levantamento Antropométrico da população Brasileira ajudando no padrão dos
calçados para as indústrias deste setor produtivo. Em 2001 o INT torna-se o 23º Organismo Certificador de Produtos
do Brasil ao conseguir organizar-se dentro das normas nacionais e internacionais de certificação. E finalmente em
2008 o INT contribui com o desenvolvimento de um produto para a inauguração de uma fábrica de argamassas com
tecnologia de aproveitamento de resíduos de rochas.
4. O INT SEMPRE PARCEIRO DA INOVAÇÃO
Com perfil multidisciplinar, o INT trabalha de forma integrada com o setor empresarial, promovendo o desenvolvimento de pesquisas nas áreas de Química, Tecnologia dos Materiais, Engenharia Industrial, Energia e Meio Ambiente. Realiza consultoria tecnológica, serviços técnicos especializados certificação de produtos e atua na formação
e capacitação profissional, através de programas de educação continuada e treinamento. A infraestrutura do INT
conta com 18 laboratórios, sendo nove deles acreditados pelo INMETRO.
Sua missão atual é “Participar do desenvolvimento sustentável do País, por meio da pesquisa tecnológica, da
transferência do conhecimento e da promoção da Inovação”. E sua visão de futuro aponta para “ Ser reconhecido como
referencia nacional, até 2021 em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para inovação”, tudo em consonância com
as políticas e estratégias nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, conforme seu mapa estratégico, figura 4.
Figura 3 – De 1921 à 1969
Importante destacarmos o primeiro carro no país movido a álcool 70º em 1925, que fez dois percursos: Rio x
Santos e Rio x Petrópolis, sem precisar abastecer. Um marco e uma revolução para a ciência e tecnologia no país
naquela época. Igualmente destacamos o início de pesquisa em biocombustíveis em 1942, no auge da 2ª Guerra
Mundial, diante da recessão mundial e da crise econômica provocados pela guerra.
Figura 4 – Mapa Estratégico do INT
Figura 4 – De 1975 à 2009
Tecnologia para inovação: 90 anos de contribuição do INT para a competitividade das empresas
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Tecnologia para inovação: 90 anos de contribuição do INT para a competitividade das empresas
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
A estrutura organizacional do INT está alinhada com a gestão estratégica, onde as unidades organizacionais
são divididas segundo suas áreas de atuação, subordinadas a coordenações técnicas e administrativas, as quais
estão ligadas à Direção. Como esta forma de administração, não permite uma flexibilização na tomada de decisão
aos gestores das unidades organizacionais, a Direção do INT tem investido nos últimos anos em instrumentos de
gestão, os quais permitam aos gestores planejar suas atividades e desenvolvê-las dentro das diretrizes estratégicas
definidas pela Direção do INT que são planejadas a cada quinquênio.
Anualmente as unidades organizacionais apresentam seus resultados em Congresso Interno, com base em
indicadores estratégicos dispostos conforme a metodologia Balanced Scored Card (BSC), são apresentados os resultados do ano corrente, dando destaques para os projetos realizados no ano e a projeção de futuro.
Esta metodologia de avaliação de indicadores tem por objetivo tornar-se um instrumento de gestão efetivo,
tendo como principal objetivo avaliar o alinhamento e a aderência das atividades à estratégia do INT, visando o
atingimento de suas metas institucionais.
De igual forma, fornece uma ferramenta gerencial que permite verificar o direcionamento estratégico em
execução no INT, facilitando o processo de tomada de decisão e a aplicação de correções de rumo. A utilização pelo
corpo gerencial permite assim eliminar o viés de “competição” entre as diversas áreas, bem como a diferenciação
entre “área-meio” e “área-fim” dando ênfase à perspectiva sistêmica da Instituição.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
5. INDICADORES DE DESEMPENHO
A melhor forma de avaliar o desempenho de uma instituição pública e comparar os seus indicadores físicos e operacionais (índice geral de publicações, programas e ações de cooperação nacional e internacional, índice de processos
e técnicas desenvolvidas etc.), administrativos e financeiros, recursos humanos e, recentemente, de inclusão social.
As instituições emitem relatórios de gestão anualmente e termos de compromisso de gestão junto a seus órgãos
de origem, onde é pactuado o planejamento das ações a serem desenvolvidas no próximo exercício (ano), considerando
as orientações estatuídas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Planejamento da Lei Orçamentária Anual (PLOA),
onde o planejamento estratégico institucional deverá estar alinhado ao Plano de Ação do órgão. No caso do INT, seu
planejamento estratégico deverá estar alinhado ao Plano de Ação do MCT, com seus indicadores pactuados no Termo de Compromisso de Gestão (TCG) com o MCTI.
Em 2009 o INT atingiu o grau “A” pela primeira vez na avaliação anual do TCG*, devido ao alcance de 98% das
metas estabelecidas em função da superação da metas operacionais, levando-se em conta um período de recessão
mundial e diminuição do quadro funcional do Instituto.
A Figura 6 abaixo representa avaliação do INT frente ao seu desempenho como Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT), com base nos indicadores de desempenho firmados no TCG e avaliados anualmente pelo MCTI.
A implantação de ferramentas modernas para Administração de Empresas, como é o caso do Balanced Scored
Card (BSC), vem sendo introduzidas na forma de gerenciamento da Direção do INT e de suas unidades organizacionais,
com vistas a flexibilizar as tomadas de decisões, apesar do arcabouço legal que rege a Administração Pública Federal,
de forma a aproximar a instituição às novas formas de atuação e parcerias com empresas públicas e privadas, especificadamente em redes de cooperação nas áreas temáticas, como é o caso da área de Petróleo e Gás e Energia.
O INT tem em seu sítio todas as informações institucionais e prima em mostrar aos seus clientes, parceiros em
rede, fornecedores e outros stakeholders relevantes em seu processo de atuação, a transparência de suas contas
públicas, atualizados constantemente, conforme figuras 5.
Figura 6 – Serie História das Notas de Desempenho do INT
Figura 5 – Sítio do INT
Tecnologia para inovação: 90 anos de contribuição do INT para a competitividade das empresas
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Tecnologia para inovação: 90 anos de contribuição do INT para a competitividade das empresas
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
O INT realizou seu Planejamento Estratégico e Plano Diretor alinhados à Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) do MCTI de 2011 a 2015, cuja prioridade estratégica é a expansão do Sistema C,T&I para o
Desenvolvimento Nacional. O INT tem atuação na maioria das linhas de ação do MCTI, cujas prioridades estratégicas
estão divididas em linhas de ação para atingimento das metas da ENCTI e da Expansão e Consolidação do Sistema
Nacional de C,T&I.
Dentro dessa atuação, o INT participa do programa Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) que visa promover a inovação nas empresas, explorando a competência estabelecida dos institutos tecnológicos. A iniciativa é fruto da parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Confederação
Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
A participação do INT no programa Embrapii, colocou o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) numa posição
estratégica para estimular a inovação nas empresas. Valendo-se da sua característica politécnica, o Instituto reúne
condições para desenvolver projetos de inovação que hoje as indústrias demandam para se firmarem em um mercado cada vez mais competitivo.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Os benefícios adquiridos pelos projetos desenvolvidos na Embrapii é que a empresa consolida um diferencial
competitivo no mercado, pois com investimento econômico em recursos humanos, materiais e a infraestrutura científica e tecnológica do INT são utilizados para o desenvolvimento do projeto de inovação.
A propriedade intelectual é garantida à empresa a exploração da tecnologia desenvolvida, sendo os direitos
de propriedade intelectual compartilhados com o INT. O sigilo é assegurado mediante acordo de confidencialidade.
No quadro abaixo representa o aumento dos depósitos de patentes e registros de propriedade intelectual que
expressam o compromisso do INT frente a proteção dos projetos e produtos desenvolvidos na instituição.
Gráfico 1: Evolução dos Depósitos de Pedido de Patentes
O INT agrega ações ágeis e transversais, envolvendo competências em Energia, Saúde, Petróleo e Gás, Petroquímica, Defesa, Energias Renováveis, Química Verde e Tecnologias Sociais. Em sua infraestrutura, conta com 20
laboratórios, organizados em conformidade com rígidos padrões de qualidade industrial, além de dispor de profissionais altamente capacitados em pesquisa e desenvolvimento.
Nos projetos captados no ambiente da EMBRAPII demandados pelo Setor Produtivo, representados por indústrias e empresas, o INT apresenta suas competências essenciais, alinhadas ao foco de atuação em temas estratégicos,
conforme representado na Figura 7 abaixo.
Gráfico 2: Evolução dos depósitos considerando todos os pedidos de Propriedade Intelectual
Figura 7 – Foco de atuação em temas estratégicos, competências essenciais INT.
Tecnologia para inovação: 90 anos de contribuição do INT para a competitividade das empresas
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Essa parceria do INT e empresa só é possível pelo pioneirismo do Instituto que marca as atividades desde sua
fundação, quando iniciou as pesquisas com o primeiro carro a álcool. De lá para cá, participa de inúmeras ações para
o melhor uso das fontes energéticas e diversos insumos e valores agregados aos produtos e processos industriais,
contribuindo para a melhoria do cenário econômico e social do país.
Paralelamente, o Instituto desenvolve novos materiais, processos e produtos. Nas figuras 8 a 24 abaixo, apresentamos os exemplos de produtos e processos que tem a marca do INT e que agregam valor à competitividade das
empresas, reforçando a transferência de tecnologia para o setor produtivo.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERÊNCIAS
- Instituto Nacional de Tecnologia – http://www.int.gov.br. Acesso em 19fev2014
- Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - http://www.mct.gov.br
- Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Estratégia Nacional Ciência, Tecnologia e Inovação - ENCTI, 2012 –
2015.
- Relatório de Gestão 2009 do INT, http://www.int.gov.br/Novo/DOCs/Relatorio_Gestao_2009_UJ%20_240104.pdf.
Acesso em 19fev2014.
- Schwartzman, S; Castro M.H.M, Tcnologia para a indústria: a história do Instituto Nacional de tecnologia em http://
www.schwartzman.org.br/sitesimon/?page_id=574&lang=pt-br. Acesso em 19fev2014.
-ZOUAIN, Deborah Moraes. Gestão de Instituições de Pesquisa. Editora FGV, 1ª Edição, 2001.
6. CONCLUSÃO
O INT é uma instituição de pesquisa com atuação em ciência, tecnologia e inovação e com contribuição
significativa dentro da comunidade científica do país. Conhecê-lo permite realizar uma reflexão mais sistemática sobre o papel desempenhado pela instituição, seu impacto sobre o processo de desenvolvimento socioeconômico do
país e até que ponto o tratamento conferido pelo Estado tem ajudado ou prejudicado seu desempenho. Assim, seria
possível sugerir linhas básicas de um modelo de política institucional a ser adotado por órgãos públicos de pesquisa
no Brasil (Adaptado de ZOUAIN, 2001).
Sua visão de futuro do INT é ser reconhecido como referência nacional em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação até o ano de 2021 que é marco do ano de seu centenário. Para isso, será necessário superar
desafios atuais que esbarram na transferência do conhecimento que é a entrada de servidores para atender a demanda da atual carteira de projetos e da prospecção de futuro. Este caminho a ser trilhado deverá ser feito a passos
largos e firmes, com a firme atuação política e tecnológica da instituição nas políticas públicas de C,T & I para o
desenvolvimento do país.
A instituição reconhece que o caminho não é fácil, pois terá que concorrer com instituições públicas e privadas
de reconhecimento nacional e internacional, tais como a PETROBRAS e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de
São Paulo (IPT), um de seus principais concorrentes. Para tanto, deverá apresentar soluções criativas e inovações
tecnológicas, as quais deverão ser exclusivas e diferenciais para destacar a atuação e a presença do INT no cenário
público, político, econômico, social e ambiental no Brasil.
A maior interação entre os institutos de pesquisa e as empresas deve ser organizada através das seguintes
medidas: estabelecimento de prioridades de pesquisa para os projetos que oferecem maiores oportunidades para
inovar e os projetos de pesquisa estratégica; ampliação dos mecanismos de transferência à indústria; vinculação do
financiamento público aos investimentos industriais em P&D (ZOUAIN, 2001).
Em sua atual revisão da gestão estratégica para o Planejamento Estratégico 2011 a 2015 a proposta da missão
será a de “Ser reconhecido como referência nacional até 2021 em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a
inovação”. A visão de futuro proposta será “Participar do desenvolvimento sustentável do Brasil, por meio da pesquisa tecnológica, da transferência do conhecimento e da promoção da inovação”.
Tecnologia para inovação: 90 anos de contribuição do INT para a competitividade das empresas
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Uma análise das melhores práticas das ICT´s nos sistemas
de inovação do Brasil, Coreia do Sul, México e Espanha
Santa Rita, Luciana Peixoto - Professora Associada I na Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
[email protected]
Radaelli, Vanderleia - Especialista Sênior em Ciência e Tecnologia no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)
[email protected]
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
de fortalecimento dos sistemas estaduais de inovação e conhecimento, incluindo ações de benchmarking às ICT’s
da Espanha, México e Coreia do Sul.
Como tal, o objetivo do benchmarking foi conhecer as melhores práticas de inovação realizadas nos países
visitados – a Espanha em 2011, o México em junho de 2012 e a Coreia do Sul em setembro de 2013 – com a
finalidade de identificar casos de sucesso com possibilidade de adequação replicação nas ICT’s dos quatro estados
que participam do Programa e disseminados através de proposições, capacitações, seminários e publicações.
Assim, uma questão de pesquisa foi levantada neste estudo: como ocorreram as interações e quais são as
melhores práticas e condutas inovativas das ICT’s nos países visitados? Ademais, indaga-se qual é a matriz comparativa dos países entre os principais indicadores de inovação e competitividade?
A interseção destes temas é o que fundamenta o estudo e propõe especificar redes institucionais dos sistemas
de inovação e suas ICT’s (Brasil, Espanha, México e Coreia), envolvendo políticas relacionadas à educação, pesquisa
e desenvolvimento, apoio financeiro, apropriabilidade, propriedade intelectual e demais políticas públicas.
Palavras-chaves: Melhores Práticas e Sistemas de Inovação.
Resumo
A economia do conhecimento demanda capacidade de inovação e produtividade por meio de um processo de busca
por melhores práticas, sejam nacionais ou internacionais, relacionadas a ideias inovativas ou mesmo processos efetivos que conduzam a uma performance melhor. Logo, o estudo é oportuno ao detalhar a atuação das Instituições
Científicas e Tecnológicas - ICT’s no fortalecimento dos sistemas regionais de inovação, utilizando-se para isso como
metodologia o benchmarking por meio da observação participante de atores de ICT’s do Brasil em missões internacionais na Espanha, México e Coreia do Sul, buscando o fortalecimento de Sistemas Regionais de Inovação (SRI) dos
estados de Minas Gerais, Alagoas, Paraíba e Santa Catarina e, consequentemente, o aumento da competitividade
empresarial. Isto posto, O estudo é de natureza exploratória e foi construído substanciado na literatura sobre sistemas de inovação e ICT’s e na percepção e observação de atores de ICT’s com a metodologia de benchmarking de
Bogan e English (1994). À luz dos resultados alcançados foram identificadas as melhores práticas e mecanismos de
fomento à inovação, bem como as especificidades de cada programa das ICT’s nos países visitados.
1. INTRODUÇÃO
No atual cenário de competição, o crescimento regional está, em grande medida, associado ao desempenho
dos sistemas de inovação e à intensidade e à eficácia das interações entre as diferentes ICT’s, na geração e difusão
de novos conhecimentos e tecnologias. Nessa direção, a lógica analítica da abordagem das ICT’s nos Sistemas de
Inovação, permite em um país a premissa de que a inovação e a competitividade em uma indústria são arranjos
sistêmicos que co-evoluem.
O Programa SRI começou a ser concebido em 2008 e teve suas ações oficialmente iniciadas em novembro de
2009, após assinatura do Convênio com o Banco Interamericano de Desarrollo (BID), uma das instituições internacionais que, ao lado da CNI, da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) e
da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), apoiaram o Programa.
Tendo como objetivo principal o fortalecimento dos sistemas regionais de inovação dos estados de Minas
Gerais, Santa Catarina, Paraíba e Alagoas, o Programa SRI foi estruturado em três componentes considerados
fundamentais para o desenvolvimento dos sistemas regionais de inovação: capacitação, financiamento de ações
Uma análise das melhores práticas das ICT´s nos sistemas de inovação do Brasil, Coreia do Sul, México e Espanha
288
A partir dessas assertivas, a discussão proposta neste artigo está estruturada em cinco seções. Na introdução,
procede-se uma abordagem da problemática, sendo apresentado o tema, a justificativa e os objetivos deste artigo.
Em seguida, na seção 2, são apontadas as bases conceituais sobre o tema. Posteriormente, na seção 3, apresenta-se a descrição dos procedimentos metodológicos. Os resultados obtidos são apresentados na seção 4. Na seção
5 são apresentadas as considerações finais do estudo. Por fim, na seção 6 as referências bibliográficas.
2. BASES CONCEITUAIS
Partindo-se da definição e da conceituação de sistema de inovação, a essência do recorte nacional abrange
questões relacionadas ao subsistema produtivo e inovativo, subsistema industrial, ao subsistema de Ciência e Tecnologia (C&T), considerando os patamares de educação e treinamento. Além disso, envolve o recorte legal, político,
normativo e regulatório, incluindo o subsistema financeiro e os padrões de investimento, bem como as diversas
molduras que incluem outros campos do conhecimento.
O recorte “Sistema de Inovação” foi inicialmente detalhado nos anos 80 e avançou com trabalhos como de
Freeman (1987) e Nelson (1987). Esta concepção se consolidou como os escritos de Nelson (1993) que realizou a
descrição comparativa de sistemas nacionais de inovação (SNI), além dos trabalhos de Lundvall (1992) que detalhou
o conceito e o desenvolvimento da estrutura de análise do sistema de inovação.
Nessa concepção, o modelo sistêmico de inovação surge como um meio de ampliar a concepção de inovação,
considerando as influências dos fatores organizacionais, institucionais e econômicos. Segundo os autores, o modelo
ainda busca explicar o porquê de algumas regiões serem mais desenvolvidas tecnologicamente que outras.
O conceito de sistemas de inovação – considerando-se os princípios desenvolvidos por Nelson (1993), Lundvall
(1992) e Freeman (1995) – trata a atividade inovativa como um processo de natureza evolucionário, que ocorre a partir
da conjugação de fatores econômicos e institucionais interagindo de forma a dinamizar o processo (EDQUIST, 2004).
De uma maneira geral, entende-se que há duas interpretações do conceito de Sistemas Nacionais de Inovação
(SNI), mesmo que as duas abordem os processos de inovação como ação coletiva. Na primeira, Nelson (1993) apresenta o SNI com recorte nas relações sistêmicas, amparadas nos esforços de P&D nas empresas e instituições de
C&T que incluem universidades e políticas públicas de ciência e tecnologia. Por sua vez, Freeman (1987) e Lundvall
(1992) agregam a esta discussão uma concepção mais ampla de SNI, inserindo o conjunto de instituições que determinam as estratégias das empresas no esforço e desempenho da inovação de um país.
Evidentemente, a literatura de sistemas inovativos conduz à noção de que a natureza da inovação e da produção
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
é sistêmica, sendo a firma a unidade de análise, inserida numa miríade de formas colaborativas e interdependência
com outras organizações (EDQUIST, 2004, BRESCHI; MALERBA, 1997). Estas organizações podem ser outras firmas,
fornecedores, consumidores, concorrentes, etc., ou entidades que não atuam diretamente no mercado, como universidades, órgãos governamentais, organizações não governamentais, etc. (EDQUIST, 2005).
Nessa perspectiva de análise são consideradas as atividades do sistema de inovação e as suas funções
(representadas pelos subconjuntos de atividades básicas operadas pelos atores do sistema) que se constituem em
elementos interdependentes e característicos da eficácia e qualidade dos sistemas e que definem, por sua vez, o grau
de maturidade do mesmo, uma vez que os níveis de interação e os impactos que elas causam apontam para o nível
de comprometimento dos envolvidos Entre as atividades básicas do sistema destacam-se a pesquisa científica e tecnológica; o desenvolvimento de processos e de produtos, além da formação de recursos humanos (LIU e WHITE, 1990).
Nessa dimensão, o conceito de SI se relaciona a ideia de sistemas, como forma de multiplicidade e complexidade de conexões, e a inovação como forma de dinamismo e mudanças tecnológicas. Nesse entendimento,
os sistemas de inovação podem ser delimitados a partir de diferentes perspectivas: geográfica, que compreende o
Sistema Nacional de Inovação (SNI) e o Sistema Regional de Inovação (SRI) e a econômica, onde se situa os Sistemas
Setoriais de Inovação (SSI).
Por sua vez, a abordagem do Sistema Regional de Inovação (SRI) decorre da estrutura do SNI, e se caracteriza
por tratar a inovação de maneira localizada e evolutiva, levando em consideração os aspectos institucionais e sociais no qual a inovação surge, deriva da relação entre as firmas, instituições de apoio e o entorno institucional local.
O conceito de Sistema Regional de Inovação (SRI) originou-se das discussões a respeito de sistema nacional de
inovação, posto inicialmente por Freeman (1987). Cooke (2001) define SRI como um sistema em que as empresas e
outras organizações são sistematicamente envolvidas em interações para o aprendizado, por meio de uma rede de
cooperação regional institucionalmente construída.
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
da identificação dos sistemas mais adequados à observação das melhores práticas de inovação. Ressalta-se que em
todas as viagens, a equipe técnica do projeto foi capacitada de forma a compreender o processo de benchmarking,
conhecer costumes e locais, bem como a aplicação das ferramentas metodológicas.
A segunda etapa compreendeu as viagens realizadas em que se tornou concreto a observação e análise da
realidade dos sistemas regionais de inovação, bem como do registro das principais e melhores práticas, que pode
ser considerado como um processo de assimilação por parte dos participantes, considerando as possibilidades de
implementação destas em seus estados. Por fim, a última etapa permitiu que cada estado participante promovesse
em suas bases de ação do sistema regional a disseminação dos conhecimentos e informações adquiridas com o
objetivo de promover novas práticas para o desenvolvimento da inovação.
4. ANÁLISE DE RESULTADOS
4.1. ICT’S dos sistemas de inovação dos países visitados
As ICT’s visitadas nas missões aos países foram Instituições Públicas de Ciência e Tecnologia, Parques Tecnológicos, Universidades e Centros Tecnológicos, Federações de Indústrias, Instituições de Fomento e Apoio a PME,
Instituições de Proteção a Propriedade intelectual, entre outros abaixo:
Quadro 1- ICT’s visitadas nas Missões
Espanha
México
Coreia do Sul
SPRI
CANACINTRA
KIET
INNOBASQUE
CONACyT
FKI
TECNALIA
Secretaria de Economia
KIDP
IK4
FUNTEC
Yonsei University (YU)
CIC BIOGUNE
FCCyT
LIC
Departamento de Promoción Económica
ADIAT
KEIT
Corporativa de Mondragón
COMECyT
SBC
Polo de Innovación Garaia
FUMEC
KBIZ
Ikerlan .
ITESM
Daejeon Technopark
ACC1Ó
UNAM
Daedeok Innopolis
O estudo é de natureza exploratória e foi construído substanciado na literatura sobre sistemas de inovação e
ICT’s e na percepção e observação de atores de ICT’s com a metodologia de benchmarking internacional de Bogan
e English (1994).
Parc Científic de Barcelona.
CEMEX
STEPI
Parc de L’alba
ICyT
KIIP
Universidad Autónoma de Barcelona (UAB)
CICY
KOTRA
Inicialmente, a Coordenação do Projeto pela CNI organizou a agenda de missões, contatos e levantamentos de
informações técnicas dos países e suas instituições. Ademais, sistematizou em reuniões os objetivos das missões,
caracterização da região e elaborou em todas as missões um caderno técnico, que incluiu as informações gerais e
técnicas, o destino, as instituições que seriam visitadas e o roteiro da viagem. Por fim, foi previsto a criação de uma
metodologia de monitoramento, avaliação das ações de inovação e de gestão de conhecimento úteis ao desenvolvimento do sistema de inovação dos estados brasileiros.
Trampolín Tecnológico Del Parc de Recerca de La Uab
CONCIYTEY
Tecnio
CANACINTRA
Como tal, a infraestrutura dos sistemas de inovação para a geração de conhecimento compreende elementos
físicos e organizacionais necessários para o apoio à inovação. ICT’s podem desempenhar papéis diferentes por meio
da produção, financiamento, coordenação, supervisão e avaliação da inovação. Nominalmente, essa infraestrutura é composta por universidades, incubadoras de empresas, parques científicos, parques tecnológicos, centros de
pesquisa públicos e privados reguladores da propriedade intelectual e órgãos financiadores da inovação. Todos
esses agentes se envolvem na geração e difusão do conhecimento, bem como em seu financiamento e proteção
para a apropriabilidade dos benefícios da inovação (ASHEIM, GERTLER, 2005).
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
CERPTA
Barcelona Activa.
Distrito [email protected]
Ressalta-se que a metodologia do benchmarking internacional contou em uma primeira etapa com apresentações sobre os sistemas que seriam visitados. Essa etapa pode ser denominada aqui como antecedente de viagem
para familiarização com o projeto a partir da indicação da ACC1Ó, agência de inovação e internacionalização da
empresa catalã, ligada ao Departamento de Empresa e Ocupação da Generalitat da Catalunha. Além disso, partiu-se
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Uma análise das melhores práticas das ICT´s nos sistemas de inovação do Brasil, Coreia do Sul, México e Espanha
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
4.2. MELHORES PRÁTICAS
Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
4.2.2. México
4.2.1. Espanha
Repetidas menções foram feitas nas cidades visitadas na Espanha em relação às políticas de priorização da
inovação e financiamento público forte. Duas explicações gerais ajudam a compreender a razão do bom desempenho dos sistemas de inovação. A primeira é a existência de um discurso único em todas as instituições visitadas, principalmente com ênfase na importância do planejamento integrado, do investimento em educação, ciência e tecnologia e inovação, da capacitação das pessoas, da inovação como propulsora e ponto chave para o desenvolvimento
econômico. A segunda é a importância do foco de atuação de acordo com as competências locais, principalmente na
especialização setorial em decorrência da limitação de recursos, e por isso, a ênfase é baseada na vocação regional.
Sob o ponto de vista institucional, existem muitos consórcios de instituições de C&T na Espanha com o objetivo
de fortalecer e complementar as competências para oferecer soluções ao mercado. Como ocorre em muitos países
desenvolvidos, no governo há um discurso forte de que é preciso aumentar a qualificação das pessoas, ou seja, a
inovação depende das pessoas qualificadas, criativas, que trabalham de forma cooperada.
Além disso, há muitos exemplos da forma como as regiões visitadas na Espanha obtiveram ganhos expressivos
resultantes da adoção de estratégias que conduziram a uma maior “maturidade cultural” a respeito da importância
e do significado da inovação. Com muita frequência, empresários, políticos, servidores públicos e professores partilham interesses comuns e entendem de modo mais claro o papel de cada um no arranjo pela inovação. Aliás, esta
questão cultural facilita o desenvolvimento e reduz os conflitos (como no relacionamento universidade x empresa).
Embora o crescimento seja lento e existam iniciativas com mais de 20 anos de apoio à inovação nos territórios
espanhóis, com profissionais muito bem qualificados, observou-se uma dependência muito forte do recurso público
para a sustentabilidade do arranjo. Aparentemente os órgãos, centros tecnológicos, projetos e inclusive as empresas, são muito dependentes da disponibilidade de recursos públicos.
É evidente a importância do papel do Estado e dos órgãos públicos na priorização de ações voltadas para a
promoção da inovação. Beneficiando-se das melhores práticas nessas regiões, percebe-se que a atenção das instituições públicas para com a inovação abrange esferas que contemplam desde uma política pública voltada para a ciência, a tecnologia e a inovação, até o investimento em infraestrutura e em programas e projetos estratégicos. Torna-se
claro, que os ambientes espanhóis visitados apresentaram como pontos notáveis a difusão do discurso da inovação
de forma ampla e unificada, perpassando não só instituições públicas executivas como centros de conhecimento,
mas academia e setor empresarial.
Outra melhor prática pode ser aferida no contexto da relação universidade-empresa à medida que em mais de
um momento nos encontros com especialistas à questão da relação universidade-empresa foi considerada difícil,
em função dos tempos e dos objetivos de cada um desses atores. Outro exercício de avaliação a ser considerado
como lição aprendida está relacionada à política de clusters, sendo um modelo de desenvolvimento baseado em
clusters altamente especializados e apoiados por uma infraestrutura científico-tecnológica, pelo financiamento público-privado das estruturas e de projetos estratégicos, por programas de estímulo ao empreendedorismo inovador,
como capacitações e incubadoras de empresas, por exemplo. Aliás, o binômio inovação-internacionalização está no
cerne da política de desenvolvimento dessas regiões.
O processo de elaboração das políticas industriais de Planificação da CTI nas regiões visitadas, no México pode
ser considerado um dos principais pontos de destaque da missão. De forma geral, a inovação é menos intensa no
México do que na Espanha. Levando-se em conta a sua reduzida taxa de investimento privado, apesar da similaridade observada entre a maioria dos instrumentos e ferramentas de apoio à inovação, utilizados no Brasil e no
México, destacam-se práticas identificadas na missão que se diferenciam das tradicionais ferramentas encontradas
no Brasil, as quais deveriam ser melhores entendidas para efeito de avaliação do potencial de replicabilidade.
Nesse sentido, as iniciativas que devem ser criteriosamente investigadas são: a) INOVEC: INOVAÇÃO E ENSINO
DA CIÊNCIA - Educação temas novos, novas áreas do conhecimento; meio ambiente e energias alternativas; b) PROGRAMA SMALL BUSINESS INNOVATION RESEARCH – Visa impulsionar as MPE’s em nichos tecnológicos de grande
potencial, focado nas empresas exitosas; c) PROGRAMA IRAP (INDUSTRIAL RESEARCH ASSISTENCE PROGRAM) –
Cujo foco é mudar a mentalidade do empresário, ajudá-lo a cumprir sua missão, entender suas necessidades e
explorar o maior potencial da empresa; d) REGISTRO NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA (empresas inovadoras);
e) OFICINA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA – Responsável por todo o processo de transferência de tecnologia
das universidades mexicanas para empresas; f) Subsídio às empresas para pagamento dos custos incorridos no processo de proteção industrial; g) PROGRAMA TECHBA/FUMEC – Aceleradora de Empresas Tecnológicas; H)MODELO
ARCO/ADIAT – Sistemas Regionais de Inovação; i) TECNOLÓGICO DE MONTERREY – modelo de instituição de ensino
altamente voltada para formação de líderes e empresários; J)YUCATAN – criação de empresa privada responsável
pelas transferências de tecnologia de vários Centros de Pesquisa e L) UTILIZAÇÃO DO PODER DE COMPRA GOVERNAMENTAL (diretriz contida no Plano Nacional de Inovação).
Uma lição aprendida na missão é a necessidade de continuidade de aproximação e interação entre os vários
atores das ICT’s do SRI, o que trará ainda melhores resultados para os sistemas estaduais. Além da necessidade de
reforçar a atuação em rede de modo a fortalecer o Sistema de C&T.
4.2.3. Coreia do Sul
Uma melhor prática na região é entender a importância do modelo baseado em ICT’s como pontes que conduzem o conhecimento às empresas como determinante para a inovação. Um fato é que o papel dos centros tecnológicos é de extrema relevância na medida em que propõem soluções para atender as demandas empresariais.
Na Coreia do Sul fica claro a competitividades das ICT’s por meio do seu planejamento e metas, bem como a
disposição de relações comerciais com o mundo, inclusive com Brasil, com ganhos recíprocos.
A definição de inovação pelas instituições coreanas visitadas, passa pela aplicação de novas soluções para
atender às necessidades existentes ou novas. Um dos recursos mais importantes de inovação é continuidade da
pesquisa e desenvolvimento (P&D). A lógica é que a inovação é um dos fatores mais importantes para o crescimento
económico na economia baseada no conhecimento. Cada governo tem fomentado a inovação através do investimento em ICT’s em P&D, computando o desenvolvimento de polos de inovação e da economia criativa. O tópico central
do atual governo é a Economia Criativa, respaldada na grande maioria das visitas realizadas. As organizações foram
unânimes em ressaltar a atuação focada neste tema, demonstrando alinhamento com a política governamental.
Ademais, outra melhor prática é o foco na capacitação de pessoas, como indutoras do processo de inovação e
agentes transformadores de barreiras culturais, além da maior participação do governo estadual na elaboração das
políticas de CTI, ou seja, um protagonismo mais forte do governo, bem como a necessidade de se aprender a atuar
em rede, identificando as sobreposições e as lacunas de atuação e estabelecendo o papel de cada instituição no
Sistema Regional de Inovação.
No entanto, esse ambiente vem sendo criado a partir de políticas definidas, pelo menos, três décadas atrás,
cuja priorização da inovação abandona o nível puramente retórico para incorporar ações estrategicamente
desenhadas, com metas, indicadores e orçamentos definidos. Mais especificamente, uma boa prática a ser
referenciada na visita a Coreia do Sul é que o governo tem papel fundamental na transição para um modelo de
desenvolvimento baseado na inovação, seja criando as políticas e preparando os ambientes, seja atraindo talentos
e financiando a infraestrutura e os projetos estratégicos, ancorados em políticas públicas.
Uma análise das melhores práticas das ICT´s nos sistemas de inovação do Brasil, Coreia do Sul, México e Espanha
Uma análise das melhores práticas das ICT´s nos sistemas de inovação do Brasil, Coreia do Sul, México e Espanha
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
Não se pode deixar de mencionar como boa prática é que existe a concentração geográfica entre empresas ou
cidades voltadas à inovação com total planejamento e infraestrutura. A politica de cluster caminha ao lado da politica
industrial, regional e de ciência e tecnologia. O principal objetivo é aumentar a competitividade de MPE à medida que
são em maior número no país.
Além disso, na Coreia do Sul, a cultura de inovação por meio do Chaebols, bem como a efetividade do sistema
de proteção à propriedade intelectual moldou uma ambiência jurídica imprescindível para à disseminação comercial
da tecnologia. O relacionamento empresa-universidade é um determinante na marca dos indicadores que culminou,
ainda, no desenvolvimento e investimento de empresas fortes e globais, hoje reconhecidas pela marca, inovação,
segurança, qualidade, dentre outros atributos de valor agregado que molda a indústria desses países.
4.3. Matriz de Comparação das ICT’s (Brasil, Espanha, México e Coreia do Sul)
A escolha de quatro países como Brasil, Espanha, México e Coréia do Sul, considerados países com contextos
históricos diferenciados, estágios tecnológicos desiguais e culturas díspares, embora pareça ousado, tem como pretensão evidenciar realidades de cada região de forma a permitir caracterizar momentos e ações a partir das ações
das ICT’s em prol da competitividade.
O Brasil, assim como a Coreia do Sul e o México passaram por um processo de substituição de importações,
sendo que a Coreia a partir da década de 60. Mas na Coreia do Sul o processo para um modelo de industrialização
foi mais dinâmico por meio das indústrias química e pesada, voltadas para a promoção das exportações, empreendidas na década de 1970.
Embora os três países (Brasil, México e Coreia do Sul) tenham atraído capital internacional, no Brasil e no
México a política governamental permitiu o surgimento de multinacionais, enquanto que na Coreia do Sul o governo
privilegiou esses investimentos por meio dos Planos Qüinqüenais de Desenvolvimento Econômico com foco no setor
privado, diretamente no modelo de Chaebols que configuravam investimentos estrangeiros de forma indireta.
O financiamento à P&D nas empresas da Coreia do Sul foi um dos instrumentos universalmente mais utilizados
para a indução do desenvolvimento tecnológico. A título de exemplo o Indicador de investimento em P&D saiu de 2,3
para 3,74 em dez anos sobre (%) do PIB. Ademais, ocorreu investimento em educação, desde a educação básica;
investimentos em institutos de pesquisas públicos, além de uma política industrial voltada para a exportação com o
fortalecimento dos grandes conglomerados nacionais. Ressalta-se, ainda, crédito facilitado com política de subsídios
para setores estratégicos e investimentos na formação de clusters de inovação.
No atual momento, as ICT’s são conduzidas na Coreia do Sul pelo desenvolvimento da economia criativa como
base de um novo modelo de crescimento até 2030, gerando novas empresas e estimulando o empreendedorismo no
país. Tal unidade de pensamento é uma estratégia elaborada pelo governo e que é seguida à risca por cada uma das
instituições visitadas, sejam elas públicas, sejam de representação da indústria, das pequenas e médias empresas
ou do setor acadêmico.
Entre os grandes impactos nas ICT’s, destacam-se a implantação da legislação antitruste e de comércio equitativo, liberalização do comércio exterior, do sistema financeiro e de investimentos e implementação de Lei de
Propriedade Intelectual. Além disso, os financiamentos preferenciais e as concessões tributárias foram instrumentos
eficazes na promoção do crescimento de P&D nas empresas coreanas.
É destaque que a maturidade do sistema de inovação por meio das ICT’s da Coreia do Sul se justifica pelo
seu investimento nas ciências, educação, tecnologia e políticas de inovação como alavanca do desenvolvimento
econômico e social, bem como a inovação tecnológica esteve amparada, nas décadas de 1960 e 1970, pela estratégia de imitação reprodutiva, ou seja, imitação ou clonagens de produtos desenvolvidos no exterior. Todavia, esse
comportamento foi eliminado em 1980 quando a industrialização se moldou a partir de imitações criativas.
Uma análise das melhores práticas das ICT´s nos sistemas de inovação do Brasil, Coreia do Sul, México e Espanha
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
De forma geral, o tripé envolvendo a indústria, a educação e o conhecimento foram base da política de (C&T).
Concomitante ao processo de internacionalização, a Coreia do Sul investiu em educação com foco em inovação e em
cursos de engenharia e ciências duras, aliado ao processo de engenharia reversa de tecnologias estrangeiras maduras.
Enquanto no Brasil e no México se fortaleciam as multinacionais sem inversão local de P&D, na Coreia do Sul se
fortalecia os conglomerados locais. Tanto na Coreia como na Espanha, incentivos tributários e estímulos financeiros
foram direcionados pelo governo para empresas que realizavam inversões em P&D.
Por sua vez, tanto no México como no Brasil, a lacuna entre o setor privado e academia foi decisiva para a trajetória
tecnológica, além do fato dos produtos brasileiros e mexicanos exportados terem forte densidade em commodities.
Entre as condições que marcam a atuação das ICT’s no Brasil refere-se ao fato da articulação universidade- empresa ser um grande desafio no país, além da atividade inovativa ainda não ser a principal atividade no sistema de
inovação brasileiro. Apesar das fragilidades do sistema de inovação do Brasil, o mesmo detém posição relativamente
favorável no que se refere à produção científica;
Ressalta-se que a Lei nº 10.973/2004, denominada “Lei de Inovação” e a Lei n º 11.196/2005, denominada
de Lei do Bem são juntamente com atuação da FINEP e CNPq os grandes fomentadores das ICT’s, mesmo considerando que o SNI brasileiro possa ser considerado complexo e pouco diversificado, composto, principalmente por
instituições do setor público. A criação dos Fundos Setoriais em 1999 foi o primeiro passo para a sistematização do
financiamento de projetos com foco em Tecnologia e Inovação.
Sublinha-se que no Brasil, os gastos dos Fundos Setoriais são hoje parte importante dos dispêndios em P&D.
Contudo, esses gastos ainda são pequenos, em comparação ao volume de gastos públicos do país e à escala dos
esforços dos países líderes e das grandes corporações mundiais. Assim, o indicador privado de P&D saiu de 0,56
para 0,75 sobre (%) do PIB. Indicador público saiu de 0,73% em 2000 para 0,87% em 2010.
No Brasil, a participação do fomento público à P&D das empresas é relativamente pequena, caracterizando
um SNI recente e em estágio de crescimento. Mesmo que tenha ocorrido avanço na política de inovação no Brasil a
partir de 2003, as atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) possuem uma agenda defasada de pesquisa,
debilmente estruturada e distante do foco da disputa tecnológica. No que concerne ao incentivo fiscal à P&D
semelhante, os avanços no Brasil estão se direcionando à dos principais países do mundo para que sejam automáticos e sem exigências burocráticas.
Dentre os avanços que favoreceram as ICT’s no sistema nacional de inovação do Brasil, destacam-se: possibilidade de subvenção a projetos considerados importantes para o desenvolvimento tecnológico; subsídio para a fixação
de pesquisadores nas empresas; programas de financiamento à inovação de capital empreendedor e arcabouço
legal mais propício para a interação universidade/empresa.
Embora instituições como a FINEP, por exemplo, tem feito esforços no sentido de ampliar a pesquisa e o desenvolvimento de projetos que ampliem a atuação das empresas e das universidades na pesquisa e no desenvolvimento
de inovações tecnológicas, existem limitações de um plano nacional que mencione metas a serem alcançadas por
cada um dos agentes envolvidos no sistema. Nessa direção, tais ICT’s se ressentem da falta de um planejamento
estratégico de longo prazo para a política de desenvolvimento que englobe e articule a política tecnológica, a política
industrial e a política de comércio exterior. Além disso, inexiste planejamento para registro de patentes e retorno dos
investimentos na formação de mestres e doutores ou mesmo programas com regras específicas para transferência
e absorção de tecnologias importadas.
De forma geral, no Brasil e no México há uma reduzida interação entre os principais agentes, que são a Universidade, o Governo e a empresa no desenvolvimento de Tecnologia. Há muitos esforços individualizados sem uma
correlação direta. Quanto à produção científica, o número de artigos científicos brasileiros publicados em periódicos
internacionais é significativo, mas esse avanço da universidade não tem sinergia om a produção de patentes, por
Uma análise das melhores práticas das ICT´s nos sistemas de inovação do Brasil, Coreia do Sul, México e Espanha
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
exemplo, diferentemente da Coréia do Sul.
Na Espanha, percebe-se nas ICT’s um maior volume de empresas nos gastos de C&T, evidenciando uma maior
interação com os demais elementos do sistema. Indicador de P&D saiu de 0,91 para 1,37 em dez anos sobre (%)
do PIB. Além disso, a educação superior foi estimulada por um continuo avanço de política de bolsas de pesquisa,
refletindo na formação da mão-de-obra técnica e acadêmica.
A Lei da Ciência que pode ser considerada um marco do sistema cientifico e tecnológico espanhol e hoje é o
agregador dos principais centros de pesquisa do Estado. Uma experiência exitosa do sistema nacional de inovação
espanhol foi o fato de as políticas de P&D terem sido inseridas nos Planos Nacionais de P&D, em que se estabeleciam metas nacionais. Os dados permitem concluir que de forma semelhante ao Brasil, o sistema de inovação é
marcado por movimentos dos ambientes políticos e econômico, sendo que, no caso espanhol, o avanço foi amparado
por um sistema público, por instituições de apoio à PDI e pela base produtiva.
A análise do sistema espanhol permite inferir que ocorreu certa concentração de recursos e atores, visto que
além dos planos nacionais, ocorreram atividades pelo Centro para o Desenvolvimento Tecnológico Industrial (CDTI),
pela Fundação Espanhola para Ciência e Tecnologia (FECYT), pela Fundação Cotec para a Inovação Tecnológica e
pelo Conselho Superior de Pesquisa Científica (CSIC) que foram os grandes destaques no cenário espanhol. Ressalta-se, ainda, o surgimento nesse período de instituições de apoio a inovações, entre eles os parques tecnológicos e
os centros de inovação e tecnologia. Outrossim, o sistema de inovação da Espanha deve ser avaliado pela presença
dos parques científicos e tecnológicos, das universidades, do setor empresarial, dos Organismos Públicos de Pesquisa (OPI) e dos centros tecnológicos.
Um aspecto que diferencia o sistema espanhol é o fato de que os planos prestigiaram a instalação de equipamentos como parques tecnológicos e outras estruturas físicas específicas com o objetivo de estimular a formação e
o crescimento de empresas de base tecnológica. Logo a densidade do SNI espanhol está relacionada diretamente a
Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia. Na atualidade o SNI espanhol é marcado pela avaliação de resultados
do projeto estratégico em médio prazo.
Assim, como a Espanha, o Brasil também vivenciou um período de instabilidade política, intervenção estatal e
crises econômicas. Percebe-se também que nos quatros países há a existência de políticas governamentais como
processo de convergência.
Pode-se considerar que tanto no Brasil como no México a estruturação de um sistema de C&T no final da década de sessenta não acompanhou o esforço de desenvolvimento industrial, em decorrência da frágil infraestrutura
tecnológica, da limitada articulação com o setor produtivo e da pouca capacitação tecnológica das indústrias.
No México, o indicador de P&D saiu de 0,34 para 0,37 em dez anos sobre (%) do PIB. Um marco importante na
constituição do sistema mexicano foi a promulgação da Ley de Inversión Extranjera de 1973 que foi a responsável
pela regulação do investimento estrangeiro, sendo definida como o maior difusor de tecnologia internacional na
América Latina.
No momento, o que se percebe é que nos dois países (México e Brasil), o sistema já possui articulações interinstitucionais, mas ainda está longe de se definir como um sistema nacional eficiente de inovações. Ademais, os
custos e riscos para as atividades de P&D pelas firmas conduziram a compra de tecnologia externa ou transferência
pelas multinacionais no lugar de desenvolvimento interno.
Esses movimentos não foram assintomáticos, pois, no caso da Coreia do Sul e da Espanha, os investimentos
em P&D foram feitos também pelas firmas ou conglomerados, contando com os grandes planos nacionais como a
Espanha, mas diferentemente do Brasil e México que contou apenas com investimentos de gastos públicos.
Fica claro nas missões que o México e o Brasil ao contrário das economias da Coreia do Sul e da Espanha
apresentaram poucas mudanças na estrutura de suas atividades econômicas nos últimos vinte e cinco anos. Tal
condição pode ser observada na proporção de produtos manufaturados no total das exportações, onde o Brasil ainda
Uma análise das melhores práticas das ICT´s nos sistemas de inovação do Brasil, Coreia do Sul, México e Espanha
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
é especializado na exportação de recursos naturais e bens manufaturados de baixa tecnologia.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considera-se que a metodologia de benchmarking adotada no Programa SRI, como forma de apreensão de
realidades que possam de alguma forma influenciar positivamente as ações das ICT’s nos sistemas de inovação
regionais, foi extremamente produtiva na medida em que proporcionou uma imersão nesses ambientes, com
possibilidades de capturar informações práticas in loco, com objetivo de adaptar e incorporar ações de sucesso ao
contexto dos estados brasileiros participantes da iniciativa.
O exame de algumas premissas que são executadas nos três países indicou a existência da necessidade da
uniformidade do discurso em todos os ambientes, acadêmicos, empresariais e governamentais, é sintomática na
caracterização das regiões inovadoras e foram perceptíveis nas duas comunidades autônomas espanholas foco do
benchmarking.
A partir da matriz apresentada foi possível observar o aprofundamento do conhecimento sobre o funcionamento
das instituições e dos instrumentos de promoção da inovação, bem como dos desdobramentos das políticas implementadas ao longo das décadas nas regiões visitadas na Espanha, Coreia do Sul e México resultam numa reflexão
sobre mecanismos a serem implantados no Brasil que fortaleçam o processo de inovação nas empresas e amplie
o potencial de inserção no mercado internacional dos produtos brasileiros, tais quais, ações no âmbito da difusão
da cultura inovadora, no investimento em centros tecnológicos, polos e parques, na consolidação de um modelo de
desenvolvimento baseado em clusters/APLs, na atração de talentos e na implantação de projetos estratégicos.
Um indicador importante no México é que todos os estados possuem universidades autônomas, mas o maior
desafio é conquistar a confiança dos representantes do processo, visto que o sistema de inovação não está articulado no país. Diferentemente da Espanha, não existe um discurso único repetido por todos os atores que consolide a
compreensão da inovação como estratégia importante para a inserção competitiva da região e do país.
Um boa experiência no México pode-se se verificar por meio do programa de empreendedorismo do Instituto
Tecnológico de Monterrey, assim como as ações do COMECyT, que têm como ponto comum uma forte inclinação para
apoiar as empresas no processo de inovar. Todavia, a maioria dos programas apresentados pelas instituições visitadas no México, com maior ênfase àquelas localizadas em Yucatan, são iniciativas muito recentes, cujos resultados
não estão ainda consolidados o bastante para serem replicados.
Na Coreia do Sul foi evidente o esforço do governo em unificar as estratégias de apoio à inovação, estabelecendo clusters e cidades voltadas ao esforço inovativo. E notório a atenção à educação por meio de capacitação, recursos a projetos inovadores e startups. Não se poderia deixar de mencionar a busca constante de setores de futuro,
e-learning e planos governamentais. Por fim, o modelo de economia criativa se coloca como convergência de todas
as instituições visitadas com foco em setores de ponta.
Na visita a Coreia do Sul, as áreas que compõem a economia criativa podem ser consideradas as líderes na
geração de empregos qualificados, principalmente porque incluem segmentos em que há uma força motriz jovem envolvidos na produção de software, o design, a propaganda, a televisão e os jogos digitais. Ressalta-se que a robótica
e os games estão transformando um número imenso de atividades no país, visto que transbordamentos na educação
até diversas mídias, como o celular e a internet.
Em suma, é possível afirmar que o Benchmarking realizado na Espanha e Coreia do Sul cumpriram o seu objetivo, podendo inspirar muitas ações em prol da inovação nas regiões alvo do Programa SRI no Brasil. Finalmente, os
contatos estabelecidos durante as missões, assim como todo o material de apoio produzido, permitirão aos estados
a continuidade em suas avaliações sobre a replicabilidade dos instrumentos de inovação à luz de suas especificidades locais.
Uma análise das melhores práticas das ICT´s nos sistemas de inovação do Brasil, Coreia do Sul, México e Espanha
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Contribuição das ICT’s para a competitividade das empresas
REFERÊNCIAS
ASHEIM, B.T., GERTLER, M.S. The geography of innovation: regional innovation systems. In: Fagerberg, J., Mowery, D.,
Nelson, R. (Eds.), The Oxford Handbook of Innovation. Oxford, University Press, Oxford, pp. 291–317, 2005.
BOGAN, C. E.; ENGLISH, M. J. Benchmarking for best practices: winning through innovative adaptation. New York:
McGraw Hill, 1994.
BRESCHI, S; MALERBA, F. Sectoral Innovation Systems. In: EDQUIST, C. Systems of Innovation: technologies, institutions and organization. Londres: Pinter, 1997.
A proteção do conhecimento no âmbito das ICTs.
Avaliação e Incorporação de Tecnologias de Construção
em uma Edificação de Pesquisa e Produção em Saúde
Autor: Castro, Jorge Azevedo de;
Arquiteto, Prof. Dsc Associado EAU UFF
COOKE, P. Regional innovation systems, clusters, and the knowledge economy. Industrial and Corporate Change, v.10,
n.4, p.945-974, 2001.
Palavras-chave: avaliação, tecnologia, edificação, saúde
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Resumo
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Esse trabalho trata da sustentabilidade do meio ambiente construído, e foi elaborado a partir da avaliação pós
- ocupação do edifício sede do Instituto Vital Brazil – IVB/RJ, no decorrer de uma disciplina do Mestrado da Escola de
Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense/ EAU UFF, quando na fase de análise técnica da obra
levantou-se a aplicação nas fundações de um material controle para pragas que atacam os sistemas construtivos
das obras aqui comparadas. Estas obras tem mais de um século e meio de intervalo entre datas de construção, com
concepções arquitetônicas diferentes, finalidades de uso também diferentes, e situadas em dois estados brasileiros,
Rio de Janeiro e Minas Gerais, mas com o mesmo propósito de aplicação para preservação do ambiente construído
frente ao meio ambiente do entorno e suas variações. Destaca-se que essa tradição construtiva, o uso de borra ou
pó do café, misturada às argamassas, repassada por mestres de obras, está presente na solução técnica executada
em partes do edifício sede do IVB/ RJ, em Niterói, uma obra de referência na Arquitetura Moderna brasileira, e em
algumas casas de fazenda de arquitetura colonial, na região de Campanha, sul de Minas, cidade natal da família
Vital Brazil. Esta técnica tem a finalidade primária de combate ao cupim da terra, o qual forma colônias nos pastos
e paredes, destruindo sua resistência aos ventos e cargas das coberturas, isto é, acelerando o ciclo de vida útil da
obra. A tecnologia é transmitida de geração em geração, e nos anos trinta foi importada, como garantia de qualidade
dos sistemas construtivo dominado pelas estruturas concreto armado, um dos eixos do modernismo na arquitetura.
OBJETIVOS
Analisar a aplicação de uma metodologia a uma edificação voltada para pesquisa e produção de imunológicos para
programas de saúde pública; rever conceituação da inovação tecnológica na construção com a incorporação de tecnologia de domínio publico e de tecnológicas dos equipamentos componentes da edificação; utilizar uma metodologia
de avaliação como eixo de pesquisa documental, técnica e normativa, de modo a reescrever as mudanças ocorridas no
período de vida útil face a evolução de demandas sociais e técnicas do programa de necessidades original. (ver pag. 15)
METODOLOGIA
A metodologia de Avaliação Pós - Ocupação (APO) parte da consideração que as edificações e os espaços livres
precisam ser sistematicamente avaliados, do ponto de vista funcional, composição espaci