CMP - Vermelho

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CMP - Vermelho
Queridos camaradas e amigos;
É um prazer reunir-me mais uma vez com vocês, nos marcos do
Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz, num quadro
internacional preocupante, uma situação instável e carregada de
ameaças aos povos e nações.
Agradeço ao povo da Índia pela acolhida e à AIPSO pela
organização da nossa reunião, possibilitando o debate urgente
sobre a atual conjuntura, o que é fundamental para o nosso
posicionamento claro e inequívoco sobre as ameaças que
enfrentamos e sobre a luta que travamos.
Como afirmamos reiteradamente, a luta anti-imperialista,
pela paz e a soberania dos povos tem se mostrado imprescindível.
A crise do capitalismo em que o mundo está mergulhado há sete
anos revelou com ainda maior força o caráter agressivo do
imperialismo, ainda mais deletério devido à falência estrutural do
seu modelo, baseado na exploração e na opressão dos povos e dos
trabalhadores. Enquanto lutamos pela paz e por um mundo mais
justo, democrático e com progresso social, as potências
imperialistas intensificam as ameaças em todo o mundo e nos
impõem novos desafios em nossa luta.
As ameaças recrudescem; as potências ocidentais debatemse para superar o novo episódio de uma crise cíclica, para enterrar
as evidências de um modelo fadado ao colapso, baseado na
exploração. O retrocesso é notável para a maior parte da
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população mundial, que resiste às agressões das elites políticas e
econômicas sustentadas pelo capital financeiro. Estas, em
detrimento das necessidades vitais da grande maioria da
humanidade, impõem os altos custos da sua política de dominação
e guerra aos já depauperados trabalhadores de todo o mundo,
inclusive os das chamadas economias centrais.
Sob a lógica da dominação imperialista, tentando debalde
resolver a crise sistêmica através da força bruta, os conflitos e as
guerras são disseminados. Nações soberanas são destruídas.
Presidentes, depostos e assassinados. Milhares de civis são
dizimados na ofensiva belicosa, liderada pelos EUA, em busca da
ampliação de sua esfera de domínio e influência, transformando
países em alvos do saque e exploração de seus recursos naturais e
energéticos, como sempre à custa das soberanias nacionais, da paz
e da liberdade.
Por isso, as reflexões que os movimentos sociais têm feito
em todo o mundo sobre o centenário da Primeira Guerra Mundial
e os 75 anos da Segunda Guerra têm grande significado e
ensinamentos necessários para enfrentarmos as ameaças e
agressões imperialistas, que têm se agravado, com o uso do
grande aparato tecnológico militar, acentuando sua característica
essencial de principal inimiga do progresso social e da Paz entre
povos e nações.
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Quando as potências imperialistas europeias depararam-se
com o esgotamento do seu sistema de exploração, no início do
século 20, decidiram tentar calar as vozes daqueles valentes
defensores da paz e de um modelo social mais justo para garantir,
através da guerra, a exploração dos recursos de outros povos,
através do colonialismo, da subjugação, das invasões e das
ocupações
militares.
Naquele
momento,
o
imperialismo
estadunidense já se desenvolvia, primeiro para estender seus
tentáculos sobre a América Central e do Sul e depois para se
afirmar, progressivamente, como a polícia do mundo, enquanto os
arquitetos da política externa imperialista promoveram o conceito
torpe da supremacia dos EUA.
A expansão dos ideais do imperialismo para a formatação do
mundo se acelerou a partir da Segunda Guerra Mundial. Ao
mesmo tempo em que se construía, a duras penas, a Organização
das Nações Unidas, com o propósito de evitar a guerra e garantir a
paz, os Estados Unidos e seus aliados europeus construíam a
Organização
do
Tratado
do
Atlântico
Norte
(OTAN),
inaugurando oficialmente o período chamado Guerra Fria. Mais
uma fase sombria da história foi, assim, lançada sobre os povos.
Novos pretextos foram usados para garantir não só a
sobrevivência desta máquina de guerra, mas seu fortalecimento e
expansão. Além das ameaças que a aliança nos impõe, com
milhares de bases militares disseminadas pelos territórios de
outras nações e as frotas da marinha de guerra que nos cercam, o
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imperialismo também realiza alianças deletérias com grupos
criminosos, nazifascistas, que têm devastado regiões inteiras,
deixando um rastro de horror e morte, como fizeram com o
Iraque, Líbia e fazem na nação árabe síria.
O mesmo vemos na Ucrânia, onde os grupos que
incendiaram as ruas foram ajudados pelas potências ocidentais a
tomar o governo, lançando uma operação militar contra civis no
leste e abrindo as portas para o avanço da Otan, em provocação
direta à Rússia. Como sabemos, em sua Cúpula no País de Gales,
em setembro, após fortalecerem os grupos extremistas no Leste
europeu e no Oriente Médio, os líderes da aliança usaram esta
mesma ameaça como pretexto para garantir maior orçamento e
maior “robustez” à sua máquina de guerra, aumentando efetivos
militares e preparando-os para a “resposta imediata” a crises em
que lhes interessar interferir, muitas vezes provocadas por sua
própria ingerência.
Por isso, camaradas e amigos, neste ano, o CMP marcou
novamente a sua firme oposição à existência desta aliança
belicosa, por exemplo, com o Dia Global de Ação contra a
OTAN, em que vários movimentos voltaram a exigir a sua
dissolução. Deve continuar constante a nossa denúncia dos
vultuosos gastos militares que sustentam esta aliança imperialista
em detrimento do progresso humano e dos direitos sociais dos
povos, enquanto impõem a outras nações a sua ameaça, suas
invasões e suas provocações militares.
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Num impressionante contraste, enquanto os valentes
médicos cubanos enfrentam ameaças gravíssimas aos povos como
a disseminação do vírus Ebola, na África e além, a OTAN terá um
orçamento ainda mais elevado, em relação ao 1 trilhão de dólares
em 2013, segundo seus líderes reunidos em Gales.
As prioridades são visivelmente contraditórias e hipócritas:
enquanto invasões militares que só têm potencial destruidor são
apresentadas como “humanitárias”, as ameaças mais essenciais à
humanidade, como a miséria, as enfermidades, a fome e a
degradação ambiental são negligenciadas pelas grandes potências.
O orçamento militar não apenas da aliança, mas principalmente
dos países membros mais afetados pela crise internacional, será
aumentado à revelia dos apelos populares contra o investimento
em armas, pela defesa dos salários, dos direitos sociais e dos
empregos.
Na América Latina e Caribe, denunciamos a militarização
durante o seminário internacional em Guantânamo, em novembro
de 2013, onde voltamos a exigir a eliminação das bases militares
estrangeiras e saudamos com alegria o anúncio de uma região de
Paz, livre das armas nucleares, pelos líderes da CELAC, no início
de 2014. No mesmo sentido, foi importantíssima a contribuição
dos parlamentares cipriotas, que aprovaram em outubro a
resolução por um Oriente Médio sem armas de destruição em
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massa e pelo compromisso com a Resolução 68/32, aprovada pela
Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2013. Trata-se de um
apelo ao qual devemos nos somar com total empenho, pelo início
imediato das negociações na Conferência sobre o Desarmamento
a nível global, com a conclusão de um Tratado mais abrangente
pela proibição completa e destruição de todas as armas nucleares.
Lembramos, por isso, que não apenas o aliado mais fiel do
imperialismo no Oriente Médio, o sionismo israelense, possui
centenas de ogivas não declaradas, como também a Turquia
abriga arsenal nuclear do imperialismo, colocando em risco todos
os povos da região.
Camaradas e amigos,
Nossa história, também ameaçada pelo revisionismo e pela
propaganda das potências ocidentais contra aqueles que não se
renderam aos seus planos, precisa ser debatida para trazermos ao
presente as lições de eventos em que a luta pela paz e por justiça
foi combatida com repressão e perseguição. Nossos heróis e sua
resistência devem servir de libelo acusatório, como a força que
nos moverá em nossa própria luta contra a guerra e contra o
imperialismo, enfrentando desafios inimagináveis, como o
renascimento do fascismo e das forças pró-imperialistas
reacionárias.
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Na América Latina, tentamos construir um processo de
avanços democráticos, defesa da independência nacional e
conquistas sociais, com uma nova agenda progressista de
desenvolvimento nacional e de integração regional, mas as
ameaças e os intentos golpistas ainda não foram superados.
Cresce a importância do apoio e da solidariedade ao povo
venezuelano que vem sofrendo um incessante processo de
sabotagem contra a sua República Bolivariana, vítima de
constantes ataques à economia nacional, com o objetivo de
destruir os avanços conquistados e retomar o controle dos seus
recursos energéticos. Também são cruciais o apoio e a
solidariedade ao povo colombiano, que enfrenta desafios
preocupantes em seus diálogos de paz, buscando encerrar um
conflito armado e estrutural e avançar num processo de
construção de uma paz justa e democrática.
Sabemos, companheiras e companheiros, que as ameaças
que as potências alegam combater foram criadas por elas mesmas.
Seja através das intervenções militares e ingerências que
deliberadamente desestabilizam nações ou regiões inteiras, seja
através do financiamento e do respaldo direto a grupos específicos
que disseminam o terror, como meras ferramentas para a criação
de turbulências que visam derrubar governos contrários à
dominação imperialista. Foi assim no Iraque e é assim na Síria,
onde o povo enfrenta, há quase quatro anos, a disseminação de
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uma horda terrorista que também cruzou fronteiras, com apoio
direto das monarquias fantoches.
Não houve interrupções na história recente da ingerência
imperialista no Oriente Médio. Na promoção de uma política
militarista para supostamente “derrotar o terrorismo” – ou “gerilo” – os EUA lideram uma aliança duradoura contra os povos
árabes e o persa, na tentativa de dominá-los e reformatar o
Oriente Médio como lhes convém. O projeto não é recente, mas a
brutalidade disseminada e os resultados de uma longa cadeia de
guerras, golpes e ingerência de bastidor são assustadores, mais
cruéis do que nunca e mais ameaçadores para os povos da região
e do mundo. Em 2006, quando Israel havia invadido o Líbano, a
então secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice,
disse em traços claros qual é a perspectiva dos EUA para o
Oriente Médio, que enfrentava, segundo ela, as “dores do parto”:
a reformatação através da catástrofe.
Naquele momento, condenávamos a política agressora do
governo de George W. Bush, que havia invadido e ocupado o
Iraque e o Afeganistão, dando guarida e definindo os contornos
do que viriam a ser os novos “grupos extremistas” que hoje
devastam a região e infligem nova tragédia aos povos. Mais uma
vez, a reposta do imperialismo é a ofensiva militar. O criador e
suas criaturas usam o terror sem limites para impor seus vis
desígnios.
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Por isso, companheiras e companheiros,
Denunciamos veementemente a intensificação da agressão e
o aumento da escalada militarista, promovida pelo imperialismo,
sob o pretexto de lidar com uma grave ameaça, o chamado Estado
Islâmico, ou a milícia chamada Estado Islâmico do Iraque e do
Levante (EIIL), que ele próprio gestou. A denúncia da ingerência
e da agressão é contínua e se faz cada vez mais necessária uma
vez que, ao mesmo tempo em que condenamos enfaticamente o
terrorismo e os ataques aos povos da região por grupos como o
EIIL, rechaçamos o ambiente propício criado e o papel direto do
imperialismo na concepção e sustentação da ameaça que agora ele
diz combater, impondo mais violência e mais sofrimento aos
povos.
Além disso, neste que foi estabelecido pela ONU como o
Ano de Solidariedade Internacional com a Palestina, vimos o seu
povo novamente martirizado pelo imperialismo israelense com o
apoio cúmplice dos EUA e a negligência das potências ocidentais.
Os palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia voltaram a ser
vítimas de um dos vários episódios do seu genocídio,
principalmente através de duas “ofensivas militares” e do
aprofundamento da política de ocupação, desapropriação e
expulsão, com a expansão das colônias criminosas de Israel nas
terras palestinas e as mais variadas violações dos direitos
humanos dos palestinos, aos quais o governo sionista israelense
impõe o Apartheid efetivo e a opressão generalizada. Em todo o
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mundo, manifestações massivas dos cidadãos exigiram dos seus
governos um posicionamento claro contra os crimes de guerra
perpetrados pelos líderes israelenses e a sua política genocida. O
CMP esteve diretamente envolvido nessas ações, seja em visitas
de solidariedade ou em manifestações em vários países, e afirmou
de forma inequívoca a sua solidariedade aos palestinos, exigindo
o fim da ocupação, o fim da impunidade israelense e o
reconhecimento do Estado da Palestina, livre e soberano.
Em consonância com as importantes ações e debates que
realizamos, desde a lembrança dos 15 anos dos bombardeios da
Otan contra a antiga Iugoslávia, os 75 anos da ocupação nazista
de Praga, assim como as missões de solidariedade, conferências e
manifestações diversas, é necessário nosso posicionamento claro,
fruto do debate coletivo, que identifique as mais graves ameaças
imperialistas.
Precisamos
ampliar
nossa
capacidade
de
mobilização e de articulação dos diversos segmentos do povo de
cada país na luta pela Paz, com vistas a fortalecer movimentos
amplos capazes de barrar os criminosos intentos imperialistas.
Devemos
reafirmar
nossas
bandeiras
comuns
com
declarações firmes e um programa de ações sobre as causas
centrais da nossa luta, contra as armas de destruição em massa,
pelo fim da ingerência imperialista e pelo respeito à soberania dos
povos, pela solução pacífica dos conflitos, pela dissolução da
OTAN e a eliminação das bases militares estrangeiras, pelo
reconhecimento do Estado livre e soberano da Palestina, em apoio
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ao processo de paz na Colômbia, pelo fim do bloqueio a Cuba e a
libertação dos heróis cubanos antiterroristas, por um sistema
internacional mais justo e representativo e o fim das políticas
agressivas de arrocho que miram diretamente nos trabalhadores.
O CMP precisa se fortalecer para enfrentar os desafios mais
brutais impostos pelo imperialismo aos povos!
Muito obrigada,
Socorro Gomes
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