PDF Reprint - Departamento de Ecologia

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OLEITOR PERGUNTA
Lia Gonçnh ·es Ratldi , tle Belo l-l orizon tc, pergunt a:
Li, em Ciência Hoje n? 51, o interessante artigo sobre os
rituais de pajelança a que Augusto Ruschi se sUbmeteu. Não
fiquei esclarecida
sobre a controvérsia
que se estabeleceu
a respeito do veneno
do sapo dendróbata.
Gostaria também de
saber mais sobre sapos. Convivo com esses animais e sempre
ouvi dizer que eles são inofensivos e mesmo úteis ao homem.
Mareio Ma rtins e Ivan Sazima , do Departamento de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas, respondem:
N
a época em qu e o
' ca~o
Rusclti' cht:-
gou ao p1H1Iico. a impre nsa se baseou
exclusivamente nas informações fo rnecidas
pelo ecologista doente, que se considerava
envenenado por ter tido coma to d ireto com
sapos vene nosos. Pouco mais tarde, cspccialis tas em an fihios conr csr a ram a vcracitl adc dcssc~ dado~ (ver 'í'.O (ll ogo~ em defesa tios Dcndróbatcs' , em Cté11cia Hoj e u•:
23, p. 86). No fina l de 1987 . J osé C. de
Freita5 vo ltou a comentar o caso em uma
breve nora (ver 'Sapos venenosos', em
Ciên cia Hoje n ~' 36 , p. 74). Daremos aqui
inform ações sobre a fa milia Dcndro ba tidac . na 4ual r.:\riío iuduido~ o.\ ~ano~ do gêucro Dendrobares, tão injustamente llil'amados.
Uma d úv ida comum a leigos e a ré a zoólogos não especia listas em a n fibios é o uso
dos nome.' \Uig<trc.~ · ~apo', 'r5' (ou jia) c
'rerc.:rc<.:;~' . r;msso m odo, sa pos seriam os
aufi bio~ a n uro~ que a pn:scnt<till pele rugosa, d e aspecro ~eco ; nis teriam pele lisa c
de aspecto úmido; pererecas ser iam anfíbios que possuem discos adesivo s nas pontas dos dedos, os qua is faci li ram a locomo çi:i Cl ~: m su perfíc.: ics iuclinadas. Na pdtica
torn a-~r.: d ifícil a aplicaçfto dt:~ t c\ uo nu;s ;i~
d t vcr~m. cspé<:tcs. Na f;.unil i:~ das rãs co mestíve is, por exem plo , existem e~pécies quc,
pela classificação acima, seriam conside radas como sapos_ Ponaoro, po r mot ivos
pritl.icos , usa remos aqui o termo ma is comum , 'sapo', pa ra designar qlta lq uer a nfíbio ;~n u r o (sa pos, rãs c pe rerecas ).
Os d cndrobaridcos são c ~ t ri r amc n l c ncotropicais, d ist ri buindo-se do sul da América Centra l até pouco abaixo do trópico
de Capricórnio, na Améri.::a do Sul. Es ta
família de peq uenos sapos - rara mente ultrapas~am cirtt:o ccnt i metro:; e ngloba
quase 150 c~pccic~. disr ribu id ~ts em cinco
Dendrobates quin quel'iCfatus. Um dos me-nores dendrobatídeos do Brasi l. Este exemplar l'oi en -
cont rado na região d.a hidrelélrica de Samuel, a leste d e Po rt o Velho (RO).
gé n..:ros: Colostethu~ . Dendrobate~. Et?iperlo lwres. Minyobates c Plty llohotes. Co111
cxccçáo ela maio n a das cspécJ c~ de C'olosll:rhus, os dc ndrob::uideos poss uem roxinas
na pele. As únicas espécies que podem causar envenenamento por simples manuseio
es tão no gênero Ph vllobares e ocorrem apcna~ no sul d a 1\ nlérica Centra l c na costa
t.la ('()lô mbia vO ltada para O OCC3ll 0 P~u; Í ­
t'it:(). Nes ra ú ltima n:gião, nunia área conhecida por C hocõ, a lguns grupos ind ígenas utilizam estes sapos. para en venena r
pontas d e dardos usados na caça , la nçados
por u m ripo de za rabarana.
I :~p.:cies não descritas de clcntli o batidco~
têm ~idCl cucon trada s na Amazôn ia . ('(.)-
nh cccm - ~c atC.: ltojt:, no Bra\il, J1() UCl) tnab
tk 20 dc,,a, c~ pc<.:ic~. ~c n d () ..:crea de: cinco
induidas no gélll:ro D endro/mfi'S, seis no
gênero Eptpedoi.Jates e dez no gênero Cu/ostethus . Doze delas são venenosas, a sa·
ber: D. ga/acronotus. D. /eucomelas, D.
quinquevirrarus, D. tin cto rius. D. van zolinii, 1~·. femora lis, E. tJictus, E. p ulchripec
tus. E. trÍ\•iflatus . C. lwhn('/i. 1:.:. /lracctJrus c /:'. f/avvpictus. Nove de las vivem na
região No n e c lrês no l3rasi l centra l. As três
ú h imas acima citadas fo ra m a principio
consideradas formas geográficas de E. pictus, que ocorre no Ma to Grosso do Su l c
na Uoli' ia. Ma~ est udo~ •c..:cntt:s imlic.:mtt
qur.:, :10 co n t r~trio, c~'as quarro C:\p0c ic~ são
vol 9. n• 53 CI~NCIA HOJE
/)endfl)bares leucomelas. Vis toso S:lpinho preto e arnarel.o. venenos tl , t(Ue ocorn: no sul d a Vem::wcb c ex trem(' rwrrc d t! Bra~i l , nas se rras do n•>rt e
serra d u TL·Jlt:(( UÍ·m, undl' tHII clth aulurcs (MM l t nrn ntmnl·Sb l"~J)i-dl· c m l'Jll6 c 1? 1:17. e"'~~ >:!Pinhos l'onun \Í.W' em 11111 c:unpn
rup t""ln.·. n <"crcl ch· rnilm ct ro' d(• nllil ud c~ Nurnulhncuf(' st~ abri gam ~o h J)l•dras, nu lupo da .'lcrr~t. N11 t~ IHtt~a da n~prntlu~·ii u . migr:uu p:.u ·n fU'tfiH'tH>'
riacht" IJt.•Un.·J.!H:-.u s t•xistt.•nte' nu Cu tH) da st·rr:c hU em M ll.l:\ cncu . . la!\.
tk Hurairna . Na
dbt i nta~
em var ios as pectos , devend o ser
tratadas separadamente .
Co mo mecan ismo de proteção co nt ra
predado res, diversas esp<'cics d e s:tpos poss uem na f1l' k g l:indn l a~ q u ~ prouu~.cn1 ~ uh~­
t ft t t<.: t.l ~ I Ó\ t <.:,t~. Nn~ curnn t\ (g~m:ro llr~jiJ ).
estão úl ncenlradas em cen a:. regiões d o
cor po (como as glândulas pa ratóidcs), mas
no~ dcndrobatídeos espalham -se por todo
o do rso. :\ s glându las secrc ta m desd e sub~­
t :i m:i:~-. co m p:tlad:u dc.. ag rad (l\·cl :ul: a le:-~
lóidC\ ah:ullt.: lll c v~:nen O\o ~. /1. balracolo ·
x ina prm 1u11da pela~ e~péc it.:~ de /'hvlloiJIJf<'S é um dm venen os úc o r ig.e m anima l
mais ió xicos qu e se conhece. Os alcalóides
sec.'Tc tau o~ pelas espécies dos out ros gê nem , de.J cnd toba tícl eos (pumil i01 oxi na, hisl ti on r~·o t nx tn a ) ~i't<l rrteno-. t ô ~ic<lS e pmdu:r.idos e m menor quanud:HJc. /1. ba t r:.rcOI O·
xina aume nt a a penn~:a br lidad c dos canais
de sódi<l em células museu Ia re.-. e nervosas,
o que resulta num grande influxo d estes
íons. os qu a is acabam po r despolarizar as
cl:Jul a~. o~ c fdtQ~ rnai~ d r~\ l ÍCO~ deste pro-
O endroluii('S gtllártonofu.>. Esp~cic ve nenosa IJII{' OCOITC cvl u~i vam•: ntc ('111 lcrrir.-.riu hrrt~i lciro .
Cl:~\\ ) \ :l\l :\1 rit iiiÍ:ts, fihri l a~·lit:.\ 1: ralh;\~ c;u ll lJ S t s t:Hius d l' (;uia ~. M:tr:t nh ào (' l'aru, ~lll mal a ~ da rC)!ÍliH du h aixu rio l ucanli ns. t·:,.c CXl·mdiac:t ~ . q nt ltvanr ir 11\ ~lrl l' o :11rima l c nvc- 11> pia r t'ni l"ncnnl radu e m Tucurui (1-' i\ ). E' trnpl:•r(·~ li :• rc~;i~u de Car.tj:ís (I' i\) :oJ)r(...,l'nf:tm dnrsu n c~;m.
mato de 1989
OLEITOR PERGUNTA
ncnado. 1\ pumilitHo;-; ina c .1 hiMrion ico toxina também agem sobre a permeabili-
dade das membranas celulares. mas seus
efeitos são menos d rásticos que o~ dí.l ba·
1r:t<:ol ox i na.
1\pc~ar t1~1 alta roxicidadc, tanltl os alcalt'>idcs produ/ Jdos pelos den dro hatid em
<:0 m o as toxina; produzida~ p0 r o u r ro~ sa pos fun cionam como defesa passiva. Nenh um sapo conhecido possui a capacidade
de injetar ou projetar estes venenos em seus
a t;~<.::ullc>. /\ h<ll r:I C()! Oxi n~' produzida p ch~ cim;r) e' pécie..._ do gênero I'h i•llof)(tfes pode ser al,~orvrda através Ja pele lllla~: t a de
um an imal ou uma pessoa. :'-lo5 <km;ris !.:0·
sos só é possível o cnvenenamemo se o predador (ou a pessoa ) lamber ou morder os
/;jlipecl<>bate., fltu ·npictus . 1-:,p~c ic 'l"n l· nc":' t• nconrr:•da e desc ril:t por -\dulplw 1.1111. " " rfgião d e Bdu 1-l uriz<on l<". Vh·c "'h l'~dr:t.,. nas se rras rle
Min:1s ( ;cr:us c dt Gu i:is, c ~c rtpruduz em llCIJHrn u~ ri:tdw~. fnnnad n., r m i-p nt·a th- rh u'''" (n rnadw é u iruJh i1h111 nwn or). Na' vulra~ fnrco~. ap:Ht··
c.·,•m uu t ~irinu \' um jnvt:nl r~cé nt-•ncl:unu rfn,t.+~ulu . qu~ já t\xiiH.' :1.., t..·ur(;' ''i \':ts, d t• ~H I \'(•rt~ll\"i:l , liltit·as da t·, pl•t'it• .
sapos. Esta úl tima pos~i bil i da<.k pan:cc
inverossímil no ~;aso de Aug usto Ruschi .
1\lém disso , as espécies po r ele man useadas 11~ 0 pcnenciarn ao gênero f'h v/lo/)(1/es,
qu~: 11 ii11 o~.:m r c no Brasil. P<lrtanto, a~.: r c­
d i i :llno~ que'' '<:a.'-.(> Ru ~.: hi' tenha Sl' h:r
!'eado num grande mal-emcndido. cxccssl·
vamcntc explorado pda impren~a pouco informada. Vale ressaltar, uma vez mais, que
nenhum herpetólogo (es pecialista em anfihins c rcptcrs> c nem as sociedades h r asilc.:ir;~s de.: Zoologia ou I !crrct,rlogi:l fo ram
consu ll:ltl o' ror t>casiào da \'L"icu l:u,::1o d c.:~ ­
-~ as 11 0 1i<.:ias.
As espécies da ra mil ia Dendrobatidac CS·
tão ativas apenas du rante o d ia, e aquelas
cuja pele contém alcalóides possuem sem pre t;olt•rid0 'rstos(r, que fu nci onaria conw avbn ao p rnlador (' t:\tl· '"IW ~ lÚKi
C:t'!'). S:i() 1.'(1 1111111~ :rs com hi n:r~·<ic.~ l'Ontr:r_,.
36
1ames de preto ..:um d iwr:-.os to n~ de vermelho ou amarelo, <:orno em Epípedobates flavop ictus e Dendrohates leucomelas.
.-\ s espécies de Eptpcdobates, que vivem nas
rn~lla ~
tia Ama t.ônia bra~i l cir:r, p :liC<:t.: lll
t:0111por um <\ 111:- lrn im(· ti~:o .
Tra1a-'e (k urn
.:onJunto de espêdc' ' emclhantcs muito bonita~, qut; aprc~e nt:. rn uma rai.'w l:lleral de
cor viva cont r astando com (l rc ·tO do dor~o . de cor esc ura.
O anel mimé1 ic.:o fu 11cro n ari<~ du 'egurntc maneira: um predador que mo rc.l!.:~~c um
'apo tk uma d e~ l a\ e' péc ies (c cont in u:a~~c
vrvo. c daro) leria u ma ex periêncr<' desag radável e podcria assodá-la ao colo rido
v istoso. Po rtanto, a pre nderia que sapos
com este padrão não devem ser comidos e
pas~aria a evitar qualquer outro 'apo ,e.
mt:lhan tc. Esse mcca ni ~ mo hcm:fic.:iari;, ltl·
d:h '" c~ péc i c... qlll' ~;o m pôt:m \) a ud . h:1~ -
tandü uma t:.Xpcriêuci:a d c~asradúvd ao predador. Certos predadores têm evitação inata. Oú seja, não prcdsarn de uma experiência desse l ip<> p.a ra rt:jcitar uma pres a <.:O·
lorida.: s upll~ I < IIHcnl l" vcncrH)~a . S apo~ de
0111 ras I a mil ia, . q ut: ui\ o COIII ~ nr aka ltíidt·,
n;1 p ele. p:Hccc u J hcnt: l lciar-\r; d t:~lt: anel.
Uthoc~we::. ilm ·atus po!>~ui o padrão de colorido descrito acima, embora não produza alcalóick s e pcn ença ã fam ília LcplOclactylidae (a m~.:s ma da r:i- pimenta. u ~a<.la
COill O
alimc.:nlu) .
()~ ~apm f. ithot~l'll'S pa~ ­
de S:tlr·
vas c rar:un~:ulc sao vist1l\. L·.m lfll iiSC l l>·
dos os lugart:s da Amazônia em q ue esta
espécie é encontrada, ocorre também uma
~~pécie de Epipedobates com padrão de colorido ~cml'lhan1c .
L'mho ra '' ~ ah.:a l úidc.:~ conl i1 ;un ('1otcc,::io
ao~ th:ndruh:~ r ide o~. co r11 r a ;r 111aioria dtl\
S<III1 p :t rl t: tia vi da l'lll r l) fl llig llt'Ír(IS
Vt•l
9
11
~
CIE:-NCIA HOJt-
dl·ndrnha lir..k n '>. No Brasil. , ah o r;n·<'S cs- cie nte par:t c.:vi t:11 cpu.: o~ oH)' rrssequcm
IUdos de taxono mm (tcona c pr::iuca de des- ou seja m dt:~lruid o~ po r predadores. Ancrever, dar nomes e dassil'il.:ar o rganismos) tes da d esova, o .c asal ge ralmente entra em
feitos por Adolpho Lut z c s ua filha Ber- amplexo (o macho so be no dorso da fetha Lutz. alem de Werner Bokermann . ape- mea). Como em outros sapos , a fecundalhus, por o utro lado, têm colo ração csmaenas rccc nt ~:mc n!l.: t:., t5o snrf!inclo pesquisa - çiio ~ t:Xtt:rna, pois os m a<.:h o~ não possuem
cid ~t. gcra lmc:nl c em tons c:1~1an h os. Como
foi d ito . n;io ~c Cl)nilcc:cm :~ lc:t l ó itlc~ em ~ua dor<:.\ inlc:rc:.sad,,, 11c:.s~:~ ~apos A n tê\ n io ttnl ó rgà(' co pul <~dor. Fm cada ovo 1.'010 pele. Fmbora de: atividade d iurna, tlifici l- Schbcn c Ca r l o~ Schw:.t rl r., hi ó l <>~:tm ú:t ..:adn pcl:t rl: mc.:a , o machCl h h~:ra seus C'>1lle111 L' ~ão percebidos no a mbtc ntc, em vir- U niversidade de Bra ~ ilia , estão atual men- permatozó idcs. l'cniliz.ando-o. Alguns dc.:ntude da camuflagem conferida pelas cores. te trabalhando com alcalóidcs da pele de drobatidcos não st: acasalam por amplexo;
semelhantes às das fo lha s caídas no chão algumas espécies brasil eira~ de Epipedoba- numa destas espécies. o macho espalha seus
da mata . Colost(!thu.\' ()/jersio ir/(!s. cnco n- les. T ais cst u_d os têm contado com a cola- es perma to zóides em uma rolha, onde a iêll<tdon;h m:ua.; do Rio de J a n~:1 ro . é o dcn- bo raçJo de.: hc.:rpctó logos, pnn<.:tpalmcntc mca p Õe; OS OVO S.
:\ ' tk:.t)va~ d o~ ckml rohat ideo~ C<lt11l:m
drnbat kk n dr lli s tribuiç~o m a i~ IHel'idio n<tl . <.la Univo.;r, id:td c l :~ tad u;tl d e Campinas
(h dr ndmbat idcos vi\'<.:111 em divc.: rs~)s 1 i- (S I') , que vê m rc;tliz.ando dtv cr'o~ C\l Utlos at.: 40 O\ C'~ · S iio, po tl <tr llo. pcq uc.:n a~ . ' ..:
pos de a mbil'nlc:, desde a'\ flo restas úmida & ·o bre t.axonom ia e eco logia de dcndro ba· comparadas por exemplo com as dos cu ·
rur us , que podem ultrapassar cinco m il
da Amazônia e da mata atlântica até am- tídeos brasileiros.
ovos. O número reduzido de ovos é combicmcs mab ~ecos. como os ca mpos rupesão só as co res vivas t: as toxinas dos pcnsadn. em parte, pc.: l a~ vâ ri as desovas que
1rc~ da' ~er ras do Bra~ i l ce nt ra l (ver ' Ç ;m l·
dcnd ro b<ll ldc.:os 1kspc:rtam :1 a:ellçào . nco r r~m po1 ano, enqua nto a nfíbios como
po~ rupl' ' trc:~ : p~1 ra iso h,\tÚillt:O na s~:rr:t do
Cip(), .:111 Cn~nâa 1/u;c n '.' ::!5). Como a O o.;omporl:ttnemo n:nrodnti vo nc~ w fami- os t: ururu ~ raramente d~:".w" m nwi~ Ul'
maio1 i'' d o~ ~apos , o~ dt·n dr<lh;ttidc.:o~ pre- lia é u111 dos m u i~ cotnnlcxo:. ~:n trc (1 ~ a nfí- clua~ \l'7c~ c111 11111:1 c~wçào rcprodttli va
cisam d e loca i' úmidos para que sua pclt· bio::.. Como na ma io ria d os sapos . o~ ma- Além d 1 s~o. os dcndruba tideos ' toma m
não n:~seque e continue permeável a tro- chos dendrobatideos atraem as fêmeas emi- conta' de suas desovas e carregam seus gicas gaso~a:-. . Assim , nos lugares secos. c~­ tindo vocalizaçõcs , isto é. cantando . Os rinos para locais pro tegidos, rermi rindo asll'' ':1po' 'r ahrig:tm ~nb t mttl'O~ o u pedra~. machos rcw odui i qttn enl ~: :-11 ivm defendem ~im que.: a m<t iori<t meta mo rfoseie c os filho tn ]llh\ :tlll ..:ltcgar i1 l a ~c a du lt a. O c:u·
um;t ;i rc~l
~c u terrtrúri,, - . l k ~uad c tiS
•llld ~o: existe al~ 11nt ~t 11111id adc. .l á na~ m:tta' 1> problc:t11a nCill c taú ~c: , in , po is l)S lo - o ul ros mal..'h os , :Jo c.:scorr:t<,: <ld o~ , po r meio rut u. por ~u ~t vc7.. al ~ m de dcposil;:u· os nvo.,
..:ai:. ú mid o~ s;i o abu nd a n tl·~ . l'<>r cxcmplo . Úl' voca li t.:\\;ôe~ ag res, ivas <: ;tt.: lk lula .
na àg ua (,>ndc.: a qu;tt1lidadc de predad or.:~
l:.'pip!!duhmes hahneli, L. rriviuatus c.: 1::. j e(.)uando a ré mca é atraída, o macho a de gir inos ~ grandt:), não cuida da prole,
m l)rulis \'Ívem cnrrc as !'olhas caídas no guia para urna pane do seu territóno onde que fica abandonada a própria sorte. Por
chão (o fo lhcdo), geralment e às margens exista um local a pro p riado para a desova. isso, arenas uma peque na parte d os fil ho ()local d eve :.~: r t'tmido c prot egido o sufi- tc.:s ch<.:g<trft ft fase ad ulta. Dc~ ta forma . cl •
de pt·q n rnn~ r iachos . tHh ma ta '> úmidas de
)!l':lnt k p:u lt' d a Ama;(Hti il ht nsilc.:ira . 1'01
~~~a \t'/ , / :'. !lron:alus. t:. .f7al'l)fj l c'fll.\ c I )c•n drolmtes leunmrelas vivem em matas de galeria e ambientes aberto::., n a\ :,erras brasile ira>.
V;irios hl'rpct ó l ogo~ :.:m !>C <kdic:aclo ao
rs wdo de~ta in rcrcss<IIHC f:11nili;t de.: s :tpn~ .
Na' úll in~;.- d êc:tda,, lk t.c:n:t1> de: dcsl't içú.:'
do o.:<lmpN t<tlllc nl ll th: dcndr<1batídcos cnl
~o:at i 1ciro fo ram pu b licatlas po r hcrp~.:t ó l o­
gos amadores europeus. Em vârios pai se~
da Euro pa. estes sapos são criados co mo
;.r nirnais dl.' csi i mação, c p.:st]tJ i~ad orcs de
d tl crcnll:' parrc.:s d o mu ndo I<:J'tl cslud<.H.h)
d ivn' n' aspc.:( l\1:. d a vida d <' ~ dc.:ndroba tt·
dc.:o:-. No\ t't ltinw:. 20 <.ll ll)~ , C lwrlt:s Mycr::.,
zoó logo do Museu Aruéricano de Histó ria
Natu ral de Nova York . e J ohn Daly. bioqu imico do Institu to Nacional de Art rite.
Diabc.: te> c.: Doc t~<,:a~ 1\•lct a ból ka ~ c Oigc~ t i ­
''" ' ck i\ 1arylattd ( I: LJ /\ ). p~1 hiH.:~u :un dct c na' de: tra balht\S sob r~ <:<.tcs '>:tpos . dcscr<:v.:ndo mais de 15 cspé<.:i..:s no vas c.: ~:crl.'a de
200 alcalóidcs até e ntão dc~conhccid os .
Ke ntwood Wells. ecólogo da Universida d e ele Connccticut (EU .'\ ). rca li~ou uma ~e- Colosrt.thus ()/jersioidi·s. I~ o d l'ndrob atid co <'<>m dislribuiç:!o nwis m!'t·iclional qul' Sl' .:unh~ce . .' do
1 k dl· c~ t udo~ de c:11n p<' ~o i:lrc o C.:\>tt)Jh )l prudm_:ckalo'>itl~' ~ ~u :c .:nr i· ck •·:unull:tj!flll, n:iu de :liiHr iÍ'III' i:c. 1·~~1<· t':>t•mpbr fui ('llrtHtlncdo
t:tlttt'nl o rl'f' l'lld ul i vo uc "'i ri:1:. cspéc:i c.:~ de.: ('111 ll a~-: uai IIU ).
J)rcdadon:' de sapos . a lg um;e ~
es péc i e~
de
aranh::ts e de cobras se a ltmcntmn dck:s sem
sorrer o s efeitos das to:\ i na~.
Os de n·d robatídeos do g.êner.o Coloste-
N
fll .IIU d t: 19$9
3/
OLEITOR PERGUNTA
Epipt!d obare.r picrus. Ocorre e m quase toda a -\mazó nill brasileira, o nde >'hf
entre :1' frt lh:h 1111 ch:'iu. em flnrcslllo, timid:h . l.,c u cant o. semel han te ao cricrilar ci C Urll l:rÍ((I, é rnu illl IJai:~.tl ~ tlificilnt Cfftt IIU\ ttlll . ()~ fi\ I" tlr\\lf C\J)é t'Ít' \l'lll' llfl\:l \:tu l'ulul·:uJu, l'l11n• ta\ fulh:A' •lu rha u t• li\ J,: irinn' dt,t n\ uh (' nt-\l' l'lll
pu,·:., nu' mnrJ:c ll ' rlc pcc~ta•nu\ riachu,, t-.,H· (''\Cilll)lur. cncun lradu un nnrlt
tlc 1\I:Htaus, c~tti ' tnm a ndn t unta' de wa de,o.,;t_ Pequeno~ giri n<" j)i (H)flcm
, ..,r ,.;,lns dc nlro d os o•·os. Na ouln fnl lt, um macho da es~c ie carrega cerca
de dez girínos no dor~o.
nú mero de 'Cib reviventes quc atillJ.!t: rn a fase
.td ulla (ICl r nantlo-~t: apto~ a rtpt odtfli r) po lk ~c r 'cmclhan tc no~ doi'
/\ pó\ a 1.)\ •ro~u;:io . um do\ pa" L)cndrobatidac ficará 'tomando conta· da desova
au: que as lanas (girinos) saiam dos ovos.
Quando i(~o acontece, o pai ou a miie que
cutdou tia dc:\0\ 3 ~c: posta tlc 111:111Ctra q ue:
o~ ~.i ritlll\ po"etm ~ubir 11 0 \C U do rso , ao
""'l'.
qual des aderem com fac tlidaclé
g rnp~
a
um mur.:o PCI'.:tJ<l'O r rm h11ido pdo .. adul-
to-..
(h ~ir in1>'
go.: t almcntc p:t \\<tffl par tt: de
\cudo c<trregados na~
costas. onde se nut rem de reservas embnonárias (virelo). Durante e~ta fase. o adulto
portado r do~ gin no) Ir:\ a-o~ para a água
que, d.:pr:ndcndo d.tt''J1t'CÍl:, pod.: '>ér um
n acho . nma po,·a. u111.t hron t~lia . (lU :rtt
\CU dc~en vo l vi mcnto
a :'tgua acum ulada no oco de tro r. co~. N CN
gtnnm a~:aba tn I rcauúll na .tgu.t c 1Htl ro~ Cllrtt i nuar<to !>Cild o
carregado' por mai~ algum te mpo. Em /;j JIpedobtu es fe moralis e 1:.. halmeli, por
exemplo, e possível encontrar machos car·
regando\ á rio> girinos pequen o~ ou apenas
do i' a 11 \:\ giri nm g rande~ . Eut llllt r:t\ I!\
p~crc\, Ioth " o' gtrino\ ~;:i o lthct atiO!> n:t
<ig ua dt: uma ,<i vc1.. Com o no' out ro!\ s:.t
pos, o~ gtrinos passam por metamo rfost:.
transformando-se em miniaturas de adultos _ Os JO ve ns irão se alimentar e crescer
at~ co n1cçar.:m a .'.C reprodu Lir. iniciando
!>a ai rvtdadc. a l g 1111 ~ d m
ti()Y () 1. 1d11
IC11 W\ mtuln : t apn:nJ.:1 'ohrc c'a ni mJi' que, 3 primeira \1\ta , não revelam sua complexidade. Suas toxinas ~ão
usadas em pesquisas biomédicas e certamente ter:io aplicações pràticas na farmacolol!,ra , em lullii O bem pro.xtmo. Seu com
plexo n1ndo dc v id~t I em scn ido a clabot a<;ii\• c d c~.; n vo l v imct1I O de t emia~ ecológicas. L:. l tn ~tlmc ntc. como o~ t' ut r o~ ~ a pos .
tam bém os dcndrobatídeos fazem parte de
uma intrincada 1rama ecológica, na qual
cada componente tem eno rme importânci3.
Dur,\lllc \U,I \ tda. um sapo t.:ome mtlh<trc!\
de ttt \cto,, cutrc os qua i~ d t\Cr\O\ podem
cau!\ar r rcJUIIO <~O homem, como r •at:a'
da agru:uhura e ve t orc~ de doenças. Deixando os sapos em paz, o homem poderà
beneficia r-'>e ta mo di reta como ind irelarnentc. 11m ~ \ e1 que o equilí brio da n(tlurcla, tà tl C\\<: tu: ial it vida na Tr:rrtt, cst:tr:í
•
Sl:rtdu 111:11Htdo c pcrpctua<.l rl.
1\md:t
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l:pipedobates fem ora/is. Oco rre em qu:.~e toda a Amazô nia brasileira . o nde vive no r hão de florestas tímid a>. t-:,.tc madao cs t:í ' d:wdo um b!lnho' em seus filhotes. Lm dth t:irinos ainda estâ
:alt•ritlll :lO tl o rso do p!ti , l:flt(U:tnt O o~ O tttr(,~ ff tllh lll !HI rtdor. A fo lt\ roi tir~ tl:t n :lS flllll 9\ l (U C
l'Crt'tffff M tiiHttt,, n ntlc n nmt u t'urt.· (h·~~a t'St>hit• Vl' flt rt n\:t (Htclt "'r fu d lmc ffl\• CM' ttbttlfl na l' tltH::t
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