Faculdade de Pará de Minas – Fapam

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Faculdade de Pará de Minas – Fapam
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Faculdade de Pará de Minas – Fapam
Curso de Pedagogia
Poliane Inês Fonseca Ricardo
INDISCIPLINA ESCOLAR: UM DESAFIO PARA EDUCADORES E
TODA COMUNIDADE ESCOLAR
Pará de Minas
2013
1
Poliane Inês Fonseca Ricardo
INDISCIPLINA ESCOLAR: UM DESAFIO PARA EDUCADORES E
TODA COMUNIDADE ESCOLAR
Monografia apresentada à coordenação de Pedagogia como
requisito parcial para a conclusão do curso de Pedagogia.
Orientador: Jessé Saturnino Júnior
Pará de Minas
2013
2
Poliane Inês Fonseca Ricardo
INDISCIPLINA ESCOLAR: UM DESAFIO PARA EDUCADORES E
TODA COMUNIDADE ESCOLAR
Monografia apresentada à coordenação de Pedagogia como
requisito parcial para a conclusão do curso de Pedagogia.
Aprovada em ___/___/___
_________________________________
Orientador: Jessé Saturnino Júnior
_________________________________
Examinador: Geová Nepomuceno Mota
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“Ensinar é um exercício da imortalidade.
De alguma forma, continuamos a viver
naqueles cujos olhos aprenderam a ver o
mundo pela magia de nossa palavra. O
professor, assim, não morre jamais”.
(GOETHE)
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Agradeço aos meus pais e às minhas irmãs, que
tanto me apoiaram e não me deixaram desistir; aos
meus amigos de classe, por estarem sempre ao
meu lado nos momentos mais difíceis; ao meu
orientador, que tanto me ajudou na concretização
deste trabalho e, principalmente, a Deus, por ter
me dado toda força necessária para prosseguir
nesse caminho que, por vezes, foi árduo, mas
também muito gratificante.
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RESUMO
A indisciplina em sala de aula tem se tornado, nos últimos anos, um dos maiores entraves
para o sucesso do processo ensino-aprendizagem. Isso deixa os professores em uma situação
muito difícil, pois eles não sabem como lidar com esse novo perfil de aluno. Buscando entender
esse quadro, configura-se neste trabalho um estudo investigativo sobre as supostas causas da
indisciplina escolar e, ainda, a apresentação de uma visão critica de docentes a respeito da “crise
educacional” tão preocupante, que tem se agravado a cada dia e assolado as escolas brasileiras,
produzindo um repensor sobre a escola, chamando o envolvimento da família para uma efetiva
participação da comunidade escolar.
Palavras- chave: Alunos, Indisciplina, Escola, Família.
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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 7
2. REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................................... 8
2.1. Metodologia ................................................................................................................... 9
3. DISCIPLINA: ELEMENTO QUE ESTRUTURA A SOCIEDADE E SUAS
DIVERSAS ORGANIZAÇÕES .......................................................................................... 10
3.1. Disciplina na escola. ...................................................................................................... 12
4. INDISCIPLINA GERAL E ESCOLAR .......................................................................... 16
4.1. O poder disciplinar x escola .......................................................................................... 21
4.2. Educação Formal / Informal ......................................................................................... 25
4.3. Indisciplina e a influência familiar ............................................................................... 27
4.4.Causas e consequências da indisciplina escolar ............................................................ 28
4.5. Como minimizar os problemas relacionados à indisciplina escolar ............................ 32
5. PESQUISA DE CAMPO: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ...... 36
6. CONCLUSÃO .................................................................................................................. 38
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 40
APÊNDICE A ...................................................................................................................... 42
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1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, o ensino no Brasil tem passado por sérios problemas no que diz
respeito ao comportamento e aproveitamento dos alunos em sala de aula.
Se, há algum tempo, o professor era visto como autoridade máxima em sala de aula, a
história hoje já não é mais a mesma. A realidade de agora é bem diferente: alunos desinteressados
pelos conteúdos ministrados, julgando-os desnecessários e enfadonhos, indiferentes à presença do
professor em classe, chegando mesmo a serem hostis para com seus mestres e seus colegas;
escolas sem estrutura física e didático-pedagógica para lidar com a nova realidade dos seus
alunos; pais pouco participativos na vida escolar dos filhos; professores despreparados, mal
remunerados e, por consequência, desmotivados com a profissão.
Nesse contexto, há de se considerar os fatores externos que influenciam, e muito, no
comportamento arredio dos alunos, tais como: a falta de limites comportamentais, de indisciplina
na escola, o comprometimento dos pais, etc.
Diante do exposto, pretende-se, com este estudo, investigar quais são os principais fatores
que influenciam no comportamento e no aprendizado dos alunos, como forma de procurar
soluções que minorem os índices de indisciplina nas escolas.
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2. REFERENCIAL TEÓRICO
Os pais de hoje em dia não sabem como impor limites aos filhos por medo de traumatizálos. Isso causa uma série de graves problemas de comportamento. Essa falta de limites reflete, de
forma marcante, no ambiente escolar.
Conforme Zagury (2006, p.31), ''algumas pessoas acham que dar limites aos filhos é uma
questão de opção, mas essas pessoas não sabem que há uma progressão de problemas que podem
derivar da falta de limites''.
Nos últimos anos, a escola vem assumindo um papel que, em princípio, não deveria ser só
seu: o de educar seus alunos para a cidadania. Ainda, segundo Zagury (2005, p.30), ''essa missão
está sobrando muito mais para a escola, apesar de ela não ter condições de arcar sozinha com essa
responsabilidade ''.
A escola é o principal lugar onde os adolescentes apresentam um comportamento
indisciplinado.
A falta de educação do adolescente aparece na escola, onde tem regras a obedecer e
responsabilidade a cumprir. Ali ele revela quanto é incapaz de comprar, nem executa
suas tarefas e nem sequer demonstra respeito, muito menos gratidão, pelo professor.
(TIBA, 1998, p.119)
Para que a disciplina escolar possa ser estabelecida, é necessário que a escola tenha regras
próprias, que devem ser respeitadas por todos. Segundo Tiba (1996, p.117), ''a disciplina escolar
é um conjunto de regras que devem ser obedecidas tanto pelos professores quanto pelos alunos
para que o aprendizado escolar tenha êxito''.
Assim, segundo Furlani:
Educadores indisciplinados, numa escola indisciplinada, não podem oferecer ao aluno a
convicção de que vale a pena o esforço persistente, a concentração, o autodomínio
autoritária, o sacrifício de tempo, de lazer, necessários ao ''ser disciplinado''. (FURLANI,
1990, p.53)
As escolas precisam tentar uma aproximação com os pais a fim de minorar os casos de
indisciplina. Dessa forma, segundo Zagury (2005, p.28-32) '' a escola deve revitalizar a confiança
da família no papel de formadora e trazê-la, cada vez mais, para dentro da instituição''.
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Então, como lidar com a indisciplina? A repressão ainda resolve, em alguns casos?
Zagury (2005, p.29) diz que ''a solução começa pela boa formação do professor, que precisa
dominar muito bem o conteúdo, ter bom relacionamento com os alunos, muita didática e
autoridade com eles, mas ser afetuoso e respeitoso. Dessa forma, ele será querido e respeitado''.
2.1. Metodologia
Este estudo consistiu em pesquisa bibliográfica, quando foram utilizadas as obras de
diversos autores especialistas em educação, focando a relação entre pais, professores, alunos e
escola, retocando a questão da disciplina, além de uma pesquisa de campo de caráter qualitativo,
por meio da qual se buscou as concepções de disciplina e indisciplina para um grupo de
professores, tentando, assim, identificar questões e posições políticas e didático-pedagógicas a
respeito do tema, uma vez que este é alvo de discussões no meio educacional quase que
cotidianamente.
Essa coleta de dados foi realizada numa instituição pública. Foi utilizado um questionário
composto por dezoito perguntas abertas para que os professores pudessem expor seus
questionamentos e posicionamentos em relação à indisciplina. A pesquisa de campo foi
desenvolvida envolvendo quatro professores da escola pública, quatro que atuam no 4º e 5º ano
do ensino fundamental do turno matutino.
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3. DISCIPLINA: ELEMENTO QUE ESTRUTURA A SOCIEDADE E SUAS
DIVERSAS ORGANIZAÇÕES
A disciplina é um hábito intrapsíquico que facilita a cada pessoa o cumprimento de suas
obrigações; é um autodomínio, é a capacidade de utilizar a liberdade pessoal, isto é, a
possibilidade de atuar livremente, superando os condicionamentos internos e externos que se
apresentam na vida cotidiana. Mas, também, significa instruir, educar, treinar, dando ideia de
modelagem total de caráter. Assim, a palavra disciplina, além de significar, em sentido
acadêmico, matéria, aula, cadeira ou cátedra, também é utilizada para indicar, em educação, a
disposição dos alunos de seguir os ensinamentos e as regras de comportamento estabelecidas.
A Psicologia, a Sociologia e outras ciências sociais tentam explicar o fenômeno da
disciplina tanto nos meios acadêmicos quanto na sociedade. No campo militar, por exemplo, a
disciplina é considerada uma qualidade a ser perseguida pelos soldados, com o objetivo de tornálos aptos a não se desviarem de uma conduta padrão, desejável para o bem comum da tropa,
mesmo em situações de pressão extrema.
Por isso, disciplina é um conceito há muito discutido por vários autores das ciências
sociais. Para Michel Foucault, a disciplina tem ligação direta com o poder, pois, segundo ele, o
poder é a ação das forças em detrimento de algo ou de alguém que apresenta fragilidade ou
submissão em relação ao outro. O olhar hierárquico, que estigmatiza e reprime o que não é
aceitável, tem como objetivo disciplinar o corpo. Torná-lo um corpo dócil – termo usado por
Foucault. “A disciplina aumenta as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e
diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência)”.
Ainda seguindo o raciocínio de Foucault (1997, p.118), essa “docilidade”, ou esse corpo
dócil, faz com que a disciplina transforme o homem em “homem máquina”, ser analisável e
produtivo, corpo manipulável: “é dócil um corpo que pode ser submetido, que pode ser utilizado,
que pode ser transformado e aperfeiçoado”.
A disciplina “visa não unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco
aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto
mais obediente quanto é mais útil, e inversamente” (FOUCAULT, 1997, p.127). Portanto, ela
fornece subsídios para o aprimoramento das técnicas, todavia, aumentando em grandeza
diretamente proporcional, suas utilidades enraizadas em preceitos de docilidade.
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Foucault situa o corpo como objeto (e instrumento) de manipulação do poder, que precisa
ser controlado para ser e permanecer produtivo. Daí afirmar que “um corpo disciplinado é a base
de um gesto eficiente” (FOUCAULT, 1997, p.130). Essa concepção ganha cada vez mais força
na contemporaneidade, visto que o homem ainda deve se submeter a condicionamentos que
servem, acima de tudo, para manter o status quo. Esse jogo de influências que atravessa todos os
aspectos de nossas vidas se torna cada vez mais forte à medida que se alimenta a crença de que a
disciplina é importante para o desenvolvimento de uma sociedade mais próspera.
Assim, chega-se a um impasse, onde o indivíduo é, ao mesmo tempo, alvo do poder e
também seu produto. “O indivíduo é, sem dúvida, o átomo fictício de uma representação
ideológica da sociedade; mas é também uma realidade fabricada por essa tecnologia específica de
poder que se chama disciplina” (FOUCAULT, 1997, p.172).
Émile Durkheim analisa a disciplina a partir dos processos educativos. A educação,
segundo Durkheim, é um processo social que põe em contato a criança com uma sociedade. A
socialização da criança é um processo educativo, que executa a sua preparação para a vida social.
Entre o indivíduo, dotado de vontades, e a coletividade, também dotada de vontades, terá que
predominar, segundo Durkheim, as vontades da coletividade sobre as vontades individuais.
Émile Durkheim (1978, p.41) diz que:
A educação é a ação exercida, pelas gerações adultas, sobre as gerações que não se
encontrem ainda preparadas para a vida social; tem por objetivo suscitar e desenvolver,
na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela
sociedade política no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança, particularmente,
se destine. (DURKHEIM, 1978, p.41)
Durkhein, por um lado, defende a disciplina como o mais importante elemento da
moralidade e, por outro lado, considera a penalidade como um dos meios de os educadores
conseguirem que os alunos atinjam o estágio moral desejável e necessário para a vida em
sociedade. Para ele, a internalização das regras e dos valores estabelecidos faz com que o
indivíduo atinja a verdadeira liberdade.
Abordando a disciplina na perspectiva das relações sociais, Foucault (1985) considera que
essas relações são, fundamentalmente, relações de poder e de resistência.
A análise de Foucault (1985) faz com que se perceba a resistência que existe nas relações
de poder. Ele afirma que o poder da disciplina está na sua função maior de adestrar. A disciplina
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fabrica indivíduos. Ela é a técnica específica de um poder que toma os indivíduos, ao mesmo
tempo, como objetos e como instrumentos de seu exercício. Para ele, na essência de todos os
sistemas disciplinares, funciona sempre um mecanismo penal. Esse mecanismo funciona como
um repressor, através de toda uma micropenalidade do tempo (atrasos, ausências, interrupção de
tarefas), da atividade (desatenção, etc.), da maneira de ser (grosseria), dos discursos (tagarelice),
do corpo e da sexualidade.
Para Durkhein (1984), a moral constitui-se num conjunto de regras definidas e específicas
que determinam, de forma imperativa, a conduta. A disciplina transmite hábitos à vontade,
impõe-lhe freios, regulariza-a e a contém. A limitação da vontade é a condição da saúde moral e,
portanto, da felicidade do homem e, por isso, a disciplina é útil não somente à sociedade, como
meio indispensável sem o qual não poderia haver cooperação regular, mas também ao próprio
indivíduo. É através dela que o homem aprende a moderação e consegue ser feliz.
A disciplina, ao ser incorporada pelo indivíduo, facilita o cumprimento de suas obrigações
sociais, pois tende a desenvolver no indivíduo o autodomínio e a capacidade de utilizar a
liberdade pessoal, enquanto exercício de cumprimento das regras socialmente construídas e
impostas à coletividade.
A sociedade precisa de ordem e controle sobre os indivíduos e através da disciplina podese conseguir uma sociedade mais eficaz, mais organizada e eficiente. A disciplina é a técnica que
fabrica indivíduos úteis e está na existência do ser humano na sociedade.
3.1. Disciplina na escola
A escola lida com os conteúdos sistematizados através do desenvolvimento do processo
de ensino e aprendizagem, devendo atuar com competência para resolver situações concernentes
à disciplina dos alunos na sala de aula e em outros ambientes de aprendizagem. Percebe-se que a
escola exerce enorme influência na formação do indivíduo, pois cabe ela trabalhar de forma
sistematizada e metodológica para cumprir sua finalidade, que é educar para a sociedade.
A disciplina escolar atinge todos os indivíduos que fazem parte dessa organização:
diretores, funcionários administrativos, professores, alunos, etc. Todos se orientam por um
código de conduta, conhecido sob a designação regulamento escolar. Esse regulamento,
obrigatório em todas as escolas, define aquele que se espera que seja o modelo de
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comportamento, para todos os membros envolvidos, e orienta as relações sociais no seio da
escola.
Na escola, é proibido falar durante a aula; tem que assentar-se na posição correta para não
agredir a coluna; não pode levantar-se da cadeira; é preciso levantar a mão para falar, para dizer
que precisa ir ao banheiro. No recreio, não se deve correr para não cair; é aconselhável não
brincar com terra, porque suja o corpo e o material escolar; não pode ir beber água o tempo todo;
durante as atividades, não se pode olhar de lado nem conversar com o colega. Esses são exemplos
em relação aos estudantes. Os professores, por sua vez, também não podem fazer uma série de
coisas como, por exemplo, se ausentar da sala, usar roupa curta ou deselegante.
Às vezes, o professor precisa calar diante de injustiças e grosserias frente às possíveis
punições ou ameaças. Foucault estuda os mecanismos da disciplina como poder exercido sobre os
corpos, corpo que se manipula, se modela, se treina, que obedece, responde, se torna hábil ou
cujas forças se multiplicam (FOUCAULT, 1997, p. 117). O corpo se torna objeto e alvo de
poder. Para Foucault, o poder, em todas as sociedades, está ligado ao corpo. É sobre ele que se
impõem as obrigações, as limitações e as proibições. Daí surge a noção de docilidade, o corpo
dócil pode ser submetido, utilizado, transformado, aperfeiçoado em função do poder.
A disciplina constitui um elemento intra-escolar que sustenta a escola. Foucault define
disciplina como “métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que
realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõe uma relação de docilidade-utilidade”
(FOUCAULT, 1997, p.118).
O sucesso da disciplina precisa de um olhar hierárquico, castigo normalizador e uma
combinação que é especifica do castigo, o exame. Isso compõe o poder disciplinar e suas técnicas
minuciosas, às vezes íntimas, mas com considerável importância “porque define um certo modo
de investimento político e detalhado do corpo, uma nova ‘microfísica’ do poder” (FOUCAULT,
1997, p.120).
É fácil constatar essas minúcias no cotidiano escolar. Um olhar, um psiu, a batida do
apagador no quadro ou na mesa, o nome escrito no quadro, o encaminhamento à coordenação, os
cinco minutos sem recreio, as observações na caderneta, as notas no boletim, o uso de óculos
escuros em dia de avaliação. Tudo isso são táticas usadas com frequência para garantir a
“normalidade”.
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Outras relações de poder, como as chamadas dos professores ou outros funcionários pela
supervisão ou direção e as conversas de alerta também são comuns, assim como os instrumentos
de punição: assinar termo de compromisso, desconto salarial, demissão. Já com os pais, o poder
presente no discurso apresenta todos os registros sobre o estudante e antecipa a reprovação ou sua
saída da escola. Essas ações são “pequenas astúcias dotadas de um grande poder” (FOUCAULT,
1997, p.120).
Foucault fala que a “disciplina é uma anatomia política do detalhe” (FOUCAULT, 1997,
p.120). Em outras palavras, a disciplina se torna a forma estruturada e organizada das relações
humanas por meio dos detalhes. Os mínimos detalhes formam a política de controle e utilização
dos homens, que vêm se desenvolvendo desde a era clássica, com técnicas, processos, saberes,
descrições, receitas e dados. Foucault (1997) acredita que em meio disso nasceu o homem
moderno.
Para Foucault (1997), a atuação da disciplina ocupa lugares fechados como escolas,
hospitais e prisões que possuem uma arquitetura panóptica. A organização dos espaços é
compreendida, por Foucault (1997), como capitalizadora do tempo e propiciadora da disciplina
nas práticas coletivas. Assim é a escola, espaço do sistema capitalista e corporativo que se
apropria do corpo e do tempo do estudante.
Para Durkheim (1975), para se ter uma boa disciplina o educador deve ter autoridade
moral, pois é uma qualidade essencial para ele. Pela autoridade que nele se encarna é que o dever
é o dever. O que o dever tem de especial é o tom imperativo com que fala às consciências, o
respeito que inspira à vontade, e que faz inclinar-se, desde que ele se tenha pronunciado. Por isso
mesmo, é indispensável que uma impressão do mesmo gênero resulte da pessoa do mestre.
Não será necessário demonstrar que a autoridade, assim compreendida, nada tem de
violento nem de compressor, consiste tão-somente em ascendência moral. Ela supõe, realizadas
no mestre, duas condições essenciais: primeiro, que ele tenha vontade, porque a autoridade
implica a confiança, e a criança não pode manifestar confiança em quem vê hesitar, tergiversar,
voltar atrás sobre suas decisões. Mas essa primeira condição não é a principal. O que importa,
antes de tudo, é o que o mestre demonstra sentir realmente, a sinceridade, o sentimento da própria
autoridade. A autoridade é uma força que ninguém pode manifestar se, efetivamente, não possuir.
De acordo com Émile Durkheim,
Na autoridade, que assim decorra duma causa impessoal, não pode entrar o orgulho, nem
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vaidade, nem pedanteria. Ela é feita do respeito que o mestre tenha por suas funções ou,
se quiser dizer, de seu ministério. É esse respeito que, por via da linguagem, do gesto e
da conduta, passa de sua consciência para a consciência da criança. (DURKHEIM, 1978,
p.55)
A autoridade do mestre não é mais do que um aspecto da autoridade do dever e da razão.
A criança deve habituar-se a vê-la na palavra do educador, reconhecendo-lhe a força moral. Só
assim saberá, mais tarde, encontrá-la nos ditames da própria consciência, a quem, então, de vez
se entregará.
A escola vive o constante paradoxo de preparar os indivíduos para viverem na sociedade
que aí está e serem, ao mesmo tempo, um espaço de crítica dessa sociedade, preparando os alunos
para serem cidadãos críticos e ativos numa realidade social em constante mudança. A disciplina
contribui muito para que a escola desenvolva seus objetivos com os alunos e a falta de disciplina
atrapalha a escola formar cidadãos críticos para a sociedade. A escola é um campo polêmico de
propostas, tendências, experimentações e ideias.
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4. INDISCIPLINA GERAL E ESCOLAR
Conforme exposto no capítulo anterior, a escola, por ser, inexoravelmente, parte da
sociedade, sofre reflexos do meio em que está inserida. Nota-se que pais e educadores sentem-se
perdidos ao trabalharem conceitos e valores familiares, perante o desrespeito e a falta de ética na
sociedade contemporânea. Pesquisas atuais apontam para a influência dos meios de comunicação
de massa incentivando o consumismo e a adoção de valores materiais imediatistas, assim como a
não aceitação da disciplina.
Os desenhos mostram alto índice de agressividade entre crianças, adolescentes e adultos
que dele fazem parte; os programas infantis ensinam atitudes de insurreição contra o
comportamento adotado pelos pais para a educação; os filmes mostram adolescentes a mercê das
drogas e da violência, sem falar das novelas que ridicularizam o papel do professor frente a toda
sociedade, bem como zombam de toda estrutura familiar que contenha respeito dos valores e da
ética (SZADKOSKI, 1997).
Hoje, os alunos vivem em um mundo diferente, desafiador, com altas tecnologias, têm um
tipo de vida rápido, excitante, típico de um início de milênio. E, não raramente, encontram-se
escolas obsoletas, que exigem que seus alunos fiquem mudos e sentados uns atrás dos outros, sem
olharem-se nos olhos e que, ainda, tenha no professor o detentor único do saber.
Parece um pouco repetitivo falar dessas escolas que parecem ser retratadas no século XIX.
No entanto, apesar de todas novas tendências, muitas escolas continuam a retratar modelos
tradicionais de ensino. Indisciplina escolar não pressupõe movimentação de alunos, mostra de
curiosidade e de espírito crítico e inovador, mas, sim, se indispor com as regras e limites
solicitados pela escola para um saudável convívio social no qual impere o respeito e a dignidade
do ser humano.
Ao contrário do que muitos educadores podem pensar, negociar e buscar normas que
satisfaçam o coletivo e que contemplem a relação professor-aluno não significa abrir mão da
autoridade. Significa, apenas, abrir mão do autoritarismo. O papel da escola e do professor é mais
difícil hoje, porque a sociedade caminha acentuadamente para o individualismo, vivendo uma
profunda crise de valores, e a escola não pode se furtar de dividir conhecimentos sobre
convivência, cooperação, solidariedade, generosidade, complacência, amizade, respeito mútuo e
valorização do outro. E não há didática para ensinar valores: o aprendizado se dá na forma como
o professor se mostra e na sua postura.
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Tradicionalmente, o clima da aula caracterizava-se pela quietude, pela criação de um
grupo de estudantes dóceis, que participavam na aula como menos receptores, o que tinha como
consequência a rapidez do ato pedagógico. Desenvolvia-se pouco a capacidade critica e a
iniciativa individual.
Nos nossos dias, cada vez é mais difícil estabelecer a disciplina e fazer com que a
respeitem. É que, hoje, a posição do aluno é muito diferente daquela conhecida pelos pais e avôs
de agora. Estes viveram entre a família e a escola, em meios homogêneos, quando toda a gente
admitia os modos de vida aceitos pela maioria e rejeitava quaisquer outros. Com o efeito da
evolução das condições gerais de vida, em todos os meios, as crianças tornaram-se mais
independentes, menos dispostas a obedecer à autoridade dos adultos.
Nesses dias, vive-se numa sociedade onde crianças e jovens, em alguns casos, não têm
limites, tampouco regras, pois os pais estão sem autoridade. “As crianças de hoje em dia não tem
limites, não reconhecem a autoridade, não respeitam as regras, a responsabilidade por isso é dos
pais, que teriam se tornado muitos permissivos” (AQUINO, 1998, p.7).
Podemos observar que, atualmente, algumas crianças tornaram-se indisciplinadas, sem
limites, sem regras, ou seja, desconhecem uma boa educação; acham que são donos de si, e que
não precisam receber ou respeitar ordem de ninguém. Esse tipo de criança é aquela que é muito
mimada, que tudo deve estar ao seu alcance, ao tempo e a hora; acha também que os pais devem
comprar tudo que almeje. Tudo isso vem da própria família, muitas vezes como subterfúgios para
que os filhos não sintam a falta dos pais, uma vez que eles trabalham fora o dia todo e, quando
chegam em casa, querem fazer de tudo para agradar aos filhos, principalmente deixando que eles
façam tudo que querem.
A criança tem que aprender a esperar sua vez, a compreender que existem outros e que é
preciso compartilhar. A insuficiência de limites pode conduzir a uma desorientação, a uma falta
de noção dos outros, de respeito, até à criminalidade em alguns casos extremos.
Colocar limites não significa ser autoritário, mas sim ter autoridade. Através da colocação
de limites os pais ensinam a criança a respeitar-se e a respeitar aos outros. Dizer "não" para uma
criança é ensinar-lhe que ela também pode dizer não quando alguém quiser lhe impor atitudes ou
comportamentos. Na medida em que os pais percebem as necessidades da criança, as identificam
e as apontam, ela poderá também identificar quais suas próprias necessidades e como respeitar
seu próprio corpo.
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Por exemplo, se uma mãe percebe que seu filho não está com sono, mas precisa dormir, e
ela é firme e lhe diz que é hora de dormir, mesmo que ele resista aos poucos ele poderá
identificar seu próprio cansaço e a necessidade do corpo de descansar. Existem muitos adultos
que não ouvem as mensagens do próprio corpo, dor, cansaço, fadiga, e passam por cima dos
limites orgânicos, o que, frequentemente, provoca stress e adoecimento.
Colocar limites não significa privar de liberdade. Quanto mais cedo os pais colocarem os
limites de forma afetiva e com segurança de propósitos menos problemas terão na puberdade e na
adolescência, fase na qual as crianças se revoltam contra as imposições desmedidas e transgridem
aquilo que é insuportável.
É importante que os pais dialoguem com os filhos e expliquem quais os propósitos dos
limites. Se, mesmo assim, as crianças não obedecerem, às vezes é necessário colocar sanções,
com o intuito das crianças se responsabilizarem pelos atos e pelas suas decisões. Se um pai
superprotege seu filho, evita colocar limites e dizer não a todas suas vontades, o prejudica, pois
seu filho demorará a se tornar um adulto capaz de aceitar as regras da sociedade.
Esse tipo de criança chega à escola, quer fazer o mesmo na sala de aula, grita e dá ordens
aos colegas, e quer até mesmo mandar a professora calar a boca. Como disse Aquino, a
indisciplina realmente não existe somente atrás do meio sociocultural, ou econômico; ela nasce,
também, através da falta de afetividade, do resgate de valores.
As crianças indisciplinadas não admitem receber ordens e não conhecem as regras que
devem cumprir, nem tampouco os limites impostos pelo professor ou pela escola. Assim, pode-se
ver que a indisciplina, lamentavelmente, gera graves transtornos, em sala de aula e até mesmo na
escola, demonstrados através do descumprimento de regras e da falta de limites que os alunos
evidenciam desafiando os professores por meio de atitudes agressivas.
Para Luengo Fabíola, nas salas de aula especificamente, muitas das queixas dos
professores em relação à indisciplina têm a ver com falar demais, falar alto ou não permanecer
sentado durante o tempo necessário no momento das atividades em sala de aula. Esses são
comportamentos comuns da infância, que passam a ser confundidos, muitas vezes, com distúrbios
e transtornos de comportamento, o que acaba impulsionando o professor a solicitar o auxílio de
especialistas (como pedagogos, psicólogos, neurologistas, psiquiatras e afins) com o intuito de
solucionar tais questões.
A indisciplina, até mais do que os problemas de aprendizagem, é o que leva muitas
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crianças aos consultórios. Alguns estudos caminham com o desejo de compreender a causa da
indisciplina e sua relação com os sexos, pois, segundo Arruda (2006), a ocorrência de transtornos
como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) apresentam maior índice
entre os meninos do que entre as meninas.
Contudo, os especialistas dizem não saber ainda se as meninas são menos acometidas por
transtornos dessa natureza ou se é o diagnóstico que fica prejudicado, pois nas meninas o TDAH
se manifesta de forma diferente, com a criança se apresentando apática e desanimada, enquanto
no menino ocorre o contrário, ele se torna, segundo os neurologistas, indisciplinado e
desatencioso, o que acaba chamando mais a atenção dos professores.
Sendo então o menino mais diagnosticado, por conta das manifestações de indisciplina,
pode-se dizer que se reafirma a suposição principal de que a indisciplina tem relação com o
diagnóstico de TDAH caracterizada por distração, agitação / hiperatividade, impulsividade,
esquecimento, desorganização, adiamento crônico, entre outras. Pessoas com TDAH têm
dificuldade em manter a concentração, costumam ser agitadas e têm problemas para fazerem as
coisas até o final. Encontrar esses sintomas em crianças e adultos é comum. Porém, quando se
trata do transtorno, as queixas são mais frequentes e os sintomas muito mais intensos. Há
diagnóstico e tratamento para TDAH, o que pode prevenir e aliviar muito sofrimento. Por sua
vez, crianças que apresentam comportamentos considerados indisciplinados podem acabar sendo
diagnosticadas erroneamente, e, consequentemente, medicadas por conta da manifestação
indisciplinar.
A sala de aula deve ser vista como espaço de encontro onde aluno e professor unem-se
para refletir sobre as questões que, muitas vezes, se encontram além dos livros.
O professor não é um mero transmissor de conhecimento, e o aluno não é um mero
receptor; são partes de um processo educativo que só flui de maneira positiva quando ambos se
respeitam e reconhecem, no outro, a sua importância. Tal importância da presença e da mediação
do conhecimento e do aprendizado pelo outro reflete a concepção de um processo social de uma e
outra esfera.
A escola tem uma forma disciplinar de funcionamento subjacente a uma perspectiva
educativa, um modo massificante e organicista de ver a criança que, apartada de suas condições
culturais e sociais, é analisada de forma superficial e ambígua. Ao valorizarem em demasia a
ordem, a escola deixa de promover práticas de vivências democráticas para aplicar as normas
20
disciplinares que possuem a finalidade de modificar comportamentos.
Além disso, a escola tem as funções de produção e reprodução, que mantêm a
desigualdade social legitimando o conhecimento dominante, sem levar em consideração as
necessidades dos alunos, fazendo da sala de aula apenas um lugar de transmissão de
conhecimento.
Segundo Durkheim (1984), a escola, como instituição social, inculca normas e valores, e
corrige desvios, através da repetição das tarefas e da imitação. Pode-se pensar, também, que a
mesma escola que corrige desvios produz desvios, dado que na esteira produtiva da repetição os
moldes deformam-se com o uso, reproduzindo peças assemelhadas, mas não idênticas. Na
infância, adolescência e juventude, esse processo de socialização pela educação dá-se de forma
mais intensificada, e pode-se dizer que ocupa lugar privilegiado na construção das identidades.
Nesse processo de construção de suas identidades, as crianças e os jovens encontram-se
inextricavelmente, de forma positiva ou negativa, com o processo de escolarização.
Pode-se concluir que a indisciplina é apresentada em alguns aspectos, ou seja, esta se
torna evidenciada na relação social do aluno com os demais colegas, no que se diz cooperação
entre eles. Ainda, esta torna-se visível mediante ao acatamento às normas em relação ao convívio
com a comunidade na qual encontra-se inserida. Convém esclarecer que a disciplina também
apresenta-se no sentido de cooperação no desenvolvimento das atividades escolares e no respeito
com os colegas. Nisso, estão normalmente repletos de razão, já que muitas famílias não estão
objetivamente cumprindo sua função civilizatória básica.
Nessa perspectiva, entende-se que os pais não estão cumprindo o seu papel como
realmente deveria ser, ou seja, não impõem limites aos filhos, e estes não têm princípios éticos e
morais, acham que da maneira que procedem em casa podem proceder na escola também; são
pessoas indisciplinadas, que simplesmente não querem ter respeito por ninguém.
De acordo com Luengo Fabíola (2010), a família não está cumprindo a função
civilizatória básica, ou seja, não está criando um ser humano racional civilizado. Isso implica
que, se continuar assim, os valores morais estarão ameaçados de extinção.
Pode-se entender, ainda, que a família é o berço cultural e social de um indivíduo, e a esta
compete criar alguém como cidadão, o qual saiba comportar-se perante tudo e todos
civilizadamente.
Segundo Oliveira (2005, p.21),
21
Além de a indisciplina causar danos ao professor e ao processo ensino-aprendizagem, o
aluno também é prejudicado pelo seu próprio comportamento: ele não aproveitará que se
nada dos conteúdos ministrados durante as aulas, pois o barulho e a movimentação
impedem qualquer trabalho reprodutivo.
Por essa visão, entende-se que a indisciplina causa graves problemas ao ensinoaprendizagem, pois dificulta a aquisição e transmissão do conhecimento. Em uma aula onde há
muito barulho e movimentação, claramente o educador não conseguirá desenvolver um bom
trabalho, devido à dificuldade enfrentada através de alguns alunos indisciplinados. E o problema
da indisciplina torna-se mais agravante em salas superlotadas, sem espaço físico favorável,
pedagogicamente falando.
Os educadores, em alguns momentos, perdem até mesmo o estímulo pela profissão, por
não aguentarem alguns alunos, que não respeitam ninguém, não têm limites e não querem
obedecer nenhum tipo de regra.
4.1. O poder disciplinar x escola
Foucault, citado por Cruz e Freitas, diz que:
Não são apenas os prisioneiros que são tratados como crianças, mas as crianças como
prisioneiras. As crianças sofrem uma infantilização que não é delas. Nesse sentido, é
verdade que as escolas se parecem um pouco com as prisões. (FOUCAULT, 1985, p.73)
Sabe-se que na sua obra Vigiar e Punir (2008), Foucault se preocupa em estudar a questão
das instituições penais, sendo seu foco principal o estudo do poder e da nova tecnologia de
controle dos corpos que incidia sobre os prisioneiros, surgida a partir do século XVIII. No estudo,
ele se refere ao esquadrinhamento disciplinar da sociedade, que consistia em um controle
minucioso sobre a vida, os movimentos, o corpo do indivíduo. Durante suas análises, Foucault
notou que esse tipo de controle disciplinar não era exclusivo das prisões, e sim permeava várias
instituições, como as fábricas, exércitos, hospitais e escolas.
As construções das escolas obedecem a quase todas essas disposições e com uma
peculiaridade importante: a posição da sala da diretoria permite ter uma visão global de todo
estabelecimento, um “olhar panóptico” - uma construção que se aproxima ao Panóptico de
22
Bentham. O panoptismo é característica das prisões, mas, certamente, está presente nas
instituições escolares. Mesmo que não apresente efetivamente todas as características descritas, a
funcionalidade do posicionamento da sala da diretoria e supervisão remete a uma forma de
vigilância efetiva.
Nas escolas, as práticas transgressoras são “registradas” na forma de “ocorrências”. As
ocorrências relatam as ações dos alunos e dos professores e, posteriormente, são avaliadas e
arquivadas. Através dessas “ocorrências”, ambos podem ser suspensos ou expulsos (no caso dos
professores, são exonerados do cargo por serem funcionários públicos) dependendo da gravidade
do ocorrido.
A escola torna-se “(...) um espaço fechado, recortado, vigiado em todos os seus pontos,
onde os indivíduos estão inseridos num lugar físico onde os menores movimentos são
controlados onde todos os acontecimentos são registrados (...)” (FOUCAULT, 1977, p. 174).
Esse tipo de vigilância permite a diretoria um controle sobre todas as movimentações na escola:
quem está no corredor, quem vai ao banheiro, a classe “indisciplinada” e outros mais.
A escola, essa mesma instituição onde interagem professores e alunos cruzando os seus
próprios trajetos e projetos, tem de ser concebida como um espaço relacional e, por isso, uma
organização onde vivem, convivem e trabalham professores, alunos e outros agentes, em estreita
ligação e interdependência entre si e com o meio exterior, devendo haver disciplina para que tudo
possa dar certo e todos tenham uma ótima convivência.
Nas escolas, assim como em diversas outras instituições, o controle disciplinar é mantido
e exercitado. O estudo de Foucault (1997) permite analisar a escola como um espaço de produção
de disciplina e saber, onde aquele é instaurado e aceito. Podemos dizer que, na escola, “ser
disciplinado” compensa, pois nessa instituição fica claro o jogo de recompensas e honras. Esse
jogo de premiações ao bom aluno disciplinado tem dois efeitos, que são distribuir os estudantes
conforme suas habilidades e seu comportamento, e exercer sobre os alunos o mesmo modelo,
para que todos sejam dóceis e úteis. Na escola, todos têm que se parecer.
O poder disciplinar não coage em sentido direto, mas atinge seus objetivos através da
imposição de uma conformidade que deve ser atingida. Em suma, ele normaliza, ou seja,
molda os indivíduos na direção de uma norma particular, uma norma sendo o padrão de
certo tipo. A disciplina determina o que é normal e, depois, desenvolve medidas e
práticas para avaliar se os indivíduos são normais e para moldá-los segundo uma norma.
(DAHLBERG Apud SANTANA, 2007, p.121)
23
O novo modelo punitivo não previa somente a punição do indivíduo, mas seu
“adestramento”. Não se importava mais punir por punir, mas punir para ensinar.
Todos os alunos da escola deveriam atender ao modelo estabelecido, toda desvirtualização
da regra deveria ser punida, para se aprender a sempre se fazer o correto.
No regime da sociedade disciplinar como a nossa, a punição, ao discriminar os
comportamentos dos indivíduos, passa a diferenciá-los, a hierarquizá-los em termos de
uma conformidade a ser seguida, ou seja, a punição não objetiva sancionar a infração,
mas controlar, qualificar o indivíduo, não interessando o que ele fez, mas o que é, será
ou possa ser. As punições são da ordem do exercício, implicando o aprendizado
intensificado, multiplicado, repetido, em suma, punir é exercitar. (GUIMARÃES, 2003b,
p.86).
Na escola, assim como nas demais instituições disciplinares, a punição ocorre por meio de
micropenalidades, que dizem respeito aos desvios quanto ao tempo, hábito, gestos,
comportamento, corpo, sexualidade e discurso.
O corretivo para a redução dos desvios dar-se-ia pela aplicação do castigo disciplinar. As
punições são muitas da ordem do exercício, do aprendizado intensificado, multiplicado,
repetido, do que a vingança da lei ultrajada [...] O sistema operante no treinamento
escolar é o da gratificação-sanção. (GUIMARÃES, 2003b, p. 27)
Sem disciplina, seria quase impossível realizar-se a aprendizagem. Em qualquer atividade
que o aluno realize é preciso haver disciplina. A disciplina, como visto anteriormente, é um
conjunto de regras que servem para o bom andamento da aprendizagem escolar. Portanto,
podemos concluir que ela é uma questão de qualidade de relacionamento humano, isto é, ela é
uma questão de qualidade entre o professor e o aluno.
O controle minucioso dos alunos ocorre por meio do esquadrinhamento do tempo, espaço,
atividades e corpo. O controle de todos esses movimentos garante que os indivíduos saiam da
escola com uma docilidade e utilidade ideal ao mundo capitalista.
O corpo entra numa “mecânica do poder” que “o esquadrinha, o desarticula e o
recompõe” (FOUCAULT, 2008, p.119). Essa anatomia política do corpo permite que seja
retirada toda a sua força produtiva e diminuída toda a sua força no âmbito de manifestação
política. Com isso, o indivíduo tona-se útil economicamente e dócil politicamente. Nesse sentido,
Foucault argumenta:
24
Na escola, o controle de mínimas parcelas da vida e do corpo dos estudantes, por meio
das práticas disciplinares, oferece todo um conjunto de saber, de dados, de receitas que
permitem o controle e utilização dos indivíduos que configuram o ambiente escolar.
(FOUCAULT apud GUIMARÃES, 2003 b, p.34)
Na escola, ser constantemente observado e anotado passa a ser um meio de dominação e
um mecanismo produtor de individualidades. A criação de um arquivo documentário da vida do
estudante permitiu a entrada do indivíduo num novo campo de saber e o poder disciplinar passa a
recair sobre o corpo do indivíduo em situação escolar.
Os efeitos do poder disciplinar multiplicam-se na rede escolar em decorrência do maior
acúmulo de conhecimentos adquiridos sobre o aluno a partir da sua entrada nesse novo campo do
saber.
[...] a escola foi a instituição moderna mais poderosa, ampla, disseminada e minuciosa a
proceder a íntima articulação entre o poder e o saber, de modo a fazer dos saberes a
correria (ao mesmo tempo) transmissora e legitimadora dos poderes que estão ativos nas
sociedades modernas e que instituíram e continuam instituindo o sujeito.(VEIGANETO, 2007, p.114).
A escola, como as demais instituições disciplinares, produz poder, sendo pela vigilância
que esse poder passa a se organizar em multiplicidade, de forma automática e anônima, atuando
diretamente na vida dos que nela estão inseridos, fazendo funcionar assim, uma “rede de
relações”.
A escola, com seus mecanismos disciplinares, levam as pessoas a aceitarem o poder de
serem punidas e também de punir. A vigilância, a punição, os horários e as demais técnicas
disciplinares, além de moldar corpos, procura neutralizar possíveis movimentos de contrapoder,
sendo esses movimentos representados na escola por vandalismo, depredação, motins e demais
atos indisciplinares. A escola impede, assim, que movimentos contra o poder se instaurem e
resultem numa forma mais vasta de manifestação.
Se as depredações acusam os descontentamentos e críticas a toda a instituição escolar,
tenta-se impedi-las exercendo uma vigilância constante no comportamento dos
indivíduos e estabelecendo o padrão ideal de atitudes perante a escola, com o objetivo,
dessa forma, de evitar que as indisciplinas se transformem em armas contra as estruturas
já estabelecidas. (GUIMARÃES, 2003b, p.41).
25
A pedagogia da escola atual cria a possibilidade de esquadrinhar comportamentos e
estabelecer sobre eles uma rígida vigilância. As regras disciplinares visam ao controle do espaço,
tempo e corpo, e, assim, cria indivíduos submissos, peças fundamentais para a manutenção do
sistema social assim como está, pois, como Foucault (1985, p.188) mesmo comenta, esse tipo de
poder é uma das grandes invenções da burguesia e foi instrumento fundamental para o
capitalismo industrial e do formato de sociedade que lhe é correspondente.
4.2. Educação Formal / Informal
A educação formal pode ser resumida como aquela que está presente no ensino escolar
institucionalizado, cronologicamente gradual e hierarquicamente estruturado, e a informal como
aquela na qual qualquer pessoa adquire e acumula conhecimentos, através de experiência diária
em casa, no trabalho e no lazer.A educação formal tem objetivos claros e específicos e é
representada principalmente pelas escolas e universidades.
Ela depende de uma diretriz educacional centralizada como o currículo, com estruturas
hierárquicas e burocráticas, determinadas em nível nacional, com órgãos fiscalizadores dos
ministérios da educação. Intencional, sistematizada, tem objetivos pré-determinados, conteúdos
escolhidos, metodologia, avaliações, sequência (séries, semestres, anos...) e etc.
Na educação formal, entre outros objetivos destacam-se os relativos ao ensino e
aprendizagem de conteúdos historicamente sistematizados, normatizados por leis, dentre os quais
destacam-se o de formar o indivíduo como um cidadão ativo, desenvolver habilidades e
competências várias, desenvolver a criatividade, percepção, motricidade etc.
A educação formal requer tempo, local específico, pessoal especializado, organização de
vários tipos (inclusive a curricular), sistematização sequencial das atividades, disciplinamento,
regulamentos e leis, órgãos superiores etc. Ela tem caráter metódicos e , usualmente, divide-se
por idade/classe de conhecimento.
Na educação formal espera-se, sobretudo que haja uma aprendizagem efetiva (que,
infelizmente nem sempre ocorre), além da certificação e titulação que capacitamos indivíduos a
seguir para graus mais avançados.
Na educação informal, não há lugar, horários ou currículos. Os conhecimentos são
26
partilhados em meio a uma interação sociocultural que tem, como única condição necessária e
suficiente, existir quem saiba e quem queira ou precise saber. Nela, ensino e aprendizagem
ocorrem espontaneamente, sem que, na maioria das vezes, os próprios participantes do processo
deles tenham consciência.
Além dessas duas formas de educar, formal e informal, facilmente reconhecidas por suas
características bem distintas e definidas, há outras formas de transmissão cultural originárias da
complexidade e do avanço contínuo da nossa civilização.
A educação informal possui muitas significações distintas. Autores como Brandão (1985),
definem como sendo aquela que está relacionada com o processo “livre” de transmissão de certos
saberes, tais como: a fala comum a um dado grupo, as tradições culturais e demais
comportamentos característicos das diversas comunidades presentes em uma sociedade. Outros
como Furter (1978) definem como sendo todo e qualquer processo educativo ocorrido em
instituições que não pertençam as Redes Escolares de Ensino (escolas federais, municipais e
estaduais além de escolas privadas credenciadas pelos órgãos educacionais competentes).
É realizada na família, como primeiro e privilegiado espaço de transmissão da cultura, se
estendendo ainda no convívio com amigos, nas atividades de trabalho e lazer, nos veículos de
informação, etc.
A educação informal caracteriza-se por não ser intencional ou organizada, mas casual e
empírica, exercida a partir das vivências, de modo espontâneo. Educação informal abrange todas
as possibilidades educativas, no decurso da vida do indivíduo, construindo um processo
permanente e não organizado.Assistemática também conhecida como informal, não se tem um
cronograma ou uma intenção definida ela se dá de maneira aleatória (assistemática), ex.: na
família, nas igrejas na nossa comunidade, etc.tudo o que se aprende sem que seja propriamente
ensinado, são as influências que recebemos da sociedade, culturalmente, ecologicamente, etc.
A
educação
informal
socializa
os
indivíduos,
desenvolve
hábitos,
atitudes,
comportamentos, modos de pensar e de se expressar no uso da linguagem, segundo valores e
crenças de grupos que se frequenta ou que pertence por herança, desde o nascimento Trata-se do
processo de socialização dos indivíduos. A educação informal não é organizada, os
conhecimentos não são sistematizados e são repassados a partir das práticas e experiência
anteriores, usualmente é o passado orientando o presente.
27
Ela atua no campo das emoções e sentimentos. É um processo permanente e não
organizado. Na educação informal os resultados não são esperados, eles simplesmente acontecem
a partir do desenvolvimento do senso comum nos indivíduos, senso este que orienta suas formas
de pensar e agir espontaneamente.
As pessoas que rodeiam o aluno, mais propriamente as pessoas de família, influem muito
no seu comportamento, portanto os pais são os primeiros educadores. A extraordinária influencia
dos que quotidianamente tratam com os alunos reflete-se em muitos dos atos praticados por eles.
A ação da família começa desde o berço, muito antes da ação da escola. Tendo uma grande
importância à ação familiar na tarefa educativa, reconhecida pela escola, nela impõe-se uma
intima colaboração, que deverá significar a ajuda mútua na consecução do ideal educativo.
Pais frequentemente procurar educar seus filhos, e grande parte das vezes tentam fazê-lo
através do ensino (via de regra, verbal). As atitudes, o comportamento dos pais, porém, podem
ensejar a aprendizagem e compreensão de conteúdos muito valiosos, principalmente na área da
moralidade, sem que os pais tenham a intenção de que seus filhos aprendam alguma coisa em
decorrência da maneira pela qual se comportam. E assim por diante.
4.3. Indisciplina e a influência familiar
A alta influência da família reflete em muitos dos atos praticados pelos alunos, pois esta
influência começa desde o berço, muito antes da ação da escola. E a importância desta ação
familiar na tarefa educativa reconhecida escola necessita de uma colaboração entre ambas as
partes.
A falta de limites na educação das crianças torna-se cada vez mais um problema
alarmante, em razão da dificuldade que os pais encontram em dizer não. Isso porque eles têm
medo de parecerem rígidos demais, sentem dó e medo de perder o afeto dos filhos. Outro fator
seria a falta de respeito para com o professor. Os próprios pais não passam para os filhos o valor
de um bom estudo, o valor de um professor, não ensinam a ter gratidão.
Às vezes, os pais dão liberdade demais aos filhos, alegam que eles precisam ser
responsáveis e livres, mais essa atitude, os filhos por fim são também alunos e acabam ficando
28
cheio de vontades e fazem somente o que querem e têm vontade, e, assim, os pais/ alunos e as
escolas acabam sofrendo com estes resultados.
A título de se colocarem como amigos dos filhos, muitos pais acabam sendo cúmplices de
erros que nada contribuem para a formação das crianças. Os pais de hoje não se dão conta que
cabe a eles orientar e proteger seus filhos e tampouco conseguem conciliar disciplina com
liberdade.
Diante de tamanha responsabilidade, impor limites - aprender o tão difícil não quando
necessário - é um dos caminhos para quem quer formar cidadãos produtivos, participativos,
críticos e respeitosos.
O respeito deve ser conquistado dia após dia. A autoridade, tanto do professor quanto dos
pais, deve abranger as áreas intelectuais, éticas, profissionais e humanas.
Com isso, um comportamento mais ou menos indisciplinado de um determinado aluno
depende de suas experiências, de sua história educativa, que sempre terá relações com as
características do grupo social inserido.
O problema indisciplina não deve ser encarado como alheio à família nem tampouco à
escola, já que ambas são as principais agências educativas, enfim, é necessário uma parceria
entre a escola e a família para um bom resultado no processo ensino aprendizagem e para formar
bons cidadãos, que respeitam seu próximo e que deem valor a uma boa formação.
3.4. Causas e consequências da indisciplina escolar
Várias discussões de autores são abertas a respeito da indisciplina tentando encontrar o
agente causador de tal princípio. E em meios de tantos questionamentos a fim de encontrar o
verdadeiro culpado a este descaso tem gerado problemas gravíssimos para o processo educativo.
No entanto, sabe-se que a família é a base principal da formação neuropsicológica de um
ser humano, e se esta não entende a sua importância, obviamente causará danos gravíssimos na
vida de um futuro cidadão, o qual, com certeza, levará sequelas para o seu meio, e dependendo
das sequelas teremos um sujeito altamente desequilibrado que, muitas vezes, não responderá
pelos seus atos.
29
Segundo Arruda (2006), suas principais características são a falta de atenção, indisciplina,
agitação e impulsividade, que podem variar na intensidade e sempre têm início na primeira
infância, ou seja, segundo o autor, ainda na creche ou na pré-escola, quando a criança passa a
manifestar comportamentos considerados hiperativos. O TDAH é visto também como uma
doença causada por vários fatores, inclusive por problemas maternos que surgem durante a
gravidez: depressão, tabagismo, alcoolismo, irritabilidade e outros que são reconhecidos como
indicadores genéticos e não como fatores psicossociais externos, indicando uma contradição na
perspectiva de alguns especialistas da área, que o consideram determinado apenas geneticamente.
O TDAH, segundo os especialistas, não apresenta nenhuma forma de diagnóstico
específica nos resultados de exames em que se utiliza somente a avaliação clínica. Então, há a
possibilidade de que o transtorno esteja sendo diagnosticado a partir das queixas constantes dos
professores, que estimulam os familiares a procurar ajuda médica e psicológica. A opinião do
professor é um fator influenciador no diagnóstico médico, visto que, não havendo a
disponibilidade de exames que possam fazer o diagnóstico, os profissionais avaliam a criança
através de questionários que são aplicados no âmbito clínico, durante a consulta médica e/ou
psicológica, levando em consideração as verbalizações da família e as reações momentâneas da
criança. (ARRUDA, 2006)
Nota-se, também, que em bairros carentes, onde predominam as banalizações e o custo de
vida é difícil, ou seja, onde existem pessoas desempregadas, com fome e sem perspectiva de vida,
a tendência ao desequilíbrio emocional e psicológico é enorme. E com certeza este problema
estará enraizado nos lares e baseado nisto, a probabilidade de brigas e violência em família é
grande. Pode-se se chamar este tipo de lar, como desestruturado, pois este predomina, falta de
amor, carinho, compreensão, afetividade e principalmente a falta de diálogo, e então os filhos
terão reflexo de tudo isto. Por que um lar onde os pais não se respeitam e brigam na frente das
crianças, logicamente trará a estes fortes problemas vindouros.
Segundo Tiba (1996, p.110)
O único animal que construiu uma civilização foi o ser humano. A civilização é
caminhar evolutivo da sociedade. A sociedade é composta de organização, famílias e
indivíduos, assim como o corpo humano é formado por aparelhos, composto por órgãos
que por sua vez, são formados por células.
30
O interessante é que Tiba comparou a organização do ser humano com a organização do
corpo, onde se pode entender a importância da união entre estes e que nenhum passa sem o outro;
comparando então família e sociedade denota-se que ambas devem andar juntos, ou seja, é do
meio de uma família que se tem um cidadão, o qual atuara em sei meio social.
Existem crianças que o lar contém de tudo e oferece todos os meios para que esta se
eduque, mas lamentavelmente o excesso acaba por contribuir para a indisciplina desta criança, e
então teremos ai, a falta de limites e regras, pessoas mimadas sem entendimentos, que acham seu
espaço pequeno e começam adentrar-nos dos outros.
E este tipo de criança chega à escola e não quer respeitar ninguém, tornando-se
inconsequente nos seus atos, pois em seus lares desfrutam de tudo que almejam. Os pais não
impõem regras nem tampouco limites, deixa-os à vontade para fazerem o que quiserem. Sem
falar que esse tipo de aluno é bancado na escola privada, onde predomina o dinheiro, e os
critérios avaliativos não são tão rígidos.
E, então, Tiba (1996, p. 168) afirma:
Há pais que, que por pagarem uma escola, acham que a mesma é responsável pela
educação de seus filhos. Quando a escola reclama de maus comportamentos ou das
indisciplinas do aluno, os pais jogam a responsabilidade sobre a própria escola.
Lamentavelmente, existem esses tipos de pai que ficam aleatórios à aprendizagem de seus
filhos, preocupando-se apenas com seus próprios interesses, e quando a escola envia um
comunicado a respeito da insatisfação educacional, o pai se revolta, e acha que a escola é a
unicamente culpada deste problema, e então ameaça de tirar, ou melhor, transferir seu filho para
outro lugar, tentando assim intimidar a escola. Mas na realidade esta família não esta avaliando o
que esta acontecendo e que isto não esta ajudando e sim, atrapalhando o processo educacional.
Também há aquele tipo de aluno, que devido não ter um lar equilibrado, trás consigo
vários problemas emocionais, e então, isto se torna como uma ferida aberta que tudo toca nesta, e
quando este educando, depara-se com um novo grupo, encontra-se dificuldades em fazer
amizades e socializar suas idéias com estes. E todos estes fatores refletem dentro da sala de aula.
Em consonância a isso, Giancanterino (2007, p. 87) afirma:
31
A indisciplina em sala de aula e na escola tem sido uma preocupação crescente nos
últimos anos entre os educadores. Os grandes responsáveis pela educação de jovens,
como a família e a escola, não estão sabendo ou conseguindo cumprir o seu papel.
A indisciplina tem tornado-se cada vez mais um problema, tanto para a família como para
a escola, e ambas não estão conseguindo lidar com a situação.
O aluno chega à sala de aula, começa brigar com os colegas, espancando-os, rasga os
cadernos e não quer participar das aulas, fica conversando nos horários de aulas sem limitações,
pula em cima das carteiras quebrando-as, sem falar que tem alunos agressivos que ameaça a
professora de morte. E esse aluno indisciplinado começa então a perturbar as aulas, não querendo
deixar a educadora ministrá-los, e essa realidade alem de estar nos lares e na escola vai também
para o meio social, e quando esse indivíduo vai para a sociedade tem-se mesmo um chefe de
família desequilibrado ou quem sabe ate um drogado, ou melhor, um traficante.
Portanto, para Parrat – Dayan citado em Silva (2009, p.2):
(...) O problema de indisciplina pode ser provocado por problemas psicológicos ou
familiares, ou da construção escolar, ou das circunstâncias sócio – históricas, ou então,
que a indisciplina é causada pelo professor, pela sua responsabilidade, pelo seu método
pedagógico, etc.
Observa-se que a indisciplina pode ser gerada por vários fatores, ou meios. Na família a
indisciplina é gerada por seqüelas psicológicas e emocionais, no meio social esta ganha respaldo
no que se confere a acepção, ou seja, a sociedade exclui o individuo gerando neste uma revolta,
bem sabemos que o mundo é hierarquizado e que cada classe muitas vezes mantém-se no seu
lugar.
Existe também a possibilidade de indisciplina ser gerada pelo professor. Por muitas vozes
o professor usa de autoritarismo, achando que desta forma conseguir manter a ordem da sala, mas
lamentavelmente, só causa transtorno este abuso de poder e exercido nos domínios intelectual e
ético.
Sobre questão de autoridade, Luna citado em Silva (2009, p.2) enfatiza:
32
(...) o professor com autoridade é aquele que deixa transparecer as razões pelas quais a
exerce: não por prazer, não por capricho, nem mesmo por interesse pessoais, mas por um
compromisso genuíno com o processo pedagógico, ou seja, com a construção de sujeitos
que, conhecendo a realidade, disponha-se a modificá-la em consequência com um
sujeito.
O professor usa da autoridade dentro de sala, alegando que usa, por que a escola cobra
isto, ou seja, a ordem deve ser mantida em todos os ângulos. E com isso os alunos vão ficando
revoltados e indisciplinados.
Mas o professor na realidade deve estar consciente que desta forma não conseguir
desenvolver um bom trabalho o qual priorize preparar cidadãos para o meio como sujeitos ativos,
mas estará preparando pessoas com visão distorcida, que irão achar para administrar algo deve
gritar, ameaçar e outros.
E na realidade a indisciplina pode ser viabilizada por vários fatores e se não for
diagnosticada, a sociedade futuramente estará ameaçada por pessoas desequilibradas que não
saberão coordenar uma família e consequentemente também serão péssimos profissionais.
4.5. Como minimizar os problemas relacionados à indisciplina escolar
A questão da indisciplina vem gerando várias discussões, de como minimizar ou até
mesmo solucionar tal problema, uma vez que essa causa vários transtornos, tanto na escola como
na sociedade.
Portanto é um grande desafio aos educadores a se trabalha com esse tipo de problema,
logo além dessa situação ser constrangedora, perturba e impossibilita o desenvolvimento
educacional de alguns alunos. Torna-se comum durante as reuniões de professores, ouvirmos,
várias queixas, as quais nos deixam claro como um ser humano, apresenta certos
comportamentos, que realmente, não da para acreditar. Como nos exemplo, crianças e jovens
quebrando à escola, chamando nome feio com os administradores, colegas e professores, sem
falar nas drogas em que estes utilizam.
Para amenizar o problema da indisciplina torna-se viável que a escola primeiramente
conte com o projeto político pedagógico, o qual contará com a presença do supervisor,
33
orientador, professores, família até mesmo a comunidade, pois através do acionamento deste o
processo educativo fluirá boas respostas a respeito de problemas apresentados dentro do âmbito
educacional.
A escola deve rever alguns aspectos que possam ajudar, no ensino-aprendizagem dos
alunos dispersos.
Segundo Filho (2009, p.274),
Precisamos deixar de ensinar “o que pensar” para começar a ensinar “como pensar” –
como trabalhar em equipe. O que não faltam são idéias criativas e inovadoras para uma
reforma escolar. Devemos escolher os programas que funcionam; devemos implementar
as estratégias que já provaram sua eficácia.
Nessa visão, entende-se que o ensino não pode funcionar com o intuito de impor certo
autoritarismo, mais sim, as aulas devem incentivar aos educando não o que pensar mais como
pensar, ou seja, deve direcioná-los ao trabalho em equipe, para que estes aprendam e
desenvolvam novas idéias.
A escola deve sempre estar procurando novos programas e projetos que ajudem a novas
estratégias de ensino. O âmbito educacional deve ser um lugar, ao qual, favoreça ao educando o
prazer em estudar. Se a escola não for um lugar em que o educando não se sinta bem, com certeza
não gostará de frequenta-la. É fundamental a escola acolher jovens e crianças para que estes não
venham gostar de ficar na rua, aleatórios aos estudos.
Muitos filhos ficam a vontade sem ter compromisso com nada e adquirem novos hábitos;
e chegam à escola com esses princípios.
As crianças passam o dia todo sozinhos, em casa ou na rua. E os pais responsáveis
transferem para a escola toda, ou quase toda, a responsabilidade da educação de seus
filhos: estabelecer limites e desenvolver hábitos básicos. Fica a cargo do professor
ensinar às crianças desde amarrar os sapatos, dar iniciação religiosa até colocar limites
que já deveriam vir esclarecidos de casa. (OLIVEIRA, 2005, p.51).
De acordo com Oliveira, existem também casos em que as crianças passam o dia
sozinhas, a mercê da vida, sem os pais estarem acompanhando sua educação; e, com isso, quando
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estas vão para a escola chegam sem bons hábitos.
Dessa maneira, o educador fica totalmente responsável desde amarrar os calçados da
criança até os demais ensinamentos educacionais; ou seja, o professor de repente começa assumir
o papel dos pais.
Então, a situação da escola fica difícil sem o acompanhamento familiar, porque existem
algumas crianças que não recebem atenção e a assistência que deveriam receber.
Existem pais que não comparecem a escola, a não ser, somente no primeiro dia de
matricula, e depois, nunca mais.
Quando os filhos aprontam, ou melhor, criam problemas e a escola emite o recado para os
pais virem à instituição, estes ao chegarem à presença da equipe pedagógica atribuem a culpa
toda ao professor ou à escola dos feitos de seus filhos.
Segundo José e Coelho (1991, p. 210),
Muitas das funções educacionais da família vêm sendo delegadas à escola, devido às
alterações que ocorrem em nossa sociedade. O trabalho da mulher fora do lar, deixando
a educação dos filhos bem antes dos 7 anos a cargo da escola, foi o fator decisivo de uma
sobrecarga de responsabilidade para o professor.
Nessa perspectiva, podemos ver a situação em que se encontram algumas famílias; ou
seja, devido à situação de alguns lares, onde tanto o pai como a mãe saem para o trabalho e neste
caso precisam praticamente abandonar o processo educacional de seus filhos, deixando-as
somente a custódio da escola. E logicamente esses fatores desencadeiam a indisciplina; não só
para a escola, mas para o meio social.
Existem crianças desobedientes, que chegam à escola querem quebrar tudo, gritar os
educadores e administradores, sem falar na falta de regras e limites que estas não têm. A família
começa entrar em choque querendo uma mudança rápida do filho, mais isso não foi cativado
gradativamente.
Tiba (1996, p. 200).
Muitos pais complicam sua vida porque nunca cobram nada e, de repente, porque o filho
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vai mal na escola, resolvem cobrar tudo de uma vez. “Não vou criar um vagabundo”,
dizem eles, desse “grito de guerra” nasce um monte de regras e exigências.
Tiba orienta que alguns pais querem concertar um determinado erro, repentinamente, ou
seja, descobrem que seu filho não vai bem na escola, e começam impor graves punições ou regras
sem limites; e o taxam de vagabundo. Sabe-se que o processo educativo, ocorre desde o berço, e
não é nada certo iniciá-lo somente quando a criança ou o jovem chega à escola.
O ato de educar exige um grande acompanhamento ao jovem ou a criança, e este, quanto
mais cedo for, melhor será. Muitos casos de indisciplina na escola são viabilizados pela família.
Para se amenizar a indisciplina na escola, como foi antes citado, a equipe pedagógica,
através do Projeto Político Pedagógico, deve assistir os estudantes, procurando os problemas.
A escola também pode promover projetos, os quais venham mobilizar todo âmbito
educacional afim de uma interação entre todos, onde haja harmonia e participação autônoma, no
empenho e coleta de materiais, que venham ajudar na construção do tema, ou seja, da proposta
lançada. Numa outra proposta para minimizar a indisciplina na escola será, propor aos jovens e as
crianças gincanas, campeonatos, onde estes possam sentir e incentivados a estarem em interação
com a escola e com os estudos.
Bem, sabe-se que os educandos gostam de participar de atividades esportivas, pois através
destas, estes eliminam o stress, e adquirem novos aspectos harmônicos e coerentes, ou seja,
adotam uma nova perspectiva de vida.
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5. PESQUISA DE CAMPO: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Essa investigação tem por objetivo apresentar o olhar do professor sobre um quadro de
indisciplina que é extremamente preocupante.
A pesquisa de campo foi feita por meio de um questionário contendo dezessete perguntas. O
instrumento foi dirigido a quatro professores do quarto e quinto ano do ensino fundamental. No
entanto, apenas cinco professores se predispuseram a responder.
A maioria dos professores entrevistados define a indisciplina como falta de respeito às
regras e aos superiores, e acredita que ela seja algo que impede os alunos de crescerem. Os
entrevistados foram unânimes ao dizer que acreditam que o comportamento indisciplinado
impede o sucesso do processo de ensino-aprendizagem.
Segundo os entrevistados, o perfil socioeconômico de seus alunos é pouco variável, quase
todos são de classe baixa, o que levanta a hipótese de que o meio influencia no comportamento
inadequado dos alunos em sala de aula.
De acordo com os professores, a forma mais comum de manifestação da indisciplina em
suas turmas é a agressividade verbal para com os colegas e professores, seguida da indiferença ás
disciplinas lecionadas. Alguns chegam a relatar que também existem casos de agressões físicas,
que os deixam bastante preocupados e frustrados.
Para esses profissionais, uma das principais causas da indisciplina é a falta de estrutura
familiar, a ausência de limites impostos a falta de noção de valores éticos e morais.
Os educadores são unânimes ao afirmar que as famílias têm delegado muitas
responsabilidades á escola e se omitido no desempenho de seu papel na formação dos filhos. Eles
dizem que a maioria dos pais de seus alunos trabalha fora e não dispõe do necessário para
acompanhar a vida escolar dos filhos. Outros afirmam, ainda, que muitos pais simplesmente
desistem da educação dos filhos, pois alegam que ''não dão mais conta'' e deixam toda a
responsabilidade para a escola e que essa sobrecarga de funções os tem deixado muito
estressados.
Para alguns professores, o meio social influencia significativamente no comportamento
dos alunos de forma a torná-los mais agressivos, visto que a região onde moram passa por sérios
problemas sociais, dentre eles o tráfico de drogas e a violência. No entanto, outros professores
acreditam que, apesar dos problemas sociais enfrentados pela comunidade próxima á escola,
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muitos alunos conseguem não se ''contaminar'' pelo meio, apresentando, inclusive, um
comportamento exemplar.
Quanto à postura do professor diante de situações de indisciplina, alguns acreditam que ela
deve ser equilibrada, sem agressividade ou autoritarismo, mas é preciso deixar claro para os
alunos que o professor é o gerenciador das situações, estabelecendo normas claras de conduta,
respeito mútuo e relacionamento humano. Outros professores apresentam certo saudosismo em
relação aos métodos e práticas educacionais aplicados há algumas décadas.
Eles acham que se o professor tivesse a mesma autoridade daquela época, a educação não
estaria passando por esta crise de valores e o ensino seria mais eficaz.
Para tentar resolver esse problema, alguns educadores acreditam que a escola deve deixar
claro para os alunos as normas de conduta para um bom convívio social, interagir mais com as
famílias, mostrando-lhes suas responsabilidades na educação dos filhos. Outros acreditam que a
escola deve assumir uma postura mais firme e ser mais exigente com os alunos no cumprimento
de suas obrigações.
Portanto, diante dos argumentos expostos, foi possível perceber que a indisciplina escolar
é um problema que só poderá ser resolvido em longo prazo, pois requer um trabalho incessante
por parte de todos os indivíduos participantes desse processo. Isso mostra que só um trabalho em
conjunto - escola, pais, professores e alunos - apoiado por políticas educacionais, que preocupam,
realmente, com a formação de cidadãos críticos e conscientes, poderá mudar essa triste realidade
das escolas de todo Brasil.
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6. CONCLUSÃO
Ao término do presente trabalho, foi possível assinalar vários fatores que desencadeiam
casos de indisciplina na escola.
No entanto, acredita-se que os fatores externos também influenciam, e muito, no
comportamento doa alunos. Dentre outros fatores, pode-se citar: a falta de participação da família
na vida escolar dos filhos, a falta de preparo das escolas e dos pais para enfrentar essa nova
realidade, etc.
Não devemos forçar uma criança tímida a se tornar extrovertida pode prejudicar mais o
seu equilíbrio do que ajudá-la. O que precisamos fazer é orientá-la a capitalizar positivamente
suas características. Se alguns de seus atributos lhe podem trazer dificuldades, devemos trabalhar
para amenizá-los, sem alterar, no entanto, sua essência.
Afinal, um pouco de introspecção é, também, condição positiva. O ideal é promover
condições que auxiliem nossos alunos a ter uma visão positiva de suas características, ao mesmo
tempo em que desenvolvem novas formas de interação social.
Porém, essa crise, visto que esse é um assunto muito complexo e que requer muito
trabalho e muita dedicação por parte de todos os setores da sociedade que estão diretamente ou
indiretamente
envolvidos
nesse
processo.
Embasado
nas
pesquisas
bibliográficas
e
principalmente, o trabalho de campo foi possível perceber que a falta de participação da família
na vida escolar dos filhos é considerada o fator primordial para o surgimento da indisciplina no
ambiente escolar, visto que uma boa base familiar pode oferecer subsídios muito importantes
para a formação do aluno enquanto cidadão.
De nada adianta um bom trabalho pedagógico por parte da escola e do professor se a
família não oferecer aos filhos estruturas sólidas que se possibilitam consolidar todo o
aprendizado recebido nas instituições de ensino.
Portanto, para que a escola possa realizar sua missão com eficácia e eficiência, é
necessário que a família faça sua parte, que se preocupe sim a formação ética e moral de seus
filhos, pois se o aluno chega á escola sem noções básicas de respeito e amor ao próximo, com
certeza, ele terá muitas dificuldades para se socializar e grande propensão a contribuir para a
39
geração de um ambiente de indisciplina, principalmente, professores, pois só quem tem uma
participação ativa na educação pode traçar os caminhos a serem seguidos rumo a um ensino de
qualidade.
Pôde-se ainda observar que os professores estão imbuídos de certo saudosismo, pois
acreditam que a escola de antigamente lhes fornecia mais autoridade e meios para manter a tão
almejada disciplina. Os professores sentem-se constrangidos e alegam que não estão preparados
para lidar com o novo perfil de aluno que se apresenta, tampouco se predispõem em desempenhar
tarefas que, segundo eles, são obrigações da família; não são disponibilizados materiais didáticos
adequados; não recebem da escola o apoio imprescindível para se realizar um bom trabalho.
Durante a pesquisa, pôde-se também perceber que os professores necessitam repensar o
papel no contexto escolar, pois muitos deles, procurando estabelecer a disciplina, assumem uma
postura bastante autoritária, o que só faz piorar a crise, haja vista que os alunos já não se
submetem mais a desmandos a têm uma tendência muito maior a contestar tudo que lhes é
imposto e lhes pareça incoerente .
Foi possível perceber ainda que o professor, ao procurar meios para manter a disciplina
em sala de aula, deveria tentar uma aproximação maior com os alunos, demonstrando afeto e
principalmente respeito por eles. saber ouvir o aluno também é muito importante,pois,dessa
forma, ele se sentirá como parte importante do processo pedagógico. O professor também deve
estabelecer combinados e se esforçar para que sejam cumpridos, mas também tem por obrigação
cumprir a sua parte, pois o exemplo é uma das melhores formas de transmitir valores importantes
para a formação moral do indivíduo.
Ficou evidente também a necessidade de as escolas repensarem seus currículos e suas
práticas pedagógicas, uma vez que os alunos de hoje são muito bem informados e, por
consequência, mais críticos e já não se satisfazem com aulas monótonas, conteúdos maçantes e
sem sentido, além de professores desatualizados.
Ante ao exposto, fica clara a necessidade de uma atualização constante por parte dos
educadores e, principalmente, uma maior sensibilização dos professores, para que seja possível
'driblar' essa 'crise educacional' que assombra as escolas brasileiras.
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APÊNDICE A – Questionário
Escola Estadual Coronel João Ferreira
Entrevistado: _______________________________________________________
Função: ___________________________________________________________
Há quanto tempo exerce está função: ___________________________________
Qual a sua formação acadêmica_______________________________________
Série Trabalhada: 4º( )
e/ou
5º( )
1.Qual é o perfil socioeconômico dos seus alunos, em linhas gerais?
2.Existe casos de indisciplina ,nas suas turmas ( ) Sim ( ) Não ?
3.São alunos indisciplinados ou “hiperativos”? Por quê?
4.Como você define um comportamento de indisciplina escolar?
5.Quais tipos de comportamentos indisciplinares, que mais ocorrem na/nas suas turmas?
6.Qual a forma mais comum de manifestações da indisciplina ,que você tem conhecimento ,que
ocorre em outras salas de aula ,ou outros espaço destas escola, que não seja a sua sala de aula?
7.Como você reage (atua) diante de um fato indisciplinar ,na sua sala de aula?
8.Como a direção da escola reage (atua) diante de comportamentos indisciplinares que ocorrem
na escola, como um todo?
9.Na sua escola são realizados atividades que visam combater a indisciplina?
10.A quem você costuma atribuir a responsabilidade pela indisciplina do aluno?
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11.Para você, quais são as maiores causas da indisciplina escolar?
12.Em sua opinião ,de quem forma o estado pode contribuir para diminuir a indisciplina na escola
e na sala de aula?
13.Em sua opinião, de que forma as famílias dos alunos podem contribuir para diminuir a
indisciplina na escola e na sala de aula?
14.Em sua opinião ,de que forma o profissional da educação pode contribuir para diminuir a
indisciplina na escola e na sala de aula?
15.Qual deve ser a postura do professor diante de uma turma indisciplinada?
16.Como a direção, trata os casos de indisciplina, que ocorre nesta escola?
17.A sua formação, capacitou, você para trabalhar situação de indisciplina na escola e/ou sala de
aula?( ) Sim ( ) Não. Se sim, como?
18.Em sua opinião, quais medidas devem ser adotadas pela escola para diminuir a indisciplina
escolar?

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