Mais Perto da Promessa Do Laboratório ao Campo

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Mais Perto da Promessa Do Laboratório ao Campo
Mais Perto da Promessa
Do Laboratório ao Campo
Relatório Anual de 2009
Melhores ferramentas, melhores colheitas, melhores níveis de vida
Mais perto da promessa
Do laboratório ao campo
Relatório Anual de 2009
Relatório Anual de 2009: Mais perto da promessa: Do laboratório ao campo
ISSN
© African Agricultural Technology Foundation 2010. Todos os direitos reservados
A editora incentiva o uso equitativo deste material, desde que a sua origem seja mencionada
adequadamente.
Colaboradores: Daniel Mataruka, George Marechera, Gospel Omanya, Grace Wachoro, Hodeba Jacob D.
Mignouna, Liz Ng’ang’a, Moussa Elhadj Adam, Nancy Muchiri, Nompumeleo Obokoh e Sylvester Oikeh
Editores: Nancy Muchiri e Peter Werehire
Concepção: Nancy Muchiri
Design: Handmade Communications ([email protected])
Tradução e composição gráfica: Green Ink (www.greenink.co.uk)
Fotografias: Capa interior © Uros Ravbar/Dreamstime.com; imagens com fundo mostrando milho e
página 31 © Olga Miltsova/Dreamstime.com; página 8 (foto principal) © A Van Zandbergen/Imagens
de África; página 10 (foto principal) © Temistocle Lucarelli/Dreamstime.com; página 14 (foto principal)
© Pichugin Dmitry/Shutterstock; página 18 (foto principal) © A Van Zandbergen/Imagens de África;
página 22 (canto superior esquerdo) © Protea/ Dreamstime; página 22 (foto principal) © Hector
Conesa/Shutterstock; página 23 © Wayne Hutchinson/ www.farm-images.co.uk; página 26 (foto
principal) © Hector Conesa/Shutterstock; página 30 (foto principal) © A Bartel/Travel-Images.com;
página 33 (acima) © Jinfeng Zhang/Dreamstime.com; página 34 (à esquerda) e 35 (acima) © Zhuda/
Shutterstock; página 34 (foto principal) Styve Reineck/Shutterstock; página 36 (foto principal) © Brian
Longmore/Dreamstime.com; página 38 © Peter Blackwell/Imagens de África; página 40 (foto principal)
© Komelau/Dreamstime.com; página 40 (abaixo) © Sebastian Duda/Shutterstock; página 42 (foto
principal) © IStockphoto/Steven Allan; página 42 (abaixo) © Prima/Shutterstock; página 44 © A Van
Zandbergen/Imagens de África; página 48 © kRrie/Shutterstock; página 49 © BHZ22/Shutterstock.
Todas as outras fotos © AATF, Africa Rice Centre e Institute for Agricultural Research.
Impressão: Majestic Printing Works, Quénia
1
Índice
2
O Ano em Retrospectiva
4
Mensagem do Presidente do Conselho de Administração
6
Mensagem do Director Executivo
8
Quem Somos
10 Controlo de Striga em Pequenas Quintas de Milho da África Subsariana
14 Primeiro Ensaio de Campo Confinado de Feijão-Frade Bt em África
18 Desenvolvimento de Bananas Transgénicas Resistentes a BXW
22 Milho com Eficiência Hídrica para África (WEMA)
26 NUEST: Transformar Novo Arroz para África
30 Agricultores Adoptam AflaSafeTM, o Primeiro Produto Autóctone de Controlo Biológico de Aflatoxina em África
34 Conceito de Produto: Controlo de Striga em Pequenas Quintas de Sorgo da África Subsariana
36 Tecnologias Agrícolas Chinesas Podem Oferecer Novo Modelo de Cooperação China-África
40 OFAB: Sensibilização para as Tecnologias Agrícolas Avançadas
42 Relatório Financeiro
44 Membros do Conselho da AATF - 2009
46 Pessoal da AATF - 2009
48 Publicações da AATF - 2009
2 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
O Ano em Retrospectiva
Janeiro
decisões importantes contou-se a nomeação de Idah
Sithole-Niang para Vice-Presidente do Conselho.
• O Fórum Livre sobre Biotecnologia Agrícola em
África (OFAB) lançou a sua Divisão da Nigéria como
iniciativa de colaboração entre a AATF, a Agência
Nacional de Desenvolvimento da Biotecnologia
(NABDA) e o Conselho de Investigação Agrícola
da Nigéria (ARCN), para ajudar a promover a
sensibilização e a compreensão da biotecnologia,
dos seus produtos e da sua utilização.
• O projecto WEMA organizou em Joanesburgo
um curso de reciclagem de três dias sobre os
procedimentos para a preparação de pedidos de
Fevereiro
realização de ensaios de campo confinados (ECC)
• O Comité Interno para a Segurança Biológica (IBC)
para os seus parceiros do Quénia, Uganda, Tanzânia,
no Instituto de Investigação Agrícola Savanna (SARI)
Moçambique e África do Sul.
de Gana autorizou o pedido de realização de ensaios
• A equipa do projecto WEMA de Moçambique
de campo confinados de feijão-frade resistente a
realizou um workshop para as partes interessadas
Maruca, em preparação para a sua submissão ao
com o fim de promover a sensibilização para o
Comité Nacional de Segurança Biológica (NBC) em
projecto WEMA.
Acra.
• O projecto WEMA realizou a primeira reunião de
revisão e planeamento do projecto em Joanesburgo, Maio
• A AATF e o Instituto Internacional de Agricultura
África do Sul. Os parceiros analisaram o progresso
Tropical (IITA) organizaram uma reunião das partes
conseguido com as actividades de 2008 e realizaram
interessadas para avaliação das opções disponíveis
também reuniões temáticas paralelas com o fim de
para o controlo da Striga nos campos de milho na
planear as actividades para o ano de 2009.
Nigéria e para a criação de uma parceria para a
• A AATF e o Instituto de Investigação Agrária
avaliação e implementação da tecnologia de milho
de Moçambique (IIAM) assinaram o acordo
resistente a Imazapyr (IR) no país.
para a implementação do projecto WEMA em
• O Fórum Livre sobre Biotecnologia Agrícola em
Moçambique.
África (OFAB) abriu a sua Divisão da Tanzânia como
iniciativa de colaboração entre a AATF e a Comissão
Março
para a Ciência e a Tecnologia (COSTECH) da Tanzânia,
• O Dr. Daniel Fungai Mataruka, um estrategista do
para ajudar a promover a compreensão do público
sector privado, assumiu as funções de Director
em geral para a biotecnologia.
Executivo da AATF, sucedendo à Professora Jennifer
Thomson, que exercera as funções de Directora
Junho
Executiva Interina desde Setembro de 2008.
• O Instituto de Investigação Agrícola (IAR) de Zaria
• As equipas do projecto WEMA na Tanzânia e no
realizou conjuntamente com o Programa para
Uganda realizaram workshops para as partes
Sistemas de Segurança Biológica (PBS) um workshop
interessadas, com o objectivo de sensibilizar a
na Nigéria para a criação de capacidade em
audiência para o projecto WEMA.
conformidade regulamentar, dando atenção especial
• O Governo Federal da Nigéria aprovou o pedido
ao apoio necessário para a boa instalação, gestão e
do Instituto de Investigação Agrícola (IAR) de Zaria
execução de ensaios de campo confinados (ECC) de
para a realização de ensaios de campo confinados
feijão-frade resistente à Maruca.
de feijão-frade Bt na Nigéria, o que representa um
• A AATF e o Serviço Internacional para a Aquisição de
marco significativo para o desenvolvimento, testes
Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA) realizaram
e distribuição de feijão-frade resistente a Maruca no
em Junho de 2009 em Abuja, Nigéria, um workshop
país.
de dois dias sobre o tema comunicação científica
para cientistas no Projecto sobre a Resistência
Abril
a Maruca, com o objectivo de proporcionar aos
• A AATF e o Instituto Internacional de Agricultura
parceiros do projecto as competências necessárias
Tropical (IITA) organizaram uma reunião para as
para a comunicação efectiva da biotecnologia
partes interessadas em Ibadan, Nigéria, sobre o
agrícola, relações com os média, gestão de
controlo de aflatoxina no milho e amendoim, para
problemas e concepção e formulação de mensagens
discutirem a possibilidade de utilização de um
de comunicação abrangentes e exaustivas.
método de controlo biológico que utiliza fungos
que ocorrem naturalmente na Nigéria para reduzir
as concentrações de aflatoxinas no milho e aplicar os Agosto
• A AATF abriu o seu primeiro escritório satélite em
resultados à gestão de aflatoxinas.
Abuja, Nairobi, para servir de ligação da AATF na
• O Conselho de Administradores da AATF realizou
região da África Ocidental. Ele está instalado nos
a sua 13ª reunião em Nairobi, Quénia. Entre outras
escritórios anexos do Conselho de Investigação
Agrícola da Nigéria (ARCN) em Jabi.
De cima para baixo:
• Num ECC no Instituto de Investigação Agrícola (IAR)
Participantes na reunião das partes interessadas
de Zaria plantou-se pela primeira vez em África
realizada em Ibadan, Nigéria, sobre o controlo de
feijão-frade transgénico, o que representa um marco
aflatoxina no milho e amendoim.
significativo para o desenvolvimento de feijão-frade
resistente a Maruca, para utilização por pequenos
O Director Executivo da AATF, Daniel Mataruka, e o
agricultores em África.
Director-Geral da COSTECH, Hassan Mshinda, assinam
• Em cinco zonas dos estados de Kaduna e Oyo, na
um acordo de colaboração para a criação de uma
Nigéria, foram instalados ensaios de AflaSafeTM
Divisão da OFAB na Tanzânia.
em
campos de agricultores, uma tecnologia de
Alguns participantes do workshop sobre comunicação
controlo biológico autóctone para a redução
científica para cientistas, da AATF-ISAAA, realizado em
da contaminação do milho e do amendoim por
Abuja, Nigéria.
aflatoxinas.
O Director-Geral da AATF visitou os escritórios do ACRN.
• Os parceiros técnicos do projecto Milho com
Eficiência Hídrica para África (WEMA) do Centro
Internacional de Melhoramento do Milho e do
Trigo (CIMMYT), da Monsanto, AATF e dos Sistemas
Nacionais de Pesquisa Agrícola (NARS) reuniram-se
em Peyreholade, França, onde foram discutidas
metodologias de melhoramento de plantas
incluindo selecção do germoplasma, material
original usado (testers), verificações e abordagens e
sincronismo dos eventos.
O Ano em Retrospectiva 3
• Em Nairobi realizou-se um workshop intitulado "Risk
Communication and Media Handling" (Comunicação
de Riscos e Interacção com os Média) para a equipa
de comunicação e porta-vozes do projecto WEMA,
para equipar os participantes com competências em
comunicação efectiva de biotecnologia, relação com
os média e gestão de problemas.
• O projecto WEMA realizou um workshop sobre
"Confidencialidade no Desenvolvimento da
Tecnologia" em Nairobi, para sensibilizar os membros
da parceria do projecto para a necessidade de manter
a confidencialidade no decorrer da implementação
das actividades do projecto e as vias existentes para
a assegurar.
• A equipa de regulamentação do projecto WEMA
organizou no Uganda um workshop de formação
para formadores sob o tema "Conformidade dos
Ensaios de Campo Confinados", que focou os
protocolos e procedimentos necessários para
conformidade das medidas de confinamento durante
os ensaios de campo confinados.
Setembro
• O projecto Arroz Com Utilização Eficiente de Azoto
e Tolerante ao Sal (NUEST) para África organizou
um workshop de desenvolvimento do produto na
Califórnia, EUA, para os seus parceiros dos Sistemas
Nacionais de Pesquisa Agrícola que irão realizar os
ECC do arroz NUEST. Os parceiros familiarizaram-se
com o trabalho de laboratório da empresa Arcadia
sobre arroz transgénico, incluindo a sua abordagem
à realização de ensaios de estufa e de campo da NUE
(Utilização Eficiente de Azoto) e ST (Tolerância ao Sal).
• A equipa do projecto WEMA no Quénia realizou
ensaios simulados no seu local de ECC em Kiboko.
Os ensaios simulados fizeram parte das actividades
de criação de capacidade, com vista à realização de
ensaios transgénicos do projecto WEMA em 2010.
• O projecto WEMA-South Africa recebeu autorização
do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pescas
para a realização de ensaios de milho transgénico
tolerante à seca na província do Cabo Ocidental.
Outubro
• A direcção da AATF encomendou uma actividade
de desenvolvimento da organização para avaliar a
possibilidade de implementação de uma estratégia
de crescimento e da viabilidade do desenvolvimento
da concepção, sistemas e recrutamento
organizacionais necessários para apoiar esse
crescimento.
• Realizaram-se duas inspecções do ensaio de campo
confinado de feijão-frade resistente a Maruca – uma
pelos inspectores de segurança biológica do
Ministério Federal do Ambiente, da Nigéria, e outra
por um consultor externo com o apoio da USAID.
Ambas confirmaram que o ECC fora realizado em
conformidade com os requisitos nacionais da Nigéria
e com os requisitos especiais de Avaliação Ambiental
Interna da USAID.
• O projecto WEMA-Tanzania plantou o seu ensaio
simulado como preparação para a realização
de ensaios transgénicos no seu local de ECC em
Dodoma em 2010.
Novembro
• A AATF concluiu a análise do seu Plano de Negócios
para 2009-2013, que apresenta a estrutura, missão e
objectivos da intervenção da AATF e as actividades e
subactividades que promove, e que define o portfólio
dos actuais projectos da AATF e dos projectos que
tenciona implementar nos próximos cinco anos. O
plano de negócios também estabelece uma série de
princípios operacionais que definem o modo como
a AATF procura maximizar o seu impacto e fornece
pormenores sobre recrutamento, governância,
orçamento proposto, marcos importantes e impactos
da sua intervenção.
• A direcção da AATF analisou as suas áreas prioritárias
e alargou o seu âmbito para poder criar um portfólio
de projectos equilibrado que inclua culturas de
valor, limitações relacionadas com o solo, métodos
de melhoramento de plantas e mecanização. As
áreas problemáticas foram reclassificadas em seis
áreas temáticas – impacto das alterações climáticas
na agricultura; gestão de pragas, gestão de solos,
métodos aperfeiçoados de melhoramento de
plantas, mecanização e aumento do valor nutritivo
dos alimentos.
• Na quarta reunião do Conselho de Administradores
da AATF realizada em Abuja, Nigéria, entre outras
decisões-chave foi teoricamente concedida
aprovação à direcção da Fundação para adaptar
uma lista de áreas prioritárias revista e reclassificada.
• A República Federal da Nigéria registou a AATF
como pessoa colectiva na Comissão de Assuntos
Empresariais, reconhecendo deste modo de facto a
AATF como uma associação de pessoas criada para
fins beneficentes, com autoridade para transaccionar
no país. O registo representou um avanço para a
aquisição do estatuto de país anfitrião na Nigéria
para a Fundação.
• O projecto WEMA-South Africa plantou o
primeiro ensaio de milho transgénico tolerante
à seca no seu local de ECC no Cabo Ocidental. A
equipa também realizou uma reunião das partes
interessadas nacionais em Potchefstroom. À
reunião assistiram representantes da indústria de
sementes, universidades, agricultores, organizações
de agricultores, departamentos provinciais
de agricultura, defensores da biotecnologia,
organizações não governamentais e cientistas.
Dezembro
• O DFID efectuou uma análise das actividades da AATF
durante o período 2003-2009, com vista à renovação
do seu subsídio para o período 2010-2014.
• A AATF aprovou a concessão de um subsídio
à NABDA para a conclusão das instalações de
segurança biológica de nível 2 no IAR, em Zaria,
Nigéria.
• No Instituto Togolês de Investigação Agrícola (ITRA),
em Lome, realizou-se uma discussão tripartida entre
a AATF, CORAF e INERA sobre a proposta do projecto
para testar feijão-frade Bt em Burkina-Faso, Mali e
Togo.
• Bill Gates, Co-presidente e Administrador da
Fundação Bill and Melinda Gates visitou os escritórios
da AATF onde se reuniu com a AATF e o CIMMYT
sobre o projecto WEMA e o projecto do Milho
Tolerante à Seca para África (DTMA) financiados pela
Fundação para resolver o problema da tolerância do
milho à seca em África.
• A equipa do projecto WEMA-Moçambique realizou
uma reunião de consciencialização dirigida a mais de
25 representantes dos média e de organizações de
agricultores no local do ECC de Chokwe.
De cima abaixo:
Participantes do workshop "Comunicação de Riscos
e Interacção com os Média" dirigido à equipa de
comunicação e porta-vozes do projecto WEMA
realizado em Nairobi em Agosto.
Plantando o ensaio de campo simulado para o
projecto WEMA no Quénia.
Membros do Conselho da AATF durante a décima
quarta reunião realizada em Abuja, Nigéria.
Bill Gates visitou os escritórios da AATF em
Dezembro, para discutir os projectos WEMA e DTMA
com a AATF e o CIMMYT.
4 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Mensagem do
Presidente do Conselho
de Administração
O ano de 2009 foi outro ano empolgante para a AATF, pois foi assinalado por vários
acontecimentos importantes.
O projecto do feijão-frade resistente à Maruca recebeu um grande impulso quando o
Governo Federal da Nigéria autorizou a realização de um ensaio de campo confinado
(ECC) no país. Este ensaio, o primeiro realizado em África para o projecto do feijão-frade,
foi efectuado em parceria com o Instituto de Investigação Agrícola (IAR) de Zaria em
Agosto. Ele representou um marco significativo para a obtenção de feijão-frade resistente
a Maruca para utilização por pequenos agricultores em África e gostaria de agradecer ao
governo da Nigéria por ter concedido a sua aprovação para a realização do ensaio e ao
pessoal e parceiros do projecto pelo seu esforço e dedicação.
A aflatoxina continua a ceifar vidas todos os anos e foi com prazer que nos associámos
ao Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA) na realização dos primeiros
ensaios de AflaSafeTM em campos de agricultores. AflaSafeTM é uma tecnologia de
controlo biológico autóctone para reduzir a contaminação do milho e do amendoim
pela aflatoxina na Nigéria. Os agricultores que participaram nos ensaios comunicaram
resultados muito bons, como se descreve mais tarde neste relatório. Por isso, desejamos
continuar a implementar os ensaios e a procurar comercializar a tecnologia AflaSafeTM o
mais cedo possível.
O Projecto Milho com Eficiência Hídrica para África também progrediu muito
bem, tendo todos os parceiros dos cinco países do projecto WEMA identificado locais
adequados para a realização de ECC. No Quénia e na Tanzânia foram realizados ECC
simulados, como parte do reforço da capacidade em preparação para a implementação
dos ensaios transgénicos. Na África do Sul o projecto recebeu aprovação para a realização
de ensaios transgénicos.
Tivemos também o privilégio de ter a oportunidade de aumentar a nossa base de
conhecimentos mediante a realização de um estudo da relevância das tecnologias agrícolas
chinesas para os sistemas agrícolas de pequenos agricultores da África Subsariana (ASS).
O estudo foi encomendado pela Fundação Rockefeller como preparação para a reunião
do Fórum 2009 sobre a Cooperação China-África (FOCAC). O estudo concluiu que
várias tecnologias agrícolas chinesas podiam ser úteis para a resolução de limitações
enfrentadas pelos pequenos agricultores africanos, como se observa mais adiante neste
relatório. As principais tecnologias agrícolas chinesas identificadas incluíram variedades
de culturas melhoradas, como o super arroz híbrido, cuja utilização de fertilizantes é
altamente eficaz e que oferece rendimentos que vão até 13,5 toneladas por hectare, que
pode ser adequado para as regiões de cultivo de arroz da ASS; variedades de trigo e
milho de alto rendimento e resistentes a múltiplas doenças; fertilizantes de libertação
gradual, tecnologias de solo árido e técnicas de conservação e recolha de água.
No projecto de controlo da Striga no milho, a AATF e os seus parceiros alargaram
agora o uso de milho resistente a Imazapyr (IR) à África Ocidental, enquanto o
projecto conjunto AATF/IITA, que procura desenvolver bananas resistentes à doença
da murchidão da banana por Xanthomonas, está a progredir para os ensaios de campo
confinados. O projecto do arroz com utilização eficiente de azoto e tolerante ao sal para
África (NUEST) progrediu bem no que se refere à transformação genética das variedades
de Arroz Novo de planalto e de planície para África (NERICA), além de se ter decidido
incluir no projecto a característica genética eficiência hídrica (WUE) para abordar os
efeitos da seca no arroz.
O Fórum Livre sobre Biotecnologia Agrícola em África (OFAB) alargou o seu alcance
a dois outros países – a Nigéria e a Tanzânia – no decorrer do ano. O papel do Fórum tem
sido determinante para o aumento da compreensão da biotecnologia agrícola em África
e para o fornecimento de uma plataforma que permita às pessoas em África discutirem
os seus possíveis usos e desafios. Acredito que discussões livres sobre assuntos relativos
Mensagem do Presidente do Conselho de Administração 5
à aplicação da biotecnologia agrícola ajudarão a construir uma base de suporte para a
avaliação científica da tecnologia e contribuirão para a racionalização dos debates sobre
biotecnologia.
O nosso quadro superior sofreu algumas alterações durante o ano. Daniel Mataruka
entrou para a Fundação como Director Executivo em Março de 2009 e iniciou
imediatamente um programa destinado a levar a AATF para o seu nível seguinte,
principalmente através de expansão na África Subsariana e da abordagem de questões
relativas ao desenvolvimento da organização. O Dr. Mataruka é nacional do Zimbabwe
e trabalhou anteriormente para a Tongaat Hulett Starch (THS), uma importante empresa
agrícola de grande escala que opera na África Meridional.
Dois outros quadros – Sylvester Oikeh e Alhaji Tejan-Cole – entraram para a
organização durante o ano. Sylvester, um agrónomo especialista em fertilidade dos solos,
entrou para a AATF em Fevereiro para exercer o cargo de Gestor de Projecto, do projecto
do Milho com Eficiência Hídrica para África (WEMA). Ele traz para a AATF mais de
18 anos de experiência interdisciplinar em projectos de investigação e desenvolvimento
sobre recursos naturais e gestão de culturas. Alhaji Tejan-Cole entrou para a AATF em
Novembro como Conselheiro Jurídico responsável por questões relacionadas com a
propriedade intelectual e assuntos jurídicos. Tejan, que também é secretário do Conselho
de Administração, traz para a AATF a sua experiência em gestão da propriedade
intelectual adquirida na Serra Leoa, seu país natal, e em Belize, uma nação das Caraíbas.
Sylvester e Tejan trazem para a AATF excelentes credenciais e experiência que ajudarão
a organização a cumprir o seu mandato.
Temos imenso prazer em dar as boas-vindas para o Conselho de Administradores
à Professora Idah Sithole-Niang, Directora do Departamento de Bioquímica da
Universidade do Zimbabwe. Idah lecciona biologia molecular e o seu trabalho de
investigação foca o melhoramento de culturas de feijão-frade. Ela também é Consultora
Técnica para o Programa para Sistemas de Segurança Biológica (PBS) para a África
Subsariana, exerce funções no Comité de Supervisão de "Improved Maize for African
Soils", IMAS, (Milho Melhorado para Solos Africanos), é Vice-presidente do Conselho de
Investigação do Zimbabwe e um membro do Comité de Orientação de "African Women
in Agricultural Research and Development", AWARD, (Mulheres Africanas na Investigação
e Desenvolvimento Agrícola).
Eugene Terry e Assétou Kanoute terminaram os seus mandatos. Eugene foi um
membro essencial do Conselho, pois supervisionou a formação da AATF como Director
de Implementação entre 2002 e 2004, antes de ser nomeado para o Conselho. As suas
contribuições para este Conselho foram extremamente valiosas e sentiremos muito a sua
falta. Assétou foi um dos primeiros membros do Conselho de Administração, para o
qual entrou em 2004, trazendo para as discussões do Conselho perspectivas diferentes
e inovadoras. Os dois continuam a ser amigos da AATF e membros valiosos da família
da AATF.
Um dos maiores desafios do ano foi o ambiente operacional. O facto de a maior
parte dos projectos da AATF ter entrado na fase de ensaios de campo confinados
exacerbou a consciencialização para o facto de o sistema de regulamentação estar apenas
parcialmente desenvolvido. O ambiente regulamentar representa um grande desafio
em todos os países em que a AATF opera, com excepção da África do Sul, porque os
regulamentos de segurança biológica e outros regulamentos auxiliares ainda não foram
implementados. Contudo, o que é encorajador é a consciencialização por parte destes
governos para a necessidade de actuarem e esperamos que estes regulamentos possam
ser implementados em 2010.
De modo geral o ano de 2009 foi muito trabalhoso e gerou muitos resultados para a
AATF. Registámos sucesso e avanços e o pessoal da AATF, como já é habitual, distinguiuse no seu trabalho. Portanto, em nome do Conselho de Administração quero deixar
expressa a minha grande apreciação pelo alto nível de empenhamento demonstrado pelo
pessoal, parceiros e investidores. Como Presidente do Conselho quero estender a minha
apreciação aos meus colegas do Conselho pelo tempo que dedicam incondicionalmente
à organização. Peço a todos que continuem a cuidar desta jovem organização no seu
percurso para a realização do seu mandato.
Prof. Walter S. Alhassan
Presidente do Conselho de Administração
6 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Mensagem do
Director Executivo
Parcerias, colaborações, sinergia e valor acrescentado foram factores essenciais em
todas as decisões tomadas pela AATF durante 2009. Estes foram complementados
pelos valores fundamentais da AATF de integridade, dedicação e acessibilidade,
que influenciaram as actividades da organização durante o ano. O ano de 2009
foi, portanto, um ano em que se realizaram várias análises e reflexões internas
enquanto a organização procurava a melhor maneira de progredir no cumprimento
dos principais objectivos do seu mandato – acesso e implementação de tecnologias
agrícolas económicas que possibilitem a sua utilização sustentável por pequenos
agricultores da África Subsariana (ASS).
A direcção, que opera há mais de cinco anos, decidiu rever o primeiro Plano de
Negócios, desenvolvido em 2003, de modo a representar o estado actual da organização
e os planos para os próximos cinco anos. Assim, uma das actividades-chave deste
processo de reflexão foi a revisão e produção de um novo Plano de Negócios para a
organização. O Plano de Negócios da AATF tem sido um instrumento de orientação
essencial para as intervenções da AATF no desenvolvimento agrícola de África e
define o actual portfólio de projectos da AATF, bem como os projectos que tenciona
implementar nos próximos cinco anos. Ele estabelece igualmente um conjunto de
princípios operacionais que definem o modo como a AATF procura maximizar o seu
impacto e fornece pormenores sobre recrutamento, governância, orçamento proposto,
marcos importantes e impactos da intervenção da AATF.
Fizemos também a revisão das áreas prioritárias da AATF e reclassificámo-las
em linha com as principais limitações actuais da produtividade agrícola definidas
pelas organizações sub-regionais e as tendências globais do elo alimentos-energiaclima. A revisão alargou o âmbito de trabalho original da AATF a seis temas –
impacto das alterações climáticas na agricultura; gestão de pragas; gestão de solos;
aperfeiçoamento de métodos de melhoramento de plantas; mecanização; e aumento
do valor nutritivo dos alimentos. O Conselho de Administradores aprovou estas seis
áreas que constituem agora a base do trabalho da AATF.
Com o apoio da Fundação Bill and Melinda Gates encomendámos uma actividade
de desenvolvimento da organização que ficou concluída em Dezembro. Esta baseouse na necessidade urgente de um plano de acção que permitisse abordar os desafios
estratégicos da AATF – a possibilidade da implementação de uma estratégia de
crescimento da AATF e a viabilidade do desenvolvimento da concepção, sistemas e
recrutamento organizacionais necessários para apoiar esse crescimento. O trabalho
analisou a ajuda a dar à organização para a criação de capacidade, para que ela possa
implementar com maior eficácia os programas e serviços actuais e futuros e servir
de intermediário neutro e parceiro responsável de proprietários e/ou titulares de
tecnologias exclusivas e dos que necessitam destas para a promoção da segurança
alimentar e a melhoria dos níveis de vida dos pequenos agricultores da ASS. Esta
actividade foi altamente informativa e definiu várias actividades-chave para a AATF
começar a implementar em 2010. Algumas das actividades incluem maiores esforços
para a mobilização de recursos, análise da estratégia da AATF e reestruturação
organizacional.
Durante o ano tivemos o prazer de abrir o primeiro escritório satélite fora do
Quénia. O escritório, que abriu em Abuja, Nigéria, serve de ligação para a AATF na
região da África Ocidental. Este primeiro escritório externo também representa os
esforços da AATF no sentido de estabelecer a sua presença na maior área possível
da África Subsariana. A AATF ficou registada como pessoa colectiva na Comissão
de Assuntos Empresariais da República Federal da Nigéria, que a reconheceu como
organização de beneficência autorizada a transaccionar naquele país. Gostaria de
Mensagem do Director Executivo 7
agradecer aos nossos anfitriões e parceiros e ao Conselho de Investigação Agrícola da
Nigéria (ARCN) o apoio prestado para a realização destas metas importantes.
O ano também deu à AATF a oportunidade de contribuir para a criação de
capacidade de investigação e desenvolvimento agrícola em África. Efectuámos
várias actividades de reforço de capacidade para o pessoal e parceiros do projecto.
Como medida de apoio para o sucesso dos projectos e para a gestão das relações nas
parcerias público/privadas organizaram-se reuniões com os parceiros e o pessoal
dos vários projectos, para discutir questões de comunicação, conformidade com os
regulamentos, propriedade intelectual e gestão da confidencialidade. Os parceiros
apreciaram estas oportunidades de reforço da capacidade, que consideraram úteis
e capazes de valorizar o seu desempenho no trabalho. Recebemos ajuda de vários
parceiros e investidores e desejo agradecer a todos o apoio concedido.
A AATF também produziu o seu primeiro relatório exaustivo sobre tecnologias
agrícolas chinesas que podem ser úteis para os pequenos agricultores da África
Subsariana (ASS). Este relatório foi encomendado pela Fundação Rockefeller e
referimo-nos a ele mais detalhadamente neste relatório.
O ano trouxe muitos desafios sendo o principal a aceitação da biotecnologia agrícola
em África, especialmente o seu enquadramento nas políticas e a falta de compreensão
das suas vantagens e utilizações. A AATF continuará portanto a colaborar com os
parceiros em iniciativas que visam informar correctamente as partes interessadas, para
que estas possam tomar decisões informadas. É encorajador observar que a União
Africana, a Nova Parceria para o Desenvolvimento de África, as várias comunidades
económicas regionais e as organizações sub-regionais estão a tomar a biotecnologia
muito seriamente e estão envolvidas em ajudar a educar os decisores em África. Estes
esforços concertados só podem dar resultados positivos e estamos muito gratos a
todos os parceiros.
Continuando a contribuir para a melhoria das tecnologias agrícolas para os nossos
agricultores da África Subsariana, gostaria de repetir que as parcerias, colaborações,
sinergia e valor acrescentado continuarão a estar presentes no espírito da AATF, para
assegurar que atingimos esse objectivo. A promessa que faço aos nossos investidores,
beneficiários, parceiros e pessoal é que a AATF continuará a empenhar-se na realização
dos seus objectivos através da sua participação nestes empreendimentos.
Daniel F. Mataruka
Director Executivo
8 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: Uma rapariga Barabaig em frente
da sua propriedade rural coberta de
colmo na Tanzânia.
À Direita: Feijão-frade quase maduro.
Quem Somos
A Fundação Africana para as Tecnologias Agrícolas é uma organização
sem fins lucrativos que facilita às parcerias público-privadas o acesso e
implementação de tecnologias agrícolas exclusivas apropriadas, para
utilização por pequenos agricultores de escassos recursos da África
Subsariana.
A AATF oferece competências na identificação, acesso, desenvolvimento,
implementação e utilização de tecnologias agrícolas patenteadas. A Fundação
contribui também para a criação de capacidade em África, envolvendo instituições
do continente em diversas parcerias através das quais executa o seu mandato.
A AATF é uma instituição de beneficência registada ao abrigo da legislação da
Inglaterra e do País de Gales e recebeu isenção fiscal nos EUA. Está registada no
Quénia e no Reino Unido e foi-lhe concedido o estatuto de país anfitrião pelo governo
do Quénia onde tem a sua sede.
Visão – o que desejamos para os agricultores de África
Agricultores prósperos e segurança alimentar para África através de uma agricultura
inovadora.
Missão – o que fazemos em prol dos agricultores de África
Aceder e implementar tecnologias agrícolas acessíveis para uso sustentável pelos
pequenos agricultores, em especial os agricultores de escassos recursos da África
Subsariana, através de parcerias inovadoras e da gestão responsável e ética das
tecnologias e produtos ao longo de toda a cadeia de valor dos alimentos.
Valores Fundamentais – o que nos dá força
Empenhamo-nos na defesa de três valores fundamentais e duradouros: Integridade,
Dedicação e Acessibilidade. Estes valores guiam as nossas decisões, acções e relações
no trabalho que realizamos para o cumprimento da nossa missão.
Quem Somos 9
A Nossa Estratégia
Os aspectos-chave da nossa estratégia são a facilitação das
parcerias público-privadas, a gestão responsável e ética da
tecnologia e a gestão da informação e dos conhecimentos.
Fundamentamos as nossas actividades em três vertentes
estratégicas:
• Negociação do acesso a tecnologias exclusivas que
aumentam a produtividade da agricultura em África;
• Gestão de parcerias para a formulação de projectos,
desenvolvimento e distribuição do produto, para
introduzir tecnologias agrícolas inovadoras nos sistemas
de exploração agrícola africanos; e
• Gestão de conhecimentos e da informação para apoiar a
identificação e o desenvolvimento da tecnologia, assim
como ajuda na criação de enquadramentos de políticas
mais propícios ao desenvolvimento agrícola dos pequenos
agricultores.
As Nossas Raízes
O modelo para a Fundação Africana para as Tecnologias
Agrícolas foi o resultado de dois anos de consultas efectuadas
pela Fundação Rockfeller e o Meridian Institute a várias
partes interessadas africanas, norte-americanas e europeias.
As sessões, designadas por "Diálogos de Biotecnologia"
foram realizadas a fim de determinar como reduzir a
crescente lacuna entre a ciência agrícola controlada por países
desenvolvidos e as necessidades dos pobres nas regiões em
desenvolvimento da África Subsariana. O envolvimento
das partes interessadas nestas discussões foi assegurado
mediante um Comité Consultivo de Design (DAC) que
incluía representantes dos serviços nacionais de investigação
agrícola africanos, os centros do Grupo Consultivo para
a Investigação Agrícola Internacional (CGIAR), empresas
africanas de sementes e de biotecnologia, a Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE),
empresas de ciência das culturas e organizações de
doadores. O DAC foi o arquitecto da AATF, definindo os
princípios subjacentes principais e um modelo operacional
para a Fundação, que lhe permitisse abordar os desafios da
segurança alimentar e da redução da pobreza. O Comité
também esclareceu a razão da existência da AATF e os seus
princípios fundamentais, missão e modelo de negócio.
Governância
A AATF é uma organização flexível projectada para responder às necessidades variáveis das suas partes interessadas.
O Conselho de Administradores define o curso decidindo
quais as intervenções que possuem maior potencial para a
redução da pobreza e o aumento da segurança alimentar.
Isto cria uma distinção saudável entre a definição das
prioridades e a monitorização do progresso, por um lado,
e a gestão e operações do dia-a-dia por outro. Os membros
do Conselho da AATF são indivíduos de renome em todo
o mundo, enquanto o pessoal da Fundação é originário
de países da África Subsariana.
Investidores
• A Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento
Internacional (USAID): A agência responsável por
proporcionar e gerir a ajuda económica e humanitária dos
EUA em todo o mundo;
• Ministério para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido
(DFID): O ministério do Reino Unido que é responsável
pela promoção do desenvolvimento económico e a redução
da pobreza a nível mundial;
• Fundação Bill and Melinda Gates: Guiada pelo princípio de
que todas as vidas têm o mesmo valor, a Fundação Bill
and Melinda Gates trabalha no sentido de ajudar todas as
pessoas a viverem uma vida saudável e produtiva. Nos
países em desenvolvimento a sua ênfase é melhorar a saúde
das pessoas e dar-lhes a oportunidade de saírem da fome
e da pobreza extrema. Nos Estados Unidos a fundação
procura assegurar que todas as pessoas – especialmente
as que possuem menos recursos – tenham acesso às
oportunidades de que necessitam para poderem ter êxito
na escola e na vida;
• Fundação Howard Buffet: Uma fundação privada que apoia
principalmente o desenvolvimento agrícola e a distribuição
de água potável nas áreas rurais, focando-se na África e na
América Central; e
• A Fundação Africa Harvest Biotech Foundation: Uma
organização sem fins lucrativos concebida para usar a
ciência e a tecnologia, especialmente a biotecnologia, para
ajudar os pobres em África a conseguir segurança alimentar,
bem-estar económico e desenvolvimento rural sustentável.
Parcerias
• Produtores agrícolas e consumidores;
• Instituições e agências nacionais e regionais (NAR, SRO,
REC, ECA, FARA, AU/NEPAD);
• Instituições e agências internacionais (CGIAR, ARI);
• ONG locais/internacionais;
• Titulares dos direitos de propriedade intelectual da indústria
da tecnologia agrícola (Monsanto, Arcadia Biosciences,
BASF, Dow Agro, Pioneer/DuPont, Syngenta);
• Organizações de comércio e empresas agrícolas africanas;
• Governos africanos
10 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: Uma mulher Ndebele junto à
sua casa pintada com cores vibrantes na
África do Sul.
À Direita: Uma plantação de milho
infestado por Striga no Quénia
Ocidental.
Controlo de Striga em
Pequenas Quintas de
Milho da África Subsariana
Nos últimos cinco anos a AATF e os seus parceiros têm vindo a promover o
milho IR para combater a ameaça da Striga à produção de milho na África
Subsariana (ASS). Após ensaios bem sucedido no Quénia, a tecnologia está
agora a ser desenvolvida em todas as regiões de África.
Antecedentes
Há dezenas de anos que a planta-parasita Striga é um problema de difícil resolução e
uma das principais causas da insegurança alimentar e da estagnação rural em África.
A erva-de-bruxa, nome pelo qual a Striga também é conhecida, é um parasita das raízes
de culturas de cereais, provocando literalmente o seu estrangulamento e reduzindo
dramaticamente o seu rendimento. A Striga, uma planta resistente e enganadoramente
bonita, infesta cerca de 2,5 milhões de hectares de milho no continente, causando
anualmente perdas económicas superiores a USD 1 milhar de milhão. Frequentemente,
os pequenos agricultores de África observam impotentemente o alastramento da
Striga de campo para campo, sendo muitos deles forçados a abandonar de vez o
cultivo do milho.
Por este motivo, um dos primeiros projectos facilitados pela AATF após a sua
fundação foi o da redução da ameaça da Striga na produção de milho na ASS. Esta
iniciativa inclui extensos ensaios de campo e demonstração do milho StrigAway®, uma
tecnologia desenvolvida conjuntamente pelo Centro Internacional de Melhoramento
do Milho e do Trigo (CIMMYT), a empresa química alemã BASF e o Instituto de
Ciências Weizmann de Israel. A tecnologia StrigAway® combina variedades de milho
de alto rendimento resistentes ao herbicida Imazapyr e o revestimento das sementes
de milho com o herbicida Imazapyr, que mata a Striga. As sementes de milho
Controlo de Striga em Pequenas Quintas de Milho da África Subsariana 11
resistentes são revestidas com o herbicida antes do plantio
e, quando as plântulas de milho emergem, elas absorvem o
herbicida do revestimento da semente transferindo-o para
o seu sistema. As plântulas de milho também exsudam
estimulantes da germinação que induzem a germinação
das sementes de Striga na sua proximidade. As plântulas de
Striga fixam-se às raízes do milho e absorvem o herbicida, o
que provoca a sua morte. Algumas estações após a utilização
de StrigAway® o banco de sementes de Striga no solo é
significativamente reduzido, diminuindo muito a ameaça
apresentada pela planta-parasita e proporcionando aos
agricultores melhores colheitas de milho. StrigAway® está
presentemente na fase de distribuição do produto, que visa
facilitar a consciencialização para o produto, a multiplicação
de sementes, adopção da tecnologia e gestão responsável,
para que se consigam benefícios a longo prazo para as partes
interessadas referidas.
Sucesso e desafios no Quénia
Os ensaios realizados pela AATF e os seus parceiros
nos campos de agricultores do Quénia Ocidental em
2008 demonstraram de forma conclusiva a eficácia de
StrigAway®, conseguindo um aumento do rendimento
do milho até quatro vezes maior, por comparação com as
parcelas infestadas com Striga. Os membros do Grupo
de Agricultores de Mwangaza, do distrito de Vihiga no
Quénia Ocidental, que há quatro anos plantam milho IR
nos seus campos infestados com Striga, são testemunhas
da eficácia da tecnologia. O grupo usa uma abordagem
integrada que incorpora estrume animal e fertilizantes
minerais, rotação de leguminosas e culturas intercalares.
Eles também abriram valas em redor dos campos de milho
para limitarem o alastramento da Striga. Os membros
do Grupo de Agricultores de Mwangaza são pequenos
proprietários de parcelas de terreno com uma área média
de meio hectare. Utilizando a tecnologia do milho IR eles
conseguiram melhorar a produtividade do milho, de uma
média de 100 kg para 900 kg nas parcelas de 0,5 ha. Além
disso, os agricultores agora conseguem cultivar uma vasta
gama de variedades de milho de alto rendimento, incluindo
as variedades híbridas. Este exemplo demonstra que o uso
sustentado da tecnologia de milho IR no contexto de uma
abordagem integrada pode reduzir significativamente a
ameaça da planta-parasita Striga em apenas oito estações
(quatro anos). É de salientar que a Striga é muito prolífica,
produzindo cada planta madura mais de 20.000 sementes
que são facilmente dispersas pelo vento, água, animais e
material agrícola. Portanto, para evitar a reinfestação nos
campos, a melhor abordagem é a utilização conjunta de
medidas de controlo por toda a comunidade.
Apesar do progresso conseguido na redução da plantaparasita Striga, a principal limitação à adopção da tecnologia
é a disponibilidade atempada de sementes de milho IR
certificadas nas quantidades necessárias. Por exemplo,
embora se tenham vendido mais de 1,7 toneladas de milho
IR durante a época do milho de Março a Julho de 2009,
muitos comerciantes agrícolas esgotaram o seu stock antes
de terminada a época da sementeira. Por isso, o projecto
está envolvido em discussões com empresas de sementes
para identificar meios de estimular a produção atempada
de sementes de qualidade adequada. Para esse fim, a
AATF facilitou a constituição de uma rede de comerciantes
agrícolas no Quénia Ocidental, para ajudar a quantificar
a quantidade de sementes necessária e a sua distribuição
pelos agricultores. Estes dados servirão de orientação para a
produção de sementes pelos actuais produtores de semente
de milho IR – a Western Seed e a Kenya Seed. Este processo
é fundamental para incentivar a produção das empresas de
sementes, uma vez que lhes garante um mercado pronto a
absorver a sua produção. Em 2009, os comerciantes agrícolas
calcularam que podiam ser vendidas 80 toneladas de milho
IR para a longa estação das chuvas de 2010, que decorre
de Março a Julho. Consequentemente, as empresas Kenya
Seed e Western Seed começaram a planear a produção
de semente de milho IR certificada. Elas planearam ter a
semente disponível para venda antes da longa estação de
chuvas de Abril de 2010.
Em Março de 2009 a AATF facilitou a aquisição de
1,6 toneladas de semente de milho certificada pela Resource
Projects Kenya (RPK) para venda aos comerciantes agrícolas
no Quénia. Estes pagariam à RPK quando vendessem as
sementes. Este acordo funcionou bem e a RPK recebeu
todo o dinheiro e a receita será utilizada para criar um
fundo rotativo na AATF para a compra de mais sementes
certificadas para serem utilizadas em demonstrações
estratégicas junto a estradas, caminhos e escolas, em áreas
onde a consciencialização para a tecnologia do milho IR é
escassa ou inexistente.
Outro desafio para a adopção do milho IR é a falta de
capital operacional adequado dos comerciantes agrícolas
12 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
rurais, que estão melhor posicionados para fornecerem
a semente de milho IR a agricultores nas regiões remotas.
Estes comerciantes agrícolas não conseguem comprar e
vender a retalho quantidades substanciais de milho IR,
fertilizantes e sementes de leguminosas. Portanto, o projecto
da AATF considera essencial que estes comerciantes
recebam fundos de crédito de "start-up" que lhes permita
armazenar quantidades suficientes de insumos agrícolas
necessários para a tecnologia do milho IR nas fases iniciais
de comercialização.
Também são necessárias políticas de incentivos
para encorajar as empresas de sementes comerciais a
se empenharem na produção sustentável de sementes
específicas da tecnologia, como o milho IR. As empresas
de produção de sementes mostram-se cépticas quanto
à potencial oportunidade de negócio representada pela
produção de milho IR. Isto deve-se essencialmente ao facto
de as sementes IR serem dirigidas a agricultores de escassos
recursos, cujo poder de aquisição é frequentemente inferior
ao dos agricultores de média a grande escala, que estão mais
orientados para o negócio. É necessário apoiar actividades
que criem uma procura efectiva entre os agricultores para
se ganhar a confiança dos produtores de sementes, para que
estes aumentem e mantenham a produção de milho IR e de
outras sementes de leguminosas relevantes. Intervenções
de políticas, como a isenção de impostos, podem incentivar
as empresas de sementes a investir em equipamento para a
produção e distribuição de semente de milho IR.
Expansão do milho IR em África
Em 2009 o projecto da AATF, de controlo da Striga, alargou
a libertação de variedades de milho IR para produção de
semente comercial a outros países africanos. Na Tanzânia
foram identificadas oito novas variedades de milho IR
destinadas a ensaios nacionais de desempenho adicionais e
a ensaios de distinguibilidade (novidade), homogeneidade
e estabilidade (testes DHE). Isto fornecerá novas variedades
de milho IR adequadas para várias zonas agro-ecológicas da
Tanzânia.
A Tanseed International Limited, o principal parceiro na
Tanzânia, produziu outro grupo de sementes de milho IR
certificadas, com irrigação, durante a época de Outubro/
Novembro. Em 2009 plantaram-se 200 kg de sementes de
milho IR em dois distritos das regiões meridional e dos
lagos da Tanzânia. Infelizmente a ocorrência de uma seca
grave resultou na perda total da colheita. Isto atrasou o
trabalho em quintas, que deveria ter produzido dados para
apoiar os ensaios nacionais de desempenho e os ensaios
DHE das novas variedades realizados pela agência de
regulamentação.
Charles Odiero
S
ou Gestor de Programa da Organisation
for Transforming Initiated Technologies
(Organização para a Transformação de
Tecnologias Iniciadas), mais conhecida por
OTIT. Esta é uma organização não governamental
com sede em Siaya, no Quénia Ocidental, criada
para promover melhor produção de alimentos e
melhor saúde para as comunidades locais. Temos
três lojas na região onde os agricultores podem
comprar sementes e insumos agrícolas e trocar
informações. A OTIT actua como secretariado da
WeRATE, uma rede que reúne 11 empresas de
produtos de saúde animal (agrovets), da qual sou
o presidente. O nosso papel no projecto do
milho IT da AATF é distribuir as sementes pelos
agricultores da região. Cobrimos todo o distrito de
Siaya, com uma área total de 1.520 quilómetros
quadrados, e focamo-nos nas áreas mais
fortemente infestadas pela Striga. Por este
motivo dependemos das agrovets mais pequenas
do interior do distrito. A AATF paga à Western
Seed, a empresa produtora das sementes, a
quantidade de sementes de que necessitamos
e nós, os comerciantes agrícolas, obtemos as
sementes a crédito através do principal parceiro
da AATF, a Resource Project Kenya. Isto deve-se
ao facto de muitas das agrovets serem empresas
de muito pequena dimensão, que não têm
capacidade económica para pagarem as sementes
adiantadamente. Nós pagamos as sementes assim
que as vendemos.
Até à data contactámos pessoalmente mais de
2.700 agricultores. Outros compraram a semente IR
depois de terem ouvido falar dela em workshops.
Em 2009, durante a longa estação das chuvas,
tínhamos estimado uma procura de 1,4 toneladas
de sementes com base na informação fornecida
por agricultores e agrovets. Contudo, vendemos
apenas 500 kg devido ao atraso na recepção das
sementes. Mesmo assim, os agricultores que
estão a plantar o milho IR estão satisfeitos com os
resultados, porque antes disto as suas parcelas de
terreno produziam muito pouco milho. O milho IR
é para eles uma nova intervenção que lhes permite
colher até oito sacos de milho, em vez dos 20 kg
por acre que obtinham anteriormente. O nosso
objectivo é fazer com que os agricultores consigam
aumentar este rendimento ainda mais, até 15 sacos
por acre. Em primeiro lugar, isto significará que as
famílias dos agricultores conseguirão segurança
alimentar. Além disso, vendendo o excedente
da colheita terão dinheiro extra para as outras
necessidades do agregado familiar. Isto favorece
o desenvolvimento e também as nossas agrovets,
uma vez que os agricultores terão maior poder de
compra.
Outro benefício importante do projecto resulta
de estarmos a aprender muitas coisas novas.
Através da AATF aprendemos sobre a biologia
e o ciclo de vida da Striga e as boas práticas
agronómicas. Antes não sabíamos como combater
a planta-parasita. Por exemplo, costumávamos
arrancar a planta e eliminá-la de modo
inadequado. Do ponto de vista dos comerciantes
agrícolas, os nossos negócios estão a ser
comercializados através do projecto. Melhorámos
também as nossas competências de marketing,
uma vez que cabe a cada comerciante agrícola
procurar parceiros no interior, para evitar que o seu
stock se deteriore. Também aprendemos a calcular
o rendimento económico, com base no que os
agricultores investiram no solo e o que colhem
dele. Isto por seu lado elucidou os agricultores e
encorajou-os a adoptar o milho IR.
A AATF também nos concedeu apoio
relativamente à disponibilização da semente,
ajuda financeira e apoio técnico na manutenção
do nosso escritório do secretariado, aumento da
capacidade do pessoal na recolha de dados e
gestão do negócio.
Controlo de Striga em Pequenas Quintas de Milho da África Subsariana 13
A empresa irá necessitar de uma instalação dedicada de
tratamento de sementes, para assegurar um revestimento
das sementes com qualidade, assim como espaço de
armazenamento para guardar o aumento de tonelagem.
Para isso, desenvolveram um plano de comercialização para
a produção de semente de milho IR certificada, que está a
ser analisado pelos parceiros do projecto.
Uma vez que o herbicida Imazapyr está registado apenas
para fins experimentais e de testes na Tanzânia, é necessário
finalizar o seu registo para poder ser utilizado em sementes
comerciais.
A AATF facilitou a exportação de 500 kg de semente de
milho IR de polinização aberta para o Uganda em Março
de 2009. A semente foi utilizada pela Africa 2000 Network
em cerca de 1.000 campos de demonstração de produto,
em colaboração com outros parceiros. Um mês mais tarde
foram semeadas no país seis variedades de milho IT na
segunda época de ensaios de desempenho nacionais. Estes
ensaios fornecerão dados para a selecção das variedades de
milho IR mais promissoras, para a sua potencial libertação
e registo em 2010. A AATF, BASF, o Serviço de Certificação
de Sementes de Uganda e os funcionários do Ministério da
Agricultura organizaram consultas e estão a acompanhar o
registo do herbicida Imazapyr no Uganda.
Na África Meridional, o escritório do CIMMYT no
Zimbabwe iniciou actividades de avaliação de germoplasma
adequado para o Malawi. Em linha com estas actividades a
AATF participou na reunião da Iniciativa de Novas Sementes
para Milho em África (NSIMA) em Agosto de 2009, que se
realizou em Lusaka, Zâmbia, para discutir os planos para
a distribuição de milho IR no Malawi e noutros países da
África Meridional. Ficou decidido que os ensaios regionais
seriam realizados na região durante a época de plantio de
Outubro de 2009, para identificar as variedades de milho IR
mais bem adaptadas e promover a consciencialização para a
tecnologia do milho IR.
Na Nigéria realizou-se uma reunião das partes
interessadas em Maio de 2009, para planear a
comercialização e implementação da tecnologia de milho
IR pelos agricultores, que foi desenvolvida pelo Instituto
Internacional de Agricultura Tropical (IITA) em Ibadan. Em
colaboração com os seus parceiros, o IITA-Ibadan orientou a
multiplicação de sementes genéticas e sementes geradoras
das variedades de milho IR promissoras, assim como 24
ensaios de utilização de híbridos de milho IR nas condições
de infestação natural de Striga hermonthica, que foram
conduzidos por investigadores.
Mobilização de recursos
A AATF desenvolveu juntamente com o IITA, CIMMYT e
a BASF uma proposta que foi apresentada à Fundação Bill
and Melinda Gates. A proposta visa o controlo da plantaparasita Striga em sistemas de culturas à base de milho do
Quénia e Nigéria.
A 12 de Maio de 2009, a AATF e o Ministério da Agricultura
do Quénia organizaram em Nairobi uma reunião de âmbito
nacional das partes interessadas na Striga. Isto acelerou a
preparação de um resumo de projecto para o controlo da
Striga no Quénia, que faz parte da Iniciativa Regional de
Controlo da Striga para a África Oriental do Kilimo Trust. O
resumo de projecto foi apresentado ao Comité do Programa
do Kilimo Trust a 10 de Julho de 2009 e provisoriamente
aprovado e endossado pela reunião geral do Conselho de
Administradores do Kilimo Trust em Outubro/Novembro
de 2009.
O plano de negócios do projecto de controlo da Striga está
a ser revisto para orientar o alargamento das actividades,
principalmente na África Meridional e Ocidental. O plano
de negócios será utilizado também para a mobilização de
recursos.
14 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: Uma pausa para uma mulher
ugandesa. A sua casa redonda coberta
de colmo é típica das populações Bantu
da África Subsariana.
À Direita: Feijão-frade na fase de
crescimento da vagem.
Primeiro Ensaio
de Campo Confinado de
Feijão-frade Bt em África
A 25 de Agosto de 2009 plantou-se em África o primeiro feijão-frade Bt num
local de ensaios de campo confinados (ECC) em Zaria, na Nigéria, com a
autorização do Ministério Federal do Ambiente. A cultura foi semeada por uma
equipa dirigida por Mohammad Ishiyaku, Investigador Principal do projecto,
do Instituto de Investigação Agrícola (IAR) da Nigéria, um dos parceiros do
projecto do feijão-frade Bt da AATF. Este evento marcou uma fase significativa
do fornecimento de variedades de feijão-frade resistentes à Maruca aos
agricultores de África.
Antecedentes
O feijão-frade é considerado a leguminosa de grão para consumo humano mais
importante das savanas secas da África tropical. Cultivado em mais de 12,8 milhões
de hectares de terreno destas regiões, esta cultura fornece uma fonte de proteína
alternativa para cerca de 200 milhões de pessoas em África. Adicionalmente, além de
proporcionar um bom controlo da erosão dos solos, a cultura do feijão-frade aumenta
a fertilidade do solo devido à sua capacidade de reter o azoto.
Contudo, perde-se cerca de 70% a 80% do total de feijão-frade cultivado em África
devido a várias limitações bióticas e abióticas. A maior parte destas perdas é causada
pela praga Maruca, uma broca-das-vagens voraz que ataca intensamente a cultura e a
destrói durante as fases de floração e formação das vagens. Devido a estas perdas, os
rendimentos médios de feijão-frade em África são bastante baixos, cerca de 0,05 t/ha
a 0,55 t/ha1, muito inferior ao rendimento potencial de 2,0 t/ha a 2,5 t/ha.
1 Segundo estudos realizados pelo Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA) e o Programa de
Apoio à Investigação Colaborativa do Feijão/Feijão-frade da USAID (Universidade de Purdue).
Primeiro Ensaio de Campo Confinado de Feijão-frade Bt em África 15
O projecto coordenado pela AATF 2 envolve a introdução
no feijão-frade do gene Bt Cry1Ab, que se sabe ser tóxico para
a Maruca vitrata. Em 2008 realizaram-se em Porto Rico ensaios
de campo controlados (ECC) das melhores linhas transgénicas
experimentais de feijão-frade, para determinar como elas
resistem a forte infestação de insectos. Este ECC incluiu as 14
melhores linhas transgénicas desenvolvidas até à data por T. J.
Higgins e a sua equipa no laboratório da divisão de Indústria
de Plantas da Organização de Investigação Científica e
Industrial da Commonwealth (CSIRO) na Austrália. Os testes
indicaram bom crescimento e desempenho das linhas nas
condições de campo. Eles mostraram também que a proteína
Bt oferece resistência à broca-das-vagens Maruca.
O ECC em Porto Rico serviu de boa aprendizagem da
gestão destes ensaios e de orientação para a futura selecção
de linhas transgénicas a serem testadas. Com base nesta
informação, os investigadores do projecto do feijão-frade
da AATF identificaram linhas transgénicas promissoras
adicionais, de entre as que estão a ser produzidas na CSIRO.
O segundo ensaio, com seis novas linhas de feijão-frade
que expressam o gene Cry1Ab, foi realizado novamente na
estação experimental agrícola de Adjuntas, da Universidade
de Porto Rico, de Junho a Outubro de 2009. Este trabalho
esteve a cargo de uma equipa dirigida por Dimuth Siritunga
e Fernando Gallardo da Universidade de San Juan, Jeff Stein
do Programa para Sistemas de Segurança Biológica (PBS) e
Larry Murdock da Universidade de Purdue, sob controlo do
Serviço de Inspecção da Saúde de Animais e Plantas (APHIS)
do Ministério da Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
No início de Agosto de 2009 outros membros da equipa
do projecto, incluindo T. J. Higgins da CSIRO, Mohammad
Ishiyaku do IAR, Jeremy Ouedraogo do Instituto do
Ambiente e das Pesquisas Agrícolas (INERA), Burkina Faso,
Nompumelelo Obokoh da AATF, Joe Huesing da Monsanto,
Larry Beach da USAID e Venu Margam da Universidade
de Purdue, visitaram o ensaio e efectuaram a primeira
avaliação da eficácia destas plantas ainda em floração.
Como se esperava, o crescimento das plantas foi variável,
mas as linhas homozigóticas de alta expressão tiveram um
crescimento menos vigoroso e mostraram sinais de atrofia.
Os fitogeneticistas do feijão-frade de África explicaram que
o processo de introgressão romperá a aparente ligação entre
resistência e redução do vigor observada em alguns dos
eventos. Isto levanta mais uma questão, a de como efectuar
uma melhor selecção das plantas antes de as transferir para o
campo. Para esse fim, a equipa da CSIRO na Austrália utilizou
mais tarde um analisador Lemna Tech Scanalyser para medir
as taxas de crescimento de linhas transgénicas seleccionadas
por comparação com a da linha-mãe não transgénica. Os
resultados mostraram boa reprodutibilidade das repetições
de ensaios.
2 Os parceiros do projecto do feijão-frade incluem: a Network for the
Genetic Improvement of Cowpea for Africa (Rede para o Melhoramento
Genético do Feijão-Frade para África, (NGICA)); a Organização de
Investigação Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO), Austrália;
as organizações nacionais para a investigação agrícola da Nigéria, Gana
e Burkina Faso; o Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA),
Nigéria; a empresa Monsanto; e o Programa para Sistemas de Segurança
Biológica (PBS).
As diferenças na taxa de crescimento reflectiram-se
no rendimento de sementes por planta. Os resultados
preliminares parecem indicar que a técnica de medição do
crescimento da planta em estufa pode ser utilizada para se
prever com fiabilidade o desempenho das plantas no campo.
O outro desafio para o segundo ECC em Porto Rico foi
a ausência de Maruca, o que significou que não puderam
ser obtidos dados de eficácia. Os investigadores concluíram
que a estação era demasiado seca para a reprodução e
sobrevivência dos insectos. Embora o Dr. Gallardo tenha
libertado grande número de larvas em segundo estado
larvar e insectos adultos criados em laboratório durante a
etapa de formação do botão da flor e das primeiras etapas de
floração, eles não infestaram as parcelas de terreno devido à
baixa humidade.
A colheita do ensaio foi realizada em Outubro tendo-se
recolhido dados sobre o peso total das vagens; o número
total de vagens; o peso total das sementes; peso de 100
sementes e número de sementes por vagem. O número total
de vagens, número de vagens por planta e a quantidade
total de sementes por planta eram drasticamente menores
nas plantas transgénicas, por comparação com as de
tipo selvagem, o que se atribuiu ao fenótipo das linhas
transgénicas ser, de modo geral, menos robusto. Em cada
categoria houve uma linha transgénica que foi a melhor. As
vagens das plantas tipo selvagem também se formaram e
atingiram a maturidade uma ou duas semanas antes das
vagens das linhas transgénicas. Por outro lado, o peso por
vagem, número de sementes por vagem e peso por sementes
eram comparativamente iguais entre as linhas transgénicas
e as de tipo selvagem.
Entretanto, a equipa da CSIRO continuou a criar mais
linhas usando o mesmo constituinte Cry1Ab. Foi criado um
total de 163 linhas transgénicas que foram transferidas da
cultura de tecidos para a estufa. Os investigadores da CSIRO
iniciaram uma avaliação dos fenótipos das 163 linhas já
produzidas. Com base nos resultados apresentados numa
reunião mundial sobre a estratégia do feijão-frade realizada
em Purdue em Agosto de 2009, o Dr. Higgins continuará a
seleccionar e analisar as linhas existentes e conceberá um
16 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
novo constituinte do gene Cry1Ab em 2010. Este trabalho
visará a produção da proteína Bt no cloroplasto, com o fim
de avaliar o efeito da sequestração da proteína na atrofia dos
fenótipos das linhas transgénicas.
O primeiro feijão-frade Bt em África
Em Julho de 2009 o IAR obteve autorização dos Serviços
de Quarentena da Nigéria para a importação de seis linhas
transgénicas de feijão-frade, assim como da linha-mãe não
transgénica. A 2 de Agosto de 2009 foi enviada, via DHL,
dos escritórios da CSIRO na Austrália para a Nigéria uma
remessa devidamente embalada e rotulada de sementes
de feijão-frade Bt. A remessa foi acompanhada de um
certificado fitossanitário emitido pela Segurança Biológica
de Plantas na Austrália. Cinco dias mais tarde as sementes
foram recebidas pelo IAR e confirmadas pelos funcionários
de regulamentação do Serviço de Quarentena e do Gabinete
de Segurança Biológica da Nigéria.
A 25 de Agosto de 2009 o Dr. Ishiyaku e a sua equipa
plantaram o primeiro feijão-frade Bt em África, num local de
ECC em Zaria. Eles plantaram quatro linhas transgénicas,
assim como a planta-mãe de controlo, e uma variedade local
susceptível. Estas linhas incluíram duas que estavam a ser
testadas em Porto Rico, para permitir comparações entre
diferentes ensaios e ambientes. Antes do ensaio plantaramse três filas marginais e filas internas de protecção, assim
como a linha susceptível, para atrair mais Maruca. Realizouse uma série de infestações artificiais para aumentar a
pressão dos insectos. Com início a 17 de Outubro de 2009,
cada planta de cada parcela foi infestada com cinco larvas de
Maruca (fase larvar não determinada).
A 20 e a 21 de Outubro de 2009 infestou-se a segunda
fila de cada parcela com cinco e quatro larvas de Maruca,
respectivamente. A 22, 23 e 24 de Outubro introduziram-se
mais 10 larvas da praga; na segunda fila de cada parcela foram
dispersas 10 larvas Maruca e a primeira fila correspondente
foi deixada com a infestação natural de Maruca no campo.
A partir deste ensaio registaram-se dados entomológicos
incluindo o número total de pedúnculos, o número total de
vagens, o número total de flores por semana e o número total
de flores com Maruca por semana, que estão a ser analisados
para avaliar o dano causado à vagem pela Maruca.
Os inspectores de segurança biológica do Ministério
Federal do Ambiente também inspeccionaram o ECC em
quatro fases diferentes do ensaio. A 27 de Outubro de 2009
foi realizada uma auditoria externa do ECC por um perito
internacional de segurança biológica. A auditoria confirmou
que o ECC do feijão-frade transgénico tinha sido realizado
em conformidade com os requisitos nacionais da Nigéria,
assim como os requisitos especiais de Avaliação Ambiental
Interna do USAID.
Reforço de capacidade
Em Junho de 2009 o IAR, AATF e o PBS organizaram um
workshop para reforçar a capacidade em conformidade
regulamentar e comunicação de biotecnologia, dando
especial atenção à gestão dos locais de ECC. O fórum reuniu
os principais investigadores de feijão-frade dos países
colaboradores africanos: Nigéria, Gana e Burkina Faso. Ao
workshop assistiram também os gestores dos locais de ECC,
pessoal técnico, agentes das autoridades de regulamentação
envolvidos na monitorização e execução do cumprimento
da regulamentação durante os ECC de plantas GM, assim
como funcionários do governo e jornalistas.
Os aspectos-chave do workshop sobre regulamentação
incluíram discussões sobre as principais questões de
segurança biológica de um ECC e comentários sobre os
"Pilares de Confinamento" incluindo controlo do material
da planta; prevenção da transferência de genes e prevenção
da persistência. O fórum também salientou que as medidas
de confinamento apropriadas requerem boas práticas de
confinamento genético e do material e pessoal com boa
formação e bem equipado, procedimentos de rotina e de
emergência e bons procedimentos de registo, assim como
documentação e inspecção estruturada.
Os participantes também visitaram o local de ECC
em Zaria onde se lhes descreveram os procedimentos de
segurança implementados para assegurar conformidade
TJ Higgins
H
á mais de 30 anos que me dedico
à investigação de tecnologias de
genes de plantas, especialmente o
melhoramento do valor nutritivo e
da resistência a pragas, e a doenças de plantas
leguminosas. Larry Murdock deu-me a conhecer
pela primeira vez as características do feijão-frade
quando me convidou para um workshop em
Dakar, Senegal, em 2001. Durante esse fórum
conheci, entre outros, Mohammad Ishiyaku,
Joe DeVries, Joe Huesing, Ousmane Coulibaly,
Jess Lowenberg-DeBoer, Robert Paarlberg,
AB Salifu, BB Singh, Idah Sithole-Niang, Jesse
Machuka, Issa Drabo, Ndiaga Cisse, Ray Bressan,
Laurie Kitch, Louis Jackai e Jeff Ehlers. Seria um
eufemismo descrever este grupo de cientistas
como entusiastas do feijão-frade. Embora eu
não soubesse nada sobre feijão-frade no início
do workshop, no fim estava quase "perito" – tal
eram os conhecimentos e o entusiasmo destes
cientistas.
A equipa de cientistas, que mais tarde passou
a ser conhecida por Rede para o Melhoramento
Genético de Feijão-Frade para África, (NGICA),
reunia uma gama impressionante de
competências e conhecimentos que tinham vindo
a ser aplicados generosamente ao melhoramento
do feijão-frade, trabalhando muitos deles como
voluntários. Uma competência que ainda se
encontrava em estado embrionário era a da
transformação genética, também conhecida por
engenharia genética. Este era um domínio em
que eu tinha alguma experiência, devido ao meu
Primeiro Ensaio de Campo Confinado de Feijão-frade Bt em África 17
com as normas definidas pelos regulamentos de segurança
na Nigéria. O workshop de formação de competência
em comunicação discutiu os elementos que constituem
uma comunicação efectiva, como conceber e apresentar
mensagens efectivas, gestão de problemas em biotecnologia
agrícola e relações com os média, que incluíram a simulação
de uma entrevista com os média que preparou os parceiros
para o anúncio da aprovação do ECC pelo Governo Federal
da Nigéria.
Os workshops de reforço de capacidade foram facilitados
pelo PBS e pelo Serviço Internacional para a Aquisição de
Aplicações de Agrobiotecnologia (ISAAA). Para apoiar a
comunicação e partilha de informação sobre o projecto,
produziu-se uma folha de Perguntas Frequentes (PF) sobre
o projecto do feijão-frade Bt e outra sobre os ECC; estas estão
disponíveis no website da AATF (www. aatf-africa.org/
publications/fact_sheets).
Desafios
Um dos desafios enfrentados pelo projecto foi o baixo
nível da pressão de insectos no campo. Para resolver este
problema, a AATF e a Universidade de Purdue estão a
elaborar um contrato para um entomologista trabalhar
juntamente com Larry Murdock na Universidade de
Purdue, com o objectivo de ajudar os parceiros do projecto a
desenvolverem protocolos laboratoriais para criar e manter
com sucesso a colónia de Maruca. O cientista dará também
apoio à optimização da metodologia de manipulação de
ovos e larvas destinados a infestação artificial do campo em
Porto Rico. Estes procedimentos serão também usados nos
ECC a realizar em África.
O segundo desafio foi o conjunto de procedimentos
laboriosos e demorados utilizados para avaliar um grande
número de linhas para eliminar as que tinham múltiplas
inserções. Os investigadores viram-se perante dificuldades
na utilização da análise de Southern Blot, um processo
normalmente usado para testar o número de cópias de um
gene e a presença de sequências estruturais. Felizmente,
Joe Huesing da Monsanto e Larry Beach da USAID
trabalho com outras leguminosas. Por decisão
do grupo coube-me o desafio de aperfeiçoar o
processo de transferência de genes para o feijãofrade, para que os fitogeneticistas dispusessem
de uma ferramenta genética adicional com a qual
pudessem melhorar a cultura.
A tarefa intimidava-me, mas ao mesmo tempo
estava tão impressionado com a visão do grupo
que saí do workshop determinado a tentar levar a
cabo esta tarefa.
Com o apoio da Fundação Rockfeller,
e mais tarde da USAID e da AATF, iniciei o
aperfeiçoamento de um método para a
transferência de genes para o feijão-frade.
Um factor decisivo para o seu sucesso foi a
competência de Stephanie Gollasch, Carlos
Popelka, Andy Moore e Lisa Molvig, em Canberra.
Todos eles eram experientes em transferência de genes para outras culturas, o que demonstrou ser
deram sugestões úteis sobre procedimentos alternativos
utilizados nas indústrias. Com base nestas, o Dr. Higgins
visitou a Monsanto e a Third Wave Technologies em
Madison, Wisconsin, para avaliar a PCR quantitativa e
a Tecnologia Invasora (Invader Technology). Até à data os
resultados laboratoriais de Q-PCR de Canberra parecem
ser promissores, oferecendo a possibilidade de determinar
o número de cópias de genes em material T0, que poderia
permitir a avaliação de linhas de múltiplas inserções muito
cedo e assim economizar espaço na estufa.
Em Maio de 2009 Ibrahim Atokple, principal investigador
(PI) em Gana, tentou apresentar um pedido de ECC à
secretaria do Comité Nacional de Segurança Biológica
(NBC) sem sucesso. Isto deveu-se ao facto de o Ministério
do Ambiente, Ciência e Tecnologia ter uma nova ministra
que acabara de tomar posse e que necessitava que o
NBC a pusesse ao corrente dos requisitos de gestão e
regulamentação de OGM em Gana. Passados dois meses a
equipa do projecto, com o apoio do NBC, teve uma reunião
de informação com a nova ministra do Ambiente, Ciência e
Tecnologia, para que ela autorizasse o uso do Instrumento
Legislativo (IL) como directriz para a realização de ECC,
enquanto se esperava a aprovação da Lei sobre Segurança
Biológica. Após várias reuniões de consulta do NBC e de
outras partes interessadas importantes, a ministra deu a
sua aprovação ao NBC para receber e processar pedidos
relativos a OGM destinados a ensaios de campo e utilização
confinada.
Etapas seguintes
Em 2009, o Comité Consultivo do Projecto (PAC) recomendou que o projecto tirasse lições dos ensaios da Nigéria, antes
de alargar as actividades de ECC a outros países. Dependendo dos resultados dos ensaios na Nigéria, decidir-se-ia sobre
a realização de um ECC em Burkina Faso e em Gana ou a
repetição de um ensaio mais elaborado na Nigéria. Outros
planos futuros incluem mais actividades educacionais e de
consciencialização em biotecnologia.
essencial para o desenvolvimento de um sistema
robusto para o feijão-frade.
Agora temos um sistema que é operacional
e introduzimos genes para protecção contra
insectos. Esperamos que a primeira das linhas que
desenvolvemos proteja a planta contra a brocadas-vagens Maruca. Produzimos muitas linhas
e seleccionámos vários candidatos para ensaios
adicionais. O Professor Ishiyaku está agora a testar
estas plantas no campo em Zaria, Nigéria.
Desde o meu primeiro encontro com o
Professor Ishiyaku, em que o ouvi falar dos
agricultores com os quais trabalha, que estou
motivado a trabalhar arduamente para assegurar
que ele conseguirá produzir feijão-frade
resistente à broca-das-vagens no seu programa
de melhoramento. Se ele conseguir aumentar o rendimento do feijão-frade nos
campos de agricultores, o nosso esforço terá
sido recompensado. De facto, para um cientista
de laboratório o projecto do feijão-frade trouxe
enorme satisfação. Tenho agora uma visão clara
do modo como o nosso trabalho pode ajudar os
agricultores de fracos recursos e contribuir para a
segurança ecológica e alimentar em África.
18 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: O povo Sirigu, de Gana, decora
as suas casas com pinturas geométricas,
tal como o faz o povo Ndebele da África
do Sul. As tintas são formuladas com
materiais naturais locais.
À Direita: Plantação de banana isenta de
doenças.
Desenvolvimento de
Bananas Transgénicas
Resistentes a BXW
A AATF e o IITA, em parceria com a NARO de Uganda, conseguiram avanços
consideráveis no desenvolvimento de bananas transgénicas resistentes à
doença da murchidão da banana causada por Xanthomonas (BXW). Este
trabalho envolveu transformação usando dois genes da resistência – a proteína
vegetal semelhante a ferredoxina (pflp) e a proteína hipersensível com resposta
assistida (hrap) – isolados do pimentão-doce. Estes genes foram introduzidos
em culturas de células e tecidos meristemáticos de quatro variedades
importantes de banana no Uganda. Os parceiros do projecto apresentaram ao
Comité Nacional de Segurança Biológica um pedido de aprovação, depois de
terem recebido a aprovação do Comité de Segurança Biológica da NARO para
a realização de ensaios de campo confinados nos Laboratórios Nacionais de
Investigação Agrícola (NARL) em Kawanda.
Antecedentes
A doença da murchidão Xanthomonas da banana (BXW), causada pela bactéria
Xanthomonas campestris pv. musacearum (Xcm) foi comunicada pela primeira vez na
Etiópia há cerca de 40 anos. A doença parecia estar restrita a esse país até 2001, quando
se observou pela primeira vez no Uganda, o segundo maior produtor de bananas
depois da Índia. Desde então a BXW alastrou-se rapidamente através da África Oriental
e Central, ameaçando o sustento e a segurança alimentar de milhões de pessoas. A BXW
afecta quase todas as cultivares comuns de bananas causando rapidamente um dano
muito grande.
Desenvolvimento de Bananas Transgénicas Resistentes a BXW 19
Abubaker
Muwonge
S
ou investigador, natural de Uganda,
e estou a fazer um doutoramento.
Comecei a interessar-me por
biotecnologia quando fiz o Mestrado
na Universidade Técnica do Médio Oriente em
Ancara, na Turquia.
A oportunidade de fazer o curso surgiu em
2003, depois de ter ganho nesse ano uma das
duas bolsas de mérito concedidas pelo banco
Islamic Development Bank em África. Escolhi
o estudo da biotecnologia porque era uma
área de investigação nova e porque sempre
gostei de novos desafios. Além disso, uma vez
que a biotecnologia é aplicável a quase todos
os domínios da ciência, achei que me daria
uma boa base como cientista. O meu projecto
de Mestrado foi a transformação de genes Bt
em batatas irlandesas. Este trabalho suscitou
a minha curiosidade sobre o potencial da
biotecnologia para os pequenos agricultores
do meu país, Uganda, e da região da África
Oriental. Depois de terminar os meus estudos
regressei ao país e entrei para o Centro Nacional
de Biotecnologia Agrícola (NABC). Durante três
anos concentrei-me na clonagem de genes
para serem introduzidos em bananas a fim de
lhes conceder resistência ao gorgulho. Depois
consegui uma bolsa através do IITA para fazer
um doutoramento sobre bananas, um projecto
financiado pela AATF. O meu projecto de
doutoramento pretende desenvolver bananas
com os genes da proteína semelhante a
ferredoxina (pflp) e da proteína hipersensível
com resposta assistida (hrap) combinados na
mesma cultivar. Avaliarei também o aumento
potencial da resistência à bactéria Xanthomonas
campestris pv. musacearum (Xcm) causadora da
doença da murchidão Xanthomonas da banana
(BXW), que estas linhas podem oferecer. A
maior parte da minha investigação é realizada
nas instalações do NABC em Uganda e parte
do trabalho será realizado na Universidade de
Pretória, na África do Sul.
Até à data desenvolvi mais de 150 linhas
de sukali ndizi e mais de 200 linhas de gonja
majala. Realizei também alguma caracterização
molecular preliminar destas linhas. Os resultados
foram encorajantes pois descobri que tanto os
genes pflp como os hrap estão presentes nessas
linhas. A etapa seguinte é a multiplicação e
avaliação das linhas em ensaios realizados em
vaso, em estufa, para selecção do material de
melhor qualidade, que mais tarde será utilizado
em ensaios de campo confinados, depois de
recebida aprovação regulamentar.
Um dos problemas que enfrento no meu
trabalho é a falta do equipamento de que
necessito no NABC. Felizmente posso realizar
parte da minha investigação na Universidade
de Pretória. O Centro realiza muito trabalho
de investigação e por isso as instalações
existentes são muito procuradas. Na realidade
tenho de trabalhar longas horas para poder
terminar o meu projecto a tempo. Mas sintome privilegiado por trabalhar aqui no NABC
com uma equipa dedicada e experiente de
investigadores do IITA e da Organização
Nacional para a Investigação Agrícola (NARO).
Também tenho orgulho em fazer parte da
solução para as limitações da produção de
bananas, pois sei que o conhecimento que estou
a desenvolver contribui directamente para a
Os cientistas do Instituto Internacional de Agricultura
Tropical, (IITA), em parceria com a Organização Nacional
para a Investigação Agrícola (NARO) do Uganda iniciaram
o desenvolvimento de bananas transgénicas resistentes
a BXW no início de 2004. O IITA abordou a AATF para
poder ter acesso a genes candidatos que proporcionassem
resistência contra a BXW. No início de 2005 a AATF lançou
um projecto em parceria com o IITA e a NARO destinado a
produzir cultivares de banana resistentes a BXW através de
transformação genética. Com base no trabalho efectuado por
Teng-Yung Feng da Academia Sinica de Taiwan, o projecto
avançou consideravelmente no sentido de se inserirem na
banana dois genes de resistência: a proteína vegetal semelhante
a ferredoxina (pflp) e a proteína hipersensível com resposta
assistida (hrap), isoladas do pimentão-doce. O principal
objectivo do projecto é desenvolver bananas transgénicas
resistentes à murchidão causada por Xanthomonas. Em 2009
foram testadas em laboratório, e em vaso em estufa, várias
linhas transformadas contendo os genes pflp ou hrap no
Uganda.
produção de bananas resistentes a Xcm. O dia
em que estas plantas estiverem disponíveis
para os agricultores rurais será, para mim como
para eles, um marco importante. Como cientista
agrícola, penso não haver maior satisfação
do que a de ajudar a melhorar a segurança
alimentar e a receita do povo do meu país e sei
que as bananas resistentes a Xcm conseguirão
estes dois objectivos para os povos da África
Oriental.
20 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima : Leena Tripathi, biotecnóloga da IITA e principal investigadora do projecto da banana resistente a
BXW, inspecciona bananas transgénicas no laboratório.
Alargando as fronteiras da investigação
Os investigadores do projecto conceberam as etapas
seguintes de modo a se poder demonstrar que a
combinação dos genes pflp e hrap nas mesmas cultivares
de bananas resultaria em maior resistência. A iniciativa
também visa clonar e validar o constituinte com os genes
pflp e hrap combinados e transformar e regenerar plantas
transgénicas. O trabalho alarga-se à análise molecular de
plantas transgénicas e ao teste da eficácia de hrap e pflp na
resistência contra a BXW em condições laboratoriais.
Em 2009 foram regeneradas mais de 300 plantas
transformadas putativamente. Destas foram seleccionadas
100 linhas para serem validadas por meio de análise
Southern Blot e PCR. As análises Southern Blot confirmaram
os eventos de transformação e indicaram que a maioria dos
eventos tinha um pequeno número de cópias (1 a 3). Foram
testadas mais 20 linhas por análise RT-PCR e Northern
Blot. As linhas transgénicas foram avaliadas em termos
da resistência a BXW utilizando análise in vitro. As linhas
promissoras também foram avaliadas utilizando plantas
cultivadas em vaso em estufa. As linhas que apresentam
resistência em condições protegidas serão também avaliadas
em ensaios de campo confinados (ECC). Foi registado
no Comité Nacional de Segurança Biológica um pedido
de licença de aprovação da realização de um ECC nos
Laboratórios Nacionais de Investigação Agrícola (NARL)
em Kawanda.
Workshop de culturas de tecidos
No final do ano de 2008 os investigadores da AATF e da
Academia Sinica eram de opinião que o projecto beneficiaria
com a realização de um workshop sobre propagação de
culturas de tecidos que abordasse questões de controlo de
qualidade e eficiência, assim como oportunidades para
a distribuição de plântulas de culturas de tecidos através
de organizações dos sectores público e privado dirigidas
especificamente a pequenos agricultores. Este evento foi
considerado como uma componente do projecto mais
abrangente de Melhoramento de Bananas, que tinha sido
desenvolvido por a AATF reconhecer a necessidade urgente
de reduzir a perda de germoplasma da banana. A Fundação
também identificou o requisito de assegurar o fornecimento
sustentável de novos materiais aos agricultores, através
de técnicas de culturas de tecidos aliadas a uma adequada
gestão responsável do produto.
O workshop de culturas de tecidos foi realizado entre 8 e
14 de Abril de 2009 na Academia Sinica em Taipei, Taiwan,
ao qual assistiram representantes dos sectores público e
privado. Os participantes incluíram Erastus Nsubuga,
Director Executivo da Agro-Genetic Technologies (AGT)
de Uganda; Jesca Mbaka e Alice Muriithi do Instituto de
Investigação Agrícola do Quénia (KARI); e Julius Mugini
do Instituto de Investigação Agrícola de Mikocheni (ARI,
Mikocheni) da Tanzânia. As discussões centraram-se no
aumento do rendimento e eficácia das práticas de culturas
Desenvolvimento de Bananas Transgénicas Resistentes a BXW 21
de tecidos na região dos Grandes Lagos em África. A
Academia Sinica, representada pelo Prof. Feng, organizou
módulos de formação em vários aspectos da cultura de
tecidos. Os tópicos abrangidos foram a iniciação da plantamãe, subcultura, regeneração e enraizamento, aclimatação e
endurecimento.
A equipa recebeu mais informações sobre o sistema de
produção que está a ser usado pela Academia Sinica e como
ele contribui para o baixo custo das plântulas de banana
no Instituto de Investigação de Bananas de Taiwan, que as
vende a 40 cêntimos, por comparação com cerca de USD 1
em África.
Os participantes partilharam ideias sobre várias medidas
de redução de custos no desenvolvimento de plântulas
de banana obtidas por cultura de tecidos. Para reduzir os
custos, sugeriu-se criar rebentos múltiplos a partir de tecidos
meristemáticos e também utilizar carvão líquido como meio
de enraizamento.
O workshop foi uma revelação e ofereceu avanços
significativos para o melhoramento das técnicas de cultura
de tecidos que contribuirão para a produção de plântulas
de banana económicas, para os agricultores de escassos
recursos da região dos Grandes Lagos de África.
Os participantes recomendaram a realização de um
workshop de formação regional semelhante em África, que
permitisse maior participação e capacitação para um maior
número de partes interessadas na indústria da banana.
Partilha de conhecimentos, reforço da
capacidade e conformidade regulamentar
A investigação e os resultados conseguidos através do
projecto BXW foram apresentados na Conferência de
Biotecnologia de Culturas Tropicais em 2009, realizada na
África do Sul, e nas reuniões sobre Compreensão da Ciência
pelo Público (Fórum de Ciências do CGIAR, Junho de 2009).
A investigação também foi publicada na revista científica
Plant Disease Journal.
Entretanto, Muwonge Abubaker, que iniciara os seus
estudos de PhD em 2008 ao abrigo do projecto, continuou
a sua investigação sobre o aumento da resistência da
banana à Xanthomonas campestrisis pv. Musacearum por
co-expressão dos genes pflp e hrap. Prevê-se que termine o
seu doutoramento, em curso na Universidade de Pretória,
África do Sul, em 2011.
O processo de finalização do pedido de ECC está em
andamento. O pedido foi apresentado ao Comité de
Segurança Biológica do Instituto (IBC) para análise e depois
de receber a aprovação do IBC foi enviado para o Comité
Nacional de Segurança Biológica (NBC) para aprovação.
Etapas seguintes
Com base na imensa quantidade de conhecimentos gerados
pelo projecto os investigadores esperam apresentar o
seu trabalho em mais reuniões científicas. Um artigo de
investigação será publicado numa revista científica avaliada
por pares, para proteger o trabalho e disponibilizá-lo ao
público.
Acima: Plantas de banana transgénicas nos laboratórios de Kawanda.
O projecto, assinado por acordo tripartido entre a IITA,
NARO e AATF em 2009, espera criar uma instalação de ECC
no Uganda.
Os estudos laboratoriais também continuarão, incluindo
a transformação para a combinação de genes pflp e hrap,
a caracterização molecular de plantas transgénicas
regeneradas e a avaliação de plantas de banana transgénicas.
Este trabalho incluirá também a manutenção e multiplicação
de linhas transgénicas e a produção de anticorpos para o
pflp. A investigação incluirá também a avaliação de plantas
transgénicas para doenças criptogâmicas como a Sigatoka
negra.
Presentemente os investigadores aguardam a aprovação
do Comité Nacional de Segurança Biológica para a realização
de um ECC no NARL, em Kawanda
22 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: Um membro da tribo Maasai na
Tanzânia.
Milho com Eficiência
Hídrica para África (WEMA)
Em Março de 2008 a AATF lançou uma parceria público-privada com o
objectivo de produzir variedades de milho de maior rendimento e tolerantes à
seca e distribuí-las por milhões de pequenos agricultores africanos. Em 2009,
consolidando os resultados obtidos pelos parceiros do projecto no primeiro
ano de funcionamento do mesmo, foram avaliadas linhas convencionais
promissoras de cruzamentos-teste tolerantes à seca, em condições de stress
hídrico. Realizaram-se ensaios de campo confinados (ECC) simulados em dois
países da África Oriental, enquanto se aguardava a aprovação de uma licença
para a realização de ensaios transgénicos na República da África do Sul.
A maior parte da África Subsariana é caracterizada por secas recorrentes que
constituem um permanente desafio para milhões de pequenos agricultores que
dependem da chuva para o crescimento das suas culturas. Na realidade, a seca
contribui significativamente para os fracos rendimentos das colheitas, resultando em
insuficiência e preços elevados dos principais alimentos em África.
Em Março de 2008 a AATF lançou o projecto Milho Com Eficiência Hídrica para
África, (WEMA), uma parceria público-privada que capitaliza uma combinação
inovadora de melhoramento convencional do milho, selecção assistida por marcadores
e biotecnologia. O objectivo do projecto é desenvolver variedades de milho de maior
rendimento e tolerantes à seca. O objectivo global do projecto WEMA é distribuir a
semente de milho melhorada a milhões de agricultores em cinco países da África
Oriental e Meridional, sem encargos de royalties, assim como divulgar as melhores
práticas agronómicas. A iniciativa, financiada pela Fundação Bill and Melinda Gates
e pela Fundação Howard G Buffet para uma fase inicial de cinco anos, está a ser
implementada pela AATF em colaboração com vários parceiros, incluindo os sistemas
nacionais de pesquisa agrícola (NARS) do Quénia, Moçambique, África do Sul, Tanzânia
Milho com Eficiência Hídrica para África (WEMA) 23
e Uganda, a empresa Monsanto e o Centro Internacional de
Melhoramento do Milho e do Trigo (CIMMYT)
Avanços no melhoramento de plantas
Durante o ano inaugural do projecto WEMA a Monsanto
avaliou linhas puras de milho de elite promissoras previamente
desenvolvidas pela empresa e pelo CIMMYT, que estão
adaptadas às ecologias tropicais existentes na ASS. Com base
neste trabalho, a equipa de melhoramento do projecto WEMA
testou em 2009 vários cruzamentos-teste convencionais (testcross) tolerantes à seca, em condições de boa rega e de stress
hídrico. Os investigadores observaram diferenças entre os
cruzamentos-teste em termos das suas reacções físicas ao
stress hídrico, que os ajudou a identificar as que teriam um
bom desempenho em condições de seca. O trabalho progrediu
desenvolvendo-se híbridos transgénicos tropicais tolerantes
à seca, cujo desempenho será avaliado nos cinco países da
parceria. A equipa também desenvolveu linhas de duplos
haplóides que foram multiplicadas em viveiros.
Instalações de ECC e ensaios simulados
Os países da parceria do projecto WEMA identificaram locais
adequados para a realização de ECC nos cinco países. No
último trimestre de 2009 o Quénia e a Tanzânia conseguiram
concluir o desenvolvimento dos locais e adquirir as
aprovações regulamentares necessárias para a realização
de ensaios simulados e a África do Sul conseguiu plantar
o primeiro ensaio de transgénicos. O desenvolvimento do
local incluiu a instalação de sistemas de irrigação para stress
hídrico controlado na Tanzânia e na África do Sul. Foram
iniciados planos para um esquema semelhante no Quénia
e no Uganda.
Os ensaios simulados que utilizam germoplasma
tolerante à seca convencional, estabelecidos no Quénia
e na Tanzânia, tiveram como objectivo testar e calibrar
as instalações de irrigação e simular as etapas a realizar
nos próprios ECC das variedades de milho transgénico,
que estão programados para 2010. Os ensaios simulados
também deram aos investigadores que trabalham no
projecto WEMA a oportunidade de receberem formação
sobre os procedimentos regulamentares que devem ser
cumpridos na realização dos ensaios. Embora a realização
de um ensaio simulado não exija aprovação regulamentar,
foi apresentada uma notificação deste ensaio ao Comité
Nacional de Segurança Biológica (NBC) nos dois países,
como parte da actividade de formação. Depois de os pedidos
e os locais terem sido considerados em conformidade com
os requisitos de realização de um ECC transgénico, foi
concedida aprovação para o ensaio. Foi apresentada uma
notificação semelhante no Uganda em meados de Outubro
de 2009. Na RAS o pedido de licença para a realização de
ensaios transgénicos enviado ao responsável (Registrar)
dos OGM foi aprovado em Setembro de 2009 e o ensaio foi
plantado em Novembro de 2009.
Conformidade regulamentar
O quadro regulamentar dos países da parceria do projecto
WEMA foi analisado tendo sido redigido um documento
de estratégia para assegurar a obtenção de aprovação
regulamentar para a realização de ECC e a conformidade
com os regulamentos. O projecto também desenvolveu um
documento de orientação sobre a conduta dos membros da
equipa de regulamentação durante o processo de análise do
pedido de realização de ECC. Realizaram-se workshops de
formação sobre conformidade dos ECC para as equipas do
projecto WEMA envolvidas nos vários países. Preparou-se
um Manual de Formação sobre Conformidade e um Manual
dos Gestores do Local, de grande importância. Como parte
do reforço de capacidade realizou-se um workshop para
proporcionar directrizes aos chefes de equipa responsáveis
pela regulamentação e pelo desenvolvimento do produto
nos cinco países da parceria, para a criação dos dossiers de
regulamentação.
Realizaram-se estudos de avaliação do actual risco
ambiental na Tanzânia e Uganda, mas estes ainda não
foram iniciados em Moçambique. Contudo, estes estudos
não são necessários no Quénia e na RAS. Existe um relatório
preliminar para o Uganda .
Comunicações
A equipa de comunicação do projecto WEMA conseguiu
atrair uma cobertura pelos média que é digna de louvor.
24 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
A equipa também realizou dois workshops de criação de
capacidade em comunicação e interacção com os média.
O workshop de interacção com os média e comunicação de
biotecnologia foi realizado em Agosto de 2009, dirigindo-se
a mais de 35 porta-vozes do projecto, seleccionados de entre
as equipas de Desenvolvimento do Produto, Conformidade
Regulamentar, Comunicação e Divulgação. O workshop
visou preparar os participantes com competências
adequadas em comunicação de biotecnologia, relações com
os média e gestão de problemas. Em Julho de 2009 realizouse a actividade de Formação sobre Interacção com os Média
dirigida a Executivos, especificamente destinada à direcção
da AATF que veicula, entre outras questões, informações
sobre o projecto WEMA.
Além disto a equipa demonstrou o projecto em mais
de 10 eventos regionais e globais relacionados com a
agricultura. Isto consciencializou um grande espectro de
partes interessadas, incluindo cientistas, decisores, líderes
dos governos central e local e agricultores. Em todos estes
eventos o projecto WEMA foi considerado como uma das
possíveis soluções para se fazer frente à escassez de milho
criada pelas frequentes secas que assolam a região.
Em quatro dos países realizaram-se intervenções junto
às partes interessadas nacionais, através de reuniões nesses
países, para promover a consciencialização para o projecto e
a aceitação do mesmo.
Governância do projecto
Os parceiros do projecto identificaram questões potenciais
que poderiam afectar negativamente as actividades do
projecto WEMA, apresentando algumas propostas para
as reduzir. A AATF facilitou a redacção de um acordo de
confidencialidade entre cada parceiro NARS e a Monsanto
para a realização de testes em campo do germoplasma do
milho transgénico com resistência hídrica. Relacionado
com este assunto, realizou-se em Agosto de 2009 uma
actividade de formação para os parceiros sob o tema da
confidencialidade, para discussão de assuntos-chave
relacionados com os requisitos de confidencialidade do
sector privado, especialmente no que se refere à gestão
da informação, responsabilidade do sector público e os
elementos confidenciais do projecto WEMA.
O Comité de Operações realizou reuniões mensais para
aprovação dos planos e orçamentos para 2009, revisão dos
relatórios de progresso intercalares apresentados por cada
equipa e revisão do projecto total. O comité também reviu
os boletins mensais, contratação de consultores, progresso
do desenvolvimento do local, documentos de políticas,
principais reuniões do projecto WEMA, workshops de
formação e problemas de gestão submetidos pelo Gestor do
Projecto.
O Quadro Consultivo Executivo (QCE) do projecto
WEMA continuou a ser responsável pela monitorização
do mesmo. A reunião anual do Quadro teve lugar durante
a Reunião Anual de Revisão e Planeamento do Projecto
realizada em Joanesburgo, África do Sul, em Fevereiro de
2009. Durante a reunião as equipas forneceram ao Quadro
Consultivo informações sobre as principais actividades e
realizações do projecto WEMA em 2008 e as actividades
propostas para 2009. O Dr. Ephraim Mukisira, Director
do Instituto de Investigação Agrícola do Quénia, foi eleito
presidente do Quadro sucedendo ao Dr. Dennis Kyetere,
Director-geral da Organização Nacional para a Investigação
Agrícola (NARO) de Uganda.
As equipas de Desenvolvimento do Produto,
Regulamentação e Comunicação realizaram mensalmente
teleconferências e reuniões face a face, sempre que necessário,
para discutirem o avanço atingido, propor sugestões e
abordar os desafios relacionados com o seu trabalho.
Desafios
Um dos desafios enfrentados no que se refere ao planeamento
e gestão do tempo foi consequência do facto de as equipas
estarem dispersas, resultando daí a necessidade de maior
número de reuniões e viagens.
Outro desafio foi a perda de pessoal envolvido nas
equipas do projecto, que já tinha conceptualizado o projecto
e recebido formação. Por exemplo, a saída do Consultor
Jurídico da AATF da Fundação atrasou as actividades no
domínio da PI. Contudo, foi recrutado novo Consultor
Jurídico, que iniciou as suas funções no terceiro trimestre de
2009.
Os membros da equipa de Comunicação que também
possuem outras responsabilidades organizacionais tiveram
dificuldade em pôr de lado algum tempo das agendas
extremamente preenchidas dos seus cargos normais, para
o dedicar às actividades do projecto WEMA. A equipa está
a estudar maneiras de utilizar o serviço de consultores de
comunicação de biotecnologia nos países, para a realização
de algumas das actividades.
Na área de desenvolvimento do produto, os parceiros
tiveram de lidar com o domínio do melhoramento de plantas
assistido por marcadores, em rápida e constante evolução,
que exigiu flexibilidade na adaptação de novas estratégias,
como projectos de mapeamento de associação. Os parceiros
do projecto também possuem processos diversos que
necessitaram do desenvolvimento de novos procedimentos
operacionais padrão, para possibilitar a transferência eficaz
de sementes entre países e parceiros.
Etapas seguintes
O projecto WEMA progrediu bastante em 2009, concluindo
ou iniciando mais de 90% das actividades planeadas.
Durante a revisão do projecto a meio do ano foram
implementadas estratégias para resolver o problema do
atraso do projecto em certas áreas.
Os planos para o futuro incluem actividades de
melhoramento de plantas com tolerância à seca e a
conclusão do desenvolvimento dos locais de ensaios e o
estabelecimento de sistemas de irrigação gota a gota nos
países parceiros.
A equipa do projecto WEMA também realizará
actividades de reforço de capacidade para abordar áreas
como a avaliação de risco, processamento e tratamento dos
pedidos de realização de ensaios transgénicos, interacção
com os média e comunicação de riscos de biotecnologia.
Milho com Eficiência Hídrica para África (WEMA) 25
As sessões de comunicação de biotecnologia destinadas a
jornalistas em países parceiros continuarão também, com
o objectivo de fomentar a comunicação de ciências e/ou
biotecnologia nos meios de comunicação. Além disto criarse-ão ligações entre o projecto WEMA e iniciativas regionais
como a Rede Africana de Competências em Segurança
Biológica, (ABNE), o Centro Internacional de Engenharia
Genética e Biotecnologia, (ICGEB), e organizações de
comunicação de biotecnologia. Os parceiros do projecto
facilitarão a formação de uma equipa de gestão da
Propriedade Intelectual (PI) e a implementação de marcos
de referência relacionados com a PI.
A equipa apresentará as cópias finais do Manual de
Formação de ECC e do Manual de Conformidade de ECC ao
secretariado do projecto WEMA e produzirá e disseminará
informação sobre políticas específicas nos cinco países
parceiros, com divulgação aos grupos parlamentares.
À Direita: Yoseph Beyene do WEMA CIMMYT durante uma visita de
avaliação do local de ensaio em Kiboko, Quénia
Kingstone
Mashingaidze
H
á quase 30 anos que trabalho
no melhoramento de plantas,
principalmente no exercício das minhas
funções de professor universitário
sénior e fitogeneticista do milho em Zimbabwe,
com ênfase no desenvolvimento de variedades
com tolerância à seca e ao baixo teor de azoto.
Em 2004 fui residir para a África do Sul, onde
trabalho actualmente como Gestor do Programa
de Melhoramento de Plantas e Biotecnologia do
Instituto de Culturas Cerealíferas do Conselho
de Investigação Agrícola (ARC). Em Março de
2008 fui nomeado Coordenador e Investigador
Principal do Projecto WEMA na África do
Sul. Fiquei imensamente satisfeito com esta
nomeação porque os objectivos do projecto
WEMA coincidem com os meus interesses
pessoais de investigação – proporcionar aos
pequenos agricultores variedades apropriadas às
suas áreas agrícolas marginais.
O milho é a cultura mais importante
praticada por pequenos agricultores na África
do Sul e é o principal componente das dietas
rurais, assim como uma cultura de rendimento.
A África do Sul produz cerca de 11 milhões
de toneladas métricas de milho por ano,
excedendo o consumo local anual do país de
cerca de 9 milhões de toneladas métricas. Mas
apesar de o país exportar o excedente de milho,
cerca de 14 milhões de sul-africanos – 40% da
população – não possui segurança alimentar
devido a vários factores. Em primeiro lugar, tal
como é o caso da maioria dos países da África
Subsariana, a exploração agrícola na África do
Sul é extremamente limitada por secas e baixa
fertilidade do solo (especialmente deficiência
em azoto). De facto, menos de 15% do solo da
África do Sul é arável. Além disso, apenas 10% da
cultura total de milho da África do Sul é cultivada
com irrigação e isto principalmente nas áreas de
exploração agrícola comercial de grande escala.
Estes agricultores conseguem rendimentos
de cerca de 4 a 4,5 toneladas por hectare, por
comparação com rendimentos médios de
apenas 1 tonelada de milho por hectare nas
propriedades de pequenos agricultores, que
na maioria não são irrigadas. Os pequenos
agricultores frequentemente não têm dinheiro
para comprar alimentos adicionais para as suas
necessidades.
As previsões indicam que as alterações
climáticas irão piorar a situação da exploração
agrícola na África do Sul, com estações mais
curtas, pluviosidade mais variável e temperaturas
mais altas previstas para a região. Por isso há
necessidade urgente de variedades tolerantes
à seca, para estabilizar a produção alimentar
dos agregados familiares e, a longo prazo,
o rendimento das famílias de pequenos
agricultores.
Na África do Sul desenvolvemos totalmente
o local dos ensaios de campo confinados (ECC)
(vedação e instalação do sistema de irrigação
gota a gota) e plantámos no dia 28 de Novembro
de 2009. As plantas cresceram bem e esperamos
implementar com sucesso o protocolo de
irrigação a fim de avaliar a eficácia do transgene
(MON 87460) seleccionado para o projecto
WEMA. Estou entusiasmado com a possibilidade
de combinar a biotecnologia e a tecnologia
de híbridos para proporcionar aos agricultores
variedades de alto rendimento tolerantes à seca.
Presentemente, a minha maior desilusão
é a predominância de informação incorrecta
sobre culturas geneticamente modificadas (GM)
n África do Sul. É importante que os líderes
políticos africanos aceitem a biotecnologia e
facilitem um debate sério e informado sobre
a tecnologia e as questões problemáticas da
segurança alimentar envolvendo todas as partes
interessadas, incluindo agricultores, organizações
civis, cientistas e os média.
Pela minha parte, estou empenhado em
dar o meu contributo através do projecto
WEMA. Orgulho-me da extraordinária parceria
público-privada criada através do projecto.
De facto, elogio o pessoal da AATF pelo seu
profissionalismo, transparência e capacidade
de comunicar e lidar com as necessidades
e expectativas de indivíduos de culturas
organizacionais e pessoais tão diferentes. Estou
também agradecido a todos os que nos apoiam,
porque nos garantem recursos adequados para
criar soluções para os agricultores africanos.
De facto o projecto WEMA é um bom exemplo
de genuína liderança africana para problemas
africanos.
26 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: Preparando uma refeição ao ar
livre junto de uma casa de lama típica de
Burkina Faso.
À Direita: Agricultores plantam arroz em
Lokossa, Benim.
NUEST: Transformar
Novo Arroz para África
Embora o projecto NUEST ainda se encontre numa fase muito precoce de
desenvolvimento do produto, conseguiu progressos significativos no que se
refere à transformação genética de variedades de planalto e de planície do
Novo Arroz para África (NERICA). A iniciativa avançou bem para a realização
do seu objectivo de superar as grandes limitações da produção e consumo de
arroz em África, apesar da rápida expansão deste.
Antecedentes
Em Dezembro de 2008 a AATF lançou oficialmente o projecto Arroz Com Utilização
Eficiente de Azoto e Tolerante ao Sal (NUEST) para África. A iniciativa visa a
transformação genética de algumas variedades do Novo Arroz para África, (NERICA),
com o fim de melhorar a sua produtividade em solos pobres em azoto e em campos
que, com o decorrer do tempo, se tornaram demasiado salgados. O objectivo é fornecer
aos pequenos agricultores de arroz variedades de maior rendimento e bem adaptadas
às áreas de cultivo de arroz dos planaltos e planícies de África.
O projecto NUEST, financiado pela USAID, será implementado ao longo de um
período de 10 anos. A Arcadia Biosciences facultará o acesso a genes que promovem
a utilização eficiente de azoto e a tolerância ao sal e a Public Intellectual Property
Resource for Agriculture, (PIPRA), doará as tecnologias de transformação de plantas
necessárias. Os institutos de investigação agrícola nacionais de Burkina Faso, Gana,
Nigéria e Uganda realizarão os ensaios de campo necessários para testar o desempenho
das linhas transgénicas. Estes institutos realizarão também os melhoramentos
assistidos por marcadores necessários para transferir as características desejadas para
as variedades de arroz já conhecidas e preferidas dos agricultores e consumidores.
Adicionalmente, estes parceiros assegurarão a distribuição das novas variedades aos
NUEST: Transformar Novo Arroz para África 27
pequenos produtores de arroz. A licença dos genes doados
pela Arcadia Biosciences e pela PIPRA ficará de posse da
AATF, que também efectuará a supervisão da coordenação
do projecto, assim como a facilitação da distribuição do
produto aos agricultores.
Progresso em 2009
Em 2009 a PIPRA iniciou negociações com os proprietários
da tecnologia, bem como a redacção de acordos legais para
a utilização das plataformas de transformação de plantas no
projecto NUEST. A PIPRA também concebeu e sintetizou dois
plasmídeos para a transformação de plantas, que estão ser
utilizados pela Arcadia Biosciences no arroz. O Conselheiro
Jurídico da AATF concluiu o contrato de consultoria para os
serviços de apoio da PIPRA.
As sementes das variedades NERICA 1 e 4 de planalto
e NERICA 19 e 20 de planície foram recebidas do Centro
Africano do Arroz (WARDA). Elas foram primeiro
desenvolvidas em estufa sob quarentena na Arcadia
Biosciences, para se produzir material suficiente para o
trabalho de transformação. A transformação das variedades
de planalto com os vectores NUE (utilização eficiente de azoto)
e Tolerância ao Sal (ST) progrediu bem, enquanto se iniciava
a definição de um protocolo de regeneração e transformação
para as variedades de planície. Em consequência, os
primeiros eventos de arroz transgénico (planalto, ST) foram
plantados na estufa em Outubro/Novembro de 2009. Os
eventos transgénicos NUE de planalto foram plantados no
solo no fim do ano, enquanto os eventos de planície (NUE
e ST) serão transferidos da cultura de tecidos para o solo na
estufa em Janeiro de 2010.
Um dos principais desenvolvimentos do ano foi a decisão
tomada pelos parceiros do projecto de abordar os efeitos da
seca no arroz através da inclusão da característica eficiência
hídrica (WUE) no projecto. Esta decisão foi tomada em
Dezembro de 2009 numa reunião da AATF e da Arcadia. A
abordagem será a utilização de um vector binário ST-WUE
combinado, baseado no sucesso conseguido pela Arcadia
com os efeitos sinergísticos positivos das características ST
e WUE.
Criação de capacidade
Em Setembro de 2009 os representantes dos NARS que
irão realizar os ensaios de campo NUEST viajaram até à
Califórnia, EUA, para assistirem a um workshop sobre
desenvolvimento do produto na Arcadia Biosciences. Os
participantes familiarizaram-se com o trabalho laboratorial
da empresa sobre arroz transgénico, incluindo a sua
abordagem na realização de ensaios de estufa e de campo
para NUE e ST. Eles também visitaram um ensaio de
campo confinado (ECC) do arroz NUE, em curso no Vale
Central da Califórnia. Um aspecto muito importante foi o
facto de a viagem ter sido uma oportunidade para definir
marcos e actividades principais para o período 2009 a 2012
para os institutos parceiros dos NARS. Isto tem grande
interesse, especialmente como preparação para o ECC das
28 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
linhas homozigóticas de arroz transgénico T2 que estarão
disponíveis em 2011.
Durante o workshop, chamou-se a atenção para o alto custo
da desregulamentação e a necessidade de limitar o número
de eventos que devem seguir esta via. Consequentemente,
decidiu-se que apenas uma variedade NERICA de planalto
seria desregulamentada.
A variedade NERICA-4 foi seleccionada como foco do
projecto para os planaltos devido à sua melhor resposta
em culturas de tecidos e à sua maior adaptabilidade de
cultivo em várias regiões. Para as planícies, o grupo acordou
concentrar-se na variedade NERICA-L19. Portanto, embora
a regeneração de rebentos de NERICA-1 resultantes das
transformações NUE e ST em curso continue normalmente,
não se realizarão novos co-cultivos.
Os parceiros acordaram também que, uma vez que a
tolerância ao sal não constitui problema nos planaltos, seria
mais prudente considerar o desenvolvimento de um arroz
transgénico com tolerância à seca.
Estudos de viabilidade
O Comité Consultivo do Projecto analisou e aprovou os
termos de referência para a execução de um estudo de
viabilidade do projecto pela AATF. A tarefa inclui:
• Avaliação da viabilidade económica e técnica do
melhoramento do arroz para maior eficiência na utilização
de azoto (NUE) e tolerância a solos de alta salinidade
mediante transformação genética e eventual distribuição
do produto por pequenos agricultores da África
Subsariana, levando em conta a infra-estrutura, recursos
humanos, capacidade do produto e requisitos de políticas.
• Avaliação de dados e informação sobre a produção,
marketing, distribuição e consumo do arroz em
países-alvo.
• Realização de análises de custo/benefício e de
rentabilidade para permitir documentar os benefícios
económicos e a procura de mercado associados à
distribuição de arroz transgénico na África Subsariana.
• Avaliação do previsto impacto do projecto nos países-alvo
em termos de rendimento do arroz, receitas, bem-estar,
comércio e pequenas explorações agrícolas.
• Realização de uma análise dos sistemas de distribuição de
sementes nos países-alvo e recomendação de um sistema
de sementes eficaz para o projecto.
• Avaliação de factores socioculturais capazes de influenciar
o desenvolvimento e adopção de arroz transgénico,
incluindo as preferências e a aceitabilidade do consumidor.
Desafios e etapas seguintes
Embora o projecto ainda se encontre numa fase preliminar
de desenvolvimento do produto, as actividades laboratoriais
para o desenvolvimento deste têm sido até à data executadas
de acordo com o calendário. O único problema principal
foi a perda das quatro primeiras experiências causada pelo
crescimento excessivo da bactéria Agrobacterium.
Para se passar da fase de investigação para a de
desenvolvimento e comercialização de variedades de arroz
de utilização mais eficiente de azoto e maior tolerância ao
sal serão adicionados acordos de licença aos actuais acordos
de transferência de material. O Conselheiro Jurídico da
AATF trabalhará com a equipa de PI da PIPRA e da Arcadia
Biosciences com vista a estudar o conjunto de acordos
necessários que visa apoiar a utilização da transformação de
plantas para este projecto.
Será desenvolvido um protocolo de campo baseado
nos procedimentos operacionais padrão (SOP) da Arcadia
Biosciences e do Centro Internacional de Agricultura
Tropical (CIAT). Além disto assinar-se-á um Memorando de
Paul Kofi Dartey
T
rabalho como fitogeneticista de arroz há
17 anos, avaliando linhas de arroz obtidas
de centros internacionais e cruzando
variedades para obter outras variedades
adaptadas de alto rendimento. A minha
experiência directa permitiu-me compreender
os desafios que a produção de arroz enfrenta no
meu país.
Em Gana o arroz é o segundo cereal mais
importante. Gana é um país com uma excelente
culinária, que varia de região para região. Mas
o arroz é um alimento utilizado em todo o país.
Na realidade o aroma do arroz Jollof, um prato
picante com molho de tomate e carne, impregna
o país todos os dias, desde residências a bares
de "chop". As lancheiras das crianças em idade
escolar incluem sempre arroz. O arroz também é
o principal alimento do programa de alimentação
para as escolas.
O nosso consumo nacional anual de arroz
está estimado em 561.400 toneladas. Por outro
lado, a nossa produção local está estimada em
107.900 toneladas, o que representa apenas
19,2% da procura. Portanto, todos os anos temos
de importar anualmente quase meio milhão de
toneladas de arroz para cobrir o défice. Gana
gasta actualmente cerca de USD 700 milhões em
importações de arroz, o que significa USD 200 a
USD 300 por cada agregado familiar.
Em 2008 o preço do arroz aumentou mais de
100% relativamente ao preço no ano anterior em
consequência da crise mundial dos alimentos – a
maior subida verificada numa só cultura. Estes
picos no preço também foram devidos a rápidas
mudanças do estilo de vida das pessoas e dos seus
hábitos alimentares, especialmente nas zonas
urbanas, onde o consumo de arroz aumentou. Se
equacionarmos o crescimento populacional e o
aumento do consumo per capita, podemos prever
um aumento anual de 1.680.000 toneladas após
2015.
Do ponto de vista da produção, a imagem
é muito diferente. A maior parte do solo do
país é adequada para a produção de arroz.
Presentemente cultivamos arroz em três áreas
ecológicas: planaltos, planícies de sequeiro
NUEST: Transformar Novo Arroz para África 29
Acordo (MA) pelo CIAT, USAID e AATF para o CIAT iniciar
a preparação do ECC.
As actividades a realizar nos institutos dos NARS incluirão
o teste de variedades não transgénicas de NERICA-4 de
planalto quanto ao seu desempenho agronómico, moagem
e aceitabilidade no mercado. Os NARS realizarão também
ensaios de multiplicação de sementes, moagem e testes
sensoriais da variedade NERICA-19 de planície. Os NARS
irão também seleccionar os locais para o ECC da variedade
com deficiência de N e avançar com a sua preparação,
incluindo a terraplenagem e instalação de recursos de
irrigação. Eles iniciarão também o trabalho de isolamento
e depleção do N do solo com o milho e realizarão um
levantamento e análises de salinidade preliminares do solo.
No que se refere à conformidade regulamentar, iniciarse-á uma avaliação preliminar da segurança biológica das
sequências de DNA dos genes e promotores, terminadores
e intrões. A equipa definirá também as actividades a realizar
em 2010, em preparação para a realização do ECC no CIAT
e pelos parceiros dos NARS.
À Direita: Arroz NUE na fase de floração.
e ecologias irrigadas, que totalizam cerca de
118.000 hectares com rendimentos médios de
1,5, 2,5 e 3,5 toneladas métricas por hectare,
respectivamente. Contudo, a produção de arroz
em Gana está limitada por vários factores bióticos
e abióticos. Por exemplo, existe em todo o país
uma deficiência em azoto. A redução desta
deficiência através da aplicação de fertilizantes
orgânicos é impraticável devido à enorme
quantidade de fertilizantes necessária. O custo
dos fertilizantes é elevado e o governo tem de
subsidiar metade do preço. Os períodos de pousio
permitiriam a regeneração da fertilidade, mas isto
tem diminuído devido à pressão exercida pela
população crescente sobre os solos. A aplicação de
fertilizantes inorgânicos continua a ser a melhor
opção.
Portanto, a possibilidade de ter variedades de
arroz que usem o azoto eficazmente é muito bem
recebida por cientistas e agricultores do arroz,
assim como pela economia ganesa, de modo
geral. O aumento da produção doméstica de
arroz contribuirá directamente para a poupança
de moedas estrangeiras e para a balança de
pagamentos, além de melhorar a economia dos
agricultores. Também assegura emprego aos
fitogeneticistas.
Outra limitação é a seca, que é um problema
recorrente em todo o país, e que provavelmente
irá piorar devido às alterações climáticas. Em anos
recentes houve seca na estação que deveria ser
o pico da estação das chuvas. Os nossos recursos
de irrigação são rudimentares e localizados.
Além disto, as variedades de arroz apresentam
diferentes tolerâncias à seca, o que é explorado no
melhoramento de plantas. A seca pode provocar
a falha total da colheita do arroz. Portanto,
são necessárias plantas que utilizem a água
eficientemente.
Outro problema é a salinidade, que ocorre
principalmente nos solos costeiros e em
sistemas irrigados. Em 2009 a AATF concedeunos apoio para fazermos o levantamento de 17
solos costeiros. Treze locais apresentavam alta
salinidade, dos quais quatro, nomeadamente
Ashaiman, Afife, Kpong e Okyereko, eram locais
de cultura do arroz. Recolhemos amostras das
culturas de arroz nestes quatro locais e verificámos
serem pobres; portanto, esperamos com interesse
que sejam incorporados no arroz genes de
tolerância ao sal.
O projecto do arroz NUE/ST coordenado pela
AATF é uma excelente notícia e oferece alguma
esperança aos agricultores de arroz. Como
fitogeneticista considero-o um veículo para trazer
até aos agricultores de arroz ganeses variedades
de arroz transgénico que possuam combinações
de eficiência hídrica e tolerância à salinidade.
Também estou entusiasmado com a possibilidade
de efectuar livremente o retrocruzamento
destes genes noutras variedades. Estes genes,
particularmente o NUE e o WUE, podiam
ser introduzidos em todas as nossas futuras
variedades de arroz, sem restrições impostas pelos
titulares de patentes. Embora seja necessário
ultrapassar muitos outros problemas relacionados
com a colheita e pós-colheita, a melhoria do
valor nutritivo do arroz e da sua eficiência hídrica
resolve muitas das condições necessárias para
uma produção de arroz de qualidade em Gana,
que competiria favoravelmente com importações
de qualidade.
30 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: Um grupo de casas de uma
aldeia nigeriana.
Agricultores Adoptam
AflaSafeTM, o Primeiro
Produto Autóctone de
Controlo Biológico de
Aflatoxina em África
A AATF, IITA, USDA-ARS e outros parceiros desenvolveram uma tecnologia
de controlo biológico autóctone, designada AflaSafeTM, para diminuir a
contaminação do milho e amendoim por aflatoxina. Em 2009 foram distribuídas
quase duas toneladas de AflaSafeTM por 86 agricultores em cinco zonas dos
estados de Kaduna e Oyo da Nigéria. Os agricultores adoptaram a tecnologia,
observando-se diferenças notáveis nas culturas de milho e amendoim.
Em muitos países de África encontram-se altos níveis de aflatoxina – um veneno
carcinogénico altamente tóxico produzido por algumas espécies de Aspergillus
– em cereais alimentares que incluem o milho, a mandioca, sorgo, inhame, arroz,
amendoim e caju. A maioria dos pequenos agricultores não consegue evitar a
contaminação por aflatoxina durante a produção e armazenamento das suas culturas.
Além disso, como acontece em muitos países em desenvolvimento, os governos
africanos frequentemente não possuem meios económicos de testar estes venenos.
Consequentemente, muitas pessoas em África podem ficar cronicamente expostas a
aflatoxinas nas suas dietas, pondo em alto risco a sua saúde e a vida. Além disto, os
países africanos perdem anualmente milhões de dólares devido à rejeição de produtos
que não estão em conformidade com as normas de qualidade e segurança alimentar.
Agricultores Adoptam AflaSafeTM, o Primeiro Produto Autóctone de Controlo Biológico de Aflatoxina em África 31
O Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA)
tem pesquisado métodos de controlo biológico novos e
económicos que conseguem reduzir a ameaça apresentada
por aflatoxinas aos consumidores em toda a África. Esta
abordagem envolve o estabelecimento nos solos, em redor
das culturas em crescimento, de estirpes benignas de estirpes
Aspergillus seleccionadas. O objectivo é que a estirpe benigna
domine e elimine em grande medida as estirpes do fungo
produtoras de aflatoxinas. Com base nos bons resultados
de ensaios laboratoriais e ensaios de campo em estações
agrícolas a AATF, IITA e o Serviço de Investigação Agrícola do
Ministério da Agricultura dos EUA (USDAS-ARS) criaram
um projecto para o desenvolvimento e disseminação de uma
tecnologia microbiana adaptada localmente, para o controlo
de aflatoxina no milho e no amendoim. Os objectivos desta
iniciativa incluem a obtenção de aprovação regulamentar e
a recolha de mais dados da eficácia do produto de controlo
biológico através de avaliação realizada pelos agricultores,
antes da sua comercialização.
AflaSafeTM – a primeira tecnologia de controlo
biológico autóctone de aflatoxina em África
Em 2009 a IITA e o USDA-ARS desenvolveram um produto
autóctone de controlo biológico, de nome AflaSafeTM,
que contém uma mistura de quatro estirpes atoxigénicas
originárias da Nigéria num portador, que são os grãos de
sorgo.
Como acontece com qualquer produto novo, foi necessária
muita documentação antes de poder implementar AflaSafeTM
nos campos de agricultores. Com a ajuda dos serviços de um
advogado de marcas comerciais e patentes contratado pelo
IITA para trabalhar com um consultor do IITA, foi obtida
a aprovação do Gabinete Nigeriano de Registo de Marcas
Comerciais de Abuja para a marca comercial AflaSafeTM.
Devido a limitações de tempo, os parceiros decidiram
solicitar ao principal órgão de regulamentação nigeriano,
a Agência Nacional para a Administração e Controlo de
Alimentos e Medicamentos, (NAFDAC), o estatuto de
Alhaji Sanusi
C
hamo-me Alhaji Sanusi e sou agricultor em Zaria, na Nigéria.
Há dez anos que cultivo a terra, principalmente o milho.
Durante muito tempo eu, e muitos outros agricultores da
minha região, considerei a falta de insumos agrícolas, tal
como fertilizantes, como a principal limitação aos meus esforços de
cultivo deste importante cereal. De facto, durante muito tempo não
sabia que existiam aflatoxinas.
Embora observasse a existência de fungos nos grãos de milho,
não compreendia bem o perigo que isso representava. Posso afirmar
que não levei este problema a sério. Há alguns anos ouvi dizer que os
investigadores da IITA estavam a realizar investigações numa quinta
próxima. Interessei-me pelas suas actividades e convidei-os a visitar
a minha quinta. Quando me visitaram ficaram impressionados com
os meus esforços. A partir daí ficámos amigos e deram-me conselhos
sobre problemas relacionados com a exploração agrícola.
Os investigadores do IITA convidaram-me a assistir a um workshop
sobre aflatoxinas realizado no seu centro em Ibadan e foi aí que fiquei
a conhecer os efeitos profundos da aflatoxina na saúde das pessoas,
assim como na economia em geral. Quando o IITA desenvolveu
AflaSafe, a minha quinta foi seleccionada para a realização de ensaios.
Na realidade, ela foi a primeira quinta em que o produto foi aplicado
em toda a Nigéria. Os meus trabalhadores e eu próprio temos vindo
a observar com interesse o progresso do milho na parcela em que
se aplicou AflaSafe. Estamos encorajados pelos melhoramentos
conseguidos, pois até à data não observámos sinais de fungos nos
grãos. Os meus votos são que este produto fique facilmente disponível
a todos os agricultores de milho da região.
32 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
À esquerda: Um agricultor espalha AflaSafeTM num campo de milho na
Nigéria.
"listado" para AflasafeTM, pendente do seu registo completo.
Um estatuto de "listado" permite que a tecnologia seja
testada em campos de agricultores com até 100 hectares em
situações "reais", possibilitando deste modo o fabrico e teste
de AflaSafeTM para que possam ser recolhidos mais dados
da sua eficácia.
Resposta entusiástica dos agricultores
Durante os meses de Junho e Julho de 2009 produziramse quase duas toneladas de AflaSafeTM no IITA utilizando
um protocolo de fabrico de escala laboratorial. Em seguida
desenvolveu-se um sistema de embalagem compreendendo
etiquetas do produto e fichas de instruções de segurança. Isto
permitiu que o inóculo fosse transportado com segurança
para o norte da Nigéria, em colaboração com o Projecto
de Desenvolvimento Agrícola do Estado de Kaduna e o
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,
(PNUD), onde AflaSafeTM foi distribuído por 86 agricultores
em cinco áreas dos estados de Kaduna e Oyo.
A distribuição de AflaSafeTM iniciou-se a 11 de Agosto,
em colaboração com parceiros nas áreas de Maigana, Lere
e Birnin-Gwari, um grupo de várias aldeias abrangidas
pelo projecto Pampaida, todas do estado de Kaduna, e uma
aldeia do governo local de Ogbomosho, no estado de Oyo.
Dos 70,6 hectares tratados com AflaSafeTM, 95%,
pertencentes a 80 agricultores, estavam plantados com milho
enquanto os restantes 5%, pertencentes a 6 agricultores,
estavam plantados com amendoim. Antes do tratamento
com AflaSafeTM recolheram-se amostras de solo das
parcelas para determinar a estrutura da população nativa
de Aspergillus flavus. Na altura da colheita recolheram-se
amostras de solo e de cereal para determinar a extensão
das alterações na estrutura da comunidade de Aspergillus
a favor das estirpes de controlo biológico aplicadas. Para
cada campo tratado utilizou-se um campo adjacente como
controlo, onde não se aplicara AflaSafeTM, para permitir a
comparação da eficácia da tecnologia de controlo biológico
em pares. Para este fim reservou-se um total de 40 hectares.
As culturas foram tratadas em vários estágios de crescimento
com diferentes dosagens, para determinar o intervalo de
tempo e dosagem óptimos de tratamento. Em quase todos
os campos as estirpes atoxigénicas começaram a produzir
esporos nos grãos de portador, sorgo, no prazo de três dias
após a aplicação.
Em todas as áreas de ensaio foram realizadas
apresentações sobre a aflatoxina e o controlo da mesma
para os agricultores, dando-se especial atenção ao controlo
biológico. Vários funcionários extensionistas receberam
formação sobre o modo de tratamento dos campos dos
agricultores com AflaSafeTM, antes de executarem esta
operação nos seus distritos, inicialmente realizada sob
supervisão de pessoal do IITA. Os funcionários da NAFDAC
fiscalizaram a implementação de AflaSafeTM num dos
campos de Ogbomosho, a colheita realizada em três campos
do estado de Kaduna State e a recolha de amostras. Eles
declararam-se satisfeitos com os procedimentos utilizados
na implementação da tecnologia AflaSafeTM.
Parceria com o sector privado
A AATF e os parceiros apreciam o papel importantíssimo
do sector privado na concretização de todos os benefícios
de AflaSafeTM. A 14 de Julho a IITA, USDA-ARS e a AATF
organizaram uma reunião com o Ministro Federal da Saúde
da Nigéria, Prof. Babatunde Osotimehin, para discutirem
o impacto das aflatoxinas na saúde e no comércio e a
necessidade de as controlar. Os parceiros apresentaram ao
ministro uma ideia conceptual, desenvolvida conjuntamente,
sobre o controlo da aflatoxina. O Prof. Osotimehin pediu
em seguida uma proposta de projecto para uma consulta
interministerial com o Ministério da Agricultura. Ficou
acordado que uma das componentes da proposta seria a
aplicação de AflaSafeTM a uma escala maior por parcerias
público-privadas.
Além disto, o projecto Pampaida contactou três fabricantes
de alimentos e rações com o objectivo de ligar agricultores a
fabricantes. Prevê-se que os agricultores consigam vender
o seu produto de alta qualidade a um preço mais alto aos
fabricantes.
Agricultores Adoptam AflaSafeTM, o Primeiro Produto Autóctone de Controlo Biológico de Aflatoxina em África 33
Desafios
Um dos principais desafios apresentados pelo processo de
distribuição e teste da eficácia de AflaSafeTM aos parceiros do
projecto foi a subestimação do tempo e esforço necessários
para a preparação do dossier de registo. Também se
enfrentaram com a falta de clareza nos procedimentos de
registo, uma vez que a NAFDAC não registara nenhum
biopesticida anteriormente a AflaSafeTM. Portanto, alguns
dos requisitos de protocolo e documentação necessários para
o registo ainda eram novos, tanto para os funcionários da
NAFDAC como para os parceiros do projecto. Os parceiros
conseguiram ultrapassar estes obstáculos estabelecendo
boas relações e boa comunicação com vários funcionários da
NAFDAC em dois workshops. O primeiro foi o workshop
de Formação para o Registo de Biopesticidas organizado em
2008 juntamente com o Serviço Exterior de Agricultura (FAS)
do USDA. O segundo foi um workshop realizado em Março
de 2009 para as partes interessadas, em que a NAFDAC, os
parceiros do projecto e outras partes interessadas discutiram
o potencial da tecnologia de controlo biológico.
A procura de AflaSafeTM por parte dos agricultores que
desejavam tratar os seus campos com este produto foi muito
superior à quantidade de inóculo que podia ser produzida à
escala laboratorial. Somente na área de Pampaida havia mais
de 80 agricultores que desejavam tratar os seus campos, mas
o projecto Pampaida Millennium Village, responsável pela
distribuição, decidiu limitar os testes a 10 agricultores e a
apenas cinco hectares.
Além disto, e embora o sector privado tenha apoiado o
projecto, ainda não é claro se as empresas, com excepção da
Nestlé, estão na disposição de pagar um preço mais alto por
milho e amendoim isentos de aflatoxinas.
Etapas seguintes
Em 2009 os agricultores que participaram no teste de eficácia
receberam AflaSafeTM gratuitamente. Futuramente não será
possível continuar a fornecer a tecnologia gratuitamente.
Portanto, é necessário determinar se os agricultores estão na
disposição de pagarem pelo produto, sendo então necessário
conceber um plano de negócios para AflaSafeTM que inclua a
produção comercial de AflaSafeTM.
A NAFDAC aceitou um registo provisório de AflaSafeTM
por um período de dois anos. Durante este período recolherse-ão dados em quintas para demonstrar a eficácia de
AflaSafeTM na redução de aflatoxina e a NAFDAC fiscalizará
as actividades durante os testes. Assim, será apresentado um
relatório sobre a eficácia dos ensaios, com o objectivo de se
cumprirem os requisitos de documentação necessários para
o registo completo. A certificação das instalações de fabrico
será solicitada aos Serviços de Inspectoria da NAFDAC.
34 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: Uma casa tradicional na Tanzânia.
À Direita: Uma agricultora na sua quinta
de sorgo no Quénia Ocidental.
Conceito de Produto
Controlo de Striga em Pequenas Quintas de
Sorgo da África Subsariana
Limitação
O sorgo é o segundo cereal mais importante de África. O continente produz cerca
de 20 milhões de toneladas de sorgo por ano, cerca de um terço da cultura mundial.
O sorgo tem enorme potencial para se tornar um dos motores do desenvolvimento
económico de África. Contudo, o rendimento de sorgo na ASS continua baixo devido
a factores como más práticas agronómicas e falta de comercialização da cultura, que
resultam em pouca utilização de tecnologias de aumento da produtividade, e a Striga,
que afecta a maior parte das áreas de cultivo de sorgo na ASS.
Há duas espécies de Striga que atacam o sorgo, a Striga hermonthica e a Striga aspera,
sendo a hermonthica a que está mais disseminada e que causa maiores danos no sorgo.
Vários estudos demonstraram que o sorgo é o principal hospedeiro para a reprodução
de Striga, perpetuando assim a disseminação do parasita nos sistemas agrícolas. A
erva daninha está muito disseminada e destrói 40% a 100% da cultura plantada numa
estação em África.
Um estudo de viabilidade realizado recentemente pela AATF sobre os potenciais
benefícios do desenvolvimento de sorgo com resistência a herbicidas (sorgo HR)
indica uma perda anual estimada em USD 7 milhares de milhões causada pela Striga.
Existem provas esmagadoras de que apesar dos avanços nos métodos de controlo da
Striga no sorgo, a erva daninha continua a contribuir para altos níveis de perda de
produção.
Estratégia
Verificou-se recentemente que as variedades de milho resistentes a herbicida
(imidazolinona) podem combater com sucesso as infestações de Striga no milho.
Demonstrou-se que a tecnologia tem potencial para aplicação ao sorgo. Assim,
as sementes de sorgo podiam ser revestidas com herbicida, como parte de uma
abordagem integrada para impedir danos causados pela erva parasítica Striga
hermonthica.
A demonstração desta ideia mostrou que o sorgo HR tem potencial para proteger
o sorgo contra a Striga, reduzir a colónia de sementes de Striga no solo e melhorar o
Controlo de Striga em Pequenas Quintas de Sorgo da África Subsariana 35
rendimento do sorgo. O estudo de viabilidade do projecto
realizado pela AATF na Etiópia, Mali e Nigéria indica que
os potenciais benefícios incluem maior rendimento e maior
receita, que vão de USD 11 milhões a USD 83 milhões,
devido à utilização de variedades de sorgo HR. O seu
sucesso irá depender da criação de uma boa parceria para o
desenvolvimento e distribuição efectivos da tecnologia.
A AATF está a explorar um projecto de parceria com a
DuPont, universidade Kansas State University, Purdue e
o Instituto Internacional de Investigação sobre as Culturas
das Zonas Tropicais Semi-Áridas (ICRISAT) para o
desenvolvimento de sorgo resistente a herbicida (HR),
para o controlo da erva daninha Striga no sorgo. O projecto
consolidará os actuais conhecimentos sobre o controlo de
Striga, para aumento da produção deste cereal nas regiões
áridas e semi-áridas em que o sorgo é a cultura cerealífera
dominante na África Subsariana (ASS).
36 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: O solo viçoso do Uganda, vendose em primeiro plano uma propriedade
rural tradicional.
Acima à Direita: Uma estufa numa aldeia
da província de Henan, na China.
Abaixo à Direita: Tomates em estufa na
China.
Tecnologias Agrícolas
Chinesas Podem Oferecer
Novo Modelo de
Cooperação China-África
Em 2009 a AATF produziu o primeiro relatório exaustivo sobre a relevância
das tecnologias agrícolas chinesas nos sistemas de exploração agrícola de
pequenas quintas da África Subsariana (ASS), em colaboração com uma
equipa de consultores. O estudo, encomendado pela Fundação Rockefeller em
preparação para a reunião do Fórum 2009 para a Cooperação China-África
(FOCAC) realizado no Egipto, oferece uma oportunidade para um novo modelo
de cooperação entre a China e África.
Antecedentes
Em 2008 a Fundação Rockefeller encarregou a AATF de realizar um estudo sobre a
relevância das tecnologias agrícolas chinesas nos sistemas de exploração agrícola de
pequenas quintas da África Subsariana (ASS), como preparação para a reunião do
quarto Fórum para a Cooperação China-África (FOCAC). O FOCAC é o principal
mecanismo de diálogo estruturado entre a China e África e o Fórum 2009 ofereceu
uma oportunidade para catalisar novas ideias sobre a cooperação chinesa-africana.
Os objectivos do projecto incluem a realização de uma avaliação das limitações
de produtividade enfrentadas pelos pequenos agricultores na ASS; nível de
envolvimento chinês na agricultura africana; investigação das tecnologias
agrícolas que os pequenos agricultores chineses têm à sua disposição e que
podem ser utilizadas nas pequenas explorações agrícolas africanas para abordar
Tecnologias Agrícolas Chinesas Podem Oferecer Novo Modelo de Cooperação China-África 37
as limitações de produtividade; identificação dos critérios
de selecção das tecnologias agrícolas chinesas adequadas
para os pequenos agricultores da ASS; e descrição
pormenorizada das estratégias de acesso e transferência
dessas tecnologias para os pequenos agricultores da ASS.
Investigação em África
Para salientar as limitações enfrentadas pelos pequenos
agricultores na ASS, a investigação foi realizada em nove
países: Quénia, Etiópia, Tanzânia, Gana, Burkina Faso,
Nigéria, Malawi, Moçambique e Zâmbia, para representar
a África Oriental, Ocidental e Meridional. A informação
foi obtida dos Sistemas Nacionais de Pesquisa Agrícola
(NARS), ministérios governamentais dos vários países,
órgãos regionais e continentais, como a Comunidade
da África Oriental (EAC), Comunidade Económica dos
Estados da África Ocidental (CEDEAO), Nova Parceria para
o Desenvolvimento Africano (NEPAD), Associação para o
Reforço da Investigação Agrícola na África Central e Oriental
(ASARECA), Comunidade para o Desenvolvimento da
África Austral (SADC) e o Conselho da África Ocidental e
Central para a Investigação e Desenvolvimento Agrícolas
(CORAF).
A equipa também analisou dados de Organizações Não
Governamentais (NGO), Organizações de Base Comunitária
(OBC), universidades agrícolas e organizações privadas. Esta
investigação revelou inúmeras limitações à produtividade
agrícola na ASS, incluindo solos pobres, seca, acesso limitado
a variedades melhoradas, falta de recursos de irrigação, más
técnicas de recolha e gestão de águas pluviais, alta incidência
de pragas e doenças, pouca mecanização, poucas actividades
de investigação e extensão e políticas governamentais agrárias
ineficazes.
Investigação das tecnologias agrícolas chinesas
As tecnologias usadas no sector agrícola chinês foram
examinadas e fez-se uma avaliação das que seriam úteis
para utilização nas explorações agrícolas de pequenos
agricultores da ASS. Estudaram-se também vias
estruturadas para acesso e utilização destas tecnologias
pelos pequenos agricultores da ASS. O estudo definiu uma
série de tecnologias agrícolas chinesas que seriam úteis na
ASS, cobrindo desde tecnologias básicas a tecnologias de
ponta.
Estas incluíram melhoramento de plantas assistido por
marcadores, aperfeiçoamento do germoplasma usando
técnicas de melhoramento convencionais e moleculares,
controlo de pragas e doenças, mecanização, previsão do
clima e sistemas de informática.
O estudo determinou que várias técnicas agrícolas
chinesas podiam ser úteis para a resolução das limitações
enfrentadas por pequenos agricultores africanos. As
principais tecnologias chinesas identificadas incluem:
38 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
• variedades de culturas melhoradas, tal como o super arroz
híbrido, cuja utilização de fertilizantes é altamente eficaz,
com rendimentos que podem chegar às 13,5 toneladas
por hectare, podendo essas culturas ser adequadas para
as regiões de cultivo do arroz da ASS
• variedades de trigo e milho de alto rendimento, com
resistência a múltiplas doenças
• fertilizantes de libertação lenta
• tecnologias de sequeiro e técnicas de conservação e
recolha de água.
As possíveis tecnologias que poderiam ser transferidas
da China incluíam irrigação suplementar, microirrigação
e mulch plástico. O seguinte também foi considerado útil
para África: práticas e políticas de gestão dos terrenos;
reorganização de um sistema de extensão agrícola
presentemente moribundo; tecnologias para a redução de
perdas pós-colheita; mecanização utilizando tecnologias
apropriadas para aumentar a produtividade da mão-deobra; e sistemas de exploração integrada de aquicultura que
visam a produção conjunta de peixe, gado e culturas.
O estudo recomendou uma estratégia para a adopção
destas tecnologias para benefício dos pequenos agricultores
de África. Com base na experiência chinesa, a importância
da facilitação através da criação de um ambiente propício
incluindo capacidade dos sistemas de informação,
investigação e extensão, grupos de agricultores, mercados
e infra-estrutura, foi considerada fundamental para a
exploração do potencial impacto das tecnologias agrícolas.
O relatório da AATF propôs que o FOCAC podia ser
utilizado como canal de facilitação do acesso e distribuição
destas tecnologias aos pequenos agricultores da ASS. O
relatório recomendou ainda que o fórum devia focar-se na
estimulação da produção agrícola em África, como alicerce
para o crescimento económico. Também propôs que o
Fundo de Desenvolvimento China-África (CADFund) fosse
utilizado para projectos de investimento na agricultura.
Neste aspecto chamou-se a atenção para a necessidade de
maior consciencialização para o fundo e para a sua via de
acesso, para benefício mútuo do agricultor africano, por um
lado, e do investidor chinês, por outro.
O relatório propôs parcerias público-privadas,
investigação e extensão colaborativas, intervenção de
políticas, criação de capacidade, desenvolvimento de
infra-estruturas e mercados eficientes, como opções para a
transferência das tecnologias agrícolas chinesas. Contudo,
o relatório alertou que o sucesso destes esforços depende
de certos pré-requisitos ambientais e de infra-estrutura.
Por exemplo, uma análise rápida da reforma agrária na
China sugeriu que a política do ambiente, que possibilitou
o crescimento agrícola na China, é muito diferente da actual
situação em África. Para a produção agrícola na ASS deixar
de ser apenas agricultura de subsistência é imperativo
o desenvolvimento de uma infra-estrutura de mercado
que traga mudanças positivas para as circunstâncias
socioeconómicas dos pequenos agricultores da ASS.
O relatório da AATF forneceu uma oportunidade de
introduzir um novo modelo de cooperação entre a China
e a África. Além do comércio, quaisquer investimentos
feitos pela China podiam ser suplementados pelo acesso
às tecnologias agrícolas chinesas relevantes para estimular
Tecnologias Agrícolas Chinesas Podem Oferecer Novo Modelo de Cooperação China-África 39
o desenvolvimento agrícola africano, com o fim de aliviar
a pobreza e conseguir suficiência alimentar. Assim, o
projecto ajudou a integrar a agricultura como prioritária na
cooperação tecnológica e económica entre a China e África.
Enquanto África possui recursos naturais abundantes, a
China é um grande país agrícola com tecnologias agrícolas
estabelecidas e aplicáveis.
A investigação destacou o progresso, desafios e lições
extraídos da implementação dos compromissos agrícolas
chineses assumidos durante a reunião do FOCAC de 2006,
que são essenciais para os decisores. Ela também realçou
as actuais limitações de produtividade que afectam a
produtividade agrícola na ASS. O relatório catalogou as
tecnologias agrícolas chinesas disponíveis que podem
ser exploradas para transformar a agricultura africana
através de parcerias público-privadas. Abriu também o
diálogo informado entre os chefes de estado dos países
africanos e da China, em termos da identificação de áreas
de investimento agrícola favoráveis. O relatório irá também
consciencializar os decisores africanos para as novas áreas
em que a China poderá contribuir para o desenvolvimento
agrícola de África e salientar o papel que a AATF poderá
desempenhar na facilitação do acesso a estas tecnologias
e na sua implementação pelos pequenos agricultores em
África.
O estudo contribuiu para o mandato da AATF, de
exploração de tecnologias agrícolas para benefício dos
pequenos agricultores de África. Isto resultou na identificação
de várias tecnologias exclusivas e a formulação dos planos
para o seu acesso será efectuada na devida altura.
O relatório foi distribuído aos representantes dos países
da SADC, EAC, CORAF/WECARD, União Africana
(UA), ECOWAS, Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e a Agricultura (FAO) e Cimeira China-África
durante a reunião do FOCAC realizada no Cairo de 6 a 8 de
Novembro de 2009.
Etapas seguintes
A AATF iniciou os planos que culminarão na aquisição de
tecnologias agrícolas exclusivas identificadas, incluindo o
desenvolvimento de resumos para possíveis projectos.
A informação do estudo será partilhada com os decisores
que negociarão com a China, para assegurar que estão bem
informados para participarem nas discussões, para benefício
dos países africanos.
À Esquerda: Um grupo de casas
rodeadas por terras de cultivo na
Tanzânia.
À Direita: Estufa para horticultura.
40 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: Uma propriedade rural
tradicional no Quénia.
Á Direita: Alguns dos participantes no
lançamento da Divisão da Nigéria do
OFAB em Abril de 2009.
OFAB: Sensibilização
para as Tecnologias
Agrícolas Avançadas
A necessidade da aplicação de tecnologias agrícolas avançadas para resolver
os stresses bióticos e abióticos que continuam a devastar a agricultura africana
é cada vez maior. À medida que esta necessidade aumenta, torna-se mais
premente a sensibilização e aceitação do público para as novas tecnologias,
como as da biotecnologia. A iniciativa do Fórum Livre para a Biotecnologia
Agrícola em África (OFAB) continuou a ser um vector importante para esta
sensibilização.
O OFAB, uma iniciativa da AATF, opera actualmente em quatro países de África,
reunindo um grande leque de partes interessadas no desenvolvimento agrícola
africano. O fórum possibilita a interacção entre cientistas, jornalistas, industriais,
representantes de organizações da sociedade civil, legisladores e os que formulam
e decidem as políticas que afectam a agricultura. O Fórum dá a estes grupos
oportunidades de partilha de conhecimentos e experiência, intercâmbio de
informações, criação de novos contactos e exploração de novas vias para fazer chegar
aos pequenos agricultores de África os benefícios da biotecnologia. Ao mesmo
tempo, dá aos participantes a oportunidade de apresentarem e debaterem as suas
preocupações sobre assuntos relacionados com a segurança e os riscos imaginários da
biotecnologia, especialmente os dos organismos geneticamente modificados (OGM).
O número de países onde opera uma divisão do OFAB aumentou de dois para
quatro durante o ano passado. Foram lançadas novas divisões na Nigéria e na Tanzânia
OFAB: Sensibilização para as Tecnologias Agrícolas Avançadas 41
para complementar as do Quénia e do Uganda. O OFAB da
Nigéria é uma parceria entre a AATF, a Agência Nacional
de Desenvolvimento da Biotecnologia da Nigéria (NABDA)
e o Conselho de Investigação Agrícola da Nigéria (ARCN).
Esta divisão foi lançada em Abril de 2009 em Abuja, Nigéria.
A divisão da Tanzânia foi lançada em Maio de 2009 em Dar
es Salaam e é uma parceria entre a AATF e a Comissão para
a Ciência e a Tecnologia da Tanzânia (COSTECH).
As reuniões mensais do OFAB, organizadas para a
hora do almoço, continuaram durante o ano nos quatro
países, com vários tópicos para discussão. No Uganda, os
tópicos apresentados e discutidos incluíram o papel das
intervenções da biotecnologia nas doenças da murchidão
da banana e do café e no sector do gado e do algodão. O
fórum continuou a proporcionar um veículo para debates e
discussões sobre a proposta Lei da Segurança Biológica, que
ainda está a ser formulada.
O lançamento da divisão na Nigéria foi recebido com
muito entusiasmo. Às reuniões assistiram representantes
dos média, cientistas e funcionários-chave dos ministérios
da ciência e da tecnologia, informação e comunicação,
comércio e indústria e do ambiente. Às reuniões assistiram
também outros decisores, incluindo membros dos comités
parlamentares sobre agricultura. O ponto culminante
das actividades da divisão foi o fórum de Novembro,
organizado especificamente para sensibilizar e preparar
as partes interessadas para a audiência pública da Lei da
Segurança Biológica, a ter lugar em Dezembro.
O OFAB da Tanzânia foi bem recebido como uma das
vias que promoveria melhor compreensão da biotecnologia
pelo público. Isto teve uma importância especial para a
Tanzânia devido à pouca sensibilização e compreensão da
biotecnologia pelo público deste país e o reconhecimento da
relação entre a aplicação bem sucedida da biotecnologia na
investigação, com vista ao desenvolvimento, e a aceitação
dos respectivos produtos. Durante o lançamento da
divisão o Ministro da Agricultura, Segurança Alimentar
e Cooperativas da Tanzânia, o Ilustre Stephen Wasira,
destacou o "Programa da Revolução Verde" do governo,
afirmando que tal programa visava abordar as limitações
agrícolas e aumentar a produtividade. A revolução verde,
afirmou o ministro, será conseguida através do uso de
tecnologias agrícolas modernas e inovadoras, que poderão
incluir métodos convencionais, assim como a moderna
biotecnologia.
Algumas das principais apresentações e discussões no
OFAB da Tanzânia centraram-se na possível contribuição
e sucesso da engenharia genética da mandioca no combate
às doenças e numa palestra pública sobre a evolução
da indústria da biotecnologia, desde a investigação,
desenvolvimento do produto até à comercialização.
A divisão do OFAB no Quénia continuou a crescer e
a melhorar a variedade de tópicos para discussão. Uma
das sessões mais interactivas e com maior audiência foi
moderada por um teólogo sobre as perspectivas teológicas
da biotecnologia, em que ele abordou preocupações éticas
sobre biotecnologia, especialmente a de que a biotecnologia
está a assumir-se o "papel de Deus".
A plataforma interactiva proporcionada pelo OFAB
nos países provou ser um meio eficaz para envolver os
vários públicos na discussão da biotecnologia agrícola e na
sua utilidade em África. Também proporcionou uma via
ideal para interacção entre os média e os cientistas e para
contribuir para a consciencialização para a biotecnologia.
42 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Acima: Casas tradicionais de uma aldeia
rural na África do Sul.
Relatório Financeiro
Esta demonstração financeira auditada cobre o período de Janeiro de 2009 a Dezembro
de 2009 e fornece dados comparativos para os dois exercícios anteriores (2008 e 2007).
Receita
A receita total para este período foi inferior à de 2008 devido a um subsídio
remanescente de cerca de USD 5.000.000 ter sido adiado para o ano 2010. A base
de doadores da AATF alterou-se ligeiramente durante este período devido a uma
mudança de estratégia da Fundação Rockefeller em 2008 e à decisão de esta não
renovar o seu subsídio à nossa organização. Contudo, a AATF continuou a receber
o apoio e empenhamento da Fundação através de outras iniciativas. Queremos
expressar a nossa grande apreciação a todos os nossos doadores pela sua confiança e
apoio continuados.
Despesas
Uma análise geral das despesas para este período comparadas com as do ano anterior
mostra uma diminuição de 24% com despesas de projecto e um aumento de 23% nas
despesas de gestão e despesas gerais. O baixo valor das despesas de projecto em 2009
resultou de saldos remanescente do projecto WEMA no final de 2008, o que originou
um menor desembolso de fundos para os parceiros em 2009. As despesas de gestão e as
despesas gerais permaneceram de modo geral ao mesmo nível das de 2008 e o aumento
observado na demonstração financeira resultou de perdas devidas ao câmbio.
A atribuição de fundos este ano está em linha com o modelo de trabalho da AATF,
por meio de parcerias. Do total de USD 10.530.811 gastos, USD 6.473.625 (72%) foram
dedicados a actividades de investigação subcontratadas, um valor 3% superior ao de
2008, em que a percentagem foi 69%.
Défice
A demonstração financeira apresenta um défice de cerca de USD 1.000.000, o que
significa que a despesa para o ano é superior à receita referente ao mesmo período.
Este défice é devido ao adiamento de uma despesa de cerca de USD 5.000.000 em
2010. O excesso de despesa foi financiado por um superavit transportado do ano 2008.
As tabelas abaixo são um resumo das actividades e um extracto da posição
financeira.
Relatório Financeiro 43
Resumo da demonstração de actividades (versão resumida)
para o período de Janeiro de 2009 a Dezembro de 2009
2009
(USD)
2008
(USD)
2007
(USD)
Subsídios
Outras receitas
9.514.286
14.794.436
3.508.692
2.802
189.267
83.905
Receita total
9.517.088
14.983.703
3.592.597
8.977.526
11.827.954
2.920.759
1.553.285
1.258.017
711.131
Despesa total
10.530.811
13.085.971
3.631.890
Superavit/(défice) para o período
(1.013.723)
1.897.732
(39.292)
Receita
Despesas
Despesas relacionadas com o projecto
Despesas de gestão e despesas gerais
Parecer das posições financeiras (versão resumida)
a 31 de Dezembro de 2009
2009
(USD)
2008
(USD)
2007
(USD)
157.634
1.359
158.993
76.061
76.061
30.911
30.911
2.176.994
4.000.000
6.671.009
541.840
1.283.669
950.726
2.776.235
388.538
1.042.076
323.122
1.753.736
6.830.002
2.852.296
1.784.647
5.109.739
304.874
423.184
1.000.000
253.267
5.414.613
423.184
1.253.267
797.789
617.600
1.283.731
1.145.381
165.528
365.852
Saldo total do fundo
1.415.389
2.429.112
531.380
Passivo total e saldo total do
fundo
6.830.002
2.852.296
1.784.647
Activos
Activos imobilizados
Equipamento e veículos a motor
Activos incorpóreos
Activos imobilizados totais
Activos a curto prazo
Banco e caixa
Depósito à ordem
Depósito fixo
Devedores
Activos a curto prazo totais
Activo total
Passivos e saldos do fundo
Passivos a curto prazo
Subsídios remanescentes a pagar
Credores e despesas acumuladas
Passivo total
Saldo do fundo
Limitado
Ilimitado
44 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Membros do Conselho
da AATF - 2009
1 • Walter S Alhassan (Presidente do Conselho)
Coordenador do programa Agricultural Biotechnology Support Project II
(ABSPII)
Coordenador Sub-regional para a África Central e Ocidental, Programa para
Sistemas de Segurança Biológica (PBS)
Acra, Gana
2 • Idah Sithole-Niang (Vice-Presidente do Conselho)
Professora
Departamento de Bioquímica
Universidade do Zimbabwe
3 • Assétou Kanouté
Coordenadora, Reseau Ouest et Centre Afrique pour la recherche
participative agricole/Rede da África Central e Ocidental para a Promoção
de Investigação Agrícola Participativa (ROCAPA/WECANPAR)
Bamako, Mali
4 • Kevin B Nachtrab
Conselheiro Jurídico Sénior, Patentes, Johnson & Johnson
Bélgica
5 • Eugene Terry
Atecho & Associates
Washington DC, EUA
6 • Wilson Songa
Secretário da Agricultura, Ministério da Agricultura
Nairobi, Quénia
7 • Alhaji Bamanga Mohamed Tukur
Presidente do Grupo, BHI Holdings Limited (Grupo de Empresas Daddo)
Lagos, Nigéria
8 • Josephine Okot
Directora Geral, Victoria Seeds Ltd
Kampala, Uganda
9 • Michio Oishi
Director, Instituto de Investigação de ADN de Kazusa
Kazusa-kamatari, Kisarazu, Chiba, Japão
10 • Adrianne Massey
Mandante, A Massey & Associates
Chapel Hill, Carolina do Norte, EUA
11 • Daniel Fungai Mataruka
Director Executivo
Fundação Africana para as Tecnologias Agrícolas
Nairobi, Quénia
Membros do Conselho da AATF - 2009 45
1
4
5
8
9
10
2
3
6
7
11
46 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Pessoal da AATF - 2009
1
2
1 • Daniel Fungai Mataruka • Director Executivo
2 • Hodeba Jacob D Mignouna • Gestor de Operações Técnicas
3 • Moussa Elhadj Adam • Gestor de Administração e Finanças
4 • Richard Boadi • Conselheiro Jurídico
5 • Alhaji Tejan-Cole • Conselheiro Jurídico
6 • Francis Nang’ayo • Gestor de Assuntos Regulamentares
7 • Gospel Omanya • Gestor de Sistemas de Sementes
8 • Nancy Muchiri • Gestora de Comunicações e Parcerias
9 • Nompumelelo H Obokoh • Gestora de Projecto, Feijão-frade
10 • George Marechera • Especialista de Agro-indústrias
11 • Sylvester Oikeh • Gestor de Projecto, WEMA
12 • Zainab Ali • Assistente Especial do Director Executivo
13 • George Obanyi • Responsável por Comunicações
14 • Peter Werehire • Responsável por Publicações e Website
15 • Grace Wachoro • Responsável por Comunicações do Projecto
16 • Stella Simiyu-Wafukho • Responsável do Programa
17 • David Tarus • Assistente do Programa
18 • Jacquine Kinyua • Assistente Administrativa
19 • Martin Mutua • Responsável por Finanças
20 • Maurice Ojow • Contabilista do Projecto
21 • Nancy A Okita • Auxiliar de Administração/Recursos Humanos
22 • Fatuma Wario • Assistente Administrativa/Coordenadora de Eventos
23 • Samuel M Kariuki • Assistente Administrativo
24 • Joan Abila-Oballa • Coordenadora de Eventos
25 • Grace Obuya • Assistente Administrativa
26 • Gordon Ogutu • Assistente de Protocolo e Ligação
27 • George Njogu • Motorista
21
3
4
9
10
15
16
22
23
Pessoal da AATF - 2009 47
5
6
7
8
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17
18
19
20
24
25
26
27
48 Mais Perto da Promessa: Do Laboratório ao Campo
Publicações da AATF - 2009
AATF [African Agricultural Technology Foundation]. 2009. Annual
Report 2007. Towards a Prosperous and Food Secure Africa: Progress and
Promise. Nairobi, Quénia: Fundação Africana para as Tecnologias
Agrícolas, 36 páginas.
AATF [African Agricultural Technology Foundation]. 2009.
Annual Report 2008. Addressing Farmers’ Constraints Through
Scienti4c Interventions. Nairobi, Quénia: Fundação Africana para as
Tecnologias Agrícolas, 48 páginas.
AATF [African Agricultural Technology Foundation]. 2009. Baseline
Study of Smallholder Farmers in Striga Infested Maize Growing Areas
of Central Malawi. Nairobi, Quénia: Fundação Africana para as
Tecnologias Agrícolas, 72 páginas.
AATF [African Agricultural Technology Foundation]. 2009. Baseline
Study of Smallholder Farmers in Striga Infested Maize Growing Areas
of Eastern Tanzania. Nairobi, Quénia: Fundação Africana para as
Tecnologias Agrícolas, 77 páginas.
AATF [African Agricultural Technology Foundation]. 2009. Baseline
Study of Smallholder Farmer in Striga Infested Maize Growing Areas
of Central Malawi. Nairobi, Quénia: Fundação Africana para as
Tecnologias Agrícolas, 82 páginas.
AATF [African Agricultural Technology Foundation]. 2009.
Feasibility Study on Technologies for Improving Banana for Resistance
Against Bacterial Wilt in Sub-Saharan Africa. Nairobi, Quénia:
Fundação Africana para as Tecnologias Agrícolas, 92 páginas.
AATF [African Agricultural Technology Foundation]. 2009. Rapport
annuel 2007. Vers une Afrique prospere et de securite alimentaire:
Progres et promesses. Nairobi, Quénia: Fundação Africana para as
Tecnologias Agrícolas, 36 páginas.
Ekeleme F, Kamara AY, Oikeh SO, Omoigui LO, Amaza P and
hikoye D. 2009. Response of upland rice cultivars to weed
competition in the savannas of West Africa. Crop Protection
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Koné B, Diatta S, Oikeh S, Yoro G, Mameri C, Desiré DD and
Ayemou A. 2009. Estimation de la fertilité potentielle des ferralsols
par la couleur. Canadian Journal of Soil Science. 89: 331-342.
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Geeta R. 2009. Producing yam (Dioscorea) seeds through controlled
crosses. Cold Spring Harb Protoc.doi:10.1101/pdb.prot5327.
Publicações da AATF - 2009 49
Mignouna Hodeba D, Abang Mathew M, Asiedu Robert and Geeta
R. 2009. True yams (Dioscorea): A biological and evolutionary link
between eudicots and grasses. Cold Spring Harb. Protoc.doi:10.1101/
pdb.emo136.
Mignouna Hodeba D, Abang Mathew M, Asiedu Robert and Geeta R.
2009. Post-flask management of yam (Dioscorea) plantlets. Cold Spring
Harb. Protoc.doi:10.1101/pdb.prot5326.
Mignouna Hodeba D, Abang Mathew M, Asiedu Robert and Geeta
R. 2009.Yam (Dioscorea) husbandry: cultivating yams in the field or
greenhouse. Cold Spring Harb. Protoc.doi:10.1101/pdb.prot5324.
Mignouna Hodeba D, Abang Mathew M, Asiedu Robert and Geeta
R. 2009. Extraction of DNA from Yam (Dioscorea) Leaves. Cold Spring
Harb. Protoc.doi:10.1101/pdb.prot5328.
Oikeh SO, Toure A, Sidibe B, Mariko M and Niang A. 2009. Responses
of upland NERICA rice varieties to nitrogen and plant density. Archives
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Okeleye K, Oikeh SO, Aderibegbe S, Okonji C, Nwilene F, Ajayi O.
2009. Influence of legume/rice sequence and nitrogen on NERICA rice
in rainfed upland and lowland ecologies of West Africa (7 de Agosto
de 2009). The Proceedings of the International Plant Nutrition Colloquium
XVI. Paper 1423. http://repositories.cdlib.org/ipnc/xvi/1423
(Acedido a 25 de Março de 2010)
African Agricultural Technology Foundation
Fundação Africana para as Tecnologias Agrícolas
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