estado de goiás secretaria de estado da segurança pública corpo

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estado de goiás secretaria de estado da segurança pública corpo
ESTADO DE GOIÁS
SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE GOIÁS
ACADEMIA BOMBEIRO MILITAR
RICARDO PEREIRA MUNDIM - CAD BM
A NECESSIDADE E A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO PERMANENTE E
CONTINUADA NO ATENDIMENTO DO RESGATE PRÉ-HOSPITALAR DO
CBMGO
GOIÂNIA
2014
RICARDO PEREIRA MUNDIM – CAD BM
A NECESSIDADE E A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO PERMANENTE E
CONTINUADA NO ATENDIMENTO DO RESGATE PRÉ-HOSPITALAR DO
CBMGO
Artigo Monográfico apresentado em
cumprimento às exigências para término
do Curso de Formação de Oficiais sob
orientação do Capitão Antonio Carlos
Moura
GOIÂNIA
2014
RICARDO PEREIRA MUNDIM - CAD BM
A NECESSIDADE E A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO PERMANTENTE E
CONTINUADA NO ATENDIMENTO NO RESGATE PRÉ-HOSPITALAR DO
CBMGO
Artigo Monográfico apresentado em
cumprimento às exigências para
término do Curso de Formação de
Oficiais sob orientação Capitão
Antonio Carlos Moura.
Avaliado em ______ / _____ / _____
APROVADO POR:
Cel – Divino Aparecido de Melo
Maj – Douglas Castilho de Queiroz
Maj – Pedro Carlos Borges de Lira
Goiânia
2014
RESUMO
O artigo aborda concepções e conceitos da educação continuada, permanente,
serviço de resgate pré-hospitalar, estratégias para a promoção, histórico, diretrizes e
funcionalidade do serviço. Objetivou-se com esta pesquisa analisar a necessidade e
a importância da educação permanente e continuada como instrumento para a
melhoria do serviço de resgate pré-hospitalar do CBMGO. Essa pesquisa tem
grande importância para contribuir com a corporação na busca de ser referência
nacional pela excelência na prestação de serviços de bombeiros até o ano de 2022.
Para isso foram realizadas pesquisa bibliográfica, questionário e estudo de caso, os
quais demonstraram o desconhecimento de conceitos básicos, porém fundamentais,
e de práticas elementares essenciais para o atendimento pré-hospitalar, por
exemplo, 55% (cinquenta e cinco por cento) dos entrevistados disseram não ter
memorizado todas as fases da sequencia A-B-C-D-E da análise primária, que se
encontra no protocolo SBV do CBMGO, 2011. Também, 60%(sessenta por cento)
das praças entrevistadas apontaram inexistir estratégias de educação contínua, de
forma significativa, nas unidades do CBMGO. Conclui-se ser importante e
necessário refletir e desenvolver novos mecanismos de planejamento e gestão para
que os serviços possam ser espaços de aprendizagem; para a formulação de novos
pactos de trabalho, capazes de absorver as demandas de cuidado às pessoas, e
que favoreçam o desenvolvimento organizacional, ao proporcionarem, aos seus
integrantes a necessidade de mudança de comportamento, incutindo o espírito de
comprometimento com a qualidade dos serviços, em todas as áreas de atuação do
CBMGO e, principalmente, no estudo em questão, ao serviço de resgate préhospitalar, atividade fundamental para o bom nome e crescimento da corporação.
PALAVRAS CHAVES: Educação permanente e continuada, Excelência em serviço
e resgate pré-hospitalar.
ABSTRACT
The article addresses concepts and concepts of continuing education, permanent,
prehospital rescue service strategies to promote historic guidelines and serviceability.
The objective of this research was to analyze the need and importance of permanent
and continuing education as a tool for improving the prehospital rescue service
CBMGO. This research is very important to contribute to the corporation in search of
a national benchmark for excellence in the provision of fire services by the year 2022.
For this literature review, questionnaire and case study were performed, which
demonstrated the lack of concepts basic but fundamental, elemental and essential
practices for pre-hospital care, for example, 55% (fifty five percent) of respondents
said they had memorized all stages of the ABCDE sequence of the primary analysis,
which is the protocol SBV's CBMGO 2011. Also, 60% (sixty percent) of respondents
indicated squares inexistence of continuing education strategies, significantly, in units
of CBMGO. The conclusion is important and necessary to reflect and develop new
mechanisms for planning and management so that services can be learning spaces;
for the formulation of new labor pacts, able to absorb the demands of care for people,
and enhancing organizational development, to provide to its members the need for
behavior change, instilling the spirit of commitment to service quality, in all areas of
the CBMGO and especially in the current study, the prehospital rescue fundamental
to the reputation and growth of the enterprise service activity.
KEYWORDS: permanent and continuous education, excellence in service and
prehospital rescue.
LISTA DE ABREVIATURAS
APH – Atendimento Pré-Hospitalar
ABM – Academia Bombeiro Militar
CBMGO – Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás
CFM – Conselho Federal de Medicina
CAS – Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos
EAC – Estágio de Adaptação de Cabos
EAS - Estágio de Adaptação de Sargentos
GU – Guarnição
MS – Ministério da Saúde
NAEMT – National Association of Emergency Medical Technicians
OBM – Organização Bombeiro Militar
PHTLS – Prehospital Trauma Life Support
SBV – Suporte Básico de Vida
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO........................................................................................................... 1
2. O CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE GOIÁS............................. 2
2.1 Origem .................................................................................................................... 2
2.2 Atribuições do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás...................... 3
2.3 O Atendimento de Resgate Pré-Hospitalar do CBMGO...................................... 4
2.3.1 Conceito................................................................................................................. 5
2.3.2 Estatística de atendimento e Pesquisa de confiabilidade...................................... 5
2.3.3 Normatização Federal............................................................................................. 6
2.3.4 Funcionamento..................................................................................................... 7
2.5 COMPETÊNCIA DA CORPORAÇÃO NA ÁREA PRÉ-HOSPITALAR................... 9
2.6 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DO CBMGO PARA 2012 – 2022.................. 10
2.6.1 Busca constante por um serviço de excelência .................................................. 10
2.6.2 Diretriz Organizacional Estratégica (visão e missão).......................................... 11
3 A EDUCAÇÃO PERMANTENTE E CONTINUADA .............................................. 11
3.1 A interação entre a Educação Permanente e continuada, O PHTLS e o que
se busca no Planejamento Estratégico CBMGO.....................................................13
4. METODOLOGIA........................................................................................................15
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS......................................................17
6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES.................................................................. 22
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................ 25
8. APÊNDICE............................................................................................................... 28
1
1- INTRODUÇÃO
Este trabalho de conclusão de curso analisará os conteúdos encontrados
em materiais bibliográficos de autores que tratam do tema educação permanente e
continuada e, no que diz respeito ao atendimento pré-hospitalar, em manuais
consagrados, principalmente, na 7ª edição do PHTLS, bem como, buscará analisar a
importância e a necessidade da educação permanente e continuada para se alcançar a
excelência no serviço de Resgate em todas as unidades do Corpo de Bombeiros Militar
do Estado de Goiás.
O trabalho de estudo científico será iniciado por intermédio de uma
pesquisa quantitativa, a qual norteará as ações posteriores, com a identificação de
causa, motivo e busca de solução.
Far-se-á uma abordagem sobre a origem do CBMGO, sobre o
planejamento estratégico que reflete a visão do comando e sobre o serviço de
atendimento pré-hospitalar denominado atualmente como “Resgate Pré-Hospitalar”.
Serão pesquisados, também, conceitos teóricos norteadores tais como:
educação continuada, educação permanente e as sua contextualizações no estudo. É
bem verdade que a literatura trata esses conceitos como sinônimos, mas já se percebe
que foram ampliados tanto pela inclusão de autores, quanto pela eleição de
metodologias participativas que partem das experiências vividas, problematizando-as e
gerando propostas que viabilizem soluções. Justamente este foi o motivo da escolha do
tema, vendo que não se trata mais de simplesmente ter educação continuada em
Atendimento Pré-hospitalar, mas que ela deve ser “permanente contínua”.
A pesquisa a respeito da educação permanente e continuada servirá de
sustentação para as premissas levantadas ao longo do trabalho.
Assim, espera-se, com este trabalho, obter dados suficientes para
concluir-se pela necessidade ou não de uma educação permanente e continuada no
resgate pré-hospitalar do CBMGO e, caso a conclusão seja positiva, encontrar
2
subsídios para a conscientização de todos para o fato de que o trabalho caracteriza-se
como fator de mudança. Pretende-se ainda que este trabalho sirva de inspiração para
pesquisas futuras e, quem sabe, até de norte para medidas que buscam a melhoria
para a corporação.
2- O CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE GOIÁS
2.1 Origem
Conforme consta na parte dedicada à trajetória cinquentenária da
corporação, até o ano de 1957 não existia um serviço especializado em prevenção e
extinção de incêndios no Estado de Goiás. Somente após o crescimento dos centros
urbanos e, consequentemente, o surgimento de ocorrências, é que o Estado entendeu
ser necessário criar-se um serviço especializado para atender a esse tipo de ocorrência.
Extrai-se do sitio eletrônico oficial do CBMGO que sua história teve início
em 05 de novembro de 1957, pelo deslocamento de 11(onze) militares para o Estado
de Minas Gerais, com a finalidade de frequentarem um curso de Bombeiros com
duração de 08 (oito) meses, nessa época, fazia parte da Polícia Militar do Estado de
Goiás.
No início, o serviço de Bombeiros foi intitulado como Companhia de
Bombeiros (Lei estadual n. 2400 de 1958), passando, posteriormente a ser denominado
Corpo de Bombeiros, com a edição da Lei estadual n. 5442 de 1964.
Consoante se observa, a Instituição teve origem na Polícia Militar de
Goiás, passando, após a promulgação da Constituição Estadual em 05 de outubro de
1989, a constituir-se uma Corporação independente e autônoma. Sobre o fato temos o
seguinte:
Em 1º de janeiro de 1990 o Governador do Estado nomeou o 1º Comandante
Geral do CBMGO, CEL QOBM Pedro Francisco da Silva, determinando-lhe
envidar esforços para a estruturação do Corpo de Bombeiros. Assim, foi criada
3
e implementada uma nova Corporação, denominada CBMGO, com orçamento
próprio, partindo-se a seguir, para a elaboração da legislação, com o
encaminhamento de projetos de leis e decretos, iniciando-se o processo de
criação e implantação das Unidades Operacionais na Capital e Interior do
Estado, estacando-se: Em outubro de 1989, implantação do Quartel do
Comando Geral, na Av. Anhanguera nº 6750,Setor Aeroporto.
Com a emancipação, a corporação tornou-se forte e reconhecida pelos
seus trabalhos prestados à população de todo Estado, se encontrando, hoje, em mais
de trinta municípios.
Em 1991 teve início o atendimento pré-hospitalar em Goiás com a criação
do serviço de chame ambulância pelo CBMGO, sendo que o serviço de resgate teve
início de fato em janeiro de 1999. (CFSD, 2000)
O CBMGO experimentou uma grande transformação desde que passou a
realizar o atendimento pré-hospitalar denominado “Resgate”. Com a implantação desse
serviço, passou a ser vitrine para a população e o carro chefe da corporação, a
instituição obteve mais status e projeção, no cenário estatal.
2.2 Atribuições do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás
Em nível nacional: A Constituição da República Federativa do Brasil de
1988, em seu capítulo lll, trata da Segurança Pública. Prevê em seu artigo 144, inciso V,
parágrafo 5º: “Aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei,
incumbe a execução de atividades de defesa civil”.
Em nível estadual: Coube a constituição estadual do Estado de Goiás de
1989 elencar o rol de atribuições constitucionais do CBMGO. Sendo elas:
atividade de defesa civil; a prevenção e o combate a incêndios e a situações de
pânico, assim como ações de busca e salvamento de pessoas e bens; o
desenvolvimento de atividades educativas relacionadas com a defesa civil e a
prevenção de incêndio e pânico; a análise de projetos e inspeção de
instalações preventivas de proteção contra incêndio e pânico nas edificações,
para fins de funcionamento, observadas as normas técnicas pertinentes e
4
ressalvada a competência municipal definida no Art. 64, incisos V e VI, e no art.
69, inciso VIII, desta Constituição.
Nos termos da Lei nº 11.416, de 05 de fevereiro de 1991 – O Estatuto dos
Bombeiros Militares – Ao CBMGO é atribuída a execução de serviços de perícia,
prevenção e combate a incêndios; de busca e salvamento; de prestação de socorros
nos casos de inundações e desabamentos, catástrofes e calamidades públicas, bem
assim, à execução de outros serviços que se fizerem necessários à proteção da
comunidade, inclusive atividades de defesa civil.
Percebe-se não estar previsto nesses dispositivos legais, a atividade de
atendimento pré-hospitalar, porém traz uma nova atribuição que é o serviço de perícia,
além de deixar em aberto à possibilidade de execução de outros que se fizerem
necessários à proteção da comunidade.
A gama de atribuições do CBMGO é muito variada, reforçando a
necessidade de se ter um programa de educação permanente e continuada como
forma de manter o militar sempre em condições de prestar um padrão mínimo de
atendimento aceitável, principalmente, em atendimento pré-hospitalar, quando a
diferença entre a vida e a morte, entre anos produtivos ou anos vegetando, está nas
mãos do socorrista. Lembrando que o Bombeiro Militar é Bombeiro em qualquer lugar e
as pessoas em sua volta sempre verão nele um porto seguro.
2.3 O Atendimento de Resgate Pré-Hospitalar do CBMGO
O atendimento pré-hospitalar desempenha um papel importante na saúde
pública, emergências como doenças cardiovasculares e eventos relacionados a causas
externa crescem na população em geral.
Conforme estatísticas do CBMGO, a maioria dos atendimentos por suas
guarnições é na área pré-hospitalar, de forma que, se realizado adequadamente, pode
fazer a diferença entre a vida e a morte de uma pessoa.
5
2.3.1 Conceito
O Ministério da Saúde, em sua portaria n. 814, de 01 de junho de
2001, referindo-se a pré-hospitalar móvel na área de urgência considera:
Nível pré-hospitalar móvel na área de urgência é o atendimento que procura
chegar precocemente à vítima, após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de
natureza traumática ou não-traumática ou, ainda, psiquiátrica), que possa levar
à sofrimento, sequelas ou mesmo à morte, sendo necessário, portanto, prestarlhe atendimento e/ou transporte adequado a um serviço de saúde devidamente
hierarquizado e integrado ao sistema único de saúde.
2.3.2 Estatística de atendimento e Pesquisa de confiabilidade
Mesmo não sendo a atribuição que deu origem aos Corpos de Bombeiros,
o atendimento pré-hospitalar é responsável pela grande maioria dos atendimentos
realizados pelo CBMGO. Em 2012 foram realizados mais de 75 mil atendimentos, já em
2013 foram realizados aproximadamente 80 mil atendimentos, a estimativa é que em
2014 esse número ultrapasse 80 mil atendimentos. (CBMGO, 2014).
Os dados apresentados só vêm aumentar a responsabilidade e a
necessidade de se ter uma equipe de atendimento pré-hospitalar muito bem preparada
para prestar um serviço eficiente, buscando sempre o aprimoramento e o conhecimento
permanente e continuado para que toda sociedade possa ser beneficiada com a
excelência no atendimento.
Em pesquisa realizada pelo Instituto Grupom (2012) pode-se ter uma
noção da confiança que a população goiana tem no CBMGO. O Instituto realizou uma
pesquisa, onde ouviu 570 pessoas em 158 bairros da cidade de Goiânia, estado de
Goiás. O índice de aprovação chega a 75,4%, mais do que o dobro do segundo lugar
ocupado pelos carteiros que tem 30,2% da confiança da população. Veja como ficou a
pesquisa completa em tabela:
6
Tabela 1 – Pesquisa de confiabilidade
Fonte O Popular
O fato de se ter um alto índice de aceitação e confiança da população é
outro fator relevante para a escolha do tema proposto, o que levantou uma reflexão:
será que essa confiança e aceitação, algumas vezes, não vem da natureza do serviço
prestado? O socorristas estão executando corretamente o protocolo estabelecido pelo
CBMGO? Seguem os princípios de um bom atendimento pré-hospitalar? Essa reflexão
vem ao encontro do planejamento estratégico 2012-2022 do CBMGO na busca
constante pela prestação de um serviço de excelência.
2.3.3 Normatização Federal
A portaria que normatiza o atendimento pré-hospitalar é a de n. 824, de 24
de junho de 1999 do Ministério da Saúde. Dela constam alguns trechos que abordam a
forma de educação continuada, de onde se extrai que, no treinamento do pessoal
envolvido no atendimento pré-hospitalar o sistema deverá dispor de um programa e
treinamento continuado e supervisão em serviço; Os centros de capacitação devem
promover mecanismos de educação continuada, estabelecidos em conjunto com os
serviços pré-hospitalares atuantes na área de sua abrangência, incluindo atividades de
supervisão em serviço e treinamento em serviço. Grifo nosso.
A Portaria n. 2048/GM do Ministério da saúde aprovou o regulamento
técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência. Sendo uma de suas
considerações a necessidade de estimular a criação de estruturas capazes de
problematizar a realidade dos serviços e estabelecer o nexo entre trabalho e
educação, de forma a resgatar o processo de capacitação e educação continuada
7
para o desenvolvimento do serviço e geração de impacto em saúde em cada nível de
atenção e ainda de propor currículos mínimos de capacitação e habilitação. Grifo nosso.
Percebe-se aqui uma ampliação do conceito de educação continuada,
início da posterior conceituação de educação permanente em saúde, necessária como
condição de melhoria nos atendimentos de grande importância que são a urgência e
emergência pré-hospitalar.
A Resolução CFM nº 1.671 de 2003 preconiza que os procedimentos
delegados a profissionais não-médicos podem ser estabelecidos pelo médico regulador
através de protocolos específicos, cabendo ao médico responsável técnico da
instituição a supervisão de todas as atividades do serviço. Ademais, reafirma a
necessidade de o sistema dispor de um programa de treinamento continuado e
supervisão médica e de enfermagem em serviço.
Percebe-se a exigência de protocolos para a prestação de serviço por
profissionais não-médicos, o que não quer dizer falta de conhecimento, de capacidade
de tomar a melhor decisão com flexibilidade dentro de princípios fundamentais ao
atendimento pré-hospitalar.
Todo esse resgate de normas e atribuições visa apresentar a ligação entre
educação continuada, permanente e o serviço de Resgate pré-hospitalar.
2.3.4 Funcionamento
O resgate pré-hospitalar do CBMGO, prestado por militares/socorristas,
orienta-se pelo protocolo norte americano, o qual adota como procedimentos
adequados chegar à vítima no menor tempo possível, realizar manobras essenciais
para estabilizá-la e removê-la o mais rápido possível a um hospital adequado. O
atendimento pré-hospitalar se divide em Suporte básico e Suporte avançado à vida. O
primeiro caracteriza-se por não realizar manobras invasivas, sendo esse o
direcionamento da pesquisa.
8
O Protocolo para o Suporte Básico de Vida do CBMGO é um ato
normatizador, constituindo um conjunto de ações a serem desenvolvidas pelas equipes
de Resgate, tendo como objetivo melhorar a qualidade e agilizar a operacionalizacão do
serviço prestado à comunidade. (CBMGO, 2011). Encontra-se expresso no protocolo
que seus esforços serão sempre fazer uma avaliação e o transporte rápido.
Declaração redigida durante conferência da NAEMT em 1997 diz que o
Préhospital Trauma Life Support ( PHTLS ) tem como missão: proporcionar o mais alto
padrão de qualidade educacional em atendimento pré-hospitalar ao traumatizado.
Devido ser, o PHTLS, referência mundial no assunto, faremos uma
análise de suas principais considerações sobre necessidade de se conhecer os
princípios que norteiam os protocolos e a importância da avaliação como pedra
fundamental para se realizar um atendimento de qualidade em nível pré-hospitalar.
De acordo com o PHTLS somente pode-se prestar um bom atendimento
com conhecimento. Além disso, o socorrista deve aceitar a responsabilidade de prestar
atendimento ao paciente de uma forma que seja o mais próximo possível da perfeição
absoluta.
A Filosofia Educacional do PHTLS enfatiza princípios do bom atendimento
ao paciente e estimula o raciocínio crítico; acredita que, tendo uma boa base de
conhecimentos, os socorristas são capazes de tomar as decisões adequadas no
atendimento ao paciente. Devido às várias situações encontradas no pré-hospitalar, o
socorrista não pode ficar preso a um método único de técnica.
Conforme o PHTLS (2012), para a execução de determinada técnica
ensina-se o princípio que está por trás da técnica, e em seguida, é apresentado um
método aceitável de executá-la que esteja de acordo com o princípio. Processos
robóticos são desencorajados.
Vê-se na filosofia educacional apresentada pelo PHTLS tudo o que espera
de um socorrista, sendo referência internacional, foi utilizada para mostrar que todo
9
atendimento para ser eficiente e eficaz parte de uma boa avaliação do paciente e que
isso somente será possível com uma boa base de conhecimentos, adquiridos com
muito treinamento e estudo. Está de acordo com a educação permanente e continuada,
bem como, a visão e missão do CBMGO.
O protocolo de atendimento pré-hospitalar do Corpo de Bombeiros do
Distrito Federal diz: As ações dirigidas para a revisão desse quadro (morbidade e
mortalidade por causas externas) concentram-se na prevenção, na educação
continuada...
A Resolução CFM nº 1.671/03, ao estabelecer o conteúdo curricular diz
que todos os módulos comportam exposições teóricas e exercícios práticos, sendo
sugerido o método didático de problematização (estudo por problemas) como modelo
pedagógico a ser adotado...
Pode-se observar que os parágrafos se interagem em conceitos,
concepções e objetivos, mantendo coerência no propósito de se alcançar qualidade na
prestação de serviço.
2.5 COMPETÊNCIA DA CORPORAÇÃO NA ÁREA PRÉ-HOSPITALAR
A Portaria n. 2048/GM (2002) e a Resolução CFM n. 1.671/03 trazem as
Competências/Atribuições do Bombeiro militar.
A Competência do bombeiro militar, como profissional da área préhospitalar, estabelece, entre outras, que o bombeiro deve ser capaz de transmitir, via
rádio, ao coordenador médico, a correta descrição da vítima e da cena; medir e avaliar
sinais vitais, pulso e respiração e situar o estado da vítima nas escalas de trauma e
coma, se for o caso; identificar situações de gravidade nas quais a tentativa de
estabilização do paciente no local deve ser evitada em face da urgência da intervenção
hospitalar (exemplo: ferida perfurante de tórax); ser capaz de repassar as informações
10
pertinentes ao atendimento à equipe médica do hospital ou instituição de saúde que
receberá o paciente.
As competências elencadas foram selecionadas dentre um rol de 30, as
quais evidenciam a exigência ao socorrista de se ter um bom conhecimento para ser
capaz de fazer a devida avaliação, condição para determinar a real condição da vítima
necessária para se tomar a melhor decisão.
O programa educacional do PHTLS tem como filosofia educacional a
premissa de que, para atender com “excelência” um acidentado, o socorrista deve ter
uma base de conhecimentos capazes de lhe proporcionar um raciocínio crítico para
escolha do atendimento mais adequado a cada situação que dê mais chance de
“sobrevida” ao paciente. Além disso, o programa preceitua que o socorrista só poderá
tomar decisões corretas que levem a bons resultados se tiver uma base de
conhecimentos sólidos, afirmando que o atendimento ao paciente deve ser baseado na
avaliação, e não em protocolos, levando à conclusão de que o princípio está por trás da
técnica, depois um método aceitável de realizá-la de acordo com o princípio.
Importante esclarecer que a utilização do protocolo pelos socorristas do
CBMGO é norma procedimental a ser seguida (CBMGO, 2011). Trata-se de um
instrumento de orientação técnica.
Com essa afirmação, o que se pretende é mostrar a necessidade e a
importância de saber o que se está fazendo, tendo conhecimento sólido para agir com
flexibilidade tomando a melhor decisão, dentro dos princípios preestabelecidos, diante
de situações inusitadas e que a educação permanente e continuada pode ser uma boa
aliada.
2.6 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DO CBMGO PARA 2012 – 2022
2.6.1 Busca constante por um serviço de excelência
11
Logo na introdução do planejamento estratégico 2012 - 2022, a gestão de
comando do CBMGO deixa claro o interesse da corporação em atender com um serviço
de excelência todas as partes interessadas..., e continua: O Corpo de Bombeiro Militar
do Estado de Goiás (CBMGO), busca solução de continuidade, com eficiência, eficácia
e efetividade em seus processos de capacitação, aprimoramento e prestação de
serviço de bombeiro e defesa civil.
2.6.2 Diretriz Organizacional Estratégica (visão e missão)
O CBMGO tem como visão: ser uma corporação militar de referência
nacional pela excelência na prestação de serviços de bombeiros, até o ano de 2022. E
como Missão: proteger a vida, o patrimônio e o meio ambiente para o bem estar da
sociedade.
Percebe-se, mais uma vez, que a maior luta da corporação, para este ciclo
de gestão estratégica, é garantir a toda a sociedade prestação de serviço com
excelência, bem estar e qualidade de vida.
3- A EDUCAÇÃO PERMANTENTE E A CONTINUADA
Conforme
o
conceito
de
Educação
Permanente
trazido
pela
Portaria/198/GM/MS (BRASIL, 2004), a Educação Permanente é aprendizagem no
trabalho, onde o aprender e o ensinar se incorporam ao quotidiano das organizações e
ao trabalho. Essa definição parte do pressuposto da aprendizagem significativa (que
promove e produz sentidos).
Por outro lado, o conceito de Educação Continuada corresponde à
construção objetiva de quadros institucionais e à investidura de carreira por serviço em
tempo e lugar específicos. Pode também corresponder à educação formal de
profissionais, quando esta se apresenta amplamente porosa as multiplicidades da
12
realidade de vivências profissionais e coloca-se em aliança de projetos integrados entre
o setor/mundo do trabalho e setor mundo do ensino (CECCIM, 2005).
Para Ricardo Burg Ceccim e Alcino Antônio Ferla a educação permanente
em saúde, apesar de parecer, apenas um nome diferente ou uma designação da moda
para justificar a formação contínua e o desenvolvimento continuado dos trabalhadores,
é um conceito forte e desafiante para pensar as relações entre a educação e o trabalho
em saúde. Continua: coloca em questão a relevância social do ensino e as articulações
da formação com a mudança no conhecimento e no exercício profissional, trazendo,
junto dos saberes técnicos e científicos, as dimensões éticas da vida, do trabalho, do
homem, da saúde, da educação e das relações.
Para Girade (2006), a educação permanente surge como processo de
ensino e aprendizagem dinâmico e contínuo, para enfrentar a evolução tecnológica, as
necessidades sociais e atender aos objetivos e metas da instituição a que pertence o
trabalhador, tendo como finalidade a análise e o aprimoramento da capacitação de
pessoas e grupos.
A educação permanente em saúde é um processo de aprendizagem que
possibilita a construção de conhecimentos a partir de situações do trabalho, onde há a
possibilidade de negociar as soluções para os problemas existentes, através do
compartilhamento dos significados e sentidos dos objeto. (SANTOS, TENÓRIO, KICH,
2011)
Conforme ensina Lima (2009, p. 22): “A educação continuada é o conjunto
de práticas educacionais planejadas para promover oportunidades de desenvolvimento
ao trabalhador, visando ajudá-lo a atuar de forma mais eficaz em sua vida institucional”.
Para Fleury (2002, p. 11), “toda e qualquer organização depende, em
maior ou menor grau, do desempenho humano para seu sucesso”. Em outras palavras,
quanto maior for o grau educacional dos indivíduos que compõem uma organização e
maior o seu envolvimento com esta, maiores serão as perspectivas de sucesso e
alcance dos objetivos da organização.
13
3.1 A interação entre a Educação Permanente e continuada, o PHTLS
e o que se busca no Planejamento Estratégico CBMGO.
Percebe-se que a metodologia de educação permanente e continuada e o
Sistema Educacional PHTLS atende ao que se busca no Planejamento Estratégico
2012 – 2022.
Constante busca por um serviço de excelência voltado a todas as partes
interessadas... (planejamento estratégico 2012 – 2022), e continua: O Corpo de
Bombeiro Militar do Estado de Goiás (CBMGO), busca solução de continuidade, com
eficiência, eficácia e efetividade em seus processos de capacitação, aprimoramento e
prestação de serviço de bombeiro e defesa civil.
A metodologia de educação permanente e continuada vem como uma
forte ferramenta de apoio ao CBMGO na busca pela excelência na prestação de serviço
no atendimento pré-hospitalar ao paciente, ressaltando que essa ferramenta poderá ser
aplicada em qualquer área de atuação da corporação.
O treinando deve estar motivado para aprender. A pessoa precisa ter
vontade de aprender. A motivação influencia o entusiasmo da pessoa para o
treinamento, conquista sua atenção para as atividades e reforça aquilo que é
aprendido. A motivação para aprender é influenciada pelas crenças e percepções do
treinando. Se o treinando percebe que o treinamento não dará em nada ou se ele não
está motivado, pouco se pode esperar de um programa de treinamento. Lima (2009, p.
45)
Segundo o PHTLS, 2012, Devemos oferecer aos nossos pacientes o que
há de melhor em nós – não sonhando acordados, não com equipamento sem prévia
conferência, não com suprimentos incompletos e não com conhecimento ultrapassado,
sem ler e aprender todos os dias, não poderemos saber qual o conhecimento médico
mais atualizado, nem estar pronto para tratar de nossos pacientes.
14
O comandante geral do CBMGO diz no Planejamento estratégico 20122022 que é imprescindível que as organizações trabalhem sempre pautadas no
planejamento com foco no conhecimento, análise dos fatos e tendência das conjunturas
econômica, social e política...
Em uma breve análise percebe-se as mudanças em conceitos e
concepções que vem passando a educação em saúde, juntamente com a evolução que
vem ocorrendo em todas as ciências, sofrendo influência direta do momento sócioeconômico-político do país.
É inconcebível que tecnologia, ciência, educação, valores, cultura e o
homem, não caminhem juntos. Para manter essas engrenagens alinhadas, a educação
permanente e continuada é a melhor ferramenta, visto ser o homem que comanda todo
esse aparato tecnológico.
Não se pode pensar que o entendimento dos mestres acerca da educação
seja diferente no CBMGO, corporação que desenvolve trabalho de prestação de serviço
à sociedade, trazendo consigo as mesmas exigências, com o agravo de que, muitas
vezes, o que está em jogo é a saúde e a vida, além de a corporação não poder ficar
estática diante da crescente concorrência de pessoas e instituições, que buscam
assumir o papel do CBMGO.
Tudo isso, aliado ao alto grau de confiança perante a sociedade (pesquisa
Grupom) e tendo em vista a grande variedade de atividades que o CBMGO exerce
(conforme itens 2.2 e 2.3), torna-se necessário ter uma tropa sempre muito bem
preparada e treinada. Toda e qualquer atividade exercida atualmente deve ser muito
bem executada, pois é assim que o sistema social está posto.
Determinados procedimentos relacionados à atividade de bombeiro, são
mais praticados, enquanto outros não o são, o que acabam por cair no esquecimento,
embora todos procedimentos deveriam ser constantemente treinados e aprimorados
para não comprometerem a operação.
15
Cabe destacar que, em muitos quartéis do CBMGO, inexiste estrutura
efetivamente voltada à educação permanente e continuada (ver figura 1), fator que
interfere crucialmente no condicionamento dos elementos constitutivos da tropa.
4- METODOLOGIA
Este estudo trata-se de uma pesquisa de caráter descritivo, com métodos
de pesquisa de campo, bibliográfica e aplicada, abordagem quantitativa e com coleta de
dados primários. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados serão questionários
com perguntas fechadas aplicadas aos cursos CAS, EAS, e EAC. A pesquisa
bibliográfica será realizada em matérias de referência que sustentam princípios
fundamentais, sendo artigos científicos, manuais estaduais e internacionais de APH,
sites de internet e livros sobre o tema proposto.
Para Demo (2000, p. 20), “Pesquisa é entendida tanto como procedimento
de fabricação do conhecimento, quanto como procedimento de aprendizagem (princípio
científico e educativo), sendo parte integrante de todo processo reconstrutivo de
conhecimento.”
A coleta de dados será realizada na Academia Bombeiro Militar do
CBMGO. O instrumento utilizado trata-se de um questionário, que será aplicado aos
alunos dos cursos CAS, EAS, e EAC da Academia Bombeiro Militar. A aplicação dos
mesmos dar-se-á após o consentimento. Os questionários serão distribuídos aos alunos
em seus respectivos locais de estudo para o seu preenchimento. O pesquisador não
interferirá nas respostas, mas estará à disposição para qualquer esclarecimento.
Para Campos (2002), o trabalho de campo se apresenta como uma
possibilidade de conseguir não só uma aproximação com aquilo que desejamos
conhecer e estudar, mas também de criar um conhecimento, partindo da realidade
presente no campo.
A população será constituída pelas praças do CBMGO, tendo como
amostragem as turmas CAS, EAS, e EAC. Serão considerados os seguintes critérios de
16
inclusão: ser aluno da ABM nos CAS, EAS, e EAC; ter concordado em participar da
pesquisa; estar presente no dia da avaliação. Serão excluídos os alunos pertencentes
aos Cursos de Formação de Oficiais – CFO; alunos que não queiram participar do
estudo.
Essa coleta será de grande amplitude, pois alcançará várias unidades em
todo nosso Estado, visto que são, militares vindo de todas as regiões de nosso Estado.
Para se realizar qualquer estudo, é quase impossível examinar todos os
elementos da população do interesse da pesquisa. Normalmente se trabalha somente
com uma amostra da população. A inferência estatística dá elementos para generalizar,
de maneira segura, as conclusões obtidas da amostra para a população (Correa, 2006).
Foram escolhidos os praças do CBMGO em virtude de serem eles que,
normalmente, executam o atendimento pré-hospitalar nas viaturas de Resgate.
Não haverá a identificação, no questionário, do aluno respondente, o que
o deixará à vontade para responder, sem pressão, a todas as perguntas.
A pesquisa servirá como uma avaliação de conhecimentos elementares,
porém, essenciais em APH, bem como, a existência de alguma forma de educação
continuada e/ou permanente em suas unidades de origem, o que trará benefícios para
a corporação, que terá um feedback e poderá tomar medidas para melhorar
a
qualidade no atendimento; para os alunos, que poderão colaborar na melhora do
atendimento.
Através da aplicação do questionário será possível apreciar o quantitativo
de praças que confirmarão existir ou não, programas de educação permanente e
continuada em e APH em sua OBM de origem, se existe o hábito de GU de resgate se
reunirem após ocorrências para discutirem ou estudar sobre ocorrências atendidas,
quantos possui curso de resgate, quantos sabem a diferença entre análise primária e
secundária, quantos sabem o significado da sequência ABCDE, se tem memorizado
17
todas as fazes do ABCDE, se consegue aplicar a escala de coma de Glasgow
rapidamente sem consulta.
Outro instrumento utilizado na pesquisa foi o estudo de caso através da
análise da ocorrência nº 8457487, acidente de trânsito, atendida por uma equipe de
resgate, onde envolveu 04 (quatro) veículos. Serão avaliados procedimentos e atitudes
dos socorristas, que podem vir a prejudicar o bom nome da corporação e a consecução
dos objetivos da gestão de comando, que procura constantemente a excelência na
prestação de serviço a todas as partes interessadas.
5- RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O estudo em questão tinha como objetivo verificar como está o nível de
conhecimento básico do serviço de resgate e se existe, efetivamente, educação
permanente e/ou continuada nas OBMs do CBMGO, ambos para sempre buscar a
excelência no serviço de atendimento pré-hospitalar. Foram aplicados questionários a
90 (noventa) militares do CAS, EAS e EAC conforme anexo l. Descreve-se a seguir a
tabulação e análise dos resultados do questionário.
A primeira pergunta se resumiu em fazer um levantamento de quantas
OBMs estariam sendo alcançadas com a pesquisada. Sedo considerado tanto seções,
CIBM e Batalhões. O total alcançado foi de 30 (trinta) OBMs diferentes, não sendo
confeccionado gráfico representativo.
Para a segunda pergunta, buscou-se descobrir a existência de algum
programa para aperfeiçoamento ou treinamento contínuo. O que se verificou foi que,
apesar de existir, na instituição um a diretriz nesse sentido ela não é aplicada
efetivamente em todas as unidades.
18
Na sua OBM existe algum programa de
treinamento ou aperfeiçoamento contínuo na
área de Atendimento Pré-hospitalar ?
40%
sim
não
60%
Figura 1 - Gráfico da 2ª pergunta
A terceira pergunta foi considerada apenas para quem respondeu que
existia o programa em sua OBM e tinha como objetivo servir de complemento da
segunda pergunta. Versava sobre o intervalo de tempo que era realizado esse
treinamento ou estudo; as respostas variaram de mensal a anual. Fato realmente
confirmador de que há necessidade de um esforço no desenvolvimento desta estratégia
educacional na organização.
Para a resposta ao quarto questionamento levantado, foi verificado que a
maioria dos entrevistados já possui o curso de resgate pré-hospitalar oferecido pela
corporação. Sessenta e sete alunos, representando 75% (setenta e cinco por cento) da
amostra possuem o curso, o que demonstra que o Corpo de Bombeiros do Estado de
Goiás está avançando na consolidação de um serviço com excelência. Porém 25%
(vinte e cinco por cento) não realizaram o curso. Ressalta-se que a educação
continuada convencional (capacitação de profissionais) pode e deve continuar.
Possui curso de Resgate Pré-Hospitalar
25%
sim
75%
Figura 2 – Gráfico da 4ª pergunta
não
19
A Quinta pergunta foi respondida por 99% (noventa e nove por cento) que
confirmaram que o serviço de resgate pré-hospitalar é prestado por pessoal do serviço
administrativo, observando que são áreas administrativas diversas.
Se observar os vários debates e estudos sobre o tema educação
continuada e a permanente, pode se verificar que é fundamental para se prestar um
atendimento com qualidade na área de saúde é estar cotidianamente vivenciando o
trabalho e a teoria, abrindo espaço coletivo para reflexões e avaliação dos atos
produzidos no dia a dia.
Na sua OBM é comum o pessoal do
administrativo tirar serviço em viatura de
Resgate pré-hospitalar?
1%
sim
99%
não
Figura 3 – Gráfico da 5ª pergunta
Dando continuidade à pesquisa de como está sendo aplicada,
efetivamente, no seio da tropa, a educação permanente e continuada na corporação,
percebeu-se, através da sexta pergunta que, 52% (cinquenta e dois por cento) dos
entrevistados disseram não ter como hábito realizar reunião para refletir e analisar os
atos produzidos nos atendimentos e 26% (vinte e seis por cento) disseram ser
raramente, apenas 23% (vinte e três por cento) alegaram ser hábito esse procedimento.
Percebe-se aqui, não ser utilizado uma das principais recomendações
trazida pela nova pedagogia de educação permanente em saúde, concebida pelo
Ministério da saúde como fundamental para um serviço de qualidade, que é o treino no
cotidiano através, através de experiências vivenciadas, criando a problematização e
discutindo soluções adequadas. Justificando ser necessária e importante a educação
permanente e continuada ao Resgate pré-hospitalar do CBMGO.
20
Na sua OBM as Guarnições de Resgate tem como
hábito se reunirem para discutirem e/ou estudarem
sobre ocorrências atendidas?
25%
23%
52%
sim
não
raramente
Figura 4 – Gráfico da 6ª pergunta
Procurou-se a partir da sétima pergunta, pesquisar sobre o conhecimento
de conceitos e procedimentos essenciais e elementares em atendimento pré-hospitalar.
Considerando que o PHTLS considera a “avaliação” como pedra fundamental para um
bom atendimento pré-hospitalar, sendo essa avaliação conhecida como primária
(ABCDE) e secundária. Foi detectado ponto importante para confirmação de se
despertar para dedicar esforços na área de Resgate pré-hospitalar, pois perguntado
sobre a diferença entre análise primária e secundária encontrou-se 8% (oito por cento)
disseram que não sabem, 12% (doze por cento) apontaram que conhecem em partes a
diferença e 80% (oitenta por cento) disseram saberem a diferença.
A observação que fica é que deve ser considerada como alta essa
porcentagem de 8% para não, e 12% em partes, em serviço de saúde e principalmente
em atendimento pré-hospitalar, onde pequenos detalhes pode fazer uma grande
diferença, tanto positivamente como negativamente na vida da pessoa.
Vossa senhoria sabe qual a diferença entre análise
primária e secundária?
12%
8%
sim
não
80%
Figura 5 – Gráfico da 7ª pergunta
em partes
21
A oitava pergunta se encontra relacionada com a sequência de prioridades
durante uma avaliação e intervenção primária, a qual está relacionada a procura e/ou
tratamento de uma condição de risco iminente para a vida do paciente. Se encontra no
protocolo de SBV do CBMGO, 2011, através das letras A-B-C-D-E. Apesar de
elementar e fundamental, quase a metade dos pesquisados não têm memorizado todas
as fases.
A 7ª edição do PHTLS, 2012 traz que não há tempo para pensar na
sequência em que a avaliação do paciente deve ser realizada ou que tratamentos
devem ter prioridade sobre os outros. Não há tempo para praticar uma técnica antes de
a utilizar em um determinado paciente. Não há... Continua: Todas essas informações e
outras mais devem estar armazenadas na mente do socorrista...
Vossa senhoria tem memorizado todas as fases do
A-B-C-D-E?
25%
20%
sim
não
tenho dificuldade
55%
Figura 6 – Gráfico da 8ª pergunta
A última pergunta diz respeito à avaliação da escala de coma de Glasgow
do paciente. Se encontra no protocolo de SBV do CBMGO da seguinte forma: avaliar
déficit neurológico - nível de consciência. Sendo avaliação de suma importância, devido
se encontrar na fase inicial de avaliação (impressão geral) e na abordagem específica
da letra “D” da avaliação primária.
Buscou-se pesquisar sobre a capacidade de aplicar a escala de Glasgow
de forma rápida e sem consulta, como é requerido pelo próprio protocolo do CBMGO,
bem como em outros manuais consagrados, no MTB-12 CBPMSP, 2006; no manual de
APH do CBMDF; no PHTLS, 2012.
Foi observado que apenas 50% (cinquenta por cento) dos pesquisados
disseram
conseguir
aplicá-la,
conformando
com
a
oitava
resposta,
quando
22
55%(cinquenta e cinco por cento) julgaram não ter memorizada todas fases do ABCDE,
bem como mantém coerência com todas a outras questões.
Vossa senhoria consegue aplicar rapidamente
e sem consulta a escala de como de glasgow ?
30%
sim
50%
20%
não
tenho dificuldade
Figura 7 – Gráfico da 9ª pergunta
Por fim, foi realizado um estudo de campo (análise da ocorrência
supracitada) a luz do protocolo de SBV do CBMGO e do PHTLS, onde foi constatado,
após análise, que os militares/socorristas deixaram de seguir o protocolo, tomando
atitudes que contrariam princípios fundamentais de atendimento pré-hospitalar.
O estudo levanta a seguinte questão: O que faz com que alguns
socorristas firam ou deixem de observar regras ou princípios norteadores para um bom
atendimento? Se estão providos de bons recursos materiais, se existe um protocolo
atualizado, se cursos são ministrados. A respostar pode vir através da proposta de uma
educação permanente e continuada em saúde como prática de ensino-aprendizagem,
como conceito de ensino problematizador e de aprendizagem significativa (desafiante
do desejo de aprender mais). Contrária ao ensino-aprendizagem mecânico, quando os
conhecimentos são considerados em si, sem a necessária conexão com o cotidiano, e
os alunos se tornam meros escutadores e absorvedores do conhecimento do outro.
6- CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Ao se realizar uma avaliação acerca das atribuições do CBMGO, percebese que esta instituição, agregou ao longo do tempo muitas outras atribuições. Entre o
23
rol de atribuições agregadas se encontra o serviço de Resgate Pré-hospital prestado
pelo CBMGO, atividade com maior número de ocorrências atendidas.
Durante o estudo, verificou-se que o CBMGO muito tem evoluído em
todas as áreas, que a filosofia de ensino da instituição tem contribuído para a qualidade
nos serviços do CBMGO, porém ao realizar análise dos dados verificou-se que pequena
percentagem desconhecem conceitos básicos, porém fundamentais em atendimento
pré-hospitalar, além de encontrar julgamentos da inexistência de estratégias de
educação contínua em 60%(sessenta por cento) das praças entrevistadas.
Tratando-se de um serviço tão importante como o Resgate, que lida com
vidas, e de grande expressão perante a sociedade, do alto índice de confiabilidade que
o CBMGO possui, percebe-se que a luta pela excelência na prestação de serviços
continua e, analisando os novos conceitos e concepções da educação permanente e
continuada, ficou evidenciado que ela pode ser um instrumento de grande valor para
que a instituição possa alcançar seus objetivos.
Ressalta-se que pela variada lista de atribuições do CBMGO, pela
possibilidade de militares atuarem em áreas distintas, onde não detém o cotidiano,
verificado em 99% (noventa e nove por cento) dos entrevistados, se torna difícil a
prestação de um serviço com excelência, principalmente em atendimento pré-hospitalar.
Lembrando que o Bombeiro militar será sempre um porto seguro para todas as pessoas
que estejam em sua volta, justificando a necessidade de manter-se um padrão mínimo
de qualidade em qualquer prestação de serviço.
Dessa forma, Conclui-se ser importante e necessário refletir e desenvolver
novos mecanismos de planejamento e gestão para que os serviços possam ser
espaços de aprendizagem; para a formulação de novos pactos de trabalho, capazes de
absorver as demandas de cuidado às pessoas, e que favoreçam o desenvolvimento
organizacional, ao proporcionarem, aos seus integrantes a necessidade de mudança de
comportamento, incutindo o espírito de comprometimento com a qualidade dos serviços,
em todas as áreas de atuação do CBMGO e, principalmente, no estudo em questão, ao
24
serviço de Resgate pré-hospitalar, atividade fundamental para o bom nome e
crescimento da corporação.
Recomenda-se um Programa de Educação permanente e continuada que
ressalte o processo de trabalho, exige um esforço coletivo, tanto por parte dos militares
quanto pela Instituição.
25
7- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Resgate e Emergências Médicas 1ª Ed. São Paulo: CBPMSP, 2006 p.106-146 cap.6
28
8- APÊNDICE
Questionário aplicado aos alunos praças da ABM
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – TCC
QUESTIONÁRIO
Alunos do Curso de aperfeiçoamento de sargentos e dos Estágios de adaptação
de sargentos e de cabos da ABM
1 - Qual a OBM de origem? ____________________________
2 - Na sua OBM existe algum programa de treinamento ou aperfeiçoamento contínuo
na área de atendimento pré-hospitalar?
Sim ( ) Não ( )
3 - Se respondeu sim para o item anterior, de quanto em quanto tempo é
realizado?__________________________
4 - Possui curso de Resgate pré-hospitalar?
Sim ( ) Não ( )
5 – N sua OBM é comum o pessoal do administrativo tirar serviço em viatura de
Resgate pré-hospitalar?
6 – Na sua OBM as Guarnições de Resgate tem como hábito se reunirem em algum
momento do dia para discutirem e/ou estudar sobre ocorrências atendidas?
Sim ( ) Não ( ) Raramente ( )
7 – Vossa senhoria sabe qual a diferença entre análise primária e análise secundária?
Sim ( ) Não ( ) Em partes ( )
8 – Vossa senhoria tem memorizado todas as todas as fases do A-B-C-D-E?
Sim ( ) Não ( ) Tenho dificuldade ( )
9 – Sobre a escala de coma de Glasgow, vossa senhoria consegue aplicá-la
rapidamente sem consultar alguma fonte ( consultando a ficha de ocorrência, por
exemplo )?
Sim ( ) Não ( ) Tenho dificuldade ( )

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