POLONIA SOCIEDADE BENEFICENTE DO RIO DE JANEIRO

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POLONIA SOCIEDADE BENEFICENTE DO RIO DE JANEIRO
POLONIA SOCIEDADE BENEFICENTE DO RIO DE JANEIRO
Número 7 – janeiro a abril de 2016
SUMÁRIO
Palavra do Presidente
Editorial
Polonia Sociedade em Destaque
Obituário
Aconteceu 2015
Aconteceu 2016
Polonia Patriota
Artigo
Ecos da Polônia
Mówimy po Polsku
Polskie Spojrzenie
Projeto Memória
Visão & Gestão
Entrevista
Radar Polônico
Polônia em Drops
Polonia em Foco
Espaço do Leitor
História & Estórias
Sabores da Polônia
Crônicas & Poesias
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Caros Sócios e Leitores da nossa revista eletrônica,
Entregamos para a sua leitura o primeiro número de 2016 com a triste
notícia da perda um dos nossos mais importantes e queridos Sócios,
Conselheiro da Polonia Sociedade Beneficente e Ex-Presidente da
Associação dos Ex-Combatentes Poloneses, Sr. Wladyslaw Dzieciolowski.
Ainda estudante, participou em 1939 da segunda Guerra Mundial
defendendo a Polônia contra a invasão da Alemanha, foi preso pelos
soviéticos e levado para a Sibéria, depois lutou na África e na Itália. Foi um
dos pioneiros na conquista de Monte Cassino, sendo gravemente ferido durante uma das
últimas operações militares na Itália. Por seu heroísmo e valentia foi condecorado com as mais
altas comendas, como a Virtuti Militari e a Cruz de Monte Cassino.
Recentemente, com relação aos nossos beneficiados, ampliamos um pouco a lista de pessoas que
recebem a nossa ajuda mensal e, para conhecer melhor as condições e necessidades de cada um,
elaboramos um questionário para ser preenchido com informações básicas sobre suas condições
de habitação, saúde e recursos. As informações recebidas servirão para uma reavaliação do
auxílio oferecido pela nossa Sociedade.
No campo cultural organizamos um painel sobre a presença de poloneses no teatro brasileiro,
bem como um importante encontro com representantes de várias universidades da Polônia, que
contou com a participação do Embaixador da Polônia no Brasil, para divulgar as possibilidades
oferecidas de efetuar estudos na Polônia e as condições de bolsas de estudo nas mais variadas
áreas de formação. Este evento despertou muita atenção dos nossos sócios e amigos e contou
com a maravilhosa participação de Tomasz Betka, um músico, compositor e pianista que no final
do encontro apresentou composições de sua autoria, como também de F. Chopin e de Tom
Jobim. E, na segunda quinzena de abril será apresentada uma exposição comemorativa do
Levante do Gueto de Varsóvia.
Dentro de nossa cooperação com a Universidade de Slask (Silésia), em Katowice, organizamos
um encontro dos alunos do Curso de Idioma Polonês oferecido pela Sociedade para um
treinamento conduzido pelas professoras da Universidade, vindas da Polônia.
Os trabalhos de melhoria das nossas instalações continuam no ritmo compatível com nossas
modestas condições financeiras. O objetivo da Diretoria nessa área é tornar a Sociedade mais
bem preparada e agradável, oferecendo aos nossos Sócios e beneficiados mais conforto e
organização e, também, ampliar as possibilidades de seu aproveitamento como, por exemplo,
pelo Comitê Olímpico Polonês, que ficará instalado em nossa sede, durante os Jogos Olímpicos
Rio2016.
Stefan Janczukowicz
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Prezados Leitores,
Com imensa satisfação compartilhamos este número, que é o
sétimo da
, uma publicação que completa dois anos de existência.
Muito obrigada à todos que tornaram este sonho realidade. É um projeto de
muitas mãos, mas com um grande objetivo: propagar os valores de poloneses que
um dia, movidos pelas mais diferentes circunstâncias, na maior parte das vezes
trágicas, se viram obrigados a recomeçar em terras brasileiras.
Reencontro. Talvez seja esta a palavra que melhor resume esta edição. Este número é também
especial, pois homenageia três grandes patriotas poloneses que refizeram suas vidas no Brasil,
ensinando às novas gerações que viver vale sim muito à pena, apesar de todas as adversidades. Com
imenso pesar, a colônia polonesa perdeu Wladyslaw Dzieciolowski, herói de Monte Cassino,
agraciado com a Medalha Virtuti Militari em vida, a mais alta comenda polonesa e cuja trajetória será
mostrada no obituário Polonia Eterna, onde também está a trajetória de vida da Sra. Maria
Matuszewska, antiga sócia que muito ajudou a Polonia Sociedade. Por uma destas coincidências, o
Projeto Memória é dedicado à duas grandes patriotas: Sra. Maria Hrynakowska e a esposa do Sr.
Dzieciolowski, Sra. Janina. Então, este casal se reencontra agora no céu e também aqui nesta edição e,
juntamente com a Sra Hrynakowska nos ensinam o verdadeiro valor do patriotismo. Para eles vai a
nossa gratidão por tempos de paz e de oportunidades.
Com certeza, assim como milhões de poloneses, a Sra. Hrynakowska e o casal Dzieciolowski, muitas
vezes devem ter falado “byle do wiosny” (até a primavera), expressão da resistência polonesa, da
esperança de que dias melhores viriam apesar da guerra, do desamor. A origem desta expressão será
abordada na coluna Ecos da Polônia. “Byle do Wiosny” também deve ter sido mencionada por Lech
Walesa em sua luta por uma Polônia livre e cuja trajetória vocês poderão conferir na seção Artigo. É
também um reencontro com o Prêmio Nobel da Paz, que figura na galeria dos grandes heróis, assim
como o Pai da Independência Polonesa, Józef Pilsudski e Henryk Sienkiewicz, também mencionados
nesta edição. É um reencontro com os valores mais profundos que forjaram a alma polonesa.
A conta de luz tem assustado cada vez mais todos os brasileiros. Há saída para a energia para o Brasil?
A resposta está na Entrevista com um dos maiores especialistas na área e sócio da Polonia
Sociedade, Jerzy Lepecki. As diferentes nuances do idioma polonês também não poderiam ficar de
fora e podem ser conferidas na coluna Mówimy Po Polsku. E aproveitando os dias mais frescos que
certamente chegarão, que tal uma sopa de ervilha à moda polonesa, temperada com um glossário?
agradece imensamente a Alessandra Kepinski, Andrzej Sladowski, Arthur Trojan,
Jerzy Lepecki, Lucyna Brocki Cozzolino e Marek Polak pelas contribuições que viabilizaram esta
edição e pelo engajamento nesta iniciativa da Polonia Sociedade Beneficente do Rio de Janeiro, mas
que pertence a todos, que unem em um só coração vermelho e branco, que pulsa sobre o verde e
amarelo deste Brasil, abençoado por Deus e lindo por natureza!
Aleksandra Sliwowska Bartsch
Editora-chefe
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Foi elaborada uma ficha cadastral para avaliação das condições e necessidades de nossos beneficiados,
como parte de um recadastramento que se encontra em andamento. O objetivo é aprofundar o
conhecimento sobre cada realidade, para que a ajuda possa ser cada vez mais consistente.
Estão em fase de consolidação os comentários relativos ao projeto de adaptação de Estatuto da Polonia
Sociedade, de acordo com exigências de novo Código Civil. Uma vez consolidados, uma nova versão
será enviada aos sócios, para que seja iniciada um nova rodada de analise do mesmo.
As obras para instalação de equipamentos de combate incêndio estão com 75% de seu cronograma
concluído, com previsão de finalização para a segunda quinzena de abril. Os atrasos ocorridos se deram
devido a alterações de especificação técnica das bombas.
Foram concluídas as obras de recuperação e construção de uma laje para eliminar infiltrações e oferecer
maior conforto para os associados.
Foi iniciada a construção de uma nova churrasqueira, que está sendo instalada dentro de nosso
parque/jardim, um novo espaço que está sendo criado, trazendo mais uma opção de lazer em nossa
sede.
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OBITUÁRIO
WLADYSLAW DZIECIOLOWSKI
Nosso querido Wladyslaw Dzieciolowski, ou Ladislao, como era chamado por seus colegas
brasileiros, nasceu em 1920 em Lwów e faleceu em Petrópolis no dia 22 de março, aos 95 anos de
idade.
Aos 19 anos de idade, foi surpreendido com a invasão da Polônia pelo exército alemão no dia 1º de
setembro de 1939, e ali começou a sua heróica luta e foi o início do longo caminho que o trouxe até
o Brasil! Durante a “Campanha de Setembro”, Ladislao fez parte da Legião Acadêmica que
defendeu sua cidade natal e, após a rendição de Lwów, ele e seu irmão Antoni foram feitos
prisioneiros pelos russos, ao tentar atravessar a fronteira para incorporar-se ao Exército Polonês que
estava sendo organizado pelo Gen. Sikorski na França.
Ao longo de 2 anos, passaram por vários interrogatórios em diversas prisões na Ucrânia e na Rússia
e foram condenados a oito anos de trabalhos forçados num campo do GULAG soviético. Devido
às terríveis condições de trabalho, Ladislao adoeceu gravemente, porém conseguiu se recuperar e os
irmãos acabaram sendo libertados em agosto de 1941, em conseqüência do acordo firmado por
Stalin com o Governo Polonês no Exílio, que anistiou os prisioneiros poloneses e resultou na
formação de um Exército Polonês na União Soviética.
Depois de atravessar da Sibéria para o sul da Rússia, chegaram às proximidades de Buzuluk (QG do
Gen. Anders), onde Ladislao se alistou em 17 de setembro de 1941, sendo designado para o
Batalhão de Tanques e enviado a um Centro de Treinamento na Quirguizia. Em meados de março
de 1943 as tropas polonesas receberam a ordem de sair da União Soviética. Após deslocar-se através
do Uzbequistão e do Turcomenistão e atravessar o Mar Cáspio, chegaram ao porto de Pah-Levi na
Pérsia, onde os poloneses passaram a atuar sob o comando britânico.
Da Pérsia, as tropas se deslocaram para a Palestina, onde Ladislao completou seu treinamento e foi
designado para o 4º Batalhão de Tanques. De lá, seguiu para o Egito e, depois, para o Iraque,
ficando acampado no deserto onde se formou o II Corpo do Exército Polonês. Em seguida, as
tropas voltaram para a Palestina, onde receberam novos tanques e, após realizaram treinamentos na
Síria e no Líbano, retornaram ao Egito e, finalmente, embarcaram para a Itália.
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Dzieciolowski desembarcou em Nápoles no início de abril de 1944, para assumir um papel crucial e
tornar-se um herói nessa guerra que se travava já há mais de 4 anos! A abadia de Monte Cassino,
transformada em fortaleza pelos alemães, impedia a passagem das tropas aliadas em direção a Roma
e a batalha por sua conquista desenrolava-se desde janeiro, sem que os aliados conseguissem vencer
a defesa alemã. Em meados de abril de 1944, o comandante do II Corpo Polonês recebeu a
proposta de realizar nova ofensiva contra Monte Cassino, o que aceitou de imediato.
Assim, quis o destino que Ladislao fosse um dos três primeiros comandantes poloneses do 4º
Regimento de Tanques (“Os Escorpiões”) a entrar nessa batalha de Monte Cassino – o acesso à
linha de frente era muito difícil, apenas um estradinha estreita montanha acima que, nos preparativos
para o dia “D”, fora alargada e passou a ser chamada de “Estrada dos Sapadores Poloneses”, em
homenagem aos muitos que ali morreram devido à explosão das minas plantadas pelos alemães.
Depois de uma sangrenta batalha, com grandes perdas de homens e tanques, os soldados poloneses
finalmente conseguiram tomar as ruínas do mosteiro, onde fincaram a bandeira polonesa no dia 18
de maio. Após essa batalha, o 4º Regimento Blindado foi deslocado em direção à costa do Mar
Adriático, onde Ladislao participou da tomada do Porto de Ancona e de outras batalhas rumo ao
norte, até chegar às proximidades de Florença.
Em 31 de janeiro de 1945, por sua excepcional coragem e bravura demonstrada no campo de
batalha, Wladyslaw Dzieciolowski recebeu das mãos do Gen. Anders a Ordem Virtuti Militari – a
mais alta condecoração militar polonesa. Anteriormente, já havia sido condecorado duas vezes com
a Cruz de Valor Militar, por atos de bravura em Monte Cassino e por sua ação na batalha de Santa
Sofia, nos montes Apeninos. Mais tarde, já em Londres, recebeu também a Ordem Polonia
Restituta, equivalente à Virtuti Militari, com o título de Cavaleiro da Ordem.
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Em meados de abril de 1945 começou a ofensiva de Bolonha e Wladyslaw foi nomeado comandante
da força-tarefa formada pelo seu pelotão de tanques, um pelotão de “comandos”, um destacamento
de sapadores, uma bateria de canhões anti-tanques e um observador de artilharia. Em 19 de abril,
recebeu a ordem de avançar e seu tanque, que seguia à frente, foi atingido por um projétil e se
incendiou. Os ocupantes do tanque ficaram feridos e Ladislao sofreu graves queimaduras, porém,
felizmente, conseguiram ser resgatados e ele foi removido para o Hospital Polonês em Ancona,
onde ficou internado.
Recuperado dos ferimentos, após o término da guerra Ladislao permaneceu na Itália, no exército de
ocupação e foi nessa época que conheceu Janina, uma sargento polonesa da Companhia de
Transportes nº 316, com quem se casou em 1º de junho de 1946, na Basílica de Loreto. Após sua
transferência para a Inglaterra e desmobilização do Exército Polonês com a patente de Capitão, em
1947 nasceu sua filha Anna Maria. Não desejando voltar para a Polônia dominada pelo regime
comunista soviético, a família partiu rumo à Argentina em março de 1948.
Em 1951, nasceu sua segunda filha, Cristina, e Ladislao
progrediu na sua carreira de economista. Em 1955,
recebeu de um antigo colega do exército a proposta de
um emprego na IBM do Brasil, no Rio de Janeiro, onde
trabalhou por 28 anos, até se aposentar como DiretorTesoureiro. Aqui, tornou-se membro da Associação dos
Ex-combatentes Poloneses (SPK), da qual foi
Presidente e, também, Conselheiro da Polônia
Sociedade Beneficente do Rio de Janeiro. Suas vivências
durante a guerra foram narradas no livro que escreveu,
intitulado 'Minhas Memórias'.
Wladyslaw Dzieciolowski foi um homem admirável,
generoso e querido por todos, que será sempre
lembrado com muita saudade por seus familiares,
companheiros e amigos! Seu corpo foi velado no Salão
da Polonia Sociedade Beneficente, com uma Missa de
corpo presente rezada pelo Pe. Jan Flig e o
sepultamento foi realizado no Cemitério dos Ingleses,
ao lado de sua querida esposa Janina.
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OBITUÁRIO
MARIA MATUSZEWSKA
Faleceu em 7 de abril a Sra. Maria Matuszewska, antiga sócia da Polonia Sociedade, que por mais de
quarenta anos residiu no Brasil e que participou ativamente, por muito tempo, da vida polônica no
Rio de Janeiro, seja na Polonia Sociedade, seja na Igreja Polonesa.
A Sra. Maria Matuszewska dirigiu por muitos anos a fábrica BRAMURA Engrenagens Ltda, da qual
era sócia-proprietária, juntamente com a Sra. Elzbieta Radziwil Potocka.
A BRAMURA, com sede no bairro Imperial de São Cristóvão, conta mais de 50 anos de existência.
Foi fundada por seu marido, Marian Matuszewski, e pela Princesa Jolanta Czartoryska Radziwil, mãe
da Sra. Potocka, sendo especializada em engrenagens. Sua carteira de clientes engloba empresas
como Vale, CSN, Petrobrás, Belgo Mineira, entre outros.
Por diversas vezes, nos momentos mais difíceis da Polonia Sociedade, a Sra. Maria Matuszewska
ajudou muito tanto financeiramente quanto com sua presença. Mesmo tendo a cidadania brasileira,
nunca esqueceu de suas raízes, amando em igual medida a sua terra natal, bem como o Brasil que tão
bem a acolheu e no qual pôde viver intensamente.
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ENCONTRO DE CORAIS
13/12
Por Arthur Trojan
Nos últimos anos tem ocorrido na Polonia Sociedade Beneficente o tradicional encontro
de corais. Este ano, sob a coordenação do ex-diretor financeiro Vicente Pawelec, o evento
teve grande sucesso, contando com maior público desde sua primeira edição (cerca de 80
pessoas). A apresentação foi realizada no dia 13 de dezembro, tendo a participação de três
corais: Coro Juvenil da Escola de Música Villa-Lobos, Coral Corcovado e o Coral da
Fundação Getúlio Vargas. Estando os dois últimos sob a regência do maestro Ruy
Wanderley.
No mesmo sábado que foi realizado o encontro de corais, também estava programado a
projeção do filme “1920 – Bitwa Warszawska” do premiado diretor polonês Jerzy
Hoffman. O filme trata da guerra polono-bolchevique que ocorreu no ano de 1920, logo
após a independência da Polônia – foi, certamente, um momento crucial na história
polonesa recente. A projeção foi feita pouco antes do início da apresentação dos corais,
pelo colaborador Arthur Trojan.
Os dois primeiros corais a se apresentarem foram os corais
Corcovado e o da Fundação Getúlio Vargas. O Maestro Ruy
Wanderley regeu os dois separadamente e depois
conjuntamente. Os presentes puderam desfrutar de conhecidas
e belas canções natalinas, muitas delas em alemão e português.
O coral Juvenil da Escola de Música Villa-Lobos se apresentou
logo após, e emocionou o público com a voz de uma jovem
menina que fez vários cantos solos. Para finalizar, os três corais
cantaram juntos famosas canções natalinas como: Bate o Sino,
Noite Feliz e Então é Natal.
Após a apresentação dos corais, Vicente Pawelec fez o sorteio
de alguns brindes para a os presentes. Depois, todos
desfrutaram de um saboroso coquetel que tinha muitas receitas
tradicionais da mesa natalina. Os eventos do último dia 12 de
dezembro fecharam a programação cultural da Polonia
Sociedade Beneficente do ano de 2015.
Fotografias de Arthur Trojam
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BOAS VINDAS AO ANO NOVO
03/01
O ano de 2016 se iniciou com o tradicional almoço de ano novo, no qual participaram sócios
e amigos da Polonia Sociedade.
É uma data muito especial e que à exemplo da celebração da Páscoa, foi introduzida há
muitos anos, para que os poloneses radicados no Brasil, principalmente aqueles que
encontravam-se sozinhos na nova terra, pudessem passar estas datas na companhia de seus
compatriotas, estando mais perto da Pátria Polonesa, a qual foram obrigados a deixar para
trás por diferentes motivos.
O almoço começou com a tradicional benção dos alimentos e cânticos natalinos poloneses,
realizada pelo Pároco da Igreja Polonesa, Pe. Jan Sobieraj, sendo seguido da partilha do
oplatek costume muito antigo polonês.
Fotografias de Aleksandra Sliwowska Bartsch
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HOMENAGEM AO EMBAIXADOR DA POLÔNIA
21/01
Por Israel Blajberg
A Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Casa da FEB,
Fundada em 16 de Julho de 1963 e sediada no Rio de Janeiro, é a maior associação de excombatentes do Brasil, congregando mais de 25 mil militares do Exército e Força Aérea
que o Brasil enviou em 1944 para integrar as Forças Aliadas da 2ª Guerra Mundial na
Itália.
Em Reunião no dia 5 de novembro de 2015, o Plenário do Conselho Deliberativo aprovou
por unanimidade conceder a Medalha Marechal Mascarenhas de Moraes ao Excelentissimo
Senhor Dr Andrzej Maria Braiter, Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da
Republica da Polonia em Brasilia, como reconhecimento aos relevantes serviços prestados
a causa dos ex-combatentes brasileiros da Segunda Guerra Mundial, contribuindo assim
para reforçar os laços de amizade que unem as Republicas do Brasil e da Polonia. A
MMMM foi instituida em homenagem ao Marechal Mascarenhas de Moraes, Comandante
da FEB na Itália, incorporada ao US ARMY durante os anos 1944-1945 sob o comando
do General Mark Clark.
As seguintes autoridades foram tambem agraciadas com a MMMM em 21 de janeiro de 16:
Desembargador Egas Moniz de Aragão Daquer, Diretor Juridico do Conselho Nacional de
Oficiais da Reserva do Brasil, Coronel Carlos Alberto Fernandes, Comandante do 57º.
BIMtz – Regimento Escola de Infantaria, da Vila Militar – RIO, Tenente Ricardo Araujo
Cordeiro, Presidente da Associação dos Oficiais da Reserva do Exército – RIO, Tenente
Adalberto Marques de Oliveira, Diretor da Associação dos Oficiais da Reserva do Exército
– RIO.
Fotografias de Aleksandra Sliwowska Bartsch
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01/03
CURSO DE IDIOMA POLONÊS
AULA ESPECIAL EXTRAORDINÁRIA
Por Alessandra Kepinski
No dia 1º de março, das 18:00 às 20:00 h, as professoras visitantes do Departamento de
Estudantes Estrangeiros da Universidade da Silésia em Katowice – Bozena Szalasta
Rogowska e Marta Barciak, realizaram uma aula especial extraordinária e conjunta para os
alunos das três turmas do curso de polonês. O apoio para a organização e realização da
aula foi dado pelo Prof. Marek Polak.
A aula, da qual participaram 15 alunos (temos um total de 25 alunos inscritos nos 3 níveis
- iniciantes, intermediários e avançados, mas nem todos puderam comparecer), foi
baseada, dentre outros, na leitura, análise e interpretação da poesia “Argument”, de
Bogdan Czaykowski, poeta polonês que emigrou para o Canadá.
Nesse poema, seu autor fala sobre a
dificuldade do imigrante de se sentir à
vontade na nova pátria pois, ao deixar
o seu país de origem e não se sentir
totalmente integrado na nova pátria, é
como se estivesse “suspenso” entre
dois mundos. Em seguida foram
apresentadas e comentadas algumas
canções polonesas, bem como um
interessante fragmento do filme
“Antígona em Nova York”, do diretor
polonês Janusz Glowacki.
A aula foi muito aplaudida e elogiada
pelos
alunos,
que
tiveram
oportunidade para tirar dúvidas e
confraternizar com as professoras
após a aula, durante o lanche que foi
servido ao seu final.
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02/03
CULTURA E EDUCAÇÃO DE MÃOS DADAS
A Embaixada da Polônia no Brasil e a Polonia Sociedade Beneficente do Rio de Janeiro
organizaram um evento que uniu cultura e educação e que contou com as presenças do
Embaixador da Polônia Andrzej Braiter e do Ministro do Ensino Superior Aleksander
Bobko. O evento começou com o Presidente da Polonia Sociedade, Stefan Janczukowicz,
apresentando o trabalho desenvolvido pela instituição centenária, sendo seguido de uma
aposição de flores no busto do Pai da Independência da Polônia Marechal Józef
Pilsudski.
O Embaixador da Polônia Andrzej Braiter e o Ministro Aleksander Bobko fizeram então
uso da palavra, destacando a importância de eventos como o Salão do Estudante, que
permite mostrar as possibilidades de formação e qualificação na Polônia e também
destacaram a importância da atuação da Polônia Sociedade.
Fotografias de Aleksandra Sliwowska Bartsch
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A segunda parte do evento, idealizada pela Sociedade com apoio do sócio Jaroslaw Rogowski
contou com um concerto de piano apresentado por Tomasz Betka.
O pianista Betka apresentou composições próprias, além de peças de Chopin e de Tom Jobim,
sendo muito aplaudido pelos presentes. O evento foi seguido de um coquetel, numa atmosfera
bastante alegre.
Fotografias de Aleksandra Sliwowska Bartsch
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20/03
PAINEL DE DEBATE:
PRESENÇA E INFLUÊNCIA DOS IMIGRANTES
POLONESES NO TEATRO BRASILEIRO MODERNO
Em um debate interessantíssimo, organizado pela Sra. Alessandra Kepinski, foram
abordadas as influência dos poloneses na construção do moderno teatro brasileiro, pelos
Professores Álvaro Luis de Sá, José Dias e Luiza Marcier.
A Sra. Kepinski foi a mediadora dos debates, e
apresentou inicialmente o trabalho desenvolvido pela
Polonia Sociedade. Na sequência, o Prof. Álvaro Luis da
Sá, coordenador da Pós-Graduação em Teatro da
Faculdade CAL de Artes Cênicas, abordou a
importância do pai polonês do teatro brasileiro
contemporâneo Zbigniew Ziembinski, que revolucionou
o teatro brasileiro, a partir da antológica montagem, em 1943, da peça Vestido de Noiva
de Nelson Rodrigues. Ao final da exposição a Sra. Kepinska, destacou o recém-publicado
livro da jornalista Aleksandra Pluta “Aquele bárbaro sotaque polonês: Ziembinski
nos palcos brasileiros”.
Na sequência, a Professora do curso de Design da PUC-Rio, Luiza Marcier, designer,
estilista e figurinista falou dos desafios enfrentados pelos figurinistas, bem como abordou
a importantíssima contribuição do maquiador Erik Rzepecki, que foi um dos ícones em
sua área, sendo reconhecido mundialmente por seu talento.
Finalizando a noite, o Professor José Dias, diretor de arte e cenógrafo, escritor e
professor da UNIRIO e da UFRJ falou sobre a trajetória de contribuição de Jan
Michalski, que foi durante vários anos, colunista do Jornal do Brasil, coordenador da
Casa de Artes de Laranjeiras, tendo sido também fundamental para a sedimentação do
moderno teatro brasileiro. O Prof. Dias é amigo da Polonia Sociedade há muitos anos e
foi vice-reitor da UNIRIO, sendo considerado com um dos três melhores cenógrafos do
mundo, segundo a jornalista Hildegard Angel e integra a Academia Brasileira de
Educação. O evento contou com uma plateia muito interessada, abrilhantada pela viúva
de Jan Michalski, a Sra. Maria José Michalski.
Fotografias de Aleksandra Sliwowska Bartsch
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27/03
PÁSCOA CELEBRADA NA PARÓQUIA PESSOAL DOS
POLONESES
A colônia polonesa no Rio de Janeiro celebrou a Páscoa com uma Missa na Paróquia
Pessoal dos Poloneses, dedicada a Nossa Senhora de Montes Claros.
Na Igreja, fundada em 1953, todos os domingos, às 10:00 hs ocorre uma Missa bilíngue,
rezada pelo Pároco Pe. Jan Flig, que une os presentes na fé, que celebram a ressurreição
de Jesus Cristo.
Após a Santa Missa, todos se confraternizaram no salão paroquial, onde foram servidos
ovos cozidos abençoados pelo Pároco Flig, uma antiga tradição polonesa, que simboliza
a ressurreição de Cristo, uma vida nova.
Fotografias de Aleksandra Sliwowska Bartsch
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PÁSCOA CELEBRADA NA POLONIA SOCIEDADE
03/04
Por Alessandra Kepinski
O já tradicional Almoço de Páscoa da Polonia Sociedade Beneficente transcorreu num
ambiente de alegre confraternização e contou com a presença de cerca de 75 pessoas,
entre sócios, seus familiares e convidados, alguns beneficiados e, também, alguns alunos
do nosso Curso de Polonês. A registrar, uma mesa formada pelos jovens poloneses, uma
geração de “novos Imigrantes”, ainda que na sua maioria temporários, que vem
participando das atividades da Sociedade e trazendo uma renovação muito bem vinda aos
nossos eventos!
O Presidente, Sr. Stefan Janczukowicz, deu as boas-vindas aos presentes e falou algumas
palavras sobre as atividades em andamento na Sociedade. Em seguida, convidou o Pe. Jan
para proceder à tradicional benção dos alimentos, que fez então uma oração e abençoou
o pão, os ovos e o sal, os quais foram servidos como entrada. A preparação da comida,
farta e saborosa, foi realizada pela Sra. Guenia com ajuda de sua filha Regina. Como
pratos principais, tivemos “bigos”, estrogonofe de carne e de frango, peixe com molho
de raiz forte e canelones, acompanhados por saladas variadas, batatas e arroz. Os pratos
do almoço foram muito elogiados pelos presentes e, de sobremesa, foram servidos
mousse de maracujá e sonhos, duas deliciosas tortas no formato de coelhos de Páscoa
preparadas pela Sra. Regina Szczepura, bem como uma cesta de bombons gentilmente
oferecida pela Sra. Leda.
Encerrando o almoço, estava planejado realizar o Concurso de Pisanki, e com este
objetivo adquirimos 3 Ovos de Páscoa para oferecer como prêmios do concurso. Como
apenas a Sra. Dagmara Szkudlapska Ferreira trouxe uma cestinha com pisanki e outros
objetos típicos poloneses da Páscoa para enfeitar a alegre mesa dos “novos imigrantes”,
então ela foi a primeira a receber o brinde! Em seguida, cantamos parabéns para o
aniversariante do dia, nosso beneficiado Alexandre Zarnowski, que ganhou o segundo
ovo de chocolate e, finalizando, oferecemos o terceiro brinde ao Pe. Jan, em
agradecimento à sua dedicação e apoio à Sociedade.
Fotografias de Lucyna Brocki Cozzolino
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Um povo que não respeita o seu passado, não merece
respeito no presente e não tem direito ao futuro
Marechal Józef Pilsudski
Pai da Independência da Polônia
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WALESA, HOMEM DA ESPERANÇA
Por Arthur Trojan1
No pós-guerra, por quatro décadas e meia, os poloneses experimentaram
uma das formas mais duras de experiência de transição socialista que
ocorreu no século XX. Em especial, nos onze primeiros anos, quando a
autocracia estalinista estava a todo vapor, não apenas na Polônia, mas em
todo o mundo soviético.
Naquele período, a repressão ocorria desde a censura até as formas mais deletérias de torturas nos
porões da SB (Służba Bezpieczeństwa), o serviço secreto polonês, criando um verdadeiro estado de
terror a qualquer pessoa que se colocasse contrário aos interesses do regime. Esse estado policialesco,
certamente, foi fundamental para minar qualquer tipo de oposição seja de forma aberta ou até mesmo
clandestina.
Durante a década de 1960 e 1970, diversas greves, manifestações e paralisações ocorreram na Polônia
e foram duramente reprimidas e geraram uma grande repercussão no mundo a fora. Uma das razões
para as repressões do governo polonês serem tão duras, foi o medo de que tropas do Pacto de
Varsóvia – organização militar do bloco socialista – acabassem enrtando na Polônia para controlar as
manifestações, como ocorreu na Hungria em 1956 e na então Tchecoslováquia em 1968.
A partir da década de 1980, surge o Solidariedade, fundando em 31 de agosto 1980, em Gdansk, nos
Estaleiros Lenin, quando o governo comunista da Polônia assina o acordo que permitia a sua
existência. Em 17 de setembro de 1980, mais de vinte comitês de sindicatos livres fundiram-se em
uma organização nacional denominada NSZZ Solidariedade (Niezależny Samorządny Związek
Zawodowy "Solidarność”).
Cabe ressaltar que a eleição de um papa polonês, naquele período, foi fundamental para criação do
Solidariedade, segundo o escritor e jornalista Mieczylaw Czuma. Conforme o jornalista, a visita de
Wojtyla, já como papa, à Polônia em 1978, e seu incentivo através da mensagem dita os poloneses:
“não tenham medo!”, foi um reforço a necessidade de se organizar e lutar pela mudança do regime.
Nessa encruzilhada da história da Polônia, surge como
liderança inconteste o eletricista Lech Walesa, um dos
fundadores do sindicato Solidariedade, que consegue
trazer novamente esperança aos poloneses. Walesa,
torna-se uma figura conhecida internacionalmente pela
sua atuação de forma pacifica no combate ao regime
comunista. O fato de ter liderado as paralisações dos
grevistas, em 1980, e de ser católico, deu à Walesa uma
grande base de apoio popular, mas os seus ganhos
tiveram um carácter efêmero ante a resistência do
regime comunista.
20
Em dezembro de 1981, o governo impõe a lei marcial, criando um estado de guerra (stan Wojenny),
com o intuito de esmagar a oposição e o sindicato Solidariedade. Os cidadãos passam a ter sua vida
restringida, vários dos líderes do Solidariedade são presos, inclusive Walesa, e muitas pessoas foram
mortas. Em outubro de 1982 o Sindicato Solidariedade é colocado na ilegalidade. E, finalmente, no
ano de 1983, pela sua reconhecida atuação na defesa dos direitos dos trabalhadores poloneses, Walesa
recebe o prêmio Nobel da Paz, que será entregue, em Oslo, à sua esposa.
No final da década de 1980, o Solidariedade volta a legalidade
e começa conversações com o governo do general Wojciech
Jaruzelski. Em 1990, são feitas as primeiras eleições livres na
Polônia e Walesa é eleito presidente e mostra ao mundo que
não foi apenas homem da esperança, mas o homem que
conseguiu trazer de volta para mãos polonesas a soberania e
liberdade de seu povo. Apesar de todo o empenho, o governo
de Walesa foi bastante impopular a ponto dele não se reeleger
nas eleições de 1995. Em 2000, ao concorrer novamente às
eleições, obteve menos de 1% de intenção de votos.
No ano de 1992, o nome de Walesa aparece em listas de colaboradores do regime comunista que
estavam no Ministério de Assuntos Internos, e tal assunto volta à tona no presente ano, quando
documentos encontrados na casa do general Czesław Kiszczak, morto em 2015, são publicados com
informações de colaboradores, dentre eles o do informante de codinome “Bolek”, que supostamente
seria o ex-presidente polonês. Apesar de Walesa negar de forma veemente as acusações, alguns
setores da sociedade polonesa acham os indícios muito convincentes.
A despeito da evidência dos fatos, a reflexão que devemos fazer, não é se Walesa colaborou ou não
com os órgãos de repressão do regime comunista polonês, mas em quais circunstâncias isso ocorreu.
Devemos sempre levar em conta que no período de transição socialista, vivia-se um estado de exceção,
onde os cidadãos, em muitos casos, instados pelo estado, não tinham outra opção, se não terem que
colaborar.
Hoje, numa Polônia democrática – democracia essa que custou
muito caro a pessoas como Walesa –, os que tentam, através de
ilações e suposições, usar esse passado de trevas para denegrir a
imagem de alguém, não passam de frustrados que não tiveram o
mesmo papel histórico que o sindicalista de Gdansk. Mas o que
consola a todos que veem no sindicalista a coragem que faltou
em tempos de desesperança, é que superados os percalços, Lech
Walesa, o homem da esperança, ficou na história.
1 Artur
Trojan é advogado e concluiu a Escola de Formação de Líderes Polônicos na Polônia em 2014. É aluno do Curso
de Polonês da Polonia Sociedade Beneficente do Rio de Janeiro
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BYLE DO WIOSNY...
ATÉ A PRIMAVERA…
Por Andrzej Sladowski1
Prezados Amigos,
Como dizia meu saudoso amigo Nelson Rodrigues, famoso escritor e dramaturgo….há muitos
anos atrás quando eu começava o meu caminho como jornalista: “jovem amigo, lembre-se, sempre
comece pelo começo. É o melhor passo para a frente”. Então vamos lá!
O dia 1 de setembro de 1939 amanheceu lindo, ensolarado, apesar do outono já chegando, o sol
brilhava no céu azul quando levantei da cama cedinho, pois começava o ano letivo, no meu ginásio.
Rapidamente me lavei, e às 6:30 hs já estava na praça Szczepanski, com meu cachorrinho, para dar
um rápido passeio, mas, de repente, neste céu azul, apareceram, com um ruído ensurdecedor,
aviões voando baixo, com uma cruz nas asas…..eram muitos….as pessoas, muitas na praça, pois
tinha lá uma feira de verduras e frutas, os vendedores e clientes, começaram a correr para lá e cá,
apavorados, gritando: “é a guerra, é a guerra!” Corri para casa, onde os meus avos, Maria e José,
sentados no salão, estavam escutando o radio e gritaram para mim: “que bom você chegar em casa
são e salvo, querido neto. Os alemães atacaram nesta madrugada a Polônia. Estamos em estado da
guerra. Que Deus nos proteja...” E assim começou a terrível II Guerra Mundial. Cinco anos de
terror, sofrimento, pavor, luta desesperada para sobreviver. Sem liberdade, sem comida, sem nada,
além da esperança de que, um dia, este horror acabaria, e a liberdade voltaria, assim como a Polonia
livre…
A partir daí, uma frase, que se ouvia todos os dias, de todas as bocas, em todos os lugares, era
BYLE DO WIOSNY. Amigos, esta frase nos acompanhava durante todos os terríveis cinco anos
do terror e escuridão, pois era proibido iluminar as ruas e casa. Vivia-se numa penumbra diária,
mais difícil ainda de se suportar durante os invernos, quando o dia acabava às 15 horas, e começava
a noite…
22
Assim, esta frase, com decorrer dos tempos, adaptou-se na língua do povo, e significava várias
possibilidades: o dia seguinte melhor, melhor saúde no futuro. Que deveríamos seguir adiante com
otimismo, pois a guerra acabará um dia, os nazistas serão derrotados, e nas bocas dos soldados da AK
(Armia Krajowa) significava ainda uma certeza: de que a primavera da liberdade, da vitória, a
esperança de dias melhores, chegará, com esta ou a próxima primavera, pois nunca deve se perder a
esperança. Jamais...
Acho, pessoalmente, de que esta famosa frase já existia há muito tempo, mas usada com moderação,
não tão constantemente como durante a guerra. Hoje, a expressão é usada em abundância, pois os
tempos aqui, e no mundo inteiro, não são lá muito favoráveis para nós. Então, expressamos o nosso
desejo de viver em paz, nos dias melhores para o nosso povo.
Para finalizar…...anexo a foto antiga na minha
querida
avó
Maria,
quando
ainda
jovem…..nascida no século XIX. Foi um
verdadeiro anjo, que desceu do céu, para a
minha felicidade, para me criar, educar, dedicar
para mim todo amor possível, proteger e estar
sempre ao meu lado nestes terríveis dias da
guerra. Infelizmente, não chegou a ver e viver
novamente a liberdade, pois faleceu no ano de
1942, com 67 anos. Foi para mim uma perda
enorme... Este retrato está na parede do meu
quarto quando escrevo estas linhas, ela olha
para mim…
Com todo amor, dedico este artigo à ela, à ela,
avó Maria…
Até a próxima, Amigos... e bom dia para
todos... Byle do wiony...
1Jornalista
e correspondente internacional da
na Polônia
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IDĘ, JADĘ, LECĘ, PŁYNĘ, PORUSZAM SIĘ?
E ONDE ESTÁ O “IR”?
Por Marek Polak
Dando aula de polonês percebi que, para o aluno carioca, é um pouquinho problemático que a
língua polonesa não tem um verbo que serve para todos os tipos de locomoção. Em português
tanto faz se andamos a pé, se usamos carro, voamos de avião, sempre podemos dizer que
“vamos”, ou, até mais fácil, hoje em dia “a gente vai”. Em língua polonesa precisamos ser um
pouquinho mais específicos, porque não existe um “ir”.
Como então saber qual verbo deveríamos usar? Durante a conversa precisamos saber
rapidamente qual palavra aplicar considerando cada caso separadamente. Hoje tentarei dar umas
dicas.
Idziemy do kina? – vamos ao cinema? Verbo “iść” é o que mais usamos. Vai nos servir sempre
quando usamos os pés para nos movimentarmos. Se nossas pernas nos levam para o objetivo da
viagem, com certeza podemos falar que “idę do ...”- vou para .... Portanto, há que se admitir que
este verbo é mais perto do português “ir”. Este verbo vamos usar também nas situações abstratas.
Por exemplo – idziemy na piwo (vamos tomar cerveja). Quando o meio de transporte não é
definido, mas o objetivo está em alcance razoável (digamos dentro de uma cidade) também vamos
usar esta palavra – por exemplo, quando marcamos para ir para cinema – “idziemy do kina?”.
Mesmo se depois vamos precisar usar outro meio de transporte.
Jechać – este verbo é muito fácil de reconhecer. Se
nos movimentamos em algo que tem rodas, vamos
usar este verbo – jechać rowerem (andar de
bicicleta), jechać samochodem (de carro), jechać
pociągiem (de trem), jechać deskorolką (de skate),
jechać metrem (de metrô), etc. Também utilizamos
este verbo quando queremos viajar e o objetivo de
nossa viagem encontra-se relativamente longe
(digamos fora da cidade). Jedziemy na wakacje? –
vamos para férias?; Jedziemy do Gdańska? – Vamos
para a Gdansk?; Jedziemy do Włoch? – vamos para
Itália?
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Quando nossa movimentação, seja longa ou curta, acontece sobre a água ou nela, vamos usar o
verbo „płynąć”. Płynąć - nadar, płynąć statkiem - ir de barco, płynąć łódką – ir de bote, płynąć
łodzią podwodną – ir de submarino.
Quando abandonamos o contato com a terra ou a água e nos levantamos no ar como os pássaros,
significa que voamos (lecimy). Em polonês neste caso precisamos usar o verbo „lecieć”. Lecimy
samolotem (vamos de avião), lecimy paralotnią (vamos de asa delta), lecimy helikopterem (vamos
de helicóptero). Na gíria polonesa também vamos usar este verbo para dizer que vamos embora.
“Późno już, lecimy!”(já é tarde, vamos embora!).
Estes quatro verbos não esgotam a temática. Como em português, dependendo do objetivo da
nossa movimentação, podemos usar outros verbos – viajar (podróżować), caminhar (spacerować),
escalar (wspinać się) e outros, mas se conhecemos estes quatro principais, facilmente vamos
explicar tudo que for necessário.
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W ŚWIECIE WIECZNEGO LATA
Por Marek Polak1
Życie ma swój ustalony biologiczny rytm. Od czasu do czasu burze przerywają jego bieg, ale
wiosna, lato, jesień, zima następują po sobie jak urodzenie, życie, śmierć. Tyle, że przyroda
zmartwychwstaje - my nie
Zofia Kucówna
Emigrując do Brazylii wyobrażałem sobie, iż życie w kraju wiecznego lata będzie niemal zbawienne.
Męczyły mnie jesienne słoty i długie, ciemne zimy. Nie przypuszczałem, jak bardzo będzie brakować mi
zapachu pierwszego wiosennego dnia, widoku pierwszych pąków na drzewie i tego wszystkiego co składa
się na pewne osobliwe, nie definiowalne uczucie początku czegoś nowego.
Pory roku, a w szczególności wiosna wpisana jest w życie naszego narodu od początku historii.
Cykliczność życia, jego doroczne odradzanie się to znacznie więcej aniżeli tylko zmiana pogody i ubrania,
które używamy. Pory roku nas regulują, pozawalają planować, przygotowywać się na różne okresy w
życiu, uczą cieszyć się dostatkiem, jak i przygotowywać i akceptować kryzys. Pozwalają być wdzięcznym
za obfitość i pokornym wobec braku. Pory roku, ich powtarzalność i zmiany, które za sobą niosą
uświadamiają człowiekowi jego głęboką przynależność do świata natury.
Ten pierwszy dzień wiosny, gdy w powietrzu czujemy inny zapach oznacza odrodzenie – nas i całego
świata natury, który go otacza. W kulturze symbolizuje go wielkanocne jajko, które święcimy w Wielką
Sobotę. Jajko jest symbolem nowego życia, nowego cyklu. Na wiosnę planujemy, rozpoczynamy nowe
projekty, zakochujemy się, na wzór ptaków zakładamy nowe gniazda lub porządkujemy stare.
Lato to czas żniw, zbieramy owoce
wiosennego wysiłku, delektujemy się
obfitością natury, odpoczywamy.
Jesień to czas przygotowań na kryzys.
Zabezpieczamy domy, organizujemy zapasy,
przygotowujemy przetwory. Nasze myśli
zwalniają, przestają wybiegać daleko w
przyszłość, skupiają się na zbliżającym się
trudnym czasie. Jesienią oswajamy się z
myślą, iż będzie ciężko, przygotowujemy się.
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Zima to czas hibernacji. Zwalniamy, wyłączamy się. Zima to czas kryzysu. Nie planujemy, nie
podejmujemy nowych wyzwań, chcemy dotrwać, przetrwać, dotrzeć do ciepłej przystani wiosny. Zima od
małego uczy nas radzić sobie w ciężkich czasach. Dzięki niej wiemy jak radzić sobie w życiu z
problemami, z czasami, w których nie radzimy sobie i nie wszystko układa się po naszej myśli. Zima choć
brutalna, jest nam potrzebna, abyśmy stawali się ludźmi odporniejszymi, zarówno fizycznie jak i
mentalnie.
W Brazylii ten mój wewnętrzny rytm się zachwiał. Człowiek nie żyje cyklami, gdyż pogoda jest wciąż
ciepła, gdyż owoce są przez cały rok. Dla Polaka to jak permanentna symulacja wiosny i lata. Ciągła
aktywność. Na dłuższą metę to męczy. Zaczynam obserwować Brazylijczyków, jak oni radzą sobie z tą
kwestią i odkrywam horacjańskie Carpe Diem. Życie z dnia na dzień, stoicki spokój, kontent z chwili
obecnej. To piękne podejście umożliwiające ludziom życie w spokoju w czasach obfitości. Lecz gdy
przychodzi kryzys, jak ten toczący obecnie kraj kawy, widzę smutek, brak gotowości na gorsze czasy,
apatię i bezradne pytania, o to co dalej.
Wtedy doceniam polską naturę z jej porami roku, jej cyklami, jej ciężką szkołą radzenia sobie z czasami
wymuszonej ascezy.
1 Marek
Polak konczy Doktorat nt. spotkania faweli i swiata dzielnic regularnych, roli jakos pelni w spolecznstwie Carioca
stygmat i stereotyp i gdzie jest on kreowany. Próba uchwycenia Rio de Janeiro jako projektu estetycznej utopii i rola faweli
w tym projekcie.
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NOSSAS MÃES GUERREIRAS
As histórias de Janina Dzieciolowska e Maria Hrynakowska
Por Alessandra Kepinski1
Todos os anos, no segundo domingo de maio, comemoramos o Dia das Mães.
Este ano, o Dia das Mães será em 8 de maio e coincide com mais um aniversário do término da 2ª
GueRra Mundial na Europa (8 de maio de 1945), marcado pela queda da cidade de Berlim frente ao
exército das forças aliadas.
Então, nada mais justo do que lembrar a trajetória e
homenagear nessa data duas mulheres e mães, guerreiras
polonesas que, cada uma a seu modo, sofreram os horrores
dessa terrível guerra, foram deportadas para a Sibéria e,
quando libertadas, lutaram ao lado do Exército Polonês do
General Anders.
Terminada a 2ª Guerra Mundial, casaram-se com soldados
poloneses, seus companheiros na luta pela liberdade da sua
Pátria, mas infelizmente não puderam retornar à sua terra
natal. Então, na busca de um futuro melhor para suas famílias,
para poderem criar seus filhos em paz e liberdade, emigraram
para o Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro. Aqui, fizeram parte
da Associação dos Ex-Combatentes Poloneses e atuaram com
dedicação na Polonia Sociedade Beneficente do Rio de Janeiro.
Estas são as suas histórias.
M. Hrynakowska e J. Dzieciolowska
em cerimônia no Monumento aos
Pracinhas, no Rio de Janeiro
Janina Coller Dzieciolowska nasceu em 20 de novembro de 1920 em
Wloclawek, cidade situada às margens do rio Vístula, na região centronorte da Polônia.
Após a invasão soviética, em abril de 1940, Janina e sua mãe foram
deportadas para o Cazaquistão, na Ásia Central, em conseqüência de um
processo conhecido como “engenharia social”, criado pelo regime
comunista sob a orientação do ditador Josef Stalin. Na prática, esse
programa consistiu no desterro em massa de populações polonesas e
sua substituição por população russa, trazida do interior da URSS,
mudando dessa forma o perfil social dos territórios ocupados.
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Em julho de 1941, devido à invasão da Rússia pelas tropas de Hitler, quebrando o pacto de não-agressão
mútua estabelecido entre a Rússia e a Alemanha em 1939, foi firmado um acordo entre o governo
soviético e o Governo Polonês no Exílio, pelo qual todos os prisioneiros poloneses nos campos de
trabalhos forçados, em sua maioria militares, seriam libertados para possibilitar a formação de um
Exército Polonês na Rússia.
Uma grande quantidade de civis poloneses deslocados por Stalin para o interior da Rússia uniu-se a esse
movimento, marchando para o sul e alistando-se como voluntários nas tropas do General Anders que
viriam a formar o II Corpo Polonês, consolidado sob o comando britânico.
Dentre estes voluntários, encontrava-se a jovem Janina. Através
do Mar Cáspio e da Pérsia (hoje, Irã), as tropas polonesas foram
levadas para a Palestina que, à época, era um território
administrado pelos ingleses, e onde civis e militares receberam
treinamento.
Assim, em abril de 1942, Janina passou a fazer parte do Serviço
Auxiliar Feminino (PSK – Polska Sluzba Kobiet) do II Corpo
Polonês, servindo na 316ª Companhia de Transportes como
motorista de caminhões.
Com a sua unidade, Janina passou pela Palestina, Iraque e Egito
e em 1944 embarcou para a Itália, onde participou do apoio
logístico às tropas polonesas durante a conquista daquele país
pelas forças aliados.
A 316ª Companhia prestou apoio nas batalhas de
Monte Cassino, Ancona e Bolonha. Ao longo da
campanha, Janina foi promovida ao posto de 2ª
Sargento e recebeu várias medalhas por sua atuação.
Na Itália, Janina conheceu Wladyslaw Dzieciolowski,
comandante de tanques do 4ª Regimento Blindado do
II Corpo Polonês, com quem se casou em 1º de
junho de 1946, na Basílica de Loreto.
Após a sua transferência para a Inglaterra e a subseqüente desmobilização do Exército Polonês, em
março de 1948 o casal Dzieciolowski, já então com sua filha Anna Maria, não desejando voltar para a
Polônia dominada pelo regime comunista soviético, deixou a Inglaterra rumo à Argentina, para tentar
a sorte no Novo Mundo.
29
Em 1951, nasceu sua segunda filha, Cristina. Depois de alguns anos na Argentina, a família mudou-se
para o Brasil, quando Wladyslaw recebeu uma proposta de emprego mais vantajosa no Rio de Janeiro,
na IBM do Brasil. Aqui, Janina foi membro atuante da Associação dos Ex-combatentes Poloneses
(SPK) e da Polonia Sociedade Beneficente do Rio de Janeiro. Em 2005, Janina recebeu do Governo
Polonês a medalha “Pro Memória”, em reconhecimento aos serviços dos que lutaram pela liberdade da
Polônia durante a II Guerra Mundial. (*)
Maria Hrynakowska nasceu em 22 de julho de 1909 em Smila,
nas proximidades de Lwów, na região sudeste da Polônia, que
esteve sob o domínio russo até 1918 e que em 1939 passou a
pertencer à Ucrânia, sob domínio da União Soviética.
Após a independência da Polônia, em 1922 sua família
estabeleceu-se na cidade de Poznan, onde seu pai, Konstanty
Hrynakowski, foi professor catedrático daquela Universidade.
Maria formou-se como Farmacêutica na Universidade de
Poznan, porém sua grande paixão sempre foi a aviação.
Em 10 de novembro de 1932, Maria Hrynakowska tornou-se uma das fundadoras da Seção Feminina de
Planadores do Aeroclube de Poznan, onde aprendeu a pilotar não apenas os planadores, mas também
pequenos aviões a motor.
Maria Hrynakowska e Wanda
Modlibowska no avião RWD-8. (**)
Equipe do Aeroclube de Poznan na VIII Competição Aérea
Nacional, em 1938, da qual Maria. Hrynakowska fez parte. (**)
(*) Fonte: Livro “Minhas Memórias”, de Wladyslaw Dieciolowski e documentos da família.
(**) Fonte: Biografia de Wanda Modlibowska, por Ludwig Misiek e Radoslaw Górzenski, publicada pelo Aeroclube de
Poznan em 2007. (www.aeroklub.poznan.pl)
30
Em conseqüência da invasão da Polônia pelo exército alemão em 1º de setembro de 1939, Maria
Hrynakowska foi mobilizada e participou da “Campanha de Setembro” trabalhando no hospital da
Fortaleza de Brzesc, cidade localizada à beira do rio Bug, que foi anexada à Bielorússia após a invasão
soviética em 17 de setembro de 1939.
Após a evacuação do hospital, Maria voltou para Poznan, depois seguiu para Varsóvia, onde se uniu ao
movimento da Resistência. Mais tarde foi para Lwów e, ao tentar atravessar a fronteira para a Romênia,
foi apanhada pelos soviéticos e levada para a prisão em Stanislawów. De lá, em 15 de agosto de 1940, foi
transferida para o campo de trabalhos forçados de Koltubianka, na Sibéria, onde adoeceu gravemente de
tifo. Internada no hospital do campo, permaneceu trabalhando ali como enfermeira até a libertação dos
prisioneiros poloneses em julho de 1941.
Com a formação de um Exército Polonês na URSS, Maria Hrynakowska alistou-se no Serviço Auxiliar
Feminino (Pomocnicza Sluzba Kobiet – PSK) e, junto com esta unidade, seguiu para o Irã e, depois Iraq
e Palestina, como integrante do II Corpo Polonês (Exército do General Anders).
Ao saber que uma colega dos tempos do
Aeroclube de Poznan encontrava-se na
Inglaterra a serviço do A.T.A – Air Transport
Auxiliary, organização criada durante a 2ª
Guerra que empregou mulheres como
pilotos em vôos de transporte interno
naquele país, solicitou a sua ajuda.
Com o apoio da amiga, Maria foi transferida
para a Inglaterra em 1943, porém não chegou
a concluir o treinamento requerido para as
pilotos.
M. Hrynakowska (1ª à esq.) e colegas do A.T.A.
Após deixar o A.T.A., foi reincorporada em 1944 ao Serviço Auxiliar Feminino e destacada para o
Hospital Militar Polonês em Edimburgo, na Escócia, onde serviu exercendo a sua profissão de
farmacêutica. Em 1945, após o término da guerra, Maria retornou ao II Corpo Polonês estacionado na
Itália, onde trabalhou na farmácia do Hospital Polonês na cidade de Senigallia, na costa do mar Adriático.
Por sua atuação durante a II Guerra Mundial, Maria Hrynakowska foi condecorada com a Cruz de
Mérito de Prata e foi desmobilizada com a patente de 2º Tenente. Ainda na Itália, Maria casou-se com o
Capitão Roscislaw Kepinski e, em maio de 1946 nasceu sua filha Alessandra. Após o retorno para a
Inglaterra, onde nasceu seu filho George em 1947 e a desmobilização do seu marido, a família Kepinski
emigrou para o Brasil em 1948.
31
No Rio de Janeiro, Maria Hrynakowska participou ativamente
da Associação dos Ex-Combatentes Poloneses (SPK) e das
atividades da Polonia Sociedade Beneficente, onde ajudou a
organizar a biblioteca. Em 1992, embora com a saúde já
bastante debilitada, teve a satisfação de retornar à Polônia, país
novamente independente e livre, onde participou do Encontro
Mundial dos Combatentes Poloneses.
Em seguida a esse evento, Maria também participou do
Encontro Mundial dos Aviadores Poloneses, realizado em
Deblin, em agosto de 1992.
Distintivo do Encontro Mundial
dos Combatentes Poloneses
Varsóvia, Agosto, 1992
Maria Hrynakowska faleceu no Rio de Janeiro em junho de 1993.
Distintivo comemorativo do Encontro
dos Aviadores Poloneses em Deblin
Maria Hrynakowska e uma antiga colega, no Encontro de Deblin
Essas são as nossas Mães, que homenageamos nessa data. Valentes guerreiras, heroínas quase
anônimas e, ao mesmo tempo, doces mulheres e mães carinhosas, a quem devemos nossas vidas e
que muito amamos. Que descansem em paz, sabendo que jamais as esqueceremos!
1Alessandra
Kepinski, autora desse texto, é filha de Maria Hrynakowska.
32
MARCAS FAMOSAS POLONESAS
Por Aleksandra Sliwowska Bartsch1
Nos anos 1990 o capitalismo foi introduzido na Polônia e os consumidores tinham a certeza de que
tudo o que era ocidental, era melhor. Passadas algumas décadas, muitos avanços foram experimentados,
embora, muitas firmas ainda escolham, hoje em dia, nomes estrangeiros para as suas marcas.
Reconhecimento mais rápido no mercado internacional e o desejo de convencimento do mercado
consumidor de que as raízes destas marcas se encontram fora da Polônia, são algumas das justificativas
para este tipo de estratégia. Vejamos alguns exemplos:
Black Energy Drink
Bebida energética que em 2012 trouxe Mike
Tyson como garoto propaganda. A dona da
marca é uma firma polonesa, a FoodCare, com
sede em Zabierzów, perto de Cracóvia.
Wittchen
Muitos pensam que esta é uma marca alemã
ou suiça, mas a empresa é polonesa, com sede
em Lomianki, perto de Varsóvia. Fundada por
Jedrzej Wittchen, comercializa acessórios de
couro. É a segunda marca mais lembrada pelos
poloneses, ficando apenas atrás da Louis
Vuitton.
Black Red White
Um dos maiores fabricantes de móveis na
Polônia. Exporta seus produtos para cerca
de 40 países e sua sede está localizada em
Bilgoraj.
Reserved
Marca mais popular no segmento de lojas de
roupas da Polônia., tendo começado sua
atuação quando marcas como Zara eram
praticamente desconhecidas no mercado
polonês. A marca possui mais de 100 lojas
em vários países.
(*)Doutora em Gestão da Inovação Tecnológica (UFRJ), Mestre em Engenharia de Produção
(COPPE/UFRJ0 e Economista (UFF). Professora universitária em cursos presenciais e à distância e
pesquisadora na área de Inovação e Sustentabilidade.
33
entrevistou o Sr. Jerzy Zbigniew Leopold Lepecki, um dos
maiores especialistas em energia do mundo. Engenheiro, diretor e presidente
de concessionárias de energia elétrica brasileiras. Foi um dos fundadores e
Diretor Geral do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica da Eletrobrás –
Cepel (1974-91). Foi sócio e diretor de duas empresas de consultoria e
engenharia, é membro titular fundador da Academia Nacional de Engenharia
e presidente do seu Comitê de Energia, Fellow do Institute of Electrical and
Electronic Engineers – IEEE, membro e presidente internacional (199096) do Conseil International de Grands Réseaux Électriques à Haute
Tension – CIGRÉ. Foi presidente do Instituto Brasil Estados Unidos - IBEU, no Rio de Janeiro (200006) e é, atualmente membro do seu Conselho Deliberativo.
PC: Como o senhor avalia a matriz energética brasileira?
Jerzy Lepecki: Inicialmente devo dizer que a minha especialidade se concentra na área de energia
elétrica e assim os meus comentários basicamente ficarão restritos a ela. Assim mesmo, com reação a
esta primeira pergunta, posso afirmar que a nossa matriz energética é muito interessante: primeiramente
porque é cerca de 40% renovável o que é altamente benéfico ao meio ambiente, tanto local, quanto
global. Este percentual, alto para padrões internacionais, é em grande parte devido à matriz da energia
elétrica que hoje é cerca de 70% renovável, já tendo sido mais de 80%. Este aspecto será discutido mais
adiante. A parte renovável da matriz elétrica é constituída essencialmente por recursos hídricos e, cada
vez mais os “novos renováveis” vento, sol e biomassa. O segundo aspecto interessante da nossa matriz
energética é que ela é extremamente diversificada. O Brasil possui todos os recursos energéticos que se
possa imaginar – agua, sol, vento e biomassa, mas também petróleo, gás, carvão e uranio. Assim, o que
se pode dizer que o Brasil não deve sentir nenhuma crise por falta de recursos energéticos. Os possíveis
problemas seriam de ordem financeira, gerencial e, (sempre!), política.
PC: Quais os maiores desafios do Brasil no ramo energético para os próximos 20 anos?
Jerzy Lepecki: Desafios não faltam. No curtíssimo prazo, o setor energético precisa se recuperar dos
problemas causados por diversas circunstancias. No caso da Petrobras temos efeitos da corrupção má
gestão e baixa dos preços do petróleo. No setor elétrico, são os resultados de intervenções mal pensadas
do governo – aliás também ocorridas no caso da Petrobras – dos anos de seca e da diminuição de
consumo devida à recessão e, possivelmente, também corrupção. Já a médio e longo prazo, o setor
elétrico precisa se adaptar às mudanças que estão ocorrendo no nosso sistema que, aos poucos, está
deixando de ser predominantemente hidráulico. Conforme mencionado acima, a proporção de energia
hidráulica na matriz elétrica brasileira tem diminuído. Em parte, isso é pontual, devido às recentes
condições climáticas, mas também com cada vez maior dificuldade na construção de novas hidrelétricas
devido a problemas ambientais, ao esgotamento de novos locais apropriados para sua implantação e à
política de fazer novas usinas sem grandes reservatórios o que torna o sistema mais vulnerável a
variações climáticas. Isso tudo induz a instalação de usinas térmicas e busca de outras fontes.
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Ultimamente o sistema elétrico brasileiro tem recebido aporte das fontes eólica e, em menor grau, mas
num bom ritmo, solar. Isso introduz mudanças operativas e, no caso de energia solar, pode influenciar o
modelo de negócios das concessionárias, já que possibilita a geração individual, conectada ou não ao
sistema interligado. Finalmente, para substituir as grandes hidrelétricas com reservatórios, deve ser
considerada a energia nuclear.
PC: Em sua opinião, como o Brasil deveria se posicionar em relação às energias renováveis?
Jerzy Lepecki: Lembrando sempre que a energia hidráulica é renovável, conforme vimos, o Brasil já
está recebendo energias, como solar e eólica, além da biomassa. Elas devem continuar sendo
incorporadas ao sistema e, ao longo de tempo nacionalizadas para a sua produção aqui.
PC: A matriz polonesa difere muito da brasileira? Em sua opinião qual dos dois países possuem
estratégias mais eficientes no setor? Que lições poloneses e brasileiros podem trocar nesta temática?
Jerzy Lepecki: A matriz energética polonesa é totalmente diferente da brasileira, sendo baseada
essencialmente no carvão que é a sua principal riqueza natural. Isso está se tornando um problema
tendo em vista o movimento mundial, abraçado fortemente pela União Europeia no sentido de limitar
e, eventualmente acabar com o uso de combustíveis fosseis. O carvão está especialmente na mira destes
movimentos por ser poluidor e contribuir para o efeito estufa.
Assim, a Polônia precisa também efetuar uma transição no seu setor energético, especialmente na área
da eletricidade. Como na Alemanha, a introdução em grandes quantidades da energia eólica e solar é
uma possibilidade. A implantação de algumas usinas nucleares para geração na base seria provavelmente
benéfica. Assim, de comum nesta questão o Brasil e a Polônia teriam as necessidades de executar uma
transição do atual sistema elétrico para um novo, sendo que as energias eólica e solar teriam um
importante papel em ambos os casos.
35
SÃO MATEUS DO SUL
Fruto dos seus estudos de Mestrado, Ana Márcia Kotrich
Staniszewski transformou em livro sua dissertação de Mestrado,
que fala da cultura da comunidade polonesa em São Mateus do
Sul. O livro aborda temas fundamentais para aqueles que desejam
conhecer a fundo as nuances, dificuldades e o árduo trabalho dos
imigrantes poloneses. São apresentadas questões como a febre
brasileira e o processo de imigração, os aspectos religiosos, a
família polonesa, a música, superstições, atividades escolares e
profissões, além de diferentes aspectos sociais. Uma leitura
fundamental para aqueles que admiram a força dos imigrantes
poloneses e a Polônia
CURITIBA
SÃO JOSÉ DOS PINHAIS
36
DESIGN POLONÊS PREMIADO
Experts do mundo inteiro foram unânimes ao afirmarem que o trem polonês possui o design mais
bonito do mundo. A avaliação foi feita durante um dos mais importantes concursos internacionais,
o iF Design Award. O concorrente polonês superou 5295 produtos e projetos de 53 países.
Cada composição conta com 153 metros de comprimento, com capacidade total para 352
passageiros sentados, dos quais 60 na primeira classe. Além disso, possui climatização, acesso a rede
wi-fi, bicicletário e lanchonete, além da acessibilidade para portadores de deficiência.
JUBILEU 1050
Em comemoração ao Jubileu de 1050 anos da Polônia
como estado unificado, será lançada uma nova cédula
de 20 zł com a imagem de Mieszko I e Dobrawa.
Na frente da nota mostra os retratos estilizados de
Mieszko I e Dobrawa. Na parte de trás a imagem da
Catedral de Gniezno.
De acordo com fontes históricas, foi Dobrawa que
convenceu o marido a ser batizado no ano de 966.
Fonte: Teraz Polska, 2016
37
HOMENAGEM
A Cônsul da Embaixada, Sra. Katarzyna Braiter,
foi agraciada com o Trofeu Mulher Cristal por
sua destacada atuação na área internacional.
Parabéns pela merecidíssima homenagem!
Fonte: Embaixada da República da Polônia, 2016
AULA ABERTA
O Professor Rodrigo Lychowski, da Faculdade de Direito da
UERJ ministrou uma aula aberta, na mesma instituição intitulada
"A terceirização na Administração Pública“, que contou com
relato de experiência de sucesso junto aos terceirizados.
SAMBA COM SOTAQUE POLONÊS
A coreógrafa e dançarina Katarzyna Stocka foi a madrinha de
bateria da escola de samba Alegria da Zona Sul no carnaval
de 2016. A agremiação cantou sobre “Ogum”, o orixá ligado
a batalhas e à metalurgia e aproveitou a força do orixá para
abrir os caminhos, contar sua história e pedir proteção para o
povo guerreiro das comunidades Pavão-Pavãozinho e
Cantagalo.
38
Este é um espaço dedicado à você Caríssimo Leitor. Aproveite para enviar suas críticas, sugestões,
elogios. Que seja este um espaço de troca de ideias, democrático e inspirador de novas iniciativas.
Através do e-mail: [email protected] nós da
abrimos mais um canal de
comunicação e interatividade.
Você tem no território da Polônia questões de herança e propriedade não regularizadas? Você quer construir a árvore
genealógica de sua família ou buscar seus parentes na Polônia? Você tem raízes polonesas e quer encontrar os
documentos e registros civis dos seus antepassados? Você quer recuperar um imóvel adquirido ilegalmente pelo estado
polonês depois de 1945? Fale conosco! Escritório de Herança GENEATRANSLAT
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Também oferecemos ajuda na obtenção de documentos que confirmam a origem polonesa, necessários no processo de
recebimento da Carta polonesa (Karta Polaka) e cidadania polonesa. Trabalhamos com parceiros do mundo inteiro.
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Enviado por Marek Polak
39
A IGREJA DE SANTA MARIA E O SAPATO AMARELO
Entre os anos de 1355 e 1365 o rei Casemiro III
supervisionou a construção da Igreja de Santa Maria,
uma das mais importantes em Cracóvia, e que tem em
seu altar, o ponto central. Com mais de 200 figuras
esculpidas pelo artista alemão Wit Stwosz, esta jóia
levou mais de 12 anos para ser concluída.
Quando, em 1867, estavam sendo realizada
a manutenção do altar foi encontrado um
sapato amarelo empoeirado. Após uma
extensa pesquisa foi descoberta a origem
daquele objeto, digamos, um tanto
inusitado.
Diz a lenda, que 400 anos antes, havia um menino
que morava numa aldeia nos arredores de Cracóvia,
chamado Wawrzek, que adorava esculpir e certa vez,
praticando este ofício, esqueceu de cuidar da
plantação de trigo do pároco da aldeia, que foi
completamente destruída. O menino ficou com
tanto medo, que fugiu para Cracóvia. Lá chegando
foi procurar trabalho com Wit Stwosz.
O rei Casemiro reconheceu o talento imenso do jovem e decidiu presenteá-lo com um par de
sapatos amarelos. No dia da inauguração do altar, todo contente, Wawrzek notou que a figura de
São Estanislau estava sem o cajado. Quando ele subiu no altar para completar a figura, os sapatos
caíram na parte de trás do altar, permanecendo ali por 400 anos. O pobre Wawrzek teve de
continuar andando descalço...
40
SOPA DE ERVILHA À POLONESA
Marek Polak
Uma das sopas mais populares na Polônia (especialmente entre os homens) é
a sopa de ervilha. Os mais velhos associam este prato principalmente aos
tempos de serviço militar. No entanto, o exército não é o único lugar onde
encontramos esta comida rica, aromática e incrementada com a linguiça
polonesa. Está presente nas casas polonesas tanto cotidianamente como em
ocasiões especiais. Não se aproxima em sua nobreza das sopas dos dias
festivos como barszcz vermelho ou de cogumelos silvestres, mas nos dias
curtos dos invernos longos ela se torna muito desejada nas mesas polonesas.
No Brasil ela é preparada como um creme, em uma versão muito mais leve do que na Polônia (o
que é compreensível por conta do clima), no entanto as diferenças na preparação são marcantes, e
o efeito final também pode surpreender o paladar brasileiro.
INGREDIENTES (para 3-4 litros de água)
2 cenouras
Aipo, salsa, alho poró;
400g de ervilha seca;
2 colheres de manjerona;
400g de costela suína (opcional);
1 linguiça;
1 cebola;
200-300g de toicinho defumado.
Sal, pimenta do reino moída
Pimenta jamaicana em grãos.
2 dentes de alho;
4 folhas de louro;
4 batatas médias.
MODO DE FAZER
Colocar a ervilha de molho por cerca de 24 horas. Adicionamos aos 3-4 litros de água a cenoura,
o aipo (talo e folhas), a salsa e o alho poró. Caso deseje uma sopa mais pesada (forte), adicionar
um pedaço de carne, frango ou um osso (pode ser defumado). Cozinhe o caldo por uma à duas
horas, dependendo se for ou não adicionada a carne. Peneire o caldo, separando os vegetais e a
carne. Acrescente ao caldo coado a ervilha junto com o toicinho defumado e a costela e
acrescente sal, pimenta do reino, alguns grãos da pimenta jamaicana, alho e cozinhe até que a
ervilha se torne macia. Corte a linguiça, a cebola e as batatas. A cebola precisa ser levemente
refogada. Quando a ervilha na sopa começae a amolecer, adicione estes três ingredientes e
cozinhe até a batata ficar macia). Adicione a manjerona, o que tornará a sopa mais aromática e
facilitará a digestão. Tradicionalmente, a sopa de ervilha é servida com pão branco..
Smacznego!
41
ANO DE HENRYK SIENKIEWICZ
O Parlamento da República da Polônia decretou que 2016 será o ano de Henryk Sienkiewicz. Serão
celebrados o 170º aniversário do nascimento e os 100 anos da morte do escritor, bem como os 120
anos do lançamento do romance Quo Vadis, que trouxe ao escritor fama internacional.
Sienkiewicz foi o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1905, pelo conjunto de sua obra.
Obteve imensa popularidade em vida. Além de Quo Vadis, escreveu também a Trilogia (A Ferro e Fogo,
Dilúvio e Senhor Wolodyjowski, traduzidos para o português por Tomasz Barcinski). Seus livros foram
traduzidos em muitos idiomas além do português, entre eles, árabe e japonês.
Era reconhecido como o líder espiritual do povo polonês. Como Sienkiewicz mesmo dizia, seus
escritos tinham como objetivo “reconfortar os corações”, além de manter o espírito de muitas
gerações, através do orgulho da história da pátria polonesa, promovendo o patriotismo. A comissão
do Prêmio Nobel destacou, como parte da justificativa da premiação: “é raro encontrar um gênio que
soube tão bem personificar a alma de uma nação.” Na cerimônia de entrega do prêmio, disse
Sienkiewicz sobre a Polônia: “Anunciaram-na como morta, este é um dos milhares de motivos que
comprovam que ela vive. Decretaram sua conquista, e aqui está a prova de que Polônia sabe vencer”
42
POLONIA
SOCIEDADE BENEFICENTE DO RIO DE JANEIRO
EXPEDIENTE
FUNDADA EM 30/11/1890
Presidente: Stefan Janczukowicz
Vice-presidentes: Elvira Helena Gimbitzki e Marianna Brocki
Tesoureiros: Hélio Kowalesli e Roberto Piesiecki
Secretárias: Alessandra Kepinski e Laura Miranda
Conselheiros: Alina Felczak, Helena Warzynski, Lucyna Ve^rônica
Brocki Cozzolino e
Claudio Skóra Rosty
Conselho Consultivo: Jadwiga Matic, Jerzy Lepecki, Tomasz Lychowski
Conselho Fiscal: Maria Malgorzata Wojnowski, Expedito Máximo Bezerra, Adilson Stofel
dos Santos, Rodrigo Lychowski e Vicente Pawelec
Suplentes: Fatima Patrícia Pontes Veloso, Francisco Klujsza, Krystyna Hillekes, Liliana
Syrkis e Jorge Pastusiak.
Editora: Aleksandra Sliwowska Bartsch
Distribuição eletrônica
Contato: (21) 2558-1391 / 2557-1318 – e-mail: [email protected]
A Revista Eletrônica Polonia Carioca é uma publicação quadrimestral da Polonia Sociedade
Beneficente do Rio de Janeiro

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