Stress em enfermeiros através da Nursing Stress Scale

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Stress em enfermeiros através da Nursing Stress Scale
Stress em enfermeiros através da Nursing Stress Scale
Sónia Freitas Gonçalves1, Cristina Queirós1 & Elizabete Borges2
1 - Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
2 - Escola Superior de Enfermagem do Porto
1. Introdução
A enfermagem é considerada uma profissão stressante (Menzani & Bianchi, 2009) e está amplamente
demonstrado que o stress no trabalho afeta quer a saúde o trabalhador, quer a qualidade do desempenho, o
que na enfermagem pode prejudicar a qualidade dos serviços prestados (Garrosa et al., 2008). Tendo
recentemente a European Agency for Safety and Health at Work (2013) revelado que 51% dos profissionais
da União Europeia reconhece a existência de stress no seu trabalho (valor que antes de 2010 se situava em
cerca de 20%), torna-se fundamental identificar os níveis de stress dos diferentes profissionais. Contudo,
tendo a enfermagem características muito específicas, é fundamental utilizar instrumentos adaptados a esta
profissão e capazes de refletir as diferentes fontes de stress que os enfermeiros enfrentam durante o seu
desempenho no trabalho.
2. Objetivos
Conhecer os níveis de stress em enfermeiros e sua variação em função de variáveis individuais e laborais.
4. Resultados
Encontraram-se (Tabela 1) níveis moderados de stress, com predomínio do fator sobrecarga do trabalho (que expressa o
ambiente físico). Contudo, os enfermeiros sentem alguma dificuldade emocional em lidar com o sofrimento de morrer,
sentem falta de suporte por parte dos colegas, têm alguma incerteza quanto aos tratamentos, sentem preparação
inadequada e têm algum conflito com médicos mas menor conflito com outros enfermeiros. As fontes de stress do
ambiente social (que agrupa os fatores conflito com médicos ou enfermeiros) são menos intensas do que as fontes de tipo
psicológico (lidar com a morte, preparação, suporte e incerteza). A experiência profissional parece proteger do stress,
enquanto a idade ajuda a lidar com a morte. Existem poucas diferenças em função de variáveis individuais e laborais,
verificando-se que as mulheres apresentam níveis mais elevados de conflito com outros enfermeiros (p=0,014) e fontes
de stress sociais (p=0,033), enquanto os não casados apresentam maior stress ligado à incerteza dos tratamentos
(p=0,018), talvez fruto da menos experiência dos solteiros e mais jovens. Os enfermeiros que trabalham nos hospitais
apresentam mais stress relacionado com os conflitos com médicos (p=0,004), sobrecarga do trabalho (p=0,018),
incerteza com os tratamentos (p=0,003) e ambiente social (p=0,006).
3. Materiais e Métodos
Foi aplicada uma versão portuguesa da Nursing Stress Scale (Gray-Troft & Andreson,1991; Santos, 2010) e
um questionário de caracterização sociodemográfica e laboral a 190 enfermeiros de hospitais e centros de
saúde do Porto. Verificou-se que 79% eram mulheres, 50% casados (sendo ainda 6% divorciados) e 48%
tinham filhos, predominando um ou dois filhos. A idade variava entre 26 e 58 anos (M=35,8 anos e DP= 8,4),
enquanto os anos de serviço variavam entre 3 e 37 anos (M=12,5 anos e DP= 8,0), estando 66% dos
enfermeiros a trabalhar por turnos e 74% em hospitais.
A Nursing Stress Scale é um questionário de 34 itens avaliados numa escala de 4 pontos (de 0=Nunca até
3=Muito frequentemente), organizados em 7 fatores ou dimensões de stress, tendo revelado boa
consistência interna (alfa de Cronbach = 0,918).
5. Conclusão
O stress no trabalho é um risco psicossocial e a saúde ocupacional dos enfermeiros deveria ser mais valorizada, sendo necessário utilizar instrumentos específicos par enfermeiros. O projeto INTO-SO pretende efetuar estudos comparativos entre
Portugal, Espanha e Brasil, quer na adaptação de instrumentos comuns como a NSS, quer na identificação de fontes de stress comuns aos enfermeiros deste países, no sentido de promover a saúde ocupacional e cuidar de quem cuida.
Bibliografia
- European Agency for Safety and Health at Work (2013). European Opinion Poll on Occupational Safety and Health. Bilbao: EU-OSHA.
- Garrosa, E., Moreno-Jimenez, B., Liang, Y. & González, J.L. (2008). The relationship between socio-demographic variables, job stressors, burnout, and hardy personality in nurses: An exploratory study. International Journal of Nursing Studies,
45(3), 418-427.
- Gray-Toft, P. & Anderson, J. (1981). The Nursing Stress Scale: Development of an Instrument. Journal of Behavioral Assessment, 3(1), 11-23.
- Menzani, G. & Bianchi, E.R.F. (2009). Stress dos enfermeiros de pronto socorro dos hospitais brasileiros. Revista Eletrónica de Enfermagem, 11(2), 327-33.
- Santos, J.M.O. (2010). Stresse Profissional. Consumo de Bebidas Alcoólicas. Estudos numa Amostra de Enfermeiros. Tese de Doutoramento em Ciências Sociais (não publicada). Porto: Universidade de Fernando Pessoa.

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