Ler/Baixar - Convenção Batista Fluminense

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Ler/Baixar - Convenção Batista Fluminense
SUMÁRIO
05
LIÇÕES
Primeiras Palavras
O melhor investimento
do mundo
08
28
Graça e paz:
o caminho a ser percorrido
32
Um modelo de liderança
para a igreja
36
40
O acorde básico da vida cristã
44
Imitadores do Senhor
(modelos de fé)
data
data
Palavras do redator
BÍBLIA – A palavra de Deus
12
data
A transmissão do Evangelho
(poder e convicção)
data
data
Família
Casamento e felicidade
48
data
52
15
A razão da segurança
dos salvos
Esforços vãos e esforços
válidos na pregação
data
Missões
História de Nossas Vidas
56
60
A igreja sob os olhares externos
data
Desafios de um ministério
local – Parte 1
data
64
18
Desafios de um ministério
local – Parte 2
data
Atualidade
Vicios Internéticos
68
72
Importa agradar a Deus!
data
Preparados para a
vinda do Senhor
data
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Apresentação
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Sob a bênção divina
data
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Olá queridos, meu nome é Quézia
Ribeiro Almeida, sou membro da
Igreja Batista Centenário em Pilar,
Duque de Caxias-RJ. Aprendo muito
com as lições da EBD produzidas
pela Palavra & Vida, mas esperava
que fosse contemplado no currículo
2014, ao menos no 3° trimestre,
algumas reflexões sobre o papel
político(não partidário) e social da
Igreja, uma vez que estamos em ano
eleitoral e a Educação Religiosa na
Igreja precisa ajustar-se à realidade
do educando.
Gostaria também de agradecer
pela iniciativa de divulgarem
o Projeto Casados e Felizes na
revista. Estamos realizando o curso
e trazendo para a Associação
Batista Norte Caxiense. Totalmente
inovador e dentro da realidade
brasileira.
Obrigada.
No amor de Cristo, Quézia.
Gostaria de agradecer a
Deus pela vida de todos os
envolvidos com a educação batista
fluminense. A revista Palavra &
Vida possui um ótimo formato,
muitas informações e conteúdos
relevantes. Mas neste trimestre o
tema foi um pouco complicado.
Tratar de emoções da família, de
maneira geral, não é fácil, ainda
mais numa classe que pode ser de
jovens, adultos, etc.
Se não bastasse a dificuldade
do tema, já estamos no mês de
maio e acreditei que teríamos o
recurso didático disponível. Sou
professor de jovens e confesso
minha dificuldade de preparar as
aulas. Tenho vontade de chamar
um psicólogo para ajudar, mas
usá-lo durante todo o trimestre
é complicado. A lição que fala
sobre perdas, por exemplo, não
se fala em procurar ajuda de um
especialista, nos remete sempre a
buscar por Deus. Não temos dúvida
de que isso é melhor, mas algumas
pessoas precisam, além da paz
espiritual, de atendimento clínico.
Em alguns casos de depressão, a
oração faz efeito, mas remédio
também ajuda. As lições estão
superficiais e alguns professores
passam o trivial, não se arriscam
em aprofundar o assunto.
Na minha classe, 95% dos
jovens não são casados, e algumas
lições que falam de família não
fazem sentido para os filhos.
Mesmo o professor alertando
que um dia eles terão as suas,
parece sempre algo muito distante
e percebemos claramente o
desinteresse.
Sabemos que as igrejas têm
autonomia para escolher outra
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literatura, mas a preparada por
nossa Convenção é muito boa e
por isso não haveria necessidade
de buscarmos outras. Uma vez
que os assuntos são elaborados
e depois distribuídos às igrejas,
o recurso didático é de extrema
importância para auxiliar o
professor, que já recebe o assunto
determinado e julgado necessário
e oportuno para nossas igrejas.
Sem mais, agradeço a atenção e
coloco-me à disposição.
Em Cristo,
Bruno Souza, professor de Jovens
PIB de São Pedro da Aldeia - RJ.
É com muita alegria que
escrevo, pela primeira vez, à
revista Palavra e Vida. Desde que
me converti, em 2010, tenho
acompanhado todas as lições e
procuro ser assíduo na EBD da
minha igreja. Vejo com muito
carinho todos os assuntos, mas
sentia que, muitas vezes, os
assuntos ficavam inacabados ou
incompletos, talvez pelo pouco
espaço ou pela limitação da lição,
para que não se estenda muito.
Estava enganado, pois isso suscita
em mim uma vontade de buscar
mais sobre o assunto e provoca
a leitura da Bíblia Sagrada, a
pesquisa e o manuseio dela.Agora
sei que Deus tem seus planos
perfeitos para nos aproximar dEle.
Agradeço a Deus pelas
lições, que tem me feito crescer
muito e quero elogiar as lições
do 1º trimestre deste ano,
principalmente a primeira, que
clareou meu entendimento e
me deu a certeza de que Deus
prepara os seus escolhidos.
Que o amor de Deus, o nosso
Pai, a graça de nosso Senhor Jesus
Cristo, a comunhão e as doces
consolações do Espírito Santo
estejam com todos da Palavra e
Vida.
Bruno Duarte Defanti Velasco
2ª Igreja Batista em Cambuci – RJ
Prezados irmãos,
Estava na expectativa da
chegada da revista Palavra e Vida
do 2º Trimestre. de 2014 com
lições preciosas sobre família.
Comecei a série de lições lendo
a apresentação “Entendendo
a Importância do Tema”, que
resume de forma atraente o
conteúdo de todo o trimestre.
Estudei a primeira lição com
oração e entusiasmo, pensando
no ganho que teremos como
família cristã. Dei uma olhada
nas lições seguintes, e vi que
cada lição abordará aspectos
importantes das nossas
emoções, que muito nos ajudará,
como bem disse o autor na
apresentação, a identificar os
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problemas e nos livrarmos deles.
Que assim seja!
Obrigada, “equipe Palavra e
Vida”!Obrigada, Pr. Nataniel
Sabino, por nos ajudarem a “Tratar
as emoções da família”.
Marlene de Rezende Francisco.
Congregação da Segunda Igreja
Batista de Barra do Piraí, em Ipiabas.
Graça e Paz em Cristo Jesus!
Parabenizo à redação e
equipe de colaboração, por
tão abençoadas lições nesse
2ºTrimestre 2014. Tem sido
excelente para minha saúde
espiritual e valorização familiar.
Através das lições, concluí que
grandes perigos nos rondam
silenciosamente no âmbito familiar.
E muitas vezes fechamos os
olhos, dando pouca ou nenhuma
importância para tais situações.
Como cristãos, corremos sempre
o risco de negligenciar a família,
porque é mais fácil colocarmos a
culpa no inimigo de nossas almas
quando, na verdade, é nossa
responsabilidade observarmos as
necessidades de nossos familiares,
para termos uma vida cristã
saudável.
Agradeço ao Senhor dos céus,
por tão maravilhosas lições dessa
revista, que me proporcionou
visão em muitas áreas que hão de
frutificar para a glória de Deus em
meu lar. Termino aqui, com “eu e
minha casa serviremos ao Senhor”,
porque Deus é amor e justiça, n’Ele
o meu coração descansa.
Paz!!!
Zenilda Silva, Igreja Batista em
Ururaí, Campos dos Goytacazes.
Olá! Quero parabenizar toda
equipe da revista que tem realizado
um grande trabalho no Reino de
Deus, publicando assuntos e estudos
que têm sido de grande crescimento
intelectual e espiritual em nossas
vidas. Quero sugerir que escrevam
um trimestre com estudos sobre o
Livro de Apocalipse, pois este livro
precisa de uma grande atenção. Que
Deus abençoe a todos!
Vilcimar Guimarães da Rocha Santos
Quarta Igreja Batista de Italva
Italva - RJ
Escreva para nossa redação.
[email protected]
Mande suas sugestões, críticas e observações.
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Primei
O melhor
investimento
do mundo
N
este último trimestre, quero
refletir sobre a ênfase adotada
pela Convenção Batista Brasileira
neste ano, por considerar que
tratamos do “Grande Investimento”.
Se desejarmos fazer algum projeto,
precisamos seguir a orientação bíblica,
buscando conselho com pessoas mais
experientes. Por exemplo, se fosse
fazer um investimento em algum
empreendimento econômico, talvez
procurasse observar a vida de Bill
Gates como referencial, pois ele
ocupou a posição de homem mais rico
do mundo, sendo um empreendedor
de grande sucesso e o maior investidor
em filantropia social na atualidade,
detentor de um patrimônio avaliado
em 76 bilhões de dólares.
Bill Gates é um referencial sim,
mas não para o melhor investimento
do mundo, pois SE VOCÊ BUSCA
O MELHOR INVESTIMENTO
DO MUNDO, EU SUGIRO:
INVISTA NAS SUAS RELAÇÕES
FAMILIARES, POIS FAMÍLIA É O
“IDEAL DE DEUS PARA O SER
HUMANO”.
A Bíblia Sagrada afirma que: “se
alguém não tem cuidado dos
seus, e principalmente dos da
sua família, negou a fé, e é pior
do que um incrédulo” (1Tm 5.8).
Cuide de sua família, considerando-a
como seu maior capital. Se você, em
vez de investir um grande capital, dá
apenas algumas gorjetas (“merrecas”)
como investimento, como terá os
resultados e a prosperidade que
espera?
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A Bíblia ainda ensina: "Que
o que semeia pouco, pouco
também ceifará; e o que semeia
em abundância, em abundância
ceifará" (2Co 9.6). Temos em
nossas mãos um tesouro de
estratégias de investimento para
cultivar nossas relações familiares.
Como palavra de Deus, em forma
escrita, a Bíblia contém preciosos
princípios, que orientam as relações
familiares com incontáveis bênçãos.
Se aprendermos esses princípios
e os praticarmos, teremos um
relacionamento familiar muito rico e
próspero.
Pensando em investimentos,
sugiro: ENTENDA UM AO OUTRO.
Quantos de nós possuímos um
aparelho eletrônico e não sabemos
como usá-lo? Há uma diferença
grande entre possuir algo e entender
como funciona. Há pessoas que
falam o mesmo idioma, moram
juntas, mas não se entendem.
Existe um grande abismo entre elas,
porque ainda não aprenderam a
entender um ao outro. E isso começa
pelo aprendizado no ouvir.
A palavra de Deus ensina:
“Portanto, meus amados
irmãos, todo o homem seja
pronto para ouvir, tardio para
falar, tardio para se irar”
(Tg 1.19). O que esse texto
ensina é que devemos ser rápidos
para escutar, prudentes e menos
rápidos no falar e mais lentos
ainda para ficar chateado, assim
estaremos desenvolvendo um
espírito compreensivo: gastaremos
tempo para conhecer um ao outro,
faremos questão de escutar um ao
outro.
Se você me perguntasse o que
significa entender outra pessoa, eu
diria: “faça o que é importante para
ela. Como você deseja que ela faça
o que é relevante para você, assim
também faça, pois ela é importante
para você”. Por exemplo, um pai
que não gostava de esportes teve
um filho que gostava muito de
futebol. Assim, por muitos anos
ele levou o filho a tantos jogos
de futebol quanto ele pôde. Com
isso, gastou dinheiro e tempo, mas
provou ser uma experiência que os
uniu fortemente. Um dos amigos
lhe perguntou no meio do campo
de futebol: “você gosta muito de
futebol, hein?” E ele disse: “Não, eu
não gosto de futebol, mas eu gosto
muito do meu filho, eu amo meu
filho!”
Um amor sincero e desinteressado,
inevitavelmente, refletirá a dedicação
e esforço para entender, apoiar
e aceitar o outro, a despeito de
aprovar, ou até mesmo gostar das
mesmas coisas.
Que Deus abençoe muito seu
maior investimento, que Ele abençoe
muito a sua família!
Pr. Amilton Vargas
Diretor Executivo da Convenção
Batista Fluminense
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BÍBLIA –
A palavra
de Deus
"Oh! Quanto amo a tua lei! É a
minha meditação em todo o dia!".
(Sl 119.97)
Louvo a Deus por termos acesso às
Escrituras, através da qual o Senhor
fala conosco, nos ensina, nos exorta,
nos instrui e nos fortalece.
“Toda Escritura divinamente
inspirada é proveitosa para ensinar,
para redarguir, para corrigir, para
instruir em justiça” (2Tm 3.16).
“Escondi a Tua Palavra no meu
coração, para eu não pecar contra Ti”
(Sl 119.11).
O Salmo 119, além de ser o maior
capítulo da Bíblia, está exatamente no
centro dela e todo o capítulo, os 176
versículos, são dedicados à Palavra de
Deus, que ora é chamada de Palavra,
ora de preceitos, ora de estatutos,
mas sempre se referindo à esta Palavra
tão maravilhosa.
No segundo domingo do mês
de dezembro, é comemorado
nacionalmente “O Dia da Bíblia”.
Descrevo aqui um pouquinho
da história deste dia, mediante a
Sociedade Bíblica do Brasil.
“Celebrado no segundo domingo
de dezembro, o Dia da Bíblia foi
criado em 1549, na Grã-Bretanha
pelo Bispo Cranmer, que incluiu
a data no livro de orações do Rei
Eduardo VI. O Dia da Bíblia é um
dia especial, e foi criado para que
a população intercedesse em favor
da leitura da Bíblia. No Brasil a
data começou a ser celebrada em
1850, quando chegaram da Europa
e EUA os primeiros missionários
evangélicos. Porém, a primeira
manifestação pública aconteceu
quando foi fundada a Sociedade
Bíblica do Brasil, em 1948, no
Monumento do Ipiranga, em São
Paulo (SP).
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E, graças ao trabalho de
divulgação das Escrituras Sagradas,
desempenhado pela entidade, o Dia
da Bíblia passou a ser comemorado
não só no segundo domingo de
dezembro, mas também ao longo
de toda a semana que antecede a
data. Desde dezembro de 2001, essa
comemoração tão especial passou a
integrar o calendário oficial do país,
graças à Lei Federal 10.335, que
instituiu a celebração do Dia da Bíblia
em todo o território nacional.
Hoje, as celebrações se
intensificaram e diversificaram.
Realização de cultos, carreatas,
shows, maratonas de leitura
bíblica, exposições, construção de
monumentos à Bíblia e distribuição
maciça das Escrituras são algumas das
formas que os cristãos encontraram
de agradecer a Deus por esse alimento
para a vida”.1
Frases notáveis a respeito da Bíblia
Abraão Lincoln: “Creio que a
Bíblia é o melhor presente que Deus
já deu ao homem. Todo o bem, da
parte do Salvador do mundo, nos é
transmitido mediante este livro”.
W. E. Gladstone: “Dos
grandes homens do mundo, meus
contemporâneos, tenho conhecido
noventa e cinco, e destes, oitenta
e sete foram seguidores da Bíblia.
A Bíblia assinala-se por uma
1 História do Dia da Bíblia - Dia da Bíblia 2012 |
Sociedade Bíblica do Brasil
peculiaridade de Origem. Uma
distância imensurável separa-a de
todos os outros livros”.
George Washington: “Impossível
é governar bem o mundo sem Deus e
sem a Bíblia”.
Daniel Webster: “Se existe algo
nos meus pensamentos ou no meu
estilo que se possa elogiar, devo-o
aos meus pais que instilaram em
mim, desde cedo, o amor pelas
Escrituras. Se nos ativermos aos
princípios ensinados na Bíblia, nosso
País continuará prosperando sempre.
Mas se nós e nossa posteridade
negligenciarmos suas instruções e sua
autoridade, ninguém poderá prever
a catástrofe súbita que nos poderá
sobrevir, para sepultar toda a nossa
glória em profunda obscuridade”.
Thomas Carlyle: “A Bíblia é a
expressão mais verdadeira que, em
letras do alfabeto, saiu da alma do
homem, mediante a qual, como
através de uma janela divinamente
aberta, todos podem fitar a quietude
da eternidade, e vislumbrar seu lar
longínquo, há muito esquecido”.
John Ruskin: “Qualquer que seja
o mérito de alguma coisa escrita por
mim, deve-se tão só ao fato de que,
quando eu era menino, minha mãe
lia todos os dias para mim um trecho
da Bíblia, e cada dia fazia-me decorar
uma parte dessa leitura”.
Charles A. Dana: “O grandioso
velho Livro ainda permanece; e este
mundo velho, quanto mais tiver suas
folhas volvidas e examinadas com
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atenção, tanto mais apoiará e ilustrará
as páginas da Palavra Sagrada”.
Thomas Huxley: “A Bíblia tem
sido a Carta Magna dos pobres e
oprimidos. A raça humana não está
em condições de dispensá-la”.
Patrick Henry: “A Bíblia vale a
soma de todos os outros livros que já
se imprimiram”.
U. S. Grant: “A Bíblia é a âncoramestra de nossas liberdades”.
Robert E. Lee: “Em todas as
minhas perplexidades e angústias a
Bíblia nunca deixou de me fornecer
luz e vigor”.
Horace Greeley: “É impossível
escravizar mental ou socialmente um
povo que lê a Bíblia. Os princípios
bíblicos são os fundamentos da
liberdade humana”.
John Quincy Adams: “Tão grande
é a minha veneração pela Bíblia
que, quanto mais cedo meus filhos
começam a lê-la, tanto mais confiado
espero que eles serão cidadãos úteis
à pátria e membros respeitáveis da
sociedade. Há muitos anos que adoto
o costume de ler a Bíblia toda, uma
vez por ano”.
Immanuel Kant: “A existência da
Bíblia, como livro para o povo, é o
maior benefício que a raça humana
já experimentou. Todo esforço por
depreciá-la é um crime contra a
humanidade”.
Charles Dickens: “O Novo
Testamento é mesmo o melhor livro
que já se conheceu ou que se há de
conhecer no mundo”.
William Herschel: “Todas as
descobertas humanas parecem ter
sido feitas com o propósito único de
confirmar cada vez mais fortemente
as verdades contidas nas Sagradas
Escrituras”.
Isaac Newton: “Há mais indícios
seguros de autenticidade na Bíblia do
que em qualquer história profana”.
Goethe: “Continue avançando
a cultura intelectual; progridam as
ciências naturais sempre mais em
extensão e profundidade; expandase o espírito humano tanto quanto
queira; além da elevação e da cultura
moral do cristianismo, como ele
resplandece nos Evangelhos, é que
não irão”.2
Por isso, realize uma programação
no segundo domingo de dezembro
comemorando o Dia da Bíblia, para
incentivar a leitura e o estudo da
Palavra de Deus na sua igreja.
A revista Palavra e Vida tem sido
uma ferramenta importantíssima para
a Escola Bíblica Dominical, levando o
aluno ao estudo da Palavra de Deus.
Todas as lições são escritas com
base na Palavra de Deus, colocando
os textos básicos, como também as
referências para serem pesquisadas,
dando base bíblica para todos os
argumentos dos escritores.
Pr. Marcos Zumpichiatte Miranda
Diretor de Educação Religiosa
Redator da Revista
2 Manual Bíblico de Halley – Pg.22 e 23
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Casamento
e felicidade
Já faz muito tempo que deixei de
acreditar nas fábulas contadas
sobre amores, e casais felizes!
(Andy)
A
felicidade conjugal é o alvo
dos que sobem ao altar para
dizer “Sim”. A expectativa
de uma “vida a dois”, diferente
de tudo o que já se viu, soube
ou viveu, embala os corações
dos noivos, impulsionando-os
com energia ao momento do tão
esperado: “Aceito”. Casa-se na
expectativa da felicidade.
Porém, a triste e lamentável
estatística dá conta de que
tais esperanças são duramente
golpeadas e a tão sonhada
felicidade conjugal, frustrada. Mais
da metade dos casamentos, hoje,
no Brasil, termina em separação.
Além disso, é assustadoramente
grande a quantidade de casais
que permanecem casados, mas
infelizes. Separações conjugais e
casamentos tristes predominam
entre nós. Diante do observado e
pesquisado, podemos afirmar que
o Brasil sofre uma epidemia de
maus casamentos.
Penso que o maior fator
de contribuição para esta
triste realidade é a falta
da consciência de dois
importantes pontos. Primeiro:
falta a consciência de que
felicidade conjugal não é um
acontecimento casual, mas um
resultado intencional. Diante
desse primeiro ponto, muitos
estão no aguardo de viver um
casamento emocionante e cheio
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de graça, mas só veem as coisas
piorarem, pois sem investimento
na relação, não há resultados
satisfatórios. Segundo: falta a
consciência de que nenhum
casamento está garantido pelo
tempo. Há casamentos de
décadas se acabando (com os
cônjuges se separando ou não),
porque muitos acreditam que o
tempo, por si só, fará um bom
trabalho no fortalecimento e na
qualidade da vida conjugal.
É lamentável constatar que
nossas igrejas hospedam muitos
casais tristes. Enquanto casais
não crentes se divorciam sem
sentir a tristeza do pecado, os
crentes “empurram com a barriga”
relacionamentos “doentes”, no
aguardo de um sopro milagroso
do Criador, ou por medo do peso
da mão do mesmo Criador, ou
ainda, temendo a reprovação da
irmandade.
É tempo de olhar para a vida
conjugal de maneira a glorificar
o inventor do casamento; é
hora de colocar em prática o
investimento na família que é
defendido nos discursos, textos
e sermões; é hora de pensar
primeiro no cônjuge, depois nos
filhos, e finalmente, na igreja (a
inversão desta ordem é a causa
de muitos crentes fracassados na
vida conjugal); é hora de voltar
o olhar para o casamento de
forma privilegiada, dando a ele a
atenção prioritária que ele sempre
merece; é hora de consertar o
que não estiver bom e seguir com
o mesmo casamento, e não ficar
fazendo trocas de parceiros na
busca da felicidade conjugal.
Mesmo que pareça tarde,
Deus ainda está chamando
nossa atenção para a família e se
colocando ao nosso lado para nos
ajudar a sermos casados e felizes.
A harmonia conjugal é algo que
precisa ser construído, não vem
no “pacote” conjugal. Não é fácil
construí-la, não fica pronta da
“noite para o dia”, mas é possível
chegar a ela e esta é a única
maneira de se experimentar o que
Deus pensou quando inventou o
casamento.
Ter um casamento duradouro e
prazeroso é a melhor porção para
o homem nesta terra: “Enquanto
você viver neste mundo de ilusões,
aproveite a vida com a mulher
que você ama. Pois isso é tudo o
que você vai receber pelos seus
trabalhos nesta vida dura que Deus
lhe deu”. (Ec 9.9 NTLH)
Quem se casou pensando em
encontrar a felicidade estava certo,
mas viver achando que ela virá
sozinha é um grande erro.
Um grande abraço e que Deus
abençoe a todos os casais!
Pr Nataniel Sabino
Terapeuta de Casais
Autor do Projeto “Casados e Felizes”.
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História de
Nossas Vidas
E
m 1609, refugiados ingleses
chegaram a Amsterdã. Dentre eles,
estavam John Smyth e Thomas
Helwys que fugiam da Inglaterra e
da severa perseguição imposta pela
Igreja Anglicana. O êxodo levou-os a
várias partes do mundo inclusive às
colônias da América do Norte, o então
chamado CNovo Mundo”. Buscavam a
liberdade religiosa perdida.
A prioridade não só deles, mas da
comunidade local, era organizar uma
igreja em solo holandês, o que aconteceu
por volta de 1612. Nascia então a “Igrejamãe” de todas as igrejas batistas atuais.
Em 1791 o mundo experimentou
grande expansão missionária Batista,
o jovem pastor inglês William Carey,
sob forte compaixão pelos pagãos da
Índia, e com apoio de muitos pastores
orquestrou o movimento missionário
naquela parte dos “confins da terra”.
Foi criada a Sociedade de Missões no
Estrangeiro, com forte participação na
expansão missionária batista na Ásia e
África, além do Brasil, é claro.
Em 1882 organizou-se a Primeira
Igreja Batista, com vocação para
evangelização do Brasil, outras duas
organizadas por imigrantes norte
americanos já existiam no interior
paulista. Os missionários Willian Buck
Bagby e Anne Luther Bagby; e também
Zacharias C. Taylor e Kate S. C. Taylor,
auxiliados por Antonio Teixeira de
Albuquerque (ex-padre), fruto do
trabalho iniciado no interior paulista,
iniciaram a missão em Salvador, no fim
de agosto de 1882. Em 15 de outubro
do mesmo ano, organizaram a Primeira
Igreja Batista no Brasil com cinco
membros, justamente os missionários
citados acima e o ex-padre.
A história nos lembra de cumprir o
princípio que Jesus nos deixou:
“...assim como tu me enviaste ao
mundo, eu os enviarei” (Jo 17.18).
Lembra-nos também que não
devemos negligenciar a nossa missão.
Que devemos compartilhar as Boas
Novas de Jesus Cristo e entender que
se trata de um privilégio, como retrata
o apóstolo Paulo: “...e Deus nos deu o
privilégio de insistir com todos...”
(2Co 18b e 19b).
Lembra-nos ainda que devemos
amar missões em todos os formatos
possíveis: Mundiais, Nacionais e
Estaduais. A obra de Deus carece da
Igreja de Deus para avançar rumo aos
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campos que já se encontram brancos,
há algum tempo.
Como podemos avançar?
1. Ampliando o campo de atuação:
“... a seara, na verdade, é grande...”
(Mt 9.37). Palavras do Senhor Jesus,
o Senhor da seara.
2. Sendo Relevantes: O Evangelho
de Mateus termina da mesma
forma que devemos começar: “Ide,
portanto, fazei discípulo em todo
o mundo” (Mt 28.19). Só iremos
impactar o mundo sendo relevantes,
o mundo só entenderá a mensagem
do Cristo se eu mostrar o que
ELE fez em minha vida. O projeto
de Deus para a evangelização
do mundo só terá efeito, quando
a igreja conseguir mostrar a sua
história vitoriosa, a cooperação
possível e produtiva. Você deseja ser
relevante?
3. Aumente a motivação: Que tal
usar o critério motivacional de Jesus
Cristo? Ele enviou seus discípulos
“dois a dois” (Mc 6.7). A solidão é
prima-irmã do desânimo.
4. Aumentando os recursos:
Não podemos esperar resultados
diferentes fazendo as coisas
sempre da mesma forma. O
meu investimento em oração,
meditação na Palavra de Deus
e recursos financeiros precisa
ser eficaz e planejado. Fazendo
missões conforme Deus planejou,
obterei os resultados que Deus
deseja. Jesus nos ensina em
Lucas 14.28, que o planejamento
deve ser a principal estratégia de
missões.
5. Aprimorando a avaliação: O
nosso mote deve ser sempre o
melhor para Deus. O Deus que
chama e capacita, merece o
melhor. Devemos nos aprimorar
para servir ao nosso Senhor com o
melhor. Façamos como Neemias:
ele avaliou antes, durante e
depois da obra (Ne 2-12). Quando
a parceria entre as igrejas tem
como objetivo o fim comum, ou
seja, um só objetivo, a obra será
abrangente, duradoura e eficaz.
Existe na indústria um processo
chamado retrabalho, que é uma
situação indesejável, pois onera o
custo final da obra. A nossa missão
deve nos conduzir a um processo
que nos leve ao objetivo esperado
por nosso Deus. Não iremos e nem
queremos consertar, mas agregar
informações que nos leve à nossa
missão: PLANTAÇÂO de uma ou mais
igrejas.
Após o exposto, qual será a sua
resposta?
Sugestão: “... o importante é que eu
complete a minha missão e termine o
trabalho que o Senhor Jesus me deu
para fazer. E a minha missão é esta:
Anunciar a Boa Notícia da Graça de
Deus.” (At 20.24).
Pastor Bruno Festas
Diretor de Missões Estaduais
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Vicios
Internéticos
A
Coréia do Sul é o segundo
país do mundo em acesso
à Internet. É totalmente
informatizado. Lá, os livros de
papel estão em extinção, porque
as salas de aulas são todas
informatizadas. Cada aluno tem
um tablet de alta resolução. Os
quadros são multimídias, onde
os professores podem se utilizar
de tecnologias mundiais para
apresentarem suas aulas. As
grandes empresas de informática
do mudo todo usam componentes
de tecnologia coreana. Pesquisas
realizadas informam que, em cada
10 adolescentes coreanos, 10 são
viciados em Internet. Já se tornaram
dependentes da tecnologia. Eles
passam, em média, entre 4 e 5
horas diariamente, sete dias por
semana, diante dos vídeos.
Diante dessa catástrofe, e
preocupado com essa febre
internética que acarreta danos
mentais irreparáveis, há apenas
dois anos foi inaugurado na capital,
Seul, um hospital para dependentes
da Internet. Os coreanos são
recordistas mundiais de acessos à
Internet. Por lá, milhões de jovens
já não conversam, não têm amigos
físicos, não saem em grupos e não
sabem mais falar em público. O
jornalista americano, Harry Wallop,
intrigado com esse fenômeno,
decidiu pesquisar essa doença
recente e altamente contagiosa,
principalmente para quem ainda
não chegou aos 20 anos. Com
base em entrevistas com 200
especialistas, ele apontou 10 sinais
que são indicadores de que uma
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pessoa apresenta vício em mídias
sociais.
1º) Ao acordar, a primeira ação
é checar o seu telefone (sempre ao
lado da sua cama, ou debaixo do
travesseiro) e verificar quantas vezes
seu comentário espirituoso da noite
anterior foi comentado.
2º) Seus filhos surpreendem
você tentando postar atualizações
no Facebook, ao ler suas histórias
para dormir. E mais, as histórias
contadas, por vezes, mudam de
rumo aleatoriamente. Claro, você
está mais conectado no “face” do
que em seus filhos.
3º) Você, ao cumprimentar seus
amigos em uma festa, usa mais o
seu apelido do face, em vez de usar
o seu próprio nome. É muito ruim,
depois de praticar muitas vezes
esse comportamento tão danoso,
você constatar que está perdendo
a sua identidade. Segundo Harry,
você esqueceu seu verdadeiro
nome.
4º) Você não pode ir ao banheiro,
mesmo por alguns minutos, sem
checar ou investigar quantas
pessoas gostaram da sua foto ou
texto postado. Além disso, ainda
tem o trabalho de comentar cada
uma das postagens. E não satisfeito,
ainda replica comentários...
5º) Você “curte” suas próprias
atualizações no Facebook. Você
mesmo clica no “favorito” em seus
Tweets. Ao postar suas próprias
fotos no Instagram, você ainda
estimula: “Vai, escreve aí, qualquer
coisa serve...”
6º) Você está sempre checando
seu celular ou tablet em
conduções, a caminho para o
trabalho. E como se não bastasse,
também na hora do lanche, nos
intervalos para o cafezinho ou na
fila para registrar a sua saída do
trabalho... A dependência é de tal
intensidade que você percebe que
deu tanta atenção ao telefone ou
tablet que esqueceu as chaves de
casa no trabalho... E terá que fazer
todo o percurso de volta.
7º) A primeira coisa que você
faz quando sabe que alguém
famoso ou importante morreu
é acessar a Wikipédia para
saber detalhes de sua carreira e
encontrar comentários que você
pode utilizar, quando encontrar
pessoas falando sobre a tal
pessoa. É grande a possibilidade
de você postar uma atualização.
Por exemplo, “é tão triste
saber que ‘fulano’ morreu tão
precocemente! E o seu maior feito
foi escrever o excelente romance
ou publicar grandes reportagens
sobre a ecologia”.
8º) Alguém conta uma piada, e
em vez de você rir em voz alta, usa
a frase “tá na rede”. E acrescenta:
“já tem uma versão mais recente
e que foi postada pelo humorista
fulano de tal”. E, então, você ri de
sua própria inteligência.
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Segundo o jornalista Harry
Wallop, esses são os principais
indícios de que uma pessoa está
viciada, a ponto de ser candidata
a uma internação em um hospital
nos moldes daquele inaugurado em
Seul, na Coréia do Sul.
Então você pergunta: “O que
tem isso a ver conosco, os
cristãos? Quais as implicações
para a fé cristã?”. Certamente,
são muitas as interferências. E a
gravidade começa quando o celular
se torna mais importante que a
Bíblia. A Bíblia de papel está em
extinção em nossos templos. Mas
você também pode dizer: “Mas,
pastor, para que levar a Bíblia
de papel se eu tenho todas as
versões em mídia eletrônica no
celular?” Eu sempre digo: “Ótimo!
Você é uma pessoa mais que
atualizada! Você pode trazer
seu celular para a igreja, sim!
Mas promete que durante as
orações, hinos, informações
pastorais, você não cairá na
tentação de ‘checar’ se um
colega enviou uma mensagem
pelo ‘WhatsApp’? Promete não
enviar um comentário sobre a
postagem daquela linda foto do
grupo? Promete não ‘twettar’
aos colegas que estão lhe
provocando? Promete?”
Telefone celular na igreja é uma
tentação digital. E como todos têm
excelentes aplicativos e definições
de imagens, não precisam ser
vistos de perto. Ali, sobre as
pernas, pode-se ler ou mesmo
enviar comentários. É sempre uma
irresistível atração. Certamente, as
ofertas “internéticas” são muito
mais atraentes do que a mensagem
bíblica pregada. As músicas
ouvidas no YouTube não podem ser
comparadas com aquelas que são
tocadas na igreja. E, por vezes, os
pregadores “internéticos”, são mais
carismáticos do que o seu pastor...
Eles têm mais recursos visuais e os
cenários são quase hipnóticos.
Percebeu como o inimigo lança
seus longos tentáculos sobre as
“mentes indefesas”? Percebeu
como há multiformes atrações para
desviar uma pessoa, impedindo-a
de se concentrar na mensagem
bíblica?
Em nossas igrejas, estamos
vivendo em meio a pessoas
que sabem tudo de Internet e
de aplicativos para celulares e
muito pouco sobre Bíblia. E a
minha oração é que o Senhor
liberte a nossa gente desse “vício
internético” e ajude-as a ter uma
mente de Cristo. E só se pode ter a
mente de Cristo, meditando dia e
noite na Sua Palavra.
Noélio Nascimento Duarte
Teólogo, fonoaudiólogo,
Neurolinguista, Radiojornalista,
Escritor, Poeta, Cronista, Pastor da
Primeira Igreja Batista em Caramujo –
Niterói, RJ
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Reflexões sobre como
viver e divulgar a fé
F
oi a leitura “The convert as
a social type”1, de David
Snow e Richard Machalek,
que chamou minha atenção
para a realidade sociológica do
imperativo no cristianismo que os
convertidos se tornem um modelo
de fé.
É isso que chamamos de
ressocialização, quando as
crenças, os valores e mesmo o
comportamento do convertido
demonstra uma mudança radical
em relação ao passado, à luz do
novo conceito de vida adotado – a
fé cristã.
Muitas vezes, pensamos que
esse atributo pertence, quase
exclusivamente, à liderança da
igreja. Ainda que nossos líderes
devam assumir uma postura
exemplar, Paulo desfaz esse
pensamento equivocado em suas
1 In: R Collins (ed.) Sociological Theory. San
Francisco: Jossey-Bass Publishing Co, 1983.
NOTA DO REDATOR: O estudo
anunciado durante o ano para o
4º trimestre de 2014 era “O que
todo Crente Precisa Saber? - Parte
2”, mas, por dificuldades de saúde
do escritor, este estudo ficará para
o 2º trimestre de 2015.
Pr. Marcos Zumpichiatte Miranda
cartas, principalmente, nesta que
pretendemos comentar aqui: aos
tessalonicenses.
Muito se tem disputado
sobre a autoria paulina de
2Tessalonicenses. Mas a primeira
carta, por sua vez, é tida como
genuinamente paulina, por
quase todos os especialistas.
1Tessalonicenses é um dos textos
primórdios do cristianismo, o
primeiro dirigido a comunidades
cristãs na Europa.
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A ressocialização efetiva do
convertido em seu ambiente natural
idólatra, como o encontrado em
Tessalônica, na metade do primeiro
século, leva-o a demonstrar firme
resistência aos apelos do mundo
e permite que ele viva de modo
a agradar a Deus. Caso consiga
chegar a esse patamar, no que se
refere à estrutura psíquica de sua
nova natureza, o cristão alcançará
real felicidade no mundo.
Nosso escritor, o apóstolo
Paulo, deixa um exemplo vívido
de seu esforço para oferecer um
excelente padrão moral, quando
afirma, em 1Tessalonicences
2.11: “...vos tratávamos, a cada
um de vós, como um pai a seus
filhos”. Pais deixam exemplos para
seus filhos e, geralmente, filhos
copiam gestos e comportamentos
de seus pais, desde a infância.
Gerar “filhos espirituais” é um
compromisso que requer a criação
de laços interpessoais afetivos.
Traços dessa relação estão por
toda a Primeira Carta de Paulo aos
Tessalonicenses.
Esperamos que este texto
possibilite o desenvolvimento
espiritual do leitor, à medida que
retoma os argumentos e os refaz
no sentido prático.
Pr Davi Freitas de Carvalho
Quem escreveu?
Davi Freitas de Carvalho – 48 anos, casado com
Maria Celeste Ferreira de Carvalho e pai de dois
filhos: Arthur Davis (21) e Kariny Davis (20). Formado
em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do
Sul do Brasil, RJ, exerce o pastorado há 22 anos.
Em 2001, foi convidado para integrar o corpo de
editores da Coordenação Editorial da JUERP, a quem
prestou serviço até o ano de 2011, sendo responsável
pela revisão de revistas da EBD e do Jornal EBD
(encarte da Revista do Educador) e foi o autor do
comentário aos Gálatas (Palavra e Vida, 2T2013).
Tem servido a Deus como palestrante, em treinamentos e congressos ligados
à Escola Bíblica Dominical, a serviço do Centro de Juventude e Cultura Cristã.
Atualmente, pastoreia a Igreja Batista em Vila Jaguaribe, Piabetá, Magé, RJ e é o
Coordenador de Educação da Associação Batista Mageense.
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Data do Estudo
Licao 1
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 1.1
Graça e paz:
o caminho a ser percorrido
N
este estudo, abordaremos a
saudação paulina que ocorre
no início da Primeira Carta aos
Tessalonicenses. À época da produção
dessa carta, a população da cidade de
Tessalônica era, prioritariamente, de
gentios, mas contava, também, com
uma comunidade judaica bem zelosa
da tradição mosaica e que possuía
uma sinagoga (At 17.1). Paulo tinha por
costume pregar nas sinagogas judaicas
por onde passava. Em Tessalônica, os
que se converteram formaram o núcleo
da igreja cristã (At 17.1-13).
Precisamos encontrar, em nosso
interior, o mesmo prazer que Paulo
tinha em comunicar o Evangelho. Isso
significa aproveitar as oportunidades
conforme elas se nos apresentam.
Significa, também, fazer amizades
e nutri-las com palavras de
encorajamento e de esperança. Na
minha época de seminarista, lá pelos
anos 80, isso se chamava “paixão
pelas almas”.
O contexto histórico
A breve passagem de Paulo por
Tessalônica está relatada em Atos 17,
durante a segunda viagem missionária
do apóstolo (por volta de 49 a
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52d.C). O trabalho ali trouxe muitos
frutos. O macedônio Aristarco (do
grego “o melhor líder”), habitante
de Tessalônica, uma vez convertido,
tornou-se amigo fiel de Paulo. Ele o
acompanhou em viagem para Éfeso
(At 19.29), pela Ásia (At 20.4,6) e
chegou a ser preso juntamente com
Paulo, por pregar o Evangelho
(Cl 4.10; Fm 1.24).
Tessalônica era a capital da província
romana de Macedônia. James Denney1
afirma que a cidade era, naquela
época, um importante centro cultural
com uma população mista de gregos,
romanos e judeus. Silvério Zedda2
destaca a importância comercial da
cidade, graças ao seu porto e suas
vias de comunicação. Ela ficava na
rota da Via Ignácia, que ligava a
província romana da Itália ao Oriente.
Atualmente, é chamada Salônica
ou Tessalônica e fica no interior
do golfo de Salônica. É a segunda
cidade da Grécia em concentração
demográfica, perdendo apenas para
Atenas. Sua população religiosa é de
judeus, cristãos e muçulmanos. No
decorrer da Idade Média, pertenceu
à República de Veneza e, no século
XV, ao império otomano. Atualmente,
podem-se ver escavações antigas
da Ágora (praça) romana nessa
importante cidade grega.
1 DENNEY, James. The Epistles of the
Tessalonians. London: Hodder and Straugh.
2 ZEDDA, Silvério. Introdução à Bíblia. Cap.
1: O mundo greco-romano no tempo dos
apóstolos. p. 30.
• Você consegue identificar a região
bíblica desta Carta no mapa-múndi
atual? Faça a experiência e relate na
classe as suas descobertas.
Três sábados, um auditório
e coragem
Afirma-se em Atos 17 que Paulo e
Silas pregaram na sinagoga judaica
por três sábados consecutivos e
muitos gentios se converteram. Três
sábados, um auditório que procurava
respostas para os dilemas da vida
e coragem foi tudo o que Paulo
precisou para alcançar a conversão
de gentios idólatras para adorarem
ao verdadeiro Deus. O nascimento da
igreja em Tessalônica nos ensina que
o Evangelho é eficaz, não apenas em
médio e longo prazo, pois há poder
imediato no ato da fé (Rm 1.16).
Às vezes, falta-nos simplesmente
coragem para nos comprometermos
em curto prazo com alguém que
necessita da Palavra de Deus. Desse
modo, não deixaríamos de fazer algo
em prol do reino por achar que não há
tempo suficiente para que o pecador
venha a se arrepender. Nessas horas, o
segredo é confiar em Deus e também
nas pessoas, no caso de delegarmos
responsabilidades. Paulo agiu assim,
como podemos ler na abertura da
carta, assinada de modo tríplice:
“Paulo, Silvano e Timóteo...”. Ainda
que nossa confiança não garanta o
resultado esperado, principalmente
se formos pessoas perfeccionistas,
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permanece o fato de que “...nem
o que planta é alguma coisa, nem
o que rega, mas Deus, que dá o
crescimento” (1Co 3.7).
• Aponte algumas oportunidades de
evangelização que são descartadas no
cotidiano, mas que poderiam resultar
em frutos para o Reino de Deus.
O “imperfeito” ajuntamento solene
A carta foi escrita “à igreja dos
tessalonicenses” (1Ts 1.1c). Ao usar
a palavra grega “ekklesia” (igreja,
congregação), cujo significado básico
é a reunião de cidadãos gregos para
discutir seus negócios, Paulo lhe dá
um significado original: refere-se aos
cidadãos de Tessalônica que, ouvindo
a pregação do Evangelho, creram e,
assim, foram unidos a Deus por Jesus
Cristo.
O primeiro versículo de Paulo aos
Tessalonicenses nos ensina sobre
a igreja como lugar de reunião,
mas uma reunião solene. A igreja
é uma organização singular, de
caráter espiritual, por sua união
com Deus pela mediação de Jesus.
No entanto, lemos aqui e acolá no
Novo Testamento que essa áurea de
respeito e dignidade é perpassada por
relatos novelescos de desafetos entre
cristãos, principalmente, numa mesma
comunidade de adoração. São relatos
de acusações mútuas, desrespeito,
indisciplina e, principalmente,
desamor (1Co 1; Gl 2.11-14; Jd 1).
Esses tristes acontecimentos atestam
que convivemos com a natureza
pecaminosa, mesmo em meio à vida
eclesiástica.
Ser igreja é o mesmo que estar em
Jesus, ou seja, viver pela fé nele. Isso
torna a vida na comunidade cristã um
prazer (Gl 2.20; 1Pe 4.7-10). Assim,
não deve nos preocupar o fato de
não sermos perfeitos. Ser igreja de
Cristo nada tem a ver com perfeição,
mas com a atitude de amar como um
estilo de vida. Pena que a maioria dos
crentes desaprendeu esse conceito.
O modelo do amor que é repetido
pela comunidade é o do próprio
Cristo em sua missão salvadora, que
exigiu renúncia e sacrifício. A igreja
será modelo se nEle estiver firmada
em amor (Ef 3.17; Cl 2.7). Logo, a
comunhão do Filho de Deus em amor
é o alvo da igreja (1Co 1.9).
• Você consegue identificar nas
Escrituras o apelo divino para a busca
da perfeição? O que essas passagens
comunicam a esse respeito?
Graça e paz:
o caminho a ser percorrido
A palavra grega charein (saudação)
era a forma usual de abertura das
cartas naquele período. Paulo usa
charis (graça, favor imerecido)
e eirene (paz) para saudar os
cristãos. Gundry3 observa que Paulo
3 Panorama do Novo Testamento, São Paulo: Vida
Nova, p. 300
30
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Para pensar e agir
A saudação paulina nos ensina a
direção a seguir:
1. Temos um “papai querido” (aram.
‘abba’ - Gl 4.6) que não abre mão
de cuidar da gente.
2. Ter Deus como Pai é fundamental,
pois ele é Pai, primeiramente,
do Filho Jesus Cristo, o Salvador.
Mas não se pode ter filiação com
Deus sem primeiro encontrar o
Filho, pela fé, abrindo mão deste
mundo pecaminoso. João adverte
do perigo: “Se alguém ama o
mundo, o amor do Pai não está
nele” (1Jo 2.15b).
3. A graça nos ensina a confiar e
depender exclusivamente do “Pai
das misericórdias e Deus de toda
consolação” (2Co 1.3).
4. A paz de Cristo nos isenta da
culpa e da dor e reconstrói
o mosaico da nossa vida,
fragmentado pelo pecado, peça
por peça, até formar uma figura
completa, inteira, sã, harmônica,
a despeito de todas as tribulações
e aflições.
Você já entregou sua vida ao
Senhor Jesus, aceitando o presente
gracioso da salvação? Somente assim
a experiência da paz (reconciliação)
com Deus se torna possível! Evite
ficar aguardando algo acontecer. Faça
acontecer: creia!
Leituras Diárias
combinou a típica saudação grega,
em forma cristã modificada (graça)
com a típica saudação israelita (paz).
Com isso, destacava a inclinação do
favor divino de salvá-los por meio
de Jesus Cristo (graça) e, também,
afirmava a condição de reconciliação
com Deus por eles alcançada (paz).
Graça e paz nos vêm da parte
de Deus e do “kurios” (do grego,
Senhor) Jesus (1Ts 1.1e). É uma benção
superabundante (1Tm 1.14). Convém
destacar que é uma declaração
corajosa de Paulo chamar Jesus de
Senhor, numa época em que um
império se achava dono do mundo,
e cujo líder máximo também se
intitulava “kurios”. Sua mensagem
soava como um ato de traição. Era
o mesmo que afirmar que Cristo
está acima de todo o principado,
potestade, poder e domínio – por
exemplo, o do império romano.
Por essa razão, eram frequentes as
ameaças de morte ao apóstolo, pelos
cidadãos locais nas províncias romanas
onde pregava o Evangelho. Mas era
essa a intenção de Paulo! Ele queria
atestar a soberania e o status divino
do Messias. Essa também deve ser a
nossa intenção hoje!
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Atos 15.22-41
Atos 16.9-13
Atos 17.1-14
Efésios 4.1-16
1Timóteo 3.1-16
2Timóteo 2.24-26
2Pedro 3.13-18
31
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Data do Estudo
Licao 2
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 1.2,5; 2.1-2,7-8
Um modelo de liderança
para a igreja
A
igreja experimenta uma crise
de liderança em nossos dias?
Uma resposta honesta, pela
vivência no meio eclesiástico, há
de pender para um “sim”. Na sua
cultura organizacional, a igreja opera
sob forte influência das estratégias
empresariais. Não poderia ser
diferente, se ela deseja acompanhar o
ritmo da “aldeia global”. Ainda assim,
nossa crise continua, pois carecemos
de líderes que compreendam e
pratiquem os princípios do Evangelho,
que é mais importante do que apenas
serem excelentes estrategistas ou
gestores.
Neste estudo, focalizaremos a
liderança de Paulo, que foi um
líder exemplar diante da igreja
em Tessalônica e de todas as
comunidades formadas a partir do seu
testemunho. Sua vida ressalta uma
grande verdade: servir é um esforço
conjunto, um dividir de tarefas e de
responsabilidades. Junto com Paulo,
atuaram líderes como Silas e Timóteo,
dentre vários outros discípulos de
Cristo.
Busquemos, então, na experiência
do apóstolo Paulo, os princípios para
uma liderança sadia e exemplar, a qual
apresenta as seguintes características,
dentre tantas outras possibilidades:
1) A liderança exemplar: atitude
motivada pela vocação
A liderança da igreja primitiva
foi formada por discípulos
vocacionados, isto é, chamados
para testemunhar. Na carta aos
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Tessalonicenses, encontramos Paulo
e seus companheiros na missão de
evangelizar a região da Acaia. Eles o
fizeram com certeza e convicção, a
partir da decisão efetivada no Concílio
de Jerusalém (At 15). Acerca desse
testemunho, Paulo diz: “...porque
o nosso evangelho não foi a vós
somente em palavras, mas também
em poder, e no Espírito Santo, e em
muita certeza...” (1Ts 1.5a).
Silas, que se faz presente na vida
de Paulo nas campanhas missionárias,
foi descrito pelo evangelista Lucas
como “profeta” e homem “influente
entre os irmãos em Jerusalém”
(At 15.22,32). Além de acompanhar
de perto a trajetória da missão cristã
como pregador, foi partícipe das
prisões e tribulações do apóstolo.
Mas nem só de homens dependia
a atuante liderança da igreja em
Tessalônica. Nas entrelinhas das
duas cartas aos Tessalonicenses,
lemos sobre mulheres de posição
que compunham a comunidade e,
com certeza, muito a influenciavam,
uma vez que o mundo gentílico
via a mulher de modo diferente
do mundo judaico (At 17.1-4). À
medida que o Evangelho avançava,
pelas mãos operosas de Paulo e seus
companheiros, a mulher foi recebendo
de Deus oportunidades iguais de
serviço e atuação.
• Liste algumas oportunidades do
exercício da liderança a partir desta
vocação geral para o testemunho do
evangelho por homens e mulheres e
discuta com a classe.
2) A liderança exemplar: atitude
orientada para a gratidão
A segunda característica de uma
liderança-modelo é saber agradecer.
Tal exemplo pode ser encontrado
em 1Tessalonicenses 1.2a, onde se
lê: “Damos, sempre, graças a Deus
por todos vós, mencionando-vos em
nossas orações”. Nessa afirmação,
Paulo usa uma palavra grega especial,
“eucharistoumen”, que traduz a ideia
de “gratidão”.
Em orações que faz para
agradecer, o apóstolo dos gentios
tem a preocupação de mencionar as
pessoas que, durante suas campanhas
missionárias, converteram-se a Deus.
Assim, todos os convertidos eram por
ele lembrados, incessantemente, pois
se constituíam uma prova viva de que
o trabalho em Tessalônica frutificou
no poder do Espírito (1Ts 1.3a).
Um coração agradecido é uma das
mais poderosas forças de divulgação
da fé, pois tal expressão de fé é um
“tributo” a Deus (1Ts 3.9). Essa palavra
grega sugere a ideia de “recompensa,
devolução”. Essa é uma proposição
interessante, principalmente, nesses
dias em que a mentalidade religiosa
evangélica prega o receber de Deus,
em vez de o retribuir a Ele.
• Paulo tinha um coração
agradecido e orientava a igreja
33
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a agir assim (1Ts 5.18). E nós?
Temos agradecido a Deus pelas
oportunidades de realizar sua obra?
Experimente.
3) A liderança exemplar: atitude
vinculada à orientação
A terceira característica de uma
liderança-modelo é sua capacidade
para orientar. Paulo fazia isso por meio
de palavras, nos momentos iniciais, e
por meio de cartas, à distância.
Nos três séculos que se seguiram à
formação da igreja, pouco a pouco,
as cartas apostólicas foram unidas
aos Evangelhos, ao livro de Atos e ao
Apocalipse, para formar o Cânon do
Novo Testamento. Dentre os critérios
de seleção, estão a autoria apostólica
(ou a de um companheiro direto de
um apóstolo), a centralidade da Pessoa
e da obra redentora de Cristo, e a
inspiração divina da Palavra de Deus.
As cartas paulinas tinham impacto
imediato na vivência religiosa das
igrejas. Era por meio desses escritos
que os convertidos eram guiados
em relação à sua fé e ao seu
comportamento. As cartas do Novo
Testamento permanecem como
orientações para os nossos dias, mas
com o cuidado interpretativo de
entender seu contexto de produção e
seus objetivos específicos.
• Outras literaturas têm servido
como elemento de orientação da
igreja, porém, não estão em pé de
igualdade com as orientações bíblicas
das Cartas neotestamentárias. Por
quê? O que isto nos ensina, no que se
refere ao processo de estudo bíblico
dominical?
4) A liderança exemplar: atitude
renovada pela emoção
Você já ouviu falar em mnemônica?
É uma técnica de memorização
por associação de imagens, que
utiliza a vivência, a associação e
o repasse de informações1. É do
poder da memória que Paulo fala
no início de 1Tessalonicenses 1.3:
“Lembrando-nos sem cessar...” O
advérbio grego “adialeiptos” (sem
cessar, ininterruptamente) aparece
em 1Tessalonicenses 1.3; 2.13 e 5.17.
Nesse primeiro versículo, indica uma
memória costumeira, habitual. Esta é a
quarta característica de uma liderançamodelo: a inteligência emocional.
Paulo faz questão de trazer à
memória fatos vividos por ele naquela
cidade. Com certeza, à medida que
escrevia a carta, as lembranças e
emoções do apóstolo vinham à tona.
Uma delas transparece no capítulo 2,
versículo 2, quando diz: “...tivemos
a confiança em nosso Deus para vos
falar o evangelho de Deus em meio
de grande combate”. O apóstolo se
referia às perseguições sofridas em
Filipos, cidade vizinha de Tessalônica,
1 In: http://www.universia.com.br/
universitario/materia.jsp?materia=6948
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a primeira parada de Paulo na
evangelização da Europa (At 16).
De fato, quando há emoção
envolvida, dificilmente esquecemos
alguma coisa. Seria muito edificante
para a igreja promover encontros
nos quais pudéssemos recordar
ensinamentos recebidos e também
as emoções prazerosas dos retiros
e congressos espirituais de que
participamos. Isso concorre para que
o cristão continue animado e firme no
propósito inicial da fé.
o perfil masculino da liderança na
igreja primitiva. Precisamos superar
esse modelo para que a Igreja de
Cristo continue avançando contra as
trevas.
Paulo nos ensina, em
Tessalonicenses, que a missão do
líder é orientar, pela exortação
(aconselhamento), num engajamento
emocional direcionado para a simpatia
e não para a antipatia; para a empatia
e não para a apatia (1Ts 2.7-8,11-12).
Temos feito a nossa parte?
• Pergunta circular:
– Você consegue citar três
momentos importantes da história
da igreja da qual faz parte? Quais?
Compartilhe com o restante da classe.
Para pensar e agir
Fomos chamados por Deus para
liderar? Então, entendamos de
uma vez por todas que o sucesso
nessa empreitada depende da
“cooperação”. Não há lugar para
disputas internas, ou para inveja dos
dons e habilidades do outro, nem
receio de não sermos o centro das
atenções.
Outro aprendizado deste estudo
é que Deus não vê o desempenho
da mulher com restrições, no que se
refere à sua obra, inclusive a atuação
na liderança. Esse pensamento
é um resquício da mentalidade
androcêntrica da cultura judaica, a
qual serve como pano de fundo para
Leituras Diárias
Conclusão
• Paulo demonstrou todo o cuidado
para não ser uma liderança
“pesada” à igreja em Tessalônica,
ainda que pudesse exercer esse
direito, dada a condição de
apóstolo de Cristo (1Ts 2.6,9).
Ao agir assim, descreveu a
liderança branda: “Vós e Deus sois
testemunhas de quão santa, justa e
irrepreensivelmente nos houvemos
para convosco, os que crestes”
(1Ts 2.10). São esses os nossos
verdadeiros motivos para liderar na
obra de Deus?
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Atos 6.1-8
Atos 14.20-23
Atos 20.17-24
Tito 1.1-9
1Timóteo 5.17-22
1Pedro 5.1-4
1Tessalonicenses 1.2,5; 2.1-2,7-8
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Data do Estudo
Licao 3
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 1.3
O acorde básico da vida cristã
N
os estudos musicais iniciais,
aprende-se que o acorde mais
básico é chamado de tríade, ou
seja, um acorde composto por três
notas separadas por intervalos de
uma terça. O acorde da vida cristã
é, também, uma tríade composta
das seguintes notas: fé, esperança e
amor. É com essas palavras que Paulo
descreve, em suas cartas, a dinâmica
da igreja em Tessalônica.
Neste estudo, identificaremos os
elementos da tríade cristã, a fim de
estabelecer parâmetros para uma
prática salutar na experiência religiosa
do corpo de Cristo, no dia a dia da
igreja local.
A tríade cristã (1Ts 1.3)
O texto áureo da tríade cristã é
1Coríntios 13.13, onde se lê: “Agora,
pois, permanecem a fé, a esperança,
o amor, estes três; mas o maior destes
é o amor”. Esse raciocínio encontrase presente no texto bíblico deste
estudo, com uma ligeira diferença:
Paulo modifica a ordem da tríade: fé,
amor e esperança.
Harmonia de uma prática cristã
salutar: a obra da fé
A primeira nota musical de uma
existência saudável na igreja é “a obra de
fé”, que significa, em outras palavras, a fé
colocada em ação ou a fé aperfeiçoada
pela ação (Tg 2.22). Algumas versões
traduzem a expressão “obra” como
“operosidade”. Na Segunda Carta aos
Tessalonicenses, Paulo ora com esta
finalidade, pedindo-lhe que “cumpra...
toda a obra de fé em poder” (2Ts 1.11b).
O que é fé? Hebreus 11.1 afirma que
fé é a convicção, a certeza que alguém
possui de viver ao alcance de Deus e de
sua redenção. Essa realidade produtiva
da fé revela, dentre as inúmeras
possibilidades, uma característica
memorial. Um memorial é a forma
como alguém quer ser lembrado1.
1 Definição do Pastor Ariovaldo Ramos, numa
de suas palestras.
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Assim, a “obra da fé” é a lembrança
viva da presença e do estímulo contínuo
de Deus em nós, os salvos, e não
um memorial de nossas conquistas e
realizações pessoais (Mt 5.16; Ap 15.3).
Um texto bíblico que deixa pistas desse
marco memorial divino na história é
Romanos 9.4, que fala da adoção, da
glória, dos pactos, da lei, do culto e
das promessas, tudo apontando para o
Salvador Jesus.
Um erro comum é pensar que a obra
da fé conduz à salvação. É o contrário!
No ensino bíblico, a causa da obra
é a salvação realizada (Tt 3.4-7). Ou
seja, Deus comunica sua disposição
favorável (graça) para salvar e nós
cremos. Graça, salvação e fé, eis a
nova ordem proposta. Portanto, não
trabalhamos por nós mesmos nem para
nós mesmos. Somos chamados à ação
e capacitados para a ação por Deus,
em quem cremos. Um exemplo muito
evidente, tirado da experiência do povo
de Deus no Antigo Testamento, pode
ser encontrado no Salmo 68. Deus é o
provedor do fiel. As vitórias do fiel são,
em última instância, vitórias de Deus.
• Você consegue identificar, tanto na
Bíblia como no contexto religioso atual,
sistemas de crença que acreditam em
salvação por obras? Quais? Que diz a
Bíblia a esse respeito?
Harmonia de uma prática cristã
salutar: o trabalho do amor
A segunda nota musical de uma
existência saudável na igreja é “o
trabalho de amor”. Paulo usa o grego
kopos (trabalho), termo que indica o
engajamento em um esforço árduo,
laborioso. A versão Almeida Revista
e Atualizada traduz “abnegação”.
Gundry entende que são “feitos de
gentileza e misericórdia.”2
Você conhece o mandamento do
desamor? Para amar verdadeiramente,
do jeito que Deus orienta, precisamos
aprender a desamar algumas coisas:
• desamar as trevas espirituais (Jo 3.19);
• desamar a glória dos homens
(Jo 12.43);
• desamar o presente século e seu
padrão de moralidade dúbio
(2Tm 4.10; Tg 4.4; 1Jo 2.15).
Quando tivermos aprendido a
desamar, estaremos prontos para
obedecer a instrução divina para amar,
a qual compreende ações específicas,
a saber:
• Sacrifício e entrega total (grego
agapao – exemplificado pelo amor de
Deus, ao oferecer seu Filho, na cruz
(Jo 3.16).
O amor sacrificial é demandado
por Deus no Novo Testamento, nos
exemplos seguintes, dentre outras
possibilidades:
• A mordomia cristã da entrega
pessoal ao Senhor – Mateus 6.24;
• O resumo da lei: amar a Deus e ao
próximo – Marcos 12.33; 1João 4.11;
2 GUNDRY, Robert. Panorama do Novo
Testamento. São Paulo: Vida Nova, p. 300.
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• O amor próprio, que demanda
prudência no falar – 1Pedro 3.10;
• O amor do esposo pela esposa
(e vice-versa) – Efésios 5.25,28;
Colossenses 3.19.
De fato, amar é um exercício árduo.
Implica em renúncia. Por mais que
amemos, ainda há espaço para o amor
crescer e “enriquecer”, que é o sentido
da palavra “abundar”, usada por Paulo
sobre a arte de amar (1Ts 3.12).
• Fraternidade e amizade (grego
phileo – exemplificado no apelo divino
ao amor mútuo, entre os irmãos, na
igreja).
O amor fraternal rege as relações
sociais e promove toda a sorte de
esforços pelo bem comum. Essa
atitude é ordenada por Deus nos
exemplos seguintes:
• na cordialidade – Romanos 12.10;
• no modo franco e afável de tratar
as pessoas – 1Pedro 1.22;
• na amizade genuína – 1Pedro 3.8,9.
Na primeira Carta aos
Tessalonicenses, Paulo coloca ambas
as acepções de amor num mesmo
versículo: “No tocante ao amor
fraternal, não há necessidade de
que eu vos escreva, porquanto vós
mesmos estais por Deus instruídos que
deveis amar-vos uns aos outros”
(1Ts 4.9). Mais para o final da
carta, amor e fé estão lado a
lado, compondo uma metáfora
interessante, a “couraça” (1Ts 5.8),
que era uma peça da armadura
dos soldados, cobrindo o peito, as
costas e os ombros.3 Assim, Paulo
dá a entender que o amor cristão
tem essa capacidade de assegurar
uma condição estável para o
enfrentamento das batalhas da fé.
• Cite exemplos bíblicos do
imperativo divino ao amor. Ordena-se
o amor sacrificial, o amor fraternal ou
ambos?
Harmonia de uma prática cristã
salutar: a firmeza da esperança
Enfim, a última nota musical de
uma existência saudável na igreja é
“a firmeza de esperança” direcionada
para a vinda do Senhor Jesus Cristo.
Ambas as cartas aos tessalonicenses
têm esse conteúdo escatológico. Paulo
os instrui acerca do consolo trazido
pela certeza de que o Senhor a todos
abrigará, no fim de tudo.
“Firmeza” é a tradução do
grego hypomone, uma referência à
capacidade de aguentar a pressão,
de suportar a provação. Algumas
versões traduzem como “paciência”.
A frase tem relação acentuada com
a descrição de Hebreus 12.1,2a:
“...corramos com perseverança
[hypomone] a carreira que nos está
proposta, fitando os olhos em Jesus.”
Aprendo com Paulo que a salvação
a mim prometida já irrompeu na
3 DAVIS, John. Dicionário da Bíblia. São Paulo:
Hagnos. p. 53
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• Leia 1Pedro 3.15. Qual é a sua
resposta a esse pedido?
Conclusão
A descrição que Paulo faz da
igreja em Tessalônica deve nos servir
de alerta. A obra de fé, o trabalho
de amor e a paciente esperança
formam a trindade das virtudes
e fornecem os parâmetros para a
saúde da igreja enquanto corpo de
Cristo.
Precisamos ser mais do que
uma agremiação, instituição ou
agregação social. Os agregados
são indivíduos caracterizados pela
proximidade física. Não participam
da distribuição de funções nem
de qualquer outra forma de
estruturação. Comunicam-se
apenas pontualmente, aqui e acolá.
Agregados são aqueles que entram
e saem sem modificar seu estilo de
vida e sua posição social.
A igreja de Cristo não é uma simples
agregação de pessoas, mas um
memorial vivo da graça, da salvação
e da fé no Senhor Jesus, o Filho de
Deus. Precisamos engrandecê-lo com
nossa vida, com o nosso testemunho
(Fp 1.20).
Para pensar e agir
Antes de refletir sobre as nossas
descobertas neste estudo, leia João
8. Qual é a opinião de Jesus em
relação à lei que condena à morte
por apedrejamento a mulher flagrada
em ato de adultério (Jo 8.5)? Aquela
que apresenta o entendimento de
que a fé é aperfeiçoada pelo amor e
direcionada para a esperança.
Eis os ensinamentos deste estudo:
• A igreja não pode ser indiferente ao
pecado, mas deve crer que o Filho
de Deus tem poder para perdoar
pecados (1Jo 1.9);
• A igreja não pode atacar no outro
aquilo que dói em si mesma (o
pecado), que é a função da pedra,
no ritual da lei, mas confiar na
justiça de Deus, que recupera o
pecador (Mt 7.1-5);
• Enfim, a igreja precisa aprender
a desamar o mundo para exercer
a compaixão, que é o fogo que
aquece o serviço cristão (Mc 8.2).
Você tem assumido o sentimento
compassivo de Jesus?
Leituras Diárias
história (e na minha história pessoal).
Dada como uma certeza para mim,
ela me impulsiona. Nas muitas crenças
que existem, falta esse sentido de
consolação e liberdade do medo da
morte. Só para aqueles a quem a vida
foi oferecida como dádiva, em Cristo,
a esperança é real. Ela é real para
você? Espero que sim.
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Hebreus 11.1-16
Hebreus 11.17-31
Hebreus 11.32-40
Salmos 62.1-8
1Coríntios 13.1-12
2Coríntios 4.5-18
1Coríntios 13.13
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Data do Estudo
Licao 4
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 1.4,5
A transmissão do Evangelho
(poder e convicção)
É
muito comum, nos momentos
que antecedem a pregação,
ouvir a seguinte oração: “Que as
palavras deste pregador não sejam
dele, mas venham de Ti, ó Senhor”.
Ela reflete o desejo de que o ouvinte
seja instruído por Deus, mas esconde
uma realidade bem mais complexa do
que se imagina.
O discurso do Evangelho não passa
por nós como a energia passa pelos
cabos elétricos. Nossa cultura, nossa
educação, nossa espiritualidade
e mesmo nosso entendimento
subjetivo servem de filtros, na hora
de pregar. Portanto, podemos dizer
que a pregação é um discurso divinohumano.
Por isso que Paulo usa expressões
como “nosso evangelho” (1Ts 1.5)
ou “meu evangelho" (2Tm 2.8) não
para se referir a uma apropriação
da mensagem, mas para designar
a relação íntima e verdadeira que o
mensageiro tem com a mensagem
cristã que proclama.
Neste estudo, entenderemos que
o “poder” da pregação compete a
Deus, enquanto que a “convicção”
da veracidade da mensagem compete
ao mensageiro, pois ele é alguém
“aprovado por Deus” para transmitir a
mensagem de salvação (1Ts 2.4).
A natureza da mensagem a ser
pregada
Em sua descrição da natureza do
Evangelho a ser proclamado (a boa
nova da salvação, em Cristo Jesus),
Paulo utiliza alguns complementos
importantes:
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Quando Paulo quer falar da origem
do Evangelho, seus complementos
prediletos são: evangelho “de Deus, de
seu Filho, de Cristo” (Rm 1.19: 1Co 9.18).
Ao falar do propósito do Evangelho,
descreve-o como “de paz ou
reconciliação” (Rm 10.15; Ef 6.15) e
“da salvação” (Ef 1.13).
E quando fala do direcionamento do
Evangelho, na sua missão, descreve-o
como “da incircuncisão”, ou seja,
dirigido ao mundo gentílico (Gl 2.7).
O difícil contexto social da pregação
No primeiro século da era cristã,
a transmissão do Evangelho era
feita com muita dificuldade. Paulo
descreve, em 1Tessalonicenses, que
precisou superar muitos obstáculos
e ter muita coragem para pregar o
Evangelho naquela cidade idólatra.
Sua viagem pela província romana da
Macedônia deu seu primeiro fruto na
cidade de Filipos. A narrativa de Atos
16 fala de sua prisão por causa da
exposição do Evangelho. A acusação
foi a de propagar “...costumes ilícitos
aos romanos” (16.21). Desse modo,
entendemos que pregar a conversão
ao “Senhor” Jesus Cristo era uma
afronta direta ao regime romano,
cujo elemento principal, naquela
época, era o imperador Cláudio.
Em 1Tessalonicenses 2.2, Paulo
afirma que ele e Silas foram
“agravados em Filipos”, mas, ainda
assim, não recuaram diante da batalha
que estava por enfrentar: “...tornamo-
nos ousados em nosso Deus, para vos
falar o evangelho de Deus com grande
combate” – ele diz.
Em Atos, o evangelista Lucas
descreve, com detalhes, a missão
apostólica na Macedônia: cidadãos de
Filipos rasgaram as vestes do apóstolo
e deram-lhe chicotadas, antes de o
colocarem na prisão (At 16.22,23). Na
ocasião, um terremoto aconteceu na
região em que Paulo e Silas estavam,
de modo que as estruturas da prisão
foram abaladas. Então, Deus usou
Paulo e Silas para pregarem ao
carcereiro, trazendo a salvação para
ele e sua família. Os magistrados locais
ficaram receosos de represálias por
terem aprisionado cidadãos romanos e
foram obrigados a soltar Paulo e Silas,
os quais viajaram cerca de 150km em
direção sudeste, até Tessalônica, onde
enfrentaram também a perseguição
dos judeus helenistas.
Não há como discordar que o
enfrentamento das perseguições
movidas pelos ímpios contra o
Evangelho é mais fácil na companhia
de amigos e irmãos na fé. Assim, é
possível entender que a expressão
“nosso evangelho” (1Ts 1.5)
indica esse esforço conjunto e de
cooperação. Entre os tessalonicenses,
Paulo não trabalhou sozinho: “E
enviamos Timóteo, nosso irmão, e
ministro de Deus, e nosso cooperador
no evangelho de Cristo” (1Ts 3.2).
• Pregar, hoje, é tão difícil quanto
era àquela época? Por quê? Qual
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o valor de uma companhia, nesse
momento?
Pregação: palavra de poder,
acompanhada do testemunho pessoal
Algumas bicicletas antigas tinham
uma espécie de farol no guidão, que
era alimentado por um dínamo que
ficava na roda dianteira. Esse dínamo
é um gerador de eletricidade, um
aparelho que transforma energia
mecânica em energia elétrica. Ele é
constituído por um ímã fixo em um
eixo móvel, ao redor deste eixo existe
uma bobina (fio condutor enrolado,
constituindo um conjunto de espiras).
Quanto maior a velocidade da
bicicleta, maior era a luminosidade
produzida na estrada. Naquela época,
em que não havia iluminação pública
em todas as ruas, o farol era essencial
para enxergar o caminho.
No texto áureo sobre o Evangelho,
Romanos 1.16, ele é chamado de o
“dínamo” (palavra grega traduzida
por “poder”) de Deus, e significa
a eficácia de Deus em salvar, por
meio da obra de Cristo. Essa ideia
é retomada, aqui, na afirmação
paulina de 1Tessalonicenses 1.5.
Logo, chegamos à conclusão de que
ao discurso religioso não pode faltar
o “poder” que advém do Espírito
de Deus, o qual é a vida e obra de
Cristo Jesus (1Co 1.24). A poderosa
mensagem do Evangelho comunica
a vontade divina ao pregador e aos
ouvintes, com vistas à sua salvação.
O pregador do Evangelho discursa
“em poder, e no Espírito Santo”
(1Ts 1.5b). Em outras palavras, Deus
discursa através de nós, usando-nos,
como vasos de barro: “Temos, porém,
este tesouro em vasos de barro, para
que a excelência do poder seja de
Deus, e não da nossa parte” (2Co 4.7).
• O que Romanos 15.3,19 tem a nos
ensinar sobre o poder da mensagem
que produz a fé?
A plena convicção do pregador:
atestado da veracidade da mensagem
Paulo ensina que àquele que transmite
o evangelho da salvação não pode faltar
“plena convicção” (do grego pleroforia,
“convicção”, “certeza absoluta”). Tal
certeza envolve três aspectos, a saber:
1) A convicção de ter sido chamado
por Deus para a tarefa a ser realizada,
e a competência para fazê-la
(2Ts 1.11,12).
2) A certeza de que a mensagem a
ser apresentada é a verdade sobre a
pessoa e a obra do Salvador
(2Pe 1.16,17).
3) A convicção plena de que Deus
é poderoso para cumprir cabalmente
suas promessas (Ef 1.17-21; 3.20,21).
Em 1Tessalonicenses 2.7, Paulo
fala da transmissão do Evangelho
com “brandura”1, ou seja, sem
1 Algumas versões trazem a palavra grega
nepioi, traduzindo: “tornei-me criança no
meio de vós”, mas brandura, do grego epioi,
harmoniza melhor com o contexto.
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• A afirmação divina a Paulo, “a
minha graça te basta, porque o meu
poder se aperfeiçoa na fraqueza”
(2Co 2.19) sugere que o poder e a
convicção ministerial superam os
limites da condição humana? Em
que sentido? Quais as consequências
disso?
Conclusão
Paulo nos deixou uma lição preciosa
para que saibamos enfrentar os
obstáculos à pregação do verdadeiro
Evangelho: a pregação é um discurso
divino (de onde provém o poder)
e humano (de onde provém a
convicção).
Nesse sentido, podemos
pensar em três maneiras de
transmitir o Evangelho: primeiro,
sejamos companheiros dos que
pelejam pelo Evangelho, e isso
significa apoiar física, emocional
e espiritualmente; segundo,
preguemos para encorajar e
consolar, oferecendo com o ensino
evangélico alívio para a alma
consumida pelo pecado; e, por fim,
com ternura e plena convicção do
poder de Deus, preguemos para
transformar o pecador, pela fé no
Cristo de Deus (Lc 9.20).
Para pensar e agir
• De que maneira poderíamos
ressignificar a oração que ilustra o
primeiro parágrafo deste estudo?
• Primeiro, pedindo a Deus que
ilumine o entendimento do
pregador para que ele não vá além
do que diz a Palavra e acabe, assim,
adulterando-a (2Co 4.2).
• Segundo, pedindo a Deus que
o pregador discurse sobre o
Evangelho com coragem e ousadia
(2Tm 1.7).
• Por fim, que a mensagem tenha
guarida nos corações, sendo aceita
pela fé e praticada no dia a dia.
Leituras Diárias
aterrorizar nem forçar o pecador.
Tudo indica que Paulo usava da
conversação coloquial e da intimidade
familiar. Indica, também, sabedoria
para apresentar o Evangelho num
ambiente de oposição.
No versículo 8, Paulo faz um
comentário interessante. Junto com
o Evangelho que pregava, desejava
comunicar sua alma: “Assim nós,
sendo-vos tão afeiçoados, de boa
vontade desejávamos comunicar-vos
não somente o evangelho de Deus,
mas ainda as nossas próprias almas”.
Isso mostra claramente a conexão
profunda entre a mensagem pregada
e a mensagem vivida.
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Isaías 61.1-11
Romanos 1.8-16
Romanos 15.15-21
1Coríntios 2.1-13
Filemom 1.1-6
3João 1.1-8
1Tessalonicenses 1.4,5
43
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Data do Estudo
Licao 5
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 1.7-9
Imitadores do Senhor
(modelos de fé)
“V
ocê é a cara de seu pai!”
– Foi a frase que ouvi,
orgulhoso, alguém dizer
para meu filho Arthur Davis. Ainda
que o olhar daquela pessoa dirigiase apenas para a aparência exterior,
meu filho é bastante parecido comigo
também nas atitudes. É sobre isso
que Paulo fala em 1Tessalonicenses
1.6,7: o conceito de mímesis, do
grego “miméomai” – imitar, seguir o
exemplo de outrem.
O exemplo maior dos cristãos é
Jesus. Imitá-lo acarreta mudanças
profundas na vida do salvo. Tais
comportamentos serão o alvo da
análise desta lição, em busca da igrejamodelo, à luz de 1Tessalonicenses
1.7-9.
Uma igreja-modelo, mas não de
beleza física
Em 1Tessalonicenses, Paulo inicia o
versículo 7 apresentando uma relação
de consequência com o versículo
anterior, ao usar a expressão grega
“hoste” - “De sorte que...”, a qual
poderia ser traduzida por “a ponto
de” ou “de modo que”. Assim, ele
destaca que por causa da proximidade
daqueles cristãos com o exemplo de
vida e ministério tanto de Paulo como
de Jesus (v. 6), eles acabaram por se
tornar também exemplos, modelos
de fé diante do sofrimento (cf.
1Ts 2.14). A palavra grega, “typos”,
traduz a ideia de uma marca,
impressão, imagem, esquema, padrão
moral, exemplo.
Na Bíblia, algumas ocorrências da
palavra “modelo” são esclarecedoras:
• É a mesma palavra usada por Tomé,
diante dos discípulos, pedindo para
ver e tocar o “sinal” dos cravos no
Cristo ressurreto (Jo 20.25).
• Também, é a que traduz o
“modelo”, o “esquema” dado por
Deus a Moisés para a construção
do tabernáculo (At 7.44).
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• Em Romanos 6.17, Paulo a usa para
traduzir a “forma” de doutrina
ou ensino que corresponde à
mensagem de salvação.
• Ela também é usada para falar de
seu próprio “exemplo” de vida
deixado para os crentes de Filipos
(Fp 3.17).
• E, na segunda carta aos
tessalonicenses, repete este
argumento para os crentes
dessa igreja: “...para vos dar em
nós mesmos exemplo, para nos
imitardes” (2Ts 3.9).
Desse modo, o apóstolo
argumenta que imitar o Senhor
Jesus é o resultado prático de quem
recebeu, com alegria, a palavra da
verdade do Evangelho. Tal atitude
tem consequências positivas para o
testemunho cristão. Ou seja, não se
pode receber Jesus e agir da mesma
maneira que antes, pois quem imita
Cristo acaba por tornar-se modelo de
fé (1Co 11.1; Hb 6.12).
• Você consegue identificar algumas
atitudes exemplares que embelezam o
testemunho cristão em sua igreja?
• Que lições podem ser tiradas
da atitude dos discípulos imitarem o
Mestre dos mestres, Jesus?
Uma igreja-modelo, mas de impacto
sociocultural
Quem são aqueles a quem Paulo
se refere na frase “...para todos os
crentes na Macedônia e na Acaia”?
Macedônia e Acaia (Grécia) formavam
juntas uma província imperial (de 15
a.C. a 44 d.C). À época de Paulo,
ambas eram províncias senatoriais.
No ano 67 d.C, o imperador Nero
declarou a Acaia livre. Aos habitantes
dessas importantes regiões do
império, os cristãos de Tessalônica
ofereceram um testemunho modelar
de fé.
No texto da carta pastoral a Tito,
Paulo desenvolve melhor a ideia
de oferecer um “modelo” de vida,
ao orientar seu discípulo e líder
eclesiástico: “Em tudo te dá por
exemplo de boas obras...” (Tt 2.7). É o
mesmo que “colocar-se numa situação”,
oferecer-se como um exemplo para
os demais. Obras realizadas em nome
de Jesus oferecem sólido testemunho
(Mt 5.16), sendo da natureza do salvo
agir assim. Cada cristão deve assumir
esse compromisso pessoal diante dos
homens (Ef 2.10; Tt 3.8).
De acordo com a descrição
de Paulo no versículo 8, o
modelo oferecido pelos crentes
é evangelizatório. Ele afirma que
o Evangelho “ecoou para fora”
(do grego “exekhetai”), ou seja,
espalhou-se para além daquelas
províncias. Paulo falava da
divulgação da Palavra de Deus, mas,
também, da repercussão da vida
deles como forma de testemunho ao
mundo romano: a vossa fé para com
Deus se divulgou (aqui, também,
exekhetai) “de tal maneira que já
45
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dela não temos necessidade de falar
coisa alguma” (v. 8c).
O povo batista é amplamente
conhecido pelo zelo missionário, o
desejo de alcançar o mundo com a
mensagem de salvação. Mas para
realizar missões, o modo batista é o
de apelar para a consciência pessoal
de cada crente. São esses indivíduos
autoconscientes e automotivados
que promovem o avanço da igreja,
coletivamente, com suas orações,
ofertas e vidas. Se você é assim,
tenha certeza de que motiva e
incentiva muitos outros seguidores
de Jesus a serem fiéis e produtivos no
Reino.
• Você consegue identificar
exemplos do impacto social do
evangelho em seu bairro ou
associação?
• Em 1Coríntios 1.30, Paulo afirma
que Cristo é exemplo de sabedoria,
justiça, santificação e redenção. De
que maneira essas palavras são usadas
para promover o comportamento
cristão na sociedade, a fim de
transformá-la?
Uma igreja-modelo, mas de
verdadeira conversão
Paulo traz, em Tessalonicenses,
uma palavra definitiva acerca da fé
em Deus: crer em Deus é abandonar
o mundo, renunciando o pecado
como escolha de vida e se voltar
para o Senhor. A fé verdadeira
ocorre pela conversão: “vos
convertestes a Deus” (v. 9).
A palavra grega “epestrepsate” –
convertestes – traduz “virar-se para”,
“retornar”, “voltar”. Essa ruptura com
o mundo pecaminoso tem caráter
permanente, por causa da ação de
Deus em guardar o crente na sua fé.
É o que afirma o autor da epístola
aos Hebreus. A carta aos Hebreus
diz, acerca dos salvos, comparando
seu comportamento com o dos
apóstatas: “Nós, porém, não somos
dos que retrocedem para a perdição;
somos, entretanto, da fé, para a
conservação da alma” (Hb 10.39).
Pedro também afirma a segurança do
salvo, nas poderosas mãos do Senhor:
“...sois guardados pelo poder de
Deus, mediante a fé, para a salvação
preparada para revelar-se no último
tempo” (1Pe 1.5).
Vez ou outra, por não saberem
lidar com as tensões trazidas pela
conversão, que exige renúncia, alguns
cristãos tornam-se tendenciosos
a dar às costas ao Evangelho da
graça de Deus. Agiram assim alguns
dentre os gálatas, por exemplo, como
podemos ler em Gálatas 5.7-9. Nessas
horas, vale muito o aconselhamento
e uma atitude de acolhimento
(Jd 1.22,23). Certamente, aquele
que é verdadeiramente convertido
sabe, melhor do que ninguém, de
que não há melhor lugar para estar,
durante a aflição, se não no centro
da vontade de Deus: “Mas vós,
amados, edificando-vos a vós mesmos
46
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• Você consegue dar mais exemplos
bíblicos da segurança dos salvos?
Conclusão
É da natureza humana o ato de
imitar, culturalmente, reproduzindo
modelos que aparecem no dia a
dia, principalmente nos tempos
modernos, com a exposição na
mídia. Bordões (frases inventadas
por humoristas), gestos, vestimentas
e estilos compõem o arsenal da
imitação. Será que temos imitado
pessoas dignas?
Por outro lado, nós, filhos de
Deus, temos oferecido ao mundo
um exemplo de fé semelhante ao
dos discípulos de Cristo? A igreja
em Tessalônica o fez. Ela alcançou
sucesso no que se refere a oferecer
ao mundo um exemplo digno de
conduta cristã.
Para pensar e agir
Algumas demonstrações de fé
capazes de produzir imitação, no
sentido positivo, são:
• Firmeza doutrinária, diante do
ceticismo natural deste século;
• Confiança inabalável na providência
divina, diante das aflições, aliada
com a convicção de que o Senhor
deseja e fará o melhor para os seus
filhos;
• Demonstrações de amor
direcionadas aos inimigos, como o
perdão, a oração e a benevolência;
• Esforço missionário constante para
levar a semente do Evangelho do
Reino até os confins da terra.
Deveríamos nos perguntar,
constantemente, se precisamos de
“muletas” para crer ou se nossa fé
está firmemente enraizada numa
disposição especial para com Deus:
“vos convertestes... para servirdes
ao Deus vivo e verdadeiro” (v. 9).
Somente essa disposição para o
serviço pode fazer com que nossa fé
seja permanente. Ociosidade e fé não
são palavras enunciadas numa mesma
frase.
Leituras Diárias
sobre a vossa santíssima fé, orando
no Espírito Santo, conservai a vós
mesmos no amor de Deus, esperando
a misericórdia de nosso Senhor Jesus
Cristo, para a vida eterna”
(Jd 1.20,21).
Precisamos ajudar os fracos na fé a
se levantarem em vez de prostraremse para reclamar. Além disso,
precisamos ajudá-los a reconhecer
suas faltas, o que lhes trará de volta o
ânimo. Por fim, precisamos ajudá-los
a assumir as responsabilidades e os
compromissos espirituais dos salvos
(ver Hebreus 12.5-13).
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
João 13.3-15
Filipenses 3.13-17
2Tessalonicenses 3.6-9
Tito 2.7,8
1Pedro 2.21-25
1Timóteo 1.16,17
1Tessalonicenses 1.6-8; 2.14
47
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Data do Estudo
Licao 6
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 1.9,10
A razão da segurança
dos salvos
N
as primeiras décadas do
cristianismo, as perseguições a
discípulos de Cristo por governo
e sociedade romanos e o antagonismo
intencional do judaísmo testaram o
caráter dos salvos. Em nossos dias,
essa luta interior entre retroceder na
fé ou perseverar pacientemente se
deve às expectativas e motivações
internas equivocadas em relação a
Deus e sua vontade.
Neste estudo, poderemos reavaliar
nossa condição espiritual, com vistas
a reafirmar o caráter permanente
e qualitativo da salvação para
nós conquistada por Cristo, “...a
esperança da glória...”
A leitura atenta dos versículos
finais do primeiro capítulo de
1Tessalonicenses fortalece esse
conceito teológico da segurança dos
salvos. Aprendamos, pois, sobre as
motivações internas do salvo em
relação aos desdobramentos dos
últimos tempos, com a volta de Cristo.
Quem são os salvos?
1) Pessoas verdadeiramente
convertidas
O mundo do Novo Testamento
transitava na religiosidade grecoromana e era sustentado pelo
politeísmo – adoração a vários deuses
(At 17.16). Esse sistema religioso de
tendência idólatra foi adotado pelos
habitantes de Tessalônica (1Ts 1.9).
Paulo vê nesse comportamento o
reflexo da ignorância, no sentido
de desconhecimento (At 17.30),
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e da pecaminosidade – produtos
da inimizade entre o pecador e o
verdadeiro Deus. A idolatria ocorre
sob a influência da natureza carnal
(Gl 5.17-21) e das hostes espirituais da
maldade (Ef 6.12).
A decisão de abandonar os ídolos
e voltar-se para Deus era um grande
desafio para os crentes de Tessalônica.
Sua conversão significava, em termos
práticos, a marginalidade. Por esta
razão, Paulo descreve a conversão dos
crentes de Tessalônica a Cristo como
alguém bastante impressionado (1Ts
1.9,10). Tal conversão ou mudança de
mentalidade resulta em expectativas
presentes e futuras (Ef 5.5).
James Denney1 afirma que essa
conversão tem duas partes ou
estágios: primeiro, o abandono da
adoração aos ídolos, que significa
dar as costas para toda a estrutura
sócio-político-cultural de sua época;
segundo, a pessoa convertida a Cristo
adota uma atitude de esperança em
relação à volta de seu Senhor.
Gordon Fee2 prefere destacar
três aspectos do evento: primeiro, o
contraste entre o antes e o depois;
segundo, a percepção que o salvo vive
entre esta era e a vindoura, quando a
salvação será efetivamente concluída;
e terceiro, que o único responsável
pela conversão do salvo é o Filho de
Deus, ressurreto dentre os mortos.
1 DENNEY, James. The epistles to the tessalonians,
London: Hodder and Stoughton, p. 53.
2 FEE, Gordon. Christology in the
Thessalonian Correspondence, p. 39.
A Palavra de Deus orienta o salvo
para ir além da conversão-ato, a
qual inclui o arrependimento e a
regeneração. Deus deseja que os salvos
vivam uma conversão-processo, ou
seja, contínua (Rm 12.1,2). Infelizmente,
a maioria dos crentes parece responder
com atitudes secularizadas e se
adequar à forma de viver do mundo.
Não é à toa que se ouve muito,
hoje em dia, sobre a necessidade de
verdadeira conversão nas igrejas. Na
verdade, fala-se do processo e não do
ato em si.
• Você está preparado para uma
ruptura desse porte, ideológica e
prática, no tocante à idolatria que
reina no mundo?
• Os “fã-clubes” de cantores e
de pastores evangélicos são uma
manifestação de idolatria? Por quê?
2) Pessoas continuamente
esperançosas
O sentimento da salvação não
se restringe ao ato da conversão.
Quem é salvo demonstra uma
atitude esperançosa diante do
mundo. Esse é um tema recorrente
nos escritos de Paulo. Algum tempo
depois da produção desta Carta aos
Tessalonicenses, ele escreveu aos
coríntios esclarecendo essa questão:
“Se é só para esta vida que esperamos
em Cristo, somos de todos os homens
os mais dignos de lástima” (1Co 15.19).
O sentimento de infelicidade e
desencanto diante da vida e do futuro,
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característica dos tempos modernos, ao
qual Paulo chama de “lástima”, torna
a existência humana um pesado fardo.
Isso é muito significativo, pois aponta
para uma realidade um tanto paradoxal:
as pessoas podem ter experiências
agradáveis no âmbito do lazer, ser
satisfeitos em suas necessidades e
expectativas naturais, mas, ainda assim,
sentirem-se incompletas. O motivo:
falta-lhes a experiência com Deus,
aquela que somente a fé em Cristo
pode oferecer (Hb 11.6).
A falta de expectativas presentes e
futuras leva o homem ao desespero.
E existe um desequilíbrio interno
muito particular, no qual Paulo está
interessado: o medo em relação ao
destino eterno. Para o apóstolo, ter fé
em Jesus é acreditar que ele “nos livra
da ira vindoura” (1Ts 1.10c).
Uma expectativa de condenação
no juízo final tem produzido muitas
respostas erradas na humanidade,
como por exemplo, as religiões
que ensinam a autojustificação e a
“reencarnação”. Essas distorções do
conceito bíblico de salvação pregam
uma esperança enganosa. Segundo
ensina a Palavra de Deus, o homem
salvo está em paz e é caracterizado
por uma esperança em seu futuro
eterno, a partir da certeza da salvação
recebida do próprio Deus, quando da
fé em Cristo, esperança dos homens
(1Pe 1.5-9).
• Você já creu assim, como ensina a
Palavra de Deus?
• Você se sente confiante para
aguardar o Senhor, no sentido
de estar preparado para o dia do
julgamento?
3) Pessoas marcantemente
espirituais
Em 2000, no livro QS – Inteligência
Espiritual, Danah Zohar e o Dr. Ian
Marshall demonstraram como funciona
no cérebro este tipo de inteligência,
cuja função é integrar a razão e a
emoção. A inteligência espiritual
aborda e soluciona problemas de
sentido e valor, as questões acerca
do bem e do mal, a compaixão e as
mudanças de paradigmas.
Paulo, por outro lado, é bem
mais específico ao escrever sobre a
experiência religiosa. Para ele, a fé
que precisamos ter não se trata de
“qualquer experiência de fé” ou de
uma fé dirigida para um “deus de
todas as religiões”. Trata-se da fé
dirigida para a pessoa de Jesus Cristo
ressuscitado, que vive em poder e
glória, aguardando o momento de
retornar para julgar o mundo. O
apóstolo João corrobora com esta
visão (1Jo 2.28).
Uma importante marca da
espiritualidade do salvo é o serviço
consciente e voluntário a Cristo,
enquanto aguarda sua volta (Tg 5.8).
Paulo explica que ter fé em Deus
é servi-lo em adoração (1Ts 5.23).
Ora, nem gregos nem romanos
poderiam sequer pensar na hipótese
de “servirem” a Deus como indivíduos
50
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• Você consegue perceber
a diferença entre religião e
espiritualidade?
• Qual é a manifestação de
espiritualidade que Deus espera do
salvo?
Conclusão
Nesse estudo, vimos que o encontro
eficaz com o Senhor Jesus, que salva o
pecador, é o norte de todas as nossas
ações como crentes e líderes de
crentes, hoje. Também, reafirmamos
uma certeza: não seremos
desapontados em nossa esperança!
São três as razões para a segurança
do salvo: sua conversão à verdade,
que o liberta da ignorância expressa
na incapacidade de reconhecer o
Filho de Deus (Jo 17.3; 8.32); sua viva
esperança da salvação, pois não há
possibilidade de perceber o sentido
da vida sem dar-lhe a direção para a
eternidade (Rm 5.5; Rm 8.21); e, por
fim, sua espiritualidade na graça de
Deus, na qual o salvo encontra perdão
diário, consolo contínuo e paz, na
pessoa de seu Filho Jesus Cristo.
Para pensar e agir
• Você tem procurado atuar, de
modo firme e esperançoso, para
que os outros tenham esperança
de viver eternamente com Deus?
Se sua resposta é positiva, sua fé
tem sido eficaz para testemunhar a
salvação recebida.
• Aos olhos de Deus, somos todos
sacerdotes, adoradores, prestandolhe a exclusiva adoração que só
Ele merece. Infelizmente, nossa
sociedade acompanha essa
tendência idolátrica, inclusive,
de personalidades religiosas
mediadoras de graças especiais.
Corremos o perigo de assumir
antigos papéis equivocados, como
os sacerdotes de mediação. Fica o
alerta: ser salvo é ter Jesus como
Mediador da paz, da esperança
vital, da comunhão com o Pai,
pois Ele é Deus. Ir a Ele é ir a Deus,
diretamente (Hb 9.11-15). Você está
fazendo a sua parte?
Leituras Diárias
comuns. Havia sacerdotes e profetisas
cultuais para mediar essa relação
com a divindade escolhida. Por isso,
Paulo precisa pregar sobre Deus
numa visão evidentemente judaica,
chamando-o de “vivo e verdadeiro”
(1Ts 1.9b), diferençando-o de todas
as demais criaturas e seres existentes,
como o único para o qual as criaturas
podem dirigir sua fé, ou seja, servi-lo
enquanto “esperam dos céus o seu
Filho” (1Ts 1.10a).
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Joel 2.12,13
Efésios 2.1-10
Romanos 5.1-5
Romanos 8.1-14
Romanos 10.9-13
1Pedro 1.3-9
1Tessalonicenses 1.9,10
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Data do Estudo
Licao 7
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 2.1-9
Esforços vãos e esforços
válidos na pregação
E
m que sentido a mensagem
divina difere dos discursos
religiosos em geral?
Dia desses, assistindo ao replay
de uma pregação religiosa na
TV, assustei-me. Na preleção, o
palestrante dizia ser “inaceitável” que
Jesus tenha feito, em seu primeiro
milagre, a transformação da água
em vinho. Ao questionar o prodígio
do Salvador, o pregador afirmava
que Jesus deveria ter transformado
as pessoas que ali estavam. Àquela
altura, eu já sabia o que estava por
vir... Ele ostentou que faria o que Jesus
“não foi capaz” de fazer. Convidando
as pessoas para virem até ele, disse
que o milagre que faria não seria a
prosperidade material dos ouvintes,
mas a operação da transformação de
suas “vidas miseráveis”.
Soa megalomaníaco o discurso
religioso atual. Em tempos do “templo
de Salomão”, é inegável perceber
duas coisas, em relação à transmissão
do Evangelho: primeiro, os discursos
religiosos sobre Deus e sua Igreja
apelam para o materialismo, para
a superstição e para a ostentação;
segundo, a deturpação da mensagem
evangélica torna vã a pregação.
Exemplos não faltam!
Portanto, aguçar a percepção dos
cristãos para essas formas errôneas
de transmissão da mensagem é
primordial.
A mensagem apostólica em xeque
No jogo de xadrez, quando a
peça principal do adversário, o
Rei, é atacada, o jogador que faz
o ataque deve dizer: “xeque” (do
árabe sheikh, com origem no persa
sha-h, significando rei ou soberano).
O termo indica uma ameaça imediata
de captura ao rei adversário. Quando
52
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não há casa de escape ao rei, temos a
situação final de xeque-mate para um
dos oponentes.
Em 1Tessalonicenses 2, Paulo
desenvolve os argumentos em
prol da seriedade da transmissão
do Evangelho, o qual está sendo
atacado por reconstruções
equivocadas da mensagem
apostólica. O Evangelho do Rei
Jesus estava em xeque, corria o
risco de ser deturpado. Pessoas com
autoridade estavam projetando os
próprios desejos nos seus ensinos e,
assim, atrapalhando o crescimento
espiritual e o conhecimento de Deus
em Tessalônica. Ainda corremos
esse risco, pois, como afirma Edgar
Morin1 não há conhecimento que
não esteja em algum modo marcado
pelo erro e pela ilusão, por causa
da multiplicidade de meios para
perceber e conhecer um fenômeno.
• Você consegue identificar pregações
atuais que colocam em xeque a
natureza e a veracidade do Evangelho?
Quais? Compartilhe com a classe.
Em busca de pregar o verdadeiro
Evangelho
O capítulo 2 de 1Tessalonicenses
apresenta uma denúncia ao discurso
religioso. Paulo era recém-chegado da
cidade macedônica de Filipos. Ali havia
encontrado uma jovem escrava, que
1 MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários
à educação do futuro. São Paulo: Cortez,
Brasília, DF: UNESCO. 2003.
tinha espírito de adivinhação, e que
dava grande lucro aos seus senhores
(At 16.17,18). Quando ela foi liberta
pela mensagem cristã, deixando os
negociantes da fé sem expectativas
de lucro, os problemas do apóstolo
se multiplicaram. Com certeza, numa
cidade idólatra como Tessalônica,
aquela situação se repetia. Pregadores
aproveitavam-se da superstição dos
tessalonicenses em troca de interesses
econômicos.
Vejamos como o contexto da missão
apostólica de Paulo na Europa pode
nos ajudar nessa apreensão de sentido
sobre a pregação do verdadeiro
Evangelho:
Que nossos esforços não sejam vãos!
Paulo diz que sua abordagem e
aproximação da igreja em Tessalônica
“não foi vã” (1Ts 2.1), ou seja,
infrutífera, vazia de propósito e
sentido. Por outro lado, podemos
aferir que esta palavra caracteriza
todas as reconstruções equivocadas
do Evangelho que eram propostas
pelos opositores do apóstolo Paulo.
Paulo define um ensino vão ou
infrutífero enumerando seis atitudes,
depois de receber as informações do
relatório de Timóteo acerca daquela
congregação, no seguinte contexto
(v.3-6):
• Primeiro, é vã a pregação que tem
origem em erro (do grego planes),
isto é, na mentira e na falsidade.
• Segundo, é vã a pregação que
tem motivos impuros (do grego
53
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•
•
•
•
akatharsia), isto é, se for motivada
por uma intenção maldosa,
maliciosa, geradora de uma vida de
imoralidade e luxúria.
Terceiro, é vã a pregação que se
baseia no dolo ou fraude (do
grego dolos). É a mesma palavra
usada para descrever a acusação
falsa a Jesus, com a finalidade de
prendê-lo (Mt 26.4; Mc 14.1).
Quarto, é vã a pregação que usa
palavras que estão a serviço
dos homens e não de Deus. Em
Gálatas 2.5, Paulo explica que
essas palavras são “lisonjeiras”
(do grego kolakeias), isto é, têm
a intenção de bajular os ouvintes.
Paulo ressalta, em outra epístola, o
perigo dessa situação de agradar
aos homens: “Se estivesse ainda
agradando aos homens, não seria
servo de Cristo” (Gl 1.10).
Quinto, é vã a pregação que serve
de pretexto (do grego prophasis)
para saciar o apetite ganancioso
e avaro (do grego, pleonexia).
Por fim, é vã a pregação que busca
a glória (do grego doxa) dos
homens, isto é, honra, glamour,
fama. Ao agir assim, fomenta-se a
idolatria.
• Pesquise exemplos dos esforços
vãos identificados neste tópico e traga
para compartilhar com a classe.
Que nossos esforços sejam válidos!
No versículo 3, Paulo define a
pregação válida: ela serve como
“exortação” (do grego paraklesis):
“palavra de encorajamento, consolo”,
mas, também, apelo à salvação, tal
qual fazem os pregadores, hoje, no
fim de suas mensagens.
A pregação evangélica é uma
exortação verdadeira “em Cristo”.
Em Filipenses 2.1a, a expressão é
traduzida como “conforto” (ARC).
Em 1Tessalonicenses 2.7, Paulo fala
da transmissão do Evangelho com
“brandura”2, ou seja, sem aterrorizar
nem forçar o pecador. Tudo indica que
Paulo usava da conversação coloquial
e da intimidade familiar. Indica,
também, sabedoria para apresentar o
Evangelho num ambiente de oposição.
No versículo 8, Paulo faz um
comentário interessante: junto com
o Evangelho que pregava, desejava
comunicar sua alma. Isso mostra,
claramente, a conexão profunda entre
a mensagem pregada e a mensagem
vivida. Penso que está aí expressa
a essência do trabalho pastoral de
aconselhamento: comunicação de
vida.
Paulo não tem nenhum interesse
obscuro ou oculto em sua pregação.
Pelo contrário, ele apela para o
testemunho de Deus, no tocante
ao desinteresse econômico de sua
pregação. Ele fez questão de ganhar
seu próprio sustento, durante o mês
em que ficou entre os tessalonicenses:
2 Algumas versões trazem a palavra grega
nepioi, traduzindo: “tornei-me criança no
meio de vós”, mas brandura, do grego epioi,
harmoniza melhor com o contexto.
54
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“Porque, vos recordais, irmãos, do
nosso labor e fadiga; e de como, noite
e dia labutando para não vivermos
à custa de nenhum de vós, vos
proclamamos o evangelho de Deus”
(2Ts 2.9).
vida pessoal. Durante o tempo que
passou ali, umas poucas semanas,
o servo de Deus comissionado para
pregar aos gentios não mediu esforços
para levar avante a obra missionária.
• Você consegue identificar
exemplos de exortação e conforto
espiritual na Bíblia? Compartilhe com
a classe.
Ainda hoje temos esses dois perigos
para a transmissão do Evangelho: a
lisonja e a ganância (1Ts 2.5). Lisonja,
do grego kolakeias, é bajular, adular
com baixeza. Ganância, do grego
pleonexia, é a avareza e, também,
o impor determinados tipos de
comportamento espiritual, como o
ato forçado de ofertar. Evitemos,
portanto, que o discurso evangélico
por nós produzido sirva ao infame
processo de manipulação religiosa.
Assim, nossa mensagem será útil ao
Reino de Deus.
O exemplo de Paulo deve nos servir
de estímulo, principalmente se nossa
labuta ministerial for caracterizada
pelo amor e pela renúncia, pelo desejo
de agradar àquele que nos convocou
para a obra. Paulo esperava isso dos
tessalonicenses, mas deixava seu
exemplo de vida à disposição (1Ts 4.1).
Façamos o mesmo!
Uma das perdas mais comuns em
relação aos esforços evangelísticos vãos
é a imediata ausência de comunhão e
consenso na igreja. Gundry3 informa
que Paulo escreveu esta carta da
cidade de Corinto, cuja igreja seria
evidente exemplo de discórdia e
divisões internas. Na carta que escreveu
àqueles cristãos, Paulo foi taxativo em
apelar para a concórdia e unidade na
igreja. Viver fora dessa situação de
unidade é viver na ilusão e no erro.
Ao dizer que seu trabalho “não
foi em vão”, Paulo insiste no poder
agregador do Evangelho, que produz
uma pequena comunidade de homens
e mulheres regidos pela lei do amor,
cujos corações são preenchidos pelo
fervor religioso, pela presença da
esperança, pela liberdade espiritual e
fraternidade.
Foi gratificante para o apóstolo que
os cristãos de Tessalônica tenham
reagido tão bem à sua pregação e
3 GUNDRY, Robert. Panorama do Novo
Testamento. São Paulo: Vida Nova, p. 300.
Leituras Diárias
Conclusão
Para pensar e agir
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
2Reis 17.13-15
Salmos 15.1-5
Atos 28.30,31
1Coríntios 9.24-27
Tito 1.10-14
2Coríntios 13.5-8
1Tessalonicenses 2.1-9
55
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Data do Estudo
Licao 8
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 2.10-12
A igreja sob os olhares externos
D
e um modo ou de outro, estamos
sempre sob os olhares do mundo
externo. Nem sempre nos damos
conta desse “estado de vigilância social”
e, por conta disso, às vezes agimos
irrefletidamente. Dessa forma, com
um mau testemunho, perdemos a
oportunidade de expressar o verdadeiro
significado do Evangelho que pregamos.
Você sabia que o testemunho cristão
é um dos traços que definem a missão
da Igreja no mundo? Paulo sempre se
mostrou atento à situação de estar sendo
observado pelos novos crentes. Acerca
de seu ministério, diz: “Vós e Deus sois
testemunhas...” (1Ts 2.10a).
Neste estudo, buscaremos
compreender como podemos dar conta
do “testemunho” cristão perante os
olhares constantes de toda a sociedade.
O “martírio” diário
A palavra grega marturia (testemunho)
e seus derivados são mais usadas nos
escritos do apóstolo João e por Lucas,
no livro de Atos1. Nas poucas vezes que
1 Conferir o artigo “Testemunha, testemunho” em
BROWN, Colin (Ed.) O Novo Dicionário Internacional
de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida
Nova, Vol. IV, p. 610-623.
Paulo faz uso dela, relembra um evento
específico e apela para o sentido jurídico
do ato de dar testemunho.
Eis alguns usos interessantes dessa
expressão pelo apóstolo dos gentios:
• Em Romanos 1.9, Filipenses 1.8 e
1Tessalonicenses 2.5, Paulo apela
para Deus como “testemunha” (do
grego, “martus”) da verdade de
sua pregação, ao se defender das
acusações de pregar por interesses
escusos.
• Paulo usa o verbo grego “marturo”
(dou testemunho) em 2Coríntios 8.3,
Gálatas 4.15 e Colossenses 4.13, no
sentido de se oferecer como evidência
da veracidade e confiabilidade das
igrejas cristãs às quais pregou.
• Paulo destaca a necessidade do
“testemunho de boas obras” como
pré-requisito para a inscrição de viúvas
na ação social da igreja (1Tm 5.9,10) e,
também, para exercício do pastorado
(1Tm 3.7).
Quando estamos certos de
estar fazendo a vontade de Deus,
permanecemos com a consciência
tranquila de termos cumprido a missão
recebida (2Co 1.12). Veremos, a seguir,
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como se dá esse bom testemunho na
sociedade.
• Compartilhe com os demais alunos
da classe algumas possibilidades diárias
de testemunho cristão.
O “martírio” da santidade
Perante os olhares externos, a boa
consciência de Paulo lhe diz que agiu
de forma “...santa” (1Ts 2.10b). Entre os
gregos, essa palavra representava aquilo
que estava de acordo com a direção e
providência divinas, com dois sentidos
básicos, a saber:
a. A descrição de uma pessoa no
sentido de “piedosa”, “religiosa”.
b. A descrição qualitativa de algumas
ações, como é o caso de Paulo, neste
versículo: agir de modo “puro”, “limpo”
(vida santa, moral e espiritualmente).
Em Tessalônica e na cultura grega em
geral, reinava um comportamento de
impureza moral e religiosa, por causa
do paganismo e da idolatria. Quando
chegou em Tessalônica, o apóstolo
pregou a necessidade do afastamento
dos ídolos e do serviço ao Deus Vivo e
Verdadeiro, que é santo (1Ts 1.9). O fator
que diferenciava Paulo dos pregadores
de seu tempo é que estes não passavam
pelo teste da vida piedosa.
• Compartilhe com a classe suas
descobertas acerca de duas declarações
de Paulo aos Coríntios, no que se refere à
condição do salvo (1Co 1.2; 6.11).
O “martírio” da retidão
Perante os olhares externos, a boa
consciência de Paulo lhe diz que agiu
de forma “...justa” (1Ts 2.10b). Segundo
o costume grego, justiça era a palavra
usada para significar “um modo
civilizado de vida”2.
Paulo também apela para o
testemunho de justiça, ou seja, uma vida
de retidão. Dessa forma, o testemunho
da fé cristã alcança, também, uma
dimensão política. Mas, no escopo
de sua pregação, esta atitude está
relacionada ao conhecimento de Deus,
que é “justo e o justificador daquele que
tem fé em Jesus” (Rm 3.25b).
Na lição 11, aprofundaremos os
aspectos da retidão que são implicados
no comportamento “justo” citado por
Paulo.
• Comente a dimensão política do
testemunho evangélico na declaração:
“O evangelho todo, para o homem
todo, para todos os homens”. [Pacto de
Lausanne]
O “martírio” das relações sociais
honestas e irrepreensíveis
Perante os olhares externos, a boa
consciência de Paulo lhe diz que agiu “...
irrepreensivelmente” entre aqueles que
evangelizou (1Ts 2.10c).
É interessante notar que esse
comportamento paulino antecede até
2 Conferir o artigo “Justiça” em BROWN, Colin (Ed.)
O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo
Testamento. São Paulo: Vida Nova, Vol IV, p. 527.
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mesmo a sua conversão. Escrevendo aos
filipenses, Paulo descreveu seu farisaísmo
como “irrepreensível” no que se refere
à justiça que está na Lei (Fp 3.6). Isso
significa que Paulo era alguém fiel às suas
crenças, aos ensinamentos que recebeu,
desde a infância. Após sua conversão,
o que mudou? Mudou sua perspectiva.
Paulo não mais agia de acordo com um
código escrito, com uma série de leis e
normas religiosas de conduta. Tornouse seguidor fiel e irrepreensível de uma
pessoa, o Salvador Jesus.
Na Carta aos Tessalonicenses, Paulo
expressou seu desejo de que os cristãos
em Tessalônica fossem, também,
“discípulos” irrepreensíveis. Ele usa a
expressão em 1Tessalonicenses 3.13
e 5.23, com referência à condição
inculpável do salvo, diante de Cristo, na
sua volta. O termo equivale a dizer que
palavras, gestos e atitudes cristãs não
devem se contradizer.
• Como podemos dar um testemunho
irrepreensível na sociedade?
Uma forma amorosa de ser
1) A forma amorosa com que
Paulo orientava a igreja se expressa
pela exortação (1Ts 2.12a). O termo
parakaleo (exortar) significa “rogar”,
“apelar insistentemente” e, também,
aparece traduzida como “consolar”
em 1Tessalonicenses 4.18. Exortar
alguém com o consolo de Deus, isto é,
das Escrituras e com a orientação do
Santo Espírito, é uma poderosa forma
de testemunho. Deus é o modelo do
apóstolo. Escrevendo aos coríntios, ele
bendiz ao Senhor, reconhecendo isso
(2Co 1.3a,4).
2) A forma amorosa com que
Paulo orientava a igreja se expressa
pelo encorajamento (1Ts 2.12b). Em
nossas versões da Bíblia, paramuthia
é traduzida como “consolação”. Um
exemplo bíblico do uso deste verbo
pode ser encontrado em João 11.31,
que relata os pêsames trazidos pelos
judeus às irmãs do falecido Lázaro.
Em Tessalonicenses, somos
orientados a encorajar os desanimados
(1Ts 5.14). Em termos médicos,
podemos pensar em várias causas
para o desânimo ou canseira: anemia,
diabetes, distúrbios de tireoide,
doenças cardíacas, entre outras. Mas
Paulo fala aqui de uma apatia espiritual,
que precisa ser tratada espiritualmente,
por meio do encorajamento. Também
podemos pensar em três causas muito
comuns do desânimo espiritual:
• comportamento pecaminoso
continuado;
• perseguição religiosa (1Ts 2.14;
2Ts 1.4);
• estados depressivos da alma (que
também podem ser casos de
tratamento médico).
O maior encorajamento que
podemos oferecer aos desanimados
é uma fé convicta, que demonstra
firmeza no Senhor. Fé, nesse sentido,
apresenta um componente relacional.
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Conclusão
No testemunho de Paulo, que
estudamos aqui, destaca-se a forma
carinhosa e paternal com que ele
orientava os cristãos de Tessalônica:
“vos tratávamos a cada um de vós,
como um pai a seus filhos” (1Ts 2.11).
Ele ensinou os primeiros líderes da
igreja a fazerem o mesmo, pois a
verdadeira essência do pastoreio é o
convívio, a comunhão e o contato que
demonstra apreço e consideração.
O testemunho cristão é a forma mais
eficiente de pregação do Evangelho.
Agir em conformidade com o amor,
a santidade e a justiça de Deus faz
do crente uma pessoa produtiva,
socialmente (1Tm 6.12). Precisamos agir
de forma mais construtiva, encorajando
os nossos familiares e amigos a
conhecerem a única verdade que tem
poder de libertar e transformar, rumo à
felicidade: Jesus Cristo, nosso Senhor.
Para pensar e agir
Graças ao poder do Espírito de Deus,
a mensagem cristã da santidade e da
justiça recebe a aceitação do pecador.
Transformado em discípulo, o cristão
passa a adotar uma vida piedosa
e devotada a Deus, pois essa é a
característica da pessoa que se tornou
uma nova criatura em Cristo (Ef 4.24).
Você tem se esforçado por viver nesses
padrões?
O Evangelho nos oferece uma
ética de princípios exigentes e
abençoadores, que devemos segui-los
fielmente. O testemunho do discípulo
se resume na afirmação de que existe
um modo digno de agir, em acordo
com a vontade de Deus. Num mundo
que relativiza a verdade, nenhuma
afirmação é tão contundente quanto
a finalidade de nos conduzirmos
dignamente para com Deus, que nos
chama para o seu Reino e glória
(1Ts 2.12). Desse modo, o mundo verá
Jesus em nosso viver!
Você já ofereceu seu ombro amigo
como apoio a alguém que estava
necessitado, ou realizou um gesto
de amor? Tem se preocupado com
a santidade e a justiça de Deus? É
assim que damos um testemunho
evangélico de verdadeiro impacto!
É assim que, quando olharem para
nós, os homens glorificarão a Deus!
(Mt 5.16; At 4.21).
Leituras Diárias
O próprio Paulo foi reanimado
pela notícia de que os cristãos de
Tessalônica mantiveram-se firmes
no Senhor, apesar das perseguições
sofridas (1Ts 3.7,8). O cristão convicto
ora mais, com objetividade e maior
intensidade (1Ts 3.10; 5.17,25).
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Salmos 1.1-6
Isaías 43.10-21
Atos 1.1-8
Colossenses 4.5,6
Hebreus 12.1-4
1Timóteo 6.11-16
1Tessalonicenses 2.10-12
59
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Data do Estudo
Licao 9
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 3.1-13
Desafios de um ministério
local – Parte 1
T
odas as igrejas surgidas da missão
apostólica de Paulo no mundo
gentílico enfrentaram muitos
desafios, por causa do ambiente
religioso externo, predominantemente
pagão, e dos conflitos políticos e
sociais que a nova fé trazia consigo.
Paulo e seus cooperadores fazem
das cartas instrumentos de orientação
para essas novas comunidades. Essa
característica particular dos escritos
paulinos ressalta a importância das
orientações bíblicas às igrejas, pois
em muitos lugares do mundo, as
comunidades cristãs ainda enfrentam
desafios parecidos.
Esta lição analisa o capítulo três de
1Tessalonicenses, buscando tornar o
texto de Paulo significativo para os
dias de hoje. Interessa-nos, também,
aprender com a experiência do
apóstolo naquela comunidade cristã,
em particular.
O contexto
No relato de Atos 17.13-15, lemos
que Paulo foi enviado a Atenas,
quando pregava o Evangelho na
região de Bereia, para fugir da
perseguição movida pelos judeus de
Tessalônica. Separando-se de Timóteo
e Silas, Paulo deixou a instrução para
que ambos se reunissem com ele
em Atenas, o mais breve possível.
Certamente, Timóteo cumpriu essa
orientação, pois em 1Tessalonicenses
3.1,2 há o relato de que Paulo o
enviou para saber notícias dos cristãos
de Tessalônica e para trazer-lhe um
relatório. A carta relata a revitalização
da alegria do apóstolo por receber
boas notícias (1Ts 3.6).
O relatório dos desafios
Os desafios enfrentados e vencidos
pela Igreja de Tessalônica são de
quatro ordens, a saber: o cuidado
das ovelhas, o tratado de cooperação
ministerial, a firmeza da fé diante
das lutas espirituais e a natureza
qualitativa do crescimento esperado
por Cristo.
Neste estudo, focalizaremos o
cuidado das ovelhas, ou seja, a
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atividade do pastoreio e mentoria
espiritual.
pastor e guia de nossas almas, Jesus
(Mt 2.6; Jo 10.16; Hb 13.20).
1) Pastoreio e mentoria, sem
celebrar a “menoridade” espiritual
• Cite algumas expressões de
cuidado e preocupação pastoral com
as ovelhas, em ordem de importância.
Motiva-nos profundamente ler
sobre a preocupação de Paulo acerca
da comunidade cristã de Tessalônica
(1Ts 3.1,2). A esse cuidado, a Versão
Almeida Revista e Atualizada (ARA)
chama “pastoreio”. Nos dias atuais,
têm-se usado a expressão “mentoria”,
cujo significado básico é: “Uma
experiência relacional na qual uma
pessoa (mentor) investe em outra
(pupilo) compartilhando os recursos
dados por Deus”1.
A existência do pastoreio e da
mentoria na igreja é uma meta
orientada por Jesus na iminência
de sua crucificação, ao ordenar
a Pedro: “Pastoreia as minhas
ovelhas” (ARA - Jo 21.16). No livro
de Atos, lemos sobre o pastoreio
pelos líderes das igrejas: “Atendei
por vós e por todo o rebanho
sobre o qual o Espírito Santo vos
constituiu bispos, para pastoreardes
a igreja de Deus, a qual ele
comprou com o seu próprio
sangue”(ARA – At 20.28).
Essa atividade deve ser realizada
sob uma perspectiva representativa.
Logo, ao pastor/mentor não cabe “ter
rebanho”, o qual pertence ao sumo
1 http://community.elevatorup.com/
yfci/youngleaders/assets/Mentoring_
Portuguese_2-6.pdf
2) Pastoreio e mentoria como tarefa
de todos
Há um fato, sobre o cuidado de um
rebanho espiritual, que não se pode
discutir: é impossível que uma pessoa
(o pastor) consiga realizar sozinho
uma tarefa tão complexa. Paulo sabia
disso e, por isso, tinha cooperadores
(Rm 16.3; Fp 4.3; Fm 1.24).
Todavia, a grandiosidade da seara
impõe a necessidade do pastoreio,
pois as multidões continuam cansadas
e desgarradas, como ovelhas que não
têm pastor; os obreiros continuam
sendo necessários à continuidade da
obra (Mt 9.36-38).
Dessa forma, deve a igreja tornar-se
uma agência de pastoreio e mentoria.
Nos dias atuais, ela tem feito isso
com os esforços evangelísticos do
discipulado, da implantação de
pequenos grupos com ênfase nos
relacionamentos saudáveis, da
capelania, dos centros de recuperação
e aconselhamento, dos grupos
de pastoreio a famílias, das redes
ministeriais, etc.
• De que maneira os demais cristãos
podem ajudar o pastor da igreja na
tarefa do pastoreio?
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3) Pastoreio e mentoria, sem coação
e ditadura espiritual
pastores de si mesmos e não do
rebanho de Cristo (Jd 1.12).
Um cuidado que se deve ter, no
que se refere à mentoria espiritual, é
a síndrome de dependência de uma
“autoridade espiritual” humana, seja
ela quem for. Refiro-me, com isso,
ao apelo à maioridade espiritual
de cada cristão que está expresso
nos Princípios Batistas2 acerca do
indivíduo, seu valor, sua competência
e sua liberdade:
• Cada indivíduo foi criado à imagem
de Deus e, portanto, merece
respeito e consideração como uma
pessoa de valor e dignidade infinita.
• Cada pessoa é competente e
responsável perante Deus, nas
próprias decisões e questões morais
e religiosas.
• Cada pessoa é livre perante
Deus em todas as questões de
consciência e tem o direito de
abraçar ou rejeitar a religião,
bem como de testemunhar sua fé
religiosa, respeitando os direitos
dos outros.
Pastores e mentores que não
respeitam esses princípios atuam
por coação, movidos por ganância
e interesses escusos: “pastoreai
o rebanho de Deus que há entre
vós, não por constrangimento, mas
espontaneamente, como Deus quer;
nem por sórdida ganância, mas de
boa vontade;” (ARA - 1Pe 5.2). São
• Leia 1Timóteo 1 e responda: Você
consegue identificar formas de coação
e de ditadura espiritual em nossos
dias? Quais?
2 http://www.batistas.com/index.
php?option=com_content&view=article&id=16&Ite
mid=16&limitsta
4) Pastoreio e mentoria
das novas gerações
Tanto pelo critério etário como
pelo critério sociocultural, a
definição de “jovem” coincide com
“um ser em transição”, alguém
marcadamente influenciado pela
era atual, chamada pós-moderna,
alguém buscando adaptar-se
aos apelos impostos pela cultura
dominante. Normalmente, devem os
jovens “amadurecer”.
Jovens que se tornaram “cristãos”
não são etária e culturalmente
diferentes dos demais. Vivem uma
fase de transição, recebem a mesma
pressão social e estão diante das
mesmas dificuldades de adaptação
e amadurecimento. O que difere
um jovem cristão de um jovem não
cristão é sua capacidade de discernir
as coisas espirituais (1Co 2.15).
Essa competência é uma
capacidade alinhada com a eficácia
da Palavra de Deus na vida de cada
indivíduo (Hb 5.12-14). Assim,
quaisquer passos para deixar a
“meninice” espiritual têm a ver com
o manuseio da Palavra de Deus pelo
jovem cristão.
62
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O pastoreio das novas gerações
deve ser predominantemente marcado
pelo manuseio das Escrituras, pela
exortação (aconselhamento, conforto),
de modo a tornar jovens em cristãos
maduros o suficiente para ensinar a
outros.
• Identifique meios de a juventude
cristã envolver-se com a Palavra
de Deus de modo a amadurecer
espiritualmente e compartilhe sua
descoberta com demais participantes.
Conclusão
No site oficial de Missões Portas
Abertas3, lemos: “Atualmente, mais de
100 milhões de cristãos são perseguidos
por causa de sua fé em Jesus. Aqueles
que seguem a Cristo enfrentam a
oposição de seus governos, sociedades
e até parentes em, pelo menos, 60
nações. Isso faz com que os cristãos
sejam o grupo religioso mais perseguido
do mundo. Em média, 100 indivíduos
cristãos perdem sua vida a cada mês
3 https://www.portasabertas.org.br/main/1184196/
Classificacao2014_PortasAbertas_A4
em razão de sua fé em Jesus Cristo”. A
frase mostra que os salvos por Cristo
precisam de apoio espiritual para
enfrentar suas lutas e tribulações diárias.
Desse modo, entendemos que
um ministério local é continuamente
desafiado a ser efetivamente
terapêutico, ou seja, cuidar do
pastoreio atentando para o fato de
que o crescimento espiritual é um
processo contínuo que precisa de
acompanhamento. Uma vez que
a tarefa do pastoreio é impossível
a um único homem, devem os
cristãos cuidar uns dos outros, por
meio do ensino, da exortação e da
admoestação na Palavra do Senhor
(1Co 12.25; Gl 6.2; Jd 1.20-23).
Para pensar e agir
Mentores efetivos são intencionais,
relacionais, objetivos, honestos,
exemplares, confiáveis, capacitadores
e supridores. Como você se autoavalia,
segundo esses critérios?
Você consegue identificar formas
de a igreja promover o ambiente de
comunhão e edificação mútua que
é proposto pelo pastoreio e pela
mentoria espiritual? Quais?
Leituras Diárias
Paulo, escrevendo a Timóteo
(1Tm 4.13), sugere àquele jovem três
passos para a maturidade:
1. Aplica-te à leitura (da Palavra de
Deus);
2. Aplica-te à exortação (na Palavra de
Deus);
3. Aplica-te ao ensino (da Palavra de
Deus).
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Deuteronômio 6.1-7
João 21.15-19
Mateus 9.35-38
Atos 16.1,2
1Timóteo 4.1-16
Judas 1.20-25
1Tessalonicenses 3.1-11
63
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Data do Estudo
Licao 10
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 3.1-13
Desafios de um ministério
local – Parte 2
N
esta lição, continuaremos a
estudar os demais desafios
enfrentados e vencidos pela
Igreja em Tessalônica, os quais são:
o espírito de cooperação ministerial,
a firmeza da fé diante das lutas
espirituais e a natureza qualitativa do
crescimento esperado por Cristo.
O relatório dos desafios – parte 2
1) Espírito de colaboração ministerial
Paulo mostra todo o seu espírito de
cooperação e humildade, ao enviar
Timóteo para Tessalônica (1Ts 3.2a),
pois ele estava longe dos crentes
daquela cidade quando lhes escreveu.
Sua carta mostra que ansiava pelo
dia em que pudesse revê-los e orava
por isso (1Ts 3.10,11), mas nem sua
ausência física atrapalhou o avanço da
obra missionária. Com efeito, trabalho
algum subsiste quando um líder faz
tudo sozinho. A obra na Província
Romana da Macedônia cresceu por
causa de cooperadores como Timóteo,
e porque aqueles cristãos resolveram
também cooperar (1Ts 3.8; 2Ts 3.4).
Timóteo, nosso irmão
Em primeiro lugar, Paulo descreve
Timóteo como “nosso irmão...”
(1Ts 3.2b), ou seja, tanto dele como
dos amados tessalonicenses. Trata-se
aqui da irmandade da fé e da labuta
missionária. É dessa maneira que
devemos encarar todos os que conosco
se juntam na batalha espiritual (Jd 1.3).
Dentre as características ideais dessa
irmandade na comunidade cristã,
podemos citar: o saber administrar aos
outros os dons recebidos, conforme a
multiforme graça de Deus (1Pe 4.10);
o demonstrar a identidade fidedigna
dos valores do Evangelho (1Co 4.1,2);
e o agir movido pelo interesse comum
(At 2.44).
Timóteo, ministro/cooperador
de Deus
Em segundo lugar, Paulo descreve
Timóteo como “...ministro de Deus,
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e... cooperador no evangelho de
Cristo” (1Ts 3.2c - ARC). Este jovem
pastor se destaca numa longa lista
de cooperadores do apóstolo, tais
como Tíquico, Onésimo, Aristarco,
Marcos, Justo, Demas, Lucas, Urbano,
Epafrodito, Tito e Filemom (Cl 4.7-11;
Fm 1.1,24; Rm 16.9; Fp 2.25; 2Co 8.23).
Em 1Tessalonicences 3.2 (ARC),
Paulo usa dois termos gregos
importantes nessa descrição:
diakonon (servo, o que executa um
serviço comissionado; ministro ou
pregador do Evangelho) e sunergon
(companheiro de trabalho, associado,
coadjutor)1.
Para haver colaboração ministerial,
são necessários, dentre outras
realidades, as seguintes:
• Sinergia
Sinergia é somar forças, buscar
integração entre as parte envolventes
de uma organização, fazendo com
que todos foquem no mesmo
objetivo.
Um cavalo Bretão mestiço chega a
puxar, num implemento sem rodas,
700Kg sozinho. Um Bretão puro puxa
cerca de 1.500kg e, num implemento
com rodas, 1.000Kg e 4.000Kg. Mas
dois deles juntos puxam mais do que
a soma de cada um. Juntos, eles não
somam, multiplicam!
Que lições podem ser extraídas
desse exemplo? Sua sinergia – o poder
extra que resulta quando se trabalha
1 MOULTON, Harold K. (Ed.) The Analytical Greek
Lexicon Revised, Michigan: Regency, p. 91, 388.
junto; poder além do total do que
cada indivíduo poderia contribuir. Um
exemplo vivo no Novo Testamento é a
família de Estéfanas e o casal Priscila e
Áquila (1Co 16.15; Rm 16.3).
• Delegação de
responsabilidades
A confiança que Paulo tinha em
Timóteo era tanta, que ele fez uma
referência elogiosa a respeito da
integridade do amigo, quando escreveu
aos Filipenses: “...Porque a ninguém
tenho de igual sentimento, que
sinceramente cuide do vosso estado...
bem sabeis qual a sua experiência, e
que serviu comigo no evangelho, como
filho ao pai” (Fp 2.20,22 – ARC).
A fim de concretizar “o sonho de
evangelizar e discipular cada pessoa em
nosso país”2 e de bem usar as estratégias
de crescimento da denominação
para os próximos anos, precisaremos
de ministérios locais compostos de
cooperadores como Timóteo, de
homens e mulheres que cuidem dos
interesses do Reino e que repartam as
responsabilidades da pregação, do ensino
da Palavra de Deus, do discipulado e do
amor cristão (Mt 28.18-20).
• Parceria de propósito e de
interesses
Por incrível que possa parecer, a
cooperação na obra de Deus não é o
resultado da reunião de pessoas que
2 Revista “A Pátria para Cristo”, n° 263, p. 1,
nas palavras do Diretor Executivo da Junta, Pr.
Fernando Brandão.
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adoram a Deus de uma mesma forma,
nem dos que oram de uma maneira
particular, nem daquelas pessoas
que possuem uma visão doutrinária
comum. A cooperação surge em torno
de indivíduos que trabalham movidos
por um mesmo interesse e propósito:
servir, na frente de batalha, àquele
que os arregimentou, Jesus Cristo
(2Co 8.23).
• Liste 3 (três) formas de
cooperação ministerial e compartilhe
com a classe.
2) Fé inabalável diante das lutas
Outro desafio vencido pelos irmãos
tessalonicenses foi a manutenção de
uma fé firme diante das artimanhas do
inimigo (1Ts 3.5).
A principal preocupação de Paulo,
ao enviar Timóteo, era a de não
permitir que os cristãos em Tessalônica
desanimassem diante das notícias
graves – porém inevitáveis e previsíveis
– das tribulações vividas pelo apóstolo
(1Ts 3.3,4).
Para realizar tal feito, ele orienta
Timóteo a assumir diante da igreja
duas atitudes ministeriais, que devem
estar conjugadas com a ação do
próprio Deus:
• Confirmar (estabelecer, fortificar) os
cristãos em toda a boa obra e boa
palavra (Rm 16.25-27; At 18.23;
2Ts 2.17b; 3.3);
• Consolar (animar, encorajar) os
cristãos diante das duras provas da
fé (2Ts 2.17a; 2Co 1.4) ou redobrar-
lhes o ânimo depois de que os
mesmos, tendo cometido um erro,
venham a arrepender-se (2Co 2.7).
A boa notícia dos campos
missionários sempre renova o ânimo
dos cooperadores de Deus (1Ts 3.6).
Por isso, quando recebe o relatório
de Timóteo, Paulo chega a dizer:
“...ficamos consolados acerca de vós...
pela vossa fé.” E, também: “Agora
vivemos, se estais firmes no Senhor.”
(1Ts 3.7,8).
Portanto, se essas duas atitudes –
confirmação e consolo na fé – forem
promovidas pelos que conduzem o
rebanho, certamente elas passarão
a fomentar a edificação mútua na
igreja: “Consolai-vos, pois, uns aos
outros e edificai-vos reciprocamente...”
(1Ts 5.11a).
• Compartilhe com a classe um
momento em que você foi consolado
e confirmado na fé, por causa do
trabalho de amor de um(a) servo(a)
de Deus.
3) Crescimento qualitativo
Os tessalonicenses superaram
também o desafio de adotar
uma estratégia de crescimento
numérico sincronizado com o
crescimento e amadurecimento
da comunidade, enquanto
comunidade em si (1Ts 3.12).
Sempre há espaço para o
crescimento qualitativo do
discípulo fiel. Por isso, Paulo deseja
tanto reencontrar aqueles cristãos
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Ministérios locais que evidenciam o
crescimento qualitativo vão além da
busca pela conversão dos perdidos
a Cristo. Preocupam-se, também,
com a contínua comunicação do
Evangelho da graça de Deus, nos
aspectos que clamam por mudança
de vida (Fp 1.27; 2Tm 1.10) e por uma
vivência de paz e alegria, no Espírito
Santo (Rm 15.29; Ef 1.13).
Ministérios locais que evidenciam
o crescimento qualitativo fazem
isso por meio do estudo sistemático
e indutivo da Palavra, de forma
contextualizada e com aplicação
prática para o cotidiano de cada
participante (1Co 4.17; Rm 12.7;
15.4; Tg 1.22). Entretanto, nesse
tempo de revoluções tecnológicas e
informacionais, vivemos uma grande
alteração dos modos básicos de
se interagir, relacionar, negociar e
educar. Para resistir a este mundo,
somente com uma visão clara de
quem Deus é, de quem nós somos
nEle, por meio da obra de nosso
Senhor Jesus Cristo, e do que
precisamos fazer para agradá-lo
(Rm 12.1,2).
• Você consegue pensar em outras
formas de sincronizar o crescimento
qualitativo do corpo de Cristo com o
crescimento numérico? Quais?
Para pensar e agir
• Em tempos de individualismo e
de isolamento social, o grande
desafio da igreja local é persistir no
sentimento de comunidade. Você
se sente unido aos demais irmãos
assim, comprometendo-se com o
crescimento e o bem estar deles?
• Ao ler Colossenses 3.16, somos
ensinados a reclamar e murmurar
do trabalho desenvolvido na igreja
ou a compartilhar com os demais
irmãos os aspectos positivos e
consoladores do ministério?
• Você costuma agradecer a
Deus em oração pelos avanços
alcançados? Ao agirmos assim,
somos inundados pela certeza
de sua provisão, além de
testemunharmos ao mundo o seu
amor gracioso.
Leituras Diárias
para suprir-lhes o que falta à sua fé
(1Ts 3.10b).
São propostas de crescimento
qualitativo para a igreja em
Tessalônica, particularmente:
a. O crescimento em amor uns para
com os outros como o grande
propósito da vida eclesiástica e
evangelística (1Ts 3.12).
b. A santificação progressiva que
fortalece a esperança diante da
vinda do Salvador (1Ts 3.13).
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Mateus 28.18-20
2Timóteo 2.1-11
Romanos 16.1-12
Filipenses 2.20-22
2Pedro 1.1-8
Romanos 12.1,2
1Tessalonicenses 3.12,13
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Data do Estudo
Licao 11
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 4.1-12
Importa agradar a Deus!
C
erta vez fui procurado por um
jovem que tinha uma dúvida
muito intrigante. Ao se aproximar
de mim, um tanto afoito, fez-me a
seguinte pergunta:
– Pastor, como é que eu posso saber
a diferença entre o que é necessário
e o que supérfluo, no que se refere à
minha atuação no Reino de Deus?
A preocupação do rapaz, naquele
momento, era não perder tempo e
não dispender energia inutilmente. O
texto que me veio à mente foi “...Mais
importa (é necessário!) obedecer a
Deus do que aos homens.” (At 5.29b).
Então, sugeri três tarefas de
pesquisa àquele jovem: 1) que
procurasse numa concordância
(chave) bíblica a palavra “importa” (é
necessário!); 2) que fizesse o arranjo
das alternativas do comportamento
esperado, eliminando as repetições; 3)
e que me trouxesse o resultado.
Passadas umas duas semanas, com
um enorme sorriso, ele apresentou o
fruto do seu labor intelectual:
• “Importa que o evangelho seja
pregado” (Mc 13.10) – uma
orientação de Jesus aos discípulos
sobre os últimos tempos.
• “Importa que em mim se cumpra
aquilo que está escrito” (Lc 22.37)
– uma explicação de Jesus sobre a
obra da cruz que estava por vir.
• “...importa que os que o adoram o
adorem em espírito e em verdade”
(Jo 4.24). – um apelo à verdadeira
adoração a Deus.
• “...importa, sendo necessário, que
estejais por um pouco contristados
com várias tentações...” (1Pe 1.6) –
uma lembrança do papel didático
da prova da fé.
Àquela altura, era eu quem sorria
abertamente. Então, disse-lhe:
– Hoje, você me mostrou que não
perde tempo e não dispende energias
inutilmente, fazendo o que agrada
a Deus. Você é um jovem bemaventurado.
No capítulo 4 da Primeira Carta
aos Tessalonicenses, Paulo faz essa
mesma proposta àqueles cristãos.
Diz-lhes, abertamente: “Importa que
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vocês agradem a Deus!” (paráfrase do
versículo 1). A exortação à vida santa
ocorre em oposição ao paganismo
idólatra em torno do qual viviam as
comunidades cristãs gentílicas na
Macedônia (Filipos e Tessalônica, por
exemplo) e na Acaia (Corinto).
Assim, neste estudo, abordaremos
os conselhos paulinos acerca do que é
necessário e do que é imprescindível
fazer para alegrar o coração de Deus.
A recomendação da abertura,
em 1Tessalonicenses 4, sugere
um tom de urgência. O cristão
que deseja progredir em sua vida
espiritual precisa aperfeiçoar-se a
cada dia. Tal aperfeiçoamento trata
especificamente de um dever sagrado:
a santificação pessoal.
1. Santificação, a celebração da
diferença
O Aperfeiçoamento na santidade
• Você passou pela experiência do
novo nascimento? Que diferenças são
notórias em seu viver e que testificam
a mudança da sua nova criação em
Cristo? Compartilhe sua resposta com
a classe.
A santidade é um atributo moral
absoluto da perfeição de Deus,
que Ele compartilha conosco, e que
deve ocorrer no ato da adoração
(Êx 15.11,13; 1Cr 16.29; Sl 96.9).
Também, em virtude de sua perfeição,
o Deus Santo aborrece o pecado e
exige pureza moral de suas criaturas
(Lv 20.7; Js 3.5). No Novo Testamento,
o aperfeiçoamento produzido pelo
Espírito Santo de Deus nos salvos é
chamado de santificação (Rm 6.22;
2Co 7.1)
Mas o que é santificação e como
ocorre? Podemos pensar numa
dupla definição que pode ajudar na
compreensão de como o Deus Santo
nos aperfeiçoa.
Em primeiro lugar, convém destacar
que a santificação revela um resultado
já ocorrido na vida do cristão.
Assim, lemos sobre os cristãos de
Corinto, que são descritos por Paulo
como “santificados em Cristo Jesus”
(1Co 1.2), isto é, gente diferente, que
foi “lavada, santificada e justificada
em nome do Senhor” (1Co 6.11).
Esse novo estado de ser, que o Novo
Testamento chama de “nova criatura”,
“novo homem” torna a santificação
não apenas um ato possível, mas
uma contínua celebração a Deus que
reflete o caráter da salvação em si
(2Co 5.17; Ef 4.24).
2. Santificação, a celebração da
vontade de Deus (v.2-7)
Em segundo lugar, a santificação
tem um caráter presente, imperativo
e progressivo. Neste sentido,
santificação é a celebração da vontade
de Deus sobre a nossa própria
vontade (Ef 6.6).
Em 1Tessalonicenses 4.3, Paulo
instrui a igreja sobre a vontade
de Deus. Sabe qual é? “Porque
esta é a vontade de Deus, a vossa
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santificação...” Nosso Senhor e
Salvador Jesus, em sua oração
intercessória (Jo 17), identifica este
processo como o andar na verdade
expressa pela Palavra de Deus (v.17).
Paulo corrobora, ao dizer: “...vós bem
sabeis que mandamentos vos temos
dado da parte do Senhor Jesus”
(1Ts 4.2).
Deviam, agora, persistir na fé (1Ts 1.9;
4.1).
• Paulo diz que fomos chamados
para a santificação e que não buscar
esse aperfeiçoamento é o mesmo
que desprezar a Deus (1Ts 4.8). Você
concorda? Por quê?
Paulo escreveu aos Romanos:
“Portanto, os que estão na carne
não podem agradar a Deus.” (8.8).
A palavra “carne” sugere o apetite
da natureza humana para pecar,
desobedecer a Deus, ou seja, o
desviar-se propositadamente de sua
vontade santa.
Em 1Tessalonicences 4, Paulo
repele a antítese do viver santo,
que é a prostituição (do grego
porneia: imoralidade). Refere-se à
licenciosidade e ao comportamento
sexual promíscuo que os gentios
idólatras consideravam como algo
natural. Essa lembrança vale para nós,
que vivemos num mundo perverso e
impuro (1Jo 5.19).
Paulo faz uma aplicação prática da
doutrina: a questão do autocontrole
na conduta sexual, seja na vida
daquele que é solteiro, seja na vida de
quem é casado.
Podemos pensar em dois aspectos
da santificação progressiva, de acordo
com o texto de 1Tessalonicenses 4, a
saber:
2.1. Em relação à pureza na adoração
O culto ao Senhor deve ser santo.
Portanto, quem deseja agradar a Deus
deve buscar adorá-lo em santidade
e honra, pois Ele abomina o culto
impuro e não suporta que os que
o adoram o façam com iniquidade
associada ao ajuntamento solene
(2Tm 2.21; Is 1.13).
Uma característica dessa falsa
adoração é o desvio doutrinário, pois
a adoração deve ser verdadeira e
refletir o conhecimento do Salvador
(Jr 26.2; Mt 15.9; Jo 4.22-24). A
igreja em Tessalônica passou nesse
teste, com louvor. A idolatria que
acompanhava os rituais pagãos foi
deixada para trás, corajosamente.
• Você consegue identificar, no
culto, formas e comportamentos que
desobedecem ao apelo à santidade na
adoração? Quais? Compartilhe com a
classe.
2.2. Em relação à pureza moral
Diga “não” à concupiscência
O controle dos desejos carnais
é a base para a pureza sexual dos
não casados e para a santidade do
casamento (Rm 6.12,13).
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No caso de uma pessoa solteira,
a orientação que cabe é “não andar
na paixão da concupiscência”. A
força destrutiva do desejo lascivo
escraviza o intelecto, os sentimentos
e a vontade (Jo 8.34). Muitos sãos
os jovens, cristãos e não cristãos,
que estão viciados em pornografia e
que desonram seus corpos vivendo
em dissolução e impureza (2Pe 2.10).
Não cabe ao jovem cristão esse
comportamento pecaminoso, e sim
o viver puro e casto, aguardando
o casamento para consumar suas
relações sexuais (1Pe 2.11; 4.2;
Tt 2.12).
No caso de uma pessoa casada,
“possuir o seu vaso com santificação
e honra” é o apelo bíblico de Hebreus
13.4: “Digno de honra entre todos
seja o matrimônio, bem como o leito
sem mácula; porque Deus julgará os
impuros e adúlteros.” E também, a
mensagem de Tiago 4.4.
• Compartilhe com a classe algumas
sugestões de como incentivar a
santidade do corpo por uma pessoa
solteira e algumas formas de santificar
o casamento.
O aperfeiçoamento na santificação
resulta numa maior qualidade de
vida, onde o amor mútuo cresce
exponencialmente e a maturidade
espiritual se evidencia a cada dia
(1Ts 4.9,10; ).
O resultado final do esforço de
santificação é a glorificação do salvo,
na eternidade, pois “...tudo o que
há no mundo, a concupiscência da
carne, a concupiscência dos olhos e
a soberba da vida, não é do Pai, mas
do mundo. E o mundo passa, e a sua
concupiscência; mas aquele que faz
a vontade de Deus permanece para
sempre” (1Jo 2.16,17).
Para pensar e agir
• Temos agradado a Deus com nossa
conduta?
• Demonstramos que somos de
Cristo, pelo ato contínuo de
crucificarmos a carne com as suas
paixões e concupiscências?
• Façamos da oração a Deus um
hábito, pedindo-lhe que confirme
a cada dia em nossos corações a
fé em Cristo, para que, naquele dia
sejamos achados irrepreensíveis em
santidade, diante dele (1Ts 3.13).
Deus espera que possamos
progredir no caráter cristão. Essa
santificação é o revestimento de
Cristo, a nova roupagem do salvo, na
qual este exerce o autocontrole da
carne e suas concupiscências
(Rm 13.14).
Leituras Diárias
Conclusão
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Levítico 11.44,45
Isaías 6.1-8
Salmos 40.8-10
João 4.22-24
Colossenses 3.5-11
Hebreus 13.20,21
1Tessalonicenses 4.1-12
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Data do Estudo
Licao 12
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 4.13-5.10
Preparados para a
vinda do Senhor
N
esta seção da epístola, Paulo
escreve sobre a “parousia”,
isto é, a vinda salvífica de Jesus
ou sua “segunda vinda”. O assunto
pertence à categoria dos temas
escatológicos, relativos ao fim dos
tempos.
A dúvida daqueles cristãos é
razoável, por causa da imensa
diferença de significado que o termo
possui nas culturas grega e judaica.
No helenismo, o termo “parousia”
designava a chegada e presença
solene de um governante, um exército
ou uma divindade. Na comunidade
judaica, por sua vez, as ideias acerca
da “vinda de Deus” e do “Dia do
Senhor” são comuns na literatura
apocalíptica, com a expectativa da
intervenção na história, com o intuito
de julgar e criar novo céu e nova terra
(ver, por exemplo, Daniel 7.27).1
1 1 - WALDENFELS, Hans (Ed.) Léxico das Religiões.
Petrópolis: Vozes, 1998, p. 418,419.
O que acontece com os que
morrem? Como será no retorno de
Cristo? Que papéis a igreja e os anjos
irão desempenhar? Essas e outras
questões serão abordadas neste
estudo, que trata da confiança que o
cristão deve ter diante da iminência do
fim dos tempos e das épocas.
Uma questão vital
Os discípulos de Jesus, o apóstolo
Paulo e todas as comunidades cristãs
do primeiro século viviam na crença
da iminente vinda do Senhor
(Rm 13.11; 1Co 16.22b; Ap 22.12). Os
sinais dos tempos estavam à sua volta
(Lc 21.9-11,28). Essa expectativa os
sustentava nas tribulações, nas aflições
e nas perseguições que eram movidas
contra eles, tanto pela comunidade
judaica como pelo governo romano
(Lc 21.12; 1Pe 1.6,7). Também, os
cristãos que aguardavam o Salvador
eram continuamente encorajados e
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revigorados em seu espírito
(Ap 22.16,17).
O problema ao qual Paulo se
reportava foi agravado diante
da demora no cumprimento da
“parousia”. Os cristãos em Tessalônica
estavam vivendo uma crise cronológica.
De fato, imediatismo não combina com
fé. Alguns deles tinham até deixado de
trabalhar, pensando que a iminência
da volta de Cristo os dispensaria de tal
atividade produtiva (1Ts 4.11).
Em nosso entender, a expectativa
escatológica tem duas vertentes
importantes, de acordo com a
instrução de Paulo: forçar o estado
de vigilância e de sobriedade e
apurar os sentidos espirituais para a
melhor leitura dos acontecimentos
mundiais. É isso que a imagem do
“ladrão de noite” sugere (1Ts 5.2,6).
Além disso, a demora do Salvador
em vir corresponde à oportunidade
de salvação que o Senhor vai dando
aos pecadores, pois é agora o tempo
favorável! (2Co 6.2).
Será essa uma questão vital para
a Igreja hoje? É uma pergunta difícil
de responder... Parece que estamos
“confortáveis” demais em vez de
“confortados” pela convicção de que
o Salvador voltará para nos buscar e
para proceder ao julgamento final.
Portanto, enquanto isso não ocorre,
devemos assumir a nossa missão no
mundo (Jo 3.34; At 4.20).
• Qual é, em sua opinião, a
tendência geral em relação à volta
de Cristo? Indiferença? Medo?
Confiança? Urgência? Compartilhe sua
resposta.
A ordem dos eventos
Na segunda Carta que escreveu
aos Tessalonicenses, Paulo afirma
uma ordem geral dos eventos do fim.
Primeiro, ele fala da manifestação
do Senhor Jesus desde o céu com
os anjos do seu poder. Depois, o
apóstolo evoca o julgamento divino
e fala da “vingança do nosso Deus”
contra os incrédulos, que serão
castigados no estado de perdição
eterna. Por fim, Paulo fala de Jesus, o
Messias, glorificado nos seus santos
(2Ts 1.7-10).
Essa projeção não apresenta
maiores dificuldades, como é o caso
de outros temas mais debatidos,
tais como: 1) a questão do milênio,
que, de acordo com o apóstolo
João, seguir-se-á à vinda do Messias
e precederá a ressurreição dos
ímpios (Ap 20.4-6); 2) o aparato
da apostasia pairando sobre os
inconstantes, colocando-os em perigo,
e a identificação das figuras iníquas
que surgem em busca de assumir
o lugar de Deus (2Ts 2.3,4). Esses e
tantos outros elementos escatológicos
presentes nos escritos do Novo
Testamento, como a figura do
anticristo e do falso profeta, a batalha
final, o aprisionamento de Satanás,
etc., alimentam muita discussão, mas
fogem ao escopo deste estudo, pois
não nos cabe aqui apresentar todas
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as teorias acerca dessa área teológica
cercada de muita complexidade.
Ao nos reportarmos à Primeira
Carta aos Tessalonicenses,
focalizamos Paulo falando sobre o
fim, específica e sequencialmente,
mas acerca dos salvos: 1) ele afirma
a futura ressurreição daqueles
que morreram em Cristo, ou seja,
crendo nele (1Ts 4.16); 2) descreve
o arrebatamento dos que estiverem
vivos durante a vinda de Cristo, pela
instrumentalidade dos anjos, depois
da ressurreição, para se encontrarem
com o Senhor nas nuvens (1Ts 4.17a);
3) por fim, destaca o estado final e
eterno da bênção de morar com o
Senhor (1Ts 4.17b).
Em ambos os textos, Paulo
preocupava-se em apresentar
garantias divinas para os tempos
penosos do fim. Ao afirmar a certeza
da ressurreição, ao apelar para a
firmeza da identidade cristã que
resulta dessa esperança, ele preparava
as igrejas para o advento do retorno
de Cristo.
• Você se sente preparado para
enfrentar o juízo que segue a vinda do
Salvador? Por quê? Compartilhe sua
resposta.
A esperançosa mensagem da
ressurreição
A ressurreição é um dos temas
cruciais da pregação evangélica
(Jo 11.25,26; At 4.33; 1Pe 1.3,21). É
do interesse de Paulo ressaltar aos
cristãos de Tessalônica que Deus
não é Deus de mortos, mas de vivos.
Logo, é pela ressurreição que Cristo
assenhoreia-se da morte e antecipa
a certeza de nossa ressurreição com
Ele, na sua vinda (1Ts 4.14; Cl 1.18;
Rm 6.5). Daniel 12.2 explica que o
estado dessa ressurreição é corpóreo,
tanto para ímpios como para justos,
mas afirma a Escritura também que
esse corpo ressurreto será imortal e
incorruptível (1Co 15.42; Lc 20.36).
A finalidade da ressurreição é
enfrentar o juízo divino. Assim,
ela tanto pode ser ressurreição da
(para a) vida, como ressurreição da
(para a) condenação, dependendo
da escolha que o homem faz no
presente, entre crer e descrer no
Salvador (Jo 11.25).
• Leia Tito 2.13 e responda à
seguinte reflexão: “Vivemos em
esperança por causa da fé que
aponta para a vida eterna”. Quais os
resultados práticos dessa certeza em
seu viver?
Nossa identidade na luz,
à luz de Cristo
Paulo afirma aos cristãos de
Tessalônica: os que “dormiram em
Cristo” não estão perdidos! Nessa
frase, encontramos conforto, afinal,
nós não esperamos em Cristo apenas
para esta vida. Não estamos em trevas
nem seremos surpreendidos durante a
sua vinda. Naquele grande dia, nossa
identidade espiritual nos distinguirá:
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• Quais as marcas que identificam
o cristão como um “filho da luz” e
um “filho do dia”? Compartilhe sua
resposta.
Conclusão
A seção final do capítulo 4 e os
primeiros onze versículos do capítulo
5 não podem ser separados. Ambos
tratam de uma questão vital acerca
“dos que já dormem” (ou seja,
morreram) e sobre o fim dos tempos.
Ambos buscam consolar aqueles
irmãos ora abatidos em sua esperança,
ora duvidosos do destino seguro
daqueles que morreram em Cristo
(1Ts 4.13; 5.1).
Fato é que a vinda de
Cristo transformará o mundo
definitivamente. Nesse tempo,
que somente Deus conhece e cuja
duração somente a Ele pertence, será
consumada a obra da salvação de
uma vez por todas. Pela ressurreição,
que já é certeza para aqueles que
conhecem o Filho de Deus e o seu
poder, seremos conformados com Ele
(Fp 3.10; 2Tm 2.18).
Os que estiverem vivos durante
a vinda de Cristo serão conduzidos
pelos anjos para o encontro com Ele
nos ares (arrebatamento). Será um
momento glorioso e de muita alegria.
Para pensar e agir
Dois conselhos úteis, em relação à
vinda de Cristo:
a. Não devemos perder nenhuma
oportunidade de proclamar a
salvação, pois é por meio da missão
da Igreja que o Senhor mostra
sua longanimidade e seu amor
compassivo. Deus quer salvar todos
os homens. Façamos nossa parte
enquanto aguardamos dos céus o
nosso Senhor e Salvador Jesus.
b. Demonstremos confiança diante
da vinda do Senhor, entendendo
que a iminência desse evento,
demonstrada pelos sinais dos
tempos, não é necessariamente um
futuro imediatista. Assim, “vistamonos da couraça da fé e do amor,
tendo por capacete a esperança da
salvação”, estando preparados para
aquele grande dia (1Ts 5.8).
Leituras Diárias
“porque todos vós sois filhos da luz e
filhos do dia” (1Ts 5.5a).
Enquanto esperamos fielmente pelo
nosso Salvador, devemos demonstrar
sobriedade. Falamos não apenas da
abstinência do álcool, que leva à
embriaguez e à dependência química,
mas do desafio da temperança e
da introspecção diante das ofertas
mundanas que tentam nos afastar
do nosso Senhor. Não nos deixemos
embriagar (figurativamente) por nada!
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Mateus 24.3-27
2Tessalonicenses 1.7-10
2Tessalonicenses 2.1-12
1Coríntios 15.12-26
2Pedro 3.7-10
1Tessalonicenses 4.13-18
1Tessalonicenses 5.1-10
75
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Data do Estudo
Licao 13
Texto Bíblico: 1Tessalonicenses 5.11-28
Sob a bênção divina
N
a minha adolescência, lá pela
década de 80, fiz uma pesquisa
escolar sobre a cidade paulista
de Cubatão que, àquela época,
era apontada pela ONU como a
cidade mais poluída do mundo, o
“Vale da Morte”. Dados da CETESB
(Companhia de Tecnologia de
Saneamento Ambiental de São
Paulo) revelam que, a cada mês, 30
mil toneladas de poluentes eram
lançadas no ar da cidade. Por causa da
poluição, peixes e pássaros sumiram
de Cubatão, pois não havia condições
naturais para sobreviverem e nem
para se reproduzirem. Na década
seguinte, durante a Eco 92, por ter
seguido um planejamento rigoroso
para se recuperar daquela catástrofe
ambiental, Cubatão foi apontada pela
ONU como símbolo de recuperação
do meio ambiente, tendo 98% do
nível dos poluentes controlados. Hoje,
pode-se dizer que a cidade está livre
da poluição.1
O exemplo acima ilustra bem o
que é viver alheio à bênção divina,
1 http://www.pensamentoverde.com.br/atitude/
historia-poluicao-cubatao-cidade-deixou-vale-morte/
pois quando a “poluição” do pecado
fica sem o controle da disciplina
espiritual, há consequências graves
para o ambiente sócio-religioso da
igreja. Entretanto, sob a graça divina,
os pecadores são recuperados e o
Espírito Santo passa a planejar com
eles o passo a passo dessa nova
condição.
Neste estudo, abordaremos esse
passo a passo, ao estudarmos
as exortações práticas finais de
1Tessalonicenses, esse documento
cristão que é considerado um dos
primeiros escritos do Novo Testamento
dirigidos à Igreja. Nele, Paulo orienta
que o seu conteúdo “seja lido” diante
de todos (1Ts 5.27). Assim, cada um
dos cristãos poderia pautar sua vida
pela ética da vontade divina, tanto nos
relacionamentos espirituais verticais
(com o Sagrado) como nos horizontais
(com as demais pessoas).
Sem dúvida, os estudos deste
trimestre revelam que os cristãos de
Tessalônica foram abençoados por
sua obediência, pois Paulo considerou
aquela igreja sua glória e gozo no
trabalho ministerial (1Ts 2.20).
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Quem pode viver sob a bênção
divina?
A vida sob a bênção divina
apresenta as seguintes realidades,
dispostas no texto em tom imperativo:
1) A igreja que manifesta um espírito
de amor e cooperação entre líder e
liderados (1Ts 5.12,13a)
No capítulo 5, Paulo usa a figura de
uma construção, a “edificação” (v. 11).
Para ele, o começo dessa casa viva, que é
a Igreja, depende da relação sadia entre
os que presidem (governam, atuam na
liderança) “em Cristo” e os que “em
Cristo” são por estes instruídos.
“Em Cristo” é a chave da bênção.
Assim, a Igreja sob a bênção “sabe”
(identifica, reconhece) facilmente
quando um líder age à semelhança de
Paulo: “Porque nada me propus saber
entre vós, senão a Jesus Cristo e este
crucificado.” (1Co 2.2). O resultado desse
reconhecimento é a grande estima e o
amor dedicado por ela aos que atuam na
liderança da obra de Deus.
• Como você tem tratado aqueles
que Deus colocou na liderança de sua
igreja?
2) A igreja que promove um ambiente
de harmonia e paz (1Ts 5.13b)
Outra ordem de Paulo à igreja sob
a bênção é “Vivei em paz uns com os
outros” (v. 13b). Este é um resultado
natural, pois o abençoador é o “Deus
de amor e de paz” (2Co 13.11).
A paz compõe o fruto do Espírito
(Gl 5.22) e atua como guardiã da
saúde emocional da Igreja (Fp 4.7).
O Evangelho de Marcos relaciona
esse estado de harmonia com o dever
cristão de salgar o mundo (Mc 9.50).
Logo, reconciliação e perdão mútuos
seguem a proposta da paz. Uma figura
interessante dessa tarefa espiritual é a
de uma semeadura: “Ora, o fruto da
justiça semeia-se na paz, para os que
exercitam a paz.” (Tg 3.18).
• Identifique os “frutos de justiça”
trazidos pela semeadura da paz de
Cristo. Compartilhe suas descobertas
com a classe.
3) A igreja que exerce a disciplina
cristã do amor (1Ts 5.14,15)
A igreja sob a bênção divina
há de ser menos “religiosa” e
mais “graciosa”. Referimo-nos,
evidentemente, ao exercício da
disciplina com as orientações de
1Tessalonicenses 5.14:
• Admoestar os que estão “fora da
ordem”;
• Consolar os desanimados;
• Sustentar os fracos na fé:
• Ser longânimes e pacientes.
A meta é atacar a fonte desses
problemas e não simplesmente
operar “cirurgicamente” (a exclusão).
O ambiente abençoador celebra a
recuperação e a segunda chance; e
é lindo de ver Deus agindo assim,
como fez com o notável apóstolo dos
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gentios. De fato, Paulo escrevia com
conhecimento de causa (Ef 3.7,8).
• Você conhece alguém que
foi recuperado para o convívio da
Igreja por causa de uma disposição
mais graciosa e menos legalista?
Compartilhe essa história.
4) A igreja que emana a alegria de
Deus (1Ts 5.16)
ministeriais alegres vividas por você,
que resultaram no seu fortalecimento
espiritual.
5) A igreja que ora incessantemente
(1Ts 5.17,18)
Kierkegaard disse: “A função da
oração não é influenciar Deus, mas
especialmente mudar a natureza
daquele que ora”. Oração é, então,
diálogo transformador, não um
monólogo interesseiro.
Uma igreja que vive sob a bênção
divina deve fazer da oração um hábito
coletivo, com as propostas seguintes,
dentre outras:
• Orar para agradecer pela vida
recebida do Pai (Sl 100.4);
• Orar para interceder por outras
pessoas e pelo trabalho ministerial
(1Ts 3.10; Cl 1.3; 4.3);
• Orar para pedir a Deus que nos encha
“do conhecimento de sua vontade,
em toda a sabedoria e inteligência
espiritual” (Cl 1.9; 1Co 14.15).
Um versículo muito conhecido que
fala sobre a alegria de consagrar a
vida a Deus é Neemias 8.10b: “...este
dia é consagrado ao nosso Senhor;
portanto não vos entristeçais; porque
a alegria do SENHOR é a vossa força.”
O salmista nos diz que o Senhor
nos alegra com a sua lei (Sl 119.92),
portanto, obedecer a Deus traz sobre
nós a bênção da alegria.
Em suas cartas, Paulo demonstra
que no convívio alegre dos laços
ministeriais ele refazia suas forças
(Rm 15.32; 2Co 7.13). Também
afirma que essa alegria produz
voluntariedade na obra (2Co 9.7).
Mas a melhor figura para ilustrar o
efeito da alegria na igreja é “a unção”
do Filho de Deus para salvar: “Deus,
o teu Deus, te ungiu com óleo de
alegria...” (Hb 1.9b). Desse modo,
salvos por Cristo, somos guardados
por Deus para ser apresentados
irrepreensíveis, com alegria, perante a
sua glória (Jd 1.24,25).
6) A igreja que mantém viva a chama
do Espírito, pela voz profética da
pregação (1Ts 5.19,20)
• Compartilhe com os demais
alunos da classe algumas experiências
Foi um testemunho inicial na
Primeira carta aos Tessalonicenses,
que o trabalho missionário ali chegou
• Para reflexão: Quantas são e quais
são as experiências coletivas de oração
propostas pelo trabalho cristão em
sua igreja? São suficientes? São bem
frequentadas? Trazem resultados?
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• Temos proclamado com o rigor do
Evangelho a Cristo como Senhor, e a
nós mesmos como servos na igreja?
Conclusão
Em 1Tessalonicenses 5.11-28, somos
levados a entender de que maneira a
Igreja pode viver sob a bênção divina.
Lamentavelmente, o dia a dia
eclesiástico leva-nos à conclusão
de que os vocábulos “bênção”,
“abençoar” e “abençoado” são
usados de forma reducionista, sempre
no âmbito de dádivas materiais. A
partir de Jesus, entretanto, a palavra
traz um significado muito mais amplo:
é o efeito benéfico da presença
de Cristo na Igreja, em que ele
compartilha conosco o poder de sua
bênção (Rm 15.29).
Assim, quando cooperamos com a
atividade redentora de Deus, levando
o Evangelho aos confins da terra,
“somos” bênçãos em palavras e atos
(Mt 28.18-20). Esperamos, de coração,
que tenhamos aprendido essa grande
verdade durante este trimestre.
Para pensar e agir
• Diz-se, erradamente, por aí, que
“Deus é fiel a mim...” Na verdade,
a fidelidade de Deus tem a ver com
sua própria natureza justa, santa e
perfeita e não com os pecadores
(Dt 7.9). Assim, Deus é e sempre
será “fiel à sua própria natureza, a si
mesmo” (2Tm 2.13). Seus desígnios
foram e ainda são sempre realizados.
Ele promete abençoar com vida, paz,
justiça, alegria, etc. e cumpre sua
promessa (1Rs 8.56; Lc 1.37).
• Temos vantagens em ser cristãos?
Certamente!
• Isso nos faz melhores do que as
demais pessoas? Jamais!
• Se “judeu é aquele que crê” (Rm
2.28,29), o cristão é bênção hoje
por ser “instrumento divino para
a salvação do pecador”, o que é o
nosso maior privilégio!
Leituras Diárias
não apenas em palavras, “mas
também em poder, e no Espírito
Santo...” (1.5). E que essa pregação
resultou em cristãos que passaram a
imitar o viver sacrificial de Jesus (1.6;
2.13). A essa altura, Paulo pede-lhes
o cuidado de não deixar extinguir-se
a chama purificadora da proclamação
do Evangelho – a profecia, no Novo
Testamento (1Ts 5.19).
A vida sob a bênção divina impõe
a necessidade da pregação: “e, indo,
pregai, dizendo: É chegado o reino
dos céus” (Mt 10.7). Pelo Evangelho,
a Igreja apreende a mensagem da
bênção de viver a serviço do Rei Jesus,
que é o combustível da metáfora do
fogo espiritual contínuo (2Co 4.5).
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Gênesis 12.1-3
Deuteronômio 11.22-28
Salmos 24.1-6
Salmo 133.1-3
Isaías 44.1-4
Romanos 15.29-33
1Tessalonicenses 5.11-28
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Currículo 2015
CONVENÇÃO
BATISTA
FLUMINENSE
Primeiro Trimestre
A Armadura de Deus - As peças da
Armadura e o reforço para a vitória do
cristão
Pastor Noélio Nascimento Duarte
Segundo Trimestre
O que todo Crente Precisa Saber?
Parte 2
Pastor Vanderlei Batista Marins
Revista da Convenção Batista Fluminense
Ano 11 - nº43 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2014
Diretor Executivo: Pr. Dr. Amilton Ribeiro Vargas
Diretoria da Convenção Batista Fluminense:
Presidente - Pr. Vanderlei Batista Marins
Primeiro Vice-Presidente - Pr. Elildes Junio Macharete Fonseca
Segundo Vice-Presidente - Pr. Éber Silva
Terceiro Vice-Presidente - Pr. Levi de Azevedo da Costa
Primeiro Secretário - Pr. Ronem Rodrigues do Amaral
Segundo Secretário - Pr. Samuel Mury de Aquino
Terceira Secretária - Ana Lúcia Regghin da Silva Santos
Quarto Secretário - Pr. Antônio Vieira de Souza Junior
Diretor de Educação Religiosa:
Pr. Marcos Zumpichiatte Miranda
Redação: Pr. Marcos Zumpichiatte Miranda
Terceiro Trimestre
Revisão Bíblico-Doutrinária:
Pr. Francisco Nicodemos Sanches
Pr. Paulo Pancote
Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Profetas menores
A mensagem para hoje
Revisão Geral: Edilene Oliveira
Quarto Trimestre
O tempo está próximo
Apocalipse
Pastor Antonio de Moraes Regly
Seja mordomo
Algumas Igrejas poderão estar recebendo mais
revistas que o número de jovens e adultos
matriculados na EBD ou em outro grupo de estudo
bíblico. Por favor, avise a Convenção se for este o
seu caso. Queremos investir seu dízimo também em
outros projetos.
Produção Editorial: oliverartelucas
Direção de Arte: Rogério de Oliveira
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E-mail: con[email protected]
Esta revista foi elaborada pela Convenção
Batista Fluminense, com o dízimo dos
crentes batistas, com a participação de
sua igreja no Plano Cooperativo e com a
contribuição das Associações Regionais.
A distribuição desta revista é gratuita.
Veja no novo site:
sugestões didáticas
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