A PSICOLOGIA DO ESPORTE NO ESPORTE DE ALTO

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A PSICOLOGIA DO ESPORTE NO ESPORTE DE ALTO
A PSICOLOGIA DO ESPORTE NO ESPORTE DE ALTO RENDIMENTO
Francisco García Ucha
Para alguns psicólogos e outros especialistas das Ciências do Esporte é
comum pensar que a Psicologia do Esporte teve seu início na área do esporte
de elite, o qual também denominamos Esporte de Alto Rendimento.
Este modo de pensar provém da importância que cobra o esporte
altamente competitivo com o estabelecimento dos Jogos Olímpicos Modernos,
desde anos posteriores à Segunda Guerra Mundial até a atualidade.
Em realidade, os primeiros estudos em Psicologia do Esporte começam,
no esporte infantil e juvenil, nas escolas de educação média ou universidades.
Em países como Estados Unidos, Rússia e Alemanha, em fins do século XIX, e
também na antiga União Soviética por volta de 1920.
É conveniente assinalar, como argumenta Balagué (2006): “Uma das
primeiras aclarações que se há de fazer é que o esporte de alto rendimento é
só uma das áreas de intervenção”. A autora propõe a seguinte definição dos
objetivos da Psicologia do Esporte de Alto Rendimento: “proporcionar
ferramentas e eliminar obstáculos para que os desportistas e treinadores
consigam seu nível elevado”.
A Psicologia do Esporte é, como toda ciência, um processo social e,
portanto, o dever da sociedade influencia de forma determinante seu
desenvolvimento,
passando
desde
etapas
progressivas
até
períodos
regressivos e novamente progressivos. Por isso, o desenvolvimento do esporte
influencia a intervenção das ciências do esporte e, entre elas, a psicologia
esporte no alto rendimento.
Separar o conhecimento exato e rigoroso mediante o qual se constrói
uma disciplina científica das valorações e considerações ideológicas, fruto do
processo social, constitui um erro técnico e metodológico que não permitiria
clarificar a história e o futuro da ciência; por isso, todo avanço ou retrocesso
depende de condições de ordem sociológica.
O interesse pela Psicologia do Esporte, como sinalizamos anteriormente,
começa pela inquietude de pedagogos, professores de Educação Física,
treinadores e psicólogos, que advertem sobre a existência de contradições no
processo da atividade física; a educação física e o esporte de tipo escolar e
juvenil, por exemplo. Os primeiros aportes em referência ao nascimento da
Psicologia do Esporte no leste europeu são atribuídos a P. Lesgaft, o qual na
Rússia do princípio do século 20 (1901) descreveu os possíveis benefícios
psicológicos da atividade física em crianças.
Com o propósito de estabelecer-se uma ordem condutora das idéias que
se expõe neste capítulo, estaremos referenciando, em primeiro lugar, o
desenvolvimento da Psicologia do Esporte e sua irrupção no Esporte de Alto
Rendimento na antiga União Soviética e, posteriormente, a trajetória seguida
pelos EUA, bem como por Cuba.
Considera-se que Lesgaft (1901) incorporou, de forma decisiva, a
Psicologia à Educação Física. Sua obra de maior destaque foi “Guia da
Educação Física da Idade Escolar”. No entanto, somente depois da Revolução
de Outubro de 1917, é que são criados Institutos Especializados em Cultura
Física e Esporte em Moscou e Leningrado (Petrogrado).
Nestes institutos se retomou a idéia de Lesgaft, e Rudick (1974) e Puni
(1973), entre os anos de 1925 e 1926, considerados os pais da Psicologia do
Esporte soviética, começaram seus primeiros trabalhos no âmbito dos
laboratórios voltados para a formação de professores de Educação Física e
Esporte.
Entre 1925 e 1930 começaram a aparecer as primeiras publicações de
Psicologia do Esporte. Rudick (1973) apresentou “A influência do trabalho
muscular no tempo de reação” e Puni (1974) seus ensaios “Em torno da
influência das lições de Educação Física sobre o domínio de si mesmo”.
Os primeiros trabalhos de Puni (1929) foram sobre a “Influência
psicofisiológica do tênis de mesa” e o estudo da “Influência das competições
sobre a psique dos esquiadores”.
Puni, nos anos 30 do século 20, realizou todo um trabalho dirigido à
fundamentação teórica e metodológica da Psicologia do Esporte sob a base de
uma orientação marxista, cujo pilar fundamental seria o reconhecimento de que
a psique do homem se manifesta e se desenvolve na atividade sob a influência
de suas condições objetivas e subjetivas.
A determinação destes princípios teóricos e metodológicos exerceu uma
influência decisiva no desenvolvimento da Psicologia do Esporte soviética pois,
a partir de então, passaram a ser estudadas as características específicas e
condições objetivas da atividade desportiva, tanto nos seus aspectos comuns
como no singular de cada modalidade esportiva.
Seguindo esta direção, foram estudados também os problemas
psicológicos relacionados com a preparação física, técnica e tática dos
desportistas, assim como os aspectos relacionados com a competição
desportiva.
A atividade dos psicólogos do esporte se consolidou no esporte de alto
rendimento depois da Segunda Guerra Mundial no período que abarca desde
1945 até 1957, com a aplicação de princípios metodológicos aplicados à área
da aprendizagem motora, à personalidade e à preparação psicológica.
A principal causa para o desenvolvimento das Ciências do Esporte,
dentre elas a Psicologia do Esporte, é atribuída à “Guerra Fria”, dado o
interesse de cada um dos dois sistemas vigentes, nessa época, em dominar
cada uma das esferas da atividade humana.
Na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a Psicologia do
Esporte se dedicou de maneira preponderante, a assegurar a preparação
psicológica dos desportistas de alto rendimento para as competições, já que
esta atividade científica se relacionava com os rendimentos esportivos na
arena internacional, lugar de confrontação de ambos os sistemas sociais.
Realizaram-se, após este propósito, tanto investigações teóricas como
práticas e aplicações importantes dos resultados mais avançados da psicologia
da época.
A partir dos anos 60, o tema da preparação psicológica do desportista
para as competições se intensificou, em função de uma observação sistemática
das demandas psicológicas de cada modalidade esportiva e das necessidades
específicas de cada desportista. Durante esse período foram realizadas cinco
Conferências Nacionais dedicadas ao tema.
Rudik (1968) assinala que na década compreendida pelos anos 60
foram objeto de estudo: a dinâmica do desenvolvimento das funções
psicológicas no processo de treinamento e competições desportivas; bases
psicológicas da preparação volitiva; preparação psicológica do desportista para
a execução da ação em competição; a personalidade do desportista e a
psicologia do esporte nas etapas escolar e juvenil.
Uma influência importante no desenvolvimento da Psicologia do Esporte
dentro do ângulo do alto rendimento adveio com as Olimpíadas da Cidade do
México, em 1968. Disputadas a cerca de 2.400m acima do nível do mar,
acarretaram na necessidade de numerosos estudos sobre como esta condição
climática iria impactar no rendimento dos desportistas.
Já nos anos 70 e 80 os psicólogos do esporte continuaram o
aperfeiçoamento dos procedimentos da preparação psicológica dos atletas de
alto rendimento, a seleção de talentos, a psicologia do esporte infantil e juvenil,
a recuperação do desportista, aspectos da psicologia social no esporte e a
formação do treinador como Mestre em Psicologia.
Cruz Feliu (1990, 1991) argumenta que a Psicologia do Esporte na
União Soviética (URSS) deu uma contribuição singular à metodologia das
pesquisas e ao trabalho prático dos psicólogos do esporte, estabelecendo as
bases para considerar o papel ativo da personalidade do desportista nas
condições da atividade.
Apesar do desenvolvimento das idéias acerca da preparação psicológica
tanto por parte de Puni (1969), Rudik (1982), Rodionov (1983) e Gorbunov
(1988) e outros psicólogos soviéticos, as concepções destes autores giram –
com alguns matizes diferenciais – em torno da formação do estado de
“predisposição psicológica” para a competição. Tudo isso tendo como ponto de
partida para a obtenção deste estado psicológico o sistema que estrutura a
preparação psicológica em três tipos básicos: geral, especial e direto.
Cada um destes tipos de preparação psicológica exige tarefas de ordem
diferente, ainda que encaminhadas à formação da predisposição psicológica e
ao aperfeiçoamento das capacidades psicológicas que são premissas do
rendimento.
Assim, a preparação psicológica geral tem como propósito o
aperfeiçoamento das capacidades psicológicas vinculadas à ação motriz, à
garantia do suporte psicológico da técnica e da tática e à formação e
desenvolvimento das qualidades volitivas e morais do desportista.
A preparação psicológica especial se concentra no desenvolvimento da
predisposição psicológica para a competição. A preparação psicológica direta
para a execução imediata da ação tem como meta garantir o ótimo
funcionamento dos processos de atenção do desportista e se subdivide em
duas fases: a primeira dedicada à orientação da atenção e a segunda, a sua
concentração. Difere substancialmente da preparação psicológica especial,
fundamentalmente, por seu conteúdo e pelo tempo em que as mesmas se
realizam.
Em suma, a preparação psicológica resulta em um complicado processo
em que se encontram envolvidos os processos, qualidades, propriedades e
estados psicológicos da personalidade do desportista, com as características
peculiares de cada tipo de esporte, de suas exigências e com as
particularidades estruturais, organizacionais e funcionais dos períodos e etapas
do processo do treinamento e competição.
Uma visão tão ampla do trabalho da preparação psicológica do
desportista para as competições requer um enfoque no sistema de sua
abordagem por parte dos especialistas.
No entanto, os autores soviéticos não esclareceram a forma de integrar
os diferentes aspectos da preparação psicológica, dedicando desta maneira um
enfoque total das potencialidades dos desportistas e que teve como categoria
central a personalidade.
Isto teve certas conseqüências para que se pudesse aproveitar os
procedimentos e técnicas empregadas durante a preparação psicológica.
Apesar da consistência teórica e metodológica da concepção desenvolvida
pelos psicólogos soviéticos, já em meados dos anos 80 (oitenta) se podiam
analisar algumas limitações em sua elaboração na prática.
Neste período, García Ucha (1982) alertou que a formulação de vários
tipos de preparação psicológica para as competições implicava na realização
de muitas tarefas específicas, perdendo-se com freqüência, no marco destas
atividades, os propósitos essenciais da preparação psicológica relativos à
categoria personalidade do desportista.
Da maneira em que se colocava a preparação psicológica esta ficava
dirigida às estruturas da mente de forma separada. Por exemplo, se atendia ao
aperfeiçoamento das bases psicológicas da atividade motriz, por outro lado aos
fundamentos psicológicos da tática e também, em outro ângulo, à garantia da
regulação das manifestações emocionais negativas antes da competição.
A falta de um enfoque integral, em que a categoria personalidade
resultava como chave, influía no próprio processo de diagnóstico do grau de
preparação psicológica, formado exclusivamente por elementos psicológicos
isolados.
García Ucha (1982) enfatizou que tal fato se devia à ausência da
aplicação do Princípio da Personalidade nos estudos e tarefas dos psicólogos
do esporte soviéticos. Esta deficiência levou a uma visão “reducionista” da
preparação psicológica do atleta para as competições de alto rendimento.
O Princípio da Personalidade tem por essência colocar a personalidade
como uma categoria integradora e central dentro do sistema de categorias
psicológicas desde o ponto de vista teórico e metodológico.
Os autores soviéticos, apesar de partirem do enfoque teórico e
metodológico sócio-cultural desenvolvido de forma monumental por Vigotski
em 1934 (1969) e muitos outros autores de orientação marxista, não tinham o
foco de sua atenção na personalidade, antes, porém, na teoria da atividade
desenvolvida por Leontiev (1978).
No entanto, uma aproximação ao princípio da personalidade que
expressa o propósito de adquirir uma compreensão integrada das funções
reguladoras e criativas da personalidade, vista como um todo foi exposta por
diferentes investigadores, dentre os quais se destacam: Shorojova ( 1980),
D’Angelo Hernández (1989).
O princípio, explicitado, propõe que todos os processos, propriedades e
estados psíquicos se analisam como pertencentes a um indivíduo concreto e
isso pressupõe que a personalidade se interprete não como um conjunto de
processos, propriedades e estados psíquicos isolados, antes como elemento
de determinada estrutura.
Deste modo, por norma, os elementos da esfera de motivação, assim
como de outras funções do indivíduo, constituem uma expressão fundamental
da personalidade como unidade sistêmica.
Ainda que não devamos ver o princípio de forma esquemática, se faz
necessário enfatizar que o fato de realizar-se uma pesquisa, por exemplo, da
motivação do desportista, deva ser aplicando o princípio da personalidade.
Para tanto, é necessário que se leve em consideração sua dinâmica na
regulação da personalidade, do contrário, dificilmente poderia expressar-se o
enfoque da personalidade.
O Princípio da Personalidade não significa qualquer estudo da
personalidade, mas sim que, por meio dela e como em um todo, se conhecem
seus elementos e os nexos destes elementos tanto entre si como também com
a personalidade íntegra.
Tal formulação resulta importante, uma vez que, destaca o caráter
totalizador e integrador da personalidade, o que põe de manifesto a interação
entre sistemas das distintas propriedades da personalidade como síntese de
complexas
estruturas.
Assim,
cada
propriedade
da
personalidade
é
simultaneamente a expressão da inclinação, do caráter, necessidades, herança
e atividade.
O estudo daquelas unidades integrais como o é a orientação da
personalidade, ao conter as relações entre diversas propriedades particulares,
aponta para a compreensão mais ampla da personalidade e constitui uma via
possível de aplicação do enfoque centrado na personalidade. Por exemplo, se
são descritas as reações frente ao fracasso de um desportista, quando se
refere à expressão destas reações pode-se, devido a sua intensidade, chegar a
um estado denominado “afeto de inadequação”.
Analisado sob ótica do Princípio da Personalidade, a reação emocional
ante o fracasso pode ser explicada a partir de um complexo subsistema da
personalidade, integrado pela orientação desta, autovalorização, insegurança,
grau de aspiração e intensidade e conteúdo dos motivos vinculados ao esporte.
Donde se conclui que orientar-se pelo Princípio da Personalidade implica levar
em consideração o caráter integral e interno, psicológico, de determinados
subsistemas reguladores das distintas expressões do homem.
O Princípio da Personalidade chama a atenção sobre o caráter da
relação
entre
as
formações
psicológicas
integradoras
complexas
da
personalidade e suas formações reguladoras.
Para D’Angelo Hernández (1989) esta expressão do Princípio da
Personalidade apresenta uma alternativa produtiva para sua aplicação na
prática investigativa e para a compreensão totalizadora da subjetividade, que
se distingue, ademais, pelo caráter aberto da investigação, pela possibilidade
de descobrimento das formas de funcionamento e integração dos diferentes
subsistemas de regulação.
Em suma, o Princípio da Personalidade que se desenvolve dentro da
própria Psicologia Geral Soviética, apesar de seu conhecimento e de sua
exaltação pelos psicólogos do esporte soviéticos e de outros países do excampo socialista, na prática profissional não se apresentava em coerência com
ele mesmo.
Resulta evidente que, ao não se incluir o Princípio da Personalidade
como fundamento integrador, se incorre em uma utilização metodológica
incorreta dos meios e procedimentos tanto no diagnóstico como nas
intervenções a realizar, sendo esta uma das causas que dão lugar a atividades
e recomendações no esporte que são pouco eficazes na solução das diferentes
alternativas que deve enfrentar o desportista.
Para García Ucha (2000), um dos fatores de maior incidência para que
ocorra este distanciamento e incongruências na Psicologia do Esporte
Soviética se identifica com a imperfeita conexão entre os descobrimentos
conseguidos pela psicologia soviética e sua assimilação por quem devem tê-los
generalizado à prática profissional.
Na antiga União Soviética a imensa maioria dos especialistas em
Psicologia do Esporte não era de psicólogos e sim de professores de Educação
Física ou treinadores que adquiriam o grau de mestre ou de doutores em
Ciências Psicológicas nos Institutos de Cultura Física e Esporte, por isso não
tinha uma compreensão exata e a ponderação adequada do Princípio da
Personalidade e de outras elaborações da teoria psicológica soviética.
Aqui aparece justamente um dos problemas estabelecidos acerca do
caráter multidisciplinar das Ciências do Esporte o que nos leva a apontar sobre
a necessidade de abarcar dentro da Psicologia do Esporte a aplicação do mais
moderno e avançado da Psicologia, sem que tampouco nos apartemos de um
conhecimento adequado do esporte. Assim, a nosso ver, o problema deve ser
resolvido por meio da busca das regularidades que expliquem as propriedades
da personalidade do desportista como sistema.
É justo dizer que o fenômeno de especialistas não psicólogos, na área
da Psicologia do Esporte, não somente ocorreu nos países ex-socialistas como
igualmente em outras regiões do mundo, incluindo os Estados Unidos da
América do Norte, Inglaterra e outros países onde, também, outros professores
de Educação Física e treinadores receberam algum tipo de especialização em
Psicologia.
Em suma, é necessário destacar que qualquer atividade da preparação
desportiva, seja técnica, tática, física ou psicológica não pode ser efetiva senão
está baseada em uma concepção dirigida até a personalidade do desportista,
sobretudo se sustentamos que a personalidade é o sistema regulador mais
complexo e hierarquicamente superior da pessoa e que, neste sistema, se
encontram os elementos sócio-culturais e históricos que, incluindo os ideais,
valores, conhecimentos e capacidades, permitem precisamente a humanização
do próprio esporte.
A solução para o problema formulado constitui na elaboração de uma só
tecnologia no processo da preparação psicológica para as competições,
dirigido não ao estudo isolado de formações psicológicas, mas ao que facilitará
um enfoque em um sistema cuja categoria integradora seja a personalidade.
A complexidade para assumir o Princípio da Personalidade na prática
científica ocupou um lugar especial no final dos anos 80 (oitenta) e início dos
anos 90 (noventa). Apreciaram-se novas dificuldades não só na Psicologia do
Esporte, mas também na própria Psicologia Geral.
Um abismo entre as teorias e metodologias e os dogmas sociopolíticos
vigentes nessa etapa na URSS levaram a Psicologia a um corredor que deu
lugar a que esta se introduzisse em direção ao positivismo moderno com
conseqüências epistemológicas muito negativas para o discurso teórico e para
a prática da psicologia.
A necessidade de demonstrar a natureza objetiva do psíquico e a
objetividade do conhecimento se expressou na Teoria da Atividade em
Psicologia... “cujo objeto de análise essencial não era a subjetividade, senão a
atividade mesma, processo em que se configuravam os distintos elementos da
subjetividade. Neste processo, a subjetividade perdia sua configuração integral
e sua autonomia relativa, que ficavam fora da teoria das próprias ciências
psicológicas”. González Rey (1997; 2000). Ao abandonar-se o estudo teórico
da subjetividade deixou de se considerar o papel ativo do sujeito, o qual ficou
minimizado ou completamente esquecido.
Não obstante os apontamentos acerca dos defeitos e peripécias da
Psicologia Soviética do Esporte, se pode concluir que ela deixa um forte
legado, sem o qual é praticamente impossível encontrar algumas das verdades
mais relevantes da Psicologia do Esporte de Alto Rendimento.
Foram os especialistas em Psicologia do Esporte soviéticos que
advertiram sobre a necessidade de vincular o trabalho do psicólogo às
respostas dos desportistas no treinamento, ao considerar que para toda
intervenção psicológica há a necessidade de se avaliar o grau de treinamento e
preparação desportiva.
A partir daí, se derivaram importantes conclusões sobre a relação
mente-corpo, ao esclarecer algumas das regularidades da intervinculação entre
a prática do exercício e sua influência nos processos cognitivos e afetivos do
participante.
Enfatizaram e levaram à pratica a concepção de que a preparação
psicológica do desportista implica no crescimento espiritual e requer o
desenvolvimento da vontade e dos valores morais e ideais do desportista,
apontando até para a necessária formação educacional deste.
Seguindo nesta exposição do desenvolvimento da Psicologia do Esporte
nos Estados Unidos da América do Norte, encontramos um panorama simular
ocorrido nos inícios da psicologia do esporte na Rússia e na antiga União
Soviética.
A história da Psicologia do Esporte nos EUA começa com uma das
primeiras pesquisas na área, reportada por Triplett (1897) que estudou o
rendimento dos ciclistas em condição de interação social e concluindo que a
presença de outros competidores facilita ou estimula os rendimentos nos
ciclistas.
Também nos EUA, uma das figuras mais sobressalentes da Psicologia
do Esporte foi, sem sombra de dúvidas, Coleman Griffith, o qual em 1918
começou a realizar observações informais sobre os fatores psicológicos
implicados no atletismo, futebol americano e basquetebol, sobretudo no âmbito
universitário.
Nesse ano e na mesma universidade fundou o primeiro laboratório de
Psicologia do Esporte, foi autor de dois livros, “Psicologia do Treinamento”
(1926) e “Psicologia e Atletismo” (1928), sendo, além disso, psicólogo consultor
da equipe de beisebol profissional do “Chicago White Sox”.
A partir dos artigos publicados por Griffith pode-se distinguir três linhas
principais de investigação: habilidades motrizes; aprendizagem; variações de
personalidade.
Lamentavelmente, como assinala Singer (1989), Griffith não teve
seguidores durante o período em que trabalhou ativamente. Recordemos que
grande parte do trabalho científico se realizava nas universidades, em muitos
casos desvinculados da prática cotidiana do esporte de alto rendimento.
Esta situação inicial continuou como uma característica da Psicologia do
Esporte nos Estados Unidos, e os psicólogos do esporte se dividiram em dois
grupos: psicólogos acadêmicos e psicólogos práticos. Psicologia do Esporte
em laboratórios experimentais e Psicologia do Esporte de campo.
Alguns estudiosos como Martens (1987) assinalam a necessidade de
solucionar esta divisão, e nos congressos realizados por organizações nos
EUA se tratou do tema, mas prevalecendo ainda a divisão entre acadêmicos e
práticos.
A nosso ver, as razões que sustentam essa divisão residem no fato de
que uma das fontes de trabalho mais importantes e estáveis para os psicólogos
do esporte nesse país se encontra nos departamentos de rendimento humano
e esporte das universidades. Estas instituições exigem o cumprimento de
projetos de pesquisa de cunho acadêmico e contam com uma boa base de
financiamento para sua elaboração.
É necessário destacar que, com o início da Segunda Guerra Mundial, a
investigação sobre aprendizagem de destrezas motoras e as variações
implicadas nelas recebeu um forte impulso nos EUA ainda que tenha tido que
se adaptar às necessidades das forças armadas, em especial à seleção e
treinamento de pilotos.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, Johnson (1949) publicou na
revista Research Quarterly trabalhos que compreendiam estudos das emoções
prévias às competições em jogadores de futebol e basquetebol e, nos anos 50,
trabalhou em identificar os fatores de personalidades e suas relações com o
esporte.
Os trabalhos de Lawther, em 1951, na Universidade de Pensilvânia,
deram origem ao livro “Psicologia do Treinamento” (Lawther, 1972), que foi
treinador de basquete e contribuiu grandemente para o desenvolvimento
acadêmico da Psicologia do Esporte em um momento propício para sua
aplicação no Esporte de Alto Rendimento.
Nos anos 60 se destaca a obra de Ogilvie (1966), que junto a Tutko
publicou “O Atleta Problema e seu Manejo”. Os trabalhos de Ogilvie (1966,
1979, 2000) resultaram tão significativos que o consideram o pai da Psicologia
do Esporte aplicada nos EUA. Tanto Ogilvie como Tutko e Cratty levaram à
prática desportiva os conhecimentos necessários alcançados.
Um dos mais prolíferos escritores na área da Psicologia do Esporte é
Cratty (1967, 1968), com uma obra extensa sobre aprendizagem motora e
Psicologia do Esporte. A nosso ver, um de seus livros mais clássicos na
especialidade é “Psicologia da Atividade Física”. Seu trabalho repercutiu de
forma significativa, contribuindo para o desenvolvimento da especialização em
Psicologia do Esporte em diversas universidades no EUA.
A importância da Olimpíada do México em 1968 também repercutiu no
desenvolvimento de pesquisas, principalmente sobre o desempenho esportivo
em condições de altitude e seus possíveis efeitos sobre a mente dos atletas.
Outro fato de importância histórica se deu em 1978, a integração de psicólogos
do esporte ao Comitê Olímpico dos EUA.
Na década de 80 (oitenta) se incrementou de maneira extraordinária a
produção cientifica por parte dos psicólogos norte-americanos nesta área do
alto rendimento, além do fato de terem aparecido várias revistas especializadas
em Psicologia do Esporte e associações de elevado prestigio internacional.
Neste período começa o estudo das relações entre personalidade e atletas de
alto rendimento, Scanlan (1978) estudou as características da ansiedade em
desportistas e Landers e colaboradores (1986) estudaram as variáveis
psicobiológicas de arqueiros.
Para muitos, as Olimpíadas de 1984, em Los Angeles, servem como
ponto de referência para se falar de uma introdução relevante da Psicologia do
Esporte no movimento desportivo olímpico.
O emprego da Psicologia do Esporte pela antiga União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas, Alemanha Oriental, EUA, e outros países se manifestou
pela ampla participação de psicólogos do esporte destes países nesta
olimpíada.
De maneira resumida podemos assinalar que as linhas de trabalho que
caracterizam a Psicologia do Esporte nos EUA estão representadas nos
seguintes temas: aprendizagem motora; personalidade e motivação; psicologia
social e autocontrole emocional.
Mas para se obter uma compreensão profunda da Psicologia do Esporte
nos EUA, é necessário tomar como referência os trabalhos de Suinn (1980),
Wiggins (1984), Mahoney; Suinn (1986) e Singer (1989). Nas obras destes
autores se faz patente a grande diversidade de enfoques teóricos, às vezes,
muito contraditórios e que levam a uma extensa produção científica
caracterizada por seu fracionamento e parcialidade, com insuficiência na ordem
metodológica.
Neste sentido, é necessário um período de reflexão que valorize o
publicado e se integre em um ato teórico que permita a generalização de
resultados. Um capítulo entre os que se pode consultar que resume os estudos
realizados neste setor pode ser visto em LeUnes; Nation (1989).
É interessante também resenhar a trajetória da Psicologia do Esporte
em Cuba, que em certo sentido, seguiu as mesmas tendências que em outros
países antes assinalados. Um início dentro do campo da pesquisa e da
docência como suporte da formação de professores de Educação Física e
treinadores e sua posterior irrupção no Alto Rendimento.
O surgimento da Psicologia do Esporte em Cuba ocorre na década de
60 do século 20. Fundou-se nesse período a Escola Superior de Educação
Física Manuel Fajardo. Posteriormente, em 1972, no Instituto de Medicina do
Esporte, foi criado um departamento de Psicologia do Esporte, cujo objetivo era
continuar apoiando a preparação psicológica das equipes de alto rendimento.
Os primeiros trabalhos foram publicados por Martinez; Russell (1968).
Nessa época, e como resultado de cooperação entre Cuba e a URSS,
receberam um conjunto de colaboradores especialistas em Psicologia do
Esporte, dentre os quais se destacam entre os quais se destacaram Petrovich,
Radchenko e Medviedev. O Departamento de Psicologia do Esporte, do
Instituto de Medicina do Esporte, contou com um assessor soviético, Vladin
Fechenko, de 1974 a 1975.
Uma contribuição fundamental para o auge da psicologia do esporte em
Cuba foi o próprio desenvolvimento do esporte cubano. Este começou a
escalar uma categoria internacional graças aos programas de apoio
executados pelo Governo Cubano, que, com isso, proporcionou uma ampla
participação da população e assegurou as condições para o desenvolvimento
do esporte de alto rendimento.
Assim, a Psicologia do Esporte em Cuba emerge no empenho pelo
desenvolvimento e consolidação do movimento desportivo cubano como uma
força que contribuiu para assegurar o processo pedagógico e educativo dos
desportistas e seus resultados no treinamento e competição.
Um marco importante neste sentido é a participação de psicólogos no
Campeonato Mundial de Boxe do ano de 1974 e, posteriormente, nos Jogos
Pan-americanos e do Caribe do México, em 1975. Deste modo, pode-se
afirmar que, um dos países com maior tradição na utilização de psicólogos do
esporte no Esporte de Alto Rendimento é Cuba, desde as datas anteriormente
descritas até a atualidade.
Isso permitiu o desenvolvimento de um conjunto de linhas de pesquisa
nesta área de aplicação que se relacionam da seguinte forma: Motivação e
esporte; Autocontrole das emoções; Estresse; Processos cognitivos; Fatores
psicossociais nas equipes desportivas; Psicofisiologia e esporte e Controle
psicológico do treinamento.
Dentre os êxitos das pesquisas realizadas se encontram: o achado das
regularidades psicológicas de diferentes formações de motivação como a
autovalorização, a orientação da personalidade e o grau de aspiração na
regulação do comportamento em competições (García Ucha, 1988); a
identificação de determinados moduladores da resposta de estresse do
desportista durante a competição (González Carballido, 2000) e, o registro de
variantes psicológicas mediadoras da resposta às cargas de treinamento
(García Ucha, 2005).
Em 1974 sai o Suplemento nº. 15 do Boletim Científico – Técnico
INDER, Cuba –, sobre Psicologia do Esporte, por Carlos Martinó Sánchez e
Colaboradores. É a primeira obra escrita ainda sem ser um livro e nela são
abordados temas como: a análise do produto da atividade; dinâmica das
funções psíquicas dos jogadores de basquete; a orientação da atenção na
reação psicomotriz, dentre outros.
O primeiro livro escrito em Cuba sobre Psicologia do Esporte foi
elaborado por Dorta Sasco em 1984 e seu título é “Noções de Psicologia da
Educação Física e o Esporte”, editado pela editora Pueblo y Educación, La
Habana. Trata-se, sobretudo, de um resumo dos trabalhos essenciais dos
autores soviéticos da época. Posteriormente, foram editados por Valdés Casal,
Ucha, González Carballido, Matos, dentre outros, livros importantes para a
área.
Durante o II Congresso Internacional de Psicologia do Esporte, em
Havana, Zaichowsky (1999) expôs que a Psicologia do Esporte de Alto
Rendimento ocupava um pequeno espaço dentro da Psicologia do Esporte e
assinalava que, no momento em que fazia esta afirmação, nos EUA
provavelmente somente sete psicólogos se dedicavam ao Esporte de Alto
Rendimento, uns dois psicólogos trabalhavam no Centro de Alto Rendimento
de Madrid, talvez uns sete mais no CAR de Barcelona e uns seis psicólogos se
revezavam no Centro Nacional de Alto Rendimento de Buenos Aires. É
interessante que em Cuba – por razões historicamente excepcionais – se
encontrava um número muito superior de psicólogos no Instituto de Medicina
do Esporte.
Em resumo, os primeiros trabalhos sistemáticos de Psicologia do
Esporte se relacionam com o esporte escolar e universitário; a integridade da
Psicologia do Esporte como ciência se assegura com a existência do problema
formulado: identificar o suporte psicológico da atividade desportiva e aplicar os
meios psicológicos para garantir e aperfeiçoar a atuação do participante na
atividade física e no esporte e a cuja realização está orientada como ciência na
busca teórica e metodológica; o problema fundamental da Psicologia do
Esporte constitui não só seu eixo teórico e prático, bem como histórico em
dependência do estado e do avanço da sociedade; o período da Guerra Fria
acelerou o desenvolvimento da Psicologia do Esporte em ambos os sistemas
sociais; os resultados metodológicos da Psicologia do Esporte em países
desenvolvidos teve um caráter singular para sua institucionalização; apesar dos
avanços realizados nestes países não se chegou a elaborar uma teoria
psicológica específica para o homem que participa no esporte de alto
rendimento.
Para ser mais preciso, como argumenta Valdés Casal (1996, 2000), na
curta história da Psicologia do Esporte se estabeleceram várias formas de
exercer a profissão, mais influenciadas pelas correntes psicológicas de maior
desenvolvimento do que pelas especificidades da atividade a qual se aplicam.
De forma que fica faltando o desenvolvimento de um esquema referencial
conceitual e a estruturação de suas relações por meio de teorias, hipóteses e
axiomas que lhe sejam propostos.
As investigações desenvolvidas pelo autor deste capítulo com atletas de
alto rendimento partem das mesmas questões que durante anos os
pesquisadores vêm tratando de esclarecer. Tais investigações podem ser
descritas da seguinte maneira:
1. Há um perfil de personalidade do atleta de alto rendimento?
2. Existem características que predispõem alguns atletas para alcançar
elevados rendimentos? J. Vasconcelos Raposo (2006)
3. Quais
fatores
sócio-culturais
e
motivacionais
determinam
o
desenvolvimento das motivações para alcançar altos rendimentos? Salmela
(2003) e J. Vasconcelos Raposo (2006).
Morgan (1980) apresentou seu Perfil do Campeão em estudos
realizados com atletas de alto rendimento, utilizando o teste POMS. O perfil,
mais que uma prova de personalidade, trata de um instrumento que mede
estado de ânimo na área da psicopatologia.
Um sem número de pesquisas realizadas com atletas universitários
foram efetuadas. Apesar das insuficiências assinaladas, produto das
investigações realizadas, uma série de hipóteses foram confirmadas que
permitiram predizer a tendência que seguem alguns dos fenômenos no
esporte. Por exemplo, uma revisão da literatura sobre rendimento máximo
indica que os desportistas vitoriosos tendem a ter altos graus de autoconfiança,
estão mais orientados em seu foco de concentração na tarefa esportiva, têm
uma menor tendência a se distraírem e exibem uma grande habilidade para
dominar sua ansiedade. Além disso, se caracterizam como pessoas com um
pensamento positivo sobre sua execução, determinação e compromisso se
comparados com os desportistas que têm baixos rendimentos. Possuem,
também, habilidades de percepção superiores García Ucha (2001). Estas
características psicológicas, dependendo de certos atributos da personalidade
do desportista, podem desenvolver-se por meio do treinamento psicológico
apropriado.
Foram êxitos da década de 90 em Psicologia do Esporte de Alto
Rendimento: Ampliação o campo de investigação; Desenvolvimento de estudos
interdisciplinares; Aplicação a todas as manifestações do esporte; Tarefas de
campo; Introdução em outras áreas da atividade humana; Programas de
formação acadêmica; Eventos científicos; Publicações e Internet.
Não obstante, a Psicologia do Esporte no Alto Rendimento se encontra
em um momento histórico de seu desenvolvimento em que, para avançar em
um sentido progressivo, precisa vencer grandes desafios.
1. Não se chegou a um nível científico em que se conseguirá expor
uma teoria geral que explique as regularidades psicológicas gerais
que regem aqueles que participam de atividade física e esporte.
2. Faz-se necessário enfrentar as diretrizes negativas no esporte atual,
tendentes a afastarem-se do Movimento Olímpico, à introdução da
comercialização e do profissionalismo. Muitos cientistas no esporte
estão, cada vez mais, a serviço de ganhos materiais do esporte do
que em benefício da saúde, da qualidade de vida e da formação
integral do homem por meio do esporte de alto rendimento. Os
produtos das pesquisas são valiosos na medida em que possam ser
convertidos em mercadorias. Vendem-se projetos, resultados,
diagnósticos e o quanto mais possa influir no resultado desportivo
como fim e não como meio da formação integral do homem.
3. A subordinação do político e do social à economia impôs uma
ideologia mercantilista, neodarwinista, que aplica à sociedade os
princípios da sobrevivência do mais apto ou do mais forte; a
competitividade como paradigma se impõe na vida social e isto se
reflete no esporte e leva a ameaçar os princípios éticos das ciências
do esporte, da qual faz parte a Psicologia.
Diante destes problemas os psicólogos do Esporte de Alto Rendimento
têm grandes desafios para vencer, que englobam não só a preparação
científica, mas, também, e de maneira especial, a preparação
humanista, a qual coloca o homem como centro e propósito de toda a
atividade. (Ucha, 2006):
- a Psicologia do Esporte de Alto Rendimento, mediante as atividades
científicas de suas organizações, chegou a expandi-se por todo o
mundo, formando agrupamentos que possibilitam uma representação
em cada continente;
- a Psicologia do Esporte de Alto Rendimento, mesmo contando com um
volume considerável de conhecimentos produzidos, ainda deixa
pendente um sem número de problemas teóricos, metodológicos e
práticos por resolver, dentre os quais se destacam a não exposição de
uma teoria coerente e geral do papel das regularidades psicológicas na
atividade física e do esporte;
- é necessário o desenvolvimento de um enfoque multidisciplinar para
que a Psicologia do Esporte obtenha sua plena instauração na atividade
científica e nas aplicações práticas.
Em suma:
1. É necessário assinalar que os êxitos da Psicologia do Esporte de
Alto Rendimento não podem ser explicados exclusivamente pela
própria atividade dos psicólogos ou de suas organizações senão,
ademais, e de forma determinante, pelo desenvolvimento atual do
esporte em todas as suas manifestações e no contexto social,
econômico, cultural, político, e até por fatores de ordem geográfica, o
que nos leva diretamente à necessidade de uma visão ecológica da
Psicologia do Esporte.
2. Os processos de pesquisa em Psicologia do Esporte, entendidos
como construção de conhecimento sobre as realidades sociais que
lhe competem, têm que considerar o contexto no qual se
desenvolvem e as condições que levam as pessoas a responderem
aos desafios que este lhes apresenta. Os processos de investigação
são condicionados por um contexto, mas é neste que encontram sua
justificativa e pertinência, seu significado e legitimidade social.
3. A Psicologia do Esporte, por seu caráter social e humano como ramo
das Ciências Psicológicas e por constituir uma Ciência Auxiliar do
Esporte, deve ter como propósito o desenvolvimento harmonioso e
integral da personalidade daqueles que praticam atividade física e
esporte.
4. Requer incrementar a formação ideológica dos cientistas na área da
Psicologia do Esporte de maneira especial no conhecimento do
legado ético do movimento olímpico.
5. Necessita refletir acerca do esporte como função social.
6. Precisa alcançar o grau mais elevado de formação levando em
consideração os avanços e êxitos científicos e tecnológicos da
especialidade.
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UM NOVO OLHAR PARA AS EMOÇÕES NO ESPORTE DE ALTO
RENDIMENTO
Tiago Nicola Lavoura; Maria Cristina N. Miguel; Daniel Presoto; Cristina
Akiko
Ao analisarmos a história da trajetória acadêmico-científica das
emoções, verificamos que, embora no final do século 19 tenham sido
publicadas importantes obras discutindo sobre os processos emocionais
(DARWIN, 1872; FREUD; BREUER, 1969; JAMES, 1890), a categoria emoção
foi, de uma determinada maneira, preterida das explicações e relações dos
seres humanos e dos processos sociais.
Principalmente, entre 1930 e 1970 pode-se notar que existiu uma
ênfase, quase que exclusiva, nas bases cognitivas da ação social. Fato este,
que culminou com a repressão e com o suprimento da emoção, tornando-a um
processo irracional e negativo. Com esta concepção sobre as emoções,
afirmava-se que estas desorganizavam os processos sociais e os sistemas de
ação, ocasionando o que Barbalet (1998) denominou de neutralidade afetiva.
Somente no final da década de 70 começaram a surgir obras na área da
Psicologia que davam o devido valor às emoções e sua importância para os
processos sociais. Neste período, destaca-se, por exemplo, a mudança do foco
dos estudos através do trabalho de Leventhal e Tomarken (1986), assim como
na antropologia destacam-se os estudos de Briggs (1970) e Levy (1973), e na
filosofia as obras de Neu (1977) e Solomon (1976).
Preservando a relação entre emoções e seres humanos, Stocker e
Hegeman (2002) afirmam que, vida, pensamento e ação de qualquer indivíduo
estão envolvidos com as emoções e tais sentimentos emocionais e afetivos são
de extrema importância para o conhecimento ético e moral, pois os valores
pessoais estão relativa e intimamente ligados às emoções, sendo elas signos
ou fontes de informação valorativa de fundamental importância.
Esses autores defendem a idéia de que existem conexões estruturais
importantes entre emoções e valores, sendo a primeira a própria essência do
conhecimento avaliador. Sem as emoções, “[...] é impossível viver uma vida
boa e humana [...]” (STOCKER; HEGEMAN, 2002, p. 29).
Compreender o valor das emoções no que toca às ações dos indivíduos
se faz necessário porque, conforme Schachtel (1984, p. 20):
[...] Não há ação sem afeto; é certo que nem sempre ele é
intenso, dramático, como numa ação de raiva impulsiva;
mas freqüentemente surge como um estado de ânimo
total, algumas vezes bastante distinto, outras vezes muito
sutil e quase imperceptível, mas que, no entanto constitui
o substrato essencial de toda a ação.
Pressupomos que as emoções se manifestam e interferem no
rendimento atlético, porque sabe-se que os estados emocionais são
responsáveis pelo aparecimento de várias sensações e emoções e que essas
acompanham e regulam as ações esportivas, contribuindo para o êxito ou para
o fracasso no esporte. Portanto, faz-se necessário uma visão reflexiva sobre a
importância das emoções sob a perspectiva psicossocial e esportiva.
Emoções na perspectiva psicosocial
Taylor e Wilson (2005) afirmam que as emoções são uma parte das
experiências esportivas, tanto quanto, as condições físicas, as condições
técnico/táticas, os equipamentos, o treinador e a equipe esportiva. Eles
sugerem que as emoções são o principal determinante de como os atletas irão
desempenhar-se nas competições, uma vez que, o impacto das emoções
sobre a performance atlética é tão poderoso, que afeta cada aspecto de seu
desempenho. No entanto, os autores relatam que, apesar da importância deste
tópico, ele ainda é pouco explorado na Psicologia do Esporte:
Durante o treinamento e competição, os
atletas podem experienciar um amplo
espectro de emoções que vai desde as
emoções negativas, tais como frustração e
desapontamento, até as emoções positivas,
tais como excitamento e satisfação. Os
relacionamentos dessas diversas emoções
com a performance atlética são complexos e
quase sempre intuitivos, uma vez que, essas
conexões somente recentemente começaram
a ser exploradas pela comunidade esportiva.
(JONES et. all., 2005, p.66).
Um dos mais conceituados psicólogos cognitivistas Richad Lazarus,
afirma
que
tradicionalmente
emoção
é
definida
como
uma
reação
psicofisiológica organizada em resposta ao relacionamento com o meio
ambiente, mais freqüentemente, mas não sempre, inter-pessoal ou social. Esta
reação consiste de respostas advindas de três níveis de análise, denominados,
uma experiência introspectiva subjetiva (quase sempre referida como um
afeto), ações abertas ou impulsos para agir, e modificações fisiológicas que
fazem as emoções serem organísmicas. E acrescenta a importância das
variáveis cognitivas e motivacionais, na estimulação e sustento de uma
emoção. Portanto, o que media psicologicamente uma emoção é uma
avaliação do significado pessoal, para o seu bem-estar, que a pessoa atribui
para este relacionamento, assim, como falamos em emoção devemos sempre
pensar no tripé, cognição, emoção e relação (LAZARUS, 2000).
As vivências emocionais devem ser compreendidas como a reação de um
conjunto complexo de fenômenos, com reações psicofisiológicas, interpessoais
ou sociais, avaliadas pelos pensamentos causais (cognitivos) e motivacionais
(SAMULSKI, 1995; RUDIK e CHERNIKOVA, 1988; LAZARUS, 2000).
Para Bandeira (2002), o aspecto fenomenológico das emoções diz
respeito à experiência motivacional do indivíduo, que vê sentido e significado
para um episódio gerador de emoção, ou seja, interpreta e age de maneira
subjetiva quando em uma determinada situação.
Gutiérrez (2000) defende que as emoções primárias como ira, medo,
amor, ódio, alegria, vergonha, orgulho, aflição e suas variações, manifestam-se
com mais intensidade sob as reações corporais, ao passo que emoções mais
sutis como os sentimentos morais, intelectuais e estáticos, a reação corporal é
menos óbvia e menos intensa. O mesmo autor defende e adapta um modelo
da teoria das emoções, de Willian James. (ver fig. 1).
Objeto emocional
Percepção do objeto
Ativação simpática e somática
Percepção de um estado emocional
Inibição de condutas emocionais
Facilitação de condutas emocionais
Terminação de estados emocionais
Figura 1. Modelo da teoria da emoção de Willian James (adaptado por
Gutiérrez, 2000, p. 35).
Podemos observar na fig.1, que o modelo da teoria da emoção proposta
por Willian James e adaptado por Gutierrez (2000), foi baseado na
objetividade, o que significa que, quando um indivíduo se encontra em uma
determinada situação, esta serve de estímulo para desencadear uma emoção,
que sempre é acompanhada de uma reação fisiológica. Esta emoção poderá
influir como facilitadora ou inibidora na conduta do indivíduo. Este modelo
explica ainda que cada indivíduo, vivência o momento, segundo sua própria
percepção do meio.
Segundo Rudik e Chernikova (1988), cada indivíduo possui um
desenvolvimento emocional diferente dos outros que convivem com ele, visto
que, inicialmente, todos nós possuímos mecanismos reflexos-condicionados
das vivências emocionais do meio. Os autores defendem que, no
desenvolvimento das emoções, se observam as seguintes regularidades (ver
quadro 1).
Quadro 1: Desenvolvimento das emoções (adaptado de Rudik e Chernikova,
1988, p.189).
DESENVOLVIMENTO DAS EMOÇÕES
a- Influência do modo de vida do homem: como caráter, interesses,
necessidades, satisfações, inter-relações, etc.
b- Influência das particularidades da atividade que incorpora o homem nos
períodos de sua vida: a atividade é poderosa fonte de emoções, tanto
positivas como negativas, pois, se convertem em fortes motivos para as
O quadro 1 sugere uma regularidade no desenvolvimento das emoções,
mas, cada indivíduo é um ser único, e como tal, tem uma vivência e percepção
próprias, uma dinâmica emocional que pode quebrar esta seqüência regular,
estabelecendo um padrão específico de seu desenvolvimento.
Para Samulski (1995), a maioria das teorias sobre emoções coincide
quando explicam que a emoção surge de uma avaliação das relações
motivacionais da vivência do indivíduo com seus objetivos. Rudik e Chernikova
(1988) completam e afirmam que esta avaliação ocorre de maneira subjetiva
para cada situação, constituindo a base do desenvolvimento de sentimentos
morais, estéticos e intelectuais.
Segundo Parkinson (1996) e Lazarus (2000), as avaliações subjetivas
ocorrem cognitivamente, o indivíduo possui a capacidade de reconhecer,
elaborar e memorizar, cada uma das situações vivenciadas, pois interpreta
segundo seu “self”, a emoção transmitida pelo outro. E, quando os estímulos
cessam, a emoção desaparece ou modifica-se.
Lazarus (2000) defende que o que media as emoções psicologicamente é
uma avaliação que o indivíduo faz sobre o próprio bem estar com relação ao
outro. O indivíduo transmite as emoções quando está no meio, e estas são
percebidas pelos outros que interagem com ele, pois é impossível ignorar
estas emoções, e, como conseqüência, participam direta ou indiretamente
deste processo, sendo também por ele influenciado de maneira positiva ou
negativa.
Em concordância, Rudik e Chernikova (1988), e Parkinson (1996),
defendem a idéia de que o indivíduo em relação com o meio apresenta
diferentes reações emocionais, uma vez que, dificilmente ignora as reações
emocionais dos outros, sofrendo influência destas, sobre as suas.
Para Lazarus (2000), as vivências emocionais podem gerar um efeito
positivo sobre a ação, resultando em alegria e bem estar, mas quando em
situações adversas, pode ocorrer um efeito negativo sobre a ação, o que
resulta, na maioria das vezes, em comportamentos de raiva e agressão.
Explica ainda, que, devemos compreender o quanto é difícil avaliar uma
emoção somente pelo aspecto positivo ou negativo, visto que, o indivíduo em
contato com o meio, pode experienciar mais de uma emoção ao mesmo
tempo, como por exemplo, a esperança que normalmente ocorre com a
ansiedade de ser bem sucedido, portanto, o autor vai além desta compreensão
simplista, e defende outras variáveis emocionais, que serão apresentadas no
quadro 3.
Baseados na visão de Lazarus, Cruz; Viana (1996) dizem “que as
emoções devem ser compreendidas também pelo esquema geral do sistema e
dos processos e variáveis das emoções” (p.190). Esta explicação está
ilustrada no quadro 2.
Quadro 2. Esquema geral do Sistema, processo e variáveis associadas e
implicadas nas emoções (adaptado de LAZARUS; FOLKMAN, 1984;
LAZARUS, 1991 por Cruz; Viana, 1996, p.190).
PROCESSOS MEDIADORES
VARIÁVEIS
ANTECEDENTES
CAUSAIS
Variáveis da
Personalidade
Valores ou objetivos
Crenças
Características pessoais
Variáveis Ambientais
Exigências, recursos e
limitações situacionais.
Ambigüidade, iminência
e importância da
situação.
(de prejuízo ou dano).
MOMENTO
Avaliação
Primária
Relevância
motivacional
Congruência
motivacional
Envolvimento do
“ego”
EFEITOS
EMOCIONAIS
IMEDIATOS
EFEITOS A
LONGO PRAZO
Respostas
psicofisiológicas
Sentimentos e
“afetos” positivos
ou negativos
Qualidade do
resultado
Comportamento
e rendimento
Saúde
física/doença
Moral (bem estar
psicológico)
Funcionamento
social
Avaliação
Secundária
Responsabilidad
e
Potencial de
Conforto
Expectativas
futuras
Reavaliação
Cognitiva
Confronto
Centrado na
resolução do
problema
Centrado na
regulação
emocional
Para Lazarus & Folkman (1984) citados por Cruz e Viana (1996) no
quadro 1, a importância de se considerar que nas relações do indivíduo quando estimulado por uma situação – com o meio, ocorrerá um efeito
emocional, com exigências de adaptação para a situação. Como cada
indivíduo é possuidor de valores e crenças, este, confronta-se com as
exigências, recursos e limites existentes no ambiente, e só após uma
avaliação, busca soluções para as emoções que foram desencadeadas.
Damásio (2000); Weinberg e Gould (2001); Machado (2004) defendem
que os indivíduos que se sobrecarregam de emoções negativas, podem
experimentar raiva, medo, frustração, desespero, fúria, tristeza, tensão,
nervosismo intenso, pânico, desespero, culpa, vergonha e embaraço. Estas
emoções alteram o nível de atenção, concentração e, como conseqüência,
modificam a coordenação motora. Ao passo que, ao vivenciar emoções
positivas como, felicidade, alegria, satisfação, excitação, contentamento, os
indivíduos podem manter boa atenção e concentração.
Para Rudik e Chernikova (1988) as vivências emocionais, representam
fenômenos psíquicos complexos, e ressaltam a importância de diferenciarmos
os estados emocionais, isto porque, cada um possui particularidades
específicas como, estados de ânimo, afetos, sentimentos. Para os autores, os
estados de ânimo que podem derivar de situações agradáveis ou
desagradáveis possuem particularidades distintas de intensidade, duração, e
preparam o indivíduo à ação. Os afetos, por sua vez, são emoções
manifestadas por alta intensidade. Já os sentimentos não representam o
acontecimento em si, mas sim, o significado da interpretação de uma emoção
sentida. Quando os sentimentos são “inferiores”, referem-se às manifestações
biológicas do organismo como satisfações ou insatisfações das necessidades
do indivíduo. Quando são sentimentos “superiores”, estão relacionados às
satisfações ou insatisfações das necessidades do indivíduo com o meio.
Thomas (1983) concorda com os autores e explica que as emoções,
influenciam a ação dos indivíduos regulando sua ação, o que significa que,
uma vez que o indivíduo vivenciou uma determinada situação, sua próxima
ação, estará baseada nesta, como uma forma de repetir o mesmo estado, seja
ele uma conseqüência positiva ou negativa.
Lazarus (2000) defende ainda que as emoções vivenciadas nos
relacionamentos sociais nos ajudam a compreender as diferenças emocionais
entre os indivíduos, pois em um relacionamento, a emoção presente em um
fato nunca é sentida da mesma maneira por ambos.
Nossas emoções ocorrem segundo Parkinson (1996), Mendo
e
colaboradores. (2000), através das perspectivas do outro, na dimensão dos
pequenos gestos ou padrões gestuais - como expressões faciais – e, é imitado
pelo outro sem que haja uma comunicação direta da emoção vivida no
momento, mas sim, como resposta ou ação que se repete mutuamente.
Para os autores as expressões gestuais presentes nos comportamentos
são naturais, ou seja, ocorrem automaticamente entre as pessoas sem que
haja uma mensagem direta e, em situações sociais, os comportamentos são
copiados, imitados automaticamente, contribuindo para a auto-percepção da
emoção, expressa por manifestações corporais como, o rubor facial, tremor
das mãos, etc. Mas, em muitos casos, o indivíduo faz uso de manifestações
faciais para demonstrar, justamente, a avaliação emocional aos outros
presentes, como demonstrações de raiva e desagrado.
Baseados na análise das emoções sob a perspectiva social, o presente
capítulo se refere também às emoções na perspectiva do esporte.
Neste
contexto, fica claro que o atleta não é uma máquina programada apenas para
vivenciar de maneira isolada o momento da competição, é como um
mecanismo biológico abastecido de conteúdos emocionais vivenciados em
outras experiências, acionados inconscientemente durante a prática esportiva.
O atleta experimenta nos diferentes momentos de sua prática esportiva uma
ebulição destas emoções.
Assim, para Lazarus (2000) no contexto esportivo deve-se compreender a
importância das emoções e o papel destas no desempenho de um atleta, seja
em situação de treinamento, pré-competição e/ou competição.
EMOÇÕES NO ESPORTE
Ucha (1998); Ikulayo (1990); Samulski (1995); Lazarus (2000) explicam
que as emoções desempenham importante função de ativação, organização,
orientação e controle de ações. Defendem que há uma forte relação entre o
conteúdo qualitativo e a dimensão da intensidade da emoção com o
rendimento. O conteúdo qualitativo é um atributo definido como afeto. Já a
dimensão da intensidade está esboçada em cada categoria de emoção – como
na intensidade ou experiência de raiva, ansiedade, etc.
O esporte produz um elevado grau emocional e uma grande riqueza de
processos emocionais. E como as emoções são reguladores da ação, seu
desempenho poderá sofrer alterações fisiológicas, psicológicas e motoras. O
atleta que, por exemplo, experiênciar alegria e satisfação, pode na próxima
atuação ter a expectativa de repetição da mesma atuação, e quando esta, não
se concretiza, pode sentir frustração e decepção (THOMAS, 1983; RIBEIRO,
2001; MACHADO, 2004).
Hanin (2000) foi um dos estudiosos da Psicologia do Esporte que mais
contribuiu para o entendimento das emoções no contexto esportivo. Entretanto,
sua obra é inteiramente baseada em um modelo de Zonas Individuais de
Funcionamento
Otimizado
(IZOF),
procurando
relacionar
emoções
e
performance esportiva. Desta forma, as emoções passam a ser compreendidas
como um importante aspecto do próprio indivíduo no esporte e ganha o peso
de um fator crítico, ou seja, a melhora ou a piora do desempenho pessoal ou
grupal.
Entretanto, Machado (2006) afirma que o esporte é um meio onde se
vivenciam as emoções com muita intensidade, despertando sentimentos, não
só nos atletas, como também, nos espectadores, e estas emoções
manifestadas podem vir a criar um ambiente acolhedor ou um ambiente muito
adverso para todos.
Hackfort e Schlattmann (1991) alertam que, devido às emoções regularem
as ações, conseqüentemente, elas interferem significativamente no resultado
das ações dos atletas, e, dependendo da interpretação (e percepção) de tal
emoção, ou até mesmo, da intensidade com a qual é manifestada, a mesma
pode assumir um sentido (sentimento) positivo ou negativo, influenciando,
assim, na performance do indivíduo.
O atleta, quando em situações de baixo rendimento experimenta
nervosismo, inquietude, apatia mental, mau humor, e como conseqüência
poderá influenciar sua atenção e concentração. E quando em situações de
bom rendimento, pode ocorrer um estado ótimo de ativação, motivação,
autoconfiança, otimismo, com a possibilidade de manter sua orientação para o
êxito e para a alta capacidade para o controle psicomotor (BRANDÃO, 2000;
SAMULSKI, 1995).
De acordo com Beattie; Hardy; Woodman (2004), o atleta que acredita em
si mesmo, vivencia emoções positivas, mantém foco nas metas estabelecidas
e, age de maneira tranqüila e autoconfiante.
Para Brandão; Rebustini; Agresta (2002) o atleta influenciado por
emoções negativas, pode ter uma crença que o limita, e muitas vezes, se
utiliza de frases negativas como, “não vou conseguir dar o meu melhor”, “eu
não mereço ser campeão por que não sou bom o suficiente”, para justificar sua
dificuldade com o momento. O quadro 4 apresenta algumas reações geradas
pelas emoções negativas.
Quadro 4 - Reações geradas pelas emoções negativas (BRANDÃO;
REBUSTINI; AGRESTA, 2002).
REAÇÕES NEGATIVAS
- Distorção visual
- Diminuição da flexibilidade mental
- Sentimentos de confusão
- Esquecimento dos detalhes
- Aumento no número de pensamentos negativos
- Menor capacidade de concentrar-se na atuação
- Atenção inadequada às vivências internas
- Diminuição da capacidade de tomada de decisão
- Recorre a hábitos antigos inadequados
- Aumento da tendência para precipitar-se na atuação
Brandão; Rebustini; Agresta (2002) explicam que as reações geradas
pelas emoções negativas listadas no quadro acima, podem provocar no atleta
uma mudança de foco, e conseqüentemente, alteração do desempenho
esportivo.
Lazarus (2000) defende que mesmo, em condições de julgamento
positivo, o atleta pode ter conseqüências negativas para a performance, por
exemplo: o atleta pode sentir-se gratificado – feliz – com seu desempenho em
uma partida, e decepcionar-se por não ter avaliado corretamente o risco ou o
perigo de sofrer o revés na mesma partida. “A lição é que nós temos que ser
cuidadosos em não deduzir que pensamento negativo é sempre prejudicial e
pensamento positivo é sempre facilitador de desempenho” (p.237).
Para Cratty (1984) classificar os esportes e suas variadas técnicas permite
definir as tensões psicológicas e sociais inerentes à sua prática. E afirma que
atletas com certas capacidades psicológicas como autoconfiança, tensão,
ansiedade etc, e habilidades motoperceptivas podem responder de maneira
mais eficiente, em tipos diversos de atuação, e que vários tipos de intervenções
terão melhores resultados quando se utilizam destas técnicas que apresentam
estas diferentes características.
A intensidade na qual uma emoção pode ser manifestada é explicada por
Fogiel (1986) pelo nível de ativação que envolve essa emoção, caracterizado
como um estado complexo do organismo, que envolve e acompanha
mudanças no corpo, nas expressões e, conseqüentemente, nas ações.
Por isso, uma situação vivenciada por um atleta, dependendo da
intensidade com que a emoção é aflorada, pode caracterizar um quadro normal
ou anormal, que pode ou não chegar a comprometer as ações deste sujeito. E
essa intensidade e, conseqüentemente, as mudanças do organismo, é que
podem definir o que realmente está se passando com tal esportista.
Lazarus (2000) agrupou as emoções em cinco categorias (p.232): a)
emoções desagradáveis: raiva, inveja e ciúmes; b) emoções existenciais:
medo, ansiedade, culpa e vergonha; c) emoções provocadas por condições de
vida desfavoráveis: alívio, esperança, tristeza e depressão; d) emoções
provocadas por condições de vida favoráveis: felicidade e amor e, e) emoções
empáticas: gratidão e compaixão. Ainda para o autor, quinze emoções estão
presentes no ambiente esportivo. Essas emoções estão descritas no quadro 3
a seguir.
Quadro 3. Principais Emoções presentes no ambiente esportivo (adaptado de
Lazarus, 2000, p. 234).
PRINCIPAIS EMOÇÕES PRESENTES NO AMBIENTE ESPORTIVO
Medo – um imediato concreto e esmagador perigo físico
Ansiedade – ameaça a sua existência
Preocupação – sentimentos de dúvidas e incertezas
Raiva – uma ofensa dirigida contra mim
Culpa – ter transgredido uma regra moral
Vergonha – fracassar em uma meta pessoal
Tristeza – ter vivenciado uma perda
Inveja – desejar algo que outra pessoa tem
Ciúme – culpar uma pessoa pela perda ou ameaça de perda do afeto de uma terceira
pessoa
Felicidade – fazer progressos razoáveis na direção da realização de uma meta
Orgulho – crédito por ter alcançado algo valioso
Alívio – uma condição que foi modificada para melhor
Esperança – acreditar que o impossível é possível
Amor – desejar ou participar de relação afetiva
Gratidão – apreciação de um presente altruísta que traz benefícios pessoais
Compaixão – movido pelo sofrimento do outro e desejo de ajudar
Devido a importância que essas emoções têm para o rendimento
esportivo de um atleta ou equipe, será apresentada a seguir, uma revisão da
literatura sobre essas principais emoções.
MEDO COMO EMOÇÃO
Diversos estudos sobre o medo apontam que tal estado emocional é uma
emoção básica, fundamental, presente em todas as idades, culturas, raças ou
espécies (BARLOW, 2002; LEWIS; HAVILAND JONES, 2000; PLUTCHIK,
2003).
O ser humano é o único mamífero que não nasce pronto para sobreviver
por si mesmo, leva cerca de um ano inteiro para fazê-lo e cerca de sete anos
para desenvolver seu intelecto, amadurecer seu cérebro e se tornar um ser
diferenciado dos outros animais, pela evolução natural do seu córtex cerebral.
E neste desenvolvimento, recebe muitas informações, acompanhadas de
emoções, que dão um colorido diferente ao que aprendemos (BAUER, 2002)
Ainda para Bauer (2002) as experiências emocionais positivas são
armazenadas e incentivadas a se repetirem e, as experiências emocionais
dolorosas tendem a ser guardadas de forma a não serem lembradas mas sim,
recalcadas e substituídas por sentenças ou auto-comandos negativos, que
predizem desgraças que o próprio indivíduo repete quase inconscientemente,
como um lema negativo. A essa sentença a autora chama de crença limitante,
com expressões emocionais de frustração, angústia, vergonha, desesperança,
medo.
De acordo com Damásio (2000), o medo é uma reação emocional inata,
com sentimentos primitivos de autoproteção e sobrevivência. Os indivíduos
apresentam, ao longo da vida, respostas programadas em relação aos
estímulos que desencadeiam o estado emocional. A emoção medo, ao ser
detectada no sistema límbico, mais precisamente na amígdala cerebral na
infância e juventude e, posteriormente, através do córtex pré-frontal nos
adultos, apresenta uma grande gama de respostas fisiológicas alteradas,
acarretando uma interpretação defeituosa ou uma distorção da percepção, e,
conseqüentemente, em uma estratégia de proteção.
Para Frijda (1995) o medo é uma emoção que está relacionada com
atitudes evitadoras e autoprotetoras. Baker (2001) também o considera como
uma proteção automática do organismo, mas que passa a ser considerado
negativo quando se intensifica e não possui nenhuma razão clara para existir.
Gray (1978) defende a idéia de que o medo gera uma das três atitudes
descritas
a
seguir:
congelamento
(ficamos
absolutamente
quietos
e
silenciosos), ímpeto ou luta (ao defrontar-se com uma punição ou ameaça de
uma punição), ou aprender algo completamente novo que porá fim ao perigo ou
lhe permitirá rejeitar a situação perigosa no futuro.
Atualmente, se considera que os medos podem ampliar-se a outros
estímulos semelhantes pelo processo de generalização, e podem, por sua vez,
serem extintos através da exposição gradual de outros estímulos que poderão
gerar tranqüilidade (MURRAY, 1978). Os estímulos geradores de emoções,
para o mesmo autor, podem gerar alterações corporais interpretadas como
emergência. Se este esforço se prolongar, a reação entra em um estágio de
resistência com o corpo compensando este esforço por certo tempo até
alcançar o estágio de exaustão. O esforço crônico produz um estágio de
resistência que pode levar à doenças psicossomáticas (CANNON citado por
MURRAY, 1978).
Se o indivíduo estiver em uma situação emocional negativa, a reação
emocional será diferenciada para luta ou fuga, gerando mudanças fisiológicas
internas, mediada pelo sistema nervoso simpático e pelas glândulas
endócrinas, através da liberação dos hormônios (adrenalina e noradrenalina).
A emoção medo negativa, segundo LeCron (1966), é um reflexo que
nasce dos condicionamentos passados, sendo que o pensamento negativo é
um fator fundamental na geração destes temores. O consciente reconhece a
existência e as causas do medo, vivenciado antecipadamente, reagindo
fisicamente por meio de somatizações, como reações de autoproteção. Para o
mesmo autor, o medo pode ser positivo, quando surge em função da
prevenção da vida.
A dificuldade que experimentamos ao nos depararmos com as idéias e
sentimentos medrosos, para Hatfield citado por Damásio (2000) deve-se a
algumas razões:
 MEDO DE SE EXPOR: medo de que, ao revelarmos como somos,
nosso modo de ser, valores, crenças e medos, tornemo-nos visíveis,
conheçam nossos preconceitos, o que fizemos e de que nos
envergonhamos.Ou seja, descubram o que há de errado conosco;
 MEDO DO ABANDONO: medo de que as pessoas, ao nos
conhecerem bem, possam nos abandonar;
 MEDO DOS ATAQUES DE RAIVA: medo de que algo que
digamos a nosso respeito para outros possa ser usado contra nós
mesmos;
 MEDO DA PERDA DE CONTROLE: medo de perder o
autocontrole sobre os outros e sobre as situações;
 MEDO DOS PRÓPRIOS IMPULSOS AGRESSIVOS: medo de
que, ao entrar em contato com nossas emoções, percamos o
controle e tenham reações descontroladas.
Como pôde ser observado, o medo é uma emoção que acompanha
todos os indivíduos, nas diferentes instâncias de suas vidas. Pensando-se
nestas características desta emoção, vejamos como se dá a manifestação do
medo no esporte, e quais suas implicações para o desempenho dos atletas,
desde a iniciação até o alto nível.
MEDO NO ESPORTE
O medo pode interferir nos mecanismos aprendidos, e necessários para a
execução dos movimentos que são característicos de cada modalidade
praticada, modificando assim a resposta do atleta no momento da competição.
Chevallon (2003) defende que, os atletas recebem as mais variadas
pressões do meio esportivo e, conseqüentemente, se fracassam, apresentam,
à partir deste momento, uma pressão interna que contribuirá para mudanças
em sua auto-imagem. O atleta que experimenta um fracasso e sente “o peso”
da pressão externa e interna pode duvidar de suas capacidades, perder a
confiança em si mesmo, desenvolver um sentimento de inferioridade, por vezes
imaginária, e apresentar um comportamento medroso frente a uma nova
competição.
Ainda para Chevallon (2003) muitos atletas, para evitar os julgamentos
das pessoas envolvidas em seu meio esportivo, costumam intensificar sua
preparação antes da competição, podendo levar com isto a reação de fadiga
física e psicológica e, como conseqüência, podem apresentar medo do
fracasso e medo de decepcionar o técnico, os companheiros e sua família.
O atleta medroso apresenta emoções fortes, e dificilmente externará estas
reações emocionais para seu técnico, por medo de decepcioná-lo, e por medo
também de admitir a própria fraqueza. Em nível consciente os atletas temem
perder e com isso muitos acabam se orientando para o fracasso, como
conseqüência de diversas causas, até mesmo pela associação das lembranças
de punições e castigos efetuadas por seus pais no período da infância. Em
outras situações, podemos encontrar também o atleta que tem medo de ganhar
(medo do sucesso), que o leva a evitar a vitória por temer ser preterido no
futuro, resultando no fracasso (CRATTY, 1984).
Huang e Lynch (1992) explicam que o medo poderá propriciar ao atleta
o ímpeto de competir, pois ao reconhecê-lo, o atleta vivencia ativação,
interferindo positivamente no seu desempenho, mas, o medo poderá também
ser um grande obstáculo à atuação esportiva, quando associado aos riscos
da modalidade.
Muitas vezes, os atletas possuem uma maneira de pensar irrealista,
exagerada com relação às competições, avaliam que não treinaram o suficiente
e apresentam como resultado o medo, que pode ser real ou imaginário. Estes
julgamentos imaginários de incapacidade para enfrentar, com sucesso,
determinadas competições ou adversários, valorizam em demasia as falhas, e
os medos surgem como conseqüência. (CRUZ; VIANA, 1996).
Conforme Hackfort e Scwenkmezger (1993), o medo é o resultado da
insegurança do atleta, causada pela percepção de sua incapacidade em
superar dificuldades e exigências do momento esportivo. Esse medo por
antecipação será proporcional ao valor negativo atribuído pelo atleta às
conseqüências, e acompanha o estado de ansiedade. Samulski (2002)
compartilha da mesma visão, e ainda acrescenta que o medo será cada vez
mais intenso, na medida em que, o desenvolvimento da ação é inseguro.
Para Machado (1998) inúmeras situações podem gerar o medo,
principalmente quando o atleta procura atingir determinados objetivos na ação
esportiva que estão dentro de parâmetros de seu julgamento, provocando
sentimentos de auto-avaliação e comparações entre o desempenho obtido e o
esperado. Por fim, nesse momento, pode surgir o medo por antecipação, das
conseqüências que podem vir a aparecer. Algumas conseqüências citadas pelo
autor são: o fracasso, o vexame social e a contusão.
Os
estudos
consensualmente
sobre
que
tal
o
medo
no
sentimento
esporte,
(percepção
atualmente,
do
medo)
apontam
acarreta
conseqüências claramente prejudiciais para a aprendizagem e para o
rendimento esportivo. Devido à tensão muscular gerada nos níveis motor e
fisiológico, decorrente do medo, os indivíduos manifestam falta de precisão dos
movimentos, falta de flexibilidade, maior predisposição à fadiga, transtornos de
percepção, redução do campo visual e de atenção.
Em situações de aprendizagem, reconhece-se que dois tipos de temores
manifestam o medo: a insegurança física e a insegurança psicológica, de
ordem cognitiva (MACHADO, 2006; ROFFÉ, 1999; SANTIAGO; GONZÁLEZ,
2002).
Sobre a insegurança física, os mais diversificados atletas destacam que o
medo da lesão é a mais comum, principalmente quando a dificuldade e o risco
da tarefa são altos. O próprio medo da lesão (situação tida como antecipada à
ação) pode contribuir para que a lesão ocorra de fato, sendo caracterizada
como um círculo vicioso, pois o medo de lesionar-se gera tensão muscular, e
essa tensão torna os movimentos rígidos e descoordenados, provocando a
execução errada dos mesmos, podendo causar uma lesão.
Segundo os autores, e também de acordo com Thomas (1982), os
indivíduos que estão em fase de iniciação, independentemente da modalidade
esportiva,
se
deparam
com
movimentos
pouco
habituais,
podendo
experimentar situações de perda de orientação espacial e perda de equilíbrio,
causando uma insegurança que pode vir a produzir o medo antes, durante ou
mesmo depois da execução de tais ações.
O medo provocado por insegurança psicológica, de ordem cognitiva, o
medo do fracasso pode ser manifestar por medo de ser avaliado
negativamente, medo de fazer ridículo e medo da competição.
O medo do fracasso é tido, na literatura, como um dos temores mais
gerais na prática esportiva, podendo ter distintas causas, como falta de
confiança nas próprias capacidades e habilidades, ou medo da repercussão do
fracasso, como castigos, afastamento da equipe, punições, perda de
patrocínio, entre outras.
O medo de ser avaliado negativamente é justificado por Santiago e
González (2002) pelo temor às críticas negativas que os indivíduos podem vir a
receber, seja do professor, do técnico, dos pais ou dos companheiros. O medo
de parecer ridículo também é considerado da mesma maneira, pelo temor de
ser avaliado e julgado pelos outros.
Roffé (1999) descreve uma espécie de circuito o modo como o medo pode
ser instalado em uma situação específica, como em uma partida de futebol: o
jogador arrisca, se equivoca, sente culpa (se arrepende), baixa sua auto-estima
e autoconfiança, e todo este processo desencadeia o medo de arriscar pelo
resto da partida.
A manifestação do medo no esporte está associada à aparição de
diversas
causalidades,
provocando,
atreladamente,
as
seguintes
conseqüências nos atletas: falta de decisão, inibição e determinados bloqueios
em certas ações, transtornos na coordenação dos movimentos, fuga ou
aversão (a competição ou jogo, ou uma situação específica, como não querer
chutar um pênalti).
Por fim, Roffé (1999) faz uma correlação do que denomina de variáveis
psicológicas, estabelecendo que: quanto maior a ansiedade, menor a
concentração; quanto maior a autoconfiança, menor a insegurança, a
ansiedade, a hostilidade e maior decisão e capacidade de arriscar e maior
controle dos medos; e quanto maior a auto-estima, menor o estado de
ansiedade e maior o grau de autoconfiança.
ANSIEDADE
A ansiedade é um fenômeno presente em diversas situações do cotidiano,
pode-se ficar ansioso antes de uma prova, antes de uma viagem de avião ou
ainda ao dentista. No contexto esportivo, elevados níveis de ansiedade se
tornam evidentes, por exemplo, quando atletas apresentam mãos frias e
úmidas, aumento da freqüência cardíaca, aceleração da respiração, distúrbios
gastrointestinais (necessidade de urinar freqüentemente, diarréia), sudorese,
tremores, náuseas, enjôos, boca seca, incapacidade de concentrar-se,
indisposição, dor de cabeça, aumento da tensão muscular ou dificuldade para
dormir antes ou durante uma competição.
Neste sentido, a compreensão dos antecedentes, a dinâmica e as
conseqüências da ansiedade podem fornecer implicações práticas úteis no
cenário esportivo. Por exemplo, se um técnico sabe do rendimento de seu
atleta, com base no conhecimento prévio que possui acerca dos níveis de
ansiedade, pode tentar manipular positivamente os traços ansiógenos deste.
O QUE É ANSIEDADE?
Spielberger (1966) define a ansiedade como reações emocionais a um
estímulo percebido como perigoso e que resultam em uma combinação de
sentimentos de tensão, apreensão e nervosismo, pensamentos de desprazer e
mudanças fisiológicas.
D’Urso e colaboradores (2002) reconhecem a ansiedade em experiências
esportivas, relacionando-a a representações simbólicas¹, freqüentemente
inconscientes, das experiências vividas, e que ao serem lembradas, podem
levar o atleta a vivenciar as emoções de maneira positiva e ou negativa
favorecendo ou inibindo a performance. Em outras palavras, uma mesma
emoção pode ser benéfica para um atleta e maléfica para outro, dependendo
do significado que o mesmo dá a ela (D’URSO e colaboradores, 2002).
Segundo Lazarus (2000) em situações competitivas a ansiedade pode
estar presente no desempenho, visto que, o atleta ao comparar seu
desempenho com outros atletas pode sentir-se incapaz, ou por não possuir os
recursos técnico-táticos, físicos e psicológicos necessários para enfrentá-lo. A
ansiedade, para o autor, é compreendida como uma emoção de ameaça
incerta, ou seja, quando valores e objetivos importantes são ameaçados. Neste
caso, a ansiedade interfere de maneira negativa sobre a ação esportiva, mas,
explica ainda, que a ansiedade pode também ocasionar efeito positivo sobre a
performance, quando em situações pré-competitivas o atleta avalia que tem
reais condições para um bom desempenho.
De acordo com Lazarus (2000), Weinberg e Gould (2001), Bandeira
(2002) a ansiedade é uma síndrome emocional que envolve stress, avaliação
cognitiva de ameaça, ou mesmo, uma avaliação com componentes cognitivos
e somáticos, associados a elementos simbólicos, que fazem parte da
imaginação, e que podem resultar em sentimentos de nervosismo,
preocupação e apreensão, associados à ativação ou a agitação do corpo.
Enfim, tanto a ansiedade como o medo, são manifestações perturbadoras
quando percebidas irracionalmente e quando causadas inapropriadamente, o
que nos leva a compreender a importância de se encontrar as causas e as
razões legítimas para a situação vivenciada (GAYLIN, 1979).
Segundo Raglin (1992), a ansiedade envolve um processo dinâmico
biopsicossocial que englobe 3 componentes: o estressor que significa uma
ameaça física ou psíquica para o indivíduo; a percepção que diz respeito a
análise que o indivíduo faz da situação de acordo com suas influências
genéticas e suas experiências prévias e, avaliação do estressor, uma vez que o
indivíduo perceba a situação como estressora, surgem reações emocionais,
fisiológicas e comportamentais.
Traço de ansiedade e estado de ansiedade
A maior parte das pesquisas relacionadas à personalidade e esporte,
antes de meados de 1970, utilizavam a abordagem de traço de personalidade,
considerando uma unidade de personalidade relativamente estável com
atribuições
que
exercem
influência
no
comportamento
das
pessoas,
minimizando a influência de fatores ambientais e situacionais (Martens, Vealey
& Burton, 1990).
No entanto, com o crescimento da psicologia comportamental, que
considera a influência de fatores ambientais e situacionais do comportamento,
surgiram pesquisas que privilegiam apenas os fatores ambientais, minimizando
a influência do traço de personalidade.
Segundo Martens, Vealey e Burton (1990) essas duas abordagens limitam
a maior compreensão dos determinantes do comportamento humano. Por isso,
surgiu uma terceira visão que é a abordagem interacionista, inicialmente
proposta por Lewin (1975), segundo a qual, o comportamento é resultante de
fatores de traço de personalidade e de influências ambientais/situacionais.
A partir desta consideração, pesquisadores verificaram que traços de
gerais de personalidade não eram adequados para predizer comportamentos e
para melhor descrever o fenômeno da ansiedade, Spielberger (1966) propôs a
divisão da ansiedade em duas medidas: o traço de ansiedade e o estado de
ansiedade.
O traço de ansiedade representa uma característica, uma propensão para
sentir maior ou menor grau de ansiedade diante de diferentes situações, ou
seja, é a disposição da personalidade de modo quase permanente. Enquanto o
estado de ansiedade mostra as reações do indivíduo perante situações
temporárias ou tensões situacionais, é observada em dado momento na vida
do indivíduo.
Assim, o estado de ansiedade reflete os processos psicológicos e
fisiológicos, ao passo que o traço de ansiedade consiste em uma predisposição
ou uma tendência da personalidade, relativamente permanente, para perceber
determinadas situações ambientais como ameaçadoras ou estressoras que
aumentam o estado de ansiedade.
Ansiedade cognitiva e somática
Em 1967, Liebert e Morris propuseram um modelo multidimensional para a
ansiedade, considerando-a manifestada sob dois ângulos: o cognitivo e o
somático. O cognitivo representa o componente mental da ansiedade, é
causado
por
sensações
de
preocupação
e
medo
de
ser
avaliado
negativamente e o somático se refere aos aspectos fisiológicos da ansiedade,
como aumento da freqüência cardíaca e respiratória, bem como da sudorese,
tensão muscular, distúrbios gastrointestinais entre outros.
Esta distinção permite melhor compreensão da relação entre ansiedade e
desempenho e, também, para a utilização de técnicas de intervenção
adequadas aos níveis de estado de ansiedade percebidos.
Principais causas
Segundo Weinberg e Gould (2001), as principais fontes de ansiedade
podem ser divididas em fontes situacionais e pessoais.
As fontes situacionais se referem a importância dada ao evento ou
competição de forma geral. Segundo Machado (1998), quanto mais importante
for o evento, maior será a probabilidade de o indivíduo exibir elevado nível de
estado de ansiedade e, incerteza que cerca o resultado do evento. Quanto
maior o grau de incerteza de uma pessoa em relação ao resultado ou a
sentimentos e avaliações dos outros, maiores os níveis de estado de
ansiedade.
Ao passo que as fontes pessoais englobam duas disposições de
personalidade e a disposição de ansiedade física e social: a primeira o traço de
ansiedade é um fator de personalidade que predispõe uma pessoa a encarar
uma competição como mais ou menos ameaçadora. Portanto, atletas com
elevados níveis de traço de ansiedade tendem a perceber um maior número de
situações como ameaçadoras; auto-estima também está relacionada à
percepções de ameaça e às mudanças correspondentes no estado de
ansiedade. Atletas com baixa auto-estima tendem a apresentar menos
confiança e mais estados de ansiedade e, ansiedade física e social é uma
predisposição da personalidade que reflete a tendência de uma pessoa ficar
nervosa ou apreensiva quando seu corpo é avaliado.
Outra fonte de ansiedade na situação competitiva apresentada por Davies
e Armstrong (1989) são os técnicos e os pais. Segundo os autores, a
ansiedade pode ser transmitida de pessoa para pessoa e, especialmente no
caso da competição infantil, técnicos e pais que demonstram sua ansiedade
através de determinados comportamentos como agitação excessiva, podem
transmitir para a criança a sensação de que adultos não confiam nela e que há
dúvida e apreensão, aumentando a ansiedade nas crianças.
Efeitos da ansiedade no desempenho motor
Weinberg e Gould (2001) apresentam duas explicações para o modo
como a ativação aumentada influi no desempenho esportivo: tensão muscular
intensa e dificuldades de coordenação: a ansiedade pode provocar aumento na
tensão muscular, interferindo na coordenação e, por isso, pode ocorrer queda
no desempenho; mudanças no nível de atenção e concentração: a ativação
intensa pode causar estreitamento do campo de atenção de uma pessoa.
Dessa forma, sinais relevantes não são detectados e podem influenciar
negativamente o desempenho, principalmente em tarefas que requerem um
foco externo amplo. Além disso, o aumento da ativação pode fazer com que
indivíduos focalizem sua concentração em estímulos inadequados, tornando-os
suscetíveis, afetando, por sua vez, a concentração ideal.
Segundo Becker Junior (2000), níveis baixos de ansiedade podem resultar
em falhas devido a demasiadas informações que chegam à consciência, níveis
moderados parecem auxiliar os indivíduos a selecionar os estímulos que
consideram importantes, e níveis elevados tendem a deteriorar a performance
devido ao estreitamento da atenção, fazendo com que sinais relevantes não
sejam detectados.
Zona ótima de funcionamento
Inicialmente, pesquisadores consideravam que a relação, entre os níveis
de ansiedade e o desempenho esportivo, se comportavam na forma de um U–
invertido, ou seja, o aumento do nível da ativação facilitaria o desempenho
motor até certo ponto, seguido por um baixo rendimento, caso este nível
continuasse a aumentar (Yerkes & Dodson, 1908).
Para Magill (2000) outro aspecto de suma importância relacionado ao
desempenho ótimo se refere à complexidade da tarefa. Tarefas de alta
complexidade são mais bem desempenhadas com níveis baixos de ansiedade,
ao passo que tarefas menos complexas exigem níveis mais elevados para o
ótimo desempenho. Então, pode-se considerar que diferentes modalidades
exigem níveis de ansiedade distintos para o ótimo desempenho.
Para Oxendine (1970), níveis de ativação altos interferem em tarefas que
requerem habilidades complexas, de controle muscular fino, coordenação e
concentração, ao passo que tarefas motoras grossas, de resistência e
velocidade parecem necessitar de níveis de ativação alta.
Mas Hanin (2000) constatou que ocorrem desempenhos ótimos em um
indivíduo sem que seu nível esteja necessariamente no ponto máximo do U–
invertido e observou a existência de uma Zona Ótima de Funcionamento –
ZOF.
O que prediz a Zona Ótima de Funcionamento Individual – IZOF (Hanin,
2000) é que embora se possa considerar que diferentes níveis de ansiedade
são exigidos dependendo da tarefa, observa-se que esses níveis variam
também de pessoa para pessoa. Portanto, o que para determinado atleta pode
significar um nível ideal e benéfico de ansiedade, para outro, esse mesmo nível
pode ser elevado e prejudicar sua atuação.
Nesse sentido, Cratty (1984) afirma que há diferenças individuais na
capacidade de acomodação à tensão momentânea ou permanente, enquanto
alguns são capazes de serem bem sucedidos, tornando-se mais fortes sob
tensão esportiva, que pode ser momentânea ou prolongada; outros sucumbem
sob muita pressão, apresentando tensão crônica.
Giacobbi e Weinberg (2000) investigaram as respostas de diferentes
subgrupos de atletas quanto aos seus traços de ansiedade, os resultados
mostraram que os sujeitos com maior traço de ansiedade responderam a
situações de estresse usando diferentes comportamentos em comparação com
os sujeitos com menor traço de ansiedade, ou seja, embora possa-se
considerar que diferentes níveis de ansiedade são exigidos em função da
tarefa, observa-se que esses níveis variam também de indivíduo para
indivíduo. Iizuka (2003) observou que jovens mesa-tenistas podem se
desempenhar bem independentemente dos seus níveis de ansiedade, desde
que estes adaptem suas características pessoais aos seus estilos de jogo. Por
exemplo, um atleta com elevados níveis de ansiedade pode alcançar bons
resultados com um estilo de jogo rápido, que demanda alta ativação, ao passo
que um atleta com níveis baixos de ansiedade, talvez, se beneficie com um
estilo mais lento, priorizando a regularidade de suas rebatidas. Iizuka (2003)
conclui que, talvez, não haja níveis ideais de desempenho para o tênis de
mesa, mas sim, para cada atleta.
RAIVA
Em todos os momentos, inclusive nos pré-competitivos as vivências
emocionais de raiva dos atletas estão condicionadas pelos relacionamentos,
Lazarus (2000) explica que tanto a ansiedade como a raiva, podem surgir nos
momentos em que os atletas avaliam suas atitudes em relação à ação do
outro. Para o mesmo autor, quando atletas experimentam raiva, ocorre um
impulso poderoso de contra-atacar, com a finalidade de “ganhar”, e assim,
elevar sua auto-estima, que pode ter ficado abalada, por uma necessidade de
revidar uma ofensa. Em esportes competitivos, as ações geradoras de
discussões, tais como o confronto com árbitros, torcida, técnico, ou
adversários, podem ocasionar reação de raiva e fúria, mesmo em novos
confrontos (LAZARUS, 2000).
Para Spielberg (1999) citado por Vallance e colaboradores (2006) a raiva
pode ser definida como uma resposta psicofisiológica composta de
sentimentos que variam da intensidade leve da perturbação até o agravamento
desta intensidade.
A raiva é uma importante emoção a ser estudada no contexto esportivo,
principalmente nos esportes coletivos, uma vez que, pode levar o atleta a
machucar o adversário através de um comportamento agressivo (VALLANCE e
colaboradores, 2006).
Lazarus (2000) propõe que certos níveis de raiva, quando elevados,
podem também provocar conseqüências motivacionais construtivas para os
atletas que mobilizam energia extra ao árduo trabalho, em uma tentativa de
reparar uma injustiça, ou mesmo, de provar a alguém que esta estava errada.
Hannin (2000) concorda com esta teoria e explica que em um jogo de
hóquei, um jogador ao ver a raiva de seu oponente, pode avaliar esta situação
como perigosa e experiênciar medo, mas, se ao contrário, perceber que o seu
oponente está vindo em sua direção para bater o taco no disco, poderá
reavaliar a situação e experimentar alívio.
Para Vallance e colaboradores (2006), a raiva foi estudada como traço e
estado de raiva. O traço de raiva significa a tendência do atleta a vivenciar
raiva em uma determinada situação relativamente estável, enquanto o estado
de raiva refere-se ao nível de raiva de um atleta para um dado momento
exigido e percebido como restrições e oportunidades.
Em muitos momentos, a raiva pode conduzir ao sentimento de desprezo,
dependendo da intensidade do relacionamento existente entre os indivíduos.
Esta experiência, muitas vezes, indica a sensação de ser menos valorizado
pelo outro, quando, por exemplo, não é mencionado em uma situação de
vitória ou sucesso (GAYLIN, 1979). Ainda para o autor, o indivíduo que
necessita se proteger da raiva nega-a, ao mesmo tempo, que nega também o
sentimento de culpa.
CULPA E VERGONHA
Culpa e vergonha, são emoções relacionadas à necessidade de
sobreviver em relações sociais, a padrões morais e ideais do ego². A culpa nos
relacionamentos refere-se a uma transgressão moral.
Para Gaylin (1979) a culpa é definida como “nada mais do que o
problema que surge em nossa mente vindo da nossa consciência por termos
feito o contrário do que verdadeiramente acreditamos ser nossa obrigação”
(p.21). Para o autor o sentimento de culpa, relacionado à transgressão de
alguma coisa proibida, e associado à punição, é confundido com duas
emoções relacionadas, a vergonha e o medo de culpa.
Em esportes competitivos, alguns atletas são mais vulneráveis a
experimentar a culpa, por exemplo: se em um momento esportivo a
competição é desigual com relação à idade dos atletas, um deles poderá
experimentar a necessidade de ser solidário e com isto, vivenciar uma
dificuldade de conter sua preocupação com o oponente e, como conseqüência,
decrescer seu desempenho durante a competição, por sentir-se culpado por
vencê-lo (LAZARUS, 2000).
²Ideais do ego: “em nosso inconsciente existe um ideal fundamental
para o respeito próprio” (Gaylin ,1979, p. 06).
O autor explica ainda que haja pouco espaço para a culpa em competição
de atletas de alto rendimento, uma vez que, nenhuma piedade pode estar
presente em qualquer competição de importância.
A vergonha e a culpa segundo Gaylin (1979) servem para facilitar o
comportamento humano de ser aceito socialmente, pois “ambas lidam com a
transgressão e erros contra as normas de conduta e suportam os pilares da
estrutura social” (p.29).
A vergonha para o autor está relacionada às más condutas relativas ao
passado, presente e futuro no que diz respeito à desonra e descrédito,
“sentimos vergonha das coisas más, das coisas que acreditamos serem
desagradáveis para nós mesmos ou para as pessoas com quem nos
importamos” (p.29). Ainda para o autor, uma das características da vergonha é
que ela é sentida com mais intensidade quando em grupo.
Para Lazarus (2000) a vergonha pode desempenhar importante papel nos
esportes competitivos, pois os atletas propensos a esta emoção, quando
falham na competição, podem pensar que esta falha revela uma séria falha de
caráter, e que todos – o grupo - irão perceber e se retrair, interferindo assim na
performance. Os atletas querendo “esconder” a vergonha podem recusar a
verdadeira analise do que aconteceu naquele momento. O autor explica ainda
que a vergonha pode também levar o atleta a externalizar a culpa
defensivamente, confundindo a real emoção e dirigindo para outro a culpa, –
mas, tudo isto pode estar acontecendo inconscientemente.
TRISTEZA E DEPRESSÃO
A emoção depressão é acompanhada de falta de esperança, como
também, de outras emoções como raiva, ansiedade, culpa, vergonha, e
tristeza. É um estado emocional complexo, no qual, na medida em que a
tristeza se torna mais profunda, a depressão se eleva, resultando para a
pessoa envolvida, uma necessidade de acomodar a situação, aceitando-a ou
conformando-se (Lazarus, 2000).
Um estado de depressão pode ser acompanhado por uma inadequação
pessoal, e indicar sentimentos de auto-valorização negativa, com dificuldades
de se ajustar as condições esportivas, ocasionando no atleta um isolamento
emocional e tristeza (HANIN, 2000).
Para Ucha (1998) os atletas que vivenciam esta emoção, em geral,
apresentam um estado reduzido de ânimo e alegria, perda de interesse, com
inquietude e insegurança, e ficam mais susceptíveis aos estímulos ambientais,
tais como não querer treinar, indisciplina e, até mesmo, desejo de abandonar o
esporte. Explica ainda, que o atleta pode apresentar dúvidas quanto as suas
metas esportivas, interpretando seus momentos de maneira pessimista.
ESPERANÇA, ALÍVIO, FELICIDADE e ORGULHO.
A esperança é uma emoção presente em situações, nas quais, o atleta
procura a adaptação necessária para o momento que está vivenciando,
principalmente, o competitivo, como também em situações de treinamento. O
atleta que percebe o “impossível como possível”, não mede esforços para
alcançá-lo. Neste momento sua vivência é de esperança, uma emoção, pouco
estudada na literatura da Psicologia do Esporte. Apesar disso, Lazarus (2000)
afirma que nos esportes competitivos, o atleta experimenta uma condição de
acreditar sempre, pois, ao evitar sentimentos de desesperança, consegue
manter o seu compromisso competitivo. O atleta que mantém esperança,
mesmo quando, as coisas não vão bem, está fazendo uso de sua real
capacidade, de fazer uso, de todos seus recursos internos.
Já o alívio é a mais simples das emoções, e em esportes competitivos
pode ter um efeito considerável sobre o desempenho pois, em muitas
situações, o atleta que vivenciou tensão, ansiedade e preocupações,
provavelmente, após o alívio, estará relaxado e em condições de vivenciar um
jogo seguro e confortável, ou seja, com atenção e concentração suficientes.
É importante considerar que o atleta relaxado demais, pode experimentar
também o desânimo, supondo que o oponente seja mais fraco e não
merecedor da sua devida atenção, o que poderá acarretar na perda do limiar
entre concentração e relaxamento e, consequentemente, perder a partida.
A felicidade pode ter dois significados, o primeiro refere-se ao bem estar
geral ou, até mesmo, a satisfação do momento; o segundo trata a felicidade
como uma emoção mais perceptível, ou seja, ocorre através de uma
expressão mais intensa, com entusiasmo e bem estar. Este segundo
significado, pode ser visto em situações vivenciadas pelos atletas, após o
triunfo de uma competição difícil, de uma importante vitória.
Aristóteles citado por Lazarus (2000) definiu a felicidade como a
sensação em que se usa efetivamente, todas as forças físicas e mentais, e
explicadas, como “um processo progressivo de metas em direção a um
objetivo ou objetivos pelos quais nós estamos nos esforçando” (p.248).
Orgulho, normalmente, está relacionado a um evento favorável que pode
aumentar ou reduzir a sociabilidade, uma vez que o atleta que experimenta um
excelente resultado se sente orgulhoso e sua auto-estima é aumentada. O
orgulho pode, em alguns momentos, ser o fator motivador para justificar o
esforço do atleta, em busca do sucesso e, em outros momentos, pode afetar
negativamente seus relacionamentos.
O orgulho e a felicidade podem estar associados em determinadas
situações, embora possuam diferenças nas suas causas particulares. Assim,
Lazarus (2000) conclui que estas emoções podem tornar o atleta um herói ou
um pária, isto é, influenciar seu desempenho de maneira positiva ou negativa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sempre que falamos em desempenho esportivo deve-se considerar que a
relação entre as emoções e rendimento esportivo não pode ser tratada de
forma simples, trata-se de um tema complexo e individualizado, e nenhuma
variável por si só é suficiente para explicar uma emoção. Portanto, sua
compreensão necessita de uma análise mais aprofundada, considerando-se
uma combinação de variáveis dos inúmeros processos e fatores psicológicos
interdependentes, dentre os quais, podemos citar as influências ambientais
(sociais, políticas e econômicas), e inerentes ao indivíduo (personalidade,
sistema de crenças, valores, moral), dentre outros (Cruz e Viana, 1996). A
relação entre essas variáveis é que determinará a emoção vivenciada por
determinado indivíduo, para determinada tarefa, em determinado momento.
Além disso, observa-se a predominância de estudos sobre as emoções
no contexto competitivo, de rendimento; talvez pelo fato do esporte de
rendimento oferecer maior status ao pesquisador, e à cultura vigente privilegiar
o esporte de medalhas olímpicas. No entanto, não se pode negar que o berço
desta prática se dá no contexto escolar, ou seja, todos os atletas medalhistas
olímpicos foram crianças e iniciantes um dia. Assim, há necessidade de mais
estudos sobre as emoções no contexto do esporte de rendimento.
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