Literatura Portuguesa - Era Medieval - Trovadorismo

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Literatura Portuguesa - Era Medieval - Trovadorismo
Prof. Ismael Dantas
Era Medieval
Trovadorismo
. . . XII
(1189)
Humanismo
XV
(1418/1434)
XVI . . .
(1527)
Santo António – [ de José António da Silva ]
Trovadorismo ..........................................................................................................
Contexto Histórico-Cultural .....................................................................................
A Poesia Trovadoresca .........................................................................................
Cantares de Amor ..................................................................................................
Cantares de Amigo ................................................................................................
Cantigas d’Escárnio .e Maldizer .........................................................................
Músicas contemporâneas que se relacionam com as «cantigas medievais» .....
Artistas Medievais .................................................................................................
Os Cancioneiros......................................................................................................
Poetas da Primeira Época Medieval........................................................................
A Prosa Medieval.....................................................................................................
Filmes que se Relacionam com a Idade Média ......................................................
Leituras Relacionadas com a Idade Média .............................................................
Atividades ...............................................................................................................
Fonte de Consulta ...................................................................................................
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I-TROVADORISMO
“Movimento poético iniciado no século XI, na
Provença, e difundido pela Península Ibérica, Itália e
Alemanha entre os séculos XII e XIV. O nascimento da
lírica trovadoresca vincula-se às modificações dos
costumes no princípio da Alta Idade Média: os senhores
feudais, recolhidos nos seus castelos e fruindo os ócios
que a prosperidade e a paz condicionavam, entraram a
estimular as atividades culturais: par a par com o
requinte social, despontava o gosto pela poesia, a
música, a pintura e as artes manuais.”¹
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Causas que influenciaram a entrada da poesia provençal na Literatura Portuguesa:
- Vários reis lusos casaram com donzelas de Provença – as quais, por sua vez, no
séquito, sempre traziam um trovador.
- As romarias religiosas aos santuários, onde vários povos se confraternizavam
culturalmente.
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Em Portugal, a época trovadoresca é o período que se estende de 1189 (ou 1198),
com a «Cantiga da Ribeirinha» de Pai Soares de Taveirós, dedicada a Maria Pais Ribeiro,
“A Ribeirinha”, amante de Dom Sancho I, e esmorece em 1418, quando Fernão Lopes é
nomeado Guarda-Mor da Torre do Tombo por Dom Duarte.
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II – CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL
- A Idade Média
Período da história da Europa, que tradicionalmente se situa entre a data da queda
do último imperador romano do Ocidente (476) e da descoberta da América (1492).
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- Teocentrismo
Crença ou doutrina que vê em Deus o centro do universo, de todas as cousas. [Do
Gr. theos, deus + kentron, centro]
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- As Cruzadas
Expedição militar de caráter religioso que se fazia na Idade Média, contra hereges
ou infiéis.
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- Feudalismo
Sistema político, econômico e social que vigou na Europa durante a Idade Média,
baseado na propriedade da terra do senhor feudal, trabalhada pelos vassalos em regime
servil.
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- Tomás de Aquino (1225-1274)
Empenhou-se em ordenar o saber teológico e moral acumulado na Idade Média.
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- Manifestações Artísticas
I
Fachada da Catedral de Notre-Dame. Século XII
Virgem com o Menino e Santos
Giotto (1267-1337)
O Castelo de Vaduz, residência medieval
onde se sediou a família de Liechtenstein,
uma das mais antigas da Europa
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Formação de Portugal
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“Não há meio-termo: o homem ou é bom ou é mau”.
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[Telles]
III – A POESIA TROVADORESCA
A
poesia
trovadoresca
era
cultivada por «trovadores», poetascantores. As composições eram sempre
cantadas
e
acompanhadas
de
instrumentos musicais
(lira,
viola,
pandeiro, alaúde, flauta entre outros).
Por isso eram denominadas de
«cantigas» ou «cantares». Também
conhecida como «poesia provençal».
(Provença, região ao de França). O
idioma empregado era o galegoportuguês, em virtude da unificação
linguística ocorrida entre Portugal e
Galiza.
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As cantigas estão divididas em dois gêneros:
de amor
líricas
de amigo
cantigas
de escárnio
satíricas
de maldizer
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IV CANTIGAS LÍRICAS
As Cantigas de Amor – têm ascendência na poesia
provençal. O ambiente das cantigas é sempre
palaciano. O poeta, em tom de confissão, quase
sempre se dirige à dama cortejada com tais
expressões «mia senhor», «fremosa senhor» e «mia
pastor».
O tema constante dessas cantigas – e por isso
monótono - é a «coita», a paixão vivida pelo homem
que está a serviço duma dama.
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As Cantigas de Amigo – têm raízes na própria
Península Ibérica. O ambiente descrito nas cantigas é
sempre rural ou popular. De acordo com o assunto, as
cantigas são classificadas em «albas» (falam do
amanhecer), «bailadas» (dança e baile), «barcarolas»
(vida marítima), «pastorelas» (vida pastoril), «romarias»,
(peregrinação religiosa). Nelas sempre está presente a
palavra «amigo» (namorado ou amante).
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Quanto à fôrma:
Cantigas de maestria – não têm refrão
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Cantigas de refrão – apresentam refrão ou estribilho
Cantigas paralelísticas – apresentam paralelismo
V – CANTIGAS SATÍRICAS
1. Cantigas de Escárnio
- sátiras indiretas, com palavras ambíguas.
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2. Cantigas de Maldizer
- sátiras diretas, com linguagem obscena.
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“CANTIGAS de portugueses
São como barcos no mar –
Vão de uma alma para outra
Com riscos de naufragar.”
[Fernando Pessoa]
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CANTARES DE AMOR (*)
Como morreu quen nunca ben
ouve da ren que mais amou,
e quen viu quanto receou
d'ela, e foi morto por én:
Ay mia senhor, assi moir' eu!
Como morreu quem nunca amar
se fez pela coisa que mais amou,
e quanto dela receou
sofreu, morrendo de pesar,
Como morreu quem amou tal
mulher que nunca lhe quis bem
e a viu levada por alguém
que a não valia nem a vale,
ai, minha senhora, assim morro eu.
ai, minha senhora, assim morro eu.
Como morreu quen foi amar
quen lhe nunca quis ben fazer,
e de quen lhe fez Deus veer
de que foi morto con pesar:
Ay mia senhor, assi moir' eu!
Como morreu quem foi amar
quem nunca bem lhe quis fazer,
e de quem Deus lhe fez saber
que a morte havia de alcançar,
ai, minha senhora, assim morro eu.
Com' ome que ensandeceu.
senhor, con gran pesar que viu,
e non foi ledo nen dormiu
depois, mia senhor, e morreu:
Ay mia senhor, assi moir' eu!
Igual ao homem que endoideceu
com a grande mágoa que sentiu,
senhora, e nunca mais dormiu,
perdeu a paz, depois morreu,
ai, minha senhora, assim morro eu.
Como morreu quen amou tal
dona que lhe nunca fez ben,
e quen a viu levar a quen
a non valia, nen a val:
Ay mia senhor, assi moir' eu!
9
[Pai Soares de Taveirós]
No mundo non me sei parelha,
mentre me for como me vai,
ca já moiro por vós - e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia,
quando vos eu vi en saia!
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, dês aquel dia, ai!
me foi a mi mui mal,
e vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha
d`haver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós houve nen hei
valia d’ũa correa".
No mundo ninguém se assemelha a mim
enquanto a minha vida continuar como vai
porque morro por vós, e ai
minha senhora de pele alva e faces rosadas,
quereis que vos descreva
quando vos eu vi sem manto
Maldito dia! me levantei
que não vos vi feia
E, minha senhora, desde aquele dia, ai
tudo me foi muito mal
e vós, filha de don Pai
Moniz, e bem vos parece
de ter eu por vós guarvaia
pois eu, minha senhora, como mimo
de vós nunca recebi
algo, mesmo que sem valor.
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[Pai Soares de Taveirós ?]
Quantos an gran coita d’amor
eno mundo, qual og’ eu ei,
querrian morrer, eu o sei,
o averian én sabor.
Mais mentr’ eu vos vir’, mia senhor,
sempre m’eu querria viver,
e atender e atender!
Quantos o amor faz padecer
penas que tenho padecido,
querem morrer e não duvido
que alegremente queiram morrer.
Porém enquanto vos puder ver,
vivendo assim eu quero estar
e esperar, e esperar.
Pero ja non posso guarir,
ca ja cegan os olhos meus
por vos, e non me val i Deus
nen vos; mais por vos non mentir,
enquant’ eu vos, mi senhor, vir’,
sempre m’eu querria viver,
e atender e atender!
Sei que a sofrer estou condenado
e por vós cegam os olhos meus.
Não me acudis; nem vós, nem Deus.
Mas, se sabendo-me abandonado,
ver-vos, senhora, me for dado,
vivendo assim eu quero estar
e esperar, e esperar.
E tenho que fazen mal-sen
quantos d’amor coitados son
de querer sa morte, se non
ouveron nunca d’amor ben,
com’ eu faç’. E, senhor, por én
sempre m’eu querria viver,
e atender e atender!
Esses que vêem tristemente
desamparada sua paixão,
querendo morrer, loucos estão.
Minha fortuna não é diferente;
porém eu digo constantemente:
vivendo assim eu quero estar
e esperar, e esperar.
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aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa..
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[João Garcia de Guilhade]
Estes meus olhos nunca pederá
senhor, gran coita, mentr' eu vivo fôr;
e direi-vos fremosa mia senhor,
destes meus olhos a coita que han:
choran e cegan, quand’ alguen non veen,
e ora cegan por alguen que veen.
Guisado tẽen de nunca perder
meus olhos coita e meu coraçon,
e estas coitas, senhor, mĩas son:
mais los meus olhos, por alguen veer,
choran e cegan, quand’ alguen non veen,
e ora cegan por alguen que veen.
E nunca já poderei haver ben,
pois que amor já non quer nen quer Deus;
mais os cativos destes olhos meus
morrerán sempre por veer alguen:
choran e cegan, quand’ alguen non veen,
e ora cegan por alguen que veen.
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NOTAS:
perderán – perderã
mantre – enquanto
fremosa – formosa
han – têm
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coita – pena, dor, aflição; desgraça.
guisado – arranjado, resolvido; disposto, preparado, pronto.
son – tom, toada, melodia, música.
cativo – infeliz, desventurado, coitado.
[João Garcia de Guilhade]
Amigos, non poss’ eu negar
a gran coita que d’amor hei,
me vejo sandeu andar,
e con sandece o direi:
os olhos verdes que eu vi
me fazen ora andar assi.
Pero quen quer x’ entenderá
aquestes olhos quais son,
e d’est’alguen se queixará;
mas eu já quer moira quer non:
os olhos verdes que eu vi
me fazen ora andar assi.
Pero non devia a perder
ome que já o sen non há
de con sandece ren dizer,
e con sandece digu’eu já:
os olhos verdes que eu vi
me fazen ora andar assi.
Amigos, não posso negar
O grande sofrimento de amor que tenha
Cá me vejo louco andar
E com loucura o direi:
Os olhos verdes que eu vi
Me fazem andar assim.
Mas que quer se entendera
Aqueles olhos quais são
E deste alguém se queixará
Mas se eu morra, quer não:
Os olhos verdes que eu vi
Me fazem andar assim.
Mas não a devia perder
Homem que já não tem senso
De com loucura dizer
E com loucura digo eu já:
Os olhos verdes que eu vi
Me fazem andar assim.
[João Garcia de Guilhade]
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Proençais soen mui ben trobar
e dizen eles que é con amor,
mays os que troban no tempo da flor
e non en outro sey eu ben que non
am tam gran coyta no seu coraçon
qual m’ eu por mha senhor vejo levar.
Os provençais que bem sabem trovar!
e dizem eles que trovam com amor,
mas os que só na estação da flor
vejo trovar jamais no coração
semelhante tristeza sentirão
qual por minha senhora ando a levar.
Pero que troban e saben loar
sas senhores o mays e o melhor
que eles podem, sõo sabedor
que os que troban, quand’a frol sazon
á e non ante, se Deus mi perdon,
non an tal coyta qual eu sey sen par.
Muito bem trovam! Que bem sabem louvar
as suas bem-amadas! Com que ardor
os povençais lhes tecem um louvor!
Mas os que trovam durante a estação
da flor e nunca antes, sei que não
conhecem dor que à minha se compare.
Ca os que troban e que ss’ alegrar
van eno tempo que ten a color
a frol consigu’ e, tanto que se fôr
aquel tempo, logu’ en trobar razon
non an, non viven (en) qual perdiçon
oj’eu vyvo, que poys m’ á de matar.
Os que trovam e alegres vejo estar
quando na flor está derramada a cor
e que depois quando a estação se for,
de trovar não mais se lembrarão,
esses, sei eu que nunca morrerão
da desventura que vejo a mim matar.
[D. Dinis]
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Vós me defendestes, senhor,
que nunca vos dissesse ren
de quanto mal mi por vós ven,
mais fazede-me sabedor,
por Deus, senhor, a quen direi
quam muito mal [lev’ e] levei
por vós, se non a vós, senhor?
Você me proibiu, senhora,
de que lhe dissesse qualquer coisa
sobre o quanto sofro por sua causa.
Mas então me diga,
por Deus, senhora: a quem falarei
o quanto sofro e já sofri por você
senão a você mesma?
Ou a quen direi o meu mal ,
se o eu a vós non disser?
pois calar-me non m’ é mester
e dizer-vo-lo non m’ er val.
E, pois tanto mal sofr’ assi,
se con vosco non falar i,
por quen saberedes meu mal?
Ou a quem direi o meu amor
se eu não o disser a você?
Calar-me não é o que quero
mas dizê-lo também não adianta.
Sofro tanto de amor por você...
Se eu não lhe falar sobre isso
como saberá o que sinto?
Ou a quen direi o pesar
que mi vós fazedes sofrer,
se o a vós non fôr dizer,
que podedes conselh’ i dar?
E, por en, se Deus vos perdon,
coita dêste meu coraçon,
a quen direi o meu pesar
Ou a quem direi o sofrimento
que me faz viver,
se eu não for dizê-lo a você?
Diga-me: o que faço?
E, assim, se Deus lhe perdoa,
coita do meu coracão,
a quem direi o meu amor?
[D. Dinis]
CANTARES DE AMIGO (*)
- Ai flores, ai flores do verde pinho,
se sabedes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi á jurado!
Ai Deus, e u é?
16
by Dantas
- Vós me preguntades polo voss’ amigo, e eu ben
vos digo que é san’ e vivo:
Ai Deus, e u é?
Vós me preguntades polo voss’ amado,
e eu ben vos digo que é viv’ e sano:
Ai Deus, e u é?
E eu ben vos digo que é san’ e vivo
e seerá vosc’ ant’ o prazo saído:
Ai Deus, e u é?
E eu ben vos digo que é viv’ e sano
e seerá vosc’ ant’ o prazo passado:
Ai Deus, e u é?
- Ai flores, ai flores do verde pinheiro,
se por acaso sabeis novidades do meu amigo,
ai, Deus, onde está ele?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se por acaso sabeis novidades do meu amado,
ai, Deus, onde está ele?
Se sabeis novidades do meu amigo,
aquele que mentiu no que prometeu para mim,
ai, Deus, onde está ele?
Se sabeis novidades do meu amado,
aquele que mentiu no que me jurou,
ai, Deus, onde está ele?
- Vós perguntais pelo vosso amigo?
Eu bem vos digo que ele está são e vivo.
ai, Deus, onde está ele?
17
Vós perguntais pelo vosso amado?
Eu bem vos digo que ele está vivo e são.
ai, Deus, onde está ele?
E eu bem vos digo que ele está são e vivo,
e estará convosco no prazo combinado.
ai, Deus, onde está ele?
E eu bem vos digo que ele está vivo e são,
e estará convosco no prazo combinado.
ai, Deus, onde está ele?
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[D. Dinis]
Uma pastora que estava
lamentando-se outro dia
Ũa pastor se queixava
muit’ estando noutro dia,
18
e sigo medês falava
e chorava e dizia
con amor que a forçava:
«par Deus, vi-t' en grave dia,
ai, amor!»
consigo mesma falava
muito chorava e fazia
queixas que amor lhe ditava:
«Por Deus vi-te em triste dia,
ai, amor!»
Ela s’ estava queixando,
come molher con gram coita
e que a pesar, des quando
nacera, non fôra doita,
por en dezia chorando!
«Tu non és se non mia coita,
ai, amor!»
Em mágoas se consumia
como mulher com tristeza
que melhor sabedoria
não devia à natureza;
chorando estava e dizia:
« Tu só és minha tristeza,
ai, amor!»
Coitas lhi davam amores,
que non lh’ eran se non morte,
e deitou-sy’ antr’ ũas flores
e disse con coita forte:
«Mal ti venha per u fores,
ca non és se non mia morte,
ai, amor!»
Penas lhe davam amores
que lhe traziam a morte
e deitando-se entre as flores
disse num triste transporte:
«Mal hajas onde tu fores
pois de ti me vem a morte.
ai, amor!»
[D. Dinis]
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Bailemos nós já todas tres, ai amigas,
so aquestas avelaneiras frolidas
e quen fôr velida, como nós, velidas,
se amig’amar,
so aquestas avelaneiras frolidas
verrá bailar.
Bailemos nós já todas tres, ai irmãas,
so aqueste ramo destas avelãas
e quen fôr louçãa, como nós, louçãas
se amig’amar,
so aqueste ramo d’estas avelãas
verrá bailar.
Por Deus, ai amigas, mentr’al non fazemos,
so aqueste ramo frolido bailemos
e quen ben parecer, como nós parecemos,
se amig’amar,
so aqueste ramo so l(o) que nós bailemos
verrá bailar.
19
Bailemos nós todas três, ai amigas,
debaixo destas aveleiras floridas
e quem for bonita como nós bonitas,
se amigo amar,
debaixo destas aveleiras floridas
virá bailar.
Bailemos nós todas três, ai irmãs,
sob este ramo florido de avelãs
e quem for louçã como nós louçãs,
se amigo amar,
sob este ramo florido de avelãs,
virá bailar.
Sem outros cuidados, nós as amorosas
bailemos sob estas ramagens frondosas
e quem for formosa como nós formosas,
se amigo amar,
debaixo destas aveleiras frondosas
virá bailar.
[Airas Nunes]
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Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo!
E ai Deus, se verrá cedo!
Ondas do mar levado,
se vistes meu amado!
E ai Deus, se verrá cedo!
Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro!
E ai Deus, se verrá cedo!
Se vistes meu amado,
por que ei gran cuidado!
E ai Deus, se verrá cedo!
Guarujá Beach [By Dantas]
Ai ondas do mar de Vigo,
se vistes o meu amigo,
dizei-me: voltará cedo?
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Ondas do mar levantado
se vistes o meu amado,
dizei-me: voltará cedo?
Se vistes o meu amigo,
aquele por quem suspiro
dizei-me: voltará cedo?
Se vistes o meu amado,
que me pôs neste cuidado,
dizei-me: voltará cedo?
[Martim Codax]
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Pois nossas madres van a San Simon
de Val de Prados candeas queimar,
nós, as meninhas, punhemos d’andar
con nossas madres, e elas enton
queimen candeas por nós e por si
e nós, meninhas, bailaremos i.
Nossos amigos todos lá iran
por nos veer, e andaremos nós
bailand’ ant’ eles, fremosas en cós,
e nossas madres, pois que alá van,
queimen candeas por nós e por si
e nós, meninhas, bailaremos i.
Nossos amigos iran por cousir
como bailamos, e poden veer
bailar moças de [mui] bon parecer,
e nossas madres, pois lá queren ir,
queimen candeas por nós e por si
e nós, meninhas, bailaremos i.
21
Pois nossas mães vão a San Simon
De Val de Prados candeias queimar,
Nós, as meninas, poderemos andar
Com as nossas mães e elas então
Queimem candeias por nós e por vocês,
E nós, meninas, bailaremos aí.
Nossos amigos todos lá irão
Para nos ver e andaremos nós
Bailando ante eles formosas, sem manto,
E as nossas mães, pois, que vão lá,
Queimem candeias por nós e por vocês
E nós, meninas, bailaremos aí.
Nossos amigos irão para apreciar
Como bailamos e podem ver
Bailar moças de bom parecer,
E nossas madres, pois lá querem ir,
Queimem candeias por nós e por vocês
E nós, meninas, bailaremos aí
[Pero de Viviães]
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22
Levad', amigo, que dormides as manhãas frias;
toda-las aves do mundo d'amor dizian.
leda m'and'eu.
Levad', amigo, que dormide`-las frias manhãas;
toda-las aves do mundo d'amor cantavan:
leda m'and'eu.
Toda-las aves do mundo d'amor dizian;
do meu amor e do voss'en ment'avian.
leda m'and'eu.
Toda-las aves do mundo d'amor cantavan;
do meu amor e do voss'i enmentavan:
leda m'and'eu.
Do meu amor e do voss'en ment'avian;
vós lhi tolhestes os ramos en que siian.
leda m'and'eu.
Do meu amor e do voss'i enmentavan;
vós lhi tolhestes os ramos en que pousavan:
leda m'and'eu.
Vós lhi tolhestes os ramos en que siian
e lhis secastes as fontes en que bevian.
leda m'and'eu.
Vós lhi tolhestes os ramos en que pousavan
lhis secastes as fontes u se banhavan.
leda m'and'eu.
23
Ergue-te, amigo que dormes nas manhãs frias!
Todas as aves do mundo, de amor, diziam:
alegre eu ando
Ergue-te, amigo que dormes nas manhãs claras!
Todas as aves do mundo, de amor, cantavam;
Do meu amor e do teu se lembrariam:
alegre eu ando
Todas as aves do mundo, de amor, cantavam;
Do meu amor e do teu se lembrariam:
alegre eu ando.
Todas as aves do mundo, de amor, cantavam:
Do meu amor e do teu se recordavam:
alegre eu ando.
Do meu amor e do teu se lembrariam:
Tu lhes tolheste os ramos em que eu as via:
alegre eu ando.
Do meu amor e do teu se recordavam:
Tu lhes toalheste os ramos em pousavam:
alegre eu ando.
Tu lhes toalheste os ramos em que eu as via;
E lhes secaste as fontes em que bebiam:
alegre eu ando.
Tu lhes toalheste os ramos em que pousavam;
E lhes secaste as fontes que as refrescavam:
alegre eu ando.
[Nuno Fernandes Torneol]
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24
-Digades, filha, mia filha velida:
porque tardastes na fontana fria?
os amores ei.
Digades, filha, mia filha louçana:
porque tardastes na fria fontana?
os amores ei.
-Tardei, mia madre, na fontana fria,
cervos do monte a augua volvian:
os amores ei.
Tardei, mia madre, na fria fontana,
cervos do monte volvian a augua:
os amores ei.
-Mentir, mia filha, mentir por amigo;
Nunca vi cervo que volvess'o rio:
os amores ei.
Mentir, mia filha, mentir por amado;
Nunca vi cervo que volvess'o alto:
os amores ei.
[Pero Meogo]
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25
- Responde, filha, formosa filha,
porque tardaste na fonte fria?
Amores eu tenho!
Filha, formosa filha, responde:
porque tardaste na fria fonte
Amores eu tenho!
-Tardei, minha mãe, na fonte fria,
cervos do monte a água volviam.
Amores eu tenho!
Tardei, minha mãe, na fria fonte;
volviam a água cervos do monte.
Amores eu tenho!
-Que escondes,filha,por teu amigo?
cervos do monte não volvem o rio.
Amores eu tenho!
Por teu amado, filha, que escondes?
o mar não volvem cervos do monte.
Amores eu tenho!
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26
CANTIGAS D’ESCÁRNIO E MALDIZER (*)
Ai, dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv’en (o) meu cantar;
mais ora quero fazer un cantar
en que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fe, se Deus mi pardon,
pois avedes (a) tan gran coraçon
que vos eu loe, en esta razon
vos quero já loar toda via;
e vedes qual será a loaçon:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
en meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já un bon cantar farei,
en que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
[João Garcia de Guilhade]
Ai, dona feia, foste-vos queixar
de que vos nunca louvo em meu trovar;
e umas trovas vos quero dedicar
em que louvada de toda a maneira
sereis, tal é o meu louvar:
dona feia, velha e gaiteira.
Ai, dona feia, se com tanto ardor
quereis que vos louve, como trovador,
trovas farei e de tal teor
em que louvada de toda a maneira
sereis, tal é o meu louvor:
dona feia, velha e gaiteira.
Ai, dona feia, nunca vos louvei
em meu trovar eu que tanto trovei
e eis que umas trovas vos dedicarei
em que louvada de toda a maneira
sereis e assim vos louvarei:
dona feia, velha e gaiteira.
27
Roi Queimado morreu con amor
en seus cantares, par Santa Maria,
por ũa dona que gran ben queria;
e, por se meter por mais trobador,
por que lh’ela non quis(o) ben fazer,
feze-s'el en seus cantares morrer;
mais resurgiu depois ao tercer dia.
Esto fez el por ũa sa senhor
que quer gran ben; e mais vos en diria:
por que cuida que faz i maestria,
enos cantares que fez, á sabor
de morrer i e des i d'ar viver.
Esto faz el, que x'o pode fazer,
mais outr'omen per ren nono faria.
E non á já de sa morte pavor,
se non sa morte mais la temeria,
mais sabe ben, per sa sabedoria,
que viverá, des quando morto for;
e faz-(s’) en seu cantar morte prender,
des i ar vive. Vedes que poder
que lhi Deus deu,- mais queno cuidaria!
E se mi Deus a mi desse poder
qual oj'el á, pois morrer, de viver,
já mais morte nunca (eu) temeria.
[Pero Garcia Burgalês]
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28
Foi Rui Queimado morrer de amor
em seus cantares, ao que dizia ,
por uma dama e porque queria
mostrar engenho de trovador.
Como ela lhe não quis valer,
fez-se ele em seus cantares morrer,
mas ressurgiu ao terceiro dia.
Demonstrar quis o seu fervor
por uma dama, mas eu diria:
preocupado com a mestria
dos seus cantares, tem o pendor
de, embora morto, lograr viver.
Isto só ele pode fazer
porque outro homem não o faria.
E já da morte não tem pavor,
se não mil vezes a temeria.
Próprio é da sua sabedoria
viver enquanto morto for.
Em seus cantares pode morrer
estando vivo. Maior poder
obter de Deus não poderia.
Desse-me Deus igual poder
de, embora morto, poder viver,
e nunca a morte me assustaria.
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aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa..
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa..
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa..
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(*) CORREIA, Natália. Cantares dos trovadores galego-portugueses. Lisboa: Editorial Estampa, 1998.
29
Músicas contemporâneas que se relacionam com as «cantigas medievais»
Edvard Munch
QUEIXA
Princesa
Surpresa
Você me arrasou
Serpente
Nem sente que me envenenou
Senhora e agora
Me diga onde eu vou
Senhora
Serpente
Princesa
Um amor assim delicado
Nenhum homem daria
Talvez tenha sido pecado
Apostar na alegria
Você pensa que eu tenho tudo
E vazio me deixa
Mas Deus não quer que eu
fique mudo
E eu te grito esta queixa
Princesa
Surpresa
Você me arrasou
Serpente
Nem sente que me envenenou
Senhora e agora
Me diga onde eu vou
Amiga
Me diga
Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não o devia ter despertado
Ajoelha e não reza
Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza
Princesa
Surpresa
Você me arrasou
Serpente
Nem sente que me envenenou
Senhora e agora
Me diga onde eu vou
Senhora
Serpente
Princesa
Um amor assim violento
Quando torna-se mágoa
É o avesso de um sentimento
Oceano sem água
Ondas: desejos de vingança
Nessa desnatureza
Batem forte sem esperança
Contra a tua dureza
[Cetano Veloso]
30
CANTIGA DE AMIGO
Lá na Casa dos Carneiros
onde os violeiros
vão cantar louvando você
em cantiga de amigo
cantando comigo
somente porque você é
minha amiga, mulher
lua nova do céu que já não me quer
dezessete é minha conta
vem minha amiga e conta
uma coisa linda pra mim
conta os fios dos teus cabelos
sonhos e anelos
conta-me se o amor não tem fim
madre amiga é ruim
me mentiu jurando amor que não tem fim
Lá na Casa dos Carneiros
sete candeeiros
iluminam a sala de amor
sete violas em clamores
sete cantadores
são sete tiranas de amor
para amiga em flor
que partiu e até hoje não voltou
dezessete é minha conta
vem minha amiga e conta
uma coisa linda pra mim
pois na Casa dos Carneiros
violas e violeiros
só vivem clamando assim
madre amiga é ruim
me mentiu jurando amor que não tem fim
[Elomar Figueira de Melo]
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31
Avenida São João – São Paulo
[by Dantas - 09/02/10]
RONDA
De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar
No meio de olhares espio
Em todos os bares você não está
Volto pra casa abatido
Desencantado da vida
O sonho alegria me dá
Nele você está
Ah, se eu tivesse quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste dessa busca inútil
Eu não desistia
Porém com perfeita paciência
Volto a te buscar, hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando dadinhos, jogando bilhar
E nesse dia então
Vai dar na primeira edição:
Cena de sangue num bar da Avenida São João
[Cláudia Moreno / Paulo Vanzolinni]
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32
VI – ARTISTAS MEDIEVAIS
Os textos poéticos da época trovadoresca eram
acompanhados por música, e normalmente cantados em
coro. Nessa época os artistas eram classificados, de
acordo com a posição social:
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a) Trovadores - eram poetas, em geral nobres, que faziam poesias, simplesmente por
amor.
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b) Jograis- eram recitadores, cantores e músicos que perambulavam pelas feiras,
castelos e aldeias.
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c) Segréis- profissionais que faziam poesias como meio de vida.
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d) Menestréis - músicos agregados a uma corte.
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e) Soldadeiras ou jogralesas - moças que dançavam, cantavam e tocavam castanholas ou
pandeiros.
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33
VII – OS CANCIONEIROS
A produção literária da época trovadoresca, entre
1250 e 1350, chegou até os nossos dias através dos
Cancioneiros – coletâneas de cantigas ou canções de
variados tipos de poemas, com participação de vários
autores.
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Os Cancioneiros mais importantes são:
- o Cancioneiro da Ajuda – compilado provavelmente no reinado de Afonso III, ou seja, em
fins do século XIII e princípios do século XIV. Reúne 310 cantigas, no geral de amor.
Encontra-se hoje, na Biblioteca do Palácio da Ajuda, em Lisboa.
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- o Cancioneiro da Biblioteca Nacional – compilado provavelmente em fins do século XV e
princípios do XVI. É o mais completo dos cancioneiros, com 1647 cantigas.
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- o Cancioneiro da Vaticana – compilado em fins do século XV e inícios do XVI, com 1205
cantigas. Nesse cancioneiro encontram-se as composições do rei Dom Dinis, o mais
notável trovador medieval.
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VIII – POETAS DA PRIMERA ÉPOCA MEDIEVAL
Dom Dinis (1261-1325). Rei de Portugal entre 1279 e
1325, D. Denis foi o mais fecundo dos travadores em
galego-português. Deixou 138 composições, sendo 76
d`amor, 52 d`amigo e 10 de maldizer. Fundou, em 1290, a
Universidade portuguesa.
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Pai Soares de Taveirós - Trovador de origem galega (Da Galiza), da primeira metade
do século XIII, de família nobre. É considerado o autor da mais antiga composição poética
em Língua Portuguesa: «Cantiga da Guarvaia» ou «Cantiga da Ribeirinha».
Provavelmente escrita em 1189 ou 1198.
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João Garcia de Guilhade – Trovador do século XIII, provavelmente de naturalidade
galega. É dos trovadores que possuem maior produção poética compilada nos
«Cancioneiros» (15 cantigas de amor, 21 de amigo, 15 de maldizer e 2 tenções).
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Pêro Garcia Burgalês – Trovador assim chamado por ser natural de Burgos. Poeta na
corte de Afonso X (fins do século XIII). Os Cancioneiros registram grande número de
cantigas suas (37 de amor, 2 de amigo e 14 de escárnio. Foi um dos trovadores mais
produtivos nos três gêneros, menos fecundo e inspirado nas cantigas de amigo.
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X – A PROSA MEDIEVAL
Novelas de cavalaria - são histórias tipicamente
medievais, originárias da Inglaterra ou/e de França.
Elas derivam das canções de gesta, poemas que
narram heróicas aventuras de cavaleiros andantes.
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As novelas de cavalarias são organizadas em três ciclos, de acordo com o tema
central:
- ciclo bretão ou arturiano – sobre o rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda.
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- ciclo carolíngio – gira em torno de Carlos Magno e os doze pares de França.
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- ciclo clássico – sobre temas greco-latinos.
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No final do século XIII, foram traduzidas em Portugal três novelas, todas do ciclo
bretão ou arturiano: História de Merlim, José de Arimatéia e A Demanda do Santo Graal, a
mais famosa e popular.
Demanda do Santo Graal
"Novela de cavalaria das mais importantes, gira
em torno das aventuras dos cavaleiros da Távola
Redonda, presidida pelo Rei Artur, os quais saem em
«demanda» do Santo Vaso, isto é, o cálice em que
José de Arimateia teria recolhido o sangue que Cristo
derramou na Cruz. Era véspera de Pentecostes
quando, em Camaalot, reunidos os cavaleiros para a
ceia, surge misterioso vaso esparzindo esplêndida luz
que a todos nutre de místico alimento. Resolvem
empreender as aventuras que permitam reencontrá-lo
e usufruir de sua celestial presença. A lenda, que
remonta a origens célticas, foi inicialmente glosada
em verso, e apresentava Perceval como o cavaleiro
que «daria fim à demanda do Graal». Por volta de
1220, em França, decerto por influência clerical, o
tema é posto em novela e Galaaz, filho de Lancelote,
substitui Perceval. A lenda, até então, pagã, é cristianizada, passando os seus símbolos
(o Vaso, a Espada e outros) a ter valor místico. E, em lugar de aventuras muitas vezes
carregadas de realismo, a ascese passa a dominar, como processo de experimentação
das forças físicas e espirituais no sentido de alcançar a Eucaristia. A Demanda torna-se,
pois, uma novela de cavalaria mística e simbólica. Fazendo dos cavaleiros, na sua
maioria, homens voltados para o símbolo da Comunhão, propicia apenas um deles,
Galaaz, a sua realização. O cavaleiro escolhido, cujo nome bíblico se liga a Galaad (“puro
dos puros”; o próprio Messias), simboliza um novo Cristo, atingindo o fim almejado depois
de penosa via crucis de aventuras que põem à prova todas as suas virtudes”. ²
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2) COELHO, Jacinto do Prado. (Org.) Dicionário das literaturas portuguesa, brasileira e galega. 3º ed.,
Porto: Figueirinhas, 1978. p. 251
37
Amadis de Gaula
A novela de cavalaria Amadis de Gaula pertence
também ao ciclo de bretão. Infelizmente perdeu-se o
texto original, causando o intrigado problema. Há
críticos que afirmam que o texto foi originalmente escrito
em Português, mas só aparece publicado em Espanhol,
no ano de 1508, porém sua autoria é sempre omitida.
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“De argumento complicado, a obra narra as façanhas de Amadis, filho do rei Perión de
Gaula. Apaixonado por Oriana, realizada todas as suas acções pelo puro amor que tem
por ela, com quem finalmente acaba por casar. Na sua procura do ideal amado, o herói
deverá superar gigantes, monstros, encantadores, penitências e inúmeras provas,
inclusivamente a rejeição de Oriana.” ³
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• Cronicões (ou crônicas) são os primeiros documentos históricos portugueses e datados
do século XII, XIII e XIV. Quase sempre escritos em Latim.
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• Hagiografias são histórias da vida e dos milagres dos santos.
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• Livros de linhagens (ou nobiliários) são relatos genealógicos das famílias nobres. O mais
importante nobiliário de Portugal é o Livro das Linhagens, organizado por Dom Pedro de
Barcelos, filho de Dom Dinis, por volta de 1340.
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(3) IÁÑEZ, Eduardo. Histórias da literatura universal – a idade média. Lisboa: Planeta, s/d. p. 256.
38
Filmes que se relacionam com a Idade Média:
39
Leituras relacionadas com a Idade Média:
40
ATIVIDADES
01)Leia e observe com atenção a composição seguinte:
- Ai flores, ai flores do verde pinho,
se sabedes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi á jurado!
Ai Deus, e u é?
A composição anterior, parcialmente transcrita, pertence à lírica medieval da Península
Ibérica. Ela tem autor conhecido, arte poética própria e características definidas do lirismo
trovadoresco, podendo-se ainda descobrir o nome pelo qual composições idênticas são
conhecidas.
[A] O autor é Paio Soares de Taveirós. Destacam-se o paralelismo das estrofes, a
alternância vocálica e o refrão. O Poeta pergunta pelo seu amigo.
[B] O autor é Nuno Fernandes Torneol. Destaca-se o refrão como interpelação à natureza.
Trata-se duma cantiga de amigo.
[C] O autor é El-rei D. Dinis, Destacam-se o paralelismo das estrofes, a alternância
vocálica e o refrão. O poeta canta na voz duma mulher e pergunta pelo amado, porque é
uma cantiga de amigo.
[D] O autor é Fernando Pessoa. Destaca-se a alternância vocálica. Trata-se da teoria do
fingimento, que já existia no lirismo medieval.
[E] O autor é Martim Codax. Destaca-se o ambiente campestre. O poeta espera que os
pinheiros respondam à sua pergunta.
41
02) Análise duma cantiga satírica: [p.34]
Ai, dona fea! Foste-vos queixar
que vos nunca louv'en meu trobar;
mas ora quero fazer um cantar
en que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
[...]
A)Estamos perante uma cantiga satírica. Quem é satirizado? Em que consiste essa
sátira?
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B)Em que tipo de cantigas enquadra essa cantiga? Justifique a sua resposta.
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C)Descreva a estrutura formal do poema.
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03)Análise duma cantiga lírica: [p. 28]
Pois nossas madres van a San Simon
de Val de Prados candeas queimar,
nós, as meninhas, punhemos d’andar
con nossas madres, e elas enton
queimen candeas por nós e por si
e nós, meninhas, bailaremos i.
[...]
A)Faça um levantamento dos aspectos fônicos dessa cantiga(coplas, metro, rima,
musicalidade). Relacione esses aspectos fônicos com a expressão da mensagem.
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B)Faça um estudo da linguagem e estilo do texto a nível morfo-sintáctico e a nível
semântico.
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C)Quais são os verdadeiros objectivos que incitam as donzelas dessa cantiga a irem à
romaria de San Simon?
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D)Como é que esses objectivos se vão revelando gradualmente ao longo do texto?
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E)Que influências provençais pode encontrar nessa cantiga de amigo?
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04)Análise dum texto contemporâneo.
Atrás da porta
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro não acreditei
Eu te estranhei me debrucei,
Sobre o teu corpo e duvidei
E me arrastei de te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, no teu pijama
Nos teus pés, ao pé da cama.
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que inda sou tua
Só pra mostrar que inda sou tua...
[HOLANDA, Chico Buarque de & HIME, Francis]
Relacionando o texto de «Atrás da Porta» com as cantigas medievais, como você a
classificaria? Justifique a resposta.
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05) São características duma cantiga de amigo:
[A] Amor platônico e sentimento feminil.
[B] Amor cortês e queixa da ausência do amado.
[C] Amor de mulher e sentimento espontâneo.
[D] Queixas de poeta e diversificação de assuntos.
06) A cantiga de amor reflete influência:
[A] Espanhola
[C] Italiana
[B] Provençal
[D] Árabe
[E] Galega
07) Explique com suas palavras o que foi o «Teocentrismo».
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08)Qual a visão que as pessoas tinham da vida na Idade Média?
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09)Em que língua foi escrita a poesia trovadoresca?
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10)Como deve ser interpretação «A Demanda do Santo Graal»?
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11)Análise duma cantiga lírica? [p.19]
Amigos, non poss’ eu negar
a gran coita que d’amor hei,
ca me vejo sandeu andar,
e con sandece o direi:
os olhos verdes que eu vi
me fazen ora andar assi.
Pero quen quer x’ entenderá
aquestes olhos quais son,
e d’est’alguen se queixará;
mas eu já quer moira quer non:
os olhos verdes que eu vi
me fazen ora andar assi.
Pero non devia a perder
ome que já o sen non há
de con sandece ren dizer,
e con sandece digu’eu já:
os olhos verdes que eu vi
me fazen ora andar assi.
A)Logo nas primeiras linhas, como se apresenta o trovador?
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B)Qual a causa da «gran coita»?
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C)Qual o refrão do poema?
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D)Há um distanciamento ou uma intimidade entre o trovador e sua amante?
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12)Análise duma cantiga lírica. [p.22]
- Ai flores, ai flores do verde pinho,
se sabedes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi á jurado!
Ai Deus, e u é?
- Vós me preguntades polo voss’ amigo,
e eu ben vos digo que é san’ e vivo:
Ai Deus, e u é?
Vós me preguntades polo voss’ amado,
e eu ben vos digo que é viv’ e sano:
Ai Deus, e u é?
E eu ben vos digo que é san’ e vivo
e seerá vosc’ ant’ o prazo saído:
Ai Deus, e u é?
E eu ben vos digo que é viv’ e sano
e seerá vosc’ ant’ o prazo passado:
Ai Deus, e u é?
A)O eu-lírico é masculino ou feminil?
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B)Com que a moça dialoga?
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C)Destaque uma expressão do texto que possa identificar a cantiga de amigo.
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E)Qual o refrão do poema?
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49
13) São variantes das cantigas de amigo:
[A] Alba e escárnio
[B]Barcarola e pastorela
[C] Bailia e maldizer
[D] Romaria e provençal
Posted by Ana Paula
14)Coloque certo [C] ou errado [E] para as afirmações abaixo: correções
[ ] As novelas de cavalaria constituem a prosificação das cantigas de gesta.
[ ] As novelas de cavalaria podem ser consideradas reproduções fiéis da vida dos
cavaleiros medievais.
[ ] Os valores religiosos cristãos são mais evidentes em A Demanda do Santo Graal do
que em Amadis de Gaula.
[ ] Ao agrupamento das novelas de cavalaria em torno dum assunto dá-se o nome de
ciclo.
[ ] O amor cortês das cantigas de amor está presente também nas novelas de cavalaria.
15) Como se denominava o músico da Corte?
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16)Com que expressões podemos identificar as «cantigas de amor»?
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17)Identifique as estrofes das cantigas abaixo como de amor, de amigo, de
escárnio, ou maldizer:
Onda do mar Vigo
se vistes meu amado!
E ai Deus, se verrá cedo!
Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro!
E ai Deus, se verrá cedo levado,
[Martim Codax]
[A].......................................................
Porto Beach [By Dantas]
Vós me defendestes, senhor,
que nunca vos dissesse ren
de quanto mal mi por vós ven,
mais fazede-me sabedor,
por Deus, senhor, a quen direi
quam muito mal [lev’ e] levei
por vós, se non a vós, senhor?
[D. Dinis]
[B]...........................................................................................
Ũa pastor se queixava
muit’ estando noutro dia,
e sigo medês falava
e chorava e dizia
con amor que a forçava:
«par Deus, vi-t' en grave dia,
ai, amor!»
[D. Dinis]
[C] ..........................................................................................
Roi Queimado morreu con amor
en seus cantares, par Santa Maria,
por ũa dona que gran ben queria;
e, por se meter por mais trobador,
por que lh’ela non quis(o) ben fazer,
feze-s'el en seus cantares morrer;
mais resurgiu depois ao tercer dia. [Pero Garcia Burgalês]
[D]...........................................................................................
51
18) ENEM -1999- Considere os textos abaixo.
"(...) de modo particular, quero encorajar os crentes empenhados no campo da filosofia
para que iluminem os diversos âmbitos da atividade humana, graças ao exercício de uma
razão que se torna mais segura e perspicaz com o apoio que recebe da fé."
(Papa João Paulo II. Carta Encíclica Fides et Ratio aos bispos da Igreja católica sobre as relações entre fé e
razão, 1998)
"As verdades da razão natural não contradizem as verdades da fé cristã."
(Santo Tomás de Aquino – pensador medieval)
Refletindo sobre os textos, pode-se concluir que:
a) a encíclica papal está em contradição com o pensamento de Santo Tomás de Aquino,
refletindo a diferença de épocas.
b) a encíclica papal procura complementar Santo Tomás de Aquino, pois este colocava a
razão natural acima da fé.
c) a Igreja medieval valorizava a razão mais do que a encíclica de João Paulo II.
d) o pensamento teológico teve sua importância na Idade Média, mas, em nossos dias,
não tem relação com o pensamento filosófico.
e) tanto a encíclica papal como a frase de Santo Tomás de Aquino procuram conciliar os
pensamentos sobre fé e razão.
52
19)Uma das características a ser reconhecida no feudalismo europeu é:
[A] A sociedade feudal era semelhante ao sistema de castas.
[B] Os ideais de honra e fidelidade vieram das instituições dos hunos.
[C] Vilões e servos estavam presos a várias obrigações, entre elas o pagamento anual de
capitação, talha e banalidades.
[D] A economia do feudo era dinâmica, estando voltada para o comércio dos feudos
vizinhos.
[E] As relações de produção eram escravocratas.
20) A estrutura básica da sociedade feudal exprimia uma
distribuição de privilégios e obrigações. Caracterize as
três "ordens", isto é, camadas sociais que compunham
essa sociedade.
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21)Estabelecer diferenças e semelhanças entre as cantigas líricas:
Cantigas de Amor
autoria:
«masculina»
Cantigas de Amigo
/
«masculina»
sentimento: ........................................... / ........................................................
ambiente:.............................................. / .........................................................
origem:.............................................
/ ...........................................................
o homem:........................................... / a mulher: ................................................
............................................. /............................................
............................................ /............................................
............................. / a mulher: ..................................
........................................... /..............................................
............................................./.............................................
a mulher:
22)Como se classificam as «Cantigas de Amigo»?
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23) O texto em análise [p.16]
No mundo non me sei parelha,
mentre me for como me vai,
ca já moiro por vós - e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia,
quando vos eu vi en saia.
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, dês aquel dia’, ai!
me foi a mi mui mal,
e vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha
d’haver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós houve nen hei
valia d’ũa correa".
[Paio Soares de Taveirós?]
A] Como se classifica a «Canção da Ribeirinha»?
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B] Percebe-se a vassalagem amorosa? Em caso afirmativo, justifique a resposta.
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C] Destaque uma passagem que caracteriza a sociedade patriarcal.
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Fonte de Consulta:
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literatura portuguesa. São Paulo: Ática, 1994.
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BÉDIER, Joseph. O romance de Tristão e Isolda. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
BERNARDES, José Augusto Cardoso. História crítica da literatura portuguesa –
humanismo e renascimento. Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo, 1999. (v.II)
BRAGA. Teófilo. História da literatura portuguesa I – idade média. Lisboa: Publicações
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CABRAL, Filomena. Madrigal. Lisboa: Difel, 1993.
CADAXA, A. B. Mendes. Auto da ribeirinha. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda,
1996. [Escritores dos Países de Língua Portuguesa, 11]
CALVINO, Italo. O cavaleiro inexistente. São Paulo: Companhia Das Letras, 1993.
CHEVALIER, Jean et alii. Dicionário de símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.
COELHO, Jacinto do Prado. (Org.) Dicionário das literaturas portuguesa, brasileira e
galega. 3º ed., Porto: Figueirinhas, 1978.
CORREIA, Natália. Cantares dos trovadores galego-portugueses.
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Lisboa: Editorial
DIAS, Aida Fernanda. História crítica da literatura portuguesa – a idade média. Lisboa/
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