Síria - Artur Bruno

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Síria - Artur Bruno
Síria
01. ASPECTOS GEOGRÁFICOS:
A República Árabe da Síria é um país asiático da região do Oriente Médio localizado entre a
Turquia, o Iraque, a Jordânia, Israel e o Líbano. Seu território de 185.180 km² se estende ao longo
da costa mediterrânea por uma planície de 30 km de largura que termina na pequena cordilheira
de Jabal an-Nusayriyah. Ao sul desse sistema, na fronteira com o Líbano, se ergue o Antilíbano,
que abriga o ponto mais alto do país, o monte Hermon, de 2,8 mil metros de altitude. No sudoeste
ficam as colinas de Golã, região ocupada por Israel. Quase todo o restante do território é formado
por um planalto que, no nordeste, compreende o vale do Eufrates. Ao norte desse rio se estende a
planície de al-Jazirah. O sudeste é formado pelo deserto da Síria.
O rio mais longo é o Eufrates, que atravessa o país da Turquia até o Iraque. O segundo mais
importante é o Orontes, que nasce no Líbano e corre para a Turquia, pelo oeste. Quase sem
reservas de vegetação nativa, a costa tem flores silvestres e arbustos. No Antilíbano há florestas
de pinheiros e carvalhos.
A capital da Síria é a cidade de Damasco (2.597.000 habitantes). Seu governo é uma
República presidencialista (na realidade uma ditadura militar desde 1970). Sua moeda é a libra
síria.
O clima é, em geral, do tipo mediterrâneo, com chuvas relativamente abundantes. A
grande maioria da população de 20,8 milhões de habitantes é formada por árabes (90%), mas há
importantes grupos curdos (5,9%), circassianos, turcos e armênios (4,1%). A religião mais
difundida é o islamismo, seguido por mais de 92% dos habitantes. O árabe é a língua oficial, mas
as minorias étnicas utilizam o próprio idioma.
02. ASPECTOS ECONÔMICOS:
A agricultura é o motor da economia síria. Os principais produtos cultivados são trigo,
cevada, algodão, uva, azeitona, beterraba açucareira e tabaco. O rebanho mais importante é o
ovino. Criam-se também caprinos, bovinos, eqüinos e aves. O subsolo fornece petróleo, asfalto
natural, sal-gema, fosfatos e gás natural. Quase metade da energia provém de hidrelétricas; o
restante é de origem térmica. A indústria se destaca nos ramos petroquímico, siderúrgico, químico
e têxtil. Seu PIB é de US$ 59,1 bilhões.
03. ASPECTOS HISTÓRICOS:
Habitado por povos de origem semita desde a Antiguidade, o território da Síria é, no
decorrer da história, dividido entre diversos impérios (Persa, Macedônio, Romano) ou incorporado
a eles. Entre 661 e 750, a conquista muçulmana faz de Damasco a capital do Império Árabe. De
1516 a 1918, a região é dominada pelo Império Turco-Otomano. O nacionalismo ganha expressão,
durante a I Guerra Mundial, com a grande revolta árabe contra a presença turca, liderada pelo
xerife (título de príncipes mouros descendentes do profeta Mohammed) Hussein e apoiada pelo
Reino Unido. Em 1918, Faiçal, filho de Hussein, conquista Damasco. O Reino Unido rompe a
promessa de conceder aos árabes um grande Estado independente e assina com a França o
acordo secreto Sykes-Picot, dividindo vasta região do Oriente Médio. O mandato sobre a Síria e o
Líbano é outorgado aos franceses. A independência é obtida em 1946. A Síria considera o Líbano
parte de seu território histórico - uma "grande Síria" - que teria sido desmembrado pela ação da
França.
O primeiro governo independente sírio é deposto por um golpe militar em 1949. Novo
golpe restabelece o regime constitucional em 1954. Cresce a influência do Partido Baath, fusão do
Partido Socialista Sírio com o Partido da Ressurreição Árabe. Com a aproximação entre Israel e
Estados Unidos (EUA), a Síria recebe armas da União Soviética (URSS). Em 1958, um plebiscito
aprova a fusão de Síria e Egito na República Árabe Unida. Um golpe militar na Síria os separa em
1961.
Outro golpe, em 1963, leva ao poder o Baath, tendo à frente Amin al-Hafiz. Ele é
derrubado pela ala ultranacionalista do partido, em 1966, e substituído por Nureddin al-Atassi. Em
1967, a Síria perde as Colinas de Golã para Israel, na Guerra dos Seis Dias. O ministro da Defesa,
general Hafiz al-Assad, muçulmano alauíta, dá um golpe em novembro de 1970 e passa a governar
ditatorialmente. Em 6 de outubro de 1973, dia do feriado judaico do Yom Kippur, a Síria, com o
Egito, ataca Israel, mas não recupera as Colinas de Golã. Em 1977, a Síria lidera o bloco de países
hostis às negociações de paz entre Israel e Egito, que levariam aos acordos de Camp David (19781979).
A partir de 1976, os sírios intervêm na guerra civil do Líbano. Em 1982, em represália a
atentados da Fraternidade Muçulmana, grupo radical islâmico, o governo de al-Assad mata mais
de 20 mil pessoas - na maioria xiitas - na cidade de Hamah, no norte da Síria Após o colapso da
URSS, Assad aproveita-se da Guerra do Golfo (1991) para aproximar-se dos EUA - a Síria apóia a
investida norte-americana contra o Iraque. Em retribuição, obtém dos EUA sinal verde para impor
ao Líbano sua solução para a guerra civil. Em outubro de 1990, a Síria consegue estabelecer um
governo aliado no Líbano e desarmar a maioria das milícias do país vizinho. O grupo Hezbollah
continua a atacar Israel, com o apoio da Síria, que mantém 30 mil soldados em território libanês.
04. ATUALIDADES:
Hafiz al-Assad morre em junho de 2000 e é sucedido por seu filho Bachar al-Assad. Em
setembro, os intelectuais pedem eleições livres e o fim do estado de emergência, em vigor desde
1963. Bachar liberta, em novembro, 600 presos políticos.
Em 2003, a tensão com os EUA se intensifica, após a ocupação do Iraque. A Síria é acusada
de produzir armas químicas e abrigar fugitivos iraquianos e sofre ameaça de ataque militar. As
autoridades sírias negam as acusações.
a) Saída do Líbano
Em 2004, os EUA impõem sanções econômicas ao país. Resolução do Conselho de
Segurança da ONU determina a retirada das tropas sírias do Líbano. Em fevereiro de 2005, o exprimeiro-ministro libanês Rafik al-Hariri, que se opunha à presença síria, é assassinado. As
suspeitas sobre a autoria do crime recaem sobre a Síria, que rejeita essa vinculação. Sob a pressão,
o governo sírio retira os 14 mil soldados que ainda mantinha no Líbano. Em outubro, inquérito da
ONU sobre a morte de Hariri implica a Síria.
Em novembro de 2006, o país restabelece relações diplomáticas com o Iraque, rompidas
desde 1982.
Nas eleições legislativas de abril de 2007, a coligação governista liderada pelo partido
Baath conquista a maioria das cadeiras da Assembléia do Povo. Um referendo nacional realizado
em maio concede segundo mandato a Bachar. No mesmo mês o governo sírio critica a criação, por
parte da ONU, do tribunal internacional por julgar os suspeitos pelo assassinato de Hariri.
Segundo a Síria, o tribunal viola a soberania do Líbano.
Em setembro, aviões militares israelenses atacam região do norte da Síria. O governo sírio
afirma que a ofensiva atingiu um prédio militar abandonado e não causou mortes nem ferimentos.
Analistas afirmam que o local poderia abrigar um reator nuclear em construção.
b) Tensão entre Síria e Israel
Área estratégica que domina todo o norte de Israel, as Colinas de Golã são ocupadas pelos israelenses
na Guerra dos Seis Dias (1967) e anexadas em 1981. Situam-se aí nascentes de rios, entre as quais a do Jordão,
o mais importante dessa região desértica. Israel constrói colônias judaicas em Golã, e a Síria, para pressionar a
devolução, dá suporte ao grupo guerrilheiro islâmico Hezbollah do Líbano, que ataca o norte israelense.
Negociações para a entrega das Colinas de Golã têm início durante o governo trabalhista de Yitzhak
Rabin em Israel (1992/1995). Os dois países, porém, não chegam a um acordo sobre a desmilitarização da
região e o domínio das fontes de água. Israel exige controlar a área próxima às nascentes. A eclosão da segunda
Intifada (rebelião palestina), em 2000, e a eleição do direitista Ariel Sharon para primeiro-ministro israelense,
em 2001, consolidam o impasse.
Em 2007, surgem informações de que o governo israelense estaria disposto a negociar um acordo de
paz com a Síria, estabelecendo a devolução das Colinas de Golã em troca do afastamento da Síria de grupos
radicais anti-Israel. Até o início de dezembro, porém, não há negociações oficiais.
c) Primavera Árabe
Levantes populares no mundo árabe atingem a Síria em março de 2011. Forças de
segurança abrem fogo contra protestos em Deraa, no sul, que se espalham pelo país, pedindo
democracia. Bashar afirma que a Síria é alvo de uma conspiração externa e acena com promessas
vagas de reforma. Em abril, ele nomeia um novo governo e levanta o estado de emergência,
vigente desde 1963. Dias depois, o regime envia pela primeira vez tanques e tropas para dispersar
as manifestações. Em junho, cerca de 150 vilarejos e cidades sírias são palco de protestos
regulares às sextas-feiras. Neles, mais de 100 mil pessoas passam a exigir a queda de Assad. O
centro de Damasco e Aleppo, as principais cidades e bastiões pró-governo, continuam calmos. Em
1° de julho, meio milhão de pessoas ocupam Hamah, na maior mobilização contra o governo. Mas,
em agosto, uma brutal ofensiva militar retoma o controle da cidade e de outros centros em poder
dos manifestantes.
O ataque a Hamah - ao menos 200 pessoas morrem em uma semana - atrai a imediata
reação internacional. A Liga Árabe quebra meses de silêncio e condena com veemência a
repressão no país. Arábia Saudita, Kuweit e Barein chamam de volta seus embaixadores. EUA e
União Europeia (UE) pedem a renúncia de Bashar, ampliam as sanções e decretam um bloqueio
ao petróleo sírio. No início de outubro, China e Rússia vetam uma resolução da ONU que ameaça
impor sanções internacionais se a repressão continuar. Os dois países afirmam que o texto abre
precedentes para uma intervenção militar externa, como na Líbia. Com o veto, a Rússia continua
a fornecer armas a Damasco, que também pode tentar vender petróleo à China e a outros países
amigos na Ásia.
A vizinha Turquia, aliada próxima da Síria, afasta-se de Bashar. No início de outubro, é
anunciada na Turquia a formação do Conselho Nacional Sírio, que busca unir a fragmentada
dissidência ao regime. A Turquia também se torna santuário da resistência armada. Em julho, um
ex-coronel do Exército funda em solo turco o Exército Livre da Síria. Nos meses seguintes,
aumentam as deserções nas Forças Armadas e eclodem confrontos entre soldados rebeldes e leais
ao regime. Num outro sinal de que a crise pode evoluir para a guerra civil, uma parcela dos
manifestantes pega em armas. No início de novembro, a Liga Árabe medeia um acordo que
determina a retirada militar das cidades e o fim da repressão 3 mil pessoas morrem e 13 mil são
presas desde março.
Compilação feita a partir de:
- Almanaque Abril 2012, 38ª ed. São Paulo: Ed. Abril, 2012.
- ARRUDA, J. e PILETTI, N. Toda a História, 4ª ed. São Paulo: Ática, 1996.
- AQUINO, JESUS e OSCAR. História das Sociedades: das comunidades primitivas às sociedades medievais. São Paulo:
Ao Livro Técnico.
- Atlas National Geografic, livros 07 e 08: Ásia I e II. São Paulo: Ed. Abril, 2008.
- KAMEL, Ali. Sobre o Islã: afinidades entre muçulmanos, judeus e cristãos e as origens do terrorismo. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2005.
- http://www.wikipedia.org

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