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Irineu Marinho (1876-1925)
QUINTA-FEIRA, 23 DE JUNHO DE 2016 ANO XCI - Nº 30.271
Oi pode
ter alívio de
R$ 7,15 bi
Decisão do STF aumenta
chance de cassação de Cunha
Por 11 a 0, ministros aceitam denúncia por ocultação de contas na Suíça
Com resultado, deputado dificilmente salvará mandato na Câmara, que analisa se ele mentiu ao negar
ser dono do dinheiro; no Supremo, ele responderá por corrupção, lavagem, evasão e fraude eleitoral
Dívida com a União
Por 11 votos a 0, o STF tornou
réu pela segunda vez o presidente afastado da Câmara,
Eduardo Cunha, por manter
contas não declaradas na Suíça. Os ministros rejeitaram a
tese da defesa, de que Cunha
era apenas beneficiário de
trusts (instrumentos para a
gestão de bens), e concordaram que as provas colhidas
revelam que o deputado é dono dos valores. A decisão reduz suas chances de evitar a
cassação na Câmara, que analisa se ele mentiu ao dizer que
não possui as contas. PÁGINA 3
Dornelles deve
vender Cedae
Única empresa pública do Rio,
a Cedae pode ser vendida pelo
estado para abater a dívida de
R$ 67 bilhões com a União. O
Planalto aceita receber ativos
em troca dos débitos. PÁGINA 8
MÍRIAM LEITÃO
Ajuda traz alívio, mas problema
do Rio é estrutural. PÁGINA 20
CHICO
Achaque em
CPI seria de
R$ 1 milhão,
diz deputado
MP quer
explicações
sobre obra
do Maracanã
O deputado da CPI
do Carf que tentou
achacar um empresário lhe pediu R$ 1 milhão para distribuir a
colegas, diz Hildo Rocha, integrante da comissão. PÁGINA 6
O MP quer a devolução de R$ 93 milhões que teriam sido pagos indevidamente ao consórcio
do Maracanã. Segundo delator, houve propina. PÁGINA 6
MERVAL PEREIRA
Arranjo financeiro
STF mostra que Cunha não tem
mais como escapar. PÁGINA 4
Rio remanejará
verba para metrô
DIANTE DE SUAS EXCELÊNCIAS
‘A corrupção é um serial killer’
ANCELMO GOIS
DALTON DALLAGNOL, procurador da Lava-Jato
PÁGINA 5
Petrobras será coautora de ação
contra Odebrecht. PÁGINA 12
REPRODUÇÃO/TV GLOBO
Câmera
não gravou
chegada
de bando
Dívidas da Copa
serão negociadas
O presidente Temer disse que
o governo poderá permitir que
os estados renegociem dívidas
contraídas junto ao BNDES
para a realização de obras
da Copa do Mundo. PÁGINA 23
Pesquisas em risco
Supercomputador
resiste até julho
Supercomputador Santos
Dumont, o maior da América
Latina, começou a funcionar
em janeiro deste ano e pode
ser desligado mês que vem
por falta de verbas. PÁGINA 28
Cessar-fogo definitivo
Farc anunciam
fim da guerrilha
Após mais de 50 anos, as Forças
Armadas Revolucionárias da
Colômbia e o governo do país
anunciam hoje em Havana um
cessar-fogo definitivo. PÁGINA 27
oglobo.com.br
_
A Oi deve ter um alívio de
R$ 7,15 bilhões com novas regras
que estão sendo aceleradas pelo
governo. Imóveis que seriam
devolvidos à União irão para
o patrimônio da empresa, que
terá de investir em banda larga.
A Oi apressou a recuperação
judicial porque foi alvo de
“fundos abutres”. PÁGINAS 19 a 21
Ajuda do Planalto
RIO DE JANEIRO
RÉU PELA 2ª VEZ
Novas regras para teles
Como o repasse de R$ 2,9
bilhões da União é vinculado
à Segurança, o estado deve
remanejar recursos do
orçamento da pasta para acabar
a Linha 4 do metrô. PÁGINA 11
(1904-2003) Roberto Marinho
Perigo longe. Presos suspeitos de participação no resgate do traficante Fat Family embarcam em avião da FAB rumo a presídios federais fora do estado
A descoberta de que
as câmeras do hall do
Hospital Souza Aguiar não gravaram a
chegada de traficantes reforça a suspeita
da polícia de que a
invasão foi facilitada
por alguém que conhecia a rotina da
unidade. Só há imagens da saída do
bando. Ontem, um
avião da FAB levou
15 presos do Rio para
presídios federais fora do estado. Alguns
teriam participação
no crime. PÁGINA 14
Voto de indecisos vai definir o Brexit
Reino Unido vai hoje às urnas dizer se sai ou se fica no bloco após 43 anos; pesquisas divergem
Num referendo que pode abalar a União Europeia e a ordem construída no continente no pósguerra, os eleitores do Reino Unido decidem hoje se o país continua a fazer parte do bloco, após
43 anos de parceria. As últimas quatro pesquisas,
divulgadas ontem, indicam tendências opostas.
Com pequenas diferenças, duas delas apontam a
vitória da permanência, e as outras duas, da saí-
da — o chamado Brexit. Os dois lados se lançaram na disputa pelo voto crucial dos 9% a 11% de
eleitores indecisos. No Brasil, o dólar e as Bolsas
caíram à espera do resultado. PÁGINAS 23 a 26
FABIANO MESQUITA/FRAMEPHOTO
ESPORTES
FLA VENCE,
BOTAFOGO EMPATA
E FLU PERDE
O Fla derrotou o Santa Cruz por 1 a 0
e está no G-4. O Botafogo ficou no
0 a 0 com o Figueirense. O Flu perdeu
do Santos por 4 a 2. PÁGINAS 30 e 31
FÁBIO VASCONCELLOS
BOA VIAGEM
INVICTOS
EM
QUADRA
Decisivo.
Arão festeja
o gol do Fla
Brasil
enfrenta
a Sérvia
na Liga
Mundial
de vôlei.
PÁGINA 29
CHILE
CORES E
FORMAS
DO DESERTO
DO ATACAMA
Caminhada. Um dos passeios leva ao Valle de la Luna
2ª Edição • Preço deste exemplar no Estado do Rio de Janeiro • R$ 4,00 • Circulam com esta edição: Segundo Caderno e revista Boa Viagem
SEGUNDO
CADERNO
Denúncias
de plágio
CÓPIA OU
INSPIRAÇÃO,
EIS A QUESTÃO
2
l O GLOBO
Quinta-feira 23 .6 .2016
Página 2
Conte algo que não sei
_
‘As pessoas não querem um aparelho de TV’
|
Panorama
político
|
_
Douwe Jan Joustra, economista
_
Holandês, especialista em economia circular, esteve no Rio para dar palestra sobre o tema em seminário promovido pela Firjan
ILIMAR FRANCO
[email protected]
_
MÔNICA IMBUZEIRO
“Tenho 62 anos, nasci em
Drachten, na Holanda. Sou
formado em nature
conservation e tenho
mestrado na mesma
especialidade. Sou
fundador da ICE
Amsterdam, consultoria
que trabalha com o
conceito de economia
circular, e adoro empinar e
fabricar pipas.”
O comando do setor nuclear
O comandante da Marinha, Eduardo Bacellar
Ferreira, esteve no Ministério de Minas e
Energia e vai ao de Ciência e Tecnologia. O
almirante de esquadra comentou com o
ministro Fernando Coelho que estava
satisfeito com os atuais gestores da
Eletronuclear. Com Gilberto Kassab, sua
intenção é demonstrar interesse em
participar da escolha da direção da Nuclep.
_
ENTREVISTA A:
Cunha e a nova pauta-bomba
MÁRCIO MENASCE
[email protected]
Conte algo que não sei.
O foco das empresas não deveria estar mais nos produtos
apenas, mas neles e nos serviços, porque é isso o que o cliente quer. Essa é a mudança
econômica real que queremos
com a economia circular.
A Xerox faz isso há muitos
anos. As empresas não compram máquinas fotocopiadoras. Elas pagam pelo serviço, e
a Xerox entrega as máquinas,
conserta e as substitui quando preciso. É um sistema que
já dá certo.
Como assim?
As pessoas não querem um
aparelho de televisão, querem
ver notícias, filmes etc. Então,
por que não manter a propriedade das TVs com os fabricantes e
as pessoas pagarem a eles pelas
horas que podem assistir? Eles
podem fornecer o serviço e, depois de um tempo, substituir
aquela TV por outra, reaproveitando praticamente todas as peças e materiais para a construção
de novos aparelhos. Assim é a
economia circular. Estimula-se a
reciclagem dos materiais e evitase que as coisas acabem no lixo.
l Em que tipo de produtos se
pode pensar quando se fala
em economia circular?
É impossível fazer isso com
meus lenços de papel, por exemplo. Estes vão acabar indo para o
lixo, mas a economia circular é
viável para todo tipo de mobília,
eletrônicos, meios de transporte
e muitas outras coisas.
l
l
Já há algum exemplo em
prática?
l
l É possível ter essa economia no ambiente doméstico?
O que vemos na Holanda é
que indivíduos acham muito difícil fazer esse tipo de contrato
de prestação de serviços, porque não estamos acostumados.
Por outro lado, a economia de
compartilhamento está cres-
cendo muito rápido. As pessoas
compartilham carros, ferramentas e todo tipo de coisas.
Em Amsterdã, temos um aplicativo que permite que eu diga
que preciso de algo e outra pessoa, num determinado raio de
quilômetros, veja e diga: “Ah, eu
tenho isso. Você pode vir e pegar.” É claro que ela estipula um
preço por essa espécie de aluguel. Isso significa que estamos
nos acostumando a usar coisas
sem termos as coisas. Duas das
maiores empresas do mundo
hoje são baseadas no princípio
de compartilhamento: a Uber e
o Airbnb. A Uber é a maior empresa de táxi do mundo hoje e
não possui sequer um carro.
Como um país pobre como
o Brasil pode fazer parte desse tipo de economia?
Não acho que o Brasil seja
um país pobre. Vocês têm mais
um problema social e político
do que econômico. A ecologia e
a biodiversidade brasileiras são
l
fabulosas. O Brasil deveria pensar onde está sua abundância.
Por exemplo, pense na enorme
quantidade de energia que se
pode obter do sol. O Brasil também tem muita mão de obra, e
enorme biodiversidade. Tudo
isso pode ser transformado em
serviço. Acho que vender todas
as coisas que vocês têm não é a
melhor ideia, porque quando
você vende só recebe uma vez.
Mas quando oferece os serviços você tem o dinheiro entrando o tempo todo.
l Quais são as barreiras para
essa nova economia? Por que
não estamos mais avançados?
Porque perdemos muito
tempo tentando equilibrar a
relação entre “pessoas, planeta e lucro”. Quando você tenta
equilibrar isso, todos perdem
um pouco. Agora, se pensa em
uma nova economia, numa
nova forma de produzir, o resultado pode ser bom para todas as partes.
A renúncia pode virar a próxima pauta-bomba do
presidente afastado da Câmara. A sucessão de
Eduardo Cunha divide a base do governo Temer.
O PSDB quer presidir a Casa, embora seu bloco
tenha cerca de uma centena de votos. A esquerda
está fora do jogo, mas seus cem votos podem dar
musculatura a uma candidatura. O centrão, que
detém a maioria da Casa, está dividido. Hoje, o
nome mais forte dessa frente é o líder do PSD,
Rogério Rosso. Mas o líder do PP, Aguinaldo
Ribeiro, também trabalha com esse objetivo. O
PMDB está tentado repetir o PT e disputar a
presidência com uma bancada de 66 deputados.
_
“O partido do presidente Temer
não pode se alinhar nem com
o centrão nem com o PSDB. Um
nome do PMDB só será viável
se agregar a base, se receber
o apoio de todos os líderes”
Baleia Rossi, líder do PMDB, sobre a eventual
eleição para a presidência da Câmara
_
Confraternização
O presidente do Senado, Renan Calheiros, enviou
ontem convite a todos os senadores para jantar, na
residência oficial, com o ministro Henrique
Meirelles. O encontro será terça-feira. Senadores da
oposição ainda avaliam se participam ou não.
Dança dos artistas
ARQUIVO PESSOAL
O GLOBO
Por Dentro
_
A hora das estrelas
C
om um par de asas
adaptadas, poderíamos
voar em Titã, uma das
luas de Saturno. Ou escalar o
pico mais alto do Sistema Solar
em Marte, o Monte Olimpo,
com 25 mil metros de altura,
três vezes o Everest. Toda semana, os leitores podem ir
além da imaginação numa série produzida pela editoria de
Videojornalismo, com apoio
de astrônomos do Planetário
da Gávea e do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast).
É “A hora das estrelas”, publicada no site do GLOBO às
quintas-feiras. Astrônomos como Naelton Araújo e Alexandre Cherman, do Planetário, e
Eugênio Reis e Patrícia Spinel-
li, do Mast, ampliam a visão do
espaço com linguagem simples. Ficou bem mais fácil entender as impressionantes
descobertas sobre o Universo.
— O objetivo é fazer com
que cada vez mais pessoas
olhem para as estrelas de um
modo diferente. Os vídeos trazem os principais temas da astronomia no momento. Há
coisas que até a Ciência tem
dificuldade de explicar, como
os buracos negros — diz ÉLCIO
BRAGA , responsável pelas reportagens da série.
A estrela do vídeo de hoje é a
matéria escura, que vem tirando o sono de muitos astrônomos. Leandro Guedes, do Planetário, conta como é a maté-
Santificada gazeta
Ciência. Fabiano e Élcio buscam explicações para o complexo Universo
ria que não vemos, mas ajuda a
explicar o Universo. Para o editor de imagens FABIANO SILVA,
montar os vídeos sobre o tema
é instigante.
— Precisamos transformar
em imagem fenômenos que
muitas vezes ainda nem foram
visualizados. Se falamos de
matéria escura, temos de mostrá-la. É um desafio — diz.
A série tem boa repercussão
no site e na página do GLOBO
no Facebook, onde comentários de leitores viram novas pautas. Para ver mais que as estrelas ao olhar para o céu, visite
oglobo.globo.com/videos l
Leia também
_
País
Trocas de cargo no governo
ameaçam acordo de leniência que
devolveria R$ 1 bi à Petrobras PÁGINA 7
Sociedade
Nutricionistas apoiam a redução
do consumo de refrigerantes nas
cantinas das escolas PÁGINA 28
Loterias
O leitor deve checar os resultados em agências oficiais e no
site da CEF porque, com os horários de fechamento do jornal,
os números aqui publicados, divulgados sempre no fim da
noite pela CEF, podem eventualmente estar defasados.
l
Economia
Para conter alta, governo
suspende tarifa de importação e
feijão poderá vir da China PÁGINA 22
Mundo
Deputados democratas se sentam
no chão da Câmara nos EUA para
forçar voto sobre armas PÁGINA 27
MEGA-SENA
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1.830
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AILTON DE FREITAS/16-12-2015
Lula lançou a candidatura
de Jandira Feghali (PCdoB)
à prefeitura do Rio. Ela vai
enfrentar o candidato do
PSB, o senador Romário.
Os petistas trabalham para
que o craque peça licença
do Senado para não votar o
impeachment. Assumiria o
suplente, João Batista
Lemos (PCdoB), que vota para que a presidente
afastada, Dilma Rousseff, volte ao poder.
LOTOFÁCIL
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Esportes
Versão em estudo do Código de Ética
da CBF tem artigo que impediria filho
de Tite na comissão técnica PÁGINA 32
Com Islândia de ‘penetra’,
Eurocopa terá confronto entre Itália
e Espanha nas oitavas PÁGINA 32
A próxima semana na Câmara repetirá a atual:
votação, só na segunda e na terça-feira. Explica-se:
esta semana é de São João, e a próxima, das festas
de São Pedro. Os parlamentares do Nordeste não
podem deixar de ir aonde o seu eleitor está.
A oposição riu
Constrangimento na votação da Lei das Estatais,
na terça-feira. Um telão do plenário do Senado
exibiu uma imagem com a hashtag #ForaTemer.
Era do programa do PSOL. Programas partidários
são transmitidos na TV Senado, mas saem do
telão assim que começam as sessões de votação.
Lá como aqui
Especializado em política, o site americano
RealClear Politics publicou ontem pesquisa sobre
a avaliação do Congresso. Seu trabalho é
aprovado por 12% dos consultados. A atuação dos
parlamentares é rejeitada por 78% dos ouvidos.
Pagando a conta
Era previsto. São os efeitos do petrolão. O
candidato de Quaquá, prefeito de Maricá e
presidente regional do PT, Fabiano Horta, sai
atrás em pesquisa GPP. Ele tem 26,4%, contra
31,5% do candidato do DEM, Marcelo Delaroli.
_
O MINISTRO Mendonça Neto ficou muito “chateado”
pela referência ao seu nome nos papéis da UTC.
Mas registra que não foi alvo de qualquer delação.
_
1.378
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Com Amanda Almeida, sucursais e correspondentes
[email protected]
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O GLOBO
País
l 3
ESCÂNDALOS EM SÉRIE
Cunha, duas vezes réu
_
STF abre processo contra deputado por contas não declaradas na Suíça, e chance de cassação cresce
CAROLINA BRÍGIDO E ANDRÉ DE SOUZA
[email protected]
Por unanimidade, o Supremo Tribunal
Federal (STF) recebeu ontem mais uma denúncia do Ministério Público contra o presidente
afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDBRJ). Para os 11 ministros, há elementos suficientes na investigação comprovando que o parlamentar era o verdadeiro dono de contas na Suíça não declaradas. Essas contas teriam escondido R$ 5,28 milhões, recebidos pelo deputado a
título de propina entre 2010 e 2011. Cunha agora é réu pela segunda vez na Lava-Jato. Em março, o tribunal abriu ação penal contra ele sobre
o recebimento de propina decorrente de um
contrato de navios-sonda pela Petrobras.
A abertura do novo processo aumenta as
chances de cassação do mandato de Cunha no
plenário da Câmara, pois os ministros do STF
aceitaram a tese de que o deputado mentiu ao
negar ser dono de contas no exterior, justamente o ponto a ser analisado pelos deputados.
Cunha é acusado de quatro crimes: corrupção
passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
e omissão ou declaração falsa em documento
eleitoral. Pela apuração, a propina paga a Cunha foi desviada da Petrobras no contrato de
aquisição de campo de petróleo em Benin. O dinheiro foi mantido em contas secretas na Suíça
e gasto em artigos de luxo para o deputado, a
mulher dele, Claudia Cruz, e a filha Danielle.
— No caso das contas utilizadas pelo acusado,
os indícios colhidos apontam que elas de fato
pertenciam a ele e tinham como razão de existir
a real intenção de manter o anonimato com relação à titularidade dos valores — disse o ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava-Jato no STF. — Os documentos comprovam
que Cunha possuía a titularidade das contas, ou
seja, é o verdadeiro beneficiário das contas.
A defesa alegou que o dinheiro não precisava
ter sido declarado às autoridades brasileiras, porque estava em nome de trusts (instrumento jurídico para a gestão de patrimônio). Mas Teori refutou o argumento, alegando que Cunha era o
dono dos trusts e, por consequência, do dinheiro.
Por isso, tinha a obrigação de declarar os valores
ao Banco Central e à Receita. Cunha também
omitiu as somas da Justiça Eleitoral, nas declarações apresentadas quando se candidatou.
AS PROVAS SOBRE AS CONTAS NO EXTERIOR
DOCUMENTOS DESMONTAM A TESE DE CUNHA
-BRASÍLIA-
RELATÓRIO DO BANCO CENTRAL
O Banco Central concluiu que está
“inapelavelmente caracterizado” o
vínculo de Cunha com investimentos no exterior, por ser o
beneficiário de “trustes” e por ter
seu nome na constituição deles.
O parecer de técnicos do BC foi
enviado em abril ao Conselho de
Ética da Câmara
CONTA NO MERRILL LYNCH
Cunha é titular de conta não
declarada nos Estados Unidos, no
banco Merrill Lynch. Segundo as
informações enviadas pela PGR ao
Supremo, o banco estimou o
patrimônio do deputado em US$
16 milhões (cerca de R$ 61,3
milhões). Para a Justiça Eleitoral,
Cunha declarou R$ 1,6 milhão
BENEFICIÁRIO DE PROPINA
Em depoimentos à Lava-Jato,
delatores apontaram Eduardo
Cunha como beneficiário de
contas abertas na Suíça ou
como destinatário de propinas
desviadas da Petrobras
ENDEREÇO RESIDENCIAL
Na conta Triumph SP, há
uma cópia do passaporte de
Cunha. Na folha que registra
o beneficiário efetivo da
conta aparece o nome
completo do deputado,
a sua data de nascimento e
endereço na Barra da Tijuca
“BENEFICIAL OWNER”
Eduardo Cunha aparece
como “beneficial owner”
(beneficiário em inglês) de
contas, de acordo com a
documentação enviada pelo
Ministério Público da Suíça
ao Brasil. Para a
Procuradoria-Geral da
República, o deputado é
também investidor e criador
dessas contas
COMPARAÇÃO DE
ASSINATURAS
A assinatura de Cunha
na documentação da
conta do Merrill Lynch
é semelhante às do
passaporte e de
procuração no
inquérito do Supremo
Tribunal Federal
“MY MOTHER'S ELZA”
OFFSHORES
PERFIL DO CLIENTE
Com a solicitação do banco
para criação de pergunta e
resposta secretas para o caso
de o cliente esquecer a
própria senha, os campos do
formulário foram preenchidos
com: “My mother’s name” e
“Elza”, numa referência à
mãe de Cunha, Elza
Consentino da Cunha
Segundo o Ministério
Público, Cunha era o
beneficiário final das
contas Orion e
Triumph, fechadas após
a operação Lava-Jato.
Extratos bancários
mostram que a empresa
Ancona International
Investments Ltd. fez
pagamentos que
totalizaram 1,3 milhão
de francos suíços
(R$ 5,3 milhões) na
conta Orion
Em documento do banco
suíço Julius Baer que indica
o perfil dos clientes, Eduardo
Cunha, e não o trust, é a
pessoa responsável pelo
controle da conta na
instituição. Na descrição,
elaborada em 2007, consta
que ele foi presidente da
Telerj, e eleito deputado
federal em 1998 pela
primeira vez e era dono
de uma fortuna de US$ 5
milhões naquela época
Editoria de Arte
“Assim como historicamente se
tornou inaceitável discriminar
negros, bater em mulher,
e dirigir embriagado, não é
mais aceitável desviar
recurso público”
ANDRÉ COELHO
Presidente do Conselho de Ética vê
reflexo direto da decisão do STF sobre
processo de cassação na Câmara
Luís Roberto Barroso
Ministro do Supremo Tribunal Federal
Segundo a PGR, Cunha recebeu a propina em
troca do apoio para a nomeação de Jorge Zelada
para a Diretoria Internacional da Petrobras. Teori
se convenceu da tese apresentada na denúncia:
— Os elementos colhidos confirmam o possível cometimento do crime de corrupção passiva
por parte do acusado, ao se incorporar em engrenagem espúria protagonizada por Jorge Luiz
Zelada, fazendo-se dela beneficiado.
O ministro Luís Roberto Barroso demonstrouse indignado com a prática dos partidos de indicar diretores de estatais para, em troca, receber
vantagens ilícitas:
— É triste, mas a denúncia demonstra como isso funcionava de maneira muito cabal, penosa e
dolorosa. Sem deixar de registrar o sobressalto de
que provavelmente não ocorreu só na Petrobras.
Barroso disse que, atualmente, o país passa por
uma “mudança de paradigma”, em que não será
mais aceitável o desvio de dinheiro público:
— Historicamente, como se tornou inaceitável discriminar negros, bater em mulher, dirigir
embriagado, a nomeação de parentes para cargos públicos, acho que está em curso no Brasil
hoje nova mudança de paradigma: não é mais
aceitável desviar dinheiro público, seja para o financiamento eleitoral, seja para o bolso.
Pelas investigações, Cunha era titular de três
contas na Suíça, e a mulher dele, Claudia Cruz,
de outra. Duas contas de Cunha foram encerradas antes que as autoridades suíças conseguissem bloquear os depósitos. Uma das contas tinha saldo de 2,39 milhões de francos suíços; a
outra, de 176 mil francos suíços.
Procuradores suíços revelaram que as contas
de Cunha e Claudia receberam mais de R$ 22 milhões nos últimos anos. Desse total, aproximada-
‘Agora não existe mais
escapatória’, afirma Araújo
Unanimidade. Fux (à esquerda) e Teori durante a sessão: contas teriam escondido R$ 5,28 milhões de propina
mente R$ 5,28 milhões seriam de propina paga
pelo lobista João Augusto Henriques. O dinheiro
foi desviado da operação de compra de um campo de petróleo da Compagnie Béninoise des Hydrocarbures Sarl, no Benin, pela Petrobras.
Agora, Cunha responde no STF a duas ações
penais e três inquéritos. Há também um pedido
de abertura de outro inquérito. Além disso, o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot,
também pediu a prisão de Cunha. No mês passado, o STF afastou Cunha do mandato e da presidência da Câmara por suspeita de usar sua posição em benefício próprio. Em seguida, Janot
pediu a prisão porque, mesmo com a decisão
do STF, Cunha continuou usando o mandato
para tentar atrapalhar investigações contra ele.
Antes de decidir, Teori deu prazo de 5 dias para
a defesa se manifestar, que vence hoje.
Antes da votação de ontem, Janot reafirmou
que há provas contundentes de que as contas
eram de titularidade de Cunha.
— Não há dúvida de que o pagamento de vantagem indevida ao acusado Eduardo Cunha esta-
va relacionado à titularidade do mandato de deputado federal, à influência em razão do mandato e à possibilidade de, caso não fosse pago, exercer pressão no sentido contrário — disse Janot.
Também ontem, por 9 votos a 2, o STF negou
recurso apresentado por Claudia e Danielle para
serem julgadas pelo próprio tribunal, e não pela
Justiça Federal do Paraná. O processo ficará com
o juiz Sérgio Moro. O caso delas, também relacionado às contas na Suíça, começou a ser investigado no STF, mas foi separado e enviado à primeira
instância. Por ser parlamentar, Cunha só pode ser
investigado pelo STF.
Em nota, Cunha disse que respeita a decisão do
STF, mas espera ser absolvido. “Ressalto o meu inconformismo com a decisão, dando como exemplo que a comprovação feita pela minha defesa de
que uma suposta reunião na Petrobras não existiu
foi ignorada e usada como parte da fundamentação da aceitação da denúncia. Ao longo da instrução probatória, minha defesa comprovará que o
instituto do trust não significa que eu detenha a titularidade de conta”, diz a nota. l
-BRASÍLIA- Parlamentares a favor e contra Eduardo
Cunha concordam que a decisão do Supremo de
acolher uma nova denúncia contra ele, reconhecendo que as contas em nome de trust na Suíça
eram de fato do deputado, pioram muito a situação do peemedebista na votação do pedido de
cassação do mandato. O presidente do Conselho
de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), disse que
agora os deputados que estão em dúvida sobre a
cassação tiveram do STF a comprovação não só
de que Cunha mentiu ao negar propriedade de
contas no exterior, mas de que essas contas eram
ilegais, configurando novo crime.
— Agora, Eduardo Cunha não tem mais escapatória. Agora os deputados têm certeza não só
de que ele mentiu, mas de que tinha uma conta
irregular no exterior. Seus aliados tentam minimizar, dizendo ser injusto cassar seu mandato
só porque mentiu. Não é só isso. A representação engloba tudo: mentiu, desviou dinheiro para uma conta no exterior, recebeu propina e todo o resto que estamos vendo nas investigações
— comemorou José Carlos Araújo.
Aliado de Cunha, o deputado Carlos Marun
(PMDB-MS) também reconheceu que a decisão
do STF acabará tendo peso no julgamento do pedido de cassação no plenário. Mas argumentou
que, se Cunha está sendo processado pelo Supremo, deve ser julgado no STF, e não na Câmara.
— Claro que essa decisão do Supremo boa
não é. Mas era o esperado. Não tem nada surpreendente — comentou Marun.
Cunha ainda espera barrar a representação
aprovada no Conselho de Ética antes que vá para o plenário, por meio de recurso que apresentou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Ele levanta dúvidas sobre a legalidade da votação nominal, e não eletrônica; e a manutenção
da relatoria com o deputado Marcos Rogério
(DEM-RO), que pertence a um partido que integra o bloco com o seu partido, o PMDB. l
l O GLOBO
4
l País l
Mais vida em seu coração.
Dr. Marcus Vinícius Martins
Diretor Técnico | CRM: 52615157
hospitalprocardiaco.com.br
[email protected]
MERVAL
PEREIRA
Quinta-feira 23 .6 .2016
ESCÂNDALOS EM SÉRIE
_
Disputa por sucessão já tem 13
candidatos e ameaça rachar base
Temer prega unidade, mas terá de lidar com a substituição de Cunha
LETICIA FERNANDES, ISABEL
BRAGA E SIMONE IGLESIAS
DIVULGAÇÃO/CÂMARA/6-3-2013
AILTON DE FREITAS/23-3-2016
[email protected]
A expectativa de renúncia do presidente afastado
da Câmara, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), acelerou as tratativas para a sua sucessão. Interlocutores do governo contam 13 virtuais candidatos só
entre partidos da base aliada
do governo interino de Michel
Temer (PMDB-SP).
Enquanto surgem interessados no mandato tampão, até o
início de 2017, Temer tem apelado a aliados pela unidade.
Aos presidentes de partidos da
base, ministros e deputados
que o procuram, a resposta é a
mesma: “Achem um nome que
una a base”, contou um interlocutor presidencial.
Semana passada, pré-candidatos ao cargo pediram ao presidente interino que não interfira na disputa. Temer vem dizendo aos partidos da base
que disputem de forma a conter danos futuros ao governo.
Um dos nomes cotados para o
mandato tampão, o líder do
PSD, Rogério Rosso (DF), nega
que seja candidato, mas avalia
que, quando houver a vacância do cargo, a base de Temer
sentará para discutir.
— O que sinto hoje é a preocupação em encontrar um nome de consenso na base aliada
do governo. Pode ser qualquer
-BRASÍLIA-
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Sem espaço
Não adiantou de nada as palavras respeitosas
que o presidente afastado da Câmara,
Eduardo Cunha, proferiu sobre os ministros
do Supremo Tribunal Federal (STF). A
decisão de ontem de torná-lo mais uma vez
réu por corrupção, lavagem de dinheiro e
evasão de divisas demonstra que Cunha não
tem mais espaço para escapar de punições.
A
derrota mais sofrida, no entanto, deve ter sido a de desmembrar os processos, levando
para o juiz Sérgio Moro, em Curitiba, os casos da mulher de Cunha, Cláudia Cruz, e de sua filha. Chamou a atenção no julgamento de ontem a
explicitação de elogios ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, feitos por diversos ministros, principalmente pelo relator dos processos da
Lava-Jato no STF, ministro Teori Zavascki.
Depois dos ataques que Janot vem sofrendo por
parte dos parlamentares, estando, inclusive, sob a
ameaça de um pedido de impeachment, não foi
com certeza um acaso que elogios a seu trabalho
tenham sido proferidos durante a sessão de ontem,
quando a maioria dos ministros seguiu seu parecer.
Teori chegou a dizer que procura sempre seguir
os votos do procurador-geral, porque considera
que nesta fase de investigação é preciso dar apoio
ao Ministério Público. Há latente nas declarações e
votos dos ministros do Supremo a preocupação de
unificar posições a favor das investigações do Ministério Público, para descaracterizar a imagem de
que as acusações são levianas ou irresponsáveis.
Essa ideia vem sendo disseminada por congressistas de diversos partidos, e tem o objetivo de explorar eventuais desencontros entre delações premiadas para desvalorizá-las. Os procuradores de
Curitiba estão sob o holofote dos políticos, e a visita
do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, à força-tarefa em Curitiba não foi à toa.
Além do apoio declarado à continuidade das investigações, o governo Temer pretende passar a ideia
de que não se alia aos que querem limitar as ações
dos procuradores que, a
U
partir de Curitiba, desenvolvem as investigaOs pontos-chave
ções da Lava-Jato.
Também o próprio presidente Michel Temer, ao
A decisão do STF de tornar
dizer que Janot está apeCunha mais uma vez réu
nas cumprindo seu papel
demonstra que ele não tem
ao denunciar políticos, e
mais espaço para escapar.
que não vale a pena analisar o pedido de impeachment, está dando o
A derrota mais sofrida,
aval de seu governo ao
porém, deve ter sido a de
prosseguimento das indesmembrar os processos,
vestigações,
mesmo
levando a Moro os casos da
quando seu partido está
mulher e da filha de Cunha.
no centro delas, em especial líderes como Renan
Calheiros e José Sarney.
O exagero do pedido
Depois dos ataques que
de prisão desses polítiJanot vem sofrendo de
cos por Janot já ficou
parlamentares, não foi um
estabelecido pelo não
acaso que elogios a ele
acatamento dele por
tenham sido proferidos na
Teori, mas essa decisão
sessão de ontem do STF.
contrária não deve ser
interpretada como uma fragilização do trabalho
do Ministério Público.
Quando muito, foi uma sinalização de que o relator no Supremo assume o papel de estabelecer os
limites de atuação do Ministério Público, mas sempre ressaltando que, na maior parte dos casos, concorda com os pedidos do procurador-geral.
A mesma coisa aconteceu em relação ao juiz Sérgio Moro, que levou uma espécie de carão de Teori
— que anulou a gravação da conversa entre a presidente afastada, Dilma Rousseff, e o ex-presidente
Lula, mas manteve a possibilidade de levar adiante
o processo de obstrução da Justiça, com base em
outras provas, que continuaram intactas.
Agindo assim, o STF cuida de que as investigações
da Lava-Jato continuem prestigiadas, sob o controle
atento da última instância, para evitar recursos protelatórios como os que Cunha vem apresentando.
O fato de o recurso contra a ida, para a instância
de Moro, dos casos da mulher e da filha de Cunha
ter sido recusado pelo plenário do Supremo pode
detonar novas atitudes do presidente afastado da
Câmara, apesar de ele ter garantido que não renunciará nem fará delação premiada.
O tempo de Cunha está se esgotando rapidamente, e ele terá que pensar rápido para não passar o
momento certo de agir. l
1
2
3
Giacobo. Segundo vice-presidente em franca campanha
deputado da base.
A maioria dos candidatos de
peso quer se preservar para
disputar o cargo em 2017, num
mandato de dois anos. Mas,
como o pleito para a sucessão
de Cunha não envolverá a
composição de chapas, abrese espaço para vários candidatos se lançarem.
— É como eleição municipal,
todo mundo botando candidatura na rua. A negociação deve
ser mesmo no segundo turno.
Não tem candidato natural —
avalia um peemedebista.
Deputados da Mesa Diretora
da Casa largam com vantagem,
porque podem negociar sua
vaga na Mesa. É o caso do se-
Rogério Rosso. Preocupação com nome de consenso
gundo vice-presidente, Fernando Giacobo (PR-PR), que
está em franca campanha, e do
primeiro secretário, Beto Mansur (PRB-SP).
Também cotado para a sucessão, Jovair Arantes (GO) negou interesse em ser candidato, mas resumiu o espírito da
Câmara:
— O certo é ter o menor ruído possível. Mas é uma Casa
política, onde tem disputa até
para 3° vice-presidente de comissão sem importância.
No Palácio do Planalto, a
avaliação é que o PMDB deve
se unir para ter mais força na
discussão, em vez de se fragmentar entre candidaturas. Na
bancada, o nome mais cotado
é o de Osmar Serraglio
(PMDB-PR), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Apesar da cautela nas
articulações, grande parte do
PMDB defende que o mandato
continue nas mãos do partido.
Essa corrente entende que, como seria uma complementação do mandato de Cunha, a
vaga seria do PMDB.
Líder do PMDB na Câmara,
Baleia Rossi (SP) endossou o
discurso de Temer:
— Se houver a sucessão, o mais
importante é um entendimento
entre líderes que apoiam o governo, para que esse fato não gere
desconforto e disputa. l
Votação que pode
cassar Cunha está
prevista para julho
Presidente afastado da
Câmara apresenta
recurso na CCJ
-BRASÍLIA- Palco da última batalha do presidente afastado da
Câmara, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), para evitar a cassação do seu mandato, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deverá votar em 7 de
julho, uma quinta-feira, o recurso que será apresentado
hoje pelo peemedebista.
O presidente da CCJ, Osmar
Serraglio (PMDB-PR), disse ao
GLOBO que a data leva em
conta os feriados desta e da
próxima semana. A data estimada por Serraglio para a votação leva em conta também a
possibilidade de haver pedido
de vista por parte de aliados de
Cunha, o que atrasaria os trabalhos em mais dois dias úteis.
No plenário, a previsão é que a
votação ocorra em 13 de julho.
Em seu recurso, Cunha questionará a opção pelo sistema nominal de votação no Conselho
de Ética e o fato de o relator, Marcos Rogério (DEM-RO), pertencer ao mesmo bloco partidário
do PMDB, seu partido. Na avaliação de Cunha, os dois fatos violam as regras da Câmara. (Leticia Fernandes e Isabel Braga) l
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l País l
Quinta-feira 23 .6 .2016
O GLOBO
l 5
ESCÂNDALOS EM SÉRIE
_
DIANTE DE INVESTIGADO
‘Corrupção é assassina sorrateira’
Coordenador da Lava-Jato, procurador Deltan Dallagnol debate os efeitos de desvios com deputado
citado por delator como beneficiário de propina; menos de 20 parlamentares assistem a discurso
AILTON DE FREITAS
JAILTON DE CARVALHO E LETICIA FERNANDES
[email protected]
D
HERÁCLITO CAUSA CONSTRANGIMENTO
Como exemplo, Deltan citou o caso de uma
pessoa na Bahia que morreu por falta de um
determinado medicamento na rede pública. No mesmo período da morte, o Ministério Público estava investigando compra superfaturada do mesmo tipo de medicamento. Os remédios teriam sido adquiridos por
valores, em alguns casos, até dez vezes superiores aos oferecidos nas farmácias locais
e, ainda assim, teriam sido entregues com
data de validade vencida.
— A corrupção mata — repetiu Dallagnol.
Durante o discurso, o procurador voltou a
pedir apoio do Congresso Nacional ao pacote anticorrupção. Frente a frente com o
procurador, o deputado Heráclito Fortes
Jovem de 21 anos protocola o décimo;
Temer diz que solicitações contra
procurador-geral não devem prosperar
CRISTIANE JUNGBLUT
-BRASÍLIA-
iante de menos de 20 parlamentares, o coordenador das investigações da Operação Lava-Jato em
Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol afirmou ontem que a corrupção é uma
assassina em série, que mata silenciosamente milhares de pessoas em estradas esburacadas, hospitais sem remédios e ruas sem segurança. O procurador fez a declaração na abertura da audiência promovida pela Comissão
Geral no plenário da Câmara dos Deputados
para discutir as 10 Medidas de Combate à
Corrupção, pacote de projetos elaborados na
esteira das investigações da Lava-Jato.
— A corrupção é uma assassina sorrateira,
invisível e de massa. Ela é uma serial killer,
que se disfarça de buracos de estradas, de falta de medicamentos, de crimes de rua e de
pobreza — afirmou o procurador perante a
escassa plateia.
Renan acha inusitado
tantos pedidos
para afastar Janot
[email protected]
No mesmo dia em que o presidente interino Michel Temer declarou que os pedidos
de afastamento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não devem prosperar, o
presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), disse que o Senado agirá “com responsabilidade” nestes casos, mas considerou
“inusitado” que tantos pedidos de impeachment do chefe do Ministério Público sejam
apresentados no Senado. Nos bastidores, Renan
foi aconselhado pela cúpula do PMDB a baixar
o tom em relação aos pedidos de afastamento
de Janot. Ele esteve com o próprio Temer em
jantar na noite de anteontem.
Renan já comunicou à cúpula do PMDB que
não vai dar prosseguimento ao penúltimo pedido, apresentado por duas advogadas.
Como o site do GLOBO informou ontem, Renan enviou o pedido para a Advocacia Geral do
Senado, mas, ao receber o parecer, deve se considerar inepto para tomar uma decisão por ter
sido citado no caso.
— O inusitado é que estão chegando outros
pedidos. Do ponto de vista do Senado, que não
faz parte da crise e é sim a solução, vamos ter total responsabilidade com isso e não vamos desbordar do nosso papel constitucional — afirmou Renan, reafirmando que não quis ameaçar
o procurador-geral.
O Senado já recebeu dez pedidos de afastamento de Janot, sendo que quatro foram arquivados. O mais recente foi apresentado ontem por
um jovem de 21 anos: Gustavo Haddad Braga. No
pedido, o autor diz ter considerado um “fato gravíssimo” Janot ter pedido a prisão de dois senadores: Renan e Romero Jucá (PMDB-RR). E afirma que Renan não deve se considerar impedido
“por mero temor de passar a imagem de vindeta”
(na verdade, vendeta ou vingança). l
-BRASÍLIA-
Frente a frente. Heráclito Fortes (à direita), citado por delator, diz a Dellagnol que gostaria de se explicar
(PSB-PI), citado na delação premiada de Sérgio Machado, causou constrangimento ao se
colocar à disposição do Ministério Público para explicar a citação do seu nome pelo ex-presidente da Transpetro.
Da tribuna da Câmara, Heráclito afirmou que
fará “o que for preciso” para esclarecer o seu envolvimento na delação de “um réu confesso”, e
citou como possibilidades uma acareação e a
quebra de seu sigilo telefônico.
— Eu estou aqui nesta Casa há muitos anos, e o
que eu sempre quis na vida foi ficar imune a
escândalos e aos escandalosos — disse Heráclito.
O deputado foi citado por Sérgio Machado como beneficiário de R$ 500 mil disfarçados de
doação eleitoral. O acerto inicial, segundo o de-
lator, era o pagamento de R$ 1 milhão a Heráclito e R$ 1,5 milhão ao ex-presidente do
PSDB, Sérgio Guerra, para aprovar, na Comissão de Infraestrutura do Senado, da qual
Heráclito era presidente, o limite de endividamento da Transpetro.
Depois da “acareação” entre Dallagnol e
Heráclito, o procurador da Operação LavaJato comentou a saia-justa:
— Acho que talvez tenha havido um equívoco, porque os próximos passos da colaboração premiada do Sérgio Machado
acontecerão perante o Supremo Tribunal
Federal. Então, não é uma coisa relacionada a mim — respondeu, perguntado sobre o
pedido do deputado. l
6
l O GLOBO
l País l
2ª Edição Quinta-feira 23 .6 .2016
ESCÂNDALOS EM SÉRIE
_
Vice-presidente da CPI: pedido
de propina era de R$ 1 milhão
Dinheiro iria para mais de um deputado, denunciou empresário
GIVALDO BARBOSA
ISABEL BRAGA
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-BRASÍLIA- O vice-presidente da CPI do
Carf, deputado Hildo Rocha (PMDBMA), deu ontem mais detalhes da tentativa de achaque contra um empresário feita por um deputado federal. Esse
parlamentar, segundo a acusação, teria
procurado o empresário com pedido
de propina para evitar sua convocação
na comissão que investiga o Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais
(Carf ), como revelou ontem O GLOBO.
Segundo Rocha, o deputado teria pedido R$ 1 milhão e dito que o dinheiro seria dividido com outros colegas da CPI.
— O empresário disse que estavam
achacando ele e, quando falou que um
milhão era muito, o deputado disse que
era para ele e outros deputados da CPI.
Foi por isso que, na sessão do dia 5 de
maio, eu falei sobre isso e disse que não
estava à venda. Me acusaram de estar
blindando empresários e não era verdade — disse Rocha.
O vice-presidente da CPI voltou a dizer que não pode revelar o nome do
empresário porque este lhe pediu segredo. Segundo Rocha, ele conversou
com o empresário na casa de um amigo
em Brasília. Ao chegar à residência, o
empresário pediu ajuda porque estaria
sendo chantageado.
CORREGEDOR COBRA ESCLARECIMENTOS
As pressões para sejam revelados os
nomes do empresário e do deputado
acusado de achacador já começaram.
O corregedor da Câmara, deputado
Carlos Manato (SD-ES), conversará
com Rocha sobre a denúncia:
— Vou analisar o processo. Tenho
que ver, inclusive, se é caso só da Corregedoria apurar ou se tenho que acionar
a Polícia Legislativa, a Polícia Federal, o
Ministério Público. É um fato gravíssimo, é quebra de decoro, se comprovadas as denúncias. Vou chamar o deputado Hildo (Rocha) para conversar. Ele
pode não dizer o nome para vocês (jornalistas), mas tem que esclarecer as
coisas. O empresário tem que ser chamado para ser ouvido — disse Manato.
O presidente da CPI do Carf, Pedro
Fernandes (PTB-MA), enviara em 10 de
maio deste ano um ofício à Corregedoria, após a “Folha de S.Paulo” ter publicado nota com suspeitas de achaque de
-SÃO PAULO-
O
Cobrança. Vice-presidente da CPI do Carf, Hildo Rocha está sendo pressionado a revelar nomes
Segundo Pauderney, já estavam circulando boatos na Câmara de que esse
tipo de atitude estaria sendo praticada
na CPI do Carf . Por isso, a denúncia feita por Rocha deve ser apurada.
“É um fato gravíssimo, é
quebra de decoro, se
comprovadas as
denúncias. O empresário
tem que ser ouvido”
Carlos Manato (SD-ES)
Corregedor da Câmara dos Deputados
empresários na CPI do Carf. Segundo
Manato, a nota era genérica, por isso a
investigação não avançou.
Líderes partidários também cobraram ontem que Rocha revele os nomes
do empresário e do deputado.
— É uma denúncia gravíssima e tem
que ser investigada pelos órgãos da República. Os nomes têm que ser revelados — disse o líder do PSDB, Antonio
Imbassahy (BA).
O líder do DEM, Pauderney Avelino
(AM), também defendeu a revelação
dos nomes, sob o risco de “todos da comissão” ficarem sob suspeita.
DEPUTADO DEFENDE CONVOCAÇÕES
O líder do PSOL, Ivan Valente (SP),
também quer a divulgação dos nomes:
— Ele (Rocha) disse que o empresário não quer se identificar, mas isso é de
interesse público. Ninguém procura
um deputado para fazer esse tipo de
denúncia e fica no ar, sem prova material. Sabemos o histórico da Câmara
em outras CPIs, é importante que tudo
se esclareça — afirmou.
Para Valente, é preciso também que
se apure as irregularidades do esquema
de corrupção no Carf. Ele disse que o
PSOL é favorável à aprovação dos requerimentos de convocação.
— Muitos alegam que não se deve
aprovar convocações porque isso mexe
com a economia, a Bolsa de Valores,
mas exatamente 20 grandes empresas
mexeram com 19 bilhões de reais, e é
preciso apurar, chamar os presidente
do Banco Safra, o Trabuco, do Bradesco,as grandes automobilísticas, Gerdau, RBS. Queremos convocar todos—
disse Valente: — O empresário que se
sentir achacado deve vir à CPI e denunciar, depor e mostrar sua inocência. l
SIMONE MARINHO/27-07-2011
| Opinião |
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Sistema da Odebrecht
na Suíça continuava
ativo, segundo técnico
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Auditorias do TCE
concluíram que R$
93 milhões foram
pagos indevidamente
acesse
‘Banco da propina’ só
parou há dois meses
RENATO ONOFRE
CLEIDE CARVALHO
MP cobra explicação sobre obra do Maracanã
O Ministério Público Especial
que atua junto ao Tribunal de
Contas do Estado do Rio (TCERJ) quer saber se foram devolvidos os R$ 93 milhões pagos
indevidamente ao consórcio
que reformou o Maracanã, segundo concluíram duas auditorias feitas por técnicos do tribunal. O pedido do MP consta
do parecer enviado ao conselheiro da Corte José Graciosa,
relator do processo que analisa
a reforma do estádio.
Como O GLOBO informou
esta semana, 21 dos 22 processos relativos à reforma do estádio para a Copa de 2014 ainda
não foram concluídos no tribunal. Alguns foram instaurados há seis anos. Após as obras
KNOW-HOW DA CORRUPÇÃO
Relatórios. Técnicos do TCE constataram sobrepreço na obra do Maracanã
entrarem no radar da Operação Lava-Jato, o TCE decidiu
reunir todos os processos num
só, a ser relatado por Graciosa.
O ex-executivo da Andrade
Gutierrez Clóvis Renato Primo
disse, em delação premiada,
que houve um pedido de Wilson Carlos, então secretário de
Governo da gestão Sergio Cabral, para pagamento de 1% do
valor da obra do Maracanã em
favor do TCE, como O GLOBO
revelou ontem.
No processo a ser relatado
por Graciosa estão relatórios
de auditoria que constataram
sobrepreço e inclusão indevida de itens na reforma. Por isso, foi pedido o estorno de R$
93 milhões pagos ao consórcio,
formado pela Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta. Essa
última construtora deixou a
obra durante seu andamento.
Primo afirmou que a propina
seria destinada ao então presidente da Corte de Contas, José
Nolasco. O ex-executivo da
Andrade Gutierrez disse ter
autorizado o pagamento, mas
não tem certeza de que os recursos foram repassados. Nolasco nega as acusações.
A denúncia repercutiu na Assembleia Legislativa do Rio.
— Solicitaremos os processos
em relação ao Maracanã no TCE
para ver se cabe o pedido de
uma CPI — disse o deputado estadual Eliomar Coelho (PSOL).
Em nota, o TCE-RJ repeliu o
que chamou de “levianas e caluniosas ilações” feitas por Primo e afirmou que, em momento algum, os processos sobre a obra no Maracanã ficaram paralisados. Segundo a
corte, “a grande complexidade
do empreendimento vem demandando altos estudos técnicos e jurídicos”. l
COMEÇA A aflorar, nas
investigações, um braço
fluminense na corrupção,
construído em torno de
investimentos para a Copa
de 2014. Um ex-executivo
da Andrade Gutierrez,
empreiteira personagem
da Lava-Jato, relata pedido
de propinas, na reconstrução do Maracanã, do secretário de governo da
gestão de Sérgio Cabral,
Wilson Carlos.
AQUELE DINHEIRO iria
para o então presidente do
Tribunal de Contas do
Estado, José Maurício Nolasco. E há denúncia de
cobrança idêntica feita
pelo próprio governador.
NÃO EXISTE mesmo outra
alternativa a não ser os
organismos de Estado que
desbaratam esquemas
bilionários de corrupção
com o dinheiro público
ajustarem o foco para vasculhar os enormes investimentos feitos no Rio de
Janeiro com dinheiro do
contribuinte. Na Copa e
fora dela. Não pode haver
exceções.
sistema chamado “Drousys”, cujo software controlava as transações do “banco da propina”
comprado pela Odebrecht
para operacionalizar pagamentos no exterior, pode ter
funcionado até muito recentemente. É o que disse
Camilo Gornati, responsável pela manutenção do
programa de controle do
“Setor de Operações Estruturadas” da empreiteira, em
depoimento à Justiça Federal. Segundo Gornati, um
servidor reserva, que também rodava o sistema, ficou
ativo até o “mês passado ou
retrasado”, quando o Ministério Público da Suíça bloqueou o acesso a ele.
— Foi criado um segundo
portal de acesso (ao
“Drousys”), que ficava em
outro data center também
na Suíça — disse Gornati,
que, questionado sobre até
quando esse novo servidor
funcionou, detalhou: — Até
mês passado ou retrasado,
pode se dizer que sim (o servidor estava funcionando).
Gornati foi interrogado
ontem, na ação sobre a 26ª
fase da Operação Lava-Jato,
batizada de Xepa. Segundo
explicou, um primeiro servidor, onde estavam armazenados os dados sobre as
operações bancárias da empreiteira no exterior, fora
bloqueado pela Suíça em
2015. Desde então, um outro servidor, também localizado naquele país, manteve-se ativo. O técnico contou que a escolha da Suíça
para manter os servidores
se deu por “segurança”:
— O que me falaram é que
era mais seguro deixar na
Suíça — disse Gornati
Dados
do
sistema
“Drousys”, a que a força tarefa da Lava-Jato teve acesso, revelam que a Odebrecht mantinha pelo menos
42 contas no Caribe que
abasteceram 28 offshores
com mais de US$ 132 milhões. Em delação premiada, o operador Vinícius Borin afirmou que a Odebrecht comprou, por meio de
terceiros, o Meinl Bank Antígua, no arquipélago de
Antígua e Barbuda, por
meio do qual operou cerca
de US$ 1,6 bilhão nos últimos seis anos. Além de Borin, assinaram delação os
operadores financeiros Luiz
Augusto França e Marco Pereira de Souza Bilinski.
O Meinl Bank Antígua foi
adquirido em 2010 por executivos ligados ao grupo.
Segundo Borin, a compra
de 51% do banco custou
US$ 3,984 milhões; o restante do capital permaneceu com o Meinl Bank Viena. Mais tarde, a Odebrecht
exerceu opções de compra e
elevou sua participação a
67% das ações do banco.
As contas por meio das
quais a Odebrecht operava
foram abertas em nome de
terceiros, como Fernando
Migliaccio, ex-funcionário
do grupo, e Olívio Rodrigues Junior, que era sócio
da Graco Corretora. Segundo Borin, todos os executivos ligados à operação do
Meinl Bank tinham codinomes e a senha do “Drousys”.
Informação confirmada por
Gornati.
As contas no Caribe foram
usadas pela Odebrecht para
fazer repasses ilegais a
agentes públicos e políticos,
segundo as investigações da
Lava-Jato. A Odebrecht não
quis se pronunciar. l
Investigação indica que Campos
recebeu propina de empreiteira
Empresário foragido na
Operação Turbulência é
encontrado morto sem
marcas de violência
O Ministério Público Federal
concluiu que o empresário João
Carlos Lyra de Melo Filho é o
proprietário do avião que caiu
em Santos (SP) com o então
candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, na campanha presidencial de 2014. O
empresário, de acordo com o
MPF, entregou propina da empreiteira Camargo Corrêa a
Eduardo Campos e ao senador
Fernando Bezerra (PSB-PE).
Segundo inquérito da Polícia
Federal, ex-funcionários da
construtora reconheceram o
empresário como o responsável pelo pagamento da propina. Anteontem, os policiais federais prenderam quatro pessoas na Operação Turbulência: Eduardo Freire Bezerra
Leite, Arthur Roberto Lapa Rosal e Apolo Santana Vieira,
além de Mello Filho, acusados
de envolvimento no esquema
ilegal que teria abastecido o
caixa dois de campanha eleitoral de Campos para o governo
de Pernambuco, em 2010.
A PF faz referência a trechos
de inquérito do Supremo Tribunal Federal do ano passado que
investiga o desvio de dinheiro
público na construção da Refinaria Abreu e Lima. Baseado
em depoimentos de ex-empregados da Camargo Corrêa, o
MPF diz que “João Carlos Lyra
Pessoa de Melo Filho foi reconhecido pelos ex-empregados
da Camargo Corrêa como sendo a pessoa encarregada de entregar a propina devida por
aquela empreiteira ao ex-governador Eduardo Campos e ao senador Fernando Bezerra Coelho em virtude das obras na refinaria Abreu e Lima”. O PSB e
Bezerra negam qualquer ato ilícito na campanha.
MORTE EM OLINDA
O empresário Paulo Cesar de
Barros Morato, apontado como laranja no esquema investigado na Operação Turbulência, foi encontrado morto, ontem à noite, em um motel em
Olinda, Região Metropolitana
de Recife. Morato era considerado foragido desde terça-feira. Ainda não se sabe a causa
da morte. Um policial contou
que o empresário deu entrada
sozinho no motel, na terça-feira à tarde, e que o corpo não tinha marcas de violência.
A advogada do empresário,
Marcela Lopes, afirmou que
ele já havia tentado suicídio.
— Quem vai cuidar da investigação por enquanto é a Polícia Civil. Mas já foi designado
um policial federal para acompanhar a perícia. Se for constatado que as circunstâncias da
morte têm ligação com a Operação Turbulência, a Polícia
Federal pode entrar nas investigações — disse o assessor da
PF, Giovani Santoro. (Do G1) l
l País l
Quinta-feira 23 .6 .2016
O GLOBO
l 7
ESCÂNDALOS EM SÉRIE
_
Troca-troca
no governo
impede acordo
de R$ 1 bilhão
Leniência com a holandesa SBM,
que devolveria dinheiro desviado
à Petrobras, agora é incerta
-BRASÍLIA- O primeiro acordo de
leniência com o governo federal, referente à empresa holandesa SBM Offshore, estava
pronto e assinado pela Controladoria-Geral da União (CGU)
e pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro,
mas a turbulência política —
com a troca de presidente e
com duas mudanças na CGU
em poucos dias — impediu a
concretização do acordo que
renderia um ressarcimento de
R$ 1 bilhão aos cofres da Petrobras. A SBM, que atua na construção de plataformas de petróleo e mantém contratos
com a estatal, é suspeita de
participação num esquema de
pagamento de propinas.
O procurador da República
Rodrigo da Costa Lines disse
ao GLOBO que já havia deixa-
PF: Samarco
sabia dos
riscos antes
de desastre
do assinada a participação do
MPF no acordo, finalizado pela
CGU — hoje Ministério da
Transparência, Fiscalização e
Controle (MTFC) — e encaminhado à Advocacia-Geral da
União (AGU) poucos dias antes da aprovação do impeachment de Dilma Rousseff no Senado. A presidente foi afastada
do cargo em 12 de maio. Dias
antes, o então advogado-geral
da União, José Eduardo Cardozo, recusou-se a assinar a leniência, que já contava com a assinatura do então ministro da
CGU, Luiz Navarro Britto.
Agora, diante das sucessivas
trocas de comando na Presidência da República, na extinta CGU e na AGU, o cenário é
de incerteza sobre o destino do
acordo, que seria o primeiro a
ser concretizado dentre os 11
propostos ao governo federal.
Os outros dez foram formalizados por empresas investigadas
na Operação Lava-Jato. O novo
ministro da Transparência,
Torquato Jardim, exonerou na
segunda-feira o servidor responsável por conduzir as 11
propostas de leniência, entre
elas a da SBM. Marcelo Pontes
Vianna tem perfil técnico e
perdeu o cargo de corregedoradjunto da área de infraestrutura. O motivo, segundo fontes
ouvidas pela reportagem, foi
uma discordância em relação
às novas diretrizes de Jardim
para os acordos.
MINISTÉRIO NÃO COMENTA
O ministério divulgou nota para dizer que já substituiu Pontes por outro servidor de carreira da pasta, Antônio Vasconcellos. Por razão de sigilo
imposto por lei, a pasta não comenta o destino do acordo entre governo e SBM. A AGU —
comandada agora por Fábio
Medina Osório — informou
que “ainda está em processo
de tratativas com as partes”.
A leniência para pessoas jurídicas equivale à delação para
pessoas físicas. As empresas se
comprometem a fornecer informações em processos administrativos abertos e a ressarcir o Estado, em troca de se
livrarem de punições como a
declaração de inidoneidade,
que levaria ao impedimento
de novos contratos com o poder público.
O MPF participou “efetivamente” das negociações do
acordo com a SBM, segundo o
procurador Lines.
— Esse acordo tem sido bastante conturbado. Aguardamos
até terça-feira daquela semana
(véspera da sessão do impeachment no Senado, iniciada na
quarta, 11 de maio), e a ideia era
que AGU assinasse e mandasse
para o Rio. A AGU deveria ter designado um representante para
ter acompanhado as discussões
mais de perto. Eles praticamente
não participaram da mesa de negociações — disse o procurador.
Lines afirmou ser difícil a
manutenção do acordo que já
estava pronto:
— Acho difícil que esse documento assinado seja mantido,
até porque foi assinado num
governo, com um ministro, e
continuado em outro governo.
Uma ação de improbidade para
ressarcir esses valores não terminaria tão cedo. E esse mercado, do qual participa a SBM, é
muito mais restritivo do que o
que conta com as empreiteiras
investigadas na Lava-Jato.
EMPREITEIRAS AMEAÇADAS
As principais empreiteiras envolvidas no esquema de desvios
da Petrobras correm o risco de
ser declaradas inidôneas pelo
Tribunal de Contas da União
(TCU), o que atropelaria os pla-
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nos de parte dessas empresas
de firmarem acordos de leniência com o governo federal. A declaração de inidoneidade impede novos contratos com o poder
público por um prazo de até
cinco anos, exatamente o que
empreiteiras querem evitar ao
propor leniência.
O plenário do TCU aprovou
ontem um prazo para 16 empreiteiras explicarem supostas
fraudes a licitações nas obras da
refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, em Pernambuco. O custo
da refinaria saltou de US$ 2,3 bilhões para mais de US$ 20,1 bilhões por conta de aditivos.
As empresas que devem dar
explicações são: Odebrecht,
OAS, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão,
Engevix, Iesa, Mendes Júnior,
MPE Montagens, Toyo Setal,
Skanska, Techint Engenharia,
UTC, GDK, Promon Engenharia e Galvão Engenharia. l
Para filho de
Bolsonaro,
pai virar réu
é ‘aberração’
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Investigação aponta que
barragem tinha
problemas na construção
O delegado Roger Lima de
Moura, da Polícia Federal (PF),
disse ontem que a Samarco sabia dos riscos na barragem de
Fundão, em Mariana, que se
rompeu no dia 5 de novembro
de 2015, destruindo o distrito
de Bento Rodrigues e causando 19 mortes. Trocas de mensagens entre técnicos e diretores, além de comunicados
emitidos internamente provam a responsabilidade da
empresa, segundo o delegado.
— Eles sabiam do risco de
que Bento Rodrigues poderia
ser atingido. Temos inclusive
documentos internos e conversas falando se iriam ou não
levar os estudos para o licenciamento ambiental — disse o
delegado Roger Lima.
Na primeira semana de junho, a PF concluiu o inquérito
sobre o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.
— Apuramos causas, consequências e responsáveis do
rompimento. A barragem era
problemática desde a sua
construção. Ela sempre foi
uma barragem doente. Na fase
de construção foi usado um
material diferente do projeto
— disse o delegado.
Ele explicou ainda que ocorreram problemas de drenagem, como “um remendo na
barragem, sem projeto, nem
recomendação dos órgãos ambientais”. A Samarco disse que
“repudia qualquer alegação de
conhecimento prévio de risco
de ruptura na barragem. Afirma ainda, em nota, que “continuará prestando todos os esclarecimentos nos autos do
processo” (Do G1). l
Operação suspeita. Navio plataforma Cidade de Anchieta opera no campo Baleia Azul, na Bacia de Campos: contrato com a SBM teve pagamentos indevidos
Fotos meramente ilustrativas.
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140
Depois que a Primeira Turma
do Supremo Tribunal Federal
(STF) tornou réu o deputado
federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ)
em duas ações por incitação
ao estupro em ofensa dirigida
à deputada Maria do Rosário
(PT-RS), o deputado estadual
Flávio Bolsonaro (PSC-RJ), filho de Jair, postou um vídeo
em sua página no Facebook,
no qual classifica a decisão de
“aberração jurídica”
Na gravação de pouco mais
de um minuto, Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, agradece supostas manifestações
de apoio “por conta dessa
aberração jurídica sem precedentes”, que foi a aceitação da
denúncia contra seu pai.
Flávio atribui a decisão ao
que chama de “jogo de poder”
e acusa os ministros do tribunal de deixarem soltos outros
nomes que estão “na sacanagem”, citando o ex-presidente
Lula e a presidente afastada,
Dilma Rousseff. “Seu Fux, é esse pessoal que você tem que
colocar em cana”, afirmou, dirigindo-se ao relator do caso
no STF, ministro Luiz Fux
Para Flávio, o pai apenas reagiu ao ser chamado de estuprador por Maria do Rosário, sem
mencionar que Jair Bolsonaro
disse que não estupraria a deputada por considerá-la muito
feia. “Logo ele, que combate
tanto os criminosos, que defende as polícias, que tem projeto
de lei para a castração química
para estuprador, que defende a
redução da maioridade penal...
Mas é o jogo do poder, gente”,
comentou o deputado. l
8
l O GLOBO
Quinta-feira 23 .6 .2016
Rio
COFRE VAZIO
Cedae, a moeda de troca
_
Rio pode oferecer venda da estatal como contrapartida na renegociação da dívida com União
CUSTODIO COIMBRA/27-5-2016
Flagrante de poluição. Esgoto despejado nas lagoas da Barra desemboca no mar: falta de redes de saneamento é um dos grandes problemas ambientais do Rio, problema que se repete em outros municípios da Região Metropolitana
LUIZ GUSTAVO SCHMITT, LUIZ ERNESTO
MAGALHÃES, MARTHA BECK E SIMONE IGLESIAS
[email protected]
-BRASÍLIA E RIO- O governo estadual poderá oferecer a venda da Cedae como contrapartida na
renegociação da dívida com a União. A privatização foi sugerida pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que deu o aval para
seis meses de moratória aos estados, além de
descontos graduais nas prestações por 18 meses. A informação foi divulgada ontem pelo
jornal “Valor Econômico”.
De acordo com fontes do Palácio Guanabara,
a Cedae seria o único ativo que o Rio teria para
oferecer nas negociações com o governo federal. A União também exigiu que os estados limitem a correção dos gastos públicos à inflação do
ano anterior e deixem de dar aumentos reais ao
funcionalismo público por 24 meses. Ontem, O
GLOBO mostrou que as despesas do Rio com
servidores da ativa e inativos cresceram 18,8%
acima da inflação nos últimos cinco anos.
O ministro do Planejamento,
U
Dyogo Oliveira, afirmou que as
discussões sobre a venda de
Números
ativos dos estados estão sendo
feitas “caso a caso”. Disse ainda
que interessa ao governo fedeR$ 4
ral que ocorram privatizações:
BILHÕES
— Sim, há uma disposição do
Preço
governo para aceitar esses atiestimado da
Cedae, mas a vos dentro das negociações,
mas não há uma determinação
empresa tem
para que esta ou aquela empreR$ 2 bilhões
sa seja privatizada. Caberá a
em passivos.
cada governador decidir, e a
negociação poderá ser feita como forma de redução do estoR$ 67
que das dívidas.
BILHÕES
A venda da Cedae é um asValor da dívida
do estado com sunto polêmico no estado e enfrenta resistência. Na cúpula, a
a União.
O governo tem privatização é defendida pelo
governador em exercício Franainda outros
cisco Dornelles. Pessoas próxidébitos.
mas ao governador afastado
Luiz Fernando Pezão — que sempre foi contrário, mas segundo Dornelles, já seria favorável à
venda — afirmam que a companhia está avaliada em R$ 4 bilhões, mas que há mais de R$ 2 bilhões em passivos trabalhistas. O valor cobriria
apenas um pequeno percentual da dívida do estado com a União, que chega a R$ 67 bilhões.
Outro entrave para a negociação seria o fato
de que os investimentos de R$ 3 bilhões feitos
pela companhia em obras na Baixada Fluminense têm como garantia contratual a arrecadação com os serviços prestados na Zona Sul, na
Barra, no Recreio e em Jacarepaguá, responsáveis por 40% do faturamento da empresa. Essas
regiões são justamente as que estão no planejamento do governo para a concessão dos serviços de água e esgoto da companhia à iniciativa
privada. Para haver a concessão, seria necessária a aprovação da Alerj, cujo presidente, Jorge
Picciani (PMDB), tem sido um dos maiores defensores da venda da Cedae.
Uma das possibilidades seria vender parte
das ações da companhia, que hoje são 99,99%
dos papéis do estado, mas somente após o governo fazer a concessão do esgoto da Região
Metropolitana e concluir das obras da estação de tratamento de Guandu 2. Essas medidas aumentariam o valor de mercado da empresa, que hoje é considerado baixo. No entanto, o término das obras de Guandu levaria
no mínimo dois anos.
Para o economista Aloísio Araújo, da Escola
Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), a privatização da
Cedae seria uma excelente solução para modernizar as redes de abastecimento do Rio —
reduzindo a perda de água tratada através de
vazamentos — e para expandir o tratamento
de esgoto até áreas ainda não atendidas, principalmente as carentes:
— Os investimentos privados podem inclusive permitir que, com a eliminação das perdas,
seja possível abastecer áreas mais carentes de
água, como a Baixada Fluminense, sem necessidade de o estado gastar bilhões para ampliar a
rede da região. Além disso, o setor privado poderia investir na ligação da rede de esgoto, reduzindo a poluição na Baía de Guanabara. O custo, proporcionalmente, não seria tão elevado,
porque muitas estações de tratamento, como a
Alegria, já foram implantadas.
Segundo o especialista, no caso de uma eventual concessão, ela deveria ser feita de forma integral ou em grandes porções. Isso garantiria
que o setor privado investisse também nas áreas
mais carentes. Ele, no entanto, acredita que o
nível de investimento pode exigir financiamento público, por instituições como o BNDES.
O secretário estadual de Desenvolvimento
PÉ NA TÁBUA
‘Vamos embora, Ademário!’
Ordem de Dornelles a motorista
para escapar de pergunta de
jornalista vira meme na internet
REPRODUÇÃO DA REDE GLOBO
GUSTAVO GOULART
[email protected]
J
á caiu na rede e virou meme. O
motorista Ademário Gonçalves
dos Santos, que há mais 30 anos
trabalha com o governador em
exercício Francisco Dornelles, virou
celebridade. Tudo porque Dornelles,
dentro do carro, ao ser indagado por
jornalistas sobre o destino de cerca
de R$ 3 bilhões liberados pelo governo federal para o estado, se esquivou
de responder à pergunta. Diante da
saia justa, na noite de anteontem, ele
se virou para o fiel funcionário e soltou a frase que rapidamente passou a
ser replicada por internautas: “Vamos embora, Ademário!”
O motorista é um dos 14 funcionários do Senado Federal com cargos
comissionados no gabinete de Dornelles no Palácio Guanabara.
Baiano, Ademário comemorou
seus 65 anos na última segunda-fei-
Piloto. Dornelles com Aldemário ao volante
ra. Ele é pai de um casal de filhos e
avô de uma menina de 1 ano. Trabalha com o governador em exercício
há mais de três décadas.
Nas redes sociais, Ricardo Freitas
fez piada: “Governador, cadê o dinheiro para o servidor? Governador,
cadê o dinheiro para a educação?
Governador, cadê o dinheiro para a
saúde? Resposta do governador: ‘Vamo (sic) embora, Ademário!’” l
Econômico, Marco Antônio Vaz Capute, se disse
radicalmente contra a venda da Cedae:
— Acho isso errado. Este não é o momento de
vender nada. Na crise, tudo vale muito pouco. O
governo vai vender a operação na Barra e na Zona Sul, que é a parte limpa da Cedae e ficar com
a podre? E as dívidas trabalhistas e de empréstimos da Cedae? Ficarão com o estado?
PRIVATIZAÇÃO DEPENDE DE AVAL DE MUNICÍPIOS
A concessão ou a privatização dos serviços da
Cedae, no entanto, não é uma decisão que possa ser tomada apenas pelo governo do estado. O
assunto terá que ser debatido e aprovado por
uma espécie de órgão colegiado, cuja formatação ainda está sendo debatida na Alerj. O grupo
incluirá representantes do governo e dos 21 municípios da Região Metropolitana.
A necessidade de um acordo integrado sobre
o tema toma como base uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que, em fevereiro de 2013,
julgou uma ação direta de inconstitucionalidade que tramitava desde 1998, quando o então
governador Marcello Alencar tentou, sem sucesso, privatizar a Cedae. Os ministros do STF
entenderam que decisões estratégicas sobre saneamento têm que ser negociadas entre todas
as cidades que, de alguma forma, possam ser
afetadas pelas medidas, já que qualquer concessão pode causar desequilíbrio de receitas
para investimentos na área.
— Concessões anteriores, como em Niterói e
na Zona Oeste, ocorreram antes dessa decisão
do STF. Mesmo que a decisão seja fazer uma
concessão apenas da Barra, por exemplo, terá
que obrigatoriamente ser aprovada por esse ente metropolitano — observou o diretor-executivo da Câmara Metropolitana, Vicente Loureiro.
Ele coordena os debates sobre a criação da
entidade. Vicente explicou que, pela proposta
em tramitação na Alerj, o estado teria entre
25% a 30% dos votos. O peso das demais cidades levaria em conta o tamanho da população.
Para qualquer medida a ser aprovada, deverá
haver pelo menos 60% dos votos. Além de saneamento, esse órgão também deve deliberar
sobre temas como mobilidade urbana (incluindo a implantação de novos corredores de
BRT), uso e ocupação do solo e meio ambiente. Ante de ser votado, o projeto terá que passar por audiências públicas na Alerj.
Divulgado em março, um levantamento feito
pela ONG Trata Brasil sobre serviços de saneamento nas cem maiores cidades brasileiras mostra que o Rio — onde a atividade cabe, principalmente, à Cedae — aparece na 50ª posição. Entre
as capitais, está na 11ª. Dentro do próprio estado,
a capital fica na quinta colocação, atrás de Niterói,
Petrópolis, Campos e Volta Redonda, municípios
onde o saneamento é feito por concessionárias
privadas. No estudo divulgado pela Trata Brasil
em 2015, o Rio aparecia em 56º lugar. Hoje,
91,62% da população carioca tem acesso a água
potável e 83,11% é atendida por rede de esgoto. l
l Rio l
Quinta-feira 23 .6 .2016
O GLOBO
l 9
COFRE VAZIO
_
Estado pode remanejar verbas
da segurança para a Linha 4
Retirada seria compensada pelo repasse de R$ 2,9 bi da União
DOMINGOS PEIXOTO
Dinheiro será usado
para pagar a policiais
Anúncio foi feito
ontem à tarde pelo
secretário José
Mariano Beltrame
ANTÔNIO WERNECK
[email protected]
Ligação Barra-Zona Sul. Operário caminha próximo aos trilhos da Estação Jardim de Alah: trecho é um dos que estão em fase de acabamento
LUIZ ERNESTO MAGALHÃES,
MARCIO MENASCE E RAFAEL GALDO
[email protected]
Embora o estado não tenha se pronunciado oficialmente, altas fontes ligadas ao
governador em exercício Francisco Dornelles afirmam que, com a autorização
do repasse de R$ 2,9 bilhões da União
para a segurança nos Jogos Olímpicos, o
governo planeja fazer um remanejamento do orçamento para financiar a
conclusão da Linha 4 do metrô (BarraIpanema). O Palácio Guanabara diz que
só vai se manifestar depois de o Planalto
publicar uma medida provisória transferindo, efetivamente, os recursos para o
Rio. Mas, segundo as fontes, parte dos
recursos previstos na Lei de Diretrizes
Orçamentárias para a segurança bancaria o metrô, enquanto o dinheiro federal
cobriria a retirada de verba do setor.
— É um dinheiro que alivia o caixa do
governo e permite pagamentos emergenciais. Na verba federal, não se pode
mexer, pois está carimbada para a segurança. Mas é permitido remanejar as receitas do estado — diz uma das fontes.
A medida seria usada para não esperar
pelo empréstimo de R$ 989 milhões que
U
O que falta
ESTAÇÕES: Das cinco estações
do eixo olímpico, restam finalizar
as obras em três delas: Jardim
de Alah, Antero de Quental e
Jardim Oceânico. As estações
Nossa Senhora da Paz e São
Conrado/Rocinha estão
concluídas. O trecho que levará
à Gávea só será terminado após
a Olimpíada.
SISTEMAS: Segundo os consórcios
responsáveis pelas obras,
também entram na lista de
pendências o fim da instalação
de sistemas operacionais para
o funcionamento dos trens
e de sinalização em alguns
trechos da nova linha.
REURBANIZAÇÃO: A Praça Nossa
Senhora da Paz, em Ipanema,
foi entregue à população no fim
do mês passado. Mas faltam
terminar as obras de
reurbanização em vias e outras
áreas ocupadas pelos canteiros
de obras onde os tapumes
permanecem, como na Praça
Antero de Quental, no Leblon.
TESTES: Com trilhos instalados,
a primeira viagem de um trem
do metrô entre Ipanema e Barra
ocorreu em maio. Já estavam em
testes subestações de energia,
equipamentos de controle, a
energização das vias, o sistema
de ventilação, escadas rolantes,
elevadores e a iluminação.
o governo tenta com o BNDES para garantir a conclusão da Linha 4. Além de a
operação de crédito não estar concretizada, aguardando aval do Tesouro Nacional, ela poderia demorar.
Só para concluir a Linha 4 antes dos
Jogos, disse uma das fontes, a estimativa é de que, num primeiro momento,
seriam necessários cerca de R$ 500 milhões, metade do empréstimo que o estado pleiteia com o BNDES (o restante
do financiamento seria para a Estação
Gávea, que ficará para depois dos Jogos). Além disso, parte do orçamento
da segurança poderia ser usada em outras áreas consideradas prioritárias, como saúde e pagamento de pessoal.
ATRASOS CHEGAM A R$ 350 MILHÕES
O assunto também foi alvo de conversas após uma reunião do governador,
na manhã de ontem, com os presidentes do Tribunal de Contas do Estado,
do Ministério Público, do Tribunal de
Justiça e da Assembleia Legislativa para discutir o orçamento de 2017. Um
dos participantes disse entender que
o conceito de segurança na Olimpíada
é bastante vasto. Por essa tese, os recursos federais poderiam ser aplicados em outras atividades.
— Ter transporte adequado é uma questão que passa pela segurança pública. A
mesma coisa é a garantia de que hospitais
do estado tenham medicamentos para
atender a população — disse a fonte.
Enquanto não há soluções definitivas,
os consórcios Linha 4-Sul e Rio-Barra,
responsáveis pelas obras, afirmam que
já realizaram serviços na ordem de R$
350 milhões ainda não pagos pelo estado. As empresas dizem que, até agora,
96% das intervenções estão concluídas.
Mas, apesar de haver atrasos nos repasses, os consórcios garantem que as obras
não pararam nem diminuíram de ritmo,
sendo executadas dentro do cronograma previsto. Os testes na infraestrutura
pronta, que começaram em janeiro,
também seguem em andamento.
“Os consórcios construtores reconhecem os esforços do governo do estado e confiam que os recursos serão liberados de imediato”, afirmou uma nota do grupo de empresas.
Procurada, a Secretaria estadual de
Transportes não confirmou quanto deve aos consórcios do metrô. Mas manteve a previsão de abertura do serviço
para 1º de agosto, para atender o público e a família olímpica. Para os Jogos, a
previsão é que cinco estações estejam
em operação entre Ipanema e Barra:
Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alah,
Antero de Quental, São Conrado e Jardim Oceânico. l
O governo do estado vai usar
parte dos R$ 2,9 bilhões da
União para quitar dívidas e pagar salários dos policiais civis e
militares, revelou ontem o secretário de Segurança, José
Mariano Beltrame, ao “RJ TV”,
da Rede Globo. Ele afirmou
que a primeira providência será pagar salários e gratificações
atrasados dos servidores das
polícias Civil e Militar:
— Pagar o salário do servidor, pagar a premiação e o regime adicional de serviço
(RAS). Posteriormente a isso,
descentralizar o recurso, imediatamente, para as duas instituições, para que elas honrem
seus compromissos que estão
bastante atrasados.
O secretário estava aliviado.
Apenas com o regime adicional
de serviço (RAS) olímpico, o estado previa gastar R$ 42 milhões:
— Eu acho que, a partir daí, a
gente pode trabalhar com muito mais tranquilidade. Acho
que, em primeiro lugar, a questão motivacional do policial
retoma o patamar que nós tínhamos antes. Os programas
que nós consideramos essenciais, como o de metas e o regime adicional de serviço (RAS),
que surtiram efeitos muito positivos para a população ano
passado, a gente pretende retomar, se isso acontecer.
ORÇAMENTO DE R$ 10 BI
Pela medida provisória do governo federal, o dinheiro é exclusivamente para socorrer a
segurança pública do Rio durante os Jogos Olímpicos, que
começam dentro de 43 dias. Em
grave crise financeira, o estado
contingenciou o orçamento
previsto de R$ 10 bilhões para
serem gastos este ano com segurança, levando o setor ao estrangulamento. Interrompeu os
investimentos e atrasou o pagamento de fornecedores. Com
pesadas dívidas, vários serviços
foram suspensos nas polícias
Civil e Militar.
Um levantamento feito pelo
deputado estadual Luiz Paulo
Corrêa da Costa (PSDB), a pe-
dido do GLOBO, mostra que,
do orçamento de R$ 10,2 bilhões previsto para a Secretaria de Segurança este ano, cerca de 30% acabaram contingenciados pelo governo com o
agravamento da crise. A cúpula da segurança, a Polícia Militar, a Polícia Civil e o Instituto
de Segurança Pública gastam
em média, por mês, cerca de
R$ 583 milhões. A maior fatia
fica com a PM, que, por ano,
desembolsa R$ 4,7 bilhões
apenas com a folha de pagamento da tropa.
— Estamos convocando para
a próxima terça-feira os secretários de Fazenda e Planejamento para uma audiência pública na Assembleia Legislativa, para explicarem como será
feito o gasto. Queremos saber
oficialmente o plano de aplicação desses recursos, o detalhamento — disse Luiz Paulo.
O deputado estadual também acredita que o governo
deverá usar os recursos do tesouro para aplicar em outras
áreas, como a educação.
— É uma possibilidade,
por isso estamos convocando os dois secretários para
uma audiência pública — revelou Luiz Paulo.
POLÍCIA CIVIL NO LIMITE
Na área de segurança pública,
uma das situações mais críticas é da Polícia Civil. No início
do mês, em entrevista ao GLOBO, o delegado Fernando Veloso, chefe de Polícia Civil, não
descartava que a instituição
estava a um passo do colapso e
no limite de seu funcionamento. Um dos grandes desafios
tem sido manter a operação do
Instituto Médico-Legal (IML).
Na unidade do Centro, por falta de condições de higiene —
sem receber, a empresa que fazia a limpeza suspendeu as atividades —, não são mais realizadas necropsias, apenas exames de corpo de delito. Além
disso, a equipe de legistas foi
transferida para o IML de
Campo Grande.
Também haviam sido suspensos os serviços de manutenção dos helicópteros e dos
“caveirões” blindados. Atualmente, oito das 12 aeronaves
das polícias Civil e Militar estão paradas. A mesma situação
acontece com os veículos blindados: dos 21, apenas cinco
estão sendo usados porque
não há manutenção. l
10
l O GLOBO
l Rio l
Quinta-feira 23 .6 .2016
COFRE VAZIO
_
Pacientes sofrem com UPAs sem médicos
Na unidade em Bangu, doentes voltavam da entrada sem ser atendidos. Em Realengo, sujeira era grande
SIMONE CANDIDA
SIMONE CANDIDA
[email protected]
Lançadas como solução para desafogar os hospitais públicos, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs)
do estado estão sem médicos, faxineiros e até sem medicamentos, por
causa da crise financeira. Ontem, a
auxiliar de serviços gerais Alessandra
dos Santos Alves, de 36 anos, bateu à
porta da UPA de Bangu com a filha,
Nicole, de 4 anos, ardendo em febre.
Nem passou pela triagem. Mal chegou, foi informada por um funcionário de que os atendimentos estavam
suspensos porque nenhum médico
havia comparecido ao trabalho. Também não havia auxiliares de enfermagem, remédios para serem oferecidos
aos pacientes ou pessoal para fazer a
limpeza de salas e ambulatórios.
Aconselhada a procurar a UPA de Realengo, Alessandra encontrou por lá
um cenário parecido: havia apenas
dois médicos (um pediatra e um clínico
geral). Já os funcionários da limpeza,
sem receber salários, não tinham comparecido. Como a filha continuava passando mal, ela decidiu juntar-se a dezenas de pacientes que aguardavam atendimento desde cedo, sentados numa
sala cheirando a vômito e com lixo espalhado pelo chão.
De acordo com o Sistema Informatizado de Controle de Escalas de Serviço
da Secretaria estadual de Saúde, ontem, a partir das 7h, oficialmente havia
três clínicos gerais e dois pediatras de
plantão até as 19h nas duas UPAs.
ORGANIZAÇÃO SOCIAL CULPA DÍVIDAS
A organização social Lagos Rio, que administra as duas unidades, admitiu que
ontem elas “operaram de forma restrita, atendendo apenas às demandas
com classificação de risco de pacientes
amarelos e vermelhos”. Ou seja: apenas
quem chegava em estado grave era
atendido. Segundo a OS, a culpa é dos
atrasos nos pagamentos e das dívidas
acumuladas pelo governo. A Lagos Rio
disse que vem tendo dificuldades para
depositar salários e quitar seus débitos
com fornecedores.
Como ontem só havia um pediatra,
Alessandra foi avisada pela equipe de
triagem que não havia previsão para
atendimento da menina. Chegou à UPA
de Realengo pouco antes das 9h e às 13h
ainda estava na recepção, esperando ser
chamada. Para enganar a fome, mãe e filha comeram biscoitos.
— O serviço piorou muito. Já estive
aqui umas duas vezes ano passado, e a
UPA não era tão suja — lamentou.
Outras sete mulheres aguardavam
atendimento desde cedo com os filhos
no colo. A dona de casa Evani Nunes,
de 25 anos, mãe de Lara, de 2, chegou a
Realengo às 9h. Até o início da tarde,
não tinha conseguido entrar na sala do
pediatra com a menina.
— Minha filha está com tosse e muito
catarro. Disseram que não há previsão
Precariedade. A UPA de Realengo: além de poucos médicos, unidade estava suja porque, sem receber, pessoal da limpeza não trabalhou
“Piorou muito.
Já estive aqui duas
vezes, e a UPA
não era tão suja”
Alessandra dos Santos Alves
Mãe de paciente da UPA
de Realengo
de atendimento, porque a prioridade
são as emergências. Estive aqui dois
meses atrás e fui atendida logo, por isso
voltei. Vou esperar porque minha filha
não está bem — disse Evani.
O ambiente sujo piorava o sofrimento. Segundo pacientes, mais cedo, uma
mulher se sentira mal e vomitara no
chão da sala de espera. Sem funcionários para fazer a limpeza, alguém jogara
um pouco d’água no local para tentar
reduzir o mau cheiro.
— Está uma bagunça. E olha a sujeira.
Tem de tudo no chão, até algodão com
sangue — mostrou o feirante Paulo Roberto Dias Pacheco, de 57 anos, morador de Realengo, apontando para uma
poça em que havia restos de material
usado em curativo, incluindo uma seringa e luvas descartáveis.
Do lado de fora da unidade, o cenário
de sujeira e abandono se repetia. No
gramado, havia latas de refrigerante,
pacotes de biscoito, copos plásticos e
até uma fralda usada. O aposentado Joaquim Julio da Silva, de 63 anos, ficou
horrorizado com a imundície no banheiro masculino.
— Tudo sujo, papel higiênico no
chão, um cheiro horrível. Tive que
prender a respiração para conseguir
entrar — disse Joaquim.
Em nota, a OS disse reconhecer “o
empenho da Secretaria de Estado de
Saúde em buscar a regularização do repasse mensal, em meio à grave crise fi-
nanceira (...), e que prioriza o pagamento de salário dos funcionários”.
Afirmou ainda que mantém diálogo
com o órgão e que ambos estão “empenhados para, até o fim da semana, quitar parte da dívida com fornecedores e
retomar a normalidade no atendimento”. A OS não quis informar qual o valor
da dívida do governo estadual.
Já a Secretaria estadual de Saúde afirmou que “todas as organizações sociais
estão recebendo repasses mensais”. E
acrescentou: “A secretaria reconhece a
existência de débitos anteriores e vem
solicitando às OSs que priorizem o pagamento de seus funcionários e a manutenção dos serviços. Vale lembrar
que a secretaria vem trabalhando com
30% dos recursos previstos, tendo em
vista a grave crise financeira do estado.
É importante reforçar que todos os recursos disponíveis para a pasta estão
sendo destinados, como prioridade,
para a manutenção do funcionamento
das unidades de saúde”.
UPAS TIVERAM QUE REDUZIR CUSTOS
Segundo o órgão, este ano, a OS Lagos
Rio recebeu R$ 5,8 milhões referentes
à UPA de Realengo, sendo que o último pagamento, no valor de R$ 600
mil, foi realizado em junho. Ainda de
acordo com a secretaria, em 2016 já
foram pagos outros R$ 6,7 milhões referentes ao contrato da UPA de Bangu, com o último pagamento, no valor de R$ 500 mil, tendo sido feito em
junho. O órgão reconhece “que há
problemas” e diz estar trabalhando
“no sentido de regularizar os repasses para a OS até esta sexta-feira
(amanhã)”. Destaca ainda “que todas
as unidades da rede estadual seguem
em funcionamento”.
Em janeiro, por causa da crise financeira, a Secretaria estadual de Saúde
estabeleceu que as OSs, que administram 29 UPAs, só podem gastar até R$ 1
milhão por mês com custeio, pagamento de funcionários, exames e medicamentos. A redução de valores faz parte
de um plano de restruturação anunciado pelo secretário Luiz Antônio Teixeira Júnior. O governo decidiu, por exemplo, que nenhum doente ficará mais de
12 horas em qualquer uma das UPAs
(embora elas continuem a funcionar 24
horas por dia). Segundo o secretário de
Saúde, as novas medidas representarão
uma economia de cerca de R$ 250 milhões do total de R$ 1,2 bilhão que o estado quer reduzir este ano nos gastos
da área. A ideia é diminuir custos com o
fim da internação.
A falta de receitas na saúde levou a
uma situação de caos no setor em dezembro, quando ocorreu a suspensão
do atendimento nos principais hospitais do Rio, como o Getulio Vargas, na
Penha, o Hospital da Mulher, em São
João de Meriti, e o Adão Pereira Nunes,
em Duque de Caxias. Até os transplantes chegaram a ser suspensos no Hospital São Francisco da Providência de
Deus, na Tijuca. l
VLT é pichado durante protesto de professores no Centro do Rio
FOTO DE LEITOR
Manifestantes
também colaram
adesivos no bonde.
Viagem foi cancelada
GISELLE OUCHANA
[email protected]
Um protesto de professores estaduais em greve há quase
quatro meses, ontem à tarde,
no Centro, interrompeu a última viagem do VLT, entre o Aeroporto Santos Dumont e a Parada dos Navios, na Zona Portuária. Por segurança, passageiros foram obrigados a desembarcar. Durante a manifestação, um bonde que ficou retido na Avenida Rio Branco foi
pichado com palavras de ordem e teve vários adesivos colados nas laterais. O serviço foi
inaugurado no dia 22 de maio.
DESEMBARQUE ANTES DO FIM
Segundo a Secretaria municipal de Transportes, por volta
das 15h40m, o grupo se posicionou à frente do bonde e, por
medida de segurança, a concessionária do VLT Carioca
Vandalismo. Lateral de bonde é pichada e recebe adesivos durante manifestação de professores em greve no Rio
orientou os condutores a pararem o serviço. A operação, que
deveria ser encerrada às 16h,
terminou com 20 minutos de
antecedência. A suspensão, segundo a nota, fez com que os
passageiros desembarcassem
antes do destino nos dois sentidos: na Parada dos Museus
(sentido Praia Formosa) e na
Parada São Bento (sentido Aeroporto). O VLT foi levado para
a garagem de manutenção, onde passará por limpeza. As pichações foram feitas com caneta pilot e giz de cera, segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do
Porto (Cdurp), que ainda não
sabe afirmar se houve maiores
danos à pintura do bonde.
De acordo a coordenadora
do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe),
Marta Moraes, a passeata já estava marcada para acontecer
nos trilhos do VLT, mas não
houve nenhuma orientação
para pichar ou colar adesivos.
Pelo WhatsApp do GLOBO
(99999-9110), a leitora Helena
Roballo enviou fotos e vídeo que
mostram a ação dos manifestantes. Frases como “A greve continua, Dornelles a culpa é sua” e
“Não vai ter tocha” foram escritas
pelo grupo. Jovens mascarados
também participaram do ato,
que seguiu pacífico até a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Estudantes da rede estadual também participaram do ato e protestaram contra os recursos destinados aos Jogos. Os manifestantes chegaram a pedir o impeachment do governador em exercício, Francisco Dornelles.
GREVE JÁ DURA 111 DIAS
O deslocamento dos manifestantes provocou interdições na Avenida Rio Branco e na Rua Araújo
Porto Alegre. Os profissionais de
educação fizeram a manifestação
após uma assembleia em que a
categoria decidiu permanecer
em greve. Eles reclamam da falta
de resposta do governo sobre as
reivindicações salariais da categoria. Os docentes querem reajuste de 30%. No ano passado, se-
gundo o Sepe, o governo não
concedeu aumento e, este ano, o
governador em exercício, Francisco Dornelles, tem afirmado
que também não haverá reajuste.
A assembleia de ontem reuniu
cerca de 1.500 profissionais, de
acordo com o Sepe. Apenas 14
professores votaram contra a
continuidade da paralisação. A
próxima assembleia acontecerá
quarta-feira. Os professores estão
de braços cruzados há 111 dias.
Segundo o Sepe, 20 mil docentes
participam do movimento.
Na semana passada, a Justiça
considerou o movimento abusivo, e o governo do estado
cortou o ponto dos grevistas. A
Secretaria estadual de Educação confirmou que os servidores serão descontados pelos
dias não trabalhados.
Segundo o órgão, a medida
foi tomada com base na decisão judicial que cassou a liminar que dava aos grevistas o direito de não ter o ponto cortado. Em seu despacho, o desembargador Milton Fernandes de Souza disse que o Sepe
havia descumprido a ordem
para manter 70% dos professores em atividade. l
l Rio l
Quinta-feira 23 .6 .2016
O GLOBO
l 11
APO: nove salários consomem 20% da folha
Autoridade Pública Olímpica gastou R$ 4,39 milhões em 2015 para pagar a funcionários de banco estatal
CARINA BACELAR
[email protected]
Na lista dos 131 funcionários ativos da Autoridade Pública Olímpica (APO), nove chamam a
atenção dos colegas, e seus custos parecem destoar do compromisso de austeridade do órgão.
Cedidos pela Caixa Econômica Federal, eles ganham salários que variam entre R$ 6 mil e R$ 8
mil para fiscalizar e acompanhar obras e continuam recebendo os vencimentos do banco, que
são reembolsados pelo governo federal. No ano
passado, a Autoridade destinou mais de R$
4.393.726,70 para a Caixa, cerca de 20% de sua
folha de pagamento anual, só para ter esses profissionais em seus quadros.
Um quinto do orçamento de pessoal da entidade, R$ 22.449.062,71, está concentrado nas
mãos de cerca de 7% dos funcionários. A Caixa
não informou os salários dos servidores requisitados. Mas, ao calcular uma média usando como base o valor que ela recebeu da APO, estima-se que cada servidor da instituição custou
R$ 37 mil mensais, além do 13º. Esse valor inclui
benefícios trabalhistas e encargos.
FUNCIONÁRIOS HOMENAGEADOS NA ALERJ
Ainda em 2015, o Conselho Público Olímpico,
presidido pela empresária Luiza Trajano, decidiu que o órgão não ia escapar de tesouradas,
que poderiam chegar a um terço do previsto para 2016, em torno de R$ 10 milhões.
De acordo com o Portal da Transparência do
governo federal, os nove servidores que têm
vínculo com a Caixa são o superintende Arman- tradicionalmente por petistas. Com a chegada
do dos Anjos Thiago, a supervisora Danielle da equipe de Michel Temer, é possível que noMorais Rodrigues, a assessora Fernanda Melo, a mes ligados ao partido deixem a entidade.
diretora de Integração Lucia Galvão, o diretor
A requisição externa com reembolso de saláriregional para as áreas de Copacabana e Barra, os é uma prática legal e comum na administraRaimundo Célio, a superintendente de
ção pública. O GLOBO mostrou, no iníU
Demandas Externas Dara Souza, os sucio deste mês, que três secretários do
pervisores Plínio Fonseca e Luiz ZanetNúmeros estado do Rio (Julio Bueno, Christino
ti, e a superintendente de Serviços PúÁureo e Wagner Victer) e o presidente
blicos Cleusa Kikue.
do Rioprevidência (Gustavo Barbosa),
Dois dos nove funcionários já foram
R$ 4,39 além de outros 19 servidores ganham
homenageados por deputados na Asmensalmente um valor que supera o teMILHÕES
sembleia Legislativa do Rio (Alerj): para
to estadual, de R$ 27 mil.
Valor pago
Raimundo foi concedido o título de CiEm relação a 2015, a assessoria da
pela cessão
dadão do Estado do Rio de Janeiro em
APO confirmou apenas que três funciode nove
2014, em um projeto do deputado petisnários requisitados da Caixa ganhavam,
servidores
ta Nilton Salomão. Já o peemedebista
em salários, mais que o estabelecido em
da Caixa
Rosenverg Reis propôs, em 2011, a conteto federal (R$ 33,7 mil), se somados os
em 2015
cessão de uma medalha Tiradentes a
vencimentos do banco e o do cargo em
Plínio Magalhães Fonseca, então supecomissão. Pelos três, a entidade gastou
rintendente regional da Caixa.
R$22,44 no ano passado R$ 1.664.474,15.
Além deles, no ano passado havia
Sobre os valores pagos aos requisitaMILHÕES
mais três requisitados de outros órgãos
Despesa total dos, a APO afirmou que “são profissio(Universidade de São Paulo, prefeitura
nais responsáveis pelo cumprimento de
de pessoal
de Santos e governo de Brasília) na foatividades técnicas relacionadas às atrida APO
lha de pagamento da APO. Ao todo, os
buições finalísticas”. Ainda segundo a
em 2015
12 funcionários cedidos, incluindo os
entidade, cabe ressaltar que, na qualida Caixa, tiveram custo anual de R$
dade de ente público, ela “cumpre as
4.682.719,30, um salto de R$ 623.525,64
determinações legais no que diz respei2017
em relação a 2014, quando havia dez
to à cessão de servidores estabelecidas
Ano em que
servidores nesta situação.
em lei”.
o órgão vai
Tendo todos os seus funcionários coA APO declarou ainda que não pode
ser encerrado
missionados, a APO, segundo uma foninformar individualmente o valor dos
te consultada pelo GLOBO, é um órgão no qual vencimentos dos servidores da Caixa, porque a
predominam as indicações políticas, principal- empresa segue o Decreto 7.724/2012 e a Portamente para os cargos mais altos. Os nomes para ria Interministerial nº 233/2012, do Ministério
ocupar funções como as de diretoria viriam do Planejamento, e não publica em sites da inprincipalmente da Casa Civil, que foi ocupada ternet informações sobre seus empregados.
Procurados pela reportagem por meio da Caixa, o banco se limitou a dizer que “os empregados foram cedidos sem ônus para o banco, em
conformidade ao Decreto nº 4050/2001”.
Para o economista Bruno Sobral, professor da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a situação da Autoridade Pública Olímpica é comum na administração pública:
— Essa discrepância se deve aos salários de origem dessas pessoas, que podem ser altos. É como
em uma secretaria. Tem a maioria que ganha um
salário médio e poucos com grandes salários.
REQUISIÇÃO DEVE TER CRITÉRIO TÉCNICO
Advogado e professor de direito administrativo
do Ibmec-RJ, Jerson Carneiro ressalta que as requisições devem seguir critérios puramente
técnicos:
— Eu me preocupo muito com essas indicações. Como é um evento internacional, temos
que ver o motivo pelo qual o funcionário é requisitado. Se ele é técnico ou político. Hoje, a
grande preocupação é essa. Ela (a requisição de
servidores) tem que existir, desde que seja técnica e atenda ao interesse público. A administração pública tem gente séria e que conhece a
administração — afirmou.
Entre as atribuições da Autoridade Pública
Olímpica, segundo seu site oficial, estão a execução, planejamento e monitoramento das
obras destinadas aos Jogos, o relacionamento
entre as entidades esportivas, consórcios e o
Comitê Rio 2016 e a construção do legado do
evento. Atualmente, o órgão, vinculado ao Ministério dos Esportes, mantém escritório no Rio.
Havia um em Brasília até fevereiro, com cinco
servidores. Até o fim do primeiro semestre de
2017, o órgão tem de ser dissolvido. l
Por decreto, prefeitura legaliza atividade de mototaxista na cidade
Profissionais terão
permissão provisória
de 90 dias. Pontos
serão em favelas
LUIZ ERNESTO MAGALHÃES
[email protected]
Um decreto do prefeito Eduardo Paes, publicado ontem, legaliza a atividade de mototaxista no Rio. Além de conceder
uma licença provisória de 90
dias (prorrogáveis por igual
período) para que os prestadores do serviço obtenham toda
a documentação e consigam a
liberação da permissão defini-
Banco é roubado
dentro da sede
da prefeitura
Assalto à agência do
Santander foi à tarde.
Bandidos fugiram
Uma agência do Banco Santander, que fica dentro do Centro Administrativo São Sebastião, sede da prefeitura do Rio,
na Cidade Nova, foi assaltada
no fim da tarde de ontem. De
acordo com o 4°BPM (São
Cristóvão), os bandidos conseguiram fugir.
Segundo a Polícia Militar, o
crime aconteceu por volta das
16h50m. Bandidos teriam rendido um dos seguranças da
agência e conseguido pegar o
dinheiro. O valor roubado não
foi divulgado.
A PM não soube informar se
funcionários ou clientes chegaram a ser feitos reféns. O caso foi registrado na Delegacia
de Roubos e Furtos (DRF).
Houve perícia no local e testemunhas foram ouvidas. l
acesse
140
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MADUREIRA SHOPPING Estrada do Portela, 222
TIJUCA Rua Conde de Bonfim, 604
ITABORAÍ SHOPPING Rod. Gov. Mario Covas, BR 101, KM 205
tiva, a medida prevê ainda a
instalação de pontos de parada
para as motocicletas.
Ontem, a prefeitura informou que ainda não sabe quantos profissionais deverão ser
legalizados, pois não tem uma
listagem de quem exerce a atividade na cidade. Para o serviço ser formalizado, os mototaxistas deverão se organizar em
cooperativas ou associações. O
cadastramento será feito nas
subprefeituras, e os pontos serão escolhidos em comum
acordo com a Secretaria de Ordem Pública, a CET-Rio e a Secretaria municipal de Transportes.
Secretário executivo de Co-
ordenação de Governo, Rafael
Picciani disse que os mototaxistas que trabalham em favelas do Centro e de Santa Teresa
deverão ser legalizados primeiro, porque já se organizaram para obter a autorização.
Segundo o secretário, os pontos de mototáxis serão demarcados nas comunidades ou em
seus acessos, e não será permitido o embarque fora deles.
TARIFA AINDA SERÁ DEFINIDA
Os preços das corridas serão
tabelados pela prefeitura. Os
mototaxistas deverão seguir
o Código Disciplinar da Secretaria de Transportes, que
também prevê regras para a
circulação de táxis.
Para conseguir a licença prévia, o mototaxista deverá ter pelo menos 21 anos e carteira de
habilitação na categoria A há
pelo menos dois anos. As motos
terão que ter uma potência de
pelo menos 125 cilindradas. Para conseguir a licença definitiva,
os candidatos deverão contratar
seguro de responsabilidade civil com cobertura por danos
materiais e pessoais por morte e
invalidez, nos valores de R$ 25
mil e R$ 5 mil, respectivamente.
Além disso, deverão apresentar
certidões negativas criminais
no ato do cadastramento e a cada cinco anos.
A proposta recebeu críticas de
opositores do prefeito. Embora
ressalte que seja favorável à regulamentação da atividade, o
vereador Paulo Pinheiro (PSOL)
disse estranhar que o processo
se dê apenas às vésperas da
eleição municipal:
— As comunidades anseiam
há anos pela regulamentação
da atividade de mototáxi para
trazer a profissão para a formalidade. O que é de se estranhar
é o momento escolhido, pouco
tempo antes da eleição. O atual
prefeito teve quase oito anos
para resolver isso — disse Pinheiro.
Picciani nega que o decreto
tenha motivação política:
— Desde 2009, a prefeitura
vem trabalhando na regulamentação dos serviços de
transporte. Optamos por iniciar por aqueles que tinham
uma demanda maior. A prioridade foi reorganizar o transporte coletivo e implantar o bilhete único. Depois, foi preciso
legalizar o transporte por vans
e o serviço de “cabritinho” nas
comunidades. Agora, são os
mototáxis. A lógica é essa — argumentou o secretário.
Picciani reafirmou que a
prefeitura não tem intenção
de regulamentar os serviços
de aplicativos, como o Uber.
Ele argumentou que não
existe lei federal que discipline a atividade. l
12
l O GLOBO
l Rio l
Rompendo o cerco
Michel Temer (e não Dilma)
recebeu convite do
Primeiro-ministro indiano Narendra
Modi para comparecer à próxima
cúpula do Brics, em Goa, nos dias 15
e 16 de outubro. O grupo é formado,
como se sabe, por Brasil, Rússia,
Índia, China e África do Sul.
www.oglobo.com.br/ancelmo
ANCELMO
GOIS
ANA CLÁUDIA GUIMARÃES,
DANIEL BRUNET E TIAGO ROGERO
Improbidade da Odebrecht
FOTOS DE DIVULGAÇÃO
A Petrobras resolveu entrar, como
coautora, na ação do Ministério
Público Federal que pede a
declaração de improbidade
administrativa contra a Odebrecht,
no âmbito da Lava-Jato.
O MPF requer que a empreiteira
devolva aos cofres públicos um
total de R$ 7,3 bilhões.
Quinta-feira 23 .6 .2016
O show da política
‘Fine’
Perlla, a ex-funkeira que hoje é
cantora evangélica, vai ser candidata a
vereadora no Rio. Será pelo
Solidariedade, o partido de Paulinho
da Força — primeiro amigo de
Eduardo Cunha.
O partido também tenta lançar as
candidaturas de Sandra de Sá e do
pagodeiro Chininha à Câmara do Rio.
“Fim”, o romance da
Fernanda Torres, a
querida atriz e
escritora, 50 anos,
acaba de sair na Itália.
Na terra de Dante
Alighieri, vai se
chamar “Fine”.
Aliás, a obra de
Fernandinha foi
lançada pela Einaudi,
a mesma editora que publicou
“Cadernos do cárcere”, de Antonio
Gramsci (1891-1937), em 1975.
Viúva de Saramago
A jornalista espanhola Pilar Del Rio,
65 anos, viúva do escritor português
José Saramago (1922-2010),
participará de um debate sobre o
marido, dia 2 de julho, na Casa do
Cais, em Paraty, durante a Flip.
Foi convidada por Luana Carvalho,
filha de Beth Carvalho.
Lisboa a Curitiba
Jovem leitor
O Tribunal da Relação de Lisboa,
em Portugal, ainda não formalizou
a extradição, já autorizada pelo
governo português, do
luso-brasileiro Raul Schmidt
Felippe Júnior, preso na Terrinha
desde 22 de março, pela Lava-Jato.
Ele teria intermediado propina de
US$ 31 milhões para o ex-diretor de
área Internacional da Petrobras Jorge
Luiz Zelada, também preso pela PF.
Autora do aplaudido “A casa das sete
mulheres”, livro que inspirou a famosa
série homônima da TV Globo, Letícia
Wierzchowski lançará seu primeiro
livro voltado para o público jovem.
“O primeiro e o último verão”, da
Globo Alt, conta a história de Clara,
uma garota de 14 anos que vive seu
primeiro amor num verão ensolarado.
U
Zona Franca
Não se perca pelo nome
O que dá pra chorar, dá pra rir.
Questão só de peso e medida. Um
dos principais investidores da
enferma Oi, que perdeu muito
dinheiro, é o fundo de pensão dos
professores de Ontário (não é
otário) do Canadá.
Com todo o respeito.
Hoje, na Academia Brasileira de Filosofia,
haverá solenidade de posse de Itala Maria
Loffredo D’Ottaviano e Evandro Agazzi.
Abre amanhã o Mineirinho Rio Squash Open,
Vale uma reflexão
PEDALA, RIO
Do mestre Nelson Motta:
— Os R$ 2,9 bilhões que o governo
federal deu para o Estado do Rio se
nivelam ao que foi roubado nas
obras da Copa por políticos e
empreiteiros. Se não tivesse havido o
roubo, o estado não precisaria de
dinheiro. Elementar.
Veja como está ficando a pista do Velódromo, na Barra, que, sábado agora, recebe
o último teste esportivo para a Olimpíada. Durante três dias, 34 atletas, sendo 15
brasileiros, testarão a área de competição. Feita de pinho siberiano, a pista será a
mais moderna do país para a modalidade. O lugar tem capacidade para cinco mil
pessoas e foi construído pela prefeitura, com recursos do governo federal. Após os
Jogos, o Velódromo terá múltipla utilização. O centro da pista, por exemplo,
receberá equipamentos para a prática de taekwondo, esgrima, boxe e
levantamento de peso. Vamos torcer, vamos cobrar l
Alguns de nossos especialistas em carnes: Luizito, Araujo e Jacy
no Rio Squash Clube, na Glória.
A designer Tatiana Bravo festeja 13 anos de
exposição na Feira da General Glicério.
Elloo Comunicação terá estande na Carnavalia-Sambacom.
Erika Duarte participa como jurada do Miss
Mundo Brasil, sábado, em Jurerê Internacional.
Buda Beer participa da BauernFest, de Petrópolis.
Kiki Gouvêa festeja dez anos da K!Comunicação.
Mauricio Rubinstein vai a congresso em Lisboa.
Fabio Barbirato fala sobre cyberbullying,
amanhã, na XIII Jornada Celpcyro.
Chef Fernanda Marot apresenta o “say cheese”, no
House of Food, da Void, em Botafogo, sábado.
Hebraica comemora 64 anos, com almoço e show
do Alex Cohen, domingo.
REPRODUÇÃO
Segurança nos Jogos
Levantamento da LeadPix, agência de
pesquisa, feito, este mês, com 3.870
cariocas, mostra que a maior
preocupação da população do Rio
durante a Olimpíada é a segurança:
89,5% dos ouvidos disseram que essa
área “deixa a desejar”. Mobilidade urbana
apareceu em seguida, com 77,4%.
Alô, Eduardo Paes
As tradicionais rodas de samba que
acontecem há uns dez anos na Pedra do
Sal, na nossa “Pequena África”, perto da
Praça Mauá, no Rio, ameaçam acabar.
Vendedores ambulantes de bebidas
tomaram conta das esquinas,
prejudicando a venda do bar que ajuda
os músicos com estrutura e até dinheiro.
Parece absurdo. E é.
Essa rivalidade entre alunos dos
colégios Pedro II e Militar, acirrada dias
atrás, teve novo capítulo. Terça passada,
cinco meninos, de uns 15 anos, alunos
do Pedro II, foram parados por soldado
do Exército, em frente ao Colégio Militar.
O da farda ordenou que os garotos não
passassem mais em frente ao colégio.
Passinho olímpico
Na Rio-2106, será realizada uma
competição de passinho, a dança que
surgiu nas favelas do Rio.
O Passinho de Ouro, disputado no
Parque Madureira e no Porto
Maravilha, terá prêmios em dinheiro.
Parte da família Mocellin
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l Rio l
Quinta-feira 23 .6 .2016 2ª Edição
YURI SARDENBERG
O GLOBO
l 13
TATÁ, O
MULHERÃO
Tatá Werneck, 32 anos, posa
com o bumbum de fora para
a “VIP” de julho, que chega às
bancas segunda. Ela conta à
revista que é muito vaidosa:
“Sei a mulher que sou. Não
tive problema de autoestima
nem na adolescência.
Sempre namorei os meninos
de que gostava (...). Fiquei à
vontade no ensaio. As
pessoas não esperam isso de
mim, mas sou supervaidosa,
como a maioria das
mulheres.”
Além de tudo isso, Tatá
excede em talento. Viva ela!
ROBERTO D’AVILA
FOTO PARA A
POSTERIDADE
Zuenir Ventura, o
grande jornalista e
imortal, abraça Dorrit
Harazim, a
supercoleguinha, que,
ontem, lançou o livro
“No instante certo”, na
Livraria Argumento,
no Leblon
U
ANDRÉ MELLO
Ponto Final
Quem assistiu à entrevista de
Eduardo Cunha, quarta,
concorda comigo. O
deputado é, talvez, o maior
cliente do Poder Judiciário
brasileiro. São dezenas e
dezenas de ações em todas as
direções. Sem falar nos
recursos internos na Câmara.
É um Papai Noel, em pleno São João, para os advogados. Dinheiro
para pagar a banca não falta, que o digam os cofres suíços. Aliás,
Cunha sempre foi assim, antes mesmo da Lava-Jato. Por mais de
uma centena de vezes, ele acionou a máquina superlotada da
Justiça fluminense, desde que despontou no noticiário policial,
nos idos de Collor. É seu direito.
SAIDEIRA
e-mail: [email protected]
Fotos: [email protected]
Era uma vez o Seu Pires
Bar vizinho à PUC-Rio, ponto de encontro de estudantes após e até durante as aulas, é
vendido a empresário francês e deve reabrir, depois de obras, numa versão pé-limpo
MÁRCIA FOLETTO
DOMINGOS PEIXOTO
CAIO BARRETTO BRISO
[email protected]
A
Em defesa da educação. Estudantes participam de protesto no Fundão
Na UFRJ, 500 alunos e
funcionários protestam
Manifestação foi contra
cortes em bolsas de
pesquisa e redução de
terceirizados
NATÁLIA BOERE
[email protected]
Cerca de 500 professores, estudantes e funcionários da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fizeram ontem,
no pátio do Centro Tecnológico, no Fundão, uma corrente
contra a crescente redução dos
investimentos da União em
educação, o que se reflete diretamente no funcionamento
das instituições de ensino federais. A UFRJ, alvo de cortes
em bolsas de pesquisa e no número de funcionários terceirizados das áreas de limpeza e
segurança, é uma das afetadas.
— A universidade vive uma
situação de contingenciamento
de gastos que prejudica seu funcionamento — lamentou a presidente da Associação de Docentes da UFRJ, Tatiana Roque.
Estudante de engenharia elétrica e membro do Diretório
Central dos Estudantes (DCE) da
UFRJ, Brenner Oliveira disse, durante o protesto, temer pela pre-
carização da iniciação científica.
— Os nossos laboratórios hoje não conseguem se manter
com a verba pública. E houve
cortes de bolsas de pesquisa.
Há muita demanda e pouca
oferta para os alunos de tecnologia que querem permanecer
na universidade fazendo pesquisa — criticou Brenner.
Presidente da Associação
dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ, Waldineia Nascimento afirmou que houve um
corte substancial no número
de funcionários:
— Éramos três mil terceirizados. Com as demissões, sobraram apenas de 500 a 700.
Procurada, a UFRJ informou
que iniciou o ano com déficit e
que os contratos estão sendo
pagos com atraso de dois meses, em média. Em nota, disse
ainda que o pagamento de bolsas de assistência estudantil
não sofreu cortes e que os serviços terceirizados representam 50% do orçamento.
O ato também foi contra a união dos ministérios da Ciência,
Tecnologia e Inovação e das Comunicações e contra a PEC 241/
2016, que está no Congresso em
regime de urgência e pretende
limitar o teto para gastos públicos à inflação do ano anterior. l
notícia correu os
pilotis, subiu as escadas das alas
Frings e Kennedy,
invadiu o edifício Cardeal Leme, entrou nas salas de aula:
o Seu Pires vai fechar. Como
se não quisessem acreditar,
alunos da PUC-Rio atravessaram a Rua Marquês de São Vicente e perguntaram aos garçons do querido bar se era
verdade. Para tristeza de estudantes e de milhares de jornalistas, publicitários, engenheiros, advogados e toda
sorte de gente que passou pela universidade jesuíta, as
portas do Pires só ficam abertas até 29 de junho, como antecipou a coluna Gente Boa
do GLOBO.
Ponto de encontro depois
das aulas — e também durante —, o Seu Pires fica a
menos de cem metros da entrada dos fundos da PUCRio. É mais barato e mais perto que os bares do Baixo Gá-
Hoje
na web
oglobo.com.br/rio
VLT é vandalizado no
Centro. http://glo.bo/28YCr6c
l VÍDEO:
Manifestantes
impedem a passagem de VLT no
Centro. Assista ao vídeo.
l PROTESTO:
http://glo.bo/28O5WcT
l ZIKA: O que você precisa
saber sobre o vírus.
http://glo.bo/1UqExOG
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Dias contados. Fachada do Pires, que dará lugar a um bar mais moderno
vea. Lotava nas noites de quinta-feira, quando a multidão na
calçada invadia uma das pistas
da Marquês, obrigando motoristas a desviarem. Mas o movimento vem caindo nos últimos
anos, especialmente de setembro para cá: se antes o bar funcionava madrugada adentro, hoje
raramente passa da meia-noite.
Dos 22 funcionários, sobraram
oito. E o aluguel, claro, dobrou:
de R$ 6 mil para R$ 12 mil.
Os funcionários estão de aviso prévio. Até Marcolino, que
nunca perdeu um dia de trabalho, será demitido.
— Vou visitar minha mãe no
Ceará. Não vou lá há 16 anos,
desde que virei garçom aqui —
conta Antônio Marcolino da Silva, 49 anos, que criou dois filhos
com o salário do Pires. Não
que fosse muito. Ele já tem
proposta para trabalhar em
um bar no Baixo Gávea.
O que virá a partir de quinta-feira é uma incógnita. Sabe-se que a casa foi vendida a
um empresário francês e que
será totalmente repaginada.
Quando reabrir, no segundo
semestre, talvez tenha o mesmo nome, herança do português Albano Pires, que fundou o bar em 1964. Mas não
terá, nem de longe, o ar boêmio de pé meio sujo, meio
limpo, frequentado por jovens
barulhentos e sonhadores.
Vem aí uma versão gourmet
do Seu Pires.
Pelo Facebook, os filhos da
PUC já marcaram despedida:
no último dia de funcionamento, quarta-feira que vem,
dia 29. Marcolino vai dobrar
o horário e chegar mais tarde
em casa, em Rio das Pedras.
— Aprendi tudo aqui. Não
estou triste, mas vou sentir
saudade da galera — diz.
A galera sentirá o mesmo:
saudade. l
GLOBO. Envie informações, fotos
e vídeos para o número (21)
99999-9110. glo.bo/1YJ2MIi
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m a i s o n @ e l l e e t l u i . c o m . b r - w w w. e l l e e t l u i . c o m . b r
l O GLOBO
14
l Rio l
RIO
Previsão
Um sistema de baixa pressão se
aproxima da costa fluminense e
espalha algumas nuvens carregadas
pelo estado. O sol ainda aparece,
mas há previsão de pancadas de
chuva ao longo do dia. Venta forte.
HOJE
Ontem
Mínima
Máxima
14,9˚
Alto da Boa Vista
25˚
Vila Militar
PROBABILIDADE
DE CHUVA
17°/24°
16°/27°
17°/27°
16°/26°
Alta
15°/22°
14°/25°
15°/24°
15°/25°
Baixa
29°
14°/24°
13°/27°
14°/26°
14°/26°
Baixa
16°
Santo Antônio
16°
de Pádua
DOMINGO
13°/25°
12°/28°
13°/28°
14°/27°
Baixa
SEGUNDA
16°/24°
15°/27°
15°/26°
15°/26°
Baixa
TERÇA
15°/23°
14°/26°
15°/25°
14°/25°
Média
QUARTA
14°/22°
13°/25°
14°/24°
13°/24°
Média
16° do Sul
Valença
24° Volta
23°
15°
Praias
Ondas
Ondas entre 1,0m e 1,5m. Ondulação de
sul. Melhores locais: Prainha, Grumari e
Macumba (informações Ricosurf).
Maré
Alta
4h14m 11h4m 17h01m
1,2m
0,2m
1,2m
Ventos
Vento de noroeste a sudoeste, entre
15km/h e 40km/h. Rajadas de até 70km/h.
Pressão atmosférica de 1.021hPa.
34˚/36˚
13°
28°
Teresópolis
SERRANA
22°
Nova
Friburgo 11°
29°
17°
Campos
MUNDO
16°
AMÉRICA DO SUL Mín. Máx.
Casimiro 27°
de Abreu 19°
18°
Macaé
Resende
S
S
S
C
S
S
S
S
S
Assunção
Bogotá
Buenos Aires
Caracas
La Paz
Lima
Montevidéu
Quito
Santiago
26°
19°
28°
São João
29° da Barra 17°
18°
7°
4°
10°
19°
-6°
15°
7°
12°
6°
22°
17°
15°
26°
10°
23°
16°
21°
17°
Amanhã
Mín. Máx.
S
S
S
C
S
S
S
S
S
12°
4°
12°
19°
-6°
16°
9°
11°
3°
0h
27°
16° -2h
0h
15°
26° -1,5h
10° -1h
23° -2h
0h
16°
23° -2h
0h
16°
AMÉRICA DO NORTE/CENTRAL
Santa Maria 24°
Madalena
13°
29°
Hoje
27°
São Francisco
de Itabapoana
NORTE
São Fidélis
15°
BRASIL
Tempo instável com panca-
15°
TEMPERATURAS MÁXIMAS
37˚/40˚
23°
Itaperuna
Bom Jesus do
Itabapoana
Redonda Barra 26°
25° Cachoeiras
29° Rio das
das de chuva ao longo do dia
22° 17° de Macacu
do Piraí 16° Petrópolis
entre o norte de São Paulo,
18° Ostras
12°
24° Barra SUL
26°
sul de Goiás e centro-sul do
Silva
Jardim
26°
Mansa
15°
27° Duque
20°
Búzios
Rio, leste do Nordeste, no
18°
LAGOS
de Caxias
25°
Ceará e no extremo norte do
27°
16°
23°
Niterói 18°
Araruama
Cabo Frio 26°
país. Predomínio de sol nas
Rio
de
18°
16° Mangaratiba
27°
18°
demais áreas.
27°
Janeiro
26°Maricá Saquarema
16°
19°
Angra
23°
19°
METROPOLITANA
Macapá
Fortaleza
dos Reis
Boa Vista
16°
23°
23° / 34°
24°/ 32°
Natal
23°/ 29°
Paraty
16°
22°/ 27°
São Luís
Belém
24°/ 33°
Manaus
João
23°/ 34°
FIM DE SEMANA DE SOL E FRIO NAS MADRUGADAS
22°/ 33°
Pessoa
22°/ 27°
Porto Velho
O sistema de baixa pressão atmosférica se afasta para alto-mar e a
Teresina
Recife
21°/ 33°
massa de ar seco ganha força no estado neste fim de semana. O sol
22°/ 34°
22°/ 28°
predomina e não chove. Faz frio nas noites e nas madrugadas.
Palmas
Rio Branco
Maceió
REGIÃO
REGIÃO
COSTA
21°/ 37°
21°/ 28°
18°/ 30°
DOS LAGOS
SERRANA
VERDE
Aracaju
Salvador
Brasília
Cuiabá
23°/ 29°
22°/ 29°
HOJE
11° / 23°
18° / 27°
16°/ 23°
13°/ 27°
19°/ 29°
Vitória
Campo
Grande
AMANHÃ
10°/ 21°
17° /25°
13°/ 21°
20°/ 28°
15°/ 29°
Belo Horizonte
SÁBADO
15°/ 25°
7° /19°
12° /21°
13°/ 26°
Goiânia
Rio de Janeiro
DOMINGO
6°/ 20°
16° / 27°
15°/ 23°
16°/ 31°
16°/ 27°
SEGUNDA
7°/ 19°
18° /25°
16°/ 24°
São Paulo
13°/ 19°
TERÇA
17°/ 24°
8° /18°
16° /24°
Florianópolis
Curitiba
Porto
Alegre
QUARTA
7°/ 19°
16° /24°
15° /23°
11°/ 17°
8°/ 18°
13°/ 20°
24°
Impróprias (informações Inea): Flamengo,
Botafogo, Ipanema, Leblon e Pontal.
Acima
de 40˚
26°
Porciúncula 15°
SÁBADO
10° de Mauá
Crescente Cheia Minguante Nova
11/7
20/6
27/6
4/7
Hora
Altura
SENSAÇÃO
TÉRMICA/RIO
19° Visconde
Poente
17h17m
Baixa
ZONA
OESTE
29° Paraíba
Lua
Alta
ZONA
NORTE
AMANHÃ
Sol
Nascente
6h33m
ZONA
SUL
2ª Edição Quinta-feira 23 .6 .2016
Cid. do México
Havana
Los Angeles
Miami
Montreal
Nova York
Orlando
Washington DC
C
C
S
C
S
S
S
C
9°
25°
18°
25°
11°
13°
23°
22°
20°
35°
29°
34°
21°
28°
33°
29°
C
C
S
C
S
S
S
C
10°
24°
18°
26°
8°
12°
23°
18°
21°
34°
31°
34°
23°
29°
34°
28°
-3h
-1h
-4h
-1h
-1h
-1h
-1h
-1h
C
S
S
S
C
S
S
S
C
S
S
S
S
18°
22°
16°
16°
19°
17°
15°
16°
14°
17°
14°
19°
20°
22°
30°
30°
31°
30°
29°
28°
29°
24°
33°
25°
28°
29°
C
S
S
S
C
S
C
S
C
S
S
C
S
16°
22°
15°
19°
18°
19°
14°
14°
13°
17°
14°
16°
22°
21°
30°
29°
33°
28°
31°
26°
25°
22°
33°
25°
26°
29°
+5h
+6h
+5h
+5h
+5h
+5h
+5h
+4h
+4h
+5h
+6h
+5h
+5h
EUROPA
Amsterdã
Atenas
Barcelona
Berlim
Bruxelas
Frankfurt
Genebra
Lisboa
Londres
Madri
Moscou
Paris
Roma
ÁSIA
Jerusalém
Pequim
Tóquio
S 21° 35°
S 22° 36°
C 19° 26°
S 22° 36° +5h
S 21° 34° +11h
C 19° 26° +12h
Cairo
S 23° 41°
Johannesburgo S 4° 17°
S 23° 40° +5h
S 4° 17° +5h
ÁFRICA
OCEANIA
Sydney
S 7°
S: sol
N: nublado
17°
S 6°
C: chuvoso
14° +14h
Ne: neve
Mais informações sobre o tempo
NA INTERNET
oglobo.com.br/servicos/tempo/
PREVISÃO
31˚/33º
28˚/30˚
25˚/27˚
22˚/24˚
18˚/21˚
13˚/17˚
Abaixo
de 12˚
Sol
Parcialmente
nublado
Nublado
Sol com pancadas
de chuva
Nublado
com chuvas
Chuvas com
trovoadas
Geada
Câmeras não mostram chegada de bando a hospital
GABRIEL DE PAIVA
Polícia acredita que
grupo teve a ajuda de
alguém que conhece a
rotina da unidade
AÇÃO RÁPIDA
ALGEMAS FORAM COMPRADAS POR PMS
ELENILCE BOTTARI E
VERA ARAÚJO
[email protected]
As câmeras do Hospital municipal Souza Aguiar não gravaram
o momento em que bandidos
entraram na unidade para o
resgate do traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, na madrugada de domingo. Investigadores da Divisão de
Homicídios da Capital só conseguiram as imagens da saída
dos criminosos, e mesmo assim
porque eles se perderam e não
conseguiram deixar o prédio
pelo caminho por onde entraram. Para a polícia, o fato de o
bando não ter sido flagrado na
entrada é um forte indício de
que os invasores tiveram ajuda
de alguém que conhecia bem a
rotina do hospital e as condições das câmeras.
SUSPEITOS SÃO TRANSFERIDOS
Há cenas, no andar térreo, de
seis bandidos fortemente armados com fuzis e pistolas, correndo de um lado para o outro com
Fat Family, tentando achar a saída. Aliás, o resgatado era um
dos que mais corriam. A assessoria da Secretaria municipal
de Saúde não informou por que
as câmeras não flagraram a entrada dos bandidos.
Os 15 presos suspeitos de
envolvimento no planeja-
U
Fora do estado. Quinze presos que teriam tramado resgate de traficante são levados para penitenciárias federais
mento do resgate foram
transferidos ontem do Complexo de Gericinó para presídios federais de segurança
máxima. Eles foram levados
pela manhã para a Base Aérea do Galeão sob forte esquema de segurança. De lá,
seguiram em um avião da
FAB para presídios em Catanduvas, no Paraná ; Campo
Grande, no Mato Grosso do
Sul; e Porto Velho, em Rondônia, onde o traficante Edson Pereira Firmino de Jesus,
o Zaca, ficará preso. Ele é tio
de Fat Family.
Segundo o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Eduardo
Oberg, gravações de áudio mos-
tram o momento em que Zaca
comemora, dentro da cadeia, o
resgate. Isso, segundo ele, evidenciou a necessidade de monitorar a quadrilha de forma rigorosa. O juiz afirmou que a Secretaria estadual de Administração
Penitenciária (Seap) não tem
controle sobre presos que estão
sob sua responsabilidade.
Em nota, a Seap rebateu as
críticas e negou que tenha
ocorrido comemoração de
presos. Segundo o texto, “imagens do sistema de monitoramento de câmeras do presídio
comprovam que tal comemoração não existiu”.
O secretário de Segurança, José
Mariano Beltrame, pediu descul-
pas à população, ontem, em entrevista à Rede Globo, por ter informado que a segurança de Fat
Family estava reforçada com cinco PMs. Ele esclareceu que apenas dois homens faziam a custódia do traficante. Dois outros
PMs vigiavam outro bandido e
um terceiro estava na sala de polícia. Beltrame disse que será
montado um hospital de campanha no Complexo de Gericinó
para atendimento de presos que
não estejam em estado grave.
A PM fez operações em diversas comunidades ontem para
tentar achar Fat Family. Na Favela do Rola, em Santa Cruz,
houve confronto. Cinco pessoas
morreram. l
Missa de 300 Dia
Hosannah, Sergio, Marcia, Tania, Pedro, Ana Paula,
Tiago, Célia, Kika, Mickey e Miguel comunicam que
a Missa de 300 Dia de nossa amada WANDA será
celebrada na 6a feira, dia 24 de junho de 2016, às
18:00h, na Paróquia São Paulo Apóstolo, Rua
Barão de Ipanema no85, Copacabana.
decidiram entrar um a um no
corredor, ainda com a refém.
Quando o primeiro traficante
surgiu, havia dois PMs fazendo a
custódia de Fat Family e outros
dois, incluindo uma policial
feminina, cuidando de outro
preso. As duas duplas de PMs se
esconderam. Como a que cuidava
de Fat Family estava diante de
uma escada, os dois policiais
subiram até o 7º andar. A porta de
saída estava bloqueada e eles
acabaram encurralados. Não
havia mais outro lance de
escadas.
— Tivemos que nos valer da
escuridão, como se estivéssemos
camuflados, e torcer para que eles
não subissem. Rezamos para que
os nossos celulares não tocassem
naquele momento. Eles estavam
tão próximos de nós que, se eu
baixasse a minha mão, encostaria
na cabeça de um deles que ficou
de guarda na escada. Só ia fazer
algo se eles decidissem subir. Eu
sabia que, se reagisse, haveria
banho de sangue. Nas
enfermarias havia médicos,
enfermeiros e outros pacientes.
Felizmente, os celulares não
tocaram, eles não nos viram e não
subiram a escada — disse um dos
PMs, que não quis se identificar
porque a corporação já instaurou
uma averiguação contra um dos
policiais da custódia por ter dado
entrevista à imprensa. (Vera
Araújo).
ANTONIO LEON FILHO
PROF. ROBERTO LEÃO VELLOSO EBERT
Filhos e netas comunicam o falecimento do honrado Roberto e
convidam para a missa de sétimo dia na Paróquia da Santíssima
Trindade, 6a feira, dia 24, às 16h.
WANDA BARBOSA SERRA
As algemas que prendiam Fat
Family ao leito foram a única
resistência que os invasores
encontraram durante o resgate
do traficante, na madrugada do
último domingo. Elas foram
compradas por policiais que
faziam a escolta do bandido —
as fornecidas pela polícia nem
sempre estão disponíveis e são
menos resistentes.
Nos depoimentos que
prestaram às polícias Militar e
Civil, os policiais responsáveis
pela custódia do bandido
contaram que a ação de resgate
foi rápida. Não durou mais que
dois minutos. A maior parte
desse tempo foi usada para
romper as algemas de ferro, com
a ajuda de um grande alicate. Os
bandidos chegaram a cogitar a
possibilidade de atirar nelas,
mas Fat Family gritou que não,
mandando que continuassem
tentando abri-las e exigindo
pressa. Com a exceção do
resgatado e de um outro
bandido, todos estavam com
toucas ninja.
Os PMs contaram ainda que os
invasores usaram uma
atendente da recepção do
hospital como refém para chegar
ao sexto andar, onde estava o
traficante. Os bandidos
mandaram a vítima distrair os
policiais, mas ela pediu que
fosse poupada, alegando que
tinha uma filha. Os criminosos
(LEONE LEILÕES)
LARGURA
1
1
1
2
2
2
2
2
3
3
3
3
col.
col.
col.
col.
col.
col.
col.
col.
col.
col.
col.
col.
(4,6 cm)
(4,6 cm)
(4,6 cm)
(9,6 cm)
(9,6 cm)
(9,6 cm)
(9,6 cm)
(9,6 cm)
(14,6 cm)
(14,6 cm)
(14,6 cm)
(14,6 cm)
ALTURA
R$
R$
3 cm
4 cm
5 cm
3 cm
4 cm
5 cm
7 cm
8 cm
4 cm
6 cm
7 cm
10 cm
1.125,00
1.500,00
1.875,00
2.250,00
3.000,00
3.750,00
5.250,00
6.000,00
4.500,00
6.750,00
7.875,00
11.250,00
1.518,00
2.024,00
2.530,00
3.036,00
4.048,00
5.060,00
7.084,00
8.096,00
6.072,00
9.108,00
10.626,00
15.180,00
2534-4333
• Para outros formatos consulte:
, de 2ª a 6ª feira, das 8 às 20h.
• Loja: Rua Irineu Marinho, 35, Cidade Nova, de 2ª a 6ª feira, das 9 às 18h.
• Plantão final de semana / feriados: 2534-5501, Sábado, das 10 às 17h.
Sábado, das 10 às 16h para demais dias. Domingo, das 16 às 19h.
Pa amento à vista somente em dinheiro ou che ue.
A família vem com pesar informar o falecimento do nosso
querido LEONE e convidar para o sepultamento hoje
(23/06), às 10:30h, Cemitério Jardim da Saudade em
Paciência. O corpo está sendo velado na Capela 5.
Avisos Fúnebres e Religiosos
2534-4333
Plantão sábado / domingo
2534-5501
Quinta-feira 23 .6 .2016
Dos Leitores
|
oglobo.com.br/participe
Eu-repórter
O GLOBO
Autocrítica
|
Das redes sociais
facebook.com/jornaloglobo
_
twitter.com/jornaloglobo
DIVULGAÇÃO
“A empresa realizou a limpeza há dois meses e danificou
o calçamento nos dois canais. Traz risco de acidentes
para os pedestres”
twitter.com/jornaloglobo
BLOOMBERG
JEFF HAYNES/REUTERS
Marco Crista,
sobre as condições da calçada da Avenida das Américas,
na Barra da Tijuca, após
limpeza feita pela prefeitura
em dois canais no condomínio Santa Mônica, no número
8.888. A Secretaria municipal
de Saneamento e Recursos
Hídricos informou que uma
equipe realizará os reparos.
|
“Enquanto no Brasil querem
limitar a internet na casa de
quem paga por ela...”
“Prioridades são
prioridades”
“O maior atleta do Brasil nas
Olimpíadas é o Aedes”
@euWMenezes
Fernando Saad
@eSanthos
Nova York terá wi-fi gratuito nas ruas a partir de julho
Mulher liga para
emergência após receber
pizza com pouco queijo
Cartas e e-mails
|
Estrela do golfe desiste
de disputar a Rio-2016
por medo do zika
As cartas, contendo telefone e endereço do autor, devem ser dirigidas à seção Dos Leitores. O GLOBO, Rua Irineu Marinho 35, CEP 20233-900. Pelo fax, 2534-5535 ou pelo e-mail [email protected]
_
AMNÉSIA SELETIVA
a Eduardo Cunha é réu no Supremo
pela acusação de ter recebido US$ 5
milhões de propina. Durante a
entrevista à imprensa, teve um
ataque de “amnésia seletiva”: “Eu
não tenho o que delatar porque não
cometi nenhum crime.” Mas,
repentinamente, recuperou a
memória para delatar Jaques Wagner,
que teria oferecido a ele os três votos
do PT no Conselho de Ética, em troca
de não deflagrar o processo de
impeachment de Dilma. Wagner,
atacado pela “amnésia seletiva”,
repeliu a acusação. Oremos para que
a síndrome não seja contagiosa e
ataque os membros do Judiciário.
INÈS ALFARERO
RIO
_
QUANTOS PRESOS?
a Em tempos de “crise” — para nós,
cá de baixo, porque para a turma lá
de cima continuam as mordomias —
cabe a pergunta: custa mais para o
contribuinte manter esses adoráveis
políticos corruptos da Lava-Jato no
xilindró ou monitorá-los 24 horas por
dia com tornozeleira eletrônica?
Aproveitando o tema, gostaria de
saber: quantos estão hoje presos?
Quem são? Quantos são políticos?
Quantos estão usando o tornozelo,
em vez do pulso, com algema?
EDUARDO DE BRAGA MELO
NITERÓI, RJ
_
DINHEIRO SUJO
a Quer dizer que o procurador-geral
da República, Rodrigo Janot queria
que 10% do dinheiro devolvido pelo
ex-diretor de Abastecimento da
Petrobras, Paulo Roberto Costa,
fossem para o Ministério Público
Federal e mais 10% para o Supremo
Tribunal Federal? Este dinheiro é
roubado dos cidadãos que pagam
impostos. Podemos concluir que
dinheiro sujo é apenas o que é
utilizado pelos outros? Ainda bem
que o ministro Teori Zavascki negou.
Pobre Brasil! Até neste nível há
alguém querendo ganhar.
OSWALDO CRUZ GRIBEL
MAR DE ESPANHA, MG
_
CAMPANHA MACIÇA
a Após campanha na internet, Temer
libera importação de feijão para
reduzir o preço do produto. Acabou
conseguindo que a hashtag
#TemerBaixaOPreçoDoFeijão virasse
o assunto mais comentado no
Twitter. Não seria o caso de fazermos
uma campanha na internet para que
o presidente interino mande reduzir
o indecente aumento bem acima da
inflação dos planos de saúde e venha
a merecer uma nova hashtag campeã:
#TemerBaixaReajusteDosPlanos
DeSaúde?
RONALDO GOMES FERRAZ
RIO
_
LEI DAS ESTATAIS
a A nova Lei das Estatais, que vai à
sanção presidencial, será da maior
importância para o país, como já é a
Lei de Responsabilidade Fiscal. A LRF
de FHC, que o PT tanto combate,
impediu que o Brasil falisse antes
ainda do governo Lula. Além de dar
ordenação geral às finanças do país,
destituiu mais de 3.000 prefeitos e
serviu para enquadrar uma
presidente. A Lei das Estatais impede
que ministros, parlamentares,
sindicalistas e afiliados de partidos
possam ser indicados para trabalhar
nas estatais como em seus conselhos.
Mesmo assim, há quem diga que Lula
é o melhor presidente de todos os
tempos, melhor que Getúlio Vargas.
JOSÉ BUZAK
RIO
_
CÉUS QUASE ABERTOS
a Na permissão para se ter 100% de
capital das aéreas nas mãos de
estrangeiros devem ser incluídas
cláusulas que obriguem todos os
funcionários estrangeiros a se
submeterem às leis brasileiras. No
acidente fatal do Legaxy, os pilotos
condenados aqui foram absolvidos
nos EUA. Se qualquer empresa de
aviação com 100% de capital cometer
má gestão que acarretar prejuízo aos
usuários bastará a presidentes,
diretores e funcionários fugirem para
seus países e ficarem livres de serem
penalizados aqui.
RONALDO DIEL
NITERÓI, RJ
_
FALÊNCIA DA OI
a O serviço de telefonia era ruim,
mais as tarifas eram baixas. Apesar
disso, ainda dava lucro, desviado para
outras finalidades pelos governos, e
não para a melhoria do setor.
Privatizaram, contando a historinha
que os compradores iriam investir
nas telecomunicações. O que fizeram
foi aumentar o valor das tarifas, não
HÁ 20 ANOS, EMPRESÁRIO FOI MORTO
Tesoureiro da campanha de Collor e namorada
foram assassinados a tiros na cama, em Maceió.
Caso Juan
BALEADO POR PM, MENINO SOME
Juan de Moraes foi morto há 5 anos em Nova
Iguaçu, e corpo apareceu só dez dias depois.
João do Rio
CICERONE DE ISADORA DUNCAN
O cronista Paulo Barreto, que morreu em
23/6/1921, guiou bailarina em visita ao Rio.
acervo.oglobo.globo.com
_
investiram em telefonia fixa, internet
fixa e melhoria da rede de cabos,
demitiram funcionários antigos,
compraram outras telefônicas
falidas, não fazendo uma auditoria.
Resumo: os clientes têm um serviço
pior, ou, no máximo, igual ao de
antes da privatização, mas com as
tarifas de valor exorbitante, e agora a
Oi pede concordata e futuramente
pedirá estatização da mesma. Com
isto, as duas máximas são mantidas:
“Sempre quem sai perdendo é o
usuário” e “Se privatiza o lucro e
estatiza o prejuízo”.
a O leitor Newton Bastos tem razão,
em sua carta (20/6), sobre a lentidão
do processo eletrônico no TJ-RJ.
Como tantos outros, estou passando
pela mesma experiência. Há dois
anos e meio, processo de fácil
deslinde em que sou parte autora
(idosa) está parado, sem explicação.
A Justiça carioca, sobretudo, a
primeira instância, além de caríssima
para o contribuinte está paralisada.
Justiça que não julga não é Justiça.
_
_
PAULO PITTA
RIO
a A crise da Oi nos mostra que será
preciso pôr a limpo o processo de
privatização dos anos 1990. Um
debate em torno do que deveria ter
pautado a privatização: a eficiência
das empresas. Na telefonia, estatais
descentralizadas foram trocadas por
um gigantesco monopólio privado. O
ideal teria sido abrir o mercado para
concorrentes. Com isso, as tarifas
seriam reduzidas e o serviço teria
mais qualidade. O modelo obscuro
de privatização não vai afetar
somente a Oi. Logo, a Light será
atingida e o Maracanã desaparecerá.
O transporte público (metrô, trens e
barcas) é um exemplo crasso de
ineficiência e desrespeito ao cidadão.
Mas continuamos a fazer da
privatização um embate para a
panaceia de que o privado é sempre
melhor diante do público. Não!
Público e privado podem ser
eficientes ou péssimos.
FERNANDO VIEIRA
RIO
_
O PREFEITO E OS NÚMEROS
a O prefeito do Rio, Eduardo Paes,
apressou-se em divulgar números e
tabelas para tentar isentar a
Olimpíada como uma das
responsáveis pela insolvência do
Estado do Rio de Janeiro. Não
conseguiu. Mesmo valendo-se do
dom de iludir, inato em políticos,
revelou que cerca de R$ 17 bilhões
dos gastos provêm de recursos
públicos, em todos os níveis. Se
estado e município tivessem, nos
últimos anos, investido a mais tal
soma em saúde, educação e saúde,
possivelmente a situação dessas
áreas não fosse hoje tão calamitosa.
E poderíamos assistir, como cidadãos
dignamente tratados, aos Jogos 2016
em Madri ou em Tóquio, pela TV.
PAULO FREDERICO SORIANO DOBBIN
RIO
JUSTIÇA MOROSA
SYLVIA NOBREGA
RIO
ENXUGANDO GELO
a Concordo com o secretário de Segurança Pública do RJ, José Mariano
Beltrame, quanto à sensação de que
a Justiça atua em dissonância com a
realidade brasileira ao devolver às
ruas infratores contumazes sem que
os mesmos se vejam obrigados a
responder pelos seus atos. Ao saber
que PMs acusados de, com 63 tiros,
terem tirado a vida de adolescentes,
foram soltos e transferidos para
“trabalhos administrativos”, sinto que
a sensação de estar enxugando gelo é
bem mais ampla e angustiante,
transmitindo a impressão de que
para a Justiça a liberdade dos que
perpetram malfeitos parece valer
mais do que a dos cidadãos de bem.
CELSO FÁBIO VALVERDE DEIRÓ GOMES
RIO
_
TARIFAS X SERVIÇO
a Os Correios reajustaram suas tarifas
em 10,7%, mas há meses não
recebemos correspondências
regularmente na Estrada do
Capenha, no Pechincha. Fiz várias
reclamações (protocolos: 48485982 e
48798571, além de uma enviada para
a Ouvidoria). Estas são as mais
recentes, já que o problema perdura
por meses e não recebo resposta e
nem as correspondências. Todo mês
busco as vias para pagamentos nos
sites das empresas, já que os Correios
não as entregam. O que está sendo
feito dessas correspondências?
Quando chegam a ser entregues
estão todas em atraso. Pessoas idosas
e que não possuem facilidade para
acessar a internet estão perdidas,
sem pagamento de suas faturas.
Aumentar as tarifas é sempre rápido,
o trabalho prioritário para os
Correios, não. Falta de respeito!
SHEILA VIANNA
RIO
NA
EDIÇÃO DE ONTEM:
_
P. 3: “Suspeita de achaque.”
“...parlamentares por terem
achacado investigados em
outra CPI, a que investigou
os desvios...” Redundância.
Melhor: “...por terem achacado investigados em outra
CPI, a que analisou...”
_
P. 3: “Suspeita de achaque.”
“No dia que o deputado
Hildo fez um comentário
sobre esse assunto...” Erro de
regência no emprego do
relativo. Certo: “No dia em
que
_o deputado Hildo...”
P. 3: “Seguradoras vão ao
Supremo por temerem
extorsão.” “O STF deve
impedir que a CPI funcione
justamente para impedir...”
Repetição do verbo “impedir”. Melhor: “...deve impedir
que a CPI funcione justamente para evitar...”
_
P. 3: “Seguradoras vão ao
Supremo...” “O ministro
Edson Fachin pediu para
que Cunha e a AdvocaciaGeral da União sejam ouvidos.” Erro de regência: “para”
a mais. Certo: “...pediu que...”
_
P. 3: “CPI como moeda de
negociação.” “...atuaria para
evitar que o empreiteiro não
fosse convocado para
prestar depoimento.” Incoerência: “não” a mais. Certo:
“...fosse convocado...”
_
P. 4: “Delator: secretário de
Cabral pediu propina para o
TCE.” “Levando-se em conta
esses valores, os valores
da propina poderiam poderiam girar entre R$ 7 milhões
e R$ 12 milhões...” Repetição
de ”valores” e incoerência no
uso de “girar”. Melhor: “...em
conta esses números, os
valores da propina poderiam
ficar entre...”
_
P. 4: “Delator: secretário de
Cabral pediu...” “...o processo
(...) deu entrada no TCE em
30 de setembro de 2010,
três meses antes que sua
saída da presidência da
Corte.” Mau uso do “que”.
Certo: “...três meses antes de
sua saída...” Ou então: “...antes
que ele saísse...”
_
P. 6: “Lava-Jato apura se
Itaipava atuou como doleira.”
“...manteve com o Grupo
Petrópolis, fabricante da
cerveja Itaipava, operação
similar a do dólar-cabo...”
Falta do acento grave (indicador da crase). Certo:
“...similar
_ à do...”
P. 6: “Teori: dinheiro desviado...” “...a análise de novos
pedidos de afastamento
(impedimento) de Janot não
pode ser visto...” Erro de
concordância. Certo: “...a
análise de novos pedidos
(...) não pode ser vista...”
Este é o resumo da crítica
realizada e supervisionada
pelo professor Ozanir
Roberti, sob a coordenação do
jornalista Aluizio Maranhão,
editor de Opinião do GLOBO.
A crítica completa é distribuída
todos os dias na Redação.
LEIA A ÍNTEGRA DA
COLUNA NA WEB
oglobo.com.br
Há 50 anos 23 de junho de 1966
Hoje no
Acervo O GLOBO
PC Farias
l 15
Frase
“Se fosse corajoso,
me suicidaria, mas
já esperei tanto que
agora é jogar um
pouco mais, para o
tempo me suicidar”
Jorge Luis Borges, escritor
argentino
Convênio vai devolver para
a cidade seis mil policiais
Miss Guanabara zangou-se e
quase abandonou o concurso
O Ministro Mem de Sá, da Justiça, e o
General Ernesto Geisel, chefe do Gabinete Militar da Presidência da República, preparam um convênio a ser
assinado com o Govêrno da Guanabara a fim de que cinco a seis mil exintegrantes da Polícia Militar e do
Corpo de Bombeiros do antigo Distrito Federal, que optaram pelo serviço
público da União, prestem serviço no
Rio. As necessidades de Brasília, hoje,
requerem apenas um efetivo de mil.
Em conseqüência, seis mil policiais
da Guanabara estão praticamente
sem função na capital do País.
Miss Guanabara, Ana Cristina Ridzi teve
um atrito, na manhã de ontem, com um
dos membros da comissão organizadora
do concurso Miss Brasil, e ameaçou
abandonar o concurso. Aconselhada por
amigos e seu costureiro, Canalonga, decidiu prosseguir. O ponto alto do programa das misses foi a apresentação do modêlo oficial do maiô, no Hotel Serrador. O
público lamentou a desorganização. Várias pessoas, mesmo exibindo convites
emitidos pelos promotores, foram impedidas de entrar no recinto, sob a alegação
de que já havia gente demais. Dentre as
pessoas estava a mãe da Miss Ceará.
16
l O GLOBO
Quinta-feira 23 .6 .2016
OGLOBO
|
Opinião
|
Cunha também nos achaques em torno de CPIs
ão é inédito parlamentar aproveitar-se
de CPI para literalmente vender a convocados em potencial a blindagem
contra convocação. O primeiro-vicepresidente da CPI do Carf, Hildo Rocha (PMDBMA), revelou ao GLOBO que um empresário lhe
disse ter sido achacado por um deputado: teria de
pagar propina para não ser convocado, o velho
golpe. Rocha não informou nomes.
O certo é que o mercado da corrupção deve
estar agitado no Congresso, porque essa comissão foi constituída na Câmara para vasculhar traficâncias milionárias que teriam sido
feitas no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, a fim de
livrar grandes empresas de multas bilionárias.
Há muito dinheiro nesse entorno. As empresas
que estão nesse circuito são avantajadas: bancos
N
É golpe antigo ameaçar com a
convocação para depor em
comissões a fim de cobrar propinas.
O deputado de mandato suspenso
também atua neste ramo
banco na Zelotes, e não os executivos da instituição financeira, ligados às operações do cotidiano.
Rocha suspeita de achaque.
O deputado Altineu Côrtes (PMDB-RJ), autor
da convocação de Safra, considerado próximo a
Cunha, é um dos investigados pelo Ministério Público sob a suspeita de, junto com o presidente da
Casa de mandato suspenso, ter tentado o mesmo
com o grupo Schahin, ameaçando-o com a CPI
da Petrobras.
Em torno desta CPI há mais casos. Um deles, a
convocação da advogada Catta Preta, responsável, entre outras, pela negociação da delação premiada de Júlio Camargo, na qual ele entregou Cunha e a história das propinas dos navios-sonda
negociados com a Petrobras. Teria sido vingança
do deputado suspenso. O fato é que Catta Preta fechou o escritório em São Paulo, abandonou ou-
Safra, Bradesco, grupo siderúrgico Gerdau, por
exemplo, citados na Operação Zelotes, da Polícia
Federal, acusados de buscar no Carf jeitinhos de
escapar de pesadas multas tributárias.
Depois da questão da suspeita de negócios escusos dentro do Ministério da Fazenda, surge essa
vertente criminosa dentro da CPI do Carf. O deputado Hildo Rocha, em uma sessão, já afirmara
estranhar a convocação do próprio banqueiro Joseph Safra, para explicar o aparecimento do seu
tros clientes na Lava-Jato e foi morar em Miami.
Algo aconteceu.
Outro caso de uso de CPI para fins escusos é o
do operador financeiro Alberto Youssef, o marco zero da Lava-Jato, também levado à CPI da
Petrobras, onde acusou o deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), do grupo de Cunha, de ameaçá-lo, mostrando requerimentos para a quebra
de sigilos da ex-mulher e duas filhas.
Parece caso de crime continuado. E ainda há
pelo menos mais um, na CPI do DPVAT, seguro obrigatório para acidentes de trânsito, em
que seguradoras, preocupadas com os achaques, impetraram mandado de segurança como defesa prévia, citando Eduardo Cunha. O
grupo do deputado afastado tomou conta da
CPI. Mais um capítulo para a biografia desabonadora do deputado. l
Plebiscito britânico já mudou realidade da UE
ualquer que seja o resultado do plebiscito sobre a permanência ou não do
Reino Unido na União Europeia (UE)
hoje, a Europa não será mais a mesma.
O impacto de um Brexit (como a saída do país está sendo chamada em inglês) poderá produzir
uma fragmentação do bloco, com efeitos colaterais globais no campo econômico e no âmbito
geopolítico. Se o Brexit vencer, o Reino Unido será o primeiro país a deixar o bloco, elevando a
instabilidade numa região confrontada por crises
econômica, política e humanitária.
A própria realização do plebiscito coloca em
dúvida a suposição de que o caminho natural
para o bloco é marchar para uma integração federativa. Ao contrário, a realização de plebiscitos semelhantes vem sendo defendida em outros países por partidos ultranacionalistas, co-
Q
mo a Frente Nacional, de Marine Le Pen, na
França; e o holandês Partido pela Liberdade, de
Geert Wilders, que chegou a mencionar a explosão de uma “primavera patriótica”.
Levantamento recente do Pew Research Center, citado pelo “Wall Street Journal”, revelou que
é grande o descontentamento dos países com a
falta de flexibilidade de Bruxelas em lidar com
questões cruciais, como a crise econômica do
bloco e a política de acolhimento de refugiados.
Este é o caso de Holanda (46%); Alemanha e Reino Unido (48%); Espanha (49%); e França (61%).
A ideia de uma comunidade econômica europeia foi lançada em 1958; ela se tornou União Europeia em 1993, e a moeda comum foi introduzida em 1999. As discussões fundamentais desse
processo foram lideradas por Alemanha e França,
o que poderia sugerir que, no evento de uma saí-
Qualquer que seja o resultado da
consulta sobre a saída ou não do
Reino Unido, Bruxelas terá que
repensar suas políticas
de integração europeia
da do Reino Unido, estes países acelerariam a integração continental. Mas, diante do nacionalismo enraizado e a relutância de Bruxelas em ceder
poder para os países, há pouco espaço para isso,
especialmente com eleições em Alemanha e
França marcadas para o próximo ano.
Algumas alternativas estão sendo sugeridas, como a proposta do ex-presidente francês Nicolás
Sarkozy, de simplificar as coisas, restringindo a zona monetária comum aos principais países, com
um ministro de Finanças e um Fundo Monetário
Europeu. Ao mesmo tempo, seria mantido um
bloco europeu com as 28 nações, para questões
como segurança, energia, pesquisa e agricultura.
De qualquer modo, o ideal de uma integração
ainda é defendido por boa parte dos europeus.
Pesquisa específica sobre o Brexit mostrou, por
exemplo, que os jovens britânicos, socializados
num mundo globalizado, são mais favoráveis à
permanência do país no bloco, enquanto os cidadãos mais velhos, saudosos de um Reino Unido glorioso, preferem a saída.
A questão, portanto, é estabelecer o tipo de
integração, econômica, política e social, do
bloco, considerando-se uma realidade complexa, o que exigirá, independentemente do
resultado do plebiscito britânico, uma postura
mais flexível de Bruxelas. l
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O gringo era carioca
stá em votação no Congresso
a medida provisória pela qual
estrangeiros poderão ser donos e controladores de companhias aéreas brasileiras.
Mas já não pode?, perguntará o leitor
acostumado, por exemplo, a voar pela
Azul. O dono é o americano David Neeleman, que havia fundado três companhias aéreas nos EUA, uma das quais a
revolucionária JetBlue. A brasileira Azul
foi a sua quarta, criada em 2008.
Além do capital próprio que trouxe
dos EUA, Neeleman recolheu investimentos de George Soros e de um fundo de São Francisco, aos quais se juntaram, minoritariamente, acionistas
brasileiros.
Portanto, não havia dúvidas. Eram
capitalistas estrangeiros desembarcando no Brasil para competir no mercado
local, com uma empresa sob seu controle. E só agora, oito anos depois, estão discutindo a lei que permite isso?
Neeleman é, ou era na ocasião, um
empresário essencialmente americano. Fez sua vida nos EUA, lá estudou e
abriu seus negócios, ganhou dinheiro,
nunca havia tido atividade empresarial
no Brasil antes da Azul. Em 2008, a lei,
que agora tentam mudar, dizia que estrangeiros poderiam ter até 20% de
companhias aéreas brasileiras.
Portanto, a Azul não poderia ter nascido, não fosse um acaso familiar. Há
56 anos, os pais de Neeleman passaram uma temporada no Rio de Janeiro
e aconteceu de David nascer aqui. O
gringo é carioca! Como quem nasce no
Brasil, não importa a nacionalidade
dos pais, é brasileiro, o país, nas voltas
da história, ganhou uma bela compa-
MARCELO
E
nhia aérea — que, além de tudo, voa
com jatos da Embraer, não utilizados
pelas grandes brasileiras.
Reparem: se a mãe de David tivesse
escolhido dar à luz nos EUA, o Brasil
teria perdido uma empresa que acrescentou capital, tecnologia, empregos
diretos e indiretos e outras novidades
ao mercado local. Uma pequena decisão pessoal — e tudo teria mudado no
setor brasileiro de aviação.
Temos aqui duas demonstrações. A
primeira mostra os melhores efeitos
positivos do investimento estrangeiro.
A segunda indica como é equivocada e
atrasada essa legislação que limita a
Fale com O GLOBO
PRESIDENTE
Roberto Irineu Marinho
VICE-PRESIDENTES
João Roberto
Marinho - José Roberto Marinho
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DIRETOR - GERAL: Frederic Zoghaib Kachar
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DIRETOR DE REDAÇÃO E EDITOR RESPONSÁVEL
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É equivocada e atrasada a
legislação que limita a
participação estrangeira
em companhias aéreas —
só agora sendo modificada
participação estrangeira — só agora
sendo modificada. Diziam que se tratava de um caso de segurança nacional
garantir a propriedade para brasileiros.
Pois alguém se sentiu ameaçado
pela Azul? O funcionamento dessa
companhia é o melhor argumento
para que os deputados e senadores
Geral e Redação (21) 2534-5000
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votem logo a lei que permite o controle do capital estrangeiro nas companhias aéreas.
Não recupera negócios perdidos —
quantos Neelemans teriam desembarcado por aqui? — mas abre o mercado futuro. Já não é um bom momento da economia brasileira e do
setor: a Gol está em dificuldades financeiras, e a Tam já é Latam, incorporada pela chilena Lan, numa operação que não foi venda legalmente,
mas que é na prática.
É mais provável que estrangeiras
entrem comprando participação nas
nacionais, em vez de abrir novas em-
Classifone (21) 2534-4333
Relacionamento com o Assinante:
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localidades), de 2ª a 6ª feira, das 6h30m às
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Assinatura mensal com débito automáti-
presas. Será útil de qualquer modo.
Em vez de dívida, as companhias locais receberão capital.
Se o controle mudar, qual o problema? O que preferem: uma nacional
quebrada ou uma multinacional funcionando?
Por outro lado, tem gente dizendo,
inclusive no governo, que haverá maior competição e, pois, até uma possível
queda no preço das passagens.
Não é por aí. As passagens são mais
caras quando compradas aqui por
causa do “custo Brasil” — que vai desde preço de combustível e infraestrutura precária até a carga tributária e
os encargos trabalhistas.
Não é apenas a legislação sobre capital estrangeiro que bloqueia investimentos no país. Os legisladores poderiam aproveitar o momento para
promover uma ampla abertura ao capital externo. É praticamente a única
chance de revigorar os investimentos
em infraestrutura, considerando que
o setor público está quebrado e grandes empresas construtoras estão envolvidas na Lava-Jato.
BOA VONTADE
E por falar em governo, é impressionante a boa vontade com Michel Temer nos
meios econômicos. O presidente aprova aumentos para o funcionalismo, dá
descontos para os estados, tudo aumentando as despesas de um governo
já no vermelho, e o pessoal contemporiza: tudo bem, acerta lá na frente.
Dá uma ideia de como era detestado o governo Dilma. l
Carlos Alberto Sardenberg é jornalista
Para assinar (21) 2534-4315 ou oglobo.com.br/assine
co no cartão de crédito, ou débito em contacorrente (preço de segunda a domingo), para
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Dias úteis: RJ, MG e ES: R$ 4,00;
SP e DF: 4,00; demais estados: 5,50;
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O GLOBO
Quinta-feira 23 .6 .2016
l 17
OGLOBO
VERISSIMO
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Paixão
É
curioso que pessoas digam “eu
sou” tal time, em vez de dizer “torço pelo” time. Minha tese é de que
se trata de uma maneira de preservar sua paixão de qualquer infortúnio
que se abata sobre o time. O time pode ir
mal, mas você continua “sendo” ele, como se ele fizesse parte de você. Entranhado, aconteça o que acontecer.
A paixão pelo futebol é uma paixão singular, a única das nossas paixões infantis
que persiste no adulto. Nenhuma outra
forma de paixão — nem pela pátria, nem
pelas mulheres ou homens amados, nem
pelo dinheiro e o poder — é igual à paixão
que enche os estádios e leva pessoas perfeitamente normais à apoplexia, ou quase isso.
A ligação maior do torcedor de futebol é
com o jogador, com o ídolo do momento,
cujo nome ele aplaude quando é anunciado
e cuja vida ele acompanha. Mas, quando o
jogador deixa o seu time, a paixão do torcedor não vai junto. O que a prende é uma coisa indefinível: as cores, a camiseta, a história, a mística do seu time. Ninguém explica
o amor e muito menos esse amor por uma
abstração, pelo time da gente, independentemente de quem sejam seus cartolas, téc-
nicos ou jogadores.
Hoje, isto não existe mais, ou existe menos; mas até pouco tempo o jogador que
saísse de um time para ir jogar num time rival era considerado um traidor, alvo de vaias e insultos. Uma ilusão que o torcedor
gostava de conservar era a de que o jogador
tinha o mesmo amor pelo time, pela abstração, que ele.
Ninguém explica esse amor
por uma abstração, pelo time
da gente, independentemente
de quem sejam seus cartolas,
técnicos ou jogadores
Não sei de onde vem a expressão “torcer”. No caso do futebol, pode ter sua origem no fato de nos contorcermos com entusiasmo ou ansiedade quando nosso time ataca ou é atacado. Assim, torcedores
seriam, na verdade, contorcedores, como
sabe muito bem quem já se enroscou todo quando um dos nossos perde o gol feito, e depois teve dificuldade em se desenroscar.
Dizem que o termo foi usado pela primeira vez para descrever as moças que
iam assistir aos matches de football e ficavam torcendo seus lencinhos, nervosamente, durante o jogo. “Torcedor” seria o
mesmo que “torcedora”, sem o lencinho.
De qualquer maneira, boa sorte, Tite. l
FLAVIA PIOVESAN *
Apelo ao pluralismo III
ANDRÉ MELLO
*COM SILVIO ALBUQUERQUE
O
assassinato de 49 pessoas e o ferimento de dezenas de outras na madrugada do dia 12 de junho, em uma
boate em Orlando, na Flórida, revela
o risco que sofrem milhões de pessoas no mundo em função de sua orientação sexual e identidade de gênero. O acusado da barbárie — supostamente inspirado no Estado Islâmico —
não tolerava práticas homossexuais.
Em 16 de junho, uma jovem parlamentar do
Partido Trabalhista, Jo Cox, foi brutalmente assassinada em Londres, por sua defesa dos imigrantes e dos refugiados e, sobretudo, por celebrar o valor da diversidade. O acusado — suspeito de manter contatos com grupos de ultradireita na Inglaterra e nos EUA — não tolerava
imigrantes. Aos gritos, no momento do disparo
de tiros, exclamava “Britain first”, no contexto de
uma agressiva campanha anti-imigrante, tendo
em vista o plebiscito sobre a permanência da Inglaterra na União Europeia.
Os dois casos dramáticos convergem ao invocar a
intolerância que mata, aniquila e destrói o “outro”,
por ser diverso. Os crimes de ódio (“hate crimes”)
amparam-se em doutrinas de superioridade baseada em diferenças, fomentando uma ideologia que
“desumaniza” o outro, negando-lhe a condição de
sujeito de direito. Para o Alto Comissariado da ONU
para Direitos Humanos, há na atualidade uma ascensão de líderes autoritários e de extrema-direita,
que veem nos imigrantes, na população LGBT e nas
minorias a causa de todos os problemas sociais. Adverte a ONU: “Hate is becoming mainstreamed” (“O
ódio tem se tornado uma referência”).
O massacre de Orlando traz como marca a homofobia, que afronta o mais básico direito de ser
e de desenvolver a personalidade humana de forma livre, autônoma e plena. De forma inédita, o
Conselho de Segurança da ONU condenou o ataque, realçando que as vítimas foram assassinadas
exclusivamente em virtude de sua orientação sexual. Em 2011, o Conselho de Direitos Humanos
da ONU adotou uma pioneira resolução condenando a discriminação baseada em orientação
sexual e identidade de gênero, contando com o
especial protagonismo do Estado brasileiro. Na
ordem contemporânea, ao menos 73 estados criminalizam práticas homossexuais, sendo que em
13 estados a punição é a pena de morte, de acordo
PEDRO GEIGER
A
com a International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans
and Intersex Association. O Brasil não está imune
aos crimes de ódio motivados pela homofobia.
Apesar das limitações estatísticas geradas pela
subnotificação e pelo sub-registro de casos de violência homofóbica, dados do último Relatório
de Violência Homofóbica — elaborado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SDH),
com base em informações disponibilizadas pelo
Disque 100 da SDH e pelo Grupo Gay da Bahia —
revelam que 326 pessoas LGBT foram assassinadas em 2014. A maior parte (50%) das vítimas era
gay; seguida de transexuais (41,1%) e lésbicas
(4,3%). Os homicídios ocorreram em todas as regiões do país, com uma maior concentração no
Nordeste (37,7%) e no Sudeste (33,4%).
Por sua vez, o assassinato de Jo Cox traz como
marca a violência da xenofobia, que, no culto máximo à identidade nacional, nega ao imigrante, ao
estrangeiro e ao não nacional o direito ao respeito
e à dignidade. Para Polly Toynbee, colunista do
jornal “The Guardian”, o assassinato não é um
episódio isolado, mas integra uma inaceitável
tendência de “desumanizar aqueles com os quais
nós não nos identificamos”.
A igualdade e a não discriminação compõem um
princípio básico e fundante dos direitos humanos,
sendo requisito e condição para o pleno e livre exer-
cício de direitos. Proíbe-se que direitos sejam restringidos, limitados ou reduzidos em virtude de raça, nacionalidade, gênero, idade, orientação sexual e
demais critérios. De um lado, urgente é o eficaz
combate à intolerância e à discriminação — hoje
uma fonte de um inaceitável desperdício de vidas.
Por outro, urgente é a promoção da igualdade e do
valor da diversidade, como um componente enriquecedor de toda e qualquer sociedade.
Direitos humanos, estado de direito e democracia comungam de um mesmo básico pressuposto: o reconhecimento mútuo dos indivíduos como seres autônomos, livres e iguais,
membros de uma comunidade comum. O enfrentamento da cultura da intolerância e da
ideologia do ódio demanda o fortalecimento
da cultura emancipatória dos direitos humanos, inspirada nos valores da diversidade, do
pluralismo e do respeito. Afinal, em sua essência, os direitos humanos invocam o idioma da
alteridade, que vê no outro um ser merecedor
de inteiro respeito e consideração, dotado do
direito de desenvolver as potencialidades humanas, com plena dignidade. l
Flavia Piovesan é secretária especial de Direitos
Humanos e Silvio Albuquerque, secretário-adjunto
de Direitos Humanos
Armas que não protegem
ANTONIO RANGEL BANDEIRA
O
massacre em Orlando trouxe ao debate público o uso de armas para autodefesa. O Partido Republicano logo
lançou mão do slogan da National Rifle Association: “Armas não matam. Quem mata
são as pessoas.” Esse é um sofisma fácil de desmontar, pois a realidade mostra que, por si só,
armas não matam, nem pessoas matam. Quem
mata são pessoas armadas, obviamente.
Em seguida, o candidato da NRA, Donald
Trump, afirmou que “pessoas armadas na boate
poderiam ter diminuído um pouco a tragédia”. Ao
contrário, não teria havido tantos mortos se civis
não pudessem comprar fuzis AR-15 ou se houvesse controle na entrada da boate.
Alega-se que quem quer matar, se não tiver arma de fogo, recorrerá a faca ou outro instrumento. É uma comparação descabida. Tentativas de
homicídio com arma de fogo têm 75% de chances
de sucesso, enquanto tentativas com arma branca, de apenas 36%. Por isso, atentados em escolas
no Japão e China redundaram em vários feridos, e
raríssimos mortos, uma vez que lá civis não têm
acesso a armas de fogo.
Na boate de Orlando havia um segurança armado,
que pouco pôde fazer frente ao terrorista armado de
fuzil, além de pistola 9mm. Nos EUA, nos últimos
cinco anos, foram vendidos para civis 1,5 milhão de
fuzis de guerra AR-15 (versão para civis), que são armas semiautomáticas, quase metralhadoras. Disparam 900 tiros por minuto e carregam pente com 30
projéteis. A NRA as considera “ótimas para autodefesa”. Mas o que vemos é o seu uso em massacres.
Seus defensores ingênuos confundem a fantasia do
cinema com a dura realidade. Armas de fogo são óti-
Casta,
classe
e a crise
mas para ataque, e muito precárias para autodefesa,
porque o agressor conta com o fator surpresa. Ótimos atiradores, quando surpreendidos, são abatidos
em frações de segundos. As pesquisas independentes são unânimes em comprovar essa realidade, que
os especialistas, e a sabedoria popular, captaram, ao
afirmar que “quem reage morre”. A pesquisa mais recente concluiu que, em média, para cada tentativa
de defesa armada bem-sucedida contra ataque armado, 32 outras tentativas acabaram com a morte
da vítima que reage, segundo o Centro de Política
sobre Violência, dos EUA.
Para cada tentativa de
defesa armada bem-sucedida
contra ataque armado, 32
outras acabaram com a
morte da vítima que reage
No Brasil, a bancada da bala tenta derrubar no
Congresso o Estatuto do Desarmamento, que estabelece o controle de armas, e proíbe o seu porte, impedindo que civis andem armados em lugares públicos. A nova lei foi aprovada em dezembro de
2003, e implementada a partir de 2004. Pois de 2004
a 2014, o controle de armas determinado pelo Estatuto evitou a morte por arma de fogo de 133.387 pessoas, segundo o último Mapa da Violência, do sociólogo Julio Waiselfisz. Para o lobby da indústria de armas, ao contrário, pouco importa que a violência vá
explodir, com gente andando armada em shoppings, cinemas, restaurantes e escolas, seguindo-se
a trajetória dos EUA, com seus homicídios de ino-
centes em série e em massa.
Se armas de fogo são ineficazes para autodefesa,
como nos proteger? Não é preciso inventar. Basta seguir o exemplo das democracias que reduziram drasticamente esses homicídios. Tiveram êxito ao fazerem grandes e inteligentes investimentos em segurança pública. A polícia passou a combater com eficiência o crime organizado, a controlar seus membros
para que não fossem cúmplices do tráfico ilegal de armas, a fiscalizar as fábricas, lojas e fronteiras para reduzir esse tráfico, a proteger não só os cidadãos em
geral, mas principalmente os que exercem profissão
de risco, a proibir, ou controlar, as armas em posse de
civis. Essa é a solução democrática e eficaz, e não o
modelo armamentista americano, que condena os
EUA a serem campeões de homicídios por arma de
fogo entre todos os países desenvolvidos, e o primeiro
em suicídios por arma de fogo em todo o mundo.
Nos EUA, inacreditáveis 61,3% das mortes por arma
de fogo são suicídios.
O Estado não pode fugir à responsabilidade constitucional de proteger os bens e a vida dos cidadãos,
deixando-os entregues à própria sorte. O Estatuto do
Desarmamento foi um importante passo na direção
de avançar na construção de uma sociedade segura.
Agora, é preciso defender a segurança pública contra
a ganância e a insanidade de interesses privados, como ocorre nos EUA, implementando o Estatuto em
sua totalidade, e investindo mais e melhor na reforma
da polícia. Essa é a saída democrática para a redução
da violência armada no Brasil. l
Antonio Rangel Bandeira é sociólogo do Viva Rio e
da Frente Parlamentar pela Vida e pelo Controle de
Armas
composição social dos
países contemporâneos
compreende, entre outros componentes, as
classes capitalistas e os setores de
ocupação. No passado agrário,
além da aristocracia, os ocupantes de alguns setores exerceram o
papel de casta, isto é, eram detentores de privilégios, a exemplo de
latifundiários, militares, clero e
burocracia.
Crítico do capitalismo, Karl
Marx o saudara por ter acabado
com a “cretinice camponesa” e
instaurar a igualdade de todos perante a lei. Nos países “desenvolvidos”, isto é, nos quais o capitalismo instalou mais fortemente as
suas ideologias, legislações e instituições, e onde empresários industriais sucederam aos proprietários de terra quanto a mais poder, as antigas castas perderam dimensão e privilégios. Os espaços
de representação (terminologia
de Henri Lefévbre) destes países
apresentam poucos partidos atuantes no Legislativo, dois nos Estados Unidos, três no Reino Unido. Já nos países “em desenMembros do volvimento”,
forte perPT aderiram a com
manência de
práticas de
antigas castas
privilegiadas, é
corrupção,
se obacobertados comum
servar a prolipela
feração de parimpunidade tidos no espaço
legislativo.
tradicional
O Brasil é um
de setores
país emergente,
privilegiados grau intermediário entre países em desenvolvimento e desenvolvidos. O seu
avanço passou por uma ditadura
estabelecida com a participação e
direção da sua antiga casta militar e
que fez avançar o capitalismo. A redemocratização dos anos 80, o Plano Real de 1994, a ascensão ao poder do Partido dos Trabalhadores,
em 2002, são etapas deste avanço.
Contudo, no poder há 13 anos,
o PT não soube realizar uma reforma política que minimizasse a
presença, ainda, de castas, no país. Ao contrário, membros do partido aderiram a práticas de corrupção, acobertados pela impunidade tradicional de setores privilegiados. Corrupção existe por
toda parte, mas, nos países de
castas privilegiadas impunes, ela
toma formas de endemia.
O avanço do capitalismo, por
outro lado, vem inserindo no país
novas gerações mais educadas,
que participam de reações crescentes à permanência de formas
de casta, à manutenção do privilégio da impunidade perante a lei.
No Brasil, a corrupção e as ilegalidades orçamentárias se somaram
a outras fontes, mais poderosas, na
condução a uma crise econômica,
agravada desde 2014. O quadro levou ao extremo, o impeachment
da presidente Dilma Rousseff.
Uma reforma política, que dê mais
lugar a uma estrutura social de
classe, é um passo urgente para
novos rumos nacionais. l
Pedro Geiger é geógrafo e professor
da Uerj
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l O GLOBO
l Rio l
Quinta-feira 23 .6 .2016
Angra: ex-secretário denunciado por crime ambiental
Segundo o MPF, engenheiro florestal deu autorização irregular para beneficiar o então deputado Romário
VERA ARAÚJO
[email protected]
O Ministério Público Federal
(MPF) de Angra dos Reis denunciou o ex-secretário de
Meio Ambiente da cidade, o engenheiro florestal Étore Luiz
Dalboni de Souza, por crime
ambiental. Segundo a denúncia, em 2007 ele autorizou, de
forma fraudulenta, o corte de
blocos de pedras e a movimentação de terra num terreno rochoso na Ilha do Jorge, uma
área protegida por leis ambien-
tais, para beneficiar o senador e
ex-jogador de futebol Romário
de Souza Farias (PSB). Na época, o político, que era deputado
federal, seria dono de um terreno em condomínio da região.
A propriedade, de acordo com
o processo, fica num terreno de
Marinha, nos limites da Área de
Proteção Ambiental de Tamoios,
e qualquer alteração que colocasse em risco a natureza local
necessitaria de licenciamento
específico, o que não aconteceu,
pois o laudo era falso. Além disso, o material retirado (pedras e
saibro) foi levado para uma área
de mangue dentro do próprio
condomínio do deputado. Se
Étore for condenado, a Justiça
pode aplicar uma pena de três a
seis anos de prisão, pela elaboração de relatório ambiental falso ou enganoso, conforme prevê
a Lei 9.605.
FORO PRIVILEGIADO
O inquérito foi instaurado em
Angra para apurar crime ambiental por parte de Étore e
Romário. Mas, na época, o exjogador foi diplomado depu-
tado federal e, devido ao foro
privilegiado, a investigação
foi remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração dos fatos teve continuidade, mas o possível crime de
construir sem licença, cuja
pena máxima prevista é de
um ano, prescreveu. No entanto, segundo o despacho do
então procurador-geral da
República, Roberto Gurgel,
havia indícios de fraude na
autorização ambiental por
parte de Étore e, por isso, ele
pediu que a investigação re-
tornasse ao MPF de Angra.
De acordo com o órgão, em
14 de maio de 2007, Étore teria
determinado que um estagiário
da Secretaria de Meio Ambiente
de Angra dos Reis vistoriasse e
fizesse um relatório ambiental
sobre o local onde retiraram pedras e terra, embora ele não tivesse qualificação técnica para
o serviço. Segundo a denúncia,
“o relatório era falso e enganoso
pela descrição do nada a opor e
também por omissão” por parte
dos técnicos do órgão.
O processo, que tramita na
Vara Única de Angra dos Reis,
informa ainda que, segundo
uma outra testemunha, o exsecretário teria determinado a
funcionários da prefeitura que
agilizassem o procedimento
do ex-jogador. Em depoimento, o próprio estagiário admitiu
a irregularidade, mas ressaltou
que Étore, como seu chefe, é
quem lhe dava ordens, inclusive exigindo que ele fosse “rápido”. Numa das ocasiões, segundo ele, soube que o próprio Romário foi acompanhar o andamento do parecer técnico. l
Certidão
foi liberada
pelo órgão
em três dias
Agilidade do processo
chamou a atenção
de funcionários
A agilidade na tramitação do
processo na Secretaria municipal de Meio Ambiente teria
chamado atenção dos funcionários do órgão. A vistoria no
terreno foi realizada em 14 de
maio e, três dias depois, foi
emitida a autorização. Outro
fato incomum, segundo a denúncia, é que, normalmente,
após a emissão, o processo segue para a prefeitura, onde é
providenciado o envio de um
comunicado ao interessado,
pelos Correios. Só depois disso
a pessoa vai buscar a “certidão
de nada opor”, que é a autorização. Mas, neste caso, um representante de Romário retirou pessoalmente a autorização, em 17 de maio de 2007.
O estagiário contou ainda
que, normalmente, quando
“havia vistorias de grande monta”, com movimentação de terra
e corte de pedras, sempre eram
indicados servidores capacitados para o trabalho, e que ele
não entendeu por que foi designado para a tarefa. Segundo a
denúncia, o relatório ambiental
que embasou a autorização foi
tão improvisado que foi feito
uma espécie de croqui, “absolutamente fora dos padrões”.
PARECER ADULTERADO
Uma outra testemunha disse
que Étore acrescentou, em seu
parecer técnico original, um segundo parágrafo autorizando as
irregularidades no processo do
terreno do ex-jogador, e que esta não era a primeira vez que o
ex-secretário tinha tal atitude.
Segundo essa testemunha, o
parecer foi falsificado.
Procurado, Étore, que atualmente é consultor ambiental,
confirmou a existência do processo, disse que teria que consultar seus advogados, mas
não deu retorno. Por meio de
sua assessoria, o senador Romário disse que não iria se
pronunciar sobre o caso.
Apesar de o denunciado informar em depoimento que
“não chegou a proceder pessoalmente a qualquer vistoria no
lote” que pertenceria a Romário, a afirmação foi desmentida
pelo estagiário e por outras três
testemunhas. Eles contaram
que Étore foi ao local, tinha conhecimento das restrições ambientais e, mesmo assim, colocou um estagiário, sem qualquer qualificação, para fazer o
relatório ambiental. l
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Quinta-feira 23 .6 .2016
O GLOBO
Economia
FABIANO ROCHA/22-2-2016
PAULO WHITAKER/REUTERS/14-8-2015
Peso no bolso
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Crise nos estados
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GOVERNO LIBERA
IMPORTAÇÃO DE FEIJÃO
DÍVIDAS DA COPA PODEM
SER RENEGOCIADAS
Após quebra de safra e alta de mais de 20%, é suspensa
taxa cobrada de grão de Argentina, Paraguai e Bolívia
Empréstimos com o BNDES para obras como as da Arena
Pernambuco (foto) poderão entrar no acordo, diz Temer
DECLÍNIO DA SUPERTELE
Um alívio de R$ 7,15 bilhões
_
Governo deve acelerar mudança regulatória favorável à Oi, que terá de investir em banda larga
LUIZ ACKERMANN
Corpo a corpo
ARTHUR BARRIONUEVO
‘Dificuldade
é determinar
o preço’
Para especialista, governo e
empresa terão de definir quem
fica com receita de imóveis
e investimentos em rede
DANIELLE NOGUEIRA
[email protected]
Ex-conselheiro do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e professor de Concorrência da Regulação da FGV-SP
avalia que legislação do setor de
telecomunicações está defasada.
A Oi pretende incluir a venda de
ativos no seu plano de recuperação. Mas, pela lei, muitos imóveis
teriam de ser devolvidos à União
ao fim da concessão. É possível
resolver essa trava legal?
Somente com uma revisão do Marco
Regulatório das Telecomunicações
esse problema pode ser resolvido. A
Oi tem concessão de telefonia fixa.
Para exercer a concessão, usa imóveis e infraestrutura que pertencem
à União e que teriam de ser devolvidos no futuro. Mas há uma discussão
sobre se esses imóveis e, principalmente, a rede devem ficar com a
União ou com a Oi. Isso porque, ao
longo da concessão, a empresa investe em expansão e modernização
da infraestrutura. Fica a dúvida: se
reformou o prédio ou trocou cabos
antigos por novos ou fibra ótica, isso
deve ser dela ou do governo?
l
Questão de patrimônio. Governo deve alterar Lei Geral de Telecomunicações: bens como imóveis e equipamentos não teriam mais de ser devolvidos à União ao fim da concessão
DANILO FARIELLO, GABRIELA VALENTE
E GLAUCE CAVALCANTI
[email protected]
Mudanças regulatórias podem
transformar bens da Oi, como imóveis e equipamentos, em pelo menos R$ 7,15 bilhões em recursos disponíveis para novos investimentos. O
melhor caminho para essa mudança, segundo
interpretação do governo, seria aprovar no Congresso uma alteração na Lei Geral de Telecomunicações (LGT), que abriu caminho para as privatizações em 1997. Ontem, o governo federal
acertou um cronograma para definir já na próxima semana um novo texto a ser votado na Câmara dos Deputados sobre a reversibilidade dos
bens das concessões. A legislação atual determina que, ao fim do contrato, bens como imóveis e equipamentos precisam ser devolvidos à
União. Com a mudança em discussão, esses ativos passariam a ser da própria companhia no
vencimento das concessões e seriam incorporados ao patrimônio.
Essa conta de R$ 7,15 bilhões, com valores de
2013, foi apontada como referência mais conservadora pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ao Tribunal de Contas da União
(TCU) no ano passado. O número foi referendado
pelo Ministério da Fazenda em maio. Para a Oi, o
valor desses bens era de R$ 7,7 bilhões em março,
data de referência do último balanço trimestral.
Mas a discussão jurídica em torno dessa quantia é
enorme e, mesmo com a aprovação de uma nova
lei, deverá resultar em disputas administrativas ou
judiciais sobre qual o valor em prédios e demais
ativos, principalmente imóveis, que a Oi poderá
transformar em ativos para serem vendidos e revertidos em novos cabos de fibra óptica. A empresa tem listados mais de 7.600 imóveis no país.
Quase uma centena deles, no Rio.
— Não faz muito sentido esses ativos retornarem para a União. É melhor que nós coloquemos
esses ativos no investimento das empresas em
novas tecnologias, de acesso à internet, com banda larga, coisas desse tipo — disse ontem o ministro do Planejamento interino, Dyogo Oliveira.
-BRASÍLIA E RIO-
KASSAB DESCARTA INJEÇÃO DE RECURSOS PÚBLICOS
A reversibilidade dos bens já vinha sendo tratada
pela Anatel, mas o entendimento das autoridades
é que uma nova LGT traria mais segurança jurídica ao processo. Nesse sentido, ontem, o secretário
da Assessoria Econômica do Ministério do Planejamento, Marcos Ferrari, recebeu o deputado Daniel Vilela (PMDB-GO) para tratar do projeto de
Lei 3.453, de 2015. O projeto de Vilela já foi aprovado em uma comissão da Câmara e deveria pas-
sar por outra, antes de seguir para o Senado. Na Padilha destacou, que os direitos dos investidores
reunião de ontem, porém, definiu-se um novo serão preservados nos termos da lei. Kassab ressalcronograma para alterar o texto até segunda-fei- tou que a mudança da LGT já era prevista e que não
ra. A depender das mudanças, é possível que se será “casuística”, por conta do episódio da Oi.
altere o rito de tramitação na Casa.
— Temos a plena consciência de que temos de
Em relação ao texto de Vilela, o governo quer dei- zelar pelo usuário, que comprou o serviço, mas
xar mais claras as condições em que os bens da também sabemos que o que pudermos fazer
concessão se tornarão capital disponível para a em- dentro da ética e sem dinheiro público para
presa investir em expansão da banda larga. Segun- apoiar solução, vamos fazer. Mas em nenhum
do Vilela, o projeto, apresentado no ano passado, momento faremos nada que possa ser interprenão foi planejado só para atender ao caso da Oi, tado como benefício — ressaltou Kassab.
mas ele reconhece que os desdobramentos da crise
O acórdão da decisão cautelar da Anatel de
da tele desde segunda-feira acesegunda-feira, que impediu a
leraram a discussão.
Oi de vender bens sem auto— É um marco regulatório de
rização, foi publicado ontem
1997 que precisa ser revisto, pore revelou que a agência dedique está travando investimencará ao serviço de telefonia
tos. Uma empresa não vai trocar
fixa o foco principal do trabaum cabo normal por fibra óptilho de fiscalização excepcioca, porque amanhã vence a connal. Conforme revelado ontem
cessão, e ela pode perdê-los —
pelo GLOBO, mais da metade
afirmou Vilela.
dos municípios do país tem na
O ministro da Ciência, TecOi a única fornecedora de telenologia, Inovação e Comunifonia fixa.
cações, Gilberto Kassab, disse
— A Oi tem 70% do mercado
que o aperfeiçoamento da lei
de telefonia fixa e 18% da telepor meio do projeto de Vilela
fonia celular. Qual é nossa misvisa a dar mais rapidez para
são no governo? Temos que
discussão, uma vez que há
garantir uma prestação de serconsenso há dois anos de que
viço com qualidade durante
a lei precisa mudar. Ele disse,
esse processo de pedido da Oi
Daniel
Vilela
porém, que não há decisão fie ver o que o poder Judiciário
nal do governo sobre a reversi- Deputado (PMDB-GO), autor do
vai decidir — disse Padilha.
bilidade dos bens e nem defi- projeto de mudança na lei do setor
Para Hermano Pinto, especinição sobre uma mudança no
alista em telecomunicações, a
regime — de concessão para autorização —, revisão da LGT será o primeiro passo de muembora existam manifestações majoritárias em danças no setor:
favor da mudança.
— A legislação precisa ser reavaliada, sobretuKassab descartou que o governo vá injetar di- do no que diz respeito à reversibilidade.
nheiro público na Oi ou mesmo um novo empréstimo do BNDES para resgatar a companhia. ‘DEVOLVER ATIVO É PREJUÍZO’
Ele lembrou que a intervenção é prevista em lei, Para Eduardo Tude, da consultoria Teleco, a
mas disse esperar que não seja necessária. Ele principal questão para o mercado é qual será o
ressaltou ter confiança na negociação da dívida futuro da Oi. Para ser adquirida, ela precisaria
da Oi com os credores.
combinar a reestruturação da dívida com a revi— Uma negociação direta com investidores são da legislação do setor. Um investidor só teria
externos facilita para a concessionária, porque interesse em adquirir a companhia sabendo
o investidor não vai querer perder tudo. Ele vai que ativos ela, de fato, detém:
aceitar perder parte — disse Kassab ao GLOBO.
— Para a empresa, no fim da concessão, deEm um momento no qual se quer atrair novos in- volver ativos e investimentos é um prejuízo,
vestidores em infraestrutura no país, a ordem on- mesmo com indenização sobre aportes feitos. l
tem no governo federal era assegurar ao mercado
que todas as regras serão respeitadas no caso da re- Colaboraram Eduardo Barretto, Simone Iglesias e
cuperação judicial da Oi. No dia anterior, o minis- Bárbara Nascimento
tro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha tinha dito
que os bancos públicos, como BB e BNDES, poderi- Disputa de currículos: interessados se candidatam à
am auxiliar a Oi na busca de um novo sócio. Ontem, vaga de administrador judicial, na página 20
“É um marco
regulatório de 1997
que precisa ser
revisto, porque
está travando
investimentos”
Como resolver isso?
A ideia é que o governo e a Oi estabeleçam um preço para os ativos. A
dificuldade está na determinação
do preço. Há muitos imóveis no
Rio, por exemplo, onde houve forte
valorização imobiliária nos últimos
anos. No caso da rede de cabos fica
mais difícil ainda estimar um valor.
l
A recuperação judicial da Oi
tende a acelerar a revisão da Lei
Geral das Telecomunicações?
Acredito que sim, mas o ponto que
mais interessa à Oi, a reversibilidade dos ativos, dificilmente será decidido em dois meses (60 dias é o
prazo que a Oi terá para apresentar
o plano de recuperação judicial,
após a aceitação do pedido de proteção contra credores). A empresa
pode até dizer no plano que pretende vender tal e tal imóvel em
um número x de anos, quando ela
acredita que haverá um consenso
sobre essa questão. Mas aí cabe ao
credor acreditar ou não.
l
Por que a Oi é mais afetada na
reversibilidade dos ativos?
Porque a banda larga da Oi usa a infraestrutura de rede da telefonia fixa. Se a Oi tiver que devolver toda a
rede para a União, vai virar uma empresa pequena, com atuação basicamente na telefonia móvel. O regime atual fazia sentido quando havia
monopólio da telefonia fixa. Hoje,
não faz mais. l
l
20
l O GLOBO
l Economia l
Quinta-feira 23 .6 .2016
DECLÍNIO DA SUPERTELE
[email protected]
MÍRIAM
LEITÃO
_
MÃO DE OBRA DISPONÍVEL
Disputa de currículos
Interessados em fazer parte do maior processo de recuperação do país, consultorias e escritórios
fazem peregrinação ao Tribunal de Justiça do Rio e buscam vaga de administrador judicial da Oi
|
|
COM MARCELO LOUREIRO
Da fartura à calamidade
O economista Paulo Tafner foi subsecretário
geral da Fazenda do Rio até outubro de 2015 e
viu de perto alguns dos erros do estado. Houve
um forte aumento de gastos, ou mesmo farra em
algumas situações. A queda do preço do petróleo
e o “descalabro na Petrobras", como define,
tiveram sério impacto na economia fluminense.
O socorro da federação alivia, mas o estado
ainda tem um problema estrutural para resolver.
A
receita bruta total do Rio cresceu 46% em
termos reais entre 2008 e 2014, para R$ 91 bi,
de acordo com dados da Fazenda. Em 2015,
o montante caiu 15%. A despesa liquidada total subiu mais no período de bonança e caiu menos na
tempestade. Até 2014, a alta foi de 50%, para R$ 90
bi. No ano seguinte, ela recuou 10%, e foi maior que
a receita. O Rio fez escolhas erradas e criou despesas permanentes. Os gastos com pessoal e encargos
subiram 59% entre 2008 e 2015.
Segundo Tafner, o estado adotou uma política de aumentos reais para os servidores da Saúde, Educação e
Segurança. Os reajustes tiveram impacto também nos
gastos previdenciários porque os ganhos são repassados aos inativos. Com essa regra, cada R$ 1 de aumento
no salário do servidor gera despesa de R$ 4. O governo
manejava a receita do petróleo para bancar os gastos
com benefícios. Cerca de 95% dos recursos de royalties
e participações especiais eram usados para cobrir a
previdência do estado. Com a queda na arrecadação, o
déficit previdenciário saltará de R$ 8 bi em 2015 para
R$ 13 bi neste ano, previsão revisada recentemente. As
despesas com pessoal foram tomando espaço cada vez
maior no Orçamento. Hoje, quase 100% da receita com
ICMS é destinada ao pagamento da folha salarial.
— No Rio, talvez tenha havido um exagero na recomposição de salários, especialmente na saúde, educação
e segurança, que representam quase 90% da folha. Na
previdência, a regra que corrige as aposentadorias pelo
salário dos ativos preU
cisa ser discutida, mas
Os pontos-chave
os estados têm pouca
ingerência sobre a legislação — diz Tafner,
que é especialista em
Ajuda federal desafoga o
sistema previdenciário.
Rio em meio à tempestade,
A renegociação da
mas o problema estrutural
dívida dos estados e
ainda depende de solução
municípios era necessária e precisava ser
feita, mas demorou
Erros fizeram a despesa
tempo demais. Ela cocrescer mais rápido que a
meçou em 2013, para
receita, mesmo nos anos
dar um socorro ao
de alta do petróleo
município de São
Paulo. Na visão de Tafner, a carência evitará
um movimento geneCom poucos ativos para
ralizado de calotes
privatizar, estado deverá
dos estados. Mas a camexer em benefícios e
pacidade financeira
programas para se equilibrar
da União, que vai ficar
um período sem receber os pagamentos, também
tem que ser preservada. O acordo vai custar ao Tesouro R$ 50 bi em três anos.
O efeito imediato da renegociação é “suavizar” a delicada situação financeira dos estados. Os governadores ganharam um fôlego, mas a solução para o desequilíbrio financeiro é mais complexa. Além da definição sobre a dívida, Tafner defende que os estados façam sua parte. No caso do Rio, o governador Francisco Dornelles adiantou que vai tomar “medidas muito
duras” após decretar o estado de calamidade. Com
exceção da Cedae, o Rio tem poucos ativos interessantes para privatizar. Tafner acredita que alguns benefícios terão que ser revogados. O estado ainda concede adicional por tempo de serviço ao funcionalismo. É uma regra sem sentido, diz ele, já abolida por
alguns governos. Universidades de alta qualidade têm
um custo elevadíssimo e são usufruídas pelos mais ricos, na maioria dos casos. O programa Aluguel Social,
conta o economista, deveria ser revisto para focar nas
pessoas que realmente precisam. O mesmo vale para
o Bilhete Único e o Renda Melhor.
O Rio paga cerca de R$ 6 bi ao ano em dívidas à União e terá pelos próximos seis meses um espaço maior
no Orçamento para cumprir com suas obrigações. A
preocupação com a Olimpíada não é apenas pelas
obras, mas também com o pleno funcionamento dos
serviços. Seria um desastre para o país, explica Tafner,
se a saúde e a segurança no Rio ficarem paralisadas
durante o evento. O acordo e a injeção direta de recursos vão garantir a sensação de normalidade na operação do estado nos próximos meses, acredita o economista, mas o problema estrutural persiste.
Tafner lembra que no setor privado as dívidas também são renegociadas. O que preocupa é que não é a
primeira vez que estados são beneficiados. Ele acredita
que o efeito dessa crise nas contas vai fortalecer a importância de ter políticas públicas responsáveis. Algumas são impopulares, mas o respeito às boas práticas
fiscais é uma forma de responsabilidade social. l
MÁRCIO ALVES/31-7-2015
DANIELLE NOGUEIRA
[email protected]
M
al a Oi protocolou o pedido de
proteção contra
credores, na última segunda-feira, o vaivém de
engravatados nos corredores
do sétimo andar do Tribunal
de Justiça do Rio, onde fica a
sala do juiz responsável pelo
caso, só fez crescer. No entra e
sai do gabinete, desde representantes de empresas dispostas a conquistar o “posto” de
administrador judicial a advogados que buscavam despachar com o magistrado para
elucidar pontos da ação. Até
quem não tinha envolvimento
direto no caso ou sequer aspirava a ter um papel relevante
no processo passou por lá “para saber a fofoca do dia”.
O cortejo se justifica. A crise
da Oi abre um mar de oportunidades para escritórios e
consultorias especializados
em recuperação judicial. Caso aceite o pedido, também
caberá ao juiz Fernando Viana, da 7ª Vara Empresarial, a
nomeação do administrador
judicial. Figura pouco conhecida do público, mas fundamental para o andamento do
processo. É ele que verifica os
créditos, organiza as assembleias de credores e fiscaliza
se o devedor está cumprindo
o plano de recuperação. Os
interessados na “vaga” correram para mostrar que têm
credenciais para a tarefa.
— É um processo grande.
Burburinho. Advogados e consultores buscaram informações ontem sobre o processo de recuperação da tele
Estamos tentando — disse um
representante de uma consultoria em recuperação judicial
que esteve ontem na 7ª Vara
Empresarial.
No processo da Oi, os números
são superlativos. São R$ 65,4 bilhões em dívidas, 13 mil credores
e mais de 80 mil páginas. Por isso,
a avaliação de gente do setor é
que o negócio é para peixe grande. Gigantes como KPMG, Deloitte, PwC e Alvarez & Marsal são
apontadas como fortes candidatas, uma vez que têm estrutura
de pessoal e ramificações no exterior, facilitando a interlocução
com credores internacionais.
Na bolsa de apostas do fórum
ontem, a Deloitte aparecia como
a mais cotada. Ela encabeçou a
recuperação da OGX, petroleira
de Eike Batista, e da Sete Brasil,
que chegaram a liderar a lista das
maiores recuperações do país,
até serem batidas pela supertele.
CRIAÇÃO DE FORÇA-TAREFA
Para se candidatar ao posto, diz a
Lei de Falências (de 2005), o aspirante a administrador judicial
tem de ser idôneo e, preferencialmente, economista, advogado,
contador ou administrador de
empresas. Pode ser pessoa física
ou empresa especializada. Cumprindo esses requisitos, dizem os
especialistas, eles precisam ainda
conquistar a confiança do juiz.
— Na legislação anterior, o ad-
Após queda de
23,8% em quatro
dias, ações ON da
operadora sobem
1
2
Papéis avançam 8,73%.
BB terá de fazer provisão
de R$ 650 milhões
3
_
oglobo.com.br/economia/miriamleitao
ministrador era escolhido entre os credores. Hoje, além da
competência técnica, diria
que ele é, acima de tudo, uma
pessoa de confiança do juiz —
afirma Guilherme Marcondes, do escritório PLKC.
As dimensões do processo
da Oi devem levar à criação
de uma força-tarefa de juízes,
na avaliação de advogados, a
exemplo do que foi feito na
recuperação judicial da Varig,
quando três magistrados assumiram o caso. Aos olhos
atentos dos juízes, devem se
somar os ouvido de curiosos.
Ontem, não faltou gente querendo saber as notícias mais
quentes do caso. l
SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA SESI e o SERVIÇO NACIONAL DE
APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI
tornam público aos interessados que
realizará a licitação abaixo:
Pregão Eletrônico SESI-RJ/SENAI-RJ nº 042/2016
Objeto: Registro de Preços para eventual aquisição
de suprimentos de informática (cartucho, estabilizador, pen drive e afins), para atendimento às
necessidades do SESI-RJ e do SENAI-RJ.
Data abertura das propostas:
05/07/2016, às 10h00.
Retirada do edital:
http://portaldecompras.firjan.org.br
Comissão de Licitações do Sistema FIRJAN-CLSF
SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA-SESI torna
público aos interessados que realizará a
licitação abaixo: Pregão Presencial SESI nº
021/2016 Objeto: Contratação de empresa
para prestação de serviços de exames de
imagem, visando à realização de exames
radiológicos e de ultrassonografia e mamografia,
para atendimento ao SESI-RJ Campos. Data
de
recebimento
e
abertura
dos
envelopes:
04/07/2016, às 14h. Retirada do edital:
http://portaldecompras.firjan.org.br
Comissão de Licitações do Sistema FIRJAN-CLSF
Depois de ter registrado desvalorização de 23,8% em apenas
quatro pregões — incluindo um
tombo de 8,73% nas negociações de terça-feira após ter pedido recuperação judicial —, as
ações ordinárias da operadora
Oi fecharam em forte alta ontem na Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa). O papel ON,
com direito a voto, avançou
11,3%, cotado a R$ 1,28.
A ação preferencial (PN, sem
direito a voto), por sua vez, registrou a quinta queda consecutiva,
de 1,23%, a R$ 0,80. Desde a
quinta-feira passada, o papel PN
acumula tombo de 51,52%. A capitalização de mercado da companhia terminou o pregão de ontem em R$ 981,2 milhões.
O pregão de ontem foi o primeiro depois de os papéis da
operadora terem sido excluídos dos seis índices de ações
de que faziam parte na Bovespa, entre eles está o Índice Brasil Amplo BM&FBOVESPA
(IBrA). Sua exclusão foi resultado direto da recuperação judicial. A despeito disso, os papéis continuam sendo operados em pregão normalmente,
informou a Bolsa.
A recuperação judicial da Oi terá impacto nos bancos credores.
Segundo avaliação da agência de
classificação de risco Moody’s,
eles terão de “aumentar significantemente suas reservas para
cobrir potenciais perdas (...), reduzindo sua lucratividade e potencialmente sugando capital”. O
Banco do Brasil, principal afetado, será obrigado a fazer uma
provisão adicional de R$ 650 milhões, confirmou uma fonte. l
l Economia l
Quinta-feira 23 .6 .2016
O GLOBO
l 21
DECLÍNIO DA SUPERTELE
_
Pressão de ‘fundos abutres’
precipitou decisão da empresa
Egípcio avalia entrar
na Oi junto com russos
Operadora cita ‘ameaça de ações adversas’ de Aurelius e Capricorn
Bilionário Sawiris
fundiu seus negócios
com a operadora
VimpelCom em 2011
RENNAN SETTI, GLAUCE CAVALCANTI
E DANIELLE NOGUEIRA
[email protected]
A pressão exercida pelos chamados “fundos abutres” precipitou o pedido de recuperação judicial da Oi, justificou a companhia em petição apresentada na terçafeira à Justiça americana. Em paralelo ao
processo brasileiro, a operadora solicitou
à Corte de Nova York a cobertura do chamado Capítulo 15 para proteger seus ativos nos EUA contra credores. Ontem à
tarde, o Tribunal Federal de Falências deferiu pedido de tutela provisória da Oi, o
que garante proteção até que a Corte
americana decida sobre o Capítulo 15. A
audiência foi marcada para 21 de julho,
informou a operadora em fato relevante.
“Apesar das negociações em curso, a
companhia é atualmente alvo de certos
fundos hedge que vêm cercando a companhia em dificuldades desde o fim de 2015”,
disse a Oi na petição. “A ameaça de ações
adversas adicionais por credores e a necessidade de um foro centralizado para facilitar sua reorganização levou a companhia a iniciar preparativos para uma recuperação judicial formal, que culminou
com a petição apresentada no Brasil.”
A Oi citou especificamente o Aurelius Capital Management, fundo de
investimento americano especializado na compra de papéis de caráter especulativo, emitidos por governos e
países em dificuldades.
A precipitação da operadora na condução do processo para garantir proteção fica clara também no passo a passo da Oi
no Brasil. No mesmo dia em que pediu
recuperação à Justiça, a empresa protocolou uma liminar pedindo a suspensão
de todas as ações e execuções judiciais
contra ela por 180 dias, que foi deferida.
— Não é comum, já que isso seria feito
automaticamente a partir do momento
em que o juiz aceitasse o pedido de recuperação da Oi. Se pediu antecipadamente, deve ter muita urgência em se proteger
de possíveis execuções — disse um executivo da área de recuperação judicial.
‘CREDORES OPORTUNISTAS’
O consultor Hermano Pinto concorda que
os fatos mostram a pressão sobre a Oi:
— Há movimentações estranhas entre investidores e que podem estar
pressionando a companhia. A Oi pode
ter se protegido contra uma eventual
oferta hostil, por exemplo.
“Em março de 2016, o fundo Capricorn — associado do Aurelius Capital
Management — entrou com ações envolvendo a Oi e subsidiárias e seus atu-
Corpo a Corpo
CARLOS HENRIQUE ABRÃO
‘Leis não estão preparadas
para processo tão vultoso’
Desembargador questiona se não seria melhor
o governo cassar a concessão da Oi e diz que
falência seria um desastre para o consumidor
JOÃO SORIMA NETO
[email protected]
O processo de recuperação judicial da operadora de telefonia Oi deverá levar, no mínimo, um
ano, segundo estimativa do
desembargador Carlos Henrique Abrão, conselheiro e
um dos fundadores do Instituto Nacional de Recuperação Empresarial (Inre).
Abrão questiona o fato de
uma empresa concessionária de serviço público, como
a Oi, utilizar a recuperação
judicial como instrumento
para evitar a falência. Mas
diz que, se a operadora quebrasse, seria um verdadeiro
desastre para o consumidor.
-SÃO PAULO-
Quanto tempo pode durar o processo da Oi?
É difícil estimar, mas pelo
menos um ano. É um processo inédito de dívidas que
somam R$ 65 bilhões. Só
para comparação, o total de
dívidas de empresas atualmente em recuperação judicial no país é de R$ 120 bilhões. A Oi tem milhares de
credores, são 380 páginas
com nomes, uma verdadeira lista telefônica. As leis
brasileiras, e o próprio país,
não estão preparadas para
um processo tão vultoso.
l
Mas uma concessionária
de serviço público pode
recorrer à recuperação
judicial para escapar da
falência?
Esta é uma dúvida que
surge neste caso. O correto
não seria o governo, ou
mesmo a agência reguladora, cassar a concessão e
fazer uma nova oferta ao
mercado? Com isso, evitaria o risco de falência da
empresa. Acredito que a Oi
não tem ativos suficientes
para vender e cobrir o débi-
l
to. Antes de aceitar o pedido, a Justiça deverá fazer
uma avaliação das garantias que a operadora pode
oferecer, e da dívida total.
Mas a Oi tem 70 milhões
de clientes...
Esse é um problema. Se o
plano não for aceito, e a empresa for à falência, teremos
um desastre. Quem perde é
o consumidor, já que a empresa tem concessões de telefonia fixa em quase todo o
país. Por isso, uma solução
para este problema não deve demorar muito tempo.
Tem que ser rápida.
l
A crise tem levado um
grande número de empresas a pedir recuperação no
país. Há dados sobre
quantos pedidos?
Pelos números do Inre, no
primeiro semestre do ano,
foram 1.350 empresas. No
mesmo período do ano passado, houve 750 pedidos.
Esse crescimento mostra os
efeitos da crise econômica
sobre a saúde das companhias. Já os pedidos de falência subiram de 650, em
2015, para 1.115 este ano,
também considerando apenas o primeiro semestre.
l
Qual é o índice de recuperação das empresas que
recorrem à recuperação
judicial?
Entre as microempresas,
aquelas que faturam até
R$ 1,2 milhão pelo Simples, o índice de recuperação fica entre 8% e 9%.
Considerando as médias
empresas, esse índice sobe
para algo entre 15% e 20%.
Já entre as grandes empresas, o índice de recuperação chega a 50%. As empresas que não conseguem
se recuperar vão à falência
ou são dissolvidas. l
l
ais e antigos diretores na Holanda, apesar de cláusulas nos documentos referentes às dividas que vedavam ações
judiciais”, acrescentou a operadora.
O fundo Capricorn sustentava, em seu
processo na Holanda, que a Oi não conseguiria pagar € 2,8 bilhões recebidos
por meio de sua subsidiária no país.
Em sua petição nos EUA, a Oi afirmou
que buscava estender a proteção aos EUA
para evitar execução “ou interferência de
credores oportunistas.”
Procurado, o fundo Aurelius preferiu
não se manifestar.
A Oi vinha trabalhando com a possibilidade de recuperação judicial há algum
tempo. O impasse com credores internacionais, com os quais negociava a reestruturação de sua dívida, e a proximidade do
vencimento de quase R$ 1 bilhão que teria
de pagar a investidores no mês que vem
tornaram essa possibilidade iminente. A
Oi chegou a firmar um acordo para suspender a dívida de R$ 3,3 bilhões com o
BNDES em 30 de maio, mas as conversas
também não evoluíram.
A Portugal Telecom, subsidiária da Oi,
comunicou ontem a detentores de € 400
milhões em títulos da companhia que a
recuperação judicial representa evento de
default (calote), segundo interpretou o
banco depositário dos papéis. l
O bilionário egípcio Naguib
Onsi Sawiris avalia a possibilidade de oferecer uma proposta
pela Oi juntamente com sócios
da Rússia, disse ao GLOBO
uma fonte a par do assunto. O
empresário revelou seu interesse em investir na operadora, que busca uma recuperação judicial na Justiça brasileira, em entrevista à agência Bloomberg na terça-feira.
Sawiris tem relacionamento
estreito com a operadora russa
VimpelCom. Em abril de 2011, o
empresário se associou a ela
quando a companhia — terceira
maior daquele país, à época —
incorporou os negócios de telecomunicações que o egípcio
concentrava na Wind Telecom. A
combinação resultou na sexta
maior operadora de celular do
mundo, com negócios em 20 países. Com a fusão, Sawiris se tornou sócio da VimpelCom, participação da qual iria se desfazer
ao longo dos anos seguintes.
De acordo com a fonte a par
do interesse de Sawiris na Oi, o
egípcio aguarda primeiro que
o processo de recuperação judicial da operadora avance.
— Ainda é cedo para dar detalhes, porque ele ainda está avaliando como será a proposta. Ele
quer primeiro que alguns pontos sejam esclarecidos, como
quem será o administrador judicial — contou a fonte. — O que é
certo é que ele tem interesse em
adquirir o controle da companhia. Quando as coisas começarem a andar, ele virá ao Brasil.
EIKE NO CAMINHO DO IRMÃO
O reestruturador só é apontado
após o juiz deferir o pedido de recuperação judicial. Os advogados da Oi estimam que o pedido,
feito na segunda-feira, seja aceito
pela Justiça nos próximos dias.
Sawiris é o segundo homem
mais rico do Egito, com uma
fortuna de US$ 3,9 bilhões, segundo ranking da Bloomberg.
Ele só fica atrás de seu irmão,
Nassef Sawiris, que tem US$ 4,6
bilhões. Este é dono da Orascom Construction Industries
(OCI), que chegou a anunciar
parceria com a EBX de Eike Batista, em 2011, para construir
uma fábrica de fertilizantes no
Brasil. O negócio, estimado à
época em US$ 3 bilhões, jamais
se concretizou. (Rennan Setti) l
22
l O GLOBO
l Economia l
Quinta-feira 23 .6 .2016
Governo facilita importação de
feijão para conter alta de preços
TIPO OSTENTAÇÃO
Prato cheio para
o humor na rede
Produto poderá vir, sem taxas, de China, México e países do Mercosul
BÁRBARA NASCIMENTO, SIMONE
IGLESIAS, EDUARDO BARRETO E
MARCELLO CORRÊA
[email protected]
A INFLAÇÃO DO PRODUTO
54,09*
TAXA ACUMULADA NO ANO
-BRASÍLIA E RIO- Após pressão nas re-
des sociais, o presidente interino
Michel Temer anunciou ontem
a suspensão das taxas para importação do feijão em uma tentativa de baixar o preço do produto. Em maio, o feijão preto já
acumulava alta de 18,8% no ano.
A ideia é que a suspensão dure
por 90 dias e abranja todos os
mercados. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, disse que a
ideia é prevenir que a mesma alta ocorra com o milho e sugeriu
o estabelecimento de preço mínimo para os produtores da leguminosa.
Só em junho, o IPCA-15, que
funciona como uma prévia da
inflação, indicou que o preço
do feijão carioca, por exemplo,
subiu 16,38%. Maggi afirmou
que a alta se deu por questões
climáticas, que ocasionaram a
perda de praticamente toda a
safra da região Centro-Oeste:
— Tivemos uma frustração de
10% da previsão de colheita, e,
obviamente, o mercado percebe
que vai faltar feijão, e acabamos
tendo aumento de preço.
O ministro quer estimular as
redes de supermercado a buscarem o item em países do Mercosul, que já têm livre comércio para o Brasil, como Argentina, Paraguai e Bolívia. Segundo a pasta
da Agricultura, a ideia é “ampliar
as opções de importação do produto de forma a aumentar a oferta no mercado interno e consequente redução dos preços”.
Além disso, o governo deve
encaminhar, ainda esta semana,
um pedido à Câmara do Comércio Exterior (Camex) para libera-
IPCA
33,49
RAMONA ORDOÑEZ
[email protected]
A Vigor Alimentos, fabricante
de produtos lácteos como leites,
iogurtes, margarinas e queijos,
inaugura hoje sua primeira fábrica no Estado do Rio de Janeiro, no município de Barra do Piraí. Segundo o presidente da indústria, Gilberto Meirelles Xandó Baptista, a nova unidade,
que exigiu um investimento de
R$ 130 milhões é a mais moderna de lácteos da América Latina, com capacidade de captação de leite de até um milhão de
litros por dia.
A meta da marca paulista, no
14,57
19,23
17,81
JAN
Fonte: IBGE
2,18
2,62
3,25
FEV
MAR
ABR
ção das taxas para a compra do
feijão em mercados fora do Mercosul. Hoje, a alíquota para importação desses países é de 10%.
O que o ministério irá propor é a
inclusão do feijão em uma lista
de exceções por 90 dias.
Dessa forma, o país poderá recorrer diretamente ao México e
à China. Neste último caso, há o
agravante de que o produto demoraria até 60 dias para chegar
ao país. Por isso, a ideia é que as
empresas tentem recorrer primeiro aos vizinhos. Maggi disse
que, como não é o governo
quem compra os produtos e sim
as redes de varejo, não é possível
estimar em quanto tempo os
preços começarão a cair:
— O mercado é autossuficiente, ele que regula.
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) não informou se as importações já estão
19/06 0,1901% 20/06 0,2304% 21/06 0,2169%
Selic: 14,25%
Correção da Poupança
Até 03/05/12
DIA
07/07
08/07
09/07
10/07
11/07
12/07
13/07
14/07
15/07
16/07
17/07
18/07
19/07
20/07
21/07
Rio, é dobrar as vendas e o faturamento.
— É a nossa primeira fábrica
fora do eixo São Paulo-Minas,
e queremos crescer no Rio onde já temos uma presença importante em vários segmentos
como os de iogurte grego e
queijos. Queremos crescer em
dois dígitos em faturamento e
vendas nesse mercado — afirmou Baptista.
A unidade produzirá, principalmente, leites e iogurtes, e deve gerar 300 novos empregos diretos ao longo de cinco anos.
PROJETO DE LONGO PRAZO
O faturamento anual da Vigor,
empresa do grupo JBS (que é
dono da Friboi), é da ordem de
R$ 5 bilhões. Com a inauguração no Rio, a empresa totaliza
16 fábricas no país.
A partir de 04/05/12
ÍNDICE
0,7270%
0,7188%
0,7121%
0,6694%
0,6635%
0,6923%
0,7132%
0,6945%
0,6834%
0,7217%
0,6795%
0,6529%
0,6911%
0,7316%
0,7180%
DIA
07/07
08/07
09/07
10/07
11/07
12/07
13/07
14/07
15/07
16/07
17/07
18/07
19/07
20/07
21/07
ÍNDICE
0,7270%
0,7188%
0,7121%
0,6694%
0,6635%
0,6923%
0,7132%
0,6945%
0,6834%
0,7217%
0,6795%
0,6529%
0,6911%
0,7316%
0,7180%
Obs: Segundo norma do Banco Central, os
rendimentos dos dias 29, 30 e 31 correspondem ao
dia 1º do mês subsequente.
Dezembro
-3,9%
Janeiro
-6,79%
Fevereiro +5,91%
Março
+16,9%
Abril
+7,7%
Maio
-10,1%
nos planos do setor. Já o presidente da Associação de Supermercados do Rio de Janeiro (Asserj), Fábio Queiroz, afirmou
que comprar do exterior pode
ser uma opção para conter os
preços, mas não garantiu que a
medida será suficiente para que
o feijão fique mais barato.
— (O preço) vai depender da
negociação de cada supermercadista — afirmou Queiroz.
MILHO TAMBÉM TERÁ ESTÍMULO
Para o economista André Braz,
da Fundação Getulio Vargas
(FGV), só a decisão de estimular as importações já pode ser
suficiente para, ao menos, limitar a alta do produto:
— O mercado sabe que vai
ter concorrência em breve.
O presidente da Associação
de Comércio Exterior do Brasil
(AEB), José Augusto de Castro,
R$ 788
R$ 788
R$ 880
R$ 880
R$ 880
R$ 880
R$ 953,47
R$ 1.052,34
R$ 1.052,34
R$ 1.052,34
R$ 1.052,34
R$ 1.052,34
IMPOSTO DE RENDA
IR NA FONTE JUNHO 2016
R$ 1.903,98
De R$ 1.903,99 a 2.826,65
De R$ 2.826,66 a 3.751,05
De R$ 3.751,06 a 4.664,68
Acima de R$ 4.664,68
MAI
JUN*
— O ano é difícil, mas estamos planejando a longo prazo.
Queremos crescer no mercado
de lácteos nacionalmente, e a
expansão no Rio era natural —
disse o presidente da empresa.
A expectativa do executivo é
que a fábrica influencie negócios em toda a região, além da cidade-sede, Barra do Piraí. Na
sua avaliação, municípios como
Vassouras, Pinheiral e Volta Redonda, devem ser beneficiados.
Baptista informou, ainda, que
a fábrica fluminense da Vigor
faz parte do Programa Rio Leite,
projeto do governo do estado,
que tem como objetivo aumentar a produção de leite e estimular produtores locais. A Vigor
produz 350 itens, incluindo as
marcas, Itambé, Leco, Danúbio,
Faixa Azul, Serrabella, Amélia,
Carmelita, Mesa e Jong. l
Alíquota Parcela a deduzir
Isento
7,5%
15%
22,5%
27,5%
—
R$ 142,80
R$ 354,80
R$ 636,13
R$ 869,36
Deduções: a) R$ 189,59 por dependente; b) dedução
especial para aposentados, pensionistas e
transferidos para a reserva remunerada com 65 anos
ou mais: R$ 1.903,98; c) contribuição mensal à
Previdência Social; d) pensão alimentícia paga devido
a acordo ou sentença judicial.
Obs: Para calcular o imposto a pagar, aplique a
alíquota e deduza a parcela correspondente à faixa.
Esta nova tabela só vale para o recolhimento do IRPF
este ano.
A correção da terceira parcela do IRPF de 2016, que
vence no dia 30 de junho, é de 2,11%.
Trabalhador assalariado
Alíquota (%)
8
9
11
Obs: Percentuais incidentes de forma não cumulativa
(artigo 22 do regulamento da Organização e do
Custeio da Seguridade Social).
Trabalhador autônomo
Para o contribuinte individual e facultativo, o valor da
contribuição deverá ser de 20% do salário-base.
Contribuição mensal mínima de R$ 176,00 (para o piso
de R$ 880,00) e máxima de R$ 1.037,96 (para o teto de
R$ 5.189,82)
UFIR
Junho
R$ 1,0641
Obs: foi extinta
REPRODUÇÃO DA INTERNET
Editoria de Arte
considerou a saída positiva:
— É a alternativa natural e
correta, pois, no Brasil, a cultura de feijão tem três safras e
não é possível “colocar” mais
um turno para aumentar a
produção. A importação é a
única possibilidade.
Maggi disse que o governo já
tomou medidas para o milho,
prevendo situação parecida para este produto. Segundo ele, o
preço das sacas subiu, em algumas regiões, de R$ 25 para R$
60. O ministério sugeriu ao governo estabelecer um preço mínimo aos produtores para a primeira safra, em R$ 18, e condições melhores de importação.
— Isso faz com que tenhamos
um volume maior na primeira
safra até que cheguemos, no fim
do ano que vem, com uma safra
melhor, quando esperamos que
São Pedro não nos atrapalhe. l
Federação alega que
benefícios fiscais
ajudaram a criar vagas
Em audiência pública realizada
ontem pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), sobre o Projeto de lei 1.431/16, que suspende a concessão de incentivos
fiscais às empresas, a Federação
das Indústrias do Estado do Rio
de Janeiro (Firjan) alertou que a
medida pode afastar investimentos no estado, justamente
no momento em que o Rio vive
uma de suas mais graves crises.
Ainda segundo a federação, o
projeto ameaça a geração de
novas vagas, e coloca em risco
parte dos 98 mil empregos criados nos últimos seis anos.
O presidente do Conselho de
Assuntos Tributários da Firjan,
INFLAÇÃO
Salário de contribuição (R$)
Até 1.556,94
de 1.556,95 a 2.594,92
de 2.594,93 a 5.189,82
e com a alta de mais
de 20% no preço do
feijão ficou mais difícil ver a leguminosa
na mesa do brasileiro, a carestia virou um prato cheio
para os piadistas de plantão.
Na internet, os usuários
criaram a hashtag #TemerBaixaOPreçoDoFeijão, que
foi usada até pelo perfil oficial do presidente interino
para anunciar a liberação da
importação de feijão de Argentina, Paraguai e Bolívia.
Entre as mensagens postadas nas redes, há quem diga que o transporte do feijão
precisa ser feito por carro
forte, dado seu valor, outros
brincam que estariam ricos
se a mãe não tivesse jogado
fora os feijõezinhos plantados no algodão na época da
escola.
Também comum na época do ensino fundamental,
o desenho de um ursinho
decorado com sementes de
feijão “já vale mais que a
Monalisa”, segundo um internauta. Há, ainda, os que
se assustam mais com o
preço da leguminosa na
gôndola do supermercado
do que com o filme de terror
“Invocação do mal”.
E um ainda questiona
“Nas festas em que a entrada é 1kg de alimento, quem
levar feijão fica na área VIP
com open bar?”. E a casca de
feijão no dente, pesadelo do
almoço fora de casa, virou
sinal de ostentação. l
Salgado
demais.
Feijão no
prato? Só se
for a versão
virtual
Poder. Mudança de paradigma: ter feijão no dente ganhou novo status
Firjan critica projeto que retira incentivos
INSS/JUNHO
Obs: * O valor do salário mínimo a partir de 1º de
janeiro de 2016 é de R$ 880. ** Piso para
empregado doméstico, entre outros.
Base de cálculo
4,62*
4,05
*Dado do IPCA-15 (Considerada uma prévia da inflação oficial)
BOVESPA SAL. MÍNIMO SAL. MÍNIMO
(FEDERAL)*
(RJ)**
TR
18,8
11,92
ÍNDICES
Indicadores
21,36*
24,05
19,27
Vigor inaugura hoje a 1ª fábrica no Rio
Meta da marca, com a
unidade de Barra do Piraí,
é dobrar vendas no estado
S
FEIJÃO CARIOCA
Alta do feijão é consequencia da chamada
quebra de safra. Ou seja, os produtores
colheram menos do que esperavam por
causa do excesso de chuva que atrapalhou
a lavoura. Com isso, faltou produto no
mercado e os preços dispararam
3,22
1,27
ALYNE BITTENCOURT
[email protected]
FEIJÃO PRETO
7,26
Aumento do feijão
indigna e inspira
memes na internet
UFIR/RJ
Junho
R$ 3,0023
Obs: A Unif foi extinta em 1996. Cada Unif vale 25,08
Ufir (também extinta). Para calcular o valor a ser
pago, multiplique o número de Unifs por 25,08 e
depois pelo último valor da Ufir (R$ 1,0641). (1 Uferj
= 44,2655 Ufir-RJ)
DÓLAR
Índice Variações percentuais
Dezembro
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
4493,17
4550,23
4591,18
4610,92
4639,05
4675,23
No mês
No ano Últ. 12meses
0,96% 10,67%
1,27% 1,27%
0,90% 2,18%
0,43% 2,62%
0,61% 3,25%
0,78% 4,05%
10,48%
10,67%
10,71%
9,39%
9,28%
9,32%
IGP-M (FGV)
Índice Variações percentuais
(8/94=100)
Dezembro
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
617,044
624,060
632,114
635,349
637,434
642,651
No mês
No ano Últ. 12meses
0,49% 10,54%
1,14% 1,14%
1,29% 2,44%
0,51% 2,97%
0,33% 3,30%
0,82% 4,15%
10,54%
10,95%
12,08%
11,56%
10,63%
11,09%
IGP-DI (FGV)
Índice Variações percentuais
(8/94=100)
UNIF
CÂMBIO
IPCA (IBGE)
(12/93=100)
Dezembro
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
610,128
619,476
624,366
627,060
629,345
636,468
Sergei Lima, explicou que a
discussão é válida, mas o assunto deveria sair da pauta da
Alerj para evitar insegurança:
— No momento atual, não
podemos perder nenhuma
oportunidade de fazer a economia girar, crescer. Somos favoráveis a uma discussão mais
aprofundada, mas é preciso retirar o projeto de lei da Alerj,
pois isso causa insegurança jurídica para os empresários.
Segundo levantamento feito
pela Firjan, de 2008 a 2014, os
incentivos propiciaram a instalação de 231 indústrias, com a
geração de mais de 98 mil empregos, e R$ 721 milhões na arrecadação de ICMS, em 51 municípios do interior do estado.
De acordo com Lima, além de
reduzir a atratividade do Rio para novos investimentos, a lei
No mês
No ano Últ. 12meses
1,19% 10,21%
0,44% 10,70%
1,53% 1,53%
0,43% 2,78%
0,36% 3,15%
1,13% 4,32%
10,64%
10,70%
11,65%
11,07%
10,46%
11,26%
Dólar comercial (taxa Ptax)
Paralelo (São Paulo/CMA)
Diferença entre paralelo e comercial
Dólar-turismo esp. (Banco do
Brasil)
Dólar-turismo esp. (Bradesco)
EURO
Euro comercial (taxa Ptax)
Euro-turismo esp. (Banco do Brasil)
Euro-turismo esp. (Bradesco)
Compra R$
Venda R$
3,3877
3,31
-2,29%
3,29
3,3883
3,52
3,88%
3,47
3,17
3,61
Compra R$
Venda R$
3,8230
3,7154
3,59
3,8244
3,9258
4,09
OUTRAS MOEDAS
Cotações para venda ao público (em R$)
Franco suíço
Iene japonês
Libra esterlina
Peso argentino
Yuan chinês
Peso chileno
Peso mexicano
Dólar canadense
3,52379
0,0323476
4,97040
0,249933
0,513448
0,00501797
0,18277
2,63077
FONTE: MERCADO
Obs: As cotações de outras moedas estrangeiras
podem ser consultadas nos sites www.xe.com/ucc e
www.oanda.com.
ameaça os empregos existentes.
No vencimento dos contratos,
alguns setores, hoje beneficiados por incentivos fiscais, ao
perdê-los, poderão ter que demitir parte dessa força de trabalho. É o caso do setor têxtil, cujos incentivos vencem em 2018.
O autor do projeto de lei, o
deputado estadual Luiz Paulo
Corrêa da Rocha (PSDB-RJ),
diz não ser contra os incentivos, mas destaca que é preciso
maior transparência:
— Não somos contrários, mas
o assunto estava fugindo do
controle. É preciso um ajustamento para que essa questão fique mais transparente. Queremos aperfeiçoar o sistema —
disse o deputado, que encaminhará o resultado da audiência
realizada ontem à presidência
da Alerj. (Ramona Ordoñez) l
BOLSA DE VALORES: Informações sobre
cotações diárias de ações e evolução dos
índices Ibovespa e IVBX-2 podem ser
obtidas no site da Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa), www.bovespa.com.br
CDB/CDI/TBF: As taxas de CDB e CDI
podem ser consultadas nos sites de
Anbima (www.anbima.com.br) e Cetip
(www.cetip.com.br). A Taxa Básica
Financeira (TBF) está disponível
no site do Banco Central (www.bc.gov.br).
Para visualizá-la, clicar em “Economia e
finanças” e, posteriormente, em “Séries
temporais”
FUNDOS DE INVESTIMENTO:
Informações disponíveis no site da
Associação Brasileira das Entidades dos
Mercados Financeiro e de Capitais
(Anbima), www.anbima.com.br. Clicar em
“Fundos de investimento”
IDTR: Pode ser consultado no site da
Federação Nacional das Empresas de
Seguros Privados e de Capitalização
(Fenaseg), www.fenaseg.org.br. Clicar na
barra “Serviços” e, posteriormente, em
FAJ-TR. Selecionar o ano e o mês desejados
ÍNDICE DE PREÇOS: Outros indicadores
podem ser consultados nos sites da
Fundação Getulio Vargas (FGV, www.fgv.br),
do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE, www.ibge.gov.br) e da
Anbima (www.anbima.com.br)
l Economia l
Quinta-feira 23 .6 .2016
O GLOBO
l 23
Temer acena com alívio a dívidas da Copa
Operações foram feitas com BNDES. Mas questionamentos do TCU sobre estádios podem ser empecilho
MARTHA BECK, BÁRBARA NASCIMENTO,
CATARINA ALENCASTRO E DANILO FARIELLO
[email protected]
O presidente interino, Michel Temer, sinalizou que o governo poderá permitir que os estados renegociem dívidas contraídas junto ao
BNDES para a realização de obras da Copa do
Mundo. Os governadores que tomaram esses empréstimos chegaram a pedir sua inclusão no acordo de alongamento das dívidas estaduais com a
União, fechado na segunda-feira no Palácio do
Planalto, mas não foram atendidos. Temer, no entanto, fez um aceno positivo durante uma entrevista concedida ontem à rádio Jovem Pan:
— Eu penso que logo poderei chamar os estados, especialmente aqueles onde se verificou a
construção de estádios para a Copa do Mundo,
para eventualmente renegociar.
Dez dos 12 estados que tiveram cidades-sede
da Copa tomaram recursos do BNDES para reformar e construir estádios. Segundo dados da
instituição, o total emprestado chegou a R$ 3,3
bilhões dentro do ProCopa Arenas. Rio de Janeiro, Pernambuco e Amazonas, por exemplo, receberam R$ 400 milhões cada um.
Segundo integrantes da área econômica, no entanto, a renegociação desses débitos não será tarefa fácil. A principal resistência vem do próprio BNDES, que não quer alongar dívidas para obras que
ainda estão cercadas de problemas jurídicos. Mui-
-BRASÍLIA-
U
tos dos estádios da Copa de 2014 foram
o banco de fomento foram alongados por
alvo de investigação e questionamento do
dez anos, com quatro de carência.
Números
Tribunal de Contas da União (TCU).
Integrantes da equipe econômica re— O BNDES está firme nessa posição —
latam que a demanda por alongar díviR$ 3,3
afirmou um integrante da área econômica.
das da Copa vem, principalmente, de
Outro problema está no fato de que,
Mato Grosso e estados do Nordeste. Na
BILHÕES
em alguns estados, os empréstimos para
reunião com Temer na segunda-feira, o
Montante
as arenas da Copa foram tomados por
governador do Mato Grosso, Pedro Taque BNDES
entes privados. É o caso, por exemplo, de
ques (PSDB), teria dito que os estados
emprestou,
Rio Grande do Norte e Rio Grande do
pelo ProCopa haviam sido compelidos a sediar a CoSul. Os técnicos do governo acham poupa e que, como estavam sendo solidáriArenas,
co provável que se possa incluir em uma
os aos problemas do Rio com as Olimpía dez estados
negociação com os governos estaduais
adas, também mereciam um tratamenoperações que envolvem empresas prito diferenciado.
vadas. O valor tomado junto ao BNDES
— Para alguns estados, especialmente
R$ 400
nesses financiamentos, especificamente,
do Nordeste, o que mais valeria a pena seMILHÕES
chegou a R$ 888 milhões.
ria renegociar as dívidas da Copa. Eles
É o que Rio,
— Os técnicos do Tesouro utilizaram,
não se sentiram contemplados com o
Amazonas e
especificamente, o exemplo do Itaqueacordo que foi fechado — afirmou outro
Pernambuco
rão, em São Paulo, construído pelo Cosecretário de Fazenda, relatando que Tereceberam
rinthians. O benefício jamais poderia ser
mer se comprometeu a analisar os pleitos.
para estádios
estendido a esse tipo de obra. O alongaTemer aproveitou a posse do novo preda Copa
mento teria de ser para alguns estádios, e
sidente do IBGE, Paulo Rabello de Casisso geraria um desgaste muito grande — afirmou tro, para dizer que o fato de ser interino no cargo
um secretário de Fazenda ao GLOBO.
não o atrapalha na tarefa de governar o país. Ele
No acordo selado com Temer no início desta listou as ações que já conseguiu realizar nesses 40
semana, os estados conseguiram alongar suas dí- dias como chefe do Executivo e afirmou que o
vidas com a União por 20 anos, com seis meses de Congresso Nacional está “irmanado” com o gocarência total. Financiamentos de cinco linhas do verno. Ao encerrar seu discurso, disse não ter a
BNDES também entraram no acerto, mas ne- menor dúvida de que o Brasil sairá da crise:
nhum relativo à Copa do Mundo. Os débitos com
— As pessoas me perguntam em entrevistas se a
interinidade não atrapalha a história da governabilidade. Eu digo: absolutamente não. As pessoas têm
a mania de personalizar os cargos, quando na verdade o cargo deve prevalecer sobre a figura da pessoa. E, no caso de presidente da República, o que
deve haver por quem o exerce, momentânea ou definitivamente, deve ser pensar o país. O país continua, o povo brasileiro tem suas angústias, suas necessidades, e, portanto, nós precisamos continuar a
desenvolver as teses que beneficiam o país.
Temer sinalizou que o acordo para a renegociação das dívidas dos estados foi um primeiro
passo, um “ajuste federativo emergencial”, que
será seguido, depois, de uma repactuação federativa e de uma reforma tributária.
CELG DEVE SER PRIVATIZADA ATÉ SETEMBRO
Já o secretário executivo do Ministério de Minas
e Energia, Paulo Pedrosa, disse ontem que o leilão da distribuidora Celg, na qual a Eletrobras é
sócia com o governo de Goiás, deverá ocorrer
até setembro. O governo deve publicar até amanhã uma medida provisória com instrumentos
que facilitem essa privatização.
Uma das propostas é levar para o setor elétrico a
chamada inversão de fases do leilão, pela qual só o
vencedor deve apresentar os documentos necessários. Pela regra atual, todos os interessados têm de
se qualificar. Pedrosa disse ainda que a MP vai abordar a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE),
que deverá ganhar um teto e maior eficiência. l
Meta fiscal para 2017 será anunciada até a próxima semana
Ministro já admitiu que governo
pode prever déficit nas contas
públicas no ano que vem
EDUARDO BARRETTO, CRISTIANE JUNGBLUT,
SIMONE IGLESIAS E BÁRBARA NASCIMENTO
[email protected]
-BRASÍLIA- O ministro interino do Planejamento,
Dyogo Oliveira, disse ontem que o governo deve
anunciar uma meta fiscal para 2017 até o fim da
próxima semana. Oliveira afirmou que a proposta será “crível”.
— O Congresso espera votar o projeto da LDO
(Lei de Diretrizes Orçamentárias) e, para isso,
precisa de uma sinalização nossa quanto à meta. Devemos ter isso definido até o final da próxima semana — declarou Oliveira. — Eu diria
que nós perseguiremos sempre a apresentação
de uma proposta que seja bem transparente,
bem realista e, acima de tudo, que seja uma proposta crível.
Na última quinta-feira, o ministro havia admitido
uma meta fiscal negativa em 2017, durante audiência pública na Comissão Mista de Orçamento
(CMO), na Câmara dos Deputados. Ele disse, ainda,
que o governo apresentará novos parâmetros macroeconômicos para os ajustes ao projeto da LDO.
Outra proposta de grande interesse do governo Michel Temer, aprovada pelo Senado na última segunda-feira, é a que trata da Lei de Responsabilidade das Estatais. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse ontem que a Casa atendeu a um pedido de Temer
para aprovar o texto, que deve ser sancionado
sem vetos.
MINISTRO VÊ MAIS COMPETITIVIDADE NO SETOR AÉREO
Na noite de segunda-feira, Temer participou de jantar com os senadores, no qual comemorou a aprovação e prometeu sancionar a proposta o quanto
antes. No jantar, segundo relatos obtidos pelo GLOBO, o presidente fez questão de ser apresentado a
cada senador, percorrendo as mesas.
— Foi uma conversa informal, mas uma conversa muito boa, porque ajuda nas relações do
Executivo com o Legislativo. Na segunda-feira,
o presidente Temer havia pedido para que agilizássemos a votação da Lei de Responsabilidade
das Estatais. E, ontem mesmo, mandamos o que
foi aprovado no Senado para o Executivo. Fizemos questão de agilizar, atendendo, dessa for-
ma, ao pedido do presidente — disse Renan.
Para Oliveira, as aprovações, pelo Congresso,
do projeto de lei com novas regras para as estatais
e da medida provisória do setor aéreo estão alinhadas com o conjunto de propostas que serão
apresentadas pelo governo nos próximos 15 dias.
Ele ressaltou que o projeto de lei das estatais traz
regras importantes sobre o funcionamento e a
governança das empresas, não se restringindo a
normas sobre nomeações de dirigentes.
— Somente quando há instrumentos de governança controlando ativamente o funcionamento
das empresas há condições de agir em relação aos
problemas e potencialidades que a empresa tem.
E a lei traz isso, quando disciplina o funcionamento dos comitês e atribui competências ao Conselho de Administração, por exemplo — explicou.
Em relação à medida provisória que muda as
regras na aviação civil, o ministro acredita que a
abertura total do mercado ao investimento estrangeiro dará maior competitividade ao setor.
Isso poderá resultar em ampliação da oferta de
voos regionais, bem como em aumento da oferta de rotas e de voos em rotas já existentes:
— De uma forma geral, esses dois projetos vão
trazer ganhos para a economia brasileira, tanto
do ponto de vista do emprego quanto da renda. l
Dólar e Bolsa recuam por temor de Brexit
SIMON DAWSON/BLOOMBERG NEWS
Moeda americana
cai 0,88%, a
R$ 3,377, e Bovespa
tem queda de 1,34%
RENNAN SETTI
[email protected]
O dólar comercial fechou ontem em queda de 0,88% frente
ao real, cotado a R$ 3,377. O
câmbio local acompanhou o
movimento global da moeda
americana, que recua 0,37%
contra uma cesta de dez divisas. No mercado acionário, porém, a Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa) registrou um
pregão volátil e acabou caindo
1,34%, aos 50.156 pontos, após
cinco altas seguidas.
O mercado global operou
sob tensão, alimentada por especulações sobre o referendo
britânico acerca da permanência do país na União Europeia
(UE), a ser realizado hoje. Pela
manhã, o clima era mais otimista com a percepção de que
acesse
140
SÃO JOÃO DO MERITI (SHOPPING GRANDE RIO)
Estrada Antonio Sendas, 111
SHOPPING VIA PARQUE Av. Ayrton Senna, 3.000
AMÉRICAS SHOPPING Av. das Américas, 15.500
Brexit. Canary Wharf, o distrito financeiro de Londres: temor com saída da UE
seriam menores as chances de
um Brexit; à tarde, porém, a divulgação de pesquisas apontando a vitória, por uma pequena margem, da campanha
pela saída da UE acabou disseminando cautela.
LIBRA: MAIOR PATAMAR NO ANO
No mercado europeu, os principais índices perderam força ao
longo do dia, embora tenham
conseguido fechar em alta. O índice de referência europeu Euro
Stoxx subiu 0,37%, enquanto a
Bolsa de Londres teve alta de
0,56%. A Bolsa de Paris registrou
valorização de 0,29%, e a de
Frankfurt subiu 0,55%. Em Nova
York, o Dow Jones encerrou em
queda de 0,27%, enquanto o
S&P 500 caiu 0,17%, e a bolsa
eletrônica Nasdaq, 0,22%.
— O mercado ficou um pouco
assustado com duas pesquisas
indicando que o Brexit teria sucesso no referendo de amanhã
(hoje), uma do instituto TNS e
outra do Opinium. Na terça-feira, o megainvestidor George Soros foi catastrófico sobre os efeitos de uma eventual saída da
UE, e esse tipo de coisa deixa o
mercado tenso. Contribuindo
para o mau humor há o petróleo, que passou a cair — disse
Paulo Gomes, economista-chefe da Azimut.
À espera da votação, a libra
atingiu seu maior patamar
frente ao dólar este ano, segundo a agência Bloomberg:
US$ 1,4844. Mas a moeda britânica acabou encerrando as
negociações ontem a US$
1,4707, alta de 0,38%.
Na Bovespa, a Petrobras, que
chegou a subir mais de 1% pela
manhã, acabou fechando em
queda. As ações ordinárias (ON,
com direito a voto) caíram
2,43%, a R$ 11,65, enquanto as
preferenciais (PN, sem voto) recuaram 1,99%, a R$ 9,34.
A estatal brasileira acabou
sendo prejudicada pela virada
nos preços do petróleo, depois
de dados mostrarem que a redução dos estoques americanos
do produto na semana passada
foi menor que a esperada. Foram 917 mil barris a menos,
contra projeções de queda de
1,5 milhão. Com isso, o barril do
tipo Brent encerrou em queda
de 1,46%, a US$ 49,88.
E esse cenário deve persistir
por mais algum tempo. Christof Ruehl, diretor global de
Pesquisa do fundo soberano
de Abu Dhabi, disse à Bloomberg ontem que o excesso de
oferta de petróleo deve continuar até meados de 2017.
BC FARÁ DOIS LEILÕES
Já a Vale ON subiu 1,60% (R$
21,88), enquanto a PNA avançou 2,49% (R$ 12,75). O Banco
do Brasil ON teve queda de
0,32% (R$ 15,80), e o Bradesco
PN recuou 0,20% (R$ 24,85). O
Itaú Unibanco teve desvalorização de 1,74% (R$ 28,88).
No fim do dia, o Banco Central anunciou que realizará hoje dois leilões de linha — venda da moeda com compromisso de recompra. Um tem liquidação em 2 de agosto, e o outro, em 4 de outubro. l
Ficar ou sair?, nas páginas
24 a 26
| Opinião |
SEGUNDO PASSO
MAIS DO que sensata a medida do governo de abrir sem restrições o mercado
aéreo à participação estrangeira. Única
maneira efetiva de permitir a melhoria no
atendimento aos usuários, e num momento de aperto financeiro nas empresas
nacionais.
FALTA DAR um segundo passo, e não só
neste setor, que é a refundação das agências reguladoras, esvaziadas e aparelhadas
no lulopetismo. São elas que, sem interferência política, mediarão o normal choque de interesses entre empresas e usuário, supervisionarão o cumprimento dos
contratos e, dessa forma, darão efetiva
segurança jurídica aos negócios.
Instituições financeiras
terão plantão na madrugada
Empresas se preparam
para horas seguintes
à votação. Volatilidade
pode limitar serviços
DA BLOOMBERG NEWS
-LONDRES- Com a votação de hoje
sobre a permanência ou não
do Reino Unido na União Europeia (UE) podendo gerar
uma série de efeitos nos mercados, instituições financeiras
se prepararam para lidar com
as possíveis consequências. As
urnas serão fechadas às 22h
(horário local), e espera-se que
o resultado saia no começo da
manhã de sexta-feira. O Bank
of America espera uma queda
de 10% no mercado acionário
se o Reino Unido sair da UE. E
o bilionário e megainvestidor
George Soros alertou que a libra pode despencar mais de
20% se o Brexit se confirmar.
A Icap, que faz negociação
on-line de títulos do tesouro e
de câmbio, reforçou a equipe. A
Bat Global Markets, responsável
pelo maior mercado de ações
pan-europeu, testou seus sistemas para suportarem volumes
muitas vezes acima do que já foi
registrado. Os bancos, por sua
vez, avisaram aos clientes que,
com a volatilidade alta, alguns
serviços podem ser limitados.
— Todos estão certamente
reforçando suas equipes para o
momento do resultado e as horas seguintes — explica Michael O’Brien, diretor de trading
global da Eaton Vance, de Boston, que planeja ficar na empresa até o resultado sair. — Os
bancos todos estão fazendo isso, eu suspeito que a maioria
dos gestores de ativos estão fazendo isso.
ABERTURA ÀS 4H
A plataforma eletrônica de negociação ParFX disse que a
área de câmbio terá mais gente
de negociação e tecnologia
disponível, para caso de necessidade. Já a Tradeweb, que facilita transações de diversos tipos de ativos, disse que abrirá
mais cedo, às 4h, para lidar
com uma possível alta no volume de negócios pela manhã.
A Bolsa de Londres, que planeja abrir em seu horário habitual amanhã, tem seus próprios
limites de flutuação, em cerca
de 3% a 10% ou mais. Se os pedidos ultrapassarem essa faixa,
a ação irá, automaticamente, a
leilão, antes de a negociação do
papel ser retomada. l
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24
l O GLOBO
Quinta-feira 23 .6 .2016
Mundo
FICAR OU SAIR?
A ilha indecisa
_
Britânicos votam hoje divididos em referendo que ameaça abalar alicerces da União Europeia
CLAUDIA SARMENTO
Especial para O GLOBO
[email protected]
-LONDRES- Depois de uma campanha agressiva que le-
vou a uma divisão sem precedentes, os britânicos
decidem hoje se o Reino Unido continuará a fazer
parte da União Europeia (UE) ou deixará o bloco
após 43 anos de parceria, opção conhecida como
Brexit. Na véspera do plebiscito, quatro novas pesquisas indicaram um empate técnico, com uma pequena vantagem para o Brexit em duas delas. Mas,
seja qual for o resultado, a disputa gerou uma polarização que deixará marcas. Se o Leave (de “sair”)
vencer, as consequências econômicas poderão sacudir os mercados e o premier David Cameron dificilmente conseguirá se manter no cargo. Se o Remain (de “permanecer”) ganhar, o governo precisará enfrentar a frustração de uma imensa parcela da
população que demonstrou não confiar na UE.
DIVISÃO PODE SER SENTIDA NAS RUAS
O clima de sociedade rachada pode ser sentido
nas ruas de Londres. Em frente ao Parlamento,
enquanto flores eram colocadas para lembrar a
parlamentar Jo Cox, defensora da integração europeia assassinada por um neonazista, uma ativista carregava um cartaz com xingamento à UE.
Nas estações de metrô, o jornal “Evening Standard” era distribuído gratuitamente e pedia na
primeira página votos para o Remain. Mas quem
lesse tabloides populares como “The Sun” e
“Daily Express” encontraria mensagem oposta.
Em entrevista ao “Guardian”, o secretário-geral
da Otan, Jens Stoltenberg, alertou que a participação britânica na UE é fundamental para combater
o terrorismo e a imigração ilegal. A advertência se
soma a recados semelhantes dados nos últimos
dias por líderes mundiais, mas as intervenções
ainda não tiveram o efeito esperado. As últimas
sondagens mostram que a retórica anti-UE, que
inclui severas críticas à política de imigração, continua a ter forte apelo. Uma pesquisa do instituto
Opinium registrou 45% das intenções de voto para
o Brexit contra 44% para o Remain. A TNS, por sua
vez, deu 43% para o Brexit, e 41% para o campo
pró-UE. Já o YouGov indicou 51% para a permanência e 49% para a saída, enquanto a Comres
apontou 48% contra 42%, respectivamente.
A disputa apertada levou os líderes dos dois lados
a se lançarem numa corrida desesperada de olho
nos indecisos, que variam de 9% a 11% dos eleitores. Enquanto o time de Cameron priorizou a economia, os partidários do Brexit, encabeçados pelo
ex-prefeito de Londres Boris Johnson, insistiram no
discurso patriótico sobre a necessidade de retomar
a soberania nacional. Nigel Farage, líder do Partido
pela Independência do Reino Unido (Ukip), de extrema-direita, tentou assumir o protagonismo da
campanha. Ele afirmou que foi o Ukip que propagou as principais bandeiras do Leave e seus slogans,
como a ideia de que hoje “é o dia da independência
britânica”, frase proferida por Johnson no debate de
terça-feira. Nos últimos dias, defensores do Brexit
evitaram associação com Farage, acusado de xenofobia e racismo.
— Podemos votar por uma mudança real, para devolver o poder ao povo, e retomar o controle de nosso país, nossas fronteiras, nosso orgulho e amor-próprio — disse, reforçando os ide-
U
IMPRENSA ESPECULA
ELIZABETH II, UMA APOIADORA SECRETA DO BREXIT?
-LONDRES- Uma opinião que
pesaria muito no Reino Unido
sobre ficar ou sair da União
Europeia (UE) seria a da rainha
Elizabeth II. E a soberana — que
se declara neutra em questões
políticas — teria dado sinais de
dúvidas sobre a permanência,
destacou a imprensa local.
Elizabeth pediu em jantar que
seus convidados “citassem três
boas razões para que o Reino
Unido fique”, relatou no “Daily
Beast” o escritor especializado
na realeza Robert Lacey. Não
tardou para a imprensa destacar o
fato. O tabloide “The Sun”, mais
lido do país, fez uma capa em
reação à suposta fala da rainha:
“Desculpe, senhora, mas não
podemos pensar em nenhuma
(boa razão para ficar na UE)”, diz o
jornal, que se disse pró-Brexit, e
foi recentemente criticado pelo
Palácio de Buckingham por ter
insinuado o apoio da rainha.
O sensacionalista “Express”
falou em “um desafio da monarca
ao bloco”, enquanto o tradicional
“Telegraph” replicou o “Daily
Beast”: “Me diga por que
deveríamos ficar”. Mas, em
entrevista, Lacey minimizou.
— Ela gosta de um debate ao
redor da mesa, como todos nós
neste país, e ela vem debatendo o
Brexit com seus amigos próximos
e parentes. Mas, pelo que eu ouvi,
ela vem tomando cuidado para ser
escrupulosamente neutra.
A realeza voltou a dizer que
Elizabeth “está acima da política”.
— O referendo é um assunto
para o povo britânico decidir —
disse um porta-voz da monarquia.
ais nacionalistas que caracterizam o Ukip.
Já Cameron repetiu que a saída da UE afetará
o crescimento econômico, empregos e a renda
das famílias britânicas.
— Se eu tivesse que resumir a campanha em
uma palavra, seria “juntos”. Juntos podemos enfrentar os desafios do terrorismo e das mudanças
climáticas, temos mais condições de melhorar a
economia e somos mais capazes conduzir bons
acordos comerciais — declarou ele, em Bristol.
UE REPETE QUE NÃO HAVERÁ OUTRA CHANCE
Cameron disse que não deixará de lutar pela reforma da UE e, no dia seguinte ao voto, continuaria negociações para rever regras de imigração.
Mas o presidente da Comissão Europeia, JeanClaude Juncker, mandou um recado duro.
— Não haverá nenhum tipo de renegociação
— avisou Juncker, que ressaltou concessões feitas a Londres pela UE em fevereiro. — Ele (Cameron) teve o máximo que poderia receber, e
demos o máximo que poderíamos dar.
Johnson, por sua vez, repetiu que só o Brexit daria ao país a liberdade para decidir seu destino.
— É hora de romper com o fracassado e disfuncional sistema europeu — anunciou.
Reforçando o voto pela UE, 1.300 líderes empresariais, entre eles dirigentes de 51 das maiores empresas do Reino Unido, advertiram que o
Brexit provocaria um “choque econômico”. Em
contrapartida, cem pequenos empresários defenderam numa carta aberta no “The Sun” o fim
do casamento com Bruxelas. l
NA WEB
glo.bo/28PRfHo
Especial multimídia: Entenda o que está
em jogo com o referendo do Brexit
GEOFF CADDICK/AFP
Em campanha. David Cameron (esquerda) encontra apoiadores da permanência britânica na União Europeia, em evento em Bristol. Primeiro-ministro britânico destacou riscos que saída trará ao crescimento econômico do país
-LONDRES - Boris Johnson, exprefeito de Londres e um dos
líderes da campanha pelo
Brexit, se tornou uma figura
internacional durante a disputa de hoje, destacando-se
nos debates e comícios que
marcaram o referendo. Ele é
apontado como candidato à
sucessão de David Cameron,
seu colega de partido. Autora
de um biografia sobre o político (“Somente Boris”), a jornalista Sonia Purnell o classifica como um oportunista
cuja única meta é o número
10 de Downing Street.
O desempenho de Boris
Johnson na campanha pelo Brexit foi surpreendente
ou quem acompanha sua
carreira sabe exatamente
o que esperar dele?
l
Corpo a corpo
SONIA PURNELL
‘É uma batalha entre dois egos’
Para biógrafa de Boris Johnson, referendo acentua disputa entre ele e Cameron, e não sobre a Europa
Ele tem se mostrado mais focado e, de uma certa maneira,
mais disciplinado que o usual.
Ao comparar a UE a Hitler, por
exemplo, ele sabia que teria
imensa cobertura da mídia,
apesar de sua declaração ser irresponsável. Enxergar Boris como um político preguiçoso é
um equívoco. Ele nunca se
mostrou tão energético porque
essa é a primeira vez que participa de uma campanha visando
abertamente ao cargo de premier. E ele sabe que essa é sua
última grande chance de conseguir isso.
O mais importante para ele
é o lugar de Cameron, e não
sua convicções contra a UE?
Conheço Boris há muito tempo e acompanho sua carreira há
anos. Ele não é, no fundo, alguém
que acredita no Brexit. Mas não
haveria uma vaga para ele como
l
candidato a premier no campo
pró-UE, somente no campo próBrexit. Quando foi prefeito de
Londres, era um defensor da imigração, basta relembrarmos o
que ele dizia. É muito difícil você
administrar Londres e não ser
pró-imigração, porque trata-se
de uma cidade de imigrantes. Ele
próprio nasceu nos EUA, tem raízes turca, francesa e alemã e sua
mulher é filha de uma indiana.
Se analisarmos sua carreira polí-
tica, fica claro que ele nunca teve
nenhuma grande bandeira, a não
ser o corte de impostos para os ricos. Às vezes é um ecologista, às
vezes não. Depende de com
quem está falando. É a mesma
coisa em relação à UE. O discurso
varia de acordo com a audiência.
A disputa entre Cameron e
Johnson, que tem uma longa
história de amizade, foi ficando cada vez mais ferrenha. Es-
l
sa guerra pode ter afastado
os eleitores?
Acho que sim. Para alguns
eleitores, essa não foi uma
disputa sobre a Europa e sim
uma batalha entre dois egos.
Principalmente por causa de
Boris, que trava uma disputa
centrada em sua própria personalidade. Era inevitável
que ele acabasse se destacando desse jeito. Cameron
até tentou se distanciar dessa
briga focada entre duas figuras conservadoras, mas Boris
parecia querer massacrá-lo.
Ele chamou o premier de
“demente”. Isso não é pouca
coisa. É seu estilo, mas ele
nessa campanha foi além.
Cameron sempre tentou
mostrar que eles eram amigos, mas agora podemos dizer que são inimigos. (C.S.) l
l Mundo l
Quinta-feira 23 .6 .2016
O GLOBO
l 25
FICAR OU SAIR?
_
Brasil pode
sofrer choque
pelo mercado
FUTURO EM JOGO
O CENÁRIO QUE OS BRITÂNICOS ENCONTRAM NO DIA DO REFERENDO
ÚLTIMAS PESQUISAS
COMRES/ITV
YOUGOV/THE TIMES
PERMANÊNCIA
48%
51%
47%
42%
OPINIUM
SAÍDA
PERMANÊNCIA
SAÍDA
TNS
49%
45%
44%
43%
41%
SAÍDA
PERMANÊNCIA
SAÍDA
PERMANÊNCIA
Brexit levaria a turbulência e aversão a
risco no mundo, com reflexo no país
LUCIANNE CARNEIRO
[email protected]
Turbulência no mercado financeiro e
consequente aversão a investimentos
em países de maior risco devem ser os
principais efeitos para o Brasil no caso
de uma eventual saída do Reino Unido
da União Europeia (UE), apontam especialistas. Como a ilha responde por
menos de 2% das exportações brasileiras, o impacto do chamado Brexit será
limitado pelo lado do comércio, mas
economistas apontam risco no caso de
sequelas mais intensas para a economia europeia e suas consequências para a economia mundial. Há quem veja,
ainda, que o Brasil perde uma voz a favor da liberalização de comércio no
contexto da negociação entre o Mercosul e a União Europeia.
— O Brasil poderia ser mais afetado de
forma indireta, com contágio sobre o resto da União Europeia e efeito nos mercados financeiros e potenciais impactos para a economia global. Sem dúvida, o maior efeito é instabilidade financeira e redução de crescimento global na hipótese de
um contágio mais severo — afirma o economista Estevão Scripilliti, do Bradesco.
EFEITO NEGATIVO SOBRE PIB BRASILEIRO
Em um cenário mais adverso para a
economia global em função do Brexit,
segundo ele, o Brasil poderia perder
potencialmente até 0,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB).
Na semana passada, o mercado financeiro deu mostras da turbulência que pode vir por aí. As principais Bolsas do mundo despencaram e a libra caiu. Até 21 de
junho, a moeda britânica acumulava queda de 4,38%. Projeção do Bradesco considera risco de recuo de até 20% da libra. No
Brasil, o dólar subiu 1,16% na semana passada, até quinta-feira. Em momentos de
turbulência, os recursos de investidores
tendem a deixar os mercados de maior risco em direção a portos seguros.
— As mudanças não são de curto prazo, mas os mercados se assustam rapidamente. Uma situação de aversão a
risco pode levar a desequilíbrio nas
moedas e recuo nos preços de commodities. A reação vai depender se teremos ou não uma ação coordenada dos
bancos centrais — diz o economistachefe do Modalmais, Alvaro Bandeira.
Estimativas apontam que o crescimento da economia da zona do euro pode chegar a zero em 2017 se o Brexit vencer, o que seria uma perda frente à previsão de 1,7% de expansão sem a separação. Neste caso, haveria impacto via exportações brasileiras, já que o bloco europeu responde por quase um quinto
das exportações do Brasil.
IMPACTO FINANCEIRO DE CURTA DURAÇÃO
Presidente internacional do Conselho
Empresarial da América Latina (Ceal),
Ingo Plöger vê com preocupação o Brexit. Ele reconhece que o comércio entre
Brasil e Reino Unido é pequeno, mas
destaca que o país europeu tem uma visão mais liberal no comércio que o resto
do bloco, o que não deve facilitar as negociações comerciais em curso entre
Mercosul e União Europeia:
— Lá na frente, o Reino Unido pode até
se tornar mais liberal se sair da União Europeia. Mas os ganhos em benefícios para
o Brasil seriam pequenos diante da perda
do papel mais liberal desempenhado pelo Reino Unido. Isso aumentaria a força
protecionista na Europa, não vale a pena.
Professor do Instituto de Economia
da UFRJ, Luiz Carlos Prado acredita
que o impacto pelo mercado financeiro
tende a ser de curta duração, mas concorda com a preocupação sobre efeitos
nas economias europeia e mundial:
— Há um efeito potencial na economia brasileira se ocorrer desaceleração
na economia europeia. Além disso, temos muitas multinacionais europeias
no país, e a decisão pode ter efeito sobre suas políticas de investimento. l
Artigo
A cosmopolita Londres e o Brexit
JAMES MCAULEY
A
história da região londrina
do East End é a história da
migração: cinco séculos de
comunidades de minorias
vivendo conjuntamente — às vezes,
tensamente — na periferia da capital
britânica.
Membros da nobreza alemã vieram
depois de franceses huguenotes; muçulmanos de Bangladesh se seguiram
a judeus da Europa Oriental. Cada comunidade deixou suas marcas ali: as
lojas de curry, as lanchonetes de bagel
abertas a noite toda, e, em dias quentes, o cheiro de coentro no ar.
Hoje, após meses de uma campanha acalorada e de forte viés antiimigração, os eleitores decidirão se o
Reino Unido deve continuar na União Europeia (UE). Mas no East End e
por toda Londres, muitos já se perguntam se o Brexit — isto é, a saída
do país da UE — pode levar ao fim da
cidade como ela é hoje: multiétnica,
internacional e cosmopolita.
Para a escritora Rachel Liechtenstein,
autora de livros sobre o East End, o voto
representa uma afronta à ideia por trás
da comunidade que acolheu seus avós
na década de 1930, quando eles, refugiados judeus da Polônia, se conheceram
num curso de inglês na Brick Lane.
— A ideia de que, de alguma forma, vamos nos desligar do resto da
Europa e do resto do mundo... é apavorante para mim — afirmou Rachel. — Nós somos uma sociedade
multicultural em Londres, e essa é a
alegria de estar nessa cidade.
Para o muçulmano bengalês Ansar
Ahmed Ullah, que vive no East End
desde os anos 1980, o Brexit é menos
uma decisão política do que uma
questão de “lealdades emocionais”. Ullah estava parado em frente à mesquita de Brick Lane, um modesto edifício
georgiano que já foi uma sinagoga e,
antes disso, sediara três igrejas diferentes. Há quem diga que é o único templo fora de Jerusalém a ter sido usado
pelas três principais religiões.
— A mesquita é emblemática dos
diferentes grupos migratórios que
vêm ao East End — disse ele.
Se, hoje, grande parte do Leste de
Londres está altamente gentrificada
— salpicada de butiques que vendem vinhos austríacos e restaurantes com instalações de Damien Hirst
— essa área foi, durante séculos, a
primeira parada para os imigrantes.
Nos últimos anos, o multiculturalismo londrino foi fomentado por
leis da UE determinando que o governo aceite migrantes de outros países do bloco. Há 3,3 milhões de cidadãos da União Europeia vivendo
no país, um aumento de 2 milhões
desde 2003. Cerca de 2,1 milhões deles têm empregos no Reino Unido.
Caso a maioria de eleitores apoie a
campanha do “vá embora”, não está
claro o que acontecerá com os cidadãos europeus aqui. l
Do “Washington Post”
PELA PERMANÊNCIA
PELA SAÍDA
A POSIÇÃO DOS JORNAIS
THE TIMES
THE SUN
Se posicionou a favor de ficar na UE em sua edição do dia 18 com
o artigo “Por que permanecer é melhor para a Reino Unido”. O
jornal de Rupert Murdoch entrou assim em colisão com dois outros
do grupo: “The Sun” e “The Sunday Times”, a favor da saída.
Jornal de maior circulação no país teve a palavra
“Leave” como manchete no dia 14.
DAILY MAIL
De tendência conservadora, é o segundo em maior
circulação e também advogou pelo “Leave” em sua
primeira página no dia 22.
THE GUARDIAN
Principal jornal de centro-esquerda do país apoia a
permanência, afirmando que seus leitores devem se manter
"conectados e inclusivos, e não raivosos e isolados".
THE TELEGRAPH
Com o editorial “Vote pela saída para se beneficiar de um
mundo de oportunidades”, apresentou sua posição.
THE FINANCIAL TIMES
DAILY EXPRESS
Maior diário financeiro afirmou que "um voto pela saída seria
irrevogável, um golpe para a ordem liberal mundial pós 1945".
O tabloide conservador tem uma longa história de campanha
anti-UE e se posicionou pela saída desde abril, fornecendo
adesivo pró-Brexit para eleitores colocarem nas janelas.
THE MAIL ON SUNDAY
O jornal conservador surpreendentemente endossou a
campanha pela permanência, dizendo que o país fica mais
seguro, livre e próspero como parte do bloco.
THE SUNDAY TIMES
Pediu que os leitores votassem pela saída para pressionar por
uma profunda reforma no bloco - o que pode torná-lo mais
aceitável para o Reino Unido se o país permanecer.
DAILY MIRROR
O tabloide de tendência de esquerda pediu que os leitores
votem para continuar no bloco "pela segurança da nação".
THE SUNDAY TELEGRAPH
THE OBSERVER
O jornal conservador argumenta que a UE pertence ao
passado e que a saída do país permitiria decidir quem
pode entrar no Reino Unido.
Do Guardian Media Group, disse que a UE pode não ser
perfeita, mas é uma força benéfica.
OS ARTÍFICES
DA CAMPANHA
David Cameron,
premier britânico e líder
conservador. Arrisca
sua carreira política no
referendo e pode ser
pressionado a renunciar
se o Brexit vencer. Tem
o apoio dos partidos
Trabalhista e Liberal
Democrata
Boris Johnson,
ex-prefeito de Londres.
Uma vitória do Brexit o
capacita para assumir a
liderança dos conservadores. Tem o apoio de
Nick Farage, do Ukip, e
da extrema-direita
NÚMEROS EM DIVERGÊNCIA
A campanha do referendo é, em grande parte, uma guerra sobre os custos e as vantagens de viver no bloco
CONTRIBUIÇÃO BRITÂNICA
AO ORÇAMENTO DA UE
SUBVENÇÕES QUE LONDRES
RECEBE DE BRUXELAS
350
EMPREGO
6
COMÉRCIO COM UE
3
44%
MILHÕES DE LIBRAS
BILHÕES DE LIBRAS
MILHÕES DE POSTOS DE TRABALHO
DAS EXPORTAÇÕES
É quanto os partidários da
saída da UE dizem que o país
envia por semana ao bloco
Quantia que o país recebeu em
subvenções, principalmente para a
agricultura e a pesquisa científica
Dependem do comércio com a
UE, segundo partidários da
permanência
Foram para o bloco
MILHÕES DE LIBRAS
BILHÕES DE LIBRAS
MILHÕES DE POSTOS DE TRABALHO
DAS IMPORTAÇÕES
Quanto de fato o país paga,
graças ao acordo de 1984
obitido por Margaret Thatcher
É a contribuição líquida
britânica
Estão relacionados ao comércio com
o bloco, mas não dependem
necessariamente da adesão à UE,
segundo a campanha do Brexit
Vieram do bloco
280
8,4
3
IMIGRAÇÃO INTERNA
3,3
53%
1,2
DINAMARCA
19 mil
SUÉCIA
25 mil
HOLANDA
REINO
UNIDO
milhões
POLÔNIA
50 mil
35 mil
IRLANDA
250 mil
DE CIDADÃOS DA UE VIVEM
NO REINO UNIDO
ALEMANHA
BÉLGICA
97 mil
27 mil
11 mil
DOS QUAIS:
milhão
DE BRITÂNICOS
VIVEM EM PAÍSES
DA UE
ÁUSTRIA
FRANÇA
1,6 milhão
172 mil
pré-expansão da UE
1,3 milhão
do EU8 (Letônia, Lituânia,
Eslováquia, Polônia,
Estônia, República Tcheca,
Hungria e Eslovênia)
300 mil
ITÁLIA
65 mil
ESPANHA
300 mil
PORTUGAL
de Malta, Chipre e Croácia
GRÉCIA
18 mil
CHIPRE
MALTA
45 mil
12 mil
18 mil
100 mil
de Romênia e Bulgária
OS DIAS SEGUINTES SE O BREXIT PASSAR
SEXTA-FEIRA, 24
Cameron afirma que
notificará a UE imediatamente, mas poderia levar
dias. Mercados ficarão
voláteis, e o Banco da
Inglaterra e o BCE podem
lidar com um possível
“choque Brexit”. Reunião
em Bruxelas discute o
resultado.
SÁBADO, 25
Chanceleres dos seis
fundadores do bloco
- Alemanha, França,
Itália, Bélgica,
Holanda e
Luxemburgo - devem
se reunir em Berlim.
Eurogrupo deve ter
reunião de
emergência.
DOMINGO, 26
SEGUNDA-FEIRA, 27
Reunião de
emergência com o
colégio executivo
dos 28 comissários,
incluindo o
britânico. A
comissão negociará
a partida britânica.
A UE diz não existir
um plano B.
Início de uma
nova semana
para os
mercados
financeiros
globais.
TERÇA-FEIRA, 28
Uma reunião da UE
está marcada e não se
sabe se Cameron
anunciará a saída. Se
a permanência ganhar,
ele poderá negociar
um pacote de reformas
que daria ao país um
acordo especial para a
imigração.
QUARTA-FEIRA, 29
O segundo dia de
reunião da UE
acontecerá sem
Cameron se o Brexit
vencer. A cláusula
de retirada do
Tratado de Lisboa
estabelece até dois
anos de negociação
para o desligamento.
26
l O GLOBO
l Mundo l
Quinta-feira 23 .6 .2016
FICAR OU SAIR?
Batalha britânica
_
REUTERS/19-6-2016
EM DEFESA DA PERMANÊNCIA NA UE
“Em 2020, o custo total de uma saída da
União Europeia poderia chegar a £ 100
bilhões e 950 mil empregos. A renda
familiar no mesmo ano pode apresentar
uma queda de até £ 3.700. A economia
poderia até se recuperar lentamente ao
longo dos anos, mas nunca chegando
aos níveis que atingiria dentro do bloco.
Deixar a UE significa enfrentar uma
economia reduzida em 2030.”
CAROLYN FAIRBAIRN
Diretora-geral da Confederação da
Indústria Britânica
_
“A saída da União Europeia teria uma
série de impactos potenciais. Uma delas
é que veríamos as empresas estrangeiras
que estão concentradas no país sendo
obrigadas a realocar boa parte ou
mesmo todas as suas operações de volta
ao mercado único europeu.”
NICKY EDWARDS
Diretor de políticas e negócios públicos do
TheCityUK, grupo de lobby da indústria de
serviços financeiros de Londres
_
“Se os britânicos optarem pelo Brexit,
não será apenas o cargo de David
Cameron que estará em risco, mas a
própria existência do Reino Unido. É
praticamente certo que a maioria dos
eleitores escoceses apoiará a
permanência. No caso de uma vitória
da saída, o governo da Escócia,
comandado por fervorosos nacionalistas,
estará preparado para um futuro no
qual a Escócia não integre a UE? Nessas
condições seria muito difícil para um
governo britânico negar a realização de
um novo referendo sobre a
independência escocesa, e, caso ele
acontecesse, é muito provável que a
rejeição do último pleito fosse revertida
em favor do apoio à independência.
Além de gerar caos em Londres, Bruxelas
e Edimburgo — que teriam que
renegociar praticamente todos os seus
acordos — que espécie de Reino Unido
teríamos no caso de uma vitória da
independência escocesa? Seria o País de
Gales o próximo na fila por um
referendo nacionalista?”
JOHN M. ROBERTS
Especialista em segurança energética
do Atlantic Council
_
“A vida não é um mar de rosas para
muitos dos cidadãos britânicos, mas isso
não é culpa da UE. Se o Reino Unido
fosse um Estado mais progressista, na
vanguarda do progresso social do
continente, poderíamos ter motivo para
nos ressentirmos e alegar que Bruxelas
está nos impedindo de progredir. Mas
somos retardatários sociais. Precisamos
das leis da UE para impedir que
exploremos nossos trabalhadores. Nosso
establishment político não teria
problema algum em tolerar níveis de
poluição atmosférica muito superiores
àqueles que nos rendem multas da
Comissão Europeia. E nunca teríamos
noção dos inacreditáveis níveis de
desigualdade econômica se não fosse
pela leis europeias que forçam nossos
X
“A resposta da União Europeia à crise
migratória é um convite irrestrito
para que Macedônia, Montenegro,
Sérvia, Albânia e Turquia se juntem
ao bloco. Como não podemos
controlar nossas fronteiras, os serviços
públicos, como o Sistema Nacional de
Saúde, se verão diante de uma
demanda inqualificável, já que
milhões de pessoas se tornarão
cidadãs europeias e terão o direito de
se mudar para o Reino Unido.”
MICHAEL GOVE
banqueiros mais ricos a divulgarem
detalhes de seus salários e bônus. Ao
contrário de muitos dos nossos benefícios,
nossos problemas não são criados pelo
fato de pertencermos à UE. Somos
diferentes do resto da Europa porque
nosso passado é diferente. Costumávamos
nos apoiar num império, e deixar a UE
não vai trazê-lo de volta.”
DANNY DORLING
Professor da Universidade de Oxford
_
“O Brexit levaria, sem dúvida, a uma
perda na influência global do Reino
Unido, enfraqueceria a Otan e
fortaleceria os inimigos do Ocidente,
justamente quando precisamos estar lado
a lado com a comunidade
euro-atlântica contra ameaças
comuns, inclusive no nosso
continente. Sair significa retroceder a
uma era de nacionalismo
competitivo na Europa. Podemos
estar tão seguros de que a paz e a
estabilidade no continente estão
garantidas sem sombra de dúvida? Esse é
um risco que vale a pena correr? Eu não
seria tão inconsequente a ponto de
presumir isso. O isolacionismo nunca
funcionou muito bem para este país.”
DAVID CAMERON
Primeiro-ministro britânico
_
“O financiamento da UE aumentou
enormemente o nível da ciência europeia
em geral e do Reino Unido em particular,
já que temos uma vantagem competitiva.
Atualmente, recrutamos nossos melhores
pesquisadores a partir da Europa
continental, incluindo jovens que
adquiriram benefícios da UE e
escolheram o Reino Unido como destino.
Trabalhando em conjunto, fortalecemos
nossa economia, aumentamos nossa
influência no mundo e damos
oportunidades futuras aos jovens.”
STEPHEN HAWKING
Físico britânico, em carta assinada juntamente
com outros 150 membros da Royal Society
_
“Temos praticamente um consenso por
parte dos economistas que concordam
que permanecer na UE será melhor para
a economia, para o comércio, para os
negócios, para a geração de empregos e
para as exportações. Sabemos também
que, ficando na UE, estamos protegendo
direitos trabalhistas, fortalecendo as
defesas do país, melhorando a qualidade
do ar e garantindo o respeito às mulheres
no mercado de trabalho. A campanha
pela saída tenta vender a ideia de que
fazer parte da Europa nos torna menos
britânicos. Mas, na verdade, a opção
patriótica é não virar as costas para nosso
passado de abertura e disposição de
coexistir com o resto do mundo. Será que
realmente queremos que nosso legado
seja a criação de barreiras para a
próxima geração, impedindo a
continuidade de programas que
ajudaram mais de 200 mil estudantes
britânicos nos últimos 30 anos?”
SADIQ KHAN
Prefeito de Londres
EM DEFESA DA SAÍDA
Ministro da Justiça e um dos líderes da
campanha pela saída britânica da UE
_
Imigração,
economia,
soberania,
união
nacional... Cada
um dos dois
lados na disputa
usa as mesmas
munições em
armas de
diferentes
calibres de
argumentação
para justificar a
saída ou a
permanência do
Reino Unido na
UE, uma
decisão crucial
tanto para o
futuro do país
como da ordem
construída no
continente
europeu no
pós-guerra
“A UE está mal posicionada para
prosperar na economia global do
futuro. A geografia deixou de ser uma
barreira para o comércio, e as
economias que quiserem prosperar
precisarão ser flexíveis, adaptáveis e
em controle de seu destino. A saída
da UE nos permite ter esse controle,
enquanto o bloco se tornou mais
centralizador, aumentando a regulação
e o controle, exatamente o oposto do
que precisamos para criar empregos e
obter sucesso no futuro. É errado pensar
que, se permanecermos na UE,
poderemos mudá-la e adequá-la.
Sempre ouvimos que a UE será
reformada, mas essa reforma nunca
acontece. O bloco nunca enfrenta seus
principais problemas, como o alto
índice de desemprego entre os jovens, a
depressão econômica na Grécia ou as
migrações em massa. E o cenário ainda
pode piorar. Estima-se que a UE será a
região de menor crescimento no planeta
nas próximas décadas. Permanecer no
bloco envolve uma grande dose de
incerteza, porque não sabemos o que
acontecerá com o euro. Para encobrir
suas rachaduras econômicas, a zona do
euro terá que aumentar ainda mais sua
centralização rumo a uma união
política, e embora o Reino Unido não
precise adotar o euro, estando dentro da
UE ficará incapaz de evitar as
consequências negativas do que quer
que aconteça com a moeda.”
GERARD LYONS
Economista e ex-conselheiro econômico
da prefeitura de Londres
_
“A questão que será apresentada ao
eleitorado britânico é, na verdade,
sobre soberania: quem governa?
Podemos criar nossas próprias leis,
aumentar nossos próprios impostos,
negociar com quem bem entendermos,
pescar em nossas próprias águas,
convidar quem quisermos para dentro
de nosso país e remover aqueles que
não quisermos? Se fôssemos uma
nação independente, poderíamos fazer
tudo isso, exceto atividades reguladas
por tratados internacionais. Como
membro da UE, não podemos fazer
nenhuma delas, a menos que façamos
de maneira coletiva. O Parlamento
ainda detém a soberania. A questão é
se ele vai usá-la para devolver ao Reino
Unido o controle de suas leis. E isso só
será possível caso o país vote pela saída
da UE no referendo. Não há
meio-termo.”
PHILIP JOHNSTON
Editor-assistente do diário inglês
“Daily Telegraph”
_
“Uma relação com a Europa que não
seja baseada nos caprichos de
burocratas não eleitos, mas na
cooperação entre governos eleitos na
qual poderemos continuar cooperando
com nossos amigos e parceiros em
questões de interesse mútuo. Podemos
fazer tudo isso num nível
intergovernamental, no qual não
estamos mais sujeitos ao modelo único e
ineficaz das leis supranacionais da UE.
Quando pudermos retomar o controle
dos £ 350 milhões semanais que damos
à UE, teremos também o controle de
nossas fronteiras. Então, quando ouço as
pessoas dizendo que não podemos fazer
comércio livremente com o resto do
mundo, ou que a libra vai despencar ou
ainda que as taxas de juros irão
disparar, me lembro dos profetas do
apocalipse que diziam que o bug do
milênio faria com que os aviões caíssem
dos céus. São as mesmas pessoas que
disseram que teríamos um desastre
econômico se não adotássemos o euro. O
oposto provou ser verdade, e é
justamente por termos nos mantido
longe do euro que temos hoje a
economia mais dinâmica da Europa.”
BORIS JOHNSON
Ex-prefeito de Londres
_
“Temos atualmente na Europa uma
espécie de governo por procuração de
todos os países que agora saiu do
controle. A menos que haja uma
mudança extremamente significativa,
deveríamos sair da UE.”
MICHAEL CAINE
Ator, duas vezes premiado com o Oscar
_
“Se tivermos um controle rigoroso sobre
quem pode entrar e sair do Reino
Unido, poderemos trazer os melhores
entre os melhores, não importa de onde
quer que eles venham, enquanto
impedimos aqueles que não
produzirão de entrar no país.”
SOL CAMPBELL
Ex-zagueiro da seleção inglesa de futebol
__
“O super-Estado europeu que já se
formou não é democrático. O chamado
Parlamento Europeu não tem o poder
de propor leis. A legislação é formulada
e proposta pela Comissão Europeia, que
não é eleita! Como um observador russo
comentou, o Parlamento Europeu é
uma farsa com a função única de
carimbar documentos, tal qual o
Parlamento soviético durante os dias da
União Soviética, enquanto o governo
não eleito é a Comissão Europeia —
uma espécie de Politburo repleto de seus
comissários.”
RICHARD WERNER
Economista e professor da Universidade
de Southampton
l Mundo l
Quinta-feira 23 .6 .2016
O GLOBO
ADALBERTO ROQUE/AFP
l 27
Maduro tenta se
reaproximar dos
Estados Unidos
Oposição diz ter validado quase
40 mil assinaturas a mais que o
necessário para referendo
Fim do conflito. Porta-voz da delegação colombiana, Marcela Duran lê documento ao lado do comandante Marcos Calarcá, das Farc: número de mortos em cinco décadas chegou a 260 mil
‘Hoje é o último dia da guerra’,
afirma a guerrilha colombiana
Governo e Farc anunciarão, em Cuba, cessar-fogo bilateral após 50 anos de conflito
MARINA GONÇALVES
[email protected]
A presença do secretário-geral da ONU,
Ban Ki-moon, e cinco presidentes, que
assistirão hoje, em Havana, à assinatura
do acordo de cessar-fogo definitivo entre
o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionários da Colômbia (Farc)
indica o quanto a data é histórica. Após
mais de 50 anos de conflito — que deixou cerca de 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e deslocou 6,9 milhões de
pessoas — a guerrilha e o governo finalmente anunciarão bilateralmente o fim
das hostilidades. O acordo fundamental
inclui ainda a definição das zonas guerrilheiras, o cronograma para deposição
de armas e as garantias de segurança para os combatentes. Em outras palavras,
“o último dia da guerra”, como anunciou
o membro da delegação de paz das Farc,
Carlos Antonio Lozada, no Twitter.
Ambas delegações indicaram que o
acerto será conhecido em um ato comandado pelo presidente Juan Manuel dos
Santos e pelo chefe das Farc, Timoleón Jiménez (o Timochenko). Além deles e de
Ban, estarão presentes o presidente da Assembleia Geral da ONU, Mogens Lykketoft, e o embaixador francês nas Nações
Unidas, François Delattre, assim como representantes dos países garantidores —
Cuba, com o presidente Raúl Castro, e No-
ruega, com o chanceler Borge Brende —, e
chefes de Estado de países vizinhos como
Michelle Bachelet, do Chile, e Nicolás Maduro, da Venezuela.
Em julho do ano passado, as Farc já haviam anunciado uma trégua unilateral como gesto de boa vontade para a conclusão
das conversações, que começaram em
2012. Mas, depois de vários avanços e recuos, as negociações ganharam novo impulso apenas nas últimas semanas. Santos, que exigiu dos negociadores um esforço para um cessar-fogo definitivo — “um
passo fundamental para alcançar a paz”
—, considerou na segunda-feira que os diálogos podem estar totalmente finalizados
em 20 de julho, festa nacional no país.
“Amanhã será um grande dia!”, escreveu o presidente no Twitter. “Trabalhamos por uma Colômbia em paz, um sonho que começa a ser realidade”.
COMEMORAÇÃO NO TWITTER
A hashtag #OÚltimoDiaDaGuerra foi
um dos assuntos mais comentados no
Twitter, onde figuras públicas e milhares
de colombianos comemoraram o acordo — e expressaram sua incredulidade.
Uma vez que seja feito o anúncio oficial, ficam pendentes outros pontos da
agenda das negociações iniciadas em
novembro de 2012. Mesmo assim, Leon
Valencia, ele próprio um ex-combatente
da guerrilha, diz que é factível falar sobre
fim da guerra. E classifica o acordo como
o mais importante anunciado até agora.
— Parece ser uma frase muito forte, mas
é factível, porque amanhã (hoje) acabará
uma guerra que dura mais de 50 anos. E
seu anúncio está sendo preparado há
muitos meses. O cessar-fogo unilateral das
Farc foi cumprido, com poucos incidentes,
e creio que as forças militares colombianas
também estão prontas — afirma Valencia
ao GLOBO, ressaltando que Santos está
tomando decisões mais cautelosas em relação a prazos. — Depois de ter voltado
atrás, o governo está comprometido com
as datas e não quer mais fracassar. Entendeu que é melhor dar prazos longos, porque o dialogo está nos detalhes.
Camilo Gonzalez Posso, do Instituto
de Estudos sobre a Paz e Desenvolvimento (Indepaz), lembra que podem
surgir novos imprevistos, como atentados, que atrasariam o processo. Mas
também está otimista com o resultado.
— Alguns trâmites continuam pendentes, mas o acerto que será assinado mostra que finalmente estamos na direção
para o fim da guerra na Colômbia. Mesmo com imprevistos, estou certo de que
até o fim deste ano teremos um acordo final. Poderíamos ter tomado um caminho
mais rápido, por exemplo, se o cessar-fogo fosse pactado no início das conversações. Agora, haverá um grande debate sobre o referendo por voto popular. l
U
DEPOIS DO ACORDO
SOLDADOS DAS
FARC NA POLÍTICA
-BOGOTÁ- Mais de 46 milhões de
colombianos já começam a se
acostumar com a ideia de que,
dentro de alguns meses, as Farc
irão reinserir-se à vida política do
país. As cifras de 52 anos de
guerra, no entanto, são
assustadoras: 260 mil mortos, 45
mil desaparecidos e 6,9 milhões
de pessoas obrigadas a fugir de
suas terras, o que faz do país o
segundo com mais refugiados
internos — atrás apenas da Síria.
O acordo deixa a popularidade de
Santos em 25%. Mesmo assim, a
maior parte dos colombianos
votará pelo “sim” num plebiscito
para referendar a paz.
— Os colombianos estão tão
cansados da guerra e tão
desesperançosos de que este
conflito acabe que apoiam um
acordo que não agrada a ninguém
— diz Javier Restrepo, diretor da
Ipsos Colombia. (Do “La Nación”)
-CARACAS- Em uma nova tentativa de melhorar a relação com os Estados Unidos, o
presidente venezuelano, Nicolás Maduro,
reuniu-se ontem com Thomas Shannon,
enviado especial de Washington. Após o
encontro, o mandatário — pressionado
pela oposição a deixar o governo através
de um referendo revocatório — disse esperar que o presidente Barack Obama
“retifique sua postura” em relação ao país. Enquanto isso, a oposição diz já ter validado 236 mil assinaturas para a convocação da consulta popular — quase 40
mil a mais que o necessário.
Maduro conversou com Shannon por
um longo tempo no palácio presidencial
de Miraflores, um dia depois do encontro
do americano com Henrique Capriles, um
dos líderes da oposição, que denunciou a
falta de diálogo com o governo. Shannon
chegou a Caracas na terça-feira, a pedido do secretário de Estado, John Kerry
— e atendendo a um convite do governo venezuelano.
— Minha intenção é que mais cedo
ou mais tarde os dois governos possam
construir uma agenda de respeito —
disse Maduro após o encontro, em reunião com trabalhadores petroleiros. —
Tomara que o presidente Obama retifique a postura que tem tido (...) contra a
revolução bolivariana, e nos últimos
sete meses de seu governo possamos
transitar por um caminho de diálogo,
de respeito, com uma agenda positiva.
Apesar de ter ultrapassado o número
necessário de assinaturas, segundo alegaram, líderes da Mesa de Unidade Democrática (MUD) denunciaram ontem
uma sabotagem em pelo menos seis estados — Sucre, Anzoátegui, Nueva Esparta, Carabobo, Miranda e Caracas. Capriles ainda contestou o fato de o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) ter disponibilizado apenas 300 máquinas para validação. A fase de reconhecimento de firmas termina amanhã.
— Deveriam ter colocado ao menos
mil máquinas — ressaltou Capriles.
PRESIDENTE DO PARLAMENTO VAI À OEA
O CNE, por sua vez, denunciou
agressões sofridas por seus funcionários durante o processo, o que — como o
órgão já advertiu — pode levar à suspensão da validação de firmas.
— Nesses três dias foram agredidos
funcionários que prestam serviços para
cumprir essa fase do referendo — declarou a reitora do CNE, Sandra Oblitas.
Ontem, uma comissão do Parlamento venezuelano viajou a Washington
para pressionar a Organizações de Estados Americanos (OEA) a aplicar sanções diplomáticas ao governo de Maduro, que denunciou. Comandada pelo
deputado Henry Ramos Allup, presidente da Assembleia Nacional, a delegação buscará que o Conselho Permanente da OEA aplique a Carta Democrática Interamericana na Venezuela.
— O senhor Ramos Allup foi a
Washington a fim de solicitar a intervenção da OEA na Venezuela. Isso se
chama traição à pátria e eu peço a todo
o país uma posição unânime de rechaço — disse Maduro. l
DE VOLTA AOS ANOS 60
HENRIQUE GOMES BATISTA
Correspondente
[email protected]
-WASHINGTON-
A
tentativa de impor um maior controle das armas de fogo nos EUA começa a se assemelhar a movimentos
históricos como a luta pelos direitos
civis. Dois dias após o Senado recusar
projetos que dificultavam a pessoas
na lista de suspeitos de ligação com o
terrorismo adquirir armamento, um
grupo de cerca de 30 deputados democratas sentou no chão na Câmara
dos Representantes para pressionar a
maioria republicana a analisar algum
tipo de restrição, antes do recesso parlamentar, que começa em 4 de julho.
À frente da manifestação pacífica
estava o deputado John Lewis (Geórgia), que ficou famoso na década de
1960 por realizar protestos como estes
contra a segregação racial.
— Nós perdemos centenas de milhares de pessoas inocentes para a
violência armada. O que este órgão
fez? Nada. Temos sido insensíveis ao
sangue dos inocentes. Estamos ce-
Sentados contra as armas
Deputados democratas reeditam protestos do auge dos movimentos pró-direitos civis para
obrigar Câmara a votar, antes de recesso parlamentar, restrições à venda de armamento
gos numa crise. Onde está nossa coragem? Quantas mães e quantos pais ainda terão que derramar lágrimas de luto? — perguntou Lewis, que foi espancado pela polícia em março de 1965,
em Selma, no Alabama, e organizou os
movimentos de “sentar e resistir” nos
restaurantes segregados exclusivos para brancos no Tennessee.
O debate sobre o controle de armas
cresceu após o massacre de 49 pessoas
na boate gay Pulse em Orlando, Flórida
— a maior tragédia com armas de fogo
da História dos EUA. O atirador, Omar
Mateen, comprou legalmente as armas
usadas na matança, mesmo já tendo figurado na lista do FBI (a polícia federal)
de suspeitos de ligações com o terror.
Os democratas citaram pesquisas
que mostram grande apoio popular ao
controle de armas. Um levantamento
REPRODUÇÃO
Ativismo. Junto a colegas, deputado John Lewis (centro) senta no chão do Congresso
realizado na semana passada pela
Reuters/Ipsos mostrou que 71% dos
americanos são favoráveis a pelo
menos uma regulamentação moderada de controle. Na segunda-feira,
o Senado rejeitou quatro propostas
— duas de cada partido — graças
novamente à oposição de republicanos ligados à Associação Nacional
de Rifles (NRA, na sigla em inglês),
principal grupo de lobby do setor.
O presidente Barack Obama elogiou, no Twitter, o gesto dos democratas. “Obrigado, John Lewis, por liderar (o protesto) contra a violência armada quando isso é mais necessário”, escreveu. Presidente da Câmara
dos Representantes, o republicano
Paul Ryan por sua vez, afirmou que a
Constituição garante o direito às armas da população — negando que
haja pressão da NRA — e classificou
o protesto como “golpe publicitário”.
Hoje, os EUA têm mais de 310 milhões de armas espalhadas pelo país.
O número é equivalente a cerca de
uma arma para cada cidadão. A lista
de suspeitos de ligações com o terrorismo tem cerca de 109 mil nomes,
sendo 2.700 destes americanos. l
28
l O GLOBO
Quinta-feira 23 .6 .2016
Sociedade
CRISE NA CIÊNCIA
_
UM GIGANTE DAS PESQUISAS
ESTRUTURA INAUGURADA EM JANEIRO PODE SER DESLIGADA NO MÊS QUE VEM
O Santos Dumont é o supercomputador mais rápido da
América Latina (e o 265º no mundo) e foi instalado no
Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em
Petrópolis. A máquina é usada em pesquisas que exigem
grande capacidade de processamento de dados, contribuindo
para áreas como desenvolvimento de medicamentos, estudos
moleculares, modelagens computacionais, levantamentos de
astrofísica, climatologia, física quântica e o mapeamento de
potenciais desastres naturais
CONSUMO
LAGO
QUITANDINHA
N
HOTEL
QUITANDINHA
LNCC
RODOVIA
WASHINGTON
LUIZ
AV. ESTADOS
UNIDOS
CASA DO
ALEMÃO
N 200m
É 1 milhão de vezes mais
rápido do que um computador
comum de uso pessoal
FUNCIONAMENTO
RENATO GRANDELLE
[email protected]
Um dos maiores projetos brasileiros de
pesquisa científica corre o risco de ser
descartado. Seis meses depois de começar a funcionar, o supercomputador
Santos Dumont, o mais poderoso da
América Latina, está operando com sua
capacidade mínima e pode ser desligado em julho devido à falta de verbas para pagar sua conta de luz.
A máquina, que custou R$ 60 milhões,
foi instalada no Laboratório Nacional de
Computação Científica (LNCC), em Petrópolis. É capaz de desenvolver simultaneamente 75 projetos em diversas áreas,
da astrofísica e prospecção de petróleo à
análise de moléculas que podem levar a
novos medicamentos. Hoje, no entanto,
apenas dois programas são estudados,
dedicados à estrutura de proteínas e à
meteorologia.
O uso modesto é explicado pelas cifras. Quando está em plena atividade, o
gasto com energia do supercomputador chega a R$ 500 mil. O diretor do
LNCC, Augusto Gadelha, sabia desde
janeiro que o laboratório não teria verbas para arcar com tantas pesquisas.
Por isso, começou em ritmo modesto.
Agora, reduziu ao mínimo o funcionamento da máquina.
— O orçamento aprovado pelo governo federal para o laboratório este ano foi
de R$ 8,12 milhões. Mas, entre janeiro e
maio, já gastamos cerca de R$ 5 milhões,
porque, além do supercomputador, precisamos de recursos para sustentar outras máquinas, toda a folha salarial e serviços como vigilância e limpeza — destaca Gadelha. — Por isso, mantivemos o
supercomputador ligado em uma potência bem inferior à sua capacidade.
Em nota, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações afirma que não houve contingenciamento
800
QUIILOWATS-HORA
EM SEU PICO
VELOCIDADE
Fonte: Laboratório Nacional de Computação Científica
SUFICIENTE PARA
ABASTECER UM BAIRRO
COM TRÊS MIL FAMÍLIAS
Pode desenvolver simultaneamente
75 projetos, mas, devido à falta de
verbas, está analisando apenas dois
(sobre estrutura de proteínas e
meteorologia). Quatro foram
interrompidos na semana passada
LABORATÓRIO NACIONAL DE COMPUTAÇÃO CIENTÍFICA (LNCC), EM PETRÓPOLIS
DESPESAS
• O orçamento do LNCC para
2016 é de R$ 8,12 milhões
• Entre janeiro e maio, o
laboratório gastou cerca de
R$ 5 milhões
• Gastos com energia do
supercomputador chegam a
R$ 500 mil mensais
ORIGEM
Foi comprado na França em
2013. Entrou em operação
em janeiro de 2016
PREÇO
R$ 60 milhões
NO MOMENTO, PARA
REDUZIR OS CUSTOS, ESTÁ
OPERANDO COM
TAMANHO
380 metros quadrados, maior do que duas
quadras de vôlei
30
PESO
QUIILOWATS-HORA
15 toneladas, o
equivalente a um
ônibus de médio porte
Editoria de Arte
Devagar,
quase parando
para as pesquisas científicas.
— Esta era a oportunidade para analisarmos processos biológicos, estudos
de genoma, detalhar o monitoramento
de desastres naturais — sublinha. —
Este investimento fundamental tornou-se um exemplo de como as pessoas que entram em um governo não têm
qualquer compromisso com o que era
realizado anteriormente.
Supercomputador brasileiro pode deixar de
funcionar em julho devido à falta de verbas
“É mais uma
demonstração da
falta de visão
estratégica do
Estado”
Helena Nader
Presidente da Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência
de verbas para o LNCC. O orçamento,
segundo a pasta, “cobre o custo do instituto para os próximos meses e (o ministério) já negocia com a área econômica
uma suplementação orçamentária, já
tendo solicitado o valor adicional de R$
4,65 milhões, que está em análise no Ministério do Planejamento”.
A pasta também deseja que a máquina volte à sua capacidade máxima — à
qual, no entanto, nunca chegou: “O ministério espera que o equipamento retorne ao seu funcionamento pleno para
não prejudicar as pesquisas e projetos
desenvolvidos por esse importante
centro de pesquisas”.
Em seu auge, a máquina consome
800 quilowats-hora de energia, o suficiente para abastecer um bairro com três
mil famílias. No momento, porém, ela
opera com apenas 30 quilowats-hora.
Trata-se do menor consumo possível
para assegurar a refrigeração à água. Se
sua atividade for totalmente interrompida, o dano pode ser permanente.
Alguns projetos promissores foram
temporariamente interrompidos. Na semana passada, por exemplo, o laboratório encerrou a fase inicial — sem previsão de retomada — de uma pesquisa
que poderia levar ao desenvolvimento
de fármacos para o mal de Alzheimer.
Outra que não avançou era voltada ao
mapeamento genético do vírus da zika.
Responsável pela compra do equipamento, o ex-ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação Marco Antônio Raupp
considera que o Santos Dumont é fundamental para que o país administre a
grande capacidade de dados necessária
PARCERIA COM INICIATIVA PRIVADA
Raupp avalia que o supercomputador
poderia ser “salvo” se houvesse uma
parceria do poder público com a iniciativa privada. O ex-ministro, porém, não
acredita que haverá esta aliança.
— Infelizmente, o desenvolvimento
científico brasileiro é quase monopolizado pelas instituições públicas,
que sempre deixam muito a desejar
— lamenta. — Os equipamentos são
caros e, por isso, o governo deveria
procurar empresas interessadas em
compartilhá-los.
Presidente da Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência, Helena
Nader revela que a crise do LNCC era
debatida por pesquisadores e pelo poder público há mais de um mês.
— Este tema foi discutido durante o
centenário da Academia Brasileira de
Ciências, no início de maio. Ficou claro
que, mesmo após o último corte orçamentário, seria necessário limitar ainda mais a atividade da máquina — lembra. — Somos obrigados a abandonar
uma pesquisa sobre zika, dengue e chicungunha em meio ao surto dessas doenças. É mais uma demonstração da
falta de visão estratégica do Estado. l
NA WEB
ACERVO O GLOBO
http://glo.bo/28VeJq1
Equipe do MIT cria precursor do
computador nos anos 30
Nutricionistas apoiam veto à venda de refrigerantes nas escolas
Acordo entre
grandes empresas do
setor começa a valer
em agosto
PAULA FERREIRA
[email protected]
Não raro nutricionistas divergem sobre o tipo ideal de dieta,
mas uma questão parece ser
unânime: refrigerantes não devem ser incluídos na alimentação, muito menos na das crianças. Sob essa premissa, profissionais da área elogiaram o
apoio de três gigantes do setor,
a Coca-Cola Brasil, a Ambev e
a PepsiCo Brasil, que fizeram
um acordo para não vender refrigerantes às escolas que tenham, como maioria de seus
alunos, crianças de até 12
anos, como antecipou a coluna de Ancelmo Gois na edição
de ontem do GLOBO.
Diversas escolas cariocas,
como Mopi, Escola Nova, Andrews, Teresiano, Santo Agostinho e Escola Parque, entre
outras já aboliram o item de
suas cantinas. Desde 2002, é
proibido nas escolas da rede
municipal a venda, distribuição e confecção de alimentos
ricos em colesterol, sódio e corantes artificiais, entre os quais
todo tipo de refrigerante. E no
interior do estado, mais de 30
mil crianças substituíram industrializados por verduras,
legumes e frutas no projeto
Alimentação Escolar Saudável,
que premiou colégios públicos
de Três Rios, Paraíba do Sul,
Itaperuna, Pinheiral e Trajano
de Moraes pela iniciativa.
— Esta nova medida ajuda a
conscientizar os pais de que, se
há menos na escola, deve ter
menos em casa. Esses produtos contêm uma série de conservantes e corantes e têm malefícios comprovados para
adultos e crianças — explica a
professora de nutrição clínica
da Uerj e pesquisadora do Instituto Nacional de Cardiologia,
Annie Bello. — Existem crianças que passam a metade do
dia na escola, então esses produtos são consumidos em
DIVULGAÇÃO/PMTR
Iniciativa premiada. Alunos de escolas de Três Rios passaram a comer melhor e participar da plantação de hortas
grande quantidade, no horário
da merenda ou do almoço.
A partir de agosto, as empresas irão fornecer para essas escolas água mineral, suco com
100% de fruta, água de coco e
bebidas lácteas “que atendam
a critérios nutricionais específicos”. Para cantinas que não
compram os produtos direta-
mente das empresas ou com
distribuidores autorizados, as
empresas vão promover “uma
ação de sensibilização”. Só a
Coca-Cola Brasil vende diretamente para 2% das 200 mil escolas do país.
— Conversamos para ver
como contribuir para o tema
da obesidade infantil, que
tem crescido — afirma Claudia Lorenzo, vice-presidente
de Relações Corporativas da
Coca-Cola Brasil.
Uma das chefes do Serviço
de Nutrição das enfermarias
da Santa Casa do Rio, Bia Rique defende a veiculação de
campanhas de conscientização direcionadas aos pais.
— Estudos mostram que as
bebidas açucaradas contribuem para o aumento da obesidade infantil.
VILÕES DA ALIMENTAÇÃO
No Colégio Mopi, na Tijuca, as
nutricionistas criam sucos para
que os alunos consumam livremente na unidade. E a ingestão
de refrigerantes não costuma
ser incentivada.
— O refrigerante é um dos
grandes vilões da alimentação
por conta do excesso de açúcar.
A bebida aumenta glicose, o
ácido corrói o esmalte do dente,
pode ocasionar gastrite. Não há
um fator nutricional em um refrigerante, então não tem motivo para expor a criança a esse
produto — afirma a nutricionista do colégio, Cíntia Ferreira.
A ênfase nos hábitos saudáveis promovida pela escola se
reflete nos alunos. Maria Eduarda Azevedo, de 10 anos, tem
o discurso na ponta da língua:
— Refrigerante tem corante
que faz mal e pode trazer doenças. Prefiro sucos e chás
gelados. l
O GLOBO
Quinta-feira 23 .6 .2016
l 29
Esportes
l
l SEGREDOS OLÍMPICOS l
HOJE • TIRO COM ARCO
Mais importante que a mira
É COORDENAR O MOVIMENTO
Imagine a complexidade para acertar
com uma flecha um alvo a 70 metros,
no vento. Adicione a tensão da prova.
A visão é insuficiente. O tiro com arco
é, na essência, a arte de manter forças
opostas com a mesma intensidade.
Dedos, mãos e braços. Fora disso, é a
certeza do fracasso.
— O tiro com arco é um esporte onde
coordenação é mais importante do
que a precisão ou a visão. Tanto que
o sul-coreano bicampeão olímpico
1
O arqueiro inicia o gesto de
disparo ao erguer o braço
para alinhar o cotovelo
com a ponta da flecha
cha
flecha
alinhados
por equipes é praticamente cego —
revela o campeão olímpico da
Espanha Carlos Holgado, em
referência a Dong Hyun Im, o
sul-coreano bicampeão olímpico por
equipes, que tem 20% da visão no
olho direito e 10%, no esquerdo.
NA WEB
http://bit.ly/26swchF
Veja o ambiente dos segredos
dos 28 esportes da Rio 2016
2
3
A mira não é a principal referência.
A posição da corda no nariz e no
queixo fazem este papel. A energia
está distribuida entre as articulações
Distribuição
do esforço
28/6 Terça • GOLFE
Alça
de mira
A mão do disparo
spa
aro
a
ro rente à nuca
logo após o disparo
disparo sinaliza um
bom tiro. O des
deslocamento
slocamento do
arco para a frente
ren
nte é ato contínuo
Projeção
do arco
para frente
Mão na
altura
da nuca
Corda no
nariz e
no queixo
A ESTABILIDADE VEM DO PUNHO
A cada milímetro que o braço de apoio do arco mexe, a flecha está destinada
a seguir nova trajetória. Portanto, precisa ficar absolutamente firme no tiro
Punho
Reelaaxam
mentto
45 °
1
O arqueiro puxa a flecha e estica o outro braço
para ganhar estabilidade na hora do tiro
2
3
Com a flecha em posição, distribui a
força igualmente entre as articulações
FONTE: Juan Carlos Holgado (ouro - tiro com arco, Barcelona-1992)
O braço do arco fica parelelo a flecha.
O punho, inclinado a 45°, garante estabilidade
Doping: russos Ingressos
em risco nos
para basquete
halteres do Rio e handebol
SÓ SOBRA UM
Brasil e Sérvia, únicos com 100% de aproveitamento na Liga Mundial, jogam
hoje em Belgrado; central Lucão comemora a paternidade e a excelente fase
[email protected]
Os dois únicos invictos da Liga
Mundial se enfrentam hoje, às
14 h (de Brasília), em Belgrado,
na Sérvia. De um lado, a seleção brasileira, de Bernardinho.
Do outro, a forte equipe local,
comandada pelo ex-levantador sérvio Nikola Grbic. O duelo deixará apenas um dos times com 100% de aproveitamento. O Sportv transmite.
O Brasil jogou em casa na
primeira etapa e venceu Irã e
Argentina por 3 a 0, e Estados
Unidos por 3 a 1. A Sérvia, que
fez seus jogos na Rússia, vem
de três vitórias por 3 a 0 (contra
os russos, Bulgária e Polônia).
Nesta segunda etapa, o Brasil
enfrenta ainda Irã e Bulgária.
O central Lucão, em fase iluminada, desembarcou em Bel-
grado atrasado. É que seu filho,
Théo, nasceu na segunda-feira, e Bernardinho o liberou para acompanhar o parto. Além
da felicidade de ser pai, ele comemora a boa fase na quadra.
Em sua primeira temporada da
carreira no exterior, já foi campeão italiano com o DHL, de
Modena, ao lado de Bruninho,
o padrinho do bebê:
— O Lucão amadureceu demais na Itália e fez a diferença
no saque na vitória contra a Argentina (primeira fase) — elogiou Bruninho, ao lembrar que
o fundamento virou uma obsessão na seleção masculina.
Lucão, que tem sacado muito bem, explica que investiu na
temporada italiana porque
queria atuar em campeonatos
fortes às vésperas Rio-2016:
— Lá é pressão o tempo inteiro. No Brasil é um pouco di-
O movimento continua após o disparo. O braço
do arco relaxa e o equipamento cai para frente
REPORTAGEM E INFOGRAFIA: Alessandro Alvim e Roberto Maltchik, com colaboração de Renato Carvalho. FOTOS: Alexandre Cassiano
Duelo de invictos
CAROL KNOPLOCH
4
GUITO MORETO/15-6-2016
Destaque. Lucão é arma da seleção
ferente porque, se jogar uns
70%, 80%, consegue vencer. E
acho que isso, de estar bem
sempre, é como na Olimpíada.
O volume de treino de saque
foi a principal mudança para
2016, e Bernardinho promoveu até desafio em que os atletas têm de alcançar pontuação
específica, segundo tabela de
eficiência, para encerrar o treino mais cedo.
— Tudo parte do saque. Pelo
menos uns 70% do sucesso
vem do saque — afirma Wallace, que confirma nunca ter sacado tanto em treinamento.
No feminino, o Brasil pega a
Itália, às 8h30m de amanhã, na
terceira semana do Grand Prix,
em Ancara (Turquia). A seleção,
que joga ainda contra Turquia,
Itália e Bélgica, está em quarto,
atrás da China, Rússia e EUA. O
Sportv transmite. l
A ausência de russos no
atletismo olímpico pode
não ser a única de uma delegação completa nos Jogos
do Rio. A Federação Internacional de Levantamento
de Peso está inclinada a punir três delegações do leste
europeu: Rússia, Bielorrússia e Casaquistão. Isso porque cada um dos países teve três ou mais atletas flagrados em exames nos Jogos de 2008 e 2012.
A federação está aplicando um política de tolerância
zero e tirando uma vaga
olímpica também de delegações que tenham tido
quatro ou mais casos de doping nos últimos 12 meses.
Onze vagas já foram retiradas: duas dos reincidentes
Rússia e Casaquistão, além
de Azerbaijão e Coreia do
Norte, e uma da Bielorússia.
Entre as principais ausências individuais está Ilya
Ilyin, do Casaquistão, que é
o levantador de peso mais
popular do mundo. Pego no
exame antidoping, ele deve
perder suas medalhas de
ouro dos Jogos de Pequim e
Londres. l
Quem ainda não perdeu as
esperanças de assistir ao
basquete masculino nos Jogos do Rio — em que os Estados Unidos são francos favoritos e o Brasil também pode
chegar ao pódio — terá mais
uma oportunidade de comprar ingresso a partir de hoje.
Às 12h, uma nova carga
de entradas estará à disposição dos torcedores, que
também poderão adquirir
tíquetes para o basquete feminino e o handebol masculino e feminino — as meninas brasileiras, campeãs
mundiais em 2013, estão na
briga por uma medalha.
O público poderá comprar as entradas no site do
evento (www.rio2016.com/
ingressos) ou nos shoppings Leblon e Via Parque,
das 10h às 22h. Aos domingos, a bilheteria funciona
das 13h às 21h.
O valor dos ingressos das
finais do basquete varia entre R$ 260 e R$ 900 (feminino) e R$ 350 e R$ 1.200
(masculino). Já no handebol, as finais custam entre
R$ 220 e R$ 700. Todos têm
meia-entrada. l
30
l O GLOBO
|
l Esportes l
Pit Stop
|
_
CELSO ITIBERÊ
[email protected]
_
Menos, Marchionne
Não há como negar o ótimo trabalho da Ferrari
para aumentar a cavalaria de seu V6 nesta
temporada. O F16 porém, para ser capaz de
brigar pela vitória, precisa que os engenheiros
resolvam os problemas de chassi e suspensões
para poder tirar o máximo dos pneus. Hoje, Vettel
e Raikkonen sofrem com isso, principalmente na
classificação, fator que complica suas corridas. É
levando isso em conta que as declarações do
presidente Sergio Marchionne, de que sua equipe
ainda brigará pelo título, me parecem
excessivamente otimistas.
2ª Edição Quinta-feira 23 .6 .2016
BRASILEIRO
Peneira
DESANDOU
Com falhas da defesa, Flu é atropelado pelo Santos de um
inspirado Gabriel. Time só venceu um dos últimos seis jogos
Até agora todos perdem
Se compararmos os números do Mundial de 2015
com os deste ano, veremos que os dois bichospapões saem perdendo. Entre os construtores, a
Mercedes caiu 70 pontos, de 328 para 258, e a Ferrari,
15, de 192 para 177.
No caso da Mercedes, a queda, apesar do maior
número de vitórias, se deve basicamente à queda de
confiabilidade do carro. No ano passado, depois de
oito corridas, o líder era Hamilton, com quatro vitórias e 169 pontos, seguido de Rosberg, com três vitórias e 141 pontos. Vettel vinha em terceiro, com uma
vitória e 120 pontos, enquanto Raikkonen, sem vitórias, tinha 72.
Esta ano, a coisa está bem diferente. As perdas este
ano são altas. Lewis tem duas vitórias e 117 pontos,
52 menos que em 2015. Nico ganhou seis corridas,
três a mais, e chegou a 141, déficit de 18. Na Ferrari, e
sem vitória, Vettel tem 96 pontos, 24 abaixo dos 120
do ano passado, e Kimi, que passou dos 72 para 81
pontos, 9 a mais.
(Giovanni), Gum, Henrique e Wellington
Silva; Pierre (Maranhão), Douglas, Cícero,
Gustavo Scarpa e Marcos Junior (Osvaldo);
Magno Alves.
Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, Gustavo
Henrique, Luiz Felipe e Zeca; Renato,
Thiago Maia, Léo Citadini (Lucas Lima) e
Vitor Bueno; Gabriel e Rodrigão (Joel).
Gols: 1T: Marcos Júnior, aos 13m, e
Rodrigão, aos 38m, e Gabriel, aos 47; 2T:
Gabriel, aos 5m, Marcos Júnior, aos 20, e
Luiz Felipe, aos 27.
Juiz: Rodolpho Toski Marques (PR).
Cartões amarelos: Giovanni e Luiz Felipe.
Local: Kléber Andrade (Cariacica, ES).
aa F LU M I N E N S E
Diego Cavalieri 4.
Que fase! Se estivesse em seus melhores
dias, certamente teria evitado, ao menos, o
segundo e quarto gols.
Jonathan 4,5.
Avenida. Pouco foi ao ataque e ainda
deixou espaços atrás.
Giovanni 5.
Nervoso. Entrou em seu lugar e só foi
notado ao levar um cartão amarelo.
Gum 3.
Que noite! Uma atuação para esquecer.
Foi à loucura com a velocidade adversária.
Henrique 3.
Muy amigo. Driblado com facilidade no
gol de Rodrigão, também deve ter tido
pesadelos com o ataque santista.
Wellington Silva 3.
Lambança. Teve trabalho com os avanços
de Victor Ferraz, e ainda deu o passe para o
segundo gol de Gabriel.
Pierre 5.
Falho. Não conseguiu conter o ímpeto
Tropeço. Marcos Júnior é derrubado por um santista. O atacante marcou os dois gols do tricolor ontem à noite
-CARIACICA, ES- O ataque desta vez
até se fez presente, mas defensivamente o Fluminense esteve frágil como poucas vezes e
foi derrotado na noite de ontem pelo Santos, por 4 a 2, em
Cariacica. Com apenas uma vitória nos últimos seis jogos, o
tricolor caiu para a 13ª posição, com 13 pontos em dez
partidas. O próximo jogo, domingo, em Natal, é o clássico
contra o Flamengo.
Ao fim do jogo contra um time que teve em campo Gabriel
e Lucas Limas, de nível de seleção, ficou claro que o Fluminense precisa repor as saídas
de Diego Souza e Fred, seus
principais jogadores no início
da temporada, se tem alguma
pretensão neste campeonato
além do meio de tabela. Ontem, os mais caros do atual
elenco, Diego Cavalieri, Henrique e Cícero, foram mal.
O Fluminense começou
bem, com ímpeto na marcação
e jogando a maior parte dos
primeiros 30 minutos dentro
do campo adversário. Até pelo
maior volume de jogo, foi merecido quando abriu o placar
aos 13, com Marcos Júnior
aproveitando cruzamento e o
rebote do goleiro Vanderlei para marcar. O atacante tricolor
estava ligeiramente à frente da
zaga, em posição de impedimento, mas era um lance muito difícil de ser marcado.
GABRIEL FAZ A DIFERENÇA
Com bom entendimento entre
Marcos Júnior e Magno Alves,
o tricolor quase ampliou, mas
aos poucos o Santos foi começando a chegar com perigo e a
expor a fragilidade da defesa
do Fluminense na noite de ontem. Contra um time com poderio ofensivo do Santos, isso é
fatal. O empate veio ainda no
primeiro tempo, quando Rodrigão girou com facilidade superando Henrique e bateu para o gol. A virada veio no último minuto do primeiro tempo, quando Gabriel recebeu livre na área (Douglas demorou
a acompanhá-lo na marcação)
e chutou no canto.
O segundo tempo não voltou
melhor para o Fluminense.
Nervoso por estar perdendo
como mandante, o time se lançou à frente, e ficou exposto ao
contra-ataque santista. Não
demorou a sair o terceiro gol
do Santos. Rodrigão arrancou
livre com a bola, Wellington
Silva tentou tirar de carrinho e
acabou dando uma assistência
involuntária para Gabriel fazer
o seu segundo.
O Flu ainda reagiu com o segundo gol de Marcos Júnior,
após ótimo passe de Magno
Alves, mas a defesa pôs tudo a
perder logo em seguida ao permitir o quarto gol santista. Em
cruzamento pelo alto, o ataque
visitante fez tabela de cabeça e
Cavalieri ainda aceitou uma
bola que veio em sua direção.
Nos 20 minutos finais, o Santos ainda esteve perto de transformar a vitória em goleada,
aproveitando-se do desespero
tricolor, inclusive com um belo
chute na trave dado por Lucas
Lima. Gabriel ainda perdeu
duas boas chances. l
Brasileiro - Série A
CLASSIFICAÇÃO
EQUIPE
_
Rebaixamento
Force India muda o foco
Apesar do entusiasmo com os dois pódios de Sergio
Perez, em Mônaco e no Azerbaijão, a Force India decidiu concentrar esforços na produção do modelo
2017. Bob Fernley, diretor-executivo da equipe, ao
fazer o anúncio, reconheceu que não há dinheiro para atacar em duas frentes.
A Force acredita que, com os melhoramentos para a
Áustria, os últimos da temporada, poderá manter o
quinto lugar que ocupa no Mundial de Construtores,
31 pontos atrás da Williams e 27 à frente da Toro Rosso.
Fluminense: Diego Cavalieri, Jonathan
ATUAÇÕES
Libertadores
_
2 4
NELSON PEREZ/FLUMINENSE
E
sta é uma temporada que termina bem antes
de Abu Dhabi, pelo menos em termos de evolução dos carros. As atenções precisarão se
concentrar nas novidades para o modelo 2017, que
terá chassi e spoiler redimensionados, aerofólio mais
baixo e alongado e pneus dianteiros e traseiros mais
largos. Teoricamente, o ganho aerodinâmico será
grande, e a expectativa é de um carro que possa ganhar cerca de 4 segundos por volta.
O projeto já está em curso nos computadores dos
projetistas, mas só passará a concentrar todas as
atenções a partir do momento em que peças prontas
começarem a ser analisadas nos túneis de vento e
nos treinos livres das sextas-feiras. A partir de setembro, os modelos atuais serão aposentados. 2017 começa com o GP de Cingapura.
Claro que o otimismo da dupla Marchionne/Arrivabene não se deve apenas ao amor pela Ferrari. Há
algo que os faz acreditar cegamente no F16, possivelmente dados de túnel de vento/telemetria que a
equipe mantém em segredo. O objetivo deles é atacar as deficiências do carro para fazer com que um
exemplar aprimorado seja o ponto de partida para o
ano que vem.
Mas o que vimos na pista até agora, depois de oito
corridas, foi um F16 incapaz de andar perto dos Mercedes. Os cronômetros mostram isso. Domingo passado, em Baku, Rosberg abriu 7 segundos sobre Vettel em apenas 5 voltas. A distância é enorme para
que se possa afirmar, categoricamente, que a Ferrari
terá ainda este ano um carro capaz de permitir que
Seb brigue pelo Mundial.
Correndo contra o tempo, a fábrica italiana tem
quatro corridas para resolver seus problemas: Áustria, Inglaterra, Hungria e Alemanha. A minha aposta
é que, se até Hockenheim não chegar onde quer, jogará a toalha e concentrará esforços no modelo 2017.
A pressão feita por Marchionne pode ter sido com
boas intenções, mas jogou contra a Ferrari. Mais do
que isso: sua presença nos boxes nas corridas pósafirmações entusiastas só aumenta a tensão de
mecânicos, engenheiros e pilotos. Não adianta vender ilusões. O melhor é trabalhar em silêncio, pelo
menos até o momento em que os carros vermelhos
consigam andar colados nos prateados.
Fluminense Santos
P
1 Palmeiras
2 Internacional
3 Grêmio
4 Flamengo
5 Santos
6 Corinthians
7 São Paulo
8 Chapecoense
9 Atlético-PR
10 Ponte Preta
11 Figueirense
12 Atlético-MG
13 Fluminense
14 Santa Cruz
15 Cruzeiro
16 Vitória
17 Botafogo
18 Coritiba
19 Sport
20 América-MG
22
19
18
17
16
16
14
14
13
13
13
13
13
11
11
9
9
8
8
8
DÉCIMA RODADA
J V
10
9
9
10
10
10
9
9
9
10
10
10
10
10
10
9
10
9
9
10
7
6
5
5
5
5
4
3
4
4
3
3
3
3
3
2
2
2
2
2
E D GP GC
ÚLTIMOS JOGOS
1
1
3
2
1
1
2
5
1
1
4
4
4
2
2
3
3
2
2
2
V
D
V
D
V
D
V
E
V
V
V
D
E
D
V
V
E
D
E
D
2
2
1
3
4
4
3
1
4
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3
3
3
5
5
4
5
5
5
6
21
12
16
11
15
14
10
16
10
10
10
15
10
13
12
9
8
13
10
9
10
6
8
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9
8
13
13
18
10
16
12
13
14
14
13
17
15
17
E
V
E
V
V
D
D
D
V
V
D
D
V
V
D
E
V
V
D
D
P - Pontos ganhos; J - Jogos; V - Vitórias; E - Empates;
D - Derrotas; GP - Gols pró; GC - Gols contra; N - Não jogou
V
V
E
E
D
V
V
E
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D
V
V
D
D
D
D
D
E
D
V
V
D
V
V
V
D
E
V
V
D
E
V
D
D
V
D
E
D
V
D
21/6
Palmeiras
2x0 América-MG
Ponte Preta
Botafogo
Santa Cruz
Fluminense
Atlético-MG
0x4
0x0
0x1
2x4
2x1
Cruzeiro
Figueirense
Flamengo
Santos
Corinthians
Chapecoense
Grêmio
São Paulo
Coritiba
x
x
x
x
Atlético-PR
Vitória
Sport
Internacional
ONTEM
HOJE
15:00
19:15
21:00
21:30
DÉCIMA PRIMEIRA RODADA
SÁBADO
19:00
21:00
Cruzeiro
Corinthians
x
x
Palmeiras
Santa Cruz
América-MG
Vitória
Flamengo
Santos
Internacional
Atlético-PR
Figueirense
Sport
x
x
x
x
x
x
x
x
Atlético-MG
Ponte Preta
Fluminense
São Paulo
Botafogo
Grêmio
Coritiba
Chapecoense
DOMINGO
11:00
16:00
16:00
16:00
16:00
16:00
18:30
18:30
_
santista e acabou substituído.
Maranhão 5,5.
Reserva? Entrou em seu lugar e deu mais
opções ao ataque.
Douglas 5.
Regular. Poderia ter evitado o chute no
segundo gol santista, mas fez um desarme
providencial quando o jogo estava 3 a 2.
Cícero 5,5.
Quase. Cobrou uma falta com perigo no
primeiro tempo. E só
Gustavo Scarpa 6.
Coadjuvante. Tentou cruzamentos,
finalizações, mas, desta vez, não fez a
diferença.
Marcos Júnior 7.
Valente. Dois gols de puro oportunismo e
só não fez o terceiro, de cabeça, por causa
de um milagre de Vanderlei.
Osvaldo Sem nota.
Nem suou. Entrou no fim.
Magno Alves 6.
Inocente. Ótimas assistências para os gols
de Marcos Júnior, um dos poucos que se
salvaram.
Levir Culpi 4,5.
Mudança. Se até então era o ataque,
desta vez foi a defesa que o deixou na mão.
aa SA N TO S
Carrascos. Gabriel e Rodrigão
infernizaram a defesa tricolor.
aa A R B I T R AG E M
Vacilo. A atuação de Rodolpho Toski errou
ao validar o primeiro gol de Marcos Júnior,
que estava impedido.
Vasco segue
na busca por
novo Riascos
Desde a saída de Riascos,
Jorginho ainda não encontrou um substituto para o
ataque. O treinador até elogiou Leandrão na vitória sobre o Londrina, anteontem,
apesar de o jogador ter passado em branco mais uma
vez. Para solucionar este
problema, o Vasco pôs na
pauta os nomes de Leandro
Damião, Alecsandro e Willie, que teve passagem pelo
clube em 2013.
Ainda não houve propostas oficiais, mas Leandro
Damião é o nome que mais
agrada. Na Série B, Thalles e
Leandrão têm se alternado
no time titular. No entanto,
os artilheiros do time são o
meia Nenê (8 gols) e zagueiro Luan (3 gols). l
Os Toros e Sainz-Kvyat
O homem que comanda o programa de jovens pilotos dos Reds, o austríaco Helmut Marko, admite não
estar satisfeito com o desempenho na GP2 de Pierre
Gasly, número um do Red Bull Junior Team. O francês, de 20 anos, aparecia como provável companheiro de Carlos Sainz na Toro Rosso em 2017, mas tudo
indica que vai perder o lugar.
O time ítalo-austríaco, que ano que vem usará um
V6 Renault idêntico ao da casa-mãe, está finalizando
a renovação do contrato do espanhol e já cogita
manter o russo Daniil Kvyat no segundo carro. l
Adiado
Neblina suspende jogo em Chapecó
acesse
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BANGU SHOPPING Rua Fonseca, 240
SHOPPING METROPOLITANO BARRA
Av. Embaixador Abelardo Bueno, 1.300
CASCADURA Av. Dom Helder Camara, 9.783
A partida entre Chapecoense e
Atlético-PR foi interrompida a
um minuto do segundo tempo,
com o placar ainda em 0 a 0,
devido à forte neblina que
tomou conta da Arena Condá,
em Chapecó (SC). O árbitro
Francisco Nascimento esperou
por 30 minutos, mas a situação
não melhorou. Não havia a
mínima visibilidade em
campo. O jogo será retomado
hoje, às 15h, reiniciando a um
minuto do segundo tempo.
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l Esportes l
Quinta-feira 23 .6 .2016 3ª Edição
O GLOBO
AMÉRICA
Chilenos e
argentinos
voltam a
decidir
BRASILEIRO
Entrou no G-4
SANTA RETRANCA
Sem grande exibição, Flamengo faz gol no início da partida, joga com três volantes desde os 12 minutos
do segundo tempo e segura o resultado. Foi a terceira vitória fora de casa do técnico interino Zé Ricardo
Flamengo
0 1
Santa Cruz: Tiago Cardoso; Vítor, Allan,
Danny Morais e Tiago Costa (Roberto); João
Paulo, Leandrinho (Wallyson) e Daniel
Costa (Lelê); Arthur, Keno e Grafite.
Flamengo: Alex Muralha, Rodinei, Réver,
Rafael Vaz e Jorge; Márcio Araújo, Willian
Arão, Alan Patrick (Mancuello) e Everton
(Fernandinho); Marcelo Cirino e Felipe
Vizeu (Cuéllar).
Gol: 1T: Willian Arão aos 14m.
Cartão amarelo: Lelê
Juiz: Wagner Reway (MT).
Local: Arruda (Recife).
tade. Também foi auxiliado por
vacilos da defesa, como em erros de Jorge, aos sete, e de Rodinei, aos oito. Grafite teve ainda
duas boas chances de marcar.
Aos 37, cara a cara com Muralha,
finalizou fraco. Aos 46, disputou
na cabeça com Réver e a bola
saiu próximo à trave esquerda.
No início do segundo tempo,
Alan Patrick teve uma oportunidade aos dois, mas se precipitou e arriscou de fora em vez
de entrar na área. A bola acabou longe do gol. Ali terminava
a tentativa rubro-negra de chegar ao segundo gol.
Dez minutos depois, Zé Ricardo fez sua primeira mudança. Para evitar as investidas dos
donos da casa, ele tirou Vizeu,
que pouco apareceu, para colocar o volante Cuéllar. O colombiano errou uma saída de
bola aos 29, e a bola ficou com
Wallyson, que deixou Grafite
na frente do gol. Ágil, Muralha
saiu nos pés do atacante.
Aos 30 minutos, Zé Ricardo
trocou um homem de criação
por outro. Saiu Alan Patrick para a entrada de Mancuello. Não
foi o suficiente para melhorar o
time e criar situações reais de
gol, mas, àquela altura, bastava garantir o resultado. l
De longe. O volante Willian Arão comemora o gol marcado em chute de fora da área aos 14 minutos do primeiro tempo
ATUAÇÕES
aa F L A M E N G O
Alex Muralha 7.
Decisivo. Salvou em chute de Grafite.
Rodinei 5.
Desatento. Deu um passe contra o
Artilheiro. Mais uma boa atuação. Fez o gol da
vitória com um chutaço de longe.
patrimônio, que quase acabou em gol do Santa.
Organizador. Tentou conduzir o time ao
Réver 5.
Aperto. Teve trabalho com Grafite e que
ataque, mas cansou e foi substituído
quase marcou gol contra sem querer.
Rafael Vaz 6,5.
Seguro. Bem nas antecipações.
Jorge 5.
Distraído. Começou perdido e levando bola
Willian Arão 8.
Alan Patrick 6.
Mancuello 5.
Sem tempo. Entrou perto do fim.
Everton 5.
Sumido. Pouco participou do jogo. Acabou
substituído nos minutos finais.
Fernandinho Sem nota.
Márcio Araújo 6.
Cão de guarda. Cumpriu bem sua função
Para ganhar tempo. Mal tocou na bola.
Marcelo Cirino 4,5.
Sem pontaria. Perdeu boa chance logo no
de proteger a zaga rubro-negra.
começo. E só. Atuação apagada.
nas costas. Quase inexistente no apoio.
Felipe Vizeu 4.
Apagado. Não teve chances para marcar e
saiu no começo do segundo tempo.
Cuéllar 5.
Cautela. Entrou para reforçar a marcação,
mas falhou em lance que quase acabou em gol.
Zé Ricardo 5,5.
Retranca. Recuou o time cedo demais e
correu o risco de ceder o empate.
aa SA N TA C R UZ
Limitado. Grafite foi o destaque de um time
que apresentou poucas armas. O goleiro Tiago
Cardoso falhou no gol de Willian Arão.
aa A R B I T R AG E M
Tranquilo. Wagner Reway apitou bem.
Botafogo tropeça nos próprios erros e só empata
VITOR SILVA/SSPRESS
Time desperdiça
chances criadas e
continua na zona de
rebaixamento
-JUIZ DE FORA, MG- Apesar do esfor-
ço, o Botafogo não consegue
engrenar no Brasileiro. Com
apenas duas vitórias, o time
desperdiçou a chance do terceiro triunfo diante do Figueirense, ontem, em Juiz de Fora.
O empate em 0 a 0 manteve o
time na zona de rebaixamento,
em 17º lugar.
A cada jogo, o time do Botafogo expõe suas deficiências. A
principal delas, talvez, seja a falta de qualidade na criação. Não
à toa, a equipe tem um dos piores ataques do campeonato. No
primeiro tempo, o que se viu foi
uma clara demonstração disto,
com excesso de passes errados.
A única chance de gol no primeiro tempo foi apenas aos 31
minutos. Após cruzamento de
Luís Ricardo, Bruno Silva, livre
na pequena área, pegou embaixo da bola e jogou para fora.
Até então, o alvinegro até arriscava uns chutes de longe, rondava a área adversária, mas
sem fazer nada concreto.
O Figueirense criou mais,
porém, não soube finalizar. Pelo menos em duas jogadas do
primeiro tempo, o time poderia ter aberto o placar. Aos 18,
Dudu driblou Emerson Silva,
entrou na área e tocou na saída
de Sidão, que chutou para fora.
Aos 36, a cena se repetiu. Após
erro da defesa do Botafogo,
Dudu foi lançado livre na área,
mas, de novo, concluiu mal.
Botafogo
Figueirense
0 0
Botafogo: Sidão, Luis Ricardo, Renan
Fonseca,Emerson Silva e Diogo
Barbosa;Airton (Octávio),Bruno
Silva,Fernandes e Gervasio Núñez
(Ribamar) ; Neilton e Anderson
Aquino (Luiz Henrique).
Figueirense: Gatito Fernández, Ayrton,
Marquinhos,Bruno Alves e Marquinhos
Pedroso; Jackson Caucaia, Ferrugem
(Jocinei) e Bady; Ermel (Everton Santos),
Lins ( Guilherme Queiroz) e Dudu.
Juiz: Emerson de Almeida Ferreira (MG).
Cartões amarelos: Ferrugem.
Público pagante: 2.797 pessoas.
Público presente: 3.013 pessoas.
Renda: R$71.040,00.
Local: Mário Helênio, Juiz de Fora (MG).
No segundo tempo, o Botafogo tentou tomar o controle
do jogo. O time conseguiu acelerar a partida pela esquerda,
mas esbarrou na ineficiência
do ataque.
O técnico Ricardo Gomes
mexeu no meio e no ataque, a
fim de sacudir o time, com a
juventude de Octávio e Luís
Henrique nos lugares de Airton e Anderson Aquino, respectivamente.
Deu certo. Eles entraram e o
Botafogo pressionou o Figueirense. Primeiro com uma cabeçada de Emerson Silva, que
a defesa tirou em cima da linha, aos 18. Logo depois, Octávio avançou e chutou forte para defesa de Gatito.
Apesar da insistência nas bolas altas na área, o alvinegro
não saiu do zero. Sorte que o
adversário também não. Já no
fim do jogo, Éverton Santos, do
Figueirense, desperdiçou a
chance de sair de Juiz de Fora
com a vitória. l
-CHICAGO, EUA- Em jogo interrompido por mais de duas
horas, devido ao forte temporal que caiu sobre Chicago, o
Chile venceu a Colômbia, por
2 a 0, ontem, e decidirá a Copa América Centenária contra a Argentina, no domingo,
às 21h (de Brasília), em Nova
Jersey. As duas seleções reeditam a final da Copa América de 2015, no Chile, vencida
pelos donos da casa, nos pênaltis (4 a 1), após empate por
0 a 0. Estados Unidos e Colômbia disputarão o terceiro
lugar, sábado, às 21h, em
Phoenix. O Sportv transmite
os dois jogos.
Os chilenos marcaram os
gols em menos de dez minutos, com Aránguiz e Fuenzalida, mas logo recuaram. A Colômbia pressionou, mas não
conseguiu furar o bloqueio.
Durante o intervalo começou
a cair forte temporal e houve
alerta aos torcedores para
que se abrigassem — ficaram
na parte interna do estádio. A
partida foi suspensa. Por volta
da meia-noite, o tempo melhorou, e o jogo foi reiniciado
meia hora depois. O Chile
manteve a vantagem no segundo tempo e vai tentar o bi.
MESSI QUER QUEBRAR JEJUM
A tarefa dos chilenos não será fácil. A Argentina de Messi
vive seu melhor momento
desde a Copa de 2014. Após a
goleada por 4 a 0 sobre os
EUA, na semifinal, Messi deixou claro que é hora de acabar com o jejum de 23 anos
sem títulos e os estigmas do
Mundial de 2014 e da Copa
América de 2015.
— Desde o primeiro dia
estamos jogando muito
bem, e merecemos pelo trabalho que temos feito. Tomara que seja desta vez. Estamos felizes por chegar à final — afirmou Messi.
Nos últimos 23 anos, a Argentina disputou cinco finais
e perdeu todas — a última
conquista foi a Copa América de 1993, no Equador.
Além da Copa de 2014 e da
Copa América de 2015, tropeçou na decisão das Copas
Américas de 2014, no Peru, e
de 2007, na Venezuela, e na
Copa das Confederações de
2005, na Alemanha — as três
diante do Brasil.
Messi marcou seu 55° gol
pela seleção e se tornou o
maior artilheiro da história
do país. Ele superou a marca
de 54 gols de Batistuta.
— Estou feliz em ter ultrapassado o recorde de Batistuta e quero agradecer aos
meus companheiros. É deles
também — disse Messi, que
completa 29 anos amanhã. l
Zerado. Fernandes se desvencilha dos jogadores do Figueirense no empate em 0 a 0, ontem, em Juiz de Fora
ATUAÇÕES
Pneu Aro 14”
a partir de
aa B OTA FO G O
Sidão 6,5.
Eficiente. Fez uma devolução de bola
perigosa, mas salvou no fim.
uma vez, sentiu dores e teve que ser substituído.
Henrique e do Octávio.
Octávio 6,5.
Anderson Aquino 4.
Sem mira. Quando esteve bem posicionado,
Luis Ricardo 6.
Criativo. Conseguiu fazer boas jogadas.
Veloz. Entrou dando velocidade ao ataque.
Bruno Silva 4,5.
Esforçado. Criou algumas oportunidades, mas
Renan Fonseca 5.
errou muitos passes e perdeu chance clara.
melhor da posição.
Fernandes 6.
Presente. Participou de quase todas as jogadas
Luiz Henrique 6,5.
Talento. Melhora o ataque quando entra.
Ricardo Gomes 5.
Lento. Demorou para mexer no time, que
importantes do Botafogo.
melhorou depois das mudanças.
Gervasio Núñez 4.
aa F I G U E I R E N S E
Correto. Apesar de alguns vacilos, foi o
Emerson Silva 3.
Perdido. Mal posicionado, tomou algumas
bolas por baixo das pernas.
Diogo Barbosa 3.
Confuso. O lado esquerdo foi o setor mais
exposto. Não criou nem ajudou na marcação.
Airton 5.
Lesão. Estava bem na partida, quando, mais
Ausente. Abusou de passes errados.
Ribamar Sem nota.
Sem tempo. Entrou no fim.
Neilton 6.
Dependente. Melhorou com a entrada do Luiz
não foi eficiente ao finalizar.
Cansou. Começou atacando, porém, relaxou
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Willian Arão era o responsável
por iniciar a distribuição da jogada e chegar como homem
surpresa no ataque. Foi num
desses lances que, aproveitando-se da falta de marcação adversária, chutou de fora da
área e contou com a falha do
goleiro Tiago Cardoso, adiantado, para fazer 1 a 0 aos 14.
Contra o São Paulo, no domingo, ele já havia feito gol.
Apesar da pouca qualidade
técnica, o Santa Cruz conseguia
chegar ao ataque à base da von-
FABIANO MESQUITA/ FRAMEPHOTO
Santa Cruz
Após longa interrupção por
temporal, atual campeão
supera a Colômbia
PROMOÇÃO VÁLIDA ATÉ 30/06/2016.
-RECIFE- Num jogo em que abriu
o placar no primeiro tempo,
mas renunciou ao ataque e
quase foi punido por isso, o
Flamengo saiu com a vitória
sobre o Santa Cruz, por 1 a 0,
ontem, no Estádio do Arruda.
Desde os 12 minutos do segundo tempo, o rubro-negro teve
em campo três volantes e quase não produziu jogadas de
ataque. Foi a terceira vitória do
interino Zé Ricardo fora de casa, levando o time aos 17 pontos e ao G-4, graças à derrota
do Corinthians para o AtléticoMG, no Mineirão. Hoje, o Flamengo torce contra o São Paulo (14 pontos), que recebe o
Sport no Morumbi.
— Estamos numa crescente
grande. Estão todos de parabéns pela entrega. Hoje (ontem) foi um jogo em que vencemos na disposição. Não jogamos bem, mas o importante
foi sair com os três pontos —
disse o goleiro Alex Muralha.
O Flamengo teve uma atuação sólida no começo do primeiro tempo, com Alan Patrick
como principal jogador no
meio. Mas faltava ao time força
no ataque. Everton e Marcelo
Cirino pouco faziam e deixaram Felipe Vizeu isolado.
l 31
no segundo tempo.
aa A R B I T R AG E M
Tranquilo. Emerson Ferreira foi correto ao
dar o único cartão da partida.
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QUINTA-FEIRA 23.6.2016
oglobo.com.br
BERNARDINHO
BRASIL PEGA SÉRVIA
NA LIGA MUNDIAL
2017 começa em Cingapura
Pit Stop PÁGINA 37
PÁGINA 29
THIBAULT CAMUS/AP
Código de
Ética pode
barrar filho
de Tite
Matheus é auxiliar do pai;
texto pré-aprovado veta
parentes em indicações
L AURO NETO
[email protected].oglobo.com.br
A primeira dor de
cabeça de Tite no comando
da seleção pode ser fora de
campo. De acordo com o
texto pré-aprovado do Código de Ética da CBF — que
ainda depende da Assembleia Geral para entrar em
vigor — , seu filho Matheus
Bacchi não poderia assumir
como auxiliar, função que
desempenhava na comissão
de Tite no Corinthians.
O artigo 9º do capítulo 3
(Princípios gerais da ética
relacionados a vantagens
indevidas) prevê que é proibido “contratar parentes como seus funcionários, em
qualquer modalidade. Segundo o documento, as regras devem ser cumpridas
por “funcionários em quaisquer níveis hierárquicos”.
Essa restrição se aplica
também a quaisquer indivíduos com relações de parentesco de segundo grau
com outros gestores e executivos da CBF e seus conselhos e comissões”.
De acordo com Ednaldo
Rodrigues, coordenador do
Comitê de Reformas do Estatuto da CBF, a minuta do
Código de Ética já foi aprovada pelo órgão e será submetida à Assembleia Geral
antes de começar a valer na
prática. O dirigente acha
improváveis mudanças no
texto para beneficiar Tite.
— Não acredito nessa mudança. O código foi discutido de uma forma ampla e
aprovado por unanimidade
pelos integrantes do Comitê. Hoje, já prevalece que
parentes não podem trabalhar na CBF. Se o presidente
Marco Polo Del Nero abrir
essa exceção, teria que estender a todas outras situações. Se houver aprovação
pela Assembleia, o filho de
Tite não vai poder trabalhar
mais com o pai — explicou
Ednaldo Rodrigues.
Tite está nos Estados Unidos para acompanhar a fase
final da Copa América Centenário e não foi localizado
pela sua assessoria de imprensa para comentar o assunto. Já a CBF informou
que não vai se manifestar. l
-SÃO PAULO-
Paris é uma festa. Os jogadores islandeses comemoram a 2 a 1 sobre a Áustria com a torcida no Estádo da França: estima-se que 5% da população do país (15 mil pessoas) estavam presentes ao jogo
Vitória do bairro
AZULZINHO
Presença histórica da Islândia marca Eurocopa que terá
Espanha x Itália nas oitavas, além de ‘chave da morte’
O
-PARIS-
último dia da primeira fase
da Eurocopa foi também o
melhor. Nos quatro jogos
de ontem que definiram o
caminho até o título para os
16 classificados — e que
puseram os cinco países
europeus campões mundiais do mesmo lado da chave
—, houve de tudo: a tardia
“estreia” de Cristiano Ronaldo, a maior
estrela da competição, autor de dois gols
no eletrizante 3 a 3 entre Portugal e Hungria; a melancólica despedida de Ibrahimovic, que se aposenta da seleção sueca
com a derrota (1 a 0) para a Bélgica, sem
ter feito gol na Euro; e duas emocionantes vitórias que garantiram classificações
improváveis para o mata-mata.
A Irlanda precisava vencer ninguém
menos que a Itália, e fez o gol do 1 a 0 já
aos 39 minutos do segundo tempo. À Islândia já servia o empate com a Áustria,
FASE DECISIVA
OITAVAS DE FINAL
Sábado - 10h
QUARTAS
DE FINAL
QUARTAS
DE FINAL
SUÍÇA
POLÔNIA
30/6 - 16h
2/7 - 16h
ITÁLIA
SEMIFINAIS
PORTUGAL
6/7 - 16h
ESPANHA
7/7 - 16h
Sábado - 13h
Domingo - 10h
PAÍS DE GALES
HUNGRIA
BÉLGICA
ESLOVÁQUIA
Segunda - 13h
CROÁCIA
Domingo - 16h
Domingo - 13h
ALEMANHA
Sábado - 16h
IRLANDA DO N.
OITAVAS DE FINAL
FRANÇA
1/7 - 16h
3/7 - 16h
FINAL
10/7 - 16h
IRLANDA
Segunda - 16h
INGLATERRA
ISLÂNDIA
Editoria de Arte
mas o gol da vitória por 2 a 1, aos 49 do
segundo tempo, decretou o primeiro
triunfo do país em sua estreia na Euro.
É difícil dimensionar o feito deste país,
que ocupa um pequeno arquipélago no
Atlântico Norte, e que agora enfrentará a
Inglaterra nas oitavas de final. Dependendo do ângulo que se olhe, a Islândia é
um bairro-nação. Sua população é de 323
mil pessoas (dado de 2013), o que corresponde exatamente ao número de pessoas que moram nos bairros cariocas de
Copacabana (146 mil), Leme (14 mil) e
Tijuca (163 mil), segundo aferimento de
2010. Campo Grande, sozinho, concentra
mais gente (328 mil) que toda a Islândia.
CHOQUE DE GIGANTES
No dia em que foi ironizado pelas previsões erradas sobre a Islândia após a primeira rodada — “não vão a lugar nenhum na Euro com este jogo de defesa,
defesa e contra-ataque” —, Cristiano Ronaldo disse a que veio. Fez dois gols, ajudou Portugal a buscar o empate três vezes com a Hungria, até o 3 a 3 final que
garantiu o time nas oitavas. O adversário
será duro, a Croácia, mas chegar à final
pode não ser tão difícil. Os outros confrontos deste lado da chave não têm seleções de tradição: Suíça x Polônia, o “clássico britânico” entre País de Gales e Irlanda do Norte, e Bélgica x Hungria. Um
destes oito times estará na decisão, contra o sobrevivente da “chave da morte”.
Estão reunidos no outro lado os cinco
campeões mundiais da Europa. Além da
Inglaterra que pega a Islândia, a favorita
Alemanha encara a Eslováquia, enquanto a França dá à Irlanda uma revanche.
Ainda é inesquecível para os irlandeses o
jogo de 2009 em que a França ganhou a
vaga para a Copa do Mundo de 2010 com
um gol de mão de Thierry Henry.
Por fim, o superclássico entre Espanha
e Itália, reeditando, já nas oitavas, a decisão da Euro de 2010, vencida pelos espanhóis com um incontestável 4 a 0. l
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SEGUNDO
CADERNO
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Roubo na Glória
suspende
gravações de
série mexicana
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Gente Boa pág. 2
CLEO GUIMARÃES
CINEMA ‘INDEPENDENCE
DAY’ GANHA CONTINUAÇÃO
QUINTA-FEIRA 23.6.2016
oglobo.com.br
pág. 6
ANDRÉ MIRANDA
[email protected]
É
curta a escadaria que separa o paraíso da criação
do inferno da farsa. Nos
últimos dias, por seus degraus
transita uma das maiores bandas de rock de todos os tempos,
a britânica Led Zeppelin. Desde
a semana passada, um julgamento na Califórnia procura definir se o Led plagiou ou não um
riff de guitarra na introdução de
“Stairway to heaven”, seu maior
hino, que arranca lágrimas até
do fã mais metaleiro. A dúvida
em si já põe em xeque a originalidade do grupo, um problema
que já atingiu nomes tão variados da música quanto Bob Dylan, Pharrell Williams, Coldplay,
George Harrison, Rod Stewart,
Roberto Carlos e Anitta.
A maior dificuldade está em
definir se houve mesmo a cópia.
Advogados e artistas reconhecem a subjetividade do tema. No
caso do Led Zeppelin, por exemplo, a acusação foi feita por administradores do espólio de
Randy California, guitarrista já
falecido da antiga banda de rock
progressivo americana Spirit.
Quem foram os Spirit? Ninguém
lembrava até agora, assim como
praticamente ninguém havia escutado sua música instrumental
“Taurus”, lançada em 1967, de
onde teria sido tirado o riff para
“Stairway to heaven”, de 1971.
Quer dizer: praticamente ninguém, exceto, para a acusação, o
guitarrista Jimmy Page, do Led.
A música, segundo estimativas
apresentadas no julgamento, já
teria gerado mais de US$ 562
milhões em direitos autorais.
— O que há em comum entre
elas é uma progressão harmônica absolutamente padrão,
para lá de manjada. Não é plágio, nem aqui nem na China —
afirma o roqueiro Leo Jaime. —
Dá para a gente dizer que é a
mesma progressão de “Para dizer adeus” (música de Edu Lobo e Torquato Neto).
No tribunal da Califórnia, um
perito musical convocado pelo
advogados de Jimmy Page e do
vocalista Robert Plant, os dois
compositores de “Stairway to
heaven”, argumentou que a tal
progressão harmônica é tão co-
mum que estaria até em “Insensatez”, de Tom Jobim.
— Você ouve milhões de coisas
e pode acabar usando aquilo inconscientemente. Uma vez eu
passei horas compondo uma
música. No dia seguinte, mostrei
para um amigo, que me abriu os
olhos: “Mas isso é do James Taylor” — conta Leo Jaime. — Os
sons já foram todos feitos, o que a
gente faz é cantar do nosso jeito.
Ninguém mais inventa a roda. O
que não pode é roubar uma melodia e um tipo de arranjo.
HISTÓRIAS ESCONDIDAS
Como há incertezas, há centenas de acusações, de gente com
razão e de outros que tentam a
sorte para ver no que dá. Mas
poucas dessas histórias vêm a
público, para evitar arranhar as
imagens de acusador e acusado.
Roberto Carlos já foi alvo de diversas alegações e, ao menos
uma vez, foi condenado: por ter
usado “Loucuras de amor”
(1983), de Sebastião Braga, para
fazer sua “O careta” (1987). “Viva
la vida”, hit eufórico do Coldplay
de 2008, foi reivindicado em entrevistas ou no tribunal três vezes: pelo grupo independente
Creaky Boards, pelo guitarrista
Joe Satriani e por Yusuf Islam
(i.e. Cat Stevens). Na disputa
com Satriani, o processo foi
abandonado porque as partes
chegaram a um acordo. Já com
os Creaky Boards e Islam, os casos não seguiram adiante.
— O acordo em geral se faz em
torno de uma quantia em dinheiro e um ajuste da situação.
Às vezes também se admite uma
parceria na assinatura da composição — afirma a advogada
Vanisa Santiago, especialista em
direito autoral. — Muitas vezes o
autor se apropria como se fizesse uma citação ou pensando que
a música estaria em domínio
público. Por exemplo, o tema famoso de “Chapeuzinho Vermelho” é do Braguinha, e não é
qualquer um que pode usar.
Mas muita gente usa sem saber.
O caminho do arranjo extrajudicial é bastante comum, o que
gera uma barreira para se estudar o plágio no meio jurídico:
como os acordos têm cláusulas
de confidencialidade, ninguém
fora os envolvidos sabe bem
AFP
MARTIN MEISSNER/AP
REPRODUÇÃO
Derrotas. George Harrison e Rod Stewart já perderam casos por cópia
MARCOS RAMOS
BARRACO
AUTORAL
Plágio? Jimmy Page, do Led Zeppelin, e Bob Dylan: acusações recorrentes
DIVULGAÇÃO
Enquanto Led
Zeppelin é acusado
de plágio em tribunal,
especialistas lembram
outros casos e
discutem os limites
entre cópia e criação
ANDRÉ COELHO
ILUSTRAÇÃO DE ANDRÉ MELLO
Gêneros. Pharrell Williams e Roberto Carlos estão entre condenados
seus desfechos. Composta pelos
funkeiros MC Junior e MC Leonardo, “Rap das armas” ficou famosa na trilha de “Tropa de elite” (2007, em gravação de Cidinho e Doca), mas seu refrão foi
tirado de “Your love” (1985), da
banda inglesa The Outfield. Advogados foram escalados e peritos foram contratados para analisar a música, mas o caso teria
terminado em acordo com os
funkeiros. Anos antes, o inglês
Rod Stewart foi acusado e admitiu ter plagiado “Taj Mahal”
(1972), de Jorge Ben Jor, para
compor “Da Ya think I’m sexy?”
(1978). Para se livrar da ação,
Stewart teria doado todo seu lucro com a música para a Unicef.
— É preciso analisar quatro fatores: a prova de que o acusado
teve acesso à obra anteriormente, o fato de a obra ter sido composta antes, a similaridade entre
elas e o dolo ou a
vantagem — afirma o advogado
Daniel Campello
Queiroz. — Se o
artista não tiver
NA WEB
feito para se beÁUDIO
neficiar, não faz
oglobo.com.br/
cultura
sentido consideOuça as
rar plágio. Por
músicas
que alguém usaque foram
ria de má-fé uma
alvo de
ideia que não é
dúvida
genial ou uma
música que não
é sucesso? Qual a vantagem do
Led Zeppelin neste caso?
Queiroz defende a cantora
Anitta numa acusação feita por
MC Bruninha, pela música
“Show das poderosas” (2013) —
Anitta venceu em primeira instância, e agora espera decisão
da apelação. A análise técnica
foi feita da mesma maneira como ocorre com “Stairway to heaven” e outras canções: especialistas são convocados para
emitir laudos que atestem semelhanças e diferenças.
— Para você dar qualquer palpite, não basta ouvir os dois áudios. É preciso se debruçar sobre
aspectos rítmico, melódico e
harmônico. Depois, avaliar o
histórico das criações — explica
Alexandre Negreiros, musicólogo frequentemente contratado
para laudos. — Meu primeiro
trabalho grande foram pareceres
para defender o Lulu Santos por
músicas do disco “Bugalu”
(2003). Mas, quando assino um
laudo, jamais digo se é ou não é.
Eu digo que há elementos que
ajudam uma conclusão.
Para o Led Zeppelin, as acusações de plágio não são novidade. Em 1985, após um processo
na Justiça, eles passaram a incluir o nome do blueseiro Willie
Dixon como um dos compositores de “Whole lotta love”
(1969) — na letra, o Zeppelin teria se apropriado de trechos de
“You need love”, escrita por Dixon em 1962. Já “Dazed and
confused” (1969) foi alvo de disputa num tribunal em 2010, terminando com um acordo que
favoreceu o cantor de folk Jake
Holmes, autor de uma música
anterior de mesmo nome. Hoje,
novos discos do Zeppelin indicam a autoria de “Dazed and
confused” para “Jimmy Page,
inspirado por Jake Holmes”.
POUCO ESTUDO
O Zeppelin, porém, nem de longe é um vilão solitário. Bob Dylan, o grande poeta da música
americana, já foi inúmeras vezes
acusado de utilizar letras de outros artistas como fonte de “inspiração”; sem dar crédito, claro.
George Harrison, o Beatle que
curtia um misticismo, compôs
“My sweet lord” em 1970 em homenagem ao deus hindu
Krishna, mas foi condenado por
um juiz mortal por copiar a canção “He’s so fine” (1962), de Ronnie Mack. Mais recentemente, os
rappers Pharrell Williams e Robin Thicke foram condenados a
pagar US$ 7,4 milhões à família
de Marvin Gaye, por terem se
apropriado de “Got to give it up”
(1977) na composição do hipersucesso “Blurred lines” (2013).
— O plágio é um dos temas
mais polêmicos e menos estudados, porque é pouco objetivo. É
cercado de lendas urbanas. Tem
quem diga que o uso de até sete
compassos de uma música é permitido. Mas isso nunca existiu —
afirma Cláudio Lins de Vasconcelos, presidente da Comissão de
Direitos Autorais da OAB-RJ. —
Não podemos confundir inspiração com plágio. O que caracteriza o plágio é a intenção. O plagiador é um impostor. l
l O GLOBO
2
l Segundo Caderno l
[email protected]
FLÁVIA
OLIVEIRA
|
Quinta-feira 23 .6 .2016
Gente
Boa
CLEO GUIMARÃES
|
Email: [email protected] e Blog: http://blogs.oglobo.globo.com/gente-boa/
COM MARIA FORTUNA E FERNANDA PONTES
|
O ano errado
A esta altura, com o primeiro semestre
dobrando a curva, é seguro afirmar. Deu tudo
errado, 2016. Não faz meia década, tanto o
Brasil quanto o Rio de Janeiro preparavam-se
com euforia — exagerada, é verdade — para
aquele que prometia ser o ano de nossas
vidas. A economia crescia, o nível de
emprego disparava, o pré-sal despontava, os
primeiros Jogos Olímpicos sediados na
América do Sul se aproximavam. O país do
futuro cruzaria, enfim, a faixa de chegada do
Eldorado tantas vezes anunciado e sempre
adiado. Nada disso.
O QUE ELE TEM? AMIGOS
Muita gente ficou mais de uma hora na fila à
espera de autógrafos de Olivia e João Byington
FOTOS DE MARCOS RAMOS
JOSÉ
EDUARDO
AGUALUSA
3ª
MARCUS
FAUSTINI
4ª
5ª
6ª
FRED
FLÁVIA ZÉLIA
COELHO OLIVEIRA DUNCAN
SAB
MARCIO
TAVARES
D'AMARAL
DOM
FERNANDO
GABEIRA
Uma equipe da TV pública do México
(Sistema Público de Radiodifusión del
Estado Mexicano) vai ter que dar uma
pausa nas gravações da série “Carioca”,
que vinha sendo filmada na cidade há
seis semanas e será exibida durante a
Olimpíada. O grupo teve seu
equipamento roubado, na Glória, num
furto com a participação de um ladrão
que exibia no peito um crachá,
provavelmente falso, dos Jogos.
Luisa Cassab, a brasileira responsável pela
coordenação de produção da equipe, conta
como foi: “Tínhamos acabado de colocar
nossas duas câmeras dentro do carro,
quando um homem falando espanhol e
com crachá dos Jogos Olímpicos nos
abordou pedindo dicas da Lapa. Era a
deixa para um comparsa dele ir rastejando
pelo outro lado do carro e pegar o nosso
equipamento sem que a gente percebesse
nada”. O prejuízo foi de US$ 36 mil.
Bottura na área
P
ersonagem principal de “O que é
que ele tem” (Objetiva), João, filho de Olivia Byington, passou a
noite ao lado da mãe, na Argumento,
posando para fotos e escrevendo dedicatórias para os convidados. “Ele já está
a caminho, vem direto do seu primeiro
dia de emprego”, contou a autora, que
no livro faz um relato delicado e corajoso sobre o primogênito. João nasceu
com a rara Síndrome de Apert.
Smack! Olivia Byington e André Midani se
cumprimentam com um selinho; abaixo, a
autora com o filho João e Adriana Falcão
Massimo Bottura, o italiano dono do
restaurante número 1 do mundo, segundo
a lista divulgada pela publicação inglesa
“Restaurant”, vai passar dez dias no Brasil
durante a Olimpíada. Ele vem para a
inauguração do restaurante social
ReffetoRio Gastromotiva, na Lapa, e ficará
hospedado na casa do amigo Vik Muniz,
que também participa do projeto, voltado
para a população de rua.
Toin-oin-oin em baixa
l
Parece que as mulheres da Zona Sul
desistiram de assumir os cabelos crespos
— tanto é que o Beleza Natural, salão
especializado em cachos, acaba de fechar
as portas em Ipanema. A filial da rede, que
tem 26 lojas no Rio, funcionou por quase
dez anos na Rua Visconde de Pirajá e, em
tempos de crise, viu sua clientela crespa
minguar consideravelmente.
“Também quero seu autógrafo, rapaz”,
pediu Tony Ramos, depois de passar
uma hora na fila. Jorge Benjor, Arlete
Salles, Cacá Diegues, Boni, André Midani, Marcius Melhem, Francis e Olívia Hime, Geraldo Carneiro, Flavio
Marinho, Adriana Falcão, Chico e Eliana Caruso, entre muitos outros amigos, também passaram por lá.
A FARRA DOS LIVROS CONTINUA...
Fernanda Gentil e Denise Barcelos escrevem
dedicatórias a amigos e fãs, na Barra e no Copa
CRISTINA GRANATO/DIVULGAÇÃO
Ilegal, e daí?
Aprovada pela Câmara de Vereadores em
2002, a Lei 3.366, que proíbe o fumo em
prédios e repartições do município, é
ignorada solenemente... na própria sede da
Câmara. Escadas, gabinetes, corredores e
salas do Palácio Pedro Ernesto são usados
sem cerimônia como fumódromos, apesar
das placas de “É proibido fumar”. Os
processos chegam a feder a cigarro.
O projeto está pronto
Os donos do Braseiro negociam com a
prefeitura a instalação de um quiosque
para servir pizzas e belisquetes na Praça
Santos Dumont, no Baixo Gávea.
A verdade é afrodisíaca
DIVULGAÇÃO
ano em que seríamos felizes está mergulhado num pântano de areia movediça, à
moda dos desenhos animados e filmes
de categoria “Z”. A atividade econômica enfrenta o segundo ano consecutivo de retração aguda, o desemprego alcança quase 12 milhões de
brasileiros, a renda cai com a inflação ainda alta.
No estado, os serviços públicos básicos estão em
colapso; na capital, obras de infraestrutura foram desmoralizadas pela falta de qualidade
que, no caso da ciclovia da Avenida Niemeyer,
matou dois cidadãos.
Tanto o Brasil quanto o Estado do Rio caminham pelas mãos de comandantes interinos. A
forte recessão — com efeitos no consumo e nos
investimentos — nocauteou tanto a arrecadação
federal quanto o caixa estadual. As receitas com
ICMS despencaram, as parcelas da dívida renegociada no fim do século passado ajudaram a asfixiar as contas. Para completar, o envolvimento
com a Operação Lava-Jato travou o funcionamento das principais empreiteiras e da maior
empresa do país, a Petrobras.
No Rio, um executivo do mercado imobiliário
contou que a estatal abocanhava cerca de 30%
dos lançamentos imobiliários no Centro. No ano
passado, com o corte de mais de um terço nos investimentos e a apressada reestruturação financeira, a Petrobras reviu contratos e devolveu prédios inteiros, caso do antigo Edifício Andorinha,
rebatizado de Torre Almirante. É um baque e tanto num setor, que não estaria diretamente ligado
à cadeia de óleo e gás.
A crise fluminense tem notas nacionais, é verdade, mas componentes locais nada desprezíveis. A recessão e a desidratação da Petrobras fizeram muito mal ao estado, mas é certo que,
desde o governo Sérgio Cabral, faltou à gestão
pública a dose de cautela recomendada em momentos de abundância, para que a escassez doesse menos. Mas o Rio viu as despesas fixas aumentarem e o déficit previdenciário crescer, enquanto as receitas com impostos e royalties do
petróleo minguavam. Sem falar nas denúncias
de desperdício, superfaturamento e corrupção
em obras e na administração.
O resultado se vê, parcialmente, agora. Não faz
uma semana, o governador interino, Francisco
Dornelles, decretou calamidade pública. O decreto publicado no meio de uma tarde insuspeita chamou atenção não apenas pelo teor, mas pela desatenção com a sociedade fluminense. As explicações sobre a medida foram pífias. Com atraso, soubemos o motivo: um acerto com o Planalto para liberação de R$ 2,9 bilhões a fundo perdido para
evitar vexame nos Jogos 2016.
O desastre, em vez de natural (praxe em situações de calamidade), é financeiro e ameaça todas
as áreas relevantes do serviço público: saúde, segurança, mobilidade urbana, meio ambiente,
educação. O repasse federal salva do caos a Rio
2016, mas não protege o cidadão que, encerrada
a festa, seguirá vivendo e trabalhando no estado.
Nas contas da Fazenda, o Rio precisaria de R$ 18
bilhões para fechar o ano em dia com todas as
obrigações. Se os fornecedores forem ignorados,
o rombo é de R$ 10 bi.
O decreto-gambiarra não rendeu um terço das
necessidades para manter a máquina pública em
funcionamento até o fim de 2016. O recém-anunciado alívio de seis meses com as parcelas da dívida com a União tampouco será suficiente para
zerar o déficit. Na capital, o fim das obras olímpicas, com mais demissões de trabalhadores, tende
a agravar o quadro social. Nesse cenário, a demanda por saúde e educação públicas cresce, o
que pressiona despesas. É círculo vicioso.
O Estado do Rio, inevitavelmente, voltará a recorrer à União para uma ajuda estruturante, de
longo prazo, que passará pelo ajuste na previdência dos servidores e, provavelmente, pela
venda de ativos — é a Cedae a joia da coroa. Ao
mesmo tempo, é urgente a elaboração de um plano de recuperação de investimentos para reativar o emprego e a arrecadação. As eleições municipais, por sua vez, serão oportunidade para debater projetos de cidade. A sociedade deve exigir
transparência das autoridades e impor suas escolhas, para que anos futuros não deem errado
como este 2016. l
Está feia a coisa
Segue a história
O
2ª
|
Elas. Heloísa Périssé e Denise Barcelos; Christine Fernandes e Fernanda Gentil: autógrafos
T
erça-feira também foi o dia escolhido pela repórter e apresentadora de TV Fernanda Gentil e pela dermatologista Denise Barcelos para
o lançamento de seus livros. No Copacabana Palace, Denise recebeu clientes
como Ingrid Guimarães, Grazi Massafe-
ra, Reynaldo Gianecchini e Heloisa Périssé, só para citar alguns atores — se
juntasse todos, dava para fazer uma novela. Na Travessa, Fernanda tinha uma
fila de 400 pessoas à sua frente, entre
elas Thalita Rebouças, Ana Paula Araújo e Christine Fernandes.
U
Claudio Magalhães
‘O brasileiro abraçou a tocha’
Esteticamente falando, a marca dos Jogos e a tocha foram dois acertos da
Olimpíada do Rio. A opinião é de Claudio Magalhães, do departamento de artes e design da PUC. Ele organiza o
evento “O design e os Jogos Rio
2016”, amanhã, na faculdade, e
conversou com Maria Fortuna.
Qual é a relação entre design
e Olimpíada?
Olimpíada é um ícone para o
design. Os elementos de comunicação
de sua estrutura têm que conectar as
pessoas e precisam agregar uma série de
projetos organizados de modo coerente.
l
Muito se fala em “legado olímpico”.
No que diz respeito ao design, ele
também acontecerá?
É esperar para ver... Mas imagino me-
l
lhorias do espaço, nos equipamentos e
no mobiliário urbano. Um aspecto importante é a proximidade com o mundo. A gente fica ilhado no Brasil e esses
eventos aproximam o cidadão de
uma dinâmica global.
Como avalia a tocha e a logo dos Jogos? (Ela chegou a
ser comparada com a de
uma fundação americana).
A logo tem um discurso forte,
com referência às pessoas de mãos dadas. Hoje o conjunto de ações para verificar o grau de originalidade é bem significativo, cópias sofrem degenerações. O
brasileiro abraçou a tocha, apesar do
ambiente instável que ofuscou o brilho
dos Jogos. O símbolo foi incorporado à
população. É uma das poucas coisas até
agora que estão funcionando.
l
Sexo. Leo e Bianca: Preguiça de “mulher fatal”
“O prazer também é um objetivo de vida.
O vibrador, por exemplo, deveria estar na
cesta básica do brasileiro. Sem orgasmo
não dá para ser feliz”, disse Leo Jaime na
entrevista a Bianca Jahara que vai ao ar
sábado, no programa Penetra, do Sexy Hot.
Leo também contou que tem preguiça de
mulher fatal e que nunca foi bom em
cantadas ou táticas de sedução. “Nada é
mais sedutor do que a verdade”.
U
Curtinhas
É Leila Savary, e não Laura, o nome da protagonista da peça “Tudo o que há Flora”. Erramos.
Maritza Caneca abre individual, hoje, no Paço
Imperial, com curadoria de Vanda Klabin
As psicólogas Lulli e Julia Milman lançam “A
vida com crianças”, hoje, na Livraria da Travessa
do Shopping Leblon.
Fernanda Abreu fala sobre o álbum “Amor
Geral”, hoje, às 18h30 no FM Hall Estúdios.
O Quarteto Enso, o violista russo Vladimir
Babeshko e o músico português Nuno Pinto são
as atrações de hoje do Rio Music Week.
Mediare lança hoje, na Colombo do Centro,
duas câmaras de mediação de conflitos.
l Segundo Caderno l
Quinta-feira 23 .6 .2016
O GLOBO
l 3
VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA NO CELULAR
OU ACESSE NO SITE: rioshow.com.br
OS DESTAQUES DE HOJE DA PROGRAMAÇÃO CULTURAL
Show Dream Theater
O Bonequinho viu - Estreias da semana
Uma ópera rock do metal
FOTOS DE DIVULGAÇÃO
DOCUMENTÁRIO
DRAMA
‘Paratodos’
‘Marguerite’
Um grupo de atletas paralímpicos brasileiros é
acompanhado durante alguns anos pela equipe do
diretor Marcelo Mesquita em um documentário
que revela não só a tenacidade dos personagens,
mas também intrigas e injustiças dos bastidores.
Ponto para Catherine Frot, em interpretação que lhe
valeu um dos quatro prêmios Cesar conquistados
pelo longa. No final, tudo faz com que nos sintamos
mais envergonhados de nós mesmos no nosso papel
de juízes do talento alheio do que por Marguerite.
Sérgio Rizzo
Carlos Helí de Almeida
SUSPENSE
DOCUMENTÁRIO
‘O caseiro’
Um dos maiores nomes do metal progressivo
mundial, o quinteto Dream Theater vem ao
Rio para apresentar hoje, no Vivo Rio, seu
13º disco, “The astonishing”, lançado em
janeiro, depois de passar por Belo Horizonte
(terça) e São Paulo (ontem).
O projeto é o terceiro trabalho de estúdio
sem o membro fundador e lendário baterista
Mike Portnoy, que esteve no Brasil no mês
passado com seu novo projeto, The Winery
Dogs, ao lado do guitarrista e vocalista Richie
Kotzen e do baixista Billy Sheehan (ambos
ex-integrantes da banda de hard rock Mr. Big).
Conhecidos pelo virtuosismo em seus
instrumentos, James LaBrie (voz), John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo), Jordan
Rudess (teclado) e Mike Mangini (bateria)
tocam o novo CD, o segundo álbum conceitual do grupo (o primeiro foi o aclamado
“Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory”, de
1999) na íntegra. Dividida em dois atos, a
história, passada num futuro distópico no
ano de 2285, acompanha a batalha de um
grupo de rebeldes contra o Grande Império do Norte das Américas, nação opressora e tirânica que controla a população
utilizando máquinas de barulho conhecidas como Nomacs.
No palco, com todo o equipamento de
som e luz que tem sido usado nas apresentações no exterior, a banda toca as 34 faixas da ópera rock, que tem duas horas e 10
minutos. Diferentemente de seus shows
convencionais, a apresentação carioca
contará com assentos para todo o público.
Show Leoni
Teatro ‘Versão de dois’
Entre canções, versos e versões
Como nasce e morre o amor
O cantor e compositor apresenta o show de
voz e violão "Multiversos", que mistura
canções, projeções e poesia. No setlist,
além de sucessos de sua carreira, Leoni
toca uma parceria inédita
com Cazuza (“Tocha acesa”)
e versões de músicas de
artistas como Bob Dylan,
Raul Seixas, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Os
Paralamas do Sucesso,
Radiohead e Fito
Paez, um dos
maiores nomes do rock
argentino.
Na comédia em cartaz desde ontem no Teatro Candido Mendes,
Wagner Trindade e Mariana
Rebelo (que também
assina o texto) interpretam um casal que,
uma vez separado e
recolhendo seus pertences na casa em que
morava, “lava a roupa
suja” e apresenta
versões bem particulares sobre o que
motivou o rompimento. A direção é
de Rodrigo Sant’an-
ONDE: Sesc Tijuca. Rua Barão de Mesquita 539, Tijuca (32382164). QUANDO: Qui, às 20h. QUANTO: R$ 20.
CLASSIFICAÇÃO: 10 anos.
ONDE: Teatro Candido Mendes. Rua Joana Angélica 63, Ipanema
(2523-3663). QUANDO: Qua e qui, às 20h30m. Até 28 de julho.
QUANTO: R$ 40. CLASSIFICAÇÃO: 14 anos.
ONDE: Vivo Rio. Av. Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo
(2272-2901). QUANDO: Qui, às 21h. QUANTO: R$ 180 (setor 3),
R$ 200 (balcão), R$ 240 (setor 2), R$ 320 (frisa), R$ 340 (setor 1),
R$ 380 (camarote B), R$ 480 (camarote A) e R$ 540 (setor
premium). CLASSIFICAÇÃO: 18 anos.
‘Funk Brasil’
As limitações em relação aos filmes recheados de
efeitos especiais de Hollywood ressaltam ainda
mais o bom resultado obtido pela simplicidade e
falta de pretensão de Julio Santi, que entrega um
filme que aguça a curiosidade e provoca arrepios.
Como qualquer obra coletiva, é desigual no conjunto,
mas oferece informações curiosas sobre o ritmo que
enfrentou preconceitos antes de se tornar patrimônio
cultural. Os segmentos tencionam contar a história
sem se preocupar com abordagens rebuscadas.
Mario Abbade
Carlos Helí de Almeida
DRAMA
COMÉDIA DRAMÁTICA
‘Mais forte que o mundo —
A história de José Aldo’
‘Nós ou nada em Paris’
A bela performance de José Loreto como Aldo, aliada
às boas atuações de todo o elenco, quase é comprometida pela necessidade de Afonso Poyart em transformar todas as cenas em algo épico, não deixando
espaço para algum silêncio ou momento de reflexão.
Dirigido, roteirizado e estrelado por Kheiron, astro
iraniano-francês do stand-up, o filme opta pela
comédia para abordar a juventude de seus pais,
num conturbado Irã e no subúrbio parisiense. O tom
leve impede aprofundamento, mas cria empatia.
Mario Abbade
Ruy Gardnier
DRAMA
DRAMA
‘Raça’
‘Trago comigo’
na.
Classificados do Rio. Achou de verdade. classificadosdorio.com.br / 2534-4333
Esmiúça o episódio histórico em torno de Jesse
Owens de maneira correta e honesta, mas carece
de falta de ambição artística, por parte do diretor
Stephen Hopkins. O longa é uma cinebiografia
tradicional, que mais parece um filme didático.
Em seu retorno ao teatro, um diretor veterano que
foi militante de esquerda no regime militar encena
uma peça autobiográfica que o ajuda a reavaliar
episódios nos quais se envolveu, em novo filme de
Tata Amaral sobre os anos de chumbo.
Mario Abbade
Sérgio Rizzo
4
l O GLOBO
l Segundo Caderno l
Quinta-feira 23 .6 .2016
Os destaques de hoje na TV
FOTOS DE DIVULGAÇÃO
Arte1, 0h
Por trás
do sucesso
Produção de 1984, “O making
of de ‘West Side story’” mostra
o trabalho do maestro americano Leonard Bernstein
(1918-1990), criador da famosa composição usada no
filme homônimo, de 1961.
Natalia Castro
[email protected]
Multishow, 22h
MTV, 20h
Bis, 22h
Futura, 14h30m
‘Ferdinando show’
‘Bugging out’
‘Legacy’
‘EnvelheSer’
No terceiro episódio do
talk-show, Ferdinando
(Marcus Majella, na foto) e
Nicole Bahls recebem a
visita do funkeiro Mr. Catra, que participa de quadros com a plateia.
O mágico Rob Anderson
apresenta a atração, em que
usa a tecnologia a favor das
clássicas pegadinhas. No
episódio, robôs substituem
motoristas de táxi e deixam
as pessoas assustadas.
O documentário de Maureen Goldthorpe data de
2012 e explora os altos e
baixos da carreira de Michael Jackson, desde sua estreia
nos Jackson Five, ainda criança, à sua morte, em 2009.
A série, sobre o processo de
envelhecimento, explora hoje
a relação do idoso com o
trabalho. Pessoas que não
querem — ou não podem —
parar, apesar da idade, estão
entre os casos citados.
Horóscopo
POR CLAUDIA LISBOA
(21/3 a 20/4)
Elemento: Fogo. Modalidade:
Impulsivo. Signo complementar:
Libra. Regente: Marte.
A inquietude causada por sentimentos não expressados pode ser
responsável por explosões. É
tempo de cultivar a paciência e
encontrar um meio construtivo de
manifestar a impulsividade.
LIBRA
(23/9 a 22/10)
Elemento: Ar. Modalidade:
Impulsivo. Signo complementar:
Áries. Regente: Vênus.
A tolerância deve ser cultivada
nos momentos de instabilidade.
No entanto, não se pode tolerar
tudo; seria abster-se da responsabilidade sobre o que é inaceitável.
É tempo de encontrar o equilíbrio.
TOURO
(21/4 a 20/5)
Elemento: Terra. Modalidade: Fixo.
Signo complementar: Escorpião.
Regente: Vênus.
Quando as pressões externas se
tornam insuportáveis e não se
tem prazer no que se faz, não
existe alternativa a não ser alguma mudança. É tempo de apostar
em algo novo.
ESCORPIÃO
(23/10 a 21/11)
Elemento: Água. Modalidade: Fixo.
Signo complementar: Touro.
Regente: Plutão.
Se as emoções forem bloqueadas,
os ressentimentos se acumulam e
podem desencadear momentos
difíceis. É tempo de deixar o
orgulho de lado e expressar o que
acontece no seu interior.
GÊMEOS
(21/5 a 20/6)
Elemento: Ar. Modalidade: Mutável.
Signo complementar: Sagitário.
Regente: Mercúrio.
As alternâncias de humor podem
chegar a extremos que acabam
por causar desequilíbrio e conflitos nas relações. É tempo de
cuidar da desordem dos sentimentos e agir com cuidado.
SAGITÁRIO
(22/11 a 21/12)
Elemento: Fogo. Modalidade:
Mutável. Signo complementar:
Gêmeos. Regente: Júpiter.
O desejo de compartilhar sonhos
e grandes aventuras o aproxima
do seu parceiro e estimula a
relação. É tempo de viver intensamente para que possa registrar na
alma as belas histórias.
CÂNCER
LEÃO
(21/6 a 22/7)
Elemento: Água. Modalidade:
Impulsivo. Signo complementar:
Capricórnio. Regente: Lua.
(23/7 a 22/8)
Elemento: Fogo. Modalidade: Fixo.
Signo complementar: Aquário.
Regente: Sol.
Ao ser surpreendido por algo que
põe sua vida de pernas para o ar,
é preciso rever o que ficou para
trás e aproveitar para transformar.
É tempo de deixar o novo chegar
sem medo de o acolher.
A boa convivência entre as pessoas requer a capacidade de identificar qual a forma de estabelecer
uma comunicação mais efetiva. É
tempo de sentir a sensação de
entender e poder ser entendido.
CAPRICÓRNIO
(22/12 a 20/1)
Elemento: Terra. Modalidade:
Impulsivo. Signo complementar:
Câncer. Regente: Saturno.
AQUÁRIO
Qual o problema de querer viver
do modo tradicional? Nenhum. O
importante é que seja uma escolha e não algo influenciado pela
família ou pela sociedade. É tempo
de fazer o seu próprio caminho.
(21/1 a 19/2)
Elemento: Ar. Modalidade: Fixo.
Signo complementar: Leão.
Regente: Urano.
Ao não conseguir ver um palmo
diante dos olhos, é preciso dar o
primeiro passo para poder começar a enxergar o caminho que
quer. É tempo de deixar tudo que
prende você de lado.
Logodesafio
POR SÔNIA PERDIGÃO
VIRGEM
(23/8 a 22/9)
Elemento: Terra. Modalidade:
Mutável. Signo complementar:
Peixes. Regente: Mercúrio.
Resistir às transformações pode
te impossibilitar de conhecer o
mais profundo em si mesmo. É
tempo de mergulhar nas emoções
e de lá extrair forças capazes de
curar o que está ferido.
PEIXES
(20/2 a 20/3)
Elemento: Água. Modalidade:
Mutável. Signo complementar:
Virgem. Regente: Netuno.
Talvez seja preciso deixar para
trás algumas coisas e enfrentar
com coragem as perdas. É tempo
de aceitar as fases de inevitáveis
transformações, eliminando os
excessos para ter que dá prazer.
Foram encontradas 56 palavras: 42 de 5 letras, 11
de 6 letras, 2 de 7 letras, 1 de 9 letras, além da
palavra original. Com a sequência de letras GO
foram encontradas 11 palavras.
Instruções: Encontrar a palavra original utilizando
todas as letras contidas apenas no quadro maior.
Com estas mesmas letras formar o maior número
possível de palavras de 5 letras ou mais. Achar
outras palavras (de 4 letras ou mais) com o auxílio
da sequência de letras do quadro menor. As letras
só poderão ser usadas uma vez em cada palavra.
Não valem verbos, plurais e nomes próprios.
Solução: acaso, acato, ática, ático, ativa, ativo, avião, aviso, casto, cauta, cauto, ciosa,
cisão, cisto, coisa, costa, cotia, custa, custo, cutia, facão, fatia, fátuo, fisco, fosca, fusão,
fusca, ótica, saúva, sifão, súcia, sutiã, tasca, tosca, touca, tufão, vácuo, vasta, vasto,
visão, vista, visto; aftosa, cativa, cativo, faísca, faisão, fausto, fiasco, fustão, oitava,
sucata, tocaia; astúcia, atávico; acusativo; SUFOCATIVA. Com a seqüência de letras GO:
afago, agosto, castigo, figo, fogo, fogosa, gosto, gótica, gótico, goto, vago.
ÁRIES
Expediente
EDITORA: FÁTIMA SÁ [email protected] l EDITORES ASSISTENTES: CRISTINA FIBE crist[email protected],
EDUARDO FRADKIN [email protected], EDUARDO RODRIGUES [email protected], GABRIELA GOULART
[email protected], HELENA ARAGÃO [email protected] l DIAGRAMAÇÃO: MARIANA MORGADO, PAULA
FABRIS E TOMÁS BREVES l TELEFONES: REDAÇÃO: 2534-5703 l PUBLICIDADE: 2534-4310 [email protected] l
CORRESPONDÊNCIA: Rua Irineu Marinho 35, 2º andar. CEP: 20233-900
l Segundo Caderno l
Quinta-feira 23 .6 .2016
[email protected]
PATRÍCIA
KOGUT
COM FLORENÇA MAZZA, ANNA LUIZA SANTIAGO
E RAFAELA SANTOS
ANOS DOS CLIPES
“Anos incríveis”, novela de Izabel de
Oliveira e Paula Amaral prevista para
2018, fará referência à MTV. Na trama
ambientada nos anos 1990, haverá
um canal de TV dedicado aos
videoclipes. A ideia é relembrar
grandes sucessos. Fatos marcantes da
década também serão citados.
10
0
Para a final de “Power
couple”, anteontem na
Record. O programa teve
choro, prova, barraco ao vivo
e muita torcida. Ainda
relembraram os melhores
momentos. Enfim, foi
apoteótico e completo.
Para problemas técnicos no
auge da final do “Power
couple”, na Record. Logo
depois de Roberto Justus
anunciar a vitória, quem
assistia pela Net viu a tela
ficar preta várias vezes. Pena.
O GLOBO
Com efeitos toscos, terra se abre
e engole meio elenco de novela
Crítica
Com um capítulo especial —
amplamente anunciado há
semanas —, a terra se abriu
anteontem em “Os Dez Mandamentos — Nova temporada”. Muitos personagens foram engolidos e a audiência
subiu (leia ao lado). Era uma
leitura à la TV Record de uma
passagem bíblica do “Êxodo”,
a Rebelião de Corá. Ela aconteceu quando uma parte do
povo que Moisés conduzia no
deserto se insurgiu. A missão
dele, como se sabe, não foi
moleza: liderar 12 tribos de
ex-escravos pelo Sinai. Nem
tudo foi a alegria do Mar Vermelho se abrindo e afogando
o exército egípcio. De vez em
quando, uma contenda séria
movimentava a caminhada.
Nessas ocasiões, o Todo Poderoso aparecia e calava a boca dos rebeldes. Foi o caso
nessa hora.
O capítulo avançou naquele
clássico ritmo de enrolação.
Quando finalmente no último
bloco a terra se abriu, foram
longos minutos de câmera lenta e música tonitruante. Antes
disso, vimos o embate entre
Corá (Vitor Hugo) e Moisés
(Guilherme Winter) e um impávido Aarão (Petrônio Gontijo). Corá convocou seus seguidores de volta às tendas. Escureceu. Todos olharam para o
céu, abraçados, com ar chocado. Um fogaréu se acendeu e
Moisés e Aarão fizeram o que
nenhum judeu faz: se ajoelharam. De um lado, estavam
Moisés e seu pessoal. Do outro, afastada, a turma de Corá
caindo no buraco. Um não poderia estar enxergando o outro. O que não impediu que
volta e meia alguém, do lado
de Moisés, narrasse o que se
passava fora do seu ângulo de
visão. A sequência fracassou
na sua intenção dramática e
por pouco não ficou até engraçada. O resultado final foi
constrangedor.
Pobre Moisés, depois de 40
anos no deserto, ainda virar
herói de uma novela tosca.
DIVULGAÇÃO
ENSINA
PIANO
Alice Assef
pronta para
rodar o longa
sobre a vida de
João Carlos
Martins. Ela
interpreta Aida,
a primeira
professora de
piano do
maestro. A
direção é de
Mauro Lima
REPRODUÇÃO
MAIS QUE
‘EXTRA’
Este será o cenário do “ExtraOrdinários” durante os Jogos Olímpicos.
Maitê Proença, Felipe Andreoli e Eduardo Bueno, junto da turma dos
Cassetas, irão receber convidados toda noite, às 22h30m, no SporTV
ÚNICA
SOGRA
Números 1
É hoje!
No capítulo em que a terra
se abriu, anteontem, “Os
Dez Mandamentos —
Nova temporada” repetiu a
sua melhor média: 19
pontos (SP) e deixou a
emissora em segundo
lugar. Na faixa (das
20h40m às 21h49m), a
Globo liderou com 26.
Um grupo de cariocas
participará hoje da estreia
do “BattleBots”. A
competição mundial de
robôs de combate vai ao ar
em 11 episódios na ABC,
nos EUA. Eles são da
RioBotz, equipe de
robótica da PUC-Rio, e
criaram o Minotaur, robô
de 113kg.
Nívea Maria
interpretará a
mãe de Dona
Flor no longametragem
“Dona Flor e
seus dois
maridos”,
estrelado por
Juliana Paes e
com direção
de Pedro
Vasconcelos.
As filmagens
começam em
julho, na
Bahia.
Marcelo Faria,
que também
produz, será
Vadinho e
Leandro
Hassum,
Teodoro.
ENTREVISTA Pedro Mexia
‘IRMÃO GÊMEO DIFERENTE’
Crítico português lança livro
no Brasil e diz que ‘é notória
a convivência difícil’ entre as
literaturas dos dois países
MARIANA FILGUEIRAS
[email protected]
C
rítico, apresentador de TV, dramaturgo, tradutor, o português
Pedro Mexia é também poeta e
fã da literatura brasileira. Jurado do
Prêmio Camões, considerado o mais
importante prêmio literário em língua
portuguesa (e que há poucas semanas
elegeu o escritor paulista Raduan Nassar como ganhador de 2016), Mexia
tem um livro publicado no Brasil: a
coletânea de crônicas “Queria mais é
que chovesse”, pela Tinta da China.
É pela mesma editora que ele lançou, ontem, “Contratempo”, uma coleção de cem poemas escolhidos para o
público brasileiro. No país para o
evento — e também para o lançamento de “Breviário do Brasil”,
clássico da portuguesa Agustina
Bessa-Luís que só agora chegou
ao país e cujo prefácio ele assina
—, Mexia conversou com O GLOBO, por e-mail, sobre a relação literária ainda tensa entre Brasil e Portugal: “Agustina é a maior escritora
portuguesa que os brasileiros desconhecem”.
Pelo segundo
ano consecutivo, o senhor é
jurado do Prêmio Camões.
Sabemos que
os prêmios
têm imenso
peso literário, mas
pouco peso comercial. Ganhadora
de 2015,
Helia Correia contiDIVULG
AÇÃO/A
NA BR
ÍGIDA
l
nua ausente no Brasil. Raduan Nassar, brasileiro ganhador deste ano,
também é desconhecido em Portugal. Como diminuir essa distância entre as láureas e o público?
Independentemente do prestígio
que o Prêmio Camões tenha ou não
nos dois países e da atenção variável
que os premiados recebem da mídia
(dependendo da sua notoriedade,
acessibilidade etc.), é notória a convivência difícil entre as duas literaturas.
Parte da solução está nos currículos
escolares (é absurdo que Machado
não seja obrigatório nas escolas portuguesas) e na disponibilidade, a preços aceitáveis, de livros brasileiros em
Portugal e de livros portugueses no
Brasil. A outra parte depende um pouco de os escritores se lerem uns aos
outros, se conhecerem, escreverem
uns sobre os outros, como aconteceu
aliás noutras décadas, quando todos
os escritores portugueses sabiam bem quem
eram Jorge Amado,
Cecília, Bandeira
ou Drummond.
Pedro Mexia.
Poeta e crítico
literário lança
“Contratempo”
l 5
Você assina o prefácio de “Breviário
do Brasil”, de Agustina Bessa-Luís,
um desses clássicos da língua portuguesa que nunca tinham sido editados aqui, até esta semana, quando foi
lançado no país pela Tinta da China.
E diz: “Amamos o Brasil porque achamos que o compreendemos”. Por que
o “Breviário do Brasil” é um bom livro para os brasileiros começarem a
ler Agustina?
Achamos, nas últimas décadas, que
conhecíamos o Brasil, quando na verdade conhecemos apenas um Brasil de
superfície, mesmo que as superfícies
nem sempre sejam ilusórias: o Brasil da
praia e das canções, das novelas e do
futebol. Idolatramos isso, ou detestamos isso, mas não é com isso que ficamos a conhecer o Brasil tal como ele é.
O Brasil é um país que tende a ser definido através de clichês. Até os amigos
do Brasil cometem esse erro. O “Breviário do Brasil”, de Agustina, foge às ideias
feitas e aos lugares-comuns, tratando o
Brasil com seriedade, exigência e carinho, como se de fato fosse um país irmão, um gêmeo diferente. E a obra de
Agustina Bessa-Luís é toda assim: idiossincrática, impertinente, implacável,
brilhante. É a maior escritora portuguesa que os brasileiros desconhecem.
l
O que o norteou ao escolher quais
poesias suas apresentaria ao público
brasileiro no livro “Contratempo”?
Adaptei para a edição brasileira a antologia que publiquei há uns anos em
Portugal, incluindo poemas de uma
coletânea mais recente, e eliminando
outros, de modo a manter um número redondo de cem poemas. São os
poemas que me parecem mais conseguidos ou mais “representativos”,
e que identificam uma mundividência e uma linguagem. Na seleção, evitei apenas alguns textos
que têm referências “demasiado” portuguesas, e que só seriam entendidos com (indesejáveis) notas de pé de página. l
l
“CONTRATEMPO”
AUTOR: Pedro Mexia. EDITORA: Tinta da
China. PÁGINAS: 132. QUANTO: R$ 49.
Números 2
A final do “Power couple”,
exibida em seguida,
rendeu à Record 11
pontos, o recorde em São
Paulo. No horário, das
22h38m à 0h38m, a Globo
marcou 13 e o SBT, sete.
No Twitter
E o reality também chegou
aos trending topics do
Twitter. O maior pico de
conversas aconteceu
durante o anúncio do casal
vencedor.
Será um traficante
Paulo Verlings, que foi o
Tom Cruzes de “Babilônia”,
estará em “Rocky story”.
Cinema
Gil Coelho está no elenco
de “Duas de mim”, filme de
Cininha de Paula.
NA WEB
patriciakogut.com
O mundo da televisão passa por
aqui. Visite.
FÓRUM EM SP DEBATE
POLÍTICA CULTURAL
Com participação de
mais de 90 instituições
e associações, encontro
busca ‘agenda comum’
ALESSANDRO GIANNINI
De São Paulo
[email protected]
A
reforma da Lei Rouanet está no topo da lista
de discussões do Fórum Brasileiro pelos Direitos
Culturais, que acontece hoje,
no Instituto Tomie Ohtake,
em São Paulo. Cerca de 90 representantes de museus, instituições e sociedades de
classe de várias partes do país se reunirão para propor
meios de transformar a cultura em prioridade da política pública do governo e promover uma agenda comum
para o setor.
Também fazem parte da
pauta a reformulação da Fundação Nacional de Artes (Funarte), a criação de propostas a
serem apresentadas aos candidatos a prefeituras nas próximas eleições, a criação de um
mapa do impacto da economia
da cultura no país, o reconhecimento da profissão de gestor
cultural como categoria do Código Brasileiro de Ocupações e
um censo das entidades participantes do fórum.
— A nossa expectativa é que
o fórum possa construir uma
agenda nacional e orgânica a
partir da centralidade da cultura no desenvolvimento das
políticas públicas, apresentando propostas efetivas para o
campo da gestão cultural —
diz Eduardo Saron, diretor-geral do Itaú Cultural, um dos articuladores da reunião, com
Odilon Wagner, ator e presidente da Associação dos Produtores Teatrais Independentes (APTI), e o arquiteto Ricar-
do Ohtake, presidente do Instituto Tomie Ohtake.
O grupo foi motivado a planejar o fórum pelas polêmicas recentes envolvendo a
Lei Rouanet, criticada pelo
ex-ministro Juca Ferreira,
que defende a renovação do
mecanismo, e abraçada com
reservas pelo atual titular da
pasta, Marcelo Calero. Wagner defende a união da classe artística e o foco das discussões nas políticas públicas para a cultura.
— Precisamos discutir modos
de democratizar os meios culturais. Não se trata apenas da
Lei Rouanet, queremos pensar
mais à frente. Pensar meios de
ter representatividade em todas
as esferas. E parar de falar em
eventos isolados. Precisamos
nos unir de uma vez por todas
— ressalta Wagner.
“AMBIENTE DE FLA-FLU”
O ator e produtor mencionou
também a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 150,
de 2003, que prevê o repasse
anual de 2% do orçamento federal, 1,5% do orçamento dos
estados e do Distrito Federal e
1% do orçamento dos municípios, de receitas resultantes de
impostos, para a cultura. A
PEC tramita na Câmara há
mais de dez anos e aguarda votação desde 2009.
Hugo Barreto, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho e um dos participantes do
fórum, destacou a preocupação com a polarização na área:
— Estamos muito preocupados com esse ambiente de
Fla-Flu que se instaurou em
praça pública, com o questionamento da Lei Rouanet e
da renúncia fiscal. A gente
tem que lembrar que essa é
apenas uma das leis e uma
parte dos mecanismos de incentivo e fomento voltados
para a cultura. l
6
l O GLOBO
l Segundo Caderno l
A
tenção: esta é uma coluna com “spoilers”. Se você
assiste a “Game of thrones”, mas não viu ainda o
último episódio, ou se
pretende assistir algum
dia, mas não gosta de saber o que vai acontecer,
pare de ler por aqui.
Estamos a três dias do último episódio de
“Game of thrones” deste ano, mas, como já se
tornou tradição, o penúltimo episódio acabou sendo o gran finale que todos esperávamos: qualquer falha que a sexta temporada
tenha tido foi amplamente compensada com
a batalha do último domingo, um dos melhores momentos de toda a série. Não me lembro de ter visto nada tão realista e aflitivo na
televisão; na verdade, não me lembro de
muitas batalhas tão bem produzidas e tão
bem dirigidas sequer no cinema.
A luta entre os exércitos de Jon Snow e de
Ramsay Bolton foi espetáculo em grande estilo. Não teve nenhum lance surpreendente
e, analisada friamente, teve até o seu quinhão
de ridículo, entre a corrida em linha reta de
Rickon, a sorte inacreditável de Jon Snow e a
chegada dos Cavaleiros do Vale na vigésima
quinta hora — mas poucas vezes fomos tão
envolvidos, e conseguimos nos identificar de
tal maneira com a angústia de um guerreiro e
com o terror da guerra.
Depois de cair na provocação de Ramsay,
contra a qual já fora alertado por Sansa, depois de escapar de uma carga de cavalaria
desembestada, depois de milagrosamente
não ser flechado num campo que combatia
à sombra, Jon Snow quase se afogou num
mar de gente e de cavalos destroçados, numa montanha literal de corpos, armas,
Quinta-feira 23 .6 .2016
Blog: cronai.wordpress.com E-mail: [email protected]
CORA RÓNAI
‘GOT’: TUDO O QUE
A GENTE QUERIA
sangue e vísceras. Salvou-se apenas porque,
apesar de matar os protagonistas como nenhuma outra série, “Game of thrones” precisa, afinal, de alguns heróis, e de alguns personagens já conhecidos que possam conduzi-la
à próxima temporada.
Como herói, no entanto, o pobre Jon Snow
deixa a desejar. É bonzinho, bonitinho e tem um
jeito inocente muito sedutor, mas é também um
rematado idiota, que age por impulso mesmo
quando tem informação suficiente para agir
com a razão. Devia prestar mais atenção ao que
diz a irmã: ela sim, sabe das coisas.
______
Ninguém aguentava mais Ramsay Bolton, e
vê-lo enfim liquidado foi um alívio. Iwan Rheon
foi um dos melhores atores numa série com
grandes atores, e construiu um personagem antológico. Ramsay teve um fim perfeito, nem tão
rápido que não respondesse à nossa sede de
vingança, nem tão lento que se tornasse um espetáculo desnecessário de sadismo.
O discreto sorrisinho de Sansa ao sair do cala-
bouço onde os cães esfomeados faziam a primeira refeição da semana lavou a alma de muita
gente, e virou meme instantâneo na internet,
onde logo pipocaram imagens de pacotes de ração sabor Ramsay.
______
As criaturas mitológicas foram responsáveis
por cenas magníficas no domingo. O gigante Wun
Wun, último da sua espécie, foi — até literalmente — um dos pontos altos da batalha dos bastardos, abrindo caminho e estraçalhando inimigos.
Era tão forte e tão imponente que cheguei a imaginar que conseguiria se salvar; lamentei muito
quando tombou, crivado de flechas.
Os dragões da Daenerys, em compensação,
foram só alegria, e ofereceram uma prévia do
que será, presumivelmente, a grande batalha final de “Game of thrones”. Entre eles e a armada
de zumbis dos Caminhantes Brancos, aposto
neles, e torço pela sua saúde e bem-estar. Torço
também para que pelo menos um seja fêmea e
ponha ovos, para que a espécie não desapareça
de novo de Westeros.
______
Um dos principais problemas da temporada
foi, a meu ver, o desequilíbrio entre os vários
arcos narrativos: muito tempo foi gasto com
histórias secundárias, como a da comunidade
que acolheu o Cão, ou mesmo com a trajetória
de Arya, que depois de algumas cenas de insuportável lentidão, entrou num ritmo alucinado
e improvável. O resultado é que acabamos
com um episódio de ação com duas grandes
batalhas, sem dúvida emocionante, mas sem
sentido algum no quadro geral.
Faltou à temporada, como um todo, a lógica
e o compasso das temporadas ancoradas nos
livros; faltaram também os diálogos brilhantes
de George R.R. Martin, o que foi uma pena, sobretudo no que toca a personagens mais inteligentes e corrosivos, como Varys e Tyrion.
______
O ponto mais positivo da temporada é que, finalmente, “Game of thrones” se redime em relação às mulheres, armando um cenário de fantástico poder feminino depois de tantas mortes,
espancamentos e estupros. Arya está a caminho
de casa, Sansa salvou a pátria, Daenerys assumiu o comando dos Dothraki e começou o que
pode ser uma bela amizade com Yara Greyjoy,
Margaery Tyrell provavelmente tem surpresas
para os pardais, as Serpentes de Areia tocaram o
terror em Dorne... Mesmo Cersei, por baixo como está, ainda não pode ser descartada.
Mandem ver, meninas!
______
Apesar de ainda termos um episódio nesse
próximo domingo — e um episódio que promete ser movimentado, já que várias pontas
soltas precisam ser atadas —, já estou me
sentindo órfã.
Como enfrentar mais um ano inteiro sem
“Game of thrones”?! l
Cinema
Conflito revisitado
Uma sequência sem
frescor ou irreverência
Para diretor, continuação de ‘Independence Day’ é mais ‘internacional’
DIVULGAÇÃO
Crítica
“Independence Day: o ressurgimento”
DIREÇÃO: Roland Emmerich. ONDE: UCI
New York City Center, Espaço Itaú de Cinema,
entre outros. Veja mais em rioshow.com.br.
CLASSIFICAÇÃO: 12 anos.
CARLOS HELÍ DE ALMEIDA
[email protected]
W
ill Smith é apenas um
quadro pendurado
em uma parede da
Casa Branca em “Independence Day: o ressurgimento”, que
invade os cinemas do mundo
inteiro nesta semana, disposto
a aquecer a temporada de lançamentos do verão americano.
Mas a solitária imagem do
heroico piloto interpretado pelo ator no filme original vai fazer o espectador sentir saudades da era pré-11 de Setembro,
e pré-revolução digital, portanto, quando a destruição de
cartões-postais em escala
mundial era um exercício de
imaginação quase artesanal,
capaz de provocar sentimentos contraditórios de prazer e
desconforto no público.
Vinte anos depois, os alienígenas estão de volta, determinados a eliminar a raça humana da face da Terra. Mas o
mundo mudou muito desde
os acontecimentos do filme
de 1996, quando as nações
aprenderam que era necessário esquecer diferenças para
lutar contra uma ameaça comum. Em “O ressurgimento”,
os Estados Unidos são presididos por uma mulher (Sela
Ward), o programa de defesa
Vinte anos depois. Sem Will Smith, estrela do original, “O ressurgimento” se apoia em grandiosos efeitos especiais ao falar de invasão extraterrestre
EDUARDO GRAÇA
Especial para O GLOBO, de Los Angeles
[email protected]
E
m 1994, Roland Emmerich viu o
surpreendente sucesso de “Stargate” ser seguido de um leilão por
seu passe nos principais estúdios de
Hollywood. Para seu primeiro filme de
orçamento robusto, ele tinha uma ideia
fixa: com o fim da Guerra Fria e do Muro
de Berlim, imaginava um planeta unido
em torno de uma ameaça comum, extraterrestre. Depois de muitas idas e vindas,
“Independence Day” foi lançado em
1996 e se tornou, com Will Smith à frente,
o segundo filme de maior bilheteria até
então do cinema americano.
A partir de hoje, chega aos cinemas
“Independence Day: o ressurgimento”,
sem o agora superstar Smith, mas com
uma nova geração de personagens, encarnados por, entre outros, Liam
Hemsworth, Charlotte Gainsbourg e
Maika Monroe, em uma sequência tão
aguardada quanto temida pelos fãs do
mix de cinema catástrofe e ficção-científica, marca registrada do diretor alemão de 60 anos, responsável por títulos
como “Godzilla” (1998).
— Sempre fui contra sequências, mas
hoje em Hollywood você precisa ter sua
franquia ou ninguém te dá dinheiro.
Quando filmava “2012” (2009), comecei a pensar seriamente em como seria
“Independence” se eu contasse, em
1996, com as possibilidades tecnológicas de hoje. O filme se passa 20 anos
depois do primeiro, em um mundo paralelo, onde não ocorreram os ataques
de 11 de Setembro e não se fala em fundamentalismo islâmico — diz Emmerich, antes de revelar ter vergonha de certas sequências da obra original, “especialmente por conta dos efeitos especiais”, que renderam ao longa um Oscar,
segundo ele, não merecido: — “Twister” deveria ter vencido.
Nesta semana, o diretor anunciou
que seu próximo projeto é um retorno a
“Stargate”, um reboot do original. Já o
segundo capítulo de “Independence
Day” — um terceiro tomo já está engatilhado — é centrado no retorno à Terra
dos extraterrestres derrotados no primeiro filme e na revelação de que a invasão faz parte de um complexo conflito intergaláctico.
O Steven Hiller de Smith, descobre-se,
morreu em um acidente, 11 anos após os
eventos do primeiro filme. A ausência do
ator, cujo cachê comprometeria o orçamento do filme, dá ainda mais combustível ao questionamento: 20 anos depois,
imagens como a do assustador eclipse da
Estátua da Liberdade ainda impressionam? Emmerich aposta que sim:
— Muita coisa mudou, o antiamericanismo cresceu na Era Bush, e meu
olhar se voltou para outros cantos do
planeta. Esse é um filme definitivamente mais internacional, bem menos
“americocêntrico” do que o primeiro,
ultrapassando os limites do título original, mas centrado, de novo, na luta
contra o inimigo comum. l
Eduardo Graça viajou a convite da Fox
espacial terráqueo é uma joint venture entre americanos e
chineses, e a tecnologia extraterrestre foi usada para tornar
o planeta mais verde e pacífico. O contra-ataque, portanto,
precisa ser maior, mais extenso, mais devastador.
NONSENSE PIROTÉCNICO
É preciso superar a devastação da trama anterior e, imbuído desse desejo, o diretor
Roland Emmerich (autor do
primeiro filme) inflaciona a
ameaça de destruição a níveis
risíveis — a nave-mãe ocupa
1/8 da superfície terrestre. Alguns personagens estão de
volta, como o agora ex-presidente Whitmore (Bill Pullman), assombrado por pesadelos premonitórios; e o cientista David Levinson (Jeff
Goldblum), estrela do sistema
de defesa antialienígena. Outros novos são introduzidos,
como os jovens pilotos Jake
(Liam Hemsworth) e Dylan
(Jessie T. Usher). Mas mesmo
a mais tola das tentativas de
dotar a trama de dimensão
humana é esmagada pelo
nonsense pirotécnico.
É um filme feito pensando
nas novas plateias, mas que, de
modo preguiçoso, tenta afagar
a memória daqueles que vibraram com o seu antecessor,
recorrendo a situações de tensão que deram certo, como batalhas no interior de espaçonaves alienígenas gigantes, e momentos de tensão envolvendo
animais de estimação em perigo. Os excessos do novo “Independence Day” não são mais
prejudiciais do que seus maiores pecados: a falta de frescor,
de irreverência e de noção de
entretenimento. l
Agenda da semana
HOJE
O Instituto Moreira Salles
(3284-7400) exibe os três
episódios que compõem “As
mil e uma noites”, do diretor
Miguel Gomes, com cerca de
duas horas cada. Exibido na
íntegra em Cannes em 2015, a
obra é dividida nos volumes
“O inquieto”, “O desolado” e “O
encantado”. As sessões
acontecem às 14h30m (vol. 1),
l
às 17h (vol. 2) e às 19h30m
(vol. 3). Até 6 de julho, de
terça a domingo, haverá três
sessões diárias dos filmes.
l A mostra “Curta no
almoço” apresenta, ao
meio-dia, às 12h45m e às
13h30m, na Caixa Cultural
(3980-3815), o
documentário “Três no tri” e
a ficção “Lá do alto”. A
entrada é franca.
Em sua reta final, o 6º
Panorama do Cinema Suíço
Contemporâneo, que vai até
a próxima segunda-feira no
CCBB (3808-2020), exibe,
às 17h, “A andorinha”, de
Mano Khalil, e, às 19h,
“Mulheres selvagens”, de
Anka Schmid. Amanhã, às
17h, haverá sessão de “O
tempo nublado”, de Arami
Ullón.
l
AMANHÃ
A Galeria BNDES
(0800-7026337) exibe, às
18h30m, o documentário “O
canto e a fúria”, de Zelito
Viana, sobre a trajetória de
Ferreira Gullar. Após a
exibição, Viana e Gullar
participam de um bate-papo.
Entrada liberada, às 18h.
l A Sociedade Brasileira de
Psicanálise (2537-1333) exibe
l
o longa “Gêmeos — Mórbida
semelhança”, às 19h, seguido
de debate com a crítica de
cinema Susana Schild e os
psicanalistas Luiz Fernando
Gallego e Maria Inês
Escosteguy Carneiro.
l O documentário “Revelando
Sebastião Salgado”, de Betse
de Paula, passa na
Cinemateca do MAM
(3883-5630), às 18h30m, com
repetecos no sábado e no
domingo, às 18h.
SÁBADO, DIA 25
A mostra “Cinema político: O
poder da imagem” promove, às
15h, na Caixa Cultural
(3980-3815), o debate “O
Estado e a arte”, com os
cineastas Douglas Duarte e
Silvio Da-Rin e o roteirista
Frederico Cardoso. A partir das
l
15h30m, serão exibidos “Nuke
kui barreira”, de Mauro Môxha,
e “Serras da desordem”, de
Andrea Tonacci; e, a partir das
18h15m, “Rio carioca”, de
Simplício Neto, e “Dersu Uzala”,
de Akira Kurosawa.
l O Festival Marlon Brando,
dedicado ao ator americano,
chega ao fim com a exibição,
às 14h, do filme “Sindicato de
ladrões”, de Elia Kazan.
QUARTA, DIA 29
O documentário “Orgulho
olímpico, preconceito
americano”, de Deborah Riley
Draper, ganha première
brasileira aberta ao público, às
19h, na Cinemateca do MAM
(3883-5630). O longa retrata
a participação de 18 atletas
afro-americanos nos Jogos
Olímpicos de Berlim, em 1936,
em pleno regime nazista.
l
OGLOBO
QUINTA-FEIRA 23.6.2016
oglobo.com.br
Flórida. O discreto charme de Fort Lauderdale, vizinha a Miami
Suíça. Jazz de Montreux embala o cinema de Charles Chaplin
Cores do deserto
Região do Atacama, no Chile, oferece
passeios entre vulcões, lagos e fontes termais
5 DICAS A Flip vem aí: à mesa, em Paraty
DIVULGAÇÃO
1
2
Refúgio à
beira-mar
O Refúgio é um restaurante à beira-mar, no Centro Histórico de Paraty. Em diferentes ocasiões, como na
Flip (29/6 a 3/7), uma enorme tenda estará armada na frente da casa, como uma expansão do salão.
Sugestão: o camarão casadinho tem ótima saída. Fica na Praça da Bandeira 4. restauranterefugio.com
SELMY YASSUDA/DIVULGAÇÃO
ANDRÉ AZEVEDO/DIVULGAÇÃO
Divina
esquina
No Punto Divino, há desde as
massas italianas tradicionais à
nova cozinha italiana. Há 18 anos,
a casa funciona na esquina da
Praça da Matriz, onde tudo
acontece em Paraty. Seu prato de
maior saída é o spaghetti mare
mata, feito na redução de
cachaça. puntodivino.com.br
DIVULGAÇÃO
3
Quintal das Letras
e de combinações
Combinados, a gastronomia contemporânea e os sabores
paratienses formam o menu do Quintal das Letras,
restaurante da Pousada Literária. O mexidinho de frutos do
mar é o prato mais pedido na casa. Ten. Francisco Antônio
362, Centro Histórico. pousadaliteraria.com.br/quintal
DANILO CARVALHO/DIVULGAÇÃO
5
Tapiocas
da Fulô
4
A tradição
da terra
Não podia ser outro: o tradicionalíssimo
peixe com banana é o prato mais pedido no
Banana da Terra, restaurante que também
faz história em Paraty: foi aberto há 23 anos.
Rua Dr. Samuel Costa 198.
restaurantebananadaterra.com.br
O Maria Fulô, tapiocaria e
bistrô natural, prioriza os
ingredientes locais. Fica
na Presidente Pedreira
656, a dois quarteirões do
Centro Histórico.
BEM-VINDO
S
5 dicas
RESTAURANTES DE PARATY P2
l
Flórida
ENTRE OS CANAIS DE FORT LAUDERDALE P6
l
C
om o calendário de férias de meio de
ano meio bagunçado em função da
Olimpíada do Rio, que será realizada
em agosto, programar uma viagem menos
longa, aqui pela América do Sul, pode soar
como uma boa ideia. E dá para unir o útil ao
agradável, aproveitando o momento em que
as moedas sul-americanas, entre elas o peso
chileno, têm cotações mais favoráveis. A dica é
conferir de perto paisagens famosas como as
da região do Atacama, que se destacam em folhetos e guias turísticos do Chile. E até se surpreender, conforme relata o repórter Fábio
Vasconcellos, com as escalas de cores e a diversidade do deserto na região norte do país.
Os passeios incluem experiências distintas como pedalar no Valle de la Luna, que, segundo
a Nasa, se assemelha a superfície de Marte, ou
se aquecer durante o inverno nas Termas de
Puritama, a quase 3.500 metros de altitude.
Cristina Massari
EDITORA ASSISTENTE
CAPA Turistas visitam o Salar de Atacama. Acima, a paisagem árida do Valle de la Luna, ao entardecer. Fotos de Fábio Vasconcellos
Suíça
MÚSICA E CINEMA ENTRE LAGOS E ALPES P10
l
Chile
ATACAMA, ALÉM DA IMAGINAÇÃO P12
l
São Paulo
NOVO SABOR NA VILA MADALENA P23
l
@tatiruediger
Parque Nacional
Yosemite, na
Califórnia, EUA
NA WEB
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EDITORA Léa Cristina ([email protected])
EDITORA ASSISTENTE Cristina Massari ([email protected])
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e Carolina Mazzi ([email protected])
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Redação 2534-5000 [email protected]
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Itaboraí......................................................3785-8632
Itaipu Multicenter ..................................2608-2217
Laranjeiras ...............................................2225-7722
Méier .......................................................2593-4048
Partage Shopping São Gonçalo.......... 2606-8494
Shopping PátioMix - Itaguaí................ 2688-2426
Norte Shopping.................................... 2126-7200
Plaza Shopping Niterói ....................... 2156-9900
Recreio Shopping................................. 3418-4240
Shopping Grande Rio .......................... 2656-9106
Duque de Caxias .................................. 2772-1098
Shopping Rio Sul ..................................2126-2000
Shopping Tijuca ....................................2126-8300
Shopping Metropolitano ...................... 3095-9156
Macaé Shopping.................................22 2762-9494
Itaipava ................................................ 24 2222-6876
Resende................ ...............................24 3355-1455
Petrópolis......................................... 24 2247-9844
Maricá..................................................... 3909-8171
Campos Walmart............................... 22 2725-3585
Volta Redonda....................................24 3348-1454
Nova Friburgo.................................... 22 2521-1949
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Natal 27/agosto; Serra Gaúcha 21/agosto; Foz do Iguaçu 17/novembro. Saídas rodoviárias: Inhotim 12/agosto; Cidades Históricas de Minas 14/julho; Beto Carrero World 10/julho; Festa Junina CVC 27/junho. Saídas internacionais:
Punta del Este 7/agosto; Santiago 1/setembro; Buenos Aires 22/agosto; Aruba 17/outubro; Brasileiros em Lisboa e Madri 5, 12, 19 e 26/agosto; Brasileiros no Leste Europeu 10, 17 e 24/agosto. Preços calculados com câmbio
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EUA
VISIT FLORIDA/DIVULGAÇÃO
6
Badalação
além
Miami
de
Vizinha a Miami, Fort Lauderdale cresce e oferece opções
urbanas de lazer, mantendo proximidade com a natureza
Fort
Lauderdale.
Vista aérea da
cidade, na
Flórida
Stand up.
Uma das
atividades
populares
pelas praias
7
_
BOA VIAGEM
QUINTA-FEIRA 23.6.2016
RICK SORENSEN/VISIT FLORIDA/DIVULGAÇÃO
Salame.
Um dos
restaurantes
locais produz
o embutido
artesanalmente
Yolo.
Popular bar e
restaurante
em Las Olas
CAROLINA MAZZI
CAROLINA MAZZI FORT LAUDERDALE
P
[email protected]
ara os americanos, Fort
Lauderdale ainda é um
local famoso como
destino para os spring
breakers — jovens que
tiram uma semana durante a primavera para farrear em algum ponto nos Estados Unidos. Mas
a cidade, que fica a menos de uma
hora de Miami, cresce e tem se renovado, buscando atrair um público
que procura opções refinadas de diversão, gastronomia e contato com a
natureza, sem a agitação exagerada
da vizinha famosa.
Com 40km de litoral, é natural que
uma de suas principais atrações seja
o mar. São muitas opções, mas a praia
mais popular da cidade é a Fort Lauderdale Beach, de água azul e tranquila. É lá onde estão instaladas as
principais cadeias de hotéis e muitos
estabelecimentos comerciais da cidade. O longo calçadão da praia de
Fort Lauderdale atrai esportistas, pela extensão e a excelente conservação, com sinalização em toda a via.
Vale a pena alugar uma bike (ou
Segway, popular por lá) em uma das
dezenas de lojas que se espalham pela área e explorá-lo.
Se, por um lado, o passeio percorre
um cenário de águas azuis e tranquilas, por outro, shopping centers e lojas se espalham pela orla. Vale lembrar que a 15 minutos de Fort Lauderdale, em Sunrise, o shopping Sawgrass Mills, faz a alegria dos consumidores brasileiros, ávidos pelas ofertas
desse famoso outlet — o maior nos
Estados Unidos. Nada muito romântico, mas bastante prático, principalmente para quem viaja em grupo ou
com a família e se hospeda ali perto
(há boas opções na cidade, principalmente apart-hotéis).
Mas não hesite em entrar no mar: a
água é morna e é possível alugar
equipamentos para mergulho e outras atividades nos estabelecimentos
da orla. Ou contratar um passeio de
barco. A Sea Experience oferece aulas
de mergulho e passeios pelos canais
da região. Um dos mais populares
destaca as mansões ‘hollywoodianas’
da cidade. E toda a prosperidade de
Fort Lauderdale. l
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alpes
nos
SUÍÇA
10
Música e legado de Chaplin levam a
Montreux. Na região de Lucerna, neve eterna
CRISTINA MASSARI
[email protected]
À
s vésperas da abertura do Montreux
Jazz Festival, a região do cantão de
Vaud, na Suíça, tem novidades além da música. A cidade
de Vevey, que abriga a sede
da Nestlé e aonde se chega
em um memorável passeio
de barco pelo Lago Léman,
ganhou duas novas atrações.
O Chaplin’s World abriu suas
portas em abril e o Alimentarium foi reaberto no último
dia 2 de junho, às margens do
lago, em frente a popular escultura feita por Jean Pierre
Zaug e que figura no “Guiness”, o livro dos recordes, como o maior garfo do mundo,
com 8 metros. Renovado, o
museu exclusivamente dedicado à temática da comida,
mostra, além da evolução
dos hábitos gastronômicos
ao redor do planeta, objetos e
equipamentos usados na
produção de alimentos —
curiosidades vão da forma
sorvete em molde de couvede-bruxelas ao cortador de
batatas do século XX.
O Chaplin’s World (chaplinsworld.com) fica em Manoir de Ban, em Corsier-surVevey, num curto passeio de
ônibus a partir de Vevey. Ali,
onde o cineasta passou os últimos 25 anos de sua vida, foi
Chaplin.
Propriedade do
cineasta virou museu
em Corsier-sur-Vevey
Garfo. Escultura em
Vevey no livro dos
recordes
Montreux. Cidade
realiza festival de jazz
em julho
montado um parque/museu
em sua homenagem. Os visitantes podem conhecer a casa como na época em que ele
viveu lá e acompanhar a evolução de sua carreira no pavilhão que recria cenários e
exibe cenas de suas obras.
Acompanha a primeira
temporada do Chaplin’s
World, a abertura do hotel
Modern Times, em Vevey,
também inspirado no cineasta. Com a referência explícita
EUA
8
Parques e Las Olas
Praias, natureza e bares de cervejas artesanais
A
praia de Fort Lauderdale é um dos
melhores lugares
da cidade para atividades diurnas perto do
mar, mas ela não se resume
apenas a isso. As opções noturnas pela orla são muitas,
principalmente nos bares
dos hotéis, que se abrem para
animadas happy hours. Vale
experimentar o cardápio de
frutos do mar e petiscos do
restaurante The Beauty and
The Beast, do Atlantic Resort,
e os drinks do Aruba Café.
Além do extenso litoral, a
cidade também tem cerca de
264 quilômetros de hidrovias
navegáveis, distribuídas por
seus canais. Todo esse acesso
marítimo faz com que Fort
Lauderdale receba mais de
3,5 milhões de pessoas por
ano, que descem em navios
de cruzeiros que atracam no
porto de Everglades, um dos
que mais atraem embarcações em todo o planeta.
Com isso, uma boa (e econômica) ideia para os turistas é usar um dos meios de
transporte mais populares de
lá, o Water Taxi. A embarcação funciona bem tanto como forma de se locomover
pela cidade, como também
para fazer um percurso turístico, mostrando os bairros, o
porto e suas ruas pacatas.
CHOPE NA MESA EM LAS OLAS
Com o veículo aquático é
possível chegar também a
Las Olas, a menina dos olhos
da cidade. No bairro, se concentram os melhores restaurantes, bares, e casas noturnas, que ficam espalhadas
em ruas pequenas e charmosas, ao redor dos canais que
cortam a cidade.
Uma das opções para o estômago é o Louie Bossi, restaurante italiano que produz
seus próprios queijos e salames. Vale pedir a tábua com
uma seleção de embutidos (a
sua escolha) antes de provar
uma das pizzas (também artesanais). À noite, o Yolo fica
cheio. Tem música e gente
animada, mas nada que vá
CAROLINA MAZZI
Las Olas.
Bairro boêmio
de Fort
Lauderdale
ferir os tímpanos de quem
prefere só ficar conversando
na agradável área externa.
Em frente fica o The Royal
Pig, pub onde se pode experimentar a recomendada
LauderAle, uma das cervejas
locais. O American Social é
outro bar cervejeiro, com
ideia original: um sistema de
torneiras de chope leva quatro rótulos de cervejas a cada
mesa. O sistema registra automaticamente a quantidade
de chope consumida por mesa. Se for pelo sabor, vale a
pena ficar de olho na conta:
serão muitos copos. Para
quem já conhece, vale voltar:
a casa renova regularmente o
cardápio das torneiras.
LAZER EM MEIO À NATUREZA
Uma das vantagens de ainda
não ser tão grande quanto
Miami é a proximidade que
Fort Lauderdale mantém
com o verde. Para quem visita a cidade e quer ficar perto
da natureza — mas sem
abandonar a infraestrutura
americana — deve visitar o
Hugh Taylor Birch State Park,
que fica pertinho da praia de
Fort Lauderdale. Lá dentro,
há trilhas curtas e fáceis para
qualquer idade. O local também oferece diversas atividades para crianças.
Um pouco mais longe, mas
nem tanto: o John U. Lloyd
Beach State Park fica a apenas vinte minutos de carro. É
lá onde fica a Dania Beach,
praia calma, de águas azuis e
extensa faixa de areia branca.
É preciso pagar U$ 6 para entrada, por veículo, mas vale a
pena. O local abre às 7h e fecha logo após o pôr do sol
que, no verão, é por volta das
20h (entre junho e setembro)
e no inverno, às 18h (de dezembro a março).
Há infraestrutura de vestiários e restaurante, aluguel de
equipamentos para mergulho, trilhas e passeios de barco ou canoa pelo azul do
Oceano Atlântico. l
Carolina Mazzi viajou a convite
de Visit Florida e Visit Fort
Lauderdale
Serviço
Fort Lauderdale
Fort
Lauderdale
OCEANO
ATLÂNTICO
Miami
N 2km
Como chegar
A Copa voa do Rio a Fort Lauderdale
(via Panamá), por R$ 3.302. Pela
American Airlines, a passagem
Rio-Miami-Rio sai a R$ 2.571. A
TAM voa a Miami por R$ 2.683
(direto na ida , volta via Brasília).
Tarifas com taxas para julho.
Onde ficar
The Atlantic. Apart-hotel, diárias a U$
215 (4 pessoas).theatlantichotelfl.com
Bahia Mar. Apart-hotel, diárias a U$
180 (até 4 pessoas). bahiamar.com
The Westin. Diárias a US$ 110.
westinfortlauderdalehotel.com
FOTOS DE CRISTINA MASSARI
a um dos clássicos filmes de
Chaplin, “Tempos modernos” (1936), o hotel tem diárias a CH F 220 / € 202 (moderntimeshotel.ch).
Em Montreux, o festival
acontece de 1/7 a 16/7, e este
ano celebra sua 50º edição.
Atenção para as obras de arte
que margeiam o lago, que fazem referências à música, e
ao parque de esculturas em
frente ao hotel Fairmont Le
Montreux Palace, com estátuas dos músicos famosos
que já estiveram por lá. No
Montreux Jazz Cafe, fotos registram momentos memoráveis do festival, incluindo a
presença de Gilberto Gil, em
1986. A programação do festival inclui 300 shows em oito
palcos diferentes, entre cobertos e ao ar livre, às mar-
gens do Lago Léman e pode
ser conferida no site oficial
(montreuxjazzfestival.com).
Vale lembrar que Lausanne, capital e porta de entrada
para o cantão de Vaud, abriga
a sede do COI e o Museu
Olímpico, que vale a visita.
GELO E NEVE NO MONTE TITLIS
E, para quem faz questão de
neve, nos arredores de Lucer-
na, na região central da Suíça, a 45 minutos de trem de
Zurique, em Engelberg, o
monte Titlis, a 3.020 metros
de altitude, tem neve mesmo
nos meses de verão, com atividades inclusive para crianças. E o teleférico que dá
acesso até lá foi recentemente renovado, com a instalação de uma gôndola giratória. Em Lucerna, não perca a
visita a seus museus e ao centro de convenções e cultura,
KKL, cuja sala de concertos
tem uma das melhores acústicas do mundo. O calendário
de festivais da cidade também é extenso, com destaque
para o Blue Balls (22/7 a
30/7), o Lucerne Festival
Summer (música clássica, de
11/8 a 12/9) e o Lucerne Blues Festival (5/11 a 13/11). l
CHILE
Imensidão
chilena
Passeio pelo deserto do Atacama conduz o visitante
a montanhas, lagos, banhos termais e vulcões
FÁBIO VASCONCELLOS
SAN PEDRO DE ATACAMA
[email protected]
D
e dentro da aeronave, arrisco uma
olhada pela janela.
Até onde a vista alcança, nenhum verde, nenhum sinal de
água. Numa pista em linha reta, que
parece levar para o infinito, um solitário caminhão levanta poeira e desbrava a imensidão da planície.
Existem viagens que confirmam
ideias gerais que temos sobre o lugar
que escolhemos visitar. Tudo que você leu, viu ou se informou com amigos sobre a cultura local, o clima, os
passeios ou a gastronomia meio que
se materializa na sua frente. E existem viagens em que até as ideias se
surpreendem, porque tudo é sempre
muito mais do que se imaginava.
Localizado no extremo norte do
Chile, o deserto do Atacama está nessa segunda categoria. A mais de dois
mil metros de altitude, a região é considerada uma das mais secas do planeta e também onde encontramos
paisagens que contrastam com aquilo que os brasileiros estão mais acostumados, como florestas, praias, rios
e muita diversidade na fauna e flora.
Mas não pense que o Atacama se
resume ao tom monocromático do
deserto. Os passeios pela região levam a lugares incríveis, com montanhas, lagos, banhos termais e vulcões, muitos vulcões. Ou seja, nem
tudo no deserto é exatamente como
eu pensava lá da janela do avião.
Como turismo de aventura, o deserto tem regras a serem cumpridas.
Artesanato. As
cores do Chile e os
animais do Atacama
E aqui começam algumas especificidades desse canto do Chile. O ar seco, muito seco, e o sol constante exigem o uso diário de protetor labial e
solar, além de muita água para beber.
A temperatura é outro desafio. No
outono, ela varia bastante, podendo
registrar marcas abaixo de zero de
madrugada e, de dia, médias acima
de 30°C. Essa diferença obriga o visitante a levar roupas para enfrentar
frio, temperaturas amenas e calor.
Apesar disso, não há restrições para
os passeios. Em todas as épocas do ano,
é possível visitar a região: só é preciso
ter fôlego. Reserve de um a dois dias
para se habituar a alta altitude. Alguns
passeios estão a mais de quatro mil
metros, quase o dobro do registrado
em San Pedro de Atacama, povoadobase dos aventureiros. Mas é tanta coisa para conhecer, quem se importa? l
FOTOS DE FÁBIO VASCONCELLOS
12
CHILE
Mergulho
Os gêiseres e as
termas do deserto
P
ara chegar a San Pedro de Atacama, o
povoado com pouco mais de 2,5 mil
habitantes e que leva o nome
do deserto, é preciso pegar
um voo até Santiago do Chile
e, de lá, outro para Calama,
cidade da região de El Loa. A
viagem dura cerca de duas
horas. Depois, mais uma hora e meia de carro até San Pedro. O percurso até o vilarejo
é um aperitivo da paisagem
do deserto e suas formações.
De grandes planícies, com
sua coloração alaranjada,
surgem montanhas, formações rochosas e vulcões.
Ao chegar às proximidades
de San Pedro, é possível que
você estranhe. Onde as pessoas moram aqui? Protegida
por uma lei municipal que
preserva as características locais, as paredes das casas são
erguidas em adobe, um tijolo
formado com terra na cor do
deserto. De longe, os mais
desavisados mal percebem
as construções, de tão integradas que elas estão com a
paisagem da região.
RELAXE EM PISCINAS NATURAIS
Outra imagem, mas inconfundível, é a do grande vulcão Licancabur, com mais de
5,9 mil metros de altitude. Ele
é parte da Cordilheira dos
Andes e está localizado na
fronteira entre o Chile e a Bolívia, mas pode ser visto perfeitamente de San Pedro.
Os passeios mais recomendados no Atacama variam
conforme a sua disposição e
fôlego para encarar a altitude, o calor ou até mesmo o
frio. Algumas atrações ficam
próximas a San Pedro, e seu
percurso pode ser, inclusive,
feito a pé e de bicicleta.
No primeiro dia por lá, partimos para a região norte de
San Pedro para conhecer as
Termas de Puritama, que formam um conjunto de oito
piscinas termais, que fica a
cerca de 30km do vilarejo e a
FOTOS DE FÁBIO VASCONCELLOS
14
3.475 metros de altitude. Para
chegar às termas, é preciso
deixar o veículo numa plataforma e descer cerca de 300
metros até a entrada das piscinas. No meio da vegetação
típica do deserto, começam a
surgir as termas. Elas são formadas por águas que brotam
dos lençóis freáticos a 33°C
de temperatura. Se decidir
visitar o Atacama durante os
meses de outono ou inverno,
o banho é mais do que recomendado.
Enquanto a temperatura e
o vento baixam do lado de fora, dentro das piscinas você
descobre uma forte sensação
de relaxamento. Perca algumas horas ali, apreciando a
formação rochosa no entorno e o contraste de cores da
água, do solo e do céu.
A FORMAÇÃO DO VAPOR
Os passeios para as Termas
de Puritama são organizados
por empresas. Algumas
montam também um super
queijos e vinhos para o grupo, após o mergulho. Lá existem cabanas preparadas para receber os turistas, com
banheiros, mesas e bancos
para descansar e jogar conversa fora. O passeio completo dura cerca de quatro horas, e custa, em média, 15 mil
pesos chilenos (cerca de R$
75), por pessoa, além da entrada no local, mais 15 mil
pesos por pessoa (R$ 75).
Na viagem de volta ao hotel, passamos pelos famosos
cáctus cardón, uma espécie
milenar que cresce apenas
três milímetros por ano. De
longe, não parecem nada demais. Ao se aproximar, entretanto, você tem certeza de
que está diante de algo pouco comum. Os cardóns do
Atacama chegam a mais de
cinco metros de altura e ajudam a adornar a planície.
No segundo dia em San Pedro, visitamos os famosos
gêiseres de El Tatio. A saída
para o local é bem cedo, por
Mergulho. Uma das
oito piscinas termais
Gêiser. Explosões
de vapor e água
Lhamas. Animais
pelo caminho
Cáctus. A espécie
cardón é milenar
Refeição. Café da
manhã especial
volta de 5h da manhã, quando a temperatura no Atacama é bem baixa. A viagem até
lá dura cerca de uma hora e
meia. Mas vale a pena. Os
gêiseres estão num campo
geotérmico a mais de 4,2 mil
metros de altitude. Nas primeiras horas da manhã, é
possível observar a formação
de vapor.
O efeito da fumaça é resultado do contato da água fria
dos lençóis freáticos com rochas vulcânicas aquecidas a
mais de 900° C . Ao ser expelida, a água, em contato com a
baixa temperatura do ambi-
ente, forma as nuvens de vapor, uma imagem surpreendente. Sim, você sente claramente o cheio de enxofre.
Por questões de segurança,
não é permitido tocar na
água que sai das pequenas
crateras, cuja temperatura
varia entre 80°C e 110°C. Mas
é possível não apenas tocar,
como mergulhar numa piscina natural próxima, que recebe apenas parte dessa água
superaquecida.
Após o passeio, é hora da
primeira refeição do dia. As
agências preparam um super
café da manhã, ali mesmo,
16
Montanhas
Explorando o Salar do Atacama e o Valle de la Luna
CHILE
FOTOS DE FÁBIO VASCONCELLOS
P
odemos dividir, em
dois grande grupos,
os locais de visitação no Atacama: os
que envolvem lagos, termas
ou gêiseres, como El Tatio; e
os que nos levam à exploração do deserto e de suas formações geológicas. Nesse segundo caso, o visitante conhecerá as características do
deserto chileno, com planícies, vulcões, ruínas, vales, vilarejos e áreas com vegetação, além dos animais típicos
do extremo norte do país.
Depois de visitarmos os
gêiseres e as Termas de Puritama, partimos para esse segundo grupo de passeios.
Saindo de San Pedro, seguimos na direção norte, rumo
ao famoso Salar do Atacama.
A viagem dura pouco mais de
45 minutos e é repleta de paisagens deslumbrantes. À esquerda da rodovia, o visitante é acompanhado pela Cordilheira dos Andes.
Neste ponto, a cadeia de
Valle de la Luna.
Caminhada leva
ao topo da área
de formação
rochosa que lembra
a superfície da Lua
Bicicletas. Turistas
a caminho do Valle,
que fica a apenas
17km de
San Pedro
CHILE
BOLÍVIA
GÊISERES DE EL TATIO
4.200 m/altit.
Santiago
BOA VIAGEM
QUINTA-FEIRA 23.6.2016
13
_
90 KM
BOLÍVIA
30 KM
K
ARGENTINA
17 KM
K
TERMAS DE PPURITAMA
3.475 m/altit.
CALAMA
VALLE DE LA LUNA
2.430 m/altit.
Aeroporto internacional
de El Loa
SAN PEDRO DE
ATACAMA
55 KM
2.400 m/altit.
SALAR DE ATACAMA
ATAC
CHILE
2.300 m/altit.
N
20km
Água e vapor.
Os gêiseres de El Tatio
são uma das atrações
Torre do sino.
Construção na igreja de
San Lucas, no povoado
de Toconao, a 38km
de San Pedro
Caminhada.
Visitantes seguem
pelo Valle de la Luna
Estrada. O
Salar de Atacama
BOA VIAGEM
QUINTA-FEIRA 23.6.2016
15
_
no deserto. Enquanto o sol
começa a desbravar o céu,
toma-se um café bem quente, muito bem-vindo: a temperatura na região dos gêiseres pode chegar a -20°C.
Na volta, atenção: não durma no carro. A estrada até
San Pedro permite apreciar inúmeras paisagens. Com
sorte, poderá ver animais típicos da região, como as lhamas, as vicunhas, os burros
selvagens e também os viscachas, pequenos roedores
bem parecidos com coelhos.
Você passará também pelo
Caminho Vado Putana, nome
de um belíssimo lago. Vale
uma parada, inclusive para
fotos. Ao fundo, no horizonte,
a imagem do lago é composta
pelo Vulcão Putana, que ainda está ativo. O passeio para
os gêiseres de El Tatio custa,
em média, 15 mil pesos chilenos (R$ 75), por pessoa, mais
a entrada no local, 5 mil pesos chilenos (R$ 25).
Outra atração recomendada pelos guias é a visita às Lagunas Altiplánicas, a mais de
quatro mil metros de atitude,
e onde estão localizadas as
lagoas de Miscanti e Miñiques. É um dos passeios mais
distantes do povoado de San
Pedro. São cerca de 90km até
elas. Por isso, os grupos saem
bem cedo, por volta das 6h.
A primeira parada costuma
ser na Lagoa de Miscanti. Se
você for no inverno, provavelmente ela estará congelada. O visual combina com o
topo das montanhas ao redor, também cobertas por
neve. A pé é possível chegar à
Lagoa Miñiquis, o que garante um cenário igualmente incrível. O passeio, que dura de
cinco a seis horas, custa cerca de 33 mil pesos chilenos
(R$ 164), por pessoa. l
SALAR DE PEDRAS RETORCIDAS
Com 66 antenas instaladas a
mais de cinco mil metros de
altitude, no Planalto de Chajnantor, o observatório foi
inaugurado em 2013, numa
parceria de países da Europa,
da América do Norte e do leste da Ásia. O local foi escolhido por conta do clima seco e
da alta altitude, associação
que permite uma melhor observação do universo.
O Salar do Atacama tem
três mil quilômetros quadradados e está localizado na
Reserva Nacional de Los Flamencos, que fica a cerca de
55km de San Pedro. Ao chegar, os visitantes ficam impressionados com o tipo de
formação do terreno, uma
imensa planície de sal, com
pedras retorcidas entre a
Cordilheira dos Andes e a
Cordilheira de Domeyko.
O solo local adquiriu essas
características devido à movimentação da placa tectônica do Oceano Pacífico. Basicamente, todo o terreno é
composto por sais minerais e
lítio. Aliás, nem todos sabem,
mas a Bolívia — logo ali ao lado — e essa região do Chile
têm as maiores reservas de lítio do mundo.
DE BICICLETA PELO VALLE
No Salar, vale perder alguns
minutos contemplando a
imensidão do deserto. No local, está a Lagoa Chaxa, onde
flamingos costumam voar.
No fim da tarde, enquanto o
sol se põe do lado da Cordilheira de Domeyko, do outro
lado, na Cordilheira dos Andes, a luz ainda demora a
cair. Em contato com o solo
do Atacama, logo o visitante
será surpreendido com a diferença de tons. Acima, o
azul intenso do céu, mais
abaixo, o ocre do deserto.
Mais abaixo ainda, o tom escuro do solo já sem luz. Tudo
isso com vulcões ativos ao
fundo. Uma belíssima ima-
A BOLÍVIA,
LOGO ALI AO
LADO, E ESSA
REGIÃO DO
CHILE, TÊM
AS MAIORES
RESERVAS DE
LÍTIO DO MUNDO
gem. O passeio ao Salar dura
cerca de 3h a 4h, e custa, em
média, 12,5 mil pesos chilenos (R$ 62), por pessoa.
Outra atração que se destaca no Atacama é o Valle de la
Luna, uma formação de parte
da Cordilheira do Sal. O local
é conhecido por sua semelhança com a superfície lunar. Lá é possível fazer algumas caminhadas até o topo
das montanhas, apreciar a
formação geológica e os
grandes salões formados entre o conjunto de dunas.
17
_
O Valle de la Luna está bem
próximo de San Pedro, a apenas 17km do povoado. Por
causa disso, muitos turistas
acabam optando por alugar
uma bicicleta para explorar a
região pedalando.
Todo passeio dura cerca de
três horas e, normalmente,
termina ao pôr do sol, num
dos pontos mais altos do Valle, de onde é possível ver o
cair da tarde sobre o vulcão
Licancabur. O preço médio é
de 8 mil pesos chilenos, cerca
de R$ 40, por pessoa. l
EXPERIÊNCIAS
INCRÍVEIS PARA
TODA FAMÍLIA.
BOA VIAGEM
QUINTA-FEIRA 23.6.2016
montanhas é ocupada pelo
vulcão Licancabur, que divide Chile e Bolívia, e também
pelo vulcão Lascar. No percurso, passamos também pelo Observatório Alma (sigla
em inglês para Atacama Large Millimeter/submillimeter
Array), o maior complexo astronômico do mundo.
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CHILE
San Pedro
Um
dia no
povoado
FOTOS DE FÁBIO VASCONCELLOS
18
Q
uem se aventura pelo deserto do Atacama precisa também
de um dia de descanso para bater perna e conhecer um pouco mais da
cultura e dos costumes locais. Nesse caso, reserve um
dia para conhecer com calma
o pequeno povoado de San
Pedro de Atacama.
O lugar mantém sua arquitetura com casinhas bem
simples e construídas com tijolos de adobe. Você poderá
sentar num dos café da pracinha e experimentar o sorvete
de chocolate com chanar
(fruto semelhante à avelã).
As principais ruas de San
Pedro são ocupadas por pequenos comércios, agências
de viagens e restaurantes. Na
pracinha principal, fica também a feira de artesanato de
San Pedro. O lugar é pequeno, mas rico em objetos e
vestuário típicos do deserto.
Os preços são acessíveis. Até
balas feitas da folha de coca e
pomadas feitas da folha da
maconha há por lá.
À noite, as pequenas ruas
de San Pedro lotam de turistas que saem para conhecer
os restaurantes ou beber o famoso pisco sour.
Em San Pedro você pode
visitar ainda a igreja, localizada ao lado da praça. De estilo andino, foi construída no
século XVI. Outra dica é o
Museu Arqueológico do Padre Le Paige, que leva o nome do seu fundador. Le Paige
foi um missionário jesuíta de
Casas. As paredes
são feitas de adobe,
um tipo de tijolo
da cor do deserto
Coca. Produtos à
base da folha à venda
na feira de San Pedro
Serviço San Pedro de Atacama
A Gol voa do Rio a Santiago, com
conexão em Guarulhos na ida e na volta,
por R$ 2.602. Pela Latam, a tarifa sai
por R$ 2.785, sendo que, na ida, o voo
é direto e, na volta, via Guarulhos. Em
Santiago, a Latam tem voos para o
Aeroporto Internacional El Loa (Calama)
por R$ 781. O transfer de Calama para
San Pedro custa, em média, R$ 60, por
pessoa. Os valores foram cotados para a
última semana de julho e incluem taxas.
nacionalidade belga que se
dedicou a estudar a arqueologia andina. Em suas viagens pela região, recolheu inúmeros objetos indígenas e
da cultura atacamenha, expostos no museu.
Se tiver mais tempo, outro
povoado próximo que pode
ser visitado é Toconao e que
fica na estrada que leva para
o Salar do Atacama. Por incrível que pareça, essa cidade em pleno deserto tem co-
mo principal fonte de renda a
agricultura — em que a vinicultura se destaca.
Na praça do povoado, ficam a Igreja e a Torre do
Campanário de San Lucas,
construídas em 1750. Em Toconao também há pequenas
lojas de artesanato. Numa
delas, na praça central, há
uma lhama domesticada. l
Fabio Vasconcellos viajou
a convite de TierraHotels
FÁBIO VASCONCELLOS
Como chegar
Deserto. Estrada para Toconao
Onde ficar
Onde comer
Tierra Atacama Spa. Pensão completa
por dois dias e incluídas excursões
por US$ 2.780. tierrahotels.com
Lodge Andino Terrantai. Diárias a
partir de US$ 260. terrantai.com
Hostel Puritama. Diárias a US$ 90, para
quarto de casal, com banheiro privativo; e
a US$ 37, para uma pessoa em banheiro
compartilhado. hostalpuritama.cl
Blanco. Considerado um
restaurante mais sofisticado.
Rua Domingon Atienza
blancorestaurant.cl
Adobe. Um point mais badalado à
noite. Rua Caracoles 211, Centro.
La Casona. Servem comida típica
chilena. Rua Caracoles 195,
Centro.
BOA VIAGEM
QUINTA-FEIRA 23.6.2016
19
_
23
São Paulo
Um clássico para crianças
na terra de Monteiro Lobato
P
eixinho, coelho,
cavalo, galinha.
Parquinhos e bufê
de primeira. O
Hotel Fazenda Mazzaropi,
em Taubaté (a 134 km de
São Paulo e a 300 km do
Rio), é um clássico dos
feriados e das férias. A
fazenda foi do ator e
cineasta Amácio Mazzaropi
(morto em 1981),
homenageado num
pequeno museu. Crianças
de 4 a 13 anos são divididas
de acordo com a idade para
uma série de atividades
com os monitores:
alimentam os bichos,
caçam tesouros, fazem
arvorismo e exploram
todas as atrações da
fazenda, que incluem
passeio de pedalinho do
lago e uma autêntica vila
caipira. Enquanto isso, pais
descansam à beira da
piscina ou no salão de
jogos. Os menores fazem as
atividades possíveis na
companhias dos pais e
ainda têm dois parquinhos
Restaurante
Jovem chef
sensação
DIVULGAÇÃO
Lago.
Pescaria e
passeio de
pedalinho
no hotel
só para eles brincarem. O Sítio
do Picapau Amarelo, outra
atração de Taubaté, fica ali
pertinho e vale a visita. O
Mazzaropi oferece ainda
transporte para quem quiser
conhecer Campos do Jordão.
Diárias a partir de R$ 797
durante a semana e R$ 832 fim
de semana, em baixa
temporada, com pensão
completa e mínimo de duas
diárias. Crianças até 2 anos
não pagam. Para as férias de
julho, há pacotes de quatro
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como a Silmara, e comer
depois na Padoca do Maní ou
no próprio restaurante de
Helena Rizzo. Tudo na mesma
quadra. Já a francesa
Aberto no ano passado, o
restaurante do jovem chef
Ivan Ralston já é
considerado um dos
melhores da cidade. Filho
de Liane Ralston e
Roberto Bielawski, donos
do Ráscal, Ivan é craque
nas entradas: tartar de
beterraba, cronut de
rabada com tutano,
tapioca de geleia de
cambuci e foie gras. E
também não deixa a
peteca cair nos pratos
mais substanciosos, como
a pescada de tubérculos e
o javali acompanhado de
purê de abóbora.
A carta de vinhos tem
um pouco de tudo e os
drinques ganham
releituras modernosas,
destaque para a bebida da
vez: o vermute. Jantar no
Tuju fica ainda mais legal
com o menu degustação,
de cinco a quinze pratos
(preços entre R$ 120 e R$
440, versão harmonizada
com vinhos). Abre de
terça a domingo, para
almoço e jantar. A fama do
local recomenda reservar
antes. Tel. (11) 2691-5548.
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1.248, Vila Madalena.
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partir de R$ 100 e podem
ser usadas aos montes,
de uma vez só. Ela atende
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só com hora marcada –
responde muito rápido aos
pedidos de visita. Contato:
([email protected]).
Entrada. Tartar de
beterraba servido no Tuju
BOA VIAGEM
QUINTA-FEIRA 23.6.2016
23
_
20
MARCO BERTORELLO/AFP
Itália
CHECK-IN
Christo sobre a água
Inaugurada no último sábado,
“Píeres flutuantes”, a nova instalação
do artista búlgaro Christo Vladmirov
Javacheff, avança sobre o Lago Iseo,
no norte da Itália, onde será exposta
até 3 de julho. A obra reúne 200 mil
cubos flutuantes que formam uma
passarela de três quilômetros
ligando a cidade de Sulzano à
pequena ilha do Monte Isola. A
região, próxima a Milão e conhecida
pela produção dos vinhos
Franciacorta, espera atrair 500 mil
pessoas, entre turistas internacionais
e italianos, para conhecer a obra de
Christo, que já cobriu em outras
ocasiões a Pont Neuf de Paris e o
Reichstag (Parlamento) em Berlim.
Obra. “Píeres flutuantes”, de Christo Vladmirov Javacheff
Petrópolis
Festa alemã na Serra
Segunda maior festa alemã
do país, a Bauernfest chega à
27ª edição com novidades
em Petrópolis. O evento
começa amanhã e vai até 3
de julho com espaço para as
microcervejarias da cidade:
Buda, Cazzera, Da Corte,
Duzé e Imperatriz, além da
tradicional Bohemia. A
maior parte das atrações,
como barracas de comidas
típicas, vai se concentrar no
arredores do Palácio de
Cristal, no Centro. De
acordo com a organização,
mais de 80 mil litros de
chope foram consumidos no
ano passado, quando 250
mil pessoas passaram pelo
festival. A edição passada
representou um aumento de
público de 34% com relação
ao ano anterior,
movimentando R$ 33
milhões. Segundo a
Prefeitura, 90% da rede
hoteleira já está ocupada.
Verão conectado
NY terá wi-fi gratuito nas ruas
A partir de 16/7 começa a
funcionar oficialmente o
Link NYC, o programa que
oferecerá wi-fi gratuito nos
cinco distritos da cidade de
Nova York. A novidade foi
divulgada no IPW 2016, a
maior feira do mercado de
turismo nos Estados Unidos,
realizada esta semana, em
Nova Orleans. Neste
primeiro momento, 500
totens funcionarão como
antenas de wi-fi, postos de
recarga de baterias e até
para ligações telefônicas
locais. Tudo gratuito.
Também será possível usar
esses totens, equipados com
monitores touch screen,
para acessar a internet. A
longo prazo, esses postos
vão substituir as cabines
telefônicas. O programa já
está sendo testado em
alguns pontos da cidade.
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momento da compra, e são sempre“a partir de”. Válidos para embarques na baixa temporada. Destinos São Paulo e Belo Horizonte são operados pela Latam Airlines. Forma de pagamento: em até 5x sem juros nos cartões de crédito Visa, MasterCard, Hipercard, Diners,
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com saída do Rio de Janeiro, não inclui taxas de embarque e/ou impostos e taxa de serviço e são sempre "a partir de". Data do pacote e oferta sujeita a disponibilidade de lugares no ato da reserva, sem aviso prévio. O pacote informado inclui passagem aérea de ida
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