Reginaldo Francisco

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Reginaldo Francisco
Reginaldo Francisco
PROFT em Revista
ISBN 978-85-65097-00-0
TRADUTOR HUMANO E TRADUTOR MÁQUINA:
DIFERENTES POSSIBILIDADES DE INTERAÇÃO
Anais do Simpósio Profissão Tradutor
2013 Vol. 1, Nº 3 março de 2014
RESUMO
Reginaldo Francisco
Bacharel em Letras com Habilitação de
Tradutor pela UNESP - Universidade Estadual
Paulista
Mestre em Estudos da Tradução pela UFSC Universidade Federal de Santa Catarina
A evolução na eficiência das ferramentas de tradução automática por
computador tem sido marcante, a ponto de reacender as discussões sobre a
possibilidade de estas ameaçarem a profissão do tradutor humano. Após o
entusiasmo inicial ligado às primeiras pesquisas na área, em meados do século
XX, por muito tempo a tradução automática deixou de ser levada a sério em
função dos resultados de má qualidade. O surgimento, porém, de sistemas
baseados em uma abordagem estatística, partindo de corpora de traduções
humanas, melhorou visivelmente a qualidade das ferramentas e, se ainda
parece improvável que os tradutores humanos sejam completamente
substituídos por máquinas, já é bastante evidente que o desenvolvimento
dessas tecnologias afetará — ou já está afetando — o trabalho dos tradutores.
Neste trabalho são comentadas as diversas formas como a tradução
automática pode se integrar ao processo de tradução humana. Uma primeira
forma seria o tradutor utilizar as ferramentas de tradução automática como
uma fonte a mais de pesquisa terminológica. Compreendendo o
funcionamento desses programas, especialmente os de base estatística, é
possível muitas vezes empregá-los para chegar a boas soluções tradutórias.
Outra maneira mais acentuada de integração que já está começando a ser
explorada no mercado é a utilização da tradução automática para gerar uma
primeira versão do texto traduzido, que será então revisada pelo tradutor
humano. Algumas agências já tentam impor essa sistemática de trabalho,
infelizmente visando principalmente a diminuir os valores pagos aos
tradutores humanos. Por fim são comentadas e demonstradas as formas de
utilização da tradução automática com programas de tradução assistida (CAT
tools). A maioria destas ferramentas (Trados, Wordfast, Déjà vu, OmegaT, etc.)
podem ser associadas a um tradutor automático, de modo que, na ausência de
ocorrências (matches) provindas da memória de tradução, o segmento é
traduzido automaticamente para em seguida ser editado pelo tradutor. Em
alguns programas é inclusive possível receber traduções automáticas de
diferentes fontes, dentre as quais o tradutor pode escolher a que está mais
correta e vai exigir menos alterações. Pensando em uma interação mais
dinâmica, no Wordfast Classic é possível, além da tradução da sentença
completa, obter sugestões de tradução automática para palavras ou
sequências curtas de palavras, que podem ser aproveitadas por meio do
recurso de autocompletar (AutoSuggest) para agilizar a digitação e aumentar a
produtividade do tradutor humano. Embora não possibilite às agências pagar
um valor menor ao tradutor, é possível supor que esta integração mais
dinâmica tenda a gerar melhores resultados, já que o domínio do processo de
tradução permanece o tempo todo com o tradutor humano, que pode escolher
apenas os trechos traduzidos automaticamente mais úteis, não precisando
assim perder tempo editando aqueles com muitos erros.
Palavras-Chave: tradução humana, tradução automática, integração.
Reginaldo Francisco
Contato:
[email protected]
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INTRODUÇÃO
A evolução na eficiência das ferramentas de tradução automática (TA) por computador tem
sido marcante, a ponto de reacender as discussões sobre a possibilidade de estas ameaçarem a
profissão do tradutor humano.
Após o entusiasmo inicial ligado às primeiras pesquisas na área, em meados do século XX,
por muito tempo a TA deixou de ser levada a sério em função da má qualidade dos resultados, ou
melhor, da impossibilidade de atender às expectativas iniciais: de que a máquina fosse capaz de
traduzir com perfeição sem intervenção humana. Mais recentemente, porém, o surgimento de
sistemas baseados em uma abordagem estatística, partindo de corpora de traduções humanas,
melhorou visivelmente a qualidade dos resultados. Assim, muitos sistemas estatísticos ou
híbridos (análise estatística + regras, por exemplo)1 já podem ser utilizados em várias situações
com bons resultados — ainda que diferentes das expectativas quiméricas iniciais —, como para
traduzir automaticamente grandes volumes de texto para ter uma ideia do conteúdo e fazer uma
triagem do que é importante encaminhar para tradução humana, ou para fornecer uma primeira
versão a ser revisada e aperfeiçoada por tradutores humanos.
Muitas grandes empresas e entidades internacionais já utilizam TA em alguma medida.
Para citar apenas alguns exemplos, o Banco Mundial a emprega para os fins de triagem
mencionados no parágrafo anterior (NOGUEIRA, 2009), a Microsoft a utiliza “desde 2003 para
traduzir quase 140.000 artigos de sua Base de Conhecimento para nove línguas principais”2
(DENDI, 2009), e na Comissão Europeia ela é usada como auxílio para tradutores e como uma
forma de os departamentos da Comissão descobrirem a ideia central de um texto” (EUROPEAN
COMMISSION, 2012, p. 3)3.
Portanto, se ainda parece improvável que os tradutores humanos sejam completamente
substituídos por máquinas, já é bastante evidente que o desenvolvimento dessas tecnologias está
mudando e certamente mudará muito mais nos próximos anos o cenário do mercado de tradução.
Para o tradutor, fechar-se às mudanças, negá-las e resistir a elas provavelmente só fará com que
seja o menos favorecido no processo, como parece ter ocorrido no caso das ferramentas de
1
Para uma visão geral dos diferentes tipos de tradução automática (baseado em regras, estatístico, híbrido, etc.), ver
Muegge (2008) e Specia e Rino (2002).
2
“since 2003 to translate nearly 140,000 Knowledge Base articles into nine major languages” (tradução minha).
Sendo a informação de 2009, é possível que atualmente (2013) o volume de traduções e o número de idiomas
envolvidos já sejam maiores.
3
É claro que também é fácil encontrar usos inadequados, como sites ou empresas empregando tradutores
automáticos públicos ou visivelmente de baixa qualidade, golpistas buscando expandir o alcance de suas tentativas
de phishing traduzindo automaticamente suas mensagens fraudulentas, ou o caso do escritor Heath Fox
(possivelmente um pseudônimo), que descaradamente coloca traduções automáticas de seus livros à venda pela
Amazon: http://www.amazon.com/Heath-Fox/e/B006SEFJH6/ (favor não comprar para conferir — basta ler a
sinopse e trechos do livro no site).
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auxílio à tradução (CAT tools): a resistência inicial de grande parte dos tradutores e, pelo
contrário, a adesão e o interesse das empresas de tradução fizeram com que estas tirassem mais
proveito dessas tecnologias, impondo seu uso e descontos por repetições e “matches”; além
disso, fizeram com que as principais ferramentas evoluíssem direcionadas mais aos interesses das
empresas de tradução que aos dos tradutores. Processo semelhante parece já ter começado
também com a TA, já que muitas empresas estão adotando a pós-edição de tradução automática
(post-editing of machine translation, ou PEMT), frequentemente estabelecendo valores para
remunerar este trabalho desproporcionalmente menores em relação àqueles pagos pelo serviço de
tradução.
Entretanto, embora a pós-edição por iniciativa das empresas também seja comentada mais
adiante, remeto os leitores a outras fontes, listadas nas referências deste artigo, para mais
informações sobre o assunto e as tendências envolvidas, e concentro-me aqui nas formas como o
próprio tradutor pode explorar a TA para proveito próprio, ou seja, como pode utilizá-la como
(mais uma) ferramenta de trabalho.
Espero conseguir demonstrar como este pode ser um recurso útil, desde que empregado
com bom senso, como aliás se espera em relação ao uso de qualquer recurso pelo tradutor.
Afinal, há TAs boas e ruins da mesma forma que sugestões boas e ruins da memória de tradução,
dicionários e glossários bons e ruins, sites da internet bons e ruins, palpites de colegas bons e
ruins (a ambiguidade é intencional), e assim por diante. Em todos os casos, e em todos os
momentos do processo de tradução, cabe ao tradutor analisar as soluções encontradas e a
confiabilidade das fontes para tomar suas decisões.
Consulta terminológica
Uma primeira forma, bastante simples, de o tradutor utilizar as ferramentas de TA é como
uma fonte a mais de pesquisa terminológica. Conforme mencionado acima, grande parte desses
sistemas funciona principalmente com base em algoritmos que buscam, a partir de um banco de
dados de traduções humanas, calcular estatisticamente qual a tradução mais provável para uma
palavra ou sequência de palavras. Esse método faz com que sejam muito mais sensíveis a
contextos, como é possível observar pela imagem a seguir, que mostra uma sequência de
pesquisas utilizando o Google Translate.4
4
Todas as consultas ao Google Translate apresentadas nesta seção foram realizadas em junho e replicadas em 2 de
setembro de 2013.
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Figura 1: Consultas com homônimos no Google Translate.
Nos exemplos mostrados na figura, o programa consegue calcular a tradução correta dos
homônimos da língua inglesa well (advérbio) e well (substantivo). Assim, quando consultada a
palavra isoladamente, tem-se a sua tradução mais frequente: “bem”; já na segunda consulta, a
presença do artigo basta para que o sistema calcule que neste caso well corresponde a “poço” (na
verdade, para que verifique que em sua base de dados a combinação “a well” é quase sempre
traduzida como “um poço”). Por fim, testando-o com uma frase, ainda que improvável, na qual
well aparece em seus dois sentidos, pode-se verificar que o mecanismo mais uma vez fornece
uma solução acertada, ainda que não seja a mais perfeita estilisticamente.
Assim, compreendendo de forma geral o funcionamento desses programas, é possível
empregá-los para chegar a soluções tradutórias para termos mais específicos que os testados
acima. É bem sabido entre os tradutores profissionais o quanto são raros os bons dicionários
bilíngues, especialmente de áreas específicas. Na maioria das vezes, os dicionários especiais
monolíngues nas duas línguas de trabalho são muito mais úteis e confiáveis. Ao se deparar com
um termo desconhecido, no entanto, há geralmente a dificuldade de se chegar a um candidato a
correspondente a ser consultado no dicionário monolíngue da língua-alvo ou validado em textos
nessa língua, e é nesse ponto que um tradutor automático pode ajudar, trazendo sugestões de
correspondentes que o tradutor pode validar em outras fontes.
Para demonstrar essa possibilidade, pesquisei no mesmo Google Translate alguns termos
da área de Economia/Contabilidade e comparei os resultados com o correspondente fornecido no
Dicionário de Direito, Economia e Contabilidade português-inglês / inglês-português, de
Marcílio Moreira de Castro, uma obra de referência bem avaliada pelos tradutores dessa área.
Para testar a habilidade do sistema em “reconhecer” o contexto, escolhi termos compostos. Para
o primeiro deles, corporate culture, tanto o dicionário quanto o tradutor automático (ver figura 2)
apresentaram o mesmo correspondente: “cultura corporativa”.
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Figura 2: Consulta terminológica no Google Translate: corporate culture.
Na segunda consulta, para o termo corporate name, o dicionário propõe três possíveis
correspondentes: razão social, denominação social e firma. A primeira opção também é o
correspondente principal oferecido pelo Google Translate, mas clicando nela para explorar mais
alternativas, encontramos também a segunda opção, “denominação social”. Portanto, apenas a
tradução “firma”, apresentada pelo dicionário, não aparece entre as sugestões do site, que
também traz outros três correspondentes provavelmente menos adequados na área, embora não
necessariamente errados.
Figura 3: Consulta terminológica no Google Translate: corporate name.
Já para corporate law, que Marcílio de Castro traduz como “direito societário”, o Google
apresenta como primeiro correspondente “legislação societária”, porém mais uma vez o termo
sugerido pelo dicionário também aparece entre as demais opções, de modo que seria possível ao
tradutor chegar a ele por meio da TA.
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Figura 4: Consulta terminológica no Google Translate: corporate law.
O mesmo se pode dizer de corporate income tax, para o qual o site oferece, entre outras
sugestões menos adequadas, ou mesmo equivocadas, a tradução “IRPJ”, sigla que representa o
correspondente indicado pelo dicionário: “imposto de renda de pessoa jurídica”.
Entretanto, como vemos na figura 5, para o termo wasting assets, cuja tradução indicada
pelo dicionário é “ativo consumível”, a TA falha completamente:
Figura 5: Consulta terminológica no Google Translate: wasting assets.
Neste caso, o sistema não foi capaz de identificar o termo composto como uma unidade de
sentido e por consequência traduziu seus elementos separadamente. Portanto, como já
mencionado, cabe ao tradutor humano manter-se alerta e utilizar esta ferramenta, como qualquer
outra, com todo o critério e sempre confirmando em outras fontes as soluções encontradas.
Uma vantagem desse uso é que o tradutor pode se valer de sistemas públicos e gratuitos,
como o Google Translate ou o Bing, da Microsoft, entre outros, sem o risco de incorrer em
quebra de confidencialidade, já que está consultando apenas termos isolados; outra ainda é que o
benefício obtido é todo revertido para o tradutor, já que o cliente ou as agências de tradução não
podem pedir descontos em função disso (nem precisam, na verdade, saber de seu uso).
Por fim, cabe ressaltar que apresentei aqui apenas alguns exemplos demonstrativos.
Pesquisas mais aprofundadas comparando, em áreas específicas, os resultados dos tradutores
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automáticos públicos mais conhecidos com os verbetes correspondentes de dicionários especiais
bilíngues de referência seriam desejáveis para determinar melhor a confiabilidade e a utilidade
desse recurso para tradutores profissionais.
Pré-tradução
Outra maneira de integração que, como dito no início do artigo, está sendo cada vez mais
explorada no mercado é a utilização de TA para gerar uma primeira versão do texto traduzido,
que será então revisada, ou pós-editada (post-edited)5 por tradutores humanos. A adoção dessa
sistemática de trabalho é na maioria das vezes iniciativa de grandes empresas ou de agências de
tradução, e os melhores resultados são obtidos por aquelas que utilizam sistemas
“customizáveis”, ou seja, nos quais é possível incorporar glossários, memórias, materiais de
referência do cliente para “treinar” a ferramenta, de modo que ela forneça traduções cada vez
mais adequadas e com menos necessidade de edições, o que não é possível com as alternativas
públicas gratuitas. Muitas empresas também adotam a autoria controlada (controlled authoring)
ou linguagem controlada (controlled language) de modo que os textos originais já sejam escritos
de uma forma que permitirá melhores resultados quando traduzidos automaticamente.6
Há quem acredite que em poucos anos, os tradutores técnicos se tornarão todos revisores de
TA; entretanto, as empresas que estão investindo nesse modelo ainda têm desafios importantes
pela frente. Um deles é justamente motivar os tradutores a realizar esse trabalho, especialmente
por meio do estabelecimento de uma remuneração adequada a ele.7 Arenas (2013) aponta que
uma parte significativa dos tradutores que participaram de sua pesquisa envolvendo revisão de
ocorrências semelhantes (fuzzy matches) provenientes da memória de tradução e pós-edição de
TA relataram maior insatisfação com esta última modalidade de trabalho, especialmente em
relação à remuneração, que vários consideram injusta.
A dificuldade em estabelecer uma remuneração apropriada esbarra principalmente em
outro desafio: avaliar a qualidade da tradução produzida pelo sistema de TA, uma vez que esta é
extremamente variável, seja em função da ferramenta utilizada, do tipo de texto, das
características de cada texto ou mesmo de cada sentença. Além disso, a pós-edição de TA tem
particularidades e exige habilidades diferentes da revisão de tradução humana ou de fuzzy
5
Em sua pesquisa, Arenas (2013) faz a seguinte distinção: “Revisar significa aqui examinar uma tradução humana,
identificar e corrigir erros. Pós-editar significa aqui examinar o resultado de uma tradução automática, identificar e
corrigir erros.” — “Reviewing means here to go over a human translation, identify and correct errors. Post-editing
means here to go over MT out-put, identify and correct errors.” (p. 78, tradução minha)
6
Sobre linguagem controlada, ver, entre outros, STUPIELLO (2010) e MUEGGE (2007, 2008).
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matches. Algumas das soluções pensadas seriam o pagamento por tempo em vez de por palavra
ou o desenvolvimento de métodos para avaliar a qualidade do sistema de TA e determinar a
porcentagem em relação ao valor pago pela tradução sem ele que o tradutor deveria receber,
considerando o ganho de produtividade. É claro que também há muitas empresas que, por
desinformação ou má-fé, ignoram todos esses aspectos e pretendem definir a remuneração pelo
trabalho de pós-edição como uma porcentagem arbitrariamente estabelecida do que pagam pela
tradução.
De qualquer forma, não pretendo me estender mais sobre esta modalidade de uso de TA
por iniciativa das empresas, de modo que remeto o leitor que quiser se aprofundar no tema aos
vários textos já existentes sobre ele, especialmente os de Uwe Muegge, em grande parte
disponíveis em http://works.bepress.com/uwe_muegge/, e de Kirti Vashee, em especial seu
blogue eMpTy Pages (http://kv-emptypages.blogspot.com.br/). Como afirmei anteriormente, o
enfoque deste artigo é a TA como ferramenta para o tradutor. Assim, independente de estarem ou
não fadados a se tornar revisores de TA no futuro por imposição das empresas e do mercado, os
tradutores podem já hoje empregar por conta própria o recurso da pré-tradução automática, que
pode trazer bons resultados dependendo do tipo de texto e especialmente com períodos mais
curtos.
Normalmente é possível utilizar TA de forma integrada com programas de tradução
assistida, como Trados, Wordfast, Déjà vu, OmegaT, etc. Uma maneira de fazer isso não muito
prática, mas bastante utilizada inclusive por empresas de tradução que utilizam TA, é prétraduzir o texto todo automaticamente, alinhá-lo com o original e alimentar a memória de
tradução com os segmentos alinhados. Depois o tradutor retraduz o original com a CAT tool,
editando as sugestões da memória (provindas do alinhamento da TA). A maioria dessas
ferramentas, porém, pode ser associada diretamente a sistemas de TA, de modo que, na ausência
de ocorrências (matches) provindas da memória, o segmento é traduzido automaticamente para
depois ser editado pelo tradutor8. Em alguns programas é possível inclusive receber TAs de
diferentes fontes, dentre as quais o tradutor pode escolher a que está mais correta e vai exigir
menos alterações. É o que demonstro no vídeo disponível em http://screencast.com/t/k4a2exk1X.
Nele utilizo a CAT tool Wordfast Pro conectada a três provedores de TA on-line: Google,
Microsoft e Worldlingo.
7
Sobre esse aspecto, ver também Vashee (2012).
Há também o Google Translator Toolkit, que fornece uma TA por meio do Google Translate e permite que o
usuário a edite e melhore, o que no entanto não é uma boa ideia para tradutores profissionais, pois ao fazer isso
estará fornecendo de graça ao Google o serviço de treinamento de seu sistema de TA.
8
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Nos segmentos 2 e 4 do texto, foi selecionada a TA da Microsoft e não foi necessária
nenhuma alteração, por se tratar de períodos curtos; nos segmentos 3 e 6 foram selecionadas as
traduções do Google Translate, também sem necessidade de edições; o segmento 5 teve uma
ocorrência semelhante (76 %) na memória de tradução, que tem prioridade sobre a TA, e
portanto foi traduzido por meio da edição desse fuzzy match; para o segmento 7 foi utilizada
novamente a tradução do Google, porém com várias alterações. Neste último caso, inclusive, e
em outros com segmentos mais longos, o tradutor pode achar mais vantajoso ignorar a TA,
limpando completamente o segmento (no Wordfast o comando para isso é Control + Alt + X) e
digitando sua tradução do zero.
Figura 6: Tradução com pós-edição de TA e TM matches no Wordfast Pro.
Nessa demonstração e naquelas apresentadas mais adiante foram usados sistemas públicos,
on-line e gratuitos, inclusive para permitir que os leitores as repliquem. No entanto, além de
outros sistemas, off-line e pagos, poderem ser “customizados” e “treinados”, conforme comentei
acima, de modo a produzir resultados melhores, também evitam problemas de quebra de
confidencialidade. Com os programas on-line, os documentos dos clientes, ou pelo menos
trechos deles, são enviados para servidores de terceiros, o que pode ser contrário a termos de
confidencialidade assinados pelo tradutor.
“Interação dinâmica”
“Interação dinâmica” é como chamo, por falta de outro nome consagrado, uma forma de
utilização de TA pelo tradutor em que este trabalha interagindo constantemente com a máquina,
auxiliado o tempo todo por ela, mas mantendo total controle sobre o processo. Bar-Hillel falava
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em “simbiose homem-máquina” (“man-machine symbiosis”), porém isso em 1951 — e mesmo a
fonte na qual o encontro citado (HUTCHINS, 1995) já tem quase vinte anos —, de modo que
certamente não tinha em mente nada parecido com aquilo a que me refiro. Fica sendo “interação
dinâmica” então por enquanto, e vamos à explicação do que se trata.
No Wordfast Classic, é possível obter, além da tradução da sentença completa, sugestões
de TA para palavras ou sequências curtas de palavras, que podem ser aproveitadas por meio do
recurso de autocompletar (AutoSuggest) do programa para agilizar a digitação e aumentar a
produtividade do tradutor humano. Assim, ao abrir um segmento, são apresentadas TAs de um
ou mais provedores e, no caso de períodos curtos, nos quais a qualidade costuma ser melhor, o
tradutor pode aproveitar uma delas e fazer as eventuais alterações necessárias; porém, também
pode — e é o mais prático no caso de segmentos maiores — ignorar as TAs e começar a digitar a
própria tradução. Ao fazer isso, o programa começa a oferecer TAs para porções menores do
segmento (subsegments), que o tradutor pode aproveitar, quando forem úteis. É o que demonstro,
utilizando os provedores on-line MyMemory e Worldlingo9, no vídeo disponível em
http://screencast.com/t/XRmVQTuj. Nele é possível visualizar as duas situações descritas acima:
quando vale mais a pena revisar a TA do segmento inteiro e quando é melhor escrever a própria
tradução aproveitando as sugestões para palavras ou sequências de palavras.
Figura 7: Tradução com sugestões oriundas de TA no Wordfast Classic.
Nesta forma de trabalhar, uma das habilidades mais importantes — pelo que aprendi com
minha própria experiência e pode ser observado no vídeo — é conseguir ignorar as sugestões da
TA a maior parte do tempo, pois podem ser muito numerosas e, se o tradutor for parar o tempo
todo para lê-las, acabará perdendo em produtividade. O ideal é seguir inserindo a própria
tradução e aproveitar quando, aproximando-se do final do período, ou ao parar um momento a
digitação, vê que o programa está oferecendo para autocompletar exatamente a palavra ou
9
O programa permite utilizar também softwares off-line, o que evitaria as questões relacionadas a confidencialidade
comentadas anteriormente.
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sequência de palavras em que tinha pensado (ou até mesmo uma opção diferente na qual não
tinha pensado ainda).
É possível supor que essa forma de integração mais dinâmica tenda a gerar melhores
resultados em termos de qualidade do que a pós-edição de segmentos inteiros, por exemplo, já
que o domínio do processo permanece o tempo todo com o tradutor humano, que pode escolher
apenas os trechos traduzidos automaticamente mais úteis, não precisando perder tempo editando
aqueles com muitos erros. Pode ser necessário algum treino, maior ou menor dependendo do
tradutor, para se acostumar a trabalhar assim, mas esta me parece uma maneira de integração
com a máquina — quase uma simbiose realmente — capaz de gerar um bom ganho de
produtividade, e até de qualidade.
Essa forma de interação mais dinâmica abre inclusive uma possibilidade que poderá soar
para muitos como uma blasfêmia: sua utilização por tradutores literários, ou tradutores editoriais
em geral. Na verdade, a maioria desses profissionais ainda não utiliza sequer ferramentas de
tradução assistida, em especial porque a maiorias das editoras ainda enviam originais em papel e
porque é muito difundida a ideia equivocada de que esses programas são úteis apenas para textos
técnicos e repetitivos. Porém, é possível que isso mude no futuro e que as editoras passem cada
vez mais a enviar o original em formato eletrônico para o tradutor. Mais do que isso, já há
tradutores (incluo-me entre eles) que escaneiam os originais em papel que recebem da editora e
utilizam programas de reconhecimento de caracteres (OCR) para transformá-los em arquivos
digitais editáveis e poder trabalhar com CAT tools. Seja tendo esse trabalho adicional no início
para depois ganhar produtividade e qualidade10 ao longo da tradução, seja conseguindo que as
editoras já enviem os originais em formato digital, é interessante que a apropriação dessas
tecnologias seja iniciativa do tradutor e que a ele beneficie diretamente, ao contrário do que
ocorreu na tradução técnica, em que a iniciativa partiu das empresas de tradução e estas acabaram
por tirar mais proveito das mudanças, pelo menos economicamente.
Mais ainda do que em relação às CAT tools, é esperável uma grande resistência à
incorporação da TA ao processo de tradução editorial, especialmente da literária, entre outros
motivos pela visão que se tem desses programas como gerando resultados de baixa qualidade —
resquício dos tempos em que de fato geravam, ou consequência de expectativas exageradas e
pouco realistas — e da tradução literária como sendo uma arte, um trabalho artístico ou artesanal.
Em relação ao primeiro ponto, neste artigo já partimos desde o início do fato de que os
programas de TA avançaram muito nos últimos anos. Quanto ao segundo, aceitando-se a
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tradução literária como arte, esta envolverá, como qualquer trabalho artístico, além de
“inspiração”, uma boa dose de “transpiração” e, também como em outros trabalhos artísticos, não
há problema em utilizar ferramentas que auxiliem em sua parte “braçal”.
É claro que o modelo que se tem difundido no mercado da tradução técnica, no qual o
tradutor edita períodos inteiros pré-traduzidos por TA, será pouco produtivo para traduções
editoriais e especialmente literárias, por lidarem com períodos mais longos, que tendem a ter
resultados ruins quando traduzidos automaticamente. Porém, o método que chamo aqui de
“interação dinâmica” pode agilizar a parte mecânica do trabalho do tradutor, proporcionando
mais tempo para se dedicar à parte criativa, realmente artística. Além disso, lembrando que uma
das bases dos principais programas de TA é a análise estatística de dados oriundos de traduções
humanas, pode ocorrer de o computador sugerir boas soluções nas quais o tradutor talvez não
pensasse,
ou
não
pensasse
imediatamente.
No
vídeo
disponibilizado
em
http://screencast.com/t/WpEUCH32Jg, demonstro a tradução de um texto literário relativamente
simples, um trecho do livro The Chosen of Gaia, de Marcela Mariz, com a ajuda de três
provedores on-line de TA11 (MyMemory, Microsoft e Worldlingo).
É possível observar vários pontos em que o programa propõe traduções úteis para palavras
ou sequências de palavras, poupando assim parte do trabalho de digitação do tradutor. E chamam
a atenção alguns trechos especialmente bem traduzidos pela máquina, como por exemplo, perto
do final do vídeo, a expressão “young lady”, que, apesar de receber as traduções “jovem senhora”
e “senhora nova”, possivelmente já esperadas pelos mais céticos, também foi traduzida por um
dos provedores como “mocinha”, solução excelente no contexto.
Figura 8: Tradução literária com sugestões oriundas de TA no Wordfast Classic.
10
Sim, qualidade também: além de evitar “saltos” e outros erros, traduzir textos literários em formato digital com o
auxílio de ferramentas CAT possibilita um domínio maior do texto como um todo, o que ajuda a tomar decisões mais
fundamentadas, pensando em seus efeitos de maneira global.
11
No primeiro segmento ocorre uma falha na conexão com o MyMemory, de modo que só aparecem as traduções
dos outros dois servidores.
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Como é sempre o tradutor que decide quais sugestões utilizar ou não, cabe mais uma vez
ressaltar a importância de sua competência e discernimento para separar soluções boas e ruins e
para manter o controle do processo de tradução sem ser influenciado negativamente pela TA. No
vídeo é possível observar vários exemplos de decisões independentes das sugestões automáticas,
pensando no contexto mais amplo do original e visando a uma maior qualidade, especialmente
estilística, do texto traduzido, tais como: omitir pronomes pessoais e possessivos sempre que
dispensáveis, utilizar “pra” para marcar a coloquialidade dos diálogos, evitar a repetição
excessiva dos nomes próprios, entre outras mais pontuais.
Vale também aqui a estratégia mencionada anteriormente de ignorar as sugestões da TA a
maior parte do tempo. Assim, evita-se perder tempo com traduções ruins como “mel né?”, “mel
certo?” e “mel direito?” para “right honey?”, e, quando menos se espera, toda uma sequência de
palavras aparece traduzida corretamente, como ocorreu com “preocupado com você”, “cabelo de
Albert”, “grande dia”, “medalha do prefeito”, “deveria ir também”, etc.
Pode-se muito bem argumentar, com certa razão, que meu exemplo é “viciado”, por se
tratar de um texto predominantemente narrativo, com sintaxe e vocabulário simples, períodos
curtos, etc. Mesmo em textos mais complexos, porém, desenvolvendo a habilidade mencionada,
de ignorar a TA a maior parte do tempo, é possível beneficiar-se mais dela nos trechos mais
simples e, naqueles mais complicados, ignorá-la totalmente ou aproveitá-la apenas para
autocompletar palavras mais longas.
No meu caso específico — que pode ou não coincidir com o de outros colegas —, em
razão da dinâmica de trabalho que já adotava para traduções literárias, o emprego da interação
com TA mostrou-se bastante produtivo. Utilizo-a para fazer meu primeiro rascunho, bastante
despreocupado, com poucas pesquisas em dicionários ou outras fontes, marcando dúvidas com
asteriscos e separando possíveis soluções com barras. Essa primeira tradução tem como objetivo
principal fazer um reconhecimento do texto e suas dificuldades. Depois vem o trabalho que
considero de tradução propriamente dita, com todas as pesquisas e consultas pertinentes, no qual
tomo as decisões que tinham ficado pendentes e chego a uma solução para cada problema, que
em alguns casos é exatamente o que já tinha usado da primeira vez e em outros algo
completamente diferente. Por fim, a última etapa é uma leitura do texto em português para fazer
os últimos ajustes. Assim, utilizando a interação dinâmica com TA para agilizar a criação do
primeiro rascunho, ganho tempo para dedicar às etapas seguintes.
Esse processo é ilustrado na figura a seguir com a tradução do francês para o português de
um período bem mais longo e extraído de um texto com linguagem mais complexa que o do
exemplo anterior: A guerra dos botões (La guerre des boutons), de Louis Pergaud, um clássico
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infantojuvenil do início do século XX, com várias adaptações para o cinema, inclusive duas em
2011 e uma de 1962, que se tornou também um clássico. A imagem mostra o original em francês
acompanhado de duas propostas de TA para o período inteiro, o rascunho feito com a ajuda de
TA por meio do AutoSuggest do Wordfast, e a minha versão final após as duas etapas seguintes.
A tradução vai passar ainda por um revisor, podendo portanto sofrer mais alterações, antes de ser
publicada, provavelmente em 2014, pela editora Autêntica.
Figura 9: Tradução de trecho do livro A guerra dos botões, de Louis Pergaud: original em francês, TA via
MyMemory e Worldlingo, primeiro rascunho e versão final.
Considerações finais
Independente das especulações quanto a ser ou não possível que um dia os tradutores sejam
totalmente substituídos pela máquina, ou da suposição de que num futuro próximo se tornarão
todos revisores de TA, é indiscutível que essa tecnologia está cada vez mais se desenvolvendo e
afetando o mercado de tradução.
Neste artigo, discuti algumas formas pelas quais o tradutor humano, por conta própria,
pode utilizar a TA como um recurso para auxiliá-lo em seu trabalho. Espero ter conseguido
demonstrar as possibilidades de tirar proveito dos avanços que essa tecnologia tem tido, e
especialmente ter enfatizado o suficiente a importância da competência e do bom senso
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Reginaldo Francisco
necessários para obter bons resultados com seu uso, do mesmo modo que com qualquer outra
ferramenta ou recurso.
Agradecimentos
Um obrigado especial à minha colega Sheila Gomes, por gentilmente compartilhar os
materiais sobre TA reunidos em sua pesquisa.
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Acesso em: 6 set. 2013.
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