UNIP UNIVERSIDADE PAULISTA MACEIÓ

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UNIP UNIVERSIDADE PAULISTA MACEIÓ
1
UNIP UNIVERSIDADE PAULISTA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DO TRÂNSITO
KARLA TATYANA MANGUEIRA LIMA MOURA
ESTUDO SOBRE OS FATORES QUE DESENCADEIA O MEDO DE
DIRIGIR
MACEIÓ - AL
2013
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KARLA TATYANA MANGUEIRA LIMA MOURA
ESTUDO SOBRE OS FATORES QUE DESENCADEIA O MEDO DE DIRIGIR
Monografia apresentada à Universidade
Paulista/UNIP, como parte dos requisitos
necessários para a conclusão do Curso
de Pós-Graduação “Lato Sensu” em
Psicologia do Trânsito.
Orientador: Professor Dr. Manoel Ferreira
do Nascimento Filho
MACEIÓ - AL
2013
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KARLA TATYANA MANGUEIRA LIMA MOURA
ESTUDO SOBRE OS FATORES QUE DESENCADEIA O MEDO DE DIRIGIR
Monografia apresentada à Universidade
Paulista/UNIP, como parte dos requisitos
necessários para a conclusão do Curso
de Pós-Graduação “Lato Sensu” em
Psicologia do Trânsito.
APROVADO EM ____/____/____
__________________________________________________
PROF. DR. MANOEL FERREIRA DO NASCIMENTO FILHO
ORIENTADOR:
__________________________________________________
PROF.DR. LIÉRCIO PINHEIRO DE ARAÚJO
BANCA EXAMINADORA
__________________________________________________
PROF. ESP. FRANKLIN BARBOSA BEZERRA
BANCA EXAMINADORA
4
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho e, consequentemente toda a Pós-Graduação, a Deus, aos
meus pais João Aldeci Mangueira e Francisca Auxiliadora Almeida Mangueira, ao
meu esposo Christiano Lima Moura, as minhas filhas Marina Mangueira Lima Moura
e Camila Mangueira Lima Moura; e a minha irmã Karla Suiany Almeida Mangueira
Guedes.
5
AGRADECIMENTO
Ao Senhor Nosso Deus por todo o Seu amor por mim, me protegendo e estendendo
a Sua Mão Poderosa.
A minha mãe, em especial, que sem o seu apoio emocional, confiança e ajuda
financeira, nada disto teria sido possível;
Ao meu pai por seu apoio e confiança;
Ao meu esposo e minhas filhas, que foram privados da minha companhia durante
essa trajetória, e mesmo assim, me passavam força e incentivo, sendo
compreensíveis em todas as situações;
A minha irmã, que sempre esteve na torcida e também acreditou em mim.
Agradeço também ao meu orientador, Professor Dr. Manoel Ferreira do
Nascimento Filho, por sua orientação.
6
Todos os homens têm medo. Todos.
Aquele que não tiver medo não é normal.
(Jean- Paul Sartre)
7
RESUMO
O ato de dirigir para alguns é uma barreira difícil de ultrapassar, pois dependendo
como se sinta naquele momento ou das circunstâncias psicológicas em que se
apresente, poderá estar vivenciando uma verdadeira cena de terror. Destarte, diante
de tal problemática, buscaremos com esta pesquisa identificar os principais fatores
que geram no indivíduo o medo de dirigir, considerando que fazer uso de um veículo
é, nos dias atuais, sinônimo de necessidade e conforto. Dessa forma, o estudo visa
compreender os fatores que desencadeiam, nos indivíduos, o medo de dirigir,
identificando aqueles que geram o medo de dirigir em algumas pessoas no
município de Cajazeiras-PB, investigando a relação entre os fatores emocionais e
ambientais como desencadeadores do medo de dirigir. Como resultado, observamos
que as hipóteses foram comprovadas, o que mostra a apresentação e análise dos
dados. Assim, identificamos a relação entre as vítimas de acidente de trânsito, bem
como imprudência e violência por parte dos condutores, com o medo de dirigir,
pontuando tais fatores como desencadeadores do medo de conduzir veículos.
Palavras-chave: Medo de dirigir. Trânsito.
8
ABSTRACT
The act of driving for some is a difficult barrier to overcome, because depending on
how you feel at that moment or psychological conditions in which they present, may
be experiencing a real scene of terror. Thus, responding to the problem, this
research will seek to identify the key factors that generate the individual fear of
driving, considering that making use of a vehicle is nowadays synonymous with need
and comfort. Thus , the study aims to understand the factors that trigger, individuals,
fear of driving, identifying those that generate the fear of driving on some people in
the municipality of Cajazeiras -PB, investigating the relationship between emotional
and environmental factors as causes of the fear of driving. As a result, we observe
that the hypotheses were proven, which shows the presentation and analysis of data.
Thus, we identify the relationship between the victims of traffic accidents, as well as
violence and recklessness on the part of drivers, with the fear of driving, scoring such
factors as triggers of fear to drive.
Keywords:Fearof driving. Transit.
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LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 01 – Esquema do circuito cerebral do medo. ................................................. 17
Figura 02 – Representação da crise de ansiedade. ................................................. 22
Gráfico 01 – Distribuição percentual do gênero dos motoristas entrevistados. ........ 32
Gráfico 02 – Representação percentual da faixa etária dos participantes. ............... 33
Gráfico 03 - Representação percentual da escolaridade etária dos participantes.... 33
Gráfico 04 – Principais fatores causadores do medo de dirigir, em porcentagem. .... 34
Gráfico 05 – Distribuição percentual dos participantes que já vivenciaram o medo
de dirigir. .............................................................................................. 35
Gráfico 06 – Motivo pelo qual o motorista desenvolveu o medo de dirigir. ............... 35
Gráfico 07 – Distribuição percentual dos motoristas entrevistados que encontramse tentando vencer o medo de dirigir. .................................................. 36
10
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 11
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................. 13
2.1 Medos e Fobias ................................................................................................ 13
2.1.1 Ansiedade e Medo ......................................................................................... 15
2.1.2 Fobias e Pânico ............................................................................................. 18
2.2 O Medo de Dirigir ............................................................................................. 23
2.2.1 Vencendo o Medo de Dirigir ......................................................................... 27
3 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................... 30
3.1 Ética ................................................................................................................... 30
3.2 Tipo de Pesquisa .............................................................................................. 30
3.3 Universo ............................................................................................................ 30
3.4 Sujeitos e Amostras ......................................................................................... 31
3.5 Instrumento de Coleta de Dados .................................................................... 31
3.6 Procedimentos para Coleta de Dados ............................................................ 31
3.7 Procedimento para Análise dos Dados .......................................................... 31
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................ 32
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 37
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 38
APÊNDICE ................................................................................................................ 40
ANEXOS ................................................................................................................... 42
11
1 INTRODUÇÃO
As pessoas estão sempre indo de um lugar para outro. E, ao longo da história da
humanidade sentiu a necessidade de encurtar essa distância, surgindo assim, os
primeiros meios de transportes, o que acarretou no futuro, o crescimento das
cidades, situação que levou a necessidade de organização do trânsito. Entretanto,
as leis de trânsito não foram o suficiente para combater a violência e desrespeito
para com o outro que apareceram juntamente com o desenvolvimento. Quanto mais
pessoas, mais carros, estradas, tráfego e, consequentemente, mais problemas.
Todo esse crescimento e comodidade trouxeram também situações de
desconforto, de medos, de traumas. O que para uns era comodidade, para outros
começou a ser um tormento. Sentir medo é inerente aos seres humanos e aos
animais, e pode ser considerado um mecanismo de defesa quando acontece na
medida certa. Se não sentíssemos medo de nada, nos tornaríamos vulneráveis
diante do perigo. Sem o sentimento de medo estaríamos desprotegidos. Contudo,
quando essa sensação ultrapassa a proteção, torna-se algo patológico.
Assim, como é comum sentirmos medo, também é normal que nos sintamos
inseguros ao nos depararmos dentro de um carro, segurando o volante para darmos
a partida pela primeira vez. Sabemos que o medo é um sentimento de defesa, sem
ele estaríamos completamente desprotegidos.
O ato de dirigir para alguns é uma barreira difícil de ultrapassar, pois dependendo
como se sinta naquele momento ou das circunstâncias psicológicas em que se
apresente, poderá está vivenciando uma verdadeira cena de terror. Com isso, vêm
as desculpas, as fugas, alimentando o medo afastando-se da situação estressora.
Sudorese, taquicardia, falta de ar são alguns sintomas que costumam se
apresentar quando sentimos medo, estamos ansiosos ou apresentando um quadro
fóbico.
Assim como é comum sentirmos medo, também é normal que nos sintamos
inseguros ao nos depararmos dentro de um carro, segurando o volante para darmos
a partida pela primeira vez.
As causas que nos levam a desenvolver o medo da direção, de enfrentar o
trânsito, podem está relacionado a vários fatores, motivo pelo qual nos levou a
direcionarmos o estudo a partir da seguinte problemática: Quais fatores geram nos
indivíduos o medo de dirigir?
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Destarte, diante de tal problemática, buscaremos com esta pesquisa identificar
os principais fatores que geram no indivíduo o medo de dirigir, considerando que
fazer uso de um veículo é, nos dias atuais, sinônimo de necessidade e conforto.
Partiremos das hipóteses de que experiências traumáticas vivenciadas no trânsito
desenvolvem o medo de dirigir; a insegurança é um dos fatores emocionais que
desencadeia, no indivíduo, o medo de conduzir veículos; e o trânsito caótico é um
dos fatores ambientais geradores do medo de dirigir em alguns indivíduos.
Através de uma pesquisa de campo, pretendemos identificar os principais fatores
que geram o medo de dirigir em algumas pessoas no município de Cajazeiras-PB e
investigar
a
relação
entre
os
desencadeadores do medo de dirigir.
fatores
emocionais
e
ambientais
como
13
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Medos e Fobias
Quando estamos diante de uma situação onde percebemos o perigo, gera em
nós um sentimento de ansiedade, que se for intenso, nos impede de percebermos o
real perigo, estabelecendo assim, riscos sociais, despertando o medo e,
posteriormente a fobia.
Segundo o Dicionário Técnico de Psicologia, a ansiedade é o estado
emocional desagradável e apreensivo, suscitado pela suspeita ou previsão de um
perigo para a integridade da pessoa; o medo é o estado emocional de agitação
inspirado pela presença, real ou pressentida, de um perigo concreto; e a fobia é a
aversão ou medo psiconeurótico a objetos ou situações particulares (CABRAL,
NICK, 2006).
Ansiedade e medo, conforme Sadock e Sadock (2007), são sinais de alerta,
advertência. Entretanto, a ansiedade refere-se a uma resposta a uma ameaça
desconhecida, interna, vaga e conflituosa, podendo ser adaptativa e protetora
quando em níveis mais baixos; e o medo é uma resposta a uma ameaça conhecida,
externa, definida e sem conflitos. Já a fobia (ANDRÉ, 2007) é caracterizada por
alguns sintomas, como um medo intenso, muitas vezes incontrolável, provocando
evitamento ou a fuga do confronto com objetos ou com situações fobógenas, mas
não provocam um risco de vida, no entanto, podem destruir a qualidade de vida de
uma pessoa.
Mestre e Corassa (2000), no artigo Da ansiedade à fobia, publicado na
Revista Psicologia Argumento, propõe, com base em Bernick (1989), que a
ansiedade geralmente é vivenciada como uma sensação de apreensão em
decorrência de algum perigo futuro que não esteja bem definido, tendo como
principal função a sobrevivência, manifestando-se de quatro maneiras diferentes:
fuga, imobilidade, agressão e submissão. As autoras fazem a seguinte análise
acerca dessas manifestações:
FUGA: normalmente associada à emoção conhecida como “medo”, é a
reação típica mais frequente. Ela pode ser ativa, quando o indivíduo evita
uma situação presente que lhe causa aversão. Pode também ser passiva,
que é quando evitamos qualquer coisa que tenha sido associada a antigas
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punições. Os quadros fóbicos (ou pré-fóbicos) podem servir como exemplo
nesses casos.
IMOBILIDADE: se a fuga pela ação não é possível, então fugimos pela
omissão. Nesse caso, aparece o desmaio (com bradicardia e queda de
temperatura corporal, que são associadas à palavra “negação”). Quando o
perigo é iminente e incontrolável, súbito e potencialmente letal, o
organismo pode desenvolver tal tipo de fuga. Há registro de mortes por
parada respiratória ou cardíaca (”morte de susto”) e de outros casos em
que o indivíduo desenvolve paralisias funcionais parciais ou gerais.
DEFESA AGRESSIVA X AGRESSÃO: Ambas as situações são formas de
fuga a ansiedade (ou ao estímulo) que o desencadeou. Na defesa
agressiva, o indivíduo “blefa” com uma postura corporal agressiva contra
atacantes potencialmente perigosos. É uma atitude de “risco”, que os
animais tomam apenas em situações extremas como, por exemplo: quando
uma fêmea de coelho defende os filhotes contra uma raposa, ela apresenta
uma postura de coluna vertebral arqueada, o que faz seu tamanho
aparentar ser bem maior. Aparece também entre animais da mesma
espécie, quando, por exemplo, uma mãe defende o filho contra o pai que o
ameaça, colocando-se a sua frente e alargando seu tórax de modo a
“esconder a cria” atrás de si. Nós, seres humanos, primatas superiores,
herdamos o contato visual direto como uma forma de comunicar
superioridade e gerar ansiedade social nos membros mais inseguros e/ou
inexperientes.
Já a agressão ocorre em última instância. É sabido que os animais ditos
“inferiores” só agridem quando não tem outra forma de fugir do ataque a
que se julgam ou estão submetidos.
As agressões no homem são mais frequentes que nos demais primatas. As
“defesas agressivas” verbais e posturais logo se caracterizam em ataques
verbais ofensivos e/ou corporais lesivos, os quais levam a imobilização do
oponente.
SUBMISSÃO: é o oposto da postura de ameaça e visa desviar a “intenção”
de ataque. Há várias situações em que vemos, em nossa sociedade, o ser
humano usando de estratégias “diplomáticas” que “desarmam” o seu
agressor. É preciso diferenciar dois tipos de submissão: a real e a
estratégica. Na real, o indivíduo se abandona ao agente estressor, deixa de
lutar e se crê realmente um perdedor. Desiste. Deprime-se. Na estratégica,
o organismo avalia suas chances, analisa a situação, observa seu opressor
e tenta descobrir maneiras de conhecê-lo melhor. Para isso ele precisa de
tempo e ganha esse tempo tornando-se aparentemente submisso. (Essa
estratégia só é possível entre indivíduos da mesma espécie; quando
ocorre na natureza, raramente o submisso sobrevive).
Segundo André (2007), o medo provoca o surgimento de diversas emoções,
como ansiedade, angústia, susto, pânico. O autor descreve ansiedade como um
medo antecipado; vivência associada à expectativa, ao pressentimento ou à
proximidade do perigo. Quanto à fobia, é uma doença, medo intenso e muitas vezes
associadas a situações não perigosas.
Para Ponde (2011):
Contrariamente ao postulado por outras perspectivas, o conceito de medo
em Winnicott não concorda com uma origem inata de etiologia instintiva
como a atribuída ao animal, que o possui como um equipamento para a
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sobrevivência. O indivíduo nasce e, a partir daí, são suas experiências no
mundo e com o mundo que formam seu repertório. Posteriormente, esse
repertório experiencial é acrescido do conjunto de ideias e associações a
respeito da experiência: as fantasias. As ansiedades envolvidas nas
experiências relacionais e instintuais, fantasias e emoções da criança são
da ordem do normal, desde que os cuidados e o ambiente realizem sua
tarefa de sustentação e manejo (cf. 1964a/1982, pp. 140-147). Caso
contrário, dos conflitos surgem as organizações defensivas e as defesas,
das quais o medo faz parte. O conceito de medo winnicottiano aponta para
uma condição existencial à medida que estabelece uma possibilidade de o
indivíduo continuar existindo, amenizando as ansiedades intoleráveis.
Dessa forma, parindo das definições apresentadas, é notória a relação tênue
entre o medo, a ansiedade e a fobia. O medo, que ao mesmo tempo nos protege,
pode levar a patologias graves, como os transtornos de ansiedade.
Assim sendo, faz-se necessária a clarificação de cada um desses
sentimentos, identificando o que está dentro da normalidade ou já chegou ao
patológico, pois se fazem parte de nossa vida, não podemos permitir que isso nos
leve ao descontrole e a uma vida cheia de entraves.
2.1.1 Ansiedade e Medo
Quando a ansiedade ultrapassa a defesa, a proteção torna-se patológica,
levando os indivíduos a desenvolver os mais variados tipos de fobias. “A vida, o
trabalho e as relações cotidianas podem tornar-se cada vez mais perturbados por
esses sentimentos desagradáveis que não podem ser controlados.” (BAKER, 2001).
“É preciso dar ouvidos a seus medos: eles são um precioso sistema de
alarme diante dos perigos. Mas não é bom submeter-se a eles: às vezes
esse sistema fica desregulado. Como uma espécie de alergia, um medo
pode tomar corpo e transforma-se em fobia.
Não temos culpa pelos nossos grandes medos, os medos excessivos,
incontroláveis, como também não temos culpa por sermos alérgicos,
diabéticos ou asmáticos.
Não escolhemos ter medo, e menos ainda ter muito medo. Mas podemos,
por outro lado, decidir compreendê-lo melhor, e assim prepararmos-nos
melhor para lidar com ele...” (ANDRÉ, 2007)
Os sintomas de ansiedade podem ser naturais diante de situações novas e
desconhecidas, conforme Cabrera e Sponholz (2006), citado por Guedes et al
(2012) aansiedade faz parte do desenvolvimento humano, e é experienciada de
forma particular por cada sujeito, sendo um sinal de alerta diante da ameaça
deperigo iminente. Essa perspectiva permite que o ser humano se adapte as
16
maisvariadas
condições,
muito
embora
algumas
mudanças
possam
causardesconfortos nos mais variados graus.
Os transtornos de ansiedade fazem parte de um dos grupos mais comuns de
doenças psiquiátricas (SADOCK e SADOCK, 2007). O DSM-IV-TR, apresenta uma
lista de 12 transtornos de ansiedade: transtorno do pânico com agorafobia;
transtorno do pânico sem agorafobia; agorafobia sem histórico de transtorno de
pânico; fobia específica; fobia social; transtorno obsessivo-complusivo; transtorno de
estresse pós-traumático; transtorno de estresse agudo; transtorno de ansiedade
generalizada; transtorno de ansiedade devido a uma condição médica geral;
transtorno de ansiedade induzido por substâncias.
Com base no DSM-IV, o sujeito vivencia um medo acentuado, persistente e
excessivo ou irracional na presença ou previsão do conforto com determinado objeto
ou situação. O foco do medo pode envolver a previsão de um dano causado por
algum aspecto do objeto ou situação, como por exemplo, ter medo de dirigir por
preocupações envolvendo colisão com outros veículos na estrada.
De acordo com a Psicanálise, a separação entre medo e ansiedade é
psicologicamente justificável. A emoção causada por um carro que se aproxima com
rapidez à medida que o sujeito atravessa a rua, é diferente de um desconforto vago
que se pode experimentar quando alguém uma nova pessoa em ambiente estranho.
A diferença psicológica principal entre as duas respostas emocionais é a condição
súbita do medo e a condição indiciosa da ansiedade (SADOCK e SADOCK, 2007)
Precisamos dar atenção ao medo, mesmo sendo aqueles considerados
normais, pois eles são o indicativo de algum perigo. O medo nos protege. Mas, de
acordo com André, (2007) não é saudável submeter-se a eles, porque as vezes esse
sistema de defesas fica desregulado, tomando um rumo difícil de controlar, saindo
de protetor a vilão, transformando-se em fobia. Não se escolhe ter medo, e muito
menos um medo excessivo, sem controle.
O medo é uma reação orgânica. O circuito cerebral do medo, de acordo com
André (2009), é atualmente bastante conhecido. Nossos órgãos sensoriais recebem
as informações do ambiente indicando a presença ou a possibilidade de um perigo.
Tais informações acionam a amídala cerebral, que lança um primeiro alarme
corporal, sob a forma de uma reação de posição de tensão. A pertinência deste
alarme é avaliada por várias estruturas cerebrais, próximas da amídala, envolvidas
no "circuito do medo", em especial o hipocampo, uma zona pertencente ao cérebro
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emocional, que age independente da vontade, e também o córtex pré-frontal, que
age apenas em parte conforme a vontade.
Portanto, conforme o autor, se por algum motivo o hipocampo e o córtex préfrontal, não interrompem o alarme disparado pela amídala, o medo surge e o pânico
se instala. A figura 1 retrata o que aqui foi descrito.
Figura 01 – Esquema do circuito cerebral do medo.
Fonte: : (ANDRÉ, 2009, P. 76)
18
Nos medos patológicos a amídala detém o comando. Esse fenômeno tem
várias causas e, em geral, refere-se a predisposições temperamentais ou a
experiências de vida traumatizantes, pois a amídala memoriza perfeitamente as
experiências e condicionamentos do medo. (ANDRÉ, 2009)
No que se refere aos fatores psicossociais, tanto as teorias cognitivocomportamentais quanto as psicanalíticas, explicam a patogenia do transtorno de
pânico. Para a primeira, a ansiedade é uma resposta aprendida tanto pelos
comportamentos dos pais, quanto pelo condicionamento clássico. Postulam também
a ligação entre a sensação de sintomas somáticos menores e a geração de um
ataque de pânico. Já a segunda concebe os ataques de pânico como resultado de
uma defesa malsucedida contra os impulsos que provocam ansiedade. (SADOCK e
SADOCK , 2007)
2.1.2 Fobias e Pânico
O termo fobia vem do grego, fóbos, que significa medo e pânico,
constrangimento psíquico que cria certa espécie de temor fóbico em relação a
determinada pessoa, atos, objetos, lugares. Está no quadro da vida psíquica
patológica. (SANTOS, 2008). A fobia refere-se ao medo excessivo do objeto,
circunstância ou situação específica. A fobia específica é o medo intenso e
persistente. É o transtorno mais comum entre as mulheres e o segundo mais comum
entre os homens.
A diferença entre Fobia e a Ansiedade, segundo Falcone (1995), citado por
Guilhardi e Queiroz (2001), é basicamente quantitativa; depende de quanto tempo
dura o episódio de ansiedade, o quanto de ansiedade a pessoa experimenta, a
frequência em que esta ocorre, em que nível o comportamento evitativo disfuncional
é precipitado pela ansiedade e como é a avaliação dada pela pessoa que está
ansiosa. Na fobia, há uma ansiedade generalizada que se tornou específica no
momento em que a pessoa identifica em um determinado foco o objeto de sua
aversão.
A fobia, conforme Santos (2008) é um sentimento onde o objeto causador se
materializa, como fobia de cobra, barata, elevador, enquanto que o pânico é a
exacerbação do medo e da fobia por aproximação do objeto causador em
determinadas condições, como por exemplo, o medo de dirigir automóveis.
19
Segundo cita Sadock e Sadock (2007), a principal função da ansiedade é
sinalizar para o ego que um impulso inconsciente proibido está forçando sua
expressão para a consciência, a fim de que fortaleça e reúna suas defesas contra a
força instintiva ameaçadora, e, que a histeria de ansiedade, como se referia a fobia,
era um resultado de conflitos centrados em uma situação edípica de infância não
resolvida.
Na Fobia Específica, conforme os critérios do DSM-IV, as principais
características diagnósticas são:
A. Medo acentuado e persistente de objetos ou situações claramente
discerníveis e circunscritos;
B. A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, imediata
resposta de ansiedade;
C. Adolescentes a adultos com o transtorno podem reconhecer que seu temor é
excessivo e irracional;
D. Com maior frequência o estímulo fóbico é evitado, embora às vezes seja
suportado com pavor;
E. O diagnóstico é apropriado apenas se a esquiva, o medo ou a antecipação
ansiosa do encontro com o estímulo fóbico interferem significativamente na
rotina diária, no funcionamento ocupacional ou na vida social do indivíduo, ou
se ele sofre acentuadamente por ter a fobia;
F. Em indivíduos com menos de 18 anos, os sintomas devem ter persistidos por
pelo menos 6 meses antes de a Fobia Específica ser diagnosticada;
G. Ansiedade, Ataques de Pânico ou esquiva fóbica não são mais bem
explicados por um outro transtorno mental.
Para entender melhor a diferença entre medo e fobia, partiremos do exemplo
apresentado por André (2009),
Imaginemos que você tenha uma adega em sua casa. Não lhe agrada a
sensação de entrar nela, pois pode haver aranhas, mas a perspectiva de
pegar uma boa garrafa de vinho para receber os seus convidados lhe dá
motivos para superar o medo de aranhas. Da mesma forma, você não
começa a tremer de medo só de pensar em passar o fim de semana com os
amigos no campo, com medo de encontrar alguma aranha na varanda.
Além do mais, se você encontrar uma, a esmagará com o pé sem piedade.
Por outro lado, se você tiver fobia de aranha, você recusará formalmente
entrar naquele quarto cheio de coisas antigas para procurar as velhas fotos
de família, até mesmo sob ameaça. A ideia de ir de férias a um país exótico,
povoado de aranhas enormes, vai lhe atormentar a alma com vários meses
20
de antecedência. E se você se encontrar cara a cara com uma aranha
dessas, seu medo será tão grande que talvez nem consiga matá-la.
O autor mostra a fobia vai muito além de um medo que te protege, ou que
você é capaz de enfrentá-lo dependendo da situação. Conforme o mesmo autor, as
fobias não se caracterizam apenas pela presença de medos excessivos, mas se
manifestam como doenças do medo, com sua dinâmica própria. Uma vez
manifestadas, elas tendem a se estabelecer, tornando-se crônicas e, mesmo no
caso das mais severas, agravar-se e estender-se.
Para Baker (2001) ter emoções de medo depende de acreditarmos ou não
que o perigo existe. Se cremos que o perigo não existe, o corpo não reagirá, mas se
acreditamos na eminência do perigo, mesmo que não seja real, o corpo reagirá
igualmente se o perigo realmente estivesse lá. Tudo depende da avaliação que se
faz do perigo. Veja isso na imagem a seguir:
Para Barros Neto (2010), citado por Moreira (2011), o medo deve ser
entendido como um atributo saudável, imprescindível e que protege o ser humano
dos perigos que o cercam. Esta emoção, deve, portanto, estar presente em uma
intensidade ideal, nem mais, nem menos. Quando o medo é excessivo, ou quando
ocorre em situações em que a maior parte das pessoas não o manifestariam,
tornando-se exagerado ou irracional, passa a ser um medo patológico.
De acordo com a avaliação de perigo de Baker (2001) mostrada nas figuras
09, 10 e 11, vê-se a avaliação de perigo quando ele realmente existe; o fracasso em
avaliar o perigo quando realmente está presente; e a avaliação do perigo quando, de
fato, ele não ocorre. No caso de pessoas com Pânico, recai na última opção, pois o
perigo realmente não existe, mas as reações orgânicas e psicológicas são as
mesmas de quem está diante de uma situação de perigo real, a diferença está na
crença ou avaliação equivocada do perigo.
O transtorno de pânico, com base em SadocK e Sadock (2007), se
caracteriza pela ocorrência espontânea e inesperada de ataques de pânico, que são
períodos distintos de medo intenso que podem variar de vários ataques por dia a
apenas poucos por ano. Costuma vir acompanhado de agorafobia, que se refere ao
medo de ficar sozinho em lugares públicos. Segundo os autores, a agorafobia pode
ser
considerada
a
mais
impactante
das
fobias,
por
interferir
direta
e
significativamente na capacidade de desempenho do sujeito no trabalho e em
situações sociais fora de sua casa.
21
Para Trinca (1992) a personalidade fóbica possui a peculiaridade de pôr em
xeque seu centro de sustentação interna, que dá consistência ao ser, resultando em
um processo de desestabilização das bases da identidade pessoal. Quando isso
acontece, ocorrem rupturas mais ou menos amplas nos vínculos de equilibração e
se enfraquecem os comandos diretores da personalidade e os princípios que
definem e orientam o fato de uma pessoa ser ela mesma.
Entretanto, Ribeiro (2013) esclarece, figura 02, que a ansiedade pode se
manifestar em crise abrupta e intensa, ou seja, um ataque de pânico. Uma onde de
sensações desagradáveis, como impressão de asfixia, dor no peito, dormência dos
membros, receio de enlouquecer ou mesmo de morrer, que se inicia e atinge seu
pico em poucos minutos. A ilustração a seguir, apresentada pela referida autora, na
reportagem Em pânico!apresentada na revista Mente e Cérebro, nº 249, de 2013,
descreve como ocorre uma crise de pânico.
22
Figura 02 – Representação da crise de ansiedade.
Fonte: Ribeiro (2013)
Para Salum etall. (2009) além do sofrimento psíquico e do prejuízo funcional
vivenciado pelos pacientes com transtorno de pânico, ele está associado a uma
23
série de outros desfechos que, empiricamente, justificam seu tratamento como um
problema de saúde pública. Pacientes com transtorno de pânico têm maiores taxas
de absenteísmo e menor produtividade no trabalho; maiores taxas de utilização dos
serviços de saúde, procedimentos e testes laboratoriais; um risco aumentado,
independente das comorbidades, de ideação de suicídio e de tentativas de suicídio;
e, em mulheres pósmenopáusicas, parece estar relacionado à morbidade e
mortalidade cardiovasculares. No entanto, cabe ressaltar que a associação com
mortalidade cardiovascular ainda é controversa e pode se restringir a uma
população específica.
2.2 O Medo de Dirigir
As pessoas estão sempre indo de um lugar para outro. E, ao longo da história
da humanidade sentiu-se a necessidade de encurtar essa distância, surgindo assim,
os primeiros meios de transportes. Contudo, “o crescimento das cidades foi
marcado, como anéis de uma árvore, pelos avanços nos meios de transporte”
(VADERBILT, 2009, p. 131). Com isso, surgiu a necessidade de se organizar o
trânsito, e logo vieram às leis. Entretanto, isso não foi o suficiente para combater a
violência e desrespeito para com o outro. Quanto mais pessoas, mais carros,
estradas, tráfego e, consequentemente, mais problemas.
O trânsito configura-se como um ambiente artificial, criado para suprir as
necessidades sociais e técnicas do desenvolvimento humano, afirma Viecili (2011),
acrescentando que as situações promovidas pelo ato de transitar desperta nos
indivíduos um certo nível de ansiedade, variando de acordo com cada um em
decorrência do sentimento de perigo despertado pelas circunstâncias da via, do
carro ou do próprio homem.
Entrar no caro, tocar no volante, olhar em frente. Pronto. Paralisia total. É o
que acontece com algumas pessoas que, mesmo com a Carteira Nacional de
Habilitação em mãos, não se sentem preparadas para enfrentar o trânsito. O medo
falou mais alto. Fazemos todos os testes. Somos aprovados. Estamos prontos para
dirigir. A Carteira Nacional de Habilitação foi entregue. E agora? Para algumas
pessoas isso não é suficiente. Ao contrário do que se pensa, é nesse momento em
que os problemas iniciam. Enfrentar o medo é a maior de todas as provas. A
habilidade de dirigir um veículo representa um componente fundamental para uma
24
vida independente, segundo Schultheis&Mourant (2001), citado por Paiva, etall
(2007). Desta forma, o medo de dirigir pode causar grande impacto na vida pessoal
do sujeito, afetando seu trabalho, lazer, e inclusive atividades domésticas
Algumas pessoas apresentam importante restrição em suas vidas, ao ponto
de evitarem atividades normais como a ida ao supermercado ou dirigir. Cerca de um
terço dos pacientes fica isolado em sua casa ou é incapaz de enfrentar situações
consideradas ameaçadoras, requisitando frequentemente um acompanhante para
sair de casa. Quando a condição progride a este ponto, chamamos de agorafobia ou
medo de espaços abertos, que é uma complicação do quadro. (VALENTE e MELO,
2012)
O medo, segundo André (2007) é um alarme eficiente e calibrado tanto em
sua ativação como em sua regulação ou normalização. Segundo o autor, em sua
ativação, o alarme do medo somente dispara com um bom motivo, diante de um
perigo real e não diante de uma eventualidade ou da lembrança de um perigo.
Se o sujeito está dirigindo em uma rua muito movimentada, é comum que se
tenha algum medo, o que gera mais atenção na direção, mas não o impede de
continuar, de seguir em frente. Em um medo desregulado, o sujeito pode ter uma
crise de pânico e ficar paralisado.
O medo ou fobia de dirigir tem características bem peculiares, como explica
Bellina (2009), as quais não percebemos em outros tipos de medo.
Primeiramente, o medo de dirigir pode ter diferentes vertentes ou estímulos,
uma vez que dirigir é uma atividade múltipla e que envolve uma enorme
gama de comportamentos. Dessa forma, há pessoas cujo medo refere-se
especificamente à possibilidade da perda do controle da máquina, para
outras o que causa ansiedade é atropelar alguém, passar por túneis ou
viadutos. Há, ainda, o fator da exposição que pode fazer a pessoa
apresentar os medos de ser observada, criticada ou dar vexame. (BELLINA,
2009)
Dirigir é um comportamento aprendido, que envolve habilidades específicas.
Para aqueles que desenvolvem algum tipo de medo ou fobia, esse comportamento
gera ansiedade e descontrole.
Outro aspecto relevante, segundo Bellina (2009), é o fato de que o sujeito é o
responsável por conduzir exatamente aquele objeto que lhe causa medo. Tomado
pela ansiedade própria deste problema, este sujeito perde as condições necessárias
para o desempenho do comportamento de dirigir.
25
O medo de dirigir é uma Fobia Específica, como medo de altura, de ratos, de
cobras. Enfim, um medo de algo real.
Os primeiros sintomas de uma Fobia Específica geralmente acontecem na
infância ou no início da adolescência, e podem ocorrer em idades mais precoces em
maior percentual nas mulheres que nos homens. A idade média de início varia de
acordo com o tipo de fobia. O medo de um estímulo em geral está presente durante
algum tempo antes de se tornar suficientemente perturbador ou incapacitante para
ser considerado uma Fobia Específica.
Segundo a psicóloga Neusa Corassa (2000), as pessoas que têm medo de
dirigir, são, em sua maioria, mulheres entre 30 e 45 anos, decididas, sensíveis,
inteligentes, com carteira de habilitação, independência financeira e com carro na
garagem, contudo, são muitos exigentes na vida diária, ao ponto de não aceitarem a
possibilidade de errarem, associando a fobia de direção à fobia social, apresentada
pelo receio de errar e passar por desaprovações.
As possíveis causas estão relacionadas, segundo Corassa (2000), a direção
masculina - relação entre homem e a direção da casa, dos negócios, da família;
modelos - pessoas com mais de 30 anos tem como modelo de figuras masculinas
dirigindo demonstrando poder associado ao carro; e presentes - onde (hoje acontece
menos) meninas brincam com bonecas e meninos com carrinhos.
O medo, que tem como função nos proteger do perigo, pode adquirir um
caráter desadaptativo e quantitativamente desproporcional, dando origem a uma
psicopatologia (PICCOLOTO, PERGHER, WAINER, 2004), dessa forma, é notório
que situações estressantes, traumas gerados no ato da direção, baixa autoestima,
insegurança, estresse no trânsito, podem gerar um quadro fóbico, desenvolvendo,
assim, entre outros medos, o de direção. É o que veremos a seguir no relato descrito
por Bellina (2009), em seu livro Dirigir sem medo. O objetivo de apresentar aqui este
caso é para mostrar que o medo não nasce com o indivíduo, que nem sempre
aquele medo específico fez parte da vida daquela pessoa, ela pode-se desenvolvêlo a partir de algo concreto, como por exemplo uma situação traumática:
Desde muito cedo, sempre tive verdadeira paixão por dirigir. Lembro-me bem de,
ainda menina, passar horas dentro do carro de meu pai estacionando na garagem,
fingindo que guiava por aí... Além disso, sempre observava tudo que os adultos
faziam quando estavam ao volante, e estava sempre pronta a bombardeá-los com
minhas perguntas sobre as marchas, os pedais e tudo mais...
26
Quando, enfim, cheguei aos dezoitos anos de idade, coisa que sempre demora a
qualquer adolescente que adora dirigir, não tive nenhum problema para tirar a minha
habilitação e fui aprovada de cara. Senti-me então extremamente feliz. Agora eu já
podia pegar meu carro e sair para qualquer lugar que quisesse. Adorava viajar,
pegar estradas e conhecer lugares novos. Estava sempre para cima e para baixo em
meu carro...
Por outro lado, já desde então eu observava que nem com todos era assim. Para
muita gente que eu conhecia, tantos amigos meus como membros da minha família,
dirigir não era prazeroso como era pra mim. Para alguns parecia ser mesmo um
verdadeiro fardo. Alguns amigos meus, lembro-me bem, chegavam a enfrentar
verdadeiras crises existenciais pelo fato de estarem chegando aos dezoito anos e
sentirem verdadeira "paúra" por terem que dirigir. Não que a rigor o tivessem, mas
havia toda aquela pressão social que os cobrava chegar aos dezoito anos e tirar
carteira de motorista...
Como adorava dirigir, fui me tornando uma pessoa solicitada para fazer favores que
necessitassem de alguém ao volante... Se minha avó tinha que ser levada ao
médico, lá ia eu... Se era preciso comprar algo no supermercado, lá ia eu... Se a
turma tinha que se reunir para fazer um trabalho na casa de alguém, lá ia eu buscar
e levar todo mundo... No que se refere aos amigos a que acima me referi, comecei a
ser também muito solicitada para ajudá-los. Se estivesse receoso por ter que pegar
o carro sozinho pela primeira vez, eu era a pessoa certa para acompanhá-lo, e o
interessante é que aquilo era algo que eu gostava de fazer e, considerando as
reações, fazia muito bem-feito. Cheguei a ter fama entre minha turma como sendo
uma boa companhia para os iniciantes em dirigir...
Minha vida, como a de todos nós, tem passagens interessantes, momentos
desagradáveis e não, alegres e tristes.
Após vivenciar uma situação de extrema ansiedade desenvolvi um quadro de
estresse pós-traumático. Comecei a apresentar uma série de sintomas, que após a
ocorrência do fato em si, não eram ligados a nenhum motivo real.
Não aguentando mais aquele sofrimento, saí em busca do melhor tratamento
profissional para o meu problema. Sendo eu própria uma psicóloga, não tive
qualquer dificuldade em localizar e contactar os melhores profissionais da área.
Iniciei um trabalho com um excelente terapeuta que me fora indicado. Não fazia
ideia de como a minha vida iria mudar...
27
O caso descrito é mais comum do que se imagina. A menina gostava de
dirigir, sonhava com isso durante a sua infância e adolescência, ajudava os amigos
e familiares que não sabiam ou não podiam se locomover dirigindo o seu próprio
carro. Indagava o porquêde aquelas pessoas sentirem pavor de algo tão prazeroso.
Até que, por um trauma, passou a vivenciar exatamente aquela situação que não
compreendia. Um sentimento de medo tomou conta, invadiu a sua vida. Precisava
procurar ajuda.
O medo patológico pode invadir, subitamente, a vida das pessoas. No caso
aqui apresentado, não foi diferente. Mesmo que não tenho sido especificamente o
medo de dirigir que a afligiu, uma situação traumática a tirou de sua rotina. O medo
agora era parte do seu dia a dia. A nossa personagem logrou êxito, mas
lamentavelmente não é o que acontece com boa parte das pessoas.
Porém, caso não se procure ajuda ou tenha interesse em vencer o medo ou
fobia, o indivíduo dificilmente logrará êxito, passando a ser vítima da sua fobia. As
pessoas que sentem medo utilizam as mais variadas formas para fugir da realidade,
com desculpas sobre a dificuldade em dirigir ou para dividir espaço com outras
pessoas, o que é necessário que ocorra no trânsito.
Fugir não é a solução mais apropriada. Se permitirmos que o medo nos
domine, estaremos nos propiciando uma vida amedrontada, como se estivéssemos
em um filme de terror. Sem perspectivas e dependendo dos outros para atividades
diárias, nos anulamos. É o fim.
2.2.1 Vencendo o Medo de Dirigir
As pessoas que não assumem o medo de dirigir e que precisam, na maioria
dos casos, de ajuda profissional, fazem uso das mais variadas formas de desculpas,
mentindo para si, para os familiares e amigos, com o objetivo de evitar as críticas
constantes. É comum ouvirmos de quem tem fobia de direção: “Gosto de andar a pé;
Dirigir é muito complicado; o meu carro é grande demais;” entregando-se ao medo,
tornando-se assim, dependente de tudo e de todos, com uma vida cheia de
limitações.
A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais
indicadas para quem deseja vencer os seus medos. A TCC baseia-se no modelo
cognitivo, que levanta a hipótese de que as emoções e comportamentos das
28
pessoas são influenciados por sua percepção dos eventos, ou seja, o modo como as
pessoas se sentem está associado ao modo como elas interpretam e pensam sobre
uma situação (BECK, 1997).
O tratamento com a TCC também pode acontecer em grupo. Segundo
estudos de White e Freeman (2003), a vantagem está relacionada ao fato
fundamental de que o próprio grupo é que gera a sua resposta adaptativa.
Inicialmente aprendem juntos, compartilham seus medos, suas frustrações,
percebem que os outros podem apresentar as mesmas dificuldades, e, em seguida
se preparam para aplicar individualmente o que foi trabalhado em grupo.
A psicóloga Neuza Corassa (2000) apresenta em seu livro Vença o medo de dirigir,
algumas dicas para quem deseja superar o seu medo e proporcionar a si mesmo
uma vida mais saudável psicologicamente. Vejamos a Quadro 01:
Quadro 01 – Dicas práticas para você vencer o medo de dirigir.
10 DICAS PRÁTICAS PARA VOCÊ VENCER O MEDO DE DIRIGIR
1)Procure trabalhar sua respiração. O ansioso respira muito rápido e “curto” apenas com o tórax e não da forma correta envolvendo também o abdômen.
De boca fechada, inspire lentamente pelo nariz e vá sentindo o ar chegar até
os seus pulmões. Depois expire devagar pela boca.
2)Faça algum tipo de atividade física ou relaxamento muscular, para produzir
endorfinas que irão neutralizar a química da ansiedade noradrenalina.
3)Inicie uma aproximação com o carro dentro da garagem. Entre, ajuste o
banco, sinta o espaço interno, ligue e desligue o carro.
4)Ainda dentro da garagem, ligue o carro e faça pequenos movimentos para
frente e para trás.
5)Dê voltas no quarteirão em horários sem movimento. Procure ruas
tranquilas e que não tenham crianças.
6)No começo, escolha um ou dois trajetos. Isto evitará ansiedade.
7)Marque em sua agenda, pelo menos duas vezes por semana para praticar
o exercício de dirigir. Esta prática deve ser considerada como uma tarefa do
dia-a-dia. O hábito diário fará você adquirir confiança.
8)Quando se sentir confiante, inicie trajetos maiores ou que tenham subidas
e uma maior quantidade de veículos.
29
9)Não se assuste com os sintomas da ansiedade que se manifestarão no
seu corpo: tremedeira, taquicardia, transpiração. Elas tenderão a diminuir.
10)Dirija inicialmente para você. Não tente provar nada para os outros. Isto
diminuirá as expectativas sobre você e baixará a ansiedade.
Fonte: Corassa (2000).
Como mencionado inicialmente, são apenas “dicas”, caso você não consiga
sozinho, peça ajudaprofissional, a um amigo ou familiar. “Devemos tornar a vida
possível para os nossos medos, senão são eles que tornam nossa vida impossível”
(ANDRÉ, 2007) O importante é não desistir nunca. Acreditar em si mesmo é o
primeiro passo. Vá em frente.
30
3 MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 Ética
A pesquisa atende às recomendações da Resolução do Conselho Nacional de
Saúde CNS nº 196/96 do Decreto nº 93933 de 14 de janeiro de 1987 – a qual
determina as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres
humanos. Deixamos claro que os dados resultantes do estudo serão armazenados
durante 05 (cinco) anos com a pesquisadora.
Em relação à participação no estudo, caso existissem profissionais que não
concordaram ou que desistiram durante a coleta de dados, teriam seus direitos
reservados, conforme apregoa a Resolução 196/96 do CNS-MS, não sendo
incluídos na amostra. Por outro lado, a assinatura do Termo de Consentimento Livre
e Esclarecido fez necessária para aqueles que concordaram em participar.
3.2 Tipo de Pesquisa
Através de uma pesquisa de campo, pretendemos identificar os principais
fatores que geram o medo de dirigir em algumas pessoas no município de
Cajazeiras-PB, investigando a relação entre os fatores emocionais e ambientais
como desencadeadores do medo de dirigir. Será utilizado o método qualitativo, que
consiste na coleta de dados por meio da aplicação de questionário sistematizado
com perguntas diretas, contendo questões objetivas e subjetivas.
3.3 Universo
O
universo
da
pesquisa
é
constituído
por
indivíduos,
selecionados
aleatoriamente, pertencentes ao município de Cajazeiras, estado da Paraíba,
independente da classe social, sexo, se tem ou não medo de dirigir, com nível de
instrução a partir do Ensino Médio com idade mínima de 18 anos, que possuam ou
não habilitação.
31
3.4 Sujeitos e Amostras
Fizemos a pesquisa com 35 sujeitos do município de Cajazeiras, na Paraíba,
independente do sexo, com idade a partir de 18 anos, nos meses de agosto e
setembro de 2013. Não levamos em consideração se os candidatos sabiam ou não
dirigir.
3.5 Instrumento de Coleta de Dados
Os dados foram colhidos a partir de um questionário (em anexo) elaborado
com fins de obter informações que embasem a pesquisa, objeto pelo qual foram
colhidas informações sobre sexo, idade, escolaridade, se possui ou não CNH e se
tem ou não medo de dirigir, acrescentando os motivos em caso afirmativo.
3.6 Procedimentos para Coleta de Dados
Inicialmente foi estabelecido um contato com o entrevistando, a fim de
esclarecer os motivos da pesquisa. Esclarecemos sobre a importância e objetivo do
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para os indivíduos que concordavam
em participar.
Os sujeitos respondiam o questionário e assinavam o termo TCLE, sabendo da
importância de se preservar a sua identidade.
3.7 Procedimento para Análise dos Dados
A partir das informações obtidas, realizamos uma análise, estabelecendo a
relação entre ansiedade, envolvimento em acidentes de trânsito e o trânsito caótico
com os possíveis fatores geradores do medo de dirigir em indivíduos com CNH ou
sem CNH. Investigaremos também a relação entre as questões pesquisadas no
questionário. Não se considerou relevante o sexo dos participantes, com isso, o
número de pessoas do sexo feminino não é o mesmo do sexo masculino.
Faz-se necessário evidenciar que poderemos obter informações significativas que
não estejam relacionadas às hipóteses da pesquisa.
32
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Considerando os diferentes gêneros dos motoristas, observa-se que, em
relação ao sexo dos participantes não houve uma preocupação de entrevistar,
igualmente, homens e mulheres, por isto percebe-se que, das 35 pessoas
entrevistadas, a grande maioria foram mulheres (80%)., conforme gráfico 01.
Gráfico 01 – Distribuição percentual do gênero dos motoristas entrevistados.
SEXO
MASCULINO
20%
FEMININO
80%
Fonte: Dados da Pesquisa. Cajazeiras/BA. 2013.
No gráfico 02, encontra-se a distribuição das idades dos participantes. Embora
que a idade considerada foi a partir dos 18 anos, pois não é permitido dirigir com
menos idade, verifica-se uma pequena
proporção de idade dos entrevistados
concentrada entre 51 a 60 anos. Verifica-se que, em sua grande maioria, foram
jovens entre 18 a 30 anos de idade, seguido de adultos na faixa de 31 a 40 anos,
representado 37% e 31 %, respectivamente.
33
Gráfico 02 – Representação percentual da faixa etária dos participantes.
ENTRE 51 E
60 ANOS
6%
IDADE
ENTRE 41 E 50
ANOS
26%
ENTRE 18 E 30
ANOS
37%
ENTRE 31 E 40
ANOS
31%
Fonte: Dados da Pesquisa. Cajazeiras/BA. 2013.
Em relação à escolaridade, gráfico 3, verifica-se que nenhum dos entrevistados
possuía menos que o Ensino Médio, e, sendo a grande maioria (71%) composta por
motoristas com nível superior.
Gráfico 03 - Representação percentual da escolaridade etária dos participantes
ESCOLARIDADE
ENSINO MÉDIO
29%
ENSINO SUPERIOR
71%
Fonte: Dados da Pesquisa. Cajazeiras/BA. 2013.
34
Quando perguntado quais os fatores que acarretam o medo de dirigir, gráfico
04, verifica-se que a insegurança (30%) e os traumas ocasionados por acidentes de
trânsito (32%) predominam nas respostas como principais fatores
Gráfico 04 – Principais fatores causadores do medo de dirigir, em porcentagem.
FATORES QUE ACARRETAM O MEDO DE
DIRIGIR
Não responderam
5%
Trânsito
caótico
(violência)
18%
Insegurança
30%
Irresponsabilidades
cometidas por
alguns condutores
15%
Traumas
ocasionados por
acidentes de
trânsito
32%
Fonte: Dados da Pesquisa. Cajazeiras/BA. 2013.
Quando perguntamos se o entrevistado já teve medo de dirigir em algum
momento, verifica-se nos resultados apresentados no gráfico 05, que 69%
responderam que SIM. Dentro deste percentual, a maioria também esteve
condizente com as hipóteses desta pesquisa, ou seja, a forma de dirigir do outro e o
contexto violento do trânsito são fatores que interferem diretamente no medo de
dirigir.
35
Gráfico 05 – Distribuição percentual dos participantes que já vivenciaram o medo de dirigir.
PARTICIPANTES QUE JÁ VIVENCIARAM O
MEDO DE DIRIGIR
NÃO
31%
SIM
69%
Fonte: Dados da Pesquisa. Cajazeiras/BA. 2013.
Quando se perguntou livremente o que leva alguém a desenvolver o medo de
dirigir, gráfico 06, percebeu-se que a maioria das respostas está condizente com as
hipóteses pontuadas nesta pesquisa, que foram: traumas ocasionados por acidentes
de trânsito,trânsito caótico e violência e imprudência dos condutores.Tais fatores
assustam na hora de assumir a direção de um veículo e adentrar o trânsito, mesmo
que seja por alguns instantes ou realmente os impeça de fazê-lo.
Gráfico 06 – Motivo pelo qual o motorista desenvolveu o medo de dirigir.
OUTRO MOTIVO
(INESPERIÊNCIA)
8%
ACIDENTE DE
TRÂNSITO
21%
TRÂNSITO CAÓTICO
17%
INSEGURANÇA
54%
Fonte: Dados da Pesquisa. Cajazeiras/BA. 2013.
36
Observa-se que: no item "outro motivo" foi aberto para as respostas diferentes das
que já constavam e a única resposta que apareceu entre os participantes foi a
"inexperiência no trânsito".
Em relação a busca por tratamento para vencer o medo, a minoria não fez
nenhuma tentativa. Observam-se nos dados apresentados no gráfico 07 que a
maioria tentou e venceu o medo (38%), porém, uma minoria, mesmo vencendo este
medo, ainda não se sente seguro para assumir a direção de um veículo (17%),
onde, nestes casos, o sujeito ainda não venceu o seu trauma ou insegurança.
Gráfico 07 – Distribuição percentual dos motoristas entrevistados que encontram-se tentando
vencer o medo de dirigir.
ESTÁ TENTANDO VENCER O MEDO DE DIRIGIR
MESMO
SUPERANDO O
MEDO, AINDA NÃO
SENTEM-SE
TOTALMENTE
SEGUROS PARA
DIRIGIR
17%
JÁ SUPERARAM
O MEDO DE
DIRIGIR
33%
ESTÃO
TENTANDO
VENCER O
MEDO DE
DIRIGIR
37%
NÃO FIZERAM
NENHUM
ACOMPANHAMENT
O OU TENTATIVA
PARA PERDER O
MEDO DE DIRIGIR
13%
Fonte: Dados da Pesquisa. Cajazeiras/BA. 2013
Portanto, comprovamos com este estudo, que os acidentes de trânsito, a
imprudência e a violência são fatores que desencadeiam nos indivíduos o medo de
dirigir. Sabemos que a amostra da pesquisa não é suficiente para generalizar o
resultado, mas, a partir do que foi coletado na entrevista podemos, sim, afirmar que,
com base nesses dados, as hipóteses foram comprovadas, mesmo que dentro deste
restrito universo pesquisado.
37
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entrar no caro, tocar no volante, olhar em frente. Pronto. Paralisia total. É o que
acontece com algumas pessoas que, mesmo com a Carteira Nacional de Habilitação
em mãos, não se sentem preparadas para enfrentar o trânsito. O medo falou mais
alto. O medo de dirigir é comum na maioria das pessoas e pode está associado aos
transtornos de ansiedade, que podem ocasionar limitações, baixa autoestima e
dependência de outras pessoas, bem como a situações traumáticas e/ou
estressantes do dia a dia, relacionadas ao trânsito e ao ato de dirigir, dificultando,
assim, no enfrentamento dessasno cotidiano do indivíduo.
Vários são os fatores que levam uma pessoa a desenvolver o medo de alguma
coisa, desde situações reais até algo subjetivo, como no transtorno do pânico, por
exemplo.
O medo de direção é real e podemos relacioná-lo as Fobias Específicas.
Contudo, para que possamos identificar como uma fobia é necessária à realização
de uma análise funcional a partir de um processo psicoterapêutico.
O presente trabalho possibilitou explorar um assunto que faz parte da vida de
muitas pessoas, o medo de conduzir veículos. Buscamos aqui, investigar o motivo
pelo qual os indivíduos desenvolvem o medo de dirigir.
As pessoas que sentem medo utilizam as mais variadas formas para fugir da
realidade, com desculpas sobre a dificuldade em dirigir ou para dividir espaço com
outras pessoas, o que é necessário que ocorra no trânsito.
Com a pesquisa, percebemos que este medo está relacionado com as vivências
de cada um, geralmente ligadas ao trânsito, seja direta ou indiretamente. Mesmo
sendo um universo pequeno, utilizado no estudo, observa-se que os resultados
comprovam as hipóteses aqui pontuadas. Mas, é importante lembrar que o número
de participantes não é suficiente para generalizar os resultados.
38
REFERÊNCIAS
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angústias e pânicos. Petrópolis: Vozes, 2007.
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Psicólogo, 2005.
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Cultrix, 2006.
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volante da própria vida. São Paulo: Gente, 2000.
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Cláudia Dorneles. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.
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WHITE, John. FREEMEN, Artur S. Terapia Cognitivo-Comportamental em Grupo
para populações e problemas específicos. São Paulo: ROCA, 2003.
40
APÊNDICE
QUESTIONÁRIO DA PESQUISA
1. SEXO: ( ) MASCULINO ( ) FEMININO
2. IDADE__________________
3. ESCOLARIDADE
( )Ensino Fundamental Incompleto
( )Ensino Fundamental Completo
( )Ensino Médio Incompleto
( )Ensino Médio Completo
( )Superior Incompleto
( )Superior Completo
4. POSSUI CHN ( ) SIM
( ) NÃO / SE RESPONDEU “SIM”, ESPECIFIQUE A
CATEGORIA _____.
5. SABE DIRIGIR ( ) SIM
( ) NÃO
HÁ QUANTO TEMPO? _____________________
6. EM SUA OPINIÃO, O QUE LEVA UMA PESSOA A DESENVOLVER O MEDO DE
DIRIGIR?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
7. JÁ TEVE MEDO DE DIRIGIR EM ALGUM MOMENTO? ( ) SIM
( ) NÃO
SE MARCOU “SIM” NA QUESTÃO „7‟ CONTINUE RESPONDENDO A PESQUISA
8. MOTIVO PELO QUAL DESENCADEOU O MEDO DE DIRIGIR
( ) ACIDENTE DE TRÂNSITO
( ) INSEGURANÇA
( ) TRÂNSITO
CAÓTICO
( ) OUTRO MOTIVO. ESPECIFIQUE:
__________________________________________________________________________
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__________________________________________________________________________
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9. AINDA CONTINUA COM MEDO DE DIRIGIR? ( ) SIM
( ) NÃO
POR QUÊ?
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10. ESTÁ TENTANDO VENCER O MEDO DE DIRIGIR? ( ) SIM
( ) NÃO
DE QUE FORMA?
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OBRIGADA!!!
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ANEXOS
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