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REVISTA ELETRÔNICA
ACADEMIA DE TALENTOS
ISSN 1679-7280
EDITORIAL
DIRETOR GERAL
Dr. Edmir Kuazaqui
CONSELHO EDITORIAL
Dr. Edmir Kuazaqui
Dr. Eduardo Sansone
Dr. Gleder Maricato
Dr. Osmar Coronado
Dr. Roberto Kanaane
CONVIDADOS EXTERNOS
Dra. Marcia Gamboa
Dra. Olga Tulik
Dra. Sarah Chucid Da Viá
PRODUÇÃO GRÁFICA
Academia de Talentos
A Revista Eletrônica Academia de Talentos detém todos os direitos autorais dos
trabalhos aceitos e publicados e não se responsabiliza pelas idéias, opiniões e
conceitos emitidos, nem pelo estilo adotado pelos autores. É uma publicação da
Academia de Talentos Treinamento e Consultoria S/C Ltda.
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REVISTA ELETRÔNICA ACADEMIA DE TALENTOS
ISSN 1679-7280
Sumário
Editorial
... e viva a heterogeneidade! - Dr. Edmir Kuazaqui
Artigos
•
Padrão de excelência Disney - Carlos Morato Gagliardi, Daniel Chang e Kimiko
Sakihama
•
Gerência multicultural - Dr. Edmir Kuazaqui
•
Distúrbios respiratórios: A contribuição do sistema de Atendimento Domiciliar Beatriz Scarpellini Perotti, Bruna Barbieri Ferreira da Silva e Fernanda C. M.
Pescarin.
•
Transporte aéreo de passageiros: A integração do passageiro em uma cultura
de segurança de vôo - Ana Carolina de Oliveira Prado Barreto
•
Repensando o papel da liderança na área da saúde - Dr. Luiz Carlos Takeshi
Tanaka
•
A integração sul-americana: Um desafio para a política externa brasileira -
Marcial Ribeiro Chaves
Cinema
X-Men: The last stand ou Superman?
Colaboradores deste Número
Diretrizes para publicação
3
Editorial
... e viva a heterogeneidade!
Este novo número de Revista Academia de Talentos traz um conteúdo bastante
diversificado, seja em conteúdo, propostas ou regiões. Desta forma, o padrão de
atendimento de Disney é contextualizado pelos alunos do curso de pós-graduação
em Administração Geral da Unip a partir de uma palestra da especialista no
assunto Ginha Nader. Os distúrbios respiratórios são estudados pelas alunas em
Administração da ESPM e tema ligado ao transporte aéreo de passageiros é
desenvolvido por uma pós-graduada do Instituto Cambury em Goiânia.
O papel da liderança na área de saúde é desenvolvido pelo Dr. Luiz Carlos
Takeshi Tanaka e o mercado internacional é contemplado por dois artigos:
gerência multicultural e uma reflexão atual sobre a integração sul-americana frente
à política externa brasileira.
Estudantes de graduação, pós-graduação, graduados, administradores, médicos,
turismóloga, professores e afins. A partir da heterogeneidade de conceitos, a
construção de uma base de conhecimentos e desafios!
Dr. Edmir Kuazaqui
4
O padrão de excelência Disney
Carlos Morato Gagliardi
1
Daniel Chang
Kimiko Sakihama
Resumo
O presente artigo resume parte do conteúdo da palestra de Ginha Nader, que
abordou o padrão de atendimento de Disney. O evento foi parte do encerramento
de mais uma turma do Programa de Pós-Graduação em Administração Geral da
Universidade Paulista (Unip).
Palavras-Chave: Disney, administração, atendimento, marketing.
INTRODUZIR FOTOS
Introdução
O presente artigo exploratório é embasado na palestra proferida no Curso de PósGraduação em Administração Geral da Universidade Paulista (UNIP) por Ginha
Nader, profissional de sucesso com mais de 30 anos de experiência e
especializada em treinamentos com o padrão de qualidade Disney, sendo
considerada a maior autoridade em Disney no Brasil; é a única brasileira que tem
o nome escrito nas calçadas da Walt Disney World.
Ginha Nader é autora dos livros “O Guia dos Guias de Orlando”, volumes I e II, e
“Walt Disney: um Século de Sonho”, volumes I, II e III. Também atua na área de
consultoria e assessoria, tendo prestado diversos serviços para empresas
nacionais e internacionais, tais como: Citröen, AOL, Universal Studios, FGV, Hopi
Hari, IETEC, Beto Carreiro, Sky, Sebrae, dentre outras.
1
Pós-graduados em Administração Geral pela Universidade Paulista (Unip).
5
Companhia Disney - Breve histórico
Considerado o maior gênio do desenho animado de todos os tempos, Walter Elias
Disney sempre acreditou em seus sonhos e não mediu esforços para realizá-los.
Walt Disney, como é mundialmente conhecido, nasceu no dia 05 de dezembro de
1901, em Chicago, nos Estados Unidos. Era de uma família pobre. Seu pai, Elias,
vivia mudando de cidade, perseguindo novas idéias que pudessem torná-los ricos,
porém, nunca foi bem sucedido. Era um pai agressivo e seus cinco filhos eram
constantemente agredidos fisicamente, por isso Walt e os irmãos abandonaram
sua casa na primeira oportunidade.
Walt Disney sempre foi muito protegido, quando criança, pelo irmão mais velho
Roy. Freqüentemente, Walt costumava se deitar no gramado e ficava horas
imaginando, fantasiando um mundo diferente, enquanto Roy realizava por ele os
afazeres no campo, evitando assim ser castigado pelo pai.
Enquanto criança, Walt já se interessava por desenhos. Na adolescência, cursou
arte por correspondência e aos sábados freqüentava o museu da cidade. Aos 17
anos, durante a Primeira Guerra Mundial, deixou a escola e alistou-se na Cruz
Vermelha. Em 1919, voltou para a cidade de Kansas, onde vivia antes de ir à
guerra. Iniciou, então, sua carreira como ilustrador de comerciais e, em 1922,
abriu, junto com um sócio, seu próprio escritório. Estava decidido a explorar uma
nova área: a animação.
Seus primeiros anos de carreira foram difíceis. Trabalhava em um estúdio com
condições precárias, mal tendo dinheiro, inclusive, para se alimentar. Como se
não bastasse, perdeu sua primeira criação comercialmente viável, Oswald the
Lucky Rabbit, devido a um acordo mal feito.
6
Resolveu então mudar-se para Hollywood e nessa cidade, com a participação de
mais dois sócios, Roy Disney (tesoureiro e presidente) e Ub Iwerks (desenhista),
fundou o Studio Disney em 1923.
Em 1925, casou-se com uma de suas funcionárias, Lillian Bounds. A cerimônia
ocorreu em Idaho e o casal teve duas filhas, Diane e Sharon. Walt e Lillian
viveram felizes durante os 41 anos de casamento, que durou até a morte dele em
1966. Era um homem de família, e suas filhas o descreviam como um pai
carinhoso e sempre presente.
Em 1928, Disney criou Steamboat Willie, cujo personagem era Mickey Mouse, e
que foi primeiro desenho animado a utilizar som totalmente sincronizado.
Originalmente, Mickey se chamava Mortimer Mouse. Foi sua esposa Lillian que
sugeriu o nome de Mickey para o camundongo. O personagem Mickey Mouse se
tornou um símbolo do espírito americano durante a depressão de 1929.
Walt Disney reinvestia seus lucros na produção de desenhos cada vez melhores,
e sua empresa começava a crescer. Ele era um editor extremamente talentoso e
insistia na perfeição técnica de suas animações, inovando os efeitos sonoros.
Criou e introduziu outros personagens, tais como: Pato Donald, Minnie e Pateta.
Lançou desenhos como Os três porquinhos.
Na década de 1930, seus trabalhos haviam alcançado sucesso mundial.
Artisticamente, foi o seu melhor momento. Nessa época, abriu uma escola de
treinamento para criar uma nova geração de animadores.
Além disso, com ousadia, investiu muito na produção de seu primeiro filme de
animação de longa metragem, Branca de neve e os sete anões (1937), que se
tornou um sucesso e rendeu mais de um milhão de dólares, fato inédito e
surpreendente para a época. Em seguida, vieram Pinóquio (1940), Fantasia
7
(1941) e Bambi (1942). Seu estúdio também produziu A Ilha do Tesouro e Mary
Poppins, que foi seu maior sucesso.
Disney possuía uma capacidade excepcional, inerente aos gênios, de transformar
algo que existe apenas na imaginação em uma existência física que consegue
influenciar positivamente as pessoas. E o que tornou isso possível? Ele usava
uma estratégia bem definida para conseguir o que queria. Dizia que era como se
fossem três “Walts” diferentes. O sonhador tinha toda a liberdade de usar a
imaginação. O realista era o tradutor das fantasias numa forma tangível. E o crítico
julgava. O sonho elaborado pelo sonhador era passado ao realista, cuja tarefa era
segmentar o sonho em partes administráveis e executáveis. O crítico então era
acionado para reconhecer o que estava bom e questionar o que não estava,
dentro dos critérios pertinentes. O sonhador passava então a elaborar novas
idéias para atender aos requisitos de qualidade do crítico e solucionar problemas
identificados pelo realista. O ciclo se repetia até que todos estivessem satisfeitos.
Por todo esse talento, em 1939, Disney recebeu um Oscar honorário e, em 1954,
conquistou mais quatro prêmios da Academia.
Nas décadas de 1950 e 1960, a Walt Disney Produções Ltda era uma das maiores
indústrias de filmes para cinema e televisão. Os negócios da Disney se
expandiram para outras áreas como livros infantis e gibis. Em 1954, começou o
seu trabalho na televisão como apresentador de um programa, e lá ficou por
quase uma década. Esse programa foi um sucesso e serviu para promover os
produtos Disney.
Walt costumava levar suas duas filhas para brincarem no parque e, enquanto elas
se divertiam, ele ficava sentado no banco e se sentia entediado por permanecer
horas observando as meninas. Então, pensou: por que não criar um parque onde
os adultos também se divertissem? Daí surgiu o projeto de construção da
Disneylândia. Quando Walt apresentou o projeto para a diretoria, foi vetado, o que
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o desapontou muito. Porém, como era persistente e acreditava em seus sonhos,
resolveu iniciar o projeto da Disneylândia, independente da sociedade. Para tal,
solicitou um empréstimo pessoal ao banco, dando como garantia a sua casa e o
seguro de vida pessoal.
Ele imaginou a Disneylândia como um imenso parque percorrido por um trem. A
entrada seria a estação do trem e a rua principal representava a mesma onde ele
entregava manteiga fabricada pela mãe quando ele ainda era criança. Portanto,
uma rua sob a óptica de uma criança. Logo depois dessa rua, encontrava-se o
castelo encantado, onde se visualizava toda a magia do mundo maravilhoso da
fantasia, o símbolo do parque.
A inauguração da Disneylândia na Califórnia ocorreu num domingo de 1955. Esse
dia ficou conhecido como “domingo negro”, pois o número de pessoas que
participou da inauguração superou o dos convites distribuídos. A inauguração
vinha sendo anunciada pela TV e até aquele momento os índices de audiência
nunca tinham sido medidos, portanto, não se conhecia a força desse veículo de
comunicação.
Após o desastre da inauguração, Walt Disney teve que fechar o parque durante
três semanas.
Walt constatou algumas falhas no parque, como a deficiência na limpeza e,
sobretudo, o não envolvimento dos funcionários para atender adequadamente as
pessoas (o serviço era terceirizado). Para resolver o problema da limpeza,
elaborou uma pesquisa que constava do seguinte: pediu para que os atendentes
oferecessem balas aos visitantes na entrada do parque, seguissem-nos e
observassem quantos passos aqueles visitantes dariam, para então jogarem o
papel da bala. Com o resultado, foi estabelecido que a cada 15 passos existiria
uma lata de lixo disponível.
9
O que ele prezava em todo o parque era a excelência e a qualidade dos serviços
prestados. Por isso, insistiu no treinamento dos funcionários, não mais
terceirizados, em toda a logística do parque. Treinavam em túneis subterrâneos,
para que não houvesse interferências no passeio dos visitantes. Assim sendo,
depois da reinauguração, o parque foi um sucesso e houve a necessidade de
expansão, para que novos temas fossem introduzidos. Walt constatou que havia
ocorrido um “boom” imobiliário no local e as terras que rodeavam a Disneylândia
estavam supervalorizados com a abertura de lojas e hotéis, o que tornava o
projeto de expansão inviável. Essa foi uma das grandes frustrações de Walt
naquele momento.
Quando Walt Disney e os sócios iniciaram o projeto da DisneyWorld, compraram,
em segredo, uma área enorme de terreno pantanoso na Flórida, para construção
desse novo parque. É a aprendizagem com o erro!
Walt morreu em 1966 e Roy resolveu continuar a construção do novo parque. Em
outubro de 1971, foi inaugurada a DisneyWorld, em Orlando, na Flórida. Tóquio e
Paris também ganharam parques temáticos. Walt sonhava também em
desenvolver uma cidade do futuro, sonho esse transformado em realidade em
1982 com a abertura do Protótipo Experimental para a Comunidade de Amanhã
(EPCOT), que teve custo inicial de $900 milhões. Os parques de Disney
continuaram a crescer com o Disney-MGM Studios (Estúdios da MGM), o Animal
Kingdom (Reino Animal) e o complexo de esportes, em Orlando. Além dos
parques temáticos, Disney criou uma universidade (Disney University) e o Instituto
Californiano de Artes, conhecida como Cal Arts. O objetivo da universidade era ser
um lugar onde pessoas de vários ramos artísticos se reuniriam para criar a arte do
futuro. A Corporação Disney expandiu seu trabalho cinematográfico com a criação
da Touchstone Films, expandiu para o ramo da música com a Hollywood Records
e para o turismo com a Disney Cruise Lines. O nome Disney representa hoje uma
empresa multibilionária, com inúmeros empreendimentos por todo o mundo. É
uma instituição cujas vendas anuais de 22 bilhões de dólares a tornam a maior
10
companhia de mídia. Sem dúvida, Walt Disney conseguiu o que desejava: obter
sucesso e riqueza.
Walt Disney faleceu em 15 de dezembro de 1966, no Hospital St. Joseph, em Los
Angeles, vítima de câncer. Naquela época, os estúdios Disney já contavam com
21 longas-metragens de animação, 493 curtas-metragens, 47 filmes, 7 episódios
de A vida como ela é, 330 horas do Mickey Mouse Club e outros 360 programas
de televisão. Portanto, Walt não vivenciou grande parte das realizações que
sonhou...
Em dezembro de 1971, Roy falece, e em janeiro de 1972, Ub, o desenhista,
também falece. Assumiram a direção das empresas o genro de Walt, um homem
com perfil de tesoureiro (que fazia o papel do Roy) e um homem com perfil de
mentor (que fazia o papel de Walt). Durante dez anos, os negócios ficaram
estagnados.
Nessa época, a Disney passava por muitos problemas e grupos de especuladores
compraram as ações na bolsa de valores. Os dirigentes praticamente perderam a
empresa. Em 1984, assumiram novos dirigentes: Michael Eisner, Frank Wells e
Katzenberg, que conseguiram reerguer a companhia.
Frank Wells morreu em 1994, no auge da companhia e no lançamento do desenho
Rei Leão. Após isso, começaram a surgir problemas no relacionamento entre
Eisner e Katzenberg, pois, numa entrevista à imprensa, Katzenberg declarou que
quem iria substituir Wells seria ele, e Eisner não admitiu, apesar da amizade que
existia entre os dois. Eisner, na verdade, não havia superado a perda de Wells.
Diante desse cenário, Katzenberg saiu da companhia e foi para Hollywood, e com
mais dois sócios produz filmes que concorrem com os da Disney – por exemplo,
Shrek. Com os problemas que a companhia enfrentava, na segunda semana de
março do corrente ano, ocorreu a saída do Eisner e o novo presidente da Disney
atualmente é Robert Iger.
11
O Estilo Disney
A Disneylândia comemora 50 anos de existência e continua encantando pessoas
do mundo inteiro. Prova é que 64% de seus visitantes são reincidentes.
Representa toda a fantasia de Walt Disney, que nunca seguiu qualquer teoria
administrativa existente, a não ser a sua filosofia de sonhar, acreditar, ousar e
fazer, com muita persistência e garra. Além disso, é o marco em que o foco passa
a ser o cliente. O estilo Disney de administração busca a excelência em todos os
níveis no atendimento aos clientes externos - os consumidores dos produtos e
serviços da empresa, e também aos clientes internos - seus funcionários. Para a
Disney, não há “hierarquia de cargos”, ao contrário de certos modelos de
administração existentes, como, por exemplo, o estilo piramidal,
em que se
observa:
Ilustração I - Modelo piramidal de Administração
Presidente
Vice-Presidente
Gerentes
Supervisores
Empregados
Fonte: Autores
Na verdade, o que prevalece, na prática, é que todos os funcionários são artistas
cumprindo um papel, ou seja, são atores que encenam uma peça, pois todos
trabalham em função dos clientes e, para atendê-los adequadamente, devem
estar bem treinados, motivados, comprometidos, devem ter respeito, devem ser
12
humildes, pacientes e generosos, ou seja, devem trabalhar com amor, de modo
natural!
As dez crenças que estão no coração da metodologia de Disney são
(CAPODAGLI; JACKSON, 2000):
1. dar a cada membro de sua organização a chance de sonhar e liberar a
criatividade contida nesses sonhos: a participação de cada membro da
equipe dá um senso de compromisso com a empresa (enquanto a taxa de
rotatividade dos funcionários de parques temáticos beira os 100%, na
Disney a taxa é inferior a 30% e no nível gerencial é inferior a 6%).
2. permanecer firme em suas crenças e princípios: alinhar a missão com a
visão, tendo como base os valores e as crenças da empresa.
3. tratar seus clientes como hóspedes: os funcionários são instruídos a serem
agradáveis e polidos, tratando cada cliente como uma pessoal especial,
única, ou seja, um verdadeiro hóspede.
4. apoiar os empregados, dar-lhes poderes e recompensá-los: é essencial um
foco comum. Quando adequadamente estruturadas, as equipes podem
melhorar tudo, do tamanho do lucro à satisfação do funcionário com o
trabalho. As pessoas não trabalham somente pelo salário, trabalham
também pela realização e pelo orgulho de fazerem parte de uma excelente
organização. Um fator de sucesso extremamente importante é a formação
de uma equipe, em que a hierarquia deve existir, mas a distância entre os
administradores e os funcionários pode ser mínima quando os funcionários
de baixo escalão são motivados a expressar suas opiniões e a dar
sugestões no grupo, facilitando também a comunicação entre os mesmos.
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5. construir relacionamentos duradouros com os principais fornecedores e
parceiros: existem vários tipos de parceria entre os clientes e fornecedores,
gerentes e colaboradores, empresas industriais e de serviços, instituições
educacionais, comunidades e governo. Portanto, uma reunião de trabalho
que visa apoiar e fortalecer as posições umas das outras é sempre bem
vinda.
6. ousar correr riscos calculados para usufruir as idéias inovadoras: desde o
executivo que abre mão do microgerenciamento dos funcionários até as
empresas ameaçadas pela concorrência que pararam de satisfazer seus
clientes, há a necessidade constante de lançar novas idéias e assumir
riscos.
7. treinar extensivamente e reforçar constantemente a cultura da empresa:
todo treinamento de funcionários deve ser contínuo, aproveitando o
desempenho no desenvolvimento dos talentos de uma pessoa. Deve,
também, cumprir o duplo objetivo de orientar os novos funcionários e
reforçar os valores e as tradições da empresa aos veteranos. Isso faz a
diferença de uma empresa como um todo.
8. alinhar a visão de longo prazo com a execução no curto prazo: toda
criatividade deve ser cuidadosamente administrada. Para tanto, devem
seguir diretrizes de planejamento, desde a concepção da idéia, passando
pelo estudo da viabilidade, o desenvolvimento, a produção, os testes, a
homologação e, por fim, a implantação.
9. utilizar a técnica de elaboração de storyboard para solucionar problemas de
planejamento e comunicação. Storyboard é um método criativo e eficiente
para gerar soluções de problemas complexos, pois quebra as situações em
partes menores e mais controláveis. Também possibilita partilhar idéias e
conceitos numa discussão, extraindo a criatividade coletiva de uma equipe,
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aumentando a coesão da mesma, facilitando e melhorando a comunicação
e o planejamento em todos os níveis.
10. prestar muita atenção nos detalhes: a principal questão desse ponto
certamente se encontra na pergunta: “Como podemos fazer isso melhor?”.
Dessa forma, estaremos em busca da perfeição com equilíbrio, dando
atenção meticulosa aos detalhes para melhor caracterizar e diferenciar o
produto e o serviço.
Considerações finais
A discussão apresentada até aqui visa basicamente mostra que o “Bom Show”,
ou seja, oferecer aos clientes o melhor produto ou serviço significa não apenas
estabelecer certos valores, como fez Walt Disney, mas também ter o bom
senso de reconhecer quando a situação determina que um valor tem
precedência sobre outro. Walt insistia na segurança, na cortesia e na
eficiência, mas esperava também que o bom senso prevalecesse. Antes de
qualquer coisa, jamais admitia colocar em risco a segurança do convidado em
qualquer situação que fosse, em qualquer época, fosse qual fosse a atração ou
performance. A excelência em cada nível era, e é, o lema na Disney, pois Walt
acreditava que só oferecendo ao público o melhor em entretenimento poderia
ele viver de acordo com seus valores básicos de honestidade e confiança. Ele
se recusava a pegar atalhos simplesmente para aumentar o lucro. Preferiu
sempre exceder as expectativas do cliente!
Referências
CAPODAGLI, Bill; JACKSON, Lynn. O estilo Disney: aplicando os segredos
gerenciais da Disney em sua empresa. São Paulo: Makron, 2000.
NADER, Ginha. O guia dos guias de Orlando. volumes I e II. São Paulo. Editora
Panrotas.
NADER, Ginha. Walt Disney: um século de sonho. volumes I, II e III. São Paulo.
Editora Senac.
15
Gerência Multicultural
Edmir Kuazaqui 2
Resumo
As diferenças culturais, por conseguinte comportamentais das sociedades, exigem
das empresas interessadas no ingresso no mercado globalizado que tenham, em
seus quadros, profissionais com competências e habilidades específicas. A
Gerência Multicultural implica, sobretudo, na consciência e no entendimento de
que as diferenças culturais existem. Este artigo, pois, trata da gerência
Multicultural e aponta quais práticas podem permitir a concretização da
competência interpessoal e a conquista dos objetivos dessas empresas.
Palavras-Chave:
diversidade
cultural,
competência
interpessoal,
gerência
multicultural.
Introdução
A gestão de empresas sob a ótica multicultural exige a compreensão das
diferenças e particulares locais, objetivando aplicá-las em âmbito global. Parte do
pressuposto de que todas as diferenças e características devem ser respeitadas e
utilizadas como formas de trazer integração à empresa e aos negócios.
Com o advento da globalização e abertura das economias internacionais, surgiram
oportunidades de negócios advindos de diferentes mercados consumidores, e as
empresas começaram a expandir seus horizontes competitivos além-fronteira.
Depararam-se, então, com oportunidades de mercado, desafios mercadológicos e
gerenciais, em decorrência da diversificação étnica, cultural e comportamental
própria de cada nação.
2
Coordenador dos Programas de Pós-Graduação em Administração Geral e de Marketing Internacional da
Universidade Paulita (Unip).
16
Dessa maneira, o presente estudo procura mostrar as experiências vivenciais do
autor, bem como de outros profissionais da área de Marketing Internacional,
buscando a comprovação científica dos fatos apresentados. O objetivo da
pesquisa, portanto, é identificar e verificar as percepções dos respondentes sobre
o papel do gestor multicultural. Adota-se também como âncora a pesquisa
desencadeada junto a 37 profissionais (amostra não probabilística) de âmbito
executivo de distintas empresas nacionais e multinacionais, localizadas no estado
de na grande São Paulo. A metodologia adotada foi de cunho descritivo, pois
buscou-se captar a percepção dos respondentes frente ao objeto de pesquisa –
gerência multicultural. A técnica adotada foi a entrevista qualitativa de
profundidade, que buscou levantar o mesmo número de informações sobre o
temática, a partir de dados estatísticos e levando em consideração a literatura
pertinente ao assunto.
Desenvolvimento temático
O suporte técnico adotado na pesquisa considerou os seguintes tópicos:
diferenças comportamentais, culturais e hábito do grupo, modelos mentais,
arquétipos, orientações socioculturais; perfil do líder, sob o enfoque da gerência
multicultural; a segmentação como importante ferramenta estratégica do
gerenciamento; ameaças e oportunidades no contexto da gerência multicultural.
Diferenças comportamentais, culturais e hábitos de grupos
As diferenças culturais, costumes e hábitos de grupos advêm, primordialmente,
dos comportamentais em grupos. Dessa maneira, cada região se desenvolveu a
partir dos diferentes ancestrais e movimentos migratórios, emigratórios e
imigratórios que ajudaram a construir o alicerce da sua cultura.
Tal assunto sempre se restringiu às ciências ligadas à Sociologia, Psicologia e, de
certa maneira, foi explorado sob a ótica do turismo como sendo um atrativo natural
ou mesmo cultural. Nas últimas décadas, entretanto, o assunto começou a
despertar maior interesse, em virtude de se ter percebido os diferenciais e as
17
vantagens competitivas gerados por estratégias de entrada e operação em
mercados internacionais.
Entender essas diferenças,
nuanças e particularidades, a fim de adaptar as
estratégias de Marketing Internacional, tem-se tornado uma forma inteligente e
vitoriosa de conquista de novos mercados, em detrimento do pensamento, às
vezes mecanicista, de alguns empresários que procuram a padronização, no
sentido de buscarem ganhos na economia de escala.
Na verdade, esse tema pode ser estudado e analisado sob diferentes perspectivas
e situações. Mas este trabalho opta pelo foco no Marketing Internacional, que
envolve as estratégias de entrada e operação em mercados externos, tendo como
país origem o Brasil. Consideram-se estratégias de entrada e operação as ações e
procedimentos que visam à eliminação de atritos e conflitos da empresa e seu
portfólio de produtos e serviços no mercado internacional. São exemplos de
estratégias ligadas às franquias internacionais: mergers, acquisitions, jointventures, etc.
Os Modelos Mentais, Arquétipos e Orientações socioculturais
De maneira geral, as sociedades podem ser orientadas e analisadas sob
diferentes aspectos, sendo um dos mais básicos o ligado à iniciativa do indivíduo.
Preliminarmente, essa análise pode ser efetuada a partir de como as diferentes
culturas encaram o relacionamento interpessoal em sua sociedade. E tal fato pode
se dar sob óticas ou dimensões diferentes:
•
a dimensão universalista, em que as regras são claras e aceitas pelo
conjunto e não existe espaço para exceções. Questões maiores ligadas às
concepções sobre crimes, prostituição, e até mesmo os comportamentos
cotidianos – como, por exemplo, não atravessar a rua com sinal vermelho para
o pedestre, mesmo de madrugada, sem trânsito algum - se regem pelo
18
conjunto, dentro de padrões e normas preestabelecidas, em países como a
Suíça e o Canadá.
•
na dimensão individualista, a empresa e outros fatores podem ser
simplesmente veículos utilizados para caracterizar o sucesso pessoal. Nessa
ótica, os indivíduos são orientados dentro de padrões de crescimento e
sucesso. É exemplo disso a sociedade norte-americana, que vende a idéia da
evolução profissional e a democratização de oportunidades.
•
a dimensão emocional envolve aspectos ligados ao controle de sentimentos e
de emoções, com o intuito de dar espaço à razão ou à convenção social.
Nessa perspectiva, os japoneses podem ser considerados insensíveis - e não
o são – em questão de sentimentos e os italianos, altamente emocionais - e
podem não o ser.
•
finalmente, situando-se um pouco fora das relações ligadas às populações de
países, podem existir dentro das organizações diferentes dimensões
culturais, ligadas à missão, visão e aos valores culturais empresariais. Podem
existir diferentes níveis e situações, envolvendo relacionamentos profissionais
advindos da hierarquia funcional, sexo e tipo de negócio. Essas dimensões
culturais podem existir em decorrência da empresa ou mesmo do país de
origem.
Dessa forma, podem existir dois tipos de sociedades:
•
Sociedade coletivista – cujo objetivo maior é o sucesso da própria sociedade,
ou seja, o bem-estar comum do grupo. Nela, existe certa padronização de
procedimentos e a necessidade de força maior nos atributos em grupo. Países
como o Japão, China e Suécia possuem esse tipo de característica, onde os
programas de Marketing Internacional devem evidenciar os benefícios coletivos
em detrimentos da ascensão individual.
•
Sociedade individualista - cujos valores e ideais individuais são os itens mais
valorizados, tendo como complemento os valores coletivos. Toda a sua
estrutura educacional, social e profissional está alicerçada no sentido de
vender a imagem do poder individual e da democratização de oportunidades,
19
como ocorre nos Estados Unidos da América e na Inglaterra. Nesse tipo de
sociedade, os sonhos são vendidos como possíveis e a orientação para o
sucesso é significativa.
Dentro dessas duas categorias, existem certas divergências e dicotomias na arte
do gerenciamento estratégico. Por um lado, fala-se na relação da importância da
figura do líder e do fator liderança, nos quais a organização pode ter uma espécie
de referencial. De outro lado, um negócio pode ter o sucesso esperado, com a
organização grupal orientada por uma visão estratégica – compreende-se aqui a
necessidade de organização em grupos, no coaching, mentoring e team working
que são termos relacionados à Administração Estratégica sob o ponto de vista de
Recursos Humanos. O assunto é tão importante que Max Pagan, por exemplo, é
espécie de troubleshooter, ou seja, um executivo que tem como missão primordial
diminuir os atritos e conflitos na abertura de uma nova empresa em solo
estrangeiro. Geralmente, quando se pensa em troubleshooter, pensa-se em uma
atuação de curto prazo, idéia que Max Pagan rejeita. Viveu vários anos em
território japonês, para poder entender e internalizar costumes, hábitos e
pensamentos, a fim de introduzir a AT&T no país e obter sucesso; diferentemente
de algumas empresas norte-americanas que fracassaram, tentando introduzir a
cultura e o clima organizacional da qualidade nipônica, por intermédio de práticas
e ações isoladas, como a cerimônia do chá, por exemplo.
Sob a ótica da conveniência, valor do tempo, lógica, ordem e eficiência, as
sociedades também podem ser classificadas por terem:
•
orientação social monocrômica - quando culturas possuem e seguem um
raciocínio lógico, dentro de uma ótica regular de pensamento. Em alguns
países europeus, como Portugal, a existência e a orientação por filas são
freqüentes e fazem parte de um processo incorporado pela sociedade, onde
procedimentos são formatados para atender a esse propósito; ou
20
•
orientação social policrômica - quando os determinantes maiores se referem
ao coletivo e ao valor do tempo. Países como a Itália e os Estados Unidos da
América possuem essa característica distinta, onde a sinergia, mesmo sem
valor aparente, é necessária.
Muitos valores e crenças são internalizados e passam a integrar o inconsciente
coletivo,
transformando-se
em
comportamentos
e
atitudes.
Portanto,
é
fundamental a identificação e a utilização de Arquétipos no Plano de
Comunicação Internacional da Empresa, com o objetivo de franquear a entrada e
facilitar as ações em mercados internacionais. A idéia de que produtos norteamericanos e japoneses possuem uma alta tecnologia e valor agregado pode se
constituir numa forma de franquear a entrada ou formação de mergers, que são
parcerias estratégicas, geralmente originadas a partir de uma oportunidade de
negócios e que envolvem empresas de segmentos diferentes, em países
estrangeiros. Exemplo que não gostaríamos que existisse de arquétipos é também
a associação do Brasil à questão do sexo fácil, principalmente no Carnaval,
desfavorecendo o país em outros itens qualitativos de relevância e favorecendo a
prática da prostituição (e da sua respectiva exportação!) além da questão nefasta
da prostituição infantil.
A composição da população brasileira se apresenta de maneira bastante
estratificada, onde oportunidades e posições de prestígio são oriundas do nível
econômico e racial. Essa composição bastante eclética decorre da diversificação
étnica, amalgamada por africanos, europeus e orientais.
Se, pelo motivo acima apontado, já havia um sem número de técnicas e formas
gerenciais de trabalho e comercialização no país, a presença de organizações e
de empresas internacionais multiplicou ainda mais essa pluralidade, já que o país,
pode-se dizer, é vulnerável ao conhecimento externo e não tem uma identidade
gerencial própria. Fala-se muito no "jeitinho brasileiro" como uma forma de
trabalhar com criatividade, porém tal prática pode denotar um pensamento não-
21
linear de curto prazo, em detrimento do pensamento linear de longo prazo. Ainda
utilizam-se, no país, ferramentas de curto prazo, como a promoção de vendas e a
venda pessoal, em épocas de recessão ou diminuição de vendas em detrimento
da pesquisa e desenvolvimento de marketing, por exemplo.
Esses fatores podem ser determinantes no resultado - fracasso ou sucesso - do
negócio, havendo a necessidade de adaptação da empresa e de suas estratégias.
Uma importante empresa européia de cosméticos, globalizando suas atividades,
decidiu efetuar suas operações de maneira segmentada por país. Como tinha
experiências anteriores em países onde é hábito o pagamento à vista, montou
uma equipe de vendedores e gerenciadores com um orçamento de manutenção
de pouco mais de um mês. Ao entrar no Brasil, se deparou com graves problemas
orçamentários, inclusive para a própria manutenção da equipe no Brasil, onde o
sucesso de vendas está estreitamente ligado às vendas a prazo, inclusive com
cheques pré-datados.
Assim, um grande diferencial é a identificação dos Valores Sociais e Culturais
Emergentes, que pode revelar um potencial de mercado ilusório e que pode
deturpar os resultados de médio e longo prazos. Uma empresa pode tentar
introduzir um produto no Brasil com um conceito ou apelo sexual forte,
entendendo que o brasileiro responderá ao estímulo - estratégia essa montada em
decorrência de estereótipos produzidos pelo Carnaval. Porém, tais experiências
não fazem parte do todo coletivo da população brasileira, ocasionando então uma
falha da introdução do produto no Brasil. Outro exemplo semelhante deu-se na
introdução da rede Kentucky Fried Chiken na Coréia, que levou em conta os
valores emergentes – a necessidade da população jovem se identificar com os
valores norte-americanos - e não necessariamente o potencial de mercado de
consumidores de carne de frango.
Finalmente, o profissional de Marketing Internacional deve entender a importância
dos fatores e dos Modelos Mentais, pertencentes a cada população, seja ela de
22
âmbito geral ou empresarial. Tais modelos podem ser construídos a partir das
diferentes percepções individuais e que podem servir de barreiras ou porteiros de
entrada. A empresa deverá entrar, identificar, revisar, substituir ou fortalecer os
modelos, para o perfeito comprometimento da organização com o negócio.
Exemplos:
•
No âmbito doméstico, uma multinacional financeira européia no Brasil resolveu
introduzir o conceito de yuppies, (Young People in a Professional Job With a
High Income) que, no Brasil, diferentemente dos EUA, foi utilizado para
conceituar um jovem profissional recém formado, com determinadas
características, como inglês fluente e proveniente de universidades de primeira
linha, que seria treinado e inserido, posteriormente, na organização como
subgerentes de área. O grande problema foi que o Programa de Jovens
Profissionais foi criado no sentido de obtenção de mão-de-obra de baixo custo,
em detrimento de profissionais de carreira com grande tempo de casa. Em seu
quadro funcional, enfrentou, preliminarmente, grande resistência, perdendo
vários talentos e, posteriormente, também negócios e lucratividade. Por fim,
devido a vários motivos, desistiu do programa.
•
Em âmbito internacional, os chineses incorporam ainda o conceito básico de
que são fabricantes de produtos baratos e de baixa qualidade. A baixa
qualidade foi oriunda da necessidade do passado da China de obter um grande
mercado consumidor, gerador de grande receita a partir de um diferencial
competitivo do país - baixo custo, oriundo da grande população.
Entende-se, então, que o profissional de Marketing Internacional não deverá
somente adaptar seus programas de marketing, mas sim também os programas
referentes à gestão de recursos humanos e de talentos organizacionais.
O Perfil do Líder sob Enfoque da Gerência Multicultural
23
O perfil de um verdadeiro Líder, além daquele já amplamente delineado pela
literatura, deve denotar, dentro da ótica da Gestão Multicultural, algumas
qualidades:
•
Formação cultural e acadêmica que possibilite a percepção e o entendimento
de situações particulares. O profissional deverá ter uma formação que viabilize
sua rápida adaptação e inserção no ambiente da empresa e principalmente
dos negócios internacionais. Para tanto, é necessário, por exemplo, um
raciocínio lógico que vise ao entendimento das pequenas particularidades
oriundas de diferentes situações, que podem oferecer uma simpatia inicial,
como, por exemplo, a postura dentro de um jantar ou almoço de negócios
(conhecimentos prévios de gastronomia e etiqueta), domínio de idiomas ou
expressões idiomáticas e comerciais pertinentes ou mesmo de nível cultural
organizacional.
•
Perfil sabático, no sentido de poder identificar, discutir e explorar, de diferentes
maneiras, os negócios da empresa, e permita a detecção de oportunidades
latentes de mercado.
•
Ter as capacidades cognitiva e de anagnose, no sentido de se posicionar e
influenciar positivamente os membros do grupo dentro de um processo de
negociação.
•
Ter a competência cognitiva de reduzir os níveis de incompreensão culturais e
conflitos provenientes de modelos mentais culturalmente diferenciados.
•
Enfim, ter as habilidades e competências necessárias para bem introduzir e
gerenciar o negócio, no sentido de trazer, como conseqüência, resultados.
Entende-se então que todos os esforços serão pertinentes e focados na
satisfação do cliente, do profissional ou público interno, dependendo da ótica
de Marketing ou Recursos Humanos, porém com o objetivo de sucesso e lucro
financeiro.
Nesse aspecto, é importante discernir o que é cultura empresarial - que difere
enormemente da cultura de um país ou de um grupo de pessoas. Isso porque a
cultura de um grupo de pessoas, de um país, diz respeito a aspectos construídos,
24
absorvidos e relevantes ao ser humano dentro de um ambiente incontrolável
(conceito desenvolvido até o momento). Já a cultura empresarial se refere aos
fatores micro-ambientes, oriundos da empresa, onde o líder pode criar, mudar e
desenvolver uma cultura interna organizacional, a partir da missão empresarial.
Nesse contexto, o perfil apresentado pode (e não necessariamente deve) existir,
principalmente em decorrência da cultura não poder ser administrada.
As diferentes características, então, deverão ser consideradas e avaliadas no
sentido de melhor gerenciar os recursos e esforços. Nesse importante aspecto, a
empresa deverá desenvolver os Sistemas de Informação Internos pertinentes, que
possibilitem avaliar a cultura e o clima organizacionais.
A Segmentação como Importante Ferramenta Estratégica de Gerenciamento
Sempre foi tratada como uma forma de análise para estudos de Potencial de
Mercado Qualitativo. Enquanto a pesquisa quantitativa foi tratada sempre para
verificar
a
demanda
em
potencial,
a
pesquisa
qualitativa
foi
tratada,
principalmente, com o propósito de adequar as estratégias ao perfil característico
de cada mercado. Entender, então, as diferentes nuanças qualitativas, como os de
ordem psicográfica dos consumidores tem sido uma ferramenta utilizada para
organizar e adaptar as estratégias de marketing internacional para a posterior
venda. A segmentação pode também ser uma importante ferramenta no sentido
de estabelecer padrões e indicadores de comportamento que podem ajudar no
gerenciamento de times em outras nações.
As Ameaças e Oportunidades no Contexto da Gestão Multicultural
A Gestão Multicultural, em decorrência da sua riqueza de particularidades, possui
algumas características que podem ser consideradas como positivas ou negativas,
dependendo do ponto de vista e dos objetivos da empresa:
•
Altos investimentos em Pesquisa de Marketing Internacional e Recursos
Humanos, além de um investimento contínuo em Sistemas de Informações e
25
Sistemas de Inteligência em Marketing Internacional. As pesquisas serão
elaboradas no sentido de diagnosticar o mercado e delinear as estratégias de
entrada e de operação, enquanto que os sistemas serão necessários no
sentido de monitorar o status quo, suas mudanças e transformações.
•
A identificação e manutenção de profissionais gabaritados que estejam
comprometidos com os ideais e propósitos do negócio e com grande liderança,
flexibilidade e agilidade interpessoal.
•
Um pensamento etnocêntrico, que parte do pressuposto de que a nossa
cultura é superior às demais e que, portanto, faz parte do centro do universo. O
"jeitinho brasileiro" é considerado por nós como um grande diferencial
competitivo, porém denota pensamento e orientação de curto prazo e não
necessariamente criatividade. Da mesma forma que hábitos de etiqueta à
mesa podem ser considerados corretos, como o "comer com o garfo e faca",
em algumas culturas; porém, em outras, come-se com "pauzinhos" ou com as
"mãos", por exemplo.
•
Um pensamento e orientação baseados no “paroquialismo”, supondo que a
nossa cultura é a única e correta forma de pensar e agir. Pressupõe, portanto,
a transferência no caso em que determinados valores sejam analisados sob
diferentes óticas, como, por exemplo, a necessidade premente de "falar inglês"
num mundo globalizado.
•
Capacidade da empresa de fazer Marketing Internacional, isto é, expertise para
atuar de maneira global em situações inusitadas e de alto risco, além de
conhecimentos, habilidades e competências.
•
Necessidade de alta tecnologia e de comunicação, no sentido de integrar, de
maneira rápida, as equipes e as estratégias de marketing e suas respostas, em
tempo real.
•
Falta de material que possibilite uma gerência mais eficaz.
Considerações Finais
26
No tocante à Gerência Multicultural, pode-se dizer que surgiu da abertura das
economias internacionais e da necessidade de expansão no mercado, e que
várias empresas optaram pelo crescimento via mercado internacional. Dessa
forma, a expansão e o sucesso em mercados internacionais envolve as
competências e habilidades dos profissionais, além da complexa gestão
proveniente das diferenças culturais, sociais e comportamentais de cada
população. Entender e se adaptar torna-se um importante diferencial competitivo,
que permite, à empresa, usufruir, de maneira plena, com o devido cuidado de
monitoramento, do marketing internacional. Para tanto, será necessário um Líder
visionário que possa conduzir e compatibilizar as diferentes metas e objetivos
pessoais e profissionais.
A Gerência Multicultural não significa que todos devem se adaptar, mas sim
entenderem e se conscientizarem das diferenças, para que os propósitos e
filosofias sejam conquistados. Deve-se implementar o desenvolvimento da
competência intercultural, além das já consagradas competências técnica e
interpessoal.
Entende-se assim que a concretização da competência interpessoal se dará a
partir das práticas comprometidas com o contexto sociocultural. Dentre elas,
destacam-se:
-
Apropriar-se de dados e informações levando-os à compreensão do contexto
sócio-econômico cultural nos quais a organização se insere;
-
Constante aperfeiçoamento em técnicas de negociação (internas e externas à
organização)
que
possibilitem
o
intercâmbio
vertical,
horizontal
e
transcendental;
-
Realinhar as principais estratégias coletadas à gestão do conhecimento,
buscando agregar experiências tanto em âmbito nacional quanto internacional;
-
Flexibilidade mental, para poder lidar com a ambigüidade das situações.
27
Alia-se, às três práticas, o constante incremento às relações interpessoais, como
fatores complementares no sucesso do intercâmbio cultural, tão necessário no
momento da sociedade e da organização.
Referências
CAVALCANTI, Marly (organizadora). Gestão estratégica de negócios: evolução,
cenários, diagnóstico e ação. São Paulo: Pioneira, Thomson Learning, 2001.
COZBY, Pool C. Métodos de pesquisa em ciência do comportamento. São Paulo:
Atlas, 2003.
CHIAVENATO, Idalberto. Recursos humanos. São Paulo: Atlas, 7ª ed. 1991.
FEIJÓ, Ricardo. Metodologia e filosofia da ciência – aplicação na teoria social e
estudo de caso. São Paulo: Atlas, 2003.
FLEURY, Maria Tereza Leme; OLIVEIRA, Moacir de Miranda Jr. (Organizadores).
Estratégia do conhecimento: integrando aprendizagem, conhecimento e
competências. São Paulo: Atlas, 2001.
KANAANE, Roberto. Comportamento humano nas organizações: o homem rumo
ao século XXI. São Paulo: Atlas, 2ª Ed. 1999.
___; ORTIGOSO, Sandra Ap. Formigari. Manual de
desenvolvimento do potencial humano. São Paulo: Atlas, 2001/
treinamento
e
KUAZAQUI, Edmir. Marketing Internacional: como conquistar negócios em
mercados internacionais. São Paulo: Makron, 1999.
___. Marketing Turístico e de hospitalidades: fonte de empregabilidade e riquezas
para o Brasil. São Paulo: Makron, 2000.
___; KANAANE, Roberto. Marketing e Desenvolvimento de Competências. São
Paulo: Nobel, 2004.
REA, Louis M. S. Parker, RICHARD A.. Metodologia de pesquisa: de planejamento
à educação. São Paulo: Pioneira, 2003.
WOOD, Thomaz Jr. (Coordenador). Gestão Empresarial: oito propostas para o
terceiro milênio. São Paulo: Atlas, 2001.
28
Distúrbios respiratórios: a contribuição do sistema
de Atendimento Domiciliar.
Beatriz Scarpellini Perotti 3
Bruna Barbieri Ferreira da Silva
Fernanda C. M. Pescarin.
Resumo
Este artigo procurará retratar de forma inicial a apnéia do sono e respectivos
tratamentos. É parte integrante de pesquisa exploratória do Trabalho de
Conclusão de Curso em Administração da Escola Superior de Propaganda e
Marketing (ESPM).
Palavras-chave: apnéia do sono, distúrbios do sono, atendimento domiciliar.
Introdução
Este artigo tem como objetivo informar àqueles interessados sobre problemas
respiratórios – em especial a apnéia do sono - e seus principais métodos de
tratamentos. Além disso, serão abordadas características do público-alvo potencial
ao qual os principais fabricantes de métodos de tratamento esperam oferecer seus
produtos, dados demográficos acerca desse mercado e informações sobre
homecares.
1. Problemas de saúde e tratamentos
Quando existe doença nos pulmões, pode haver falta de oxigênio no sangue e,
sem oxigenação adequada, os rins, o coração e o cérebro podem adoecer. Com o
uso da oxigenoterapia, é possível corrigir o nível de oxigênio no sangue,
prevenindo a deterioração desses órgãos nobres. Com o oxigênio normalizado,
existe melhora no sono, na memória, na disposição em geral, no desempenho de
atividades físicas. Além disso, há diminuições no número de internações
3
Graduandas em Administração pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
29
hospitalares nos pacientes que usam oxigênio. Dentre os principais problemas
relacionados à respiração, podem-se destacar:
•
a Apnéia do Sono - é uma doença (síndroma) crônica, evolutiva, com
alta taxa de morbidade e mortalidade. Ela é responsável por apresentar um
conjunto de sintomas múltiplo que vai desde o ronco até a sonolência excessiva
diurna, com repercussões gerais neurológicas e comportamentais. O fator
determinante da apnéia está localizado nas vias aéreas superiores, especialmente
na faringe. O colapso de suas paredes durante o sono pode restringir, em parte, o
fluxo aéreo, produzindo assim, vibrações de baixa freqüência que constituem o
ronco. O ronco não pode mais ser avaliado simplesmente pelo seu aspecto social
e deve ser considerado um problema médico, pois pode preceder a apnéia em
mais de 90% dos casos. A falta de sono tranqüilo leva a um aumento da
irritabilidade, ansiedade, diminuição da capacidade intelectual, perda de memória
e reflexos, depressão e diferentes reações emocionais. Algumas recomendações
para quem sofre de apnéia do sono:
evitar medicamentos sedativos do tipo hipnóticos, antialérgicos, anti-histamínicos, preferencialmente antes de dormir;
evitar refeições pesadas antes de dormir;
evitar comer no meio da noite;
perda de peso;
evitar fumar (no mínimo quatro horas antes de dormir);
evitar álcool antes de dormir (no mínimo quatro horas);
evitar dormir de costas (barriga para cima);
evitar bebidas cafeinadas - chá, café, chocolate (no mínimo
quatro horas antes de dormir);
evitar privação de sono;
procurar manter um horário relativamente constante para
dormir e acordar;
levantar a cabeceira da cama cerca de 15 a 20 centímetros;
eventualmente, dormir sentado em uma poltrona;
30
controlar infecções, inflamações, principalmente das vias
aéreas;
procurar seu médico otorrinolaringologista.
•
Um dos tratamentos sugeridos: a ventilação assistida é utilizada em
pacientes que sofrem de falências musculares e respiratórias, que ocorrem na
apnéia. Os equipamentos são utilizados para reduzir o trabalho respiratório e
melhorar as trocas gasosas e os volumes pulmonares, trazendo bem estar e alívio
às sensações de dispnéia.
•
Os principais substitutos existentes atualmente são a internação
hospitalar e as cirurgias corretivas (apenas no caso da apnéia do sono). Além
dessas opções serem mais caras, a internação domiciliar proporciona benefícios
significativos, já que o paciente não terá que ficar no hospital, e poderá desfrutar
do conforto de sua casa e da alegria de estar com sua família.
•
Há opções como tratamento ortodôntico e dietas, nos casos mais simples.
2. Público interessado
O público interessado neste estudo consiste do grupo de pacientes que sofrem da
doença, pessoas que têm distúrbios respiratórios mas não sabem e aquelas que
sabem que sofrem a doença mas que evitam o tratamento.
3. Dados demográficos
De acordo com dados do IBGE, a estimativa para quem nasce agora é de viver
acima dos 70 anos. Com o crescente número de idosos em nosso país, torna-se
necessário modificar o atual modelo de hospitalização. Uma das opções que deve
ser levada em consideração é o mercado de homecare (ou internação domiciliar).
A Associação Brasileira das Empresas de Medicina Domiciliar (Abemid) estima
que existam hoje cerca de cinco mil pacientes em regime de internação domiciliar
e a tendência do mercado é crescer, principalmente se houver regulamentação da
atividade por parte da Agência Nacional de Saúde (ANS).
31
As doenças pulmonares avançadas atacam 5% da população mundial. A apnéia
do sono acomete de 5 a 9% da população brasileira e 21% da população têm
entre 20 a 30 anos. O predomínio é no sexo masculino em pessoas com até 40
anos. A obesidade é agravante e não determinante.
O setor de serviços de Homecare, que atende pessoas com problemas
respiratórios, cresce cerca de 10% ao ano. Atualmente, há mais de 7.500.000
pessoas no Brasil que precisam do tratamento com oxigenoterapia. Segundo
dados da Associação Brasileira de Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas,
esse número deve ser bem maior, pois a falta de informação e conscientização da
população faz com que muitas pessoas não saibam que possuem a doença.
Segundo a associação, ainda existem pessoas que têm resistência ao tratamento.
4. Homecares
O Homecare é um modo assistencial de muita importância para atendimento de
pessoas idosas e doentes crônicos, pois, além de ser mais humanizado, gera
menos custos para o paciente – em média, 50% inferiores. É uma atividade que
pode ser considerada uma boa alternativa para a limitação da rede hospitalar
brasileira. Esse tipo de atendimento médico proporciona maior conforto e
segurança ao paciente porque quando ele se encontra em um ambiente de
convívio direto com seus familiares, as chances de recuperação são maiores. Há
também outra vantagem nesse tipo de modalidade assistencial que é a eliminação
de risco de infecção hospitalar.
Com isso, também surgem vantagens para os hospitais que passam a ter uma
maior preservação de seus leitos hospitalares e redução de custos assistenciais.
Assim, os leitos podem ser direcionados para os pacientes em tratamento de
doenças complexas, que não apresentam alternativa de tratamento.
32
Em todo o mundo, essa modalidade ganha um espaço progressivamente maior no
volume da assistência hospitalar. Em países desenvolvidos, o Homecare já tem
uma história de mais de 20 anos, sendo sua prática já consagrada no meio
profissional e aceita pela população.
No Brasil, sua implantação é recente e se mostra muito positiva por Planos de
Saúde e pelo Poder Público. Alguns estudos estatísticos demonstram que mais da
metade dos pacientes internados nas redes hospitalares brasileiras poderia ser
beneficiada pela prática do Homecare. Portanto, torna-se necessário trazer ao
conhecimento das pessoas o conceito de Homecare, e demonstrar seus
benefícios para os pacientes, a fim de se aliviar os leitos da rede pública hospitalar
brasileira por meio dessa nova alternativa.
5. Benefícios esperados
A intenção do artigo é também proporcionar reflexão por parte do público-alvo
sobre assuntos muito tratados hoje em dia, como tabagismo, obesidade, ronco
noturno, dor de cabeça, sonolência
diurna e depressão, entre outras
características dos portadores de doenças crônicas respiratórias.
A conscientização pode ajudar os portadores a terem uma qualidade de vida
melhor; e por meio do estudo do comportamento do consumidor talvez seja
possível descobrir maneiras que possam fazer com que os pacientes não rejeitem
o tratamento. O controle da doença pode proporcionar maior energia aos
portadores, melhorando a sua saúde, assim poderá fazer coisas que havia
deixado de fazer por causa do problema respiratório. Também proporciona menor
número de internações hospitalares. Com a normalização do nível de oxigênio no
sangue, o paciente vai observar melhora no sono, na memória, na disposição
geral, no desempenho das atividades físicas, no humor, etc. Portanto, visa-se a
melhora do bem estar bem estar físico e emocional das pessoas, de uma
oportunidade de negócios pouco explorada pelas empresas que atuam no setor. A
resistência de idosos em prosseguir com o tratamento e a falta de informações e
33
conscientização dos portadores da doença faz o assunto ser ainda mais
interessante. Percebe-se que existe uma enorme quantidade de assuntos a
explorar e a desenvolver e, ainda, diversos desafios a enfrentar.
Além disso, para a empresa, esse desenvolvimento seria muito proveitoso, pois
haveria todo um estudo que poderia ajudá-la a ser pioneira no desenvolvimento e
inovações desse mercado, além do crescimento junto a esse.
6. Mercado potencial
O mercado para os produtos de Homecare - Oxigenoterapia, Ventilação Assistida
e tratamento de Apnéia do Sono é bastante amplo no mundo todo 4 . Envolvem
pessoas que sofrem de distúrbios do sono e respiratórios.
Os problemas de sono atingem uma parcela substancial da população. Pesquisa
realizada pela Fundação Americana do Sono (NSF), no ano passado, mostrou que
cerca de 70% da população mundial adulta sofrem ou já sofreram algum tipo de
distúrbio de sono. Desses, em torno de 4% têm Síndrome da Apnéia Obstrutiva do
Sono (SAOS), e apenas um a cada oito casos é diagnosticado.
A apnéia é, dentre os principais distúrbios do sono catalogados, o de maior
repercussão sobre a vida laborativa e social das pessoas. É particularmente mais
comum em homens acima dos 30 anos. Sua causa é multifatorial, sendo
conseqüência de um colapso ou de um grande estreitamento da via aérea superior
que ocorre durante o sono.
Enquanto atinge 4% dos homens de meia-idade (30 – 60 anos), nos que têm mais
de 65 anos, chega a 28%. Nas mulheres, o aumento é de 2% na meia-idade para
24% depois dos 65 anos, devido à perda dos hormônios femininos após a
4
População considerada nesse estudo: população mundial: 6,5 bilhões; população brasileira:
180 milhões (91 milhões de mulheres e 89 milhões de homens); população paulistana: cerca de 10 milhões
34
menopausa. Para elas, a terapia de reposição hormonal pode ser a solução do
problema. É comum que a pessoa desconheça que tem o problema. Os
tratamentos incluem aprender a dormir em posição correta, dispositivos que
ajudam a manter as vias respiratórias abertas, medicamentos e cirurgia.
7. Características demográficas do consumidor
A pessoas que podem precisar utilizar a oxigenoterapia domiciliar são,
principalmente, aquelas portadoras de:
doença pulmonar obstrutiva crônica;
fibrose pulmonar;
bronquiectasias;
seqüelas de tuberculose;
doenças da circulação pulmonar;
insuficiência cardíaca congestiva;
fibrose cística;
síndrome da apnéia do sono.
Dados internos dizem que a maioria dos pacientes é de pessoas que sofrem de
doenças pulmonares obstrutivas e crônicas e geralmente estão na 3ª idade,
quando os efeitos do tabagismo e da obesidade são mais agravantes. A proporção
existente de homens e mulheres com essas necessidades são de 1 - 1.
Já as pessoas que podem precisar utilizar tratamento da apnéia do sono são,
principalmente, aquelas portadoras de:
sonolência diurna excessiva - hipersonolência;
roncos noturnos - podendo ultrapassar a mais de 70 decíbeis;
obesidade;
apnéias;
enurese;
refluxo gastresofágico;
35
fadiga diurna excessiva;
sono não reparador - sensação de cansaço ao despertar;
despertares freqüentes durante a noite;
perda progressiva da memória e dificuldade de concentração;
cardiopatias associadas: arritmias (extrassístole, taquicardia ventricular, pausa
sinusal e bloqueio A-V), hipertensão arterial do tipo deeper e não raro do tipo nondeeper, angina, infarto do miocárdio, cor pulmonale e insuficiência cardíaca;
sudorese noturna;
diminuição da libido;
cefaléia matutina;
micrognatia ou retrognatia;
depressão;
irritabilidade;
modificação da personalidade e da voz.
Segundo alguns fornecedores do serviço de atendimento domiciliar, para cada 10
pacientes com esse problema, 9 deles são do sexo masculino e a maior incidência
dos casos ocorre com pessoas a partir de 35 anos.
As pessoas que podem utilizar a ventilação assistida são as que são
politraumatizadas (sofreram acidentes). Vale ressaltar que boa parte desses
acidentes ocorre com jovens que dirigiam moto. Também há as pessoas que
sofrem de esclerose lateral. Esse problema costuma aparecer em pessoas com
mais de 40 anos. Outros pacientes que precisam da ventilação assistida são
aqueles que sofrem de distrofias (geralmente crianças que nascem com
deficiências respiratórias).
Referências
DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Disponível em: www.dieese.org.br. Acesso em: 16 out. 2005.
Atendimento Domiciliar - Air Liquide. Disponível em: www.airliquide.com. Acesso
em 16/10/2005
36
Atendimento Domiciliar - VitalAire. Disponível em: www.vitalaire.com. Acesso em
15/10/2005.
"Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica: Um problema pouco reconhecido ".
Disponível em: www.boasaude.com.br. Acesso em 04/08/2005.
IBGE
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em:
<www.ibge.com.br>. Acesso em: 09 out. 2005
37
Transporte aéreo de passageiros: a integração do
passageiro em uma cultura de segurança de vôo
Ana Carolina de Oliveira Prado Barreto 5
“Quando você tiver provado a sensação de voar, andará
na terra com os olhos voltados para o céu, onde esteve e para onde
desejará voltar.” Leonardo da Vinci (1452 – 1519), pintor e cientista italiano.
Desde tempos remotos, o homem costuma viajar. Inicialmente porque tinha que
locomover-se em busca da caça, surgindo depois inúmeros outros motivos, como
guerras, comércio, etc. No Império Romano, já havia viagens por prazer, quando a
elite romana se dirigia aos balneários de Pompéia e Herculano.
O turismo de massas iniciou-se na Inglaterra, com o advento da Revolução
Industrial a conseqüente ascensão da classe média e a invenção de meios de
transportes mais baratos.
O desejo de voar sempre fez parte do sonho humano. A partir da concretização
desse sonho, ou seja, da invenção do avião, as viagens por necessidade,
negócios ou prazer passaram a dispor de um meio rápido, mas também
confortável e seguro de executá-las. A indústria do transporte aéreo prosperou
como empreendimento comercial à medida que os avanços tecnológicos
possibilitaram
que
as
empresas
desenvolvessem
serviços
regulares
de
passageiros. Após a Segunda Guerra Mundial, foram criadas as linhas aéreas
comerciais. No período pós-guerra o transporte aéreo moderno emergiu como um
negócio internacional, oferecendo produtos e serviços para um grupo diversificado
de usuários, incluindo transporte para passageiros e serviço de carga para
empresas. A evolução dos aviões a jato determinou grande expansão nesse ramo.
O transporte aéreo tem hoje a garanti-lo a capacidade e a eficiência de
5
MBA em Gestão de Marketing e Comunicação pelo Instituto Cambury.
38
profissionais treinados e a mais alta tecnologia e aparelhagens, tudo levando à
eficácia de um transporte seguro.
Seguro? Sim. O avião é o meio de transporte mais seguro do mundo, pois
apresenta menos de um óbito por cada milhão de passageiros embarcados número esse bem mais baixo em relação aos demais meios de transporte
disponíveis 6 . O Brasil possui a segunda frota de aviões do mundo e a segunda
maior rede aeroportuária (mais de 2.000 aeroportos), bem como um movimento
anual médio de 18,2 milhões de passageiros e 5 bilhões de toneladas
transportadas. 7 Com média de 0,76 óbitos por cada milhão de passageiros, o
transporte aéreo regular brasileiro apresenta uma segurança superior a da média
internacional. Porém, muitos acidentes acontecem, por várias causas. Parte deles
por desinformação ou descumprimento de normas de segurança estabelecidas
pelos órgãos competentes.
Advém daí a necessidade de se incentivar o estabelecimento de uma “cultura de
segurança”, não só no sentido que hoje é comum à expressão, que é o de que
esteja envolvido todo o pessoal das organizações ligadas à aviação. Pode-se
afirmar que há hoje uma cultura de segurança de vôo que envolve toda a parte
tecnológica, ou seja, a fabricação dos aviões e seus componentes e também já
está estabelecida uma cultura de segurança entre o pessoal ligado à aviação,
tanto civil quanto militar. O que defendemos é que é necessário atingir o usuário
comum do transporte aéreo. O passageiro também tem seu papel a cumprir e
careceria de um entendimento maior sobre a questão da segurança. Em geral, o
passageiro não está bem informado a respeito de possíveis conseqüências de se
ligar um aparelho celular ou de se acender um cigarro a bordo. Na maioria dos
casos, desconhece totalmente que graves problemas vasculares podem ocorrer
6
Fonte: CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Dados citados nos Relatórios
Finais de Acidentes Aeronáuticos – RFAA, ano 2000.
7
Fonte: DAC (Departamento de Aviação Civil). Citado na Revista SIPAER, setembro/2000.
39
aos passageiros que permanecem sentados por várias horas e que seria útil
conhecer alguns exercícios de alongamento próprios para viagens.
Assim como só recentemente a educação para o trânsito passou a receber o
devido e necessário destaque, é desejável que, no futuro, todos os que se utilizam
do transporte aéreo recebam melhor orientação e que os profissionais (tripulação,
funcionários de aeroportos, etc.) tenham, ao lado do conhecimento necessário,
compreendido a necessidade da troca constante de informações e de que se
estabeleça uma cultura de segurança robusta o suficiente para que cada um
cumpra bem o seu dever.
Nos tempos atuais, as viagens turísticas tornaram-se uma atividade global e estão
assumindo um papel importante nos hábitos de lazer nas sociedades
desenvolvidas, sendo que as viagens ao exterior estão mais acessíveis a várias
camadas da população. Esse crescimento na atividade de viajar é também um
fator determinante da necessidade de se preparar o turista para sua viagem em
segurança.
SEGURANÇA DE VÔO - Conforme Moura, “sob o ângulo da técnica da
navegação aérea, a maior prestação de serviços é o transporte de pessoas e de
mercadorias. É isto que empresta um caráter peculiar e essencial. Não somente
um caráter, mas também um imperativo categórico, a segurança” 8 .
Chamamos Segurança de Vôo ao conjunto de medidas e procedimentos tomados
para evitar incidentes e acidentes aéreos 9 . A Segurança de Vôo deve ser
trabalhada no cotidiano do profissional da área e não consiste apenas em seguir
os procedimentos burocráticos, mas também em exercitar diariamente o trabalho
de equipe, de cooperação, de troca de informações, pois se sabe que a boa
prevenção
depende,
fundamentalmente,
de
informação,
de
compartilhar
experiências.
8
9
MOURA, Geraldo Bezerra. Transporte aéreo e responsabilidade civil. São Paulo: Aduaneiras, 1992.
Ver definição de acidentes e incidentes aeronáuticos nas páginas 23-24.
40
Histórico - As atividades de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos,
no Brasil, remontam à década de 1920. Isso com relação à aviação militar, pois,
com relação à aviação civil brasileira, sabe-se que até o início dos anos 30 não
existia forma alguma de controle ou registro das ocorrências.
Em 1951, nasce a sigla SIPAER para identificar o Serviço de Investigação e
Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Em 1971, nasceu o Centro de Investigação
e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos – CENIPA – como órgão central do
SIPAER. Passa-se então a difundir uma nova filosofia: os acidentes passaram a
ser vistos a partir de uma perspectiva mais global e dinâmica. A palavra inquérito
foi substituída e as investigações passaram a ser realizadas com um único
objetivo da prevenção de acidentes aeronáuticos.
Foram desenvolvidas as bases de pesquisa fundamentadas no trinômio: “o
Homem, o Meio e a Máquina”, pilar da moderna filosofia SIPAER. Assim, as
investigações
são
concentradas
nos
aspectos
básicos,
identificados
e
relacionados com a atividade aeronáutica, grupados nos fatores Humano, Material
e Operacional.
Na área educacional, o CENIPA promove, ao longo de cada ano, um calendário
de seminários e cursos de segurança de vôo, destinados à formação, à
atualização e ao aperfeiçoamento do seu pessoal, bem como ao intercâmbio de
informações com países amigos.
Acidente Aeronáutico – É toda ocorrência relacionada com a operação de uma
aeronave - entre o período em que uma pessoa nela embarca com a intenção de
realizar um vôo, até o momento em que todas as pessoas tenham dela
desembarcado
- em que ocorram situações nas quais qualquer pessoa sofra
lesão grave ou morra; aeronave sofra dano ou falha estrutural; aeronave seja
41
considerada desaparecida ou o local onde se encontre seja absolutamente
inacessível.
Incidente Aeronáutico – É a ocorrência anormal, que não um acidente,
associada à operação de uma aeronave, havendo intenção de vôo, e que afete ou
possa afetar a segurança
Chama-se fator contribuinte a condição (ato, fato, omissão ou combinação deles)
que, aliada a outras, em seqüência ou como conseqüência, conduz à ocorrência
de um acidente ou incidente aeronáutico. Os fatores contribuintes classificam-se
de acordo com área de abordagem da segurança de vôo, em três áreas: de fator
humano (FH), a qual engloba o aspecto fisiológico e o aspecto psicológico; de
fator material (FM), englobando deficiências de projeto, de fabricação e
manuseio do
de
material; de fator operacional (FO), referente a condições
meteorológicas adversas; deficiência de infra-estrutura; deficiência de instrução,
de manutenção, de aplicação dos comandos, de coordenação de cabine, de
julgamento,
de planejamento; esquecimento; imprudência
e negligência de
tripulante, indisciplina de vôo, influência do meio ambiente; omissão; pouca
experiência de vôo na aeronave; deficiência de pessoal de apoio e supervisão.
A área de fator humano, no aspecto psicológico , trata também dos acidentes que
envolvem
causas
determinadas
por
características
psicológicas
e
clima
psicossocial.
Prevenção de Acidentes e Incidentes Aeronáuticos - O Ministério da
Aeronáutica emite as portarias que aprovam as normas de serviços (NSMA), que
dispõem sobre os procedimentos de prevenção de acidentes e incidentes
aeronáuticos. A NSMA nº3-3, de 30 de janeiro de 1996, estabelece critérios,
normas e procedimentos para o planejamento e a execução das atividades
básicas da prevenção de acidentes e de incidentes aeronáuticos, permitindo que
os operadores civis e militares desenvolvam-nas de acordo com a realidade de
42
sua empresa, organização ou unidade aérea, podendo assim obter benefícios em
todos os níveis envolvidos com o vôo.
Esses procedimentos não dizem respeito somente aos profissionais da aviação. O
passageiro precisa conhecer seus deveres e é essencial que a coletividade esteja
consciente de que a prevenção de acidentes é estimulante da atividade aérea e
não uma ação de restrição e limitadora do vôo, pois a sua finalidade é fazer com
que o vôo se desenvolva dentro das normas estabelecidas e parâmetros previstos,
o que resultará na eliminação ou redução das perdas de vidas ou de material.
O bilhete de passagem impõe ao passageiro certo número de obrigações que
deverão ser cumpridas sob pena de, se incorrer em falta, diminuir ou mesmo
excluir a responsabilidade do transportador, em certos casos.
O passageiro está sob o império de um contrato de adesão e, portanto,
deverá seguir as regras impostas pelo transportador, isto é, deverá
obedecer as normas ditadas pela IATA (International Air Tranport
Association – Associação Internacional de Transporte Aéreo) e aceitas
pela empresa que emitiu o bilhete de passagem. Nos termos do art. 232,
do Código Brasileiro de Aeronáutica, a pessoa transportada deve sujeitarse às normas legais constantes do bilhete ou afixadas à vista dos
usuários, abstendo-se de ato que cause incômodo ou prejuízo aos
passageiros, danifique a aeronave, impeça ou dificulte a execução
normal do serviço. 10
Essas são obrigações legalmente impostas pelo contrato de adesão mencionado.
Porém, consideramos que é necessário ir além, cumprindo não apenas o que já
explicita a legislação, mas também o que o bom senso e a necessidade de
preservar a vida e a sua qualidade recomendam. Por isso, falamos em “cultura” de
segurança. Por isso, falamos na necessidade de orientação e de treinamento das
pessoas que são usuários comuns dos transportes aéreos. Assim como são
definidas as responsabilidades do transportador, assim também devem ser
consideradas as responsabilidades do usuário, embora não sejam determinadas
legalmente. Desde que adentra o aeroporto, já é recomendável toda a atenção por
10
MOURA. Geraldo Bezerra. Transporte aéreo e responsabilidade civil. São Paulo: Aduaneiras, 1992.
43
parte do usuário no sentido de levar a sério todas as recomendações das
autoridades competentes, bem como aquelas específicas de seu transportador.
Quando ocorre o embarque e desembarque de passageiros simultaneamente ao
reabastecimento da aeronave, os passageiros deverão ser bem informados e
advertidos, através do speech, para que não utilizem qualquer objeto que possa
produzir faisca. Nesse momento, o uso do aparelho celular oferece altíssimo risco.
Merece destaque a questão dos danos causados às aeronaves por ingestão de
corpo estranho, natural ou não, pelos motores. Esse tipo de acidente pode
eventualmente envolver a população da vizinhança dos aeroportos, e essa é a
razão de sua inclusão no presente trabalho. Os chamados FOD. (Foreign Object
Damage), ou seja, danos por objetos estranhos, constituem um tipo da ocorrência
usualmente causada por erros humanos ou por absoluta falta de cuidado das
pessoas envolvidas, que permitem com que um objeto, que não faz parte do
motor, seja ingerido pelo mesmo e cause danos que poderão torná-lo inoperante
ou insegura a sua operação. Os objetos estranhos que poderão ser perigosos
para os motores das aeronaves dividem-se nas seguintes classes: gelo, objetos
metálicos (arames, porcas, parafusos, ferramentas, etc.), objetos macios (trapos,
papéis, roupas, fones de ouvido, pacotes, sacolas, fitas, bandeirolas de segurança
no solo), pedras e pedaços de pavimentação, pássaros e animais, miscelâneas
(água, erosão, areia, poeira e contaminação). Dissemos que esse tipo de acidente
pode envolver a comunidade vizinha, assim, por exemplo, a quantidade de lixo é
determinante da quantidade de pássaros nas vizinhanças do aeroporto.
Acidentes, Atentados, Seqüestros – Após os acontecimentos de 11 de
setembro, nos EUA, todos envolvendo aviões, o mundo mudou as regras de
segurança de vôo. Todos os países envidaram esforços para tornar o transporte
aéreo mais seguro. Muitos dos procedimentos de segurança incluídos nas novas
normas afetam diretamente os passageiros. Nos Estados Unidos, as tropas da
Guarda Nacional ficam disponíveis a critério do governador para funções de, entre
44
muitas outras, monitorar o controle de bagagem e de passageiros e a atividade
dos portões.
Todos os governos colocaram em discussão a legislação de segurança em
aeroportos e tomaram medidas para proteger o público que viaja. O passageiro
passou a sofrer um controle mais rígido com relação ao porte de determinados
itens a bordo. Desde 14 de setembro de 2001, aviões que seguem rotas
consideradas de risco podem até contar com uma tripulação extra: agentes de
segurança a bordo.
Esses acontecimentos envolvendo a aviação comercial e ações terroristas
internacionais serviram para corroborar as nossas opiniões e lançaram um alerta
para a aviação civil e militar e para as pessoas que se utilizam dos transportes
aéreos de que é necessário privilegiar a questão segurança. Por essa razão,
julgamos que o momento é propício para a conscientização de todos de que cada
qual tem o seu papel a cumprir, afinal, a primordial obrigação humana é preservar
a vida.
O passageiro de avião deve estar preparado para ter seus pertences examinados,
seja qual for o destino de sua viagem. As medidas que mais atingem o viajante de
um vôo internacional são o controle de mão pelo raio X (no caso do Brasil, na área
sob alçada Polícia Federal) e por inspeção (o que acontece próximo do portão de
embarque); a contagem dos passageiros dentro do avião e a remoção da
bagagem de quem perder o embarque. As mesmas regras não valem para vôos
domésticos, pois eles ficariam inviáveis. Ou seja, o controle existe, mas não é tão
rigoroso.
A PARTICIPAÇÃO DO USUÁRIO – Uma grande parte (60%) dos acidentes
aeronáuticos é atribuída a erros humanos e muitos desses erros podem ter sido
causados por indicações, alarmes e/ou manobras provocadas por aparelhos
45
eletrônicos portáteis dos passageiros. 11 Laptops podem disparar alarmes sonoros
e luminosos na cabine de comando e podem também desacoplar o piloto
automático e atrapalhar os pousos por instrumento.
Jogos eletrônicos podem provocar indicações incorretas da quantidade de
combustível presente nos tanques e interferir nas comunicações VHF, desacoplar
o piloto automático e fazer o avião descer por conta própria.
Câmaras de vídeo podem fazer o VCR indicar direção totalmente errada e
provocar ainda falhas nos spoilers. Spoilers, também chamados aerofreios,
formam o sistema de travagem ou redução de velocidade em vôo.
CD players podem aumentar a velocidade de rotação do motor por conta própria.
E um fator que agrava mais ainda essas manifestações que os pilotos geralmente
são pegos de surpresa, em momentos inesperados, podendo induzi-lo a tomar
providências erradas.
Notebooks,
agendas
eletrônicas,
PC,
toca
fitas
cassete,
calculadoras,
barbeadores elétricos somente podem ser utilizados em vôo de cruzeiro e o
comandante deverá ser notificado pelo comissário para avaliação de seus efeitos
nos sistemas de navegação por instrumentos. Esses instrumentos, como já vimos,
podem interferir nos sistemas de orientação das aeronaves, principalmente
durante decolagens e pousos.
Uma aeronave de laboratório, utilizando um analisador de espectro, constatou que
emissões de rádios piratas provocam sérias interferências nos aviões, e podem
levá-los a cair. Como se pode ver, até terceiros que nada têm a ver com o vôo
podem ser, indiretamente, responsáveis por acidentes ou incidentes aéreos.
11
Fonte: CENIPA – Citado nos Relatórios Finais de Acidentes Aeronáuticos RFAA, ano 2000.
46
Celular a Bordo – Esse tipo de equipamento pode interferir nos equipamentos de
rádio-navegação das aeronaves de tecnologia moderna, que utilizam vôo e
decolagem automatizados por modernos aparelhos de aeronavegação. Entretanto,
tal fato também não é uma verdade absoluta, uma vez que, para que haja
interferência, deve haver algumas coincidências como distância ideal entre o
equipamento transmissor de ondas eletromagnéticas e os equipamentos de bordo
das aeronaves, blindagem inadequada dos equipamentos, posição de antena,
aspecto de freqüência de funcionamento dos mesmos, etc.
Além disso, mesmo que ocorram tais coincidências, não se pode garantir que
haverá interferência. No entanto, ela poderá ocorrer, como já houve vários
episódios na aviação que não só demonstram as interferências eletrônicas, mas
também colocaram em risco as aeronaves e seus passageiros. O perigo não é só
a interferência. Há estudos que comprovam que nos momentos iniciais de
transmissão ou recepção de mensagens de telefones celulares, tais equipamentos
geram tensão suficiente para provocar fagulhas, o que torna, obviamente, uma
operação de reabastecimento ou destanqueamento de aeronaves perigosa, se
houver, concomitantemente, utilização do telefone celular.
A maioria das empresas americanas, apoiadas em pareceres da Boeing e da
Airbus, permite a utilização dos equipamentos eletro-eletrônicos a bordo de suas
aeronaves, no solo e com motores parados e as portas abertas.
A FAA (Federal Aviation Administration – Administração Federal da Aviação) não
especifica os equipamentos proibidos a bordo, principalmente nas fases críticas do
vôo, por entender que a tecnologia é mais rápida do que qualquer
regulamentação, e também delegam às empresas aéreas a flexibilização para a
utilização desses equipamentos, desde que as mesmas garantam a segurança
das operações aéreas.
47
Considerando toda essa abordagem, a comunidade brasileira de Segurança de
Vôo ainda não atingiu um consenso quanto a esses equipamentos. Enquanto o
Departamento de Aviação Civil acena com uma flexibilização semelhante à
adotada pelas empresas americanas, o SIPAER apresenta uma tendência a ser
mais restritivo. Alguém poderia lembrar que a liberação só ocorreria com o avião
no chão, motores parados e portas abertas. Entretanto, ninguém seria capaz de
garantir que um usuário do transporte aéreo não faria uso deliberado de um
celular, por exemplo, na reta final para o pouso.
Talvez essa posição seja conservadora demais, mas, sem dúvida, está voltada
para a garantia da segurança das operações aéreas e, por conseguinte, do
usuário do transporte aéreo brasileiro.
Turbulência – A turbulência é a principal causa de ferimentos em acidentes não
fatais. Um grande número de incidentes que resultam em ferimentos ou danos
leves ocorrem a cada ano. 12 Muitas vezes, os comissários não cumprem seu
papel de interromper os serviços de bordo durante turbulência, no intuito de
concluir os serviços a tempo para o pouso. Por isso, os passageiros continuam
manuseando talheres quando o aviso de apertar cintos é aceso, acreditando que a
situação não é tão grave.
Doenças em viagens aéreas: é preciso evitar
Estresse - PAGE nos informa que “o estresse associado às viagens internacionais
e, em menor grau, às domésticas é resultado de vários fatores psicológicos, que
têm seu efeito aumentado pelo congestionamento dos sistemas de transporte”. 13
O estresse de viagem pode ser atribuído a: ansiedades anteriores ao vôo;
problemas no vôo; jet lag (distúrbios causados por viagens aéreas de longa
12
13
Fonte: CENIPA – Citado na Revista SIPAER Julho/2001.
PAGE, Stephen J. Transporte e rurismo. São Paulo: Bookman, 2001, p. 244.
48
distância e do qual trataremos adiante); medos e fobias e outros aspectos
psicológicos.
Ansiedades anteriores ao vôo – O fator “ansiedades anteriores ao vôo” aflora
quando os passageiros têm que se deslocar ao local de embarque em horário bem
anterior ao da viagem, para cumprir horários impostos pelas companhias aéreas.
Sensações como receio de perder o vôo costumam provocar ansiedade no
viajante inexperiente. Uma vez chegando ao ponto de embarque, o processo de
check-in e todas as complexas questões de segurança ligadas à bagagem podem
expor o viajante a uma significativa dose de estresse em ambiente estranho. A
eventual superlotação dos prédios e terminais dos aeroportos pode ser opressiva
e desorientadora para alguns viajantes.
Problemas no vôo - Problemas no vôo, incluindo o lay out das áreas destinadas
aos passageiros que viajam em classe econômica, podem contribuir para um
processo impessoal e desumanizante que é exacerbado pela ausência de
informações sobre os atrasos. Os atrasos fazem com que o passageiro passe por
um processo de ansiedade e preocupação.
Uma tendência preocupante é o aumento de incidentes de bordo, quando
passageiros violentos prejudicam o vôo. Esses incidentes podem colocar em risco
a vida de centenas de pessoas e está se tornando uma preocupação constante
das empresas. Um dos fatores que contribuem para esse tipo de acontecimento é
o consumo de álcool e também de comprimidos para dormir ou outros
medicamentos. Já há companhias que permitem que os funcionários impeçam o
embarque de passageiros embriagados e parem de servir passageiros que
pareçam estar embriagados a bordo. Há relatos de companhias que já deram
instruções a suas tripulações no sentido de impedir condutas desordeiras. As
companhias estão aplicando pesadas multas aos passageiros, especialmente
quando os pilotos desviam a rota para desembaraçar-se deles.
49
O público demonstra reagir bem a informações impressas, tipo manual, guardadas
naturalmente as devidas proporções, pois o objetivo não é espalhar pânico e
medo, e sim tornar a viagem mais segura. O medo pode causar estresse e se
tornar também um obstáculo à segurança do vôo. Por isso, informações sobre
segurança sempre deverão ser dadas de forma tecnicamente correta e de forma a
construir uma boa informação e solidificar a confiança do passageiro.
Jet leg – Trata-se de um problema associado com as mudanças nos fusos
horários e que apresenta os seguintes sintomas: Prisão de ventre, diarréia,
desorientação, tosse seca, olhos e pele seca, dor de ouvido, fadiga, insônia, perda
da libido, pernas dormentes, náusea, insegurança, impaciência, perda da
memória, dor de cabeça e dificuldade de concentração. São mais sentidos por
quem se desloca no sentido Oeste-Leste. Os vôos para Oeste causam menos Jet
leg do que os vôos para o Leste, porque o horário local está atrasado em relação
ao nosso. Quanto maior a diferença de fuso horário, pior a adaptação (nome
científico: dessincrose circadiana).
Algumas recomendações são importantes e podem evitar ou pelo menos atenuar
os efeitos do Jet leg no nosso organismo, como, por exemplo, a recomendação de
ajustar o relógio para o horário local e procurar ter os mesmos horários de
alimentação e sono dos nativos.
Outra recomendação é a de que o passageiro deve procurar dormir a bordo
durante os vôos longos que decolam pela manhã e evitar dormir em vôos
noturnos. PAGE 14 lembra que uma solução identificada por Barlay é o uso de
soníferos leves ou melatonina. Melatonina é um hormônio natural que faz com que
o indivíduo sinta sono. Porém, essa questão de recomendar soníferos (como aliás
já foi tratada neste trabalho) é bastante polêmica, havendo um debate médico
sobre os possíveis efeitos colaterais desta droga.
14
PAGE, Stephen J. Transporte e turismo.São Paulo: Bookman, 2001, p. 245.
50
Medos e Fobias – Podem ser aliviados com entretenimento de bordo. Também
nesse aspecto é importante o esclarecimento do passageiro para reduzir medos e
tensões indesejáveis e prejudiciais à sua saúde e a seu bem-estar. A ameaça de
terrorismo ou seqüestro é uma preocupação subjacente para alguns viajantes. A
ansiedade parece seguir um padrão cíclico, sendo maior após um acidente ou
incidente e diminuindo depois, à medida que são tomadas medidas de segurança
mais eficientes. Em casos extremos, o terrorismo pode representar um grande
empecilho às viagens.
Há que se esclarecer que medos e fobias são paralisantes e prejudiciais. O que
deve haver é o esclarecimento da população sobre o que é real, ou seja, quais
são os perigos reais e como pode o passageiro contribuir para evitá-los, nos casos
em que é possível e necessária a sua contribuição.
Aspectos psicológicos - Aspectos psicológicos:
como solidão e sensação de isolamento, também podem contribuir para o
sentimento de anonimato do viajante durante sua jornada, especialmente
se estiver viajando só. A experiência muitas vezes é intensificada em um
avião lotado, onde o indivíduo sente-se anônimo e confinado em um
ambiente estranho, a 10.000 metros de altura. 15
Muitos passageiros sentem bastante apreensão e desconforto exatamente por
causa das questões de segurança. Quando percebem que a tripulação está
fazendo o seu serviço relativo à questão e também as recomendações para os
passageiros, alguns tendem a pensar que algo de “ruim” pode estar acontecendo
e não que sejam procedimentos de rotina para a ocasião. Por outro lado, os
passageiros têm o direito e devem exigir o fornecimento de informações precisas e
atualizadas. Devem receber informações da tripulação, antes da decolagem, sobre
os ruídos que eles irão escutar, por exemplo, quando as rodas são recolhidas e as
mudanças de som que podem ocorrer nos motores. Barulhos comuns podem ser
interpretados como problemas pelos passageiros, causando um desconforto
desnecessário e algumas vezes até prejudicial.
15
PAGE, Stephen J. Transporte e turismo. São Paulo: 200l, p.245.
51
Trombose venosa – A Trombose Venosa Profunda (TPV) é uma doença causada
pela coagulação do sangue no interior das veias (vasos sangüíneos que levam o
sangue de volta ao coração). A doença, hospitalar ou extra-hospitalar, ocorre com
mais
freqüência
em
pessoas
portadoras
de
determinadas
condições
predisponentes. São elas: idade avançada; possibilidade ou dificuldade de andar
ou se movimentar normalmente; obesidade; presença de varizes grossas nas
pernas; período pós-operatório; fase final da gestação e pós-parto; uso de
anticoncepcionais orais e terapia de reposição hormonal; presença de insuficiência
cardíaca; presença de doença maligna (câncer) em atividade; história anterior de
outra trombose venosa; indivíduos com anormalidade genética do sistema de
coagulação (trombofilia); tabagismo. A doença pode acontecer em conseqüência
de viagens aéreas prolongadas A complicação é mais freqüente na classe turística
(mas também ocorre na primeira classe e na classe executiva) por causa de seus
assentos mais estreitos e menor distância entre as cadeiras. Os assentos junto às
janelas, por dificultarem a movimentação, podem, em certos casos, funcionar
como inibidores da mobilização do passageiro. É importante lembrar que os sinais
e sintomas da doença podem manifestar-se durante a viagem ou até vários dias
após a mesma.
A ingestão de álcool ou de comprimidos para dormir, por aumentar a imobilidade e
o relaxamento muscular, pode contribuir para o aparecimento da doença.
Inclui-se entre as medidas preventivas a realização de pequenas caminhadas
rotineiramente a cada duas horas. É recomendada também a movimentação ativa
dos pés e pernas durante o período em que permanecem sentados. Há exercícios
recomendados, os quais poderiam e mesmo deveriam fazer parte de um “pacote”
para treinamento do usuário comum de avião. É importante considerar que o avião
torna-se a cada dia um transporte mais popular e mais utilizado. Excetuados
períodos em que fatores econômicos inviabilizam as viagens aéreas para muitos,
no geral, o número de usuários vem aumentando.
52
Outras medidas que são aconselháveis e podem contribuir sobremaneira para
evitar problemas de saúde em viagens aéreas são a utilização de roupas
confortáveis e mais largas. Muitas pessoas, por apresentarem grande receio de
voar, são aconselhadas a ingerirem comprimidos calmantes ou soníferos,
acreditando que com isso poderão dormir toda a viagem e “não ver a viagem
passar”. Contudo, há vários relatos de casos de passageiros que além de não
conseguirem
dormir
sentiram-se
mal
ou
apresentaram
problemas
de
comportamento após a ingestão desse tipo de medicamento, por vezes até
comprometendo sua própria segurança, além da segurança da tripulação e dos
demais passageiros. Naturalmente, não estamos falando de casos em que há
acompanhamento e receituário médico. O que ocorre é que muitas vezes pessoas
se utilizam de medicamentos que não foram receitados especificamente para a
ocasião, mas para outras situações e cujos efeitos podem ser muito nocivos.
As pessoas com maior dificuldade de locomoção devem dar preferência às
poltronas no corredor das aeronaves, visando as caminhadas regulares, ou o
deslocamento nas paradas rotineiras. “Bastante recomendável seria a utilização
sob orientação e prescrição médica, de meias de compressão elástica,
particularmente
pessoas
em
uso
de
medicamentes
com
substâncias
anticoagulantes” 16 . Naturalmente que esses procedimentos, mais específicos,
devem ser reservados às pessoas que apresentam algumas dificuldades
especiais, porém, a maioria das recomendações que aqui destacamos é destinada
às pessoas de saúde normal.
A utilização adequada destas medidas pelas pessoas em geral, e em especial por
aquelas pessoas que apresentam condições predisponentes ao aparecimento da
Trombose Venosa Profunda com certeza irá contribuir para diminuir a incidência
de episódios de trombolismo venoso em viagens.
16
Informativo da Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial. Divulgação do Programa Nacional de
Esclarecimento e Profilaxia da Trombose. Folheto distribuído em aeroportos nacionais no ano 2001.
53
Barlay 17 também lista uma série de medidas a serem levadas em conta pelos
passageiros, na garantia de vôo confortável, algumas delas já citadas
anteriormente e que a seguir reforçaremos: uma gripe suave pode causar uma
pressão extrema nos ouvidos, que será aliviada comprimindo-se o nariz e
engolindo-se ou chupando-se algo doce. Em situações extremas, algumas
companhias têm descongestionantes que podem ser inalados; calçados
confortáveis e exercícios regulares na aeronave são essenciais para prevenir
tornozelos inchados; roupas folgadas e amplas são ideais para voar e podem ser
ajustadas conforme as mudanças de temperatura na cabine; a aplicação freqüente
de cremes hidratantes é recomendada; a desidratação é um grande problema em
vôos de longa distância, já que os olhos ficam secos e ardem. O consumo de
álcool exacerba a desidratação, aumentada por vôos de grandes altitudes. A
mistura de bebidas (chá, café, água sem gás e suco de frutas) é recomendada
para manter o corpo com alto nível de fluidos; comer com moderação é
recomendado para evitar indigestão e sensação de inchaço;
movimentos
corporais suaves podem ajudar a evitar os efeitos do cansaço e membros doridos
em vôos de longa distância, assim como caminhar de um lado para outro nos
corredores.
O que é proibido - Alguns objetos não podem ser levados na bagagem
despachada, entre eles: armas de fogo, gases comprimidos, instrumentos
musicais volumosos, líquidos e sólidos inflamáveis, materiais magnéticos,
radiativos ou oxidantes, material irritante, munições, explosivos e fogos, peróxidos
orgânicos, produtos venenosos ou corrosivos e substâncias infeciosas. O
passageiro deve consultar a empresa quando precisar transportar alguns desses
produtos, assim como artigos frágeis e perecíveis.
Em vôos domésticos é permitido levar bolsa de mão, maleta ou equipamento com
peso máximo de 5kg e com dimensões de até 115cm de comprimento. A bagagem
17
1995, p.164 apud PAGE, 2002, p.246.
54
deve caber embaixo do assento ou nos compartimentos acima das poltronas e
não pode incomodar os demais passageiros, nem ameaçar a segurança do vôo.
Em viagens internacionais, o limite depende de normas específicas fixadas por
convênios.
O passageiro também pode levar manta, guarda-chuva, bengala, alimentação
infantil para consumo durante a viagem e uma cesta ou equivalente para
transporte de criança de colo. Objetos como jóias, documentos negociáveis,
ações, dinheiro, notebook, máquina fotográfica, filmadora, telefone celular (sempre
desligado) e outros bens de valor só podem ser transportados em bagagem de
mão.
O passageiro evitará transtornos deixando de carregar na bagagem de mão
utensílio capaz de cortar ou causar qualquer tipo de dano físico. Exemplo: alicate
de unha, pinça, agulha e tesoura (não importa o tamanho). O mesmo se aplica a
itens de segurança pessoal, como faca, canivete, estilete, sprays de pimenta e gás
carbônico. O que for apreendido no controle deve ser devolvido ao viajante, logo
após o desembarque. Essa é a lei, mas você evita qualquer tipo de aborrecimento,
transportando esses objetos na bagagem comum.
Uma questão bastante controversa diz respeito ao fumo. É proibido fumar em
aviões. Porém, o problema também existe e sabemos que o passageiro entra de
forma quase desapercebida dentro do banheiro e aproveita para fumar,
tranqüilamente, um “cigarrinho” inocente. Eles conhecem vários truques para
disfarçar. Cobrem o detector de fumaça com lenço de papel ou um pedaço de
plástico, ou então sopram a fumaça dentro do vaso sanitário e pressionam a
descarga continuamente, não atentando para o perigo que representa esse tipo de
“esporte”. Um incêndio nessa área da aeronave pode causar uma catástrofe.
Algumas empresas gostam que seus comissários distribuam jornais e sirvam
champanhe durante as operações de taxi (o mesmo que taxiway. Trata-se do
55
percurso de piso que os aviões percorrem entre a plataforma de estacionamento e
as pistas de aterragem/decolagem e vice-versa). É justamente nesse período que
são passados os procedimentos de segurança e a distribuição de bebidas e
jornais pode contribuir para desviar ainda mais a atenção dos passageiros. Há
ainda a questão do álcool. Evitar o seu uso a bordo é fortalecer a segurança e
uma inocente taça de champagne poderá trazer aborrecimentos e danos ao bem
estar na viagem.
Voando saudável – evite refeições ao voar - A melhor maneira de evitar os
inconvenientes do Jet leg e a dificuldade de digestão por causa da baixa pressão
atmosférica no avião é evitar comidas sólidas durante o vôo, além de beber muito
líquido. Devem ser preferidas as saladas e frutas, alimentos facilmente digeridos
pelo organismo até mesmo em ambiente de baixa pressão atmosférica e a altitude
elevada. Se comer no avião ou pouco antes de embarcar, alimentos que
estimulam a formação de gases (como feijão, lentilha, abóbora, cebola, repolho,
couve, pepino ou salsicha), a digestão será mais difícil. São também contra
indicados refrigerantes, frituras, carnes vermelhas e molhos.
Refeições especiais devem ser pedidas no ato da reserva e reconfirmadas 48
horas antes do embarque; na hora do embarque, deverá ser perguntado ao checkin se o registro da refeição está no computador; antes da decolagem, entregar ao
comissário responsável pela galley (cozinha do avião) um papel escrito com a
refeição preferida, nome e número do assento.
Procedimentos de segurança
A seguir, relacionamos procedimentos simples que devem ser observados por
todos os usuários, visando uma viagem segura e tranqüila.
Por ocasião de marcação da poltrona, através do sistema de reserva ou na hora
do embarque, o passageiro deve procurar informar-se se o assento designado não
está localizado na porta de emergência do avião. Caso não se considere em
56
condições de operar a abertura da porta em caso de emergência, deve solicitar
uma outra poltrona para viajar.
Quando receber qualquer encomenda de terceiros para transportar durante um
vôo, mesmo de parentes, o passageiro deve ter conhecimento do conteúdo. Por
desconhecimento, ou ingenuidade, o passageiro pode se arriscar a transportar
artigos perigosos. Há relatos de também de pessoas que, inadvertidamente,
transportaram drogas, armamentos ou outros materiais considerados perigosos. É
muito importante essa orientação de nem mesmo segurar pacotes para
desconhecidos,
principalmente
após
os
recentes
atentados
terroristas
internacionais.
O telefone celular nunca deve ser utilizado no trajeto terminal-avião-terminal,
quando a aeronave se encontrar em posição remota na pista, para embarque ou
desembarque. Nas escalas, durante a operação de abastecimento da aeronave, é
expressamente proibido fumar, acender a luz de leitura e ou pressionar o botão de
chamada dos comissários de bordo.
O passageiro não deve transportar, nem mesmo em bagagem despachada, caixas
de fósforos e garrafas soltas no interior de malas ou bolsas. Qualquer garrafa deve
ser embalada industrialmente.
Considerações finais
Vimos que já existem leis que regulam a questão do tráfego aéreo e sua
segurança. Todas as companhias aéreas são obrigadas a cumprir uma série de
quesitos de segurança de vôo impostos pelo fabricante da aeronave e do órgão
que regula a aviação mundial, a OACI (Organização Internacional de Aviação
Civil) e, no caso do Brasil, pelo DAC (Departamento de Aviação Civil).
Porém, a legislação vigente existe para que equipamentos adequadamente
mantidos e tripulações apropriadamente treinadas, cumprindo a atividade aérea,
57
dentro dos parâmetros estabelecidos, viabilizem a consecução das metas e dos
objetivos almejados, sem comprometer a segurança das operações.
O que realmente ainda falta, embora já em andamento, é o estabelecimento da
cultura de segurança de que se tratou no presente trabalho, pois não se pode
esquecer que na aviação os poucos acidentes que ocorrem provocam grandes
prejuízos materiais e grande número de perdas de vidas humanas.
Isso só se torna possível com treinamento e consciência das limitações impostas
pela natureza e pelo equipamento. Depois do investimento em segurança, o
intercâmbio de informações é o principal fator para evitar acidentes. Na área
educacional, o CENIPA promove, ao longo de cada ano, um calendário de
seminários e cursos de segurança de vôo destinados à formação, à atualização e
ao aperfeiçoamento do seu pessoal, bem como o intercâmbio de informações com
países amigos.
Essa política de recursos humanos permite ao sistema a manutenção e o
desenvolvimento de seu trabalho técnico especializado. São passos que se vão
dando para a formação da cultura de segurança. Na busca da segurança de vôo,
todos devem se utilizar de todo o conhecimento, pois a vontade necessita da ação
para atingir qualquer meta.
O que não se pode de maneira alguma esquecer é que todos são responsáveis
para prevenção de acidentes . “Na vida, quanto mais se vive mais se aprende. Em
aviação, quanto mais se aprende mais se vive.”
Referências
ANDRADE, José Vicente de. Turismo: fundamentos e dimensões. São Paulo:
Ática, 1998.
___ Os antecedentes do turismo. Belo Horizonte: Factur, 1976.
58
BELIAJEVAS, C. B. e Raymundo, N. M. Stress em profissão de risco: um estudo
com pilotos de aeronave. Trabalho de conclusão do curso de Psicologia. Unicamp,
São Paulo:1998.
MOURA, Geraldo Bezerra de. Transporte aéreo e responsabilidade civil. São
Paulo: Aduaneiras, 1992.
NSMA N.º 3-3 (Norma de Serviço do Ministério da Aeronáutica), de 30.01.1996.
PAGE, Stephen J. Transporte e turismo. São Paulo: Bookman, 2001.
PORTO, Marcos Maia e SILVA, Cláudio Ferreira da. Transporte, seguros e a
distribuição física, internacional de mercadorias. São Paulo: Aduaneiras, 2000.
Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutico. RBHA 67.Ministério da
Aeronáutica, 1922.
Relatórios Finais de Acidentes Aeronáuticos. CENIPA, 2000.
SANTOS, José Luiz dos. O que é cultura? São Paulo: Brasiliense, 1986.
THEOBALD, Willian F. Turismo global. São Paulo: Senac, 2001.
59
A integração sul-americana: um desafio para a política
externa brasileira
Marcial Ribeiro Chaves 18
Resumo
O objetivo deste artigo é analisar alguns dos elementos envolvidos no projeto de
integração da América do Sul, enfatizando as ações da política externa brasileira
nessa arena e buscando traçar um breve panorama histórico do processo de
integração, além de destacar a recente crise entre o Brasil e a Bolívia.
Palavras-chave: crise Brasil-Bolívia; política externa; integração regional;
comércio internacional; relações internacionais.
Introdução
A deflagração da “crise do gás” entre Brasil e Bolívia ocorrida por meio da
anunciada nacionalização dos hidrocarbonetos bolivianos pelo presidente Evo
Morales desencadeou uma discussão nacional sobre a tão propalada integração
sul-americana, que, apesar de ser um objetivo já perseguido por governos
anteriores, tem se constituído em um dos principais motes da política externa do
governo Lula.
A reação do governo brasileiro diante da crise foi alvo de muitas críticas pela
imprensa e pelas lideranças políticas de oposição. Alguns setores chegaram a
defender posições extremistas, como a retirada do embaixador, em La Paz, ou a
total retirada da Petrobrás do país vizinho. Há que se destacar, entretanto, que
parte desse extremismo teve como combustível as declarações pouco
diplomáticas proferidas pelo líder boliviano por ocasião da reunião de cúpula
União Européia - América Latina, que teve lugar na Áustria e ocorreu durante a
crise.
60
A prudência adotada, nas declarações diplomáticas do governo brasileiro,
mostrou-se mais acertada, não só por buscar manter aberta a porta da
negociação, mas também por demonstrar coerência com o gigantesco esforço que
o Estado brasileiro tem feito, ao longo de duas décadas, para levar a cabo a
integração continental.
A assinatura de um ambicioso acordo de integração na reunião de cúpula sulamericana, realizada em Cuzco, no Peru, em dezembro de 2004, figura como um
dos exemplos mais emblemáticos do extraordinário empenho do Brasil na busca
da integração regional. Saudado pela mídia mundial com renovado ceticismo, o
lançamento
da
Comunidade
Sul-americana
de
Nações
realizado
na
ocasião,notabilizou-se por não contar com a participação de líderes importantes,
como o argentino Nestor Kirchner e o uruguaio Jorge Battle, o que determinou um
certo esvaziamento do encontro.
Assim, qualquer análise mais efetiva sobre o tema terá que considerar a
reticência do comportamento argentino, bem como as recentes divergências com
a Bolívia, como elementos, no mínimo, preocupantes para o futuro do projeto de
integração sul-americana.
As origens da Integração
O fator determinante para o surgimento de um posicionamento concreto em favor
da integração sul-americana reside no surgimento do Mercosul, que, apesar dos
reveses que sofre continuamente, emergiu como o único organismo a implementar
uma integração comercial de fato na América do Sul. As experiências da ALALC –
Associação Latino-americana de Livre Comércio, que posteriormente se converteu
em
ALADI – Associação Latino-americana de Integração,
esbarraram em
dificuldades diversas e basearam sua existência muito mais na retórica do que
em ações concretas.
18
Docente das Faculdades Integradas Torricelli (FIT).
61
...A década de 1990 marca uma ruptura nas políticas econômicas seguidas pelos
governos latino-americanos. As tradicionais políticas nacionalistas e
protecionistas – que inspiraram a criação da ALALC e depois bloquearam seu
desenvolvimento – vêm sendo substituídas por agressivas estratégias comerciais
regionalistas. Uma série de tratados de livre comércio foi assinada entre países do
subcontinente, visando a formação de conjuntos econômicos ampliados.
(SCHILLING, 1996:72)
A data de 1º de janeiro de 1995 marca a remoção das barreiras para o fluxo de
mercadoria entre os quatro membros fundadores do Mercosul – Brasil, Argentina,
Paraguai e Uruguai.
Essa integração, entretanto, deu-se a partir de ações
diplomáticas de grande envergadura que tiveram início com a aproximação
geopolítica de Brasil e Argentina e dos acordos prévios assinados entre os dois
vizinhos, em meados dos anos 1980, ocorridos no contexto do processo de
redemocratização experimentado na época pelos dois países.
O fim das ditaduras militares, em ambas as nações, foi acompanhado pelo
arrefecimento do clima de amarga rivalidade geopolítica e diplomática que
marcou, por vários decênios, as relações entre as duas potências regionais.
Desde que ficaram independentes, brasileiros e argentinos
desenvolveram mitos de hegemonia regional. Isso acabou gerando
antagonismos entre os dois países, que emergiam mais ou menos
explicitamente segundo a ocasião. (OLIC,1997:49)
Para desanuviar tensões reinantes há tanto tempo, foi necessário que houvesse
não só mudanças estruturais em ambos os países, mas, sobretudo, iniciativas
significativas por parte de seus líderes.
O passo inicial para a aproximação foi o encontro dos presidentes José Sarney e
Raul Alfonsín, em novembro de 1985, em Foz do Iguaçu. A Ata do Iguaçu, uma
declaração de intenções de política externa, preparou os empreendimentos
práticos de cooperação. Em julho de 1986, era assinado o Programa de
Integração e Cooperação Econômica Brasil-Argentina (Pice).
62
As ações que marcaram o início do processo de integração, portanto, apontavam
para uma iniciativa que visava ao estabelecimento de relações comerciais
sustentadas em acordos diplomáticos, ancorados em perspectivas mais amplas de
cooperação.
Apesar de ser um bloco de escala sub-regional, são muitas as limitações do
Mercosul. A maior parte delas é derivada das óbvias assimetrias entre seus
integrantes. Isso, entretanto, não impediu o Brasil de enxergar, no organismo, as
bases para a deflagração de ações com vistas à integração regional, por meio da
qual o país pretende fixar uma posição de liderança na América do Sul.
O Brasil e a liderança regional
Segundo o diplomata Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington
e Londres, “a liderança não se proclama, se exerce”. Ao proferir essa opinião, o
eminente diplomata engrossa o coro daqueles que discordam da maneira como a
política externa brasileira tem sido conduzida sob a batuta do governo Lula.
Esses críticos alegam que faltou low profile na condução do projeto que visava
alçar o Brasil à condição de líder regional inconteste, ainda no transcorrer do
governo petista. A apresentação de candidaturas próprias na disputa por cargos
importantes em órgãos como BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento e a
OMC – Organização Mundial do Comércio, de forma simultânea e a conseqüente
derrota em ambos, sem contar, inclusive, com votos de pretensos parceiros sulamericanos, corrobora para legitimar seus argumentos.
Há, ainda, a ruidosa campanha por um assento permanente no Conselho de
Segurança da ONU, a qual ocorreria por meio de uma eventual reforma do
organismo. Segundo os críticos da política externa atual, esse fato teria
aumentado ainda mais o descontentamento dos parceiros sul-americanos, que
entenderam como excessivas as ambições brasileiras, e passaram, assim, a
63
‘boicotar’, algumas vezes de maneira velada, suas pretensões de liderar o
subcontinente.
Esses fatos demonstram que a política externa do atual governo tem sido alvo de
um intenso acompanhamento da mídia e de especialistas em relações
internacionais. Isso se dá, não só por se tratar de um governo com viés ideológico
esquerdista, mas também pela conjuntura política continental, na qual outras
forças ditas de esquerda emergiram ao poder, como Evo Morales (Bolívia) e Hugo
Chávez (Venezuela), chefes de Estado com os quais o presidente Lula anuncia ter
estreitas relações pessoais.
As posições e o estilo “chavista” de fazer política têm ocupado as manchetes dos
principais jornais do planeta, que com freqüência acusam Chávez de roubar de
Lula o papel de líder legítimo da região, protagonizando todas as cenas e atuando
como suposto mentor do presidente boliviano nas referidas políticas de
nacionalização por ele implementadas.
Contudo, é importante ressaltar que, por mais que a ação de um governo seja
efetiva no cenário internacional, a política externa é sempre uma esfera que se
subordina às políticas de Estado, mantendo-se sempre fiel a princípios e valores
que se consubstanciaram na trajetória histórica de cada país.
A política externa brasileira é marcada por pautar suas ações em práticas
exitosas, sempre ancoradas na negociação e no convencimento, por isso é
reconhecida, mundialmente, pelo equilíbrio e, em especial, pela defesa
intransigente da soberania e da autodeterminação dos povos.
Considerações finais
Assim, a cautela do Itamaraty diante das fustigações da mídia e dos demais atores
políticos revela, também, o claro entendimento de que a liderança regional tem um
preço. Ser o maior país e a maior economia da região tem o seu ônus e o seu
64
bônus. O bônus é que, a despeito de eventuais equívocos diplomáticos, o país
está naturalmente fadado a exercer essa liderança. O ônus é que terá que
aprender a lidar com o fato de que todos os parceiros lhe condicionarão o apoio a
algumas concessões.
A crise do gás trouxe para o Brasil, em geral, e para o governo Lula em particular,
várias lições. Para o país fica patente, que muitas vezes, o trombone da mídia
pode insuflar posições quase beligerantes contra um país infinitamente mais fraco
o que não se coadunaria com a tradição da política externa brasileira, e nos
deixaria sem moral para condenar qualquer ato de tirania ou imperialismo contra
qualquer povo em qualquer tempo. Para o governo Lula, fica o aprendizado de
que a política externa é, de fato, uma seara em que não há espaços para
ideologizações, sob pena de comprometer projetos e tradições construídos ao
longo de décadas. Fica, também, evidente que não se deve confundir relações
pessoais entre presidentes com relações entre chefes de Estado e governo.
Dessa forma, é importante destacar que a integração regional da América do Sul e
qualquer eventual crise dela decorrente serão sempre temas imersos em aspectos
ideológicos, econômicos e culturais e, por essa razão, não se trata apenas de
admitir perdas (ou ganhos) meramente mercantis, mas de ver estrategicamente,
em longo prazo, os interesses maiores do país na região, uma vez que essa
integração se constitui na principal meta da política externa brasileira e é um
desafio que deverá sempre se guiar pelos valores e princípios da democracia e
do sentido de justiça.
Referências
ARROYO, Mônica, SCARLATO, Francisco Capuano e SOUZA, Maria Adélia
Aparecida de (org). O novo mapa do mundo: globalização e espaço latinoamericano. São Paulo: Hucitec/Edusp, 1996.
ATKINS, G. Pope. América Latina en el sistema político internacional. Buenos
Aires: grupo Editor Latinoamericano, 1994.
65
BARBOSA, Rubens Antonio. América Latina em perspectiva: a integração regional
da retórica à realidade. São Paulo: Aduaneiras, 1995.
HAESBART, Rogério. Blocos Internacionais de poder. São Paulo: Contexto,1992.
JAGUARIBE, Hélio.
Guanabara,1993.
O
novo
cenário
internacional.
Rio
de
Janeiro:
OLIC, Nelson Bacic. Geopolítica da América Latina. São Paulo: Moderna, 1997.
SCHILLING, Paulo. Mercosul – Integração ou dominação? São Paulo: Cedi, 1996.
66
Repensando o papel da liderança na área da saúde
Dr. Luiz Carlos Takeshi Tanaka 19
Resumo
Aborda-se aqui o papel do líder e a sua importância na área de saúde, bem como
o perfil que lhe é necessário. Mostra-se que existem algumas diferenças entre a
liderança nesta área e a liderança em outras áreas da prestação de serviços. A
liderança na área da saúde deve ser exercida com extremo equilíbrio,
principalmente pelos valores envolvidos, como o bem estar do indivíduo. Dessa
forma, não há um perfil de liderança padronizado, estático, e sim dinâmico, em
que há a necessidade de uma capacidade de adaptação às situações, a fim de se
buscar o resultado positivo. Assim, nessa área, o foco no fator humano e a
manutenção da integridade absoluta são os pilares do sucesso do líder.
Palavras-chave:
saúde,
liderança,
capacidade
adaptativa,
competências,
habilidades.
Introdução
Uma das competências mais estudadas e valorizadas ao longo dos anos e que
ainda é um tema atual é a liderança, porém, vários aspectos continuam obscuros,
entre eles: ser líder é um atributo inerente ao ser? Pode ser criado e/ou
desenvolvido? É genético? Qual o perfil desejável? É diferente liderar na área da
saúde?
São perguntas difíceis de responder. Há muitas controvérsias, e o que existe de
concreto, é que, para exercer a liderança adequadamente, é necessário possuir
competências humanas e competências técnicas específicas aos negócios
exercidos. Portanto, o que realmente importa é o equilíbrio do conjunto, sua
eficiência e a perfeita adaptação às situações.
19
Professor de pós-graduação e médico.
67
Mas, para focar melhor essas questões, fazemos, a seguir, uma revisão do tema,
para posteriormente nos determos na área da saúde.
O que é necessário para ser um líder?
Ao exercício da liderança, imputa-se a necessidade do líder possuir um conjunto
de características que o definam como tal, ou seja, que delineiem o seu perfil, tais
como:
• Competências: caracteriza-se por um conjunto que envolve, segundo Kellner
(apud GRAMIGNA : 2002)
o
Conhecimentos, que é o conjunto de informações adquiridas e
armazenadas ao longo dos anos. Para o desenvolvimento do indivíduo, são
necessários conhecimentos específicos e conhecimentos essenciais, que são
aqueles que fazem parte do rol que todo profissional deve ter para desempenhar
uma determinada função.
o
Habilidades, que é o conjunto de talento, capacidade individual e
técnica, ou seja, consiste em utilizar o conhecimento de forma adequada,
buscando resultados positivos.
o
Atitudes, que é o conjunto de crenças, valores e princípios do
indivíduo, formado ao longo do tempo, e que norteia suas ações. Dessa forma, as
atitudes são fruto de história de cada pessoa. (Adaptado de KELLNER apud
GRAMIGNA : 2004).
Essas características devem ser desenvolvidas ou aperfeiçoadas, utilizadas e
focadas para o alcance de resultados específicos, ou seja, para a obtenção de
eficácia em determinadas situações.
68
Conforme Claude Lévy-Leboyer (apud GRAMIGNA, 2002), competências podem
ser definidas como um “Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que
algumas pessoas, equipes ou organizações dominam melhor do que outras, o que
as faz se destacar em determinados contextos”.
E conforme Cripe & Mansfield (2003 : 46-134), as competências são aptidões e
características pessoais que contribuem para se atingir um desempenho de nível
elevado à realização de tarefas inerentes a uma função. Os autores as dividem
em:
o
Competências para lidar com pessoas: motivação, estabelecer o
foco, incentivo ao trabalho em equipe, gerir mudanças, desenvolver pessoas,
autonomia às pessoas, gerir desempenho, atenção à comunicação, consciência
interpessoal, construção da relação de colaboração, capacidade de influência,
orientação aos clientes.
o
Competências ao lidar com negócios: pensamento analítico, coligir
informações para diagnóstico (capacidade para identificar as informações
necessárias para esclarecer uma situação), antecipação aos problemas/situações,
pensamento
conceptual,
pensamento
estratégico
aos
negócios/empresa,
conhecimento técnico geral e específico aos negócios.
o
Competências para atingir resultados: iniciativa, capacidade
empreendedora, estímulo à inovação, orientação para os resultados, eficácia,
determinação.
o
Competências de autogestão: autoconfiança, gestão do estresse,
credibilidade pessoal, flexibilidade.
69
Na área da saúde, existem algumas competências muito valorizadas, como
liderança, organização, relacionamento interpessoal, dinamismo, persuasão,
capacidade de mediar conflitos, ética, comprometimento, conhecimento técnico
em medicina, conhecimento do negócio e foco nos pacientes.
•
Liderança é função do líder, ou seja, uma forma de dominação baseada
no prestígio pessoal e aceita pelos dirigidos. (FERREIRA, 1993)
De acordo com Penteado (1986 : 4), liderança é a função do líder, que a exerce no
e sobre um grupo, em determinada situação. Ou seja, a liderança é um fenômeno
social, expressão que implica na existência de uma sociedade e de um ambiente;
a liderança é uma função da situação, da cultura, do contexto e dos costumes,
tanto quanto é uma função de atributos pessoais e estrutura de grupos; é o
equilíbrio vital e dinâmico entre o indivíduo, a equipe e a situação.
•
Líder é alguém que, seja chefe, guia ou tipo representativo de um grupo,
vai à frente para guiar ou mostrar o caminho, ou que precede ou dirige qualquer
ação, opinião ou movimento. O líder não só se destaca no grupo, mas também, e,
sobretudo, tem a capacidade de influenciá-lo. (PENTEADO, 1986 : 2).
•
Perfil é o conjunto de competências relativas ao desempenho de um
determinado cargo ou função.
Em determinadas funções, principalmente na área de saúde, é extremamente
necessário possuir um bom líder, e que este exerça a liderança de forma
absolutamente eficiente, ou seja, que tenha a capacidade de fazer com que o
grupo renda o melhor para cada situação específica, pois trata-se de uma
prestação de serviços à saúde do indivíduo.
Existe um perfil ideal de líder?
70
Não existe um perfil padrão, porém, para exercer a liderança, é necessário,
assumir riscos, ter humildade, auto-reflexão, saber ouvir e solicitar opinião, ser
abertura a novas idéias, ter comprometimento, fazer avaliação e mensuração
corretas e confiar delegando responsabilidades.
Segundo Longo (apud PEREIRA, 2004) o teste de Mapeamento Cerebral aponta a
existência de perfis de personalidade que salientam as diferenças individuais, e
um deles traz as características inerentes à liderança. Todavia, não raro, na
prática, o que se verifica é a mistura desses perfis, porém sempre com a
prevalência de um deles sobre os outros. Esses perfis podem ser assim descritos,
de acordo com a região cerebral:
• Cérebro anterior – Eu exploro - caracteriza o visionário, é inovador, empático,
aberto à complexidade.
• Cérebro posterior – Eu preservo - caracteriza uma pessoa mais afetuosa, que
sabe criar atmosfera afetiva, que é espontânea, instintiva, impulsiva, associativa,
agregadora e guardiã.
• Cérebro direito – Eu persigo - caracteriza uma pessoa que faz com que as
coisas aconteçam com maior rapidez. É a característica dos líderes. É aquela
pessoa
metafórica,
analógica,
orientada
para
o
processamento
global,
competidora e realizadora.
• Cérebro esquerdo – Eu controlo - caracteriza uma pessoa mais analítica, que
utiliza uma abordagem lógica, sistemática e seqüencial, além do que, é
organizada e orientada para o processamento de detalhes.
Determinar o perfil e o padrão adequado da personalidade do líder é uma tarefa
difícil e discutível. Porém caracterizá-lo por suas qualidades e defeitos é mais
71
adequado, pois o tipo de personalidade do líder depende dos referentes e adquire
a significação do contexto onde está inserido. (PENTEADO, 1986 : 14).
O processo da liderança implica no “modo de agir”, portanto, toda a problemática
da liderança está em quando empregar qual processo e com quem. Portanto, cada
líder exerce sua autoridade de uma maneira particular, de acordo com seus traços
primários, que podem ser: o tirano, o ditador, o comandante, e o líder.
(PENTEADO, 1986 : 75).
Segundo Lewin (apud PEREIRA, 2004), existem três processos básicos do
exercício da liderança:
• Liderança Autocrática, em que o líder manda, ou seja, exige obediência, e na
qual compete a ele, líder, traçar as normas de ação e tomar as decisões.
• Liderança Democrática, na qual o líder consulta, extrai idéias e sugestões do
grupo, que é encorajado a participar das decisões e a traçar objetivos comuns. O
líder é um elemento de coordenação e estímulo.
• Liderança Liberal, em que o líder sugere, comporta-se como um centro de
informações ao grupo, que dispõe de ampla liberdade de movimentos, decidindo,
das normas aos objetivos, individualmente, ou seja, o líder providencia os meios e
as facilidades.
Durante muitos anos, acreditou-se que liderar era planejar, organizar, coordenar e
controlar. Sob essa ótica, liderar poderia ter como modelo uma manada de
búfalos, que é seguidora fiel de um líder, faz tudo o que ele quer, é o centro de
poder e, quando o líder não está presente, o liderado não sabe o que e como
fazer, sente-se totalmente perdido. Em contrapartida, no modelo organizacional de
liderança do tipo vôo dos gansos, há uma mudança freqüente de líderes, que têm
seus papéis alterados conforme as necessidades, e acomodam-se à nova
72
realidade. Assim, quando muda a tarefa, muda-se a estrutura, de modo a
proporcionar nova orientação ao grupo. (apud GRAMIGNA: 2002).
Conforme o Consultor Warren Bennis (apud BISCAIA : 2004), o perfil dos líderes
atuais caracteriza-se por serem instrutores, microadministradores, exigem mais
compromisso do que submissão, concentram-se na qualidade e no serviço ao
cliente.
Os
líderes
devem
se
apoiar
no
tripé:
ambição/drive,
conhecimento/especialização e Integridade. Temos então:
• Ambição e conhecimento sem integridade não caracterizam um líder ético.
• Ambição e integridade sem conhecimento não caracterizam um líder
competente.
• Conhecimento e integridade sem ambição não caracterizam um líder
realizador.
Ainda segundo Bennis (BISCAIA : 2004), “O líder torna as idéias tangíveis e reais.
Não importa quão maravilhoso seja a visão, o líder eficiente deve usar uma
metáfora, uma palavra ou um modelo para tornar tal visão clara para os outros”.
A área de saúde e suas características
Possui características próprias, isto é, a prestação de serviços é específica, pois
tem um caráter predominantemente assistencial, produzido na hora, é intangível,
não estocável, e deve-se ter uma margem de risco calculado dentro do aceitável.
Possui ainda outras inúmeras variáveis, dentre as quais destacam-se: a
competência técnica dos profissionais médicos e paramédicos; locais adequados
e estruturados para a prestação de serviços médicos e hospitalares; tipo e
evolução das patologias (doenças); estado psicológico dos profissionais e
pacientes; relacionamento interpessoal (médico-paciente-família), etc.
73
Nessa área, o profissional deve possuir um conjunto de competências, a saber:
• preparo adequado do ponto de vista de conhecimento técnico e pessoal;
• postura profissional;
• liderança;
• ser ético;
• trabalhar em equipe;
• possuir controle emocional;
• ter boa comunicação;
• ter capacidade de mediar conflitos;
• ser dotado de capacidade de dar assistência psicológica;
• ter domínio do estresse;
• estar acostumado ao risco.
Requer profissionais com capacidade para agir rápido e de modo eficaz, que
minimizem ao máximo o impacto do erro e maximizem o acerto. Essa área
demanda por pessoas que procuram obter resultado positivo, que é o que mais se
aproxima do ideal para a situação, pois a Ciência Médica não possui cura para
várias doenças, porém pode controlá-las em muitos casos.
A experiência na área mostra realmente que não há um padrão ideal de perfil para
o líder, pois, para o exercício da liderança, é necessário possuir o conjunto das
competências descritas anteriormente, além de todas as características de um
líder, a fim de que o processo seja eficiente. Portanto, não basta somente ter
extrema capacidade técnica, o que se espera é que quem o exerça reúna as
qualidades necessárias em si, extraindo qualidades da equipe e que trabalhe de
forma sinérgica em direção a um objetivo comum, que é o bem estar de outrem
(resultado positivo). Em resumo, ele deve agregar valor à equipe, à empresa e ao
paciente.
74
A analogia criada por William Cohen (apud CRIPE, 2003: 46) para explicar
liderança é muito pertinente também à área da saúde. Cohen observa que o
combate é uma situação de extremo risco, de grande incerteza e terrível provação,
e quem for capaz de liderar com sucesso uma batalha, conseguirá ser um líder
bem sucedido em qualquer situação.
Entre seus princípios de liderança, temos:
• manter integridade absoluta;
• conhecer seu ofício;
• declarar suas expectativas;
• demonstrar dedicação excepcional;
• esperar resultados positivos;
• cuidar de seu pessoal;
• colocar o dever à frente de si mesmo;
• fazer-se presente na frente da batalha.
O líder e sua decisão: um case
Passo a narrar, a seguir, um episódio verídico e de certa forma corriqueiro em
Unidades de Pronto Atendimento.
Já passa da meia-noite quando a enfermeira-chefe entra esbaforida no consultório
e
diz:
“Doutor,
venha
rápido,
pois
acabou
de
chegar
um
paciente
politraumatizado”.
Prontamente largo a consulta e me dirijo até a sala de emergência, onde encontro
a equipe preparada e começando a prestar o primeiro atendimento. Examino
rapidamente para qualificar as prioridades e traçar as estratégias. Peço a atenção
de todos, e ordeno a seqüência de eventos, conforme as prioridades
estabelecidas.
75
É incrível a sinergia que existe nesses casos, todos os integrantes da equipe
sabem a parte que lhes cabe e como fazer para atingir a meta estabelecida
inicialmente, que é o de manter o paciente em melhores condições possíveis para
que possa ser transferido a um hospital, e se dar continuidade ao tratamento
inicial.
Após algum tempo, surge nova emergência, ou seja, mais um paciente
necessitando de cuidados médicos intensivos. Peço novamente a atenção de
todos e desloco parte da equipe para o atendimento. Todos os passos anteriores
são executados com precisão, outra vez com o intuito de atingir a meta
estabelecida.
Mas os dois pacientes mencionados anteriormente estão muito mal e necessitam
de transferência, porém há somente uma ambulância UTI, o que fazer?
É o momento da decisão do líder e da cumplicidade da equipe. Por princípios, é
escolhido o paciente com melhores chances e que tenha uma sobrevida mais
longa. É necessário ter o controle total da situação, tanto do ponto de vista técnico
quanto emocional, pois a necessidade de decidir sob extrema pressão é uma
prática relativamente comum na área da saúde, como o são também os
questionamentos, portanto, é conveniente que todos os critérios de escolha sejam
rigorosamente seguidos.
Pudemos observar o quão difícil é decidir e ter essa decisão partilhada com a
equipe. Porém, entre todos os princípios citados por William Cohen (apud CRIPE,
2003: 46-134), o que mais se destaca é a manutenção da integridade absoluta, ou
seja, manter a integridade fazendo o que é certo, pois estamos lidando com a
“vida e a morte”, portanto, a ética e os valores pessoais são fundamentais para a
obtenção da confiança e da cumplicidade entre o líder e seus seguidores. Mesmo
quando o líder perde uma luta, se tiver mantido a integridade absoluta, conserva o
direito de continuar liderando.
76
“O legado da integridade não tem preço, pois o ser humano apóia instintivamente
as ações que considera serem justas.” (COHEN. apud CRIPE, 2003: 46).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não há um protótipo ideal de perfil do líder na área de saúde. É óbvio que ele
deve possuir competências humanas e conhecimento técnico específico da saúde,
conhecimento do negócio, todos de forma apurada, bem como o controle das
inúmeras variáveis específicas à área, porém existem alguns diferenciais próprios,
a saber:
• a capacidade adaptativa às situações - saber escolher sempre a melhor
estratégia e executá-la, pois a Medicina não é uma ciência exata, e é necessário
utilizar o melhor de si e da equipe para a obtenção de um resultado positivo.
• foco no fator humano - é um diferencial importante, pois é necessário
aproveitar e maximizar as qualidades de cada componente da equipe em direção
aos objetivos estabelecidos, ou seja, “cuidar de quem cuida de pessoas” para que
os objetivos sejam atingidos.
• manutenção da Integridade absoluta - imprescindível em qualquer situação,
pois lida-se com o valor mais precioso do ser humano, a vida.
Assim este artigo não teve a pretensão de mostrar que o líder na área da saúde é
diferente dos demais, e sim que há a necessidade de adquirir e/ou desenvolver
competências, atitudes e valores específicos à área, sem os quais não é possível
um desempenho satisfatório ao exercício do processo de liderança.
Referências
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BISCAIA, João A. Liderança. São Paulo. Instituto MVC, projeto infinito. Disponível
em: <www.institutomvc.com.br/costacurta/artjab03Liderança.htm>. Acesso em: 11
ago 2004
CRIPE, E.J.; MANSFIELD, R. S.; Profissionais disputados. 1ª edição. São Paulo.
Editora Campus, 2003.
FERREIRA, A.B.H; Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição, 25ª
reimpressão. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1993.
GRAMIGNA, M. R. A árvore das competências do trabalho em equipe. São Paulo
RH. com.br. 2002.Disponível: <http://www.rh.com.br/ler.php?cod=3339&org=2>.
Acesso em: 15 set. 2004.
PENTEADO, J. R .W. Técnica de chefia e liderança. 7ª edição. São Paulo. Editora
Pioneira, 1986.
PEREIRA, Edmeire C; Artigo: A Gestão do Conhecimento entre Golfinhos, Carpas
e Tubarões. Disponível em: <http://www.informal.com.br/artigos/artigos.htm>.
Acesso em: 15 set. 2004.
78
Cinema
X-Men 3: The last stand ou Superman?
Superman foi, com certeza, um dos maiores ícones da cultura norte-americana e
um dos maiores vendedores de revista, junto com o Batman, da DC Comics. Na
época de sua criação, representava os valores e ideais norte-americanos dentro
do politicamente correto. Porém, os tempos mudaram e os valores também, em
decorrência inclusive do pós-guerra do Vietnã e similares. Foi somente na década
de 1980 que um o grande ídolo ganhou a grande tela, dentro de uma excelente
adaptação proporcionada por Richard Donner e estrelada por Marlon Brando,
Gene Hackman e o estreante Christopher Reeves. Na época, o filme foi
considerado como a melhor adaptação de histórias em quadrinhos para o cinema
e deu origem a mais três seqüências: Superman II de igual qualidade, uma
terceira versão meio cômica para evidenciar um dos atores, Richard Pryor e o que
basicamente sepultou o grande herói da grande tela, o horrível Superman IV: em
busca da paz. Tudo conseqüência de executivos de cinema que desconhecem
suas respectivas funções e campo de atuação.
Devido ao grande sucesso contemporâneo da Marvel, trazer o grande herói à
grande tela era um verdadeiro desafio. Vários diretores e atores de renome, como
Tim Burtum Nicolas Cage, passearam frente aos roteiro e estúdio da Warner até
que o nome de Brian Singer foi aventado para seguir e principalmente concluir o
projeto. E aí que a história une Superman e os X-Men.
Brian Singer vinha de um filme com Kevin Spacy intitulado Os Suspeitos. Bastante
elogiado pela construção de personagens na história foi um dos nomes mais
criticados quando a Fox decidiu que ele dirigiria o primeiro longa dos mutantes,
após o enorme êxito comercial do Homem Aranha. Após a estréia, até os fãs mais
ardorosos se renderam ao fato do diretor construir as dicotomias e a discriminação
racial entre os diferentes tipos, dando consistência ao enredo e posteriormente, a
uma das melhores adaptações de HQ´s em X-Men II e era quase certo sua
79
participação na direção do terceiro longa. Ocorre que a Warner também o
escolheu para levar à tela grande o homem de aço e houve uma verdadeira briga
de bastidores, no sentido de obter e comprar parte da equipe técnica e atores do
longa dos mutantes para o do Superman.
Para dirigir o terceiro longa dos mutantes, a Fox resolveu contratar o
subvalorizado Brett Ratner, que só tinha quebrado a cara até então com a Hora do
Rush e a refilmagem de Dragão Vermelho. Com certeza, ele recebeu uma das
mais impossíveis tarefas: a de fazer uma seqüência melhor que a anterior, mesmo
desafio que Sam Raimi tem para finalizar seu Homem Aranha 3.
Neste ano, a Fox conseguiu lançar o longa-metragem X-Men III: o último
confronto. Se de um lado, o diretor Brian Singer conseguiu realizar uma das
melhores adaptações de HQ´s para o cinema (X-Men), Brett Ratner conseguiu
transferir as histórias em quadrinhos para o longa, anabolizando a trama e criando
inclusive a melhor cena (da casa...) dos três longas metragens. Após o grande
sucesso comercial da franquia dos mutantes, obtendo a sexta maior bilheteria em
estréia, as atenções se voltaram para o Superman.
Literalmente, não se pode considerar o longa Superman Returns como uma
adaptação, mas sim uma continuação dos dois primeiros longa-metragens. O
diretor resolve criar a personalidade do herói, porém derrapa no roteiro e no
próprio conceito do personagem. Quem acreditaria num comentário sobre a
segurança de vôos aéreos após um desastre de avião? Dessa forma, enquanto
diversos fãs esperam ansiosamente pela nova aventura mutante, a Warner vai ter
um grande desafio mercadológico para emplacar a seqüência do homem de aço,
se houver.
Na dúvida, fique com Batman Begins, de Christoper Nolan!
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Colaboradores deste número
•
Ana Carolina de Oliveira Prado Barreto é pós-graduada (MBA) em Gestão
de Marketing e Comunicação pelo Instituto Cambury com professores da
ARCO/ECA/USP. Profissional da área de turismo em Goiânia.
•
Beatriz Scarpellini Perotti é graduanda do 8° semestre pela Escola Superior
de Propaganda e Marketing (ESPM) no curso de Administração em Marketing,
com ênfase em Marcas. Estagiou na empresa Share Marketing Group, atuando
como consultora Junior em projetos de Planejamento Estratégico de Marketing.
•
Bruna Barbieri Ferreira da Silva é graduanda do 8º semestre pela Escola
Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) no curso de Administração em
Marketing com ênfase em Gestão Internacional.
•
Carlos Morato Gagliardi é pós-graduado em Administração Geral pela
Universidade Paulista (UNIP) e graduado em Engenharia Agronômica pela
Universidade Estadual Paulista (UNESP).
•
Daniel Chang é pós-graduado em Administração Geral pela Universidade
Paulista (UNIP) e graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), com residência médica
em Anatomia Patológica no Hospital das Clínicas da Faculadade de Medicina
de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).
•
Edmir Kuazaqui é Doutor, mestre e graduado em Administração. Coordenador
dos Programas de Pós-Graduação em Administração Geral e Marketing
Internacional da Universidade Paulista (UNIP). Autor de livros e Consultor
Presidente da Academia de Talentos.
81
•
Fernanda C. M. Pescarin é graduanda do 8º semestre pela Escola Superior
de Propaganda e Marketing (ESPM) no curso de Administração em Marketing
com ênfase em Marcas. Atualmente, estagia na empresa Air Liquide, atuando
no segmento medicinal, detentora da maior rede mundial de tratamento
domiciliar.
•
Kimiko Sakihama é pós-graduada em Administração Geral da Universidade
Paulista (UNIP) e graduada em Administração de Empresas pela Faculdade
Metropolitana Unida (FMU), com especialização em Organização, Sistemas e
Métodos pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).
•
Luiz Carlos Takeshi Tanaka é pós-graduado pela ESPM e médico pela
Faculdade de Vassouras e Universidade Mogi das Cruzes. Professor
universitário. Gerente Médico do Hospital Santa Marina e experiência em
Auditoria de Contas Hospitalares e Auditoria Externas.
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Diretrizes para os colaboradores da
Revista Eletrônica Academia de Talentos
Introdução
As diretrizes e procedimentos para os futuros colaboradores pretendem delinear
as características, linha editorial e propósitos da publicação. Busca-se, dessa
forma, estabelecer parâmetros que visem ao fortalecimento de relacionamentos
por meio da pesquisa e produção científica.
•
A quem se destina: os artigos publicados têm como objetivo primordial a
contribuição para a comunidade como um todo, envolvendo o público
discente, docente, pesquisadores e profissionais em geral;
•
Quem pode contribuir: todos aqueles que desejam democratizar
conhecimentos e informações e que tenham conhecimentos prévios de
pesquisa científica.
Características dos artigos
Por se tratar de uma publicação de disseminação e democratização de
conhecimento científico, os artigos apresentados deverão contemplar as seguintes
características:
•
Abrangência
Os artigos deverão contemplar uma ampla variedade de assuntos relacionados à
Liderança. Outras áreas do conhecimento humano também serão bem-vindas,
como aquelas relacionadas à Educação, Responsabilidade Social, Ética e afins.
•
Objetivos
Incentivar a produção acadêmica por meio de pesquisas científicas que redundem
em contribuições à sociedade em geral é objetivo da Revista; bem como, discutir
temas e problemas que assolam a sociedade como um todo e suas devidas
recomendações.
•
Formato
83
Os artigos deverão ter formato que possibilite a clara exposição de idéias,
conceitos e reflexões. Como recomendação, propõem-se:
Tema devidamente delimitado, enfatizando o foco do artigo.
Resumo.
Palavras-Chave.
Introdução.
Desenvolvimento do raciocínio.
Conclusões
Referências
Os artigos deverão ser apresentados em formato Word, utilizando caracteres Arial
tamanho 12 e espaçamento 1,5, com a identificação do autor logo abaixo do título
do artigo. Os artigos submetidos deverão ter até 20 laudas com 27 linhas de 70
toques, incluindo as notas e referências bibliográficas, dentro da normatização da
ABNT em vigor.
Os artigos deverão ser entregues em disquete, com três vias impressas,
acompanhadas de um currículo completo, contendo os dados gerais do
colaborador(a), formação acadêmica e atividade de docência (se for o caso),
formação profissional e produção acadêmica. Solicitam-se meios de comunicação
e acesso, como telefone e e-mail. Junto com o material, carta nominal à Instituição
de Ensino Superior, com solicitação de avaliação do trabalho com vistas à
publicação.
Processo de avaliação e seleção para publicação
As cópias dos artigos serão entregues ao responsável pela Revista, que
encaminhará o material a um especialista competente para avaliação, sob a forma
de blind review. O sistema de blind review implica numa avaliação do trabalho, por
especialistas que não recebem informação sobre sua autoria, visando uma análise
rigorosamente técnica e isenta de influências.
84
Após o processo de avaliação, os colaboradores serão notificados via e-mail sobre
os resultados do processo em questão.
Desde já, agradecemos seu interesse em colaborar para esta publicação.
Dr. Edmir Kuazaqui
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