OGLOBO

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OGLOBO
Irineu Marinho (1876-1925)
QUARTA-FEIRA, 29 DE JUNHO DE 2016 ANO XCI - Nº 30.277
(1904-2003) Roberto Marinho
RIO DE JANEIRO
oglobo.com.br
ATAQUE NO AEROPORTO
Terror mata 36 em Istambul
_
REUTERS
Homens-bomba
deixam quase
150 feridos
Cidade sofre o sexto
atentado com
mortes desde
dezembro passado
Três homens-bomba atacaram o aeroporto internacional de Istambul na noite de
ontem, deixando a principal
cidade da Turquia em pânico. Pelo menos 36 pessoas
foram mortas e 147 ficaram
feridas. Para a polícia, o principal suspeito do atentado é
o Estado Islâmico, mas nenhum grupo assumiu a autoria. Foi o sexto ataque terrorista a Istambul com mortos
desde dezembro. Dezenas de
voos foram suspensos ou
desviados. O presidente Erdogan cobrou uma ofensiva
mundial contra grupos terroristas. PÁGINAS 23 e 24
Dor e pânico. Equipes de socorro cuidam de vítimas do ataque terrorista no aeroporto internacional de Istambul na noite de ontem. Nenhum grupo assumiu a autoria do atentado
Impeachment só termina após Olimpíada
Alívio no câmbio
Dólar recua
para R$ 3,306
Presidente do Supremo bate o martelo, e julgamento de Dilma no Senado ocorrerá no fim de agosto
O dólar fechou na menor
cotação em 11 meses após o
novo presidente do BC, Ilan
Goldfajn, sinalizar que não vai
reduzir os juros a curto prazo. A
recuperação das bolsas globais
também influenciou. PÁGINA 19
Pressão sobre
Cameron na UE
sores do presidente do STF, Ricardo Lewandowski,
que comandará o processo. O diretor executivo do
Comitê Organizador Rio-2016, Sidney Levy, contou
que pediu ao presidente interino que o julgamento
não ocorra durante os Jogos, mas Temer respondeu
que depende do Congresso. PÁGINA 3 e Elio Gaspari
ANTONIO SCORZA
Premier na linha de tiro
O julgamento do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, só ocorrerá após o fim da
Olimpíada do Rio, em 21 de agosto, segundo asses-
Ajuda de
R$ 2,9 bi
emperrada
Líderes da UE reunidos em
cúpula pressionaram o premier
David Cameron para que o
Reino Unido inicie o processo
de saída. Ele quer decidir antes
a relação com o bloco. PÁGINA 25
Nova Previdência
Mudança também
nos estados
União quer que estados
participem da fundação que
complementa aposentadorias
de servidores federais.
Objetivo é reduzir rombo nos
regimes estaduais. PÁGINA 21
Morte de médica no Rio
Polícia investiga
possível execução
A médica Gisele Palhares,
baleada na cabeça, sábado, na
Linha Vermelha, pode ter sido
executada. Imagens revelam
que bandidos seguiam a vítima
e não levaram dinheiro. PÁGINA 14
Vestido para os Jogos. O Túnel Novo, que liga Botafogo a Copacabana, já exibe a decoração especial para a Olimpíada que começa a mudar o visual do Rio
Operação descobre fraudes de
15 anos contra a Lei Rouanet
A liberação dos R$
2,9 bilhões da
União para aliviar
a crise do Rio esbarrou em entraves jurídicos. O
ministro da Justiça, Alexandre de
Moraes, garantiu,
porém, ao lançar
manual contra o
terror, que os Jogos serão tranquilos. PÁGINAS 13 e 29
CHICO
Duvidando
em tempos
malucos
Desvios de benefício de incentivo à cultura pagaram até casamento
Uma operação da PF batizada de Boca Livre
prendeu 14 pessoas suspeitas de envolvimento
num esquema de fraude contra a Lei Rouanet, de
incentivo à cultura. A quadrilha teria desviado
R$ 180 milhões em 15 anos. Para os investigadores, falhas no controle do Ministério da Cultura
OBITUÁRIO
TONY MAYRINK VEIGA, ÍCONE DA
SOCIEDADE CARIOCA PÁGINA 13
permitiram que o benefício fiscal fosse usado em
eventos nunca realizados ou privados, como a
festa de casamento de um dos presos, com show
de cantor sertanejo que cobra até R$ 70 mil. Entidades apoiaram a investigação, mas ressaltam o
papel da lei no financiamento da cultura. PÁGINA 6
SEGUNDO CADERNO
PARTIU, PARATY
Autores como o norueguês Karl Ove
Knausgard estarão lá de hoje a domingo.
3ª Edição • Preço deste exemplar no Estado do Rio de Janeiro • R$ 4,00 • Circulam com esta edição: Segundo Caderno e Carro Etc
— Eu não posso ter ouvido isso,
“tem Lava-Jato em boca-livre de Rouanet”!
FRED COELHO
Ana C. foi pensadora
de seu tempo.
MARIA RIBEIRO
Às vezes se dá certo
quando dá errado.
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l O GLOBO
2ª Edição Quarta-feira 29 .6 .2016
Página 2
Conte algo que não sei
_
‘O sistema de produção de remédios é insustentável’
|
Panorama
político
|
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Bernard Pécoul, médico
_
Francês, que foi de Médicos sem Fronteiras e integra Programa Especial para Pesquisa de Doenças Tropicais da OMS, veio ao Rio debater moléstias negligenciadas
ILIMAR FRANCO
[email protected]
_
FERNANDO LEMOS
“Nasci em Saint-Flour, França,
há 59 anos. Sou casado, com
quatro filhos e dois netos e
me formei pela Universidade
de Clermont-Ferrand.
Tenho mestrado em Saúde
Pública pela Universidade
de Tulane, nos EUA. Sou
diretor executivo e um dos
fundadores da Iniciativa
Medicamentos para Doenças
Negligenciadas (DNDi).”
_
Salve-se quem puder
Os partidos à esquerda acreditam que a
divisão do PT tem data marcada. Ela se dará
após as eleições de outubro. Os deputados
petistas estão agora empenhados na eleição
de seus cabos eleitorais para 2018: prefeitos e
vereadores. Na esquerda, são poucos os que
creem que consigam criar uma nova sigla.
Apostam na fragmentação. Os desiludidos
devem percorrer e bater em muitas portas.
ENTREVISTA A:
Ocupar o espaço
KELLY KRISHNA
[email protected]
Conte algo que não sei.
Uma grande parte da população mundial ainda está sendo
tratada com medicamentos antigos — isso, quando é tratada. A
falta de pesquisas nas áreas e os
recentes escândalos em torno
dos preços dos remédios mostram que o sistema atual de produção de remédios é insustentável e precisa ser modificado.
l
l Como veio a ideia de criar a
DNDi, com foco no desenvolvimento de medicamentos?
Em Médicos Sem Fronteiras,
muitas vezes, nos víamos em situações em que éramos incapazes de cuidar adequadamente
das pessoas. Os tratamentos não
eram acessíveis nem distribuídos, não atendiam às necessidades da população ou nem existiam. Os mais pobres sofriam com
o descaso da indústria farmacêutica. Na tentativa de mudar
essa situação inaceitável, criamos um grupo, incluindo institutos públicos de países endê-
micos, para assegurar que essas
necessidades seriam atendidas.
Em dez anos, produzimos seis
novos tratamentos, dois deles no
Brasil. A expectativa é chegar a
18 novos tratamentos até 2023.
Quais as doenças negligenciadas presentes no Brasil?
De acordo com a OMS, a doença de Chagas, a leishmaniose
e a filariose. Mas são as duas primeiras que mais afetam o país.
relação com o vírus zika quando
o surto estava no início. O desafio
é melhorar as opções de tratamento para leishmaniose e doença de Chagas. Os medicamentos e as análises para diagnóstico
são os mesmos há 50 anos.
l
Há um surto de leishmaniose cutânea nos campos de refugiados no Oriente Médio. Esse vírus pode atingir o Brasil?
No Brasil, os casos de leishmaniose visceral são a grande maioria. É preciso se preocupar com o
vírus que já existe aqui e mata
muitas pessoas todos os anos.
l
Como está o Brasil em relação
às doenças negligenciadas?
O país tem um sistema de vigilância eficiente. Detectou os casos de microcefalia e sua possível
Por que não há novos investimentos? É possível erradicar a doença de Chagas?
Desenvolver medicamentos
neste campo não é um mercado
lucrativo para a indústria, e tem
sido difícil estimular o interesse
do governo em Chagas, devido
às complexidades da doença:
há pacientes assintomáticos, e
as manifestações não aparecem
até um estágio avançado. Antes
de falar em erradicação é preciso pensar em assegurar acesso
ao tratamento, que hoje chega a
menos de 1% dos afetados.
l
l
Casos de malária registrados
no Rio ano passado assustaram. Há motivo para pânico?
O grande risco na doença está
l
na possibilidade de aparecimento de resistência aos medicamentos existentes. Por isso, é
preciso atualizar os tratamentos.
Eventos como os Jogos ajudam a disseminar doenças?
Não há razão para pânico. O
recente surto de leishmaniose
cutânea na Síria levantou questões importantes sobre a propagação da doença na Europa a
partir de imigrantes. Assim como
o estigma, essas histórias mascaram a necessidade de pesquisa.
l
l Que novas epidemias podem surgir no Brasil?
Ebola e zika colocaram o surgimento de novas pandemias no
radar político. A OMS advertiu
que há três ameaças mais silenciosas e lentas: mudanças climáticas, que estão alterando o padrão das doenças; a resistência
antimicrobiana; e doenças não
transmissíveis, como diabetes e
câncer, que estão se tornando as
maiores assassinas do mundo.
Com seis deputados, o PSOL quer avançar nos
estilhaços do PT. Seus dirigentes afirmam que há
negociações com cerca de oito petistas. Para
Chico Alencar, seu partido não pode ser sectário,
e acolher alguns, mas sem escancarar suas portas.
A prioridade da legenda é disputar e conquistar
as bases e o eleitorado petista. Estes estariam à
deriva, a procura de um novo barco para navegar:
“O PT deixou um vazio no campo da esquerda”.
Ao dar guarida a petistas, reconhecem que há um
risco de contaminação. Mas apostam que vai
prevalecer, na opinião pública, a identidade e as
posições claras, contrárias ao sistema político
vigente, cultivadas nos últimos dez anos.
_
“O PT é vítima de seus próprios
erros. Há críticas (à Lava-Jato),
mas o discurso da vitimização
não dá. Os petistas perderam
sua capacidade de autocrítica”
Chico Alencar
Deputado federal do PSOL do Rio
_
Missão complexa
São tantas as propostas de vetos à nova lei das
estatais que o presidente interino, Michel Temer,
está adiando a sanção. Os pedidos são de estatais,
da Fazenda, da Comissão de Valores Mobiliários e
da Advocacia-Geral da União.
Quem tem os votos
GIVALDO BARBOSA/13-6-2016
ARQUIVO PESSOAL
O GLOBO
Por Dentro
_
Função social
N
ão é todo dia que uma
reportagem com denúncia tem impacto tão
direto na vida de pessoas.
Também não é todo jornalista
que pode dizer que seu trabalho, de certa maneira e sem
qualquer cabotinismo, ajudou
a salvar vidas. Nesse caso, literalmente. Essa é a história da
série publicada pelo GLOBO,
no início deste mês, relatando
os problemas no serviço de
transplante de órgãos no país.
O repórter V INICIUS S ASSINE
mostrou que, se havia dificuldade em conseguir voos da
FAB para apoiar o transporte
de órgãos de forma ágil, o mesmo não ocorria com autoridades que viajam país afora em
voos oficiais. Denúncia feita,
no dia seguinte um decreto
presidencial mudou as regras,
determinando que caberia à
FAB atender aos pedidos de
transporte de órgãos, obrigação que antes só era exigida
por lei para o leva e traz de ministros e chefes do Legislativo
e do Judiciário.
— Não é sempre que nessa
profissão conseguimos ver o
resultado do trabalho de maneira tão clara — diz o fotógrafo MICHEL FILHO, que acompanhou Sassine na realização das
reportagens.
— Uma reportagem se
propõe a ser um instrumento
de transformação, por mais
que isso pareça exagerado ou
Reforço
Vida real. Vinicius Sassine e Michel Filho: reportagem deu resultados
utópico. Poucas vezes isso é
possível. Mas, no fundo, todo
repórter quer mudar uma realidade — diz Sassine.
Algumas das histórias dessa
nova realidade serão contadas na edição de amanhã. O
GLOBO mostrará o resultado
prático da mudança: vidas já
foram salvas com a prioridade ao transporte de órgãos
pela FAB.
Antes da edição do decreto
presidencial, problemas de logística levaram o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) a
recusar 982 órgãos em cinco
anos — um a cada dois dias. l
_
Rio
Conselho de Ética da Câmara abre
processo contra Bolsonaro por
apologia à tortura PÁGINA 8
Caçada a traficante que fugiu de
hospital já deixou dez mortos.
Bandido continua foragido PÁGINA 14
Sem apoio do PSDB, aumento
dos servidores do Judiciário
avança no Senado PÁGINA 4
País não alcança metas de ensino
estabelecidas por lei federal,
mostra entidade PÁGINA 26
Sociedade
Loterias
DUPLA SENA
O leitor deve checar os resultados em agências oficiais e no
site da CEF porque, com os horários de fechamento do jornal,
os números aqui publicados, divulgados sempre no fim da
noite pela CEF, podem eventualmente estar defasados.
1º sorteio
l
2º sorteio
1.510
LOTOMANIA
Carro Etc
As impressões ao volante da nova
geração do Kia Sportage, utilitário
que cresceu e ficou mais vistoso
Esportes
Líder da Série B, Vasco perde (2 a 1)
de virada, em casa, para o Paraná e
é vaiado pelos torcedores PÁGINA 28
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QUINA
Na reta final da comissão do impeachment, a
senadora Kátia Abreu, do PMDB de Michel
Temer, pediu ao PT vaga de titular. Ex-ministra da
Agricultura de Dilma, é conhecida pelo
temperamento forte. O PT cedeu o lugar.
Passando a limpo
O relator do caso do governador do Acre, Tião
Viana (PT), na Lava-Jato, ministro Luiz Felipe
Salomão, vai levar o inquérito ao plenário do
Superior Tribunal de Justiça, em agosto. A
Procuradoria-Geral da República pediu o
arquivamento do caso contra o petista por falta
de provas. A tendência é a de acompanhar a PGR.
Contra o PMDB
O presidente do Senado, Renan Calheiros, foi
convencido a deixar a presidente afastada, Dilma
Rousseff. Líderes do PMDB lhe disseram que os
dirigentes de base não aceitam que ele seja
contra um governo do partido.
Leia também
País
O PSDB, liderando o PT e o
PMDB, ataca os nomes do
centrão para presidir a
Câmara. Sobre isso, o
presidente do
Solidariedade, Paulinho da
Força, diz: “Eles não têm
votos (para eleger o
presidente da Casa). Então,
só resta falar mal de quem
tem. Nós temos 283 votos”. O candidato do
centrão é o líder do PSD, Rogério Rosso.
Fora do mapa
O Brasil perdeu a chance de sediar a 13ª
Assembleia do Parlamento das Américas. O líder
do PT, Humberto Costa, tinha articulado o
encontro no ano passado. Agora, desmarcou,
alegando um “cenário de instabilidade política”.
_
O PRESIDENTE DO DEM, senador José Agripino, nega e diz
que não conhece ninguém de seu partido que
tenha indicado o novo presidente da Eletrobras.
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4.117
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Com Amanda Almeida, sucursais e correspondentes
[email protected]
Quarta-feira 29 .6 .2016
O GLOBO
País
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ESCÂNDALOS EM SÉRIE
Só depois da Olimpíada
_
Lewandowski marcará julgamento do impeachment de Dilma para o fim de agosto
AILTON DE FREITAS
CAROLINA BRÍGIDO E HENRIQUE GOMES BATISTA
[email protected]
O julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff vai
ficar para depois da Olimpíada do Rio, que vai
de 5 a 21 de agosto. De acordo com os prazos da
Lei do Impeachment, o julgamento final de Dilma não ocorrerá antes do dia 26 de agosto. Isso
é o que asseguraram ao GLOBO assessores do
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministro Ricardo Lewandowski, que conduz essa fase do processo no Senado. Eles garantem
que o julgamento não ocorrerá nas mesmas datas do evento esportivo.
Está marcado para o dia 9 de agosto a votação
da pronúncia (análise do resultado da comissão
do impeachment no plenário), uma das últimas
fases do processo. Em seguida, como prevê a Lei
do Impeachment, será aberto prazo de 48 horas
para a acusação se manifestar e para apresentar a
lista de testemunhas sugeridas. Depois, a defesa
terá prazo igual para proceder da mesma forma.
Na sequência, será necessário aguardar pelo
menos dez dias até o início do julgamento final
do processo. A partir do dia 25 de agosto,
Lewandowski poderá marcar a data do julgamento — que não precisa, necessariamente, ser
no dia seguinte, uma sexta-feira. Ele poderá
agendar, por exemplo, para a semana seguinte.
Não há previsão de quanto tempo vai durar o
julgamento final no Senado.
-BRASÍLIA E WASHINGTON-
DILMA COGITA NOVA CARTA AOS BRASILEIROS
A presidente afastada, Dilma Rousseff, se reuniu com a Executiva do PT ontem e acertou com
as bancadas da Câmara e do Senado uma oposição à agenda econômica do governo Temer. Dilma fez uma análise da conjuntura atual, e avalia
que existirá um “processo de disputa permanente” até a votação final do seu impeachment
pelo Senado. A presidente quer escrever uma
“carta aos brasileiros”, a exemplo do que o expresidente Lula fez para acalmar o mercado antes de se eleger pela primeira vez, em 2002.
Na carta, Dilma desqualificaria ações do governo Temer — consideradas retrocessos, como
a extinção dos ministérios da Mulher e da Igualdade Racial — e assumiria compromissos para
o caso de voltar à Presidência.
No encontro, Dilma disse ao presidente nacional do PT, Rui Falcão, e aos líderes do PT no Senado, Humberto Costa (PE), e na Câmara, Afonso
Florence (BA), que dará sinal verde a uma proposta de plebiscito sobre novas eleições presidenciais, a ser realizado em conjunto com a eleição de outubro, desde que a ideia se viabilize no
Congresso. Participantes da reunião contaram
que Dilma quer voltar a viajar e, para isso, está
montando um crowdfunding (financiamento coletivo) para custear as despesas. (Colaboraram
Cristiane Jungblut e Catarina Alencastro) l
Leia mais sobre a Olimpíada em Rio e Esportes
NA WEB
http://glo.bo/28IBX4T
No Senado, Temer e Dilma disputam votos
decisivos no impeachment
Recomendação. Adams disse na comissão do impeachment que defendeu o pagamento junto ao ministro da Fazenda, ao presidente do Banco Central e ao secretário do Tesouro
Adams diz que orientou pagar ‘pedaladas’ em 2014
Para ex-advogado da União,
medida seria preventiva;
quitação só ocorreu em 2015
EDUARDO BRESCIANI
[email protected]
-BRASÍLIA- O ex-ministro da Advocacia-Geral da
União (AGU) Luís Inácio Adams afirmou ontem, em depoimento aos senadores na comissão do impeachment, que recomendou ao governo da presidente afastada, Dilma Rousseff, o
pagamento das “pedaladas fiscais” ainda em
2014. O processo contra a presidente analisa a
reiteração da prática em 2015, com atrasos de
pagamentos do Tesouro ao Banco do Brasil por
despesas do Plano Safra. Somente no fim de
2015 os débitos foram quitados.
— Quando o assunto apareceu, eu tive reuniões com o ministro da Fazenda (Guido Mantega), tive com o Tombini (Alexandre Tombini,
presidente do Banco Central) e com o Arno (Augustin), o secretário do Tesouro, e em todas elas
se debateu o assunto. E eu, por exemplo, sempre recomendei que se quitassem eventuais
passivos existentes — afirmou Adams.
Ele disse que só tratou do tema com Dilma depois, quando o Tribunal de Contas da União
(TCU) já tinha condenado a prática. Também
para ela, recomendou o pagamento imediato.
— A conversa com a presidente já foi na fase
mais avançada, logo após o julgamento no Tribunal de Contas. Não o julgamento da conta, mas o
julgamento do tema das chamadas pedaladas.
Mas eu tive, sim, várias reuniões com o ministro
da Fazenda, com o ministro do Banco Central.
Enfim, a minha opinião é essa. Achava que tinha
que equalizar esses passivos — reiterou.
Adams disse que orientou o pagamento mesmo discordando do questionamento feito no
TCU. Para ele, as práticas não se tratavam de operações de crédito, mas o pagamento seria uma
medida preventiva que protegeria o governo.
Respondendo a um questionamento de José
Eduardo Cardozo, que o sucedeu na AGU e faz a
defesa de Dilma no processo, Adams destacou
que não há até hoje jurisprudência que torne
obrigatório adotar os entendimentos do TCU.
A comissão encerra hoje a tomada de depoimentos. Restará apenas a conclusão dos trabalhos relativos à perícia para o fim das diligências. A defesa de Dilma e três senadores apresentaram 76 pedidos de esclarecimentos aos peritos sobre o laudo que apontou violações legais
nas pedaladas e nos decretos de crédito suplementar, mas sem apontar ato direto de Dilma no
primeiro caso. A advogada da acusação, Janaina
Paschoal, ironizou a quantidade dos questionamentos da defesa e de aliados de Dilma:
— Eu fico intrigada. Se o laudo é tão favorável
assim à defesa, por que razão o advogado e os
senadores apresentaram vários quesitos contraditando as conclusões periciais, dizendo que teriam sido superficiais, dizendo que “como é que
pode ser operação de crédito?”, “como é que pode ter pago remuneração?” Então, eu fico sem
entender. De que laudo se está falando?
Cardozo repetiu que o laudo é “demolidor”
para a acusação:
— Pode-se falar o que se quiser. Doure-se a pílula como se pretender dourar, não há saída. Faticamente, foi demolidor. Por isso a acusação
não queria a perícia. l
QUESTÃO DE FORO
Janaina provoca mais uma polêmica
Advogada questiona Aldo Rebelo em depoimento, é repreendida por senadora e pede desculpas ao ex-ministro
-BRASÍLIA-
O
depoimento do ex-ministro Aldo
Rebelo à comissão do impeachment no Senado teve um momento de tensão quando a advogada
da acusação, Janaina Paschoal, trouxe à tona
a denúncia de que recursos do programa Minha Casa Minha Vida teriam sido desviados
para políticos do PCdoB, entre eles Aldo. A
acusação teria sido feita pelo ex-deputado
Pedro Corrêa (PP) em delação premiada.
— Eu não sei se é político ou jurídico, mas
acho que há um importante questionamento. A
defesa tem sustentado que denunciantes queriam acabar com a Lava-Jato, mas, agora em junho, vieram denúncias de que o PCdoB teria se
beneficiado de desvio de 30% do programa Minha Casa Minha Vida — disse Janaina.
Ela foi interrompida pela senadora Ana
Amélia (PP-RS), que presidia a sessão,
e alertada que não poderia fazer esse
tipo de questionamento na comissão. José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma Rousseff, também reclamou da pergunta. Aldo respondeu:
— A doutora Janaina, de forma indireta, corroborou uma denúncia do ex-deputado Pedro
Corrêa, que guardou durante dez anos um ressentimento por ter sido cassado quando eu presidia a Câmara e por eu ter indeferido recurso
contra a sua cassação. Ele me envolve de forma
sorrateira, caluniosa e criminosa numa denúncia por um ministério em que não passei nem
sequer na porta. Lamento que se trouxe para es-
AILTON DE FREITAS
DIRIGENTE TEME INTERFERÊNCIA NOS JOGOS
Ontem, em Washington, o diretor-executivo do
Comitê Organizador Rio 2016, Sidney Levy,
contou que pediu informalmente ao presidente
interino, Michel Temer, que o julgamento do
impeachment não ocorra durante a Olimpíada.
Ele afirmou que o Comitê Olímpico Internacional (COI) também tem essa preocupação e que
conversou sobre isso com Temer. Segundo ele,
contudo, o presidente disse que não pode fazer
nada, pois o rito depende do Congresso.
— Rezo para que o impeachment seja votado
antes dos Jogos. Se minhas preces não forem
atendidas, que seja depois dos Jogos. Acredito
que o ideal é que isso não ocorra durante os Jogos, mas o presidente interino disse que não pode controlar isso, pois depende da agenda do
Congresso — disse Levy em um debate sobre a
Rio 2016 no Council of the Americas.
Ele afirmou que, se a votação do impeachment ocorrer durante os Jogos, poderia significar a “perda de uma oportunidade” e um “desperdício de energia”:
— Isso seria uma distração, a gente adoraria
que a população brasileira curtisse a Olimpíada, vivenciasse o clima dos Jogos — disse Levy.
O diretor do Comitê Organizador afirmou
que, dos 95 chefes de Estado previstos na abertura dos Jogos, cerca de 60 já confirmaram presença. O presidente Barack Obama ainda é uma
incógnita, mas ele torce para que, ao menos, a
primeira-dama, Michelle Obama, esteja no Rio.
— O impeachment talvez atrapalhe um pouco, para alguns países (enviarem seus chefes de
Estado para a abertura dos Jogos) — disse Levy
aos jornalistas, destacando que os Jogos serão
abertos pelo presidente interino e que todos os
ex-presidentes foram convidados a participar
da cerimônia da abertura: — Até agora, contudo, nenhum deles confirmou presença.
Resposta. Aldo
acusou Janaina de
endossar delação
de Pedro Corrêa, a
quem chamou de
ressentido
sa comissão o depoimento de um desqualificado e ressentido que não tem condições sequer de apresentar indícios do meu envolvimento naquela denúncia.
Janaina disse que não teve intenção de
ofender o ex-ministro:
— Peço desculpas se exorbitei. Não tive intenção de ofender em hipótese nenhuma.
Sobre os decretos de crédito suplementar, Aldo afirmou que não cabia aos ministérios que
pediam recursos verificar se havia cumprimento da meta fiscal no momento da solicitação.
— A avaliação não era realizada nos ministérios. A avaliação era realizada no Ministério do Planejamento, do ponto de vista técnico, e também era submetida a uma avaliação
jurídica, sobre possíveis irregularidades que
pudessem coibir essa solicitação — disse.
Aldo destacou que os decretos não significaram a liberação imediata dos recursos.
Afirmou ainda que os órgãos de controle, como o TCU, têm trabalhado para impedir a
aplicação dos recursos.
— Os órgãos de controle no Brasil funcionam na lógica de não se executar orçamento.
É isso que nós vivemos nos últimos 20 anos.
(Eduardo Bresciani) l
l O GLOBO
4
l País l
Quarta-feira 29 .6 .2016
Comissão do Senado aprova
reajuste no Judiciário
Votação racha base do governo; plenário pode votar aumento hoje
CRISTIANE JUNGBLUT
[email protected]
Após muita discussão e com a
base do governo Michel Temer rachada, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou ontem o projeto de
aumento dos servidores do Poder Judiciário. A proposta prevê um reajuste de
41,5%, com um impacto de cerca de R$
2 bilhões em 2016.
Os partidos aliados de Temer ficaram
divididos: o PSDB tentou adiar a votação, exigindo que, antes, houvesse uma
audiência com o ministro interino do
Planejamento, Dyogo de Oliveira. Mas
os tucanos foram derrotados, e o projeto foi aprovado em votação simbólica.
O ministro interino do Planejamento
será ouvido hoje à tarde, em reunião
extraordinária da CAE. Pelo acordo, só
após essa audiência a proposta será votada pelo plenário do Senado.
Alguns senadores, como Romero Jucá (PMDB-RR), pressionam para que
os projetos de reajuste dos servidores
do Judiciário e do Ministério Público da
União (MPU) — este aprovado pela
CAE semana passada — sejam votados
pelo plenário do Senado ainda na sessão de hoje. Mas isso será difícil, porque a pauta está trancada pela medida
provisória que trata da participação estrangeira na aviação civil.
O reajuste de 41,5% será pago em oito
-BRASÍLIA-
parcelas até 2019. A sessão da CAE foi
comandada pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente da comissão, e que voltou ontem ao Senado
após o episódio da prisão do marido, o
ex-ministro Paulo Bernardo, na última
quinta-feira, na Operação Custo Brasil.
IMPACTO DE R$ 11,5 BILHÕES ATÉ 2018
O projeto de aumento dos reajustes foi
aprovado na CAE após muita discussão
e bate-boca entre os senadores. Ex-ministro do Planejamento, Jucá se irritou
com a oposição do PSDB, já que o líder
do governo Temer, o senador Aloysio
Nunes Ferreira (SP), é tucano. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) propôs
que era preciso, antes, ouvir o ministro
do Planejamento. Ele foi apoiado pelos
senadores Ricardo Ferraço (PSDB-PR),
José Aníbal (PSDB-SP), Flexa Ribeiro
(PSDB-PA), Fernando Bezerra (PSBPE) e Armando Monteiro (PTB-PE).
— O projeto está dentro dos limites
orçamentários — disse Jucá.
— O senador Jucá não acrescentou
informação nenhuma. E os servidores
dizerem que estão há dez anos sem aumento. É conversa! — reagiu José Aníbal, calando os servidores, ao lembrar
que, nos últimos anos, eles receberam
o mesmo reajuste dos servidores do
Executivo e Legislativo.
Enquanto a base de Temer rachava, o
senador Lindbergh Farias (PT-RJ) en-
caminhava a votação a favor, já como líder da oposição no Senado.
— A oposição quer votar — disse
Lindbergh.
O senador Jorge Viana (PT-AC) pediu
mais informações ao Ministério do Planejamento e ao Judiciário sobre o impacto dos reajustes na contas públicas.
Foi então constatado que havia uma
defasagem de R$ 103 milhões, valor
não incluído nas estimativas do governo. Com isso, o impacto em 2016 é de
cerca de R$ 2 bilhões.
Segundo nota do Planejamento do
último dia 14, o reajuste dos servidores
do Judiciário será dado em oito parcelas e custará R$ 11,5 bilhões — sendo
R$ 1,9 bilhão em 2016; R$ 4 bilhões em
2017; e R$ 5,6 bilhões em 2018.
O Planejamento informou que o impacto acumulado dos reajustes dos servidores dos três poderes chegará a R$
67,7 bilhões, sendo de R$ 7 bilhões
apenas em 2016.
O acordo do reajuste dos servidores
do Judiciário foi negociado entre o presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), ministro Ricardo Lewandowski,
e a presidente afastada Dilma Rousseff.
O presidente interino Michel Temer
manteve o acordo, mas avisou que não
concorda com o reajuste dos ministros
do STF, que, em outro projeto, teriam
seu vencimento elevado de R$ 33,7 mil
para R$ 39, 2 mil. l
DISCURSO HETERODOXO
BETO BARATA/PR
Um ministério para
agradar a dois aliados
Temer quer usar
Turismo para ficar
bem com PMDB na
Câmara e com Renan
-BRASÍLIA- O presidente interino,
Michel Temer, quer usar o Ministério do Turismo, cujo comando está vago desde que
Henrique Alves deixou a pasta
— acusado pelo ex-presidente
da Transpetro Sérgio Machado
de ter recebido R$ 1,5 milhão
em propina —, para resolver
dois problemas de uma só vez.
Temer pretende atender ao pedido da bancada do PMDB na
Câmara de indicar o ministro e,
ao mesmo tempo, agradar ao
presidente do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL), que comanda a Casa onde será julgado o processo de impeachment
de Dilma Rousseff. Nesse cenário, o nome do deputado Marx
Beltrão (PMDB-AL) tornou-se o
mais cotado e pode ser definido
até o fim da semana.
O acordo ainda não aconteceu pela falta de entendimento
na bancada do PMDB da Câmara. Há uma disputa interna
com ao menos quatro candidatos além de Marx Beltrão: os
mineiros Newton Cardoso Júnior, Saraiva Felipe e Leonardo
Quintão; e o catarinense Mauro Mariani. Apesar de não existir um pedido de Renan, a ava-
Planalto tenta acordo
para ajudar Cunha
Ideia é viabilizar
aliado do deputado
para a presidência
da Câmara
JÚNIA GAMA E SIMONE IGLESIAS
[email protected]
Metáfora. Temer recorreu ao puma, nome da unidade de celulose inaugurada ontem, para defender o salto para o desenvolvimento no país
Da luta de classes ao salto do puma
Temer pede ‘fraternidade’
entre empresário e trabalhador
e mentalização de felino
THIAGO HERDY
Enviado Especial
[email protected]
-ORTIGUEIRA (PR)-
O
presidente interino, Michel Temer, disse ontem
que o país necessita neste
momento de “fraternidade” entre a iniciativa privada e trabalhadores para voltar a crescer. Em visita a uma nova unidade da fábrica
da Klabin em Ortigueira, no interior
do Paraná, o presidente inspirou-se
no animal puma — nome da nova
unidade da fábrica — para falar da
união que deseja para o Brasil. Con-
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vidou os presentes a fecharem os olhos
e a mentalizarem o puma.
— Na minha mente, o puma sempre
aparece como um animal em movimento, que vai dar um grande salto. E com isso os senhores da Klabin estão dando
um grande salto em prol do desenvolvimento do nosso país — comparou.
A nova fábrica de Ortigueira, que produzirá 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano, teve investimento de R$ 8,5
bilhões, dos quais pelo menos R$ 3,4 bilhões são oriundos de financiamento do
Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES).
— Essa é a fraternidade que estamos
precisando para nosso país. Estou há
pouquíssimo tempo à frente do governo e, na verdade, estamos pregando
uma espécie de pacificação nacional,
um movimento de reunificar o pensamento nacional e fazermos com que to-
dos se empenhem pelo crescimento
— continuou Temer.
Ao ser perguntado sobre como seria possível repetir o exemplo da
Klabin depois da decisão do governo
federal, sob sua gestão, de retirar R$
100 bilhões do BNDES, o presidente
interino disse não ver dificuldades:
— Ainda sobram R$ 400 bilhões
para o BNDES. O segundo ponto é
que esses R$ 100 bilhões vão ser tirados pouco a pouco. A presidente
Maria Silvia (Basto Marques, do BNDES) não vê qualquer problema em
relação a isso.
A agenda em Ortigueira foi escolhida para sinalizar a disposição em
fazer o país retomar o crescimento.
Temer pediu aos presentes que
“transmitam e retransmitam, a todos os cantos e recantos” as palavras
da inauguração de ontem. l
Correção
Classificados do Rio.
Achou de verdade.
classificadosdorio.com.br
2534-4333
Diferentemente do que foi
informado pela consultoria
Macroplan, as chances de
“fracasso parcial” do governo
Michel Temer, aferidas por
pesquisa da própria
consultoria, são de 33%, e
não de 42%, como foi
publicado na coluna de
Merval Pereira, no último
domingo. A informação foi
corrigida pela própria
Macroplan. l
liação do governo é que a indicação de Beltrão, do mesmo
estado do presidente do Senado, o agradaria e seria mais um
gesto para a boa relação que
vem sendo buscada por Temer.
— Temer quer deixar a indicação com a bancada, mas não
quer arbitrar a disputa interna.
O nome mais forte é o do Marx
porque, apesar de estar no primeiro mandato, ele dialoga
bem com todo mundo e, ao
mesmo tempo, é ligado ao Renan. Seria uma solução para
agradar gregos e troianos —
afirmou um peemedebista que
participa da articulação.
Interlocutores de Temer praticamente descartaram a indicação de um mineiro.
— Se eles chegassem a um
entendimento, até poderia sair
de Minas o nome, mas a bancada não se acerta e está muito
dividida. Cada hora vem um
aqui falar com o presidente sobre a indicação — contou um
auxiliar presidencial.
Ontem, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o
presidente interino pretende
definir ainda esta semana quem
ocupará o posto. Segundo Padilha, porém, é possível que o novo ministro do Turismo não seja
filiado ao PMDB, mas certamente será indicado pelo partido. (Júnia Gama, Simone Iglesias, Catarina Alencastro e Eduardo Barreto) l
-BRASÍLIA- Interlocutores do Palácio do Planalto tentam um acordo para viabilizar a eleição do
deputado Rogério Rosso (PSDDF) à presidência da Câmara,
como sucessor do presidente
afastado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ). Um dos pontos da
conversa do presidente interino
Michel Temer com Cunha, na
noite de domingo, foi exatamente a sucessão na Casa. O
presidente afastado quer ajuda
do governo para eleger um aliado seu para o cargo de presidente como última tentativa de
tentar manter o mandato.
Em troca, renunciaria ao posto de presidente, permitindo
que seja solucionado o desgoverno na Câmara, provisoriamente comandada por Waldir
Maranhão (PP-MA).
— A renúncia é ótima para o
governo. Não dá para a Câmara ficar parada deste jeito, com
um presidente interino que
deixa uma semana toda sem
votar nada. Há algum tempo
teria sido mais fácil viabilizar
este tipo de acordo. Mas deixa
ele (Cunha) tentar, vamos ver
no que dá — afirmou um auxiliar do Planalto.
AJUDA CONTRA PERSEGUIÇÃO
Na conversa com Temer, segundo relatos, Cunha insinuou
querer ajuda para viabilizar esta saída. Demonstrou não ter
condições de articular isto por
conta própria e necessitar do
apoio do governo. O pedido de
Cunha foi de apoio a um deputado que não lhe perseguiria
após a renúncia à presidência.
— Não dá para querer que
ele renuncie sem o compromisso de que o sucessor não
lhe seja hostil — defendeu o
assessor do Planalto.
O único nome visto por enquanto no Planalto que poderia atender a Cunha, ao governo e ser aceito pela velha oposição — PSDB, DEM, PPS e
PSB — sem levar a um racha da
base de Temer seria o do depu-
tado Rogério Rosso. Mas alguns dos líderes consultados
por emissários do Planalto já
demonstraram resistência a
esta solução, pois acreditam
que isto poderá fortalecer o
centrão — que apoiava Dilma
e agora está com Temer — na
eleição para o próximo biênio
na Câmara, em 2017.
RESISTÊNCIA AO CENTRÃO
Há um cuidado para que Temer
não se envolva diretamente na
questão para evitar problemas
com sua base. A ideia do Planalto era somente entrar na disputa em caso de polarização entre
um partido aliado e a oposição.
Mas, para evitar que um nome
desfavorável a Cunha seja eleito, o Planalto tenta um acordo
em torno de Rosso.
— Tem que ter muito cuidado para o governo não aparecer nesta disputa. O risco de
ter prejuízo é bem maior que
um eventual benefício, porque
pode despertar nos excluídos
uma reação — comentou um
assessor do Planalto, lembrando as retaliações sofridas pelo
governo petista por ter tentado
derrotar Eduardo Cunha.
Na visão do governo, Rosso
preenche os requisitos para o
momento: pertence a um partido médio, tem um perfil conciliador, certo de grau de preparo
técnico e ganhou estatura na
presidência da comissão especial que analisou o impeachment de Dilma Rousseff. Mas,
até o momento, não há apoio
dos partidos da antiga oposição,
e nem mesmo do PMDB. Os
peemedebistas têm dialogado
com PSDB e DEM, e até tentado
estabelecer pontes com os arquirrivais PT, PCdoB e PDT, para uma aliança informal na sucessão na Câmara que se sobreponha ao centrão. l
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Quarta-feira 29 .6 .2016
l País l
O GLOBO
l 5
6
l O GLOBO
l País l
Quarta-feira 29 .6 .2016
Polícia Federal prende grupo por
fraude de 15 anos com Lei Rouanet
Esquema revelado pela Operação Boca Livre desviou R$ 180 milhões
PEDRO KIRILOS
STELLA BORGES, TIAGO DANTAS,
LUIZA SOUTO E
DIMITRIUS DANTAS*
[email protected]
Casamento teve show
sertanejo; noivo
também foi preso
‘N
Em ação. Agentes da Polícia Federal na Operação Boca Livre: cerca de 250 projetos sob suspeita de irregularidades
COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA
Pelo menos 250 projetos culturais podem ter sido realizados de
maneira irregular em esquema que fraudava a Lei Rouanet desde
2001, segundo a Polícia Federal
O grupo Bellini Cultural, sediado
1 em SP, apresentava projetos
culturais ao Ministério da Cultura
pleiteando autorização para captar
recursos pela Lei Rouanet
APROVADO
Grupo
Bellini Cultural
ós achamos
que modelos
tivessem sido
contratados
para fazer o vídeo, mas eram
convidados, todos posando,
estourando champanhe”,
comentou ontem o ministro
da Justiça, Alexandre de
Moraes, após ver as cenas
de um casamento revelado
pela Operação Boca Livre. A
festança de Caroline Monteiro e Felipe Amorim, preso, aconteceu no 300 Beach
Club, “um local de balada
chique” (diz o site do negócio) na Praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis,
em maio. Durou um fim de
semana inteiro.
O dinheiro captado pela
empresa do pai de Felipe, o
Grupo Bellini Cultural, por
meio da Lei Rouanet, era,
segundo as investigações,
para financiar a apresentação de uma orquestra num
bairro carente.
O casamento teve como
atração principal um show
do cantor sertanejo Leo Rodriguez, que cobra cachês
entre R$ 50 e R$ 70 mil. Um
vídeo do casamento está
anexado ao inquérito.
Imagens disponíveis num
site de fotos mostram os
preparativos do casamento.
A festa tinha mimos para os
convidados, inclusive roupão personalizado, com o
nome das madrinhas, e sandálias para as convidadas
dançarem os hits de Leo Rodriguez. O empresário do
cantor disse ontem que Leo
não sabia que seu pagamento viria de recursos públicos. (Stella Borges e Leonardo Lichote) l
NA WEB
glo.bo/291qbPl
Vídeo: casamento
teve despesas
pagas a partir de desvios da
Lei Rouanet
REPRODUÇÃO DA INTERNET
Ministério
da
Cultura
PROJETO
CULTURAL
Após autoriza2 ção, com
suposta facilitação de
funcionários da pasta,
o grupo procurava a
iniciativa privada
Ostentação. O casamento na Praia de Jurerê Internacional (SC)
O grupo aplicava o
dinheiro das
empresas que patrocinavam seus projetos em
eventos não aprovados
pelo ministério, como
festas corporativas, livros
institucionais e até uma
festa de casamento
3
FESTAS
SUSPEITA DE CONIVÊNCIA
Em vez de levar adiante os
eventos aprovados pelo ministério, o grupo usava parte ou
toda a verba arrecadada por
meio da Lei Rouanet em eventos privados, como festas de
fim de ano de empresas, shows
com artistas famosos em eventos corporativos, livros institucionais e até o casamento de
Felipe, numa cerimônia luxuosa em Florianópolis. Na prestação de contas, o grupo apresentava notas fiscais falsas. A
investigação revelou outras
fraudes, como superfaturamento e duplicação dos projetos apresentados à pasta.
— Quem captava dinheiro
era esse grupo com supostas
facilitações no Ministério da
Cultura, que não só propiciava
as condições ideais para aprovação desses projetos forjados
como também exercia uma fiscalização pífia ou nenhuma,
para que esses projetos plagiados, repetidos, não fossem
identificados — disse a procuradora Karen Louise Jeanette,
do Ministério Público Federal.
Segundo a Polícia Federal, só
após a análise dos documentos
apreendidos será possível
constatar se houve participação de agentes públicos.
Investigadores ouvidos pelo
GLOBO disseram suspeitar
que funcionários das empresas privadas que patrocinavam
projetos do grupo Bellini eram
coniventes com o esquema.
Agentes da Polícia Federal es-
Festança regada
com verba pública
-SÃO PAULO-
-SÃO PAULO- Um esquema de frau-
des na Lei Rouanet, que desviou até R$ 180 milhões nos últimos 15 anos, foi revelado ontem pela Polícia Federal (PF)
em São Paulo. Para os investigadores, falhas no controle da
concessão dos benefícios fiscais feito pelo Ministério da
Cultura contribuíram para que
os crimes ocorressem. O ministro da Cultura, Marcelo Calero, defendeu o órgão, mas reconheceu que a legislação precisa de “atualizações”.
Ao todo, 14 pessoas foram
presas na Operação Boca Livre, que cumpriu 37 mandados
de busca e apreensão em São
Paulo, Rio e Distrito Federal,
inclusive no Ministério da Cultura. Entre os presos estão Antônio Carlos Bellini Amorim,
dono da Bellini Cultural, pivô
do esquema; o filho dele, Felipe Amorim, que trabalha como gerente de marketing da
empresa; e o produtor cultural
Fábio Ralston, segundo informou o “Jornal Nacional”.
A PF está investigando pelo
menos 250 projetos suspeitos
de irregularidades. Eles foram
apresentados com o objetivo
de captar recursos por meio da
Lei Rouanet pela Bellini Cultural e outras empresas ligadas a
Antônio Carlos. Após aprovação do ministério, o grupo ia a
empresas privadas interessadas em patrocinar essas iniciativas, em troca de isenção de
impostos federais permitidas
pela Lei Rouanet.
‘BALADA CHIQUE’
EMPRESAS
LIVROS
A PF SUSPEITA QUE
FUNCIONÁRIOS DAS EMPRESAS
PATROCINADORAS SEJAM
CONIVENTES COM O ESQUEMA
NOTAS FISCAIS
Após o evento, o Grupo Bellini fraudava a prestação
4 de contas ao Ministério da Cultura, por meio de
notas falsas, serviços e produtos fictícios, por exemplo
Tânia, mulher
de Antônio
Carlos
Felipe Amorim, filho de
Antônio Carlos e noivo do
casamento pago com fraude
[email protected]
P
+ 11 pessoas
Editoria de Arte
tiveram em dez empresas ontem, entre elas: Scania, NotreDame Intermédica, Lojas
CEM, KPMG, Laboratório Cristália, Cecil, Nycomed, Atacadista Roldão e o escritório Demarest Advogados. Procuradas, elas informaram que não
cometeram irregularidades e
se comprometeram a colaborar com a investigação.
O advogado Eduardo Zynger,
que defende Antônio Carlos,
disse que seu cliente está “sereno” e “disposto a colaborar
com as autoridades”. Ele será
ouvido amanhã.
Ontem, no fim da tarde, o
ministro Calero negou que o
ministério tenha feito vista
grossa e disse que a operação
só foi possível graças a uma auditoria da pasta.
FÓRUM CULTURAL DEFENDE LEI
Segundo a Polícia Federal, em
2014 a Controladoria-Geral da
União repassou informações
sobre as irregularidades, o que
deu início às investigações.
— Não podemos demonizar
a Lei Rouanet por conta de
bandidos que formaram uma
quadrilha — disse o ministro.
— É um mecanismo que precisa de atualizações, de correções, mas tem conseguido financiar a cultura brasileira.
Os reais
vagabundos
FÁTIMA SÁ
QUEM
FOI
PRESO
Antônio Carlos
Bellini, dono do
Grupo Bellini
Artigo
Em nota, o Fórum Brasileiro
pelos Direitos Culturais, que
reúne mais de cem instituições, gestores e representantes
do setor manifestou apoio incondicional às investigações
da Boca Livre. O grupo informou que a Lei Rouanet “ocupa
papel fundamental no financiamento da cultura no país” e
reforçou que “sua aplicação
deve seguir padrões estritos de
observância do interesse público.” O grupo afirmou esperar que a cultura e seus mecanismos de fomento sejam fortalecidos. (*Estagiário, sob supervisão de Mariana Timóteo
da Costa) l
rincipal mecanismo
de financiamento da
cultura no país, a Lei
Rouanet injetou R$
12,6 bilhões na economia desde 2006, segundo o Ministério
da Cultura. A conversão do
imposto em produção cultural
tirou do papel 32 mil projetos
só nesse período, de pequenas
peças de teatro e encontros literários a musicais milionários
e grandes festivais. Desde então, a lei entrou na berlinda.
Ela tem problemas? Muitos. A
maioria das produções fica
em capitais onde a oferta cultural já é maior. Como as empresas decidem em que projetos querem investir o imposto
que devem, os de maior visibilidade e apelo de público acabam levando vantagem. Faltam pareceristas para avaliar o
que se pede. E falta fiscalização sobre o que se ganha.
Problemas expostos, a Rouanet dominou debates. Do
Facebook ao palco, passou a
ser demonizada por uns, de-
fendida com unhas e dentes
por outros. E, num momento
em que se julga mais do que
se investiga, artistas e produtores começaram a ser chamados de “vagabundos” por
usarem a lei (há mecanismos
de incentivo em vários países
de “respeitada” produção
cultural, diga-se).
O que se viu ontem com a
Operação Boca Livre, porém,
é diferente. Pela investigação
da Polícia Federal, o Grupo
Bellini Cultural operava um
esquema de múltiplas fraudes, com projetos não executados ou duplicados, notas
frias, falsas contrapartidas,
superfaturamento. O dinheiro público desviado chegaria
a R$ 180 milhões ao longo de
15 anos. Segundo o Ministério Público Federal, não há
dúvidas do envolvimento de
funcionários do ministério.
Enquanto se discutem
ajustes na lei, é preciso investigar quem faz uso criminoso
dela, dar nome aos bois, puni-los e recuperar o dinheiro
roubado. É preciso conhecer
os reais vagabundos. l
Dirceu é alvo de denúncia, mas pode ter pena do mensalão extinta
Lava-Jato pede que
petista se torne réu
de novo por acusação
de receber propina
A força-tarefa da Operação Lava-Jato apresentou ontem nova denúncia
contra o ex-ministro da Casa
Civil José Dirceu, o ex-diretor
de Serviços da Petrobras Renato Duque e mais cinco pessoas
-SÃO PAULO E BRASÍLIA-
por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Dirceu é acusado de receber R$ 2,1 milhões em propina
de fornecedoras de tubos da
Petrobras. Parte da propina foi
paga em viagens aéreas.
Os investigadores afirmam
que os executivos da empresa
Apolo Tubulars, Carlos Eduardo de Sá Baptista e Paulo Cesar
Peixoto de Castro Palhares,
procuraram o lobista Julio Camargo e Duque para entrar na
lista de fornecedores da Petrobras. Em troca, combinaram
pagar R$ 7 milhões. O esquema rendeu um contrato de R$
450 milhões à Apolo Tubulars.
Os valores ilícitos foram
transferidos à empresa Piemonte, de Júlio Camargo, que
foi orientado por Duque a repassar a Dirceu sua parcela na
propina. Cerca de 30% dos valores recebidos por Camargo
(R$ 2,1 milhões) foram transferidos ao ex-ministro.
Para dissimular os repasses
de vantagens indevidas, Camargo pagou despesas de Dirceu, como o aluguel de aeronaves. Também providenciou
a transferência de valores para
o petista por meio de um falso
contrato com a empresa Credencial. Os pagamentos (num
total de R$ 688,6 mil) ocorreram entre 12 de março e 30 de
julho de 2012.
Os valores teriam sido repassados por Eduardo Aparecido
de Meira e Flávio Henrique de
Oliveira Macedo, donos da
Credencial, a Dirceu. Foram
rastreados cerca de 300 telefonemas entre Dirceu e a dupla.
No mesmo dia em que foi alvo de nova denúncia, Dirceu
recebeu do procurador-geral
da República, Rodrigo Janot,
parecer favorável ao seu pedido de indulto, o que pode extinguir a pena no julgamento
do mensalão. A decisão caberá
ao ministro Luís Roberto Bar-
roso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Caso Barroso aceite o pedido, Dirceu se livrará
da condenação do mensalão,
mas continuará preso preventivamente em Curitiba, devido
à Lava-Jato. A cada Natal, há
um decreto presidencial definindo condições que permitem aos presos pedir indulto.
Se for indultado, Dirceu não
precisará cumprir toda a pena
de sete anos e 11 meses determinada pelo Supremo. l
l País l
Quarta-feira 29 .6 .2016
O GLOBO
A Educação Infantil
no centro do debate.
Acompanhe amanhã, ao vivo, esse importante evento.
educação
360
Depois de duas edições bem-sucedidas do Educação 360, surge o
Educação 360 - Educação Infantil. O evento vai reunir no Museu
do Amanhã, grandes nomes, nacionais e internacionais, para um
debate de alto nível, com visões diversas e abrangentes e troca de
experiências de sucesso.
Mesa 1 - 9h30 às 11h
Por uma Educação Infantil
de qualidade.
Emiliana Vegas
Banco Interamericano
de Desenvolvimento
Claudia Costin
Banco Mundial
Maurício de Holanda
Câmara Federal
Daniel Santos
USP Ribeirão Preto
Pedro Olinto
Banco Mundial
Mesa 2 - 11h30 às 13h
O desenho da política
pública de Educação Infantil:
acesso com qualidade.
Teresa Surita
Prefeita, Boa Vista
Mesa 3 - 14h30 às 16h
Políticas curriculares de
êxito na Educação Infantil.
Eduardo Marino
Fundação Maria Cecília
Souto Vidigal
Júlia Ribeiro
Unicef
Larry
Schweinhart
ex-presidente
HighScope
Gelcivânia Mota
Secretária Municipal
de Serrinha - BA
César Callegari
Conselho Nacional
de Educação
Beatriz Ferraz
Fundação Maria Cecília
Souto Vidigal
Cleuza Repulho
ex-presidente Undime
Estela Renner
Maria Farinha
Filmes
Mesa 4 - 16h30 às 18h
O começo da vida em casa,
na escola e na comunidade.
As inscrições estão esgotadas, mas você pode
assistir à transmissão das mesas de debates ao
Luiz Alberto Oliveira
Museu do Amanhã
vivo nos sites: oglobo.com.br; extraonline.com
e futura.org.br. Acompanhe também pelo
facebook.com/educacao360.
Vera Iaconelli
Instituto Gerar de
Psicologia Perinatal
Parceria
Apoio
Realização
l 7
8
l O GLOBO
l País l
Bolsonaro
responderá
por apologia
à tortura
P
Quarta-feira 29 .6 .2016
INFRAÇÕES ELEITORAIS
A ‘Sucupira’ fluminense
Quaquá, prefeito de Maricá, é acusado de pintar ônibus municipal com a sigla e a cor de seu partido,
o PT, de inaugurar busto em hospital inacabado, e de distribuir panfletos promocionais em escolas
DIVULGAÇÃO
CHICO OTAVIO
[email protected]
Conselho de Ética abre processo
contra deputado, que enalteceu o
coronel Ustra para provocar Dilma
LETICIA FERNANDES
[email protected]
-BRASÍLIA- Em uma sessão esvaziada, após meses deliberando
sobre o caso de Eduardo Cunha, o Conselho de Ética da Câmara abriu ontem processo
contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por quebra de decolo parlamentar. Ele é acusado
de apologia à tortura por ter
enaltecido o torturador Carlos
Alberto Brilhante Ustra, coronel
que chefiou o DOI-Codi de São
Paulo durante a ditadura.
Ao votar a favor do impeachment da presidente afastada,
Dilma Rousseff, no plenário da
Câmara, Bolsonaro disse que
votava pela memória do coronel, que afirmou ser “o terror
de Dilma”. A fala teve enorme
repercussão negativa. O deputado foi denunciado ao Tribunal Penal Internacional por
crimes contra a Humanidade.
A representação contra Bolsonaro no Conselho de Ética é
do PV e foi protocolada no dia
26 de abril, mas só ontem começou a andar, já que o caso
do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDBRJ), trancava a pauta do órgão.
Na representação, o Partido
Verde diz que Bolsonaro cometeu um “atentado contra os
direitos humanos” e que desrespeitou quem foi alvo de tortura durante o regime militar.
A defesa de Bolsonaro argumentou que suas declarações
são protegidas pelo artigo 53
da Constituição, que estabelece a imunidade parlamentar
por suas opiniões, não podendo ser responsabilizado civil
ou penalmente por isso.
O presidente do Conselho,
José Carlos Araújo (PR-BA),
ainda escolherá o relator. O
nome será escolhido entre os
deputados Zé Geraldo (PTPA), Wellington Roberto (PRPB) e Valmir Prascidelli (PTSP), sorteados ontem. A seleção dos nomes para o sorteio
levou em conta que o relator
não poderá ser do mesmo estado, do mesmo partido ou da
coligação de Bolsonaro.
INCITAÇÃO AO ESTUPRO
Além da representação no
Conselho de Ética, Bolsonaro é
réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por incitação ao
crime de estupro, que tem pena de três a seis meses, e por
injúria, cuja punição varia de
um a seis meses de detenção.
Na semana passada, a Primeira Turma do STF aceitou
denúncia contra o deputado
por ele ter dito que a deputada
Maria do Rosário (PT-RS) não
merecia ser estuprada. Ao jornal “Zero Hora”, o deputado
disse, em dezembro de 2014,
que ela era “muito ruim” e
“muito feia”, e por isso não seria merecedora do estupro.
Após as declarações de Bolsonaro, Maria do Rosário apresentou queixa-crime no STF
pelos crimes de injúria e calúnia (este segundo crime foi rejeitado). Já a Procuradoria-Geral da República acionou o tribunal por apologia ao crime.
O relator do caso, ministro
Luiz Fux, argumentou que a
imunidade não se aplica a declarações dadas à imprensa e
sem relação com o mandato. l
ara a equipe da Fiscalização Eleitoral,
liderada pelo juiz
Marcello Rubioli, o
cenário fazia lembrar Sucupira, a lendária cidade comandada por Odorico Paraguaçu na novela “O bem
amado”, da TV Globo. De boina verde, Washington Quaquá (PT), prefeito de Maricá,
município da Região Metropolitana do Rio, levou uma
comitiva à porta do Hospital
Municipal Ernesto Che Guevara, no último sábado, para
reverenciar um busto de madeira em homenagem ao
guerrilheiro argentino.
Dois detalhes chamaram
a atenção dos fiscais: o “hospital” ainda é apenas um
canteiro de obras inacabado
e, em frente ao busto, a prefeitura havia estacionado
um ônibus vermelho, com o
logotipo EPT, de Empresa
Pública de Transporte, com
as duas últimas letras, justamente as do partido do prefeito, bem destacadas.
A homenagem vai custar
ao prefeito uma investigação por propaganda eleitoral disfarçada, determinada
pelo juiz Rubioli.
A UTOPIA DE MARICÁ
O evento ocorreu no mesmo
fim de semana em que
acontecia em Maricá a “Primeira Feira Internacional
da Utopia”, definida pela
prefeitura como uma oportunidade de reunir, em torno de debates e atrações
culturais, pessoas interessadas em discutir a igualdade
econômica, a liberdade e a
fraternidade entre os povos.
Como o evento contou
com a presença de candidatos às eleições municipais
deste ano em Maricá, no Rio
e em São Paulo, também será alvo de investigações da
Justiça Eleitoral sobre uso
ilegal da máquina pública.
Uma das principais convi-
EPT. Funcionários da prefeitura de Maricá e ônibus da frota municipal: alvo de investigação da Justiça Eleitoral
dadas foi Aleida Guevara, filha
de Che, que foi anunciada como futura médica do hospital
de Maricá assim que a unidade
começar a atender. Mas a médica cubana não foi a única
atração. O festival teve show de
Beth Carvalho e palestras do
ex-senador Eduardo Suplicy,
da deputada federal Jandira
Feghali (PCdoB), pré-candidata à prefeitura carioca, e do líder do MST João Pedro Stédile.
— Só não mandei suspender
tudo na hora em respeito à população presente, mas providências serão tomadas. No caso do prefeito, vamos apurar se
houve conduta vedada a agente público, o que pode provocar uma ação de improbidade
e até a suspensão dos direitos
políticos — alertou o juiz.
Rubioli disse que já havia
uma notificação do Ministério
Público à prefeitura de Maricá
pedindo que o ônibus vermelho, estampado com um logotipo cujo desenho sugere o slogan “é PT”, fosse alterado imediatamente. Vermelho é a cor
do partido. Mas a solicitação
do MP não foi atendida. A prefeitura usa os ônibus para servir gratuitamente sete linhas
municipais desde 2013.
PROPAGANDA NAS ESCOLAS
O prefeito Quaquá também está
na mira da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) no Rio. Em
representação à Promotoria
Eleitoral de Maricá, a PRE pediu
uma apuração sobre possível
propaganda irregular na rede
escolar do município. Uma
queixa de cidadão, feita pelo canal de denúncias da PRE, informou que alunos de escolas municipais teriam recebido informativos com entrevista e fotos
de Quaquá. Para o procurador
regional eleitoral Sidney Madruga, é preciso apurar eventuais benefícios eleitorais na précampanha, que violariam a legislação ao afetar a isonomia
que deve nortear a disputa.
— Não se permite propaganda fora de época, e ela deve ser
retirada e sancionada com
multa. Temos que buscar a
igualdade entre todos os candidatos — afirmou Madruga.
Em nota, Washington
Quaquá informou que não
é candidato na próxima
eleição e não o será também
na de 2018, “portanto a vinculação eleitoral pretendida
pela denúncia é improcedente e não tem qualquer
cabimento”. Caso seja interrogado pelo MP, o prefeito
disse prestará os esclarecimentos necessários.
Quanto ao evento no hospital em obras, garantiu que
“não houve inauguração de
estátua durante a visita da
filha do Che, Aleida Guevara, às obras: “Um artista local, que usa materiais como
madeira, verniz e folhas de
bananeira, levou a peça para mostrá-la a Aleida”.
Quaquá também garantiu
que a logomarca EPT, estampada nos veículos públicos, jamais foi objeto de
qualquer tipo de questionamento: “A Prefeitura discorda da interpretação, mas,
ainda assim, por decisão do
prefeito, as logomarcas serão removidas”. l
Universitário é morto após seu carro levar 16 tiros em ação policial
‘Foi muito tiro! Não é
normal’, diz ouvidor
da polícia; veículo
estava com multas
LUIZA SOUTO
[email protected]
-SÃO PAULO- O estudante universitário Julio Espinoza, de 24
anos, foi morto durante uma
perseguição policial na Zona
Leste de São Paulo, na madrugada de segunda-feira. O carro
dele foi alvejado pelo menos
16 vezes, e a vítima levou um
tiro na cabeça. Em menos de
um mês, é a quarta morte de
jovens que estavam dentro de
veículos, em abordagens das
forças de segurança.
De acordo com a Polícia Militar, o estudante não obede-
ceu a uma ordem de parar o
carro na Avenida Presidente
Wilson. A perseguição seguiu
por ruas e avenidas de São
Paulo. A ação contou com policiais militares e guardas civis, que foram chamados a
ajudar. Os agentes contaram,
no boletim de ocorrência, que
viram um clarão dentro do
carro e, por isso, resolveram
atirar, enquanto o motorista
tentava fugir.
Julio foi socorrido e levado
ao Hospital da Vila Alpina, onde teve morte cerebral constatada. O pai do jovem, Julio
Ugarte Espinoza, estava inconsolável com a morte do filho. A
família diz que Julio Cesar fugiu da polícia porque o carro
não estava licenciado.
— O carro tinha umas cinco
ou seis multas. Meu filho estava revoltado. Ele me disse: ‘Se a
REPRODUÇÃO FACEBOOK
Violência. O universitário Julio Espinoza: carro onde ele estava levou 16 tiros
polícia tentar me parar, eu não
vou parar’ — contou o pai.
Além de Julio, Waldik Gabriel Silva Chagas, de 11 anos, Robert da Silva Rosa, de 15 anos,
e Ítalo de Jesus Siqueira, de 10
anos, foram mortos por policiais este mês em São Paulo.
A atuação dos policiais no
caso do universitário foi criticada pelo ouvidor da polícia
do estado, Julio Cesar Fernandes Neves. Ele disse que pedirá
ao Ministério Público e à Corregedoria da PM que acompanhem as investigações.
— Pedimos que as investigações sejam transparentes. Foi
muito tiro! Não é normal —
afirmou Neves.
A Ouvidoria apresentou ontem um levantamento: entre
2010 e a última segunda-feira,
dia 27, 191 crianças e adolescentes morreram em possíveis
confrontos com policiais. Destes, dez não tinham nem 14
anos de idade, e 181 tinham
entre 14 e 16 anos. Apesar de
Espinoza ser mais velho, a maneira como ele morreu também foi criticada por entidades de direitos humanos.
— Banalizou-se o uso das armas de fogo por parte da polícia. Fica a sensação de que ela
tem um cheque em branco para agir — disse o advogado Rafael Custódio, coordenador do
Programa Justiça da Conectas
Direitos Humanos.
Na delegacia, os policiais disseram que encontraram “uma
substância branca, parecendo
entorpecente” no carro, além de
arma, estojos vazios e cartuchos.
Uma perícia no veículo apontou
16 marcas de perfuração, além
de “orifício aparentemente de
saída, no para-brisa”. l
MINISTÉRIO DE
MINAS E ENERGIA
AMAZONAS DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A
AVISO DE ADIAMENTO
Concorrência CC- nº. 056/2016
A Amazonas Distribuidora de Energia S/A torna público o adiamento da data para
entrega das propostas e abertura dos documentos de habilitação pertinentes à
licitação em epígrafe, cujo objeto é contratação de empresa para implantação da
Subestação Centro – 138/13, 8 KV, incluindo Projeto Executivo, a execução das
obras civis e montagem eletromecânica, e o fornecimento total de equipamentos
e materiais, localizada no município de Manaus, no Estado do Amazonas, para
o dia: 25.07.2016 às 09h00 (horário local).
ANDRÉ FRANCISCO DA SILVA REIS
Presidente da Comissão Permanente de Licitação
Quarta-feira 29 .6 .2016
O GLOBO
Rio
l 9
CONTAGEM REGRESSIVA
_
DOMINGOS PEIXOTO
Chegada. Um dos primeiros locais a receber decoração foi a Avenida Rio de Janeiro, acesso entre o Aeroporto Tom Jobim e a Estrada do Galeão. Quem deixa o terminal é saudado com mensagens de “bem-vindo” em vários idiomas
Vestida para os Jogos
Decoração começa a ser instalada. Bandeiras e painéis coloridos se espalham pela cidade
LUIZ ERNESTO MAGALHÃES
[email protected]
A 37 dias do início da Olimpíada do Rio, a cidade começa a se vestir para os jogos. Esta semana, a prefeitura começou a instalar banners que
fazem parte da decoração olímpica. O material
já pode ser observado em vias como a Avenida
Rio de Janeiro, que liga o Aeroporto Tom Jobim
à Estrada do Galeão, e a Autoestrada Lagoa-Barra. Em Botafogo, a fachada do Túnel Novo, que
dá acesso a Copacabana, foi convertida num
painel colorido alusivo ao evento.
A decoração que está sendo colocada no Rio
é conhecida entre os organizadores como “look of the city”. Geralmente, nesses materiais
também são exibidos os anéis olímpicos e a logomarca. O modo de uso, no entanto, muda a
cada cidade. Em 2012, toda a decoração dos
Jogos de Londres tinha um tom arroxeado e,
ao fundo, apareciam os anéis com a logomarca. Na versão carioca, as mascotes Tom (Olimpíada) e Vinícius (Paralimpíada) integram a
apresentação visual.
Em muitas situações, o material vai além da
função de decorar a cidade. Nas próximas semanas, serão instaladas placas de sinalização
de trânsito e de orientação para pedestres. Elas Jornada Mundial da Juventude (2013) e na Copa
vão indicar o caminho até as instalações olímpi- do Mundo (2014).
cas em vias públicas localizadas a uma distân— A Olimpíada é uma oportunidade única de
cia de 1.600 metros ou para cobrir o chamado mostrar nossa cidade para o mundo inteiro. O
“last mile”, no jargão olímpico. Essa sinalização retorno de imagem que teremos não tem preço.
é que vai indicar, por exemplo, como chegar a É até difícil medir tamanha exposição. E a cidauma arena olímpica, uma estação de trem, me- de está se vestindo para os visitantes olímpicos.
trô ou de BRT, por exemplo.
A gente estima que a cidade vai
U
O mesmo padrão visual será
receber cerca de 1 milhão de tuusado na decoração de 24 postos
ristas nacionais e estrangeiros,
Números
de informações turísticas da Rioque deverão injetar R$ 1 bilhão na
tur instalados pela cidade — seis
economia da cidade — disse o sedos quais vão funcionar apenas
10.500
cretário de Turismo.
durante o evento. Dos 18 postos
Todo o material em exposição
ATLETAS
fixos de informações, dois novos
na cidade exibe também o slogan
São esperados na cidade
serão inaugurados para o evento
escolhido pelo Comitê Rio 2016
para os Jogos Olímpicos.
em Santa Teresa e na Barra da Tipara o evento: “Um mundo novo”
juca. Haverá postos temporários
ou “A new world”, na versão em
206
em Ipanema, na Rodoviária Novo
inglês. A ideia que os organizadoRio, na Central do Brasil, na Barres tentam transmitir é que seria
PAÍSES
Deverão estar
ra, em Deodoro e no Maracanã.
possível imaginar um mundo meO secretário municipal de Tulhor através do esporte. Na última
representados por atletas
rismo, Antonio Pedro Figueira de
edição do evento, em Londres, o
nas quadras, piscinas e
Mello, justificou a decoração afirslogan era “Inspire uma geração”
arenas durante o evento.
mando que o Rio busca se dife(“Inspire a generation”).
renciar no visual não apenas nos Jogos OlímpiO custo da prefeitura para a implantação do
cos — como ocorre em outras cidades que rece- “look of the city” é de R$ 700 mil. Como nas edibem a competição — mas também em outros ções anteriores do evento, a decoração da cidamegaeventos que promove. Todo ano, obser- de obedece ao padrão visual a ser empregado
vou, a cidade se decora para o réveillon e o car- também nas instalações esportivas e na Vila dos
naval. E também adotou decoração especial na Atletas, cujas instalações, neste caso, são de res-
ponsabilidade do Comitê Organizador. Ela foi
inspirada nas cores das logomarcas tridimensionais que identificam o evento do Rio, selecionadas após um concurso internacional.
— Quando nossa proposta foi aceita pela comissão julgadora, desenvolvemos todo um padrão visual que passou a servir como elemento
de identificação da Olimpíada. A Diretoria de
Marcas da Rio 2016 passou a desenvolver todos
os elementos visuais a partir desse material, inclusive a decoração da cidade — explicou o diretor de criação e proprietário da Agência Tátil,
Fred Gelli, que venceu o concurso para a escolha das logos.
Gelli, que atualmente participa da organização da cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos junto com o escritor e jornalista Marcello Rubens Paiva e o artista plástico Vik Muniz, observou que esse mesmo padrão visual
serviu de base para o desenvolvimento de outros elementos olímpicos. As cores da logomarca foram usadas, por exemplo, no projeto vencedor do design da tocha.
— A sensação de ver tudo isso que foi desenvolvido pela gente agora nas ruas é muito intensa. Às vezes, até eu sou pego de surpresa com a
difusão de imagens associadas aos Jogos, seja
na decoração ou em outros elementos. A primeira vez que vi a logomarca impressa em moedas, por exemplo, foi quando eu recebi troco na
padaria — contou Gelli. l
10
l O GLOBO
l Rio l
3ª Edição Quarta-feira 29 .6 .2016
ENQUANTO ISSO...
DAYANA RESENDE
[email protected]
D
izem que Miranda Priestly, de “O diabo veste
Prada”, olharia enviesado. Mas o certo é que os
internautas não deixaram nada a
desejar à implacável editora de
moda. Os uniformes que serão
usados pela equipe oficial que entregará as medalhas na Olimpíada
do Rio, criados pela estilista Andrea Marques, não passaram impunemente pelo crivo das redes
sociais. Logo após a divulgação das
peças, as primeiras críticas comparavam os trajes — com estampa de
folhagens amarelas e blazer rosa
claro para as mulheres e calça de
sarja rosa e camisa estampada para
os homens — às roupas caipiras
das quadrilhas de festas juninas.
‘‘Que bonita a Olimpíada com
tema Festa Junina!”, ironizou um
internauta. “Esses uniformes são da
entrega de medalhas? Anarriê. Olha
o bom gosto, é mentira”, brincou outro. “O uniforme da equipe que entregará as medalhas olímpicas é
uma coisa meio junina, meio mexicana, meio sem noção”, escreveu
ainda um rapaz.
Nas cr íticas bem-humoradas,
até mesmo os personagens do
programa A Grande Família, que
era exibido pela TV Globo, foram
Na Olimpíada do Rio, o
diabo veste caipira?
Uniforme oficial da equipe que entregará medalhas aos atletas nos Jogos não passa
pelo crivo das redes sociais e internautas brincam que modelos lembram festa junina
lembrados. “Olimpíada lança look
70’s-caipira www.grandefamilia. Será
um sucesso... nos sites de humor’’, opinou outro piadista.
A consultora de moda Gloria Kalil
preferiu não dar sua opinião sobre os
modelitos, mas destacou a importância
de entender a proposta da obra antes
de julgá-la como boa ou ruim:
— Isso (a escolha da roupa) não é uma
votação popular, mas, se foi mal recebida, acho que é o caso de consultar a Andrea. Tenho certeza que, por trás disso,
tem um ponto de partida conceitual,
porque ela é séria, conhece moda. É preciso entender a motivação da obra para
dizer se gosta ou não. Se de fato, depois
disso, não agradar a ninguém, é o caso
de perguntá-la que solução ela daria.
Mas, afinal, qual foi essa motivação? O
coordenador de moda do caderno ELA,
do GLOBO, Gilberto Júnior, acredita que
as características presentes nos trabalhos
da estilista podem responder a questão:
REPRODUÇÃO DA INTERNET
Polêmica. Os uniformes que serão usados pelas equipes que entregarão medalhas
DIVULGAÇÃO/FILIPE REIS
— Andrea Marques é uma estilista
conhecida por sua moda elegante e
descomplicada, a cara do Rio. Ela
também tem facilidade de trabalhar
com estampas, criando desenhos
bem interessantes, como um calçadão desconstruído. Nos trajes olímpicos, ela deixou aflorar ainda mais
sua veia tropicalista. As formas são
comportadas, e as cores são tranquilas. O blazer deixou tudo mais arrumadinho. Óbvio que as peças não
lembram as coleções de passarela
da designer, mas talvez ela tenha seguido orientações dos organizadores — observou.
Para justificar sua ideia, a renomada estilista já explicou em entrevistas que o objetivo foi criar looks leves, descontraídos e que ressaltassem a elegância tropical,
mas que, ao mesmo tempo, estivessem em consonância com o
evento. Andrea assumiu a função
após ser aprovada no processo seletivo organizado por Paulo Borges, criador do principal evento de
moda do país, o São Paulo Fashion
Week (SPFW). O GLOBO procurou
Andrea por meio de sua assessoria, que informou que ela está viajando e não poderia se manifestar.
O Comitê Organizador Rio 2016
não informou se haverá mudanças devido às críticas. O fato é que,
até a última ordem, gostando ou
não, dos dias 5 a 21 de agosto (na
Olimpíada) e de 7 a 18 de setembro (na Paralimpíada), os campeões serão recebidos com flores,
cores e medalhas. l
Tesouro não vai autorizar
empréstimo para Linha 4
Segundo secretária,
depósito não pode
ocorrer porque estado
está inadimplente
MARTHA BECK
[email protected]
-BRASÍLIA - O
Instalações. Um dos quartos do Motel Te Adoro, em Vila Isabel, preparado para receber turistas: taxa de ocupação chega a 85% durante a Olimpíada
Motéis seduzem turistas que virão aos Jogos
Localização e custo da diária
atraem clientes e fazem taxa
de ocupação chegar a 90%
SIMONE CANDIDA
[email protected]
Tradicional local de encontros amorosos, os motéis da cidade vão abrigar
muitos turistas apaixonados pelos Jogos Olímpicos durante o mês de agosto.
Na região do Maracanã, por exemplo, a
lotação desse tipo de quarto está quase
esgotada, graças a clientes atraídos pelo preço das diárias — mais convidativo
se comparado ao valor cobrado por hotéis — e pela proximidade a locais de
prova. É o caso do Motel Corinto, em
Vila Isabel, que até ontem contabilizava uma taxa de ocupação de 90%. Outro
exemplo é o Motel Te Adoro, no mesmo
bairro, que já negociou 80% das suas
vagas para o período do evento. Os dois
estabelecimentos ficam a cerca de 15
minutos do estádio do Maracanã —
que será palco de algumas competições — e fizeram adaptações no cardápio, nos quartos e nos serviços para receber a clientela olímpica.
— Como podemos funcionar como
hotel e motel, vamos receber os turistas, como fizemos na Copa do Mundo,
quando tivemos uma taxa de ocupação
de 55%. Usaremos os mesmos quartos
que oferecemos ao cliente do motel,
mas vamos retirar os produtos do sex
shop e as cadeiras eróticas, por exemplo. Só não vamos mexer na iluminação, no tipo de cama e no espelho do teto — explica Luiz Felippe Fontes de
Mendonça, diretor do Te Adoro.
Segundo a Associação Brasileira da
“Nossas instalações
foram todas reformadas.
Vamos aceitar, inclusive,
famílias com criança.
Temos solicitações
de reservas desde o
ano passado”
Christiane Kilesse
Gerente do Corinto
Indústria de Hotéis, dos cerca de 58 mil
quartos oferecidos para os Jogos Olímpicos, seis mil são de motelaria. No Te
Adoro, a direção criou um pacote especial para o período das competições,
com diárias entre R$ 337 e R$ 810 o casal, com direito a café da manhã. O lugar, que normalmente não recebe menores de idade, vai hospedar crianças,
desde que acompanhadas dos pais.
No Corinto, 85% das reservas realizadas até agora são de hóspedes estrangeiros, que pretendem ficar de cinco a
dez dias no Rio de Janeiro. As diárias
custam a partir de R$ 450, e, quem quiser aproveitar a suíte presidencial, a
mais cara do estabelecimento, terá que
desembolsar R$ 1.700 por dia. O motel
tem 92 apartamentos e pretende colocar 55 à disposição dos viajantes que
vêm à cidade por motivos olímpicos.
O GLOBO consultou sites de reservas
on-line e constatou que há hotéis classificados com três estrelas, localizados
na Zona Sul, com diárias custando a
partir de R$ 1 mil.
Gerente de reservas do Corinto, Christiane Kilesse conta que a direção estabeleceu preços competitivos, com valores em média 30% abaixo dos cobrados por hotéis três estrelas. Para atender os visitantes, a maioria estrangeiros, a direção reservou uma ala do motel. E quem se hospedar por lá, garante,
não corre o risco de encontrar nenhum
quadro com pintura erótica ou “brinquedinho” no aposento.
— Nossas instalações foram todas reformadas, temos até suítes com automação. Vamos aceitar, inclusive, famílias com criança. Temos solicitações de
reservas desde o ano passado, para
agosto e setembro deste ano. Mas foi
em fevereiro que registramos um boom
— diz Christiane, que avisa: — Vamos
continuar atendendo os clientes do
motel, nosso público fiel.
SUÍTE COM ESPAÇO PARA ATÉ 80 PESSOAS
O Motel Vip’s, na Avenida Niemeyer,
também entrou no espírito olímpico,
com diárias a partir de R$ 590, mas que
podem chegar a R$ 5.436, se o hóspede
quiser a suíte presidencial, com 250
metros quadrados, duas piscinas, churrasqueiras e três aparelhos de TV. Ela
tem capacidade para 80 pessoas numa
noite de festa.
— Já estamos com 50% de taxa de
ocupação e esperamos chegar a 80%
em agosto. A maioria é casal. Nossas
atrações são a vista e as instalações.
Sem contar que teremos provas na Niemeyer — conta o gerente Thiago Nascimento. l
Tesouro Nacional
não dará aval para que o Rio
de Janeiro realize operações
de crédito com bancos enquanto o estado estiver inadimplente com a União. A declaração foi dada ontem pela
nova secretária do Tesouro,
Ana Paula Vescovi. O Rio vem
negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES)
um empréstimo para a conclusão das obras da linha 4 do
metrô (Barra-Ipanema), um
dos compromissos assumidos
pelo estado para os Jogos
Olímpicos, que começam em
5 de agosto. No entanto, a negociação está bloqueada.
— Operações de crédito seguem parâmetros legais e
têm uma série de requerimentos. Na medida em que
há algum requerimento não
atendido, não podemos liberar um aval. Um deles é que o
estado esteja adimplente
com a União. Enquanto o Rio
não estiver adimplente, a
União não poderá conceder
o aval — explicou.
Ela afirmou ainda que o go-
verno está concluindo “detalhes técnicos e orçamentários”
para liberar R$ 2,9 bilhões para
o governo do Rio.
No último domingo, em entrevista ao GLOBO, o governador em exercício, Francisco
Dornelles, afirmou que, com
o repasse de R$ 2,9 bilhões da
União, exclusivo para a área
de segurança, o estado deverá
remanejar parte dos recursos
orçamentários da pasta para o
metrô, as barcas e a área da
saúde. Ao todo, o estado deve
R$ 400 milhões ao consórcio
construtor, segundo ele.
PLANO ALTERNATIVO
Ontem, o diretor-executivo
do Comitê Organizador
Rio-2016, Sidney Levy, ao ser
questionado sobre o risco de
se abrir o metrô sem testes suficientes, garantiu que a prioridade será a segurança:
— Se tiver risco, a gente não
vai abrir o metrô, e aí vai no
ônibus, um outro meio, mas a
gente não vai colocar ninguém
em risco — disse ele, que afirmou, contudo, que a obra já
está completa: — Eu já andei
no metrô, ele está pronto, já
peguei o trem e fui até o final
(da linha). O que falta agora é o
comissionamento, é como
quando você pega uma casa
nova, tem que abrir todas as
torneiras, acender todas as luzes, você tem que testar a casa
e o mês de julho é para isso. l
Manifestação de policiais do Rio
repercute na imprensa estrangeira
Jornais, sites e redes de
TV citaram crise na
segurança do estado às
vésperas dos Jogos
A manifestação de policiais do
estado contra a falta de estrutura
e o atraso nos pagamentos foi
destaque ontem em vários jornais internacionais. A faixa que
dizia “Welcome to hell” (bemvindo ao inferno), exibida aos turistas que chegavam à cidade, na
segunda-feira, no Aeroporto Tom
Jobim/Galeão, foi uma das cenas
mais comentadas.
Reportagem do portal Yahoo
destacou que o protesto vem
após decretação do estado de calamidade, “o que pode significar
o total colapso da segurança pública, saúde, educação, transporte e controle do meio ambiente”.
O site da rede de TV americana Fox News destacou o protesto
dos policiais ao citar a morte do
tenente da Polícia Militar Denilson Theodoro de Souza, que integrava a equipe de seguranças
do prefeito Eduardo Paes.
“O funeral de Souza coincidiu
com o dia em que a polícia do
Estado do Rio fez um protesto
contra os cortes salariais e a falta de meios para levar a cabo o
seu trabalho de forma eficiente"
diz o texto da Fox News.
O jornal russo Sputnik afirmou
que “devido aos salários pendentes, um mês antes dos Jogos, a cidade vem demonstrando as más
condições de trabalho”. Já o americano “USA Today”, sob o título
“Violência no Rio deixa pouca
confiança na segurança pública”,
citou crimes recentes ocorridos
na cidade e falou das ameaças à
segurança pública no Rio. l
l Rio l
Quarta-feira 29 .6 .2016 2ª Edição
O GLOBO
Caem casos de zika, mas
golfista desiste dos Jogos
Pesquisa constata que
produzir vacina é viável
Este mês, número de registros chega a 186, contra 7.753 em janeiro
INCIDÊNCIA EM QUEDA
CASOS DE DOENÇAS TRANSMITIDAS PELO "AEDES AEGYPTI" DESPENCAM NA CIDADE
Zika
7.753
22.648
7.262
6.700
6.501
Total
4.767
28.053
2.690
2.473
1.964
1.502
Jan(2016)
Fev
Mar
Abr
Mai
Fonte: Secretaria municipal de Saúde *Primeiras duas semanas de junho ** Até 18 de junho
RENAN FRANÇA
[email protected]
Faltando 37 dias para a abertura oficial da Olimpíada, mais um atleta resolveu desistir da luta por uma medalha,
alegando medo do vírus zika. Desta
vez, foi o golfista australiano Jason
Day, líder do ranking mundial do esporte, que ontem declarou a uma
agência de notícias que teme vir ao
Rio com a família em agosto. As estatísticas da doença, no entanto, vão de
encontro à decisão do australiano. De
acordo com a Secretaria municipal de
Saúde, este mês, até o dia 18, apenas
186 pessoas contraíram o vírus, enquanto em janeiro (período de pico)
esse número chegou a 7.753. Em relação à dengue, o número despencou de
8.744 em abril (mês de pico) para 426
em junho (até a segunda semana).
A queda já era prevista, segundo especialistas, por causa da chegada do inverno. A boa notícia é que, até os Jogos,
esse número deve cair ainda mais.
— A preocupação é desnecessária
e até certo ponto bem exagerada. A
tendência é ter ainda menos casos
em agosto. Não vejo a zika como um
problema. Temos muitas coisas para
nos preocuparmos, mas a proliferação do mosquito não é uma delas. Eu
não acredito que teremos, por exemplo, um atleta infectado durante os
Jogos. A gente vem falando isso desde o início do ano — disse Alberto
Chebabo, presidente da Sociedade
de Infectologia do Estado do Rio de
Janeiro.
Antes de Jason, outros quatro golfistas já tinham anunciado que não viriam ao Rio por causa do vírus. No início
deste mês, foi a vez de o ciclista americano Tejay van Garderen pedir à Confederação Americana de Ciclismo que re-
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Classificados do Rio.
Achou de verdade.
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2534-4333
tirasse seu nome da lista de convocados, alegando o mesmo motivo.
O diretor de Comunicações do Comitê Organizador Rio 2016, Mario
Andrada, lamentou a ausência de
mais um esportista.
— É um exagero. Hoje, a chance de
se contrair zika em Miami é muito
maior do que no Rio. Eu lamento a
decisão (do golfista Jason Day), mas
isso não mudará o brilho da Olimpíada — afirmou.
Mario disse que o Comitê Organizador entrou em contato com todas as federações esportivas internacionais, inclusive a de golfe, para conversar sobre
o tema:
— Informamos sobre a baixa incidência da doença. É uma ótima desculpa
alegar o medo do vírus, mas o risco é
muito baixo.
426*
186**
Jun
Editoria de Arte
e 500 mil turistas esperados para a
Olimpíada do Rio, devem ocorrer
quatro casos de dengue com sintomas, com a margem de erro variando
entre um e 36.
Há duas semanas, o Comitê de
Emergência Sobre o Vírus Zika, da
Organização Mundial da Saúde, afirmou que o risco de transmissão da
doença durante os Jogos Olímpicos
do Rio de Janeiro é “muito baixo”.
Para o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, o Rio está bem preparado para receber os turistas durante a Olimpíada:
— A gente tem um série histórica de
mais de 40 anos sobre a infestação de
mosquito nesse período. A baixa incidência vai permanecer. Vários pesquisadores atestam isso. Os atletas
que consultarem suas delegações vão
ficar tranquilos quanto a esse assunto. Eu respeito a decisão particular de
cada atleta, mas o risco de se contrair
doenças ligadas ao Aedes aegypti é
muito baixo. l
OMS DIZ QUE O RISCO É BAIXO
A confiança da organização é sustentada por parte da comunidade científica brasileira. No início deste mês,
um estudo elaborado por integrantes do Programa de Computação
Científica da Fundação Oswaldo
Cruz e da Escola de Matemática
Aplicada da Fundação Getulio
Vargas (FGV) afirmou que, entre agosto e setembro, a incidência de doenças causadas pela picada do mosquito Aedes
aegypti varia entre um e sete registros para cada cem mil habitantes. A pesquisa foi usada para rebater a ideia de
alterar a data dos Jogos
Olímpicos, conforme
propuseram cientistas
internacionais em
carta aberta à Organização Mundial da
Desistência.
Saúde (OMS). Com
Jason Day é o
base nas estatístisexto atleta que
cas, pesquisadoalega medo do
res estimam que,
vírus zika para
entre os 350 mil
não vir ao Rio
Testes feitos
em camundongos
conseguiram
100% de êxito
ANA LÚCIA AZEVEDO
[email protected]
Total
8.477
Dengue
l 11
AP
Os primeiros avanços na luta para prevenir o zika começam a
emergir, com a viabilidade de
uma vacina tendo sido demonstrada pela primeira vez. Cientistas brasileiros e americanos testaram com sucesso em animais
duas estratégias de imunização.
Publicado na “Nature”, o estudo
é importante porque a vacina é
considerada a única forma realmente eficaz de proteger a população contra uma epidemia
que já se espalha por 61 países. E
uma outra vacina, em desenvolvimento no Instituto Evandro
Chagas, em Ananindeua (Pará),
deve começar a ser testada em
macacos em novembro.
No estudo relatado na “Nature”, o grupo integrado por cientistas da USP e da Universidade
de Harvard, nos EUA, testou duas formas de imunizar camundongos contra o zika. As duas
obtiveram 100% de êxito. Isto é,
os roedores não desenvolveram
a doença ao serem infectados
pelo zika em laboratório.
O estudo é o primeiro a empregar também a cepa brasileira do zika, originária do Nordeste. Ela foi isolada de um paciente na Paraíba pelo grupo
do virologista Pedro Fernando
da Costa Vasconcelos, diretor
do Instituto Evandro Chagas
A primeira forma testada, mais
convencional, foi usar o zika inativado para causar uma resposta
do sistema de defesa dos roedores. A segunda foi obter a mesma
resposta com uso de pedaços do
material genético do vírus.
Um dos autores do estudo,
Paulo Zanotto, professor do
Instituto de Ciências Biomédicas da USP, diz que a meta era
compreender os mecanismos
da infecção pelo zika:
— Embora seja ciência básica, em fase inicial, a pesquisa é
importante porque ainda se
sabe pouco sobre os aspectos
imunológicos do vírus.
VÍRUS DIFÍCIL DE SER INATIVADO
A primeira técnica oferece a
vantagem de ser mais simples e,
por isso, em tese, mais fácil de
desenvolver. Esse tipo de vacina
está em uso com sucesso contra
a pólio e a encefalite japonesa.
Todavia, o zika não tem se mostrado trivial. Ele não é fácil de
inativar, salienta Zanotto. Tornar
um vírus inativo é eliminar sua
capacidade de se replicar dentro
das células infectadas. Assim,
ele serve para “ensinar” o sistema imunológico a reconhecê-lo
como invasor e atacá-lo.
Zanotto explica que uma vacina desenvolvida a partir de
pedaços de genes do vírus é vista como mais promissora. Esse
imunizante é mais seguro e não
pode causar doença, já que não
há vírus nele. É um produto
desse tipo que a equipe de Dan
Barouch planeja testar em macacos em Harvard, numa segunda etapa do trabalho.
Barouch é um dos principais
especialistas do mundo em vacinas contra retrovírus. Seu grupo
desenvolveu e testa em pessoas
uma vacina contra o HIV. Como a
que se planeja criar contra o zika,
ela é genética.
— Nosso grupo da USP focará
no conhecimento da imunologia do zika. Estamos trabalhando agora com uma linhagem do
vírus que isolamos em São Paulo — diz o pesquisador.
A equipe dele colabora com a
do Instituto Butantan, que também busca criar uma vacina. l
U
EXPERIMENTOS EM MACACOS
NOVA FASE PODE COMEÇAR AINDA EM 2016
Pioneiro no estudo do zika no
Brasil, o grupo do virologista
Pedro Fernando da Costa
Vasconcelos pode ser o primeiro a
levar uma vacina para a fase de
testes com macacos, a última
antes dos experimentos com seres
humanos. A previsão de
Vasconcelos é entregar até
novembro ao Ministério da Saúde
o imunizante, desenvolvido numa
colaboração entre o Instituto
Evandro Chagas e a University of
Texas Medical Branch (UTMB),
em Galveston (EUA).
Essa vacina segue uma
estratégia diferente. É feita de
vírus vivos e atenuados, a
exemplo daquela usada contra
a febre amarela.
— Estamos induzindo mutações
no zika para obter vírus que sejam
capazes de infectar o mosquito,
provocar uma resposta do sistema
imunológico humano, mas não
causar nenhum efeito nocivo para
o homem. Queremos vírus que
ativem o sistema de defesa, mas
sejam menos agressivos. Estamos
otimistas — afirma o cientista.
Os testes com macacos devem
ser realizados no próprio Instituto
Evandro Chagas, no Pará, e na
Fundação Oswaldo Cruz, no Rio.
Se o imunizante for aprovado,
seguirá para testes em seres
humanos. Mas o processo todo
pode levar mais de três anos.
12
l O GLOBO
l Rio l
A ombudsman do Brasil
Primeira mulher a integrar a
Suprema Corte do Brasil, em 2000,
a ex-ministra Ellen Gracie, 68 anos,
está virando uma espécie de
ombudsman do Brasil.
Segunda-feira passada, ela
recebeu convite do ministro de
Ciência, Tecnologia e
Comunicações, Gilberto Kassab,
para ser uma fiscal da sociedade
junto aos Correios e Telégrafos.
Segue...
Em 2014, ainda na gestão da
ex-presidente Graça Foster, Ellen
Gracie foi escolhida para chefiar
um comitê na Petrobras para
auditar os contratos investigados na
Lava-Jato e identificar as falhas na
governança da estatal.
Em julho do ano passado, foi a
vez de a Eletrobras contratá-la para
fazer tarefa semelhante.
Salários atrasados
Sabe este grupo Galileo, que está
envolvido em desvio de recursos de
fundos de pensão das estatais?
Entre os professores da antiga
Universidade Gama Filho, que
fechou as portas em 2014, com
salários atrasados há dois ministros
do STF: Ricardo Lewandowski e
José Antonio Dias Toffoli.
O primeiro tem a receber R$
265.455,54. O segundo, R$
59.181,22.
Leitura de cárcere
O livro do jornalista Vladimir
Netto sobre a Operação Lava-Jato
anda sendo sendo disputado... na
cadeia.
É que o doleiro Alberto Youssef e
o ex-deputado federal Pedro Corrêa
estão lendo o livro e comentando
com os outros detentos.
No mais...
O Rio parece cada vez mais uma
terra sem lei, um barril de pólvora
pronto a explodir.
www.oglobo.com.br/ancelmo
ANCELMO
GOIS
ANA CLÁUDIA GUIMARÃES,
DANIEL BRUNET E TIAGO ROGERO
NA LUTA
CONTRA O
ESTUPRO
GUSTAVO ZYLBERSZTAJN
Cléo Pires, 33
anos de pura
formosura e
talento, e a
revista “Marie
Claire” lançam
juntas, a partir
de hoje, uma
campanha
contra a cultura
do estupro.
Tanto a revista
quanto a atriz
vão publicar,
no Instagram,
fotos de
mulheres
influentes nuas
ou seminuas
como forma de
protesto. Além
disso, Cléo é
capa da edição
de julho da
publicação, que
chega hoje às
bancas, em que
ela posa nua. A
campanha inclui
Gloria Pires,
Antônia Morais,
Adriane
Galisteu, entre
outras. Leia
mais e veja
outras fotos no
blog da turma
da coluna l
Quarta-feira 29 .6 .2016
Eder Jofre
É grave a crise
O ator Daniel de Oliveira, 39 anos, vai
viver no cinema o ex-boxeador Eder
Jofre, 80 anos, considerado um dos dez
maiores lutadores da história e que está
no rol da fama do boxe, em Nova York,
ao lado de atletas como Muhammad Ali.
O longa vai se chamar “10 segundos”
e será dirigido pelo global José
Alvarenga Júnior.
A briga em torno da possível
destituição da diretoria da
Unimed-Rio ligou o sinal de alerta das
autoridades.
Representantes da ANS e do MP do
Rio têm se reunido com frequência, nos
últimos 30 dias, para achar saída para a
crise na cooperativa de médicos, que
atende hoje um milhão de pessoas.
Os filhos da Flip
Búzios em alta
O Itaú Unibanco, antigo parceiro da
Flip, este ano também terá um espaço
na festa dos livros que começa hoje.
O Espaço Itaú Cultural de Literatura
receberá os visitantes para conversas
com 12 escritores consagrados, entre
eles Adriana Carranca, Ana Maria
Gonçalves, Andréa Del Fuego,
Conceição Evaristo, Maria Valéria
Rezende e Roberta Estrela D’Alva.
O Galeão/Tom Jobim terá, a partir
do dia 4 agora, uma linha de ônibus
ligando o aeroporto a Búzios.
A nova rota será feita pela Auto Viação
1001 com quatro viagens diárias.
O Brexit na Flip
A saída do Reino Unido da União
Europeia será tema de debate sexta na
Casa da Liberdade, outro filhote da Flip.
Na ocasião, será lançado o livro
“Desglobalização”, de Marcos Troyjo,
diretor do BRICLab (Centro de
Estudos sobre Brasil, Rússia, Índia e
China, da Universidade de Columbia,
em Nova York).
U
É que...
Dados do Ministério do Turismo
mostram que Búzios é a quinta cidade
do país que mais recebe visitantes
internacionais a lazer.
Danos morais
A 8ª Câmara Cível do Rio condenou o
Estado do Rio a pagar R$ 600 mil de
danos morais, além de pensão mensal de
R$ 4.600, para o advogado Cláudio Lobo.
Ele foi alvo de bala perdida na
Avenida Brasil em 2008 e perdeu a visão
e o olfato. Causa ganha pelo escritório
Peixinho, Cacau e Pires Consultores.
Zona Franca
Assalto no shopping
Carlos Nejar lança “A vida de um rio morto” e
Uma família foi furtada, sábado
passado, dentro da loja americana
Gap, no BarraShopping, por uma
quadrilha da Colômbia.
O casal estava com sua filha no
carrinho e os bandidos pegaram o
celular da mulher. O caso foi
registrado na 16ª DP. O shopping
liberou as imagens de segurança e
dois colombianos foram presos.
apresenta documentário, amanhã, na Travessa do Leblon, Rio.
O oncologista Daniel Tabak e o psiquiatra Arnaldo
Goldenbergé são os convidados para o debate “A
psicanálise e a psiquiatria ajudam ou atrapalham
o tratamento oncológico”, amanhã, na SBPRJ.
Bruno Astuto lança, amanhã, “In the spirit of
Rio”, às 16h, no Belmond Copacabana Palace.
Será hoje o lançamento do documentário
“Sérgio Britto”, no Cine Odeon, às 20h.
Submarino mostra coleção de móveis no IED.
O MB Advogados, de Guaracy Bastos, passou a
ser o escritório de referência da AHERJ.
Branca Paixão entrega tela sobre carnaval à atriz
Berta Loran, que festeja 90 anos.
MR Consultoria fez levantamento das certidões
exigidas no pedido de recuperação judicial da Oi.
Anarriê
O STJ julgou indevida a cobrança de
direitos autorais pelas músicas
executadas nas festas juninas
organizadas em colégios. Considera
que têm caráter didático.
COFRE VAZIO
_
Discussões jurídicas emperram
repasse da União de R$ 2,9 bi
Casa Civil diz que lei não permite uso da verba para honrar salários
CATARINA ALENCASTRO
[email protected]
O repasse de R$ 2,9 bilhões da
União ao Estado do Rio já foi acordado e
anunciado, mas está emperrado em discussões jurídicas. A área técnica da Casa
Civil alertou o Ministério da Fazenda sobre o risco de o governo do Rio usar os
recursos para o pagamento de funcionários, o que a lei não permite. Há mais de
uma semana, o Palácio do Planalto editou uma medida provisória autorizando
o Tesouro Nacional a fazer uma espécie
de doação ao estado, já que o dinheiro
não será ressarcido. Na ocasião, auxiliares do presidente interino Michel Temer
informaram que uma nova medida provisória, detalhando a liberação, seria publicada até sexta-feira da semana passada, o que não aconteceu. Procurado, o
governador em exercício Francisco Dornelles disse que não há qualquer problema com a liberação da verba.
O problema agora é amarrar um texto
especificando que o dinheiro só poderá
ser usado para despesas correntes, investimentos e custeio do setor de segurança para a Olimpíada e a Paralimpíada do Rio, excluindo o pagamento de
funcionários. Poderão ser custeados o
pagamento de contas de luz, a compra
de material e a manutenção de equipamentos (inclusive abastecimento de
veículos). Além de haver vedação descrita na própria Constituição quanto a
isso, a Lei de Responsabilidade Fiscal
também faz a ressalva de que recursos
desse tipo não podem ser usados para
quitar folha de pagamento.
Auxiliares de Temer afirmam que ele
não quer ser responsabilizado por irregularidades no uso do dinheiro federal.
Técnicos do Ministério da Fazenda
chegaram a sugerir que o Ministério da
Justiça assuma a tarefa de viabilizar o
repasse, já que os recursos se destinarão especificamente à área de seguran-
-BRASÍLIA-
ça pública. O assunto foi repassado ao
Tribunal de Contas da União, que reprovou as contas da presidente afastada Dilma Rousseff por causa de pedaladas fiscais. O governo aguarda manifestação do tribunal para retomar a costura do repasse ao Rio.
MEDO DE SER ACUSADO DE PEDALADAS
No capítulo sobre orçamento, a Constituição é clara: é proibida “a transferência
voluntária de recursos e a concessão de
empréstimos, inclusive por antecipação
de receita, pelos governos federal e estaduais e suas instituições financeiras, para pagamento de despesas com pessoal
ativo, inativo e pensionista, dos estados,
do Distrito Federal e dos municípios”. Para a área jurídica do Planalto, além das
vedações previstas em lei, seria injustificável que a União pagasse funcionários
que não são federais. Para quitar seus
débitos com servidores, como hora extra
de policiais que trabalharão nos Jogos
Olímpicos, por exemplo, o Rio terá de inU
Números
R$ 2,9
BILHÕES
Valor que o Estado do Rio espera receber a
fundo perdido do governo federal.
R$ 460
MILHÕES
É de quanto o estado precisa para quitar a
segunda parcela dos salários de todos os
servidores.
R$ 42
MILHÕES
Total necessário para pagar hora extra a
25 mil policiais que vão trabalhar em dias
de folga durante os Jogos.
corporar o dinheiro federal ao seu orçamento e remanejar suas contas, tirando
dotações de outras áreas.
O temor de ser acusado de pedaladas
fiscais (ação que embasa o impeachment de Dilma) levou a área jurídica da
Casa Civil a fazer algo pouco usual, publicando a MP da semana passada que,
na prática, transforma uma despesa voluntária em despesa obrigatória. Contrariando Dornelles, o apoio financeiro
da União é destinado apenas à segurança pública para a realização da
Olimpíada e Paralimpíada do Rio. Ele
queria que o socorro abarcasse também as obras da Linha 4 do metrô.
— O problema não é no mérito. Todo
mundo já aceitou que o governo federal conceda ajuda ao Rio, para que a
Olimpíada e a Paralimpíada aconteçam sem sobressaltos. Mas nem o Temer, nem o Henrique Meirelles (ministro da Fazenda) querem entrar em rota
de colisão com a Justiça — diz um técnico da área jurídica do governo.
A decisão de Temer de atender ao pedido do Rio gerou atrito, já que a ajuda havia sido prometida de forma reservada
entre ele e Dornelles, num jantar no Palácio do Jaburu. O presidente interino foi
surpreendido, no entanto, com a estratégia do estado de decretar calamidade pública, atropelando negociações programadas entre o Planalto e os outros 26 governadores, alguns enfrentando situação
financeira tão grave quanto a do Rio.
Em reunião com os governadores na
véspera da edição da MP autorizando o
repasse ao Rio, Temer concordou em
alongar as dívidas estaduais com a União
por mais 20 anos e também em suspender, até o fim de 2016, o pagamento das
parcelas mensais desses débitos. Segundo participantes do encontro, o clima não
estava muito bom entre Dornelles e os
colegas. Sua apresentação foi breve, e ele
se recusou a ter uma nova rodada de conversas com Meirelles no fim do dia. l
Dornelles: verba federal
não vai pagar a folha
Data da segunda
parcela dos salários
pode ser decidida
em reunião hoje
LUIZ GUSTAVO SCHMITT E
ANTÔNIO WERNECK
[email protected]
O governador em exercício
Francisco Dornelles confirmou ontem que não usará os
R$ 2,9 bilhões do socorro do
governo federal ao Rio para
pagar salários dos servidores.
Hoje à tarde, Dornelles deve se
reunir com o secretário estadual da Fazenda, Julio Bueno,
para verificar se há recursos no
caixa para quitar até amanhã a
segunda parcela dos vencimentos de maio.
— Vamos avaliar a situação
do caixa e ver se há dinheiro
suficiente — disse.
Pela manhã, o governador se
reuniu com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, no Palácio Guanabara. Dornelles disse que o encontro teve
o objetivo de tranquilizar Beltrame quanto à destinação dos
recursos federais para a área de
segurança. O governador afirmou que a prioridade será a
manutenção e o abastecimento
da frota da Polícia Militar.
No sábado, ele antecipou ao
GLOBO que a PM só tinha combustível para abastecer os veículos até o fim desta semana.
— A segurança é prioritária,
temos que solucionar os problemas da área. A frota da polícia corre o risco de parar. Conseguimos fazer uma ginástica
financeira e só aguentaremos
até o fim da semana. Beltrame
está preocupado — disse Dornelles na entrevista de sábado.
Nas últimas semanas, o secretário de Segurança não
tem disfarçado seu descontentamento com o impacto da
crise na área de segurança.
Nos bastidores, há rumores
de que ele estaria inclinado a
deixar o cargo. No entanto, o
governador tentou afastar essa possibilidade:
— O Beltrame está mais forte
do que nunca. Cada dia ele
cresce mais no meu conceito.
EXPLICAÇÕES À ALERJ
Mesmo tendo conquistado
respeito à frente da pasta desde 2007, Beltrame tem sido
criticado por deputados na
Alerj. Ontem, a bancada do
PMDB se reuniu e aprovou
um convite para que o secretário compareça à Casa na terça-feira, para explicar como
pretende conter a escalada da
violência no estado.
A decisão foi tomada pelo
presidente da Casa, Jorge Picciani (PMDB), numa tentativa
de acalmar os ânimos de seus
pares. Picciani saiu em defesa
do secretário e afirmou que se
trata de um servidor público
exemplar.
— Beltrame é uma referência. O secretário tem enfrentado dificuldades por falta de recursos, e muitos deputados estão preocupados com as áreas
que estão fora do eixo das
Olimpíadas, que estão desguarnecidas. O próprio secretário reconhece isso. Vamos
discutir com ele sobre como
priorizar essas áreas de maior
incidência (criminal) — afirmou Picciani.
Em nota, a Secretaria de Segurança informou que Beltrame “sempre esteve à disposição dos parlamentares para
quaisquer esclarecimentos”. l
l Rio l
Quarta-feira 29 .6 .2016 2ª Edição
TV GLOBO
O GLOBO
l 13
COFRE VAZIO
_
Estado não pagou
consignado a bancos
AS ÁGUAS
DA
JAMAICA
Glória Maria, a querida coleguinha, posa na
Jamaica para o “Globo Repórter” que vai ao ar sexta
agora. Encantada, Glória diz que voltará ao lugar
com suas filhas: “Me surpreendeu pela beleza
natural, é uma mistura de floresta, montanha e
mar.” Salve, Glória!
U
Ponto
Final
Circula no território livre da internet um abaixo-assinado, na
plataforma Avaaz, para que a prefeitura do Rio reinstale, na
Praça Quinze, o Chafariz do Monroe, hoje, na Cinelândia. É
que a Praça Quinze, agora livre da Perimetral, é o lugar de
origem da peça, de estilo Napoleão III e que tem dez metros de
altura, o maior chafariz do Rio. Ele foi levado para a Praça da
Bandeira, em 1962, e, depois, para a Cinelândia, em 1979.
Hoje, a peça do francês Mathurin Moreau (1822-1912) ocupa o
espaço do finado Palácio Monroe, demolido em 1976. A turma
do abaixo-assinado pede que o chafariz seja instalado sobre o
novo Túnel Marcello Alencar, que passa sob a praça. Mas a
missão não é fácil. É que o chafariz foi tombado, pelo
município, em 1988, e pela União, em 1990, quando já estava
na Cinelândia. Com isso, fica difícil retirar a peça de lá. Mas...
nada é impossível!
e-mail: [email protected]
Fotos: [email protected]
Governo atribui
problema a arresto,
enquanto servidores
ficam inadimplentes
LUIZ GUSTAVO SCHMITT
E MÁRCIO MENASCE
[email protected]
Funcionário concursado da
Assembleia Legislativa (Alerj)
há mais de três décadas, X. recebeu uma mensagem do Serasa, no início do mês. Seu nome estava na lista de inadimplentes, embora o empréstimo
consignado que tomara tenha
sido pago religiosamente em
dia, conforme mostra o desconto em seu contracheque.
— Já é a segunda vez que fico
com o nome sujo no Serasa e
no SPC (Serviço de Proteção
ao Crédito) por culpa do estado, que não repassa o dinheiro
ao banco. Primeiro foi o BMG,
depois a Caixa Econômica Federal — afirma o funcionário,
que pediu para não ser identificado por temer represálias.
Queixas como a de X. chegam
diariamente à Federação dos
Servidores Públicos do Estado
(Fasp). Cerca de 236 mil ativos,
aposentados e pensionistas —
metade do funcionalismo —
têm crédito consignado.
O governo estadual confirma
que houve atraso nos repasses
a alguns bancos em maio e
atribui o problema aos arrestos
realizados pela Justiça — somente em abril superaram R$
760 milhões — para honrar os
salários dos servidores. Em nota, a Secretaria estadual de Pla-
nejamento informa que as instituições financeiras não podem incluir nomes de servidores em listas de inadimplentes.
Segundo o órgão, um decreto
de janeiro impede a prática,
sujeita à punição, como o descredenciamento do banco.
Presidente da Fasp, Álvaro
Barbosa diz que o problema se
arrasta há três meses:
— É uma situação grave. O
pior é que o banco culpa o servidor pelo erro que é do estado. Há casos de pessoas doentes e aposentados que não sabem a quem recorrer.
APROPRIAÇÃO INDÉBITA
Advogado especializado em
defesa do consumidor, José Alfredo Lion, diz que o caso configura apropriação indébita:
— A apropriação ocorre no
momento em que o estado
desconta do servidor, mas não
repassa ao banco. A responsabilidade de pagar é do estado,
que fez contrato com o banco.
A Comissão de Defesa do Direito do Consumidor da Alerj
tem auxiliado servidores em dificuldades, segundo o seu presidente, deputado Luiz Martins
(PDT). Ele diz que o estado
também não repassa o dinheiro
a associações e sindicatos.
A Associação Brasileira de
Bancos informa que há atrasos
nos repasses do estado para os
bancos, que suspenderam a
concessão de novos empréstimos. A Caixa disse que tem notificado os clientes sobre a falta
de repasse do estado e solicitado que comprovem o débito
em 15 dias, sem que haja prejuízo para os funcionários. l
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_
Inter
Tony Mayrink Veiga. Ícone do high society
MARCOS RAMOS/03-07-2003
Ao lado de Carmen
Mayrink Veiga, o
empresário formou o
casal mais badalado da
sociedade carioca desde
os anos 1950
F
ilho de Nya e Antenor
Mayrink Veiga, Antônio
Alfredo, mais conhecido como Tony, nasceu
na Copacabana da década de
1930. Na juventude, um de seus
programas preferidos era esquiar nas águas da Baía de Guanabara, na companhia do amigo
Ermelino Matarazzo. Quando
terminou a escola, foi fazer faculdade de economia nos Estados Unidos.
Em seu retorno ao Rio, Tony
conheceu a paulistana Carmen Terezinha Solbiati, frequentadora dos desfiles de alta costura francesa e já famosa
no mundo da moda. No noivado, ele a presenteou com um
raro Chrysler branco — o automóvel foi trazido ao Brasil
num navio fretado. Tony e Carmen se casaram em 1956, em
São Paulo. A cerimônia foi um
acontecimento, com cobertura das revistas mais importantes da época.
Tony e Carmen Mayrink Veiga formavam um dos casais
mais elegantes da alta roda.
Certa vez, eles foram considerados por Truman Capote, Diana Vreeland e Anna Wintour,
na “Vogue” americana, “o casal
mais chique da América do
Sul”. No apartamento de mil
metros quadros da Avenida Rui
Barbosa, com vista deslumbrante para o Pão de Açúcar, o
casal costumava receber para
jantares regados a champanhe.
O casal frequentava o jet set
internacional. Avesso a badalações mas não menos acostumado a luxos, um dos progra-
Vida de luxo. O empresário Tony Mayrink Veiga: jantares black-tie e caçadas
mas preferidos de Tony era a
caça. Participava de expedições na companhia de gente
como os duques e as duquesas
de Windsor e Malborough, o
barão e a baronesa de Silvia
Amélia de Waldner, o barão
David de Rotschild, o rei Constantino da Grécia, a princesa
Soraya do Irã e até Clark Gable.
O programa começava normalmente às sextas-feiras com
jantares black-tie. Mas nada
que atrasasse o início da busca
por faisões, perdizes ou veados, que começava religiosamente às sete horas da manhã.
Foi caçador até 1985. Entre
uma partida e outra de tênis
no Country Club, na Praia de
Ipanema, Tony costumava
narrar os seus feitos: ele garantiu que, certa vez, matou,
numa só caçada, 30 javalis.
Outra vez, passou 18 dias no
Alasca, a 40 graus negativos,
rastreando um único urso.
CAÇA E ESQUI
Além de caçar e de jogar tênis,
Tony costumava passar as férias com a família em estações
de esqui nos Estados Unidos e
na Europa. Ele aprendeu a
praticar o esporte na neve depois dos 50 anos.
O alto padrão de vida foi impactado pelo Plano Collor, na
década de 1990, quando a Casa Mayrink Veiga iniciou pro-
cesso de falência. Fundada em
1864, a empresa representava
armamentos para o Exército
brasileiro. Nos anos 1980, a
Casa Mayrink Veiga passou a
ser também fabricante de armas. Tony assumiu a empresa
da família em 1969, quando o
seu pai morreu. Antes disso,
ele trabalhava na empreiteira
Sociedade Brasileira de Urbanismo — sua última obra de
vulto foi a construção da descida da Serra de Petrópolis, realizada em 1970. A família
também foi proprietária da
Rádio Mayrink Veiga, fechada
após o golpe militar, em 1964.
FALÊNCIA EM 2002
A falência da Casa Mayrink
Veiga foi oficialmente decretada em 2002. Cinco anos depois, o anúncio do leilão de
bens da família para o pagamento de dívidas agitou o mercado de arte. Na ocasião, foram
postos à venda um serviço de
porcelana japonesa do século
XVI, joias e quadros de Guignard, Milton Dacosta, Volpi, Di
Cavalcanti, entre outros artistas de renome. Um dos maiores destaques da venda, amplamente divulgada pelos jornais, foi um Rolls-Royce 1951,
que pertencia à família desde
que saiu da fábrica inglesa.
Em 2013, em um novo leilão,
mais de 100 peças de arte e decoração foram arrematadas em São
Paulo. No entanto, o item mais cobiçado da venda — o retrato de
Carmem, pintado por Portinari
em 1959 — não encontrou comprador e continuou com a família.
O motivo desse segundo leilão foi
a mudança para um imóvel menor, contíguo ao antigo apartamento na Praia do Flamengo.
Internado há uma semana no
Hospital Silvestre, no Cosme
Velho, Tony morreu ontem, aos
84 anos, por falência múltipla
de órgãos. Ele deixa a mulher,
Carmen, dois filhos, Antenor e
Antonia, e cinco netos. l
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Simcauto
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A3 Sedan
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Audi Center
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Forty-Eight®
R$ Confira!
Rio Harley-Davidson
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l O GLOBO
14
l Rio l
RIO
ZONA
SUL
ZONA
NORTE
ZONA
OESTE
SENSAÇÃO
TÉRMICA/RIO
PROBABILIDADE
DE CHUVA
15°/26°
14°/29°
16°/28°
14°/28°
Baixa
Previsão
Uma massa de ar seco predomina
sobre todo o Estado do Rio de
Janeiro. O dia começa frio e com
possibilidade de formação de
nevoeiro. O sol ganha força e não
há previsão de chuva.
HOJE
Ontem
Mínima
Máxima
14,4˚
Vila Militar
27,2˚
Realengo
16°/26°
15°/29°
17°/28°
15°/28°
Baixa
26°
16°/27°
15°/30°
17°/29°
15°/29°
Baixa
14°
Santo Antônio
14°
de Pádua
SÁBADO
17°/27°
16°/30°
18°/29°
16°/29°
Baixa
DOMINGO
17°/27°
16°/30°
18°/29°
16°/29°
Baixa
SEGUNDA
17°/27°
16°/30°
18°/29°
16°/29°
Baixa
TERÇA
17°/27°
16°/30°
18°/29°
16°/29°
Baixa
16° do Sul
21° Visconde
Poente
17h19m
de Mauá
9°
26°
14°
14°
Resende
26°
14°
Crescente Cheia Minguante Nova
11/7
19/7
27/6
4/7
28°
Redonda Barra
do Piraí 15°
Barra
Mansa
SUL
15° Mangaratiba
Praias
Paraty
25°
Angra
dos Reis
Petrópolis
14°
27°Maricá
Alta
Baixa
Alta
34˚/36˚
18°
16°
BRASIL
Uma grande e forte massa
de ar seco predomina sobre
o país ao longo da semana,
deixando o tempo aberto e
firme. Pancadas de chuva
no sul do RS, do litoral do
ES ao do RN e no norte da
Região Norte.
Macapá
24° / 36°
Fortaleza
23°/ 32°
Natal
21°/ 29°
João
Pessoa
21°/ 30°
Recife
19°/ 29°
Maceió
19°/ 28°
Aracaju
Salvador
23°/ 30°
22°/ 28°
Vitória
18°/ 26°
Belo Horizonte
10°/ 24°
Rio de Janeiro
14°/ 29°
São Luís
24°/ 32°
Teresina
21°/ 35°
Palmas
22°/ 35°
Rio Branco
18°/ 33°
Cuiabá
17°/ 27°
Campo Grande
23°/ 29°
Brasília
11°/ 24°
Goiânia
13°/ 28°
Porto Alegre
13°/ 23°
14°
4°
11°
20°
-2°
15°
7°
13°
5°
27°
15°
16°
27°
7°
23°
18°
21°
21°
Amanhã
Mín. Máx.
S
S
C
C
S
S
C
S
S
17°
4°
15°
19°
-3°
16°
14°
12°
7°
0h
28°
15° -2h
0h
16°
26° -1,5h
-1h
9°
23° -2h
0h
21°
22° -2h
0h
18°
AMÉRICA DO NORTE/CENTRAL
11°
Belém
23°/ 33°
S
S
S
C
C
S
S
S
S
Assunção
Bogotá
Buenos Aires
Caracas
La Paz
Lima
Montevidéu
Quito
Santiago
27°
25°
São João
26° da Barra 15°
São Paulo
12°/ 24°
TEMPERATURAS MÁXIMAS
37˚/40˚
AMÉRICA DO SUL Mín. Máx.
24°
26° Rio das
Manaus
24°/ 34°
Porto Velho
20°/ 35°
Hoje
Quinta
Sexta
Vento de norte a sudeste, entre 5km/h e
20km/h. Rajadas de até 35km/h. Pressão
atmosférica de 1.024hPa.
Campos
Macaé
Boa Vista
23°/ 31°
Temperatura (C)
Ventos
MUNDO
14°
18°
18°
RJ
Hora 5h32m 10h26m 17h54m 23h03m
Altura 0,4m
1m
0,4m
0,9m
15°
Silva Jardim 27°
25°
19°
Búzios
17°
LAGOS
27°
Araruama
Cabo Frio 25°
18°
17°
Saquarema 26°
Uma massa de ar seco, típica
do inverno na região, predomina
sobre o Estado do Rio de
Janeiro até a semana que vem,
dificultando a formação de
nuvens carregadas e de chuva.
Brasil
16°
26°
16° Ostras
MASSA DE AR SECO
Maré
Acima
de 40˚
Casimiro 28°
de Abreu 18°
14°
Ondas de 1,0 metro. Ondulação de
leste/sudeste. Melhores locais: Recreio,
Prainha, Macumba e Barra (informações
Ricosurf).
26°
16° de Macacu
Niterói 16°
Janeiro
25°
Hoje
24°
São Francisco
de Itabapoana
NORTE
Santa Maria
Madalena
SERRANA
19°
Nova
Friburgo 11°
26° Cachoeiras
20°
27°
de Caxias
METROPOLITANA
15°
Teresópolis
12°
29° Rio de
28°
13°
14°
29° Duque
16°
28°
Impróprias (informações Inea): Flamengo,
Botafogo, Leblon, São Conrado, Barra
(Quebra-Mar) e Pontal.
25°
Valença
26° Volta
21°
Itaperuna
São Fidélis
26° Paraíba
Ondas
Bom Jesus do
Itabapoana
SEXTA
Lua
Baixa
23°
Porciúncula 13°
AMANHÃ
Sol
Nascente
6h34m
Quarta-feira 29 .6 .2016
Florianópolis
14°/ 24°
Cid. do México
Havana
Los Angeles
Miami
Montreal
Nova York
Orlando
Washington DC
C
C
S
C
C
S
C
C
8°
23°
21°
26°
12°
18°
24°
20°
22°
37°
33°
33°
25°
30°
33°
27°
C
C
S
C
C
S
C
S
11°
24°
20°
26°
12°
16°
24°
20°
22°
38°
33°
34°
24°
31°
33°
28°
-3h
-1h
-4h
-1h
-1h
-1h
-1h
-1h
C
S
S
C
S
S
C
S
C
C
S
S
S
14°
20°
17°
13°
14°
14°
11°
16°
9°
20°
13°
12°
21°
17°
26°
30°
24°
20°
23°
26°
27°
16°
34°
24°
21°
28°
C
S
S
C
C
S
C
S
C
S
S
C
S
14°
20°
17°
14°
14°
13°
13°
15°
14°
20°
13°
12°
22°
17°
29°
29°
25°
20°
24°
23°
27°
20°
34°
27°
20°
28°
+5h
+6h
+5h
+5h
+5h
+5h
+5h
+4h
+4h
+5h
+6h
+5h
+5h
EUROPA
Amsterdã
Atenas
Barcelona
Berlim
Bruxelas
Frankfurt
Genebra
Lisboa
Londres
Madri
Moscou
Paris
Roma
ÁSIA
Jerusalém
Pequim
Tóquio
S 20° 32°
S 20° 35°
C 19° 24°
S 20° 32° +5h
S 22° 38° +11h
S 22° 30° +12h
S 23° 39°
S 2° 19°
S 23° 38° +5h
S 2° 20° +5h
Sydney
S 4°
S 4°
S: sol
N: nublado
ÁFRICA
Cairo
Johannesburgo
OCEANIA
16°
C: chuvoso
16° +14h
Ne: neve
Mais informações sobre o tempo
NA INTERNET
Curitiba
7°/ 21°
oglobo.com.br/servicos/tempo/
PREVISÃO
31˚/33º
28˚/30˚
25˚/27˚
22˚/24˚
18˚/21˚
13˚/17˚
Abaixo
de 12˚
Sol
Parcialmente
nublado
Nublado
Sol com pancadas
de chuva
Nublado
com chuvas
Polícia investiga se médica foi vítima de execução
REPRODUÇÃO DO FACEBOOK
Imagens mostram que
bandidos seguiam Gisele e
não roubaram dinheiro
que estava no carro
Policiais civis da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) já trabalham com a
possibilidade de a médica Gisele Palhares Gouvêa, de 34 anos, assassinada no último sábado,
ter sido vitima de uma execução. Segundo os investigadores, que ontem tiveram acesso às imagens mostrando o momento em que a vítima foi
abordada e morta no acesso da Rodovia Presidente Dutra para a Linha Vermelha, os criminosos não pareciam ter a intenção de praticar um
assalto. Tanto que deixaram no carro os pertences da vítima e cerca de R$ 3 mil, que ela havia
sacado para comprar um celular novo. Os agentes lembraram, no entanto, que outras hipóteses, como latrocínio (roubo seguido de morte),
não foram descartadas.
Atitude. Renato e Gisele: ele pede o fim da violência
bandidos. Hoje, os investigadores farão uma
nova perícia no carro da vítima, e o veículo será
posicionado na cena do crime.
A policia quer tentar entender quantos atiradores eram e em que posição eles estavam a
partir de uma análise detalhada dos ângulos do
trajeto dos projéteis que feriram a médica.
— Ainda é cedo para fechar uma única linha
de investigação. As imagens e os depoimentos
que estamos colhendo são bem elucidativos.
Queremos tentar determinar quantos eram os
atiradores, se eles estavam a pé, de moto — disse o delegado.
Agentes da Divisão de Homicídios estiveram
ontem no local onde a médica foi encontrada
baleada. Eles refizeram o trajeto da vítima para
levantar mais detalhes sobre o crime. Os dois
policiais militares do Batalhão de Policiamento
de Vias Especiais (BPVE), que foram os primeiros a chegar ao local do crime, já prestaram esclarecimentos na delegacia.
— O depoimento deles foi importante para
saber como era a dinâmica do local, que segundo os PMs é de grande fluxo naquele horário. Isso vai ser importante para tentarmos encontrar
testemunhas — afirmou Giniton.
ATINGIDA NA CABEÇA
O crime aconteceu por volta das 19h. A médica
tinha saído da Clínica da Família de Vila de Cava, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense,
onde trabalhava, e seguia para a Barra da Tijuca,
onde morava, quando foi abordada. As imagens
obtidas pela polícia revelam que a vítima foi seguida desde a Rodovia Presidente Dutra. Investigadores não sabem ainda quantos criminosos
participaram da ação. Quatro disparos acertaram o carro, e pelo menos um tiro atingiu a médica na cabeça. Gisele chegou a ser socorrida,
mas não resistiu ao ferimento.
— A dinâmica é de execução, não de assalto.
Estamos trabalhando com todas as possibilidades, mas, pelas imagens, os criminosos queriam
acertar a vítima deliberadamente e fugiram sem
levar nada — afirmou um investigador, pedindo
para não ser identificado.
A polícia já identificou dois bandidos que teri-
am participado do crime. Os nomes, no entanto, ainda não foram divulgados para não prejudicar as investigações.
Ontem, o viúvo da médica, o cirurgião plástico Renato Palhares, esteve na Delegacia de Homicídios da Baixada e prestou depoimento. A
mãe e a irmã de Gisele também conversaram
com os policiais. O delegado titular da especializada, Giniton Lages, quis saber dos parentes
como era a rotina da médica e, principalmente,
por onde ela passou no dia do crime. O delegado voltou a dizer que todas hipóteses estão sendo investigadas, inclusive a de latrocínio.
— Nenhuma hipótese foi descartada porque
ainda faltam os laudos da necrópsia do corpo e
o da perícia do veículo que ela dirigia — afirmou Giniton Lages.
Além das imagens que mostram o trajeto feito
pela médica, a polícia também já conseguiu vídeos que indicam a rota de fuga utilizada pelos
VIÚVO QUER FAZER MOVIMENTO CONTRA VIOLÊNCIA
Na delegacia, Renato Palhares confirmou ontem que Gisele transportava R$ 3 mil no bolso
para comprar um telefone celular. A quantia
não foi levada pelos bandidos e já foi devolvida
à família da médica.
O médico disse não acreditar que a mulher tenha sido vítima de uma execução:
—Ela era muito querida, todos no lugar onde
ela foi criada adoravam ela.
Fotografias postadas nas redes sociais pela
própria Gisele revelam que a médica tinha muitos amigos na Baixada Fluminense e na Zona
Oeste do Rio, incluindo políticos de Nova Iguaçu, na Baixada. O viúvo pretende criar o movimento “Viva Gisele”, para lutar contra a violência e a impunidade.
O corpo da médica foi sepultado anteontem
no Cemitério Jardim da Saudade, em Mesquita,
na presença de amigos e parentes. l
ANTÔNIO WERNECK E GISELLE OUCHANA
[email protected]
DAVID APELBAUM Z’L
A família convida para a HASKARÁ (reza
em memória) de David Apelbaum Z’L, na
sinagoga ARI, Rua General Severiano, 170,
Botafogo, domingo, dia 3/07/16, às 19:00h.
SERVIÇOS DE CREMAÇÃO
A PREÇOS ACESSÍVEIS
Além de assistência funerária completa,
a Reviver oferece serviços de cremação
no Cemitério São Francisco Xavier (Caju).
Confie na tradição e profissionalismo
de quem sempre está com você.
ROBERTO GRANDMASSON SALGADO
A família consternada comunica o seu
falecimento. A cremação será no dia 30 de
junho, às 12h, no Memorial do Carmo, Sala 9.
Rua Monsenhor Manuel Gomes, 287 - Caju.
Chuvas com
trovoadas
Geada
Busca por bandido
resgatado mobiliza
27 batalhões
Dez pessoas já morreram em
operações para tentar localizar
traficante que fugiu de hospital
A Polícia Militar mobilizou ontem homens de 27 batalhões para tentar localizar o traficante Nicolas Labre Pereira
de Jesus, o Fat Family, resgatado há dez
dias do Hospital Municipal Souza Aguiar, onde estava internado após ter sido
baleado num tiroteio. As operações
aconteceram em várias comunidades
da capital, da Baixada Fluminense e na
Região dos Lagos, e terminaram com
dois mortos — um deles durante confronto com PMs do 41º BPM (Irajá) no
Morro do Chaves, em Barros Filho. A
outra vítima foi um homem que já estaria baleado quando PMs chegaram ao
local. Socorrido, ele morreu ao dar entrada no Hospital Estadual Carlos Chagas. Desde que começaram as buscas
pelo Fat Family, dez pessoas morreram
em operações policiais.
Veículos blindados deram apoio à
operação. Na Zona Oeste, o caveirão teve que desviar de barricadas feitas por
traficantes no Morro São José Operário,
na Praça Seca. No Complexo da Maré,
cães farejadores encontraram uma tonelada de maconha. Parte da droga estava escondida em freezers. Um fuzil,
duas granadas e drogas também foram
apreendidos até a tarde de ontem.
O Portal dos Procurados oferece R$ 3
mil por informações que levem à prisão
de Fat Family. Denúncias podem ser
feitas pelo Whatsapp ou Telegram dos
Procurados: (21) 96802-1650; por mensagem no Facebook (https://www.facebook.com/procurados.org); ou pelo
Disque-Denúncia, por meio do telefone (21) 2253-1177. l
ARISTHEU GUIMARÃES JR
Ana Carolina e Marina, Sônia e José Roberto, Fernando e Mayren, Lúcia,
André e Daniela, Luciana e Bernardo, Marcio André, Renata e Rafael
convidam para a Missa de Sétimo Dia do nosso querido ARISTHEUZINHO
no dia 30/06 (quinta-feira), às 18h, na Igreja Porciúncula de Santana
(Campo de São Bento - Niteroí).
Avisos Fúnebres e Religiosos
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sábado /
domingo
2534-5501
2534-5501
Quarta-feira 29 .6 .2016
O GLOBO
Dos Leitores
|
oglobo.com.br/participe
Eu-repórter
l 15
|
Das redes sociais
facebook.com/jornaloglobo
facebook.com/jornaloglobo
JORGE WILLIAM
“Não havia operação no local que
justificasse a transgressão”
twitter.com/jornaloglobo
REPRODUÇÃO
MARCOS ALVES
Leitor que preferiu não
ser identificado,
sobre uma equipe da Guarda
Municipal que parou o carro na
calçada na Rua São Cristóvão,
semana passada, e seguiu para
uma lanchonete. Após tirar a foto,
ouviu de um dos agentes: “É por
isso que o Brasil não vai para frente.” A Guarda Municipal afirmou
que o local é área de recuo de uma
loja. Sobre a conduta do guarda,
informa que o agente será afastado
e receberá punição pecuniária.
|
“Esse cidadão não tem capacidade de presidir o país”
Anderson da Silva
“Esse país é uma piada de
mau gosto, isso sim”
Ciro sugere sequestrar
Lula até uma embaixada se
prisão for decretada
“Vergonha!”
@mv_br
Rodrigo Bonato
Advogado paga a conta
de ex-ministro em
restaurante e manda
bilhete citando gafe
Casamento bancado
pela Lei Rouanet teve
show de sertanejo
|
Cartas e e-mails
As cartas, contendo telefone e endereço do autor, devem ser dirigidas à seção Dos Leitores. O GLOBO, Rua Irineu Marinho 35, CEP 20233-900. Pelo fax, 2534-5535 ou pelo e-mail [email protected]
_
IMPOSSÍVEL ENTENDER
a Leio, estarrecido, que o presiden-
te interino, Michel Temer, recebeu
na calada da noite de domingo
último Eduardo Cunha. O assunto,
segundo porta-voz do Planalto, foi
“discutir o quadro político”.
Impossível entender esse encontro
de um político que se diz honesto
e empunha a bandeira de querer
moralizar o país com o presidente
afastado da Câmara, réu em dois
processos na Lava-Jato, com
pedido de prisão para ser
analisado no STF, denunciado por
delatores de receber propina, que
mentiu aos seus companheiros
deputados e a todo o país ao
afirmar que não tem conta no
exterior, e por aí vai.
SÉRGIO CAVALCANTI
RIO
_
PERÍCIA DO SENADO
a Sobre a perícia técnica do Sena-
do, o eleitorado outorgou poder de
governo à presidente afastada, e
não aos ministros por ela
nomeados, o que significa que os
atos daqueles são de
responsabilidade de quem os
nomeou. É comum para os
petistas darem interpretações
contrárias ao real significado das
coisas, ou seja, afirmar mentiras
até que elas pareçam verdades.
ROBESPIERRE CAMPOS
ARARUAMA, RJ
_
O QUE É MAIS HUMILHANTE?
a A senadora Gleisi disse, em ple-
nário, que ela e sua família foram
humilhadas pela ação da polícia,
ao prenderem seu marido na
frente dos filhos. O que é mais
humilhante: ser preso por ter
cometido crime ou ficar
desempregado pelos crimes dos
políticos e servidores públicos? Ela
deveria se sentir envergonhada.
EDSON RODRIGUES DA SILVEIRA FILHO
RIO
_
a Lamentar a prisão do sr. Paulo
Bernardo na frente dos filhos não
adianta. Os pais deveriam pensar
neles antes de praticarem atos
criminosos contra a sociedade.
Depois da porta arrombada não
vale chorar. Essencial é agir
corretamente, evitando dramáticas
consequências. Parlamentares e
agentes públicos devem pensar na
família, e não apenas em cargos e
recursos públicos dos quais possam
se aproveitar, causando danos
materiais e morais, não só para os
seus, mas para a população. O povo
trabalha muito para encher os cofres
e poder ter bons serviços em
educação, saúde e segurança,
obrigações dos governos. A Lava-Jato
se tornou necessária para passar a
limpo o país. Daqui para frente
esperamos que seja diferente.
ODILÉA MIGNON
RIO
_
OPERAÇÃO BOCA LIVRE
a Aguardarei a manifestação de artistas e intelectuais, nas ruas, contra a
bandalheira que assolou a Lei
Rouanet, desmantelada pela
Operação Boca Livre, mais uma
etapa da Lava-Jato. Os mesmos
artistas que exigiram o peso de um
ministério para a Cultura, no lugar
de uma secretaria. Lembrando que,
enquanto a cultura era representada
por um ministério, a Lei Rouanet era
manipulada por uma quadrilha que
a vinha espoliando, entre isenção
fiscal e propinas, desde 2001, num
montante de R$ 180 milhões. Ou
seja, torna-se irrelevante se o status
adquirido é de secretaria ou de
ministério, mas a forma idônea com
que o órgão é administrado.
REGINA ATHAYDE
SÃO PAULO, SP
_
EXTREMA ‘SOLIDARIEDADE’
a Ciro Gomes iniciou a carreira política no PDS, sucessor da Arena, que
dava sustentação à ditadura militar.
De lá para cá, passou por outros seis
partidos e disputou com insucesso
duas eleições presidenciais. Ciro é
vezeiro em soltar piadas para ganhar
manchetes que, como pré-candidato
à Presidência em 2018, delas muito
precisa. Sua última: para protegê-lo,
Ciro sugere “sequestrar” Lula até
uma embaixada, com pedido de
asilo político. É preciso Freud para
explicar o sonho fantasioso de Ciro,
que, num gesto de “solidariedade
pessoal”, alija Lula da disputa
eleitoral de 2018?
VERA B. EMET
RIO
HÁ 30 ANOS, A CONQUISTA DA COPA
Passe de Maradona a Burruchaga garante a
vitória sobre a Alemanha por 3 a 2, no México.
Caso Dana de Teffé
SUMIÇO COMPLETA 55 ANOS
Advogado da milionária tcheca, Leopoldo Heitor
foi condenado a 35 anos por assassinato.
Michael Phelps
O SUPERATLETA OLÍMPICO
Nadador americano conquistou 22 medalhas
nos Jogos de Atenas, Pequim e Londres.
acervo.oglobo.globo.com
_
CHANTAGENS
CELSO FREITAS
RIO
a Será que o presidente em exercício
_
cederá às chantagens por cargos
importantes, para que senadores
votem a favor do impedimento da
presidente afastada? Se eu fosse ele,
faria a seguinte pergunta: “Vocês
querem que Dilma e PT voltem ao
Governo? Então, votem com eles.”
São estes mesmos que querem
mudar leis para inibir a Lava-Jato e
continuarem com o esquema.
SEM GASOLINA
a O sr. governador deveria ser mais
cauteloso ao anunciar que o
combustível da polícia acaba no fim
de semana. A criminalidade sabe
que estará em vantagem. Deveria o
sr. Dornelles solicitar também que
não saíssemos de casa, e/ou decretar
feriado, para o povo se sentir seguro.
ARNALDO VIEIRA DA SILVA
RIO
RICARDO MAGALHÃES REDORAT
RIO
_
RESPEITO
_
a O governador do Rio diz não ter
a Jair Bolsonaro acha que pode defender a tortura como política de
governo, como na ditadura, e apoiar
a violação em mulheres se não lhe
parecerem feias, já que tem
liberdade de expressão e está
amparado pela imunidade. Como
parlamentar, tem que se dar ao
respeito, e não pode fazer incitação
ao crime. Imagine se o Parlamento
alemão iria tolerar que alguém,
alegando imunidade, partisse para
defender o nazismo e seus crimes?
Incitação à tortura é crime, e caberia
prendê-lo em flagrante.
dinheiro para gasolina dos policiais.
Corte, então, a verba da gasolina de
deputados e vereadores, e que eles
banquem do seu bolso. Usam os
carros oficiais da maneira que lhes
convém, sem dar satisfação, e
queimam gasolina que poderia estar
sendo mais bem empregada. Nosso
governo sacrifica o povão, mas
mantém suas mordomias intocáveis.
CARLOS ALBERTO
RIO
_
VIOLÊNCIA NO RIO
VICTOR MEDEIROS
RIO
a Até quando o banditismo continuará em nosso estado? A morte de
pessoas inocentes virou rotina. Será
que somente durante a Olimpíada é
que teremos uma efetiva segurança
de que tanto necessitamos? Fica no
ar o desafio para as autoridades.
_
MOVIMENTAÇÃO DE DINHEIRO
a Por que quando movimento mais
de R$ 10 mil no banco, este
imediatamente participa ao Banco
Central a operação e quando estas
empresas, doleiros e políticos
mexem com milhões em dinheiro
vivo o Banco Central nada faz?
Como uma empresa entrega R$ 300
mil em dinheiro vivo a um senador
durante meses e nada fica
consignado? Qual é a mágica? Como
é que eles fazem?
RODOLPHO BARATA DE ARAUJO
RIO
a Ciro Gomes foi bem claro em dizer
_
que caso Lula fosse preso sem a
devida comprovação de culpa ele
iria, juntamente com um grupo de
juristas, levá-lo a uma embaixada
para que ele tivesse um julgamento
de 65 anos e, futuramente, 70. Tudo
bem, o trabalhador aceitará a
escravidão, mas que tenha
imunidade, foro privilegiado,
auxílio-moradia, framboesas,
mirtilos e damascos. Do contrário,
fica parecendo que o governo
aumenta a chance de o trabalhador
receber uma bala perdida, e não ser
beneficiário da Previdência Social.
GERMANO QUITETE MACHADO
SALVADOR, BA
_
ALTAIR SANTOS
RIO
_
a A cidade está sitiada pelo crime. A
PREVIDÊNCIA
a Eis que surge a inovadora proposta
para a aposentadoria: idade mínima
matança de inocentes continua em
escalada incontrolável. A presença
da polícia nas ruas é escassa, decerto
por falta de condições. O assassinato
em série de policiais revela uma
fragilidade na política de combate ao
crime. O alerta do sr. Dornelles de
que a frota da polícia pode parar por
falta de recursos é mais assustador. A
falência do estado às vésperas da
Olimpíada é uma temeridade.
ARMANDO FRAGA MOREIRA
RIO
_
RIOCARD OLÍMPICO
a O RioCard Olímpico é um verdadeiro tapa na cara do carioca, e as
justificativas do secretário Picciani
são asolutamente medíocres.
Traçar um paralelo entre o serviço
totalmente privado do Rock In Rio
e o uso da Linha 4 do metrô,
custeada com R$ 10 bilhões do
contribuinte, é querer passar um
atestado de ignorância à
população. É injustificável e uma
falta de respeito.
JAN KRUGER
RIO
_
NOVO TÚNEL
a O novo túnel na região do Porto
é realmente muito bonito, mas
cabe uma ressalva: será necessário
que o esquema de segurança seja
muito eficiente, pois o local é ideal
para a prática de arrastões.
Também considero o limite de
velocidade baixo para uma via
com três faixas em cada sentido e
por onde circulam somente
automóveis e ônibus executivos.
LEONARDO JOSÉ AMERICANO RODRIGUES
RIO
_
VIGAS DA PERIMETRAL
a Estamos perto dos Jogos Olímpicos e do fim da gestão do prefeito
Eduardo Paes. Há quase três anos,
desapareceram as famosas vigas
da Perimetral, sem que até hoje se
tenha chegado a uma conclusão.
Dizem que não existe crime
perfeito, mas mal investigado.
Cabem as perguntas: cadê as vigas
da Perimetral? Vai ficar por isso
mesmo? A sociedade vai ficar sem
essa resposta?
PAULO SÉRGIO ALVES MOREIRA
RIO
_
CORREIOS
a Em resposta às cartas de Reinaldo Palmeira (26/6) e Janaína
Soares (25/6), os Correios se
colocam à disposição dos leitores
pelos canais de atendimento da
empresa: 0800 725 0100 ou
www.correios.com.br. Solicitamos
que entrem em contato
diretamente pelo Fale com os
Correios, para que a devida
apuração possa ser feita
pontualmente.
KLEBER FARIAS
GERENTE CORPORATIVO DE COMUNICAÇÃO
Há 50 anos 29 de junho de 1966
Hoje no
Acervo O GLOBO
Argentina bicampeã
justo, e poderia responder o
processo. Penso que o correto
deveria ser assim,
independentemente do poder
econômico, partidário, religioso ou
de raça e gênero.
Frase
“Perdi papéis que
queria demais. Sou
contra a política dos
estúdios que só
pensa em elenco
para dar dinheiro”
Jack Lemmon,
Ator americano, em 19/11/1986
Fechado Congresso argentino
e dissolvidos os partidos
A SUNAB nega a escassez
do leite mas ainda há filas
O General reformado Juan Carlos Onganía foi escolhido ontem, pela Junta Militar que derrubou Arturo Illía, para assumir a Presidência da Argentina, devendo prestar juramento hoje, na Casa Rosada. A Junta justificou o golpe afirmando que não permitiria o extremismo e a
continuação da anarquia administrativa. Anunciou a destituição do Vice-Presidente e dos Governadores e Vice-Governadores das 22 províncias, além da
substituição dos membros da Suprema
Côrte de Justiça e do Procurador-Geral
da República. Os militares pretendem
dissolver mais de 200 partidos.
A Delegacia da SUNAB considera pràticamente normalizado o abastecimento
de leite na Guanabara, embora muitos
distribuidores só recebam o produto
em dias alternados e continuem as filas
nos postos da CCPL. Informou que ontem a distribuição foi de 504 mil litros,
entre CCPL e VIGOR, e que possui em
estoque leite em pó em quantidade suficiente para atender a uma situação de
emergência. A COBAL está em negociação para adquirir na Holanda grande
quantidade de leite em pó, devido à a
possibilidade de grave escassez do leite
“in natura” na entressafra, já iniciada.
16
l O GLOBO
Quarta-feira 29 .6 .2016
OGLOBO
|
Opinião
|
Brexit torna urgente reformas econômicas de Temer
C
om a decisão histórica dos britânicos
de abandonar a União Europeia — o
chamado Brexit —, na quinta-feira
passada, o mundo mergulhou numa
era de incertezas. A desestruturação caótica da
representação política convencional no Parlamento britânico e o caos nos mercados financeiros globais desde o plebiscito são exemplares. As autoridades monetárias conseguiram
conter os efeitos negativos a curto prazo, mas
os desafios que se avolumam adiante são preocupantes. Por isso, o mundo acompanhava
apreensivo ontem a reunião dos líderes dos 27
países do bloco europeu com o premier David
Cameron, à espera de um roteiro mais claro da
saída britânica da UE.
No mercado financeiro, que opera com uma
lógica própria, a indefinição gerada pelo Brexit
País precisa ajustar sua economia
para se defender dos efeitos da
saída dos britânicos da UE. Para
isso, é preciso acelerar a aprovação
de medidas no Congresso
O Brasil, que tem hoje um governo interino
comprometido com a correção dos rumos da
economia, pode se beneficiar desse movimento inesperado entre os investidores internacionais. Além disso, a equipe econômica precisa se preparar para os choques negativos do Brexit na economia global a médio e
longo prazos.
O cenário, portanto, impõe ao governo de
Michel Temer redobrar os esforços de reequilíbrio fiscal já anunciados por seu time econômico. Diante dos acontecimentos, toda iniciativa necessária para evitar um desvio de rota
da restauração da economia tornou-se crucial.
Isto exigirá do presidente interino firmeza e
habilidade política para aprovar no Congresso
as medidas necessárias para estimular a economia de forma sustentável, o que inclui a
mudou a percepção de risco, e muitos fundos
estão voltando a apostar em países emergentes, como Brasil, Rússia, México, Índia, China
e Argentina. Segundo a agência Bloomberg, os
índices de volatilidade de 30 dias saltaram,
após o Brexit, em EUA, UE e Reino Unido, que
teve ainda sua nota de dívida soberana rebaixada por duas importantes agências de risco.
O efeito nos mercados emergentes, porém, foi
bastante limitado.
aplicação de reformas estruturais inadiáveis
para que o Brasil saia da crise e retome o caminho do crescimento.
É essencial, por exemplo, que o presidente
não vacile na sanção da lei de responsabilidade das estatais; na venda de ativos de empresas públicas, como Petrobras e Eletrobras; e na
nova legislação para regular os fundos de pensão, que está na pauta do Congresso esta semana. Simultaneamente é preciso avançar
com maior celeridade em medidas de ajuste
fiscal e adequar o Orçamento federal ao limite
das receitas, o que inclui a imposição de um
teto para os gastos públicos pela inflação passada, estendendo o mesmo compromisso aos
governos estaduais e municipais.
Temer tem uma oportunidade única, não
aproveitá-la seria um erro trágico. Para todos. l
A irresponsabilidade de jogar contra a Rio-2016
A
mistura de esporte e política (e manifestações, sindicais ou corporativistas, dela
derivadas) é, invariavelmente, indigesta.
Tomar atividades voltadas em última
instância para o entretenimento como refém de
pautas a elas estranhas é sintoma, e grave, da doença do oportunismo, o sempre condenável, por
definição, aproveitamento das circunstâncias para alcançar, pelo caminho mais curto, não raro eticamente condenável, algum resultado de interesse pontual. O país já experimentou, por exemplo,
trocar apoio de partidos pela construção de estádios para satisfazer interesses de caciques, condicionar votos à participação de times de futebol em
torneios etc. Os resultados costumam, sem exceção, ser ruinosos para os dois lados do balcão.
Não é outro, senão a motivação política, e em
sua mais deletéria abordagem, o propósito do
movimento que, a pouco mais de um mês do
início dos Jogos Olímpicos, junta bombeiros a
policiais civis e militares em ações que beiram o
terrorismo. Alegadamente, eles cruzam os braços, em serviços essenciais no âmbito da segurança pública, e atemorizam turistas, cercandoos com faixas nos portões de entrada do Rio,
contra o atraso de pagamentos que generalizadamente atinge o funcionalismo fluminense.
Fazem da Rio-2016 instrumento de uma chantagem cujos objetivos passam ao largo dos interesses do esporte.
A irresponsabilidade dos policiais, agentes públicos que têm o dever, acima de quaisquer circunstâncias, de prover a segurança da sociedade
revela um perigoso descompromisso com as atribuições que lhes são próprias — até por dever
constitucional. Este é um dos ângulos das conde-
Movimento de policiais e bombeiros
não disfarça o viés político por trás
de chantagens e atos de quase
terrorismo cujos alvos são turistas
que chegam ao Rio para os Jogos
náveis ações, em curso ou por serem adotadas,
que resultam no desamparo da população. Como
tal, precisa ser enfrentado pelas autoridades com
o rigor que a situação exige.
Por sua vez, a manipulação política visível no
movimento de protesto que, anteontem, levou
agentes públicos ao desembarque do Galeão — a
mais ampla e movimentada porta de entrada da
cidade que abrigará a Olimpíada — também precisa ser enquadrada no manual de comporta-
mento e deveres dessa especial categoria de servidores estaduais. A faixa que eles abriram à vista de
quem chegava ao Rio (“Bem-vindo ao inferno. A
polícia e os bombeiros não recebem pagamento.
Quem vier para o Rio de Janeiro não estará seguro”, com dizeres em inglês) dá a medida de o
quanto as organizações sindicais patrocinadoras
extrapolaram os limites da civilidade.
Atraso dos salários é efeito direto da crise financeira do estado (de resto, do país). De fato, compromete o orçamento familiar de todos os servidores. A economia fluminense aderna, e, por certo, é preciso buscar responsabilidades. Mas isso
deve ser feito no âmbito doméstico, dentro da esfera apropriada — nunca por meio de chantagens
contra um evento que trará benefícios às próprias
finanças estaduais. Jogar contra a Rio-2016 é opção irresponsável e contraproducente. l
ELIO GASPARI
Há golpe
N
o sábado, dia 25, a senadora Rose de Freitas, líder do
governo de Michel Temer
no Senado, disse o seguinte: “Na minha tese, não teve esse negócio de pedalada, nada disso. O que
teve foi um país paralisado, sem direção e sem base nenhuma para administrar.”
Na segunda-feira, dia 27, a perícia
do corpo técnico do Senado informou que Dilma Rousseff não deixou
suas digitais nas “pedaladas fiscais”
que formam a espinha dorsal do processo de impeachment. Ela delinquiu
ao assinar três decretos que descumpriam a meta fiscal vigente à época
em que foram assinados. Juridicamente, é o que basta para que seja
condenada por crime de responsabilidade. (Depois a meta foi alterada,
mas essa é outra história.)
Paralisia, falta de rumo e incapacidade administrativa podem ser motivos para se desejar a deposição de um
governo, e milhões de pessoas foram
para a rua pedindo isso, mas são insuficientes para instruir um processo de
impedimento. Como diria o presidente Temer: não “está no livrinho”.
Se uma coisa tem o nome de julgamento, ela precisa guardar alguma
semelhança com um julgamento,
mesmo que a decisão venha a ser política.
Durante a ditadura, parlamentares
perdiam seus mandatos em sessões
durante as quais, em tese, era “ouvido” o Conselho de Segurança Nacional. Nelas, cada ministro votava. Ninguém foi absolvido, mas o conselho
era “ouvido”. Tamanha teatralidade
teve seu melhor momento quando o
major-meirinho que lia o prontuário
das vítimas anunciou:
— Simão da Cunha, mineiro, bacharel...
Foi interrompido pelo general Orlando Geisel, chefe do Estado Maior
das Forças Armadas:
— ... Basta!
Bastou, e o major passou à próxima
vítima.
Dilma Rousseff é ré num processo
que respeita regras legais, mas se a
convicção prévia dos senadores já está definida na “tese” da líder do governo, o que rola em Brasília não é
um julgamento. É uma versão legal e
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A Constituição está
sendo respeitada,
mas o rolo compressor
governista desvirtuou o
julgamento de Dilma
ritualizada do “basta” de Orlando
Geisel.
O constrangimento provocado pelo
resultado da analise técnica das pedaladas aumenta quando se sabe que
a maioria do atual governo na comissão de senadores passou a rolo compressor em cima do pedido de perícia, feito por José Eduardo Cardozo,
Geral e Redação (21) 2534-5000
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advogado de Dilma. Ela só aconteceu
porque Cardozo recorreu ao Supremo
Tribunal Federal, e o ministro Ricardo Lewandowski deu-lhe razão.
Desde o início do processo de impeachment, estava entendido que a
peça acusatória não viria com a artilharia do petrolão e de outros escândalos da presidente afastada. Haveria
uma só bala, de prata, contábil. No
caso dos três decretos assinados pela
presidente, houve crime. Isso é o que
basta para um impedimento, mas deve-se admitir que esse critério derrubaria todos os governantes, de Michel
Temer a Tomé de Souza.
Os partidários da presidente sus-
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Assinatura mensal com débito automáti-
tentam que o seu impedimento é um
golpe. Não é, porque vem sendo obedecida a Constituição e todo o processo está sob a vigilância do Supremo Tribunal Federal.
Pelas características que adquiriu, o
julgamento de Dilma Rousseff vai
noutra direção. Não é um golpe à luz
da lei, mas nele há um golpe no sentido vocabular. O verbete de golpe no
dicionário Houaiss tem dezenas de
definições, inclusive esta: “ato pelo
qual a pessoa, utilizando-se de práticas ardilosas, obtém proveitos indevidos, estratagema, ardil, trama”. l
Elio Gaspari é jornalista
Para assinar (21) 2534-4315 ou oglobo.com.br/assine
co no cartão de crédito, ou débito em contacorrente (preço de segunda a domingo), para
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O GLOBO
Quarta-feira 29 .6 .2016
l 17
OGLOBO
ZUENIR VENTURA
_
O vento da
intolerância
A
o contrário dos tempos utópicos
em que a esquerda, cheia de crença
no futuro, anunciava que “o mundo
marcha para o socialismo”, o vento
agora parece estar soprando para a direita e
— isso é que é grave — para a extrema-direita. O ministro José Serra disse que o Brasil
não será afetado diretamente por essa crise,
já que é “pequena a participação (1,52%) do
mercado britânico nas nossas exportações”.
Mas, e em relação ao vento, será que já não
está soprando por aqui? Quem pode garan-
tir que não? Uma das características dessa era
de incertezas é a ocorrência do improvável. A
vitória do chamado Brexit era possível, tanto
que aconteceu. Mas não era provável. Os jornalistas se surpreenderam, os institutos de
pesquisa pediram desculpas por errarem o resultado, as bolsas despencaram, o mundo levou um susto.
Como os vitoriosos foram políticos intolerantes como Nigel Farage, líder dos ultradireitistas, xenófobo, odiando os imigrantes e querendo-os fora das fronteiras, muitos analistas
tentaram explicar a tendência, que, com variações, se manifesta em outros países, como a
França de Marine Le Pen e os EUA, onde o inimaginável Trump ameaça Hillary Clinton.
Uma das constatações é que estaria havendo
rejeição aos partidos tradicionais, desconfiança nos políticos moderados e descrença na capacidade de a democracia promover o desen-
volvimento econômico e diminuir a miséria.
Em suma, estaria ocorrendo uma espécie de
retrocesso democrático.
No Brasil, não temos medo de estrangeiros
nem temos fundamentalismo étnico, apesar
do racismo. Mas, mesmo assim, a bancada
progressista no Congresso perdeu muito espaço. Para só citar os dois exemplos mais
conspícuos da Câmara: o pastor Feliciano
foi eleito com 400 mil votos e Jair Bolsonaro,
o mais votado do Rio, com 446 mil. Os dois se
notabilizaram por posições obscurantistas
Estaria havendo rejeição aos
partidos tradicionais, desconfiança
nos políticos moderados e descrença
na capacidade de a democracia
promover o desenvolvimento
como o combate ao movimento LGBT,
quando até o Papa Francisco quer que a
Igreja peça perdão aos homossexuais. O
primeiro chegou a propor a “cura gay”, um
absurdo que provocou repulsa da OAB e
de entidades de defesa dos direitos humanos. O outro, que já homenageou torturador, é réu no STF por injúria e por incitação ao estupro, ao ofender uma colega dizendo que não a estupraria porque ela
“não merecia”. Um blog afirmou que “sua
popularidade disparou” depois da decisão do Supremo. Ele é exaltado por não ter
aparecido ainda na lista da Lava-Jato, como se isso fosse um feito extraordinário, e
não a obrigação de qualquer homem público.
Se o país não tomar jeito, se a incerteza
continuar, a extrema-direita pode dar muito
trabalho à nossa democracia. l
TASSO AZEVEDO
ROBERTO DAMATTA
Brasileirismos
G
ente boa: do bom e do bem. Platônicos sem saber, eles unem o bom vinho e o excelente uísque a amigos
inigualáveis. Eles amam execrar e
temos depois que santificar o execrado. Tem
sido assim com grandes pensadores e até com
ditadores. Eis um brasileirismo.
Não falam de questões, mas de pessoas. Dos
“outros” — deles mesmos vistos de longe. Cada caso tem uma versão. Quando surge uma
indiscrição, tergiversam. Fazem parte dos
“arrumados” e estão “no mesmo barco”. Um
barco, com espaço para mais um grupo. Isso
os torna imunes aos naufrágios. Eis um outro brasileirismo.
Aceitam abusos e tramoias porque seguem o brasileirismo das relações pessoais. Todos se ligavam com todos, de modo que basta saber quem é para safar
(ou agravar) uma situação. A consideração era maior do que a eficiência que eles
tanto clamavam.
Uma pessoa diz que o sujeito é fascista, mas
se o amigo afirma que é um conhecido, cria-se
um dilema. Esse era um brasileirismo clássico
mas eles não davam importância às relações
pessoais que eram justamente a dimensão social que lhes permitia as ultrapassagens.
Assim, quanto mais faziam leis, mais os
elos pessoais as neutralizavam, alimentando
o sonho pueril de revoluções institucionais
destinadas a consertar definitivamente o sistema. Promulgavam a lei que igualava, mas
quando os acusados eram amigos, o laço
pessoal — tomado como banalidade, inocência e engano — era imediatamente usado
de modo que o patife virava ambicioso, o fanático, um exagerado; o nazista, um exaltado; e o ladrão partidário, uma vítima da imprensa midiática.
O abuso dos elos pessoais que salva criminosos e os transforma em perseguidos gera uma
relação duvidosa com a lei e as instituições, pois
torna a impessoalidade antipática, senão impossível. As leis são boas para os outros, não para nós. O magistrado é competente até que se
saiba de seus amigos. Então, num só movimento, desmoralizam-se as leis porque ninguém
discute ou percebe o peso das relações pessoais
no funcionamento da sociedade.
O país das leis não se entende com a sociedade das amizades. Não querendo conhecer a força do “dou-para-receber”, essa norma que
amarra mais do que as constituições pois, sem
ela, não haveria simplesmente sociedade, o país
inventa brasileirismos. Cria leis e mais leis com
MARCELO
R
Todos se ligavam com todos, de modo
que basta saber quem é para safar
(ou agravar) uma situação. A
consideração era maior do que a
eficiência que eles tanto clamavam
o objetivo de tornar real o anonimato, sem o
qual não há cidadania, mas elas reforçam os relacionamentos pessoais.
O fato é que ou estar “dentro” ou “fora” é
mais importante do que o certo ou o errado.
Laços ideológicos nutridos por amizade e
obséquios ultrapassavam partido e credos,
obrigando a isentar criminosos óbvios e a
negar erros crassos de gerenciamento. As
amizades englobam os interesses nacionais.
Uma gigantesca onda de corrupção, ao lado
de dilemas político-burocráticos, engendrou um cenário jamais previsto pelos politicólogos: o brasileirismo de um país com dois
presidentes. Um afastado constitucionalmente e o outro, empossado com o aval do
STF, tentando remendar o que pode, sendo
impiedosamente chamado de “golpista”.
O personalismo, tido como banal e inconsequente, é justamente o cerne dos brasileiris-
mos. Ele leva o sistema ao pré-suicídio porque
opera com leis explicitas e com regras implícitas. A lei proíbe claramente, a amizade faculta
ocultamente.
Lado a lado, essas éticas criam arranjos imprevisíveis. Os laços pessoais interferem com os
institucionais e vice-versa. Quem faz é mais importante daquilo que foi feito.
A discriminação pessoal do “esse eu conheço!” neutraliza as leis.
O maior brasileirismo não é a tão propalada e vergonhosa desigualdade mas, sem
sombra de dúvida, é o clamor igualitário.
Não podemos continuar com a teoria segundo a qual, quando se trata de país é ideológico e político; mas, quando se trata de amigos, é coisa de honra, respeito e consideração. Como conciliar esses códigos claramente indispensáveis para uma vida social equilibrada, senão discutindo suas demandas,
confrontos e implicações?
Num mundo de amigos e compadres, nada
pode ser mais perverso do que a igualdade de
todos perante a lei.
PS: Se tudo correr bem, volto a este espaço em
agosto. A folga é o meu brasileirismo. l
Roberto DaMatta é antropólogo
Mais tempo para as compras
ANTONIO OLIVEIRA SANTOS
P
esquisas profissionais apontam que
mais de 73% dos brasileiros compram
aos domingos, evento que se tornou
hábito das famílias, em busca de compras com segurança, associadas a praças de
alimentação, estacionamento, lazer, diversão
e arte, proporcionados, principalmente, pelos
shopping centers.
O domingo é, em média, o terceiro melhor
dia de faturamento na semana para os shopping centers, correspondendo a 14% das vendas semanais, segundo a Associação Brasileira
de Shopping Centers (Abrasce). Os números
brasileiros encontram similaridade em países
como os Estados Unidos, a Inglaterra e outros
do mundo desenvolvido.
Por isso, soam estranhas, para o Sistema
Confederativo do Comércio, notícias que
dão conta de iniciativas e projetos, nas câmaras legislativas de alguns municípios brasileiros, na contramão do consagrado hábito
de compra dos consumidores aos domingos.
É retrocesso inimaginável cerrar as portas
dos shoppings aos sábados, domingos e feriados, seja em períodos de plena estabilidade
e crescimento econômico, seja principalmente em momentos de recessão econômica
Natureza
ao redor
e adversidade social, como a atual.
A liberdade para o exercício da atividade comercial, incluindo o trabalho aos domingos e
feriados, é conquista a ser preservada. E ela
decorre da evolução natural das sociedades:
empresas, cidadãos, trabalhadores, enfim, é
causa e consequência do avanço e da modernidade social.
O domingo é, em média, o
terceiro melhor dia de faturamento
na semana para os shopping
centers, correspondendo a
14% das vendas semanais
O comerciante, de shopping ou não, se localiza onde estão o desejo e a conveniência do
consumidor. E ninguém melhor que ele para
saber — instintiva ou profissionalmente —
quais são os anseios daqueles que são a razão
de sua existência. É da índole do comércio saber auscultar a vontade do consumidor.
Além disso, há leis apropriadas que preservam as competências dos entes federativos
municipais e asseguram a preservação integral dos direitos dos trabalhadores, além de
assegurar aos mesmos ganhos adicionais expressivos.
É inequívoco que iniciativas contrárias à realidade comercial brasileira, em se tratando de
funcionamento das estruturas comerciais, não
encontram apoio sequer dos trabalhadores, em
função do histórico de ganhos e estabilidade, e
menos ainda dos consumidores.
Nada mais convincente do que a realidade e,
mais uma vez, os shoppings apresentam números que impressionam pela magnitude: quase
cem mil lojas, um milhão de empregos diretos,
circulação de 444 milhões de pessoas por mês.
Enfim, o que era novidade há 30 anos, hoje, com
a crescente urbanização e a comodidade do
ambiente de compra, é indiscutível realidade
que responde por quase um quinto do comércio
varejista e mais de R$ 24 bilhões de impostos arrecadados em 2015.
No Brasil, sobretudo na atual conjuntura
econômica, deve ser rejeitada qualquer proposta voltada para a proibição de atividades
geradoras de emprego e renda aos domingos
e feriados. Seria um injustificável retorno ao
passado. l
Antonio Oliveira Santos é presidente da
Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo
ecentemente, em visita ao Yosemite, um dos mais belos e
antigos parques nacionais dos
Estados Unidos, o presidente
Obama declarou que as áreas protegidas eram o maior tesouro americano e
que visitar e promover a conexão, especialmente das crianças, com elas é essencial para o bem-estar da população
e do planeta.
Diversos estudos mostram que a conexão com a natureza afeta diretamente o nosso bem-estar. Crianças expostas com frequência aos ambientes
abertos e biodiversos tendem a ser
mais atentas, resistentes ao estresse,
calmas e até podem enxergar melhor e
sofrer menos com gripes e outras doenças infecciosas.
Em 2015, o sistema de parques nacionais dos Estados Unidos, que
completa seu centenário este ano,
recebeu pouco mais de 300 milhões
de visitantes em seus 409 parques,
um recorde. No Brasil, em 2014, ano
também recorde, as unidades de
conservação, incluindo parques nacionais, receberam meros sete milhões de visitantes, sendo quase 70%
em apenas dois parques: a Floresta
da Tijuca, no Rio de Janeiro, e Foz do
Iguaçu. Ou seja, nos Estados
Crianças
Unidos, a taxa
expostas com média per capifrequência aos ta de visitação
(considerando
ambientes
que todos os viabertos e
sitantes fossem
americanos)
biodiversos
tendem a ser seria em torno
de uma visita
mais atentas, por ano, enresistentes
quanto no Brasil não chega
ao estresse
nem a 5% disso.
Se, por um lado, estes números mostram um abismo entre a visitação nos
dois países, revelam também que, mesmo nos casos em que a frequência é
enorme, como nos Estados Unidos, representa muito pouco da rotina ou da
aproximação cotidiana que deveríamos ter com a natureza.
No ótimo livro “A última criança na
natureza”, recém-traduzido e lançado no Brasil, Richard Luv mostra que
nas cidades, onde vive a maioria da
população, as crianças passam mais
de 90% do tempo em ambientes fechados. Então, como fazer para conectar as crianças com a natureza no
meio urbano? As unidades de conservação estão longe e são um programa específico e planejado. E, embora sejam parte da solução, certamente não são a resposta para mudar este cotidiano.
Para uma criança, um pequeno canto
de um jardim ou uma praça pode ser
quase um mundo que só é percebido
ao ser vivenciado e tocado. É preciso
soltá-las neste ambiente. Para fazê-lo,
temos que liberá-las do aprisionamento das telas, seja televisão, computador,
tablet ou celular.
Uma criança absorta em frente a
uma tela parece quase implorar para
que a libertemos desta hipnose acomodada. Não basta levá-la ao parque
da praça enquanto checa o WhatsApp no celular. É preciso convidá-la
a viver a natureza ao redor, propiciando os espaços e oportunidades,
mas, principalmente, vivenciando
junto a experiência. l
Tasso Azevedo é engenheiro florestal
18
l O GLOBO
l Rio l
Quarta-feira 29 .6 .2016
Atleta de ciências voa
para disputar olimpíada
PABLO JACOB
Aluna do Pedro II embarcou ontem para a Dinamarca
ELENILCE BOTTARI
[email protected]
Depois de muita luta e uma torcida que começou no Colégio
Pedro II, onde cursa o 3º ano do
ensino médio, e se espalhou pela internet, a estudante Lorrayne Isidoro, de 17 anos, embarcou ontem para Copenhague,
na Dinamarca, onde irá repre-
sentar o Brasil na Olimpíada Internacional da Neurociências
2016. A mãe, Estela Mereilles
Isidoro, foi com a filha. O pai,
Jorge Cabral, ficou no Rio e resumiu em poucas palavras as
qualidades da jovem, que conquistou a solidariedade de milhares de pessoas nas redes sociais e saiu de casa, no Morro
Camarista Méier, no Engenho
de Dentro, para transformar seu
sonho em realidade:
— Ela é uma menina muito
determinada. Eu estou muito
emocionado porque ela decidiu,
estudou e realmente chegou lá.
Eu acredito que ela vai trazer a
medalha de ouro — disse orgulhoso o pai, que acompanhou a
mulher e a filha até o Aeroporto
Internacional Tom Jobim. l
Embarque. A estudante Lorrayne Isidoro despacha as malas para a Dinamarca: a caminho de mais uma conquista
Estudante
recebe elogios
ao chegar a
aeroporto
Mãe da jovem diz que
o importante não é
vencer, mas competir
A família chegou cedo ao aeroporto, para acompanhar o embarque de Lorrayne, Estela e da
professora Camila Marra, que
ajudou a jovem a se classificar
para a olimpíada. Além do pai,
estavam presentes as irmãs Diorrayane, de 16 anos, e Shetllen, de
9. Somente Sterlyen, de 14 anos,
ficou de fora da despedida. O voo
decolou no início da tarde, quando ela estava em casa estudando
para uma prova no Pedro II.
Mais uma vez, a família recebeu elogios de quem aguardava no setor embarque:
— Eu fico muito feliz por poder conhecê-la pessoalmente.
Acompanhei a luta dessa jovem e é muito bom ver alguém
como ela representando o Brasil em um campeonato de ciência — afirmou a passageira
Carolla Carulla.
Estela, que desde a classificação da filha para a competição estava mantendo a calma,
ontem confessou o nervosismo pouco antes da partida e ficou emocionada ao se despedir do marido e das filhas:
— A expectativa é bem grande e emocionante. Estamos
prestes a viajar e o coração começa a palpitar mais forte, a
gente começa a chorar um
pouquinho, mas a satisfação
está em saber que ela vai se divertir, que ela vai ter um enriquecimento cultural. Aí é que
está a minha felicidade, não é
em vencer, mas saber que ela
vai competir e vai estar se sentindo muito bem.
VISITA A PARQUE
Representando o Colégio Pedro II, que também contribuiu
para a viagem da jovem custeando as passagens, a professora Christiane Coelho Santos,
chefe do Departamento de Biologia, lembrou a importância
do gesto de Lorrayne:
— É uma vitória muito importante. A gente está mostrando que a escola pública
pode ser de qualidade e formar
pessoas de qualidade. É assim
que a gente caminha.
Até o embarque, Lorrayne
demonstrava a mesma serenidade de sempre. Ao ser questionada sobre qual lugar queria
conhecer na Dinamarca, a jovem agiu como menina:
— Quero conhecer o parque
Tivoli Gardens — afirmou,
abrindo seu sorriso largo. l
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Quarta-feira 29 .6 .2016
O GLOBO
Economia
TOBY MELVILLE/REUTERS/24-6-2016
STEFERSON FARIA/DIVULGAÇÃO
Vida após o Brexit
l 19
Petróleo à vista
PÁG. 20
PÁG. 22
IMPOSTOS EM ALTA E
CORTE DE GASTOS
LEILÃO NO PRÉ-SAL,
SOMENTE EM 2017
Ministro diz que Reino Unido precisará aumentar taxas
e reduzir despesas a fim de estabilizar contas públicas
Este ano, governo vai colocar em oferta apenas
pequenas áreas. CNPE ainda não definiu os lotes
ALÍVIO NO CÂMBIO
Dólar desinflado
_
Moeda americana cai 2,62%, a R$ 3,306, com movimento global e declarações de Ilan Goldfajn
RENNAN SETTI
[email protected]
Depois de a onda de pessimismo com o
Brexit ter levado as Bolsas do mundo todo a perderem US$ 3 trilhões em apenas
dois pregões, os mercados ontem tiveram
um dia de alívio, devido à expectativa de
uma possível ação conjunta de bancos
centrais para fortalecer o sistema financeiro. Na Bolsa de Valores de São Paulo
(Bovespa), o índice de referência Ibovespa avançou 1,55%, aos 50.006 pontos. No
câmbio, o dólar comercial fechou em
queda de 2,62% contra o real, a R$ 3,306,
acompanhando a tendência global e reagindo à fala do novo presidente do Banco
Central (BC) sobre a inflação. Foi o menor valor para fechamento desde 23 de
julho de 2015. Na mínima da sessão, a
moeda atingiu R$ 3,302.
Na Europa, onde alguns índices acumularam desvalorização superior a 10%
na sexta e na segunda-feira, depois de o
Reino Unido votar pela saída da União
Europeia (UE), as Bolsas subiram em
torno de 2%. O índice de referência do
continente, o Euro Stoxx 50, teve valorização de 2,27%, enquanto a Bolsa de
Londres avançou 2,64%. Em Paris, a alta
foi de 2,61%, e em Frankfurt, de 1,93%.
Em Wall Street, o Dow Jones subiu
1,57%, e o S&P 500 registrou alta de
1,78%. O Nasdaq ganhou 2,12%.
— O mercado está acompanhando a
tendência global, que tem pregão de recuperação. Existe uma expectativa de que
haja injeção de liquidez por parte dos
bancos centrais, mas o movimento de hoje (ontem) parece ser mesmo de correção
de preços. Enquanto o mercado não entender melhor as implicações do Brexit,
vamos vivenciar um período de grande
volatilidade — afirmou Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.
CORTE DE JUROS FICARIA PARA DEPOIS
Durante o dia, bancos centrais emitiram
sinais de que estão dispostos a dar apoio
à economia. O Banco da Inglaterra injetou 3,1 bilhões de libras no sistema bancário britânico, e o presidente do Banco
Central Europeu (BCE), Mario Draghi,
fez um apelo para que os BCs globais alinhassem suas políticas monetárias para
impedir “contágios desestabilizadores”.
Com o clima de correção de preços, o
dólar caiu 0,52% contra uma cesta de
dez moedas. Frente ao real, porém, a
OSCILAÇÕES DA COTAÇÃO
CENÁRIOS INTERNO E EXTERNO PESARAM NA QUEDA DE ONTEM
MÁXIMA NO PERÍODO
(23/09/2015)
R$ 4,145
4,2
4,0
3,8
ONTEM
R$ 3,306
(23/07/2015)
R$ 3,296
(Queda de 2,62%)
O menor patamar
em 11 meses
3,6
3,4
3,2
3,0
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Jan
“Ele (Ilan Goldfajn)
sinalizou que o
objetivo de trazer
a inflação para o
centro da meta
em 2017 é crível”
Paulo Gomes
Economista-chefe da Azimut
Fev
Mar
Abr
Mai
2016
2015
Fonte: CMA e Bloomberg
queda foi maior, depois de o novo presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmar
que a autoridade monetária fará o que
for preciso para alcançar o centro da
meta de inflação, de 4,5% no ano que
vem. Apenas o peso argentino subiu
mais frente ao dólar ontem.
Para Paulo Gomes, economista-chefe
da Azimut, a postura de Goldfajn é uma
sinalização positiva para o fluxo de investimento para o Brasil no futuro, e
por isso o dólar cai.
— Ele sinalizou que o objetivo de trazer a inflação para o centro da meta em
2017 é crível, deixando em aberto a
possibilidade de os juros ficarem mais
altos por mais tempo. Isso significa
mais fluxo de investimento para Brasil,
já que nosso diferencial de juros, na
comparação com outros mercados,
permanecerá alto. Sobretudo depois do
Brexit, que deve fazer com que os EUA
posterguem a elevação dos seus juros
— explicou Gomes. — Mais uma vez,
apesar da queda forte do dólar, o BC
não anunciou leilões no mercado de
câmbio. O estilo de condução da política cambial vai em linha com a escola de
economia da PUC-Rio, de onde vem o
Ilan, que defende uma menor intervenção na economia. Pode até ser que ele
venha a intervir novamente, reagindo a
algum exagero. Mas acredito que ele vai
tentar postergar isso ao máximo.
O recuo do dólar movimentou as casas
de câmbio ontem. Nos locais pesquisados pelo GLOBO, a cotação da divisa em
papel-moeda variava entre R$ 3,45 e R$
3,58, já com o Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) de 1,1%. No cartão
pré-pago, o valor ia de R$ 3,66 a R$ 3,72
(com IOF de 6,38%). As casas de câmbio
relataram forte procura — em uma delas, o dólar se esgotou —, inclusive da libra, cotada entre R$ 4,73 e R$ 4,88.
PETRÓLEO E MINÉRIO AJUDAM BOLSA
Já o mercado de juros refletiu o relatório
trimestral de inflação, divulgado ontem
pelo BC. A interpretação dos analistas é
que, ao afirmar que “decisões futuras de
política monetária serão tomadas, com
vistas a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5%” no fim do
ano que vem, o BC indicou que está longe de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 14,25% ao ano.
O contrato DI com vencimento em ja-
Jun
Editoria de Arte
neiro de 2017 subiu de 13,65% para
13,84% — o número reflete a expectativa dos investidores sobre o nível da Selic naquele período. Se o BC vai manter
os juros mais apertados por mais tempo, os investidores acreditam que, a
longo prazo, há mais espaço para a taxa
cair. Por isso o DI que vence em janeiro
de 2021 caiu de 12,23% para 12,10%.
No mercado acionário, puxou a alta
do Ibovespa o desempenho das empresas ligadas a commodities, cujos preços
internacionais se recuperaram. A Petrobras PN avançou 4,78% (R$ 9,20),
enquanto a ON teve alta de 4,17% (R$
11,25), graças ao ganho de 3% no barril
do tipo Brent, a US$ 48,58. A Vale ON
avançou 4,46%, a R$ 15,46, e a PNA valorizou-se em 4,75%, valendo R$ 12,56,
depois de o minério de ferro ter saltado
6,42%, a US$ 53,86 a tonelada. l
Colaborou Julia Cople, estagiária, sob
supervisão de Lucas Moretzsohn
NA WEB
http://glo.bo/291nM7I
Precisa comprar dólares?
Listamos seis dicas
Presidente do BC afirma que inflação ficará no centro da meta em 2017
Citando Brexit como
risco para a economia,
Ilan diz que corte de
juros pode demorar
GABRIELA VALENTE
[email protected]
Numa guinada na comunicação do Banco Central
(BC), o novo presidente da instituição, Ilan Goldfajn, expôs
ontem os riscos por que passa a
economia brasileira e indicou
que a queda de juros pode demorar mais do que o previsto
anteriormente. Em sua primeira entrevista coletiva, Ilan disse
que a saída do Reino Unido da
União Europeia, o chamado
Brexit, é um risco relevante para
a economia brasileira, assim
como a incerteza política no
Brasil. Mesmo assim, ele ressaltou que as perspectivas são melhores depois da mudança de
governo. E declarou que, agora,
a equipe econômica trabalha de
forma conjunta e será possível
levar a inflação para a meta de
-BRASÍLIA-
4,5% no ano que vem.
Ilan aproveitou a divulgação
do relatório trimestral de inflação para fazer suas avaliações
depois de passar o fim de semana na Suíça, na reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês),
que reúne os principais BCs, do
mundo. No relatório, a autoridade monetária revisou suas projeções para este ano: vê uma recessão um pouco menor, mas
com inflação mais alta. A previsão para a queda na atividade
econômica passou de 3,6% para
3,3%. Já a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), usado oficialmente no sistema de meta de inflação, subiu de 6,6% para 6,9%.
‘NÃO SABEMOS O IMPACTO’
Para o ano que vem, a projeção
para o IPCA passou de 4,9%
para 4,7%, ainda acima do centro da meta, de 4,5%. A ata da
reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom), divulgada há duas semanas, projetava
exatamente 4,5%. Ilan explicou
JORGE WILLIAM/13-6-2015
Na expectativa. Segundo Ilan Goldfajn, o Brexit “introduz incertezas”
magnitude — afirmou Ilan.
Perguntado sobre o que pesava mais no balanço dos riscos: a
saída do Reino Unido ou a possibilidade de o processo de impeachment naufragar no Senado,
ele evitou relacionar a possível
volta da presidente Dilma Rousseff ao poder com uma piora das
perspectivas. Mas ressaltou que
a mudança de governo já melhorou o ambiente econômico:
— Eu não vou comentar
questões políticas aqui. Acho
que o nosso papel aqui é o papel técnico. Eu acho que os
dois (riscos políticos e Brexit)
são relevantes.
que houve uma mudança na
previsão de 2016 e um efeito
cascata por causa dos preços
agrícolas e administrados.
Com relação ao Brexit, o presidente do BC disse que “vamos
enfrentar volatilidade ao longo
dos anos”. E afirmou que o resultado do referendo no Reino Unido terá implicações para a economia global. Observou, contudo, que ainda é cedo para saber
À ESPERA DE HAVER CONDIÇÕES
Numa forma mais direta de falar, Ilan chegou até a mencionar
que “normalmente o presidente
do Banco Central enrola”, mas
que ele seria claro: a saída do
Reino Unido terá um impacto
de médio a longo prazo no crescimento global, e há dúvidas sobre como China, Europa e mesmo os Estados Unidos reagirão.
No caso do crescimento ame-
qual será o tamanho da crise.
— Ainda não estão totalmente mapeadas as consequências
para o futuro. Isso (Brexit) introduz incertezas para a frente,
com as quais vamos ter de conviver. Não sabemos o impacto,
mas sabemos que é um impacto que deve reduzir de alguma
forma o crescimento global e
pode influenciar o crescimento no Brasil. Não sabemos a
ricano, a influência sobre o trabalho do BC brasileiro é direta.
Quando os Estados Unidos elevarem seus juros — hoje entre
0,25% e 0,50% ao ano —, investidores devem retirar dólares do
Brasil e de outros mercados
emergentes, em busca de ativos
mais seguros. Este é um dos fatores a serem levados em conta
na hora de definir quando reduzir a Selic, atualmente em
14,25% ao ano. A expectativa era
que uma flexibilização começasse em breve, mas Ilan deu sinais
que isso pode demorar mais:
— Todos nós esperamos que
as condições se apresentem
para a flexibilização monetária. Creio que todos acreditam
que isso tem de ser feito de forma responsável. Aqui tem um
consenso: tem de ter as condições necessárias.
Ilan ressaltou que o BC precisa ter uma meta de inflação que
o mercado acredite que será
cumprida. A grande dúvida dos
analistas era sobre quando o
objetivo seria atingido. Ele respondeu que em 2017. l
20
l O GLOBO
l Economia l
Quarta-feira 29 .6 .2016
A nova Europa
[email protected]
MÍRIAM
LEITÃO
Com Brexit, Reino Unido terá de
aumentar impostos, diz ministro
Para Osborne, agora é preciso lidar com consequências econômicas
|
|
COM MARCELO LOUREIRO
Alívio na economia
O pior passou, mas ainda não se pode dizer
que o país está se recuperando. Há propostas
do governo que podem reduzir as despesas
públicas, mas não há garantia de aprovação. Os
juros vão baixar em algum momento no futuro,
porque a inflação está caindo em todos os
cenários, mas a taxa ainda está acima do teto
da meta e assim terminará o ano.
E
stas são algumas das conclusões que estão no relatório de inflação divulgado ontem. O documento foi vistoriado pelos economistas e jornalistas
com a intenção de verificar se já há sinais de mudança
de estilo com o novo presidente do Banco Central. Um
dos repórteres falou na entrevista coletiva que parecia
ser o mesmo BC. Quem estava respondendo as perguntas era o diretor que está deixando o cargo depois de
uma longa carreira na instituição, Altamir Lopes, e que
de fato lembra mais continuidade.
No mercado se usa as definições de “falcão” e “pombo” para indicar uma direção mais dura ou mais branda
no controle dos instrumentos de política monetária. E
ontem as lupas usadas para ler o tedioso relatório tinham o objetivo de saber que tipo de ave será Ilan Goldfajn. Quando era economista-chefe do Banco Itaú ele
previa queda das taxas de juros em pouco tempo. Os
analistas concluíram que ele está um pouco mais falcão
do que se imaginava, pela firmeza no compromisso de
chegar ao centro da meta no ano que vem.
Outra conclusão a que alguns economistas chegaram
é que não houve muita mudança no tom porque há incertezas demais no país. Se as medidas fiscais forem
aprovadas, se o impeachment for aprovado, se o governo Temer se fortalecer o cenário é um. Do contrário, o
quadro econômico vai refletir mais instabilidades da
conjuntura política.
O relatório, como sempre, projeta números para a inflação a cada trimestre nos cenários de referência e de
mercado. Nos dois, a taxa é declinante. O índice que
chegou a 10,6%, no pico ocorrido em 2015, está em queda e deve chegar ao fim
U
do ano em 6,9% ou 7%.
Os pontos-chave
No final do ano que vem
estará, segundo os dois
cenários, em 4,7% ou
5,5%. Confira no gráfico.
Retomada ainda não
O surto inflacionário está
começou, mas a sensação
sendo vencido. As taxas
de que o pior momento
subiram em parte pela
passou traz algum alívio
correção das tarifas de
energia após um período
de baixa artificial da eleEstimativa para a inflação se
tricidade e da gasolina.
aproxima da meta em 2017,
O choque cambial e os
embora BC não indique
eventos climáticos procorte nos juros para breve
vocados pelo “El Niño"
elevaram a inflação de
alimentos no ano passado e começo deste ano.
Votações do Congresso vão
Mas esses efeitos vão se
definir se a economia vai
dissipar, disse o Banco
caminhar para a estabilidade;
Central. De fato, o dólar
ainda há muita incerteza
que chegou a R$ 4,19,
caiu fortemente e ontem foi negociado a R$ 3,30. O “El
Niño” passou e há chance de um “cenário mais benigno” para os alimentos. A menos que, explicou o BC, “La
Niña” afete a produção de grãos no hemisfério Norte,
elevando os preços.
Mas, como disse o relatório de inflação divulgado ontem, o cálculo é de que as medidas propostas para limitar o crescimento do gasto à inflação do ano anterior vão
sim reduzir as despesas públicas. Em três anos, elas devem cair entre 1,5 a 2 pontos percentuais do PIB. Em
2015, o gasto havia chegado a 19,6%. Pode parecer pouco, mas é uma inversão de tendência relevante. Nos últimos anos as despesas só subiram em relação ao PIB.
As melhores notícias vêm da frente externa. Apesar de
o ambiente ser de crescimento fraco, com queda do ritmo chinês, e agora os novos sustos em relação à União
Europeia e o Reino Unido, o Brasil mudou completamente os números das contas externas. O déficit em
transações correntes teve uma redução “expressiva”, definiu o BC. Caiu de 4,42% do PIB, nos doze meses até
maio de 2015, para 1,7% em maio de 2016. A economia
não vai exatamente bem, mas parar de piorar já dá algum alívio nesse biênio horroroso vivido pelo Brasil. l
Mercosul vai cancelar cúpula de presidentes
MERCADO
BANCO CENTRAL*
7,0
2º Tri
3º Tri
4º Tri
6,1
5,9
1º Tri
2016
Fonte: BC
mulativamente, nos próximos
três anos, devido à saída britânica da UE, informou à Reuters
uma autoridade europeia.
Ainda segundo esta autoridade, o presidente do BCE
também disse ser preciso lidar
com a vulnerabilidade do setor
bancário.
A injeção de 3,1 bilhões de libras no setor pelo BC inglês foi
o último dos três leilões especiais anunciados antes do referendo. E o interesse superou o
valor oferecido: a instituição
recebeu ofertas totalizando 6,3
BANCO PERDE 10 BI DE LIBRAS
A negociação com ações do
RBS chegou a ser suspensa na
segunda-feira em função das
fortes perdas da Bolsa de Londres. Ontem, os papéis do banco caíram 0,29%. De quintafeira até o início da tarde de
ontem no Brasil, o RBS tinha
perdido 10 bilhões de libras
em valor de mercado. O total é
maior do que a contribuição
do Reino Unido para a UE em
2015, estimada em cerca de 8,5
bilhões de libras. Já os papéis
do Lloyds fecharam em alta de
5,84%, ontem, a 53,69 libras,
ainda abaixo das 71,45 libras
de antes do referendo.
Após mudar a perspectiva
do rating do Reino Undido de
estável para negativa, a Moody’s fez o mesmo com o setor
bancário britânico. A agência
de classificação de risco citou
expectativa de crescimento
menor e incertezas do comércio futuro com a UE como fatores que devem levar a “reduzida demanda por crédito,
maiores perdas de crédito e
condições de financiamento
mais voláteis”. l
3
Mercado e BC projetam declínio da taxa (em %)
6,9
Meta. Segundo Osborne, é necessário um plano para acabar com incerteza
bilhões de libras.
O Brexit pode ter pesado ainda na oferta de ações de dois
bancos. A venda de bilhões de
libras de ações do Royal Bank
of Scotland e do Lloyds
Banking Group foi posta em
espera por causa da volatilidade do mercado acionário após
o voto do Reino Unido para
deixar a União Europeia. O Tesouro planejava vender, nos
próximos meses, papéis que
foram comprados durante a
crise financeira. A expectativa
era conseguir 9 bilhões de libras com a venda.
Os temores sobre a economia do Reino Unido forçaram
o governo a adiar os planos.
2
INFLAÇÃO EM QUEDA
8,2
NEIL HALL/REUTERS
CRESCIMENTO MENOR NA UE
Os impactos econômicos do
Brexit não ficarão, porém, restritos ao Reino Unido. O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, disse ontem a líderes do bloco que
concorda com a previsão de
economistas do mercado de
que o crescimento da zona do
euro será reduzido em cerca de
0,3 a 0,5 ponto percentual, cu-
1
8,8
-LONDRES, SINTRA E BERLIM- As autoridades britânicas fizeram ontem suas primeiras demonstrações para lidar com os efeitos econômicos do Brexit. No
mesmo dia em que o ministro
das Finanças, George Osborne,
disse que o Reino Unido terá
de elevar impostos e cortar
gastos este ano para estabilizar
as finanças públicas, como
consequência da saída do país
da União Europeia (UE), o
Banco da Inglaterra injetou 3,1
bilhões de libras no sistema
bancário local.
Ontem, quando questionado
se novas medidas orçamentárias envolveriam aumento de
impostos e corte de gastos, Osborne disse “sim, com certeza”.
O ministro afirmou que o Reino Unido ficará mais pobre devido a decisão de deixar a UE, e
que é preciso lidar com as consequências econômicas.
— Nós precisamos de um
plano como um país para sairmos disso, ao mesmo tempo
respeitando o veredito dos britânicos. Isso significa estabilidade financeira, acabando
com a incerteza econômica e
proporcionando unidade na
nossa sociedade — disse Osborne em uma entrevista à rádio BBC. — Estamos nos ajustando à vida fora da UE e não
será economicamente tão promissora quanto a vida na UE —
completou Osborne, que desde o início dos debates se posicionou contra a saída do Reino
Unido da UE.
5,6
5,6
5,2
5,0
2º Tri
3º Tri
oglobo.com.br/economia/miriamleitao
JANAÍNA FIGUEIREDO
Correspondente
[email protected]
ELIANE OLIVEIRA
[email protected]
-BUENOS AIRES E BRASÍLIA- O Mercosul
está passando por um de seus
piores momentos, e, como reflexo dessa crise, os países do bloco
decidiram não realizar a cúpula
de presidentes do meio do ano,
segundo confirmou ao GLOBO
uma alta fonte da chancelaria
argentina. O principal motivo
que levou o bloco a suspender o
encontro de chefes de Estado foi
a situação da Venezuela, que, de
acordo com o calendário oficial,
deveria assumir a presidência
pro tempore do Mercosul. Essa
possibilidade, que ainda gera
debate interno, preocupa os demais países membros já que, na
prática, significa deixar nas
5,5
4,7
4º Tri
George Osborne
Ministro das Finanças
mãos de Caracas o comando do
processo de integração por um
período de seis meses, em meio
à delicada situação política, social e econômica da Venezuela.
Segundo uma fonte do governo brasileiro, a existência de
dois presidentes da República
no Brasil, que sequer se cumprimentam, também pesou na
decisão de suspender a cúpula.
Até julho, o Senado não terá decidido ainda se a presidente
Dilma Rousseff será destituída
do cargo, e Michel Temer ainda
será presidente interino.
Na última segunda-feira, a ministra das Relações Exteriores da
Argentina, Susana Malcorra, se
reuniu com seu colega de pasta
uruguaio, Rodolfo Nin Noboa,
em Montevidéu, e ficou definido
que, no próximo mês de julho,
será organizada apenas uma
reunião de chanceleres.
ACORDO COM UE É PRIORIDADE
Com o comércio intra e extra
bloco em baixa, a evidente falta
de sintonia entre os chefes de
Estado do Mercosul acentua a
crise no bloco. Nos últimos me-
ses, aumentaram os questionamentos dentro do bloco ao governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mergulhado numa disputa com seus opositores a respeito da realização
de um referendo sobre sua permanência no poder. Além do
cenário político conturbado, a
Venezuela representa, segundo
fontes argentinas, um obstáculo
para ampliar o comércio do
Mercosul com outros países e
blocos, entre eles a União Europeia (UE), hoje prioridade de
seus sócios regionais.
A negociação com a UE, por
sua vez, enfrenta agora um
obstáculo adicional, com a saída do Reino Unido do bloco.
Procurado pelo GLOBO, o governo brasileiro disse ter ficado
sabendo do cancelamento da
cúpula pela mídia argentina,
mas considerou que a suspensão já era um fato. A explicação
dada pela fonte argentina foi “a
situação atual” dos países que
integram o Mercosul, principalmente a Venezuela de Maduro.
A mesma fonte não confirmou
se o país assumirá, no encontro
Pressão sobre Cameron em
cúpula da UE, na página 25
de chanceleres, a presidência
pro tempore, exercida atualmente pelo Uruguai.
— Estão sendo discutidas diferentes maneiras de resolver
este momento delicado — disse
uma alta fonte de Casa Rosada.
— Já aconteceu algo similar
na União de Nações Sul-americanas (Unasul), não é dramático. Não estão dadas as condições para uma reunião de chefes de Estado — apontou outra
fonte do governo argentino.
Claramente, os países do Mercosul ainda não definiram se a
Venezuela vai, de fato, assumir a
presidência do bloco. Na segunda-feira, Nin Noboa afirmou que
o Uruguai continuará à frente de
negociações externas, tentando
acalmar os ânimos.
Na última cúpula de presidentes, em dezembro passado,
no Paraguai, houve muita tensão e poucos progressos. Macri,
que fez sua estreia em cúpulas
regionais, questionou a existência de presos políticos na Venezuela e foi alvo de duríssimas
acusações da chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez. l
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL
acesse
2017
*Projeções para a taxa acumulada em 12 meses
_
Reunião em julho
terá só chanceleres.
Venezuela assumiria
presidência do bloco
“Estamos nos
ajustando à vida fora
da UE e não será tão
promissora”
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constantes no edital e seus anexos. Abertura:
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2534-4333
l Economia l
Quarta-feira 29 .6 .2016
Estados poderão
aderir a fundo de
previdência federal
O acordo prevê, além de renegociação da dívida, mudanças no
sistema de previdências estaduais e teto de gastos com funcionalismo
POR ESTADO*
EM R$ BILHÕES
[email protected]
BÁRBARA NASCIMENTO
[email protected]
A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, afirmou ontem
que o governo vai permitir que os estados ingressem na Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp). A medida está no âmbito das reformas que a equipe
econômica quer que os governos estaduais façam para restaurar suas finanças. O desequilíbrio previdenciário é
um dos principais problemas dos governadores.
Ana Paula explicou que o Funpresp,
que hoje é gerido apenas pela União,
passaria a ser um fundo multipatrocinado. Isso significa que os estados interessados colocariam
seus servidores no sistema e passariam a
contribuir para ele. Esse processo é mais barato para os governadores do que criar regimes próprios de previdência social. A secretária disse que o assunto será discutido
hoje em reunião do Ministério da Fazenda com secretários de Fazenda.
— O Funpresp se tornaria um fundo
multipatrocinado. Isso dilui seu custo
administrativo — afirmou ela.
Ajustes na Previdência são parte de
reformas de longo prazo que o governo
negocia com os estados em troca da renegociação das dívidas desses entes
com a União. O tema, no entanto, ficou
de fora do projeto de lei que será encaminhado ao Congresso prevendo um
alongamento de 20 anos nos débitos
com o governo federal. Para facilitar
sua aprovação no Legislativo, a proposta deixou de fora temas polêmicos, que
serão tratados à parte.
-BRASÍLIA-
0,484
AC
0,492
RR
BOVESPA SAL. MÍNIMO SAL. MÍNIMO
(FEDERAL)*
(RJ)**
TR
25/06 0,1293% 26/06 0,1583% 27/06 0,2035%
Selic: 14,25%
Correção da Poupança
Até 03/05/12
DIA
13/07
14/07
15/07
16/07
17/07
18/07
19/07
20/07
21/07
22/07
23/07
24/07
25/07
26/07
27/07
A partir de 04/05/12
ÍNDICE
0,7132%
0,6945%
0,6834%
0,7217%
0,6795%
0,6529%
0,6911%
0,7316%
0,7180%
0,7146%
0,7067%
0,6935%
0,6299%
0,6591%
0,7045%
DIA
13/07
14/07
15/07
16/07
17/07
18/07
19/07
20/07
21/07
22/07
23/07
24/07
25/07
26/07
27/07
ÍNDICE
0,7132%
0,6945%
0,6834%
0,7217%
0,6795%
0,6529%
0,6911%
0,7316%
0,7180%
0,7146%
0,7067%
0,6935%
0,6299%
0,6591%
0,7045%
Obs: Segundo norma do Banco Central, os
rendimentos dos dias 29, 30 e 31 correspondem ao
dia 1º do mês subsequente.
Dezembro
-3,9%
Janeiro
-6,79%
Fevereiro +5,91%
Março
+16,9%
Abril
+7,7%
Maio
-10,1%
R$ 788
R$ 880
R$ 880
R$ 880
R$ 880
R$ 880
R$ 953,47
R$ 1.052,34
R$ 1.052,34
R$ 1.052,34
R$ 1.052,34
R$ 1.052,34
Obs: * O valor do salário mínimo a partir de 1º de
janeiro de 2016 é de R$ 880. ** Piso para
empregado doméstico, entre outros.
IMPOSTO DE RENDA
IR NA FONTE JUNHO 2016
Base de cálculo
R$ 1.903,98
De R$ 1.903,99 a 2.826,65
De R$ 2.826,66 a 3.751,05
De R$ 3.751,06 a 4.664,68
Acima de R$ 4.664,68
Alíquota Parcela a deduzir
Isento
7,5%
15%
22,5%
27,5%
—
R$ 142,80
R$ 354,80
R$ 636,13
R$ 869,36
1,165
PB
1,411
Deduções: a) R$ 189,59 por dependente; b) dedução
especial para aposentados, pensionistas e
transferidos para a reserva remunerada com 65 anos
ou mais: R$ 1.903,98; c) contribuição mensal à
Previdência Social; d) pensão alimentícia paga devido
a acordo ou sentença judicial.
Obs: Para calcular o imposto a pagar, aplique a
alíquota e deduza a parcela correspondente à faixa.
Esta nova tabela só vale para o recolhimento do IRPF
este ano.
A correção da terceira parcela do IRPF de 2016, que
vence no dia 30 de junho, é de 2,11%.
1,713
CE
2,135
RO
2,442
ES
2,654
MT
A Funpresp, fundação que
complementa a
aposentadoria dos
funcionários públicos
federais, passaria a ter a
adesão dos estados, que
colocariam seus servidores
na Funpresp e passariam a
contribuir para a fundação.
3,370
PE
5,063
BA
6,089
MS
8,349
AL
SC
9,729
GO
10,238
PR
11,78
RS
52,329
RJ
70,664
MG
79,875
SP
221,343
Depois de apenas um
mês no azul, as contas públicas voltaram ao vermelho em
maio. O governo central (formado por Tesouro Nacional,
Previdência Social e Banco
Central) registrou déficit primário de R$ 15,5 bilhões. Esse
foi o pior resultado da série
histórica do Tesouro, iniciada
em 1997. No ano, o rombo chega a R$ 23,7 bilhões, o que também é o pior desempenho dos
últimos 20 anos e o primeiro
déficit observado no período
entre janeiro e maio.
Em 12 meses, as despesas
primárias superaram as receitas em R$ 151,5 bilhões, ou
2,42% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). O valor já está bem próximo da meta que a equipe econômica fixou para o governo central em
2016, de um déficit de R$ 170,5
bilhões. Segundo a secretária
do Tesouro, Ana Paula Vescovi,
os números mostram quão importante foi a equipe econômica ter revisto a meta fiscal do
ano. Anteriormente, ela era de
déficit de R$ 96,6 bilhões.
-BRASÍLIA-
O governo federal quer
incluir nesse pacote
mudanças nos regimes de
previdência dos servidores
estaduais, que são uma
fonte de desequilíbrio para
as finanças dos estados.
1,679
MA
Municípios de fora
A meta fiscal deste ano prevê
défict nas contas este ano de
R$ 170,5 bilhões, já
contabilizando a negociação
com os estados. Não há
previsão de inclusão de
municípios no acordo
Fonte: Ministério da Fazenda e estados
*Amapá e Tocantins não têm dívidas
Editoria de Arte
análise e aguardamos orientação.
Os estados questionaram no Supremo a correção das dívidas por juros
compostos (juros sobre juros) e, liminarmente, conseguiram o direito de
corrigir os débitos por juros simples.
Como por essa metodologia de cálculo
muitos governos regionais entendem
que não teriam mais um débito com a
União, boa parte não tem pago nada
nos últimos três meses.
SEM RENEGOCIAÇÃO COM MUNICÍPIOS
Os estados temem, no entanto, que, ao
retirarem os mandados de segurança
por conta própria, isso poderia ser
questionado e até utilizado contra eles
no futuro. Por isso, querem que a tarefa
caiba à União:
— Renegociamos por algo muito pior do que o que era pedido nos mandados de segurança. Isso poderia ser
questionado no futuro — explicou um
secretário de Fazenda.
Segundo o governo de Santa Catarina, primeiro estado a conseguir a li-
minar no STF, “a União é que vai peticionar no STF pelos estados”. No Rio
Grande do Sul, a Procuradoria-Geral
do estado (PGE) informou que “por
hora, os mandados de segurança seguem tramitando”. Segundo a PGE, o
governo local acha mais seguro que o
projeto de lei que determina as mudanças acordadas com o Ministério da
Fazenda seja efetivamente enviado ao
Congresso Nacional para que, então, o
estado tome uma posição em relação
ao mandado de segurança.
Perguntada ontem sobre a possível
inclusão dos municípios no acordo de
renegociação de dívidas dos estados
com a União, a secretária descartou a
medida. Ela afirmou que o acerto com
os estados já está estimado no rombo
fiscal de 2016, de R$ 170,5 bilhões, e
não há previsão de inclusão de novas
despesas.
— Não há previsão de mudança de
meta para esse ano. Não há mais espaço para negociação (com municípios)
— concluiu. l
INFLAÇÃO
Salário de contribuição (R$)
Até 1.556,94
de 1.556,95 a 2.594,92
de 2.594,93 a 5.189,82
Alíquota (%)
8
9
11
Obs: Percentuais incidentes de forma não cumulativa
(artigo 22 do regulamento da Organização e do
Custeio da Seguridade Social).
Trabalhador autônomo
Para o contribuinte individual e facultativo, o valor da
contribuição deverá ser de 20% do salário-base.
Contribuição mensal mínima de R$ 176,00 (para o piso
de R$ 880,00) e máxima de R$ 1.037,96 (para o teto de
R$ 5.189,82)
Junho
R$ 1,0641
Obs: foi extinta
Em troca da renegociação de
suas dívidas com a União,
os estados terão de fazer
reformas de longo prazo.
1,36
DF
Trabalhador assalariado
UFIR
O que está em
negociação
1,134
AM
INSS/JUNHO
ÍNDICES
Indicadores
Resultado de maio é o pior
para o mês desde 1997. No
ano, rombo é de R$ 23,7 bi
1,108
SE
Gastos dos estados
não poderão subir
acima da inflação
durante um prazo
de 24 meses
UNIÃO QUER SUSPENSÃO DE LIMINARES
Mesmo assim, o projeto já vai trazer como uma de suas contrapartidas a exigência de que os gastos primários estaduais só cresçam de acordo com a inflação medida pelo índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) durante
um prazo de 24 meses. Técnicos do go-
R$ 497,410 bi
0,443
PI
PA
verno explicaram ao GLOBO que essa é
uma forma de obrigar os governadores
a seguirem a nova regra de teto para os
gastos públicos.
O fato de a renegociação das dívidas
estar num projeto separado do que fixa
um teto para os gastos (cuja regra vai
valer para a União e estados) gerou dúvidas sobre se o governo federal conseguiria obrigar os governadores a fazerem um ajuste fiscal efetivo. Com a regra dos 24 meses, no entanto, a equipe
econômica acredita que vai fechar a
equação. Outras contrapartidas são ficar 24 meses sem conceder reajustes
salariais e mudar os critérios para contabilizar despesas de pessoal.
Outra questão que precisará ser
equacionada em breve são as ações
que tramitam no Supremo Tribunal
Federal (STF) nas quais os estados
questionam a forma
de correção de seus
débitos com a União.
Elas foram apresentadas em abril, e 11 estados conseguiram liminares permitindo
que eles calculassem
o que devem ao governo federal com base em juros simples e
não compostos (como defende o Tesouro Nacional) sem sofrer sanções. O
STF começou a julgar o mérito, mas
acabou suspendendo a análise, dando
60 dias para que União e estados chegassem a um acordo sobre a renegociação das dívidas.
A área econômica espera agora que o
STF não tenha que retomar o julgamento das ações. A expectativa é que os
ministros sejam comunicados de que
houve um acordo, e, portanto, as ações
fiquem prejudicadas.
O Ministério da Fazenda pediu aos
governadores que assinem a ata da reunião que firmou o acordo na semana
passada. O objetivo da equipe é apresentar o documento à Corte para que
os mandados de segurança sejam arquivados. Dessa forma, o acordo poderia começar a vigorar em 1º de julho,
segundo Ana Paula Vescovi:
— Desde ontem circulamos uma ata
da reunião entre governadores e o ministro da Fazenda que descreve o acordo. Vamos encaminhar ao STF para
Total das dívidas
dos estados em 2015
0,361
RN
UFIR/RJ
Junho
R$ 3,0023
Obs: A Unif foi extinta em 1996. Cada Unif vale 25,08
Ufir (também extinta). Para calcular o valor a ser
pago, multiplique o número de Unifs por 25,08 e
depois pelo último valor da Ufir (R$ 1,0641). (1 Uferj
= 44,2655 Ufir-RJ)
DÓLAR
Índice Variações percentuais
(12/93=100)
Dezembro
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
4493,17
4550,23
4591,18
4610,92
4639,05
4675,23
No mês
No ano Últ. 12meses
0,96% 10,67%
1,27% 1,27%
0,90% 2,18%
0,43% 2,62%
0,61% 3,25%
0,78% 4,05%
10,67%
10,71%
10,36%
9,39%
9,28%
9,32%
IGP-M (FGV)
Índice Variações percentuais
(8/94=100)
Dezembro
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
617,044
624,060
632,114
635,349
637,434
642,651
No mês
No ano Últ. 12meses
0,49% 10,54%
1,14% 1,14%
1,29% 2,44%
0,51% 2,97%
0,33% 3,30%
0,82% 4,15%
10,54%
10,95%
12,08%
11,56%
10,63%
11,09%
IGP-DI (FGV)
Índice Variações percentuais
(8/94=100)
UNIF
CÂMBIO
IPCA (IBGE)
Dezembro
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
610,128
619,476
624,366
627,060
629,345
636,468
No mês
No ano Últ. 12meses
0,44% 10,70%
1,53% 1,53%
0,79% 2,33%
0,43% 2,78%
0,36% 3,15%
1,13% 4,32%
10,70%
11,65%
11,93%
11,07%
10,46%
11,26%
Dólar comercial (taxa Ptax)
Paralelo (São Paulo/CMA)
Diferença entre paralelo e comercial
Dólar-turismo esp. (Banco do
Brasil)
Dólar-turismo esp. (Bradesco)
EURO
Euro comercial (taxa Ptax)
Euro-turismo esp. (Banco do Brasil)
Euro-turismo esp. (Bradesco)
Compra R$
Venda R$
3,3261
3,29
-1,09%
ND
3,3267
3,45
3,71%
ND
ND
ND
Compra R$
Venda R$
3,6757
ND
ND
3,6780
ND
ND
OUTRAS MOEDAS
Cotações para venda ao público (em R$)
Franco suíço
Iene japonês
Libra esterlina
Peso argentino
Yuan chinês
Peso chileno
Peso mexicano
Dólar canadense
l 21
Governo
central tem
déficit de
R$ 15,5 bi
FINANÇAS EM CRISE
União quer governos estaduais na Funpresp.
Medida integra renegociação da dívida e
visa a equilibrar regimes de aposentadoria
MARTHA BECK
O GLOBO
3,36439
0,0321285
4,40664
0,218736
0,496662
0,00492139
0,175390
2,53408
FONTE: MERCADO
Obs: As cotações de outras moedas estrangeiras
podem ser consultadas nos sites www.xe.com/ucc e
www.oanda.com.
TESOURO: META SERÁ CUMPRIDA
Em sua primeira entrevista no
cargo, Ana Paula fez questão de
reforçar que o principal objetivo do novo governo é trabalhar
com números críveis que resgatem a credibilidade da política
fiscal. Ela também defendeu a
aprovação pelo Congresso da
proposta de emenda constitucional (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos.
— O resultado também mostra a necessidade de fazermos
reformas estruturais, como
aprovar a PEC dos gastos. Ela
vai em linha com a necessidade de ajustarmos as despesas e
podermos convergir para uma
trajetória mais favorável dos
resultados do governo central.
Segundo ela, embora o resultado do governo central em 12
meses já esteja próximo da
meta, não há risco de descumprimento:
— O Tesouro é o guardião
da meta e irá cumpri-la em
2016 e nos próximos anos.
(Martha Beck) l
BOLSA DE VALORES: Informações sobre
cotações diárias de ações e evolução dos
índices Ibovespa e IVBX-2 podem ser
obtidas no site da Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa), www.bovespa.com.br
CDB/CDI/TBF: As taxas de CDB e CDI
podem ser consultadas nos sites de
Anbima (www.anbima.com.br) e Cetip
(www.cetip.com.br). A Taxa Básica
Financeira (TBF) está disponível
no site do Banco Central (www.bc.gov.br).
Para visualizá-la, clicar em “Economia e
finanças” e, posteriormente, em “Séries
temporais”
FUNDOS DE INVESTIMENTO:
Informações disponíveis no site da
Associação Brasileira das Entidades dos
Mercados Financeiro e de Capitais
(Anbima), www.anbima.com.br. Clicar em
“Fundos de investimento”
IDTR: Pode ser consultado no site da
Federação Nacional das Empresas de
Seguros Privados e de Capitalização
(Fenaseg), www.fenaseg.org.br. Clicar na
barra “Serviços” e, posteriormente, em
FAJ-TR. Selecionar o ano e o mês desejados
ÍNDICE DE PREÇOS: Outros indicadores
podem ser consultados nos sites da
Fundação Getulio Vargas (FGV, www.fgv.br),
do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE, www.ibge.gov.br) e da
Anbima (www.anbima.com.br)
22
l O GLOBO
l Economia l
Quarta-feira 29 .6 .2016
Este ano, governo só fará leilão
de pequenas áreas de petróleo
PEDRO TEIXEIRA/17-3-2016
Em 2017, disputa incluirá pré-sal. Setor terá calendário de longo prazo
DANILO FARIELLO
[email protected]
-BRASÍLIA- O Conselho Nacional de Políticas Energéticas (CNPE) decidiu ontem
que poderá ocorrer uma rodada de áreas menores de petróleo este ano. No
próximo ano, quando deve ser retomada a 14ª Rodada de Licitações deverão
ser incluídos trechos do pré-sal na disputa. A expectativa do setor era que o
conselho analisasse e definisse ontem
as áreas do próximo leilão de áreas de
exploração, o que não ocorreu.
A cúpula do setor energético rompeu
com uma tradição dos últimos anos e prometeu criar diretrizes gerais relativas ao
setor de petróleo e gás natural, o que pode
resultar em um calendário de leilões. As
gestões anteriores consideravam estratégico não informar ao mercado as datas futuras de leilões, aumentando a ingerência
no ritmo de atividade exploratória no país.
ADIAMENTO ESTRATÉGICO
Esse era um pleito frequente dos operadores do setor e, principalmente, da indústria fornecedora de bens e serviços,
porque significaria uma perspectiva real de demanda por horizontes mais
longos, com tempo suficiente para justificar investimentos. Segundo nota do
Ministério de Minas e Energia, em seis
meses essas diretrizes serão debatidas
por um novo grupo de trabalho:
“O objetivo desse grupo será avaliar as
condições de atendimento do país e propor calendário de realização de leilões”.
O governo disse ontem que vai criar um
grupo para aprofundar os estudos para
estabelecer as áreas do pré-sal que vão a
“Talvez seja um leilão
menor no fim do ano,
porque a gente tem de
se organizar, e para que
as empresas possam
se organizar”
Fernando Coelho Filho
Ministro de Minas e Energia
leilão no ano que vem, por isso a indefinição ontem sobre as áreas. Na prática, a reavaliação vai permitir uma análise mais
aprofundada sobre áreas unitizáveis —
que se estendem para além de blocos já
concedidos. Essa definição vai indicar
quais serão os estados que serão mais ou
menos beneficiados pelos leilões.
— As áreas foram apresentadas pela
ANP, mas há um novo grupo de trabalho
dos ministérios que vai definir o que será
incluído em rodada talvez até o fim do ano
e o que ficará para o ano que vem. Isso eu
acho que em mais 30 ou 40 dias será
anunciado — disse Fernando Coelho Filho, ministro de Minas e Energia. — Talvez
seja um leilão menor agora no fim do ano,
porque a gente tem que se organizar e para que as empresas internacionais possam
se organizar, e muito provavelmente o
maior deles no ano que vem — concluiu.
A prorrogação do leilão de área do présal para 2017 — que já era esperada pela
indústria do petróleo — dá tempo de a Câmara dos Deputados votar a lei que altera
a exploração da área, ao retirar da Petrobras a exclusividade de atuar como operadora única na região. Havia expectativa no
governo de que uma comissão especial da
Câmara votasse ontem o texto, mas a data
foi adiada, agora para 5 de julho.
Há desconfiança entre os integrantes
do governo do presidente interino, Michel Temer, em relação a possíveis direcionamentos em uma decisão mais célere sobre a indicação das áreas que vão
ser oferecidas. Segundo Moreira Franco, secretário executivo do Programa
de Parcerias de Investimentos (PPIs), a
ideia é dar prazos maiores entre a publicação dos editais e a realização dos
leilões, para evitar direcionamentos.
— Temos de dar prazos capazes de dar
segurança a todos os envolvidos para que
possam fazer os estudos e não haja sombra de qualquer tipo de beneficiamento
em decorrência de prazos curtos que pressupõe alguém já ter feito estudos necessários para um desafio de dimensão tão
grande — disse Moreira Franco.
Ele afirmou que o Ministério da Fazenda
trabalha com a hipótese de 180 dias entre
o lançamento do edital e a realização do
leilão. Por sua sofisticação, as empresas
precisam do prazo para se preparar. Participaram da reunião do CNPE, além de Coelho Filho e Moreira Franco, o ministro da
Casa Civil, Eliseu Padilha e a diretoria-geral da ANP, Magda Chambriard, cujo
mandato vence no segundo semestre. Ela
não comentou o resultado da reunião. l
Abengoa: Aneel pode retomar concessão
Agência dá primeiro passo
para reaver nove linhas de
transmissão de energia
MANOEL VENTURA*
[email protected]
A Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) deu ontem o primeiro
passo para retomar as linhas de transmissão da Abengoa após o fracasso para encontrar uma solução de mercado para os
ativos da companhia espanhola. A agência decidiu emitir termos de intimação
para nove transmissores da empresa.
Desde o pedido de recuperação judicial
da Abengoa, no início do ano, o governo
busca alternativa para que as obras da empresa no país sejam retomadas. A intenção
é evitar gargalo na distribuição de energia.
-BRASÍLIA-
O principal ativo dos espanhóis é a linha
de Belo Monte, que vai escoar a energia da
hidrelétrica no Rio Xingu (PA) para o Nordeste, e tem 1,8 mil quilômetros de extensão, com investimento previsto de R$ 1,3
bilhão. A empresa ganhou a concessão em
2012, e a obra deveria ter ficado pronta em
fevereiro, o que não ocorreu.
As intimações abrem caminho a uma
nova licitação das concessões vencidas
pela Abengoa. O governo precisaria organizar leilões para encontrar novas empresas interessadas em levar adiante a
construção das linhas. A Aneel, porém,
tem defendido vender os ativos da empresa no país, tanto os projetos como as
linhas de transmissão em operação.
— Era conveniente solução no sentido
de transferir o controle a outro investidor.
Viabilizando essa alternativa, temos interesse que ela seja aplicada — disse Romeu
Rufino, diretor-geral da Aneel, ressaltando
que a revogação da concessão pode ser
paralisada caso surjam propostas de troca
de controle nos empreendimentos.
Na intimação, a Aneel informará à empresa as “falhas e transgressões à legislação e ao Contrato de Concessão, o que
poderá resultar na declaração da caducidade da concessão”. O voto do relator do
processo, José Jurhosa, diretor da Aneel,
destaca que as obras “encontravam-se
paralisadas, desmobilizadas e somente
com segurança patrimonial”.
Em sua manifestação à Aneel, a Abengoa informou que foram feitas “diversas
ações administrativas relacionadas ao licenciamento ambiental e a outros órgãos
da administração pública, como demonstração de ações já realizadas para
viabilizar o empreendimento”. O GLOBO
não conseguiu contato com a empresa. l
*Estagiário sob supervisão de Eliane Oliveira
classificadosdorio.com.br
2534-4333
Fomento. BNDES terá novo fundo para estimular parcerias público-privadas
Estados buscam apoio
para as privatizações
Governos consultam
BNDES sobre venda de
empresas. Banco terá
fundo para projetos
O BNDES confirmou
ontem a iniciativa de estados
em promover privatizações e
concessões, publicada na edição de ontem do GLOBO. Segundo a diretora Marilene
Santos, o banco de fomento
tem sido procurado, assim como o governo federal, para
oferecer apoio nesses processos e vai criar um fundo para
financiar projetos de infraestrutura regionais.
— Como a secretaria do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), estamos sendo
muito consultados pelos órgãos estaduais para desmobilização de ativos, além do plano
federal. Sexta-feira foi lançado
edital da Celg, em Goiás, mas
outros governos estaduais
também estão nos procurando
— afirmou a diretora.
Marilene, que é ex-presidente do Ibama, disse ontem, em
evento sobre concessões no
setor de transportes, que, na
semana passada, o BNDES
promoveu um seminário interno para definir cenários e sugestões ao governo federal para destravar as concessões pelo
país. Segundo ela, algumas
mudanças têm de ser feitas por
meio legal, ou seja, por medida
provisória ou projeto de lei:
— Essas questões estão sendo identificadas, e, proximamente, traremos um bom pacote (de sugestões).
-BRASÍLIA-
VENDA DE ATIVOS DA ELETROBRAS
O BNDES, informou Marilene,
já decidiu que criará um fundo
para estruturação de projetos
de concessão e Parcerias Público-Privadas (PPPs) que, sob algumas condições, vai financiar
a elaboração de estudos de projetos que serão oferecidos à iniciativa privada. O banco de fomento ainda não estabeleceu
quanto de dinheiro vai destinar
a esses projetos, mas já tem algumas regras certas: os estudos
de projetos poderão custar até
R$ 15 milhões e quem fizer o
trabalho não poderá participar
da sua construção.
— Serão projetos envolvendo,
no mínimo, regiões com mais
de 400 mil habitantes, podendo
ser consorciados, ou seja, não
apenas de um município. São
poucos projetos por enquanto,
portanto, o volume total ainda
não é um limitador — contou a
diretora do banco ao GLOBO.
De acordo com Marilene, a
ideia era divulgar a criação
do fundo ainda no primeiro
semestre, mas, com a mudança da diretoria, ele deve
ser apresentado em julho. A
diretora disse que esse modelo de financiamento de
projetos colabora com a
transparência do material,
aumenta seu grau de detalhamento e confiabilidade e
permite uma interação permanente entre investidores,
financiadores e órgãos de
controle com seu conteúdo.
Já o futuro presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, confirmou ontem que a estatal
quer vender mais distribuidoras do que a empresa que atua
em Goiás e cujo edital foi publicado sexta-feira. Ele disse
ter conhecimento dos estudos
da consultoria Roland Berger
que foram feitos para a reestruturação da estatal. Os estudos preveem a venda de diversos ativos.
— Certamente as distribuidoras, começando pela Celg,
estão nas prioridades de venda
— pontuou Ferreira, que não
quis fazer mais comentários
por continuar presidente da
CPFL Energia por mais algumas semanas, antes de assumir a estatal.
ESTATAIS REAGEM
Algumas empresas estatais
que tiveram seus quadros ampliados nos últimos anos, conforme revelado por matéria do
GLOBO na segunda-feira, manifestaram-se sobre a reportagem. Segundo nota oficial da
EBC, “a informação de que a
EBC tinha 913 funcionários em
2010 e saltou para 2.564 ignora
o fato de que a empresa passou
a agregar a força de trabalho da
TVE do Rio de Janeiro, das rádios MEC e Nacional e da Radiobras. Desde a sua fundação
a EBC manteve, com pequena
redução, o número de funcionários”. A nota da EBC encerra
com a seguinte informação: “E
o mais importante: há oito
anos, pouco mais da metade
(54%) eram funcionários de
carreira. Atualmente, esse percentual é de 94%.”
A Embapa informou que “o
número atual de 9.767 empregados autorizados para o seu
quadro efetivo está em patamar inferior ao de 1990,
quando era de 11.097 empregados (março)”. O chamado
PAC Embrapa (2008-2011)
proporcionou melhorias na
infraestrutura das unidades
de pesquisa, com ampliação
da atuação da empresa e permitiu uma recuperação do
número de empregados autorizados no quadro efetivo.
O Sinpaf, que representa os
servidores da Embrapa, disse
que “o último concurso foi em
2010, mas o número de contratações desse concurso não
foi suficiente para um quadro
de empregados que já está defasado há vários anos.” O Sinpaf convocou paralisação para hoje, cobrando “reajuste
digno com reposição das perdas salariais, avanços nas garantias sociais e respeito aos
trabalhadores que promovem
a segurança alimentar nacional”. (Danilo Fariello) l
Quarta-feira 29 .6 .2016 3ª Edição
O GLOBO
Mundo
l 23
CARNIFICINA NA TURQUIA
_
IHA/AP
Momentos de pânico. Forças de segurança, membros de serviços médicos e taxistas ajudam vítimas em meio a corpos de pessoas mortas no atentado suicida no aeroporto de Istambul: cidade sofreu sexto ataque desde dezembro
Golpe no coração turco
Atentado de homens-bomba ao maior aeroporto de Istambul mata 36 e desafia país
SEIS ATAQUES EM SEIS MESES
-ISTAMBUL- Numa espiral de violência terro-
rista há dois anos, a Turquia sofreu ontem
um dos ataques mais graves de sua História recente: três terroristas invadiram o
Aeroporto Internacional Atatürk, em Istambul — principal terminal aéreo do país e o terceiro mais movimentado da Europa — e atiraram contra passageiros antes de detonarem seus explosivos. O primeiro-ministro Benali Yildirim indicou
36 mortos, somados aos 147 feridos contabilizados pelo Ministério da Justiça. O
caso leva mais uma vez o pânico a uma
cidade que se viu alvo de seis atentados
com mortos desde dezembro, e a um país
que sofreu nos últimos meses com centenas de mortes na guerra contra o Estado
Islâmico (EI) e grupos rebeldes curdos.
Causa ainda mais apreensão à Europa, alvo de vários ataques dos extremistas.
Segundo o governador da província de
Istambul, Vasip Sahin, três terroristas foram os responsáveis por uma invasão
suicida às 21h50m (hora local). As explosões foram causadas por diferentes
homens-bomba na entrada do terminal
de embarque internacional. Imagens difundidas no Twitter mostram um rifle
Kalashnikov no chão do saguão.
— Um homem correu e abriu seu casaco, mostrando um colete-bomba.
Corri antes de ele fazer qualquer coisa
— contou o passageiro Veysel Allay ao
jornal “The Telegraph”.
‘FOGO E PESSOAS COBERTAS DE SANGUE’
Relatos indicam que houve uma troca
de tiros entre terroristas e policiais que
terminou com homens-bomba se explodindo antes de chegarem a um setor
de checagens de raios-X. O terceiro suspeito se explodiu no estacionamento,
segundo funcionários do aeroporto.
— Eu estava indo do terminal doméstico para o internacional, então, de repente, houve uma bola de fogo e eu vi pessoas cobertas de sangue — disse um taxista, identificado apenas como Fatih.
Câmeras de segurança flagraram ainda o momento em que um atacante é
baleado pela polícia e aciona seu colete
com explosivos. O teto chegou a ceder
no momento, segundo um funcionário
que viu a destruição dentro do saguão.
— Foi muito forte. Todo mundo entrou em pânico e começou a correr em
todas as direções — revelou uma testemunha, sob anonimato, à CNN turca.
Minutos após o ataque, policiais entraram às pressas no aeroporto. Táxis no local transportavam os feridos antes da
chegada de ambulâncias. Voos de chegada e saída no aeroporto foram imediatamente suspensos e alguns aviões,
desviados para aeroportos próximos —
dezenas deles para Ancara. No entanto,
outros puderam aterrissar, entre eles
um procedente do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
BULGÁRIA
GEÓRGIA
ISTAMBUL
TURQUIA
SÍRIA
U
RELATOS DO TERROR
19 de março de 2016
12 de maio de 2016
Homem-bomba atacou a principal rua
comercial de Istambul. Cinco pessoas
morreram e 36 ficaram feridas, sendo
que 12 das vítimas eram turistas
Carro-bomba explodiu próximo
a uma base militar de
Istambul e 7 pessoas ficaram
feridas, 6 delas soldados. Um
deles morreu no hospital
IRAQUE
Rua İstiklal
Praça Beyazit
Aeroporto
Internacional
Atatürk
4
3
5 2
Centro Histórico
Sultanahmet
6
ONTEM
Homens-bomba atacaram um terminal
de embarque do Aeroporto Atatürk.
Relatos apontam que além do ataque
suicida, houve troca de tiros. Segundo o
Ministério da Justiça, 36 pessoas
morreram e 147 ficaram feridas
“Este ataque tem como
alvo apenas criar material
de propaganda contra o
país usando o sangue e a
dor de pessoas inocentes.”
Recep Tayyip Erdogan
Presidente da Turquia
— Achei que estava louca porque tinha ouvido um barulho que parecia de
bala. De repente, nos corredores do aeroporto, todo mundo começou a correr
desesperado. Não sabíamos o que estava acontecendo — contou Patricia Camargo à revista “Época”.
O presidente Recep Tayyip Erdogan
reagiu aos ataques cobrando união do
mundo contra o terror.
— As bombas que explodiram hoje em
Istambul
Distrito
Sancaktepe
O goleiro Andrey Nazário, que foi
campeão gaúcho pelo Grêmio,
seguia para o Irã e fazia escala na
Turquia, mas seu voo foi
cancelado. “Eu não acreditei.
Quando estava chegando no
aeroporto as bombas explodiram.
Tomei uma revista da polícia,
mandando abrir a mala para
olhar tudo”, disse o goleiro ao
portal GloboEsporte.com.
Salvo pelo atraso
12 de janeiro de 2016
Aeroporto
Internacional
Sabiha Gökçen
Homem-bomba atacou um dos
principais pontos turísticos de
Istambul, o centro histórico
Sultanahmet. Dez pessoas morreram,
a maioria turistas alemães
1
7 de junho de 2016
23 de dezembro de 2015
Carro-bomba explodiu junto a um
ônibus da polícia. Sete agentes e quatro
civis morreram e outras 36 pessoas
ficaram feridas. O ataque aconteceu nos
arredores da Praça Beyazit, uma
importante atração turística da cidade
Explosão matou uma faxineira e feriu
outro funcionário no Aeroporto
Sabiha Gokcen, o segundo maior da
cidade. O ataque aconteceu às
2h05m, quando não havia
passageiros no aeroporto
Istambul poderiam ter sido detonadas
em qualquer aeroporto em qualquer lugar no mundo — afirmou Erdogan. — Está claro que este ataque não tem como alvo nenhum objetivo, apenas criar material de propaganda contra nosso país usando o sangue e a dor de pessoas inocentes.
A Turquia proíbe a difusão de informações sobre atos de terrorismo por fontes
independentes em tempo real, e voltou a
impôr restrições às redes sociais contra a
divulgação de imagens do ataque.
Usuários do Twitter que juram lealdade ao Estado Islâmico afirmaram que o
grupo foi responsável pelo ataque. A Turquia foi cautelosa: o premier Yildirim limitou-se a dizer que “os indícios apontam para o Daesh” (acrônimo em árabe
do EI), mas não chegou a responsabilizar o grupo por enquanto.
— Isso parece muito com os métodos
dos jihadistas — avaliou o analista de
segurança Abdullah Agar.
O Atatürk é o terceiro maior aeroporto
europeu em circulação de passageiros,
atrás apenas de Heathrow (Londres) e o
Charles de Gaulle (Paris), e o 11º no mundo. Mais de 61 milhões de viajantes passaram por ele só em 2015. O caso ecoa o
do dia 22 de março, quando dois suicidas
se explodiram no aeroporto de Zaven-
Goleiro brasileiro
tem, em Bruxelas, deixando 15 mortos e
dezenas de feridos. Anteontem, o Departamento de Estado dos EUA reforçou alerta a seus cidadãos para que
“aumentassem a vigilância e precaução
ao visitar áreas públicas” na Turquia.
‘SÍMBOLO DOS LAÇOS QUE NOS UNEM’
Somente Istambul foi atingida por outros
cinco atentados durante 2016. Em comum, os ataques tiveram dois culpados
apontados: o EI e grupos rebeldes curdos,
contra quem o governo intensificou
ações militares desde que entrou no confronto contra jihadistas na vizinha Síria.
— Esses atos terroristas em sequência deixam a situação ainda mais difícil
na Turquia — lamentou o presidente
francês, François Hollande.
O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, alegou que “a barbárie não
se fortalecerá enquanto estivermos unidos”. A Casa Branca disse que o aeroporto
“é um símbolo de conexões internacionais e dos laços que nos unem”. l
NA WEB
glo.bo/2963o8A
Galeria de imagens: fogo, terror
e resgates em meio à destruição
no aeroporto internacional de Istambul
Escalado para voar à 0h05m, o
piloto brasileiro Leonardo Salgado
deveria chegar ao terminal de
Atatürk para trabalhar às 22h,
horário do ataque. Mas se atrasou
conversando com um amigo. “Se
tivesse seguido meu ritual,
estaria fatalmente lá”, disse
Salgado ao site G1.
Visita à tia
Mecan Usul, de 16 anos, voltava
de Düsseldorf, na Alemanha, para
visitar a tia na Turquia, quando
foi surpreendido. “Estava na área
de chegada quando ouvi uma
explosão, e todo mundo correu.
Todos entraram em pânico”,
relatou ao “The Telegraph”.
Vestido de preto
Os turistas sul-africanos Paul e
Susie Roos, da Cidade do Cabo,
tentavam voltar para casa quando
ocorreu o ataque suicida. “Íamos
da área de chegada para a de
partida, quando ouvimos os tiros.
Havia um cara, ele estava vestido
de preto e tinha uma arma.”
Cobertos de sangue
À rede CNN Türk, um taxista
identificado como Fatih contou o
que presenciou: “Estava indo para
o terminal internacional. Houve
uma bola de fogo e vi pessoas
cobertas de sangue.”
R$ 100 para fugir
Alguns taxistas cobravam a partir de
100 liras turcas (R$ 113) por pessoa
(o dobro de uma corrida normal)
para levar passageiros do local do
ataque, e só aceitavam turistas
estrangeiros, segundo a CNN Türk.
24
l O GLOBO
l Mundo l
2ª Edição Quarta-feira 29 .6 .2016
CARNIFICINA NA TURQUIA
_
País enfrenta ameaças de grupos
estrangeiros e inimigos domésticos
Defesa interna se divide entre combate aos extremistas do EI e a separatistas curdos
OSMAN ORSAL/REUTERS
Há algum tempo, explosões já
não são eventos raros na Turquia. Considerado durante muito tempo um bastião de estabilidade entre a Europa e o
Oriente Médio, o país entrou em um
período de alta tensão se dividindo entre o conflito contra a guerrilha separatista do Partido dos Trabalhadores do
Curdistão (PKK, na sigla em curdo), no
Leste do país, e a luta para evitar que a
violência da guerra civil na Síria atravesse as fronteira. O Estado Islâmico
(EI), apontado pelo presidente turco,
Recep Tayyip Erdogan, como possível
realizador do atentado de ontem, também esteve por trás do ataque em Ancara, em outubro do ano passado, considerado o mais letal da História moderna da Turquia, que deixou 103 mortos e mais de 400 feridos.
A proximidade com a Síria transformou a Turquia no principal destino de
combatentes que se juntavam ao EI, e o
país recebeu críticas pela porosidade de
suas fronteiras. O PKK acusou Ancara de
ignorar deliberadamente ameaças extremistas, enquanto o grupo jihadista condenou o governo turco, classificando-o
como “apóstata e alinhado com os cruzados”, prometendo, em suas publicações digitais, “conquistar Istambul”.
-ISTAMBUL-
EFEITOS SÃO SENTIDOS NO TURISMO
Apesar de realizarem ataques em diferentes partes do país, tanto o EI quanto
grupos curdos como Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK, na sigla em
curdo), uma dissidência do PKK, cada
vez mais concentram suas forças nas
grandes cidades do país, Ancara e Istambul, onde até então a violência era
restrita a escritórios partidários, em especial os das legendas esquerdistas e os
do Partido Democrático do Povo (HDP,
na sigla em turco), de orientação prócurda, muitas vezes com a participação
de grupos nacionalistas. O Partido da
Frente de Libertação Popular Revolucionária (DHKP/C, na sigla em turco),
guerrilha de extrema-esquerda banida
do cenário político, também realiza
ataques periódicos contra policiais e
embaixadas de nações ocidentais.
Além das tensões com a Rússia, que
afastaram um dos principais grupos de
turistas que vistavam o país, os atentados foram um duro golpe contra o turismo, setor responsável por cerca de
11% do PIB turco. Dados do primeiro
trimestre apontam uma queda de
6,44% em relação a 2015, e a procura
por hotéis no país diminuindo em até
70%. Segundo a BBC, a retração no setor pode chegar a 40% em 2016. Embora o país ainda atraia milhões de turistas anualmente, a França exortou seus
cidadãos a “serem mais vigilantes” em
pontos turísticos, enquanto o Reino
Unido alertou para a possibilidade de
“novos ataques que podem acontecer
de maneira indiscriminada e afetar locais visitados por estrangeiros”.
A onda de ataques deixou até mesmo
os próprios cidadãos turcos com medo
de frequentar grandes espaços abertos
e locais como shopping centers.
— Estamos vendo uma intensificação
cada vez maior da violência — afirmou
à BBC Menderes Cinar, professor da
Universidade Baskent, em Ancara. l
NA WEB
glo.bo/293DoNM
Vídeo: Câmera de segurança
mostra terrorista sendo baleado
Corpo a corpo
MURSEL GENC
‘Há falhas
óbvias de
segurança’
Especialista em
terrorismo, jornalista diz
que governo impede
discussão do tema
YAVUZ UGURTAS
Especial para O GLOBO
[email protected]
Existia alguma vulnerabilidade para que essa
ação terrorista acontecesse no aeroporto?
Este ataque terrorista
aconteceu num dos pontos
com mais altas medidas de
segurança. A ocorrência de
três explosões em diferentes pontos num lugar como
o Aeroporto Atatürk é o
exemplo mais óbvio de falhas de segurança e Inteligência. Especialmente nos
últimos dois anos aconteceram falhas sérias de Inteligência no país. Durante
um ano e meio, ocorreram
dez ataques a bomba numa
metrópole como Istambul.
Na maioria das vezes, foi
descoberto que os cidadãos
de países como EUA, Reino
Unido e Alemanha, entre
outros, foram advertidos
dos possíveis ataques. Aliás,
a Inteligência foi insuficiente para prevenir tais ataques na Turquia. Especialmente após dezembro de
2013, houve um processo
alarmante de demissões na
polícia. Desta forma, houve
uma séria debilidade em
segurança e inteligência.
l
Terror. Passageiros abandonam o aeroporto Atatürk, em Istambul, após o atentado atribuído a homens-bomba ligados ao Estado Islâmico (EI)
SELEÇÃO BRASILEIRA APREENSIVA
Atletas do vôlei devem cancelar passeios
Jogadoras chegaram a
Istambul anteontem; nova
viagem causa apreensão
CAROL KNOPLOCH
[email protected]
O
atentado a bomba deixou
as jogadoras da seleção
brasileira de vôlei, que
disputam o Grand Prix e
estão em Istambul para treinamento,
apreensivas: além do embarque para
Bangcoc na sexta-feira, pelo mesmo
aeroporto, elas terão de mudar os
planos para o período de folga amanhã. Sheilla, que atuou na última
temporada no clube Vakifbank, de
Istambul, falou que visitaria o Grande Bazar, um dos mais antigos do
mundo, mas que não irá mais.
— Estava prevista uma folga para
quinta e íamos passear. Acredito que,
com este ataque, não terá mais passeio — confirmou a atacante Tandara.
Tandara contou que elas já estavam no hotel, relativamente longe
do aeroporto de Istambul, na área
asiática, quando souberam do atentado. Ela falava com o marido Cleber,
que está no Brasil, quando foi avisada por ele sobre o ocorrido. Tandara
na hora se sentiu aliviada, porque a
seleção havia chegado pelo mesmo
aeroporto na véspera, mas também
ficou apreensiva. Esta mistura de
sentimentos, segundo ela, é compartiSheilla usou as redes sociais para
lhada pelas demais atletas.
comentar o ocorrido: “Estamos to— Ficamos aliviadas porque chega- dos da seleção bem, mas tristes com
mos ontem (anteontem), mas preocu- essa notícia... Pousamos lá ontem”.
padas porque temos um voo na sextaFernanda Garay, que já atuou no
feira para Bangcoc para a fase final do Fenerbahçe antes de se mudar para
Grand Prix. Não é normal para a gente a Rússia, escreveu no Twitter: “Fipresenciar isso. Claro que dá medo — quem tranquilos, graças a Deus escomentou. — Quando lembrei que pas- tamos bem. Rezo para que esses atasamos por lá na vésquem tenham fim”.
pera, deu aquele frio
Alcione, esposa
na barriga, uma
do técnico Zé Roapreensão.
berto, contou que o
O Brasil fez três jomarido fez contato
gos em Ancara e, antes
pelo WhatsApp avide embarcar para a fasando que todos esse final da competitavam seguros. O
ção, na Tailândia, optécnico já treinou o
tou por uma parada
Fenerbahçe por duem Istambul para treias temporadas e foi
namento. Hoje, às 8h
campeão em 2011.
(horário local), há um
— Quando soube
treino programado.
fiquei apavorada.
Tandara contou que
Mas logo o Zé Roera tarde quando as Tandara
berto se comunicou
jogadoras e a comis- Atleta da seleção brasileira
com a gente. Que
são técnica souberam feminina de vôlei
susto! Moramos em
do atentado. E, por isIstambul por duas
so, já estavam em seus quartos. Assim, temporadas e nunca tive medo de ancontou que as jogadoras se falaram por dar na rua. Que pena tudo isso.
mensagem via WhatsApp, em grupo feOntem, o Itamaraty informou que
chado, só delas. Até a noite de ontem, não há registro de cidadãos brasias atletas da seleção não haviam rece- leiros entre as vítimas do atentado.
bido nenhuma orientação especial da Em nota, o Ministério das Relações
comissão técnica.
Exteriores condenou o ataque e
— Falamos entre nós mesmas. E esta- destacou que o Brasil “reitera seu
mos apreensivas pelo que pode vir a firme repúdio a qualquer forma de
acontecer. Temos uma nova viagem.
terrorismo”. l
“Não é normal
para a gente
presenciar isso.
Claro que dá medo.”
Ninguém foi responsabilizado pelas falhas?
Um dos maiores problemas na Turquia é que nenhuma autoridade assume a responsabilidade.
Não houve renúncia do
pessoal do departamento
de segurança, nem de políticos. Embora houvesse
dezenas de ataques de homens-bomba, perda de
centenas de vidas, nenhuma autoridade pediu desculpas, expressou condolências. Nenhum inquérito foi aberto contra burocratas e autoridades.
l
Como avalia a censura
à mídia após o ataque?
Na Turquia, fizeram com
que a mídia se tornasse incapaz de cumprir suas tarefas nos últimos anos. Questionar os erros das autoridades é quase impossível. Foi
aberto um inquérito contra
mim por ter feito uma reportagem questionando as
falhas de segurança e da polícia na ação terrorista em
que um promotor morreu.
O governo não quer que nenhuma notícia ruim sobre
ele chegue ao povo. l
l
Com crise de papel, mais um jornal deixa de circular na Venezuela
‘La Verdad’ anuncia
suspensão da edição
impressa; menos 20
diários desde 2013
Num contexto cada vez
mais delicado para a prática do
jornalismo independente na Venezuela, mais um tradicional diário sai de circulação: sem rodar
desde domingo, o “La Verdad”
anunciou ontem a suspensão da
sua edição impressa por falta de
papel. Nos últimos dias, organismo independentes condenaram
ainda a pressão e a violência con-
-CARACAS-
tra repórteres não ligados ao governo de Nicolás Maduro.
A imprensa venezuelana passa por cada vez mais problemas
desde 2013, quando os jornais
deixaram de receber apoio do
governo para a compra de papel-jornal. No ano seguinte, foi
criado um órgão público, a Comissão Alfredo Maneiro, que
controla totalmente a venda e a
distribuição. O resultado foi o
fechamento de vários diários de
linha independente. Se, em
2013, havia 115 jornais no país,
restam agora 94. O chavismo teria o controle de 85% deles.
Órgãos como o Instituto Im-
REPRODUÇÃO
Protestos. Venezuelanos denunciam pressão contra imprensa no país
prensa e Sociedade e a Comissão Interamericana de Direitos
Humanos (CIDH), da OEA, denunciaram durante os últimos
dias uma intensificação do cerco
à liberdade de expressão.
— Num contexto de conflito
social, os meios e os jornalistas,
em particular, cumprem a tarefa essencial de atuar com o maior rigor possível na cobertura
dos episódios de tensão política
e de não cair na tentação de fazer parte das paixões desatadas
— advertiu o jornalista e advogado uruguaio Edison Lanza,
relator especial da CIDH para a
liberdade de expressão.
Ontem, o bloco chavista na
Assembleia Nacional disse que
estuda pedir à máxima corte a
dissolução do Parlamento, de
maioria opositora. O porta-voz
da coalizão chavista, Didalco
Bolívar, acusou o Congresso de
usurpar funções do governo relativas a questões internas e diplomáticas, assim como de
“traição à pátria e violação das
regras constitucionais” em seus
esforços contra o Executivo e
para realizar um referendo que
poderia remover Maduro.
— Pedimos que a abolição seja acompanhada pela convocação de eleições parlamentares. l
l Mundo l
Quarta-feira 29 .6 .2016
O GLOBO
l 25
A nova Europa
JOHN THYS/AFP
Última foto. O premier David Cameron, ao centro, cercado pelos líderes de Portugal, República Tcheca, Eslovênia, Eslováquia, Bulgária e Alemanha: primeiro-ministro britânico não participará mais de reuniões em Bruxelas a partir de hoje
Pressão sobre Cameron em cúpula da UE
Em clima exaltado no primeiro debate após Brexit, premier britânico defende relação próxima com bloco
-BRUXELAS- A primeira reunião cara a cara do primeiro-ministro britânico, David Cameron, com
líderes da União Europeia após o Brexit transformou-se numa troca de acusações e pedidos
de que o Reino Unido se apressasse para iniciar
o processo de saída. Abrindo a sessão, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude
Juncker, disse que respeita a decisão britânica,
mas exortou Londres a esclarecer sua posição o
mais rapidamente possível. Mais dura, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, alertou o
Reino Unido de que os britânicos não poderão
escolher somente as partes do bloco que lhe interessam, como o mercado comum, sem aceitar
princípios como a livre circulação quando negociarem a saída do bloco. Cameron, por sua
vez, insistiu que antes de ativar o Artigo 50, o
Reino Unido deve ter claro que tipo de relação
terá com a União Europeia (UE).
— Quem quer que deseje sair desta família
não pode esperar que irá se livrar de todas as suas responsabilidades mantendo seus privilégios
— disse Merkel, usando um tom mais duro do
que nos últimos dias.
CAMERON QUER ‘DIVÓRCIO CONSTRUTIVO’
Na sessão no Parlamento, realizada pouco antes
de uma reunião entre líderes europeus e o primeiro-ministro britânico, os deputados acabaram adotando uma resolução, não vinculante,
em que convoca o governo britânico a invocar
imediatamente o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, para iniciar o processo de ruptura com o
bloco. A partir do momento em que o artigo é
acionado, começa um período de dois anos du-
“Você estava
lutando pela
saída. O que
você está
fazendo
aqui?”
Jean-Claude
Juncker
Presidente da Comissão
Europeia, dirigindo-se a
Nigel Farage
“Quando
cheguei aqui,
todos riram
de mim. Não
estão rindo
agora,
não é?”
Nigel Farage
Líder do Ukip, falando
a favor da saída do
Reino Unido
rante os quais os trâmites da saída podem ser
negociados. Segundo a BBC, uma primeira versão da resolução pedia a invocação “imediata”
do artigo, mas acabou sendo alterada.
Mark Rutte, o primeiro-ministro holandês —
que tem a presidência rotativa do bloco — foi
ainda mais crítico na avaliação do processo que
levou ao resultado do referendo britânico e disse que o Reino Unido estava “desordenado” depois da impactante votação e levaria tempo para se recuperar. Juncker também rejeitou qual-
quer “negociação secreta” entre Londres e Bruxelas e esclareceu que cabe às instituições europeias definir o calendário para a saída, e “não
àqueles que querem sair da UE”.
— Não nos podemos deixar ficar numa incerteza prolongada. Gostaria que o Reino Unido
esclarecesse sua posição, não hoje, não amanhã
de manhã, mas rapidamente — reiterou.
Já Cameron voltou a dizer que deseja um processo de divórcio com a UE “o mais construtivo
possível”.
— Gostaria muito de uma relação o mais próxima possível (com a UE) em termos de comércio e cooperação em termos de segurança —
disse o premier britânico. — Não é por que estamos deixando a União Europeia que daremos as
costas à Europa, esses países são vizinhos, amigos, aliados e parceiros.
FARAGE É VAIADO EM DEBATE TENSO
Já no Parlamento Europeu, o clima esquentou:
em um acalorado debate sobre o Brexit, deputados trocaram acusações e vaiaram o líder de extrema-direita britânico, Nigel Farage, figura
central da campanha pela saída do Reino Unido
da União Europeia.
O presidente da bancada liberal no Parlamento, Guy Verhofstadt, chegou a acusar Farage de
usar “propaganda nazista” durante a campanha
do Leave (sair) — uma referência a um cartaz
utilizado pelos partidários da saída do Reino
Unido do bloco, que mostrava uma fila de refugiados tentando chegar à Europa.
— Temos de respeitar a democracia britânica e a forma como ela expressou o seu ponto
de vista — começou Juncker, aplaudido de
maneira irônica pelos membros do Ukip (Partido de Independência do Reino Unido), e em
seguida se dirigindo diretamente a Farage. —
É a última vez que aplaudem aqui. O que você
está fazendo aqui?
O líder nacionalista — que ainda teve que
lidar com alguns deputados que lhe deram as
costas — não perdeu a pose: criticou os membros do Parlamento, afirmando que quase nenhum deles tinha feito um trabalho apropriado. O alemão Martin Schulz, presidente do
Parlamento, precisou acalmar parlamentares
e pedir que deixassem Farage falar, acusando-os de usar as mesmas táticas que normalmente são usadas pelo Ukip contra seus adversários.
— Não é engraçado? Quando cheguei aqui,
há 17 anos, e disse que queria liderar uma
campanha para tirar o Reino Unido da União
Europeia, vocês todos riram de mim. Não estão rindo agora, não é? — ironizou Farage. —
Agora estão todos em negação.
O discurso da eurocética e líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, também foi vaiado.
— Deixem de lado essas caras mal-humoradas — disse. — Este é o momento histórico
mais importante desde a queda do Muro de
Berlim.
Um dos mais aplaudidos foi Alan Smyth, eleito
pelo Partido Nacional Escocês (SNP), que pediu
que o voto dos escoceses — que votaram em
massa pela permanência — fosse respeitado.
— A Escócia não os deixou mal. Por favor, peço que não deixem a Escócia ficar mal agora. l
Corbyn desafia voto de desconfiança e fica na liderança trabalhista
Boris Johnson e
Theresa May se
fortalecem para
suceder Cameron
Três quartos dos parlamentares do Partido Trabalhista votaram ontem contra a liderança de Jeremy Corbyn na moção de desconfiança levantada
pela legenda, e começaram a
coletar assinaturas. O bloco já
se prepara para apontar nomes
como a ex-secretária de Estado
do Gabinete paralelo, Angela
Eagle, e o ex-vice-líder do partido Tom Watson para sucedê-lo
no comando da legenda.
Apesar da votação expressiva
— 172 votos contra Corbyn e
40 a favor — que ainda deve
ser avaliada pelos 150 mil filiados do partido, o líder trabalhista afirmou que “não iria a
lugar nenhum”.
— Fui eleito democraticamente por 60% dos membros e apoiadores do Partido Trabalhista e
não irei traí-los com uma renúncia. A votação dos parlamentares não tem qualquer legitimidade constitucional — afirmou
Corbyn. — Somos um partido
democrático com uma Constituição clara, e precisamos que
nossos filiados, líderes sindicais
e parlamentares se unam sob
-LONDRES-
minha liderança nesse momento tão crítico para o país.
Setores mais à esquerda dentro
do partido reafirmaram o apoio a
Corbyn. Em Bristol, um comício
— que, de acordo com o Momentum, movimento de base
dos trabalhistas, reuniu 4 mil
pessoas — foi palco de demonstrações de apoio ao líder da legenda e de condenação aos parlamentares do partido. Na noite
de segunda-feira, protestos em
Londres, Manchester e Newcastle também foram realizados em
apoio a Corbyn.
John McDonnell, ministro da
Economia do Gabinete paralelo
e um dos poucos que não renunciaram ao cargo, afirmou, no
evento da capital britânica que
reuniu 10 mil pessoas, que o líder
trabalhista não renunciará.
— Caso forcem uma nova
eleição para a liderança do partido, ele irá concorrer novamente — afirmou McDonnell.
DISPUTA CONSERVADORA
Entre os conservadores, a disputa
para saber quem irá suceder David Cameron no cargo de primeiro-ministro perdeu um de seus
principais nomes. O ministro das
Finanças, George Osborne,
apontado como sucessor natural
do premier, anunciou que não
buscará o cargo, alegando “não
ser a pessoa capaz de garantir a
JUSTIN TALLIS/AFP
PRINCIPAIS CANDIDATOS
Boris Johnson
O ex-prefeito de Londres
e líder da campanha do
Leave é um dos
favoritos. Com um estilo
pouco convencional e carisma, o
jornalista de 52 anos é um dos rostos
mais conhecidos da política britânica.
Theresa May
Uma das pessoas a
ocupar por mais tempo
o Ministério do Interior.
Teria passado Johnson
como favorita a premier. May, de 59
anos, é um dos membros mais
perspicazes e firmes do partido.
Stephen Crabb
Turbulência. Bandeira da UE em evento anti-Brexit. Saída da UE intensificou divisões em partidos britânicos
união que o partido precisa neste
momento”. Com a decisão de Osborne, os nomes que surgem como principais cotados para o cargo são o do ex-prefeito de Londres Boris Johnson, um dos principais representantes da campanha pela saída da União Europeia (UE), e da ministra do Interior, Theresa May, que apoiou a
permanência, mas defendeu
controles mais rígidos quanto à
imigração. Os dois não comentaram a decisão de Osborne.
O novo primeiro-ministro terá
— além da difícil tarefa de comandar o processo de saída do
Reino Unido da UE — que enfrentar a pressão popular por novas eleições gerais. Antes da debandada de seu Gabinete paralelo, Corbyn se mostrava favorável
à ideia, assim como os liberal-democratas, que tiveram forte participação na campanha do Remain (permanecer). Uma fonte
ligada a Johnson, no entanto,
afirmou ao “Guardian“ que o exprefeito não tem planos de convocar eleições caso assuma o cargo. O diário também citou parlamentares conservadores, que
afirmam que a escolha de May
como premier seria “a única ma-
neira de evitar novas eleições”.
Após a decisão do referendo,
um aumento nos episódios de
xenofobia foi registrado na capital britânica, entre eles pichações racistas na sede da Associação Social e Cultural Polonesa, na Zona Oeste da cidade. Ontem, o centro ficou repleto de flores e cartões com
mensagens de solidariedade. l
NA WEB
glo.bo/291vGxJ
Site de namoro
permite a desolados
que achem eleitores contra Brexit
Estrela em ascensão do
Partido Conservador, é
ministro do Trabalho.
Tem 46 anos. Pode se
prejudicar por ter apoiado o Remain
ou por ser novo.
Jeremy Hunt
Ministro da Saúde, tem
49 anos. Apesar de ter
dito que o cargo era sua
última participação na
política, agora considera a disputa
pela liderança do partido.
Michael Gove
O ministro da Justiça,
de 48 anos, uniu-se ao
campo do Leave e serviu
como número 2 de
Johnson na campanha. Intelectual,
gera mais confiança do que seu
chefe, mas tem menos carisma.
Editoria de Arte
26
l O GLOBO
Quarta-feira 29 .6 .2016
Sociedade
PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
_
Futuro comprometido
País não alcança metas de ensino estabelecidas por lei federal, segundo relatórios
PAULA FERREIRA
[email protected]lobo.com.br
Dois anos após o Plano Nacional de Educação
(PNE) entrar em vigor, em junho de 2014, o
acompanhamento das metas estabelecidas frustra educadores, que contavam com a força da lei
para ver melhorias no ensino do país. Considerado a espinha dorsal para o desenvolvimento educacional no Brasil, o PNE trouxe 20 metas — com
uma série de objetivos — a serem atingidas ao
longo de dez anos. Mas especialistas e autoridades já perderam as esperanças de ver alcançados
os objetivos traçados para 2016, como a universalização das matrículas para crianças de 4 e 5 anos.
A Campanha Nacional Pelo Direito à Educação (CNDE) elaborou um relatório para alertar
sobre o descumprimento de todos os mais importantes dispositivos previstos para 2016. Já o
movimento Todos Pela Educação (TPE) divulgou, ontem, um estudo no qual conclui que, dos
21 objetivos, entre metas, artigos e estratégias a
serem alcançados até junho deste ano, apenas
um foi cumprido: a implementação de um fórum permanente de acompanhamento do valor
do piso salarial dos professores. Para outros cinco não há dados atualizados, mas o monitoramento feito por especialistas já indica que não
foram — e nem serão — alcançados este ano. A
respeito dos 15 objetivos restantes, há informações de que também não foram cumpridos.
Entre as 20 grandes metas do PNE, sete deveriam
ter sido alcançadas dois anos após a criação do plano. Segundo o TPE, seis delas não foram atingidas.
LONGE DAS ME
1
A lei determinava, por exemplo, que todas as crianças de 4 a 5 anos do país estivessem em salas de aula até este mês. No entanto, há 640 mil crianças, ou
10,9% da população nessa faixa etária, fora da escola. Os dados mais atualizados são referentes a 2014,
mas o monitoramento dos indicadores feito por diferentes ONGs e pelo próprio Ministério da Educação (MEC) informa que a meta não será atingida.
A universalização do ensino para adolescentes de 15 a 17 anos também ficou no papel. Os
dados mais atuais dão conta de que há ainda 1,7
milhão de pessoas na faixa etária sem atendimento escolar. Militantes da causa acreditam
que a crise econômica que o país atravessa, com
cortes em áreas como construção de creches e
formação de professores, tem sido o maior obstáculo para a concretização desses objetivos.
— Sem novos recursos, há quem diga que pode
aumentar o número de crianças fora da escola. É
vergonhoso o Brasil não conseguir universalizar a
pré-escola e a alfabetização — afirma o coordenador da CNDE, Daniel Cara, um dos principais
articuladores do PNE na sociedade civil. — O governo federal não pode considerar o PNE um fardo, desde 2014 muito mais deveria ter sido feito.
De acordo com a presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, essas notícias
negativas não podem desanimar as autoridades
envolvidas no cumprimento das metas.
— Enquanto não houver um trabalho estruturante, corremos o risco de ter, ano após ano, as
metas não cumpridas. O plano é ambicioso, mas grande
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parte dele é realizável, não podemos desmobilizar. As 15 primeiras metas têm responsabilidade de estados e municípios e só vamos conseguir alcançá-las com um trabalho bem gerido.
em promover o acesso total ao sistema educacional e ampliar a qualificação dos docentes tem
em seu cerne a falta de um financiamento maior
para área. Para especialistas, a questão econômica está ligada à não implementação do Custo
MENOS REPASSE DE RECURSOS
Aluno Qualidade Inicial (CAQi), que estabelece
Embora a responsabilidade pela meta da educa- um valor de investimento mínimo por aluno e
ção infantil seja das cidades, os repasses de recur- deveria ter entrado em vigor neste ano. A criasos vindos da União são importantes para a ex- ção do CAQi representaria uma demanda de R$
pansão de matrículas, bem como para o alcance 40 bilhões a mais, por ano, em educação básica.
de outras metas ligadas à educação básica. Dados E segundo a CNDE, sem sua implementação e
do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Edu- com cortes no orçamento, todas as demais mecação (FNDE), responsável pelo Proinfância, vol- tas e estratégias do PNE ficam inviabilizadas.
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Em resposta ao GLOBO, o MEC afirma que esque o valor destinado ao programa caiu de R$ 2,6 tá “realizando uma análise cuidadosa do orçabilhões em 2014 para R$ 403 milhões em 2015.
mento para implantação do CAQi” e argumenta
— Expansão tem custo. Se os municípios, que que atual gestão recebeu o orçamento com corjá têm problemas econômicos, não recebem re- te de R$ 6,4 bilhões. Em relação à universalizacursos, a situação fica pior. Como expandir matrí- ção da educação infantil, o MEC diz que focará
cula num cenário no qual não se consegue nem na melhoria e ampliação da aplicação dos remanter o que existe? — questiona o presidente da cursos para ofertar creches e promover acesso à
União Nacional de Dirigentes Municipais de pré-escola. Sobre o ensino médio, o órgão afirEducação (Undime), Alessio Costa Lima.
ma que terá como prioridade a reforma desta
A meta 15 do PNE, que determina a implemen- etapa. Já para alcançar a meta relacionada à altação de política de formação para professores da fabetização, o MEC diz que está elaborando eseducação básica, ainda não foi concluída. Dados tudos para redesenho do Programa Brasil Alfado último Censo Escolar da Educação Básica, di- betizado, com foco no acesso à Educação Provulgados em março, revelam um panorama preo- fissional e Tecnológica. A pasta divulgará nos
cupante: 39% dos docentes não têm formação próximos dias os indicadores de monitoramenadequada na disciplina que lecionam.
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Reserva de hélio é descoberta na África
Achado pode salvar
suprimento global
do gás, essencial na
medicina moderna
CESAR BAIMA
[email protected]
A descoberta de uma enorme
reserva de hélio na Tanzânia,
Leste da África, pode salvar o
fornecimento global do gás.
Mais do que encher balões de
festa ou deixar nossas vozes engraçadas, o hélio tem aplicações médicas, como na refrigeração dos poderosos ímãs instalados em aparelhos de ressonância magnética, por exemplo. Nos últimos anos, porém,
especialistas alertam para o risco do fim dos atuais estoques,
concentrados nos EUA e que
devem acabar nos anos 2020.
Apesar de ser o segundo elemento mais abundante no
Universo, o hélio é extremamente raro na Terra, presente
em uma concentração estimada em apenas cerca de cinco
partes por milhão na atmosfera. Até agora, as reservas subterrâneas conhecidas do gás só
tinham sido encontradas por
acaso, como consequência da
exploração de petróleo. Mas
pesquisadores das universidades de Oxford e Durham, no
Reino Unido, em parceria com
a empresa norueguesa Helium
One, decidiram buscar diretamente por hélio.
ATIVIDADE VULCÂNICA
Na procura, os cientistas levaram em consideração fatores
como os tipos de rochas que
poderiam aprisionar o gás, e
como ele chega a estas reservas subterrâneas. Assim, eles
descobriram que estar perto
de um vulcão seria o ideal, já
que a atividade vulcânica ajudaria a liberar e transportar o
hélio proveniente do lento decaimento de elementos radioativos, como urânio, nas profundezas do planeta.
— Pudemos demonstrar que
os vulcões têm um importante
papel na formação de reservas viáveis de hélio — destaca Diveena
Danabalan, pesquisadora da
Universidade de Durham que
apresentou os resultados do levantamento na Conferência
Goldschmidt, dedicada à geoquímica e vai até o próximo sábado em Yokohama, Japão. — A atividade vulcânica provavelmente
fornece o calor necessário para
liberar o hélio acumulado nas rochas antigas da crosta, mas a localização tem que ser muito certa. Se as armadilhas do gás estiverem próximas demais do vulcão, há o risco de o hélio ser muito diluído nos gases vulcânicos,
como o dióxido de carbono.
Segundo Chris Ballentine,
professor da Universidade de
Oxford e um dos líderes da
pesquisa, especialistas independentes calcularam que a
reserva encontrada na Tanzânia guarda aproximadamente
54 bilhões de pés cúbicos, ou
cerca de 1,53 trilhão de litros,
do gás — quantidade suficiente para suprir 1,2 milhão de
aparelhos de ressonância
magnética.
O volume da nova reserva
também representa cerca de
sete vezes o atual consumo
anual de hélio em todo mundo
em aplicações que incluem foguetes, soldagens, detecção de
vazamentos e misturas de ar
para mergulhos a grandes profundidades. Além disso, ela
tem mais do dobro do estoque
hoje guardado nos EUA na Reserva Governamental de Cliffside Field, de 685 bilhões de litros, e principal fonte global.
— Agora que entendemos o
método, podemos prever mais
grandes descobertas de hélio
— diz Ballentine. l
AP
UMA IGREJA PARA DOIS PAPAS
O Papa emérito Bento XVI fez uma rara aparição pública ontem, ao lado
de seu sucessor, o Papa Francisco, durante a cerimônia no Vaticano
que comemorou o 65º aniversário de sua ordenação como padre. Aos
89 anos, Bento XVI, que em 2013 renunciou por problemas de saúde,
teve dificuldade para pronunciar algumas palavras em italiano. Em
discurso ele agradeceu a Francisco por deixá-lo viver os últimos anos de
sua vida nos belos jardins do Vaticano, onde se sente protegido.
— Obrigado, Santo Padre, pela sua bondade, que eu sinto todos
os dias da minha vida desde o primeiro momento após sua eleição.
O GLOBO
Quarta-feira 29 .6 .2016
l 27
Esportes
BRASILEIRO
[email protected]
FERNANDO
CALAZANS
|
Ganhar corpo
|
A culpa não é do Messi
Não é nada fácil, para quem aprecia o futebol
e a qualidade de seus maiores jogadores, ver
o Messi chutar um pênalti para fora, na final
da Copa América em que sua seleção foi
derrotada pelo Chile, entre outros motivos
por causa exatamente deste pênalti perdido.
Mas pior do que isso — muito pior — é saber
que Messi comunicou sua decisão de não
jogar mais pela seleção da Argentina. Pior,
aliás, fosse qual fosse o seu país.
HIPERTROFIA
Em meio a sequência contra rivais tradicionais, Flamengo enfrenta hoje vice-líder
Internacional em rodada que oferece chance de subir na tabela de classificação
GILVAN SOUZA
M
esmo que sua decisão tenha também um
motivo político (contra os desmandos da
Associação do Futebol Argentino), simplesmente porque os torcedores de todos países,
esses que sabem apreciar o futebol, serão mais castigados do que os cartolas conterrâneos do jogador.
Messi é, neste século, o melhor jogador que uma seleção nacional pode ter, ainda que não tenha conquistado um título com ela. Até porque, apesar de tudo, é
o maior artilheiro na história da seleção argentina.
Mesmo sendo algo possível, por se tratar de assunto
muito discutido, é difícil aceitar a tese de que Messi
não tem identidade com a seleção de seu país por ter
sido criado, formado e consagrado no Barcelona. Pode
até ter mais identidade com o clube que o criou, acredito, mas isso não quer dizer que não possa se identificar também com a seleção do país em que nasceu.
Fico esperando — aliás, ficamos todos esperando
— que Messi reveja sua decisão, por ser a seleção
argentina mais uma forma, uma oportunidade que
temos de vê-lo atuar. Portanto, mais uma oportunidade também de celebrar o futebol ao redor do
mundo. Messi é um ícone do futebol.
O que não quer dizer que não esteja sujeito a causar uma decepção aos outros, a seus admiradores,
seus conterrâneos, seus torcedores — e a si próprio.
Como certamente causou ao isolar a bola no fatídico pênalti da Copa América. Apesar de tudo, não
nos esqueçamos de que Messi também é humano.
Em meio a muita coisa louvável, o futebol internacional nos causou algumas decepções nos últimos dias
— dias de Copa América e de Eurocopa. Sim, o pênalti
perdido por Messi foi uma delas, quem sabe a maior.
Ao menos para mim, o jogo inteiro entre Argentina e Chile, final de uma Copa América — com seus
120 minutos, entre tempo regulamentar e prorrogação — também foi uma decepção. As duas melhores seleções do continente, neste século, passaram 120 minutos sem conseguir marcar um gol. O
jogo chegou a ser entediante.
Tive um único consolo. A vitória e o título finais,
conquistados na disputa de pênaltis, recompensaram o time que, dentro do panorama sofrível, foi
superior: a seleção chilena apresentou ao menos
um jogo coletivo melhor do que a seleção argentina. Como, aliás, já vinha apresentando aqui na
América do Sul. A culpa não foi só do Messi.
_
Na Eurocopa também
Para não ficar parecendo que só o futebol do nosso
continente causa decepções, vale a pena registrar
que, paralelamente, a Eurocopa — mais festiva e
colorida, é verdade — também guardou algumas
dessas decepções para os admiradores do futebol.
Em termos pragmáticos de resultado, claro que o
pior ficou por conta da tradicionalíssima Inglaterra, ao ser eliminada pela incipiente Islândia. Se
bem que, assim meio entre parênteses, até gostei
do surgimento da Islândia na vitória de 2 a 1, com
um futebol bem arrumado no conjunto e, por ironia, claramente inspirado no futebol inglês.
De outro ponto de vista, preferido por mim, a
atuação da Espanha foi a maior decepção, por ficar
bem abaixo do que se esperava e do que essa mesma seleção já nos ofereceu nos últimos anos. E,
dentro dessa atuação, a decepção que o grande Iniesta — tão elogiado por mim, tão elogiado por todos — causou, caindo junto com todo o time, na
derrota para a Itália (2 a 0), que a eliminou da competição. Foi no clássico de segunda-feira, que não
correspondeu às expectativas de todos.
Iniesta, uma espécie de modelo para quem quer
ser jogador de meio de campo, que tanto sabe atuar
recuado quanto avançado no campo, parece ter sido tomado pela inoperância dos companheiros. A
seleção da Espanha parou no velho esquema defensivo da Itália, com oito homens no mínimo atrás
da linha da bola. Mas, mesmo com essa disposição
defensiva, a Itália criou oportunidades pelo menos
na primeira parte. Se houve destaques na partida,
foram os goleiros. Lá pelo início, o espanhol De
Gea operou milagres, retardando a vantagem conquistada pela Itália. No segundo tempo, mais para
a parte do fim, a Espanha, que perdia de 1 a 0, se
lançou na base do desespero, e então foi Buffon, capitão de 38 anos, que mostrou sua alta classe, até a
Itália fazer o segundo gol, nos últimos minutos.
Agora vem por aí, mais para o fim da semana, um
Alemanha x Itália, que não pode ser decepção. l
Bombando. Após marcar seu primeiro gol no campeonato, contra o Fluminense, no último domingo, Paolo Guerrero volta a campo hoje contra o Internacional
O início do Flamengo no Brasileiro foi bom,
encostando na zona de classificação da Libertadores mesmo com treinador interino. No
último domingo, no entanto, o
primeiro jogo de uma sequência de cinco partidas contra
adversários tradicionais, a derrota foi como uma ducha de
água fria. Hoje, às 19h30m,
contra o Internacional, em Cariacica, o rubro-negro tem a
chance de se reafirmar como
postulante ao G-4. Os jogos seguintes serão contra Corinthians, Atlético-MG e Botafogo.
Com 17 pontos e na 6ª posição, o Flamengo poderá terminar a noite entre os quatro primeiros. Para isso, precisa vencer e torcer. Caso o Corinthians
(4º, com 19) perca, o G-4 já está
garantido. O atual campeão
pega o lanterna América-MG,
em Belo Horizonte.
No outro jogo entre concorrentes, Grêmio (5º, com 18) e
-CARIACICA, ES-
FICHA DO JOGO
FLAMENGO: Alex Muralha,
Rodinei, Réver, Rafael Vaz e
Jorge; Márcio Araújo, Willian
Arão, Marcelo Cirino e Alan
Patrick e Ederson; Guerrero.
INTERNACIONAL: Muriel,
William, Leandro Almeida,
Ernando e Artur; Fernando
Bob, Rodrigo Dourado,
Anderson e Seijas; Eduardo
Sasha e Vitinho.
JUIZ: Ricardo Marques Ribeiro
(Fifa-MG).
LOCAL: Estádio Kléver
Andrade, em Cariacica (ES).
HORÁRIO: 19h30m.
TRANSMISSÃO: Premiere.
Santos (3º, com 19 pontos) se
enfrentam em Porto Alegre. Independentemente do resultado no Sul, um deles poderá ser
ultrapassado caso o Flamengo
vença. O time de Guerrero pode até mesmo ultrapassar o vice-líder Internacional, com 20
pontos. Para isso, é necessário
tirar a desvantagem no saldo
de gols: 1 x 5.
Zé Ricardo não poderá utilizar Sheik, que ficou no Rio para se condicionar fisicamente.
Preterido, o argentino Mancuello mais uma vez não terá
chance desde o início. O titular
será Ederson, que, contra o
Fluminense, saiu no intervalo
sem grande atuação. Será apenas a terceira vez que entra em
campo em um mês. Ele não
atua em uma partida completa
desde 18 de maio, na derrota
por 2 a 1 para o Fortaleza.
— Tenho condições de jogar
a partida inteira. Tenho treinado bem e procurado manter
um bom nível nos treinos —
garantiu Ederson.
Rival da noite, o Internacional
não vive um bom momento
apesar da segunda posição na
O caminho do ouro é pelo alto
Fluminense aposta no
treinamento intensivo
das jogadas aéreas para
superar o São Paulo
RAFAEL OLIVEIRA
[email protected]
Para não ter que esperar a vitória sobre o São Paulo, hoje, às
22h, cair do céu, o Fluminense
traçou sua estratégia. E ela
passa justamente pelo alto. Em
busca dos três pontos que podem fazer o time encostar no
G-4, o tricolor aposta todas as
suas fichas na bola aérea.
No último treino antes do duelo contra os são-paulinos, o
técnico Levir Culpi deixou bem
claro qual deve ser o foco. Deu
atenção total aos lances de bola
parada. Durante quase uma hora os jogadores trabalharam as
jogadas defensivas e, principalmente, as ofensivas.
— É uma jogada sempre perigosa. Tem que trabalhar
bem. Nesse pouco tempo que
temos para treinar, ajustamos
os detalhes mais importantes.
E o São Paulo é forte na bola
parada. Treinamos tanto a bo-
FICHA DO JOGO
SÃO PAULO: Denis, Bruno,
Maicon, Rodrigo Caio e
Carlinhos; Thiago Mendes,
João Schmidt, Centurión,
Cueva e Michel Bastos; Alan
Kardec.
FLUMINENSE: Diego Cavalieri,
Wellington Silva, Henrique, Gum
e Giovanni; Edson, Douglas,
Cícero e Gustavo Scarpa;
Maranhão e Magno Alves.
JUIZ: Anderson Daronco
(Fifa/RS).
LOCAL: Morumbi (SP).
HORÁRIO: 21h45m.
TRANSMISSÃO: Rede Globo e
Rádio Globo/CBN.
la aérea ofensiva quanto a defensiva — explicou o zagueiro
Henrique.
Atualmente, Cícero, Gum e o
próprio Henrique são os principais cabeceadores do time.
Mas, no treino de ontem, apenas Gustavo Scarpa não estava
dentro da área nos treinos. Ele
é o cobrador de faltas e o responsável pelo contra-ataque.
Apesar de comum no fute-
bol, a bola levantada na área
tem sido pouco explorada. Dos
12 gols marcados até agora pelo time no Brasileiro, apenas
dois saíram dela — o que ajuda
a entender o baixo poder de fogo da equipe no campeonato.
Defensivamente, no entanto,
a bola aérea tem dado dor de
cabeça. Já foram quatro gols.
Equivale a 30,7% dos 13 que o
time sofreu no campeonato.
TIME MANTIDO
Ainda sem poder contar com
Marcos Júnior, que continua
seu tratamento contra a dor no
púbis, Levir Culpi aposta na
manutenção do time. O Fluminense entrará em campo, hoje,
com a mesma escalação que
iniciou o clássico contra o Flamengo, em Natal.
A ideia é aproveitar o que
deu certo no duelo contra os
rubro-negros. Apesar de não
ter feito boa partida, os tricolores conseguiram vencer e espantaram a má fase que rondava as Laranjeiras.
Principal incógnita do time
antes do treino de ontem, Richarlison mostrou melhora e garantiu seu lugar na viagem para
São Paulo, mas será reserva. l
tabela. Nas últimas três partidas,
foram duas derrotas e um empate. Em Cariacica, o time promoverá a estreia do venezuelano Luis Manuel Seijas, que se
destacou no Independiente
Santa Fé, da Colômbia, mas ficou marcado por um pênalti
desperdiçado com paradinha na
Copa América. O meia-atacante
será o responsável por abastecer
Eduardo Sasha e Vitinho.
DONATTI ESPERADO NO RIO
Contratado junto ao Palmeiras, Leandro Almeida fará sua
estreia na defesa. No banco,
Argel Fucks terá o meia Valdívia, que não atua há sete meses
devido a uma operação no joelho esquerdo.
A novela da contratação do
zagueiro argentino Donatti pelo Flamengo pode ganhar outro capítulo. O zagueiro, que
abandonou a concentração do
Rosario Central, deve viajar
para o Rio hoje. l
Sidão estuda
Fred para jogo
de amanhã
Jefferson, ontem, voltou a
treinar no campo, mas não
terá condições de atuar
amanhã, contra o AtléticoMG. O titular será Sidão,
que teve bela atuação na vitória em cima do Internacional, e terá a missão de parar Fred, que costumava
deixar sua marca na rede alvinegra quando atuava com
a camisa do Fluminense.
— Não cheguei a enfrentar o Fred, mas vou analisar
os jogos e estudar um pouco para a partida — disse Sidão, também afirmando
que o time evoluiu após a
última vitória. — Estamos
crescendo, temos muita
coisa para melhorar. Mas
mostramos que podemos
jogar contra qualquer um.
Jefferson não foi a única
novidade ontem. Emerson
e Sassá também reapareceram no treino com bola e
mostraram desenvoltura.
Mas, diferentemente do goleiros, os dois devem estar à
disposição de Ricardo Gomes para amanhã. l
l O GLOBO
28
l Esportes l
3ª Edição Quarta-feira 29 .6 .2016
SÉRIE B
Vasco
OSCILAÇÃO
1
Micale faz a lista,
mas pode não levar
Paraná
2
Vasco: Martín Silva, Madson, Luan (Aislan),
Vasco perde pela terceira vez no campeonato, a segunda em
casa. Virada do Paraná irrita a torcida, mas time segue líder
Rodrigo e Henrique; Diguinho, Júlio dos
Santos (William), Nenê e Andrezinho; Jorge
Henrique (Éder Luís) e Leandrão.
Paraná: Marcos, Alisson, Leandro Silva e
Basso; Diego Tavares, Fernandes, Murilo
Rangel, Válber (Henrique) e Rafael Carioca
(Claudevan); Lúcio Flávio (Robert) e
Robson.
Gols: 1T: Nenê aos 6m, Jorge Henrique
(contra) aos 35m. 2T: Murilo Rangel aos
43m.
Juiz: Rodrigo Raposo (DF).
Cartões amarelos: Júlio dos Santos,
Leandrão, Jorge Henrique e Robert.
Local: São Januário.
Técnico da seleção
olímpica de futebol
depende de acordos
com clubes europeus
CARLOS EDUARDO MANSUR
[email protected]
GUITO MORETO
Uma complicada sequência
de rodadas de negociações,
avaliações dos jogadores disponíveis e das necessidades
do elenco cerca a definição
dos 18 jogadores que defenderão o Brasil na Olimpíada
do Rio. A lista que será anunciada hoje, às 11h, pelo técnico Rogério Micale, pode
não ser definitiva. Afinal, a
CBF ainda não sabe com que
jogadores pode contar. A liberação dos clubes europeus
cria um cenário de incertezas que atinge muitos países.
O Benfica, por exemplo,
anunciou que não vai liberar qualquer jogador para
os Jogos. A decisão afeta as
seleções portuguesa, argentina, sueca e brasileira. No
caso do Brasil, o goleiro
Éderson era prioridade. Ele
é visto como o único jogador da posição com menos
de 23 anos e suficiente experiência internacional.
Sem ele, é provável que a
comissão técnica entenda
ser necessário gastar com
um goleiro uma das três vagas para jogadores com idade livre. Neste caso, Fernando Prass é favorito, juntando-se a Neymar, este já liberado após negociação com
o Barcelona — que também
aceitou ceder Rafinha.
Uma movimentação de
mercado é acompanhada
com atenção pela CBF: a
possível venda de Marquinhos do Paris SaintGermain para o Barcelona. O zagueiro anunciou ter a liberação do
clube francês para os
Jogos do Rio. Com
idade olímpica, é
nome dado como
certo na lista de
hoje. No entanto,
caso mude de
clube, uma nova
conversa terá que
começar. Mas a CBF
aposta na boa relação
com o Barcelona.
ATUAÇÕES
aa VA S C O
Martín Silva 6.
Seguro. Não teve participação direta nos
gols do Paraná. Nos chutes em direção à
meta esteve sempre atento.
Madson 5,5.
Ensaiado. Boa cobrança de lateral que
originou o primeiro gol. Deu espaço para o
ataque adversário.
Rodrigo 4.
Só voz. Confuso com a troca de passes do
Paraná. Tentou se impôr no grito.
Luan 4.
Burocrático. Também teve alguma
dificuldade para conter o Paraná. Saiu
machucado.
Aislan 3.
Zonzo. Entrou no fim do primeiro tempo e
cometeu erros infantis, como o do lance que
deu o contra-ataque da vitória.
Henrique 4.
Sumido. Foi pouco ao ataque e não
acertou a marcação.
Diguinho 4,5.
Fraco. Falhou no combate.
Júlio dos Santos 4.
Atrasado. Excedeu-se nas faltas e não
Noite ruim. Marcado de perto, Jorge Henrique tenta dominar a bola durante a derrota vascaína para o Paraná
São Januário assistiu à segunda
derrota do Vasco em casa na Série B e viu a torcida perder a paciência com alguns jogadores,
como Julio dos Santos, Aislan e
Mádson, vaiados. Menos mal
que pouca coisa indica, na realidade desta Série B, que a turbulência tenha consequência grave. Mesmo após sofrer a virada
por 2 a 1 diante do Paraná, o time tem três pontos de folga na
liderança e sete em relação ao
primeiro time fora do G-4.
O primeiro tempo teve um
Vasco admirável durante 10
minutos e reprovável dali até o
intervalo. Cada uma destas fases resultou em um gol, o que
explica o 1 a 1 que os times levaram para o vestiário.
Dono da bola no início do jogo, o Vasco colocava em prática o que tem de melhor: tocava
a bola com acerto e controlava
o jogo. Curiosamente, o gol foi
sair numa jogada aparentemente banal: arremesso lateral
de Mádson, que encontrou
Nenê. No caso do Vasco, não
parece casual, afinal um lance
quase idêntico já resultara em
gol diante do Náutico.
GOL CONTRA NO EMPATE
As boas sensações acabaram
aí. Surgiu um Vasco frouxo na
marcação, presa fácil diante de
todo tipo de investida do rival:
nas bolas longas buscando Lúcio Flávio, atacante que gosta
do jogo físico, os defensores
eram batidos; nas tramas através de passes, sobravam espaços para a armação de jogadas.
O empate, assim como o gol do
Vasco, saiu da forma menos
convencional. Uma falta ao lado da área terminou numa improvável cabeçada de Jorge
Henrique que, além de ter
pouca estatura, jogou a bola
para o próprio gol. Para piorar,
o zagueiro Luan saiu machucado e entrou Aislan, que seria
um dos personagens do jogo.
Atuações ruins, em geral, conduzem à busca por um vilão. On-
conseguiu dar qualidade à saída de bola.
William 4.
tem, coube a Julio dos Santos,
que voltou ao time após William,
querido pela torcida, se ausentar
para se casar. É verdade que Julio
tem passe melhor, mas com ele o
time perde combatividade. É um
dilema, mas ontem a frouxidão
defensiva comprometia.
Vaiado, o meia chegou a olhar
fixamente para a arquibancada,
parado em campo com a bola
no pé. Irritou o público logo antes de ser sacado por Jorginho.
Quem entrou? William, outro
que seria personagem.
O Vasco já ameaçava melhorar antes da troca. Aos 13, um
lindo lance de Nenê resultou
em chute de Andrezinho no
travessão. O time retomava a
bola com mais frequência e
pressionava, tinha o controle,
mas falava clarividência para
criar. Até um lance estabanado
em que, antes de esbarrar no
companheiro, Aislan chutou a
bola contra o corpo de William. Na sobra, a dois minutos
do fim, Murilo fez 2 a 1. l
Igual. Entrou para dar mais equilíbrio ao
meio-campo, mas acabou falhando no fim.
Andrezinho 5.
Arriscou. Precipitou-se em jogadas
individuais e colocou uma bola na trave.
Nenê 6.
Na média. Fez o gol, e em alguns
lampejos, armou as melhores chances.
Quase fez um bonito gol além do primeiro.
Jorge Henrique 4.
Perdido. Não teve muitas oportunidades e
ainda fez o gol contra de cabeça.
Éder Luís 4,5.
Mais do mesmo. Entrou e não teve
nenhuma chance clara.
Leandrão 5.
Sem pontaria. Movimentou-se bastante,
procurou o jogo, mas poucas bolas chegaram
com qualidade. As que chegaram, ele
desperdiçou.
Jorginho 5.
Desequilíbrio. O técnico não conseguiu
corrigir os problemas de marcação do time.
aa PA R A N Á
Meta cumprida. O time foi mais
equilibrado e conseguiu virar o jogo.
aa A R B I T R AG E M
Correto. O árbitro Rodrigo Raposo marcou
as faltas e deu os cartões corretamente.
1 Palmeiras
22 11 7 1 3 22 12
2 Internacional 20 11 6 2 3 15 10
3 Santos
19 11 6 1 4 18 9
4 Corinthians
19 11 6 1 4 16 10
5 Grêmio
18 11 5 3 3 17 12
6 Flamengo
17 11 5 2 4 12 11
7 Atlético-PR
17 11 5 2 4 12 13
8 Atlético-MG
16 11 4 4 3 16 16
9 Fluminense
16 11 4 4 3 12 13
10 São Paulo
15 11 4 3 4 10 11
11 Chapecoense 15 11 3 6 2 17 18
12 Cruzeiro
14 11 4 2 5 14 15
13 Ponte Preta
14 11 4 2 5 11 19
14 Figueirense
14 11 3 5 3 10 10
15 Vitória
13 11 3 4 4 12 16
16 Sport
12 11 3 3 5 15 16
17 Botafogo
12 11 3 3 5 11 15
18 Santa Cruz
11 11 3 2 6 14 15
19 Coritiba
10 11 2 4 5 14 18
20 América-MG
8 11 2 2 7 9 18
E
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V
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E
V
D
D
V
V
E
D
V
D
D
D
V
V
E
D
P - Pontos ganhos; J - Jogos; V - Vitórias; E - Empates;
D - Derrotas; GP - Gols pró; GC - Gols contra; N - Não jogou
140
JACAREPAGUÁ (PREZUNIC CENTER)
Estr. Marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes, 906
MADUREIRA SHOPPING Estrada do Portela, 222
TIJUCA Rua Conde de Bonfim, 604
ITABORAÍ SHOPPING Rod. Gov. Mario Covas, BR 101, KM 205
V
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D
V
V
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D
HOJE
19:30
19:30
19:30
21:00
21:00
21:45
21:45
Vitória
Flamengo
Grêmio
Coritiba
Chapecoense
São Paulo
América-MG
x
x
x
x
x
x
x
Sport
Internacional
Santos
Atlético-PR
Cruzeiro
Fluminense
Corinthians
AMANHÃ
19:30
19:30
21:00
Palmeiras
Santa Cruz
Atlético-MG
x Figueirense
x Ponte Preta
x Botafogo
OS ARTILHEIROS
CLASSIFICAÇÃO
8 gols
7 gols
EQUIPE
6 gols
5 gols
4 gols
DÉCIMA TERCEIRA RODADA
Grafite (Santa Cruz)
Bruno Rangel (Chapecoense)
e Gabriel Jesus (Palmeiras)
Diego Souza (Sport) e Kieza
(Vitória)
Rafael Moura (Figueirense),
Luan (Grêmio) e Vitor Bueno
(Santos)
Sassá (Botafogo), Kleber
(Coritiba), Arrascaeta
(Cruzeiro), Felipe Azevedo
(Ponte Preta), Fred e Cazares
(Atlético-MG), Vitinho e
Eduardo Sasha (Internacional)
Série A
Libertadores
Rebaixamento
DÉCIMA SEGUNDA RODADA
P J V E D GP GC ÚLTIMOS JOGOS
SÁBADO
16:00
18:30
Fluminense
Atlético-PR
x Coritiba
x América-MG
DOMINGO
11:00
11:00
16:00
16:00
16:00
16:00
19:00
Cruzeiro
Internacional
Botafogo
Corinthians
Santos
Ponte Preta
Figueirense
x
x
x
x
x
x
x
Vitória
Grêmio
Santa Cruz
Flamengo
Chapecoense
São Paulo
Atlético-MG
SEGUNDA
Sport
x Palmeiras
8
gols
Grafite,
Santa Cruz
Rebaixamento
CLASSIFICAÇÃO
acesse
COLÔMBIA SEM “ESTRANGEIROS”
A Argentina, por exemplo, está
formando a sua seleção em doses homeopáticas. Até agora, foram convocados nove jogadores. Três pertencem a clubes do
exterior, como o atacante Ángel
Correa, do Atlético de Madrid.
Segundo a federação argentina,
estes jogadores já tiveram suas
liberações pactuadas com os
clubes. Outros nomes desejados, como o meia Paulo Dybala,
da Juventus, não serão cedidos.
A Colômbia treina com um
time sub-23 formado por atletas de clubes do país. Há uma
lista prévia com estrelas como
Falcao García, mas sem qualquer certeza de liberação.
A Fifa “recomenda”, mas não
obriga, a cessão de jogadores
com menos de 23 anos para os
Jogos. O que, na prática, deixa a
decisão na mão dos clube. l
Vindo.
Marquinhos
está liberado
pelo PSG
Série B
Brasileiro - Série A
EQUIPE
As conversas com o PSG envolvem, ainda, um dos candidatos à vaga restante para jogadores acima de 23 anos: Thiago Silva. Outro candidato é
Douglas Costa que, segundo
Gilmar Rinaldi, ex-coordenador de seleções da entidade,
estaria prestes a ser liberado
pelo Bayern de Munique. O lateral Fabinho, do Monaco, e o
meia Felipe Anderson, do Lazio, são alguns dos jogadores
de clubes europeus que deverão ser chamados. Será preciso, agora, obter a liberação deles. Caso algum jogador convocado hoje precise ser cortado, o substituto terá que estar
na pré-lista de 35 jogadores feita pela CBF há 15 dias.
ALEXANDRE CASSIANO/1-6-2015
Novo tropeço
1 Vasco
2 Atlético-GO
3 Ceará
4 CRB
5 Náutico
6 Criciúma
7 Bahia
8 Luverdense
9 Paraná
10 Londrina
11 Brasil
12 Paysandu
13 Oeste
14 Avaí
15 Vila Nova
16 Goiás
17 Bragantino
18 Joinville
19 Tupi
20 Sampaio Corrêa
DÉCIMA TERCEIRA RODADA
P J V E D GP GC ÚLTIMOS JOGOS
28
25
24
22
21
21
20
20
20
19
19
17
16
15
14
14
11
11
9
9
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
13
9
7
7
7
6
6
6
5
5
5
5
4
4
4
4
3
2
2
2
2
1
4
3
1
3
3
2
5
5
4
4
5
4
3
2
5
5
5
3
3
3
2
3
5
4
4
5
3
3
4
4
4
5
6
7
5
6
6
8
8
23
13
21
18
23
18
21
14
13
11
11
11
11
15
17
10
8
7
13
9
13
8
15
19
12
13
14
12
14
10
12
16
14
15
19
14
14
14
17
22
D
D
E
V
E
E
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V
D
V
E
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D
V
V
E
E
E
E
V
E
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E
E
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V
E
V
V
D
V
D
D
V
D
E
D
V
D
E
E
D
D
V
Atlético-GO
1x0 Criciúma
Bahia
Joinville
Londrina
Avaí
Náutico
S. Corrêa
Vasco
Bragantino
Goiás
2x0
1x3
1x0
3x1
1x0
3x1
1x2
1x1
0x0
ONTEM
Oeste
CRB
Brasil
Vila Nova
Luverdense
Tupi
Paraná
Ceará
Paysandu
DÉCIMA QUARTA RODADA
SEXTA
19:15 S. Corrêa
20:30 Vila Nova
21:30 Londrina
x Paysandu
x Tupi
x Criciúma
SÁBADO
16:00
16:00
16:00
16:00
16:30
19:30
21:00
Luverdense
Atlético-GO
Brasil
Bragantino
Avaí
Ceará
CRB
x
x
x
x
x
x
x
Oeste
Náutico
Joinville
Paraná
Vasco
Bahia
Goiás
P - Pontos ganhos; J - Jogos; V - Vitórias; E - Empates;
D - Derrotas; GP - Gols pró; GC - Gols contra; N - Não jogou
Todos querem Messi
Eurocopa
Pedidos vão de Macri a Suárez
Del Bosque deixa a Espanha
Na Argentina, segue a
comoção em torno da
despedida de Lionel Messi da
seleção, após a derrota na
final da Copa América
Centenário, no domingo. O
presidente da república,
Após a derrota por 2 a 0
para a Itália, o técnico de
65 anos, deixou o comando
da seleção da Espanha.
Com ele, a “Roja"
(vermelha) teve seu
período mais vitorioso,
Mauricio Macri, falou com o
jogador para pedir que
mudasse de ideia. O uruguaio
Luisito Suárez, seu
companheiro no Barcelona,
disse acreditar que em sua
permanência na equipe.
V
E
V
E
E
V
D
E
E
D
E
V
D
E
D
V
D
D
V
E
27/6
conquistando a Copa de 2010
e a Euro de 2012 — a Espanha
também foi campeã em 2008,
sob o comando de Luis
Aragonés, já morto. É possível
que Vicente del Bosque se
aposente de vez do futebol.
acesse
140
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Linha Amarela, Saída 5 e Metrô Del Castilho
GUANABARA ALCÂNTARA
Av. Jornalista Roberto Marinho, 221
l Esportes l
Quarta-feira 29 .6 .2016 2ª Edição
Segurança olímpica
MANUAL
CONTRA
O TERROR
No dia do atentado turco, governo lança
cartilha de segurança para os Jogos;
ministro da Justiça se diz tranquilo
L AURO NETO
[email protected]
-SÃO PAULO E RIO- O ministro da Jus-
tiça, Alexandre de Moraes, afirmou, ontem, que os Jogos
Olímpicos do Rio serão “absolutamente tranquilos”. A declaração foi dada em São Paulo, pouco antes do atentado terrorista
que matou pelo menos 36 pessoas no Aeroporto Internacional de Istambul, na Turquia, e
no mesmo dia em que o Ministério da Defesa lançou campanha educativa para a população
identificar possíveis ameaças
terroristas. De acordo com o
ministro, há preparo preventivo.
— Há toda uma preocupação e uma prevenção do Brasil em relação ao terrorismo,
numa ação conjunta dos ministérios da Justiça e da Defesa, do Gabinete de Segurança
Institucional da Presidência
da República para que possamos ter (e teremos) os Jogos
absolutamente tranquilos —
disse Moraes durante cerimônia no Centro Integrado
de Comando e Controle
(CICC), na capital paulista.
GREVE NÃO ASSUSTA
O ministro disse ainda que até
o fim da semana será feito o
repasse emergencial de R$ 2,9
bilhões do governo federal ao
Estado do Rio de Janeiro, para
cobrir os gastos com a secretaria estadual de Segurança
Pública. Segundo ele, a paralisação e os protestos feitos
por policiais civis e militares
no Aeroporto do Galeão, na
última segunda-feira, não
afetarão a preparação e a segurança para a Olimpíada.
— Todas essas pendências
serão solucionadas, e as polícias Civil e Militar do Rio vão
INFORMAÇÕES TIRADAS DO MANUAL DE SEGURANÇA DO MINISTÉRIO DA DEFESA
PESSOAS SUSPEITAS
SÃO AQUELAS QUE
Fingem ser funcionários
de empresas de
serviços, mas não
apresentam suas
credenciais.
Utilizam roupas,
mochilas e bolsas
destoantes das circunstâncias e do clima.
A informação divulgada ontem
pelo blog Panorama Esportivo,
no site do GLOBO, de que o
Flamengo está interessado no
Engenhão, e recebeu a informação de uma possível desistência do Botafogo em manter
o estádio, pôs os dois clubes
em rota de colisão, o que pode
impedir o Flamengo de usar o
estádio futuramente.
— Demitirei qualquer pessoa que tenha conversado com
o Flamengo. E não permitirei
que o Flamengo jogue no Engenhão — afirmou o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo
Pereira. Já o do Flamengo,
Eduardo Bandeira de Mello,
diz que não entende “por que
isso aconteceria, já que o interesse no Engenhão nunca existiu". Bandeira reafirmou que o
Maracanã é a prioridade.
No entanto, o Panorama Esportivo apurou que um grupo
de dirigentes rubro-negros está estudando saídas para o crô-
Agem de forma estranha
e demonstram intenso
nervosismo.
SÃO AQUELES QUE
Estão estacionados em locais
proibidos e onde há intensa
circulação de pessoas.
Apresentam identificação de
empresas de serviços, mas os
seus ocupantes não possuem
uniformes nem credenciais.
Transportam pessoas que tiram
fotos ou realizam filmagens de
locais ou instalações que não
possuem atrativos turísticos.
ATITUDES SUSPEITAS
Objetos abandonados,
como malas de
viagem, mochilas e
caixas podem conter
explosivos ou outras
substâncias perigosas.
Odor incomum e intenso
pode indicar uma
contaminação química,
podendo causar
náuseas, vômitos e dor
de cabeça.
Indivíduo utilizando
vestimenta grande
demais para o seu
corpo ou incondizente
com o clima.
Indivíduo utilizando
vários telefones ou
equipamentos
eletrônicos.
Imóvel com intensa
circulação de pessoas
estranhas à vizinhança.
Editoria de Arte
Ingressos em guichês terão desconto de 20%
A partir de hoje, o Comitê Organizador dos Jogos vai vender ingressos com 20% de
desconto para nove modalidades olímpicas — a promoção é cumulativa, isto é, também vale para aqueles que
têm direito a meia-entrada.
Os tíquetes mais baratos só
poderão ser comprados em
guichês do Rio 2016 nas estações da Supervia na Central
do Brasil e no Maracanã, de
CEZAR LOUREIRO
Inquilinato. Torcida do Flamengo no Engenhão, em partida de março de 2011
nico problema de não ter casa,
na impossibilidade de uso do
Maracanã. Entre as opções, está o Engenhão. Segundo essas
fontes, já houve inclusive sondagem do Flamengo, uma vez
que o clube de General Severiano fechou um contrato de R$
5 milhões para usar o estádio
Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador até dezembro, em
paralelo à abertura do Engenhão pós-Jogos — mais um
Tiram fotos e
observam instalações
sensíveis e sistemas
de segurança.
VEÍCULOS SUSPEITOS
segunda-feira a sábado, das
7h às 15h, até o fim dos Jogos.
Os ingressos são para tiro
com arco, atletismo (apenas
maratona), badminton, boxe,
hóquei sobre grama, canoagem slalom, rúgbi, tênis de
mesa e levantamento de peso,
e custam a partir de R$ 16 —
no site ou nos shoppings Leblon e Via Parque, as entradas
não terão desconto.
O pagamento pode ser feito
Engenhão gera discórdia entre Fla e Botafogo
Sem o Maracanã, grupo
de estudo rubro-negro
analisa viabilidade do
estádio alvinegro
l 29
DESCONFIÔMETRO LIGADO
atuar normalmente, até porque a própria polícia quer
atuar na Olimpíada — disse.
Apesar das garantias do ministro, os responsáveis pela
segurança nacional sabem
que apenas o trabalho da polícia não é o suficiente para
evitar o terrorismo. É preciso
o auxílio da população.
ROUPAS, MALAS OU CHEIROS
A campanha do Ministério da
Defesa faz parte do Plano de
Sensibilização e Dissuasão a
Ameaças Terroristas, feito em
parceria com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o
Ministério da Justiça. Folders,
cartazes e cartilhas serão espalhados pelas instalações
esportivas, bares, aeroportos,
restaurantes, hotéis e outros
lugares de grande circulação
ensinando a identificar possível ameaça terrorista.
— Como o nosso país não
tem tradição de nesse tipo de
ameaça, é preciso fazer com
que as pessoas estejam mais
atentas. A mensagem que
queremos passar é: se você ficou desconfiado ou achou
uma situação suspeita, é porque ela, de fato, é suspeita —
afirmou Mauro Sinott, comandante do Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo (CCPCT).
As explicações ajudam a
identificar pessoas, veículos e
situações que não estejam de
acordo com a normalidade.
Funcionários sem crachá ou
outra identificação, pessoas
que tiram fotos de detalhes de
instalações ou que não se vestem de acordo com o clima do
dia, malas abandonadas e fortes odores são exemplos de situações que devem ser avisadas às autoridades. l
O GLOBO
complicador para as finanças
combalidas do alvinegro.
Segundo essas fontes rubronegras, dirigentes alvinegros
manifestaram indícios de que
pretendem renegociar o contrato de concessão com a prefeitura. Uma possibilidade seria provar que houve descaracterização do estádio na adaptação dos Jogos. Assim, poderia ter saída legal e sem custos
do contrato de concessão.
Procurado pela reportagem,
o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, negou
veementemente tanto informações repassadas ao Flamengo quanto a suposta descaracterização do Engenhão.
O anúncio da devolução do
Maracanã ao estado, feito na
segunda pela Odebrecht, só
aumentou as cogitações do
Flamengo sobre o Engenhão.
Nas primeiras linhas do estudo de viabilidade que está sendo feito pelo Flamengo para
um futuro uso do Engenhão, o
fator econômico é crucial.
Apesar de o Maracanã ter 70
mil lugares, cinco mil são destinados às cadeiras cativas. No
Engenhão, seriam 45 mil limpos, fora as gratuidades.
No Engenhão, há menos camarotes e custo menor. Além
disso, lá é mais fácil isolar os
10% da torcida rival, obrigatório em jogos de grande porte;
no Maracanã, sacrificam-se 15
mil lugares atrás de um gol, o
que reduz a capacidade para
50 mil, quase a do Engenhão.
— Estudo de viabilidade,
qualquer um pode fazer, o que
não significa que há negociação — disse Pereira. l
em dinheiro, cartão de débito
ou crédito.
Segundo o diretor de ingressos do Rio 2016, Donovan Ferretti, os descontos estão sendo oferecidos para modalidades de menor procura. Ainda
de acordo com ele, dos cerca
de 6 milhões de ingresso oferecidos para a Olimpíada, 4,2
milhões já foram vendidos.
Já para a Paralimpíada, a
procura está sendo menor do
que a imaginada, mas os organizadores acreditam que o interesse aumentará com a proximidade dos Jogos, que começam dia 7 de setembro.
Amanhã, serão disponibilizadas entradas para eventos
de maior apelo, incluindo as
finais do vôlei masculino e feminino, nos quais o Brasil é
candidato ao pódio. Nestes
casos, não haverá desconto
nos ingressos. l
Phelps estreia bem; Lochte
está fora dos 200m livre
-OMAHA, ESTADOS UNIDOS - Michael Phelps, enfim, estreou na
seletiva americana de natação. Ontem, ele disputou as
eliminatórias e semifinal
dos 200m borboleta, prova
da qual é bicampeão olímpico, e se classificou para a
decisão de hoje com o melhor tempo (1m55s17).
O mesmo não se pode dizer de Ryan Lochte, que está
fora dos 200m livre dos Jogos
Olímpicos. Após perder a vaga nos 400m medley, ele falhou novamente e, ontem,
na final, terminou em quarto
(1m46s62). Townley Hass
(1m45s66) e Conor Dwyer
(1m45s67) garantiram a vaga.
Lochte, que está sofrendo
com uma lesão na virilha, ainda compete nos 100m livre,
100m borboleta, 200m costas e
200m medley.
Campeã olímpica dos 100m
costas, Missy Franklin também não poderá defender seu
título no Rio. Na final da prova, ela ficou apenas com o sétimo tempo (1m00s24). Ouro
na prova em Atenas-2004, Natalie Coughlin foi a oitava.
Olivia Smoliga (59s02) e Kathleen Baker (59s29) estão
classificadas. l
ESPORTES
QUARTA-FEIRA 29.6.2016
oglobo.com.br
NEYMAR
LISTA OLÍMPICA
SAI HOJE
Os punidos somos nós, Messi
PÁGINA 28
Fernando Calazans PÁGINA 27
Quem vai ficar com o Mário?
PARA ADOÇÃO
Fechado por mais de quatro dos últimos 11 anos, Maracanã tem futuro
indefinido entre os que não querem e os que não podem ficar com ele
SEBASTIÃO MARINHO/16-12-1984
O QUE CADA UM QUER:
MARACANÃ S. A.: Livrar-se do prejuízo.
Propôs ao estado a rescisão amigável
(sem indenização entre as partes).
GOVERNO DO RIO: Só descarta ficar com
o estádio. Estuda alternativas como:
— Idealmente, que uma outra empresa
privada assuma a concessão no lugar
da Maracanã S. A. ou que esta
mantenha-se no contrato.
— Fazer nova licitação, com ou sem os
clubes na disputa. Se puderem
participar, prefere que Fla e Flu
concorram associados a outra empresa
com fôlego financeiro.
FLA E FLU. Desejam assumir a gestão
do estádio em conjunto e sozinhos,
para depois contratar uma empresa
para operar jogos e eventos.
FERJ: Deseja operar os jogos se outra
empresa assumir o estádio.
do-o aos clubes, estes seriam os concessionários, e contratariam uma empresa especializada em operar os eventos.
— Se Fla e Flu entram consorciados com
uma empresa e depois essa empresa não
se mantém, ou não consegue operar o estádio, os clubes não podem substituí-la.
Queremos nos candidatar dando garantias
ao estado de que contrataremos uma companhia com capacidade de operar e ajudar
a manter o estádio — afirma o diretor-geral
do Flamengo, Fred Luz. — Não é postura
de pressionar o governo, é por acreditarmos ser a forma de dar sustentabilidade ao
Maracanã. Num estádio de manutenção
tão cara, ter mais um ente a dividir os lucros, como ocorre hoje, inviabiliza ainda
mais. Os clubes têm um projeto de viabilidade do Maracanã, é possível cortar custos
e aumentar as receitas. É viável.
Fla-Flu. O clássico mais tradicional do Maracanã, em 1984: os dois clubes querem administrá-lo, mas o governo do estado teme por sua saúde financeira e quer uma empresa a seu lado
A
MIGUEL CABALLERO
[email protected]
37 dias de sediar a cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio, o estádio mais famoso do mundo — tornado
também um dos mais modernos ao custo de R$ 1,2
bilhão dos hoje dilapidados
cofres do Rio — é pivô de
um impasse sobre seu futuro: quem tem direito sobre o
Maracanã quer passá-lo adiante; quem
deseja administrá-lo sofre a desconfiança sobre a capacidade de mantê-lo.
Na última segunda-feira, a Maracanã S.
A. (empresa que tem a Odebrecht como
sócia majoritária) formalizou ao governo
do Rio a intenção de rescindir amigavelmente o contrato de concessão que vigora até 2048. Acumulando prejuízo no estádio de R$ 77 milhões em 2014 e R$ 48
milhões em 2015, segundo seus balanços, a Odebrecht desistiu do negócio.
Nos últimos meses, a Maracanã S. A.
chegou a conversar com outras empresas
que poderiam assumir a concessão, numa negociação que necessita da aprovação e agradaria ao governo estadual. Os
números negativos, e condições consideradas adversas (como a proibição de se
erguer empreendimentos comerciais no
lugar dos vizinhos Célio de Barros e Julio
de Lamare), porém, afugentaram até
agora eventuais investidores.
— A única opção que o governo descarta é reassumir o estádio, pelo período
que seja. Qualquer outra é possível. Nesta semana, a concessionária formalizou o
pleito de rescisão. Estamos estudando se
ainda é possível um novo aditivo que
mantenha a concessão, se o governo promove outra licitação, com ou sem a participação dos clubes. Em todo o período de
renegociação do contrato, em nenhum
momento a Maracanã S. A. formalizou
proposta de passar a concessão a terceiros — diz Leonardo Espíndola, secretário
estadual da Casa Civil.
O nó original é o alto custo de manutenção do estádio (estimado em R$ 50 milhões anuais, sem contar os custos de jogos
e outros eventos), caro legado da reforma
“padrão Fifa” para a Copa do Mundo. Com
a premissa de fazer valer o investimento, o
governo do Rio quer garantir a preservação
e os cuidados com o estádio e é reticente
quanto a repassar sua gestão a instituições
instáveis financeiramente.
Sabedor do interesse de Flamengo e Fluminense de administrar o Maracanã, o governo desconfia da saúde financeira dos
clubes e teme a deterioração do patrimônio no futuro. O estado gostaria que Fla e
Flu, na eventualidade de uma nova licitação, se candidatassem em consórcio com
um parceiro privado que dê robustez econômica ao pleito.
É mais uma aresta a se aparar. Os clubes
pretendem se candidatar conjuntamente a
administrar o estádio e rechaçam a ideia de
integrar um consórcio com um investidor. A
proposta é que na nova licitação haja uma
lógica inversa da que vigora desde 2013: em
vez de a operadora ganhar a concessão, tornando-se “dona” do estádio e então alugan-
“Recebemos o
pleito de rescisão
(da Maracanã S. A.).
Só está descartado
o estado reassumir
o estádio. O ideal é
definir antes de ele
voltar dos Jogos”
Leonardo Espíndola
Secretário estadual da Casa Civil
CINCO JOGOS EM NOVEMBRO
A Federação de Futebol do Rio (Ferj) também tem interesse, mas num outro modelo. Vendo seu principal ativo, o Campeonato Carioca, se desvalorizar nos últimos anos, a Ferj tem buscado investidores interessados em assumir a concessão
e apostar em seu know-how para contratá-la como operadora dos jogos.
“A Ferj aguarda a decisão do governo. O
tema desperta preocupação, pois o Maracanã é patrimônio do futebol carioca” diz
o presidente Rubens Lopes, em nota.
Os sucessivos afastamentos do Maracanã têm sido sacrificantes para o torcedor
carioca. De janeiro de 2005, ano do início
das obras do Pan, até a metade de 2016,
transcorreram 138 meses, e o estádio esteve fechados aos clubes do Rio em nada
menos que 50 deles (36% do total), seja
para reformas ou para os eventos em si.
Até por isso, há urgência na prevenção
de um problema que se avizinha, provavelmente antes de o impasse maior ser resolvido. A Rio-2016 devolverá o estádio em 30
de outubro, e Fla e Flu ainda terão, somados, cinco jogos como mandantes no Brasileiro. O rubro-negro se dispõe a operar
estes jogos numa solução provisória, mas o
governo não vê necessidade.
— Se ainda não estiver definida a manutenção ou rescisão da concessão atual,
a Maracanã S. A. reassumirá o estádio e
fará os jogos. O contrato está em vigor —
diz Leonardo Espíndola. l
Discórdia entre Flamengo e Botafogo sobre
o Engenhão, na página 29
Pneu Aro 14”
a partir de
177
R$
,00
Á VISTA
TUDO EM ATÉ
ATENDIMENTO
EXCLUSIVO
2461-0300
WIDMEN.COM.BR
PROMOÇÃO VÁLIDA ATÉ 30/06/2016.
OU EM ATÉ 10X
IMAGENS MERAMENTE ILUSTRATIVAS
Ação do MPF pede plano detalhado do legado olímpico
PNEU
MECÂNICA
SUSPENSÃO
FREIO
PNEUS FABRICADOS
PELA PIRELLI
Rio-2016, município,
estado e União têm 20
dias para apresentar
a estratégia
CHICO OTAVIO
[email protected]
ROBERTO MALTCHIK
[email protected]
O Ministério Público Federal ingressou com ação civil pública,
com pedido de liminar, na Justiça Federal do Rio para que a Autoridade Pública Olímpica
(APO), em conjunto com o governo federal, a prefeitura e o governo do estado, apresente um
plano de legado detalhado para
todas as instalações esportivas
construídas para a Rio-2016.
O procurador Leandro Mitidieri Figueiredo também requer a
indicação de todos os agentes
políticos, bem como dos respectivos agentes técnicos, encarregados pelo Plano de Legado definido pelo consórcio.
O MPF quer que os entes públicos (União, estado e município) indiquem quem vai pagar
para transformar as arenas,
bem como aponte de onde sairá
o dinheiro para manter e operar
as obras no formato de legado.
A Olimpíada deve deixar
dois legados: o primeiro diz
respeito às obras para a cidade,
como o pacote de mobilidade.
O outro é o esportivo.
A ação civil solicita que o plano detalhado de legado seja
apresentado no prazo de 20 dias. O trabalho do MPF está fundamentado em análise feita pelo Tribunal de Contas da União.
“Fica por demais evidenciado
que questões de extrema relevância ainda não foram definidas. Tais como: a forma de utilização do legado, o modelo de
estrutura e as fontes de recursos
para o custeio da manutenção
dessas instalações esportivas no
futuro. Esta situação demonstra
enorme risco de desperdícios de
recursos públicos”, pontua o procurador na ação.
As instalações esportivas
construídas para os Jogos já
têm custo estipulado de R$
7,08 bilhões, dos quais 40% são
públicos. Já o legado da cidade, que envolve as obras de
mobilidade, foi orçado em R$
24,6 bilhões, em janeiro.
Por meio da assessoria, a
APO informa que ainda não foi
notificada da ação. A prefeitura também diz que não foi notificada. Ressalta, porém, que,
ainda no ano passado, fez
apresentação pública sobre o
projeto de legado para as principais instalações esportivas.
“No Parque Olímpico, a Arena do Futuro será transformada em quatro escolas, e o Estádio Aquático, em dois centros
esportivos, em outras áreas da
cidade. A Arena Carioca 3 será
transformada em ginásio ex-
perimental, que é uma escola
para mil alunos. As demais instalações permanentes terão
uso compartilhado para atletas de alto rendimento, projetos sociais e eventos. A modelagem se baseia em parceria
público-privada, e o edital de
licitação deve ser publicado
nos próximos dias”.
Em relação ao complexo esportivo de Deodoro, “a maior
parte das instalações será convertida no Parque Radical,
aberto à população, que já teve
acesso a ele durante o verão e
que ficará como legado definitivo depois dos jogos, tornando-se o segundo maior parque
da cidade, com 500 mil metros
quadrados de área”. l
SEGUNDO
CADERNO
QUARTA-FEIRA 29.6.2016
oglobo.com.br
OGLOBO
Bem-vindos a
Peixe de Pedra,
onde quem
não se move
vira fóssil
pág. 8
MARIA RIBEIRO
+ PALCO
ANTIGO CINE
PALÁCIO VIRA
TEATRO
RIACHUELO
EM AGOSTO
pág. 4
KK
Um dos destaques do
evento que começa
hoje, o autor norueguês
conta como foi revisitar
suas memórias para
livro sobre a ‘quase
estupidez dos 20 anos’,
fala da importância do
tema masculinidade e
explica por que voltou
atrás na decisão de
parar de escrever: ‘não
posso escapar de mim’
KARL OVEKNAUSGÅRD NO ESCURO
LEONARDO CAZES
Enviado a Paraty
[email protected]
N
a primavera de 1987, logo após terminar o
colégio, Karl Ove Knausgård se mudou
para uma vila de pescadores no norte da
Noruega. O plano era simples: trabalhar durante um ano para juntar dinheiro e viajar depois, e aproveitar o isolamento para escrever.
Aos 18 anos, Knausgård decidira que queria
ser um escritor, com toda a bebida, o cigarro
e as festas a que tinha direito. As aventuras
e desventuras desse período “exilado” no
Ártico são narradas em “Uma temporada
no escuro” (Companhia das Letras), o
quarto livro da série “Minha luta”. Como
nos anteriores, reúne as memórias do
escritor naquele ano, contando em detalhes suas malsucedidas tentativas
de perder a virgindade. Tudo real. Ou
quase. Knausgård já chegou ao Brasil para participar da Festa Literária
Internacional de Paraty (Flip), que
começa hoje — ele fala na sextafeira, às 17h15m, na Tenda dos
Autores. Em entrevista ao GLOBO, o escritor fala sobre masculinidade, a relação entre a memória e a ficção e por que decidiu voltar atrás na decisão
de parar de escrever, anunciada após o sexto livro de
“Minha luta”, em 2011.
Em “Uma temporada
no escuro”, você escreve sobre o ano que passou numa pequena cidade no norte da Noruega. Esse foi o momento em que você
decidiu que queria
ser um escritor.
Como foi reencontrar esse jovem Karl Ove
aspirante a escritor?
Eu me lembrava daquele
ano relativamente bem.
Na medida
em que ia
escrevendo, ia me
lembrando
l
O
ÇÃ
GA
UL
DIV
das coisas. Lá, eu estava sempre escrevendo, então eu reli l Com 18 anos, você se tornou professor de uma escoesses textos e me lembrei de quando eu os escrevi. É como la e tinha alunos apenas dois anos mais novos que
se eu tivesse todas as idades dentro de mim e algumas fos- você. Isso é algo normal na Noruega? Ou foi uma desem de acesso mais fácil do que outras. Eu acredito que, cisão excêntrica para a época?
quanto mais problemas você tem e quanto mais difícil foi
As duas coisas. Entre os meus amigos, ninguém fez isso.
determinado tempo, mais fácil é para lembrar.
Ao mesmo tempo, no norte, há cidades muito pequenas e
isoladas, onde faltam professores. As pessoas não querem
l O livro fala sobre suas tentativas de perder a virginviver lá, e os professores preferem ir para escolas maiores
dade, algo bastante sensível para os homens. A mas- em cidades maiores. Há tão poucas pessoas nessas cidaculinidade, com as questões que ela traz, é um tema des que o governo gasta muito dinheiro para manter essas
sensível para você?
áreas povoadas.
Esse é um tema importante em todos os livros. E as
questões são diferentes em cada estágio da vida. A mas- l A memória é a matéria-prima de “Minha luta’’. Você
culinidade tem a ver com identidade. Eu cresci nos anos acredita que ela é uma forma de ficção?
1970, quando as expectativas sobre o que era ser homem
Quando eu escrevo um romance que não é baseado em
eram muito simples: você não deveria chorar ou ser sen- memórias é o mesmo processo criativo. As memórias estão
sível, deveria ser forte. Cresci nesse meio, sendo uma cri- sempre mudando, não são acuradas. Minha intenção nunança muito sensível, que chorava demais. Na adolescên- ca foi escrever a verdade sobre a minha vida, mas escrever a
cia, me lembro de ser chamado de menininha. Isso foi minha vida do modo como eu lembrava que ela tinha sido.
terrível para a minha identidade, para a minha com- Não fiz nenhuma pesquisa. Eu vasculhei a minha cabeça
preensão de quem eu era. Porque, de alguma maneira, eu como se fosse um lugar onde eu pudesse, a partir dela, enestava errado. Quando eu estava escrevendo, não queria trar naquele vilarejo no norte da Noruega.
ser representativo de nada. Eu queria explorar minha
identidade. Estou sempre escrevendo sobre mim mesmo, l Ao terminar “Minha luta’’, você anunciou que não ia
sobre as coisas conectadas ao fato de eu ser homem. Meu mais escrever, depois mudou de ideia. Por quê?
interesse está na diferença entre a regra e quem você é.
“Minha luta” tem cerca de 3 mil páginas, a única certeza que tinha é que tinha que acabar ali. Esse é um lil Mas, quando fala de você, aborda também questões
vro sobre a relação entre a literatura e a vida. Eu queria
comuns a todos os homens.
que terminasse com o escritor dizendo que não era
Sim, mas o interessante é que os homens não falam sobre mais um autor. Mas o que eu estava encerrando era o
isso. Quando eu tinha 18 anos, eu não conversava sobre isso personagem do livro. Eu quero continuar escrevendo
com os meus amigos. Agora, se eu tiver algum problema re- para além de “Minha luta”, tudo que publiquei foi no
lativo à masculinidade ou à sexualidade, eu também não
sentido de me afastar desse livro, mas não estou sendo
vou falar sobre isso com meus amigos. E acho que isso vale
bem-sucedido. Não posso escapar de mim.
para todos os homens do planeta. Não falamos sobre essas
coisas, mas você pode escrever sobre isso. Sinto que ir para l O sucesso de “Minha luta’’ permitiu que você criaslugares que em geral não falamos, como esse, é bom para a
se a sua própria editora. Como está sendo essa expeminha escrita. E eu escrevo o que eu senti.
riência?
É maravilhoso. Nós temos como conceito só publicar lil O jovem Karl Ove falava muito de Hemingway, e tivros que amamos e achamos que fazem diferença. O obnha uma ideia sobre a vida de escritor que era bebijetivo é também transformar a editora em algo social,
das, festas e mulheres. Você idealizava o que era ser
reunir escritores e colocá-los em contato com outros da
um escritor?
Noruega e de outros lugares. Publicamos dez, 12 livros
Eu tinha uma visão muito idealizada, um sonho românpor ano. Nós pensamos em qualidade, literatura e lutico. Para mim, com 18 anos, ser um escritor era algo como
cro no final. Estamos perdendo dinheiro agora, mas a
ser um opositor, um outsider da sociedade. Um escritor sesituação tem melhorado a cada ano.
ria alguém completamente livre para fazer o que queria.
Eu estava muito mais interessado no estilo de vida, na boel Quais são as suas expectativas para a Flip? É
mia, do que em ter alguma coisa para dizer ou alguma cona sua primeira vez no Brasil? Você conhece
tribuição para a literatura. E você é assim quando tem 18
algum autor brasileiro?
anos. É irônico que, quando você tem 40 anos e está escreEstou muito animado, é minha primeira
vendo sobre alguém de 20, tem toda a experiência e o covez no Brasil e na América do Sul. O Brasil é
nhecimento acumulados entre esses anos, mas você não
um país mítico. Eu li um romance de um
pode escrever sobre isso. Você tem que escrever sobre
brasileiro, Michel Laub, que é muito bom,
aquela quase estupidez dos 20 anos.
“O diário da queda”. l
“Eu queria
explorar minha
identidade”
AS AÇÕES DO GLOBO E A PROGRAMAÇÃO DA FESTA PÁGINA 3
l O GLOBO
l Segundo Caderno l
[email protected]
FRED
COELHO
|
Quarta-feira 29 .6 .2016
Gente
Boa
CLEO GUIMARÃES
|
|
Ana C. na Inglaterra
1.
Nesta semana se inicia mais uma Flip. A
deste ano homenageia a poeta carioca
Ana Cristina Cesar. Creio que escrevi uma
coluna sobre o tema quando seu nome foi justamente indicado. Mas o tempo segue sua marcha
em curso alucinado e eis que, em julho de 2016, ela
se torna um nome com novos significados. Mesmo
que ela seja homenageada por sua obra poética,
ainda é pouco perto de sua trajetória. Personagem
raro em sua sensibilidade e inteligência, foi uma
mulher pensadora do seu tempo, mesmo sucumbindo a algo que trazia só para si mesma.
Entre setembro de 1979 e janeiro de 1981,
Ana Cristina viveu na Inglaterra. Com
uma bolsa do Rotary Club, ela vai para a
Universidade de Essex. Lá, inicia um mestrado em
Sociologia da Literatura, mas rapidamente transfere o curso para Teoria e Prática da Tradução Literária. Encontra em escritoras como Emily Dickinson
e Katherine Mansfield obras que a alimentam tanto como pesquisadora da tradução quanto como
poeta. Pelas cartas e cronologias ao redor da vida
de Ana Cristina, sabe-se que estar na Inglaterra foi,
ao mesmo tempo, estar na Europa. Ela visita Paris
com frequência, vai para cidades da Grécia, da Itália e da Espanha. Atravessa livremente o mesmo
continente que hoje se torna, cada vez mais, um
campo minado.
Como pano de fundo de tal circulação,
vemos a paisagem de uma época marcante para a Inglaterra. Ana Cristina aterrissa
no país em 1979, ano em que Margaret Thatcher
torna-se primeira-ministra do Reino Unido. A
mesma que, anos depois, seria uma das líderes locais contrárias à União Europeia. Nas últimas semanas, enquanto Paraty se preparava para celebrar a poeta brasileira, nacionalismos voltaram a
ecoar nas ruas do Reino Unido. Aliás, pelos relatos
que já circulam em quantidade assustadora pela
internet, os relinchos xenófobos crescem no país
contra populações que eram, até dias atrás, parte
de uma mesma comunidade.
Ana Cristina não foi para a Inglaterra atrás da
poesia de Emily Dickinson, assim como não tinha ideia, provavelmente, de quem era a pessoa
que chegava ao cargo de primeira-ministra. Não
deixa de ser emblemático, porém, que em carta
para Maria Cecília Londres Fonseca, escrita no
dia 1º de outubro daquele mesmo ano, ela conte
que as primeiras pessoas com quem fez breve
amizade no prédio que morava fossem um sírio e
um italiano — quase uma síntese da atual crise
migratória europeia.
Na pequena Colchester, em plena ascensão conservadora de Thatcher, ela iniciava um período de
estudos e solidões, de viagens, amores e escritas.
Na mesma carta, ela afirmaria: “Gosto dos ingleses, da social-democracia, da placidez das ruas, da
proximidade com o campo, de sossego, pubs, ruínas romanas, casas medievais e o superagito de
Londres a 50 minutos de trem”. Dois meses depois,
porém, em carta de 4 de dezembro, o quadro já é
outro: “estou afinal em um quartinho meio frio,
numa cidade triste, num país careta, longe do mito
europeu”. Qual seria o “mito europeu” a que se refere Ana Cristina? Quais imagens ou sensações
que alimentam (ainda?) tal mito e se contrapõem
ao frio, à tristeza e à caretice?
Em apresentações feitas em festivais ingleses durante esta semana, a cantora PJ
Harvey leu o poema “No man is an island”,
de John Donne, escrito ainda no século XVII
(1624). O título diz muito sobre o que pensa a compositora de um álbum como “Let England shake”
(2011), acerca do último referendo com a vitória
do Brexit. Cito isso porque emerge aqui um nó improvável: em 1980, ainda na Europa, Ana Cristina
escreve para sua amiga Maria Cecília dizendo que
“recebi a fita do cinema transcendental do Caetano e passei outras duas semanas escrevendo um
ensaio lírico sobre o disco, ou melhor, sobre a ‘Elegia’ do John Donne, ou sobre a tradução & eu aqui”.
A música, parte do disco “Cinema transcedental”,
de 1979, era uma pérola de Péricles Cavalcanti em
cima de uma tradução primorosa de Augusto de
Campos. Sobre a canção, Ana Cristina assim escreve em seu ensaio intitulado “Pensamentos sublimes sobre o ato de traduzir”: “Europa, 1980.
‘Quando todos estão voltando’. De vez em quando
chegam notícias de lá: onde estou; não importa
tanto aonde vou; cartas de amor; veja no sol de
Ipanema; briga Pasquim x Isto é; Ângela Rô-Rô;
balanços de 70; o que é isso companheiro; olhos
vermelhos de Chacal; pedaços de cultura (misteriosamente); e a fita, no cinema transcendental”.
Ana Cristina, Caetano, PJ Harvey, John Donne,
Péricles Cavalcanti, Augusto de Campos, todos
atados por uma potência poética da Inglaterra para o mundo, dentro do mundo de todos, sem fronteiras. Ainda em 2016, a poeta-tradutora ecoa o
cantor ao entoar a letra do tradutor-poeta. E eu
aqui a ecoo fechando com palavras universais do
seu ensaio: “Como acreditar que a felicidade é
também matéria exemplar, nós que nos aliviamos
na infelicidade ou na gravidade das missões ou na
partilha dos desgostos? (...) A maldade, a infelicidade, mexem com o nosso imaginário, Darling”. l
Email: [email protected] e Blog: http://blogs.oglobo.globo.com/gente-boa/
COM MARIA FORTUNA E FERNANDA PONTES
UM TOQUE FEMININO
Carol Castro estrela vídeo de orquestra sobre
desigualdade de gêneros na música clássica
ANA CLARA MIRANDA / DIVULGAÇÃO
3.
4.
JOSÉ
EDUARDO
AGUALUSA
3ª
MARCUS
FAUSTINI
4ª
5ª
6ª
FRED
FLÁVIA ZÉLIA
COELHO OLIVEIRA DUNCAN
SAB
MARCIO
TAVARES
D'AMARAL
À procura de João Gilberto
Diretor de documentários sobre Maria
Bethânia e Nana Caymmi, o francês
Georges Gachot tem agora João
Gilberto como personagem de seu novo
filme. O longa será uma adaptação do
livro “Ho-ba-la-lá — À procura de João
Gilberto”, escrito pelo alemão Marc
Fischer e lançado por aqui pela
Companhia das Letras, em 2012.
Segue a história
Marc era obcecado por João e o livro
narra sua busca pelo ídolo — mais do
que conhecê-lo, o alemão queria (e tinha
certeza que conseguiria) fazê-lo tocar
“Ho-bá-lá-lá” num violão que pertencia
à sua família. Para tentar encontrá-lo,
entrevistou parentes e pessoas que
tinham algum contato com ele. Marc
suicidou-se dias antes de lançar o livro
na Alemanha. “Era um louco muito
inteligente. O filme também vai ser sobre
essa maluquice dele pelo João”, conta
Miúcha, ex-mulher do cantor.
2.
2ª
|
Aí fica difícil
Violino. Carol: “É uma forma de unir forças pela luta eterna do empoderamento feminino”, diz
C
arol Castro protagoniza o novo
vídeo que a orquestra Johan Sebastian Rio joga na rede, amanhã, mostrando a desigualdade de gêneros no universo da música clássica.
passaram despercebidas só pelo fato de
serem mulheres”. O curta, filmado na Escola de Música da UFRJ, ainda tem no
elenco Ana Catto, Maressa Carneiro e
Priscila Rato, as violinistas da orquestra.
l
l
“É uma forma de unir forças pela luta
eterna do empoderamento feminino”,
diz ela, que interpreta uma estudante de
violino brigando por uma chance dentro
de um universo masculino. “E também
de mostrar quantas pessoas talentosas
Só composições de mulheres embalam
o filme: “Corta jaca”, de Chiquinha Gonzaga, e “Sicilienne”, da pianista Maria
Theresia von Paradis. A direção é de Bruno Vouzella, com supervisão do maestro
e diretor artístico Felipe Prazeres.
U
‘Sãopaulexit’
É sério: São Paulo quer ser um país
Em tempos de Brexit, São Paulo quer se
separar do resto do Brasil e fundar um
novo país. A proposta separatista é do
movimento São Paulo Livre, e terá sua
receptividade testada em outubro, num
plebiscito entre os paulistas. “Vamos fazer uma primeira amostragem com cem
mil pessoas”, diz o empresário Flávio Rebello, 43 anos, presidente do SPL. Ele
conversou com Fernanda Pontes.
Por que essa ideia de separar São
Paulo do resto do Brasil?
Porque temos uma história colonial
própria, bem diferente do restante do
Brasil. Hoje, nosso estado lidera
o movimento de direita do país e também lideramos as
passeatas contra o governo
Dilma. O paulista é como o
nova-iorquino se sente em
relação ao americano médio.
l
Como seria esse país?
República de São Paulo. Um país que
começaria do zero, com novas leis, novo congresso, sem corrupção. Não temos vínculo com partidos políticos.
Também teríamos uma moeda própria:
o ouro. Uma delas teria o rosto do Mario
de Andrade. Quero deixar claro que não
temos preconceitos racial nem sexual.
ram formar um país unindo São Paulo
e os estados do Sul do país, mas o nosso PIB é três vezes maior que o deles. Aí
seria como trocar seis por meia dúzia.
E o que mudaria com a separação?
É uma questão econômica. Queremos
melhorar a qualidade de vida do morador de São Paulo, como conseguir viajar,
pagar uma boa faculdade, trocar de carro. Nos últimos 30 anos, o governo federal deixou de priorizar a indústria. O setor industrial está sucateado e queríamos formar um governo como o do Japão, que é pobre em matéria-prima, mas
uma potência econômica.
l
Se um morador do Rio quisesse visitar a “República de
São Paulo” precisaria de visto e passaporte?
Não. Seria como o acordo entre Brasil, Argentina e Uruguai,
basta a carteira de identidade.
l
l
Você não acha que essa tentativa
de separação e fundação de um país
diferente pode gerar antipatia e até
aversão dos outros estados?
Sim, mas vai passar. Basta olhar Portugal e o Brasil. Hoje são dois países
amigos. Algumas pessoas até sugeri-
l
A coleção de verão da grife Wasabi, de
Daniela Sabbag e Ana Wambier, saiu de
cena antes mesmo de ser lançada. Culpa
da violência: todo o mostruário exibido
aqui durante o Veste Rio — cerca de 150
peças, além de acessórios — foi roubado
na Via Dutra, na madrugada de ontem,
quando seguia para São Paulo. A carreta
que transportava a carga foi interceptada
por bandidos na estrada e eles levaram
absolutamente tudo.
Aí fica difícil/2
“Não temos força nem tempo para refazer
tudo a tempo. Só as estampas das peças
em seda demorariam dois meses para
ficar prontas”, diz Ana. “É difícil continuar
acreditando no Brasil, não dá!”. A grife
carioca tem 15 pontos de venda em todo o
país, três deles no Rio.
Vem coisa boa aí
André Carvalhal, ex- Farm, se associou
ao grupo Reserva para criar uma nova
marca. A iniciativa vai nascer dentro da
Malha, espaço de moda colaborativa
criado por ele em São Cristóvão, que
também dará nome à grife. André
assume a direção criativa da nova
empresa, que abre em setembro, com
100% de responsabilidade social.
Meu amor...
A cena partiu o coração de quem estava
almoçando ontem, num restaurante
bacana do Jardim Botânico. Um rapaz
apaixonado escondeu uma aliança na
sobremesa da namorada e, assim que ela
encontrou o anel, ouviu dele uma
declaração de amor lindíssima e o
pedido: “Casa comigo?”. Ninguém deu
um pio neste momento, todos deixaram
a comida de lado para curtir aquele
momento lindo propiciado pela mesa ao
lado mas... ela disse não. Foi bem triste.
Novos tempos. Que bom
Como você planeja medir a aceitação dos paulistas às ideias do SPL?
Vamos fazer em outubro uma amostragem com cem mil pessoas. Se tivermos mais de 50%, vamos aumentar as
ações, levaremos milhões para as ruas.
É um projeto para daqui a dez anos.
A festa junina do Colégio Santo Inácio,
no fim de semana, teve três “casamentos”
entre os alunos do terceiro ano do ensino
médio: um tradicional — um menino e
uma menina — e mais dois com casais
do mesmo sexo: menino com menino e
menina com menina.
O país pode ser prejudicado com a
separação de São Paulo, não acha?
Não vai ser fácil, mas o Brasil consegue. Vai ser bom para ele aprender a
gastar. Os dois países, inclusive, podem
ser parceiros econômicos. O Brasil seria
um ótimo mercado consumidor.
E vai rolar a festa
l
l
MARCOS RAMOS
2
BOA NOITE, CINDERELLA
MARCOS RAMOS
DOM
FERNANDO
GABEIRA
Má. Totia Meireles: “Me chamam de bruxa”
T
otia Meireles, que estreou como
a madrasta em “Cinderella”, anteontem, no Teatro Bradesco, está especialmente entusiasmada com o
musical por um motivo: “É a primeira
vez que posso me apresentar para os
meus netos, agora eles podem ver a vovó trabalhando”. A neta Pilar, de 3 anos,
inclusive, já decidiu o tema da próxima
festa de aniversário... “Cinderela”. A
atriz Cristiana Pompeo, uma das irmãs
más, foi aplaudida em cena aberta por
causa de um caco. “Não estou me sentindo muito bem, será que me deram
um boa noite Cinderela?”.
Hípica. Flávio, Helinho e Luly: festas nos Jogos
Esse trio aí em cima é responsável pelas
festas do Club France, a Casa da França
na Olimpíada do Rio, na Hípica. Flávio
Sarahyba, Luly Marcondes Ferraz e
Helinho Alves se unem a marcas
consagradas do entretenimento noturno,
como Café de La Musique e Pacha, para
as oito noites que acontecerão ali ao som
de música eletrônica, brasileira e funk.
Tudo acontecerá dentro de um espaço
batizado de Le Club, com capacidade
para receber duas mil pessoas.
l Segundo Caderno l
Quarta-feira 29 .6 .2016
O GLOBO
ALEXANDRE CASSIANO
Tenda dos
Autores. Principal
espaço de debates
já está pronto para a
festa, que acontece
de hoje a domingo
l 3
U
PROGRAMAÇÃO
HOJE
Às 19h, sessão de
abertura, com o poeta
Armando Freitas Filho
e o cineasta Walter
Carvalho.
Às 19h45m, exibição
do documentário
“Manter a linha da
cordilheira sem o
desmaio da planície”,
de Walter Carvalho,
sobre Armando Freitas
Filho.
Às 21h45m, sarau em
que convidados da Flip
(Allan Jonnes, Chacal,
Daniel Minchoni, Kate
Tempest, entre outros)
celebram a Poesia
Marginal e vertentes
contemporâneas.
AMANHÃ
Ciclos e encontros
O GLOBO NA FESTA
Pesquisas que traçam o perfil do leitor serão tema
de mesas promovidas pelo jornal em Paraty; após
o evento, no Rio, três autores receberão o público
A
identidade do leitor brasileiro e as dificuldades
no processo de alfabetização no país serão as questões
principais do GLOBO na 14ª
Festa Literária Internacional de
Paraty. Por meio do ciclo Retratos do Leitor e do Não Leitor,
com a realização de duas mesas
na FlipMais, especialistas debaterão o presente e o futuro do
nicho de leitores do Brasil. E
quem não puder ir a Paraty terá
a chance de assistir a alguns dos
destaques do evento na edição
especial da série Encontros O
GLOBO — Especial Pós-Flip, na
semana que vem, na Livraria da
Travessa do Shopping Leblon.
A cada ano, milhões de jovens
terminam o ciclo de alfabetização, mas ainda assim não se
transformam em leitores efetivos. As causas e consequências
desse processo serão analisados
pelo cruzamento de dados de
três pesquisas sobre o tema: Retratos da Leitura no Brasil, os
números do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf ) e a
pesquisa Produção e Vendas do
Setor Editorial Brasileiro. Na
Flip, as respostas e proposições
serão levantadas por um time de
peso, dividido em duas mesas.
A primeira exposição do ciclo
será amanhã, às 16h: Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro, Mariana
Silveira Bueno, representante da
Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas (Fipe), e Zoara Failla, coordenadora da Retratos da
Leitura no Brasil, traçarão um
perfil do leitor, falarão sobre qual
o produto que consome e qual é
a situação de quem fica à margem desse mercado. A mesa terá
fala inicial de Marcos da Veiga
Pereira, presidente do Instituto
Pró-Livro (IPL), e a mediação ficará por conta do jornalista do
GLOBO Leonardo Cazes.
Na segunda mesa, na sexta, às
14h30m, o escritor Marcílio França Castro, a socióloga Neca Setú-
bal e o jornalista Antônio Gois,
colunista do GLOBO, interpretarão os dados das pesquisas, abordando ainda temas como leitura
digital e políticas educacionais. A
mediação novamente será de
Cazes. O ciclo Retratos do Leitor
e do Não Leitor é uma parceria
do GLOBO com o Instituto C&A,
o IPL e a Flip. As mesas serão realizadas na Casa da Cultura.
JORNAIS E COLUNISTAS NA FLIP
Outra iniciativa do jornal, parceiro de Mídia Oficial da Flip, será a
realização da série Encontros O
GLOBO — Especial Pós-Flip. Na
semana que vem, três dos principais autores da festa estarão na
Travessa para levar ao público o
que será apresentado em Paraty.
Na próxima segunda, às 19h, o
jornalista do GLOBO André Miranda mediará o encontro com
Irvine Welsh, autor de “Trainspotting”. No dia seguinte, no mesmo horário, Karl Ove Knausgård
falará sobre sua carreira, com
mediação de Cazes. Por último,
na quarta, também às 19h, a jornalista do GLOBO Mariana Filgueiras recebe o português Ricardo Araújo Pereira, um dos mais
populares humoristas europeus.
Além dos debates, O GLOBO
realizará outras ações relacionadas à Flip. Na festa, exemplares completos do jornal serão distribuídos gratuitamente
nas principais pousadas e estarão disponíveis nas áreas comuns do evento. Na quinta, na
sexta e no sábado, será distribuído em Paraty também um
caderno especial com a cobertura completa do festival.
Gerente de Marketing da Infoglobo, Sergio Almeida destaca a parceria com a Flip, que já
dura mais de uma década:
— Somadas a nossa cobertura
exclusiva, a produção de um suplemento diário gratuito e a disponibilização do jornal nos
principais pontos de Paraty, reforçamos a marca e contribuí-
SEXTA, DIA 1º
mos para a valorização do principal evento literário do país.
O GLOBO também será representado na Flip pelos seus colunistas. Além de Gois, participam
da programação Adriana Carranca, Fred Coelho, José Eduardo Agualusa e Raphael Montes.
Recém-premiada pela obra
“Malala, a menina que queria
ir para a escola”, Adriana participará da Flipinha, no sábado,
às 10h30m, e de uma mesa sobre Literatura Infantil em Leitura Digital, com Marcelo Rubens Paiva e Angela Lago, na
Casa do Itaú, amanhã, às 17h.
Na sexta, às 19h, Montes participará da mesa “Heróis urbanos: a crueza da realidade na
ficção” na Casa Rocco; no mesmo dia, o pesquisador Fred Coelho, com o artista visual Nuno
Ramos, falará às 15h30m, na
Casa Cais. No sábado, também
na Casa Cais, o angolano Agualusa dará palestra, às 18h30m,
com mediação de Miguel Jost. l
AGUALUSA
RAPHAEL MONTES
FRED COELHO
ANTÔNIO GOIS
ADRIANA CARRANCA
No sábado, às 18h30m, o autor fala
sobre a nossa língua na Casa Cais
Na sexta, às 19h, mesa da Casa Rocco
debate “a crueza da realidade na ficção”
Na sexta, às 15h30m, discute a língua
portuguesa, na Casa Cais
Na sexta, às 14h30m, participa do ciclo
Retratos do Leitor e do Não Leitor
Amanhã, às 17h, na Casa do Itaú, a
autora discute literatura infantil
tica acirrada, em que a presidente da República foi afastada
do cargo enquanto corre um
processo de impeachment, e no
ano em que o país sofreu seu
maior desastre ambiental da
História, com o rompimento
das barragens da Samarco em
Minas, nenhuma das mesas está focada especificamente nesses temas. Ao GLOBO o curador
do evento, Paulo Werneck, disse
que a opção de montar debates
específicos sobre os problemas
atuais foi discutida até o fechamento da programação:
— Não é verdade que não haja espaço para a política. A política perpassa todas as mesas.
Pensamos muito em como conduzir isso, até o último fim de
semana. Mas será que teríamos
uma mesa para falar de Renan
Calheiros? Será que a Flip é para debater isso? Na mesa de
Benjamin Moser e Kenneth
Maxwell certamente o assunto
será levantado, na do Misha
Glenny também. O humorista
português Ricardo Araújo Pereira é também comentarista
político. O João Paulo Cuenca é
um ativista. Eu tenho certeza de
que o mediador da mesa com a
Svetlana (Aleksiévitch, ganhadora do Nobel de 2015 e autora
do livro “Vozes de Tchernóbil”),
ao conversar com ela sobre
Tchernóbil, vai abordar a questão da tragédia de Mariana.
Num ano em que a homenageada é a escritora Ana Cristina
César, e que o evento se debruça
sobre a presença feminina na li-
teratura, com a participação de
17 autoras, outra ausência sentida é a de escritoras negras. Anteontem, um grupo de autoras e
professoras da UFRJ publicou
uma carta criticando o evento,
que chamou de “arraiá da branquidade”: “Em um país de maioria negra e de mulheres, é um
absurdo que o principal evento
literário ignore a produção literária de mulheres negras”.
Werneck comentou a ausência de negros em geral, que já
havia sido alvo de críticas:
— Nenhum dos autores negros que convidamos pôde
aceitar. Essa crítica é pertinente.
É verdade. Fica como uma falha, uma lacuna. Isso é uma coisa a ser discutida. A Flip tem
uma história de diversidade. l
UMA
FEIRA E
EM CIMA
DO MURO
MARIANA FILGUEIRAS
Enviada a Paraty
[email protected]
Curador do evento
comenta a ausência de
mesas de debates
sobre questões atuais
m junho de 2013, quando
uma onda de manifestações varreu o país, a Flip
incluiu às pressas três mesas de
debates sobre o que acontecia
no Brasil. Com ingressos esgotados e transmissão on-line, a estratégia esquentou o perfil do
evento, até então focado em discussões literárias. A temperatura
seguiu alta em 2014 e 2015,
quando se discutiram questões
indígenas, a memória da ditadura militar, a relação entre as cidades e a democracia etc.
Neste ano, no entanto, a impressão que se tem é que a Flip
esfriou. Em tempo de crise polí-
Às 10h, mesa “A teus
pés”, com Annita Costa
Malufe, Laura Liuzzi e
Marília Garcia.
Ao meio-dia, mesa
“Cidades refletidas”,
com Francesco Careri e
Lúcia Leitão.
Às 15h, mesa “Os
olhos da rua”, com
Caco Barcellos e Misha
Glenny.
Às 17h15m, mesa
“Histórias naturais”,
com Álvaro Enrigue e
Marcílio França Castro.
Às 19h30m, mesa
“Matéria cinzenta”,
com Henry Marsh
Suzana
Herculano-Houzel.
Às 21h30m, mesa “Na
pior em Nova York e
Edimburgo”, com Bill
Clegg e Irvine Welsh.
Às 10h, mesa
“Breviário do Brasil”,
com Benjamin Moser e
Kenneth Maxwell.
Ao meio-dia, mesa “A
história da minha
morte”, com João
Paulo Cuenca e Valeria
Luiselli.
Às 15h, mesa “O show
do eu”, com Christian
Dunker e Paula Sibilia.
Às 17h15m, encontro
com Karl Ove
Knausgård.
Às 19h30m, mesa
“Mixórdia de
temáticas”, com
Ricardo Araújo Pereira
e Tati Bernardi.
Às 21h30m, mesa
“Sexografias”, com
Gabriela Wiener e
Juliana Frank.
SÁBADO, DIA 2
Às 10h, encontro com
Leonardo Fróes.
Ao meio-dia, mesa “De
Clarice a Ana C.”, com
Benjamin Moser e
Heloisa Buarque de
Hollanda.
Às 15h, mesa
“Encontro da arte com
a ciência”, com Arthur
Japin e Guto Lacaz.
Às 17h15m, encontro
com Svetlana
Aleksiévitch.
Às 19h30m, mesa “O
falcão e a fênix”, com
Helen Macdonald e
Maria Esther Maciel.
Às 21h30m, mesa “O
palco é a página”, com
Kate Tempest e Ramon
Nunes Mello.
DOMINGO, DIA 3
Às 10h, mesa “Síria
mon amour”, com
Abud Said e Patrícia
Campos Mello.
Ao meio-dia, mesa
“Sessão de
encerramento: Luvas
de pelica”, com Sérgio
Alcides, Vilma Arêas.
Às 14h15m, mesa
“Livro de cabeceira”,
com Arthur Japin,
Helen Macdonald,
Heloisa Buarque de
Hollanda, J. P. Cuenca,
Karl Ove Knausgård,
Kate Tempest, Laura
Liuzzi e Marcílio França
Castro, entre outros.
4
l O GLOBO
l Segundo Caderno l
Quarta-feira 29 .6 .2016
Artes Cênicas
LUIZ FELIPE REIS
FOTOS DE HERMES DE PAULA
NATALIA CASTRO
[email protected]
E
ntrar no Teatro Riachuelo
Rio, na Rua do Passeio, é
voltar ao passado. O novo
espaço ocupa o lugar onde funcionou, a partir de 1943, o Cine Palácio, um marco da Cinelândia e
da cultura carioca. Desativado
como cinema em 2008 e fechado
para obras há dois anos, o prédio
— que data do século XIX e é
tombado como patrimônio histórico — será, enfim, devolvido
ao Centro da cidade, com inauguração para convidados no dia
10 de agosto. Para o público, o espaço abre no dia 12, com dois
musicais: a estreia de “Garota de
Ipanema, o amor é bossa” e a
reestreia de “SamBRA, o musical
— 100 anos de samba”.
— Queríamos estar nos Jogos
Olímpicos — explica Aniela Jordan, sócia da Aventura Entretenimento, empresa responsável
por gerir o projeto. — O Rio de
Janeiro estará cheio de gente de
fora, estamos no Centro, com
dois espetáculos sobre ritmos
emblemáticos, que são a bossa
nova e o samba. É um lugar de
acesso fácil, para que todo
mundo possa vir.
COMPLEXO COMERCIAL
O terreno ao lado, que abrigará
o complexo comercial Passeio
Incorporate, foi comprado pelo
Banco Opportunity em 2008.
Em 2011, surgiu a chance para
que o grupo comprasse o imóvel do Cine Palácio.
— Poderíamos ampliar nosso
espaço, ter uma saída para a Rua
do Passeio, mas, em contrapartida, teríamos que revitalizar o lugar. E não tínhamos ideia de como se faz reforma de teatro. E
nem expertise para operar um
teatro. Foi um desafio deixá-lo
de pé, já que as estruturas são
bem antigas — diz Jomar Monnerat, gestor de fundos imobiliários do Opportunity.
A parceria foi fechada com a
entrada da rede varejista Riachuelo, que dá nome ao teatro.
Calcula-se que cerca de dez
mil pessoas circularão pelo local diariamente.
— É importante botar em
perspectiva o que acontece no
país. A decisão de colocar o teatro de pé foi de três anos atrás
e, mesmo diante de tudo o que
vem acontecendo, resolvemos
prosseguir. O Teatro Riachuelo
Rio será um centro de arte, de
Volta à ativa. O espaço de aproximadamente 3.500 m² ganhou palco de 280 m², camarins, sala de ensaio e fosse de orquestra: orçamento de R$ 42 milhões
Passeio no Palácio
Desativado desde 2008, prédio icônico do Centro do Rio e da cultura
do país reabre como teatro em agosto, com dois musicais em cartaz
Detalhes. Na reforma, o imóvel, que é tombado pelo patrimônio histórico e abrigou o Cine Palácio a partir de 1943, teve projeto do designer Zanini de Zanine
cultura e entretenimento.
Inaugurar um teatro no Rio é
um ato de amor. Amor à arte, à
cultura, ao país, ao Rio de Janeiro — avalia Luiz Calainho,
também sócio da Aventura.
Por enquanto, em meio a tapumes, latas de tinta e material
de obra, somente dá para imaginar como vai ficar o espaço,
cujo orçamento para sua execução é de R$ 42 milhões. Antes dividido em duas salas de
cinema, o local de aproximadamente 3.500 metros quadrados
ganhou um palco de 280 metros quadrados, plateia para
mil pessoas, camarins, sala especial de ensaio, fosso de orquestra e caixa cênica.
O projeto de design é do Studio Zanini, com peças criadas
exclusivamente pelo designer
Zanini de Zanine, como as
torneiras e luminárias, inspiradas nas de antigamente, e as
cadeiras dos balcões que dão
para o palco. Todo o processo
de reforma teve acompanhamento do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade — as
paredes foram restauradas e o
único lustre original que restou do cinema será incorporado ao novo teatro.
PRÉDIO FOI INAUGURADO EM 1890
A ideia é que a programação
seja abrangente, com a apresentação de espetáculos que
vão de musicais a óperas, passando por shows e balés. Um
resgate à importância histórica
do prédio, como explica o escritor Ruy Castro, responsável
pela pesquisa histórica que levará à produção de um livro sobre o imóvel.
— Esse prédio faz parte da
cultura brasileira. Durante cem
anos, exibiu grandes e pequenos espetáculos. Milhões de
pessoas passaram por aqui. É
um milagre que esteja de volta.
Espero que seja o começo de
uma mobilização que atinja o
entorno, e que o Passeio Público volte a fazer jus a uma história de muitos anos.
O prédio foi inaugurado em
1890, como Cassino Nacional
Brasileiro. Em 1906, ganhou o
nome de Palace Theater. Em
1929, passou a funcionar como
Palácio Teatro, quando exibiu
“Theatro Broadway melody”,
um dos primeiros filmes musicais da história do cinema e
vencedor do Oscar de Melhor
Filme em 1930. l
HISTÓRIA DE AMOR PRESA NO TEMPO ENTRE A TELA E O PALCO
Teatro
Crítica
“LOVE STORY — O MUSICAL’’
ONDE: Imperator — Rua Dias da Cruz 170,
Méier (2597-3897). QUANDO: Sex. e sáb., às
20h; dom., às 19h. Até 31/7. QUANTO: R$ 50
e R$ 60. CLASSIFICAÇÃO: 10 anos.
COTAÇÃO: Regular.
MACKSEN LUIZ
[email protected]
E
m 1970, em meio à onda
de paz e amor, o filme
“Love story” percorria
outra trilha amorosa. O casal
que se une, apesar das diferenças sociais, e que somente a
morte separa, representa com
seu romantismo açucarado um
dos maiores sucessos da cinematografia da década. Previsível na condução da narrativa e
indutor de emoções fáceis no
desfecho, o filme cumpriu, com
farta bilheteria, a sua carreira
comercial. Tantos anos depois,
uma dupla de ingleses decide
ressuscitar em formato de musical o que parecia ter sobrevivido como registro de uma produção bem-sucedida para a tela. Não se imagina que os autores esperassem igual repercussão ou ambicionassem recriar,
no novo gênero, o que já estava
acondicionado na origem. A dificuldade inicial da adaptação
está no tempo que desgastou,
severamente, os apelos sentimentais, e secou, implacavelmente, furtivas lágrimas.
Não há como embarcar nos
diálogos, agora cantados, de juras de amor eterno sem que soem desarmônicos. Muito menos se emocionar com a iminência da separação definitiva
como ápice da emoção. Com
FERNANDO LEMOS/7-6-2016
Em cena. Elenco de atores negros do musical “Love story’’: atuações e vozes contidas; destaque para protagonistas
trilha que não foge ao convencionalismo de canções padronizadas por fórmulas, a música
acompanha a ação como elemento ilustrativo. A direção de
Tadeu Aguiar procura dar algum
clima romântico aos amuos do
casal, com toques de humor que
contrabalancem o final. À procura de efeitos que confirmem a
espetaculosidade dos musicais,
o cenário aparenta mais do que
é. Os figurinos adquirem mais
cores do que na profusão de trocas de roupas. E a direção musical e a orquestra de cordas ampliam a sonoridade do repertório uniforme. Do elenco, com
atuação e vozes contidas, se destacam Fábio Ventura e Kacau
Gomes por força do protagonismo dos personagens. Em duetos, entre briguinhas melosas e
melancólica separação, os intérpretes tentam reviver o que se
perdeu há décadas. l
Agenda da semana
BBTeatro
HOJE
Clássico de Tennessee
Williams, “Gata em telhado
de zinco quente” ganha
montagem do Grupo Tapa,
que estreia no CCBB
(3808-2020), às 20h. Com
direção de Eduardo
Tolentino, a encenação
aposta num elenco enxuto,
formado pelos atores
Augusto Zacchi, André
Garolli, Bárbara Paz,
l
Fernanda Viacava, Noemi
Marinho e Zécarlos Machado.
Em cena, uma narrativa
sobre disputas — por
privilégios, dinheiro e
herança — toma a casa da
família Pollit no dia do
aniversário de 65 anos do
patriarca, um típico sulista
americano.
l Com texto e direção de
Kiko Marques (Velha
Companhia), “Cais ou da
indiferença das
embarcações” estreia no
Espaço Sesc (2548-1088), às
19h30m. Dividida em dois
atos, e com 12 atores e dois
músicos em cena, a peça é
uma narrativa de encontros
e desencontros que se passa
em um cais na Ilha Grande,
em Angra dos Reis. Ali, em
plena virada de ano, é
contada a história de três
gerações de uma família, a
partir do ponto de vista de
um velho barco.
Julio Adrião faz a última
sessão de “A descoberta
das Américas”, de Dario Fo,
no Teatro Serrador
(2220-5033), às 19h30m.
Direção de Alessandra
Vanucci.
l
SEXTA, DIA 1º
Com Denise Fraga no
papel-título e direção de
Cibele Forjaz, “Galileu
Galilei”, de Bertolt Brecht,
estreia no no Teatro João
l
Caetano (2332-9257), às
19h30m. A montagem põe
dez atores em cena para
reconstruir a narrativa de
Brecht, focada nos
embates entre razão e
religião, a partir do
episódio em que a Igreja
Católica obrigou Galileu a
mentir sobre sua
descoberta de que a Terra
não é o centro do universo,
no século XVII.
l Inspirado em parte da vida
e da obra de Clara Nunes, o
musical “O mar serenou...
Um conto de Clara” estreia
na Sala Baden Powell
(2255-1067), às 20h. Com
texto de Cazé Neto, que
coassina a direção com
Milton Filho, a montagem
traz quatro músicos e oito
atores em cena,
interpretando 28 canções de
Clara, entre elas “Canto das
três raças”, “Morena de
Angola” e “Nação”.
DOMINGO, DIA 3
SEGUNDA, DIA 4
l
l
A segunda edição do
Festival Midrash de Teatro
(2239-1800) começa no
domingo com dois
espetáculos: “Pelo buraco
da fechadura”, de Rodrigo
Santos, sob a direção de
Helyane Silsan, às 18h; e na
sequência “Uma Ilíada”, de
Lisa Peterson e Denis
O’Hare, com direção e
atuação de Bruce
Gomlevsky, às 20h.
Também pelo Festival
Midrash, o ator Roberto
Rodrigues apresenta na
segunda e na terça-feira, às
19h, o solo “Se vivêssemos em
um lugar normal”, de Juan
Pablo Villalobos. Depois, ainda
na segunda e na terça, às 21h,
Bruce Gomlevsky dirige
“Blackbird”, do escocês David
Harrower, com os atores
Viviani Rayes, Yashar
Zambuzzi e Débora Ozório.
l Segundo Caderno l
Quarta-feira 29 .6 .2016
O GLOBO
VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA NO CELULAR
OU ACESSE NO SITE: rioshow.com.br
OS DESTAQUES DE HOJE DA PROGRAMAÇÃO CULTURAL
Cinema ‘Olympic pride, American prejudice’
Cinema ‘Procurando Dory’
Teatro ‘Acredite, um espírito baixou em mim’
Cheios de raça
Busca no
azul profundo
Somente uma
vida não basta
Depois de ajudar Marlin a achar seu filho
Nemo, a esquecida
Dory se lembra de que
tem uma família e
decide procurá-la. O peixinho azul, que sabe
até falar “baleiês“, protagoniza a animação de
Andrew Stanto, que estreia amanhã e tem
sessões de pré-estreia hoje.
A comédia de Ronaldo Ciambroni que
conta a história de
um homossexual (interpretado por Ilvio
Amaral) que morre e volta à Terra incorporado em um machista radical completa 18 anos
em cartaz. Agora, a peça volta em temporada
no Teatro Vannucci.
O velocista americano
Jesse Owens (foto), que
conquistou quatro medalhas na Olimpíada de
Berlim de 1936, inspirou o filme “Raça” (de Stephen Hopkins) e
também está no doc de Deborah Riley Draper,
que mostra a participação de outros 17 atletas
negros no evento. Hoje, depois da première do
longa (“Orgulho olímpico, preconceito americano”), gratuita, há bate-papo com a diretora.
ONDE: Cinemateca do MAM. Av. Infante Dom Henrique 85, Aterro
do Flamengo (3883-5630). QUANDO: Qua, às 19h.
QUANTO: Grátis. CLASSIFICAÇÃO: Livre.
l 5
ONDE: Cinemark Botafogo, Downtown, Plaza Shopping e VillageMall. QUANDO: Qua, à meia-noite. QUANTO: De acordo com a sala.
CLASSIFICAÇÃO: Livre.
O Bonequinho viu
FOTOS DE DIVULGAÇÃO
ONDE: Teatro Vannucci. Shopping da Gávea, 3º piso. Rua Marquês
de São Vicente 52, Gávea (2274-7246). QUANDO: Qua a sáb, às 21h.
Dom, às 20h30m. Até 28 de agosto. QUANTO: R$ 70.
CLASSIFICAÇÃO: 12 anos.
Show Luiz Melodia
Para ficar na memória — e no DVD
DOCUMENTÁRIO
‘Paratodos’
Um grupo de atletas paralímpicos brasileiros é
acompanhado durante alguns anos pela equipe do diretor Marcelo Mesquita em um documentário que revela não só a tenacidade dos
personagens, mas também intrigas e injustiças dos bastidores.
Sérgio Rizzo
DRAMA
‘Marguerite’
Ponto para Catherine Frot, em interpretação
que lhe valeu um dos quatro prêmios Cesar
conquistados pelo longa. Tudo faz com que
nos sintamos mais envergonhados de nós
mesmos no nosso papel de juízes do talento
alheio do que por Marguerite.
Carlos Helí de Almeida
SUSPENSE
Nasce hoje à noite o quarto DVD da carreira — de mais de 40 anos — de Luiz Melodia, na sequência de “Luiz Melodia convida”, “Estação Melodia ao vivo” e “Ensaio”. O cantor nascido e criado no Estácio
e morador de São Conrado escolheu o
Teatro da UFF, em Niterói, para registrar
em vídeo a turnê de seu álbum mais
recente, “Zerima”, lançado em 2014.
O repertório do show é, claro, baseado nas músicas do CD, como “Cheia de
graça”, “Vou com você” e “Maracangalha”, e terá a participação de seu filho
Mahal Reis, assim como no disco.
Clássicos na voz do cantor também
estão garantidos, como “Pérola negra” (no arranjo original de 1973),
“Vale quanto pesa”, “Magrelinha” e
“Ébano”, além de “Parei, olhei”, de Roberto
Carlos.
— Os clássicos sempre provocam um momento de maior euforia no show. Eu queria
gravar este DVD num lugar menor, e calhou
de ser dentro de um projeto supersimpático
(a série MPB em Cena, produzida pelo Centro de Artes UFF), que teve a aprovação do
meu engenheiro de som — explica o eterno
negro gato.
Melodia subirá ao palco com uma banda
de oito integrantes, que inclui sax, guitarra,
teclado, bateria, baixo, dois trompetes e
trombone. (Eduardo Fradkin)
ONDE: Teatro da UFF. Rua Miguel de Frias 9, Niterói (3674-7511).
QUANDO: Qua, às 20h. QUANTO: R$ 40. CLASSIFICAÇÃO: Livre.
‘O caseiro’
As limitações em relação aos filmes recheados de efeitos especiais de Hollywood ressaltam ainda mais o bom resultado obtido pela
simplicidade e falta de pretensão de Julio
Santi, que entrega um filme que aguça a
curiosidade e provoca arrepios.
Mario Abbade
DOCUMENTÁRIO
‘Funk Brasil’
Como qualquer obra coletiva, é desigual no
conjunto, mas oferece informações curiosas
sobre o ritmo que enfrentou preconceitos antes
de se tornar patrimônio. Os segmentos tencionam contar a história sem se preocupar com
abordagens rebuscadas.
Carlos Helí de Almeida
DRAMA
‘Mais forte
que o mundo — A história
de José Aldo’
A bela performance de José Loreto como
Aldo quase é comprometida pela necessidade de Afonso Poyart em transformar todas as
cenas em algo épico, não deixando espaço
para algum silêncio ou momento de reflexão.
Mario Abbade
COMÉDIA DRAMÁTICA
‘Nós ou nada em Paris’
Show Beach Combers
Show Daniela Spielmann
Show Nina Paola e Sara Lola
Surf music
na Cinelândia
Uma noite
de gafeira
Drags na alegria
e na tristeza
A surf music da banda carioca Beach
Combers chega hoje
ao Teatro Rival. O trio instrumental é formado por Bernar Gomma (guitarra), Paulo Madeira (baixo) e Lucas Leão (bateria) e costuma tocar de forma itinerante, já tendo realizado mais de 1.500 apresentações por ruas e
praças da cidade.
A flautista e saxofonista Daniela Spielmann recebe para
uma noite de gafieira Silvério Pontes (trompete e flugelhorn, na foto), Domingos Teixeira (violão), Rodrigo Villa (baixo) e Xande
Figueiredo (bateria). No repertório, composições de Pixinguinha, Severino Araújo, Chico
Buarque e Tom Jobim, entre outros.
As drag queens Nina
Paola Bellohombre e
Sara Lola Bemdeu
(personagens criadas pelos atores Alessandro Brandão e Gabriel Sanches) fazem hoje,
no Semente, o show “Minhas mulheres tristes”. No repertório, canções de Noel Rosa, Ary
Barroso, Lupicínio Rodrigues e outros artistas do samba-canção.
ONDE: Teatro Rival. Rua Álvaro Alvim 33/37, Cinelândia (22404469). QUANDO: Qua, às 18h. QUANTO: Grátis.
CLASSIFICAÇÃO: 18 anos.
ONDE: Rio Scenarium. Rua do Lavradio 20, Centro (3147-9000).
QUANDO: Qua, às 19h30m. QUANTO: R$ 35.
CLASSIFICAÇÃO: 18 anos.
ONDE: Bar Semente. Rua Evaristo da Veiga 149, Lapa (2507-5188).
QUANDO: Qua, às 20h30m. QUANTO: R$ 20.
CLASSIFICAÇÃO: 18 anos.
MEMÓRIAS DA SEGUNDA GUERRA NA TELA
‘NA VENTANIA’
O filme de Martti Helde se
passa na Estônia da Segunda
Guerra Mundial, quando uma
mulher e a filha são mandadas
para um campo de trabalhos
forçados. 12 anos. Estação Net
Rio 5 (16h10m, 19h50m,
21h45m) e outros.
classificadosdorio.com.br
2534-4333
‘MEMÓRIAS SECRETAS’
O diretor Atom Egoyan parte de
dolorosas histórias do Holocausto para conduzir a trama de
dois idosos que, nos EUA, descobrem a pista de um carrasco
nazista. 14 anos. Zona Sul:
Estação Net Gávea (14h30m,
19h) e Net Rio (17h45m).
‘RAÇA’
O longa de Stephen Hopkins
retrata o atleta negro americano
Jesse Owens, que, com quatro
medalhas de ouro, frustrou os
planos de Hitler de mostrar supremacia ariana na Olimpíada de
Berlim em 1936. 14 anos. Estação
Net Net Ipanema (16h15m, 21h).
Dirigido, roteirizado e estrelado por Kheiron, astro iraniano-francês do stand-up, o filme
opta pela comédia para abordar a juventude de
seus pais, num conturbado Irã e no subúrbio
parisiense. O tom leve impede aprofundamento,
mas cria empatia.
Ruy Gardnier
DRAMA
‘Raça’
Esmiúça o episódio histórico em torno de Jesse
Owens de maneira correta e honesta, mas carece
de falta de ambição artística, por parte do diretor
Stephen Hopkins. O longa é uma cinebiografia
tradicional, que mais parece um filme didático.
Mario Abbade
6
l O GLOBO
l Segundo Caderno l
Quarta-feira 29 .6 .2016
Os destaques de hoje na TV
GloboNews, 23h
ROBERTO STUCKERT FILHO/18-10-1997
FOTOS DE DIVULGAÇÃO
Uma parte
da História
Ulisses Guimarães faria 100
anos em outubro, e o “Arquivo N’’ relembra a trajetória do político, que morreu
em um acidente de helicóptero e cujo corpo jamais foi
encontrado.
Natalia Castro
[email protected]
GNT, 19h30m
Nat Geo, 22h
TV Cultura, 23h30m
TV Brasil, 23h30m
‘Que seja doce’
‘Reis das minas’
‘Cultura livre’
No reality culinário comandado por Felipe Bronze, os
participantes terão que
preparar sugestões para um
luau na praia, como doces
com marshmallow e torta
com frutas.
A equipe de mineradores vai
até o Sri Lanka explorar
minas atrás da Padparadja,
também conhecida como a
Rainha das Safiras, por ser
considerada a safira mais
rara do mundo.
No estúdio do programa, o
músico Otto fala com Roberta Martinelli sobre seu
processo de composição e
apresenta algumas de suas
músicas, influenciadas por
ritmos brasileiros.
‘Revista do cinema
brasileiro’
Natália Lage recebe o preparador de atores Sergio Penna,
responsável, entre outros,
pela performance de Rodrigo
Santoro em “Heleno” (2012).
Horóscopo
POR CLAUDIA LISBOA
(21/3 a 20/4)
Elemento: Fogo. Modalidade:
Impulsivo. Signo complementar:
Libra. Regente: Marte.
Quando a impulsividade se torna
a principal força que comanda
suas ações, por um lado existe
intuição e criatividade e, por outro,
precipitação. É tempo de transformar seus impulsos.
LIBRA
(23/9 a 22/10)
Elemento: Ar. Modalidade:
Impulsivo. Signo complementar:
Áries. Regente: Vênus.
Ao não ter convicção de seus
ideais, é difícil resolver impasses.
Só é possível resolvê-los tendo
firmeza. É tempo de enfrentar os
desafios com pulso firme, sem
perder o dom de harmonizar.
TOURO
(21/4 a 20/5)
Elemento: Terra. Modalidade: Fixo.
Signo complementar: Escorpião.
Regente: Vênus.
É bom dar importância às coisas,
tendo cuidado e carinho por elas.
No entanto, ao se apegar demais,
você pode sofrer com as perdas. É
tempo de curtir as coisas no seu
devido tempo.
ESCORPIÃO
(23/10 a 21/11)
Elemento: Água. Modalidade: Fixo.
Signo complementar: Touro.
Regente: Plutão.
É possível que grande parte dos
conflitos seja decorrente das suas
inseguranças e da sua necessidade de autoafirmação. É tempo de
investir em práticas que o ajudem
a reconhecer o seu valor.
GÊMEOS
(21/5 a 20/6)
Elemento: Ar. Modalidade: Mutável.
Signo complementar: Sagitário.
Regente: Mercúrio.
Este parece ser um momento em
que não se pode conter as
pressões. É preciso fazer algo, mas
também é preciso ter calma. É
tempo de encontrar um modo
construtivo de aliviar as tensões.
SAGITÁRIO
(22/11 a 21/12)
Elemento: Fogo. Modalidade:
Mutável. Signo complementar:
Gêmeos. Regente: Júpiter.
Quando uma situação inspira
confiança é preciso baixar a guarda e abrir o coração. Assim é
possível aproveitá-la de verdade. É
tempo de sair da defensiva quando não há real necessidade.
CÂNCER
LEÃO
(21/6 a 22/7)
Elemento: Água. Modalidade:
Impulsivo. Signo complementar:
Capricórnio. Regente: Lua.
(23/7 a 22/8)
Elemento: Fogo. Modalidade: Fixo.
Signo complementar: Aquário.
Regente: Sol.
Se o outro contradiz o que pensa,
aproveite a oportunidade para
acolher o novo. É tempo de discutir as diferenças sem, entretanto,
entrar em embate com aqueles
que apontam outras direções.
O verdadeiro líder sabe exercer as
atividades que encarrega aos
outros, pois, se precisar, deve
demonstrar como se faz. É tempo
de ser mais humilde para obter o
verdadeiro poder de comando.
CAPRICÓRNIO
(22/12 a 20/1)
Elemento: Terra. Modalidade:
Impulsivo. Signo complementar:
Câncer. Regente: Saturno.
AQUÁRIO
Ao se dedicar com perseverança
ao alcance dos seus objetivos de
vida, é importante saber dividir os
resultados com aqueles que
estiveram ao seu lado. É tempo de
compartilhar o sucesso e retribuir.
(21/1 a 19/2)
Elemento: Ar. Modalidade: Fixo.
Signo complementar: Leão.
Regente: Urano.
Ao olhar de fora, afastando seus
temores, é possível que veja o
mundo sob uma nova ótica. Assim
é possível criar forças para enfrentar o que for preciso. É tempo de
pedir a opinião de outras pessoas.
Logodesafio
POR SÔNIA PERDIGÃO
VIRGEM
(23/8 a 22/9)
Elemento: Terra. Modalidade:
Mutável. Signo complementar:
Peixes. Regente: Mercúrio.
Este pode ser um momento em
que seja preciso bater o martelo e
deixar para trás inseguranças e
incertezas. É tempo de tomar
decisões maduras que são resultado de uma análise profunda.
PEIXES
(20/2 a 20/3)
Elemento: Água. Modalidade:
Mutável. Signo complementar:
Virgem. Regente: Netuno.
Nem sempre a imaginação corresponde à realidade. Para que não
haja desilusões, é necessário
conhecer concretamente as coisas. É tempo de buscar praticidade e objetividade nas relações.
Foram encontradas 9 palavras: 9 de 5 letras, além
da palavra original. Com a sequência de letras LA
foram encontradas 19 palavras.
Instruções: Encontrar a palavra original utilizando
todas as letras contidas apenas no quadro maior.
Com estas mesmas letras formar o maior número
possível de palavras de 5 letras ou mais. Achar
outras palavras (de 4 letras ou mais) com o auxílio
da sequência de letras do quadro menor. As letras
só poderão ser usadas uma vez em cada palavra.
Não valem verbos, plurais e nomes próprios.
Solução: aéreo, envio, navio, nervo, névoa, noiva, reino, vênia, verão; VERANEIO. Com a
sequência de letras LA: avelã, laia, laivo, larva, lavor, lavra, nela, novela, olaria, orla, rala,
rola, vala, valão, varíola, vela, vila, vilão, viola.
ÁRIES
Expediente
EDITORA: FÁTIMA SÁ [email protected] l EDITORES ASSISTENTES: CRISTINA FIBE [email protected],
EDUARDO FRADKIN [email protected], EDUARDO RODRIGUES [email protected], GABRIELA GOULART
[email protected], HELENA ARAGÃO [email protected] l DIAGRAMAÇÃO: PAULA FABRIS, PAULO SILVA E
TOMÁS BREVES l TELEFONES: REDAÇÃO: 2534-5703 l PUBLICIDADE: 2534-4310 [email protected] l
CORRESPONDÊNCIA: Rua Irineu Marinho 35, 2º andar. CEP: 20233-900
l Segundo Caderno l
Quarta-feira 29 .6 .2016
Parece carnaval, mas é ‘Os Dez
Mandamentos’ anos mais tarde
[email protected]
PATRÍCIA
KOGUT
Crítica
COM FLORENÇA MAZZA, ANNA LUIZA SANTIAGO
E RAFAELA SANTOS
SÉRIE DE MISTÉRIO
Paulo Halm desenvolve com a diretora
Joana Jabace (de “Avenida Brasil” e “A
regra do jogo”) o projeto de uma
minissérie para a Globo. “A cidade das
luzes e das sombras” é uma história de
mistério, no estilo de “Twin Peaks”.
Halm foi coautor de “Totalmente
demais” (com Rosane Svartman).
10
0
Para “80 e tal”, no OFF. A
série mostra a trajetória de
surfistas que despontaram
naquela época com imagens
de arquivo deliciosas e
trilha, idem. E relembra
novelas, moda e fatos que
marcaram a década.
Para “Pelados e apaixonados”,
no Home & Health. A uma
certa altura, um sujeito dizia a
uma mulher que era bom eles
estarem nus: “assim sei pelo
que estou batalhando”. Só
vendo (sem duplo sentido).
Depois de meio elenco ser engolido por um buraco, “Os
Dez Mandamentos — Nova
temporada” sofreu uma passagem de tempo. Foi longo o
périplo de Moisés e seu povo
no Sinai, mas eis que eles estão chegando perto da Terra
Prometida. Para marcar esta
nova fase, os personagens que
continuaram na trama ganharam cabelos grisalhos. Eles resistiram à Rebelião de Corá,
mas parecem sobreviventes
de uma tempestade de talco.
Anteontem, a novela da Record mostrou as sequências
da morte de Aarão (Petrônio
Gontijo). Foi bem dramático.
Antes de subir o Monte Hor,
ele e o irmão, Moisés (Guilherme Winter), se despediram muito emocionados.
Abraçaram-se com força. A
trilha sonora ecoou, em sintonia com a gravidade da ocasião. Eles se olharam pela antepenúltima vez. Se abraçaram.
Se olharam pela penúltima
vez. O patriarca segurou o cajado, o abadá, o esplendor. O
tom da trilha voltou a subir. A
mistura das cabeleiras brancas de ambos deu a impressão
de um amplexo de Papais Noéis. Até que Aarão lançou a
olhada derradeira e partiu.
Nessa hora, a câmera mirou
nos pés dele, que descalçou
as sandálias de dedo da Bahia
e seguiu sua dura escalada.
Foi devagar: de acordo com o
Velho Testamento, o profeta
tinha 123 anos quando partiu
dessa para melhor. Puxado.
Paralelamente, em outro
núcleo da trama, o pessoal de
Canaã estava apavorado com
a possibilidade de um ataque
de Moisés. Lá também choveu talco. Marcela Barrozo
(Betânia) continua com carinha de menina, mas a cabeleira prateou. Os marombeiros andam curvados, para fazer jus à idade avançada. A
temporada é “nova”, mas lembra muito a anterior. Deve ser
porque o povo envelhece
bem no deserto.
Alex Escobar estreia o quadro “Jogos espetaculares”
no próximo domingo, no “Esporte espetacular”. Ele
gravou com a ginasta Natália Gaudio, que estará
representando o Brasil na Olimpíada
Érika Mader
adaptou para o
teatro e dirige
“Os insones”,
livro do tio,
Tony Bellotto,
casado com
Malu Mader.
Érika o
convidou para
fazer a trilha e
ele trouxe para
o projeto o filho
mais velho,
João Mader
Bellotto, de 21
anos, que
estuda cinema
e pretende se
especializar em
trilhas
TODAS
AS TELAS
A Ancine
divulgará hoje
em seu site a
lista de
projetos
habilitados no
edital de
desenvolvimento de
projetos para
cinema e TV
do programa
Brasil de
Todas as
Telas. A linha
é uma das
mais
concorridas:
este ano,
foram 893
candidatos.
Agora, 752
seguem na
disputa por
uma fatia dos
R$ 10 milhões.
FERNANDO LEMOS
Ponte. Ex-diretor da
instituição, Braga
ressalta a importância
da aproximação com
movimento sociais
Efeito cascata 1
Caso de polícia
A crise na EBC também
alcança as produtoras
independentes com as
quais a empresa tem
contratos. Muitas delas não
estão recebendo. A ABPITV
(organização de produtores
de TV) pediu a seus
associados que relatem
eventuais casos de quebra
de acordos comerciais.
Sergio Malheiros, Érico
Brás e Augusto Madeira
gravam uma websérie
policial. A história vai girar
em torno de um grupo de
criminosos, entre eles, um
traficante que se torna
matador de aluguel. É
produção da Gullane.
Efeito cascata 2
Campeões mundiais de
surfe, Phil Rajzman (que é
filho do Bernard, do vôlei) e
Chloe Calmon estão
gravando a segunda
temporada de “9Pés”. A série,
do OFF, é produzida pelo
Grupo Sal. A dupla já gravou
no México — em Sayultia,
paraíso dos pranchões —,
em Ubatuba e no Paraná.
A Giros, por exemplo, teve
que parar as gravações do
“Segue o som” e do “Samba
na Gamboa”. A nova
temporada de “Expedições”,
da RW Cine, não foi coberta,
assim como a “Revista do
cinema brasileiro”,
tradicionalíssimas atrações.
Finalmente, a cota de
patrocínio do
RioContentMarket, evento
que aconteceu em março, de
R$ 76 mil, também não foi
quitada. Nem há previsão.
D
PARA ONDE CAMINHA A FUNARTE
Novo presidente do órgão, Humberto Braga quer ‘potencializar a produção artística profissional’
[email protected]
N
ovo presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Humberto Braga, 69 anos, ainda aguarda a
publicação de sua nomeação no “Diário
Oficial’’, mas já trabalha numa sala do prédio que abriga o Teatro Glauce Rocha, no
Centro. A mudança para o gabinete do Palácio Gustavo Capanema, diz ele, será feita
“logo após a nomeação”. Segundo Braga, o
movimento OcupaMinC, que há quase
dois meses faz uma ocupação política e
cultural no local, “não é um impeditivo” à
sua chegada. Com orçamento deste ano
previsto em R$ 64,5 milhões — para atividades de administração e para investimento em fomento às artes —, Braga foi
escolhido para o cargo pelo ministro da
Cultura, Marcelo Calero, e inicia seu trabalho na semana seguinte ao anúncio, por
parte do MinC, da liquidação de pendências da Funarte em relação ao pagamento
de editais atrasados de 2014 e 2015. Ao
mesmo tempo, parte da programação cultural da Olimpíada, a ser realizada na Lapa
e orçada em R$ 10,4 milhões, ainda aguarda liberação de verba pelo órgão.
— Essa verba não sai do orçamento
da Funarte, mas da presidência e do
MinC. Esse convênio, agora, está sendo
avaliado pelo ministério — diz ele.
TRABALHO COM TEATRO NO CURRÍCULO
Reconhecido por seu trabalho dedicado
ao teatro da infância e da juventude, e por
ter sido diretor de Artes Cênicas da Funarte entre 1994 e 2000, Braga acredita
que sua experiência e sua proximidade
com a área favorecerão o diálogo com a
classe artística — num momento em que
parte do setor questiona a legitimidade
do governo interino de Michel Temer — e
a elaboração de “políticas públicas para
as artes que sejam duradouras, para que
o fomento às artes independa das oscilações e crises de mercado”:
— Aceitei o convite, mesmo num momento delicado, pois quero contribuir para a criação de políticas públicas de caráter
nacional, para fortalecer a realização artística no país. Acho que a última gestão (do
MinC) se aproximou de movimentos sociais, mas se afastou da produção artística
profissional. Quero potencializar essa produção, sem abrir mão do contato e das
contribuições dos movimentos. Respeito
as reivindicações da sociedade e, no Capanema, vou dialogar, assim como o ministro (Marcelo Calero) tem tentado dialogar.
Não tenho nada contra as manifestações
artísticas que vêm sendo desenvolvidas lá.
Temos uma preocupação com o patrimônio, que tem de ser respeitado, mas a utilização do Capanema para ações culturais é
algo que a Funarte buscará continuar.
Braga começou a carreira como servidor público em 1968, no então Ministério
da Educação e Cultura. Em 1976, ainda
sob a ditadura militar, integrou o Serviço
Nacional de Teatro, entidade que, em
1982, passou a se chamar Instituto Nacional de Artes Cênicas (Inacen). Depois, em
1989, já na redemocratização, participou
da Fundação Nacional de Artes Cênicas
(Fundacen). A partir da criação da Funarte, em 1994, tornou-se diretor de Artes
Cênicas da instituição, até 2000, quando
assumiu a secretaria de Música e Artes
Cênicas do Ministério da Cultura (MinC),
que ocupou até 2003.
— Eu me aposentei em 2003, mas segui participando de atividades da Funarte — diz. — Como servidor, já passei pela
ditadura, por Collor, me sinto preparado
a enfrentar esse momento difícil. l
Vida sobre ondas
NA WEB
patriciakogut.com
O mundo da televisão passa
por aqui. Visite.
BEATRIZ BRACHER
VENCE PRÊMIO RIO
Autora conquista a
categoria Ficção; sua
editora, 34, ainda ganha
em melhor Ensaio
LUIZ FELIPE REIS
l 7
ARQUIVO PESSOAL
A TRILHA
FAMILIAR
TV GLOBO
PRESENÇA
POPULAR
O GLOBO
eu dobradinha da Editora 34 na primeira
edição do Prêmio Rio
de Literatura. A escritora paulistana Beatriz Bracher venceu
a categoria Ficção, com o romance “Anatomia do paraíso”,
e o historiador e crítico de literatura Antonio Arnoni Prado,
também de São Paulo, a categoria Ensaio, com “Dois letrados e o Brasil nação”. Cada um
deles receberá R$ 100 mil. Beatriz é uma das fundadoras da
editora criada em 1992.
Parceria entre a Fundação
Cesgranrio e a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, o Prêmio Rio de Literatura
foi criado em outubro de 2015.
Trinta e cindo editoras do país
inscreveram 410 livros nas duas
categorias (ficção e ensaio) de
Melhor Obra Publicada, e 197
autores disputaram com textos
inéditos a modalidade Melhor
Novo Autor Fluminense. Quem
ganhou esta modalidade foi
Izabela Guerra Leal, com o livro
“A intrusa”. Ela receberá R$ 10
mil e uma edição de mil exem-
plares de seu texto. O júri, integrado por, entre outros, Antonio
Carlos Secchin e Heloisa Buarque de Hollanda, considerou
que a qualidade das obras inéditas superou as expectativas.
Por isso, decidiu conceder uma
menção honrosa nessa categoria, para Clara Ferrer, por “Amores monstruosos”. Ela vai ganhar
500 exemplares de sua obra.
AMOR E LITERATURA
O romance premiado de Beatriz
Bracher foi apontado pela equipe do Segundo Caderno como
um dos dez melhores publicados no país em 2015. Ele investiga o desejo, a inocência e os
conflitos entre homem e mulher a partir da relação amorosa
entre um jovem estudante de literatura obcecado pelo clássico
“Paraíso perdido”, do inglês
John Milton, e sua vizinha em
um prédio de Copacabana. Já o
ensaio de Arnoni Prado analisa
as trajetórias dos críticos e historiadores Manuel de Oliveira
Lima (1867-1928) e Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982)
para apresentar suas concepções diametralmente opostas
de história, cultura e nação.
A cerimônia de premiação
será realizada no dia 11 de julho, na sede da Fundação Cesgranrio, no Rio Comprido. l
LEO MARTINS/1-10-2015
Beatriz Bracher. Seu livro “Anatomia do paraíso” foi apontado melhor ficção
8
l O GLOBO
l Segundo Caderno l
E-mail: [email protected]
“É
a curva que dá sentido à estrada.” “Quem não reage rasteja.” “A
linha reta não diz nada de uma
caminhada.” Pois, sim, meu irmão. Welcome to Brasil profundo. Frases de para-choque de caminhão, produtos Avon comprados da vizinha, pai e filho juntos no prostíbulo da periferia. O sertão não virou mar, mas
segue em toda a parte. Bem-vindos a Peixe de
Pedra, onde quem não se move vira fóssil.
Bem-vindos ao pequeno grande Brasil de
Claudio Assis, o mesmo de “Amarelo manga”,
“Baixio das bestas” e “Febre do rato”. Fui ver
“Big Jato”, último filme de Claudio, baseado no
romance homônimo de Xico Sá, e saí romântica rural — se é que isso existe —, com vontade
de ouvir forró e tomar cachaça, e com preguiça
de Olimpíada e progresso. Progresso com aspas, naturalmente. Às vezes a gente dá certo
mesmo quando dá errado, ou exatamente por
isso. Porque, apesar do assassinato da médica
na Linha Vermelha, da onda conservadora que
toma conta da Europa, e das cinco mortes na
favela do Rola, tudo na mesma semana, ainda
existem garotos fazendo cinema. Porque, apesar da Cláudia Cruz e do Donald Trump, ainda
existe gente que toca gaita no metrô. Nem tudo
é matemática (nem a matemática). Nem tudo
é Brasília e Curitiba com escala na Suíça, e
nem sempre a onça morre no final.
Mas vamos ao filme. Francisco é um menino
quase moço, que, a despeito da brutalidade do
pai e do dia a dia na limpeza de fossas, quer ser
artista — isso no sentido amplo da palavra.
Inspirado pelos livros da escola — palavrinha
mágica que os governos seguem desprezando
— e pelas músicas tocadas na rádio em que
seu tio trabalha (e a trilha do filme, a cargo do
DJ Dolores, é sensacional), o garoto pressente
um mundo que já tinha firme dentro de si: infi-
MARIA RIBEIRO
‘BIG XICO’
nito, transcendência, os Beatles e os Betos —
banda de rock tupiniquim, que, reza a lenda na
cidade, deu origem ao quarteto de Liverpool —
curiosidade, inadequação. “Esse menino pergunta mais do que trabalha”, reclama seu pai.
Matheus Nachtergaele, o pai, faz de forma
igualmente brilhante os irmãos Francisco e
Nelson, respectivamente um caminhoneiro
árido e um radialista bon vivant. Matheus já tinha feito um nordestino antológico na televisão, na série “O auto da Compadecida”, adaptação de Guel Arraes para a peça de Ariano Suassuna. Seu João Grilo também carregava, como aqui, o DNA da nossa contradição de violência e cordialidade, misturando, à la Macunaima, a pureza e a malandragem do herói
sem caráter de Mário de Andrade. As vísceras,
como diz Jards Macalé, aqui em sua versão
ator. Carteira assinada versus liberdade, entranhas versus juízo, nosso famigerado lado B.
Também Xico Sá, como Nelson Rodrigues, é
um jornalista-escritor, ora limpando fossas, como quando descobriu o paradeiro de Paulo César Farias nos anos 90, ora fazendo poesia com
suas crônicas semanais no “El País” e tiradas
afetuosas na televisão (no “Papo de Segunda”,
CASA DA
F
GÁVEA É
DESPEJADA
Justiça determina desocupação
do imóvel onde funciona espaço
cultural; não há mais recurso
Quarta-feira 29 .6 .2016
undada há 24 anos pelo ator e
diretor Paulo Betti, entre outros,
a Casa da Gávea foi despejada
ontem, conforme noticiou o blog da
coluna Gente Boa. A decisão, em última instância, é da 16ª Câmara Cível do
Rio, em resposta a recurso impetrado
pelo centro cultural contra a ação de
despejo que vinha sendo movida pelo
proprietário do imóvel.
À decisão não cabe mais recurso, e o
despejo deve ser imediato. Procurada
ontem pelo GLOBO, a administradora Bia Falbo disse que estava sob o
impacto da notícia:
do GNT). Sua história, a do sertanejo forte, que
vai embora mas segue não pertencendo a lugar
nenhum, é a de muitos brasileiros, com maior
ou menor sorte. Foi assim com Marcélia Cartaxo, grande atriz paraibana e ganhadora de um
Urso de Prata de melhor atriz em Berlim — e
também no elenco de “Big Jato” — e foi assim
com minha empregada Maria, que deixou sua
pequena cidade no Maranhão aos 17 anos, e
veio pro Rio de Janeiro conhecer o mar e “tentar
a vida”, como se diz.
Xico também veio de longe, mais especifica-
Apesar da Cláudia Cruz e do
Trump, ainda há gente que
toca gaita no metrô. Nem
tudo é Brasília e Curitiba
com escala na Suíça, e nem
sempre a onça morre no final
— A decisão saiu às 18h (de ontem).
Ainda aguardamos contato com o
proprietário.
Bia informou que a Casa da Gávea
tem atividades marcadas até o dia 31
de julho e que vai procurar honrá-las.
Ela também contou que entrou em
contato com a prefeitura para tentar
alguma alternativa para a questão.
O contrato de aluguel da Casa da
Gávea venceu em 31 de julho de 2015.
Ao tentar renová-lo, a administração
do espaço foi surpreendida com uma
ordem de despejo. Na ocasião, as despesas mensais com aluguel e salários
mente do Crato, no sul do Ceará. Chegou ao
Recife na adolescência, onde começou a escrever, de lá foi pra São Paulo e em seguida
pro Rio de Janeiro, onde hoje mora. O escritor e sua pena dão expediente em Copacabana. Sua persona de macho jurubeba e Don
Juan de esquerda disfarçam o melhor texto
da praça, com frases agudas embaladas em
gaiatice anarquista e ternura machista. Como todo gênio, nosso sertanejo recusa a farda, preferindo uma camisa florida.
Fui ver “Big Jato” com meu filho de 13 anos
— apesar de a indicação ser 16 — e não me
arrependi. Como o menino Chico, João também tem questionado a matemática. Triângulos de polígonos, acutângulos e notação
científica não têm deixado espaço pra rima,
mas a ida ao cinema não foi em vão. Ao contrário dos outros filmes de Claudio, aqui,
além da beleza dos planos, marca registrada
do diretor, tem ternura na pedra e final feliz.
O menino Chico consegue abandonar os números e conhecer o mar, em cena análoga à
de “Os incompreendidos”, quando o também
adolescente Antoine Doinel nos encara de
frente, naquele frame eterno do francês
Francois Truffaut. A vida tá só começando e a
prisão da cidade pequena ficou pra trás, mas
o futuro já é tomado de lembranças, como a
lição da pedra do João Cabral, uma identidade esculpida na carne.
Quem não reage rasteja, Corisco.
PS: E, pra falar de outro migrante, fiquei impressionada com a história de José Aldo, o lutador brasileiro retratado em “Mais forte que o
mundo”, de Afonso Poyart, também em cartaz
nos cinemas. Nunca entendi a graça do MMA
e nem de ver dois homens se batendo até cair,
mas a trajetória do manauara é digna de super-herói. Dois filmes pra não perder, pipol. l
DIVULGAÇÃO
Sem casa. Proprietário pede imóvel
dos funcionários passaram a ser pagas pelo empresário Antonio Rodrigues, dono da rede de bares Belmonte, que firmou uma parceria com a
Casa da Gávea. A parceria, no entanto, acabou em maio.
Os funcionários do espaço estavam
de aviso-prévio desde o início deste
mês. A administração da Casa da Gávea, que promove aulas, debates, exibição de filmes, encenações de espetáculos teatrais, exposições e shows
musicais, ainda tentava reverter o
problema da falta de verbas para
manter o espaço. l
Ministério da Cultura,
Secretaria de Estado de
Cultura do Rio de Janeiro
e Associação Casa Azul
apresentam
a flip começa hoje!
a festa acontece
em todos os lugares
14a Festa
Literária
Internacional
de Paraty
29 de junho
a 3 de julho
2016
flip.org.br
flip.paraty
flip_se
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flipfestaliteraria
patrocinador oficial
patrocinador oficial
patrocinador flipinha
apoio flipmais
parceiro de mídia
realização
A transmissão
online é realizada
pelo Itaú Cultural
itaucultural.org.br
OGLOBO
Carro etc
VESPA VOLTARÁ A SER
MONTADA NO BRASIL
PÁG. 3
Com conteúdo editorial de
QUARTA-FEIRA 29.6.2016
O tigre marca território
Nova geração do Kia Sportage ficou bonita e confortável. Preços começam em R$ 110 mil
FOTOS DE DIVULGAÇÃO
Evolução. A quarta geração do Sportage estreou em Frankfurt do ano passado. Nova cria de Peter Schreyer, este Kia tem sua grade (a chamada “boca de tigre”) bem destacada e a pretensão de enfrentar Mercedes GLA e BMW X1
ALEXANDRE IZO
Da revista Autoesporte
do motor NU flex aspirado de dois litros,
que chegou aqui em 2012. Está longe de
ter o desempenho do propulsor 1.6 turbo, de 177cv, que equipa uma das versões
do Sportage lá fora. Tal reciclagem seria
bem-vinda para reduzir consumo e mover melhor os 1.570 quilos do utilitário
(153kg a mais do que antes).
Mas a marca não só manteve o motor
NU, como baixou sua potência (de 178cv
para 167cv) para deixá-lo menos poluente. A administração continua por conta
do conhecido câmbio automático de seis
marchas, que não é dos mais espertos e
às vezes vacila. O jeito, às vezes, é apelar
para as trocas sequenciais (com aletas
atrás do volante, na versão EX).
Como referência, nos Estados Unidos o
Sportage já dispõe, desde a geração passada, de motores 2.0 turbo e 2.4 aspirado,
a gasolina e diesel, com potências que
variam de 180cv a 240cv, além da opção
de tração nas quatro rodas (no Brasil, só
temos tração dianteira).
C
hega ao Brasil a quarta geração do
Kia Sportage, que fez seu début
mundial no Salão de Frankfurt do
ano passado. O utilitário já está à venda
em duas versões, a básica LX e a completa EX, com preços de, respectivamente,
R$ 110 mil (R$ 6 mil a mais do que antes)
e R$ 135 mil (R$ 12 mil a mais).
A pretensão é fazer com que o Sportage
concorra com BMW X1, Mercedes GLA e
Honda CR-V. Sua missão será árdua já
que, por não ter fábrica no país, a Kia só
tem direito a importar 4.800 carros por
ano sem pagar os 30 pontos percentuais
de IPI. Mesmo assim, há planos de vender 400 Sportage por mês.
Representante da marca no Brasil, José
Luiz Gandini, aproveitou o lançamento
para desmentir rumores de que o designer de Kia e Hyundai, Peter Schreyer, estaria se aposentando. O projetista alemão é famoso por ter renovado o estilo
dos Audi, nos anos 90, e por ter dado caráter aos modelos sul-coreanos.
SDCSDCSDCDSC
A frente do novo Sportage tem a “boca de
tigre” bem destacada, como nos atuais
Cerato e Optima. E há um quê de Porsche
Macan no capô com dois vincos pronunciados e nos faróis elevados. A versão de
entrada traz luzes de neblina halógenas,
enquanto a topo de linha tem LEDs (o
desenho do conjunto imita a pata de um
felino). Na traseira, as lanternas halógenas da LX já se destacam, mas as de LEDs
da EX são ainda mais vistosas.
Em sua nova geração, o utilitário cresceu. Agora são 4,48 metros de comprimento (4cm a mais), 1,65 de metro de altura (3cm extras) e tem 2,67 metros de
entre-eixos (3cm de acréscimo). Além de
mais conforto, a modificação permitiu
aumentar o porta-malas de 740 litros para 868 litros, segundo a Kia. Tal medição
oficial, contudo, prevê encher o compartimento até o teto — com a bagagem rente à altura do encosto do banco traseiro, o
volume cai para 503 litros.
As modificações bem poderiam ter sido acompanhadas pela aposentadoria
Detalhes.
As lanternas
traseiras
da versão EX
são por LEDs.
O acabamento
interno ficou
bem mais
caprichado
IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Nota-se, logo ao entrar, que a Kia se preocupou em melhorar a qualidade dos materiais e o acabamento. O painel é forrado com material emborrachado. Há detalhes de plástico preto brilhante (vulgo
“black piano”) nos descansos das portas
e em parte do painel. O console central
está mais alto e integrado ao painel. Ali
vão o seletor de câmbio (com revestimento de couro), bem como os botões do
comando dos modos de direção, do assistente de partida em rampa e do sensor
de estacionamento. Tudo sem rebarbas e
com materiais agradáveis ao toque.
Apertamos o botão de partida (exclusivo da versão topo de linha) e as luzes do
quadro de instrumentos se acendem germanicamente. Qualquer semelhança
com produtos do grupo VW não é mera
coincidência. Na avaliação, por trechos
de cidade e estrada, o Sportage acolheu
bem este motorista. A ergonomia é boa, a
visibilidade também e há espaço de sobra para cinco ocupantes, embora o túnel no assoalho incomode os pés de
quem viaja no meio do banco traseiro.
CONTINUA NA PÁGINA 2
a
2
l O GLOBO
l CARROetc l
Quarta-feira 29 .6 .2016
a CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1
Mão na
| Roda
Visual e interior convencem,
mas respostas são modestas
|
LEO SPOSITO / AUTOESPORTE
Já era hora de trocar o motor 2.0 aspirado, de 167cv,
pela eficiência do 1.6 turbo, de 177cv, adotado lá fora
No topo. O Fiesta EcoBoost é o 1.0 turbinado mais potente
No Fiesta, 1.0 turbo é luxo
O Fiesta acaba de ganhar motor tricilíndrico 1.0 turbo no Brasil. Chamado de EcoBoost, bebe só gasolina
e rende 125cv de potência (com torque de 17,3kgfm
entre 1.400 e 4.500rpm). Supera com boa margem os
105cv do VW Up! TSI e do Hyundai HB20 Turbo (ambos flex). A Ford diz que o EcoBoost pode ser até 20%
mais econômico do que o 1.6 aspirado, com médias
de 12,2km/l na cidade e de 15,3km/l na estrada.
Esse Fiesta acelera de 0 a 100 km/h em 9,6s. Leva
apenas 1,5 segundo para sair de 50% e chegar a 90%
do torque máximo (em resumo: há pouco “turbolag”). A turbina trabalha com pressão de até 1,5 bar. O
EcoBoost equipará apenas na versão mais cara do Fiesta, a Titanium, sempre com câmbio automatizado
de dupla embreagem. O preço? R$ 72 mil!
DIVULGAÇÃO
Corte lateral. Assim dá para ver bem a turbina do EcoBoost
DIVULGAÇÃO
Finalmente. Volvo mais vendido, o XC60 ganha motor diesel
Agora a diesel
O Volvo XC60 ganha uma opção turbodiesel no Brasil. É a versão D5 já vendida na Europa. Tem cinco cilindros em linha, 2.400cm³, 220cv e 45,8kgfm. O câmbio é automático de seis marchas. Segundo o fabricante, o carro é capaz de excelentes 17,5km/l na cidade e 19km/l na estrada. As encomendas já podem ser
feitas: o preço é de R$ 199 mil mas, depois de 31 de
julho, subirá para R$ 216 mil. Hoje, o XC60 responde
por 65% das vendas da Volvo no Brasil.
O
FOTOS DE DIVULGAÇÃO
caimento da parte traseira da capota não
chega a ser um problema mesmo para quem mede
1,80m de altura, devido ao ângulo ajustável dos encostos do
banco traseiro. Com o teto panorâmico totalmente aberto
em um dia claro, a sensação
de amplitude fica ainda maior.
A central multimídia com tela
generosa (7") responde bem
ao toque dos dedos, mas tem
interface um pouco simples. A
maioria dos comandos foi
concentrada no painel.
Outra qualidade interior é o
nível de conforto. Forrados
com couro, os bancos têm várias opções de regulagens elétricas. A suspensão do tipo
McPherson na dianteira e
multibraço na traseira garantem uma viagem tranquila e
suave. A direção tem assistência elétrica com correto ajuste
do peso conforme a velocida- Topo de linha. Na versão EX, faróis de neblina por LEDs e os aros de 19”
de aumenta.
Viajando a 120km/h, o ponteiro encosta nos 3.000rpm
mas quase não se ouve ruído
de vento. Por outro lado,
quando se chama no acelerador e o câmbio reduz uma ou
duas marchas, subindo a rotação, o ruído do motor invade a
cabine. Pena que o desempenho não acompanhe o volume
dos decibéis nessas retomadas e ultrapassagens.
Uma função chamada “Drive Mode” alterna entre os modos “Eco” (que faz o motor trabalhar em giros mais baixos),
“Normal” e “Sport” (que vai Motor. Dá conta do recado desde que não se espere temperamento forte
no caminho contrário). Numa
onda papai-e-mamãe, o carro
A versão EX agrega a isso um GPS, faróis de neblina e lanteré gostoso de dirigir.
ar-condicionado duas zonas, nas de LEDS, teto solar duplo e
as aletas no volante para o aros de liga leve de 19”. É isso
ITENS DE SÉRIE
câmbio, airbags laterais e de aí: o controle eletrônico de esAlém dos triviais ar-condicio- cortina, assistente de rampa, tabilidade só vem de série no
nado e assistência elétrica da controles eletrônicos de velo- topo de linha...
direção, o Sportage LX vem de cidade em declives e de estasérie com controle de cruzei- bilidade, dez ajustes elétricos VALE A COMPRA?
ro, toca-CD com todas as en- no banco do motorista, start/ Sim. O Sportage traz estilo
tradas auxiliares possíveis, vo- stop, chave presencial, revesti- menos sóbrio e mais vistoso
lante multifuncional, câmera mentos de couro, sensor de do que antes, alinhado com o
de ré e aros de liga leve de 17". chuva, multimídia com DVD e que se vê nos novos veículos
KIA SPORTAGE
Preços: R4 109.990 (LX)
e R$ 134.990 (EX)
Origem: México
Motor: flex, quatro cilindros,
16v, 1.999cm³, 167cv de potência
(a 6.200rpm) e torque de
20,2kgfm (a 4.700rpm)
Transmissão: câmbio
automático de seis
marchas. Tração dianteira
Suspensões: McPherson
na frente e multibraço atrás
Freios: a disco nas 4 rodas
Pneus: 225/60 R17 (LX)
e 245/45 R19 (EX)
Dimensões: comprimento de
4,48m e entre-eixos de 2,67m
Peso: 1.570 quilos
Desempenho: não divulgado
Consumo: 6km/l (cidade) e
7,5km/l (estrada) com álcool;
8,7km/l (cid.) e 11km/l (estrada)
com gasolina — Inmetro
da marca. Ganhou espaço interno e sua cabine transmite a
sensação de ser um ambiente
luxuoso — especialmente na
versão EX. Em termos de
equipamentos, este Kia oferece mais do que muitos concorrentes mais caros.
A primeira geração do Kia
Sportage (1996-2002) vendeu
554 mil unidades no mundo, a
segunda (2004-2009), 842 mil
exemplares, e a terceira
(2009-2015), 1,6 milhão de
carros. A expectativa da marca agora é de emplacar mais
de 3 milhões de Sportage.
Para conquistar tamanho
público, o Sportage terá que
superar a forte concorrência
dos nacionalizados BMW X1 e
Mercedes GL A , ambos bem
mais caros, começando na faixa dos R$ 160 mil. Isso sem falar no próximo Hyundai Tucson, que chegará com motor
mais moderno do que o usado
pelo ix35 nacional — aliás, a
mesma velha mecânica do
Sportage. l
DIVULGAÇÃO
RETROVISOR
6 de agosto de 1958
Lambretistas, mas trabalhadores
ARQUIVO / 10-12-1958
JASON VOGEL
[email protected]
Explorer. Moto ganha as versões XR e XCx. Logo virá a XCa
Sem dar bola para o Brexit
Se no futebol os ingleses estão levando até da Islândia, nas motos querem encarar até os alemães. A
Triumph lança as versões XR e XCx para a big trail Tiger Explorer 1.200. Inéditas, chegam por R$ 58.500 e
R$ 70.500, respectivamente, para reforçar a briga
com a BMW GS 1.200. As duas têm o mesmo conjunto de quadro e motor — um tricilíndrico de 1.215cm³,
139cv e 12,8kgfm, que agora está 5% mais econômico. A XR vem com rodas de liga leve, ABS, dois modos
de pilotagem (estrada/chuva) e controle de tração. A
XCx tem também controle de tração, um terceiro modos de pilotagem (“off-road”), protetores de cárter,
radiador e motor, rodas raiadas, suspensão semi-ativa, computador de bordo, piloto automático e manoplas aquecidas. Achou pouco? Pois vem aí a Explorer
XCa, uma topo de linha ainda mais equipada.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
CALENDÁRIO DETRAN-RJ
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Vistoria 2016
Final da placa
Período para o licenciamento
0, 1 e 2
Até 31/08
3, 4 e 5
Até 30/09
6e7
Até 30/10
8e9
Até 30/11
Telefones do Detran: 3460-4040 / 3460-4041
Carro etc Editor: Jason Vogel ([email protected]). Assistente: Roberto Dutra
([email protected]). Textos: Revista Autoesporte. Diagramadora: Christiana Lee.
Telefones/redação: 2534-5708. Publicidade: 2534-4310 ([email protected]).
Correspondência: Rua Irineu Marinho 35, 1º andar. Cep: 20230-901. ([email protected])
A
onda começou por
volta de 1955, quando a Lambretta do
Brasil S.A. inaugurou sua linha de montagem. De uma
hora para outra, as ruas do
Rio foram tomadas pelo pipocar dessas motonetas
projetadas pela Innocenti,
na Itália. Surgia um meio
transporte individual baratinho nos tempos em carro
0km era coisa de rico.
Mas não tardou para que
os lambretistas fossem malvistos por “gente de família”.
A eles eram creditados atentados sexuais, curras, algazarras em bares, furtos e
mortes, sem falar no barulho
dos escapes abertos... Subitamente transformada em
símbolo da juventude transviada, a motoneta virou alvo
de operações planejadas pelo chefe de Polícia, o general
Amaury Kruel.
Dadas as arbitrariedades
policiais e a incompreensão
geral, fãs da vida em duas rodas vieram queixar-se na redação do GLOBO. Assim, no
dia 6 de agosto de 1958, o jornal publicou o artigo “Lambretistas também podem ser
rapazes trabalhadores”.
Rio, 1958.
Lambretistas
reunidos
na Avenida
Atlântica
— Nem todo lambretista que
usa blusão de couro e calças
“blue-jean” é da “juventude
transviada” — disse à reportagem um dos membros do grupo, formado em sua maioria
por rapazes de Copacabana.
— Como não temos locais
reservados para estacionamento, somos obrigados a levar nossas motonetas para as
calçadas. Se as deixarmos ao
longo do meio-fio elas sofrerão
avarias provocadas por veículos maiores — reclamou outro.
Mas e quanto ao blusão de
couro e à calça de zuarte?
— Esse vestuário é a melhor
proteção contra a poeira, a fumaça e as quedas — justificou
um terceiro.
Wilson José Rocha, membro
do grupo e sargento do Exército,
contou que fora detido numa
blitz e pernoitara no xadrez simplesmente por ser lambretista:
— No outro dia fui tachado de “sargento transviado”
por um vespertino.
As reclamações não surtiram grande efeito. Tanto que,
em 1959, Emilinha Borba
emplacou a marchinha “Menina direitinha”, que dizia:
“Não anda em garupa de
lambreta/ sem ordem da mamãe ela não sai/ ai, ai, ai, menina/ cuidado pra você não
dar desgosto pro papai...” l
l CARROetc l
Quarta-feira 29 .6 .2016
O GLOBO
As idas e vindas de um ícone
As Vespa voltarão ao Brasil este ano. É a quinta tentativa de fazer motonetas Piaggio no país
ROBERTO DUTRA
[email protected]
J
eans com camiseta, rock’n’roll e... Vespa! A
motoneta de origem italiana é um ícone que
nunca sai de moda. E eis que a Piaggio, sua
fabricante, acaba de anunciar que voltará ao
Brasil no segundo semestre deste ano. A ambição é grande: a empresa quer 10% do mercado
brasileiro de scooters num prazo de cinco anos
— e que suas operações aqui estejam entre as
quatro maiores no mundo.
A marca Vespa completou 70 anos em abril e
faz modelos de forte apelo retrô: 946 (cujo sobrenome alude a 1946, ano em que a motoneta
nasceu), Primavera, Sprint, GTS Super e PX,
com motores de 50cm³ a 300cm³. Ainda não se
anunciou quais serão vendidos aqui.
Quem cuidará da distribuição e montagem —
sim, os scooters serão importados num primeiro momento — será o grupo Asset Beckley Investments Management. O presidente dessa
operação será Longino Morawski, executivo
que liderou a bem-sucedida reestruturação da
Harley-Davidson no Brasil, entre 2010 e 2015.
NOS TEMPOS DA PANAUTO
Foi em 1954 que o Brasil recebeu suas primeiras
Vespa importadas. Em 1958, a motoneta passou
a ser produzida pela carioca Panauto S.A., com
linha de montagem, na Avenida Antares, em
Santa Cruz. O primeiro modelo nacional tinha
linhas mais fluidas do que a rival Lambretta LD,
motor 2T de 150cm³ (instalado no lado direito, o
que desequilibrava um pouco a condução) e
câmbio de três marchas.
No fim de 1960, a Panauto começou a montar
por aqui o Vespacar, um exótico triciclo que fez
fama como carrocinha de cachorro-quente da
Geneal. Em 1962, entrou em linha o modelo M4,
nada mais do que uma Vespa comum, mas com
câmbio de quatro marchas. Apesar do sucesso
inicial, a febre das motonetas arrefeceu e a Panauto fechou em 1964.
A história teve uma segunda largada em 1974,
quando a Barra Forte Indústria e Comércio começou a montar quatro modelos da Piaggio em
Manaus: 50cm³, Primavera 125, Super 150 e
Rally 200. Isso durou até 1983.
Dois anos depois, as operações foram retomadas, agora sob a batuta da Motovespa, associação da italiana Piaggio (45%)
com as brasileiras Caloi (45%)
e Barra Forte (10%). Embalada
pelo Plano Cruzado, a Vespa
PX 200 ultrapassou a Honda
CG 125 e foi o veículo de duas
rodas mais vendido em 1985!
A Motovespa chegou a ter
140 lojas e 90% de nacionalização. Mas vieram problemas de administração e, em
1990, as atividades da empresa foram encerradas.
Entre 1998 e 2000, houve
um ensaio de retorno: a
Brandy, de Ribeirão Preto, importou da Índia (e falou em
montar) a Vespa 150 Originale. Vendeu pouco, sumiu e
ninguém se lembra mais disso. Agora, é aguardar o novo capítulo dessa história. l
3-1959
ARQUIVO / 10-
Caçula.
A recente 946
(acima) foi
inspirada no
protótipo MP6,
dos anos 40
Enxame. À esquerda,
a moderna GTS 300.
Acima, um anúncio
da Panauto, de 1959.
À direita, a Vespa PX,
que está em linha
até hoje e é a única
motoneta da marca a
manter motores dois
tempos (125 ou 150cm³)
Pequenos, mas potentes
e muito econômicos
‘Autoesporte’ de julho mostra as vantagens do uso das turbinas nos
motores 1.0 tricilíndricos. Híbridos e airbags também estão no cardápio
A
ntes visto como exclusividade
de modelos esportivos, o turbocompressor vem ganhando espaço com o propósito de oferecer economia de combustível e redução de
emissões. O destaque agora é o EcoBoost 1.0, que chega ao Fiesta como o menor e mais rápido motor da linha (e
também o mais caro).
Ele é o destaque da edição de julho da
revista “Autoesporte”, em um comparativo com Hyundai HB20 e VW Up! TSI,
ambos também turbinados. E mais:
uma visão geral sobre a onda de carros
turbo, de seus benefícios a um tira-dúvidas sobre essa tecnologia.
“Autoesporte” traz ainda duas reportagens exclusivas: as perspectivas dos
veículos híbridos e elétricos no mercado; e um mergulho na crise dos airbags,
o maior recall da indústria automobilística, envolvendo 80 milhões de veículos (2 milhões deles no Brasil).
Para esta edição, a equipe acelerou
“4.242 cavalos”: BMW M2 Coupé, Nissan GT-R, Brabus CLS 63, Jeep Trailcat e
Classe C Cabriolet, além dos mais mansos Nissan March CVT, Citroën C3 1.2,
Chevrolet Trailblazer e Toyota Prius. l
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Três é mais do que quatro
Motorzinho PureTech, um tricilíndrico de 1,2 litro, opera milagres de eficiência no Citroën C3
Quem vê cara...
Não houve modificações
estéticas no C3. Na Europa, o
modelo ganhará uma terceira
geração ainda este ano
FOTOS DE JASON VOGEL
JASON VOGEL
[email protected]
CITROËN C3
V
amos abrir o jogo: o repórter que vos escreve é
fã do minimalismo automotivo. Anda empolgado
com a onda de motores de três
cilindros e, desde sempre, é fanático por Citroën. Daí a ansiedade em experimentar o recém-lançado C3 1.2.
Seu motor EB2 PureTech,
um tricilíndrico aspirado com
12 válvulas, variação de fase
nos dois comandos e
1.199cm³, deu um banho de
eficiência nas versões de entrada do C3 e do Peugeot 208.
Pudera: o novo propulsor entra na vaga do vetusto TU4 (dito “1.5”) de quatro cilindros,
oito válvulas e 1.449cm³, cujas
origens datavam dos anos 80.
Motor e transmissão — incluindo relações de câmbio e
diferencial, além das medidas
dos pneus — desse C3 são
idênticos aos dos Peugeot 208
1.2 PureTech, apresentado em
abril. Mas, antes de acelerar,
vamos a uma constatação.
OUTROS TEMPOS
Historicamente, os Citroën
sempre ousaram em estilo e
tecnologia, enquanto a Peugeot era um símbolo da sobriedade protestante da família
que deu nome à marca. Tal regra continuou bastante clara
mesmo depois que a Peugeot
comprou a Citroën, na década
de 70, formando o grupo PSA.
Assim, para alguém louco
pelos Citroën Traction Avant,
DS e 2CV, é triste notar que o
atual C3 é mais conservador
do que o primo-irmão 208...
Seu painel é bem convencional, meio apagado até, e a posição de dirigir é alta, ainda
que se abaixe todo o banco —
enquanto o Peugeot é puro
atrevimento com o volantinho
de pequeno diâmetro, o quadro de instrumentos “flutuante” e o assento rente ao chão.
A adoção do novo motor não
trouxe qualquer modificação
ao estilo dos C3 de segunda geração, chegados aqui em 2012
(a terceira geração estreará na
Preços: R$ 46.490 (Origine),
R$ 49.990 (Attraction) e
R$ 52.690 (Tendance)
Origem: Brasil
Motor: flex, três cilindros,
1.199cm³, 12v, comando duplo,
variador de fase na admissão
e no escape, potência de
84/90cv (a 5.750rpm) e torque
de 12,2/13kgfm (a 2.750rpm)
Transmissão: manual de cinco
marchas. Tração dianteira
Suspensões: McPherson na
frente e eixo de torção atrás
Freios: a disco na frente
e a tambor atrás
Pneus: 195/60 R15
Dimensões: comprimento de
3,94m, largura de 1,70m, altura
de 1,52m e entre-eixos de 2,46m
Peso: 1.110 quilos
Desempenho: não divulgado
Consumo: 10,6km/l (cidade)
e 11,3km/l (estrada) com álcool;
14,8km/l (cid.) e 16,6km/l (estr.)
com gasolina — Inmetro
Parentesco.
O (ótimo) motor
de três cilindros
é o mesmo do
primo-irmão
Peugeot 208.
Já o painel
do C3 é bem
conservador,
algo insosso
Europa até dezembro). Sua
marca registrada é o para-brisa
“zenith”, nas versões mais
completas, que dá ao motorista uma visão de piloto de helicóptero. Compensa, plenamente, vir atrelado a para-sois
duros e sem espelho.
Duro também é o aro do volante. O computador de bordo
não mostra o consumo instantâneo, informação que, bem
administrada, reduz o gasto de
combustível.
Logo que acorda, o PureTech
apresenta uma certa vibração,
típica dos tricilídricos. Até cur-
mos às raias do milagroso.
Aí, contudo, entram outras
contas. Enquanto o antigo motor TU4 era fabricado no Estado do Rio, o EB2 é importado
da França e custa em euros. A
nacionalização só acontecerá
quando o mercado brasileiro
desengrenar a marcha à ré. Assim, nada de trazer o tricilíndrico com maiores sofisticações — sua versão turbo, de
130cv, tão cedo não virá.
timos isso: é sinal de que há vida sob o capô.
Em situações normais de
trânsito, o motorista jamais se
sente ao volante de um carro
com motorzinho de modestos
1,2 litro e 84cv, com gasolina.
Não é lá muita potência final
(no velho TU 1.5 eram 89cv),
mas o EB2 PuretTech sempre
está como um cachorrinho balançando a cauda, cheio de
vontade de brincar, especialmente a partir de 2.500rpm.
O que corta um pouco a onda é o curso longo da alavanca
de câmbio (ao engrenar ré, ali-
ás, cuidado para não arranhar)
e o acerto suave da suspensão.
Os freios, ao menos, já não são
tão assistidos quando nos C3
de primeira geração. A
100km/h, em quinta, vamos
deslizando a 3.000rpm no maior conforto. Aquelas vibrações
da marcha lenta já sumiram e a
condução é bem agradável.
De volta ao trânsito urbano,
chega a hora de encarar uma
prova de força: o ladeirão da
Rua Cosme Velho, no início da
subida para as Paineiras e o
Mirante Dona Marta. No aclive
bem íngreme, o motor pede
primeira marcha como é de se
esperar. Afinal, há três adultos
a bordo. Aí, é só reduzir e o C3
vai numa boa, sem reclamar
alto. Ah... o motor 1.2 só é oferecido com caixa manual.
A melhor parte é a economia. Subimos ao Mirante de
Dona Marta e encaramos engarrafamentos bíblicos, mas o
consumo de gasolina ficou em
excelentes 12km/l (só na cidade). Poderia até ter sido melhor, não fossem certos abusos
durante o teste. E, se a PSA pusesse um sistema start/stop
em seus compactos, chegaría-
QUANTO VALE O SHOW?
Durante muitos e muitos anos,
desde a geração anterior
(2003-2012), os C3 básicos
eram vendidos por R$ 39.990.
Agora o preço inicial subiu
bastante e a versão de entrada,
a Origine, sai por R$ 46.490.
Já o C3 aqui avaliado é o Tendance. Por R$ 52.690, traz som,
luzes diurnas por LEDs, faróis
de neblina, aros de liga leve de
15", para-brisa zenith e sensor
traseiro. A Citroën afirma que
os custos de manutenção e revisões foram consideravelmente reduzidos. Mas sabemos bem
que não é isso que move um
apaixonado pela marca. l