Estudo I: A importância dos Fundos de Investimento - GVCef

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Estudo I: A importância dos Fundos de Investimento - GVCef
A importância dos Fundos de Investimento no
Financiamento de Empresas e Projetos
A Importância dos Fundos de Investimento no Financiamento de
Empresas e Projetos
Prof. William Eid Junior
Professor Titular
Coordenador do GV CEF
Centro de Estudos em Finanças
Escola de Administração de Empresas de São Paulo
Fundação Getulio Vargas
Financiar as empresas é um desafio para todas as nações. São elas o grande motor do
crescimento econômico, já que geram empregos e renda que reverterão em consumo e,
portanto, mais demanda, produção, empregos e renda. Se há financiamento abundante, a
economia entra num ciclo virtuoso que resulta em crescimento sustentável.
Os mercados financeiros têm papel fundamental nesse processo. São eles que propiciam
o veículo adequado de intermediação, que aproxima os agentes poupadores dos agentes
que necessitam de recursos. E essa intermediação gera, além da aproximação entre os
agentes econômicos, a compatibilização de prazos e riscos que em geral são diferentes
entre os vários agentes econômicos, além de propiciar liquidez aos diversos títulos.
Assim o mercado financeiro é extremamente importante como indutor da alocação mais
eficiente dos recursos. E em particular os fundos de investimento exercem o papel de
intermediários atingindo uma gama imensa de investidores e também de empresas, já
que em suas carteiras há um conjunto de títulos voltados para o seu financiamento.
Temos hoje mais de cinco milhões de cotistas nos diferentes fundos de investimentos,
sejam pessoas físicas, sejam pessoas jurídicas. Nos últimos anos, o crescimento do
patrimônio dos fundos foi muito grande, mostrando a grande atratividade desses
produtos junto aos investidores.
Patrimônio Líquido Total - R$
1,800,000
1,600,000
1,400,000
1,200,000
1,000,000
800,000
600,000
400,000
200,000
-
O gráfico mostra que passamos de 60 bilhões de reais para 1,6 trilhão de reais de
Patrimônio Líquido nos Fundos de Investimento em pouco mais de 15 anos. Houve
crescimento de 2500% !
Mais interessante é observar um gráfico no qual temos o crescimento do Patrimônio
Líquido dos Fundos de Investimento e o crescimento da economia brasileira, medido
pela variação do PIB – Produto Interno Bruto.
0.8
0.08
Fundos
PIB
0.07
0.7
0.06
0.6
0.05
0.5
0.04
0.4
0.03
0.3
0.02
0.2
0.01
0.1
0
0
-0.01
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
Há uma relação entre as duas séries. Ainda mais, se analisarmos os lançamentos de
Debêntures, Notas Promissórias e CRI – Certificados de Recebíveis Imobiliários, que
são os títulos que financiam as empresas por excelência, observaremos uma relação
ainda mais direta.
250.0%
8.0%
Variação Emissões RF
PIB
7.0%
200.0%
6.0%
150.0%
5.0%
100.0%
4.0%
3.0%
50.0%
2.0%
0.0%
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
1.0%
-50.0%
0.0%
-100.0%
-1.0%
Isto é, há uma relação entre o financiamento das empresas e o crescimento do país.
E quem compra os títulos emitidos pelas empresas? Aproximadamente 20% das
debêntures existentes no mercado financeiro brasileiro estão em poder dos fundos de
investimento, como mostra o gráfico a seguir.
% do Estoque de Debêntures nos Fundos de Investimento
45.0%
40.0%
39.3%
35.8%
35.1%
35.0%
30.0%
24.1%
25.0%
21.6%
21.5%
19.7%
20.0%
18.0%
15.0%
10.0%
5.0%
0.0%
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
Mas além dos títulos já citados, temos também nos fundos outros instrumentos
financeiros que auxiliam não só as empresas como os consumidores. Um bom exemplo
são os CDBs – Certificados de Depósito Bancários que financiam tanto o capital de giro
das empresas como o consumidor final. Os Fundos de Investimento têm mais de 20%
do total de CDBs emitidos no país em suas carteiras, como é possível ver no gráfico a
seguir.
% do Estoque de CDBs nos Fundos de Investimento
40.00%
36.10%
34.59%
35.00%
32.05%
30.00%
29.67%
29.38%
28.27%
27.35%
25.00%
23.05%
20.00%
15.00%
10.00%
5.00%
0.00%
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
É importante também olhar a composição da carteira dos fundos. O gráfico a seguir
mostra os valores do final de abril de 2012:
Percentual na carteira dos Fundos de Investimento
45.00%
40.00%
39.66%
35.00%
30.00%
25.00%
19.00%
20.00%
14.63%
15.00%
10.00%
7.13%
6.93%
5.00%
3.57%
2.40%
2.34%
1.30%
1.20%
0.74%
0.66%
Investimento no
Exterior
DPGE
0.29%
0.16%
Notas Promissórias
CCB / CCCB
0.00%
Tít. Públ. Federais
Operações
Compromissadas
Tit. Federais
Ações
Letras Financeiras
CDB/RDB
Debêntures
Direitos Creditórios
Operações
Títulos Imobiliários
Compromissadas
Tit. Privados
Outros
Nesse gráfico, a barra em cor vinho mostra os investimentos dos fundos em títulos
governamentais, que são os títulos que financiam o governo. As barras azuis mostram
os investimentos em títulos privados, os que financiam as empresas e os consumidores.
Somando os percentuais, vemos que 60,34% do patrimônio dos Fundos de Investimento
brasileiros estão investidos em títulos privados, financiando as empresas em geral. Em
termos absolutos, isso significa R$ 1,025 bilhão investidos nas empresas, ou 25% do
PIB. Podemos ainda comparar esse valor com o valor das empresas negociadas na Bolsa
de Valores. As mais de 300 empresas que têm suas ações negociadas lá têm um valor
total igual a R$ 2,47 trilhões. Então o R$ 1,025 bilhão investido pelos Fundos de
Investimento representam 42% desse valor. Sem os Fundos de Investimento, essas
empresas dificilmente teriam alcançado o tamanho e a produtividade que alcançaram.
Ainda outra comparação que podemos fazer é com o montante investido pelo BNDES –
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ao longo dos últimos anos,
lembrando que o BNDES é a principal fonte de financiamento bancário para as
empresas brasileiras, e que oferece recursos com taxas de juros bastante atraentes. Nos
últimos anos, os investimentos do BNDES foram:
Investimentos do BNDES (R$ Bilhões)
180
168.4
160
139.7
137.4
140
120
100
92.2
80
64.9
60
52.3
47.1
38.2
40
20
23.4
40
35.1
25.7
20
0
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
No total, em 13 anos, o BNDES investiu um total de R$ 884 bilhões. O total investido
em empresas brasileiras é um pouco menor que este, já que o BNDES também investe
em empreendimentos públicos e, além disso, em outros países. De toda forma, o
montante existente hoje nas carteiras dos fundos de investimentos e que servem para o
financiamento das empresas e consumidores ultrapassa em pelo menos 15% o total de
financiamentos concedidos pelo BNDES nos últimos 13 anos. Podemos concluir que há
pelo menos duas grandes fontes de financiamento de empresas no Brasil: os Fundos de
Investimento e o BNDES.
Voltando à composição das carteiras dos Fundos de Investimento, vemos que há
diversas categorias de produtos financeiros que são usadas para o financiamento das
empresas, além dos já citados Debêntures e CDBs. Direitos Creditórios, por exemplo,
são títulos que derivam de um processo chamado de securitização. Nesse processo, uma
empresa que tem diversos títulos a receber pode receber o dinheiro antes do vencimento,
permitindo que ela trabalhe com esses recursos. Isso é muito usual em empresas como
incorporadoras e outras que têm recebimentos previsíveis. As Letras Financeiras, por
sua vez, são títulos emitidos pelos bancos com prazos mais longos, em geral dois anos,
e que permitem que eles forneçam recursos a empresas, também com prazos maiores.
Esses títulos foram criados em 2009 e hoje respondem por 7,13% do montante total
aplicado nos Fundos de Investimento, o que equivale a mais de R$ 120 bilhões.
Também as operações compromissadas são uma fonte de recursos para os bancos, que
os repassam seja para empresas, seja para consumidores. Numa operação
compromissada, um banco que tem títulos na sua carteira, sejam governamentais ou
privados, pode cedê-los com compromisso de recompra. Dessa forma, ele obtém
recursos que serão utilizados em financiamentos, quer para empresas, quer para
consumidores.
Títulos Imobiliários, que representam hoje 1,3% da carteira dos fundos, ou R$ 22
bilhões, constituem outra fonte de financiamento interessante. Agora para o segmento
imobiliário. São LH - Letras Hipotecárias, CRI - Certificados de Recebíveis
Imobiliários, CCI – Cédula de Crédito Imobiliário e as LCI – Letras de Crédito
Imobiliário. Considerando um valor médio de um imóvel residencial em torno de R$
150.000,00, esse montante que está na carteira dos Fundos de Investimento financiou
quase 150 mil imóveis, suficientes para que 700.000 pessoas habitem neles. São
números realmente grandes.
E ainda temos as ações que estão em poder dos Fundos de Investimentos. Quase 15%
do volume total de investimentos, ou quase R$ 250 bilhões. Estimando um free float (o
volume de ações efetivamente disponível para negociação) de 15%, temos que, do valor
total das empresas negociadas na Bovespa, R$ 370 bilhões estão disponíveis para a
negociação. E quase 70% dessas ações estão nas mãos dos Fundos de Investimento.
Novamente constatamos a importância desses instrumentos para a solidez das empresas
brasileiras.
Além de deterem um volume substancial do capital das empresas brasileiras, os Fundos
de Investimento contribuem para o seu aperfeiçoamento através de um mecanismo
conhecido como ativismo. Os fundos que praticam o ativismo, e são muitos hoje no
Brasil, participam ativamente dos Conselhos de Administração, buscando aumentar o
valor das empresas através da implementação de práticas alinhadas com a visão do
mercado, que muitas vezes é diferente da visão do acionista controlador. São inúmeros
os casos de ativismo no Brasil com resultados muito positivos para a empresa e,
consequentemente, para seus acionistas, incluindo aí os Fundos de Investimento e seus
cotistas.
É importante ressaltar que os Fundos de Investimento são fundamentais na Política
Econômica do país, já que são um dos principais veículos de colocação de Títulos
Públicos no mercado. Hoje temos mais de R$ 800 bilhões de títulos públicos nas
carteiras dos Fundos de Investimento. Isso significa que os fundos detêm quase 60% da
dívida pública federal. Sem eles o governo não conseguiria financiar suas operações.
O diagrama a seguir mostra o caminho seguido pelos recursos. Os investidores aplicam
seu dinheiro nos Fundos de Investimento, que adquirem os diferentes títulos financeiros.
Esses títulos, por sua vez, servem para financiar as empresas, consumidores e o
governo.
Investidores
Ações
Debêntures
Empresas
Letras
Financeiras
CDB RDB
Fundos de
Investimento
Direitos
Creditórios
Consumidores
Títulos
Imobiliários
Operações
Compromissadas
Notas
Promissórias
Títulos
Públicos
Governo
Investidores
Fica patente a importância dos Fundos de Investimento como veículos fomentadores do
crescimento econômico e de sustentação para as políticas governamentais. Seu
crescimento é fundamental para o desenvolvimento do país.
Anotações
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Informações: www.fgv.br/gvcef - [email protected] - (11) 3799.7994