APOSTILA DOENÇA DE OSGOOD SCHLATER

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APOSTILA DOENÇA DE OSGOOD SCHLATER
Prof. Ms. Marcelo Lima
E-mail: [email protected]
DOENÇA DE OSGOOD-SCHLATTER
1. DEFINIÇÃO:
Osgood-Schlatter caracteriza-se por uma patologia inflamatória que ocorre na
cartilagem da apófise de crescimento da tuberosidade da tíbia, devido ao esforço
(tração) excessivo do tendão patelar sobre esta tuberosidade.
OBS: Síndrome de Sinding-Larsen-Johannson é uma variante de OS, na qual acomete a parte inferior da patelar onde é inserido o
tendão patelar. Acomete principalmente o sexo feminino entre 12 e 15 anos, que praticam atividades físicas extenuantes.
2. CAUSA
A etiologia é controvertida, pois antigamente acreditava-se que esta patologia fosse
devido à necrose avascular, porém atualmente aceitam-se a teoria de overuse do
quadríceps e micro traumas na tuberosidade tibial.
3. INCIDÊNCIA
A doença de Osgood-Schlatter é mais comum no sexo masculino, numa proporção de
3:1, possivelmente pela sua maior massa, força muscular e envolvimento em atividades
esportivas.
Os adolescentes atletas são os mais acometidos, principalmente os que praticam
atividades que envolvem maior participação do músculo quadríceps: basquete, futebol,
ciclismo, salto, corrida, balé, skate e surfe.
Sua freqüência, seu caráter benigno, transitório e autolimitado, associado com um
período de rápido crescimento (estirão puberal), permite que seja considerada por
muitos autores como um fenômeno específico da puberdade.
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4. PATOGENIA
Num esqueleto em desenvolvimento, os três principais sítios de crescimento são a placa
cartilaginosa de crescimento (fise), a superfície articular e as apófises. A apófise
constitui um centro de ossificação acessório e é uma estrutura onde ocorre inserção
muscular. Portanto, é uma região submetida constantemente à força de tração de grupos
musculares.
No joelho, a maior parte da epífise proximal da tíbia se localiza dentro da articulação.
Porém, uma pequena porção é extra-articular e localiza-se anteriormente, podendo ser
palpada como uma leve proeminência logo abaixo do joelho. Esse tubérculo tibial
caracteriza-se por ser uma apófise e é sítio de inserção do tendão patelar, sendo,
portanto uma região submetida à força de tração intermitente do músculo quadríceps.
Num período de rápido crescimento ósseo e muscular, o estirão puberal, a tensão
intermitente de grande intensidade ou freqüência sobre essa região pode determinar um
processo inflamatório local, uma apofisite de tração, característica da doença de
Osgood-Sclatter.
A progressão do processo levaria a avulsão e fragmentação da cartilagem do tubérculo e
de centros de ossificação que se formam dentro dele. Nos casos mais graves, os
fragmentos avulsionados podem sofrer formação óssea heterotópica, com aparecimento
de um ossículo na porção distal do tendão patelar.
A doença de Osgood-Schlatter ocorre num momento em que se observa um maior
desenvolvimento da massa muscular, num indivíduo esqueleticamente imaturo, com as
apófises ainda predominantemente cartilaginosas. Entretanto, o quadro geralmente
regride com o término do processo de ossificação, ao final da puberdade.
5. QUADRO CLÍNICO
A queixa típica do adolescente é dor no joelho, insidiosa e característica, com
localização precisa sobre a tuberosidade da tibial. Na maioria das vezes, tem
comportamento intermitente, exacerbando-se nas atividades que exigem flexões
repetidas do membro inferior, como correr, pular, subir e descer escadas, agachar-se e
andar de bicicleta.
Os traumas sobre a tuberosidade da tibial, como quedas e pressão direta, aumentam a
dor e o repouso traz alívio. O acometimento unilateral é mais freqüente (60-70%),
embora possa ocorrer o comprometimento de ambos os joelhos.
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Muitos pacientes notam um inchaço em topografia da tuberosidade da tibial, que é mais
bem observado examinando-se o joelho flexionado de perfil (imagem abaixo A e B). A
magnitude dessa proeminência é relacionada ao processo inflamatório e neoformação
óssea e é proporcional à intensidade da dor.
A palpação do tuberosidade costuma ser dolorosa e a dor pode ser reproduzida pela
flexão máxima da perna e pela extensão forçada contra uma resistência.
A duração dos sintomas varia de semanas a anos, na maioria dos casos regredindo após
um ou dois anos de evolução.
O diagnóstico é eminentemente clínico. Dor e inchaço localizados na tuberosidade da
tíbia, em adolescente púbere, praticamente confirmam o diagnóstico.
QUADRO CLÍNICO BÁSICO
1. Dor no joelho, insidiosa e característica, com localização precisa sobre o tubérculo
tibial, exacerbando-se nas atividades físicas e a palpação.
2. “Inchaço” na topografia da tuberosidade da tibial
3. Na maioria dos casos regredindo após um ou dois anos de evolução.
6. RADIOGRAFIA.
A radiografia de joelho em perfil pode ser normal ou sugerir apenas edema de partes
moles (grau I). Em casos moderados pode-se constatar irregularidade e fragmentação da
apófise (grau II).
Entretanto, a fragmentação e irregularidade podem ser um achado normal em
adolescentes e, dependendo do grau de maturidade, a apófise pode estar separada na
radiografia da placa de crescimento. Nos casos mais graves pode-se observar um
ossículo intratendinoso (grau III).
Grau II
Grau III
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7. TRATAMENTO
A doença de Osgood-Schlatter é freqüentemente benigna e autolimitada, sendo o papel
do médico, a orientação sobre o significado dos sintomas e sua correlação com os
fenômenos puberais normais.
Quando a dor é mais intensa e prolongada, sugere-se ao adolescente o afastamento
temporário de suas atividades esportivas, de duas a quatro semanas ou de dois a quatro
meses, dependendo da severidade do quadro e da disposição do adolescente.
Para adolescentes atletas o afastamento, mesmo que temporário, das atividades
esportivas pode trazer ressentimentos e frustrações, cabendo ao pediatra o papel
orientador e tranqüilizador.
Esse tempo é geralmente suficiente para a redução do processo inflamatório e remissão
parcial ou total da dor. Após esse período de repouso, a prática esportiva e de
condicionamento físico devem ser gradualmente reassumidas.
A analgesia também pode ser obtida com a utilização de meios físicos, como a
aplicação tópica de gelo. Analgésicos e antiinflamatórios não hormonais podem ser
úteis em alguns casos, porém a necessidade de uso é infreqüente. As aplicações
intralesionais de corticóides não são indicadas. A imobilização raramente se justifica.
A bandagem com fitas elásticas ou órtese infrapateral são procedimentos que melhoram
significativamente o quadro álgico. Veja imagem abaixo:
Imagem 7.1. – Órtese de suporte infrapatelar.
O prognóstico habitualmente é bom e sem seqüelas, exceto pelo aumento do tubérculo
tibial, que poderá tornar-se permanente.
8. COMPLICAÇÕES
Fratura de osso subcondral na epífise, subluxação da articulação, deformidade da epífise
resultando em incongruência articular e doença degenerativa tardia, superiorização da
patela, avulsão total do tendão patelar, não consolidação dos fragmentos,
condromalácia, geno-recurvatum.