1 Material especial ENEM/Vestibular

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1 Material especial ENEM/Vestibular
Material preparado pelo professor Carlos Daniel S. Vieira
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Vai que dá!
Material especial ENEM/Vestibular - Interpretação Textual
Prof. Carlos Daniel (C.D.)
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Material preparado pelo professor Carlos Daniel S. Vieira
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PARTE 01: TEXTO E FUNÇÕES DA LINGUAGEM


Inicialmente, entende-se o texto de uma maneira bem ampla: trata-se de uma
unidade lingüística, seja ela oral ou escrita, que possui um sentido e porta uma
mensagem. Assim, um livro, um artigo, uma foto, um quadro, um programa de
televisão – todos esses podem ser chamados de textos.
No texto abaixo, por exemplo, temos um conjunto de imagens, palavras,
números e orações:
(http:// www.elivros-gratis.net)

O linguísta Roman Jakobson (1896-1982) propôs um esquema de
funcionamento da comunicação. Em paralelo, elaborou a concepção sobre as
Funções da Linguagem.
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EXERCÍCIOS sobre TEXTO E FUNÇÕES DA LINGUAGEM
01. (Enem 2007) Não só de aspectos
físicos se constitui a cultura de um povo.
Há muito mais, contido nas tradições, no
folclore, nos saberes, nas línguas, nas
c)
festas e em diversos outros aspectos e
manifestações transmitidos oral ou
gestualmente, recriados coletivamente e
modificados ao longo do tempo. A essa
porção intangível da herança cultural dos
povos dá-se o nome de patrimônio cultural
d)
imaterial.
(Internet: www.unesco.org.br ).
Qual das figuras abaixo retrata patrimônio
imaterial da cultura de um povo?
e)
02. (FUVEST 2009)
a)
b)
A crítica contida na charge visa,
principalmente, ao
a) ato de reivindicar a posse de um bem, o
qual, no entanto, já pertence ao Brasil.
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b) desejo obsessivo de conservação da
natureza brasileira.
c) lançamento da campanha de
preservação da floresta amazônica.
d) uso de slogan semelhante ao da
campanha “O petróleo é nosso”.
e) descompasso entre a reivindicação de
posse e o tratamento dado à floresta.
uma mesma ideia: a de que a
compreensão que temos do mundo é
condicionada, essencialmente,
a) pelo alcance de cada cultura.
b) pela capacidade visual do observador.
03. (FUVEST 2009) O pressuposto da frase
escrita no cartaz que compõe a charge é o
de que a Amazônia está ameaçada de:
c) pelo senso de humor de cada um.
d) pela idade do observador.
e) pela altura do ponto de observação.
a) Fragmentação.
b) Estatização.
Texto I
c) Descentralização.
Eu amo a rua. Esse sentimento de
natureza toda íntima não vos seria revelado
por mim se não julgasse, e
d) Internacionalização
e) Partidarização.
razões não tivesse para julgar, que este
amor assim absoluto e assim exagerado é
partilhado por todos vós.
04. (Enem 2004)
Nós somos irmãos, nós nos sentimos
parecidos e iguais; nas cidades, nas
aldeias, nos povoados, não porque
soframos, com a dor e os desprazeres, a lei
e a polícia, mas porque nos une, nivela e
agremia o amor da rua.
É este mesmo o sentimento imperturbável
e indissolúvel, o único que, como a própria
vida, resiste às idades
Da minha aldeia vejo quanto da terra se
e às épocas.
pode ver no Universo...
RIO, J. A rua. In: A alma encantadora das
ruas. São Paulo: Companhia das Letras,
2008 (fragmento).
Por isso minha aldeia é grande como outra
qualquer
Porque sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha
Texto II
altura... (Alberto Caeiro)
A rua dava-lhe uma força de fisionomia,
mais consciência dela. Como se sentia
estar no seu reino, na região em
A tira Hagar e o poema de Alberto Caeiro
que era rainha e imperatriz. O olhar
cobiçoso dos homens e o de inveja das
mulheres acabavam o sentimento
(um dos heterônimos de Fernando Pessoa)
expressam, com linguagens diferentes,
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de sua personalidade, exaltavam-no até.
Dirigiu-se para a rua do Catete com o seu
passo miúdo e sólido. […]
B) favorece o cultivo da intimidade e a
exposição dos dotes físicos.
C) possibilita vínculos pessoais duradouros
e encontros casuais.
No caminho trocou cumprimento com as
raparigas pobres de uma casa de cômodos
da vizinhança.
D) propicia o sentido de comunidade e a
exibição pessoal.
[…] E debaixo dos olhares maravilhados
das pobres raparigas, ela continuou o seu
caminho, arrepanhando a
E) promove o anonimato e a segregação
social
saia, satisfeita que nem uma duquesa
atravessando os seus domínios.
06. (FUVEST 2009) No texto I, observa-se
que o narrador se
BARRETO, L. Um e outro. In: Clara dos
anjos. Rio de Janeiro: Editora Mérito
(fragmento).
a) equipara ao leitor, por meio de
sentimentos diversos como o amor, o ódio
e o egoísmo.
b) distancia do leitor, porque o amor à rua,
assim como o ódio e o egoísmo, é
passageiro.
c) identifica com o leitor, por meio de um
sentimento perene, que é o amor à rua.
d) aproxima do leitor, por meio de
sentimentos duradouros como o amor à rua
e o ódio à polícia.
e) afasta do leitor, porque, ao contrário
deste, valoriza as coisas fúteis.
05. (FUVEST 2009) A experiência urbana é
um tema recorrente em crônicas, contos e
romances do final do século XIX e início do
XX, muitos dos quais elegem a rua para
explorar essa experiência. Nos fragmentos
I e II, a rua é vista, respectivamente, como
lugar que
A) desperta sensações contraditórias e
desejo de reconhecimento.
GABARITO:
01. C
02. E
03. D
04. A
05. D
06. C
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PARTE 02: IDEOLOGIA E INTENCIONALIDADE



Todo o texto carrega uma ideologia e uma intencionalidade.
O termo ideologia é de difícil classificação, o que é amplamente
debatido na filosofia e na sociolinguística. Grosso modo, pode-se pensar
em ideologia como o conjunto de crenças e convenções que permeia
um grupo social.
Por mais que um falante tente, nunca conseguirá produzir um texto sem
alguma ideologia. Logicamente, é mais fácil observar a ideologia
predominante em textos que estejam temporalmente distantes de nós.
Propaganda de “Cigarrinhos de Chocolate Garoto” (Anos 50)
Propaganda da cerveja Devassa (2012), autuada pelo CONAR
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
No fundo, todos os textos possuem um caráter argumentativo, ou seja, buscam
convencer seu(s) leitor(es) de algo. Tradicionalmente, as provas de ENEM e
Vestibular costumam trabalhar a intencionalidade de textos literários e/ou
publicitários.
EXERCÍCIOS sobre IDEOLOGIA E INTENCIONALIDADE
O sonho do celular
Sabe qual é o meu sonho, cara? Quer saber
mesmo qual é o grande sonho?
Fomos presos, cara. E sabe por quê? Porque
o pinta tinha um celular. De dentro do portamalas ele pediu socorro. E nos pegaram
direitinho.
Eu queria ter um celular, cara. Um celular:
esses telefones que o cara leva na mão, e dá
para a gente falar de qualquer lugar, da rua,
do bar, do banheiro, de onde você quiser. É
uma maravilha, cara. Não existe nada igual. É
o meu sonho.
Se estou zangado? Não estou zangado, não.
É verdade que fiquei numa ruim, mas o que
aconteceu provou que eu tinha razão celular
é outro papo. É a comunicação do futuro,
cara. Um dia ainda vou ter um, andar com
ele debaixo do braço e falar com meus
amigos de casa, da rua, do banheiro. Sou até
capaz de me meter num porta-malas e ligar
para alguém, para ver como a coisa funciona.
Você vai dizer: ah, mas é um sonho miúdo,
insignificante. Você vai dizer que sou
modesto, que voo baixo. Outros querem
carrões importados, roupas caras,
apartamentos de cobertura – e eu quero só
um telefone?!
Celular é meu sonho cara.
Pois é só o que quero: um telefone celular.
Aquilo é o Maximo, cara. Aquilo te dá um
status fora de série. Não sou só eu que acha
isso, não: eu tinha um amigo que roubou um
celular da loja só para ficar com ele debaixo
do braço. A coisa não falava, não tocava –
mas dava a ele uma sensação de peru.
Celular, cara, é outro papo. Não é orelhão,
não é telefone comum. É celular. Coisa de
gente fina.
(Moacyr Scliar)
01. A linguagem do texto acima caracterizase pelo emprego de termos coloquiais ou
populares. Substitua as expressões a seguir
por outras correspondentes em norma culta.
A) "eu voo baixo"
B) "uma sensação do peru"
C) "porque o pinta tinha um celular"
Só que custa um dinheirão, e de onde eu ia
descolar aquela grana? Porque eu queria
fazer a coisa legal, registrar o aparelho, tudo
certinho. Essas coisas custam caro. Não havia
outro jeito: eu tinha que sequestrar um cara.
D) "celular é outro papo"
02. "O feitiço virou contra o feiticeiro".
Poderíamos aplicar esse provérbio popular à
narrativa? Justifique a sua resposta.
E aí a gente fez o sequestro, tudo direitinho,
tudo bem planejado. E para o sujeito não
incomodar, nós o colocamos no porta-malas.
03. Interprete a intenção do autor ao
escrever esse texto.
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04. (Enem 2006) Os textos a seguir foram
extraídos de duas crônicas publicadas no ano
Avalie as seguintes afirmações a respeito dos
em que a seleção brasileira conquistou o
dois textos e do período histórico em que
tricampeonato mundial de futebol.
foram escritos.
O General Médici falou em consistência
I - Para os dois autores, a conquista do
moral. Sem isso, talvez a vitória nos
tricampeonato mundial de futebol provocou
escapasse, pois a disciplina consciente,
uma explosão de alegria popular.
livremente aceita, é vital na preparação
II - Os dois textos salientam o momento
espartana para o rude teste do campeonato.
político que o país atravessava ao mesmo
Os brasileiros portaram-se não apenas como
tempo em que conquistava o tricampeonato.
técnicos ou profissionais, mas como
III - À época da conquista do tricampeonato
brasileiros, como cidadãos deste grande país,
mundial de futebol, o Brasil vivia sob regime
cônscios de seu papel de representantes de
militar, que, embora politicamente
seu povo. Foi a própria afirmação do valor do
autoritário, não chegou a fazer uso de
homem brasileiro, como salientou bem o
métodos violentos contra seus opositores.
presidente da República. Que o chefe do
governo aproveite essa pausa, esse minuto
É correto apenas o que se afirma em
de euforia e de efusão patriótica, para
a) I.
meditar sobre a situação do país. (...) A
b) II.
realidade do Brasil é a explosão patriótica do
c) III.
povo ante a vitória na Copa.
d) I e II.
(Danton Jobim. Última Hora, 23/6/1970 -
e) II e III.
com adaptações).
05. (ENEM 2007) A figura abaixo é parte de
uma campanha publicitária.
O que explodiu mesmo foi a alma, foi a
paixão do povo: uma explosão incomparável
de alegria, de entusiasmo, de orgulho. (...)
Debruçado em minha varanda de Ipanema,
[um velho amigo] perguntava: – Será que
algum terrorista se aproveitou do delírio
coletivo para adiantar um plano seu
qualquer, agindo com frieza e precisão? Será
que, de outro lado, algum carrasco policial
teve ânimo para voltar a torturar sua vítima
logo que o alemão apitou o fim do jogo?
(Rubem Braga. Última Hora, 25/6/1970 com adaptações).
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Zelândia informa que o fumo passivo é a terceira
entre as principais causas de morte no país,
Essa campanha publicitária relaciona-se
depois do fumo ativo e do uso de álcool.
diretamente com a seguinte afirmativa:
Disponível em: www.terra.com.br. Acesso em: 27
abr. 2010 (fragmento).
a) O comércio ilícito da fauna silvestre, atividade
de grande impacto, é uma ameaça para a
biodiversidade nacional.
Texto II
b) A manutenção do mico-leão-dourado em jaula
é a medida que garante a preservação dessa
espécie animal.
c) O Brasil, primeiro país a eliminar o tráfico do
mico-leão-dourado, garantiu a preservação dessa
espécie.
d) O aumento da biodiversidade em outros países
depende do comércio ilegal da fauna silvestre
brasileira.
e) O tráfico de animais silvestres é benéfico para
a preservação das espécies, pois garante-lhes a
sobrevivência.
Ao abordar a questão do tabagismo, os
06. (Enem 2010)
textos I e II procuram demonstrar que
Texto I
a) a quantidade de cigarros consumidos por
O chamado "fumante passivo" é aquele indivíduo
pessoa, diariamente, excede o máximo de
que não fuma, mas acaba respirando a fumaça os
nicotina recomendado para os indivíduos,
cigarros fumados ao seu redor. Até hoje,
inclusive para os não fumantes.
discutem-se muito os efeitos do fumo passivo,
b) para garantir o prazer que o indivíduo tem ao
mas uma coisa é certa: quem não fuma não é
fumar, será necessário aumentar as estatísticas
obrigado a respirar a fumaça dos outros. O fumo
de fumo passivo.
passivo é um problema de saúde pública em todos
c) a conscientização dos fumantes passivos é uma
os países do mundo. Na Europa, estima-se que
maneira de manter a privacidade de cada
79% das pessoas estão expostas à fumaça "de
indivíduo e garantir a saúde de todos.
segunda mão", enquanto, nos Estados Unidos,
d) os não fumantes precisam ser respeitados e
88% dos não fumantes acabam fumando
poupados, pois estes também estão sujeitos as
passivamente. A Sociedade do Câncer da Nova
doenças causadas pelo tabagismo.
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e) o fumante passivo não é obrigado a inalar as
b) alertam para a necessidade do
mesmas toxinas que um fumante, portanto
controle da poluição ambiental para
depende dele evitar ou não a contaminação
redução do efeito estufa.
proveniente da exposição ao fumo.
c) ilustram a interdependência das
diversas formas de vida (animal, vegetal
e outras) e o seu habitat.
07. (ENEM 2010) No ano de 2000, um
d) indicam a alta resistência do meio
vazamento em dutos de óleo na baía de
ambiente à ação do homem, além de
Guanabara (RJ) causou um dos maiores
evidenciar
acidentes ambientais no Brasil. Além de
a
sua
sustentabilidade
mesmo em condições extremas de
afetar a fauna e a flora, o acidente
poluição.
abalou o equilíbrio da cadeia alimentar
e) evidenciam a grande capacidade
de toda a baía. O petróleo forma uma
animal de se adaptar às mudanças
película na superfície da água, o que
ambientais, em contraste com a baixa
prejudica as trocas gasosas da atmosfera
capacidade das espécies vegetais, que
com a água e desfavorece a realização
estão na base da cadeia alimentar
de fotossíntese pelas algas, que estão na
hídrica.
base da cadeia alimentar hídrica. Além
disso,
o
derramamento
de
óleo
08. (FUVEST 2008)
S. Paulo, 13-XI-42
contribuiu para o envenenamento das
árvores e, consequentemente, para a
Murilo
intoxicação da fauna e flora aquáticas,
São 23 horas e estou honestissimamente
em casa, imagine! Mas é doença que me
prende, irmão pequeno. Tomei com uma
gripe na semana passada, depois,
desensarado, com uma chuva, domingo
último, e o resultado foi uma
sinusitezinha infernal que me inutilizou
mais esta semana toda. E eu com tanto
trabalho! Faz quinze dias que não faço
nada, com o desânimo de após-gripe,
uma moleza invencível, e as dores e
tratamento atrozes. Nesta noitinha de
hoje me senti mais animado e andei
trabalhandinho por aí. (...)
Quanto a suas reservas a palavras do
poema que lhe mandei, gostei da sua
habilidade em pegar todos os casos
“propositais”. Sim senhor, seu poeta,
você até está ficando escritor e estilista.
Você tem toda a razão de não gostar do
“nariz furão”, de “comichona”, etc. Mas
bem como conduziu à morte diversas
espécies de animais, entre outras
formas de vida, afetando também a
atividade
LAUBER,
pesqueira.
L.
Negra".
Brasil4(39),
"Diversidade
In: Scientific
ago.
2005
da
Maré
American
(adaptado).
A situação exposta no texto e suas
implicações
a) indicam a independência da espécie
humana com relação ao ambiente
marinho.
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lhe juro que o gosto consciente aí é da
gente não gostar sensitivamente. As
palavras são postas de propósito pra não
gostar, devido à elevação
declamatória do coral que precisa ser um
bocado bárbara, brutal, insatisfatória e
lancinante. Carece botar um pouco de
insatisfação no prazer estético, não
deixar a coisa muito bem-feitinha.(...) De
todas as palavras que você recusou só
uma continua me desagradando “lar
fechadinho”, em que o carinhoso do
diminutivo é um desfalecimento no
grandioso do coral.
Mário de Andrade, Cartas a
Murilo Miranda.
a) a crítica de poesia é meticulosa e exata
quando acolhe e valoriza uma imagem
poética.
b) uma imagem poética logo se converte, na
visão de um crítico, em um referente
prosaico.
c) o leitor e o poeta relacionam-se de
maneira antagônica com o fenômeno
poético.
d) o poeta e o crítico sabem reconhecer a
poesia de uma expressão como “pedaço
esvoaçante de vida”.
e) palavras como “borboleta” ou
“lepidóptero” mostram que há convergência
entre as linguagens da ciência e da poesia.
“... estou honestissimamente em casa,
imagine! Mas é doença que me prende,
irmão pequeno."
No trecho, o termo destacado indica que
o autor da carta pretende
10. (FUVEST 2009)
ISTOÉ – Quais são os equívocos mais comuns
a respeito das pessoas altamente criativas?
a) revelar a acentuada sinceridade com que
se dirige ao leitor.
b) descrever o lugar onde é obrigado a ficar
em razão da doença.
c) demarcar o tempo em que permanece
impossibilitado de sair.
d) usar a doença como pretexto para sua
voluntária inatividade.
e) enfatizar sua forçada resignação com a
permanência em casa.
Weisberg – O primeiro é que apenas um tipo
específico de pessoa é criativa, e que ela usa
processos mentais diferentes do restante
dos seres humanos. Existe um mito de que
os gênios usam processos inconscientes para
criar suas obras ou têm patologias mentais
que
contribuem no processo criativo. Isso não é
verdade.
09. (FUVEST 2008)
ISTOÉ – Mas não se pode dizer que são
pessoas comuns.
A borboleta
Cada vez que o poeta cria uma borboleta, o
leitor
exclama: “Olha uma borboleta!” O crítico
ajusta os
nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante
de vida,
murmura: – Ah!, sim, um lepidóptero...
Weisberg – As diferenças existem, claro.
Picasso, por exemplo. Um aspecto bem
distinto dele foi sua produtividade. Ele
trabalhava o tempo todo e
queria,propositadamente, criar coisas novas.
Quase todos nós podemos aprender a
desenhar. Não acho que essa habilidade seja
o que o diferencia do restante, mas talvez o
desejo de produzir algo novo, que afete o
mundo.
Mário Quintana, Caderno H.
nasóculos = óculos sem hastes, ajustáveis ao
nariz.
Depreende-se desse fragmento que, para
Mário Quintana,
Entrevista de Robert Weisberg concedida a
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Leoleli Camargo, IstoÉ, nº 2013, página 6,
04/06/08.
c) Considerando pertinente a hipótese de
que a criação ocorre pela associação do
trabalho constante com o desejo de produzir
algo novo.
Ao responder à revista, como o entrevistado
procura desmistificar a figura do gênio?
d) Sugerindo a tese de que a criação de
coisas novas é uma capacidade comum a
todos, sendo raros, porém, aqueles que
podem desenhar.
a) Citando Picasso, porque estudos
comprovam que sua herança genética foi
responsável pela sua produtividade e
versatilidade como artista.
e) Levantando a hipótese de que os
processos mentais beneficiam-se de
estimulantes químicos para facilitar o
processo criativo.
b) Mencionando patologias mentais, porque
concorda que distúrbios, como a
esquizofrenia, são responsáveis pela
criatividade dos gênios.
GABARITO:
01.
a) eu faço planos de baixa ambição.
b) uma sensação grandiosa.
c) porque o rapaz enriquecido
possuía um celular.
d) celular é outro assunto
02. Sim. Pois o plano do narrador (seu
"feitiço") acabou por prejudicá-lo
("voltou-se contra o feiticeiro").
03. (As respostas podem variar)
Possível resposta: O autor buscou
elaborar uma crítica à ambição
materialista de certos indivíduos.
04. D
05. A
06. D
07. C
08. E
09. B
10. C
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PARTE 03: FIGURAS DE LINGUAGEM
DEFINIÇÃO: “Figura de linguagem é uma forma de expressão que consiste no emprego
de palavras em sentido figurado, isto é, em um sentido diferente daquele em que
convencionalmente são empregadas” (CEREJA&MAGALHÃES, Português. Linguagens.
2012)
A. COMPARAÇÃO: aproxima ou
distancia dois ou mais elementos. É
obrigatório o uso do termo
comparativo (como, quanto,
tanto...quanto, entre outros).
D. ANTÍTESE: Presença de termos
opostos, associados. A associação é
logicamente possível.
Ex.: Ontem chovia, mas hoje faz sol.
Ex.: Ela é como uma flor.
E. PARADOXO: Presença de termos
opostos, unidos. A associação é
logicamente impossível.
B. METÁFORA: trata-se de uma
comparação sem o elemento
comparativo. Diz-se que uma coisa é
outra.
Ex.: Minha alma carrega um sol
chuvoso.
Ex.: Ela é uma flor.
F. PERSONIFICAÇÃO OU PROSOPOPEIA:
Atribuem-se características humanas
para coisas não-humanas.
C. METONÍMIA: trata-se da substituição
de uma palavra por outra, por haver
uma relação lógica entre elas.
Ex.: As casas observavam os homens.
Ex.: Estou lendo um Machado de Assis.
(ao invés do livro)
G. HIPÉRBOLE: trata-se de um exagero.
Ex.: O nenê comeu dois pratos (ao invés
do alimento)
Ex.: “Pois há menos peixinhos a nadar
no mar
Ex.: A um sinal do maestro, os metais
iniciaram o concerto. (ao invés dos
instrumentos de metal)
Do que os beijinhos que darei
Na sua boca” (Vinícius de Moraes)
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H. EUFEMISMO: substitui-se uma
palavra ou expressão por outra, para
amenizar a informação passada.
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
Ex.: Ela está num lugar melhor.
M. GRADAÇÃO: Listagem de termos,
gerando a ideia de progressão.
Ex.: Ela não é exatamente uma pessoa
inteligente.
Ex.: Cada vez mais, comprou carros,
casas, tudo!
I. IRONIA: consiste em firmar o
contrário do que se quer dizer.
Frequentemente, gera humor.
N. CATACRESE: trata-se de uma
metáfora que já foi incorporada à
língua.
Ex.: “Moça linda bem tratada,
Três séculos de família
Ex.: cauda do piano, menina-dos-olhos,
costas da cadeira etc.
Burra como uma porta:
Um amor” (Mário de Andrade)
O. ANTONOMÁSIA OU PERÍFRASE:
Substituição de um nome por um
“apelido”, epíteto.
J. ASSÍNDETO: emprego de orações
coordenadas, sem o uso de conjunções.
O caso mais corriqueiro é o da retirada
da conjunção “e”.
Ex.: Estou lendo um livro do primeiro
realista brasileiro (ao invés de
“Machado de Assis”).
Ex.: Via carros, caminhões, aviões.
P. SINESTESIA: Mistura de sensações e
sentidos.
K. POLISSÍNDETO: Repetição da
conjunção. Frequentemente, o objetivo
é enfatizar.
Ex.: uma cor doce, um canto ardente
etc.
Ex.: Via carros e caminhões e aviões.
Q. APÓSTROFE: chamamento de algo
ou alguém. A morfologia classifica de
“vocativo”.
L. ANÁFORA: Repetição proposital de
palavras no início de uma frase ou
verso.
Ex.: Pai nosso, que estais no céu...
Ex.: “O vento varria as folhas,
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R. HIPÉRBATO: inversão complexa dos
termos da oração.
Ex.: Os brasileiros somos um povo forte.
Ex.: “vieram vindo outras pessoas, às
duas e às quatro“ (Machado de Assis,
Quincas Borba).
W. ALITERAÇÃO: repetição de sons
consonantais.
Ex.: “Vim, vi e venci.”
S. ELIPSE: Omissão de uma ou mais
palavras, facilmente identificadas.
X. ASSONÂNCIA: repetição de sons
vocálicos.
Ex.: [Eu] Sempre acreditei no amor.
Ex.: A azaleia abria-se.
T. ZEUGMA: omissão de um termo
expresso anteriormente.
Y: ONOMATOPEIA: representação
gráfica de um som.
Ex.: Ele sonhava em namorar; ela, em
casar.
Ex.: “Plunct-Plact-Zummm
U. ANACOLUTO: quebra na estrutura
normal da oração, com a inserção de
um termo sem ligação sintática com os
demais.
Não vai a lugar nenhum”
(Raul Seixas – O Carimbador Maluco)
Ex.: “Eu, não me importa a desonra do
mundo” (Camilo Castelo Branco, Amor
de Perdição).
Z: PARONOMÁSIA: palavras
semelhantes ou iguais na pronúncia,
mas diferentes no sentido.
Ex.: Comeu a manga e pagou três
mangos.
V: SILEPSE: concordância feita com a
ideia transmitida, e não com os termos
da oração.
EXERCÍCIOS sobre FIGURAS DE LINGUAGEM
01. (FGV 2009)
para abrir-vos as portas do Mistério?!
Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
(SOUSA, Cruz e. Últimos sonetos.)
A figura de sintaxe denominada “anástrofe” é
um tipo raro de inversão, que consiste na
anteposição do determinante (preposição +
Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
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substantivo) ao determinado, como ocorre no
seguinte trecho:
b) Transcreva, respectivamente, os termos que
completam corretamente as lacunas em II.
a) “Ó almas presas”.
b) “Nas prisões colossais”.
c) “Da Dor no calabouço”.
d) “Nesses silêncios solitários”.
e) “Para abrir-vos as portas”.
04. (FUVEST 2009) Eu amo a rua. Esse
sentimento de natureza toda íntima não vos
seria revelado por mim se não julgasse, e
razões não tivesse para julgar, que este amor
assim absoluto e assim exagerado é partilhado
por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos
sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas
aldeias, nos povoados, não porque soframos,
com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia,
mas porque nos une, nivela e agremia o amor
da rua. É este mesmo o sentimento
imperturbável e indissolúvel, o único que, como
a própria vida, resiste às idades e às épocas.
RIO, J. A rua. In: A alma encantadora das ruas.
São Paulo: Companhia das Letras, 2008
(fragmento).
02. (FGV-2010) “Eu ia, atento e presente, em
busca de um bonde e de Jandira. Foi só ouvir
uma sanfona, perdi o bonde, perdi o rumo, e
perdi Jandira. Fiquei rente do cego da sanfona,
não sei se ouvindo as suas valsas ou se ouvindo
outras valsas que elas foram acordar na minha
escassa memória musical.
Depois, o cego mudou de esquina, e continuei a
pé o caminho, mas bem percebi que os passos
me levavam, não para o cotidiano, mas para
tempos mortos.”
(ANJOS, Cyro dos. O amanuense Belmiro. 8ª ed.
Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1975, p.
15.)
Em “nas cidades, nas aldeias, nos povoados”
(linha 6), “hoje é mais amargo o riso, mais
dolorosa a ironia” (linhas 12 e 13) e “levando as
coisas fúteis e os acontecimentos notáveis”
(linhas 13 e 14), ocorrem, respectivamente, os
seguintes recursos expressivos:
a) Aproximando-se as duas passagens
destacadas destacado do trecho “Eu ia, atento
e presente, em busca de um bonde e de
Jandira. Foi só ouvir uma sanfona, perdi o
bonde, perdi o rumo, e perdi Jandira”, pode-se
divisar uma figura de linguagem, mais
especificamente, uma figura de pensamento.
Nomeie-a e explique como ela se dá no texto.
a) eufemismo, antítese, metonímia.
b) hipérbole, gradação, eufemismo.
c) metáfora, hipérbole, inversão.
d) gradação, inversão, antítese.
e) metonímia, hipérbole, metáfora.
b) Classifique morfologicamente o termo “elas”
e aponte a que termo se refere. Justifique sua
resposta.
05. (FUVEST2009) Vestindo água, só saído o
cimo do pescoço, o burrinho tinha de se
enqueixar para o alto, a salvar também de fora
o focinho. Uma peitada. Outro tacar de patas.
Chu-áa! Chu-áa... — ruge o rio, como chuva
deitada no chão. Nenhuma pressa! Outra
remada, vagarosa. No fim de tudo, tem o pátio,
com os cochos, muito milho, na Fazenda; e
depois o pasto: sombra, capim e sossego...
Nenhuma pressa. Aqui, por ora, este poço
doido, que barulha como um fogo, e faz medo,
não é novo: tudo é ruim e uma só coisa, no
caminho: como os homens e os seus modos,
costumeira confusão. É só fechar os olhos.
Como sempre. Outra passada, na massa fria. E
ir sem afã, à voga surda, amigo da água, bem
com o escuro, filho do fundo, poupando forças
para o fim. Nada mais, nada de graça; nem um
arranco, fora de hora. Assim.
João Guimarães Rosa. O burrinho pedrês,
Sagarana.
03. (FGV 2010) Observe as frases:
I. Tecnologia da informação: do campus para o
campo.
(Jornal Unesp, agosto de 2009.)
II. Durante a _______ (sessão/seção) plenária, o
deputado deixou claro que, a partir daquele
momento, não se discutiriam mais as _______
(exceções/excessões). O mais importante seria
o _______ (cumprimento/comprimento) da
pauta, atendendo, assim, aos interesses dos
_______ (cidadãos/cidadões).
a) Nomeie e explique a figura de linguagem
estabelecida pelo par campus-campo, em I.
16
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Por que desculpar-me, se os poetas criaram
deuses e semideuses para personificar as
coisas, visíveis e invisíveis... E o sereno da
fronteira deve andar mesmo de chapéu
desabado, bigode, pala e de pé no chão... sim,
ele estava mesmo de pés descalços, decerto
para não nos perturbar o sono mais ou menos
inocente.
Como exemplos da expressividade sonora
presente neste excerto, podemos citar a
onomatopeia, em “Chu-áa! Chu-áa...”, e a fusão
de onomatopeia com aliteração, em
a) “vestindo água”.
b) “ruge o rio”.
c) “poço doido”.
d) “filho do fundo”.
e) “fora de hora”.
(QUINTANA, Mário. As cem melhores crônicas
brasileiras.)
06. (FUVEST 2010)
Desde pequeno, tive tendência para
personificar as coisas. Tia Tula, que achava que
mormaço fazia mal, sempre gritava: "Vem pra
dentro, menino, olha o mormaço!". Mas eu
ouvia o mormaço com M maiúsculo. Mormaço,
para mim, era um velho que pegava crianças! Ia
pra dentro logo. E ainda hoje, quando leio que
alguém se viu perseguido pelo clamor público,
vejo com estes olhos o Sr. Clamor Público,
magro, arquejante, de preto, brandindo um
guarda-chuva, com um gogó protuberante que
se abaixa e levanta no excitamento da
perseguição.
E já estava devidamente grandezinho, pois
devia contar uns trinta anos, quando me fui,
com um grupo de colegas, a ver o lançamento
da pedra fundamental da ponte UruguaianaLibres, ocasião de grandes solenidades, com os
presidentes Justo e Getúlio e gente muita,
tanto assim que fomos alojados os do meu
grupo num casarão que creio fosse a prefeitura,
com os demais jornalistas do Brasil e Argentina.
Era como um alojamento de quartel, com breve
espaço entre as camas e todas as portas e
janelas abertas, tudo com alegres incômodos e
duvidosos encantos de uma coletividade
democrática. Pois lá pelas tantas da noite,
como eu pressentisse, em meu entredormir,
um vulto junto à minha cama, sentei-me
estremunhado olhei atônito para um tipo chiru,
ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e
chapéu descido sobre os olhos. Diante da
minha muda interrogação, ele resolveu
explicar-se, com a devida calma:
_ Pois é! Não vê que eu sou o sereno...
E eis que, por um milésimo de segundo, ou
talvez mais, julguei que se tratasse do Sereno
Noturno em pessoa.
Coisas do sono? Além disso, o vulto aquele,
penumbroso e todo em linhas descendentes,
ajudava a ilusão. Mas por que desculpar-me?
Quase imediatamente compreendi que o
"sereno" era vigia noturno, uma espécie de
anjo da guarda crioulo e municipal.
*Glossário:
estremunhado:mal-acordado.
chiru: que ou aquele que tem pele morena,
traços acaboclados (regionalismo: Sul do
Brasil).
A caracterização ambivalente da “coletividade
democrática” (L. 20 e 21), feita com humor pelo
cronista, ocorre também na seguinte frase
relativa à democracia:
a) Meu ideal político é a democracia, para que
todo homem seja respeitado como indivíduo, e
nenhum, venerado. (A. Einstein)
b) A democracia é a pior forma de governo,
com exceção de todas as demais. (W. Churchill)
c) A democracia é apenas a substituição de
alguns corruptos por muitos incompetentes. (B.
Shaw)
d) É uma coisa santa a democracia praticada
honestamente, regularmente, sinceramente.
(Machado de Assis)
e) A democracia se estabelece quando os
pobres, tendo vencido seus inimigos,
massacram alguns, banem os outros e
partilham igualmente com os restantes o
governo e as magistraturas. (Platão)
07. (FUVEST 2008) Meses depois fui para o
seminário de S. José. Se eu pudesse contar as
lágrimas que chorei na véspera e na manhã,
somaria mais que todas as vertidas desde Adão
e Eva. Há nisto alguma exageração; mas é bom
ser enfático, uma ou outra vez, para compensar
este escrúpulo de exatidão que me aflige.
(Machado de Assis, Dom Casmurro.)
O “escrúpulo de exatidão” que, no trecho, o
narrador contrapõe à exageração ocorre
também na frase:
17
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a) No momento em que nos contaram a
anedota, quase estouramos de tanto rir.
b) Dia a dia, mês a mês, ano a ano, até o fim
dos tempos, não tirarei os olhos de ti.
c) Como se sabe, o capitão os alertou milhares
de vezes sobre os perigos do lugar.
d) Conforme se vê nos registros, faltou às aulas
trinta e nove vezes durante o curso.
e) Com toda a certeza, os belíssimos presentes
lhe custaram os olhos da cara.
Encontro um caderno antigo, de adolescente. E,
em vez das simples anotações que seriam
preciosas como documento, descubro que eu
só fazia literatura. Afinal, quando é que um
adolescente já foi natural? E, folheando aquelas
velhas páginas, vejo, compungido, como as
comparações caducam. Até as imagens
morrem, dizia Brás Cubas. Quero crer que
caduquem apenas.
Eis aqui uma amostra daquele “diário”:
“Era tal qual uma noite de tela cinematográfica.
Silenciosa, parada, de um suave azul de tinta de
escrever. O perfil escuro das árvores recortavase cuidadosamente naquela imprimadura*
unida, igual, que estrelinhas azuis picotavam.
Os bangalôs dormiam. Uma? Duas? Três horas
da madrugada?
Nem a lua sequer o sabia. A lua, relógio
parado...” Pois vocês já viram que mundo de
coisas perdidas?! O cinema não é mais
silencioso. Não se usa mais tinta de escrever.
Não se usam mais bangalôs. E ninguém mais se
atreve a invocar a lua depois que os
astronautas se invocaram com ela.
(Mário Quintana, Na volta da esquina. Porto
Alegre: Globo, 1979.)
08. (FGV 2011)
Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei
as
pastagens
às
manadas
E a quem mais aprouver fazer dieta.
Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.
Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Onívoro*; deem-me feijão com arroz
E um bife, e um queijo forte, e parati**
E
eu
morrerei,
feliz,
do
coração
De ter vivido sem comer em vão.
*imprimadura: s.f. art. plást. 1 ato ou efeito de
imprimar 1.1 primeira demão de tinta em tela,
madeira
etc.
(Vinicius de Moraes, Livro de sonetos. São
Paulo: Companhia das Letras, 1991.)
No trecho “Nem a lua sequer o sabia. A lua,
relógio parado...”, podem ser identificadas, na
ordem em que aparecem, as seguintes figuras
de linguagem:
*onívoro: que se alimenta tanto de matéria
vegetal
como
animal.
**parati: aguardente de cana, cachaça.
a) personificação e elipse.
b) metáfora e inversão.
c) metonímia e silepse.
d) hipérbole e anacoluto.
e) sinédoque e pleonasmo.
a) Indique duas figuras de linguagem, uma de
natureza sintática e outra, semântica, utilizadas
pelo autor nos dois primeiros versos. Que
efeitos de sentido elas produzem, tendo em
vista seus referentes e o contexto em que elas
ocorrem?
10. (FGV 2010)
Herdeiro já era muito; mas universal... Esta
palavra inchava as bochechas à herança.
Herdeiro de tudo, nem uma colherinha menos.
E quanto seria tudo? Ia ele pensando. Casas,
apólices, ações, escravos, roupa, louça, alguns
quadros, que ele teria na Corte, porque era
homem de muito gosto, tratava de coisas de
arte com grande saber. E livros? devia ter
muitos livros, citava muitos deles. Mas em
quanto andaria tudo? Cem contos? Talvez
duzentos. Era possível; trezentos mesmo não
havia que admirar. Trezentos contos!
b) A identificação da função sintática do termo
“do coração” é decisiva para entender o
significado do verso 13? Justifique sua resposta.
c) Identifique a principal mensagem subjacente
ao texto. Justifique sua resposta com base em
elementos presentes no poema.
09. (FGV 2011)
documento
18
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trezentos! E o Rubião tinha ímpetos de dançar
na rua. Depois aquietava-se; duzentos que
fossem, ou cem, era um sonho que Deus
Nosso Senhor lhe dava, mas um sonho
comprido, para não acabar mais.
A lembrança do cachorro pôde tomar pé no
torvelinho de pensamentos que iam pela
cabeça do nosso homem. Rubião achava que a
cláusula era natural, mas desnecessária, porque
ele e o cão eram dois amigos, e nada mais certo
que ficarem juntos, para recordar o terceiro
amigo, o extinto, o autor da felicidade de
ambos.
Havia,
sem
dúvida,
umas
particularidades na cláusula, uma história de
urna, e não sabia que mais; mas tudo se havia
de cumprir, ainda que o céu viesse abaixo...
Não, com a ajuda de Deus, emendava ele. Bom
cachorro! Excelente cachorro! Rubião não
esquecia que muitas vezes tentara enriquecer
com empresas que morreram em flor. Supôs-se
naquele tempo um desgraçado, um caipora,
quando a verdade era que "mais vale quem
Deus ajuda do que quem cedo madruga". Tanto
não era impossível enriquecer, que estava rico.
– Impossível, o quê? exclamou em voz alta.
Impossível é a Deus pecar. Deus não falta a
quem promete.
(Machado de Assis. Quincas Borba.)
de British)
(Alfredo Bosi. Dialética da colonização. São
Paulo: Companhia das Letras, 1999, 3. ed. p.
94)
O recurso da antítese, figura essencial da
linguagem barroca, pode ser reconhecido na
relação que estabelecem entre si, considerado
o contexto, as seguintes expressões desse
soneto:
(A) tanto negócio e tanto negociante.
(B) açúcar excelente e drogas inúteis.
(C) Triste Bahia e pobre te vejo.
(D) Rica te vi e tu a mi abundante.
(E) se quisera Deus e um dia amanheceras.
12. (PUC-Camp 2009) [...] estamos chegando a
um melhor entendimento da importância
relativa das coisas. Aprende-se a conviver com
pequenas aflições, como a tendinite e a technomusic, pensando: “No Afeganistão está pior.” E
depois que Paquistão, Índia, Israel, Iraque,
Estados Unidos e Bin Laden se aniquilarem
mutuamente com bombas nucleares e
químicas, e a nuvem mortal começar a circular
o planeta, você pode se consolar com a ideia de
que pelo menos nossa seleção não dará
vexame
na
próxima
copa.
(Luis Fernando Verissimo. O mundo é bárbaro.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. p. 161)
No trecho destacado em “mais vale quem Deus
ajuda do que quem cedo madruga”, ocorre um
tipo de desvio semântico que tem finalidade
expressiva. Trata-se de
a) paradoxo.
b) hipérbole.
c) redundância.
d) personificação.
e) eufemismo.
O efeito de humor que o cronista obtém
explorando
a importância
relativa
das
coisas concretiza-se quando Verissimo cria o
contraste entre
(A) nuvem mortal e próxima copa.
(B) Afeganistão e Estados Unidos.
(C) bombas nucleares e nuvem mortal.
(D) nossa seleção e próxima copa.
(E) pequenas aflições e tendinite.
11. (PUC-Camp 2008)
Triste Bahia! ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fôra de algodão o teu capote!
Brichote -
mercador
inglês
13. (ITA 2011) São Paulo – Não é preciso muito
para imaginar o dia em que a moça da rádio
nos
anunciará,
do
helicóptero,
o
1
colapso final: “A CET já não registra a extensão
do congestionamento urbano. Podemos ver
daqui que todos os carros em todas as ruas
estão imobilizados. Ninguém anda, para frente
ou para trás. A cidade, enfim, parou.
As autoridades pedem calma, muita calma”.
“A autoestrada do Sul” é um conto
2
extraordinário de Julio Cortázar . Está em Todos
os fogos o fogo, de 1966 (a Civilização Brasileira
(depreciativo
19
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traduziu). Narra, com monotonia infernal, um
congestionamento entre Fontainebleau e
Paris. É a história que inspirou Weekend à
3
francesa (1967), de Godard .
O que no início parece um transtorno
corriqueiro vai assumindo contornos absurdos.
Os personagens passam horas, mais horas, dias
inteiros entalados na estrada.
Quando, sem explicações, o nó desata, os
motoristas aceleram “sem que já se soubesse
para que tanta pressa, por que essa correria na
noite entre automóveis desconhecidos onde
ninguém sabia nada sobre os outros, onde
todos olhavam para a frente, exclusivamente
para a frente”.
Não serve de consolo, mas faz pensar.
Seguimos às cegas em frente há quanto tempo?
De Prestes Maia aos túneis e viadutos de Maluf,
a cidade foi induzida a andar de carro. Nossa
urbanização se fez contra o transporte público.
O símbolo modernizador da era JK é o pesadelo
de agora, mas o fetiche da lata sobre rodas
jamais se abalou.
Será ocasional que os carrões dos
endinheirados – essas peruas high-tech – se
pareçam com tanques de guerra? As pessoas
saem de casa dentro de bunkers, literalmente
armadas. E, como um dos tipos do conto
de Cortázar, veem no engarrafamento uma
“afronta pessoal”.
Alguém acredita em soluções sem que haja
antes um colapso? Ontem era a crise aérea,
amanhã será outra qualquer. A classe média
necessita reciclar suas aflições. E sempre
haverá algo a lembrá-la –coisa mais
chata – de que ainda vivemos no Brasil. (SILVA,
Fernando de Barros. Folha de S.Paulo, 17 mar.
2008.)
14. (UERJ 2012) O chá, os fantasmas, os ventos
encanados...
Nasci no tempo dos ventos encanados,
quando, para evitar compromissos, a “gente
bem” dizia estar com enxaqueca, palavra
horrível mas desculpa distinta. Ter enxaqueca
não era para todos, mas só para essas senhoras
que tomavam chá com o dedo mindinho
espichado. Quando eu via aquilo, ficava a
pensar sozinho comigo (menino, naqueles
tempos, não dava opinião) por que é
que
elas não usavam, para cúmulo da elegância, um
laçarote azul no dedo...
Também se falava misteriosamente em
“moléstias de senhoras” nos anúncios
farmacêuticos que eu lia. Era decerto uma coisa
privativa das senhoras, como as enxaquecas,
pois as criadas, essas, não tinham tempo para
isso. Mas, em compensação, me assustavam
deliciosamente com histórias de assombrações.
Nunca me apareceu nenhuma.
Pelo visto, era isso: nunca consegui comunicarme com este nem com o outro mundo. A não
ser através d’O tico-tico e da poesia de Camões,
do qual até hoje me assombra este verso único:
“Que o menor mal de tudo seja a morte!” Pois
a verdadeira poesia sempre foi um meio de
comunicação com este e com o outro mundo.
(Mario Quintana: poesia completa. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2005.)
“Ter enxaqueca não era para todos”.
Considerando que a afirmação anterior não
pode ser verdadeira, conclui-se que ela é feita
para expressar outro sentido, menos literal.
O sentido expresso pela afirmação, no texto,
pode ser definido como:
(1) CET - Companhia de Engenharia de Tráfego.
(2) Julio Cortázar (1914-1984), escritor
argentino. (3) Jean-Luc Godard, cineasta
francês, nascido em 1930.
(A) metonímico
(B) hiperbólico
(C) metafórico
(D) irônico
NÃO há emprego de metáfora em
a) Ninguém anda, para frente ou para trás.
b) Quando, sem explicações, o nó desata, os
motoristas aceleram [...].
c) [...] mas o fetiche da lata sobre rodas jamais
se abalou.
d) As pessoas saem de casa dentro de bunkers,
literalmente armadas.
e) A classe média necessita reciclar suas
aflições.
15. (FUVEST 2010)
Desde pequeno, tive tendência para
personificar as coisas. Tia Tula, que achava que
mormaço fazia mal, sempre gritava: “Vem pra
dentro, menino, olha o mormaço!” Mas eu
ouvia o mormaço com M maiúsculo.
Mormaço, para mim, era um velho que pegava
crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje,
quando leio que alguém se viu perseguido pelo
clamor público, vejo com estes olhos o Sr.
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Clamor Público, magro, arquejante, de preto,
brandindo um guarda-chuva, com um gogó
protuberante que se abaixa e levanta no
excitamento da perseguição. E já estava
devidamente grandezinho, pois devia contar
uns trinta anos, quando me fui, com um grupo
de colegas, a ver o lançamento da pedra
fundamental da ponte Uruguaiana-Libres,
ocasião de grandes solenidades, com os
presidentes Justo e Getúlio, e gente muita,
tanto assim que fomos alojados os do meu
grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura,
com os demais jornalistas do Brasil e Argentina.
Era como um alojamento de quartel, com breve
espaço entre as camas e todas as portas e
janelas abertas, tudo com os alegres incômodos
e duvidosos encantos de uma coletividade
democrática.
Pois lá pelas tantas da noite, como eu
pressentisse, em meu entredormir, um vulto
junto à minha cama, sentei-me estremunhado*
e olhei atônito para um tipo de chiru*, ali
parado, de bigodes caídos, pala pendente e
chapéu descido sobre os olhos. Diante da
minha muda interrogação, ele resolveu
explicar-se, com a devida calma:
— Pois é! Não vê que eu sou o sereno...
(QUINTANA, Mário. As cem melhores crônicas
brasileiras.)
*Glossário:
estremunhado: mal-acordado.
chiru: que ou aquele que tem pele morena,
traços acaboclados
(regionalismo: Sul do Brasil).
Considerando que “silepse é a concordância
que se faz não com a forma gramatical das
palavras, mas com seu sentido, com a ideia que
elas representam”, indique o fragmento em
que essa figura de linguagem se manifesta.
a) “olha o mormaço”.
b) “pois devia contar uns trinta anos”.
c) “fomos alojados os do meu grupo”.
d) “com os demais jornalistas do Brasil”.
e) “pala pendente e chapéu descido sobre os
olhos”.
21
GABARITO:
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01. C
02. a) A figura de linguagem que podemos identificar, aproximando-se os dois trechos em negrito, é a
antítese. Ela se dá pela oposição dos enunciados "atento e presente" e "perdi o bonde, perdi o rumo e
perdi Jandira".
b) O termo elas, morfologicamente classificado como pronome pessoal do caso reto, se refere a "suas
valsas", isto é, às valsas que o sanfoneiro cego tocava e que "acordam" na memória do personagem
outras valsas.
03. a) Trata-se da paronomásia, figura de linguagem que extrai expressividade da combinação de
palavras que apresentam semelhança fônica (e/ou mórfica), mas possuem sentidos diferentes (cf.
Houaiss).
b) Sessão (reunião), exceções, cumprimento (execução), cidadãos.
04. D
05. B
06. B
07. D
08. a) Nos dois primeiros versos, identificam-se o hipérbato e a metáfora. O primeiro consiste na
inversão sintática da ordem direta dos termos na oração: ao invés de "Não comerei a pétala verde da
alface"/ "Nem as hóstias desbotadas da cenoura", o autor inverte a ordem natural, fazendo o adjunto
adnominal anteceder o objeto ao qual se refere. Isso ocorre para garantir o número de sílabas poéticas
desejado (versos decassílabos) e um ritmo e sonoridade interessantes, já que Vinicius era um poeta
preocupado com a forma poemática. Quanto à metáfora, ela ocorre porque, ao utilizar as expressões
"pétala" e "hóstias", o autor faz o leitor associar a alface a uma flor (algo geralmente não comestível) e
a cenoura à hóstia (algo insípido), desvalorizando tais alimentos e sugerindo que eles não sejam
atrativos ao paladar e não proporcionem prazer na alimentação.
b) Sim. Ao ler com atenção o verso 13, verifica-se que "do coração" se comporta sintaticamente como
um adjunto adverbial de causa em relação ao verbo "morrerei", indicando que o eu lírico morrerá
devido à alguma doença cardíaca, mas estará feliz por sempre ter comido o que lhe dava prazer.
c) A principal mensagem do texto diz respeito ao fato de que é melhor uma vida curta e com prazeres
do que a longevidade sem prazeres. Contrariando o senso comum, o eu lírico valoriza mais o prazer do
que a própria vida. No poema, isso se evidencia do seguinte modo: a vida sem prazer é simbolizada
pelos alimentos saudáveis como a alface, a cenoura, as peras e as maçãs; já a vida com prazer é
simbolizada por alimentos que o eu lírico julga mais pesados: cajus, mangas-espada, arroz, feijão, bife,
queijo e cachaça.
09. A
10. C
11. B
12. A
13. A
14. D
15. C
22
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PARTE 04: TIPOS DE LINGUAGEM; TIPOS DE DISCURSO
TIPOS DE LINGUAGEM:
A) FORMAL OU CULTA: expressão empregada pelos lingüistas brasileiros para designar o
conjunto de variedades lingüísticas efetivamente faladas, na vida cotidiana, pelos falantes
cultos, sendo assim classificados os cidadãos nascidos e criados em zona urbana e com grau de
instrução superior completo.
B) INFORMAL OU COLOQUIAL: é a linguagem popular, usada no quotidiano. Nem sempre
segue a norma culta, podendo apresentar arcaísmos ou erros gramaticais. Embora não
recomendável em documentos, foi incorporada à literatura moderna e é normalmente
adotada pelos meios de comunicação de massa .
Ex.: “A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros” (Manuel Bandeira)
TIPOS DE DISCURSO:
A) DIRETO: O narrador representa a fala da personagem de forma direta, exatamente
como foi proferida. Para tanto, usam-se dois pontos e travessão. Alguns textos, por
influência americana, costumam utilizar aspas (embora isso não seja recomendado em
língua portuguesa).
O menino entrou na sala. Estava cansado. Perguntou então:
- Eu poderia dormir aqui?
B) INDIRETO: O narrador transmite a fala da personagem com suas próprias palavras.
Para tanto, usam-se conectivos e expressões como “Ele disse que...”, “perguntou se”,
entre outras.
O menino entrou na sala. Estava cansado. Perguntou, então, se ele poderia dormir ali.
C) INDIRETO LIVRE: Amplamente difundido durante as gerações de 30 ou 40 do
Modernismo brasileiro. As falas da personagem aparecem juntamente com as do
narrador, sem uma marca que permita separá-las claramente.
O menino entrou na sala. Que cansaço. Perguntou, então, se ele poderia dormir ali.
(Note-se que não podemos saber se a fala sublinhada representa um pensamento do
narrador ou da personagem)
23
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EXERCÍCIOS sobre TIPOS DE LINGUAGEM E TIPOS DE DISCURSO
01. Enquanto na fala muitas vezes nem todos
os verbos e substantivos são flexionados, na
escrita isso pode ser considerado um erro.
Considere as seguintes sentenças:
I. Saíram os resultados.
II. Foi inaugurado as usina.
III. Apareceu cinqüenta pessoas na festa.
IV. O time apresentou os jogadores.
V. Saiu os nomes dos jogadores.
VI. Também vieram os juízes.
Seguem as normas da escrita padrão as
sentenças:
a) I, IV e VI apenas.
b) II, III e V apenas.
c) I, II e III apenas.
d) IV, V e VI apenas.
e) I, III e V apenas.
elementos se estruturam, qual a forma
alcançada nesse processo.
Adaptado de J. Jota de Moraes, O que é música.
Nesse texto, o primeiro parágrafo e o conjunto
dos demais articulam-se de modo a constituir,
respectivamente,
a) uma proposição e seu esclarecimento.
b) um tema e suas variações.
c) uma premissa e suas contradições.
d) uma declaração e sua atenuação.
e) um paradoxo e sua superação.
02. Das alternativas abaixo, assinale aquela que
NÃO está de acordo com a norma culta.
a) Foi ele quem comprou o carro.
b) Alguns de nós seremos vitoriosos.
c) A maior parte das pessoas faltou ao
encontro.
d) Os Estados Unidos importa muitos produtos
brasileiros.
e) Cada um de nós fez o que pôde.
03. (FUVEST 2008) Há muitas, quase infinitas
maneiras de ouvir música. Entretanto, as três
mais frequentes distinguem-se pela tendência
que em cada uma delas se torna dominante:
ouvir com o corpo, ouvir emotivamente, ouvir
intelectualmente.
Ouvir com o corpo é empregar no ato da escuta
não apenas os ouvidos, mas a pele toda, que
também vibra ao contato com o dado sonoro: é
sentir em estado bruto. É bastante frequente,
nesse estágio da escuta, que haja um impulso
em direção ao ato de dançar.
Ouvir emotivamente, no fundo, não deixa de
ser ouvir mais a si mesmo que propriamente a
música. É usar da música a fim de que ela
desperte ou reforce algo já latente em nós
mesmos. Sai-se da sensação bruta e entra-se no
campo dos sentimentos.
Ouvir intelectualmente é dar-se conta de que a
música tem, como base, estrutura e forma.
Referir-se à música a partir dessa perspectiva
seria atentar para a materialidade de seu
discurso: o que ele comporta, como seus
04. (Enem 2008) Assinale o trecho do diálogo
que apresenta um registro informal, ou
coloquial, da linguagem.
a) "Tá legal, espertinho! Onde é que você
esteve?!?
b) "E lembre-se: se você disser uma mentira, os
seus chifres cairão!"
c) "Estou atrasado porque ajudei uma velhinha
a atravessar a rua..."
d) "...e ela me deu um anel mágico que me
levou a um tesouro."
e) "mas bandidos o roubaram e os persegui até
a Etiópia, onde um dragão..."
05. (FUVEST 2008) Devemos misturar e alternar
a solidão e a comunicação. Aquela nos incutirá
o desejo do convívio social, esta, o desejo de
nós mesmos; e uma será o remédio da outra: a
solidão curará nossa aversão à multidão, a
multidão, nosso tédio à solidão.
Sêneca, Sobre a tranquilidade da alma. Trad. de
J.R. Seabra Filho.
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a) Segundo Sêneca, a solidão e a comunicação
devem ser vistas como complementares
porque ambas satisfazem um mesmo desejo
nosso. É correta essa interpretação do texto
acima? Justifique sua resposta.
b) “(...) a solidão curará nossa aversão à
multidão, a multidão, nosso tédio à solidão.”
Sem prejuízo para o sentido original, reescreva
o trecho acima, iniciando-o com “Nossa
aversão à multidão...”.
a) Considerando-se que o texto II tem como
referência o texto I, qual é a expressão que, de
acordo com Millôr Fernandes, tem um
“significado estabelecido”?
b) No texto I, os significados dos segmentos
"não deis aos cães o que é santo" e "nem atireis
aos porcos as vossas pérolas" reforçam-se
mutuamente ou se contradizem? Justifique
sucintamente sua resposta.
06. (FUVEST 2008) Em janeiro de 1935, um
grupo de turistas pernambucanos passeava de
carro quando deu de cara com Lampião e seu
bando. Revirando a bagagem do grupo, um
cangaceiro encontrou uma Kodak e entregou ao
chefe, que perguntou a quem ela pertencia.
Apavorado, um deles levantou o dedo. “Quero
que o senhor tire o meu retrato”, disparou o
“rei do cangaço”, pondo-se a posar. O homem,
esforçando-se, bateu uma chapa, mas avisou:
“Capitão, esta posição não está boa”. Dando
um salto e caindo de pé, Lampião perguntou: “E
esta? Está melhor?” Outra foto foi feita.
Quando libertava os turistas, após pilhá-los, o
“fotógrafo” de ocasião indagou-lhe como podia
enviar as imagens. “Não é preciso. Mande
publicar nos jornais”, disse o cangaceiro.
Carlos Haag, Pesquisa FAPESP.
08. (FUVEST 2009)
eu estava ali deitado olhando através da
vidraça as roseiras no jardim fustigadas pelo
vento que zunia lá fora e nas venezianas de
meu quarto e de repente cessava e tudo ficava
tão quieto tão triste e de repente recomeçava e
as roseiras frágeis e assustadas irrompiam na
vidraça e eu estava ali o tempo todo olhando
estava em minha cama com minha blusa de lã
as mãos enfiadas nos bolsos os braços colados
ao corpo as pernas juntas estava de sapatos
Mamãe não gostava que eu deitasse de sapatos
deixe de preguiça menino! mas dessa vez eu
estava deitado de sapatos e ela viu e não falou
nada ela sentou-se na beirada da cama e
pousou a mão em meu joelho e falou você não
quer mesmo almoçar?
(Luiz Vilela. Eu estava ali deitado.)
a) No texto, as aspas em “rei do cangaço” e
“fotógrafo” foram empregadas pelo mesmo
motivo? Justifique sua resposta.
b) Os trechos abaixo encontram-se em discurso
indireto e discurso direto, respectivamente.
Transforme em discurso direto o primeiro
trecho e, em discurso indireto, o segundo.
a) O texto procura representar um “fluxo de
consciência”, ou seja, a livre-associação de
idéias do narrador-personagem. Aponte dois
recursos expressivos, presentes no texto, que
foram empregados com essa finalidade.
b) Cite, do texto, um exemplo de emprego do
discurso direto.
I. (...) um cangaceiro encontrou uma Kodak e
entregou ao chefe, que perguntou a quem ela
pertencia.
09. (FUVEST 2011)
Já na segurança da calçada, e passando por um
trecho em obras que atravanca nossos passos,
lanço à queima-roupa:
— Você conhece alguma cidade mais feia do
que São Paulo? — Agora você me pegou,
retruca, rindo. Hã, deixa eu ver... Lembro-me
de La Paz, a capital da Bolívia, que me pareceu
bem feia. Dizem que Bogotá é muito feiosa
também, mas não a conheço. Bem, São Paulo,
no geral, é feia, mas as pessoas têm uma
disposição para o trabalho aqui, uma vibração
empreendedora, que dá uma feição muito
particular à cidade. Acordar cedo em São Paulo
e ver as pessoas saindo para trabalhar é algo
II. “Quero que o senhor tire o meu retrato”,
disparou o “rei do cangaço” (...).
07. (FUVEST 2008)
I. Não deis aos cães o que é santo, nem atireis
aos porcos as vossas pérolas (...).
(Mateus, 7:6)
II. Você pode atirar pérolas aos porcos. Mas não
adianta nada atirar pérolas aos gatos, aos cães
ou às galinhas porque isso não tem nenhum
significado estabelecido.
Millôr Fernandes, Millôr definitivo: a bíblia do
caos.
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que me toca. Acho emocionante ver a garra
dessa gente.
(R. Moraes e R. Linsker. Estrangeiros em casa:
uma caminhada pela selva urbana de São
Paulo.National Geographic Brasil. Adaptado.)
metafórico?
a) “Teve um pequeno legado”.
b) “Esta é a melhor apólice”.
c) “certa audiência, ao menos”.
d) “ao cabo, era amigo”.
e) “o bastante para divertir”.
Os interlocutores do diálogo contido no texto
compartilham o pressuposto de que
a) cidades são geralmente feias, mas
interessantes.
b) o empreendedorismo faz de São Paulo uma
bonita cidade.
c) La Paz é tão feia quanto São Paulo.
d) São Paulo é uma cidade feia.
e) São Paulo e Bogotá são as cidades mais feias
do mundo.
10. (FUVEST 2010) (José Dias) Teve um
pequeno legado no testamento, uma apólice e
quatro palavras de louvor. Copiou as palavras,
encaixilhou-as e pendurou-as no quarto, por
cima da cama. “Esta é a melhor apólice”, dizia
ele muita vez. Com o tempo, adquiriu certa
autoridade na família, certa audiência, ao
menos; não abusava, e sabia opinar
obedecendo. Ao cabo, era amigo, não direi
ótimo, mas nem tudo é ótimo neste mundo. E
não lhe suponhas alma subalterna; as cortesias
que fizesse vinham antes do cálculo que da
índole. A roupa durava-lhe muito; ao contrário
das pessoas que enxovalham depressa o
vestido novo, ele trazia o velho escovado e liso,
cerzido, abotoado, de uma elegância pobre e
modesta. Era lido, posto que de atropelo, o
bastante para divertir ao serão e à sobremesa,
ou explicar algum fenômeno, falar dos efeitos
do calor e do frio, dos polos e de Robespierre.
Contava muita vez uma viagem que fizera à
Europa, e confessava que a não sermos nós, já
teria voltado para lá; tinha amigos em Lisboa,
mas a nossa família, dizia ele, abaixo de Deus,
era tudo.
11. (Enem 2009) Quanto às variantes
linguísticas presentes no texto, a norma padrão
da língua portuguesa é rigorosamente
obedecida por meio
a) do emprego do pronome demonstrativo
"esse" em "Por que o senhor publicou esse
livro?".
b) do emprego do pronome pessoal oblíquo em
"Meu filho, um escritor publica um livro para
parar de escrevê-lo!".
c) do emprego do pronome possessivo "sua"
em "Qual foi sua maior motivação?".
d) do emprego do vocativo "Meu filho", que
confere à fala distanciamento do interlocutor.
e) da necessária repetição do conectivo no
último quadrinho.
ASSIS, Machado de. Dom Casmurro.
Considerado o contexto, qual das expressões
destacadas foi empregada em sentido
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GABARITO:
01. A
02. D
03. A
04. A
05. a) A interpretação está correta. Esses sentimentos, aparentemente antagônicos, tornam-se
complementares no que diz respeito à insatisfação humana, pois a mescla de ambos e sua alternância
seriam capazes de dar ao homem o equilíbrio.
b) Nossa aversão à multidão será curada pela solidão; pela multidão, nosso tédio à solidão.
Para se manter o sentido original, foi empregada a voz passiva.
06. a) Em ambos os casos, as aspas foram utilizadas para indicar o sentido metafórico das expressões, pois
Lampião não foi um rei, mas tinha poder e liderava um grupo de cangaceiros, e a palavra "fotógrafo"
indica não a profissão, mas alguém que, em dado momento, exerceu uma atividade própria dessa
categoria profissional.
b) No trecho I, a transformação é do discurso indireto para o direto:
(...) um cangaceiro encontrou uma Kodak e entregou ao chefe que perguntou:
– A quem ela pertence?
No trecho II, passa-se do discurso direto para o indireto:
O "rei do cangaço" disse querer (ou "que queria") que o homem tirasse uma foto dele (...)
07. a) De acordo com Millôr, a expressão que tem "significado estabelecido" é "atirar pérolas aos porcos",
ou seja, oferecer algo de valor a quem não vai reconhecê-lo; isso, segundo Mateus, é algo absolutamente
inútil. Assim, para Millôr Fernandes, pode-se contrariar o que já está posto (estrutura), mas não o que já
foi estabelecido (sentido).
b) Esses dois trechos reforçam-se mutuamente, pois o segundo ratifica a ideia de ações inutéis.
08. a) Além de utilizar-se do discurso indireto livre em “deixe de preguiça menino!”, o narrador substitui
os sinais de pontuação por espaços, o que gera a ideia de fluidez do pensamento.
b) “você não quer mesmo almoçar?”
09. D
10. B
11. B
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PARTE 05: CONECTIVOS




Também chamados de conjunções.
Estabelecem relações entre uma oração e outra, entre um parágrafo e outro etc.
Podem constituir-se palavras avulsas ou expressões.
A escolha errada desses conectivos pode ocasionar a deturpação do sentido do texto.
CONECTIVOS – LISTA I
Prioridade, relevância
em primeiro lugar, antes de mais nada, antes de
tudo, em princípio, primeiramente, acima de tudo,
precipuamente, principalmente, primordialmente,
sobretudo, a priori (itálico), a posteriori (itálico).
Tempo (freqüência, duração, ordem,
sucessão, anterioridade, posterioridade)
então, enfim, logo, logo depois, imediatamente,
logo após, a princípio, no momento em que, pouco
antes, pouco depois, anteriormente,
posteriormente, em seguida, afinal, por fim,
finalmente agora atualmente, hoje,
freqüentemente, constantemente às vezes,
eventualmente, por vezes, ocasionalmente,
sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo,
simultaneamente, nesse ínterim, nesse meio
tempo, nesse hiato, enquanto, quando, antes que,
depois que, logo que, sempre que, assim que,
desde que, todas as vezes que, cada vez que,
apenas, já, mal, nem bem.
Semelhança, comparação, conformidade
igualmente, da mesma forma, assim também, do
mesmo modo, similarmente, semelhantemente,
analogamente, por analogia, de maneira idêntica,
de conformidade com, de acordo com, segundo,
conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual,
tanto quanto, como, assim como, como se, bem
como.
Condição, hipótese
se, caso, eventualmente.
Adição, continuação
além disso, demais, ademais, outrossim, ainda
mais, ainda cima, por outro lado, também, e,
nem, não só … mas também, não só… como
também, não apenas … como também, não só …
bem como, com, ou (quando não for excludente).
Dúvida
talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá,
quem sabe, é provável, não é certo, se é que.
Certeza, ênfase
decerto, por certo, certamente, indubitavelmente,
inquestionavelmente, sem dúvida, inegavelmente,
com toda a certeza.
(GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em Prosa Moderna.)
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CONECTIVOS – LISTA II


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
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
Afetividade: felizmente, ainda bem (que).
Afirmação: certamente, com certeza, indubitavelmente, de fato, por certo.
Conclusão: em suma, em síntese, em resumo.
Consequência: com efeito, assim, consequentemente.
Continuidade: além de, ainda por cima, bem como, outrossim, também.
Dúvida: talvez, provavelmente, quiçá.
Ênfase: até, até mesmo, no mínimo, no máximo, só.
Exclusão: apenas, exceto, menos, salvo, só, somente, senão
Explicação: a saber, isto é, por exemplo.
Inclusão: inclusive, também, mesmo, até.
Oposição: pelo contrário, ao contrário.
Prioridade: inicialmente, antes de tudo, acima de tudo, em primeiro lugar.
Restrição: apenas, só, somente, unicamente.
Retificação: aliás, isto é, ou seja.
Tempo: antes, depois, já, posteriormente.
Adição: e, nem, também, não só… mas também.
Alternância: ou…ou, quer…quer, seja…seja.
Causa: porque, já que, visto que, graças a, em virtude de, por (+ infinitivo).
Conclusão: logo, portanto, pois.
Condição: se, caso, desde que, a não ser que, a menos que.
Comparação: como, assim como.
Consequência: tão…que, tanto…que , de modo que, de sorte que, de forma que, de maneira
que.
Explicação: pois, porque, porquanto.
Finalidade: para que, a fim de que, para (+ infinitivo)
Oposição: mas, porém, contudo, entretanto, todavia, mesmo que, apesar de (+ infinitivo)
Proporção: à medida que, à proporção que, quanto mais, quanto menos,
Tempo: quando, logo que, assim que, toda vez que, enquanto.
(VIANA, Antonio Carlos. Roteiro de Redação. Lendo e Argumentando.)
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EXERCÍCIOS sobre CONECTIVOS
01. A oração “Não se verificou, todavia,
uma transplantação integral de gosto e de
estilo” tem valor:
a) conclusivo
b) adversativo
c) concessivo
d) explicativo
e) alternativo
B) Consequência
C) Concessão
D) Comparação
E) Causa
Texto para a questão 06.
Moradores de Higienópolis admitiram ao
jornal Folha de S. Paulo que a abertura de
uma estação de metrô na avenida Angélica
traria “gente diferenciada” ao bairro. Não é
difícil imaginar que alguns vizinhos do
Morumbi compartilhem esse medo e
prefiram o isolamento garantido com a
inexistência de transporte público de
massa por ali.
Mas à parte o gosto exacerbado dos
paulistanos por levantar muros, erguer
fortalezas e se refugiar em ambientes
distantes do Brasil real, o poder público
não fez a sua parte em desmentir que a
chegada do transporte de massas não
degrade a paisagem urbana.
Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá,
na Colômbia, e grande especialista em
transporte coletivo, diz que não basta criar
corredores de ônibus bem asfaltados e
servidos por diversas linhas. Abrigos
confortáveis, boa iluminação, calçamento,
limpeza e paisagismo que circundam
estações de metrô ou pontos de ônibus
precisam mostrar o status que o transporte
público tem em uma determinada cidade.
Se no entorno do ponto de ônibus, a
calçada está esburacada, há sujeira e a
escuridão afugenta pessoas à noite, é
normal que moradores não queiram a
chegada do transporte de massa.
A instalação de linhas de monotrilho ou de
corredores de ônibus precisa vitaminar
uma área, não destruí-la.
Quando as grades da Nove de Julho foram
retiradas, a avenida ficou menos tétrica,
quase bonita. Quando o corredor da
Rebouças fez pontos muito modestos, que
acumulam diversos ônibus sem dar vazão a
desembarques,
a
imagem
do
02. “Estudamos, logo deveremos passar
nos exames”. A oração em destaque é:
a) coordenada explicativa
b) coordenada adversativa
c) coordenada aditiva
d) coordenada conclusiva
e) coordenada alternativa
03. No verso, “Tenta chorar e os olhos
sente enxutos”, o conectivo oracional
indica:
a) junção de ideias, logo é conjunção
aditiva
b) disjunção de ideias, logo é conj.
Alternativa
c) contraste de ideias, logo é conj.
Adversativa
d) oposição de ideias, logo é conj.
Concessiva
e) sequência de ideias, logo é conj.
Conclusiva.
05.”Deus não fala comigo, e eu sei que Ele
me escuta.” O conectivo “e” pode ser
substituído, sem contrariar o sentido, por:
a) ou.
b) no entanto
c) porém
d) porquanto
e) nem
05. (UFPB 2010) No fragmento “A vida
ganhou em qualidade, prorrogando a
juventude, sem com isso perder os
benefícios da longevidade bem-vinda [...], a
oração destacada expressa ideia de:
A) Condição
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engarrafamento e da bagunça vira um
desastre de relações públicas.
Em Istambul, monotrilhos foram instalados
no nível da rua, como os “trams” das
cidades alemãs e suíças. Mesmo em uma
cidade de 16 milhões de habitantes na
Turquia, país emergente como o Brasil,
houve cuidado com os abrigos feitos de
vidro, com os bancos caprichados – em
formato de livro – e com a iluminação.
Restou menos espaço para os carros
porque a ideia ali era tentar convencer na
marra os motoristas a deixarem mais seus
carros em casa e usarem o transporte
público.
Se os monotrilhos do Morumbi, de fato, se
parecerem com um Minhocão*, o Godzilla
do centro de São Paulo, os moradores
deveriam protestar, pedindo melhorias no
projeto, detalhamento dos materiais,
condições e impacto dos trilhos na
paisagem urbana. Se forem como os
antigos bondes, ótimo.
Mas se os moradores simplesmente
recusarem
qualquer ampliação
do
transporte público, que beneficiará
diretamente os milhares de prestadores de
serviço que precisam trabalhar na região
do Morumbi, vai ser difícil acreditar que o
problema deles não seja a gente
diferenciada que precisa circular por São
Paulo. (LORES, Raul J. Folha de S. Paulo, 7
out. 2010. Adaptado.)
(*) Elevado Presidente Costa e Silva, ou
Minhocão, é uma via expressa que liga o
Centro à Zona Oeste da cidade de São
Paulo.
C) A instalação de linhas de monotrilho ou
de corredores de ônibus precisa vitaminar
uma área (...).
D) Quando as grades da Nove de Julho
foram retiradas, a avenida ficou menos
tétrica (...).
E) (...) a imagem do engarrafamento e da
bagunça vira um desastre de relações
públicas.
07. (PUC-Camp) Perto do alpendre, o
cheiro das açucenas-brancas se misturava
com o do filho caçula. Então ela sentava no
chão, rezava sozinha e chorava, desejando
a volta de Omar. Antes de abandonar a
casa, Zana via o vulto do pai e do esposo
nos pesadelos das últimas noites, depois
sentia a presença de ambos no quarto em
que haviam dormido. Durante o dia eu a
ouvia repetir as palavras do pesadelo, “Eles
andam por aqui, meu pai e Halim vieram
me visitar... eles estão nesta casa”, e ai de
quem duvidasse disso com uma palavra,
um gesto, um olhar.
(Milton Hatoum. Dois irmãos.)
Considerado sempre o contexto, é correto
afirmar:
(A) O modo de formação do plural notado
em açucenas-brancas é o mesmo que
ocorre em se tratando da palavra “abaixoassinado”.
(B) A oração desenvolvida que corresponde
à reduzida desejando a volta de Omar é “a
desejar a volta de Omar”.
(C) As formas verbais via, sentia e haviam
dormido remetem todas a ações ocorridas
no mesmo momento do passado.
(D) Em eu a ouvia repetir as palavras do
pesadelo,
a
coesão
estabelecida
explicitamente com a frase anterior é
produzida pelos termos a e do pesadelo.
(E) O segmento com uma palavra, um
gesto, um olhar constitui uma sequência
cumulativa, isto é, os três termos se
relacionam por adição obrigatória.
Em sentido amplo, a relação de causa e
efeito nem sempre é estabelecida por
conectores (porque, visto que, já que, pois
etc). Outros recursos também são usados
para atribuir relação de causa e efeito
entre dois ou mais segmentos. Isso ocorre
nas opções a seguir, EXCETO em
A) (...) a abertura de uma estação de metrô
na avenida Angélica traria “gente
diferenciada” ao bairro.
B) (...) a escuridão afugenta pessoas à noite
(...).
08. (Uece) Indique a opção em que é
explicitada, pelo uso do conectivo, a
relação que se estabelece entre as duas
orações do período seguinte — No meio da
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noite despertei sonhando com minha filha
Rita.
B) No meio da noite despertei, embora
sonhasse com minha filha Rita.
C) No meio da noite despertei, quando
sonhava com minha filha Rita.
D) No meio da noite despertei, portanto
sonhava
com
minha
filha
Rita.
A) No meio da noite despertei, porque
sonhava com minha filha Rita.
(www.custodio.net)
09. (UCSal) Na frase "Porém meus olhos não perguntam nada." a conjunção em destaque
estabelece relação de sentido definida como
(A) causa.
(B) condicionalidade.
(C) adversidade.
(D) conclusão.
(E) finalidade.
GABARITO
1.B
2.D
3.A
4.B
05. C
06. C
07. D
08. C
09. C
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PARTE 06: AMBIGUIDADE



Opondo-se à clareza textual, consiste na presença de uma duplicidade de sentidos.
Consistindo em vício de linguagem, deve ser evitado.
Bastante cobrado em provas dissertativas de Vestibular, em que é solicitado ao
candidato uma análise de texto ambíguo.

Os principais motivos para a ambiguidade em um texto são:
o
Uso indevido de pronomes possessivos.
A mãe de Pedro entrou com seu carro na garagem.
o
Colocação inadequada das palavras:
Os alunos insatisfeitos reclamaram da nota no trabalho.
o
Uso de forma indistinta entre o pronome relativo e a conjunção integrante:
O aluno disse ao professor que era carioca.
o
Uso indevido de formas nominais
A mãe pegou o filho correndo na rua.
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EXERCÍCIOS sobre AMBIGUIDADE
01. (UNICAMP- SP)
PERIGO
Árvore ameaça cair em praça do Jardim Independência
Um perigo iminente ameaça a segurança dos moradores da rua Tonon Martins, no
Jardim Independência. Uma árvore, com cerca de 35 metros de altura, que fica na Praça
Conselheiro da Luz, ameaça cair a qualquer momento. Ela foi atingida, no final de novembro
do ano passado, por um raio e, desde este dia, apodreceu e morreu, a árvore, de grande porte,
é do tipo Cambuí e está muito próxima à rede de iluminação pública e das residências. “O
perigo são as crianças que brincam no local”, diz Sérgio Marcatti, presidente da associação do
bairro.
(Juliana Vieira, Jornal Integração, 16 a 31 de agosto de 1996).
a) O que pretendia afirmar o presidente da associação?
b) O que afirma, literalmente?
c) Na placa abaixo, podemos encontrar o mesmo tipo de ambiguidade que havia na declaração
de Sérgio Marcatti. O que tornaria divertida a leitura da placa?
Cuidado escola!
02. (UERJ)
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O sentido da charge se constrói a partir da ambiguidade de determinado termo.
O termo em questão é:
(A) fora
(B) agora
(C) sistema
(D) protestar
03. (Unicamp) Na propaganda do dicionário Aurélio, a expressão “bom pra burro” é
polissêmica, e remete a uma representação do dicionário.Explique como o uso da expressão
“bom pra burro” produz humor nessa propaganda.
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04. (Unicamp) Ler adequadamente esta tira significa entender o que está subentendido no
enunciado de Stock ("eu também") e perceber que no último quadrinho existe a possibilidade
de tal enunciado ser interpretado de duas maneiras diferentes:
a) Quais são as duas maneiras possíveis de interpretar o enunciado de Stock no último
quadrinho?
b) Qual a palavra da fala de Wood que é fundamental para que a última fala de Stock possa ser
interpretada de duas maneiras?
c) Levando-se em conta os padrões morais de nossa sociedade, qual das duas maneiras de
entender a última fala de Stock provoca o riso do leitor?
05. (Unicamp) Às vezes, quando um texto é ambíguo, é o conhecimento que o leitor tem dos
fatos que lhe permite fazer uma interpretação adequada do que lê. Um bom exemplo é o
trecho que segue, no qual há duas ambigüidades, uma decorrente da ordem das palavras e a
outra, de uma elipse de sujeito.
O presidente americano (...) produziu um espetáculo cinematográfico em novembro
passado na Arábia Saudita, onde comeu peru fantasiado de marine no mesmo
bandejão
em
que
era
servido
aos
soldados
americanos.
(Veja, 09/01/91)
a) Quais as interpretações possíveis das construções ambíguas?
b) Reescreva o trecho de modo a impedir interpretações inadequadas.
c) Que tipo de informação o leitor leva em conta para interpretar adequadamente esse
trecho?
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GABARITO
01. a) Nota-se que a pretensão do emissor era alertar para os perigos que corriam as crianças,
uma vez que essas brincavam constantemente no local onde se encontrava a árvore – já
podre, sem vida, podendo cair a qualquer momento.
b) Quando analisada em seu sentido literal, a mensagem nos revela que quem está oferecendo
perigo são as próprias crianças: “O perigo são as crianças que brincam no local”. Dessa forma,
o redator, por um descuido de sua parte, fez com que seu discurso fosse interpretado de uma
outra forma, diferentemente do que ele pretendia estabelecer mediante a interlocução firmada.
c) Podemos detectar a mesma ocorrência na placa de advertência, a qual pode ser
interpretada da seguinte forma: nesse caso é a escola que deve tomar cuidado, e não as
pessoas que dela se aproximam.
02. C
03. A propaganda causa humor, pois expressa que o dicionário Aurélio é direcionado a
pessoas "burras", bem como indica que a expressão "bom pra burro" pode se relacionar a algo
muito bom.
04. a) Uma interpretação possível é a de que Stock também fazia sexo com alguma mulher. E
a outra maneira de se interpretar é a de que ele fazia sexo com Bete Speed, noiva de seu
amigo Wood.
b) A palavra "minha", porque é um pronome possessivo, que indica "propriedade".
c) A maneira que mais causa riso no leitor é a de que Stock teria feito sexo com a noiva de
Wood, já que os dois personagens da tirinha aparentam ser grandes amigos.
05. a) Na frase "onde comeu peru fantasiado de marine", há três interpretações possíveis. A
primeira é a de que "peru fantasiado de marine" pode ser o nome do prato comido pelo
presidente. A segunda é que o presidente comeu um peru que estava fantasiado de marine ou
então, uma terceira interpretação é a de que o presidente comeu um peru, e quem estava
fantasiado de marine era o presidente.
Já na frase "(...) no mesmo bandejão em que era servido aos soldados americanos", não se
sabe se o que foi servido aos soldados foi o peru ou o presidente.
b) "(...) onde fantasiado de marine comeu peru, no mesmo bandejão em que a ave era servida
aos soldados americanos.
c) Para uma interpretação adequada o leitor deve considerar o contexto em que o trecho está
inserido, levando em conta o fato em si e considerando a impossibilidade de um peru
fantasiado de marine, bem como a de um presidente ser servido de alimento a soldados.
Apesar da ambiguidade causada pela falha na transmissão da notícia, trata-se de um fato de
cunho militar, tornando descabidas as interpretações citadas acima.
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Material preparado pelo professor Carlos Daniel S. Vieira
[email protected]
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEREJA, W; COCHAR, T. e CLETO, C. Interpretação de textos. Construindo competências e
habilidades em leitura. São Paulo: Atual, 2012.
CEREJA, W. e MAGALHÃES, T. Português. Linguagens. Volume 1. 8 ed. Reformada. São Paulo:
Atual, 2012.
FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar Gramática. São Paulo: FTD, 2011.
FIORIN, José Luiz (org). Introdução à Linguística. I. Objetos teóricos. São Paulo: Contexto, 2005.
GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em Prosa Moderna. – Nova Ortografia. São Paulo: FGV,
2010.
SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em textos. São Paulo: Moderna, 2012.
VIANA, Antonio Carlos. Roteiro de Redação. Lendo e Argumentando. São Paulo: Scipione, 2012.
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