inter-relação arquitetura e interiores

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inter-relação arquitetura e interiores
INTER-RELAÇÃO ARQUITETURA E INTERIORES A.M.Borges
CURSO: Arquitetura de Interiores
DISCIPLINA: Inter-relações Arquitetura e Interiores
CARGA HORÁRIA: 20 horas
ORIENTAÇÃO: Aparecida M. Borges
EMENTA:
Fomentar a percepção do aluno para os valores culturais, sociais e estéticos. E associálos ao projeto de interiores;
Discutir que valores são estes e o significado que o projeto adquire ao dialogar com o
usuário utilizando destes mesmos valores;
Diagnosticar junto com os alunos os seus próprios valores e os que advêm do núcleo
onde será inserido o projeto, discutir as formas de expor estes valores e a importância
deles no resultado de um trabalho de interiores;
Desenvolver no aluno mecanismos de sensibilização para o contexto do projeto.
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INTRODUÇÃO
Antes de tudo vamos esclarecer alguns termos. É sempre muito confuso separar a decoração de
interiores, do design de interiores, da arquitetura de interiores. O que difere um do outro?
Autores diferentes usam termos diferentes para designar as mesmas coisas e esta questão
nunca ficou muito clara, por esse motivo vamos entender que:
Decoração de interiores é o trabalho de um profissional que poderá apenas tratar de assuntos
relacionados a embelezar um espaço. Assuntos como escolher cores, mobílias, papel de parede,
modelos de luminárias ou revestimentos.
Designer de interiores é o profissional com curso superior na área e que está habilitado para
exercer as mesmas atividades do decorador, sendo que tecnicamente recebeu maiores
informações que o anterior para resolver o desenho de elementos individuais como peças,
objetos e móveis.
Arquitetura de interiores é a atividade exercida pela pessoa que tem formação superior em
arquitetura e tem como uma de suas atividades a decoração, este profissional legalmente tem
atribuições técnicas para realizar interferência nos elementos construtivos do ambiente que
será objeto de seu trabalho.
Dar harmonia, combinar diferentes peças, escolher diversos materiais e deixar os espaços com
personalidade, além de dar soluções de uso é a função principal de qualquer uma das
profissões citadas.
Ao arquiteto durante seu bacharelado é dada uma carga de informações técnicas, artísticas e
conceituais, cabendo a ele para exercer a arquitetura de interiores completar a sua formação
educando seu olhar.
Já foi dito que os olhos do decorador precisam ser educados através de visitas a museus, de
observações para as pinturas, para as esculturas, para as artes no geral. Livros, revistas, móveis,
viagens e outros devem fazer parte desse processo, assim como o conhecimento da história.
Saber como já foi feito e a que isto levou é fundamental.
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QUAL A RELAÇÃO DA ARQUITETURA COM INTERIORES?
Parece que a arquitetura é o princípio, ela norteia e encerra em si o projeto de interiores. É
como uma simbiose, para a decoração, a arquitetura é a caixa que a embrulha. Um bom projeto
de interiores deve respeitar o espaço onde estiver inserido.
Entender o processo arquitetônico, como se articulam as estruturas, os vazios, as aberturas e o
estilo arquitetônico, é necessário para um projeto de interiores, depois disso precisamos
dialogar com estas informações.
Uma arquitetura rica é um grande palco para um projeto de interiores rico, ambientes onde
tenham sido bem articuladas as formas e funções arquitetônicas permite um diálogo de
verdades, vamos entender melhor:
Paredes, colunatas, tetos altos ou baixos, grandes aberturas ou janelas muito pequenas,
espaços de transição entre o externo e o interno, vigamentos, abóbodas, cúpulas e clarabóias,
são exemplos de quesitos arquitetônicos que dão caráter aos espaços internos.
O projeto de interiores vai além destas questões arquitetônicas de forma, escala e visuais.
Quando estamos tratando de interiores devemos avaliar as potencialidades do lugar e entender
que itens cabem a esta fase de projeto e que interferências podem ocorrer, se vamos dar
continuidade ou oferecer contraponto às qualidades apresentadas.
O espaço é a tela em branco do projetista de interiores, ele não é uma matéria concreta e sim
um campo imaterial onde acontecem relações. A relação entre paredes teto e piso forma um
espaço interno, o vazio entre o mobiliário de um ambiente e a sua relação com a luz e os
materiais que compõem o lugar também é um espaço. O que forma o espaço são as nossas
percepções da relação dos elementos que o compõe.
O projeto de interiores é determinante nas relações que acontecem ao seu redor, a
comunicação, o movimento, as atividades em grupo ou individuais, o descanso.
Assim como as portas, colunas e paredes são elementos de arquitetura a Luz natural ou
artificial, as texturas, o mobiliário e a sua disposição, as cores, os vazios e cheios, entre outros,
são ELEMENTOS DE INTERIORES.
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OS QUATRO PILARES
Dimensão – este é um fator determinante em qualquer projeto de interiores, conhecer as
dimensões nas diversas áreas a que ela se aplica é necessário. Ela determina o início.
A dimensão do espaço arquitetônico que abrigará o projeto de interiores confrontado com as
atividades a serem realizadas e a dimensão humana determina o que cabe ou qual solução
deveremos dar ao trabalho. Outra coisa importante em relação ao assunto dimensão é
conhecer as medidas padrão de mobiliário encontrado no mercado. Após conhecer também as
medidas funcionais poderemos adaptá-las ao nosso projeto e até determinar outras para que o
espaço e a função se adéqüem à sua necessidade.
Cor – a cor é um elemento indissociável do projeto de arquitetura de interiores, ela é uma
forma de expressão. A linguagem da cor é capaz de transformar um espaço. Tendência, estilo
ou atmosfera podem ser determinados pela cor.
Ambientes em tons de bege são mais clássicos que ambientes em cores fortes, um local pintado
de cinza causa uma sensação diferente de um pintado em amarelo. Por esses motivos é
necessário conhecer um pouco da teoria das cores ou a diferença de cor luz para cor
pigmentos, conhecer a psicologia das cores e os traços culturais.
Cores neutras são mais flexíveis, já as cores intensas são dramáticas, se usadas em grandes
planos tendem a diminuir as distâncias visuais e serem cansativas, colocadas em porções
pequenas contra fundos neutros criam pontos focais.
Em geral trata-se pisos, tetos, e paredes com tons mais neutros, e entendam eu não disse claro,
o preto, o marrom, o cinza, assim como, o branco, o bege e o gelo são neutros, estes
normalmente são os elementos com maior área de um espaço em segundo na escala de
tamanho, os móveis, tapetes e grandes quadros devem receber tons menos neutros ou até de
intensidade maior e as peças menores como adornos, almofadas e outros recebem os tons
intensos assim criando uma equilíbrio e áreas de interesses.
Com a cor é possível acentuar elementos arquitetônicos ou estruturais indesejáveis ou valorizar
os desejáveis, com ela podemos modificar o tamanho de um espaço, a sua forma e escala.
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Outros elementos como a luz e a textura também interferem na cor. A cor aplicada sobre uma
superfície brilhante vai ser mais “preciosa” e se aplicada sobre uma textura fosca deverá ser
mais reconfortante, pensemos em uma seda e um linho ambos da mesma tonalidade.
Textura
A textura está sempre associada à cor e à luz.
A cor aplicada sobre uma superfície brilhante vai ser mais “preciosa” e se aplicada sobre uma
textura fosca será mais “reconfortante”, pensemos em uma seda e um linho ambos da mesma
tonalidade, assim fica mais fácil de perceber a diferença.
Superfícies rugosas, lisas, polidas, amassadas e metalizadas podem dar caráter muito diferente.
Nos dias atuais, o natural é cada vez mais uma demanda, logo madeiras com tratamento que
chamamos de poros abertos e vernizes acetinados ou até mesmo foscos são o que se tem de
mais próximo ao conceito toque. Em contraste a esta linha temos os materiais tecnológicos
como, cristal, porcelana e resinas que nos permitem realizar trabalhos nunca antes pensados.
Luz
Assim como a cor e a textura a luz se constitui em um elemento do projeto de interiores, com
ela podemos mudar todo um espaço, mexer nas proporções e sensações. A luz natural e a
artificial devem participar ativamente de todo o processo. Ao colocar uma cortina translúcida
em um ambiente que receba a luz solar pela manhã, conseguimos a sensação de um espaço
diáfano, se iluminamos um local com luzes no tom âmbar este local se torna mais quente e
aconchegante do que quando usamos uma luz fria e saturada, mais propícia ao trabalho.
O endereço http://www.arq.ufsc.br/labcon/arq5656/livro/espaco/ilumina.html, apresenta um
texto interessante sobre a luz revelando o espaço, vale a pena conhecer o ponto de vista do
autor.
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COMPOSIÇÃO
O projeto de interiores requer uma combinação de elementos para a sua realização e um
raramente se dissocia dos outros, alguns autores chamam a isto de “padrão”, eu chamo de
composição. À frente vou ligar estes elementos aos “valores”, mas antes de elevá-los a essa
categoria, a discussão é sobre a relação destes com o projeto e o espaço.
Proporção - é a relação entre um objeto e outro ou um espaço e fala também de quantidade.
Escala - algumas vezes se mistura ao conceito de proporção, mas se refere mais a tamanhos e
suas relações com o todo.
Ritmo - podemos falar em freqüência, cadencia ou em repetição, mas é mais que isso, na área
de interiores o ritmo determina outros fatores, um numero de assentos ao redor de uma mesa
se trata de ritmo, mas se todos são iguais em cor, tamanho ou modelo também estamos
falando no mesmo assunto. E a repetição ou não pode ser de uma cor, cheios e vazios, texturas
ou falar de uma cultura.
Equilíbrio - esse parece ser o elemento mais difícil de definir e ao mesmo tempo o mais fácil de
ser percebido. Ao falar de equilíbrio estamos falando de:
Simetria – que é quando a partir de um eixo tem-se a repetição dos elementos em numero e
forma iguais;
Assimetria – que quando temos a partir do mesmo eixo elementos diferentes;
Radial – quando os elementos se dispõem a partir de um ponto central.
Harmonia - o elemento que mostra equilíbrio, as partes devem estar pesando na balança no
tom que você definir, a dissonância pode ser desejada e ser harmônico não quer dizer
enfadonho.
Unidade e contraste - se trata de valorizar por diferenças ou enfatizar pela regularidade.
Ênfase - nesse quesito estamos tratando de ponto focal de manter um foco, de criar a cena
valorizando um elemento.
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Assim como na composição pictórica as linhas horizontais e verticais, as diagonais, as formas
circulares, a entrada de luz, participam da composição dando o tom ao contexto geral, além das
informações já projetadas no inconsciente coletivo.
Um espaço predominantemente horizontal é mais facilmente lido, pois o olho humano tem
uma visão de 180 graus na horizontal, comunicando uma maior estabilidade, já os elementos
verticais levam a uma maior dramaticidade e algumas vezes à rigidez, já a diagonal trás mais
movimento.
Ao colocarmos os tons mais claros em primeiro plano e os escuros no segundo estamos
reforçando a profundidade o mesmo acontece quando colocamos vários elementos iguais
enfileirados aumentamos a perspectiva e como quase sempre em interiores estamos falando
de situações tri-dimensionais, estas posições podem ser relativizadas.
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“O VALOR é algo significativo, importante, para um indivíduo ou grupo social".
NIVALDO VIANA – SOCIÓLOGO
VALOR
É SUBJETIVO E FAZ PARTE DE VÁRIOS SETORES DE ESTUDO PODENDO SER DEFINIDO COM BASE EM
DIFERENTES ÂMBITOS, COMO: PSICOLOGIA, SOCIOLOGIA E FILOSOFIA SENDO QUE DEVE SER
TRATADO DE UMA MANEIRA HOLÍSTICA .
Holístico é um termo usado para designar o olhar ao todo além das partes.
Na arquitetura de interiores os valores de uma pessoa, de um grupo ou de uma cultura em geral são
expostos, como também os valores do autor do projeto. É impossível não expor valores ao realizarmos
um trabalho desse nível de subjetividade ou estética.
Dizermos que o projeto não está impregnado de VALORES, já que valor é um conceito que norteia
nossas preferências, é incoerente.
E não só os valores morais e estéticos aparecem no resultado de um trabalho de interiores, os valores
coletivos que uma sociedade foi adquirindo ao longo de sua existência são fundamentais.
Vejamos algumas questões que podem ser traduzidas como um valor:
- Ao projetar um Palácio moderno que valores lhe atribuiremos?
Luxo? Monumentalidade? Hierarquia?
- E ao projetar uma pequena casa de férias?
Descontração? Aconchego? Materiais rústicos?
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- Como você passaria estes valores para o projeto?
- O que usar para que estes valores estivessem presentes?
No caso do luxo usar dourado?
No aconchego, espaços pequenos e mais escuros?
-O esteriótipo é a única solução? Ou a mais óbvia?
Então qualidades poderiam ser valores e como conseguir estas qualidades também. Não é fácil separar
uma coisa da outra, mas é obvio quando encontramos um valor exposto.
Ao comprar um imóvel eu escolho o que está no bairro mais nobre e menor em detrimento do maior e
em uma localização menos privilegiada, com esta escolha eu estou dando peso a um valor que me é
mais caro. Ao comprar uma TV de 100” para uma sala de 2,70x4,00 eu também estou expondo um valor,
assim como ao optar por ambientes mais abertos ou mais segregados.
O ritmo, a escala, as cores ou a sua ausência, a luz, a proporção, o material, o entorno e a cultura, todos
são elementos que usamos para expor valores em um projeto de interiores.
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“A maioria das pessoas olha para muita coisa, mas não vê. O olhar é
um processo emocional, enquanto ver é processo intelectual. É
preciso um esforço concentrado para absorver a essência de um
projeto”, diria Albert Hadley.
O OLHAR
Educar o Olhar não é apenas aprender a ver e sim compreender e apreciar o que se está vendo.
Tudo começa quando despertamos o olhar da percepção, não é este exatamente um processo
educativo, se trata mais de um envolvimento emotivo e muitas vezes relacionado com o que já
vivemos em nosso passado, é um processo intuitivo.
Para muitos de nós esse processo é natural e para outros ele pode ser provocado. Com a
observação e a crítica usamos a percepção para avaliar os valores a serem incluídos em um
projeto. Precisamos entender o mecanismo do olhar e exercitá-lo.
“É DIFÍCIL GOSTAR DO QUE NÃO SE CONHECE”. Esta é uma afirmação que uso sempre para
enfatizar o que entendo como contrução do olhar, é necessário conhecer para compreender e
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gostar ou não de algo. A experiência é fundamental sempre. Observar é o passo único, com
etapas distintas para esse processo de conhecer e treinar o olhar.
Observar o familiar, o entorno, o confronto com o novo, com o extrangeiro (o que é de fora do
seu dia a dia, o diferente do pátrio) e depois organizar este conhecimento, refletir sobre ele e
elaborar um juízo de valor.
Não devemos nunca abandonar a emoção e o prazer.
Neste proceso de educar o olhar vamos da intuição à racionalidade. O observador deve tomar
consciência das sensações despertadas pelo ambiente em questão e depois para o que está ao
redor. O usuário, seus hábitos, a cidade, de onde ele vem, etc...
Não é fácil o processo de educar o olhar e a sua educação não substitui a intuição, mas sim
aguça. Precisamos ir do do uno ao global, da casa à cidade, do individual ao coletivo.
E nem sempre poderemos entender racionalmente o motivo por que um espaço não nos
agrada ou ainda o por que gostamos tanto de outro. O conhecimento e o assunto não são
lineares e sim Holísticos, engloba o todo além das partes.
Para treinar este OLHAR que trato aqui no texto uma recomendação é o exercício diário,
experimentar de forma intuitiva o conhecimento, viver os espaços sem pensar neles como
espaços, assim estas informações vão fazendo parte de nós, deixando de ser apenas um
assunto tratado tecnicamente, o conhecimento trazido como prazer tende a se tornar uma
parte intrínseca de quem o adquiriu e assim é possível viver este conhecimento, usar a intuição,
a sensibilidade, o que alguns poderiam chamar de alma e outros de feeling.
Para iniciar esta viagem que nunca deverá acabar sugiro alguns passos:

Conhecer pessoalmente obras , lugares, pessoas e culturas;

Viajar e quando não for possível fazer em carne e osso fazer nos livros, fotografias,
cinema, televisão e internet;

Conhecer a arte formal e as obras primas através do olhar do outro, Trata-se este, de
um exercício de buscar os motivos pelos quais algumas coisas viraram obras primas e se
tornaram ícones ou ainda senso comum;

Separar o gosto pessoal do julgamento objetivo.
No dia a dia tem atitudes que podemos tomar para despertar o conhecimento que já temos,
mas está quardado, pois não despertamos para eles, vamos ver quais:
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
Fazer os caminhos de sempre em ordem invertida, ir por onde se costuma vir, andar à
pé por caminhos só antes feitos de carro, parar em lugares onde apenas se passa.
Conhecer por outro ângulo aquilo que já se conhece;

Fazer com novos olhos o que já se conhece;

Perguntar para que serve?

Quem utiliza?

Aquilo é pequeno ou grande?

Acolhedor ou imponente? Em resumo, é agradável ao olhar?
...provoquem a própria curiosidade!
É desejável que aquele que olha seja capaz de se surpreender, de perguntar sempre e de mudar
de idéia.
O objetivo deste exercício é que o observador redescubra lugares conhecidos para além do
dever e do hábito.
Dentro deste que podemos chamar de um programa do OLHAR vem mais um passo, o de
adquirir conhecimento específico, mas ainda de forma agradável. Que conhecimentos são
estes?

Saber quem são os mestres e os grandes nomes da área;

Conhecer o trabalho destes;

Ter conhecimento do jargão específico da profissão;

Conhecer como as coisas foram feitas em épocas diferentes e por pessoas diferentes;

Se informar das atitudes sociais e entender como elas podem influir no seu trabalho.
Resumindo a educação do olhar é um processo permanente, pratique sempre.
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PROGRAMA DOS 10 PASSOS
Aproveitando uma “onda” dos nossos tempos, os programas de auto ajuda, elaborei um para
ser seguido pelos alunos desta disciplina, é uma brincadeira, mas com um fundo muito
educativo e tenho certeza que será muito proveitoso a quem seguí-lo. Podemos imaginar que
somos ESPECIALISTAS ANÔNIMOS EM INTERIORES , EAI – em busca do conhecimento perdido.
Assim iniciamos o PROGRAMA DOS 10 PASSOS, quando chegarmos ao final dele estaremos
aptos seguir pela “jornada do conhecimento”. O programa tem 10 semanas e cada semana é
composta de 14 atividades distintas, apenas duas por dia, vamos ver quais são:
Atividade 01 – conhecer e reconhecer 10 artistas plásticos clássicos e sua obra;
Atividade 02 – participar de 10 atividades artísticas diferentes – visitar exposições, galerias,
museus, saraus, assistir peças ou apresentações culturais;
Atividade 03 – experimentar 10 paladares novos, uma comida que nunca teve coragem, uma
combinação de paladar exótica, uma bebida;
Atividade 04 – fazer 10 trajetos em ordem invertida ou em meio de locomoção não usado por
você comumente para esta atividade;
Atividade 05 – conhecer músicas (estilos) ainda não vivenciados ou extranhos ao seu gosto
pessoal;
Atividade 06 – fazer 10 viagens que podem ser ir ao município vizinho, uma visita a um sítio
histórico da sua cidade, a um bairro de periferia e a outro de elite, subir um morro apenas para
olhar de cima;
Atividade 07 – conhecer 10 profissionais da sua área, designers, arquitetos e decoradores, de
renome e trabalhos diferenciados;
Atividade 08 – aprender uma palavra nova do linguajar profissional a cada dia deste processo e
anotar cada uma delas, o que dariam 70 palavras, um dicionário pessoal;
Atividade 09 – ler sobre, ver imagens e entender 10 estilos de decoração diferentes;
Atividade 10 – ter 10 experiências espaciais diferentes – fechar os olhos e tocar nas texturas,
tentar se localizar espacialmente em um local totalmente escuro, tentar uma atividade
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eliminando um dos seus sentidos, como andar pelas ruas sem a audição, subir uma escada ou
fazer um trajeto com uma das pernas imobilizadas ou com um peso extra, estar em um lugar
muito alto e olhar para baixo;
Atividade 11 – observar as cores na cidade, na natureza e nos espaços construídos e anotar as
observações que fez em 10 situações diferentes, como as cores que a cidade adiquire no
outono ou ao por do sol e ainda pode ser como o seu quaro fica ao ser banhado pela luz do
amanhecer;
Atividade 12 – lembrar como eram os espaços que voce já vivenciou e se sentiu bem ou não
neles, que sentimentos foram esses, anotar 10 diferentes situações;
Atividade 13 – assistir a 10 filmes diferentes e perceber os cenários deles e como estes atuaram
na película;
Atividade 14 – a última do nosso programa de redenção em 10 passos, anotar estas
experiências e formatar um documento com elas.
Se você chegou ao final destes passos, parabéns a sua jornada começou!
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Listas para a educação do seu olhar
A seguir temos listas para dar início a este trabalho de conhecimento, de educação do olhar,
apresento a vocês nomes do design de interiores, termos do assunto, estilos diferentes para o
reconhecimento de cada um deles e uma lista de filmes para vocês observarem o cenário e
como ele faz parte e fala da personalidade dos personagens.
FILMES
1. Os incríveis
2. A festa de Babete
3. Homem de ferro 1 E 2
4. Maria Antonieta
5. Sex in the city 1 E 2
6. Quantum of Solace
7. A rainha
8. Sob o sol da Toscana
9. Coco – antes de Chanel
10. O amor não tira férias
Sala do personagem Carrie e Big no filme
SEX IN THE CITY 2, sofá azul com cadeiras
claras e ponto focal na tela amarela, os
tapetes em rosa e desenhos com formas
mais orgânicas contrastam com os móveis e
um toque com a almofada floral
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EXPOENTES DA ARQUITETURA DE INTERIORES
Andrée Putman – esta francesa nasceu em 1925. Foi jornalista
de design e atuou na área da moda nas décadas de 1960/70.
Como designer de interiores, concebeu lojas para Yves Saint
Laurent e Cartier, e os interiores de aeronaves Concord da Air
France. Nos anos 1990 passou a atuar também na área residencial
e hoteleira, na qual se destaca o projeto do hotel Morgan, em
Nova York. Abriu seu primeiro escritório de design de interiores
aos 50 anos.
Mark Hampton – Americano nascido no início da década de 40,
faleceu aos 58 anos em 1998, foi um dos grandes expoentes da
decoração mundial decorando vários ambientes da Casa Branca
para presidentes diferentes, acreditava que “o perfeito designer de
interiores é aquele que, depois do trabalho pronto, tal qual um
mágico, se subtrai e desaparece” como um de seus mestres. Ele
manteve por anos uma coluna na famosa revista House and
Garden e afirmava que o que torna o trabalho duradouro é a
qualidade. Grande conhecedor de estilo e de gênero estudou artes
plásticas e história da arte em Indiana. Usava cor, procurava
inspiração no passado e logo cedo aprendeu ser possível a
descontração e a tradição caminharem juntas sendo importante
que o ambiente causasse bem estar e sem esquecer que tudo que
soasse pretensioso seria sinal de vulgaridade.
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Albert Hadley – lendário decorador Americano, e um dos
primeiros a usar o estilo minimalista em seus trabalhos indo em
oposição a sua sócia. Acha que os jovens designers, deveriam
dedicar mais tempo a se educar sobre outros tempos e estilos, “só
assim se adquire um vocabulário mais rico”, ainda em suas
palavras “Que não vejam nisso nostalgia uma vez que nada é mais
excitante do que o novo. Mesmo que você construa em cima do
passado você jamais retornará a ele. Sem fundações, no entanto,
a casa cai.”
Phillipe Stark – nasceu em 1948 no dia 18 de janeiro, este
francês é um dos mais conhecidos designers dos tempos atuais.
Trabalha com design de interiores desde 1975, sua carreira foi
alavancada quando decorou ambientes para François Mitterand. É
o mais famoso representante do NEW DESIGN STYLE.
Arthur M. Casas – Arquiteto de formação trabalha tanto com
arquitetura quanto com interiores, tem na atualidade escritório
em São Paulo e New York, seus trabalhos tem requinte e
poderíamos classificar como um contemporâneo clássico, um
estilo limpo. A arquitetura é um item de extrema importância em
seus interiores, como podemos perceber nas suas palavras. “Uma
mesa tem de dialogar com a arquitetura, em simetria e composição;
objetos têm muito mais uma função de uso, do que decorativa”. Ele
privilegia o uso de materiais naturais.
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Sig Bergamin – Arquiteto formado em Santos, atua em diversos
países, mas seu escritório é em São Paulo, seu estilo é colorido,
ousado e com toques de época nos detalhes, um ecletismo.
Motivos étnicos, estampas, peças antigas, tudo isso faz parte do
seu trabalho, já chegou a fazer parte da lista 101 TOP EM DECOR,
publicada pela revista americana HOUSE BEAUTIFUL.
Isay Weinfeld – arquiteto, formou-se em 1975 pela
FAU/Mackenzie, onde lecionou teoria da arquitetura. Tem
projetos de arquitetura e de interiores premiados no Brasil e no
exterior - recebeu, em 2009, o prêmio Mipim Architectural
Review Future Project Award , entre tantos outros. Faz trabalhos
de cenografia, design de mobiliário, direção cinematográfica e
direção de arte de espetáculos. Grandes projetos de interiores
fazem parte do seu currículo, um profissional de extrema
sensibilidade e consciência crítica.
Jean Michel Frank – judeu, o decorador de ambientes,
viveu na Paris no início do século XX, se tornou entre as
parisienses chiques e elegantes uma coqueluche. Seus projetos
elegantes se concentram entre as duas grandes guerras e até hoje
é uma referência aos designs e decoradores. Mudou-se para New
York nos anos 30 e assinou todo o projeto de interiores do
Rockfeller Center, muda-se para a América em 1940 e morre em
1941 cometendo suicídio, assim como seu pai.
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Elsie de Wolfe –
primeira dama da decoração americana,
1865 a 1950, esta mulher soube como ninguém dar requinte a um
ambiente, colocou no novo mundo – a América, o requinte do
velho continente. Tirou das moradas americanas o ar Vitoriano
introduzindo Versalhes a ele. Uma mulher antenada para o seu
tempo e com um olhar de valor.
“...não conseguindo ser atriz, virou decoradora e ficou conhecida
por ter levado do velho continente para seu país de origem o
estilo Versalhes ou Luís XVI, é um exemplo de saber usar o déjà vu
com originalidade. Ao tentar, nos Estados Unidos, eliminar da
decoração de então resquícios do velho estilo vitoriano, pareceu
estar introduzindo de forma revolucionária o chintz estampado,
as treliças dentro de casa, as laranjeiras em vasos quadrados de
madeira, grandes extensões de espelho, listras e chinoiserie nas
paredes quando na Europa esse estilo não era novidade. Consta
que teria aprendido a apreciar a fórmula com o amigo Walter Gay,
um americano que morava em Versalhes e era encantado com a
estética francesa. Já a idéia de passar a usar estampas de oncinha
em almofadas e bancos teria surgido no contato com outro
amigo, Robert Chandler, que pintava zebras, leopardos e girafas.
O que ela fez de forma original, ainda nas primeiras décadas do
século 20, foi usar oncinha no assento de uma cadeira de acrílico”.
M. Ignez Barbosa
Tony Duquete
– teve sua obra imortalizada em um livro TONY DUQUETTE, A STRANGE EDEN , americano e ícone das artes
decorativas em 1941 aos 27 anos se tornou o queridinho das
celebridades, veio a falecer aos 85 anos em 1999, Tony foi casado
por 40 anos com uma artista plástica, sua fiel parceira de projetos,
fez cenários de filmes, desenhou figurinos para o cinema e
trabalhou para muitas celebridades e entrou para a história como
o primeiro americano ter uma exposição individual no Louvre em
1951. A sua casa foi transformada em uma organização intitulada
“Anthony e Elizabeth Duquette Fundação para a Vida e a Arte”,
que serve de cenário para vários editoriais de moda.
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PEQUENO GLOSSÁRIO DE TERMOS DA ARQUITETURA DE INTERIORES
ARTES DECORATIVAS – se refere a trabalhos manuais com características ornamentais e
funcionais feitos manualmente em peças exclusivas ou limitadas onde cada obra de arte pode
ser considerada única.
CLEAN – quer dizer limpo, decorações neste estilo usam poucos objetos, móveis retos e cores
claras.
KITSCH - é um termo usado para categorizar objetos de valor estético distorcido e exagerado,
que são considerados inferiores, vem de uma palavra alemã. Normalmente associados à
pretensão de ser fazendo uso de estereótipos e chavões que não são autênticos, tomar para si
valores de uma tradição cultural superior. Mas conforme o contexto pode ser um exagero
apenas divertido.
PROVENÇAL - estilo de decoração que se refere a um local no sul da França, móveis em pintura
branca, tecidos floridos em tons suaves, surgiu da vontade de se ter uma casa no estilo dos
palácios franceses, de dar à casa do plebeu um requinte, então tem desenhos mais simples mas
de inspiração palaciana.
RETRÔ – é o resultado da estética que representa o estilo de vida dos anos 50, 60 e 70. Vinil,
cores sólidas, móveis baixos, pés palitos, formas amebóides, imagens de astros do cinema. As
Peças retro são aquelas que foram inspiradas ou copiadas dos originais e normalmente
produzidas em série, o que permite preços mais acessíveis.
SHABBY CHIC – não chega a ser um estilo de decoração é mais uma vertente, o termo vem do
inglês gasto, surrado e se refere à decoração que usa objetos e mobiliários gastos pelo tempo.
Alguns dizem que veio do country americano, mas tem mais relação a uma vertente inglesa.
Usa tons pasteis, branco e muita coisa velha no sentido de usado.
VINTAGE – o termo vem do mundo do vinho, vint – safra e age – idade, na arquitetura de
interiores se refere às peças que marcaram uma época, à aquelas que tem capacidade de
envelhecer assim como o vinho, ele designa peças que marcam uma época e perduram por
serem de extrema qualidade em especial à partir dos anos 3. As peças VINTAGE são originais e
por conseguência são mais raras e assim atingem preços altos.
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ESTILOS DE DECORAÇÃO DE NOSSO TEMPO - SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Este capítulo é uma coletânea de textos de autores diversos sobre as características marcantes de
alguns estilos de arquitetura de interiores usados em nossos dias, é apenas uma base para que você,
aluno, inicie a sua pesquisa pessoal.
Apesar de o texto ser uma compilação ela foi feita por se tratar de uma redação já bem elaborada,
resumida e de fácil assimilação, acompanhe atento.
ESTILO CONTEMPORÂNEO
Não tão despido como o estilo minimalista, mas igualmente sereno, bonito e funcional, o estilo
contemporâneo seduz muitos decoradores, amadores e profissionais. Saiba porquê.
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Um ambiente contemporâneo baseia-se na simplicidade, num aspecto muito clean e moderno,
uma vez que esta decoração tem em conta apenas as mais recentes tendências, ou seja, tudo
aquilo que tem surgido a partir da segunda metade do século XX.
O mobiliário é caracterizado por silhuetas marcadas e esguias, peças angulares e traços simples.
Privilegia-se mobília larga e espaçosa, baixa (muitas vezes rente ao chão) e superfícies
completamente lisas, até porque são estas as principais protagonistas deste estilo de decoração.
As matérias-primas de eleição são o vidro, pedra, cimento, metal, aço, mármore, madeira clara
e escura, que conferem uma elegância sublime aos espaços contemporâneos.
Em termos de acabamentos, o destaque vai para os pormenores envernizados, envidraçados,
metalizados e pintados.
A estrutura forte da mobília pode e deve ser suavizada com recurso a tapetes suaves, estofos
confortáveis e têxteis convidativos.
Alguns dos têxteis que normalmente se identificam com o estilo contemporâneo são o cabedal,
alcântara, vinil, corda, bouclé, flanela, lã, algodão, linho, seda, caxemira e juta.
Os padrões ficam, não raras vezes, relegados a segundo plano, uma vez que os lisos são uma
forte característica deste estilo. No entanto, um padrão vistoso ou subtil pode funcionar como o
elemento diferenciador num ambiente moderno como este.
Utilizam-se muito as formas geométricas, quer em elementos decorativos, quer em peças de
arte.
Privilegia-se uma paleta de cores neutra, onde se destaca o preto, branco, cinza, azulacinzentado, bege, creme e castanho. Embora utilizadas principalmente em variações
monocromáticas, estes tons podem ser dinamizados com a aplicação de alguns apontamentos
em cores mais fortes, caso do amarelo, laranja, vermelho, beringela ou lilás.
Por norma, as paredes são normalmente claras e os tectos pintados de branco; no entanto, o
uso depapel de parede também empresta um toque de contemporaneidade a este estilo.
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É habitual decorar paredes com molduras pretas, brancas ou metalizadas; agrupadas em
pequenos conjuntos simétricos, o seu efeito é espectacular.
O uso de plantas e flores deve ser reservado a espécies grandes, vistosas e despretensiosas,
exibidas em vasos lisos e modernos, com pedras ou raspas de madeira a cobrirem a terra.
As janelasj são decoradas com estores simples ou cortinas leves e esvoaçantes. A luminosidade
é um factor chave deste estilo, por isso, há quem deixe as janelas completamente despidas.
A iluminação artificial, por sua vez, tem sempre uma função específica, ou seja, deve estar
orientada para iluminar um determinado espaço ou peça. Os candeeiros em si são, muitas
vezes, autênticas obras de design. Os focos de tecto embutidos são também uma excelente
opção para quem quer criar uma decoração contemporânea.
No chão prefere-se o soalho em madeira, ladrilho ou pedra polida. Os tapetes devem ser lisos
ou então estampados com formas geométricas vistosas.
O estilo contemporâneo é marcado por algum despojamento, nomeadamente no que toca a
peças decorativas – aqui valoriza-se a qualidade, em detrimento da quantidade. Menos é mais e
os elementos chave devem ser vistosos e de elevado bom gosto.
Existe um cuidado especial em termos de organização, preferindo-se armários amplos,
embutidos e com um sistema de arrumos discreto e eficiente.
Para evitar espaços demasiado austeros, combinam-se peças arredondadas com peças mais
rectas, conjuga-se mobiliário alto e baixo, utiliza-se texturas, alguns padrões e cores chave para
criar um ambiente luxuoso e confortável.
A funcionalidade e um design exímio têm de estar de mãos dadas num estilo contemporâneo –
de que serve a beleza, se não podemos usufruir dela?
ESTILO MINIMALISTA
Diz-se que o estilo minimalista terá surgido no período difícil pós-Segunda Guerra Mundial,
altura em que muitas pessoas perderam tudo ou quase tudo e tiveram de aprender a viver com
menos. O estilo minimalista é isso mesmo – ambientes cuidadosamente decorados para conter
apenas o essencial, aliando a estética à funcionalidade, sendo que a segunda é mais importante
do que a primeira. Há quem diga que o minimalismo é, acima de tudo, um lifestyle e, por isso
mesmo, pode ser aplicado a qualquer estilo de decoração.
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Quem aprecia uma decoração minimalista vê na sua casa um oásis de tranquilidade, um
verdadeiro refúgio do caos e confusão que marcam o mundo lá fora. A primeira regra de ouro
no que toca ao estilo minimalista é a organização: tudo tem de ter o seu lugar e quando não
estiver a ser utilizado, deve estar guardado, de preferência longe da vista.
A preservação do espaço e a difusão da luz natural é a chave para um ambiente minimalista bem
conseguido – aliás, podemos ir mais longe e dizer que estes dois elementos são a base deste
estilo decorativo.
Linhas estreitas e simples dominam o ambiente minimalista, quer em termos de traços
arquitectónicos, quer em termos de decoração. As janelas são lisas e sem peitoris, os rodatetos
e rodapés são planos, o chão é preferencialmente revestido num material sem quebras e
completamente polido; o mesmo se diz dos armários da cozinha, lacados e com um efeito glossy
e das bancadas revestidas a granito polido.
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Se no que toca ao estilo minimalista menos é mais, esta máxima também se aplica à paleta de
cores, que se restringe ao branc, preto, cinzento e alguns tons neutros (castanho, azul, verde…).
Quanto mais claro melhor, porque permite jogos de luz que engrandecem o espaço. Se o
próprio minimalismo é, em si, dramático, não necessita de adicionar cores muito vibrantes à
decoração – estas contribuiriam apenas para um maior “ruído visual”.
Toda a mobília pensada para um ambiente minimalista deve ser extremamente clean. Se tiver
espaço suficiente para ser admirado, o mobiliário, para além de ser funcional, torna-se
igualmente decorativo. Algumas dicas para potenciar o mobiliário enquanto elemento de design
minimalista é a escolha de formas geométricas muito imponentes e até algumas assimetrias – a
junção com outros elementos e a disposição correcta produz o impacto – embora pareça
contraditório – que só o minimalismo consegue.
Muitas vezes, até as portas, armários e gavetas são “despidas” de puxadores, optando-se antes
pelo sistema de click-clack ou então por portas de correr. Evitam-se as prateleiras abertas, mas
se existirem são poucos os objectos que se dispõem sobre as mesmas.
Os electrodomésticos e equipamentos electrónicos podem representar um grande investimento
quando se trata de decorar um estilo minimalista, porque uma vez que não existem muitos
elementos puramente decorativos neste tipo de ambiente, estes acabam por assumir o papel de
um objecto de design ou até de obra de arte.
Em termos de iluminação artificial, o estilo minimalista dispensa muitos candeeiros, quer sejam
de mesa, de tecto ou de parede, uma vez que todos estes ocupam espaço e reclamam atenções.
A escolha acertada passa por focos embutidos, cuja intensidade possa ser facilmente regulada.
A sofisticação do estilo minimalista dispensa texturas e padrões desnecessários, preferindo
antes manter todo o ambiente o mais “despido” possível. Tirando os sofás, tapetes e têxteis
reservados ao quarto e casa de banho – preferencialmente lisos e suaves – este tipo de
decoração não vê a utilidade de muitas texturas e padrões que servem apenas para “encher” o
espaço. Nem as janelas são decoradas, mantendo-as preferencialmente sem cortinas para
permitir a entrada de luz natural – quanto muito, opta-se por estores simples ou blackouts.
Os materiais privilegiados na decoração minimalista são a madeira, vidro, inox, cromado,
espelho, pele, mármore e granito. No chão, o destaque vai para a madeira, linóleo, betão, pedra
ou ladrilho natural.
As paredes também são apreciadas tal e qual são, excepto por um ou dois quadros ou molduras
realmente impressionantes, mas não tanto que ofuscam a beleza do espaço como um todo.
Em termos de elementos decorativos, o estilo minimalista é fã de superfícies lisas e
“despejadas” de objectos desnecessários. Isto não quer dizer que não possa existir uma única
jarra, passepartout, livro ou escultura sobre uma mesa ou estante, mas sim que essas peças não
devem ser escolhidas para encher o espaço, mas antes porque são, em si só, uma afirmação ou
então porque são absolutamente essenciais para o dia-a-dia.
Uma bonita planta numa esquina da sala, uma jarra com ramos de árvore ou uma orquídea em
flor sobre uma mesa são sempre boas escolhas, até porque emprestam uma lufada de ar fresco
e um pouco de vida, mesmo aos ambientes mais minimalistas.
ESTILO CLÁSSICO
Em termos de decoração, a tradição ainda é o que era e o estilo clássico nunca saiu de moda.
Marcada por linhas elegantes e ricas, a decoração clássica tem as suas origens na arquitectura
grega e romana, onde a opulência e o requinte são os traços mais visíveis e mais apreciados.
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Requer espaços amplos e altos para poder receber mobiliário e peças decorativas igualmente
vistosas, sendo estas o coração do estilo clássico.
A própria arquitectura do espaço é fundamental, com tectos, rodapés e paredes trabalhadas,
ostentando ornamentações sublimes.
Um dos elementos base do estilo tradicional é a mobília em cerejeira, mogno, palissandro ou
nogueira, entre outras, mas sempre em tonalidades escuras e dramáticas. A mármore é também
ela uma matéria-prima de eleição, nomeadamente nas cozinhas e casas de banho.
No estilo clássico, todo o mobiliário é antigo ou então assemelha-se a exemplares de outros
tempos, tendo sido reproduzidos precisamente com esse objectivo. Para além de serem
imponentes em tamanho, estas peças destacam-se ainda pela riqueza dos seus ornamentos e
trabalhados vários.
É comum a presença de camas com quatro colunas, embelezadas ou não com um dossel
pomposo ou mosquiteiros esvoaçantes – confere um toque de dramatismo, que é próprio deste
tipo de decoração.
O estilo tradicional é ainda dominado por cadeiras e poltronas elegantes e graciosas, muitas
vezes ornamentadas e estofadas, para não fugir do ambiente dramático para o qual são
pensadas. Igualmente intemporal é o uso de mesas de apoio – e não só – com pés arredondados
e, claro, trabalhadas ostensivamente.
As cozinhas clássicas são muitas vezes decoradas a branco total ou então em madeira. As casas
de banho são vistas como verdadeiros espaços sociais, onde não falta nada – desde cadeiras
ornamentadas, a apliques e até papel de parede.
A paleta de cores é composta essencialmente por preto, bordeaux, azul-marinho e verdeesmeralda, que podem e devem ser combinadas com elementos dourados, prateados, cor de
ferrugem e cor-de-rosa bebé.
Para uma sofisticação mais clean, o estilo clássico funciona igualmente bem com branco, creme,
cru, bege e diferentes tonalidades de castanho.
Os padrões também são parte integrante do estilo clássico, mas são utilizados esporádica e
subtilmente para não confundir com o estilo rústico ou cottage. Tradicionalmente, nesta
decoração utiliza-se mais os floridos, os adamascados e as riscas.
As texturas e os tecidos devem, acima de tudo, complementar-se, sendo relegado para segundo
plano, o facto de combinarem ou não na perfeição.
Os cortinados longos e dramáticos, em seda, brocado ou veludo, lisos ou com riscas, sempre
dentro da palete de cores tradicional, são outra peça chave deste estilo. A decoração de janelas
também passa pelo uso de sanefas, com braçadeiras e, muitas vezes, com uma cortina mais
pesada a ladear uma outra, mais leve.
Os tapetes também têm um destaque especial dentro deste estilo decorativo, sendo sempre
espessos e convidativos, muitas vezes cobertos de padrões clássicos e várias cores.
Se não estiverem forradas com um papel de parede luxuoso e padronizado, as paredes clássicas
requerem obras de arte antigas, onde dominam os estilos retrato ou vida morta, em tela ou
impressa em litografia. Também é habitual ver bonitas tapeçarias a adornar, com pompa e
circunstância, as paredes.
Em termos de peças decorativas, o destaque vai, sem dúvida, para cristais, porcelanas, prata,
latão, candelabros, bustos, livros, espelhos e molduras ornamentadas, lustres, arranjos florais,
candeeiros de parede e com abat-jours em seda… Muitas vezes, os mesmos objectos são
utilizados em duplicado para conseguir uma simetria harmoniosa e o toque de requinte que é a
decoração tradicionalmente clássica.
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ESTILO ROMÂNTICO
Um estilo romântico não significa uma decoração exclusivamente feminina, mas antes a criação
de ambientes íntimos e serenos que nos parecem transportar para outros tempos, marcados
por uma elegância sublime, mas agora com um toque de conforto irresistível.
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Em termos de mobiliário, o estilo romântico é marcado por traços curvilíneos, pés arredondados
e peças trabalhadas, com alguns detalhes vistosos. As mesas redondas, ovais e as camilhas são
presença assídua, assim como os bancos estofados, colocados aos pés das camas e das
poltronas. O mobiliário mais utilizado para criar espaços românticos é o de ferro, madeira clara
e escura, mas também as peças de mobília pintadas de branco, bege ou azul claro, por exemplo.
Como a decoração é, acima de tudo, um gosto pessoal e, de preferência funcional, a
organização e disposição de um espaço romântico tanto pode ser casual e descontraído, com
objectos pousados quase que aleatoriamente; como mais formal e simétrico, onde tudo tem o
seu lugar. É uma questão de gostos e de estética visual.
A paleta de cores normalmente associada ao estilo romântico é invariavelmente suave e de
baixa intensidade: branco, tons neutros e pastéis são as cores de eleição para quem pretende
romantizar um qualquer espaço. No entanto, como a paleta base é tão neutra, podem
adicionar-se alguns pontos de cor mais fortes – amarelo, azul, encarnado, verde, lilás ou fucsia,
sem perder o romantismo.
Motivos listados, axadrezados, florais, adamascados e de inspiração vitoriana são aqueles mais
associados ao estilo romântico e podem ser aplicados a tudo, desde lençóis de cama, a papel de
parede, cortinados e sofás. No entanto, a decoração com padrões exige sempre um certo grau
de conta, peso e medida.
Um espaço romântico requer tecidos que são um mimo para tocar e bonitos de se apreciarem:
seda, cetim, chenilha, veludo e acolchoados são uma boa opção porque a qualidade das suas
texturas contribui para a própria decoração. As rendas, folhos, laços, tricô e croché completem o
cenário. Não é raro as camas estarem equipadas com saias e repletas de almofadas confortáveis
e mantas aos seus pés.
Embora os tapetes não sejam um dos elementos-chave da decoração romântica, querem-se
discretos mas sumptuosos, ou seja, devem contribuir para que cada ambiente romântico se
torne ainda mais aconchegante, sem o dominar por completo. Privilegia-se um chão simples,
mas bonito, revestido em madeira ou noutro material subtil.
Nas salas de estar e de jantar, as cadeiras e poltronas são sempre elegantes e quase sempre
estofadas ou então equipadas com uma almofada condizente, principalmente as da cozinha. Os
sofás são confortáveis e ladeados por mantas e almofadas aconchegantes, de preferência de
frente para uma lareira. As capas também são uma boa opção, ora para os sofás, ora para as
poltronas ou cadeiras.
Num quarto romântico, a cama é sempre rainha do romance, com destaque para estruturas em
ferro ou então para camas de madeira imponentes com quatro colunas e/ou cabeceiras
luxuosamente forradas com tecidos elegantes. O que não pode mesmo faltar neste ambiente, é
um dossel, tule ou cortina suspensa sobre a cama ou a funcionar simplesmente como adereço
decorativo. Os tradicionais guarda-roupas são outra peça chave.
Para um toque especial, crie um espaço no quarto para colocar um toucador com espelho, uma
poltrona sofisticada, alguns frascos de perfume vintage e porque não um conjunto de escova,
pente e espelho de mão em prata?
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O perfil de uma casa de banho romântica passa quase sempre pelo branco, com uma banheira
com pés, um toucador, uma poltrona e bonitos quadros a decorar as paredes.
A luz natural é uma das principais características da decoração romântica, que privilegia o uso
de cortinas transparentes ou semi-transparentes para filtrar ligeiramente a luminosidade
exterior, enchendo as divisões de claridade. A simplicidade das cortinas esvoaçantes é muitas
vezes enriquecida com a colocação de uma sanefa, num tecido padronizado ou então com outro
cortinado, num tom mais claro ou escuro – estes podem ser deixados a fluir livremente ou então
amarrados com borlas ou uma simples fita em cetim.
Quando é noite lá fora, a iluminação artificial também é um factor importante no que toca a
criar um ambiente de romantismo: pequenos candeeiros de mesa e de parede são as escolhas
mais óbvias, sempre equipadas com lâmpadas de baixa intensidade. No tecto, o destaque vai
para os lustres e espalhadas um pouco por toda a parte, as velas, de preferência aromáticas.
Num ambiente soft e tranquilo como este, um toque subtil de brilho fica sempre bem: os
apontamentos em vidro, cristal, dourado, prateado, bronze, ferro e metal também fazem parte
da decoração romântica.
Alguns exemplos de objectos decorativos para um espaço romântico podem passar por:
castiçais, passepartouts, caixas em tecido, arcas e baús em pele ou madeira, malas antigas,
arranjos florais, borlas penduradas de puxadores de portas e gavetas, espelhos ornamentados,
obras de arte com motivos de flores e de inspiração vitoriana…
A decoupage, uma arte decorativa que permite a transferência de guardanapos de papel
ilustrados para mil e uma superfícies, é uma técnica, cuja beleza e originalidade, combina na
perfeição com o estilo romântico.
É muito fácil associar um ambiente romântico ao sexo feminino, no entanto, esta é uma
decoração que pode ser desfrutada por mulheres e por homens – para um toque mais
masculino junte à mobília mais curvilínea, atributos tipicamente mais másculos: tecidos às
riscas, uma poltrona em pele ou apontamentos em madeira escura.
ESTILO RÚSTICO
Com um espírito e elementos decorativos muito próprios, o estilo rústico é um regresso às
origens onde se destaca móveis gastos pelo tempo, mas desfrutados com muito carinho; têxteis
com padrões diversificados que podem ser dispostos em simultâneo e, acima de tudo, um
ambiente muito aconchegante.
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Tradicionalmente, o estilo rústico é associado a antigas casas de campo e, embora seja esse o
seu habitat natural, a verdade é que hoje este tipo de decoração pode ser recriado em qualquer
tipo de habitação.
Grande parte do charme do estilo rústico é a ideia de ter peças muito distintas, com
personalidades e histórias muito próprias, que podem ser passadas de geração em geração
simplesmente porque, quanto mais velhas melhor.
O espírito rústico ou country está assente em mobiliário antigo e rural, onde o tempo passado é
evidenciado por marcas profundas e gastas. As camas são normalmente mais pequenas e
estreitas mas, em contrapartida, os guarda-roupas, cómodas, baús e mesas são de dimensões
maiores. Os sofás são imponentes, confortáveis e cobertos de almofadas e mantas de retalhos,
sendo também comum a presença de cadeiras de baloiço e em verga.
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A madeira (o pinho é o mais utilizado) e o ferro são os materiais de eleição em termos de
mobília e estes podem ser deixados no seu estado mais puro ou pintados. A imperfeição é visto
como algo muito belo e a maior parte das vezes as diferentes peças de mobília existentes num
só espaço não combinam entre si.
As paredes são muitas vezes intocadas, ou seja, revelam o seu aspecto mais natural, quer ele
seja pedra, tijolo, tinta a descascar ou papel de parede gasto. Também é habitual ver as paredes
forradas a madeira natural ou então pintada em tons claros. Para quem prefere um visual mais
“arrumado”, as paredes podem ser simplesmente pintadas de branco.
As vigas da casa são, não raras vezes, propositadamente deixadas à vista, quer no chão, quer no
tecto.
O soalho de madeira representa um chão country muito típico, sendo que este pode também
ele ser pintado numa cor suave. Em termos de tapetes, o destaque vai para os modelos simples
em algodão ou então para as esteiras naturais, em sargaço ou fibra de coco.
A paleta de cores country é habitualmente composta pelo branco-sujo, os tons terra ou
tonalidades pastel muito claras.
Os apontamentos de cor surgem através dos têxteis, muitos deles vintage, onde não faltam os
quadrados, florais, listrados, e, claro, as colchas patchwork, o algodão e a chita. A essência do
estilo country está na mistura entre esta variedade de padrões.
Asjanelas pedem cortinados frescos, simples e esvoaçantes, em tons claros ou então estores
muito discretos.
Nas paredes é habitual ver pendurados espelhos antigos e até “picados” pelo tempo, mas
também quadros ou litografias envelhecidas, apliques de parede em forma de iluminação ou
candelabros.
Informal, mas aconchegante, o ar kitsch deste estilo prevalece nos apontamentos decorativos
que incidem sobre os próprios objectos do dia-a-dia: cestos de vime e palha, jarras de vidro,
cerâmica, louça que não combina, objectos em cobre, potpourri, colheres de pau, velas,
utilidades antigas, cerâmica, livros, latas decorativas e ainda peças feitas à mão.
As flores do campo, em arranjos florais despretensiosos e completamente naturais são um
apontamento decorativo recorrente nos espaços rústicos.
Em termos de organização, privilegia-se o aspecto de “tudo à vista”, ou seja, as prateleiras são
maioritariamente abertas; e é habitual ter cabides de parede espalhados por toda a casa, onde
tudo fica pendurado à mostra, como antigamente.
ESTILO WABI-SABI, OU FILOSOFIA?
Com as suas origens enraizadas numa antiga arte japonesa, wabi-sabi é uma nova forma de
viver e de decorar, sem stress e sem preocupação. A mudar estilos de vida desde o século XV,
wabi-sabi é a arte da beleza imperfeita, ou seja, dá-se valor à autenticidade, natureza e
simplicidade, em detrimento da ostentação, alta tecnologia e design contemporâneo. Há quem
diga que o wabi-sabi é o novo feng shui.
Regresso às origens
De inspiração japonesa, a arte do wabi-sabi surge naquele país oriental durante o século XV,
numa clara oposição à riqueza e luxo emergentes. Intimamente ligado ao budismo zen, o wabisabi serve-se da sua base estética minimal e simples para transmitir energias positivas e uma
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certa espiritualidade para a casa e, principalmente, para os seus habitantes. O wabi-sabi
defende que o nosso lar deve ser, acima de tudo, um santuário e não um local apetrechado de
objectos, distracções e ruídos visuais. Os "wabibitos" (quem segue este estilo de vida) colocam
de lado a procura constante pela perfeição e concentram-se na beleza das coisas tal e qual elas
são; no conforto e no bem-estar que essa naturalidade transmite. No que toca ao wabi-sabi,
menos é definitivamente mais.
Beleza óbvia vs. beleza singular
“Wabi” significa “coisas simples e frescas” e “Sabi” significa “coisas cuja beleza foi adquirida
com a idade”. O conceito subjacente a esta arte secular é simples: encontrar beleza na
imperfeição, ou seja, o wabi-sabi valoriza mais a beleza singular, aquela que é naturalmente
bela; do que aquela que é obviamente bela, mas que foi artificialmente construída, por
exemplo. Viver de forma modesta e aprender a sentir-se satisfeito com aquilo que tem depois
de eliminado o supérfluo, é a filosofia do wabi-sabi. Aplicado à decoração, não difere muito
deste conceito.
Decoração wabi-sabi em 13 passos
1. Ambientes minimalistas, simples, orgânicos e modestos.
2. Requerem-se espaços pouco cheios onde os artigos dominantes são exclusivamente os
essenciais. Essa escolha é feita baseada na sua utilidade, beleza ou sentimentalismo (ou
os três).
3. A palete de cores da decoração wabi-sabi está assente no branco e nos tons terra.
4. Privilegia-se o uso de materiais naturais (madeira envelhecida, pedra esfarelada, barro,
lã, algodão cru, linho, caxemira, papel de arroz…) em vez de materiais artificiais e/ou
luxuosos (plástico laminado, mármore polida, placa de vidro, porcelana, poliéster,
licra…).
5. Em termos de peças de decoração, aprecia-se as artes decorativas, mobília e elementos
reciclados/reaproveitados, objectos feitos à mão e encontrados em feiras de usados,
antiguidades e outras do género.
6. A Mãe Natureza deve ser uma companhia constante e deve ser trazida do exterior para
o interior sempre que possível: plantas e flores, de preferência do campo, e até ramos
de árvore são bem-vindos. Neste contexto, a única “exigência” é que a flora utilizada
seja da estação do ano em vigor.
7. Proteger a casa contra o ruído, o que significa um melhor isolamento de portas e
janelas, cortinados mais pesados, chão de cortiça, menos gadgets e electrodomésticos
ou entãoprotectores para pousar as máquinas de lavar roupa e loiça.
8. Organizar a casa de cima a baixo, deitando fora, reciclando ou doando o que está a
mais; encontrar um lugar específico para cada coisa para manter a organização.
9. Privilegiar a luz natural e a de velas em detrimento da iluminação artificial.
10. Gosto especial por formas irregulares e que não têm necessariamente de combinar
entre si (em termos de mobiliário também).
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11. Expor peças com alma, elevado simbolismo ou sentimentalismo: fotografias a preto e
branco do casamento dos seus avós, lençóis e toalhas bordados pela sua mãe, uma
escultura amadora feita pelo seu companheiro, um conjunto de pedras apanhadas à
beira-mar ou um desenho colorido do seu filho.
12. Criar um espaço pessoal que serve de refúgio e/ou de meditação.
13. Apreciar a imperfeição – a presença de arranhadelas e fissuras na mobília, portas ou
objectos é considerado um símbolo da passagem do tempo e da forma carinhosa e
natural com que foram utilizados. No ambiente certo, as peças gastas por anos de uso
ganham uma magia inigualável e reconfortante, são companheiros de uma casa,
testemunhos de uma vida.
O acto de decorar – seja uma casa, um escritório ou uma loja – baseia-se numa
simples premissa: estilo. É difícil, e até desaconselhável, decorar o que quer que
seja, sem antes definir o ambiente que pretende criar nesse espaço. Por isso
mesmo, esta questão fundamental: qual é o seu estilo de decoração? Seguindo
abaixo uma lista de outros estilos.
www.eudecoro.com
ESTILOS
Tradicional
Gracioso e convidativo, o estilo tradicional é intemporal e, embora não requeira peças antigas
ou antiquadas, o ambiente que proporciona transporta-nos para a elegância e grandiosidade
que enchia as casas dos séculos XVIII e XIX. A peça chave deste estilo é a mobília em cerejeira,
lado a lado com mobiliário antigo – original ou reproduzido – tudo elaborado segundo um
design muito rico e ornamentado, de preferência em tons escuros e intensos. É tradição juntar
cores como verde-esmeralda, bordeaux e azul-marinho, a peças douradas, prateadas e de
latão. Para um look tradicional mais contemporâneo, escolha cores mais suaves. Enquanto as
texturas e tecidos devem complementar-se ao invés de combinarem na perfeição, os
elementos decorativos devem ser minimizados, uma vez que as peças de grande porte são, por
si só, já bastante elaboradas. Para nos sentirmos verdadeiramente em casa, porque a tradição
ainda é o que era...
Contemporâneo/Moderno
Contemporâneo e moderno: pode parecer a mesma coisa e, em alguns aspectos até é. Tanto
um como outro estilo reflectem as tendências que surgiram a partir da segunda metade do
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século XX, até à actualidade. Os espaços são caracterizados por ambientes simples, directos e
muito clean que dizem claramente “bem-vindo ao dia de hoje”. Embora ambos os estilos vivam
no “aqui e agora”, também têm as suas diferenças. O estilo moderno baseia-se em materiais
novos e tecnologicamente avançados (aço escovado, ferro crómio, fibra de vidro, plástico,
contraplacado, wengé, faia, entre outros); recorre a formas geométricas e mobília minimalista,
orgânica e até futurista; as cores das paredes são normalmente claras e os tectos brancos;
privilegia a forma e a impressão artística em detrimento da funcionalidade, relegando também
as texturas para segundo plano. O estilo contemporâneo, por sua vez, utiliza muita cor e
textura, arte e elementos neutros, embora as suas linhas sejam ainda mais suaves do que
aquelas que caracterizam o estilo moderno; a praticabilidade está lado a lado com um bom
design. A inspiração do presente e do futuro…
Cottage/Chic Casual
Estilo ultra-confortável e muito à vontade, pode despertar memórias da casa da avó, das tias ou
de uma casa de fim-de-semana, tipo cottage. Este é um design perfeito para quem tem um
estilo de vida acelerado, dias muito ocupados e até crianças, imperando assim uma casa
funcional, que existe exclusivamente para o servir, com elevados padrões de conforto e com
um feeling muito caseiro. Num ambiente chic casual tudo está agradavelmente gasto e
enrodilhado e não faltam sofás, cadeiras e poltronas XL, muitas das quais cobertas com capas
floridas ou estampadas. A mobília raramente condiz, mas o seu aspecto – rústico e pintado com
cores claras – acaba por ser encantador. As janelas são vestidas de forma despretensiosa, com
recurso a varões de ferro, cortinas semi-transparentes com os mais variados padrões. As cores
utilizadas são maioritariamente pastéis, suaves e delicados, para juntar com peças vintage e
surpreendentes. Um refúgio contemporâneo…
Country/Rústico
Evidentemente, o estilo country ou rústico não é urbano, nem suburbano, mas antes uma visão
idílica da vida rural americana ou british de tempos passados, quando se vivia de forma simples
e genuína, retirando da terra tudo o que era necessário para subsistir e ser feliz. Todo o
mobiliário é rústico e rural, sendo que as marcas do tempo, profundas e gastas, são parte
essencial de todo o charme deste ambiente. O uso de cor é reservado aos tons terra e ao
branco-leite, ao contrário dos têxteis, que ganham vida com padrões vintage, onde abundam os
quadrados, florais e listrados. A essência kitsch deste estilo é completada por elementos
caricatos como cestos de vime e palha, potpourri, colheres de pau, cerâmica, latas decorativas e
ainda muitas peças feitas à mão. Só faltam as colchas patchwork a aquecer as camas e uma
tarte de maçã acabadinha de sair do forno...
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Asiático
O estilo asiático reúne o melhor da cultura e estilo de vida proveniente de países como a China
e o Japão, suscitando de imediato imagens apelativas de jardins zen, paus de madeira, wok,
tigelas de arroz e saké tomado sentado no chão. O cenário de fundo de qualquer ambiente
asiático privilegia as cores neutras e mais naturais, com a existência mínima de objectos
decorativos. Os materiais e texturas utilizadas são um reflexo da natureza – cedro, ácer, bambu,
pedra, vime entrançado, papel de arroz, seda – e os têxteis são, por norma, tecidos naturais,
sem padrões e que não foram sujeitos a processos de tingimento. O preto é uma cor
dominante, que pode e deve ser utilizado em conjunto com outros tons. A tradicional arte
asiática é simples, gráfica e visualmente forte, o que embora contradiga o estilo asiático em
geral – sempre muito delicado e diminuto – permite criar espaços harmoniosos, com destaque
para os apontamentos em seda, kimonos, caracteres chineses, almofadas de chão, lanternas de
papel, biombos e tapetes “tatami”. Uma viagem para todos os sentidos…
Egípcio
Exótico e original, o estilo egípcio vai obviamente buscar inspiração a uma das civilizações
simultaneamente mais antigas e mais desenvolvidas da história da humanidade. Majestosa e
real, a grandiosidade de um visual como este é garantida, não só pelos objectos e relíquias
primitivas e obrigatórias, mas também pelo uso predominante das cores preto e dourado.
Outras cores podem ser aplicadas em “pano de fundo”, mas preferencialmente tons pálidos.
Em termos de materiais, a opção vai quase sempre para a pele preta, grés e mármore, em
detrimento da madeira, mas se não quiser prescindir deste material, que seja madeira escura. A
vertente mais divertida de uma decoração egípcia pode muito bem ser a escolha dos elementos
decorativos. Por onde começar? Hieroglíficos, estátuas e máscaras de seres místicos, múmias,
bustos e vasos imponentes, entre tantos outros. Mas atenção, nem de mais, nem de menos…
com bom gosto para não perturbar os deuses.
Tropical/Náutico
Como tudo aquilo que é trópico, este estilo invoca a tranquilidade das ilhas paradisíacas, onde
as cores da Mãe Natureza são tão vívidas que parecem pintadas. O exterior vem para dentro e
transforma tudo em amarelo, vermelho e cor-de-laranja, ficando o branco e o verde em
segundo plano, não esquecido, apenas subtil. As flores penduram-se nas janelas com tecidos
frescos e esvoaçantes, agarrando-se ainda aos sofás e poltronas, por completo, ou como
apontamentos em almofadas aconchegadas em mobília de verga. O chão, em madeira clara,
convida a pés descalços e as mesas em teca pedem um cocktail colorido. Complete a decoração
com algumas plantas ou palmeiras, esculturas em madeira, elementos em pedra ou bambu e,
claro, água: um aquário ou então vasos enormes com flores tropicais. Mais reservado e
elegante, o estilo náutico também se baseia na vida ao ar livre, mais precisamente a vida
marítima. Com o seu triângulo colorido de azul, branco e vermelho a dominar todas as viagens
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decorativas, fica ainda melhor quando se juntam elementos com cordas, pedras, conchas,
réplicas de barcos, redes, remos e âncoras. Para um cheirinho de Verão e de férias todo o ano,
mesmo que o mar não esteja a dois passos da porta...
Vimos no texto anterior os estilos que estão em uso nos nossos dias, mas
conhecer um pouco de como em décadas passadas a decoração fazia parte das
casas e como a sociedade refletia através dos interiores seus valores e como os
mesmos foram influenciados por diferentes setores sociais como a política, a
tecnologia, as relações e a filosofia e importante. Poderemos após conhecer
este conjunto do passado inserir referências em nossos trabalhos e enriquecer o
todo.
Acompanhe.
ADMIRÁVEL MUNDO DA DECORAÇÃO
Qual a origem do minimalismo? Que tipo de peças se usavam nos anos 20? Como recriar um
ambiente Art Déco? Acompanhe-nos numa interessante viagem pelo tempo através dos objectos
e épocas mais marcantes da história da decoração. Para ler, aplicar e guardar.
TEXTO DE HELENA BOTELHO
Japonês
Descoberto pelos ocidentais no século XVI, este estilo deu origem ao que hoje denominamos por
minimalismo. A cultura japonesa é actualmente muito apreciada na Europa e nos EUA, nomeadamente
pelo seu design, gastronomia, filosofia zen e religião budista.
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Como recriar?
Use biombos para dividir diferentes
zonas
Revista o chão a madeira e cubra-o com
tapetes de bambu.
Num cenário perfeito, na entrada deve
ter sempre um local reservado para
colocar os sapatos
Esteiras e almofadas no chão substituem
as tradicionais cadeiras ocidentais
Todo o mobiliário é baixo, de linhas
direitas e lacado.
As
peças
mais
ricas
apres
entam
embut
idos
em
madre
pérola
, ouro
e
prata.
No
quarto
Candeeiro japonês, na IKEA. Móvel Nairobi,
,o
da Roche Bobois.
futon
ocupa um lugar de destaque
A iluminação é um dos aspectos mais importantes nas casas japonesas.
A luz é difundida através de candeeiros de papel de forma a criar um
ambiente intimista
As grandes banheiras tradicionais japonesas (ofurô) fazem as delícias de
quem gosta de descontrair num ambiente suave e natural.
Os modelos originais são fabricados em madeira de cedro, sem qualquer
tipo de elemento metálico
Um kimono pendurado ou emoldurado na parede pode ser considerado
uma verdadeira peça de arte
Ponto de partida…
… para muitas das correntes
artísticas do século XX, os
criadores modernos foram
buscar inspiração à
originalidade e mestria
oriental.
Nos anos 20, Eileen Gray e
Charles Rennie Mackintosh
estudaram a técnica
japonesa de lacagem de
mobiliário
O estilo minimal, tão em
voga nos anos 90, é
fortemente influenciado
pelos ambientes japoneses
A elevada qualidade dos
objectos criados pela
corrente de Artes e Ofícios
tem como referência o
preceito dos artistas
orientais
Pouf Shell, de Paola Lenti, na In a In.
Elementos-chave
Equilíbrio entre espaço e objectos - Simplicidade - Biombos - Portas de correr - Luz indirecta - Materiais
orgânicos (bambu, papel, madeira…) - Cores principais: vermelho, preto, branco e dourado
Artes e oficios (1860 a 1910)
Em resposta à massificação dos objectos, resultante da Revolução Industrial, os artistas desta época
reclamam o regresso dos produtos de qualidade, feitos à mão. Infelizmente, o custo de produção era tão
elevado que só estava ao alcance das classes sociais altas. A corrente Handcrafted tem pontos comuns
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com a Arte Nova, ambas predecessoras do Modernismo e da escola Bauhaus.
Como recriar?
Mobiliário – Opte por peças de
aspecto artesanal, em madeira,
sobretudo carvalho. Na época, os
móveis tinham entalhes em cobre
e couro
Cores – Terracota, amarelomostarda, verde-azeitona e azul n
Papel de parede – Traço
emblemático deste estilo. Os
originais são tingidos com tintas
vegetais
Oriente – Sempre que possível,
acrescente um elemento oriental à
decoração: tapetes, louça chinesa
e tecidos
Iluminação – Apliques de parede discretos asseguram a iluminação
doméstica
Flores – Um toque campestre ajuda a recriar o ambiente. Invista em
arranjos florais simples
Elementos-chave
Peças feitas à mão - Formas simples com poucos elementos
ornamentais - Exaltação da beleza dos materiais naturais - Padrões
com flores estilizadas, temas bíblicos, literários e motivos celtas e
góticos
Pouf, da Vitra.
Arte Nova (1880 a 1910)
Pode ser considerada a primeira corrente de estilo moderno do século XX. Sem qualquer tipo de
revivalismo, os artistas procuram inspiração no presente e em tudo o que os rodeia, principalmente na
Natureza.
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Onde investir
Devido à produção maciça,
muitos artigos Arte Nova não
são muito valiosos, embora
muito interessantes. No
entanto, se as peças tiverem a
assinatura de um artista de
renome, podem atingir preços
exorbitantes.
Candeeiros originais Tiffany –
Apresentam um contraste no
abat-jour
Vidros de Emile Gallé – Peças
assinadas pelo autor
Posters – Especialmente de
Alphonse Mucha e Jules
Cheret. A originalidade dos
posters é visível através da qualidade do papel. As reproduções
são feitas com papel mais espesso
Vidros de Daum Frères n Pratas – Caixas de comprimidos, taças
e outros acessórios da marca Liberty (ainda hoje com lojas
abertas em Londres)
Elementos-chave
Motivos naturais (flores, folhas, raízes, sementes, pássaros,
libélulas…) - Linhas verticais, sinuosas, alongadas e curvas n
Formas femininas, com longos cabelos escorridos - Madeiras
exóticas embutidas (técnica de ornamentar as superfícies planas
de móveis através da aplicação de metais, pedras, plásticos,
marfim e chifres de animais). Uso de pedras semipreciosas, vidro
e prata - Acessórios ricamente ornamentados (molduras,
espelhos, relógios, caixas de jóias…). Lalique é um nome
incontornável nesta area
Pássaro em vidro, da Iittala.
Art Deco
Esta corrente teve início em 1908, na Europa (Paris), tendo perdurado até ao fim da II Guerra Mundial.
Tornaram-se populares os safaris africanos, com o consequente uso de peles de animais, marfim e
madrepérola na decoração. Os hieróglifos são um padrão comum em tecidos e acessórios.
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Como recriar?
Mobiliário – Formas bem delineadas e
aerodinâmicas. Prefira peças singulares
em vez de conjuntos
Tecidos – Lisos ou com padrões
geométricos, mas sempre de cores fortes
Tapetes – Com motivos geométricos (as
famílias mais abastadas desta década
encomendavam-nos a artistas de renome
como Duncan Grant, do grupo de
Bloomsbury)
Cores – Prata, preto, cromado, amarelo e
vermelho. Os verdes, beges, pérola e anil
são mais usados nas zonas privadas
Iluminação – Os candeeiros com figuras
femininas segurando numa esfera são um must. O vidro colorido é
substituído por vidro gravado, fosco e com embutidos
Peça Art Déco, da Olle Brozén.
Influências
Arte Nova – A corrente Déco mantém os motivos naturais do seu predecessor, estilizando-os. Uso de
tons mais fortes como o cromado e o negro
Cubismo – Pintores como Picasso descobrem novas formas de trabalhar o espaço, os ângulos e a
geometria
Anos 20
Fortemente influenciada pelo glamour de Hollywood, esta corrente artística marca uma nova fase na
decoração de interiores, com o aparecimento da profissão de decorador. A apresentação de algumas
peças em Paris transporta para a ribalta este estilo, eleito pelas classes mais abastadas.
Como recriar?
Pavimentos – Recorra
indiscriminadamente ao
parquet, linóleo e vinil
Tapetes – Uso obrigatório
em qualquer divisão, com
grandes padrões
geométricos
Tecidos – Preferência por
lisos e brilhantes com linhas metálicas
Acessórios – Pinturas grandiosas ou uma estátua
imponente decoram os ambientes. Toques de
opulência como pequenas caixas de charutos em
esmalte ou madrepérola
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Elementos-chave
Elegância e sofisticação - Formas geométricas e angulares Vidros coloridos, tecidos brilhantes e superfícies espelhadas
- Imagens estilizadas de aviões, automóveis e barcos Motivos naturais (plantas, flores e animais) - Peças exóticas
vindas de África, Oriente e Egipto
Conjunto de peças em vidro, de Kjell Engman.
Modernismo (1918 a 1950)
Mais do que um estilo, é uma corrente de pensamento. Os artistas acreditam que o design de um objecto
deve obedecer à máxima “a função precede a forma”. A Alemanha, com a escola Bauhaus, tornou-se o
centro fulcral deste movimento.
Elementos-chave
Espaços austeros, com poucas peças de mobiliário
Aço tubular, plástico, madeira laminada e fibra de vidro
Motivos abstractos
Cores primárias
Paredes de vidro como divisória
Grandes janelas com o máximo de entrada de luz
natural
Estantes nunca chegam ao tecto para ampliar o espaço
Radiadores de formas arrojadas em lugar de destaque
Nomes de referência
Frank Lloyd Wright - Mies van der Rohe - Le Corbusier
Anos 50
O período do pós-guerra ficou marcado pelo consumo desenfreado, típico das épocas que se seguem a
grandes depressões. Na decoração deitava-se fora tudo o que era velho, aderindo a um novo estilo de
mobiliário.
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Como recriar?
Open space e mezaninos são típicos desta década
Cores psicadélicas
Frigorífico – Modelos gigantescos em cores vivas
Persianas – De cores garridas (vermelho, verde-lima, amarelo e rosachoque)
Tecidos – Brilhantes com padrões abstractos, inspirados no imaginário
científico (átomos e galáxias). Motivos florais e animais com imitações
de listas de zebra e pintas de leopardo
Kitsch – Use e abuse: baldes de gelo em forma de ananás, imagens
de patos voando pelas paredes e bibelots dinâmicos como bonecas
havaianas e cães
Tableware – Composições diversificadas dentro do mesmo padrão,
cor ou tema
Invenções úteis
A redução das áreas das casas obriga a encontrar soluções
engenhosas para decorá-las:
Cadeiras dobráveis e móveis empilháveis
Sofá-cama e tábuas de engomar
Trolleys e caixas da Tupperware
Materiais inovadores
Alumínio
Borracha
PVC e Fórmica
Fibra de vidro
Melamina
Plásticos
Anos 60
Os anos loucos do amor livre, flower power e da música Pop reflectem-se na forma de decorar os
ambientes. Londres assume-se como capital da moda, lançando tendências e estilos. A Pop Art, de
estilo irreverente e arrojado, permite a democratização da arte, sendo acessível a todos os estratos
sociais e culturais.
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Como recriar?
Divisões amplas, com portas deslizantes ou biombos, que permitam
a fácil comunicação entre os vários espaços
Cores – Vibrantes e psicadélicas (vermelho, roxo, laranja, fúchsia e
as conjugações em preto e branco)
Mobiliário – Use peças de plástico e acrílico com formas circulares.
Recicle peças em bambu e vime, pintando-as de cores fortes
Papel de parede – Padrões psicadélicos (remoinhos, cornucópias,
círculos sobrepostos, em vermelho, púrpura, laranja e amarelo)
Poufs – Ambientes informais com almofadas e poufs espalhados
pelo chão
Quartos – Camas de dossel feitas com saris; abat-jours cobertos
com panos coloridos, bem ao gosto hippie
Tecidos – Repetição de padrões sobredimensionados num estilo
Arte Nova ou com as imagens gráficas da Pop Art. (Nesta década,
os criadores como Mary Quant e Christian Dior começavam a
desenhar peças para interiores)
Relógio Spoke, da Habitat, na Area.
Nomes de referência
Andy Warhol - Roy Lichtenstein - Verner Panton - Bridget Riley - Terence Conran - Joe Colombo
Influências
Arte Nova – Metamorfose dos padrões florais para motivos
psicadélicos e cores vibrantes
Corrida ao Espaço – Mobiliário de formas arredondadas inspirado
nas cápsulas espaciais (Ball Chair, de Eero Aarnio)
Viagens – Tapetes e muitos outros acessórios trazidos de
peregrinações hippies à Índia e a Marrocos
Cinema – A ténue linha entre a fantasia e a realidade é marcada pela
decoração dos quartos baseada em cenários de filmes como Help! e
Barbarella
Sofá Donna, de Gaetano Pesce, na Paris
Sete.
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Escandinavo (1930 até ao presente)
Este estilo ganhou maior notoriedade no final da II Guerra Mundial. Estabelece a fusão entre as linhas e
os conceitos modernistas, em que os objectos são sobretudo funcionais. O resultado são peças de
formas orgânicas, com design apelativo, e muito user friendly. O expoente máximo é a loja sueca IKEA,
inaugurada em 1943.
Mais curiosidades
O mobiliário escandinavo surge da necessidade
de colmatar alguns problemas típicos dos países
nórdicos: baixas temperaturas e falta de luz
natural.
A madeira clara é o material eleito (confortável e
quente ao toque e bom reflector dos raios
solares)
De um estilo rústico, caracterizado pela ausência
de cor, evolui-se para a produção de móveis de
linhas direitas, com elementos cromáticos
Os escandinavos introduziram no resto da
Europa o conceito de mobiliário normalizado
Ambiente de quarto, da Bo Concept.
Nomes de referência
Mies van der Rohe (1886-1969) – Arquitecto
alemão, um dos fundadores da Escola
Bauhaus
Le Corbusier (1987-1965) – Pseudónimo de
Charles Edouard Jeanneret-Gris, arquitecto
e designer suíço, naturalizado francês
Alvar Aalto (1898-1976) – Nascido em
Kuortane (Finlândia), este arquitecto e pintor
notabilizou-se ainda como designer de
mobiliário, tecidos, louças e cristais
Arne Jacobsen (1902-1971) – Natural de
Copenhaga (Dinamarca), começou por
trabalhar como pedreiro, acabando por se
formar em arquitectura
Kaare Klint (1888-1954) – Arquitecto
dinamarquês fortemente influenciado pela
linha neoclássica
Elementos-chave
Candeeiros de mesa Lykta, IKEA.
Madeiras claras
Materiais naturais
Mobiliário modular
Linhas direitas
Acessórios coloridos
Algumas lojas
Carrinho de chá, de Alvar Aalto.
Homes in Heaven
HTH
IKEA
Marimekko
Nord
Taça Blad, em aço inoxidável, IKEA (só
disponível a partir de Dezembro 2006)
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Estilo Inglês (XVIII e XIX)
Esta designação não é mais do que o resumo e simplificação de algumas correntes artísticas que
marcaram a decoração europeia desde o início do século XVIII (vitoriano, eduardiano, georgiano…). Este
é o estilo clássico por excelência.
Como recriar?
Madeiras escuras – Nogueira, ébano, carvalho e mogno
Sobriedade e conforto – Mobiliário fácil de conjugar com peças de
outras épocas, mesmo mais modernas
Tecidos – Estampados florais com tons suaves e padrões
geométricos simples (riscas e xadrez)
Paredes – Forre-as a papel de parede com motivos florais e riscas
ou pintadas de cores pastel, baunilha, rosa, azul e verde-pálido
Cortinas – Tecidos, organzas e sedas. Sempre com embraces e
passamanarias
Molduras – Na parede ou sobre os móveis, nunca são de mais
Poltrona Mozart, da Truffa, na Senicasa
FONTE - http://www.maximainteriores.xl.pt/0806/especial/200.shtml
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Texto abaixo é de autoria de Olívia Fraga e faz um jogo de acertos e erros comuns
na decoração, vale à pena ler e assim perceber como alguns profissionais tratam
alguns assuntos e como a crítica com humor pode ajudar a dar leveza ao ia a dia
do trabalho de interiores.
Os erros e os acertos na hora de decorar
Ira, gula, inveja, luxúria, cobiça, preguiça e avareza. Acredite: existem "versões" dos sete
pecados capitais dentro de sua casa ou no lar de alguém que você conhece. Como todos
desejam morar bem (e desejo pode se tornar um pretexto perigoso...), é preciso domá-lo antes
de criar um caos doméstico. Para evitar essa situação, a reportagem ouviu especialistas em
design de interiores que nomearam sete tropeços corriqueiros, sem enfatizar o mais grave
entre eles. Comecemos pelas cortinas, por exemplo. Usadas para aplacar a luz natural, dão
charme aos cômodos - isso quando bem-feitas. Do contrário, destroem qualquer tentativa de
embelezar as janelas. E o segredo não está na qualidade (ou no preço) do tecido: dê uma
olhada nas cortinas de sua casa e repare se elas acabam acima do chão. "Tem algo pior que
cortina pula-brejo?", provoca Bya Barros. O pula-brejo a que ela se refere é semelhante ao da
barra de uma calça: o pano foi confeccionado sem o devido caimento, e termina logo depois da
esquadria da janela. Nesse caso, vale refazer o trabalho, pedindo à costureira para caprichar no
caimento e deixar uma sobra de tecido no final.
É sempre importante atentar para o que se tem e o que se quer, e assim chegar ao meio-termo.
Aqui, os profissionais revelam segredos sobre a posição dos quadros. Para alcançar o perfeito
equilíbrio sobre sofás, aparadores ou mesas, considere, na parede, a disposição da tela a uma
altura de 30 cm a 50 cm a partir do topo dos móveis - acima dessa medida, a obra de arte ficará
alta demais.
Lustres também são motivo de atenção - devem estar suspensos até 80 cm acima da mesa de
jantar, por exemplo.
Quanto aos tapetes, vale o bom senso. "O modelo de qualidade sempre fica mais bonito com o
passar do tempo. Detesto aquela história, ‘não pise no meu tapete novo!’, que tantos falam
quando recebem visitas. Ficar trocando também é ridículo, é falta de informação", opina Bya
Barros. E ela arremata com a dica certeira: sob a mesa, deixe que o tapete se estenda de modo
a servir de apoio a cada uma das cadeiras.
SEGUINDO O BIOTIPO - Proporção, em decoração, também significa conhecer a si mesmo. Fugir
da história pessoal é pecado mortal. "De que adianta entrar na loja e comprar uma idéia, se ela
não corresponder à personalidade e ao biótipo da pessoa?", alerta Roberto Negrete. "Já
aconteceu de uma cliente baixinha comprar armários de cozinha altos e grandes demais e ela
tinha muita dificuldade para alcançá-los. Acontece a mesma coisa quando um casal de idade
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INTER-RELAÇÃO ARQUITETURA E INTERIORES A.M.Borges
um tanto avançada, querendo abraçar a ‘vida alternativa’, decide colocar a cama no chão... E a
saúde? Vamos fazer camas no chão só para estar na moda?", questiona ele.
MÁ ORGANIZAÇÃO - Agora, imagine a cena: no living de um apartamento, a criança que chega
da escola entra em casa depressa, tropeça na mesa de centro e cai no chão. A mãe,
enlouquecida, ainda implora para que o pimpolho tire os pés da poltrona e não derrube o
refrigerante sobre as almofadas do sofá. Parece nada haver de errado nessa cena doméstica, a
não ser o desastre previsível da mancha no móvel. Mas os decoradores conseguem identificar
inúmeros erros naquela sala de estar. René Fernandes Filho diria que o tropeço da criança é
sinal de má organização do espaço: ou a sala é pequena demais para os inúmeros móveis ou
eles foram agrupados de tal modo que atrapalham a circulação. Lídia Damy Sita tem até um
modo especial de caracterizar essa situação - "peru no pires”, "Preencher a casa de cima a
baixo com quinquilharias, bibelôs, lustres - ufa, é até difícil respirar num lugar assim!", diz ela.
E ainda tem o problema das almofadas... Se é difícil fazer com que a criança deixe de tomar
refrigerante na sala, o "dilúvio" pressentido pela mãe poderia ser evitado se não houvesse
peças além da conta, que dificultam até o sentar, aponta Bya Barros. "Almofadas são para
corrigir a postura, calçar o corpo. Caso contrário, cada um joga e vai jogando o que for preciso
no chão, o ambiente entra em conflito.
"ESTILO DUBAI - Aliás, é preciso dar atenção à estampa das almofadas - ou à presença de uma
manta étnica jogada com displicência sobre o sofá. Agora, cabe a Jorge Elias sintetizar o que
chama de “estilo Dubai": a corrida em busca do exótico, pecado dos mais inconseqüentes. "É o
‘nouveau-richismo’ personificado", diz ele. Ao que René Fernandes acrescenta: "A indústria cria
uma necessidade que pode não ser verdadeira. Gosta do azul, mas o verde está na moda? É
claro que eu não vou recomendar verde - vamos, sim, de azul."
A respeito da sala, da mãe e de seu filho, Roberto Negrete observaria algo ainda mais sutil: o
tropeço pode ter sido causado pela iluminação do espaço. Luz é um dos pontos melindrosos
das obras residenciais: se demais ou muito próxima, inibe e até mexe com os nervos; de menos,
incomoda tanto quanto. "Quanto mais spots de teto, mais rica a pessoa quer parecer.
Iluminação carregada ‘enfeia’ o ser humano e ele acaba expulso do ambiente", realça Bya
Barros.
Para resumir: na hora de decorar, ter dinheiro não é garantia de bons resultados, mas sim
elegância, senso estético e informação. Na dúvida, a máxima de Bya vira primeiro
mandamento: "A casa ideal é aquela em que a gente se sente bem. Se existir uma tendência, é
apenas a de ser feliz".
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O CERTO E O ERRADO NA HORA DA DECORAÇÃO
TAPETES
Certo: O tapete deve emoldurar por inteiro o jogo de móveis. A regra também deve ser
aplicada na disposição de sofás.
Errado: Os pés das cadeiras nunca devem ficar fora do tapete.
QUADROS E OBRAS DE ARTE
Certo: Para o equilíbrio na hora de pendurar os quadros na parede, o segredo é a distribuição.
Em paredes nuas, vale aproveitar os cantos mais baixos, mantendo distância apropriada em
relação ao móvel que compõe o espaço.
Errado: Obras de arte nunca devem ficar muito acima da linha do olhar.
ILUMINAÇÃO
Certo: Lustres que ficam entre 50 e 80 cm acima da mesa iluminam melhor o espaço. Na
iluminação indireta, evita-se o destaque excessivo de quem está no sofá.
Errado: Lustres perto do teto prejudicam a iluminação sobre a mesa. : A direção perpendicular
ao teto marca os móveis e ofusca a vista.
CORTINA
Certo: O caimento da cortina deve ultrapassar os caixilhos das janelas.
Errado: cortina "pula-brejo", um dos pecados mais comuns.
ALMOFADAS
Certo: Com número reduzido de almofadas, o sofá fica mais confortável.
Errado: Almofadas demais sobre o sofá atrapalham o sentar e poluem o espaço.
CIRCULAÇÃO
Certo: Num corredor pequeno, a melhor saída é dar brilho e cor às paredes usando quadros e
instalações.
Errado: Móveis em corredores interrompem a circulação.
ERROS COMUNS
Cortina "pula-brejo”, Lustres alto demais, Quadros mal-arranjados, "Peru no pires” (ambiente
atulhado de moveis) Almofadas em excesso sobre o sofá, Tapetes que não chegam até cadeiras
e sofás, Iluminação que ofusca o olhar.
Fonte – Agência Estado/ SP - quarta-feira, 22 de agosto de 2007
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É ASSIM
De verdade a decoração, começou na renascença. Povos mais antigos já tinham a preocupação
com o adornar de seus espaços e objetos de uso. Os egípcios, por exemplo, nos deram grandes
legados nesta área, os gregos estavam sempre decorando seus objetos, mas a idade média
desprezou, com a sua filosofia, o bem estar que locais organizados e embelezados podem
trazer.
Por muito tempo o acesso aos bens móveis, à arte e às condições de embelezamento foi para
poucos, com a revolução industrial mais e mais pessoas puderam adquirir bens de consumo
que poderiam deixar suas vidas com estilo e então passaram a ter objetos de desejo que antes
eram apenas para os mais nobres, especialmente mobiliários.
Em todas as épocas existiram pessoas que estavam disponíveis para o trabalho de embelezar os
espaços, mesmo que a profissão de decorador como conhecemos hoje seja recente, estas
pessoas eram as mais viajadas, as mais conhecedoras de arte, de filosofia e de padrões
estéticos, sempre foram estes que entenderam melhor o outro e seus desejos de como morar e
viver bem.
O glamour é um desejo de quem quer adornar seu espaço, que passa pelo processo de
utilidade, funcionalidade e técnica. A decoração existe para embelezar e trazer conforto aos
ambientes.
O arquiteto de interiores tem que ter como a única certeza absoluta a de que o processo de
pensar, entender, conhecer e se educar para o trabalho de decoração é uma função constante.
A aculturação é a grande fonte de inspiração do arquiteto de interiores, e mais, tem ele que
entender que os valores são individuais e ao mesmo tempo coletivos, estando estes, expressos
todo o tempo nos ambientes que criamos.
Então treinem a sensibilidade, abram os olhos e enxerguem com a alma, vivam os espaços sem
pensar neles e transfiram esta vivência conscientemente para o projeto. Conheçam os grandes
nomes, mas desenvolvam um estilo pessoal de trabalho e nunca, nunca mesmo, esqueçam que
o projeto é para o cliente e não para que você se eternize nele. A principal função de um
projeto de interiores é o bem estar físico, o psicológico e o funcional do usuário e tudo isto sem
esquecer a estética.
Aparecida Borges
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INTER-RELAÇÃO ARQUITETURA E INTERIORES A.M.Borges
LISTA DE SITES
www.canadianinteriordesign.com
www.classicdesignitalia.com
www.eudecoro.com
www.maximainteriores.xl.pt
www.tonyduquette.com
www.elledecor.com
www.mariaignezbarbosa.com
BIBLIOGRAFIA
ZUMTHOR, Peter. Pensar a arquitectura. Barcelona. GG, 2005.
Oscar Niemeyer: uma arquitetura da sedução – São Paulo: BEI Comunicação,2007. (coleção educação do olhar:
arquitetura).
Ricardo Legorreta: sonhos construídos – São Paulo: BEI Comunicação,2007. (coleção educação do olhar:
arquitetura).
STAFFORD, Cliffe e CHABANEIX, Gilles. Estilos de Vida-lugares, entornos,desenhos,interiors,detalhes e
acabamentos – BLUM
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