50 anos construindo o alicerce da educação

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50 anos construindo o alicerce da educação
50
JORNAL-LABORATÓRIO DO QUARTO ANO DE JORNALISMO DA FACULDADE DE ARTES E COMUNICAÇÃO DA UNISANTA
ANO XVI - N° 126 - SETEMBRO/2011 - DISTRIBUIÇÃO GRATUITA - SANTOS (SP)
Construindo o
alicerce da educação
anos
CARINA SELES E ARQUIVO
De um sobrado com 26 alunos
ao complexo educacional
com 15 mil estudantes,
o santa Cecília completa
meio século e reforça seu papel
no desenvolvimento regional,
paulista e nacional.
50
ANOS
Editorial
50 anos de ensino e tradição
O Complexo Santa Cecília faz 50 anos. Para
comemorar, o Primeira Impressão traz uma
edição especial, contando a história da Instituição, assim como sua evolução nestes anos.
Durante esse tempo, as mudanças vieram
em sua parte física, sendo transferido de um
pequeno colégio com poucos alunos para um
complexo que recebe hoje 15 mil estudantes.
A UNISANTA ampliou sua grade de ensino, produziu jornais, construiu uma minirrefinaria, fez laboratórios de estudos, criou
novos cursos que atendem às inovações do
mercado, firmou parcerias com empresas,
além de oferecer uma gama de serviços
gratuitos à população, como tratamento
dentário, auxílio judiciário, clínica de fisio-
terapia, entre outros.
Tudo isso, coordenado pela família Teixeira. Além destas tarefas, a família possui
também a responsabilidade de manter o
padrão de qualidade de uma grande instituição, isso sem perder o contato direto com
seus alunos, o que faz da UNISANTA um diferencial no ensino da região.
PRATA DA CASA
Cláudia e o Centro de Estudos Pagu
Ivan De Stefano
Simpática, dedicada, cuidadosa e
apaixonada pelo que faz. Cláudia de
Assis Busto, de 29 anos, é o exemplo de que um bom rendimento na
faculdade e empenho no estágio trazem bons resultados.
Jornalista formada em 2006
pela UNISANTA, ela é assessora de
imprensa e auxiliar de pesquisa
responsável pela organização e cuidados do Centro de Estudos Pagu,
referência de pesquisa e arquivo nacional e internacional sobre da vida
e obra da jornalista e escritora Patrícia Galvão, a Pagu.
Tudo começou em novembro de
2005 quando, por indicação da professora Elaine Saboya, Cláudia resolveu
abandonar uma empresa de clipping
eletrônico para trabalhar junto à presidente da Universidade, Lúcia Maria
Teixeira Furlani, em suas pesquisas
sobre Pagu.
“O CEP surgiu em abril de 2005,
com o acervo particular da doutora
Lúcia. Ela tomou posse na Academia
Feminina de Letras em 1988 e escolheu Pagu como patrona. Desde então, intensificou sua pesquisa sobre
a escritora. Com ajuda da família de
Patrícia Galvão, conseguiu organizar documentos, cartas e fotos que
foram fontes para os seus livros.
Quando fui chamada para fazer o estágio, em novembro, tive acesso ao
acervo original”, explica Cláudia.
Sua primeira função foi realizar
pesquisas históricas para comple-
CARINA SELES
Cláudia: dedicação à escritora
M da UNISANTA. A partir daí, Cláudia
foi se tornando a responsável pelo
atendimento do Centro de Estudos.
Atualmente, a jornalista cuida
dos 2.308 arquivos existentes no
acervo do CEP, entre dados digitais
e originais de Patrícia Galvão. “A
maioria dos documentos era inédita
até o ano passado, como cartas da
jornalista escritas na China, Japão e
Hollywood. Temos material desde
1929, guardados por cerca de 75
anos, sem que ninguém tivesse visto,
como um caderninho onde a Pagu escrevia dentro do presídio, em 1939”,
conta. Segundo ela, muitos desses
documentos serviram de pesquisa a
grupos de teatro do Rio de Janeiro,
Salvador, São Paulo e Curitiba.
Junto ao Centro, Cláudia Busto
fez diversas viagens com a presidente da Universidade, indo para
a feira literária em Parati, Mococa
e até mesmo à cidade onde Pagu
nasceu — São João da Boa Vista.
“O maior projeto que acompanhei
foram as comemorações do centenário da autora, em 2010. Foi uma
grande oportunidade de trabalhar
em exposições e eventos com profissionais da cultura do Brasil e do
exterior”, relata.
O centerário de Patrícia Galvão
marcou o lançamento do livro de Lúcia Teixeira sobre a jornalista, o Viva
Pagu — Fotobiografia de Patrícia Galvão. A obra faz parte de uma trilogia,
iniciada há 22 anos pela presidente
da UNISANTA, que conta ainda com
os livros Livre na Imaginação, no Espaço e no tempo e Croquis de Pagu.
Entre os projetos mais recentes
organizados pela presidente e sua
auxiliar de pesquisa estão quatro livros sobre o trabalho de Pagu, que
serão publicados no Brasil em parceria com o professor K. David Jackson e a Editora UNISANTA.
Como fruto do desempenho no
Centro de Estudos, a assessora é
bolsista integral de Pós-graduação
em Patrimônio Cultural, Memória e
Preservação, pela UNISANTA e almeja outros projetos: “Futuramente, quero iniciar o meu mestrado e
melhorar o projeto de disseminação
da informação do acervo do Centro
de Estudos Pagu”.
O atendimento para pesquisa e
entrevistas no Centro é com agendamento prévio pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone
(13) 3202-7180. Mais informações
sobre o centro e Patrícia Galvão no
tentando entrar na faculdade, de
bicicleta, mas sem a carteirinha
de acesso. Fechaduras de portas
que não abrem; falta de energia;
autorização de entrada e saída
de materiais; filas na portaria;
banheiros limpos; redistribuição
de alunos nas salas de aulas... São
atividades do dia a dia e, às vezes,
incidentes que exigem a atuação
rápida e responsável de Fábio.
“Eu e a minha equipe tentamos
resolver praticamente tudo o que
ocorre no campus. Somente em
último caso é que passamos à direção geral”, conta.
Fábio tem 58 anos, 22 desses
dedicados à Universidade. Formado em Educação Física pela
Unimes, iniciou as atividades
na casa quando estavam sendo
construídos os primeiros prédios
da instituição e o Ginásio Poliesportivo. “Comecei como coordenador de esportes junto com o
doutor Marcelo; depois, passei
a ajudar na administração. Hoje,
sou apaixonado pelo que faço”,
diz, ao destacar que desde quando atuava no esporte costuma
chamar os estudantes de “meus
alunos”. “Sinto-me como parte da
família. O hábito começou com os
meus alunos da natação e foi se
estendendo a todos, isso por causa do convívio diário. É realmente um trabalho que me emociona
sempre.”
Ele trabalha de oito a dez horas por dia, sempre em pé e com
rádio-comunicador na mão.
Apesar de quase sempre estar
com o semblante sério, Fábio carrega em si a alegria de cumprir
bem o seu trabalho. Atendendo a um pedido e outro, esboça
um sorriso: “De vez em quando
é preciso ser duro. Tem pessoas
que tentam burlar a portaria e,
se não houver atenção, muitas
situações passam despercebidas.
Então, tenho de agir”.
Pagu
mentar o trabalho já realizado por
Lúcia — contendo materiais desde
1988 — e o filho mais novo da Pagu,
o jornalista Geraldo Galvão Ferraz,
com a finalidade de organizar uma
fotobiografia sobre a autora.
Além das pesquisas para a fotobiografia, ela ficou responsável pela organização da documentação original, que
precisava de cuidados especiais de armazenagem, higienização e restauro.
Por conta disso, a assessora e já braço
direito da presidente da Universidade
conseguwiu uma parceria entre a Universidade e a Fundação de Arquivo e
Memória de Santos para que pudesse
realizar todos os procedimentos necessários de cuidado com o acervo.
Em abril de 2007, os documentos ganharam um espaço para serem
armazenados e passaram a ter uma
sala de atendimento exclusivo para
os pesquisadores, alunos e imprensa, localizada na Biblioteca do Bloco
Fábio Maurício, chefe administrativo do Bloco M
CARINA SELES
Vivi Ramos
2
Bigode e cabelos grisalhos,
estatura média, semblante sério.
O chefe administrativo do Bloco
M, da Universidade Santa Cecília,
Fábio Maurício Portugal Meier,
lembra bem o personagem Winston Wolf, do filme Pulp Fiction,
de Quentin Tarantino. Eles são
os caras que você chama quando
está em apuros.
No filme, Winston Wolf (ou
Mr. Clean) é chamado pelo chefe
Marsellus Wallace para resolver
problemas difíceis. Assim como
o personagem, Fábio também é
acionado para resolver de pequenos a grandes problemas ocorridos no Bloco M e na Universidade como um todo. As atividades
desenvolvidas por ele são fundamentais para manter o bom
funcionamento da casa. “Minha
função é resolver os problemas.
Fabio: ele resolve tudo
Administrar o campus, principalmente à noite, quando o fluxo
de alunos é maior, com cerca de
15 mil em circulação. Tenho de
coordenar a segurança interna e
externa, resolver problemas nas
portarias, atender emergências
de estudantes, professores e funcionários”, explica.
Imagine você, aluno, sozinho
no elevador parado; ou ainda
EXPEDIENTE - Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Faculdade de Artes e Comunicação da UNISANTA - Diretor da FaAC:
Prof. Humberto Iafullo Challoub - Coordenador de Jornalismo: Prof. Dr. Robson Bastos – Responsáveis: Prof. Dr. Adelto Gonçalves, Prof. Dr.
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neste jornal são de responsabilidade de seus autores. Não representam, portanto, a opinião da instituição mantedora – UNISANTA
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Edição e diagramação: Joana Ribeiro
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
1961.
Este foi o ano em que um sonho virou realidade. Partindo dos
esforços da família Teixeira, foi criado o que hoje é uma referência nacional: o
Complexo Educacional Santa Cecília. Em 50 anos, muita coisa aconteceu.
divulgação/assecom unisanta
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Complexo Santa Cecília,
escola deu início a tudo
Aniversário de 50 anos leva fundadores a relembrarem e destacarem a história do Complexo
Michael Gil
“Iniciamos esta obra, deixando
nela o trabalho de uma vida inteira”. Assim, descreve, emocionada,
a professora Nilza Pirilo Teixeira o
Complexo Educacional Santa Cecília, que em 2011 completa 50 anos
de existência. Ela fala com a credibilidade de alguém que, ao lado do
chanceler Milton Teixeira, ergueu
um dos maiores e mais completos
centros de educação do País. Essa
história começou em 1961, mas em
local e condições diferentes do que
hoje pode ser visto.
Tudo começou no bairro do Macuco, em Santos. No local, mais precisamente a Avenida Conselheiro
Rodrigues Alves, 332, começava a
vida da família Teixeira, no que diz
respeito à dedicação e à educação.
Assumindo um colégio naquele lugar, Milton Teixeira criou a Escola
Santa Cecília.
O espaço era pequeno. Quem o
visse poderia não apostar que aquele local, com apenas quatro professores e alunos, iria, anos mais tarde,
formar milhares de estudantes, em
diversos níveis do ensino. Inclusive,
ali, havia só classes de 1ª a 4ª séries
do ensino primário.
Nilza lembra bem daquele momento, tão especial e marcante em
sua vida. “Em 1961, eu, minha irmã
Emília Maria Pirilo, atual Pró-Reitora de Desenvolvimento da UNISANTA, e o professor Milton Teixeira,
chanceler da Universidade, iniciamos esta obra”. A primeira ação tomada por ela e seus familiares também está viva na mente dela: “Para
lá transportamos nossos livros, o
piano, a vitrola e até a roseira que
ainda hoje perfuma nossas mãos
unidas em um mesmo ideal”.
O trabalho tinha começado. Contudo, evidentemente, iniciar a construção deste complexo não foi fácil.
“Traz recordações dos momentos
bons e também difíceis”, recorda
Nilza. Alguns fatos foram difíceis
mesmo, pois até os filhos do casal
precisaram “colocar a mão na massa”. Afinal, operar o desenvolvimento de um local, tendo em vista atingir o objetivo de formar cidadãos
para o futuro, não é tarefa fácil.
“Fico emocionada ao me lembrar de
meus filhos, Sílvia, Lúcia, Cecília e
Marcelo, desde pequenos ajudando
e participando dia e noite deste trabalho, abdicando de muitas coisas
em benefício do Santa Cecília. Foi
uma época de sacrifícios, mas de
alegria, de ensinamentos, de realizações”. Mas, seguindo em busca do
sonho, logo a família Teixeira realizou uma mudança, iniciando também um jardim da infância no local
— o que, mais tarde, virou o Colégio
Santa Cecília — sob o comando da
professora Marilisa Grottone.
Nos meses seguintes, a escola se
desenvolveu. Com isso, em 1966, o
que já era o Ginásio Santa Cecília
finalmente se mudava para o local
que se tornou tradicional e sinônimo de ensino em Santos: a Rua
Oswaldo Cruz, 266. Antes, no local,
havia um outro colégio: o Monte
Serrat. Aquele foi um dos momentos mais emocionantes para Nilza.
Não poderia ser diferente, já que,
definitivamente, o Complexo Educacional não apenas surgia, mas se
fortalecia. E Nilza lembra bem daqueles dias, logo após a aquisição
do espaço: “A piscina, outrora destinada à formação de talentos, estava
cheia de carteiras quebradas. Deunos uma tristeza!”
Mas, aos poucos, a tristeza foi
dando lugar à alegria e a realização. Isso porque, aos poucos, com
o Colégio já estabelecido na Rua
Oswaldo Cruz, o que tinha começado como uma simples e pequena escola já estava se transformado em
um Complexo Educacional propriamente dito.
E o mais importante, na visão
dos Teixeira: o local não apenas ensinava, mas primava pela excelência no que se propunha a fazer. Seguindo essa linha, dez anos depois
de começar a construção de um
sonho, outro já se tornava realidade. O Ministério da Educação tinha
autorizado ao Instituto Superior de
Educação Santa Cecília, mantenedora do Santa Cecília, a instalação
da primeira faculdade: Engenharia
de Operação. “Ah! A criação do primeiro curso superior de Engenharia, momento de muita emoção. Os
sonhos de jovens trabalhadores em
busca da melhoria profissional encontraram respaldo em nosso empreendimento e, o idealismo dos
notáveis mestres”, relembra com
satisfação Nilza Pirilo Teixeira.
Dali em diante, “com a família
unida, e o envolvimento de dedicados professores e funcionários,
foi lançada a semente do ensino
superior inovador e a excelência
do Complexo Educacional Santa
Cecília”, como Nilza gosta de dizer.
Deste então, o número de cursos de
nível superior foi aumentando, até
chegar aos atuais 31. Além disso, o
Complexo conta com cursos de pós-
graduação, mestrados e tecnológicos. O Santa Cecília também entrou
“de cabeça” na era digital, abrindo
também cursos de Educação a Distância. “Tudo se multiplicou em
novas histórias para uma formação
de qualidade”, comemora a professora.
Há ainda o desenvolvimento esportivo, ligado ao ensino de qualidade. Assim, entendendo que a
educação e o esporte andam juntos,
o Complexo também se tornou referência entre as universidades do
País, tendo competidores com nível
de Jogos Olímpicos. Tudo isso sem
contar o Sistema Santa Cecília de
Comunicação e a criação do Núcleo
de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos NESE — primeiro instituto
de pesquisa criado em Santos —,
ambos criados em 1997.
Mesmo com tudo isso, o trabalho no local continua, e de forma intensa. Afinal, segundo Nilza, não se
pode perder tempo quando o assunto é a melhoria do Brasil. “É muito
complexa a missão das universidades brasileiras, confrontadas com
os grandes desafios que o País enfrenta. Sabemos, professores, alunos, funcionários e dirigentes, que
a realidade brasileira não permite
desperdiçar tempo nem vidas”.
Assim, Nilza e a família Teixeira
seguem com os planos de fazer o
Complexo crescer. Mas não apenas
crescer, porém continuar arriscando, como ela e Milton Teixeira fizeram há 50 anos. “É sempre bom
lembrar, com Drummond de Andrade, que “o desperdício da vida está
no amor que não damos, nas forças
que não usamos e na prudência
egoísta que nada arrisca”, ressalta.
Edição e diagramação: Thaís Cardim
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
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50
ANOS
Uma lição de vida
Biografia do chanceler Milton Teixeira está entrelaçada com a história do Santa Cecília
ASSECOM/UNISANTA
Mariana Aquila
4
O chanceler da UNISANTA, Milton Teixeira, nasceu em Caraguatatuba em 16 de outubro de 1930.
Cresceu ao lado de quatro irmãos
— Nicolau, Euclides, Lourival e
Nélson — que foram criados pelo
pai, Nicolau Francisco Teixeira. A
mãe, Benedicta Rodrigues Teixeira, faleceu quando Milton tinha 5
anos.
Um ano após a perda da mãe,
a família mudou-se para Santos,
fixando moradia perto do Cemitério do Paquetá e do Mercado Municipal, no bairro de Vila Nova. Na
época, as famílias de classe média
moravam na área próxima ao Centro de Santos. A orla da praia era
habitada pelos negociantes do comércio cafeeiro e por ricos fazendeiros, vindos do interior de São
Paulo.
Ao contrário do pai, que torcia
pelo São Paulo Futebol Clube, desde pequeno Milton Teixeira expressava sua admiração pelo Santos Futebol Clube. Houve uma época em
que sua casa ficava a cinco minutos
de caminhada do clube. Isso só facilitava a ida para assistir aos treinos da equipe principal. Em 1976,
1977 e 1983, ele foi vice-presidente do Santos. Já em 1984, quando o
time foi campeão paulista, tornouse presidente (até 1986). No Conselho Deliberativo, ocupou a presidência de 1989 a 1992.
Os passatempos do jovem Milton se resumiam em frequentar as
matinês dos cines São José (Rua
Campos de Melo), Carlos Gomes
(Rua Lucas Fortunato) e Guarany
(na Praça dos Andradas) com os
irmãos. Aos 14 anos, trabalhava
na Tinturaria Francesa entregando
roupas em vários bairros da Cidade
e em São Vicente, indo de bonde,
na época, da Companhia City, que
também cuidava do fornecimento
de luz, gás e água na região. Trabalhou também como vendedor de
balas e chocolates no cinema Campo Grande (Rua Carvalho de Mendonça). Nessa mesma época, Milton se matriculou na Escola de Comércio José Bonifácio (na Avenida
Conselheiro Nébias) para concluir
o curso ginasial.
Casou-se aos 18 anos com Nilza
Maria Pirilo Teixeira e, em 1954,
aos 24 anos, prestou concurso público para trabalhar no Banco do
Brasil. Foi aprovado e nomeado
para trabalhar na Agência Centro,
em São Paulo. Mudou-se para lá
com a mulher e com a primeira filha, Sílvia Ângela Teixeira. Como o
salário não passava muito do valor
do aluguel, Milton chegou a trabalhar no jornal O Estado de S. Paulo e
em um escritório de contabilidade
para aumentar a renda.
Naquele mesmo ano, nasceu a
segunda filha, Lúcia Maria Teixeira. Na sequência, Milton conseguiu
voltar para Santos, a partir de uma
troca com um funcionário do banco que queria ir para São Paulo.
No livro autobiográfico Uma lição
de vida, ele diz que o nascimento de Lúcia Maria “foi abençoado
por Deus e pelos anjos, porque
nos trouxe muitas alegrias! E sorte
também, a começar pela alteração
de emprego”.
Aos 25 anos, juntamente com o
lton Teixeira,
Graças à perseverança do chanceler Mi cação
edu
a antiga escola virou hoje referência na
amigo Daniel de Castro, organizou
o Cursinho Brasil, com a finalidade de preparar candidatos para o
Banco do Brasil, Alfândega de Santos e outras repartições públicas.
O cursinho funcionava na Avenida
Conselheiro Nébias, 142. Os amigos também participavam da Revista AABB , da Associação Atlética
do Banco do Brasil. Além dessas
atividades, Milton fazia parte do
time de basquete do Clube Atlético
Santista.
Dois anos depois, nascia mais
uma filha: Maria Cecília Teixeira.
Desde garoto, sempre quis estudar Direito. Com o incentivo do
irmão Nicolau, após finalizar o
curso secundário (diplomado pelo
Instituto Municipal de Comércio
de Santos), prestou a prova e ingressou na Faculdade de Direito
de Santos, pertencendo à segunda
turma.
Obras
Também decidiu se inscrever
no concurso para Agente Fiscal de
Tributos Federais, onde concorreu
com 35 mil candidatos para preencher 800 vagas e passou. Foi nomeado para assumir o cargo na Alfândega de Itajaí, Santa Catarina. “Preparei-me noite e dia, com afinco,
para o novo compromisso e, para
minha alegria e de todos os meus
familiares, fui aprovado e nomeado
para assumir o importante cargo”.
Meses depois, a diretoria das
Rendas Aduaneiras o transferiu
para a Alfândega de Santos. Mais
uma vez, um desejo realizado. De
voltar para a cidade tão amada.
Nessa mesma época, começou a se
interessar pelo magistério. “Não
tínhamos horário definido para o
exercício das tarefas (na Alfândega). Trabalhávamos de manhã, de
tarde e de noite! Assim, quando encerrava minhas funções mais cedo,
Ao longo de sua vida, Milton Teixeira elaborou 12 obras, abordando
diversas temáticas. São elas:
- Matemática Comercial para Concursos do Banco do Brasil S.A. e
D.A.S.P. (Editora Melhoramentos) – 1955
- Imagens Acadêmicas (Editora Reis, Cardoso, Botelho S.A.), 1958.
- Os homens apontaram o veredicto... e Deus? (Editora Reis, Cardoso,
Botelho S.A.) - 1960
- Confissões de um Advogado (Massao Ohno Editora S.A.) - 1963
- Ribeiro Couto, ainda Ausente (proporcionou o Prêmio Joaquim
Nabuco, da Academia Brasileira de Letras) (Editora do Escritor, SP)
– 1982
- Um Passado Inesquecível (Gráfica A Tribuna) - 1984
- Lembranças da Casa Amarela (Editora da UNICEB) - 1989
- Benedicto Calixto - Imortalidade (Editora da UNICEB) – 1992
- Ribeiro Couto, 30 anos de Saudade , em parceria com o Embaixador
Vasco Mariz (Editora da UNICEB) – 1994.
- Universidade Santa Cecília, uma Lição de Vida (Editora
UNISANTA) - 2001
- A Máquina do Tempo, o inexorável da vida (Editora
UNISANTA) - 2002.
- A Máquina do Tempo, o inexorável da vida, vol. 2 (Editora
UNISANTA) - 2003.
Fonte para o texto: Universidade Santa Cecília, uma Lição de Vida
Edição e diagramação: Danilo Netto
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
vinha para a Escola Santa Cecília,
que começava seu crescimento”.
Com o desejo de ampliar a escola
com espaço e cursos, Milton Teixeira colocou um anúncio no jornal
solicitando um sócio. Entre vários
interessados, acabou simpatizando
com o professor Mietek Marczak.
As tarefas escolares eram divididas nos três turnos: de manhã,
ficava sob responsabilidade de
Milton; de tarde, enquanto ele ia
para a Alfândega, a cunhada Emília assumia a direção. À noite, Marczak era quem cuidava de tudo.
“Entusiasmado, percebia que nem
a advocacia nem o Serviço Público
me preenchiam tanto quanto magistério. Assim sendo, deixei o importante e rendoso cargo na Alfândega de Santos, fato que me levou
a receber críticas de todos que me
rodeavam!”.
No ano de 1961, Milton Teixeira
assumiu de fato a direção da Escola Santa Cecília, na época à Avenida Rodrigues Alves, 332. “Era
ainda modesta escola primária,
que oferecia apenas o Ensino Fundamental, mantendo apenas quatro professores”. No mesmo ano,
Milton foi eleito presidente da Liga
Santista de Voleibol.
Em 1964, nasce o primeiro filho
homem, Marcelo Pirilo Teixeira,
três anos após a fundação da escola primária.
Em 1966, o Ginásio Santa Cecília foi transferido para a Rua Luiz
de Camões, 224, já em prédio próprio, adquirido por Marczak e Luiz
Fumis, que se ligou à sociedade .
Em 1969, a família Teixeira
adquiriu o prédio do antigo Colégio Monte Serrat, à Rua Oswaldo
Cruz, 266. “Perto do Santo Natal
de 1969, precisamente em 17 de
dezembro, nossa família adquiriu
do professor Rubens Young, o antigo e tradicional Colégio Monte
Serrat. Iniciou-se, então, a expansão do atual Colégio Santa Cecília,
transformando-se no que é hoje,
um imenso e respeitável complexo
educacional, mantendo a excelência do ensino da pesquisa, a preocupação com a educação integral,
a cidadania, o espírito empreendedor e a prestação de serviços à
comunidade”.
Com a mudança para a Rua
Oswaldo Cruz, e de comum acordo, a família do professor Marczak
ficou com a escola da Rua Luiz de
Camões e desfez a sociedade. (anteriormente, Fumis havia vendido
sua parte aos dois)
Em 1971, o Ministério da Educação autorizou ao Instituto Superior de Educação Santa Cecília, a
instalação de sua primeiro curso
superior da área tecnológica da
região, com o nome de Engenharia
Operacional.
Desde então, o complexo foi
crescendo, com novos cursos superiores e cada vez mais alunos de
todas as regiões do País.
Milton Teixeira também é pai de
Milton Teixeira Filho (12 de julho
de 1981), Mohamad Teixeira (1 de
novembro de 1982) e Munir Teixeira (15 de abril de 1985), filhos
do segundo casamento com Ahmadi Teixeira.
1960,
No final da década de
foi comprado o Colégio Monte Serrat, situado
na Rua Oswaldo Cruz, 266. O Colégio Santa Cecília foi transferido para aquele local.
Mais tarde, foi criado o primeiro curso de nível superior.
Robô inteligente
pode até salvar vidas
Baseado no sistema de Lógica Paraconsistente, o Emmy é programado para trabalhar em ambientes insalubres ou nocivos ao ser humano
Rafael Cicconi
“Este é um pequeno passo para o
homem, mas um grande passo para
a humanidade”. A frase de Neil Armstrong ao pisar pela primeira vez
na Lua em 1969 pode ser clichê
para dizer que, apesar de sua importância, pequenas (ou grandes)
descobertas podem e fazem toda
diferença para a humanidade. Indo
ao encontro a esse parâmetro está o
projeto de Lógica Paraconsistente,
desenvolvido nos laboratórios de
Engenharia da Universidade Santa
Cecília (UNISANTA)
Diferenciando-se do sistema clássico de lógica binária, utilizada em sistemas digitais que são utilizados em
computadores (numerais 0 e 1 para
programação), a Lógica Paraconsis-
tente pode ser aplicada com mais eficiência que a normal, pois tem a possibilidade de suportar a ambiguidade
nos sinais dos algoritmos.
Trocando para uma linguagem
de melhor entendimento, o sistema
de Lógica Paraconsistente pode ser
utilizado em robôs que realizam trabalhos em ambientes insalubres ou
nocivos para o ser humano, trabalhos de profundidade marítima, em
ambientes estressantes e, até mesmo, em missões espaciais.
Segundo o professor João Inácio
da Silva Filho, responsável pelo
projeto na UNISANTA, a Lógica Paraconsistente desenvolvida pela
Universidade se diferencia, pois
“contribui com uma nova forma
de criar sistemas inteligentes para
o controle e a tomada de decisões
na robótica”.
Um exemplo disso são os robôs
que, cada vez mais, apresentam
comportamentos humanos e ajudam no desenvolvimento da ciência
em favor de uma sociedade. “Quanto
mais próximo o robô apresentar um
comportamento similar ao do ser
humano, mais útil ele será para a sociedade”, conta o professor.
O diferencial do projeto desenvolvido pelos alunos da UNISANTA é a
originalidade. Criado em 2000 por
alunos da casa e pelo professor Inácio, o Emmy foi o primeiro projeto
que utilizava a Lógica Paraconsistente em robótica.
“O robô consegue percorrer caminhos desviando-se dos obstáculos à
sua frente. Ele se move autonomamente, procurando os espaços livres
para poder transitar”, explica o professor da Faculdade de Engenharia
da Computação.
Além de o projeto ser aplicado
na Faculdade, o histórico da Lógica
Paraconsistente ajudou os alunos,
depois de formados, a arrumar empregos devido ao projeto.
”Muitos já trabalharam e desenvolveram projetos aplicando a Lógica Paraconsistente em Robótica”,
diz o professor, acrescentando que
as pesquisas são desenvolvidas na
forma de iniciação científica e submissão de artigos em congresso. “Os
alunos participam de um grupo de
pesquisadores que tem vínculo com
o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) e é baseado na UNISANTA”,
explica.
Um projeto que funciona há 16
edições é, com certeza, um sucesso.
Assim pode ser definido o Intercâmbio Toulouse, realizado pela UNISANTA com os alunos de Engenharia.
Com o objetivo de ensinar a micro e
nanotecnologia aos alunos da Universidade, o projeto leva os alunos
a uma das principais instituições do
ramo no mundo, o Atelier Interuniversitaire de Micro-nano-Electronique, em Toulouse, na França, para um
curso de uma semana de duração.
Segundo o idealizador do projeto, o professor de Engenharia Djalmir Correa Mendes, a oportunidade
de ir a um dos principais centros de
micronano tecnologia do mundo é
única e fundamental para a formação do estudante. “Na América Latina, somente a UNISANTA dá esta
oportunidade ao aluno”, comenta
O curso é pago pela UNISANTA.
O aluno só tem que custear a passagem e as despesas no local. Participante da turma que foi à França
em 2011, Omayra Silva orgulha-se
de ter participado do Intercâmbio
Toulouse. “O curso tem conteúdo
ótimo, que dá uma perspectiva para
o futuro num mercado em franca expansão”, destaca.
Omayra foi a primeira colocada
na seleção pela qual os alunos passam para ir à França. De acordo com
o professor Mendes, todos os anos
os alunos interessados em participar do Intercâmbio Toulouse se
inscrevem na UNISANTA e passam
por um processo seletivo. “As aulas
acontecem em um horário que não
coincide com o das aulas da grade.
Os alunos passam por um curso e
depois por uma prova no fim do semestre. Desses, apenas 15 fazem o
curso na França”.
O diferencial do curso é que as aulas começam já no Brasil. A conclusão
do curso é na França com a fabricação dos ensinamentos em microeletrônica aplicados em sala de aula.
Apesar de ser um mercado em
expansão, alunos que participa-
ram das outras edições já possuem
empregos na área desenvolvida no
curso. “No Brasil ainda não há uma
área de trabalho em micronano
tecnologia. Os nossos alunos usam
o conteúdo do curso em possíveis
mestrados e pesquisas de ensino
e, em alguns casos, temos doutores
formados atuando no exterior”, comenta Mendes.
Agora, Omayra espera por novas
perspectivas no mercado de trabalho. “Apesar de ser uma área mais
voltada para a Engenharia Elétrica,
tenho uma especialização em outra área e uma bagagem diferencial
para o mercado de trabalho”, conclui
a estudante. (RC)
Intercâmbio Toulouse: formação única para alunos
Escritório modelo desenvolve projetos para entidades assistenciais
TábaTa Tuany
Glenda Poletto
Estudantes de Arquitetura e Engenharia Civil podem estagiar no
Escritório Modelo da UNISANTA,
que elabora projetos para entidades
assistenciais e pessoas carentes. O
escritório trabalha com projetos arquitetônicos e de estruturas metálicas, de madeira e de concreto.
A equipe de alunos é coordenada por dois professores, o arquiteto
Edson Fernandes e o engenheiro Pedro Manuel Mascarenhas Menezes,
o Marcão.
Marcão, mestre em Engenharia
Civil pela Universidade de São Paulo,
explica que os projetos são desenvolvidos mediante indicação de quem já
conhece o trabalho do escritório.
Já foram realizados cerca de 200
projetos desde a fundação do escritório, há 15 anos. “Já fizemos trabalhos
para creches, entidades como a Gota
de Leite, Núcleo de Assistência a Portadores de Necessidades Especiais,
Ação de Recuperação Social, Fundação Albert Schweitzer e inúmeras
pessoas físicas carentes. Atualmente, atendemos a Prefeitura de Santos
em um projeto para a Associação dos
Cortiços do Centro”, revela.
O escritório foi implantado em
1994, como forma de dar um sentido prático à aprendizagem dos alunos. A partir de 2003, agregou-se ao
curso de Arquitetura e Urbanismo,
benemerentes já foram elaborados
Cer ca de 200 projetos para entidades Engenharia Civil
ra e
pelo Escritório Modelo de Arquitetu
que já vinha realizando alguns trabalhos em conjunto.
A proposta do Escritório Modelo é a de envolver uma participação
expressiva dos estudantes na execução de projetos de cunho social. “Os
objetivos básicos são os de trazer
experiência para os alunos e auxiliar
entidades sem recursos para pagar
pelo projeto”, complementa Marcão.
O escritório está aberto a todos os
alunos de Engenharia interessados
em cálculo estrutural e que tenham
cursado as seguintes disciplinas: Re-
sistência dos Materiais, Estática das
Estruturas e Concreto Armado.
Para estagiar, os estudantes interessados devem procurar a arquiteta
Ana Paula ou então o professor Marcão na sala 519, do Bloco M, das 8 às
12 horas, de segunda a sexta-feira.
Edição e diagramação: Michael Gil
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
5
50
ANOS
Mini-refinaria de petróleo reproduz
processo de refinação
Segundo o professor Deovaldo de Novaes Junior, o equipamento permite a compreensão do processo por meio de visualização
Julia Magalhães
A Baixada Santista é referência
no que diz respeito à exploração da
camada do pré-sal e, consequentemente, à extração do petróleo e do
gás natural. Para atender à crescente demanda de mão de obra para a
expansão do Porto, muitos alunos
se matricularam no curso de Engenharia de Petróleo e Gás da UNISANTA, que formará a sua primeira
turma em 2013.
Com tantos investimentos destinados à Baía de Santos, empresas
formaram parcerias com a Universidade. Dentre elas, a Petrobras, o
que resultou na construção de uma
minirrefinaria de petróleo que funciona no campus há quatro anos.
O equipamento é um recurso pedagógico que mostra o processo de
refino do petróleo. Segundo o professor Deovaldo de Moraes Júnior,
o equipamento permite a compre-
ensão do processo por meio de visualização. “A minirrefinaria é mais
demonstrativa”, diz.
Deovaldo dá aulas de Engenharia Química na Universidade. Ele
explica que esses refinados são
destilados e servem de matérias
primas, gerando produtos como o
plástico e a gasolina, para indústrias. “Já na bancada de experimentos de Engenharia do Petróleo, os
alunos aprendem a utilizar equipamentos que simulam cálculos,
semelhantes aos equipamentos industriais. Isso é um ensaio em menor escala, evitando, assim, o risco
Carina SeleS
no campus da
Petrobras construiu mini-refinaria que funciona
UNISANTA há quatro anos
Três novos cursos no
Ensino a Distância
Unisanta projeta máquina de
secagem por otimização
Soraya Santos
qualquer tipo de alimento melhorando o valor nutricional. Além disso,
tem um baixo teor de açúcar e ajuda
a prevenir câncer de colo do útero,
doenças cardiovasculares e problemas intestinais.
A pesquisa teve início em 2006
quando foi criada uma máquina pequena. Há seis meses, após ter sido
contratada pela empresa, a equipe
da UNISANTA projetou e desenvolveu um equipamento maior. De
acordo com o engenheiro, somente
é possível comprar uma máquina
de spray dryer fora do País e o custo
gira em torno R$ 150 mil. “No Brasil, existem outras empresas que
têm as máquinas, mas que foram
importadas da Suíça e Alemanha. A
Universidade Santa Cecília é, possivelmente, a única que projeta esse
tipo de máquina no País. Pode até
existir outro local que desenvolva
esse trabalho, mas nunca ouvi falar”,
ressalta Moraes.
Para o docente, com esse equipamento, a UNISANTA atende ao tripé
universitário que é o ensino, a pesquisa e extensão.
Atualmente, Moraes e seus alunos realizam estudos para aperfeiçoar a máquina e diminuir o gasto
de energia. “Trabalho há 12 anos na
UNISANTA e posso dizer que esse
é um dos projetos mais importantes que realizei aqui”, conclui.
6
Com o spray dryer é possível fazer secagem
de bananas, detergente, sucos e leite
Edição e diagramação: Gabriel Martins
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
TábaTa Tuany
Professores e alunos do curso de
Engenharia Química da Universidade
Santa Cecília projetaram um equipamento de spray dryer, que é uma maquina de secagem por atomização,
para uma empresa alimentícia que
exporta derivados da banana.
O engenheiro químico e coordenador do laboratório de Química,
Deovaldo de Moraes Júnior, explica
que o funcionamento da máquina
simples. Por meio de um processo
rápido, produtos sólidos ou líquidos
são pulverizados dentro de um recipiente, onde há uma corrente de ar
quente. O fluido pulverizado é atomizado em milhões de microgotas e
após a secagem com o ar quente se
transformam-se pó. “No spray dryer
o produto torna-se mais nobre, por
conta da qualidade adquirida. Se a
secagem fosse numa estufa não sairiam grãos tão perfeitos”, revela.
Com o spray dryer é possível fazer
a secagem de banana, detergente,
sucos e leite. O objetivo da Vale Mais
Indústria, Comércio e Exportação de
Derivados de Banana, empresa que
contratou a UNISANTA para projetar
o equipamento, é o de transformar a
banana verde em pó, já que a fruta é
rica em fibras, vitaminas e sais minerais e depois de passar pelo processo
de secagem, pode ser misturada a
maior de erro quando o aluno estiver trabalhando com equipamentos industriais maiores”, explica.
No curso, os alunos também
aprendem a operar os equipamentos do laboratório que são os seguintes e com as respectivas funções: a coluna de destilação, que
transporta fluidos líquidos (como
o petróleo) por meio de bombeamento, e transporta gases por
meio de compressão; o trocador de
calor, utilizado para resfriar esses
fluidos; o transportador de sólidos
(coque), que utiliza o que sobra do
petróleo refinado e transforma em
pedra; e, por fim, os reatores químicos, que transformam produtos
em plástico.
Com todo esse treino, o professor acredita na boa preparação
dos estudantes para enfrentarem
o mercado de trabalho, que demanda cada vez mais profissionais
qualificados.
Mariana Aquila
A UNISANTA irá oferecer três
novos cursos em nível de Educação à Distância (EAD), a partir de
2012. Serão os cursos de graduação nas áreas de Processos Gerenciais, Segurança Pública e Licenciatura em Matemática.
“A UNISANTA cumpre com as
exigências do mercado de trabalho.
Muitas vezes, cursos que não estavam em vista começaram a fazer
parte da grade, por exemplo, os de
Engenharia de Petróleo, em decorrência do crescimento da área na
nossa região”, afirmou a pró-reitora
acadêmica da Universidade, Zuleika de Almeida Senger Gonçalves.
Pedagoga e após ter lecionado por
volta de 30 anos, hoje ela administra os cursos do Instituto Superior
de Educação Santa Cecília (Isesc).
“Existe um Plano Plurianual,
que possui a missão, o objetivo
institucional e proposta pedagógica. Ali são expostas as ideias de
novos cursos e planejamentos”,
explicou. Atualmente, UNISANTA
possui cursos em todas as áreas.
São elas: Ciências Biológicas e
Saúde, Ciências Exatas e da Terra,
Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Humanas e Sociais e Engenharias de Tecnologia.
Aproximadamente, dois mil alunos se formam todo ano e, em todo o
complexo educacional, o número de
professores beira os 700. “Cada vez
mais estamos recebendo um grande
número de alunos interessados na
UNISANTA. A infraestrutura física
está em ampliação para poder atender a todos”, afirmou.
EAD www.unisanta.br/ced
Graduação (3): Matemática – Licenciatura, Processos Gerenciais e Segurança Pública
Pós Graduação (13): Ciências Biológicas, Educação Ambiental, Educação Matemática, Educação Especial e Inclusiva, Gestão
e Docência na Educação Básica, Gestão e Docência na Educação
a Distância, História, Tanatalogia, Multiprofissional em Cuidados Paliativos, Língua Portuguesa, Ludopegagogia, Psicopedagogia e Supervisão Escolar.
Aperfeiçoamento (4): Multiprofissinal em Cuidados Paliativos, Tanatologia, Lúdico na Educação e Saberes da Prática Docente.
Extensão (20): Tanatologia, Multiprofissinal em Cuidados
Paliativos, Recursos Midiáticos para o Ensino, Práticas de Ensinagem, Recreação em todas as idades, Produção e Redação
Científica, Práticas de Avaliação de Aprendizagem, Ludoeducação, Didática e Interdisciplinaridade, Ludicidade e Corporeidade, Lúdico na era digital, Dificuldades de Aprendizagem, Fundamentos da Neuropsicologia, Educação Especial e Inclusão,
Fundamentos de Psicomutriciade, Indisciplina Escolar, Literatura Infantojuvenil, Hipertextos e Gêneros Digitais, Finanças
Corporativas e Tráfico de Pessoas.
Depois
de se tornar um complexo com alunos em todos os níveis de ensino,
era hora de aumentar as opções aos moradores da região. Para isso, cursos técnicos
também foram abertos.
Paixão pela educação
Silvia Ângela Teixeira Penteado começou sua trajetória na educação ajudando a família no Colégio Santa Cecília. Após 50 anos
da fundação da escola primária, a reitora da UNISANTA se emociona ao lembrar da casa onde tudo começou e revela que a paixão
da família Teixeira pela educação já deixa seus frutos: a nova geração está dando continuidade ao trabalho
Primeira Impressão - Como reitora da UNISANTA e com um doutorado na área, qual a importância da valorização da educação
em nosso País?
Silvia Ângela Teixeira Penteado
— Acredito que a educação é uma
mola propulsora para o desenvolvimento de qualquer país. Nós podemos ver o exemplo da China, Coreia
e de tantos países emergentes que
conseguiram, através da educação,
dimensionar a questão de desigualdade social e tantos outros entraves
ao desenvolvimento humano. Creio
que quanto mais o País tiver conseguido escolarizar crianças, jovens,
mais nós teremos condições de estarmos caminhando com autonomia.
Apesar de o Brasil ter universalizado a escolarização até os nove anos
de ensino fundamental, há um grande
número de jovens que não concluem o
segundo grau e isso, de alguma forma,
afunila a pirâmide em torno daquilo
que se deseja de formação para o Ensino Superior. Vejo o Brasil como um
país emergente que está buscando
seus horizontes e, mais do que isso,
vejo a nossa região atrelada a múltiplas fontes de crescimento econômico
como é o caso do pré-sal, do petróleo.
Meu grande sonho é que todas essas
fontes propulsoras do crescimento
econômico tragam também o desenvolvimento social.
PI — Devido à falha que existe
na educação básica, alguns alunos
chegam às universidades apresentando dificuldades na aprendizagem. Como auxiliar esse aluno para que, por esse motivo, ele
não desista dessa formação?
Silvia — Isso é possível, com esses dois esforços: da instituição, que
disponibiliza, além de professores
apaixonados pela educação, laboratórios, bibliotecas, salas, e a vontade
do aluno, junto ao apoio da família.
Na verdade, esse é o grande gargalo no ensino superior. Acredito que
a escolaridade nem sempre acompanha aquela prontidão que o aluno
precisa ter em termos de conhecimentos, habilidades e maturidade
para o estudo. Há todo esse preparo
dos professores que trabalham com
os anos iniciais para dotar o aluno
destes conhecimentos necessários
e estimulá-lo porque sabemos que
eles têm como vencer.
PI — Ter sido aluna de Paulo
Freire lhe inspirou, de alguma
forma, em relação à inclusão educacional, incentivando os alunos
a continuar seus estudos, enfrentando essas dificuldades?
Silvia — Sem dúvida! Tanto no
mestrado quanto no doutorado, trabalhamos com a questão da participação na Universidade. Isso a gente
aprendeu um pouco na trajetória de
Paulo Freire. Toda a metodologia
dele, desde a alfabetização, como
ele instrumentalizava a questão da
escrita no ensino, como achava importante a politização do educador,
que tinha que ser alguém engajado
com a causa da educação, um amante da educação.
PI — Como a universidade in-
mariana beda
Thaís Cardim
centro de
Silvia: Universidade vai investir em
alho
trab
educação e qualidade de vida no
veste na formação de novos docentes?
Silvia — Qualquer profissão necessita de atualização, hoje, notadamente, a do educador, mais do que todas,
porque ele forma todas as outras
profissões. Além de estar instrumentalizado para educar, com metodologias e técnicas sempre inovadoras,
ele tem que ter uma compreensão
do seu conteúdo teórico, das suas
práticas, crescente, e tem que estar
aprendendo constantemente, em
rede, com seus próprios alunos. A
UNISANTA tem todo um critério de
seleção do seu corpo docente e há,
ao longo do acompanhamento desse
docente, diversas oportunidades de
capacitação, porque entendemos a
necessidade de formação continuada
como uma grande mola do êxito da
aprendizagem.
Acredito que há algumas áreas em
que esse processo de humanização
do professor precisa ser mais aprimorado e isso está acontecendo. Os
professores das matérias do ensino
tecnológico trocam ideias com professores de outras disciplinas, como
do curso de Pedagogia, e a partir daí,
se forma essa cadeia onde há diversas experiências que podem estar
enriquecendo a formação do professor. Também há o incentivo para
que o professor faça cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado,
além de oferecermos bolsas de estudo, incentivando esses projetos e
valorizando a carreira. Isso faz com
que os professores tenham essa paixão de estar constantemente vendo
e revendo sua formação.
PI — Hoje a UNISANTA é uma
das maiores universidades da região. Qual o papel social da universidade?
Silvia — O principal compromisso
da Universidade é a geração de conhecimento, ensino, pesquisa e a extensão desses conhecimentos, gerados dentro da universidade, a toda a
comunidade que nos rodeia. Hoje, a
UNISANTA não está limitada a suas
paredes: está atrelada ao mundo.
Este compromisso se quantifica na
formação de profissionais nas mais
diversas áreas do conhecimento e,
mais do que isso, a universidade
tem um compromisso social através
de diversas ações. Muitas delas são
referências na área da saúde, atendimento jurídico, nos diversos laboratórios onde prestamos serviços e
consultorias, na área de engenharia,
arquitetura, desenvolvimento artístico. Sem sombra de dúvida, sem a
participação da UNISANTA, nós não
teríamos na região essa excelência
nos diversos serviços com os quais
estamos envolvidos.
PI — A partir deste ano, a UNISANTA inicia cursos de mestrado
nas áreas que mais crescem dentro da Universidade (Biologia e
Engenharia). O que a senhora
pode falar sobre esse novo desafio?
Silvia — A entrada nos programas de mestrado foi uma coisa
crescente, tendo em vista todas as
linhas de pesquisa que já estavam
instituídas. Anteriormente, nós já
tínhamos mestrados com outras
instituições no Brasil, como as
universidades de Uberlândia, de
Campinas, de São Paulo e também
mestrados institucionais fora do
País, até mesmo doutorado, credenciado pela Unesco dentro da
área de Ecologia, que possibilita o
intercâmbio de professores e alunos para universidades espanholas e outras na Europa. Da mesma
forma, em nossos laboratórios, recebemos pesquisadores para trabalhos conjuntos de pesquisas, publicações. Acho que são as alianças
que foram se criando ao longo dessa história que possibilitaram todo
esse amadurecimento do ensino e
da pesquisa rumo a esses mestrados da UNISANTA.
PI — A Educação a distância
(EAD) é uma modalidade de ensino que tem crescido bastante.
Há planos de a UNISANTA investir
ainda mais em EAD?
Silvia — Nós temos utilizado
EAD no ensino presencial e vamos
utilizar também em diversas ligações com a região. Estamos capacitando guardas municipais em
jornadas de ensino presencial e a
distancia. Há cursos de graduação
e pós na modalidade. Nós queremos crescer muito mais em atendimento ao mercado e ao mundo
corporativo. Atingir muitas vezes
empresas cujos funcionários dispõem de pouco tempo para poder
frequentar presencialmente os
bancos acadêmicos. Com muita
avaliação e muito acompanhamento, expandir para as plataformas de petróleo, também fora
da nossa região, onde há dificuldades de locomoção. Há interesse em estar ramificando, sempre
com muita avaliação, comprometimento e com a mesma qualidade
que foi, ao longo desses 50 anos, o
ensino presencial.
PI — Existe projeto de novos
cursos para o próximo ano?
Silvia — A UNISANTA tem acompanhado as demandas do mundo
produtivo. Há diversos cursos na
área de pós-graduação que estão
sendo planejados em áreas em que
já existe essa excelência da Universidade como nas áreas de Educação,
Engenharia, Direito, Comunicação
e Saúde. Há esse interesse de estar, cada vez mais, engrandecendo
essas áreas. Na graduação também
queremos organizar polos de centro
de formação continuada, para fazer
com que os alunos já formados possam voltar à instituição, não só em
programas de pós, mas em jornadas
de excelência, às vezes com curta
duração, fazendo com que entendam essa necessidade de formação.
PI — Há outras iniciativas em
andamento?
Silvia — Anuncio, em primeira
mão, que a Universidade está investindo em um centro de educação e
qualidade de vida no trabalho. Dirigido aos seus colaboradores, esse
centro vai reunir algumas experiências exitosas que a Universidade
mantém. São investimentos feitos
para a formação continuada nos diversos segmentos, administrativos
ou acadêmicos, com incentivos a
programas de formação na graduação, pós-graduação e programas
conectados ao mundo corporativo,
como o Sebrae no campus, em andamento. Queremos fazer com que
esses programas possam ser estendidos, fazendo com que empresas
usem a Universidade como veículo de qualificação e fazer com que
os nossos funcionários utilizem
essas empresas para uma dupla
mão de qualificação.
PI — Aos 15 anos, a senhora começou a trabalhar no Colégio Santa Cecília e, hoje, vê o crescimento da semente plantada naquela
casa amarela. O que é a UNISANTA
para senhora?
Silvia — É emocionante constatar que uma pequena casa que servia para 26 alunos, atrelada já ao
atendimento de filhos de portuários de uma região que era carente,
pode se aflorar, se abrir em tantos
outros compromissos, sem esquecer o compromisso original que é
a ligação com a sua região. Eu vejo,
hoje ,que as novas gerações da minha família também têm esse compromisso, ao lado de colaboradores
muito dedicados, sem os quais nós
não teríamos concluído tantas metas audaciosas e outras tantas que
estão por vir. Eu acho que nós tivemos a felicidade de ter reunido e
também formado muitos colaboradores que vivenciam a mesma vontade de crescer e de se tornar uma
instituição-cidadã. Infelizmente, a
nossa volta, muitas outras instituições têm fenecido, têm se afastado
dos seus objetivos iniciais. Então,
queira Deus que tenhamos força e
visão para os cenários futuros, para
interpretar tantas expectativas, anseios que estão por vir, reunindo
as antigas e, ao mesmo tempo, reunindo as inovações, tecnológicas,
sociais, fazendo com que, principalmente essas inovações sociais,
possam originar uma região e um
país com mais igualdade, fraternidade e amor. Essa, enfim, é a saga
da educação.
Edição e diagramação: Joana Ribeiro
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
7
50
ANOS
Azusc é o único na região
Inaugurado em 2003, Acervo Zoológico desenvolve pesquisas e é aberto
a alunos de várias áreas do conhecimento
Luiz Felipe Lima
OAcervoZoológicodaUNISANTA
(Azusc)écompostoporváriossetoresdedicadosàpesquisaeextensão.
“Assim como um museu científico e
didático, o acervo, único do gênero
cientifico no litoral paulista, reúne
coleções de vários grupos de animais como peixes ósseos e cartilaginososmarinhoseestuarinos,aves
marinhas, crustáceos, tartarugas,
conchas, crânios, insetos, esqueletos de corais, fósseis e mamíferos
marinhos. Possui 17,8 mil exemplares, alguns inéditos em outras
instituiçõesdeensinosuperior”,diz
Matheus Marcos Rotundo, curador
doacervo.
Segundoele,oenfoqueprincipal
éacoleçãodepeixesmarinhoseestuarinosqueestácadastradanoSistema Brasileiro de Informações sobreaBiodiversidadedePeixeseno
Banco de Dados Interinstitucional
de Biodiversidade de Peixes na Região Neotropical, em conjunto com
osdadosdasprincipaiscoleçõesde
peixesdasaméricasdoNorte,CentraledoSuleEuropa.
O setor também tem o enfoque
nosgruposzoológicosquehabitam
aregiãodacostadaMataAtlântica,
dentrodaBaixadaSantista.Recentemente, o departamento iniciou
umanovafasedeorganizaçãopeda-
Thaís cardim
alguns inéditos entr
O acer vo possui 17.800 exemplares,
existentes em universidades brasileiras
e os
gógicapormeiodeanimaistaxidermizados,alémdainclusãodepeixes
dulcícolasnacoleção.
O laboratório ajuda os estudantesemdiversostiposdepesquisas.
Alémdisso,oespaçoéabertoaalunos de diversas áreas do conhecimento, como Biologia Marinha, Informática,Pedagogia,Arteseoutras,
e também preserva o testemunho
de estudos científicos que envolvem
váriosanimaisdaregião.
OAzusctemregistrado,desdea
sua inauguração em 2003, mais de
dezmilvisitasdedocentesealunos
dediversosníveisdeensino.Muitos
pesquisadores das mais diversas
áreasvêmauxiliandonadivulgação
de projetos científicos realizados no
LaboratóriodePesquisasBiológicas
dopróprioAzuscnoBrasileempaísescomoEUA,Chile,Peru,Espanha,
Portugal,Equadoreoutros.
Atualmente, são desenvolvidos
mais de nove projetos, entre eles o
Projeto Canais de Santos, Projeto
Ilha dos Guarás, Projeto Pró-Pesca
Peixe-Lagarto (aspectos da anatomiasdasraiasdaordembatoidea)e
muitosoutros.
desodorante, xampus e sabonetes,
além de materiais como filtro de arcondicionado e brinquedos. “Já havia a desconfiança dos efeitos biológicos de diferentes fármacos, como
antiflamatórios, antidepressivos e
também dos bactericidas no meio
ambiente,mascomoessescompostos se apresentam em baixas concentrações era difícil estudá-los. O
avanço da Química Analítica possibilitou a identificação e a quantificaçãodessescompostosno ambiente
aquático”, afirma.
Cortez explica como os contaminantes chegam ao meio ambiente:
“A maior parte dos fármacos utilizadosparatratarenfermidadessão
eliminados pelas excretas, porém
de50a90%delesnãosãometabolizadospeloorganismoevãoparar
noambienteaquáticopormeiodos
efluentes de estação de esgoto”.
Osfármacostambémsãoobjetos
de estudo de dois alunos da Universidade, orientados pelo professorCamiloDiasSeabraPereira,que
foramcontempladosrecentemente
com bolsas de iniciação científica
daFundaçãodeAmparoàPesquisa
doEstadodeSãoPaulo.
ObiólogoFernandoSanziCortez
destaca a importância de analisar
osefeitosdessetipodecontaminante no ambiente aquático: “Muitos
animaismarinhossãorecursosalimentareseacabambioacumulando
oscompostosnosseustecidos.Assim, o homem pode consumir sem
saber um alimento contaminado
por esses compostos. Além disso,
o contato primário com a água ou
areia contaminado também coloca
emriscoasaúdehumana”.
nantesquímicosparaosorganismos
aquáticos. O Laboratório Professor
CaetanoBellibonifazensaiosdetoxicidadeaquática—osprocedimentos
biológicos fornecedores de informaçõessobreosefeitos,porexemplo,de
um efluente industrial. Pode-se caracterizar os efluentes como produtos
líquidosougasososproduzidospelas
indústriasouaindaprovenientesdos
esgotosdomésticos,quesãolançados
nomeioambiente.
Osensaioslaboratoriaissãofundamentaisparamedirograudepoluiçãodeumambiente.Comorganismos
testes,ospesquisadoresanalisam,por
exemplo, o quanto é tóxico um efluente de uma indústria que está sendo
lançadonorio.
Os organismos testes possuem uma
sensibilidade adequada para detectar
os níveis de poluição. São realizados
testesparaavaliaroefeitoagudopara
Daphniasimilis,ummicrocrustáceode
águadoce,popularmentechamadode
pulgad’água.Osresultadosvãoapontar
ospossíveisníveisdemortalidadedesseorganismo.
Jáparaomicrocrustáceotambém
de água doce Ceriodaphnia dubia
são testes para avaliação de efeito
crônico, ou seja, aqueles a longo
prazo.“Nãoéexatamenteamortalidadedoorganismoqueavaliamos
comostestesparaesseorganismo,
mas,porexemplo,ainibiçãodareproduçãodaespécie”,dizCortez.
De acordo com o professor, no
caso de organismos marinhos são
utilizadas a larva do ouriço, que é
mais sensível que a fase adulta da
espécie: “Induzimos a fecundação
dosgametasnolaboratórioeexpomosozigotoemdiferentesconcentrações de um efluente. A partir daí,
avaliamos a concentração da substânciaqueinibeodesenvolvimento
dalarva”.
Laboratório de Ecotoxicologia estuda novos poluentes
Luiz Felipe Lima
e Vivi Ramos
8
Fundado em 1991, o Laboratório
deEcotoxicologiadaUNISANTAforneceaosalunosdeBiologiaeEngenhariadePetróleoosequipamentos
necessários para o desenvolvimentodeestudos.Nestesemestreestão
em fase intermediária três TCCs: o
primeiroéumaavaliaçãodosefeitos
tóxicosdofármacoomeprazolsobre
mexilhões; o segundo é a avaliação
datoxicidadedohormôniosintético
17alfa,oEtinilestradiol,empregado
nomexilhãomarinho;eoterceiroé
uma identificação de Anfípodes e a
viabilidade de cultivo em laboratórioparaensaiosdetoxicidade.
Nolaboratório,umanovaclassede
poluentes,conhecidatambémcomo
contaminantes químicos emergentes ou micropoluentes, foi objeto
de estudo do biólogo e mestre em
Ciências, Fernando Sanzi Cortez. O
trabalho foi apresentado como dissertaçãodemestrado,emfevereiro
desseano.Osresultadosapontaram
asconcentraçõesdospoluentesque
inibem o desenvolvimento embriolarval ouriços do mar e mexilhões,
além das possíveis taxas de mortalidade desses organismos. “Há um
risco ecológico relacionado à introduçãodessescompostosnoambiente aquático. Os resultados do
meuestudopodemcontribuirpara
futuras tomadas de decisões quantoaousoounãodessescompostos”,
dizCortez.
Nessaclassedecontaminantesse
enquadram,porexemplo,osfármacos — compostos químicos com fins
medicinais—esubstânciaspresentes em produtos de higiene e cuidadospessoais,comoobactericida
Triclosan,comumemcremedental,
ecotoxicologia aquática
AEcotoxicologiaAquáticaéaciênciaqueestudaosefeitosdoscontami-
Edição e diagramação: Danilo Netto
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
O Azusc é comandado por uma
equipe multidisciplinar de professores,pesquisadores,técnicoseestagiários, tendo à frente o curador
Rotundo. A direção-geral é do engenheiro Antonio Salles Penteado,
diretordaFaculdadedeEngenharia
da UNISANTA. Embora inaugurado
oficialmente em 2003, o acervo iniciousuasatividadesem1998.
Para agendar uma visita monitorada no Azusc basta enviar um
e-mail para [email protected] ou ligar para 3202-7100
ramal215.
Herbário vira
referência
L.G. Rodrigues
Commaisde6.200espécies
de plantas, todas catalogadas
e de diversas regiões de
todo o mundo, o Herbário da
Universidade Santa Cecília é
referênciaemtodaaregiãopor
seuamploacervodeespéciesde
vegetaçãoeporatenderalunos
eapopulaçãohá13anos.
Inaugurado em 20 de junho
de 1998, foi uma ideia trazida
pelabiólogaZéliaRodriguesde
Mello.ApósumavisitaaoJardim
Botânico de São Paulo, ela teve
a iniciativa de apresentar o
projeto. “Tive a ideia e trouxe
para cá. As professoras Silvia
e Lúcia Teixeira aprovaram
a iniciativa. Desde então, o
herbário vem crescendo em
importância”,diz.
AlunosdeBiologiaeFarmácia
são os que mais visitam o
herbário.
Usam-no
para
consultas e desenvolvimento
de Trabalhos de Conclusão
de Curso. “Muitos trabalhos
ficam arquivados aqui e
posteriormentesetornamparte
donossoacervo”,dizaprofessora
Zélia. O local também recebe
visitas da população em geral
que o usa para tirar dúvidas
sobre como identificar espécies
de plantas, saber como cuidar
de determinadas espécies de
árvores etc. O herbário fica
aberto de segunda a sexta, das
8horasaomeio-dia;edas14às
16 horas. Fica na Rua Oswaldo
Cruz, 266, Bloco B, sala 25,
Boqueirão. Mais informações
pelotelefone(13)3202-7100.
tempo passava
À medida que o
, mais cursos superiores eram
criados, ratificando o posto da instituição como o principal espaço educacional da
região. Mas não era o bastante. Por isso, surgiram os primeiros cursos de PósGraduação do local.
Clínica Odontológica presta
serviços à comunidade
Cerca de 200 pacientes são atendidos por dia por alunos do curso, que já conseguem vivenciar a profissão antes mesmo de formados
Ana Flora Toledo
A Clínica de Odontologia da UNISANTA funciona no segundo andar
do Bloco E e atende 200 pacientes
por dia. São 80 consultórios equipados com o que há de mais avançado na área, seguindo os cuidados
necessários com a biossegurança.
O local conta com um centro cirúrgico equipado com microscópio
operatório, capnógrafo, oxímetro,
central de oxigênio e óxido nitroso,
necessários para a realização de diversos procedimentos. A faculdade
ainda dispõe de um Centro de Diagnóstico por Imagem com radiografia digital e processadora automática, central de esterilização com
autoclaves hospitalares seguindo o
fluxograma exigido pelo MEC, além
da Bebê Clínica, para atendimento
de crianças até 30 meses.
Como apoio ao atendimento, regularmente um trailer vai ao campus e fica estacionado próximo à
entrada da Rua Cesário Mota para
fazer avaliações gratuitas na população. “Quando o trailer está por
aqui, qualquer pessoa que estiver
passando pode fazer uma avaliação gratuita para saber como anda
sua boca. É assim que muitas vezes descobrimos problemas que
as pessoas nem imaginavam ter”,
conta a coordenadora do curso de
Odontologia, Rosângela Aló Maluza Flores. “Se os alunos notarem
alguma anormalidade, indicam o
tratamento ideal para o paciente,
que poderá ser atendido em nossa
clínica”, completa.
Além de toda a infraestrutura
oferecida pela UNISANTA, os alunos
que cursam Odontologia na universidade contam com um diferencial
pela instituição de ensino
onde vai estudar. E para alcançar esse objetivo, um dos
fatores que mais pesam na
hora da decisão é a estrutura de que a universidade dispõe. Esse é um dos principais
fatores que têm feito aumentar o número de interessados
em cursar odontologia na
UNISANTA.
Segundo o diretor do curso, Walter Denari, em 2011
foram abertas 80 vagas, mas
acabou sendo formada uma
turma com 87 alunos graças
à procura. “A UNISANTA tem
uma clínica preparada e equipada onde os estudantes, que
a frequentam desde o primeiro ano, podem conhecer o dia
a dia de um profissional. Isso
conta muito e faz com que os
jovens tenham vivência na
profissão antes mesmo de saírem
da faculdade”, explica Denari.
Os alunos do primeiro ano trabalham na clínica como auxiliares
odontológicos dos veteranos, ajudando com os equipamentos e observando todo o trabalho realizado
pelos futuros dentistas. No segundo ano, os estudantes aprendem a
fazer dentaduras para os pacientes. A frequência na clínica passa a
aumentar no terceiro ano, quando
começam a fazer biopsia e exames
preventivos de câncer, além de tratar canais e dar início, no segundo
semestre, às cirurgias bucais. Já no
quarto ano, os alunos se tornam
atendentes de todas as especialidades da clínica, passando a maior
parte do tempo colocando em prática tudo o que já realizaram em
laboratório.
VANESSA SIMÕES
clínica dispõe de diversos
Luiz Antonio Aidar conta que a
lização de procedimentos
equipamentos necessários para a rea
que os destaca entre os demais profissionais do mercado. Na Baixada
Santista, é o único que conta com
atendimento a pacientes portadores
de necessidades especiais.
“Disciplina de paciente especial
não é obrigatória em todas as faculdades de Odontologia. Apenas nós e
a USP oferecemos esse aprendizado
na grade curricular. Com isso, nossos
alunos saem daqui prontos para enfrentar os mais concorridos concursos. Todos que tentaram entrar no
Hospital das Clínicas de São Paulo,
por exemplo, conseguiram, porque é
exigência mínima”, diz Rosângela.
Um dos primeiros pacientes
atendidos na clínica de especiais foi
Thiago, portador de paralisia cerebral leve. Hoje com 22 anos, Thiago ainda freqüenta regularmente o
ambulatório. “Foi uma vitória para
nós, infelizmente é muito difícil en-
contrar profissionais que atendam
a deficientes”, comenta a mãe de
Thiago, Rosa Lopes.
O gesto foi tão marcante que
acabou sendo citado por Rosa em
seu livro, recém lançado. A obra,
intitulada Ser Especial, fala sobre
o relacionamento dela com o filho
e lembra o episódio no trecho em
que a mãe conta como ficou sabendo do atendimento da Unisanta.
“O Thiago é bem comunicativo
e agradável com todos. Os profissionais gostam muito dele, sempre
tem um que se apaixona, é muito
bacana”, orgulha-se Rosa, que é
prova do relacionamento próximo
que existe entre pacientes e profissionais na clínica.
Sair da faculdade com a preparação necessária para entrar no
mercado de trabalho é o que todo
universitário deseja quando opta
Pós-graduação tem quatro especialidades
Vanessa Simões
Na UNISANTA existem quatro
cursos de pós-graduação: Endodontia, Ortodontia, Dentística e Prótese
Dentária. Na pós-graduação existem
os cursos de atualização são eles: Implantodontia, Prótese Sobre Implante, Cirurgia Oral Menor e Articulação
Templo Mandibular.
“Os nossos alunos estão muito bem
colocados no mercado de trabalho e
isso também se dá pela dedicação dos
nossos professores que vestem a camisa da Universidade e estão sempre atualizados para atender o aluno”, comemora a coordenadora. De acordo com
ela, os professores são participativos
e se preocupam com o aluno: “O perfil
da Universidade é muito preocupado
com o aluno. Conhecemos todos pelo
nome, sabemos quando eles não estão
bem e eles também sabem quando não
estamos, é uma troca”.
ClíniCa de pesquisa
O professor Luís Antônio de Arruda Aidar é o responsável pela Clínica
de Pesquisa da Odontologia, voltada a
ex-alunos da graduação e pós-graduação. Os ex-alunos trabalham na clínica
voluntariamente e cuidam de proble-
mas ortopédicos na parte esquelética
da boca de pacientes em crescimento,
crianças de 3 a 12 anos.
Aidar conta o que é feito com os trabalhos de pesquisa realizados na clínica:
“Os trabalhos são publicados em revistas
especializadas, participamos de congressos científicos, fazemos relatos de casos e
de amostras de paciente. Na realidade, a
UNISANTA hoje se tornou na região centro de referência em algumas áreas. Por
conta disso, a população mais carente,
que não pode pagar um dentista, procura a Universidade e nós realizamos o trabalho. Com isso, aproveitamos os casos
do atendimento clínico para usar como
parte científica”, explica.
Além de ser responsável pela clínica,
o professor é coordenador do curso de
especialização em Ortodontia. Neste, o
aluno aprende mais especificamente a
parte teórica, laboratorial e atendimento clínico da especialidade. Aidar está
no Complexo desde a primeira turma
do curso de graduação, em 1998.
Em 2003 iniciavam as duas primeiras turmas de pós-graduação em
Odontologia da Universidade Santa Cecília. Os cursos de Endodontia
e Ortodontia são os primeiros, os
mais tradicionais e procurados. Já
estão na sexta e quarta turmas, res-
pectivamente.
Rosângela Aló Maluza Florez,
conta o que atrai o aluno interessado em se especializar. “Geralmente,
ele não vai atrás da instituição de
ensino e sim do professor. Portanto, um aluno que fez a graduação
na Universidade e pretende se especializar certamente vai procurar
a UNISANTA. Ele já sabe a qualidade do complexo e dos professores e
por isso procura”, destaca.
Existem outros motivos que atraem
os alunos e são diferenciais na Universidade. Um deles é o aprendizado oferecido em microscópio operatório na
especialização de Endodontia. Segundo Rosângela, esse equipamento rodante vai na boca do paciente para
que a visualização do canal seja aumentada. “Até brincamos que esse
aparelho mostra tudo o que queremos e também o que não queremos
ver”, comenta a coordenadora.
Por conta disso, Rosângela destaca que a UNISANTA é inovadora,
pois só grandes centros têm esse
equipamento e a Universidade é um
deles. Em relação à especialização
de Ortodontia, a coordenadora conta como funciona e o porquê de ser
um curso muito procurado. “O aluno
de Ortodontia vem toda quinta-feira
para a Universidade e precisa atender dez pacientes no mínimo. Ele
sai da especialização muito seguro
e confiante para entrar no mercado
de trabalho”, assinala.
Danilo Basso, de 22 anos, é recémformado. Ele faz pós-graduação em Endodontia. “O meu irmão já fazia faculdade em Santos, então eu já tinha onde
ficar. As notas do Enade e do MEC me
ajudaram a escolher a UNISANTA para
fazer a graduação em Odontologia e a
continuar na especialização. Recebemos um tratamento diferente”, conta o
mineiro de Araguari, cidade localizada
no norte do Triângulo Mineiro.
Ao término do curso de graduação, por se destacar e notar sua aptidão por Endodontia, Basso resolveu
fazer a especialização e continuar
na Cidade. “O curso de especialização está sendo muito bom, os professores são ótimos. Eu já gostava
de Endodontia, pois tinha qualidade
e vejo que a pós-graduação também
tem a mesma qualidade que a graduação”, explica. Ele conta também do
seu relacionamento com os professores. “Os professores sempre dão apoio
em tudo e são de extrema qualidade.
Sempre troco e-mails, é uma família
mesmo”, completa.
Edição e diagramação: Danilo Netto
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
9
50
ANOS
Clínica de Fisioterapia é
referência em atendimento a amputados
Funcionando há uma década, a clínica faz 60 mil atendimentos por ano
Nathalia Pio
Quem chega à Clínica de Fisioterapia da Universidade Santa Cecília
de segunda a sexta-feira, das 14 às
18 horas, depara-se com a recepção
sempre cheia. Funcionando desde
2001 com objetivo acadêmico sem
fins lucrativos, faz 60 mil atendimentos por ano, segundo o coordenador e supervisor de estágio Ivan
Cheida.
O atendimento a amputados é
completo. O cuidado começa muito
antes da colocação da prótese e da
adaptação do paciente a ela. “Muitos chegam aqui com o ferimento
não cicatrizado, sentindo dor no
local. Tratamos feridas, tiramos a
sensibilidade no local e só depois
disso a prótese entra no processo. O
atendimento completo pode durar
de dois a três anos”, explica Cheida.
A clínica funciona com o trabalho dos alunos do curso e supervisão dos professores. Todos
os futuros fisioterapeutas da UNISANTA têm estágio garantido na
clínica e em outros locais da Cidade em que o curso também presta
atendimento, como as unidades de
terapia intensiva infantil da Santa
Casa de Santos, da Beneficência
Portuguesa e do Hospital Guilherme Álvaro.
A clínica mantém também convênios com a Casa da Esperança,
Prefeitura de Santos e o Centro São
Camilo de São Vicente. São cerca de
cem alunos que estagiam fora da
clínica. “Eles atendem a todo tipo de
paciente no estágio. Nos concursos
públicos da região, sete dos primeiros dez aprovados são ex-alunos”,
conta o supervisor.
O curso de Fisioterapia está ranqueado entre os seis melhores do
Estado de São Paulo e entre os 40
melhores do Brasil. A boa reputação da clínica foi o que fez Fernanda
Orsini procurar tratamento aqui.
“Rompi o ligamento cruzado posterior do joelho e precisei colocar
dois pinos. Já conhecia o trabalho
da clínica e, antes mesmo de fazer
a cirurgia, me cadastrei e não penso em outro lugar para me recuperar”, diz a judoca. Em seis meses de
tratamento, Fernanda criou uma
relação de amizade com sua fisioterapeuta. “Nós já temos intimidade,
quando ela me passa exercícios que
doem muito mando ela para aquele
lugar”, brinca.
Já Ariane Bueno, que recebe tratamento em razão de uma disfunção têmpora-mandibular, chegou à
clínica por indicação de seu médico.
“Eu nem sabia que funcionava essa
clínica na Universidade. O atendimento é bom e descontraído”, garante.
Para os alunos, é uma oportunidade de chegar ao mercado de
trabalho com experiência profissional. “A melhor coisa da Fisioterapia é poder ajudar. Aqui temos
um atendimento humanizado e
buscamos melhorar a qualidade
de vida do paciente. Quando vemos os resultados, é gratificante”, diz o estagiário do quinto ano
Fernando Rubens.
A clínica ainda conta com um
ambulatório de saúde da mulher,
tratamento para reumatologia,
traumatologia, neurologia adulto e
infantil, lesões do aparelho locomotor, medicina chinesa e dermatologia funcional estética, para pacientes com queimaduras. Para receber
atendimento, é preciso fazer o cadastro na clínica.
Os pacientes são escolhidos
de acordo com o interesse acadêmico da clínica. “Cada paciente é um estudo, uma aula. Por
isso, damos preferência a casos
em que o tratamento tem que
ser rápido para não comprometer o paciente, especialmente
em casos de acidente vascular
e cirurgias. Isso garante a qualidade do nosso atendimento”,
justifica Cheida.
MEDICINA CHINESA
A medicina chinesa tem a função
de regular o fluxo de energia no corpo, restabelecendo o equilíbrio. No
ambulatório dessa especialidade,
são oferecidos serviços de acupuntura e auriculoterapia, sempre às
sextas-feiras.
Quem tem medo de agulhas pode
optar pela auriculoterapia que é feita
com o uso de sementes e pressionando pontos na orelha. A terapia pode
ajudar a controlar ansiedade, estresse e gastrite, entre outras disfunções.
A clínica, que não cobra por nenhum
atendimento, está localizada na Rua
Cesário Mota, 8, 1º andar, bloco E. Telefone 3202-7156 e 3202-7111.
Consultório Farmacêutico já realizou mil procedimentos
mariana beda
Mariana Beda
O Consultório Farmacêutico da
Universidade Santa Cecília, criado em 2008, realizou mais de mil
procedimentos, incluindo mensuração de glicemia sanguínea,
HDL colesterol, LDL colesterol,
VLDL colesterol, triglicerídeos,
Índice de Massa Corpórea (IMC),
mensuração de peso e altura e
orientações
medicamentosas.
Desde a sua criação, o consultório já beneficiou 200 pacientes.
O mais novo projeto do consultório é uma parceria com o
curso de Engenharia. Trata-se
do dispensador automático de
medicamentos, um equipamento para que os pacientes não se
esqueçam de tomá-los e também
para diminuir os erros das medicações utilizadas. “Na próxima
fase do projeto, iremos testar
o equipamento com pacientes
atendidos no consultório farmacêutico, averiguando do ponto de
vista estatístico a eficácia do dis-
pensador”, explica Walber Toma,
professor e coordenador do curso de Farmácia.
O atendimento à comunidade destina-se, principalmente, à
orientação medicamentosa para
pacientes diabéticos e hipertensos. Segundo Walber, os projetos
futuros são de aumentar o índice
de atendimentos, índices de publicações científicas e integração
com outros cursos da instituição,
na tentativa de aumentar a visão
multidisciplinar dos alunos da
Universidade.
“O consultório tem grande importância para a Baixada Santista por tratar-se de um projeto de
inclusão social e qualificação do
atendimento por parte dos futuros farmacêuticos a pacientes no
setor das farmácias e drogarias.
Introduz também uma nova vertente na grade curricular do curso de farmácia para formação de
alunos mais envolvidos com a realidade dos pacientes brasileiros”,
complementa Walber. No consultório, os alunos do último ano de
Farmácia atendem os pacientes
junto com os professores.
Além de melhorar a formação do
aluno, o objetivo do consultório é de
orientar também a população quanto ao uso racional de medicamentos
e ser referência para futuros debates
para a reformulação da grade curricular dos cursos de farmácia no País.
Do ponto de vista científico, o consultório já produziu dez Trabalhos de
Conclusão de Curso relacionados com
os atendimentos e publicou 15 trabalhos científicos em congressos, inclusive internacionais. O atendimento ao
público é feito às quartas-feiras e
aos sábados em período diurno.
versas salas temáticas. Cada qual
trata de um aspecto diferente
da natureza, tais como o Espaço
Oceano e a Estação Manguezal.
Os espaços contam com apresentações em formato de vídeos
e palestras em que os visitantes
podem produzir materiais e realizar as atividades proporcionadas pelo projeto. Passarelas e
trilhas também estão inclusas na
infraestrutura do Eco Pólis. Nelas, os visitantes podem observar
a flora e a fauna locais.
Orlando Couto Jr. é mestre em
Aquicultura e Pesca. Ele fala do
projeto: “É uma grande satisfação
ver que o Eco Pólis hoje cresceu
e é referência, além de ser ótimo
para a população, e conscientizar
a todos, ele também dá oportunidade para os alunos do curso de
Biologia estagiar dentro de sua
área a aprenderem a profissão”.
O professor diz que no projeto
trabalham também alunos de Jornalismo, Administração e Contabilidade. “Estamos pensando em
inserir alunos de Arquitetura
também, com o objetivo de ajudar a talvez idealizar novos espaços e estruturas para o projeto”,
diz o professor, que é diretor do
projeto.
A equipe do Eco Pólis ainda
conta com a coordenação de Marina Franceschinelli de Souza e
a assistente de coordenadoria,
Camila Formazari, ex-alunas da
UNISANTA.
O projeto está aberto para a
visitação de alunos, professores,
pesquisadores e empresas interessadas.
Mais informações pelo site
www.unisanta.br/ecopolis pelo
e-mail [email protected] Telefone: (13) 3358-8602.
u mais de
O laboratório de Farmácia já realizo
pacientes
mil procedimentos, beneficiando a 200
Biodiversidade e sustentabilidade no Projeto Eco Pólis
L.G. Rodrigues
10
Um programa que educa sobre
assuntos ambientais e compartilha experiências sobre a biodiversidade e a sustentabilidade
por meio de mudanças na rotina
da população em suas atividades.
Esse é o objetivo do Eco Pólis,
projeto que começou como Trabalho de Conclusão de Curso do
curso de Biologia e, posteriormente, transformado no programa que é hoje.
Localizado EM Guarujá, nas
dependências da empresa DOW
Brasil, o Eco Pólis conta com di-
Edição e diagramação: Joana Ribeiro
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
Muito se pensou em atender as necessidades da região por se levar em consideração a
responsabilidade social. A Baixada precisava de mão-de-obra qualificada e conseguiu
suprir a carência com o
empenho do Complexo.
Esperança que caminha
Desenvolvido na Universidade, andador com apoio axilar auxilia pessoas com deficiência que não podem mais andar
tabata tuany
Aline Della Torre
Existe a esperança de que pacientes tetraplégicos e paraplégicos possam voltar a caminhar com
o uso de células-tronco. Mas estA
é uma realidade que ainda está em
fase de testes, com pacientes selecionados. Enquanto esta maravilha
não chega, o professor de Fisioterapia da UNISANTA, Ivo Koedel Filho,
desenvolveu um andador axilar,
diferente dos convencionais, para
auxiliar o caminhar de pacientes
com lesão medular que tenham o
mínimo de movimento nos braços
e pernas, mas não conseguem se
sustentar em pé.
Formado em 1991 e desde então trabalhando com neurologia,
ao longo de sua carreira Koedel
observou que um andador convencional precisaria que o paciente tivesse força e controle dos
membros superiores e posteriores
para usá-lo. Mas seus pacientes
não têm essas características. São
paraplégicos e tetraplégicos que
conseguem apenas fazer o mínimo
de movimento. Portanto, não conseguiriam ficar de pé para usar o
andador convencional.
A fim de solucionar esse problema, o fisioterapeuta desenvolveu o
projeto de um andador utilizando
como apoio as axilas do paciente,
sustentando em pé e oferecendo
segurança para os seus passos. No
mercado existem andadores que
não podem ser usados por certos
pacientes, explica Koedel: “Para o
paciente poder andar, ele precisa
de um apoio. Aí tem a barra paralela de três metros, quatro no máximo, a muleta e os andadores convencionais. Mas nada disso resolve
o problema de um paciente com
lesão medular alta, ou seja, o tetraplégico, pois ele não tem controle
da postura. O andador convencional apenas vai ajudar a caminhar
aquele paciente que tiver controle,
ou seja, estabilidade postural e força. Trabalho com muitos pacientes
que não têm nada disso”.
O professor, que dá aulas na
Universidade desde 2000, conta
que veio observando que se tivesse um equipamento como o andador, mas que apoiasse as axilas do
paciente, o suportando em pé, este
caminharia. “Eu tinha comigo que
se existisse algum aparelho que tivesse um apoio axilar ajudaria na
sustentação dos meus pacientes.
Mas não temos isso no mercado”,
analisa.
Para construir o andador, Koedel conversava com alunos da Engenharia sobre o projeto. “Alguns
se interessavam, mas achavam
difícil construir e desistiam”, lamenta. Até que um dia uma aluna
sua contou que estava noiva de um
aluno da Engenharia. “Nós apresentamos o projeto, ele se empolgou e chamou outros amigos. Em
2009, o andador virou o Trabalho
de Conclusão de Curso deles”, conta o professor.
De 2008 a 2009 os alunos de
Engenharia, junto com Koedel e
um paciente modelo, conseguiram
desenvolver o andador que suportasse o paciente em pé apoiando
suas axilas. “Conseguimos desen-
“O grande problema é quando eu
coloco o paciente no andador convencional ele não se sustenta, não
sustenta o peso do próprio corpo.
Não tem estabilidade porque tem
pouco equilíbrio”, explica. Koedel
diz que com o andador axilar o paciente tem estabilidade e consegue
mexer as pernas para caminhar: “Já
com o andador convencional ele
cai”.
lar auxilia o caminhar e
Ivo Koedel e sua criação: andador axi
nimo de movimentos
pacientes com lesão medular com o mí
volver um andador que auxilia os
pacientes que não têm movimentos
dos membros superiores para se
apoiarem no andador convencional, já que eles não têm movimento
de tronco para se sustentarem em
pé”, explica.
Koedel conta que o andador
também foi construído de modo
que possa ser bipartido. “Assim, eu
posso leva-lo no meu carro sem o
menor problema. Enquanto se eu
for levar uma estrutura por inteiro
eu teria que alugar uma caminhonete”, exemplifica. “Na verdade ele
desmonta em quantas partes você
quiser, porque ele é fácil de montar, é só você parafusar as partes”,
acrescenta.
O andador axilar, que demorou
um ano para ser finalizado, desde
2009 foi sendo, por conta do próprio criador, aperfeiçoado. Koedel
conta que levou o andador para a
oficina da Universidade, a fim de
modificar algumas coisas para chegar a ser o que é hoje: “Aumentei a
largura; a altura; foi melhorada a
locomoção. O equipamento tinha
uma rodinha muito pequena que
o deixava pesado. Então, coloquei
rodas maiores; mudei o eixo e hoje
ele supre as necessidades de todos
os pacientes”.
Segundo o professor, o andador
axilar foi projetado seguindo as
normas da ABNT. Hoje, o acessório
é leve, passa em qualquer porta,
sustenta o paciente sem risco de
queda, estabilizando-o e oferecendo equilíbrio e segurança. “Projetamos seguindo todas as normas de
confecção pAra que ele possa ser
usado em hospitais, casas de repouso, shoppings, em qualquer lugar.
Não é somente em terreno plano
que o andador pode ser usado, em
terreno inclinado também, dependendo da inclinação”, salienta.
Outro dado importante é que o
andador foi projetado para suportar
pacientes de até cem quilos. “Mas
dependendo do material usado, o
andador pode suportar até mais”,
enfatiza. O aparelho também pode
ser usado por pessoas das mais diversas estaturas. “Ele foi testado
com um paciente de 1,90 de altura e não houve risco de queda. Os
pacientes abaixo de 1,60 também
conseguem usar tranquilamente”,
adiciona.
“Conseguimos
desenvolver um
andador que auxilia
os pacientes que não têm
movimentos dos
membros superiores
para se apoiarem no
andador convencional,
já que eles não têm
movimento de tronco
para se sustentarem
em pé
”
Koedel explica que o uso do aparelho também não se restringe à
fisioterapia. “Desde que tenha um
terreno plano, não acidentado, você
pode usar mesmo fora do ambiente
fisioterapêutico”. Os pacientes com
os quais o fisioterapeuta trabalha,
usando o andador, na Clinica de Fisioterapia, possuem lesão medular
com alguma mobilidade dos membros inferiores e superiores, mas
os seus movimentos são desordenados e sem força.
Verticalização
O andador com apoio axilar,
além de ajudar o paciente a caminhar, auxilia na melhora física.
Segundo Koedel, só o fato de o paciente ficar de pé, a chamada verticalização, já promove ganhos. “A
verticalização estimula não só a
circulação do sangue, mas o que a
gente chama de motilidade, que é
a situação generalizada do organismo. Então, melhora a circulação
sanguínea; aumenta o movimento
gastrointestinal; renal; hepático; a
oxigenação dos pulmões; estímulo
de pressão nos ossos, prevenindo a
osteoporose”, explica.
Segundo o fisioterapeuta, na
hora em que o paciente começa
a caminhar, ele treina a sua coordenação de passo, independentemente de ter que sustentar o próprio corpo: “O andador coordena o
movimento, faz o paciente adquirir
força pra fazer o movimento. Fora
isso, ele vai ganhando resistência
física”.
Koedel diz ainda que para o paciente ficar em pé ele tem que ter
o mínimo de coordenação motora.
Porque ele tem que controlar a sua
pelve em relação ao tronco. “No andador, o paciente tem todo o apoio
de que precisa, ele sabe que não vai
cair, então vai coordenando vagarosamente até conseguir caminhar
porque está seguro”.
Os resultados do uso do andador não refletem apenas no corpo,
mas também na mente dos pacientes. “Há melhora na autoestima. O
paciente se sente motivado, sem
contar a melhora emocional”, diz
o fisioterapeuta. Um exemplo é um
de seus pacientes que depois de 20
anos voltou a caminhar.
Patente
Segundo Ivo Koedel Filho, o andador axilar já está
patenteado: “Agora, posso
divulgá-lo no mercado. No
começo desse ano saiu o
número da patente. Demorou um ano por causa da
burocracia”.
Koedel conta que já
entrou em contato com
duas empresas e espera
a aprovação da ideia para
a fabricação do andador.
“Aconteceu que o pai de
um paciente já queria comprar o andador, mas eu não
tenho condições de construir outro. Então, estou
no aguardo dessas duas
empresas. Este andador é
de extrema importância”,
finaliza.
Edição e diagramação: Thaís Cardim
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
11
50
ANOS
Juizado Especial Cível busca
conciliação entre cidadãos e empresas
O escritório tem a missão de solucionar, de forma rápida e gratuita, vários tipos de conflitos, entre eles o de relações de consumo
Gabriela Pomponet
O Juizado Especial Cível – Anexo
UNISANTA possibilita que qualquer
cidadão, independentemente da condição socioeconômica, tenha acesso
gratuito e rápido à Justiça. O trabalho realizado consiste em atender a
população nas causas previstas dentro da competência estabelecida pela
Lei 9099/95, ou seja, nas relações de
consumo, direito de vizinhança, reparação de danos em geral, cobranças etc.
A coordenadora administrativa
do anexo, Neusa de França Teixeira
Freitas Ferreira, trabalha no Juizado
desde a sua inauguração, em março
de 2000. “O local existe em razão de
uma parceria firmada entre o Poder
Judiciário e a Universidade Santa
Cecília. Foi concebido com a importante missão de outorgar rápida solução de conflitos de interesses, em
especial no que tange às relações de
consumo, bem como proporcionar
aos alunos a soma da prática com a
teoria obtida nos bancos acadêmicos”.
Segundo a coordenadora, são
atendidas aproximadamente 30
pessoas diariamente, de segunda à
sexta-feira. Estatísticas comprovam
que, desde a sua criação, já foram
atendidas mais de 50 mil pessoas.
Atualmente, existem tramitando no
cartório 400 processos. Há vários
profissionais envolvidos nos trabalhos desenvolvidos no Juizado, que
tem como coordenador-geral, o juiz
de Direito Guilherme de Macedo Soares, e como coordenadora acadêmica, Cristina Benatti.
“Atendemos somente os casos
abrangidos pela competência estabelecida na lei, estando excluídas,
por exemplo, causas trabalhistas,
família, falência, etc. As causas que
atendemos em sua maioria são sobre
relações de consumo, envolvendo
operadoras de telefonia, planos de
saúde, fabricantes de produtos em
geral e acidentes de trânsito”, conta a
coordenadora administrativa.
O Juizado não estabelece condição
financeira para atendimento, somente observa se é possível o ajuizamento ou não da causa, dentro da competência de valor estabelecida pela lei.
Alunos
Os alunos da Universidade desempenham importante papel no funcionamento do Juizado, uma vez que,
nomeados pelo Tribunal de Justiça,
atuam como conciliadores na tentativa de solução dos conflitos, exercendo ainda a primordial função no
atendimento direto ao cidadão. Eles
realizam a triagem e elaboração das
iniciais, colocando em prática todo o
aprendizado.
“É conveniente esclarecer que,
na função de conciliador, o aluno vi-
vencia situações reais de trabalho e
de convivência com o meio e junto
a profissionais da mesma área, que
supervisionam as tarefas desenvolvidas e, desta forma, complementam
o estudo universitário. Os alunos são
selecionados por meio de prova escrita, na maioria das vezes”, explica
Neusa.
A estagiária de Direito, estudante do 5º ano, Thainá Martins, conta
como exerce a função de conciliadora. “A proposta é interessante e de
grande contribuição, já que permite
aliar prática à teoria. O trabalho no
Juizado é uma prestação de serviço
à comunidade, motivo que, por si
só, já é enriquecedor. Aqui aprendi
a compreender os problemas e aflições dos outros e a ajudar a resolvê-los. Além de experiência jurídica,
adquiri responsabilidades e conhecimento que, a meu ver, são o mais
importante”.
Segundo a estudante, os benefícios de estagiar no Juizado são muitos e o principal deles é a experiência adquirida, pois a partir daí várias
oportunidades surgem. “É incentivador ver que o aprendizado em classe
tem aplicação fora dali. Aprendemos
a lidar com o público e a resolver as
questões trazidas por quem nos procura. Além disso, temos a responsabilidade de fazer um atendimento com
excelência, tendo em vista que somos
nomeados “conciliadores” pelo Tribu-
de junho deste ano, dos quais 750
ainda estão em andamento. Por mês,
são registrados 65 novos casos.
“Somente os casos de Direito de
Família são atendidos e apenas pessoas carentes, econômica e juridicamente, mediante atestado de pobreza, com ganhos ou rendimentos
até o valor máximo de três salários
mínimos, e sem imóveis”, explica
Maria Fernanda, que coordena há
seis anos o escritório.
A advogada diz que os principais
problemas que chegam são os pedidos
de pensão alimentícia, divórcio, investigação de paternidade, interdições e
alvarás. O acompanhamento é feito por
meio de diligências ao foro competente. “Sinto-me realizada com esse trabalho porque, além de atender e resolver
o que nos é solicitado, ajudamos a formar novos profissionais do Direito”.
O local tem como características
a consecução do desempenho acadêmico do alunado, compreendendo
estágios orientados, iniciação à arte
de advogar, atendimento, seleção
dos casos, encaminhamento judicial,
nal de Justiça do Estado. E os alunos
que têm um melhor aproveitamento
ainda podem receber da faculdade
uma bolsa auxílio”, destaca.
CAso Curioso
Thainá já está há quase três anos
no escritório e, atualmente exerce,
a função de monitora. “Além de
atender ao público, o que chamamos de triagem, e fazer as petições
iniciais, auxilio os novos conciliadores e voluntários no atendimento aos casos que recebemos diariamente, muitos dos quais precisam
ser estudados para depois serem
resolvidos. Dependendo do horário do plantão, o conciliador pode
também presidir as audiências de
tentativa de acordo, que acontecem no período da manhã”.
São muitos os casos interessantes e curiosos que passam nas
mãos dos advogados e estagiários. Entre eles, um se destaca:
foi uma ação ingressada contra o
cantor Daniel. Na época, o artista
fazia propaganda de um título de
capitalização e a pessoa se sentiu enganada por ele, pelo fato
de não ter sido contemplada com
prêmios, os quais achou que teria
direito.
O Juizado Especial Civel – Anexo Unisanta funciona das 12h30 às
16h00, de segunda a sexta feira, na
Avenida Conselheiro Nébias, 639.
Escritório jurídico orienta pessoas de baixa renda
O escritório de assistência jurídica da UNISANTA Dr. Antônio Feliciano foi inaugurado em 16 de março de
2000, com a finalidade precípua de
desenvolver atividades curriculares
aos alunos do 5° ao 10° semestre do
curso de Direito. O escritório é mantido por meio de convênio entre a
Universidade e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de ser uma
unidade de serviços à comunidade.
Segundo a coordenadora, advogada Maria Fernanda Amorim da Silva,
foram atendidos 6928 casos até 30
12
Edição e diagramação: Danilo Netto
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
possibilidade jurídica, redação e cuidados gramaticais, fundamentação
do pedido, pressupostos, inépcia da
inicial, defesa e recursos processuais, acompanhamento de ações cíveis e audiências na área de família
e sucessões, orientações práticas e
noções de Direito Processual Civil.
ExpEriênCiA grAtifiCAntE
O estudante do 7° semestre, Matheus Tavolaro de Oliveira, descobriu a oportunidade de estágio por
um aluno e agora pode aprender
mais com a rotina da profissão e se
relacionar com as advogadas.
Todo o acompanhamento e estudo
dos processos são feitos pelos estagiários que fazem desde o primeiro
atendimento, triagem e até audiências acompanhados pelas advogadas.
“Atendo ao público, colho informações
necessárias para começar a produzir
as peças e, depois de corrigidas pelas
advogadas, enviá-las ao Fórum. Alguns
casos nos surpreendem, outros chegam a comover. Lembro de uma situação difícil: o ex-marido da assistida
agrediu seus filhos e numa determinada ocasião disse para eles que a mãe
era portadora de HIV”, conta Tavolaro.
Para ele, trata-se de trabalho de
difícil realização, mas gratificante e
enriquecedor. “Aprendizado profissional, ambientação com a parte jurídica e grande experiência na área,
são alguns dos benefícios adquiridos. Essa experiência valoriza meu
currículo”, diz o estagiário.
O horário de funcionamento é
as segundas, quartas e sextas-feiras
das 14 às 17 horas. O escritório fica
à Rua Soares Camargo, 11, no Boqueirão, em Santos. (G.P.)
qualidade profissional
Para suprir várias carências, no que diz respeito à
,a
UNISANTA continuava a abrir cursos voltados ao mercado de trabalho regional. Assim,
Ciências Biológicas e Ciência da Computação formaram suas primeiras turmas.
“A Universidade sempre
busca o aperfeiçoamento”
A presidente do ISESC, Lúcia Maria Teixeira Furlani, destaca os serviços gratuitos à comunidade
Mariana Beda
Aline Porfírio
Uma escolinha dentro de uma
Universidade. É assim que a presidente da Universidade Santa Cecília
se sente ao caminhar pelos corredores dos dois conjuntos de prédios
que ocupam uma quadra da Rua
Oswaldo Cruz. Uma história que começou em um pequeno colégio, que
possuía cerca de 20 alunos e teve
que ser comprado com a venda da
casa da família. Hoje, a Universidade
Santa Cecília é dirigida pelos descendentes do casal que apostou na
educação da região e tem como responsabilidade agora tomar conta de
15 mil alunos, 31 cursos e 50 anos
de história e tradição.
Lúcia Maria Teixeira Furlani é a
presidente do Instituto de Educação
Superior Santa Cecília e doutora e
mestre em Psicologia da Educação.
Teve diversos livros publicados, a
maioria voltada à área da educação e
ao público infantil. Além destes, Lúcia
homenageou a memória de uma das
mulheres mais importantes do século 20 brasileiro, Patrícia Galvão, Pagu
(1910 — 1962), que rendeu à escritora o Prêmio Jorge Amado no 28º
Festival Internacional de Cinema da
Bahia. Além disso, Lúcia também ocupa, entre vários outros cargos e cadeiras, a posição de diretora e delegada
regional do Sindicato das Entidades
de Ensino Superior do Estado de São
Paulo (Smesp) e membro da Academia Santista de Letras.
Em entrevista ao Primeira Impressão, a presidente revela quais
são os maiores desafios enfrentados por uma universidade privada,
assim como as conquistas e planos
para os próximos anos.
Primeira Impressão — Qual o
papel da UNISANTA na Baixada
Santista hoje?
Lúcia Maria Teixeira Furlani
— Nosso papel continua sendo o de
reforçar nossa liderança na Região, no
Estado e no País. A UNISANTA fornece
grande competência técnica e humana
para os estudantes, refletindo isso em
um grande número de alunos da Universidade que já estão ingressando no
mercado de trabalho. Um dos principais destaques da importância da Universidade na Região é o amplo setor de
serviços que ela oferece à comunidade,
como o consultório odontológico, a clínica de fisioterapia e o atendimento jurídico, entre outros. Nós atingimos no
último triênio mais de dois milhões de
atendimentos gratuitos nesses departamentos, o que é igual à população
de Santos, São Vicente e Guarujá juntas. Muitas pessoas de fora da Região
e do estado de São Paulo procuram os
tratamentos daqui, o que nos faz ter
grandes responsabilidades quanto aos
serviços prestados.
PI - É notável o rápido crescimento que a Universidade teve
nestes 50 anos, sejam essas conquistas físicas ou educacionais.
Quais são as principais novidades
conquistadas recentemente?
Lúcia – Desde as mudanças físicas, numéricas e sociais, a Universidade sempre busca o aperfeiçoamento para se tornar referência
explica o papel da
A presidente do Isesc, Lúcia Teixeira,
l
instituição no desenvolvimento regiona
no Brasil, e por que não no mundo?
Recentemente, a UNISANTA passou a ser sede oficial do Fisheries
and Food Institute (Fifo), conhecido
também como Instituto para Pesca,
Diversidade e Segurança Alimentar. O instituto americano realiza
pesquisa nas áreas de pesca artesanal, etnobiologia e ecologia humana desde 2006. A transferência
de sede foi realizada em parceria
entre o instituto e o Programa de
Pós-Graduação em Sustentabilidade de Ecossistemas Costeiros e Marinhos da Universidade. O objetivo
é aprimorar ainda mais pesquisas
nos setores marinhos e desenvolver
projetos que ajudem a explorar os
recursos naturais podendo preservar o meio-ambiente. Além disso,
construímos grandes laboratórios,
estabelecemos parcerias e criamos
novos cursos.
PI — Como foi essa transformação de colégio para Universidade?
Lúcia — Tudo começou com um
pequeno colégio comprado pelos
meus pais na Avenida Rodrigues
Alves, 332. A escola estava para fechar e meus pais se interessaram em
manter aquela instituição. Então, eles
venderam a nossa casa e fomos morar de aluguel para poder abrir o colégio, que começou com pouco mais
de 20 alunos. No início, inclusive,
usamos os meus livros como apoio
para estes alunos. A família toda estava envolvida com a iniciativa dos
meus pais. Logo, foram aparecendo
outras oportunidades e tivemos que
ir ampliando, até chegar a este endereço na Rua Oswaldo Cruz. Devido
à insistência dos alunos que aqui se
formavam no Ensino Médio, arriscamos montar a Universidade, que começou com um curso de Engenharia
de Operação, para atender às exigências do mercado de automação, que
na época era forte em Cubatão. Por
não possuir mão de obra especializada na Baixada Santista, as empresas
contratavam profissionais de fora da
Região. E outra inovação foi que este
curso funcionava no período noturno, o que era muito difícil na época
(1971). Com isso, comecei a me interessar pela importância do curso noturno no Brasil, que me incentivou a
fazer uma tese de doutorado sobre o
assunto, que foi lançada na forma de
livro A claridade da noite (São Paulo,
Editora Cortez, 1998) e, inclusive,
foi utilizada pelo governo federal no
Plano Nacional de Educação. Nessa
história toda, eu estive presente buscando sempre fornecer alternativas
para a instituição e para os alunos.
PI — Qual o maior desafio enfrentado durante estes 50 anos?
Lúcia — Enfrentamos, e ainda
lidamos, com grandes desafios. Até
porque isso faz bem para não ficarmos acomodados – esse espírito de
superação é importante para qualquer ser humano. Mas, a maior batalha tem sido passar uma educação
de qualidade para alunos que, às
vezes, chegam à Universidade com
uma bagagem defasada. Temos que
fortalecer esse aluno para que ele
não desista diante da dificuldade do
conteúdo oferecido, além de fornecer suporte para que possa acompanhar rapidamente o ritmo do curso
superior, que é muito diferente do
básico. Isso também inclui dificuldades econômicas, pois o Santa Cecília é uma entidade particular, mas
possui um caráter público e busca
oferecer o maior número de oportunidades possíveis para seus alunos.
Hoje, trabalhamos com quase todos
os sistemas de bolsas, seja ProUni,
Fies, Bolsa Atleta, entre outros.
PI — A Baixada Santista vêm
crescendo em ritmo acelerado com
a chegada do pré-sal e das indústrias
portuárias. Para alavancar este mercado, as universidades já adequaram sua grade para cursos voltados
a essas áreas específicas. Quais os
planos da UNISANTA para isso?
Lúcia — Nós nos preparamos
para esse mercado sete anos antes da instalação da Petrobras na
Bacia de Santos, abrindo o curso de
pós-graduação no assunto, que foi
o primeiro voltado para petróleo
na Região. Além disso, temos aqui
a minirrefinaria em parceria com a
Petrobras, para preparar melhor os
alunos para as técnicas do sistema. A
UNISANTA sempre foi destaque em
pesquisas ambientais também, pois
não é só retirar o petróleo, temos que
estudar sustentabilidade para isso,
usar de uma forma que não agrida
o meio-ambiente. O nosso curso de
mestrado em Ecologia e Biologia Marinha veio para reforçar essas pesquisas, formando mestres e doutores
que possam subsidiar esses recursos
de forma profissional, alertando para
os riscos e fornecendo soluções práticas. Inclusive, as pesquisas da UNISANTA fizeram parte do EcoManage,
um importante livro internacional
sobre relatórios ambientais. É justamente isso que queremos fortalecer,
as oportunidades de estudar os recursos ambientais.
PI — Santos conta hoje com diversas outras universidades que
estão ampliando cada vez mais
sua grade. Com isso, o que a UNISANTA tem em vista para se preparar para a concorrência?
Lúcia — Isso é algo que mantemos sempre, pois é bom que haja
concorrência, desde que seja saudável e ética, conforme pregamos desde a criação do Santa. Mas, a nossa
atitude de colaboração sempre foi
um grande diferencial. Por exemplo, quando as primeiras unidades
públicas chegaram a Santos (Fatec e
Etec), colocamos nossa biblioteca à
disposição desses alunos. Nós sempre buscamos o diferencial, para
orientar o aluno no que ele precisa
durante o curso, além de fortalecer
as relações de postura e ética. O
Brasil ainda tem que crescer muito
no que se diz respeito ao nível superior. Hoje, o Brasil conta com apenas
13% dos alunos matriculados em
cursos de graduação, o que torna a
concorrência algo não muito agressivo ainda, pois, infelizmente, temos
que aumentar muito essa meta.
PI — A UNISANTA considera
hoje a possibilidade de ampliar
seu campus?
Lúcia — Já possuímos autorização, mas estamos estudando as probabilidades, pois temos que tomar
cuidado com o local por ser um bairro residencial. Porém, nós analisamos a ampliação de outras formas,
como instalação de novos equipamentos, setores que ajudem o aluno.
A ampliação na qualidade é um item
primordial no Santa Cecília.
PI — O que representam esses
50 anos para a senhora? Qual o
seu papel nesse contexto?
Lúcia — O colégio da Avenida
Rodrigues Alves continua aqui dentro. A essência de ter o contato com o
aluno, manter uma “escolinha” continua viva nesta família. Isso, para mim,
é o que importa, é o carinho com que
tocamos esta instituição. E eu sei que,
se hoje fosse necessário, abriríamos
mão da nossa casa novamente por
esta “escolinha”. E eu me sinto muito
bem nisso, realizada por tudo. É um
orgulho ouvir os profissionais dizerem que o aluno da UNISANTA é diferente dos outros. Como presidente,
meu papel é o de dar suporte às atividades da Universidade e do Colégio,
dando novas ideias, fazendo planejamento estratégico para que a instituição possa ser mantida e possa acompanhar esse crescimento regional.
PI — Quais são os planos para
essa grande Universidade?
Lúcia — Queremos proporcionar um maior número de mestrados,
mantendo sempre os diferenciais,
como o curso de Ecologia, por exemplo. Queremos aumentar nossas parcerias com empresas que mantêm
convênio com a Universidade. Atualmente, são mais de duas mil que
buscam estagiários da UNISANTA
para preencher as oportunidades do
mercado. Recentemente, uma multinacional veio aqui buscar estagiários, um exemplo de que nosso treinamento está altamente qualificado.
Edição e diagramação: Michael Gil
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
13
50
ANOS
Nese aponta os caminhos
Instituto de pesquisas socioeconômicas da Baixada Santista foi criado para colaborar com o desenvolvimento regional
Mariana ayuMi
Michael Gil
A Baixada Santista é uma das
regiões do País que mais crescem
e tendem a se desenvolver. Isso é
comprovado por meio de pesquisas. Mas levantamentos focados na
região — que revelam fatos como
estes —, antes de 1997 eram raros,
já que não havia um instituto local
para abordar questões socioeconômicas. Por esta razão, foi criado no
Complexo Educacional Santa Cecília, em dezembro de 1997, o Núcleo
de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (Nese).
“Até o momento, o
Nese efetuou 196
pesquisas, entre as que
são realizadas
regularmente além
de outras
contratadas por
empresas regionais
“
O professor Julio Simões Junior,
diretor da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da UNISANTA, e supervisor do órgão, conta que para criar o Nese foi levada
em consideração a necessidade de
um espaço que formulasse levantamentos e estudos a respeito da
Baixada Santista. Simões explica a
importância do núcleo: “É produzir
pesquisas que venham a colaborar
com o desenvolvimento regional,
possibilitando, por meio dos resultados apurados em suas pesquisas,
a geração de políticas públicas que
venham a melhorar as condições de
vida da população”.
O objetivo traçado pelo Nese foi
alcançado nestes 13 anos. Segundo
Simões, o núcleo já realizou diversos tipos de pesquisas, inclusive
contratadas por empresas, a fim de
conhecer melhor a região para que
pudessem tecer políticas adequadas
de crescimento, com base em informações confiáveis.
o de trabalho de equipe,
Conforme Simões Júnior, êxito é frut
da no fim de 1997
unida desde o início dos trabalhos, ain
“Tamanha foi a qualidade do trabalho desempenhado pelo instituto
que o núcleo já ganhou espaço internacional, inclusive, participando
de projetos em parceria com a União
Europeia”, comemora.
O sucesso do Nese é fruto do trabalho de uma equipe, unida desde
o início dos trabalhos, ainda no fim
de 1997. Assim, são integrantes do
instituto — além de Julio Simões
Junior, o professor Jorge Manuel de
Souza Ferreira, economista responsável por coordenar as pesquisas de
campo; o também economista Jorge
Telésforo Branco e o professor José
Pascoal Vaz. Juntos, eles produzem
pesquisas e analisam os resultados.
Este “time” formula pesquisas
em diversas áreas da economia. No
site do Nese, por exemplo, (www.
unisanta.br/nese), podem ser vistos levantamentos sobre os seguintes temas: indicadores econômicos,
custo de vida em Santos, emprego e
dados socioeconômicos na Baixada
Santista.
Apesar do todos os levantamentos realizados nos quase 14 anos
de existência do local, o supervisor
do Nese acha que ainda há muito a
fazer: “No meu ponto de vista, vejo
que o Nese ainda tem muito a pesquisar na região metropolitana da
Baixada Santista, oferecendo resultados criteriosos e confiáveis”.
Como funCionam
Cada pesquisa tem uma metodologia diferente. No Nese, estas são
realizadas nas residências escolhidas por meio de sorteio randômico
(amostragem casual), levando-se
em consideração a participação da
população de cada bairro da cidade
a ser pesquisada.
Feito o levantamento, parte-se
para a fase da checagem que é controle de qualidade da pesquisa, a fim
de que a mesma tenha o critério de
confiabilidade que se espera. Antes, porém, da fase da pesquisa de
campo e da checagem, são levadas
em consideração eventuais dificuldades que possam aparecer para os
pesquisadores.
Eles são previamente treinados
para, na hora da pesquisa, não ter
dúvidas quanto ao preenchimento
dos questionários. Certamente, as
informações levantadas são sigilosas, não se identificando os respondentes.
“Os levantamentos nascem da
necessidade de se conhecer algo de
que não temos o conhecimento suficiente. Por exemplo: quantos são os
desempregados em Santos? A Pesquisa de Emprego/desemprego, realizada no Nese, traz essas e outras
informações. Qual é o nível de inflação em Santos? O Índice de Preço ao
Consumidor aponta o acréscimo ou
decréscimo nos preços dos produtos e serviços consumidos pela população.
Um político quer saber como o
povo o vê, com vistas à eventual candidatura. O Nese tem condições de
pesquisar (como já o fez) como está
a imagem dessa pessoa perante o
eleitor. O Nese já realizou, também,
pesquisa eleitoral. Enfim, pesquisa-se para se conhecer a situação
daquele assunto a fim de se tomar
decisões em cima de informações
estatísticas confiáveis”, diz Simões.
Núcleo incentiva jovem a criar
o seu próprio negócio
Mariana Benjamim
14
Incentivar os alunos a desenvolver suas ideias e transformálas em fonte de renda. Esta é a
proposta do Núcleo de Inovação
Negócios e Empreendedorismo
(Nine), da Universidade Santa Cecília, que busca despertar na juventude o espírito empreendedor.
O Núcleo foi criado pelo professor de Engenharia, Luiz Negreiros, e, atualmente, está sob
o comando do professor José
Morilla, responsável por coordenar os projetos orientados.
“Nosso objetivo é ajudar os alunos a transformar suas ideias em
realidade, produzir e construir
um possível embrião de um negócio
próprio”, explica.
O professor cita como exemplo
a incubadora do Sebrae, em que o
jovem empreendedor têm disponível um espaço físico para que possa servir como “sede” inicial de sua
empresa, sem pagar aluguel, água e
luz: “A iniciativa do Sebrae visa fomentar o crescimento das pequenas
empresas, para que não precisem
se preocupar com estes gastos enquanto ainda estão em fase de solidificação”. Já no Nine, o jovem tem
a possibilidade de completar uma
fase anterior a esta do Sebrae, a do
desenvolvimento, da criação. “Se o
aluno encontrar um nicho de mercado para uma de suas ideias, pode
utilizar as instalações da faculdade,
Edição e diagramação: Willian Guerra
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
como laboratórios, computadores e
máquinas”, diz.
Para isso, é necessário procurar Morilla e apresentar de forma
simples a ideia, sem se preocupar
em escrever uma grande proposta.
“Esta orientação eu vou passar depois, uma boa proposta pode angariar não apenas o apoio do Núcleo,
mas também investidores”, explica.
A partir deste ponto, o professor
avalia se a Universidade tem instalações suficientes para que aquele
produto seja desenvolvido. Depois,
um orientador é escolhido e o aluno tem até um ano para completar
o seu projeto, podendo prorrogar o
prazo por mais seis meses. “Nosso
intuito é ver produtos prontos; por
isso, o papel do orientador será o de
verificar o andamento dos trabalhos. Não podemos ocupar uma
posição no Núcleo que esteja inativa”.
Alunos de quaisquer áreas podem se inscrever. Também não
há restrições de tema, porém é
importante que o aluno tenha
condições de arcar com a compra
de possíveis produtos que ele tenha de usar. “Disponibilizamos o
espaço, mas não temos condições
de fornecer matéria-prima.”
Os interessados em desenvolver projetos na Universidade com
o apoio do Núcleo podem procurar o professor Morilla na coordenação de Engenharia ou entrar
em contato pelo e-mail [email protected]
unisanta.br.
Mais faculdades passaram a fazer parte do quadro de cursos da UNISANTA.
Com isso, a
ganhou espaço, e o
Complexo começou a formar novos jornalistas e publicitários.
área da comunicação
O esporte corre nas
veias da instituição
Desde 1980, a Universidade tem a tradição de investir
em modalidades esportivas
Aline Della Torre
O esporte já faz parte da rotina
da Universidade há muito tempo.
Em 1980, foi dado o pontapé para
o início de inúmeras conquistas. O
investimento no esporte resultou
na criação dos Jogos da Unisanta,
além de alunos e ex-alunos que
são destaques mundiais em diversas modalidades.
O coordenador do Departamento de Educação Física e Esportes da Santa Cecília, professor
Milton José Ribeiro, o Mono, conta que a Universidade iniciou com
pequenos jogos e foi crescendo.
“Começamos realizando torneios
internos, jogos escolares e depois
participando nos jogos Universitários da Federação Universitária
de Esportes”.
Para que os alunos-atletas possam participar de competições municipais, estaduais, nacional e internacional com apoio da faculdade,
Mono explica que foi criada a Associação de Esportes de Alunos e Exalunos. “Eles têm apoio com bolsas
de estudos, ajuda de custo, cesta básica, plano de saúde, nutricionista,
psicóloga e todo o aparato para que
consigam alcançar seus objetivos”.
Um dos grandes destaques foi a
aluna Ana Marcela Cunha, campeã
dos 25 quilômetros do Mundial de
Maratonas Aquáticas, em Xangai, na
China, que garantiu o primeiro ouro
do Brasil na competição.
“Começamos
realizando torneios
internos, jogos escolares e
depois participando nos
Jogos Universitários da
Federação Universitária
de Esportes
”
“Alguns atletas que tiveram destaque passaram pelas seleções do
Brasil e despontaram na Olimpíada
de 2004”, conta o coordenador. Os
destaques foram Ligia dos Santos
no tênis de mesa, aluna de Educação
Física; Daniela Zangrando no Judô,
aluna de Jornalismo; na natação a
aluna de Direito Monique Ferreira;
Michelle Lehart e o paraolímpico
Carlos Farremberg, campeão e recordista mundial dos metros nado
livre S13 (Deficiência Visual), ambos
da Faculdade de Educação Física.
JOGOS DA UNISANTA
Todos os anos, no mês de maio,
os Jogos da Unisanta causam um
tremendo alvoroço na Universidade.
As disputas entre as Engenharias,
Educação Física, Medicina e Direito
são as que causam maior emoção.
Mas o mais importante nos Jogos da
Unisanta é a sua tradição. Já foram
28 jogos que sacudiram as faculdades da Baixada Santista.
“A minha alegria é enorme, pois
fiz muitas amizades com profissionais que hoje atuam nas suas
profissões liberais”, diz Mono,
presente em todas as edições, não
por acaso.
O coordenador trabalha na UNISANTA há 37 anos, primeiro como
professor de Educação Física até
1980. Depois, veio o convite para assumir a coordenação do Defe. A partir daí, junto com o então vice-diretor da Faculdade de Educação Física
de Santos, professor Luiz Carlos dos
Santos, deu o impulso inicial aos Jogos da Unisanta, que mais tarde, se
tornaram na maior competição universitária do Estado de São Paulo.
Eles idealizaram o regulamento
de uma competição de caráter poliesportivo com a finalidade de reunir alunos-atletas das faculdades
mantidas pela Sociedade Universitária de Santos, entidade que aglutinava o Instituto Superior de Educação
Santa Cecília e o Centro de Estudos
Unificados Bandeirantes.
Os Jogos da Unisanta, primeiramente chamado de Jogos da Susan, tiveram início em meados de
1983 com a participação de cinco faculdades, três da UNISANTA
(Engenharia, Artes e Desenho Industrial) e da Unimes (Fefis e Comércio Exterior). “Esta competição era realizada em outubro mas,
depois de dois anos, começou a
ser realizada no mês de maio com
mais participantes convidados
pela comissão dos Jogos, com a finalidade de estimular a prática de
esporte entre os universitários”,
relembra Mono.
Em 1986, com a criação da Universidade Santa Cecília dos Bandeirantes (Uniceb) – uma junção
da Santa Cecília com o Centro de
Estudos Unificados Bandeirantes
- a competição passou a se chamar
Jogos da Uniceb, ficando em campo até 1996.
alunos que passaram pelas
Mono destaca a participação de atletasmpíadas
seleções e chegaram a participar de Oli
tabata tuany
Pesquisas do Lapes ganham
destaque internacional
Pâmela Isis
A Faculdade de Educação
Física e Esportes da Universidade Santa Cecília, que já é
conhecida pela qualidade de
seus alunos e atletas, ganha
mais uma área de destaque, o
Laboratório do Exercício Físico e Saúde. Pesquisas feitas
pelo Lapes e parceiros foram
selecionadas em congressos de
grande importância no Brasil e
no exterior.
O Laboratório já existia há
algum tempo, mas agora começa a ficar mais atuante, com a
ajuda dos professores responsáveis, Alexandre Galvão, doutor em Ciências pela Faculdade
de Medicina da Universidade
de São Paulo (USP), e Débora Rocco, doutora em Ciências
pela mesma instituição, que a
convite da UNISANTA começaram a tocar o Lapes há um ano
e meio.
“O laboratório estava um
pouco parado, já que não havia
ninguém na cadeira que fosse
doutor. E nós, a convite da Universidade, começamos a atuar
no Lapes. Mesmo com algumas
dificuldades, estamos conseguindo trabalhar bem”, comenta Galvão.
Segundo o professor, os alunos estão sendo estimulados a
ter uma iniciação científica e
uma vivência no laboratório,
pois o exercício físico precisa
ter parâmetros na Medicina
para que não seja prejudicial
à saúde. Ele afirma ainda que
o laboratório ajuda a enriquecer ainda mais o curso, que já é
bem forte nos aspectos esportivo e pedagógico.
“Quando começamos a trabalhar na área da saúde, passamos a ter parâmetros e individualizar a prescrição das
pessoas, pois cada uma tem seu
risco”, explica. “Nesse sentido,
nosso laboratório veio para
mostrar a importância do exercício físico na área da saúde, na
busca pela qualidade de vida e
também para valorizar ainda
mais o curso” diz.
Nesse recomeço, o Lapes
vem enfrentando algumas dificuldades por não ter equipamentos tão modernos. Mas isso
não é problema, garante o professor responsável, explicando
que, para realizar os trabalhos
propostos, a UNISANTA firmou
parcerias com diversas empresas e Universidades.
No período de atuação, os
professores Alexandre Galvão
e Débora Rocco, com ajuda de
seus alunos, já somam oito trabalhos de pesquisas.
Seis foram aceitos pelo Centro de Estudos do Laboratório
de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs), que
promove anualmente um simpósio internacional.
Alguns dos trabalhos realizados ainda vêm ganhando
destaque. Um deles, por exemplo, foi aceito no Congresso da
Sociedade de Cardiologia do
Estado de São Paulo (Socesp) e
contou com a parceria da USP.
A pesquisa, desenvolvida
com pessoas obesas, constatou
um polimorfismo em um receptor de leptina, que é um hormônio receptor que manda uma
mensagem para o corpo avisando que a pessoa em questão
está comendo em excesso. O
resultado positivo das pessoas
nas pesquisas foi “sensacional”,
segundo os professores.
“A pesquisa foi realizada
com análises bioquímicas e
biomoleculares desenvolvidas
na USP, enquanto o Lapes ficou
com a parte de coleta de dados
e discussões sobre o projeto”,
diz Galvão.
“Nesse trabalho, observamos a eficiência do treinamento físico em pessoas que já sofreram infartos e precisavam
de uma recuperação. Essas pessoas obtiveram melhora e também retomaram a qualidade de
vida”, explica o professor, observando que “a parceria com a
USP foi muito significativa para
dar visibilidade a esse trabalho
que é muito importante”.
Para a realização de outro
trabalho, o grupo começou a trabalhar em parceria com o plano
de saúde da Amil, fazendo uma
junção de atividades realizadas
no laboratório da UNISANTA e
no laboratório de fisiologia da
Amil.
Para tanto, foram formadas
linhas de estágio com alguns
alunos que fizeram coletas de
dados e treinamento com pessoas cardiopatas, para observar
qual seria a resposta delas a esses treinamentos.
Segundo Alexandre Galvão,
a melhora foi significativa e,
por isso, o projeto, além de ser
aceito no Socesp, vai ser apresentado também no Congresso
Mundial de Pneumologia, em
Amsterdã, em outubro.
“Podemos perceber que o
condicionamento físico dessas
pessoas melhorou muito. Esse
indivíduo revascularizado e coronariopata que faz exercício
obtêm melhora na captação de
oxigênio e liberação de gás carbônico, aumentando assim sua
capacidade física e qualidade
de vida”, ressalta.
Além de todas essas pesquisas, o Lapes, segundo Galvão,
tem começado um estudo junto
à população de Santos, ampliando cada vez mais as atividades
realizadas pelo laboratório.
“Vamos avaliar alguns fatores
antropométricos, relacionando-os com a idade, com o índice
de massa corpórea, com o peso
e a flexibilidade”, informa.
Segundo ele, o estudo já
estabeleceu um protocolo de
indivíduos com problemas de
saúde e fatores de risco, como
hipertensão e diabetes.
“Estamos modificando esse
protocolo para mostrar a importância do exercício físico,
não com qualquer tipo de exercício, mas quantificar o esforço,
além de objetivá-lo e transformar esse número para que se
possa comprovar a importância
do professor de Educação Física e de se prescrever o exercício de uma maneira correta”,
afirma.
Edição e diagramação: Thaís Cardim
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
15
50
ANOS
Natação coloca Universidade no pódio
Hoje, o nome da Universidade é referência na modalidade em todo o mundo
IVAN DE STEFANO
Vanessa Simões
Há quatro décadas surgia a
primeira equipe de natação da
UNISANTA. No decorrer desses
anos, grandes nomes passaram
por aqui e, principalmente, muitos atletas surgiram. Um nome
marcante para quem pensa na
natação da Universidade é o da
atleta Renata Agondi, que morreu na travessia do Canal da
Mancha 1988. Mas, depois de Renata, muitos outros nomes foram
destaque no cenário da natação e
eles continuam chegando.
“Hoje, a natação da UNISANTA
é conhecida no mundo todo, principalmente pelos resultados conseguidos pela atleta Ana Marcela
Cunha e pela excelente qualidade
da prova Renata Agondi, que hoje
é a etapa de abertura do Circuito
Mundial de Águas Abertas. Além
disso, a UNISANTA é uma das poucas universidades do mundo que
investe há tanto tempo no esporte”,
assinala o supervisor técnico, Márcio Latuf.
Latuf conta que foi o idealizador dessa modalidade no
complexo quando entrou para
a Universidade. “Quem resolveu
implantar a natação na UNISANTA foi o chanceler da UNISANTA, Milton Teixeira, no Colégio
Santa Cecília, em 1971. Com o
atleta
Vida de atleta não é fácil. Isso
todo mundo está cansado de saber e não é diferente para o nadador da UNISANTA Cauê Paciornik,
de 21 anos. Ele começou cedo na
natação e, aos 7 anos, fazia parte
da equipe da UNISANTA e já estava presente nas competições.
Ele conta que a principal responsável por ele estar na natação é sua mãe. “Comecei a nadar
cedo. Quando era bebê, minha
mãe me colocou em uma academia para fazer uma dessas aulas
para crianças e para não ter medo
de água”, assinala.
Assim como toda criança, ele
tentou fazer outros esportes,
mas a sua verdadeira paixão estava nas águas. “Tentei o caratê e
o futebol, mas sempre gostei da
natação. Quando tinha 7 anos, conheci o técnico da equipe mirim
da UNISANTA que me convidou
para nadar no Santa. Continuo
até hoje”, revela.
Para o atleta, hoje em dia treinar em alto rendimento e ter bons
resultados nos estudos é complicado, mas não impossível. “Se
não fosse a UNISANTA, acredito
que não conseguiria conciliar os
estudos e o esporte. Sou grato à
Universidade, aos professores e
aos coordenadores do meu curso
que me ajudaram a não desistir”,
agradece Cauê.
O atleta está terminando o último semestre no curso de Fisioterapia na UNISANTA, mas pretende continuar seu caminho na
natação. “Pretendo continuar nadando por mais um bom tempo e
sempre procurando evoluir, seja
nos tempos ou nas colocações”,
almeja Cauê.
O futuro fisioterapeuta conta um dos momentos mais marcantes desses anos de natação:
“Tive vários momentos inesquecíveis na natação, mas sempre
um que é mais lembrado: mais
marcante foi no ano passado,
quando o Troféu Maria Lenk foi
realizado em Santos”, explica.
“Fiz parte do revezamento
4x200m livre e conquistamos
a medalha de bronze. Foi uma
sensação diferente conquistar
uma medalha desta importância
em casa”, relembra.
de 9 a 10 anos, e a tarde, a equipe
petiz, de 10 a 12 anos.
Sua história mergulha nas piscinas do Santa. Ela presenciou
acontecimentos ,como em 1996
a inauguração do teto retrátil e
do sistema de aquecimento da
piscina olímpica, que a tornou
a primeira piscina no País a ter
essa estrutura para extensão de
50 metros; em 1998, a primeira
equipe sediada fora da capital do
Estado a conquistar o título de
campeã do Brasil, no Brasileiro
juvenil, disputado na cidade de
Recife; em 2010, auxiliou na competição mais importante realizada nas águas do poliesportivo, o
Troféu Maria Lenk; e este ano, viu
a nadadora Ana Marcela Cunha,
da UNISANTA, conquistar o primeiro ouro feminino do Brasil em
um Mundial.
Assim como Leila Antonio, Ana
Marcela traz o diferencial dos
competidores do Santa. Desde sua
estreia no mar, aos 10 anos, quando ganhou a prova — uma minitravessia de cerca de 500 metros
— até hoje, vem colecionando títulos inéditos para a nação brasileira, como o de campeã na prova
dos 25 quilômetros em julho no
Mundial de Esportes Aquáticos,
em Xangai, na China. O primeiro é
um de seus favoritos porque recebeu o Troféu Meu pai, o campeão,
em comemoração ao Dia dos Pais.
Já o segundo, marcou mais uma
vez seu nome na história da natação do País. Com apenas 19 anos
e tempo de 5h29m22s9, trouxe o
título inédito no Brasil e na América do Sul à categoria.
Ana Marcela credita seu desempenho ao equipamento: “É
ideal para os meus treinos. A piscina está sempre disponível, não
importando nem o dia da semana
nem a hora. É perfeito porque por
não ser um clube, que tem associados disputando o mesmo espaço,
é 100% voltada para os treinos”.
Ela conta que já teve experiências
negativas em outros lugares “Piscinas descobertas dependem das
condições do tempo. Sem aquecimento é um sofrimento no inverno, e as que são usadas nos clubes
têm horários reduzidos para o uso
dos atletas aos sábados, domingos e feriados, e isto compromete
o planejamento e a performance
dos nadadores”.
Para o técnico Márcio Latuf,
que treina há quatro anos a nadadora, a piscina valoriza o desempenho dos atletas. “A piscina
da UNISANTA é excelente para se
obter bons resultados. Ela tem
boa profundidade, a turbulência
não atrapalha, e está no nível do
mar. Mas, claro, que os resultados
positivos não dependem somente
dela, mas do treinamento.” Segundo ele, a turbulência é a maior vilã
dos nadadores. “Isto influência no
desempenho dos atletas. Quando
o atleta compete em uma piscina
preparada, e com até duas linhas
de raias, entre as mesmas, pode
ter seu desempenho melhorado
em alguns centésimos, e até em
alguns décimos. A turbulencia lateral influência no equilíbrio do
corpo, e a frontal — pior de todas
— diminui a velocidade de nado
do atleta”, diz
Outro fator que interfere nas
‘braçadas’ é a profundidade. Latuf explica: “A piscina muito rasa
pode diminuir a velocidade do
atleta, quando o deslocamento
gera ondas que vão ao fundo da
piscina e voltam de encontro ao
corpo do atleta. Mas este não é o
caso da UNISANTA”. Porém, isto é
relativo. “Muitas vezes, em piscina com duas profundidades, alguns atletas dizem que na parte
mais rasa sentem maior velocidade, isto porque, com o menor volume de água fica mais fácil e mais
rápida a puxada. Enquanto outros
acreditam que a parte rasa não
tem a pressão ideal, ou o volume
de água certo, para se fazer uma
pegada forte, e vice e versa.”
Com 25 metros de largura, e
profundidades de 1m40 nas pontas e de 1m60 no meio, a primeira
piscina olímpica da região é dividida em 8 raias, e o sistema de
aquecimento e o teto retrátil são
os principais diferenciais. “Facilitou o trabalho dos treinadores e
também dos atletas que não sofrem mais com o vento”, analisa
ele.
Atualmente, o teto retrátil
passa por serviços de manutenção. E duas melhorias foram indicadas pelo treinador e pela
campeã para que a excelência da
atividade seja ampliada no equipamento: a primeira é o aumento
de duas raias — dessa forma, haveria a raia “A” e a raia “B”, uma
no lado direito e outra no lado
esquerdo da piscina que durante as competições ficariam livres
para facilitar a disseminação da
turbulência lateral, junto com o
quebra-onda. E a segunda, a ampliação da piscina de 20 metros
para 25 metros, para atender às
exigências de regulamento de
competições de maior porte.
considerada modelo e que já
Atletas treinam na piscina olímpica,
ria Lenk
abrigoi torneios nacionais, como o Ma
passar dos anos, a natação veio
crescendo e se destacando. Até
que em 1987 fui convidado para
formar uma geração de campeões e estou nesta história até
hoje”, expõe.
“Hoje temos na categoria petiz três técnicos para 60 atletas;
a infantil dois técnicos para 40
atletas; na juvenil três técnicos
para 35 atletas; na júnior, três
técnicos para 35 atletas e na
principal, três técnicos para 30
atletas”, explica.
Piscina olímpica forma campeões
Joana Ribeiro
16
Tradicional na natação do País
e pioneira na região, a piscina
olímpica da UNISANTA comemora
30 anos. O equipamento começou
a ser construído em 1981 e foi
inaugurado no ano seguinte. Mas,
começou a ser moldado desde a
formação da primeira equipe de
natação, o projeto composto por
jovens da turma do Aprender a
nadar, ainda na piscina semiolímpica, com seis raias, onde hoje é o
pátio do Bloco A.
Formando gerações, construindo campeões. Este lema já definia
a proposta e os objetivos da instituição em julho de 1973, quando
foi promovida a primeira viagem
da equipe de natação da Unisanta
para o exterior. Durante 17 dias, o
diretor Mílton Teixeira e o técnico Moacyr Rebello dos Santos comandaram a comitiva que passou
por Espanha e Portugal, e voltou
com dez medalhas de ouro das
doze provas que disputou.
A professora da UNISANTA, Leila Antônio, com 15 anos na época,
estava na equipe, que levou o ouro
no revezamento 4x100 metros em
quatro estilos, junto com as nadadoras Maria Rita e Renata Lopes
Natale e Cleide Andrade Peres.A
comitiva ganhou destaque em jornais internacionais, como o jornal
Norte Deportivo, da Espanha, nas
versões nacional e internacional,
e foi convidada para participar
das competições em, 1974.
A campeã Leila Antônio leciona
há nove anos na Fefesp. Atualmente, também auxilia pela manhã as
aulas da equipe de natação mirim,
Edição e diagramação: Joana Ribeiro
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
1990
Na metade dos anos de
, a UNISANTA viu as primeiras turmas de
Fisioterapia e Administração se formarem. Também deixou “engatilhados” os alunos
de Direito e Educação Física, cursos que, mais tarde, viraram referência.
Pró-reitor traça os desafios
para os próximos anos
Para Teixeira, a UNISANTA é vista como porta de entrada para o crescimentos pessoal em vários aspectos
MARIANA BEDA
Arucha Fernandes
(antes instalada em São Vicente),
foi com o intuito de colocar a teoria
em prática como fundamento para
uma maior experiência dos alunos,
que saem em grande vantagem com
esses equipamentos.
PI— Que papel a Universidade
exerce na vida do jovem que ingressa na UNISANTA?
Teixeira— A universidade possui uma forte identidade com todos. O papel da UNISANTA deve ser
o de estimular e desafiar a razão, o
de libertar a inteligência para a plenitude de sua possibilidade.
Acreditar nos alunos e no futuro
deles. É com esse pensamento que
o Complexo Educacional Santa Cecília (Colégio e Universidade) acolhe mais de 15 mil alunos. O colégio que começou pequeno, fruto de
ideia de um casal de Santos, Nilza e
Milton Teixeira, hoje é considerado
referência na educação infantil até
a pós-graduação. Sob a direção da
segunda geração da família, a UNISANTA chega às bodas de ouro.
Marcelo Teixeira é o pró-reitor
da Universidade e tem a tarefa de
cuidar de toda a parte administrativa do complexo. Além disso, acumula as funções de diretor-presidente
do Sistema Santa Cecília de Rádio e
TV Educativas e presidente da Associação Santa Cecília de Esportes.
Em entrevista ao Jornal Primeira Impressão, o Pró-reitor diz que
a união da família Teixeira é a base
do trabalho realizado no complexo
UNISANTA.
Primeira Impressão— Quais
são as conquistas mais importantes dos últimos anos para o
Complexo Educacional Santa Cecília?
Marcelo Teixeira— Considero a maior conquista dos últimos
anos, o reconhecimento do diploma do Santa Cecília. Seja ele na formação do ensino médio, passando
pela graduação e pós-graduação.
A grande aceitação do mercado de
trabalho em aproveitar alunos de
nossos bancos escolares é resultado dos importantes investimentos,
como: a estrutura oferecida pela
UNISANTA; a fantástica capacitação
e competência do corpo docente; a
atualização das grades curriculares aperfeiçoadas de acordo com a
necessidade; e a enorme confiança
dos alunos na busca de qualificação
e do crescimento profissional. Além
disso, outras conquistas marcantes
como a consolidação do curso de
Engenharia, em diversas áreas, sem
dúvida, o curso mais antigo e com
grandes destaques neste período.
PI— Quais as próximas metas
a serem atingidas?
Teixeira— Hoje o maior desafio
a ser encarado é a exigência do mercado de trabalho por profissionais,
cada vez mais, melhor qualificados.
Contudo, a UNISANTA está preparada oferecendo opções de cursos
para atender a essa necessidade.
Um exemplo é o novo curso de Engenharia de Petróleo e Gás, que
busca oferecer para região, profissionais capacitados para trabalhar
nesse novo nicho de mercado que
está abrindo em Santos. A escolha
de uma grande empresa como a Petrobrás, em instalar na UNISANTA
uma minirrefinaria de petróleo, é
uma prova dessa confiança. Portanto, a meta é acompanhar as exigências do mercado, aprimorando
e qualificando os alunos, e também
o nosso corpo docente. Outro ponto é a criação de novos segmentos
como área de mestrado, trazida recentemente para instituição, além
de projetos na área de Direito portuário.
PI— Todo esse desenvolvimento discutido para a região,
“A Universidade possui uma forte
ra
identidade com todos”, explica Teixei
em especial para Santos, acarreta também a vinda de novas
entidades/universidades para a
Baixada. Como a UNISANTA está
se prepararando para a concorrência?
Teixeira— A presença de outras
instituições na Baixada Santista é
saudável para o desenvolvimento
local, pois amplia a produção acadêmica e cientifica, possibilita a
realização de pesquisas conjuntas
e até mesmo de curso de pós-graduação. A UNISANTA já ofereceu
cursos de mestrado e doutorado interinstitucionais, dentre eles, com a
Universidade Federal de Itajubá e a
Universidade de São Paulo. Somos
referência pela qualidade de ensino,
envolvimento com as necessidades
da região e do País e comprometimento com a formação integral do
cidadão. Com isso, trabalharemos
cada vez mais para manter nossa marca consolidada e retribuir
a confiança depositada em nosso
Complexo Santa Cecília.
PI— O que o complexo como
um todo (universidade e colégio)
representa hoje para a região?
Teixeira— A UNISANTA representa desenvolvimento e, principalmente, a esperança de pessoas
de todas as faixas etárias que procuram a instituição para conseguir
um aprimoramento intelectual,
progresso profissional, e também
espiritual. Isso porque o nosso
diferencial está na forma de convivência entre docentes, alunos e
funcionários, que transformam o
ambiente acadêmico, com um clima
de alto astral e também de constante aprendizado. A UNISANTA é vista como uma porta de entrada para
o crescimento em vários aspectos.
PI— Uma marca do Complexo
UNISANTA é o investimento no
esporte, principalmente, na natação. Que tipo de apoio os atletas
recebem? Há algum novo projeto
de incentivo ao esporte?
Teixeira— A UNISANTA tem
uma política muito forte de incentivo ao esporte, atividade que adota
como instrumento vital dentro do
processo educacional. Mais importante que isso, atua no reforço da
consciência que o atleta precisa ter
um desempenho esportivo compatível com o acadêmico. Essa conciliação é o principio fundamental
agregado pela instituição.
Hoje, a UNISANTA é a maior
potência universitária da natação
brasileira. Entre os destaques, temos a aluna Ana Marcela Cunha,
que conquistou em 2011, um título
inédito em toda a história do Mundial da Federação Internacional de
Natação de Maratonas Aquáticas.
Com apenas 19 anos, ela se tornou
a primeira brasileira a obter a medalha de ouro nos 25 quilômetros
na China. Isso apenas nos motiva e
confirma que estamos no caminho
certo para o desenvolvimento de
novos projetos.
PI— Outro ponto importante contemplado pelos cursos de
graduação é o fato de inserir a
prática, ao invés de ficar apenas
na teoria. Exemplo disso o Espaço UNISANTA, do curso de Jornalismo, que é exibido na Santa
Cecília TV, e também os diversos
consultórios de atendimento à
população. Esse é mais um diferencial da Universidade?
Teixeira— Sim. Um dos critérios
aplicados pela UNISANTA é conseguir preparar o aluno por completo,
unindo a formação como cidadão e
o aprimoramento técnico/científico. A articulação entre a teoria e a
pratica deve ser estimulada, valorizando a pesquisa individual, bem
como os estágios e participação em
atividades de extensão. Exemplo
disso são as clínicas de Fisioterapia
e Odontologia, Juizado e Escritório
de Direito, consultório farmacêutico, entre outros. Quando tomamos
posse da primeira emissora regional da Baixada Santista, TV Litoral
PI— Quais são os seus votos,
como Pró-reitor, para o aniversário de 50 anos da UNISANTA?
Teixeira - A UNISANTA, embora já esteja comemorando as bodas
(50 anos), ainda é uma instituição
muito nova. Com isso, as perspectivas de crescimento são muito fortes
e nosso intuito é manter o conceito
de constante modernização, seja na
atualização em equipamentos, seja
na questão humana, oferecendo opções, cada vez mais, para as pessoas
mais humildes.
O Complexo Santa Cecília cresce
devido à união da nossa família, que
consegue conservar as raízes de
trabalho passadas por meus pais e
agora cultivadas por nós. Não existe diferenciação de cargos, todas as
decisões são tomadas em conjunto,
e essa consciência é repassada para
que as próximas gerações continuem o trabalho.
PI— Há quanto tempo o senhor está na UNISANTA?
Teixeira— Eu comecei a trabalhar com apenas oito anos, como
office boy, passando por departamentos como gráfica, xerox e outros, que fizeram ter um amplo
conhecimento de todos os setores.
Isso incentivado pelo meu pai que
sabia da importância de envolver os
filhos em todas as áreas da instituição, com intuito de uma formação
de gestores comprometidos com
os mesmos ideais dos fundadores.
Comecei de baixo e fui crescendo
sem imposições, mas pelo próprio
destino.
Assumi também funções importantes, precocemente, como delegado regional de natação, aos 16 anos
e a presidência do Santos Futebol
Clube, aos 28 anos.
PI— Como o senhor se sente à
frente de uma instituição de tamanha tradição na região?
Teixeira— Hoje tenho 47 anos e
a minha vida toda foi no Santa Cecília. A dedicação que tenho é um
reflexo do fato de gostar daquilo
que faço e acreditar no papel da
instituição na formação do cidadão.
Fico emocionado ao relembrar que
começamos com pouco mais de 20
alunos na escola primária e agora
estamos com mais de 15 mil, da
educação primária à pós-graduação. É uma satisfação encontrar exalunos e receber as mensagens de
felicitações e amor pela instituição.
A luta para construir essa estrutura do Complexo Santa Cecília e a
alegria de ver os alunos formados
só reforça a responsabilidade diante das próximas gerações que buscarão a mesma preparação e qualificação profissional na UNISANTA.
Edição e diagramação: Gabriel Martins
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
17
50
ANOS
Universo de obras
Bibliotecas mantêm acervos especializados e incentivam a leitura
AnA florA TolEDo
Carina Seles
Quem não lê não pensa e quem
não pensa será para sempre um servo. A frase do escritor e jornalista
Paulo Francis (1930-1997) é uma
das que estão expostas nas paredes
da Biblioteca Central. O local faz parte do Sistema Integrado de Bibliotecas da UNISANTA (SIBi), órgão suplementar de apoio acadêmico que
gerencia e fornece documentos e informações para o desenvolvimento
dos programas de ensino, pesquisa
e extensão da Universidade.
O SIBi é constituído por três bibliotecas, a Central, com acervo que
oferece suporte ao Ensino Fundamental e Médio, além dos cursos
de graduação, pós-graduação e de
extensão universitária; a de Direito,
com acervo especializado na área jurídica; e a biblioteca da Saúde, com
acervo especializado nos cursos voltados à área.
As bibliotecas mantêm acervo de
aproximadamente 107 mil volumes
de livros, periódicos, DVDs, CDs, teses, dissertações, normas técnicas,
apostilas, catálogos, folhetos, audiolivros, livros em braille, mapas
e obras raras. Dentre as raridades
estão a coleção da revista Realidade,
o antigo semanário O Pasquim, por
exemplo, além das obras Illustración, do começo do século 20, Curso
de Tupi Antigo e Código Civil Brasileiro, de 1917.
A cultura da leitura é fortemente incentivada pelas bibliotecas. Um
dos projetos desenvolvidos é o Não
por Acaso, iniciado em 2008. Con-
liotecas contam com a presença intensa
Com mais de 105 mil volumes, as bib
trabalhos e entretenimento
dos alunos que procuram livros para
siste em livros deixados em pontos
estratégicos como banheiros, bancos, corredores e elevadores espalhados pela universidade para que
os estudantes os encontrem e os
leiam. “Essa ação começou para incentivar o hábito da leitura. É uma
forma criativa para o nosso público
conhecer boas histórias. Ao final da
leitura, os alunos devem deixá-los
em outro lugar ou no mesmo lugar
em que os encontraram”, afirma a
auxiliar de biblioteca Sandra Regina
Vicente Cunha.
O último Não Por Acaso ocorreu
no dia 17 de agosto com o “esquecimento” das obras O guardião de
memórias, de Kim Edwards, Bellini e
o Demônio, de Tony Bellotto, O ima-
ginário cotidiano, de Moacyr Scliar e
A cabana, de William P. Young.
A auxiliar conta que situações
engraçadas já ocorreram no projeto.
“Alunos vieram à biblioteca entregar o livro que ‘alguém perdeu’. É
nesta hora que a nossa equipe explica como funciona o projeto. Mas
a informação na capa ou dentro do
livro de que a obra faz parte de um
programa de incentivo à leitura”,
afirma.
Outra ação realizada pelo SIBi foi
a exposição de livros que não estavam em bom estado de uso. “Fizemos a exposição para mostrar que
se deve mudar a cultura do cuidado com os livros. As pessoas devem
ler mais e saber como manuseá-los
Uma vida entre livros
Mayra Ramos
18
Com os cabelos escovados,
pulseiras prateadas, maquiagem
leve, batom cintilante e óculos
pendurados no pescoço, ela anda
de um lado para o outro carregando uma pilha de livros. Circula pela biblioteca central (bloco
M) como se estivesse em casa,
cumprimentando os colegas pelo
nome. “Eu não trabalharia em
outro lugar”, recorda.
Funcionária desde o dia 12 de
dezembro de 1977, Ana Maria
Racioppi responde pela organização de 17.778 livros apenas na
biblioteca central e é a funcionária mais antiga da universidade,
trabalhando de forma ininterrupta na instituição.
- “Eu? A mais antiga?” – indaga, surpresa, ao saber do fato,
confirmado pelo Departamento
Pessoal da universidade.
Não foi por amor aos livros
que Ana Maria ingressou na profissão. “Eu queria fazer algo diferente”, comenta. Depois de muito
pesquisar, decidiu fazer o curso
de Biblioteconomia na Fundação
Escola de Sociologia e Política de
São Paulo. Ana morou na Capital
até concluir a faculdade. De volta
a Santos, leu no jornal que estavam precisando de bibliotecária.
Passou por uma entrevista e começou a trabalhar.
“Quando eu entrei, duas bi-
ivAn DE sTEfAno
bliotecárias já
haviam passado
por aqui. Na época, a Sociedade
Universitária de
Santos (Susan)
era bem pequena. Eram poucos
cursos, o de Engenharia, Artes
e mais alguns outros. A estrutura
sendo a
ria está na Universidade desde 1977,
Ma
a
An
contava apenas
NTA
funcionária mais antiga da UNISA
com um ou dois
prédios e a biuma vez por semana. Ana casoublioteca era uma
se em 1983, aos 27 anos e dois
sala bem pequena, no bloco A. Foi
anos depois, teve seu primeiro e
uma vida aqui dentro”, recorda.
único filho. “Ele é a minha vida”,
A faculdade foi crescendo até que
diz a mãe, orgulhosa. Em 1991,
virou universidade. Ana Maria acomAna teve de encarar a morte do
panhou todas as fases. Viu a bibliomarido, e passou a se dedicar ainteca mudar de local algumas vezes,
da mais ao trabalho para garantir
“Reformas então, foram umas três
o sustento da casa. Atualmente,
ou quatro”, comenta. A parte técnica
ela tem um namorado e diz que
mudou completamente. Antes era
não moram juntos, mas está feliz.
tudo manual. Hoje, informatizado.
Para quem pensa que traba“O trabalho antes era mais calmo, a
lho
de bibliotecária é passar o
vida era mais tranquila. Não tinha a
dia lendo livros e revistas está
cobrança do MEC e escrevíamos em
enganado. Ana garante que é
máquinas de escrever”.
um trabalho que alia concentração, esforço e dinamismo.
PERFIL
“Fazemos compras de livros,
Uma mistura de mulher forte e
solicitações e, quando receindependente, com ar de quem não
bemos doações, precisamos
reclama da vida. Acorda às 6h30
avaliar tudo antes de deixar
para chegar à UNISANTA às 8h. Tradisponível na prateleira. Enbalha no período da manhã e da noiciclopédias, por exemplo, ninte. Aproveita a tarde livre para camiguém mais quer saber”.
nhar na praia e fazer aula de pilates
Edição e diagramação: Willian Guerra
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
e cuidá-los”, conta a coordenadora
das bibliotecas Central e de Direito,
Ana Maria Racioppi Silveira.
NOVIDADE
O novo sistema de biometria,
instalado no último semestre nas
bibliotecas, consiste no usuário se
identificar no sistema através do polegar direito, o que anteriormente
era realizado apenas com a carteirinha de identificação. Para Sandra
Regina, esse novo sistema facilitou
aos alunos o acesso aos os livros. “A
nova forma de identificação possibilitou que o atendimento seja feito
com maior facilidade e segurança,
visto que desta forma não há como
outra pessoa retirar o livro em nome
de outra”, diz.
Outro serviço prestado está em
sua página na internet. O ambiente
virtual oferece um acervo extenso
em parceria com bibliotecas virtuais
como a Biblioteca Brasiliana Digital
USP, Biblioteca Digital França—Brasil, Biblioteca Virtual da Saúde, Biblioteca Virtual sobre Corrupção,
Biblioteca Virtual da Unicamp, Biblioteca Digital da UFPR, Biblioteca
Digital Domínio Público, dentre outras reconhecidas a nível internacional.
SERVIÇO
As bibliotecas Central e de Direito
funcionam de segunda a sexta-feira,
das 7h30 às 22h30, e aos sábados,
das 8 às 12h30. Já a Biblioteca da
Saúde funciona de segunda a sextafeira, das 8 às 22h, e aos sábados,
das 8 às 12h30. Mais informações
(13) 3202.7100, ramal 179.
Proler está
na ativa há
17 anos
Fernanda Barreto
Mantido pela UNISANTA e vinculado à Fundação Biblioteca Nacional e ao Ministério da Cultura,
o Programa de Incentivo à Leitura
(Proler) chegou à Baixada Santista
em 1994, trazido pela reitora Sílvia Ângela Teixeira Penteado.
O Proler desenvolve a formação
do leitor e o estimula o cidadão a ler
mais. A responsável por cuidar dos
comitês e dirigir o projeto na região
é a professora Conceição Dante, que
é formada em Pedagogia e Ciências
Biológicas.
“O programa atua como uma
política de leitura. Os comitês
são mensais e ocorrem nas primeiras quintas-feiras do mês,
com a participação das nove
cidades da Baixada Santista,
representadas por seus secretários de Cultura e Educação,
mais as duas Diretorias Regionais de Ensino de Santos e São
Vicente”, diz.
O Proler da UNISANTA foi premiado nacionalmente em 2009. Recentemente, promoveu atividades
ligadas ao cinema e biblioteca, realizadas em setembro.
Os interessados podem entrar em
contato por e-mail ou pelo telefone
(13) 3202-7100, ramal 128. E-mail:
[email protected]
2000
A partir dos anos
, chegou a hora de abrir as portas do Complexo para os
interessados em ser tecnólogos. Agora, novos profissionais ingressam na faculdade e
concluem seus estudos em menos tempo, mas com muita qualidade.
A dramaturgia como
experimentação
Investigar, informar e transformar. Este é o Teatro Experimental de Pesquisas - TEP
Juliana Carrasco
Você consegue imaginar uma encenação de teatro em que a história
se baseia nas disciplinas da escola?
Assim, há 30 anos, começou o Teatro
Experimental de Pesquisas (TEP),
liderado por um grupo de alunos do
Colégio Canadá que desenvolvia peças teatrais em vez dos tradicionais
trabalhos. “Até aulas encenávamos;
transformávamos os trabalhos em
CARINA SELES
cenas teatrais, isso até mesmo com a
matemática, com os corpos assumindo papéis de números e as ações em
equações. Eram exercícios do prazer”,
diz o atual diretor do TEP e professor do curso de Técnicas de Teatro e
Dança da Universidade Santa Cecília,
Gilson de Melo Barros.
Norteado por questões políticas
no período mais áspero da ditadura
militar, o TEP foi criado no início dos
anos 1960: “Na época, vários grupos
da Cidade enfrentaram dificuldades como pouco locais apropriados
para ensaiar. Chegamos a ensaiar
na Cadeia Velha de Santos, mas locais como esses tinham o piso frio, o
que dificulta ainda mais o trabalho
dos atores. Por fim, estando aqui,
tornou-se fácil vincular o grupo à
Universidade. Durante esse período,
tendo recebido todo o apoio logístico necessário para que a atividade
permaneça”, diz Bamos.
Primeiramente, o TEP se chamou
Teatro Informação, depois Teatro
Cacilda Becker e Teatro Estudantil
de Pesquisa. Mais tarde, adotou o
nome que perdura até hoje. Ramos
conta como foi essa trajetória. “O
grupo vem desde quando eu tinha
14 anos. O teatro era montado de
forma bastante intuitiva. Éramos
todos muito jovens e sem acesso direto ao teatro. Guiávamo-nos pelos
espetáculos mostrados pela TV. O
Grande Teatro Tupi, as comédias da
TV Record e outros programas do
gênero serviram de base para nós.
Quando saímos do Canadá, depois
de formados, já ingressamos na segunda fase do teatro amador san-
tista e foi quando deparamos com
diretores como Marco Antonio Rodrigues e Nancy Alonso”.
O diretor explica a razão do nome
“experimental de pesquisas” e conta que não trabalha com clássicos e
sim com o contemporâneo em suas
peças.
“O nome pesquisa seria a investigação do teatro. Já o experimental
vem da ideia de experimentar teatro, experimentar linguagens. Trabalhamos com pesquisas de linguagem e deixamos o clássico um pouco
de lado. Nosso grupo trabalha com
base em pesquisas experimentais, é
uma questão temática, uma questão
de assunto que é uma das características do grupo. O TEP é uma usina
de investigação, não é um grupo profissional que se mantém em carreira
de apresentações, a gente investiga,
a gente instiga”, conta o diretor, com
entusiasmo.
Como todo grupo de teatro, o
TEP vai se profissionalizando. Atualmente, conta oito atores profissionais no elenco. Segundo o diretor, o
grupo pode ser considerado um veículo de passagem dos atores: “Muitos dos que passaram pelo TEP, hoje
são atores profissionais, diretores.
O grupo é de transição, os membros
ficam de dois a quatro anos e aí seguem os seus estudos, especializamse. Mas isso não quer dizer que não
se abra um outro elenco, uma outra
turma. Afinal, o TEP é uma usina de
investigação”, diz Bamos.
O TEP é aberto à participação
de alunos, funcionários e também à
comunidade.
Levando cultura e alegria
para os ônibus
das atividades culturais
Gilson de Mello Bar ros realiza há déca P
- TE
no Teatro Experimental de Pesquisas
Anos marcantes
O TEP começou a ganhou força
no início dos anos 1970, sob a direção de Marco Antônio Rodrigues,
período de ditadura militar no Brasil. Neste momento, o grupo se volta
pela defesa dos direitos constitucionais e por um estado de direito,
como muitos outros artistas da época. “O grupo foi bastante observado
nessa época, tivemos várias peças
proibidas, apresentávamos em portas fechadas com perigo de todos serem presos, mas ali havia resistência”, conta Gilson de Melo Barros.
Nos anos 1980, por iniciativa da
atriz e uma das fundadoras do TEP,
Nancy Alonso, o grupo apoiou outro
fato polêmico, denunciando, a partir
de suas peças, o descaso público sobre a questão da qualidade do sangue no País e o avanço da Aids.
No período, o grupo se destacou
pela montagem do espetáculo A Relativa Revista, baseada na peça escrita
por Henfil e Oswaldo Mendes, A Revista do Henfil, em 1978. “O dinheiro
dos espetáculos serviu para alicerçar
financeiramente e sustentar o Grupo
de Apoio à Prevenção da Aids (Gapa)
por quase dois anos. Então, criamos
o Gapa Baixada Santista, pois ele ainda não era ONG, era só um grupo que
estava tentando trabalhar, acudir, socorrer, aconselhar”. (J.C.)
Com 100 prêmios no currículo, hoje o Teatro Experimental de Pesquisas está em
processo de pré-produção
para o auto de Natal: “Projeto Limites: Dramaturgia para
ônibus urbano”, com o espetáculo As cirandas de Maria.
O projeto procura pesquisar outras formas de entretenimento em palcos diversos.
Segundo Gilson de Melo Barros, este trabalho alternativo completa agora 11 anos e,
desde o princípio, foi criado
para ser encenado dentro de
um ônibus: “A dramaturgia
vai para dentro do ônibus,
onde o corredor é o palco e
também a plateia”, explica
Barros.
Em 2011, o grupo está se
diversificando, pois além de
se transformar em teatro de
ônibus e em teatro de rua,
o TEP está em contato com
o Metrô de São Paulo: “Pos-
sivelmente, vamos encenar
em São Paulo, São Bernardo, São Caetano e nas cidades aqui do Litoral levando
o Projeto Limites”.
Segundo o diretor, nos primeiros oito anos, o trabalho
era realizado apenas em Santos. Depois foi para Mongaguá
e Bertioga e este ano deve também trabalhar com empresas e
outros veículos.
“Dá vontade de pensar em
teatro para balsa, para elevador... É uma possibilidade desse projeto que nasceu aqui e
vai de vento em popa, quando
se fala em TEP, se fala de Unisanta e se sabe que aqui se faz
teatro”, conta entusiasmado o
diretor.
A última peça realizada
pelo grupo foi Olhos de fazer
morder, sobre Pagu. A obra
foi encenada no último Festival Internacional de Teatro de
Curitiba. (J.C.)
Edição e diagramação: Michael Gil
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
19
50
ANOS
Rádio e TV na era digital
Preocupação com a qualidade do som e da imagem marca a atuação do Sistema Santa Cecília de Comunicação
A TV Santa Cecília já entrou na
era digital aderindo, em parte de
sua programação, ao sistema highdefinition television (HDTV). Foi a
primeira televisão educativa do País
e a segunda emissora da Baixada
Santista a aderir ao sistema digital.
De acordo com a assistente de
produção Iraê Costa Rodrigues, a
qualidade na imagem e no som está
atrelada à importância de emitir
uma programação de qualidade
para a população. “Por ser uma
televisão regional e educativa, a
emissora tem grande importância
e responsabilidade social para com
todos os seus telespectadores. Várias pessoas ligam nos agradecendo e indicando fatos para agendar
entrevistas”, afirma.
O sinal da antiga TV Litoral, primeiro canal televisivo da região,
passou a ser o sinal da Santa Cecília TV em janeiro de 1997. A antiga
emissora tinha sede em São Vicente e, com a transferência do sinal,
a Santa Cecília TV foi instalada na
Universidade Santa Cecília (UNISANTA), em Santos.
Para o apresentador Irineu Alves,
as principais transformações que
ocorreram na emissora foram tecnológicas. “A renovação de formatos
carina seles
Adriele Donadio
formatos
Irineu Alves destaca a renovação de
e a aplicação de novas tecnologias
e a aplicação de novas tecnologias
que têm surgido no decorrer dos
anos são as principais mudanças a
serem destacadas”, comenta.
As programações também sofreram algumas mudanças durante os anos. Hoje, a emissora possui
50 programas, oferecendo informação, esportes, entretenimento,
ecumenismo, cultura e lazer. O sinal da TV abrange Santos, Guarujá,
São Vicente, Praia Grande, Cubatão
e Mongaguá.
A Rádio Santa Cecília FM também
faz parte do Sistema Santa Cecília de
Comunicação e, com o passar dos
anos, tpassou por algumas transformações. Criada em janeiro de 1999,
a emissora tem sua programação
voltada à música popular brasileira,
internacional e flash-backs.
De acordo com a programado-
ra musical Andrea Garcia, algumas
mudanças pontuaram a trajetória
da emissora. “No começo, não havia locutores e as musicas tocadas
eram selecionadas em CDs. Atualmente, são três os locutores e as
músicas são selecionadas pela internet”, comenta.
Cerca de 350 músicas são tocadas diariamente na programação da
rádio, que tem 57 minutos de música e três minutos de comerciais por
hora. O acervo da emissora possui
7.400 músicas. O sinal abrange as
nove cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista.
A relação com os ouvintes gera
retorno, com a transmissão pela
Internet para fora do Estado e até
do País. “Muitos ouvintes entram
em contato por e-mail elogiando o
trabalho da emissora”, afirma Andrea Garcia.
José Carlos do Santos, conhecido
como Piriquitão, também faz parte
da equipe da emissora. Ele é responsável pela edição das músicas e pela
mixagem das vinhetas. “O trabalho
que desenvolvemos visa à melhor
qualidade da música que chega aos
ouvintes. As muúsicas e os comerciais possuem o mesmo tom, para
que ouvinte não precise reduzir ou
aumentar o volume durante a programação”, ressalta.
Criatividade e dinamismo marcam as
publicações do curso de Jornalismo
20
O curso de Jornalismo é um dos
mais tradicionais da UNISANTA.
Conquista novos alunos a cada ano,
em razão de proporcionar uma experiência completa para os futuros
profissionais. Entre as diferenças da
instituição está a prática aplicada à
teoria.
A rotina em uma redação, seja
de jornalismo impresso ou online, é
algo que, quando vivenciada na Universidade, ajuda, e muito, quando o
aluno recém-formado ingressa no
mercado de trabalho.
Pensando nesse contexto, já a
partir do terceiro semestre o aluno
começa a aprender como funciona uma redação. A primeira grande experiência para o repórter é
o Primeiro Texto, que mostra aos
estudantes técnicas de reportagem, elaboração de pautas, formas
de abordagem em entrevistas e na
produção de matérias.
“O começo é apenas um aperitivo
de jornal diário. O aluno cria pautas
que são trocadas entre os colegas,
vai atrás da história e escreve a matéria no mesmo dia”, diz o professor
Luiz Carlos Bezerra.
O próximo passo é a edição do
Primeiro Texto Comunitário. Basicamente, os alunos visitam uma
comunidade da região, previamente selecionada, e assim elaboram
um jornal com reportagens sobre
o local.
Esse é o exercício mais completo e amplo. Isso porque possibilita
ao estudante compartilhar a visão
do outro, ajudando a comunidade a
ivan de stefano
Arucha Fernandes
s em lab ora tór ios pró pri os
As pub lica çõe s são pro duz ida
o me rca do
com uso de sof twa res usa dos pel
apontar problemas e a buscar soluções”, diz o professor.
Além do propósito acadêmico, o
jornal também serve como um alerta para as autoridades a respeito das
reivindicações e opiniões dos moradores. “O objetivo é levar o aluno a
entender o valor do jornalismo. E se
isso resultar na contribuição para
que as comunidades visitadas recebam mais atenção e benfeitorias,
ainda melhor”, conclui Bezerra.
Jornal dos Jogos
O Jornal dos Jogos é o mais bemhumorado impresso que circula na
Universidade, sempre no mês de
maio. O objetivo da publicação é cobrir os Jogos da UNISANTA e oferecer aos alunos o contato com o segmento de esportes.
O mais interessante da experiência é o fato de as edições serem
fechadas no mesmo dia”, afirma um
Edição e diagramação: Willian Guerra
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
dos professores responsáveis pelo
jornal, Márcio Calafiori.
O jornal existe desde 1997. Ao
longo da cobertura dos Jogos são
distribuídos 500 exemplares por
dia. A edição de estreia circula com
mil exemplares.
rEVIsTa
No terceiro ano do curso, os
alunos aprendem a fazer revista.
Os produtos criados em sala de
aula são impressos e posteriormente ficam à disposição do público no
www.unisanta.br/revistavirtual
e no www.issuu.com/revistasjornalismounisanta, plataforma que
abriga publicações de diversos países. “Aprender revista permite que
o estudante tenha contato com outra experiência no campo do jornalismo, pois a linguagem do produto
permite inovações”, diz a professora Elaine Saboya.
PrImEIra ImPrEssão
O jornal-laboratório Primeira
Impressão que completa, em 2011,
16 anos, tem como principal característica a inovação. Considerado
um dos cinco mais importantes do
País, pela revista Imprensa, apresenta aos alunos, nos dois últimos
semestres do curso, a oportunidade
de vivenciar, em aula, uma redação
de jornal impresso. “A criatividade e
o dinamismo sempre foram características do Primeira Impressão. A
seção de entrevistas coletivas, por
exemplo, traz a mesma informação,
por meio da mesma fonte, e ainda
assim são produzidos cerca de 50
textos com abordagens diferentes,
com a visão de cada aluno”, diz o
professor Francisco La Scala Júnior,
um dos responsáveis pelo jornal.
Outra iniciativa que agrega bastante
na formação do repórter é a cobertura das eleições gerais e municipais. A cada dois anos, os alunos trabalham em uma edição especial no
dia da eleição, com a cobertura do
pleito, acompanhando todo o processo e produzindo o material para
ser publicado no dia seguinte. Entre
os destaques das coberturas está a
eleição presidencial de 2002.
O empenho dos alunos que fazem
o Primeira Impressão resulta em
reportagens que ganham notoriedade em toda a região. “Uma matéria de
grande repercussão, que rendeu até
premiação na Câmara de Santos, foi
uma história sobre a venda ilegal de
ossos em um cemitério da Cidade. As
alunas responsáveis pela pauta investigaram e denunciaram o ocorrido às
autoridades”, comenta La Scala.
Depois de um início modesto, com poucos
alunos, a evolução gerou importante crescimento. Atualmente, são 15 mil
alunos, da Educação Infantil à Pós-Graduação. Eles estão espalhados por
16 edificações em um total de 100 mil metros quadrados.
Espaço também à cultura
Galeria é o ponto de encontro para aqueles que gostam de
apreciar exposições de fotografias, quadros, gravuras e
trabalhos de artes visuais
ana flora toledo
abrigado
O espaço funciona desde 2005, tendo
ome
obras de artistas plásticos de ren
Mariana Ayumi
Logo na entrada da Universidade, os estudantes e visitantes
são convidados a esquecer um
pouco o mundo lá fora e a mergulhar num momento de cultura.
Localizado no Bloco M, o Espaço Cultural é o local certo para
aqueles que desejam apreciar
produções de diversos cursos,
como Arquitetura e Urbanismo,
Moda, Publicidade e Propaganda,
Jornalismo, Produção Multimídia
e Artes Visuais.
O espaço foi criado com o objetivo de propiciar algumas vivências para alunos como forma
de enriquecer o currículo do curso de Artes Visuais e enfatizar aspectos relacionados à educação
para atuar em espaço expositivo. São realizadas exposições de
fotografias, quadros, gravuras,
trabalhos de Artes Visuais, entre outras. Além disso, o Espaço
Cultural também promove lançamentos de livros.
A professora e coordenadora
do curso de Artes Visuais, Lídice Romano de Moura, coordena
o Espaço Cultural desde 2005 e
explica a sua importância para a
região: “A Cidade carece de espaços para exposições. Atualmente,
não existem galerias, apenas alguns museus que não são muito acessíveis à população. Daí a
grande importância de termos
uma galeria dentro da Universidade, que pode mostrar parte de
produções feitas por alunos e ex-
alunos e também aberta ao público”, ressalta.
Pelas paredes do Espaço já
passaram artistas renomados na
região, como os artistas plásticos
Elver Savietto e Gilda Figueiredo,
lembrados por Lídice. Outras exposições também são destaque,
como a realizada pelo artista
gráfico Miro Antunes, em 2008. O
artista expôs cartazes, tiras, quadrinhos, charges sobre os temas:
“Glauber, a Poesia em ‘Terra em
Transe’” e “Maurice & Miro, 40
Anos de Parceria em Arte”.
O Espaço Cultural ainda foi
sede dos três primeiros anos do
Salão Dino de Humor do Litoral
Paulista, que apresenta produções dos alunos de Produção Multimídia. O evento é uma iniciativa
dos ilustradores Osvaldo DaCosta
e Alexandre Barbosa, juntamente
com a designer Márcia Okida. E
homenageia o chargista Accindino Andrade (1920-1996), Dino,
antigo colaborador do jornal A
Tribuna, de Santos.
Cineclube Lanterna Mágica
e o sonho
ivan de stefano
Bruna Garcia
O Cineclube Lanterna Mágica
foi fundado em março de 1999,
pelo então estudante de Jornalismo, Eduardo Ricci. Na época, ele
tinha 22 anos e estava no terceiro
ano da faculdade, na UNISANTA.
“A proposta inicial do cineclube
era a difusão cultural por meio
do cinema dentro da Universidade”, diz Ricci, coordenador do
espaço.
Hoje, ele acredita que a proposta amadureceu. Após doze anos,
com projetos como o Cineme-se e
o Cine Degusta, fronteiras foram
desbravadas e o cineclube extrapolou os muros da Universidade.
“Antes, o movimento era de fora
para dentro (da Universidade) e
agora é de dentro para fora”.
O Cineme-se é um projeto que
começou em 2004 e levou o cineclube para o Sesc/Santos. A ideia
era produzir, editar e reproduzir
imagens em tempo real, com VJs.
Deu certo e se tornou um evento
bienal. O Cine Degusta começou
no início deste ano, com a proposta de unir cinema e gastronomia.
São exibidos filmes que envolvem a cozinha em algum momento, enquanto no fim das sessões e
dos debates o prato igual ou parecido ao do filme é servido para
os espectadores.
Ricci diz que sempre gostou de cinema. Sua primeira vez
diante da tela foi aos 9 anos de
idade, quando foi assistir Zorro
em um cinema de Guarujá. “Desde os 7 anos, eu ficava imaginando como era o cinema. Minha
tia me contava as histórias dos
Há 12 anos, o Cineclube abre espaço
para a Sétima
filmes e descrevia a sala, com a
tela gigante, pé direito alto e milhares de cadeiras”. O santista,
que mora em Guarujá desde pequeno, diz que sempre que vinha
a Santos, e passava em frente aos
cinemas da Avenida Ana Costa, ficava maravilhado com as luzes e
as cores dos cartazes. “Eu queria
fazer parte daquilo”, diz.
A primeira experiência profissional no mundo das artes foi
quando trabalhou no Circo Spacial, aos 13 anos. Sua madrasta
tinha contatos e Ricci ia ao circo
todos os dias como visitante, até
que a gerência disse que ele não
poderia mais entrar. “Então eu
quero trabalhar aqui”, retrucou
e, assim, começou a vida no mundo da imaginação e da fantasia,
como ele mesmo diz.
O cineclube surgiu de uma
palestra sobre cinema que Ricci
organizou na Universidade e foi
bem-sucedida. Em seguida, ele
apresentou um projeto à presidência da UNISANTA e fundou o
espaço. Já passaram pelo Cineclube Lanterna Mágica convidados como Daniela Thomas, Beto
Brandt, Sérgio Bianchi e José Roberto Torero, entre muitos outros
palestrantes do mundo das artes,
do cinema e do jornalismo.
Desde setembro, o cineclube
traz programação especial para
homenagear os 50 anos do Complexo Santa Cecília. A Quarta Mágica no Lanterna, um trabalho de
construção e edição de imagens
ao vivo, às quartas-feiras, das 16
às 17 horas, tem vagas limitadas.
Também toda quarta, das 19 às
22 horas, tem o Cine Mochilão,
com exibição de filmes que contam histórias de viajantes, como
Albergue Espanhol e Vicky Cris-
tina Barcelona. A programação
segue até novembro.
Agora em outubro, Ricci pretende montar uma cabine no piso
térreo da Universidade, para alunos e professores fazerem gravação em vídeo, com o tempo de
50 segundos, respondendo a uma
pergunta: “Qual o seu sonho?” A
finalização e apresentação ficará
para o ano que vem. Para o futuro, ele quer fazer um evento semanal de cinema em tempo real
no cineclube, com produção de
imagens, edição e apresentação,
tudo na hora. E, também em um
futuro próximo, Ricci quer abrir
a sua própria produtora para realizar o seu grande sonho, fazer
cinema.
Para conferir a programação
completa do Cineclube é só acessar o site www.unisanta.br/cineclube
Edição e diagramação: Joana Ribeiro
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
21
50
ANOS
Um pedaço de casa
Ao completar 50 anos, o Colégio Santa Cecília investe em tecnologia e reforça a importância
da confiança na relação entre aluno, escola e família
Thaís Cardim
Os pequenos entram com a família, ganham beijos de até logo e
desejos de “boa aula”. Já os maiores,
com vergonha, se limitam a um beijo e um tchau, bem discreto. Ao passar do portão da Rua Oswaldo Cruz,
266, às 12h30, é possível ver quase
todas as faixas etárias chegando
para mais um dia de aula.
O carinho não acaba depois da
“despedida”. Na entrada, os pequenos abraçam, beijam e conversam
com professores e funcionários. “O
Santa é uma extensão da família”,
explica a diretora do Colégio Santa
Cecília, Marilisa Grottone. Entregar
os filhos a alguém que não seja da
família não é tarefa fácil. Porém, no
Santa, muitos alunos são filhos de
ex-alunos ou funcionários do Complexo Santa Cecília.
“Há uma preocupação muito
grande, não só com o conteúdo, mas
com a formação do caráter, da personalidade da criança. Nosso convívio com as famílias é próximo e eles
estão sempre presentes, para receber elogios ou quando necessitamos
chamar a atenção. A receptividade
é excelente”, revela a diretora, que
tem 49 anos de Santa Cecília.
Atualmente, por conta da jornada de trabalho, nem sempre os responsáveis têm tempo para conversar, presencialmente, com a direção
e coordenação. Esse problema é resolvido com horários diferenciados
e atendimentos por telefone.
“Já atendi pais às seis e meia da
manhã, na hora do almoço. Essa
relação de amizade e confiança é
fundamental para buscarmos, juntos, o melhor para a criança”, conta
Marilisa.
Assim como a diretora, vários
funcionários estão no colégio há
anos. Esse laço, criado com os alunos, faz com que muitos retornem à
escola, trazendo seus filhos. Na recepção de alunos há 18 anos, Sônia
Maria de Oliveira, a Tia Soninha, conhece cada rosto que passa por seu
portão.
Ela também atende a pequenas
ocorrências e comunica aos responsáveis. “Tia Soninha, liga pra minha
mãe?” e “Tia, preciso de uma autorização porque cheguei atrasado(a)”
são as frases mais ouvidas pela funcionária, apaixonada pelo que faz.
“Tem que ter certa psicologia, que a
gente pega com a prática. Nem sempre eles pedem pra ligar porque não
estão se sentindo bem. É saudade!”,
comenta.
ESTRUTURA
Após meio século de vida e contando com mais de 1.500 alunos,
o Colégio Santa Cecília permanece
jovem e ligado em novas propostas
de ensino-aprendizagem. O novo
equipamento que promete auxiliar
a assimilação de conteúdos é a lousa
digital, disponível para professores
de todos os anos do Ensino Fundamental e Médio.
As turmas também contam os
mesmos laboratórios de Química,
Física e Biologia da Universidade
Santa Cecília, garantindo a melhor
estrutura para a realização de atividades experimentais. Já os pequenos têm acesso à brinquedoteca, equipamento da Faculdade de
Pedagogia (FaPe), onde aprendem
conceitos por meio da ludicidade.
Toda essa estrutura compartilhada
beneficia tanto os alunos do Colégio
quanto os graduandos da Universidade, que realizam estágio nesses
equipamentos.
Além do investimento em materiais e novas tecnologias, o grande
destaque do Colégio é o corpo docente. Muitos dos professores que
lecionam no Ensino Médio também
dão aula na Universidade. Essa vivência permite que o aluno ter contato com profissionais altamente
capacitados, que os auxiliam na preparação para os vestibulares.
Mas quem optar por seguir do
Colégio para a Universidade pode
contar com um método reconhecido
pelo MEC e menos estressante do
que o vestibular.
A partir do primeiro ano do
Ensino Médio, os alunos realizam
um simulado com 40 questões referentes à matéria daquele bimes-
tre. Essa pontuação é somada até
o último ano e, atingindo a média
referente ao curso escolhido, o aluno está aprovado na Universidade
Santa Cecília.
Os menores de seis anos de idade contam com um espaço próprio,
o Cantinho da Tia Cecília, chamado
carinhosamente de Cantinho. Lá, os
alunos do minimaternal ao 1° ano
do Ensino Fundamental iniciam a
vida escolar de forma lúdica.
As brincadeiras e atividades ensinam conceitos básicos
como cores, figuras geométricas
e, aos poucos, os pequenos são
inseridos no mundo da leitura
e da escrita. Porém, eles não ficam limitados àquele espaço,
frequentando o Laboratório de
Informática e o Ginásio Laerte
Gonçalves, que ficam no Bloco
A. Isso faz com que os pequenos
conheçam, aos poucos, a grande
estrutura na qual estão inseridos. Afinal, logo eles crescerão e
estudarão no mesmo bloco.
Do 2° ao 5° anos do Ensino Fundamental, os pais podem optar por
inscrever os alunos em oficinas sem
custo.
São oferecidas atividades de
dança, teatro, xadrez, flauta, tênis
de mesa e artes plásticas. Também
é possível inscrever o aluno em atividades extracurriculares, com custo reduzido, como futsal, handebol,
basquete e natação.
Brinquedoteca alia brincadeira com educação
Educar de uma forma divertida
é o objetivo da Brinquedoteca da
Universidade Santa Cecília, que
desde 2005 busca evidenciar para
as crianças de 2 a 12 anos o quão
importante pode ser brincar. Por
meio dos cinco espaços temáticos,
a criança aprende ao mesmo tempo em que se entretém.
Segundo a ludotecária e estudante do curso de Pedagogia, Barbara Siqueira dos Santos, o espaço
é uma forma interativa de ensinamento: “O objetivo da Brinquedoteca é que as crianças assimilem
as brincadeiras de forma lúdica,
ou seja, que desenvolvam a criati-
Maurílio Carvalho
Maurílio Carvalho
ee
nvolver criatividad
Brinquedoteca estimula a criança a dese
aprimorar seus conhecimentos
vidade e os conhecimentos.”
A Brinquedoteca é dividida
entre os espaços Oficina de Arte
Sucatoteca, Canto dos Jogos, Can-
22
Edição e diagramação: Willian Guerra
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
to da Leitura, Canto do Brincar e
o Canto Fofo. “Os brinquedos são
confeccionados pelas próprias
alunas do curso de Pedagogia,
criando uma inteiração do curso e
o espaço”, comenta Barbara.
Com tanta diversidade de atividades e brinquedos disponíveis
para as crianças das instituições
Lar Santo Expedito, Creche Lar
Infantil Santa Rita de Cássia e o
Colégio Santa Cecília, para os pequenos que estão cursando a Educação Infantil e a 1ª série, só existe
uma dificuldade: “São as crianças
que não guardam os brinquedos.
Elas ficam tão empolgadas aqui
que acabam se esquecendo disso”,
diz a ludotecária.
O horário de funcionamento da
Brinquedoteca é de segunda a quinta, das 10 ao meio-dia e das 13 às 17
horas. Às sextas-feiras, o espaço opera das 9 às 11 e das 13 às 17 horas.
Chegar aos 50 anos é motivo de orgulho para todos os
que acompanharam essa caminhada. Desde o início de uma modesta escola
primária, a semente multiplicou-se em árvores sólidas e frutos gratificantes, no
ensino, na pesquisa e na extensão.
Carina seles
Momento de fé
Inaugurado em agosto de 2008, o local de
meditações é aberto a todas as crenças e religiões
Vivi Ramos
O silêncio do pequeno espaço é
quebrado pelos sussurros de orações. Nas paredes, quadros mostram
as doze estações da via-sacra, relebrando o caminho de Cristo à crucificação. O vitral ao centro retrata
Jesus acolhendo as crianças. Uma
mensagem para quem busca ali o
acolhimento nas horas difíceis. Este
é o cenário da Capela Ecumênica da
Universidade Santa Cecília, situada
no Bloco M, na área de convivência
Boulevard Doquinha. O objetivo da
construção é ser um espaço de oração, inspiração e fortalecimento para
estudantes, professores e funcionários de todas as religiões e credos.
“Venho buscar conforto e estímulo para chegar à sala de aula mais
relaxado e disposto. A gente passa o
dia naquela correria e esse momento de oração é fundamental para a
mente e o espírito. Os reflexos disso sentimos não só no estudo, mas
também em casa”, diz o estudante
do último ano de Matemática, Ricardo Souza Damásio, de 26 anos.
A capela foi inaugurada em 21 de
agosto de 2008 e surgiu a pedido de
alunos, professores e funcionários
da Universidade que reivindicavam
um local para meditações. Ocupando uma área de 60 metros quadradros, a construção é toda em alvenaria. O projeto foi elaborado com
intuito de preservar o meio ambiente, como explica o pró-reitor administrativo da Universidade Santa
Cecília, Marcelo Teixeira. “A construção fica próxima às árvores situadas
do boulevard e foi desenvolvida sem
derrubar a área verde, tendo inclusive aberturas para a passagem de
galhos e troncos de duas árvores”.
O projeto estrutural foi feito pelo
professor de Engenharia Civil da
UNISANTA, Pedro Menezes Marcão,
e o conteúdo arquitetônico inicial foi
desenvolvido pelo professor Edison
Fernandes. A construção contou com
a colaboração dos alunos dos cursos
de Engenharia Civil e Arquitetura da
Universidade. Ao lado da capela, permanece a Gruta de Santa Cecília.
Marcelo Teixeira destaca a importância da capela para a Universidade. “A capela foi feita para que
todos que passem por ali possam
renovar a fé e fortalecer a espiritualidade. Respeitamos todas as cren-
Ceciliana ajuda
a editar obras
Glenda Poletto
Desde 1996, a UNISANTA mantém uma editora universitária.
Criada pela alta direção da antiga
Universidade Santa Cecília dos Bandeirantes, a editora tem reconhecimento nacional. Dois exemplos de
sucesso são os livros O Caderno de
Croquis de Pagu, de Lúcia Maria Teixeira Furlani, e o projeto Vozes de
Santos, elaborado por alunos sob
orientação do jornalista Gilberto
Dimenstein.
No início, o principal objetivo era
a divulgação de publicações científicas dos professores da Universidade. Hoje, a editora é responsável
pela publicação de obras de vários
gêneros literários, inclusive a produção de alunos.
“Ao contrário do que se pensa,
uma editora universitária não publica somente livros baseados em
teses e monografias, mas também
livros de interesse geral”, afirma o
pró-reitor comunitário e coordena-
dor da Editora Ceciliana, Aquelino
José Vasques.
Segundo Vasques, a principal
função da editora universitária é
estimular a produção intelectual ou
científica de docentes e pesquisadores. “Podemos comparar a editora com uma biblioteca, uma sala de
aula ou um laboratório, pois ela divulga informações e conhecimentos
produzidos no âmbito das instituições de ensino superior”, diz.
O pró-reitor explica que as editoras universitárias têm como principal fonte de renda os convênios e
parcerias com as próprias instituições de ensino e os recursos gerados
pela venda de livros. “São empresas
sem fins lucrativos e trabalham unicamente para atender a produção
científica dos docentes”, diz.
A editora funciona assim: os livros são apresentados ao pró-reitor;
em seguida, passam pela análise do
Conselho Editorial, que é formado
por professores doutores especializados da própria instituição de ensino, responsável em decidir qual
ças e religiões e incentivamos todos
os ensinamentos que nos levam a
Deus, que é o único de todos”, diz.
Apesar de ser um local ecumênico,
a capela abriga imagens de santos católicos. Para Teixeira, a presença delas
não interfere no comparecimento de
frequentadores de outras religiões.
GRUPO DE ORAÇÃO
Apenas 15 minutos fazem a diferença. Toda às quintas-feiras, durante o intervalo das aulas, lá estão eles
para o momento de louvor e oração.
“É muito especial o encontro, pois é
um momento de renovação. Quinze minutos conversando com Deus
já são suficientes para nos trazer
a tranquilidade e a paz”, destaca a
estudante do 1º ano de Administração, Franciele Gonçalves Ferreira,
de 19 anos. Ela faz parte do Grupo
de Oração Universitária (GOU) da
UNISANTA.
Há um ano, o grupo desenvolve
atividades na Capela Ecumênica.
Franciele acha que o local propicia
mais tranquilidade para o momento
de oração. “Até poderia ser no corredor, no pátio, em qualquer lugar, mas
na capela nos concentramos melhor,
pois não existem outras pessoas tirando a atenção”.
O grupo é organizado pelo Ministério Universidades Renovadas
— MUR — da Renovação Carismática Católica. Um dos organizadores do
grupo, Tiago Kenji, de 21 anos, aluno
do 4º ano do curso de Fisioterapia,
explica o surgimento do GOU. “Ele
surgiu dentro de uma faculdade no
interior de São Paulo. Nós nos reunimos para louvar e bendizer a Deus”.
O GOU nasceu da iniciativa de três
jovens, como destaca o coordenador
do grupo e estudante do segundo ano
de Ciências da Computação, Gilson Pereira Fontes Junior, de 24 anos: “Éramos três. Um trancou a matrícula. Eu
e o Tiago continuamos o projeto aqui
na capela, até que outras pessoas se
juntaram a nós. Nosso objetivo é levar
não só a palavra de Deus, mas mostrar
a cultura de Pentecostes, uma cultura
de amor verdadeiro de Deus”, diz.
A Capela está aberta de segunda
a sexta, das 7 às 22 horas, e aos sábados pela manhã. Os interessados
em agendar missas, cultos e outros
encontros religiosos podem entrar
em contato pelo e-mail [email protected]
unisanta.br.
JUliene OliVeira
ca estimular a
O coordenador Aquelino Vasques bus
entes
produção intelectual e científica de doc
livro será publicado.
“Se a obra for compatível com
a linha editorial, ela receberá um
parecer de mérito. Sendo positivo,
o trabalho poderá ser publicado,
desde que esteja em consonância
com o autor, isto é, diagramação,
capa, ilustrações, se houverem,
tipo de papel e outros pormenores. O ônus da publicação poderá
ser somente da editora ou das parcerias que possam existir”, explica
o coordenador.
Os trabalhos que chegam até o
reitor são de todos os tipos. Entre
eles pesquisas de anos, que estão
desatualizadas, temas que fogem ao
âmbito da pesquisa e até mesmo li-
vros de receitas.
Teses e dissertações podem virar livros bem aceitos pelo público.
O livro da professora Lúcia, A Claridade da Noite – Os Alunos do Ensino
Superior Noturno, baseou-se em sua
tese de doutorado. A Revista Ceciliana é outro exemplo desses trabalhos.
Editada semestralmente, a revista é
uma coletânea de textos dos professores, contando suas experiências.
Até mesmo alunos escrevem.
“Temos vários tipos de publicações. Nada impede que um aluno de
Engenharia, por exemplo, publique
um livro de poesias. Basta o aluno
provar que tem um bom material de
pesquisa e didática”, diz Vasques.
Edição e diagramação: Michael Gil
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011
23
ECO M/U NIS AN TA
FO TOS AR QU IVO ASS
1
ENSAIO
2
3
FOTO 1 - 1963 - Antigo ginásio na
Avenida Rodrigues Alves, 332.
FOTO 2 - 1979 - Alunos do Colégio
Santa Cecília.
FOTO 3 - 1973 - 1ª etapa das
fundações do Bloco C.
FOTO 4 - 2000 - Inauguração
do Bloco E.
4
FOTO 5 - 1971 - 1ª piscina, na Rua
Oswaldo Cruz, número 255.
.
FOTO 6 - 1981 - Inauguração do Ed
Maria Féa.
Foto 7 – 1973 - Primeira equipe de
natação a competir no exterior
(Portugal e Espanha).
5
6
7
24
Edição e diagramação:Joana Ribeiro
PRIMEIRA IMPRESSÃO • Setembro de 2011

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