Cinema Mostra Aids

Transcrição

Cinema Mostra Aids
Mostra de Filmes Publicitários e Aids
Cinema Mostra Aids
Rio de Janeiro, 17 a 21 de setembro de 2008
Centro Cultural Justiça Federal
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CINEMA MOSTRA AIDS
Realizada primeiramente em 1997 pelo Grupo Pela
Vidda/SP, o Cinema Mostra Aids chega ao Rio de Janeiro
para entrar definitivamente no calendário cultural da
cidade. O propósito do evento, organizado no Rio de
Janeiro pela ABIA e apoiado pelo Centro Cultural Justiça
Federal e pela Fundação Schorer, é o de contribuir, por
meio da produção cinematográfica para o debate sobre a
situação e os rumos da epidemia da Aids.
Muita coisa mudou desde a notificação dos
primeiros casos de uma doença rara que atingia
homossexuais nos EUA, em 1981, até um dos mais graves
problemas de saúde pública da atualidade. Hoje, mais de
32 milhões de pessoas vivem com HIV/Aids no mundo.
Com os avanços da medicina e da ciência, a Aids agora
tem tratamento, ao menos no contexto da pequena
parcela de países que consegue garantir à população
infectada o acesso aos medicamentos. A informação
aumentou, o preconceito diminuiu, a doença está
banalizada, mas ainda persistem situações de desrespeito
a direitos e à dignidade dos soropositivos.
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A proposta inédita da mostra surgiu em 1997,
momento em que o cinema colecionava ainda poucos
títulos representativos que abordassem a Aids e o viver
com HIV. Isso do período mais trágico da epidemia até
meados da década de 1990. A temática dos primeiros
filmes recaía invariavelmente sobre o drama da
descoberta do vírus, o preconceito, a solidão e a morte.
Era a Aids terminal. Hoje, já existem filmes retratando a
vida de pessoas vivendo com HIV/AIDS no período póscoquetel anti-aids, caso do filme francês “A família de
Félix”.
Diante do tabu na poderosa indústria
cinematográfica americana, coube à produção
independente – sobretudo a européia – o desafio de
fustigar o assunto. Com o passar do tempo, o acervo
de títulos foi crescendo e outros gêneros passaram
a ser explorados. Documentários, dramas, melodramas,
musicais e até mesmo comédias românticas foram
lançadas, propiciando uma visão mais realista,
humanista e cotidiana das pessoas que vivem com
HIV/Aids.
No primeiro caso, boa parte dos exemplos desta
primeira edição da mostra no Rio de Janeiro tem um
caráter documental e investigativo, cujo resultado pode
sugerir uma nova onda de pessimismo em relação à
doença. Isso não está longe da verdade, como se pode
constatar nos filmes “Cinco Heróis”, “Crônica de uma
catástrofe anunciada” e “Sensações – A História da Aids na
Argentina”.
Uma boa razão para se realizar e assistir uma
mostra como essa é a possibilidade de sabermos como o
cinema encara a epidemia de HIV/Aids. Nem sempre, por
exemplo, a doença se apresenta como principal argumento.
Por vezes aparece mais como um componente do roteiro,
um elemento secundário na história de um personagem.
Nesse sentido, o diretor francês Christophe Honoré
maneja muito bem um painel familiar em “Tudo Contra
Leo” – este o filho mais velho que se anuncia soropositivo
– ao deixar para os olhos do caçula a incumbência de
acompanhar os desdobramentos do drama junto com as
descobertas típicas da pré-adolescência. Da produção
nacional, um belo tributo ao talento que se perdeu na
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trágica epidemia está em “Três Irmãos de Sangue”, sobre
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as vidas de Henfil, Chico Mário e Betinho, este último,
fundador da ABIA. Em outros casos pinçados na
programação, torna-se alentador saber que o cinema tem
demonstrado que viver com HIV já é uma situação
corriqueira. Ao fazer parte do cotidiano de uma
sociedade, o tema deve ser tratado com naturalidade e
humanidade. Não é mais a Aids que determina o destino
das pessoas e sim estas que aprenderam a conviver e a
enfrentar a doença, apesar das injustiças e das
desigualdades no acesso a tratamento e prevenção.
Há documentários que denunciam crises e omissões;
filmes que trazem dilemas éticos, crises existenciais e
abordagens polêmicas; curtas e longas metragens que
revelam personagens movidos pela culpa, pelo medo,
pela indiferença, pelas fraquezas humanas, mas também
pela garra, esperança e alegria. São jovens e
adolescentes, como no documentário dirigido por Mauro
Dahmer para a MTV, gays, casos dos filmes “A Viagem” e
“Sem Garantia de Validade”, entre tantos outros
personagens que compõem a seleção dessa mostra.
A iniciativa do Grupo Pela Vidda/SP tem atraído
cada vez mais parceiros. No Rio de Janeiro, contou com a
ABIA e o Centro Cultural Justiça Federal, que respeitando
e reconhecendo a importância da mostra, a trouxeram
para a população carioca nos mesmos moldes do que foi
realizado em São Paulo.
O Cinema Mostra Aids ganha relevância no momento em
que a Aids freqüenta cada vez menos o noticiário e só
está presente em datas especiais ou em campanhas
ocasionais do governo. É notório o desaparecimento da
doença do centro dos debates, tornando-se um tema
cada vez mais circunscrito às comunidades afetadas, aos
ativistas, aos técnicos de programas governamentais e
profissionais dos serviços de saúde especializados. Um
evento de apelo cultural para falar sobre Aids surge,
desta forma, como uma tentativa de ampliar a discussão
para além dos circuitos médico e militante. O cinema,
assim como a sociedade, continua sendo desafiado a
descobrir as novas faces da epidemia da Aids e a
encontrar novas formas de enfrentá-la.
O Cinema Mostra AIDS está inserido no projeto
“Homossexualidades e Prevenção” voltado para
homossexuais jovens e soropositivos do Rio e Grande Rio.
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Este projeto tem apoio da Fundação Schorer (Holanda).
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Filmes
A FAMÍLIA DE FÉLIX 10
AFETADO – O PROJETO AIDS 11
ALGUÉM AINDA MORRE DE AIDS? 12
A VIAGEM 13
BABY, BABY 14
BASTA UM DIA 15
BORBOLETAS DA VIDA 16
CABARET PREVENÇÃO 17
CERTAS COISAS 18
CICLOS DA VIDA —
A HISTÓRIA DA AIDS NO MALAUI 19
CINCO HERÓIS 20
CIRANDA 21
CRÔNICA DE UMA
CATÁSTROFE ANUNCIADA 22
DEPOIS DAQUELE ENCONTRO 23
DIAS 24
E POR FALAR DE VIDA 25
ESCOLA SEM HOMOFOBIA 26
EU AMO ESSE HOMEM 27
HOMENS 28
HOUSE OF LOVE 29
JEANNE E O RAPAZ DOS SONHOS 30
JESUS CHILDREN OF AMERICA 31
JUNTOS PELA VIDA 32
LUCKY 33
NÓS SOMOS PAPAIS 34
O PRESENTE 35
OVO 36
PEQUENOS GUERREIROS — NASCIDOS
COM HIV 37
PROTESTO CONTRA O MONOPÓLIO 38
RITOS E DITOS DE JOVENS GAYS 39
SEM GARANTIA DE VALIDADE 40
SENSAÇÕES — A HISTÓRIA DA AIDS
NA ARGENTINA 41
SEXPRESS YOURSELF 42
TRANSIT 43
TRÊS IRMÃOS DE SANGUE 44
TUDO CONTRA LEO 45
UMA SEMANA 46
WA N’WINA 47
YESTERDAY 48
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A FAMÍLIA DE FÉLIX
(Drôle de Félix)
França, 2000, 95min
Direção: Olivier Ducastel e Jacques
Martineau
Um exemplo de um olhar renovado sobre a
Aids. Aqui, a doença deixa de ser o fator
dramático impulsionador da trama, embora
conte nas atribuições dadas ao protagonista. O
jovem Félix (Sami Bouajila), filho de imigrantes
árabes na França, integra a geração de
soropositivos que sobrevive com a ajuda dos
coquetéis. Depois de perder o emprego, ele
abandona o namorado e parte numa viagem
pelo interior do país atrás do pai que nunca
conheceu. No caminho, diverte-se, encontra
novos parceiros e personagens que coincidem
com seu desejo de reestruturação familiar.
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AFETADO – O PROJETO AIDS
(Affected: The Aids Project)
EUA, 2006, 30 min.
Direção: Gianni-Amber North
Elenco: Winnie Young, Theodore Perkins
Nunca custa repetir as regrinhas básicas de prevenção, como faz esse curtametragem assumidamente ativista, lançando mão de uma história recorrente
mas eficaz. O elenco negro é raro em produções como essa. Akilah (Winnie
Young) e Shaun (Theodore Perkins) chegam aos quatro meses de namoro sem
terem feito sexo. Depois de suas constantes negativas, ela abre o jogo e pede
ao nervoso e confuso namorado que faça seu primeiro teste de HIV. Ele se
recusa, acredita que não teve relacionamentos suficientes para ter corrido
risco etc. De sua parte, a jovem não quer arriscar tudo só na camisinha.
Instala-se o dilema, enquanto Akilah apoia um amigo soropositivo e Shaun
recebe algumas lições de um amigo que trabalha numa clínica médica.
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ALGUÉM AINDA MORRE DE AIDS?
(Does anyone die of aids anymore?)
EUA, 2002, 25min.
Direção: Louise Hogarth
Para a diretora Louise Hogarth a Aids não está
totalmente controlada. Nesta breve investigação do
risco de mortalidade por causa da doença, numa
época em que muitas vidas são salvas graças aos
coquetéis, a realizadora adota uma perspectiva
cautelosa sobre o possível declínio de progressão da
infecção pelo vírus HIV. Ela mesma sintetiza a maior
preocupação relatada no curta-metragem:
“Descobertas médicas recentes deram nova esperança
para aqueles que vivem com a Aids; num tempo
quando muitas pessoas perderam um amor, um amigo,
um membro da família ou um colega, o medo da
doença não deve ser esquecido, nem se deve fazer de
conta que ela está sobre controle; ainda há centenas
de pessoas vítimas do HIV.” Trata-se do barebacking e
as festas nas quais homossexuais são infectados
voluntariamente pelo vírus de parceiros soropositivos.
Questiona também a efetividade de novos tratamentos
e alerta para uma “terceira onda” da doença que inclui
a mutação do vírus e a associação a um câncer.
12
A VIAGEM
(The Trip)
EUA, 2002, 94 min.
Direção: Miles Swain
Elenco: Larry Sullivan, Steve Braun,
Alexis Arquette
Alan (Larry Sullivan) é um jornalista
recém-formado e tipo conservador até
encontrar Tommy (Steve Braun), ativista
dos direitos dos homossexuais. A
princípio, a aproximação é justificada
pela intenção do primeiro, por
declaração hetero, de escrever um livro
sobre os gays. Mas rapidamente a
relação embala num romance que tem
início em 1973 e atravessa os anos 80,
pretexto para o diretor Miles Swain
representar o painel de mudanças da
liberdade sexual e o surgimento das
primeiras mortes pelo vírus HIV. De
forma muitas vezes bem-humorada, sem
uma preocupação explícita de
engajamento, essa realidade é espelhada
pelas diferenças nas trajetórias dos
protagonistas e no debate nacional
sobre homossexualidade em torno deles.
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BABY, BABY
França, 2005, 3min37s
Direção: Erik Vervroegen
Sucesso na Internet, o filme animado produzido pela ONG francesa AIDES para
incentivar o uso de preservativo traz roteiro lúdico e criativo, e é uma peça
rara de prevenção dirigida a mulheres jovens, população cada vez mais
exposta ao risco de infecção pelo HIV em todo o mundo.
14
BASTA UM DIA
Brasil, 2006, 55min.
Direção: Vagner de Almeida
Aborda a vida de brasileiros e
brasileiras que tentam sobreviver a
dura realidade de violências
impostas ao seu cotidiano. São
travestis, homossexuais, boys,
monas, gays, enfim, habitantes da
Baixada Fluminense, que enfrentam
o preconceito, a agressão física e
a morte fisica e social nas margens
da rodovia Presidente Dutra,
principal ligação entre as duas
maiores e mais ricas metrópoles do
país, Rio de Janeiro e São Paulo.
15
BORBOLETAS DA VIDA
Brasil, 2004, 38 min.
Direção: Vagner de Almeida
O filme “Borboletas da Vida” desvenda a realidade dos jovens
homossexuais que vivem na periferia das grandes cidades, sofrendo os
efeitos da pobreza e da miséria, sem perder sua dignidade, sua
criatividade... Homossexuais, transformistas, borboletas da vida real
brasileira... eles/elas “carregam, a mulher na bolsa”, experimentam
com as possibilidades e os limites do gênero e da sexualidade, e
enfrentam a discriminação com força, coragem, e determinação...
Lutam pelo direito de ser diferente e exigem, de diversas maneiras,
que a sua diferença seja respeitada. Neste filme temos a “brava
gente” que a televisão brasileira não nos mostra!
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CABARET PREVENÇÃO
Rio de Janeiro, 1995, 20 min.
Direção: Vagner de Almeida
Fruto da Oficina de Teatro
Expressionista, desenvolvida
pelo Projeto Homossexualidades
(ABIA/Pela VIDDA/SP), o vídeo
procurou levar para o palco, de
maneira bem-humorada ao
mesmo tempo que reflexiva, a
realidade do cotidiano da
homossexualidade e o impacto
da epidemia da AIDS, através de
textos escritos, encenados e
produzidos pelos próprios
participantes. O espetáculo
reproduz varias situações, tais
como, violência, sedução, amor,
homofobia, soropositividade,
entre outros.
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CERTAS COISAS
Brasil, 2006, 19 min.
Direção: Claudio Maneja Jr.
Elenco: Emerson Meneses, Rodolfo Araújo
Para fugir de sua dor e da solidão, Felipe cria
um mundo particular onde consegue diferenciar
as pessoas, com aspereza e poesia, por meio de
lentes de estranhos óculos. Nesse curtametragem, o preconceito, o medo de ficar só e
a difícil tarefa de recomeçar são os desafios que
o protagonista tem de enfrentar.
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CICLOS DA VIDA A história da aids no
Malaui
(Lifecycles: a Story of AIDS in
Malawi)
Malawi, 2003, 52min.
Direção: Sierra Bellows e Doug
Karr
O drama que afeta o Malaui, pequeno
país da África Oriental, complementa
o quadro igualmente trágico
apresentado no documentário Cinco
Heróis, título presente na
programação da mostra e que engloba
a África do Sul e o Botsuana. A rigor,
não há muitas diferenças na epidemia
de aids que assola as nações africanas, mas a dupla de diretores Sierra Bellows
e Doug Karr toca em pontos essenciais nem sempre explorados. Ao percorrer
durante oito meses o Malaui, onde morrem duzentas pessoas por dia
infectadas pelo HIV, os realizadores lembram questões culturais e religiosas.
Há o fato, por exemplo, de um homem ter várias esposas e não raro infectar
todas, tragédia que se estende aos filhos. Outra preocupação das entidades de
combate à doença está na tradição do povo de procurar um curandeiro antes
mesmo de um hospital e acreditar na cura da doença. Médicos, líderes
governamentais e religiosos, ativistas e vítimas do HIV dão seu depoimento
com a música de Bobby McFerrin ao fundo.
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CINCO HERÓIS
(5 Heroes of Aids in Africa)
EUA/África, 2004, 60 min.
Direção: Neil Halloran
20
Neil Halloran, estudante de mídia digital na
Universidade da Pensilvânia, dedicou-se ao
documentário entre 2002 e 2004, depois de uma
viagem de cinco meses à África. Seus heróis na batalha
contra a proliferação do HIV são pessoas comuns,
alguns profissionais da área de saúde, outros
voluntários, mas todos engajados em projetos
alternativos à política pública. Quatro dos
personagens pinçados pelo diretor atuam na África do
Sul, na região denominada de Cabo Ocidental, ou a
partir de Joanesburgo, a maior cidade do país. É o
caso do jovem Mandla e da dona-de-casa Makazi, à
frente de projetos em bairros miseráveis da Cidade do
Cabo, e do pediatra Paul Roux, que trata recémnascidos soropositivos num grande hospital. Adelaide
e o pai mantêm um projeto de conscientização e
prevenção da aids. Sua estimativa é impressionante:
um em cada três sul-africanos é portador do vírus.
Única entre os retratados infectada pelo HIV, Juliet
está no Botsuana e tornou-se uma voz involuntária no
esclarecimento da doença ao ser a primeira pessoa de
sua vila a assumir a infecção publicamente.
CIRANDA
Brasil, 2007, 3 min.
Direção: Rafaela Dias
Uma menina de dez anos altera o cotidiano de dez
pessoas, que passam a ter suas vidas interligadas por
histórias em torno da aids.
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CRÔNICA DE UMA
CATÁSTROFE ANUNCIADA
(Chronique d’une Catastrophe Annoncée),
EUA/ França, 2001, 52 min.
Direção: Philip Brooks
A epidemia de aids ameaça a humanidade, em especial
o continente africano, mesmo depois de mais de 20
anos de existência da doença. Este documentário
investiga quais as razões de indivíduos, instituições e
governos não conseguirem combatê-la, ainda que
diante da urgência de uma catástrofe anunciada em
escala planetária. Ao buscar na África e em outros
pontos do mundo aqueles que se engajam na luta pela
vida, a fita obriga a um olhar mais próximo das
realidades políticas, algumas vezes cínicas. Resta uma
interrogação sobre a capacidade coletiva de crer num
mundo igualitário e solidário.
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DEPOIS DAQUELE ENCONTRO
(Phir Milenge),
Índia, 2004, 145 min.
Direção: Revathi Menon
Elenco: Shilpa Shetty, Abhishek Bachchan, Salman
Khan
Seria um típico exemplar de “Bollywood” (a Hollywood da
Índia, maior produtora de filmes do mundo), com romance,
tom melodramático e performances musicais misturando-se
ao enredo, não fosse o fato de ser o primeiro título lançado
no país a abordar a questão da aids. A presença de estrelas
locais no elenco chamou a atenção e ajudou a popularizar o
projeto, apoiado e elogiado pelo UNAIDS (programa das
Nações Unidas sobre HIV/Aids). São quase dois filmes em
um, com uma perspectiva que lembra o embate de Filadélfia
(2000). Na primeira parte, a jovem e bem-sucedida
publicitária Tamanna (Shilpa Shetty) reeencontra um antigo
amor e descobre que está infectada pelo HIV. Demitida,
acredita que o dono da empresa a afastou devido à doença.
Parte, então, para o tribunal, drama da hora e meia
seguinte da fita. Temas como a transmissão do vírus, autoestima, discriminação e os direitos humanos podem não ser
novidade para o Ocidente, mas apontam indícios do pouco
esclarecimento sobre a doença entre essa populosa nação.
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DIAS
(Giorni)
Itália, 2001, 90min.
Diretor: Laura Muscardin
A fita italiana pertence a um terceiro movimento na representação da aids
pelo cinema. Depois dos filmes sobre os primeiros casos da doença, os dramas
dos soropositivos e dos títulos engajados na conscientização e no sexo
seguro, esta produção é uma das poucas a enfocar a convivência possível com
o vírus HIV. Nesta categoria encaixa-se o personagem Claudio (Thomas
Trabacchi), um executivo gay bem-sucedido e com um relacionamento estável.
Sua preocupação com a enfermidade não exige mais que o coquetel de
medicamentos diário e um check-up mensal no hospital. O relativo bem-estar
permite, inclusive, que ele se apaixone por um jovem garçon e dê uma
reviravolta em sua vida.
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E POR FALAR DE VIDA
Brasil, 1995, 32 min.
Direção: Alfredo Neves
Vídeo produzido através de três historias de
vida, relatando o cotidiano, os prazeres, a
repercussão da descoberta da sorologia
positiva, bem como as atitudes de
solidariedade e expectativa de vida de
pessoas vivendo com HIV/AIDS. Com base
nestes depoimentos, retratou-se a luta
através da justiça, da mobilização de
segmentos da sociedade e do ativismo dos
grupos de auto-ajuda.
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ESCOLA SEM HOMOFOBIA
Brasil, 2006, 18 min.
Direção: Luciana Kamel e Vagner de
Almeida
Vídeo centrado nas oficinas realizadas com
professores da Rede Pública de Ensino de
Nova Iguaçú e Duque de Caxias sobre a
temática da homossexualidade nas escolas.
Mostra como a vivência na escola pode ser
um caminho para o exercício da cidadania
plena e um ambiente de respeito à
diversidade sexual.
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EU AMO ESSE HOMEM
(L´homme que j’aime)
França, 87 min., 1997
Direção: de Stéphane Giusti
A trama é clássica. Gay se interessa por
rapaz confuso com sua identidade
sexual, a princípio é rechaçado, mas
insiste, insiste...
O drama romântico de Stéphane Giusti,
realizada para TV, retrata com charme e
simpatia a difícil “saída do armário”, a
paixão num meio reconhecidamente
volátil e evolui para o papo sério quando Lucas (Jean-Michel Portal), o
assumido, revela ser soropositivo para o novo parceiro Martin (Marcial Di
Fonzo-Bo). O cenário é Marselha, no sul da França, onde os dois protagonistas
trabalham numa escola de natação. Martin surge como o novo professor e
atrai o interesse de Lucas. Mas além de tímido e fechado, o moço se relaciona
com uma garota (Mathilde Seigner). No rito de conhecimento de Martin, a
mãe de Lucas (Vittoria Scognamiglio), decidida e protetora, exercerá papel
fundamental. O diretor Giusti aproveita a postura de fuga da doença de Lucas
para mostrar o engajamento da entidade Act Up e os protestos para a
liberação, pelo sistema de saúde, dos coquetéis de tratamento.
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HOMENS
Brasil, 1993, 23 min.
Direção: Alfredo Alves
Através dos depoimentos de três homens, o vídeo mostra
questões relativas a vivencia da homossexualidade masculina,
como o amor e sexo entre homens, identidade, casamento,
preconceito e discriminação, o impacto da epidemia, luto,
entre outras. O vídeo procura sensibilizar a população a adotar
atitudes mais positivas sobre a homossexualidade.
28
HOUSE OF LOVE
(House of Love)
EUA/Namíbia, 2001, 26min
Direção: Cecil Moller
O curta-metragem integra a série documental de 33 títulos Steps for
the Future, uma espécie de mapeamento da Aids no sul da África, hoje
a região com maior incidência de soropositivos no mundo. No caso, o
cenário é o pequeno porto Walvis Bay, na Namíbia, e as personagens
as prostitutas locais. Elas dependem das rápidas visitas dos
marinheiros para sobreviver e contam ao diretor Cecil Moller os
motivos que as levaram ao trabalho. Falam ainda de amor, sexo,
pecado e uma noção muito pessoal de redenção, enquanto o
fantasma da Aids ronda seu cotidiano.
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JEANNE E O RAPAZ
DOS SONHOS
(Jeanne et le Garçon
Formidable),
França, 1998, 98 min.
Direção: Olivier Ducastel
e Jacques Martineau
Elenco: Virginie Ledoyen,
Mathieu Demy
A mesma dupla de diretores que filmaria dois anos depois A Família de Félix,
sobre um rapaz que vive com aids em busca de suas raízes, assina esse híbrido
de musical, drama romântico e fita militante. A fórmula de intercalar canções
aos diálogos remete ao clássico do cinema cantado Os Guarda-Chuvas do Amor
(1964), do francês Jacques Demy. O filho do cineasta, Mathieu Demy,
interpreta o jovem Olivier, ex-viciado em heroína e portador do vírus HIV.
Depois de um encontro casual no metrô, Jeanne (a gracinha Virginie
Ledoyen), garota de muitos amores, apaixona-se pelo rapaz. Mas o
relacionamento entra em crise quando a doença de Olivier progride. A trama
dá a deixa para manifestações públicas dos ativistas do Act Up, organização
de combate à doença, num momento em que a política governamental era
precária e ainda eram mais limitadas as chance de sobrevivência para os
infectados, pois ainda estava no início a era dos coquetéis.
30
JESUS CHILDREN OF AMERICA
(Jesus Children of América)
EUA, 2005, 20min
Direção: Spike Lee
O curta-metragem do polêmico diretor de Faça a Coisa Certa é parte do
projeto Crianças Invisíveis, longa-metragem em sete capítulos que,
com o apoio da Unicef, pretende dar um panorama do drama de
meninos e meninas marginalizados ao redor do mundo. A visão de
Spike Lee é uma das mais raivosas e menos condescendentes. Enfoca
o tormento diário de Blanca (Hannah Hodson), uma garota do
Brooklyn, em Nova York, que nasceu com o vírus HIV por conta de
seus pais drogados. O cineasta toca na ferida ao ilustrar com tintas
fortes o preconceito das colegas e dos vizinhos de Blanca sem deixar
de vislumbrar um bocado de esperança na ajuda assistencial
31
oferecida por entidades nos Estados Unidos.
JUNTOS PELA VIDA
(Life Support)
EUA, 2007, 88 min.
Direção: Nelson George
Elenco: Queen Latifah, Anna Deavere
Smith, Wendell Pierce, Rachel Nicks
32
A presença da estrela negra Queen Latifah
incrementa essa produção baseada numa
história real e com fôlego dramático por si só.
Ela interpreta Ana — na vida real é Andrea
Williams — ex-viciada em drogas e soropositiva
que tornou-se uma ativista no alerta da aids
pelas ruas do Brooklyn. Na vida pessoal, Ana
tenta equilibrar uma delicada equação entre a
nova família, formada por seu segundo marido e
a caçula, e a pós- adolescente Kelly, filha do
primeiro casamento que cresceu com a avó
depois que a mãe perdeu o direito sobre sua
guarda. As três mulheres vivem às turras até
que a necessidade de ajudar um amigo de Kelly,
um jovem com HIV abandonado à própria sorte,
serve de pretexto para um possível acerto de
contas. Além da trama central, a fita contempla
rapidamente dramas paralelos, tanto pelos
depoimentos de mulheres no grupo de terapia
do qual Ana participa, como na entidade de
apoio em que ela trabalha.
LUCKY
(Lucky)
França/África do Sul/
Inglaterra, 2005, 20 min.
Direção: Avie Luthra
Elenco: Joy Mwandla,
Muthal Naidoo
No premiado drama de curta-metragem, Lucky é um garoto órfão sulafricano que vive com HIV que sonha em sair de seu vilarejo de etnia
zulu para Durban, uma das grandes cidades do país. Enquanto isso, ele
aprende muito sobre a vida ao ter um inesperado encontro com uma
vizinha indiana. Além do tema da aids, a fita também aborda o
delicado universo de convivência entre o povo sul-africano e os
imigrantes de origem hindu com seu rigoroso sistema de castas.
33
NÓS SOMOS PAPAIS
(We Are Dad)
EUA, 2005, 68 min.
Direção: Michel Horvat
34
O universo das crianças que vivem com
HIV une-se neste documentário ao tema
controverso da adoção por homossexuais.
Os personagens são Roger, Steven e os
cinco bebês infectados pelo HIV que o
casal acolheu em diferentes momentos e
cria há 17 anos. Ex-enfermeiros da ala de
pediatria de um hospital em Miami, eles
acompanharam o drama desses recémnascidos abandonados e deram-lhes um
lar, enfrentando não só o preconceito de
sua opção sexual e da aids, mas também
racial, na medida em que três dos “filhos”
são negros. A batalha maior, no entanto,
não é a exigente rotina pelo conforto e
saúde das crianças, mas a que se dá na
esfera legal, já que o estado da Flórida
não reconhece o direito de adoção aos
gays. Na tentativa de dar andamento a um
novo processo na justiça americana, a
família mudou-se para o estado do
Oregon.
O PRESENTE
(The Gift)
EUA, 62 min., 2002
Direção: Louise Hogarth
Bug chasers, gift givers,
convertion party, bare
backing eram expressões
restritas a uma parcela da
comunidade gay até o
momento em que a diretora
Louise Hogarth as trouxe a
público nesse controverso documentário. Comecemos pelo título. The Gift,
ou O Presente é o vírus HIV. Bug Chasers são aqueles parceiros que querem
voluntariamente ser infectados pelo vírus e gift givers, os soropositivos e
“doadores” em potencial. Para consumar a transmissão do HIV, os
interessados marcam encontro, em geral por sites especializados, nas
chamadas festas de conversão. Fecha-se, assim, o intrigante círculo, que o
filme procura discutir a partir de um pressuposto básico desses personagens.
Eles acreditam que ao disseminar a Aids e torná-la a regra, não a exceção,
estarão poupando a si mesmos e a comunidade do medo da infecção e das
preocupações com o sexo seguro. Uma lógica invertida graças à
possibilidade atual de convivência com a doença, outro ângulo debatido
na fita. Há depoimentos de soropositivos ativos, de quem se infectou
deliberadamente — o caso de um rapaz arrependido e aterrorizado — de
grupos de terapia e demais envolvidos. São vozes polêmicas que surpreendem
mesmo aqueles representantes mais engajados e bem informados do universo
homossexual.
35
OVO
(Ovo – das Video)
Alemanha, 2005-2006, 17 min.
Direção: Michael Brynntrup
Christoph Josten, ou Ovo Maltine, morreu em 8 de fevereiro de 2005,
em Berlim, onze semanas depois de ser diagnosticado com um câncer
linfático. A lendária drag queen sobreviveu ao virus HIV por treze
anos. Dedicou-se a causas como a ajuda a gays vítimas de todo tipo
de agressão, a legalização da maconha, o reconhecimento da
prostituição como profissão, a visibilidade dos transgêneros, a
eventos em benefício a pessoas que vivem com HIV e a entidades
como Act Up.
36
PEQUENOS GUERREIROS - NASCIDOS COM HIV
(Little Warriors)
EUA, 2003, 65min.
Direção: Ash Baron Cohen
Dillon Card, Bert e Sophia Ramirez são alguns dos jovens entrevistados neste
documentário, entre crianças e adolescentes, que convivem muito bem com a
Aids. Exibida na 29ª Mostra BR de Cinema, a fita é narrada pelo ator James
Woods e traz aquele tom bem humorado reconfortante para um tema tão árduo
e dolorido. O diretor Ash Baron Cohen explicou que a idéia surgiu quando a
produtora Allyson Tang decidiu ser voluntária num acampamento para crianças
soropositivas. “Ficamos surpresos ao descobrir que elas não pensam na
possibilidade da morte e nem sugerem autocompaixão”, lembrou.
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PROTESTO CONTRA O MONOPÓLIO
(Pills Profits Protest)
EUA, 2003, 60min.
Direção: Ann T. Rossetti
O documentário mostra o empenho de militantes pelo
mundo em protesto pela falta de medicamentos contra
o vírus HIV. A análise crítica engloba a batalha de países
pobres e indivíduos marginalizados contra os governos e
as indústrias farmacêuticas para ter acesso aos remédios. Há um momento
dedicado ao Brasil, que conquistou uma vitória na quebra de patentes de
antiretrovirais. Ex-ministro da Saúde do governo FHC e atual governador do
Estado de São Paulo, José Serra é visto em discurso na ONU. A fita também
aborda o destino dos 50 bilhões de dólares do Fundo Global para o
desenvolvimento de remédios contra a Aids.
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RITOS E DITOS DE JOVENS GAYS
Brasil, 2002, 43 min.
Direção: Vagner de Almeida
Esta fita nos oferece uma tela viva que
desvenda a vivência do jovem homossexual em
tempos de AIDS — o seu sofrimento e a sua
alegria, as suas angústias e os seus sonhos. O
vídeo fala com as palavras dos jovens, sobre as
suas experiências e as suas vidas e, acima de
tudo, sobre a sua coragem em enfrentar com
dignidade e honestidade uma sociedade
tantas vezes injusta e opressiva.
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SEM GARANTIA DE
VALIDADE
(No Magic Bullet)
Inglaterra, 2007, 58 min.
Direção: Jaime Sylla
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As questões levantadas pelo documentário atualizam o cenário da epidemia da
aids e, principalmente, focam a Inglaterra, país pouco representado na
cinematografia sobre o assunto. Profissionais de saúde, educadores,
acadêmicos, especialistas da medicina e pessoas que vivem com HIV oferecem
um parâmetro da situação da doença no momento e debatem a razão do
aumento da infecção entre gays, o efeito da internet na prática sexual e a
eficiência da educação sexual no contexto inglês. O filme acompanha ainda
um jovem que fará o teste de HIV pela primeira vez. Sexo seguro e o
significado de viver na dependência do coquetel de drogas também estão na
pauta.
SENSAÇÕES - A HISTÓRIA
DA AIDS NA ARGENTINA
(Sensaciones – Historia del Sida
en la Argentina),
Argentina, 2006, 80 min.
Direção: Hernán Aguilar
A Argentina, em que pese a simples
existência deste documentário, não
viveu de forma muito diferente o
impacto do aparecimento da aids em comparação aos seus vizinhos latinoamericanos. Ou seja, deu-se conta tardiamente da tragédia e demorou a tomar
medidas importantes de conscientização, prevenção e tratamento em larga
escala a partir de projetos governamentais. Como é habitual, iniciativas de
alerta à população e apoio às vítimas ficaram por conta de associações
particulares e grupos de voluntários engajados, a exemplo de uma organização
voltada para as lésbicas. Num formato que une cenas ficcionais e depoimentos
de especialistas, autoridades do governo e soropositivos, o filme acompanha
os avanços conquistados num lento e penoso processo. Conta, entre outras
passagens, a luta de um jornalista infectado em montar um hospital dedicado
apenas aos portadores de HIV e que hoje leva seu nome, além da talvez tardia
lei federal que garante assistência aos doentes.
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SEXPRESS YOURSELF
Brasil, 2006, 60 min.
Direção: Mauro Dahmer
O documentário reúne três
adolescentes – um brasileiro, um
mexicano e um jamaicano – e
suas opiniões sobre sexo, drogas,
rock, machismo, homofobia e
hipocrisia. Em pauta também,
questões como a prevenção do
vírus HIV. Participam ainda da
produção o escritor Eduardo
Bueno, os jornalistas André
Fischer e Madela Bada, o
coreógrafo jamaicano Conroy
Wilson e o fotógrafo mexicano
Gonzalo Morales. O registro foi
produzido pela MTV brasileira em
parceria com a MTV latinoamericana e sua versão baseada
no Caribe, a Tempo, com apoio da
Unicef e da Fundação Staying
Alive.
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TRANSIT
(Transit)
Inglaterra, 2005, 90min.
Direção: Niall MacCormick
O primeiro longa-metragem produzido para
a TV pela MTV estreou na telinha em 1º de
dezembro de 2005, Dia Mundial da Luta
contra a Aids. A fita faz parte de uma
campanha de prevenção entre os jovens
que tem o apoio da Fundação Staying Alive. Ambientada em quatro países,
a trama acompanha o drama e as aventuras de protagonistas que vivem na
Cidade do México, Los Angeles, São Petersburgo (Rússia) e Nairóbi (Quênia).
Entre os personagens estão a americana Asha, desconfiada da fidelidade do
namorado, e o africano Matthew, mergulhado na cultura hip-hop de seu país.
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TRÊS IRMÃOS DE SANGUE
Brasil, 2005, 104 min.
Direção: Angela Reiniger
Os três irmãos de sangue a que se refere o
título do documentário são os mineiros
Betinho, Henfil e Chico Mário. Hemofílicos,
foram infectados pelo vírus HIV através da
transfusão de sangue e morreram de
complicações da Aids. O trio tornou-se um
símbolo da luta contra a doença no Brasil e o
fato do país hoje ser visto como referência
mundial no combate à epidemia tem muito a
ver com o pioneirismo de ativistas como eles.
Além de acompanhar essa dolorosa trajetória,
a fita ainda enfatiza como as atuações de cada um pelos direitos humanos se
misturam à história política, social e cultural do Brasil na segunda metade do
século XX. O sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho, foi o fundador do
Ibase, da ABIA e da Campanha Contra a Fome e a Miséria e Pela Vida. Já o
cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil, foi uma voz potente pela volta
dos exilados da ditadura militar e criou o slogan “Diretas Já”, enquanto o
músico Francisco Mário de Souza defendeu a produção musical independente
e compôs canções contra a tortura.
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TUDO CONTRA
LEO
(Tout Contre Léo)
França, 2002, 88 min.
Direção: Christophe
Honoré
Elenco: Pierre
Mignard, Yaniss
Lespert, Marie Bunel,
Rodolphe Pauly.
Antes de realizar o ótimo Em Paris (2006), já exibido no circuito
brasileiro, e Canções de Amor (2007), o diretor francês Christophe Honoré
assinou esse delicado drama. O cenário é uma pequena cidade no litoral
da Bretanha, região onde o cineasta nasceu e lar perfeito para um casal
e seus quatro filhos. Leo (Pierre Mignard) é o mais velho. Aos 21 anos
e gay, ele anuncia à mesa que seu teste para HIV resultou positivo.
A harmonia do clã sofre um abalo, mas só o suficiente para todos se
unirem mais em apoio a Leo – exceto o caçula de 12 anos Marcel
(o ótimo Yannis Lespert), que embora poupado da notícia pelos pais
e irmãos, acaba por ouvir tudo atrás da porta. A partir daí, a trama se
desenrola através dos olhos do garoto, não só em relação às possíveis
consequências dramáticas da doença, mas também às experiências
típicas da idade de um pré-adolescente. São momentos de pausa na
linha dramática, a exemplo da viagem a Paris de Leo e Marcel, que dão
equilíbrio ao filme. A boa trilha sonora inclui o cantor Lloyd Cole e
músicas de Alex Beaupain, parceiro habitual de Honoré.
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UMA SEMANA
(One Week)
EUA, 2001, 97 min.
Direção: Carl Seaton
Elenco: Kenny Young, Saadiqa
Muhammad, Eric Lane
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Filme independente americano com elenco
negro reafirma a necessidade de falar
diretamente à comunidade sobre prevenção
e a possível convivência com a aids. Os
atores principais estão envolvidos também
na produção e no roteiro. Num bairro de
Chicago, Varon (Kenny Young) e Kyia
(Saadiqa Muhammad) estão a uma semana
do casamento quando ele fica sabendo que
seu nome aparece numa lista de prováveis
infectados pelo vírus HIV. Seu melhor
amigo recebe a mesma notícia de uma
agente de saúde e convence Varon a
procurar pela garota que provavelmente os
infectou. Enquanto aguarda pelo resultado
final do exame de HIV, o noivo vive o
dilema de contar ou não o drama à futura
esposa e enfrenta novos incidentes não
menos problemáticos.
WA N’WINA
(Wa n’wina)
África do Sul, 2001, 52min
Direção: Dumisani Phakathi
O jovem diretor sul-africano retorna a seu bairro natal, em Soweto, para colher
depoimentos de amigos de infância. O objetivo: saber como a Aids afetou o
cotidiano deles. As conversas giram em torno de relacionamentos, tradições,
tabus, amor e sexo. Entre os colegas estão Phumla e Timothy, que expõem
suas emoções ao relatar a dureza das ruas e as escolhas que foram forçados a
fazer. Com a câmera no ombro e incisivo nas perguntas, Phakathi faz um
mergulho em suas raízes para revelar o abismo existente entre a realidade e as
campanhas de prevenção contra a doença em seu país.
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YESTERDAY
(Yesterday)
África do Sul, 2004, 96min.
Direção: Darrell Roodt
Além da curiosidade de ser o
primeiro filme na língua Zulu (e
indicado para representar a África
do Sul no Oscar), esse drama traz
uma rara visão do epicentro da epidemia da Aids no mundo. Numa
remota aldeia africana, Yesterday (personagem de Lelei Khumalo) é
diagnosticada com o vírus HIV. Apesar da doença não ser mais uma
surpresa entre seu povo, ela é vítima da ignorância. Enfrenta duras
reações tanto por parte do marido (Kenneth Kambula), que a infectou,
como por parte dos moradores do vilarejo. Eles acreditam que a jovem
adquiriu o vírus em alguma situação pecaminosa. Rechaçada, Yesterday
sonha em ficar saudável até ver sua pequena filha ir para a escola. A
única pessoa com que pode contar é justamente a professora local
(Harriet Lenabe).
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Mostra de Filmes PPublicitários
ublicitários e Aids
Paralelamente ao Cinema Mostra AIDS, acontecerá a Mostra de
Filmes Publicitários e Aids. No total, serão exibidos 71 filmes
publicitários provenientes de 20 países. Dividida em quatro blocos
referentes a procedência dos trabalhos – Brasil, América Latina, EUA/
Canadá e Europa – a mostra exibirá filmes de campanhas
governamentais e outras produzidas sob encomenda para
organizações não-governamentais e para a iniciativa privada. Dentre
as fontes de pesquisa para a seleção dos filmes, destacam-se festivais
publicitários realizados ao redor do mundo, acervos de agências de
publicidade, vídeos disponibilizados na internet e outras duas
iniciativas da maior relevância neste universo: Vhideo America, uma
coletânea de campanhas realizada por países latino-americanos e
caribenhos, lançada em 2007 pela Organização Pan-americana de
Saúde (OPAS), e Aids Remember-me, concurso de filmes sobre Aids
produzido por países europeus e realizado pela União Européia em
2006. No Brasil, foram selecionadas, entre outras, campanhas
realizadas pelo Ministério da Saúde, pela MTV e por organizações não50 governamentais.
A Mostra de Filmes Publicitários e Aids apresenta uma seleção
de campanhas realizadas em todo o mundo. No total, são 71 filmes
provenientes de 20 países. Eles integram campanhas de prevenção e
de informação veiculadas principalmente na televisão e na internet.
São, em sua maioria, filmes de 30 segundos de duração, que revelam
a diversidade cultural, mostram a evolução de linguagem e de
conteúdo das campanhas e formam um importante painel sobre as
múltiplas formas de abordagens do HIV e da Aids nesta mídia.
Dividida em quatro blocos, a mostra exibirá filmes de campanhas
governamentais e não-governamentais produzidos no Brasil, América
Latina, EUA/Canadá e Europa.
No início da epidemia as campanhas associavam Aids à morte e,
por isso, disseminavam o terror e a desinformação. Em seguida,
deram lugar a filmes publicitários com conteúdos variados, que
passaram a divulgar a eficiência do -preservativo e a prática do sexo
seguro. Focalizam-se no HIV/Aids e nas DSTs, mas também abordam
o respeito aos direitos humanos e à diversidade. E ainda há aquelas
que promovem a auto-estima, combatem o preconceito e são
instrumentos de ativismo político da sociedade civil organizada.
Muitas delas são dirigidas a públicos específicos, como jovens,
mulheres, homossexuais, usuários de drogas, entre outros. Com
drama, humor, erotismo ou didatismo, há campanhas tradicionais,
conservadoras, e outras mais irreverentes, criativas, polêmicas,
algumas até mesmo chocantes.
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A Mostra não tem qualquer intenção de fazer juízo de valores,
mas apenas promover o debate e o intercâmbio de melhores práticas de
comunicação e de publicidade voltadas para novas formas de
enfrentamento da epidemia da Aids. Com filmes realizados a partir dos
anos de 1990, é possível identificar, nesta seleção, a evolução da
produção publicitária, que acompanhou a evolução da doença, em
constante movimento e transformação.
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Realização
Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA)
Centro Cultural Justiça Federal (CCJF)
Grupo Pela Vidda/ SP
Apoio
Fundação Schorer
Cinema Mostra Aids
Coordenação
Ricardo Salles Mölnar
Aline Moreira Lopes
Luciana Kamel
Cristina Pimenta
Vagner de Almeida
Veriano Terto Júnior
Projeto gráfico e edição
Cecília Leal
Revisão
Claudio Oliveira
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Agradecimentos
Aline Mayor
Juliana Pepino
Maria do Rosário Malcher
Marina Morena
Sérgio Mota
Silvia Carvalho
Tatiana Moreira
Thalita Mendes
Diretoria ABIA
Diretor-Presidente: Richard Parker
Diretora Vice-presidente: Regina Maria Barbosa
Secretário Geral: Kenneth Rochel de Camargo Júnior
Tesoureira: Miriam Ventura
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Realização
www.abiaids.org.br
www.ccjf.trf2.gov.br
Apoio
CENTRO CULTURAL JUSTIÇA FEDERAL
Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro / RJ. CEP 20040-009
Aberto de terça a domingo, das 12h às 19h. Tel. (21) 3261-2550
Visitas orientadas – Tel (21) 3261-2552
Biblioteca – terça a sexta-feira, das 12h às 17h