Emoção no regresso dos Silence 4 aos palcos no

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Emoção no regresso dos Silence 4 aos palcos no
26 Sábado
AÇORIANO ORIENTAL
SÁBADO, 22 DE MARÇO DE 2014
COORDENAÇÃO HUGO GONÇALVES, JOÃO CORDEIRO E LÁZARO RAPOSO
VICTOR MELO/CM PONTA DELGADA
Emoção no
regresso dos
Silence 4
aos palcos
no Coliseu
Silence 4 em
palco depois de
longa paragem
Os Silence 4 voltaram
aos palcos mais de 10
anos depois do último
concerto, para uma
mini digressão que
começou em S. Miguel
JOÃO CORDEIRO
[email protected]eiaderock.com
Foi como quem junta os amigos
de longa data para recordar os
tempos de juventude que os Silence 4 subiram ao palco do Coliseu Micaelense no passado sábado. Para partilhar histórias e
episódios, uma casa composta essencialmente por jovens adultos,
prontos para acompanhar David
Fonseca e Sofia Lisboa em cada
palavra dos temas de “Silence Be-
No plano individual, David Fonseca mostrou toda a sua experiência
e Rui Costa expôs a sua versatilidade e qualidade musical alternando entre o baixo e a guitarra.
Na bateria, Tozé Pedrosa foi extremamente competente: sem complicar, dá a cada música exatamente o que ela pede. E Sofia
Lisboa tem uma bonita voz, embora uma ou outra vez, tenha sido
afetada talvez pela emoção. A servir de elo de ligação entre todos
os elementos esteve, nas teclas,
um músico convidado.
O concerto no Coliseu Micaelense marcou o regresso dos Silence  aos palcos
comes It”, álbum de estreia da
banda, que foi um tremendo sucesso no final da década de 90.
A forma quase automática
como o público reconhecia e reagia às músicas do primeiro álbum,
logo aos primeiros acordes, demonstra o verdadeiro impacto
que o disco de estreia dos Silence 4 provocou.
Sem grandes encenações ou
“truques de palco”, a banda de Leiria interpretou todos – ou pelo
menos quase todos – os temas dos
dois únicos álbuns editados na sua
curta existência, e ainda houve
tempo para mostrar duas das várias dezenas de temas que estavam prontos antes da gravação do
primeiro álbum, mas que acabaram por não ser incluídos em nenhum registo discográfico: “Self
Sufficient” e “Silence Becomes It”,
que viria a dar o nome ao primeiro disco.
Estes dois temas foram apresentados num momento mais íntimo do concerto, em que os quatro elementos se chegaram à
frente do palco, bem juntinhos
uns dos outros, e muito perto do
público, como forma de relembrar
os primeiros tempos de banda, em
que ensaiavam num espaço pequeno sem grandes condições.
“Angel’s Song” acabou por ser
mesmo o momento mais emotivo da noite, depois de Sofia Lisboa – que recentemente venceu
a luta contra uma leucemia – revelou que ao propor a reunião da
banda, disse aos outros músicos
que, caso ela não pudesse estar
presente nos concertos, pedissem
ao público para cantar a sua parte, que, ironicamente, diz “hel-
lo, don’t be scared, I want you to
know, you’re not dead”. Felizmente, foi a própria Sofia a cantar a sua parte, mas mesmo assim
o público fez-lhe a vontade e fez
tremer o Coliseu. Um emocionante momento de celebração da
vida, que levou as lágrimas aos
olhos da vocalista.
Os temas do segundo álbum
- “Only Pain is Real” - foram recebidos pelo público sempre de
forma menos calorosa. “Silence
Becomes It” tem qualquer coisa
especial e irrepetível, ou não fossem os três temas do “encore” final retirados deste álbum: “Borrow”, “My Friends” e “A Little
Respect”.
Os Silence 4 marcaram uma época da música portuguesa, mas tinham ainda muito para dar quando terminaram a carreira. Hard Rock na estreia formidável dos Queen
DIREITOS RESERVADOS
LÁZARO RAPOSO
[email protected]
Foi já há mais de 40 anos ( 1973)
que uma das bandas mais mediáticas de todos os tempos se estreou nos registos discográficos,
falo dos Queen e o seu álbum homónimo.
Quem ouve “Queen”, o álbum,
poderá ter alguma dificuldade em
associá-lo a Queen, a banda.
Os Queen caracterizam -se por
ser, acima de tudo, uma banda
eclética. Quem conhece a sua
carreira, principalmente o vasto leque de “hit singles”, facilmente compreende isso. Basta
ver a heterogeneidade existente
em “Greatest Hits I” e “II” para
perceber que rotular Queen não
é tarefa fácil. E não é, devido a
uma das particularidades que
mais admiro nos Queen: todos
os seus os seus elementos colaboraram ativamente na composição dos temas.
Neste início de carreira, os
Queen eram essencialmente uma
banda hard rock, e o seu álbum de
estreia apresenta uma atitude
“rockeira” (“Modern Times
Rock’n’Roll”, “Son & Daughter”),
com temáticas fantasiosas (”My
fairy king”, “Great King Rat”) típicas do movimento rock progressista em voga na altura. Sugiro a audição do tema “Liar” para
perceber este casamento.
A verdade é que é um álbum
Primeiro álbum da banda que tinha Freddie Mercury como “frontman”
sem a extravagância e glamour a
que Freddie Mercury e companhia nos habituou nos anos seguintes. Falta aquele elemento
“queenish”, não totalmente porque há um ligeiro laivo com “Seven Seas of Rhye”. Mas é isso mesmo - ligeiro laivo - uma vez que o
tema aparece incompleto e sem
voz, ficando a sua estreia completa reservada para “Queen II”.
Este álbum acaba por ser injustamente subvalorizado. Não
teve nenhum “hit single”, é certo, mas o energético “Keep
Yourself Alive” acaba por funcionar bem como cartão de visita. Não sendo um álbum perfeito, não deixa de ser uma
estreia formidável.