Antropologia Forense

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Antropologia Forense
Antropologia
Forense
Karin Cristine Grande
Mestranda em Engenharia Biomédica UTFPR
Bióloga
Antropologia: estudo do homem em seu meio natural, cultural e físico.
Forense: estudo de uma ciência aplicada a justiça.
Antropologia Forense: aplicação legal da ciência antropológica, com o objetivo de
ajudar à identificação de cadáveres e à determinação da causa de morte.
História da Antropologia Brasileira
A identificação confunde-se com a própria história da humanidade. O homem sempre necessitou
identificar coisas, animais e seu semelhante.
Na verdade, diz-se que identificar é determinar a individualidade, ou é provar, por meio técnico e
científico, que aquela pessoa não é aquela outra.
Não se deve confundir a identificação com o reconhecimento, que nada mais é que um procedimento
empírico, baseado em conhecimento anterior, cuja base de sustentação é puramente testemunhal.
A curiosidade humana é intrínseca à sua própria natureza e existência.
No princípio, o homem conheceu os elementos básicos: terra, fogo, água e ar, e, através de sua
curiosidade, aprendeu a conviver com eles, tirando-lhes proveito.
Num estágio superior, começou a questionar-se, buscando conhecimento sobre seu próprio corpo.
A antropologia, que na verdade representa o estudo do homem nos seus aspectos morfológicos,
funcionais e psicossociais, busca, até hoje, explicações que se deparam com variáveis biotipológicas:
alimentares, metereológicas e socioorganizacionais.
A identificação humana não é tarefa difícil quando se trata do indivíduo vivo ou de cadáver
cronologicamente recente e íntegro.
No entanto, quando não se dispõe do esqueleto completo, mas de um grupo de ossos, de um osso
isolado ou parte dele, o processo identificatório torna-se progressivamente mais difícil e, às vezes,
impossível de ser realizado.
Prof. Virgílio Climaco Damásio, escolhido pela congregação da Faculdade de Medicina da Bahia para
formar a comissão de estudos na europa em 1883, foi quem promoveu a transformação científicocultural que conduziu à escola Médico-Legal da Bahia e proporcionou, uma década depois, ao seu
assistente, Raymundo Nina Rodrigues, a criação da Antropologia Brasileira, com a publicação em 1894,
do livro: As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil.
Através de seus discípulos, Nina difundiu sua escola médico-legal e antropométrica para todo Brasil.
Henrique Tanner de Abreu e Luiz Silva deram os primeiros passos na Odontologia Legal Brasileira.
É justamente nessa busca constante que a Medicina e a Odontologia Legal se aliaram para o
desenvolvimento de metodologias para o diagnóstico preciso da identificação de dados biotipológicos.
Utilizada em situações onde existem danos consideráveis induzidos ao
cadáver, como decomposição, amputação, queimaduras ou qualquer outro
elemento que cause deformação no corpo, tornando-o irreconhecível.
A principal preocupação de um antropólogo forense, ao confrontar-se com um
corpo, vestígios esqueléticos ou outro qualquer material que se assemelhe a
tecido ósseo, é classifica-los como humanos, animais ou matéria inorgânica.
Outro critério é a análise do sangue. A mais simples consiste na procura dos cristais de Teichmann. Colocando o
sangue sobre a lâmina com solução de ácido acético glacial, e expondo-o ao calor de evaporação lenta formam-se
cristais em forma de charuto na cor marrom, perceptível ao microscópio.
Alguns critérios podem ser usados como a verificação como a morfologia dos ossos ou da avaliação dos Canais de
Havers. Ao olhar do microscópio, podemos constatar que os ossos humanos têm forma elíptica ou circular,
diâmetro superior a 3μm e densidade de 8 a 10 por mm2. Os ossos animais têm forma circular, diâmetro inferior a
25μm e densidade superior a mencionada.
A antropologia forense visa a identificação do indivíduo e para isso depende de várias outras ciências para a
definição correta. Essa ciência permite ao profissional distinguir vários caracteres somáticos, classificando-os.
Antropólogos forenses, atuam também em na escavação arqueológica, exames de cabelos, pegadas, insetos e
material vegetal, reconstrução facial, sobreposição fotográfica, identificação de variações anatômicas e análise de
históricos médicos, análise da cena do crime, manejo de provas, fotografia, toxologia ou balística e armamento.
Após revelado o interesse legal e forense no material descoberto, este é
direcionado para um processo de identificação de determinados caracteres de
relevância para a investigação e reconstituição do indivíduo ante mortem.
Os fatores que serão analisados são: idade , sexo, estatura, peso, filiação racial,
patologias e historia médica do indivíduo.
Craniometria
A mensuração do crânio, embora pertença à antropometria, comouma de
suas principais dependências, costuma ser considerada separadamente
com o nome consagrado de craniometria.
A craniometria é geralmente definida como sendo uma técnica, ou
sistema convencional, que determina a mediação do crânio de maneira
sistematizada universalmente, o que permite a avaliação comparativa
entre estudos realizados por diferentes pesquisadores.
Em suma, a craniometria permite o conhecimento das variabilidades
morfológicas dos crânios humanos, dentro das exigências naturais à
objetividade científica.
Condições para estudos craniométricos
a) Triagem das medidas que vão ser tomadas, o que depende dos objetivos de
cada pesquisa.
Quando desejamos apenas uma caracterização geral de crânios, poucas
mensurações são suficientes para avaliarmos a sua forma. Porém, ao
compararmos formas muito próximas, ou para estabelecermos diferenças
individuais, deveremos aumentar consideravelmente o número de
mensurações. Salientamos, entretanto, que a principal tarefa da craniologia
não é a descoberta de variações ou anomalias individuais, e sim, uma
sistematização que possibilite a caracterização geral das diversas populações
humanas. Isto se consegue, satisfatoriamente, com o auxílio da estatística e
dos computadores.
Condições para estudos craniométricos
b) Uniformidade de técnica, sendo necessária a homogeneização dos pontos de referência e a
utilização de uma mesma nomenclatura.
Para transmitir referências de entendimento universal, convencionaram- se dois planos fundamentais:
— Plano médio sagital (vertical), com pontos de referência em: Nasion- Inion-Basion. — Plano aurículo
orbitário ou de Frankfurt (horizontal), com pontos de referência em: Porion direito e esquerdo e
Orbitale esquerdo. No caso da órbita esquerda estar destruída, usa-se a órbita direita, anotando-se o
fato.
O Plano de Frankfurt, idealizado por Von Lhering, é aceito em todos os países, desde o Congresso de
Antropologia em Frankfurt, no ano de 1884. Tem a vantagem de ser facilmente determinado tanto no
vivo, quanto no crânio ou na radiografia da cabeça. Tendo como referência o Plano de Frankfurt, o
crânio pode ser visualizado por cima, por baixo, por trás, pela frente e pelos lados. Todas as
referências que se fazem nas observações do crânio são sempre imaginando a visualização por uma
destas Normas.
Condições para estudos craniométricos
Instrumental específico, sendo obviamente preponderante minuciosa
aprendizagem, em laboratório, objetivando a utilização correta do
instrumental e da técnica. Os instrumentos usados em craniometria são:
Compasso de corrediça de 150 mm.
Compasso de corrediça de 300 mm.
Compasso de espessura ou braços curvos de 300 mm.
Compasso de coordenadas de 220 mm.
Compasso de coordenadas de 300 mm, tipo Aichel.
Goniômetro montado em um compasso de corrediça, tipo Mollison.
Cranióforo cúbico, cranióforo tubular e cranióforo tipo Mollison.
Palatômetro, orbitômetro e mandibulômetro.
Fita métrica metálica.
Lápis dermográfico vermelho ou preto.
Calibrador de instrumentos.
Condições para estudos craniométricos
d) No crânio as medidas são tomadas em milímetro. Para as
órbitas utilizamos o meio milímetro (0,5 mm).
Pontos Craniométricos
A mensuração do crânio requer, inicialmente, o conhecimento de pontos que
servem como referências básicas. Esses pontos, chamados Pontos Craniométricos,
são precisamente determinados por diferentes autores, sendo localizados em
acidentes anatômicos facilmente identificáveis ou em posições geométricas.
A maioria dos Pontos (craniométricos situa-se no Plano médio sagital (PM) e são
ímpares, outros estão em Planos Laterais (PL) e são pares.
Antes de se iniciar qualquer mensuração, marcam-se, com lápis, esses pontos de
referência. No caso de forte obliteração de suturas, um ligeiro umedecimento
auxilia o reconhecimento do ponto procurado.
Medição
craniométrica
tradicional.
Medição craniométrica
utilizando Laser Scanner da
iDryas (breuckmann
smartSCAN3D), mostrando o
modelo 3D – proposta de
dissertação Instituto de
Ciência Forense de Lisboa.
Raça
No Brasil a identificação da raça do examinado constitui um problema, visto que os brasileiros não
se constituem de uma linhagem homogênea.
A mestiçagem é vista mesmo nos “caucasianos” que vieram de Portugal, pois se deu em território
português quando da invasão dos “mouros”.
Darcy Ribeiro diria que a força do povo brasileiro está justamente na mescla de raças, o que em
termos biológicos tem respaldo na diversidade que aumenta significativamente as chances de
preservação da prole.
Mas a questão da identificação da raça do examinado não serve para discriminá-lo, e sim para
diferenciá-lo, individuá-lo, dos outros. Os grupos étnicos brasileiros fundamentais são:Caucasianos:
Pele branca ou trigueira; cabelos lisos ou ondulados, loiros, castanhos ou pretos; íris azul, verde,
castanha; nariz alongado e narinas delgadas.
De modo a obter esta informação, utilizam-se particularidades,
nomeadamente da face, que diferenciam populações com
diferentes
ascendências
raciais.
Exemplificando,
indivíduos
caucasianos apresentam faces mais estreitas, narizes longos e
queixos proeminentes. Por outro lado, indivíduos de raça negra
destacam-se por possuírem grandes aberturas nasais e cavidades
subnasais. Os asiáticos e os índios americanos exibem os ossos das
bochechas salientes e características dentárias particulares.
Caucasianos: Pele branca ou trigueira; cabelos lisos ou
ondulados, loiros, castanhos ou pretos; íris azul, verde,
castanha; nariz alongado e narinas delgadas.
Indiano: Pele tendente ao avermelhado; cabelos
lisos e pretos; íris castanha; barba escassa.
Negróides: Pele negra; cabelos crespos; íris castanha ou
preta; nariz pequeno, largo e achatado, com narinas
espessas e achatadas.
Há diversas formas de determinação
Perfil facial (ângulo de Cloquet)
Forma do palato
Índices craniométricos
cefálico horizontal
facial superior
sagital
transversal
nasal
Índice cefálico horizontal
100 x largura máxima (Eurio-Eurio)
Ich =
comprimento máximo (glabelaopistocrânio)
Índice facial superior
100 x altura máxima (próstio-násio)
Ifs =
comprimento máximo (zigio-zigio)
Índice sagital
100 x altura máxima (básio-bregma)
Is =
comprimento máximo (glabelaopistocrânio)
Índice transversal
100 x altura máxima (básio-bregma)
It =
largura máxima (eurio-eurio)
Índice nasal
100 x Largura nasal máxima
In =
altura nasal (násio-espinhal)
Sexo
Normalmente não há dificuldades do sexo do humano em estudo, mesmo
nos casos apontados como “genitália dúbia”. Além da constatação do sexo
gonodal (o masculino sendo portador de testículos e o feminino sendo
portador de ovários), alguns exames em corpos em avançado estado de
decomposição podem utilizar: a capacidade craniana como critério
(1.400cm3 ou mais para os homens e 1.300cm3 para as mulheres; o ângulo dos
arcos superciliares (salientes para os homens e suaves para as mulheres);
ângulo subpubiano (em formato de “V” para os homens e em formato de “u”
para as mulheres); corpo do púbis (triangular para os homens e quadrangular
para as mulheres) entre outros.
A determinação do sexo do cadáver passa por uma série de metodologias
de análise de medidas de vários componentes do esqueleto, tais como a
pélvis, margens supraorbitais e o crânio.
Método de Galvão – (1994)
o
o
o
o
o
o
o
Índice de acerto de 93,8%
e (36,1218+5,3846xG+2,7035xAPOMAST-MAE/ENA-MAE/L)
Sexo =
1 + e (36,1218+5,3846xG+2,7035xAPOMAST-MAE/ENA-MAE/L)
e = 2,71828
APOMAST = Apófise Mastóidea; discreta = 1; proeminente = 0
MAE/ENA = Meato acústico externo à espinha nasal anterior
MAE/L = Meato acústico externo ao lambda
Glabela
Lambda
Espinha nasal
anterior
Apófise
mastoídea
Método Galvão – (1998)
o
o
o
o
o
o
o
Índice de acerto de 80,3%
e (20,4709+0,2652xAPOMAST+-0,1051xCF)
Sexo =
1 + e (20,4709+0,2652xAPOMAST+-0,1051xCF)
• e = 2,71828
• APOMAST = Meato acústico à apófise Mastóidea
• CF = Curva Frontal
Curva Frontal
Apófise mastóidea
Método de Saliba – (1999)
o
o
o
o
o
o
o
o
Índice de acerto de 77,8%
e (33,9680 - 0,1522xFi/Enp - 0,2236xStzD/StzE - 0,0480xB/L)
Sexo =
1 + e (33,9680 - 0,1522xFi/Enp - 0,2236xSfzD/SfzE - 0,0480xB/L)
e = 2,71828
Fi/Enp = Fossa incisiva à espinha nasal posterior
SfzD/SfzE = Suturas frontozigomáticas direita e esquerda
B/L = Bregma ao lambda
Bregma - Lambda
SFZ D/SFZ E
Diagramas comparativos dos gêneros: à esquerda, crânio feminino;
à direita, crânio masculino. FONTE: VANRELL, 2002.
Determinação do sexo a partir do
estudo do processo mastóide.
Idade
A idade tem relevância para a apuração não só da identidade, mas também com a questão
da capacidade de direitos e deveres. Em matéria penal, por exemplo, a idade tem relevância para a
averiguação da imputabilidade.
O método mais seguro para averiguar a idade é a radiografia dos ossos, uma vez que identifica com
grau de aproximação significativo. Existem tabelas que indicam a idade aproximada pela morfologia
e densidade dos ossos. A radiografia da mão e pulso é indicada para verificar idades próximas dos
18 anos e a partir do 25 a do crânio, devido a fusão dos ossos.
Os dentes são bons indicativos para idades até 18 anos, mas a sua precisão é menor que a da
radiografia.
Idade: A melhor forma de determinar a idade do individuo é a análise dos seus dentes e mandíbula.
Quando estes elementos não são encontrados, são utilizadas técnicas comparativas entre as
suturas do crânio e a fusão das epífises.
Inicialmente procede-se à análise das suturas endocranianas uma vez que são menos expostas a
fatores ambientais.
Estatura e Peso
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Outra característica importante a determinar é a altura do indivíduo em vida, que é dada por uma
fórmula que considera a dimensão de três ossos pares (tanto o direito como o esquerdo): úmero,
rádio e ulna.
Estatura = 3.26 x (úmero) + 62.10 (erro = +/-4.43cm) Estatura = 3.42 x (rádio) + 81.56 (erro =
+/-4.30) Estatura = 3.26 x (ulna) + 78.29 (erro = +/-4.42) Nesta fórmula aplica-se a média das
medidas de ambos os ossos do lado esquerdo e direito. De seguida calcula-se a média das alturas
obtidas e dos erros referidos. Por fim, achamos a margem de erro da idade que consiste em somar
e subtrair ao valor final da altura.
Exemplo:
Úmero – direito (33,3) e direito (33,4) – média (33,35) →3,26 × 33,35 + 62,1 = 170,82
Rádio – direito e esquerdo (25,9) → 3,42 × 25,9 + 81,56 = 170,14
Ulna – direito (28,5) e esquerdo (28,4) – média (28,45) → 3,26 × 28,45 + 78,29 = 171,04
Média de Alturas – 170,67
Médias de Erros – 4,38
Altura final – entre 166,29 (170,67 – 4,38) e 175,05 (170,67 + 4,38)
Por outro lado, após calcular a altura prevista do indivíduo, podemos alcançar o peso do mesmo
pela aplicação direta da seguinte fórmula:
P (libras) = 4,4 × altura (em polegadas) – 143
Estimativa da Estatura Através de uma
Fotografia
O método consiste em estipular um parâmetro ou referência na roupa, que pode ser
a distância entre botões, a letra de um monograma, a figura de uma estampa, etc.
Mede-se a referência estipulada na foto e na roupa e a estatura do indivíduo em uma
foto.
Em seguida divide-se o valor da referência na foto pelo valor da mesma referência na
roupa. Acha-se assim o Índice de Redução Fotográfica (IRF). Depois basta multiplicar o
IRF pela estatura do indivíduo medida na foto, encontrando-se assim a estatura
humana.
Valor de referência da foto
IRF:Valor de referência da roupa
Estatura: IRFX Estatura do indivíduo na foto x 100.
Tempo de Morte
Os ossos não se decompõem tão facilmente como os outros tecidos, numa
primeira fase de decomposição a pele e os tecidos moles são putrificados.
Quando um corpo se encontra parcialmente decomposto, significa que
ainda apresenta articulações e cartilagens.
A decomposição de um corpo depende de vários fatores, tais como: a
temperatura do solo e a sua acidez. Quando um corpo é deixado à
superfície a atividade dos insetos vai ocorrer imediatamente e, em duas
semanas, o corpo estará parcialmente decomposto e, ao fim de oito
meses, estará decomposto na sua totalidade.
Se um corpo for queimado leva entre um a dois anos até ficar totalmente
decomposto, por outro lado, um corpo deixado em solos arenosos pode
mumificar ficando então conservado.
O número e o tipo de ossos disponíveis na cena do crime podem ajudar a
determinar há quanto tempo se deu a morte do indivíduo, por exemplo:
ossos pequenos dispersam-se mais facilmente.
Quanto mais tempo sucede desde a morte, mais difícil se torna de
determinar o momento da morte.
Trauma e Marcas
Identificam-se particularidades do indivíduo que permitam a sua
identificação, como fraturas, vestígios de cirurgias, marcas de
agressões passadas ou mesmo envolvidas na causa da morte,
deformações ósseas causadas por doenças ou outro fator, entre
muitos outras pequenas malformações ou alterações que são
únicas de cada ser. Este análise extensiva em conjunto com um
histórico médico do cadáver permitem identificar em muitas
situações cadáveres que seriam classificados como desconhecidos
de outro modo.
Existem mal-formações que identificam o sujeito. Podemos apontar
a polidactilia, o lábio leporino, as cicatrizes, as tatuagens.
Podem existir métodos modernos e precisos para a identificação do
indivíduo, mas nenhum que seja tão preciso, barato e tão difundido
quanto a identificação datiloscópica. Criada por Juan Vucetich em
1891 é o método oficial adotado no Brasil desde 1903. Baseado na
imutabilidade do desenho das papilas dérmicas dos dedos, cada
impressão revela um desenho único. Segundo os critérios
estabelecidos por Vucetich, existem quatros tipos básicos de
desenhos: Arco, presilha externa, presilha interna e verticilo.
Arco
Verticilo
Presilha Interna
Presilha Externa
Principais pontos craniométricos
vistas lateral e frontal.
Método de sobreposição de imagens, em modelo 3D
Orientações para o Exame Antropológico
Forense
Deve-se fotografar e examinar o material do jeito que foi enviado. Depois, são examinadas as vestes, com fotografias
das mesmas. Em seguida os ossos deverão ser limpos, as vestes lavadas, reexaminadas, novamente fotografadas e
posteriormente acondicionadas em sacos plásticos hermeticamente fechados.
Para a limpeza dos ossos:
Colocação em recipiente plástico com solução de hipoclorito de sódio na proporção de 1:10l de água por 24 horas.
Retirada do material, lavagem e escovação para retirada de eventuais aderências de tecidos moles.
Colocação em recipiente plástico com solução de peróxido de hidrogênio (água oxigenada) 120 volumes na
proporção de 500ml: 10l de água por 24H.
Retirada do material e secagem no sol, ou em estufa de 60°C.
Depois de secos os ossos devem ser montados em uma mesa antropológica, com o desenho de um esqueleto de
1,70m de altura. Isso ajuda na verificação de ossos ausentes e facilita o manuseio. Ossos fraturados podem ser
colados com cola e pistola elétrica ou com cera sete, preenchendo os espaços vazios, o que permite a sua
reconstituição. Procede-se ao estudo para investigação diagnóstica dos dados biotipológicos através das
metodologias morfológicas ou qualitativas e métricas ou quantitativas.
O protocolo padrão deve ser montado pela equipe de antropologia do IML, adaptando-o as suas
condições técnicas, disponibilidade de equipamentos e metodologias.
Os dados devem ser explicativos, fundamentados, mostrando as coincidências e discordâncias
encontradas, e esclarecedores quanto ao índice de acerto das metodologias utilizadas.
Quando houver coincidência dos dados biotipológicos e havendo um suspeito desaparecido, podese realizar a prososcopia, ou superposição de imagens. Essa metodologia, isoladamente, não identifica o
sujeito.
Deve-se, quando se dispuser de radiografia dos seios da face (quando em vida), proceder ao exame
comparativo com a radiografia do crânio em estudo. Os seios frontais obedecem ao critério de
unicidade.
Raios-X de ossos longos, fornecidos pela família, também se prestam para a identificação pela
comparação morfológica e de proporcionalidades, outro dado importante é a identificação através de
próteses ósseas metálicas.
A solicitação do prontuário odontológico é um procedimento obrigatório.
Pode-se coletar um segmento de osso que se faça DNA nos casos de haver um suspeito de
desaparecido para compará-lo com um parente próximo.
Check-list em Antropologia Forense Prática
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Examinar e fotografar os ossos e vestes do jeito que foram encaminhados, e ter fotos
do local de encontro do cadáver.
Reexaminar e fotografar, com calma, após a lavagem das vestes e limpezas dos ossos.
Colar e reconstituir ossos fraturados de interesse na perícia.
Usar metodologias morfológicas ou qualitativas e métricas ou quantitativas no
diagnóstico dos dados biotipológicos.
Havendo suspeito desaparecido, obter da família dados de interesse para a perícia:
prontuário odontológico, fotos, número do manequim (vestes e calçado), radiografias,
endereço e telefone de parente próximo.
Buscar dados, lesões ósseas ou sinais que ajudem a estabelecer a casa da morte,
quando possível.
Buscar auxílio em universidades ou empresas de tecnologia de ponta, quando
necessário.
Guardar material para exame de DNA.
Montar laudo com linguagem clara, explicativo, ilustrativo (fotografias, croquis,
gráficos), com esclarecimento sobre as metodologias empregadas, apontando
coincidências e discordâncias, com conclusão justificada e consistente.
Fazenda de Corpos - EUA
Cemitério de Albuquerque RJ – Setembro de
1991
Reconhecimento de ossadas de desaparecidos de
Campo Grande – RJ Outubro de 1991
Caso prático
É reportado à polícia por um caçador a presença de um esqueleto ainda coberto por roupas desfeitas e dispersas numa zona
densamente arborizada. Ao local deslocaram-se agentes policiais e técnicos forenses, que garantiram que toda a área
envolvente foi devidamente fotografada e revista. Prontamente o esqueleto foi transportado para o IML mais próximo.
Uma vez no IML o esqueleto é examinado exaustivamente por um médico que procura marcas variadas que permitam
identificar a causa da morte ou mesmo o indivíduo. O cadáver não apresentava qualquer tipo de lesões que o identificassem,
tal como não possuía qualquer documento nas suas roupas.
O médico que examinou o corpo determina que se trata de um esqueleto de um indivíduo do sexo masculino de meia-idade,
através de medições da zona púbica. O médico tenta ainda caracterizar outros fatores identificativos do cadáver mas o mesmo
não apresenta nenhuma outra evidência visual.
Uma vez terminado o papel do médico, é chamado um antropólogo forense para continuar o trabalho de identificação.
Primeiro, o antropólogo tenta caracterizar a filiação racial do indivíduo. Examinando o crânio, foi possível concluir que os seus
traços eram consistentes com aqueles de um caucasiano e estudando microscopicamente um cabelo louro encontrado no
esqueleto obteve-se uma confirmação.
Logo depois, a bacia, o esmalte dos dentes, o crânio, alterações na medula espinal e estudos microscópicos dos ossos e dos
dentes foram examinados e o antropólogo forense concluiu que o indivíduo teria uma idade entre 35 e 45 anos quando
faleceu. Através dos ossos longos encontrados calculou-se a estatura do homem encontrado, que seria cerca de 1,72m com
uma pequena margem de erro de cerca de 2 a 3 cm.
Posteriormente, o antropólogo forense procurou achar o intervalo de tempo decorrido desde a morte do indivíduo à análise do
cadáver.
A conclusão a que o técnico chegou foi que a morte teria ocorrido num intervalo de 6 a 9 meses, tendo em conta as condições
dos tecidos moles e o crescimento de raízes nas roupas do cadáver.
Finalmente, depois de ter uma ideia de como o indivíduo seria em vida, o antropólogo relatou que havia pequenos cortes em 3
costelas e numa vértebra, o que significa que o indivíduo foi esfaqueado pelo menos três vezes. Verificou-se também uma
fratura acima do olho direito e da maxila, em conjunto com um septo nasal desviado (devido a uma infecção nasal).
Assim o antropólogo forense termina o seu relatório e o médico avança para relatar as conclusões obtidas aos investigadores
criminais que registram a informação em bases de dados. Neste caso, a informação não foi suficiente para identificar o
cadáver diretamente, acabando a investigação por ser resolvida por reprodução facial que permitiu achar conhecidos ao
morto que o identificaram.
Crianças encontram ossada de diplomata
desaparecido na ditadura
A Equipe Argentina de Antropologia Forense concluiu que uma das ossadas pertence a Nicomedes
Galañena Crescencio Hernández, diplomata cubano desaparecido em 1976
Em junho, um grupo de garotos que brincava nas proximidades do aeroporto de San Fernando, na
província de Buenos Aires, encontrou um barril enferrujado de 200 litros que continha uma ossada.
Chamada, a polícia encontrou outros barris semelhantes no local. A Equipe Argentina de
Antropologia Forense concluiu, de acordo com o jornal argentino "Página 12", que uma das ossadas
pertence a Nicomedes Galañena Crescencio Hernández, diplomata cubano desaparecido em
Buenos Aires em agosto de 1976, ano de início da mais recente ditadura militar argentina (19761983).
Já julgado, o caso havia concluído que o diplomata foi preso e torturado pela ditadura, após ser
sequestrado em frente à embaixada cubana em Buenos Aires. Mas seu corpo nunca havia sido
encontrado. http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/conteudo.phtml?id=1282902&tit=Criancasencontram-ossada-de-diplomata-desaparecido-na-ditadura
Demora na identificação de ossadas
provoca crítica
Integrante da Comissão da Verdade também questiona destruição de documentos sigilosos
A Comissão Nacional da Verdade criticou a demora na identificação de corpos de vítimas da ditadura.
Recentemente, a comissão enviou ofício ao Ministério da Justiça cobrando informações sobre os trabalhos de
"antropologia forense" e "testes de DNA" realizados por um núcleo da Polícia Federal (PF) nos cemitérios de Perus
e Vila Formosa, em São Paulo."Temos que saber por que não está ágil", afirmou ontem Cláudio Fonteles,
integrante da comissão. Fonteles disse que aguarda resposta do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre o
assunto. O integrante da comissão também mencionou a cobrança feita pela Comissão da Verdade ao Ministério
da Defesa sobre a destruição de arquivos sigilosos que tratam de violações dos direitos humanos durante a
ditadura. No início do mês, a Folha revelou que ao menos 19,4 mil documentos que pertenciam ao extinto Serviço
Nacional de Informações (SNI) foram destruídos. "Não é correta a interpretação jurídica que diz que 'procederam
de forma certa' ao eliminarem documentos e não registrar nas atas essa eliminação. Mostramos que isso é
juridicamente incorreto", afirmou Fonteles.
(KELLY MATOS)
São encontrados restos mortais
de vítimas da ditadura
argentina
Foram encontrados os restos mortais de ao menos 15 pessoas em um prédio do
Exército, na província argentina de Tucumán, onde funcionou o maior centro
clandestino de presos da ditadura. A descoberta ocorreu em meio às escavações
realizadas pela Equipe Argentina de Antropologia Forense, no antigo Arsenal
Miguel de Azcuénaga, estima-se que o local abrigou um campo de concentração
de presos políticos durante a ditadura militar (1976 - 1983). No local também
foram encontrados projéteis de armas de fogo, pedaços de roupas e calçados.
Segundo organismos dos direitos humanos, a ditadura argentina deixou cerca de
30 mil desaparecidos.
São Paulo, terça-feira, 31 de julho de 2012
Exhumarán 50 presuntas víctimas del
Ejército peruano después de 25 años
Lima, 6 mar (EFE).- El Equipo Peruano de Antropología Forense (EPAF)
exhumará a partir del próximo lunes más de 50 cuerpos de una fosa
común del poblado de Huanta, presuntamente asesinados en 1984 por el
Ejército durante su lucha contra Sendero Luminoso, informó hoy la
agrupación privada.
Restos mortais de vítimas da ditadura argentina
são encontrados em fossa comum
Local abrigou campo de concentração de presos políticos durante a ditadura militar
Equipe encontrou ossos correspondentes a ao menos 15 indivíduos. Os restos mortais de ao menos 15 pessoas foram
encontrados em um prédio do Exército onde funcionou o maior centro clandestino de presos da ditadura, na
província argentina de Tucumán, revelou nesta quarta-feira o Centro de Informação Judicial (CIJ). A descoberta
ocorreu em meio às escavações realizadas pela Equipe Argentina de Antropologia Forense no antigo Arsenal
Miguel de Azcuénaga, na cidade de Tucumán. "Até o momento, encontramos ossos correspondentes a ao menos
15 indivíduos, parcialmente queimados, situados em diferentes profundidades", assinala o site do CIJ. "Os corpos
estavam na posição como caíram" e os especialistas estimam que a "fossa foi incendiada", como revelam restos
de pneus e vestígios de combustão". No local também foram encontrados projéteis de armas de fogo, pedaços de
roupas e calçados. O achado foi divulgado pouco depois da identificação do corpo do ex-senador Guillermo
Vargas Aignasse, desaparecido em abril de 1976, após o golpe de Estado de março do mesmo ano. Os restos
mortais do político estavam em outro centro de detenção, conhecido como Pozo de Vargas. Em 2008, o general
Antonio Domingo Bussi foi condenado à prisão perpétua pelo desaparecimento de Aignasse. O Arsenal Miguel de
Azcuénaga, base da chamada "Operação Independência" contra a guerrilha de esquerda em 1975, abrigou um
campo de concentração de presos políticos durante a ditadura militar (1976 - 1983). A ditadura argentina deixou
cerca de 30 mil desaparecidos, segundo organismos dos direitos humanos.
Foto: Equipo Argentino de Antropologia Forense / AFP
Coincidência?!