Untitled - Idade Mídia

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Untitled - Idade Mídia
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A Lógica do Caleidoscópio
Alexandre Le Voci Sayad
A sisudez do mundo adulto bem que se esforça, mas não consegue me desvencilhar de
um profundo otimismo que preenche mente e alma quando me vejo trabalhando com
uma geração de adolescentes conectada a diversos universos de informação, expressões
artísticas e opiniões, como aquela responsável por esta revista.
Nesta geração, a rapidez das conexões entre assuntos, das ligações de significados,
e sobretudo a rica munição cultural para muita conversa, têm a mesma lógica de um
caleidoscópio: peças coloridas de informação atraem-se e repelem-se, como se formassem
mosaicos de significados, que prontamente se esvaem e consolidam outros, ainda mais belos
(kalos vem do grego, significa “bonito”). Os desenhos dos mosaicos são, sim, igualmente
fugazes, mas logo dão espaço a outro (e outro) mais complexo e profundo .
A fugacidade, leia-se, superficialidade, tem sido o calcanhar de Aquiles dos jovens, numa
visão de quem os conhece pouco. Os movimentos contraculturais chamados antropofágicos
(como o Modernismo ou o Tropicalismo), tão importantes para a sociedade ocidental, levaram décadas para digerir tanta informação – ação que acontece em segundos para esta
geração. Os estudantes hoje são antropófagos culturais ambulantes – em tempo real.
EXPEDIENTE
Colégio Bandeirantes
Diretor-Presidente: Mauro de Salles Aguiar
Idade Mídia 2010: Alexandre Le Voci Sayad, Gilberto Dimenstein e Marina Consolmagno (Cidadania)
Monitoria: Caio Dib de Seixas
Estudantes-repórteres: Amanda Rodrigues Cestaro, Barbara Rezende Ribeiro Venceslau, Breno Botelho Vieira da Silva,
Carolina Pereira Zuccas, Isabella Moreira de Avelar Alchorne, Jefferson Danilo Sousa Pacheco, Juliana Altoé de Oliveira,
Kiara Sauer, Laís Fernanda Farina Lopes, Lara Soares de Freitas Deus, Laura Benito Scapolan Petrolino, Lorena Ramos
Lomba, Maria Clara Carlos Magno Cabianca, Marina Bulhões Camargo Kosa, Naomy Kato Stankevicius, Rafael Daigo
Yamada Bosse, Rebeca Duduch Carelli, Ricardo Elias Alves Sfeir, Thais Sterenberg de Oliveira e Ulysses Szajnbok de Faria
Caleidoscópio
Edição: Alexandre Le Voci Sayad
Direção de Arte, Projeto Gráfico e Ilustrações: Murilo Martins
Fotografia: Alexandre Le Voci Sayad (Estudantes)
Ilustrações e Charges: Carolina Pereira Zuccas (Inclusão Social Virou Moda?), Lorena Ramos Lomba (@Deus), Naomy
Kato Stankevicius (Um Passeio pela Vizinhança)
Revisão: Juliana Kalil Gragnani
Tiragem: 1200 exemplares
Agradecimentos
Departamento Cultural, Erika Vieira, Gloria Domenech, Mariana Baccarin, Mauro Motoryn, Rádio 107 FM, Rosiani Carla
Baron Telles, Rubens Vianna, Sérgio Rizzo, Sylvio Ayala e 141 Soho Square
Caleidoscópio é o produto final do curso Idade Mídia 2010
Para conhecer o processo educativo do Idade Mídia, acesse www.idademidia.colband.blog.br
Quando o curso Idade Mídia nasceu, no início de 2002, havia um tom, até de certa forma
profético, em seus objetivos. Falávamos com frequência da “geração que produziria
comunicação a todo o instante”. Isso já é o óbvio ululante.
Hoje, dar sentido às pedrinhas coloridas da informação continua sendo um importante papel
para a escola (embora muitas ainda não tenham percebido). Mas, como estratégia deste
objetivo, o Idade Mídia optou em estimular a produção de conteúdo relevante – para eles
próprios. Por isso, a revista Caleidoscópio foi planejada, desenvolvida e finalizada pelos
estudantes. Apresenta assuntos, abordagens e informações de seu interesse - fruto de um
ano de imersão no mundo da cultura e da comunicação.
Por essa e por todas, não sinto falta de nenhum tempo passado “quando as coisas eram
boas”. Esta é a melhor juventude de todos os tempos! Cabe à educação remar a seu favor,
identificar e localizar o que ela tem de melhor e, assim, trabalhar com essa riqueza. Espero
que o Idade Mídia não envelheça jamais e continue formando mosaicos de significado, tal
qual um caleidoscópio.
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É incontestável o fato de que a sociedade
forma uma imagem de certo indivíduo apenas
pelo que conhece superficialmente dele – as
roupas que usa, as músicas que ouve, os
lugares que frequenta. A partir de um olhar
ou de uma curta troca de palavras, uma
pessoa supostamente consegue “desvendar”
a vida de outra: determina o que ela gosta de
fazer, sobre o que ela gosta de conversar, o
que ela pensa sobre determinado assunto –
ou seja, encaixa prematuramente a pessoa
em um estereótipo. Essa concepção primária
da imagem de um indivíduo é inconsciente. A
sociedade acostumou todos a se verem por
meio de uma ótica preconceituosa, e esse
hábito não é de agora. Sempre houve uma
separação entre classes, pessoas, modos de
pensamento ou ideais.
Assim como em vários filmes de gênero
adolescente onde existem disparidades entre
vários estereótipos diferentes, como o “nerd”,
a “patricinha”, o “roqueiro”, o “skatista” ou o
“surfista”, hoje em dia, em nosso ambiente,
estamos mais habituados com dois “tipos”
específicos: os “alternativos” e os “playboys”.
Os “alternativos” seriam aquele tipo de jovem
influenciado por décadas passadas, que
gosta de ler, ir ao cinema, visitar parques e
museus, não se vestir como a maioria, ouvir
discos de vinil, apreciar música dos anos
60, 70, 80, e, de certa forma, ter a ambição
de mudar o mundo. Já os “playboys” seriam
aqueles jovens superficiais, alienados, que
são norteados pelo o que a sociedade impõe
como aceito em termos de comportamento,
que vestem o que a maioria está vestindo
- de preferência a marca mais cara -, que
têm como gosto musical aquilo que está
passando no rádio, que não se importam com
o que está acontecendo ao seu redor e que
têm como maior ambição ir a festas e gastar
dinheiro. Mas será que esses dois grupos não
têm algo em comum? Será que eles não são
mais parecidos do que imaginam?
Entrevistas realizadas com pessoas que
fazem parte de ambos os estereótipos
provaram que essa imagem pode, sim,
coincidir com a verdadeira personalidade
das pessoas. Mas, na maioria das vezes, o
estereótipo continua sendo apenas isto: um
estereótipo.
Letícia e Isabella (nomes fictícios), ambas de
16, têm estilos completamente diferentes.
Enquanto Letícia se veste com as mesmas
marcas, acessórios e, basicamente, o mesmo
tipo de roupa que a maioria dos adolescentes
de sua escola, Isabella tem seu estilo próprio:
não se preocupa com marcas. Veste o que
gosta e sempre tem criatividade para usar
algo que se diferencie do estilo da maioria.
Mesmo com a divergência de estilos, as
duas são bastante parecidas em termos de
personalidade. Ambas ouvem MPB e Indie
Rock, apreciam bastante a leitura e têm o
sonho de se formar em Direito. Já Anita Efrain,
16, assim como Letícia, é caracterizada pelas
marcas que usa. No entanto, provou que
não pensa tão convencionalmente quanto
seu estereótipo sugere. Seu maior sonho é
tornar-se jornalista esportiva, provar para
todos aqueles que dizem que mulheres não
possuem capacidade para lidar com futebol
– especialmente seus amigos - o contrário,
e escrever um livro que modifique a vida de
alguém de certa forma. “Eu acredito que
muitas vezes os estereótipos fazem sentido.
Mas nunca é possível captar a essência de
alguém, a personalidade real da pessoa
com base nas aparências”, declarou. Ao ser
perguntada se os dois grupos têm algum
preconceito entre si, respondeu: “Preconceito
talvez não. Mas acho que existe receio de
aproximação, medo do diferente”.
Com base na análise geral dos entrevistados,
percebe-se que o senso comum, norteador de
estereótipos, muitas vezes não tem validade.
O exterior das pessoas não necessariamente
dita em que ela acredita, faz, ou é. Afirmar
que alguém é de certo jeito só porque se porta
de uma determinada maneira é adotar um
comportamento superficial e preconceituoso.
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Ao som de Stayin’ Alive, acordei com o vibrar
do despertador. Pulei da cama rebolando
com a energia dos Bee Gees em direção
ao meu nutritivo café da manhã: um pão
com Nutella que claramente garantiria meu
êxtase eufórico pelo resto do dia. Contente com meus cinco minutos de
adiantamento, fui ao metrô. Ah… o metrô
paulistano! Nada, nem mesmo os esbarrões
tão comuns ao transporte público mudariam
minha vivacidade aquela manhã. Muito
menos o “cardume” de pessoas que me
garantiram a ausência na primeira aula.
Com a costumeira falta de ânimo dos meus
colegas, a manhã se arrastou até a hora do
almoço, a qual não pude desfrutar como
gostaria, por gastar metade do tempo livre
descendo as escadas, totalmente tomada
pela multidão de alunos impacientes e
esfomeados, e a outra metade na fila do
restaurante da esquina. Devo confessar,
esses curtos episódios foram o suficiente
para amortecer meu bom humor matutino.
Na volta pra casa, fui agraciada com as águas
de março vindas do céu e do asfalto, já que
um motorista em alta velocidade passou
por uma poça d’água, atingindo-me, pobre
pedestre. Ainda me restava esperança de que
o encontro com meus amigos salvaria a sextafeira. Esta não durou muito, pois não só estava
com pouco dinheiro, como nenhuma roupa me
servia tão bem quanto há algumas semanas,
quando estava com alguns quilos a menos.
Após uma pequena discussão com minha
mãe, cheguei ao restaurante japonês habitual
do grupo, para só então me lembrar que
era nessa fatídica sexta-feira que tínhamos
mudado a opção para o outro lado da cidade.
Não seria problema se minha mãe já não
tivesse ido embora e se encontrasse presa no
infernal trânsito da 23 de maio. Conformada, fui até o balcão para me fartar
com o único temaki que minha magra carteira
me permitiria. Enquanto olhava o cardápio,
não pude deixar de notar a verdadeira guerra
nipônica que se formava bem em minha
frente. O sushiman e os demais funcionários
duelavam entre si, já que os mesmos
supostamente não haviam informado os
pedidos na ordem certa para o chef da
cozinha. Em um piscar de olhos, havia arroz,
peixe e shoyu por todos os cantos. É lógico
que o capricho do meu cone foi prejudicado.
No caminho de volta, entrei em parafuso. Para
onde foi toda aquela endorfina dos Bee Gees
com Nutella? Por que o estresse do mundo
me afeta tanto? Percebi que é inevitável: o
mau humor de um indivíduo é passado para
outro independentemente do estado em que
o segundo se encontra. Sim, o estresse se
comporta nas pessoas assim como aquelas
intermináveis ondas de bocejos ou como a
cadeia de risos que se manifesta, na qual a
maioria dos membros nem faz ideia do que
despertou tal surto humorístico. Benditos
sejam nossos neurônios espelhos (assim
chamados pela comunidade científica)!
Pensem comigo: se cada raivoso transmitir
seu estado de espírito para algumas das
pessoas com quem tiver contato ao longo do
dia, entraremos em uma pandemia! Ao passo em que risadas intermináveis, no
máximo, nos deixam com dores na barriga
e na musculatura do rosto, o estresse é
bem mais sério. Ele está relacionado às
mesmas áreas do cérebro responsáveis pelo
sistema imunológico, fazendo um irritadiço
ser mais vulnerável a problemas de saúde,
comprometendo seu desempenho e, assim,
agravando o quadro pela insatisfação pessoal.
A questão patológica da situação se verifica
com a intensificação máxima do problema.
Se o ambiente estressante penetra no íntimo
de um indivíduo e para ele passa a se tornar
constante, todos os seus órgãos podem estar
suscetíveis aos males hormonais liberados
na tensão, podendo desencadear uma
depressão ou uma catastrófica síndrome de
esgotamento. Ok, então se esse mal tem a capacidade de
se espalhar, o contrário também vale, certo?
Uma corrente de bondade podia combater
esse problema e melhorar a qualidade de
vida daqueles que compartilham o mesmo
ambiente. Portanto, caso esteja sentindo uma
tensão “pairando no ar” que aparentemente
não tem muito fundamento, respire fundo,
pense na última boa experiência que teve e
lembre-se de passá-la pra frente!
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O que é religião? Etimologicamente, vem do
latim “religare”, ligação. Foi definida como
“maneira de entender o inexplicável”, ou
simplesmente “acreditar no sagrado”. E Deus
é o alvo dessa crença. Entretanto, nunca se
conseguiu chegar a um consenso a respeito
de uma definição para Deus, por não ser algo
racional a ser definido ou por ser pessoal e
subjetivo.
A distinção entre religião e Deus parece
mais clara hoje em dia, principalmente entre
os jovens, que muitas vezes acreditam no
divino sem terem uma religião definida.
Não há um distanciamento. Há, sim, maior
desprendimento da Igreja e de dogmas em
muitos casos, mas os jovens ainda acreditam
em Deus, cada um sob sua própria ótica.
E qual o motivo desse distanciamento? De um
modo geral, a modernidade traz novas visões
de mundo, novas formas de divulgação de
informações e uma nova mentalidade. Talvez
isso mude a visão dessa geração, que tem
acesso às várias faces da Igreja e comunica-se
facilmente com pessoas de diferentes opiniões.
Mas, se apesar disso tudo, as pessoas ainda
acreditam na existência divina, é sinal de que
perguntas ainda clamam por serem resolvidas
e que Deus pode trazer muitas respostas.
Vivian Froes, 20, por exemplo, estudante de
Jornalismo, viveu metade de sua vida em
uma comunidade católica, da qual se afastou
recentemente. “Eu ia mais porque minha
família frequentava; era meio superficial, mas
eu amava as pessoas de lá e o que eu fazia.
Estar lá foi fundamental para formar meu
caráter”, acredita.
A mudança se deu porque veio à tona o fato de ela
“não ser o que queriam que ela fosse”; o que a
fez não se sentir mais tão bem na Igreja e gerou
decepções. Mas isso não mudou sua visão sobre
Deus. “Ele nos dá provas sempre e não consigo
acreditar que tudo isso aqui saiu de uma célula
só”. E, concluiu: “Religião é polêmica porque o
homem não sabe viver sem”.
Se por um lado há jovens que crêem em
Deus, mas não na religião, há outros que são
religiosos convictos. É o caso de Maria Freire,
18 anos. “Religião é uma forma de nos ligar
a Deus e é fundamental na vida de um ser
humano”, disse. “Acho que todos deveriam ter
uma religião, acreditar em algo e querer se
inspirar naquilo, até pra se sentir motivado”,
completou.
Já na opinião de Matheus Caetano, 15 anos,
a crença em Deus deve ser priorizada, mas a
Igreja não pode ser esquecida. “Acima de tudo,
devemos ser fiéis a Deus, e não à religião.
Mas acho que ela tem grande importância,
pra conhecer mais de Deus e de Sua palavra
e ser uma pessoa melhor”, explicou. Ele, que
era católico não praticante, descobriu a religião
evangélica (Igreja Videira) através de uma
amiga. “Um dia minha amiga me convidou,
eu gostei. Fui para a Igreja e depois para um
encontro de evangelização”.
Segundo ele, não é obrigação moral de um
jovem entrar em uma religião, mas a fé
em Deus é algo muito importante. “O amor
d’Ele é a melhor coisa que alguém pode
ter”, finalizou.
Algumas pessoas buscam a religião em
momentos difíceis de vida, para se apoiarem
ou encontrarem respostas. Por outro lado,
boa parte dos religiosos nasceu nesse meio
e incorporou os valores da religião com a
educação e cultura. Um exemplo claro é a
religião judaica, elemento cultural e de união
de um povo. Segundo M.G, estudante judeu
do 2º ano do Ensino Médio que preferiu não
se identificar, os costumes religiosos são
importantes não só como fonte de respostas,
mas também pela tradição de família. “O
povo faz a religião”, afirmou.
Vale lembrar que a adolescência é um período
da vida marcado pela pressão pela aceitação
em grupos. Essa pressão costuma ser
também exercida na escolha ou não de uma
religião. Pelo menos é assim para Maria Freire.
“As pessoas omitem o que querem para serem
aceitas em determinado grupo social”.
Já para Matheus Caetano, não há essa
pressão. “Quem é da Videira age totalmente
indiferente ao fato de a pessoa ser ou não da
Igreja”, concluiu.
Enquanto isso...
Algumas leis americanas e inglesas parecem
inimagináveis quando comparadas aos costumes
jovens aqui do Brasil.
-Na Califórnia, de acordo com a lei AB394, jovens
recebem um treinamento “antidiscriminatório”
para bissexuais, homossexuais e transexuais.
-Em Dyersburg, Tennessee, as mulheres não
podem chamar homens para um encontro.
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Quando falamos das conquistas da juventude
no Brasil, existem aqueles que acreditam que
os direitos dos adolescentes são garantidos
e bem executados, e aqueles que acreditam
que só isso não é suficiente para integrar os
jovens à sociedade.
O fato é que as inovações no mundo
tecnológico permitiram uma integração entre
os países do mundo. Para os jovens, essa
integração intensificou-se, principalmente,
através da internet, que facilitou o acesso
às informações. Isso abriu um leque de
conhecimento que os permitiu comparar a
vida no Brasil com aquela em outros cantos
do mundo, tornando-os mais exigentes em
relação ao tratamento dado a eles no país.
O Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), fruto da Constituição de 1988, elevou
os adolescentes a sujeitos de direito. Junto
com esses direitos, vieram vários deveres.
Deveres de todos os cidadãos, independente
da idade, etnia, sexo, credo ou religião.
Uma de suas maiores conquistas foi o direito
ao voto facultativo para jovens de 16 e 17. Para
o estudante Lucas Rosa, 16, o direito ao voto
é algo bom, pois dá uma chance aos jovens
de fazerem algo pelo país. Outra conquista
foi a proibição do trabalho aos menores de
História dos Direitos dos Adolescentes e Jovens no Brasil
-Em Iowa, os homens são proibidos de piscar para
uma mulher que não conhecem.
16 anos. A partir dessa idade, o trabalho é
legalizado, porém há restrições sobre as
condições de trabalho até os 18 anos, como
horários, que não devem atrapalhar a vida
escolar.
Apesar disso, muitos jovens ainda não se
sentem satisfeitos com seus papéis na
sociedade. Segundo Joana Guerra, estudante
de 16 anos, os jovens não são muito levados a
sério e, apesar de terem o direito de participar
das escolhas políticas, não são incentivados a
isso, afastando-os cada vez mais desse tema.
Esse desinteresse é apontado como uma
questão chave na educação, já que é papel
fundamental da escola, junto com a família,
formar cidadãos, ensinando e praticando a
cidadania.
-Em New Hampshire, é proibido dançar em
restaurantes, cafeterias e tabernas.
-Na Inglaterra, é proibido beijar dentro do cinema!
Essa questão na educação é bastante
observada pelos jovens brasileiros que
buscam experiências em intercâmbios. “Os
americanos são muito patriotas, inclusive
os jovens, e isso é algo que eu não noto no
Brasil”, afirmou Victória Mazzia, estudante
de 18 anos. Pamella Barotti, 26, que mora
em Londres há dois anos, reconhece que “a
experiência de estudo e vivência no exterior
é muito valorizada também no mercado de
trabalho”.
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O ensino obrigatório foi
estipulado, exceto para
os escravos, portadores
de doenças contagiosas e
não vacinados.
Aprovada a lei que
determinava 12 anos
a idade mínima para
trabalhar.
Em meio à Greve Geral,
houve a criação do Comitê
de Defesa Proletária, que
reivindicava a abolição
do trabalho noturno para
mulheres e menores de 18
anos, entre outros.
Criação do Juizado de
Menores.
Criação do Código de
Menores, primeiro
documento de proteção
às crianças e aos
adolescentes.
Criou-se o órgão Serviço
de Assistência ao Menor
– SAM, do Ministério
da Justiça, de política
correcional-repressiva,
que previa atendimento
diferenciado ao
adolescente infrator.
Instalação do primeiro escritório
da UNICEF no Brasil, na Paraíba.
Criação da Fundação Nacional
do Bem-Estar do Menor
(FUNABEM).
Criação da FEBEM, autorização
do poder Executivo à FUNABEM.
Revisão do Código de Menores
de 27, introduzindo o conceito
específico de “menor
em situação irregular”, e
submetendo-os completamente
ao julgamento da Justiça de
Menores.
Lançou-se a redação do ECA
– Estatuto da Criança e do
Adolescente. A implementação
integral do ECA ainda é um
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Você sabe a história dos partidos que
existem em seu país? Mesmo com maior
representatividade nas eleições de 2010,
muita gente não sabe de onde o Partido Verde
(PV) veio e quais são seus ideais. Apesar de
aparentar recente, foi em 1972, na Tasmânia
(Austrália), que um grupo de ecologistas
se reuniu para impedir o transbordamento
de um lago e formar um partido de caráter
ambiental. Depois de se espalhar por países
importantes, como Alemanha e França, a
onda verde chegou ao Brasil na década de
1980 culminando na criação do Partido Verde
do Brasil em 1986, por personalidades como
ex-exilados, jornalistas e artistas.
Da fundação até hoje, o PV cresceu de forma
relevante: dos inexpressivos 0,17% dos
votos para Gabeira na eleição de 1989 até os
impressionantes 20% de votos para Marina
Silva em 2010. Por quê?
Para os próprios partidários, o crescimento
deve-se à ideologia moderna do partido,
com planos de governo voltados para o
século atual, e à incansável abordagem ao
eleitor, com histórico de grande número de
candidaturas lançadas.
Independentemente da verdadeira razão para
o crescimento do movimento verde, é evidente
que os verdes brasileiros amadureceram na
política. Atualmente, os planos de governo
estão tratando de forma digna também
questões como políticas sociais, economia e
política internacional.
“Estamos tentando nos colocar para a
sociedade naquilo que afeta no bolso, na
comida, nos alimentos que a gente come,
enfim, essa coisa mais palpável, que não só
essas questões marginais”, explica Marco
Antonio Mroz, Secretário de Relações
Internacionais do PV. Ou seja, a força da
discussão ambiental impulsiona o partido.
Realidade
Muitos avaliam o desenvolvimento sustentável
como uma tendência cada vez mais presente.
Agora, também é crescente na urna eletrônica.
Mas será mesmo que os brasileiros estão
mais sustentáveis? Em um Brasil que tem a
maior floresta tropical do mundo, enquanto
as lutas políticas já foram muito presentes, as
ambientais, não.
Uma luta observável é a travada entre o que
afeta no bolso e o que afeta o futuro coletivo.
É fato que algumas empresas já estão
adequando suas diretrizes à preocupação
ambiental, mas nem sempre este fator se
sobressai ao econômico. Para ser sustentável,
é necessário algum investimento e, mesmo
que pequeno, a mentalidade tupiniquim
ainda não está no estágio de perceber que
investimentos para o futuro da natureza
valem a pena.
O partidário do PV entrevistado citou a
economia como grande agente de boicote
da consciência ambiental. Mroz afirmou
que esta questão ainda é tratada com certo
adiamento por parte das grandes instituições
capitalistas. Para os economistas, o
desenvolvimento sustentável “é uma coisa
que lá na frente vamos ter que pensar, mas
por enquanto nós vamos andando”.
Para o sociólogo Gilvan Herbert, o movimento
verde e seu crescimento em escala mundial
“surgiram como uma crise de civilização
e de seus paradigmas, questionando a
racionalidade econômica e tecnológica
dominantes”. “Além disso, com o refluxo das
utopias socialistas, novas organizações da
sociedade civil despontaram interessadas em
um modo alternativo de relação sociedade e
natureza”, completou.
Porém, o sociólogo admite que “no começo,
os movimentos ambientais se restringiram a
combater a poluição e apoiar a preservação
de recursos naturais, sem se aliarem à
temática social”, atrasando a entrada no
cenário político. Para ele, a sociedade ainda
“deve realizar uma profunda interligação
entre o conceito de responsabilidade social e
o de desenvolvimento sustentável no debate
sobre a ordem econômica, social, ambiental
e institucional”. Isso teria sido determinante
para que o eleitorado do PV não tivesse sido
tão significativo até então.
Desse modo, fica evidente que os verdes
estão amadurecendo suas ideias e
convicções políticas, apesar das dificuldades
enfrentadas. Nesse pano de fundo político
e social, o Partido Verde poderá dar frutos
polpudos em um futuro não tão distante.
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Sentada no banco de trás do táxi, saí do Paraíso e em vinte
minutos cheguei ao meu destino: Estrada das Lágrimas.
Com nomes bastante sugestivos, os ambientes se
diferenciam bruscamente.
Mentira. Engana-se redondamente quem pensa de tal
modo. Para quem ainda não se localizou, eu estava, mais
precisamente, na comunidade de Heliópolis, considerada
uma das maiores favelas do Brasil.
Creio, então, que pessoas que imaginam o lugar de
maneira tão distorcida, ignorem sua semelhança com
a conhecida rua 25 de março. Isto é, casas coloridas,
lojas razoavelmente bem estruturadas e movimentação
acompanhada de muita música são claramente
componentes comuns entre ambos os ambientes.
É certo que drogas, violência e jovens sem emprego
são características famigeradas da pobre comunidade,
graças ao filtro muitas vezes desfavorável e injusto
de nossa ilustre imprensa. A área tem um milhão de
metros quadrados e abriga 125 mil habitantes. Mas,
contrariamente ao que exibe a mídia, a região tem
melhorado seus índices sócio- econômicos.
Com a ação da Prefeitura, reivindicada pela Unas (União
de Núcleos, Associações e Sociedades de Moradores de
Heliópolis) juntamente com os moradores, a região, hoje,
tornou-se quase inteiramente abastecida de saneamento
básico, escolaridade e projetos comunitários.
Dentre os aspectos que claramente têm esculpido
um futuro melhor para a comunidade, destacam-se
as unidades das CCCAs – centros comunitários que
acolhem crianças e adolescentes, oferecendo apoio
escolar, aulas de robótica, meio ambiente e educação
física. Também são interessantes alguns projetos de
iniciativa privada como o Jovens Alconscientes que, de
uma maneira geral, visa à conscientização do jovem
em relação ao consumo de álcool. Há até a realização
de uma balada onde é proibido o consumo de álcool e
outras drogas, a Balada Black, que consegue cada vez
mais frequentadores.
No contato com a comunidade, evidencia-se que tudo
isso, combinado à boa vontade e solidariedade dos
participantes, têm trazido uma vida mais positiva. É claro
que é um processo lento, gradativo, e ainda em plena
execução. Mas as transformações já são visíveis a uma
repórter como eu.
Era uma vez um aluno que era sempre o último a fazer tudo:
entrar e sair da sala de aula, chegar ao banheiro, sair para o
intervalo, participar das brincadeiras, ir embora. Muitas vezes
pensava em não sair do lugar, pois nem a estrutura da escola e
nem seus colegas estavam preparados para receber deficientes
físicos em cadeiras de rodas. Assim como este caso, muitos são
aqueles que dependem da inclusão social.
Hoje em dia, ela virou moda. É perceptível que pessoas e
empresas querem cada vez mais passar a imagem de que são
politicamente corretas quando, na verdade, não se importam
nem um pouco com o que está acontecendo. As promessas são
muitas, mas na hora de fazer, são poucas as cumpridas.
De acordo com o Censo Demográfico de
2000 (http://pt.wikipedia.org/wiki/IBGE), 25
milhões de brasileiros, 14,5% da população,
têm algum tipo de deficiência e, mesmo
assim, nossa sociedade ainda não é inclusiva.
Muita coisa precisa mudar.
Quem deve mudar não é a pessoa que possui algum
tipo de deficiência, e sim aquelas que estão a sua volta,
que não conseguem aceitar esses indivíduos como
parte do mundo que vivem. Julgam ser “normais”, mais
capacitados e mais aptos a qualquer tipo de atividade.
Mas afinal, qual é o conceito de normal? Normal é a
pessoa que não aceita a pessoa com deficiência como
um membro da sociedade, possuidora dos mesmos
direitos e deveres de todos os outros? Não é assim que
uma sociedade deveria funcionar.
Sendo assim, já está mais do que na hora de atitudes
realmente efetivas serem tomadas. O que se espera
para o atual século são compromissos, não apenas
com a produção e a difusão do saber culturalmente
construído, mas com a formação do cidadão crítico,
participativo e criativo para fazer face às demandas
cada vez mais complexas da sociedade moderna.
Analisa-se, então, a importância da educação escolar
no exercício da cidadania que implica a efetiva
participação da pessoa na vida social resguardada a
sua dignidade, a igualdade de direitos, a importância
da solidariedade e do respeito, bem como a recusa
categórica de quaisquer formas de discriminação,
constituindo, assim, a efetiva inclusão de todos.
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De tempos em tempos, é possível perceber
cursos profissionais que se destacam dos
demais, que atraem mais estudantes em
formação, que aumentam sua participação no
mercado nacional e, por vezes, internacional.
Ocupando esse posto na atualidade, a carreira
na área de Moda vem se sobressaindo,
o que leva ao aumento da demanda por
universidades e escolas técnicas que a inclua
na grade de opções.
Augusto Paz
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Vinícius Uehar
Quando se fala sobre isso, muitos associam
a ideia de trabalhar com Moda ao glamour
dos eventos e às obras de grandes nomes
como Chanel, Yves Saint-Laurent e Pierre
Cardin. O fato é que ninguém começa uma
vida profissional sendo desconhecido e, em
um passe de mágica, torna-se mestre da
alta-costura. Assim como as chances de
se equiparar a Erika Palomino na primeira
matéria produzida são quase nulas. Como
em qualquer outra área, é natural começar
da base, realizando pequenas atividades,
especializando-se, procurando o próprio
talento e escolhendo a trajetória a ser
seguida.
A moda representa um mercado crescente;
até 2014, a atividade deve movimentar US$
450 bilhões. Desse modo, é previsto que
aumente cada vez mais a competitividade,
exigindo que o profissional em formação
potencialize ao máximo suas habilidades.
Uma aptidão extraordinária para a costura
e uma criatividade sem precedentes muitas
vezes não são sinônimos de sucesso. “Acho
que alienação é o oposto da moda. Para
garantir o sucesso na carreira profissional
como produtor, estilista ou editor você tem que
ter uma mente ampla, versátil, comunicativa
e aberta para novas experiências e desafios”,
afirma Vinicius Uehara (20), que cursa Moda.
Além disso, um bom designer precisa ter uma
sensibilidade incrível para notar movimentos
que influenciam a sociedade na qual ele está
inserido e captar sinais de quando ela estiver
mudando.
A faculdade é um grande passo. “É na
universidade que você adere a novas
perspectivas antes de entrar no mercado”
ressalta Vinicius, que, além de ser estudante,
já participou de um reality show chamado
Temporada de Moda Capricho, no qual
jovens que cursam moda realizam atividades
do cotidiano de um profissional. “De 400
inscritos, fui um dos 17. Lá, conheci pessoas
de outras faculdades, cidades e estados.
“Tive o primeiro contato com o mundo dos
editoriais de moda e seu funcionamento”. Ele
comenta que, antes de chegar à faculdade,
a única experiência que tinha eram seus
desenhos. Hoje em dia, Vinicius trabalha
com produção de moda, editoriais, figurino
e desenvolve uma marca que leva seu nome.
Apesar de as melhores universidades
estarem situadas fora do país (como a
Esmod, em Paris e a Up to Date, em Milão),
o Brasil tem institutos que oferecem bons
cursos. A Anhembi Morumbi, por exemplo,
foi a primeira universidade na América da
Sul a criar o Mestrado em Administração
de Empresas (MBA) em moda. Além dela,
existem a Faculdade Santa Marcelina (FASM),
a Belas Artes, a Faculdade Armando Álvares
Penteado (FAAP), o Senac, a Escola de Artes,
Ciências e Humanidades (EACH) e a Escola
de Comunicação e Artes da Universidade de
São Paulo (ECA).
Mídia
O jornalista de moda pode ser repórter,
produtor jornalístico, editor e crítico em
veículos de comunicação como revistas,
jornais, internet e rádio. Há também os
assessores de imprensa, que estabelecem
a conexão entre a empresa à qual prestam
serviço e a mídia. Ademais, existe uma
modalidade de mídia mais informal, que
corresponde aos blogs.
Ex-redator do site Fashion Bubbles, Augusto
Paz (18), que cursa o 2º semestre de Têxtil
e Moda na EACH, possui um atributo
necessário para ter êxito nesse meio: a
“cultura de moda”, ou seja, uma série de
informações geralmente adquiridas no dia
a dia, por meio de leituras relacionadas ao
tema e acompanhamento de tendências.
“Nós fazíamos desde cobertura da São Paulo
Fashion Week, lançamento de coleções, até
trend previews”, conta. Atualmente, ele atua
como assistente de estilo, apesar do gosto
pela parte jornalística e de criação. “Ainda
estou me encontrando”, revela.
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A estas evidências,
Placa de carro, pés descalços, cor de roupa.
Esses elementos – e muitos outros – já
fizeram, e fazem, muitas pessoas acreditarem
que Paul McCartney, integrante da mais bemsucedida banda da História, The Beatles, está
morto. Antes restrita a debates acalorados
entre fãs, a história ganhou destaque na
Internet, tomando grandes proporções. O mito
“Paul is Dead”, como ficou conhecido o fato,
ganhou projeção mundial após ser anunciado
por uma rádio americana. A notícia correu
o mundo e virou obsessão de fãs-detetives,
que esmiuçavam todo e qualquer material da
banda atrás de evidências.
A polêmica foi motivada por dois
acontecimentos: em 1966, Paul sofreu
um acidente de moto, supostamente sem
maiores consequências. No mesmo ano,
devido à dificuldade de tocar ao vivo devido
aos arranjos cada vez mais complexos
e inusitados, os Beatles pararam de se
apresentar em concertos. Estava lançada a
teoria da conspiração: Paul McCartney havia
morrido e sido substituído por um sósia. Há
quem diga que esta foi uma brilhante jogada
de marketing para promover a banda, ainda
que seus integrantes neguem participação na
criação do boato. No entanto, é inegável que a
divulgação e venda dos discos dos Beatles foi
beneficiada pelo rumor.
Segundo a teoria, no acidente, o compositor
teria sido decapitado e tido o rosto desfigurado,
resultando na impossibilidade de identificar o
cadáver. Os que crêem afirmam que, como a
banda estava no auge do sucesso, a morte do
cantor e baixista não poderia ser revelada. Em
virtude disso, os outros integrantes decidiram
fazer um concurso nacional para encontrar
um sósia que o substituísse. O vencedor foi
Billy Shears, que teria feito cirurgias plásticas
para que se parecesse mais com Paul, tendo
como única falha uma cicatriz no lábio (para
os que negam o boato, a cicatriz é apenas
uma sequela do acidente). Entretanto,
John, George e Ringo, os integrantes
remanescentes, teriam espalhado pistas
em capas de discos, canções e filmes, a fim
de que os fãs pudessem descobrir toda a
verdade.
O disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club
Band (1967) é um exemplo destas evidências.
Sua capa mostra um funeral, onde se vê um
arranjo de flores com o formato de um baixo
Hofner semelhante ao de Paul, inclusive
para o lado que ele tocava. O baixo tem três
cordas ao invés de quatro, uma referência
à banda sem o seu quarto integrante. Já
Abbey Road (1969) é de longe o disco mais
polêmico neste sentido. Sua capa traz
diversas pistas: os Beatles andando em fila,
simbolizando a procissão de um enterro
(John seria o padre ou o médico, Ringo, o
agente funerário, George, o coveiro e Paul,
o morto); McCartney caminhando descalço
(algumas religiões enterram os mortos
descalços); a placa do carro “LMW 28IF”,
entendida como “Linda McCartney Widow,
28 years if alive” (Linda McCartney Viúva,
28 anos se vivo) e, na contra-capa, furos
em uma parede antes da palavra “Beatles”
(que, ligados, formam a frase “3 Beatles”).
somam-se pesquisas
realizadas por teóricos musicais que
apontam para diferenças técnicas nas
músicas compostas por Paul antes e depois
de 66. Ainda assim, a maioria dos fãs se
mostra incrédula quanto à veracidade do
boato. Segundo Amanda Cestaro, “a história
é uma bobagem. O visual de Paul poderia ter
sido reconstituído, mas e quanto a seu talento
musical?!”. Já Olívia Mauro argumenta:
“Teorias da conspiração deste tipo costumam
se aproveitar da necessidade das pessoas
de encontrarem fatos interessantes para
se distraírem. Apesar de algumas pistas
fazerem sentido, é fácil achar lógica quando
se quer provar uma teoria - e não a verdade”.
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Não há dúvidas de que o boato é muito bem
elaborado e cai facilmente no gosto popular
por ser interessante. Porém, é difícil levá-lo
a sério, já que um complô tão mirabolante
seria facilmente desmascarado. No entanto,
apesar de toda a discussão, parece não
haver resposta definitiva para a maior e mais
duradoura teoria da conspiração de todos os
tempos.
Na música, a imortalidade significa
atravessar gerações, ideologias, tendências e
estilos. O mundo se renova constantemente;
não poderia ser diferente com a música.
Porém, algumas nos cercam há décadas.
Beatles, Elvis Presley, Frank Sinatra e Queen
são exemplos de bandas e cantores que
produziram músicas consideradas hinos
internacionais. Não podemos nos esquecer
também de compositores como Mozart,
Beethoven e Bach, que têm suas músicas
reproduzidas por orquestras até hoje, desde
séculos atrás. O que perpetuou esses artistas
e suas músicas?
“A música, para ser boa, não precisa ser
técnica ou bem construída e escrita, mas
tem que ter alma; quando você faz algo
com paixão, você consegue fazer coisa boa”,
afirma Marcos Yukio, produtor paulistano
e ex-aluno do Colégio Bandeirantes. Ao
perguntar para qualquer bom ouvinte de
música ou profissional da área, a opinião
sobre o que perpetua a música é comum: a
alma, o amor pelo que se faz.
O mercado da fama e o mercado da música
são dois conceitos que, apesar de interligados,
são diferentes. A mídia é indispensável
para divulgação do músico. Entretanto, há
casos que o mercado da fama distorce a arte
musical, ditando modas, acabando com as
mesmas e fazendo artistas modelos de grife.
No fim, esse tipo de artista deixa de adotar
uma ideologia para se preocupar em seguir
a tendência e agradar o mercado. Será que
artistas que cantam sem se preocupar em
seguir uma ideologia terão suas músicas
perpetuadas? Ou será que cantar sobre
quantos carros há na garagem ou quantos
dentes de ouro o intérprete tem é um novo
tipo de ideologia?
“A mídia tem o poder de colocar qualquer
música no rádio” conclui Kiko Loureiro,
guitarrista da banda Angra. A influência do
mercado na música é indiscutível e pode ser
tanto negativa quanto positiva. Com isso, a
mídia pode introduzir algo feito com amor ou
somente um produto do mercado da fama,
“fabricado” por artistas interessados apenas
no sucesso ao seguir uma tendência.
No entanto, segui-la nem sempre é algo
negativo, com ressalva de que uma ideologia
exista por trás da arte. É preciso cantar sobre o
que a sociedade pede. No período da ditadura
militar brasileira pedia-se liberdade e esse
era o principal tema das músicas cantadas
na época, desde Caetano Veloso, passando
por Chico Buarque e, posteriormente, Legião
Urbana e Cazuza. Já no âmbito internacional,
outro exemplo é o punk, que surgiu em um
período de instabilidade política da Inglaterra
e que clamava por um sistema político
anárquico.
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Entretanto, não é só seguindo tendências que
a música se perpetua. Beatles e Elvis Presley,
por exemplo, têm sua imortalidade justificada
por causa da revolução blues/rock trazida
em suas melodias; o Queen foi o pioneiro
em misturar vários estilos musicais. “Foi a
mistura de ópera, rock pesado e balada, a
vontade de inovar junto com a grandiosidade
que [o Queen] trouxe em suas músicas, que
fez com que elas sejam cantadas em estádios
até hoje”, opina André Cortada, compositor
erudito. Ou seja, a questão da autenticidade
é imprescindível. Se você não é autêntico, é
porque não é a sua alma que está na música
cantada, composta ou trabalhada por você. O
importante para a perpetuação da música é
o amor pelo que se faz e a responsabilidade
pelo ideal cantado.
Até agora foi falado do que passou, mas quais
seriam as apostas para a imortalidade da
arte musical atualmente? “De repente, o U2
daqui a duzentos anos pode estar ainda na
cabeça da galera”, arrisca Kiko Loureiro.
E a sua? O que da música de hoje vai ficar
para as próximas gerações e por quê? Lady
Gaga, Metallica, Kanye West, Coldplay, Cine,
The Strokes, Beyoncé ou quem sabe Charlie
Brown?
Músicas que ficaram nos coracões e mentes de quem
participou da Caleidoscópio:
“Pretty woman/Walking down the street/Pretty woman/The kind I’d
like to meet/Pretty woman” - Pretty Woman, de Roy Orbison.
Juliana Altoé, 16 anos.
“Se eu te escondo a verdade, baby/É pra te proteger da solidão/Faz
parte do meu show, meu amor” - Faz Parte do Meu Show, de Cazuza.
Barbara Rezende, 16 anos.
“I’ll never forget you/They said we’d never make it/My sweet joy/
Always remember me” - Never Forget You, da Noisettes.
Caio Dib, 20 anos.
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‘’In the future everyone will be famous for
fifteen minutes’’ (no futuro todos vão ser
famosos por quinze minutos) – a frase foi
dita pelo artista plástico Andy Warhol em
1968. Ele, que popularizou as artes plásticas,
acreditava que, em pouco tempo, os meios
de comunicação estariam tão presentes no
mundo que todos poderiam ser famosos por
poucos, porém preciosos, quinze minutos.
Talvez essa visão esteja se tornando um
pouco real. Você já parou para pensar que
pela Internet muitas pessoas têm se tornado
famosas? Blogs dos mais diversos assuntos,
que vão de política até o modo mais rápido
de tomar banho, além de sites criativos que
falam sobre a nova teoria da conspiração,
estão crescendo excessivamente na rede.
Existe ainda o site Youtube que, por meio
da falta de burocracia e do simples e veloz
compartilhamento de vídeos, recebe, segundo
ele próprio, dois bilhões de visualizações por dia.
Isso deu, a muitas pessoas, chances de
tornarem-se famosas não só por quinze
minutos, mas por alguns dias ou até meses.
Uns tornaram-se celebridades instantâneas;
tiveram o prestígio (ou não) de um curto
período de fama com um vídeo postado.
Outros se tornaram famosos ‘’de longa
data’’, pois postam vídeos semanalmente e
têm milhares de visualizações e fãs. Quem
já não ouviu falar do vídeo da mulher que
grita desesperadamente pelo chip do celular
“Pedro! Me dá meu chip!”, de PC Siqueira do
vlog “Mas Poxa Vida”, com seu modo cômico
de reclamar das coisas, ou mesmo de Felipe
Neto, com o vlog “Não faz Sentido”, criticando
a juventude?
E essa história toda de pessoas ficando
conhecidas da noite pro dia nos fez pensar “É
simples ficar famoso?”. Nasceu então a ideia
de fazer valer o slogan do Youtube: “Broadcast
Yourself” (Divulgue-se). Até tínhamos uma
ideia legal, a de fazer um vídeo espontâneo
e descontraído, sem piadas prontas, para
contar a experiência. Mas forçamos a barra,
marcamos uma data para nos encontrar,
penteamos o cabelo e fomos ao lugar
marcado. O Masp é bonito, estávamos bem
arrumados, mas aquela história de ter que
fazer um vídeo obrigatoriamente para ver
como acontecia o tal de sucesso no Youtube
tornou-se rapidamente ridícula.
A conversa não foi natural, as piadas, por
menos combinadas que tivessem sido, não
foram engraçadas e a nossa idéia de provar
que qualquer um poderia se tornar famoso
postando vídeos online foi por água abaixo.
Não nos tornaríamos nenhum PC Siqueira ou
Felipe Neto.
Por diversos motivos, a expectativa da fama
se mostrou fajuta. O primeiro, obviamente,
foi “forçar a barra” para fazer um vídeo
legal; não é engraçado quando você não
é, definitivamente, engraçado (aliás, essa
é, provavelmente, a razão pela qual você
não ficou famoso ao postar aquele vídeo de
webcam no qual você reclama de seus pais).
O segundo motivo é que já existe uma
quantidade monstruosa de vídeos e blogs,
então é realmente difícil destacar-se em
meio a tanta besteira. O terceiro motivo
é que, por mais que algo seja bom e faça
um pouco de sucesso, logo aparece outro
e depois mais um. Ou seja: a fórmula da
fama deveria ser, na teoria, uma dose de
competência, uma colherada de persistência
e litros e litros de sorte.
De qualquer modo, ainda não conseguimos
nossos quinze minutos de fama. Quem sabe
não fica para outro dia? (Esperamos que
antes de 2012. Você sabe da teoria, né? – se
não souber, isso é assunto para uma outra
reportagem).

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