VI Congresso Nacional de Psiquiatria

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VI Congresso Nacional de Psiquiatria
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
Sessões de Posters / Posters Sessions
VI Congresso Nacional de Psiquiatria
Estoril, 6 a 8 Dezembro 2010
VI National Congress of Psychiatry
Sessões de Posters / Posters Sessions
Resumos / Abstracts
Depressão e Ansiedade
P01
PERTURBAÇÃO OBSESSIVO - COMPULSIVA NA GRAVIDEZ E
PUERPÉRIO
Ana Ramos, Pedro Cintra; Rui Durval; José Salgado
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa; Hospital Distrital de Santarém
Reconhece-se desde as descrições de Hipócrates que a gravidez e
puerpério representam um período de vulnerabilidade na vida da
mulher para a apresentação de diferentes perturbações psiquiátricas. A maioria dos casos corresponde a perturbações afectivas, no
entanto, estima-se que a perturbação obsessivo-compulsiva tenha
uma prevalência superior neste grupo, embora frequentemente ignorada. A partir da apresentação e discussão de um caso clínico de
perturbação obsessivo-compulsiva durante a gravidez, pretende-se
com este trabalho, apresentar uma revisão do referido tema, com
referência a epidemiologia, etiologia, apresentação clínica e aspectos
de diagnóstico, tratamento e prognóstico. O método utilizado foi
pesquisa bibliográfica e de artigos científicos nos ficheiros medline;
consulta do processo clínico da consulta de ginecologia, processo
de internamento em obstetrícia e processo da consulta externa de
psiquiatria do caso clínico apresentado. Da pesquisa efectuada
salienta-se que a perturbação obsessivo-compulsiva na gravidez e
puerpério tem uma prevalência superior á da população em geral.
Os pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos estão
usualmente relacionados com o bébe. Pensamentos relacionados com
contaminação ou agressão do bébe são os mais comuns. Normalmente a doença não é diagnosticada, acarretando considerável sofrimento
psíquico para a grávida/puerpera e família; sendo fundamental
alertar os médicos de familia e obstetras para esta possibilidade.
Para a perturbação obsessivo-compulsiva ligeira, sem risco imediato
para a mãe e para o bébe, o tratamento recomendado é a psicoterapia
cognitivo-comportamental; sendo que, na doença moderada a grave
se preconiza o tratamento com inibidores selectivos da recaptação da
seretonina. A decisão de usar psicofármacos durante a gravidez ou
na amamentação requer o consentimento informado da doente e do
companheiro. Apesar de relativamente raro, o risco de agressão deve
ser cuidadosamente avaliado, sendo que em alguns casos é necessária
hospitalização para assegurar a segurança da mãe e do bébe.
P02
MEXA-SE! PELA SUA DEPRESSÃO
Jorge Mota Pereira, Serafim Carvalho; Jorge Silvério; José Carlos Ribeiro; José João Silva; Mariana Soares; Sónia Granja; Joaquim Ramos
Hospital de magalhães Lemos e Universidade do Minho; Hospital de Magalhães Lemos; Universidade do Minho (Escola de Psicologia); Universidade
do Porto (Faculdade de Desporto)
Introdução: O tratamento da Perturbação Depressiva Major (PDM)
envolve múltiplas estratégias, tendo a prática de exercício físico
moderado vindo a ser apontada como potenciador do efeito dos
antidepressivos, surgindo associada a um aumento da qualidade
de vida dos doentes com depressão. No entanto, e dada a complexa
fisiopatologia da PDM, os estudos realizados até ao momento têm
apresentado resultados díspares. Objectivo: Avaliar o impacto de
um programa de exercício físico moderado na qualidade de vida de
doentes com PDM. População: Amostra populacional: 33 doentes
com PDM com idade média de 47,2 ± 10,4 anos, que frequentavam
consultas psiquiátricas há pelo menos nove meses e que não apresentavam remissão dos sintomas apesar da toma de fármacos em
doses consideradas adequadas. Métodos: Os participantes foram
divididos em dois grupos: um grupo de estudo (E, n = 21), que
realizou exercício físico moderado durante 12 semanas, e um grupo
controlo (C, n = 12), que não fez exercício físico. Antes e depois do
programa de exercício físico, todos os participantes foram avaliados
relativamente a HAMD17 (escala de depressão de Hamilton, 17
items), BDI (Escala de depressão de Beck), GAF (escala de avaliação
global de funcionamento), CGI (Escala de Impressões clínicas globais)
e WHOQOL-Bref (instrumento de avaliação da qualidade de vida).
Resultados: O grupo E melhorou do início para o final do estudo
relativamente aos parâmetros HAMD17, BDI, CGI, GAF e WD3 (p <
0.05). No final do programa de exercício, os indivíduos do grupo E
apresentaram maiores descidas na classificação HAMD17, avaliada
como percentagem da classificação inicial, do que os indivíduos do
grupo C (p < 0.05). Conclusões: Os resultados sugerem fortemente
que o exercício é benéfico em indivíduos com PDM, melhorando não
só os sintomas de depressão como aumentando a capacidade destes
indivíduos de melhor se relacionarem socialmente.
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Sessões de Posters / Posters Sessions
P03
DISTRESS EM DOENTES COM CANCRO DE MAMA
Francisco Picazo Alonso, Emilia Alburquerque, Dra Piedade
Hospital Universitario Coimbra,; IPO
Estudo realizado com finalidade de medir o distress em doentes
com cancro de mama. Avaliadas 80 mulheres com cancro de mama
durante os anos 2009-2010. Foi utilizado para medir o distress o termómetro do distress.Considerámos por convénio e ajustando-nos às
publicações prévias, que um valor igual ou maior a 4 é indicativo de
distress. Se avaliam as seguintes variáveis da mostra: idade, estado
civil, profissão, momento diagnóstico do cancro, diversas intervenções psiquiatricas e psicológicas desde o diagnóstico, medicação,
sobrevivência desde diagnóstico.
P04
O IMPACTO PSIQUIÁTRICO DE UMA DOENÇA DERMATOLÓGICA GRAVE
João Marques, Maria João Cruz; Cassilda Costa; Miguel Bragança
Hospital de São João
As doenças dermatológicas constituem uma patologia que cursa
com elevada co-morbilidade psiquiátrica. Estima-se que cerca de
30% dos doentes que procuram apoio dermatológico apresentam
co-morbilidade psiquiátrica associada. Contudo, muito pouca atenção tem sido dada, quer ao impacto psicológico relacionado com
o aparecimento de uma patologia cutânea, quer à importância de
uma pele saudável no adequado desenvolvimento e bem-estar
emocional do doente. Neste sentido, a falta de suporte adequado
e/ou o esquecimento do impacto psicológico e psiquiátrico de uma
doença dermatológica pode afectar o curso, resultado terapêutico e
prognóstico da mesma. Os autores descrevem o caso de um doente
previamente saudável com aparecimento aos 38 anos de Penfigóide
Bolhoso, com resposta parcial a diversos tratamentos e marcada
deterioração da sua imagem corporal e consequente desenvolvimento de Episódio Depressivo Moderado reactivo à doença. Com o
agravamento da sua patologia de base e consequentemente da sua
co-morbilidade Psiquiátrica, decide abandonar o acompanhamento
em ambas as consultas e toda a medicação. Faleceu 2,5 anos após o
inicio da doença dermatológica, por deterioração progressiva grave
do estado geral, que culminou em falha multiorgânica.
P05
“DA NOITE PARA O DIA”
Carla Vicente, Ana Martins; Filomena Santos; Mariana Cura; João
Alcafache; Salomé Abrantes
Hospital Infante D. Pedro EPE
O internamento em Hospital de Dia constitui uma opção terapêutica
de relevância crescente no tratamento e seguimento de doentes com
depressão. Neste estudo os autores relatam o caso de uma utente
com depressão com cerca de 6 meses de evolução. Foi internada em
regime de Hospital de Dia, em 2 de Dezembro de 2009, por apresentar
sintomatologia depressiva e ansiosa, reactivas a problemas pessoais.
Foram identificadas como diagnósticos: inexistência de estratégias
de coping eficazes, diminuição da concentração, da motivação, do
auto-conceito, da interacção social e níveis de ansiedade elevados.
Apresenta também, baixa causalidade pessoal, referindo incapacidades nas áreas das actividades da vida diária (mais evidentes na
gestão doméstica e cuidados pessoais) e nas actividades de lazer,
demonstrando um desequilíbrio ocupacional marcado. A intervenção foi realizada pela equipa multidisciplinar, composta por
Médico Psiquiatra, Enfermeiro, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo
e Técnico do Serviço Social, durante 3 meses. À saída foi realizada
uma avaliação final, onde apresentou melhorias marcadas ao nível da
sintomatologia, com reestruturação das actividades da vida diárias,
assumindo com competência os papéis ocupacionais. Após meio
ano, em reavaliação, foram confirmadas as melhorias e apresenta
estratégias de resolução de problemas eficazes.
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Saúde Mental Mental Health
P06
ENSAIO DE UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE
MENTAL EM ADOLESCENTES
Raul Alberto Cordeiro
Instituto Politécnico de Portalegre - Escola Superior de Saúde de Portalegre
A população jovem é especialmente vulnerável a fenómenos como a
exclusão social, em especial, na fase de transição da vida escolar para
a vida laboral, com todas as implicações que daí podem advir para
a capacidade de desenvolver um sentido de futuro. Em comparação
com a população adulta, os jovens são um grupo de risco de doença
mental pela vulnerabilidade a que estão sujeitos na sociedade actual,
tais como preocupações de natureza financeira, emprego, oportunidades de formação ou desorganização familiar. Note-se que o modelo
de família tem sofrido rápidas transformações revelando novas representações sociais e um campo fértil para as perturbações do foro
mental. Apesar de recolhida a informação, de elaborados os dados e
múltiplos estudos tem sido difícil implementar um plano consistente
e articulado de educação para a saúde mental junto da população
adolescente. Dados recentes de um estudo com 760 jovens adultos
no âmbito da depressão e a ansiedade justificam a apresentação de
um modelo de prevenção sob a forma de “Programa de Educação
para a Saúde Mental”.
P07
SWITCH: ESTUDO DE AVALIAÇÃO DO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO MAJOR EM DOENTES SEM RESPOSTA PRÉVIA
Lucília Bravo
Clínica Privada
Introdução: A Depressão Major é uma das principais causas de
incapacidade e absentismo laboral. Estudos de farmacoeconomia
demonstraram vantagens a nível económico do tratamento com
escitalopram face ao tratamento com outros SSRIs e com venlafaxina
XR. Este estudo tem como objectivo avaliar a modificação para terapêutica com escitalopram, em condições de prática clínica corrente.
Métodos: Estudo observacional, prospectivo de doentes medicados
com um SSRI ou SNRI e que de acordo com a prática clínica alterem
a terapêutica para escitalopram. Resultados: Foram incluídos 28 doentes com idade média de 53 anos (DP=10,3), dos quais metade eram
mulheres. Grande parte dos doentes estava reformada por invalidez
(52%), e apenas 22,2% estavam empregados. A maioria dos doentes
estava a fazer tratamento com sertralina (n=10), venlafaxina (n=6)
e fluoxetina (n=6), com uma duração média de 43 meses (DP=58,1).
Na visita inicial todos os doentes alteraram tratamento para escitalopram, numa dose média de 19,6 mg (DP=7,4). A adesão à terapêutica
foi total em 63,2% dos doentes (IC95%: 41,5; 84,9). Verificaram-se
diferenças significativas entre a avaliação inicial e a visita 1 nas características do doente: grandes alterações do apetite; perturbações
do sono; alterações psicomotoras; sentimento de culpa / inutilidade;
pensamento sobre a morte / tentativa de suicídio, incapacidade de
concentrar-se / tomar decisões / perda de memória. Também ao
nível da escala de MADRS e da SF-36 foram verificadas diferenças
significativas entre o valor observado na visita inicial e na visita 1.
Cerca de 21% dos doentes teve resposta ao tratamento, sendo que
quase metade entraram em remissão (47,4%). Conclusões: A maioria dos doentes mostrou melhorias significativas com dois meses
de tratamento com escitalopram, através da escala MADRS, com
expressivas taxas de resposta e de remissão. Tanto ao nível das características depressivas, como ao nível da qualidade de vida, avaliada
pela SF36, as diferenças registadas foram igualmente significativas.
P08
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL UMA PERSPECTIVA MULTIDISCIPLINAR, MULTISECTORIAL E
DE TRABALHO EM REDE. A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Tiago Santos, João Redondo; Inês Pimentel; Henrique Vicente; Generosa Morais; Paula Miura
Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental - Hospital Infante D. Pedro - Aveiro; Serviço de Violência Familiar - Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
Embora maioritariamente exercida sobre mulheres, a violência doméstica (VD) atinge também, directa e / ou indirectamente, crianças,
idoso/a(s) e outras pessoas mais vulneráveis, como as portadoras de
deficiência. Segundo o Relatório da OMS, sobre a Saúde no Mundo
(2001), a prevalência da violência doméstica durante a vida situa-se
entre 16% e 50% (OMS, 1997), sendo também comum a violência
sexual (uma em cada cinco mulheres sofre estupro ou tentativa de
estupro durante a sua vida). O facto de ser vítima de VD coloca a
mulher em risco crescente de: depressão; suicídio / tentativas de
suicídio; perturbações da ansiedade; problemáticas aditivas; síndromes de dor crónica; distúrbios psicossomáticos; lesões físicas;
consequências diversas na saúde reprodutiva, etc. De registar que,
segundo vários estudos, 40 a 70% das mulheres vítimas de assassinato, foram mortas pelos seus maridos ou namorados, habitualmente
no contexto de um relacionamento de violência arrastada. Conforme
também o demonstra a investigação, quanto mais severo é o grau
de violência, maior é o impacto na saúde física e mental da mulher,
parecendo ter um “efeito” cumulativo. Representando os Serviços de
Saúde um espaço privilegiado para triar precocemente as situações
de violência doméstica, avaliar do risco associado e implementar
respostas adequadas no caso-a-caso, que estratégias adoptar? Tendo
em conta a complexidade das raízes da violência e as suas múltiplas
faces e máscaras, defende-se a importância de uma intervenção multidisciplinar, multissectorial e em rede que, a par com a protecção
e apoio às vítimas e a intervenção junto dos agressores, promova
uma cultura de não-violência. Visando ilustrar alguns dos aspectos
deste quadro de referência estratégico, os autores apresentam um
caso clínico associado a problemática de VD, seguido no Serviço de
Violência Familiar do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra.
P09
SÍNDROME DE BURNOUT: UMA REVISÃO DO CONCEITO
Luís Martins Correia
Hospital de Magalhães Lemos/Faculdade de Medicina da Universidade
do Porto
Introdução: O stress ocupacional tem implicações profundas na saúde dos indivíduos. O desenvolvimento da síndrome de Burnout está
associado às vivências de um indivíduo relacionadas com o seu trabalho. Objectivo: Explorar o conceito de Burnout numa perspectiva
longitudinal, qual a sua organização e quais os processos implicados
no seu desenvolvimento. Métodos: Revisão da literatura na Medline,
Cochrane, Scopus e ISI Web of Knowledge. Resultados e Conclusão: A
síndrome de Burnout surgiu como um conceito científico pela primeira vez por Freudenberger através de descrições de casos clínicos
em indivíduos que trabalhavam numa clínica de desintoxicação. O
conceito foi-se tornando progressivamente mais académico e com
o surgimento do questionário Maslach Burnout Inventory (MBI) a
investigação tornou-se essencialmente quantitativa. Actualmente,
o conceito está alargado a profissões que não estão implicadas nos
cuidados de saúde. São consideradas três dimensões sintomatológicas: exaustão emocional, ausência de realização profissional e despersonalização. Foram propostos vários modelos explicativos para a
origem do burnout, dos quais se destacam os modelos demands-control,
effort-reward e demands-resources. Diferentes estudos de prevalência
em determinados grupos profissionais indicam valores pouco consistentes entre si e que parecem resultar da utilização de diferentes
critérios. Existem classes profissionais (ex: classe médica) com taxas
de suicídio mais elevadas em relação à população em geral.
P010
ACONSELHAMENTO BREVE FOCAL NA DEPRESSÃO E AUTOAGRESSIVIDADE: ESTUDO DE CASO
Olga Ferreira
Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, EPE
Depressão e comportamentos suicidários constituem duas das
principais preocupações da Organização Mundial de Saúde, aconselhando esta intervenção terapêutica tanto nos casos de depressão
como nos casos de auto-agressividade detectados precocemente.
Sessões de Posters / Posters Sessions
Este trabalho tem como objectivo apresentar o modelo de aconselhamento breve focal enquanto intervenção terapêutica viável
face à depressão, através do estudo de caso de uma mulher de 24
anos com problemática depressiva e história de comportamentos
auto-agressivos. Pretende-se reflectir sobre a eficiência, utilidade e
aplicabilidade deste modelo em contexto de serviço de saúde mental,
num hospital geral do serviço nacional de saúde. A metodologia de
estudo de caso foi complementada com a aplicação dos instrumentos:
Symptom Checklist Revista (SCL-90-R); Beck Hopelessness Scale (BHS);
Escala de Avaliação Global do Funcionamento (AGF). No caso em
estudo observou-se uma evolução clínica favorável com melhorias
significativas do funcionamento psicológico, social e ocupacional ao
longo do processo de aconselhamento.
P011
DEPRESSÃO E DOENÇA FÍSICA
Inês Fernandes
Hospital Distrital de Santarém
Introdução: A depressão é um dos problemas clínicos mais comuns
que ocorre nos cuidados de saúde primários, estando frequentemente
associada à doença física. Objectivos: Com este trabalho pretendese evidenciar o facto da depressão e da doença física terem uma
relação recíproca, discutindo-se qual a influência das experiências
de adversidade precoce neste binómio. Pretende-se também expor
qual o impacto da depressão no curso e no prognóstico de algumas
doenças físicas crónicas. E por fim, pretende-se ainda demonstrar
qual a importância do tratamento antidepressivo nas pessoas fisicamente doentes. Desenvolvimento: A prevalência da depressão é
significativamente mais alta nos pacientes com doença física em todo
o mundo. Aliás, verificou-se que as pessoas que durante a infância
foram expostas a experiências psicossociais adversas têm um risco
mais elevado de depressão e de doença física. Há vários mecanismos
pelos quais a doença física pode provocar depressão nomeadamente
por via da dor, da incapacidade ou de alterações na carga alostática.
Por outro lado, a depressão pode originar doença física através do
aumento das hormonas de stress, alterações do sistema nervoso
autónomo ou alterações imunitárias. A depressão não só tem um
impacto importante no curso e no prognóstico de algumas doenças
físicas, mas também na adesão aos regimes terapêuticos e nos custos
associados aos cuidados de saúde. Assim, o seu tratamento nas pessoas fisicamente doentes adquire extrema importância, devendo ser
adequado à gravidade da doença depressiva. Conclusões: A relação
da depressão com a doença física é bidireccional e complexa, intervindo factores de risco genéticos e sociais. Mas há ainda evidência
crescente que sugere que um conjunto de mecanismos biológicos está
subjacente a esta relação. Para além disso, há também evidência de
que a depressão agrava consideravelmente o prognóstico médico,
aumentando a morbilidade e, eventualmente, a mortalidade, pelo
que deve ser sempre tratada.
P012
DEPRESSÃO, GENÉTICA E EXERCÍCIO FÍSICO
Jorge Mota Pereira, Serafim Carvalho; Jorge Silvério; Daniela Fonte;
José Carlos Ribeiro; Andreia Pizarro; Joaquim Ramos
Hospital de Magalhães Lemos e Universidade do Minho; Hospital de Magalhães Lemos; Universidade do Minho; Hospital de São João; Universidade
do Porto
A depressão é o distúrbio mental mais comum, afectando um grande
número de indivíduos em Portugal e uma vasta população a nível
mundial. Embora as causas sejam complexas e associadas a factores tanto ambientais como biológicos, começam a surgir algumas
evidências de uma significante componente genética associada à
depressão. Os polimorfismos genéticos em genes associados às vias
bioquímicas de neurotransmissores, eg BDNF, 5-HT, TPH2 e VGF,
entre outros, têm sido alvo de particular interesse mas, tal como na
maioria das doenças multifactoriais, existem provavelmente vários
genes envolvidos, e apenas indivíduos com certas combinações de
polimorfismos apresentarão uma maior susceptibilidade para a de-
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Sessões de Posters / Posters Sessions
pressão. Por outro lado, os factores ambientais muito provavelmente
influenciam o resultado das interacções genéticas e das interacções
entre as diversas proteínas resultantes. O caso particular da influência
do exercício físico na predisposição genética do indivíduo para a depressão tem suscitado particular interesse. Existem algumas evidências de que o exercício físico poderá ter efeitos positivos na depressão,
e foi demonstrado que este poderá influenciar diferencialmente os
indivíduos, consoante o seu perfil genético. Para além disso, o perfil
genético parece ter também valor prognóstico relativamente aos
efeitos na depressão, a médio e longo prazo, da prática de exercício
físico regular. O estudo deste eixo depressão-perfil genético-exercício
físico poderá levar à identificação e caracterização de novos genes
de susceptibilidade e eventuais interacções ambientais, tais como o
exercício, conduzindo à aplicação da farmacogenética e da ecogenética à depressão, como já acontece com outras patologias. Mais
ainda, poderá conduzir a uma terapia individualizada, mais eficaz,
e a uma prevenção primária atempada, especificamente desenhada
para cada caso.
P013
IMPACTE DA INTERVENÇÃO DE GRUPO NA DIMINUIÇÃO DA
ANSIEDADE DE DOENTES COM DOENÇA CRÓNICA
Dionísia Maria Venâncio, Maria Teresa Massano
Hospital de santarém; Hospital de Santarém
Este trabalho de investigação pretende avaliar em que medida este
tipo de intervenção de enfermeiros Especialistas em Saúde Mental e
Psiquiatria traz ganhos em saúde que sejam susceptíveis aos cuidados
de enfermagem. Pretendemos com este estudo: 1) Conhecer o nível
de ansiedade dos doentes que frequentam a Consulta da Dor (CD)
(grupo 1) e Consulta de Cirurgia Vascular (CV) (grupo 2), do Hospital
Distrital de Santarém; 2) Determinar o nível de ansiedade em doentes
com doença crónica; 3) Determinar em que doentes a intervenção
de grupo é mais eficaz na diminuição da ansiedade; 4) Avaliar o
impacte de uma acção autónoma de enfermagem – intervenção
em grupo onde incluímos a técnica de relaxamento por imagética.
Assim procedemos à realização de um estudo de tipo, descritivo e
correlacional, comparativo, quase experimental e longitudinal, com
uma amostra de 22 doentes, em que 11 frequentavam a Consulta da
Dor e 11 frequentavam a Consulta de Cirurgia Vascular do Hospital
Distrital de Santarém. Como método de recolha de dados utilizou-se
o questionário, dividido em duas partes: Na primeira parte é feita a
caracterização sócio-demográfica do indivíduo em termos de Idade,
Género Social, Escolaridade, Estado Civil; Na segunda parte utilizámos a escala de Ansiedade Estado-Traço, concebida por Spielberger
(1970), para a obtenção da informação necessária à operacionalização
das variáveis em estudo. É composta por duas escalas de autoavaliação que visam medir a ansiedade-estado e ansiedade-traço.
P014
A SAÚDE MENTAL DOS ESTUDANTES DE MEDICINA: ESTUDO
EXPLORATÓRIO NA UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR
Alice Roberto, Anabela Almeida
Hospital Garcia de Orta; Universidade da Beira Interior
Introdução: As faculdades de medicina são reconhecidas como ambientes stressantes que, com frequência, exercem um efeito negativo
no bem-estar psicológico dos estudantes. Objectivos: Investigar a
relação entre os níveis de saúde mental dos estudantes de medicina,
nas suas vertentes positivas e negativas - bem-estar e distress psicológico respectivamente - e os anos de curso, consumo de substâncias
psicoactivas e acompanhamento por profissional de saúde. Material
e Métodos: Aplicação de um questionário anónimo ao universo de
estudantes de medicina da Universidade da Beira Interior, construído
para o efeito e composto por quatro secções: I) Dados sócio-demográficos, II) Inventário de Saúde Mental de Ribeiro, III) Consumo
de substâncias psicoactivas e IV) Acompanhamento por profissional de saúde. Os resultados foram analisados no programa SPSS
e consideraram-se significativos para p <0,05. Resultados: Parece
existir uma relação directa entre os níveis de saúde mental e os anos
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Saúde Mental Mental Health
de curso. O sexo feminino, o 3º ano e o consumo de tranquilizantes
apresentaram uma influência negativa, estatisticamente significativa,
nos níveis de saúde mental. Cerca de 30% dos estudantes já procurou,
pelo menos uma vez na vida, um profissional de saúde por sintomas
relacionados com a saúde mental, 6% tem acompanhamento regular,
10% já se auto-medicou e 10% faz terapêutica farmacológica a longo
prazo. A ideação suicida no último mês foi reportada por 10% dos
estudantes. Discussão/Conclusão: É essencial determinar em que
medida o currículo médico está a afectar a saúde mental dos estudantes, especialmente os do sexo feminino. Revela-se importante
reconhecer os factores que favorecem o consumo de tranquilizantes
e impedem a procura de ajuda profissional. Intervenções apropriadas
de suporte e sistemas de referenciação devem ser desenvolvidas
para os estudantes em risco, depois de devidamente identificados.
P015
A UTILIZAÇÃO DE ANTIDEPRESSIVOS EM PORTUGAL:
1995-2009
Ricardo Gusmão, Susana Costa; Sónia Quintão
Faculdade de Ciências Médicas - UNL
Introdução: Tem sido salientado, por líderes de opinião médica, políticos e pelos media, o eventual consumo excessivo de antidepressivos
por excesso de prescrição, pela procura utópica de uma ´´pílula da
felicidade´´, ou pela pressão de interesses económicos. Todavia, para
poder afirmar que a utilização é excessiva é mandatório estabelecer
quais as necessidades de consumo que derivam da prevalência das
patologias tratáveis. Em Portugal os estudos de utilização são escassos e relativos a curtos períodos temporais e nunca foram estimadas
as necessidades de consumo. Objectivo: Descrever a evolução do
consumo de antidepressivos em termos de custos e de estimativa de
necessidades correspondidas, de modo a obter resposta à questão
“Em Portugal, há excesso de consumo de antidepressivos?”. Método:
Obtivemos dados brutos de número de unidades vendidas e despesa
total, por ano, e por especialidade farmacêutica, dos quais derivámos,
através da aplicação da classificação ATC (Anatomical Therapeutic
Chemical) e da população anual estimada, duas novas variáveis: os
DDD (daily drug dosage) por mil habitantes por dia (DHD), e o custo
por DHD. Calculámos uma estimativa de DHD que deveriam ser
consumidos para fazer face às necessidades estabelecidas no Censo
de Morbilidade Psiquiátrica para o ano de 2009, sabendo que a cerca
de 1% de prevalência tratável correspondem 10 DHD. Resultados:
Globalmente, houve um aumento do número de unidades, despesa
total, DHD e despesa por DHD nos últimos 15 anos. Todavia, a partir
de 2002 verifica-se uma lentificação no crescimento, inclusive com
crescimento negativo da despesa por DHD. Discussão: Os dados
disponíveis do Censo de Morbilidade Psiquiátrica apontam para
uma prevalência anual de perturbações mentais superior a 20%
sendo a prevalência tratável 15,6% (patologias de gravidade severa
ou moderada). As 156 DHD resultantes desta prevalência são uma
estimativa conservadora das necessidades de antidepressivos em
dose eficaz e monoterapia.
P016
PSICOPATOLOGIA NUMA POPULAÇÃO DE ALUNOS DO ENSINO SUPERIOR DE MÚSICA: ESTUDO PRELIMINAR
Clemente M, Coimbra D; Gabriel J; Azevedo J; Leite S; Esteves M;
Pinho JC
Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto; Escola Superior
de Musica e Artes do Espectáculo; Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto; FMUP; HSJ, EPE
Introdução: A prática de uma actividade musical como profissão
exige qualidades técnicas, físicas e psíquicas que determinaram a
produtividade do músico e a sua performance musical. A análise
termográfica, com a câmara termográfica, Flir® A 325, comprova,
em termos anátomofisiológicos, a actividade dos diferentes grupos
musculares dos instrumentistas de sopro e de cordas durante a sua
actividade musical, pois requerem a integração de várias estruturas
do complexo crânio-cervico-mandibular. Por vezes há um aumento
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
do tônus muscular decorrentes de certas actividades parafuncionais em que o músico está sujeito a elevados níveis de ansiedade.
Objectivos: Com o objectivo de avaliar aqueles e outros sintomas
psicopatológicos, foi estudada uma população de alunos da Escola
Superior de Música, Artes e Espectáculo. Materiais e Métodos: Foi
utilizado uma entrevista estruturada para colheita dos principais
dados sócio-demográficos e aplicado o Brief Symptom Inventory
(BSI - L. R. Derogatis, 1993; Versão: M. C. Canavarro, 1995), para
avaliação dos sintomas psicopatológicos. Resultados: A amostra
foi constituída por 97 indivíduos, divididos por diferentes Cursos e
Instrumentos. A mediana da idade foi de 20 anos. Foi encontrada uma
prevalência de 18,6% de indivíduos com uma pontuação no Índice
Geral de Sintomas (IGS) superior a 1,43, indicativa de um elevado
grau de distress psicológico. O Curso de Música Clássica revelou
índices significativamente superiores no IGS, em relação ao grupo
de alunos do Curso de Jazz. Também aquele Curso engloba a larga
maioria dos indivíduos com IGS considerado patológico. A relação
familiar e com o professor revelaram ser indicadores importantes
de distress psicológico. Conclusões: Este estudo alerta-nos para a
elevada prevalência de distress psicológico nos alunos da Escola
Superior de Música, Artes e Espectáculo. A intervenção dos serviços
de Psicologia e de Psiquiatria junto desta população é recomendável.
São necessários mais estudos para identificar o grau de compromisso
funcional associado ao distress psicológico encontrado. Os autores
deste trabalho agradecem à FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia, projecto PTDC/EEA-ACR/75454/2006.)
P017
SINAIS E SINTOMAS DE DISTÚRBIOS TEMPOROMANDIBULARES NUMA POPULAÇÃO DE DOENTES COM ANSIEDADE
E DEPRESSÃO
Clemente M, Magalhães D; Esteves M; Roma Torres A; Pinho JC
Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto; Faculdade de
Medicina Universidade do Porto; HSJ - EPE
Introdução: É consensual que os Distúrbios Temporomandibulares
(DTM) apresentem uma etiologia complexa e multifactorial, uma
vez que numerosos factores podem contribuir para o seu aparecimento. Alguns autores referem que, perturbações psicológicas não
resolvidas, como ansiedade e depressão podem estar associadas
a um aumento da tensão muscular, o que pode contribuir para o
aparecimento de DTM’s, ou agravar DTM’s pré-existentes. Outros
mencionam que os factores psicológicos (ansiedade, depressão)
podem ser consequência da dor associada aos DTM’s. Objectivo:
Avaliar a prevalência de sinais e sintomas de DTM em doentes ansiosos e depressivos e compará-la com a encontrada na população
em geral. Material e Métodos: Foram observados 25 doentes no
serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital de São João, com
diagnóstico de Depressão ou Perturbação de Ansiedade. Foram efectuados o preenchimento de uma ficha clínica e exames intra e extra
orais, com o objectivo de pesquisar a dor à palpação muscular e da
ATM, a limitação da cinemática mandibular e a pesquisa de ruídos
articulares. A escala de Hamilton, para a ansiedade e depressão
(HAM-A e HAM-D) foi usada para quantificar os níveis de ansiedade e/ou depressão do doente. Resultados e Conclusões: Todos
os doentes com perturbações ansiosas e/ou depressivas observados,
apresentaram pelo menos um sinal clínico de DTM´s, o que sugere
que a prevalência destes sinais é mais elevada em doentes com estas
perturbações psíquicas do que na população em geral, na qual se
estima que apenas 50 a 60% apresente pelo menos um sinal clínico de
DTM´s. Os dados sugeriram, também, que para valores de HAM-A
ou HAM-D superiores a 20, existia uma maior frequência de sinais
de DTM´s. Os factores psicológicos (ansiedade, depressão) podem
predispor ou perpetuar a sintomatologia dos DTM´s, uma vez que
os resultados sugeriram uma associação entre o estado psíquico e os
sinais e sintomas de DTM´s. Supõe-se que os factores psicológicos
podem contribuir para um aumento da prevalência de patologia
relacionada com a ATM entre doentes com ansiedade ou depressão.
Sessões de Posters / Posters Sessions
P018
DEPRESSÃO E FIBROMIALGIA: ESTUDO COMPARATIVO DA
PERSONALIDADE
Manuela Matos, Cristina Miguel; Catarina Pereira
Serviço de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra
Os traços de personalidade desadaptativos são patogénicos. A sua
associação à patologia depressiva e a quadros de apresentação
somática enquadráveis no diagnóstico de fibromialgia, é hoje, inquestionável. O estudo comparativo da personalidade entre estas
duas patologias poderá indicar traços predisponentes implicados
em cada uma delas. Com este propósito estudou-se uma população
de quarenta mulheres seguidas em consulta externa de psiquiatria:
vinte com diagnóstico de fibromialgia e restantes com diagnóstico
de perturbação depressiva major recorrente (Diagnostic and Statistical
Manual of Mental Disorders IV). Neste sentido foi feita uma análise
comparativa entre os traços implícitos nos cinco domínios da personalidade (Revised NEO Personality Inventor) e respectivas facetas,
atinentes a cada um dos grupos de doentes estudados.
P019
MUTISMO SELECTIVO: CASO CLÍNICO E REVISÃO DA
LITERATURA
Ricardo Coentre, Maria de Lurdes Candeias
Serviço de Psiquiatria, Hospital de Santa Maria/Faculdade de Medicina
de Lisboa; Clínica da Juventude, Área de Pedopsiquiatria, Hospital Dona
Estefânia, Lisboa
Introdução: O mutismo selectivo (MS) é uma doença da infância
rara caracterizada pela redução da linguagem em meios onde falar
é socialmente esperado. Os autores apresentam um caso clínico e
fazem uma revisão da literatura sobre a etiologia, comorbilidades e
tratamento desta infrequente patologia. Método: Caso clínico e revisão da literatura usando a PUBMED. Os parâmetros de busca foram
“mutismo selectivo”, “diagnóstico” e “tratamento”. Resultados: Os
autores descrevem o caso clínico de uma adolescente com 15 anos
de idade com história de MS com vários anos de evolução. Após
avaliação inicial foi medicada com fluoxetina 20mg/dia e fez psicoterapia individual. Apresentou boa evolução clínica com remissão
significativa do quadro clínico. O MS tipicamente ocorre entre os 3 e
6 anos e é mais frequente no sexo feminino. A incapacidade para falar
ocorre mesmo na ausência de alterações significativas na linguagem.
Os doentes com MS podem não conseguir falar com os professores
ou colegas na escola ou trabalho, mas podem conseguir falar fluentemente com os pais, namorado/a ou irmãos em casa. Segundo o
DSM-IV-TR os critérios de diagnóstico incluem a incapacidade para
falar numa situação particular e tem de estar presente durante pelo
menos um mês. Entre as estratégias terapêuticas descritas incluem-se
a terapia cognitivo-comportamental, terapia familiar e terapia psicodinâmica. Do ponto de vista farmacológico os SSRIs mostraram ser
eficazes na redução da sintomatologia do MS. Conclusão: Como o MS
é uma doença rara é ainda uma perturbação desafiante em relação
à sua etiologia e tratamento. Recentemente tem sido associada com
outras condições como a fobia social. Estudos aleatorizados e com
maior número de doentes são necessários para estudo das estratégias
terapêuticas mais adequadas.
P020
ENSAIO DE UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE
MENTAL EM ADOLESCENTES
Raul Alberto Cordeiro
Instituto Politécnico de Portalegre - Escola Superior de Saúde de Portalegre
A população jovem é especialmente vulnerável a fenómenos como a
exclusão social, em especial, na fase de transição da vida escolar para
a vida laboral, com todas as implicações que daí podem advir para
a capacidade de desenvolver um sentido de futuro. Em comparação
com a população adulta, os jovens são um grupo de risco de doença
mental pela vulnerabilidade a que estão sujeitos na sociedade actual,
tais como preocupações de natureza financeira, emprego, oportunidades de formação ou desorganização familiar. Note-se que o modelo
17
Sessões de Posters / Posters Sessions
de família tem sofrido rápidas transformações revelando novas representações sociais e um campo fértil para as perturbações do foro
mental. Apesar de recolhida a informação, de elaborados os dados e
múltiplos estudos tem sido difícil implementar um plano consistente
e articulado de educação para a saúde mental junto da população
adolescente. Dados recentes de um estudo com 760 jovens adultos
no âmbito da depressão e a ansiedade justificam a apresentação de
um modelo de prevenção sob a forma de “Programa de Educação
para a Saúde Mental”.
P021
CONSULTA DE PSIQUIATRIA DAS MIGRAÇÕES. SÍNDROME DE
ULISSES - A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Telmo Coelho, Cátia Guerra, Márcia Mota, Clarisse Torres
Serviço de Psiquiatria do Hospital de São João. Unidade do adulto e do
idoso - Consulta de Psiquiatria das Migrações
O Síndrome de Ulisses é um problema de saúde que pode surgir
no contexto de uma experiência migratória. Deve-se à sensação de
solidão, desespero e à luta pela sobrevivência a que estas pessoas
estão sujeitas. Esta experiência causa níveis de stress intensos que
ocasionalmente excedem a capacidade de adaptação do indivíduo,
manifestando-se por sintomas do foro depressivo-ansioso e, por
vezes, por alterações do comportamento. Apresentamos um caso
de uma doente de nacionalidade guineense imigrante em Portugal
que teve de lidar com várias adversidades: foi vitima de abusos
e agressões frequentes por parte do companheiro; não falava a
língua portuguesa, tendo muita dificuldade em arranjar trabalho;
foi-lhe retirado o filho pela comissão de protecção de menores;
vivia numa pensão com más condições de higiene e habitabilidade;
não tinha qualquer tipo de suporte familiar e sentia-se socialmente
desenraizada e desadaptada. Tinha tido uma experiência negativa
prévia no contacto com os serviços sociais e de saúde, sentindo-se
incompreendida. Nessa sequência, desenvolveu um quadro caracterizado por marcada desconfiança em relação ao meio envolvente,
ideias auto-referenciais e de teor persecutório relacionadas com os
acontecimentos de vida prévios. Estamos perante um caso em que
existem múltiplos e crónicos factores de stress, tratando-se de uma
situação extrema na qual a grande intensidade dos agentes stressores,
a sensação de impotência face à situação e os sintomas originados
dificultam a sobrevivência do imigrante. Portanto, numa sociedade
cada vez mais multicultural, torna-se emergente que os profissionais
de saúde estejam devidamente preparados para uma abordagem
culturalmente sensível da população migrante.
P022
LUTO PATOLÓGICO OU DEPRESSÃO? – OS OBSTÁCULOS NO
DIAGNÓSTICO
Filipa Araújo, Sara Oliveira; João Campos Mendes; Adriana Horta
Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho
Introdução: O luto patológico ocorre em aproximadamente 10% das
pessoas que perderam um ente querido e resulta da incapacidade de
transitar entre as fases do luto. Um dos factores mais significativos
da sua vivência refere-se à forma como a morte ocorreu. No suicídio,
o luto pode ser um processo especialmente complexo e traumático.
Ao fim de um mês, 42% dos familiares apresentam sintomas de
Episódio Depressivo Major (EDM). O risco de suicídio nos familiares
das vítimas de suicídio é superior ao dos familiares enlutados por
outras causas de morte (por exemplo doença). No Diagnostic and
Statistical Manual of Mental Disorders-IV-Text Revision (DSM-IV-TR), o
luto constitui um critério de exclusão para o diagnóstico de EDM. No
entanto, a validade empírica dessa exclusão não foi bem estabelecida
e o International Classification of Diseases-10th edition (ICD-10) não o
considera como critério de exclusão. Caso Clínico: Apresenta-se
um caso de uma mulher de 51 anos, com sintomatologia depressiva
após suicídio da sua filha. Por ter sido um acontecimento imprevisível, devido à ausência de nota de suicídio e patologia psiquiátrica
previamente diagnosticada, a busca incessante das causas daquele
acto atormentam o seu dia-a-dia e impedem a aceitação da morte.
18
Saúde Mental Mental Health
De acordo com o DSM-IV-TR, a doente não preenche os critérios
para EDM. Conclusão: O luto patológico tende a ser crónico e está
associado a significativo sofrimento, incapacidade e consequências
negativas para a saúde devido ao elevado risco de comorbilidades
médicas e psiquiátricas. O não reconhecimento e tratamento do EDM
nestes doentes contribui para um aumento da morbilidade. As diferenças de classificação entre o DSM-IV e ICD-10 podem conduzir a
erros diagnósticos e consequente sub/sobrevalorização dos sintomas
depressivos. No DSM-V, ainda em planeamento, foi proposto a não
exclusão do luto como critério de EDM pois a evidência não suporta
a sua separação dos outros stressores vivenciais.
P023
DEPRESSÃO NO CANCRO DA MAMA - ABORDAGEM AO DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICA
Raquel Santos Pereira, Rosa Grangeia
Hospital de São João, EPE
O cancro da mama é a malignidade feminina mais comum, e a 2ª
causa de morte oncológica nas mulheres, ultrapassada apenas pelo
cancro do pulmão. A mama tem um papel fulcral quer em termos
emocionais quer sexuais, como uma característica de atractividade
para a própria e para os outros, com elevado impacto na autoestima.
A maior parte dos tratamentos oncológicos que lhe são específicos
podem acarretar alteração significativa da imagem corporal - perda
do peito, necessidade de adaptação a prótese, presença de cicatrizes,
assimetrias, necessidade de reconstrução (provocadas pela cirurgia),
alterações sensitivas cutâneas (radioterapia, RT) alopécia (quimioterapia, QT), bem como desregulação ovárica persistente e aumento de
peso (QT e HT). Todos estes factores, bem como outros neuroendócrinos, neuroimunológicos, e os efeitos dos tratamentos na fertilidade,
sexualidade e problemas de saúde decorrentes da menopausa (como
osteoporose e doença cardiovascular), concorrem para a depressão
clinicamente significativa, presente em cerca de 10 a 25% das doentes, muitas vezes subdiagnosticada e não eficazmente tratada, taxa
apenas ultrapassada pelos cancros do pâncreas e orofaringe. Estas
doentes vão beneficiar de tratamento farmacológico, psicoterapêutico
ou combinação de ambos. Apesar de a medicação anti-depressiva ser
já amplamente utilizada nesta população, existe grande variabilidade
quanto ao tipo e dose necessários. Vários estudos atestam a eficácia
dos fármacos anti-depressivos no cancro da mama, estando ainda
preconizado o uso de psico-estimulantes (como metilfenidato,) em
doentes terminais que necessitem de resposta clínica rápida. Outro
ponto de particular interesse são as interacções medicamentosas entre
psicofármacos e quimioterápicos ou moduladores dos receptores dos
estrogénios (SERM´s). Os autores pretendem fazer uma abordagem
ao diagnóstico e terapêutica da depressão, bem como a sua influência
na Qualidade de Vida (QoL), no particular subgrupo de mulheres
com cancro da mama.
Esquizofrenia
P024
SÍNDROME DE CAPGRAS: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Emanuel Filipe Santos, Carina Mendonça; Victor Sainhas Oliveira;
Carlos Leitão
CHCBEIRA
A temática do duplo tem-nos acompanhado desde a antiguidade,
estando bem patente na Mitologia Grega. Entre os síndromes fascinantes que se enquadram nesta temática temos o Síndrome de
Capgras, que se insere a nível psicopatológico nas perturbações de
identificação delirante. Este, descreve um delírio, em que o paciente,
acredita que, uma ou mais pessoas com as quais tem uma ligação
afectiva, foram substituídas por um duplo muito semelhante. Primeiramente descrito entre doentes com esquizofrenia e doença
esquizoafectiva, cada vez mais se tem documentado a sua existência
em perturbações cerebrais orgânicas como a Demência de Alzheimer,
Acidente Vascular Cerebral, e Epilepsia. Neste trabalho, a par de uma
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
breve revisão bibliográfica do tema, descrevemos o caso clínico de
uma jovem psicóloga com história familiar de esquizofrenia, que
após ruptura afectiva conturbada, desenvolve um quadro clínico
alucinatório-delirante, em que o delírio de Capgras é predominante.
P025
AVALIAÇÃO DO SELF-STIGMA EM FAMILIARES DE PESSOAS
COM ESQUIZOFRENIA
Pedras, M.T., Fitas, M.J.; Santos, I.A.; Silva, A.A.
Hospital S. Francisco Xavier - Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, EPE
A associação com pessoas marcadas pelo estigma provoca um impacto negativo nos familiares do doente mental (Goffman, 1963),
nomeadamente prejuízos e discriminação (Corrigan & Miller, 2004).
Corrigan & Watson (2002) desenvolveram um método de avaliação
do self-stigma dos doentes mentais em que se postula que o self-stigma
resulta da consciência, partilha e aceitação dos estereótipos e imagens negativas do público em geral relativamente à doença mental
(Corrigan et al., 2006). Se os familiares de pessoas com doença mental
sofrem o estigma experimentado por estas (Corrigan & Miller, 2004)
e se o doente mental sofre de self-stigma, é possível que os familiares
do doente mental possam também sofrer de self-stigma e que igualmente sofram de baixa autoestima e auto-eficácia. Com autorização
do autor, utilizou-se uma adaptação da ‘Self-Stigma of Mental Illness
Scale’ (SSMIS) de Corrigan P. et al (2006) que compreende 40 questões divididas em quatro secções que avaliam sequencialmente as
componentes do self-stigma (consciência, aceitação e interiorização do
estigma social e os prejuízos do self-stigma). Cada secção é constituída
por 10 afirmações sobre as quais os 30 familiares participantes no
estudo manifestaram a sua concordância/discordância recorrendo
a uma escala de Likert em que 1= Discordo totalmente e 9 = Estou
totalmente de acordo. O ponto médio é 5, valor acima do qual existe
moderado ou alto self-stigma e abaixo do qual o self-stigma é baixo ou
nulo (Corrigan, 2008). O tempo de preenchimento do questionário
rondou os 30 minutos, não havendo ainda resultados disponíveis.
P026
FOLIE A DEUX - CASO CLÍNICO
Joana Teixeira, Teresa Mota
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
A folie a deux, perturbação psicótica partilhada (DSM IV) ou perturbação delirante induzida (CID 10) é uma doença mental rara que
há muito desperta o interesse clínico. Foi descrita pela primeira vez
em França no século XIX como sendo a presença do mesmo sintoma
psiquiátrico, geralmente delírio persecutório, em dois indivíduos em
relação próxima. Desde a sua primeira descrição clínica, vários subtipos da doença foram descritos. Actualmente ainda é uma patologia
clinicamente interessante para tentar compreender a etiologia das
psicoses, havendo ainda poucos dados sobre a patofisiologia e os seus
mecanismos. Apresentamos o caso clínico de folie a deux de uma mãe
e uma filha, sendo a primeira a induzida e última a indutora. S.A.C.J,
sexo feminino, 33 anos, solteira, assistente administrativa, residente
em Loures, enviada a consulta de Psiquiatria pelo Médico de Família
por dificuldades laborais desde há dois meses por inicio de quadro
psicótico. A doente indutora apresenta desde Novembro de 2009
ideias delirantes de conteúdo persecutório bem estruturadas, autorelacionação e autoreferência delirantes, alucinações acústico-verbais,
olfactivas, cenestésicas, roubo, difusão e inserção de pensamento. A
indutora apresenta um quadro clínico compatível com o diagnóstico
de Esquizofrenia. A mãe (induzida) partilha as ideias delirantes de
conteúdo persecutório e refere também alucinações acústico-verbais,
olfactivas e cenestésicas, mas de intensidade mais moderada. A doente
reside actualmente em casa da mãe para a qual se mudou após o início
dos sintomas (moravam ambas sozinhas mas eram vizinhas da frente).
A folie a deux é uma doença rara que apresenta a particularidade de
que quando presente deve ser bem analisada para aprofundar o seu
conhecimento. A semelhança de outras patologias que envolvem
quadros delirantes, esta patologia representa um desafio na orientação
clínica e terapêutica para controlo dos sintomas.
Sessões de Posters / Posters Sessions
P027
ANÁLISE COMPARATIVA DA QUALIDADE DE VIDA E DA PERCEPÇÃO DO ESTADO DE SAÚDE NA DOENÇA MENTAL
Paula Carneiro e Pedro Varandas, Alda Ramos, Anabela Carvalho,
Catarina Vidigal, Pedro Freitas e Telma Canário
Casa de Saúde da Idanha
Resumo: A Casa de Saúde da Idanha apresenta respostas assistenciais diversas, dirigidas às diferentes necessidades da população com
doença mental. A avaliação da qualidade de vida e da percepção do
estado de saúde dos sujeitos integrados em diferentes estruturas,
poderá fornecer indicadores importantes para reflexão e melhor
adequação dos cuidados. O presente estudo pretende avaliar sujeitos com doença mental grave (Diagnóstico de Esquizofrenia e
Perturbação Bipolar), do sexo feminino, estáveis clinicamente, com
tempo de internamento igual ou superior a 1 ano, numa amostra de
60 sujeitos que contempla três tipologias assistenciais: Unidade de
Internamento (Apoio Máximo) - 26 utentes; Unidade Residencial
(Apoio Moderado / Máximo) - 15 utentes; Apartamentos na Comunidade (Apoio Reduzido / Moderado) - 19 utentes. Os 3 grupos da
amostra foram avaliados para análise comparativa face à qualidade
de vida (tradução e aferição para população portuguesa da Escala de
Qualidade de Vida por Caldas de Almeida, J.M. e Xavier, M., 1995) e
percepção do estado de saúde (tradução e validação portuguesa do
Medical Outcomes Study 36 - SF-36, Ciconelli, R.M., 1997). Foram
também avaliadas, para controlo das condições experimentais, a
existência ou não de defeito cognitivo (MMS - adaptação portuguesa
Guerreiro,M., 1993) e o estado psicopatológico (B.P.R.S.- Elkis, Helio;
Henna Neto, Jorge; Alves, Tania Maria; Eizenman, Isidoro Boris;
Oliveira, Jose Roberto Campos de; Melo, Marcelo Feijó, 1998 ). Serão
apresentados resultados e conclusões da análise comparativa da
qualidade de vida e da percepção do estado de saúde nas diferentes
tipologias assistenciais/residenciais. Serão ainda apresentados
outros resultados que, pela sua relevância, demonstrem correlações
interessantes entre as variáveis envolvidas.
P028
ESQUIZOFRENIA E COMPORTAMENTO SUICIDÁRIO
Vasco Nogueira, José Valente; Maria João Soares; Ana Telma Pereira;
Berta Maia; Mariana Marques; Ana Allen Gomes; António Macedo;
Maria Helena Azevedo
Instituto de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina de Coimbra;
Departamento de Ciências da Educação da Universidade Aveiro
Introdução: A Esquizofrenia é uma doença mental grave, comum,
muito incapacitante e associada a elevada morbilidade/mortalidade
(Azevedo et al., 2010); uma percentagem significativa de mortes
prematuras ocorre por suicídio e até 50% dos doentes tentam o
suicídio (Meltzer, 2003). Objectivo: Identificar variáveis clínicas e
sócio-demográficas associadas a comportamentos suicidários na
Esquizofrenia. Métodos: A amostra inclui 508 doentes diagnosticados com Esquizofrenia (ICD-10, pela DIGS/OPCRIT). As variáveis
do estudo foram seleccionadas da DIGS e OPCRIT. Resultados: O
comportamento suicidário ocorre em 21.8% dos doentes; o método
mais utilizado é a intoxicação medicamentosa voluntária; é mais
frequente em mulheres e quando não existem alterações formais do
pensamento, embotamento afectivo e restrição afectiva. Conclusão:
Este estudo permitiu identificar variáveis clínicas e demográficas
que podem orientar o clínico na identificação de um perfil suicidário entre os seus doentes com Esquizofrenia e, consequentemente,
optimizar a implementação de estratégias de intervenção precoce
na prevenção do suicídio.
P029
DA DICOTOMIA KRAEPELIANA À ACTUALIDADE - A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Maria Miguel Brenha, Filipa Sá Carneiro; Pedro Teixeira; Isabel Saavedra
Hospital Magalhães Lemos; Centro Hospitalar do Porto; CHMA - Centro
Hospitalar do Médio Ave
Introdução: O percurso até à definição actual de Perturbação Psicó-
19
Sessões de Posters / Posters Sessions
tica Breve (DSM IV) tem sido longo e rico. Desde o fim do séc. XIX
que psiquiatras, em diversos pontos do mundo, se têm dedicado ao
estudo e definição de quadros psicóticos agudos e transitórios, com
bom prognóstico e que pareciam não se integrar nas duas grandes
entidades definidas por Kraepelin - Psicose Maníaco - Depressiva e
Demência praecox. Marcos importantes neste percurso são os conceitos de bouffée délirante, psicose ciclóide ou os critérios descritos
no DSM-III. Apesar de terem surgido com o intuito de descrever
quadros semelhantes, não se verifica uma sobreposição plena entre
o conceito actual e os seus antecessores clássicos. Assim sendo,
não são raros os casos em que há a necessidade de recorrer a estes
últimos, sobretudo em quadros ricos e floridos nos quais o conceito
actual, apesar de cabal, se mostra redutor. Objectivo: Submeter
um mesmo caso clínico a diversos sistemas classificativos segundo
uma perspectiva histórica tendo em vista a maior preservação das
especificidades do quadro, nomeadamente a sintomatologia florida
e sua recorrência. Material e Métodos: Apresentação de caso clínico,
revisão da literatura, revisão de conceitos, sistemas classificativos e
seus critérios de diagnóstico. Conclusão: Apesar de temporalmente
os conceitos se terem sucedido, renovado e até recriado, dadas as
suas especificidades para além das semelhanças, todos têm ainda hoje
lugar no vasto território das psicoses agudas e transitórias. Assim se
justifica, com base na complementaridade, a necessidade de cruzar
o clássico com o actual tendo em vista a preservação da riqueza e
complexidade dos quadros clínicos.
P030
PSICOSE EPILÉPTICA VS. PSICOSE ESQUIZOFRÉNICA
Luís Fonseca, Isabel Milheiro; Joaquim Duarte
Hospital de Braga
Introdução: A associação entre a epilepsia e a psicose esquizofrenia
é estudada desde o século XIX. No entanto, muitos aspectos desta
associação permanecem desconhecidos e controversos. Caso clínico:
Mulher de 38 anos de idade, com antecedentes de epilepsia de grande
mal desde os 16 anos, sem crises desde 1996. Recorreu ao SU em Março de 2010 por alucinações auditivas na forma de vozes, memórias
delirantes e delírio paranóide persecutório e místico, com evolução
de 6 meses, iniciado após interrupção da sua medicação antiepiléptica
habitual. Sem crises convulsivas desde a interrupção da medicação.
Internada e medicada com risperidona 4 mg / dia. Realizou EEG,
RM cerebral e estudo analítico, sem alterações. Teve alta após 21 dias,
assintomática. No dia da alta, fez crise tónico-clónica generalizada,
tendo sido internada em Neurologia. O EEG revelou disfunção regional fronto-temporal esquerda. Foi medicada com valproato de sódio
1000 mg / dia e paliperidona 6 mg / dia, com remissão sintomática
total da sintomatologia psicótica. Na consulta externa, procedeu-se
à redução progressiva da paliperidona até à sua suspensão, sem
recidiva do quadro psicótico. Discussão: Parecem existir mecanismos que apontam para uma associação entre a epilepsia e a psicose
semelhante à esquizofrenia (schizophrenia-like). É provável que alterações estruturais cerebrais possam originar epilepsia e psicose, e que
as convulsões modifiquem a apresentação da psicose, e vice-versa.
Desta forma pode ser difícil diferenciar com clareza se os sintomas
psiquiátricos resultam da mesma doença ou não.
P031
VERSÃO PORTUGUESA DA ESCALA PSP: FIABILIDADE E VALIDADE EM DOENTES COM ESQUIZOFRENIA
Sofia Brissos, Filipa Palhavã; João Gama Marques; Susana Mexia;
Ana Lisa Carmo; Manuel Carvalho; Cátia Dias; João Data Franco;
Rita Mendes; Pedro Zuzarte; Ana Isabel Carita; Maria Luisa Figueira
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, Lisboa; Janssen-Cilag Farmacêutica, Queluz; Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, Lisboa; Serviço de
Psiquiatria, Hospital Universitário de Santa Maria, Lisboa; Hospital de Santa
Maria, Lisboa; Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica
de Lisboa, Lisboa; Serviço de Psiquiatria, Hospital Universitário de Santa
Maria, Lisboa; Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Lisboa
Os défices no funcionamento social são uma característica nuclear
20
Saúde Mental Mental Health
da esquizofrenia. A escala de Desempenho Pessoal e Social (Personal
and Social Performance – PSP) é um intrumento fiável e válido que
utiliza parâmetros objectivos para avaliar o funcionamento social de
doentes com esquizofrenia. Cento e quatro doentes com esquizofrenia, hospitalizados e em ambulatório, foram avaliados utilizando
medidas sintomáticas e de funcionamento social. A consistência
interna da PSP foi satisfatória, com um coeficiente Cronbach’s alpha
de 0.789. A fiabilidade inter-cotador nos quatro dominios da PSP
variou de 0.430 a 0.954. A validade convergente, usando correlações
com a GAF, revelou correlações positivas muito fortes em todos os
dominios da PSP, excepto para o comportamento agressivo e perturbador
(r = 0.357). Correlações negativas significativas foram encontradas
entre a CGI-S e as pontuações na PSP em todos os domínios (variando
de -0.334 a -0.708), e entre a PSP e a PANSS (variando entre -0.266 e
-0.738). Os doentes com baixo-funcionamento (PSP<70) eram mais
velhos, com maior duração da doença e apresentavam mais sintomas,
comparativamente aos doentes de elevadofuncionamento (PSP70).
O presente estudo confirma a fiabilidade e validade da versão de
lingua Portuguesa da PSP, e da medida original, para a avaliação do
funcionamento social em doente com esquizofrenia, quer em regime
de internamento, quer em regime ambulatório.
P032
BENEFÍCIO DA TERAPIA OCUPACIONAL EM DOENTE ESQUIZOFRÉNICO COM INTERNAMENTO PROLONGADO - CASO
CLÍNICO
Jose Nuno Macedo Campeão
Hospital Magalhães Lemos
Trata-se de um doente de 39 anos sem antecedentes familiares de
doença psiquiátrica conhecidos. Doente sem antecedentes pessoais
de doença psiquiátrica até aos seus 21 anos, quando apresentou
alterações de comportamento, com actividade delirante de teor
persecutório. Nesse episódio foi medicado por psiquiatra (realizou
tratamento durante 6 meses). Tendo revertido os sintomas terminou
o curso e durante 7 anos teve uma carreira profissional de sucesso.
Aos 32 anos (em 2003), após morte do pai começa a isolar-se socialmente, tem alterações do padrão e ciclo do sono, e são registados
comportamentos de heteroagressividade face aos familiares próximos, sendo internado e pela primeira vez diagnosticado como sendo
um caso de esquizofrenia. Contudo, por dificuldade de estabilização
clínica, mantém desde 2004 vários internamentos que se estendem
no tempo, mas que não têm grande sucesso na melhoria clínica. No
último internamento (que se iniciou em Agosto de 2009) o doente
teve uma progressiva estabilização de sintomas que foi posterior
ao ingresso deste, na terapia ocupacional (piscina, actividade física,
futebol) e a uma otimização terapeutica, tendo sido possível há cerca
de 2 meses, dar alta a este doente que se tem mantido estável desde
então com seguimento em consulta externa e serviço de reabilitação
(terapia ocupacional).
P033
A ESQUIZOFRENIA DE BLEULER
Raquel Pedrosa, Mário Viana
Hospital de São João
Eugen Bleuler nasceu em 1857 em Zollikon, na Suiça. Estudou medicina em Zurique e mais tarde em Paris, Londres e Munique. Em 1886
foi nomeado Director Clínico do Hospital Psiquiátrico de Rheinau,
vivia na própria Instituição, contactando com os doentes diariamente.
Acaba por regressar a Burghölzli em 1898 para assumir o cargo de
Director. O conceito de Esquizofrenia (raízes gregas schizein “dividir”
e phren “mente”) foi proposto por Bleuler em 1908 e publicado no
seu livro em 1911 Demência Praecox oder Gruppe der Schizophrenien. O
que Bleuler denominava esquizofrenias, não era bem um conceito por
oposição ao de Demência Precoce, proposto por Kraepelin. O conceito
proposto por Bleuler é mais abrangente, englobando formas que
não evoluíam para uma demência, e outras em que o aparecimento
da doença era mais tardio. Neste trabalho os autores procuraram
revisitar Eugen Bleuler para lá da mnemónica dos 4 A’s: perda de
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
Associações, embotamento Afectivo, Autismo e Ambivalência. Para
além de dois conceitos fundamentais que Bleuler introduz: o autismo,
que representa a perda de contacto com a realidade, frequentemente
através da submersão na fantasia bizarra e ambivalência, que traduz a
coexistência de contradições mutuamente exclusivas. Bleuler propõe
uma teoria, na qual os sintomas primário são a expressão de uma
alteração cerebral subjacente e os secundários representam uma
reacção ao processo. Descreve, então, um grupo de doenças, cujo
ponto em comum seria uma cisão das funções psíquicas. Haveria
primariamente uma perturbação orgânica que seria a responsável
pelos sintomas primários, fundamentalmente uma perturbação das
associações. Os sintomas secundários emergiam como a resposta
do doente ao processo mórbido, enquanto consequência da perda
das associações. Na visão dos autores, o desafio actual passa por
re-associar o passado ao presente, isto é trazer a história da esquizofrenia para as investigações actuais na tentativa de uma melhor
compreensão do processo.
P034
DELÍRIO SENSITIVO DE KRESTCHMER: UM CASO CLÍNICO
Nuno Cunha, João Alcafache; Sofia Caetano; José Almeida
Hospital São Teotónio EPE; Hospital Infante D. Pedro EPE
Krestchmer, através da publicação do seu livro Der Sensitive Beziehungswahn (Delírio Sensitivo de Referência) em 1918, tentou
“explicar” a emergência de quadros psicóticos paranóides, como
um desenvolvimento compreensível em personalidades sensíveis.
Estas personalidades seriam caracterizadas por timidez, retracção
social, sentimentos de baixa auto-estima e vulnerabilidade a criticas
externas, capazes de desencadear no sujeito constantes lutas internas.
Muitas vezes, essa sensibilidade é focada numa carência psicológica,
social ou física, tida como um obstáculo no reconhecimento das metas
e objectivos de vida alcançados. Assim, após anos de luta interna, e,
geralmente após uma experiência de vida stressante, o paciente inicia
um quadro de maior luta interna e, com o resto do grupo, exacerbando-se desta maneira os sentimentos de menosprezo, rejeição e autodepreciação acompanhados de altos níveis de ansiedade e um humor
depressivo. Em quadros mais graves surge uma psicose paranóide
florida, primeiro com a convicção de que estão a ser observados,
depois com a convicção de serem moralmente excluídos pelos seus
pares atingindo uma proporção delirante. Tipicamente, os delírios
são descritos como tendo temática auto-referente, persecutória e de
perda e, fenomenologicamente, são um desenvolvimento. Os autores
abordam este tema recorrendo á descrição de um caso clínico de um
adulto jovem, que padece de uma doença dermatológica - eczema
atópico - que, com base nos seus “defeitos” físicos desenvolve um
delírio auto-referente acompanhado de ansiedade e humor deprimido, compatíveis com um delírio sensitivo de Krestchmer.
P035
CLOZAPINA, MIOCLONIAS E CRISES EPILÉPTICAS: 3 CASOS
CLÍNICOS E REVISÃO DA LITERATURA
Raquel Correia, Susana Fonseca; João Massano; Rosário Curral
Hospital S. João
A clozapina é um antipsicótico que confere benefícios clínicos significativos na esquizofrenia refractária. Um dos efeitos laterais descritos
é a ocorrência de mioclonias e crises epilépticas, efeitos que parecem
estar relacionados com a dose. As crises epilépticas tónico-clónicas
são o tipo mais frequentemente induzido pela clozapina. Os autores
descrevem 3 casos de pacientes com esquizofrenia resistente, em
tratamento com clozapina que desenvolveram mioclonias e crises
epilépticas. Primeiro caso: mulher de 53 anos, com Esquizofrenia
Paranóide, medicada com clozapina 250mg/dia e fluoxetina 40 mg/
dia, com melhoria clínica. Iniciou movimentos rápidos involuntários
da face, tronco e membros, com dificuldades na fala, quedas ocasionais, sem alteração do estado de consciência. Ao exame neurológico
apresentava mioclonias de acção multifocais de predomínio facial,
activadas sobretudo com o discurso e gaguez. O EEG mostrou abundantes descargas epileptiformes generalizadas e multifocais. Com
Sessões de Posters / Posters Sessions
suspensão da fluoxetina, redução da clozapina e início de valproato
de sódio (VPA) houve resolução das mioclonias, melhoria do traçado
de EEG e agravamento da actividade alucinatória-delirante. A clozapina foi suspensa e introduziram-se haloperidol e quetiapina com
melhoria clínica; o VPA foi suspenso. Segundo caso: mulher de 24
anos, com Esquizofrenia Hebefrénica em tratamento com clozapina
(800mg/dia) e clomipramina (100mg/dia). Teve uma crise epiléptica
generalizada auto-limitada. Apresentava mioclonias negativas distais nos membros superiores. A medicação foi reduzida (clozapina
500mg/dia, clomipramina 75mg/dia) e introduzido o VPA. Este
ajuste permitiu a estabilização psicopatológica, sem recorrência de
crises epilépticas e melhoria das mioclonias. Terceiro caso: mulher
de 57 anos, com Esquizofrenia Paranóide, medicada com Haloperidol
decanoato 150mg (21/21dias), clozapina 300mg/dia. Apresenta mioclonias positivas dos membros superiores, sem outras repercussões
clínicas, pelo que mantém a terapêutica. Será feita uma revisão da
literatura sobre mioclonias e crises epilépticas em doentes tratados
com clozapina, as suas implicações clínicas e terapêuticas.
P036
ALUCINAÇÕES MUSICAIS E ESQUIZOFRENIA: A PROPÓSITO
DE UM CASO CLÍNICO
Klut, C., Xavier, S.; Graça, J.; Ferreira, B.; Borja-Santos, N.; Vieira, C.;
Ramos, J.; Ribeiro, J.; Neto, A.; Martins, M.; Cardoso, G.
Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca
As alucinações musicais podem ser descritas como um tipo de alucinações auditivas complexas, caracterizadas pela percepção de sons
musicais. Consistem em melodias instrumentais ou cantadas e são
frequentemente familiares ao doente. Estas alterações da percepção
podem também ocorrer sob a forma de pseudo-alucinações. Trata-se
de um fenómeno raro, etiologicamente heterogéneo, principalmente
associado a hipoacúsia, toxicidade por fármacos ou drogas, lesões
cerebrais estruturais, epilepsia e patologia psiquiátrica, nomeadamente perturbação obsessivo-compulsiva, perturbação afectiva
e esquizofrenia. Descreveremos o caso dum doente de 44 anos,
músico de profissão, actualmente reformado, com o diagnóstico de
esquizofrenia (segundo os critérios da DSM-IV-TR) que apresentava
pseudo-alucinações musicais e, como co-morbilidade, hipoacúsia.
A propósito deste caso clínico, faremos uma revisão sobre o tema.
P037
NOVO MOTOR DE BUSCA: SARDINHEIRAS
Mara Marques, Mariza Azevedo; Catarina Soares
Clínica Cidade de Lisboa, CHPL/Sector C
Em 2008, as mudanças estruturais no HJM - actualmente CHPL determinaram a centralização da intervenção para os doentes das
freguesias de Lisboa Oriental, o que corresponde a cerca de 100
mil habiantes, num Núcleo de Intervenção Comunitária, sito nas
instalações de um pavilhão do HJM. Mediante o levantamento das
necessidades dos doentes com quadros psicóticos, com elevado risco
de recaída e (re)internamento, e os recursos técnicos e humanos
disponíveis, criou-se um espaço para a aquisição de competências
básicas, com vista à prevenção de recaídas e melhoria da qualidade
de vida dos doentes. As actividades desenvolvidas correspondem a
duas áreas de interesse dos doentes – nomeadamente a jardinagem
e actividades de treino de expressão - onde se associaram aspectos
lúdicos, culturais, de protecção do ambiente, cidadania e desenvolvimento saudável, de responsabilização e planeamento de tarefas,
treino para a liderança e promoção da empatia, entre-ajuda, num
interface permanente entre os planos do concreto e do abstracto, que
é como quem diz, numa interpenetração entre as realidades interna e
externa. As autoras, descrevem a abordagem multidisciplinar, que,
a par do tratamento psicofarmacológicos, permitiu uma melhor
adesão ao tratamento e uma mais eficaz integração familiar, social
e profissional. Foram integrados 16 doentes em duas actividades de
grupo por semana; um ano depois, 11 desses doentes estavam social
/familiar/ profissionalmente integrados. As autoras consideram
que, actividades estruturadas, que vão de encontro aos interesses
21
Sessões de Posters / Posters Sessions
dos doentes e sejam realizadas em estruturas intermédias, são de
particular relevância para a inversão do processo de cronicização
do doente mental.
P038
“COMI OS MEUS MIOLOS PARA MATAR A BICHA” - QUANDO
O DELÍRIO DE INFESTAÇÃO ENCONTRA O DE NEGAÇÃO: UM
CASO CLÍNICO
Catarina Pereira, Cristina Miguel; Sandra Gomes Pereira; Manuela
Matos; Adelaide Craveiro
Serviço de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra
O delírio de infestação é uma síndrome relativamente rara. Afecta
predominantemente o sexo feminino com maior prevalência após
a menopausa. Pode apresentar-se como primário constituindo uma
perturbação delirante do tipo somático ou surgir em associação com
outros transtornos psiquiátricos ou orgânicos. O delírio de negação
primeiramente descrito por Jules Cotard na melancolia agitada, associase tradicionalmente a transtornos afectivos. Nos últimos anos vários
autores têm reportado casos da Síndrome de Cotard em associação
com vários transtornos psiquiátricos e orgânicos defendendo a sua
inespecificidade. Os autores propõem-se a apresentar um caso clínico
de características ímpares, de uma mulher de 64 anos, com delírio de
infestação por objectos estranhos na cavidade oral (brocas, arames, parafusos) com vários anos de evolução. Concomitantemente desenvolve um
delírio de infestação por vermes em órgãos envolvendo vários sistemas
(digestivo, respiratório e SNC) com sobreposição de características de
delírio de negação de órgãos. O curso natural da doença, as suas características clínicas e abordagens terapêuticas são descritas, enfatizando
as dificuldades diagnósticas inerentes à complexidade dos sintomas.
P039
A PROPÓSITO DA PARTILHA DE COMPETÊNCIAS NA UNIDADE
DE REABILITAÇÃO DO CINTRA
Cláudia Catalão, Carla Coutinho; Cláudia Batista; Cristina Pablo; Elisabete Frade; Sandra Moura; Teresa Oliveira; Vasco Inglez
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Esta comunicação apresenta uma reflexão sobre a partilha de competências na Unidade de Reabilitação do CINTRA - Centro Integrado de
Tratamento e Reabilitação em Ambulatório - Equipa de Saúde Mental
de Sintra do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL). Baseando-nos empiricamente na nossa experiência e à luz dos últimos
consensos na área da saúde mental, parece-nos relevante a ideia de
tangibilidade que as diferentes intervenções profissionais requerem
cada vez mais. A articulação entre as várias especialidades, bem como
a especificidade de cada técnica pretende-se partilhada de modo a
que a visão do indivíduo seja holística e global. Assim, partindo
duma visão integrada dos diversos profissionais envolvidos neste
projecto, propomos uma reflexão sobre as competências partilhadas
como um meio que permite a realização de novas experiências mas,
sobretudo, intervenções reabilitativas mais ricas, diversificadas e
adequadas a cada caso clínico.
P040
DELÍRIO DE GRAVIDEZ
Nelson Oliveira, Abigail Ribeiro; Catarina Fonseca; Joana Jorge; Manuela Araújo; Fátima Magalhães
Hospital de Magalhães Lemos; Centro Hospitalar do Porto
O Delírio de Gravidez (DG) é um sintoma relativamente raro, existindo poucos casos descritos na literatura. Pode ser definido como uma
falsa crença (delirante), em que o sujeito acometido acredita estar a
vivenciar uma gestação, apesar da ausência de evidências clínicas
concordantes. O DG surge como um sintoma psicótico inespecífico,
atingindo ambos os sexos e podendo estar associado a diversas patologias como a Esquizofrenia, a Psicose Esquizoafectiva, a Perturbação
Delirante, a Depressão, a Mania e a Demência. No presente trabalho,
e utilizando a título de exemplo um estudo de caso, pretende-se fazer
uma revisão bibliográfica deste tema, tendo em particular atenção as
dificuldades no diagnóstico diferencial e na abordagem terapêutica.
22
Saúde Mental Mental Health
P041
O PAPEL DO CEREBELO NA ESQUIZOFRENIA - A PROPÓSITO
DE UM CASO CLÍNICO
Inês Fernandes
Hospital Distrital de Santarém
Actualmente, conceptualizam-se as perturbações psicóticas, e em
particular a esquizofrenia, como perturbações do neurodesenvolvimento. Por outro lado, sabe-se que os circuitos neuronais que passam
pelo cerebelo têm um papel relevante na esquizofrenia, nomeadamente ao nível da cognição e do comportamento. Neste estudo é
descrito o caso de um doente com Esquizofrenia catatónica em que
são documentadas anomalias do desenvolvimento do cerebelo com
a existência de uma megacisterna magna. Há poucos casos descritos
na literatura em que se tenha verificado esta associação, sugerindo-se
que tanto a esquizofrenia como a megacisterna magna podem ser a
expressão da mesma anomalia do neurodesenvolvimento subjacente.
Assim, com este caso, pretende-se compreender melhor o papel da
disfunção do cerebelo na patogénese e na clínica da Esquizofrenia.
P042
DÉFICES COGNITIVOS E SINTOMATOLOGIA CLÍNICA EM JOVENS COM ESQUIZOFRENIA
Teresa Maia, Susana Jorge; Barbara Lopes; Graça Cardoso
Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca
Introdução: Uma vasta e crescente evidência científica identifica os
défices cognitivos na esquizofrenia como preditores a longo prazo
do prognóstico desta doença. Um conhecimento mais aprofundado
da relação entre os défices cognitivos e a esquizofrenia pode ser
crucial para o desenvolvimento de programas reabilitativos. Objectivo do estudo: Comparar os défices cognitivos em jovens doentes
esquizofrénicos imigrantes e não imigrantes e sua associação com os
diferentes aspectos do prognóstico (performance social, qualidade
de vida, sintomas negativos, risco de recaídas, adesão terapêutica,
insight e ajustamento prémórbido social e académico). Métodos:
Um grupo de doentes que preencheram os critérios da ICD-10 para
o diagnóstico de Esquizofrenia, com idades compreendidas entre os
18 e os 25 anos de idade, incluídos consecutivamente num programa
comunitário de intervenção precoce na Esquizofrenia (PSIC) e com
menos de 5 anos de seguimento foram avaliados com os seguintes
instrumentos: ACECF, versão curta de avaliação cognitiva, PANNS,
WHOQOL versão curta para a qualidade de vida, ITAQ para o insight, MARS para a adesão terapêutica e a PAS para o ajustamento
pré-mórbido. Foi também colhida informação acerca das seguintes
variáveis: sexo, idade, estado civil, nível de educação, número de
reinternamentos e medicação prescrita. A análise estatística dos
dados referentes aos dois grupos (imigrantes vs não-imigrantes) foi
realizada com o teste de qui-quadrado, t de Student e o coeficiente
de correlação de Pearson. Conclusões: Os resultados preliminares do
estudo poderão contribuir para o conhecimento mais aprofundado
da associação entre imigração e os défices cognitivos associados à
esquizofrenia, podendo assim ajudar no desenvolvimento de programas reabilitativos mais específicos na esquizofrenia.
P043
O ESPAÇ[email protected] - UMA UNIDADE DE REABILITAÇÃO NA
COMUNIDADE
Teresa Maia, Janete Maximiano; Cristina Fernandes; Graça Cardoso
Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca
Objectivo: Dar a conhecer o espaç[email protected], através da descrição dos
seus objectivos, forma de funcionamento e articulação com outras
estruturas e actividades desenvolvidas. O espaç[email protected] é uma Unidade de avaliação e reabilitação psicossocial da Unidade Funcional
Comunitária do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca. Modelo de intervenção: Avaliação dos doentes em termos
psiquiátricos, ocupacionais, psicomotores, cognitivos e familiares.
Promoção de actividades de reabilitação psicossocial adequadas ao
perfil de cada doente. Envolvimento da família no reforço do processo reabilitativo do doente. Promoção da vida activa e reintegração
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
socio-ocupacional. População-alvo: Doentes em ambulatório, em que
se pretenda intervir de forma terapêutica, mantendo ou promovendo
uma autonomia existente, a recuperação funcional e a reintegração
socio-ocupacional; que não necessitam de uma intervenção em tempo
completo; com sintomas negativos marcados e que não conseguiram
aderir a nenhum projecto terapêutico. Princípios de funcionamento:
Abordagem focalizada em intervenções específicas; recuperação
de competências (cognitivas, emocionais, sociais e psicomotoras);
promoção da integração laboral, ocupação e lazer na comunidade;
manutenção da integração social existente, promovendo a autonomia; generalização das aquisições nos diferentes contextos de vida.
A intervenção no espaç[email protected] deve ser entendida como uma transição para uma vida mais integrada e autónoma em termos sociais.
Actividades desenvolvidas: Grupo Come & Go; Psicomotricidade;
Grupo EF -; Expressão no Feminino; Terapia Ocupacional; Clube de
Emprego; Psicoterapia Individual; Terapia Familiar; PSIC - Programa de Intervenção Precoce na Esquizofrenia; Avaliação Cognitiva;
Reabilitação Cognitiva; Treino de Actividades de Vida Diária (gestão
doméstica). Conclusões: Serão descritos alguns projectos futuros e
áreas de desenvolvimento.
P044
PERTURBAÇÃO OBSESSIVO-COMPULSIVA E ESQUIZOFRENIA.
UM CONTINUUM?
Tiago Vinhas de Sousa; Vânia Viveiros, João Tavares; Maria João
Carnot
Centro Hospital Psiquiátrico de Lisboa
Pretende-se neste poster ilustrar a continuidade que poderá existir
entre diferentes quadros nosológicos. Nos últimos anos tem-se observado um interesse crescente na presença simultânea de sintomatologia psicótica e obsessivo-compulsiva. Apesar da esquizofrenia e
da perturbação obsessivo-compulsiva (POC) constituírem entidades
diagnósticas distintas, existem áreas de sobreposição complexas.
Desta forma, torna-se essencial caracterizar os mecanismos fenomenológicos no sentido de orientar o diagnóstico na sua forma “pura”
ou de sobreposição, o tratamento e prognóstico. Neste contexto
propomo-nos apresentar um caso clínico, que exemplifica e reflecte
a complexidade do tema, enaltecendo a pertinência dos estudos
actuais relativos à identificação clínica e etiológica de um sub-grupo
homogéneo: POC-Esquizofrenia.
P045
FOLIE À FAMILLE EM SÍNDROME DE EKBOM
Margarida Duarte, Inês Fernandes; Cláudio Laureano
Hospital de Santo André, Leiria; Hospital Distrital de Santarém
O Síndrome de Ekbom, ou Parasitose Delirante, é uma perturbação
psiquiátrica rara que se apresenta como um delírio de infestação por
parasitas. Muitas vezes o tratamento é dificultado pelo facto destes
doentes recusarem um diagnóstico e tratamento psiquiátricos e,
frequentemente, procuram antes um Dermatologista devido à forte
convicção da presença de uma doença somática. Pela falta de adesão,
esta perturbação está associada, em grande parte dos doentes, a uma
resposta parcial e insatisfatória à terapêutica. A partilha do delírio
por outras pessoas que mantêm uma ligação emocional próxima
com o doente pode ocorrer – Transtorno Delirante Partilhado ou
Induzido (Folie à deux, trois, famille). Afecta sobretudo membros
da família mais próxima do doente e que vivem em condições de
algum isolamento social. Por vezes, a simples separação dos indivíduos envolvidos do doente primeiramente afectado, é suficiente
para a sua resolução. Embora seja um quadro clínico raro, a sua
prevalência em caso de delírio de infestação parasitária pode oscilar
entre 5-25%. Folie à famille, quando todos os membros do agregado
familiar partilham o mesmo delírio, é uma perturbação especialmente
rara. Apresenta-se um caso clínico infrequente de uma doente com
o diagnóstico de Síndrome de Ekbom cuja família desenvolveu
Folie à famille. Trata-se de uma doente que iniciou o quadro com
queixas de prurido generalizado e, durante 4 meses, foi observada
e medicada por outras especialidades médicas até ser encaminhada
Sessões de Posters / Posters Sessions
ao Serviço de Psiquiatria. Nesta fase, além do delírio, apresentava
sintomatologia depressiva e também o marido e filho manifestavam
as mesmas queixas e crenças. A doente foi então internada, tendo sido
possível explorar melhor a sua psicopatologia, tendo-se verificado
a remissão da sintomatologia do seu marido e filho. Actualmente a
doente é seguida em consultas de ambulatório de Psiquiatria, com
boa evolução clínica até à data.
P046
ANTIPSICÓTICOS DE LONGA DURAÇÃO - CARACTERIZAÇÃO
E COMPARAÇÃO DE DUAS AMOSTRAS CLÍNICAS
Liliane C. Meireles, Dulce F. Maia
CHTMAD
Introdução: Os antipsicóticos de longa duração foram desenvolvidos na década de 60, permitindo promover a compliance e reduzir
problemas relacionados com a absorção e biotransformação. Vários
estudos determinam que contribuem para o controle sintomatológico
e permitem a prevenção de recaídas, desde que assegurada a adesão
terapêutica. O decanoato de haloperidol e a risperidona de longa duração estão indicados no tratamento de perturbações esquizofrénicas
e outras perturbações psicóticas. Objectivos: Pretende-se caracterizar
e comparar em termos sócio-demograficos e clínicos, 2 amostras de
doentes medicados com antipsicóticos de libertação prolongada (decanoato de haloperidol e risperidona de longa duração), bem como
avaliar e comparar a resposta ao tratamento, a relação com o número
de hospitalizações, a gravidade, prevalência e consequências dos
efeitos secundários referidos e a adesão ao tratamento. Foram ainda
tidos em consideração potenciais factores confundidores tais como:
entidade que administra (centro de saúde, lar, hospital, farmácia) e
o suporte social. Material e Métodos: Estudaram-se retrospectivamente 2 amostras de 50 doentes, seguidos em regime de ambulatório
no DPSM do CHTMAD, EPE a cumprir administração regular com
antipsicóticos de libertação prolongada, quer no próprio Centro
Hospitalar, quer noutros locais. Utilizou-se como fontes de dados os
registos dos processos clínicos. Foi usada estatística descritiva com
recurso ao SPSS® for Windows. Procedeu-se ainda a uma revisão
bibliográfica no que respeita ao estudo da administração de antipsicóticos de longa duração. Conclusões: É notória a recente e rápida
expansão do conhecimento acerca dos medicamentos antipsicóticos
e sobre a evolução destes psicofármacos que representam um avanço
significativo neste tratamento. Para além de outros aspectos gerais
relevantes, o presente estudo realça a crescente evidência das vantagens dos antipsicóticos de libertação modificada. Também se conclui
que a referida medicação reduziu significativamente a duração do
internamento. Este trabalho está em curso e configura um ponto de
partida para estudos futuros.
P047
DELÍRIO DE SÓSIAS: UMA BREVE REVISÃO
Manuel Carvalho, Cátia Dias
Hospital de Santa Maria, Lisboa
O Delírio de Sósias ou Síndroma de Capgras é usualmente descrito
como a crença irrefutável de que uma ou mais pessoas próximas do
sujeito, habitualmente o cônjuge, os pais ou os filhos, foram substituídos por duplos ou sósias, fisicamente idênticos aos originais, mas
psicologicamente distintos. Foi inicialmente descrito como síndrome
em 1923 por Joseph Capgras e constitui o delírio de identificação
mais frequente, sendo principalmente encontrado na população
psiquiátrica com o diagnóstico de Esquizofrenia Paranóide. Apesar
de não ser ainda compreendido na sua totalidade, alguns estudos
apontam para a possível existência de uma alteração, que pode ser
de origem orgânica e/ou funcional, na via neurológica cerebral
responsável pelo reconhecimento afectivo do rosto dos familiares,
com preservação da via responsável pelo reconhecimento das várias
características físicas e individuais. Numa tentativa de integrar os
sentimentos contraditórios resultantes das diferenças detectadas, o
sujeito recorre a alguns mecanismos de defesa como a projecção e a
interpretação para justificar os sentimentos contraditórios, sobre os
23
Sessões de Posters / Posters Sessions
quais constrói o delírio. O tratamento e a evolução desta síndroma
são dependentes da patologia de base.
P048
TABACO E INSIGHT NA ESQUIZOFRENIA: EXISTE ALGUMA
RELAÇÃO?
Pedro Miguel Alves de Moura, Patrícia Frade; Teresa Abraços Rodrigues; Pedro Levy
Hospital de Santa Maria; Hospital HPP Cascais
Neste trabalho procurou-se verificar se existe relação entre o facto de
fumar previamente e o insight para a doença (esquizofrenia), quer
no momento da admissão, quer no da alta, numa série de doentes
internados no serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria, em
Lisboa, de Janeiro de 2010 a Agosto de 2010, seguidos no internamento pelos autores, com o diagnóstico de esquizofrenia segundo
critérios especificados no Diagnostic and Statistic Manual of Mental
Diseases, 4ª versão (DSM-IV) e tratados com antipsicóticos atípicos.
Procedeu-se a um estudo retrospectivo, consultando os processos
desses doentes, com o diagnóstico de Esquizofrenia à data da alta e
utilizando os dados coligidos para obter informação acerca dos hábitos tabágicos dos doentes e para pontuar o item relativo ao insight da
escala Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS) da Esquizofrenia, fazendo este item parte da subescala de psicopatologia geral.
P049
ESTRATÉGIAS DO CUIDAR EM PSIQUIATRIA NO DOMICÍLIO
Rosângela Sebastiana Augusto de Sousa, Maria da Fé Tavares Carapichoso; Maria José Martins da Silva Rente Neto
Hospital Infante D.Pedro E.P.E.; Centro de Saúde de Aveiro - ACES Baixo
Vouga; Centro de Saúde de Ílhavo - ACES Baixo Vouga
A doença mental é ainda, causa de rejeição e estigma na nossa sociedade e como consequência surge a não adesão-terapêutica identificada pela OMS (2003), como sendo um problema a nível mundial. As
implicações da não adesão ao tratamento são significativas. Provoca
complicações médicas e psicológicas da doença, reduz a qualidade de
vida dos utentes, satisfação dos mesmos e seus familiares, aumenta a
probabilidade de desenvolvimento de resistência aos medicamentos,
desperdício de recursos em cuidados de saúde e ainda desgasta a
confiança nos sistemas de saúde. Abreu (2000) refere que no caso dos
utentes portadores de esquizofrenia tem-se verificado recentemente
que o prognóstico e os aspectos irreversíveis da sintomatologia, são
piores quanto mais tempo durarem os sintomas sem tratamento.
Deste modo, torna-se fundamental a necessidade de uma atenção
redobrada para os sintomas precoces, uma intervenção clínica tão
célere quanto possível, bem como a sua manutenção e supervisão
do tratamento pelos enfermeiros especialistas em Saúde Mental
e Psiquiatria. De acordo com o acima referido, torna-se essencial
a elaboração de estratégias, com base nas orientações do Plano
Nacional de Saúde (2004-2010) e Plano Nacional de Saúde Mental
(2007- 2016). Após uma avaliação efectuada pelo Centro de Saúde
de Ílhavo, constatou-se que a maior parte das pessoas portadoras de
patologia mental são rejeitadas pela família e comunidade. Partindo
destes pressupostos, iniciaram-se visitas domiciliárias efectuadas por
enfermeiras em contexto de ensino clínico na área de Saúde Mental
Comunitária, sob orientação da Enfermeira Especialista em Saúde
Mental e Psiquiatria deste Centro de Saúde, a utentes do concelho,
referenciados pelo Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do
Hospital Infante D. Pedro E.P.E., com medicação neuroléptica de
acção prolongada. Com este estudo, pretendemos partilhar as experiências desenvolvidas como enfermeiros especialistas em Saúde
Mental e Psiquiatria na Comunidade, bem como as dificuldades
vivenciadas na concretização dessas visitas.
P050
A PERCEPÇÃO DO MOVIMENTO NA ESQUIZOFRENIA
Sónia Pimenta, Nuno de Sá Teixeira; Vera Raposo; António Canhão
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra; Instituto de Psicologia Cognitiva
da Universidade de Coimbra; Centro Hospitalar Pisquiátrico de Coimbra
24
Saúde Mental Mental Health
A localização espacial de um objecto móvel é usualmente recordada
como desfasada na direcção do movimento - Momento Representacional (MR). Enquanto fenómeno de charneira entre percepção e
acção por um lado e, por outro, entre processos top-down e bottom-up,
o MR tem-se revelado essencial no estudo da percepção de movimento. Das inúmeras variáveis que parecem afectar o fenómeno, uma
distinção que tem sido recorrente e instrumental refere-se às variáveis
cinemáticas (velocidade, aceleração; recrutando processos de baixo
nível) por oposição às dinâmicas (massa, gravidade, fricção, efeitos
conceptuais; congregando processos cognitivos). Na Esquizofrenia,
estão bem documentadas inúmeras alterações, a saber, deficits perceptivos do movimento e movimentos oculares alterados, que estão
na base da hipotetização de disfunção da área V5/MT, directamente
relacionada com o processamento do movimento. No presente estudo, os participantes - constituídos por um grupo de controlo e um
grupo experimental com Esquizofrenia - eram expostos a animações
nas quais um quadrado com 30, 60 ou 90 pixels2 (massa implícita)
se deslocava a uma velocidade constante de 150, 300 e 450 pixels/
segundo, descrevendo uma trajectória ascendente, descendente, ou
horizontal (esquerda para direita e vice-versa). Após cobrir uma distância de 300 pixeis, o quadrado desaparecia subitamente, tendo os
participantes que indicar com um cursor em forma de +, controlado
com um rato, o local de desaparecimento no ecrã (1024×768 pixels).
Os resultados a serem apresentados e discutidos, de carácter preliminar, apontam, no geral, para uma ausência de efeitos das variáveis
cinemáticas (velocidade) mas um efeito significativo de variáveis de
carácter dinâmico (massa e gravidade), no caso da população com
Esquizofrenia. Comparativamente ao grupo de controlo, este perfil
de efeitos revela uma dissociação somente nas variáveis cinemáticas.
Os resultados obtidos são discutidos no âmbito da distinção entre
processos bottom-up e top-down, das quais a natureza cinemática e
dinâmica das variáveis constituem, respectivamente, instanciações.
P051
A EQUIPA MULTIDISCIPLINAR DO HOSPITAL DE DIA ELC: A
PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO DE ESQUIZOFRENIA
Patrícia Robalo
CHPL
A Mais valia da equipa multidisciplinar (Psiquiatria, Psicologia,
Enfermagem, Terapia Ocupacional e Serviço Social), recai na estruturação e organização de um projecto terapêutico individual com o
utente, no sentido da globalidade de intervenção, nas diversas áreas
de vida a explorar. O nosso poster, apresenta um projecto terapêutico
individual, delineado com a equipa, família e instituições sediadas
na comunidade. O caso clínico diz respeito a um utente de 37 anos,
solteiro, actualmente vive com a mãe, Tem o diagnóstico de esquizofrenia desde os 19 anos.
P052
HOSPITAL DE DIA - HOSPITAL JÚLIO DE MATOS RESULTADOS
(2009) DE UMA EQUIPA REDUZIDA
Maria João Castro, Céu Monteiro; Rute Antunes; Elisa Gonçalves;
Paula Nunes; Alice Nobre
CHPL - HJM
O Hospital de Dia (HD) do Hospital Júlio de Matos teve uma redução
muito significativa no número de elementos da sua equipa. Ainda
assim, manteve a sua principal característica, considerada por quem
o dirige como fundamental no tratamento de doentes com doença
mental grave (o principal alvo desta instituição). Falamos da Relação Terapêutica que se estabelece com estes doentes. Só com uma
boa relação terapêutica se consegue fazer com que estes doentes
adiram à terapêutica e sintam um vínculo forte com a instituição
de forma a que seja possível segui-los sem que seja necessário um
internamento completo. Com este poster pretendemos descrever os
resultados que obtivemos com os doentes internados no ano de 2009,
no que respeita à sua adesão ao tratamento nesta instituição, qual a
sua situação no pós-alta do HD e quais as taxas de reinternamento
no HD e de internamento a tempo inteiro em enfermaria. A maioria
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
dos doentes (88%) aderiu ao HD, 84% dos doentes, à altura da alta
regressou ou ingressou a vida profissional/académica, 50% dos
doentes internados no HD durante o ano de 2009 já lá tinham estado
internados noutra altura e apenas 28% dos doentes tiveram internamento total em enfermaria após terem tido alta do HD. Analisando
estes resultados, concluímos que o HD com uma equipa reduzida
consegue obter resultados muito positivos desde que se mantenha
o pressuposto da manutenção de uma boa relação terapêutica que
encoraje os doentes a aderirem ao tratamento e a virem ao HD. Fica
comprovado que o HD contribui para a melhoria da qualidade de
vida destes doentes quando 84% deles ingressa ou regressa a uma
vida activa. Muito poucos (28%) necessitam de internamentos a
tempo inteiro em enfermaria após a alta e, quando descompensam
metade retornam ao HD. Ressalva-se, no entanto, que o principal
óbice de uma equipa tão pequena é o número de doentes admitidos
que tem de ser, obrigatoriamente, reduzido também. Não estaremos,
por isso, a privar os doentes do tratamento que mais os beneficia?
P053
FACTORES ASSOCIADOS AO REINTERNAMENTO POR DESCOMPENSAÇÃO PSICÓTICA
Sara Oliveira, João Campos Mendes; Filipa Miranda; José Daniel
Rodrigues; Joana Prata; Georgina Lapa
Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho
Introdução: Após um primeiro internamento, uma grande percentagem de doentes com perturbações psicóticas acabam por ser
reinternados. Alguns estudos concluem que factores como a idade
jovem, o sexo masculino, o diagnóstico de esquizofrenia e uma maior
duração do internamento são preditores de um futuro reinternamento. Objectivo: Identificar factores associados ao reinternamento de
doentes internados por descompensação psicótica. Material e Métodos: Estudo retrospectivo, envolvendo 112 doentes internados por
descompensação psicótica no Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental
do CHVNG/E, durante o ano de 2008. Dividiu-se a amostra em dois
grupos: aqueles que foram reinternados (uma ou mais vezes) e aqueles que não foram reinternados, nos 12 meses seguinte à data de alta.
Utilizou-se o SPSS 17.0, considerando-se significativos os resultados
com p<0,05. Compararam-se os grupos relativamente ao sexo, idade,
estado civil, escolaridade, estado profissional, duração do internamento, terapêutica pós-alta e regime de internamento (voluntário vs
compulsivo). Resultados: Da amostra, 43 doentes foram incluídos no
grupo “reinternados” e 69 no grupo “não reinternados”. O número
de reinternamentos variou entre 1 e 4, no entanto, não se estudaram
possíveis diferenças. De todas as variáveis estudadas, apenas se
observaram diferenças estatisticamente significativas em relação à
idade, tendo o grupo “reinternados” uma idade média inferior (cerca
de 6 anos). Conclusão: Estes resultados são consistentes com os de
estudos anteriores, no que diz respeito à idade. Na nossa amostra, os
doentes reinternados são significativamente mais novos, o que nos
alerta para a necessidade de ponderar estratégias terapêuticas mais
eficazes nesta faixa etária.
P054
SÍNDROME DE REFERÊNCIA OLFACTIVA: DILEMAS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS ACTUAIS
Nelson Oliveira, Abigail Ribeiro; Manuela Araújo; Catarina Fonseca;
Joana Jorge; Fátima Magalhães
Hospital de Magalhães Lemos; Centro Hospitalar do Porto
A Síndrome de Referência Olfactiva (SRO) é uma condição psiquiátrica caracterizada pela preocupação persistente que o indivíduo
acometido tem acerca do seu odor corporal. Esta falsa crença é
acompanhada por sentimentos de vergonha e angústia marcada,
condicionando frequentemente comportamentos de evitamento e
isolamento social. A primeira descrição clínica desta síndrome remonta a finais do século XIX e, desde então, têm sido vários os termos
propostos para a sua designação (bromidrofobia, síndrome paranóide
olfactiva crónica, hipocondria monossintomática, psicose hipocondríaca
monossintomática). Só em 1971, fruto do trabalho realizado pelo au-
Sessões de Posters / Posters Sessions
tor Pryse-Phillips, é que a síndrome passa a ser conhecida pelo seu
nome actual. Segundo os sistemas de classificação actuais (Manual de
Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, 4ª edição (DSMIV) e Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas
Relacionados com a Saúde (CID-10)), a SRO é categorizada como um
dos subtipos somáticos da Perturbação Delirante. Não obstante, esta
inclusão diagnóstica é fonte de grande controvérsia, nomeadamente
devido ao facto de existirem variantes não delirantes desta síndrome.
Parece também existir uma sobreposição fenomenológica entre a
SRO e outras patologias psiquiátricas não psicóticas (Perturbação
Dismórfica Corporal, Hipocondria, Perturbação Obsessivo-Compulsiva). As diferentes abordagens terapêuticas referidas na literatura
(antidepressivos, antipsicóticos e terapia cognitivo-comportamental)
e a taxa de resposta variável aos mesmos reforçam esta controvérsia.
No presente trabalho, e utilizando a título de exemplo um estudo de
caso, pretende-se rever algumas das divergências relacionadas com o
diagnóstico diferencial e tratamento da SRO e discutir as opiniões dos
vários autores relativamente à futura classificação desta síndrome.
P055
PSIC - UM PROGRAMA DE INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA NA
ESQUIZOFRENIA
Barbara Lopes, Susana Jorge; Teresa Maia; Graça Cardoso
Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca
Desde 2001 que o Serviço de Psiquiatria do Hospital Prof. Doutor
Fernando Fonseca conta com um programa de intervenção precoce
na Esquizofrenia baseado no seguimento dos doentes por equipas
comunitárias multidisciplinares (programa PSIC).Este inclui consultas regulares, prescrição de psicofármacos, intervenções familiares,
grupos psicoeducacionais, psicoterapia individual e familiar, terapia
ocupacional e reabilitação cognitiva. O presente estudo de doentes
com primeiro episódio psicótico que integraram consecutivamente o
Programa PSIC entre Janeiro e Outubro de 2010. Dados preliminares
até Setembro de 2008 mostraram que dos 77 doentes integrados no estudo, a maioria era do sexo masculino (82%), solteiros (94%), viviam
com os pais (72.7%) e tinham entre 18 e 25 anos de idade (53.2%). Um
terço da amostra tinha mais de 9 anos de educação escolar, 72.7%
cumpriam os critérios da ICD-10 para esquizofrenia, enquanto que
69% cumpriam os critérios para sintomas prodrómicos da DSM-III-R.
A maioria das mulheres tinham uma Duration of Untreated Psychosis
(DUP) entre 1 e 2 anos, enquanto a maioria dos homens tinham uma
DUP superior a 2 anos. Durante os dois anos seguintes de follow-up
20% dos doentes desistiu do programa, 18.1% foram reinternados
nos primeiros 6 meses e 15.5% nos seguintes 18 meses. Houve um declínio acentuado no desempenho ocupacional e emprego sobretudo
nos homens. O programa PSIC é actualmente utilizado pelo Serviço
de Psiquiatria do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca como o
tratamento standard para o seguimento assertivo de doentes com o
primeiro episódio psicótico. Embora a falta de um grupo controlo
para comparação seja a principal limitação deste estudo, os autores
acreditam que os doentes integrados neste programa contam com
um melhor seguimento clínico que favorece o prognóstico de doentes
com um primeiro episódio de esquizofrenia. Dados mais recentes
serão apresentados neste poster.
P056
ESQUIZOFRENIA LATENTE, TÓRPIDA, AMBULATÓRIA E SIMPLES - OS ANTEPASSADOS DO SÍNDROME DE RISCO PARA
A PSICOSE (DSM-V)?
Maria João Avelino, Liliana Paixão
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
A Esquizofrenia é uma doença psiquiátrica que etiologicamente é
explicada (ainda de modo insuficiente) à luz do modelo de vulnerabilidade-stress, em que para a sua génese concorrem factores de risco
genéticos e stressores ambientais. Nos últimos anos a investigação
na área da Esquizofrenia tem mostrado que uma demora no seu
diagnóstico e tratamento (DUP - duration of untreated psychosis prolongado) poderá condicionar um pior prognóstico. Diagnosticar
25
Sessões de Posters / Posters Sessions
precocemente a doença, ainda antes da manifestação completa da
sintomatologia, ou mesmo preveni-la tem sido um alvo preferencial.
No entanto, no passado várias foram as tentativas de inclusão no
Espectro da Esquizofrenia de determinadas entidades clínicas caracterizadas por um quadro incompleto da doença (quer pela ausência
dos sintomas mais característicos da mesma, quer pela sua presença
em níveis não disfuncionais). Esquizofrenia Latente, Esquizofrenia
Tórpida, Esquizofrenia Ambulatória e Esquizofrenia Simples são
alguns dos exemplos. Em 2013 está prevista a publicação do DSM-V
e uma versão proposta já foi tornada pública. Nesse draft, uma das
novidades é o Síndrome de risco para a psicose, através do qual se
utilizam os sintomas prodrómicos ou estado mental de risco para
diagnosticar a doença antes da sua eclosão. Apesar dos vários estudos
sobre a sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e valor
preditivo negativo desses sintomas, parece que apenas um terço dos
doentes a quem se diagnostica esse síndrome virão a desenvolver
a doença. Colocam-se então várias questões de ordem ética, como
a legitimidade do seu tratamento com antipsicóticos (com todos os
seus riscos) e a sua estigmatização. Os autores fazem então uma
revisão histórica destes conceitos e uma revisão da literatura mais
actual sobre este síndrome de risco.
P057
ORYGEN YOUTH HEALTH: A EXPERIÊNCIA NA PSIQUIATRIA
AUSTRALIANA
Joana Maia, Carla Silva
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra
Com este trabalho as autoras propõem-se transmitir em que consistiu
o seu estágio opcional no Orygen Youth Health (Melbourne, Australia), decorrido no período entre Maio e Julho de 2010 no âmbito do
Internato Complementar em Psiquiatria, em especial na área de
Intervenção Precoce na Psicose. A título introdutório, expõem como
estão organizados os Serviços Públicos de Saúde Mental na Austrália,
em que consiste a política nacional para estes serviços, como foi a sua
evolução histórica e as respectivas estratégias de implementação. É
feita a interligação entre os aspectos legislativos essenciais – a Lei de
Saúde Mental (“The Mental Health Act”) - e a prestação de cuidados
em Saúde Mental com base na Gestão de Caso – “Case Management”.
É feita também uma abordagem breve aos fundamentos e pressupostos da Intervenção Precoce na Psicose e expostas as principais
controvérsias a ela inerentes, analisando de forma crítica como esta
poderá ser posta em prática no contexto clínico-assistencial. As
autoras demonstram como a Intervenção Precoce na Psicose tem
sido operacionalizada segundo o Modelo do Orygen Youth Health
em Melbourne, Austrália, descrevendo como está organizado o seu
programa clínico e em que consiste cada uma das unidades de intervenção que o compõem. Conclusão: São focados os aspectos mais
distintos relativamente à psiquiatria portuguesa e feita uma reflexão
acerca dos conceitos e estruturas que, na óptica das autoras, se tornam mais interessantes na organização dos cuidados prestados pelo
Orygen Youth Health no âmbito da Intervenção Precoce na Psicose.
P058
REABILITAÇÃO COGNITIVA - A EXPERIÊNCIA DO ESPAÇ[email protected]
COM
Teresa Maia, Janete Maximiano; Cristina Fernandes; Graça Cardoso
Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca
Introdução: Vários estudos deinvestigação demonstram que os déficites cognitivos são um factor clínico predictor do prognóstico de
Esquizofrenia e Doença Bipolar. Estes déficites afectam a memória,
atenção, concentração, função executiva e inteligência de pessoas
jovens, estando directamente relacionados com o seu desempenho
académico, laboral e social, condicionado o sucesso da reabilitação.
A avaliação dos resultados de programas de reabilitação cognitiva
nestes doentes pode contribuir para a organização de programas de
reabilitação mais eficazes, melhorando o seu prognóstico. O espaç[email protected]
com é uma Unidade de avaliação e reabilitação psicossocial da Unidade Funcional Comunitária do Serviço de Psiquiatria do Hospital
26
Saúde Mental Mental Health
Fernando Fonseca, onde a avaliação e a reabilitação cognitiva são
realizadas através dos programas Cognitive Rehabilitative Treatment e Rheacom. Objectivo: Estudar o impacto a nível das funções
cognitivas de um programa de Reabilitação Cognitiva em 10 doentes
seguidos no espaç[email protected] Metodologia: Foram seleccionados doentes com as seguintes características: Presença de Déficits cognitivos
documentados através da Bateria ACEF (memória, aprendizagem,
atenção, concentração e/ou velocidade de processamento); Ausência
de déficite a nível da função executiva; Valorização e reconhecimento destes deficits pelo próprio doente, como relevantes para a sua
recuperação funcional. Foram também recolhidos dados sociodemográficos, ocupacionais e clínicos. O programa de reabilitação utilizou
duas formas de intervenção, o Cognitive Rehabilitative Treatment e o
Rheacom, através de sessões bisemanais. No final da intervenção
foi novamente aplicada a Bateria ACEF. Resultados preliminares:
A amostra de 10 doentes com média de idades de 32 anos, diagnóstico de Psicose Esquizofrénica e Doença Bipolar, estáveis do ponto
de vista sintomático. A aplicação inicial da Bateria ACEF permitiu
apurar que todos apresentavam déficites cognitivos, sobretudo a
nível da memória, velocidade de processamento e atenção e concentração. Em 9 dos 10 doentes houve uma melhoria das funções
cognitivas avaliadas. Num dos casos mantiveram-se os déficites
anteriores. Conclusões: Os resultados preliminares mostram uma
resposta positiva ao programa. Esperamos em breve uma reunir uma
amostra que possa fundamentar de forma significativa os benefícios
deste tipo de intervenção.
P059
INTERNAMENTOS POR PRIMEIRO SURTO PSICÓTICO ESTUDO
RETROSPECTIVO DOS DOENTES INTERNADOS NA CLÍNICA
PSIQUIÁTRICA IV DO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO
DE LISBOA ENTRE 2005 E 2008
Maria João Avelino, Liliana Paixão; Mário Borrego; Ana Caixeiro;
António Bento
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
A Esquizofrenia, apesar das terapêuticas já existentes ao nosso dispor,
ainda é uma doença crónica que determina uma elevada disfuncionalidade, morbilidade e mortalidade. Nos últimos anos a investigação
na área da Esquizofrenia tem tentado mostrar uma relação entre a
demora no seu diagnóstico e tratamento (DUP- duration of untreated
psychosis- prolongado) e uma maior resistência ao tratamento e pior
prognóstico (pelo menos a curto prazo). Diagnosticar precocemente a
doença, ainda antes da manifestação completa da sintomatologia, ou
mesmo preveni-la tem sido um alvo preferencial. No entanto, alguns
estudos têm concluído que as formas da doença que apresentam esse
intervalo mais prolongado são formas mais graves, e o DUP aparece
como um marcador e não como determinante do curso da doença.
Em termos etiológicos, o modelo que melhor explica a génese da
doença é o modelo de vulnerabilidade-stress, em que factores de
risco genéticos e stressores ambientais parecem estar implicados.
Poucos têm sido os estudos feitos em Portugal sobre os doentes
internados com 1º surto psicótico. A Clínica Psiquiátrica IV (CP IV)
do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL) é um sector
que dá assistência psiquiátrica à população de diversos concelhos da
grande Lisboa, uns predominantemente rurais, outros urbanos por
excelência. Através da análise retrospectiva da amostra de doentes
internados na CP IV do CHPL por primeiro episódio psicótico, entre
2005 e 2008; da colheita de dados sócio-demográficos e clínicos referentes à data do 1º internamento e após dois anos de seguimento;
e da análise estatística descritiva feita pelo programa informático
SPSS - versão 16, os autores fazem uma caracterização demográfica
e descrição da evolução clínica e funcional da amostra supracitada.
P060
DINÂMICA FAMILIAR NA ESQUIZOFRENIA
José Manuel Monteiro Dias, Elza Maria da Silva Lemos; Ana Maria
Romano
Escola Superior de Enfermagem de Vila Real - UTAD
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
Este estudo consiste na investigação dos factores intervenientes na
dinâmica familiar do esquizofrénico, nomeadamente, a comunicação,
a auto-estima e a representação social, cuja pergunta de partida é:
“Quais as experiências na família do esquizofrénico perante os factores: comunicação, auto estima e representação social?”. Objectivo:
Analisar a perspectiva da comunicação, da auto-estima e da representação social como factores que influenciam as experiências familiares
do esquizofrénico. Optámos pela metodologia qualitativa, pelo facto
de que o objecto de estudo é a relação da família do esquizofrénico
com o seu familiar portador dessa psicose, que traduz experiências
de vida, repletas de sentimentos e estados psicológicos, não passíveis
de quantificação devido à sua subjectividade. A População era constituída por todos os familiares de esquizofrénicos do Hospital Sobral
Cid, no ano de 2006, a amostra do tipo intencional foi de 6 desses
familiares. A colheita de dados foi efectuada através de entrevistas
semi-estruturadas no mês de Agosto de 2006, sendo submetidas a
análise de conteúdo. A comunicação sendo um factor relacional,
foi relatado pelos familiares, como sendo um problema do doente.
Quanto à vida quotidiana os familiares referem as dificuldades que
tinham no seu dia-a-dia, como para lidar com situações de perturbação do comportamento, inactividade e com o esforço suplementar
para lidar com estes doentes. As famílias vivenciam mudanças no
relacionamento após o adoecimento de um dos seus membros, ocorre
aumento de tensão na convivência, a família procura isolar-se, há restrição das visitas e o período de lazer é diminuído. Com o diagnóstico
da esquizofrenia na adolescência são interrompidas as expectativas
da família de que o jovem adulto comece a trabalhar e venha a ter
uma vida independente. A representação social é consequência de
uma circularidade de fenómenos; verifica-se forte tendência para o
isolamento social e uma acentuada dependência familiar.
P061
CONSENTIDO – UNIDADE MÓVEL DE APOIO DOMICILIÁRIO
INTEGRADO
Alves, C., Barbosa, S; Carvalhosa, O; Iglesias, C; Palmeira, P; Peixoto,
S; Salgueiro, M; Silva, P
Casa de Saúde do Bom Jesus
Introdução: A Unidade Móvel “ConSentido” é um projecto orientado
para a prestação de cuidadosna área da saúde mental e psiquiatria
no domicílio, promovendo a integração doutente na comunidade
familiar e alargada. Este serviço é complementado por uma linha telefónica de aconselhamento e encaminhamento. Objectivos: Promoção
da Saúde; Prevenção e Tratamento da Doença; Redução de Danos
e Reinserção. Metodologia: O presente poster pretende traduzir a
caracterização da população-alvo do ProjectoConSentido e os principais resultados da sua intervenção especializada em SaúdeMental,
tendo como base a análise estatística. Conclusão: Podemos apontar
resultados a dois níveis: tratamento da doença e redução de danose
reinserção. No que respeita ao tratamento da doença podemos
considerar que a actuação deste projecto influi na diminuição do
n.º de recaídas e no n.º de reinternamentos. De destacar o número
de referenciações para intervenção em crise com máxima execução
que contribui fortemente para a redução da institucionalização.No
que toca à redução de danos e reinserção, o trabalho desenvolvido
ao nível do treino de AVD e AIVD, dinâmicas psicoterapêuticas e
psicoeducação familiar ecomunitária projectam-se no aumento da
autonomia e, consequentemente, namelhoria da qualidade de vida
e bem-estar das pessoas.
Doença Bipolar
P062
O POTENCIAL TERAPÊUTICO DO TAMOXIFENO NA DOENÇA
BIPOLAR
Carina Mendonça, Filipe Arantes-Gonçalves; Emanuel Filipe Santos
CHCBEIRA; CHCBeira
A doença bipolar é uma das mais debilitantes de todas as doenças
Sessões de Posters / Posters Sessions
médicas. Desta advém um tremendo sofrimento para os pacientes
na medida em que atinge tanto o seu universo familiar como social
e profissional. Até recentemente, pouco era o conhecimento acerca
das bases moleculares e celulares específicas desta doença. Contudo
este conhecimento tem se revelado crucial para o desenvolvimento
de terapias mais eficazes e com um início de acção mais rápido que
os tratamentos actualmente disponíveis. Dados recentes sugerem
que a regulação de determinadas vias de sinalização pode estar
envolvida na etiologia da doença bipolar e que esta pode constituir
o caminho para o desenvolvimento do seu tratamento. A sinalização
intracelular da Proteína C Quinase pode desempenhar um papel
importante na fisiopatologia e no tratamento da doença bipolar na
medida em que se tem revelado um importante agente anti-maníaco.
Presentemente existe apenas um inibidor relativamente selectivo
da Proteína C Quinase e que atravessa a barreira hemato-encefálica
disponível para uso humano - o Tamoxifeno. Esta molécula usada
na mania aguda tem demonstrado, nos estudos realizados até à data,
uma redução significativa dos sintomas maníacos num curto período
de tempo. Este trabalho pretende fazer uma revisão bibliográfica
sobre a promissora contribuição do Tamoxifeno no tratamento da
doença bipolar.
P063
MANIA INDUZIDA PELO ÁLCOOL OU ABUSO DE ÁLCOOL INDUZIDO PELA MANIA… A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Maria Chai, Filipe Vicente; José Oliveira; Carlos Lacerda; Sonia Baldo;
Cristina Pablo
Centro Hospitalar Psiquiatrico de Lisboa
Sexo masculino, 31 anos, solteiro, reside com os pais, 12º ano de escolaridade, toca guitarra na via pública e trabalhar esporadicamente
como músico em bares nocturnos, foi levado ao serviço de urgência
do Hospital Curry Cabral pela Polícia de Segurança Pública após
episódio de grande violência em casa, que resultou na agressão dos
pais com vidros de uma garrafa partida, tendo ambos sido suturados
nas diversas feridas causadas pelo filho. Doente sem antecedentes
psiquiátricos conhecidos. Na urgência apresentava agitação psicomotora alternado com momentos de olhar perplexo, discurso incompreensível, múltiplas equimoses e hematoma volumoso na região
frontal direita, não se apurando ideação delirante, nem actividade
alucinatória. Dos exames complementares realizados, as análises não
mostraram alterações, a urina foi positiva para benzodiazepinas, negativa para os tóxicos, não tendo a TC CE mostrado alterações. Cerca
de vinte horas depois, à entrada no internamento, mantinha o olhar
perplexo, apresentando amnésia para o sucedido e desconhecendo
o motivo do internamento. Após estabilização do quadro clínico, foi
convocada entrevista com os pais tendo o doente sido confrontado
com o sucedido, já que até ao terceiro dia de internamento o doente
não admitia a hipótese de ser o responsável pela agressão aos pais.
Apurou-se aumento do consumo álcool duas semanas antes do
internamento, com aumento progressivo dos consumos diários,
acompanhados de diminuição da necessidade de dormir, períodos
de euforia, aumento da energia, percepção pelo próprio de maior
“vontade e aptidão para tocar” e sensação de bem-estar. Apurou-se
ainda história de dependência de álcool para a qual apresentava crítica. Objectivo: Discutir diagnóstico diferencial e estratégia terapêutica
mais adequada. Conclusão: Dificuldade de diagnóstico diferencial
entre Episódio Maníaco da Doença Afectiva Bipolar acompanhado
de aumento do consumo de álcool e Perturbação do humor com
características maníacas induzidas por álcool. Dificuldade de adesão
do doente ao tratamento na Unidade de Alcoologia.
P064
FOLIE À DEUX NUMA DOENTE COM PERTURBAÇÃO BIPOLAR:
UM CASO CLÍNICO
Ines Chendo, Maria Moura; João Franco; João Mouta; Daniel Barrocas;
Pedro Levy
Hospital de Santa Maria, CHLN; Hospital de Dona Estefânia; Hospital Curry
Cabral
27
Sessões de Posters / Posters Sessions
Folie à Deux ou Perturbação Psicótica Partilhada é uma perturbação
psicótica relativamente rara, caracterizada pelo desenvolvimento
de ideias delirantes em sujeitos que mantêm uma relação próxima
com outras pessoas que já têm uma ideia delirante semelhante previamente estabelecida. A etiologia desta síndrome permanece pouco
esclarecida. Segundo os sistemas de classificação actualmente usados,
apenas os casos primários sofrem de uma perturbação psicótica genuína, contudo revisões recentes da literatura encontraram taxas elevadas de morbilidade psiquiátrica nos casos secundários bem como
história familiar de patologia psiquiátrica. Os casos publicados de
Folie à Deux são habitualmente descritos no contexto de esquizofrenia.
Os autores apresentam um caso de Perturbação Psicótica Partilhada
associada a Perturbação Bipolar. Apresentam um caso de uma doente
de 46 anos de idade, com diagnóstico de Perturbação Bipolar Tipo
I, internada compulsivamente no Hospital de Santa Maria por um
episódio misto. Ao longo do internamento, na colheita da história
clínica e através da entrevista à mãe da doente, fica patente a existência de um quadro de ideação delirante persecutória partilhado
entre a doente e a mãe desta, com cerca de quatro anos de duração.
Ao longo do internamento foi também possível apurar que o quadro
de ideação delirante terá ocorrido primariamente na mãe da doente,
tendo-se verificado uma diminuição do dinamismo dessas ideias na
doente com a separação da mãe e com o cumprimento de medicação
antipsicótica. Neste trabalho os autores pretendem descrever um
raro caso de Folie à Deux associado a Perturbação Bipolar e destacar
a possibilidade de morbilidade psiquiátrica nos actualmente designados “casos secundários”.
P065
ESTRATÉGIAS DE RECUPERAÇÃO DE MEMÓRIAS AUTOBIOGRÁFICAS EM VÁRIAS FASES DA PERTURBAÇÃO BIPOLAR
Elzbieta Bobrowicz-Campos, Maria Salomé Pinho; Ana Paula Matos
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação - Universidade de
Coimbra
A recuperação sobregeneralizada da memória autobiográfica (MA)
está fortemente associada à depressão (Moore & Zoellner, 2007),
sendo uma das suas características a congruência com o humor recorrente (Lemogne, 2006). A função da recuperação sobregeneralizada
prende-se com o evitamento de memórias ameaçadoras (Williams,
2007), contribuindo para a persistência dos sintomas depressivos
(Moore & Zoellner, 2007). Há estudos que apontam como mecanismo
responsável por este tipo de recuperação um controlo executivo deficitário. Recentemente foi demonstrado que a recuperação sobregeneralizada das MAs revela-se na fase eutímica (Mansell & Lam, 2004)
da Perturbação Bipolar (PB). Porém, são raros os estudos sobre MA
que abordam os episódios maníacos na PB (Tzemou & Birchwood,
2007). Foram administrados a 66 pacientes com PB (22 depressivos
(D), 21 hipomaníacos (M), 23 eutímicos (E)) e 19 participantes controlo saudáveis (C) o Teste de Memória Autobiográfica (AMT) de
Williams e Broadbent (1986) e uma bateria de testes neuropsicológicos para avaliar a memória, o funcionamento executivo, a atenção e
capacidades visuais e motoras. Observaram-se diferentes estratégias
de recuperação de MAs em cada uma das três fases da PB: enquanto
nos grupos D e M o efeito de recuperação sobregeneralizada parece
ser independente do valor emocional das pistas apresentadas, no
grupo E este efeito surgiu apenas em resposta às palavras-pista
neutras. Adicionalmente, observou-se no grupo M o efeito de repetitividade de respostas, sobretudo nas palavras-pista negativas.
Na amostra clínica evidenciou-se ainda o efeito de recuperação de
Mas negativas em resposta às palavras-pista neutras. Na avaliação
neuropsicológica, na amostra clínica registou-se um défice ao nível
das funções executivas. Estes resultados evidenciam a facilidade de
acesso a acontecimentos da vida negativos em todas as fases da PB,
desafiando assim a teoria da recuperação de MAs congruentes com o
humor recorrente. Foi ainda corroborada a hipótese da dependência
da recuperação sobregeneralizada do défice de controlo executivo.
28
Saúde Mental Mental Health
P066
O PAPEL DA PSICOEDUCAÇÃO NA PREVENÇÃO DE RECAÍDAS
EM DOENTES BIPOLARES
Mariza Azevedo, Mara Marques; Alice Nobre; Catarina Soares
Centro Hospitalar Psiquiatrico de Lisboa
Objectivos: A psicoeducação é parte integrante do Programa Assertivo de Prevenção das Recaídas (PAPR), desenvolvido pela equipa
de Lisboa Cidade do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. O
presente trabalho descreve os resultados dos programas de Psicoeducação, aplicados em grupo ou individualmente, desde 2005, a
doentes com Perturbação Bipolar. Métodos: Trata-se de um estudo
comparativo em que se avaliam como indicadores de eficácia o número de internamentos, o número de recaídas e a adesão à terapeutica
farmacológica, pré e pós intervenção. Conclusões: Os resultados
sugerem que o programa de psicoeducação é eficaz nesta população,
tendo contribuido para a diminuição dos reinternamentos evitando
o fenómeno de porta giratória.
P067
REGRESSANDO A EMIL KRAEPELIN A PROPÓSITO DA RELEVÂNCIA CLÍNICA DO ESTADO MISTO DEPRESSIVO
José Luís Martins Fernandes, Joana Jorge
Hospital Magalhães Lemos; Centro Hospitalar do Porto
Introdução: Emil Kraepelin descreveu, no inicio do século XX, a
ocorrência de sintomas de polaridade oposta em episódios maníacos,
hipomaniacos e depressivos, conceptualizando os diferentes estados
mistos como síndromes nos quais existia a presença concomitante
de sintomas maníacos e/ou hipomaníacos e sintomas depressivos.
Actualmente, nas classificações oficiais – ICD 10 e DSM IV – o estado
misto é essencialmente limitado à presença simultânea de um episódio maníaco “completo” e de um episódio depressivo “completo”.
Objectivo: Rever a evolução do conceito e as mais recentes evidências
sobre estado misto depressivo. Finalidade: Enfatizar evidências que
suportam a validade e a utilidade do estado misto depressivo como
entidade nosológica. Método: Pesquisa na Pubmed de artigos publicados na língua inglesa entre Janeiro de 2000 e Setembro de 2010
usando as seguintes palavras-chave: bipolar mixed state, depressive
mixed state, mixed depression, excited depression, agitated depression and suicide. Discussão: O ressurgimento da importância dos
estados mistos nos últimos 35 anos sucedeu a um tempo de oposição
ao conceito de estados mistos de Kraepelin por parte de proeminentes
psiquiatras como Karl Jaspers e Kurt Scheneider. Hagop Akiskal e
Franco Benazzi, entre outros, definiram e validaram o estado misto
depressivo como um episódio depressivo major/distimia e três ou
mais sintomas hipomaníacos co-ocorrentes. Em estudos recentes a
utilidade diagnóstica desta entidade é suportada pela resposta ao
tratamento, reflectindo a insuficiência da nosologia corrente em identificar os pacientes para quem a monoterapia com antidepressivos
parece ser inapropriada.
P068
HIPOMANIA SECUNDÁRIA A DESEQUILÍBRIO
HIDROELECTROLÍTICO
Luís Fonseca, Filipa Pereira; Joaquim Duarte
Hospital de Braga
Introdução: As alterações de comportamento de aparecimento súbito podem ser secundárias a perturbação médica não psiquiátrica
e exigem uma anamnese cuidada e uma investigação rigorosa. Caso
clínico: Mulher de 44 anos de idade, professora, com antecedentes de
obesidade mórbida, HTA e acompanhamento psiquiátrico ambulatório por queixas disautonómicas nocturnas (medicada, com remissão
e posterior alta), observada no SU por alterações do comportamento
(verborreia, discurso desorganizado e coprolália) com evolução de
1 semana. O estudo analítico revelou hipocaliemia e hiponatremia e
o TAC cerebral realizado era normal. Um mês antes havia iniciado
terapêutica medicamentosa (Manipulado com alcachofra, centelha
asiática, clorodiazepóxido, cascara sagrada, furosemida, fenolftaleína, hoodia gordonii e metformina; e Moduretic®) por edemas
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
Sessões de Posters / Posters Sessions
periféricos. Foi internada no serviço de Medicina Interna e medicada,
por psiquiatria, com quetiapina 300 mg ao deitar. Teve alta 5 dias
depois assintomática e com os parâmetros analíticos normalizados.
Retomou a sua actividade profissional e pessoal habitual sem dificuldades. Dois meses depois não apresentava alterações de novo. Discussão: A história da doença actual, a ausência de episódios prévios
semelhantes, a idade da doente e as alterações da função analítica
são a favor de um episódio hipomaníaco secundário a desequilíbrio
hidroelectrolítico. No entanto, uma doença psiquiátrica de base não
pode ser excluída em absoluto.
descompensações maníacas, foi internada no final do ano passado
por nova descompensação maníaca. À entrada, apresentava-se muito
agitada, com discurso muito acelerado, ideias de grandiosidade e
místicas, sem alterações da percepção, humor maníaco. No decurso
de terapêutica estabilizadora do humor, a doente iniciou quadro de
afasia marcado sobretudo por anomia, parafasias e neologismos. Foi
internada em Serviço de Medicina por suspeita de AVC do território
da ACM que foi excluído. As autoras discutem se afasia pode ser um
sintoma raro na mania ou se terapêutica estabilizadora de humor
pode ser iatrogénica e desencadear este quadro.
P069
DESCOMPENSAÇÃO MANÍACA EM DOENTE BIPOLAR APÓS
CORTICOTERAPIA
Sandra Gomes Pereira, Fernanda Cristina Ordens Miguel; Catarina
Pereira
Hospitais da Universidade de Coimbra; Serviço de Psiquiatria dos Hospitais
da Universidade de Coimbra
É do conhecimento comum o facto dos corticoesteróides poderem
induzir uma variedade de alterações neuropsiquiátricas (desde
distúrbios do humor até distúrbios cognitivos). Essas manifestações
psiquiátricas podem, numa minoria dos casos, ser graves sendo
que este risco aumenta com a existência de patologia psiquiátrica
concomitante. Entre as manifestações psiquiátricas mais frequentemente induzidas por corticoesteróides, destaca-se a apresentação
de quadros maniformes. Os autores pretendem apresentar o caso
clínico de um doente com perturbação afectiva bipolar tipo I, cuja
descompensação - fase maníaca -, coincidiu com corticoterapia por
fibrose retroperitoneal.
Demências e outras patologias deficitárias
P070
PATOPLASTIA E DOENÇA BIPOLAR: ACERCA DE UM CASO
CLÍNICO
Sónia Baldo, Tatiana Gonçalves; Helena Campos; José Oliveira; Filipe
Vicente; Luis Mendonça; Maria Chai; Carlos Lacerda
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa; Centro Hospitalar Psiquiatrico de
Lisboa
A manifestação da psicopatologia está dependente dos aspectos basais da personalidade do indivíduo. Desta forma, o presente trabalho
almeja uma reflexão de um caso clínico de uma doente em fase mista,
tendo em conta a patoplastia na doença bipolar, focando a multidisciplinaridade de uma equipa de intervenção no internamento
psiquiátrico. Palavras-chave: Doença Bipolar; Fase mista; Patoplastia;
P071
AFASIA NA DOENÇA BIPOLAR
Maria João Castro, Alice Nobre
CHPL - HJM
Estamos habituados a encontrar num doente bipolar, seja qual for a
fase da sua doença, sintomatologia muito florida. A afasia, porém,
não é um sintoma comum e não tem sido descrito. Pretendemos
descrever dois casos clínicos de doentes internadas no nosso serviço durante este ano e que apresentaram afasia no contexto de
descompensação grave de doença bipolar. MC, do sexo feminino, 62
anos, seguida há vários anos em Psiquiatria. Em 2007, na consulta,
observou-se quadro de afasia pelo que a doente realizou TC-CE
que não revelou alterações.Por quadro de pseudodemência depressiva, a doente foi internada no final do ano passado. À entrada,
encontrava-se desorientada em relação ao tempo e orientada nas
restantes referências, sem alterações da percepção ou do pensamento, humor francamente deprimido. No internamento efectuou
terapêutica antidepressiva que desencadeou uma viragem de humor,
estabelecendo-se quadro maníaco e no decurso de terapêutica estabilizadora do humor mais potente, a doente apresentou alterações
da linguagem com disartria, discurso tangencial, saltuário e com
frequentes respostas ao lado. Realizou TC-CE, novamente sem
alterações. TV, do sexo feminino, 66 anos, seguida há longos anos
em Psiquiatria por doença bipolar e com vários internamentos por
P072
UM CASO DE DEMÊNCIA FRONTO-TEMPORAL FAMILIAR(?)
Patrícia Sofia Freire Frade
CHLN - Hospital de Santa Maria
A degenerescência lobar fronto-temporal (DLFT) apresenta-se como
uma patologia heterogénea que em 20-40% dos casos è familiar. O
subgrupo clínico mais comum é a demência frontotemporal (DFT),
cuja apresentação surge com alterações do comportamento. Os
critérios de diagnóstico clínico incluem: início antes dos 65 anos,
insidioso e progressivo; declínio precoce na conduta social e pessoal; embotamento emocional e perda precoce do insight. O seguinte
caso clínico descreve a história de uma mulher com 52 anos, natural
e residente em Lisboa com a mãe, divorciada e desempregada. Tem
2 filhas. Foi internada em Junho/2010 por ingestão medicamentosa
voluntária após discussão familiar. As primeiras manifestações de
doença ocorreram aos 42 anos com alterações do comportamento,
posteriormente verificou-se isolamento social e familiar. A doente
no internamento apresentava mímica pobre, era dificilmente entrevistável e observavam-se maneirismos na marcha. O discurso
era pobre, circunstanciado e disartrico. Apurava-se humor neutro
e aplanamento afectivo. Sem crítica para a doença. Verificou-se a
existência de quadros clínicos semelhantes na família paterna. Nos
exames laboratoriais existia défice de folatos, restantes parâmetros
normais. A avaliação neuropsicológica descreveu uma sindrome demencial de provável espectro frontotemporal. A TAC-CE e RMN-CE
revelaram um padrão de ligeira atrofia cerebral difusa de predomínio
bifrontal. EEG sem alterações relevantes. O tratamento farmacológico
instituído foi quetiapina 50 mg, àcido fólico 5mg e lisinopril 20mg
(HTA). A doente foi institucionalizada. Foi pedida investigação de
mutações associadas à proteína tau e aos genes da progranulina
para possível diagnóstico de DFT Familiar. Este caso clínico revela a
importância da suspeição de demência de inicio precoce, em adultos
com alterações do comportamento e da personalidade de forma
insidiosa e progressiva. A história familiar e a pesquisa genética são
de extrema importância na procura de novos genes, uma vez que os
genes conhecidos causam apenas 10-20% de todos os casos de DLFT.
P073
MANIFESTAÇÕES PSIQUIÁTRICAS DA LEUCODISTROFIA –
REVISÃO A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Sónia Simões, Luís Fonseca; Beatriz Santos; Álvaro Machado
Hospital de Braga
Introdução: As leucodistrofias são distúrbios genéticos, crónicos
e progressivos da substância branca, que se podem apresentar na
idade adulta com sintomas neuropsiquiátricos. Caso clínico: Doente
do sexo feminino, de 52 anos, encaminhada para o SU de Psiquiatria por alterações do comportamento, ideias de ruína, desleixo da
imagem pessoal, aumento do apetite e períodos de mutismo. Com
antecedentes de várias tentativas de suicídio e quadros depressivos
recorrentes, aparentemente reactivos a problemáticas familiares. No
SU fez RMN cerebral que mostrou hipersinal de substância branca
difusa compatível com leucodistrofia. Os exames efectuados não
permitiram ainda a classificação desta. Discussão: As leucodistrofias
com início na idade adulta podem ter uma apresentação clínica e
29
Sessões de Posters / Posters Sessions
curso diferentes das leucodistrofias na infância. Os sinais motores são
frequentes mas os doentes podem apresentar um quadro demencial
ou sintomas psiquiátricos que constituem uma apresentação atípica
e, consequentemente, atrasam o diagnóstico. Neste caso é necessário
questionar se a psicopatologia é resultante da leucodistrofia ou se
se trata de comorbilidade psiquiátrica. Conclusão: Os progressos na
neuroimagem têm permitido a identificação de mais casos de leucodistrofia. Uma vez que esta pode cursar com sintomas psiquiátricos,
os psiquiatras devem ter esta hipótese de diagnóstico em mente.
P074
METILFENIDATO: UMA POSSIBILIDADE TERAPÊUTICA NA SÍNDROME DISEXECUTIVA?
Eva Mendes, Joaquim Cerejeira
Hospitais Universidade Coimbra
Introdução: A Síndrome Disexecutiva (SD) caracteriza-se por dificuldades no processamento de informação e degradação das capacidades executivas, apresentando-se sob a forma de défices de atenção e
memória, juntamente com sintomas de humor e de comportamento.
Até à data, nenhum fármaco isolado, incluindo os inibidores da colinesterase e memantina, provou gerir satisfatoriamente os défices
funcionais e comportamentais da SD. Por outro lado, como é sabido,
o metilfenidato é eficaz na Perturbação da Hiperactividade e Défice
de Atenção do Adulto (PHDA), uma condição caracterizada, como
na SD, pela disfunção cortico-subcortical pré-frontal. Relatamos um
caso de um doente de 48 anos, sexo masculino, no qual o metilfenidato foi usada com sucesso para controlar os sintomas de SD grave,
após insucesso terapêutico com memantina e donepezilo. Materiais
e métodos: Doente internado no nosso serviço, em Abril de 2010,
com factores de risco cardiovasculares, e quadro de impulsividade,
labilidade emocional, distractibilidade e défice de atenção, com 3
anos de evolução. Iniciado tratamento com metilfenidato 10mg dia.
Resposta ao tratamento avaliada com recurso a três escalas, aplicadas
antes e após a introdução do fármaco: Mini-Mental State(MMS),
Brief Psychiatric Rating Scale (BPRS) e Clinical Global Impression
(CGI). Resultados: Na avaliação pré-tratamento, constatou-se um
MMS de 17/30, uma CGI 6 e um total de BPRS de 63. Horas após
a introdução do metilfenidato, observou-se um MMS de 24/30,
uma redução de CGI para 2 e uma melhoria do total da BPRS para
42 (redução de 33%, graças à diminuição dos itens anteriormente
aumentados: ansiedade, depressão, tensão, embotamento afectivo,
passividade emocional, distractibilidade e hiperactividade motora).
Metilfenidato foi aumentado progressivamente após a alta, com manutenção de resposta positiva do doente 6 meses depois. Discussão
e Conclusões: Com o metilfenidato observamos uma melhoria na
capacidade de iniciar e executar tarefas, bem como no controlo dos
sintomas ansiosos e depressivos, podendo então representar uma
opção terapêutica útil nos casos de SD.
P075
A NEUROSSÍFILIS AINDA TEM UM LUGAR NAS APRESENTAÇÕES PSIQUIÁTRICAS?
Pedro Miguel Alves de Moura, Patrícia Frade; Teresa Abraços Rodrigues; Pedro Levy
Hospital de Santa Maria; Hospital HPP Cascais; S/S
Com o advento da antibioterapia a prevalência de sífilis tem diminuido bastante em todo o Mundo, sendo acompanhada por uma drástica
redução das clássicas apresentações de casos com comprometimento
do Sistema Nervoso Central (neurossífilis); no entanto, nas últimas
décadas tem-se assistido a um ressurgimento de apresentações de
casos de neurossífilis, especialmente acompanhados de co-infecção
por HIV. Neste trabalho, os autores pretendem apresentar um caso
de neurossífilis, de apresentação inicial psiquiátrica, HIV negativo,
diagnosticado e tratado em Agosto de 2010 no serviço de Psiquiatria
do hospital de Santa Maria, em Lisboa.
30
Saúde Mental Mental Health
P076
ESTRANGULAMENTO PENIANO NO CONTEXTO DE DEMÊNCIA
Sónia Simões, Pedro Morgado; Mário Oliveira; Álvaro Machado;
Beatriz Santos
Hospital Escala Braga
Assunto: Descrição de um caso de estrangulamento peniano com
objecto constritor, auto-induzido, em indivíduo de 69 anos, que
apresenta quadro demencial previamente conhecido. Método: A
partir de um caso clínico, foi realizada pesquisa bibliográfica sobre
alterações do comportamento sexual em quadros demenciais e sobre
estrangulamento peniano auto-induzido. Discussão: As alterações
do comportamento sexual estão descritas em todos os estadios dos
quadros demenciais e podem ser fonte de grande embaraço para os
cuidadores. Estão associadas a alterações cerebrais e a sua etiologia
pode ser multifactorial. Os casos de estrangulamento peniano por
objectos constritores do pénis descrevem o aumento da estimulação
e melhoria da performance sexual como principal motivação para
tal comportamento. Não encontramos nenhuma referência na literatura a qualquer caso de estrangulamento peniano auto-induzido
em doentes demenciados. Conclusão: Este caso ilustra a importância
da avaliação da função sexual nos doentes com quadros demenciais.
Além disso realça a necessidade de maior investigação nesta área,
de forma a clarificar a abordagem terapêutica mais adequada para
estas situações.
P077
MOTIVOS DE ABANDONO DA CONSULTA DE MEMÓRIA
Isabel Milheiro, Joana Mesquita; Álvaro Machado
Hospital de Braga
Introdução: Sendo as síndromes demenciais causadas maioritariamente por doenças neurodegenerativas graves, com grande
repercussão funcional, é previsível que a taxa de faltas a consultas
subsequentes seja significativa, mesmo numa consulta especializada,
surgindo intuitivamente a “morte” e o “esquecimento” como factores
determinantes. Material e Métodos: Identificação dos doentes que
faltaram à consulta de demências de Março de 2007 a Maio de 2010,
com recolha de dados quanto às variáveis: sexo, idade, escolaridade,
diagnóstico, tempo de evolução, grau de dependência, tempo de
espera, existência de psicopatologia. Entrevista telefónica semiestruturada com cada doente/cuidador para determinar motivo
da falta. Análise estatística simples. Resultados: Em 1056 consultas
subsequentes, verificaram-se 58 faltas (taxa de faltas anual de 1,73%).
Não foi possível contactar 17 doentes (taxa de resposta de 71%). Os
motivos de falta à consulta foram: “morte” (32,8%), “opção por outro
médico” (15,5%), “esquecimento” (10,3%), “doença/internamento”
(5,2%), ”outros” (6,9%). Os seis doentes que faltaram por “esquecimento”, referiram que não o teriam feito se tivessem sido contactados
previamente, e pediram remarcação.
P078
DEMÊNCIA FRONTOTEMPORAL E ESCLEROSE LATERAL
AMIOTRÓFICA: UMA ASSOCIAÇÃO A RETER
Bruno Coutinho, Álvaro Machado
Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, Unidade Local de Saúde
do Alto Minho, Viana do Castelo, Portugal; Departamento de Neurologia,
Hospital de Braga, Braga, Portugal
Introdução: A co-existência de demência e esclerose lateral amiotrófica (ELA) foi observada pela primeira vez no final do séc. XIX.
Porém, esta relação foi menosprezada durante muitos anos, até que
no início desta década, alguns estudos prospectivos demonstraram
que até 50% dos doentes com demência frontotemporal (DFT) têm
ELA. Caso Clínico: Homem de 59 anos, observado em consulta de
psiquiatria por alteração recente da personalidade: mais agressivo,
com humor depressivo e anorexia, interpretado como episódio
depressivo. As alterações do comportamento continuaram a agravar-se: passou a cumprimentar as pessoas com 5 beijos, ria-se sem
propósito, muito desinibido. Cerca de 1 ano após início da clínica a
esposa notou que o doente começou a falar cada vez menos e menos
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
Sessões de Posters / Posters Sessions
percebido, com dificuldades na deglutição. Ao exame tinha atrofias
dos músculos das mãos, fasciculações e reflexos vivos, sem outras
alterações. No MMSE obteve 26 pontos e a RM cerebral demonstrava
atrofia temporal bilateral, sendo colocada a hipótese de ELA + DFT.
Para confirmação diagnóstica efectuou estudo neuropsicológico
que evidenciava défice cognitivo ligeiro frontal e electromiografia
que mostrou sinais de desnervação crónica sugestivos de ELA. Dois
anos após os primeiros sintomas, por impossibilidade de deglutição
o doente necessitou de colocação de gastrostomia endoscópica percutânea e nos últimos meses antes de falecer realizava BIPAP durante
a noite por dificuldade ventilatória. Discussão: Como os doentes
com DFT são muitas vezes observados pelo psiquiatra em primeiro
lugar, é importante reconhecer a associação desta doença com a ELA,
obrigando a cuidados específicos de suporte, incluindo ventilação
mecânica precoce e gastrostomia para alimentação.
Hospital Infante D. Pedro EPE; Hospital São Teotónio EPE
A potomania refere-se ao hábito de beber quantidades excessivas de
líquidos, porém no âmbito psicopatológico o conceito adquire uma
dimensão menos lata, sendo incluída no grupo das perturbações
do comportamento alimentar. É também denominada de Diabetes
Insípida Psicogénica, partilhando uma fronteira estreita com as restantes formas de Diabetes Insípida. São já conhecidos desde meados
do século passado os mecanismos fisiopatológicos responsáveis pelo
desenvolvimento de Diabetes Insípida induzida por comportamentos
potomaniacos, havendo no entanto menos robustez no conhecimento
dos processos cognitivos e/ou biológcos envolvidos no eventual
processo inverso. No presente trabalho os autores apresentam um
caso clínico de desenvolvimento de comportamento potomaniaco pós
diabetes insípida central idiopática, propondo um modelo explicativo
segundo as teorias cognitivo-comportamentais.
P079
ABORDAGEM TERAPÊUTICA DAS DEMÊNCIAS
Abigail Ribeiro, Nélson Oliveira; Catarina Fonseca; Maria Miguel Brenha
Hospital Magalhães Lemos, Porto
Com o envelhecimento da população mundial, a Demência tende a
atingir valores alarmantes de incidência e prevalência. As demências
podem ser classificadas como degenerativas e nãodegenerativas,
tendo essa divisão implicações na abordagem terapêutica. O presente
poster apresenta o resultado de uma revisão da literatura científica
acerca do tratamento das demências, debruçando-se principalmente sobre as demências degenerativas. Listam-se e descrevem-se
os fármacos em investigação e os fármacos usados no tratamento
neuroprotector, bem como no tratamento sintomático das demências
degenerativas. Expõem-se sucintamente as actuais recomendações
relativas a estratégias de tratamento das demências.
P082
CO-MORBILIDADE ENTRE PERTURBAÇÕES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR E ABUSO/DEPENDÊNCIA DE
SUBSTÂNCIAS
Liliana Castro
Hospital Magalhães Lemos; Universidade do Minho
Introdução: O consumo de substâncias parece ser mais elevado em
doentes com perturbações do comportamento alimentar do que em
controlos saudáveis. As razões associadas a este risco diferencial ainda estão por esclarecer. Objectivos: Este trabalho tem como objectivo
a revisão da literatura actual da co-morbilidade entre perturbações
do comportamento alimentar e o consumo, abuso e dependência de
substâncias. Métodos: Revisão sistemática da literatura. Resultados:
As doentes com bulimia nervosa parecem apresentar maior risco de
abuso de substâncias, seguidas das doentes com ingestão alimentar
compulsiva. Nas doentes com anorexia nervosa o risco não parece
ser significativo. Conclusões: Os estudos alvo de revisão confirmam
a presença de co-morbilidade entre perturbações do comportamento
alimentar e consumo de substâncias. Os estudos revistos apontam
para um maior risco de consumo de substâncias nas doentes com
bulimia nervosa. Este maior risco poderá ser resultado de traços
temperamentais ou de uma maior sensibilidade cerebral à recompensa. Estudos longitudinais futuros permitirão avaliar se um período de bulimia nervosa predispõe a comportamento aditivo e se
esta co-morbilidade é um marcador de mecanismos de recompensa
alterados a nível cerebral.
Perturbações de Comportamento Alimentar
P080
ANOREXIA NERVOSA NUMA MULHER EM DIÁLISE - RELATO
DE CASO
Eva Osório, Isabel Milheiro; Isabel Brandão
Hospital de São João, E.P.E.; 2Hospital de Braga
O tratamento da anorexia nervosa (AN), bem como o de outras
perturbações do comportamento alimentar, continua a apresentarse como um desafio. Apesar da AN ser, tipicamente, uma doença
aguda que atinge mulheres jovens, os estudos de follow-up a longo
prazo indicam que, em cerca de 20% dos casos, a AN apresenta-se
intratável e sem remissão, acarretando sérias complicações médicas,
de gravidade variável, incluindo disfunção dos sistemas endócrino,
metabólico, gastrointestinal e renal. Alterações hidro-electrolíticas
graves podem ocorrer em doentes com AN, especialmente na AN
de tipo purgativo; a hipocaliemia e a desidratação crónica podem
conduzir a insuficiência renal, por vezes, terminal. O abuso de
alguns fármacos pode também contribuir para o desenvolvimento
de insuficiência renal crónica, principalmente em indivíduos com
disfunção renal prévia. Embora existam alguns casos na literatura de
insuficiência renal em doentes com AN, poucos são os que se referem
à necessidade de iniciar terapêutica dialítica, provavelmente porque
os pacientes com AN morrem de outras complicações médicas antes
de alcançar um estadio de doença renal terminal. Neste trabalho, os
autores relatam um caso de insuficiência renal crónica com necessidade de iniciar diálise, numa doente com AN (tipo purgativo) de
longa duração. Nesta comunicação pretende-se discutir a provável
etiologia multifactorial da doença renal terminal nesta doente e
sobretudo enfatizar a necessidade da colaboração multidisciplinar
na elaboração de um plano terapêutico integrador e unidireccional.
P081
POTOMANIA PÓS DIABETES CENTRAL IDIOPÁTICA / UM MODELO COGNITIVOCOMPORTAMENTAL
João Alcafache, António Mesquita Figueiredo; Nuno Cunha
P083
SISTEMA ENDOCANABINÓIDE NAS PERTURBAÇÕES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR
A. Vieira Coelho, E. Moura; Patrícia Nunes; Sertório Timóteo; Isabel
Brandão; António Roma Torres
Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, Hospital de São João, Porto;
Instituto de Biologia Molecular e Celular; Departamento de Psiquiatria e Saúde
Mental, Hospital de São João, Porto.
As perturbações do comportamento alimentar, nomeadamente a
anorexia nervosa e a bulimia nervosa estão associadas a uma profunda e prolongada morbilidade física e psicossocial. É geralmente
aceite que as perturbações do comportamento alimentar têm uma
etiopatogenia complexa e multifactorial, com a participação de
factores psicossociais e biológicos. São conhecidas várias substâncias endógenas com papel regulador na ingestão alimentar e no
controlo metabólico, nas quais se incluem os endocanabinóides.
Foi recentemente sugerido para estes moduladores uma função na
etiopatogénese e/ou manutenção de alterações do comportamento
alimentar. Apesar de a investigação sobre as perturbações do comportamento alimentar ter aumentado significativamente na última
década, ainda não está descrita qualquer substância biológica com
relevância clínica nestas patologias. O sistema endocanabinóide é
um sistema de sinalização lipídica, que inclui substâncias endógenas
quimicamente semelhantes às encontradas na Cannabis, sendo os
dois mais estudados a anandamida e 2-araquidonoilglicerol. Estes
31
Sessões de Posters / Posters Sessions
moduladores actuam nos receptores de canabinóides (CB1 e CB2)
com uma ampla distribuição nos tecidos. Os endocanabinóides são
sintetizados e libertados como mediadores de sinalização retrógrada
inibitória. Em situações normais, o sistema endocanabinóide actua
como pró-orexiante, sendo já conhecido o seu efeito no hipotálamo,
onde interage com a leptina promovendo um aumento da ingestão
alimentar. Tendo por base o papel dos endocanabinóides na regulação do comportamento alimentar, no controle metabólico, e da
sua relação com leptina endógena, parece plausível considerar este
sistema um possível alvo farmacológico. Apresentamos uma revisão
sistematizada com base nos estudos mais recentes sobre endocanabinóides e comportamento alimentar, na tentativa de identificar novos
locais de modulação na abordagem terapêutica das perturbações do
comportamento alimentar.
P084
COMPLICAÇÕES CARDÍACAS NA ANOREXIA NERVOSA
Magda Ribeiro, Joana Sá Ferreira; Isabel Brandão
Centro Hospitalar Gaia - Espinho; Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra;
Hospital de São João, E.P.E.
Introdução: A Anorexia Nervosa (AN) é uma doença do comportamento alimentar potencialmente letal. Dos mecanismos associados a
este risco, os autores pretendem debruçar-se sobre as complicações
cardíacas através de uma revisão bibliográfica do tema. Resultados:
O risco de morte por problemas cardíacos pode dever-se a alterações
do tipo funcional (arritmias por hipocaliemia nas AN tipo purgativo) ou estrutural (remodelação ventricular nas AN tipo restritivo),
sendo que as alterações mais frequentemente encontradas são as
anomalias do intervalo QT e bradicardias. Outros tipos de alterações
encontradas são as alterações da pressão arterial e valvulopatias.
Conclusão: A taxa de mortalidade em doente com AN chega a ser
30 vezes superior à da população da mesma faixa etária. Os estudos
disponíveis são a favor da reversibilidade do risco com a recuperação
do peso, o que reforça a importância do diagnóstico.
P085
MULTIPLE FAMILY DAY TREATMENT: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA PORTUGUESA
Ana Eduarda Ribeiro, Ana Proença Martins; Sertório Timóteo; Isabel
Brandão
Hospital de Magalhães Lemos; Hospital São João; Hospital de São João
Introdução: Parece ser consensual que a Anorexia Nervosa (AN)
é uma síndrome com um elevado impacto na estrutura familiar,
tornando-se o princípio organizador da família. Ao longo dos últimos
anos, a Multiple Family Day Treatment (MFDT) tem sido uma das
abordagens terapêuticas de destaque no âmbito da AN, enfatizando a
família como recurso terapêutico no tratamento da doença. A MFDT
tem como objectivos facilitar a ruptura das interacções desenvolvidas
entre o sintoma e a família, bem como ajudar a superar a sensação de
incapacidade e promover a comunicação livre sobre os problemas
familiares. O encontro de várias famílias de doentes com AN permite
o contacto com diversas realidades, narrativas, regras, papeis, rituais
e mitos desenvolvidos ao longo do curso da doença, possibilitando
a abertura e a interiorização de formas alternativas na gestão do sintoma na família. Objectivos e Métodos: Os autores descrevem uma
experiência inicial da MFDT, que decorreu na Unidade do Jovem e
da Família do Serviço de Psiquiatria do Hospital de S. João e contou
com a presença de 17 famílias de pacientes anorécticos. Resultados e
Conclusões: A partilha da forma como as diferentes famílias vivem e
gerem a AN facilitou a coesão do grupo e a criação de um ambiente
favorável ao confronto com as dificuldades. O contacto com a experiência de outras famílias e a forma como estas lidam com a doença
parece ser um incentivo à elaboração e recurso a novas estratégias.
O feedback deste primeiro encontro foi inegavelmente positivo, a
avaliar pelo número elevado de participantes e pelo interesse revelado pelos diferentes núcleos familiares.
34
Saúde Mental Mental Health
P086
A IMPORTÂNCIA DA AUTO-COMPAIXÃO PARA A PSICOTERAPIA
Carla Sofia Gomes Andrade, Cláudia Ferreira; José Augusto Pinto
Gouveia
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de
Coimbra; Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra - CINEICC; Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação da Universidade de Coimbra - CINEICC
Este estudo pretende contribuir para a melhor compreensão da
Auto-Compaixão enquanto componente central no funcionamento
adaptativo do ser humano, investigando o seu impacto nos processos
de comparação e na vulnerabilidade à patologia do comportamento
alimentar. Recorreu-se a uma amostra não-clínica de 191 estudantes
do Ensino Superior. A auto-compaixão e, em geral as suas dimensões
básicas calor/compreensão, condição humana e mindfulness, apresentam associações positivas com os processos de comparação social e da
aparência física mais favoráveis, e negativas com a vulnerabilidade
à patologia do comportamento alimentar. Estes resultados revelam
diferenças estatisticamente significativas, com as mulheres mais
auto-compassivas a estabelecerem comparações, quer em termos
sociais quer da aparência física, mais positivas e a apresentarem
índices inferiores de insatisfação corporal, de procura da magreza e
de comportamentos bulímicos. A literatura acerca da importância da
auto-compaixão no funcionamento psicológico adaptativo é apoiada,
mostrando-se que as mulheres que apresentam níveis superiores de
autocompaixão exibem uma menor vulnerabilidade à patologia alimentar. Em suma, os resultados deste trabalho sugerem a pertinência
da auto-compaixão para a Psicoterapia, com efeito uma intervenção
directa ao nível desta qualidade da mente, em contexto clínico,
poderá ser um contributo essencial no tratamento da patologia do
comportamento alimentar.
P087
A ACEITAÇÃO DA IMAGEM CORPORAL: ESTUDOS DA VERSÃO
PORTUGUESA DO BODY IMAGE - ACCEPTANCE AND ACTION
QUESTIONNAIRE
Cláudia Ferreira, José Pinto Gouveia; Cristiana Duarte
Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção CognitivoComportamental, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Coimbra
O Body Image - Acceptance and Action Questionnaire (BI-AAQ; Sandoz, Wilson, & Merwin, 2009) destina-se a avaliar a flexibilidade
cognitiva e aceitação experiencial no domínio específico da imagem
corporal. Este estudo apresenta as características psicométricas e
estrutura factorial do instrumento numa amostra da população geral
portuguesa (n=679). Através de procedimentos de Análise Factorial
em Componentes Principais, verificou-se que a versão portuguesa
do BI-AAQ mantém uma estrutura unidimensional, semelhante à
encontrada na versão original, que explica 63.36% da variância. A
medida apresenta um alfa de Cronbach de .95 e valores de correlação
item-total moderados a altos (entre .503 e .817). Foi estudada a validade convergente e divergente do instrumento através da análise de
correlações com a auto-compaixão, a insatisfação corporal, índices de
patologia do comportamento alimentar, a comparação social através
da aparência física e a sintomatologia depressiva, ansiosa e stress.
Foi confirmado um padrão diferencial entre géneros, com o sexo
feminino a demonstrar níveis inferiores de flexibilidade e aceitação
da imagem corporal. O questionário apresenta uma boa validade
discriminante, verificando-se diferenças estatisticamente significativas entre uma amostra clínica de 46 doentes com perturbação do
comportamento alimentar e uma amostra de 51 sujeitos da população
geral. O questionário demonstra uma boa estabilidade temporal. Os
resultados obtidos sugerem que o BI-AAQ é um instrumento útil e
válido, com importantes implicações teóricas e práticas, nomeadamente no âmbito das perturbações do comportamento alimentar.
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
P088
PICA NO ADULTO
Lucas Manarte, João Miguel Pereira
Hospital de santa maria; Hospital de santa maria
PICA é uma síndrome rara, especialmente em adultos. Este diagnóstico deve ser feito criteriosamente, e diferenciado especialmente
da Perturbação Obssessivo Compulsiva. O objectivo do tratamento
é evitar este comportamento, devido às suas nefastas consequências
físicas, como insuficência renal ou obstrução intestinal. Nem sempre
o tratamento tem sucesso, especialmente em adultos, no quais esta
síndrome é especialmente rara. Aqui é apresentado o caso de uma
doente de 42 anos de idade, que começou a ingerir gravilha. É apresentada a descrição clínica do caso, o seu diagnóstico e tratamento.
P089
ANOREXIA NERVOSA E PSICOSE: CONCEITOS E CONTORNOS
- CASO CLÍNICO
Tiago Santos, Silvina Fontes; Sertório Timóteo; Patrícia Nunes; Isabel
Brandão; António Roma-Torres
Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental - Hospital Infante D. Pedro
- Aveiro; Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental - Hospital de S.
Teotónio - Viseu; Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, Hospital de
São João, Porto
A relação entre perturbações do comportamento alimentar e perturbações psicóticas permanece envolta em questões conceptuais e
metodológicas, das quais se destacam o estudo da prevalência das
comorbilidades, aspectos fenomenológicos das perturbações alimentares e a interface com sintomas psicóticos. Os autores propõem
uma análise crítica de algumas dessas questões, ilustradas através da
descrição de um caso clínico de uma doente com os diagnósticos de
Anorexia Nervosa e Perturbação Delirante. A esse propósito, fazem
uma revisão da literatura existente relativa à comorbilidade entre
perturbações do comportamento alimentar e psicose, focando os
aspectos que podem facilitar a avaliação mais rigorosa dos sintomas
co-mórbidos de ambos os espectros.
P090
A HISTÓRIA DA ANOREXIA NERVOSA - ANÁLISE DA DISSERTAÇÃO INAUGURAL APRESENTADA À ESCOLA MÉDICOCIRÚRGICA DO PORTO ´´O MYSTICISMO EM MEDICINA´´ DE
EVARISTO SARAIVA (1883)
Joana Sá Ferreira, João Rui Pita
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra; Faculdade de Farmácia - Universidade de Coimbra; CEIS20 - Universidade de Coimbra
A Anorexia Nervosa não é uma doença dos tempos modernos, no
sentido de ser uma perturbação que tenha surgido como algo novo
na época contemporânea. De facto quanto mais se estuda o passado
a este respeito, mais se descobre a presença desta entidade ao longo
de séculos. Quando se aborda a história das doenças do comportamento alimentar, particularmente da Anorexia Nervosa, encontramse várias situações que se denominam de Anorexia Mística, Sagrada
ou Mirabilis: mulheres, muitas delas designadas ou consagradas
como santas, que incluiam no seu comportamento de privação uma
renúncia à comida. Em relação a esta dividemse as opiniões: uns
consideram que é a mesma doença designada hoje por Anorexia
Nervosa; outros consideram que não. Os autores propõem uma
reflexão sobre o tema através da análise da dissertação inaugural
apresentada à escola médico-cirúgica do Porto, em 1883, intitulada
O Mysticismo em Medicina da autoria de Evaristo Saraiva. Apesar das
semelhanças encontradas em termos de padrão de comportamento
entre as mulheres santas e as actuais doentes com Anorexia Nervosa
alguns aspectos de que a pertubação hoje se reveste e a constelação
em que se enquadra são novos e representativos da actual cultura.
P091
SINDROME DE INGESTÃO NOCTURNA: REVISÃO A PROPÓSITO
DE UM CASO CLÍNICO
Joana Mesquita
Sessões de Posters / Posters Sessions
Hospital de Braga
Introdução: A Síndrome de Ingestão Nocturna (SIN) foi descrita pela
1ª vez em 1955. Dos critérios originais faziam parte a existência de
hiperfagia nocturna (> 25% Total kcal/dia ingeridas após a ultima
refeição), anorexia e insónia. Apenas em 1999 foram acrescentados
a estes critérios as ingestões nocturnas (acordar durante o período
do sono para comer) e a duração mínima desta sintomatologia, de
modo a poder ser classificada como patológica. Objectivos: Para
além de rever a literatura existente acerca da SIN, pretende-se tentar
perceber qual o lugar desta no DSM-IV-TR, bem como apresentar
um caso clínico relacionado com esta entidade psiquiátrica. Resultados: A característica chave da SIN consiste num atraso do ritmo
circadiano da ingestão alimentar, apesar do ritmo circadiano do sono
permanecer normal. Esta doença atinge cerca de 1.5% da população
geral, sobretudo doentes do sexo feminino e idade adulta. Factores
psicossociais podem contribuir para o agravamento da sintomatologia. Para além disso, parece existir uma vulnerabilidade genética
para esta patologia, que poderá estar relacionada com o aumento
significativo dos transportadores serotoninérgicos no mesencefalo
destes doentes (SPECT cerebral). Algumas alterações endocrinológicas são frequentemente encontradas nesta doença, bem como certas
comorbilidades psiquiátricas. Conclusões: A SIN é uma perturbação
do comportamento alimentar mas com clara sintomatologia do humor e do sono associada. Ainda existem muitas limitações e lacunas
na literatura científica desta síndrome, devido ao escasso número
de doentes incluídos nos estudos efectuados e à falta de definição
universalmente aceite. No entanto, é consensual que esta parece ser
uma das possíveis causas tratáveis de obesidade, o que justifica o
seu conhecimento.
Dependências
P092
ALCOOLISMO FEMININO: SUA PECULIARIDADES
Carina Mendonça, Emanuel Filipe Santos
CHCBEIRA
Nas últimas décadas temos assistido a uma mudança dos paradigmas
no que diz respeito ao alcoolismo que acompanhou a evolução da
sociedade moderna. Deixou de ser um problema exclusivo do sexo
masculino para passar a englobar também o sexo feminino. Entre
as mulheres, começa a afectar cada vez mais as camadas jovens, e
mulheres profissionalmente activas e ambiciosas, e não apenas a
mulher casada e submissa que bebia às escondidas. Apesar da evolução do conceito de família ao longo dos tempos, é inegável o papel
importantíssimo que a mulher ainda tem como elemento de coesão
e integração familiares, de modo que se torna prioritário educar os
profissionais de saúde para as necessidades especiais da mulher
com problemas de consumo de álcool. Pretendemos com este poster
sensibilizar para a importância deste tema muito actual e alertar
para a necessidade de mais estudos científicos, de modo a podermos
reestruturar e adequar os serviços de saúde para uma melhor eficácia
terapêutica e apoio à mulher com problemas de consumo de álcool.
P093
A PESSOA PARA ALÉM DO FUMO. REFLEXÃO COM BASE NA
CONSULTA PARA REDUÇÃO DO RISCO TABÁGICO
Miguel Trigo, Afonso Paixão; Isabel Ganhão; Eva Gonçalves; Patrícia
Pedro
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Introdução: A promoção da saúde mental no contexto de um hospital
psiquiátrico não se limita ao controlo da doença e das suas consequências na vida pessoal, social e comunitária. Impõem-se actuações
eficazes e globais na protecção, manutenção e promoção da saúde.
Estes serviços devem assumir a pessoa com doença mental como alguém capaz de participar activa e competentemente no tratamento da
sua doença, no controlo dos comportamentos de risco, na integração
psicossocial, na prevenção da recaída e na promoção da qualidade
de vida. Apoiada numa urdidura teórica complexa, outrora definida
35
Sessões de Posters / Posters Sessions
como antropocientífica, a saúde física, mental e social surge como o
objectivo de intervenção das equipas multidisciplinares. Objectivo:
Baseados em uma reflexão acerca do modelo desenvolvido na Consulta de Redução do Risco Tabágico (CRRT), do Centro Hospitalar
Psiquiátrico de Lisboa, sugerem-se cinco princípios de actuação sobre
os estilos de vida: (1) saúde, resiliência e auto-eficácia; (2) competência pessoal, auto-solução e auto-terapia; (3) matriz socio-grupal e
experiência reabilitativa global; (4) segmentação da intervenção; (5)
des-estigmatização. Conclusões: Na CRRT a prática da desabituação
vai além do parar de fumar. Considera-se que a plena cidadania exige
a garantia de acesso a cuidados diferenciados e planeados, tomando
em atenção as características particulares destes utentes. Trata-se de
uma experiência reabilitativa global que ocorre numa matriz sociogrupal e que resulta da activação da competência pessoal. O técnico
de saúde surge como um facilitador do movimento de mudança e
do processo de auto-terapia É um processo de des-estigmatização
que resulta benéfico para todos os intervenientes. Para os utentes é
a possibilidade de serem olhados como pessoas, sem o estigma do
diagnóstico psiquiátrico e da dependência tabágica, para os técnicos
é a oportunidade de transformar conceitos científicos com base na
prática clínica. Para todos é a revigorante oportunidade de aceitar
o desafio da mudança.
P094
ALCOOLISMO FEMININO E DEPRESSÃO PSICÓTICA: CASO
CLÍNICO
Emanuel Filipe Santos, Carina Mendonça
CHCBEIRA
As consequências psicológicas e sociais do alcoolismo feminino são
extremamente graves. A mulher tende a assumir a sua culpabilidade extrema, interioriza a reacção da sociedade acerca de si, e com
frequência, detesta-se a si própria. Por sua vez, esta falta de respeito
próprio dá lugar a uma perda de identidade que só agrava o problema. Apresentamos um caso clínico ilustrativo, colhido no nosso
Serviço, de Depressão Major Severa, com sintomatologia psicótica
- delírios de culpa, ruína, niilistas, e grandiosidade de conteúdo religioso, com grande incapacidade social e ocupacional, motivada pela
culpabilidade crescente da doente face à sua dependência do álcool,
e negligência familiar, após anos de negação do seu alcoolismo.
P095
AQUÉM DA REPRESENTAÇÃO SUBJECTIVA DAS EMOÇÕES
NAS TOXICODEPENDÊNCIAS: MITO OU EVIDÊNCIA?
Marco Torrado, Sílvia Ouakinin
Faculdade de Medicina de Lisboa
A abordagem psicoterapêutica junto de grupos clínicos tendencialmente resistentes a um efectivo processo de mudança tem exigido um
investimento no estudo de metodologias de avaliação dos recursos
psicológicos indispensáveis a tal processo. O referencial cognitivodesenvolvimentista de compreensão da organização da experiência
emocional tem promovido o entendimento do desenvolvimento
afectivo enquanto dependente da capacidade de representar simbolicamente as emoções, bem como inspirado a investigação em torno
das perturbações das representações subjectivas das experiências
afectivas em vários ‘terrenos’ psicopatológicos. A literatura clínica
tem salientado os défices expressivos e cognitivo-experienciais a
nível emocional manifestados na população toxicodependente, em
geral, não obstante a multiplicidade clínica do fenómeno, sendo frequentemente reconhecidos os percursos de consumos moduladores
da experiência emocional e instrumentalizados na relação dificil de
apaziguamento de afectos intoleráveis. Na sequência dos estudos da
adaptação portuguesa da Escala de Níveis de Consciência Emocional
(LEAS, de Lane & Schwartz) numa amostra de estudantes universitários (n=120), e tendo a mesma evidenciado boas propriedades psicométricas; propusemo-nos estudar um grupo de heroinodependentes
e um grupo controlo de forma a avaliar os constructos ‘consciência
emocional’ e ‘alexitimia’ que, embora conceptualmente inversos,
parecem segundo a literatura internacional não se correlacionar de
36
Saúde Mental Mental Health
modo significativo. Os dois grupos (n=26), homogéneos ao nível
da idade, género e escolaridade, foram objecto de uma entrevista e
da aplicação da LEAS e da Toronto Alexithymia Scale (TAS-20). Os
resultados sugerem uma elevação dos níveis de alexitimia no grupo
clínico e uma consciência emocional significativamente menor e
menos diferenciada (U=22.5; W=113.5; p=.001), comparativamente
ao controlo, em que os toxicodependentes parecem experienciar as
emoções de forma predominantemente sensório-motora e enquanto
tendências para a acção. Os resultados das duas metodologias correlacionaram-se negativamente, ainda que de modo não significativo,
sugerindo que as mesmas avaliam constructos relativamente diferenciados, ainda que inversos (r=-.21, p>.01). Os resultados poderão
trazer contributos para a discussão em torno da conceptualização dos
projectos psicoterapêuticos a implementar com este grupo clínico,
em função do nível de desenvolvimento da experienciação afectiva,
não obstante serem necessários outros estudos e com amostras mais
alargadas neste domínio.
P096
BENZODIAZEPINAS E SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA
Telmo Coelho, Cátia Guerra, Márcia Mota
Serviço Psiquiatria Hospital S. João - Unidade do Adulto e Idoso
As benzodiazepinas (Bz) são um grupo de fármacos que, apesar
de considerado relativamente seguro, tem alguns efeitos colaterais
importantes que podem influenciar negativamente a aptidão para
a condução de veículos. Em Portugal, tal como na generalidade
dos países europeus, os acidentes de viação causam todos os anos
milhares de mortes, constituindo um importante problema de saúde
pública. Muito caminho foi percorrido relativamente à problemática
da condução sob o efeito do álcool e de drogas consideradas ilícitas,
resultando numa grande redução da sinistralidade em Portugal desde a década de 90. No que diz respeito à regulamentação relativa à
condução sob o efeito de drogas lícitas e sujeitas a prescrição médica,
tal como as Bz, ainda existe uma grande lacuna. Este facto aliado à
crescente procura de medicamentos com actividade psicotrópica
em Portugal faz com que estes fármacos, para além de serem uma
solução terapêutica eficaz se possam, também, revelar um importante
problema de saúde pública. Estudos epidemiológicos realizados em
vários países indicam que os condutores que estão sob o efeito de
Bz têm um risco mais elevado de estarem envolvidos num acidente
de viação. A análise relativa do risco de culpabilidade pelo acidente
nestes condutores, quando tomam Bz isoladamente, é controversa.
Contudo, é bem claro que o uso concomitante de Bz com outras
substâncias psicotrópicas, mais frequentemente o álcool e a cannabis, aumentam exponencialmente o risco de responsabilidade pelo
acidente, muito para além do já existente com o consumo isolado das
últimas. A solução para este problema passará, para além de outras
medidas, por uma política eficaz de controlo à berma da estrada,
pela existência de legislação que exija a presença de prescrição médica em condutores com rastreios de Bz positivos e por uma maior
sensibilização dos profissionais de saúde e dos utentes relativamente
aos efeitos que a utilização prolongada destes fármacos pode ter na
saúde pública dos portugueses.
P097
CORES QUE SE PODEM TOCAR – UMA REVISÃO SOBRE DROGAS ALUCINOGÉNICAS
Patrícia Pedro, Adriana Moutinho
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Os alucinogénios são drogas que permitem experimentar alterações
sensoriais e perceptivas que são usadas há centenas de anos, nomeadamente em rituais místicos e religiosos. Em 1960 com o aparecimento do LSD (Lysergic acid diethylamide), o consumo de alucinogénios
massificou-se. Actualmente continua a ser uma das drogas de abuso
mais utilizada entre os jovens, apenas ultrapassada pelo álcool e pela
marijuana. Existem diversas perturbações que podem ser induzidas
pelos alucinogénios, nomeadamente: a perturbação persistente da
percepção por alucinogénios, perturbações psicóticas, perturbações
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
do humor e da ansiedade. Neste trabalho, propomo-nos fazer uma
revisão das drogas alucinogénicas, bem como das principais patologias psiquiátricas que a elas se podem associar.
P098
COMPLICAÇÕES PSIQUIÁTRICAS DECORRENTES DO CONSUMO DE ÁLCOOL: SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA
Miguel Esteves-Pereira, Raquel Ribeiro-Silva; Hernâni Carqueja; Gaspar
de Almeida
Serviço de Psiquiatria do CHVNG/E; Serviço de Psiquiatria do CHVNG/E,
Serviço de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina, Universidade do
Porto; Centro de Atendimento a Toxicodependentes da Foz, Instituto da
Droga e da Toxicodependência, I.P; Unidade de Alcoologia do Norte, Instituto
da Droga e da Toxicodependência, I.P.
Introdução: A dependência do álcool é uma patologia neurocomportamental com graves repercussões clínicas, sociais e político-económicas. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde,
as mortes e as incapacidades decorrentes do consumo de álcool
totalizarão 4,0% do peso global das doenças, existindo um alcoólico
por cada dez pessoas que tenham consumido bebidas alcoólicas alguma vez na vida. Este rácio parece ser congruente com a realidade
portuguesa, cujos relatórios oficiais apontam que cerca de 10% da
população apresenta graves incapacidades ligadas ao consumo imoderado do álcool. Destes, 50% apresentará síndrome de abstinência
alcoólica (SAA). Objectivo: Neste poster os autores propõem-se a
fazer uma revisão das principais complicações psiquiátricas secundárias à SAA, suas características, diagnóstico e orientação clínica.
Além disso, propõe-se a caracterizar outras condições psiquiátricas
associadas à dependência de álcool como as síndromes de Wernicke
Korsakoff e de Marchiava Bignami. Metodologia: Revisão da literatura
actual no que respeita às complicações psiquiátricas secundárias à
SAA. Discussão: A SAA é um quadro agudo, caracterizado por um
conjunto de sinais e sintomas autolimitados, insidiosos e pouco específicos, como agitação, ansiedade, alterações de humor (disforia),
tremores, náuseas, vómitos, taquicardia e hipertensão arterial. Tais
sintomas podem ter diferente gravidade e são secundários à interrupção total ou parcial do consumo de álcool, podendo ainda estar
associados a vários problemas clínicos e/ou outras perturbações
psiquiátricas. Estes sintomas são responsáveis por um aumento
significativo na morbilidade e mortalidade associados ao consumo
de álcool. As principais complicações psiquiátricas secundárias à
SAA são as comuns convulsões e o, mais grave e raro, delirium tremens. Conclusão: São aqui expostas as bases para o reconhecimento
das complicações psiquiátricas decorrentes do consumo crónico de
álcool, pretendendo-se auxiliar no diagnóstico precoce e tratamento
adequado, num esforço de minimizar a morbilidade e a mortalidade
associadas a tais complicações.
P099
ALCOOLISMO NO FEMININO: ANÁLISE DE 5 ANOS
Margarida Duarte, Cláudio Laureano
Hospital de Santo André, Leiria
A prevalência do alcoolismo entre as mulheres ainda é significativamente menor que a encontrada entre os homens, apesar do incremento que se tem verificado. Contudo, o consumo abusivo e/ou a
dependência alcoólica traz, reconhecidamente, inúmeras repercussões
negativas sobre a saúde física, psíquica e social da mulher, bem como
das suas famílias. O presente estudo tem como objectivo conhecer
alguns aspectos epidemiológicos e da história natural e evolutiva da
doença alcoólica nos indivíduos do sexo feminino internados entre
2005 e 2009 no serviço de Psiquiatria do Hospital de Santo André,
Leiria. Nesse sentido procedeu-se à análise dos respectivos processos
clínicos (n=71) com diagnóstico de Abuso ou Dependência alcoólica,
a qual visava o preenchimento de um inquérito por doente com
base nas informações colhidas em cada processo (internamentos e
consultas). Através do presente estudo são apresentados e discutidos
vários resultados, entre os quais cerca de 61% das doentes internadas
tinham entre 35 e 54 anos de idade, 42% são domésticas, 64% são
Sessões de Posters / Posters Sessions
casadas, apura-se disfunção familiar em 35% dos casos analisados,
24% referem que o companheiro também sofre de hábitos alcoólicos
imoderados. Cerca de 15% das mulheres iniciou o consumo de bebidas alcoólicas com mais de 35 anos de idade, sendo que a maioria
o faz em casa e sozinhas. 76% das doentes internadas nestes anos já
tinham realizado tratamento (ambulatório e/ou internamentos) e
apenas 23% não apresentavam outro diagnóstico Psiquiátrico, sendo
que 58% sofria também de Perturbação Depressiva. 45% de todas as
doentes apresentavam já outras comorbilidades médicas associadas
ao alcoolismo. De facto, o conhecimento de várias particularidades
do alcoolismo entre as mulheres é fundamental para a compreensão
de vários problemas clínicos apresentados pelas doentes. Além disso,
permite uma intervenção psicoterapêutica mais correcta e uma melhor
argumentação para a adesão das doentes à terapêutica.
P0100
PERTURBAÇÃO PSICÓTICA INDUZIDA POR SUBSTÂNCIA:
REVISÃO A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
José Daniel Rodrigues, João Campos Mendes; Ângela Venâncio;
Georgina Lapa
Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho
Entre as substâncias ilegais mais consumidas a nível mundial encontramos a cannabis e os alucinogénios, as quais constam do diagnóstico
de Perturbação Psicótica Induzida por Substância, do Manual de
Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, 4ª edição, Texto
revisto. A propósito de um caso clínico, os autores propõem-se
alertar para a importância de, perante um episódio psicótico, excluir
o consumo de substâncias ilícitas, que pode estar na sua origem.
Abordam igualmente as estratégias terapêuticas a adoptar perante
um doente que apresente sintomas psicóticos no contexto de consumo de substâncias ilícitas.
P0101
EFEITOS AGUDOS DO ÁLCOOL NO COMPORTAMENTO SEXUAL
Adriana Moutinho, Gonçalo Jorge; Alice Varanda Pereira
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa; Centro Hospitalar Lisboa Central
A crença de que o álcool pode conduzir a comportamentos sexuais
de risco e/ou inadequados é mais ou menos unânime. Mas será que
se pode falar em causalidade? Vários estudos, com diferentes metodologias, têm sido desenvolvidos ao longo das últimas décadas no
sentido de perceber a relação entre o álcool e os comportamentos e
função sexuais. Dos diversos conhecimentos que se têm adquirido
destacam-se os efeitos do álcool ao nível do processamento cognitivo,
tendo por base o Modelo do Conflito de Resposta ou Modelo da Miopia
do Álcool, bem como o efeito das expectativas. Investigação futura é
essencial, particularmente tentando colmatar as falhas e limitações
dos estudos já realizados.
Risco e Prevenção de Suicídio
P0102
TOXICODEPENDÊNCIA E SUICÍDIO – ESTUDO RETROSPECTIVO
Ana Proença Martins, Alzira Silva; Margarida Pinho; Georgina Samico
Hospital São João; IDT-Unidade de Desabituação do Norte
A impulsividade desempenha um importante papel nos comportamentos suicidários e no consumo de tóxicos. Neste contexto, torna-se
importante averiguar o risco de suicídio na população toxicodependente e possíveis factores de risco e protectores. Os objectivos das
autoras foram: determinar prevalência de ideação suicida actual ou
passada numa amostra da população toxicodependente; determinar
prevalência de história de comportamentos suicidários na mesma
amostra; estudar relação com variáveis sociodemográficas e clínicas.
A amostra consistiu em indivíduos toxicodependentes, internados na
Unidade de Desabituação do Norte (IDT - Instituto da Droga e das
Toxicodependências) para tratamento de desintoxicação em regime
de internamento completo, com admissão de Maio de 2010 a Julho
de 2010 (n=119). A recolha de dados foi feita através da consulta
dos processos de internamento dos doentes. Realizou-se tratamento
37
Sessões de Posters / Posters Sessions
estatístico dos dados. Os resultados obtidos foram: 18,5% (n=22) já
tiveram ideação suicida pelo menos uma vez na vida; 2,5% (n=3)
apresentaram ideação suicida durante o período de internamento;
10,9% (n=13) têm antecedentes de tentativa de suicídio. Estudos
indicam que, na população geral, a existência de ideação suicida
ao longo da vida é de 10-18% e a história de tentativa de suicídio
é de 3-5%. Na amostra estudada, a história de ideação suicida ao
longo da vida está ligeiramente aumentada (18,5%) e a história de
comportamentos suicidários está francamente aumentada (10.9%).
Estes dados apontam para um maior risco de suicídio na população
toxicodependente, com maior tendência para passagem ao acto,
traduzindo uma elevada impulsividade desta população.
P0103
DEPRESSÃO E SUICÍDIO: CONHECIMENTOS E ATITUDES DOS
PORTUGUESES
Susana Costa, Sónia Quintão; Ricardo Gusmão
Faculdade de Ciências Médicas - UNL
Introdução: Os preconceitos, o estigma, o medo e o défice de conhecimentos sobre depressão e suicídio podem diminuir o acesso da população aos cuidados de saúde e contribuir para que a depressão não
seja tratada e a suicidalidade não seja evitada. Objectivos: Conhecer
os comportamentos e atitudes dos portugueses face à depressão e
suicídio, criando uma linha de base sobre o que as pessoas entendem por depressão, suicídio, tratamentos e intervenções. Método:
No âmbito dos projectos European Alliance Against Depression
(EAAD), em 2009, e Optimised Suicide Prevention programs and
their Implementation in Europe (OSPI), em 2010, foram realizados
censos telefónicos a duas amostras totalizando 1450 habitantes dos
concelhos de Cascais, Oeiras, Odivelas, Amadora. Foram utilizados
os questionários Attitudes Towards Suicide (Renberg & Jacobsson,
2003), Depression Stigma Scale (Griffits, et al., 2004), Attitude Toward Seeking Professional psychological Help, Short Form (Fischer
& Farina, 1995) e Mental Health Inventory (MHI-5). Resultados:
São apresentadas as crenças e atitudes que revelam maior estigma e
as que se apresentam como as mais adequadas e apresentam-se os
resultados a nível geral, por grupos específicos com e sem sofrimento
psicológico e por características sócio-demográficas. Conclusões:
Retiram-se conclusões sobre as opiniões patentes na população e
infere-se sobre os conteúdos adequados a englobar em campanhas
públicas de prevenção na área da depressão e suicídio, sendo as principais ideias a divulgar que a depressão tem tratamento, pode atingir
qualquer pessoa em qualquer momento e que é uma doença real.
P0104
A SOMBRA DAS PALAVRAS NA HORA DO DIABO – CASO CLÍNICO DE SUICÍDIO FRUSTRADO NO IDOSO
Sofia Caetano, Nuno Cunha
Hospital São Teotónio EPE
Introdução: O envelhecimento da população é uma realidade no
nosso país, com o padrão suicidário mais idoso de toda a Europa.
Nesta faixa etária acumulam-se perdas e coabitam a depressão,
alcoolismo e dor crónica. No entanto, o suicídio é sempre um fenómeno multifactorial em que as relações sociais assumem um papel
preponderante. Caso: Idoso de 87 anos, viúvo há 4 anos, a residir
com a filha, reformado, sem antecedentes psiquiátricos, que efectua
uma tentativa de suicídio com ingestão de herbicida. Para além dos
diversos factores de risco e protectores de suicídio identificados,
evidenciam-se as longas conversas com os seus pares -“os meus
únicos momentos de alegria” (sic) -, tendo como temática o suicídio
- “as nossas cismas”(sic)- na serenidade de um banco de jardim.
Conclusões: As redes de apoio social tem um particular relevo no
suicídio nos idosos, tornando a sua contextualização essencial para
a compreensão dos comportamentos suicidários.
38
Saúde Mental Mental Health
P0105
A (IN)DEFINIÇÃO DOS COMPORTAMENTOS SUICIDÁRIOS
Carina Mendonça, Sonia Bessa
CHCBEIRA; CHCBEIRA
A temática do suicídio depara-nos com a dificuldade em definir,
delimitar e operacionalizar os comportamentos suicidas. É um tema
gerador de dúvida e interesse, desafio e aversão, curiosidade e estranheza no ser humano, levando ao desenvolvimento de diferentes
tentativas de compreensão do mesmo à luz de disciplinas como a
Filosofia, Religião, Sociologia e Psicologia. Desta forma, é usual
encontrarmos associados ao suicídio conceitos como: “suicídio consumado”, “suicídio frustrado”, “tentativa de suicídio”, “para-suicídio”,
“auto-mutilação”; “gestos autodestrutivos”; “comportamentos de
alto risco”, “comportamentos auto-lesivos”. Perante esta dificuldade
conceptual e num esforço de sistematização da própria definição da
Organização Mundial de Saúde, MacNeil apresenta quatro factores
que parecem comuns e consensuais para definir uma morte como
“suicídio”. Primeiro, o acto tem de ser letal ou potencialmente letal;
segundo, o acto tem de ser executado pelo próprio; terceiro, a pessoa
que o realiza tem de ter relativa consciência sobre a potencial letalidade do acto (embora a doença mental e a intoxicação não sejam
critérios de exclusão); e, por fim, o acto tem de ser iniciado com o
objectivo expresso de causar dano. Outro aspecto importante para
a prática clínica e que contribui para esta dificuldade conceptual,
é o facto de a ideação e/ou intenção suicida tender a ter um curso
flutuante e raramente ser um estado cognitivo estático. Este trabalho
pretende fazer uma revisão pertinente sobre esta temática e avaliar
de que forma uma única definição nosológica poderá contribuir para
uma melhor avaliação do risco suicida e comportamento suicidários
e, nesse sentido constituir uma forma de prevenção.
P0106
RISCO DE SUICÍDIO NAS PRISÕES: DIFERENÇAS CLÍNICAS E
DE NECESSIDADES ENTRE HOMENS E MULHERES EM RECL
Miguel Talina; Ana Margarida Cardoso; Sara Ribeiro; Ana Paixão; Filomena Fortes; José Miguel Caldas de Almeida; Miguel Xavier
Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Saúde Mental; Hospital Prisional São João de Deus
Introdução: Em Portugal o suicídio representa a segunda causa de
morte nas prisões. A avaliação do risco e de outros determinantes
associados são aspectos essenciais para a prevenção do suicídio. Objectivos: Identificar diferenças clínicas e necessidades nos reclusos de
ambos os sexos com maior risco de suicídio. Métodos: Foi conduzido
um estudo observacional e transversal entre Abril 2009 e 2010 nos
Estabelecimentos Prisionais de Caxias e Tires e do Hospital Prisional
São João de Deus. Foi seleccionada uma amostra de conveniência
constituídas por todos os reclusos, de ambos os sexos, que se encontravam em acompanhamento psiquiátrico no período do estudo.
Para a colheita dos dados utilizaram-se os seguintes instrumentos:
questionário sociodemográfico e BPRS 4.0, MINI 5.0.0., GAF e o
Camberwell Assessment of Need - Forensic Version (CANFOR). O risco de
suicídio foi avaliado através da secção C do MINI 5.0.0.. Resultados:
A amostra foi composta por 35 mulheres (mediana de idade: 32) e
79 homens (mediana de idade: 36). Os homens apresentaram uma
maior frequência de risco moderado/elevado de suicídio (n= 29)
em relação às mulheres (n= 10). A avaliação destes reclusos revelou
diferenças significativas entre os dois sexos: a pontuação da escala
do BPRS “sentimentos de culpa” e o número de necessidades não
satisfeitas foi superior nos homens. Nos homens, os domínios mais
frequentes de necessidades não satisfeitas foram o relacionamento
sexual, os benefícios sociais e o sofrimento psicológico enquanto que
nas mulheres foram o sofrimento psicológico, os benefícios sociais e
os contactos sociais. Conclusão: O risco de suicídio nos reclusos do
sexo masculino parece estar significativamente associado à ideação
de culpa e a um maior nível de necessidades não satisfeitas em relação às mulheres. A avaliação de necessidades psicossociais poderá
ter um impacto positivo na prevenção do suicídio nas prisões.
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
P0107
ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO BASEADAS NA
EVIDÊNCIA
Alexandra Alves, Nuno Rodrigues
Hospital Magalhães Lemos; ACES VII Porto Oriental
Introdução: O suicídio é um fenómeno complexo, sendo múltiplos
os factores que contribuem para a suicidalidade. Pela sua dimensão
e impacto na sociedade, o suicídio constitui um problema de Saúde
Pública e a sua prevenção assume um papel primordial. Objectivos:
Apresentar informação resultante da investigação na área da prevenção do suicídio. Sensibilizar para a importância da investigação neste
domínio, salientando a relevância da implementação de abordagens
de prevenção baseadas na evidência. Material e métodos: Revisão
da literatura através da pesquisa nos principais motores de busca
da literatura médicocientífica, nomeadamente a Medline, PsychInfo
e Cochrane Library, tendo sido introduzidas como palavras-chave
“suicide”, “prevention”, “depression” e “epidemiology”. Resultados:
As estratégias que mostraram evidência de maior eficácia na prevenção do suicídio incluem: Intervenções destinadas à melhoria da
capacidade de diagnóstico e tratamento das perturbações mentais;
Campanhas de informação sobre as perturbações mentais; Intervenções junto de pessoas-chave na comunidade e grupos de risco; Diminuição do acesso a meios de suicídio. Conclusões: As intervenções
destinadas à prevenção do suicídio que compreendem vários níveis
são consideradas as mais eficazes. A investigação em suicidologia
é fundamental para a melhoria das estratégias de prevenção e do
planeamento em saúde.
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O GERMINAR DE UM DELÍRIO
Maria Miguel Brenha, Filipa Sá Carneiro; Pedro Teixeira
Hospital Magalhães Lemos; Centro Hospitalar do Porto; CHMA - Centro
Hospitalar do Médio Ave
Introdução: Um estado depressivo no decorrer de um luto complicado por sentimento de culpa pode estar na génese de subsequente
formação deliróide. A partir da descrição de Alonso-Fernandez do
processo de estruturação deliroíde, os autores procuram enfatizar o
contributo da convicção delirante na adopção de comportamentos
para-suicidários. Caso Clínico: Mulher de 37 anos, sem antecedentes
pessoais psiquiátricos, deu entrada no SU por comportamento suicidário com arma branca em contexto delirante. O quadro psicopatológico terá tido início 3 meses antes, altura em que o seu pai faleceu.
O sentimento de culpa aliado a crenças, ideias sobrevalorizadas e
sintomatologia depressiva conduziram a doente a espiral de interpretações delirantes que culminaram na convicção de que o pai estaria
dentro de si. A doente referia ainda ouvir vozes de comando que
ordenavam que libertasse o pai. Num acto de obediência esfaqueou
o abdómen. Cerca de um mês após a alta, soube-se que a doente
estava grávida e que já o estaria na altura do internamento. Descrevese como a gravidez da doente, ainda em decurso, foi determinante
para o agravamento do quadro psicopatológico. Conclusão: O caso
clínico apresentado é exemplo de como estados emocionais em determinados contextos vivenciais/culturais se podem envolver num
processo de convicção delirante e estruturar-se em ideias deliróides.
Mas não foi esta apenas uma tentativa exasperada de perpetuar a
existência do pai? Estará subjacente um delírio de paternidade não
confessado? Conseguirá o momento do parto ser prova suficiente do
real? E poderá a criança escapar a tão duro legado? Não podemos
ainda deixar de notar a coincidência quase irónica entre a ideia deliróide fulcral e o desvendar da realidade. Será possível saber sem
efectivamente saber?
Perturbações da Personalidade
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PERTURBAÇÃO BORDERLINE DA PERSONALIDADE E VINCULAÇÃO: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Filipa Sá Carneiro, Maria Miguel Brenha; Júlio Brandão; Otilia Queirós
Sessões de Posters / Posters Sessions
Centro Hospitalar do Porto; Hospital Magalhães Lemos
Introdução e Objectivos: A Perturbação Borderline da Personalidade
(PBP) desenvolve-se a partir da combinação de múltiplos factores,
nomeadamente vulnerabilidade genética, experiências traumáticas
e desorganização das relações interpessoais. Sabe-se que separações
da mãe, de duração superior a um mês até aos 5 anos de idade estão
associadas a PBP na adolescência e idade adulta. Cumulativamente,
a doença mental nas mães pode interferir no desenvolvimento da
criança e levar a vinculações mãe-filho desorganizadas, com aumento
dos comportamentos auto-líticos na mãe e alto risco de autoagressividade na idade adulta para o filho. Apresenta-se um caso clínico
de mulher com PBP, ilustrativo de separação mãe-filha por tempo
prolongado. Pretende-se com este trabalho salientar a contribuição
da vinculação para a formação da personalidade e fazer uma revisão
teórica dos modelos de intervenção precoce em crianças em risco
de desenvolverem este tipo de perturbação. Caso Clínico: Mulher,
26 anos, casada, 1 filha de 3 meses, diagnosticada com PBP, com 6
internamentos prévios em psiquiatria. Internada a 30/03/2010 por
descompensação com humor fortemente deprimido, angústia marcada, aumento da tensão conjugal e comportamentos auto-líticos.
Foram autorizadas visitas da família e licenças de ensaio, mas durante
todo o tempo de internamento demonstrou relutância em estar com a
filha. Permaneceu internada 52 dias. Discussão e Conclusão: Apesar
da PBP ser um diagnóstico predominantemente da idade adulta,
desenvolve-se a partir de determinados precursores que incluem
representações mentais da infância. Segundo Bowlby, a adaptação
é sempre o produto conjunto da história do desenvolvimento e das
circunstâncias envolventes. As experiências precoces não causam
psicopatologia de forma linear, mas têm um papel significativo pela
natureza sistémica e complexa do desenvolvimento. A intervenção
precoce na díade mãe-filho pode permitir uma maior securização da
mãe com PBP, com alteração dos modelos representativos na criança.
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ASPECTOS NEUROBIOLÓGICOS DA PERTURBAÇÃO BORDERLINE DA PERSONALIDADE
João Fernandes, Francisco Dinis; João Data Franco; Paula Godinho
Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental; Centro Hospitalar Psiquiátrico de
Lisboa; Hospital de Santa Maria, CHLN
A Perturbação “Borderline” da Personalidade (PBP) é uma perturbação psiquiátrica grave com uma prevalência vitalícia estimada
em 5,9%. Estudos com gémeos evidenciam uma hereditariedade de
49-69%. Nos últimos anos, o conhecimento acerca dos mecanismos
neurobiológicos subjacentes à PBP tem-se desenvolvido rapidamente.
Os autores realizaram uma revisão da literatura focada nos contributos mais recentes e relevantes para a compreensão dos aspectos
neurobiológicos desta perturbação. Para tal, efectuaram uma pesquisa na “Medline” utilizando a associação da expressão “Borderline
Personality Disorder” com as seguintes palavras-chave: “Genetics”,
“Neurobiology”, “Biology”, “Neuroimaging”, “Imaging” e “Mechanisms”, restrita ao período de 2000 a 2010. Os estudos genéticos
evidenciam o papel que os genes reguladores dos sistemas serotoninérgico e dopaminérgico poderão desempenhar, nomeadamente na
desorganização da vinculação e na agressividade, respectivamente.
Diferentes sistemas neurobiológicos parecem estar implicados nas
manifestações da PBP, como a desregulação do eixo hipotálamohipofisário-suprarrenal, com implicações na vulnerabilidade ao stress
característica da perturbação, e alterações no sistema opióide endógeno, que poderão ter reflexo nos comportamentos auto-agressivos da
PBP. Do ponto de vista neuroimagiológico, observa-se consistentemente uma redução do volume do hipocampo em doentes com PBP;
de forma menos consistente mas considerável, foram demonstradas
alterações do volume amigdalino; a redução dos volumes do córtex
orbito-frontal e córtex cingulado anterior parecem ser marcadores
precoces da perturbação. Em diversos estudos de neuroimagem funcional foram replicados os achados de hiper-reactividade amigdalina
conjuntamente com hipoactividade pré-frontal, apoiando o modelo
de disfunção da inibição frontolímbica. Até ao momento, o estudo
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Sessões de Posters / Posters Sessions
da neurobiologia da PBP tem-se focado essencialmente na investigação dos sintomas nucleares isolados desta perturbação e menos
na inter-relação entre estes, dificultando a validação neurobiológica
desta entidade diagnóstica. No entanto, prevê-se que o conhecimento
aprofundado da neurobiologia da PBP permitirá no futuro desenvolver estratégias de intervenção farmacológica e psicoterapêutica
mais eficazes no tratamento dos aspectos sintomáticos e estruturais
que caracterizam esta perturbação.
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PSEUDOLOGIA FANTÁSTICA: REVISÃO A PROPÓSITO DE UM
CASO CLÍNICO
Joana Mesquita
Hospital de Braga
Introdução: A Pseudologia Fantastica (PF) é uma entidade psiquiátrica pouco estudada e frequentemente mal compreendida pela
maioria dos médicos e restantes técnicos de saúde. Terá sido descrita
pela primeira vez no final do século XIX, por um psiquiatra Alemão.
Posteriormente os termos mitomania e mentira patológica passaram
a ser usados como sinónimos de PF. Objectivos: Para além de rever a literatura existente acerca da PF, pretende-se tentar perceber
qual o lugar desta num dos sistemas classificativos diagnósticos da
actualidade (DSM-IV-TR) e apresentar o caso clínico de uma adolescente com PF. Resultados: A PF inicia-se frequentemente durante a
adolescência e a sua apresentação clínica é habitualmente bastante
uniforme entre os diversos doentes. As características centrais incluem uma tendência evidente para a mentira, sendo esta tanto
quantitativa como qualitativamente distinta da mentira “normal”.
Em vez da mentira ser direccionada a um objectivo concreto, surge
sem qualquer motivo externo óbvio e encontra-se frequentemente
associada a motivações internas (intra-psiquicas), que constituem
uma espécie de gratificação por si só. O único diagnóstico existente
no DSM-IV-TR que tem em conta a falsificação de factos sem motivo
aparente como uma das principais características psicopatológicas é a
Perturbação Factícia (Eixo I). No entanto, é indiscutível que algumas
Perturbações da Personalidade (Eixo II) deverão ser consideradas
como possíveis (e prováveis) comorbilidades de PF. Conclusões:
Apesar de casos de PF serem considerados como bastante raros, estes
têm sido descritos em todo o mundo. É indubitável a necessidade
de serem publicados mais estudos de casos e revisões acerca desta
entidade, de modo a definir o seu papel nos sistemas diagnósticos
actuais e futuros. É obrigatório um maior conhecimento das suas
inúmeras consequências médicas, sociais e legais.
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PERTURBAÇÕES DA PERSONALIDADE EM HOSPITAL DE
DIA - O PROGRAMA TERAPEUTICO E A ADAPTAÇÃO
SOCIO-PROFISSIONAL
Fialho, Teresa, Godinho, Paula; Centeno, Maria João
Hospital de Dia do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Departamento
de Neurociências do Hospital de Santa Maria/CHLN
Objectivos: Avaliação dos benefícios do Programa de Tratamento
em Hospital de Dia para um grupo de diagnóstico heterogéneo,
constituído por 50% de Perturbações de Personalidade Borderline
(PBL), com base na análise dos resultados da flexibilidade cognitiva
e integração sócio-profissional. Método: O Programa de Hospital
de Dia estruturado com base no modelo grupanalítico e psicanalítico tem a duração máxima de 12 meses e está organizado em 3
fases de 4 meses. Foram estudados 20 doentes com perturbações
ansiosas, afectivas e psicóticas, em comorbilidade com perturbação
da personalidade (DSM IV-TR). Os pacientes foram avaliados à
data de admissão e de alta quanto à sintomatologia, funcionamento
global, qualidade de vida, flexibilidade cognitiva e re-integração
sócio-profissional. Resultados: Os pacientes que participaram do
Programa Terapêutico do Hospital de Dia apresentaram à data da
alta benefícios relevantes com melhorias a nível sintomático, na flexibilidade cognitiva e na (re)integração sócio-profissional. Conclusão:
A estrutura do Programa de Hospital de Dia é útil na promoção da
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Saúde Mental Mental Health
re-integração sócio-profissional dos utentes em geral, incluindo o
sub-grupo de doentes com perturbação da personalidade.
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SÍNDROME DE MÜNCHAUSEN - A PROPÓSITO DE UM CASO
CLÍNICO
Regina Carvalho
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra
A Síndrome de Münchausen, subtipo de Perturbação Factícia, é
uma entidade clínica caracterizada pelo fingimento, ampliação ou
produção voluntária de sintomas predominantemente físicos com
o propósito de assumir o papel de doente (sick role). Pela sua natureza, é difícil de diagnosticar, sendo a sua verdadeira prevalência
provavelmente subestimada pela literatura clínica. Por outro lado,
quando não identificada e não tratada, frequentemente constitui-se
numa síndrome crónica de elevados custos e riscos para o doente e
para os serviços de saúde a que acorre. Pretende-se aqui expor um
caso clínico de Psiquiatria de Ligação e reflectir sobre as hipóteses de
abordagem terapêutica, alertando para a importância do diagnóstico
de Síndrome de Münchausen e para a complexidade da decisão
clínica num caso desta natureza.
P0114
MUNCHAUSEN: QUANDO AS APARÊNCIAS ENGANAM
Bruno Coutinho, Paula Felgueiras; Marisa Torres; Aníbal Fonte
Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, Unidade Local de Saúde do
Alto Minho, Viana do Castelo, Portugal; Departamento de Medicina Interna,
Unidade Local de Saúde do Alto Minho, Viana do Castelo, Portugal
Introdução: O síndrome de Munchausen é a variante mais grave e
crónica da perturbação factícia. Os pacientes simulam e/ou exacerbam sintomas de uma forma crónica para serem hospitalizados ou
sujeitos a intervenções médicas invasivas. Caso Clínico: Mulher de
38 anos. Internada em Medicina por mielite transversa por trombose
venosa da medula D5-D7 sequelar a sépsis de ponto de partida de
cateter venoso central. Bombeira, saudável até aos 24 anos de idade,
altura em que lhe é diagnosticado Síndrome de Webber-Christian
(paniculite nodular crónica, recidivante), submetida a enxerto na face
externa da coxa esquerda. Depois desenvolve anemia microcítica e
hipocrómica desde 2008 cuja causa inicial considerou-se ser uma
úlcera rectal, (submetida a sigmoidectomia e rectopexia); na altura
teve recuperação hematológica completa, mas posteriormente, teve
reaparecimento de anemia, pelo que foi submetida a vários exames
complementares de diagnóstico, todos mostraram-se inconclusivos;
desde há cerca de 1 ano é submetida a transfusões de Concentrados
Eritrocitários semanalmente; no início deste ano teve necessidade
de cateter venoso central (CVC) por maus vasos periféricos. Então
desenvolve vários quadros de sépsis por S.aureus e é notado que
sempre que está internada e vigiada, tem recuperação hematológica.
Pelo que se levantou a suspeita de ela própria manipular o cateter.
Actualmente paraplegia (nível de sensibilidade de D7) e quando lhe
foi dito que provavelmente não existia possibilidade de recuperação
neurológica, paradoxalmente ela ficou contente e disse “já sabia”.
Foi-lhe retirado o CVC, e colocados acessos periféricos que ela retira e
pede para lhe ser colocado novo cateter central. Colocou-se a hipótese
de Munchausen. Discussão: Este síndrome de difícil diagnóstico foi
estabelecido apenas ao fim de vários anos e após o cruzamento de
informação de várias especialidades. Infelizmente, como neste caso,
muitos pacientes recusam a ajuda psiquiátrica e deixam o hospital
antes de o diagnóstico ser realizado.
Psicoterapias
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O INSUCESSO NUM HOMEM DE SUCESSO (CASO CLÍNICO)
Cristina Coelho, Zélia Figueiredo
Hospital Magalhães de Lemos
Tópicos: Casamento não consumado; intimidade. Objectivos: Re-
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enquadramento / redefinição do problema sexual de um doente do
sexo masculino (casamento não consumado por disfunção eréctil)
na dinâmica do casal. Significado do insucesso sexual no funcionamento individual do paciente. Desenho e método: Doente do sexo
masculino, 27 anos de idade, com formação académica do ensino
superior, bem sucedido profissionalmente e a viver maritalmente
há 4 anos (casamento não consumado), a quem se efectuou: Avaliação Psicológica: (Minnesota Multiphasic Personality Inventory – 2
(MMPI-2); Self-esteem and relationship questionnaire (SEAR); Índice
Internacional de Função Eréctil (IIEF)); Terapia Sexual e Terapia
de Casal. Resultados: O paciente apresentava traços narcísicos de
personalidade e padrão global de funcionamento rígido, que se
foi atenuando ao longo da Psicoterapia. Procedeu-se ao reenquadramento da queixa sexual numa dinâmica disfuncional sistémica
(casal), com evolução positiva. O casamento acabou por se consumar.
Conclusões: Nesta situação de casamento não consumado, não foi
suficiente uma terapia sexual dirigida ao tratamento da disfunção
eréctil. Pode-se interpretar a queixa inicial, como um mecanismo de
defesa num contexto disfuncional mais vasto que inclui a dinâmica
do casal e o medo da intimidade relacional. Este caso revelou-se como
um exemplo da complexidade que envolve a sexualiadade humana.
P0116
TRAUMA E ARTE TERAPIA: UM ESTUDO DE CASO
Carina Rafael
Hospital Sao Joao
Este estudo foi realizado pelo Gabinete de Arte Terapia do Serviço
de Psiquiatria do Hospital São João, fruto da necessidade de criar
novos métodos para o tratamento efectivo e duradouro de vitimas de
trauma grave e/ou múltiplo. O objectivo deste estudo está em apresentar as mudanças que ocorreram no estado mental de uma paciente
no decorrer de um processo psicoterapêutico que recorre ao uso do
processo artístico como principal meio de comunicação. Este estudo
foi realizado com uma paciente de 54 anos diagnosticada com Perturbação de Stress-Pós-Traumático, vitima de abuso sexual e violência
doméstica na infância e adolescência assim como de outros traumas
e doenças psicossomáticas graves no decorrer da idade adulta. Este
estudo é o resumo de um ano de terapia, uma análise e avaliação do
estado de evolução e transformações na paciente, da transferência e
contratransferência no decorrer do processo psicoterapêutico. Este
estudo demonstra que ocorreram melhorias significativas no estado
mental da paciente, uma diminuição significativa dos sintomas, como
pesadelos e ‘flashbacks’. Uma melhoria na qualidade do sono, vida
sexual, relações familiares e sociais assim como uma diminuição na
necessidade de recurso a terapêutica medicamentosa, que se estabelece após 20 sessões e se mantém 1 ano após o inicio do processo
psicoterapêutico. O estabelecimento de uma aliança terapêutica
na qual a terapeuta e o processo artístico funcionaram como um
objecto capaz de conter e transformar experiencias devastadoras,
permitiram à paciente a integração de partes negligenciadas, um
restabelecimento e reparação da relação com o ‘self’ e mundo externo. Sendo este um estudo baseado na subjectividade inerente a um
processo psicoterapêutico desta natureza, onde se trabalha sobre os
princípios da incerteza e relatividade, pode ser considerado um mito
sem evidência, e aí talvez tenhamos que questionar onde está o mito
na evidência e a evidência no mito.
P0117
NEUROIMAGEM EM PSICOTERAPIA PSICODINÂMICA
Filipe Arantes-Gonçalves, Rui Coelho
Centro Hospitalar da Cova da Beira; Hospital de São João
Recentemente tem-se assistido a um progressivo estreitamento na
relação entre mente e cérebro. Um bom exemplo disso é o estudo
por métodos de neuroimagem das psicoterapias. Este trabalho tem
como objectivo apresentar a investigação mais recente com métodos
de neuroimagem funcional das psicoterapias psicodinâmicas. Assim
sendo, serão apresentados sob a forma de revisão um conjunto de
estudos longitudinais e respectivas metodologias no que se refere
Sessões de Posters / Posters Sessions
a várias patologias tais como: a depressão atípica, a depressão dupla, os estados mistos, a perturbação de pânico, a perturbação de
personalidade borderline, a depressão major unipolar e um estudo
sobre activação do sonho durante a psicoterapia psicodinâmica. A
investigação neuroimagiológica sobre as alterações cerebrais que
são responsáveis pelas mudanças clínicas induzidas pelas psicoterapias psicodinâmicas pode contribuir para uma conceptualização
mais integrada sobre os mecanismos de acção destes tratamentos
considerados como unicamente “psicológicos”.
P0118
A TERAPIA FAMILIAR EM CONTEXTO DE INTERNAMENTO
PSIQUIÁTRICO - A PROPÓSITO DE TRÊS CASOS CLÍNICOS
Cristina Pablo, Elisabete Frade; Maria Chai; Jose Oliveira; Filipe Vicente;
Carlos Lacerda
Centro Hospitalar Psiquiatrico de Lisboa
Objectivo: O estudo da dinâmica familiar dos doentes com patologia
aguda internados em enfermarias psiquiátricas permite identificar
precocemente situações que carecem de intervenções familiares.
Dado que a implementação de uma terapia familiar estruturada neste
contexto é complexa, os autores pretendem estudar algumas das particularidades da intervenção sistémica a propósito da apresentação e
reflexão de três casos clínicos. Método: Os autores fazem uma revisão
das últimas publicações científicas nesta área de investigação bem
como uma descrição e reflexão sobre três estudos de caso. Discussão
e Conclusões: A abordagem familiar precoce em contexto de internamento é uma área que carece de investigação. Duas das famílias
apresentadas evidenciam melhoras a nível das regras, capacidade
de comunicação e emoção expressa. Pensamos, deste modo, que a
diminuição do grau de disfunção familiar deverá ser uma vertente
a contemplar até mesmo em situações clínicas de internamento.
P0119
A TERAPIA OCUPACIONAL NOS CUIDADOS DE SAÚDE PSIQUIÁTRICOS: RELEVÂNCIA E OPORTUNIDADE
Tiago Santos, João Alcafache; Mª Prazeres Valente; Filomena Santos;
Mariana Cura
Hospital Infante D. Pedro - Aveiro; Hospital Infante D. Pedro EPE - Aveiro
Os Terapeutas Ocupacionais acreditam que há uma relação intrínseca
entre Ocupação, Saúde e Bem-estar. A intervenção destes profissionais, reside na aplicação do seu conhecimento sobre o desempenho
humano. As mudanças no desempenho são dirigidas de forma a
apoiar o envolvimento em ocupações significativas e, consequentemente, afectam a saúde, o bem-estar e a satisfação na vida. A
intervenção da Terapia Ocupacional neste departamento, tem por
base o Modelo de Ocupação Humana preconizado por Kielhofner.
Este autor vê a ocupação como um “meio” e como um “fim”. O processo de promover uma intervenção de Terapia Ocupacional pode
envolver o uso terapêuticos de ocupação como um “meio” ou como
um método para modificar o desempenho. O “fim” do processo de
intervenção ocorre com o cliente a melhorar o seu envolvimento
em ocupações significativas. Este trabalho pretende descrever a
orgânica, as abordagens e a intervenção da Terapia ocupacional, no
Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Infante
D. Pedro EPE – Aveiro, nos Serviços de Internamento de Agudos
e Hospital de Dia.
P0120
DROPOUT EM CONSULTA DE PSICOTERAPIA NO ÂMBITO DA
INTERVENÇÃO NO SNS
José João Vieira, Elisabete Frade; Elisabete Peralta; Cristina Pablo
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa; Centro Hospitalar Psiquiatrico de
Lisboa
Os autores propõem-se com este trabalho a rever a literatura cientifica
relacionada com o abandono em consulta de Psicoterapia praticada
no contexto de uma intervenção comunitária num Hospital Psiquiátrico, equacionando os determinantes envolvidos nesse abandono
e quais as possíveis causas. Vão ainda tratar a informação casuística
41
Sessões de Posters / Posters Sessions
relativamente aos dropouts existentes na consulta de Psicoterapia
realizada de Outubro de 2009 a Outubro de 2010 no CiNTRA- Centro
Integrado de Tratamento e Reabilitação em Ambulatório (Equipa de
Saúde Mental de Sintra do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa).
P0121
TENTATIVAS DE SUICÍDIO: ESTUDO DA EFICÁCIA DE DIFERENTES ABORDAGENS TERAPÊUTICAS
José Pestana Cruz, Marta Brás; Cláudia Carmo
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais; Universidade do Algarve
A intervenção junto de pacientes que realizaram tentativas de suicídio continua a ser uma preocupação partilhada pelos profissionais de saúde mental, dada a elevada prevalência deste tipo
de comportamentos e o reduzido número de protocolos (psico)
terapêuticos com eficácia clínica cientificamente comprovada, a
curto e a longo-prazo. Neste estudo pretendeu-se testar a eficácia
de um protocolo psicológico, em que se conjugou procedimentos
da terapia cognitivo-comportamental e da terapia narrativa, com
um protocolo psiquiátrico, em que se aplicou exclusivamente a
terapia farmacológica. A amostra foi formada por 60 pacientes que
realizaram tentativas de suicídio graves, sendo que 30 integraram o
“grupo cognitivo-narrativo” e os outros 30 o “grupo psiquiátrico”.
O primeiro grupo fez uma psicoterapia cognitivo-comportamental
e narrativa, durante três meses (semanalmente), e o segundo grupo
recebeu a terapia farmacológica. Os grupos preencheram medidas
sobre os níveis de depressão, desesperança e sintomatologia psicopatológica global, antes da terapia, três e doze meses depois do
início da mesma. Foi também efectuada observação naturalística.
Em relação aos resultados, no primeiro momento de avaliação
não se encontraram diferenças significativas entre os dois grupos,
ambos obtiveram valores acima da média normativa. No segundo
momento de avaliação, o “grupo cognitivo-narrativo” apresentou
melhorias significativamente mais elevadas em todas as escalas
do que o “grupo psiquiátrico”. No terceiro momento de avaliação,
estas diferenças significativas mantiveram-se no mesmo sentido. A
observação naturalística comprovou que 92.6% dos pacientes do
“grupo cognitivo-narrativo” comparativamente com 63% do “grupo
psiquiátrico” não repetiu os actos suicidas. Estes dados evidenciam
a eficácia da conjugação da terapia cognitivo-comportamental com a
terapia narrativa na intervenção com pacientes que cometeram actos
suicidas, em comparação com a terapia farmacológica. Além disso,
o facto de a melhoria clínica do primeiro grupo se manter a curto
e médio-prazo sugere a importância da intervenção psicológica na
manutenção do sucesso terapêutico.
Tratamentos Biológicos
P0122
DERMATOTILEXOMANIA: UM CASO CLÍNICO COM BOA RESPOSTA Á OLANZAPINA
Maria João Cruz, João Marques; Miguel Bragança
Hospital de São João
A Dermatotilexomania, também designada por escoriação neurótica
ou psicogénica, consiste numa síndrome dermatológica comum,
usualmente associada a patologia psiquiátrica. Ocorre predominantemente no sexo feminino, principalmente entre os 30 e 50
anos de idade, podendo contudo manifestar-se em qualquer idade.
Caracteriza-se pela presença de lesões cutâneas autoinfligidas compulsivamente, muitas vezes, em áreas que apresentam previamente
alguma alteração. As lesões surgem como pequenas elevações na
pele, criadas pelo constante hábito de arrancar ou raspar a pele, e
evoluem para escoriações redondas, ovais ou lineares, distribuídas
bilateralmente ou simetricamente em locais de fácil acesso das mãos.
O acompanhamento Psiquiátrico e Dermatológico dos doentes é
essencial, contribuindo para uma melhor evolução e prognóstico da
doença. Neste sentido os autores descrevem o caso de uma doente
que apresentava Dermatotilexomania de longa data e com resposta
deficitária aos diversos tratamentos dermatológicos instituídos. Após
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Saúde Mental Mental Health
avaliação psiquiátrica e instituição de farmacológica de olanzapina
em baixa dosagem, apresentou melhoria significativa em 4 semanas,
com abandono dos comportamentos auto-lesivos.
P0123
OBSTACULOS AO TRATAMENTO DA DOENÇA MENTAL
José Dias Tavares, António Pedro Silva; Ondina Matos; Emilia Prudente
Hospital Infante D. Pedro
Apesar de toda a evolução no tratamento da doença mental e na
evidencia dos ganhos com as terapias modernas( farmacológicas e
não farmacológicas), os obstáculos ainda são inúmeros. Estes vão
desde a negação da doença até ao preconceito, medos, mitos,.. entre
muitos outros.
P0124
CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE DE ELECTROCONVULSIVOTERAPIA DO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE
LISBOA (C
Filipe Silva Carvalho, Adriana Moutinho; Luís Mendonça; Inês Cunha
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Introdução: A electroconvulsivoterapia é largamente utilizada em
pacientes com doença psiquiátrica resistente ao tratamento farmacológico. Contudo, existe controvérsia acerca da duração mínima da
convulsão eficaz. Objectivos: Caracterizar socio-demograficamente
a Unidade de Electroconvulsivoterapia do CHPL; encontrar uma
correlação entre a melhoria clínica avaliada pelas escalas PSAS,
PANSS e HAM-D e tanto a duração média da convulsão como
a energia média usada; avaliar os resultados nos pacientes com
convulsão <20s. Métodos: Foram criados três grupos de doentes
de acordo o diagnóstico segundo a CID-10. As escalas mencionadas foram aplicadas no início e no final do tratamento: depressão
(F31.3-5; F33; F20.4; F25.1) - HAM-D; esquizofrenia/perturbação
esquizoafectiva/ doença bipolar – mania ou estado misto (F20.X,
F25.X, F31.0, F31.6) - PANSS; qualquer dos diagnósticos - PSAS. A
correlação entre a melhoria em cada escala e tanto o tempo médio de
convulsão como a energia média utilizada foi investigada usando o
coeficiente de correlação de Pearson. Os grupos foram subdivididos
segundo a duração da convulsão (cut-off 20s) e a melhoria média
nas diferentes escalas determinada para cada subgrupo. Resultados:
Não existe correlação entre as variáveis analisadas (=0,05). Variação
HAM-D (N=102): duração da convulsão (r=0,004) e energia (r=0,106).
Variação PANSS (N=43): duração da convulsão (r=0,07) e energia
(r=0,046). Variação PSAS (N=147): duração da convulsão (r= - 0,043) e
energia (r= 0,143). Não existe diferença estatisticamente significativa
na melhoria média nas escalas HAM-D, PANSS ou PSAS entre os
subgrupos 20s e <20s (11.29 vs 13.94; 30.85 vs 29.19 e 19.07 vs 22.65,
respectivamente). Conclusão: A média do tempo de convulsão e da
energia não se correlacionam com os resultados clínicos. A convulsão
com duração inferior a 20s não implica piores resultados.
P0125
ENCEFALOPATIA ASSOCIADA AO ÁCIDO VALPRÓICO
Raquel Pedrosa, Mário Viana
Hospital de São João
Neste trabalho os autores procuram fazer uma revisão sobre a encefalopatia hiperamonémica relacionada com o ácido valpróico, uma
vez que este é um fármaco amplamente utilizado na Psiquiatria como
estabilizador de humor, sendo geralmente bem tolerado. Contudo
tem inúmeras interacções medicamentosas e toxicidade; nomeadamente a nível hepático e pancreático, podendo também causar
trombocitopenia e hiperamonemia. Descreve-se um caso de uma
doente do sexo feminino, com 77 anos de idade, acompanhada em
consulta de psiquiatria por quadro demencial, com epilepsia, estava
medicada com rivastigmina, ácido valpróico, fenitoína e risperidona.
Foi trazida ao Serviço de Urgência de Psiquiatria por períodos de
agitação. O estudo analítico, revelou níveis terapêuticos de ácido
valpróico e de fenitoína, os níveis de amónia estavam elevados (120),
ligeiro aumento da GGT, restantes enzimas hepáticas normais, estudo
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
da coagulação normal. A hiperamonemia pode ocorrer após uma
sobredosagem aguda ou uso crónico de ácido valpróico. Um aumento
plasmático de amónia ocorre em aproximadamente 50% dos doentes
tratados com ácido valpróico, e, é assintomática em quase metade
dos casos. A encefalopatia hiperamonémica relacionada com o ácido
valpróico pode cursar sem alterações da função hepática e apresenta
as seguintes características: Confusão mental, letargia, vómitos e
aumento da frequência de crises. A progressão para coma e morte
raramente ocorre; o início pode ser imediato, com aumento do ácido
valpróico, ou insidioso, com a terapia crónica de ácido valpróico; o
grau de encefalopatia não está claramente relacionado com os níveis
séricos de VPA, que podem estar na faixa normal. Os níveis séricos
de amónia devem ser monitorizados se há uma suspeita clínica de
encefalopatia hiperamonémica relacionada com o ácido valpróico.
A terapêutica com ácido valpróico deve ser interrompida imediatamente se os níveis de amónia estiverem aumentados. Tanto para os
doentes com uso crónico de ácido valpróico, como em casos agudos
de estupor e encefalopatia, é importante o reconhecimento de uma
eventual hiperamonemia de base, para abordagem terapêutica precisa, principalmente considerando que esta situação é geralmente reversível com a suspensão do fármaco. Torna-se, portanto, relevante o
monitorização da amónia nos doentes que utilizam o ácido valpróico.
P0126
CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE DE ELECTROCONVULSIVOTERAPIA DO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE
LISBOA (CHPL)
Adriana Moutinho, Filipe Silva Carvalho; Luís Mendonça; Inês Cunha
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Introdução: A electroconvulsivoterapia é largamente utilizada em
pacientes com doença psiquiátrica resistente ao tratamento farmacológico, com taxas de remissão perto de 50% e de resposta entre 6070%. O índice de supressão pós-ictal (ISPI) tem sido correlacionado
positivamente com os resultados clínicos. Objectivos: Caracterizar
os resultados terapêuticos da Unidade de Electroconvulsivoterapia
do CHPL; encontrar uma correlação entre a melhoria clínica avaliada
pelas escalas HAM-D, PANSS e PSAS e o ISPI. Métodos: Os dados
dos doentes foram colhidos e divididos de acordo com o diagnóstico segundo a CID-10. As escalas mencionadas foram aplicadas
no início e no final do tratamento: depressão (F31.3-5; F33; F20.4;
F25.1) – HAM-D; esquizofrenia/perturbação esquizoafectiva/doença
bipolar – mania ou estado misto (F20.X, F25.X, F31.0, F31.6) - PANSS;
qualquer dos diagnósticos – PSAS. A correlação entre a melhoria em
cada escala e o ISPI foi investigada usando o coeficiente de correlação
de Pearson. Resultados: Dos 101 pacientes com depressão, 33,7%
demonstraram remissão e 49,5% resposta ao tratamento, numa
média de 11 sessões. A redução da pontuação na escala HAM-D foi
significativamente superior nos doentes com pontuações iniciais >
18 versus 18 (52,9% versus 37,75%). Os pacientes com depressão
unipolar (N=72) e depressão bipolar (N=22) revelaram resultados
comparáveis (resposta:47,2% versus 52,4%; remissão: 30,6% versus
40,1%). Os doentes com esquizofrenia (N=43) apresentaram taxas
de resposta mais elevadas: 88%. Não foi encontrada correlação entre
o ISPI e a melhoria nas escalas HAM-D, PANSS ou PSAS (r=-0,1;0,01;-0,07). Conclusão: As taxas de resposta e remissão nos pacientes
com depressão foram inferiores às encontradas na literatura, excepto
naqueles com doença mais grave. Essas taxas são comparáveis às
encontradas noutros estudos quando se trata de doentes com esquizofrenia. O ISPI não se correlaciona com os resultados clínicos.
Palavras-chave: Terapia electroconvulsiva; melhoria clínica; índice
de supressão pós-ictal; PANSS; HAM-D; PSAS.
P0127
AS DIFERENTES TRAJECTÓRIAS DE RESPOSTA AOS ANTIPSICÓTICOS: ANTIPSICÓTICOS VERSUS PLACEBO
Tiago Reis Marques, Tamara Arenovich; Ofer Agid; Gautam Sajeev;
Bengt Muthén; Lei C. Chen; Bruce J. Kinon; Shitij Kapur
Institute of Psychiatry, Kings College, London; Centre for Addiction and Mental
Sessões de Posters / Posters Sessions
Health, Toronto, Canada; Graduate School of Education and Information,
UCLA, Los Angeles; Lilly Research Laboratories, Eli Lilly and Company,
Indianapolis, USA
Introdução: Está bem estabelecido que os antipsicoticos são mais
eficazes que placebo. No entanto, permanece por saber se os antipsicóticos induzem trajectórias de resposta diferentes do placebo.
Utilizámos uma abordagem aos dados, chamada “grow mixture
modelling”, para identificar os diferentes tipos de padrão de resposta
observado nos ensaios clínicos com antipsicóticos e determinar se
os individuos tratados com placebo ou antipsicóticos tinham trajectórias similares ou diferentes. Método: Examinámos dados de 420
doentes com esquizofrenia tratados por 6 semanas em dois ensaios
clínicos randomizados, duplamente cegos, e controlados por placebo, utilizando haloperidol e olanzapina. Foi utilizado o método
de “grow mixture modelling” para identificar as trajectórias dos
doentes tratados com antipsicóticos versus os doentes tratados com
placebo; foram também examinadas se as trajectórias para as diferentes dimensões da doença (sintomas positivos versus negativos)
eram identicos ou diferentes. Resultados: Os sintomas positivos
responderam de acordo com 4 distintas trajectórias, sendo que as
duas trajectórias mais comuns (“Respondem” e “Respondem Parcialmente”) englobam 70% dos casos e sendo observado proporcionalmente no grupo em placebo e no grupo em antipsicótico. A maior
diferença entre doentes os antipsicóticos e o placebo é observada no
grupo “Respondem Dramáticamente”, somente observada no grupo
tratado com antipsicótico. A resposta aos sintomas negativos é mais
modesta e não apresenta estas distintas trajectórias. Conclusão: Os
modelos de trajectórias de resposta, mais do que a simples dicotomia
respondedores/não respondedores, fornece uma melhor abordagem
estatística de como os antipsicóticos actuam. O grupo dos que “Respondem dramaticamente” – aqueles com uma resposta sintomática
superior a 70% - foram somente observados entre os indivíduos
que tomaram antipsicótico e contribuiram substancialmente para
a diferença entre o fármaco e o placebo. Identificar e estudar este
subgrupo pode fornecer um conhecimento detalhado de como os
antipsicóticos actuam.
P0128
VIRAGEM MISTA PÓS - ELECTROCONVULSIVOTERAPIA – UM
CASO CLÍNICO
Liliana Paixão, Maria João Avelino
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
A electroconvulsivoterapia (ECT) é um tratamento seguro e eficaz
para várias doenças psiquiátricas, usado há quase meio século, não
devendo ser deixado apenas para último recurso. Desconhece-se
ainda o seu exacto funcionamento, havendo algumas teorias que o
tentam explicar: teoria dos neurotransmissores, teoria anticonvulsivante e teoria neuroendócrina. A ECT deve ser considerada prioritária ao tratamento farmacológico quando há necessidade de resposta
rápida e definitiva devido à severidade da doença psiquiátrica ou
médica, risco acrescido com outro método, história de baixa resposta
aos psicofármacos ou boa resposta à ECT, e preferência do doente.
O uso secundário da ECT faz-se quando existe resistência a um tratamento adequado, intolerância à farmacologia, ou deterioração do
estado psiquiátrico ou médico, com rápida necessidade de resposta.
As três indicações diagnósticas por excelência da ECT são Depressão
Major (em que entre 50 e 60% dos doentes sem resposta ao tratamento
adequado com antidepressivos, respondem favoravelmente), Mania
(os estudos sugerem que a eficácia da ECT na mania aguda é igual
ou superior à do Lítio e da Clorpromazina) e Esquizofrenia (apesar
de precocemente se ter verificado que a eficácia da ECT nas doenças
afectivas é maior do que nesta patologia). Existe um risco real de
viragem maníaca ou hipomaníaca em doentes com Depressão Major
submetidos a ECT, sendo maior nos casos em que o quadro faz parte
do espectro Bipolar. Menos comum é a viragem para estado misto.
Os autores apresentam o caso clínico de um homem de 39 anos com
história de acompanhamento psiquiátrico por doença afectiva, com
quatro anos de evolução. Devido a Depressão Major com ideação
43
Sessões de Posters / Posters Sessions
suicidária resistente a tratamento farmacológico, com a necessidade
de diversos internamentos, procedeu-se a um ciclo de ECT de 14
sessões, ainda durante o qual se veio a manifestar sintomatologia
compatível com Episódio Misto.
P0129
OS SETE PECADOS MORTAIS (E AS SETE VIRTUDES!) DA TERAPÊUTICA PSICOFARMACOLÓGICA
Manuel Bartilotti Matos
Hospital Magalhães Lemos
Recorrendo a uma alegoria, os sete pecados mortais e as sete virtudes
teologais, o autor apresenta a sua perspectiva pessoal sobre as causas
de possiveis erros terapêuticos bem como a maneira de os evitar.
P0130
A IMPORTÂNCIA DE UMA ABORDAGEM CONJUNTA, PSIQUIÁTRICA E DERMATOLÓGICA, NO SÍNDROME DE EKBOM
João Marques, Maria João Cruz; Teresa Baudrier; Alberto Mota; Miguel
Bragança
Hospital de São João
O Delírio de Parasitose ou Síndrome de Ekbom consiste num quadro
psiquiátrico raro, no qual os doentes apresentam a persistente e falsa
crença de que a sua pele está infestada por parasitas. Estes doentes
geralmente alegam várias sensações cutâneas e a visualização de
parasitas, os quais não são confirmados por outros. Assim, na tentativa de eliminar a alegada infestação, apresentam uma série de
comportamentos geralmente previsíveis, nomeadamente a procura
de cuidados e tratamentos dermatológicos, uma vez que os sintomas
de apresentação incluem lesões cutâneas, tais como escoriações. No
entanto, o sucesso do tratamento requer uma abordagem conjunta,
dermatológica e psiquiátrica, no sentido de melhorar a adesão terapêutica e o prognóstico. Neste sentido, os autores apresentam um
caso de delírio de parasitose onde a boa interacção e abordagem
conjunta da doente pelas duas especialidades contribuiu para uma
melhor adesão à terapêutica e um melhor prognóstico.
P0131
DESENVOLVIMENTO DE UM PANFLETO INFORMATIVO SOBRE
O LÍTIO
Vanessa Pais, Tiago Rebelo; Jorge Pereira
Hospital de Magalhães Lemos
Introdução: A má-adesão à terapêutica é umas das causas mais
frequentes de incongruência entre a eficácia dos medicamentos e
a sua efectividade. As crenças sobre a Saúde são, pelo menos em
parte, baseadas na informação recebida pelo doente, sendo de esperar que o conhecimento sobre os medicamentos influencie a adesão
terapêutica. A disponibilização de informação sobre os tratamentos
propostos é uma das formas existentes de envolver o doente no seu
plano de cuidados e reforçar a adesão terapêutica. Por outro lado,
na situação específica de tratamento profilático com lítio, o doente
encontra-se frequentemente estável e o intervalo entre as consultas
é, habitualmente, de alguns meses, exigindo ao doente a capacidade
de gerir a sua medicação e identificar precocemente sinais de alerta.
Objectivo: Desenvolver um folheto informativo, dirigido aos doentes com Perturbação Afectiva, sobre o Lítio. Metodologia: Pesquisa
bibliográfica e redacção de Folheto Informativo. Discussão do folheto
elaborado em reunião de Equipa Multidisciplinar e revisão de acordo
com as propostas realizadas. Discussão do folheto revisto com um
grupo de doentes com Perturbação Afectiva, atendendo à percepção
de utilidade e compreensibilidade da informação. Resultados: Folheto Informativo sobre tratamento com Lítio na Patologia Afectiva,
revisto de acordo com uma equipa multidisciplinar e com um grupo
de discussão de doentes com Perturbação Afectiva. Conclusão: A
evolução da Medicina no sentido do envolvimento do doente no seu
plano de cuidados exige dos profissionais de saúde a capacidade de
disponibilizar informação adequada que possibilite ao doente realizar opções informadas e participar na gestão do seu tratamento. A
disponibilidade de informação escrita credível, contendo informação
44
Saúde Mental Mental Health
adequada sobre o tratamento com Lítio, fornece aos profissionais de
saúde mais uma ferramenta no sentido de assegurar a optimização
do tratamento de doentes com Perturbação Afectiva.
P0132
PSICOFÁRMACOS NA GRAVIDEZ: RISCOS E BENEFÍCIOS
Nelson Oliveira, Abigail Ribeiro; Catarina Fonseca; Joana Jorge; Manuela Araújo; Fátima Magalhães
Hospital de Magalhães Lemos; Centro Hospitalar do Porto
A doença mental durante a gravidez constitui um importante desafio
terapêutico na prática da Psiquiatria. Se por um lado, da descompensação psiquiátrica podem resultar efeitos nefastos para a mãe e
para o feto, por outro, o seu tratamento com psicofármacos pode
condicionar importantes complicações obstétricas e teratogénicas,
entre outras. A investigação do perfil de segurança dos psicotrópicos durante a gravidez é limitada por questões éticas óbvias. Por
este motivo o conhecimento nesta área é ainda muito incerto e a
tendência geral é a de evitar a prescrição medicamentosa durante o
período gestacional. Pretende-se, neste trabalho, fazer uma revisão
das recomendações actuais da prescrição psicofarmacológica durante
a gravidez. Neste sentido foi efectuada uma pesquisa bibliográfica
no motor de busca “Medline” das palavras-chave “Psychotropic
Medication” e “Pregnancy” e consultaram-se livros de texto de referência. Da literatura existente verifica-se que, e até à data, nenhum
psicotrópico foi considerado totalmente isento de risco. Existem, no
entanto, dentro de cada grupo farmacológico, opções terapêuticas
mais seguras e com menor incidência de efeitos adversos. A decisão
do uso/descontinuação de psicofármacos durante a gravidez deve
ser sempre individualizada e baseada na ponderação risco/benefício,
tendo em linha de conta as evidências científicas mais actuais e as
próprias expectativas da doente.
P0133
PSIQCARE – SISTEMA DE INFORMAÇÃO DESTINADO AO
PROGRAMA DE ANTIPSICÓTICOS EM FORMAS DE ABSORÇÃO
PROLONGADA DO SERVIÇO DE PSIQUIATRIA DO HOSPITAL
SÃO JOÃO
Susana Fonseca, Tiago Silva-Costa; António Sousa; Ricardo CruzCorreia; Maria João Magalhães; Rosário Curral
Serviço de Psiquiatria do Hospital São João; Serviço de Bioestatística e
Informática Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto;
Serviço de Informática do Hospital São João
Introdução: Muitos doentes psicóticos crónicos apresentam dificuldades de adesão terapêutica. A utilização de fármacos antipsicóticos
em formas de absorção prolongada pode constituir uma vantagem
em termos de melhoria da adesão terapêutica, identificação imediata
do incumprimento da medicação e possibilidade de intervenção. O
Serviço de Psiquiatria do Hospital São João dispõe de um Programa
de Antipsicóticos em Formas de Absorção Prolongada que inclui
cerca de 250 doentes, na sua maioria com esquizofrenia. Objectivo:
Apresentação do sistema de informação em ambiente Web de registo,
informação e gestão dos doentes que frequentam o Programa de
Antipsicóticos em Formas de Absorção Prolongada do Serviço de
Psiquiatria do Hospital de São João (Porto), denominado PsiqCare.
Descrição: O PsiqCare tem como principais objectivos: permitir a
monitorização efectiva da terapêutica instituída; implementar um
sistema de avisos automatizados por SMS para doentes (lembrando
a data de administração) e para os doentes, seus familiares e profissionais de saúde (em caso de não comparência do doente); facilitar o
acesso, modificação e actualização dos dados demográficos, clínicos
e terapêuticos dos doentes; e criar um sistema de agendamento
informatizado. Com a implementação do PsiqCare espera-se obter
melhor adesão terapêutica dos doentes, melhor monitorização do
processo de adesão terapêutica, maior rigor no acompanhamento
da evolução clínica dos doentes, melhor facilidade de comunicação
entre os diversos profissionais de saúde e melhoria da eficiência e
qualidade dos cuidados clínicos prestados. O PsiqCare foi desenvolvido em conjunto pela Unidade de Psiquiatria Comunitária e
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
Sessões de Posters / Posters Sessions
Hospital de Dia do Serviço de Psiquiatria do Hospital de São João e
pelo Serviço de Bioestatística e Informática Médica da Faculdade de
Medicina da Universidade do Porto. O projecto foi aprovado para
financiamento após candidatura aos Programas Inovadores do Plano
de Saúde Mental, em 2009.
A abordagem é essencialmente de grupo, contudo existe também
apoio individual. Este trabalho pretende ilustrar, com base num caso
clínico, o funcionamento do HDELC, enfatizando os aspectos da
abordagem médica no que diz respeito ao esclarecimento diagnóstico
e intervenção farmacológica.
P0134
MEDICAMENTOS PARA PSIQUIATRIA HÁ CEM ANOS: O FORMULÁRIO ESPECIAL DOS MEDICAMENTOS PARA O HOSPITAL
DE ALIENADOS EM RILHAFOLES (1901)
João Rui Pita, Ana Leonor Pereira; Joana Sá Ferreira; José Morgado
Pereira
Faculdade de Farmácia - Universidade de Coimbra; CEIS20 - Universidade
de Coimbra; Faculdade de Letras - Universidade de Coimbra; CEIS20 - Universidade de Coimbra; Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra; CEIS20
- Universidade de Coimbra; CEIS20- Universidade de Coimbra
Os autores dão a conhecer resultados da investigação realizada sobre
o Formulario Especial de Medicamentos para o Hospital de alienados em Rilhafoles (1901), um formulário de medicamentos para doenças mentais
do mais antigo hospital psiquiátrico português (1848), mostrando a
sintonia do formulário com a terapêutica medicamentosa vigente,
tanto nacionais como internacionais. O Formulario é publicado num
período de profundas alterações farmacológicas e de inovações
fármaco-terapêuticas e, também, da aplicação de variadas terapias
não medicamentosas em psiquiatria. Contudo, deve sublinhar-se que
esse impacto foi muito mais reduzido do que a clorpromazina viria a
ter nos anos 50. Os autores quantificam o número de fármacos e de
formas farmacêuticas existentes, avaliando as formas farmacêuticas
e os grupos terapêuticos mais utilizadas na época em psiquiatria e
inscritos no formulário. A edição do Formulario resultou da necessidade verificada de normalizar a medicação específica para os doentes
mentais. No Formulario existem 61 medicamentos diferentes. Estes
encontravam-se divididos em 8 formas terapêuticas sendo as poções
as mais referidas (32). Os hipnóticos ocupavam cerca de metade
dos medicamentos (28), seguindo-se os chamados hipocinéticos (9)
e, ainda, os analgésicos e antipiréticos (8). Do estudo em questão
pode-se concluir que a variedade de medicamentos em termos fármacoterapêuticas era escassa. A edição do formulário resultou, em
grande parte, do trabalho realizado pelo médico psiquiatra Miguel
Bombarda (1851-1910), figura de grande projecção política na medicina e no combate político-cultural. O estudo foi realizado através da
análise documental, quantitativa e qualitativa, do formulário referido
com recurso ao método comparativo, tendo sido ainda analisados,
também, alguns dos tratados terapêuticos mais significativos na
material, tanto nacionais como estrangeiros. Com o presente estudo
pretende-se contribuir para avaliar o modo como Portugal recebeu
e colocou em prática as inovações terapêuticas medicamentosas e
contribuir para a história das terapias psiquiátricas em Portugal, em
particular nos hospitais psiquiátricos.
P0136
QUETIAPINE SR MONOTHERAPY, QUETIAPINE SR + ONGOING
ANTIDEPRESSANTS AND LITHIUM + ONGOING ANTIDEPRESSANTS IN PATIENTS WITH TREATMENT-RESISTANT MAJOR
DEPRESSIVE DISORDER
Maria Luísa Figueira, Elsa Lara; Lurdes Santos; Rodolfo Albuquerque;
Michael Bauer
Faculdade de Medicina de Lisboa
Objective: Up to 50% of patients with major depressive episodes
do not respond sufficiently to first-line treatment. Aim: to evaluate
efficacy of quetiapine SR+antidepressant (AD) and quetiapine SR
monotherapy versus lithium+AD in patients with treatment-resistant
MDD (Stage I/II, nonresponders to one or two ADs) and MADRS
score 25. Methods: Six-week, open-label, randomised, rater-blinded
study. Patients received quetiapine SR (300mg/day)+AD (SSRIs/
venlafaxine) or monotherapy, or lithium (0.6-1.0mmol/L)+AD.
Primary outcome: change from baseline at Week 6 in MADRS score.
Non-inferiority of quetiapine SR+AD or quetiapine SR monotherapy
versus lithium+AD was evaluated (pre-specified non-inferiority
limit: 3 MADRS points; per-protocol population). If non-inferiority
was demonstrated, superiority testing was performed (modified ITT
population). Secondary assessment: Clinical Global Impression-Improvement (CGI-I). Results: 688 patients were randomised: 231, quetiapine SR+AD; 228, quetiapine SR monotherapy; 229, lithium+AD.
Quetiapine SR+AD and quetiapine SR monotherapy were noninferior
to lithium+AD: LSM differences (97.5%CI) in MADRS score change
-2.32 (-4.6, -0.05) and -0.97 (-3.24, 1.31), respectively. Non-inferiority
demonstrated for quetiapine SR+AD in patients with 1 and 2 treatment failures and for quetiapine SR monotherapy in patients with 2
treatment failures. Superiority testing of primary outcome showed no
significant difference between quetiapine SR and lithium. Quetiapine
SR+AD was significantly more effective than lithium+AD (p<0.05)
in MADRS change from baseline (analysis discounting multiplicity);
significance observed from Day 4 (p<0.01) onwards. Proportions of
patients ‘much’/’very much’ improved (CGI-I) were: 66.8% quetiapine SR+AD, 61.8% quetiapine SR, 60.2%, lithium+AD. Conclusions:
Quetiapine SR+ongoing AD and quetiapine SR monotherapy were
non-inferior to lithium+ongoing AD in patients with treatmentresistant MDD for the primary outcome. There was an early efficacy
advantage (MADRS scale) for quetiapine SR+AD compared with
lithium +AD; in a post-hoc endpoint analysis significant superiority
of quetiapine SR+AD compared with lithium+AD was seen.
P0135
HOSPITAL DE DIA: O PAPEL DO PSIQUIATRA
Adriana Moutinho, Ana Margarida Baptista; Vânia Baptista; Guilherme
Canta; Olga Correia; Rui Durval
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Os hospitais de dia psiquiátricos são unidades de internamento
parcial a curto ou médio prazo que se destinam ao tratamento de
doentes mentais em fase aguda, em fase de transição após alta de
internamento completo, com necessidade de acompanhamento
intensivo ou doentes com patologia prolongada que necessitam de
apoio comunitário. Estas unidades terapêuticas podem apresentar
diversos modelos de funcionamento, cuja base comum é a abordagem multidisciplinar dos pacientes. O Hospital de Dia Eduardo Luís
Cortesão (HDELC), fundado em Outubro de 1999, integra os serviços
do Sector L do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (Pólo Miguel Bombarda). A equipa multidisciplinar, constituída por médico
psiquiatra, enfermeira, psicólogo, terapeuta ocupacional e assistente
social, coordena diversas actividades com finalidade terapêutica.
Epidemiologia Psiquiátrica
P0137
PSICOSE CRÓNICA: CAUSA OU EFEITO?
Mónica Santos, Ana Eduarda Ribeiro; Estefania Gago
Hospital de Magalhães Lemos
Introdução: Os processos psicóticos crónicos caracterizam-se, geralmente, por uma atenuação dos sintomas positivos e pelo agravamento de sintomas negativos (afecto embotado, apatia, anedonia, entre
outros). O tratamento da psicose crónica pretende não só a prevenção
de recaídas, mas também a optimização do nível de funcionamento
do indivíduo. A terapêutica psicofarmacológica tem um efeito favorável sobre a evolução da doença, ainda que não seja curativa. Uma
relação terapêutica de qualidade pode facilitar o equilíbrio entre
os efeitos terapêuticos e secundários da medicação, promovendo a
adesão à terapêutica. O contexto sócio-familiar em que o doente se
encontra inserido também é determinante na evolução das psicoses
crónicas. A presença de uma rede social de apoio estruturada actua
como um importante factor de protecção, e a desintegração social
45
Sessões de Posters / Posters Sessions
pode ocorrer quando as estruturas disponíveis são insuficientes.
Objectivos: As autoras pretendem caracterizar demograficamente
uma amostra de doentes com psicose crónica, através da análise do
enquadramento sócio-familiar destes indivíduos. Métodos: Estudo
descritivo transversal de uma amostra de 154 doentes com o diagnóstico de psicose crónica, residentes nos concelhos da Póvoa do Varzim
e Vila do Conde, acompanhados em consulta externa de Psiquiatria.
Resultados e Conclusões: Verificou-se um predomínio do sexo
masculino e uma média de idades de 45,9 anos. Em termos sociais,
apurou-se que apenas 23% dos doentes estão casados ou vivem
em união de facto. Uma mínima percentagem de indivíduos (17%)
encontra-se profissionalmente activa e 14% estão institucionalizados.
A psicose crónica parece revelar-se assim uma entidade complexa,
com importantes repercussões familiares, sociais e económicas, que
ultrapassam as capacidades terapêuticas dos psicofármacos.
P0138
PSIQUIATRIA DE LIGAÇÃO - ANÁLISE DE NOVE MESES DE
PSIQUIATRIA DE LIGAÇÃO NUM HOSPITAL GERAL
Patrício Ferreira, Daniela Freitas; Sónia Simões; Luís Fonseca
Hospital Escala Braga
Introdução: Com os estudos de epidemiologia psiquiátrica, tornou-se
possível conhecer a real dimensão da prevalência e do impacto das
doenças mentais, bem como descobrir que estas são extremamente
frequentes entre os utilizadores dos serviços de saúde, tanto a nível
dos cuidados primários como do hospital geral. Com a criação de
departamentos de psiquiatria e saúde mental nos hospitais gerais,
foi possível uma abordagem mais global e eficaz das pessoas portadoras de doença mental ao facilitar a articulação entre a Psiquiatria
e as restantes especialidades médicas no manejo dos aspectos psiquiátricos e psicossociais encontrados num apreciável número de
pessoas que sofrem de doenças físicas. Objectivos: Caracterização
da população observada e avaliada por Psiquiatria de Ligação de um
Hospital Geral e posterior análise para optimização de recursos e da
intervenção efectuada. Método: Análise retrospectiva dos pedidos
realizados durante nove meses (n=137), ao Serviço de Psiquiatria
para observação de doentes internados noutros serviços deste Hospital. Foram analisadas as características demográficas, o motivo e
origem do pedido, a existência ou não de antecedentes psiquiátricos,
o diagnóstico psiquiátrico provisório, a intervenção efectuada, a
necessidade de reobservação no internamento e a orientação subsequente. Resultados: A maioria dos pedidos correspondia a doentes
do sexo feminino (56% vs 44%). O Serviço de Medicina Interna foi o
que mais pedidos realizou (33%), seguido pelo Serviço de Ortopedia
(17,5%). A causa mais frequente do pedido era a existência de sintomatologia depressiva (38%) seguida de situações de alterações do
comportamento (31%). O diagnóstico provisório mais frequente foi
o de Perturbação da Adaptação com Humor Depressivo. A maioria
dos pacientes observados já tinha história de acompanhamento por
Psiquiatria (63%). Em 71% dos casos foi realizada uma intervenção
farmacológica. Em 80% dos casos foi necessária mais do que uma
observação no internamento. Foram orientados para reobservação
em consulta externa 50% dos doentes observados. Conclusões: Na
população hospitalar a morbilidade psiquiátrica engloba um conjunto de situações clínicas que vão desde as complicações psiquiátricas
das doenças somáticas às doenças somáticas que se podem apresentar
através de sintomatologia psiquiátrica, bem como às perturbações
psicológicas inerentes às dificuldades de adaptação à doença e ao
internamento, podendo estas introduzir modificações na eficácia do
tratamento e consequente prognóstico.
P0139
POLIMEDICAÇÃO E INTERACÇÕES MEDICAMENTOSAS EM
PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL
Vanessa Pais, Diana Correia; Catarina Fonseca; Carla Lourenço; José
Miguel Moura; Isabel Grilo; Joaquim Ramos
Hospital de Magalhães Lemos
46
Saúde Mental Mental Health
Introdução: A polimedicação é definida em Psiquiatria e Saúde
Mental como a prescrição de 2 ou mais psicofármacos. No doente polimedicado, é necessário o clínico estar atento ao risco de interacções
entre psicofármacos, entre psicofármacos e fármacos para doenças
não psiquiátricas, entre fármacos e substâncias utilizadas pelo doente
(tabaco, drogas ilícitas, medicamentos naturais,...) e entre os fármacos
e as múltiplas doenças apresentadas. Objectivos: Descrever e avaliar
o perfil de prescrição aos doentes que frequentam o Serviço de Reabilitação Psicossocial do Hospital de Magalhães Lemos (SRPHML)
em Área de Dia. Enfatizar a importância da segurança do doente
através da identificação das interacções medicamentosas e efeitos
adversos mais comuns. Métodos: Consulta dos processos dos doentes
a frequentar o SRPHML e recolha de variáveis clínicas e farmacológicas, obedecendo aos critérios de anonimato, confidencialidade e
consentimento informado. Análise descritiva do perfil farmacológico,
identificação de potenciais interacções medicamentosas, classificação
das interacções encontradas e pesquisa bibliográfica para definição
de estratégias indicadas à sua orientação. Resultados: Numa amostra
aleatória de 25 doentes (de um total de 70 doentes), verificou-se que o
número médio de fármacos prescritos por doente é de 4,7 , incluindo
uma média de psicofármacos de 3,6. Foi possível encontrar diversas
interacções medicamentosas, sendo mais comuns as interacções entre
diferentes psicofármacos. Pretende-se apresentar os resultados para
a totalidade da população. Conclusão: Na população estudada a
polimedicação é uma realidade, exigindo dos clínicos a capacidade
de identificar e gerir interacções medicamentosas. As interacções
medicamentosas podem, em algumas situações, ser utilizadas pelo
clínico experiente como forma de potenciar o plano terapêutico. No
entanto, na maioria dos casos o risco de interacção medicamentosa
constitui uma menos-valia numa associação considerada necessária
para responder aos sintomas do doente. Nesta situação, o clínico
deve ser capaz de ponderar as hipóteses de tratamento, identificar os
riscos e estabelecer estratégias que possibilitem a diminuição destes,
reduzindo os riscos inerentes ao acto da prescrição.
P0140
O SERVIÇO DE REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL DO HOSPITAL
DE MAGALHÃES LEMOS: ANÁLISE ESTATÍSTICA 2000-2008
Alexandra Alves, Luís Correia; Liliana Castro; Joaquim Ramos
Hospital Magalhães Lemos; Hospital de Magalhães Lemos
Introdução: O Serviço de Reabilitação Psicossocial (SRP) do Hospital Magalhães Lemos (HML) destina-se à prestação de cuidados
de saúde mental tendo em vista a reabilitação funcional de doentes
com patologia mental com prejuízo a nível do seu funcionamento psicossocial e da sua integração na comunidade. Objectivo:
Analisar a população que frequenta o SRP do HML, no período
compreendido entre 2000 e 2008, em termos de características sociodemográficas, patologia, tipo de cuidados prestados e evolução
terapêutica. Material e métodos: Foi consultada a base de dados
em Excel® relativa às admissões no SRP do HML entre 1 de Janeiro
de 2000 e 31 de Dezembro de 2008. Também foram consultados
os registos clínicos do Sistema de Apoio ao Médico (SAM®). Foi
realizada análise estatística descritiva usando o programa SPPS®.
Resultados: No período do estudo foram admitidos 737 utentes no
SRP, dos quais 540 no Clube Terapêutico e 197 no Centro de Dia. A
distribuição por sexos foi idêntica. Aquando a admissão, a idade
média era de 42 anos. Um terço dos utentes era portador de psicose
esquizofrénica e aproximadamente metade foram referenciados pelo
Serviço Porto. Conclusões: Os resultados obtidos confirmam que a
maior parte dos cuidados prestados no SRP se destinam a doentes
com esquizofrenia. Estes dados parecem traduzir a dimensão das
limitações que aquela patologia condiciona, nomeadamente a nível
da autonomia, o que se relaciona também com a maior gravidade da
doença. Contudo, existe também uma percentagem significativa de
utentes com outras patologias, nomeadamente depressão, pelo que
se levanta a questão da necessidade de cuidados individualizados.
Os resultados suportam ainda a importância da acessibilidade na
prestação dos cuidados de saúde mental.
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
P0141
NOVOS E ANTIGOS DESAFIOS EM REABILITAÇÃO
PSIQUIÁTRICA
Liliana Castro, Alexandra Alves; Luís Correia; Joaquim Ramos
Hospital Magalhães Lemos
Introdução: O objectivo da reabilitação psiquiátrica é ajudar pessoas
com patologia mental grave e persistente a desenvolverem competências emocionais, sociais e intelectuais necessárias para viver e
trabalhar em comunidade com o mínimo possível de ajuda profissional. Apesar da reabilitação psiquiátrica não negar a existência nem
o impacto da patologia mental, a prática da reabilitação psiquiátrica
tem mudado a percepção da doença mental. Objectivos: Este trabalho tem como objectivo a revisão da literatura actual na área da
Reabilitação Psiquiátrica, tendo como principal foco conceitos-chave
em Reabilitação Psiquiátrica, assim como salientar novas perspectivas e desafios nesta área. Métodos: Revisão sistemática da literatura.
Resultados: O funcionamento social das pessoas com perturbação
psiquiátrica a viver em comunidade assume uma particular importância, incluindo as relações interpessoais, trabalho e recreação, assim
como aspectos de qualidade de vida. Conclusões: A investigação
actual reforça o papel do suporte social na recuperação de doenças
crónicas e a sua contribuição para uma maior qualidade de vida.
Desta forma, a reabilitação psiquiátrica é também um exercício de
desenvolvimento das redes sociais de suporte. A possibilidade de
recuperação de situações difíceis e limitadoras, a importância de relações interpessoais gratificantes e de redes comunitárias integradoras
e a melhoria da qualidade de vida de pessoas com perturbações psiquiátricas são alguns dos desafios diários da reabilitação psiquiátrica.
P0142
A PERTURBAÇÃO DA IDENTIDADE DE GÉNERO NA CONSULTA
DE SEXOLOGIA DO HOSPITAL JÚLIO DE MATOS
Catarina Soares, Carlos Fernandes; Joana Florindo; Íris Monteiro;
Marco Gonçalves; José Salgado
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Os autores revêem a abordagem da Perturbação da Identidade
de Género (PIG) na Consulta de Sexologia do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (Hospital Júlio de Matos). A partir dos
dados de 88 doentes avaliados, consideram-se as características
sócio-demográficas e individuais assim como os resultados das
avaliações da personalidade, da avaliação genética e do tratamento
hormonal. Discute-se ainda a adaptação psico-social após a cirurgia
de re-atribuição sexual. Finalmente, apresentam-se sugestões para
a melhoria do manejo da PIG, em Portugal.
P0143
PORTA GIRATÓRIA NO SERVIÇO DE PSIQUIATRIA DOS
HUC,UMA CARACTERIZAÇÃO DURANTE O NO DE 2009
Sandra Gomes Pereira, Fernanda Cristina Ordens Miguel; Catarina
Pereira
Hospitais da Universidade de Coimbra; Serviço de Psiquiatria dos Hospitais
da Universidade de Coimbra
A desinstitucionalização com o encerramento de grandes hospitais psiquiátricos virados para a cronicidade, levou ao surgimento
dum subgrupo importante de doentes, com transtornos mentais
habitualmente graves, que apresentam em comum uma alta taxa de
reinternamentos hospitalares. Estes reinternamentos, ocorrendo num
curto período de tempo, constituem o fenómeno de porta giratória.
Este estudo, retrospectivo e descritivo propõe caracterizar o subgrupo de doentes (seleccionado pelo departamento de Estatística dos
Hospitais da Universidade de Coimbra), que tiveram dois ou mais
reinternamentos durante o ano de 2009 no Serviço de Psiquiatria dos
HUC. As variáveis avaliadas através da consulta de processos estão
relacionadas com factores sociodemográficos, história e evolução da
doença e circunstâncias dos internamentos. Os resultados poderão
permitir estabelecer estratégias de prevenção, identificando alguns
factores preditivos do fenómeno de porta giratória.
Sessões de Posters / Posters Sessions
P0144
IMPULSIVIDADE E DOENÇA PSIQUIÁTRICA NUMA UNIDADE
DE INTERNAMENTO DE UM HOSPITAL GERAL
Rita Sequeira Mendes, Pedro Zuzarte; João Reis; Ana Lisa Carmo;
Luís Câmara Pestana
Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental, Hospital de Santa Maria
A Impulsividade é caracterizada por um compromisso na habilidade
para reflectir e ponderar os actos ou para utilizar conhecimentos
prévios e inteligência para guiar o comportamento. Escassos estudos
têm sido elaborados no sentido de caracterizar a relação e o papel
da impulsividade nas Perturbações Mentais. O comportamento
impulsivo e as consequências deste comportamento incluem abuso
de substâncias, comportamento suicidário, agressividade e outras
perturbações comportamentais graves. Existe uma grande comorbilidade entre impulsividade e Perturbações de Personalidade e
Perturbação Afectiva Bipolar, em grande parte relacionado com a
associação entre a impulsividade e os substratos biológicos destas
perturbações mentais. O presente trabalho visa o estudo e caracterização da relação da impulsividade com as características demográficas e patologia psiquiátrica, numa amostra de doentes internados
no Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria durante 2009
e 2010. Para avaliação da impulsividade, foi utilizada a Escala de
Impulsividade de Barratt (BIS-11). Trata-se de uma amostra caracterizada por 46 doentes, dos quais 28 (60,87%) são do sexo feminino.
Analisando os diferentes grupos de diagnóstico, as pontuações na
BIS-11 foram por ordem decrescente: Perturbação Afectiva Bipolar,
episódio actual maniforme/misto (n=7; 73,86), Perturbação de Abuso/Dependência de substâncias (n=4; 71,25), Perturbação Depressiva
Major (n=15; 64,93), Perturbação Afectiva Bipolar, episódio actual
depressivo (n=5; 64,00), Esquizofrenia ou outra Perturbação Psicótica
(n=11; 63,45) e Perturbação de Personalidade Borderline (n=4; 63,25).
Com a continuidade do presente estudo e ampliação da amostra
pensamos poder vir a discriminar características sócio-demográficas
e psicopatológicas possuidoras de valor preditivo relativamente ao
comportamento impulsivo e com potencial utilidade num projecto
terapêutico mais eficiente em internamento psiquiátrico.
P0145
INTERNAMENTO COMPULSIVO - A REALIDADE DE UM
HOSPITAL
Vera Martins, Sónia Pimenta; João Viegas; Maria José Piçarra
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra
Introdução: A Lei de Saúde Mental, Lei 36/98 de 24/07, tem permitido desde a sua implementação, o internamento compulsivo de
doentes psiquiátricos, cuja condição de insanidade mental e recusa
ao tratamento assim o exijam, possibilitando a interrupção das alterações de comportamento graves que frequentemente apresentam.
Material e Métodos: Procedemos à caracterização dos doentes
internados compulsivamente através do Serviço de Urgência dos
Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), desde a unificação
da Urgência de Psiquiatria entre o Centro Hospitalar Psiquiátrico de
Coimbra (CHPC) e os HUC, focando com maior detalhe os doentes
internados no CHPC e a sua evolução. Recorremos, para isso, à
análise das Avaliações Clínico-Psiquiátricas efectuadas no Serviço
de Urgência e à consulta dos processos clínicos dos doentes com
internamento compulsivo no CHPC, no período compreendido entre
Outubro de 2008 e Outubro de 2010. Conclusão: O nosso estudo
veio reiterar a necessidade da existência da Lei de Saúde Mental e
da sua implementação, sobretudo em doentes com sintomatologia
psicótica e alterações graves do comportamento, cujo tratamento de
outro modo não seria possível.
P0146
AVALIAÇÃO MULTIDISCIPLINAR DOS DOENTES EM HOSPITAL
DE DIA (HD) NA UNIDADE DE PSIQUIATRIA COMUNITÁRIA E
HOSPITAIS DE DIA DO HOSPITAL SÃO JOÃO (HSJ)
Diana Maia; Susana Fonseca; Rui Lopes; Pedro Ferreira; Susana
Rodrigues; Sara Sousa; Helder Lourenço; Júlia Pereira; Luísa Mon-
47
Sessões de Posters / Posters Sessions
teiro; Vanessa Ribeiro; Marta Figueiredo; Dulce Sousa; Mário Viana;
Rosário Curral
Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, Hospital de São João, Porto
No sentido de definir um plano de cuidados individuais para o doente, foi elaborado um protocolo de avaliação multidisciplinar com
o objectivo final da reabilitação psicossocial. Esta avaliação pretende
caracterizar a população dos doentes admitidos em regime de Hospital de Dia (1 de Janeiro de 2009 a 30 de Junho de 2010) através da
análise dos dados sociodemográficos e clínicos obtidos na data de
admissão. Pretende-se ainda avaliar o grau de satisfação dos doentes
com os serviços que lhe são prestados. Numa amostra total de 128
doentes foram excluídos 18 doentes (critérios de exclusão: debilidade
mental, descompensação psicopatológica que impossibilitasse o preenchimento do protocolo e avaliação prévia num período inferior a
6 meses). Foram utilizados os seguintes instrumentos psicométricos:
Brief Symptom Inventory (BSI - escala para avaliação de sintomas
psicopatológicos), SF-36 (avaliação de qualidade de vida) e Occupational Self Assessment (OSA - avaliação ocupacional). A análise
estatística foi efectuada utilizando o programa informático SigmaStat.
Dos 110 doentes estudados, 45,5% eram do sexo masculino (n=50)
e 54,5% eram do feminino (n=60). A idade média dos participantes
foi de 43,8 anos (SD=11,39), os anos de escolaridade média de 8,4
(SD=3,5), a média de idade de início da doença de 27,5 (SD=12,8) e
média do número de anos da doença de 16,1 anos (SD=10,4). Relativamente ao estado civil, os doentes casados e solteiros tinham uma
percentagem igual (36,7%), os divorciados 24,1% e viúvos 2,5%. Os
diagnósticos mais frequentes foram do Grupo da Esquizofrenia,
Perturbações Esquizotípica e Delirante (F20-F29) com 41%, seguido
das Perturbações de Humor com 36,4%. No que diz respeito à Qualidade de Vida avaliada através do SF-36, verificou-se em todas as
dimensões valores correspondes a pior qualidade de vida quando
comparados com os valores da população portuguesa normal. Os
resultados encontrados nas 9 dimensões do BSI afastam-se de forma
evidente dos resultados na população normal.
P0147
A EPIDEMIOLOGIA DO SUICÍDIO EM PORTUGAL: 1980-2008
Sónia Quintão, Susana Costa; Ricardo Gusmão
Faculdade de Ciências Médicas - UNL
Introdução: Tem sido comum, em comunicações científicas e publicações, a referência a taxas desactualizadas do suicídio em Portugal,
assim como têm sido apresentadas análises de tendências com um
reduzido número de anos. Objectivos: Dotar a comunidade científica de uma ferramenta actual, metodologicamente correcta, que
permita conhecer efectivamente os números do suicídio em Portugal.
MÉTODO: Foram obtidos dados brutos de mortes por suicídio, por
ano, por faixa etária e sexo e produzidas taxas específicas por 100.000
habitantes e taxas ajustadas à idade. Resultados: De 1980 a 2008 as
taxas nacionais da mortalidade por suicídio têm-se mantido estáveis,
mas esta tendência não se verifica em todas as faixas etárias, estando a
diminuir no que concerne às faixas de idades mais jovens e a aumentar no grupo etário mais elevado. São também apresentados dados
conjuntos da mortalidade por suicídio e por causa indeterminada.
Discussão: Parte substancial das mortes de causa indeterminada
parece corresponder a suicídios mal classificados, contudo não é
expectável que esses suicídios não contabilizados alterassem as
tendências das taxas de suicídio no período em estudo, pois a soma
das mortes de causa indeterminada e das mortes por suicídio parece
acompanhar as mesmas tendências. Assim, podemos apresentar
tendências realistas para a população portuguesa.
P0148
AVALIAÇÃO DE QUALIDADE EM SAÚDE MENTAL: UM ESTUDO
OBSERVACIONAL
Eva Mendes, Joaquim Cerejeira
Hospitais Universidade Coimbra
Introdução: A qualidade em Saúde Mental, de uma forma geral,
tem-se focado mais no estudo do funcionamento dos serviços e
48
Saúde Mental Mental Health
na satisfação dos doentes e seus familiares e não tanto em outros
domínios, como sejam o estado clínico dos doentes. De facto, a literatura considera quatro domínios de estudo na área da qualidade
em psiquiatria: a satisfação dos doentes e famílias, o funcionamento
dos serviços, a qualidade de vida e a evolução clínica dos doentes.
No presente estudo observacional, procuramos avaliar o último
parâmetro, numa população de doentes em regime de internamento e diversas patologias psiquiátricas. Participantes: trinta e oito
doentes (média de idade: 41,9 anos), sexo masculino, internados no
nosso serviço entre 5 Abril e 15 Outubro de 2010, com média de 21,0
dias de internamento (Desvio Padrão(DP)= 22,3). Várias patologias
observadas, sendo a mais frequente a Síndrome da Dependência de
Álcool (13,2%), seguida de Esquizofrenia Paranóide, Reacção de Ajustamento e Perturbação de Ansiedade Generalizada, todas com 10,5%.
Outras com menor expressão. Métodos: Qualidade avaliada através
da aplicação de duas escalas, no momento da admissão e da alta: Brief
Psychiatric Rating Scale (BPRS) e Clinical Global Impression (CGI).
Resultados: À entrada, média de BPRS total 44,6 (DP=14,8) e média
de CGI 4,5 (DP=1,6), sendo que no momento da alta verificou-se
média de BPRS total 33,1 (DP=10,0) - redução de 25,8% - e média de
CGI de 2,6 (DP=0,8) - redução de 42,3%. Menores reduções foram
observadas em doentes com diagnóstico de síndrome demencial.
Discussão e Conclusão: A BPRS e a CGI permitiram-nos inferir
sobre a melhoria dos doentes internados no nosso serviço, podendo
representar armas úteis em posteriores avaliações de qualidade em
Saúde Mental, no que à evolução clínica do doente diz respeito.
P0149
AVALIAÇÃO DO SÍNDROME DE BURNOUT NOS INTERNOS DE
PSIQUIATRIA E PEDOPSIQUIATRIA
Ana Moscoso, João Gama Marques
Hospital Dona Estefânia; Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
O Internato Médico pode ser um período stressante no qual os Médicos Internos sentem responsabilidades acima das suas competências
e não têm controlo sobre o seu trabalho ou carreira. O síndrome de
Burnout é definido como uma resposta inadequada ao stress ocupacional e tem três dimensões: a exaustão emocional, o cinismo e a sensação de ineficácia profissional. O Interno de Psiquiatria não é isento
deste risco, apresentando algumas particularidades. Este trabalho faz
parte de um estudo multinacional que procura avaliar a presença de
Burnout e dos seus factores precipitantes/protectores nos internos
das Especialidades de Psiquiatria. Conta já com a presença de 26
países, e outros estão a iniciar a sua participação. Esta comunicação
vai centrar-se nos resultados obtidos em Portugal. Foram incluídos
no estudo nacional todos os Médicos Internos das Especialidades de
Psiquiatria e Psiquiatria da Infância e Adolescência do ano de 2009.
O estudo decorreu sob a forma de um questionário online que obteve informação diversa: informação geral (idade, sexo, estado civil,
número de filhos, condições habitacionais); educacional; condições
de trabalho; lazer. Foram também aplicados 5 questionários estruturados: Maslach Burnout Inventory (MBI-GS); Areas of Worklife
Survey (AWLS); Patient Health Questionnaire (PHQ-9); Suicide
Ideation and Behaviour Questionnaire (SIBQ); Big Five Inventory
(BFI). Nesta apresentação pretende-se mostrar os resultados deste
estudo, bem como abrir o debate sobre os mesmos.
P0150
REFERENCIAÇÃO DE DOENTES VIH À CONSULTA DE PSICOIMUNOLOGIA DO HOSPITAL DE SÃO JOÃO: CARACTERIZAÇÃOS
João Marques, Margarida Leão; Miguel Bragança
Hospital de São João; Hospitais Universitários de Coimbra
Introdução: A Infecção pelo VIH constitui umas das mais graves
epidemias deste século, e requer atenção devido ao seu progressivo
avanço em diferentes grupos populacionais. Actualmente, existe uma
complexa associação entre perturbações psiquiátricas e o VIH, tanto
em doentes com diagnóstico psiquiátrico prévio, como em indivíduos
cuja resposta psíquica, frente a aceitação da própria doença, promova
perturbações mentais. Estudos recentes revelam taxas de prevalência
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
de cerca de 30 a 60% de perturbações psiquiátricas major em doentes
portadores de VIH. Neste sentido, a existência de uma consulta de
Psicoimunlogia no H.S.J. surge com o objectivo de dar resposta a
estas novas exigências, funcionando em íntima colaboração com
a consulta de Doenças Infecciosas, contribuindo para um melhor
acompanhamento destes doentes. Objectivos e Métodos: O principal
objectivo deste estudo consiste em estabelecer a caracterização sóciodemográfica e clínica dos doentes infectados com VIH e referenciados
pela primeira vez à consulta de Psicoimunologia do HSJ, durante
o período entre Setembro de 2007 a Setembro de 2010. Trata-se de
um estudo descritivo com um total de 229 doentes, 131 homens e
98 mulheres, tendo sido utilizada informação recolhida do processo clínico e durante a entrevista. A análise estatística foi efectuada
utilizando o Microsoft Office Excel 2007. Resultados e Conclusão:
Este estudo revelou que a maioria dos doentes referenciados são do
sexo masculino, apresentam idades compreendidas entre os 35-45
anos, baixo nível educacional e sem actividade laboral. Os principais
motivos de referenciação consistem em queixas de sintomatologia
depressiva e alterações de comportamento. Depois de avaliação
psiquiátrica foi possível estabelecer um diagnóstico clínico em 80%
dos doentes, sendo os mais comuns a perturbação de adaptação á
doença, episodio depressivo moderado e perturbações relacionadas
com o uso de substâncias. 85% dos doentes foram medicados com
psicofarmacos. Os resultados do estudo confirmam a alta prevalência de comorbilidades psiquiátrica em doentes HIV, justificando o
acompanhamento em consulta específica de Psicoimunologia.
P0151
PSICOPATOLOGIA EM INTERNAMENTO DE NEUROLOGIA
Rita Mateiro, Ana Margarida Baptista
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Introdução: Estudos internacionais revelam tendência para subtratar
patologia psiquiátrica em doentes com patologia neurológica primária, pelo que as autoras consideram pertinente a caracterização psicopatológica de uma amostra de doentes internados em Neurologia.
Método: Consulta das notas de alta de 178 doentes internados no
serviço de Neurologia do Hospital Garcia de Orta entre 01/10/2008 e
30/06/2009, com recolha dos dados relativos a antecedentes pessoais
psiquiátricos (diagnósticos e psicofármacos), psicopatologia de novo
no internamento, prescrição de psicofármacos e diagnóstico psiquiátrico de saída. Resultados: Dos resultados encontrados, destaca-se
que 23% dos doentes apresentavam antecedentes psiquiátricos (12%
abuso e/ou dependência de álcool e 10% síndromes depressivos);
na psicopatologia detectada no internamento o mais prevalente foi o
humor deprimido em 12% dos doentes. Na nota de alta apenas 18%
dos doentes apresentavam diagnóstico psiquiátrico, sendo o mais
comum o síndrome depressivo, com 12%. Discussão / Conclusão:
A literatura é escassa na caracterização psicopatológica geral de doentes internados em Neurologia, limitando-se os estudos existentes
a patologias neurológicas específicas. Nesta amostra, à data de alta,
parte dos antecedentes psiquiátricos não foram considerados como
diagnósticos de saída. O método do estudo é limitado pela não utilização de escalas validadas para a avaliação de psicopatologia e pela
elaboração das notas de alta por médicos de Neurologia. Tal como
demonstrado em estudos internacionais, as autoras colocam como
hipótese explicativa a não valorização dos sintomas psiquiátricos
pelos neurologistas. Dado que a evidência sugere que a sintomatologia depressiva está associada ao aumento da morbilidade e mortalidade em doentes com patologias crónicas, as autoras salientam
a importância da caracterização neuropsiquiátrica dos doentes com
patologia neurológica primária, sugerindo a realização de estudos
adicionais neste âmbito.
P0152
PREVENIR E TRATAR EM CASA - PRETRARCA - EXPERIÊNCIA
DE 6 MESES
Luís Madruga, Albertina Gonçalves; Adília Paz; Alexandra Domingues;
Helena Granadeiro; Marco Gonçalves
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Sessões de Posters / Posters Sessions
Prevenir e tratar em casa é um projecto aprovado pelo Alto Comissariado para a Saúde e Comissão Nacional para a Saúde Mental
no âmbito do financiamento de Programas Inovadores em Saúde
Mental. Este projecto é o corolário natural da experiência adquirida
e desenvolvida pela equipa do Sector C do CHPL mediante a criação
(em 2006) e desenvolvimento do Programa Assertivo de Prevenção
das Recaídas (PAPR) de doentes com patologia mental grave. O
PRETRARCA desenvolve-se hoje de forma regular, na Clínica Lisboa
Cidade e Serviço de Psiquiatria Geriátrica do CHPL. Baseia-se no
pressuposto de que pelas características da perturbação mental grave,
os doentes têm grande dificuldade em manter adesão ao tratamento,
necessitando de redes de suporte familiar e social, que mantenham
de forma atenta a continuidade de cuidados. Na sua ausência, muitos doentes que permanecem em ambulatório apresentam elevado
risco de recaída, sendo constantes os fenómenos de porta giratória
na urgência e no internamento, apresentando elevado risco para
um aumento do nº de doentes com comportamentos disruptivos e
consequentes internamentos compulsivos a par de um maior risco
de deterioração clínica, de sobrecarga sóciofamiliar, de dificuldades
na reabilitação e agravamento prognóstico destes doentes que dificultam a inserção dos mesmos na comunidade. Os autores abordam
de forma descritiva a actividade desenvolvida pelo PRETRARCA
nos primeiros 6 meses (Abril – Outubro 2010) e o conhecimento da
população de doentes inseridos no mesmo, com os dados disponíveis
até ao momento.
P0153
ADESÃO TERAPÊUTICA E INTERNAMENTOS COMPULSIVOS
NO CHTS-UPA EM 2009
Bruno Ribeiro, Orlando von Doellinger, Teresa Cabral
CHTS-UPA
Objectivo: Da Lei da Saúde Mental(LSM), Lei nº36/98 de 24 de
Julho,beneficiou a corporização legislativa consagrada a funções
de ordenamento e fiscalização de internamentos psiquiátricos compulsivos.Este trabalho traduz-se numa revisão estatística,avaliação
e investigação dos internamentos compulsivos,do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa,Unidade Padre Américo (CHTS-UPA)
em 2009. Materiais e métodos: Revisão dos Processos Clínicos
e Judiciais dos doentes internados compulsivamente no CHTSUPA em 2009. Avaliaram-se os seguintes parâmetros:distribuição
dos internamentos,idade,sexo,estado civil,profissão, antecedentes
psiquiátricos e adesão terapêutica,proveniência,sintomatologia
na 1.ª observação,sintomas à data do internamento,diagnósticos
de entrada e saída,dias de internamento,orientação e terapêutica
pós-alta. Resultados: 64%dos internados eram do sexo masculino;41% tinham entre 31 e 40 anos;21% casados;49% sem ocupação
profissional;82%possuíam antecedentes psiquiátricos,medicados,dos
quais 84% abandonaram a terapêutica instituída;nos doentes diagnosticados com Psicose,86,7%abandonaram a medicação oral e 83,3%
a medicação injectável;79,5% dos internamentos ocorreram após
emissão de mandado de condução,18% após recurso à Urgência
Psiquiátrica;na 1ª avaliação clínico-psiquiátrica 76,9% apresentaram
actividade delirante/alucinatória,69,2% auto/hetero-agressividade,28,2% antecedentes de consumo de álcool/drogas; à data do internamento 92,3% apresentavam alterações do humor,79,5% actividade
delirante e 23% actividade alucinatória;os Diagnósticos de Entrada
mais prevalentes foram Alterações Comportamentais(59%),Psicose
Esquizofrénica/Descompensação Psicótica(33,3%);o Diagnóstico
de Saída mais prevalente foi Psicose Esquizofrénica(53,8%);a duração média do internamento foi de 32,5 dias;66,7% dos doentes
tiveram alta em ambulatório compulsivo,15,4% em ambulatório
voluntário;53,8% doentes que faziam terapêutica oral passaram a
terapêutica injectável. Discussão e conclusão: A principal causa dos
Internamentos Compulsivos parece ser a baixa adesão à terapêutica,
independentemente da forma de administração terapêutica instituída.Salienta-se a necessidade de maior promoção e cooperação dos
diversos profissionais da saúde mental no entendimento e aplicação
da LSM. Palavras-chave: Internamento Compulsivo,LSM.
49
Sessões de Posters / Posters Sessions
P0154
INTERNAMENTOS POR INTOXICAÇÃO MEDICAMENTOSA VOLUNTÁRIA NOS HUC EM 2009 CARACTERIZAÇÃO
EPIDEMIOLOGICA
Sandra Gomes Pereira; Catarina Pereira; Fernando Figueiredo; Fernanda Cristina Ordens Miguel; Paula Garrido
Hospitais da Universidade de Coimbra; Serviço de Psiquiatria dos Hospitais
da Universidade de Coimbra; EventServices
As intoxicações medicamentosas voluntárias em contexto de tentativa de suicídio são muito frequentemente alvo de atendimento no serviço de urgência, sendo motivo de internamento hospitalar quando
há compromisso vital ou quando acompanhadas de ideação suicida
activa e persistente. O presente estudo retrospectivo com abordagem
descritiva e quantitativa, tem como objectivos avaliar o perfil epidemiológico dos doentes que fizeram intoxicações medicamentosas
e necessitaram de internamento nos Hospitais da Universidade
de Coimbra no ano de 2009 e avaliar ainda se estes doentes foram
devidamente orientados para a especialidade de Psiquiatria. Foram
seleccionados 77 doentes, através do Departamento de Estatística
dos HUC, que correspondem à totalidade dos indivíduos que foram
submetidos a internamento hospitalar por intoxicação medicamentosa nos HUC durante o ano de 2009. As variáveis avaliadas pela
consulta dos processos clínicos destes doentes, estão relacionadas
com o doente (características sociodemográficas, existência de comorbilidades médicas e/ou psiquiátricas), o episódio (sazonalidade
e factores circunstanciais) e o agente utilizado (classe farmacológica).
Apurou-se que o sexo feminino entre os 40-60 anos representa o
grupo predominante e que os psicofármacos são os responsáveis
pela esmagadora maioria dos casos de intoxicações medicamentosas.
Estes resultados podem ser úteis na avaliação da eficácia da referenciação para a Consulta de Prevenção do Suicídio por parte de outras
especialidades e a partir do Serviço de Urgência, contribuindo assim
para melhorar a orientação psiquiátrica destes doentes.
P0155
O SERVIÇO DE REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL DO HOSPITAL
DE MAGALHÃES LEMOS: ANÁLISE ESTATÍSTICA 2000-2008
(2ª PARTE)
Luís Martins Correia, Liliana Castro; Alexandra Alves
Hospital de Magalhães Lemos / Faculdade de Medicina da Universidade
do Porto; Hospital de Magalhães Lemos
Introdução: O Serviço de Reabilitação Psicossocial (SRP) do Hospital Magalhães Lemos (HML) destina-se à prestação de cuidados
de saúde mental tendo em vista a reabilitação funcional de doentes
com patologia mental com prejuízo a nível do seu funcionamento
psicossocial e da sua integração na comunidade. Objectivo: Analisar
a população que frequenta o SRP do HML, no período compreendido
entre 2000 e 2008, em termos de características sociodemográficas, patologia, tipo de cuidados prestados e evolução terapêutica. Métodos:
Foi consultada a base de dados em Excel® relativa às admissões no
SRP do HML entre 1 de Janeiro de 2000 e 31 de Dezembro de 2008.
Também foram consultados os registos clínicos do Sistema de Apoio
ao Médico (SAM®). Foi realizada análise estatística descritiva usando
o programa SPPS®. Resultados: A esquizofrenia (38,3%), as perturbações de personalidade (30,8%), a patologia depressiva e as reacções
de ajustamento (19,1%) foram as patologias mais representadas. Entre
a população esquizofrénica, verifica-se um predomínio masculino
(3:1), metade da população era da área assistencial do serviço porto.
Entre a população com patologia depressiva ou reacções de ajustamento verifica-se predomínio feminino (4:1), metade da população
era da área assistencial do serviço do porto e 87% destes doentes
frequentou o clube terapêutico. A população com perturbação da
personalidade apresenta uma relação 2:3 e metade pertencia à area
ssistencial do serviço porto.
P0156
CARACTERIZAÇÃO DOS PEDIDOS DE COLABORAÇÃO DE
PSIQUIATRIA NUM HOSPITAL GERAL
50
Saúde Mental Mental Health
Sofia Caetano, Nuno Cunha; Silvina Fontes; Ana Isabel Oliveira
Hospital São Teotónio EPE
Objectivos: Caracterizar pedidos de colaboração de Psiquiatria de
doentes internados no Hospital Geral. Métodos: Estudo retrospectivo
de 309 pedidos de colaboração de doentes internados no Hospital
São Teotónio, entre 1 de Janeiro de 2008 e 31 de Dezembro de 2009.
Resultados: A média de idades foi 53 anos (n=296). Os serviços que
mais requisitaram colaboração foram: Medicina Interna (27.12%),
Cirurgia (20.69%), Obstetrícia (9.83%) e Ortopedia (7.80%). A distribuição quanto ao género foi uniforme. Os dias da semana com mais
pedidos foram 5ª e 2ªfeira. A maioria dos pedidos tinham carácter
urgente, sendo o motivo mais frequente sintomas depressivos/
ansiosos seguido de alterações de comportamento e comportamentos autolesivos. O serviço com maior percentagem de motivo não
especificado foi a Ortopedia. Os problemas relacionados com uso/
abuso de drogas foram os que motivaram pedido de colaboração
mais precoce. Observou-se em 69.90% dos pedidos informação suficiente/adequada. Em 61% não havia informação sobre antecedentes
psiquiátricos. Em 85.10% dos casos os doentes foram observados no
próprio dia. Conclusões: Apesar de não haver uma equipa específica
de psiquiatria de ligação no Hospital, nem nele estarmos integrados
fisicamente, há um número considerável de solicitações (principalmente dos serviços cirurgia e medicina) que indiciam a crescente
necessidade de criação dessa valência.
P0157
OS DOENTES INTERNADOS COMPULSIVAMENTE TÊM PIOR
SITUAÇÃO SOCIAL?
Oriana Pinto, Magda Ribeiro; Ângela Venâncio
Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho
Objectivo: Averiguar se existe uma diferença social significativa
entre os doentes com quadro psicótico diagnosticado, que foram
internados compulsivamente em relação aos que o foram voluntariamente, no decorrer de 2009, no internamento do Serviço de
Psiquiatria do CHVNG/E. Hipótese: Os doentes internados compulsivamente têm globalmente uma pior situação social do que os
doentes internados voluntariamente. Métodos: Os dados dos doentes
internados de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2009 no internamento
misto do Serviço de Psiquiatria do CHVNG/E foram introduzidos
numa base de dados e tratados estatisticamente. Seleccionaram-se
para a amostra apenas os doentes com diagnóstico, de acordo com
a DSM-IV-TR, que se coadunassem com os códigos 295 e 297 e suas
subdivisões. Nesta amostra de casos, procedeu-se à divisão em dois
grupos: doentes internados compulsivamente e doentes internados
voluntariamente. As variáveis analisadas, fazendo sempre a comparação entre os dois grupos, foram: o sexo, a idade, o acompanhamento
por Médico de Família, a escolaridade, a situação profissional, a
comorbilidade médica e o apoio social. Resultados: Número total
de doentes internados – 413; número total de psicóticos internados –
119; número de doentes psicóticos internados compulsivamente – 46
(37%); número de doentes psicóticos internados voluntariamente – 73
(61%). Verificaram-se percentagens mais elevadas de apoio social
(32% vs. 26%), emprego (15% vs. 2%) e reforma por invalidez (33% vs.
28%) nos doentes internados voluntariamente, sendo que nos doentes
internados compulsivamente havia uma maior taxa de desemprego
(67% vs. 49%). Trinta e seis doentes psicóticos habitavam sozinhos
com pouco ou nenhum apoio familiar e metade destes doentes
encontrava-se internado compulsivamente. Conclusão: Os doentes
internados compulsivamente aparentam ter uma estrutura social com
menor suporte. Esta situação poderá dar-se devido ao pouco suporte
existente a nível comunitário para estes doentes.
P0158
AVALIAÇÃO MULTIDISCIPLINAR DOS DOENTES EM HOSPITAL
DE DIA (HD) NA UNIDADE DE PSIQUIATRIA COMUNITÁRIA E
HOSPITAIS DE DIA DO HOSPITAL SÃO JOÃO (HSJ)
Diana Maia, Susana Fonseca; Rui Lopes; Pedro Ferreira; Susana
Rodrigues; Sara Sousa; Helder Lourenço; Júlia Pereira; Luísa Mon-
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
teiro; Vanessa Ribeiro; Marta Figueiredo; Dulce Sousa; Mário Viana;
Rosário Curral
Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, Hospital de São João, Porto
No sentido de definir um plano de cuidados individuais para o doente, foi elaborado um protocolo de avaliação multidisciplinar com
o objectivo final da reabilitação psicossocial. Esta avaliação pretende
caracterizar a população dos doentes admitidos em regime de HD
entre 01/01/2009 e 30/06/2010, através da análise estatística dos
dados sociodemográficos e clínicos obtidos à entrada, utilizando o
software SigmaStat. Pretende-se ainda avaliar o grau de satisfação
dos doentes com os serviços que lhe são prestados. Foram utilizados
os seguintes instrumentos psicométricos: Brief Symptom Inventory
(BSI), SF-36 e Occupational Self Assessment (OSA). Numa amostra
total de 128 doentes foram excluídos 18 (critérios de exclusão: debilidade mental, descompensação psicopatológica que impossibilitasse o
preenchimento do protocolo e avaliação prévia num período inferior
a 6 meses). Dos 110 doentes estudados, 45,5% eram do sexo masculino
(n=50) e 54,5% do sexo feminino (n=60). A idade média dos participantes foi de 43,8 (SD=11,39), anos de escolaridade média de 8,4
(SD=3,5), média de idade de início da doença de 27,5 (SD=12,8) e média do número de anos da doença de 16,1 (SD=10,4). Relativamente ao
estado civil, os doentes casados e solteiros tinham uma percentagem
igual (36,7%), os divorciados 24,1% e viúvos 2,5%. Os diagnósticos
mais frequentes foram do Grupo da Esquizofrenia, Perturbações Esquizotípica e Delirante com 41%, seguido das Perturbações de Humor
com 36,4%. No que diz respeito ao SF-36, verificou-se em todas as
dimensões valores correspondes a pior qualidade de vida quando
comparados com os valores da população portuguesa normal. Os
resultados encontrados nas 9 dimensões do BSI afastam-se de forma
evidente dos resultados na população normal. Os resultados com a
OSA indicam que os aspectos da funcionalidade mais escolhidos
pelos doentes para o seu processo de reabilitação psicossocial são: a
satisfação com o dia-a-dia, a capacidade de resolução de problemas
e a capacidade de comunicar.
Neurociências e Psiquiatria
P0159
ABORDAGEM TERAPÊUTICA DA PSICOSE NA DOENÇA DE
PARKINSON - RELATO DE CASO
Eva Osório; João Massano; Maria José Rosas
Hospital de São João, E.P.E.
Cerca de 20 a 30% dos doentes com doença de Parkinson (DP) medicados cronicamente com agentes antiparkinsónicos apresentam
sintomas psicóticos, com impacto significativo na sua qualidade de
vida. A psicose na DP (PDP) caracteriza-se, mais frequentemente,
pela presença de alucinações visuais e de actividade delirante de
teor paranóide, durante pelo menos um mês, em pacientes com DP
diagnosticada pelo menos um ano antes do desenvolvimento da psicose. A PDP ocorre geralmente após dez ou mais anos de tratamento.
Apesar de muitos clínicos atribuírem à exposição crónica a agentes
dopaminomiméticos a principal causa de desenvolvimento de PDP,
é difícil estabelecer uma relação entre a dose e o tempo específico de
exposição a estes agentes e a ocorrência de PDP. Outros factores de
risco podem favorecer o desenvolvimento de PDP, nomeadamente,
exposição a antagonistas colinérgicos, idade avançada, presença de
deterioração cognitiva, evidência imagiológica de atrofia cerebral
ou antecedentes pessoais de psicose induzida por substâncias. O
tratamento da PDP revela-se complexo. A redução da dose de drogas dopaminomiméticas e a instituição de fármacos antipsicóticos,
necessárias no tratamento da psicose, acarretam um agravamento
dos sintomas motores, frequentemente não tolerado pelos doentes.
Com o desenvolvimento de antipsicóticos atípicos, novas estratégias
terapêuticas surgiram no tratamento da PDP. Neste trabalho, os
autores relatam um caso de parasitose delirante num doente de 74
anos de idade, com doença de Parkinson diagnosticada e tratada
desde 2001. São objectivos deste trabalho discutir os factores de risco
Sessões de Posters / Posters Sessions
provavelmente implicados no desenvolvimento da psicose neste
doente e o plano terapêutico instituído.
P0160
ASSUMIR O PAPEL DE DOENTE: PERTURBAÇÕES FACTÍCIAS
EM NEUROLOGIA
Ana Eduarda Ribeiro, Estefania Gago; Mónica Santos
Hospital de Magalhães Lemos
As Perturbações Factícias (PF), caracterizadas por sinais ou sintomas físicos e/ou psicológicos que são simulados, induzidos ou
agravados intencionalmente, correspondem a aproximadamente
1% dos doentes observados em consulta de Psiquiatria. Devem
ser incluídas no diagnóstico diferencial de múltiplas patologias
psiquiátricas ou médicas, podendo apresentar-se com predomínio
de sinais e sintomas psicológicos, físicos ou mistos. Os casos que se
apresentam com sintomas neurológicos tendem a aproximar-se da
variante grave, crónica e refractária conhecida como síndrome de
Münchausen. À excepção do relato de caso precoce de Asher, de
1951, o subtipo neurológico das PF tem sido alvo de raras descrições
na literatura. Entre os sintomas neurológicos mais frequentemente
relatados encontram-se as alterações do estado de consciência, as
crises convulsivas, as alterações mnésicas e as cefaleias. A Psiquiatria
revestese de um papel fundamental na abordagem destes quadros
clínicos, não apenas na orientação terapêutica, mas também no
diagnóstico diferencial imperativo com as Perturbações Somatoformes, Dissociativas ou com a Simulação. O atraso no diagnóstico e a
ausência de uma intervenção terapêutica precoce podem condicionar
danos físicos inegáveis, oriundos dos procedimentos diagnósticos e
/ou das atitudes terapêuticas.
P0161
RECOMPENSA ALIMENTAR INSÍPIDA: DETECÇÃO PÓS-INGESTIVA DO VALOR CALÓRICO
Albino J. Oliveira-Maia; Sidney A. Simon; Miguel A. L. Nicolelis
Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e Champalimaud Neuroscience
Program; Duke University Medical Center
Os actos alimentares são influenciados pelo prazer e recompensa,
mecanismos que são relevantes para o consumo alimentar excessivo e
para a obesidade. Na verdade, há evidência que as respostas hédonicas a estimulos alimentares estão alteradas em seres humanos obesos,
tanto em termos comportamentais como nas respostas neuronais
observadas no estriado, uma região central dos circuitos cerebrais
de recompensa, densamente inervada por fibras dopaminérgicas. A
existência de respostas dopaminérgicas ao consumo de alimentos,
nomeadamente açucares, foi já extensamente demonstrada, particularmente em roedores, tendo sido descrito que a percepção do
sabor doce é suficiente para ser libertada dopamina no estriado. No
entanto, a participação de mecanismos sensoriais pós-ingestivos,
independentes do sabor, não era clara. Os ratinhos sem canais TRPM5
funcionais (Tprm5-KO) não apresentam respostas comportamentais ou neuronais periféricas a substâncias com sabor doce, sendo
portanto um modelo útil para compreender as propriedades pósingestivas da sacarose. Anteriormente demonstrámos que, mesmo
sem sentir o sabor doce, os animais KO são sensíveis às propriedades
de recompensa pós-ingestiva da sacarose, tanto em termos comportamentais como em termos da libertação de dopamina e modulação
da actividade neuronal no estriado. No entanto, não é ainda claro
quais as vias pós-ingestivas que sinalizam o valor calórico. A insula é
a região cortical onde se encontram respostas sensoriais de natureza
visceral, incluindo aquelas mediadas pelo nervo vago. Verificámos
que, em ratinhos KO, os neurónios insulares respondem às características de recompensa pós-ingestiva da sacarose. A importância
desta actividade neuronal é sublinhada pelo facto de, num estudo de
lesão, se ter verificado que a expressão de preferências pela sacarose
independentemente do sabor fica comprometida na presença de lesões da insula. Um fenótipo comportamental idêntico foi observado
em animais com lesão subdiafragmática do vago, sugerindo que o
sistema sensorial visceral vagal-insular tem um papel relevante nas
51
Sessões de Posters / Posters Sessions
respostas pós-ingestivas a alimentos com valor calórico.
P0162
A LIMITAÇÃO DAS CLASSIFICAÇÕES INTERNACIONAIS DE
DOENÇA - CASO CLÍNICO Luís Fonseca, Joaquim Duarte
Hospital de Braga
Introdução: Na prática clínica observa-se com frequência perturbações do foro neuropsiquiátrico que não se enquadram em nenhum
dos diagnósticos propostos pelas classificações internacionais. Caso
Clínico: (com registo vídeo) Mulher de 53 anos de idade, sem antecedentes neuropsiquiátricos conhecidos até Junho de 2009. Nessa
altura inicia terapêutica antidepressiva, prescrita pela médica assistente, por síndrome depressiva. Foi posteriormente observada por
duas vezes no SU de psiquiatria, por ausência de melhoria clínica,
tendo-lhe sido realizados reajustes medicamentosos, sem resultado.
Ao longo destes meses apresentava alterações do comportamento
com agravamento progressivo e uma postura que alternava entre
um estado de apatia/indiferença afectiva e um estado de angústia.
Apresentava interferência funcional grave. Em Dezembro de 2009
é internada em psiquiatria após intoxicação voluntária com lixívia.
Tem alta após 1 semana de internamento, sem melhoria significativa.
Reinternada no dia 31 de Dezembro de 2009 pela mesma clínica.
Teve alta sem grande melhoria. Reinternada por mais duas vezes no
mesmo contexto. No último internamento, com a duração de 3 meses,
e na ausência de melhoria com medicação, fez ECT, com melhoria
parcial. Exames complementares de diagnóstico (ECD) realizados
durante o acompanhamento: RM cerebral (focos glióticos inespecíficos potencialmente isquémicos em áreas subcorticais), estudo
analítico (normal), estudo neuropsicológico (defeito cognitivo ligeiroamnésico) e SPECT [(hipocaptação anterior bilateral, dorsolateral (+
à esquerda) e temporal mesial (+ à direita)]. Discussão: Mediante as
características e a evolução da doença e os resultados dos ECD, não
é possível, de momento, atribuir um diagnóstico claro, de acordo
com as classificações internacionais. É no entanto indiscutível que
a doente apresenta um mal-estar significativo, que interfere na sua
capacidade funcional, assim como a existência de disfunção cerebral.
A idade tardia de aparecimento da sintomatologia, a ausência de
antecedentes, o tipo de sintomatologia e a refractoriedade terapêutica
são a favor de um diagnóstico neuropsiquiátrico de demência. No
entanto, a ausência de deterioração cognitiva e a melhoria parcial
com a ECT podem, em certa medida, questionar este diagnóstico.
Também as alterações neuropsicológicas e neuroimagiológicas não
são características de nenhum tipo de demência.
P0163
STRESSE EM PROFISSIONAIS DE EMERGÊNCIA MÉDICA PRÉHOSPITALAR: CONSTRUÇÃO DE UM MODELO ANALITICO
Hugo Amaro
Universidade do Algarve
Os estudos relativos ao stresse e ao burnout nos profissionais de
emergência médica préhospitalar têm procurado descrever os níveis
de stresse apresentados por estes sujeitos de estudo. A inexistência
de um modelo explicativo do stresse tem dificultado a intervenção
terapêutica junto destes profissionais. Dentro destas ideias, surge este
estudo cujo objectivo consiste em construir um modelo explicativo
do stresse e do burnout nos profissionais de emergência médica préhospitalar, validado empiricamente. A amostra foi constituída por
161 profissionais de emergência médica distribuídos pelo território
nacional dos quais 42,2% possuem a categoria profissional de TAE/
TAS, 31,7% são Enfermeiros e 26,1% são Médicos, tendo sido utilizada uma amostragem por clusters, seguida da técnica de amostragem
aleatória. A partir do modelo hipotético previamente elaborado, que
envolvia as variáveis stresse, burnout, variáveis consideradas como
protectoras (coping, resiliência, suporte social), assim como diversas
variáveis de hábitos de vida e profissionais, começamos por calcular
o efeito das variáveis das variáveis protectoras sobre o stresse, através
de testes de mediação (testes de sobel). Seguidamente foi calculado
52
Saúde Mental Mental Health
a predição do stresse a partir das variáveis protectoras através de
regressão múltipla pelo método stepwise e de seguida o efeito consequente das variáveis protectoras sobre o burnout, quer directos,
quer mediados pelo stresse. Com o intuito de melhor os valores de
ajustamento do modelo, foram inseridas as variáveis profissionais
e de hábitos de vida. Assim, o modelo em questão foi sujeito a
análise através de equações estruturais pelo programa AMOS 16,
o que permitiu construir um modelo explicativo do stresse e do
burnout depurado e com bons valores de ajustamento, permitindo
explicar 41% do stresse nos profissionais de emergência médica préhospitalar. Verificou-se que a prática de exercício físico, satisfação
com a família, duplo emprego e alterações do sono são importantes
na explicação do stresse nos sujeitos de estudo.
P0164
A IMPORTÂNCIA DA FARMACOGENÉTICA NA RESPOSTA
AOS PSICOFÁRMACOS – UM ESTUDO DE GENOTIPAGEM DO
SISTEMA
Gabriel Miltenberger-Miltenyi, André Janeiro; Rosario Sanches; Catarina
Fernandes; Olívia Robusto-Leitão
Instituto de Medicina Molecular, Faculdade de Medicina da Universidade de
Lisboa; GenoMed, Diagnósticos de Medicina Molecular, IMM, Universidade
de Lisboa, Portugal; Serviço de Psiquiatria, CHLN (Hospital de Santa Maria),
Lisboa, Portugal
O Citocromo P450 é composto por um grupo de isoenzimas altamente polimórficas que metabolizam diversos fármacos como
antidepressivos e antipsicóticos. As isoenzimas do Citocromo P450
mais frequentemente investigadas são CYP2D6, CYP2C9, CYP2C19
e, mais recentemente, CYP1A2. Alterações genéticas de carácter
benigno, chamados polimorfismos, são comuns nos genes que
codificam estas enzimas. Estes polimorfismos são importantes porque podem modificar a estrutura da proteína codificada e, desta
forma, influenciar a sua função no metabolismo de fármacos. Como
é importante para o clínico monitorizar a resposta de um paciente
ao tratamento e adequar, em quantidade e qualidade, esse mesmo
tratamento a cada caso, a análise farmacogenética irá representar
um papel essencial em Saúde. Contudo, estas análises são ainda
raras e por vezes pouco conhecidas. Com base nestas observações,
o nosso laboratório de diagnóstico molecular implementou o teste genético para os polimorfismos mais comuns das isoenzimas
CYP2D6, CYP2C9, CYP2C19 e CYP1A2. Actualmente, estamos a
investigar a influência das alterações genéticas (dos fenótipos) no
tratamento de um grupo de utentes da Consulta de Psiquiatria do
Hospital Universitário de Santa Maria em Lisboa, maioritariamente
constituído por portadores de depressão. Os resultados dos testes
genéticos deverão mostrar a associação entre os polimorfismos nas
isoenzimas do Citocromo P450 e o metabolismo de vários fármacos
utilizados em psiquiatria. Adicionalmente, estes resultados podem
ajudar o psiquiatra na escolha dos fármacos mais indicados e a sua
dosagem adequada ao paciente em questão, permitindo assim um
tratamento médico individualizado.
P0165
SINDROME DE TAKOTSUBO: REVISÃO TEÓRICA A PROPÓSITO
DE UM CASO CLÍNICO
Filipe Silva Carvalho, Adriana Moutinho; Maria Chai
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa; Centro Hospitalar Psiquiatrico de
Lisboa
O caso clínico apresentado serve como nota introdutória à descrição
do síndrome de Takotsubo. O Síndrome de Takotsubo é uma entidade nosológica que tem ganho notoriedade recente. Foi descrito
pela primeira vez em 1990 no Japão, e significa “vaso para polvos”,
pela forma característica da imagem cardíaca na ventriculografia.
Estima-se que seja feito o diagnóstico em 2% dos casos de síndrome
coronário agudo. Dos doentes, 85% são do sexo feminino, pósmenopausa; a idade média é de 67 anos. Em 75% dos casos é identificado
um factor psicológico desencadeante e em 25-40% dos casos existe
diagnóstico de quadro depressivo ou ansioso. A ventriculografia
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
apresenta a imagem típica, com dilatação e hipocinésia apicais, com
normalização, em média, em 20 dias. São revistos alguns conceitos
fisiológicos sobre a actuação catetocalaminérgica no coração. O fenómeno que ocorre em níveis supra-fisiológicos de epinefrina circulante
denomina-se “stimulus traffiking”, resultando numa mudança global
da via de sinalização intracelular de Proteína Gs para Gi, que resulta
num inotropismo negativo, mais evidente na região apical, onde
existe maior densidade de receptores ß2. Nestes doentes o aumento
de catecolaminas séricas é proporcionalmente o mais importante.
Finalmente são apontados alguns factores fisiopatológicos comuns
entre patologia ansiosa e o síndrome de Takotsubo.
P0166
“SEXSÓNIA” – COMPORTAMENTO SEXUAL DURANTE O SONO
Adriana Moutinho, Alice Varanda Pereira; Gonçalo Jorge
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa; Centro Hospitalar Lisboa Central
A sexsónia é um distúrbio que se caracteriza por comportamentos
sexuais atípicos durante o sono, desde vocalizações de conteúdo
sexual até masturbação violenta e actos sexuais mais complexos
como penetração oral, vaginal ou anal. Tem implicações clínicas,
psicossociais e médico-legais, tanto para o indivíduo doente como
para quem o rodeia. Apesar de existirem poucos estudos e de ser
um distúrbio pouco relatado, existem várias descrições de comportamentos agressivos, ataque sexual e envolvimento sexual de
menores durante o sono. Sempre que se suspeite que um doente sofre
de sexsónia, deve fazer-se uma história clínica rigorosa e completa,
avaliação neurológica e psiquiátrica e videopolissonografia nocturna.
Confirmado o diagnóstico deve estabelecer-se um plano terapêutico.
Maior atenção deve ser prestada às questões psicossociais e médicolegais, assim como novos estudos são necessários para determinar a
etiologia e melhorar a abordagem clínica.
P0167
PEDOFILIA: MODELOS ETIOLÓGICOS
Gonçalo Jorge, Adriana Moutinho; Alice Varanda Pereira
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa; Centro Hospitalar Lisboa Central
A pedofilia, definida como a atracção sexual recorrente por crianças
pré-púberas, é um problema sério e ubíquo com implicações clínicas, sociais, morais e legais. O presente trabalho tem como objectivo
descrever os factores que mais frequentemente surgem associados a
esta parafilia e analisar algumas das teorias propostas para a sua etiologia. No passado as teorias etiológicas atribuíam maior importância
a factores ambientais, no entanto, estudos recentes têm enfatizado
cada vez mais a importância de factores neurobiológicos. Apesar de
estarem identificados vários factores, há poucas certezas no que se
refere ao seu papel na etiologia desta doença e a maioria das teorias
propostas é de natureza especulativa.
P0168
HIPERPROLACTINÉMIA INDUZIDA POR ANTIPSICÓTICOS
Autor: José Temótio, Vera Martins; João Viegas; Luis Marques; José
Cunha Oliveira
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra
Introdução: A elevação da prolactinémia é um efeito secundário,
frequentemente menosprezado, de alguns antipsicóticos e está associado a hipogonadismo (com diminuição da líbido e infertilidade),
galactorreia, distúrbios menstruais, disfunção eréctil e ao aumento do
risco de complicações a longo prazo (como osteoporose e neoplasia
da mama). Caso clínico: Relatamos o caso clínico de uma jovem do
sexo feminino, de 17 anos, internada na Clínica Feminina do CHPC
por alterações do comportamento em contexto de um distúrbio de
personalidade borderline, medicada com risperidona na dose de 2
mg/dia, há cerca de um ano. Durante o internamento, na sequência
de queixas de amenorreia, procedeu-se à avaliação hormonal tendose verificado hiperprolactinémia, hipercortisolismo e hiperaldosteronismo. Após suspensão dos antipsicóticos os valores normalizaram
nos 3 meses seguintes, tendo regularizado o ciclo menstrual. Neste
contexto foi encaminhada para consulta de endocrinologia e efectua-
Sessões de Posters / Posters Sessions
do o estudo imagiológico que excluiu causa orgânica, confirmando-se
a iatrogenia do quadro. Conclusão: A propósito deste caso clínico
procedemos à revisão dos dados mais recentes sobre o impacto
clínico da hiperprolactinémia, ponderamos os critérios e os procedimentos de diagnóstico, sistematizamos as estratégias terapêuticas
actualmente disponíveis e reflectimos sobre o prognóstico.
P0169
PSICOSE NA DOENÇA DE PARKINSON - RELATO DE CASO
Sofia Leite, Maria José Rosas; Constança Reis
Hospital de São João
Doença de Parkinson (DP) é uma doença multisistémica que inclui,
além dos sintomas motoras, um largo espectro de sintomas não
motores, tais como deterioração cognitiva e perturbações neuropsiquiátricas. Os sintomas psicóticos na DP são actualmente entendidos
como uma complexa interacção entre doença e efeitos farmacológicos
dos agentes dopaminomiméticos. Os factores de risco implicados na
génese da Psicose na DP são, portanto, farmacológicos, genéticos e
os relacionados com a doença. Destes, são de extrema importância,
a deterioração cognitiva/demência, idade, duração e gravidade da
doença, perturbações do sono, perturbações da visão, depressão e
disautonomia. A prevalência dos sintomas psicóticos é aproximadamente 30%, sendo as alucinações visuais o sintoma psicótico mais
frequente. As características destes sintomas estão bem documentadas o que facilita o diagnóstico diferencial com outras possíveis
patologias psiquiátricas. O tratamento consiste na redução da dose
dos fármacos dopaminomiméticos e na instituição de anti-psicóticos
eficazes no controle dos sintomas psicóticos e que, simultaneamente,
não agravem os sintomas motores. Neste trabalho os autores relatam
dois casos, que apresentam sintomas psicóticos na fase précirúrgica
da Estimulação Cerebral Profunda, com características atípicas à
Psicose na DP. Pretende-se discutir os factores de risco implicados
no desenvolvimento dos sintomas, as características dos mesmos e
possíveis diagnósticos diferenciais.
P0170
“DE UM DISTÚRBIO DISSOCIATIVO A UMA MENINGOENCEFALITE HERPÉTICA - CASO CLINICO”
José Temótio, Luisa Rosa
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra
Introdução: O caso clínico relatado foi inicialmente diagnosticado
como um transtorno dissociativo tendo-se vindo a revelar como meningoencefalite herpética. Os transtornos dissociativos caracterizamse por uma perda parcial ou completa da memória, da consciência,
da identidade e do controlo dos movimentos. A meningoencefalite
herpética tem uma mortalidade significativa, sendo as suas principais manifestações clínicas: rigidez nucal, febre, cefaleias, alterações
sensoriais, convulsões e deficits motores. Caso clínico: Apresentamos
o caso clínico de uma jovem do sexo feminino, de 23 anos, observada no SU-HUC com um quadro de instalação súbita de elevada
ansiedade, perplexidade, desorientação auto e alopsíquica, afasia
respondendo às questões com monossílabos ou ecolália. A doente
tinha sido previamente observada pela medicina e pela neurologia
sem que o seu quadro tivesse sido valorizado do ponto de vista
orgânico. Dos antecedentes pessoais recentes e familiares da doente
constavam factores stressores capazes de provocar um transtorno
dissociativo. Procedeu-se ao internamento no serviço de psiquiatria,
onde foi medicada com amisulpride 50mg 1id e clorazepato dipotássico 5mg 3id. A TAC-CE revelou lesão temporal esquerda. Pedida a
colaboração da neurologia, foi efectuado estudo através de punção
lombar e RMN-CE e confirmada a lesão temporal compatível com
meningocefalite herpética tendo a doente sido transferida para o serviço de infecciologia. Durante o internamento esteve medicada com
aciclovir em doses terapêuticas, evoluiu favoravelmente mantendose ainda à data da alta pontuais deficits de nomeação e labilidade
emocional. Conclusão: A propósito deste caso clínico pretendemos
realçar que a abordagem dos doentes com patologia psiquiátrica em
ambiente de urgência requer especial atenção, já que muitas vezes
53
Sessões de Posters / Posters Sessions
somos confrontados com uma triagem errónea, superficial e marcada pela estigmatização da doença mental. Num quadro que não é
típico, não devemos deixar de excluir todas as hipóteses usando os
meios complementares de diagnostico disponíveis mesmo quando
as causas psicogénicas parecem apontar para doença psiquiátrica.
P0171
SINTOMAS NEUROLÓGICOS MEDICAMENTE INEXPLICADOS
Diana Correia; Filipa Ramalho e Silva; Mariana Serra Lemos; Ana
Maria Moreira
Hospital de Magalhães Lemos; Hospital de Magalhães Lemos / Faculdade
de Medicina da Universidade do Porto
Os sintomas medicamente inexplicados (MUS) definem-se como
sintomas físicos que não têm causa física patológica identificável.
São sintomas comuns e alguns estudos referem que estes podem
representar a queixa principal em uma de cada cinco primeiras consultas nos cuidados primários. Os MUS constituem um grupo vasto
e heterogéneo, presente em todos os contextos clínicos. Pretende o
presente trabalho o enfoque particular nos sintomas neurológicos.
Este tipo de sintomas tem uma frequência estimada de 1-9% de todos
os diagnósticos neurológicos. A sua etiologia é multifactorial e o
diagnóstico difícil dada a semelhança com sintomas de ordem neurológica. Os MUS mais frequentes em Neurologia são a dor, os sintomas
motores negativos, a vertigem, as crises não-epilépticas psicogénicas
e as alterações somatosensitivas. Esta apresentação tem como objectivo a revisão do tema com enfoque particular nas cefaleias, tontura
crónica, tremores e crises não-epilépticas psicogénicas. As autoras
pretendem abordar as suas características e preditores clínicos,
abordagem do diagnóstico psiquiátrico associado e terapêutica, bem
como a sua implicação para os cuidados de saúde mental. Aspectos
relacionados com a interdisciplinaridade destes sintomas são ainda
aflorados. Este trabalho corresponde a uma revisão da literatura mais
recente e significativa relativa aos sintomas neurológicos medicamente inexplicados supra-citados. Esta revisão revela-se importante
dado que os MUS de tipo neurológico são sintomas relevantes e de
frequência significativa, com implicações importantes para o doente
e para o sistema de saúde nomeadamente na medida em que podem
causar stress significativo com prejuízo do funcionamento, risco de
iatrogenia e gastos avultados em cuidados de saúde.
P0172
UM SÉCULO DE ARTE DE DOENTES - A COLECÇÃO DO PAVILHÃO DE SEGURANÇA - MUSEU
Vitor Albuquerque Freire; Helena Correia
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Miguel Bombarda, no final do séc. XIX, criou no então Hospital de
Rilhafoles, com uma finalidade essencialmente clínica, um pequeno
museu/colecção de pintura e escritos de doentes, um dos primeiros
museus do género no mundo (anterior às famosas colecções recolhidas pelos psiquiatras Morgenthaler e Prinzhorn). Está referenciado
na imprensa da época e descrita num livro de Júlio Dantas de 1900.
Mas essas obras desapareceram há muito, destruídas, ou apropriadas
salvas por funcionários ... A actual Colecção de Arte de Doentes do
Pavilhão de Segurança – Museu (sediada num edifício panóptico
e vanguardista, também com um precioso acervo de fotografia, de
material hospitalar e de manuscritos clínicos e administrativos), produto de um intenso trabalho de recolha e inventariação, nos últimos
anos, integra hoje mais de 3500 obras, incluindo pintura, desenhos,
pequenas esculturas, azulejos, bordados ou poesia e prosa. Resultado
da actividade de oficinas/ateliês de terapia ocupacional, de projectos
específicos, como de arte-terapia, ou recolhidos em locais esquecidos,
ou ainda doados e depositados por generosos beneméritos, consttuem a maior e a mais antiga colecção de arte de doentes mentais
e de Outsider Art do país. Desde um guache de António Gameiro,
de 1902, de instalações pré-surrealistas de 1913-1914, passando por
desenhos muito espontâneos dos anos 1930 ou pelas obras dos anos
1960, das quais sobressai o genial Jaime Fernandes, a colecção, que
se descreve nas vertentes artística e clínica, nesta comunicação, apre-
54
Saúde Mental Mental Health
senta as mais heterogéneas temáticas, linguagens formais, técnicas e
expressividades, da Outsider Art – Arte Crua, maioritária, até à Naif
ou à arte de pendor erudito e convencional. É um manancial riquíssimo e singular, de uma arte que influenciou diversos movimentos
do século XX - também terapêutica, e factor de humanização e de
auto-estima do doente com perturbação mental - de enorme valor
estético, e de grande importância no campo das Neurociências. E que
prestigia sobremaneira o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa e
a Psiquiatria portuguesa.
P0173
CRISES MIOCLÓNICAS EM DOENTES REFERENCIADOS POR
TIQUES
Sílvia Tavares; Rute Teiga; Marisa Carvalho; Márcio Cardoso; Adriana
Ribeiro; Inês Carrilho
Departamento de Pedopsiquiatria e Saúde Mental, Centro Hospitalar do Porto; Serviço de Pediatria, Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro;
Serviço de Neurologia, Centro Hospitalar do Porto; Serviço de Neurologia
Pediátrica, Centro Hospitalar do Porto
Introdução: Os Tiques são distúrbios hipercinéticos do movimento
que têm como diagnóstico diferencial importante as Crises Mioclónicas. Dada a semelhança sintomática entre essas entidades, a distinção
torna-se difícil do ponto de vista clínico. É comum estas crianças
receberem um diagnóstico presuntivo de Tiques, sendo referenciadas para diagnóstico diferencial, numa consulta de Neuropediatria,
apenas após meses ou anos de tratamento sem sucesso. A clarificação
diagnóstica, através da realização de EEG, permite uma intervenção
terapêutica mais adequada. Objectivo: Determinar a prevalência
de doentes com Crises Mioclónicas, nos doentes referenciados por
Tiques à uma consulta de Neuropediatria e comparar características
clínicas entre as duas patologias. Materiais e Métodos: Estudo de
casos de todas as crianças referenciadas à Consulta de Neurologia
Pediátrica do Hospital Maria Pia, de Janeiro a Junho de 2009, para
diagnóstico diferencial de tiques exuberantes. Foram avaliadas a
idade à data de referenciação, género, tipo de sintomatologia apresentada, sintomatologia associada e resultado do EEG. Resultados: Não
se obtiveram resultados estatisticamente significativos. Na amostra
(N=11) a idade média à data de referenciação foi de 8,7 anos, não se
verificando prevalência de género. Apenas 4 crianças mantiveram
o diagnóstico de Tiques. 3 tiveram o diagnóstico de Epilepsia Mioclónica, 2 de Crises Mioclónicas Palpebrais e 2 de Estereotipias. A
sobreposição sintomática entre as patologias mostrou-se elevada,
nomeadamente entre Tiques e Crises Mioclónicas Palpebrais. Conclusão: Este trabalho confirma a inespecificidade diagnóstica na avaliação clínica, de doentes com distúrbios do movimento hipercinéticos.
Além disso, reforça a importância da realização do EEG de rotina no
diagnóstico diferencial de doentes com hipótese de diagnóstica de
Tiques, levando a uma melhor indicação terapêutica, melhorando a
qualidade de vida destes doentes.
P0174
ESQUIZOFRENIA: BASES INFLAMATÓRIAS
José Oliveira; Filipe Vicente; Maria Chai; Luís Mendonça; Sónia Baldo;
Cristina Pablo; Carlos Lacerda
Centro Hospitalar Psiquiatrico de Lisboa; Centro Hospitalar Psiquiátrico de
Lisboa
Introdução: A esquizofrenia é uma doença grave que afecta aproximadamente 1% da população mundial e que envolve virtualmente
todas as funções cerebrais. O foco actual incide sobre anomalias dos
neurónios e suas sinapses, contudo, a sua etiologia permanece por
esclarecer. A evidência aponta para um envolvimento patológico
que se inicia in utero e conduz ao desenvolvimento da doença na
adolescência, e permite formular uma hipótese inflamatória/imunológica da esquizofrenia. Discussão/Conclusão: A inflamação cerebral
imunomediada pode ter consequências severas no sistema nervoso
central (SNC) que possui uma capacidade regenerativa limitada e,
por isso, está normalmente diminuída por um fenómeno denominado de privilégio imune. Contudo, dados recentes mostram que o
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
envolvimento de processos inflamatórios que podem ter início durante o neurodesenvolvimento e se prolongam durante a vida, sejam
eles de origem infecciosa, imunitária, genética ou traumática, podem
estar envolvidos em lesão neuronal directa, vascular ou da microglia.
A activação do sistema imunitário em doentes com esquizofrenia
é evidente em vários estudos que mostram elevação das citocinas
pró-inflamatórias como a IL-1, IL-2, IL-6 e TNF-. Assim, é possível
supor que a terapia anti-inflamatória tenha efeitos favoráveis em
alguns doentes com esquizofrenia, facto este que é suportado pela
observação de que o tratamento coadjuvante com anti-inflamatórios
não esteróides mostrou ter um impacto positivo na psicopatologia
da doença e que os antipsicóticos atípicos possuem propriedades
imunomodeladoras que podem conduzir a uma diminuição da
resposta imunitária no SNC.
P0175
OS ANJOS DE ZALONE - NEUROPSIQUIATRIA REVISITADA
Paula Garrido; Catarina Pereira; Adelaide Craveiro; Paulo Abrantes
Serviço de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra
A epilepsia é a doença neurológica crónica mais comum na população
geral. 30 a 50% de todos os doentes com epilepsia apresentam algum
tipo de comorbilidade psiquiátrica durante o curso da doença, que
pode ir de alterações na personalidade (o sintoma comportamental
mais comum), até à psicose. O sintomas psicóticos esquizofrenialike ocorrem sobretudo nos doentes com epilepsia do lobo temporal
com vários anos de evolução, e nestes é frequente que os afectos se
encontrem conservados. As características clínicas desta patologia
colocam-na na fronteira (cada vez mais fluida) da Psiquiatria e da
Neurologia e os psiquiatras deverão reconhecê-la e conduzir de
forma racional os exames auxiliares necessários ao seu diagnóstico
em doentes específicos. Após uma revisão sumária do tema, em que
serão aludidos os aspectos clínicos e de investigação mais recentes,
os autores apresentam uma vinheta clínica relativa a uma doente
de 42 anos com diagnóstico simultâneo de esquizofrenia paranóide
e epilepsia. A sua psicose esquizofrénica apresenta longos anos de
evolução, livre de terapêutica psicofarmacológica, e caracteriza-se
por sintomatologia positiva marcada com delírio de sósias, persecutório, místico e cósmico. Os ´´Anjos de Zalone´´ constituem um dos
aspectos mais bizarros do delírio desta doente, em que os aspectos
neurológicos e psicopatológicos se entrecruzam.
P0176
DESDE ANNA O. ATÉ A ACTUALIDADE: DIFICULDADES DIAGNÓSTICAS DAS CRISES EPILÉPTICAS E NÃO EPILÉPTICAS.
Estefania Gago; Ana Eduarda Ribeiro; Mónica Santos
Hospital de Magalhães Lemos
A epilepsia é definida como uma síndrome neurológica marcada
pela recorrência de crises na ausência ou abstinência de drogas. A
crise epiléptica (CE) consiste numa manifestação clínica relacionada
com descargas eléctricas sincrónicas e excessivas de agrupamentos
neuronais cerebrais que podem ser identificadas no electroencefalograma. Os fenómenos paroxísticos não epilépticos são eventos de
origem fisiológica ou psicogénica. Definem-se crises psicogénicas
não epilépticas (CNE) como alterações senso-perceptivas ou comportamentais paroxísticas que imitam CE e não estão associadas
a actividade epileptiforme. Estima-se que representem 4% dos
diagnósticos de epilepsia e correspondam a 20% dos doentes acompanhados em centros especializados de epilepsia. Estes doentes
são medicados com fármacos antiepilépticos e sofrem o estigma
e as limitações da epilepsia. O diagnóstico diferencial entre crise
epiléptica tónico-clónica generalizada e uma convulsão de natureza
conversiva é complexo. Acresce-se que em um terço dos pacientes
com CNE associamse crises epilépticas. De facto, após cirurgia de
epilepsia bem sucedida, ocasionalmente surgem episódios de CNE.
Caso clínico: Homem de 20 anos, solteiro, que apresenta crises estereotipadas nas quais fica arreactivo, com versão óculo-cefálica para
a esquerda, seguida de respiração ruidosa e sialorreia. Apresenta
ainda movimentos clónicos dos membros com vários minutos de
Sessões de Posters / Posters Sessions
duração, sem generalização, e com rápida recuperação do estado de
consciência. Tem antecedentes de atraso de desenvolvimento psicomotor e dificuldades de aprendizagem. A partir deste caso clínico as
autoras pretendem rever a dificuldade diagnóstica entre as CE e as
CNE e a elevada comorbilidade existente entre ambas.
P0177
ADOLESCÊNCIA E TOXICODEPENDÊNCIA: DA VULNERABILIDADE AO CONSUMO
Filipe Arantes-Gonçalves; Emanuel Filipe Santos; Carina Mendonça
CHCBEIRA
A adolescência é um período do desenvolvimento caracterizado
por várias mudanças, especialmente as que envolvem aspectos de
maturação no Sistema Nervoso Central. Entre estes, destacamos
o desbaste sináptico, mielinização, e alterações nos sistemas de
neurotransmissores. De um modo geral, estas alterações no sistema
nervoso sugerem que os adolescentes têm uma maior vulnerabilidade
para comportamentos de risco. As fases de transição da adolescência
acompanham-se, frequentemente, de eventos de stress, e os adolescentes poderão ser afectados de forma mais negativa que os adultos
devido a imaturidade neurobiológica. Por outro lado, a diminuição
da vigilância parental durante a adolescência poderá facilitar comportamentos de consumo experimental de substâncias psicoactivas
com os grupos de amigos. Estas relações de amizade parecem amplificar o risco de consumo e os comportamentos de desinibição.
Assim que os adolescentes iniciam os consumos, a evidência indica
que estes são mais vulneráveis aos efeitos de várias drogas. Assim
sendo, esta vulnerabilidade parece ser mediada pela plasticidade do
cérebro adolescente e efeitos do stress. Adicionalmente, as alterações
neurobiológicas resultantes do consumo de substâncias, reforçam os
comportamentos de consumo das mesmas.
P0178
CAÍDO NO ESQUECIMENTO: UM CASO DE AMNÉSIA GLOBAL
TRANSITÓRIA APÓS PRÁTICA DE PARAPENTE
Isabel Milheiro; Álvaro Machado
Hospital de Braga; Hospital Escala Braga
Introdução: Amnésia global transitória (AGT) designa uma perturbação súbita e completa da memória episódica anterógrada, sem outros
sintomas associados, durando menos de 24 horas não deixando sintomas residuais e sem recorrência. Embora a etiologia se mantenha
ainda por definir, há vários precipitantes reconhecidos. Caso Clinico:
Homem saudável de 33 anos, trazido ao serviço de urgência após
ter ido fazer parapente a uma altitude de cerca de 2000 metros. Ao
aterrar, após 20 minutos no ar, notaram que estava agitado, ansioso,
continuamente a perguntar “ O que faço aqui? “Como vim aqui parar?”. Sem traumatismo craniano. Sem episódios similares prévios.
À excepção das perguntas contínuas, tinha um discurso normal,
lembrava-se de tudo antes daquela tarde e não se queixava de mais
nada. O exame físico era normal e os exames auxiliares de diagnóstico (TAC e EEG) não revelaram alterações. O quadro teve resolução
espontânea e completa em cerca de 6 horas. Discussão: Dos vários
precipitantes conhecidos da AGT, os mais comuns são a actividade
sexual, o esforço físico e situações emocionalmente intensas. A sua
ocorrência a alta altitude foi descrita muito raramente, acreditando-se
que possa ocorrer hipóxia no hipocampo por vasoconstrição hipocápnica, secundária à hiperventilação. No doente que descrevemos,
esta resposta pode ainda ter sido potenciada pelo esforço físico e
stress emocional associados a esta actividade desportiva. É importante que o médico saiba reconhecer a AGT, distinguindo-a dos seus
mimetizadores (estados confusionais agudos, amnésia epiléptica
transitória, crises parciais complexas e amnésia psicogénica), pois
a sua benignidade permite tranquilizar o doente e evitar recursos
diagnósticos e terapêuticos desnecessários.
P0179
A DEPRESSÃO NA DOENÇA DE HUNTINGTON
Sara Oliveira; João Campos Mendes; Filipa Miranda; José Daniel
55
Sessões de Posters / Posters Sessions
Rodrigues; Lima Monteiro
Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho
Introdução: A Doença de Huntington ou Coreia de Huntington é
uma doença neurodegenerativa de transmissão autossómica dominante caracterizada por alterações do controlo motor e emocional,
disfunção cognitiva e movimentos involuntários, tipicamente coreiformes. As perturbações psiquiátricas são frequentes na Doença de
Huntington, incluindo psicose, perturbação delirante, ansiedade,
mania e comportamento obsessivo. A depressão é uma das manifestações psiquiátricas mais frequentes, estimando-se que o suicídio
ocorra em 5 a 10% dos doentes. Objectivo: Os autores apresentam
o caso de um doente do sexo masculino com Doença de Huntington, referenciado à Consulta Externa de Psiquiatria por apresentar
sintomatologia depressiva. Os autores fizeram uma revisão da literatura no que respeita às manifestações psiquiátricas na Doença de
Huntington. Caso Clínico: J.R.S. é um adulto com 29 anos de idade,
sem antecedentes médicos ou psiquiátricos relevantes até aos 27
anos, altura em que lhe foi diagnosticada Doença de Huntington.
Não existia história familiar prévia de Doença de Huntington até
ao falecimento do tio paterno aos 50 anos, apresentando sintomas
motores exuberantes, predominantemente coreia. O teste genético
efectuado ao pai e a uma tia paterna foi também positivo. J.R.S. foi
referenciado à Consulta Externa de Psiquiatria pela neurologista
assistente por apresentar alteração do padrão do sono e labilidade
emocional. Foi medicado com fluvoxamina 50 mg/dia com melhoria
da sintomatologia. Conclusão: Os sintomas psiquiátricos são comuns
na Doença de Huntington e acompanham a evolução da doença,
causando elevada morbilidade. O tratamento dos doentes com esta
patologia exige uma articulação de esforços entre neurologistas,
psiquiatras, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais.
P0180
“STRESSE EM PROFISSIONAIS DE EMERGÊNCIA MÉDICA
PRÉ-HOSPITALAR”
Hugo Amaro
Universidade do Algarve
O stresse tem sido uma problemática amplamente estudada pela
comunidade científica em geral nas mais diversas áreas do saber, em
que os profissionais de saúde têm sido um grupo alvo preferencial
desses mesmos estudos. Todavia, os estudos efectuados com os
profissionais de emergência médica pré-hospitalar em Portugal são
ainda extremamente reduzidos, embora a problemática se encontre
mais desenvolvida em países como os EUA, Canadá e Japão. Neste
sentido, pelas características próprias desta profissão interessa compreender de forma mais aprofundada em que medida se encontram
estes profissionais vulneráveis ao stresse, sendo este o objectivo
principal deste estudo. A amostra foi constituída por 161 profissionais de emergência médica distribuídos pelo território nacional dos
quais 42,2% possuem a categoria profissional de TAE/TAS, 31,7% são
Enfermeiros e 26,1% são Médicos, tendo sido utilizada uma amostragem por clusters, seguida da técnica de amostragem aleatória. Os
resultados indicam a existência de médias globais baixas de stresse
nos sujeitos de estudo. Todavia existem diferenças estatisticamente
significativas entre o stresse e a categoria profissional, sendo os
TAE/TAS aqueles que apresentam valores médios mais elevados,
bem como relativamente às dimensões “Deprivação de afectos e
rejeição”, “Subjugação” e “Condições de vida adversas”. No que diz
respeito às alterações do sono, verificou-se a existência de diferenças
estatisticamente significativas nas dimensões “Perfeccionismo e intolerância à frustração”, “Condições de vida adversas”, “Dramatização
da existência”, “Subjugação”, e “Deprivação de afectos e rejeição”,
assim como para a totalidade do instrumento de medida do stresse.
Os sujeitos de estudo que não praticam exercício físico apresentam
valores médios de stresse mais elevados.
P0181
HOMOSSEXUALIDADE: CONTRIBUIÇÕES BIOLÓGICAS
Adriana Moutinho; Alice Varanda Pereira; Gonçalo Jorge
56
Saúde Mental Mental Health
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa; Centro Hospitalar Lisboa Central
A investigação das bases biológicas da homossexualidade permanece extremamente activa em diversas áreas como a endocrinologia,
genética, neuroanatomia, demografia familiar ou comportamento
animal. No presente trabalho abordam-se as mais fortes linhas actuais de estudo na área da orientação sexual feminina e masculina.
Apesar de algumas inconsistências, existe evidência de que a teoria
neuro-hormonal é uma realidade, em particular no sexo masculino.
Os estudos genéticos sobre famílias e gémeos indicam fortemente a
existência de hereditariedade, mas a investigação molecular ainda
não elegeu consistentemente nenhum gene específico. Anatomicamente parece haver algum grau de dimorfismo sexual cerebral, mas
ainda se estabeleceu a sua relação com a orientação sexual. Embora
os resultados apontem globalmente para a existência de influências
biológicas na orientação sexual humana, permanece o debate sobre
a forma e o grau em que a biologia actua e a sua importância relativa
face aos factores psico-sociais.
P0182
CO-MORBILIDADE PSIQUIÁTRICA NA DOENÇA DE PARKINSON
- UMA ABORDAGEM TERAPÊUTICA
Raquel Santos Pereira; Rosa Grangeia
Hospital de São João, EPE
A Doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa
mais frequente, a seguir à Doença de Alzheimer, afectando entre
1 a 2 % da população com mais de 65 anos. Sendo primariamente
uma doença do movimento, definida por sintomas motores como
bradicinésia, tremor e rigidez, está também associada a sintomas neuropsiquiátricos, nomeadamente depressão (o mais comum, presente
em 40 % dos doentes, e largamente subdiagnosticado), ansiedade,
demência e quadros psicóticos (alucinações tipicamente visuais, delírios geralmente paranóides ou celotípicos, sendo a presença destes
sintomas o mais forte preditor da necessidade de hospitalização ou
institucionalização), com substancial impacto clínico e na qualidade
de vida, por vezes mesmo superior ao dos sintomas motores. Recentemente, o espectro de sintomas psiquiátricos na DP tem vindo
a aumentar, com o reconhecimento de sintomas compulsivos (jogo
patológico, oniomania, hipersexualidade, entre outros, com prevalência de 0.4 a 8 %). O diagnóstico e tratamento destes sintomas
constitui ainda tema de debate e investigação. Por exemplo, estudos
recentes revelaram que a depressão na DP poderá ter também uma
base orgânica, ao nível dos neurotransmissores, reflectindo não só
disfunção dopaminérgica (núcleo accumbens), mas também perturbações setoroninérgicas e noradrenérgicas, o que eventualmente
traduz uma degeneração neuronal mutissistémica. Curiosamente, o
suicídio nestes doentes é raro, excepto no período seguinte à retirada
ou diminuição rápida da medicação dopaminérgica, após estimulação cerebral profunda. Os autores propõe-se a fazer uma revisão
bibliográfica sobre o reconhecimento e abordagem terapêutica dos
principais sintomas neuropsiquiátricos na DP.
P0183
ALUCINOSE PEDUNCULAR: LESÃO A NÍVEL DA COROA RADIATA ESQUERDA E CENTRO OVAL ESQUERDO
Manuela Matos; Cristina Miguel; José Pio Abreu
Serviço de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra; Hospitais
da Universidade de Coimbra
As alucinoses podem estar presentes numa variedade de quadros
neurológicos e psiquiátricos. Elas constituem um fenómeno complexo
com diferentes apresentações. Alguns psicopatologistas concordam
em diferenciar as alucinações, as pseudo-alucinações e as alucinoses com base nas suas características (corporeidade mas ausência
de convicção de realidade, nas alucinoses). Esta distinção pode ser
importante, pois têm diferentes valores semiológicos: enquanto as
alucinações e pseudo-alucinações são mais comuns na esquizofrenia,
as alucinoses apontam mais para uma lesão estrutural. Apresenta-se
o caso clínico de uma mulher com 58 anos, que refere o aparecimento de alucinações visuais de inicio súbito que ocorriam de forma
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
paroxística desde há cerca de um mês, apresentando crítica para a
situação. Através de RMN, constatou-se existir uma lesão estrutural
a nível da coroa radiata esquerda e centro oval esquerdo. Havia
iniciado tratamento com antipsicótico, sem remissão da sintomatologia, tendo o mesmo sido suspenso após diagnóstico da patologia
orgânica, com remissão espontânea do quadro.
P0184
SABE-SE QUE UM CONTROLO PRECOCE E MANTIDO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL ORIGINA UM RISCO MUITO REDUZIDO
PARA DEMÊNCIA (PEILE R E TAL, STROKE 2006), EXISTINDO
ATÉ JÁ HIPOTENSORES DITOS REDUTORES DE RISCO
Olívia Robusto-Leitão
Serviço de Psiquiatria, CHLN (Hospital de Santa Maria), Lisboa, Portugal
Sabe-se que um controlo precoce e mantido da hipertensão arterial
é fortemente contributivo para uma elevada redução do risco para
demência (Peile R e tal, Stroke 2006), existindo até já hipotensores
ditos redutores de risco. Com o objectivo de controlar factores de
risco cardiovasculares na prevenção de demências (vasculares, Alzheimer e afins), iniciou-se a avaliação do risco para doença grave
coronário-cardíaca, com base nos parâmetros da Sociedade Europeia
de Cardiologia, que obtém o consenso nacional (e são também adoptados pela Associação Psiquiátrica Europeia na avaliação de risco
dos doentes psiquiátricos), que por sua vez utiliza o estudo cardíaco
de Framingham com os seguintes factores: idade, género, colesterol
total e HDL, tabagismo, tensão arterial e consumo de hipotensores.
Excluem-se os portadores de doença cardíaca, diabetes ou outra
doença grave. Demonstra-se a efectuação do cálculo, que assenta na
grelha de risco SCORE, para países de baixo risco cardiovascular, nos
quais Portugal se encontra inserido, embora com alguma contestação.
(http://hp2010.nhlbihin.net/atpiii/calculator.asp?usertype=prof)
Apresentam-se os primeiros resultados (Maio 2009 a Junho 2010),
em 86 utentes da Consulta de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria, entre os 27 e os 90 anos de idade (inseridos aleatoriamente com
observância dos critérios de exclusão), maioritariamente mulheres,
sendo que o risco absoluto mais elevado se situa claramente acima
dos 70 anos, pelo que se reveste de particular interesse a análise do
risco relativo nos grupos etários mais jovens (igualmente apresentada) pela potencial prevenção no terreno.
P0185
“DE UM DISTÚRBIO DISSOCIATIVO A UMA MENINGOENCEFALITE HERPÉTICA - CASO CLINICO”
José Temótio, Luisa Rosa
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra
Introdução: O caso clínico relatado foi inicialmente diagnosticado
como um transtorno dissociativo tendo-se vindo a revelar como meningoencefalite herpética. Os transtornos dissociativos caracterizamse por uma perda parcial ou completa da memória, da consciência,
da identidade e do controlo dos movimentos. A meningoencefalite
herpética tem uma mortalidade significativa, sendo as suas principais
manifestações clínicas: rigidez nucal, febre, cefaleias, alterações sensoriais, convulsões e deficits motores. Caso clínico: Apresentamos o
caso clínico de uma jovem do sexo feminino, de 23 anos, observada no
SU-HUC com um quadro de instalação súbita de elevada ansiedade,
perplexidade, desorientação auto e alopsíquica, afasia respondendo
às questões com monossílabos ou ecolália. A doente tinha sido previamente observada pela medicina interna e pela neurologia sem
que o seu quadro tivesse sido valorizado do ponto de vista orgânico.
Dos antecedentes pessoais recentes e familiares da doente constavam
factores stressores capazes de provocar um transtorno dissociativo.
Procedeu-se ao internamento no serviço de psiquiatria, onde foi
medicada com amisulpride 50mg 1id e clorazepato dipotássico 5mg
3id. A TAC-CE revelou lesão temporal esquerda. Pedida a colaboração da neurologia, foi efectuado estudo através de punção lombar e
RMN-CE e confirmada a lesão temporal compatível com meningocefalite herpética tendo a doente sido transferida para o serviço de
infecciologia. Durante o internamento esteve medicada com aciclovir
Sessões de Posters / Posters Sessions
em doses terapêuticas, evoluiu favoravelmente mantendo-se ainda
à data da alta pontuais deficits de nomeação e labilidade emocional.
Conclusão: A propósito deste caso clínico pretendemos realçar que
a abordagem dos doentes com patologia psiquiátrica em ambiente
de urgência requer especial atenção, já que muitas vezes somos
confrontados com uma triagem errónea, superficial e marcada pela
estigmatização da doença mental. Num quadro que não é típico,
não devemos deixar de excluir todas as hipóteses usando os meios
complementares de diagnostico disponíveis mesmo quando as causas
psicogénicas parecem apontar para doença psiquiátrica.
P0186
PSICOSE PÓS-PARTO – QUANDO A CULPA É DA TIRÓIDE
Adriana Moutinho; Patrícia Pedro; Filipe Silva Carvalho
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Durante a gravidez e puerpério a mulher passa por profundas
alterações físicas e psicológicas. A psicose pós-parto é um tipo de
perturbação psicótica que ocorre em mulheres em fase puerperal.
Inicia-se entre a primeira e a oitava semana após o parto e caracteriza-se pela presença de ideias delirantes, alterações da percepção,
desorganização do pensamento e do comportamento, alterações do
humor e declínio cognitivo, que representam uma mudança completa
no funcionamento prévio da mulher. Estas alterações, associadas à
crítica diminuída para a doença, podem conduzir a consequências
nefastas pondo em risco a segurança e o bemestar tanto da mãe como
do bebé. Tal como em qualquer outra perturbação psicótica, a psicose
pós-parto pode ser causada por uma condição médica geral, nomeadamente alterações da função tiroideia, como a tiroidite pósparto
(TPP). Trata-se de uma doença autoimune caracterizada por infiltração linfocitária da tiróide e tirotoxicose seguida de hipotiroidismo
ou uma destas duas situações isoladamente, nos primeiros 12 meses
após o parto. Este trabalho descreve um caso clínico de tirotoxicose
pós-parto cuja principal manifestação clínica foi um episódio psicótico. O principal objectivo deste poster é sensibilizar para as possíveis
apresentações psiquiátricas das doenças endócrinas.
P0187
CO-MORBILIDADE PSIQUIÁTRICA NA DOENÇA DE PARKINSON
– UMA ABORDAGEM TERAPÊUTICA
Raquel Santos Pereira; Rosa Grangeia
Hospital de São João, EPE
A Doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa
mais frequente, a seguir à Doença de Alzheimer, afectando entre 1 a
2 % da população com mais de 65 anos. Sendo primariamente uma
doença do movimento, definida por sintomas motores como bradicinésia, tremor e rigidez, está também associada a sintomas neuropsiquiátricos, nomeadamente depressão (o mais comum, afectando 40
% dos doentes, e largamente subdiagnosticado), ansiedade, demência
e quadros psicóticos (presentes em 15-30% dos casos - alucinações
tipicamente visuais, delírios geralmente paranóides ou erotomaníacos, sendo a presença destes sintomas o mais forte preditor da necessidade de hospitalização ou institucionalização), com substancial
impacto clínico e na qualidade de vida, por vezes mesmo superior
ao dos sintomas motores. Cerca de 10% de doentes, segundo alguns
estudos, têm depressão e também psicose. Recentemente, o espectro
de sintomas psiquiátricos na DP tem vindo a aumentar, com o reconhecimento de sintomas compulsivos (jogo patológico, oniomania,
hipersexualidade, entre outros, com prevalência de 0.4 a 8 %). O
diagnóstico e tratamento destes sintomas constitui ainda tema de
debate e investigação. Por exemplo, estudos recentes revelaram que
a depressão na DP poderá ter também uma base orgânica, ao nível
dos neurotransmissores, reflectindo não só disfunção dopaminérgica
(núcleo accumbens), mas também perturbações setoroninérgicas e
noradrenérgicasnérgicas, o que eventualmente traduz uma degeneração neuronal mutisistémica. Curiosamente, o suicídio nestes
doentes é muito raro, excepto após a retirada ou diminuição rápida
da medicação dopaminérgica, após estimulação cerebral profunda.
A etiologia da psicose parece ser também multifactorial, havendo
57
Sessões de Posters / Posters Sessions
estudos que a relacionam com o uso de agonistas dopaminérgicos, e
outros que não. Os autores propõe-se a fazer uma revisão bibliográfica sobre o reconhecimento e abordagem terapêutica dos principais
sintomas neuropsiquiátricos na DP (depressão, psicose e demência).
Ética e Psiquiatria
P0188
LOUCURA E SANTIDADE
Maria Miguel Brenha; Filipa Sá Carneiro; Pedro Teixeira
Hospital Magalhães Lemos; Centro Hospitalar do Porto; CHMA- Centro
Hospitalar do Médio Ave
Introdução: Já Catherine Clement e Sudhir Kakar se debateram com
esta questão a propósito do ponto de convergência entre uma louca
internada em Paris e um iluminado indiano: a mística. Madeleine
e Ramakrishna apresentavam vivências idênticas, mas no séc. XIX,
França e Índia não reservavam aos místicos o mesmo destino. E actualmente, onde reconhecemos loucura e santidade? Freud abordou a
temática religiosa ao discutir o valor do “sentimento oceânico”. Mas
experiência mística não se confunde com religião, pois talvez esteja
mais próxima do fundamento da existência do que da divindade.
Segundo Mário Simões, apesar das semelhanças, experiências mística
e psicótica podem ser diferenciadas atendendo à dificuldade que
os indivíduos psicóticos apresentam em estabelecer uma realidade
inter-subjectiva partilhada e incapacidade para lidar com níveis de
funcionamento social. Caso Clínico: Mulher de 59 anos, separada, 4ª
classe, desempregada e sem-abrigo. Antecedentes de internamento
no Hospital Conde Ferreira há 17 anos, sem seguimento posterior. A
25/02/2010 foi internada compulsivamente por alterações do comportamento com risco para a sua integridade física: deambulava pelos
bairros camarários do Porto em missão de evangelização, andando
de transportes públicos sem pagar. À entrada apresentava ideação
delirante mística estruturada, comportamento bizarro – respondia
só após consultar a bíblia – e sem consciência mórbida. Foram titulados antipsicóticos típicos e atípicos em associação, dose e duração
adequadas, sem resposta, pelo que foram suspensos. Teve alta com
seguimento através de visitas domiciliárias. Discussão/Conclusão:
Várias têm sido as tentativas para distinguir as experiências mística
e psicótica. Com base em Mário Simões, parece-nos que o caso apresentado se encontra mais próximo da esfera da experiência psicótica.
Contudo, dada a controvérsia do tema e subjectividade as abordagens, diferentes sensibilidades a diferentes conclusões chegarão.
Reúne maior consenso a constatação de que “existe doença quando o
indivíduo não consegue interactuar com autonomia e em sociedade”
P0189
A ABORDAGEM TERAPÊUTICA DOS ABUSADORES SEXUAIS
NA CONSULTA DE SEXOLOGIA DO HOSPITAL JÚLIO DE MATOS
Afonso Albuquerque; Catarina Soares; Carlos Fernandes; Marco Gonçalves; Íris Monteiro; Joana Florindo; Isabel Albuquerque; José Salgado
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Portugal carece de programas multidisciplinares e abrangentes
que envolvam várias entidades, nomeadamente jurídicas, sociais
e clínicas, num esforço coordenado e conjunto para a aplicação do
tratamento e reabilitação dos abusadores sexuais. Ao invés, são
postas em prática abordagens clínicas individuais e isoladas procurando implementar programas de tratamento duma forma pontual.
Contudo, apesar de tardias, tem havido um acréscimo na frequência
nos pedidos de intervenção dos serviços de re-integração social,
por parte dos Tribunais. Da mesma forma, também os advogados
de defesa de clientes já detidos ou aguardando julgamento, fazem
referenciação para tratamento. Só em casos excepcionais, os próprios
abusadores têm a iniciativa de pedir ajuda. Os autores enfatizam a
experiência dos clínicos com os abusadores sexuais, os quais cometem principalmente abuso sexual infantil. As características sóciodemográficas da amostra são discutidas, bem como os resultados
dos testes de avaliação da personalidade. As formas de tratamento
utilizadas são descritas.
58
Saúde Mental Mental Health
P0190
RÁDIO AURORA - A OUTRA VOZ. UMA EXPERIÊNCIA EM
SAÚDE MENTAL
Nuno Faleiro Silva
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
A Reabilitação Psicossocial ocupa o espaço de transição entre a instituição psiquiátrica e a comunidade. Tendo como função principal
assistir cada indivíduo na (re) organização de um projecto de vida,
situa-se na fronteira entre internamento e ambulatório, entre presente
e futuro. Procurando ajustar as necessidades e níveis de autonomia
individuais com as respostas/recursos existentes na comunidade,
confronta-se quotidianamente com o problema da exclusão/marginalização social vividos pelas pessoas com um diagnóstico psiquiátrico. O desemprego, a pobreza, a falta de condições habitacionais
adequadas, o abandono familiar e social marcam demasiadas vezes
as vidas dos nossos concidadãos com um diagnóstico psiquiátrico.
Estas formas de discriminação resultam de complexos processos de
estigmatização e erguem-se como barreiras sociais que influenciam
negativamente a evolução de condições sensíveis aos acontecimentos do meio ambiente. O objectivo deste trabalho prende-se com a
apresentação da Rádio Aurora - A Outra Voz, o primeiro programa
de rádio português produzido e realizado por pessoas com um
diagnóstico psiquiátrico. Situada na Unidade de Convalescença do
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa – Pólo Júlio de Matos, utiliza a comunicação social (a Radiodifusão) e as novas tecnologias da
comunicação (Internet) na reabilitação e reinserção social dos utentes.
A Rádio Aurora – A Outra Voz procura colaborar num processo de
mudança a dois níveis que se influenciam mutuamente: no plano
individual e na comunidade em geral. Ao nível da comunidade, a
Rádio Aurora – A Outra Voz pretende ser um dispositivo de redução da estigmatização e discriminação. Desempenha esta função
pela diminuição da distância social, informando, sensibilizando a
sociedade civil e deste modo colaborando na promoção da Saúde
Mental. No plano individual, procura desempenhar uma função coterapêutica ao estimular áreas saudáveis do funcionamento mental
(factores de protecção).
P0191
“DOMICÍLIOS, BAIXOS E CONTRABAIXOS”
Filipa Isabel Simões Veríssimo
Hospital de Magalhães Lemos
O Sr. “Vasconcelos” é um homem de 53 anos, com história longa de
Esquizofrenia Paranóide, invisual há 10 anos por patologia retiniana, e que foi, na sua juventude, baterista de uma banda rock, muito
popular no panorama musical português na década de 70. A partir
dos 35 anos, teve inúmeros internamentos no Hospital de Magalhães
Lemos, no Porto, o mais longo em 2007 (que se prolongou durante
cerca de 1 ano) e no qual contactei com o doente pela primeira vez. A
duração deste internamento teve a ver essencialmente com a ausência
de suporte familiar e não tanto com a dificuldade na compensação
clínica. Havia inúmeras questões que tinham de ser devidamente
asseguradas no sentido de garantir a autonomia (relativa mas segura) no pós-alta. Optou-se, então, por enquadrar o doente num
regime de visita domiciliária de periodicidade mensal. Nesta base,
era possível observar as condições habitacionais, de alimentação e
higiene e garantir a compliance terapêutica (injectável depot). Este
regime ainda se mantém. As visitas são feitas por mim e por uma
enfermeira e revelam-se sempre bem mais que um simples apoio
domiciliário mensal. O doente, para nos receber, tem o hábito de
vestir fato e gravata e de nos proporcionar um mini-concerto. A sua
casa, em plena baixa do Porto, está repleta de instrumentos musicais. Baterias, baixos, contrabaixos, guitarras eléctricas, braguesas,
órgãos, sintetizadores e mesas de mistura. Apesar de cego, o doente
consegue ainda tocar e compor. Sai à rua todos os dias, fazendo as
refeições num restaurante da zona, e tem apoio de uma senhora que
se desloca semanalmente a sua casa para as lides domésticas. Desde
o início do seguimento em visita domiciliária, há cerca de 3 anos, o
doente não voltou a necessitar de internamento.
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
Epistemologia Psiquiátrica
P0192
ESTIGMA-UMA REFLEXÃO SOBRE A DOENÇA MENTAL
Filipa Ramalho e Silva; Joaquim Ramos; José Queirós
Hospital de Magalhães Lemos / Faculdade de Medicina da Universidade
do Porto; Hospital de Magalhães Lemos; Hospital de Magalhães Lemos/
Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar
Introdução: O estigma tem sido encarado, de um ponto de vista
sociológico, como uma “marca da desgraça”. Segundo Corrigan, estigma pode ser genericamente definido com uma “marca que separa
um indivíduo de outro baseado no julgamento de tipo social que
sugere que alguns grupos de pessoas são catalogados como sendo
menos do que as outras. Muitas vezes leva a crenças negativas (estereótipos) - que se tornam reais (preconceitos) - e ao desejo de evitar
ou excluir aqueles que detêm o estatuto de estigmatizados (descriminação) ”. O estigma promove a expectativa de que as pessoas com
doença mental são incapazes de assumir as suas responsabilidades
e de viver independentemente, que estas devem ser temidas devido
à sua perigosidade e afastadas da comunidade e mantidas em instituições. Numa perspectiva paternalista os doentes são apontados
como necessitando de cuidados de protecção por parte de familiares,
amigos e comunidade no geral. Estudos têm vindo a explicitar os
efeitos negativos do estigma para o doente mental, a vários níveis,
nomeadamente conduzindo a menor qualidade de vida e bem-estar
dos mesmos, potenciando situações de stress persistente, baixa autoestima, interferência na recuperação dos doentes, diminuindo os
seus direitos a nível legal e potenciando descriminação a nível dos
cuidados de saúde. No limite, o estigma representa uma diminuição
da esperança média de vida. Objectivo: Rever e discutir sob várias
perspectivas o conceito de estigma, o seu significado e relevância
na saúde mental. Métodos: Revisão de artigos recentes e relevantes
relativos ao assunto tratado neste trabalho. Discussão e Conclusão:
O avanço do conhecimento científico, as inovações do tratamento, a
desinstitucionalização dos doentes e a instituição de movimentos de
promoção da cidadania fariam esperar um melhor conhecimento da
doença e a diminuição do estigma. Salienta-se a importância que cada
um, a título individual, pode ter no combate ao estigma, nomeadamente promovendo e aumentando os contactos sociais dos doentes
mentais. Também as organizações de defesa cívicas (advocacy) e os
mecanismos de empowerment, que permitem aos doentes viverem
no seu contexto natural, promovendo o exercício da cidadania, a
defesa dos seus direitos e potenciando a formação de organizações
que representam as pessoas com doença mental e de familiares, são
determinantes para a diminuição do estigma.
Psiquiatria Geriátrica
P0193
MEDO DE MORRER & MEDO DE ENVELHECER
Carlos Augusto de Mendonça Lima
Centro Hospitalar do Alto Ave, E.P.E.
Confrontado com a consciência da morte e do seu envelhecimento
o homem experimenta uma ansiedade que necessita ser contida por
mecanismos defensivos protetores do seu Ego e que, de alguma forma, contribuem para moldar a personalidade do indivíduo. Usando
diversos exemplos nas artes e religiosos, pode-se percorrer como na
história este tema foi tratado. No entanto, na idade avançada estes
mecanismos defensivos podem vir ser insuficientes face às consequências da velhice vivida como perda intolerável, principalmente
quando fatores bio-psicossociais negativos não permitem assegurar
o indivíduo como pessoa plena. A maior frequência de condutas
suicidas em idosos ilustra bem esta triste realidade. O medo do
envelhecimento e da morte podem ambos ser reactivados (i) pela ignorância e desinformação quanto a natureza e o processo do envelhecimento, (ii) pela tendência social à conformidade e segurança e (iii)
Sessões de Posters / Posters Sessions
pela internalização de idéias estigmatizantes. Estes mesmos medos
podem originar (i) preconceitos, (ii) atitudes negativas ao encontro
dos idosos e dos profissionais que lhes dispensam cuidados, (iii) a
ausência de debate no seio da sociedade sobre o valor das pessoas
idosas e (iv) gerar opiniões alarmistas sobre as necessidades, fardo e
custo das pessoas idosas para a sociedade. As consequências destes
medos poderão se fazer sentir (i) na má qualidade dos cuidados
disponíveis, (ii) marginalização dos idosos nos sistemas de saúde,
(iii) baixo status dos profissionais que se dedicam a estas pessoas,
(iv) inequidade do reebolso dos cuidados, (v) impactos negativos
nas famílias e (vi) abusos, negligências e violência. A compreensão
da realidade destes mêdos universais deve estar então na base de
todo programa que visa a reduzir o estigma e a discriminação ao
encontro dos idosos.
PO194
AVALIAÇÃO DA GRAVIDADE DO DELIRIUM NO IDOSO
Sónia Martins; Mário R. Simões; Lia Fernandes
Unidade de Investigação do Adulto e Idoso – UNIFAI/ICBAS – Universidade
do Porto; Serviço de Avaliação Psicológica. Faculdade de Psicologia e
Ciências da Educação – Universidade de Coimbra; Faculdade de Medicina
– Universidade do Porto/Serviço de Psiquiatria – Hospital S. João do Porto
Introdução: O Delirium caracteriza-se por alterações da consciência,
da cognição ou desenvolvimento de uma perturbação da percepção,
não sendo devida a uma situação de demência. Esta síndrome clínica
desenvolve-se ao longo de um curto período de tempo, com tendência a flutuações ao longo do dia. Acresce a estas características, pela
história clínica e exames físicos/laboratoriais, o facto de ser uma
perturbação causada por doença médica, intoxicação/abstinência de
substância ou por múltiplas etiologias (DSM-IV-TR, 2002). Objectivo:
Este estudo de revisão tem como objectivo a descrição das principais
características/propriedades psicométricas de seis escalas de avaliação de gravidade do Delirium. Métodos: Procedeu-se a uma pesquisa
bibliográfica, através do motor de busca MEDLINE (1990-2010),
através das seguintes palavras-chave: delirium, confusão, questionários, escalas e gravidade. Nesta análise apenas foram considerados
os estudos originais de validação. Incluíramse as escalas: Delirium
Rating Scale (DRS-98-R; Trzepacz et al, 2001), Memorial Delirium
Assessment Scale (Breitbart et al, 1997), Confusional State Evaluation
(Robertsson et al, 1997), Delirium Severity Scale (Bettin et al, 1998),
Delirium Index (McCusker et al, 2004) e Delirium-OMeter (De Jonghe
et al, 2005). Resultados: A maioria das escalas incluídas nesta análise
foi desenvolvida com base nos critérios do Manual de Diagnóstico e
Estatística das Perturbações Mentais (DSM), incorporando ainda itens
de testes de diagnóstico de Delirium. Para a análise das propriedades psicométricas, grande parte dos estudos testaram a fiabilidade
inter-observador, bem como a validade dos resultados através da sua
relação quer com instrumentos de avaliação de gravidade de Delirium quer com provas de rastreio cognitivo. Conclusão: O presente
estudo pretende dar um contributo para maior conhecimento sobre
a avaliação da gravidade de Delirium. Considerando esta análise
bem como as recentes revisões da literatura, pode-se concluir que
o DRS-98-R surge como o instrumento mais amplamente utilizado.
P0195
SÍNDROME DE DIÓGENES
Cátia Guerra; Telmo Coelho; Lia Fernandes
Serviço de Psiquiatria do Hospital de São João, Porto; Faculdade de
Medicina da Universidade do Porto; Serviço de Psiquiatria do Hospital de
São João, Porto
O Síndrome de Diógenes (SD) é caracterizado por negligência severa
do autocuidado, insalubridade no domicílio, isolamento social e silogomania, traduzindo-se numa acumulação e incapacidade de deixar
de parte objectos usados e sem valor. É uma doença frequentemente
associada a Perturbações Obsessivo-Compulsivas, Psicóticas e Síndromes Demenciais. Contudo, em cerca de 50% dos doentes não é
possível definir um diagnóstico claro. Certos autores apontam para
um padrão de Perturbação de Personalidade subclínica que face
59
Sessões de Posters / Posters Sessions
a acontecimentos de vida determinantes despoletaria este quadro
psicopatológico. A maior prevalência deste síndrome na população
geriátrica associa-se ao declínio cognitivo com alterações da personalidade, particularmente presentes em situações de Demência Frontotemporal. Contudo, os défices cognitivos não são evidentes em todos
os casos levantando a necessidade de novas hipóteses diagnósticas
como uma Reacção ao Stresse Especifica do Idoso. Além disso, estes
doentes apresentam numerosas comorbilidades, com doenças crónicas e condições sociais precárias, sendo especialmente vulneráveis
às complicações relacionadas com a acumulação de objectos, com
consequências por vezes trágicas (infestações, derrocadas e incêndios). Neste sentido, são apresentados dois casos clínicos: o primeiro
de um homem de 67 anos, sem suporte sócio-familiar, a viver como
indigente apesar de ter habitação própria onde acumulava objectos
que encontrava na rua. O segundo de um homem de 65 anos que
vivia com a esposa, acumulando lixo em casa, tornando-a inabitável.
Em ambos os casos verificava-se ausência de qualquer preocupação
com as suas condições básicas de vida. Pretende-se ainda apresentar
a complexidade de uma intervenção psiquiátrica, farmacológica
e psicoterapêutica, incluindo também uma abordagem de âmbito
comunitário e psicoeducacional quer ao nível do idoso quer ao nível
do cuidador/familiar.
P0196
FACTORES DE RISCO PARA TENTATIVA DE SUICÍDIO NA POPULAÇÃO GERIÁTRICA
Miguel Esteves-Pereira; Jorge Bouça; Raquel Ribeiro-Silva
Serviço de Psiquiatria do CHVNG/E; Serviço Psiquiatria do CHVNG/E, Serviço de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina, Universidade do Porto
Introdução: O suicídio é um problema de saúde pública grave e
transversal a todas as faixas etárias, prevendo-se, de acordo com
dados da Organização Mundial de Saúde, que em 2020 ocupe a
décima causa de morte na população geral. O risco suicida aumenta
com a idade, bem como a letalidade das tentativas consumadas.
Apesar do suicídio e a sua prevenção serem uma área de intervenção prioritária, o suicídio nas pessoas idosas permanece ainda um
assunto negligenciado, carecendo de intervenção profilática e de
investigação. Objectivo: Neste poster os autores propõem-se a fazer uma revisão sobre os principais factores de risco para tentativa
de suicídio (TS) na população geriátrica. Metodologia: Revisão da
literatura actual no que respeita a comportamentos suicidários nos
idosos através da pesquisa de artigos publicados nas bases de dados
de psiquiatria PubMed e Science Direct através das palavras-chave:
Suicide Eldery, Risk factors suicide elderey, Suicide and elderly,
Vulnerability suicide and elderly, Suicide in late life. Discussão: A
depressão e as doenças físicas, particularmente as doenças crónicas,
foram os principais factores de risco associados à TS em idosos.
Outras variáveis como isolamento social, etilismo, sexo masculino,
raça caucasiana e encontrar-se entre os 65 e 75 anos de idade, foram
também identificadas. Conclusão: A literatura sobre a temática é
escassa, particularmente estudos nacionais, pelo que estudos actuais
deverão ser realizados a fim de explorar e ampliar os resultados
aqui relatados, assim como contribuir para acções preventivas e
interventivas na saúde mental do idoso.
P0197
DEPRESSÃO OU HIDROCEFALIA DE PRESSÃO NORMAL?
Vera Martins; João Viegas; Sónia Pimenta; Luis Marques; Maria José
Piçarra; José Cunha Oliveira
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra
Introdução: A Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) caracterizase por aumento do volume do líquido cefaloraquidiano (LCR), sem
aumento correspondente da pressão, uma vez que a dilatação das
cavidades ventriculares é progressiva, causando danos ao parênquima cerebral adjacente, potencialmente reversíveis com tratamento
precoce. Afecta sobretudo idosos, provocando alterações na marcha,
incontinência urinária e défices cognitivos sugestivos de síndrome
demencial do tipo sub-cortical. O diagnóstico clínico é confirmado
60
Saúde Mental Mental Health
com recurso a exames imagiológicos, à punção lombar (confirma a
normalidade da pressão e dos parâmetros citoquímicos do LCR) e à
cisternografia isotópica (demonstra padrões anormais na dinâmica
do LCR). A sua detecção atempada é crucial pois existe tratamento
específico: punções lombares expoliadoras (controlo transitório) e
colocação de válvula de derivação ventricular. Caso Clínico: Descrevemos o caso de uma mulher, 66 anos de idade, viúva, internada
na Clínica Feminina do CHPC, através da Consulta Externa, com o
diagnóstico de episódio depressivo, após várias vindas à Urgência
por queixas de desequilíbrio, tristeza, apatia, lentificação psicomotora
e anorexia. A doente era seguida em Consulta de Psiquiatria por
quadro depressivo com vários anos de evolução (primeiro episódio
aos 20 anos de idade). Após o falecimento do marido, dois anos antes
do internamento, a doente iniciara alterações da marcha, com base
alargada, marcha de pequenos passos e dificuldade na sua iniciação,
associadas a défices cognitivos, com perda de competências nas actividades de vida diária, e agravamento da sintomatologia depressiva.
A investigação imagiológica efectuada no internamento (Tomografia
Computorizada) revelou aumento de volume do sistema ventricular,
sugestivo de HPN, pelo que a doente foi encaminhada para seguimento por Neurologia/Neurocirurgia. Conclusão: Este caso ilustra
a vantagem de uma investigação diagnóstica exaustiva, em doentes
com longa história psiquiátrica prévia, no sentido de um diagnóstico
inequívoco, revelando como os sintomas clínicos de HPN são insidiosos e como podem ser confundidos com sintomas depressivos.
P0198
ANTIPSICÓTICOS NO CONTROLO DE SINTOMAS NEUROPSIQUIÁTRICOS DAS DEMÊNCIAS - REVISÃO DA EVIDÊNCIA
Miguel Esteves-Pereira; Ana Teresa Carvalho; Pedro Barros; Raquel
Ribeiro-Silva; Hugo Morais
Serviço de Psiquiatria do CHVNG/E; Serviço de Neurologia do CHVNG/E;
Serviço de Psiquiatria do CHVNG/E, Serviço de Psicologia Médica da
Faculdade de Medicina, Universidade do Porto
Introdução: Os sintomas comportamentais e psicológicos das demências ocorrem em cerca de 60% dos doentes no curso da patologia
podendo apresentar-se como agitação motora e verbal, ansiedade,
depressão, alucinações, delírios e comportamento desinibido. Tais
sintomas estão associados a um maior declínio cognitivo, a um
maior impacto funcional, a uma institucionalização precoce e a uma
diminuição na qualidade de vida, representando um grande sofrimento dos doentes e seus cuidadores e constituindo um verdadeiro
desafio em termos de orientação clínica. Cada vez mais se recorre a
antipsicóticos no controlo desta sintomatologia, contudo, os idosos
têm uma grande susceptibilidade aos seus afeitos. Objectivo: Neste
poster os autores propõem-se a fazer uma revisão sobre as evidências
que sustentam o uso de antipsicóticos no controlo dos sintomas neuropsiquiátricos das demências, revendo as limitações e riscos desta
prática. Metodologia: Revisão da literatura actual no que respeita ao
uso de antipsicóticos típicos e atípicos em demenciados. Discussão:
Apesar dos ensaios de curta e média duração mostrarem benefícios
dos antipsicóticos típicos e atípicos no controlo de quadros psicóticos
e das alterações comportamentais nos síndromes demenciais, não
se revelaram particularmente eficazes no controlo destes sintomas
a longo prazo, estando o seu uso associado a um maior risco de
abandono da terapêutica devido aos efeitos adversos. De facto,
apesar dos antipsicóticos atípicos estarem associados a uma menor
sintomatologia extrapiramidal, poderão condicionar um maior risco
de eventos vasculares, agravamento dos défices cognitivos, aumentando o risco de morte súbita e diminuição da sobrevida, sobretudo
em doentes vulneráveis. Conclusão: Os antipsicóticos deverão ser
reservados para controlo de sintomas neuropsiquiátricos graves,
privilegiando-se os atípicos, iniciados sempre em doses baixas, com
titulação lenta e progressiva, até se atingir a mínima dose eficaz,
avaliando-se individualmente a relação risco-benefício em função
dos sintomas-alvo que se pretendem controlar.
Volume XII Nº5 Setembro/Outubro 2010
P0199
EDUCAÇÃO SEXUAL GERIÁTRICA: O PAPEL DO PROFISSIONAL
DE SAÚDE
Adriana Moutinho; Gonçalo Jorge; Alice Varanda Pereira
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa; Centro Hospitalar Lisboa Central
Embora haja um indubitável declínio na sexualidade de homens e
mulheres com o envelhecimento, adultos mais velhos permanecem
seres sexuais com desejos, fantasias, e vida sexual activa. A necessidade de uma sexualidade saudável e satisfatória na crescente população idosa tem vindo a ser cada vez mais tida em consideração. O
presente trabalho tem como objectivo rever as mudanças biológicas,
psicológicas e sociais que ocorrem com o envelhecimento e que condicionam alterações na vivência da sexualidade; e discutir estratégias
úteis para a abordagem do tema junto da população geriátrica pelo
profissional de saúde.
P0200
RESULTADO DO TRABALHO MULTIDISCIPLINAR DO SERVIÇO
DE PSIQUIATRIA GERIÁTRICA
Elisa Figueiredo; Alice Nobre; José Salgado; Luís Sampaio; Maria João
Borba; Mirela Sabin1; Pedro Gonçalves; Rafael Costa; Sofia Paiva
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
As alterações psíquicas no idoso podem estar associadas ao declínio
de alguns sistemas, limitando a sua autonomia. Esta realidade é
abrangente ao cuidador / família. Perante este contexto o Serviço de
Psiquiatria Geriátrica vem através de uma amostra de população de
utentes e famílias, salientar a importância da conjugação das práticas
da equipa multidisciplinar de profissionais da saúde - psiquiatras,
enfermeiros, clínico geral, neurologista, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeuta - na estabilização, recuperação, manutenção do
idoso, bem como ensino e apoio do cuidador. Recorrendo a gráficos
de colunas é apresentada a população referida sobre vários aspectos
específicos, nomeadamente características, diagnósticos, autonomia
e intervenções dos profissionais de saúde.
P0201
APRESENTAÇÃO DO SERVIÇO DE PSIQUIATRIA GERIÁTRICA
Maria João Borba; Alice Nobre; Elisa Figueiredo; José Salgado; Lurdes
dias; Maria José Santos; Rafael Costa; Sandra Duarte; Sofia Paiva
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
O Serviço de Psiquiatria Geriátrica do Centro Hospitalar Psiquiátrico
de Lisboa iniciou a sua prestação de serviços em Setembro de 2009.
Surgiu da necessidade em dar respostas à população idosa abrangida
pela Equipa Lisboa Cidade. Assim, presta apoio aos utentes com
mais de 60 anos, abrangendo as várias freguesias dos Olivais à Lapa.
A equipa multidisciplinar trabalha com o doente e família nos contextos de internamento e/ou ambulatório, como forma de melhorar
a qualidade de vida nas perspectivas física, mental e social. Existe
um apoio diário dos vários profissionais dentro das suas valências
e actividades terapêuticas individuais e em grupo, bem como intervenções domiciliárias. Nesta apresentação são utilizados diagramas.
P0202
CARACTERIZAÇÃO DA EQUIPA MULTIDISCIPLINAR DO SERVIÇO DE PSIQUIATRIA GERIÁTRICA
Sofia Paiva; Alice Nobre; Elisa Figueiredo; José Salgado; Maria João
Borba; Nuno Marques; Olga Correia; Rafael Costa; Virginio Pateiro
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Caracterizar uma equipa multidisciplinar exige especificar tanto a
sua composição como as funções que cada profissional desempenha.
Desta forma, apresenta-se a equipa de apoio ao Serviço de Psiquiatria
Geriátrica do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa que reúne
profissionais de àreas de intervenção diferentes, nomeadamente
médicos, enfermeiros, psicólogos assitentes sociais, neuropsicólogo
e fisioterapeuta. Elaboram estratégias, definem metodologias e
criam intervenções específicas e adequadas à população alvo - o
Idoso. Assim sendo, conjugam esforços que permitem estabilidade
e autonomia para a inserção do Idoso num contexto social adequado
Sessões de Posters / Posters Sessions
e organizado. Nesta exposição recorreu-se a diagramas.
P0203
QUEIXAS DE MEMÓRIA EM DOENTES PSIQUIÁTRICOS EUTÍMICOS REFLECTEM UM DÉFICE COGNITIVO OBJECTIVO?
Maria Odete Vieira; Licínia Ganança; Vera Dias; Ana Luísa Torres; Ana
Lisa Carmo; Luís Câmara Pestana; Carlos Roldão Vieira
Hospital de Santa Maria
Introdução: A relação entre queixas cognitivas subjectivas e um
défice objectivo tem sido avaliada em vários estudos com idosos
residentes na comunidade. Alguns estudos confirmaram esta relação
enquanto outros não, pelo que as conclusões não são claras. Existem
poucos estudos com doentes psiquiátricos. Martinez-Arán et al (2005)
comparou doentes bipolares eutímicos com um grupo de controlo,
concluindo que os doentes bipolares apresentavam pontuações
mais baixas em vários testes de avaliação cognitiva. Burdick et al
(2005) estudou doentes bipolares e mostrou que mais de 75% apresentavam algum défice cognitivo. O nosso grupo estudou doentes
psiquiátricos ambulatórios com doença afectiva em remissão, com
queixas de memória. Métodos: Estudámos 76 doentes com mais de
50 anos, predominantemente mulheres (77,6%). Foram avaliados
com um auto questionário para a depressão e uma bateria de testes
neuropsicológicos que permitiu classificar os doentes em quatro categorias: Sem Défice (SD), Défice Cognitivo Ligeiro (DCL), Demência
Ligeira (DL) e Demência Moderada (DM). Resultados: Encontrámos
28,9% dos doentes sem défice, 52,6% com DCL e 14,5% com DL. A
etiologia do défice era predominantemente de origem vascular.
Conclusões: A maioria dos doentes psiquiátricos que apresentam
queixas de memória têm um défice cognitivo. Estas queixas não
devem ser subestimadas e os doentes ser avaliados com os testes
neuropsicológicos apropriados.
P0204
APRESENTAÇÃO DE CASO CLÍNICO: COOPERAÇÃO PARA
RESOLUÇÃO DE COMORBILIDADES
Rafael Costa; Alice Nobre; Brito Aranha; Elisa Figueiredo; Fátima Monteiro; José Salgado; Maria João Borba; Sofia Paiva; Vitorina Passão
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Os desafios lançados pelo doente idoso com patologia psiquiátrica
são, muitas vezes, substancialmente diferentes da habitual prática
do Serviço de Psiquiatria. A exigência de uma abordagem multidisciplinar, quer ao nível das especialidades médicas, quer dos vários
profissionais de saúde, permite uma optimização dos resultados
terapêuticos. Este trabalho apresenta um caso clínico de um doente
idoso com múltiplas patologias, em conjunto com sintomatologia
psiquiátrica, que motiva o seu internanento no Serviço de Psiquiatria
Geriátrica. A resolução deste caso a nível diagnóstico, terapêutico
e social exige a intervenção e cooperação de diversos profissionais
e suas àreas de conhecimento. A concretização deste trabalho é
retrarada em esquemas.
P0205
AVALIAÇÃO DO GRAU DE DEPENDÊNCIA DE IDOSOS
Elza Maria da Silva Lemos; Ana Maria Romano; José Manuel Dias
Escola Superior de Enfermagem de Vila Real - UTAD
As alterações a nível demográfico e o aumento da esperança média
de vida determinam nos profissionais de saúde maior preocupação
em conhecer as necessidades das pessoas idosas, adequando as estratégias de intervenção. O envelhecer causa perdas na autonomia,
relacionadas à diminuição da capacidade de adaptação, das funções
sensoriais, da saúde, dos recursos económicos, da rede familiar e
de amigos. Estes factores condicionam o modo de vida da pessoa
idosa, aumentando a sua dependência, levando-a progressivamente
à necessidade de ajuda parcial ou total. Realizamos um estudo em
idosos residentes em Lares e a frequentar Centros de Dia do Distrito
de Vila Real, tendo por objectivo avaliar o grau de dependência desta
amostra. O grau de dependência foi avaliado através da escala Mini
Dependance Assessment (MDA), escala de avaliação rápida e global
61
Sessões de Posters / Posters Sessions
da dependência para as actividades de vida diárias (Benhamou,
s.d.). Permite a avaliação de actividades corporais; locomotoras;
sensoriais e mentais, cada uma com três critérios, perfazendo doze
itens pontuados de zero a dois. A soma de cada resposta dá-nos um
total que pode variar entre zero e vinte e quatro pontos e permitenos determinar o grau de dependência da pessoa idosa. Este estudo
de carácter transversal, exploratório, descritivo, foi realizado em
432 idosos, 231 do sexo feminino (53,5%) e 201 do sexo masculino
(46,5%), cuja média de idades se situou nos 77,27 anos. Dos resultados obtidos, salientamos que na nossa amostra relativamente ao
grau de dependência, 94 (21,8%) apresentou grau nulo, 273 (63,2%)
grau ligeiro, 38 (8,8%) grau moderado, 19 (4,4%) grau severo e 8
(1,9%) grau muito severo. Os resultados indicam-nos que a maioria
dos idosos do estudo apresenta algum grau de dependência, reforçando a necessidade de maior adequação dos cuidados de saúde às
necessidades das pessoas idosas numa perspectiva preventiva e de
manutenção da saúde.
P0206
DELIRIUM NO DOENTE IDOSO – IMPLICAÇÕES SÓCIO-ÉTICOLEGAIS A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Ana Teresa Nunes; Margarida Dantas de Brito
Hospital S. João, Porto
L.C., sexo feminino, 81 anos, autónoma, nível sócio-cultural elevado,
sem familiares, com boa rede de amigos e elevada interacção social.
Ingressou voluntariamente num lar de terceira idade e três dias
depois iniciou desorientação temporo-espacial associada a heteroagressividade. Foi medicada com ansiolíticos e por agravamento do
quadro encaminhada ao Serviço de Urgência. Encontrava-se prostrada, com discurso escasso e confuso (Escala de Coma de Glasgow 13),
desidratada, sem défices neurológicos focais ou outras alterações ao
exame físico. Analiticamente salientava-se leucocitose ligeira, insuficiência renal crónica agudizada, proteína C reactiva discretamente
aumentada, leucocitúria frustre e intoxicação por benzodiazepinas.
Sem alterações na tomografia computorizada cerebral. Foi admitida
no Serviço de Medicina e apesar das medidas terapêuticas (nomeadamente antibioterapia e hidratação) manteve estado confusional.
No estudo complementar adicional não se evidenciaram alterações
relevantes e o quadro clínico foi interpretado como delirium pós
infecção, desidratação e intoxicação medicamentosa. No decurso
do internamento verificou-se melhoria lenta do estado de consciência, persistindo desadequação e desorientação episódicas, sem
recuperação completa do estado habitual mesmo após resolução dos
factores precipitantes. Na interpretação do quadro clínico poder-se-á
equacionar o stress emocional e a dificuldade de adequação ao novo
ambiente, apesar de uma escolha ponderada e voluntária. Adicionalmente torna-se pertinente discutir o contributo de uma cistite
aguda e a sobremedicação com ansiolíticos. Levantaram-se múltiplas
questões sociais, éticas e legais, nomeadamente no que diz respeito
ao destino da doente após a alta hospitalar – estaria a doente capaz
de decidir? Deveria retornar ao lar? Poderiam os amigos assumir a
responsabilidade e orientação após a alta? Deveria ser interditada e
orientada pelo serviço social? São questões complexas e transversais
que exigem multidisciplinaridade, sendo fundamental o diálogo
entre o internista, o psiquiatra, o neurologista e o assistente social.
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