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29 de janeiro
CLIPPING
29/01/2013
CLIPPING VIVAVOZ
Fonte: Carta
Capital
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Data: 29/01/2013
Contrabando de cigarros alimenta a violência islâmica no norte da África
Por Jamie Doward
Durante muitos anos Mokhtar Belmokhtar foi pouco mais que uma nota de rodapé nos
relatórios de inteligência que analisavam a crescente presença de grupos islâmicos na África
saariana.
O homem cujo Batalhão Assinado em Sangue, inspirado na Al-Qaeda, liderou o ataque à usina
de gás In Amenas na Argélia, no qual pelo menos 38 pessoas foram mortas, era considerado
uma figura relativamente sem importância no ecossistema político da vasta região. Mas
Belmokhtar, que lutou com os mujahedin no Afeganistão e o Grupo Islâmico Armado (GIA) na
guerra civil da Argélia antes de se tornar um comandante da Al-Qaeda no Magreb Islâmico
(AQMI), baseada no Mali, era ambicioso.
Em 2013 ele idealizou o sequestro de 32 turistas europeus pelos quais obteve resgate. O
dinheiro lhe deu o capital inicial necessário para desenvolver um sofisticado negócio comercial
por toda a África saariana, ao longo da antiga rota do sal, de mais de 3 mil quilômetros, usada
pelos tuaregues para transportar produtos da costa oeste do continente até Timbuctu, no Mali,
e depois ao Níger, antes de chegar ao sul da Argélia, uma porta para o Mediterrâneo.
Mas enquanto os tuaregues ganhavam dinheiro com o comércio de sal, ouro e seda,
Belmokhtar, que conseguiu ligações estreitas com os integrantes das tribos através de
casamentos com filhas de várias famílias importantes, fez uma fortuna por meio de outra
mercadoria: cigarros contrabandeados. Tal era o volume de seu negócio que ele conquistou o
apelido de “Mr. Marlboro”.
“Ele não era uma figura importante na AQMI, era muito diferente da Al-Qaeda e de Bin Laden”,
disse Morten Bøås, um pesquisador sênior na Universidade de Oslo (Noruega) e editor
deAfrican Guerrillas: Raging Against the Machine [Guerrilhas africanas: atacando a máquina].
“Ele é conhecido geralmente como uma das figuras mais pragmáticas, mais interessado em
encher os próprios bolsos do que combater pela jihad.”
O papel chave que os cigarros desempenham para facilitar o terrorismo foi inexplicavelmente
ignorado. Mas tornou-se um interesse urgente para as agências de inteligência ocidentais que
tentam combater as diversas facções da Al-Qaeda atuantes em toda a região do Saara.
De fato, depois de entrevistar diversos agentes e especialistas nesse campo, o Consórcio
Internacional de Jornalistas Investigativos (CIJI) concluiu que “o contrabando de cigarros
forneceu o grosso do financiamento da AQMI”. Entre os afiliados da AQMI está o Ansar alSharia, acusado do assassinato do embaixador norte-americano Chris Stevens em Benghazi,
na Líbia, no ano passado. Também estaria por trás de ameaças feitas na semana passada que
levaram o Ministério do Exterior da Grã-Bretanha a pedir que os britânicos deixassem a cidade.
O valor total do comércio ilícito de tabaco no norte da África seria superior a 1 bilhão de
dólares. O Escritório da ONU para Drogas e Crime (Unodc na sigla em inglês) estima que os
africanos fumam 400 bilhões de cigarros por ano, dos quais 60 bilhões são comprados no
mercado negro.
Entretanto, cinco países — Argélia, Egito, Líbia, Marrocos e Tunísia — fumam 44% dos
cigarros da África, e seus mercados paralelos são significativamente maiores. Mais de três
quartos de todos os cigarros fumados na Líbia, por exemplo, são ilícitos.
Controlar o fluxo de contrabando para esses países provocou uma guerra interna, enquanto
Belmokhtar e outras facções da AQMI competem entre si, assim como com tribos tuaregues e
autoridades corruptas do exército e do governo, na tentativa de controlar o negócio. Alguns dos
cigarros transportados pela África saariana são falsificações produzidas na China e no Vietnã.
Mas a maior parte são produtos de marcas genuínas, obtidos através do Oriente Médio e
embarcados por diversos países através de uma rede complexa de intermediários e empresas,
muitas em paraísos fiscais offshore.
Os cigarros costumam entrar na África ocidental por Gana, Benim e Togo. Uma rota secundária
é através da Guiné, onde a oferta, segundo a Unodc, supera amplamente a demanda do país.
Os cigarros são então transportados para o Mali por estradas ou por barco no rio Níger, onde
há pouco risco de detecção. O terceiro pólo de distribuição — para Senegal, Marrocos e
Argélia — é abastecido pela Mauritânia.
Em todos os casos, Mr. Marlboro e a AQMI fazem a limpeza, cobrando um “imposto” para a
passagem segura dos cigarros pela rota do sal, ou facilitando seu transporte usando veículos
4×4, caminhonetes, motos e até bicicletas.
Muitas vezes os produtos contrabandeados não são uma marca ocidental de primeira linha,
como Marlboro, mas uma das mais baratas e menos prestigiosas que as gigantes do tabaco
lançam nos países em desenvolvimento como forma de penetrar em seus mercados.
Inevitavelmente, o contrabando de cigarros endêmico nesses países levantou perguntas sobre
o papel desempenhado pelas grandes empresas, e em particular a medida em que elas devem
ser responsabilizadas pelas rotas de distribuição serem usadas para encher os cofres de
alguns dos grupos terroristas mais perigosos do mundo.
Memorandos internos da empresa mostram que na década de 1980 a British American
Tobacco (BTA) na África usou uma empresa baseada em Lichtenstein, a Sorepex, como
distribuidor chave. Documentos da BTA revelam que a companhia via a Sorepex como uma
maneira de oferecer “cobertura, embora cada vez mais frágil, para a BAT em alguns negócios
bastante obscuros”. A companhia insiste que condena toda forma de contrabando.
Mokhtar Belmokhtar, o “Mr. Marlboro” Foto: Sahara Media / AFP
Em 2002 a RJ Reynolds, dona da marca Winston, foi acusada pela União Europeia de vender
seus produtos no Iraque, rompendo os embargos. Os cigarros eram supostamente
contrabandeados para o país pelo PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), considerado
um grupo terrorista pelo governo dos Estados Unidos. O documento supostamente revelava
que os cigarros eram transportados dos EUA e enviados para a Espanha e depois para Chipre
e a Turquia antes de chegarem ao Iraque. O caso está atualmente em um tribunal de apelação
federal nos EUA.
Mais recentemente, no ano passado, a Japan Tobacco confirmou que está sendo investigada
pela UE sobre alegações de que burlou as sanções enviando cigarros para uma firma ligada ao
regime sírio. A companhia negou qualquer infração.
Especialistas dizem que os lucros do contrabando de cigarros alimentam outras atividades
criminosas, incluindo o tráfico de drogas, de petróleo e de pessoas, atividades que muitas
vezes usam as mesmas redes de distribuição. Mas os cigarros continuam sendo a forma de
contrabando mais rentável e menos arriscada. Louise Shelley, especialista em criminalidade na
Universidade George Mason em Washington, disse ao CIJI: “Ninguém pensa que o
contrabando de cigarros é sério demais, por isso os órgãos policiais não gastam recursos para
reprimi-lo”.
Isso ajuda a explicar por que grupos terroristas exploram o comércio ilícito. Segundo o
Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos dos EUA, o IRA ganhou até 100
milhões de dólares entre 1999 e 2004 contrabandeando cigarros para a Irlanda do Norte. O
Hizbollah teve uma bem-sucedida operação de contrabando nos EUA, enviando cigarros da
Carolina do Norte, onde os impostos são baixos, para Michigan, onde são mais elevados.
“O contrabando de tabaco é lucrativo e generalizado”, disse Deborah Arnott, executiva-chefe
da organização Ação sobre o Fumo e a Saúde. “Ele ajuda a financiar o terrorismo e conflitos
globais, incentiva a corrupção e continua sendo uma fonte de fundos para alguns dos regimes
mais repressivos do mundo.”
Especialistas em inteligência disseram ao Observer que o comércio ilícito de cigarros no norte
da África é o “ponto baixo” do contrabando de cigarros. O verdadeiro dinheiro, eles disseram,
vem de enviar produtos de grandes marcas de volta para a Europa através da Grécia, Espanha
ou até a Itália. Até agora, acreditava-se que este fosse um pequeno mas crescente mercado
para os contrabandistas.
Embora não haja sugestão de que as gigantes do tabaco trabalhem ativamente com grupos
terroristas, monitorar o destino de seus produtos é extremamente difícil. O uso pelas
companhias de intermediários bem conectados torna quase impossível rastrear seus cigarros.
Documentos compartilhados com o Observer por especialistas em inteligência mostram que um
intermediário, que regularmente compra produtos de uma grande empresa de tabaco, tem uma
complexa operação com escritórios, armazéns e contas bancárias em Chipre, Bruxelas, Dubai,
Malásia, Egito, Israel, Uruguai, Panamá e Cingapura, que lhe permite movimentar cigarros ao
redor do mundo sem ser rastreado.
“Os que fornecem ‘proteção’ nas rotas — muitas vezes agentes de alfândega ou serviços de
segurança, mas em alguns casos ‘terroristas’ — ganham um bom dinheiro por pouco trabalho”,
disse um especialista em inteligência que trabalhou em operações de contraterrorismo. “O
melhor para eles é que o negócio é pago em dólares ou em euros. É moeda dura em contas
limpas que eles podem usar à vontade para comprar o que precisarem.”
Especialistas querem que os países ratifiquem o tratado internacional sobre o comércio ilícito
de tabaco, que obrigaria as empresas de cigarros a monitorar e rastrear a distribuição de seus
produtos enquanto realizam as devidas diligências sobre seus clientes.
“A única maneira de se efetivamente policiar isto é se os fabricantes aceitarem a
responsabilidade legal por seus produtos em toda a cadeia de suprimento — isso os obrigará a
lidar com agentes honrados”, disse Eric LeGresley, um advogado canadense que estudou as
empresas de tabaco.
Ironicamente, Belmokhtar pode ter tido sucesso demais no contrabando. Há rumores de que no
final do ano passado ele foi obrigado a sair da AQMI e de sua base no Mali depois que os
líderes da organização questionaram seu comprometimento com a causa. Mr. Marlboro estaria
mais interessado em dinheiro que em ideais, eles sugeriram.
A chacina no Saara pode ter sido uma tentativa grotesca de Belmokhtar provar que eles
estavam errados, algo que tem enormes consequências para suas operações de contrabando.
“Seus dias como contrabandista terminaram”, previu Bøås. “Nenhum bandido ou negociante vai
querer que ele esteja a menos de um quilômetro de distância agora. Eles não querem ser
visados por aviões teleguiados norte-americanos.”
Mas, diante do dinheiro em jogo, não faltarão outros dispostos a assumir seu lugar.
Tabaco e terrorismo
Taleban. Em todo o cinturão tribal do Paquistão, milícias taleban coletam dinheiro de
contrabandistas de cigarros em troca de permitir que falsificações de Marlboro e marcas locais
baratas passem para o Afeganistão e a China. Os cigarros tornaram-se uma fonte cada vez
mais importante de dinheiro para os grupos, perdendo apenas para o comércio de heroína,
segundo autoridades de inteligência paquistanesas.
PKK. Cobra uma taxa para cada contêiner de cigarros que permite passar por seu território.
Controlou o fluxo do contrabando de cigarros para o Iraque na década de 1990; hoje controla a
enchente de cigarros contrabandeados para fora desse país.
Farc. O maior fornecedor de cocaína do mundo muitas vezes usa suas bem estabelecidas
rotas de contrabando para movimentar cigarros norte-americanos, de acordo com evidências
oferecidas pelo Senado dos EUA.
CNDP. Em 2008, a ONU afirmou que o Congresso Nacional pela Defesa do Povo, um grupo
rebelde apoiado pelos tutsis e acusado de atrocidades, estava sendo financiado por Tribert
Rujugiro Ayabatwa, um magnata dos cigarros que se declarou culpado de acusações de
evasão fiscal de cigarros na África do Sul.
Fontes: Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, Escritório da ONU para Drogas e
Crime.
CLIPPING VIVAVOZ
Fonte: Estadão
Seção:
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Data: 26/01/2013
Em blogs, viciados em drogas relatam histórias e medos
Dependentes em recuperação e parentes usam internet para dividir experiências
26 de janeiro de 2013 | 16h 44
Artur Rodrigues - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - "Hoje passei o dia meio eufórico, vi o passarinho verde e, como aprendi na
clínica, isso não é bom. Tenho de me concentrar para manter o meu humor controlado, pois
qualquer alteração brusca pode desencadear a vontade de usar drogas. Lembro-me que na
ativa a alegria, a tristeza, a euforia, o estresse, o medo e qualquer outra alteração de humor me
levavam a usar drogas. Eu não sei lidar com minhas emoções."
Nilton Fukuda/AE
Estudante de Direito, ex-usuário de cacaína e craque conta sobre suas tentações
As tentações, o medo, a alegria que vem com cada dia sem recaída inspiram os cada vez mais
numerosos blogs mantidos por viciados em drogas ou parentes de dependentes químicos. O
trecho acima foi escrito pelo autor do blog Diário de um Adicto, um estudante de Direito de 30
anos, morador de Diadema e ex-usuário de cocaína e crack.
"Tinha acabado de sair de uma internação, era um momento em que eu estava perdido. A
coisa que eu mais gostava - que era usar drogas - me havia sido tirada e eu sentia um enorme
vazio, que não tinha coragem de relatar a qualquer pessoa por medo da reação", contou, em
entrevista por e-mail ao Estado. "Então, eu criei um perfil e, protegido pelo anonimato
proporcionado pela internet, me senti mais à vontade para extravasar meus medos e aflições."
O histórico dos blogs mostra a evolução de alguns e o desespero de outros. Uma súbita
interrupção nos textos acaba levando o leitor a se perguntar se, depois de tanto esforço, o
autor sucumbiu às drogas novamente.
Dono da página Limpo, só por hoje, o consultor Junior Souza, de 39 anos, já está há sete anos
longe das drogas. Sua vida parece um roteiro de filme. Ele fumou maconha dos 9 aos 11 anos
e daí para a frente injetou cocaína, provou LSD e passou a usar crack. Ainda menino, virou
cobrador do tráfico de drogas e respondeu por nove assassinatos na prisão. Era um criminoso
temido em Pernambuco. Agora morando no Maranhão, continua famoso. Mas como exemplo
de recuperação. "Como eu trabalho com grupos de mútua ajuda, a interação que o blog
proporciona ajuda muito na minha recuperação", diz ele, que também dá palestras.
Segundo especialistas, dividir experiências, na web ou não, segue a lógica de tratamento de
grupos como Narcóticos Anônimos (NA) e Alcoólicos Anônimos (AA). "Fui a uma sessão do AA
a troco de uma garrafa de cachaça e, ao contrário de todo lugar que eu ia, não me disseram
que tinha de parar. Eu era contra me mandarem fazer as coisas. Não obedecia nem a lei e ia
obedecer psicólogo?" Aos poucos, porém, Souza foi largando a bebida, a cocaína, o crack e,
por último, a maconha.
Os blogs também ajudam os chamados codependentes, termo usado para designar parentes e
familiares que passam a viver em função dos viciados.
A assistente contábil Giuliana Fisher Fatigati, de 28 anos, faz parte de uma rede de cerca de 30
blogueiras que escrevem sobre o assunto. O relacionamento dela com um usuário de crack
acabou sem final feliz, com ele de volta às drogas. Além do blog Valeu a Pena, escreveu um
livro sobre o assunto. "A codependência é uma doença também. Dá a impressão de que você
vai suportar, que você é a mais forte, uma heroína", diz. "No final, está arrasada, com a
autoestima baixa."
Vivendo há quase metade da sua vida com um viciado em crack, a representante comercial
Luciana Laura, de 35 anos, criou no ano passado o blog 14 anos lutando por um dependente
químico. "Por meio do blog, conheci inúmeras pessoas que passam pelo mesmo problema.
Encontrei amigos que amo incondicionalmente e me ajudam a passar pelos traumas que a
dependência química traz aos familiares.
WEB AJUDA PACIENTE QUE TEM VERGONHA DE FALAR EM GRUPO
O psiquiatra Marcelo Niel, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da
Universidade Federal de São Paulo, diz que os blogs podem ajudar dependentes químicos que
não conseguem dividir experiências em público.
"Muitos têm fobia social. Pode ser muito difícil para um paciente ansioso falar em grupo. Esse é
o maior fator de não adesão a tratamentos", diz o médico.
No caso dos familiares, afirma Niel, publicar relatos em blogs pode ajudá-los a descobrir que
não são os únicos passando por esse tipo de problema. "Há uma carga muito grande sobre a
família, que sente vergonha. É importante que eles saibam que outras pessoas passam por
problema parecido", afirma.
TRECHOS
"Há 69 dias, minha sogra faleceu. Pedi dinheiro emprestado para minha mãe para ajudar no
sepultamento. O dinheiro virou droga que usei antes do enterro. Para disfarçar, tomei seis
comprimidos de Diazepam que me deixaram grogue."
"Minha doença age de forma traiçoeira, comendo pelas beiradas, aproveitando qualquer falha
na minha armadura e esta semana não foi diferente." waladicto.blogspot.com.br
"Ontem, ele saiu para trabalhar e até agora nada, não voltou... E o pior de tudo é que eu mais
uma vez emprestei meu carro para ele, o que será que tenho na cabeça?
As vezes, não consigo entender como a codependência nos engana tanto, nos fazendo
acreditar nas palavras do adicto. Em duas semanas, ele teve 3 recaídas. Estamos passando
por momentos difíceis em casa, pois ele praticamente parou de trabalhar... Estou cansada de
carregar tudo nas costas. Sem perceber, fui facilitando o vício dele nas drogas, pois aqui em
casa eu pago aluguel, água, luz e telefone... Deixei para meu esposo apenas as despesas com
a compra e infelizmente nem isso ele está fazendo..." lucianalpsm.blogspot.com.br
"Tudo começou na parte da manhã, quando uma nota de R$ 50 que minha mãe havia deixado
por descuido na mesa da sala sumiu.
Naquela época, ele já estava morando na minha casa, mas ainda pouco sabíamos a respeito
da dependência dele, pouco sabíamos sobre o crack. Logo que minha mãe deu falta, eu
‘saquei’ o que estava acontecendo, eu tive a certeza dentro de mim de que havia sido ele, o
rapaz por quem eu havia me apaixonado, o rapaz a quem eu sempre chamava de anjo, e eu
travei uma batalha interna dentro de mim para aceitar que aquele anjo fosse capaz de fazer
algo do tipo.
E então o jogo começou! O jogo de manipulações, de chantagem emocional, de apelos e tudo
mais o que vocês possam imaginar, mas quem estava jogando esse jogo era eu, não
ele." livrovaleuapena.blogspot.com.br
"Ainda bem que tenho um ‘piloto automático’ que logo me diz que estou no caminho errado.
Ainda bem que, mesmo recaído espiritualmente, emocionalmente e psicologicamente, e com
todas as insanidades, eu não consumei a recaída no sentido de voltar ao uso de drogas. Mas
eu preciso admitir que a minha vida está sem controle em alguns (ou vários) aspectos; tenho
de admitir que preciso de ajuda.
Ontem, encontrei um brother das antigas, que estava em reclusão por tráfico e saiu há dois
meses. Ele estava com o uniforme da empresa onde está trabalhando e isso me alegrou muito.
Disse estar sendo crente e que está dormindo no albergue. Disse que não tem mais nem
vontade de usar, que já recebeu várias propostas para comercializar novamente, mas não
pretende mais voltar ao crime." limposporhoje.blogspot.com.br
CLIPPING VIVAVOZ
Fonte: Folha SP
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Data: 29/01/2013
Contran endurece lei seca e decide não tolerar álcool em exame
FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA
Atualizado às 16h17.
O motorista que tiver qualquer vestígio de álcool em exame de sangue poderá ser multado em
R$ 1.915,40 e ter a carteira de habilitação suspensa por até um ano. Hoje, a margem de
tolerância para aplicação das penalidades é de 0,2 grama de álcool por litro de sangue.
A nova regra foi definida em resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) publicada
nesta terça-feira (29) no "Diário Oficial da União".
O órgão reduziu ainda a margem de tolerância no teste do bafômetro. Se antes o limite era de
0,1 miligrama de álcool por litro de ar, agora o valor caiu para 0,05 miligrama de álcool por litro
de ar.
Foram mantidos, no entanto, os limites de álcool em exame de sangue e no bafômetro que
configuram crime: a proporção continua de 6dg/L (decigramas de álcool por litro de sangue) e
0,34 miligrama de álcool por litro de ar, em exame de bafômetro.
SINAIS
A resolução do órgão regulamentou ainda que sinais podem ser apontados para indicar
embriaguez do motorista.
Lei sancionada no final do ano passado pela presidente Dilma Rousseff definiu que a
embriaguez pode ser provada por depoimento de policial, vídeos, testes clínicos e testemunhos
de terceiros.
O agente fiscalizador deverá analisar, por exemplo, se o motorista apresenta sinais de
sonolência, olhos vermelhos, vômito, soluço, desordem nas vestes e odor de álcool no hálito.
A autoridade deverá anotar ainda sinais de agressividade, arrogância, exaltação, ironia,
dispersão ou se o motorista está falante, por exemplo.
A mudança na lei sancionada por Dilma no ano passado passou o valor da multa de R$ 957,70
para R$ 1.915,40, valor que pode dobrar em caso de reincidência em 12 meses.
Antes da mudança, era considerado crime dirigir sob a influência de drogas e álcool -a
proporção é de 6 dg/L (decigramas por litro) de sangue-, mesmo sem oferecer risco a terceiros,
e o índice só poderia ser medido por bafômetro ou exame de sangue.
Como ninguém é obrigado legalmente a produzir prova contra si mesmo, é comum o motorista
se recusar a passar por esses exames, ficando livre de acusações criminais.
Além disso, a interpretação da lei vigente feita em março pelo Superior Tribunal de Justiça dizia
que só bafômetro e exame de sangue valiam como prova. Na prática, isso enfraqueceu a lei
seca.
Com a nova regra, o limite de 6 dg/L se torna apenas um dos meios de comprovar a
embriaguez do motorista. O crime passaria a ser dirigir "com a capacidade psicomotora
alterada em razão da influência de álcool ou outra substância psicoativa que determine
dependência".
Ao condutor será possível realizar a contraprova, ou seja, se submeter ao bafômetro ou a
exames de sangue para demonstrar que não consumiu acima do limite permitido pela
legislação.
Ficam mantidas a suspensão do direito de dirigir por um ano para quem beber qualquer
quantidade e o recolhimento da habilitação e do veículo.

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