What the Bleep Do We Know - crítica de Ken Wilber

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What the Bleep Do We Know - crítica de Ken Wilber
What the Bleep Do We Know?
(Quem Somos Nós?)
Crítica de Ken Wilber
(Excerto do livro Integral Spirituality)
Tradução de Ari Raynsford (www.ariray.com.br) em novembro de 2006
O surpreendente sucesso desse filme independente mostra simplesmente como as pessoas estão
necessitadas de algum tipo de validação para uma visão de mundo mais espiritual e mística. Mas
os problemas com ele são tão grandes, a ponto de ser difícil saber por onde começar. What the
Bleep foi montado a partir de uma série de entrevistas com físicos e místicos, todos fazendo
afirmações ontológicas sobre a natureza da realidade e sobre o fato que – sim, adivinhe – “você
cria sua própria realidade”. Mas você não cria sua própria realidade; quem faz isto são os
psicóticos. Há no mínimo seis importantes escolas de física moderna e nenhuma delas concorda
com as afirmações genéricas e radicais apresentadas no filme. Nenhuma escola de física acredita
que um ser humano possa colapsar a equação da onda de Schroedinger em 100% dos átomos de
um objeto de modo a “trazê-lo” para a existência. A física é simplesmente terrível nesse filme, e o
misticismo não fica atrás, sendo aquele de uma pessoa (“Ramtha”) que afirma ser um guerreiro de
trinta e cinco mil anos de idade proveniente da Atlântida. Nenhum dos entrevistados é identificado
enquanto fala, pois o filme deseja passar a impressão de que todos são cientistas muito
conhecidos e respeitados. O resultado líquido é um misticismo new age (do tipo “seu ego está
encarregado de tudo”) com uma física deplorável (tudo numa forma de mingau Paradigma-4151;
mesmo SE uma mente humana fosse necessária para “trazer” para a existência um objeto – e até
David Bohm discorda dessa idéia fosfórica! – mas mesmo se, o ponto seria que essa Grande
Mente estaria “trazendo” para a existência TODA a manifestação momento a momento – não
apenas trazendo seletivamente para a existência uma coisa em vez de outra, tal como um carro
novo, um emprego ou uma promoção – que é exatamente o que o filme afirma; novamente, isso é
filosofia do sujeito sob o efeito de esteróides, também conhecida como boomerite).
Física ruim e misticismo fosfórico: as pessoas estão famintas desse tipo de coisa; Deus as
abençoe. Entre o modernismo (e o materialismo científico) e o pós-modernismo (e a negação da
profundidade), não sobra nada para alimentar a alma; assim, What the Bleep teria de ser recebido
com um reconhecimento febril. Desculpe-me por ser tão severo com ele, já que, sem dúvida, as
intenções são decentes; mas é exatamente esse tipo de bobagem que gera uma inacreditável má
fama para o misticismo e a espiritualidade entre os cientistas reais, todos os pós-modernistas, e
entre as pessoas que conseguem ler sem mover os lábios.
1
415 é o código DDD de San Francisco, Califórnia, um dos centros mundiais da visão new-age. (N.T.)