Programa - Funchal 500 Anos

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Programa - Funchal 500 Anos
DAS MÄRCHEN
Emmanuel Nunes
em estreia mundial no São Carlos
e em transmissão em directo
em 14 teatros de Norte a Sul do País e Ilhas
TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS
25. 29. Jan. às 20:00h; 27. Jan. 2008 às 16:00h
– Transmissão em directo: 25. Janeiro
-1Fotografia de ensaio [© Alfredo Rocha]: Chelsey Schill e Anna Katharina Rusche
DAS MÄRCHEN
Emmanuel Nunes
TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS
25. 29. Jan. às 20:00h; 27. Jan. 2008 às 16:00h
Encontram-se incluídos na rede de transmissão os seguintes Teatros:
A primeira ópera de Emmanuel Nunes, Das Märchen, estreia
mundialmente no São Carlos a 25 de Janeiro próximo. Escrita por
um dos mais notáveis compositores do nosso tempo, esta ópera
resulta da encomenda conjunta do Teatro Nacional de São Carlos,
Fundação Calouste Gulbenkian e Casa da Música no contexto de
uma co-produção sem precedentes com a Fundação Calouste
Gulbenkian, a Casa da Música e o Ircam-Centre Pompidou (Paris).
Numa acção inédita em Portugal, DAS MÄRCHEN estreia em
simultâneo, a 25 de Janeiro, em 14 teatros do País e Ilhas com
transmissão em directo do São Carlos numa iniciativa com o
apoio da RTP e da PT Multimédia.
Teatro Diogo Bernardes em PONTE DE LIMA
Casa da Música no PORTO
Centro Cultural Vila Flor em VILA FLOR
Teatro Aveirense em AVEIRO
Teatro Académico Gil Vicente em COIMBRA
Cine-Teatro Avenida em CASTELO BRANCO
Teatro Miguel Franco em LEIRIA
Teatro Virgínia em TORRES NOVAS
Centro de Congressos dos Paços do Concelho em PORTALEGRE
Teatro Bernardim Ribeiro em ESTREMOZ
Teatro Pax Julia em BEJA
Teatro Lethes em FARO
Teatro Micaelense nos AÇORES
Teatro Baltazar Dias na MADEIRA.
Agradeço, desde já, todo o apoio possível em termos de divulgação.
Paula Vilafanha
Coordenadora do Gabinete de Imagem, Comunicação e Publicações
Teatro Nacional de São Carlos [email protected] | www.saocarlos.pt
-2-
Com direcção musical de Peter Rundel, Director Musical do
Remix Ensemble desde Janeiro de 2005, destaca-se
também a encenação de Karoline Gruber. Experiente no
repertório contemporâneo, a encenadora alemã apresenta o
seu trabalho pela primeira vez no São Carlos.
A equipa artística reúne os nomes de Amanda Miller na
assinatura da Coreografia, Roy Spahn na concepção da
Cenografia, Mechthild Seipel na assinatura dos Figurinos,
Hans Toelstede no Desenho de luz e Eric Daubresse na
Realização Informática Musical (Ircam).
Silja Schindler, Chelsey Schill, Andrew Watts, Musa
Nkuna, Philip Sheffield, Graciela Araya, Matthias Hoelle,
Dieter Schweikart, e Luís Rodrigues são alguns dos
intérpretes convidados a criar os papéis na estreia absoluta
de Das Märchen. Participam nesta produção bailarinos
independentes audicionados pela coreógrafa Amanda Miller
e um grupo de actores em alter-ego com os cantores.
Destaque também para o Remix Ensemble, Orquestra
Sinfónica Portuguesa e Coro do Teatro Nacional de São
Carlos.
Trinta minutos antes de cada récita no São Carlos, têm lugar as
Breves Palavras no Salão Nobre com a presença do compositor
Sérgio Azevedo para abordar alguns aspectos ligados à
produção da ópera de Emmanuel Nunes.
A par da estreia de Das Märchen o São Carlos apresenta, em
colaboração com a Academia Europeia do Teatro Lírico, o
Colóquio MODOS DE NARRAR com a participação de grandes
nomes da encenação, do canto e da musicologia. Dias 26 e 27
de Janeiro, no Auditório da Faculdade de Belas-Artes
[Universidade de Lisboa], a partir das 9:30h [ver calendário pp.
11-12].
Em colaboração com o Goethe Institut, realiza-se naquele
Instituto uma Leitura por Diogo Dória de excertos de O Conto
de Goethe, seguido de um debate com a participação de
Emmanuel Nunes, Karoline Gruber e Sven Müller, no dia 24 de
Janeiro pelas 19:00h.
Duas propostas de entrada livre.
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DAS MÄRCHEN PERSONAGENS E INTÉRPRETES
cantores
actores
bailarinos
Lilia
Lilia
Ana Sofia Carneiro
A Serpente
A Serpente
Chelsey Schill
Anna Katharina Rusche
Helena Martins
A Velha
A Velha
Isadora Ribeiro
Príncipe
Perrine Gabrielsen
Silja Schindler
Graciela Araya
1.º Fogo-fátuo / A Velha / 4.º Rei
Andrew Watts
2.º Fogo-fátuo / 2.º Rei
Musa Nkuna
Príncipe
Joana Barrios
Beate-Christa Kopp
Tilo Wagner
O Barqueiro / O Homem com a Lâmpada
Richard Jaeckle
Ângela Eckart
Hugo Marmelada
Jordi Milà
Mário Sanchez
Philip Sheffield
Rui Reis
O Barqueiro / O Homem com a Lâmpada
Pedro Mendes
Matthias Hölle
1.º Rei
Dieter Schweikart
Orquestra Sinfónica Portuguesa
3.º Rei
Remix Ensemble
Luís Rodrigues
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli
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DAS MÄRCHEN Emmanuel Nunes
ÓPERA em um prólogo e dois actos (2002-2007)
LIBRETO de Emmanuel Nunes baseado no conto homónimo de J. W. von Goethe
ESTREIA MUNDIAL Teatro Nacional de São Carlos, a 25 de Janeiro de 2008
Contexto e Personagens
Das Märchen (O Conto) tem por cenário físico (topográfico) um grande rio que
separa duas margens essencialmente diferentes, e que, no início da narração,
nenhuma ponte estável liga. Numa margem encontra-se o palácio, o jardim e o
lago da Bela Lília, personagem para a qual todas as outras se dirigem; na
outra margem há um templo subterrâneo, situado por baixo de uma montanha,
uma cabana e um quintal que pertencem ao Homem [Velho] com a Lâmpada e
à sua mulher (a Velha), e um pântano, próximo do abismo onde dorme a
Serpente Verde. No palácio de Lília vivem três jovens damas de companhia,
ao passo que na outra margem, no templo subterrâneo, sob a forma de
estátuas, se encontram três reis (Rei de Ouro, Rei de Prata e Rei de Bronze),
mais um quarto rei (Rei Misto) que é o resultado muito imperfeito da mistura de
ouro, prata e bronze. Lília tem um Canário, e a Velha um cão de estimação
chamado Mops. Na margem de Lília vive ainda um Barqueiro, que transporta
viajantes desse lado do rio para o outro, não podendo porém levar ninguém na
direcção contrária. Na outra margem há um Gigante, e sobre a sua sombra
pode-se atravessar o rio em ambas as direcções, mas apenas ao pôr-do-sol. A
única maneira de fazer a travessia em ambas as direcções sobre uma ligação
física, ainda que temporária, é oferecida pela Serpente Verde, que se
transforma em ponte, ao meio-dia. O jovem Príncipe – um adolescente – é
uma «sombra errante» que, tendo perdido as suas insígnias, deambula de
uma margem para a outra sem encontrar sossego em lado nenhum. Há ainda
dois Fogos-Fátuos irrequietos e atrevidos que espalham moedas de ouro por
onde quer que passem, e um Açor, que aparece pouco, mas em momentos
decisivos da acção.
Todas as personagens vivem sob os efeitos de um enigmático e misterioso
feitiço que não lhes permite uma existência plena, estando todas à espera de
uma mudança, da qual ouviram falar, mas não sabem como, nem quando
advirá. O Homem com a Lâmpada conhece todos os passos a dar e rituais a
cumprir quando chegar o tempo da mudança, mas desconhece quando esse
tempo chegará. Durante o desenrolar de Das Märchen todas as personagens
vão transformar-se ou metamorfosear-se, superando o feitiço, adquirindo
novas ou renovadas propriedades, e acedendo finalmente a uma existência
livre e plena.
A arquitectura global de Das Märchen revela uma dramaturgia precisa e
metódica, desenhando lentamente um processo evolutivo que parte de um
estado original de desordem, tensão e imperfeição, passando por um momento
nevrálgico de crise aguda, para se concluir na fundação de uma nova ordem,
harmonia e perfeição universais.
[Paulo Pereira de Assis]
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Fotografias de ensaio © Alfredo Rocha
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Sinopse
Prólogo: A Imaginação
No Prólogo são declamadas dezasseis frases de Goethe – que não fazem
parte do conto Das Märchen – relativas ao poder da imaginação, à sua
capacidade de gerar obras de arte e ao modo como o faz, reflectindo ainda
o carácter aberto e a significação potencialmente infinita do conto
maravilhoso que se vai seguir.
Acto I
O Jogo dos Elementos
Cena 1
Os Fogos-Fátuos
Quadro 1: O Barqueiro / A Errância
A história começa a meio da noite, na cabana do Barqueiro, na margem da
Bela Lília. O Barqueiro é acordado pelos dois Fogos-Fátuos, que
pretendem atravessar para a outra margem. Travessia do rio. Chegados à
outra margem os Fogos-Fátuos abanam-se, largando muitas peças de ouro
no fundo da barca. O Barqueiro, que não pode aceitar ouro como forma de
pagamento, exige-lhes um tributo, sob a forma de frutos da terra (três
repolhos, três alcachofras e três cebolas) e segue rio abaixo, para ir
guardar o ouro num local seguro, ao abrigo das águas do rio.
Quadro 2: A Serpente
Numa região montanhosa o Barqueiro lança o ouro para o fundo de um
precipício, entre altos penedos. A Serpente Verde, que dormia nesse
abismo, acorda e engole avidamente as moedas de ouro, tornando-se
transparente e luminescente. Sai do abismo à procura da origem do ouro e,
depois de muito rastejar, encontra os Fogos-Fátuos junto a um canavial.
Quadro 3: O Ouro
Conversa dos Fogos-Fátuos e da Serpente Verde no canavial. A Serpente
informa-os que a Bela Lília, que eles pretendem visitar, vive no outro lado
do rio. Os Fogos-Fátuos, dando conta do engano em que incorreram,
pretendem voltar à outra margem. Descrição das três maneiras de
atravessar o rio. Os Fogos-Fátuos despedem-se.
Cena 2
Os Segredos da Terra
Quadro 1: Nos interstícios das rochas
A Serpente Verde, de novo sozinha, desce pelos interstícios das rochas ao
templo subterrâneo. Visão do templo, das estátuas dos quatro reis e
diálogo com o Rei de Ouro.
Quadro 2: O Homem com a Lâmpada
Aparição do Homem com a Lâmpada no templo subterrâneo, sendo
questionado pelos quatro reis sobre o futuro de cada um deles. O Homem
com a Lâmpada conhece três segredos, mas desconhece o quarto. A
Serpente sibila-lhe algo ao ouvido, e o Homem com a Lâmpada grita com
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uma voz retumbante: «o tempo chegou». O templo subterrâneo ecoou e as
estátuas de metal vibraram ressoando. A Serpente parte para Leste e o
Homem com a Lâmpada para Oeste, atravessando sem resistência o
maciço rochoso e dirigindo-se para a sua cabana, no sopé da montanha.
Cena 3
As duas Margens
Quadro 1: A Velha
Na cabana do Homem com a Lâmpada e da Velha. A Velha está
transtornada. Durante a ausência do seu marido a Velha recebeu a visita
dos Fogos-Fátuos, que ingeriram o ouro das paredes da cabana, lhe
pediram que assumisse a dívida deles para com o Barqueiro, e provocaram
a morte do cãozinho Mops. O Homem com a Lâmpada transmuta em ónix o
cadáver do cão e, pelo efeito da sua lâmpada mágica, volta a cobrir de ouro
as paredes da cabana. Seguindo as ordens do Homem com a Lâmpada a
Velha põe-se a caminho, ao nascer do Sol do dia seguinte, para entregar
os frutos da terra ao Barqueiro e oferecer o cãozinho à Bela Lília, para que
ela o ressuscite e fique com ele.
[Paralelamente à acção principal: início da Canção da Manhã de Lília, no
seu Palácio.]
Velha com o Barqueiro, que só aceita o pagamento incompleto sob a
condição de a Velha se comprometer pessoalmente a pagar o resto da
dívida nas próximas vinte e quatro horas. Como sinal do seu compromisso
a Velha tem de molhar a mão no rio. A mão sai das águas mais pequena do
que antes e de cor preta. O Barqueiro deixa-a seguir caminho e a Velha,
cujo cesto começa a levitar, inicia um diálogo com o jovem Príncipe.
[Paralelamente à acção principal: continuação da Canção da Manhã de
Lília.]
Quadro 3: A Velha e o Jovem
Diálogo da Velha com o Príncipe. Este, que se considera a si mesmo uma
«sombra errante», também se dirige ao Palácio da Bela Lília pelo que
decidem seguir juntos o resto do caminho em direcção à ponte do meio-dia.
[Paralelamente à acção principal: continuação da Canção da Manhã de
Lília.]
Quadro 4: A Travessia
Ao meio-dia a Velha, o jovem Príncipe e os Fogos-Fátuos (invisíveis)
atravessam o rio sobre as costas da Serpente Verde, transformada
temporariamente numa ponte feita de pedras preciosas. Agora todos se
encontram na margem da Bela Lília – a Velha com o cão de ónix, o
Príncipe, a Serpente Verde e os dois Fogos-Fátuos.
[Paralelamente à acção principal: fim da Canção da Manhã de Lília.]
Quadro 2: Os Frutos da Terra / O Gigante / O Rio
Caminhada lenta da Velha, com o cesto carregado à cabeça, em direcção
ao rio. Encontro com a Sombra do Gigante, que lhe rouba um repolho, uma
alcachofra e uma cebola. A Velha espera longamente o Barqueiro, que
chega finalmente, trazendo o jovem Príncipe na sua barca. Diálogo da
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Acto II
As Metamorfoses
Cena 1
A Proscrição
Quadro 1: Lília
A Velha, o Príncipe e a Serpente Verde chegam ao jardim da Bela Lília.
Ouve-se a Canção da Manhã de Lília. Diálogo da Velha com a Bela Lília,
no qual se fica a saber que o Canário de Lília morreu nessa manhã, depois
de um Açor o ter assustado e do Canário se ter precipitado contra o peito
de Lília. Lília tem a estranha capacidade de matar todos os seres vivos que
toca, bem como de ressuscitar seres petrificados; além disso Lília retira as
forças a todos aqueles que alcança com o seu olhar. Oferta do cão de ónix
a Lília, que reconhece vários sinais premonitórios da chegada duma nova
era, faltando porém o mais importante: o templo junto ao rio e a ponte
estável.
Quadro 2: O Príncipe e Lília
A Serpente afirma que a profecia da ponte está cumprida, e que já viu o
templo no interior da terra. Lília não reconhece a profecia como cumprida. A
Velha e Lília trocam os animais (Canário e Mops). A Serpente repete as
palavras «o tempo chegou». Lília ressuscita o cão Mops e brinca com ele.
O Príncipe, vendo o cão Mops ser beijado por Lília, decide morrer,
precipitando-se nos seus braços. Morte do Príncipe.
Quadro 3: O Círculo
A Serpente Verde forma um círculo mágico à volta do cadáver do Príncipe,
para evitar a sua decomposição. Lília está estarrecida, mas é ainda incapaz
de chorar. As três damas de companhia tentam reconfortá-la. Lília vê a sua
própria imagem reflectida num espelho e começa a chorar.
Cena 2
O Tempo
Quadro 1: O Perigo – A Ameaça
Aproxima-se o pôr-do-sol. A escuridão dará início à putrefacção do cadáver
do Príncipe. A Velha parte à procura dos Fogos-Fátuos, para que estes
possam ir à outra margem chamar o Homem com a Lâmpada, única
pessoa que pode salvar o Príncipe e, com ele, todos os outros. Inquietação
e ansiedade geral. A Serpente Verde olha à sua volta, procurando
descortinar um bom presságio.
Quadro 2: A Aliança
A Serpente avista o Açor vermelho-púrpura no alto dos céus. Chegada do
Homem com a Lâmpada. Subitamente é meia-noite, sem que ninguém
saiba como. O Homem com a Lâmpada dá instruções precisas a todos e a
cada um. Unidos num enigmático ritual todos executam as suas tarefas. As
três damas de companhia de Lília adormecem.
Quadro 3: Primeiro cortejo / A Ponte
Forma-se um cortejo constituído pelas seguintes personagens: a Serpente
Verde, os Fogos-fátuos, a Velha com os cadáveres do Príncipe e do
Canário no seu cesto em levitação, a Bela Lília com o cão Mops nos braços
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e, finalmente, o Homem com a Lâmpada. A Serpente transforma-se em
esplendorosa ponte luminosa, sobre a qual o cortejo atravessa o rio. Ao
longe, o Barqueiro observa esta travessia.
Quadro 4: O Sacrifício / A Ressurreição
A travessia conclui-se. Todos estão na margem do templo subterrâneo. A
Serpente Verde decide sacrificar-se antes que a sacrifiquem. A Bela Lília
toca com a mão esquerda a Serpente e com a mão direita o seu amado
Príncipe. O Príncipe e o Canário ressuscitam ao mesmo tempo, enquanto a
Serpente se desintegra, transubstanciando-se em milhares e milhares de
pedras preciosas, que são recolhidas no cesto da Velha e deitadas ao rio.
Cena 3
A Ponte Prometida
Quadro 1: Segundo cortejo / A Fenda / O Templo
Forma-se um novo cortejo constituído pelas seguintes personagens: o
Homem com a Lâmpada, o Príncipe, Lília, a Velha e os Fogos-Fátuos. Este
cortejo dirige-se, através das rochas, para o templo subterrâneo. A grande
porta de bronze do templo, fechada com um cadeado de ouro, é aberta
pelas chamas dos Fogos-Fátuos. Visão das estátuas do Reis.
Quadro 2: Debaixo do Rio / A Viagem
Diálogo com os quatro reis. O tempo da mudança chega definitivamente. O
Templo move-se, iniciando uma viagem através das rochas, passando por
debaixo do rio, até alcançar a sua localização final, na outra margem. A
cabana do Barqueiro torna-se um altar do templo. É já de manhã. Coroação
do jovem Príncipe como novo Rei e louvor dos três poderes: Sabedoria,
Aparência e Força, aos quais se acrescenta o Amor, que não governa, mas
forma.
Quadro 3: A Apoteose
O templo final, a praça e a ponte estão perfeitamente construídos. O
Príncipe (o novo Rei) casa-se com Lília. As jovens damas de companhia
reaparecem com a Velha rejuvenescida, que renova o seu casamento com
o Homem com a Lâmpada, transformado em conselheiro do jovem
soberano. As pedras preciosas provenientes dos restos da Serpente Verde
elevaram-se por si mesmas e deram forma a uma ponte eterna que
estabelece a ligação e a circulação animada entre as duas margens do rio.
O Gigante aparece uma última vez, sendo metamorfoseado numa estátua
que indica as horas do dia. Os Fogos-Fátuos divertem-se largando moedas
de ouro reluzentes sobre a praça do templo, e observando a sofreguidão
com que os milhares de pessoas que atravessam a ponte magnífica se
lançam sobre o ouro.
[Paulo Pereira de Assis]
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MODOS DE NARRAR
COLÓQUIO DA ACADEMIA EUROPEIA DO TEATRO LÍRICO
26-27 Janeiro 2008
Auditório da Faculdade de Belas-Artes [Universidade de Lisboa]
26 Janeiro
9:30h
Abertura
Mário Vieira de Carvalho
Christoph Dammann
Sieghart Döhring
9:45h
Encenação de ópera: Uma abordagem histórica
Sieghart Döhring
10:15h
«A interrogação do antigo»: Da leitura de textos antigos
Peter Heilker
11:00h
«Obra»: que significa o termo
Sabine Henze-Döhring
11:30h
Teatro de encenação: Uma definição do conceito
Hilde Haider
12:00h
Visões criativas entre o fluxo de imagens e a desconstrução: As liberdades
da estética teatral pós-moderna
Susanne Vill
14:30h
Teatro de encenação como problema de recepção
Stephan Mösch
15:00h
Motivos-condutores
Peter Konwitschny
16:00h
Modos de Narrar
Karoline Gruber
Stefan Herheim
Joachim Herz
João Lourenço
Vera Sampayo Lemos
Moderador Sabine Henze-Döhring
17:30h
Porto de Honra oferecido pelo Ministério da Cultura
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27 Janeiro
9:30h
A pessoa que canta como medida de todas as coisas?
Herbert Lippert
Stephan Mösch
Inga Nielsen
António Salgado
Bernd Weikl
Orientador / Moderador Sieghart Döhring
10:30h
A função da cenografia
Jens Kilian
Johannes Leiacker
Herbert Murauer
13:00h
Da leitura de novas partituras: A estreia mundial de Das Märchen
Philippe Albéra
Paulo Pereira de Assis
Emmanuel Nunes
Karoline Gruber
Frank Madlener
Peter Rundel
moderador Yvette K. Centeno
16:00h – récita
Emmanuel Nunes, Das Märchen
Teatro Nacional de São Carlos
Orientador Anno Mungen
Moderador Gerhard Brunner
12:00h
As expectativas do público – A estratégia da Direcção Artística
Manuel Brug
Elke Heidenreich
António Mega Ferreira
Gerhard Brunner
Christoph Dammann
Klaus Froboese
Moderador Susanne Vill
Organização
Academia Europeia do Teatro Lírico
Teatro Nacional de São Carlos
Em colaboração com
Instituto de Ciências do Teatro, do Cinema e da Comunicação da
Universidade de Viena
Instituto de Investigação do Teatro Lírico, Universidade de Bayreuth
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Emmanuel Nunes
compositor
Emmanuel Nunes iniciou estudos de Harmonia,
Contraponto e Fuga na Academia de Música de
Lisboa em 1959 com Francine Benoît. Naquela
Academia frequentou também as aulas de Louis
Saguer sobre a escrita musical do século XX, aulas
© Sérgio
Granadeiro
às quais atribui a maior importância. A partir de
1960, e até à sua ida para Paris em 1964, estudou Composição com
Fernando Lopes-Graça em aulas particulares e de maneira discreta dada a
interdição de leccionar lançada ao compositor, membro do Partido
Comunista, pelo regime fascista. Frequentou os cursos de Verão de
Darmstadt entre 1962 e 1964, onde se interessou especialmente pelos de
Henri Pousseur e Pierre Boulez. Passou um ano solitário em Paris durante
o qual se preparou para as aulas da Rheinische Musikschule de Colónia
onde viria a estudar Composição com Henri Pousseur e Karlheinz
Stockhausen, entre 1965 e 1967. Regressou então a Paris onde voltou a
trabalhar sozinho até 1970. A fim de obter uma bolsa de estudos do
Ministério da Educação Nacional português, inscreveu-se no CNSM
(Conservatoire National Supérieur de Musique) de Paris, nas aulas de
Estética de Marcel Beaufils, e obteve o seu primeiro prémio em 1971,
seguindo-se o início, na Sorbonne com Michel Guiomar, de uma tese que
permanecerá inacabada sobre a segunda cantata de Anton Webern e a
evolução da linguagem musical naquela época.
Entre 1974 e 1976, Emmanuel Nunes lecciona na Universidade de Pau,
aulas de iniciação à Composição do século XX destinadas aos futuros
professores de Educação Musical. Assegurou regularmente, a partir de
1981, seminários de Composição na Fundação Gulbenkian em Lisboa. Em
1982, foi convidado, por Ivan Tchérépnine, a realizar conferências sobre a
sua música na Universidade de Harvard. Entre 1986 e 1991, leccionou na
Hochschule für Musik de Freiburg em Breisgau. Foi professor de
Composição e de Música de Câmara na Escola Nacional de Música de
Romainville entre 1990 e 1994, e professor de Composição no CNSMDP
desde 1992. Convidado pelo IRCAM em 1985 por Pierre-Yves Artaud,
realizou uma série de seminários sobre o tema da «atitude instrumental»,
que retomaria nos ateliers de Verão de Darmstadt no ano seguinte.
Leccionou na Academia de Verão do IRCAM em 1995, e de novo em
Darmstadt em 2002. Em 2004 foi convidado pela Universidade Católica de
Santiago do Chile para a realização de aulas, conferências e concertos.
Os primeiros concertos de Emmanuel Nunes tiveram lugar na Fundação
Gulbenkian em Lisboa em 1970 com Purlieu e em 1971 com Dawn Wo,
levando André Jouve a apresentá-lo a uma « Perspective du XXème
siècle », para os seus primeiros concertos em Paris. Em 1975, a estreia, no
Festival de Royan de Voyage du Corps, para coro e dispositivo electrónico
em tempo real, esteve na origem do seu encontro com Tristan Murail que
passaria a programar regularmente obras no Itinéraire até 1980. A sua
notoriedade confirma-se com a vinda da Orquestra de Baden Baden a
Royan para a estreia de Ruf em 1977 e a reprogramação da obra no
mesmo ano no Festival de Donaueschingen, sob a direcção de Ernest
Bour. Posteriormente à realização dos concertos, foi convidado a fixar-se
em Berlim durante um ano com uma bolsa de estudos da DAAD. A partir da
nomeação de Luís Pereira Leal para o cargo de director musical da
Fundação Gulbenkian em Lisboa em finais dos anos 70, sucedem-se
regularmente concertos dedicados a obras suas e inúmeras encomendas,
ao mesmo tempo do que duas importantes retrospectivas. Entre 1986 e
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1988, realizou-se um número significativo de concertos em diversos países
pelo Ensemble Modern e Ernest Bour, nomeadamente para as estreias de
Wandlungen e de Duktus. 1992 viria a ser o ano de estreia de Quodlibet
para ensemble, seis percussões e orquestra, no Coliseu dos Recreios de
Lisboa, obra que foi executada, desde a estreia, cerca de quinze vezes pela
Europa. O Festival d’Automne em Paris consagrou-lhe um programa-retrato
em 1992, assim como vários concertos em 1994 e 1996, com a estreia de
Omnia Mutantur Nihil Interit. No Festival de Edimburgo foram interpretadas
algumas das suas obras em 1995 e 1996.
Emmanuel Nunes trabalha regularmente no IRCAM desde 1989, altura em
que iniciou a composição de Lichtung I. A partir daí, firmou uma estreita
ligação na área da investigação com Eric Daubresse que ainda se verifica.
O trabalho de ambos com o «tempo real» resultou na estreia, em Paris, de
Lichtung I em 1992, e da primeira versão de Lichtung II em 1996, tendo a
versão definitiva e integral das duas obras sido apresentada em Paris, em
2000, pelo Ensemble Intercontemporain sob a direcção de Jonathan Nott.
Contudo, fragmentos completos da sua obra foram compostos sem
informática musical. Durante os anos 90, regressou, por duas ocasiões, à
escrita para grande orquestra com Musivus e a uma nova versão de
Nachtmusik II, respectivamente na Philharmonie de Colónia em 2000 e em
Donaueschingen em 2002. Duas amplas retrospectivas da sua obra foram
apresentadas em 1999 em Bruxelas no Festival Ars Musica, e em 2000 em
Zurique nos Tage für Neue Musik. Paralelamente, estabeleceu uma estreita
colaboração com o Ensemble Remix do Porto desde a sua criação.
Actualmente estão em curso dois dos seus projectos: um consiste numa
ópera segundo o conto de Goethe Das Märchen, e o outro engloba uma
série de obras inspiradas na novela de Dostoieski A Submissa, as quais
serão reunidas para o palco e formarão uma obra a meio caminho entre o
teatro e a ópera de câmara, na qual será dada uma enorme proeminência
ao recitante. O título global das obras é Improvisation ; as duas primeiras
foram estreadas nos Wittener Tage em 2003, uma para contralto solista por
Christophe Desjardins, a outra pelo Ensemble Recherche dirigido por
Franck Ollu.
Emmanuel Nunes foi Doutor Honoris Causa da Universidade Paris VIII em
1996.
A sua carreira musical foi homenageada com várias distinções, em
particular, com o Prémio CIM-UNESCO em 1999 e o Prémio Pessoa em
2000.
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Peter Rundel direcção musical
Reconhecido primeiramente como um brilhante
violinista, dirige orquestras há mais de vinte anos
distinguindo-se pela diversidade dos projectos com
muitas das maiores orquestras europeias. Depois
de ter estudado com Michael Gielen e Peter Eötvös,
trabalha regularmente com as Orquestras da Rádio
da Baviera, ORF de Viena, DSO e RSO de Berlim,
RSO de Estugarda, Orquestra Sinfónica WDR de
Colónia, Orquestra Nacional da RAI de Turim e Orquestra Nacional do
Porto. Dirigiu produções de ópera na Staatsoper de Munique, Festwochen
de Viena e no Festival de Bregenz, colaborando com prestigiados
encenadores tais como Peter Konwitschny, Philippe Arlaud, Reinhild
Hoffmann e Joachim Schlömer.
O seu interesse pela música contemporânea originou convites repetidos de
todos os agrupamentos de Novas Músicas na Europa incluindo Asko
Ensemble, InterContemporain de Paris, musikFabrik de Colónia e
Klangforum Wien. Em Agosto deste ano recebeu o Prémio «deutschen
Schallplanttenkritik» pelo seu CD à frente da Filarmónica de Oslo com
Christian Lindberg como solista dos concertos para trombone de Berio,
Xenakis e Turnage.
Nascido em 1958 em Friedrichshafen (Alemanha), estudou Violino com Igor
Ozim e Ramy Shevelov em Colónia, Hannover e Nova Iorque e Direcção
Musical com Michael Gielen e Peter Eötvös. Também recebeu aulas do
compositor Jack Brimberg em Nova Iorque. Entre 1984 e 1996 foi violinista
no Ensemble Modern, com o qual mantém uma relação regular enquanto
maestro.
Karoline Gruber encenação
Encenadora de ópera e de teatro, nasceu em Styria
(Áustria). Completou os estudos de Teatro,
Musicologia, História de Arte e Filosofia na
Universidade de Viena. Foi assistente de
encenação na Staatsoper de Viena, Staatsoper de
Munique e na Deutsche Oper de Berlim, onde
trabalhou com Maximilian Schell e Götz Friedrich, e
com Achim Freyer, Harry Kupfer, Peter Zadek, Ruth
Berghaus e Herbert Wernicke em Berlim,
Estugarda, Basileia e Viena.
Em 2003 encenou L'incoronazione di Poppea (Monteverdi) na Staatsoper
de Hamburgo, com aplauso da crítica e repetidas nomeações para «Melhor
Encenador/Melhor Produção» pela «Opernwelt». Inaugurou, com êxito, a
recém-criada Opernhaus de Erfurt (2003), com a estreia mundial de Martin
Luther, de Peter Aderhold, seguindo-se em 2004, a sua estreia na Ópera de
Bona com Dardanus de Rameau. Ainda na Staatsoper de Hamburgo,
encenou Nabucco e Giulio Cesare (2005). Nesse ano encenou Cleofide (J.
A. Hasses) na Sächsischen Staatsoper de Dresden e estreou-se na Nikikai
Opera de Tóquio com Eine florentinische Tragödie e Gianni Schicchi.
Estreou-se, na temporada de 2005/06, na Staatsoper de Viena com Le Villi,
com direcção de Simone Young (nova nomeação para «Melhor
Encenador/Melhor Produção» pela «Opernwelt» (2006).
A sua encenação de ll mondo della luna, dirigida por René Jacobs no
Festival de Innsbrück (2001) obteve êxito unânime da crítica e do público
na estreia e na remontagem na Staatsoper Unter den Linden de Berlim.
Estreou-se com sucesso na Ópera de Nantes com Carmen, seguindo-se A
Noiva Vendida (Smetana) no Staatstheater de Saarbrücken. Em Maio de
2007 o seu Giulio Cesare, estreado na Staatsoper de Hamburgo, foi
apresentado na Ópera de Colónia. Desde Outubro de 2005 que lecciona na
Universidade das Artes de Berlim.
15
Amanda Miller coreografia
Iniciou a sua formação profissional na Escola de
Artes da Carolina do Norte (EUA) e prosseguiu
estudos em Nova Iorque ao mesmo tempo que se
apresentava no corpo de baile do Lyrical Opera
Ballet de Chicago, Deutsche Oper de Berlim, entre
outras companhias de igual renome. Em 1984
William Forsythe convidou-a a deslocar-se a
Frankfurt e nomeou-a bailarina e coreógrafa
permanente do ensemble de bailado. Em 1992 fundou a sua própria
Companhia, Pretty Ugly Dance. Entre 1997 até 2004 a Companhia teve
residência no teatro cívico em Freiburgo (Baden-Württemberg) sob o nome
de Ballett Freiburg Pretty Ugly. Paralelamente ao seu trabalho com a
Companhia, coreografou bailados para prestigiadas companhias e fundou a
Companhia Yummidance no Japão.
Tem acentuado cada vez mais o seu interesse em formar outros
profissionais no aperfeiçoamento do método de trabalho e desenvolve,
actualmente, uma intensa actividade como professora. Em 2004 lançou a
organização de apoio 'Art for Tibet', que subsidia particulares e projectos no
Tibete.
Foi alvo de inúmeros prémios. Em 1994 as suas produções ganharam três
prémios nas Rencontres Chorégraphiques Internationales de Bagnolet. Em
2004 o seu trabalho Four for Nothing mereceu o prestigiado Prémio
Holandês para a Coreografia, «The Golden Swan».
Desde Janeiro de 2005 que ocupa o cargo de directora artística da
Companhia Pretty Ugly Tanz de Colónia.
Roy Spahn cenografia
Nascido em Frankfurt, estudou Escultura em
Frankfurt e em Estrasburgo, prosseguindo a sua
formação com estudos de Cenografia em
Estrasburgo (Escola de Arts-Déco). Foi
assistente de Marc Deggeller, Pierre Barrat,
Wanda Pratschke, entre outros.
A partir de 1991 assinou a cenografia e
figurinos na Opernhaus de Zurique,
Schauspielhaus de Hamburgo, em Estrasburgo, Staatstheater de Kassel,
Staatstheater Braunschweig, Staatstheater de Lucerna, Neustrelitz, Hagen,
Annaberg-B, Dessau, Nova Iorque (American Opera Project) e na Ópera de
Boston.
Trabalhou com os encenadores e coreógrafos Steffen Kaiser, Arnold
Schremm, Pierre Wyss, Annett Wöhlert, Michael Comlish, Thorsten
Kreissig, Ralph-Peter Schulze, Brigitta Louisa Merki, Valerie Panov, Jürgen
Pöckel.
Trabalhou nas produções das óperas Silbersee (K. Weill), Madama
Butterfly, Die Lustige Witwe, Darkling, La Cenerentola, Black Rider, Helle
Nächte, Es war einmal… (Zemlinksy), entre outras. Para teatro cenografou
as peças Die Räuber (Schiller), Drei Schwestern (Três Irmãs, de Tchekov),
Die Orestie (Oresteia, Ésquilo), Katarakt, Romeo and Juliet (Shakespeare),
Minna von Barnhelm (G. E. Lessing), Hedda Gabler (Ibsen), Mein Kampf
(George Tabori), Die Gerechten (Les Justes, de Camus). Para o bailado
colaborou em Ikarus, Coppelia, Faust, bemol, El Canto Nomada e Time is…
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Mechthild Seipel figurinos
Após estudos de design de moda em Berlim,
iniciou a sua carreira profissional na Ópera de
Colónia como assistente no departamento de
guarda-roupa.
Em 1997 iniciou uma carreira independente como
designer de figurinos em Basileia onde assinou
os figurinos de Der Rosenkavalier e Messa da
Requiem de Verdi, seguindo-se Capriccio e Lulu em Amesterdão, Evgueni
Oneguin e Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny em Berlim. E Le
nozze di Figaro e La fanciulla del West em Tóquio, entre outros.
Actualmente, tem em preparação os figurinos para a produção da ópera
Tannhäuser com estreia agendada na Ópera de Colónia e La Bohème para
Berlim.
Hans Toelstede desenho de luz
Nasceu em Cäciliengroden em 1945. Estudou
electrónica e técnicas de teatro antes de iniciar
carreira na Staatsoper de Hamburgo, Stadttheater
de Wiesbaden e no Festival de Bayreuth.
Em 1974 firmou colaboração com a Ópera de
Colónia tornando-se director de desenho de luz
(1980-1995). Após 10 anos de trabalho
independente regressou, em 2006, ao cargo que já ocupara naquele
Teatro.
Trabalhou com os encenadores Willy Decker, Harry Kupfer, Peter
Konwitschny, Oliver Tambosi, Andreas Homoki, Ian Judge, Kurt Horres,
Karoline Gruber, Karin Beier, Katharina Thalbach, Christian von Götz e
Michael Hampe, depois de ter colaborado com os principais teatros líricos
do panorama internacional.
Enquanto independente colaborou na Opéra de Paris, Opéra-Comique de
Paris, Gran Teatre del Liceu de Barcelona, La Monnaie de Bruxelas, Ópera
da Flandres, Ópera da Holanda, Festivais Internacionais de Edimburgo,
Bregenz, Salzburgo e na London Royal Opera House em Londres. Assinou
o desenho de luzes de produções para teatros em Hong-Kong, Washington,
Florença, Veneza, Turim, Atenas e Oslo e trabalhou em produções para o
Teatro Colón de Buenos Aires, Staatsoper de Munique e de Hamburgo,
New York City Opera e Staatsoper de Viena.
Os seus trabalhos foram mostrados no Music Center de Los Angeles, na
Grand Opera de Houston, Ópera de S. Francisco e no Teatro Colón de
Bogotá, sem esquecer o Theater an der Wien (musicais Elisabeth e Jekyll &
Hyde).
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Eric
Daubresse
Informática Ircam
realização
Depois de ter efectuado estudos
musicais e científicos nomeadamente
no Conservatório Nacional Superior de
Música de Paris, efectuou estágios no
CEMAmu e no INA-GRM. Participou na
criação e nas actividades do estúdio Premis no âmbito do ensemble 2e2m.
Colaborou também em inúmeras criações de músicas mistas com o
ensemble Itinéraire. Desde 1992 que ocupa o cargo de realizador de
informática musical no Ircam, onde assegura a realização informática de
obras em estreia de Emmanuel Nunes, destacando-se Lichtung I e II,
Wandlungen, Einspielung I, Nachtmusik I. Compõe obras de música
electroacústicas, instrumentais ou mistas e participa em actividades
pedagógicas em torno das músicas contemporâneas e das novas
tecnologias.
Silja Schindler soprano
Nascida em Buchholz, perto de Hamburgo, estudou
Canto com Ingrid Kremling na Hochschule für Musik
und Theater de Hamburgo. Durante os estudos
ganhou uma bolsa de estudos para se aperfeiçoar
em Milão em 2003 e o Prémio «Belcanto» no
Festival Rossini de Bad Wildbad. Em 2004 venceu o
Prestigiado Concurso de Ópera «A. Belli» de
Spoleto onde cantou durante dois anos no Teatro Caio Melisso. É de
destacar a interpretação dos papéis de Lucia di Lammermoor, Musetta,
Elvira (L’ italiana in Algeri) e Cleopatra (Cimarosa). Em 2005 diplomou-se
com a menção cum laude e foi convidada para o papel de Rainha da Noite
pelo Teatro Quirino em Roma. Em 2006 estreou-se no papel de Fiakermilli
em Arabella, de Strauss, e no de Lisa em La Sonnambula de Bellini, na
Deutsche Oper de Berlim, seguindo-se Lucia di Lammermoor em diversos
teatros italianos. No ano seguinte, cantou pela primeira vez os papéis de
Ortlinde em Die Walküre, de Wagner, e Waldvogel em Siegfried no Festival
tirolês Erl, sob a direcção de Gustav Kuhn, seguindo-se Konstanze em Die
Entführung aus dem Serail, de Mozart, e Gilda em Rigoletto de Verdi no
Theater für Niedersachen Hildesheim. Compromissos futuros incluem os
papéis de Gilda, Rainha da Noite e concertos pela Europa.
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Chelsey Schill soprano
De origem canadiana, diplomou-se em Canto
pela Universidade de Wilfrid Laurier. Prosseguiu
estudos na Hochschule für Musik em Colónia
com Monica Pick-Hieronimi. Nos palcos dos
teatros na Alemanha, cantou por diversas
ocasiões o papel de Rainha da Noite em Die
Zauberflöte, papel que fez resplandecer com a
sua coloratura. Outros papéis incluíram Tytania
em A Midsummer Night’s Dream (Britten), La Princesse em La forêt bleue
(Aubert), Phédra em L’abandon d’Ariane (Milhaud) e Nerone em Agrippinia
(Handel).
Em Dezembro de 2006 criou o papel de Despina na estreia mundial da
ópera Fintenzauber de Camille Kerger e foi convidada a participar na
reposição do mesmo papel no Luxemburgo. É frequentemente convidada a
apresentar-se em recital na cidade de Colónia em particular para a
interpretação de música contemporânea. A jovem soprano conta no seu
repertório com obras de oratória, incluindo Carmina Burana (Orff), Messiah
(Handel) e Gloria (Vivaldi). A sua estreia nesta temporada dá início a uma
série de participações nas Temporadas Líricas e Sinfónicas do Teatro
Nacional de São Carlos.
Graciela Araya meio-soprano
De origem chilena, estudou Canto com Marta
Duran em Santiago e com o grego Tomas
Demolitsas em São Paulo. Estreou-se aos 20 anos
de idade no papel de Henriquetta di Francia (I
Puritani) no Teatro Municipal de Santiago (com
Christina Deutekom, dirigida por Carlo Felice
Cillario). Compromissos seguintes levaram-na até
São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em 1984
integrou o Estúdio de Ópera da Deutsche Oper de Berlim onde criou o
papel de Gedankenstimme em Cornet de Siegfried Matthus, com direcção
de Maximilian Schell. Depois de dois anos em Aachen e três em
Düsseldorf, tornou-se membro do ensemble da Staatsoper de Viena. A sua
passagem pelo cinema, em Orfeo ed Euridice realizado por Peter Werhahn
(1987), valeu-lhe o Prémio «O. E. Hasse» de Melhor Jovem Artista na
Alemanha.
Cantou sob a direcção de Pappano no papel titular de Carmen (Bruxelas),
de Hager em Le nozze di Figaro, Die Fledermaus, de Rostropovich no
papel titular de Gesualdo em estreia mundial em Viena, de Fedoseyev no
papel titular de Carmen (Viena), de Dutoit (Carmen, Frankfurt), de Schirmer
no papel de Octavian em Der Rosenkavalier (Viena), e de Gabrielle Ferro
no papel de Charlotte em Werther (Veneza), esta última com uma gravação
ao vivo. Desde 1995 que se apresenta exclusivamente como solista
convidada em Amesterdão, Bruxelas (La Monnaie), Antuérpia, Veneza,
Roma, Génova, Turim, Paris (La Bastille, 1995/6), Nova Iorque
(Metropolitan Opera, 1999), Londres (Covent Garden, 2001, 2002 e 2006),
Seattle, Los Angeles, Tóquio, Viena, entre outros. Canta em seis línguas
diferentes (italiano, francês, espanhol, inglês, alemão e português), num
repertório que abarca cerca de 70 óperas.
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Andrew Watts contratenor
Recentemente cantou em teatros tais como a Royal
Opera House–Covent Garden, English National
Opera, Deutsche Staatsoper de Berlim, Teatro La
Fenice de Veneza, Vlaamse Opera da Antuérpia,
Ópera de Graz, Opéra National du Rhin e nos
Festivais de Glyndebourne, Almeida, Salzburgo,
Lucerna, Staatsoper de Hamburgo, Perth (Austrália)
e Batignano. O seu repertório inclui os papéis titulares de Orfeo ed Euridice
e Orlando Paladino, e Arsamenes (Xerxes), Athamas (Semele), Andronico
(Tamerlano), Nutrice (L’Incoronazione di Poppea), Fairy (The Fairy Queen),
Sorceress / Second Witch (Dido and Aeneas), Oberon (A Midsummer
Night’s Dream), Orlofsky (Die Fledermaus), Bishop Baldwin (Gawain and
the Green Knight), Death of Klinghoffer, La Vie… ulcerant, Five Daily
Miniatures, Hommage à Klaus Nomi, L’Upupa e as estreias mundiais de
The Last Supper de Birtwistle, Medea de Guarnieri, Bäh (Prince Go-go) de
Olga Neuwirth, Le Grand macabre, Lamms Fest e Lost Objects e Cantatrix
Sopranica de Unsuk Chin, The Original Chinese Conjurer de Raymon Yiu.
Compromissos recentes incluíram o papel titular de Artaserse de Leonardo
Vinci no Musikwerkstatt de Viena e a estreia mundial de Alice in
Wonderland de Unsuk Chin na Staatsoper de Munique. Futuros
compromissos incluem a estreia mundial de Minotaur de Birtwistle na Royal
Opera House – Covent Garden, futuros espectáculos de L’Upupa em
Hamburgo, a estreia mundial de The Navigator em Brisbane, Melbourne e
Perth (Austrália), assim como concertos pelo Reino Unido e Europa.
Musa Nkuna tenor
Nascido em Giyani (África do Sul) em 1973, numa
família de músicos da qual se destaca o pai,
compositor, estudou Canto com Paulette Robert e
James Conrad na África do Sul, e com Pierre-André
Blaser no Conservatório de Lausanne na Suíça.
Obteve os diplomas de «Bachelor of Music»,
«Master of Music», «Concert Diploma»,
«Performers and Teachers Diplomas in Music».
Actualmente reside em Colónia (Alemanha) depois de ter sido convidado a
ocupar o lugar de Tenor Lírico Solista na Ópera de Colónia desde a
temporada 2004/05. Naquele Teatro interpretou os papéis de Conde
Almaviva (Il barbiere di Siviglia), Lindoro (L’italiana in Algeri), Ernesto (Don
Pasquale), Arbace (Idomeneo), Narraboth (Salome), Rosillion (Die Lustige
Witwe), Jacquino (Fidelio), The Novice (Billy Budd, de Britten), Professor (A
Raposinha Matreira, de Janácek), Pong (Turandot), Belfiore (La finta
giardiniera) e Walther von der Vogelweide (Tannhäuser).
Cantou nos Teatros líricos de Chur (Suíça), Pforzheim, Detmold, Cape
Town, Joanesburgo e no Festival de Baden-Baden, em papéis tais como
Don Ottavio (Don Giovanni), Ferrando (Così fan tutte), Belmonte (Die
Entführung aus dem Serail), Tamino (Die Zauberflöte), Rinuccio (Gianni
Schicchi), Tom Rakewell (The Rake’s Progress) e René (Der Graf von
Luxemburg, de Lehár).
Em concerto apresentou-se na Alemanha, África do Sul, Suíça, Bélgica,
Holanda, França e Grécia.
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Philip Sheffield tenor
Matthias Hoelle baixo
Estudou na Guildhall School of Music and Drama e no
Royal
College
of
Music
estreando-se
profissionalmente em L’incoronazione di Poppea no La
Monnaie em Bruxelas. Em 2007 cantou o papel de
Tom Rakewell na nova produção de Robert Lapage de
The Rake’s Progress no La Monnaie, seguindo-se a
sua estreia no Scala de Milão em Candide com
encenação de Robert Carsen. Protagonizou a nova
ópera de Jonathan Dove, Kwasi and Kwame no OT de
Roterdão, Eisenstein em Die Fledermaus no Concertgebouw de Amesterdão e na
Sala Flagey em Bruxelas, e cantou em Die Schöpfung (Haydn) em Florença, Siena
e Perugia. Em 2008/9 estreia-se em Tóquio no papel titular de Orlando Paladino
(Haydn), regressa depois à English National Opera para cantar em Candide e o
papel de Don José em concerto e The Tempest, de Tom Ades, no
Concertgebouw. Recentemente interpretou os papéis de Alonso (The Tempest),
numa co-produção da Royal Opera House–Covent Garden e Opéra du Rhin,
Edward IV em Richard III e Konzertmeister em Prova d’orchestra de Battistelli na
Vlaamse Opera, e protagonizou The House of the Gods no Music Theatre Wales.
Cantou mais de 70 papéis em teatros tais como Ópera da Holanda, Staatsteater
de Saarbrücken, Opéra de Nantes e Festival de Savonlinna na Finlândia. Criou
papéis nas óperas de Jonathan Dove, Alexander Goehr, Hans Jurgen Von Bose,
Ben Mason, Michael Berkeley, Elena Firsova e Nicola Lefanu. Destaque-se
também a interpretação de Pélleas na Opéra-Comique em Paris (Georges Prêtre),
Don Ottavio dirigido por Leopold Hager, o protagonista de Terry Bond em Playing
Away na Opera North e na Bienal de Munique, o War Requiem de Britten,
Serenade for tenor, horn and strings no Concertgebouw de Amesterdão e o
Nocturne de Britten na Philharmonie de Berlim. Já se apresentou com a London
Sinfonietta, Ensemble Modern, Ensemble Intercontemporain e Birmingham
Contemporary Music Group.
Reconhecido como um dos mais notáveis baixos da
última década, nasceu em Rottweil/Neckar (Alemanha).
Iniciou estudos na Staatliche Hochschule für Musik em
Estugarda e, posteriormente, na Hochschule für Musik
em Colónia. Integrou a Companhia da Ópera de
Colónia até 1987, seguindo-se uma colaboração no
Staatstheater de Estugarda. Desde muito cedo
apresentou-se nas principais salas de concerto e
teatros líricos da Europa. Recentemente actuou na
Metropolitan Opera de Nova Iorque, e em Chicago, Santiago e Telavive (aqui
estreou algumas obras de Karlheinz Stockhausen) e foi convidado a participar nos
Festivais de Ludwigsburg, Salzburgo e Maggio Musicale Fiorentino. Intérprete de
eleição do repertório wagneriano, apresenta-se frequentemente por todo o mundo
e é, desde 1981, regularmente convidado pelo Festival de Bayreuth. Dos seus
últimos compromissos destaca-se o papel titular de Don Quichotte (Massenet) na
Ópera de Colónia, Fidelio no Teatro Carlo Felice de Génova e no Festival
Beethoven de Varsóvia, assim como numa digressão japonesa com o Festival da
Páscoa de Salzburgo, sob a direcção de Simon Rattle, Parsifal em concertos com
a Orquestra de Filadélfia com direcção de Christoph Eschenbach e no palco do
Teatro de la Fenice em Veneza. Destaque-se também a produção de Die
Zauberflöte em Parma, Veneza e Nápoles. Foi dirigido por, entre outros, James
Levine, Daniel Barenboim, Sergiu Celibidache, Marek Janowski, Neville Marriner,
Riccardo Muti, Zubin Mehta, Bernard Haitink, Georg Solti, Horst Stein, Claus Peter
Flor, Riccardo Chailly and Christian Thielemann. Trabalhou os seus papéis dirigido
pelos encenadores Michael Hampe, Harry Kupfer, August Everding, Peter Hall,
Götz Friedrich, Willy Decker, Jean-Pierre Ponnelle, Luca Ronconi e Jonathan
Miller, entre outros.
A sua discografia inclui Parsifal (Gurnemanz) com Daniel Barenboim (TELDEC),
Freischütz (Eremit) com Marek Janowski (BMG), Fidelio (Rocco) com Colin Davis
(BMG) e Erste Walpurgisnacht, de Mendelssohn, com Claus Peter Flor (BMG).
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Dieter Schweikart baixo
«Kammersänger», lecciona Canto na
Universidade de Música de Colónia e na
respective sucursal em Aachen.
Posteriormente aos seus estudos na
Universidade de Música de Wuppertal, teve
o primeiro contacto com o teatro lírico em
Saarbrücken em 1964. Apresentou-se em
inúmeros teatros líricos incluindo a Ópera de Düsseldorf. A partir de 1981
apresentou-se em diversos papéis, por exemplo, Fafner no Ring de
Wagner, no Festival de Bayreuth.
O seu repertório inclui os papéis de Sarastro, Rei Marke, Landgraf, Fiesco,
Fafner e Daland, entre muitos outros. É regularmente convidado a actuar
nos principais teatros líricos europeus, destacando-se as cidades de Roma,
Viena, Bruxelas, Paris, Berlim e Hamburgo. É membro da Companhia da
Ópera de Colónia desde a temporada de 1988/89 onde pode ser ouvido
nos principais papéis dramáticos para a sua voz.
Luís Rodrigues barítono
Estudou no Conservatório Nacional e na Escola
Superior de Música de Lisboa. Em 1995 foi laureado
com o 1.º Prémio no II Concurso de Interpretação
do Estoril e ganhou, com o pianista David Santos, o
Prémio Jovens Músicos da RDP (Música de
Câmara). Em 1996 foi vencedor do 4.º Concurso de
Canto «Luísa Todi».
Intérprete de reconhecida versatilidade tem-se afirmado no domínio da
ópera em papéis como Schaunard (La Bohème), Masetto (Don Giovanni),
Conde Robinson (Il matrimonio segreto), St. Ignatius (Four Saints in Three
Acts), Harlekin (Ariadne auf Naxos), Ping (Turandot), Bustamante (La
Navarraise), Figaro (Il barbiere di Siviglia) e Guglielmo (Così fan tutte) no
Teatro Nacional de São Carlos; Mr. Gedge (Albert Herring) e Eduard
(Neues vom Tage) no Teatro Aberto; Semicúpio (Guerras do Alecrim e
Mangerona) no Acarte, Teatro da Trindade e Teatro Nacional D. Maria II
(Prémio Bordalo da Imprensa 2000 para Música Erudita); Marcello (La
Bohème) com o Círculo Portuense de Ópera e a Orquestra Nacional do
Porto no Coliseu desta cidade; Tom (The English Cat) com a Cornucópia e
a ONP no Rivoli e São Carlos; Papagueno (Die Zauberflöte) na Fundação
Calouste Gulbenkian, Giorgio Germont (La traviata) e o papel titular de Don
Giovanni com a Orquestra do Norte; Belcore (L’elisir d’amore) e Figaro (Il
barbiere di Siviglia) com a Eventos Ibéricos e a ON. Em Dezembro de 2005
interpretou o papel de Yoshio, na estreia em Portugal da ópera Hanjo
(Toshio Hosokawa), na Culturgest, em co-produção com o São Carlos.
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Joana Barrios actriz
Nascida em Beja a 28 de Outubro de 1985,
Joana Barrios é actriz formada pela Escola
Superior de Teatro e Cinema (antigo
Conservatório Nacional de Teatro) desde
Novembro de 2007.
Viveu em Barcelona, onde estagiou no Espai
de Moviment VARIUM, sob a tutela da
coreógrafa Anna Sánchez, e é pós-graduada
em Crítica de Cinema e Música Pop, pela Facultat Ramón Llull.
Emprestou a voz às versões portuguesas de filmes tais como Ant Bully,
Over the Hedge ou Alvin and the Chipmunks e foi a Diva em No Tempo do
Cinema, o documentário realizado por José Carlos Santos para a RTP
(Canal 2), sobre a vida e obra de João Bénard da Costa. Estreia-se
profissionalmente na produção de Das Märchen.
Anna Katharina Rusche actriz
Anna Katharina Rusche nasceu em Warstein na
Alemanha em 1981. Frequenta a RheinischeFriedrich-Wilhems-Universität em Bona onde
estuda Literatura Escandinava tendo, por isso,
residido um ano em Oslo, Noruega. Vive desde
Fevereiro 2007 em Lisboa, motivada pelo seu
interesse sobre a Língua e Literatura Portuguesa.
Tilo Wagner actor
Nasceu em 1976 em Mainz (Alemanha).
Frequentou cursos de teatro nos Estados
Unidos da América. Participou em várias
produções de teatro na Alemanha e nos
Estados Unidos, como por exemplo Faust de
Johann Wolfgang von Goethe, Comedy of
Errors de William Shakespeare ou o musical
Anything Goes de Cole Porter.
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Richard Jaeckle actor
Nascido em Nova Iorque, fez parte do grupo
teatral «The Mountebanks» durante os seus
estudos na Union University, onde também tirou
cursos de Arte Dramática. Ao longo da sua
carreira especializou-se em «Character Roles»
em produções dos Monte Carlo Players e Lisbon
Players. No Teatro Nacional de São Carlos
integrou os elencos de Street Scene (1995) e Abu Hassan, de Weber
(2002). Também no São Carlos, interpretou o papel de Mestre-decerimónias, em Ariadne auf Naxos, nas encenações de Jean-Claude Riber
e de Toni Servillo. Esta última produção foi também apresentada, com o
mesmo elenco, nos Teatros de Modena e Ferrara (Itália).
Giovanni Andreoli Maestro Titular do Coro
Estudou Piano, Composição e Direcção Coral e de Orquestra. Iniciou a sua
actividade na qualidade de maestro residente. Na qualidade de maestro de
coro colaborou na RAI de Milão, Arena de Verona, e Teatros La Fenice de
Veneza e Carlo Felice de Génova. Trabalhou com os maestros Delman,
Muti, Chailly, Barshai, Karabtchevsky, Arena, Santi, Campori, R. Abbado e
Renzetti. Na Biennale Musica de Veneza estreou mundialmente obras de
Guarnieri, De Pablo, Clementi e Manzoni.
Dirigiu os Carmina Burana e a Petite Messe solennelle (Coro e Orquestra
do La Fenice), repondo esta última no Teatro Municipal de São Paulo.
Seguiu-se «L’esperienza corale nel ‘900 italiano» (Dallapiccola, Rota e
Petrassi). De 1998 destacam-se: L’elisir d’amore em Rejkjavik; Missa da
Coroação (Mozart) e Missa n.º 9 (Haydn), em São Paulo; Via Crucis de
Liszt (Orvieto); Les Noces (Stravinski), no Festival de Granada; Otello
(Rossini), no Theater an der Wien; e a primeira audição moderna da Missa
Amabilis e Missa Dolorosa de Caldara (Orquestra e Coro do La Fenice). Em
1999 dirigiu Il barbiere di Siviglia (Teatro dei Vittoriale, Gardone-Riviera), La
traviata (Teatro Real de Copenhaga), Una cosa rara de Soler (Teatro
Goldoni, Veneza). Em 2000 dirigiu duas produções de La Bohème, uma no
Teatro Grande de Brescia com Giuseppe Sabbatini, e outra em Lanciano,
com a Orquestra Giovanile Internazionale. Gravou para a BMG Ricordi,
Fonit Cetra e Mondo Musica Munchen; Orfeo cantando... tolse (A.
Guarnieri) na RAI de Florença (1996); e os Carmina Burana com a
Companhia do Teatro La Fenice. Desde 1994 que é o responsável artístico
pela Temporada Lírica do Teatro Grande de Brescia.
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Criado em condições de efectividade em 1943, sob a direcção de Mario
Pellegrini, o Coro cumpre uma fase intensiva de assimilação do grande
repertório operístico e de oratória. Entre 1962 e 1975 colabora nas
temporadas da Companhia Portuguesa de Ópera, sediada no Teatro da
Trindade, deslocando-se com a mesma à Madeira, aos Açores, a Angola e
a Oviedo (1965), a convite do Teatro Campoamor, e obtém o Prémio de
Música Clássica conferido pela Casa da Imprensa. Participa em estreias
mundiais de autores portugueses, casos de Fernando Lopes Graça (D.
Duardos e Flérida) e António Victorino d’Almeida (Canto da Ocidental
Praia). Em 1980 é criado um primeiro núcleo coral a tempo inteiro, sendo a
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profissionalização do Coro consumada em 1983, sob a direcção de Antonio
Brainovitch. A plena afirmação artística do conjunto será creditada a Gianni
Beltrami, que assume a direcção em 1985 e beneficia de condições de
trabalho até então inéditas em Portugal. Nesta fase assinalam-se as
seguintes intervenções: Oedipus Rex (Stravinski); Ascensão e Queda da
Cidade de Mahagonny (Weill); Kiú (De Pablo); L’Enfant et les Sortilèges
(Ravel); e Dido and Aeneas (Purcell). Registe-se a participação em Grande
Messe des Morts (Berlioz), em Turim, a convite da RAI. Depois da morte de
Gianni Beltrami, João Paulo Santos assume a direcção, constituindo-se
como o primeiro português no cargo em toda a história do Teatro de São
Carlos. Sob a sua responsabilidade registam-se êxitos, tais como:
Mefistofele (Boito); Blimunda e Divara (Corghi); Sinfonia n.º 2 (Mahler), com
a Orquestra da Juventude das Comunidades Europeias; Die Schöpfung
(Haydn); Faust e Requiem (Schnittke); Perséphone e Le Rossignol
(Stravinski); Evgeni Onegin (Tchaikovski); Les Troyens (Berlioz); Missa
Glagolítica (Janácek); Tannhäuser e Die Meistersinger von Nürnberg
(Wagner); e Le Grand macabre (Ligeti). Com o Requiem de Verdi o Coro
desloca-se a Bruxelas, no quadro da Europália (1991). No âmbito da Expo98 actuou no concerto de encerramento.
O conjunto tem actuado sob a direcção de algumas das mais prestigiadas
batutas, tais como Antonino Votto, Tullio Serafin, Vittorio Gui, Carlo Maria
Giulini, Oliviero de Fabritiis, Otto Klemperer, Molinari-Pradelli, Franco
Ghione, Alberto Erede, Alberto Zedda, Georg Solti, Nello Santi, Nicola
Rescigno, Bruno Bartoletti, Heinrich Hollreiser, Richard Bonynge, García
Navarro, Wolfgang Rennert, Rafael Frühbeck de Burgos, Franco Ferraris,
James Conlon, Harry Christophers, Michel Plasson e Marc Minkowski, entre
outros. Também foi dirigido em óperas e concertos pelos mais importantes
maestros portugueses, com relevo especial para Pedro de Freitas Branco.
Remix Ensemble
Actual agrupamento de
música contemporânea da
Casa da Música, desde a
sua formação em 2000 já
apresentou em estreia
absoluta mais de 50 obras.
O eclectismo do seu
repertório estende-se em
incursões pela música cénica, acompanhamento de filmes, dança e jazz, a
par da promoção de numerosos workshops com compositores como
António Pinho Vargas, Brice Pauset, Emmanuel Nunes, Frédéric Durieux,
Heiner Goebbels, Iris ter Schiphorst, James Dillon, Keiko Harada, Luís
Tinoco, Magnus Lindberg, Mark-Anthony Turnage, Rolf Gupta, Rolf Wallin,
Bernhard Lang, Mário Laginha, Matthias Pintscher e Harrison Birtwistle. Até
ao presente, já dirigiram o Remix Ensemble os maestros Stefan Asbury,
Ilan Volkov, Kasper de Roo, Pierre-André Valade, Rolf Gupta, Peter Rundel,
Jonathan Stockhammer, Jurjen Hempel, Matthias Pintscher, Franck Ollu,
Reinbert de Leeuw, Diego Masson e Emilio Pomàrico, entre outros. No
plano internacional, o Remix Ensemble apresentou-se no Festival de
Valência e no encerramento das capitais europeias da Cultura em Roterdão
(2001), no Huddersfield Contemporary Music Festival (2003), no Festival
Musica de Estrasburgo (2004 e 2006) e no Teatro Odéon em Paris (2005)
onde apresentou a ópera de James Dillon, Philomela, no Auditório de La
Pedrera em Barcelona (2004 e 2006), numa residência artística no IRCAM,
nos Festivais Ars Musica (Bruxelas/Antuérpia, 2006), Musicadhoy em
Madrid, Festival de Outono de Budapeste e Théâtre des Bouffes du Nord
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em Paris (2006). A actuação do Ensemble em Philomela foi distinguida pela
crítica do Financial Times, que sublinhou que «o Porto tem no Remix
Ensemble um excelente agrupamento contemporâneo», enquanto Le
Monde de la Musique assinalava a "interpretação notável [...] do Remix
Ensemble". Em 2004 foi editado o primeiro CD duplo do Remix Ensemble,
com gravações ao vivo e em estúdio de obras de Pauset, Azguime, CôrteReal, Peixinho, Dillon, Staud e Nunes.
Em 2007, apresenta-se nos países nórdicos (Nordic Music Days, Suécia),
numa digressão em França com a ópera Medea de pascal Dusapin, em
Viena (Wien Modern) e leva a cabo uma retrospectiva da obra de
Emmanuel Nunes (Portrait Nunes) no Festival de Estrasburgo (Setembro) e
na Fundação Gulbenkian.
Bryan Ferneyhough, Helmut Lachenmann, António Pinho Vargas (gravação
de CD), Mauricio Sotelo e Emmanuel Nunes fazem parte dos compositores
que colaboram com o Remix Ensemble em 2007, sendo que ao longo deste
ano estão agendadas estreias de obras de Cândido Lima, Georges
Aperghis, Per Nørgård, Miguel Azguime, Nuno Côrte-Real, António Chagas
Rosa, Vasco Mendonça e Georg Friedrich Haas. Peter Rundel é o maestro
titular do Remix Ensemble.
Orquestra Sinfónica
Portuguesa
Criada em 1993 a
Orquestra
Sinfónica
Portuguesa (OSP) é um
dos corpos artísticos do
Teatro Nacional de São
Carlos e tem vindo a
desenvolver
uma
actividade sinfónica própria, incluindo uma programação regular de
concertos, participações em festivais de música nacionais e internacionais.
Tem colaborado regularmente com a Radiodifusão Portuguesa através da
transmissão dos seus concertos pela Antena 2 e da participação em
iniciativas da própria RDP, tais como Prémio Pedro de Freitas Branco para
Jovens Chefes de Orquestra, Prémio Jovens Músicos-RDP e Tribuna
Internacional de Jovens Intérpretes. No âmbito de outras colaborações
destaque-se também a sua presença nos seguintes acontecimentos: 8.º
Torneio Eurovisão de Jovens Músicos transmitido pela Eurovisão para
cerca de quinze países (1996); concerto de encerramento do 47.º Festival
Internacional de Música y Danza de Granada (1997); concerto de Gala de
Abertura da Feira do Livro de Frankfurt; concerto de encerramento da Expo
98; Festival de Música Contemporânea de Alicante (2000); e Festival de
Teatro Clásico de Mérida (2003).
A Orquestra tem actuado, no âmbito das temporadas líricas e sinfónicas,
sob a direcção de notáveis maestros, tais como Rafael Frühbeck de
Burgos, Alain Lombard, Nello Santi, Alberto Zedda, Harry Christophers,
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George Pehlivanian, Michel Plasson, Krzysztof Penderecki, Djansug
Kakhidze, Milán Horvat, Jeffrey Tate e Iuri Ahronovitch, entre outros.
A discografia da Orquestra conta com dois CD’s para a etiqueta Marco
Polo, com as Sinfonias n.º 1 e n.º 5, e n.º 3 e n.º 6, de Joly Braga Santos,
as quais gravou sob a direcção do seu primeiro maestro titular, Álvaro
Cassuto a quem se seguiu José Ramón Encinar (1999/2001) e Zoltán
Peskó (2001/2004) no mesmo cargo. Donato Renzetti desempenhou
funções de Primeiro Maestro Convidado até à Temporada de 2006/07.
L’Ircam
– Institut de recherche et
coordination
acoustique/musique
[Instituto de investigação e
coordenação
acústica/música]
www.ircam.fr
Fundado em 1970 por Pierre Boulez, o Ircam é um Instituto associado ao
Centre Pompidou dirigido por Frank Madlener desde Janeiro de 2006.
Actualmente é um dos mais importantes centros públicos de investigação
do mundo dedicado à pesquisa e à criação musical. Mais de 150
colaboradores contribuem para a actividade do Instituto (compositores,
investigadores, engenheiros, intérpretes, técnicos…).
O Ircam é um dos espaços de recepção principais da criação musical da
segunda parte do século XX e também um local de produção e de
residência para compositores internacionais. O Instituto propõe uma
temporada rica em encontros singulares através de uma política de
encomendas. São adquiridos inúmeros programas de artistas residentes
resultando também na criação de projectos pluridisciplinares (música,
dança, vídeo, teatro e cinema). Por fim, um importante festival anual,
AGORA, permite a apresentação destas criações ao público.
O Ircam é um centro de investigação na ponta das inovações científicas e
tecnológicas nos domínios da música e do som. Parceiro de múltiplas
universidades e empresas internacionais, as suas investigações cobrem um
alargado espectro: acústica, musicologia, ergonomia, cognição musical.
Estes trabalhos encontram aplicações noutros domínios artísticos tais como
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o audiovisual, artes plásticas ou o espectáculo ao vivo, assim como saídas
no mercado industrial (acústica das salas, instrumentos de audição, design
sonoro, engenharia de programação informática…).
O Ircam é um local de formação de informática musical. Os seus cursos
universitários e estágios realizados em colaboração com investigadores e
compositores internacionais constituem uma referência em matéria de
formação profissional. As suas actividades pedagógicas envolvem também
o grande público graças ao desenvolvimento de programas de informática
pedagógicos e interactivos nascidos de uma estreita cooperação com a
Educação Nacional e os seus conservatórios. O Ircam estabeleceu
finalmente uma colaboração nas formações universitárias com a
Universidade Paris VI para um Master.
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