VANÁDIO DE MARACÁS - Promon Engenharia

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VANÁDIO DE MARACÁS - Promon Engenharia
case
_projeto
VANÁDIO DE
MARACÁS
Como a Promon Engenharia contribuiu para
posicionar o Brasil no mapa mundial do vanádio
ao erguer para a canadense Largo Resources a
primeira mina do minério no País
Batizado em 1830 com o nome da mitológica
deusa Vanadis, a qual os antigos nórdicos acreditavam atrair fertilidade e prosperidade, o vanádio
é um minério nobre ao mesmo tempo leve, resistente e eclético. Para se ter uma ideia, basta adicionar pouco menos de um quilo de vanádio em
uma tonelada de aço para duplicar sua resistência.
Está presente em componentes do motor dos automóveis.
Nas ligas de titânio e alumínio
que formam a estrutura dos
aviões. Nos instrumentos cirúrgicos inoxidáveis. O grosso de seu
consumo, cada vez mais disseminado, é destinado ao aço empregado na construção civil. A China,
ao lado da África do Sul e da Rússia, está na lista
dos maiores produtores. O país asiático é também responsável pelo maior consumo do metal,
que dobrou desde 2006.
um capital de 169 bilhões de dólares. Além delas,
há outras 1.309 empresas listadas no mercado de
risco. Cerca de 390 operam na América Latina, com
50 delas no Brasil. “A mineração representa para
o Canadá o mesmo que as startups de tecnologia
representam para o Vale do Silício, na Califórnia”,
afirma Felipe Lima, diretor-presidente da Promon
Engenharia, uma empresa do Grupo Promon
“O PROJETO FOI CONSIDERADO O NEGÓCIO
DE MINERAÇÃO DE 2013 NA AMÉRICA
LATINA E PREMIADO PELA RESPEITADA
REVISTA EUROMONEY COM A LÁUREA
PROJECT FINANCE DEAL OF THE YEAR.”
No rastro das tragédias provocadas por terremotos que destruíram milhares de casas e edifícios, os chineses estabeleceram uma nova regulamentação, passando a exigir dos construtores
maior concentração de vanádio nos vergalhões.
Lastreados nesse fato e na crescente oferta de
produtos de aço com qualidade superior das siderúrgicas, os analistas preveem um crescimento
anual de 6% na produção mundial de vanádio. Até
maio de 2014, o Brasil, importador do minério, estava de fora de um mercado que movimenta cerca de 2,3 bilhões de dólares a cada ano. Era um
surpreendente paradoxo. Em 1979, geólogos da
Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) localizaram em Maracás, em pleno sertão do Estado,
uma mina que, como comprovariam os exaustivos
testes e análises conduzidos nos anos seguintes,
continha o mais elevado teor de vanádio já visto
no mundo. Em meados dos anos de 1980, após
as conclusões de um estudo de pré-viabilidade, a
CBPM formou com o Grupo Odebrecht uma joint-venture dando a partida em uma nova empresa, a
Vanádio de Maracás Ltda. Juntou-se posteriormente ao empreendimento a mineradora Caemi.
Foi em 2006 que uma companhia júnior de mineração, a canadense Largo Resources, adquiriu
90% da Vanádio, ao custo de 10 milhões de dólares. Trata-se de uma das 361 mineradoras com
ações negociadas na Bolsa de Toronto que somam
Projeto Vanádio de Maracás | Promon Engenharia
Ao se tornar controladora da nova empresa, a
Largo convocou uma consultoria canadense para
avaliar os dados do potencial da mina.
Naquela ocasião, Mark Brennan, então CEO da
Largo, disse em entrevista à agência Reuters que o
depósito de vanádio em Maracás era o mais rico e
de maior qualidade no mundo e que a expectativa
de sua empresa era ter o custo de produção mais
baixo do mundo.
Pela elevada concentração de vanádio da mina
Maracás Menchen, o dobro das encontradas em
minas da África do Sul, a Largo conseguiu atingir
sua expectativa: o custo de produção atual é o
mais baixo do mundo. Em março de 2015, mesmo
a produção não estando em sua capacidade plena,
o custo real de produção foi de US$ 3,91 por libra
peso de pentóxido de vanádio. Esse resultado colocou a Largo entre as produtoras de vanádio primário de menor custo do mundo.
Coube à Promon Engenharia conceber o projeto básico, em 2011, e, em seguida, materializar
a obra inédita, que passou a posicionar o Brasil
no mapa bilionário do vanádio. A Promon Engenharia detém um currículo histórico no setor de
mineração. Em 1969, ano em que a Apolo 11 pousou na Lua, a Promon conquistava um cliente que
viria a se tornar permanente, a Companhia Vale
do Rio Doce, hoje Vale, maior exportadora de minério de ferro no mundo, por meio do projeto da
Unidade de Concentração de Finos de Itabira. A
excelência de serviços nessa área também pode
ser comprovada pela implantação da Alunorte,
2
maior refinaria mundial de alumina. Em uma expansão conduzida em meados da década passada, a equipe da Promon deu a partida na planta
em recordistas 45 dias, a metade do prazo médio mundial. A parceria com a canadense Largo
Resources foi se firmando gradativamente ainda
durante a época do projeto básico. Para começar,
a Promon ofereceu ao cliente um Plano de Execução do Projeto, conhecido pela sigla PEP, o que
não é usual na fase inicial. Acompanhava o trabalho um vídeo em modelo 3D com a visualização
futurista da obra. A planta se estende em uma
área de 200 mil m² e é uma mescla de mineradora e indústria química. São vinte fases da extração
do minério de ferro na mina à obtenção do pentóxido de vanádio, matéria-prima para a produção de ferro-vanádio, material que compõe ligas
de aço e alumínio. Depois de passar pelo processo de britagem, o minério segue para a planta, na
qual é submetido à moagem, tratamento em um
forno rotativo e, em seguida, segue para o resfriador, do qual sai o pentóxido na forma de flocos.
A atuação da Promon Engenharia avançou
muito além dos aspectos técnicos. A companhia
apoiou a Largo na atração de investidores internacionais. “Em sessões de apresentação garantimos
que o projeto caminhava muito bem”, afirma Álvaro Bragança, diretor de negócios do segmento de
mineração da Promon. Também atuou junto aos
órgãos estaduais, auxiliando nas relações institucionais do cliente. Além disso, deu suporte na relação e estruturação do financiamento com os bancos traduzindo uma visão objetiva dos desafios e
riscos inerentes à implantação do projeto. “Uma
condição para que os bancos liberassem o crédito era a implantação de um EPCM confiável”, diz
Gabriela Figueiredo Denadai, superintendente do
Itaú, ao se referir à sigla que, no léxico da engenharia, compreende o desenvolvimento do projeto e a
aquisição de equipamentos e materiais, além do
gerenciamento das empresas contratadas.
Embora houvesse outras opções de orçamentos para o EPCM, a balança pendeu a favor da Promon. “Pelo seu renome e pela reputação de qualidade de serviços, os bancos foram enfáticos na
escolha da Promon Engenharia”, acrescenta Gabriela. Não fora a primeira vez, segundo ela, em
que a Promon fora recomendada a um cliente pelo
Itaú BBA. O financiamento de longo prazo, que somou R$ 333 milhões, foi contratado junto ao Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES)
Projeto Vanádio de Maracás | Promon Engenharia
com a participação dos bancos Bradesco e Votorantim, além do Itaú BBA, que liderou a operação.
As três instituições foram as responsáveis por fornecer garantia bancária ao BNDES. Segundo Kurt
Menchen, presidente de operações da Largo no
Brasil, o projeto consumiu no total R$ 550 milhões
e deverá atingir seu ponto de equilíbrio em menos
de três anos. “É muito robusto”, afirma Menchen.
Estimada em 7.850 toneladas de pentóxido de vanádio para 2015 e de 9.400 toneladas para 2016, a
produção será toda vendida à suíça Glencore, gigante do setor de commodities, nos próximos seis
anos e destinada a polos siderúrgicos no Canadá,
Estados Unidos, Alemanha, China, Japão e Índia.
O caso não se encerra neste ponto. O projeto
foi considerado o negócio de mineração de 2013
na América Latina e premiado pela respeitada
revista Euromoney com a láurea Project Finance
Deal of The Year.
De acordo com Gabriela, a premiação decorreu de uma inovadora característica da operação:
trata-se de um dos primeiros empreendimentos
greenfield no Brasil sem a apresentação de garantias pelos acionistas ou donos do projeto. “Isso
ocorreu em um setor, o de mineração, sujeito a
variações de preços e em momento difícil para o
mercado”, afirma. Da década de 1990 até meados
de 2000 havia excesso de vanádio e os preços oscilavam para baixo. Desde então foram valorizados.
Aspectos de sustentabilidade socioambiental
também contribuíram para a premiação. Foi a
Brandt, uma das empresas que compõem a Promon Meio Ambiente, a responsável, em 2006, pela
consultoria global para o licenciamento ambiental,
o que incluiu a elaboração do inventário de gases
de efeito estufa. Na fase de execução da obra, a
Brandt também atuou em parte das soluções de
redução de impactos ambientais. “Temos investido
fortemente no desenvolvimento de negócios com
a visão integrada de engenharia e meio ambiente”, afirma Álvaro Bragança. “Além da otimização
de custos, da obrigatória aderência à legislação
ambiental e dos ganhos de eficiência energética,
evita-se eventual retrabalho na fase de implementação e abrem-se possibilidades de geração de
valor pela utilização de subprodutos decorrentes
do processo produtivo.” No caso da mina Maracás Menchen, isso possibilitará a venda de rejeitos
de ferro. No que diz respeito à responsabilidade
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social, destacou-se o fato de que a Promon apresentou sem que o cliente solicitasse, ainda na fase
de projeto, um aprofundado mapeamento das características sociais do município de Maracás, com
24 mil habitantes, sugerindo projetos e iniciativas.
Uma destas sugestões, coordenada pela Promon
em outro projeto em Araucária (PR) e tida como
modelar pelo poder público, foi acolhida pela Largo. Trata-se de um movimento em prol da qualidade da educação, executado em Maracás por meio
de um contrato com uma ONG. Conhecida como a
“cidade das flores”, Maracás está situada a uma altitude de mil metros, o que proporciona uma temperatura alpina, que pode chegar a 8º C à noite. Já
na caatinga, onde se situa a mina de vanádio, no
verão chega a atingir 45º C.
A construção da planta mobilizou 130 profissionais da Promon Engenharia. “Logo no início constatamos que os arquivos de suporte ao projeto da
Promon eram realmente extraordinários somados
à competência de seus engenheiros, o que nos
deu bastante segurança na fase da engenharia”,
afirma Kurt Menchen, presidente de operações
da Largo no Brasil. “Houve um aprendizado mútuo entre as duas equipes”, completa Menchen.
Um dos principais desafios localizou-se na logística de transporte, coordenada pela Promon, o que
exigiu um esforço de sincronização. Três fornecedores internacionais produziram 5 mil toneladas
de equipamentos mecânicos. “Sucede que foram
embarcados em diferentes portos, da Alemanha
à Índia”, diz Osmundo Oliveira, gerente de projeto
da Promon. “Somente um dos pacotes exigiu 26
diferentes embarques.” Coube à Promon coordenar embarques de peças de subfornecedores em
nove diferentes geografias. Em outubro de 2013,
por exemplo, chegaram ao Brasil peças vitais para
a montagem do forno procedentes de Tianjin,
na China, descarregadas no porto de Salvador e
transportadas em seguida para Maracás. Devido à
importância delas, o movimento foi acompanhado por equipes da Promon e do próprio cliente.
Além disso, equipamentos foram enquadrados no
regime chamado “ex-tarifário”, que consiste em
isenção da alíquota do imposto de importação se
não houver similar nacional. Isso proporcionou
ao cliente vantajosa economia. A Promon então
propôs à Receita Federal que a auditoria fosse
realizada no local da montagem. “O trabalho realizado pela Promon foi surpreendente”, comenta
Gabriela, superintendente do Itaú. “O projeto saiu
Projeto Vanádio de Maracás | Promon Engenharia
no custo orçado e, se não fosse pelo atraso não
previsto de um fornecedor de renome internacional, o cronograma teria sido um reloginho.” De
acordo com Álvaro Brangança, para garantir que
o orçamento se mantivesse em linha, a empresa
atuou no sentido de evitar pleitos adicionais das
15 empreiteiras subcontratadas, reunindo cerca
de 2.500 trabalhadores. “Também introduzimos
um controle semanal do CapEx para avaliar tanto os custos quanto a questão do prazo”, afirma
Bragança. É importante ressaltar que a empresa
conduziu os trabalhos seguindo a metodologia conhecida como brownpaper, em que todas as disci-
“A ATUAÇÃO DA PROMON
ENGENHARIA AVANÇOU MUITO
ALÉM DOS ASPECTOS TÉCNICOS.“
plinas envolvidas no projeto planejam todas as fases com o objetivo de controlar os pontos críticos.
Para Felipe Lima, diretor-presidente da Promon
Engenharia, o projeto Vanádio de Maracás simboliza uma maneira de atuação muito característica
da companhia. “Nosso grande diferencial competitivo é a habilidade de agregar valor ao longo da
cadeia de desenvolvimento de um projeto, desde
sua origem até à implementação”, diz. “Arriscaria-me a dizer que poucas empresas teriam a habilidade de prover soluções ao longo de toda a cadeia
como comprovam nossas histórias de sucesso.”
Inaugurada em maio de 2014, a planta, que
completa um ano de atividade agora em maio,
deverá suprir 7,5% da oferta mundial de pentóxido de vanádio em seu primeiro ano de operação,
mas, com expansões já planejadas para os próximos anos, poderá abastecer até 40% do mercado
mundial. A mina tem alcançado recordes de produção. Em março de 2015, a produção de um único dia totalizou 21 toneladas de pentóxido de vanádio, o que representa, aproximadamente, 81%
da primeira fase do projeto. Segundo projeções, a
mina possui vida útil de até três décadas e produz
a céu aberto, em regime de 24 horas, 7 dias por
semana, o que deverá gerar uma receita anual de
US$ 120 milhões a partir de 2015.
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Nome do projeto: Planta de Vanádio de Maracás
– Primeira do Brasil e das Américas
Cliente: Largo Resources - empresa júnior canadense, com ações negociadas na TSX Venture Exchange de Toronto
Produto - Pentóxido de vanádio
Aplicação/utilização: produção de ferro-vanádio
que compõe ligas de aço e alumínio. Presente em
componentes do motor dos automóveis, nas ligas
de titânio e alumínio que formam a estrutura dos
aviões, nos instrumentos cirúrgicos inoxidáveis e
no aço empregado na construção civil.
Datas importantes:
Licenciamento ambiental: 2006 com a consultoria global relativa ao licenciamento ambiental pela
Brandt Meio Ambiente
FICHA TÉCNICA DO
EMPREENDIMENTO
Projeto Básico: 2011 (elaboração do projeto básico)
Implantação da unidade: 2012/2014
Inauguração da Planta: maio/2014
Ramp-up do projeto: julho de 2014
Premiações: Project Finance Deal of The Year, concedido pela revista Euromoney por ser um dos primeiros empreendimentos greenfield no Brasil sem
a apresentação de garantias pelos acionistas ou
donos do projeto.
Modalidade do contrato: EPCM – Engineering,
Procurement and Construction Management
Serviços desenvolvidos: consultoria global relativa ao licenciamento ambiental; projeto básico,
projeto de detalhamento, serviços de suprimentos, diligenciamento, inspeção e gerenciamento da
obra e apoio ao comissionamento na implantação
da planta.
Equipe Promon: 130 profissionais
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Principais Quantitativos do Escopo
Capacidade da planta (Pentóxido de Vanádio)
Número de fluxogramas de engenharia (processos)
Número de linhas (processos)
Número de processos de compra
Número de pacotes de contratação
Número de documentos de civil
Área da implantação (industrial)
Escavação
Terraplanagem (volume movimentado)
Reaterro
Concreto - tipo magro
Concreto - tipo estrutural
Concreto - tipo fundação
Armadura
Formas
Bota-fora
Arruamento
Estrutura metálica
Pintura
Número total de equipamentos mecânicos e de calderaria
(não notáveis)
Número de equipamentos mecânicos e de calderaria por
tipo (notáveis ou PEC)
Equipamentos mecânicos (rotativos, de transporte e
específicos) (não notáveis)
Dutos de VAC
Refratários
Isolamento de Equipamentos
Dutos
Tubulação total
Diâmetro médio da tubulação total
Tubulação Aço Carbono
Tubulação Aço Carbono (diâmetro médio)
Tubulação Aço Inox
Tubulação Aço Inox (diâmetro médio)
Tubulação Outros materiais
Tubulação Outros materiais (diâmetro médio)
Suporte
Isolamento de Tubulação
Número de equipamentos elétricos
Cabos de elétrica
Suportes
Linha de transmissão
Número de equipamentos de instrumentação e
Controle
Número de instrumentos- escopo
Número de instrumentos - total de pacotes
Número de válvulas de controle
Número de malhas
Suportes
Cabos de instrumentação
Unid. Ref.
ton/ano
m2
m3
m3
m3
m3
m3
m3
ton
m2
m3
m2
ton
m2
-
Projetado Final
(Realizado)
9,634
40
720
161
154
754
127,133
167,532
1,259,680
8,808
990
4,712
4,060
102,000
117,596
133,034
35,621
1,289
34,346
201
-
3,071
ton
kg
kg
m2
ton
ton
polegada
ton
polegada
ton
polegada
ton
polegada
ton
m2
m
ton
km
m
346
7,570
835,000
2,609
320
155
3
148
3
7
2
2
8
44
1,104
92
259,975
31
89
55
460
1,354
229
900
3
73,040
Projeto Vanádio de Maracás | Promon Engenharia
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