catálogo - recursos naturais catalogue

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catálogo - recursos naturais catalogue
A vida frente
à exploração
dos recursos
naturais
DÉLCIO RODRIGUES
recursos
naturais
natural
resources
108
Por qualquer medida que se use, seja
gastos domésticos, número de consumidores ou extração de matérias-primas e recursos naturais, o consumo de
bens e serviços tem aumentado constantemente nos países industrializados e está crescendo rapidamente em
muitos países em desenvolvimento.
Mostra Contemporânea Internacional > recursos naturais | International Contemporary Program > natural resources
Conflito Interno The Shore Break
Os mais de 2 bilhões de pessoas que formam globalmente a “classe de consumidores” assumiram um estilo
de vida que se tornou comum na América do Norte, na Eu109
DÉLCIO RODRIGUES
By any measurement — domestic expenditures, number of consumers or the extraction of raw
materials and natural resources —,
the consumption of goods and services is increasing constantly in industrialized countries and has been
growing fast in many developing
countries. The more than two billion people that globally compose
the “consumer class” assumed a life
style that became common in North
America, Europe and Japan and,
in the 20th century, disseminated
among many social groups of various countries, which have been globalizing in the 21st century.
Even for this global class of “privileged” consumers, this lifestyle poses very high costs: obesity; the time
used and the high level of stress associated with the amount of work
that needs to be done to satisfy
such high levels of consumption;
the time used cleaning, updating,
storing or keeping possessions; the
substitution of time with the family and friends for consumption. For
societies, the economic system that
made a high level of consumption
possible — for some —, produces
many problems, such as inequality,
crime, depression, diseases linked to
air, water and soil pollution, as well
as many other social diseases. The
films of the 5th Ecofalante Film Fes110
ropa, no Japão e em diversos grupos sociais
de vários países do mundo no século XX e
que vem se globalizando no século XXI.
Mesmo para a classe global de consumidores “afortunados”, este estilo de vida
impinge altos custos pessoais: a obesidade, o gasto de tempo e o nível elevado de
estresse associado ao trabalho necessário
para satisfazer o alto consumo; o tempo
gasto para limpar, atualizar, armazenar
ou manter suas posses, as formas pelas
quais o consumo substitui o convívio com
a família e os amigos, etc. Para as sociedades, o sistema econômico que possibilitou - para alguns - um nível elevado de
consumo, apresenta várias mazelas como
a desigualdade, o crime, a depressão, as
doenças associadas à poluição do ar, das
águas e dos solos e várias outras doenças
sociais. Os filmes da 5a Mostra Ecofalante
que falam sobre a exploração dos recursos
naturais têm em comum a abordagem de
algumas das mazelas vividas por aqueles
que participam diretamente da exploração da natureza para a manutenção dos
elevados níveis globais de consumo.
No documentário Conflito Interno
(África do Sul, 2014), a discórdia entre habitantes de uma comunidade tradicional
da Wild Coast da África do Sul é provocada
pelos interesses associados a uma mineradora australiana e a um governo desenvolvimentista. A empresa quer explorar as
reservas de titânio existentes nas terras da
comunidade por meio de um projeto que
envolve a construção de uma estrada que
Colheita Negra Black Harvest
supostamente facilitaria o acesso a hospitais e outras facilidades, enriquecendo
a todos. Porém, poucos moradores mostram-se dispostos a engolir as promessas
por recearem perder suas terras e seu
modo de vida, além das suspeitas provocadas pelo grupo favorável ao projeto, visto
como “os bandidos da vila”.
Terra Branca (EUA, 2014) nos faz vislumbrar, através do olhar infantil, o que
é a vida das famílias de trabalhadores no
centro da exploração das reservas de óleo
e gás de folhelho que se estende pelos estados norte-americanos da Dakota do Norte e Montana, além de parte do Canadá.
Desde 2006, a produção de petróleo e gás
natural naquela região teve tal crescimento que alterou a geopolítica do petróleo e
tival that speak of the exploration
of natural resources all address the
problems of those directly exploring
nature to maintain the current elevated global levels of consumption.
The Shore Break (South Africa,
2014) is a documentary about the
discord between the dwellers of a
traditional community at the Wild
Coast of South Africa caused by
the interests of an Australian mining company and a developmental
government. The company wants to
explore the titanium reserves in the
land of the community in a project
that involves the construction of a
road that would supposedly facilitate their access to hospitals and
other facilities, making everyone
wealthier. However, few of them
buy their promises, fearing that they
Mostra Contemporânea Internacional > recursos naturais | International Contemporary Program > natural resources
Life and the
exploration of
natural resources
111
112
as emissões de gases de efeito estufa dos
EUA. A promessa de emprego levou milhares de homens, mulheres e crianças para
lá, gerando uma especulação imobiliária
capaz de elevar os aluguéis aos níveis mais
altos dos EUA e dando origem ao fenômeno dos homens-acampamento, que vivem
em trailers e casas improvisadas para os
trabalhadores temporários da indústria.
Colheita Negra (Luxemburgo, 2015)
apresenta uma outra faceta da vida na
Dakota do Norte nestes tempos de boom
da exploração do gás e do óleo de folhelho. Dois “caubóis” envelhecidos, com histórias de vida opostas, vivem suas perdas.
Um, nascido na região, vive a perda de seu
modo de vida tradicional e sente-se invadido por monstros metálicos. Outro, recém-chegado com seu cão, a bordo de um
velho Subaru, atrás de emprego e de uma
vida melhor, sente saudades da vida e da
filha que precisou deixar para trás, a centenas de quilômetros de distância. O futuro
de ambos é incerto.
Depois do Desastre (EUA, 2015) mostra
que o furacão Katrina, que devastou a costa da Louisiana, EUA, há mais de 10 anos, e
a explosão, cinco anos mais tarde, da plataforma de exploração marítima de petróleo Deepwater Horizon, de propriedade da
BP (British Betroleum), responsável pelo
derramamento de mais de 200 milhões de
litros de petróleo no Golfo do México, não
são hoje os piores problemas enfrentados
pela costa do estado. Acontece que a área
está desaparecendo rapidamente, tan-
Terra Branca White Earth
to tragada pela elevação do nível do mar,
quanto perdida pelos canais construídos
para a exploração de gás natural e petróleo. Além de acompanhar a batalha dos
que tiveram familiares mortos e modos de
vida destruídos pelo acidente com a plataforma, o documentário mostra ainda o
paradoxo provocado pelas atividades das
petroleiras que ameaçam seus próprios
ativos ao destruir grande parte da costa da
Luisiana para facilitar suas atividades.
Muitas outras histórias como estas
serão vividas se continuarmos buscando
estender o nível de consumo dos abastados globais a toda a humanidade, já que,
assim, será inevitável uma exploração ainda maior de recursos naturais. Parece ser o
caso de abandonarmos esta economia ba-
devastated the coast of Louisiana,
USA, more than 10 years ago) and
the explosion, five years later, of
Deepwater Horizon (British Petroleum’s maritime oil-drilling platform,
which spilled more than 200 million
liters of oil in the Gulf of Mexico) are
not the worse problems faced by the
coast of the State. It just so happens
that it is quickly disappearing, being
swallowed by the rising sea and by
the canals built for the exploration of
natural gas and oil. The documentary not only follows the battle of those
who had family members killed and
ways of life destroyed by the accident
with the platform, but also shows
the paradox of oil companies, which
threaten their own assets by destroying a large part of the Louisiana
coast to facilitate their activities.
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could lose their land and their way
of living. They also suspect it because the group that is favorable to
the project is considered the “bandits of the village.”
White Earth (USA, 2014) gives us
a glimpse — through the eyes of a
child — of the life of the families of
those working with the exploration
of shale oil and gas, which includes
the American states of North Dakota and Montana, as well as part of
Canada. Since 2006, the oil and natural gas production in that region
grew so much that it altered the
geopolitics of oil and the profile of
USA greenhouse gas emissions. The
promise of a job drove thousands
of men, women and children there,
producing a level of real estate speculation that put rent there among
the highest of the USA, giving rise
to the “man camps,” the trailers and
improvised homes for the industry’s
temporary workers.
Black Harvest (Luxembourg,
2015) shows another face of the life
in North Dakota during the latest
shale oil and gas boom. Two aged
“cowboys,” with opposite lives, experience their losses. One of them
was born in the region, is losing his
traditional way of life and feels as if
the land is being invaded by metallic
monsters. The other arrived recently
with his dog in an old Subaru chasing
a job and a better life, but misses the
life and the daughter he had to leave
behind, hundreds of kilometers away.
Both their futures are uncertain.
After the Spill (USA, 2015) shows
that, today, Hurricane Katrina (which
113
mass consumption. Besides seeking
a new balance between excess consumption and exclusion, these options emphasize the supply of public
goods and services and information
technology services, instead of consumer goods, focusing on consumer
goods with high levels of recycled
content and on the creation of genuine choices for citizens.
However, the governments must
also strengthen — not flexibilize —
the regulation and the control of
the exploration of natural resources
and find ways to calculate and incorporate the so-called environmental and social “externalities” to the
price of these resources.
Depois do Desastre After the Spill
Many other stories like that will
take place if we continue to try to
extend the level of consumption of
the global privileged to the entire
humankind, since, therefore, further exploring natural resources will
be inevitable. It seems that it is the
case of abandoning this economy
based on the desire for an undefined
accumulation of goods and seeking,
instead, a better quality of life for
all, with minimum social and environmental damage.
Part of this work has been developed by consumer organizations
and a few economists and environmentalists, who have been suggesting creative options for meeting
people’s needs while, at the same
time, compensating social and environmental costs associated with
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seada no desejo de acumulação indefinida
de bens e buscarmos, ao invés disso, uma
melhor qualidade de vida para todos, com
dano social e ambiental mínimo.
Parte deste trabalho tem sido desenvolvido por organizações de defesa dos
consumidores e por alguns economistas e
ambientalistas, que têm proposto opções
criativas de atendimento às necessidades
das pessoas que, ao mesmo tempo, buscam amortecer os custos sociais e ambientais associados ao consumo de massa.
Além de buscarem um novo equilíbrio entre excesso de consumo e exclusão, estas
opções colocam uma maior ênfase na oferta de bens e serviços públicos e serviços de
tecnologia de informação ao invés de bens
de consumo, focando em bens de consu-
DÉLCIO RODRIGUES é físico, ambientalista e empresário. Foi um dos responsáveis por trazer o Greenpeace para o Brasil e diretor de campanhas da organização por vários anos. Foi assessor da Secretaria
Executiva do Ministério do Meio Ambiente, Global
Team Leader do Greenpeace Internacional, Coordenador do Instituto Akatu pelo Consumo Responsável, Analista de Planejamento Energético e Relações
com Meio Ambiente da Jaakko Poyre e CESP, além
de pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Realizou vários trabalhos nas áreas
de redução das emissões de gases de efeito estufa,
energia solar, poluição do ar, conservação da biodiversidade e revitalização de áreas contaminadas no
Brasil, em vários países latinoamericanos e na Índia.
DÉLCIO RODRIGUES is a physicist, environmentalist and entrepreneur. He was one of the
people responsible for bringing Greenpeace to
Brazil and directed many of the organization’s
campaigns for many years. He was an advisor
to the Executive Secretariat of the Ministry
of the Environment, a Global Team Leader of
Greenpeace International, Coordinator of the
Akatu Institute for Responsible Consumption,
Analyst of Energy Planning and Environmental Relations of Jaakko Poyre and CESP, as well
as a researcher of the São Paulo University Institute of Physics. He conducted many studies
on the reduction of greenhouse gases, solar
energy, air pollution, the conservation of biodiversity and the revitalization of contaminated
areas in Brazil, in many Latin American countries and in India.
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mo com altos níveis de conteúdo reciclado
e na criação de possibilidades de escolha
genuínas pelos cidadãos.
Contudo, é necessário também que
os governos reforcem - e não flexibilizem
- o licenciamento e o controle das atividades de exploração de recursos naturais
e encontrem mecanismos de cálculo e
incorporação das chamadas “externalidades” ambientais e sociais aos preços
destes recursos.
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Conflito Interno
Black Harvest
The Shore Break
LUXEMBURGO, 2015, 83’
ÁFRICA DO SUL, 2014, 90’
A Dakota do Norte tem passado
por um boom de extração de
petróleo nos últimos dez anos
devido à nova tecnologia de
fracking, ou fraturamento
hidráulico, o que trouxe mudanças drásticas, tanto individuais
quanto sociais. Os moradores
locais veem seu modo de vida
desaparecendo, enquanto os recém-chegados somam-se a essa
já superlotada região em busca
de trabalho e melhor qualidade
de vida. O futuro é incerto para
John Heiser, um antigo morador
e testemunha desgostosa dessa
“corrida do ouro” dos tempos
modernos, e para Doug Wenner,
atingido pela crise econômica,
e que talvez encontre aqui
uma inesperada ocasião para a
redenção.
116
With the new hydraulic fracking, North Dakota has been
undergoing an unprecedented
oil boom for the last ten years,
which has led to drastic changes,
both individual and social. The
local “homesteaders” watch their
traditional way of life fade away,
whereas newcomers arrive in
this overcrowded area searching
for jobs and a better way of life.
The future is uncertain for John
Heiser, the unwitting witness of
this “gold rush” of modern times,
and for Doug Wenner, hit by the
economic crisis, who may find
here a unexpected occasion for
redemption.
DIREÇÃO DIRECTOR
Jean-Louis Schuller
e Sean Clark
PRODUÇÃO PRODUCER
Raoul Nadalet
ROTEIRO WRITER
Jean-Louis Schuller
e Sean Clark
FOTOGRAFIA
CINEMATOGRAPHER
Jean-Louis Schuller
EDIÇÃO EDITOR
Sam Blair
CONTATO CONTACT
[email protected]
No território de Amadiba, na
deslumbrante costa da África
do Sul, o povo Pondo mantém
seu modo de vida tradicional
há séculos. Lá, Nonhle, uma
jovem guia turística, tem lutado
para preservar sua cultura. Seu
primo Madiba, no entanto, um
empreendedor local e modernizador autoproclamado, tem
dado total apoio a uma proposta
de mineração de titânio e ao
controverso plano governamental de construir uma estrada,
com cobrança de pedágio, que
atravesse o território dos Pondo.
Enquanto o presidente da África
do Sul depõe a família real Pondo, que é pró-meio-ambiente,
Nonhle tenta organizar seu povo
contando apenas com a própria
obstinada determinação.
In the Amadiba area, on South
Africa’s stunning Wild Coast,
the Pondo people have tended
their traditional way of life for
centuries. Nonhle, a young local
eco-tour guide, is fighting to preserve their culture. But her cousin
Madiba, a local entrepreneur
and self-proclaimed moderniser,
is fully supportive of a titanium-mining proposal and the
government’s controversial plan
to build a tolled highway across
their land. While the South
African President deposes the
pro-environment Pondo Royal
Family, Nonhle rallies inspiring
support with little more than
dogged determination.
DIREÇÃO DIRECTOR
Ryley Grunenwald
PRODUÇÃO PRODUCER
Odette Geldenhuys
e Ryley Grunenwald
FOTOGRAFIA
CINEMATOGRAPHER
Mostra Contemporânea Internacional > recursos naturais | International Contemporary Program > natural resources
Colheita Negra
Ryley Grunenwald
EDIÇÃO EDITOR
Kerryn Assaizsky
CONTATO CONTACT
[email protected]
117
Terra Branca
After the Spill
White Earth
EUA, 2015, 62’
EUA, 2014, 19’
O furacão Katrina provocou
consequências devastadoras na
costa de Louisiana. O desastre
do Golfo do México, o pior
desastre ecológico da história
estadunidense, acelerou as
perdas e teve um impacto
duradouro. Estas sequer são
as piores ameaças à costa da
Louisiana, mas sim o fato de o
próprio estado estar rapidamente desaparecendo.
118
Hurricane Katrina was devastating for Louisiana’s coastline. The
BP disaster, the worst ecological
mess in North American history,
accelerated that land loss and
had long-lasting impact. But
those aren’t the worst things
facing Louisiana’s coastline.
It is that the state itself is fast
disappearing.
DIREÇÃO DIRECTOR
Jon Bowermaster
ROTEIRO WRITER
Jon Bowermaster
e Chris Cavanagh
FOTOGRAFIA
CINEMATOGRAPHER
Brian C. Miller
Richard
EDIÇÃO EDITOR
Chris Cavanagh
CONTATO CONTACT
[email protected]
oceans8films.com
Com um terrível inverno da
Dakota do Norte como pano de
fundo, o filme é um conto sobre
o boom de petróleo que tem
atraído para essa região milhares de estadunidenses em busca
de trabalho. Contado através da
perspectiva de três crianças e
uma mãe imigrante cujas vidas
foram influenciadas pelo boom
petroleiro, as histórias se entrelaçam e mergulham em temas
como inocência, lar e o sonho
americano.
Set against the backdrop of a
cruel North Dakota winter, the
film is a tale of an oil boom that
has drawn thousands to America’s Northern Plains in search of
work. Told from the perspective
of three children and an immigrant mother whose lives are
touched by the oil boom, each
story intertwines with the others,
exploring themes of innocence,
home, and the American Dream.
DIREÇÃO DIRECTOR
J. Christian Jensen
PRODUÇÃO PRODUCER
J. Christian Jensen
FOTOGRAFIA
CINEMATOGRAPHER
Mostra Contemporânea Internacional > recursos naturais | International Contemporary Program > natural resources
Depois do Desastre
J. Christian Jensen
EDIÇÃO EDITOR
J. Christian Jensen
CONTATO CONTACT
[email protected]
whiteearthmovie.
com
119

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