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Uma proposta de didática no ensino da Contabilidade Ambiental – avaliação segundo a
percepção dos alunos
Ana Larissa Alencar Santana (Centro Universitário Moura Lacerda), [email protected]
Maria Elisabeth Moreira Carvalho Andrade (UFU), [email protected],
Ricardo Rocha de Azevedo (Governança Brasil), [email protected],
Benedito Tadeu Pierri Junior (Centro Universitário Moura Lacerda),
[email protected]
RESUMO
A necessidade de se estimular os alunos de contabilidade como agentes ativos no processo de
aprendizagem faz surgir a busca por novos métodos de ensino, ou a atualização dos métodos
já utilizados à realidade atual que exige a participação ativa desses agentes. O ensino da
contabilidade ambiental, se comparado com outras disciplinas do curso de Ciências
Contábeis, é relativamente novo. O objetivo desta pesquisa é propor uma metodologia para o
ensino da Contabilidade Ambiental, utilizando os mais variados recursos didáticos desde a
tradicional aula expositiva no quadro à utilização de recursos audiovisuais. Para tanto foi
realizada uma pesquisa ao final dos semestres 2010.1 e 2010.2 com os alunos da disciplina de
Contabilidade Ambiental do curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário Moura
Lacerda na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo, totalizando 49 alunos. A coleta de dados se
deu por meio de um questionário aplicado em sala de aula no final do semestre. Os dados
foram analisados por meio da análise fatorial que foi realizada com a utilização do software
IBM SPSS Statistics 19®. Os resultados encontrados na análise fatorial apresentaram três
fatores, que foram denominados como: “Métodos de Fixação do Conteúdo”, “Utilização de
Filmes de Abordagem Indireta sobre a Contabilidade Ambiental” e “Métodos de Interação”.
A pesquisa concluiu que a utilização de vários métodos de ensino em uma mesma disciplina
torna as aulas mais dinâmicas e despertam um maior interesse nos alunos.
1 INTRODUÇÃO
Com a globalização dos mercados, as organizações estão se internacionalizando,
demandando que os profissionais também se aprimorem e diversifiquem conhecimentos para
atuarem nas mais diversificadas áreas. Neste contexto a universidade não pode se omitir, ela
tem contribuir para a formação do profissional que o mercado está necessitando.
A universidade é o local adequado para a construção de conhecimento, para a
formação de competência humana e para isso é preciso inovar, criar e criticar (MARION e
MARION, 2005). O ensino da contabilidade não foge a essa regra, principalmente porque o
seu objeto de estudo é o patrimônio das entidades, seus fenômenos e suas variações.
Segundo Kraemer (2005), o grande desafio da educação contábil é adequar seus
aprendizes à demanda da realidade econômica com responsabilidade e competência. Para
tanto, o professor deve estar sempre atualizado e buscar metodologias de ensino facilitando o
processo ensino aprendizagem, não se esquecendo também que ele é formador de opinião.
Uma das disciplinas que passou a fazer parte da grade de disciplinas do curso de
Ciências Contábeis no Brasil é a Contabilidade Ambiental, que conforme Kraemer e Tinoco
(2008) só passou a ter status de novo ramo da ciência contábil em fevereiro de 1998, com a
finalização do Relatório financeiro e contábil sobre passivo e custos ambientais pelo Grupo de
Trabalho Intergovernamental das Nações Unidas formado por especialistas em padrões
Internacionais de Contabilidade e Relatórios. Percebe-se, assim, que o ensino da
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Contabilidade Ambiental se comparado com de outras que compõem o quadro de disciplinas
dos cursos de graduação em Ciências Contábeis é relativamente novo.
O objetivo desta pesquisa é propor uma metodologia para o ensino da Contabilidade
Ambiental, utilizando os mais variados recursos didáticos desde a tradicional aula expositiva
no quadro à utilização de recursos tecnológicos como os audiovisuais.
2 CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA
Segundo Bordenave e Pereira (2007) o processo de ensino é um processo pragmático,
isto é, um mecanismo pelo qual se pretende alcançar certos objetivos e para isso se mobilizam
meios, organizando-se em uma estratégia seqüencial e combinatória. Consiste em planejar,
orientar e controlar a aprendizagem do aluno, e é a partir de então que surgem as diversas
teorias e orientações pedagógicas, cada qual propondo uma maneira diferente de planejar,
orientar e controlar a aprendizagem, isto é, um modo diferente de ensinar.
Kraemer (2005) afirma que o ensino deve, além de propiciar o aprendizado da
Contabilidade, quer a nível teórico, quer a nível prático, preparar o profissional para enfrentar
a realidade, através do desenvolvimento de aptidões humanas, tais como criatividade,
flexibilidade, capacidade de relacionar-se, trabalhar em equipe, dentre outras.
A metodologia tradicional trata o aluno com o agente passivo e o torna um mecânicoprático da Contabilidade, sendo treinado para atender a legislação vigente. Este aluno não
desenvolve pensamento crítico e tem dificuldades para encontrar soluções para situações
novas que surgem diariamente. Neste contexto o docente não é um educador e sim um
treinador (MARION e MARION, 2005).
A tendência moderna é tornar o aluno ser agente ativo no processo ensino
aprendizagem. Conforme Sauaia (2008, p. 3) os professores cansados das aulas expositivas,
onde são os únicos detentores de conhecimento e os alunos agentes passivos, muitas vezes
evitam mudar suas metodologias de ensino por desconhecerem outros métodos diferentes,
enquanto outros procuram novas formas de interação com os alunos.
É cada vez maior o número de professores cansados de conduzir as clássicas aulas
expositivas e que já reconheceram a necessidade de mudança de comportamento em
sala de aula. Por desconhecerem soluções eficazes e temerem o trabalho adicional
frente à mudança, muitos se limitam a exercer seu poder professoral para controlar o
tradicional processo de ensino: aumentar o controle de presença ao início e ao
término das aulas, exigir silêncio e inibir a formulação de perguntas sob a alegação
de assegurar o cumprimento do programa, aumentar o rigor e o controle na interação
com seus alunos. Enquanto isto, outros docentes se mobilizam com novas formas de
interação, procurando métodos, técnicas, abordagens interativas e participativas
como os Seminários, os trabalhos em pequenos grupos, os jogos de papéis, as
dinâmicas de grupos, os jogos estratégicos e as diversas combinações entre eles
(SAUAIA, 2008, p.3)
Segundo Souza e Marion (2007), diversos professores expandem seus argumentos
com base na necessidade de estimular os alunos de contabilidade como agentes ativos no
processo de aprendizagem, afirmando que “eles deverão desenvolver a capacidade de autoiniciativa de descobrimento que permita um processo de aprendizagem contínuo e de
crescimento em sua vida profissional”.
Por isso novos métodos de ensino devem ser buscados, ou mesmo os atuais métodos
utilizados devem ser adaptados à realidade atual, e a qualidade do ensino deve ser avaliada
constantemente. A avaliação da qualidade de ensino é uma questão recorrente e deve fazer
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parte das preocupações de todos aqueles que estão inseridos nesta atividade (OLIVEIRA,
NETO e DANTAS, 2008).
Segundo Marcheti (2001, p. 161), o processo de ensino com qualidade pode ser
garantido por aquele que ensina através de estratégias diferenciadas na transmissão de
conteúdos específicos.
Capacchi et al. (2007), ressaltam a importância das aulas teórico-práticas como
elemento facilitador do aprendizado cabendo aos contabilistas, professores e alunos,
encontrarem espaço para solidificar estruturas que possibilitem a formação prática da
contabilidade, e não somente teórica.
Em 2008, Mazzioni, pesquisou sobre as estratégias utilizadas no processo de ensinoaprendizagem: concepções de alunos e professores de Ciências Contábeis, na Universidade
Comunitária Regional de Chapecó – Unochapecó, no curso de Graduação em Ciências
Contábeis. O resultado quanto ao tipo de aula mais eficaz com 157 respondentes foi: 40,76%
de preferência pela aula que apresenta “resolução de exercícios”; seguida pela “aula
expositiva” com 27,39% das menções e “seminários” com 14,01% de indicações. Os três
tipos de estratégias de ensino somam no conjunto 82,17% de todas as menções realizadas
pelos pesquisados.
Assim, é de suma importância o estudo de novas metodologias ou até mesmo das mais
tradicionais visando aperfeiçoá-las e tornando a aprendizagem do aluno mais fácil.
3 METODOLOGIA E MÉTODOS DE ENSINO APLICADOS NA DISCIPLINA DE
CONTABILIDADE AMBIENTAL
Para Magalhães (1995, p. 10) a metodologia de ensino tem por objetivo dirigir o
trabalho dos educadores e dos educandos, para que incorporem ao seu comportamento,
normas, atitudes e valores tornando-os participantes e voltados para o crescente respeito ao
ser humano, sendo a metodologia um processo que visa o êxito ao final de um período de
ensino-aprendizagem.
Os métodos de ensino podem ser entendidos como as ferramentas que o educador
utiliza para atingir o seu objetivo. Diferentes métodos podem ser aplicados para os mesmos
objetivos, cabe ao educador optar por àquele que achar melhor para o desenvolvimento de
suas atividades.
Magalhães (1995, p.10) define métodos de ensino como sendo o “conjunto de regras
que, considerando as características do educando e os objetivos estabelecidos, visa à
promoção do desenvolvimento integral do indivíduo, dando-se prioridade a métodos que
levem os alunos à participação ativa no processo de aprendizagem, sob orientação do
professor (...)” Quanto a isso vale destacar que existem diferentes métodos de ensino, sendo
as duas principais vertentes o método bancário e o método da participação ativa (Bordenave e
Pereira, 2007; Freire, 1996).
O método bancário baseia-se na transmissão do conhecimento e da experiência do
professor onde é enfatizado o “conteúdo” da matéria; e o método da participação ativa,
presume-se que uma pessoa só conhece bem algo quando o transforma, transformando-se ela
também no processo. Nesse último é enfatizada a “capacidade analítica” do educando.
(Bordenave e Pereira, 2007; Freire, 1996)
Os métodos utilizam-se das técnicas e ambos se encontram muito próximos, tendo o mesmo
objetivo: levar o educador e o educando a seguir um esquema para maior eficiência da
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aprendizagem. Magalhães (1995, p.10) define método e técnica, respectivamente, como um
procedimento geral, baseado em princípios lógicos, que pode ser comum a várias ciências, e
um meio específico usado em determinada ciência ou em um aspecto particular desta.
Ao se confrontar método com técnica de ensino, Magalhães (1995, p.10) faz uma
pequena observação exemplificando que o método dedutivo é usado tanto na Lógica como na
Matemática ou na Física Teórica, ao passo que as técnicas de observação usadas na Psicologia
Social são próprias desta disciplina.
O método se caracteriza por aquele conjunto de passos que vai da representação da
matéria à verificação da aprendizagem, enquanto que se considera a técnica como o
procedimento didático que se presta a ajudar na realização de uma parte da
aprendizagem a que se propõe o método. O método, portanto é o instrumento mais
importante que o educador utiliza a fim de alcançar os objetivos a que se propõe.
Entretanto, é importante que fique claro que não há um método universal, uma vez
que cada um dos grandes pedagogos criou seus métodos.
A primeira parte da citação explica que a técnica é a ferramenta utilizada pelo
educador com a finalidade de ajudar na realização de uma parte da aprendizagem a que se
propõe o método. Em seguida, comenta que o método é o instrumento mais importante que o
educador utiliza para alcançar seus objetivos, mas que não existe um método único, universal,
tendo em vista a subjetividade que cada um dos grandes pedagogos colocou na criação dos
seus métodos.
Sobre esta afirmação Mckeachie apud Bordenave e Pereira (2007, p. 147) comenta:
“Qual o método de ensino mais eficaz? A resposta é naturalmente: ‘Eficaz para quê?’Cada
método de ensino pode ser o melhor para certos propósitos e não tão eficientes para outros...”.
O importante é estudar, pesquisar e analisar qual o tipo de método que melhor se adequa a
determinada ciência, de acordo com o seu objetivo.
Para Bordenave e Pereira (2007) a tarefa de escolher e organizar as atividades de
ensino depende do tipo de professor, se tradicional ou moderno.
O professor tradicional é um homem feliz: não tem o problema de escolher entre as
várias atividades possíveis para ensinar um assunto. Como para ele a única atividade
válida é a exposição oral ou preleção, não perde tempo procurando alternativas. Para
o professor moderno, entretanto, a escolha adequada das atividades de ensino1 é uma
etapa importante de sua profissão. É nesta tarefa que se manifesta a verdadeira
contribuição de seu métier. Assim como a competência profissional do engenheiro
se manifesta na escolha acertada de materiais e métodos de construção, a idoneidade
profissional do professor se manifesta na escolha de atividades de ensino adequadas
aos objetivos educacionais, aos conteúdos de matéria e aos alunos. (BORDENAVE
e PEREIRA, 2007, p. 121)
Conforme a citação anterior, o professor moderno entende que a escolha e a
organização das atividades de ensino é uma etapa importante no ensino-aprendizagem que
requer uma análise profunda da escolha de determinado método ou outro de ensino.
Bordenave e Pereira (2007) mencionam ainda que diversos problemas podem aparecer na
selação das atividades de ensino:
1. O professor carece de critérios que o orientem na escolha: “Com que base escolherei
este ou aquele método ou técnica? Como atender ao mesmo tempo meus objetivos, a
estrutura do assunto a ser ensinado os tipos de estudante que tenho na frente, o tempo
disponível, as facilidades materiais que a escola me fornece?”
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Segundo os autores no contexto de seu livro, a expressão “atividades de ensino” inclui os termos “métodos”,
“técnicas”, “meios", "procedimentos", "instrumentos" de ensino.
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2. O professor não conhece as possibilidades e limitações dos diversos tipos de
atividades de ensino. Embora saiba, por exemplo, que a dinâmica de grupos é
aconselhável, num determinado caso ele desconhece quais as técnias de grupo que
melhor podem contribuir para as circunstâncias.
3. Um problema generalizado é que os professores possuem um número muito reduzido
de técnias em seu repertório didático. Mesmo tendo critérios para escolher atividades e
conhecendo em teoria a existência de diversos métodos e técnias, o professor pode não
saber como empregá-los. Assim, por exemplo, o professor X sabe o que é um painel –
tendo assistido a vários – mas por não ter praticado, não ousa incorporá-lo no seu
repertório.
4. O problema do tempo. Os currículos sobrecarregados, colocando uma pesada carga
horária sobre professores e estudantes, limitam o emprego de atividades variadas de
ensino. Em geral, são sacrificadas precisamente aquelas atividades que estimulam a
criatividade e a iniciativa própria dos alunos, tais como a pesquisa bibliográfica, o
trabalho de projetos em equipe etc.
5. Às vezes, circunstâncias alheias à vontade do professor impossibilitam uma escolha
racional de atividades. Existem Faculdades e Escolas que não oferecem as mais
elementares facilidades para outras atividades senão para a aula tradicional expositiva.
Além de alojar numerosas turmas, as salas são pequenas, desprovidas de cortinas para
escurecimento do ambiente, com carteiras fixas, sem flexibilidade para a prática de
dinâmica de grupos. Em síntese, os problemas giram em torno da velha série
QUERER-SABER-SABER FAZER-PODER. Existem professores que não querem
variar sua formar de ensinar; outros querem mas não sabem como, outros querem e
sabem mas não sabem aplicar e ainda outros querem e sabem, mas não podem fazê-lo
por motivos alheios à sua vontade.
Após a discussão sobre métodos de ensino anteriormente explanados, serão discutidos
em seguida quais os métodos aplicados na disciplina de Contabilidade Ambiental. Vale
ressaltar que a premissa para utilização de todos esses métodos parte da opção do professor
em adotar a vertente da educação libertadora, ou método da participação ativa.
3.1 Aulas Expositivas com utilização do Quadro Negro
Na aula expositiva, como o próprio nome diz, o foco está na exposição, feita por
pessoas que tenham um conhecimento satisfatório sobre o assunto, e por isso, pode ocorrer o
negligenciamento da importância do interesse e da atenção do aluno (MARCHETI, 2001, p.
107).
Para Leal e Cornachione Jr. (2006, p. 91):
A aula expositiva é um método de ensino no qual o professor expõe em sala de aula
conteúdos visando a sua compreensão pelos alunos. Percebe-se, porém que a
utilização única deste método pode acarretar alguns problemas, como por exemplo, a
passividade do aluno que não desenvolverá no processo de ensino-aprendizagem
habilidades como o espírito crítico e participativo, tão importantes para o exercício
da sua profissão.
Embora seja o método de ensino mais tradicional, a aula expositiva, conforme citação
recebe críticas se adotado como o único método por não ajudar no desenvolvimento do
espírito crítico do aluno, premissa da vertente do método da participação ativa. No entanto, a
aula expositiva não pode ser entendida unicamente como um método passivo de
aprendizagem, pois depende muito da forma com a qual o professor conduz a sua aula.
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Segundo Balcells e Martin (1985) apud Godoy et. al. (1997, p.78) o método expositivo
traz vantagens e desvantagens (Quadro 1).
Vantagens
- Economiza tempo dos professores, é de fácil
preparo, possibilita num tempo curto a transmissão de
várias informações.
- Facilita aos estudantes disciplinas de difícil
compreensão apenas com a leitura.
- Oferece para o aluno uma idéia do conteúdo
- O docente apresenta uma visão geral e imparcial do
conteúdo, principalmente quando o tema é polêmico.
- É necessária quando existem muitas ou poucas
referências sobre o assunto.
- Parece necessária par a os estudantes despreparados
intelectualmente que aprendem melhor ouvindo do
que lendo.
- O aluno pode ser estimulado pelo professor, um
especialista no assunto.
Desvantagens
- O aluno quase não participa da aula, em função da
comunicação unilateral, característica dessa técnica de
ensino.
- Considera- se toda a sala um grupo uniforme, sem
levar em conta que cada aluno apresenta uma
maneira de aprender.
- Não considera o fato de que muitos alunos não
possuem conhecimentos prévios necessários par a o
acompanhamento da aula.
- Não favorece o desenvolvimento de habilidades
e competências intelectuais que levem o educando
a pensar sobre o que aprendeu .
- Não viabiliza que o professor realize a função de
avaliação de desempenho.
- O aluno cria o hábito de somente estudar pelas
anotações feitas em sala de aula, não recorrendo à
bibliografia indicada pelo professor.
Quadro 1 – Qualidades e Limitações do Método Expositivo
Fonte: Adaptado de Balcells e Martin (1985) apud Godoy et. al. (1997, p.78)
Na disciplina de Contabilidade Ambiental todas as unidades que constam no plano de
ensino são apresentadas inicialmente em aulas expositivas, sendo os demais métodos
complementares a este. Durante as aulas o professor utiliza do quadro e giz, e multimídia,
com apresentação de slides. Além disso, busca-se a participação da turma, fazendo
questionamentos e pedindo opiniões sobre os assuntos abordados.
3.2 Aulas expositivas com uso de multimídia (slides)
Para Sauaia (2008) na transição para o século XXI, em tempos de Internet e
comunicação multimídia, o professor que ensina com o método da aula expositiva passou a
enfrentar o desafio crescente de atrair e reter a atenção de seus alunos já que com os recursos
tecnológicos estes aprenderam em suas casas a conduzir diversas tarefas simultâneas
(conversam com vários usuários da Internet, ouvem músicas e assistem televisão com um
livro no colo). Para o autor, esta agilidade presente na vida tecnológica do aluno impõe um
enorme abismo entre o intenso ritmo ali praticado e o ritmo exercitado na sala de aula.
O uso dos recursos de multimídia na disciplina de Contabilidade Ambiental busca
aproximar a didática ao ritmo no qual o novo aluno do século XXI está apto para receber
informações, com o uso da multimídia é possível apresentar slides interativos com pequenos
filmes, figuras, textos de livros de revistas, tentando sair um pouco da rotina do quadro negro.
Apesar dos benefícios do uso de recursos audiovisuais e de informática, Magalhães (1995, p.
13) ressalta que “é muito importante não esquecer que a utilização destes recursos deverá ser
feita com cuidados especiais quanto à dosagem, pois o excesso deles pode ser prejudicial”.
3.3 Apostila
Um dos problemas encontrados pelo docente no que tange aos temas a serem
abordados na disciplina de Contabilidade Ambiental é a falta de um consenso dos temas nos
livros-texto publicados no Brasil. Ao contrário de outras disciplinas, como Teoria da
Contabilidade e Contabilidade de Custos, os quais têm uma semelhança de assuntos
abordados, os livros didáticos de Contabilidade Ambiental no Brasil têm os assuntos ou muito
genéricos ou bastante limitados a um determinado setor, havendo pouca similaridade entre os
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tópicos abordados entre eles. Assim, o docente preferiu elaborar uma apostila considerando os
tópicos similares e mais relevantes entre os livros consultados (Quadro 2).
Livro (Título)
CONTABILIDADE AMBIENTAL: Evidenciação
dos Gastos Ambientais com Transparência e
Focada na Prevenção
CONTABILIDADE AMBIENTAL: Uma
Informação para o Desenvolvimento Sustentável
CONTABILIDADE AMBIENTAL: Ferramenta
para a Gestão de Sustentabilidade
Autor(es)
Paulo Roberto de Paiva
Edição e Ano
3ª, 2003.
Editora
Atlas
Aracéli Cristina de Sousa
Ferreira
Diversos. Célia Braga (org).
2ª, 2006
Atlas
1ª, 2007
Atlas
Diversos. Aracéli Cristina de 1ª, 2008
Atlas
Sousa Ferreira, José Ricardo
Maia de Siqueira e Mônica
Zaidan Gomes (org.)
CONTABILIDADE AMBIENTAL
Maisa de Souza Ribeiro
2ª, 2010
Saraiva
João Eduardo Prudêncio 3ª, 2011
Atlas
CONTABILIDADE E GESTÃO AMBIENTAL
Tinoco e Maria Elisabeth
Pereira Kraemer
Quadro 2 – Livros-texto analisados para seleção de assuntos a serem vistos na disciplina de Contabilidade
Ambiental
Fonte: elaborado pelos autores
CONTABILIDADE AMBIENTAL E
RELATÓRIOS SOCIAIS.
Na seleção dos assuntos selecionados para comporem a apostila, considerou-se
aqueles assuntos que estavam em todos ou quase todos os livros, como por exemplo,
conceitos, objetivos e objeto da contabilidade ambiental e evidenciação ambiental, além de
assuntos aplicados a todas as entidades, já que muitos dos livros trazem capítulos voltados a
setores específicos do mercado.
Para Fontes e Silva (2008) o uso de apostila traz alguns benefícios como, por exemplo,
o custo desta com relação aos livros, sendo que muitas vezes uma apostila chega a custar 10%
do valor de um livro didático, sendo menos onerosa para o aluno. Além disso, para os autores
“o uso de apostila faz com que o material didático possa ser direcionado ao que está sendo
visto pelo aluno, garantindo um material didático adequado ao curso”.
3.4 Aplicação de Exercícios
Ao final de cada unidade do plano de ensino o docente aplica um exercício de revisão
referente a unidade estudada. Os exercícios são perguntas abertas, estudos de caso, e questões
de múltipla escolha e objetivam fixar melhor o conteúdo ensinado, além de o professor poder
avaliar como está o aprendizado da turma, já que todos os exercícios são entregues e
corrigidos individualmente.
3.5 Seminários de Práticas Ambientais
O seminário deve ser uma ocasião de semear ideias ou de favorecer a sua germinação.
Bordenave e Pereira (2007, p.171) comentam que: “talvez seja por essa razão que nas
Universidades o seminário constitui, em geral, não uma ocasião de mera informação, mas
uma fonte de pesquisas e de procura de novas soluções para os problemas”. O seminário
constitui um grupo de pessoas que se reúnem com o objetivo de estudar um tema sob a
direção de um professor ou autoridade na matéria, com as seguintes finalidades: identificar
problemas, examinar seus diversos aspectos, apresentar informações pertinentes, propor
pesquisas necessárias para resolver os problemas, acompanhar o progresso das pesquisas,
apresentar os resultados aos demais membros do grupo, receber comentários, críticas e
sugestões dos companheiros e do professor.
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O objetivo central de um seminário não é “expor um tema”, mas sim criar condições
para que seja possível uma discussão crítica e concisa sobre o tema, desenvolvendo
competências e crescimento pessoal dos alunos envolvidos (MARCHETI, 2001).
Para Magalhães (1995, p. 12) a finalidade do seminário é “introduzir o aluno na
pesquisa e proceder a análise sistemática de fatos, estruturando-o adequadamente para a sua
apresentação clara e documentada”.
Na disciplina de Contabilidade Ambiental é solicitado que os alunos formem grupos e
pesquisem as práticas ambientais desenvolvidas pelas empresas. O professor sugere que os
alunos busquem informações nos Relatórios de Sustentabilidade de empresas listadas na
Bolsa de Valores do Estado de São Paulo visando facilitar a busca de dados já que nem todas
as empresas divulgam informações ambientais. Em determinada data as equipes apresentam
as práticas e políticas ambientais das empresas pesquisadas. Após a apresentação dos
seminários o professor dá um feedback e realiza um pequeno debate sobre as diferenças das
práticas entre as empresas.
3.6 Filmes e documentários
Conforme Reia-Baptista (1995) os conhecimentos transmitidos pelos veículos de
comunicação audio-visual, principalmente através da televisão e do cinema, constituem aquilo
que alguns autores têm chamado de um autêntico currículo paralelo, cujas implicações
pedagógicas importa conhecer, estudar e investigar no próprio âmbito escolar uma vez que
interferem, decididamente, com o processo normal de ensino-aprendizagem – currículo
institucional, quer no que respeita aos efeitos cognitivos mais específicos, quer no que toca a
esfera mais global dos valores, atitudes e padrões de comportamento.
Para Magalhães (1995, p. 14) “os filmes são recursos mais caros, porém,
recomendáveis pelo seu elevado valor de comunicação”.
Os filmes e documentários apresentados na disciplina de Contabilidade Ambiental são:
Erin Brocovich, Uma Mulher de Talento: o filme dirigido por Steven Soderbergh,
relata um caso verídico no qual uma empresa, a companhia energética Pacif Gas and Electric
– PG&E, teve que pagar US$ 333 milhões em indenizações à comunidade da cidade
americana de Hinkley por jogar substancias tóxicas na água da cidade causando doenças as
pessoas. O objetivo do filme é mostrar aos alunos como a falta de responsabilidade social e
ambiental de uma empresa pode afetar negativamente o seu patrimônio líquido, e também a
sua imagem perante os consumidores. É considerado, assim, como um filme de abordagem
direta da Contabilidade Ambiental, pois trata da relação da empresa com o meio ambiente.
Wall-E: A apresentação do filme Wall-E visa reforçar aos alunos a importância da
sustentabilidade, da conservação dos recursos naturais que dispomos hoje sem prejudicar as
gerações futuras de usufruir destes mesmos recursos. Por se tratar de uma animação, na qual
um robô é enviado ao planeta Terra em busca da possibilidade de existência de vida, a qual é
retratada por uma muda de árvore, o filme apresenta de maneira clara o que poderá acontecer
com os seres humanos se continuarem com a destruição ao meio ambiente, além de
proporcionar um momento de descontração entre os alunos. É, portanto, um filme de
abordagem indireta sobre a disciplina, preocupando-se mais com o meio ambiente do que com
a contabilidade.
Tsunami – Os segredos das ondas gigantes: é um documentário com duração de
cinqüenta minutos exibido pela Discovery Channel e disponível em DVD que aborda as
causas dos Tsunamis, os estudos que estão sendo realizados para prevê-los, além de relatar os
estragos feitos pelos Tsunamis que ocorreram na faixa litorânea que inclui a Indonésia,
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Malásia, Tailância, Sri Lanka, Índia, Bangladesh, e Somália. O objetivo da apresentação desse
documentário é mostrar aos alunos que além dos problemas ambientais causados pelas
entidades em razão dos danos ambientais causados por estas, ainda existem problemas
ambientais de outras magnitudes. Trata-se de um documentário de abordagem indireta,
tratando apenas de questões relativas ao meio ambiente, e não a contabilidade em si.
3.7 Estudo Orientado em Equipes com Uso de Indicadores de Sustentabilidade
O estudo orientado em equipes segundo Bordenave e Pereira (2007, p. 174) visa
organizar, orientar e controlar a aprendizagem dos alunos, de forma a desenvolver habilidades
para a solução de problemas e destrezas, já que as aulas expositivas, além de cansativas,
exigem dos alunos muitas horas de estudo para assimilação das matérias, o que significa perda
de tempo.
Ao final do semestre é realizado um trabalho com os alunos visando dar um maior
conhecimento a estes de como os indicadores de sustentabilidade são utilizados pelas
empresas na elaboração de Relatórios de Sustentabilidade. Para isso são utilizados os
seguintes modelos e indicadores para elaboração dos relatórios:
Global Reporting Initiative (GRI) – O GRI oferece uma estrutura confiável para
elaboração de relatórios de sustentabilidade que pode ser usada por organizações de
todos os tamanhos, setores e localidades. O guia para elaboração de relatórios de
sustentabilidade do GRI é divido em vários tópicos contemplando o desempenho
econômico, social e ambiental. Na disciplina de Contabilidade Ambiental os alunos
devem criar uma empresa e responder aos indicadores sobre o perfil da empresa, e
indicadores de desempenho ambiental. Um exemplo de indicador de desempenho
ambiental é “percentual dos materiais usados provenientes de reciclagem (EN2)”.
Indicadores do Instituto Ethos – O Instituto Ethos tem como missão mobilizar,
sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente
responsável. Para isso foi elaborado um conjunto de indicadores visando nortear as
empresas na elaboração dos seus relatórios de sustentabilidade. Na disciplina de
Contabilidade Ambiental os alunos respondem os indicadores referentes ao
“Gerenciamento do Impacto Ambiental”.
Indicadores do Ibase – O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, o
Ibase, tem como missão aprofundar a democracia, seguindo os princípios de
igualdade, liberdade, participação cidadã, diversidade e solidariedade. O Ibase criou o
balanço social que é formado por seis partes. Na disciplina de contabilidade Ambiental
os alunos respondem as seguintes partes: Base de cálculo; indicadores ambientais; e
informações relevantes quanto ao exercício da cidadania empresarial.
O objetivo do trabalho com uso de Indicadores é aproximar os alunos das práticas
atualmente realizadas pelas empresas na elaboração dos seus Relatórios de Sustentabilidade,
como contadores, inevitavelmente, fornecerão informações para elaboração deste.
4 METODOLOGIA DA PESQUISA
Participaram da pesquisa 49 alunos que cursaram a disciplina de Contabilidade
Ambiental no curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário Moura Lacerda em
Ribeirão Preto, sendo 19 alunos que cursaram a disciplina no primeiro semestre de 2010 e 30
no segundo semestre do mesmo ano letivo. Para análise dos resultados utilizou-se da análise
fatorial (AF) que segundo Corrar et. al. (2007, p.74) busca, através da avaliação de um
conjunto de variáveis, a identificação de dimensões de variabilidades comuns existentes em
um conjunto de fenômenos, com o intuito de desvendar estruturas existentes, mas que não
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observáveis diretamente. Cada uma dessas dimensões de variabilidade comum recebe o nome
de FATOR.
As variáveis analisadas nesta pesquisa foram os métodos e recursos de ensino
utilizados em sala de aula na disciplina de Contabilidade Ambiental: quadro, slide, apostila,
exercícios, seminários, filmes e documentários, e trabalho em grupo com o uso de Indicadores
de Sustentabilidade do GRI, Ethos e Ibase, totalizando nove variáveis (Quadro 3).
Variável
Descrição
R1
Quadro
R2
Slide
R3
Apostila
R4
Exercícios
R5
Seminários
R6
Filme – Drama – Abordagem Direta
R7
Filme – Animação – Abordagem Indireta
R8
Filme – Documentário – Abordagem Indireta
R9
Trabalho em Grupo
Quadro 3 – Variáveis Utilizadas na Análise Estatística
Para análise dos dados utilizou-se o software IBM SPSS Statistics 19®.
4.1 AF com as 9 variáveis
Inicialmente, estabeleceram-se os fatores utilizando todas as variáveis ao mesmo
tempo. Os resultados encontrados foram favoráveis (Tabela 1):
O teste de Kaiser-Meyer-Olkin (Measure of Sampling Adequacy –MSA) apresentou
um grau de explicação de 0,65. Segundo Corrar et. ak. (2007, p. 100) “caso o MSA
indique um grau de explicação menor que 0,50, significa que os fatores encontrados na
AF não conseguem descrever satisfatoriamente as variações dos dados originais”, o
que não foi o caso.
O teste de esfericidade de Bartlett também indica que existe relação suficiente entre os
indicadores par aplicação da AF (Sig. 0,000). Para Corrar et. al. (2007, p. 102) “para
que seja possível a aplicação da AF recomenda-se que o valor de Sig.(teste de
significância) não ultrapasse 0,05.”
Além disso, na matriz de correlação a tabela de significância apresentou valores próximos a
zero.
KMO and Bartlett's Test
Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy.
,653
Bartlett's Test of Sphericity Approx. Chi-Square
122,461
DF
36
Sig.
,000
Tabela 1 – Teste KMO e Bartlett na tentativa com todas as variáveis
Fonte: SPSS
Na análise da matriz antiimagem verificou-se que todos os valores foram superiores a
0,50. No entanto, na tabela de comunalidades verificou-se que a variável “slides” (0,529) e
“seminários” apresentaram pouca relação com os fatores (0,356).
A última análise feita foi o grau de explicação atingido pelos 3 fatores que foram
calculados pela AF. Com relação a esse indicativo, o modelo conseguiu explicar 63% da
variância dos dados originais.
4.2 AF com 7 variáveis
11
Na tentativa com 7 variáveis, excluiu-se do teste realizado anteriormente as variáveis
“slides” e “seminários”, em função da baixa relação com os demais fatores encontrada
anteriormente na tabela de comunalidades.
KMO and Bartlett's Test
Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy.
Bartlett's Test of Sphericity Approx. Chi-Square
DF
Sig.
Tabela 2 – Teste KMO e Bartlett na tentativa com 7 variáveis
Fonte: SPSS
,600
93,444
21
,000
O teste de MSA não obteve melhora passando para 0,600 (Tabela 2). O teste de
esfericidade continuou validando a utilização da AF (Sig. <.05). A nova tabela de
comunalidades apresentou valores melhores do que na primeira tentativa (valores entre 0,567
e 0,823). Houve também uma melhora na explicação do modelo. A segunda tentativa levou à
criação também de 3 fatores que explicam 72% da variância explicada (na tentativa anterior
explicou-se apenas 63%).
Dessa forma, optou-se por continuar na análise deste modelo. A tabela Component
Matrix (Tabela 3) permite verificar qual dos fatores melhor explicada cada um dos
indicadores considerados.
Component Matrixa
Component
1
2
3
R1
,197
,758
,309
R3
,771
,346
-,092
R4
,812
,183
-,350
R6
,645
-,021
-,518
R7
,617
-,295
,315
R8
,621
-,034
,661
R9
,494
-,704
,048
Extraction Method: Principal Component
Analysis.
a. 3 components extracted.
Tabela 3 – Component Matrix
Fonte: SPSS
Percebe-se, no entanto, que essa matriz causa dúvidas quanto à composição de cada
fator, na medida em que existem valores de explicação muito próximos em alguns casos (R6,
R7, R8). Nestes casos, segundo Corrar et. al. (2007, p. 113) “cabe a verificação dos valores
após a aplicação da rotação dos fatores”, no modelo foi utilizado o critério Varimax (Tabela
4).
R1
R3
R4
R6
R7
R8
R9
Rotated Component Matrixa
Component
1
2
,119
,114
,723
,312
,876
,203
,807
,040
,233
,703
,081
,873
,216
,559
3
,826
,320
,076
-,181
-,136
,232
-,618
12
Extraction Method: Principal Component
Analysis.
Rotation Method: Varimax with Kaiser
Normalization.
a. Rotation converged in 5 iterations.
Tabela 4 – Rotated Component Matrix
Fonte: SPSS
A matriz, após a rotação dos fatores, já permite uma classificação mais precisa dos
indicadores em cada um dos fatores. Assim, pode-se concluir que:
• O Fator 1 é composto por: R3, R4, R6.
• O Fator 2 é composto por: R7 e R8.
• O Fator 3 é composto por: R1e R9.
Depois de identificada a composição dos fatores, foi necessário verificar se é possível
interpretar essa composição. No nosso modelo, foi possível interpretar o primeiro fator como
sendo “Métodos de Fixação do Conteúdo”; o segundo fator pode ser interpretado como sendo
“Utilização de Filmes de Abordagem Indireta sobre a Contabilidade Ambiental” e o terceiro,
“Métodos de Interação”. Vale ressaltar que os indicadores que foram excluídos da análise
passaram por uma série de testes para verificar se era possível criar agrupamentos visando
resultar em outros fatores, que, isolados dos três inicialmente identificados, comporiam a
metodologia de ensino da Contabilidade Ambiental. No entanto, os resultados não foram
satisfatórios, tendo queda de MSA e do total da variância explicada.
4.3 Considerações sobre os fatores
A seguir serão feitos alguns comentários sobre os agrupamentos realizados pela
análise fatorial e como eles podem ser entendidos na melhoria da metodologia de ensino da
disciplina de Contabilidade Ambiental.
• Fator 1: Métodos de Fixação do Conteúdo
O fator que sugere o melhor “método de fixação do conteúdo” é responsável por
29,5% da variância explicada. Esse fator é representado pelos indicadores:
R3 (Apostila): a apostila é o material impresso com o conteúdo das unidades constantes no
plano de ensino.
R4 (Exercícios): os exercícios são aplicados no final de cada unidade visando a uma melhor
fixação do conteúdo.
R6 (Filme – Drama – Abordagem Direta na Contabilidade Ambiental): trata-se do filme “Erin
Brocovich, uma mulher de talento”. O filme trata da contaminação da água de uma pequena
cidade por parte de uma empresa que tem que pagar uma indenização milionária à
comunidade, afetando negativamente o seu patrimônio líquido.
• Fator 2: Utilização de Filmes de Abordagem Indireta sobre a Contabilidade Ambiental
O fator “Utilização de Filmes de Abordagem Indireta sobre a Contabilidade
Ambiental” é responsável por 24,6% da variância explicada. Esse fator é representado pelos
indicadores:
R7 (Filme – Animação – Abordagem Indireta): trata-se do filme “Wall-E”, uma animação que
aborda a questão da importância da preservação do meio ambiente para a sustentabilidade.
R8 (Filme – Documentário – Abordagem Indireta): trata-se do documentário “Tsunami, o
segredo das ondas gigantes”, que visa mostrar aos alunos que além dos problemas ambientais
13
causados pelas entidades em razão dos danos ambientais causados por estas, ainda existem
problemas ambientais de outras magnitudes.
• Fator 3: Métodos de Interação
O fator “Métodos de Interação” PE responsável por 18,2% da variância explicada. Este
fator é representado pelos indicadores:
R1 (Quadro): trata-se da aula expositiva, ressaltando que nesse método é utilizada a
abordagem da participação ativa com a interação entre alunos e professor, no qual ambos são
agentes construtores do conhecimento.
R9 (Trabalho em Grupo): refere-se ao trabalho com os indicadores do GRI, Ethos e Ibase.
Para coleta de dados foi disponibilizado em via impressa um questionário contendo as
metodologias de ensino (Quadro 5) utilizadas na disciplina de Contabilidade Ambiental no
decorrer dos semestres não havendo nenhuma alteração nas mesmas de um semestre para o
outro. Os alunos deveriam assinalar o número correspondente conforme escala abaixo
(Quadro 4 ):
Concordo Totalmente
5
Concordo Parcialmente
4
Não concordo nem discordo
3
Discordo Parcialmente
2
Discordo Totalmente
1
Quadro 4 – Escala numérica para avaliação dos resultados
Além das questões apresentadas no Quadro 5 foi disponibilizado um espaço para os
alunos discorrerem sobre os pontos que consideraram positivos e negativos na disciplina.
AFIRMATIVA
ESCALA
1.As aulas expositivas com utilização do quadro facilitaram o
1
2
3
meu aprendizado sobre o conteúdo da disciplina
2. As aulas expositivas com utilização de slides facilitaram o
1
2
3
meu aprendizado sobre o conteúdo da disciplina
3. A disponibilização da apostila facilitou o meu aprendizado
1
2
3
sobre o conteúdo da disciplina
4. A aplicação de exercícios em sala de aula facilitou o meu
1
2
3
aprendizado sobre o conteúdo da disciplina
5. Os seminários apresentados facilitaram o meu aprendizado
1
2
3
sobre o conteúdo da disciplina
6. O filme “Erin Brocovich – Uma mulher de talentos”
facilitou o meu entendimento de como uma entidade pode ter
1
2
3
o seu patrimônio afetado caso não tenha uma gestão
ambiental
7. O filme “Wall-E” me ajudou a entender a importância da
1
2
3
sustentabilidade
8. O documentário “Tsunami” me ajudou a entender que além
dos problemas ambientais causados pelas entidades, ainda
1
2
3
existem outros que podem afetar a sociedade
9. O trabalho em grupo com a utilização dos Indicadores
GRI, Ethos e Pacto Global me ajudou a conhecer e entender
1
2
3
algumas formas de evidenciação ambiental praticadas pelas
entidades
Quadro 5 – Métodos de ensino utilizados na disciplina de Contabilidade Ambiental
4
5
4
5
4
5
4
5
4
5
4
5
4
5
4
5
4
5
Foi utilizada a técnica de estatística descritiva para análise primária dos resultados e
análise fatorial para análises posteriores.
5 ANÁLISE DOS RESULTADOS
14
A disciplina de Contabilidade Ambiental no curso de Ciências Contábeis do Centro
Universitário Moura Lacerda faz parte da grade de disciplinas do último período (8 no total)
do curso com uma carga horária de 72 horas. No entanto, isso não impede que alunos de
outros períodos se matriculem nesta disciplina.
5.1 Identidade da Amostra
Quanto ao perfil dos alunos que participaram da pesquisa, 63% tinham entre 21 e 26
anos de idade. A maioria dos alunos, 92%, estava no oitavo período do curso, ou seja, eram
formandos, enquanto 4% estavam no sexto e os outros 4% no sétimo período. Tal fato, na
percepção do docente, não implicou em maiores dificuldades para compreensão do conteúdo
pelos alunos que não estavam no último período.
5.2 Análise Fatorial
Os resultados encontrados na análise fatorial apresentaram três fatores, que foram
denominados como: “Métodos de Fixação do Conteúdo”, “Utilização de Filmes de
Abordagem Indireta sobre a Contabilidade Ambiental” e “Métodos de Interação”. Na
rodagem dos dados, foram excluídas duas variáveis “slides” e “seminários” visando aumentar
a relação dos fatores na tabela de comunalidades encontrada na primeira rodagem com as
nove variáveis.
A análise fatorial confirmou a opinião dos alunos quanto aos pontos positivos e
negativos da disciplina. Dos 49% dos alunos que citaram os pontos negativos da disciplina
29% escreveram que o uso dos slides deixa a aula bastante cansativa.
Nos “métodos de fixação do conteúdo” estão contidos o uso da apostila, aplicação de
exercícios e o filme Erin Brocovich, uma mulher de talento, que aborda a relação da empresa
com o meio ambiente diretamente.
Na “utilização de filmes de abordagem indireta sobre a Contabilidade Ambiental” está
a apresentação do filme de animação “Wall-E” e do documentário “Tsunami: o segredo das
ondas gigantes”. Tais filmes não tratam da contabilidade ambiental, mas da relação do homem
com o meio ambiente e da importância da sustentabilidade.
O fator “métodos de interação” foi constituído pelas aulas expositivas com utilização
do quadro e o trabalho em grupo sobre Indicadores de Sustentabilidade do GRI, Ethos e Ibase.
Assim, são propostos para a metodologia do ensino da Contabilidade Ambiental
métodos que busquem fixar o conteúdo, a utilização de filmes e métodos de interação entre
alunos e professores.
Vale destacar que, na utilização desta metodologia, houve um baixo índice de
reprovação dos alunos ao final dos semestres, em comparação aos semestres que não
utilizaram esta metodologia.
CONCLUSÃO
Com o advento da evolução da tecnologia, ensinar tornou-se um grande desafio já que
a capacidade dos alunos em fazer múltiplas tarefas ao mesmo tempo com o uso do
computador e Internet pode tornar a aula monótona e cansativa causando apatia e desinteresse
nos alunos. Dessa forma, a aula expositiva, método tradicional de ensino, deve ser utilizada
com outros métodos de forma a despertar no aluno o interesse pela aprendizagem.
Essa pesquisa teve como objetivo propor uma metodologia para o ensino da
Contabilidade Ambiental, utilizando os mais variados recursos didáticos desde a tradicional
15
aula expositiva no quadro à utilização de recursos tecnológicos como os audiovisuais. Com
base na avaliação dos alunos quanto ao uso dessa metodologia, constatou-se que três fatores
podem influenciar na aprendizagem dos alunos: os métodos de fixação de conteúdo, utilização
de filmes de abordagem indireta e métodos de interação entre alunos e professores.
Como o mundo é dinâmico, em todos os seus aspectos, as metodologias de ensino
também necessitam de avaliações constantes visando dar um feedback ao docente para que
este possa melhorar a qualidade do ensino visando sempre o êxito na aprendizagem de seus
alunos.
Os métodos de ensino, embora sejam muitos, seguem duas vertentes comuns: o
método bancário, na qual o professor é agente ativo e o aluno agente passivo, e o método da
participação ativa, ou educação libertadora, na qual ambos agentes são construtores do
conhecimento. Na busca por uma metodologia de ensino que desperte o interesse do aluno em
sala de aula é inevitável que o professor busque métodos visem a participação ativa.
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