Coberturas - InovaDomus

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Coberturas - InovaDomus
GUIA PARA A REABILITAÇÃO
REVESTIMENTOS &
IMPERMEABILIZAÇÃO DE
COBERTURAS CERÂMICAS
INCLINADAS
PROJETO
“Cooperar para Reabilitar” da InovaDomus
Autoria do Relatório
Pedro Lourenço
Consultoria
Umbelino Monteiro SA
Índice
0. Preâmbulo7
1. Anomalias nas Pendentes10
1.1 Inclinação da cobertura: insuficiência ou excesso10
1.2 Encaixe dos elementos cerâmicos: sobreposição inadequada, desalinhamento,
deslizamento14
1.3 Fraturas nas telhas17
1.4 Degradação por ação dos ciclos gelo-degelo18
1.5 Aparecimento de agentes externos: musgos, microrganismos, salinidades21
1.6 Diferenças geométricas (empenos) e de tonalidade23
2. Anomalias em Beirados, Beirais, Empenas e Mansardas25
2.1 Encaixe dos elementos cerâmicos: sobreposição inadequada, desalinhamento,
deslizamento25
2.2 Fraturas nas telhas e argamassas de fixação28
2.3 Ação dos ciclos gelo-degelo: descasques, fissuras ou degradação29
2.4 Aparecimento de agentes externos: musgos, microrganismos, salinidades31
2.5 Diferenças geométricas (empenos) e de tonalidade31
3. Anomalias em Cumeeiras e Rincões32
3.1 Encaixe dos elementos cerâmicos: sobreposição inadequada, desalinhamento,
deslizamento33
3.2 Fraturas nas telhas e argamassas34
3.3 Ação dos ciclos gelo-degelo: descasques, fissuras ou degradação35
3.4 Aparecimento de agentes externos: musgos, microrganismos, salinidades36
3.5 Diferenças geométricas (empenos) e de tonalidade37
4.1 Encaixe entre os diferentes elementos: sobreposição inadequada,
desalinhamento, deslizamento38
4. Anomalias em Larós, Chaminés, Rufos, Caleiras e Algerozes38
4.2 Fraturas dos diferentes elementos40
4.3 Aparecimento de agentes externos: musgos, microrganismos e corrosão/degradação
42
4.4 Diferenças geométricas (empenos) e de tonalidade43
4.5 Acumulação de detritos: entupimentos, obstruções ao escoamento43
Acrónimos46
Glossário47
Bibliografia49
Anexo Checklist50
0. PREÂMBULO
A utilização de telhas cerâmicas para revestimento das coberturas dos edifícios é uma tecnologia construtiva histórica, que tem vindo a ser aperfeiçoada ao longo dos tempos, sem
no entanto perder as características de base que a caracterizam pela mais funcional para
este fim. As coberturas com telhas são um elemento tradicional na paisagem portuguesa,
fazendo parte da nossa história arquitetónica, caracterizando inclusivamente as regiões
onde são executadas, fruto das restrições e requisitos necessários ao bom funcionamento
técnico das mesmas.
As coberturas inclinadas com recurso a materiais cerâmicos são utilizadas desde a construção do Império Romano, essencialmente devido à abundância de matéria-prima na natureza (Argilas), da facilidade de produção, do fácil manuseamento associado, da aplicabilidade
e da capacidade de adaptação aos diferentes meios. A telha é portanto considerada um
produto dotado de elevada capacidade técnica e funcional, longa duração com reduzida
manutenção, fácil resolução e reduzido nível de agressividade para o meio ambiente.
Em termos arquitetónicos, a telha assume-se como um produto de elevada flexibilidade
dada a variedade de modelos e tonalidades, bem como a elevada disposição de peças acessórias complementares que possibilitam revestir as mais variadas geometrias, garantindo
sempre a funcionalidade e fiabilidade na resposta às exigências das solicitações.
As funções da cobertura em termos de conceção e execução abrangem os seguintes grupos
de parâmetros fundamentais:
Funções utilitárias – Impermeabilidade; Incombustibilidade; Resistência mecânica aos
agentes meteorológicos e à ação humana; Isolamento térmico e acústico; Durabilidade;
Reduzida sobrecarga nas estruturas; Facilidade de execução e reduzida manutenção.
Funções estéticas – Tonalidades; Texturas; Dimensões dos elementos; Harmonia e integração com o edifício.
Funções económicas – Custo da solução, da conservação e consequente durabilidade.
Com objetivo de responder a todas estas funções e aos mercados associados, tornou-se
indispensável não só compreender e aperfeiçoar as técnicas de produção, mas também
o conjunto de soluções construtivas com recurso às telhas e respetiva interação com os
diferentes elementos, que cada vez mais vão surgindo na construção civil com variados objetivos e fins. Assim, conclui-se que na execução de uma cobertura existem vários aspetos
gerais a ter em atenção, a destacar:
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índice
Inclinação mínima – recomendada pelos fabricantes de acordo com a geometria e rigor
dimensional do produto, mas também tendo em conta a zona geográfica de acordo com
os mapas que combinam as ações meteorológicas com o nível de exposição das mesmas.
Exigências de rigor na aplicação – de acordo com os princípios fundamentais e boas
práticas da construção e reabilitação, as coberturas deverão ser minuciosamente aplicadas
com todo o rigor, contenção e responsabilidade, para que esta solução seja maximizada ao
nível da rentabilidade [1].
Ventilação da cobertura
A ventilação da cobertura pela sua face inferior confere efeitos benéficos, únicos, indispensáveis à solução construtiva e ao bom funcionamento de todo o telhado. De forma geral,
os objetivos deste princípio são [2]:
• Ventilar e secar todos os elementos que constituem a cobertura;
• Equilibrar a temperatura e humidade interior Vs. exterior do edifício;
• Renovação de ar na solução construtiva e controlo de temperaturas criando condições
de salubridade nos espaços interiores;
• Rápida secagem da água da chuva absorvida pela telha;
• Resistência da telha sob a ação do gelo;
• Evitar a formação de distribuições irregulares de neve aquando da sua queda brusca;
• Reduzir as condensações internas no sistema construtivo, eliminando o vapor de água;
• Melhorar o conforto térmico natural;
• Aumentar o tempo de vida útil de toda a cobertura.
O princípio de funcionamento deste conceito pode ser facilmente explicado através da Figura 1.
Figura 1 - Principio de funcionamento da cobertura ventilada [1].
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Posto isto, será fácil perceber que a fixação dos elementos da cobertura com recurso a
argamassas de fixação não beneficia o princípio físico, uma vez que quando aplicada em
excesso proporciona a estanquidade do ar nos pontos singulares indicados.
Assim, com vista a maximizar o efeito de ventilação, sem no entanto sacrificar a robustez
e fixação do telhado, foram criados acessórios cerâmicos e mecânicos (Figuras 2 e 3) capazes de dar resposta às exigências da aplicação, garantindo a ventilação dos elementos.
Telhão
Remates (tamancos)
Canto de 11 peças
Figura 2 - Exemplo de acessórios cerâmicos.
Grampo de Beirado
Grampo de Cumeeira
Grampo de Telha Canudo
Figura 3 - Exemplos de acessórios mecânicos.
A norma NP EN 1304 [3] rege a produção dos materiais cerâmicos e qualidade dos produtos acabados, admitindo algumas nuances e intervalos de valores admissíveis para quase
todos os parâmetros físicos das telhas, pelo que se pode afirmar que nunca possuímos materiais absolutamente iguais, fazendo assim com que a aplicação dos produtos cerâmicos
seja muito importante, de forma a tirar partido destas condicionantes.
Este guia aborda as anomalias mais frequentes em coberturas cerâmicas inclinadas, as
quais estão geralmente relacionadas com:
• Erros e omissões nos projetos;
• Defeitos e descuidos na execução;
• Escolha errada dos materiais de fixação;
• Degradação natural dos elementos.
Assim, de uma forma geral, as soluções indicadas para a resolução destas anomalias passam por:
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índice
• Corrigir possíveis erros (se possível);
• Alterar a solução construtiva;
• Substituir os elementos cerâmicos e de fixação.
Importante ainda indicar que para a correta inspeção e intervenção num telhado deverão
ser cumpridas todas as normas de segurança, com vista a evitar acidentes. O facto de ser
um trabalho efetuado em altura, exige o cumprimento das regras estabelecidas para o
efeito, quer em equipamentos, quer em cuidados acrescidos.
Relativamente à manutenção associada, refere-se que um telhado deverá ser visitado pelo
menos uma vez por ano, antes do período de chuvas. De acordo com a zona geográfica
onde o edifício está inserido, este valor de periodicidade poderá aumentar ou diminuir.
As intervenções de reabilitação em telhado deverão ser sempre efetuadas por profissionais
habilitados e com experiência em trabalhos com estas exigências específicas.
Deverá ser consultado o Guia de Aplicação do fabricante para esclarecimento de dúvidas ou aprofundamento das boas práticas de execução, de forma a garantir a melhor intervenção possível.
1. ANOMALIAS NAS PENDENTES
1.1 Inclinação da cobertura: insuficiência ou excesso
1.1.1 Descrição/formas de manifestação
A inclinação da cobertura é um parâmetro importante que deverá ser sempre verificado.
Inclinação insuficiente
Em particular, devem ser respeitadas as inclinações mínimas expressas nas tabelas
fornecidas pelos fabricantes sob pena de comprometer a funcionalidade do telhado.
A inclinação mínima para a cobertura revestida a telha cerâmica é sempre definida
em função das condições locais, zona climática e exposição [1]. Na ausência destes
dados, recomenda-se a consulta do MATC [1], que de uma forma geral indica os
valores genéricos para os diferentes modelos.
Uma inclinação insuficiente, por si só, pode acarretar graves problemas de desempenho da cobertura, da conservação das telhas e de toda a estrutura de suporte,
tais como:
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• Não estanquidade do telhado e consequentes infiltrações de água;
• Acumulação de poeiras, folhas e outros detritos sobre a superfície exterior do telhado;
• Aumento do tempo de secagem das telhas;
• Favorecimento do desenvolvimento de líquenes e musgos na superfície exterior
da telha e um envelhecimento precoce;
• Nas zonas frias, sujeição da telha a ciclos de gelo-degelo desnecessários;
• Desfavorecimento estético dos edifícios, volumetria desproporcionada.
Inclinação excessiva
Essencialmente por motivos estéticos e funcionais, em zonas de elevada queda de
neve, a inclinação da cobertura pode ser excessiva (Figura 4), podendo mesmo o
revestimento cerâmico formar zonas de fachada vertical. Nestes casos deve-se ter
em atenção a existência e o estado de durabilidade dos elementos de fixação dos
materiais cerâmicos.
Figura 4 - Cobertura com excesso de inclinação.
1.1.2 Causas comuns
Solução construtiva adotada: Erros no projeto e/ou execução.
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índice
1.1.3 Soluções de reabilitação
1.1.3.1 Aplicação de subtelhas ou camadas impermeáveis
Em coberturas onde não seja possível respeitar a inclinação mínima aconselhada,
devem ser tomadas medidas suplementares de impermeabilização, tais como: a
utilização de subtelhas, telas ou outros materiais apropriados; aumentar o espaço
de recobrimento longitudinal e transversal entre telhas e aumentar da densidade
das telhas ventiladoras.
Aplicação
A execução de uma medida desta natureza passa sempre por remover as telhas e
promover a aplicação da medida suplementar selecionada, pelo que poderá ser pertinente nesta fase de intervenção repensar o comportamento térmico da cobertura,
abrindo uma oportunidade para a aplicação de medidas corretivas neste sentido
(Figuras 5, 6 e 7).
Figura 5 - Impermeabilização suplementar
recorrendo a membrana flexível.
Figura 7 - Aplicação de subtelha de fibrocimento.
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Figura 6 - Telhado em reabilitação.
Observações: As tabelas de recomendação da inclinação mínima deverão ser fornecidas pelos fabricantes. Elaboradas de acordo com as características específicas
de cada modelo de telha e em função do nível de exposição e zona geográfica inserida, recomenda-se que na ausência destes dados seja consultado o MATC [1], que
de uma forma geral indica os valores genéricos para os diferentes modelos.
1.1.3.2 Fixação mecânica dos elementos
A fixação de telhas pode ser necessária para evitar o seu deslizamento, ou para que
estas resistam à ação do vento. A necessidade de fixação está diretamente relacionada com a inclinação do telhado, com a localização geográfica e a exposição dos
ventos (Tabela 1).
Tabela 1 - Fixação das telhas em função da inclinação (adaptado de MATC [1]).
Partes Laterais e Beirais
Restante Telhado
Inclinação <= 30%
Telhas fixadas
Telhas não fixadas
30% < Inclinação >= 60%
Telhas fixadas
Telhas fixadas
Zona I – Locais protegidos e normais
Telhas fixadas
Telhas não fixadas
Zona II – Locais protegidos e normais
Telhas fixadas
Telhas fixadas
Zonas I e II – Locais expostos
Telhas fixadas
Telhas fixadas
Zona III – Todos os locais
Telhas fixadas
Telhas fixadas
Inclinação da cobertura (%)
Localização e exposição ao vento
Aplicação
A estabilização das telhas cerâmicas deve sempre ser realizada recorrendo a fixação
mecânica (Figura 8). Recomenda-se este tipo de fixação também para os acessórios.
A solução a adotar deve ter em conta a especificidade do telhado e a sua localização.
Na fixação podem ser utilizados parafusos autorroscantes para madeira ou ferro, ou
autofixantes para betão, etc., com diâmetros entre os 4,0 e 6,0 mm. Para fixação
em ripado metálico, os parafusos deverão ser em cobre, aço galvanizado ou inox.
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índice
Figura 8 - Fixação de telhas em pendente.
Observações: Na escolha dos materiais de fixação deverá ser consultada a opinião
de um profissional da área específica.
1.1.4 Recomendações de manutenção
Sempre que houver lugar a visitas à cobertura deverão ser observadas as condições
de durabilidade dos elementos de fixação.
1.2 Encaixe dos elementos cerâmicos: sobreposição inadequada, desalinhamento, deslizamento
1.2.1 Descrição/formas de manifestação
Podem identificar-se quando as telhas de uma mesma pendente estão em direções
ou níveis diferentes, provocando pontos frágeis suscetíveis a infiltração.
1.2.2 Causas comuns
Tipo de suporte e fixação: Um espaçamento entre ripas desnivelado, exagerado ou reduzido é a principal causa de sobreposição inadequada (Figura 9). A ausência de ensaios
de alinhamento das peças cerâmicas com as linhas de base da estrutura da cobertura
são consideradas deficiências na execução e causas para estas anomalias. Podem ainda
ser visíveis deslizamentos que poderão ocorrer quando a base de suporte é deficiente e a
fixação dos elementos cerâmicos ineficaz e ou foi deteriorada com o tempo (Figura 10).
Alteração física dos elementos: Sendo os materiais cerâmicos porosos por na-
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tureza da sua produção, as telhas estão sujeitas a absorção controlada de água e
consequente secagem, de acordo com as ações meteorológicas. Desta forma e no
decorrer do tempo poderão haver lugar a diferenças geométricas consideráveis,
responsáveis por provocar estas anomalias (Figura 11).
Figura 9 - Ripado exageradamente afastado.
Figura 10 - Telhas desalinhadas por falta de fixação.
Figura 11 - Telhas desalinhadas por empeno.
1.2.3 Soluções de reabilitação
1.2.3.1 Nova fixação dos elementos
Sempre que a causa da anomalia estiver relacionada com deficiências no tipo de
suporte ou fixação, a mesma deverá ser revista e executada recorrendo a elementos
mecânicos adequados, tais como parafusos ou grampos especiais.
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índice
Aplicação
Dependendo da direção e sentido das ações do peso próprio e do vento, deverá ser equacionada a aplicação de grampos específicos de fixação ou aparafusamento dos elementos.
No caso das telhas Canudo a fixação com auxílio a grampos próprios para o efeito
é a melhor solução (Figura 12).
Figura 12 - Telhas grampeadas.
Observações: Deverão ser tidas em conta as recomendações do fabricante dos
produtos cerâmicos para a melhor solução de fixação, bem como o mapa de zonamento do território.
1.2.3.2 Reposição ou substituição
Quando as peças cerâmicas estão em estado de degradação avançado ou é visível
alteração física dos elementos com empenos excessivos, a solução passa pela substituição por elementos novos que correspondam às dimensões existentes.
Aplicação
A substituição deverá ser feita de forma cuidadosa retirando os elementos por área
de influência. Recomenda-se que as peças sejam misturadas para que se possa tirar
partido das nuances geométricas e de tonalidade entre os materiais novos e os que
irão ser repostos.
A substituição da ripa de suporte, caso esta se apresente danificada, deverá ser feita
retirando todos os elementos de revestimento e substituindo ou reforçando as mesmas.
Observações: Caso a aquisição de materiais com características semelhantes aos
existentes não seja possível, poderá optar-se por substituir uma determinada área
com elementos totalmente novos e assim aproveitar as peças antigas que possuam
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qualidade, com vista a perfeita interligação entre as telhas da pendente a reabilitar.
1.2.4 Recomendações de manutenção
Para além da inspeção periódica ao telhado, recomenda-se que seja armazenado
um volume considerável de peças para futuras intervenções.
1.3 Fraturas nas telhas
1.3.1 Descrição/formas de manifestação
De acordo com o grau da fratura podem ser consideradas de forma evolutiva as
lascas, as fissuras ou em casos limite as fendas (Figura 13).
Figura 13 – Lascas, fissuras e fendas em telhas cerâmicas.
1.3.2 Causas comuns
• Queda de peças, equipamentos ou ferramentas;
• Visitas anteriores descuidadas e ausentes dos cuidados de segurança a ter numa
intervenção desta natureza;
• Queda acentuada de granizo;
• Alteração física dos elementos relacionada com ciclos de humedecimento e de secagem;
• Defeitos produtivos.
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1.3.3 Soluções de reabilitação
1.3.3.1 Substituição dos elementos
A recomendação vai no sentido da substituição dos elementos danificados ou degradados (ver 1.2.3.2).
1.4 Degradação por ação dos ciclos gelo-degelo
1.4.1 Descrição/formas de manifestação
A resistência ao gelo-degelo dos materiais cerâmicos está diretamente relacionada
com o grau de porosidade das telhas e consequente absorção de água, a qual está
sobretudo dependente das condições de ventilação da cobertura e do nível de exposição solar da pendente.
A degradação começa por se manifestar em descasques e posteriormente fissuras
ou mesmo rebentamentos (Figuras 14 a 17).
Figura 14 - Descasque por ação do gelo.
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Figura 15 - Degradação por ação do gelo.
Figura 16 - Pendente com rebentamentos.
Figura 17 - Degradação por ação do gelo.
1.4.2 Causas comuns
Deficiências ao nível da ventilação relacionadas com:
• Solução construtiva adotada: sempre que a aplicação dos diferentes materiais não permite a ventilação da cobertura aumenta-se a probabilidade de degradação das telhas;
• Tipo de ripa de suporte: o tipo de material que constitui a ripa de suporte e a
forma como está aplicado é preponderante para a ventilação eficiente da face inferior das telhas; A utilização de ripas com altura insuficiente ou ripas continuas
ao longo de toda a pendente são uma causa frequente para o desenvolvimento
desta anomalia;
• Caixa-de-ar: é recorrente encontrar telhas assentes diretamente sobre a laje
de cobertura e/ou isolamento térmico, ou ainda com uma altura inferior a 2cm,
o que cria um espaço de ventilação muito curto para a secagem dos materiais
(Figura 18).
Figura 18 – Telhas assentes em ripa com altura reduzida.
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índice
1.4.3 Soluções de reabilitação
1.4.3.1 Substituição dos elementos e correção da solução
A solução passa pela substituição dos elementos cerâmicos (ver 1.2.3.2) e pela correção dos possíveis erros verificados ao nível da execução.
Observações: A alteração da solução construtiva deverá ter em conta as boas práticas de aplicação garantindo os pressupostos de ventilação.
No que diz respeito à ripa de suporte e caixa-de-ar, as alterações devem permitir a
circulação de ar, o que pode ser obtido através da colocação de uma “contra ripa”
sob as ripas de suporte, ou criando descontinuidades de 2 a 3 cm a cada metro linear, ou ainda com recurso a ripas metálicas perfuradas (Figura 19).
Figura 19 - Ripado descontínuo com ventilação (contra ripado).
1.4.3.2 Aplicação de telhas de ventilação
A aplicação de telhas de ventilação em diferentes pontos da pendente pode ser uma
solução eficaz para promover o aumento de circulação de ar na face inferior das telhas.
O objetivo destas peças é promover a admissão e sucção de ar entre as faces interior e
o exterior da cobertura cerâmica.
Aplicação
A aplicação das telhas de ventilação deverá ser de 3 a 4 unidades por cada 10m2 e de
forma desencontrada nas penúltimas fiadas junto à cumeeira e beirados (Figuras 20 e 21).
Em situações onde as pendentes possuam dimensão superior a 6,0 m poderá ser colocada uma
fiada intermédia de telhas de ventilação, da mesma forma desencontrada das restantes fiadas.
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Figura 20 - Disposição de telhas de ventilação.
Figura 21 - Pendente com telhas de ventilação.
Observações: A aplicação das telhas de ventilação por si só não é suficiente para a
resolução desta anomalia, pelo que é estritamente necessária a correção da solução
construtiva nos restantes pontos singulares da cobertura.
Em pendentes cuja exposição solar seja reduzida ou mesmo nula, recomenda-se o
aumento qualitativo e quantitativo das intervenções.
1.4.4 Recomendações de manutenção
Recomenda-se aumentar a periodicidade de visitas à cobertura nas zonas de exposição solar reduzida ou nula.
1.5 Aparecimento de agentes externos: musgos, microrganismos, salinidades
1.5.1 Descrição/formas de manifestação
As principais consequências associadas a estas anomalias são:
• Estagnação dos canais de escoamento, podendo criar zonas de retorno da água pluvial;
• Degradação do material (em casos limite).
1.5.2 Causas comuns
Os musgos e microrganismos alojam-se nas zonas porosas e húmidas da telha. Já
o fenómeno de migração dos sais ocorre pela circulação e posterior evaporação da
água que contém sais e que ficam depositados nas superfícies da telha. As penden-
21
índice
tes com menor exposição solar são as mais suscetíveis de serem alvo desta anomalia (Figuras 22 e 23).
O aparecimento destes agentes externos deve-se sobretudo a:
• Porosidade do material: a telha é um material poroso por natureza produtiva.
Isto, conjugado com o facto de serem sujeitas a permanente contacto com água
potencia o aparecimento destes agentes;
• A insuficiente ventilação dos elementos exponencia o desenvolvimento e alojamento destes agentes.
Figura 22 - Aparecimento de verdetes.
Figura 23 - Degradação por ação de musgos.
1.5.3 Soluções de reabilitação
1.5.3.1 Limpeza e aplicação de hidrofugante
Recomenda-se que as telhas sejam limpas com produto adequado ao efeito e tendo
em conta o estado de desenvolvimento do problema.
A aplicação deste tipo de produtos difere da natureza e grau de agressividade dos
mesmos. Existem produtos pouco evasivos, suficientes para uma intervenção leve,
mas em casos extremos poderá ser necessário utilizar produtos mais agressivos que
exigem normas e cautelas aquando da sua aplicação.
Aplicação
Em casos onde a acumulação de microrganismos não esteja muito avançada, a limpeza
poderá ser feita diretamente no telhado, desde que cumpridas as regras de segurança.
Quando o estado de acumulação ou mesmo degradação é já elevado, recomenda-se
que os materiais sejam retirados, limpos e recolocados novamente na cobertura,
dando ainda lugar à oportunidade de correção da solução construtiva.
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Observações: É de todo conveniente consultar o fabricante para aconselhamento
do produto adequado à intervenção.
Deve ser sempre consultada a ficha técnica e de aplicação dos produtos de limpeza.
1.5.3.2 Substituição dos elementos e correção da solução
Em casos extremos onde o material se apresenta degradado, a recomendação vai
no sentido da substituição dos elementos danificados (ver 1.2.3.2).
1.5.4 Recomendações de manutenção
Ver 1.2.3.2.
1.6 Diferenças geométricas (empenos) e de tonalidade
1.6.1 Descrição/formas de manifestação
Os pequenos empenos e diferenças de tonalidade nos elementos cerâmicos não são
considerados anomalias, mas sim nuances naturais destes materiais de acordo com
a sua natureza produtiva, desde que não sejam identificados de forma acentuada.
1.6.2 Causas comuns
• Contacto com os agentes meteorológicos que exponenciam as peculiaridades
dos produtos cerâmicos;
• Defeitos de fabrico e falhas de qualidade dos materiais.
1.6.3 Soluções de reabilitação
1.6.3.1 Substituição dos elementos
Uma vez que na maioria dos casos não estão em causa as exigências funcionais das
telhas, quer nas diferenças de tonalidade quer nos empenos reduzidos, apenas se
torna necessário analisar o grau de empeno e local do mesmo e a existência de uma
“mancha acentuada” na pendente, em termos cromáticos (Figuras 24 e 25).
23
índice
Figura 24 - Diferenças de tonalidade.
Figura 25 - Diferenças de tonalidade (não percetíveis).
Aplicação
Diferenças geométricas (empenos)
Se o empeno for reduzido e não estiver em zona de possibilidade de infiltração, as
peças poderão ser mantidas. Isto acabará por proporcionar um efeito benéfico à
ventilação da cobertura.
Se o empeno for muito acentuado, criando zonas de suscetibilidade de infiltração
aquando a combinação de ações da chuva e vento, a recomendação vai no sentido
da substituição das peças.
Diferenças de tonalidade
Deverá ser feita uma análise da pendente no geral e a uma distância considerável,
para perceber as diferenças de tonalidade. Caso existam “manchas acentuadas”
visíveis, a solução passa por retirar os elementos, misturá-los e recoloca-los na
cobertura.
Observações: A técnica de misturar os diferentes elementos é recomendada logo
na primeira aplicação da cobertura, onde os fabricantes deverão recomendar que
sejam misturadas as peças de diferentes paletes de forma a tirar melhor partido das
nuances destes materiais.
Repare-se que as Figuras 24 e 25 dizem respeito à mesma área. As diferenças só
são percetíveis a distância reduzida e com radiação solar particular. A um ângulo
diferente e num plano mais afastado a mistura cromática parece-se com uma só.
1.6.4 Recomendações de manutenção
A manutenção periódica passa pela visualização das pendentes e da cobertura em planos
gerais e ligeiramente afastados no sentido de perceber a existência destas anomalias.
24
2. ANOMALIAS EM BEIRADOS, BEIRAIS, EMPENAS E MANSARDAS
As anomalias nestes pontos singulares são essencialmente provocadas pela opção de fixação dos elementos cerâmicos. Sendo zonas terminais e limites da cobertura estão sujeitas
a maiores solicitações ao nível do peso próprio e ação do vento. Por outro lado, são zonas
de elevada importância para o desempenho da cobertura em termos de ventilação (admissão de ar) e subsequente durabilidade.
Em termos de execução o ideal será fixar estas peças com auxílio de meios mecânicos
(grampos, parafusos, etc. – Figuras 26 e 27) que garantam a correta imobilização, mas
que permitam que as peças possam “trabalhar” ao longo do funcionamento do telhado.
Isto é, com a absorção e secagem natural de água as peças cerâmicas tendem a dilatar e
contrair. Este fenómeno deverá ter liberdade para surgir. Fixando totalmente as telhas de
beirado, não serão permitidos estes movimentos. Por outro lado, a fixação mecânica dos
elementos permite uma maior admissão de ar para o princípio de Cobertura Ventilada.
Figura 26 - Esquema de fixação de beirado (corte) [4].
Figura 27 - Esquema de fixação de Beirado (planta) [4].
2.1 Encaixe dos elementos cerâmicos: sobreposição inadequada, desalinhamento, deslizamento
2.1.1 Descrição/formas de manifestação
São perfeitamente visíveis a olho nu e caracterizam-se por alinhamentos nitidamente irregulares entre as peças constituintes de uma linha da mesma pendente.
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índice
2.1.2 Causas comuns
• Tipo de fixação: a fixação inadequada, ineficiente ou exagerada (argamassa) é
uma das principais causas deste tipo de problemas. A ineficiência ou degradação
dos elementos de fixação, ao longo do tempo, conjugada com a ação do vento,
pode provocar anomalias.
• Alteração física dos elementos: sempre que a argamassa perde a capacidade
de fixação poderá ocorrer desalinhamentos, pois ao longo do tempo a cerâmica e a argamassa comportam-se de forma totalmente diferente na presença de
humidade. Assim poderá ser possível encontrar desalinhamentos que são fruto da
necessidade das peças dilatarem e contraírem com a absorção e secagem de água.
2.1.3 Soluções de reabilitação
2.1.3.1 Nova fixação dos elementos
Recomenda-se substituir a fixação com recurso a argamassa por elementos de fixação mecânica.
Caso a fixação já tenha sido efetuada com recurso a acessórios mecânicos mas estes apresentem degradação, recomenda-se a substituição dos mesmos, revendo as
formas de fixação de acordo com as boas práticas de construção.
Aplicação
Os principais passos a seguir na aplicação do beirado são:
• Ensaio das peças de canto (em caso de existência, Figuras 28 e 29).
• Aplicação de uma malha de proteção PVC, cujo objetivo é impedir a entrada de
pássaros e/ou folhas (Figura 30).
• Fixação das peças inferiores (bicas) com auxílio de um parafuso no ponto de
aplicação definido na peça e um grampo de beirado (Figura 3) na lateral, junto
ao término da pendente, cornija ou cimalha.
• Aplicação das peças superiores (capas) com ou sem recurso a parafuso mediante a
capacidade de encaixe da peça, que difere com os modelos possíveis (Figura 31).
Caso seja necessário assegurar transições da pendente para o beirado, ou mesmo
das subtelhas para as bicas de beirado, deverão ser utilizadas membranas ou rolos
próprios para o efeito (Figura 28).
As empenas podem também ser executadas com remates laterais. Neste caso sugere-se que a fixação seja mecânica e os cuidados de aplicação semelhantes (Figura 29).
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Figura 28 - Ensaio de beirado.
Figura 29 - Ensaio de remates laterais.
Figura 30 - Malha de proteção PVC.
Figura 31 - Fixação das capas.
Figura 32 - Beirado à portuguesa.
27
índice
Observações: Cada modelo de telha exige particularidades específicas. Ao substituir os acessórios mecânicos deverá ser tida em conta a correta seleção de materiais,
a fixação destes, os pontos de aplicação e boas praticas, de acordo com os manuais e
guias dos fabricantes.
2.1.3.2 Reposição ou substituição de elementos
Nos casos em que se verifiquem desalinhamentos ou sobreposições as peças podem perder as capacidades funcionais previstas aquando da construção. Deverá haver o cuidado
de analisar estas peças detalhadamente e substituir os elementos degradados por novos.
Aplicação
Ao remover a argamassa nas ligações entre os elementos cerâmicos ou os acessórios de fixação devem ser usadas as ferramentas e técnicas adequadas para não
danificar as peças.
A substituição e incorporação de peças novas carecem de um ensaio prévio e análise visual
estética no sentido de minimizar as diferenças cromáticas entre os diferentes elementos.
Observações: Caso não existam no mercado peças para satisfazer as exigências
funcionais e estéticas, poderá proceder-se à substituição integral de uma determinada zona de beirado, de forma a aproveitar as peças antigas retiradas para colmatar as restantes e minimizar o impacto estético no edifício.
2.1.4 Recomendações de manutenção
Sendo estas zonas muito solicitadas pelo peso próprio e ação do vento, deverá
verificar-se a qualidade das fixações ao longo do tempo, aquando das inspeções
periódicas ao telhado.
2.2 Fraturas nas telhas e argamassas de fixação
2.2.1 Descrição/formas de manifestação
De acordo com o grau da fratura podem ser consideradas de forma evolutiva as
lascas, as fissuras ou em casos limite as fendas.
2.2.2 Causas comuns
Tipo de argamassa utlizada (nomeadamente as suas características de fabrico):
A utilização de argamassas com resistência elevada poderá dar origem a fraturas
nos elementos cerâmicos. Se a sua resistência for reduzida (recomendável para este
28
tipo de fixação) poderão ocorrer fraturas na própria argamassa. Em ambos os casos,
as zonas fraturadas são zonas de possível infiltração.
2.2.3 Soluções de reabilitação
2.2.3.1 Substituição dos elementos
Os elementos fraturados devem ser substituídos por elementos novos, devendo ainda ser verificada a forma de fixação dos mesmos (ver 2.1.3).
2.3 Ação dos ciclos gelo-degelo: descasques, fissuras ou
degradação
2.3.1 Descrição/formas de manifestação
A ação do gelo poderá afetar as peças destes pontos singulares se estas não estiverem corretamente aplicadas segundo as boas práticas. As anomalias geralmente
associadas e visíveis a olho nu são as cores escuras por ação dos microrganismos e
em casos limite os descasques e fraturas.
2.3.2 Causas comuns
Fixação das peças de beirado com argamassa em excesso (Figura 33): Por
um lado, o contato direto com a argamassa vai proporcionar que o elemento não
consiga secar tao rápido quanto desejado, ficando mais tempo saturado e mais sujeito à ação do gelo. Por outro lado, a argamassa absorve água que repassa para a
peça cerâmica e por último obtura a admissão de ar na face inferior da cobertura,
tendo impacto direto no funcionamento geral do telhado.
Figura 33 - Excesso de argamassa de fixação.
29
índice
2.3.3 Soluções de Reabilitação
2.3.3.1 Substituição dos elementos e correção da solução
A substituição dos elementos degradados é a única solução recomendável. Também
a correção da solução de fixação é importante para a resistência dos materiais cerâmicos, mas sobretudo para promover a ventilação geral da cobertura.
Aplicação
Aplicam-se as recomendações indicadas em 2.1.3 para substituição dos elementos
cerâmicos e correção da solução de fixação.
Contudo, no caso de se optar por manter a fixação com argamassa deverão ser precavidas condições de admissão de ar. Para tal poderão ser criados pequenos orifícios
de diâmetros aproximados de 2,0 cm, separados entre 0,6 a 1,0 m, com recurso
a tubos de PVC, PPR ou outros materiais devidamente eficientes para o efeito, que
permitam a admissão de ar para o interior da cobertura (Figura 34).
Figura 34 - Orifícios de ventilação no beirado [4].
Observações: O nível desta intervenção deverá ter em conta as condições de degradação dos materiais da pendente, sendo necessário adotar medidas mais profundas caso o estado do telhado assim o justifique.
2.3.4 Recomendações de manutenção
Recomenda-se que as zonas de entrada de ar sejam inspecionadas periodicamente
para identificar possíveis entupimentos criados por acumulação de detritos, etc.
30
2.4 Aparecimento de agentes externos: musgos, microrganismos, salinidades
2.4.1 Descrição/formas de manifestação
Nestes pontos singulares o aparecimento destes agentes é exponenciado caso a
fixação não permita a correta ventilação dos elementos.
Por outro lado, sendo os beirados zonas de maior passagem de água é natural que
exista maior probabilidade destes fenómenos sucederem, pelo que as consequências
de obturações ou estagnações ao escoamento da água pluvial também serão maiores.
2.4.2 Causas comuns
Fixação dos elementos com argamassa: exponencia o aparecimento destes
agentes, essencialmente pela falta de ventilação, mas também pela migração da
água e sais.
2.4.3 Soluções de reabilitação
2.4.3.1 Limpeza e aplicação de hidrofugante
As peças que apresentem acumulação de qualquer agente externo deverão ser sujeitas a limpeza com produto apropriado e devidamente recomendado (ver 1.5.3.1).
2.4.3.2 Substituição dos elementos e correção da solução
Nos casos em que a limpeza dos elementos não produza o efeito desejado ou haja degradação dos materiais, recomenda-se proceder à substituição dos elementos (ver 2.1.3.2).
2.4.4 Recomendações de manutenção
Ver 2.1.4.
2.5 Diferenças geométricas (empenos) e de tonalidade
Ver 1.6. 31
índice
3. ANOMALIAS EM CUMEEIRAS E RINCÕES
A Cumeeira é a linha de remate superior de uma cobertura inclinada. O telhão, conjuntamente
com os remates, fecham a aresta constituída pela junção superior das duas águas do telhado, impedindo a penetração de água e permitindo a ventilação da cobertura. A Cumeeira é
construída com a colocação de remates (babadouros) na última fiada de telha, sobre as bicas
e entre as capas, aplicando os telhões na linha da cumeeira, sobre as telhas e os remates.
A aplicação dos telhões deve ter um recobrimento mínimo, de acordo com os vedantes das
peças e ser feita no sentido da ação das chuvas e ventos predominantes (Figuras 35 a 37).
Os requisitos para execução da linha do rincão são idênticos ao assentamento da cumeeira. A principal diferença reside no facto da linha de interseção não ser horizontal. O corte
enviesado das telhas e remates deve ser mecânico, para assegurar uma correta sobreposição. A fixação deverá ser efetuada com o recurso a grampos metálicos, parafusos ou
mástique, para permitir uma correta ventilação. Deverá ser aplicada uma membrana microperfurada sob os telhões de forma a permitir a saída de ar, mas a impedir a entrada de
água quando em presença de ventos fortes (Figura 36).
Figura 35 - Esquema de execução de cumeeira.
Figura 36 - Pormenor de cumeeira ventilada.
Figura 37 - Execução de Rincão.
Figura 38 – Membrana Microperfurada.
32
3.1 Encaixe dos elementos cerâmicos: sobreposição inadequada, desalinhamento, deslizamento
3.1.1 Descrição/formas de manifestação
São perfeitamente visíveis a olho nu e caracterizam-se por alinhamentos nitidamente irregulares entre as peças constituintes de uma linha da mesma pendente.
3.1.2 Causas comuns
• Tipo de fixação: é comum existirem desalinhamentos, deslizamentos ou sobreposições inadequadas fruto de má aplicação das linhas de cumeeira, pois são
peças muito solicitadas aos ventos dominantes e situadas na zona mais alta do
telhado. Nos rincões, devido à inclinação natural desta linha, poderão existir estas anomalias quando a fixação for descuidada, ou os elementos mecânicos ou
argamassas perderem a sua capacidade resistente.
• Alteração física dos elementos: o comportamento dos diferentes materiais
aos agentes meteorológicos e no decorrer do tempo poderá causar estas anomalias (ver 2.1).
3.1.3 Soluções de reabilitação
3.1.3.1 Nova fixação dos elementos
Sempre que a causa das anomalias sejam os elementos de fixação, sugere-se que
os mesmos sejam substituídos e que este ponto singular seja aplicado de acordo
com as boas práticas de execução.
Aplicação
As peças deverão ser retiradas cuidadosamente e limpas de argamassas ou outros ligantes.
Deverá ser aplicada uma ripa de madeira de secção mínima de 3,0x3,0cm2 apoiada
nos grampos de suporte de cumeeira apropriados (Figura 3). Estes grampos fixam-se nas duas vertentes aparafusados, de acordo com o suporte existente.
Seguidamente, sobre a ripa é colocada a membrana microperfurada (visível na Figura 38) que deverá ser moldada às condições existentes e colada nas telhas e
remates de cada pendente.
Posteriormente são aparafusados sobre a ripa e sobre a membrana os grampos de
fixação dos telhões de cumeeira (Figura 38), que não só fixarão corretamente os telhões, mas também irão garantir a correta medida de sobreposição entre as peças.
33
índice
Observações: Sempre que a geometria do telhado necessitar de peça de remate
para a cumeeira (por exemplo, em geometrias de duas águas) deverá recorrer-se à
peça “Topo de cumeeira” (Figura 39).
Figura 39 - Topo de cumeeira.
3.1.3.2 Reposição ou substituição
No caso de as peças não apresentarem qualidade suficiente para continuarem a
cumprir as suas funções, deverão ser substituídas por peças novas (ver 2.1.3.2).
3.2 Fraturas nas telhas e argamassas
3.2.1 Descrição/formas de manifestação
De acordo com o grau da fratura podem ser consideradas de forma evolutiva as
lascas, as fissuras ou em casos limite as fendas.
3.2.2 Causas comuns
Excesso de argamassa utlizado na fixação dos elementos cerâmicos: Pelas suas
características funcionais, a importância da fixação destas linhas de interseção de
diferentes planos é muito elevada; consequência disso é recorrente assistir a excessos de argamassa na execução destes pontos, que pelas razões apresentadas em
2.2 poderão levar ao desenvolvimento destas anomalias (Figuras 40 e 41).
34
Figura 40 - Excesso de argamassa em rincão.
Figura 41 - Excesso de argamassa em cume.
3.2.3 Soluções de reabilitação
3.2.3.1 Substituição dos elementos
Na presença de lascas, fissuras ou mesmo fendas, a recomendação é a substituição
das peças tendo em conta os cuidados e boas práticas enunciados em 2.1.3.2.
3.2.4 Recomendações de manutenção
Ver 2.1.4.
3.3 Ação dos ciclos gelo-degelo: descasques, fissuras ou
degradação
Tal como referido para os outros pontos singulares, a resistência aos ciclos de gelo-degelo é também muito importante nestas peças. Ainda que não sejam peças tão
sujeitas à interação com água, pois estão situadas em pontos altos, a interferência
com as argamassas de fixação torna-se preponderante para despoletar as anomalias seguidamente apresentadas.
Por outro lado, o ar admitido no beirado tem tendência a aquecer e convergir naturalmente, ficando alojado e podendo dar azo a condensações caso a ventilação
destes pontos não seja adequada.
3.3.1 Descrição/formas de manifestação
É comum as linhas de cumeeira e rincão sofrerem as primeiras anomalias do telhado, acima de tudo pela frequência com que se encontram excessos de argamassa
35
índice
de fixação nestes pontos. Não só as peças de “telhão de cumeeira” mas também os
“remates” e telhas das primeiras fiadas poderão ser afetadas com os descasques,
fissuras e degradação devido a estes fatores (Figura 42).
Figura 42 - Fissuras, descasques e rebentamentos.
3.3.2 Causas comuns
Utilização de argamassa em excesso (Figuras 40 e 41): impede a ventilação, comprometendo a secagem das peças e facilitando a migração de água e sais para a
cerâmica, ficando estas saturadas por períodos superiores.
3.3.3 Soluções de reabilitação
3.3.3.1 Substituição dos elementos e correção da solução construtiva
Recomenda-se a substituição das peças cerâmicas que não apresentem qualidade, e
também a correção da solução construtiva, de forma a evitar os mesmos problemas
no futuro e garantir a funcionalidade do telhado na sua generalidade. Ver 3.1.3.2.
3.3.4 Recomendações de manutenção
Ver 3.1.4.
3.4 Aparecimento de agentes externos: musgos, microrganismos, salinidades
3.4.1 Descrição/formas de manifestação
O aparecimento destes agentes externos é natural. A importância da ventilação das
peças cerâmicas torna-se assim indispensável para evitar a acumulação destes e
futura degradação.
36
Neste ponto singular da cobertura a obturação do escoamento não se coloca, mas
sim a questão estética e de degradação dos elementos a longo prazo (Figura 43).
Figura 43 - Microrganismos e rebentamentos em cumeeira.
3.4.2 Causas comuns
Utilização de argamassa de fixação: impossibilita a correta ventilação das peças e promove a saturação da zona, promovendo a facilidade de desenvolvimento destes agentes.
3.4.3 Soluções de reabilitação
3.4.3.1 Limpeza e aplicação de hidrofugante
A limpeza com produtos adequados deverá ser suficiente para eliminar a presença
destes agentes naturais. Ver 1.5.3.1.
3.4.3.2 Substituição dos elementos e correção da solução
Sempre que os elementos apresentem degradação elevada, deve-se proceder à sua
substituição de acordo com as práticas enunciadas em 3.1.3.2.
3.4.4 Recomendações de manutenção
Ver 3.1.4.
3.5 Diferenças geométricas (empenos) e de tonalidade
Ver 1.6. 37
índice
4. ANOMALIAS EM LARÓS, CHAMINÉS, RUFOS,
CALEIRAS E ALGEROZES
Para interligação com o telhado, na execução das chaminés, paredes emergentes transversais, longitudinais e de final de pendente, é usual recorrer a remates em tudo parecidos à
execução dos larós (Figuras 44 e 45).
Figura 44 - Laró visto em corte.
Figura 45 - Exemplo de canto interior (laró e “bacalhau”).
A execução do laró é em tudo semelhante à execução do beiral, onde as telhas terminais
deverão ser apoiadas em ripas, aparafusadas e com a colocação em todo o comprimento
de malha de proteção de PVC, para evitar a entrada de pássaros folhas e outros detritos.
Um dos pontos mais importantes da execução do laró é a transição entre as telhas e o rufo
que deverá possuir uma sobreposição tanto maior quanto possível, devendo mesmo o rufo
sobrepor a última ripa de apoio à telha cerâmica.
Uma vez que as peças são alinhadas em linhas diagonais, será necessário recorrer ao corte mecânico das telhas, que deverá ser feito com equipamentos de trabalho e segurança adequados.
4.1 Encaixe entre os diferentes elementos: sobreposição
inadequada, desalinhamento, deslizamento
4.1.1 Descrição/formas de manifestação
Para além do desalinhamento causado por deficientes fixações ou alterações geométricas dos elementos, comete-se muitas vezes o erro de sobrepor em demasia as
telhas sobre o rufo (Figura 46).
38
4.1.2 Causas comuns
• Tipos de fixação: se a fixação for insuficiente as peças poderão descair, desalinhar e criar obturações ao escoamento. É frequente encontrar erros de conceção, onde as telhas das diferentes pendentes possuem pouco afastamento entre
si, criando dificuldades ao escoamento (Figura 46).
• Alteração física dos elementos: a própria alteração geométrica dos elementos cerâmicos (empenos), provocada pelos desalinhamentos e sobreposições
que em função da absorção/secagem da água poderá alterar as peças durante o
tempo. Estes pontos serão considerados pontos fracos da cobertura, com suscetibilidade de infiltração.
Figura 46 - Sobreposição incorreta do rufo.
Figura 47 - Exemplo de rufagem de caleira interior.
Figura 48 - Remate de chaminé mal executado.
39
índice
4.1.3 Soluções de reabilitação
4.1.3.1 Nova fixação dos elementos
No caso da fixação existente ser com argamassa ou ter sido mal executada, sugere-se que
seja corrigida e substituída por fixação mecânica com recurso a acessórios específicos.
Aplicação
Deverá ser removido todo material cerâmico e analisada a qualidade do rufo, das
sobreposições e da ripa terminal.
Se necessário deverá ser aplicada nova ripa de suporte (metálica, PVC, madeira, etc.)
e colocada a malha de proteção PVC (Figura 31) em todo o comprimento da ripa.
Seguidamente aplicam-se as telhas cerâmicas, tendo em conta que deverá ser respeitada a distância entre telhas das diferentes pendentes, de acordo com a capacidade de escoamento livre do rufo.
Observações: A escolha do material que compõe o rufo deverá ser devidamente
acautelada por questões de resistência às intempéries.
Caso o telhado termine em beirado à portuguesa, deverá ser aplicada a peça “Bacalhau” (Figura 45).
4.1.3.2 Reposição ou substituição
Caso os materiais cerâmicos apresentem empenos consideráveis, as peças deverão
ser substituídas seguindo o indicado em 2.1.3.2.
4.1.4 Recomendações de manutenção
Ver 2.1.4.
4.2 Fraturas dos diferentes elementos
4.2.1 Descrição/formas de manifestação
De acordo com o grau da fratura podem ser consideradas de forma evolutiva as
lascas, as fissuras ou em casos limite as fendas.
Sendo estas zonas próprias de escoamento elevado de águas, deverá dar-se especial atenção a fraturas nos elementos cerâmicos e nos rufos de forma a precaver
possíveis infiltrações.
40
4.2.2 Causas comuns
As fraturas nos elementos cerâmicos e rufos podem ser provocadas por:
• Queda de peças, equipamentos ou ferramentas;
• Visitas anteriores descuidadas e ausentes dos cuidados de segurança a ter numa
intervenção desta natureza;
• Queda acentuada de granizo e a alteração física dos elementos (ver 1.2.2);
• Empenos nas peças (devido a desalinhamentos, sobreposições ou defeitos produtivos);
• Tipo de fixação.
4.2.3 Soluções de reabilitação
4.2.3.1 Substituição dos elementos e correção da solução construtiva
De acordo com as boas práticas de conceção destes pontos de escoamento, deverá
proceder-se à substituição dos elementos degradados (ver 2.1.3.2) e à correta execução dos pontos.
4.2.4 Recomendações de manutenção
Ver 2.1.4.
Pormenor
1
2
3
4
5
6
-
Barreira impermeável
Rufo metálico
Remate em zinco para parede (chaminé)
Parafuso
Mástite
Reboco
Figura 49 - Remate de parede (Chaminé).
41
índice
4.3 Aparecimento de agentes externos: musgos, microrganismos e corrosão/degradação
4.3.1 Descrição/formas de manifestação
Ver 3.4.1
4.3.2 Causas comuns
Fixação das telhas terminais do laró com argamassa: provoca obturações à admissão de ar para ventilação da face inferior da cobertura (Figura 50).
Figura 50 - Musgos e verdetes em laró.
4.3.3 Soluções de reabilitação
4.3.3.1 Limpeza e aplicação de hidrofugante
Em casos onde é aplicável deverá ser feita limpeza com recurso a produto hidrofugante (ver 1.5.3.1).
4.3.3.2 Substituição dos elementos e correção da solução
Sempre que a degradação for elevada a limpeza não irá eliminar o ponto fraco,
recomendando-se assim a substituição dos elementos de acordo com o indicado em
2.1.3.2.
4.3.4 Recomendações de manutenção
Ver 2.1.4.
42
4.4 Diferenças geométricas (empenos) e de tonalidade
4.4.1 Descrição/formas de manifestação
No caso dos larós e todo o tipo de remates com auxilio a rufos, a diferença de tonalidade não se coloca apenas entre os elementos cerâmicos, mas com os metálicos,
que pelas suas características poderão perder tonalidade mais cedo, dependendo
das condições do clima e nível de exposição.
4.4.2 Causas comuns
As causas são as mesmas que as apresentadas em 3.5, sendo que no caso dos materiais metálicos, uma vez que a sua função é o escoamento da água das pendentes,
estes estarão mais vulneráveis a alterações físicas.
4.4.3 Soluções de reabilitação
4.4.3.1 Substituição dos elementos
A recomendação vai no sentido da substituição sempre que os elementos apresentem empenos.
No que diz respeito a diferenças de tonalidade, a solução poderá passar pela aplicação de revestimentos apropriados.
Deverão ser seguidos os procedimentos indicados em 1.6.3.1.
4.4.4 Recomendações de manutenção
Ver 1.6.4.
4.5 Acumulação de detritos: entupimentos, obstruções ao
escoamento
4.5.1 Descrição/formas de manifestação
A acumulação de detritos (folhas, animais mortos, etc.) é inevitável, levando frequentemente a entupimentos e obstruções ao escoamento. Estes poderão tornar
estas zonas de acumulação em pontos fracos e de possível infiltração.
43
índice
4.5.2 Causas comuns
• Zona geográfica de implantação do edifício (floresta, etc. – Figura 51);
• Inclinação da cobertura (ver 1.1);
• Subdimensionamento dos canais de escoamento (rufos, caleiras, etc.);
• Falta de manutenção do telhado.
Figura 51 - Acumulação de detritos em cobertura.
4.5.3 Soluções de reabilitação
4.5.3.1 Limpeza dos elementos
Recomenda-se a visita ao telhado, de acordo com as regras de segurança, para limpeza destes elementos (ver 1.5.3.1).
4.5.3.2 Substituição dos elementos e correção da solução construtiva
Por vezes a acumulação exagerada e prolongada de detritos poderá causar a degradação do material cerâmico. Neste caso deverão ser substituídos os elementos
cerâmicos degradados seguindo o indicado em 2.1.3.2.
4.5.4 Recomendações de Manutenção
Ver 2.1.4.
44
índice
Acrónimos
MATC – Manual de Aplicação de Telhas Cerâmicas
PVC – Cloreto de polivinílica
PPR – Polipropileno reticulado
46
Glossário
Figura 52 - Ilustração geral de um telhado.
Legenda
1- Pendente, vertente ou água
2- Beiral ou beirado
3- Cumeeira ou cume
4- Rincão ou guieiro
5- Laró ou guieiro morto
6- Empena
7- Canto interior
8- Canto exterior
9- Mansarda
10- Chaminé
Mástique
Composição pastosa que se emprega para encher fendas ou buracos (silicone).
Nuances
Cada uma das diferentes gradações que pode ter uma cor entre o seu claro e o escuro.
47
índice
Subtelhas
Camada de revestimento interior de cobertura constituída por telhas.
Pontos singulares
Pontos ou zonas específicas da cobertura.
Pendente, vertente ou água
Qualquer superfície plana de uma cobertura inclinada.
Beiral ou beirado
Beira no final da vertente; com a própria telha ou com acessórios específicos respetivamente (Beirado à portuguesa).
Cumeeira ou cume
Interseção superior, geralmente horizontal de duas vertentes opostas, formando um ângulo saliente.
Rincão ou Guieiro
Interseção lateral de duas vertentes, formando um ângulo saliente.
Laró ou guieiro morto
Interseção lateral de duas vertentes, formando um ângulo reentrante.
Usualmente estas linhas são concebidas com recurso a rufos metálicos, apoiados em peças
rígidas cerâmicas ou estruturais, devidamente dimensionados de acordo com a água a escoar.
Empena
Superfície triangular da parede que limita lateralmente uma cobertura de uma ou duas águas.
Mansarda
Aresta de interseção geralmente horizontal, de duas vertentes no mesmo sentido e inclinações diferentes, formando um ângulo saliente.
48
Bibliografia
[1] APICER, CTCV. “Manual de Aplicação de Telhas Cerâmicas”. Coimbra: Associação Portuguesa de Industriais de Cerâmica e Construção, 1998.
[2] Freitas, V.P. “Manual de Apoio ao Projeto de Reabilitação de Edifícios Antigos”. Porto:
Região Norte da Ordem dos Engenheiros, 2012.
[3] NPEN 1304 (2007). “Telhas Cerâmicas e Acessórios. Definições e especificações dos
produtos”. Lisboa: Instituto Português da Qualidade.
[4] Umbelino Monteiro SA, Tabelas e Fichas Técnicas dos produtos, Pombal, 2009.
49
índice
50
Beirados,
Beirais,
Empenas e
Mansardas
Inclinação
Pendentes
Tonalidade
Geometria e
Agentes Externos
Gelo-Degelo
Fraturas
Encaixes
Tonalidade
Geometria e
Agentes Externos
Gelo-Degelo
Fraturas
Encaixes
Anomalia
Elemento/Zona
a inspecionar
O
Anexo Checklist
NO
NA
Localização
Observações
O - Observado; NO - Não Observado; NA - Não Aplicável
Gravidade/Extensão
51
índice
Larós,
Chaminés,
Rufos, Caleiras
e Algerozes
Encaixes
Cumeeiras e
Rincões
Detritos
Acumulação de
Tonalidade
Geometria e
Agentes Externos
Fraturas
Encaixes
Tonalidade
Geometria e
Agentes Externos
Gelo-Degelo
Fraturas
Anomalia
Elemento/Zona
a inspecionar
O
NO
NA
Localização
Observações
O - Observado; NO - Não Observado; NA - Não Aplicável
Gravidade/Extensão
Rua de Santo António, nº 58
3830 – 153 Ílhavo
Tel.: +351 234 425 662
Fax: +351 234 425 664
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