Eu Cuido do Meu Lixo - Colégio Franciscano PIO XII

Transcrição

Eu Cuido do Meu Lixo - Colégio Franciscano PIO XII
Ano 37 • Número 132 • julho e agosto de 2016
Campanha incentiva a reflexão sobre o consumo,
descarte e nosso compromisso com o planeta
Minecraft na
sala de aula
P. 19
Aprendendo a
brincar no recreio
monitorado
P. 8
Uma noite no
colégio
P. 18
Congregação
Eu Cuido do Meu Lixo
2
Sumário
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
14
15
16
17
18
19
20
22
23
Campanha incentiva consumo consciente
Semana Mundial do Brincar / Atividade de Páscoa
Vivências na natureza / Semana do Trabalho
Olimpio 2016
Oficinas de alfabetização / Matemática divertida
Recreio interativo com jogos e brincadeiras
Descobertas na rua / Estudo sobre dinheiro e consumo
O aprendizado da escrita pelos contos etiológicos
Dia da Família 2016
Aprovados 2016
O significado do TAU
Pastoral e compromisso social
55o Arraiá Pio XII
A África entre nós / “Símbolo da Vida”
Uma noite no colégio
Minecraft na sala de aula
Mizzou no Colégio Franciscano Pio XII
Autoridade e autoritarismo: (in)tolerância
Ética e barbárie
Expediente
CONSELHO EDITORIAL
Diretora-geral
Sister Yolanda Marcelino
Diretora administrativa-financeira
Sister Glória de Souza
Vice-diretora administrativa-financeira
Sister Rute Almeida Guimarães
Coordenadora de manutenção e RH
Sister Neide Camparotto Teixeira
Diretora adjunta
Fátima Lopes dos Santos Miranda
Coordenador administrativo
Vicente Barbedo Brandão Neto
Coordenadora de comunicação
Úrsula Costa
Diagramação
Estúdio Umcomum
Revisão
Luciana Maria Sanches
EDITORIAL
Editorial
Imagens
Projetadas e selecionadas por Freepik
Fotografias
Arquivo Colégio Franciscano Pio XII
Argus Studio
A revista EspalhaFato é uma publicação do
Colégio Franciscano Pio XII. Sugestões e contato:
[email protected]
Editorial
O cuidado e a responsabilidade com o
planeta é a inspiração de nossa comunidade em 2016. Todas as séries, do Maternal à 3ª série do Ensino Médio, estão envolvidas na campanha “Eu Cuido do Meu
Lixo” e exploram o tema ao longo do ano
em diversos projetos e atividades.
Para a comunidade educativa, a mensagem ficou ainda mais latente nos eventos
do primeiro semestre, como o Dia da Família, que exaltou o compromisso com os 5
Rs: reutilizar, repensar, recusar, reciclar e reduzir – não apenas no sentido literal, e, sim,
de forma mais ampla, incentivando uma
convivência mais harmoniosa entre todos.
O “arraiá”, que também teve papel de protagonismo na campanha, trouxe todos os
itens de decoração produzidos com materiais recicláveis doados pelas famílias
e trabalhados pelas crianças em sala de
aula, em mais um verdadeiro exercício de
parceria e consciência ecoplanetária.
Entre as atividades do Infantil, merece
destaque o projeto desenvolvido para a
Páscoa, que transmitiu aos pequenos o
verdadeiro sentido da data. As vivências
lúdicas que permitem o aprendizado
mais interessante de Língua Portuguesa e
Matemática no Ensino Fundamental também são abordadas nesta edição, que traz
ainda as descobertas dos contos etiológicos e da compreensão de mapas.
No Ensino Fundamental II, o Minecraft
passou a integrar as aulas de Geografia,
enquanto o projeto “Símbolo da Vida”,
uma das preparações dos jovens para a
próxima fase escolar, tratou da importância de rever o que levamos em nossa bagagem para as próximas etapas da vida.
No Ensino Médio, debates sobre a intolerância e a questão ética versus barbárie
foram trabalhados. A edição ainda tem as
conquistas dos alunos, das universidades
que escolheram e muito mais. Boa leitura!
3
Campanha dissemina a
prática do consumo consciente,
do descarte e da reciclagem
,
Em 2016, o Colégio Franciscano Pio XII
lançou a campanha institucional
“Eu Cuido do Meu Lixo”, com o apoio
da University of Missouri, parceira do
High School.
No Infantil I, o objetivo é conscientizar as crianças de que
qualquer ser humano é um produtor de lixo, para que os
alunos entendam a importância do descarte correto e o
cuidado que se deve ter com o planeta, além de aprender
a identificar os diferentes materiais descartados durante o
lanche e os tipos de lixo que podem ser reciclados.
Os alunos do Ensino Fundamental II também participam ativamente. No 9º ano, por exemplo, um projeto
interdisciplinar desenvolve atividades para sensibilizar
os alunos para a questão da produção e do destino
do lixo, além de debater assuntos como os critérios de
separação de dejetos domésticos, a composição e as
possibilidades de reaproveitamento, a necessidade de
mudança nos padrões de consumo e de produção de
lixo, o ciclo de vida das embalagens e os destinos finais
de resíduos.
Já o Ensino Médio estuda o tema em seminário e apresenta, no segundo semestre, o Festival do Minuto, com
vídeos sobre o assunto, especialmente o impacto que
a relação do homem com o consumo e o descarte causa na natureza e na sociedade.
As atividades e os projetos dos alunos serão apresentados a toda a comunidade educativa no Sábado Cultural.
O
A Educação Infantil deu o foco da campanha à reciclagem,
reutilização de material e separação dos diferentes lixos.
O Maternal II trabalha as atitudes de conscientização para
ajudar a preservar a natureza por meio da coleta seletiva e
sua reciclagem e, entre as atividades, estão a observação,
na escola, de como é feita a coleta seletiva; exibição de vídeos relacionados ao tema; leitura de livro sobre o assunto; coleta seletiva com a família; e confecção de objetos
feitos com sucata.
O Ensino Fundamental I também apresenta diversas
ações, como no horário do recreio, em que os alunos
são orientados sobre como fazer o descarte adequado das embalagens, ou a atividade do 5º ano, que envolve as disciplinas de Matemática, com infográficos,
e de Geografia, com a exibição do filme A História das
Coisas, que aborda, entre outros assuntos, o consumo
exagerado de bens materiais e o impacto agressivo
que esse consumo desregrado acaba exercendo sobre
o meio ambiente.
O
Os alunos estão trabalhando temas sobre como produzir
menos lixo, qual a forma correta de descartá-lo e como
minimizar os impactos ao meio ambiente. A estudante da
3ª série do Ensino Médio Giulia Costa Silva Golfare criou
a logomarca da campanha com base no mote proposto
pela escola. A imagem está sendo utilizada em todos os
materiais, desde camisetas das equipes pedagógicas e
técnicas, até lixeiras espalhadas pelo colégio com mensagens voltadas ao tema. “A campanha mostra como podemos cuidar do lixo dentro e fora do nosso colégio, incentivando e valorizando ainda mais a iniciativa, para que
todas as práticas sejam ampliadas no convívio da comunidade escolar”, pondera Fátima Miranda, diretora adjunta
do colégio.
A turma do Infantil II trabalha os 3 Rs (reduzir, reciclar
e reutilizar) por meio de atividades que mostram o impacto do lixo no planeta e desenvolve uma atividade
de recorte e colagem de ações que ajudam a melhorar
o planeta, além de separar o lixo na hora do lanche.
Congregação
1 E 2 BIMESTRES
A
campanha permeia todos os eventos e atividades pedagógicas da instituição e chama a atenção para um assunto muito importante: o lixo, do
consumo consciente à reciclagem. A iniciativa deriva do
tema da Campanha da Fraternidade 2016, “Casa Comum,
Nossa Responsabilidade”, e reforça sua mensagem com
reflexões e ações práticas.
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EspalhaFato • julho e agosto de 2016
Semana Mundial do Brincar 2016
resgata o encanto pela infância
A
Semana Mundial do Brincar é uma mobilização idealizada pela Aliança Pela Infância,
movimento mundial que atua em prol da reflexão e ação das pessoas que se preocupam com o
cuidado e a educação das crianças.
Este ano, o evento ocorreu em maio, simultaneamente
em diversos países, com o tema “O brincar que encanta
o lugar”. O objetivo foi evidenciar o olhar de encanto pela
infância e o envolvimento de adultos nas brincadeiras.
No Colégio Franciscano Pio XII, os alunos trouxeram
seus amigos para brincar juntos, assim, ampliamos
ainda mais a participação comunitária e a rede de encantamento e alegria.
Todas as séries da Educação Infantil brincaram entre
si, com os mais velhos cuidando e ajudando os mais
novos, enquanto os pequenos se admiravam e imitavam os maiores.
Ao fim da semana, todos tinham brincado com outros
alunos e amigos, e estabelecemos uma grande rede
de vínculos e envolvimento da comunidade educativa e dos convidados, além do respeito e encantamento com as pessoas e o espaço comum.
Professora Bárbara Barreto, Educação Física
Os corredores e o parque da Educação Infantil foram
dominados por caixas e tecidos. As crianças criaram e
transformaram esses materiais simples e não estruturados de diversas maneiras, sempre construindo e elaborando muitas histórias e aventuras! Isso sem contar
os brinquedos da cultura popular da infância.
O verdadeiro sentido da Páscoa
P
O
O
1 E 2 BIMESTRES
Editorial
ara celebrar a Páscoa, ressurreição de Jesus e
data mais importante para os cristãos, os alunos da Educação Infantil prepararam uma massa de pão para fazer a partilha com os colegas e beberam suco de uva, fazendo uma analogia à última
ceia de Jesus Cristo e seus apóstolos.
O professor José Maria criou uma tenda especial para a ocasião, deixando o espaço
muito parecido com o da época. Para
entrar, todos precisaram tirar os sapatos. A atividade procurou explicar o real
sentido da Páscoa e propor a reflexão sobre
o significado religioso da data, que é a partilha, a valorização da fé e o amor ao próximo diante da reflexão do renascimento da
vida. Os alunos ouviram histórias e assistiram a vídeos nas aulas de Ensino Religioso e sabiam explicar todos os detalhes.
Dando continuidade à ação, no dia seguinte, as crianças fizeram a caça aos ovos. Feitos de plástico, os ovos
tinham sido previamente pintados em sala de aula pelos
alunos, que estudaram o significado do símbolo e foram
convidados a refletir, por exemplo, sobre o motivo de, na
época, os ovos estarem associados aos coelhos, já que os
animais não são ovíparos! Para finalizar, os alunos levaram para casa o tradicional ovo de chocolate.
5
Vivências na natureza: música e movimento
A
Campanha da Fraternidade 2016 aborda
nossa responsabilidade de cuidar do planeta, nossa casa comum. Entendemos, assim,
que é necessário estimular a interação e o cuidado
com a natureza desde a primeira infância, para que
haja consciência ambiental no decorrer da vida e a
possibilidade de construção de uma nova relação do
ser humano com a Terra em um mundo sustentável,
justo e solidário.
Nossos momentos na natureza foram muito ricos!
Nosso colégio tem mata preservada e um rico pomar
e, para nossa sorte, as árvores frutíferas estavam carregadas de deliciosos frutos. Pudemos observar, entre
outras, a mexeriqueira, o limoeiro e o pé de maracujá.
Nas aulas de Música, desde a saída da sala ansiávamos por qual paisagem sonora encontraríamos. Estamos bem perto da Marginal do Pinheiros e conseguimos ouvir alguns ruídos vindos do trânsito e até o
barulho do trem, sem contar os vários sons emitidos
por uma imensa variedade de pássaros. Trabalhamos
conceitos musicais de altura, intensidade, duração e
timbre brincando na natureza. Cantamos, tocamos,
ouvimos histórias, aprendemos bastante e nos divertimos muito!
As vivências nas aulas de Educação Física também foram muito significativas. Brincamos descalços na grama, subimos em árvores, fizemos trilhas em pequenos
troncos de árvores, escalamos gramados inclinados,
brincamos na terra e na areia com galhos, pinhas e pedras. As crianças criaram e exploraram livremente sua
imaginação e a construção coletiva, respeitando o outro e a natureza.
Todas essas experiências ajudaram as crianças a entender que a natureza é um espaço de brincadeira e de
todos, que deve ser respeitado, valorizado e cultivado.
Professoras Luciana Calegari, Música, e Bárbara
Barreto, Educação Física
Semana do Trabalho
A
E para fortalecer ainda mais nossos conhecimentos sobre as profissões, proporcionamos brincadeiras de faz
de conta. As crianças brincaram de enfermeira, cabeleireiro, mecânico, professor e médico.
O contato dos alunos com os profissionais enriqueceu
ainda mais a aprendizagem sobre o assunto, pois as
crianças tiveram a oportunidade de não só observar
os uniformes e acessórios, como fazer perguntas e entender mais sobre o dia a dia desses trabalhadores.
O
Em seguida, conhecemos a história “A Cigarra e a Formiga” e conversamos sobre a importância do trabalho
em nossa vida.
Para finalizar o aprendizado, recebemos a visita de
policiais, que nos contaram sobre sua profissão e mostraram seu uniforme e sua viatura. Nesse dia, também
conhecemos o bombeiro e seu carro, com todos os
equipamentos e sua roupa especial. Logo depois, veio
o pessoal do Samu. Entramos na ambulância e até tocamos a sirene!
O
Após essa etapa, fomos passear e observar quantos
trabalhadores atuam no colégio, como porteiros, jardineiros, marceneiros, bibliotecárias, enfermeiras,
professores etc. Descobrimos, então, que todas as pessoas, cada uma com a sua profissão, são igualmente
necessárias para o mundo.
Congregação
1 E 2 BIMESTRES
ntes de iniciar as atividades com as crianças
relacionadas à Semana do Trabalho, foi importante ouvir o que elas sabiam sobre o assunto.
Então, começamos com uma roda de conversa com
as seguintes perguntas: o que é trabalho? Vocês conhecem alguém que trabalha? Seus pais trabalham?
O que eles fazem? Qual a profissão do seu pai? E da
sua mãe?.
6
EspalhaFato • julho e agosto de 2016
Olimpio 2016
E
ste ano, o campeonato interclasses recebeu
o nome de Olimpio, em homenagem ao ano
olímpico no Brasil, tendo o Field Day como primeira etapa.
EVENTOS
Editorial
A Olimpíada surgiu em 776 a.C., e dela participavam
apenas homens fortes, considerados semideuses. Os
vencedores eram premiados com uma coroa de folhas de louro, único troféu e símbolo maior da vitória.
O fogo olímpico, que simboliza a energia, a força e o
vigor desses jogos, é aceso até hoje pelo calor do sol
refletido em espelhos. Essa cerimônia do fogo é feita
por mulheres que representam sacerdotisas e deusas, pois a história conta que nenhum humano pode
acender a chama.
Na abertura da Olimpio, procuramos encenar a cerimônia do fogo. Nossas alunas estavam caracterizadas
como deusas do Olimpo e, com sua dança, reverenciaram o fogo sagrado. Os alunos dos 1os anos do Ensino Fundamental representaram a energia e alegria
de competir com uma coreografia vibrante feita com
o swing pow, material composto por uma bolinha de
borracha e fitas, que deram um colorido todo especial
à apresentação.
Os responsáveis por acender as tochas da nossa Olimpio foram três atletas. Dois deles são alunos da 3ª série
do Ensino Médio: Ana Beatriz da Silva, da equipe de voleibol, e Diego Mendonça Peres, do futebol de campo.
Eles foram escolhidos porque concluem seu ciclo no
Colégio Franciscano Pio XII este ano e, principalmente,
porque carregam os valores olímpicos com honestidade, honra e empenho ao longo de sua caminhada no
colégio. A atleta olímpica e professora de Educação Física, Juliana Cabral, foi a terceira responsável por acender a tocha. Na Olimpíada de 2004, em Atenas, Juliana
representou o Brasil com a equipe feminina de futebol
de campo e trouxe a medalha de prata para o nosso
país. É uma grande honra para o colégio tê-la conosco.
Além da emocionante representação do acendimento do fogo olímpico, a apresentação dos alunos das
3as séries do Ensino Médio, uma tradição do nosso
colégio, foi muito especial nesse dia, com a participação de toda a comunidade escolar, e, claro, de nossa
querida Santa Clara, que nos abençoou com um sol
deslumbrante.
Equipe da Educação Física
7
Oficinas de alfabetização colaboram com
o aprendizado
D
esde as primeiras etapas do desenvolvimento, o indivíduo elabora hipóteses a respeito
do mundo que o cerca de acordo com sua
capacidade de compreensão em cada fase. Para experimentar, construir e reproduzir esses conceitos, a
criança utiliza brincadeiras e jogos, sejam de enredo
ou de regras.
Assim, foi proposto o uso de jogos de letramento, tais como cantigas lacunadas, bingo
com letras móveis, versões de dominós e atividades que envolvem leitura – todas muito
bem recebidas pelos alunos!
Professoras do 1º ano
Considerando a importância dos jogos para o desenvolvimento dessa faixa etária, elaboramos a proposta
das “estações de alfabetização”, com o objetivo de dar
a oportunidade ao aluno de refletir sobre a linguagem e seu uso social de maneira lúdica.
a
b
c
d
A interação com esses materiais também possibilita ao
professor observar os avanços dos alunos e fazer mediações muito mais precisas. Além disso, diante da interação que o jogo proporciona, as crianças podem questionar o que já sabem e reformular, sem tanto receio do
“certo” e “errado”, já que o jogo as liberta pelo caráter
da experimentação e contribui para seu aprimoramento no domínio das habilidades de leitura e escrita.
Quem disse que a Matemática não
pode ser divertida?
Professoras do 2º ano
O
O
Por isso, propusemos vários jogos, como “cubra e descubra”, “nunca dez”, “as uvas”, “fichas sobrepostas” e
“par ou ímpar”. Nessas práticas, os alunos são convidados a elaborar estratégias de cálculo mental (que
envolvem as operações fundamentais), comparar
quantidades na sequência numérica e coletar e selecionar informações, além de estabelecer regras com
seus pares.
Ao jogar, os alunos solucionam problemas, portanto,
elaboram estratégias acerca de alguns conceitos matemáticos, tornando-se, assim, protagonistas de sua
aprendizagem. Além disso, com os jogos, a importância do desenvolvimento de uma atitude positiva em
relação à matemática é ressaltada, com valorização à
sua utilidade, lógica e beleza.
Congregação
1 E 2 BIMESTRES
N
as aulas dos 2os anos, a diversão caminha
lado a lado com as novas aprendizagens, as
descobertas e os desafios que permeiam a
linguagem matemática. Entendemos que os jogos
ajudam os alunos a construir, desenvolver e aplicar
conceitos e procedimentos, atribuindo significado
ao que estão fazendo e evitando a simples memorização e mecanização das estratégias.
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EspalhaFato • julho e agosto de 2016
Recreio interativo ensina
jogos de tabuleiro e brincadeiras
O
O
1 E 2 BIMESTRES
Editorial
O projeto “Recreio Interativo e Monitorado” foi idealizado pela Orientação Educacional do Ensino Fundamental, que percebeu a necessidade de proporcionar
uma variedade maior de jogos e brincadeiras aos alunos e de prepará-los para o 3º ano, em que podem
decidir suas preferências com mais autonomia. “O objetivo é que as crianças possam ampliar suas relações
interpessoais e deixar que o uso da bola seja exclusivo
nesse período. Com isso, o repertório de brincadeiras e jogos é ampliado”, explica Rosimeire Pellegrini,
orientadora educacional do Ensino Fundamental.
O “Recreio Interativo e Monitorado” é realizado todos
os dias da semana e foi planejado de forma a atender
a demandas e necessidades das turmas na exploração
dos espaços do colégio. Há o “dia do bosque”, para
um piquenique e atividades com jogos de tabuleiro
e petecas; o “campão”, com diversas propostas com
os bambolês e bonecas; as “quadras”, para o uso da
bola ou de brincadeiras, como mãe da rua e pique-bandeira, entre outras atividades.
“
Neste ano, já estamos presenciando em nosso
convívio alunos mais felizes, estabelecendo relações de reflexão, companheirismo, colaboração e aprendizagens. Enquanto isso, os alunos dos 3os anos optam por situações lúdicas
com mais autonomia.
Rosimeire Pellegrini, orientadora educacional do Ensino Fundamental
“
V
ocê sabia que o recreio faz parte da atividade
educativa e é essencial para o aprendizado?
As atividades livres ou dirigidas, durante o
período do intervalo, possuem um enorme potencial
educativo. Desde 2015, os alunos de 2º ano são orientados para o brincar de forma variada, com um diversificado leque de escolhas à disposição.
9
Descobrindo que as ruas têm cheiros e cores
S
abemos que o trabalho com alfabetização cartográfica é fundamental para que os alunos
possam ler e utilizar um instrumento básico da
geografia: os mapas. Para compreendê-los, entretanto, os alunos precisam apreciar e vivenciar atividades
que favoreçam o amadurecimento e adquirir certo
domínio de informações sobre o meio representado.
Na compreensão sobre o conceito de paisagem, a
proposta foi despertar o reconhecimento da área sob
os aspectos topográficos, urbanos e sociais. Para tanto, os alunos foram levados até a portaria da escola
para examinar a Rua Colégio Pio XII, onde puderam
observar, descobrir e responder perguntas sobre as
características e singularidades da via, como o movimento de pedestres e carros, cores que enxergaram,
odores que sentiram e sons que ouviram. A curiosidade se estendeu até sobre o histórico da região em que
nossa escola está inserida. Os alunos aproveitaram
intensamente e se mostraram muito entusiasmados.
A propósito, você sabia que Morumbi, em tupi, significa “mosca verde”?
Professoras do 3º ano
O projeto consiste em comparar e vivenciar situações
em que os alunos se percebam como indivíduos pertencentes ao planeta e que concluam que suas ações
podem fazer a diferença. Outro ponto importante
está relacionado à economia e ao planejamento futuro. As crianças têm a oportunidade de projetar um
sonho e calcular quanto devem poupar, desde já, para
que ele se torne realidade. O projeto oferece um leque de novos desafios e experiências que vão surpreender a cada descoberta.
“Esse livro me ensinou a tomar decisões importantes, como eu mesmo resolver o que vou fazer
com o meu dinheiro” - Luiz Gustavo Junqueira
“O livro me ensinou que é importante economizar dinheiro para o futuro e que cada coisa tem o
seu tempo” - Carolina Gouveia
“Eu achei o livro muito bom, porque ele diz que
ser providente é ótimo e guardar dinheiro para o
futuro, também” - Henrique Fernandes
“Eu acho importante poupar para o futuro porque assim você já terá dinheiro para usar, pois na
infância você já aprendeu um pouco sobre isso,
tornando sua vida melhor” - Guilherme Euvaldo
“Eu acho importante economizar, porque dinheiro não cresce em árvore e porque existem pessoas que precisam de dinheiro, enquanto outras
jogam fora” - Lorena Leal
O
Confira no quadro algumas considerações dos alunos
após a leitura inicial do livro.
Professoras do 4º ano
O
E
m 2016, iniciamos com os alunos dos 4 anos
na área de Matemática o trabalho com o livro
de literatura infanto-juvenil O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família. Além da educação financeira,
o objetivo da leitura é despertar em cada criança a
maturidade para desenvolver um olhar diferenciado
em relação ao consumo exacerbado e ao desperdício
desenfreado que assola nosso planeta.
os
“É preciso economizar, não gastar muito e comprar só o que for preciso” - Pedro Vasconcelos
Congregação
1PASTORAL
E 2 BIMESTRES
Um estudo sobre
dinheiro e consumo
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EspalhaFato • julho e agosto de 2016
O aprendizado da escrita pelos
contos etiológicos
U
ma das importantes atividades desse semestre para os 5os anos foi o aprendizado
de um gênero do mundo da literatura oral:
o conto etiológico africano.
O primeiro passo foi o levantamento dos conhecimentos que os alunos tinham a respeito da África. Em
seguida, veio o conhecimento da principal característica do gênero, ou seja, a explicação de um fato ou a
origem de um aspecto, forma, hábito etc. Na próxima
etapa, foi proposto que os alunos produzissem um
conto etiológico, em trios ou duplas, que fosse lido
para os colegas das outras classes.
Os alunos releram o conto de que mais tinham gostado e listaram outros títulos que poderiam inspirar
uma boa história, como: por que as cobras não têm
pernas?, por que a onça tem pintas?, por que os pássaros cantam?
Durante o processo de construção do texto, os alunos produziram mais de uma versão, procedimento
essencial para que iniciassem um aprendizado fundamental sobre o ato de escrever, ou seja, que é necessário revisar e reestruturar a produção.
Nessas atividades, os alunos também puderam refletir
sobre alguns conteúdos trabalhados, como a função
dos substantivos, dos adjetivos, dos pronomes, da
pontuação, da concordância entre as palavras, além
de algumas regularidades ortográficas. Feitas todas as
intervenções, foi só treinar bastante a leitura e compartilhar com os colegas!
Professoras do 5o ano
Editorial
Livraria / Papelaria / Café
Rua Santo Américo, 306 – Morumbi
(em frente ao Colégio Santo Américo)
Fones: 3771-2050 / 3744-2430 - Fax: 3743-1965
www.workbook.com.br
11
Dia da Família 2016
O
Dia da Família deste ano propôs uma reflexão a todos: como podemos fazer a
diferença e tornar nossa realidade mais
harmoniosa? Uma das atitudes possíveis é nos comprometer com o grande tema proposto para o dia,
os 5 Rs: reduzir, reciclar, reutilizar, repensar e recusar.
Na primeira parte do evento, a coroação de Nossa
Senhora, os 5 Rs foram propostos na perspectiva de
nossas ações e atitudes: reciclar a nossa mente e abri-la pra novas ideias, reutilizar os nossos dons e compartilhá-los com os outros, recusar o que nos impede de viver como irmãos, reduzir o nosso desejo de
ver o erro dos outros e enxergar neles o que é bom
e repensar as nossas atitudes, transformando-as em
gestos de amor.
O passeio ciclístico, a recreação e o piquenique literário, um cantinho para todos aproveitarem uma boa
leitura em um ambiente especial, também integraram
a programação do Dia da Família 2016.
Congregação
EVENTOS
Após a celebração, as famílias tiveram a oportunidade
de participar de diferentes oficinas, como origami, jogos, plantação de temperos e scrapbook com materiais
recicláveis, além de culinária com reaproveitamento
de alimentos, entre outras diversas atividades que divertiram e convidaram à reflexão, como o Troca-Livros,
ação em que todos podem doar e retirar livros, em
mais uma concreta experiência do tema do dia.
12
EspalhaFato • julho e agosto de 2016
AMANDA R. O. SOUZA
PUC
Pedagogia
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Damásio / Faap
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ARTUR A. DOS S. PIERONI
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AUGUSTO N. DA PONTE
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CARLOS Y. NISHIGAWA
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GUILHERME S. ALARSA
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História
O
O
1 E 2 BIMESTRES
Editorial
Aprovados 2016
13
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O
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UFSC - Eng. de Materiais
Congregação
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Aprovados 2016
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EspalhaFato • julho e agosto de 2016
O significado do TAU
D
e onde vem o TAU, utilizado com devoção pelos franciscanos? Qual o significado do TAU?
Essas perguntas são bastante comuns e partem até mesmo no meio franciscano, entre os muitos
que desejam conhecer mais profundamente o significado e a origem desse símbolo.
Nós, que vivemos hoje no mundo da tecnologia, temos a tentação de banir os símbolos, mas são eles que
tornam a vida menos árida. Porém, não se deve atribuir poderes sobrenaturais e mágicos a esse símbolo
que é distintivo dos franciscanos. Não é amuleto, não
afasta maus-olhados, não garante sucesso. É um símbolo para os franciscanos e, como tal, lembra-nos de
outras realidades.
Nas Sagradas Escrituras, podemos perceber que símbolos são sinais para pessoas escolhidas, usados para livrá-las de catástrofes, pestes. Deus marca aqueles que Ele
escolhe. De onde veio esse formato? O TAU é a última
letra do alfabeto hebraico e a décima nona letra do grego. Pelo formato, é possível dizer que precede a Cruz de
Cristo. É citado no Êxodo e pelo profeta Ezequiel.
O
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Editorial
Os primeiros a usar esse símbolo foram os cristãos,
nas catacumbas. O eremita Santo Antão usava um cajado com o formato do TAU. Mais tarde, os antoninos,
seguidores de Santo Antão, adotaram o TAU como
seu distintivo.
O Papa Inocêncio III (1160-1216) explica que quem o
traz consigo demonstra que vive sua fé, já que o TAU
tem formato de cruz. Foi esse papa que, na abertura do Concílio de Latrão, em 1215, convidou a Igreja a
uma nova Páscoa. Comentando o texto de Ezequiel,
convidou todos à conversão e penitência: “A misericórdia será usada com aqueles que trouxerem o TAU,
marca de uma vida renovada ...”.
A partir daí, São Francisco de Assis quis ser um homem marcado pelo TAU e o adotou como símbolo
da Ordem, para que seus irmãos fossem igualmente
marcados como homens de penitência. Era o sinal da
pertença a Deus. Para ele, era o símbolo preferido. São
Francisco o utilizava como assinatura e marcava as selas de todos com o sinal do TAU, além de traçá-lo sobre
si mesmo antes de iniciar qualquer ação. O seu próprio
hábito, sua vestimenta, tinha a forma de um TAU.
Geralmente, o TAU é feito de madeira e pendurado
em cordão simples, com três nós, significando os votos religiosos de pobreza, castidade e obediência.
No Colégio Franciscano Pio XII, temos o grupo Fulanos de TAU, composto pelos alunos da Pastoral. Ao
receber o símbolo e a camiseta, eles sabem que não
estão usando um adorno e, sim, um símbolo que vem
carregado de responsabilidades.
Colaboração de Sister Yolanda
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Pastoral e compromisso social
Aprender e ensinar:
compromisso de todos nós
“
Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.
Paulo Freire
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Foi feita a proposta para os alunos do Ensino Médio,
e eles rapidamente formaram um grupo que, todas as
segundas-feiras, recebe cerca de 15 crianças para desenvolver essas habilidades.
O projeto recebe a ajuda voluntária de algumas professoras, especialistas em alfabetização, que oferecem formação para que o trabalho seja de boa qualidade. Há que ressaltar, no entanto, a disposição e o
compromisso do grupo de alunos, que encontram,
em meio a tantos afazeres, um tempo para dividir o
que sabem nesse ato de solidariedade e consciência
de transformação.
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No início deste ano, o Colégio Franciscano Pio XII assumiu o desafio e o compromisso de começar um projeto que tem como objetivo ajudar crianças matriculadas em escolas públicas a dominar, de maneira mais
autônoma, o ato de ler e escrever.
A cada semana, as crianças saem motivadas a trazer
uma novidade que possa contribuir com o aprendizado. Já os “alunos facilitadores” buscam novas maneiras de poder superar as dificuldades encontradas
por elas.
Congregação
1PASTORAL
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Pensar que muitas pessoas no mundo são excluídas
da possibilidade de acesso à escrita e à leitura é doloroso. No Brasil e em muitas partes do planeta, o analfabetismo é uma realidade.
O processo tem sido, para todos, um benefício que
ninguém consegue traduzir em palavras. A alegria de
uma criança ao dominar a técnica de “decodificar” e
“significar” uma palavra é indescritível. A satisfação de
um “aluno facilitador”, ao ouvir uma criança completar a leitura de uma frase, não tem medida.
“
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m alguns momentos da vida, ela nos marca de
forma mágica. Quando aprendemos a falar e a
nos comunicar com as pessoas e o mundo pela
palavra, parece que todos os problemas estarão resolvidos. À medida que aprendemos que a fala pode ser
codificada e podemos receber e transmitir informações por pequenos “rabiscos”, nós nos sentimos em
uma interação total com a vida.
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55º ARRAIÁ PIO XII
vem, povo meu, cuidar da nossa casa!
“
“ ...Te fiz a terra com mãos de ternura:
com os seres que nele vivem, cuidar do que produzimos e, principalmente, do que descartamos; de assumir a responsabilidade que temos com a Terra!
Alunos e professores de Arte e Educação Física
apresentaram coreografias que foram do resgate das brincadeiras na natureza, do cultivo e da
colheita, até as tradicionais quadrilhas, incluindo a
de pais e convidados.
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EVENTOS
Editorial
oi com imensa alegria e satisfação que recebemos, em nosso 55º Arraiá, toda a família Pio XII
e os amigos. Foi um dia abençoado, com a presença e participação de todos, desde o planejamento
da festa, com a confecção de cada item da decoração
e adereços, sempre com muita alegria!
O objetivo do evento deste ano, além de promover
um momento de compartilhamento, foi de fazer um
convite à reflexão sobre o mote “Casa Comum, Nossa
Responsabilidade” e, portanto, de unir a nossa festa
à Campanha da Fraternidade de 2016, no intuito de
tornar possível o compromisso com o nosso planeta e
Nosso ginásio parecia um vilarejo, com direito a banco
na praça, fogueira, espantalhos e uma singela igreja
que acolhia Nossa Senhora. Tudo e todos muito calorosos, brincaram, riram e se divertiram muito!
Já ao redor do ginásio, muitas comidas, brincadeiras e
música. Este ano, o Trio Terra da Garoa prestigiou nossos convidados com músicas caipiras e forrós.
E foi nessa harmonia e espírito de acolhimento, com
os valores franciscanos, que recebemos a comunidade e os convidados para vivenciar a alegria da festa
junina, data de comemoração e celebração religiosa
da cultura brasileira.
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A África entre nós!
A
creditamos que a Língua Portuguesa seja
responsabilidade de todas as disciplinas, na
medida em que é por meio dela que intercambiamos saberes, interpretamos e nos comunicamos. Já o ensino da história e cultura afro-brasileira
no Brasil sempre foi lembrado nas aulas de História,
com o tema da escravidão negra africana. Entretanto,
a partir da Lei 10.639/03, novas diretrizes curriculares
passaram a ser exploradas, como ressaltar a cultura
afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira. Desse modo, os negros são considerados sujeitos históricos, cujas ideias e cultura devem ser valorizadas.
Assim, desenvolvemos um trabalho interdisciplinar
de História e Língua Portuguesa, nas salas de 6os anos,
e exploramos o livro O Segredo das Tranças e Outras
Histórias Africanas, de Rogério Andrade Barbosa.
Em História, os grupos desenvolveram pesquisas, produziram apresentações, maquetes, jogos e vídeos, aliando
as narrativas aos países de origem. No dia da apresentação, tivemos até comida típica para degustação.
Ao trabalhar com a literatura, vários aspectos foram
ressaltados, como o aprendizado dos aspectos culturais da vida dos povos africanos, principalmente, a
diversidade. Outro aspecto que merece destaque é o
trabalho com a literatura propriamente dita, em que
destacamos a importância do símbolo, porque é ele
a grande matéria da literatura. Quais são os segredos
escondidos nas tranças de um povo que são a nós revelados na medida em que destrançamos, interpretamos suas palavras? Como os provérbios do livro se
relacionam com as histórias? E o que eles nos contam?
Responder a essas questões foi como revelar aos poucos um grande segredo: toda vez que descobrimos
algo importante no outro, nós nos aproximamos mais
e mais de nós mesmos.
A riqueza das apresentações nos fez enxergar o quanto podemos contribuir para que a cultura africana
seja vista de modo ampliado e positivo. Foi possível,
ainda, perceber o quanto de africanos temos em nós.
Professoras Ana Paula Dini, Língua Portuguesa, e
Heloísa Santos, História
Para Eline Souza, professora de História, “as malas viajam repletas de paisagem, gente, vozes, lembranças e
convidam o aluno-viajante a realizar
várias paragens e muitos voos, pelo
ontem, pelo hoje e pelo amanhã”.
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Todas as disciplinas participam do projeto, do qual
também faz parte a valiosa e emocionante contribuição dos familiares, amigos e todos os integrantes da
comunidade escolar, por meio de cartas, fotografias
e objetos.
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No projeto “Símbolo da Vida”, desenvolvido no 9º
ano do Ensino Fundamental, os alunos vivem essa experiência enriquecedora. São convidados a construir
malas que contam suas histórias por meio de objetos
simbólicos que resgatam memórias da infância, da
família, da escola, dos amigos e da trajetória de cada
aluno até este ponto da vida, afinal, os estudantes
do 9º ano estão chegando ao fim de uma fase muito
importante. É o Ensino Fundamental que se encerra
para dar lugar ao um novo ciclo, o Ensino Médio.
Partindo da reflexão: “Que bagagem foi reunida ao
longo da minha história e o que dela quero levar para
minha nova etapa?”, propõe-se aos alunos que resgatem e percebam os itens que compõem a sua história,
sua bagagem; quais os valores e sentidos que o acompanharam até aqui, que constroem o sentido maior
de sua existência; e o que levarão para a nova fase.
Congregação1 E 2
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uando a vida se inicia, temos apenas uma
pequenina mala de mão... À medida que os
anos vão passando, a bagagem vai aumentando com os diversos itens que recolhemos pelo
caminho, além dos que são trazidos por nossos pais,
familiares, amigos e professores. E, a cada novo ciclo,
analisamos e escolhemos o que deve continuar a seguir conosco em nossa jornada.
BIMESTRES
“Símbolo da Vida”, o projeto especial do 9o ano
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Uma noite no colégio
Alunos de 6os e 7os anos fazem observação noturna
com iPad
C
om o tablet na mão e os olhos voltados para
o céu, alunos dos 6os e 7os anos realizaram a
observação noturna das constelações, da
lua e dos planetas. A atividade, chamada “Uma Noite no Colégio” e inserida no conteúdo das aulas
de Ciências e Língua Portuguesa, teve como objetivo aproximar os alunos da astronomia, complementar o que eles aprenderam em sala de aula
e proporcionar uma vivência inédita.
“O intuito da atividade foi motivar os alunos para que
eles participassem da OBA, Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica”, diz Sueli Freitas, coordenadora pedagógica do segmento. Para Andrea Angelli, professora de Ciências responsável pela atividade, além de
incentivar os alunos, a intenção foi trazê-los para o universo da astronomia. “Pode parecer algo muito distante
para eles. A ideia é mostrar que qualquer um pode estar
mais perto desse assunto”, pondera a professora.
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Editorial
A atividade teve início com uma palestra sobre
as constelações que foi conduzida pela professora Andrea. Logo depois, os alunos observaram os
corpos celestes – constelações, a lua e planetas,
como Marte e Júpiter, utilizando o aplicativo Sky
View, que se encarrega de desenhar a constelação quando o tablet é apontado para o céu. Para
concluir, a professora de Língua Portuguesa Ana
Paula Dini finalizou a atividade com uma contação
de história bem descontraída sobre os astros celestes.
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Minecraft na
sala de aula
H
á um tempo, quando meu filho me chamou
para jogar Minecraft pela primeira vez, perguntei a ele: “Qual é o objetivo desse jogo?”. A
resposta foi: “Nenhum”.
Professor Mário Fioranelli Neto, Geografia
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Tudo se constrói de forma lúdica, interativa e colaborativa, ou seja, o aluno aprende de forma prazerosa
e divertida. Com o sucesso do trabalho e o envolvimento dos alunos, o projeto será estendido, possibilitando novas descobertas e desafios. No início, acreditava que estava levando a tecnologia para a sala de
aula, mas agora percebo que a sala de aula é que foi
parar dentro do Minecraft.
O
Assim, começamos o projeto “Minecraft” com as turmas
de 6os anos, com diversos objetivos, desenvolvimento
de habilidades e conteúdos. A estrutura de trabalho está
organizada em etapas e, em cada uma delas, os grupos
iniciam com uma pesquisa na sala de informática sobre
a paisagem que será reproduzida, buscando imagens e
descrições. Posteriormente, em sala, eles acessam o Minecraft pelo iPad e criam mundos comunitários com
seus grupos para desenvolver o trabalho colaborativo. Cada grupo deve reproduzir a paisagem pesquisada,
que está integrada ao conteúdo e às habilidades desenvolvidas em Geografia, com o máximo de informações e detalhes.
Depois de se familiarizar com os recursos do jogo, os
alunos pesquisam uma era geológica, que é, então,
reproduzida, com destaque para as características
principais estudadas. Em seguida, são desafiados a
pesquisar e criar uma paisagem que represente uma
das zonas climáticas da Terra.
Congregação
1 E 2 BIMESTRES
Sou de uma época em que os jogos de videogame tinham final, mas percebi que o Minecraft faz parte de
uma nova geração interessantíssima de jogos. A resposta do meu filho estava certa, não há um objetivo, mas
vários, somos nós que criamos nossas metas. Alguns
dizem que é um Lego digital. Fascinante! Então, por que
não levá-lo à sala de aula?
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EspalhaFato • julho e agosto de 2016
Mizzou no Colégio Franciscano Pio XII
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Editorial
s representantes da Universidade de Missoutorado que oferece, a infraestrutura do campus e
ri, Zac March, diretor da Mizzou K-12 Online,
o Mizzou Direct, que permite aos alunos que apreTanya Haeussler, consultora para comunisentam bom rendimento a entrada direta à univercação estratégica da Faculdade de Educação, e Ryan
sidade. Os alunos se encantaram em conhecer um
Griffin, diretor do departamento de admissão de alupouco mais sobre Truman the Tiger, mascote oficial
nos estrangeiros, fizeram sua primeira visita ao Colédas equipes esportivas de Mizzou.
gio Franciscano Pio XII e enriqueceram a
Heloísa Parciasepe, coordenadora do
tarde de nossos alunos com informações
High School no Colégio Franciscano Pio
Não podemos
importantes sobre a universidade.
XII, ressaltou que momentos como esdeixar de
ses são essenciais para fortalecer o vínApós um encontro com a Direção e Colembrar um
entre o colégio e a universidade.
ordenação, Zac e Tanya conversaram
dos três valores culo
“Não podemos deixar de lembrar um
com os alunos e professores a respeito
fundamentais
dos três valores fundamentais do High
do programa e ouviram seu feedback sodo High School:
School: mobility through education.
bre o que vivenciaram até então. O aluno
mobility
Nosso papel como educadores é proda 2ª série do Ensino Médio Luiz Felippe
mover a mobilidade de nossos alunos
Beu da Silva ressaltou que essa foi uma
through
por meio da educação em um currículo
excelente oportunidade para a troca de
education.
internacional com impacto na mobiliideias e, principalmente, para fazer sudade acadêmica (poder estudar onde
gestões sobre as disciplinas estudadas.
quiser), na mobilidade profissional (poder trabaRyan Griffin trouxe um pouco mais sobre Mizzou!
lhar onde quiser) e na mobilidade pessoal (poder
Explicou sobre o processo de admissão na univerviver onde quiser).”
sidade, os cursos de bacharelado, mestrado e dou-
O QUE MARIA FERNANDA
VIVEU NESTA INSTITUIÇÃO
CONSTRUIU O QUE ELA É.
A HISTÓRIA DA ESTUDANTE
QUE ENCONTROU UM LUGAR
INOVADOR PARA REALIZAR
SEUS MAIORES SONHOS: MAUÁ.
ALUNA
MARIA FERNANDA VIDAL
FELIPE CINTRA
COORDENADOR
PROF. RICARDO BALISTIERO
Congregação
Campus de São Caetano do Sul
EDUARDO ALVARENGA
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Autoridade e autoritarismo: uma
reflexão sobre a (in)tolerância
A
contemporaneidade traz consigo discussões
sobre pautas que admitem diversas interpretações. Posicionamentos quanto a esses
assuntos são frequentemente exigidos a nós, vestibulandos, que, prestes a ingressar em instituições
de ensino superior, precisamos solidificar nossos conhecimentos para poder delinear a função social que
exerceremos no futuro. Dessa forma, durante o nosso
processo de formação, somos constantemente incentivados a fazer reflexões sobre o que ocorre na atualidade a partir de um embasamento teórico.
Objetivando ampliar o debate e o enriquecimento
do nosso repertório sociocultural, a escola realizou a
nossa primeira aula-tema do ano com a pauta: “Autoridade e autoritarismo: uma reflexão sobre a (in)tolerância”. Nesse dia, assistimos ao filme A Onda, que versa sobre um professor, na Alemanha atual, tentando
mostrar a seus alunos o quão suscetíveis somos a nos
deixar envolver por ideologias impostas que fingem
nos proteger e fortalecer, como aconteceu naquele
país no período nazista.
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Editorial
Em seguida, encaminhamos uma discussão inédita
entre os alunos e os professores de Filosofia, Sociologia, Geografia, História e Ensino Religioso. Fizemos
reflexões e contrapontos sobre como as pessoas tendem a se posicionar a partir de discursos que não são
de autoria própria, muitas vezes apenas por uma necessidade de não parecer omissas e descompromissadas com assuntos que permeiam nosso cotidiano,
ou apenas como forma de pertencer a um grupo.
Questionamo-nos sobre o quão influenciáveis somos
e de que forma podemos nos tornar menos frágeis a
discursos autoritários disfarçados por palavras fortes e
sensibilizantes. Por fim, reconhecemos a importância
da informação e do conhecimento, visando justamente nos proteger de assumir bandeiras que não conhecemos verdadeiramente.
Indubitavelmente, o formato da aula, com a utilização
do filme e com a presença de professores de várias
disciplinas, trouxe um lastro teórico-cultural que nos
permitiu uma reflexão mais profunda sobre o assunto.
Desse modo, a temática da aula justifica sua ocorrência, mostrando a importância do debate e da alteridade, ou seja, da capacidade de nos colocar no lugar
do outro e entendê-lo, para, assim, melhor articular
nossos posicionamentos e opiniões.
Enfim, o que fica dessa experiência é a constatação
sobre a importância do conhecimento e da pesquisa,
além da ansiedade pelas próximas aulas-tema que
hão de vir, com novos assuntos e novas ideias conflitantes, que com certeza propiciarão outros debates
ainda mais enriquecedores.
Por Mariana Salzani Macedo,
3ª série A
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Ética e barbárie
‘Barbárie’ é a contradição marcada pela
coexistência de uma sociedade
simultaneamente avançada e atrofiada.
Theodor W. Adorno (1903-1969)
O produto desses pensamentos foi alvo de uma aula
de Filosofia que convidou alunos e alunas do 3º ano
de Ensino Médio a uma meditação ética acurada sobre os equívocos de se tentar combater a barbárie
com mais barbárie. Professor e estudantes dialogaram
sobre a necessidade democrática de articular justiça e
Atualmente, o ato de educar envolve o esclarecimento
sobre os riscos que corre o projeto civilizatório contemporâneo quando responde a atos bárbaros e humanamente inconcebíveis com um desejo ainda mais
primitivo de vingança e retaliação. Procedimentos vingativos, carregados de ódio, dão vazão apenas a nossa
própria selvageria e revelam nossa indiferença à dor
alheia. Em nada impedem que as barbáries se repitam.
Professor Fernando Bonadia de Oliveira
O
O que mais aguçou a curiosidade intelectual de Adorno foi saber como as barbáries são possíveis, isto é,
como as pessoas podem aquiescer e tolerar que um
ato bárbaro seja realizado, participando direta ou indiretamente dele, sem a mínima autorreflexão crítica.
Ao fim da aula, as alunas e os alunos tiveram a oportunidade de expor suas angústias e pensamentos diante do estupro coletivo que ganhou o noticiário e as
redes sociais; posições contrárias às de Adorno foram
ouvidas e debatidas; alunas e alunos autonomamente confrontaram suas conclusões sob a mediação do
professor. O mais importante foi aprender e tentar
compreender a que ponto a civilização nos conduzirá se não redefinirmos os objetivos da educação das
crianças para a formação de pessoas capazes de estabelecer continuamente a autorreflexão crítica.
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O filósofo alemão Theodor W. Adorno (1903-1969) denominou “barbárie” essa contradição marcada pela
coexistência de uma sociedade simultaneamente
avançada e atrofiada. A barbárie se vale frequentemente das mais aprimoradas criações humanas para
demonstrar a fúria destrutiva com que arrasta os seres
humanos a limites incontornáveis. O exemplo macroscópico da barbárie foi, segundo Adorno, a catástrofe
da Segunda Guerra Mundial, quando artefatos tecnológicos de ponta foram empregados no extermínio
do homem pelo homem. A forma nazifascista desse
extermínio se caracterizou, entre outros aspectos,
pelo desejo de submeter um indivíduo mais fraco (ou
mais fragilizado) à violência selvagem.
penalização aos acusados de crimes hediondos, sem
incorrer na sugestão primitiva de achar que penas
brutais ou desumanas, calcadas no linchamento e no
espírito de vingança, possam proporcionar equidade
e igualdade nas relações sociais. O caso do estupro
coletivo de Jacarepaguá (RJ), ocorrido em maio deste
ano, foi o mote para um adensamento de aprendizagens associadas ao convívio social com a diferença.
Esse trabalho se vinculou também a outro, ligado à
disciplina de Sociologia, ministrada pelo professor
Paulo Edson, cujo propósito foi conduzir as turmas de
3ª série à percepção das diferenças na sociedade.
Congregação
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omo podemos viver em uma época de profundos avanços tecnológicos, fruto do amplo
progresso científico moderno e, ao mesmo
tempo, assistir a situações horrendas de estupro coletivo que soariam exageradas até mesmo aos povos
mais primitivos e selvagens? Como explicar que existam redes de contato da mais alta eficiência servindo
frequentemente para que se compartilhe não o que
nos emancipa, mas o que causa horror e dissensão?
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