Redação (1)

Transcrição

Redação (1)
— 35 —
2
A redação nos vestibulares
Lembretes
importantes
1. TEXTO-BASE (OU TEXTO) — Quando o vestibular fornece o TextoBase, como texto de apoio ao candidato, pode simultaneamente fornecer
o TEMA (título, assunto) ou não. Neste último caso, a redação será feita a
partir da interpretação do texto, de
onde se tirará a idéia central ou as
idéias básicas para a feitura da redação. Esse tipo de redação pede normalmente ao vestibulando que dê um
título à sua redação.
2. TEMA — Quando o vestibular fornece ao vestibulando apenas o Tema
(título, assunto) da redação.
3. DAR UM TÍTULO — Somente quando
a prova, nas instruções, solicitar.
Caso contrário é proibido.
4. Colocar TÍTULO/TEMA dado na folha
da versão definitiva quando este não
estiver impresso. Coloque-o na primeira linha, deixe uma ou duas linhas
em branco, e então inicie seu primeiro parágrafo. Lembre-se: a linha do
título e a(s) linha(s) em branco não
são contadas como redação.
5. Quando o vestibular (instruções) não
especifica um tempo só para a Re-
dação, significa que ela está inserida
dentro do tempo total concedido.
Aconselha-se iniciar a prova pela Redação (o rascunho, ao menos).
6. Toda a redação é normalmente em
PROSA, o que significa não fazer
versos, não fazer poesia, mesmo
que sem rima ou sem métrica.
7. O estilo que mais se ajusta à discussão e desenvolvimento de um assunto é a DISSERTAÇÃO. Só a deixaremos de lado se for solicitada uma
NARRAÇÃO.
8. Na DISSERTAÇÃO, o aluno deve discutir o assunto, expor seus pontos
da vista, analisar os vários aspectos
relacionados com o tema/assunto,
estabelecendo causas, conseqüências, soluções ao «problema», finalizando com uma conclusão.
Os erros mais
freqüentes
Estudantes e professores experimentam semelhante sensação de desespero diante da Redação. Os estudantes não escondem seu pavor diante
da folha de papel em branco. Os professores sofrem um pouco depois, quando a mesma folha volta preenchida, pron-
— 36 —
ta para a correção. Tudo o que faltou ao
ensino de 1º e 2º graus está ali: um texto
tão caótico quanto o raciocínio de quem
o escreveu, parágrafos quilométricos,
chavões colhidos na linguagem das
emissoras de FM e muitos erros de Português, da pontuação à regência verbal, da acentuação à concordância. Alguns erros muito freqüentes:
• «A maioria estão descontentes» ou
«mais de uma pessoa estavam à espera». O erro é de concordância.
• «Para mim ir» e «entre eu e ela». Os pronomes «mim» e «eu» estão trocados.
• «Há cinco anos atrás.» O há, neste
caso, já indica passado e significa faz.
• «Se eu ver», «se ela ver», «se nós
vermos». A conjugação do verbo ver
no futuro do subjuntivo está errada.
É com i.
• Conceção, excurção, excessão,
pichassão. O erro é de ortografia e
envolve letras que freqüentemente se
confundem na cabeça do estudante:
ss, s e ç.
• «Esse problema implica em.» O erro
é de regência: O verbo implicar não
pede em.
• «Ela teve menas sorte do que ele.» A
tentativa de concordância é entre o
substantivo feminino «sorte» e o adjetivo «menos».
(Revista IstoÉ)
Temas de redação
de vestibulares
Neste item você vai encontrar temas de redação de várias instituições
de ensino dos últimos vestibulares.
O objetivo é dar familiaridade à maneira como hoje são apresentadas as
propostas de temas nos vestibulares e
é importante que o candidato teste suas
condições, seu grau de dificuldade e
treine o máximo possível, pois esse é
um caminho seguro para aprender ou
melhorar redação.
Ao selecionarmos os temas, pudemos perceber que eles são sobre assuntos atuais, alguns são referentes
aos problemas sociais de nosso país.
Portanto uma outra dica é ler constantemente, criar o hábito da leitura diária de jornais e revistas, pois essa leitura traz e aprofunda seus conhecimentos sobre os fatos, dando argumentos
para sua explanação.
FUVEST/92 — Faça uma dissertação discutindo as opiniões abaixo
expostas. É importante que você assuma uma posição a favor ou contra as
idéias apresentadas. Justifique-a com
argumentos convincentes. Você poderá também assumir uma posição diferente, alinhando argumentos que a
sustente.
TEXTO
I. Alega-se, com freqüência, que o
vestibular, como forma de seleção dos
— 37 —
candidatos à escola superior, favorece
os alunos de melhor situação econômica, que têm condições de cursar as melhores escolas, e prejudica os menos
favorecidos, que são obrigados a estudar em escolas de padrão inferior de
ensino.
II. Por outro lado, há quem considere que o vestibular é apenas um processo de seleção que procura avaliar o
conhecimento dos candidatos num determinado momento, escolhendo aqueles que se apresentam melhor preparados para ingressar na Universidade.
Culpá-lo por possíveis injustiças é o
mesmo que culpar o termômetro pela
febre.
FUVEST/94 — Relacione os textos
abaixo e redija uma dissertação, em prosa, discutindo as idéias neles contidas
e apresentando argumentos que comprovem e/ou refutem essas idéias.
TEXTO
“Antes mundo era pequeno / Porque Terra era grande / Hoje o mundo é
muito grande / Porque Terra é pequena /
Do tamanho da antena parabolicamará.”
(Gilberto Gil)
“Como democratizar a TV, o rádio,
a imprensa, que são o oxigênio e a fumaça que a nossa imaginação respira?
Como seria uma TV sem manipulação?
São perguntas difíceis, mas a luta social
efetiva e, sobretudo, um projeto de futuro são impossíveis sem entrar nesse
terreno.”
(Roberto Schwarz)
“Tevê coloridas / fará azul-rósea /
a cor da vida?”
(Carlos Drummond de Andrade)
PUC/95 — 3 textos para escolher
o tema.
TEXTO 1
DA VIOLÊNCIA
“Do rio que tudo arraste se diz que
é violento / Mas ninguém diz violentas /
As margens que o comprimem.”
(Bertold Brechet)
TEXTO 2
“Na primeira noite / eles se aproximam / e colhem uma flor / de nosso jardim. / E não dizemos nada. / Na segunda
noite, / Já não se escondem: / pisam as
flores, / matam nosso cão, / e não dizemos nada. / Até que um dia / o mais frágil
deles / entra sozinho em nossa casa, /
rouba-nos a lua e, / conhecendo nosso
medo, / arranca-nos a voz da garganta. /
E porque não dissemos nada / Já não
podemos dizer nada.”
(Bertold Brechet)
TEXTO 3
QUEM É TEU INIMIGO?
“O que tem fome e te rouba / o último pedaço de pão, chamá-lo / teu inimigo / Mas não saltas ao pescoço / Do teu
ladrão que nunca teve fome.”
(Eduardo Alves da Costa)
PUC/96 — 3 textos para relacionálos e tirar o tema.
— 38 —
TEXTO 1
“Para que olhar para trás, no momento em que é preciso arrombar as
portas do impossível. O tempo e o espaço morreram ontem. Vivemos já no absoluto, pois criamos a eterna velocidade onipresente.”
(Marinetti)
TEXTO 2
“Há informação demais no ar, há
mensagens armazenadas nos suportes
eletrônicos e tudo isso se torna cada vez
mais disponível a um leque cada vez maior
de pessoas, a um custo progressivamente menor.”
(Arlindo Machado)
TEXTO 3
“De fato, a história não tem cessado
de nos mostrar que qualquer novo meio
de produção de linguagem e de processos comunicativos também produz novas formas e conteúdos de linguagem,
produzindo simultaneamente novas estruturas de pensamento, outras modalidades de apreensão e intelecção do
mundo, ao mesmo tempo que tende a provocar fundas modificações nos modos
de ver e viver e nas interações sociais.”
(Lúcia Santaella)
(Veja, 1/3/95)
(texto da figura: A televisão já transmite
para o computador e o computador agora é capaz de mandar texto, vídeo e
som para qualquer parte do mundo. Essa
rede fala por canais digitais.)
UNICAMP-SP/92 — TEMA A: As sociedades ditas civilizadas vêem a violência, em especial quando organizada, como uma ameaça a seu sistema de valores. Levando em conta a coletânea abaixo, escreva uma dissertação sobre o tema: Violência nas tribos urbanas modernas.
1. “(...) a violência é de todos e está em
todos. Mesmo que o sistema judiciário contemporâneo acabe por racionalizar toda a sede de vingança que
escorre pelos poros dos sistema social, parece impossível não ter que
usar a violência quando se quer liquidá-la e é exatamente por isso que
ela é interminável. Tudo leva a crer
que os humanos acabam engendrando crises sacrificiais suplementares
que exigem novas vítimas expiatórias
para as quais se dirige todo o capital
de ódio e desconfiança que uma sociedade determinada consegue pôr
em movimento.”
(René Girard, A Violência e o Sagrado)
2. “Aqui nesta tribo ninguém quer a sua
catequização / Falamos a sua língua
mas não entendemos seu sermão /
Nós rimos alto, bebemos e falamos
palavrão / Mas não sorrimos à toa /
Não sorrimos à toa / Aqui neste barco ninguém quer sua orientação / Não
temos perspectiva mas o vento nos
dá a direção / A vida que vai à deriva
— 39 —
é a nossa condução / Mas não seguimos à toa / Não seguimos à toa.”
(Arnaldo Antunes, Volte para o seu lar)
3. “O Guns N’Roses, hoje com certeza a
banda mais popular do mundo, entra
em cena ao vivo e a [sic] cores no
maior estilo rock-rebelde: palavrões
cabeludos, sexo, drogas, quebra-quebra, atrasos enormes e até interrupções nos shows comprovam que os
‘bad boys’ continuam fazendo o estilo
‘inimigos públicos nº 1’. Com voz rasgada, eles ‘descem o verbo’ na disciplina, na política, nos amantes, nos vizinhos, nos críticos e na imprensa.”
(Edição especial de Top Metal Band
sobre o Guns N’Roses)
4. “Policiais e pretos, é isso aí / saiam do
meu caminho (...) / Imigrantes e bichas / Não fazem nenhum sentido pra
mim (...) / Radicais e racistas / Não
apontem o dedo pra mim / sou um
garoto branco, vindo de uma cidade
pequena / apenas tentando acertar
as pontas.”
(Guns N’Roses, One in a million)
5. Pergunta: O tipo de som produzido
por bandas como a sua não incita à
violência?
Resposta: Acho que sim. Mas é
uma violência que não faz mal. É um
lance de rebeldia liderada aí no show,
sem precisar agredir ninguém.
P: Se é assim, por que então um garoto morreu baleado num concerto que
os senhores deram, em maio, na praça
Charles Müller, em São Paulo?
R: Não foi a primeira vez que morreu alguém em um show de rock. Quando muita gente se reúne, pode haver
alguma confusão, principalmente no
Brasil. Fiquei sabendo que o garoto que
morreu estava com uma machadinha.
Ele, então, não foi ao show com boas
intenções. Ele não estava ali para ouvir
música, mas para brigar (...). Culpar o
rock por uma morte é mais fácil do que
achar o verdadeiro culpado.
P: E quem é o verdadeiro culpado?
R: Acho que é o País inteiro, o estado em que o País se encontra.
(Entrevista com Max Cavalera, vocalista do grupo de
rock Sepultura. IstoÉ Senhor, 9/10/91)
6. “Hoje é véspera de Natal de 1999...
Apesar do medo da guerra nuclear,
que ainda nos assusta, conseguimos
sobreviver às freqüentes guerras entre tribos surfísticas antagônicas(...).
Multidões de jovens hipertensos dedicam-se a destruir ondas que mereciam ser acariciadas pela superfície
lisa de suas peles e pranchas(...).
Fiscais uniformizados e armados patrulham as praias para controlar as
violentas guerras entre os surfistas.
Além disso, aplicam tranqüilizantes
nos surfistas que freqüentemente
piram com a tensão do cotidiano(...).
Discussões entre surfistas são decididas em combates rituais, onde a
morte está sempre presente. Nas ruas
das cidades imundas e perigosas,
marginalizados povos primitivos que
habitavam as favelas agora vagam
famintos e agressivos.”
(Tito Rosemberg, Lendas e Tribos: Revisando o Futuro,
Fluir, out./90)
— 40 —
UNICAMP-SP/95 — TEMA A: Em
momentos de crise, o homem procura
desesperadamente encontrar saídas.
Cientistas sociais, filósofos, políticos afirmam que é preciso alterar as condições
econômicas, sociais, educacionais, para
que indivíduos possam resolver seus
problemas; místicos, esotéricos e defensores de várias formas de auto-ajuda
prometem saídas pessoais, por vezes
rápidas e eficazes. Na coletânea abaixo, você encontra elementos relevantes para a análise dessa questão. Com
base nos fragmentos dessa coletânea,
redija um texto dissertativo sobre o seguinte tema: Saídas milagrosas para a
crise: solução ou ilusão?
1. “A auto-ajuda contém uma filosofia do
senso comum, uma espécie de refinamento do que se vê nos pará-choques
de caminhão. ‘Sorria para a vida e ela
sorrirá para você’, por exemplo. Ou
então: ‘Toda jornada começa com um
passo’. É possível discordar disso?”
2. OS MAIS VENDIDOS: FICÇÃO — 1. O
Alquimista, Paulo Coelho (8-212*); 2.
Escrito nas Estrelas, Sidney Sheldon
(1-14); 3. Memorial de Maria Moura,
Rachel de Queiroz (3-31*); 4. O Dossiê
Pelicano, John Grisham (4-10*); 5. Recomeço, Danielle Steel (5-3); 6. A Firma, John Grisham; 7. O Parque dos
Dinossauros, Michael Crichton (4-9); 8.
Bala na Agulha, Marcelo Rubens Paiva
(8-39*); 9. As Valkírias, Paulo Coelho
(2-53); 10. Noite sobre as Águas, Ken
Follet (10-55*). NÃO FICÇÃO — 1.
Emagreça Comendo, Lair Ribeiro (16); 2. O Sucesso Não Ocorre por Acaso, Lair Ribeiro (2-56); 3. Prosperidade, Lair Ribeiro (3-37*); 4. Comunica-
ção Global, Lair Ribeiro (5-50); 5. À
sombra das Chuteiras Imortais, Nelson Rodrigues (6-5); 6. Pequeno Manual de Instrução da Vida, Jackson
Brown (7-18); 7. Minutos de Sabedoria,
Torres Pastorino (8-8*); 8. Arte&Manhas
da Sedução, Marion Vianna Penteado
(9-12); 9. Na Sala com Danuza, Danuza Leão (4-48*); 10. Manual do Orgasmo, Marilene Cristina Vargas (7-5*).
Os números entre parênteses indicam: a) cotação do livro na semana anterior; b) há quantas semanas o livro
aparece na lista; (*) semanas não consecutivas. Esta lista não incluiu os livros
vendidos em bancas.
(Veja, 25/8/93)
3. O arcebispo de São Paulo, dom Paulo
Evaristo Arns, acredita que os livros
de Paulo Coelho sejam uma espécie
de ponto de apoio dos desacreditados
na religião. “Eles oferecem um mundo
espiritualizado para o vazio deixado
pelo materialismo da máquina e ensinam a felicidade que cada um busca”,
diz dom Paulo.
(A conversão do mago, IstoÉ, 3/8/94)
4. “Para quem ainda não sabe, a grande
tábua de salvação chama-se neurolingüística, PNL, tem menos de vinte
anos de vida e é um sucesso planetário, sozinha ou somada a outras técnicas. Nada que é humano, de crises
de claustrofobia a paixões por doces,
lhe é estranho. Tudo é importante, tudo
tem remédio. Ensina que o negócio não
é ver para crer, mas crer para ver.
(...) Andam dizendo que introduziu nos
trópicos o conceito de felicidade portátil, do faça você mesmo agora (...).
— 41 —
Imagine-se, vendo para crer, uma
platéia de cinqüenta pessoas reunidas
num hotel (...) para ouvir o doutor Lair
Ribeiro (...): ‘O cérebro é uma máquina
sofisticadíssima que vem sem um manual de instruções’. (...) ‘Ele foi programado para te [sic] dar o que você quer e
para ele você quer tudo o que pensa’.
(...) ‘Repita: dinheiro cresce como árvore. Dinheiro é limpo. Contribui para a felicidade. Pessoas ricas são abençoadas. O ser humano nasceu para ser próspero’.”
5. “Há também quem veja utilidade em
tudo isso, como o psicanalista carioca Luiz Alberto Py. Ele acha que a
auto-ajuda é um caso down-trading,
uma característica do mercado de cigarros em que muitas vezes uma marca barata supera a venda das campeãs porque o preço delas subiu demais. ‘A psicanálise é cara. Comprar
um livro de auto-ajuda é mais barato
e pode funcionar’, diz.”
(Os fragmentos 1, 4 e 5 foram extraídos de:
A felicidade portátil, Veja, 24/11/93)
6. Veja — É possível recuperar a autoestima brasileira, perdida na década de 80?
S. Kanitz [economista] — Os brasileiros foram cobaias de experimentos econômicos por quase dez anos,
o que baixa a auto-estima de qualquer um. O Lair Ribeiro é resultado
disso. Se as pessoas não estivessem de astral tão baixo, ele não venderia tantos livros. A auto-estima começa a melhorar quando você tem
controle sobre sua vida econômica.
(A crise já era, Veja, 12/10/94)
7. As modernas listas de best-sellers ilustram a imensa necessidade que temos
desses livros de iniciação, verdadeiros manuais de sobrevivência para a
travessia da vida. Mas a arte de viver
adulta, envergonhada, costuma se
apoiar em dois álibis: ou na psicologia,
e então temos lições positivas de Lair
Ribeiro, ou na religião, e temos aqui as
fábulas esotéricas de Paulo Coelho.
Não ousamos ainda nos apegar a uma
arte de viver sem muletas, moldada
diretamente pela própria vida.
(José Castello, Caderno 2,
O Estado de S. Paulo, 8/11/94)
8. A crise criou discursos, que se digladiam pelos louros do acerto. No discurso clamor à nação, o orador pede
a uma Razão secreta que desperte,
tipo “Deus, onde estás que não respondes?”. Tende para o religioso, para
o sagrado horror; já que não há nenhuma Central da Razão que tome uma
providência. (...) A crise é boa para
aumentar o contato com o absurdo;
logo, com o mistério da vida. Neste
sentido, a crise é filosófica.
(adaptado de Arnaldo Jabor, A crise é a salvação de
muitos brasileiros, Os canibais estão na sala de jantar)
9. “Os homens fazem a sua própria história,
mas não fazem arbitrariamente, em circunstâncias escolhidas por eles mesmos, e sim em circunstâncias diretamente dadas e herdadas do passado.”
(Karl Max, O 18 brumário de Luiz mBonaparte)
10. “Vivi puxando difícil de difícel, peixe
vivo no monquém: quem mói no asp’ro,
não fantasêia.’ (...) Viver é muito perigoso...”
(palavras de Riobaldo, personagem de Grande Sertão:
Veredas, de João Guimarães Rosa)
— 42 —
TEMA B: Na coletânea abaixo, há
elementos para a construção de um texto narrativo em que se tematiza o
relacionamento entre duas pessoas, o cruzamento de duas vidas. Sua
tarefa será desenvolver essa narrativa,
segundo as INSTRUÇÕES GERAIS.
“A tragédia deste mundo é que ninguém é feliz, não importa se preso a uma
época de sofrimento ou de felicidade. A
tragédia deste mundo é que todos estão
sozinhos. Pois uma vida no passado não
pode ser partilhada com o presente.”
(Alan Lightman, Sonhos de Einstein, 1993)
CENA A: UM HOMEM, UMA MULHER*
“Uma mulher deitada no sofá, cabelos molhados, segurando a mão de um
homem que nunca voltará a ver. Luz do
sol, em ângulos abertos, rompendo uma janela no fim de tarde. (...) Uma imensa árvore caída, raízes esparramadas no ar,
casca e ramos ainda verdes. O cabelo ruivo de uma amante, selvagem, traiçoeiro,
promissor. Um homem sentado na quietude de seu estúdio, segurando a fotografia
de uma mulher; há dor no olhar dele. Um
rosto estranho no espelho, grisalho nas
têmporas. As sombras azuis das árvores
numa noite de lua cheia. O topo de uma
montanha com um vento forte constante.”
CENA B: UM PAI, UM FILHO*
“Uma criança à beira do mar, enfeitiçada pela primeira visão que tem do
oceano. Um barco na água à noite, suas
luzes tênues na distância, como uma pequena luz vermelha no céu negro. Um
livro surrado sobre uma mesa ao lado de
um abajur de luz branda. Uma chuva leve
em um dia de primavera, em um passeio
que será o último passeio que um o jovem
fará no lugar que ele ama. Um pai e um
filho sozinhos em um restaurante, o pai,
triste, olhos fixos na toalha de mesa. Um
trem com vagões vermelhos, sobre uma
grande ponte de pedra, de arcos delicados, o rio que sob ela corre, minúsculos
pontos que são casas a distância.”
INSTRUÇÕES GERAIS: Escolha elementos de apenas uma das cenas
apresentadas (A ou B), para construir:
as duas personagens, o cenário, o enredo e o tempo de sua narrativa. O foco
narrativo deverá ser em 3ª pessoa. O
desenvolvimento do enredo, a partir da
cena escolhida por você, deverá levar
em consideração o trecho de Alan
Lightman, que introduz a coletânea.
(* os fragmentos das cenas A e B também foram
extraídos do livro de A. Lightman)
TEMA C: “Na luta contra a Aids, defrontam-se os rigorosos, que exigem
respeito aos princípios preventivos básicos e corretos, com os complacentes.
Aqueles exaltam o valor do relacionamento sexual responsável, o combate
efetivo à toxicomania e adequada seleção de doadores de sangue. Os outros
preconizam coisas mais agradáveis,
como por exemplo o emprego desbragado e a doação gratuita de camisinhas,
a distribuição de seringas com agulhas
a drogados e a perigosa, além de problemática, lavagem delas com água sanitária. Agora, os permissivos, que não
estão obtendo qualquer vitória, pois a
doença afigura-se cada vez mais difundida, ganharam novo aliado: o Conselho
Federal de Entorpecentes (CONFEN), que
concordou com o fornecimento de se-
— 43 —
ringas e agulhas, sem ônus, aos viciados. Portanto, esse órgão público associou ilegalidade à complacência. ”
(Vicente Amato Neto [médico infectologista],
Painel do leitor , Folha de S.Paulo, 18/9/94)
A carta acima faz referência a uma
proposta polêmica do CONFEN (Conselho Federal de Entorpecentes): o fornecimento gratuito de seringas e agulhas
a viciados em drogas injetáveis.
A ) Caso você concorde com a proposta
do CONFEN, escreva uma carta ao
Dr. Vicente Amato Neto, procurando convencê-lo de que ela pode
de fato contribuir para evitar a disseminação do vírus da Aids.
B) Caso você discorde dessa proposta, escreva uma carta ao Presidente do CONFEN, procurando convencê-lo de que ela não deve ser posta em prática.
Ao desenvolver sua redação, além
de expor suas opiniões, você deverá necessariamente levar em consideração a
coletânea abaixo.
1. “Graças a uma legislação liberal, a
maior cidade suíça [Zurique] criou
uma área especial — Letten, uma
estação de trens desativada — onde
é possível comprar e usar heroína
em plena luz do dia. (...) Desde 1992,
quando os junkies* se mudaram da
Platzpitz, uma praça no centro da cidade, para Letten, o consumo não
pára de crescer — um fato atestado
pelas 15.000 seringas descartáveis
distribuídas diariamente na velha estação. A única vantagem é que a dis-
tribuição reduziu o ritmo de disseminação da Aids.”
* junkies: termo inglês que significa
drogados.
(O pico à luz do dia, Veja, 7/9/94)
2. Em nosso país, exige-se o diploma para
que alguém aplique injeção endovenosa, porque pessoas não treinadas
criam perigos para si ou para outros,
ao realizar inoculações. Fornecer agulhas e seringas a pessoas não habilitadas para seu uso é como dar um
carro a menores de idade, ou uma
arma a quem não sabe utilizá-la. Isso é
pelo menos indesejável para a sociedade, além de ser ilegal. No caso, a
ilegalidade se tornaria incontrolável,
pois o distribuidor dos medicamentos
e agulhas seria o próprio Estado. A
proposta de um programa como esse
não leva em conta a realidade, causando desperdício de recursos já precários. Tais propostas são feitas por
pessoas que nunca viram, de fato,
como funciona uma “roda”*, provavelmente dirigentes sem formação médica e sem assessoria adequada (sociológica, por exemplo). Não é difícil adivinhar que se trata de um plano que só
beneficia vendedores de agulhas e
seringas e burocratas de escritório,
não tendo qualquer conseqüência
para a epidemia da Aids.
* roda: prática, comum entre drogados, que consiste no uso de uma mesma seringa por várias pessoas.
(adaptado de Vicente Amato Neto & Jacyr Pasternak,
A doação de seringas e agulhas a drogados,
O Estado de S. Paulo, 5/9/94)
— 44 —
3. “A distribuição de seringas para usuários de drogas pode diminuir pela
metada a taxa de propagação do vírus da Aids neste grupo de risco. A
conclusão é de uma pesquisa realizada na Universidade Johns Hopkins, de
Nova York, que envolveu 22 mil pessoas em vários bairros nova-iorquinos.
(...) antes do programa, uma seringa
era emprestada, alugada ou vendida
em média 16 vezes nos bairros onde
foi feito o controle. O programa reduziu este número em quatro vezes.
Existem 200 mil usuários de drogas
injetáveis em Nova York, metade deles infectados com o vírus da Aids.”
(Programa corta em 50% taxa de infecção de HIV,
Folha de S.Paulo, 2/11/94)
4. “No futuro, pagaremos caro pela ignorância e irresponsabilidade do passado. Acharemos inacreditável não
havermos percebido em tempo, por
exemplo, que o vírus da Aids, presente na seringa usada pelo adolescente da periferia para viajar ao paraíso por alguns instantes, infecta as
mocinhas da favela, os travestis na
cadeia, as garotas da boate, o meninão esperto, a menininha ingênua,
o senhor enrustido, a mãe de família
e se espalha para a multidão de gente pobre, sem instrução e higiene.
Haverá milhões de pessoas com
Aids, dependendo de tratamentos caros e assistência permanente. (...)”
(Drauzio Varella, A era do genes, Veja 25 anos —
Reflexões para o futuro, 1993)
ATENÇÃO: AO ASSINAR A CARTA, USE
APENAS AS INICIAIS DE SEU NOME.
UNICAMP-SP(96) — TEMA A : A
vida em sociedade exige uma clara definição dos limites entre a liberdade do cidadão e o poder do Estado. A análise de alguns casos de intervenção estatal na esfera privada (como os exemplificados em alguns dos fragmentos da coletânea a seguir) pode levar à conclusão de que, nesses casos, o Estado cerceia a liberdade individual, assumindo uma faceta totalitária.
Pode-se argumentar, por outro lado, que
tais medidas são inerentes ao papel do Estado, pois visam a garantir o bem-estar do
cidadão e da sociedade como um todo.
Com base na leitura da coletânea,
escreva um texto dissertativo sobre o
seguinte tema:
Poder do Estado e direitos do
cidadão: os limites da liberdade.
1. “A polêmica surgiu. Há quem proteste
contra a nova lei [obrigatoriedade do uso
de cinto de segurança na cidade de São
Paulo]. Que direito tem o Estado de interferir na minha segurança pessoal?
Como é que legisla sobre os riscos que
quero assumir? Vai agora proibir o alpinismo, a asa delta, o boxe? O álcool e o
cigarro serão banidos da cidade? Merece ser multado quem passeia à noite
pela praça da Sé? O suicídio está fora da
lei? Sem dúvida, a obrigatoriedade do
cinto de segurança está em desacordo
com os princípios liberais. Se alguém
quer arriscar a vida, recusando-se a
usar o cinto, é problema dele. O Estado
nada tem a ver com isso. (...) Mas será
que, quando alguém deixa de usar cinto,
está conscientemente optando pelo risco de ter um acidente fatal?”
(Marcelo Coelho, Cinto desperta desejo de
obedecer à lei, Folha de S.Paulo, 9/12/94)
— 45 —
2. “Embora, em tese, o uso do cinto de
segurança diminua os riscos em caso
de acidente, a sua imposição cria uma
situação em que o sujeito é protegido
contra ele mesmo. ‘Por razões filosóficas, condeno a qualquer relação
paternalista entre o Estado e o cidadão. É como se tornassem obrigatório,
por exemplo, escovar os dentes. Não
faz sentido. É preciso que o sujeito se
convença de que aquele comportamento é melhor para ele’, diz Celso
Bastos, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Constitucional. Segundo Bastos, o uso de cinto de segurança deve ser determinado por critérios
pessoais. Ele só admitiria a obrigatoriedade se ficasse provado que a ausência do cinto põe em perigo a vida
de terceiros. Ele defende o uso de campanhas para mostrar a importância do
cinto de segurança, deixando a opção
de usá-lo ao indivíduo. (...) ‘O Estado
tem que cuidar de coisas mais importantes, como o combate à violência.
Isso ele não consegue fazer de maneira eficiente’, afirma Bastos.”
(Eunice Nunes, Para jurista lei é paternalista,
Folha de S.Paulo, 17/11/94)
3. “Ah, gozar a vida! Exercitar-se todo
dia, não comer carne, não beber, usar
camisinha, não consumir drogas e,
claro, não fumar. Está aí a receita para
atingir a meta final: morrer, sim, mas
um minuto, três semanas, quatro meses ou alguns anos depois do amigo
fumante, gordo, desregrado, carnívoro e promíscuo. (...) Foi, certamente, pensando nisso que o prefeito (...) resolveu proibir cigarro em restaurante. Está muito certo. Garante,
assim, que na hora do repasto ninguém possa encurtar a vida. Ao menos com tabaco. Pense quanto tempo
os paulistanos viverão a mais graças
ao decreto! Pena que, por uma lamentável falha, não se cogitou em interditar a ingestão, comprovadamente maléfica, de doses excessivas de gordura, açúcar refinado e álcool nos restaurantes.”
(Marcos Augusto Gonçalves, Obrigado por não fumar,
Folha de S.Paulo, 1/10/95)
4. “O norte-americano Arthur Younkin,
de 45 anos, foi condenado a cumprir
95 dias de prisão por ser gordo. Um
juiz da cidade de Wichita deu a sentença porque ele não cumpriu a ordem de perder peso ‘substancialmente’. Younkin pesa 200 quilos e, segundo seu advogado, a obrigatoriedade
do controle de peso é inconstitucional.
(...) Younkin foi mandado embora da
lanchonete em que trabalhava, pois
um cliente se queixou às autoridades
de saúde da cidade que ele suava
sobre a comida, apesar de usar duas
camisetas e um pano protetor na cabeça. Convocado pelo juiz, Younkin
reclamou que seu peso o impede de
ter um emprego. Em vez de retirar a
queixa, o juiz o enviou para uma instituição na qual ele só poderia consumir 1.200 calorias por dia, no máximo.
Depois de perder 25 quilos, [o juiz] determinou sua liberação, com a condição de que Younkin continuasse a fazer regime e a perder peso. Como não
foi isso que ocorreu, o juiz decidiu
colocá-lo atrás das grades.”
(Americano vai preso por ser gordo,
O Estado de S. Paulo, 20/10/95)
— 46 —
5. Ao Estado confere-se autoridade para
promulgar e aplicar as leis que definem os costumes públicos lícitos, os
crimes, bem como os direitos e as obrigações dos membros da sociedade.
Exige-se dos membros da sociedade
obediência ao governo ou ao Estado,
mas reconhece-se o direito de resistência e de desobediência quando a
sociedade julga o governo ou mesmo
o Estado injusto, ilegal ou ilegítimo.
A idéia de sociedade pressupõe a
existência de indivíduos independentes e
isolados, dotados de direitos naturais e individuais, que decidem, por um ato voluntário, tornarem-se sócios ou associados
para vantagem recíproca e por interesses
recíprocos. A sociedade civil é o Estado
propriamente dito. Trata-se da sociedade
vivendo sob o direito civil, isto é, sob as
leis promulgadas e aplicadas pelo soberano. Feito o pacto ou o contrato [social], os
contratantes transferiram o direito natural
ao soberano e com isso autorizam a transformá-lo em direito civil ou direito positivo,
garantindo a vida, a liberdade e a propriedade privada dos governados.
Os indivíduos aceitam perder a liberdade civil; aceitam perder a posse natural
para ganhar a individualidade civil, isto é,
a cidadania. Enquanto criam a soberania
e nela se fazem representar, são cidadãos. Enquanto se submetem às leis e à
autoridade do governante que os representam, chamam-se súditos. São, pois,
cidadãos do Estado e súditos das leis.
(adaptado de Marilena Chauí, As filosofias políticas,
Convite à Filosofia, 1994)
6. “Pegue uma idéia com charme internacional, embora algo supérflua numa
cidade onde milhões vivem na pior miséria e violência. Venda essa idéia
como imprenscindível à nossa modernidade (...) e imponha o decreto aos
poucos, antes como conselho, depois
como multa e só no fim como prisão.
Transforme os que aplicam as penalidades em propagandistas do Estado,
militantes da pureza (do ar, por enquanto); submeta as vítimas a sermão,
além de multa. Como na Alemanha dos
anos 30, vá criando uma atmosfera de
vergonha, estigmatize quem não se intimidar (...). Desloque os opositores,
aqueles para quem democracia é mais
do que uma ditadura da maioria, de
modo que eles se vejam obrigados a
defender as causas mais ridículas: o
direito de se esborrachar no trânsito,
de fumar até morrer. (...)
O que ocorre é que em toda parte o
Estado deixa de regular a economia e
transfere sua força de repressão para
a vida particular, psíquica e comportamental. O próprio Estado parece desmilinguir-se, mas só nas aparências: ele
apenas muda de lugar, infiltra-se na
capilaridade social. (...) Não é que o Estado esteja em crise e por conseqüência a sociedade se torne mais livre; ao
contrário, a sociedade se totalitariza.”
(Otavio Frias Filho, Cortina de Fumaça,
Folha de S.Paulo, 28/9/95).
7. O Partido ordenava que o indivíduo
rejeitasse a prova visual e auditiva.
(...) Eles [os intelectuais do Partido]
estavam errados! O óbvio, o tolo e o
verdadeiro tinham que ser defendidos. Os truísmos são verdadeiros,
esse é que é o fato! O mundo sólido
existe, suas leis não mudam. As pe-
— 47 —
dras são duras, a água é líquida, os
objetos largados no ar caem sobre a
crosta da terra. Com a impressão (...)
de estar fixando um importante axioma, ele escreveu:
A liberdade é a liberdade de dizer
que dois e dois são quatro. Admitindose isto, tudo o mais decorre.
.............................................................
Não podia mais lutar contra o Partido. Além disso, o Partido tinha razão. Devia ter: como poderia enganar-se o cérebro imortal coletivo? (...) A santidade era
estatística. Era apenas a questão de
aprender a pensar como o Partido. (...) O
lápis pareceu-lhe grosso e desajeitado
entre os dedos. Começou a grafar os
pensamentos que lhe vinham à cabeça.
Primeiro escreveu em grandes letras trêmulas: LIBERDADE É ESCRAVIDÃO. Depois, quase sem pausa, escreveu por baixo:
terceiro dia, mais símbolos apareceram
no batente esquerdo. Sua esposa, Moonshadow, desde o aparecimento das primeiras inscrições, passava os dias examinando antigos recortes de jornais, enrolada em uma manta indígena, entoando
estranhos cânticos. Na tarde do quarto
dia, Theodore encontrou um novo conjunto de símbolos, agora inscritos na própria porta. Ao entrar em casa, constatou
que Moonshadow havia desaparecido.
Procurou imediatamente a polícia. Foi assim que esse estranho caso chegou às
minhas mãos. Comecei por tentar decifrar o significado dos símbolos, que descobri fazerem parte de um código alfabético. Consegui decifrar algumas palavras.
Mas e os desenhos no centro da porta?
Certamente não se tratava do mesmo código... A partir da coletânea acima, elabore uma narrativa em que o narrador (investigador de polícia) apresente a solução para o misterioso
desaparecimento de Moonshadow.
Siga as INSTRUÇÕES GERAIS.
DOIS E DOIS SÃO CINCO (os trechos acima, extraídos do livro 1984, de
George Orwell, tematizam a angústia da
personagem Winston, que vive em uma
sociedade governada totalitariamente
por um partido único).
INSTRUÇÕES GERAIS: o foco narrativo deverá ser, necessariamente, em
1ª pessoa; se julgar necessário, você
poderá introduzir outras personagens
na história.
TEMA B: O que estou para narrar
não é apenas um caso incomum e misterioso. É também a história de uma fatalidade. Tudo começou em uma tarde clara
de outono, quando Theodore Morgenstern,
ao chegar em casa, encontrou um estranho conjunto de símbolos inscritos no batente esquerdo da porta da frente. No dia
seguinte, o milionário californiano reparou que outros estranhos símbolos haviam sido inscritos no batente direito; no
TEMA C: “Veja — Um de seus ensaios
termina com uma frase provocativa de
Darwin: ‘Se a miséria de nossos pobres
for causada não pelas leis da natureza
mas por nossas instituições, grande é o
nosso pecado’. Mais de 100 anos depois
já se pode determinar sobre que ombros
colocar o grande pecado da miséria humana? Stephen J. Gould — Darwin já sabia
a resposta. Ela está implícita no enunciado
da frase. (...) Ele sabia que as instituições
— 48 —
humanas podem produzir miséria. De maneira mais geral, a lição que permanece até
hoje é que as instituições não são imutáveis. Sermos cruéis uns com os outros
não é uma determinação natural. É uma invenção das instituições que pode ser mudada. (...) / Veja — A permanência da miséria no mundo moderno pode ser tomada
como demonstração de sua tese de que o
simples passar dos anos não traz progresso? Gould — Quando digo que não
existe progresso, estou me referindo apenas à evolução dos seres vivos ao longo
das eras. Digo que não há progresso, no
sentido de que as espécies, incluindo a humana, não sofrem variações com o objetivo de ser cada vez melhores. Elas variam
ao acaso. Na natureza não há progresso
como o experimentado pelas culturas e
pelo conhecimento humano, que são cumulativos. Ou seja, o que se aprende em
uma geração é transmitido à outra, que trabalha sobre a herança recebida e passa
adiante algo potencialmente melhor. Na natureza não há esse trabalho. As variações
ocorrem ao acaso e, se o ambiente as
favorecer, os portadores e seus descendentes terão mais chance de sobreviver.”
(Veja, 22/9/93)
Na entrevista acima, o biólogo Stephen J. Gould defende a idéia de que as
variações que sofrem as espécies não
visam a torná-las “melhores”. Segundo
ele, as variações ocorrem ao acaso.
Abaixo você encontra duas opiniões relativas à possibilidade de aprimoramento
da espécie humana.
TEXTO I
Veja — (...) Você é nazista?/ Victor
Fasano — Algumas idéias nazistas são
excelentes. Por exemplo: quando desenvolvo uma espécie no meu criadouro de animais, procuro no acasalamento não misturar o sangue de um macho todo ferradinho
com o de uma fêmea maravilhosa. O burro,
o incompetente, o que foi comido pelo leão
não vai passar o gene para frente. Nisso,
Hitler tinha razão. / Veja — Dentro desse
ponto de vista, a escolha de Maitê Proença
— loura, linda e de olhos claros — para
mãe de seu filho é perfeita? / Fasano —
(...) Quero ter uma cria para ensiná-la a
praticar esportes e a amar a natureza. Morro de medo de que ela se ligue em computadores. Por isso gostaria que meu filho nascesse de uma mãe que pensasse como
eu. Acho que Maitê é essa pessoa.”
(Veja, 11/10/95)
TEXTO II
“Hitler, antes de se matar no famoso
‘bunker’ em que se refugiava na Chancelaria do Reich, escreveu o mais sinistro dos
capítulos da história. Não há (...), em nenhum outro texto trágico da saga da humanidade, nada que se compare ao que fizeram
Hitler, Goebbels, Himmler e o sinistro Mengele em termos de ódio puro ao homem que
não cabia nos conceitos ‘raciais’ do arianismo. (...) Caso Hitler houvesse ganho a
guerra que perdeu em 1945, nosso mundo
seria hoje inteiramente diverso do que é. A
gente se irrita com a miséria que grassa no
Brasil, com a guerra da Europa Central (...),
mas nada disso nos dá uma idéia, pálida que
seja, do mundo em que estaríamos vivendo
caso a guerra tivesse sido ganha por Adolf
Hitler. (...) Garanto a Victor Fasano que mal
valeria a pena estar vivo em tal mundo. Nem
com Maitê Proença embalando um berço
com uma bonita criança dentro.”
(Antonio Callado, Folha de S.Paulo, 28/10/95)
— 49 —
Tomando por base uma leitura cuidadosa dos textos I e II, e considerando
a entrevista do biólogo Stephen Jay
Gould, reflita sobre os aspectos considerados na questão da evolução da espécie humana, e:
3. "O defeito maior do presidencialismo,
no Brasil, é que o presidente pode
muito e manda pouco — ou não consegue mandar. Há sempre alguém, na
cúpula federal, que, embora podendo
menos, manda mais. Ou desmanda."
• Caso você discorde das idéias defendidas pelo Sr. Victor Fasano, escreva-lhe uma carta procurando
convencê-lo de que não se pode
tratar a questão do aprimoramento da espécie humana apenas do ponto de vista biológico.
(Joel Silveira, Guerrilha Noturna)
• Caso você concorde com as idéias
do Sr. Victor Fasano, escreva uma
carta ao Sr. Antonio Callado procurando convencê-lo de que o
aprimoramento biológico é um
fator importante no processo
evolutivo da espécie humana.
ATENÇÃO: AO ASSINAR A CARTA, USE
APENAS AS INICIAIS DE SEU NOME.
FGV-SP/96 — Fragmentos de textos divididos em 2 blocos para escolha
de um deles.
BLOCO 1: 1. “Em todos os países
que estão tentando uma adesão periférica ao processo de globalização, e fazem isso simultaneamente com planos
de estabilização, surgiu um fenômeno:
os presidentes ficaram levemente decorativos. Seja ele um gângster, um corrupto ou um intelectual.”
(José Luís Fiori, Veja)
2. "Quem vai dar as regras do jogo sou
eu. O candidato a Presidente da República sou eu. O presidente serei eu."
(Fernando Henrique Cardoso. Folha de S.Paulo.
Frases do Ano. CD-ROM Folha 1994)
BLOCO 2: 1. "Vejo a literatura como
um exército que está sendo derrotado
pela cultura das massas. Vanguardistas
são os autores que conseguem dissuadir o inimigo."
(Ricardo Piglia, escritor argentino, O Globo,
Frases do Ano. CD-ROM Folha 1994)
2. “Os jornais eletrônicos, que estão sendo proclamados como substitutos definitivos dos veículos impressos, são
uma caricatura do jornalismo.”
(Alberto Dines, jornalista, Jornal do Brasil,
Frases do Ano. CD-ROM Folha 1994)
3. “A Idade Média nos deu as catedrais
góticas e a Divina Comédia. A nova
Idade Média nos dará excelentes sedes bancárias e um belo catálogo de
eletrodomésticos que poderemos
mandar vir de Miami pelo correio.”
(Carlos Heitor Cony, jornalista, Folha de S. Paulo,
Frases do Ano. CD-ROM Folha 1994)
FAAP-SP/95 — PROPOSTA I
TEMA A: “A arte não é um espelho
que mostra a realidade como ela é. A
arte mostra-nos um mundo refletido por
uma mente incomum que impõe um estilo
no que retrata.”
(Walter Kaufmann)
TEMA B: “Curtir filme ruim, música
vagabunda e programa de índio vira
moda entre os jovens brasileiros, que
— 50 —
elegem como ídolos os ultra-imbecis
Beavis e Butt-head.”
(Veja, 20/9/95, p. 102)
TEMA C: “Nós temos por testemunho as seguinte verdades: todos os
homens são iguais: foram aquinhoados
pelo seu Criador com certos direitos
inalienáveis e entre esses direitos se
encontram o da vida, da liberdade e da
busca da felicidade. Os governos são
estabelecidos pelos homens para garantir esses direitos, e seu justo poder
emana do consentimento dos governados. Todas as vezes que uma forma de
governo se torna destrutiva desses objetivos, o povo tem o direito de mudá-lo
ou de abolir, e estabelecer um novo governo, fundando-o sobre os princípios
e sobre a forma que lhe pareça a mais
própria para garantir-lhe a segurança e
a felicidade.”
(trecho de declaração de independência dos Estados
Unidos, de 1776, reflexo na América dos ideais liberais
iniciados pela Revolução Gloriosa em 1688,
na Inglaterra)
PROPOSTA II
TEMA A: “O pior governo é o mais
moral. Um governo composto de cínicos
é freqüentemente mais tolerante e humano. Mas, quando os fanáticos tomam
o poder, não há limite para a opressão.”
(Henry Louis Mencken (1880-1956)
Jornalista americano)
TEMA B: “Como a fotografia é capaz de reproduzir a realidade com mais
precisão do que nunca para mostrar a
verdade, esse novo meio é inimigo mortal da arte e, na medida em que o de-
senvolvimento da fotografia é produto
do progresso tecnológico, poesia e progresso são como dois homens ambiciosos que se odeiam. Quando seus caminhos se cruzam, um deles deve dar
passagem ao outro.”
(Marshall Berman em
Tudo que é sólido desmancha no ar)
TEMA C: “Eu, etiqueta — Em minha
calça está grudado um nome / Que não é
meu de batismo ou de cartório, / Um nome... estranho. / Meu blusão traz lembrete de bebida / Que jamais pus na boca,
nesta vida. / Em minha camiseta, a marca de cigarro / Que não fumo, até hoje
não fumei. / Minhas meias falam de produto / Que nunca experimentei / Mas são
comunicados a meus pés. / Meu tênis é
proclama colorido / De alguma coisa não
provada / Por este provador de longa
idade. / Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, / minha gravata e cinto e escova e
pente, / meu copo, minha xícara, / minha
toalha de banho e sabonete, / meu isso,
meu aquilo, / desde a cabeça ao bico
dos sapatos, / são mensagens, / letras
falantes, / gritos visuais, / ordens de uso,
abuso, reincidência, / costume, hábito,
premência, / indispensabilidade / e fazem de mim homem-anúncio itinerante, /
escravo da matéria anunciada.”
(Carlos Drummond de Andrade)
UNESP-SP/92 — PROPOSTA: O trabalhador brasileiro, em sua grande maioria, recebe salário mensal que tem como
ponto de referência a chamada “Cesta
Básica”. Leia o texto abaixo e, baseado
no que ele significa para você, escreva
a sua redação, dissertativa.
— 51 —
COMIDA
(Arnaldo Antunes/Marcelo Fromer/Sérgio Britto)
“Bebida é água / Comida é pasto. /
Você tem sede de quê? / Você tem fome
de quê? / A gente não quer só comida, /
A gente quer comida, diversão e arte. /
A gente não quer só comida, / A gente
quer saída para qualquer parte. / A gente não quer só comida, / A gente quer
bebida, diversão, balé.
A gente não quer só comida, / A
gente quer a vida como a vida quer.
Bebida é água. / Comida é pasto. /
Você tem sede de quê? / Você tem fome
de quê? / A gente não quer só comer, / A
gente quer comer e quer fazer amor. / A
gente não quer só comer, / A gente quer
prazer pra aliviar a dor. / A gente não
quer só dinheiro, / A gente quer dinheiro
e felicidade.
A gente não quer só dinheiro, / A
gente quer inteiro e não pela metade.”
(em Jesus não tem dentes no país os banguelas –
Titãs, 1988)
UNESP-SP/93 — “Quem com ferro
fere, com ferro será ferido.” (Provérbio)
“Todo homem tem direito à vida, à liberdade e a segurança pessoal.”
(Art. 3º da Declaração Universal dos Direitos do
Homem, aprovada em 10.12.48 pela Assembléia-Geral
das Nações Unidas)
PROPOSTA: Para muitos, a idéia em
si é abominável. Porém, uns muito, uns
mais ou menos e outros nem tanto enxergam na instituição jurídica da pena
de morte um dos caminhos para o combate à violência que se exacerba a cada
dia em nosso país. O tema tem estado
em debate na imprensa e participa de
discussões tanto no bar da esquina
quanto no Congresso Nacional. Você,
claro, já pensou nisto. Então, faça uma
redação dissertativa sobre “A Pena de
Morte no Brasil”.
Demos-lhe, em epígrafe, duas indicações. Se você quiser e achar conveniente, utilize-as como estímulo a suas
reflexões.
FUNESP-SP(94) —Leia o seguinte
texto:
CASO DE ESCOLHA: O padrinho foi
ao colégio, na Muda, e tirou Guilherme
para passear. Olhos de inveja do irmão,
também interno, mas sem direito a sair,
porque seu comportamento era do tipo
“deixa muito a desejar”, na linguagem do
padre-reitor. Desejar o quê — ele não
sabia. Sabia que o irmão ia gozar a vida
lá fora, ar, ruas, cinemas, tudo aquilo que
vale a pena, enquanto ele, Gustavo, continuaria mergulhado no marmorto do pátio, dos corredores, do nhenhenhém cotidiano. Guilherme tinha planos para a
emergência, e todos se resumiam em tirar o máximo possível da liberalidade do
padrinho.
— O senhor me dá um presente de
aniversário?
— Seu aniversário é daqui a oito
meses.
— É, mas...
— Bem, eu dou.
O padrinho propôs-lhe um blusão alinhado, mas entendia que roupa é obrigação de pai e mãe — não vale. Livro tam-
— 52 —
bém não. Nas férias aceitaria a coleção
science-fiction, mas em pleno ano letivo,
para descanso de tanta labuta no campo
da ciência e das letras, o que lhe convinha mesmo era um brinquedo bem legal.
— Brinquedo? Mas você pode brincar com essas coisas no colégio?
— Posso.
Talvez não pudesse, mas isso era
outros quinhentos. Foram à loja de brinquedos. O problema era escolher entre
o trem elétrico, o foguete cósmico, a
caixa de aquarela, o equipamento de Bat
Masterson, o cérebro eletrônico e outras infinitas tentações.
— Vamos, escolhe — dizia o padrinho, disposto a tudo, menos a esperar.
Ele comparava, meditava, decidia,
arrependia-se. E como era impossível
levar todos os brinquedos que lhe atraíam, pois cada um tinha seu incoveniente,
que era não ter as qualidades dos demais, repeliu todos:
— Quero aquela gaitinha. Aquela
verde, ali. O padrinho fez-lhe a vontade,
sem compreender. Uma bobagem de oitenta cruzeiros!
No colégio, Gustavo queria saber.
E sabendo, escarneceu:
— Você é mesmo uma besta. Tanta
coisa bacana para escolher, e vem com
essa gaitinha mixa.
Guilherme quis provar que não era
micha coisa nenhuma, tinha um engaste
de pedrinhas faiscantes, som espetacular. O irmão voltou-lhe as costas, com
desprezo:
— Palhaço!
Ah, se fosse com ele...E Gustavo
passou a comportar-se melhor, na esperança de também ir à cidade. Um dia o
padrinho dele apareceu, saíram. Aplicou o golpe do aniversário. O padrinho
igual a todos os padrinhos do mundo,
pensou em oferecer-lhe um blusão alinhado. Recusou, e foram parar na loja
de brinquedos. Gustavo olhou superiormente para o monte de coisas que derrotara Guilherme. Sabia escolher, e preferiu logo a metralhadora japonesa. Mas
pensou que se cansaria depressa de
seu papoco; trocou-a por um marciano
com bateria: os marcianos passam de
moda; quem sabe se esse laboratório
de química? Não, chega a química do
programa. Foi escolhendo, refugando,
substituindo. O padrinho consultava o
relógio: “Escolhe, menino!” Era preciso
escolher para sempre. E nada lhe agradava para sempre, nada valia verdadeiramente a pena. Com a angústia lembrou-se do irmão, procurou aflito uma
coisa no milheiro de coisas e, apontando-a, murmurou:
— Quero aquela gaitinha.
(do livro Cadeira de Balanço, 1966.
in Andrade, Carlos Drummond de. Poesia e Prosa,
5. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1979, p. 1226-27.)
Em todas as fases de nossa vida
temos de tomar decisões, fazer escolhas. Algumas escolhas têm efeitos passageiros; os efeitos de outras são permanentes. Algumas escolhas são estritamente pessoais; outras dependem de
nosso relacionamento com o grupo de
convívio, ou mesmo, com toda sociedade em que vivemos. Carlos Drummond
— 53 —
de Andrade, com singeleza de artista,
explorou o tema em forma de narrativa,
na crônica “Caso de Escolha”.
Faça uma redação sobre o tema da
“escolha”, em forma dissertativa. Escolha livremente o enfoque a partir do qual
abordará esse tema.
FUNESP-SP/95 — “O Brasil de
ontem, de hoje, e as eleições de
amanhã.”
O MANDA-CHUVA
Como dizia, porém, na Bruzundanga, em geral, o mandachuva é escolhido
entre os advogados, mas não julguem que
ele venha dos mais notáveis, dos mais
ilustrados, não: ele surge e é indicado
dentre os mais néscios e os mais medíocres. Quase sempre, e é um leguleio da
roça que, logo após a formatura, isto é,
desde os primeiros anos de sua mocidade até aos quarenta, quando o fizeram
deputado provincial, não teve outro ambiente que a sua cidadezinha de cinco a
dez mil habitantes, mais outra leitura que a
dos jornais e livros comuns da profissão
— indicadores, manuais etc.; e outra convivência que não a do boticário, do médico local, do professor público e de algum
fazendeiro menos dorminhoco, com os
quais jogava o solo, ou mesmo o “truque”
nos fundos da botica. É este homem que
assim viveu a parte melhor da vida; é este
homem que só viu a vida de sua pátria na
pacatez de quase uma aldeia; é este homem que não conheceu senão a sua camada e que o seu estulto orgulho de doutor da roça levou a ter sempre um desdém
bonachão pelos inferiores; é este o homem que empregou vinte anos, ou pouco
menos, a conversar com o boticário sobre as intrigas de seu lugarejo; é este
homem cuja cultura artística se cifrou em
dar corda no gramofone familiar; é este
homem cuja única habilidade se resume
em contar anedotas; é um homem destes,
meus senhores, que depois de ser deputado provincial, geral, senador, presidente de província, vai ser o mandachuva de
Bruzundanga. (...) Durante esse longo
tempo em que ele passa como deputado,
senador, isto e aquilo, o esperançoso
mandachuva é absorvido pelas intrigas
políticas, pelo esforço de ajeitar os correligionários, pelo trabalho de amaciar os
influentes e os preponderantes, na política geral e regional. A sua atividade espiritual limita-se a isto. Os preponderantes e
influentes têm todo o interesse em não
fazer subir os inteligentes, os ilustrados,
os que entendem de qualquer cousa; e
tratam logo de colocar em destaque um
medíocre razoável que tenha mais ambição de subsídios do que mesmo a vaidade do poder. Além disso, eles têm que
atender aos capatazes políticos das localidades das províncias; e, em geral, estes
últimos indicam, para os primeiros postos
políticos, os seus filhos, os seus sobrinhos e de preferência a estes: os seus
genros. A ternura de pai quer sempre dar
essa satisfação à vaidade das filhas.
(in Lima Barreto. Os Bruzundangas. 2. ed. São Paulo:
Brasiliense, 1961, p.90-91.)
UNESP-SP/96 — “A violência
contra a mulher, no Brasil.”
O BRASIL E A DESIGUALDADE
ENTRE HOMENS E MULHERES: Brasil é
o 53º colocado no índice mundial de
igualdade entre homens e mulheres. São
— 54 —
dados divulgados pela ONU (Organização das Nações Unida) e integram o
Relatório do Desenvolvimento Humano
de 1995. Foram pesquisados 130 países, levando-se em conta alfabetização,
esperança de vida e economia. Em 116
países foram pesquisadas a representação feminina nos parlamentos, a porcentagem de mulheres em posições de
gestão, a participação na força de trabalho e sua parte no rendimento nacional. No Brasil, o salário médio das mulheres equivale a 76% do salário dos
homens; apenas 5% das mulheres fazem parte do parlamento. No ranking de
igualdade entre homens e mulheres na
América do Sul, embora o Brasil seja o
país mais rico, situa-se em 6º lugar, abaixo do Uruguai, Argentina, Venezuela,
Chile e Colômbia.
(Resumo de notícia publicada no jornal Folha de
S.Paulo, Cotidiano-1, em 18/8/95.
O CASO SOLANGE: A impunidade
começa a partir dos pequenos gestos
de indiferença e de preconceitos contra
as mulheres que são registrados no cotidiano da comunidade. Ao levantar informações sobre o assassinato de Solange [jovem morta por resistir ao estupro, em São Paulo], infelizmente pudemos observar a atitude, às vezes bastante cúmplice da violência, por parte da
comunidade. Parece que a comunidade
ainda aceita que se bata na namorada
ou mesmo na esposa. Assim, torna-se
cúmplice da violência. Essa cumplicidade vai-se consolidar nas salas dos tribunais de justiça, que acabam colocando o réu em liberdade. E a impunidade
se perpetua. Em 1994 foram registrados
114.832 casos de violência, nas Dele-
gacias de Polícia de Defesa da Mulher
do Estado de São Paulo. Neste ano de
1995, em que se completam 10 anos de
implantação dessas Delegacias, só no
primeiro semestre foram registrados
67.957 Boletins de Ocorrências (agressões físicas e psicológicas, estupros,
atentados violentos ao pudor, ameaças,
cárceres privados, raptos, seduções
etc.). Resumido do Boletim Informativo
da Campanha contra a Violência à Mulher nº 4 (maio de 1995). Os dados sobre ocorrências policiais foram fornecidos pela Coordenadoria-Geral das Delegacias de Polícia de Defesa da Mulher
do Estado de São Paulo.
ISTO É UM ENFORCADOR
— RASTEJA, seu burro! RASTEJA!
Repetiu isso um bocado de vezes,
eu já estava com o corpo mole e dor na
nuca.Totó, encolhido, parecia surdo. Seu
Quinca não desistia. Entrou outra vez
na Serraria:
— Roma não se fez num dia!
Voltou com uma coleira especial.
— Agora ou ele faz ou diz por que
não faz.
Colocou-a no pescoço do Totó, fechou a fivela, segurou firme, gritou novamente:
— RASTEJA!
Totó parecia de pedra. Achei que
ele simplesmente não queria rastejar. Tinha pulado, deitado, subido, descido, esperado, mas rastejar ele não queria. Não
era uma questão de aprender como seu
Quinca pensava. Mas seu Quinca pu-
— 55 —
xava, puxava, fui ficando aflito. Totó
dava ganidos estrangulados, entupidos,
como o choro do Gentil. Seu Quinca estava vermelho de ódio, as orelhas pareciam maiores, o dente de ouro mais pontudo, cuspe no canto da boca:
— RASTEJA senão te acabo com
a raça!
Quando abriu a mão para ajeitar melhor a coleira, Totó deu sua melhor pirueta. E, no caminho de ida, mordeu a mão
de seu Quinca. Fez três furos num arranhão de sangue. Mordeu e correu para
casa. Como um corisco. Seu Quinca ficou uma fera. Gritou:
— Depois eu acerto as contas com
esse cão do diabo, ele me paga! Você
vai pra casa, leva a carrana pra mim, dá
pra Cecília guardar.
A carrana era a coleira. Cheguei em
casa assustado, Totó estava tremendo de
baixo da cama. Tirei a maldita carrana de
seu pescoço com cuidado, havia sangue
nos pêlos. Fiquei parado com ela nas
mãos, medindo a maldade das garras, capaz de fazer qualquer um rastejar. Eu ainda chorava quando bati palmas na porta da
casa de seu Quinca pra entregar a coleira,
nunca mais vou deixar treinar o Totó.
Não havia ninguém lá, era quase
absurdo, Dona Cecília não tinha ordem
de sair nem para ir na esquina comprar
sal. Fiquei parado olhando a porta, a boa
fechadura mais o cadeado. E tive, de
novo, uma idéia-urubu bem pretinha descendo em minha cabeça: — Dona Cecília também usava carrana! Uma carrana
invisível que seu Quinca empurrava pra
baixo — RASTEJA! Mesmo de longe! Fi-
quei assustado, Dona Cecília vivia sangrando, só que era sangue invisível. Ela
e o Gentil, de manhã até a noite sendo
treinados, como não percebi antes? Larguei a carrana no chão com nojo, quem
importa que roubem, melhor pros cachorros! Voltei correndo pra casa, com medo
de Seu Quinca chegar. E me enfurnei no
quarto pra fazer curativo no pescoço
do coitado do Totó. (...) Na hora da janta
a Mãe disse pro Pai:
— Dona Cecília e o filho dela fizeram a mala e pegaram o trem das seis.
Nem deixaram o endereço. Ela veio se
despedir de nós, disse que vai pro sertão, não quer ver nunca mais a cara de
Seu Quinca.
(Valle, Dinorath do. Totó Piruleta e o Menino do Povo.
Curitiba: Criar Ed., 1986, p. 22-25.)
UFMT/99 — Os textos abaixo, de
fontes diversas, apresentam opiniões,
fatos, dados sobre aspectos da realidade social, econômica e cultural vivida
pela criança brasileira.
Leia-os atentamente.
1
(Marcus Vaillant. Fotógrafo — Diário
de Cuiabá, 26/7/96)
— 56 —
2. “Chega suado e veloz do batente / e
traz sempre um presente pra me encabular / tanta corrente de ouro, seu
moço / que haja pescoço pra enfiar. /
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro: / chave, caderneta, terço e patuá,
/ um lenço e uma penca de documentos / pra finalmente eu me identificar.
/ Olha aí, olha aí, o meu guri ...”
Proposta
Produza um texto verbal que expresse sua reflexão sobre a realidade
apresentada.
(Chico Buarque, Almanaque, 1981.)
3. “A criança não deve permitir que desejos ilícitos prevaleçam deixando espaço para exploração, violência, crueldade e opressão. A criança deve
aprender desde cedo que ninguém toca seu corpo sem sua expressa vontade” — afirma a professora Irenilda
Ângela dos Santos, que orientou a pesquisa “O Lado Obscuro da Violência
Doméstica: Abuso Sexual Incestuoso.”
(Romilson Dourado, “Pesquisa pede mais
educação”. A Gazeta, 22/9/96)
4. “A criança deve beneficiar-se de proteção especial e dispor de oportunidades e serviços assegurados por lei
ou por outros meios, a fim de poder
desenvolver-se física, mental, moral,
espiritual e socialmente de modo sadio e normal, em condições de liberdade e dignidade. Na adoção de leis com
este objetivo, a consideração fundamental deve ser o interesse superior
da criança.”
(Artigo 2o da Declaração dos Direitos da Criança,
aprovada pela AssembléiaGeral da ONU, em 20/11/59)
Os textos lidos devem servir de
base para a sua produção textual. Reflita sobre o que eles dizem.
UFPR — Na Mostra Comemorativa
dos 20 Anos de Anistia no Brasil, foi apresentada a charge acima. A partir de sua
leitura, escreva um texto, de até 10 linhas, que compare os dois períodos da
história recente do Brasil contrapostos
na charge, focalizando os contrastes explorados pelo humorista.
UFBA — TEMA
A identidade cultural no Brasil é uma
questão polêmica, sobretudo no que se
refere à língua portuguesa.
— 57 —
Leia, a seguir, alguns textos sobre
o assunto, refletindo sobre o seu conteúdo, sem contudo copiá-los como parte
de sua Redação.
I. A Nação é uma resultante de agentes históricos. O índio, o negro, o espadachim, o jesuíta, o tropeiro, o poeta, o fazendeiro, o político, o holandês, o português, o francês, os rios,
as montanhas, a mineração, a pecuária, a agricultura, o sol, as léguas
imensas, o Cruzeiro do Sul, o café, a
literatura francesa, as políticas inglesa e americana, os oito milhões de
quilômetros quadrados...
Temos de aceitar todos esses fatores, ou destruir a Nacionalidade, pelo
estabelecimento de distinções, pelo
desmembramento nuclear da idéia que
dela formamos.
Como aceitar todos esses fatores? Não concedendo predominância
a nenhum.
(Manifesto Nhengaçu)
II. O contato entre culturas produz efeitos também no vocabulário das línguas.
.............................................................
Atente para o fato de que os empréstimos lingüísticos só fazem sentido
quando são necessários. É o que ocorre quando surgem novos produtos ou
processos tecnológicos. (...) São condenáveis abusos de estrangeirismos decorrentes de afetação de comportamento ou de subserviência cultural. A imprensa e a publicidade muitas vezes não
resistem à tentação de utilizar a denominação estrangeira de forma apelativa,
como em expressões do tipo os teens
(por adolescentes) ou high technology
system (sistema de alta tecnologia).
(Pasquale & Ulisses)
III. Uma saudável epidemia tomou conta
da imprensa brasileira. Os jornais publicam seções de valorização da língua portuguesa.
.............................................................
A conclusão é que se deve cuidar
dessa matéria de forma inteligente, sem
patriotadas, mas com objetividade, no
sentido de valorizar o idioma de Machado de Assis e de Fernando Pessoa. Se a
nossa pátria é a língua portuguesa, por
que não cuidar bem dela?
(Arnaldo Niskier)
IV. O uso desnecessário, abusivo ou enganoso de palavra ou expressão estrangeiras será tratado como lesivo
ao patrimônio cultural brasileiro.
.............................................................
Mais que uma lei, queremos criar um
Movimento Nacional de Defesa da Língua
Portuguesa. Sem xenofobia, mas com altivez e brio, é possível proteger o idioma
contra o corrosivo bilingüismo que o desfigura e infunde nos brasileiros a deprimente ilusão de que a língua portuguesa é
feia, limitada e vaga. Apesar das regras
por vezes tortuosas, é bela, pródiga e
precisa, dotada de recursos léxicos suficientes para acompanhar as descobertas, invenções e mudanças que transformam o mundo. Como indagou o professor
Niskier, “por que não cuidar bem dela?”
(Aldo Rebelo)
— 58 —
V.
“Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
.............................................................
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é
superior
E deixa os portugais morrerem à
míngua
MACK-SP- 99 - Faça uma dissertação
a tinta com, no máximo, vinte linhas, desenvolvendo um tema comum aos dois textos.
TEXTO I
“O possível é aquilo criado pela nossa própria ação.
É o que vem à existência graças ao
nosso agir. No entanto, não surge como ‘árvore milagrosa’ e sim como aquilo que as circunstâncias abriram para a nossa ação.”
TEXTO II
“A liberdade não se encontra na
ilusão do ‘posso tudo’, nem no conformismo do ‘nada posso’.”
‘Minha pátria é minha língua’.”
(Caetano Veloso)
A partir da análise desses fragmentos, produza um texto dissertativo sobre o tema:
Brasil: Identidade Cultural e Preservação do Idioma Nacional.
(Marilena Chauí)
PUC-RS — TEMA:
Em maio de 1999, a revista Época realizou uma pesquisa nacional para verificar
o que o povo brasileiro pensa de si mesmo.
Reproduzimos abaixo uma das questões e
as respectivas respostas, que poderão
auxiliá-lo na elaboração do seu texto.
— 59 —
Selecione os traços que, na sua
opinião, melhor caracterizam o modo de
ser e agir do brasileiro, mostrando como
eles influem (positiva ou negativamente) sobre nossa vida.
As conseqüências de experiências
felizes como essa são maiores do que
imaginamos.”
FGV-SP — Redija um texto a partir
das idéias apresentadas. Dê um título
UFU-MG — Faça sua redação, procurando convencer um bebedor inveterado dos malefícios do álcool.
TEMA:
“Em meados deste ano o atual prefeito de Camaragibe, Paulo Santana, recebeu o prêmio Prefeito Criança, concedido pelo Unicef e pela Fundação
Abrinq aos 20 municípios brasileiros com
projetos mais bem-sucedidos na assistência a crianças e adolescentes. A implantação do atendimento dentário domiciliar fez da cidade modelo de saúde
bucal; o projeto de atenção médico-psicológica a meninas reduziu, de modo
drástico, a gravidez infantil: a lei de Dação, que permite o pagamento de dívidas ao município em doações de imóveis ou serviços de infra-estrutura comunitária, fez de maus devedores cidadãos empenhados em participar do
bem-estar de sua cidade; espécies nativas da mata atlântica estão sendo cultivadas em um viveiro florestal; 5,5% do
orçamento é destinado ao incentivo da
cultura e do esporte e, por último e o
mais importante, a cidade tem a menor
taxa de mortalidade infantil do Nordeste
(5,6 por 1000, inferior à de São Paulo) e
100% das crianças com idade de 7 a 14
anos estão na escola. Tudo isso, pasmem, não impediu a prefeitura de pagar
a seus funcionários um salário mínimo
de R$ 163,00 — acima da média da maioria do país!...
(Jurandir Freire Costa, Folha de S.Paulo,
28/11/99)
Observações:
1. Fazer um texto expositivo ou argumentativo;
2. Dê um título à sua redação;
3. Não copie trechos dos textos motivadores.
Leia os trechos abaixo:
“O Brasil sofre no paradoxo das
drogas legalizadas. Maconha é crime,
mas cigarros podem ser facilmente comprados no supermercado. Tranqüilizantes precisam de receita médica, embora
qualquer um possa relaxar com o álcool
na festinha de batizado. Álcool e fumo
são vendidos e consumidos no Brasil
com facilidades banidas nos países desenvolvidos. O efeito dessa liberalidade
é devastador. As drogas legais viciam,
causam doenças, separam famílias e
constituem graves problemas sociais e
de saúde pública.”
(In Superinteressante, set./98)
“Beber pode ser agradável sem
prejudicar a saúde. O primeiro efeito é o
bem-estar. Um drinque entorna alegria,
desinibição, segurança. O álcool é uma
substância que ultrapassa facilmente
as membranas celulares e em minutos
— 60 —
encharca todos os órgãos e tecidos.
Mesmo o cérebro, protegido por filtros
bioquímicos, é imediatamente invadido.”
(In Superinteressante, set./95)
O Brasil está gastando cerca de
US$ 61,2 bilhões por ano com problemas de bebidas alcoólicas — internações hospitalares, tratamento de doenças e assistência a acidentados no trânsito. Esse é o balanço do Hospital das
Clínicas de São Paulo. Outros números:
• Cada brasileiro consome em média
por ano 35 litros de cerveja contra 20
litros do leite.
• 60% dos leitos de ortopedia estão
ocupados por vítimas de acidentes
causados por álcool.
rapadura. Serei teu cicerone. Mas não
te levarei, apenas, aos bairros ricos, de
casas modernas e confortáveis, a Barra, Graça, Vitória e Nazaré. Iremos nos
piores bondes do mundo para a Estrada
da Liberdade, onde descobrirás a miséria oriental se repetindo naqueles casebres do Japão e da China, te levarei aos
cortiços infames.
Esse é bem um estranho guia, moça.
Com ele não verás apenas a casca amarela e linda da laranja. Verás igualmente
os gomos podres que repugnam ao paladar. Porque assim é a Bahia, mistura de
beleza e sofrimento, de fartura e fome,
de risos álacres e de lágrimas doloridas.
Ah!, moça, esta cidade da Bahia é
múltipla e desigual. Sua beleza eterna,
sólida como em nenhuma cidade brasileira, nascendo do passado, rebentando em pitoresco no cais, nas macumbas, nas feiras, nos becos e nas ladeiras, sua beleza tão poderosa que se vê,
apalpa e cheira, sua beleza de mulher
sensual, esconde um mundo de miséria
e de dor. Moça, eu te mostrarei o pitoresco, mas te mostrarei também a dor.
Quando a viola gemer nas mãos do
seresteiro, nascido na Bahia e cheio da
sua poesia, não reflitas sequer. Moça, a
Bahia te espera e eu serei teu guia pelas ruas e pelos seus mistérios. Teus
olhos se encherão de pitoresco, teus
ouvidos ouvirão histórias que só os
baianos sabem contar, teus pés pisarão
sobre o mármore das igrejas, tuas mãos
tocarão o ouro de São Francisco, teu
coração pulsará mais rápido ao bater
dos atabaques. Mas, moça, estremecerás também muitas vezes e teu coração
se apertará de angústia ante a procissão fúnebre dos tuberculosos na cidade de melhor clima e de melhor percentagem de tísicos do Brasil. A beleza habita nesta cidade misteriosa, moça, mas
ela tem uma companheira inseparável
que é a fome.
Vem e serei teu cicerone. Juntos
comeremos no Mercado sobre o mar o
vatapá apimentado e a doce cocada de
Se és apenas uma turista ávida de
novas paisagens, de novidades para
virilizar um coração gasto de emoções,
• O alcoolismo é responsável por 80%
das internações psiquiátricas.
(In IstoÉ, 6/10/99)
UFPA
CONVITE
— 61 —
viajante de pobre aventura rica, então
não queiras esse guia. Mas, se queres
ver tudo, na ânsia de aprender e melhorar, se queres realmente conhecer a
Bahia, então, vem comigo e te mostrarei
as ruas e os mistérios da cidade do Salvador, e sairás daqui certa de que este
mundo está errado e que é preciso refazê-lo para melhor. Porque não é justo
que tanta miséria caiba em tanta beleza.
Um dia voltarás, talvez, e então teremos
reformado o mundo e só a alegria, e a
saúde e a fartura caberão na beleza
imortal da Bahia.
Redação:
Assim como o escritor baiano, escreva um texto convidando alguém para
visitar a cidade onde você nasceu.
O convidado pode ser uma pessoa
real ou imaginada. Evidentemente, ele
não conhece sua cidade. Procure mostrá-la com objetividade, mas também com
sensibilidade. Seja um guia crítico, bem
humorado, até mesmo irônico, mas nunca pessimista. Afinal, você quer que seu
convidado conheça sua cidade e goste
dela.
Se amas a humanidade e desejas
ver a Bahia com olhos de amor e compreensão, então serei teu guia. Riremos
juntos e juntos nos revoltaremos. Qualquer catálogo oficial, ou de simples cavação, te dirá quanto custou o Elevador
Lacerda, a idade exata da Catedral, o
número certo dos milagres do Senhor
do Bonfim. Mas eu te direi muito mais.
Junto com o pitoresco e a poesia te direi
da dor e da miséria.
Sua redação deve ser em prosa e
ter, no máximo, 30 linhas.
Vem, a Bahia te espera. É uma festa e é também um funeral. O seresteiro
canta seu chamado. Vou mandar que
batam os atabaques e os saveiros partam em sua busca no mar. Serão a doce
brisa e os ventos e as palmas dos coqueiros que te saudarão das praias.
Arc, o marciano, quer saber o que
fazem os economistas. Por exemplo,
fazem economia?
Vem, a Bahia te espera!
(Trecho do prefácio que Jorge Amado fez ao seu livro
Bahia de Todos os Santos, em 1968.)
UFMS
O marciano Arc já se tornou personagem conhecido do público-leitor da
revista Veja pelo seu hábito de questionar os usos e costumes dos terráqueos,
como no diálogo a seguir:
Arc* e os economistas
— Claro que não, Arc. Fazer economia qualquer um pode fazer. Basta
gastar menos... Os economistas se dedicam a importantes estudos sobre a
conjuntura econômica de um país, até
do mundo: produção, consumo, arrecadação, déficits e superávits, entende?
*Arc é marciano e invisível, vem regularmente à Terra – inclusive ao Brasil – para ver se vale a pena Marte investir
aqui. Por enquanto, ele acha que não dá...
— 62 —
— Não. Isso tudo serve para
quê? Por exemplo, melhora a vida
da população?
— Tá difícil, hein, marciano? Eu disse “importantes estudos”, entendeu? Por
exemplo, fazem previsões sobre o futuro da economia...
— ... e acertam?
— Nunca. Mas não é isso que interessa. Ao estudar os movimentos da
economia, eles elaboram tendências
para o futuro...
— Entendi. Estudam o que já
aconteceu, para prever o que não
vai acontecer... Desculpe a insistência, mas isso serve para quê?
(Veja, 28/7/99, p. 36)
Tomando por base o trecho abaixo,
retirado de uma reportagem publicada
no mesmo número da revista Veja (28/
7/99, p. 46-7), e usando sua criatividade,
estabeleça um diálogo com Arc, analisando a situação apresentada:
.............................................................
A escola pública de ensino fundamental e médio forma três vezes mais
alunos do que a escola particular, mas
oferece uma qualidade de ensino
notadamente inferior e fica com a minoria das vagas nas boas faculdades. Resultado: quem tem dinheiro no bolso e
gastou com a educação do filho consegue matriculá-lo na universidade pública, que é de graça e melhor que a faculdade particular.
FUVEST
Recentemente, o Deputado Federal
Aldo Rebelo (PC do B-SP), visando proteger a identidade cultural da língua portuguesa, apresentou um projeto de lei que
prevê sanções contra o emprego abusivo
de estrangeirismos. Mais que isso, declarou o Deputado, interessa-lhe incentivar a criação de um “Movimento Nacional
de Defesa da Língua Portuguesa”.
.............................................................
Leia alguns dos argumentos que ele
apresenta para justificar o projeto, bem
como os textos subseqüentes, relacionados ao mesmo tema.
Qual é a chance de um estudante
ingressar num curso disputado numa
universidade pública? Se ele foi aluno
de escola particular, a chance de passar no vestibular é uma em nove. Se
estudou em colégio do governo, a possibilidade é bem menor: uma em 104.
Outra forma de dizer a mesma coisa:
75% dos candidatos ao vestibular de
medicina da Universidade de São Paulo,
USP, são oriundos da escola pública,
mas eles só conseguem ocupar 20%
das vagas.
“A História nos ensina que uma das
formas de dominação de um povo sobre
outro se dá pela imposição da língua. (...)”
“...estamos a assistir a uma verdadeira
descaracterização da Língua Portuguesa, tal a invasão indiscriminada e desnecessária de estrangeirismos — como
‘holding’, ‘recall’, ‘franchise’ ; ‘coffeebreak’, ‘self-service’ — (...). E isso vem
ocorrendo com voracidade e rapidez tão
espantosas que não é exagero supor
que estamos na iminência de comprometer, quem sabe até truncar, a comuni-
— 63 —
cação oral e escrita com o nosso homem simples do campo, não afeito às
palavras e expressões importadas, em
geral do inglês norte-americano, que dominam o nosso cotidiano (...)”
“Como explicar esse fenômeno indesejável, ameaçador de um dos elementos mais vitais do nosso patrimônio
cultural – a língua materna –, que vem
ocorrendo com intensidade crescente
ao longo dos últimos 10 a 20 anos? (...)”
“Parece-me que é chegado o momento de romper com tamanha complacência cultural, e, assim, conscientizar a nação de que é preciso agir em
prol da língua pátria, mas sem xenofobismo ou intolerância de nenhuma espécie. (...)”
(Dep. Fed. Aldo Rebelo, 1999)
“Na realidade, o problema do empréstimo lingüístico não se resolve com
atitudes reacionárias, com estabelecer
barreiras ou cordões de isolamento à
entrada de palavras e expressões de
outros idiomas. Resolve-se com o dinamismo cultural, com o gênio inventivo do
povo. Povo que não forja cultura dispensa-se de criar palavras com energia
irradiadora e tem de conformar-se, queiram ou não queiram os seus gramáticos,
à condição de mero usuário de criações
alheias.”
(Celso Cunha, 1968)
“Um país como a Alemanha, menos vulnerável à influência da colonização da língua inglesa, discute hoje
uma reforma ortográfica para ‘germanizar’ expressões estrangeiras, o
que já é regra na França. O risco de se
cair no nacionalismo tosco e na xenofobia é evidente. Não é preciso, porém,
agir como Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, que queria
transformar o tupi em língua oficial do
Brasil para recuperar o instinto de nacionalidade.
No Brasil de hoje já seria um avanço se as pessoas passassem a usar,
entre outros exemplos, a palavra ‘entrega’ em vez de ‘delivery’.
(Folha de S.Paulo, 20/10/98)
Levando em conta as idéias presentes nos três textos, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, expondo o que
você pensa sobre essa iniciativa do Deputado e as questões que ela envolve.
Apresente argumentos que dêem
sustentação ao ponto de vista que você
adotou.
Modelo 1 –
ENEM 2000
“É dever da família, da sociedade e
do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à saúde, à alimentação, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária, além
de colocá-los a salvo de toda forma de
negligência, discriminação, exploração,
crueldade e opressão.”
(Artigo 227, Constituição da República Federativa
do Brasil.)
— 64 —
(...) Esquina da
Avenida Desembargador Santos Neves com
Rua José Teixeira, na
Praia do Canto, área nobre de Vitória. A.J., 13
anos, morador de Cariacica, tenta ganhar algum
trocado vendendo balas
para os motoristas. (...)
PAPAI NOEL,
COELHINHO DA
PÁSCOA...
PANACA! DAQUI A
POUCO VAI DIZER QUE
MÃE
EXISTE!
“Venho para a rua
desde os 12 anos. Não
gosto de trabalhar aqui,
mas não tem outro jeito.
Quero ser mecânico.”
A Gazeta , Vitória (ES),
9/6/2000.
Entender a infância
marginal significa entender por que um menino
vai à rua e não à escola. Essa é, em
essência, a diferença entre o garoto que
está dentro do carro, de vidros fechados, e aquele que se aproxima do carro
para vender chiclete ou pedir esmola. E
essa é a diferença entre um país desenvolvido e um país de Terceiro Mundo.
(Gilberto Dimenstein. O cidadão de papel. 19. ed.
São Paulo: Ática, 2000.)
Com base na leitura da charge do
artigo da Constituição, do depoimento
de A.J. e do trecho do livro O cidadão
de papel, redija um texto em prosa, do
tipo dissertativo-argumentativo, sobre
o tema: Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional?
Ao desenvolver o tema proposto,
procure utilizar os conhecimentos ad-
(Angeli, Folha de S.Paulo , 14/5/00)
quiridos e as reflexões feitas ao longo
de sua formação. Selecione, organize e
relacione argumentos, fatos e opiniões
para defender o seu ponto de vista, elaborando propostas para a solução do
problema discutido em seu texto.
Observações:
Lembre-se de que a situação de
produção de seu texto requer o uso da
modalidade escrita culta da língua.
Espera-se que o seu texto tenha
mais do que 15 (quinze) linhas.
A redação deverá ser apresentada a tinta na cor preta e desenvolvida
na folha própria.
Você poderá utilizar a última folha
deste Caderno de Questões para rascunho.
— 65 —
Modelo 2 –
UFMG 99
TEXTO 2
REPORTAGEM
O trem estacou na manhã fria,
num lugar deserto, sem casa de estação:
Prova de Língua Portuguesa
e Literatura Brasileira "A"
Questão 1
Leia os Textos 1 e 2.
O Texto 1 é um trecho de uma coluna de jornal que publica pedidos, reclamações e sugestões dos leitores,
bem como a resposta do jornal a essas
manifestações.
TEXTO 1
ATENDIMENTO
Leitor — Há uma senhora que fica
na esquina da rua Iraí com o Largo José
Cavalini. Ela dorme no chão, espalha lixo
e parece ser doente. Quem pode socorrer essa senhora?
Resposta — A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Desenvolvimento Social disse que a referida senhora já
foi atendida pelo Programa de População
de Rua da Prefeitura de Belo Horizonte e
também pelo Departamento de Saúde Mental da Regional Centro-Sul. A última abordagem foi no último dia 20. Ela aparenta ter
doença mental e, apesar de não ser agressiva, resiste aos encaminhamentos. Mesmo assim será realizada outra tentativa
de encaminhá-la por equipe especializada.
(Jornal de Casa, Belo Horizonte, fev./98, p. 4, 8-14.)
(Texto adaptado)
a parada do Leprosário...
Um homem saltou, sem despedidas,
deixou o baú à beira da linha,
e foi andando. Ninguém lhe acenou...
Todos os passageiros olharam ao redor,
com o medo de que o homem que saltara
tivesse viajado ao lado deles...
Gravado no dorso do bauzinho humilde,
não havia nome ou etiqueta de hotel:
só uma estampa de Nossa Senhora do
Perpétuo Socorro...
O trem se pôs logo em marcha apressada,
e no apito rouco da locomotiva
gritava o impudor de uma nota de alívio...
Eu quis chamar o homem, para lhe dar um
sorriso,
mas ele ia já longe, sem se voltar nunca,
como quem não tem frente, como quem
só tem costas...
(Rosa, João Guimarães. Magma. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1997. p. 68-69.)
A partir dessa leitura, redija um texto narrativo, em prosa, que atenda aos
seguintes requisitos:
— 66 —
a) tenha, como material básico, o episódio documentado no Texto 1, acrescido de outros elementos criados por
você;
b) apresente estratégia narrativa semelhante à do Texto 2 — um narrador
que fala em primeira pessoa, adota
uma posição exterior aos acontecimentos e, ao mesmo tempo, expressa sua avaliação pessoal quanto a
esses acontecimentos;
c) configure-se como matéria publicável
em jornal de grande circulação, capaz de provocar o interesse dos leitores.
Modelo 3 –
UERJ 2000
Instruções
Nesta prova você vai planejar e redigir um texto argumentativo, em duas
etapas obrigatórias:
ETAPA 1 – preencher o esquema de
“Planejamento do texto”, na página 2 do
Caderno de Respostas, preparando a
redação;
ETAPA 2 – escrever o texto argumentativo, na página 3 do Caderno de Respostas, respeitando o “Planejamento do
texto”.
Proposta de Redação
As notícias sobre trabalho infantil,
abandono, violência a reclusão de menores têm trazido à discussão a forma
como nosso país investe no futuro.
A partir dessa discussão, redija um
texto argumentativo capaz de sustentar
seu ponto de vista acerca da seguinte
afirmação-base:
O Estatuto da Criança a do Adolescente desencadeou a adoção de
uma política que tem provocado mudanças profundas na vida dos menores carentes.
Para fundamentar sua argumentação, você encontrará, a seguir, uma
Coletânea com diferentes tipos de textos, organizada em 4 conjuntos. Leia-a
com atenção, pois você precisará usar,
nas duas etapas da prova, idéias apresentadas nesses textos.
Coletânea de Textos
Conjunto 1 — Crianças e
adolescentes no Brasil
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE (Lei 8069/90)
(...)
Art. 3º – A criança e o adolescente
gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem
— 67 —
prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, assegurando-lhes, por lei ou
por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar
o desenvolvimento físico, mental, moral,
espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.
Art. 4º – É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do
Poder Público assegurar, com absoluta
prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar
e comunitária.
O JOVEM E A VIOLÊNCIA
O Brasil conta com uma legislação
de vanguarda – o Estatuto
da Criança a do Adolescente (ECA) – mas os fatos insistem em demonstrar que
muito chão precisa ser trilhado antes que a realidade
passe a refletir o quadro de
justiça a cidadania tão bem
desenhado no papel.
Um ponto extremamente crítico é o que focaliza o
tratamento dado aos adolescentes autores de atos infracionais. O Ministério da justiça reconhece, em pesquisa publicada este ano, que
o acentuado crescimento do
número de jovens em conflito com a lei não é fruto de
mero acaso. O problema,
aponta o documento, “é re-
flexo da desestruturação social, em que
crianças e adolescentes em situação
de indigência são levados às mais variadas e divergentes estratégias de sobrevivência...”. A sociedade brasileira está
encontrando dificuldades em evitar que
parcela significativa de sua população
viva imersa nesta “situação de indigência”. E quando os adolescentes, pressionados pela total falta de perspectivas,
cometem atos infracionais, só raramente
contam com iniciativas que contribuem
de forma consistente para sua ressocialização e reabilitação.
(Site da Associação Nacional dos Direitos da Infância ANDI, seção “Conversa Afiada”
http://www2.uol.com.br/andi/afiada/afiada 8.htm)
Conjunto 2 — A infância na mídia
(Época, 17/9/99)
— 68 —
(Propaganda institucional da Casa do Caminho
http://www.cosmo.com.br/casadocaminho)
(IstoÉ, 8/7/99)
— 69 —
Conjunto 3 — Alguns dados
Segundo dados do IBGE, 40% das
crianças brasileiras entre 0 e 14 anos
vivem em condições miseráveis, ou
seja, a renda mensal familiar não passa de metade do salário mínimo. Quase todas as crianças brasileiras têm
hoje acesso ao ensino elementar, mas
pouco mais da metade chegará à 8ª
série. Uma em cada seis ingressa no
mercado de trabalho antes de completar 15 anos. Dos 15 aos 17, quando
deveria estar na escola, metade está
no batente. Milhões de jovens crescem sem outra perspectiva senão a
de legar suas dificuldades aos filhos.
O desafio é tão dramático que muita
gente acaba dando de ombros, convencida de que se chegou a uma situa-
http://www.IBGE.gov.br/IBGEteen/pesquisas
ção da qual não há retorno. É um erro.
Nesse momento, milhares de fundações a de organizações não governamentais, ONGs, estão demonstrando
como boas idéias, um pouco de dinheiro a uma disposição podem mudar essa
realidade para melhor.
(Veja, 22/9/99)
(Veja, 22/9/99)
(Época, 20/9/99)
— 70 —
Conjunto 4 — Cenas brasileiras
Modelo 4 –
ESPM-SP
TEXTO I
o barro
(Veja, 22/9/99)
toma a forma
que você quiser
você nem sabe
estar fazendo apenas
o que o barro quer
(IstoÉ, 15/9/99)
FOTOPOEMA
Como sugerem os versos acima,
do poeta e publicitário Paulo Leminski,
uma criação não expressa apenas o
que deseja o seu criador. Veja-se, por
exemplo, o caso da linguagem da propaganda.
TEXTO II
O garoto trabalhando os grãos
de café.
Na parede, solidária sombra.
Foto: Bruno Alves
Texto: Raimundo Gadelha
(Brasil Retratos Poéticos. São Paulo: Escrituras, 1996.)
O produto da propaganda não se
limita apenas à marca, à mercadoria
ou ao serviço que ela anuncia. É sempre muito mais que isso: há valores,
conceitos, idéias a comportamentos
envolvidos em qualquer peça publicitária. Será possível, portanto, imaginar que os responsáveis pela criação
dos anuncios deixem de considerar
os limites da ética, em suas atividades? Não faltam exemplos de como a
propaganda pode influir, positiva ou
negativamente, no comportamento das
pessoas.
— 71 —
Modelo 5 –
PUC-RS 2000
Redação
A seguir, são apresentados três temas. Examine-os atentamente, escolha
um deles e elabore um texto dissertativo
com 25 a 30 linhas, no qual você exporá suas idéias a respeito do assunto.
Ao realizar sua tarefa, tenha presentes os seguintes aspectos:
♦ Evite fórmulas preestabelecidas ao
elaborar seu texto. O mais importante é que ele apresente idéias organizadas, apoiadas por argumentos consistentes, e esteja de acordo com a
norma culta escrita.
♦ Antes de passar a limpo, a tinta, na
folha definitiva, releia seu texto com
atenção e faça os reparos que julgar
necessários.
♦ Não é permitido usar corretor líquido.
Se cometer algum engano ao passar
a limpo, não se preocupe: risque a
expressão equivocada e reescreva,
deixando claro o que pretende comunicar.
♦ Dê um título a seu texto.
♦ Lembre-se de que não serão considerados:
• textos que não desenvolverem um
dos temas propostos;
• textos redigidos a lápis ou ilegíveis;
• cópias ou paráfrases de textos
constantes na prova objetiva.
Boa prova!
A seguir, você encontrará algumas
idéias expressas pelo eminente educador Paulo Freire, em seu livro Pedagogia da autonomia – saberes necessários à prática educativa. (São
Paulo: Paz e Terra, 1997). Elas estão
aqui por duas razões: para homenagear esse grande pensador da Educação
e para auxiliar você a encaminhar sua
redação.
Para produzir seu texto, escolha um
dos três temas propostos abaixo. Lembre-se de que você deverá escrever
uma dissertação; portanto, mesmo que
seu texto possa conter pequenas passagens narrativas ou descritivas, nele
deverão predominar suas opiniões sobre o assunto que escolheu.
TEMA 1
“O professor que desrespeita a
curiosidade do educando, seu gosto estético, sua inquietude, sua linguagem;
que ironiza o aluno, que o minimiza, que
manda que ele ‘se ponha no lugar’ ao
mais tênue sinal de rebeldia legítima, tanto
quanto o professor que se exime do
cumprimento de seu dever de propor
limites à liberdade do aluno, que se furta
ao dever de ensinar, transgride os princípios éticos de nossa existência.”
(p.66)
Considerando que cada nível de ensino requer um professor com características particulares, e que você está às
portas da Universidade, disserte sobre
a questão abaixo.
— 72 —
Que características deve possuir um
professor universitário para ser considerado competente?
TEMA 2
“Saber ensinar não é transferir
conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou
construção. Quando entro em uma sala
de aula, devo agir como um ser aberto
às indagações, às inibições dos alunos; um ser crítico e inquiridor, inquieto
diante da tarefa que tenho – a de ensinar, e não a de transferir conhecimento.” (p. 52)
Considerando que a aprendizagem depende de inúmeros fatores,
entre eles o comprometimento do próprio aprendiz, disserte sobre o tema
abaixo.
O papel do aluno na construção do
seu próprio conhecimento.
Como conciliar liberdade com responsabilidade na escola?
Modelo 6 –
PUCCAMP-SP
Instruções Gerais
I – Dos cuidados gerais a serem
tomados pelos candidatos:
1. Leia atentamente as propostas, escolhendo uma das três para sua prova de redação.
2. Escreva, na primeira linha do formulário de redação, o número da proposta escolhida. (A colocação de título é optativa.)
3. Redija seu texto a tinta (em preto).
TEMA 3
“A autoridade coerentemente
democrática, fundamentando-se na importância de si mesmo e da liberdade
dos educandos para a construção de
um clima de real disciplina, jamais
minimiza a liberdade. Empenha-se em
desafiá-la sempre e sempre; jamais vê
na rebeldia da juventude um sinal de
deterioração da ordem.” (p.104)
Considerando que um ambiente
propício à construção do conhecimento
pressupõe disciplina e autonomia, disserte sobre a questão a seguir.
4. Apresente o texto redigido com letra
legível (cursiva ou de forma) em padrão estético conveniente (margens,
paragrafação etc.).
5. Não coloque o seu nome na folha de
redação.
6. Tenha, como padrão básico, o mínimo de 30 (trinta) linhas.
II – Da elaboração da redação:
1. Atenda, com cuidado, à proposta escolhida em todos os seus aspectos.
— 73 —
Às redações que não atenderem à proposta (adequação ao tema e ao tipo de
composição) será atribuída nota zero.
2. Empregue nível de linguagem apropriado à sua escoIha.
3. Estruture seu texto utilizando recursos gramaticais e vocabulário adequados. Lembre-se de que o uso
correto de pronomes e de conjunções
mantém a coesão textual.
4. Seja claro e coerente na exposição
de suas idéias.
III – Das Propostas:
Proposta I — Dissertação
Todo texto dissertativo aborda um
tema, ou seja, a delimitação de um assunto.
Após leitura do edital da Folha de S.Paulo
e percepção das suas idéias principais,
verifique qual é o seu tema e sobre ele escreva uma dissertação clara e coerente.
TEXTO
O fenômeno meteorológico batizado
de “EI Niño” começa a assumir, no mundo todo, o papel antes reservado às pragas bíblicas, responsáveis por todas as
desgraças.
Sem negar os efeitos do fenômeno, parece um raciocínio simplista e cômodo atribuir a ele os males, do inverno
que foi verão forte no Centro-Sul brasileiro às enchentes na Espanha, passando pelas queimadas no Sudeste Asiático. Culpar um fenômeno natural exime
as autoridades e a sociedade de refletir
sobre os danos provocados pelo homem, cada vez mais graves.
Típica do comodismo é a reação do
governo brasileiro contra relatório do
Fundo Mundial para a Natureza que
aponta o Brasil como campeão mundial
do desmatamento de florestas tropicais
nos últimos anos.
Para o porta-voz da Presidência,
os dados do governo indicam diminuição do desmatamento. O importante não
é tanto se o desmatamento aumentou
ou diminuiu, mas o fato de que ocorra
sem que fique clara uma política de ocupação da Amazônia.
É preciso levar em conta que, segundo a ONU, o Brasil é o terceiro país
do mundo em área preservada de florestas de fronteira atrás apenas de
Rússia e Canadá.
Se se considerar que quase a metade das florestas mundiais já virou pasto
ou campo agrícola, fica evidenciada a
importância internacional de se preservar o que resta.
Mas o comodismo se estende também aos governos dos países ricos
(que, aliás, já promoveram uma devastação quase total de suas florestas). O
presidente dos EUA, Bill Clinton, por
exemplo, nega-se a aceitar um aumento nos preços dos combustíveis fósseis, uma forma de tentar conter a emissão dos gases que geram o efeito estufa, responsável pelo crescente aquecimento da Terra.
Tudo somado entende-se o motivo
da cômoda satanização do “El Niño”: ela
evita que cada um enfrente suas próprias responsabilidades.
(Folha de S.Paulo 1/2, 10/10/97)
— 74 —
Proposta II — Dissertação
argumentativa
Leia cuidadosamente os dois textos abaixo. Observe que eles tratam do
mesmo tema, mas apresentam argumentos contrários, pois defendem teses
opostas.
Com qual delas você concorda?
Redija uma dissertação argumentativa clara e coerente, defendendo um
dos pontos de vista e refutando aquele
contrário ao seu.
TEXTO I
Há um clássico argumento que procure justifìcar a ditadura cubana: o feroz isolamento que o governo dos EUA
impõe à ilha, dificultando a vida econômica do país e de sua população, tese
ainda defendida por intelectuais e políticos brasileiros de esquerda. O raciocínio é em parte correto, mas acaba por
legitimar o regime ditatorial.
TEXTO II
Os que se horrorizam com o ditatorialismo dos regimes em que não há
revezamento no poder esquecem-se de
que as democracias de fachada podem
ocultar os piores totalitarismo: a fome, a
concentração de renda, o desamparo
social. Os índices da educação e da saúde públicas de Cuba ainda são melhores do que os nossos, apesar dos EUA.
(A partir de um editorial da Folha de S.Paulo, 15/10/97)
Walmor: 40 anos, estatura média,
cabelos claros, pele clara, ligeiramente
avermelhada; os olhos são pequenos,
esverdeados e nunca se fixam nos olhos
de um interlocutor. Veste-se com apuro;
usa sempre meias da mesma cor da camisa. É formado em administração de
empresas. Seu passatempo predileto
são filmes de ação; seu livro inesquecível chama-se A vida dos grandes estadistas.
Paulo: 25 anos, cabelos e olhos castanhos, pele clara, alto, magro. Só veste
algodão; não se preocupa em combinar
cor de roupa. Queria muito estudar arqueologia, mas acabou se formando em
economia. Gosta de viajar e andar de
bicicleta. Tem sempre consigo uma antologia da obra de Manuel Bandeira.
Imagine uma situação em que essas personagens se encontram. Baseando-se em suas características, desenvolva uma pequena narrativa.
Modelo 7 –
UNIFOR-CE
1. Das 3 propostas apresentadas a seguir, escolha a que mais lhe agradar
e faça uma redação.
2. A redação deve ter a extensão mínima
de 20 linhas e máxima de 30, considerando-se letra de tamanho regular.
Proposta III — Narrativa
Proposta I — Dissertação
Atente para a descrição das seguintes personagens:
1. Leia o tema dado a seguir a analise as idéias nele contidas.
— 75 —
2. Com base nessas idéias, faça
uma dissertação em que você exponha
seus pontos de vista e conclusões.
quem nada
tem
neste vale [...]”
TEMA
(Poema sujo. p. 42)
Houve época em que os operários
paravam as máquinas; hoje, as máquinas param os operários.
Proposta II — Narração
Faça uma narração levando em conta o espaço de um dia, iniciando-o assim:
Hoje foi um dia em que nada deu certo.
Proposta III — Descrição
Você está observando um salão no
final de uma festa.
II
“[...]
Na província, enfim, cada um tem o
seu coração, por ele vive e pratica, por ele
ama e só ele delibera; na capital, há somente um coração oficial, uma víscera de nação, um aparelho mecânico e econômico –
tem a mesma pulsação e o mesmo calor
para todos; é quase que um coração artificial; é mais um objeto de luxo, que um órgão
necessário; é uma tetéia dourada, é um
boneco de papelão, é um trapo, é lama! [...]”
(Uma lágrima de mulher. p. 66)
Descreva-o.
III
Modelo 8 – UEMA
1. Leia atentamente os fragmentos a seguir.
2. Extraia de um deles o tema e elabore
sua redação.
“[...]
— Que desleixo é esse, Arian? Mulher que não se cuida, que não se arruma, que não se ajeita, que não se perfuma, que não zela pela sua imagem, não
é bem mulher ... E tu, pelo abandono em
que estás, te esqueceste de tua obrigação fundamental como mulher! [...]”
I
(Uma sombra na parede. p. 57)
“[...]
Vale quem tem
vale quem tem
vale quem tem
Modelo 9 – UEL-PR
vale quem tem
nada vale
quem não tem
nada não vale
nada vale
Redação
1. Leia o tema dado a seguir e analise
as idéias nele contidas.
— 76 —
2. Com base nessas idéias, faça uma
dissertação em que você exponha
seus pontos de vista e conclusões.
3. A dissertação deve ter a extensão
mínima de 20 linhas e máxima de 30,
considerando-se letra de tamanho regular.
TEMA
Num noticiário de TV, tão veloz e
tão variado, todas as notícias parecem
ter o mesmo peso.
Modelo 10 – UFPE
Objetivo:
Elaborar uma dissertação, demonstrando originalidade e organização
das idéias com correção, coerência
e coesão.
Leia o texto com atenção:
A uma turma de alunos do segundo grau, com cerca de quinze anos de
idade em média, foram explicadas as
muitas formas de preconceito e a distinção entre o que é formalizado e assumido e o sutil e disfarçado, como no
Brasil. O professor propôs uma experiência a cerca de dez voluntários.
Consistia em se atar uma fita de cor
laranja na testa dos alunos e mantê-la
em diferentes ambientes, sem que se
esclarecesse sua razão. O resultado
da experiência foi, literalmente, aterrador, mas uma oportunidade excelente para que possamos refletir sobre
nossa educação, valores e sobre o
roteiro que estamos imprimindo à nossa juventude.
Desnecessário seria afirmar que
esses jovens, por usar uma fita inocente, sofreram todo o tipo de rejeição
imaginável. Desde singelos apelos de
professores para que a tirassem em
nome de uma uniformidade disciplinar,
até pais que se rebelaram com o pedido
para que esperassem uma semana para
conhecer a razão do gesto insólito. Uma
semana depois os alunos puderam tirar
as fitas da testa, revelar os objetivos
do experimento e relatar de forma minuciosa toda a segregação sofrida e toda
a violência que o seu gesto causou.
Mas, além do fato circunscrito, fica a
grande indagação: os jovens puderam
tirar a fita que os fazia “diferentes”, mas
os negros, os índios, os favelados, os
velhos e outros tantos jamais poderão
tirar o estigma que os distingue e a marca que os faz sofrer. De repente, ser
diferente deixa de refletir características de individualidade para se transformar em rótulos intolerados que buscamos extirpar.
Um homem é um homem, independentemente da cor de sua pele, da sua
idade, conta bancária ou fita na testa?
Adaptação: Uma fita de cor laranja – Celso Antunes
(DP – 24/12/95, F.1 – Caderno 2)
Mantendo a temática do texto, redija uma dissertação que responda à pergunta do título:
— 77 —
Um homem é um homem, independentemente da cor de sua pele da sua
idade, conta bancária ou fita na testa?
Critérios básicos
de correção
– Adequação da dissertação à temática
e ao título proposto. (Fuga ao tema
implica nota zero.)
– Atendimento às normas gramaticais.
– Coerência, coesão e clareza na exposição das idéias.
– Originalidade (transcrição literal de frases implica perda de pontos).
– Obediência ao número de linhas (20
a 25).