29/02/2008 - Banco Central do Brasil

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Focus
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Desempenho do Comércio Exterior Brasileiro em 2007
29 de fevereiro de 2008
A balança comercial acumulou no ano de 2007 superávit de US$40 bilhões. Os resultados das
exportações e das importações de, respectivamente, US$160,6 bilhões e US$120,6 bilhões, bateram
recordes históricos, propiciando corrente de comércio de US$281,3 bilhões, superando em 22,7% o
valor obtido em 2006. As exportações apresentaram crescimento de 16,6% em 2007, com aumento
de US$22,8 bilhões, enquanto as importações cresceram US$29,3 bilhões, o que representou
incremento de 32% em relação ao ano anterior.
Gráfico 1
Evolução da Balança Comercial
(US$ bilhões, acumulado em 12 meses)
160
140
120
100
80
60
40
20
0
dez jun dez jun dez jun dez jun dez jun dez jun dez
01 02 02 03 03 04 04 05 05 06 06 07 07
Saldo
Exportações
Importações
Desde dezembro de 2001, os saldos comerciais acumulados em doze meses vêm superando as
expectativas de mercado coletadas pela Gerência Executiva de Relacionamento com Investidores
(Gerin), divulgadas no Focus - Relatório de Mercado (Gráfico 2). No entanto, nota-se tendência de
redução no erro de previsão a partir de 2005. A previsão para o saldo da balança comercial em
2007, realizada em janeiro de 2007, apresentou erro de previsão de apenas US$1,6 bilhão, o menor
desde dezembro de 2001.
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do Brasil. Questões e comentários para [email protected]
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Gráfico 2
Saldo Comercial – Previsto x Realizado
(US$ bilhões)
50
40
30
20
10
0
-10
dez
01
jun
02
dez
02
jun
03
dez
03
Ocorrido em 12m
jun
04
dez
04
jun
05
dez
05
Expectativa há 12m
jun
06
dez
06
jun
07
dez
07
Erro de previsão
O Quadro 1 mostra que quase a metade do crescimento das exportações brasileiras em 2007 é
atribuída às exportações de produtos básicos. Já os produtos manufaturados, que foram responsáveis
por aproximadamente metade do crescimento das exportações em 2006, contribuíram com 39,1%
do crescimento em 2007, com incremento de US$8,9 bilhões, enquanto os produtos
semimanufaturados cresceram US$2,3 bilhões (10% do crescimento total das exportações em
2007). Essas três categorias de produtos registraram cifras recordes históricas. Os produtos
manufaturados continuam sendo os principais itens de nossa pauta exportadora, respondendo por
52,3% do valor das exportações brasileiras em 2007, totalizando US$83,9 bilhões. As exportações
de produtos básicos somaram US$51,6 bilhões e as de semimanufaturados, US$21,8 bilhões,
correspondendo a, respectivamente, 32,1% e 13,6% das exportações totais em 2007.
O Quadro 1 destaca ainda a participação e o crescimento dos produtos de maior importância na
pauta exportadora brasileira, segmentada por classes de produtos. Os produtos manufaturados que
mais contribuíram individualmente para o crescimento das exportações em 2007 foram: aviões
(6,5%); suco de laranja (3,4%); gasolina e óleos combustíveis (3%) e elementos e compostos
químicos (2,3%). Por outro lado, observou-se redução na exportação de aparelhos transmissores ou
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receptores e componentes; açúcar refinado; laminados de aço; e chassis e motores para veículos,
partes e peças. Já o crescimento de 28,1% nas exportações dos produtos básicos em 2007 deveu-se
em grande escala ao crescimento das exportações de óleos brutos de petróleo (8,8% do crescimento
total), carnes (8,1%), minérios de ferro e seus concentrados (7%), e soja e resíduos da extração de
óleo de soja (6,9%). As exportações desses produtos cresceram, em 2007, 29,2%, 25,8%, 18%, e
19,6%. Por fim, o crescimento de 11,7% nas exportações dos produtos semimanufaturados foi
impulsionado pelo aumento nas vendas de pastas químicas de madeira (crescimento de 21,5%),
produtos de ferro e aço (19,3%) e couros e peles (16,7%). As exportações de açúcar de cana em
bruto, que haviam crescido 65,2% em 2006, recuaram 20,5%, contribuindo negativamente para o
crescimento das exportações.
Quadro 1
Exportações Brasileiras em 2007 – Principais Produtos
Produtos
Total 2007
Crescimento
% do Cresc.
(US$ milhões) (% total) (US$ milhões)
%
total em 2007
Básicos
51.596
32,1%
11.310
28,1%
49,5%
Minérios de ferro e seus concentrados
10.558
6,6%
1.609
18,0%
7,0%
Soja e resíduos da extração de óleo de soja
9.666
6,0%
1.584
19,6%
6,9%
Carnes
9.006
5,6%
1.846
25,8%
8,1%
Óleos brutos de petróleo
8.905
5,5%
2.011
29,2%
8,8%
Café cru em grão
3.378
2,1%
450
15,4%
2,0%
Fumo em folhas e desperdícios
2.194
1,4%
500
29,5%
2,2%
Semimanufaturados
21.800
13,6%
2.277
11,7%
10,0%
Produtos de ferro ou aço
5.670
3,5%
918
19,3%
4,0%
Açúcar de cana em bruto
3.130
1,9%
-806
-20,5%
-3,5%
Pastas químicas de madeira
3.012
1,9%
534
21,5%
2,3%
Couros e peles,depilados,exceto em bruto
2.185
1,4%
313
16,7%
1,4%
Alumínio, e suas ligas, em bruto
2.183
1,4%
102
4,9%
0,4%
Manufaturados
83.943
52,3%
8.924
11,9%
39,1%
Aviões
4.719
2,9%
1.477
45,6%
6,5%
Automóveis de passageiros
4.653
2,9%
56
1,2%
0,2%
Gasolina e óleos combustíveis
4.130
2,6%
679
19,7%
3,0%
Laminados de aço
4.067
2,5%
-273
-6,3%
-1,2%
Partes e peças para veículos automóveis e tratores
3.856
2,4%
293
8,2%
1,3%
Chassis e motores para veículos, partes e peças
3.658
2,3%
-159
-4,2%
-0,7%
Elementos e compostos químicos
2.849
1,8%
529
22,8%
2,3%
Resinas, elastômeros e fibras artificiais e sintéticas
2.692
1,7%
309
13,0%
1,4%
Aparelhos transmissores ou receptores e componentes
2.353
1,5%
-714
-23,3%
-3,1%
Suco de laranja
2.252
1,4%
783
53,3%
3,4%
Veículos de carga
2.054
1,3%
185
9,9%
0,8%
Calçados, suas partes e componentes
2.038
1,3%
71
3,6%
0,3%
Açucar refinado
1.971
1,2%
-261
-11,7%
-1,1%
Produtos metalúrgicos de ferro e aço
1.966
1,2%
254
14,8%
1,1%
Operações especiais*
3.311
2,1%
329
11,0%
1,4%
Total
160.649
100,0%
22.841
16,6%
100,0%
Fonte: Elaborado pelo Banco Central a partir de dados da Secex/MDIC e Funcex.
*As operações especiais se referem principalmente a consumo de bordo e a reexportação.
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O crescimento das exportações, que se intensificou a partir de 2003, pode ser observado em todos
os principais blocos e regiões de destino das vendas brasileiras. Esse desempenho tem gerado
tendência à maior diversificação em termos de países de destino, o que pode ser captado por índices
de concentração, como o de Herfindahl-Hirschman (IHH) – Gráfico 3. Com relação à composição
por produtos das exportações brasileiras, houve importante desconcentração em 2004 e 2005,
seguida de novo período de concentração, motivado principalmente pelo maior dinamismo das
exportações de petróleo e derivados e de etanol, produtos até então com pouca expressão na pauta, e
de produtos básicos destinados para a Ásia, principalmente para a China.
Gráfico 3
Índices de Concentração das Exportações Brasileiras
Concentração por produtos (IHH)
Concentração por país (IHH)
0,0140
0,10
0,09
0,0135
0,08
0,0130
0,07
0,0125
0,06
0,0120
0,05
0,0115
0,04
0,03
0,0110
0,02
0,0105
0,01
0,0100
2007
2006
2005
2004
2003
2002
2001
2000
1999
1998
1997
1996
2007
2006
2005
2004
2003
2002
2001
2000
1999
1998
1997
1996
0,00
O Gráfico 4 mostra que as exportações para a União Européia foram as que mais cresceram em
2007, 30,2%, tornando essa região o principal destino dos produtos brasileiros, com participação de
25,2% das exportações totais. Em termos de crescimento anual, a Ásia e a Aladi foram as duas
outras regiões cujas taxas de crescimento foram superiores à média das exportações brasileiras, de
16,6%. A região do Nafta, que havia sido o principal destino dos produtos brasileiros em 2006, com
22,9%, teve sua participação reduzida para 19,9%, em virtude do baixo crescimento das vendas para
a região em 2007, de apenas 1,3%. As exportações para regiões com baixa participação nas vendas
externas brasileiras - Oriente Médio, África e Europa Oriental – também tiveram crescimento
inferior à média, ao contrário do ocorrido em 2006.
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Gráfico 4
Principais Destinos das Exportações Brasileiras em 2007
35%
30%
25%
20%
15%
10%
5%
Demais
Regiões
África
Ásia
Médio
Orinte
Europa
Oriental
Aladi
União
Européia
Nafta
0%
Participação da região no destino das exportações
Taxa de crescimento anual por região
Taxa de crescimento média das exportações
O Quadro 2 desmembra o crescimento das exportações brasileiras, durante o ano de 2007, em
variações de preços e de quantum (já ajustados proporcionalmente pelos seus efeitos cruzados). De
acordo com os índices de preço e quantum calculados pela Funcex, as exportações cresceram 10,9%
em preço e 5,8% em volume. Os aumentos nos preços de exportação corresponderam a 65,7% do
crescimento do valor exportado, enquanto os demais 34,3% estão relacionados ao crescimento no
quantum exportado. Ao se decompor o total exportado por classes de produtos, a análise das
variações de preços e volumes revela que as exportações brasileiras foram favorecidas por um
cenário externo de crescimento na demanda e pelo comportamento dos preços internacionais das
commodities. Os produtos básicos brasileiros foram os principais beneficiados por esse cenário,
com aumentos de 15,5% nas suas cotações externas e 12,6% no quantum exportado. Os produtos
semimanufaturados e manufaturados, por sua vez, tiveram aumentos de 11% e 8,9% nos preços e de
0,7% e 3,4% no quantum, respectivamente.
Quadro 2
Variação dos Índices de Preço e Quantum das Exportações em 2007
Básicos
Semimanufaturados
Manufaturados
Total
Total (% do crescimento)
Preço
15,5%
10,9%
8,6%
10,9%
65,7%
Quantum
12,6%
0,7%
3,3%
5,7%
34,3%
Total
28,1%
11,7%
11,9%
16,6%
100,0%
Fonte: Elaborado pelo Banco Central do Brasil a partir de dados da Funcex.
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O Quadro 3 apresenta os principais produtos importados em cada categoria de uso e a contribuição
de cada item para o crescimento das importações brasileiras. As importações de bens de consumo
duráveis foram as que mais se expandiram (35,8%), impulsionadas pelas importações de
automóveis de passageiros, que cresceram 61,3%. Em seguida, as categorias que mais cresceram
foram: bens de capital (32,7%), bens de consumo não duráveis (32,2%), combustíveis e
lubrificantes (32,1%), e matérias-primas e produtos intermediários (31,2%).
Quadro 3
Importações Brasileiras em 2007
Principais Produtos por Categoria de Uso
Produtos
Matérias-Primas e Produtos Intermediários
Produtos químicos e farmacêuticos
Produtos minerais
Produtos intermediários - partes e peças
Acessórios de equipamentos de transportes
Bens de Capital
Maquinaria industrial
Combustíveis e Lubrificantes
Óleos brutos de petróleo
Bens de Consumo Duráveis
Automóveis de passageiros
Bens de Consumo Não Duráveis
Produtos farmacêuticos
Total
Total 2007
(US$ milhões)
%
59.409
49,3%
15.677
13,0%
11.656
9,7%
8.839
7,3%
8.472
7,0%
25.120
20,8%
7.354
6,1%
20.068
16,6%
11.976
9,9%
8.250
6,8%
3.521
2,9%
7.774
6,4%
2.908
2,4%
120.621
100,0%
Crescimento
% do cresc.
(US$ milhões)
% total em 2007
14.134
31,2%
48,3%
3.437
28,1%
11,7%
2.451
26,6%
8,4%
1.021
13,1%
3,5%
2.181
34,7%
7,5%
6.196
32,7%
21,2%
2.044
38,5%
7,0%
4.871
32,1%
16,6%
2.913
32,1%
10,0%
2.174
35,8%
7,4%
1.338
61,3%
4,6%
1.895
32,2%
6,5%
737
30,5%
2,5%
29.270
32,0%
100,0%
Fonte: Elaborado pelo Banco Central a partir de dados da Secex/MDIC e Funcex.
Apesar do crescimento um pouco inferior à média, as matérias-primas e produtos intermediários
continuam sendo a principal categoria de uso de importados, com participação de 49,3% no valor
total das importações brasileiras. Em seguida, estão os bens de capital (20,8%), combustíveis e
lubrificantes (16,6%), bens de consumo duráveis (6,8%) e não duráveis (6,4%). Entre os principais
produtos da pauta importadora em 2007, destacam-se os produtos químicos e farmacêuticos (13%
das importações totais), óleos brutos de petróleo (9,9%) e produtos minerais (9,7%).
Em 1o de fevereiro de 2008, a mediana das expectativas de mercado para o saldo da balança
comercial doze meses à frente, de acordo com o Focus - Relatório de Mercado, situava-se em
US$31,2 bilhões, sinalizando a continuidade dos elevados saldos comerciais recentes, mesmo diante
da perspectiva de desaceleração do crescimento global.
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Gráfico 4
Expectativas da Balança Comercial e do Câmbio 12 meses à frente
(US$ bilhões e R$/US$, respectivamente)
45
40
35
30
25
20
15
10
3,9
3,6
3,3
3,0
2,7
2,4
2,1
1,8
jan jul
03 03
jan jul
04 04
jan jul
05 05
jan jul
06 06
jan jul
07 07
Saldo Comercial 12m à frente (escala esq.)
Taxa de Câmbio 12m à frente (escala dir.)
Para dados e informações mais detalhadas sobre a balança comercial brasileira, acessar os seguintes
endereços eletrônicos:
www.mdic.gov.br/
www.funcex.com.br
www.bcb.gov.br/?BOLETIM
www.bcb.gov.br/?ECOIMPEXT
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