veículos de assistência

Transcrição

veículos de assistência
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>>> P.| 17
JORGE AMADO
OBESIDADE
Um escritor intemporal
Epidemia do séc. XXI
>>> P.| 10-11
>>> P.| 20
TOMAR
BAIRRADA SEDUTORA
Destino a descobrir
Região de grandes néctares
>>> P.| 12-13
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PAPA PAULO VI
PAPA JOÃO PAULO I
MELÃO CASCA DE CARVALHO
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Talento incontornável
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Novos passeios escolares
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ELTON JOHN
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REGRESSO ÀS AULAS
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Delicioso e saudável
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Mantendo a contínua aposta na qualidade de serviços e conforto para o Cliente, para além de
assegurar uma boa manutenção dos autocarros, a ARRIVA investiu em veículos de assistência
que estão disponíveis 24H por dia completamente equipados para que seja possível socorrer
qualquer autocarro avariado a qualquer momento. Descubra como tudo funciona! >>> P.| 06-07
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Disponív
eis 24H por dia!
Disponíveis
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VEÍCULOS DE
ASSISTÊNCIA
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Nº 029 >>> 2012 | SETEMBRO • OUTUBRO >>> DISTRIBUIÇÃO GRATUITA • DIRECTOR MANUEL SANTA CRUZ DOMINGUES BASTO OLIVEIRA
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Nº 029 >>> 2012 | SETEMBRO • OUTUBRO
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ARRIVA Malta
BUS Plus 5
Deslocou-se a Guimarães uma delegação do Departamento de
Comunicação da ARRIVA em Malta, composta por Sandr Bianchi e Jeremy
Tabone. A intenção da visita era contatar a nossa empresa de forma a
entender como funciona a diversos níveis, o tipo de ambiente da nossa
operação e variedade de tipos de serviço disponíveis.
Durante a visita foi notável o interesse na informação disponível para
clientes, bem como o cuidado e variedade na imagem, sendo bem clara a
surpresa positiva com o nível de cuidado de manutenção e apresentação
dos autocarros.
O serviço BUS PLUS 5, que liga Guimarães a Braga, via
autoestrada, ligando diretamente as suas
universidades, está de novo na estrada.
Os novos horários encontram-se disponíveis nas
bilheteiras, estando afixados nos locais de informação
ao cliente, bem como nas paragens.
Falecimentos
Este mês foi especialmente triste já que fica marcado com o desaparecimento
de três colegas que já há algum tempo sofriam por causa de doenças
prolongadas.
De Guimarães, o Sr. José Jorge Ribeiro, condutor dos Transurbanos de
Guimarães, que tinha entrado para a empresa em Junho de 1997, tendo sido
sempre condutor.
Em Famalicão, o Sr. Clemente Araújo, condutor da ARRIVA, que tinha entrado
para a Empresa Abílio da Costa Moreira como mecânico em Junho de 1976. O
Sr. Clemente progrediu dentro da empresa chegando a tratar de matérias
ligadas à chefia de manutenção. Desde 2009 que tinha passado para condutor.
No lugar da Revoltinha, na Caniçada, o Sr. Francisco Matias Gonçalves Pereira,
entrou em 1970 como motorista para a Auto Rodoviária do Minho reformando-se
já na AMI Transportes. O Sr. Matias fazia normalmente serviço entre Vieira do
Minho e Arosa, fazendo também ao longo da semana outras carreiras
associadas às feiras semanais.
É com verdadeira tristeza que transmitimos estas notícias, reforçando aos seus
familiares o nosso pesar.
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REFORMA
O Sr. José Oliveira Cunha, conhecido de todos pelo
Sr. Cunha abastecedor, decidiu reformar-se.
Foi emigrante em França depois de ter cumprido
serviço militar em África, durante a guerra colonial.
Emigrou, entretanto, para França tendo regressado
para trabalhar numa fábrica de confeções de onde
saiu para ser admitido para a Empresa João Carlos
Soares, em Janeiro de 1991. Exerceu sempre
funções ligadas ao abastecimento ou guarda das
instalações.
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Nº 029 >>> 2012 | SETEMBRO • OUTUBRO
FICHA TÉCNICA
DIRETOR
Manuel da Santa Cruz Basto Oliveira
COORDENADOR EDITORIAL
Marco António Lindo
[email protected]
Editorial
GRAFISMO E PRÉ-IMPRESSÃO
Alive Word Comunicação Unip. Lda
[email protected] | www.aw-passions.com
220 167 542 | 969 105 600
DESIGN
Susana Marvão
Caro/a Leitor/a,
COLABORAM NESTA EDIÇÃO
Alexandra Lima
Custódio Fernandes
Eduardo Guimarães
Mafalda Raínho
Marco António Lindo
Mónica Lindo
Pedro Soares
Pinto Correia
FOTOGRAFIA
Marco António Lindo
Schutterstock / D.R.
PUBLICIDADE
T. 253 423 515 | 220 167 542
IMPRESSÃO
Naveprinter – Indústria Gráfica do Norte, S.A.
Inscrito no ICS com o nº 125134
Depósito legal | 264746/07
Tiragem | 10 000 exemplares
Periodicidade | Bimestral
Publicação Gratuita
PROPRIEDADE E EDIÇÃO
ARRIVA Portugal – Transportes Lda.
Edifício ARRIVA, Rua das Arcas
4810-647 Pinheiro, Guimarães | Portugal
Tel. 253 423 500 | Fax. 253 423 519
[email protected]
www.arriva.pt
INFORMAÇÃO
Os textos publicados no ARRIVA Jornal
contemplam a utilização do novo acordo
ortográfico da língua portuguesa.
Todos sabemos porque, de uma forma ou de outra, sentimos que estamos a atravessar um dos períodos mais
difíceis da economia Europeia das últimas décadas. Portugal, sendo um País pequeno dentro da Europa, teve
desde a transição para o regime democrático, operada a 25 de Abril de 1974, e mormente desde a sua entrada
plena na União Europeia, um notável crescimento que se materializou por um lado na criação de infraestruturas
modernas e comparáveis ao que de melhor existe nas grandes economias e, por outro, na crescente melhoria da
qualidade de vida das pessoas, melhoria essa para a qual contribuiu de forma evidente o acesso generalizado da
população à educação.
Mercê da pequena dimensão do País e da sua economia, foi a referida transformação muito apoiada
financeiramente pelos países nossos parceiros nessa comunidade.
Não tendo Portugal conseguido gerar riqueza suficiente para complementar a sua parte de tal transformação,
recorreu sistematicamente ao endividamento, avolumando ano a ano a divida que, no ano de 2010, atingiu valores
que não fomos capazes de suportar e, por isso, o País esteve em risco de incumprimento e de entrar em
bancarrota.
Uma vez mais conseguimos sair dessa situação através do apoio dos nossos parceiros que, respondendo ao
pedido de resgate feito pelo Governo português de então, mais uma vez nos emprestaram dinheiro.
Como em tudo na vida aqui se aplicou também o ditado que nos ensina ou, pelo menos, nos devia sempre ensinar
que: “não há bela sem senão”. E, em troca de mais esta facilidade financeira disponibilizada pelos nossos
parceiros, foi exigido que Portugal se comprometesse a implementar alterações estruturais que permitissem que, a
prazo, o País fosse capaz de não continuar a gastar mais do que a sua própria economia seja capaz de gerar.
Deste acordo resultou um plano de austeridade que o Governo português tem vindo a implementar através de
diversas medidas que, no seu entender, são as adequadas para alcançar o objetivo dos compromissos acordados.
Em consequência dessas medidas de austeridade a vida das famílias e das empresas alterou-se profundamente
devido à diminuição significa dos seus rendimentos e ao crescente aumento do desemprego, entrando-se assim
num período de forte contração da economia.
No caso das empresas de transportes de passageiros, sector em que a ARRIVA desenvolve a sua atividade,
assistiu-se a uma enorme (e acrescida face ao que já vinha acontecendo) perda de passageiros que, por este ou
aquele motivo, deixaram de se deslocar em transportes coletivos. Como a nossa empresa nunca beneficiou de
qualquer tipo de subsídio à exploração ou de indeminizações compensatórias pelo serviço social que presta, a
perda de passageiros transportados resultou diretamente em importantes perdas de receitas que temos vindo a
ser capazes de compensar parcialmente através de medidas de contenção de custos.
Fomos até ao momento capazes de, conforme nos tínhamos comprometido até nas colunas deste jornal,
nomeadamente, manter estabilidade no volume de emprego que geramos e dos serviços que prestamos e que,
embora possam não ser totalmente equilibrados do ponto de vista económico, mantêm uma procura mínima que, a
não ter resposta do lado da oferta, enfrentaria seguramente problemas adicionais àqueles que a própria situação
de recessão já referida lhe impõe.
Não sendo a manutenção desses serviços uma obrigação da empresa, e não sendo minimamente compensados
através de apoios do Estado para tal fim, manteremos a nossa vontade determinada de encontrar soluções que
minimizem o impacto junto das populações dentro do que é o nosso entendimento de responsabilidade social, não
esquecendo porém que essa nossa responsabilidade social tem como primeiro pilar a obrigação de tudo fazermos
para conseguirmos uma gestão equilibrada e, assim, mantermos a estabilidade de emprego dos nossos
colaboradores.
Estamos a chegar ao final do Verão de 2012 e, consequentemente, ao fim do normal período de férias e início de
um novo ano escolar.
Conforme tínhamos anunciado, criamos ofertas que permitiram a muitas e muitas pessoas uma forma económica
de, no seu período de férias, desfrutarem das vantagens das belas praias da nossa região.
Muitas desses clientes foram exatamente jovens estudantes que, agora, vão iniciar um novo período escolar e que
beneficiaram das atrativas tarifas que criamos propositadamente para eles, permitindo-lhes uma maior qualidade
do seu tempo de descanso. Seguramente tal vai contribuir para que melhor enfrentem o dever que têm perante os
seus pais e a comunidade que muito investe para que tenham acesso à educação (mas também perante eles
próprios e a necessidade de preparem o seu próprio futuro), de se empenharem na sua missão enquanto
estudantes por forma a alcançarem bons resultados e aproveitarem do benefício que a comunidade lhes oferece,
cumprindo assim a sua parte no esforço coletivo que todos fazemos para lhes oferecer um melhor futuro.
Com a promessa de que continuaremos a trabalhar de forma empenhada com o objetivo de um melhor futuro para
todos, deixo-o caro/a Leitor/a, Cliente e Amigo/a, com a leitura deste seu ARRIVA Jornal, que espero lhe agrade.
Manuel Santa Cruz Oliveira
(Presidente da Comissão Executiva da ARRIVA Portugal)
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Nº 029 >>> 2012 | SETEMBRO • OUTUBRO
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Estocolmo
Como tínhamos referido anteriormente no nosso
Jornal, a ARRIVA Suécia ganhou em Novembro do
ano passado o concurso público para o serviço da
Storstockholms Lokaltrafik, concurso da
responsabilidade da Autoridade Regional de
Transportes de Estocolmo.
Entretanto, no passado dia 20 de Agosto, deu-se
início à primeira fase, 1100 funcionários
garantem a operação que engloba uma linha de
carro elétrico a oeste de Estocolmo em
Nockebybanan, outra de metro ligeiro na Ilha de
Lidingö e ainda mais de 250 autocarros nos
corredores de Bromma, Sollentuna, Solna e
Sundbyberg. No dia do arranque do serviço,
foram distribuídas 15 mil rosas aos clientes.
A segunda parte do processo terá início em Janeiro
de 2013. Nessa altura estarão envolvidos em todo
o serviço mais de 2000 colaboradores, 484
autocarros mais 183 elétricos ou metros ligeiros.
Davi Evans, Diretor da ARRIVA Europe, referiu que
este sistema de transportes, cuja operação se
iniciou agora, levará a uma forma de transporte
integrado na qual a ARRIVA está muito satisfeita por
ter um papel vital. Adiantou ainda ser um objetivo da
empresa providenciar um serviço de alta qualidade
que vá de encontro às necessidades dos clientes
bem como à expectativa da Storstockholms
Lokaltrafik.
Fit4Growth
A fim de materializar as oportunidades de
mercado no transporte de passageiros europeus,
seguindo diretivas da DB, a ARRIVA iniciou a nível
europeu o programa Fit4Gowth.
No âmbito deste programa, o grupo de trabalho
que compõe o Fit4growth deu início à
apresentação do projeto tendo, para o efeito,
reunido com vários elementos dos diversos
departamentos de marketing e comunicação das
diversas empresas ARRIVA na Europa.
A reunião foi coordenada por Stuart Henry que teve
o apoio de Chris Goscomb um reconhecido
especialista do Fit4Growth. O encontro decorreu
em Londres, onde estiveram presentes
representantes de todas as empresas ARRIVA na
Europa. Foi dada particular atenção à importância
do aumento da eficiência e alocação de
capacidades como contributo para um melhor
crescimento global da empresa. Debateram-se
todos os elementos introdutórios das ações que
virão a ter lugar nos próximos meses e cujo
objetivo será a melhoria de diversas valências de
serviço, algumas das quais já integradas na
ARRIVA Portugal.
Passeios escolares
O regresso às aulas traz sempre um incremento necessário de cuidados nas carreiras, que levam os
alunos para as escolas e, por isso, toda a equipe de tráfego cuida da situação de acordo com as ajudas
que as próprias escolas vão dando para que os serviços da ARRIVA consigam satisfazer ao máximo o
necessário. Entretanto, no departamento de alugueres começa a organização de novos projetos que
permitam oferecer às escolas destinos atraentes e que estejam de acordo com os projetos didáticos ou
lúdicos previstos para os alunos. Por isso a ARRIVA, uma vez mais, também neste sector, encontra-se
pronta para continuar a prestar o melhor serviço com os profissionais mais habilitados. Um programa ainda
mais completo que o do ano passado está quase concluído. Um excelente leque de autocarros de elevado
nível de qualidade garante o serviço. Por isso, este vai ser um ano ainda melhor, com novidades associadas
a destinos já antes disponíveis nos programas de passeios escolares.
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SKILLS
Challenge
Este ano os Engenheiros, técnicos de carroçaria e
mecânicos e eletricistas da ARRIVA do Reino Unido
arrebataram a maioria dos prémios que havia a
distribuir nas nove categorias no “Institute of Road
Transport Engineers Skills Challenge”. Neste concurso
os colaboradores da ARRIVA ganharam seis dos sete
prémios possíveis, recebendo um deles um prémio
especial.
O torneio teve lugar em Junho e foram a concurso
delegações de diversas empresas. Participaram a
Ipswich Buses, London Borough of Redbridge, MoD,
Translink, Wilts & Dorset, Bluestar, Go-Ahead and Trent
Barton e a ARRIVA.
Quando, no dia 25 de Julho, os resultados foram
revelados, viveram-se momentos lógicos de euforia.
Como já referimos, seis dos sete temas a concurso
tinham sido ganhos pela ARRIVA. A adicionar a este facto
o Engenheiro Lloyd Mason, bem conhecido na ARRIVA
Portugal onde deixou amigos em todos os setores,
recebeu um Prémio Especial pela excelência da
qualidade técnica usada por si no treino e formação do
pessoal, o prémio Technical Excellence to Training.
O Lloyd Mason na qualidade de Formador Técnico da
ARRIVA UK afirmou que este prémio é fantástico e que
revela as qualidades e vontade de todos os colegas
envolvidos.
Vínhamos para este concurso animados pelo desafio
de conseguir, se possível, o melhor resultado de
sempre. Conseguimos e, assim, provamos à indústria
dos transportes em geral o nível de qualidade e
experiência que se encontra na ARRIVA. Adiantou ainda
que o “Team 2012” vinha animado e confiante, contando
com a colaboração de alguns dos melhores técnicos;
os resultados falam por si.
Mike Cooper, director da Arriva UK Bus, afirmou:
“estamos muito orgulhosos do trabalho desenvolvido
pelo Lloyd e pelos diversos técnicos que participaram
com tanto sucesso neste IRTE Skills Challenge”.
É espantoso conseguir seis de sete prémios possíveis.
Felicito também o Lloyd pelo justo reconhecimento do
IRTE ao atribuir-lhe um prémio especial pelo seu
desempenho.
Nick Jones, director da Society of Operations Engineers
(SOE), na qual a IRTE participa, saudou todos os
participantes.
O setor profissional também nos saudou pelo
impressionante resultado conseguido e estou também
muito satisfeito por ver reconhecido o valor de quem
mantém os autocarros, através da oportunidade que
este concurso dá para demonstrarem as suas
capacidades a nível nacional.
Os seis vencedores são:
Cotação máxima para Eletricista: Colin Harris, ARRIVA –
The Shires & Essex;
Cotação máxima para Técnico de Carroçarias: Charlie
Devlin, ARRIVA North East;
Cotação máxima para Mecânico Aprendiz: Tom Hubbard,
ARRIVA Midlands;
Cotação máxima para Técnico de Carroçarias Aprendiz:
Wayne Stanton, ARRIVA Southern Counties;
Cotação máxima para Electricista Aprendiz: Ross Moffatt,
ARRIVA North East.
Ainda houve lugar para Prémios IRTE por trabalhos
excecionais:
Colin Harris, ARRIVA – The Shires & Essex
Charlie Devlin, ARRIVA North East
Glenn Cooke, ARRIVA – The Shires & Essex
Após se terem conhecido os resultados, o Engenheiro
Lloyd Mason estendeu os agradecimentos a três
mecânicos aprendizes pelo trabalho desenvolvido no
apoio aos colegas vencedores e que também
representaram a ARRIVA no concurso. Os colegas são:
Craig Pearce - ARRIVA Midlands
Liam Bates - ARRIVA North East
James Ward - ARRIVA The Shires & Essex
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Institute
of Road
Transport
Engineers
O Institute of Road Transport Engineers (IRTE) é uma
organização do Reino Unido, fundada em 1944, e que
representa o setor profissional da Associação dos
Engenheiros. É um dos mais respeitados Institutos
do setor dos transportes, sendo-lhe reconhecida as
suas especiais capacidades na avaliação imparcial.
Com efeito o IRTE não só certifica ou inspeciona
situações diversas do foro da engenharia mecânica e
industrial em transportes, como também tem
promovido diversas ações preventivas rodoviárias.
O IRTE publica mensalmente a revista Transport
Engineer, bem como uma diversidade de manuais e
guias técnicos.
É parceiro regular do CV Show, e foi um dos pioneiros
na criação do IRTEC Licensing, um regime específico
para o licenciamento e acreditação de técnicos e
mecânicos.
No Reino Unido o IRTE tem um centro onde permite
aos seus membros associados a troca permanente
de ideias.
Na lista de membros associados do IRTE
encontramos Engenheiros de todas as áreas até
mecânicos, eletricistas, e metalúrgicos especialistas
em carroçarias, estes nos mais diversos sectores
dentro da atividade dos transportes. Também
diversos membros são engenheiros de tráfego,
gestores de frota ou mesmo diretores de empresas.
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Veículos de assistência
Bons condutores com formação, além de esperada ou
obrigatória, bem apresentados e bem-educados, bem
conhecedores do serviço que estão a prestar, são
fundamentais num serviço público.
Autocarros bons, com boa apresentação e limpos, é o
mínimo que se espera.
Boa manutenção, levando ao limite tudo o que pode ser
feito para garantir o bom funcionamento dos autocarros,
é o trabalho que cada um dos mecânicos presta para
que os veículos trabalhem regularmente sem problemas.
No entanto, os veículos enquanto máquinas são falíveis
e, quando menos se espera, uma avaria pode acontecer.
Por isso, a ARRIVA Portugal tem ao serviço veículos de
assistência completamente equipados para que seja
possível socorrer qualquer autocarro avariado a qualquer
momento.
Os veículos de assistência estão disponíveis 24 horas
por dia, estando quer ao cuidado da oficina, quer à
responsabilidade do mecânico de serviço.
Estas novas unidades vieram substituir outras que já
tinham alguns anos de serviço e que tinham sido
adaptados internamente para o mesmo tipo de trabalho.
Contudo, foram estes carros utilizados anteriormente
que, de uma certa forma, providenciaram toda a
informação que permitiu criar os novos. Foram levadas
em conta todas as possíveis situações juntando aquilo
que o fabricante normalmente sugere, ao que o bom
censo dos engenheiros e mecânicos do sector
consideraram como de grande utilidade introduzir.
Desde a sua recente entrada ao serviço, estes veículos
revelaram uma grande comodidade operativa, facilitando
o trabalho a realizar por quem os esteja a operar.
O equipamento disponível neste veículo permite a
assistência a qualquer tipo de avaria, permitindo ao
mecânico uma intervenção que garanta que o autocarro
sai do local por meio próprio.
As imagens que publicamos de alguma forma já falam
por si, no entanto, chamamos a atenção para diversas
particularidades que descrevemos. Algumas delas
revelam um cuidado extremo, embora que impere o
cuidado e, em alguns casos, até o bom gosto.
O grande painel luminoso, além de ser visível tanto de
dia como de noite, dá informações fundamentais, visíveis
a mais de 400 metros. Indicações para o tipo de avaria
que vai encontrar e que, infelizmente em alguns casos,
poderá ser um acidente, indicando o procedimento aos
condutores que se aproximem. O nome “ponte de
sinalização estroboscópica” é técnico mas refere-se às
luzes que piscam intensamente no tejadilho do veículo. A
sua missão é fazer com que o carro seja inevitavelmente
visível.
Quando se abrem as portas da carrinha temos logo uma
bancada de trabalho convencional e outra com torno, à
volta da qual temos arrancadores de baterias e tomadas
para 12 e 24 voltes, tomadas de ar comprimido, com
medidores de pressão de pneus. Há três enroladores,
dos quais dois para eletricidade a 220 voltes e um de ar
comprimido.
O material para a mudança de pneus é evidente já que,
além das tomadas e arrancadores de ar que referimos,
existe também um compressor de ar comprimido, um
transportador de pneus e um macaco pneumático que
suporta pesos até 30 toneladas.
As preguiças suportam até seis toneladas. Aquele
aparelho que parece um berbequim e dá para
desapertar as porcas chama-se “máquina de impacto” e
neste carro há duas, permitindo apertar ou desapertar
porcas das rodas. Claro que também há um berbequim,
que pode funcionar como aparafusador e que permite
as mais diversas funções, bem como o gerador de 220
voltes que também fornece energia no local para tudo o
que seja de uso elétrico mais comum. Uma unidade
portátil de iluminação está agarrada à porta porque tem
um íman que agarra em qualquer local metálico, como
por exemplo na chapa, estrutura ou chassis do
autocarro.
Claro que a carrinha não sai sem ter os bidões de água,
gasóleo ou óleo convenientemente atestados. E a
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Nº 029 >>> 2012 | SETEMBRO • OUTUBRO
>>> TEXTO DE MARCO ANTÓNIO LINDO
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propósito de óleos, eles são diversos, porque há para a
direção ou para a embraiagem, para o motor ou para o
diferencial. Tem diversas designações técnicas mas de
uma forma mais simples classificam-se entre os óleos
e as valvulinas. Tudo isto há nas carrinhas de
assistência. Também há correias, tubos, filtros,
parafusos, abraçadeiras e um carrinho de ferramentas
que, à parte, explicamos o conteúdo. Ainda há diversos
produtos especificados para cada tipo de autocarro,
garantindo que cada intervenção tem reunidas as
condições para o sucesso.
No fim de tudo, e para dar um ar de limpeza, há um
depósito de água e uma saboneteira para lavar as
mãos e papel para as limpar. Assim, o carro já pode
voltar à base, pronto para qualquer outra missão que se
siga.
Ainda existe aqui algo, isto é, alguém que é
fundamental. Referimo-nos ao mecânico ou equipe que
se desloca no veículo, pessoas convenientemente
formadas com conhecimentos extensos sobre cada
marca e modelo de autocarro.
Embora pareça uma lista de compras numa loja de
ferramentas, sabendo que muitos leitores se
interessam com estes detalhes, sabendo valorizar o
cuidado posto na escolha, sem referir os modelos do
fabricante dos produtos… •
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O material fundamental que se
encontra no carrinho de
ferramentas ligeiras é:
Um jogo de 4 alicates para freios;
Martelos / Ponteiros;
Chaves de fendas;
Limas diversas;
Chave crescente;
Alicate ajustável brunido;
Alicate de pressão de bicos ajustáveis;
Alicates comuns;
Chaves de caixa;
Chaves de luneta;
Chaves de bocas;
Chaves de boca / luneta e chaves universais
diversas;
Chaves de caixa Torx;
Chave Umbrako;
Chave de filtros automática para filtros de óleo;
Dedo magnético luminoso;
Apalpa folgas;
Martelo de bola;
Almotolia flexível;
X-atos divisíveis;
Fita métrica de cinco metros;
Lanternas.
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cultura
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>>> TEXTO DE MARCO ANTÓNIO LINDO
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CORIN
Tellado
María del Socorro Tellado López nasceu em
Espanha, nas Astúrias, em 25 de Abril de
1927. Mundialmente conhecida por Corin
Tellado, o seu nome ficará para sempre ligado
à escrita de novelas e fotonovelas.
María Tellado está, com efeito, referida no
Livro Guiness dos Recordes como o escritor
hispânico que mais livros vendeu. Publicou
mais de 4000 novelas vendendo mais de 400
milhões de livros.
Talvez uma razão para o sucesso da sua
escrita se ficasse a dever à censura que, tal
como em Portugal, também existia em
Espanha limitando muito a escrita no seu
conteúdo, já que neste caso da escrita
romântica, não era aceite qualquer referência
a sexo, ato ou comportamento sexual ou
sequer erótico. Então, a solução encontrada
por María Tellado era dar ideia da questão
sem a escrever diretamente. O leitor tinha a
liberdade de imaginar o que não estaria a
acontecer, sem que algo estivesse escrito.
Essa escrita transformava os atos mais
profundos da história num mistério, e ficava
por aí.
O romance é quase tão antigo como a escrita,
mas María Tellado, ou Corin Tellado,
transformou a novela num fenómeno cultural
muito especifico que levou também a uma
nova dimensão na telenovela romântica,
dando-lhe uma expressividade e razão nunca
anteriormente vistas.
Não caso contigo; Fica comigo; A minha
mulher é uma ingénua; Não esperes por ele;
Chama o teu marido; Casamento em apuros;
A minha felicidade eras tu; Não podia casarme com ele; Não sei se casará comigo; Não
mereces perdão; Não posso acreditar em ti;
Brincas com os sentimentos; Ele engana-te; O
filho do meu marido; Esta mulher é minha; ou
Aqui está a minha mulher… São alguns
exemplos entre cerca de 4000 novelas
escritas por Maria Tellado, títulos que fizeram
gerações, fundamentalmente de leitoras,
sofrer a par com os seus intérpretes.
A mulher que mudou a forma da escrita
romântica morreu em Gijón, poucos dias
antes do seu 82º aniversário. •
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GABRIELA,
Cravo e Canela
O escritor Jorge Amado publica a história em 1958 que, dois anos
depois, é transposta para televisão na forma de telenovela.
Em 1975 uma nova versão da telenovela, da responsabilidade da
TV Globo, vai para o ar no Brasil, sendo a primeira a passar na
televisão portuguesa em 1977. O papel principal, Gabriela, é
entregue a Sônia Braga, que se tornará famosa com o seu
desempenho. Sônia voltará ao mesmo papel na versão de cinema
onde vai contracenar com o grande Marcelo Mastroiani.
Já em 2012, uma terceira versão da mesma novela aparece nos
nossos ecrãs; Juliana Paes é a nova Gabriela.
Jorge Amado viu as suas obras traduzidas em mais de 50 países
e esta terceira edição de Gabriela vem comemorar os cem anos
do seu nascimento. Esta obra é o livro mais vendido
universalmente de sua autoria.
Como já referimos, a segunda versão estreou em Portugal em
1977, sensivelmente na mesma altura do famoso concurso a
“Visita da Cornélia”. Curiosamente ambos títulos chegaram à RTP
pela mão de Carlos Cruz, quando era Diretor de Programas da
RTP. A Gabriela com Sônia Braga foi para emissão a partir de Maio
de 1977.
Sônia Braga contracena nesta série com alguns dos maiores
vultos da televisão e do cinema brasileiro sendo de referir, Paulo
Gracindo, Armando Bogus, José Wilker, Fúlvio Stefanini, Nívea
Maria e Elizabeth Savalla. A série de 132 episódios era realmente
de boa qualidade, o que levou a que em 1975 recebesse o prémio
maior da Associação Paulista de Críticos de Arte.
Não será alheio o facto de também a nível da banda sonora haver
grandes participações como as de Moraes Moreira, Djavan, Alceu
Valença, a “eterna” Modinha Para Gabriela, cantada pela Gal
Costa, ou Filho da Bahia com Fafá de Belém, sobressaindo ainda
o tema de fundo, Coração Ateu, interpretado por Maria Betânia.
A RTP com este sucesso decide-se a comprar mais telenovelas
ao Brasil, entra as quais outras obras de Jorge Amado, como
“Dona Flor e seus dois maridos” e “Tieta do Agreste. Havia quem
acreditasse que a entrada em Portugal destas novelas levaria ao
incremento do cinema brasileiro. Assim não aconteceu. As
pessoas gostaram das telenovelas e o cinema brasileiro
continuou a ser desconhecido.
Esta sequência de sucessos, leva ao aparecimento de produção
nacional sendo a Edipim a primeira empresa a surgir em 1982.
Vila Faia vai ser a sua primeira produção e tal como acontecia
anteriormente com as novelas brasileiras, ou ainda antes com a
novela Simplesmente Maria, na Rádio, a sua popularidade revelase enorme.
Prova-se que as pessoas em geral gostam do formato leve. Uma
novela deve ter um enredo onde se combine romance ligeiro com
uma pitada de sexo, crime, algum mistério, gerações diferentes
com uma presença marcante, patrões que gostem das
secretárias, que por sua vez não gostem das mulheres deles, e
tudo isto com atores e atrizes bonitos e bem feitinhos, daqueles
que aparecem todas as semanas nas revistas rosa. •
SIMPLESMENTE
Maria
Rui Ressurreição fez a letra, o maestro Thilo Krasmann
fez a música e o Cândido Mota, aquele senhor que dá a
voz em certos programas da televisão, tipo Roda da
Sorte, e que os mais velhos se lembram de ouvir na
rádio no programa “Passageiro da Noite”, ou por
contracenar com o Raul Solnado em “Há petróleo no
Beato”, cantou o tema da Rádio Novela “Simplesmente
Maria”.
Felizmente, hoje em dia, na versão atual, a telenovela
não tem tantos episódios como tinha a sua
antecessora, a novela radiofónica.
Durante vários anos as novelas na rádio faziam parte do
quotidiano e determinadas partes ou momentos delas
faziam parar as cidades. Havia cafés que tinham uma
sala de televisão, mas como esta nos anos sessenta
ou setenta do século passado, só emitiam à noite, os
cafés durante o dia passavam rádio. É claro que a maior
parte das pessoas tinha um rádio ou nem que fosse,
um “transístor” a pilhas, no entanto, mesmo assim,
fazia-se silêncio no café para ouvir a novela.
Enquanto na Rádio Clube Português passavam os
“Parodiantes de Lisboa”, na Rádio Renascença, em
Março de 1973, a novela que virá a ser a de maior nível
de audiência de sempre, vai para o ar. Durante 500
episódios, a novela “Simplesmente Maria” vai arrastar
toda uma nação.
Tendo acabado já depois da Revolução de Abril de 1974,
“Simplesmente Maria” foi dos poucos programas a não
ser afetado pela revolução, embora que no dia 25 de
Abril não tenha ido para o ar, já que as estações de
rádio estavam ou fora de serviço ou a emitir os
acontecimentos do movimento das forças armadas.
A novela prolongou-se, assim, até Novembro de 1974,
continuando o longo relato da vida da Maria, uma criada,
e todas as desavenças, amores ou não, todos os
problemas da Maria mais o Alberto e o Tony e todos os
outros. Ciúmes, amores e traições, discussões e
estaladas eram os elementos estruturais da novela,
baseada num original da Maria del Pilar Cesares,
conhecida autora mexicana. Esta, além da rádio, foi
também publicada com o mesmo nome no formato de
fotonovela.
A televisão do México, passou mais que uma versão
desta novela na forma de telenovela. Só vai passar três
anos desde o fim da Maria para, também nós, nos
rendermos à telenovela; em 1977 chega a Gabriela. •
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literatura
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>>> TEXTO DE MAFALDA RAÍNHO
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O vencedor do Prémio Camões em 1994, nasceu em 10
de Agosto de 1912 no Brasil, a sul da Salvador da Bahia,
na localidade de Itabuna. De nome Jorge, este é um dos
maiores expoentes do romance literário brasileiro de
sempre.
Não vou falar muito sobre a sua vida mas mais sobre
generalidades à sua volta, apontamentos de
acontecimentos, a estrutura de acontecimentos que
condicionará a sua vida.
A novela é como o cinema ou as séries de televisão. Há
boas e más, de primeira e de segunda categoria. Na
novela escrita, o que as classifica é o conteúdo da
história, a forma como cativa ou leitor, a intriga ou até a
qualidade descritiva da cena, das formas de vida, da
cultura de um espaço, num tempo específico.
Aquilo que Jorge Amado nos dá é história, a história dos
hábitos, dos locais, associado ao romance, a história
numa novela, que nos faz abominar uns personagens, e
sofrer por outros.
Jorge Amado já era conhecido em Portugal quando a
série Gabriela chegou à televisão portuguesa.
Dan Brown, Nora Roberts, Sandra Brown com os seus
romances mais eróticos, e é claro, E. L. James, são tão
conhecidos hoje pelos leitores de romances como
Jorge Amado o era na altura, embora que a densidade
em Amado seja muito maior.
Na televisão do Brasil a “Gabriela Cravo e Canela” a par
da “Tieta do Agreste” e “Dona Flor e os seus Dois
Maridos” devem ser dos temas mais populares por cá,
embora que “Teresa Batista Cansada de Guerra” e a
“Tenda dos Milagres” tenham tido elevadas audiências.
Muito interessante é o facto de também alguns destes
tenham sido usados, ao longo de anos, como temas de
base para enredos de escolas de samba.
Os livros de Jorge Amado foram traduzidos em 49
idiomas, em 55 países e só Paulo Coelho vendeu mais
que Amado.
Há um certo paralelo, menos no declaradamente político,
entre Jorge Amado e Mark Twain. Ambos foram jornalistas,
sendo nas suas obras a componente descritiva sobre as
vivências muito clara, objetivamente real.
A sua primeira função jornalística foi como repórter para
assuntos policiais ou criminais no Diário da Bahia.
Depois vai para o generalismo no O Imparcial, e logo de
seguida passa para a revista A Luva, onde pela
primeira vez vai publicar um poema intitulado “Poema ou
Prosa”.
Este tipo de descrições é maravilhoso, porque permite
ao leitor integrar-se na realidade escrita, como se
estivesse lá no local descrito. Claro que, com Jorge
Amado, os acontecimentos brotam. Fala criteriosamente
de política e religião, caciquismo, crenças e tradições,
enquanto coloca não sei quantas personagens aos
beijos e em jogos de sedução, e quando se lê, cada
uma das situações é clara. A informação está lá toda
sem se misturar ou confundir.
Em 1929, agora já com 17 anos, vai trabalhar no O
Jornal onde com o pseudónimo de Y. Karl publica, sob,
a novela “Lenita”, escrita com Dias da Costa e Edison
Carneiro, que na altura assinavam como Glauter Duval e
Juan Pablo.
Em 1930 vai viver para o Rio de Janeiro com intenção de
estudar sendo aí que conhece Vinícius de Moraes, bem
como outras figuras de relevo literário na época. O
romance “Lenita” é editado em livro, sendo assim a
primeira obra a ser publicada onde é autor. O primeiro
livro da sua autoria exclusiva ir a prelo é “O País do
Carnaval”. São impressos mil exemplares e a obra
recebe excelentes referências da crítica sendo também
muito bem recebido pelos leitores.
Em 1932 começa as suas ligações com intelectuais de
esquerda, interessa-se pelo comunismo soviético,
interesse esse que o levará em 1945 a ser nomeado
deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro. Foi
como deputado comunista que conseguiu fazer aprovar
a emenda sobre a garantia de liberdade religiosa. É
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JORGE
Amado
também graças a ele que os direitos de autor passam a
ser reconhecidos e garantidos.
As suas convicções políticas obrigaram-no ao exílio já
que com a proibição do Partido Comunista no Brasil a
partir de 1948, perde o seu cargo de deputado, vê a sua
obra a ser proibida e nada lhe resta senão abandonar o
país para ir viver primeiro na Argentina e no Uruguai, nos
anos de 1941 a 1942, depois entre 1948 e 1950 em
Paris, de onde também é expulso, indo finalmente para
Praga onde reside nos anos de 1951 e 1952,
regressando nesse ano ao Brasil. Se não fosse o exílio,
provavelmente não teria conhecido Picasso ou JeanPaul Sartre entre outros grandes nomes da literatura e
da arte mundial. Entretanto, é proibido de entrar nos
Estados Unidos.
Tendo vivido sempre da escrita, foi várias vezes
premiado. O seu primeiro prémio não o ajudava nada a
vender em Portugal no tempo de Salazar, já que recebe
em Moscovo, em 1951, o Prémio Lenine para a Paz, ao
qual se seguiram diversos outros em toda a Europa,
realçando o Prémio Latinidade recebido em 1971, em
Paris, em Roma o Prémio Ítalo Latino Americano, o
Prémio Dimitrov recebido na Bulgária em 1986, o
Prémio Pablo Neruda, recebido da Associação de
Escritores Soviéticos em 1989 ou o já referido Prémio
Camões, em 1995. Entretanto, a Unesco atribui-lhe o
Prémio Pablo Picasso.
Embora no Brasil tivesse recebido em 1935 o Prémio
Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras, com o
livro “Mar Morto”, só obtém o devido reconhecimento em
1959, ano em que recebe seis prémios diversos, entre
os quais o Nacional de Romance atribuído pelo Instituto
Nacional do Livro. São mais de vinte os prémios de
reconhecimento pelo seu trabalho.
O que me levou a escrever este apontamento é a
referencia feita à telenovela Gabriela que, em livro
vendeu mais de cem mil exemplares, e cuja presença
na TV fez de Jorge Amado um escritor muito mais
popular em Portugal do que até aí.
A primeira vez que Jorge Amado tinha estado em
Portugal, foi em 1966 para uma sessão de autógrafos
na Sociedade Nacional de Belas Artes, onde
apareceram mais de mil pessoas. Em 1968 é indicado
pela segunda vez para o Nobel de Literatura, embora só
aceite essa nomeação se a nomeação dele fosse em
conjunto com a de Ferreira de Castro.
Depois de receber o Prémio Camões, começa a
escrever um romance a que chama provisoriamente “A
apostasia universal de Água Brusca”, um romance que
descreve a luta pelo poder entre a igreja e os coronéis
do sertão da Bahia. Recebe entretanto o título de Doutor
Honoris Causa da Universidade de Pádua, Itália onde
também recebe o Prémio Vitaliano Brancatti.
A sua vida está, no entanto, em perigo. Em maio de
1996, o escritor sofre em Paris um edema pulmonar e
depois de estar internado dez dias, viaja para Salvador.
Em outubro, é submetido a uma angioplastia e à saída
do hospital o escritor anuncia que retomará brevemente
seus projetos literários. Em 1998, recebe o título de
Doutor Honoris Causa na Sorbonne. Em maio de 1999,
é hospitalizado para fazer exames de rotina e tratar de
um mal-estar digestivo e no ano seguinte, no seu
aniversário, apresenta-se bastante debilitado. Tudo o
que mais apreciava já não consegue fazer. Não pode
comer nem beber à vontade como antigamente, e quase
não vê.
Em junho de 2001, Jorge Amado é internado com uma
crise de hiperglicemia e tem uma fibrilação cardíaca.
Após alguns dias regressa a casa em Salvador da
Bahia. A 6 de agosto volta a sentir-se mal e morre; eram
sete e meia da tarde.
A seu pedido o seu corpo foi cremado e suas cinzas
foram espalhadas em torno de uma mangueira em sua
residência no Rio Vermelho. •
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Tomar
Animado por uma vontade maior de expulsar os Mouros
de Portugal, D. Afonso Henriques conquista a região de
Tomar em 1147. Na realidade, foi de seguida: Tomar,
Santarém e Lisboa.
Em Tomar, o Rei tinha a seu lado Gualdim Pais que já
também já tinha tido uma participação notável em
Ourique em 1139, ocasião em que Afonso Henrique o faz
Cavaleiro.
Entretanto, o Rei acaba por doar a região como forma de
feudo à Ordem dos Templários.
Gualdim Pais sai de Portugal para, como Cruzado, ir
combater na Palestina. Quando regressa é ordenado
Grão-mestre da Ordem do Templo em Portugal, em 1157.
A sede da Ordem era no Castelo de Soure, desde 1128,
depois de D. Teresa ter doado o castelo aos Templários.
É já como Grão-mestre que, em 1160, Gualdim Pais dá
início à construção do Castelo de Tomar e do Convento
de Cristo. Tomar torna-se na nova sede nacional dos
Templários e por isso Dom Gualdim dá-lhe foral em
1162.
Gualdim Pais virá a ser também o responsável por
Almourol e Pombal o que valeu também a esta última o
foral em 1174.
É ainda sob o seu comando que quando califa Abu Yusuf
Ya’qub al-Mansur ataca Tomar, em 1190, consegue travar
esse ataque cuja intenção era progredir até ao norte do
reino.
Gualdim Pais morre em 1195 sendo sepultado na Igreja
de Santa Maria dos Olivais. Foi com este homem, este
Cavaleiro Templário, que a cidade de Tomar ganha nome
e passa a fazer parte do mapa do País de uma forma
notável.
Tal como acontecia em Alcobaça com os Cistercienses,
também aqui os Templários gerem um grande território. A
intenção é, por um lado deter o avanço Mouro, mas por
outro também garantir o desenvolvimento de toda a
região, uma vasta região que se estende até à fronteira, o
que vai fazer com que não sejam apenas alguns
“Senhores” a beneficiar e participar nesse
desenvolvimentos, como também os “Vilões” virão a ter
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Desde Abril de 2009 que é possível a
utilização da IC9 na ligação entre a
Nazaré e Tomar.
Esta nova estrada vem permitir uma
ligação rápida e eficaz entre a Nazaré ou
Alcobaça e a Batalha, Fátima ou no limite
a Tomar. Como sabem todos os que tem o
bom gosto de organizar alugueres com a
ARRIVA, a ligação, mesmo que só entre
Fátima e Tomar, era má e fazia perder
imenso tempo. Não havia Castelo, Rio
Nabão ou Convento de Cristo que valesse
o aborrecimento da viagem. Agora com a
abertura da IC9, já vale a pena ir até
Tomar para poder visitar esta bela cidade.
E não faltam razões para uma visita!
participação ativa nesse mesmo desenvolvimento. Muitos
virão a beneficiar de direitos ímpares para a época.
Em 1314 o Papa Clemente V decreta o fim da Ordem dos
Templários. Clemente morre pouco depois. D. Dinis tenta
persuadir o novo Papa, João XXII a criar uma nova Ordem
Religiosa que possa assumir a gestão do legado
Templário. Assim, em Bula de 15 de Março de 1319 é
criada a “Ordo Militiae Jesu Christo”. Refundava-se assim
a Ordem do Templo que Clemente V tinha condenado à
extinção.
A sede da Ordem de Cristo criada entretanto fica em
Castro Marim, até ser transferida para Tomar, em 1356.
Até ao século XV era o rei quem nomeava tanto
governadores como o Grão-mestre de qualquer ordem. É
nesta altura que há uma divisão nas nomeações ficando
o Rei com a nomeação do Leigo Mestre ou Governador,
que até aqui era decisão do colégio de frades, ficando o
Papa com a nomeação do Grão-mestre.
O Infante Dom Henrique foi o primeiro Governador da
Ordem designado nestes moldes, em 1417. Beneficiou
nitidamente de todos os conhecimentos que conseguiu
para um maior sucesso das suas expedições marítimas.
Como se sabe os barcos tinham a Cruz da Ordem de
Cristo nas velas, bem como no cimo dos Padrões que,
entretanto, se iam colocando nas novas terras
descobertas.
É o Infante Dom Henrique que vai dar ordem para que
toda a zona baixa seja ordenada de forma a que as zonas
alagadiças sejam drenadas. Este trabalho permite,
assim, criar um espaço organizado, onde se vão criar
ruas na disposição que ainda hoje apresentam, no
centro de Tomar, sendo a cidade atravessada pelo Rio
Nabão. Também por essa altura o Convento de Cristo
sofre uma série de remodelações e arranjos.
Temos assim, uma cidade com o castelo na colina
adjacente, onde se localiza também o mosteiro.
Em 1492 os Judeus são expulsos de Espanha tendo
muitos vindo para esta região, razão suficiente para que
numa dessas ruas se encontre a Sinagoga. Com a
chegada dos Judeus, também o comércio se desenvolve,
criando-se um dinamismo significativo. É o Infante que
manda construir a Sinagoga e os Judeus por sua vez
abrem-lhe os meios para novos negócios associados às
descobertas.
É com Dom Manuel I que o Convento de Cristo ganha a
sua “forma atual”, onde se encontra intensamente o
Estilo Manuelino. Dom Manuel está crente dos grandes
momentos pelo qual o Reino está a passar e com tudo o
que tem feito, pede ao Papa que lhe conceda o título de
Mestre da Ordem de Cristo.
Durante o Reinado de Dom Manuel I o Convento tomou a
sua forma final, com predomínio do novo estilo Manuelino.
Com a crescente importância da cidade enquanto mestre
do novo império comercial português, o próprio Rei pediu
e recebeu do Papa o título de Mestre da Ordem, na
circunstância, D. Manuel foi o primeiro Rei Grão-mestre.
Quinze anos após a morte de D. Manuel I, em 1536, é
instituída a inquisição em Portugal. Como tal, os Judeus
são perseguidos, por isso muitos refugiam-se na
Holanda ou Inglaterra.
Os que não se convertem acabam presos, torturados e
mortos em autos de fé. Entretanto, os bens eram
expropriados e revertiam a favor da Inquisição. Ser Judeu
levava a passar por esta situação, embora que uma
denuncia anónima também servisse. Esta situação
dilacerou completamente a economia da cidade.
Para piorar a situação, em 1580 Portugal perde a
independência depois de Dom Sebastião se ter perdido
em Alcácer Quibir. No ano seguinte Tomar é escolhida
para acolher as Cortes em que o Rei Filipe II de Espanha
será aclamado como Filipe I de Portugal.
Todas estas desgraças juntas vão fazer com que a
cidade demore mais de duzentos anos a recuperar
economicamente de uma forma aceitável.
Em 1789 a Real Fábrica é inaugurada pelo Marquês de
Pombal, utilizando como força motriz a corrente do Rio
Nabão. Já com D. Maria I é a Fiação. Depois nascem
indústrias de papel , metalúrgicas e vidreiras.
Tomar é ocupada em 1810 durante as invasões
napoleónicas e, entretanto, já em 1811, os franceses
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retiram-se, já que não passaram das Linhas de Torres.
Ainda se encontram com os Ingleses comandados por
Wellington na Redinha e no Buçaco e por isso, acabaram
por ir embora e não voltar.
Quando tudo parecia correr bem, o Liberalismo é
instaurado em 1834 e as ordens religiosas são abolidas.
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OUTROS LOCAIS DE INTERESSE
PATRIMÓNIO RELIGIOSO
Do património de Tomar temos que realçar a Igreja de
Santa Maria dos Olivais, também conhecida como Igreja
de Santa Maria do Olival, que se situa na margem
esquerda do Rio Nabão. A sua fundação remonta ao
século XII tendo sido sede da Ordem do Templários em
Portugal. Como já referimos, a Ordem foi extinta
tornando-se na sede da nova Ordem de Cristo. Passou
assim à condição de matriz de todas as igrejas do
Império Português.
O edifício em si foi classificado Monumento Nacional em
1910 sendo um dos exemplares mais significativos do
estilo gótico em Portugal.
São ainda de referir a Igreja de São João Baptista do
século XV e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, do
século XVI, o Convento de Santa Iria, onde se afirma ter
sido martirizada a Santa Iria, e o de Convento de São
Francisco do século XVII, a Ermida de São Gregório do
século XVI e o Aqueduto dos Pegões construído no
século XVI para abastecer o Convento de Cristo.
Museu dos fósforos
No edifício do Convento de São Francisco está instalado
o Museu Municipal onde, no núcleo Aquiles de Lopes
Lima, está instalado o Museu dos Fósforos.
Hoje em dia, esta é a maior coleção do género em toda a
Europa. Toda esta coleção começou quando Aquiles Mota
Lima trocou uma caixa de fósforos com uma senhora
americana num paquete que ia a caminho de Inglaterra.
Aquiles da Mota Lima nasceu em Tomar, no ano de 1889,
cidade onde viria a destacar-se como diretor do
semanário regionalista “De Tomar”. Em 1953, seguia a
bordo de um paquete, a caminho de Inglaterra, quando
trocou uma caixa de fósforos com uma senhora
americana num paquete que ia a caminho de Inglaterra.
Este acontecimento despertou-lhe o gosto pelo
colecionismo de caixas de fósforos. A partir de então, o
número nunca mais parou de aumentar. A coleção de
Aquiles da Mota Lima, foi doada à Câmara no ano de
1980. Reúne mais de 80 000 objetos, entre caixas,
carteiras que em si são cerca de 50 000, bem como
etiquetas de fósforos.
Esta coleção é uma das maiores da Europa. Dá a
conhecer a introdução e o fabrico dos fósforos em
Portugal, desde os primeiros integrais, até aos amorfos
dos nossos dias.
FESTAS POPULARES EM TOMAR
Uma das mais conhecidas e populares festas é a dos
Tabuleiros que se efetua de quatro em quatro anos,
sempre no mês de Julho. A festa dura três dias, sendo o
acontecimento que mais visitantes atrai à cidade.
A festa em si é de origem pagã dedicada à Deusa Ceres, e
como todos sabem é um desfile de mulheres com
tabuleiros ornamentados de pão, espigas e flores sobre a
cabeça; estas vestem trajes típicos tradicionais. Ao
mesmo tempo, realiza-se também o Cortejo dos Rapazes,
o Cortejo do Mordomo e os Cortejos Parciais.
As ruas envolventes são totalmente decoradas pela
população. Em paralelo há sempre um programa extenso
de atividades com Arraiais e os Jogos Populares e a Pêza,
que é o último ato de cada Festa dos Tabuleiros. Acontece
no dia a seguir ao Cortejo dos Tabuleiros, portanto sempre
à segunda-feira, e seguindo a tradição que numa forma de
agradecimento a Deus, consta da partilha do pão, da
carne e do vinho. Este acontecimento dirige-se só aos
mais necessitados. Foi a Rainha Santa Isabel que instituiu
este hábito, os Bodos do Espírito Santo, que acabaram por
ganhar este nome de Pêza.
Museu Luso-Hebraico de Abraham Zacuto
Em Tomar, o Museu Luso-Hebraico também merece uma
visita. O Infante Dom Henrique tinha dado ordem para a
construção da Sinagoga de Tomar. Em 1492 os Judeus
são expulsos de Espanha e em 1496 de Portugal. A
Sinagoga é fechada tendo entretanto servido para
diversos fins. Em 1920 o Dr. Samuel Schwarz adquire o
edifício, doando-o ao Estado, na condição de que fosse
aí instalado o Museu Luso-Hebraico.
Com fachada muito discreta, como quase todos os
templos judaicos no mundo cristão, o interior da pequena
sinagoga de Tomar é uma surpresa. O teto é suportado
por quatro colunas que representam as mães de Israel,
Sara, Raquel, Rebeca e Lea. Entre as colunas ligam-se
12 arcos, símbolo de 12 tribos de Israel e nos cantos da
sala de culto quatro bilhas de barro amplificam o som da
voz.
O Museu é criado em 1939, e nele podemos ver uma
importante coleção de lápides, provenientes de vários
locais do País, atestando convenientemente a
importância da cultura hebraica em Portugal. Destaca-se
a lápide funerária, proveniente de Faro, alusiva ao
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falecimento de Rab loseph de Tomar, em 1315 e a lápide
de 1308, que assinalou a fundação da segunda
Sinagoga de Lisboa.
Parque do Mouchão
O fantástico Parque do Mouchão, com jardins lindíssimos
cruzados pelo rio Nabão, é um dos mais belos jardins
adjacentes a um rio no interior de Portugal.
Quem queira aproveitar para almoçar tem a possibilidade
de encontra mesmo em frente, do outro lado do Nabão,
uma série de restaurantes que dentro do género
oferecem a preços módicos uma bela refeição, com uma
vista magnífica.
Neste parque encontramos também o monumento
dedicado a duas das figuras maiores a nível cultural,
ambos nascidos em Tomar; Fernando Lopes Graça e
Fernando Araujo Ferreira.
Fernando Lopes Graça nasceu em 17 de Dezembro de
1906, tendo começado a sua vida musical como pianista
aos 14 anos. Faz o Curso de Conservatório em Lisboa
onde, entre outros, teve como professor um dos maiores
compositores portugueses, Viana da Mota.
A sua vida é dedicada em paralelo à música e à vida
política tendo sido um dos fundadores de um partido
português o MUD, Movimento de Unidade Democrática
em 1945.
É autor de vários livros sobre a música portuguesa e a
música do seu tempo. Deixou-nos uma herança
musical extrema com obras sinfónicas muito
interessantes, entre os quais concertos para piano e
orquestra, inúmeras obras corais de inspiração
folclórica, o Requiem pelas Vítimas do Fascismo, o
concerto para violoncelo encomendado e estreado por
Rostropovich, e a vastíssima obra para piano,
nomeadamente as seis sonatas que constituem um
marco na história da música pianista portuguesa do
século XX.
No referido monumento, Fernando Araújo Ferreira está
sentado a lado de Lopes Graça. Este é um facto que se
terá repetido diversas vezes, embora que Araújo Ferreira
não seja universal, como o seu amigo é.
Fernando Araújo Ferreira, conhecido em Tomar por Nini
Ferreira, nasceu a 29 de Outubro de 1912. Era
Licenciado em farmácia, foi ecologista, escritor,
jornalista distinto e poeta inspirado, sendo possível
pelas suas obras entender a “pulsação” de Tomar; a
sua vida e o suas gentes. Foi em vida, obviamente, um
grande obreiro permanente das Festas do Tabuleiros
estando sempre presente na maioria de todas as
manifestações culturais de Tomar. •
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religião
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Recentemente estive no Vaticano, onde no meio de uma enormidade de
questões a pensar e tratar, aproveitei também para decidir quais as pessoas
sobre as quais iria falar nesta edição do ARRIVA Jornal.
Assim decidi-me por dois Papas consecutivos, Paulo VI porque foi o
primeiro que vi ao vivo, e João Paulo I, por ter sido o Papa que com efeito
me deu um novo caminho para o conhecimento cristão.
PAULO VI
A 26 de Setembro de 1897 nasce, em Concesio, na
Provincia Bréscia, em Itália, Giovanni Battista Enrico
Antonio Maria Montini.
Aos 19 anos entra para um seminário tendo sido
ordenado sacerdote em 1920.
Estuda na Universidade Gregoriana, na Universidade de
Roma e na Pontifícia Academia Eclesiástica.
A sua carreira pode-se considerar fulgurante na Cúria
Romana ficando a dever-se fundamentalmente ao seu
talento que é reconhecido pela administração do
Vaticano.
Em 1937 o Cardeal Pacelli, na altura Secretário de
Estado da Santa Sé no papado de Pio XI, nomeia
Giovanni Montini para Substituto para Assuntos
Correntes na Santa Sé. Quando o Cardeal Pacelli é
escolhido para Papa, Papa Pio XII, Giovanni Montini
mantém o seu cargo como o novo Secretário de
Estado. Sete anos depois é o próprio Papa que
assumirá o cargo de Secretário de Estado passando
assim Montini a trabalhar diretamente com o Papa Pio
XII.
Quando Pacelli foi eleito como Papa Pio XII, Montini
manteve o cargo com o novo Secretário. Em 1944 o
Secretário faleceu e o cargo foi tomado diretamente pelo
Papa. Nesta altura Montini passa a trabalhar
diretamente sob orientação do Sumo Pontífice.
Durante o tempo que ocupou este cargo no
Departamento, foi reconhecido a par de Domenico
Tardini pela sua influência junto do Papa Pio XII.
Lembramos que Domenico Tardini também era um
grande amigo do Papa Pio XII. Mais tarde o Papa João
XXIII nomeia-o Secretário de Estado da Santa Sé, tendo
ocupado o cargo até à sua morte. Foi também João XXIII
que no consistório de 15 de dezembro de 1958 o eleva a
Cardeal-diácono.
O Papa Pio XII, nomeia Montini em 1954 como
arcebispo da Arquidiocese de Milão, ficando assim
automaticamente como Secretário da Conferência de
Bispos Italianos. João XXIII elevou-o ao Colégio de
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Igreja ultrapassando todas as políticas reformistas
semelhantes de todos os Papas que o haviam
antecedido.
Conforme decisão da 3ª sessão do Concílio Ecuménico
Vaticano II, Paulo VI anunciou aos 2.500 eclesiásticos
conciliares, a oferta da Rosa de Ouro ao Santuário de
Fátima. Este é um dos primeiros atos do papa Paulo VI
relativamente a Portugal. A entrega teve lugar em 1965,
no dia 13 de Maio, tendo sido feita em Fátima pelo
Cardeal Fernando Cento, legado pontifício. A Rosa de
Ouro representa um sinal de particular estima ou de
distinção daqueles que prestem relevantes serviços à
Igreja, ou ainda para honrar cidades ou realçar
santuários importantes, como centros de grande
devoção, como aqui era o caso da Basílica de Fátima.
O Santo Padre deslocou-se a Fátima em Peregrinação
a 13 de Maio de 1967, para assinalar o cinquentenário
da primeira Aparição da Virgem Maria, para pedir a paz
no mundo e a unidade da Igreja.
Paulo VI era um Mariano verdadeiramente devoto que
promovia Maria como seu servo, que varias vezes em
seu nome pediu mudanças no comportamento dos
homens, especialmente dos ricos em favor dos
pobres.
Enquanto Papa, Paulo VI não teve as melhores
relações com o Estado Português, isto porque havia
recebido no Vaticano delegações de Movimentos de
Libertação das colónias portuguesas em África.
Salazar exigiu explicações à Santa Sé, e o então
Cardeal Cerejeira também ficou numa situação menos
confortável já que também era amigo pessoal de
Salazar.
O Vaticano nunca se desculpa, acontece o 25 de Abril,
as colónias ganham a independência, e por isso
nunca mais se voltou a falar no assunto. Cerejeira
também havia falecido.
Era natural esta aproximação feita por esses membros
dos Movimentos de Libertação, já que era conhecida a
preocupação de Paulo VI para com os povos de África.
Cardeais em 1958, e quando João XXIII morre em 1963,
Montini era já um dos mais prováveis sucessores.
A 21 de junho de 1963 é nomeado como o Papa que
sucede ao Papa João XXIII, falecido depois de uma triste
doença prolongada.
Uma das suas maiores preocupações é a promoção
das relações ecuménicas com os Ortodoxos,
Anglicanos e Protestantes, o que resultou em diversos
encontros e acordos históricos. Neste trabalho é
auxiliado entre outros por Johanes Willebrands o
Cardeal que um dia virá a estar sentado ao lado de
Albino Luciani, quando este ascender a Papa João
Paulo I.
Quando nomeado, escolhe o nome de Paulo por
considerar que tinha nas suas mãos a missão
continuada da mensagem de Cristo.
Com a morte de João XXIII tinha-se suspenso o Concílio
Vaticano II. Após ser concluído o trabalho no Concílio,
Paulo VI tomou conta da interpretação e implementação
de seus mandatos.
Com Paulo VI, a complexidade das reformas
introduzidas vão interferir com todos os sectores da
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Nº 029 >>> 2012 | SETEMBRO • OUTUBRO
>>> TEXTO MARCO ANTÓNIO LINDO
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Este reconhecia a importância dos costumes
tradicionais da cultura africana, por ser baseada numa
estrutura familiar que era encabeçada por um pai, onde
o “pátrio poder é profundamente respeitado” e onde
“permanece intacta a autoridade do pai na organização
familiar”. Via nos africanos alguém a quem transmitir a
mensagem evangélica era o caminho para avivar a
construção da nova sociedade em Cristo.
Em relação a África, em diversos aspetos e em
especial neste da evangelização, é de referir a atenção
de Paulo VI para com a obra de Daniel Comboni
quando no Concilio Vaticano I referia “Salvar a África
com a África”, obrigando a necessidade da preparação
de sacerdotes e missionários africanos na própria
África, em ambiente africano e onde os padres
europeus pudessem viver, fazendo os que africanos se
mantivessem em sua terra. Para tal fundou em 1 de
junho de 1867, o Instituto dos Filhos do Sagrado
Coração de Jesus, atuais Missionários Combonianos
do Coração de Jesus, tendo sido nomeado dez anos
mais tarde para Bispo de um território de África que
abrangia quase todo o continente. Comboni fundou
ainda a Congregação das Pias Madres da Nigritia. Era
este espírito que animava Paulo VI na sua relação com
África.
Já só foi com João Paulo II que Comboni foi
canonizado a 5 de Outubro de 2003, mas a prática das
suas ideias tinha ganho uma expressão maior com
Paulo VI.
Paulo VI foi chamado de Papa Peregrino já que ao
longo da sua vida visitou os cinco continentes, algo
que nunca tinha acontecido antes, aliás, foi o primeiro
Papa a andar de avião. Foi numa dessas viagens, às
Filipinas em 1970 que foi vítima de uma tentativa de
homicídio.
Foi graças a esta atitude peregrina que conseguiu
estabelecer relações diretas com o Arcebispo de
Cantuária tendo sido também o primeiro Papa a
conseguir em muitos anos relacionar a Santa Sé com
Igrejas Ortodoxas de Leste.
Há por parte de Paulo VI afirmações que demonstram
sempre muito bem a sua posição em diversas
matérias. No que diz respeito à família, diz que marido
e mulher devem apoiar-se mutuamente, amando-se
fielmente durante toda a sua vida, transmitindo aos
filhos o caminho para uma atitude verdadeiramente
cristã. É nesse contexto que exprime veementemente a
necessidade de ser regular a natalidade numa forma
responsável, sublinhando a importância de que se
reconhecesse a não justificação ao recurso a meios
moralmente inadmissíveis como a esterilização ou a
contraceção.
Paulo VI considerou a morte a partir do momento em
que escreve o seu testamento. Já na fase em que se
encontrava doente diz aos fiéis que avistava já “o portal
do além”, e repetiria algumas vezes que não estava
longe, para ele, “o fim dos dias terrenos”. Em Agosto
de 1978, ele “despede-se” do Vaticano. Vai para
Castelgandolfo, residência Papal de Verão e afirma na
sua partida que “Partimos, mas não sabemos se
retornaremos, e como retornaremos”.
Era seu desejo um enterro comum, em que não
houvesse nenhuma cerimónia de vulto, que tudo
associado à sua morte e funeral fosse simples.
Efetivamente as cerimónias fúnebres a Paulo VI
limitaram-se ao mínimo inevitável, estando os fiéis
reunidos para a missa campal na praça de São Pedro,
enquanto o coro da Capela Sistina entoava o
“Benedictus” e o “Magnificat”.
Já agora antes de concluir, quero referir o muito
interessante facto de Paulo VI ter nomeado para o
Colégio Cardinalício em 1973, Albino Luciani que viria
a ser o seu sucessor, Papa João Paulo I, antes em
1967 Karol Wojtyla que como todos sabemos viria a
ser o Papa João Paulo II, e já em 1977 e Joseph
Ratzinger, actual Papa, Bento XVI. •
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JOÃO PAULO I
“O candidato de Deus
Em 17 de Outubro de 1912 nasce em Forno di Canali
um humilde homem, um homem que será sempre
humilde até à sua morte. Albino Luciani foi o 263º Papa,
exercendo o cargo apenas por 53 dias. Ficou conhecido
na Cúria Romana por Papa Sorriso.
Desde 1305 com o Papa Clemente V, que mais nenhum
Papa se tinha abstido de coroação formal; João Paulo I
recusou-a.
É também o primeiro a usar um nome duplo, onde
conjuga João, em honra a João XXIII que admirava
profundamente e Paulo, em homenagem a Paulo VI seu
antecessor, de quem foi amigo em vida.
Mas voltamos atrás no tempo para explicar o percurso
de Albino Luciani. Como já referimos, nasceu no Norte
de Itália. O seu pai como tinha problemas políticos por
ser Socialista, entenda-se que nesta altura ser
socialista era ser comunista pró soviet, para conseguir
trabalhar tinha que ir para o estrangeiro, para as minas,
onde tinha na Alemanha um grande amigo que morreu
numa explosão. Por isso batiza o filho como Albino, o
nome desse amigo.
A D. Bertola, mãe de Albino Luciani nem se entendia
muito bem com o marido em relação a questões
religiosas, questões que não eram muito próximas do
movimento comunista, mas mesmo assim tinham tido,
naturalmente, um casamento religioso. Realmente a D.
Bertola era uma fervorosa Católica e por tal direciona o
filho no sentido da formação religiosa. É uma mulher
feliz quando vê o seu filho ordenado Padre aos 24 anos.
Algo que haverá de estar sempre presente na vida e
comportamento de Albino Luciani é a sua grande
humildade. Isso prova-se pela primeira vez de uma
forma mais intensa quando é nomeado Bispo pelo
Papa João XXIII, fazendo saber a João XXIII que
realmente não ambicionava de forma nenhuma o
posto. O mesmo voltará a acontecer quando Paulo VI o
nomeia Cardeal de São Marcos, Veneza. É com este
cargo que, entretanto, por via da morte de Paulo VI
acaba por ser nomeado Papa, em 26 de Agosto de
1978, quando num terceiro escrutínio no conclave de
sucessão a Paulo VI, ganha por 99 votos contra 11 a
Giuseppe Siri.
Na Capela Sistina uma vez mais se vai ver Luciani, o
Cardeal de Veneza, a declinar de imediato a nomeação
para Papa. A maioria dos presentes conversa com ele
sobre o assunto mas é o famoso Cardeal Johannes
Willebrands, que estava sentado mesmo a seu lado que
lhe diz as palavras mais certas para o convencer;
“Coragem. O Senhor dá o fardo, mas também a força
para o carregar”.
O cardeal holandês Johannes Willebrands sempre foi
um homem de grande saber e experiência. Podia com
todo o direito referir-se ao “fardo de Deus” já que desde
que tinha ascendido ao cargo de Bispo em 1964 que foi
um notável promotor de causas complicadas, como por
exemplo a promoção do diálogo entre a Igreja Católica e
as outras Igrejas cristãs, em particular anglicanos e
luteranos e até com os ortodoxos. Mesmo quando
ascendeu Arcebispo de Utrecht e Primaz da Holanda,
continuou a presidir ao Secretariado para a União dos
Cristãos.
Como já referi, João Paulo I morre ao fim de 53 dias de
Pontificado, é uma pessoa com um carácter muito
próprio e, quanto a mim, teve um sucessor brilhante,
como sabemos, será Karol Wojtyla, João Paulo II de
quem já tivemos a possibilidade de escrever nestas
colunas do nosso ARRIVA Jornal.
João Paulo I, numa premonição da sua própria morte,
virá a confessar a amigos que alguém mais forte que
ele é que merecia ter sido nomeado e que esse homem
estava sentado mesmo em frente a ele durante o
conclave.
Confirma-se pela disposição dos assentos que esse
homem era Karol Wojtyla, tendo ainda acrescentado
nessa altura que “Ele virá, porque eu me vou”.
Encontrei depoimentos divergentes sobre a sua morte e
sobre quem o encontro, sendo no entanto mais
consistente o enfarte. De qualquer forma, a tristeza entre
os católicos foi enorme, de tal forma que durante as
cerimónias fúnebres, mesmo debaixo de uma chuva
torrencial, na Praça de São Pedro ninguém abandonou
o local.
Karol Wojtyla é o novo Papa e virá a adotar o
seu nome papal, João Paulo.
Com base em declarações de um dos quatro irmãos de
João Paulo I, a revista italiana 30 Giorni revelava que
num encontro que a Irmã Lúcia teve, durante a visita que
o então Cardial Luciani, na altura Patriarca de Veneza
lhe fez no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra,
sempre o tratou por “Santo Padre”.
O Cardeal Luciani fica impressionado e perguntou-lhe
porquê, respondendo a Irmã Lúcia que “Vossa
Eminência” seria eleito Papa um dia. Respondendo-lhe
que “Sabe-se lá, irmã…”.
A essa resposta, a Irmã responde com uma afirmação
“Será sim, mas o seu pontificado será muito breve”. •
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Elton
John
Estava eu tão bem a curtir no Facebook, quando o Papzz
me dá com um jornal inglês na cabeça. Humm, deixa cá
ver… o Elton John está preocupado com a saúde de
Lady Gaga porque ela trabalha demais e descansa
pouco? O Elton acha que ela é frágil e que não come
devidamente; é um querido.
Foi então que enfiei com o “Guardian” pela cabeça
abaixo do meu Papzz e decidi escrever sobre o Reginald
Kenneth Dwight, também conhecido pela Rainha de
Inglaterra por Sir Elton John.
A Lady Gaga neste disco que está a gravar em estúdio
tem cantado nua porque diz que canta melhor assim.
Bem, o Elton John tinha mesmo que se interessar por
música. Tanto a mãe como o pai tocavam numa banda
daquelas para animar festas. Como isto estava a
acontecer aí por volta dos anos cinquenta, a banda era
daquelas tipo que se veem nos filmes dessa altura, do
género Glen Miller. É giro porque cá em casa, nos
discos arrumadinhos por épocas, dá completamente
para ver os estilos de música de cada geração. Por isso
não é difícil imaginar uma banda cheia de trompetes e
trombones, e lá no meio os pais do Elton.
Os pais dele, o Stanley Dwight e a Sheila Eileen, viviam
mesmo da música, embora o pai tivesse sido oficial da
força aérea. Colecionavam discos que tinham às
centenas e, mesmo assim, o pai de Elton queria que ele
aspirasse a algo mais rentável e certinho do que a
música; mal imaginava no que ia dar. Pois, acho que é
um problema genético.
Aos três anos, em 1950, o Elton ainda não sabia ler, o
que é natural, mas já tocava piano, o que não é normal.
O Elton andou na escola mas foi na Pinner County
Grammar School, que (pasme-se) aos 11 anos
conseguiu uma bolsa para ir para a Royal Academy of
Music. Esta Academia foi fundada em 1822 e faz-me
uma inveja do caraças. No ano passado andavam lá só
700 alunos de 50 países. Os cursos abrangem 20 ou 21
cadeiras diferentes e o sítio, além do prédio ser uma
curte, é sensacional. A Academia fica em Londres, entre
Marylebone e Baker Street, muito perto do Madame
Tussaud. Elton não se esqueceu desses anos na
Academia e de vez em quando toca com a orquestra
deles, mantendo-se um fiel amigo e apoiante da Royal
Academy of Music.
Aos quatro anos estreou-se a tocar com público com
The Skater’s Waltz de um compositor nascido em
Trinidad, Winifred Atwell, que estava bem dentro do
Boogie Woogie, o estilo musical da época. Era o
mesmo estilo da banda dos pais do Elton e por isso
não lhe era estranho. Estranho, quase macabro, era o
Elton ter começado a tocar o The Skater’s Waltz com a
idade que referi, de ouvido.
Ao contrário daquilo que parece, a vida do Elton não era
nada agradável. Realmente havia os discos e os pais
tinham muitos, andava a tocar ou a ver bandas a tocar, e
isso era certamente agradável. Agora o pai que tinha
dado para a bebedeira, a berrar-lhe aos ouvidos e a
bater-lhe, não era agradável. As cenas entre o pai e a
mãe, discussões e a bater-lhe (a cena não era só com
ele), não eram nada agradáveis. Por isso os pais
divorciam-se a mãe acaba por ir viver com um pintor, o
Fred Farebrother, que vai assumir-se como um excelente
padrasto, que o trata especialmente bem, que o ajuda na
música, alguém que realmente o admira e que com a
mãe acaba por dar uma nova visão de família à sua vida.
Uma das ajudas foi pôr o Elton a tocar ao fim de semana
no Pub do local onde viviam. Assim começou a habituarse ao público em diversas perspetivas.
Juro que não me vou por a falar da discografia nem das
editoras do Elton, porque esta vida dele é das mais
cheias de acontecimentos que conheço. Parece que por
mais que leia aqui ou ali, por mais que o meu Papzz me
conte, surge sempre mais qualquer coisa para contar.
Quando tinha 17 anos junta-se com uns amigos e faz a
banda Bluesology, que chegou a fazer primeiras partes
de concertos de outras bandas de renome. Claro que é
uma cena efémera, mas entretanto responde a um
anúncio
O Slash tinha oito anos e apanhou a mãe nua com o
David Bowie. A sério, ele conta tudo sobre a Ola Hudson
que fazia roupa para músicos, mas não penso que
tivesse que se pôr nua com eles para lhes tirar
medidas. Sei tudo isto e outras histórias porque sou
leitora atenta da MNE, uma das mais famosas revistas
de música mundiais. É que o Elton respondeu a um
anúncio na NME em 1967, onde o editor e agente da
Liberty Records procurava letristas. Quem colocou o
anúncio foi um senhor de nome Ray Williams, que até
percebia de música e que, entre outros, agenciava a
Cher e os Cream, na altura em que o vocalista/
guitarrista erra um senhor mais ou menos conhecido de
nome Eric Clapton.
Outro rapaz que responde ao anúncio é só o Bernie
Taupin. Ora bem, eu tenho 19 anos e ouço Elton com
Bernie Taupin desde os três anos; só que não toco
piano.
A primeira música que o Papzz me passou foi Saturday
Night Alright for Fight, do Yellow Brick Road e por acaso,
do mesmo álbum, um tema que ficou recentemente
mais conhecido com a morte da Princesa Diana, Candle
in The Wind. Mas esse álbum duplo é de 1973 e nessa
altura já o Elton e o Bernie iam no sétimo álbum e ainda
só tinham quatro anos de composição. O primeiro
álbum Empty Sky até foi um fracasso. Nunca o ouvi mas
se quisesse nem era difícil comprar, porque na net há à
venda a partir de 99 cêntimos.
Ups, esqueci-me contar que o nome do Elton John é por
causa dos dois amigos que tocavam com ele naquela
primeira banda que falei ali para cima, os Bluesology.
Eles eram o Elton Dean e o John Baldry. Também o
Long John Baldry chegou a tocar com Elton e Taupin,
bem como com outros grandes nomes, entre as quais
com os próprios Beatles, já que era amigo do Paul
McCartney tendo a chegar tocar com eles, Beatles, no
Cavern Club. Por acaso naquelas avaliações comerciais
habituais, na década de setenta, o Elton só não foi
classificado como o mais popular artista, por causa do
McCartney.
Certas qualidades dos estúdios e particularidades dos
engenheiros de som fazem milagres, embora que para
o Elton isso não fosse muito necessário. Há músicos
que são razoáveis quando tocam num estúdio e depois
parecem muito piores quando tocam noutro, tipo todos
os álbuns de Gerry Raferty, o que fez Baker Street, são
bons na Chiping Norton e banais nos outros estúdios.
Nesta altura um dos estúdios que o Elton usava para
gravar tinha um som muito bom. É que um dia de 1962
um compositor norte-americano de ascendência
francesa, o Michel Magne comprou o Château
d’Hérouville, perto de Paris. É um daqueles palácios
franceses típicos do século XVIII que dão para fazer
visitas e bilhetes-postais; O Chopin chegou a viver lá.
Em 1969 a ala esquerda do palácio ardeu que se fartou
e o Michel reconstruiu-a, fazendo nela um estúdio de
gravação. Grandes bandas como Grateful Dead, Pink
Floyd, T.Rex, Joan Armatrading ou Jethro Tull, também
usaram este estúdio que entretanto e infelizmente faliu
em 1984. No ano seguinte o Michel Magne suicidou-se
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Nº 029 >>> 2012 | SETEMBRO • OUTUBRO
>>> TEXTO DE MÓNICA LINDO
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Aos três anos, em 1950, o Elton ainda não
sabia ler, o que é natural, mas já tocava
piano, o que não é normal. O Elton andou
na escola mas foi na Pinner County
Grammar School, que (pasme-se) aos 11
anos conseguiu uma bolsa para ir para a
Royal Academy of Music.
autor de letras como Jesus Christ Superstar ou Evita,
que escreve Lion King, O Rei Leão.
A Princesa Diana morre em Paris a 31 de Agosto de
1997, o que provoca uma grande tristeza no Elton John,
que se sentia um amigo legítimo da Princesa.
Em homenagem a Diana, faz uma adaptação do tema
Candle in the Wind, que já falei atrás quando referi o
álbum Goodbye Yellow Brick Road. Este tema era
originalmente em honra de Norma Jean, vulgo Marilyn
Monroe, e talvez devido ao paralelismo público de
personalidades parecia à medida para ser adaptado.
Goodbye England Rose vai transformar-se no disco
mais vendido de sempre em todo o mundo.
Há uns anos recortei do jornal inglês The Telegraph
uma entrevista onde o Elton classifica o momento
quando tocou essa versão em Westminster como
surreal. Lamentava que Diana a dado passo tivesse
passado a acreditar em quem não devia, dando menos
crédito aos seus verdadeiros amigos. Elton afirma que
se tinha mentalizado que tinha que se aguentar sem dar
a entender qualquer tipo de tristeza ou emoção, que era
um daqueles momentos em que não podia falhar uma
nota que fosse, mas que o seu coração estava a bater
bem depressa.
Na viragem do século Elton continuava entretanto um
músico ativo, continuando a participar em espetáculos
ao vivo e, em 2001, afirma que o álbum Songs from the
West Coast vai ser o último da sua carreira, embora
haja outro último, em 2004 Peachtree Road, e ainda The
Captain & The Kid em 2006.
Nos intervalos, casou de novo em 2005, desta vez
corretamente na medida das suas tendências. O
casamento foi o primeiro casamento Gay a acontecer
em Inglaterra e uniu-o ao seu amigo David Furnish, 15
anos mais novo. Elton John explicou em poucas
palavras à revista Attitude que “por respeito ao apoio de
nossos pais, não faremos um grande estardalhaço por
causa do casamento”. Assim o casamento foi mesmo
limitado aos pais de David que também foram
padrinhos de casamento; depois foram almoçar fora.
As suas ambições musicais ainda estão longe de
acabar, já que ainda deseja tocar com pessoas desde
Snoop Dog, Fifty Cents ou Eminem embora que a última
vez que o vi cantar foi no casamento do Principe William
com a Kate Middleton…
Da da da da, da da… That’s all folks! •
e o Elton já gravava noutro estúdio embora para a
posteridade tenha ficado o álbum em honra do palácio,
Honky Chateau.
Mudando de assunto vamos aos casamentos. Embora
para a maior parte dos ingleses a homossexualidade
não seja problema nenhum, o estranho é que o primeiro
casamento do Elton foi com uma mulher.
A Renate Ruth Margot Blauel, com um nome destes era
e só podia ser alemã. Tinha menos seis anos que o
Elton e era engenheira de som. O nome dela encontrase associado a várias bandas de boa qualidade.
Em 1983 estava a trabalhar em Sydney na Austrália
onde o Elton gravou o álbum Too Low For Zero.
Entretanto, o Elton foi ficando pela Austrália já que
também estava a trabalhar num álbum duplo ao vivo,
Live in Austrália with the Melbourne Symphony Orchestra,
conforme o nome indica com a Sinfónica de Melbourne.
Uma certa noite de copos com a Renate e em que
também estava a Olivia Newton John decide explicar
que é bissexual. Já agora, a Olivia é uma que entrou no
filme Grease com o John Travolta. A Renate não era
bissexual, e embora ambos achassem que esse facto
em alguns momentos poderia ser comprometedor, no
dia da São Valentim o Elton pediu-a em casamento e ela
aceitou. Quatro dias depois estavam na Igreja a tratar do
assunto. Depois tornaram a casar em Inglaterra; para
família e amigos. O problema é que além adorar futebol,
era o Presidente do Watford Football Club,
decididamente não gostava de mulheres e de bissexual
passou a mono sexual; fora a brincadeira, assumiu-se
definitivamente como homossexual.
Falei do futebol porque é um pouco antes da mesma
época do casamento. A sua relação com o seu amado
clube teve uma posição de grande importância na sua
vida já que confessou que se não fosse toda a
responsabilidade envolvida, provavelmente se teria
perdido nas drogas. O termo que Elton usa é
“descarrilado”.
Eu disse que não ia falar da discografia, o que não quer
dizer que não tenha que falar de cenas que têm a ver,
como por exemplo o pijama do Rei Leão que a minha
irmã tinha. É que o Elton fez a música do filme que saiu
em 1994, e cá em casa, isto é, lá em casa, todos vimos
mil vezes o filme; entretanto o Elton recebeu um Óscar
pela música.
Para este sucesso tinha-se junto ao famoso Tim Rice
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saúde
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>>> TEXTO DE DR. PINTO CORREIA {CIRURGIÃO GERAL} E DRA. ALEXANDRA LIMA {NUTRICIONISTA}
AMI | HOSPITAL PRIVADO DE GUIMARÃES
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OBESIDADE,
Epidemia
do século XXI
A obesidade apresenta-se como um dos mais sérios problemas de saúde pública
quer no espaço europeu, quer no resto do mundo. A Organização Mundial de Saúde
(OMS) define-a como uma doença crónica em que o excesso de gordura acumulada
pode atingir graus capazes de afetar a saúde.
A prevalência da obesidade triplicou nos últimos vinte anos, justificando a designação
de epidemia global do século XXI que lhe é atribuída pela OMS.
Em Portugal, segundo a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, mais de
metade dos portugueses têm excesso de peso. Atualmente, em Portugal, cerca de 3
milhões de adultos têm peso excessivo, incluindo cerca de 400.000 com obesidade e
dentro destes cerca de 36.000 com obesidade mórbida.
O mecanismo da obesidade é complexo e as causas são múltiplas. O excesso de
peso resulta de sucessivos balanços energéticos positivos, em que a quantidade de
energia ingerida é superior à despendida pelo organismo, ainda que outros fatores,
também, possam determinar a sua génese, nomeadamente genéticos, hormonais,
culturais, ambientais e comportamentais, decorrentes da atual sociedade
“obesogénica”.
O sobrepeso e a obesidade constituem uma ameaça para a saúde e um importante
fator de risco para o desenvolvimento e agravamento de doenças crónicodegenerativas (diabetes mellitus tipo II, hipertensão arterial, apneia do sono e
dificuldades respiratórias, dislipidemia, patologias ortopédicas, alguns tipos de
cancro), afetando a qualidade e reduzindo a esperança de vida, e causando, na
Europa, um milhão de mortes anuais.
O Centro de Tratamento de Obesidade da AMI | Hospital Privado de Guimarães
pretende ocupar uma posição de vanguarda na profilaxia e no tratamento da
obesidade, tendo como eixo orientador da sua estratégia uma abordagem
multidisciplinar e integrada da obesidade, com o objetivo de intervir de uma forma
atempada e eficaz. Por isso, a avaliação da doença, a instituição do tratamento
adequado e a fase de seguimento carecem do envolvimento de uma equipa
profissionais de saúde de diferentes especialidades, nomeadamente, cirurgia geral,
nutrição, psicologia, endocrinologia e gastrenterologia.
A cirurgia bariátrica é o tratamento cirúrgico da obesidade severa ou mórbida e é
realizada com a finalidade de reduzir a capacidade do estômago (ex: gastrectomia em
sleeve) e/ou de limitar a absorção dos nutrientes a nível intestinal (ex: bypass
gástrico). A escolha do procedimento cirúrgico depende da avaliação das
especificidades de cada paciente e da sua doença.
O follow up dos pacientes submetidos a estes tratamentos cirúrgicos reveste-se,
naturalmente, de grande importância na consolidação dos resultados obtidos e na
vigilância do estado nutricional.
Os benefícios conseguidos através da perda intencional de peso, mantida a longo
prazo por um obeso, podem manifestar-se na saúde em geral, na melhoria da
qualidade de vida, na autoestima e na redução da mortalidade.
Não se esqueça que a obesidade é uma doença que mata, marque já a sua consulta
de Obesidade. •
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>>> TEXTO DE EDUARDO GUIMARÃES
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EXPO CLÁSSICOS
No ano em que Guimarães é Capital Europeia da
Cultura, a Expo Clássicos - 5º Salão de Automóveis e
Motos Antigos, que decorrerá no Multiusos de
Guimarães nos dias 27 e 28 de Outubro, promete
surgir com muitas novidades.
Para já decorrem as inscrições de expositores para as
áreas de comércio de veículos - particulares, comércio
(peças, motociclos e velocípedes c/s motor, automobilia),
clubes de automóveis e motos e exposições temáticas.
Referência no setor dos clássicos, a Expo Clássicos 5º Salão de Automóveis e Motos Antigos é uma
iniciativa da Tempo Livre e do Clube de Automóveis
Antigos de Guimarães (CAAG) promovida com o apoio
da Câmara Municipal de Guimarães.
O 5º Salão de Automóveis e Motos Antigos de
Guimarães contará com áreas de comércio de veículos
- particulares, comércio (peças, motociclos e
velocípedes c/s motor, automobilia), clubes de
automóveis e motos e exposições temáticas.
Contribuindo para a divulgação do património cultural e
histórico que constituem os automóveis e motos
antigos, a Expo Clássicos tem por objetivo promover o
conhecimento, a promoção e a divulgação junto de
colecionadores e admiradores de veículos de
propulsão mecânica construídos até 31 de Dezembro
de 1987, a aquisição e troca de veículos, restaurados
ou para restauro, peças, equipamentos, acessórios e
ferramentas da época e a aquisição e troca de livros,
manuais, brinquedos e miniaturas.
A Expo Clássicos de 2012, além da aposta da
organização em procurar elevar a qualidade das
edições anteriores, apostará em fatores de inovação e
na realização de atividades complementares e
exposições temáticas.
Os expositores interessados poderão efetuar a sua
inscrição enviando a ficha de pré-adesão (disponível
para download em www.tempolivre.pt) para o endereço
[email protected]. No website da Tempo
Livre está igualmente disponível um micro-portal onde
podem ser obtidas mas informações sobre o certame.
No ano passado - contando com 120 expositores que
preencheram todos os espaços disponíveis do
Multiusos de Guimarães - a Expo Clássicos registou
uma excelente participação de público, cerca de 15 mil
entradas, confirmando-se o certame como um evento
de referência. O interesse que a Expo Clássicos
suscita junto do público e dos expositores perspetiva,
aliás, um novo êxito na edição de 2012.
“A Expo Clássicos está alicerçada, vigorosa e
determinada a encarar os desafios do futuro”, afirmou
Aníbal Rocha, Diretor-Executivo da Tempo Livre,
realçando que “num curto período de tempo, a Expo
Clássicos conquistou o seu espaço e afirmou-se como
um evento importante na promoção e divulgação dos
automóveis e motos clássicos, do mesmo modo que
valoriza e potencia os setores de atividade
associados”.
Com uma participação empenhada por parte dos
expositores - que fazem questão de apresentar na
Expo Clássicos os seus melhores veículos, peças,
equipamentos, acessórios, livros, manuais,
brinquedos e miniaturas – também vários clubes de
automóveis e motos se fazem representar no certame
e organizam passeios e concentrações.
Nas últimas edições a organização contemplou ainda
um parque de clássicos no exterior do Multiusos de
Guimarães destinado a particulares que exibiram os
seus clássicos. Em paralelo ao certame tem sido
organizada pelo Clube de Automóveis Antigos de
Guimarães a Rampa Expo Clássicos na Penha.
As mostras temáticas também são um dos atrativos da
iniciativa tendo já passado pelo Multiusos de
Guimarães exposições de motos militares, veículos de
socorro, bombas de combustível, sidecars, “100 anos
Audi”, “50 anos Triumph Herald”, “90 anos Citroën”, 50
anos do Jaguar e-type (Series 1, 2 e 3), 50 anos do
Peugeot 404, Volvo PV 544, Indian Motorcycle e o stand
Arriva com uma mostra documental de autocarros
antigos da responsabilidade do Marco António Lindo. •
Clube Português de Automóveis Antigos
DE GUIMARÃES
O Clube de Automóveis Antigos de Guimarães fez a
sua escritura de constituição no dia 03 de Outubro de
2006, que é outorgada por 15 associados. Conta,
atualmente, com mais de 380 associados. É sócio
fundador da, recentemente criada, Associação de
Clubes de Automóveis Antigos do Norte – ACAAN, cuja
escritura de constituição outorgou no passado mês
de Agosto, em Amarante.
A par da participação em várias provas e certames
promocionais, a Concentração e Desfile Anual, a Rampa
da Penha e Rampa Expoclássicos, constituem provas
evidentes da vitalidade do Clube, e ajudam a promover o
turismo e a divulgação da cidade de Guimarães.
Os principais objetivos do Clube de Automóveis
Antigos de Guimarães são entre outros, a
congregação entre os simpatizantes e proprietários
de automóveis e outros veículos antigos de qualquer
marca e de todos os tipos; obter para os seus
Associados facilidades relacionadas,
essencialmente, com a conservação e utilização dos
seus veículos; promover a troca de conhecimentos,
informações e peças; promover a recolha,
conservação e tratamento de material informativo e
documental para a história dos automóveis e veículos
antigos, especialmente em Guimarães e sua região;
relacionar-se com associações congéneres nacionais
e estrangeiras.
O Clube de Automóveis Antigos de Guimarães tem
promovido a preservação dos automóveis e outros
veículos antigos como parte do património cultural,
recreativo e histórico. Este é provavelmente o maior
dos principais objetivos, nomeadamente numa época
onde o incentivo ao abate de veículos é cada vez mais
apelativo, e por outro lado se até já se onera, com
impostos extra, a utilização dos clássicos e antigos.
O Clube mereceu, recentemente, honras informativas
no panorama nacional pelo seu empenhamento no
restauro de um SADO 550.
O Clube está também envolvido na realização da
Expoclássicos, a exposição e feira, anual, de veículos,
motos, peças e automobilia relacionadas com os
veículos antigos e clássicos e que, este ano, terá
particular empenho na divulgação desta temática ao
público em geral, procurando que, num ano de Capital
Europeia da Cultura, se encare, finalmente, esta
atividade como cultural.
Organiza, ainda, anualmente vários passeios
temáticos que, contribuem para o convívio dos
associados, associando sempre a divulgação da
gastronomia e cultura das cidades e regiões
visitadas.
Complementarmente o Clube de Automóveis Antigos
de Guimarães disponibiliza ainda seguros para
veículos clássicos e pré-clássicos aos seus
associados, em parceria com uma companhia de
seguros, possuindo atualmente uma apólice onde já
se contam 270 veículos. •
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Nº 029 >>> 2012 | SETEMBRO • OUTUBRO
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Caminhada
SOLIDÁRIA
Realiza-se no dia 23 de setembro, no
âmbito das iniciativas de Guimarães 2012
- Capital Europeia da Cultura, uma
caminhada solidária, uma mini maratona
e um percurso em cadeira de rodas
subordinados ao tema “Pessoas
Diferentes, Direitos Iguais”.
Habilitando a participação ao sorteio de
um automóvel Smart ForTwo, as receitas
revertem integralmente para a Associação
de Paralisia Cerebral de Guimarães
(APCG), Cercigui, Associação de Apoio à
Criança e Centro Juvenil de São José
(Oficinas de São José).
A Caminhada Solidária e a VI Mini
Maratona APCG começarão no Campo de
São Mamede (pelas 10 horas) e o final
será na Pista de Atletismo Gémeos
Castro, onde se realizará também o
percurso em cadeira de rodas.
Sensibilizar a opinião pública para o
direito à igualdade e à não discriminação
da pessoa deficiente e incentivar a prática
desportiva são os principais propósitos da
iniciativa organizada por Guimarães 2012,
Tempo Livre e APCG.
A Caminhada Solidária e a VI Mini
Maratona APCG começarão no Campo de
São Mamede (pelas 10 horas) e o final
será na Pista de Atletismo Gémeos
Castro, onde se realizará também o
percurso em cadeira de rodas. O percurso
da Caminhada será de 5900 metros e da
Mini Maratona de 12900.
A inscrição no evento oficial de Guimarães
2012 - Capital Europeia da Cultura pode
ser feita até ao dia 22 de setembro através
da aquisição de um voucher que tem o
valor de 5 euros, devendo no momento da
inscrição ser indicada a atividade em que
participa (Caminhada solidária ou VI Mini
Maratona APCG. A participação no
percurso em cadeira de rodas é gratuita).
Todos os participantes receberão um kit
que conterá um dorsal, uma t-shirt oficial
de Guimarães 2012 – Capital Europeia da
Cultura, um boné e brindes diversos,
beneficiando ainda da oferta do seguro
desportivo. Entre todos os participantes
que concluírem qualquer uma das
atividades será sorteado um automóvel
SMART ForTwo e diversos outos prémios.
Na VI Mini Maratona APCG “Pessoas
Diferentes, Direitos Iguais” serão
atribuídos prémios aos três primeiros
classificados da prova feminina e da
masculina, sendo sorteados três prémios
pelos participantes que concluírem a
Caminhada Solidária e o percurso em
Cadeiras de Rodas.
Os vouchers de participação podem ser
adquiridos na Tempo Livre (Multiusos de
Guimarães, Complexo de Piscinas e Pista
de Atletismo Gémeos Castro), APCG,
Cercigui, Associação de Apoio à Criança,
Oficinas de São José, Espaço Guimarães
e GuimarãeShopping, devendo o kit de
participação ser levantado, de 10 a 22 de
setembro, na sede da APCG ou no
pavilhão do DFH. •
GUIMARÃES CIDADE EUROPEIA DO DESPORTO EM 2013
A Associação Europeia de Capitais de
Desporto (ACES) atribuiu a Guimarães o
estatuto de Cidade Europeia do
Desporto em 2013, após a apreciação
da candidatura vimaranense e da visita
às instalações desportivas do concelho.
A decisão oficial relativa à primeira
localidade portuguesa a ser declarada
Cidade Europeia do Desporto foi
comunicada em cerimónia realizada no
Multiusos de Guimarães que contou
com a presença do Secretário de Estado
do Desporto e Juventude, Alexandre
Mestre, do Presidente e vereadores da
Câmara Municipal de Guimarães,
embaixadores da candidatura,
representantes de entidades
desportivas e ícones e figuras ligadas
ao desporto vimaranense.
Como princípios basilares da
candidatura de Guimarães ao título de
Cidade Europeia do Desporto em 2013
encontra-se o reforço da dimensão
internacional desportiva de Guimarães e
a alteração do paradigma económico e
social através de ações e novos
comportamentos. Além disso, a
autarquia vimaranense esta´ igualmente
apostada no desenvolvimento
sustentado do desporto e da atividade
física. Outro grande objetivo e´ o de
deixar para o futuro um legado
promissor de projetos sustentáveis que
encontrem no desporto terreno para
florescer e possam tornar Guimarães
uma cidade de referência para as
melhores práticas em prol do desporto.
Depois do capital de notoriedade
alcançado com as marcas de
Património Cultural da Humanidade
(2001) e da Capital Europeia da Cultura
(2012), a eleição de Guimarães para
Cidade Europeia do Desporto 2013
posiciona-a como a uma cidade
referência no panorama nacional e
internacional. Trata-se de uma nova
oportunidade para promover o destino,
sendo que esta exposição devera´
fomentar uma nova vaga de promoção
turística e de atração de visitantes.
A Associação Europeia de Capitais de
Desporto (ACES) e a União Europeia
atribuem anualmente o estatuto de
Capital Europeia do Desporto a cidades
com mais de 500 mil habitantes e o de
Cidade Europeia do Desporto a
localidades de 25 a 500 mil habitantes,
como é o caso de Guimarães.
A candidatura de Guimarães a Cidade
Europeia do Desporto em 2013 foi
anunciada pelo Presidente da Câmara
Municipal de Guimarães, António
Magalhães, em Novembro último, na
conferência de imprensa de balanço de
dez anos da Cidade Desportiva
(Multiusos de Guimarães, Complexo de
Piscinas e Pista de Atletismo Gémeos
Castro).
“Após vários anos de dinamização
desportiva e de construção/
consolidação de infraestruturas
desportivas (de propriedade municipal e
de clubes) “, explicou na altura o
Vereador do Desporto, Amadeu Portilha,
“Guimarães é hoje uma das cidades
com maior número de clubes e com a
maior taxa de participação desportiva do
País, estando reunidas condições para
nos abalançarmos na candidatura”.
“Reuniremos à nossa volta os clubes e
associações que efetivamente têm
contribuído para que o desporto
vimaranense seja hoje uma realidade
muito forte e importante. Queremos em
2013 celebrar a excelência e a qualidade
do desporto de Guimarães”, concluiu
Amadeu Portilha aquando do anúncio da
candidatura. •
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vinhos & bebidas
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>>> TEXTO PEDRO SOARES IN REVISTA PAIXÃO PELO VINHO
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Bairrada
Sedutora
A Bairrada é uma das mais antigas regiões demarcadas
de Portugal, desenvolvendo-se entre o litoral nacional e
as serras do Caramulo, Buçaco e Lousã. Nela podem
encontrar-se algumas das maiores casas produtoras
de vinho do sector, mas também alguns dos maiores
ícones da nossa vitivinicultura. É um sinal da grande
apetência que esta zona do país tem para a criação de
vinhos e espumantes distintos e apelativos, com
carácter, que aliciam quem os prova, sejam eles
brancos, rosés ou tintos.
Hoje em dia, possuir caráter é fundamental, pois a
globalização a que assistimos acaba por fazer ressaltar
aquilo que é distinto de forma positiva e, aí, a Bairrada
possui, muito provavelmente, mais argumentos do que
qualquer outra Região Demarcada do nosso País.
À excelência das castas autóctones que aqui se
cultivam, e onde pontifica aquela que, para além da
Touriga Nacional, é provavelmente a casta tinta
portuguesa mais conhecida e reconhecida no mercado
internacional, a Baga, os produtores bairradinos
juntaram outras como Merlot ou Syrah, para
complementar os seus vinhos sem os descaraterizar. Já
nos brancos a aposta nas variedades Maria Gomes,
Bical e Arinto é para manter sem, no entanto, excluir
outras como Cercial e Chardonnay.
A todas elas a Bairrada empresta frescura e identidade.
São exatamente estas características que, aliadas aos
investimentos feitos na região e ao conhecimento dos
técnicos que nela desenvolvem o seu trabalho, fazem
Nos dias de hoje, a Bairrada
possui para além de toda
esta panóplia de produtos
vínicos de referência uma
oferta ao nível do
enoturismo de qualidade
invulgar.
desta região uma produtora de excelentes espumantes.
Se existe produto que identifica a região da Bairrada é o
espumante. Foi determinante o trabalho desenvolvido
por Tavares da Silva, há cerca de 125 anos, na atual
Estação Vitivinícola da Bairrada, que converteu a região
no berço deste tipo de produto em Portugal. Branco,
rosado ou tinto, o espumante harmoniza por excelência
com a gastronomia da região.
E por falar em gastronomia, poderemos também referir
que essa é outra das grandes qualidades dos vinhos e
espumantes aqui produzidos, a sua capacidade e
apetência gastronómica, não só com a rica cozinha local
mas também com as mais variadas cozinhas. A frescura
e complexidade que a influência atlântica associada às
características dos solos da região, emprestam aos
vinhos e espumantes produzidos nesta região torna-os
incomparáveis parceiros para as variadas iguarias do
globo.
Nos dias de hoje, a Bairrada possui para além de toda
esta panóplia de produtos vínicos de referência uma
oferta ao nível do enoturismo de qualidade invulgar. O
Underground Museum, o Museu do Vinho de Anadia ou
o Museu da Pedra em Cantanhede, a Mata Nacional do
Buçaco, os espaços termais da Curia e do Luso ou os
doces conventuais desta região, a Ria de Aveiro ou os
recantos da “Cidade dos Estudantes” (Coimbra)
complementam a oferta variada que a região possui. A
Rota da Bairrada procura congregar estas ofertas e
servir de ponto guia para todos os que visitam a região. •
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sabores
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>>> TEXTO DE MARIA HELENA DUARTE | FOTOGRAFIA D. R. / A. PINTO COELHO
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Melão
Casca de Carvalho
O melão “Casca de Carvalho” seduz pela sua textura
rugosa, pelo seu aroma, sabor apimentado e apelativa
cor. Os melões com maior dimensão podem atingir os
sete ou oito quilos e é um dos produtos regionais mais
bem afamados e mais procurados no verão.
O melão é originário da África Central, com vários
centros de diversificação secundários, tais como a
Turquia, Arábia Saudita, Irão, Rússia, Índia e mesmo a
Península Ibérica. A partir da África Central, o melão
disseminou-se pelo Médio Oriente e pela Ásia Central.
Foi cultivado pelos Egípcios desde 2000 a 2700 a.C., na
Mesopotâmia, e por volta de 1000 a.C. no Irão e na Índia.
A cultura de melões foi introduzida na Europa pelos
romanos, mas não era muito apreciada, estando
ausente da dieta medieval em toda a Europa, exceção
feita para a Península Ibérica, onde foi introduzida e
mantida pelos Árabes. Só no séc. XV é que um tipo de
melão trazido da Arménia foi difundido pela Europa. E foi
Colombo que, no séc. XV, introduziu o melão na América.
Nos anos 50, do séc. passado, o melão era
considerado um produto de luxo na Europa, tendo o seu
consumo e a sua produção desenvolvido de forma
significativa desde a década de 1960 com a melhoria
das técnicas culturais e o aparecimento de novas
cultivares.
O melão, de nome científico Cucumis melo L., pertence
à família Cucurbitaceae, é uma planta herbácea, que dá
fruto uma vez por ano. A maioria das cultivares possui
flores masculinas e flores hermafroditas na mesma
planta. As flores masculinas dos melões formam-se em
grupos de 3 a 5 flores no mesmo nó, enquanto que as
flores femininas se encontram solitárias no nó. As flores
abrem apenas uma vez de manhã e a polinização é
realizada por insetos. O fruto apresenta forma variável
(redondo, oval ou alongado), com cerca de 20 e 25 cm
de diâmetro e a casca pode ser lisa, enrugada ou
apresentando nervuras em forma de rede (como é o
caso específico do melão “Casca de Carvalho”), e a cor
varia desde o verde ao amarelo. A sua polpa também
varia segundo o tipo de cultivar, havendo melões
amarelados, esverdeados e esbranquiçados.
Geralmente, em Portugal, os meloeiros devem semearse na primavera, de Março a Maio. As temperaturas
ótimas para a germinação de sementes situam-se entre
os 24 a 35 Cº. O melão prefere solos profundos, ricos
em matéria orgânica, bem estruturados, arejados e bem
drenados. O crescimento é rápido e o fruto deve ser
colhido quando maduro.
Para verificar que o melão está em boas condições de
consumo e está maduro deve apresentar as seguintes
características: quando comprimido nas extremidades,
deve ceder levemente, as suas sementes devem estar
soltas (sacuda o melão e veja se faz ruído), a casca
deve apresentar-se bem firme, ter cor forte e não
apresentar rachaduras, partes moles ou perfurações de
insetos, deve apresentar aroma suave e agradável.
O melão deve ser conservado em lugar fresco e arejado.
Caso o fruto esteja aberto, cubra-o com plástico ou
papel de alumínio para que não absorva os odores de
outros alimentos e guarde-o no frigorífico. Se desejar
apressar o amadurecimento do melão, envolva a fruta
numa folha de jornal por um ou dois dias.
O melão “Casca de Carvalho” é um tipo de melão
característico do norte de Portugal, em particular do
Minho, e pode diferenciar-se em três subtipos: Soutelo,
produzido nos concelhos de Vila Verde e Amares;
Barcelos, produzido nos concelhos de Barcelos,
Famalicão, Trofa e Santo Tirso; Vale do Sousa, que se
encontra nos concelhos de Felgueiras, Lousada,
Penafiel e Paredes.
É uma espécie de difícil cultivo, enfrentando
tradicionalmente pragas e acidentes climáticos, mas
atingindo elevados preços (relativamente a espécies
semelhantes de outras regiões) dada a sua
extraordinária qualidade. É hoje, ainda, uma produção
de agricultura especializada dessas regiões, que vem
sobrevivendo apesar da redução da área de cultivo e
através da sucessão de gerações de agricultores
minhotos, que fazem disso não só uma demonstração
de elevada capacidade técnica, como uma fonte de
rendimento sazonal importante no quadro da crise da
agricultura regional.
Podemos encontrar este melão à venda nas casas dos
produtores, feiras e romarias da região, lojas gourmet
ou especializadas, e nas margens das estradas, isto
porque como não tem uma produção massificada e
requere um consumo rápido, é mais difícil encontrar
este fruto nas grandes superfícies. Não é um fruto
acessível para usufruir no dia-a-dia, mas vale a pena
investir num bom exemplar. Um bom melão pode
alcançar o valor de 25 euros e é a conjugação de vários
fatores que determina um fruto de primeira qualidade:
tem de ser pesado, ter a casca saudável, aroma suave,
sabor apimentado, não muito doce, e polpa de cor
salmão. Apesar do sucesso nas vendas e do preço
elevado do fruto, a verdade é que na última década a
produção diminuiu cerca de 30 por cento.
PRAZER E SAÚDE ÀS FATIAS
O melão é um fruto caracterizado pela sua doçura e
aroma, devendo ser consumido fresco. Sozinho, em
saladas, em batidos e em sumo, é um prazer desfrutar
de cada fatia, e até as suas sementes, tostadas e
salgadas são um ótimo aperitivo.
O melão tem propriedades refrescantes e hidratantes
pois a fruta é constituída por 90% de água, por isso
mesmo, é ideal para as épocas de muito calor. Contém
vitaminas A, C e E, além de alguns sais minerais como
cálcio, fósforo e ferro. É uma fruta ótima para regimes de
emagrecimento. O melão é bom como calmante,
diurético e laxante. É também recomendado nos casos
de gota, reumatismo, artrite, obesidade, colite, prisão de
ventre, afecções renais, nefrite, cistite, por exemplo. •
Foie gras, melão casca de
carvalho e moscatel
INGREDIENTES
(6 PAX)
1 Fígado de pato;
200 Gr de melão casca de carvalho;
0,75 Lt de Moscatel Roxo;
Mel q.b.
PREPARAÇÃO:
Retirar todos os veios do fígado, cortar em escalopes
com cerca de 80 gramas. Cortar o melão em esferas
com a colher parisiense. Reduzir o Moscatel a
metade juntamente com o mel em lume brando e
mergulhar as esferas de melão na redução durante
24 horas. Corar o escalope e temperar com flor de
sal.
Chef Arnaldo Azevedo * Hotel Teatro . Porto
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tradições
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>>> TEXTO DE CUSTÓDIO FERNANDES
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Grupo Infantil e Juvenil de Danças
e Cantares de Joane
O Grupo Infantil e Juvenil de Danças e Cantares de
Joane teve o seu início em 15 de Janeiro de 1980 com
o intuito de dar a conhecer os usos e costumes
regionais, as artes e os ofícios dos nossos
antepassados entre 1850 a 1950.
Joane é uma jovem Vila, com 26 anos de idade mas, o
seu nome remonta aos primórdios da nossa
nacionalidade onde, desde muito cedo, as suas
capacidades agrícolas foram o ganha-pão de famílias
vindas de outros concelhos para aqui se fixarem como
agricultores.
Desde sempre, a missão dos responsáveis deste
Grupo é transmitir aos mais novos a forma de vida
daqueles que, com o seu saber e trabalho árduo no
campo ou na eira, nas ceifas, desfolhadas, vindimas e
espadeladas, no fiar e trabalhar o linho, tornaram esta
terra tão próspera.
Durante estes trinta e dois anos de existência o Grupo
Infantil e Juvenil de Danças e Cantares de Joane tem
levado a todo o Portugal, de Norte a Sul, do Interior ao
Litoral, a Espanha, a França e à Suiça a experiência,
dando às crianças e aos jovens um bom motivo para
que gostem de ocupar os seus tempos livres nesta
área cultural, permitindo também recordar os
antepassados da região através da representação das
suas vidas.
O grupo é atualmente composto por 14 crianças dos
três aos 10 anos, 15 jovens dos 11 aos 18 e 19 jovens
maiores de 18 anos, que envergam trajes
representativos, alguns ainda são originais, outros,
são cópias fiéis dos que eram usados, à época, neste
“torrão” do Baixo Minho.
Alguns dos trajes originais que o Grupo tem no seu
espólio já não podem ser usados, de tão velhos e
gastos que estão, por isso são cuidadosamente
conservados sob pena de se estragarem ou de perder
a sua originalidade.
As danças e cantares do Grupo Infantil e Juvenil de
Joane oferece um extenso reportório onde
encontramos viras e malhões nas suas mais diversas
formas de interpretação, seja durante os trabalhos no
campo, nas eiras, nas festas, nas feiras ou romarias.
O Grupo Infantil e Juvenil de Danças e Cantares de
Joane realiza anualmente desde 1990, o Festival
Internacional de Grupos Infantis e Juvenis de Danças e
Cantares Regionais, e pensando que é o único
especifico do género que se realiza em Portugal.
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Nestes últimos anos, atendendo a um protocolo
assumido com a Junta de Freguesia de Joane, o
Festival realiza-se no primeiro fim-de-semana de
Julho, integrado nas festividades de elevação de Joane
a Vila. A data comemora-se no dia 3 de julho.
Este ano, o Grupo deslocou-se a Bayonne e a Lourdes
e, após o seu regresso a Joane, realizou a 8 de Julho o
XXII Festival Internacional de Grupos Infantis e Juvenis
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de Danças e Cantares Regionais. Este Festival contou
com a presença de 5 grupos Infantis e Juvenis.
Logo de seguida, o Grupo deslocou-se por duas vezes
à Corunha, em Espanha, onde participou no encontro
promovido pela Associação Cultural Airños dos Carris
de Cerdido, de Ferrol e ainda outra em Ázere.
Aguarda-se que se materialize entretanto o convite que
levará, ainda este ano, o Grupo à região de Bordéus,
para as Festas das Vindimas em Leognan.
O Grupo Infantil e Juvenil de Danças e Cantares de
Joane bem se pode sentir orgulhoso pelo seu valor e
pela qualidade com que tem honrado as suas
actuações.
Só este ano de 2012 a ARRIVA já transportou seis
vezes este Grupo que muito tem dignificado o Folclore
Português, nomeadamente, o Folclore do Baixo Minho.
Destas deslocações, três foram em Portugal às quais
se acrescentaram duas à Corunha e uma a Bayonne e
a Lourdes.
O futuro dar-nos-á certamente o privilégio de contar
com as sua presença a ajudar tão bem a representar
toda a região. •
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horóscopo
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VIRGEM | 24.08 a 23.09
BALANÇA | 27.09 a 22.10
ESCORPIÃO | 23.10 a 22.11
SAGITÁRIO | 23.11 a 21.12
A palavra-chave é a calma e segurança. Vai
sentir que finalmente está a conseguir chegar
onde ambicionou, apesar de manter algum medo
de falhar. O apoio das pessoas que o rodeiam
será muito importante. A nível profissional, pode
sentir que não está preparado para encarar
novos desafios, no entanto, deverá confiar
mais na sua intuição e verá que os resultados
serão surpreendentes. Com o aumento de
trabalho vai ter de organizar muito bem a sua
vida. Se está num relacionamento, o clima será
de romance e paixão. Aproveite para mimar seu
parceiro. Os que estão sós, têm de se manter
atentos aos novos conhecimentos.
Setembro e outubro serão meses de decisões
importantes. Todos os desafios serão
ultrapassados de forma positiva. A nível
profissional, o seu lado empreendedor vai
fazê-lo abraçar novos desafios, embora estes
ainda não estejam bem cimentados e algumas
ideias ainda não estejam completamente em
ordem, a sua vontade de mudar vai ser o motor
para o aceleramento de todo este processo.
Fará de tudo para conseguir o que pretende!
Se está num relacionamento terá vontade de
inovar libertando o lado apaixonado do
parceiro. Ingira muitos líquidos.
Mantenha os pés bem assentes na terra. Não
se esqueça que não é o centro do mundo e
que certas atitudes podem magoar outras
pessoas. A nível profissional, a sua vontade de
querer fazer tudo ao mesmo tempo, vai fazer
com que entre em choque para com alguns
colegas. Fazer tudo rápido, não significa que
esteja bem feito, a opinião dos outros será
muito importante para avançar, peça ajuda. A
família será o seu grande apoio nesta fase. No
amor, nada de novo. Procure fazer técnicas de
relaxamento ou algo que ajude na ansiedade,
vai ver que se sentirá melhor.
Este mês chega cheio de energia positiva, o que
vai permitir agarrar todas as oportunidades.
Com a entrada de novas pessoas a sua vida vai
sentir-se apoiado e muito acarinhado. A nível
profissional estará mais responsável do que
nunca, os trabalhos de grupo e a partilha de
ideias para com os seus colegas serão muito
importantes para o futuro. Alguns assuntos
relacionados com a parte economica,
encontrarão agora a resolução, o que fará com
que possa respirar fundo. Se está num
relacionamento, vai querer tomar decisões mais
sérias a fim de fortalecer o seu relacionamento.
Faça mais exercício físico.
CAPRICÓRNIO | 22.12 a 20.01
AQUÁRIO | 21.01 a 19.02
PEIXES | 20.02 A 20.03
CARNEIRO | 21.03 A 20.04
É importante que embora se sinta realizado
continue o seu caminho com afinco e sempre
com os pés assentes na terra. As saídas e
momentos de lazer com os amigos farão com
que o mês de Setembro seja passado de forma
bastante agradável. A nível profissional a sua
responsabilidade aumentará, deve continuar a
trabalhar para manter aquilo que tanto
ambicionou e que demorou a construir. A sorte
está do seu lado! Se está num relacionamento,
dê mais atenção ao seu parceiro, é importante
que todas as ideias sejam partilhadas.
Para os que estão sós, este mês não terá
grandes desenvolvimentos. Esta é a altura
ideal para uma mudança de visual.
Os novos desafios serão encarados de forma
clara e objetiva. A sua inspiração e a forma
como aborda os assuntos vão transmitir muita
confiança nas pessoas que o rodeiam.
Aproveite o momento! O trabalho vai ser a sua
prioridade e não vai querer perder nenhuma
oportunidade. Poderá fazer investimentos ou
iniciar algo novo, sozinho ou acompanhado. Não
tenha medo de arriscar, terá mil e uma razoes
para sorrir. Se está num relacionamento, esta é
uma fase muito positiva, diria mesmo hora ideal
para pensar em algo mais sério. Os que estão
sós, vão querer divertir-se, estão um pouco
desiludidos com o amor. Ao nível de saúde,
tendência a problemas de articulações.
Este mês será marcado pela calma e
compreensão. A nível profissional, sentirá alguma
tensão no local de trabalho e também em
relações aos seus colegas. Deverá ter cuidado
quando assinar algum documento ou até de
aceitar um novo desafio. Caso queira iniciar algo
novo deverá pedir ajuda a pessoas da sua
confiança que o possam orientar neste sentido.
Deverá ter cuidado com questões que envolvam
dinheiro, este não é um bom mês para fazer
investimentos. Se está num relacionamento, é
provável que uma surpresa pela qual ansiava há
muito tempo venha fortalecer a relação. Ingira
alimentos mais saudáveis. Faça voluntariado.
Vai sentir necessidade de se isolar. É provável
que tenha necessidade de fugir dos problemas
ou de alguma forma de atrasar a sua
resolução. A nível profissional, poderá sentir
que as coisas não estão a andar à velocidade
prevista. Lembre-se que por vezes, é
necessário plantar, para depois colher. Se está
num relacionamento, as emoções estarão à
flor da pele, o que por vezes poderá causar
atritos, seja mais coerente e paciente. Os que
estão sós terão tendência a isolar-se do resto
do mundo, a fim de resolverem as suas
dúvidas existenciais. A nível de saúde, durante
este mês aconselha-se uma revisão na sua
alimentação.
TOURO | 21.04 a 21.05
GÉMEOS | 23.05 a 21.05
CARANGUEJO | 22.06 a 23.07
LEÃO | 24.07 a 23.08
Embora se encontre numa fase em que estará
mais centrado em si, vai procurar fazer coisas
novas e aprender com elas. As emoções
estarão à flor da pele, o que pode levar a que
sinta vontade de fechar algumas portas ou
cortar, definitivamente, com algumas situações
do seu passado. Em Outubro uma surpresa
que poderá trazer uma lufada de ar fresco. Um
novo encargo profissional vai fazer com que
tenha de estar mais alerta e que ande a um
ritmo alucinante, podendo também iniciar um
novo projeto que trará um bom retorno
financeiro. Se está num relacionamento, é
provável que passe por uma fase menos
positiva, uma crise passageira. A nível de
saúde, tenha cuidado com a parte respiratória.
Vai sentir-se um pouco deslocado e, até,
desapegado de tudo aquilo a que dá valor. Esta
tendência pode causar alguns mal-entendidos
nas pessoas que o rodeiam. Será uma fase
passageira. A nível profissional, vai estar muito
empenhado e dedicado ao trabalho que tem em
mãos, não se iniba de pedir ajuda. Se está num
relacionamento, passará por uma fase um
pouco complicada, podendo até levar a uma
separação. Se está só, vai viver aventuras e
deverá tomar algum cuidado para não se
perder. A nível de saúde, este mês será de
grande vitalidade.
O passado vai exercer certa pressão,
assuntos pendentes vão exigir resolução.
A sua força e ponderação serão muito
importantes nesta fase. A família será a sua
maior aliada neste processo e poderá contar
com a sua ajuda para resolver o que lhe tem
tirado o sono. A entrada de novas pessoas na
sua vida irão despertar sentimentos muito
positivos. Mantenha a calma e tudo será
ultrapassado! A nível profissional, embora esteja
a passar por uma fase que não corresponde ao
que ambicionou, não deverá preocupar-se.
Encare todos os desafios de cabeça erguida.
Na vida amorosa tudo correrá na normalidade. A
nível de saúde, procure descansar um pouco
mais, o seu corpo vai agradecer.
Este é um mês de reconciliação, mas também o
de corte com algumas pessoas. A fase em que
se encontra irá fazer com que comece a
encarar novas situações de outra forma, a sua
sinceridade será de grande ajuda até mesmo
para quem o rodeia, assim como a sua
paciência. A nível profissional, há a
probabilidade de vir a abrir um negócio próprio
ou fazer um investimento para seu benefício.
Em Outubro uma viagem vai proporcionar-lhe
agradáveis momentos, quer a nível de contatos
profissionais, quer a nível de lazer. Se está
num relacionamento, utilize mais a sua intuição
e conseguirá resolver todas as situações,
sejam elas positivas ou negativas.

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