2015-07-06 - Zarpar - Ouvidoria de Lagoa

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2015-07-06 - Zarpar - Ouvidoria de Lagoa
Atlântico Expresso
Fundado por Victor Cruz - Director: Américo Natalino de Viveiros - Director-Adjunto: Santos Narciso - 6 de Julho de 2015 - Ano: XVI - N.º 85756 - Preço: 0,90 Euro - Semanário
Nota de Abertura
Obsessão
desnecessária!
Tornou-se moda. Inunda rádios, televisão, jornais, redes
sociais e conversas. “Tudo por causa do Turismo”. Mais uma
“vaca sagrada”. Lixo nas ruas? Contentores por despejar? Falta
de civismo? O que dirão os turistas?
Deficiências e erros na maneira de atender um cliente, num
restaurante, num café ou num estabelecimento? Belo cartão de
apresentação para os turistas!
Exploração de alguns prestadores de serviços? Vandalismo
que parte, destrói e inutiliza muitos equipamentos públicos?
Sem-abrigo a dormir na rua? E queremos ter turistas!
O rol poderia continuar. É uma obsessão desnecessária e primária, como se de um dia para o outro tivéssemos deixado de ser
quem somos para nos tornarmos servos de uma nova gleba, agora voltada para uma diferente monocultura, chamada turismo.
Parece que desapareceram todos os problemas da Região,
relegados para plano inferior, na miragem do novo filão que
chegou avassalador, tão avassalador que até se tornou bandeira
política, com todos a querer os louros da poção mágica que foi a
liberalização aérea, os mesmos que sacodem para longe os insucessos regionais em tantos domínios, como a Saúde, a Educação,
a pobreza e as drogas em que continuamos a bater recordes sem
que ninguém deles queira ser pai.
Sempre fomos dados a ciclos produtivos e nunca aprendemos que viver de ciclos gera desequilíbrios graves e é prenúncio
de crises agudas no fim de cada um deles. Foi assim com o pastel, com os cereais, com a laranja, com o ananás, com a lavoura
e promete ser assim com o turismo. É certo que só aprendemos a
nadar quando nos atiramos à água, mas é preciso reconhecer que
não estávamos preparados para esta brusca mudança, apesar de
avisados há anos. Da mesma forma que estávamos avisados há
anos que acabariam as quotas leiteiras e agora é que estamos a
pensar no “como vai ser”.
Chamar o Turismo para tudo é mesmo uma obsessão desnecessária, ofensiva da nossa dignidade e identidade, porque, se
havia vida antes “deste” turismo, também a há, ou deve haver,
para além dele.
Ao ver um sem-abrigo dormir na rua ou agir contra todas
as regras sociais e de bem-parecer, o meu último pensamento
deve ser a impressão que isto causa nos turistas, até porque este
fenómeno é transversal a todos os locais do mundo, com ou sem
turismo. A minha primeira preocupação deve ir para as causas
sociais que levam a que muitas pessoas desçam todos os degraus
da dignidade humana ao ponto de já não serem capazes do mínimo que é aceitar um lugar para dormir ou cumprir regras tão
simples como ter um horário ou cuidar da sua higiene.
Ao ver um deficiente serviço, num restaurante, num estabelecimento, num táxi, ou em qualquer outro lugar, o primeiro
pensamento será sobre a Educação e formação que foi dada às
pessoas durante todos estes anos. Milhões e milhões do Fundo
Social Europeu foram derramados durante anos por estes Açores
abaixo. Alguns enriqueceram, mas é justo perguntar onde está o
fruto da aprendizagem na multiplicação de escolas profissionais
para todos os gostos e caprichos, nos cursos e nos estágios.
Mas esta pergunta não é, ou não deve ser por causa dos turistas. É por nós próprios. Pelo nosso desenvolvimento, pela evolução do nosso pensamento e da nossa maneira de ser, não como
“cartão-de-visita” para turista ver, mas como afirmação do Povo
que somos.
O Turismo é uma indústria, como tantas outras que temos e
que queremos ter. É sector fundamental para gerar riqueza e emprego, mas não é “vaca sagrada” a quem tudo se quer sacrificar,
vendendo mesmo o que de mais sagrado temos que são as nossas
tradições que não se podem tornar numa montra de realizações
sem alma, apenas para turista ver, como é, por exemplo, colocar
foliões do Espírito Santa a cantar à porta de um paquete que
chegue às Portas do Mar.
Quem vende o quem a pedir vem. Ditado que se aplica bem
a esta obsessão desnecessária!
Santos Narciso
Enquanto no país é aos 18 anos
Nos Açores compra-se
e bebe-se com 16 anos
Os jovens com idade igual ou superior a 16 anos não estão
proibidos de comprar bebidas alcoólicas na Região, já que a legislação nacional que interdita o consumo e a venda de álcool a
menores de 18 anos, e que entrou em vigor no dia 1 de Julho, não
se aplica à Região Autónoma dos Açores. Isto depois de tanto
pág. 2
que se fez para a Região ser pioneira...
Patrão Neves
Há turistas que vêm
aos Açores para
estarem com vacas
“Neste momento há uma grande ânsia de uma população que é cada vez mais urbana, de ter a experiência do
campo. Há muitas famílias que querem que os seus filhos
tenham a experiência do campo. E nós temos um turismo, neste momento, a arrancar em grande força. E creio
que, aqui, a agricultura não pode perder a oportunidade
de beneficiar desta nova abertura dos Açores ao turismo”, afirma Maria do Céu Patrão Neves que é também
apologista numa diversificação agrícola nas próprias explorações pecuárias.
págs. 6 e 7
Escola Forcabe
Padre Nuno Maiato
Alunos quase todos
com emprego no
final dos cursos
Fazer sair as pessoas
do comodismo
e da indiferença...
Há três anos nos Açores, a escola de formação de cabeleireiros Forcabe já formou 32 cabeleireiros e várias manicuras, esteticistas e cosmetologistas.
pág. 3
O Festival Zarpar, que se realiza na Lagoa, entre 10 e 12
de Julho, promove exposições permanentes que pretendem
tirar os jovens do comodismo e da indiferença. págs. 8 e 9
2
Reportagem
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Atlântico Expresso
Alvarino Ferraz Pinheiro, psicólogo
Nova lei do álcool é mais uma regra para quebrar
Desde 1 de Julho é proibida a disponibilização, venda e consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica a todos os menores de 18 anos,
segundo um diploma recentemente publicado em Portugal continental. Mas a mudança legislativa não abrange os Açores porque a Região tem regulamentação própria que permite a venda e o consumo a partir dos 16 anos.
Este decreto-lei vem efectivar a alteração à lei que
se encontrava em vigor e que previa uma diferenciação entre as bebidas espirituosas, permitidas a partir
dos 18 anos, e as restantes (vinho e cerveja), que podem ser consumidas a partir dos 16 anos.
A alteração constante do diploma agora publicado decorreu da avaliação prevista na legislação em
vigor desde 2013.
Segundo o texto do decreto-lei, a evidência científica demonstra a existência de padrões de consumo de
alto risco de bebidas alcoólicas, como a embriaguez
e o consumo ocasional excessivo, também designado
por ‘binge drinking’, especialmente em adolescentes e
jovens adultos.
Da mesma forma, está demonstrado cientificamente que “a experimentação do álcool é cada vez
mais precoce em crianças” e que “a precocidade do
início de consumo é responsável por uma maior probabilidade de ocorrência de dependência alcoólica”.
Em termos de consequências para o desenvolvimento das crianças e jovens, a precocidade no consumo de álcool tem “consequências directas a nível do
sistema nervoso central, com défices cognitivos e de
memória, limitações a nível da aprendizagem e, bem
assim, ao nível do desempenho escolar e profissional”.
A exposição prolongada e continuada ao álcool
está também associada a uma probabilidade de desenvolvimento de cancro, acrescenta ainda o diploma.
Estes factores estiveram na base da proibição de
vender bebidas espirituosas a menores de 18 anos e
outras bebidas alcoólicas a menores de 16, mas “não
ocorreram alterações relevantes no padrão de consumo”, após a entrada em vigor da lei (Abril de 2013).
Segundo o diploma agora publicado, verificou-se
mesmo a continuação dos “comportamentos de risco e
excesso de consumo”, sendo que “foram os jovens de
16 anos, em particular, os que mais mencionaram um
aumento da facilidade de acesso a bebidas alcoólicas,
com qualquer graduação e álcool”.
O Governo da República justifica assim a necessidade de “melhores medidas de protecção dos menores
no que toca ao acesso a bebidas alcoólicas”, salientando não pretender “sancionar ou penalizar comportamentos”, mas minimizar o consumo por adolescentes
de foram progressiva.
A idade de consumo de álcool, na prática, não
existe, como sabemos pela observação do dia-a-dia.
Porém, não é incomum a proibição de qualquer
coisa induzir o consumo através da apetência pelo
“fruto proibido” e pelo sentido de revolta. Será este
risco real no caso desta lei?
Na verdade, os comportamentos de transgressão
nos jovens adolescentes têm uma maior frequência e
intensidade, e até determinado nível até são perfeitamente compreensíveis e aceitáveis. Neste caso será
mais uma regra para quebrar. O problema está nas
consequências muito negativas que o consumo precoce de álcool traz às crianças e jovens no seu percurso de vida. A sociedade tem que se concentrar nas
soluções reabilitadoras e preventivas para o problema do consumo de álcool nos jovens, focando-se na
sensibilização junto das famílias, escolas e instituições
socioculturais. Não nos podemos esquecer do papel
que os municípios deveriam exercer neste contexto.
Há nas nossas sociedades uma tendência para
responsabilizar os jovens por muita coisa - até criminal - em idades cada vez mais tenras e, ao invés,
não os considerar responsáveis em matérias como,
por exemplo, o consumo de álcool ou até o voto (só
possível a partir dos 18 anos). Esta dicotomia faz
algum sentido?
Não é fácil responder. No meu entender, os jovens adolescentes devem ter um papel mais activo
na nossa sociedade, devem participar de uma forma
responsável nas nossas decisões comunitárias. Devem
fazer um percurso orientado para os direitos e deveres.
Talvez faça sentido diminuir a idade de direito ao voto
para os 16 anos, podíamos assim dar uma lufada de
ar fresco à nossa democracia. A irreverência dos 16
anos seria mais difícil de ser manietada pela tendência
formatadora dos partidos políticos.
Mas a mudança legislativa não abrange os Açores
porque a Região tem regulamentação própria que permite a venda e o consumo a partir dos 16 anos.
A idade para consumo de álcool subiu para
os 18 anos a nível nacional, permanecendo nos 16
anos Açores (ao que tudo indica). Haverá, desta
medida nacional, benefícios reais previsíveis?
A curto e médio prazo esta regulamentação por
si só não trará grandes alterações ao padrão de consumo dos jovens portugueses. Também é preciso
compreender que estes fenómenos ligados à adolescência e aos comportamentos aditivos não se resolvem
unicamente com mudanças legislativas, é necessário
enquadrar estes comportamentos na vivência individual e grupal dos jovens e na dinâmica social e cultural das comunidades onde estão inseridos. O estado
tem tendência em desculpabilizar-se nestas questões
ligadas às substâncias psicoactivas através da criação
de leis e de decretos que depois se revelam inócuos.
De qualquer forma, não faz sentido que seja permitido
consumir álcool nos Açores aos 16 anos e em Lisboa
só aos 18 anos.
Assistimos a cada vez mais proibições e limitações nas nossas sociedades. Fará sentido retomar a
velha máxima “É proibido proibir”?
As sociedades modernas não convivem muito
bem com as proibições, com os preconceitos, com o
excesso de controlo e autoritarismo. Temos que investir na responsabilização, na educação, no conhecimento e na aceitação da diferença.
Álcool nos Açores a partir dos 16 anos
Região Autónoma dos Açores.
A explicação, segundo o DI
apurou junto da entidade responsável, a Direcção Regional
da Saúde, prende-se com o facto de esta ser uma matéria sobre
a qual a Região tem competências para legislar, mantendo-se
então, em todo o arquipélago, o
regime jurídico estabelecido no
Decreto Legislativo Regional
n.º 14/2008/A, de 11 de Junho
de 2008.
No que diz respeito aos
jovens, e segundo o Artigo 3.º
Presidente do grupo parlamentar do PS/Açores diz que a lei regional
deste decreto regional, que esde venda de álcool a menores já está a ser debatida internamente
tabelece as regras da venda e
do consumo de bebidas alcoólicas
Os jovens com idade igual ou superior a 16 anos
não estão proibidos de comprar bebidas alcoólicas na na Região, “é proibido vender ou colocar à disposiRegião, já que a legislação nacional que interdita o ção, com objectivos comerciais, bebidas alcoólicas
consumo e a venda de álcool a menores de 18 anos, e em espaços públicos ou espaços abertos ao público a
que entrou em vigor no dia 1 de Julho, não se aplica à menores de 16 anos”.
Além disso, são também proibidas quaisquer
campanhas publicitárias a marcas de bebidas alcoólicas em eventos ou actividades “em que participem
menores ou se destinem especificamente a esse segmento etário”.
“A fiscalização do cumprimento do disposto
neste diploma”, diz o Artigo 7.º, “é da competência
da Inspecção Regional das Actividades Económicas
(IRAE)”. Já a lei a nível nacional é fiscalizada pela
Autoridade de Segurança Alimentar e Económica
(ASAE), com o apoio da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR).
Não se aplicam, assim, nos Açores, ao contrário
do que tem sido dito em alguns meios regionais, as
alterações à legislação sobre o álcool aprovadas no
decreto-lei nº 106/2015 do dia 23 de Abril a nível
nacional.
Discussão parlamentar
Apesar do decreto legislativo regional se sobrepor à lei nacional, já está a ser estudada também na
Região uma eventual alteração da lei de restrição de
venda e consumo de bebidas alcoólicas aos jovens.
Segundo disse ao DI o presidente do grupo parlamentar do PS/Açores, Berto Messias, “já houve oportunidade de se discutir esse assunto internamente, no
grupo parlamentar”, tendo já sido aberto um debate
interno sobre qual o melhor percurso a adoptar, se a
manutenção da lei regional, se a adaptação dessa lei
às recentes alterações registadas a nível nacional.
Farão parte desta discussão, segundo Berto Messias, vários especialistas na área que darão o seu parecer sobre a matéria.
O Decreto Legislativo Regional n.º 14/2008/A
estabelece ainda as coimas, no caso de contra-ordenação por violação do disposto no Artigo 3.º, como
sendo de 750 euros a 3 740,98 euros, “se o infractor
for uma pessoa singular”, ou de 5 000 a 44 891,81
euros “se o infractor for uma pessoa colectiva”.
Já o decreto-lei nº 106/2015, publicado em Diário da República, situa as coimas de venda de álcool
a menores de 18 anos entre os 500 e os 30 mil euros.
AE/DI
Reportagem
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Atlântico Expresso
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Escola de formação Forcabe
Uma escola com 90% de empregabilidade
e alunos colocados no estrangeiro
Há três anos nos Açores, a escola de formação de cabeleireiros Forcabe já formou 32 cabeleireiros e várias
manicuras e esteticistas cosmetologistas. Sendo uma escola privada, os alunos gostariam de ter algum apoio financeiro até porque a alteração curricular já introduziu o inglês com atendimento ao público nos cursos. Tudo para prestar
serviços de qualidade, certificados, não só para os locais mas também para o turismo.
tar, junto das entidades oficiais, conseguir que
alguns módulos dos cursos que oferece dêem
equivalência em termos curriculares. E desabafa
que “se é exigido pela lei que tenham o 9º ano,
percebo que seja uma mais-valia para eles, mas
às vezes teríamos de ter os psicólogos a trabalhar
no terreno. Se tiver uma jovem que tudo indique
que a vocação dela é ser cabeleireira, porque é que
ela tem de estar noutros cursos? Essa jovem chega
cansadíssima às aulas pós-laborais, não tanto física mas psicologicamente, porque pensa todos os
dias que tem de estar num sítio que não quer para
lhe passarem a equivalência ao 12º ano”. Quando
terminar o curso de cabeleireira e tiver de fazer
formação em contexto de trabalho, ou seja um estágio, “vou ter de lhe dizer que tem de fazer ao sábado”, adianta. Muitos até vão prescindir de horas
do seu fim-de-semana para perseguirem o sonho
de trabalhar na área da estética.
Mudança curricular
Em três anos a Forcabe Açores já formou 32
cabeleireiros, 10 manicuras e cinco esteticistas
cosmetologistas já estão agora a terminar o curso.
A taxa de empregabilidade dos jovens é de 90% e
já vários abriram os seus próprios salões e até se
internacionalizaram.
Elsa Martins, coordenadora da Forcabe Açores, explica que já sete jovens cabeleireiros abriram os seus próprios salões, que complementaram
com serviços de estética e manicura e para tal
contactaram colegas de curso. Há também três jovens que se aventuraram pelos Estados Unidos da
América e Bermuda, onde exercem as suas profissões na área de cuidados de beleza e estética.
Também são vários os salões de São Miguel
que, numa base diária, ligam para a escola para “a
pedir cabeleireiras, manicuras e área de estética” e
que também estão “de portas abertas” para receber
os jovens na formação em contexto de trabalho.
A Forcabe de Ponta Delgada foi a segunda escola a abrir a nível nacional, sendo que agora o
universo Forcabe contempla 15 escolas que oferecem cursos de cabeleireira, esteticista, manicura e
massagista de estética.
Os cursos profissionais são certificados pela
Direcção-Geral do Emprego e das Relações de
Trabalho (DGERT) e no final do curso os alunos
recebem o diploma final, que substitui as antigas
carteiras profissionais. No entanto, a Forcabe é
uma escola público-privada, que coloca alguns
entraves aos alunos. Elsa Martins explica que apesar de serem uma escola de formação profissional
privada “regemo-nos pelas regras da DGERT que
nos promove as certificações” e as queixas dos
alunos vão no sentido de terem de pagar os cursos
às suas custas e não receberem qualquer apoio,
como as outras escolas profissionais da região.
“Como somos escola privada, não temos possibilidade dos jovens terem esse apoio, nem que fosse
algo equivalente ao apoio dado ao transporte ou
alimentação, pois o pouco que fosse eles iriam
agradecer”, refere Elsa Martins que acrescenta
que quem está ali “é porque tem um sonho e gosta
de seguir o curso que está a tirar e não são obriga-
dos a fazer o que não gostam”.
Essa é outra das “complicações” que alguns
alunos que frequentam a Forcabe têm de lidar diariamente. É que para se tirar um curso profissional
de cabeleireiro na Forcabe é preciso ter apenas o
9º ano mas o curso tem a duração de 19 meses sem
no entanto dar equivalência ao 12º ano.
Aí coloca-se a verdadeira “complicação”. É
que alguns dos jovens estão inscritos no centro de
emprego e enquanto estiverem no curso a escola
passa uma declaração e os jovens deixam de ser
obrigados a comparecer às formações e formações do centro de emprego. Mas os jovens que
têm apenas o 9º ano têm sido chamados para tirar o 12º ano, ou seja, para completarem o ensino
secundário através da realização de cursos profissionais.
“Temos jovens que estão num impasse porque
o sonho deles é ser cabeleireiros e estão noutros
cursos para tirar o 12º ano e que não têm nada a
ver com eles”, como uma aluna que durante o dia
está a tirar o curso de carpintaria e, em horário
pós-laboral, paga o seu curso de cabeleireira porque “esse é o seu sonho”.
Elsa Martins explica que a Forcabe está a ten-
Recentemente foi introduzida nos quatro cursos oferecidos pela Forcabe a disciplina de inglês
com atendimento ao público. “Ou seja, há também uma especialização nessa área e poderá ser
um complemento turístico”, refere Elsa Martins
que quando se fala em apostar no turismo se fala
em apoiar a prestação de serviços de qualidade e
aí também se tem de falar de “bons cabeleireiros,
boas manicuras, boas esteticistas e boas massagistas, e certificadas para tal”.
Aposta no turismo, diz, “não é só apostar nas
empresas de passeios pedestres ou de whale watching, mas apostar em oferecer serviços de qualidade” e dá um exemplo. “Eu sou turista, vou fazer
um trilho, fico com uma bolha de água e vou ao
hospital. Mas se tiver no hotel alguém especializado em cuidados de beleza e na parte do bem-estar
a quem possa recorrer, evitava ir ao hospital”, destaca.
Com um balanço muito positivo durante os três
anos de actividade da Forcabe em Ponta Delgada,
Elsa Martins destaca também a abertura da sociedade à escola. Não só quando são necessários
“modelos” para cortar cabelo, fazer depilação ou
outros tratamentos, mas também quando é necessário que os alunos interajam com a sociedade.
Um exemplo foram os penteados feitos “gratuitamente” pelos alunos a 57 crianças que participaram nas marchas da Ribeira Seca. Há ainda
parcerias estabelecidas com a Câmara Municipal
de Ponta Delgada que indica pessoas com dificuldades mas que “também precisam de cuidar de si”
e vão à escola para serem “mimadas”, assim como
os sem-abrigo que vão às instalações, indicados
pelas instituições que os acolhem, para usufruir de
um corte de cabelo. A Forcabe trabalha também
com associações de jovens com dificuldades e necessidades especiais, bem como com lares de 3ª
idade.
Há ainda a questão social dos alunos que, Elsa
Martins afiança que “nunca ninguém deixou de
tirar o curso só por ter dificuldades” e dá o exemplo de dois jovens institucionalizados que estão a
frequentar o curso de cabeleireiro e uma espécie
de bolsa de formação que atribuíram a um jovem
cujo sonho era ser cabeleireiro. “A escola foi contemplada com apoio no âmbito do INTEGRA e
na altura tínhamos 30 alunos e alguns com dificuldades. O valor atribuído era o custo de um curso
de cabeleireiro e propusemos à Câmara Municipal
uma parceria e os alunos com mais dificuldades
candidatavam-se àquela bolsa junto das assistentes sociais que fizeram todo o processo”, explica
Elsa Martins. O jovem contemplado “tinha bastantes dificuldades”, mas era muito bom tecnicamente e “era um óptimo profissional”. A aposta
foi correcta já que o mesmo jovem já está inserido
no mercado de trabalho com contrato a tempo inteiro.
Este, como os mais de 30 jovens que concluíram o curso, vão receber hoje à tarde o diploma
final de curso, que é o equivalente à antiga carteira
profissional.
Carla Dias
Atlântico Expresso
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Entrevista
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Roberto Sá, da Associação de Nadadores Salvadores dos Açores tranquiliza população
“Estão reunidas todas as condições para os
banhistas se sentirem seguros este Verão”
Este ano estão galardoadas com Bandeira Azul 31 praias e cinco marinas no
nosso arquipélago. Ao todo estão ao serviço da população açoriana, 52 nadadores
salvadores, sendo que, ao contrário do que aconteceu na época balnear do Verão
passado, não há registo, agora, de nadadores salvadores desempregados, mesmo
apesar dos cortes financeiros levados a cabo pelas entidades que gerem as praias
açorianas. Neste sentido, Roberto Sá, da Associação de Nadadores Salvadores dos
Açores, considera que estão reunidas “todas as condições para os banhistas
se sentirem seguros este Verão”.
A época balnear já começou nos Açores.
Está garantida a presença de nadadores salvadores em todos os locais onde é exigida
a presença destes ou face à crise os cortes
levam a poupança nas equipas de nadadores?
Felizmente de ano para ano, tem havido
um progresso cada vez melhor na formação
de Nadadores Salvadores (NS), isso deve-se
ao facto de haver um melhor planeamento, e
de uma melhor experiência das entidades competentes que organizam essas formações, originando um melhor conhecimento do número
de NS existentes para exercerem essa honrosa
função, e não permitindo que haja falta de NS
nos Açores, bem como empregar todos os que
tenham a sua formação válida.
Este ano a ANSA tem mais ou menos
protocolos com autarquias açorianas?
A ANSA tem protocolos com cinco entidades açorianas, em diferentes ilhas e diferentes
concelhos, contando já com três delegações,
São Miguel (Santa Maria), Terceira e Faial
(ilhas do Triângulo), estamos como é óbvio
orgulhosos por confiarem no nosso trabalho e
acreditarem em nós, e graças a essa confiança
temos desenvolvido o nosso projeto nos Açores, conseguindo ao fim de 5 anos estarmos representados em seis ilhas diferentes, e sermos
na Região Autónoma dos Açores a primeira
pessoa colectiva devidamente licenciada pelo
ISN a assistência a banhistas.
Há nadadores que estão desempregados.
Esta é uma situação que já atinge quantos
elementos e por que razões?
Que tenhamos conhecimento, não há Nadadores Salvadores desempregados nos Açores, até porque esse trabalho é apenas sazonal,
e todos os Nadadores Salvadores conseguiram
ser contratados.
A Autoridade Marítima realizou com a
ANSA este ano formação para nadadores?
Quantos elementos estiveram presentes, de
que idades, e quais as razões que motivaram
estes jovens a fazer esta formação?
A ANSA conta nos seus corpos dirigentes
com 3 formadores do ISN, logo algumas das
formações nos Açores contarão sempre com a
nossa colaboração devido a esse facto. O ISN
promoveu nos Açores cinco cursos de nadador
salvador, sendo admitidos no mínimo 15 e no
máximo 25 formandos, e todos os formandos
têm que ter mais de 18 anos.
A formação de nadador salvador tem vindo
a ter maior procura de ano para ano, os motivos
são vários, vai desde o desemprego que se faz
sentir no país, à formação pessoal, à melhoria
da imagem do nadador salvador por desempenhar melhor as suas competências e estudantes
procurarem essa oportunidade para realizarem
algum dinheiro, ajudando assim nos seus estudos.
Que projectos tem a ANSA neste momento em desenvolvimento ou em estudo?
Em 5 anos de existência já desenvolvemos
mais de 250 actividades todas relacionadas
com a nossa estrutura, que conta com a formação, sensibilizações, actividades desportivas,
convívios, equipas de nadadores salvadores,
protocolos e ambiente, são esses os nossos
princípios gerais que temos vindo a respeitar,
tentando melhorar as nossas actividades de
ano para ano, servindo também de exemplo
para outras entidades nos Açores, que têm seguido os nossos passos, significando assim que
estamos todos a caminhar no caminho certo.
Quantos nadadores tem a ANSA ao seu
serviço este ano?
Ao todo temos 52 nadadores salvadores a
colaborar com a nossa Associação.
Que antevisão faz, enquanto responsável máximo da ANSA, da época balnear
que está agora a dar os primeiros passos em
2015?
Tendo em conta a dedicação que assistimos
esse ano das entidades competentes na organização dos cursos de nadador, do esforço dos
formandos em adquirirem bons conhecimentos,
dos concessionários criarem boas condições de
trabalho para os nadadores salvadores, antevejo uma boa época balnear nos Açores, estando
criadas todas as condições para os banhistas se
sentirem seguros esse verão de 2015.
Ana Coelho
Fotos: ANSA
Açores com maior
número de marinas
galardoadas
com bandeira azul
em 2015
A Região Autónoma dos Açores
regista o maior número de marinas/
portos com bandeira azul em 2015,
com cinco galardões, apesar da saída
de Vila Franca do Campo, foi recentemente anunciado.
O presidente da Associação Bandeira Azul, José Archer, indicou que
os galardões, símbolos de qualidade,
foram conquistados pelas marinas
da Horta, Ponta Delgada, Angra do
Heroísmo, Praia da Vitória e Vila do
Porto.
Nas praias, o galardão foi atribuído a 31 estâncias, de 11 concelhos,
registando-se três reentradas: Calhetas,
Barro Vermelho e Cais do Pico.
Da lista de praias distinguidas saíram Carapacho, Almoxarife, Baixa da
Areia e Vinha da Areia.
O responsável recordou, que tal
como em praias da Madeira e do Continente, houve nos Açores dificuldades
na transposição da directiva europeia
sobre qualidade da água balnear.
O júri de atribuição da bandeira
deixou de se reportar aos resultados do
ano anterior para contabilizar as últimas 20 análises.
Como a periodicidade obrigatória
de análises passou de quinzenal para
mensal, José Archer, referiu que os
municípios passaram a ter cerca de cinco anuais, pelo que um mau resultado
faz mais facilmente baixar a qualidade
de excelente.
A bandeira azul vai ser hasteada
este ano em 299 praias, mais uma do
que em 2014, e em 15 marinas, menos
duas que no ano passado, anunciou
hoje o presidente da Associação Bandeira Azul.
31 praias com Bandeira Azul
Em 2015 o Júri Internacional atribuiu o galardão “Bandeira Azul” a
31 zonas balneares (praias costeiras),
abrangendo um total de 11 concelhos dos Açores. Ao nível das praias
verificam-se 3 reentradas (Calhetas,
Barro Vermelho, Cais do Pico) e 4 saídas (Carapacho, Almoxarife, Baixa da
Areia, Vinha da Areia), havendo ainda
a assinalar a saída da marina de Vila
Franca do Campo.
A “Bandeira Azul” é atribuída anualmente às zonas balneares, marinas e
portos de recreio que apresentam a sua
candidatura e cumprem um conjunto
de critérios de natureza ambiental, incluindo a qualidade da água, e também
de segurança e conforto dos utentes e de
informação e sensibilização ambiental.
Em Portugal, a organização do Programa Bandeira Azul é da competência
da Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), estando a coordenação nos
Açores a cargo da Secretaria Regional
do Mar, Ciência e Tecnologia, através
da Direcção Regional dos Assuntos do
Mar.
Os Açores vão ser palco de uma
das 3 cerimónias oficiais de hastear das
primeiras Bandeiras Azuis de 2015.
Leituras
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Atlântico Expresso
O GILVAZ
Venturas e desventuras de mui ilustres figuras
Não há cidade, ou Vila, que não tenha as
suas histórias relacionadas com a estatuária.
Quer pela sua concepção, quer pela sua
localização. A criação artística está sempre
sujeita à crítica e ao gosto individual e a localização das estátuas, normalmente dá origem
a debates locais que despertam paixões e
dividem opiniões, merecedoras de sorriso
contemporizador quando, anos depois, as
lemos nos arquivos dos jornais.
No caso concreto de Ponta Delgada, e
a meados do século passado, a estátua de
Gonçalo Velho Cabral, na praça do mesmo
nome, foi rodeada de polémica de tal ordem
que ainda hoje se fala na “troca da estátua”,
embora nunca se tenha sabido ao certo que
troca aconteceu então.
Passado meio século, histórias contadas,
lendas aumentadas e emoções incontidas
são mote para um livro do Major-General
José Alfredo Ferreira Almeida, intitulado “O
Gilvaz”, com chancela das Letras LAVAdas
Edições e que foi apresentado em Maio passado, na Sala da Bateria Príncipe Regente do
Museu Militar, no Castelo de São Brás, pela
Professora Susana Goulart Costa, também
prefaciadora da obra.
São mais de duas centenas e meia de páginas de cativante leitura, enriquecida com
centenas de fotografias e gravuras que nos
transportam a um passado em que a história
se conta e se mistura com o sabor da crónica
eivada de boa disposição e humor, como é
timbre de Ferreira Almeida e que já havíamos
apreciado na sua anterior obra “ A Campanha
do Ananás”, apresentada em 2013.
Como escreve Susana Goulart Costa no
prefácio, “a obra de José Alfredo Ferreira
Almeida parte, pois, de uma interrogação
sobre a origem, identidade e peripécias do
primeiro capitão da ilha de São Miguel e a
sua corporização cinco séculos depois. Mas a
forma como o autor pega num tema que poderia ser monótono e linear é extraordinária.
Primeiro, porque cria um ambiente teatral,
que envolve diversas figuras que entram e
saem de cena, enriquecendo o ritmo da escrita. As personagens fluem com naturalidade e
o discurso é, afinal, uma aventura”.
Para quem conhece, vive e ama Ponta
Delgada, há neste livro motivos de sobra
para um verdadeiro prazer de aprender ou
recordar momentos passados de vida que
ainda está na memória de muitos. O Aterro, “ponto de partida para a narrativa das
venturas e desventuras das estátuas de Frei
Gonçalo Velho e do Arcanjo São Miguel, padroeiro da Ilha Verde” e outras estátuas que
com elas se relacionam; como se realizou,
em 1932, a celebração do V centenário das
descobertas e a polémica que isso originou;
a viagem de Carmona que foi cancelada com
todos os preparativos já feitos e tantos episódios que rodearam aquela altura fértil de
festa e polémica.
Um dos capítulos do livro narra, de forma
espectacular, como se de um filme se tratasse, como se iniciaram as obras da Avenida
Litoral que tinha projecto inicial para ir do
Aterro à Calheta e acabou por ficar por São
Pedro. Avenida cujo nome deu “pano para
mangas”. Esteve para ser Avenida de Portugal, Avenida dos Descobrimentos, Avenida
do Atlântico, Avenida Gonçalo Velho e depois
ficaria dedicada ao Infante D. Henrique que
já tinha estátua em Vila Franca desde 1932,
estátua essa que também tem história engraçada, pois que inicialmente destinada a
Sagres, acaba por vir em jeito de oferta para
a antiga capital da Ilha.
Fascinante é ler as peripécias que rodearam a chegada da estátua de Gonçalo Velho,
em 1956, recebida com indiferença, numa
enorme grade que veio no porão do velho
“Lima” e ficou tempos sem fim, no meio da
praça a ela destinada, “estirada ao comprido”, motivando acerbas e mordazes críticas
da imprensa local; mas mais fascinante
ainda, neste livro, é seguir com o General
Ferreira Almeida, seu autor, o rasto de qual
seria então a verdadeira estátua que se destinava a Ponta Delgada e que foi trocada. É o
próprio autor que escreve que “ antes de perseguir estas pistas, armado em rafeiro de faro
apurado, de “parar e trazer”, pusemo-nos a
caminho durante alguns anos, por trilhos e
atalhos da imprensa local e vias-rápidas e
auto-estradas da internet, e reviramos do
avesso a estatuária portuguesa espalhada
pelos quatro cantos do mundo – as obras e os
escultores da primeira metade do século XX”.
E isto leva o leitor deste “GILVAZ”, “desde
o rectângulo continental aos arquipélagos
atlânticos, à costa Africana, aos confins do
antigo império colonial, ao Novo Mundo”.
Recordo-me de uma conversa que tive há
anos com o General Ferreira Almeida e em
que lhe contei que também eu e outros micaelenses, mobilizados para a guerra colonial,
na Guiné, agora Guiné-Bissau, ao passarmos
pela estátua de Diogo Cão, com a mão sobre
os olhos, em jeito de quem ausculta a lonjura… dizíamos que aquela era a estátua que
deveria estar em Ponta Delgada. Afinal era
falso alarme porque a estátua deveria ser de
Diogo Gomes e não Diogo Cão…
E é pela história de um gilvaz “uma cicatriz” que Ferreira Almeida assenta a sua teoria de que a estátua do fundador da cidade de
Luanda, Paulo Dias de Novais será o Gonçalo
Velho, de Ponta Delgada. Pelas cicatrizes,
porque Gonçalo Velho Cabral tinha mesmo
uma grande cicatriz junto a um dos olhos.
O resto, o resto do mistério está no livro
que vale a pena ler, porque nos deleita com
saborosa prosa e com poesia, desde a quadra
popular, à quintilha e ao soneto. E como diz
a autora do prefácio, Susana Goulart Costa,
“desengane-se, porém, o leitor, se considerar
que a encenação humorística da obra remete
para a tipologia de um livro de curiosidades.
Pelo contrário, o livro “O Gilvaz – Venturas e
Desventuras de Mui Ilustres Figuras” baseiase numa vasta investigação, que abordou fontes diversas e que nos permite conferir plena
dignidade e todo o trabalho de pesquisa.
Resta-me acrescentar, como já referi,
há dois anos quando escrevi sobre o livro “
A Campanha do Ananás”, que José Alfredo
Ferreira Almeida impõe-se pela simplicidade, aliada à profundidade de quem mantém
um invejável espírito de contínua aprendizagem e de trabalho em prol da sociedade, a
ver pelas muitas iniciativas culturais em que
participa e pela variadíssima colaboração na
imprensa, como aconteceu no caso concreto
deste livro que tem como fio condutor uma
longa série de artigo que foi publicando no
jornal “Terra Nostra” e que em boa agora aqui
estão, em livro, numa versão “substancialmente alargada” que recomendo vivamente,
deixando um abraço ao seu autor por mais
estes momentos de prazer e cultura que me
proporcionou com a sua leitura.
Santos Narciso
Atlântico Expresso
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Reportagem
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
A agricultura açoriana “não pode
perder a oportunidade de beneficiar
da nova abertura dos Açores ao turismo”
Há agricultores que não estão conseguir resistir
ao embate do fim das quotas, e o Governo dos Açores
tem que os apoiar, afirma Maria do Céu Patrão Neves
“Eu acredito que nós estamos, neste momento, numa fase de forte embate a que os mais fortes vão
resistir. Esses mais fortes são responsáveis por um patamar superior na nossa produção de leite...”,
contrapõe Maria do Céu Patrão Neves que também aponta alguns caminhos: Diversificação Agrícola e aproveitamento dos fluxos turísticos para aumentar o rendimento das explorações.
trabalho tem que ser feito.
Atlântico Expresso - A Agricultura
açoriana está a ficar com menos e maiores explorações agrícolas…
Maria do Céu Patrão Neves (Assessora do Presidente da República para
a Agricultura e Pescas) - A agricultura
açoriana tem, neste momento, condições
para crescer e nós precisamos que ela,
efectivamente, cresça. Vivemos um momento de grande aposta política na agricultura a nível nacional e a nível regional
também. E, por isso, as condições são favoráveis.
Indubitavelmente que há trabalho a fazer. Mas é preciso que este trabalho seja
feito porque temos potencial, tanto a nível
de recursos humanos, como capacidade
produtiva instalada. Precisamos de encontrar linhas inovadoras de desenvolvimento do que já temos e algumas culturas
complementares que possam contribuir
para uma estabilidade do rendimento do
agricultor que é, verdadeiramente, fundamental para que ele possa, depois, avançar para novos projectos.
A baixa contínua do preço do leite
tem sido um dilema para os agricultores açorianos…
É verdadeiramente dramática. Esta
baixa do leite é dramática em si mesmo.
É dramática porque está integrada em
condições que, em grande parte, fogem
ao nosso controlo. Estou a referir-me ao
embargo russo, primeiro momento que
desencadeou o princípio da baixa. Todos
os países de Leste que exportavam para a
Rússia, foram inundando o mercado europeu, e, por isso, foram ocupando um espaço que é essencial para nós. Depois, o
fim das quotas leiteiras, a 1 de Abril, foi o
segundo momento realmente preocupante.
Há um terceiro aspecto. A produção de
leite a nível mundial está também a aumentar. E, por isso, o espaço para os nossos produtos começa a ser cada vez mais
pequeno. E, por isso, aqui também, há um
trabalho a ser feito quer junto das institui-
União Europeia deve apoiar os Açores por fora do POSEI, defende Patrão Neves
ções europeias porque o contexto é alargado, quer internamente.
Ao nível das instituições europeias,
tem de se criar, verdadeiramente, um lobbi. Um lobbi autêntico e eficaz. Não o do
discurso político que já vem crescendo há
alguns anos que não se traduz em acções
concretas. São os lobbis em Bruxelas que
conseguem alguns dividendos para as regiões, nomeadamente, para a nossa. E este
Qual a melhor solução que se pode
encontrar em Bruxelas para um apoio
suplementar aos agricultores açorianos
em resultado da baixa contínua do preço do leite?
Tenho visto que tem sido reivindicado
por muita gente, na Região, uma dotação
especial integrada no POSEI. Eu diria
que, nesta revisão do POSEI, incluir uma
cláusula que se referisse a fortes impactos
negativos das políticas europeias nas regiões ultraperiféricas, por necessidade de
compensações económicas, seria positivo.
Mas, precisamos de mais do que isso para
conseguir enfrentar a actual situação do
leite. Eu iria por um outro caminho que
tem sido utilizado quando há impactos
muito negativos na celebração de comércio externo da Comissão Europeia. Foi o
que aconteceu, há dois anos, com as dotações especiais para os produtores de
banana das regiões ultraperiféricas. Foi o
que aconteceu, recentemente, com alguns
países do Leste europeu por causa do embargo russo. Eu penso que esta linha tem
de ser explorada.
Fazer a reivindicação de uma dotação
especial exclusivamente no contexto do
POSEI, sabendo nós que o POSEI é para
as regiões ultraperiféricas, - e destas regiões apenas os Açores produz leite – temos
que reconhecer que é capaz de não ser
suficiente. E, por isso, na minha perspectiva, valia a pena explorar, ao nível europeu, estas duas vias: Dentro da revisão
do POSEI, a nível legislativo; e fora do
contexto POSEI, um lobbi forte que incluísse o nosso governo regional, todas as
associações agrícolas, o governo da República, os nossos eurodeputados…
…E os ex-eurodeputados…
Não, os ex-eurodeputados têm outras
funções. Já os eurodeputados actualmente
em funções têm esta obrigação e, certamente, este gosto. Era preciso que reunis-
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Reportagem
Atlântico Expresso
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Turistas têm grande apetência em visitar explorações agrícolas açorianas
“É hoje inacreditável que
eu pague menos por litro
de leite do que por um
café. O consumidor tem
que ter a consciência
que, se tiver à sua frente
uma chávena de café e
um litro de leite, está a
pagar mais pelo café do
que por um litro de leite
que tem custos muito
maiores associados à sua
produção. O esmagamento do preço do leite,
afectando o produtor,
afecta a indústria”
“Neste momento há uma
grande ânsia de uma
população que é cada vez
mais urbana, de ter a experiência do campo. Há
muitas famílias que querem que os seus filhos
tenham a experiência do
campo. E nós temos um
turismo, neste momento, a arrancar em grande
força.”
sem e combinassem uma estratégia comum em que cada um, dentro das funções
que actualmente ocupa, fosse pressionando a Comissão no sentido de obter estes
dividendos.
Esta é uma luta particularmente difícil.
Se nós tivermos em presença que o actual
Comissário da Agricultura é um irlandês.
A Irlanda aumentou em 14% a produção
do leite desde o fim das quotas. A Irlanda
prometeu aumentar em 50% a produção
de leite até 2020. E o Comissário irlandês
Phill Hogan é claramente defensor da total
ausência da regulação dentro do sector do
leite. Por isso, o desafio é muito grande e
nós temos de ser extraordinariamente profissionais e estarmos extraordinariamente
unidos para conseguirmos ter alguma eficácia junto das instituições europeias.
parceria. E o consumidor tem de
perceber que o abaixamento do
custo do leite não o favorece. É
hoje inacreditável que eu pague
menos por litro de leite do que
por um café. O consumidor tem
que ter a consciência que, se tiver à sua frente uma chávena de
café e um litro de leite, está a
pagar mais pelo café do que por
um litro de leite que tem custos muito maiores associados à
sua produção. O esmagamento
do preço do leite, afectando o
produtor, afecta a indústria na
sua matéria-prima de qualidade. Quando a indústria não tem
matéria-prima para apresentar à
distribuição, esta não consegue
criar mais oferta para o consumidor e o consumidor também
é prejudicado. É esta perspectiva de cadeia que nós temos que
passar para todos. Por isso, aqui,
temos muito trabalho a fazer.
Temos também que saber
que há fundos europeus muito direccionados quer para a
internacionalização, qualificação, certificação e rotulagem dos
produtos. Temos que procurar cativar maximamente estes investimentos.
E temos o problema da rede de transportes. Acabamos de ouvir o governo da
Madeira a dizer que estabeleceu um acordo para um avião cargeiro voar cinco dias
por semana para o arquipélago para transportar aquilo que é produzido na Madeira.
Nós precisamos de uma rede de transportes marítimos que una as ilhas, que nos
una às ilhas da Macarronésia, que nós una
ao Continente português e ao continente
norte-americano, aproveitando os acordos
de livre comércio com o Canadá e com
os Estados Unidos. Há aqui muito espaço
que temos de ser nós a trabalhar.
dução de leite. E penso que, aqui, temos
também de criar condições de vida dignas
para aqueles que não estão a suportar, neste momento, este embate. Há agricultores
que não vão conseguir suportar as dificuldades e que vão sair da profissão. E isso
vai ter um peso muito forte quer na economia agrícola, quer na sociedade açoriana. E, por isso, as entidades responsáveis
têm que tomar isso em consideração para
minimizar o drama pessoal e os custos
para a sociedade e para a nossa economia.
Mas, em termos de produção leiteira, uma
grande marca dos Açores, eu penso que
nós vamos conseguir sobreviver. Neste
momento, já temos muito investimento
feito com grande qualidade dos animais,
ao nível da genética, e a nível de formação
dos agricultores.
Os agricultores podem aumentar o
seu rendimento com uma maior relação
entre a exploração agrícola e o turismo?
Indubitavelmente. As nossas explorações agrícolas, mesmo aquelas que estão
vocacionadas para o leite teriam aqui dois
caminhos complementares que trazem novas fontes de rendimento, o que permite
também criar resiliência para momentos
mais difíceis no leite. E estes dois caminhos seriam, primeiro: Algumas culturas
complementares, culturas de frutos silvestres, frutícolas em geral, hortícolas. Procurar, com serviços técnicos não só no gabinete mas também no campo, assessoria
científica e técnica necessária para saber
o que é mais conveniente para trazer uma
complementaridade na produtividade das
explorações. Segundo, abertura ao turismo: Neste momento há uma grande ânsia
de uma população que é cada vez mais urbana, de ter a experiência do campo. Há
muitas famílias que querem que os seus
filhos tenham a experiência do campo. E
nós temos um turismo, neste momento,
a arrancar em grande força. E creio que,
aqui, a agricultura não pode perder a oportunidade de beneficiar desta nova abertura dos Açores ao turismo. Este é mais um
complemente absolutamente necessário
com garantia de crescimento.
Tem-se notado a dificuldade dos
produtos açorianos entrarem nos mercados nacional e internacional. O que
se verifica é que os Açores estão abertos a receber produtos de toda a União
Europeia e de países terceiros mas, em
sentido inverso, as produções açorianas
têm grande dificuldade em entrar em
novos mercados…
Há aqui muito espaço para nós próprios
trabalharmos. Em primeiro lugar, eu gosAcredita que, apesar do fim das quotaria de destacar a necessidade de reforçar
tas, vamos continuar a ter uma agricula ideia de que quando falamos de leite, fatura saudável?
lamos de uma fileira. Não podemos penEu acredito que sim. Eu acredito que
sar na produção, separada da indústria,
nós estamos, neste momento, numa fase
separada da distribuição. Nós temos que
de forte embate a que os mais fortes vão
pensar o sector como uma fileira. Hoje em
resistir. Esses mais fortes são responsáveis
dia, é a única estratégia de sucesso pensar
por um patamar superior na nossa procomo fileira. E, assim sendo,
há, realmente, obrigações dos
produtores que têm sido largamente cumpridas. Eles estão
apostados no aumento da qualidade e da produtividade. Há
um trabalho que a indústria tem
estado também a fazer no sentido de acrescentar valor àquilo
que é a matéria-prima. E nós
temos de perceber, claramente, quer no que diz respeito ao
leite, como em outras culturas
agrícolas, temos de criar sempre uma indústria associada
para acrescentar valor á nossa
matéria-prima. No caso particular do leite, nós temos de
introduzir inovação quer nas
práticas produtivas, quer na
gestão, quer na apresentação,
quer no marketing. E temos de,
necessariamente, contar com
a distribuição. A distribuição,
quando mais concentrada está,
maior especulação existe, mais
baixa o preço e esmaga toda a
cadeia. Por isso, há aqui um trabalho que tem de ser feito em “Eu acredito que nós estamos, neste momento, numa fase de forte embate a que os mais fortes vão resistir”
João Paz
Atlântico Expresso
8
Entrevista
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Padre Nuno Maiato fala do Multifestival “Zarpar” que decorre entre 10 e 12 deste mês na Lagoa
“Queremos fazer sair as pessoas
do comodismo e da indiferença
para a Alegria do Evangelho”
O Festival Zarpar, que se realiza na Lagoa, em São Miguel, entre 10 e 12 de Julho, vai promover seis exposições permanentes que irão
ocupar um espaço fixo durante os dias do certame. “As vidas das Pedras” de Fernando Resendes e “Romeiros da ilha Terceira” de
Fernando Pavão, ambas em fotografia; “Filamentos de Luz” de Gilberto Bernardo, em escultura; “As Jóias do Senhora”, de Sofia Botelho, em artesanato; “O Evangelho ilustrado - Ano A”, de Luís Cardoso, em cartoons e “Percursos” de Pedro Sousa, em pintura são as seis
exposições que vão poder ser vistas e cujo objectivo é mostrar como as diversas formas de expressão artística podem estar ao serviço do
Evangelho e, consequentemente, da mensagem cristã. Este festival jovem, organizado pelo serviço da pastoral juvenil da ouvidoria da Lagoa, que se concentrará no Convento dos Frades, realiza-se pela primeira vez e pretende ser um espaço “de evangelização pela arte”, com
o envolvimento de toda a família, segundo referiu à nossa entrevista o padre Nuno Maiato. “O Multifestival tem a intenção de ser uma
proposta para todos, e não só para os jovens, mas também para as suas famílias. Não só para as pessoas da Ouvidoria, mas de toda a ilha.
Vamos proporcionar aos participantes momentos e vivências a partir de várias formas de arte”, adianta o responsável, salientando no entanto que “queremos apenas dar forma e voz aos desafios que o Papa Francisco e o nosso Bispo têm colocado a toda a Igreja nos últimos
tempos. É preciso sermos não só discípulos, mas discípulos missionários e assumirmos a necessidade de actualizar a linguagem da Igreja
e falar do eterno no hoje das nossas vidas. É igualmente necessário, segundo os nossos pastores universal e diocesano, repensar o nosso
modo de ser e estar como Igreja para que possamos ser mais fiéis à Igreja desejada por Jesus Cristo. O nosso Multifestival é um simples e
concreto contributo para a concretização destes desafios”.
que actividades poderão todos quantos pretendam participar nele integrar?
O Multifestival tem a intenção de ser uma
proposta para todos, e não só para os jovens,
mas também para as suas famílias. Não só para
as pessoas da Ouvidoria, mas de toda a ilha.
Vamos proporcionar aos participantes momentos e vivências a partir de várias formas de arte,
como Música, Charangas, Teatro, Artesanato,
Fotografia, Vídeo, Escultura, Pintura, Cartoons. Vamos promover a primeira feira do livro,
de inspiração cristã, realizada nos Açores, com
a colaboração de editoras locais e nacionais,
durante a qual serão apresentados três livros.
Vamos ter workshops sobre as mais diferentes
áreas e ainda, como não podia deixar de ser
ter um espaço e tempo de oração orientado por
vários grupos e movimentos juvenis da ilha.
Muitas destas actividades vão acontecer em
simultâneo cada participante terá o desafio de
escolher em que actividades participar.
Quais são os objectivos concretos do
“Zarpar”?
Celebrar com alegria a vida e a fé e evangelizar pela arte, são os dois grandes objectivos.
O que é o Multifestival organizado pela
Ouvidoria da Lagoa e que toma o nome de
Zarpar?
A Pastoral Juvenil e Vocacional de Lagoa é um serviço cuja equipa é composta por
dois sacerdotes eu e o Pe. Paulo Vieira, a Irmã
Eduarda Viana e um jovem de cada paróquia
da Ouvidoria. Existimos para impulsionar e
acompanhar actividades juvenis e promover
formações, encontros e celebrações ao longo do ano pastoral, sobretudo nos momentos
fortes como Natal e Páscoa. Faltava-nos uma
actividade no Verão, algo diferente e inovador
capaz de atrair a atenção dos jovens e perante
esta vontade e necessidade surge o Multi Festival Zarpar.
Porquê “Zarpar”? Zarpar para onde ou
até quem?
No início do ano pastoral, quando pensávamos num nome para o evento, procuramos
uma palavra que se enquadrasse na temática
pastoral da Diocese para este ano (Da Alegria
do Evangelho à saída missionária da Igreja) e
que expressasse ainda a nossa realidade local.
Surgiu-nos a ideia de fazermos a Igreja - que
biblicamente é simbolizada muitas vezes a
uma barca - sair de uma Lagoa do comodismo,
relativismo e da indiferença para uma Lagoa
da Alegria do Evangelho. Zarpar que significa levantar a âncora e partir, pareceu-nos bem,
diferente, para passarmos esta ideia da missão
a que nos propusemos e que queríamos propor
aos jovens da Ouvidoria e às outras pessoas
que a nós se quisessem associar.
Referenciado como um multifestival,
Que desafios pretende este evento colocar à população, não só da ouvidoria da
Lagoa mas da Diocese dos Açores de uma
forma geral, com esta iniciativa?
Queremos apenas dar forma e voz aos desafios que o Papa Francisco e o nosso Bispo
têm colocado a toda a Igreja nos últimos tempos. É preciso sermos não só discípulos, mas
discípulos missionários e assumirmos a necessidade de actualizar a linguagem da Igreja
e falar do eterno no hoje das nossas vidas. É
igualmente necessário, segundo os nossos pastores universal e diocesano, repensar o nosso
modo de ser e estar como Igreja para que possamos ser mais fiéis à Igreja desejada por Jesus
Cristo. O nosso Multifestival é um simples e
concreto contributo para a concretização destes desafios.
Entrevista
9
Atlântico Expresso
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
evento. Já contamos com alguns, cerca de 20 e
certamente mais pessoas se irão disponibilizar.
Acreditamos que é Deus que vai ao leme deste barco e por isso Ele tem-nos dado muito,
até agora, e certamente nos continuará a dar.
O nosso lema tem sido este: se não acontece
é porque não era da vontade de Deus. E Ele
tem-nos surpreendido através do entusiasmo e
generosidade de muitas pessoas.
A arte é uma das vertentes essenciais
neste evento. Porquê e como considera possível “Celebrar a alegria da fé e da vida e
Evangelizar pela arte” durante os três dias
em que decorrerá o Zarpar?
A História ensina-nos que a arte e a cultura
são as melhores parceiras para educar e evangelizar informalmente, por isso enveredamos
por estas vias. Apesar desta convicção, veremos em que medida vamos conseguir alcançar
os nossos objectivos.
Considera que os açorianos estão preparados
para zarpar rumo aos
caminhos escolhidos por
Deus para nós ou ainda há
âncoras e amarras que nos
prendem a cais demasiado
pesados para que nos libertemos destes?
Penso que ninguém está
preparado para a mudança.
Uma das frases que marcou muito a minha
adolescência, cujo autor desconheço, foi “crescer dói!” e zarpar do cais dos nossos hábitos e
costumes para o oceano de Deus implica crescimento, por vezes doloroso. Há uma história
que ilustra bem esta dinâmica de conversão
que é a da Menina de Sal. Ela tinha um desejo
de encontrar o mar, procurou muito, durante a
sua busca iludiu-se por várias vezes com coisas que pareciam o mar, mas não eram. Quando finalmente encontrou o mar, ficou feliz, mas
ao entrar no mar começou a desfazer-se porque
era feita de sal, e no princípio não aceitou os
desígnios do mar, porque procurava um mar à
sua medida, mas entretanto percebeu que a sua
felicidade estava em diluir-se no mar. Assim
somos nós na nossa relação com Deus: procuramos incansavelmente encontrarmo-nos com
Ele, mas quando acontece, nem sempre temos
a capacidade de soltar as amarras e zarpamos
segundo a sua vontade.
Como tem sido organizar o Multifestival de evangelização pela arte da Ouvidoria
de Lagoa, que decorrerá no Convento dos
Franciscanos de Santa Cruz, Lagoa, entre
10, 11 e 12 de Julho de 2015, entre as 18h00
às 24h00 e de entrada livre?
Uma loucura e uma alegria. Mesmo sendo
um evento pequeno e a baixo custo, tem-nos
dado muito trabalho. Estamos a prepará-lo
desde Novembro do ano passado, com avanços
e recuos. Já tivemos para desistir, porque todos
temos muitas outras actividades paralelas nas
comunidades e movimentos em que estamos,
mas temos uma equipa fantástica, optimista e
trabalhadora, onde reina a alegria de servir a
Igreja e a maior alegria de todas, é saber que
contamos com muitos outros cristãos com a
mesma vontade e entusiasmo.
No site do “Zarpar” é referido que “O
Barco é imenso e os marinheiros são poucos. Toda a colaboração é preciosa para
zarparmos”. Têm conseguido reunir marinheiros suficientes ou não para este imenso
barco que se prepara para zarpar? Qual seria o número ideal e qual a importância do
voluntariado nesta iniciativa?
Se somarmos todos os intervenientes, dos
três dias, somos mais de 250 pessoas oriundas
das várias paróquias da Ouvidoria de Lagoa e
outras paróquias da ilha, temos convidados de
outras ilhas, como São Jorge, Santa Maria, Terceira e Corvo e ainda de Portugal Continental.
Para pôr este barco a Zarpar, com qualidade e
organização, o ideal seria termos cerca de 50
voluntários para nos ajudarem na logística do
A poucos dias de se iniciar o evento,
quais as suas perspectivas para o mesmo e
como considera que será a resposta por parte do público em geral?
Sinceramente, será o que Deus quiser. Nós
temos feito e dado o melhor de nós, com muitas limitações e imperfeições. Sabemos que é
apenas mais uma iniciativa entre tantas outras
iguais ou melhores. As pessoas com quem
temos contactado, têm demonstrado curiosidade e
vontade em participar, mas
não sei se serão muitas as
pessoas a aderir ao Zarpar,
mas só o facto de termos
motivado e congregado
tanta gente e de diferentes
origens para o Multifestival
já é muito gratificante.
Considera que esta
é uma forma diferente
de encerrar o ano pastoral que agora termina?
Como acha que o mesmo
decorreu? Que balanço
faz do mesmo?
Sim, sem dúvida. E este
foi também o nosso propósito: encerrar o ano pastoral
com uma actividade diferente. A nível da Pastoral
Juvenil e Vocacional da
Ouvidoria fomos parceiros do Serviço Diocesano
numa formação de animadores da pastoral juvenil
que decorreu no centro
Missionário do Sagrado
Coração de Jesus, com a
coordenação da equipa
de formação deste serviço liderada pelo Pe. Paulo
Vieira, igualmente responsável pela formação
juvenil na Ouvidoria; outra iniciativa de relevo
foi uma hora de adoração eucarística mensal,
ao cuidado de uma congregação religiosa e de
um grupo de jovens da ouvidoria, diferente em
cada mês, em parceria com a delegação de São
Miguel da Conferência dos Institutos Religiosos Portugueses, que vamos continuar com no
próximo ano pastoral no âmbito do Ano da
Vida Religiosa que termina em Fevereiro de
2016.
Para além destes dois momentos fortes,
tivemos várias outras iniciativas como uma
celebração de Advento, na Ribeira Chã e uma
Via Lucis no tempo Pascal, na Atalhada.
Mas um balanço também se faz de momentos negativos e a melhora. O mais negativo
deste ano foi termos parado com os encontros
mensais do Pré Seminário, onde reunimos rapazes que estão a discernir se a sua vocação é
o sacerdócio.
A nível geral, a doença de D. António marcou este ano pastoral, não só porque o incapacitou de muitas coisas, mas porque ele é um
pastor amado por todos e de muito positivo
realço o trabalho no âmbito da Pastoral Juvenil
e Vocacional que tem sido desenvolvido por
algumas Ouvidorias de São Miguel e noutras
ilhas.
Ana Coelho
Atlântico Expresso
10
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Opinião
Curiosidades numéricas:
As 7 maravilhas, como ganhar
o Monopólio e a galáxia CR7
RICARDO CUNHA TEIXEIRA
Departamento de Matemática da Universidade
dos Açores, [email protected]
O 7 é um dos números com maior impacto na nossa cultura. Por exemplo, este número
surge com alguma frequência na mitologia grega, com destaque para: as sete armas de sedução feminina do cinto de Vénus; os sete tubos
da flauta de Pã; as sete cordas da lira de Apolo;
os sete filhos e as sete filhas de Níobe, alvos de
massacre por Apolo e Ártemis; as sete Plêiades, perseguidas por Órion durante sete anos e
transformadas em estrelas por Zeus; e as sete
ninfas Hespérides de Evémero, deusas da luz
que se passeavam pelos céus, encarregando-se
de iluminar o mundo.
Outro exemplo curioso: os sete mares, normalmente, referiam-se ao atlântico norte, atlântico sul, ártico, antártico, índico, pacífico norte
e pacífico sul. Contudo, muitos povos fizeram
diferentes listas de sete mares, de acordo com
as suas vivências.
Na China e em outros países asiáticos, o 7 é
um número com profundas raízes mitológicas.
Segundo um conhecido ritual, na sétima noite
do sétimo mês do calendário lunar, as mulheres
que procuram um bom casamento devem olhar
para o céu sete vezes. Reza uma lenda que um
rapaz do campo se apaixonou pela sétima filha
do imperador de Jade que tinha descido à terra
com as suas filhas para um passeio. Contra a
vontade dos pais, a princesa trocou o céu pela
Terra, mas acabou por ser raptada pela mãe,
que separou o casal, obrigando-os a morar
em lados opostos da Via Láctea. Milhares de
pássaros decidiram formar uma ponte para os
juntar e os imperadores, comovidos com este
gesto, autorizaram a sua reunião uma vez por
ano, na sétima noite do sétimo mês lunar. Mas
nem tudo está relacionado com o amor neste
mês, que é considerado o “Mês dos Fantasmas”. Acredita-se que as portas do inferno são
abertas no primeiro dia do mês, para permitir
que os fantasmas tenham acesso ao mundo dos
vivos. E a verdade é que ainda hoje muitas pessoas evitam viajar neste mês, mudar de casa ou
iniciar um novo negócio.
O chá é uma bebida popular desde os tempos antigos da China. Curioso é que era considerado uma das sete necessidades diárias, sendo as outras a lenha, o arroz, o óleo, o vinagre,
o sal e o molho de soja.
Sete são também as Maravilhas do Mundo Antigo: a Grande Pirâmide de Quéops, os
Jardins Suspensos da Babilónia, a Estátua de
Zeus em Olímpia, o Templo de Ártemis em
Éfeso, o Mausoléu de Halicarnasso, o Colosso
de Rodes e o Farol de Alexandria. A Grande
Pirâmide, no Egito, é a única construção desta
lista que ainda resiste.
No dia 7 de julho de 2007 foram reveladas
no estádio da Luz, em Lisboa, as Novas Sete
Maravilhas do Mundo: as Ruínas de Petra na
Jordânia, a Grande Muralha da China, o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, o Coliseu em
Roma, o Taj Mahal na Índia, o Chichén Itzá
(cidade Maia) no México e o Machu Picchu
(cidade perdida dos Incas) no Peru. Nesse mesmo dia, foram reveladas as Sete Maravilhas de
Portugal: Castelo de Guimarães, Castelo de
Óbidos, Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro da
Batalha, Mosteiro dos Jerónimos, Palácio da
Pena e Torre de Belém.
Em 2010, seguiu-se o anúncio das Sete
Maravilhas Naturais de Portugal, que decorreu
nas Portas do Mar, em Ponta Delgada. Duas
delas são dos Açores: Paisagem Vulcânica da
Ilha do Pico e Lagoa das Sete Cidades (na
foto). Seguiram-se, em 2011, as Sete Maravilhas da Gastronomia Portuguesa. Quem sabe
não existem mais maravilhas por descobrir?
Claro, sempre em grupos de sete!
Destacam-se algumas propriedades numéricas do 7: é o quarto número primo (depois do
2, 3 e 5) e o terceiro número de Mersenne. Os
números de Mersenne são da forma 2^n-1, em
que 2^n representa a potência de base 2 e expoente n, com n=1, 2, 3, 4, … Estes números foram estudados pelo matemático francês Marin
Mersenne (1588-1648) e permitem encontrar
números primos com muitos dígitos (apesar
de nem todos serem primos). Por exemplo, um
dos maiores números primos que se conhece
atualmente é um número de Mersenne, com 12
978 189 dígitos, que se obtém tomando n=43
112 609.
O 7 é um número feliz e um número da
sorte. (Sim, em Matemática existem números
felizes e números da sorte!) Para percebermos
o que é um número feliz, definimos o seguinte algoritmo que se pode aplicar a qualquer
número inteiro positivo (ou seja, a qualquer
número natural): adicionam-se os quadrados
dos seus algarismos, obtendo-se outro número
inteiro positivo; com esse novo número, repete-se a operação de adição dos quadrados dos
seus algarismos; e assim sucessivamente. Um
número é feliz se 1 for o resultado obtido no
final deste processo. Vejamos o que acontece
com o 7:
7x7=49; 4x4+9x9=97; 9x9+7x7=130;
1x1+3x3+0x0=10; 1x1+0x0=1.
Nem todos os números são felizes. Por
exemplo, o 4 não é um número feliz, uma vez
que não se obtém 1 por este processo, mas sim
a sequência 4, 16, 37, 58, 89, 145, 42, 20, 4,
...
Por sua vez, para a procura dos números
da sorte aplica-se o seguinte procedimento:
escrevem-se todos os números ímpares: 1, 3,
5, 7, 9, 11, 13, … O primeiro número ímpar
maior do que 1 é o 3, pelo que se eliminam
todos os termos numa posição múltipla
de 3 (o terceiro termo, o sexto termo,
…). Obtemos uma nova sequência: 1,
3, 7, 9, 13, … O primeiro número desta
sequência maior do que 3 é o 7, pelo
que se eliminam todos os termos numa
posição múltipla de 7 (o sétimo termo,
o décimo quarto termo, …), e assim sucessivamente. Obtém-se a seguinte sequência de números da sorte: 1, 3, 7, 9,
13, 15, 21, … (Sim, para a Matemática,
13 é um número da sorte!)
Há quem considere que o 7 é o seu
número da sorte, nomeadamente no
contexto de alguns jogos. Em certos casos, esta escolha pode ter mesmo algum
fundamento matemático. Por exemplo,
o número mais provável de se obter
com o lançamento de dois dados tradicionais de seis faces é precisamente o
7. Isto porque dos 6x6=36 casos possíveis, em 6 deles a soma dos valores
obtidos nos dois dados é igual a 7: 1-6;
2-5; 3-4; 4-3; 5-2; 6-1. Já para obter
outras somas, o número total de casos
possíveis é sempre inferior. Por exemplo, para obter um total de 6 pontos ou
de 8 pontos, já só há 5 possibilidades.
Para outras pontuações, o número total de casos possíveis vai diminuindo.
É por isso que uma boa estratégia para
ganhar uma partida do Monopólio passa por comprar e colocar casas e hotéis em todas as propriedades que são
alcançadas com 6, 7 ou 8 movimentos
a partir da prisão, casa do tabuleiro bastante frequentada pelos jogadores no
decorrer do jogo. Assim, consegue-se
levar mais facilmente os adversários à
falência!
A influência do número 7 continua
bem presente nos dias de hoje. Segundo
uma notícia recente, a equipa de astrónomos liderada pelo português David
Sobral, investigador do Instituto de
Astrofísica e Ciências do Espaço, descobriu
aquela que é a galáxia mais brilhante conhecida até ao momento. A equipa encontrou ainda,
pela primeira vez, fortes indícios da existência da primeira geração de estrelas, formadas
a partir do material primordial do Big Bang. A
esta nova galáxia foi atribuída a designação de
CR7, abreviatura de COSMOS Redshift 7. De
notar que Redshift (desvio para o vermelho) é
uma medida de distância muito utilizada em
Astronomia. O nome foi também inspirado no
jogador de futebol, Cristiano Ronaldo, que é
conhecido como CR7, de quem falámos no último artigo publicado no Atlântico Expresso.
Existem muitas outras situações em que o
número 7 assume um papel de relevo. Seguemse alguns exemplos: sete são as cores do arcoíris (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul,
anil, violeta) e as notas musicais (dó, ré, mi, fá,
sol, lá, si); na literatura infanto-juvenil, temos
“A Branca de Neve e os Sete Anões” e a coleção “Os Sete” de Enid Blyton; e há ainda que
ter em conta as sete vidas de um gato, os sete
anos de azar para quem quebrar um espelho e
os sete tipos de frisos que podemos encontrar
nas nossas calçadas e varandas.
Assim se vê como, afinal, a Matemática
não é um “bicho de sete cabeças”!
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Opinião
Atlântico Expresso
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Temos WI-FI
na.
ALTINO PINHEIRO
http://ciberdependenciaportugal.
blogspot.pt/
Alguns anos atrás ligar à internet era um ritual quase místico. Tínhamos a “caixinha” da
Telepac aparafusada à parede e o modem ligado à tomada do telefone, onde saiam uma série
de cabos de rede e de alimentação que ligavam
ao CPU. Esperávamos então pela ligação ouvindo os sons característicos da conexão, uns
zumbidos estaladiços, tipo guinchos e quando
a coisa complicava tínhamos de esperar uma
semana pelo técnico, que vinha de farda cinzenta ligar-nos à rede. Hoje estamos quase permanentemente ligados à internet sem sabermos
como e nem nos interessa saber o que é uma
ligação DSL, um serviço ISP, ou IETF ou TCP/
IP, etc…
Nunca em anteriores períodos da nossa civilização tivemos um meio que nos ligasse tão
intensamente como a internet. Vivemos numa
era em que a comunicação está super acelerada,
rápida e acessível, através do uso ilimitado de
telemóveis, computadores, tablets e outras ligações sem fio que vieram tornar as nossas vidas
muito dependentes delas.
É certo que a comunicação é uma das necessidades básicas do ser humano, mas ninguém entende a verdadeira razão desta constante necessidade de conetividade que os tempos
modernos oferecem. Estamos a ficar cada vez
mais ligados e deparamo-nos frequentemente
com pessoas nos bares, nos restaurantes, aeroportos, bibliotecas, etc.., a utilizarem dispositivos eletrónicos para se manterem constante-
mente conectadas. O hábito de estar permanentemente ligado à internet está a ficar cada vez
mais enraizado, para muitos passou a ser um
fator determinante nas mais variadas opções
de vida ou na escolha de muitos serviços. Por
exemplo, uma condição “imprescindível” para
se escolher um alojamento de hotel ou um restaurante para jantar é ter Wi-Fi. Alguns bares e
restaurantes até já anunciam nas suas vitrinas
a oferta deste serviço e substituíram o célebre
“Temos caracóis” pelo “Temos Wi-Fi”.
A chamada rede Wi-Fi, também conhecida por wireless, é um sistema de rede na qual
podemos ter acesso à internet por sinal de ondas de rádio, através de telemóveis, tablets e
outros dispositivos móveis. Estas ondas são
eletromagnéticas, formadas pela combinação
dos campos elétrico e magnético, ou seja são
ondas que transportam eletricidade e magnetismo ao mesmo tempo, que se propagam pelo
espaço à velocidade da luz. A exposição às ondas eletromagnéticas emitidas por telemóveis,
redes Wi-Fi e antenas de transmissão pode causar alterações biológicas no organismo, mas os
dados científicos disponíveis atualmente não
mostram quaisquer evidências. Há ainda muita
controvérsia em torno da Poluição Electromagnética (PEM) e o seu impacto na saúde humana,
que ficou ainda mais acentuada com a chegada
das tecnologias de quarta geração - 4G.
Muitas pesquisas científicas estão sendo
realizadas no sentido de se averiguar os verdadeiros danos destas radiações. Há estudos que
apontam para uma relação muito estreita entre
elas e alguns efeitos biológicos verificados em
humanos, como o risco de cancro, o stress das
células, o aumento de radicais livres, danos genéticos, défices de memória, distúrbios neurológicos, alteração das capacidades cognitivas,
perturbações do sono e infertilidade masculi-
Para reforçar a urgência deste assunto, um
grupo de 190 cientistas de 36 países (Portugal
não se fez representar) apresentaram no dia
15 do passado mês de Maio uma apelação às
Nações Unidas e Organização Mundial de Saúde, manifestando elevada preocupação sobre a
PEM – Poluição Eletromagnética. Deste documento destaca-se o seguinte: “Com base em
pesquisas publicadas, com revisão paritária,
manifestamos sérias preocupações a respeito
da exposição, onipresente e crescente, à contaminação eletromagnética gerada por dispositivos elétricos e sem fios. Esses incluem, não
apenas dispositivos emissores de radiação eletromagnética (REM) de radiofrequência tais
como celulares e telefones sem fio – juntamente
com suas respectivas antenas –, Wi-Fi, antenas
de radiodifusão e TV,…” O grupo requere ainda a estas organizações nove medidas especificas protetoras da saúde humana e ambiental,
das quais se destacam: “uma maior proteção
para mulheres grávidas e crianças; que os
fabricantes sejam estimulados a desenvolver
tecnologias mais seguras; que o público seja
absolutamente informado dos riscos da radiação eletromagnética; que os meios de comunicação revelem quais as relações financeiras
dos especialistas com as indústrias; que sejam
estabelecidas zonas brancas no planeta (áreas
sem radiação).”
A proliferação tecnológica dos últimos anos
aconteceu muito rapidamente sem que houvesse uma politica de regulamentação e uma cuidada análise dos efeitos secundários a diversos
níveis. Além de uma maior proteção da saúde
humana, o que estes cientistas agora apelam
poderá revelar-se de extrema importância num
futuro próximo. Por enquanto apenas ressalvamos que corpo humano é um complexo sistema de redes de energia e possui o seu próprio
campo magnético, que são geridos pelo nosso
cérebro e pelo nosso coração. Melhor dizendo,
nós temos wi-fi.
Franciscanismo?
MANUEL CALADO
Poder-se-á classificar de “franciscanismo”
este interregno na crença que nos trouxe até
aqui? É provável. No panorama tradicional católico, Francisco é, sem dúvida, um Papa “sui
generis”. Tudo está em saber se o seu idealismo, a “santificação” da pobreza franciscana,
será a receita certa para os males do mundo
tecnológico em que vivemos. Não li ainda a sua
encíclica, mas sim a opinião de um pensador
que admiro, comentador do “New York Times”
e da Rádio Publica Nacional.
No seu último comentário, David Brooks dizia: “ O Papa Francisco, é uma das mais inspiradoras figuras mundiais. Há passagens na sua
encíclica sobre o ambiente, que maravilhosamente enquadram os seres humanos dentro do
invólucro da vida. E, no entanto, a sua encíclica
é, surpreendentemente, um desapontamento.”
Ora eu, que sou um fã do Papa Francisco,
quando li estas palavras de David Brooks fiquei, momentaneamente, também desapontado.
Ele com Francisco, e eu com ele. Mas o desapontamento foi-se dissipando à medida que
entrava no cerne do comentário do escritor.
Que afinal veio ao encontro de um pressentimentozinho que eu já tinha acerca do “demasiado” idealismo de Francisco. “Demasiado”, em
termos políticos. Porque Roma, não é só puro
ideal. Mas também um estado político, com os
interesses, problemas e ambições de um autêntico governo, e o papa não pode ser apenas um
simples franciscano, cheio de amor e compaixão pelos humanos, mas um chefe de Estado,
com algumas das manhas e intrigas inerentes
aos jogos do poder, em que a violência máxima,
desde a excomunhão à tortura e à morte, foram
um dia abençoados.
Diz o comentador, ser “difícil aceitar que a
premissa moral implícita através da Encíclica,
seja o conceito de que a única relação humana
legítima se baseia na compaixão, na harmonia e
no amor, e que todas as actividades baseadas na
ambição, no interesse próprio e na competição,
são inerentemente destrutivas”.
Diz o autor que os principais modelos humanos do papa, são S. Francisco de Assis e os
monges, por terem uma vida de amor e completo desprendimento dos bens terrenos, e que só
assim é possível atingir um estado de “inocência
original”. E lamenta que o Papa não reconheça
que nem tudo é mau nas sociedades democráticas e capitalistas, onde o grau de bem-estar
geral, tem atingido apreciáveis níveis de justiça social. Que a ambição humana nem sempre
é má, e que em democracia e em ambiente de
Liberdade, é a ambição pessoal que motiva as
iniciativas de progresso tecnológico, que liberta
os humanos de actividades superiores às suas
capacidades físicas e mentais.
“Seria impossível imaginar, segundo a
encíclica, que estamos vivendo num período
de maior redução da pobreza de toda a história
humana. O capitalismo através da Ásia, apesar
de agressivo e voraz, tem levado, ironicamente,
a um estado de expansão da classe média, com
evidentes ganhos no campo da dignidade humana”.
Ora eu, não queria que acontecesse coisa alguma ao bom e idealista papa Francisco. Porque, além do seu idealismo, talvez um
pouquinho “extra terrestre”, ele é um ser humano que só o facto de “ser”, pode contribuir para
a humanização das sociedades. E que o próprio
“capitalismo selvagem”, que Francisco não perde ocasião de condenar, venha a ter uma “face
humana”, como pedia o presidente Roosevelt, o
“pai” do Seguro Social e de tudo o que até hoje
tem contribuído para a humanização da sociedade americana, que nem sempre foi justa e humana. Em que os próprios chamados cristãos
pactuaram, durante séculos, com a escravatura,
cujo símbolo tem flutuado até agora, na cúpula
do edifício do governo de um estado sulano.
E só agora, por obra da democracia e não de
Roma, e só depois de um massacre, esse odioso
símbolo foi internado num museu.
O que eu temo é que a direita católica, tanto
política como religiosa, ponha entraves ao idealismo de Francisco.
12
Atlântico Expresso
Entrevista
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
“A Europa amuralhada é uma concepção
de um paganismo atroz e de anti fraternidade,
que nos envergonha”
O ex Secretário e porta voz da Conferência Episcopal Portuguesa, o Padre jesuíta Manuel Morujão, actual reitor da Comunidade da FacFil/AO, em Braga, esteve em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a orientar um retiro de três dias para leigos, na sua esmagadora maioria ligados ao apostolado de oração.
Em entrevista ao Sítio Igreja Açores deixou algumas reflexões sobre o momento actual da Igreja diocesana, que deve fazer nesta fase de
transição, “um renovado acto de fé e de esperança”; sobre a Europa “que não pode fechar-se sobre si mesma como se fosse um clube de
ricos” e sobre o Pontificado de Francisco, ”uma bênção” que já deu frutos “que não voltam atrás”, porque o Papa foi capaz “de abrir os
horizontes da prática pastoral”. Durante a entrevista fala, ainda, da tragédia humana provocada pelas migrações, sobretudo do Norte de
África e Médio Oriente; da necessidade de recentrar as temáticas fundamentais em torno da Vida e da incapacidade dos decisores políticos
em encontrar soluções humanas para a crise. Que é, sobretudo, de valores. A começar pela Vida, que continua a não ser respeitada.
de humanismo.
Sítio Igreja Açores - Quando olha para
essas imagens, para aquilo que se está a passar na Grécia com um milhão de pobres em
cerca de seis anos, o que é que lhe apetece
dizer aos líderes europeus?
Pe Manuel Morujão - A mim vem-me um
grito de Paulo VI, a 13 de Maio de 1967: “Homens sede homens”. Não pediu generosidade,
honestidade, fraternidade mas simplesmente o
básico - sermos humanos uns para os outros.
Não são qualidades extremas de vermos os outros mas sermos o que devemos ser. É este grito que deve fazer sobressaltar as consciências.
Até porque esse tal milhão de gregos poderíamos ser nós.
Pe Manuel Morujão orienta retiro de leigos em São Miguel
Sítio Igreja Açores - Realizou-se o debate em torno da iniciativa dos cidadãos “Pelo
Direito a Nascer”. Que expectativa tem em
relação ao debate?
Pe Manuel Morujão - A minha expectativa é que vença a vida, porque a vida é o grande património da humanidade. Os locais artísticos, materiais ou imateriais, como o Cante
Alentejano, ou antes o Fado, centros históricos
de cidade, tudo isso é uma maravilha. Mas, na
base disso tudo, está a vida e essa é que é preciso favorecer. O sistema jurídico deve mostrar
que a Vida é a prioridade das prioridades.
Sítio Igreja Açores - Não parece ser nesse
sentido que vá o curso das coisas. Hoje valorizamos mais o ter que o ser. Logo valorizamos mais outros aspectos e menos a vida.
O que é que nós cidadãos, cristãos, Igreja
podemos fazer para influenciar de facto a
valorização daquilo que é essencial?
Pe. Manuel Morujão - Um rio faz-se de
gotas de água; um oceano de muitos rios. Perante a dificuldade dos tempos não devemos
nem podemos desanimar. Deus sabe porque é
que alguns tomam veredas não aconselháveis
a propósito da vida. Sem os julgar, diria, que
podem ganhar terreno se virem que estamos de
braços cruzados, como que resignados à ideia
que a vida não precisa ser bem tratada, como
deve ser, porque é o valor essencial. Veja por
exemplo o Inverno demográfico, ou os subsídios para favorecer a não vida - o aborto (até
parece difícil pronunciar a palavra e chamamlhe interrupção) - e nós devemos lutar pela
vida, não contra quem discorda, mas pela vida.
No fundo é defender o que somos, o que queremos ser e o que queremos que sejam os nossos
vindouros porque, no futuro, perguntar-nos-ão
o que é que nós fizemos pela vida e nós deveremos responder que fizemos tudo o que era
possível para a defender.
Sítio Igreja Açores - Mas a verdade é
que não estamos a fazer tudo nem pela vida
e muito menos pela sua dignidade. Veja-se
o caso dos migrantes do Norte de África ou
da Síria. A Europa alicerçada nos mais altos
valores de defesa da dignidade humana dáse ao luxo de construir muros para impedir
a passagem destas pessoas que fogem dos
seus países para fugirem à guerra; à fome
e à morte…
Pe Manuel Morujão - É evidente que vale
a pena lutar pela justiça e pela fraternidade.
Mas não há vidas de primeira, segunda, terceira, ou vigésima sétima categoria. Há um autor
francês que diz “felizmente para os pobres que
há pobres”. A frase parece um contra-senso
mas não é, porque são eles que estão mais disponíveis para abrir o seu coração ao outro, nomeadamente outros que ainda são mais pobres.
Esta concepção de uma Europa amuralhada,
como uma espécie de clube dos ricos e dos poderosos, é uma concepção de um paganismo
atroz e anti fraternidade, que nos envergonha.
Compreendo que seja difícil encontrar as soluções mais fáceis e mais eficazes, mas cruzar os
braços significa desistir e podíamos ser nós a
precisar dessa ajuda. Como é que alguém pode
condenar ou considerar ilegítima uma fuga
porque tem a guerra à frente, a falta de comida
para alimentar a sua família, a ausência de futuro para os seus… como acontece por exemplo
com mais de vintena de milhar de refugiados
que se fizeram ao mare nostrum que se transformou no cemitério nostrum. Isso envergonhanos, ofende-nos e deve ser uma causa primária
Sítio Igreja Açores - Os problemas são
políticos. O povo vai sofrendo com este egoísmo dos decisores políticos…
Pe Manuel Morujão - O porta voz do
Vaticano, na sala de imprensa - o Pe Lombardi
- ainda hoje dava nota de que o Papa, além da
solidariedade e da oração para com os gregos,
pedia soluções responsáveis. O que exige um
esforço de ambos os lados, isto é, da Europa,
dos credores internacionais e da própria Grécia.
Que eu saiba nem uns nem outros são surdos
ou precisam de qualquer consulta médica da especialidade. O que precisam, isso sim, é duma
afinação do coração, que tem de nos levar a soluções concretas, sem desculpas, sem alibis e
sem apontar o dedo a ninguém. Será um bem
chegar a conclusões; será um mal se isso não
acontecer. Naturalmente que a sobranceria dos
Entrevista
13
Atlântico Expresso
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
neira diferente, seja católico seja
não católico, fora dos muros da
igreja…
Sítio Igreja Açores - Uma
bênção que tem por base um
conteúdo programático e que
resulta da escolha de São Francisco de Assis em vez do jesuíta São Francisco Xavier, por
exemplo…
Pe Manuel Morujão - Ficou
bonito ele assumir outro santo
que não fosse Jesuíta. Por outro
lado, ele foi exortado por um desafio do Cardeal Emérito de São
Paulo que lhe disse “Jorge, lembra-te dos pobres”. Ele teve esta
intuição de escolher um nome
que nunca tinha sido escolhido
(apesar de ser um Santo tão popular) e que mais do que um nome é
um lema e um programa de pontificado, que tem a sua expressão
maior nesta Encíclica que acaba de ser publicada, fortemente
inspirada nesse Santo que olhou
para a natureza como irmã. Aliás,
esta Encíclica vai na linha da experiência de Francisco de Assis,
na igreja nos arredores de Assis,
São Damião, quando ouviu das
palavras de Cristo no crucifixo:
“Francisco reconstrói a minha
igreja”. Portanto, não é só fazer
umas pinturas para a Igreja ficar
bonita mas de ver que há coisas
estruturais a fazer na prática pastoral da igreja.
que estão por cima fá-los se calhar rirem-se de
quem precisa; mas esse é um insulto desumano.
Sítio Igreja Açores- É verdade que o
Papa tem denunciado. E que muitos aplaudem. Veja-se a Encíclica Laudato Si, que
mereceu o elogio de grande parte dos líderes europeus e mundiais. A questão é que
ouvem, aplaudem, mas depois fica tudo na
mesma… é uma inevitabilidade que decorre
do poder que têm?
Pe Manuel Morujão - As grandes causas
da humanidade não se forjaram de um dia para
o outro e a solidariedade não se inventa de um
momento para o outro. Por isso, eu diria que
há este caminho que tem de ser trilhado, despertando consciências para ver quem precisa de
mim, porque só dando-me é que somos o que
somos. Lembro-me de Santo Agostinho: Eu
sou eu, mas não sou meu. Portanto, se eu não
me dou e me fecho dentro da minha suficiência
e importância, eu não me dou e estou mesmo
a negar-me. Se eu não tiver esta capacidade
de me dar perco alguma coisa de humano. Por
isso, há que não desanimar, embora sejamos
tentados a fazê-lo.
Sítio Igreja Açores - Já aqui se disse que
o Papa não se cansa de denunciar. Ele tem
sido, de resto, o grande protagonista da denuncia em instâncias, até que não era hábito
ver o Papa, como por exemplo no Parlamen-
to Europeu. Que avaliação faz deste pontificado?
Pe Manuel Morujão - É o Papa certo para
a hora certa.
Sítio Igreja Açores- A acção e a iluminação do Espírito Santo…
Pe Manuel Morujão - Sim… o Espírito
Santo não faz férias, nem greve e por isso actua
sempre… com uma enorme atenção. Este Papa
procura cumprir o que diz e o que defende,
promovendo uma igreja em saída. E, que deve,
segundo o seu neologismo, “primeiriar”, tomar
a iniciativa. E, por isso, o seu discurso tem que
entrar no campo sócio-político. A Igreja não é
igreja dentro dos quatro cantos de um templo,
mas no terreno, contribuindo pela sua ação para
um mundo melhor. Portanto, assumindo o momento histórico em que vivemos, a sua função
tem sido despertar consciências para a necessidade de derrubar barreiras em nome de causas humanas que fraternizam a todos e não excluem ninguém. Tem sido uma ideia fixa feliz
deste Papa: dar lugar a todos; abrir-se a todas
as periferias; sairmos do centro onde estamos
confortáveis e ir ao encontro do outro, sempre
de olhos postos nos mais pobres. Não podemos ficar felizes por estarmos com os nossos
apaniguados, aqueles que nos batem palmas e
pensam como nós. O desafio é precisamente
o contrário e, por isso, este Papa foi uma bênção. Aliás tem sido uma bênção ver este Papa
a exortar-nos a olhar o outro, que pensa de ma-
Sítio Igreja Açores - Esta
exposição permanente do Santo Padre na comunicação social
não poderá ser uma faca de dois
gumes? Ou seja, tornar evidente uma discrepância entre um
desejo do Papa, na linha de São
Francisco, de “reconstruir” a
igreja, adaptando-a ao seu tempo e a resistência de uma estrutura conservadora que anda geralmente a um ritmo mais lento
do que a vontade do homem?
Pe Manuel Morujão - Respondo-lhe a isso desta forma, e se
calhar os açorianos perceberão o que estou a
dizer: o lugar mais seguro para um barco é o
porto; mas o barco não foi feito para estar ancorado. Ele foi feito para navegar; navegando tem
que arriscar ventos contrários e ondas impetuosas. A Igreja é igual. Não foi feita para ficar no
Vaticano. Tudo vai andando mais ou menos, e
aqui nos entendemos bem. Ora, a exposição do
Papa é naturalmente uma faca de dois gumes;
mas isso é um equilíbrio que embora difícil
exige um alto nível. Eu não ando da mesma
forma num vale ou numa montanha. Este Papa,
segundo o seu carisma e a sua maneira de ser,
arrisca a dar entrevistas, a fazer improvisações
e comentários; mas as pessoas vêem que é uma
forma mais genuína de ser e de estar e não algo
que, de vez em quando, aparece por detrás da
cortina, num palco de onde profere uma palavra solene. Por isso, diria que é um risco que
necessita de uma intuição e de uma maneira de
ser que este Papa, indiscutivelmente, reúne.
Sítio Igreja Açores - Muitos dizem que
este é um dos Papas mais políticos…
Pe Manuel Morujão - Eu acho que abriu
uns horizontes da prática pastoral, da igreja e,
concretamente, a maneira como está a exercer
este pontificado faz com que, felizmente, já não
se possa voltar atrás.
Sítio Igreja Açores - Não há perigo das
veredas se encherem de ervas outra vez?
Pe Manuel Morujão - Haverá sempre tendências retrógradas, conservadoras, que quererão manter o máximo de solenidade pontifical, no máximo brilho… mas, sinceramente,
não me parece que isso seja o mais parecido
com a Gruta de Belém, com o Calvário ou com
Nazaré. Por isso, os riscos que o Papa corre são
apostólicos. Não ter coragem para arriscar em
nenhuma frente é o pior risco que se pode correr, que é o risco da pusilanimidade, do medo
e da insegurança. Ora, Cristo disse-nos que devíamos arriscar porque estará sempre connosco
até ao fim dos tempos.
Sítio Igreja Açores - Conhece a Diocese
de Angra. Vivemos um momento de transição nas palavras do Senhor Bispo, que é
também uma oportunidade. Está na diocese
a orientar um retiro de leigos, que mensagem
deixa quer para estes quer para o clero?
Pe Manuel Morujão - Eu acho que devemos ver as coisas pelo positivo. Quando o
vento sopra forte há uns que levantam muros e
outros que constroem moinhos de vento, já diz
a sabedoria oriental. Nestas situações em que a
previsibilidade não é a do papel quadriculado;
tudo claro no horizonte, é também um tempo
de Graça e é um desafio que Deus nos faz como
fez à Igreja de Pentecostes: é preciso levar a
boa nova aos confins da terra. Perante aquilo
que não é conhecido no amanhã da Igreja dos
Açores há que fazer um renovado ato de fé e de
esperança. Não somos uma empresa humana,
meramente humana, em que nos regemos por
sondagens mas em que contamos com o Espírito Santo que é fonte de criatividade.
IA/AE
14
Atlântico Expresso
Saúde
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Investigadora portuguesa revela
novo método de detecção
precoce de cancro do pâncreas
Estudo publicado na Nature
Num estudo publicado na
revista Nature, a investigadora
Sónia Melo - distinguida este
ano com uma das três Medalhas
de Honra L’Oréal Portugal para
as Mulheres na Ciência - do Instituto de Patologia e Imunologia
Molecular da Universidade do
Porto (Ipatimup), demonstra que
a detecção de exossomas com
uma determinada proteína está
Sónia Melo
relacionada com lesões malignas
no pâncreas num estado inicial e
que não são detectáveis por ressonância magnética.
O estudo revela que as células tumorais do pâncreas produzem exossomas que possuem a proteína glypican-1 (GPC1). A
investigadora descobriu que a presença de exossomas com esta
proteína no sangue permite distinguir indivíduos sem doença
ou com doença benigna do pâncreas, de doentes com cancro
do pâncreas. Num modelo experimental de ratinho foi possível
demonstrar que a detecção de exossomas positivos para GPC1
se correlaciona com a presença de lesões pancreáticas iniciais
não detectáveis por ressonância magnética.
Ciência Hoje
Universidade da Beira Interior
com avanços no cancro
da próstata
O estudo foi publicado recentemente no Journal
of Cancer Research and Clinical Oncology
Sílvia Socorro e Cátia Vaz
Uma equipa da Universidade da Beira Interior, liderada pela
docente Sílvia Socorro, está a desenvolver um estudo referente
ao papel dos esteróides sexuais masculinos, conhecidos como
androgénios, na regulação do metabolismo das células de cancro da próstata, o que pode contribuir para a definição de novas
abordagens terapêuticas. O estudo foi publicado recentemente
no Journal of Cancer Research and Clinical Oncology.
O presente estudo permitiu estabelecer os androgénios
como moduladores da expressão de genes fundamentais para
o controlo da entrada de glucose nas células, bem como para a
sua metabolização e utilização na produção de lactato. Os androgénios estimularam ainda o efluxo de lactato pelas células
tumorais, uma característica associada à progressão do cancro
para estados mais agressivos.
A reprogramação metabólica que é evidenciada neste
trabalho em resposta ao tratamento com os androgénios teve
igualmente um efeito importante no aumento da sobrevivência
e proliferação das células tumorais, o que pode representar um
aspecto fulcral no desenvolvimento e progressão do cancro da
próstata.
De acordo com os resultados da investigação, os androgénios têm um papel importante na reprogramação do metabolismo das células tumorais, aumentando a sua proliferação e sobrevivência. Estes dados permitem conceptualizar um conjunto
de novas abordagens terapêuticas para o tratamento e regressão
do cancro da próstata, através do controlo da acção dos androgénios e do metabolismo.
Ciência Hoje
Investigadora da UC distinguida
internacionalmente por estudo do metabolismo
ósseo no âmbito da osteoporose pós-menopausa
A investigadora Ana Maria Silva, do Centro de
Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de
Coimbra (UC), foi galardoada com o “Prémio de Jovem Investigadora” pelo trabalho que avaliou, pela primeira vez, o
contributo do metabolismo das células ósseas na osteoporose
após menopausa.
A importância de investigar a relação entre a menopausa e
a osteoporose espelha-se nas prevalências desta condição óssea que afecta 17% das mulheres portuguesas, em comparação
com 2,6% dos homens, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Reumatologia de 2013. A diferença pode ser explicada
pela menopausa, caracterizada por uma desregulação da remodelação dos ossos, com consequente diminuição da massa
óssea.
O estudo, realizado num modelo animal, evidenciou que
o decréscimo dos níveis da hormona estradiol altera o metabolismo das células ósseas, estando associado ao desenvolvimento de osteoporose, e que a reintrodução daquela hormona
permite a recuperação do metabolismo normal das células.
A investigadora explica que «durante a menopausa o aparecimento da osteoporose pode estar associado a um declínio
metabólico generalizado das células ósseas. Neste estudo a
hipótese centra-se na alteração do metabolismo dos osteócitos
(células ósseas) em dois cenários: na presença e ausência de
estradiol em ratos. A condição de menopausa dos ratos foi
mimetizada através da retirada dos seus ovários. O
trabalho revelou, através
dos dois cenários, que o
estradiol tem um impacto
marcante no metabolismo
dos osteócitos».
O trabalho tem vindo
a ser realizado no CNC,
no grupo de investigação
“Mitocôndria, Metabolismo e Doença - Área de
Menopausa, Envelhecimento e Metabolismo”,
sob a orientação da investigadora Vilma Sardão.
O projecto de investigação envolve uma equipa interdisciplinar, incluindo investigadores do Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado do Produto do Instituto Politécnico de Leiria e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
A distinção teve lugar no Quarto Encontro Conjunto da
European Calcified Tissue Society (ECTS) e da International
Bone and Mineral Society (IBMS), que decorreu em Roterdão, na Holanda.
Exame não requer anestesia, mas também pode ocorrer em condições específicas
Hospital da Terceira realiza primeira
colonoscopia por cápsula
ras tem uma autonomia de 10 horas. Depois de
cerca de oito, nove horas, a cápsula segue o seu
percurso normal e é expelida. As imagens gravadas são passadas para um computador e são,
depois, analisadas”, explicou.
O exame que se realizou constitui um teste.
Ainda assim, e uma vez que o estabelecimento hospitalar já adquiriu cápsulas que podem ser utilizadas durante um ano (as cápsulas são descartáveis),
o procedimento deverá continuar a ser utilizado.
Ainda assim, explicou Sofia Ribeiro, não se trata
de um exame que possa substituir a colonoscopia tradicional. A cápsula, aliás, tem indicações
muito específicas.
“Não é alternativa, de maneira nenhuma”, disse a especialista, sublinhando que a
cápsula só é utilizada em situações em que
HOSPITAL DA TERCEIRA Exame não é alternativa à colonoscopia tra- não se consegue fazer a colonoscopia total
- e é por isso, aliás, que a cápsula é indicada
dicional, já que a cápsula tem indicações muito específicas
para estudar as doenças do intestino delgado.
A intolerância à anestesia é um dos quadros que,
É um exame pioneiro nos Açores. A colonoscopia por cápem meio hospitalar, serve de fundamentação
sula foi realizada na passada semana, pela primeira vez, no para a realização do exame não invasivo.
Hospital da Terceira.
Foi realizada, na passada semana, no Hospital de Santo Espírito da ilha Terceira, e pela primeira vez nos Açores,
uma colonoscopia por cápsula. Trata-se de um exame não
invasivo, que não requer anestesia, e que consiste na ingestão
de um dispositivo do tamanho de um comprimido, com duas
câmaras nas extremidades. As câmaras percorrem o sistema digestivo do doente, tiram 35 fotografias por segundo, e
são essas imagens que permitem analisar e rastrear alterações
no cólon, sem que seja necessário recorrer à sua insuflação.
Segundo Sofia Ribeiro, médica especialista, para proceder ao
exame o doente deslocou-se de manhã ao hospital, depois de um
período de jejum de oito horas. Já no estabelecimento hospitalar, foram-lhe colocados sensores e um cinturão no abdómen. As
imagens são transmitidas para um gravador que fica no cinto em
causa.
“O doente pode fazer a sua vida normal. A bateria das câma-
EXAME MAIS CARO
Há vários motivos que justificam a não substituição da colonoscopia tradicional pela colonoscopia por cápsula. O preço de
ambos os exames é um deles: enquanto o primeiro tem um custo
de cerca de 150 euros, o segundo pode custar 1000 euros.
“Apenas 20% dos doentes rastreados tem cancro do colorectal e precisa de colonoscopia. Ainda é um exame caro que
não pode ser feito para rastreio”, referiu a médica especialista.
Embora se trata de um exame vantajoso - por ser mais confortável
e por permitir, por exemplo, tirar fotografias atrás das pregas do
cólon - há desvantagens em termos da terapêutica, adiantou Sofia
Ribeiro. É que na colonoscopia tradicional é possível, durante o
procedimento, retirar pólipos (crescimento de tecido da parede
intestinal), fazer lavagens e outras terapias. Trata-se de processos
que, no caso da colonoscopia por cápsula, só podem ser realizados depois do exame.
DI
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Opinião
Atlântico Expresso
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
O Conselho Europeu de 25 e 26 de junho:
Os consensos e o protelar de decisões
ANÍBAL MANUEL DA COSTA
FERNANDES
MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Perante a preocupação e apreensão da
periclitante situação orçamental e financeira a
que os responsáveis políticos gregos, democraticamente eleitos, conduziram – ou deixaram-se
conduzir, numa estratégia de desafio idealista
e assimétrico, resultante da subalternização da
Política Europeia à Globalização e aos “Mercados”– o seu país, confrontando-se o Povo grego
com as nefastas consequências económicosociais atuais, consentidas e alimentadas por
agendas domésticas divergentes – como ícone,
a capa do «The Economist», com Tsipas e
Merkel, lado a lado, à beira de um precipício
–, realizou-se o Conselho Europeu de 25 e 26
de junho. Os assuntos previstos na Agenda da
Cimeira subalternizaram-se. Mas existe mais
Europa para além da Grécia e mais problemas
para além do resultado negativo no referendo de
5 de julho. Não tão agudos e táticos mas de igual
nível de importância, alguns, do tipo “bombarelógio”, como: o humanitário e migratório dos
refugiados; a segurança interna e terrorismo; a
defesa-segurança comum e política externa; o
desemprego, a competitividade e crescimento
económico; a possível saída ou “Brexit” do
Reino-Unido após o referendo previsto para
2007.
A Agenda do Conselho Europeu tinha como
prioridades, entre outras: conter o mediatismo
dos dramas humanitários consequentes das
migrações clandestinas no Mediterrâneo e
mitigar a falta de solidariedade entre EstadosMembros no eixo Norte-Sul; rever a ausência
de uma verdadeira Grande Estratégia “Geral”
Europeia (EUGS) – a que existe, resume-se à
existência de “ferramentas”, faltando o “querer
e vontade política” apesar do Tratado de Lisboa
permitir um espaço de manobra considerável;
rever a desatualizada Estratégia de Segurança Europeia (ESS) – concebida por Xavier
Solana enquanto Alto-Representante para a
Política Externa (1999-2009) – que o relatório
de acompanhamento de 2008 sinalizou como
desadequada face a acelerada mutação do mundo e às novas ameaças híbridas; rever, as recorrentes, hesitações relativas ao Mercado Único
Digital (DSM) e as negativas consequências
atuais da fragmentação do Mercado Interno,
alimentada pelos egoísmos nacionais, culturais
e linguísticos dos Estados-Membros e mantida
pelos lóbis europeus das Telecomunicações –
que poderão perder a “cash-cows” do “roaming”
– e por lóbis das multinacionais tecnológicas
e de internet americanas; rever o resultado do
autismo, durante duas décadas, em relação à
desadequada Política Europeia de vizinhança,
nomeadamente, com a Federação Russa e as
negativas consequências diretas para a União
Europeia – a dependência Energética, as necessárias Parcerias Comerciais com países do Leste
Europeu e euro-asiáticos, e, as contraproducentes sanções económicas à Rússia, quando não há
meios alternativos de resposta. Tudo isto parece
ter “passado ao lado”, face ao grave “default” da
Grécia e saída da Zona Euro e ao “terramoto”
financeiro consequente. Mas, isso poderia implicar uma saída unilateral de Atenas da União
Europeia ou “Grexit” e até da Organização do
Tratado do Atlântico Norte (NATO), criando
um desequilíbrio geoestratégico colossal no
Mediterrâneo e Médio-Oriente.
As conclusões do Conselho Europeu foram, uma vez mais, consensos e pró-formas
no possível. Resultaram num rol de intenções
e de generalidades mediáticas. Mas os problemas mantêm-se. As decisões aguardam outros
cenários menos stressantes – pós “tragédia
grega” ou, melhor, “drama europeu”, num ciclo
frenético de reuniões, esvaindo-se o tempo e
ultrapassados os vários “final-points”, comiserativas decisões imprudentes sobre a Grécia
–,e “timings” mais favoráveis, após as eleições
em França e Alemanha e o referendo no Reino
Unido, em 2017.Decididamente, prevaleceu o
protelar evitando a “real politik”. A começar
pelas relações com a Rússia, de Vladimir Putin,
que são o mais acentuado e próximo sinal externo da «Nova desordem Europeia»* de Ivan
Krastev e Mark Leonard (2014), consequências
inevitáveis d’«O Fim da História e o último Homem» de Francis Fukuyama e do «Regresso da
História e do fim dos sonhos» de Robert Kegan,
entre outros, numa realidade pós 1989-2014!
*http://www.ecfr.eu/publications/summary/
the_new_european_disorder322
Notas Soltas. Folhas caídas (392)
Pinceladas com...
diferentes tonalidades IV
ROGÉRIO
DE OLIVEIRA
(continuação)
16. – É BOM LEMBRAR, A MÁ QUALIDADE DO DEBATE POLÍTICO como a
principal explicação para o divórcio, indiscutível, entre eleitos e eleitores. O debate
político em Portugal é mau porque, óbvio,
a qualidade dos políticos portugueses não é
melhor. Da esquerda à direita, sem exceção, a
grande maioria deles ainda não perceberam que
mesmo antes de começarem a falar já ninguém
os está a ouvir. As pessoas não querem saber
de macroeconomia, querem é ser felizes. Mas
é mais do que isso. As pessoas estão cansadas
da falta de palavra, da qual Portas é apenas um
bom exemplo, e do preenchimento do debate
político com disputas partidárias irrelevantes,
com algo que nada acrescenta, isso mesmo, à
sua felicidade.
NADA SERVEM AS HORAS QUEIMA-
DAS DE FRASES, que cheiram a propaganda,
feitas para o horário nobre. Ninguém ouve.
E o problema não se resolve com worshops
de marketing político para surpreender com
campanhas modernas. Podem servir durante
algum tempo, mas há coisas que não se conseguem disfarçar para sempre. As competências
técnicas não bastam, há características tão ou
mais importantes para nos impelir ao voto. A
autenticidade, a honestidade e a capacidade
de mobilizar e entusiasmar não é para todos e,
por cá, tem sido poucos. E há mais. Ninguém
disse que era fácil ser um político bom. Há
muito que a carreira de político deveria ter
deixado de ser um caminho de conveniência e
compadrio. É uma profissão e é assim que deve
ser entendida, não é só o caminho mais à mão.
Falta seriedade, coerência, vocação, paixão e
capacidade para ceder e assumir erros.
17. – O ESCABROSO CASO DOS SUBMARINOS DE PAULO PORTAS (CDS-PP),
FOI ARQUIVADO. Ninguém foi condenado.
Ninguém foi preso. Tudo bons rapazes………
Aqui em Portugal. Na Alemanha, houve condenações, POR CORRUPÇÃO, na mesma
transação. Diz a OCDE: Portugal é um país
pobre devido à corrupção. Portugal é o país
mais desigual da União Europeia.
Nos últimos anos, criaram-se mais 10 MIL
NOVOS RICOS e mais UM MILHÃO DE
NOVOS POBRES. O CDS-PP deu uma forte
contribuição para isso. Entretanto, onde houver
governos e governantes como o nosso, o polvo
da Ferrostaal vai continuando a semear hordas
de pedintes e indigentes.
Paulo Portas, o irrevogável, lá vai cantando
e rindo, como se não tivesse nada a ver com
isto, e, quando lhe convém, faz uma perrice
com o seu parceiro de coligação, e mostra-lhe
aquela cara de noiva arrependida.
A quem entender que este assunto é extemporâneo, eu digo: NÃO É. É PARA VER SE O
POVO ACORDA.
18. – A CAMPANHA ELEITORAL PARA
AS LEGISLATIVAS, ESTÁ AÍ À PORTA.
JÁ CHEIRA A CARNE ASSADA. As caixas
de refrigerantes já foram encomendadas e os
pavilhões de festas reservados. Os sistemas de
som estão alugados e as caravanas aquecem
os motores.
É impressionante. Nunca o eleitorado
esteve tão divorciado da política, nunca a
credibilidade dos que pedem votos esteve tão
desgastada, mas nem mesmo assim os principais partidos fazem um esforço para inverter
a situação.
Os exemplos que chegam dos outros países
são mais que elucidativos. O sistema partidário
tradicional está gasto e a esboroar-se de eleição
para eleição. Na Grécia, em Espanha ou na
França, os partidos mais antigos não se renovaram a tempo. Os mais novos não conseguem
ainda convencer sequer que são diferentes. As
eleições pela Europa têm sido experiências de
laboratório político, mas os partidos portugueses parecem não as aproveitar. Não só têm falta
de ideias, como a forma de as transmitir é cada
vez mais errada.
Alguém está disposto a ouvir DURANTE
HORAS a apresentação de ideias básicas de um
manifesto eleitoral ? NINGUÉM, mas é assim
que os principais partidos atuam. Penosos discursos em salas apinhadas de militantes, quase
forçados a preencher cadeiras.
Se a forma de conquistar votos não é brilhante, o conteúdo também não ajuda. Quase
não há ideias novas. E os que arriscam algo
diferente são apedrejados no pelourinho por
uma faminta clientela partidária. É irónico
que os partidos que passam o tempo a pedir
empreendorismo e inovação, são agora os que
menos surpreendem o eleitorado.
Será que ninguém nestas equipas sabe
como NÃO se deve comunicar? Ou, mais
importante ainda, ninguém se preocupou em
mudar radicalmente o discurso dos líderes,
tornando-os mais humanos?
A política já não se faz assim em parte nenhum do mundo, mas vai continuar a ser assim
em Portugal. De eleição em eleição……. Até
à derrota final.
GAIA/VILAR DO PARAÍSO
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Atlântico Expresso
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
A revolução dos filmes
de cristais líquidos
João Sotomayor
Os filmes de cristais líquidos revolucionaram
o mundo da tecnologia. Actualmente são utilizados nos mais diversos dispositivos, como relógios
digitais, telemóveis, máquinas de calcular e televisores. Nuns estudos a publicar brevemente
pelo Journal of Chemical Technology and Biotechnology e pelo Liquid Crystals, Maria Catarina
Silva e João Sotomayor do LAQV REQUIMTE,
Faculdade de Ciência e Tecnologia, e ainda João
Figueirinhas do CFMC-UL, Instituto Superior
Técnico, apresentam uma nova aplicação envolvendo estes filmes. No futuro esta aplicação
poderá permitir a utilização de filmes de cristais
líquidos em dispositivos de memória óptica, com
um processo semelhante
ao da gravação e leitura
de CDs e DVDs.
Maria Catarina
Silva
A nova aplicação utiliza um tipo específico de
filme de cristais líquidos
em que moléculas de cristal líquido estão dispersas
numa matriz polimérica,
chamado PDLC.
Conforme a orientação das moléculas de
cristal líquido, estes filmes podem se apresentar
transparentes ou opacos. Quando as moléculas estão desalinhadas o filme é opaco. Mas se
for aplicado um campo eléctrico as moléculas
alinham-se segundo o campo, tornando o filme
transparente.
Em geral, quando se desliga o campo eléctrico, as moléculas de cristais líquidos voltam a
ficar desalinhadas e o filme torna-se opaco outra
vez.
Em certos tipos de PDLCs ocorre o chamado
efeito de memória permanente (PME): ao desligar o campo eléctrico mantém-se o alinhamento
das moléculas e o filme
permanece transparente.
No entanto o aquecimento do filme pode
provocar um novo desalinhar das moléculas de
cristal líquido, ultrapassando o PME e tornando
este material opaco outra
vez.
João Figueirinhas
A aplicação apresentada nos dois artigos recorre ao PME e à sua reversão.
De uma forma análoga ao que acontece em
CDs e DVDs, a aplicação de um campo eléctrico permite a gravação de informação digital em
pontos no filme (transparente ou opaco), a qual
pode ser lida recorrendo a um laser e pode ser
apagada recorrendo ao calor.
Ciência Hoje
Estudo levado a cabo em Aveiro
Grafeno mais sílica: a revolução
da indústria tecnológica do futuro
uma nova era na utilização do grafeno em dispositivos micro-electromecânicos”, antevê Andrei Kholkin. O cientista do Departamento de Física e do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro
da UA, e líder da equipa de investigação, explica
que, “uma vez que o grafeno é muito fino e flexível, antecipam-se inúmeras vantagens face a
materiais piezoeléctricos tradicionais”.
Os investigadores Sergey Luchkin, Gonçalo
Cunha e Andrei Kholkin
Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) acaba de divulgar que o grafeno,
quando combinado com a sílica, tem propriedades
piezoeléctricas. Este é um material que poderá vir
a revolucionar a indústria tecnológica do futuro
devido à sua resistência, leveza, transparência e
flexibilidade, além de ser um óptimo condutor de
electricidade.
A descoberta da piezoelectricidade do grafeno,
ou seja, a sua capacidade de gerar energia eléctrica
através da simples compressão do material, abre
as portas a que, por exemplo, telefones móveis de
nova geração e circuitos micro-ondas possam operar a uma velocidade e qualidade sem precedentes.
A descoberta foi publicada ontem na Nature Communications, uma das mais importantes revistas
científicas do mundo.
“Prevê-se que esta descoberta irá levar a
Descoberta irá levar a uma nova Era
na utilização do grafeno
em dispositivos microeletromecânicos
O investigador aponta, como exemplo, que a
partir desta descoberta “a frequência da ressonância piezoeléctrica pode ser levada para a
gama dos gigahertzs com um factor de qualidade sem precedentes”. Andrei Kholkin não tem
dúvidas: “Isto pode ser de grande utilidade para
telefones móveis de nova geração ou circuitos
micro-ondas”.
O grafeno, cujo estudo valeu em 2010 o Prémio
Nobel da Física a Andre Geim e Konstantin Novoselov, cientistas da Universidade de Manchester, Inglaterra, é um material feito inteiramente de
átomos de carbono que estão arranjados numa rede
hexagonal e dispostos num plano.
“Este material tem propriedades excepcionais”, esclarece Andrei Kholkin salientando “a
capacidade de conduzir a electricidade e o calor
mas oferecendo uma resistência mecânica 100
vezes superior ao aço em relação ao qual é mais
leve”.
Ciência Hoje
Ciência
De como um smartphone pode
controlar a qualidade dos óleos de fritar
Castro, CEO da AMBIFOOD. O
projecto contempla o registo de
patente para vários países.
O EYEFRY compreende um
dispositivo de leitura que gera os
resultados e os transmite para um
smartphone que, por sua vez, está
conectado com o sistema geral de
controlo de dados, através de um
software próprio.
Este produto destina-se às
António Gaspar diz que o projecto permite dotar os operado- entidades que actuam na indústria alimentar, e para quem os
res alimentares de um sistema de análise
controlos são obrigatórios, considerando as questões legais e
Tecnologia única no mundo made in Portugal
vai permitir controlar a qualidade dos óleos de económicas.
Para além dos benefícios económicos que o
fritura através de sistemas ópticos e de software
de registo e controlo de dados por meio de smar- projecto EYEFRY vai trazer, está provada uma
tphone. O projecto de I&D juntou o INESC TEC relação de causalidade entre a ingestão de óleos
(INESC Tecnologia e Ciência), a AMBIFOOD, usados na fritura, a sua degradação e o aparecia Faculdade de Farmácia da Universidade do mento de certas patologias, tais como doenças
Porto (FFUP) e o Laboratório de Química da degenerativas, oncológicas, envelhecimento precoce, entre outras.
ASAE.
“A solução conseguida através do projecNa génese do projecto EYEFRY esteve a
ideia de criar um sistema inovador de controlo to EYEFRY permite dotar os operadores alide degradação de óleos alimentares. Esta foi uma mentares de um sistema de análise que, por
necessidade sentida face à legislação em vigor, um lado, preserve a saúde dos consumidores
que estipula o valor máximo de 25 por cento para ao permitir a utilização de óleo não degradaa presença de compostos polares num óleo de do a níveis nocivos para a saúde e, por outro,
fritura, e à noção de que os sistemas de análise que evite custos desnecessários, controlando
actuais não correspondem às necessidades das mais correctamente o óleo e prolongando a
sua vida útil de utilização dentro dos valores
empresas.
“Os sistemas que actualmente existem adequados”, refere António Gaspar, coordenacolocam questões de robustez e fiabilidade, dor do Centro de Sistemas de Informação e de
sendo que se colocou a ideia de podermos Computação Gráfica (CSIG) do INESC TEC e
investir numa solução que conjugasse a faci- responsável por este projeto, que contou também
lidade de uso, o baixo custo analítico e com com a colaboração do Centro de Fotónica Apliresultados confiáveis. Foi nesse sentido que cada (CAP).
quisemos entrar num mercado em expansão,
com um produto inovador capaz de criar
postos de trabalho dedicados e tendo em vista a internacionalização”, afirma Artur Melo e
Ciência Hoje
Cátedra do Real Madrid aprova
projecto que envolve a Universidade
de Trás-os-Montes e Alto Douro
gentes que potenciem o desenvolvimento do talento no desporto”.
Em Vila Real, esta fase funcionará com recurso ao Talentódromo, estrutura de desenvolvimento
de talentos desportivos, apoiado
também pela Câmara Municipal
de Vila Real.
Da equipa que levará a cabo o
projecto fazem parte, também, o
docente e investigador da UTAD,
Nuno Leite e diversos bolseiros financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, que têm já proCerimónia de aprovação do projecto: Sérgio Jiménez
duzido trabalho substancial nestes
(UEM); Nuno Leite (UTAD); Florentino Pérez (RM) e
domínios do treino desportivo.
Jaime Sampaio (UTAD)
O suporte científico das actividades é realizado com equipaO projecto CreativeTalent, uma parceria mentos e tecnologia avançada, disponíveis no
entre investigadores da Universidade Europeia CreativeLab e no TalentLab da UTAD. Numa
da Madrid (UEM), Universidade Politécnica de fase posterior, serão também investigados os
Madrid e da UTAD - Universidade de Trás-os- processos de transferência do talento no desMontes e Alto Douro - CreativeLab/CIDESD, porto para contextos laborais e escolares.
A cerimónia de atribuição de financiamenfoi aprovado pela cátedra da Escola Universitária do Real Madrid com um financiamento to dos projectos aprovados pela cátedra da Escola Universitária do Real Madrid realizou-se
total de seis mil euros.
Coordenado pelos investigadores Sérgio no estádio Santiago Bernabéu com a presença
Jiménez (UEM) e Jaime Sampaio (UTAD), o de Florentino Pérez e do director da Cátedra e
projecto tem como objectivo “implementar e prémio Nobel, Mário Vargas Llosa.
testar programas de treino da criatividade em
Ciência Hoje
simultâneo com a criação de ambientes inteli-
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Opinião
A Crença XXVII-100 Anos
Postal da Nova Inglaterra
À mesa do café,
fala-se da saudade - IV
JOÃO CARLOS TAVARES
Chama-se Manuel Amaral Brum! É um
dos companheiros da “cavaqueira” matinal
à mesa do café, onde se fala da saudade, e a
ele nos vamos hoje referir nesta despretensiosa crónica emigrante.
Natural de Ribeira Seca, Vila Franca do
Campo, emigrou para o estado de Rhode Island, EUA, no início dos anos 60 do século
passado. Fez a “primária” naquela histórica vila micaelense e ganhou muitas amizades com professores e com outras pessoas
que foram personalidades da cultura em
Vila Franca, caso do dr. Augusto Simas,
do professor e músico, Teotónio Machado
Andrade, e outros que admiravam a memória e dotes de inteligência do jovem Brum,
muito interessado na história da primeira
capital de S. Miguel e de tudo o que fosse
cultura nas suas diferentes vertentes.
Apodaram-no, na sua tenra juventude,
de “Manuel Cruzinha”, alcunha que divertia o abalizado empresário vilafranquense,
António Damião, por naqueles recuados
anos, ter sido sempre o jovem paroquiano
da igreja da Matriz de S. Miguel que na
Vila levava a “cruz processional” durante
as festividades da terra.
Lidou, leu e investigou com os interessados, a história de Vila Franca e ainda
hoje repete facetas decoradas com os devidos pormenores dos factos mais transcendentes, desde os primórdios do povoamento, passando pelo terramoto de 1522
à construção da escadaria monumental da
Senhora da Paz, até ao Mercado de Peixe.
A genealogia das famílias vilafranquenses, bem assim de toda a ilha, Manuel
Brum, conhece-as com alguma profundidade. Tudo o que se relaciona com Vila
Franca do Campo, os seus históricos edifícios, individualidades ali nascidas e as suas
respectivas áreas de desempenho, jardins,
igrejas e conventos, não têm segredo para
o Brum.
Cedo foi para Ponta Delgada trabalhar
e ali no seu ambiente de menino e moço
escolheu para passar a suas horas de hobby
frequentando a biblioteca de Ponta Delgada. Vasculhar documentos e publicações
antigas onde aprendeu aquilo que mais o
cativava, a história da sua vila e de todas as
ilhas dos Açores e não só foi o seu tempo
preferido no dia a dia.
A Biblioteca Pública de Ponta Delgada
foi assiduamente frequentada pelo Amaral
Brum, como aproveitamento de tempo, na
procura de notas históricas e nelas teve
sempre o apoio do investigador já, falecido,
dr. Hugo Moreira, por quem nutriu a maior
estima e consideração. Com ele aprendi
Atlântico Expresso
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
muito, diz Manuel emocionado pelo peso
da saudade.
Na altura, entusiasmado, assistiu aos
antigos leilões que se realizavam em toda
a ilha e aí encontrou alfarrábios de valor
que depois recuperou e vendeu aos coleccionadores interessados da sociedade
micaelense. Mas, primeiro lia e anotava
os factos mais transcendentes encontrados
na obra, aprendia e decorava. Foi assim,
durante muito anos, até emigrar para os
EUA.
Aqui o bichinho das antiguidades e das
publicações ligadas às genealogias, história e biologia sempre o fascinou e andou
por casas de artigos antigos, leilões e feiras
à procura de objectos e publicações raras
ou esgotadas. O velho hábito de frequentar
bibliotecas e livrarias sempre o cativou e
chegado aos EUA, fez o mesmo. Interessou-se também pela botânica, origens e as
famílias de múltiplas espécies, isto tudo
desde que tomou conhecimentos da fascinante obra realizada por Ernesto do Canto, nomeadamente no cultivo de espécies
importadas que fazem parte do quadro
de belezas que ornamentam jardins de S.
Miguel.
Leu Mark Twain e conhece muito da
obra do físico e dos botânicos Thomas
Jefferson e Jacob Bigelow. Aprendeu o
tratamento das árvores e, diz com certo
orgulho, que já fez uma delicada poda de
árvore num jardim desenhado pelo célebre
arquitecto o famoso Frederic Homestead,
autor do mundialmente famoso State Park,
na cosmopolita cidade de Nova York.
No que refere à genealogia, Brum diz
admirar o açoriano Ferreira de Serpa e o
actual investigador Jorge Forjaz, a quem
um dia durante um convívio na Casa dos
Açores da Nova Inglaterra, sediada, ao
tempo, em Rhode Island, decidiu oferecer
uma obra de um genealogista americano,
Genealogia das Famílias da Nova Inglaterra, obra rara, pela qual o açoriano dr. Forjaz ficou bastante grato.
Para um indivíduo, como o Manuel,
possuidor de apenas o 2º. ano do antigo ensino secundário, o leque de conhecimentos
culturais, como são os dele, torna-se vasto
e, notoriamente, tem gravado muita coisa
na sua memória de elefante que a todos
deslumbra, porque refere a factos, datas e
lugares, nome com a necessária precisão.
Agora, já perto dos 80 anos de idade,
ainda vai, quase diariamente, à Biblioteca
Pública de East Providence, na procura de
dados históricos, biografias e outras narrativas de interesse para coleccionar ou oferecer cópias a alguém que sabe se empenhar
pelas suas buscas. As próprias funcionárias
da biblioteca admiram-se dos seus largos
conhecimentos e não regateiam ajuda ao
veterano emigrante, dado o seu singular interesse por essas culturas que enriquecem
os conhecimentos de qualquer cidadão, não
tendo como obstáculo o factor idade. As
simpáticas empregadas bibliotecárias até
se motivam com o cativante interesse do
idoso luso-americano.
Manuel Brum foi também um sedento
coleccionador, durante anos, de obras de
arte sacra, quadros, molduras e de peças
antigas. Nas suas velhas “relíquias” sabemos que tem a primeira imagem de Santa
Ana, trazida dos Açores para a América e
que pertenceu à primeira igreja das Furnas.
Possui também outras imagens e alguns
quadros de valor artístico de reconhecidos
pintores portugueses e até tem, ainda guardado, que pode vender a qualquer museu
interessado, o baú que serviu de modelo na
pintura do célebre quadro “Os Emigrantes”
de Domingos Rebelo.
Falando de um lapso de tempo com
mais de 60 anos envolvido nos meandros
das coisas culturais e da natureza, podemos
ainda referir nesta crónica, o interesse que
Amaral Brum, sempre demonstrou, pela bibliografia açoriana e por conhecer a fundo
as obras e as biografias dos muitos autores
da Região, em especial do período que vai
até aos anos 70.
Poucos são os literatos, historiadores,
poetas, pedagogistas, escultores, pintores
e até muitos jornalistas e oradores sacros,
etc. que o nosso companheiro de café e
amigo de há muito, não saiba dizer algo sobre esses açorianos ilustres doutros tempos
e épocas.
Manuel Amaral Brum, ainda é possuidor de algumas obras editadas nos Açores
que continuam no rol das raridades.
Dezenas de pessoas, nos meados do
século passado, ligadas e interessadas pelas coisas da cultura, conseguiram edições
para as suas bibliotecas particulares, graças ao Manuel Brum que era figura sempre
presente em actos de leilões e bric-à-bracs,
e nas livrarias, pendurado nas prateleiras à
procura de “livros amarelados” do volver
dos anos.
Reconhece e apoia a actividade editorial dos tempos actuais onde quase todas as
semanas surgem novos livros nas montras
das livrarias. E indaga-se se acaso há leitores interessados para tanta fartura.
Finalmente lembra que não encontra
razões para que ainda não tivessem sido reeditados livros importantes no escaparate
açoriano, como o livro de Porfírio Bessone, Dicionário Chronológico dos Açores,
1935; a obra de Joaquim Cândido Abranches, as genealogias de Ferreira de Serpa,
para referir apenas a estas obras, porque
existe muitas outras que deverão interessar
aos bibliófilos e investigadores dos Açores
e naturalmente a pessoas de todo o Portugal e do estrangeiro.
Este Manuel, emigrante e cidadão respeitado, deveria ser, um dia, estudado e até
mesmo mais apreciado pelas pessoas ou
grupos de pessoas que admiram essas figuras, com somente as aptidões educacionais
mínimas, mas com capacidade de assimilação e avidez de conhecimentos diversos,
porque razão se perderam no lençol de desperdícios de potenciais ilustres capacidades de intelectuais?
East Providence, 26 de Junho, 2015
A mulher
educadora
para a Paz
TEIXEIRA DIAS
Tenho até ao momento trabalhado sobretudo os
números mais antigos, não esquecendo, como convém os mais recentes.
Hoje vou precisamente respigar no ano de 1995.
A par de várias possibilidades aquela que me pareceu mais oportuna foi em primeiro lugar a transcrição da mensagem do então Papa Santo João Paulo
II: A Mulher educadora para a Paz.
Esta mensagem foi uma sementeira de comentários que naturalmente procurarei enunciar.
O Papa, referindo-se à paz começa por afirmar:
“Sabemos bem como é difícil esta obra. De facto
para ser duradoura e eficaz não pode limitar-se aos
aspetos exteriores da convivência mas deve sobretudo incidir sobre as mentes e apoiar-se numa renovada consciência da dignidade humana”.
Um pouco à frente o pontífice continua: “Educar
é um dos mais fecundos e duradouros caminhos para
firmar o valor da paz”.
“Desejo dirigir a minha mensagem para esta
mensagem da Paz sobretudo às mulheres, pedindolhes que se tornem educadoras da Paz com todo o
seu ser e seu agir; sejam testemunhas, mensageiras
mestras da Paz na vida cultural, social e política”.
Os comentários à alocução papal começam ainda
durante a transcrição total das palavras papais.
No jornal de 22 de janeiro desse ano de 1995
Nuno Filipe, da ordem de S. João de Deus, tem esta
opinião: “Nalguns lares a educação religiosa parece
ser tarefa da avó, que tem muito tempo livre. Sempre é melhor que nada, mas os laços afetivos têm,
(devem ter), um elo muito mais forte em relação aos
pais, sobretudo à mãe”.
As reflexões vão surgindo ao longo do ano, e embora muitas vezes não refiram as palavras de S. João
Paulo II, as ideias fundamentais lá se encontrarão.
“Numa sociedade que nos impõe modelos a seguir que não são os nossos, a mãe aprende que o
filho não é um projeto seu. É alguém que se vai
construindo na liberdade e na responsabilidade de
viver a vida, sem as amarras que tantas vezes o seu
protecionismo gostaria, por segurança de lho impor”
. (28 de maio).
No dia 6 de agosto surge-nos um artigo «O génio
da mulher», aí se afirma: “O progresso humano é
avaliado normalmente em categorias técnicas e científicas. Mas estas não são as últimas dimensões do
progresso: «mais importante é a dimensão ético-social, que diz respeito às relações sociais e aos valores
do espírito.
É nesta dimensão frequentemente desenvolvida
sem alarde, das relações quotidianas entre as pessoas, especialmente dentro da família que a sociedade
é devedora precisamente ao génio da mulher.
E este respigar termina com uma transcrição de
parte de um poema:
“Ainda ontem tricotei a coragem do medo desfeito
Hoje, bordo a estrada que o amor me ajudou a
sonhar
E não deixarei que os muros da escuridão
Encubram as pegadas da Paz que procuro
Serei sempre mulher!... (11 de junho de 1995)
Atlântico Expresso
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Opinião
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Lá Longe 668
Grupo folclórico de danças
e cantares de Joane
JOSÉ HÄNDEL
DE OLIVEIRA
Mais uma vez e tendo em conta a excelente
colaboração que durante os 24 anos que fui
Delegado da Inatel em Braga, mantive com
o conceituado Grupo Folclórico de Danças e
Cantares de Joane, a Direcção teve a amabilidade
de me convidar a assistir ao XXXI Festival de
Folclore que organizaram.
Aquele certame foi precedido de um
jantar convívio num restaurante daquela vila
famalicense, onde fui recebido pelo Presidente
da Direcção Mário Tapadas, pela Vice-Presidente
Deolinda Salgado e pela Tesoureira e Directora
Técnica do Grupo, Cristina Simões.
Depois da magnífica refeição que nos foi
servida, deslocámo-nos para o Parque da Ribeira
onde ia decorrer o Festival e em que participaram
também o Rancho Folclórico da Casa do Povo
de Anjeja (Aveiro), o Grupo Folclórico “As
Ceifeiras de S. Martinho” de Oliveira de Azeméis
e o Grupo Folclórico “Os Lavradores de Oleiros”
de Ponte da Barca.
Naquele local tive a oportunidade de
cumprimentar o Secretário da Direcção e meu
amigo Ricardo Mendes que estava atarefado
com os afazeres da barraquinha dos comes e
bebes, onde se obtêm uma razoável receita para
o Grupo.
Antes da actuação dos quatro agrupamentos,
fui chamado ao palco juntamente com outros
convidados e ouvi, com muito gosto, os maiores
elogios à minha acção na Inatel, feitos pelo
apresentador do espectáculo Manuel Moreira, um
homem que tem dedicado parte importante da sua
vida ao folclore e à etnografia e que mantém na
rádio “Cidade Hoje” em Vila Nova de Famalicão,
um interessante programa sobre folclore que é
muito apreciado e tem grande audiência.
Convidado por aquele meu amigo a proferir
algumas palavras, naturalmente agradeci o
convite, dei uma pequena ideia de quanto me
bati pela dignificação do folclore nas Delegações
da Inatel em Portalegre, na Covilhã, em Ponta
Delgada, em Braga, em Viana do Castelo, em
Bragança e no Conselho Geral da Inatel em
Lisboa. Terminei desejando que todos os Grupos,
com verdade e autenticidade, dessem uma ideia
dos usos e costumes das Regiões em que estão
integrados, nomeadamente através da música, das
danças e dos cantares.
Aos representantes em palco de todos os
Grupos com os respectivos estandartes, foram
entregues lembranças em que sobressaia uma
genuína peça de artesanato (carro de bois).
E não me retirei sem que uma gentil
componente do Grupo de Joane me oferecesse
um gracioso troféu alusivo àquele Festival de
Folclore.
SANTUÁRIO DO BOM JESUS DO MONTE
Revela o jornal bracarense “Diário do
Minho” que a Santa Sé reconhecendo a particular
importância por se ter transformado em centro
de devoção, de peregrinação, à sua superioridade
histórica e à beleza artística, arquitectónica e
decoração, concedeu o título de Basílica ao Bom
Jesus de Braga.
O emblemático “galo de Barcelos”, o
Santuário do Bom Jesus do Monte e o seu bucólico
escadório, são dos mais antigos ícones turísticos
portugueses.
POPULARES CORAJOSOS
No Jardim do Morro, em Gaia, um cadastrado
de 48 anos que já cumpriu uma pena de 18 anos
de prisão por homicídio, cerca das 21h00 abordou
uma ucraniana de 25 anos a quem exigiu a
carteira e o telemóvel. Mas a jovem resistiu pelo
que foi agredida com um soco na cara. Contudo,
alguns populares atraídos pelos gritos da vítima,
espancaram o assaltante e manietaram-no até à
chegada da Polícia.
O cadastrado que ainda chegou a disparar
um tiro para o ar, foi transportado ao Hospital de
Santo António, no Porto, para tratamento.
A Polícia Judiciária confirmou a detenção e
apresentou-o em Tribunal onde foi libertado com
termo de identidade e residência.
EXTORSÃO
o dinheiro no Centro Empresarial, localizado na
rua Guilherme Caldas Peixoto, em Vizela, mas
avisou a GNR. Assim os dois indivíduos em vez
do dinheiro foram detidos por elementos daquela
Corporação.
Um deles ficou detido e o outro foi notificado
para comparecer no Tribunal Judicial de
Guimarães.
telemóvel que acorreu de imediato ao local com
três viaturas e 12 agentes, tendo conseguido deter
o assaltante meia hora depois.
Foi presente ao Tribunal de Instrução de
Guimarães e ficou em prisão preventiva. A PSP
conseguiu recuperar 85 euros e a pistola que
estava escondida num lenço.
O DRAMA DOS EX-COMBATENTES
IDENTIFICAÇÃO DE ANIMAIS
PERDIDOS OU ABANDONADOS
A Junta de Freguesia de Prado, Vila Verde,
vai adquirir um “scanner” que permite identificar
os cães perdidos ou abandonados, desde que os
animais sejam portadores do respectivo “chip”.
Com o “scanner” e desde que os cães tenham
“chip” é possível identificar logo o local e ver se
têm dono ou não.
O aparelho está avaliado em 150 euros.
No canil/gatil de Coimbra é compensado
pelas adopções feitas. No primeiro quadrimestre
deste ano foram adoptados 165 animais, sendo
que a taxa de adopção de cães atingiu 66% e a
dos gatos 80%.
FURTO NO INTERIOR DE VIATURA
De madrugada, um indivíduo de 48 anos,
na Travessa da Praça do Comércio, em Braga,
partiu o vidro de uma das portas de uma viatura e
apoderou-se de dois sacos de plástico, com bens
no valor de 510 euros.
Porém, foi detectado pela PSP que o deteve e
apreendeu o produto do furto. Foi notificado para
comparecer nos Serviços do Ministério Público,
junto do Tribunal Judicial de Braga.
O jornal “O Comércio de Guimarães” noticia
o seguinte:
ASSALTO A TAXISTA
Dois indivíduos de 33 e 35 anos, residentes em
Guimarães, contactaram, através do telemóvel,
um empresário do ramo do calçado, de Vizela, de
40 anos, a quem exigiram 1.000 euros sob pena
de o denunciarem por causa de um processo de
insolvência de uma empresa e de uma divida
antiga.
O empresário marcou encontro para entregar
Um indivíduo de 30 anos, em regime de
apresentações periódicas à PSP por ter assaltado
uma idosa, meteu-se num táxi em Braga e quando
passava junto ao Bairro Nogueira da Silva, nesta
cidade, ameaçou o motorista com uma pistola e
roubou-lhe 180 euros.
Apesar de ter rebentado com o fio do rádio do
carro, a vítima conseguiu ligar para a PSP pelo
Em Amarante, um reformado de 74 anos,
ex-combatente do Ultramar, com problemas de
stress de guerra, expulsou a mulher e a filha de
casa e fechou-se num quarto armado de caçadeira,
assegurando que mataria quem se aproximasse.
Chamada a GNR em conversação com
mediadores desta Corporação ainda fez dois
disparos, mas ao fim de seis horas a equipa táctica
conseguiu imobilizá-lo sem necessidade de troca
de tiros. Foi encaminhado para o hospital.
BURLONA
No Porto, uma mulher de 48 anos, assaltava
na baixa idosos a quem roubava os cartões
multibanco. Depois, fazendo-se passar por um
funcionário bancário, telefonava às vítimas a
pedir o código dos respectivos cartões, dizendo
que se tornava necessário para cancelar o cartão.
Uma das vítimas deu o código e depois verificou
que lhe levantaram 3.000 euros da sua conta.
Elementos da esquadra de Infesta da PSP
interceptaram a burlona que foi reconhecida por
várias das vítimas. As investigações continuam.
LÁPIDE RECUPERADA
Num aterro na Travessa do Alto das Torres,
em Gaia, uma patrulha da PSP recuperou a lápide
da escultura da Anja, furtada em 2006 da Praça do
Anjo, no Porto.
Em Novembro de 2009, o sucateiro que
comprou a estátua em bronze, foi condenado a 4
meses de prisão efectiva por receptação de metal
furtado.
Braga, 14 de Junho de 2015
Foto: DR
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Desporto
Atlântico Expresso
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Opinião
Os vencidos também se honram
JOÃO DE BRITO
ZEFERINO
Acabou o sonho lindo de Portugal ganhar o
Campeonato da Europa de Sub 21, que por ironia do destino, próprio do Futebol, foi mesmo
até ao último pingo de suor. Eram bem fundamentadas as esperanças que todos depositavam
nos “quininas” de Rui Jorge e seus pares, pois
ao longo da grande maratona que conduziu à
final, fomos, sem sombra de dúvida, e alertados
chauvinismos, a melhor selecção da prova. Pelo
menos na nossa modesta e insignificante opinião acompanhada por muita gente (não temos
procuração para dizer se de todos os amantes
da bola).
Falar do que se passou e que todos viram,
será repetir tudo aquilo que já sabemos. Fomos
melhores, merecíamos ter ganho, só foi pena
que A não tivesse jogado no lugar de B, que
nunca devia ser o W. Carvalho a marcar a última penalidade, e mais e mais e mais.
Bom, se é certo que todos têm direito à
sua opinião, muito em especial no “day after”,
o certo é que se tal tivesse outro desfecho, se
Portugal trouxesse o “caneco”, todo o discurso
acabaria por ser diferente. Mas não foi e agora
temos que ver o lado positivo de tudo aquilo
que temos.
Para já os parabéns a todo o grupo e à equipa em primeiro lugar, porque deixaram a “pele”
em campo, depois porque os vencidos não são
dignos daquelas piedades balofas, mas sim de
serem honrados. Há que pensar que o primeiro
objectivo foi conseguido, que era levar a equipa
aos Jogos Olímpicos do próximo ano no Brasil, coisa que já não acontecia há um quarto de
século, mais coisa menos coisa. Depois porque
ser vice-campeão da Europa não é vergonha
nenhuma, pese embora os doutores da bola afirmarem que o segundo lugar é o melhor dos últimos. Mais ainda, ficou demonstrado que temos
massa humana da boa, temos equipas de técnicos dos melhores (é ver a nossa exportação para
países onde vão ganhar títulos) e que o futuro
(pelo menos no futebol) pode ser risonho.
E se quiséssemos alongar o percurso para
melhores caminhos, nunca mais acabaria. E
para nós açorianos, quer se goste ou não de futebol, é com grande alegria e honra que vemos
no banco em representação da Federação Portuguesa de Futebol, o “velho ciclone dos Açores”
Pedro Pauleta, sofrendo, a bom sofrer, como
nos tempos em que andava “lá dentro” a marcar
e a brilhar. E que agora já tem um sucessor um
“pequeno milhafre” que tem garras e pelo rijo
para segurar o trono daquele que ainda é só o
2º melhor marcador de todos os tempos na seleção. Seu nome Yuri Medeiros, faialense de boa
cepa, que juntando o seu nome ao do Eliseu já
consagrado nos mais velhos, mantem o orgulho
açoriano nestas equipas das quinas.
E que bom pelos menos para quem gosta
destas coisas do futebol, que o vê por vezes
arrastado na lama dos poderosos que em seu
nome usam e abusam dos poderes efémeros
que lhes foram conferidos, que ainda há neste
reino gente que luta pelos ideais de defenderam
as cores e as quinas e que, para além de tudo,
tem nos seus quadros aquele que foi eleito pela
UEFA, o melhor jogador do campeonato. Seu
nome é William Carvalho, aquele que falhou
a grande penalidade. E para quem gosta disto
tudo, é mais do que suficiente para honrar os
vencidos.
Haja confiança no futuro, duma seleção que
teve sete eleitos para a seleção ideal. É obra!.
Temporada desportiva 2015/16
Nacional de Séniores com várias mudanças
Campeonato Nacional de Seniores e Taça
de Portugal com alterações na campanha que
se aproxima (2015/16). Cinco equipas açorianas
nos nacionais.
Dois quadros competitivos que habitualmente
envolvem equipas açorianas, Campeonato
Nacional de Seniores e Taça de Portugal, vão sofrer
alterações já a partir da campanha 2015/16.
Assim, os clubes terão, em 2015/16, de
inscrever 12 jogadores formados em Portugal
nas fichas de jogos do Campeonato Nacional de
Séniores, de acordo com as alterações ao terceiro
escalão do futebol português.
No actual regulamento, os clubes eram
obrigados a ter 10 jogadores formados localmente
em cada jogo da competição, sendo que as novas
regras alteram também a definição de jogador
formado localmente.
Assim, um jogador formado localmente é
aquele que tem entre 15 e 23 anos - antes era até
aos 21 - e esteve registado no clube ou por clubes
integrados na Federação Portuguesa de Futebol,
de forma continuada ou interpolada, por três
épocas completas ou por 36 meses.
Estas alterações surgem na sequência das
conclusões do Fórum de Desenvolvimento do
Futebol, que decorreu em Olhão, no Algarve,
em Novembro último, onde foi apontada, com
carácter de urgência, a necessidade de defesa da
protecção do jovem futebolista português.
TAÇA DE PORTUGAL
Entretanto, a Taça de Portugal de futebol vai
ser alargada para 160 clubes a partir da próxima
temporada (2015/16), com os clubes da Primeira
Liga a iniciarem fora de casa a sua participação
na prova.
De acordo com as alterações ao regulamento
da Taça, aprovadas pela Federação Portuguesa
de Futebol, a competição passará a ter mais 25
equipas na próxima temporada, aumentando o
número de clubes dos distritais.
Outra das alterações é o facto de as equipas da
Primeira Liga jogarem sempre fora o respectivo
jogo da terceira eliminatória.
Deste modo, na primeira eliminatória vão
participar 80 equipas do Campeonato Nacional de
Seniores, mais 44 clubes das competições distritais.
Os apurados da primeira ronda juntar-seão aos conjuntos da Segunda Liga na segunda
eliminatória e ao número necessário de equipas
repescadas, sendo que, na circunstância, os clubes
da competição profissional também jogarão fora.
CINCO EQUIPAS
Relembre-se que, na campanha que se avizinha,
os Açores vão ter cinco equipas nas competições
de índole nacional: Santa Clara (Segunda Liga);
Operário, Angrense, Praiense e Sporting Ideal
(Campeonato Nacional de Seniores).
Atlântico Expresso
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
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Desporto
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
WTCC – 45º Circuito Internacional de Vila Real recebe Campeonato do Mundo
Vila Real ou a “cidade Côrte de Trás-os-Montes”
dá as boas vindas e acolhe mundial de turismo
Outrora conhecida como a “Cidade Côrte de Trás-os-Montes”, devido ao elevado número de
casas brasonadas, que então tinha, a Cidade de Vila Real dá as boas vindas, no próximo fimde-semana, ao “FIA World Touring Car Championship”, que é a principal prova do 45º Circuito Internacional da Cidade. Com um renovado “Circuito Citadino”, que integra um novo
“paddock” e uma nova zona para a imprensa, estruturas fundamentais num evento de cariz
mundial, Vila Real recebe, pela primeira vez, uma corrida de velocidade integrada no calendário de um campeonato do Mundo: o WTCC! Terra de ilustres personalidades, como são os casos do General Alves Roçadas, Prof. Doutor Nuno Grande, médico, (amigo pessoal da minha
família, com quem falei vezes sem conta), Afonso de Castro (poeta lírico e jornalista), Luísa
Dacosta (escritora), infelizmente, todos já desaparecidos, e, tantos outros, que dignificaram o
nome de Vila Real, deixaram uma marca indelével e uma vastíssima obra cultural e científica.
O “Jornal Atlântico Expresso” deseja um excelente fim-de-semana de corridas na Cidade de
Vila Real, bem como a todos aqueles que trabalharam arduamente, para que este evento de
carácter mundial, seja uma realidade até 2017, nesta belíssima cidade e capital transmontana,
que tão bem sabe acolher todos aqueles que a visitam, seja para descansar ou seja para trabalhar, como é o nosso caso.
Fotos: Departamento de Imprensa-WTCC
JOSÉ MANUEL
PINHO VALENTE
São circuitos citadinos como o de Vila
Real, onde a aproximação entre as pessoas,
os automóveis e os pilotos é uma realidade. Porque são estes que proporcionam
o espectáculo, que os espectadores tanto
querem ver e observar e, de preferência, o
mais de perto, como só é possível nos traçados citadinos. Como exemplos de outros
traçados deste género com sucesso, temos o Uma fase da corrida, em Paul Ricard, com Tiago Monteiero (nº 18) a liderar um grupo
recente e renovado Circuito da Boavista”, em que se encontram José Maria Lopez (37), Sebastien Loeb (9) e Ma Qing Hua
no Porto, a menos de 85 Km de Vila Real, o
Tiago Monteiro em pista, naquele que foi o primeiro evento do WTCC
Circuito da Guia (Macau), o Circuito de Pau (França) ou o tradicional
Circuito de Monte Carlo (Mónaco), que permanecerão para sempre
na memória daqueles que gostam de automóveis, tal como aconteceu
com as 44 edições já disputadas no traçado de Vila Real, de anos
longínquos e mais recentes, mas com uma história que será recordada
para sempre e que permanece arquivada no pó das bibliotecas, para
mais tarde recordar.
A Cidade de Vila Real tem o privilégio e a honra de ter um excelente
traçado e possuir um dos poucos circuitos urbanos, ainda existentes,
neste “Velho Continente”. Tal como o Vinho do Porto, este circuito
situado em terras do Marão, continua a ser uma referência única no
panorama nacional e internacional do automobilismo, recebendo
este ano, pela primeira vez na sua história, um evento que integra um
calendário mundial.
É já na próxima sexta-feira, que o barulho dos motores vai ecoar
pela bonita Cidade de Vila Real, com a realização dos primeiros treinos
livres do WTCC. Será o início de um fim-de-semana escaldante em Tiago Monteiro tira o capacete
termos de competição – onde se espera uma ou duas vitórias de Tiago
Monteiro nas duas mangas -, quer em termos de temperatura ambiente
quer em termos da temperatura do asfalto, que será abrasadora nesta efectuado em Portugal.
altura do ano, sacrificando e muito os bem e os mal amados pneus.
O piloto local, Manuel Pedro Fernandes, filho do lendário Manuel
Apresentação no “Wine Bar/Restaurante Cais da Villa
Fernandes, vai correr na sua terra natal, partilhando a grelha com Tiago
Monteiro, aos comandos de um terceiro Chevrolet Cruze RML, da
A apresentação do evento português do WTCC, em Vila Real, oitaformação espanhola Campos Racing, o que permitirá a Manuel Pedro va ronda do Campeonato do Mundo, teve lugar, a semana passada, no
Fernandes lutar pelos primeiros lugares no “Troféu Yokohama” de “Wine Bar/Restaurante Cais da Villa”, com a seguinte localização GPS:
Independentes. Recorde-se, que o “veterano” piloto, Manuel Pedro Latitude-41.293408º/Longitude-7.739793, na Cidade de Vila Real.
Fernandes, se tem mantido activo desde o ano passado no “Troféu Contou com a presença do Exmo Senhor Engº Rui Santos (Presidente
Abarth 500”. O WTCC volta a ter mais do que um piloto português à do Município de Vila Real), Manuel de Mello Breyner (Presidente da
largada, o que já não acontecia desde 2007, no traçado da Boavista, no FPAK) e Tiago Monteiro (Piloto de Portugal no WTCC).
Porto, quando Luís Pedro Magalhães e Miguel Freitas acompanharam
Atlântico Expresso
BANDEIRA
DE XADREZ
WTCC: LISTA DOS CAMPEÕES DO MUNDO
DE PILOTOS (2005-2014) – A edição inaugural do
Campeonato do Mundo de Carros de Turismo, com
a designação FIA-WTCC (FIA-World Touring Car
Championship), disputou-se em 2005. Este ano cumprese a 11ª edição e, exceptuando os anos de 2005, 2006 e
2014, teve sempre um evento realizado em Portugal. No
traçado da Boavista (Porto) efectuaram-se quatro edições (2007, 2009, 2011 e 2013), Autódromo do Estoril
(2008) e Autódromo Internacional do Algarve (2010 e
2012). Este ano, o Circuito Internacional de Vila Real
recebe a oitava edição do WTCC, em Portugal, primeira
vez no traçado transmontano. Os campeões do Mundo
de pilotos desde 2005 foram os seguintes: 2005: Andy
Priaulx (Reino Unido) BMW 320i; 2006: Andy Priaulx
(Reino Unido) BMW 320si; 2007: Andy Priaulx (Reino
Unido) BMW 320si; 2008: Yvan Muller (França) SEAT
Léon TDI; 2009: Grabiele Tarquini (Itália) SEAT Léon
TDI; 2010: Yvan Muller (França) Chevrolet Cruze LT;
2011: Yvan Muller (França) Chevrolet Cruze 1.6T;
2012: Rob Huff (Reino Unido) Chevrolet Cruze 1.6T;
2013: Yvan Muller (França) Chevrolet Cruze 1.6T;
2014: José Maria Lopez (Argentina) Citroen C-Elysée
WTCC.
Nota: Em 1987, designou-se Campeonato do Mundo
de Turismo, enquanto que nos anos de 1993, 1994 e
1995, havia um calendário mundial para carros de Turismo, todavia, não tinha a designação de Campeonato do
Mundo, mas de “Taça do Mundo de Carros de Turismo
FIA/ FIA World Touring Car Cup”. Os vencedores do
Campeonato do Mundo de Turismo (1987) e da Taça do
Mundo de Turismo (1993 a 1995) foram os seguintes:
1987: Roberto Ravaglia (Itália) BMW M3; 1993: Paul
Radisich (Nova Zelândia) Ford Mondeo; 1994: Paul
Radisich (Nova Zelândia) Ford Mondeo; 1995: Frank
Biela (Alemanha) Audi A4 Quattro.
WTCC: ESLOVÁQUIA/CIRCUITO DE SLOVAKIARING (7º EVENTO/13ª e 14ª CORRIDAS)
– Problemas electrónicos durante a qualificação obrigaram Tiago Monteiro a sair do final da grelha de partida
em ambas as corridas. O piloto português foi obrigado a
realizar duas corridas de recuperação e ao “sprint”, com
o objectivo de terminar nos pontos. E foi exactamente
isso que aconteceu. Tiago Monteiro concluiu a primeira
manga no oitavo lugar e terminou a segunda no nono.
Sem dúvida, foi um feito notável e totalmente merecido
em corridas efectuadas contra o tempo, pois uma boa
posição no “grid” de largada tem sempre um papel
decisivo e fundamental no desfecho das corridas. No
final, Tiago Monteiro disse: “Estas duas recuperações
têm sabor a vitória. Foi bastante difícil e duro. Não
podia dar-me por vencido. Fui muito agressivo e dei
tudo o que tinha. Sabíamos que a tarefa ia ser muito
difícil Até chegar aos pontos havia muitos adversários
a bater, mas, felizmente, conseguimos alcançar a meta.
Tanto eu como a equipa estamos satisfeitos com a
performance do carro nas corridas”.
WTCC: FRANÇA/CIRCUITO DE PAUL RICARD
(8º EVENTO/ 15ª e 16ª CORRIDAS) – Tiago
Monteiro teve um fim-de-semana agridoce em terras
tricolores. Apesar de ter alcançado um sétimo posto
na manga inaugural e em que foi sempre o melhor
Honda em pista, mostrando um bom ritmo de corrida,
foi abalroado por José Maria Lopez, sendo colocado
fora de pista, quando seguia no segundo lugar e lutava
pela vitória. Tiago Monteiro, aborrecido com este incidente disse no final: “O arranque foi bom e subi um
lugar. Depois, quando ocupava a segunda posição,
o “Pechito” numa atitude que não reconheço nele,
colocou-me fora. E estragou a possível subida ao
pódio. Claro que estou muito chateado, porque mesmo
que ele seja penalizado, isso já não me beneficia em
nada. E este pódio era importante para mim e para
a equipa. Avizinha-se a prova de Vila Real onde a
motivação é um factor importante. Mas, já nada há a
fazer. Temos de seguir em frente e pensar que correrá
melhor em Portugal”.
J.M.P.V.
22
Atlântico Expresso
Televisão
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
signos
BALANÇA
(23/09 a 23/10)
CARNEIRO
(21/03 a 20/04)
09:00 Açores Hoje
10:30 Água de Mar
11:17 Portugueses
Pelo Mundo
12:00 RTP Informação /
RTP Açores
17:00 Informação
Açores
17:22 Açores Hoje
18:52 Era uma vez
19:00 Água de Mar
Série urbana e
atual que se desenrola entre a
Praia das Conchas e a nova
Escola de Artes
que está a nascer
no palacete da
família Barahona.
Tendo como pano
de fundo a mítica
linha de Cascais,
esta série possui
uma trama cheia
de emoções fortes
19:49 Mundo
Automóvel
Mundo Automóvel
destaca os temas
de grande actualidade: automóveis
alternativos, segurança, tecnologia,
design e concepts
assim como o
lançamento dos
novos modelos da
indústria automóvel nos mercados
nacional e internacional.
20:00 Telejornal Açores
20:40 Documentário
Açores
22:47 Bem-vindos a
Beirais T3 - Ep.
128
03:30 Telejornal Açores
00:00 Euronews / RTP
Açores
05:00 Consigo
05:30 Bom Dia Portugal
09:00 Verão Total
(Manhã): Beja
12:00 Jornal da Tarde
13:15 Os Nossos Dias
T2 - Ep. 62
14:00 Verão Total
(Tarde): Beja
17:00 Portugal em
Direto
18:00 O Preço Certo
19:00 Telejornal
20:15 Bem-vindos A
Beirais T4 - Ep.
124
21:00 Quem Quer Ser
Milionário - Alta
Pressão
22:00 Agora A Sério Ep. 10
Uma série que
retrata de forma
humorística a dificuldade sentida
pelos jovens de
hoje em se tornarem autónomos,
não deixando de
lado os amores,
as amizades e as
aventuras próprias
da idade.
22:30 5 Para a MeiaNoite T10 - Ep. 61
Com Luís Filipe
Borges. Em cada
noite, um apresentador diferente
está aos comandos do ‘5 Para a
Meia-Noite’.
De
segunda a sexta,
este espaço recebe convidados
de peso, muita
animação, rubricas musicais e
momentos completamente inesperados.
23:45 Dexter T8 - Ep. 8
00:45 Jikulumessu - Ep.
24
01:30 Inesquecível
03:00 Televendas
06:00 Zig Zag
10:00 Euronews
12:10 Ciclismo: Volta a
França - Etapa 3
15:35 A Fé dos Homens
16:00 Zig Zag
19:00 Esplendores da
Natureza
20:00 Jornal 2
20:47 Página 2
20:55 Hora da Sorte
21:00 Gomorra - Ep. 12
Gomorra
conta
a história de um
grupo da Camorra, a máfia napolitana. O temido
capo, Don Pietro
Savastano é líder
dos
Savastano,
um dos clãs mais
poderosos da Camorra que impõe
a sua lei em Secondigliano, e tem
tudo para se tornar
o chefe do grupo.
22:00 Visita Guiada T4 Ep. 9
Foz Côa, na fronteira da Beira
Alta com Trás-osMontes, guarda o
maior museu de
arte paleolítica do
mundo. Um museu a céu aberto, no vale do rio
Côa, onde mais
de mil gravuras
em pedra, ao longo de 25km, estão
identificadas como
tendo sido produzidas desde há 25
mil anos.
22:30 Rasgar o Céu
23:15 Portugal 3.0
00:15 Sociedade Civil
T10
02:00 Euronews
05:00 Violetta T1 - Ep. 6
06:00 Edição Da Manhã
07:45 A Vida Nas
Cartas: O Dilema
T3 - Ep. 274
09:00 Queridas Manhãs
T1 - Ep. 324
12:00 Primeiro Jornal
13:30 Duas Caras - Ep.
159
14:30 Grande Tarde T2
- Ep. 127
17:30 Babilónia - Ep. 56
18:00 Alto Astral - Ep.
127
19:00 Jornal Da Noite
20:45 Mar Salgado Ep. 253
Beatriz provoca
Patrícia no corredor do hotel,
e revela-lhe que
ela e André vão
casar.
Patrícia
engole em seco
e esforça-se para
disfarçar a raiva
que sente.
21:45 Poderosas - Ep.
36
Dinis fala com um
polícia em português. Este explica-lhe a gravidade da situação e
ao ver Luísa em
apuros, assume
que a droga era
sua ilibando-a de
qualquer responsabilidade.
22:45 Império - Ep. 186
23:30 Mentes
Criminosas T9 Ep. 18
00:30 C.S.I. T12 - Ep. 11
01:15 Podia Acabar O
Mundo - Ep. 5
01:15 Podia Acabar O
Mundo - Ep. 5
02:00 Televendas
05:30
09:10
12:00
13:40
15:00
18:13
19:00
20:33
21:32
22:37
00:00
01:00
01:50
02:36
04:00
Diário da Manhã
Você na TV!
Jornal da Uma
Feitiço de Amor Ep. 235
A Tarde é Sua
The Money Drop Ep. 63
Jornal das 8
A Única Mulher Ep. 99
Henrique explica à
família Sacramento que Jorge ficou
na prisão e que
só dentro de dois
dias será ouvido
perante um juiz.
Todos estão preocupados. Pilar
acha que o marido não vai aguentar o escândalo e
a humilhação.
Jardins Proibidos
- Ep. 231
Manuel dá entrada no hospital
Boa Esperança e
manda calar Bárbara, quando esta
apela para ele ter
calma.
Bárbara
fica na sala de espera, preocupada
a aguardar notícias. Célia chega
ao hospital e encontra Bárbara.
Repreende-a por
não a ter avisado
que vinha para
Lisboa.
Fascínios - Ep. 50
Ora Acerta
Castle T4 - Ep. 6
Dr. House T8 Ep. 10
Filha do Mar - Ep.
54
Televendas
Neste dia parece haver uma maior cumplicidade
emocional entre si e os seus amigos, as conversas parecem tocar a todos de modo profundo.
Os seus sentimentos estão mais vibráteis.
Aproveite para meditar sobre aquilo que dá
e recebe dos outros. Não procure uma compensação na comida.
ESCORPIÃO
(24/10 a 21/11)
TOURO
(21/04 a 20/05)
Procure manter controladas as suas emoções
e não perder a objectividade, pois este pode
ser um momento para conversas cheias de
significado.
Este é o momento ideal para um pequeno retiro no recato do lar. Procure trazer ao de cima
aquela parte de si que usualmente permanece
escondida.
SAGITÁRIO
(22/11 a 20/12)
GÉMEOS
(21/05 a 20/06)
A sua imaginação irá estar em evidência. A sua
agilidade mental, as suas capacidades de argumentação, de comunicação estarão também
sublinhadas.
Este período caracteriza-se por uma sensação
de maior dispersão, uma repentina vontade de
fugir, de modo a recuperar a força que lhe é
habitual.
CAPRICÓRNIO
(21/12 a 19/01)
CARANGUEJO
(21/06 a 22/07)
Neste momento, em que a Lua faz Oposição a
Júpiter, é indispensável estabelecer prioridades,
de modo a levar as suas iniciativas a bom porto.
Neste dia é provável que se sinta bem no
meio daqueles objectos de família que para
si têm um significado especial e que trazem
boas recordações.
AQUÁRIO
(20/01 a 19/02)
LEÃO
(23/07 a 22/08)
Os conflitos, a surgir, terão uma natureza emocional, pelo que lhe serão especialmente difíceis
de controlar. Não se deixe manipular pelos outros.
Uma boa relação da Lua com Úrano irá
trazer-lhe novas ideias, maior gosto pelo
inesperado e reforçar o seu sentido de independência e de liberdade.
PEIXES
(20/02 a 20/03)
VIRGEM
(23/08 a 22/09)
Este trânsito confere-lhe uma grande consciência da sua pessoa e uma maior capacidade
para expressar os seus sentimentos aos amigos ou a quem ama.
A Lua promete tornar-lhe esta fase bastante
agradável, se dedicar algum tempo a apreciar
e conceber expectativas realistas a respeito dos
outros.
INFORMAÇÕES DE UTILIDADE PÚBLICA
FARMÁCIAS
Ponta Delgada - Central
Rua Marquês da Praia de Monforte, 1-7
Telefone: 296284151
Ribeira Grande - Ribeirinha
Rua Direita, 1ª parte nº1
Telefone: 296479202
HOSPITAIS
Ponta Delgada - 296 203 000
Nordeste - 296 488 318 - 296 488 319
Vila Franca - 296 539 420
R. Grande - 296 472 128 - 296 472727
Povoação - 296 585 197 - 296 585 155
POLÍCIA
BOMBEIROS
Ponta Delgada - Urgência 296 301 301
Normal 296 301 313
Ginetes - 296950950
Nordeste - 296488111
Vila Franca - 296539900
Ribeira Grande: 296 472318,
296 470100
Lomba da Maia - 296446017, 296446175
Povoação - 296 550050, 296 550052
Centro de Enfermagem
Bombeiros de Ponta Delgada
Todos os dias das 17h00 – 20h00
Incluindo Sábados, Domingos e Feriados
MARINHA
Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo (MRCC Delgada)
Tel. 296 281 777
Polícia Marítima de Ponta Delgada (PM
Delgada)
Tel. 296 205 246
Ponta Delgada - 296 282 022,
296 205 500 e 296 629 630
Trânsito - 296 284 327
R. Grande 296 472 120, 296 473 410
Lagoa - 296 960 410
Vila Franca - 296 539 312
Furnas - 296 549 040, 296 540 042
Povoação - 296 550 000, 296 550 001,
296 550 005 e 296 550 006
Nordeste - 296 488 115, 296 480 110,
296 480 112 e 296 480 118
Maia - 296 442 444, 296 442 996
R. Peixe - 296 491 163, 296492033
Capelas - 296 298 742, 296 989 433
Santa Maria - 296 820 110,
296 820 111, 296 820 112 e 296 820 110
Ponta Delgada
De 2.ª a 6.ª das 9h00 às 19h00
Sábado das 14h00 às 19h00
Biblioteca Municipal Ernesto do Canto
Rua Ernesto do Canto s/n 9500-313
Tel: 296 286 879; Fax: 296 281 139
Email: [email protected]
Horário: 2ª a 6ª feira das 10h00 às 18h00
Horário de verão (durante as férias escolares): 2ª a 6ª feira das 8h30 às 16h3
POLÍCIA MUNICIPAL
SERVIÇOS CULTURAIS
Rua Manuel da Ponte, n.º 34
9500 – 085 Ponta Delgada
Tel. 296 304403/91 7570841
Fax: 296 304401
E-Mail: [email protected]
PORTO DE ABRIGO
Estação Costeira Porto de Abrigo
Tel. 296 718 086
BIBLIOTECAS
Ribeira Grande
Arquivo Municipal; Biblioteca Municipal
De 2ª a 6ª feira das 9h00 às 17h00
Ponta Delgada
Centro municipal de cultura
Horário das Exposições
2.ª a 6.ª feira - das 09h00 às 12h30
e das 13h30 às 16h30
Encerrado aos fins-de-semana e feriados
Ribeira Grande
Centro Comunitário e de Juventude
de Rabo de Peixe
Teatro Ribeiragrandense
Horário da 2ª a 6ª das 9h às 17h
GABINETE DE APOIO À VÍTIMA
296 285 399 (número regional)
707 20 00 77 (número único)
[email protected]
2.ª a 6.ª das 9:30 às 12:00 e das 13:00
às 17:30
MUSEUS
Ponta Delgada
Museu Carlos Machado
3ª a 6ª das 10:00 às 13:00 e das 14:00
às 18:00
Sábados e Domingos das 14:00 às 18:00
Encerra segundas e feriados
Espaço Cultural e Museológico da Sinagoga
de Ponta Delgada “Sahar Hassamain”
Dias úteis das 13h00 às 16h15
Ribeira Grande
Museu Municipal
Museu “Casa do Arcano”
Museu da Emigração Açoriana
Museu Vivo do Franciscanismo
Casa Lena Gal
Aberto de 2ª a 6ª - 09.00/17.00H
Museu Municipal do Nordeste
Aberto de 2.ª a 6.ª das 09h00
às 12h00 e das 13h00 às 16h00
MISSAS
Semana >> 08h00 – Santuário do
Santo Cristo 08h30 – Matriz de 2ª
a 6ª feira 09h30 – Fajã de Cima (3ª
a 6ª) 12h30 – Matriz 18h00 – Igreja do Imaculado Coração de Maria
18h30 - Matriz; São José; 19h00 –
São Pedro; Igreja Nª Sra. de Fátima
-Lajedo; Santa Clara; Fajã de Baixo
(3ª e 5ª); Saúde - Arrifes - (3ª e 5ª);
Milagres - Arrifes - (4ª e 6ª).
Sábado >> 12h30 - Matriz 17h – Clí-
nica do Bom Jesus 17h30 – Igreja do
Coração Imaculado de Maria; Capela
de São João de Deus -Fajã de Baixo
18h00 – São José; Sete Cidades, Feteiras, Saúde - Arrifes. 18h30 – Matriz;
Santa Clara; Fajã de Baixo. 19h00 Igreja Nª Sra. de Fátima; Mosteiros,
São Pedro; Relva; São Roque, Candelária; Ginetes 19h30 - Fajã de Cima;
Milagres - Arrifes. 20h00 - Covoada.
Domingo >> 08h00 – Santuário Santo Cristo; Saúde – Arrifes, Mosteiros
09h00 – Igreja Senhora das Mercês;
Clínica do Bom Jesus; Fajã de Baixo;
Piedade - Arrifes. 09h30 - Piedade –
Arrifes; 10h00 – Matriz; Igreja Coração Imaculado de Maria – São Pedro;
Santa Clara; Milagres – Arrifes 10h30
– Capela de São João de Deus - Fajã
de Baixo; Covoada; Hospital Divino
Espírito Santo; Várzea; Sete Cidades,
Candelária, Milagres - Arrifes. 11h00
– São José; São Pedro; Fajã de Cima
11h30 - Santa Clara; Fajã de Baixo;
São Roque 12h00 – Santuário Santo
Cristo; Matriz; Relva; Mosteiros; Ginetes, Feteiras; Saúde - Arrifes. 12h15
– Igreja de São Gonçalo - São Pedro
12h30 – Igreja Nª Sra. de Fátima Lajedo 17h00 – Matriz 18h00 – São José
18h30 – Fajã de Baixo 19h00 – São
Pedro
TABELA DAS MARÉS
Baixa-mar:
11:25
Preia-mar:
05:21 – 17:42
ASSOCIAÇÃO DE TÁXIS
DE SÃO MIGUEL
(INSTITUIÇÃO DE UTILIDADE
PÚBLICA)
Central 296 30 25 30
296 20 50 50
TÁXIS
TEATRO MICAELENSE
TIME E LAVOISIER
11 DE JULHO - 21H30
COLISEU MICAELENSE
SEM INFORMAÇÃO
296 38 2000
96 29 59 255
91 82 52 777
23
Curiosidades
Atlântico Expresso
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Presa por fazer demasiado
barulho durante o sexo
Gemma Wale, de 23 anos, foi
condenada a duas semanas de prisão pelo tribunal de Birmingham,
no Reino Unido, por fazer demasiado barulho durante as relações
sexuais. Os vizinhos sentiam-se
incomodados com o ruído da jovem há vários meses. Queixaramse à polícia e, em Janeiro, a jovem
recebeu uma ordem judicial para controlar o barulho. Como Gemma não cumpriu a ordem judicial, a juíza Emma Kelly aplicoulhe uma pena de duas semanas de prisão. “A Gemma começava a
gritar tanto enquanto tinha sexo que nos acordava”, explicou um
dos vizinhos, citado pelo site ‘News.com.au’.
CM
Pensava que o parkour era uma
moda recente? Pense melhor…
Desde o início do século
XXI que o parkour ganhou
popularidade entre os jovens,
com acrobacias de cortar a
respiração em cenários urbanos. Contudo, se pensa que
esta moda é recente… pense
melhor.
Imagens captadas na década de 1930 em Nova Iorque mostram vários homens a desafiarem a morte com proezas que deixarão os praticantes de parkour «verdes de inveja».
Desde escalar prédios segurando-se a canos, passando por correr sobre as carruagens de um comboio em movimento e saltos
de pontes altas para a água, são várias as proezas destes «daredevils».
DD
Artista ergue ponte feita de papel
no Reino Unido
O papel está longe de ser
o primeiro material em que se
pensa quando se vai construir
uma ponte, mas um artista no
Reino Unido colocou a ideia
em prática.
Steve Messam assinou
esta obra arquitectónica.
Natural de Teesdale,
Messam passou três anos a imaginar e a desenvolver o projecto,
comissariado pelo Lakes Culture e apresentado como parte do programa Lakes Ignite 2015, de acordo com o site Metro. A ponte foi
construída com 22.000 folhas de papel e pesa cerca de quatro toneladas.
O montanhista Alan Hinkes comentou «estava ligeiramente perturbado (...), afinal de contas, [a ponte] é feita de papel, e eu aventureime a atravessá-la da primeira vez com alguma trepidação».
«Havia um pouco de oscilação no topo e estamos a uns três metros do riacho rochoso por baixo, então não é sítio para quem sofre de
vertigens», acrescentou.
DD
Norte-americana dá à luz
gémeos de pais diferentes
Uma mulher de New
Jersey (EUA) deu à luz
gémeos de pais diferentes,
um caso raro noticiado
pelo The New York Times.
O fenómeno de concepção é raro e tem explicação
científica. Mas o caso foi
notícia não pela surpresa
causada à progenitora, mas pelos motivos dos testes da DNA
que originaram a revelação. É que a mulher, identificada pelas
iniciais T.M., está a reclamar uma pensão ao homem que diz ser
o pai das duas crianças.
Para comprovar a paternidade junto do tribunal que deveria
obrigar ao pagamento da pensão teve de recorrer ao teste genético e, qual surpresa, o antigo companheiro só é pai de uma das
crianças nascidas em Janeiro de 2013. Por isso só estará obrigado a pagar uma pensão.
Ora, quanto ao resultado do teste de ADN e a possibilidade
provada de um dos gémeos ter sido gerado por relações com o
outro homem, a ciência conhece o fenómeno e designa-o como
«superfecundação».
Tudo porque um espermatozóide pode viver até cinco dias.
Se uma mulher tiver relações com dois homens em ocasiões diferentes, em menos de uma semana, pode fecundar dois óvulos
num mesmo ciclo menstrual.
Os manuais de obstetrícia costumam ilustrar a possibilidade com os casos em nascem dois gémeos, um ‘preto’ e o outro
‘branco’.
DD
Javali invade loja em centro
comercial de Hong Kong
Os clientes de um centro
comercial de Hong Kong
depararam-se com um intruso quando um javali caiu do
tecto de uma loja de roupa
infantil.
O animal terá subido uma
escada e entrado por um espaço sobre o tecto falso da loja.
O javali, uma fêmea de 25 quilos, acabou por saltar para o
chão da loja e derrubou vários manequins da montra.
O animal acabou por ser atingido por um dardo tranquilizante e levado para um centro de reabilitação de animais selvagens.
DD
Mulher vinga-se do marido com mais
de 70.000 euros em multas de trânsito
Uma mulher da Arábia Saudita
que se sentiu ofendida pelo marido
arranjar uma segunda esposa decidiu «vingar-se», usando a viatura do companheiro para contrair
uma dívida de mais 70.000 euros
em multas de trânsito.
A mulher contou com a ajuda do
seu irmão para conduzir o carro do
marido no dia do segundo casamento.
Um vídeo tornou-se viral mostrando a carrinha Toyota a
passar consecutivamente sinais vermelhos com câmara instalada
para «apanhar» os infractores, de acordo com o UPI.com.
DD
Concurso televisivo coloca duas
raparigas a tentarem soprar uma
barata para a boca uma da outra
Um concurso televisivo
japonês coloca duas concorrentes frente-a-frente, com
o objectivo de ver quem
consegue soprar uma barata
para a boca da adversária.
DD
Palco cede durante espectáculo sob o
peso de coro de 80 pessoas, vários feridos
Oito pessoas ficaram feridas, duas
das quais com gravidade, depois do palco de um espectáculo na China ter cedido sob o peso do coro, composto por 80
artistas.
O acidente está a ser investigado, relatam os Media chineses. A ocorrência teve lugar na cidade de Bijie,
província de Guizhou. Ao local deslocaram-se elementos dos serviços de emergência para prestar auxílio aos músicos. O vídeo do momento aterrador tornou-se viral na internet.
DD
Carrinho de mão multado: polícia
demasiado zeloso gozado nas redes sociais
Um polícia britânico foi gozado
nas redes sociais por multar um carrinho de mão que estava ‘estacionado’
numa zona de parque pago sem o respectivo ‘ticket’ de estacionamento.
CM
Polícia critica jovens que usaram ponte
como escorrega e filmaram a «brincadeira»
Um vídeo divulgado online dá
conta do comportamento «extremamente perigoso» de uns adolescentes do País de Gales, que se filmaram a deslizar pelos cabos de uma
ponte com mais de 50 metros de altura. Nas imagens vemos os jovens
a escalarem a [ponte] George Street Bridge, em Newport, para
depois regressarem ao chão usando os cabos de suspensão como
«escorrega». Esta iniciativa, que foi realizada sem qualquer tipo
de mecanismo de segurança, reflecte uma conduta «extremamente
perigosa», segundo a polícia local.
DD
Moda das boleias chega ao mundo animal:
corvo fotografado às «cavalitas» de águia
A moda de boleias insólitas parece ter chegado ao mundo animal.
Depois de uma doninha às cavalitas de um pica-pau e de um guaxinim nas costas de um jacaré agora foi um corvo que foi fotografado
à boleia de uma águia-careca em pleno voo. As espantosas imagens
foram tiradas por Phoo Chan, um fotógrafo amador, no estado norteamericano de Washington. A águia, símbolo nacional dos EUA, voava em busca de presas quando o corvo decidiu pousar no seu dorso.
O corvo apenas permaneceu nas costa da ave de rapina durante
breves segundos. Espantosamente, a águia não pareceu nada perturbada pelo inesperado passageiro.
DD
Ficha Técnica
Atlântico Expresso
Jornal Semanário
Registo N.º 111846
Tiragem desta edição - 6 650 exemplares
Editor - Gráfica Açoreana, Lda.
Rua Dr. João Francisco de Sousa n.º 14 - Ponta Delgada
Director: Américo Natalino Viveiros. Director Adjunto: Santos Narciso. Sudirector: João Paz Chefe de Redacção: Ana Coelho. Redacção: Nélia Câmara, Marco Sousa, Carla
Dias, Bárbara Almeida; Fotografia: Pedro Monteiro; Marketing: César Botelho, Pedro Raposo. Paginação, Composição e Montagem - João Carlos Sousa, Flávio Cordeiro e
Luís Filipe Craveiro; Revisão: Olivéria Santos; Economia: Eugénio Rosa; Colaboradores: Ricardo Cunha Teixeira, Reinaldo Arruda, Teixeira Dias, Cláudio Lopes, João Luís de
Medeiros, Aníbal Fernandes, João Carlos Tavares, Diniz Borges, Manuel Calado, Manuel Estrela, Manuel M. Esteves, José Händel Oliveira, Natividade e Carlos Ledo, Orlando
Fernandes, Rogério Oliveira. Desporto - José Pinho Valente, João de Brito Zeferino, João Patrício.
Impressão: Gráfica Açoreana, Lda. - Rua João Francisco de Sousa n.º 14 - Ponta Delgada
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Fax: 296286119
Propriedade - Gráfica Açoreana, Lda. - Contribuinte n.º 512005915
Número de Registo 200915 - Conselho de Gerência - Américo Natalino de Viveiros, Paulo Hugo Falcão Pereira de Viveiros e Dinis Ponte.
Capital Social: 323.669,97 Euros - Sócios com mais de 10% do capital da empresa - Américo Natalino de Viveiros, Marques SGPS,
Octaviano Geraldo Cabral Mota e Paulo Hugo Viveiros.
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Atlântico Expresso
Ú L T I M A
P Á G I N A
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015
Sessão Comemorativa do 176º Aniversário do Concelho
Carlos Ávila quer mais criação de emprego
e empresas para a Povoação
O Presidente da Câmara Municitulo de Cidadão Honorário, o propal da Povoação disse no aniversário
fessor catedrático José Luis Vasconda Povoação que há que aproveitar
celos Brandão da Luz e o Jornalista
os novos fundos comunitários que
José Rebelo Mota, a título póstumo,
começam a estar à disposição “para
cuja distinção foi recebida pelo seu
criar mais emprego e mais empreirmão Jorge Mota.
sas, sobretudo de animação turístiA mais alta distinção honorífica
ca, em terra e no mar, colocando nodo município foi atribuída a Brandão
vamente ao dispor dos interessados
da Luz, ilustre povoacense que se
o Gabinete de Apoio ao Investimendestacou no mundo das Ciências
to Privado, criado pela autarquia
Filosóficas e ao longo da sua vida
em 2010, para informar, organizar
sempre se manteve ligado à terra,
e acompanhar gratuitamente os protendo assumido o cargo de Presijectos dos empresários candidatos a
dente da Assembleia Municipal da
apoio financeiro”.
Povoação durante dois mandatos na
Trata-se de um Gabinete que nos
década de noventa.
últimos 3 anos organizou projectos
O Locutor e Jornalista José Rede investimento que ultrapassaram
belo Mota foi outro grande amigo
mais de 2 milhões de euros de exeda Povoação, peça-chave no procução efectiva. “Necessitamos de
cesso de geminação entre as Vilas
mais empresas de restauração por
de Dartmouth e Povoação, uma irtodas as freguesias, com ementas
mandade que este ano está a comeque recriem os sabores dos nossos
morar as suas bodas de prata.
Rebelo Mota foi por mais de 25
avós. Cada vez mais se pede que
Carlos Ávila na Cerimónia da Sessão Comemorativa do 176º Aniversário do Concelho da Povoação
anos diretor e rosto do emblemático
acreditemos que os nossos produtos
Canal dos Emigrantes “ O Portradicionais são os mais apetecíveis
e mais procurados”, afirmou.
tuguese Channel” (Canal 20), de
“Carecemos de pastelaria que
New Bedford, nos Estados Unidos
da América, personalidade que deproduza uma oferta mais abundante
dicou grande parte da sua vida às
dos doces dos nossos antepassados.
notícias da comunidade lusa, tendo
Não podemos ignorar que o procesfalecido em dezembro de 2012, víso de procura turística pelos Açores
tima de doença prolongada.
está imparável. Já o calculávamos,
Foi ainda neste dia do Aniversáquando há meses decidimos lançar
rio do Concelho da Povoação que a
uma forte campanha de marketing
Câmara inaugurou a estátua do Prique está a notabilizar o Concelho
meiro Povoador no Pontão da Vila,
da Povoação no exterior. Creio bem
que os próximos meses serão de
um acontecimento que contou com
maior procura pelo nosso Concea alocução de Carlos Melo Bento e
lho”, afirmou.
com a participação especial da So“Por isso, o meu apelo aos emciedade Filarmónica Marcial Tropresários para que adequem a sua
féu.
oferta ao aumento da procura. QueSomos o início da História
remos que os nossos empresários
arrecadem mais riqueza que nos
“Temos História, melhor dizentraga mais emprego e mais investido, somos o início da História desta
mentos no próximo ano”, explicou
Ilha. Temos património edificado de
o autarca.
alto valor histórico e patrimonial: a
Carlos Ávila que discursava na
Igreja Nossa Senhora do Rosário, a
Cerimónia da Sessão ComemoratiErmida de Nossa Senhora das Vitóva do 176º Aniversário do Concelho Brandão da Luz foi homenageado e um filho de José Rebelo Mota recebeu a distinção pelo pai já falecido
rias, os Paços do Concelho, todas as
acrescentou que “o turismo é a granIgrejas das nossas Freguesias, o Mude indústria deste novo século, outros
celho onde se usufrui da vida com segurança”, referiu.
seu do Trigo. O órgão da Matriz da
mais abalizados que nós, já o afirma“Temos um dos principais portos da pesca açoriana, Vila da Povoação é o mais completo em toda a nossa ilha,
ram”.
“Somos o concelho de S. Miguel com maior manan- somos uma das mais produtivas bacias agro-pecuárias só comparável, nas suas aptidões artísticas, ao órgão da
cial, em qualidade e quantidade, de água potável. Temos e somos um dos maiores pólos de atracção turística dos Sé de Angra. Temos uma ementa gastronómica que nos
identifica e nos diferencia de todos os restantes e que é
imensas ribeiras com cursos de água permanente, algumas Açores”, defendeu.
Apesar dos tempos difíceis, Carlos Ávila diz que “é fonte de riqueza e de emprego. O nosso Concelho é o
delas com cursos de água quente, bem aproveitadas por
empresas que criam assim mais riqueza e mais emprego. preciso acreditar sempre. É preciso romper as amarras do terceiro concelho dos Açores, com maior quantidade de
Temos praias, sinalizando aqui a da Ribeira Quente que pessimismo, da descrença, do imobilismo e da maledi- estabelecimentos hoteleiros, logo a seguir às nossas granpossui zona com mar aquecido por fenómenos vulcânicos cência. É preciso reanimar a esperança. É preciso arris- des cidades de Ponta Delgada e de Angra. Temos um dos
sub-aquáticos. Temos todas as nossas orlas marítimas fi- car. É preciso empreender. É preciso recriar o presente, principais portos da pesca açoriana, somos uma das mais
produtivas bacias agro-pecuárias e somos um dos maiores
nalmente urbanizadas e com bons acessos a este mar que para criar futuro!”
Nesta Cerimónia Solene foram distinguidos com o tí- pólos de atracção turística dos Açores”.
nos circunda e donde um dia chegámos. Somos um con-

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