DETERMINANTES DO ACESSO FINANCEIRO NO BRASIL

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DETERMINANTES DO ACESSO FINANCEIRO NO BRASIL
DETERMINANTES DO ACESSO FINANCEIRO NO BRASIL: EVIDÊNCIA A PARTIR DA
PESQUISA DE ECONOMIA INFORMAL 2003
Camille Bendahan Bemerguy1
RESUMO
Tem havido um rápido crescimento na literatura que percebe as microfinanças como instrumento de alívio da
pobreza para trabalhadores informais. Porem tem se tornado cada vez mais evidente que a solução quanto à
pobreza e bem mais complexa do que se imaginava. Entender o comportamento das estratégias de gerenciamento
financeiro da população de baixa renda inserida no setor informal é essencial para provê-los com melhores
serviços. Esse artigo procura contribuir para um melhor entendimento dos determinantes do acesso aos serviços
financeiros da população de baixa renda no Brasil. Utilizando uma base de dados dos trabalhadores informais no
Brasil, constrói um indicador de acesso financeiro, e testa os determinantes a partir de uma análise ordered probit.
Palavras-Chave: acesso serviços financeiros, economia informal, crédito, pobreza, América Latina, Brasil
SUMMARY
There has been a rapid growth in the literature on microfinance as an antipoverty tool for informal workers. It is
becoming clearer that solutions to poverty are more complex than often assumed. Understanding the behavior and
complex financial management strategies of the poor engaged on the informal sector is essential to providing them
with better services. This article seeks to contribute to a better understanding of the determinants of financial
services access of low-income people in Brazil. Drawing on a dataset of informal workers in Brazil, it builds a
financial access indicator and tests its determinants through an ordered probit analysis.
.
Key-words: financial services access, informal economy, credit, poverty, Latin America, Brazil
1
Doutoranda de Economia da Universidade Federal Fluminense ( UFF)
1
1. INTRODUÇÃO
As microfinanças se desenvolveram a partir do reconhecimento de que as instituições financeiras
clássicas não estavam preparadas para apoiar atividades privadas do segmento mais pobre da população
e ainda contribuir para alívio da pobreza. Segundo Rutherford (2000) as microfinanças desafiaram várias
crenças, dentre elas: que o pobre não pode poupar, reembolsar o crédito e repagar com taxas de juros.
Essa crença manteve a população de baixa renda excluída do sistema de crédito por muito tempo.
Atualmente as instituições de microfinanças (MFI) estão presentes na Ásia, África e América
Latina. Segundo o Consultative Group to Assist the Poor (CGAP), em 2005, globalmente, mais de 60
milhões de pessoas já teriam se beneficiado das microfinanças.
As características sócio-econômicas do Brasil poderiam sugerir um ambiente propício para o
desenvolvimento das microfinanças. A desigualdade de renda no Brasil é uma das maiores no mundo –
os cidadãos 10% mais ricos recebem 45,5% da renda total, enquanto os mais pobres recebem 0,8% 2.
Essa distribuição desigual significa que, apesar da riqueza do país, o Brasil tem o maior número de
pobres da América Latina, o que poderia sugerir que uma grande parcela da população teria necessidade
de produtos microfinanceiros.
Embora aparentemente esse ambiente seja propício ao desenvolvimento das microfinanças, o
Brasil tem experimentado um crescimento relativamente lento nessa área e apresenta uma baixa
cobertura de sua demanda potencial (menos de 4% da população estimada de microempreendedores)
para as microfinanças.3 A Tabela 1 apresenta uma relação das principais instituições de microfinanças
atuando no Brasil, com informações do número de clientes e do volume de crédito a seus clientes.
Mostra que apenas poucas MFI têm uma escala significativa e que o Crediamigo, do Banco Nordeste,
representa cerca de 50% de todo o mercado atendido de microfinanças.
Percentuais elaborados pelo IETS com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2004.
IBGE estima que o Brasil tenha 10,4 milhões de microempresas. CGAP usa um redutor de 50% para estimar o Mercado
potencial de microfinanças o que significa cerca de 5 milhões. Os dados recentes coletados (Dezembro 2005) junto às
instituições de microfinanças mostram que atingem cerca de 300.000 clientes, o que nos dá uma cobertura de cerca de 6%.
2
3
2
TABELA 1: Principais MFI no Brasil
Instituicao
MFI
CREDIAMIGO
CEAPE/MA
BLUESOL
VIVACRED
PORTOSOL
CEAPE/PI
ano
inicio
1998
1989
1997
1997
1996
1996
numero
clientes
175,000
10,404
1,875
3800.000
2,004
3445
credito ativo
$136,000,000
$6,301,070
$5,707,976
$3,737,276
$3,597,377
$1,891,812
CEAPE/PB
TOTAL BRASIL
1994
2397
275000
$1,371,566
$230,000,000
Fonte: Elaborado pelo autor com dados coletados junto às instituições de MFI em Dezembro de 2005.
Para Christen (2001) a taxa de penetração das microfinanças no Brasil é bem menor que a dos
demais países da América Latina. Como pode ser visto na Tabela 2, as MFI no Chile, Peru, El Salvador
e Paraguai têm uma taxa de cobertura entre 16 – 30% da demanda potencial. Essas estatísticas mostram
que, mesmo a região Nordeste, que apresenta uma cobertura das microfinanças bem superior a das
demais regiões, tem uma taxa de cobertura menor se comparada com os demais países latinoamericanos.
TABELA 2
COBERTURA ESTIMADA DAS MICORFINANÇAS NOS PAÍSES DA AMÉRICA
LATINA E CARIBE
PAIS
BRASIL
BOLIVIA
CHILE
EL SALVADOR
PARAGUAY
PERU
COLOMBIA
MEXICO
HONDURAS
VENEZUELA
GUATEMALA
TOTAL
MERCADO
ESTIMADO
5,000,000
681,160
603,590
333,590
493,660
3,433,095
3,250,900
5,136,950
445,590
1,623,635
710,855
21,713,025
COBERTURA (% COBERTURA)
DO MERCADO
275,000
5,5%
379,713
55.7%
168,799
28.0%
89,427
26.8%
82,658
16.7%
899,196
26.2%
442,109
13.6%
347,874
6.8%
17,356
3.9%
13,368
0.8%
42,491
6.0%
2,757,991
14.9%
Fonte:
(1) Westley 2001
(2) Source: Accion international, MixMarket, CGAP
3
Em estudos clássicos, Stiglitz e Weiss (1981), Banerjee e Newmann (1993), Galor e Zeira (1993)
mostraram que o mercado de crédito é imperfeito e a população de baixa renda é excluída do setor
formal por falta de renda e colateral. Assim, podemos supor que a exclusão de grande parte da
população brasileira do mercado de crédito se verifica por se defrontar com restrição de crédito. Essa
restrição explicaria então a razão pela qual não demandam crédito.Nesse sentido, as instituições de
microfinanças e forma de atuação seriam uma possibilidade de superar o problema.
Mas ao longo dos últimos anos temos vivenciado uma ampliação do número de instituições
voltadas ao segmento de microfinanças, um aumento da oferta de produtos microfinanceiros, bem como
uma reestruturação da legislação como forma de aumentar a inserção e estimular a oferta; mas ainda
assim a abrangência continua baixa e as microfinanças não parecem repetir no Brasil o sucesso de outros
países. A questão básica é: por que?
Não existem estudos que dêem conta de explicar a razão da baixa penetração das MFI para o
caso brasileiro. Inicialmente se supunha que era uma questão de inadequação da oferta onde a instituição
financeira formal seria, por natureza, excludente da população de baixa renda. Mas a ampliação da
oferta a partir de 2000 não foi suficiente para gerar uma manifestação da demanda que supostamente
estaria reprimida e apenas aguardando a ampliação da oferta. A suposta “fila” na porta das instituições
de microfinanças não se verificou na prática como mostram os dados de número de clientes ativos
explicitados na Tabela 1.
Poucos trabalhos acadêmicos deram conta de analisar a peculiaridade da demanda por microfinanças no
mercado brasileiro. Seriam os potenciais demandantes efetivamente excluídos do acesso aos serviços financeiros?
Quais seriam os determinantes do acesso financeiro por parte da população de baixa renda? Quais as razões de
uma demanda potencial não se transformar em revelada? Seria uma questão de preço? Taxa de juros? Produto?
Existem produtos substitutos que acomodem as necessidades dessa população?
Como forma de contribuir ao debate sobre a geração de políticas sociais capazes de incluir
parcela da população que normalmente é excluída do acesso de serviços financeiros faz-se necessário
identificar as necessidades da população de baixa renda, e entender como, seus agentes - conta própria e
microempreendedores - financiam suas atividades. Que serviços financeiros utilizam? Quais são os
fatores determinantes do acesso aos serviços financeiros? Quais são aqueles que têm maior
probabilidade de receber crédito? É o microcrédito produtivo o que precisam?
A divulgação recente pelo IBGE e outras instituições de dados sobre acesso aos serviços
financeiros tem permitido se ampliar a investigação sobre as necessidades financeiras da população de
baixa renda, identificando os determinantes do acesso financeiro.Os trabalhadores por conta-própria
4
(CP) e os microempreendedores (SB) são grupos tão desconhecidos quanto heterogêneos em termos de
quem são, a que grupo de atividade pertencem, quais são suas necessidades financeiras e como resolvem
essas necessidades. Nesse sentido coloca-se o desafio de um maior entendimento das exigências de
serviços financeiros dessa população bem como criar meios de atender essas necessidades,
possibilitando que tenham controle sobre suas vidas financeiras e possam, efetivamente, construir
caminhos de saída da pobreza.
O objetivo desse trabalho é, através da exploração dos microdados da Pesquisa da Economia
Informal Urbana (ECINF) realizada pelo Instituto Brasileiro de Estatísticas (IBGE) e que se refere às
firmas urbanas e informais, 4 identificar os determinantes do acesso financeiro. Para alcançar tal objetivo
utilizaremos indicadores de acesso financeiro, construídos como um gradiente de possibilidades
variando da exclusão financeira total ate o mais diversificado acesso financeiro.
Esse paper é uma contribuição para abrir a caixa preta das necessidades financeiras dos conta
própria e
microempreendedores; e dessa forma, verificar quais seriam os determinantes do acesso
financeiro. Organizamos o paper da seguinte forma: na seção 2 fazemos uma resenha da literatura que trata
de acesso financeiro e pobreza. Na seção 3 apresentamos o indicador de acesso financeiro que utilizaremos
na seção 4 que tratará da análise dos determinantes do acesso financeiro. A seção 5 apresenta comentários e
conclusões.
2. LITERATURA SOBRE ACESSO FINANCEIRO E POBREZA
A literatura sobre finanças e desenvolvimento deve muito aos trabalhos seminais de Gurley-Shaw (1955).
De acordo com eles:
“ …. development is associated with debt issue at some points in the economic
system and corresponding accretion of financial assets elsewhere. It is accompanied, too, by the
institutionalization of saving and investment that diversifies the channels for flow of loanable
funds and multiplies varieties of financial claims. Development also implies, as cause and
effect, change in market prices of financial claims and in other terms of trading in loanable
funds. ” ( Gurley-Shaw/ 1955, p 515)
Baseado no trabalho de Gurley-Shaw houve uma tentativa de melhor entender o elo entre
finanças e atividade real. O elo que foi enfatizado foi o do papel do sistema financeiro de canalizar recursos
4
Utilizamos a edição de 2003 dessa pesquisa e restringimos nossa análise aos indivíduos que são os proprietários do negócio
e que, além de informal, estão na categoria de baixa renda. Essa pesquisa contém informações sobre 48.944 unidades
econômicas de todos os estados da federação do Brasil, possibilitando uma visão geral, tanto do indivíduo, quanto da família
e da unidade econômica. A ECINF é a única fonte estatistica disponível nos permitindo caracterizar a demanda de recursos
necessários para capitalizar e financiar as empresas daqueles que representam uma significativa parcela da ocupação e renda
e que vivem perto da linha de pobreza.
5
da poupança para o investimento permitindo que um maior volume de recursos ficasse disponível para uso
produtivo, evitando que oportunidades fossem desperdiçadas. Intermediação financeira seria um meio de
transferir recursos das unidades superavitárias para as deficitárias e promover um aumento da taxa de
crescimento da economia.
Baseado nessa análise existe uma crença de que um mais amplo acesso aos serviços financeiros
geraria uma melhora no bem estar das pessoas. Os modelos de restrição de crédito baseados em Stiglitz e
Weiss (1981) incorporam a visão de Gurley-Shaw de que o subdesenvolvimento financeiro pode representar
um obstáculo ao crescimento.
Quando o mercado de crédito não funciona perfeitamente, a riqueza individual se torna o
principal determinantes nas decisões de investimento (Aghion e Bolton , 1997; Banerjee e Newman,1993 ;
Galor e Zeira, 1993). As restrições de crédito tendem a excluir aqueles sem fundos suficientes. Sendo o
mercado de crédito imperfeito e a riqueza distribuída desigualmente alcançaríamos uma economia com um
nível não ótimo de investimentos.
A ampliação do acesso aos serviços financeiros seria o caminho de reduzir a pobreza a partir dos
mesmos canais que afetam o crescimento, aumentando o nível de investimentos e a produtividade
resultando num aumento da renda.
O mercado de crédito seguiria o mesmo critério para contribuir para o crescimento. Contudo,
obter um empréstimo e/ou crédito exige a existência de instituições que estão sujeitas a:
a)
Problemas de moral hazard, onde aquele que empresta não pode observar as ações dos
tomadores (Aghion /Bolton, 1997);
b) Problema de seleção adversa , o talento do empreendedor não é observável;
c) Limitada capacidade de fornecer garantias (Galor e Zeira, 1993; Banerjee e Newman, 1993).
Em suma, o mercado de crédito é caracterizado por “informação assimétrica”. Existiriam agentes
que gostariam de incorrer em custos se tivessem renda suficiente ou acesso aos serviços financeiros
(Bourguignon 2002). Portanto a população de baixa renda enfrenta dificuldades no acesso aos serviços
financeiros e, em conseqüência, desperdiça oportunidades produtivas.
Enquanto a literatura teórica e empírica focou na análise da relação entre desenvolvimento
financeiro e crescimento econômico, pouco foi explorado quanto aos aspectos distributivos. Pouco foi
estudado sobre a relação entre finanças e pobreza.
Mais recentemente existe uma crescente literatura que busca dar conta desse elo, percebendo nas
finanças um possível canal através do qual se poderia contribuir para auxiliar na redução dos níveis
6
assombrosos de pobreza no mundo Essa preocupação tem sido particularmente verdadeira nos paises em
desenvolvimento, cujo setor financeiro é considerado pouco desenvolvido, e, sem o qual, o desenvolvimento
econômico pode ficar restrito mesmo que outras condições favoráveis ao crescimento econômico se
verifiquem.
Ellis (2004) aponta que o sistema financeiro pode ser excludente e não responder às necessidades
das micro-empresas e, menos ainda, às do conta-própria. A população de baixa renda nos paises em
desenvolvimento geralmente não tem acesso aos serviços financeiros e são forçados a depender de uma
gama de serviços informais mais custoso e arriscado. Isso restringe a capacidade deles de participar
plenamente no mercado, aumentar sua renda e contribuir para o crescimento econômico.
A importância da expansão do acesso aos serviços financeiros pode ser justificada de várias formas.
O primeiro argumento se assenta na literatura teórica e empírica que associa finanças e crescimento, como
resenhada por Levine (2005). Além disso, existe a literatura que aponta a importância de um sistema
financeiro desenvolvido como forma de alívio da pobreza (Beck, Demirguc-Kunt e Levine 2004 e Honohan
2004a).5 Dada a imperfeição do mercado financeiro, os custos de transação tendem a recair mais sobre o
micro e pequenos empreendedores para quem faltam colaterais, histórico de crédito Essas restrições de
crédito tornam muito difícil que possam financiar seus projetos sem que se amplie o acesso aos serviços
financeiros, gerando implicações no crescimento e no alívio da pobreza (Galor e Zeira, 1993).
Por outro lado, o acesso financeiro por maior parte da população é visto como importante fator para
expandir as oportunidades além dos ricos, crucial para uma estrutura mais democrática e para uma economia
de mercado mais sólida (Rajan e Zingales, 2003). O último argumento é sócio-político, e vê o acesso aos
serviços financeiros em nível similar ao acesso às necessidades básicas como água potável, saúde e
educação (Peachey e Roe, 2004).
Porém, independentemente das razões que balizem a defesa de um sistema financeiro inclusivo, é
necessário ressaltar que acesso aos serviços financeiros não é sinônimo de uso de serviços financeiros. O
uso é muito mais fácil de ser mensurado.
5
As imperfeições do mercado de capitais são o cerne dos modelos teóricos que mostram que uma redistribuição da riqueza iria engendrar
aumento da produtividade e, portanto, do crescimento. Na ausência de um mercado de capitais e um mais amplo acesso ao serviço financeiro,
seria a redistribuição de riqueza que iria criar oportunidades de investimento. Ver também Banerjee e Newman (1993) e Aghion e Bolton
(1997).
7
Claessens (2006) aponta que os agentes econômicos podem ter acesso aos serviços financeiros, mas
decidirem não utilizá-los. Pelo lado da demanda sabemos que clientes potenciais, ou seja, a população que
poderia ter acesso, não expressa a demanda por serviços financeiros por uma série de razões que abrangem
desde fatores culturais, sócio-econômicos e de gênero, falta de confiança na instituição financeira,
localização geográfica, custos de transação e falta de produtos não adequadamente desenhados às suas
necessidades.
Portanto seria interessante, e necessário, distinguir cuidadosamente esses dois conceitos quando se
discute o alcance do sistema financeiro: (i) acesso e possibilidade de uso dos serviços financeiros e (ii)
desejo e uso efetivo dos serviços financeiros.6 Mas nossa análise se aterá ao acesso financeiro pois a
pesquisa de economia informal disponibiliza informações sobre acesso e não sobre uso; para análise de uso
teríamos que recorrer a outra fonte de dados.
Muito pouco é conhecido sobre a atividade econômica do microempreendedor bem como do conta
própria. Caso se pretenda combater a pobreza a partir da crença de que a construção de um sistema
financeiro inclusivo gera efeitos diretos e indiretos no crescimento da renda desse segmento (Ellis, 2004),
precisamos de um maior detalhamento das necessidades financeiras desse segmento da população,
normalmente excluído. Que é o que faremos a seguir.
.
3. INDICADORES DE INCLUSÃO FINANCEIRA
A pesquisa de economia informal do IBGE de 2003 introduziu um complemento que dá conta de
fornecer dados sobre acesso financeiro da parcela da população inserida no segmento informal.7.Com base
nos dados da ECINF 2003 construímos um indicador que descreve o acesso aos serviços financeiros no
Brasil de uma forma mais ampliada do que a desenvolvida pelos estudos recentes do Banco Mundial
(Kumar, 2004) - que se baseia numa análise funcional, medindo o acesso específico a determinados serviços
financeiros (conta corrente, poupança, cartão de crédito e crédito recebido).
Criar um indicador de acesso aos serviços financeiros (denominado nesse trabalho por FII) não é
algo simples de ser feito, os limites de uma abordagem por tipo de produto financeiro nem sempre são
6
Estudo recente do Banco Mundial ( Kumar, 2004) investiga o acesso aos serviços financeiros no Brasil apenas junto às
principais regiões metropolitanas.
7
Essas informações se tornam importantes na medida em que o IPEA divulgou que estima que, em 2005, cerca de 60% da
população economicamente ativa no Brasil está no mercado informal IPEA, 2006
8
claros. Ainda não existe um consenso na literatura teórica e empírica sobre como deveria ser feita a
construção de um indicador de acesso financeiro, em grande parte porque são raros os países em que
existem pesquisas representativas da população e que consigam discriminar o tipo de acesso aos serviços
financeiros. Além disso, as poucas pesquisas existentes obedecem a diferentes padrões o que torna muito
difícil qualquer tentativa de comparação entre os países.8
O acesso a uma conta corrente costuma ser o indicador de acesso financeiro mais utilizado. Existe um
senso comum de que ter uma conta corrente pode também, pelo menos teoricamente, proporcionar acesso
aos demais serviços financeiros. Mas com a diversidade e complexidade do sistema financeiro atual vai se
tornando cada vez mais insuficiente e pouco esclarecedora uma análise que se baseie apenas na posse ou
não de uma conta corrente. Além disso, a possibilidade de separar a origem do crédito obtido ( se de uma
instituição formal ou informal) agrega um nível de informação até então inexistente nas pesquisas sobre
acesso financeiro no Brasil.
O diagrama da Figura 1 nos mostra as possíveis combinações que os indivíduos podem ter em termos
dos serviços financeiros objetos da pesquisa – conta corrente, poupança, cartão de crédito e crédito recebido
nos três meses anteriores à pesquisa.
Ao agruparmos as abordagens funcionais – conta corrente, poupança, cartão de crédito e crédito teremos uma visão mais precisa e abrangente do padrão de acesso financeiro dentro do país, entre as regiões
e ainda, por tipo de ocupação (conta própria e microempreendedor). Cabe ressaltar que a informação sobre
a poupança se refere única e exclusivamente ao montante de recursos que os agentes possuem em uma conta
poupança não sendo levado em conta outras formas eventuais de poupança que porventura tenha .
8
Existe uma primeira tentativa de construção de uma análise comparativa entre países feita pelo Banco Mundial
“Indicators of Access to Finance through household level surveys: Concepts and Measures for Six Countries”
Chidzero (2006)
9
F1- conta corrente, sem poupança, sem cartão de crédito, sem crédito
F2- conta corrente, poupança, sem cartão de crédito, sem crédito.
F3- conta corrente, sem poupança, cartão de crédito, sem crédito.
F4- conta corrente, sem poupança, sem cartão de crédito, crédito formal.
F5- conta corrente, poupança, sem cartão de crédito, crédito informal
F6- conta corrente, poupança, cartão de crédito, sem crédito .
F7-conta corrente, poupança, sem cartão de crédito, crédito formal.
F8- conta corrente, poupança, sem cartão de credito, crédito informal.
F9-conta corrente, sem poupança, cartão de crédito, crédito formal.
F10 - conta corrente, sem poupança, cartão de crédito, crédito informal.
F11- conta corrente, poupança, cartão de crédito, crédito formal.
F12 – conta corrente, poupança, cartão de credito, credito informal
F13- sem conta corrente, poupança, sem cartão de crédito, sem crédito.
F14- sem conta corrente, poupança, cartão de crédito, sem crédito.
F15- sem conta corrente, poupança, sem cartão de crédito, crédito formal.
F16 - sem conta corrente, sem poupança, sem cartão de crédito, crédito informal.
F17 – sem conta corrente, poupança, cartão de crédito, crédito formal
F18 – sem conta corrente, poupança, cartão de crédito, crédito informal
F19 – sem conta corrente, sem poupança, cartão de crédito, sem crédito
F20- sem conta corrente, sem poupança, cartão de crédito, crédito formal
F21- sem conta corrente, sem poupança, cartão de crédito, crédito informal
F22- sem conta corrente, sem poupança, sem cartão de crédito, crédito formal
F23- sem conta corrente, sem poupança, sem cartão de crédito, crédito informal
F24 – sem conta corrente, sem poupança, sem cartão de crédito, sem crédito
O primeiro passo na construção do indicador foi agregar os microdados segundo as 24 categorias
acima (F1 a F24). A Tabela 3 mostra não só os indicadores por categoria para o Brasil assim como a
distribuição por região do país. A última linha da Tabela 3 mostra que 45% dos trabalhadores de baixa
renda no mercado informal encontram-se excluídos do sistema financeiro, tanto formal como informal.
Na região Sul, que apresenta o menor percentual, a exclusão atinge a 31% dos trabalhadores. A
10
disparidade regional fica evidenciada nos indicadores acima, pois nas regiões Norte e Nordeste a
exclusão financeira chega a atingir 65% muito acima da media nacional.
Observamos que, em boa parte dos indicadores, existe uma baixa proporcionalidade e como o que nos
interessa é conseguir separar por tipo de acesso financeiro e para facilitar a análise que faremos a seguir dos
determinantes da exclusão financeira, decidimos, na Tabela 4, agregar os códigos dos indicadores de
inclusão financeira em 6 categorias de forma a termos uma percepção de acesso financeiro gradativo,
variando de total exclusão – FII 0 até a total inclusão código FII 5.
TABELA 3: Indicadores de inclusão financeira por região
INDICADOR FINANCEIRO
BRASIL
NORDESTE
NORTE
SUL
SUDESTE
CENTRO OESTE
1
11%
7%
8%
18%
15%
13%
2
5%
3%
2%
8%
6%
5%
3
11%
8%
4%
14%
17%
16%
4
1%
0%
0%
2%
1%
1%
5
0%
0%
1%
1%
0%
1%
6
8%
1%
3%
11%
10%
10%
7
0%
0%
0%
1%
0%
0%
8
0%
0%
0%
0%
0%
0%
9
2%
1%
1%
3%
3%
3%
10
0%
0%
0%
1%
1%
0%
11
1%
1%
0%
1%
1%
1%
12
0%
0%
0%
0%
0%
0%
13
7%
8%
7%
7%
6%
8%
14
15
2%
0%
3%
0%
2%
0%
1%
0%
2%
0%
2%
0%
16
0%
0%
0%
0%
0%
0%
0%
17
0%
0%
0%
0%
0%
18
19
0%
3%
0%
4%
0%
4%
0%
2%
0%
2%
0%
2%
20
0%
0%
0%
0%
0%
0%
21
0%
0%
0%
0%
0%
0%
22
1%
1%
1%
0%
1%
1%
23
24
1%
45%
1%
53%
1%
65%
1%
31%
1%
34%
1%
35%
Fonte: Elaborado pelo autor com base na ECINF 2003
11
TABELA 4
Indicadores agregados de inclusão financeira
CATEGORIAS AGREGADAS
24
23,21,19
13,16
1,2,5,8
3,6,9,10,12,14,15,17,18
4,7,11,20,22
FII
0
1
2
3
4
5
BRASIL
45%
4%
8%
17%
24%
3%
Fonte: Elaborado pelo autor com base na ECINF 2003
FII 0 – excluído dos serviços financeiros
FII 1 – acesso informal apenas
FII 2 – apenas poupança
FI 3 – conta corrente com/sem poupança.
FI 4 –conta corrente com/sem poupança e cartão de crédito
FI 5 – conta corrente com/sem poupança, cartão de crédito e crédito formal.
Diante do indicador construído observamos que 45% são totalmente excluídos do acesso
financeiro. E que mesmo que 24% tenham acesso a um leque maior de serviços financeiros apenas 3%
tem acesso ao leque de serviços e ainda usufruem crédito formal.
Para se ter uma idéia melhor das necessidades financeiras da população de baixa renda e
qualificar melhor a exclusão financeira a que estão sujeitos é necessário que estudemos os determinantes
de acesso financeiro no Brasil. A análise nos levanta a questão sobre quais seriam as barreiras à
ampliação do acesso aos serviços financeiros e nos possibilita construir políticas inclusivas mais
efetivas. A próxima questão seria analisar quais seriam os determinantes de acesso. E é essa
investigação que faremos a seguir.
4. OS DETERMINANTES DO ACESSO FINANCEIRO
A ECINF, como já dissemos, é o levantamento estatístico mais abrangente sobre a economia
urbana e informal no Brasil. Os dados utilizados nesse trabalho são um subconjunto da base de dados da
pesquisa, pois excluímos os trabalhadores que não foram considerados como baixa renda.9 .
Utilizamos os indicadores de acesso financeiro (FII0, FII1, FII2, FII3, FII4 e FII5) conforme
apresentado na seção anterior e que são representações de seis possíveis outcomes, indo de menos
inclusão financeira ( FI0) até inclusão total. (FI5).
9
Acima de R$ 1000,00 foi excluido por queremos identificar as analise para a populacao de baixa renda. A
exclusao significou um corte de 18% na amostra da pesquisa.
12
A base de dados agrega uma população onde 85% são conta-própria e na sua totalidade são
indivíduos bastante heterogêneos em termos de escolaridade, grupo de atividade, com ou sem geração de
uma renda estável. A Tabela 5 lista as principais dificuldades do negócio. Mostra que cerca de 70% têm
negócios em atividades caracterizadas pela falta de clientes, com alta competitividade e baixo lucro.
Essas dificuldades costumam ser típicas de atividades de geração de renda precária, que oscila com os
ciclos econômicos e com as dificuldades da população de baixa renda. Apesar das diferenças entre os
CP e SB as dificuldades percebidas são basicamente as mesmas e não parecem referir a atividades que
precisem de microcrédito produtivo, indo de encontro com a analise de Messer (2005) aplicada ao
Equador , que detectou uma limitação das políticas de credito enquanto estratégia anti-pobreza a partir
de um eventual elo entre uso de credito e vulnerabilidade da atividade.
A Tabela 5 permite supor que, independentemente do nível de inclusão financeiro, descrito com
base nos indicador de acesso financeiro construído, as mesmas dificuldades se apresentam. Porém na
medida em que caminhamos para mais inclusão observamos que os indivíduos percebem mais a falta de
capital próprio e de crédito como dificuldade de seu próprio negócio.
TABELA 5
PRINCIPAL DIFICULDADE DO NEGÓCIO POR INDICADOR FINANCEIRO
PRINCIPAL DIFICULDADE
falta de clientes
falta de credito
baixo lucro
falta de infraestrutura
problemas legais
forca de trabalho
falta de materia prima
rotatividade de mao de obra
alta competitividade
infraestrutura fisica
falta de capital proprio
falta de capacitacao gerencial
outros
FII 0
FII 1
FII 2
FII 3
FII 4
FII 5
34%
25%
29%
27%
27%
23%
5%
6%
5%
6%
5%
5%
12%
11%
12%
13%
14%
15%
0%
1%
0%
0%
0%
0%
1%
1%
1%
17%
1%
2%
0%
1%
1%
1%
2%
1%
1%
1%
0%
0%
0%
1%
0%
0%
0%
0%
0%
0%
22%
22%
24%
22%
21%
15%
3%
3%
3%
3%
2%
1%
18%
25%
18%
18%
17%
30%
0%
4%
1%
5%
0%
5%
1%
6%
1%
7%
1%
6%
Fonte: Elaborado pelo autor com base na ECINF 2003
Ao fazermos a analise dos determinantes de acesso financeiro esperamos que, quanto maior o
capital humano - cuja proxy utilizada é o nível de escolaridade - maior a inclusão. Também é esperado
que quanto menor a distância às instituições de oferta de serviços financeiros maior o acesso.
13
Devido a uma eventual endogeneidade entre acesso financeiro e renda – isto é- quanto maior a
renda maior tende a ser ao acesso e quanto maior o acesso maior tende a ser a renda - fica difícil definir
a causalidade inerente à análise. Dessa forma preferimos, ao invés de utilizar a renda, construir um
indicador para ser uma proxy da riqueza. A informação contida na pesquisa é quanto à propriedade ou
não de casa própria e para qualificar melhor a riqueza agregamos o número de cômodos do imóvel.
Supõe-se que quanto mais rico maior a probabilidade de ter acesso financeiro.
A importância do capital social também merece ser investigada e para isso utilizamos a
informação contida na pesquisa sobre a filiação ou não do indivíduo aos sindicatos ou junto a alguma
entidade de classe. Espera-se que o capital social tenha um impacto positivo na inclusão financeira, e
que acompanhe a lógica que se manifesta na área rural, onde as cooperativas exercem importância
fundamental no grau de inclusão financeira ( Abramovay et all , 2003).
Para a análise dos determinantes de acesso financeiros, com recorte individual sobre os CP e
microempreendedores com até cinco trabalhadores, utilizamos o modelo de regressão ordered probit 10
com as seguintes variáveis explicativas11:
(1) Idade: idade do dono do negócio.
(2) Feminino: uma variável dummy que indica se o proprietário do negócio é do sexo feminino. De
um total de 41000 observações, 30% são mulheres e 70% são homens.
(3) Escolaridade: Criamos quatro categorias: noschoolling uma variável dummy que indica que o
individuo não tem nenhuma escolaridade; elementary : uma variável dummy que indica que o
indivíduo tem o nível elementar de educação; intermediate: uma variável dummy que indica que
o indivíduo tem o nível intermediário de escolaridade e graduate : dummy indicando que o
indivíduo tem nível superior.
(4) Riqueza – é um índice construído a partir da informação sobre ter casa própria qualificada pelo
número de cômodos da residência. O índice de riqueza vai de R0, caso não tenha casa própria,
passa por R1 onde tem casa própria com apenas um cômodo e segue por R2 casa própria cm dois
cômodos e R3 caso tenha casa própria com mais de dois cômodos.
10
A opção pelo modelo de ordered probit deve-se ao fato de termos construído indicadores ordenados e por querermos
investigar os efeitos marginais sobre a inclusão das variáveis que julgamos serem explicativas do modêlo .
11
A análise pormenorizada da metodologia encontra-se no Apêndice.
14
(5) Organização social – uma variável dummy indicando se o indivíduo é afiliado a algum sindicato
ou entidade de classe. De um total de 35.524 observações, 14% são afiliados.
(6) Distância a agencia bancária mais próxima – variável que nos diz em termos de minutos qual
seria a distância até a agencia bancária e/ou correspondente bancário mais próximo.
(7) Sudeste: uma variável dummy que indica se o individuo vive na região sudeste. De um total de
44320 observações, 17042 (31,07%) são do nordeste, 8.140 (18,16%) são do Norte; 5131
(11,4%) são do Centro-Oeste; 5998 (13,34%) são do Sul e 8009 (18,03%) são do Sudeste.
A Tabela 6 apresenta as estatísticas básicas das variáveis explicativas do modelo de acordo com
o indicador de acesso financeiro construído. Como era esperado encontramos que quanto maior o nível
de escolaridade maior a inclusão. Também, de acordo com as estimativas, as mulheres mais
provavelmente serão financeiramente incluídas. Essa afirmação, no entanto, merece ser mais bem
investigada, uma vez que a proporção das mulheres na amostra, enquanto CP e chefe do negócio, é
menor que a dos homens e a distribuição é concentrada em alguns indicadores enquanto a dos homens é
mais bem distribuída, o que pode viesar de alguma forma a análise. As mulheres também apresentam
maior escolaridade menor renda. Cabe ressaltar que a pesquisa exclui os empregados domésticos, onde
uma parte considerável das mulheres de baixa renda se concentra. Quanto mais jovem maior a
probabilidade de inclusão.
Em termos de filiação a algum orgão classista – nossa proxy para capital social – há um efeito
positivo dessa variável, pois a entidade disponibiliza informação (possibilidade de educação financeira e
sobre direitos de propriedade). E esse e um dos resultados mais significativos de nossa análise e que nos
mostra a importância do capital social – representado pela filiação a sindicatos e/ou a organismos e
entidades de classe - para a inclusão financeira.
Tabela 6
ESTATISTICAS BASICAS DE ACORDO COM O INDICADOR DE ACESSO FINANCEIRO
AGE
SCHOOLEVEL
WEALTH
ORG. STATUS
TIME TO BANK
INCOME
INCOME TT
FII 0
42
2.1
3.48
0.04
24
321
393
FII 1
39
2.3
3.45
0.1
22
325
425
FII 2
41
2.25
3.38
0.07
24
386
450
FII 3
41
2.5
3.51
0.21
22
428
465
FII 4
38
2.61
3.56
0.31
20
455
480
FII 5
38
2.5
3.49
0.26
18
394
447
15
Fonte: Elaborado pelo autor com base na ECINF 2003
Em termos de renda percebemos que há uma relação positiva entre inclusão financeira e renda.
independentemente se tomamos por base a renda de todas as fontes ( IncomeTT) ou se apenas a renda do
trabalho ( Income). Ainda que fique pouco claro o nexus dessa relação (e nem é nosso propósito
investigá-lo) observamos que a renda daqueles incluídos financeiramente, mas sem crédito formal (FII
4) é maior do que aqueles com acesso ao crédito. A princípio poderíamos pensar ser um contra-senso,
mas devemos lembrar que a pesquisa abrange profissionais que operam na informalidade e em muitos
casos incluem aqueles que são profissionais liberais tais como professores particulares que pelas
características de seu negócio na maior parte não necessitam do crédito para expandir sua atividade pois
se assentam essencialmente em capital humano. Porém essa segmentação foge ao escopo do presente
trabalho.
REGRESSÃO
TABELA 8
COEFICIENTES E EFEITOS MARGINAIS DO MODELO
AGE
MALE
ELEMENTARY
INTERMEDIARY
GRADUATE
WEALTH
ORG. STATUS
TIME TO BRANCH
NORTHEAST
NORTH
CENTER WEST
SOUTH
COEF
-0.0035
-0.2307
0.4667
0.9459
1.1770
0.0604
0.0604
0.6348
0.0039
-0.6486
0.0113
0.0108
FII 0
MG EFF
0.0014
0.0941
-0.1839
-0.3388
-0.3639
-0.0239
-0.2339
-0.0016
0.1276
0.2530
-0.0045
-0.0043
FII 1
MG EFF
0.0014
0.0941
-0.1839
-0.3388
-0.3639
-0.0239
-0.2339
-0.0016
0.1276
0.2530
-0.0045
-0.0045
FII 2
MG EFF
0.0000
-0.0012
0.0062
-0.0114
-0.0346
0.0006
-0.0066
0.0000
-0.0036
-0.0172
0.0001
0.0001
FII 3
MG EFF
-0.0003
-0.0184
0.0428
0.0367
-0.0118
0.0053
0.0296
0.0003
-0.0289
-0.0700
0.0010
0.0009
FII 4
MG EFF
-0.0009
-0.0634
0.1208
0.2657
0.3105
0.0163
0.1828
0.0011
-0.0853
-0.1470
0.0031
0.0029
FII 5
MG EFF
-0.0001
-0.0087
0.0146
0.0609
0.1251
0.0020
0.0366
0.0001
-0.0105
-0.0139
0.0004
0.0004
95% confianca, robust
R2 = 0.0792
Quando observamos as características por tipo de ocupação (Tabela 7) percebemos que os conta
própria são mais velhos, possuem menos escolaridade, apresenta menor capital social e menor nível de
renda. O passo seguinte na análise é rodar a regressão para analisarmos o nível de significância dessas
variáveis explicativas (Tabelas 8 e 9). A variável dependente utilizada é o indicador de acesso aos
serviços financeiros construído na análise.
16
Os coeficientes gerados informam que a probabilidade de ser totalmente incluído, a região
geográfica, a riqueza, educação e capital social são variáveis significativas. As características
socioeconômicas como educação e capital social desempenham o papel principal ao explicar o acesso
financeiro observado.
Quanto maior o nível de escolaridade maior a probabilidade de ser incluído financeiramente.
Possuir nível elementar diminui 18% a probabilidade de ser excluído financeiramente e aumenta em
13%a de ser incluído. Já possuir nível superior aumenta em cerca de 45% a probabilidade de ser
incluído financeiramente. Essas percentagens são ainda maiores quando observamos a regressão por tipo
de ocupação. Junto ao CP o aumento no grau de escolaridade tem maior repercussão em termos de
inclusão que junto aos microempreendedores; o que, em parte, pode ser explicado na medida em que, de
um modo geral, apresentam um maior grau de escolaridade per si.
Ao analisarmos a relação entre riqueza e inclusão financeira percebemos que também há uma
relação positiva entre essas variáveis. Porém a análise sob a ótica dos efeitos marginais é menos
impactante do que o da escolaridade. Um aumento da riqueza (representado por possuir casa própria
com mais de dois cômodos) aumenta em cerca de 2% a probabilidade de ser incluído financeiramente.
Por outro lado aparentemente ser homem diminui a probabilidade de ser incluído quando
comparado com as mulheres, mas ao olharmos a distribuição vemos que os homens são mais bem
distribuídos enquanto as mulheres estão mais concentradas nas duas pontas (inclusão total e exclusão
total).
Quanto mais pobre for a região geográfica, menor a probabilidade de pertencer ao segmento com
acesso mais amplo. Efeitos marginais para as diferenciações regionais mostram que os indivíduos no
Norte e Nordeste têm cerca de14% menos probabilidade de usar bancos do que aqueles comparados com
o Sudeste. Estar no Nordeste aumenta em mais de 13% a probabilidade de ser excluído financeiramente.
Além disso, fica evidenciada a importância do capital social enquanto determinante do acesso
financeiro. Pertencer a algum sindicato ou órgão de classe aumenta em quase 20% a probabilidade de
ser incluído financeiramente.
Em resumo, nossa análise mostrou que não existe nenhuma peculiaridade nos determinantes da
demanda por serviços financeiros no Brasil que pudesse explicar a baixa cobertura das microfinanças.
Os determinantes de acesso financeiro são os já tradicionalmente esperados, tais como, riqueza,
escolaridade; cabendo apenas, chamar atenção à importância do capital social enquanto determinante de
acesso financeiro.
17
6. CONCLUSÃO
O objetivo desse trabalho foi o de analisar os determinantes de acesso financeiro ordenando
características individuais relevantes por grupos de trabalhadores com diferentes indicadores de inclusão
financeira. Identificamos e construímos um indicador ordenado de inclusão financeira e verificamos que
as variáveis sócio-econômicas são as que apresentam maior nível de significância. Depois verificamos a
importância relativa das diferentes variáveis que influenciam o acesso baseado num modelo de ordered
probit.
A análise utilizou um indicador ordenado e rankeado e as variáveis explicativas foram ligadas às
características individuais. Como era esperado, as características socioeconômicas – escolaridade e
riqueza foram os principais determinantes de acesso financeiro. O resultado mais importante foi o da
importância do capital social enquanto determinante do acesso.
A população de baixa renda no Brasil é excluída dos serviços financeiros principalmente do
acesso ao crédito; porém, vai se tornando mais claro, que a solução de inclusão financeira como forma
de alívio da pobreza, é bem mais complexa do que geralmente se presume.
As características sócio-econômicas como renda, riqueza e educação desempenham o papel
principal na explicação do acesso observado. Pessoas educadas além do nível elementar dobram a
probabilidade de serem incluídas comparadas com aqueles sem educação formal.
O que se observa é que para as pequenas empresas a dificuldade principal é o acesso ao crédito,
de um modo geral têm acesso aos serviços financeiros mas não ao crédito especificamente. Porém os CP
já são mais excluídos financeiramente de um modo geral. Seria apropriado desenvolver políticas
específicas para os segmentos analisados assim como investigar as origens da restrição creditícia. A
grande disparidade entre as regiões merece ser mais investigada assim como as características
específicas dos CP e dos microempreendedores.
A literatura (Rutherford (2000), Abramovay ( 2004)) reconhece que a população de baixa renda
valoriza os serviços financeiros não apenas para ajudá-lo nos investimentos, mas também para amortecer
o consumo, enfrentar riscos e reduzir a vulnerabilidade de seu negócio.
O entendimento do comportamento e do gerenciamento das estratégias financeiras dos pobres se
mostra essencial para provê-los com melhores serviços. Quando a literatura de microfinanças começou
os clientes eram considerados como dados. Hoje há uma nova tendência onde a agenda das
microfinanças é orientada no entendimento do cliente e do mercado em si.
18
A preocupação está focada no nexus produto-cliente e nas implicações para atrair e manter o
cliente. Mas isso é apenas parte da equação – deve se estender também ao elo entre o cliente e a
instituição bem como ao leque de produtos financeiros com que se defronta.
Poucas instituições de microfinanças no Brasil ofertam produtos outros que não o crédito
produtivo, voltado para capital de giro e ativos fixos ligados ao processo produtivo Poucas tentam
efetivamente compreender as necessidades da demanda, ou seja, compreender quais seriam os produtos
que iriam ao encontro das necessidades do segmento e publico alvo.
Os serviços financeiros (empréstimos, poupança e seguros) precisam ser mais responsivos ao
fluxo de caixa dos clientes em termos de tamanho, prazo, sazonalidade, ciclos e repagamento. A
adaptação de um produto universal ou a introdução de novos produtos focados num determinado nicho
de mercado significa buscar um melhor match entre os diferentes produtos e o mercado particular do
cliente que se pretende atingir. Isso iria tornar as microfinanças mais atraentes a uma maior número de
clientes e diminuiria o risco de emprestar aos clientes mais pobres.
Os dados sugerem que no mosaico dos serviços financeiros a microfinanças tem um nicho a
preencher. Raramente, as microfinanças substituem outros serviços financeiros, ao contrário, é mais um
produto que se insere no leque de serviços financeiros Os recursos disponíveis para conviver com
choques é geralmente insuficiente e os clientes são obrigados a cooptar com diferentes fontes de
empréstimos e pequenas quantidades de dinheiro de diferentes fontes.
Acredita-se que através das microfinanças a população de baixa renda pode atingir um acesso
permanente aos recursos financeiros que necessita, permitindo que resolvam os problemas financeiros e
permitindo que lidem com possibilidade de aliviarem a pobreza em seus próprios termos.
Isso nos permite dizer que, dada a importância observada do capital social, a educação financeira
parece ser política complementar necessária numa política financeira que se pretende ser inclusiva e que
pode ajudar a explicar, em parte, a dificuldade de ampliação dos serviços microfinanceiros no Brasil.
Também podemos supor que há um grande número de produtos substitutos ao crédito em uso por
esse segmento da população. Produtos mais conhecidos e mais baratos tais como: crédito consignado,
crediário de bens duráveis, compra fiado. Podemos supor achar que há uma inadequação do produto
ofertado às necessidades financeiras dessa população de baixa renda.
A análise parece ilustrar que a população de baixa renda no Brasil não necessariamente precisa
de microcrédito, precisam de recursos de mais curto prazo para capital de giro e nem sempre o MC
19
produtivo é a solução. Além disso, não é substituto para o investimento em serviços básicos como saúde
e educação. MC parece se aplicar mais àqueles que já têm uma capacidade mínimo de repagamento.
MF é apenas uma entre outras políticas sociais. Diferentes serviços financeiros servem a
propósitos particulares no leque financeiro da população e baixa renda. Em conjunto podem ajudar a
eliminar o risco e aumentar a renda e ser parte essencial de serviços para ajudar o pobre a melhorar sua
vida.
Futuras pesquisas necessitam ser feitas de forma a dar conta de clarear essas questões – saber se
é uma questão de preço? Produto? Informação? E é nessa trilha que pretendemos desenvolver futuras
pesquisas.
20
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22
APÊNDICE
METODOLOGIA
Os indicadores de inclusão financeira podem ser vistos como oriundos de um índice
ordenado, discreto e não observável de serviços financeiros. Cada indicador financeiro
corresponde ao acesso a um determinado grupo serviços financeiros, onde quanto maior o
índice maior o leque a que o indivíduo tem acesso Como o indicador financeiro representativo
dos serviços financeiros é uma variável ordinal e qualitativa a estimação do modelo para tal
variável dependente necessita de uma técnica especial.
Considere, por exemplo, uma variável dependente dicotômica, não ordenada, isto é,
uma variável que possa assumir dois valores ( tal como, sim ou não) . Assuma que essa
variável, representada como uma variável binária 0-1, é modelada como uma função linear de
um grupo de variáveis explicativas e um termo de erro. O valor estimado desse modelo deveria
se situar entre o intervalo 0-1, sugerindo que pudessem ser interpretadas como probabilidades
de que a variável dependente assumo o valor 0 ( ou 1) , dados os valores das variáveis
explicativas. Entretanto, essas probabilidades estimadas podem cair fora do intervalo 0-1..
Existem várias funções de distribuição capazes de forçar a probabilidade estimada a cair no
intervalo (0,1); a mais freqüentemente utilizada é a função cumulativa normal padrão e função
logística. O modelo probit faz uso da primeira enquanto o modelo logit usa a última.
De acordo com Maddala (1994), se a variável qualitativa dependente pode ser
classificada em mais do que duas categorias (i.e, se é uma variável policotômica), a estimação
pode ser feita através de modelos de probit multinomial ou logit multinomial, que são
generalizações dos modelos probit e logit.
Entretanto os indicadores financeiros construídos, representações do acesso aos serviços
financeiros
não são apenas variáveis qualitativas
policotômicas ; também são variáveis
23
ordinais, i.e, variáveis com uma ordem que lhes é inerente. Uma variável dependente, ordinal e
policotôomica seria, geralmente, codificada como 0,1 ,2 ,3 e assim por diante. Essa
representação reflete apenas um rankeamento, não se sabe em que medida ir de 0 até 1 é
diferente ( ou equivalente) a ir de 2 para 3 . Greene (2003) aponta que diante de uma variável
dependente e ordinal, o uso de modelos multinominais probit ou logit não seria eficiente. O uso
desses modelos iria causar problemas de especificação ao assumir que não existe uma ordem a
ser atribuídas às diferentes categorias que a variável dependente pode assumir. A estimação de
regresses pelo método de mínimos quadrados ordinários ( OLS) seria inadequada. A OLS
considera que as diferenças na variável dependente entre 0 e 1 seria equivalente às diferenças
entre 1 e 2 e equivalente às diferenças entre 2 e 3. O . The ordered multinomial probit (OMP)
é o modelo utilizado para estimações no contexto de variáveis dependentes ordinais e
policotomicas ( Zavoina and McElvey, 75).
Yi* = x i’ β + µi ( i = 1,2,3,4,5,6)
(1)
Onde Y é o índice de indicador de acesso financeiro, x é o conjunto de variáveis
explicativas ( idade, escolaridade, gênero, região geográfica, riqueza, tempo de
deslocamento até agencia mais próxima etc...), parâmetros desconhecidos a serem
estimados com β, e u é o resíduo. Assumimos que µ é normalmente distribuído entre as
observações.
Como de costume Y* não é observado. O que observamos é:
Y = FI0 se
Y = FI1 se
Y* ≤ 0
(2)
0 < Y * ≤ µ1
Y = FI2 se µ1 < Y* ≤ µ2
Y = FI3 se µ2 < Y* ≤ µ3
Y = FI4 se µ3 < Y* ≤ µ4
Y = FI5 se µ4 ≤ Y*
O in é uma forma de construir um indicador de acesso financeiro que captura uma idéia de
ranking ( com uma abordagem funcional e institucional). Os µ’s são limites desconhecidos
24
( pontos de corte) que definem o intervalo dos acessos aos serviços financeiros (i.e., FI0, FI1,
FI2, FI3, FI4 e FI5); esses parâmetros devem ser estimados em conjunto com o vetor β.
Fazemos a estimação por maximum likelihood ( devido às propriedades de asymptotic dos
estimadores ML : consistência, distribuição normal e eficiência).
Chegamos às seguintes probabilididades:
Prob ( y= B0 | x ) = θ ( - x’β)
(3)
Prob ( y= B1 | x ) = θ (µ1 - x’β) - θ ( - x’β)
Prob ( y= B2 | x ) = θ (µ2 - x’β) - θ (µ1 - x’β)
Prob ( y= B3 | x ) = θ (µ3 - x’β) - θ (µ2 - x’β)
Prob ( y= B4 | x ) = θ (µ4 - x’β) - θ (µ3 - x’β)
Prob ( y= B5 | x ) = 1 - θ (µ4 - x’β)
Para que todas as probabilidades sejam positivas devemos ter:
0 < µ 1 < µ 2 < µ3 < µ4
(4)
Ao assumir a existência de um ranking, a OMP também reconhece que o tamanho
da diferença entre dois indicadores adjacentes não é conhecido, mas não importa a ponto de
ser levado em consideração na análise, diferentemente, por exemplo, das regras comuns de
regressão, aonde o tamanho da diferença entre os elementos adjacentes é conhecido e
importa na análise.
A magnitude do coeficiente é difícil de ser interpretada. Ao invés disso podemos
computar os efeitos parciais como na equação ( 5 ). O efeito marginal dos regressores x
sobre as probabilidades não é igual aos coeficientes.
Ao aumentarmos x mantendo β constante, µ irá deslocar a distribuição para a
direita causando um efeito não ambíguo. Alguns irão cair for a. caso β seja positivo: Prob
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( y =FI0 | x) deve diminuir. Mas o que acontece com a distribuição no caso dos indicadores
intermediários ( FI1, FI2, FI3 e FI4) é ambíguo. Somente a Prob ( y = FI0 | x) e Prob ( y =
FI5 | x) não é ambígua
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