Las Farmácias Comunitárias y las “Bruxinhas de Deus”: un

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Las Farmácias Comunitárias y las “Bruxinhas de Deus”: un
Las Farmácias Comunitárias y las “Bruxinhas de Deus”:
un estudio etnográfico de la resistencia.
Adriana Samper Erice1
Resumen:
El siguiente trabajo es el resultado de mi trabajo etnográfico en campo, dentro de la Maestría en
Desarrollo Rural (UFRGS/RS). La investigación se centra en el Movimento das Mulheres Camponesas
(MMC) y en las Farmacinhas Comunitarias del Litoral Norte de Río Grande del Sur, espacios donde las
mujeres se reúnen para elaborar remedios con plantas medicinales.
Este artículo tiene como objetivo analizar, bajo la óptica de la teoría pos-colonial y de la posmodernidad, cuál es el modelo de desarrollo que estas mujeres proponen y construyen como
enfrentamiento a la lógica desarrollista hegemónica.
Para este fin el trabajo se divide en tres partes. La primera analiza someramente los diferentes
discursos del desarrollo con respecto al medio rural, para tratar en la segunda parte sobre el propio
MMC y su discurso feminista y de desarrollo, percibido aquí como una forma de resistencia y de
reivindicación de la importancia del 'papel de la mujer' y la 'lucha por la vida'. La tercera y última parte
del trabajo parte analiza la práctica concreta y cotidiana de la Farmacinha de la Solidão, cuyas
actividades acompaño desde 2012. Si bien estas actividades se refieren en gran parte a la elaboración de
remedios con plantas medicinales, la perspectiva aquí adoptada hace que percibamos la Farmacinha
como un lugar donde lo cotidiano y lo personal se tornan políticos y enfrentan el modelo hegemónico
de desarrollo.
Palabras clave: Farmacinha, desarrollo, salud, mujeres camponesas.
Introdução:
O município de Maquiné se encontra na região conhecida como Litoral Norte do Estado do Rio
Grande do Sul (Figura 1). Em 2010, segundo o censo de IBGE, o município possuía uma população
total de 6.905 habitantes. De entre os quais, aproximadamente um 70% vive no meio rural, a maioria em
pequenas propriedades agrícolas familiares de menos de 20 hectares (ANAMA, 2002), e os 30%
restantes vivem na zona urbana. A Farmacinha Comunitária “Filhas da Esperança” encontra-se situada
no Vale da Solidão que é um dos vales que ocorre ao longo da bacia hidrográfica do Rio Maquiné. Esta
Farmacinha, hoje integrada ao MMC (Movimento de Mulheres Camponesas), é um espaço onde
diversas pessoas, mais especialmente mulheres do meio rural reúnem-se para elaborar remédios com
plantas medicinais, e constitui assim mesmo um lugar de troca de experiências e relatos entre mulheres.
Esta foi a primeira iniciativa de Farmacinha Comunitária, que depois foi se expandindo pelo
1
Mestranda em Desenvolvimento Rural en la Universidad Federal de Rio Grande do Sul (Brasil) PGDR/ UFRGS.
Contacto: [email protected]
Litoral Norte, Santa Catarina e Amazônia até chegar a ser um total de 70 Farmacinhas em 23 municípios
em 2001. Cabe destacar que um grande incentivo para a criação e reprodução destas Farmacinhas
comunitárias foi o apoio recebido pelo Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR) 2 o qual
começou a dar o apoio dois anos mais tarde após a criação da Farmacinha da Solidão (Coelho de Souza
Haas, Von Poser, e Elisabetsky, 2004), introduzindo as Farmacinhas dentro do projeto “Grupos de Saúde
na Região Litorânea”.
Figura 1:Localização do Município de Maquiné, RS. (Márcia Tavares, 2000).
No município de Maquiné encontramos uma grande heterogeneidade de atividades e fontes de
renda, processo que é cada vez mais e visível. Na paisagem agrícola que compõe o município
observamos roças com milho - na sua maioria transgênico - ao lado de roças de cultivo de hortaliças em
grandes superfícies que empregam uma grande quantidade de agrotóxicos e uma maquinaria de tamanho
médio, sendo estes últimos herdeiros da lógica da Revolução Verde. Assim mesmo, neste município há
um grande número de pequenos produtores que não possuem nenhum maquinário para seus cultivos,
nem se inserem dentro de uma lógica de mercado de grande escala, e outros pequenos agricultores e
coletivos que se dedicam à agricultura “sustentável” ou agroecológica, obedecendo a outras lógicas que
nada tem em comum com o discurso do progresso, mas sim com a ideia de que “outro desenvolvimento
é possível”, sendo este um desenvolvimento sustentável, ou agroecológico. Dentro deste último
2
O MMTR é hoje chamado de Movimento das Mulheres Camponesas (MMC). Em 1995, criou-se a Articulação Nacional
de Mulheres Trabalhadoras Rurais, reunindo as mulheres dos Movimentos Autônomos, Comissão Pastoral da Terra
(CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Pastoral da Juventude Rural (PJR), Movimento dos
Atingidos pelas Barragens (MAB), alguns Sindicatos de Trabalhadores Rurais e o Movimento dos Pequenos
Agricultores (MPA.). Depois de vários encontros, em 2004, apontaram os rumos concretos do movimento e adotaram o
nome de Movimento das Mulheres Camponesas. Hoje este movimento encontra-se presente em 18 estados brasileiros.
(http://www.mmcbrasil.com.br).
princípio, existem outros empreendimentos, como o turismo rural ou ecológico, que está aumentando na
região. Percebemos então que o meio rural não pode ser definido exclusivamente pela atividade ligada a
agricultura, pois a pluriatividade e diversificação de ocupações são uma realidade crescente do rural
brasileiro. Para alguns autores (Wanderley, 2000, Veiga, 2004) estas caraterísticas correspondem a uma
'nova ruralidade', na qual existe uma maior integração do rural e o urbano, além da diversificação de
atividades e a valorização do patrimônio cultural e natural.
Esta heterogeneidade demonstra que os diferentes discursos e práticas de desenvolvimento
coexistem, apresentando-o como heterogêneo, híbrido e em disputa constante por parte dos diferentes
atores e instituições. Estas práticas de efeitos reais coexistem no espaço e no tempo, si bem as vezes não
de forma harmoniosa. Para Neske, Almeida e Radomsky (2013) o processo de modernização da
agricultura é um dos pontos principais para analisar o desenvolvimento rural no Rio Grande do Sul. Para
eles, um dos objetivos desta modernização era a transformação de sociedades tradicionais em sociedades
'modernas'. Não obstante, no meio rural, a 'modernidade' e o 'tradicional' convivem, mostrando como a
ideia de uma única história linear e evolutiva não se corresponde com a realidade, sendo que o percebido
como “atrasado” não são estados pré-modernos ou não evoluídos senão trajetórias históricas diferentes
(Segato, 2010:10).
Estes discursos e práticas do desenvolvimento vem sendo disputados, ressignificados e
adaptados pelos diferentes atores sociais. A continuação faremos uma breve análise de quais são os
discursos sobre o desenvolvimento que afetam ao meio rural e as mulheres em particular, modelo que se
apresenta como hegemônico e padrão a seguir, e que nasce desde as instituições e organismos de
governo internacional.
Na segunda parte deste artigo discutiremos como o Movimento das Mulheres Camponesas
(MMC) colocam-se contra este modelo e propõem um outro tipo de desenvolvimento, para finalmente
analisar as práticas de resistência cotidiana que acontecem na Farmacinha da Solidão.
Discursos sobre desenvolvimento e o meio rural:
Desde que o Presidente Truman pronunciou seu famoso discurso no qual aparecia pela primeira
vez o termo subdesenvolvido, vários discursos e práticas sobre o desenvolvimento começaram a ser
aplicadas, especialmente nos classificados “países do Terceiro Mundo”. Segundo Escobar (2005), estes
discursos passaram por três momentos:
O primeiro seria o da teoria da modernização - de cunho claramente liberal - que fala sobre os
'efeitos benéficos do capital, a ciência e a tecnologia' (p.18) e que esteve vigente nas décadas de 50 e
603. Esta visão, marcada pelo 'mito do progresso' levou a abordagens evolucionistas e etapistas dentro de
uma visão dualista de 'moderno' vs. 'atrasado'. Este modelo se imbui de conotações positivas por ter
3
Não obstante, este discurso está presente também em políticas de desenvolvimento posteriores, como é o caso da
Revolução Verde - termo usado pela primeira vez por Norman Borlaug em 1968 - e a sua tentativa de modernização,
mecanização e tecnicização do campo.
como objetivos a melhora da qualidade de vida das pessoas, e “desenvolver-se seria forçosamente seguir
em uma direção ascendente, rumo ao mais e ao melhor.” (Almeida, 1997:36).
Posteriormente - e como contraponto a esta modernização - a partir dos anos 60 até os 70 e
dentro da corrente marxista, surgiu a teoria da dependência na América Latina 4, pela qual as causas do
subdesenvolvimento poderiam ser encontradas na 'conexão entre a dependência externa e a exploração
interna'- e não pela carência de meios, capital ou tecnologia' (Escobar, 2005:18). Esta teoria supus um
deslocamento epistemológico no que respeita á conceição do sistema mundo, pois coloca o sistemamundo como centro dos estudos e não mais a Europa como eixo central, senão como parte de um
sistema interdependente de centros, periferias e semiperiferias (Wallerstein, citado em Castro-Gómez,
2005).
Esta teoria, junto com as influenças de Foucault, Deleuze ou Derrida, influenciaram na
conceitualização pós-estruturalista de finais dos anos 80 e começos dos anos 90, que surge como
contraposição da ideia do desenvolvimento baseada no mito do progresso e na modernidade, conceitos
extremamente euro-americanocêntricos. Assim, o principal objetivo é de analisar - e desconstruir – o
desenvolvimento, visto como um discurso criado em Ocidente para a 'produção cultural, social e
econômica do Terceiro Mundo' (Escobar, 2005:18). É importante ressaltar que si bem estes discursos
aparecem e se transformam ao longo do tempo, esto não significa que exista uma continuidade entre
eles, e que os discursos mais recentes tenham substituído aos anteriores. Pelo contrário, estes discursos
de mantém e coexistem no tempo e nos espaços, como é o caso no município de Maquiné..
Ao respeito do meio rural, os discursos sobre o desenvolvimento se expressam em base a sua
potencialidade econômica, tanto pelo trabalho dos pequenos produtores, quanto pelas materiais primas
que este meio oferece. Para Escobar (1995): “el discurso del desarrollo rural repite las mismas
relaciones que definieron al discurso del desarrollo desde su nacimiento: el hecho de que el desarrollo
tiene que ver con el crecimiento, el capital, la tecnología, con la modernización. ” (p.276).
É comum nestes discursos apresentar aos camponeses como irracionáis, resistentes a se
desenvolver, apáticos, etc. (Sheperd, 2004). Além do mais, eles passam a ser percebidos como meros
trabalhadores rurais, e não como pessoas que carregam uns saberes y um ethos diferenciados.
A agricultura passa a ser percebida como fornecedora de matérias primas para a indústria. Com a
finalidade de modernizar e aumentar a produtividade no campo nasceu a Revolução Verde, apresentada
como a solução para o atraso no campo e a fome no mundo. Esta Revolução Verde está basada numa
ideologia tecnocrática, que pretende que as soluções para qualquer problema está nas tecnologias, e
numa visão produtivista do meio rural. Como podemos perceber, ela continua dentro da lógica da
modernização que marcou os modelos desenvolvimentistas dos anos 50 e 60. Para Almeida (1997:44) a
Revolução Verde está “fundada basicamente em princípios de aumento da produtividade através do uso
intensivo de insumos químicos, de variedades de alto rendimento melhoradas geneticamente, da
4
Para uma leitura mais aprofundada ver: Cardoso, F.H; Falleto, E. (1970) Dependência e Desenvolvimento na América
Latina, Rio de Janeiro: Zahar.
irrigação e da mecanização, criando a ideia que passou a ser conhecida com frequência como aquela do
“pacote tecnológico””. A Revolução Verde, com a difusão internacional de práticas agrícolas, não leva
em consideração outros modos de saber-fazer, como as redes de reciprocidade e e atividades de
subsistência, sem falar sobre outras cosmologias que não fazem a distinção entre natureza/cultura ou que
vem esta primeira de forma diferente que os ocidentais. A Revolução Verde, assim como a transgenia,
pretende e persegue uma homogeneização do processo de produção agrícola (Goodman, 1990). Além
disso, supõem mais uma forma de colonialidade no campo, pois são os técnico-científicos ocidentais os
que ão de levar esta tecnologia nos países “subdesenvolvidos do Terceiro Mundo”. Como podemos
observar, não só se pressupõe o que as pessoas no meio rural querem e de que forma o querem- que
seria o desenvolvimento ocidental - senão que pressupõe assim mesmo que eles não são capazes de
lográ-lo por sim mesmos.
Hoje o discurso do desenvolvimento adquiriu um outro matiz, com a aparição da
privatização dos recursos naturais e a tentativa de controle sobre o material genético, debate de grande
atualidade, e cuja relação com as tecnologias de sementes transgênicas é especialmente relevante. A
chamada “Economia Verde” com propostas como o pagamento pelos serviços ambientais (PSA) 5 visa
dar valor de mercado, privatizar e mercantilizar bens comuns, como tentativa de traduzir todo no
linguagem da economia de mercado, como “solução” a degradação ambiental. A gestão da natureza e
seus recursos e a planificação racional dos recursos naturais, são para Escobar (1995) elementos chave
no discurso do “desenvolvimento sustentável”. Destro deste contexto aparece a privatização dos
recursos naturais e a tentativa de controle sobre o material genético, debate de grande atualidade, e cuja
relação com as tecnologias de sementes transgênicas é especialmente relevante. O controle pela vida - a
traves da biotecnologia, a proteção da biodiversidade – obedece a prática do biopoder, como já sinalou
Foucault (1998)6. Para Radomsky (2011b: 8) a “biopolítica é preocupada com a preservação da vida, a
inclusão, a administração e o cálculo” e introduze a vida “dentro do parâmetro do controlável,
quantificável e maleável, transferindo esta dentro da produção industrial.”A privatização e as patentes
sobre os recursos são também uma nova forma de colonialismo, pois usurpa o conhecimento das
populações não-ocidentais ao privilegiar o conhecimento ocidental como o único válido, sem reconhecer
muitas vezes o quanto deve aos conhecimentos outros sobre os que privatiza.
Não obstante o modelo de desenvolvimento analisado neste apartado é contestado e modificado
5
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Esta proposta está se transformando numa importante àrea de investigação, especialmente a partir da Avaliação dos
Ecosistêmas do Milênio: “La Evaluación del Mileno (MA, 2003) los define [los servicios ambientales] como los
beneficios que las personas obtienen de los ecosistemas, incluyendo aquellos beneficios que la gente percibe y aquellos
que no perciben” (énfase meu) (Marín Lopez, B.; Montes, C. Funciones y servicios de los ecosistemas: una herramienta
para
la
gestión
de
los
espacios
naturales.
Dispinívelemservbiob.inf.um.es/eac/LECCION_11/LECTURAS_11/Articulo_Funciones_Servicios_Urdaibai.pdf,
Universodade de Murcia 2010).
O Biopoder é um “elemento indispensável ao desenvolvimento do capitalismo, que só pôde ser garantido à custa da
inserção controlada dos corpos no aparelho de produção e por meio de um ajustamento dos fenômenos de população aos
processos econômicos” (p.132) (Foucault, M. (1999), O biopoder. In: Em Defesa da Sociedade. Curso no College de
France. São Paulo: Martins Fontes.)
em diferentes instâncias pelas mesmas mulheres que são alvo dele. Escobar (1995) observa que “la
producción de nuevos discursos no es un proceso unilateral; por el contrario, puede crear condiciones
para la resistencia” (p.265). Pese a que a invisibilidade da mulher nos programas de desenvolvimento
resulta ainda mais mais evidente, são nos coletivos de mulheres do meio rural e especialmente no Sul,
onde podemos observar maiores resistências ao desenvolvimento como é o caso do MMC.
O Movimento das Mulheres Camponesas e a contraposição ao desenvolvimento hegemônico:
O Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) se define a si mesmo como um “movimento
autônomo,
democrático,
popular,
feminista
e
de
classe,
na
perspectiva
socialista”
(http://www.mmcbrasil.com.br).
A consolidação do MMC como o conhecemos hoje7 foi constituído em 2004, e ele é o resultado
de vários movimentos ou frações de movimentos que se uniram a partir daquele momento sob o nome
de Movimento das Mulheres Camponesas. Segundo Paulilo (2004:230) a revalorização do termo
'camponês' “tem uma conotação política de criação de identidade em momento de lutas”. O termo
camponesa cria outro sujeito político, a mulher camponesa, e engloba a extrativistas, pescadoras,
quebradeiras de coco, etc. Este sujeito político não é mais visto uma mero trabalhadora rural sino como
alguém que carrega uma cultura e um ethos diferenciados.
Num primeiro momento, as lutas do MMC eram fortemente direcionadas aos direitos trabalhistas
no campo. Esta luta foi se modificando, aparecendo reivindicações específicas de gênero, ligadas
principalmente a questão da saúde, sexualidade e planejamento familiar. Houve então uma aproximação
com o feminismo e hoje as mulheres do movimento se denominam a si mesmas como “feministas
camponesas”. É neste período do movimento que se deu a maior expansão das Farmacinhas
Comunitárias, dentro das quais a Farmacinha da Solidão foi a primeira que existiu 8 e serviu como
modelo para a criação das outras, graças a sua inserção no projeto de “Grupos de Saúde Da Região do
Litoral Norte”. A partir dos anos 2000 se intensificou a luta por um modelo de agricultura
agroecológica, em clara contraposição ao modelo de agricultura intensivo com agrotóxicos (Salavaro,
Lago, e Wolff, 2014). Dentro do MMC hoje, se discutem tanto temas associados à agroecologia - como
a preservação das sementes crioulas, não-uso de agrotóxicos, e rejeição aos transgênicos- quanto
questões ligadas especificamente aos direitos da mulher- com a Lei Maria da Penha9.
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8
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No Rio Grande do Sul, o MMC tem sua base no anterior MMTR (Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais) que
foi criado em 1989 com uma forte representação regional e a participação de umas 500 lideranças, muitas delas com
experiência anterior em atividades da Igreja, do MST e dos sindicatos de trabalhadores.
A Farmacinha da Solidão foi criada em 1991, e num começo não fazia parte de nenhum movimento, sendo que sua
inserção de deu mais tarde, pela mediação da Rafinha, que foi a responsável assim meso de expandir esta proposta nos
diversos grupos formados no Litoral Norte de RS.
Lei nº 11.340 de 17 de Agosto de 2006. Esta lei "Cria mecanismos para coibir a violência doméstica familiar contra a
mulher, nos termos do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a
Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de
Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências.
Fonte:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm.
Nos cadernos e cartilhas publicados pelo movimento resulta patente a rejeição ao modelo do
agronegócio, como é chamado por elas mesmas. Na cartilha “Potencializando sonos, preservando a
vida” (Movimento das Mulheres Camponesas, MMC, 2008b) se descreve como com a Revolução Verde
os camponeses perderam seus modos de fazer agricultura e que as mulheres foram “reeducadas [...] para
serem boas e prendadas, donas de casa”. Com a chegada do agronegócio a “erosão da cultura
camponesa” agravou-se mais ainda. As consequências para as mulheres foram ainda mais sérias:
“São elas a maior porcentagem que passa fome no mundo. A violência
contra as mulheres se agrava à medida que as condições de vida digna se
acabam. A perda do território para as mulheres é muito maior, porque ficam
fora das heranças, ou não tem direito a opinar e decidir... a esterilidade e o
aumento de doenças são muito maiores com a intensificação do uso de
venenos e a prostituição também aumenta” (MMC, 2008b:11).
Como contraposição ao modelo de desenvolvimento baseado no agronegócio, o feminismo
camponês defendido pelo MMC busca - a partir da prática diária das camponesas - o 'cuidado da vida'
com a “produção agroecológica de alimentos, à luta por políticas públicas e a vida digna no campo e
(estão) contra todo tipo de violência, seja contra as mulheres, seja contra qualquer trabalhador” (MMC,
2008b). O trabalho com plantas medicinais também é importante, pois “são as mulheres as que manejam
a nossa riquíssima biodiversidade para prevenir e curar”. Como elas mesmas falam “a partir do
feminismo camponês fazem sua história e buscam construir outros marcos na história da agricultura
brasileira” fora dos padrões do agronegócio.
No modelo de desenvolvimento proposto pelo MMC, outros valores que não são o capital são
colocados como prioritários como luta pela igualdade de direitos, a agroecologia, a defesa das sementes
crioulas, a solidariedade entre elas, ou a luta pela vida digna no campo entre outras. Deste modo, elas se
colocam contra o modelo da economia verde e o pago pelos serviços ambientais que comentávamos no
anterior item. Para elas esta “solução” não é tal, senão que traz consigo a ”reestruturação do capital
financeiro e especulativo” com o objetivo de “colocar preço, mercantilizar e privatizar os bem comuns”
(MMC, 2014). Não só a lógica do mercado entra como força apropriadora dos bens comuns naturais,
mas também enxerga-se esta como uma nova forma colonizadora dos saberes e os territórios das
“populações indígenas, tradicionais, quilombolas e camponesas” (idem, 2014), pois elas estabelecem
contratos com empresas do Norte nos quais perdem o direito de uso sobre seu território ao tempo que a
empresa compensa os seus índices de poluição.
Frente a estes modelos, estas mulheres procuram outros marcos e referências diferentes aos
propostos pelo modelo hegemônico de desenvolvimento, tentando estabelecer outra relação entre
homens e mulheres e do ser humano com a natureza. Assim buscam construir outra realidade no seu
cotidiano, onde o capital e o desenvolvimento não possuem a exclusividade do programa político.
Segundo elas “a verdadeira solução é a agroecologia, a través da construção do projeto de agricultura
camponesa agroecológico, feminista e socialista”(MMC, 2014).
Nas cartilhas do MMC, o papel da mulher é ressignificado e colocado como central para o bem
estar familiar e da comunidade como um todo, outorgando-lhe visibilidade e reconhecimento social. “As
mulheres trazem o “cuidado” como principio norteador da vida e das relações”. (MMC, 2008a:43). É a
través do Movimento e do seu feminismo que as mulheres valorizam sua própria autoestima e sua
autonomia reconhecendo seu papel enquanto produtoras de alimentos sem agrotóxicos e como
detentoras de conhecimentos na hora de elaborar remédios, frente ao sistema capitalista das grandes
empresas multinacionais (Paulilo, 2004; Boni, 2012). Isto se percebe nos depoimentos destas mulheres:
“O movimento de mulher pra mim foi importante. Foi onde aprendi o
sentido de ser mulher conhecer os meus direitos e falar o que penso”
(carta de uma participante, MMC, 2008b).
“O MMC foi muito bom para mim porque aprendi muitas coisas boas, o
modo de se alimentar, de se tratar e curar de algumas doenças de maneira
natural sem precisar de remédios de farmácia” (transcrição da fala de
uma participante, MMC, 2008b).
“Foi graças ao Movimento que eu comecei a sair, viajar, a ver que não
tem nada de errado nisso. Foram as mulheres que me ensinaram isso”
(Fala da Dona Maria, 25/05/2014).
A Farmacinha Comunitária da Solidão: a cura e a resistência:
Um dos temas recorrentes – tanto nas cartilhas publicadas quanto nas falas das mulheres – são os
temas ao respeito da saúde e das plantas medicinais. Durante os encontros do MMC e nos encontros da
Farmacinha da Solidão, é comum escutar as mulheres perguntando pela saúde umas das outras e dos
familiares, intercambiando receitas e dicas, o comentando das últimas visitas o médico.
Para o MMC (2008a) saúde quer dizer “construir um modo de vida digno” (p.47) “saúde tem que
ver com a alegria, o bom humor, a respiração, o sono, as caminhadas, os exercícios físicos, o lazer
saudável, a conversa, o diálogo, o carinho e o afeto para com aos outros”. Elas constroem esta luta por
saúde em oposição ao “projeto da modernidade, pelo qual a construção de relações se da em função do
lucro; e não pela promoção da vida em todas suas dimensões” (p.17). Para elas, o papel da mulher neste
âmbito é fundamental, pois considera-se que são elas as que detêm o conhecimento ao respeito dos usos
das plantas medicinais.
Dentro do MMC existe a proposta das Farmacinhas Comunitárias. O vínculo que as Farmacinhas
têm com este movimento é importante porque a expansão das Farmacinhas se deu em grande medida
graças à iniciativa do Movimento de incluí-las no projeto “Grupos de Saúde na Região Litorânea”.
Analismos aqui o caso concreto da Farmacinha da Solidão - que venho acompanhando desde
2012 - para poder realizar uma análise do cotidiano, dado que para Labreque (2000) a análise do
cotidiano permite levar em consideração a heterogeneidade - e a desigualdade - em relação ao
desenvolvimento, pois “o cotidiano constitui o cenário principal das relações sociais”. Para analisarmos
esta proposta, contarei primeiramente parte da sua história. A Farmacinha Comunitária da Solidão
nasceu em 1991, com a proposta de seu um lugar de reunião para as mulheres no meio rural. Um ano
depois, elas começaram a fazer remédios com as plantas medicinais. A proposta do este espaço visa
não só fornecer remédios naturais num local de difícil acesso ao sistema de assistência à saúde, mas
também como uma “forma de libertação da mulher”, pois como sinala Rafinha 10 “a transformação da
sociedade passa pela organização política da mulher” (citada em Kubo, 2005:158) e ela não aceitava a
diferenciação dos tratos por gênero que se da neste local, onde existe uma marcada diferença na
socialização e na divisão do trabalho.
Hoje os encontros da Farmacinha da Solidão têm lugar nas quartas feiras a tarde, e durante os
mesmos elaboram-se os remédios com plantas medicinais. Na Farmacinha são empregadas 64 espécies
de plantas medicinais (Coelho de Souza et al., 2004) as quais a maioria são preparadas em forma de
tinturas11. Essas plantas são na sua maioria nativas e obtidas algumas nos seus próprios quintais, e outras
do extrativismo do mato. Das 64 plantas empregadas, 55 são preparadas na forma de tintura para
elaborar elixires a partir delas, que se produzem misturando partes iguais de tinturas de diferentes
plantas segundo o uso que virão a ter (Duarte, 2002; Coelho de Souza et al., 2004). A Farmacinha hoje
em dia produz 26 tipos de elixires a partir destas tinturas. Além de elixires fazem-se pomadas, sendo que
para este fim empregam-se 32 plantas. Para as pomadas, o principio ativo é extraído através de uma
substância oleaginosa, seja vaselina ou banha, na qual se misturam as plantas secas ou as tinturas já
prontas. Na Farmacinha realizam-se um total de 8 tipos de pomadas.
O espaço da Farmacinha constitui um lugar onde se produz um processo de aprendizado coletivo
e troca de experiências, a maioria a respeito do uso das plantas medicinais, mas que muitas vezes
permite outro tipo de trocas relacionadas à emancipação e politização das mulheres. Assim por exemplo,
a atual coordenadora, Dona Maria, aprendeu a ler e escrever na Farmacinha, junto com outras mulheres
que já sabiam e foram ensinando. Além disso, este espaço e suas práticas constituem uma contraposição
ao modelo de desenvolvimento vigente, pois consideramos que a própria elaboração dos remédios com
base na biodiversidade e no conhecimento local, opõe-se à lógica de mercado e de desenvolvimento na
qual a saúde deve ser garantida pelo Estado e, predominantemente, através da aquisição de
medicamentos industrializados pelas companhias farmacêuticas, apesar da legitimidade da medicina
tradicional ser reconhecida não só como patrimônio cultural, mas também como estratégia para
programas de saúde pública no Brasil12.
Resgatamos aqui uma das falas da Rafinha, a qual declarou:
“Os laboratórios só fabricam remédios pra ficar ricos. Vocês acham que os
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Como sinalávamos na nota de rodapé nº 8, Rafinha foi a mulher que impulsou este tipo de projeto, e continua militando
fazendo cursos sobre saúde e plantas medicinais em várias localidades do Brasil.
Estes remédios são elaborados a partir do Manual “Bruxinhas de Deus”, que da nome ao grupo, e que foi elaborado por
Rafinha.
No Brasil, em maio de 2006, foi aprovada a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), a
qual considera o uso de plantas medicinais (fitoterapia) como prática terapêutica a ser oferecida à população pelo
sistema de saúde pública (Marques, 2008).
remédios deles curam? Não mesmo! Pra que que eles iam curar, pra ficar
menos ricos? Isso é o capitalismo, gente, só lucro, e nos acreditamos que
esse monstro que nos vai curar. Ele é o demônio verdadeiro, que está
matando o povo. O capitalismo está no nosso sangue e nos nem
percebemos. E como os agrotóxicos, é a mesma lógica. E dar remédio
contra o veneno que eles mesmos inventaram. E depois a gente fica doente
e querem nos vender os remédios pra pobres. Laboratório não quer deixar
de fabricar remédios pra pobres, porque senão eles vão parar de ganhar
dinheiro. Entende? É tudo o manejo e tudo o demônio capitalista. É o
demônio, e o diabo, o único demônio que existe é esse ai. O resto vem
tudo desse ai, o resto dos diabinhos vem tudo desse grande ai.” (Rafinha,
16/10/2014).
É interessante perceber como este espaço de aprendizagem coletiva e geração de conhecimento
está relacionado com a construção (às vezes, resgate) de uma perspectiva integral de saúde, cujas
decisões sobre o corpo e a cura das doenças passam à esfera de ação das mulheres. Ou seja, boa parte
dos remédios e procedimentos adotados (e eles se referem também a hábito alimentares, regimes de
trabalho, lazer, dentre outros) não é estabelecida pelo Estado ou preconizada exclusivamente por
profissionais da saúde.
Nesse sentido, o espaço da Farmacinha, suas práticas e atendimentos, pode ser visto como um
espaço de politização dessas mulheres. Esta politização deve ser entendida como o processo de
subjetivação e transformação de novas identificações que as levam a atuarem e organizarem em um
movimento de oposição de estruturas sociais preestabelecidas, aparentemente imutáveis e coercitivas.
Percebe-se então, que a partir das reuniões do grupo da Farmacinha, que as mulheres passaram a se
(re)conhecer, politizar e empoderar-se, aumentando sua autoestima: “A Farmacinha é a coisa mais
importante que me aconteceu na vida...eu aprendi tudo aqui, Não sei o que teria sido de mim sem a
Farmacinha, guria. Acho que hoje já não estaria viva”(Dona Maria, 25/05/2014). Não bastasse ser, um
espaço de aprendizado, onde Dona Maria foi alfabetizada, conheceu a arte das plantas medicinais, ele é
um espaço emancipador. A Farmacinha é: “Um lugar de libertação [...] onde podíamos falar de coisas,
porque era um lugar só pra mulheres. Mas os homens muitas vezes nos seguiam pra nos espiar, pra
controlar. Antes da Farmacinha existir, as mulheres não saíamos de casa, nem encontrávamos a família,
as amigas, era tudo assim, dentro de casa” (Dona Maria, 11/06/2014).
Esta politização e aumento da autoestima enquanto mulheres se da em grande medida pelo fato
de se reunirem e conversarem sobre questões do seu cotidiano, podendo compartilhar as suas
preocupações, vivências e informações. Nestas propostas locais, a política é vista como processo de
subjetivação (Gibson-Graham, 2004), nas quais os indivíduos criam novas identificações - 'mulher',
'camponesa', 'sustentável' - que permitem novas ações e organizações como neste caso é a elaboração de
remédios com plantas medicinais - ou a participação destas mulheres nas marchas e ações do MMC. Sob
esta perspectiva podemos dizer que a Farmacinha constitui um espaço ou lugar que permite uma
'política do local' cuja proposta se centram não na sua autenticidade (enquanto espaço feminista, por
exemplo), mas sim na sua relevância na vida das mulheres que dela fazem parte. Segundo GibsonGraham (2004), estes lugares que permitem uma política do local:
“they are already everywhere engaged in constructing and revitalizing
places, in response to the exigencies and possibilities of their everyday
lives. What the project hopes to do is foster this tenacious, dispersed and
barely visible ‘movement’, creating connections (networks or
‘meshworks’), sharing information and inspiration through academic and
non-academic channels and developing local experiments into a collective
knowledge that will spawn and support more projects and ideas”13. (p. 28).
Pode-se arriscar dizer que, até mesmo, a reflexão sobre sua condição de mulheres, e dos seus
papeis sociais é parte da construção deste espaço de encontro e ação que significam as Farmacinhas.
Segundo Gibson-Graham (2004), estes lugares, que permitem uma política do local, são “places being
created, strengthened, defended, augmented, transformed by women 14”, e fazem com que o 'pessoal seja
político'(p.30). Neste sentido, o exposto por Dona Margarida - participante da Farmacinha- , mostra todo
esse empoderamento, “[antes] não podia sair de casa sem que o meu marido ficasse com a cara amarrada
e não falasse por oito dias...era ciúme, sabe...”, mas que ela aprendeu “ a andar sozinha, e hoje ele não
me diz mais nada. Quando venho pra Farmacinha ele nem pergunta mais nada” (Dona Margarida,
11/06/2014).
Reflexões finais:
A partir da análise efetuada dos diferentes discursos sobre o desenvolvimento e as suas paticas
podemos observar que o desenvolvimento não é um discurso homogêneo e unidirecional. Consideramos
que estes discursos e práticas vem sendo contestados, disputados e ressignificados pelos diferentes
atores, a diferentes níveis. Nestes diferentes níveis a colonialidade e o exercício do poder atuam de
formas diferentes, sempre em múltiplas direções e em rede (Castro- Gómez, 2007).
Assim, no modelo de desenvolvimento proposto pelo Movimento das Mulheres Camponesas,
outros valores que não são o capital são colocados como prioritários, como a luta pela igualdade de
direitos, a agroecologia, a defesa das sementes crioulas, a solidariedade entre elas, ou a luta pela vida
digna no campo entre outras. Estas mulheres procuram outros marcos e referências diferentes aos
propostos pelo modelo hegemônico de desenvolvimento, tentando estabelecer outra relação entre
homens e mulheres e do ser humano com a natureza. Assim buscam construir outra realidade no seu
cotidiano, onde o capital e o desenvolvimento não possuem a exclusividade do programa político.
A politização das mulheres que fazem parte da Farmacinha da Solidão também vem da mão do
13
“Elas já estão em todos os lugares envolvidas na construção e revitalização de locais, em resposta às exigências e
possibilidades de suas vidas cotidianas. O que o projeto pretende fazer é fomentar este "movimento" tenaz, disperso e
pouco visível, criando conexões (redes ou malhas), a partilha de informação e inspiração através de canais acadêmicos e
não-acadêmicos e experiências locais de desenvolvimento em um conhecimento coletivo que vai expandir-se e apoiar
mais projetos e ideias” (Tradução própria)
14
“Vêm sendo criados, defendidos, argumentados e transformados por mulheres” Tradução própria.
MMC. O Movimento apresenta uma clara resistência e oposição ao desenvolvimento hegemônico, tanto
no seu discurso, como analisávamos anteriormente, quanto nas suas práticas - que vão desde a
organização de férias da biodiversidade à açoes diretas 15 -. Ele constitui um espaço político no qual se
articula a luta contra o modelo de desenvolvimento hegemônico. As mulheres do Movimento lutam nas
suas práticas diárias pela produção de alimentos agroecológicos e a vida digna no campo. Como elas
mesmas falam “a partir do feminismo camponês fazem sua história e buscam construir outros marcos na
história da agricultura brasileira” fora dos padrões do agronegócio.
Podemos concluir observando como a Farmacinha constitui um espaço de contraposição ao
desenvolvimento por dois fatores principalmente. Um deles é a elaboração de remédios naturais, o que
se opõe à lógica de mercado e de desenvolvimento pela qual a saúde deve ser garantida pelo Estado e
adquirida a través das farmacêuticas, a pesar da reconhecida legitimidade da medicina tradicional
(Marques, 2008).
Por outro lado, a partir dos depoimentos destas mulheres e do acompanhamento feito da
Farmacinha, poderíamos considerá-la como um lugar de politização das mulheres, entendida esta
politização como o processo de subjetivação ou aparição de novas identificações por parte dos
indivíduos e dos coletivos, que levam eles a atuarem e se organizarem de outras formas em
contraposição ao desenvolvimento (Gibson-Graham, 2004). As Farmacinhas constituiriam um 'espaço
ontológico' (Escobar, 2008) onde é possível pensar e se movimentar para além do capital, convivendo
com o modelo de desenvolvimento dentro de um mundo pluriverso.
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15
Nos referimos, por exemplo, a invasão e destruição de uma planta da Aracruz Celulosa. O fato aconteceu no Dia da
Mulher (8 de março) de 2008: 2000 mulheres vinculadas a Via Campesina (especialmente do MMC e do MST)
destruíram laboratório da Aracruz Celulose em RS. A prensa o destacou como um ato de vandalismo.
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