Poesia da américa Latina para crianças

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Poesia da américa Latina para crianças
Poesia da américa
Latina
para crianças
Seleção, tradução e notas
Jorge Henrique Bastos
Ilustrações Toni D’Agostinho
2
Poesia da América Latina
para crianças
Seleção, tradução e notas
Jorge Henrique Bastos
Ilustrações Toni D’Agostinho
São Paulo, 2014
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© B4 Editores e Jorge Henrique Bastos
Segundo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990)
Publishers: Carlos Henrique Carvalho Filho
Eduardo Acácio Cunha
Revisão: Luís Fernando Quaresma
Capa, Projeto gráfico e diagramação: Rodrigo Rojas
Proibida reprodução desta obra sem autorização expressa da editora
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
B329p
Bastos, Jorge Henrique
Poesia da América Latina para crianças / Jorge Henrique Bastos. - 1. ed. - São Paulo : B4
Ed., 2014.
132 p. : il. ; 23 cm.
Inclui bibliografia
ISBN: 978-85-65358-05-7
1. Poesia infantojuvenil. 2. Poesia latino-americana. I. Título.
14-09660
CDD: 028.5
CDU: 087.5
2014
Todos os direitos desta edição reservados à
B4 Editores (selo da BookPartners)
Rua Vítor Ângelo Fortunato, 439
06612-800 – São Paulo – SP
Telefone: (11) 4772-0100
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Sumário
1 José Martí...........................................................................8
A rosa branca................................................................................................... 9
Os sapatinhos cor-de-rosa.............................................................................. 11
2 Rafael Pombo.................................................................. 23
A porquinha vaidosa...................................................................................... 25
A rosa e a cebola............................................................................................. 26
O gato sentinela............................................................................................. 27
A pobre velhinha............................................................................................ 28
3 Ruben Darío ................................................................... 33
As fadas.......................................................................................................... 34
Os três reis magos.......................................................................................... 38
Margarida...................................................................................................... 41
A taça das fadas.............................................................................................. 48
4 Amado Nervo...................................................................54
Os cinco........................................................................................................ 55
O esquilo....................................................................................................... 56
O barquinho de papel.................................................................................... 57
Os sentidos.................................................................................................... 58
Noite feliz...................................................................................................... 59
5 José Juan Tablada......................................................... 62
O rouxinol..................................................................................................... 63
A tartaruga .................................................................................................... 64
O pavão real................................................................................................... 65
6 José María Eguren........................................................... 67
A menina da lâmpada azul............................................................................. 69
5
7 Leopoldo Lugones..............................................................71
O martim-pescador........................................................................................ 72
Asa-branca..................................................................................................... 73
Tarde clara..................................................................................................... 75
8 Gabriela Mistral................................................................ 76
Acalanto......................................................................................................... 77
Segura a minha mão....................................................................................... 81
9 Alfonsina Storni............................................................. 83
Homem pequenino........................................................................................ 84
10 Vicente Huidobro............................................................85
Natureza viva................................................................................................. 86
11 Evaristo Ribera Chevremont............................................89
O menino e o lampião................................................................................... 90
12 Nicolás Guillén............................................................... 101
Son* para meninos antilhanos...................................................................... 103
13 Dulce Maria Loynaz....................................................... 106
O menino quer brincar................................................................................ 107
14 Rafael Mendez Dorich...................................................... 111
Os gatos brancos da duquesa........................................................................ 113
15 Carlos Oquendo de Amat ..............................................116
O anjo e a rosa............................................................................................. 117
Mãe............................................................................................................. 119
16 Martín Adán................................................................... 121
Natal............................................................................................................ 122
17 Gioconda Belli................................................................ 125
Quero escrever um menino.......................................................................... 127
Bibliografia.................................................................................................. 129
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7
1
José Martí
Poeta cubano, figura importante para a independência da ilha
de Cuba, foi jornalista, político e pensador que influenciou o
pensamento da América Latina.
(Cuba, 1853-1895)
8
A ROSA BRANCA
Cultivo uma rosa branca,
em junho ou em janeiro,
para um amigo sincero
que me oferece a mão franca.
E para o cruel que me arranca
o coração que me mantém vivo,
nem cardo ou urtiga cultivo:
só uma rosa branca.
LA ROSA BLANCA
Cultivo una rosa blanca,
En junio como en enero,
Para el amigo sincero
Que me da su mano franca.
Y para el cruel que me arranca
El corazón con que vivo,
Cardo ni ortiga cultivo:
Cultivo uma rosa blanca.
9
10
OS SAPATINHOS COR-DE-ROSA
O sol está ótimo, o mar espuma,
a areia é fina, e Pilar
quer sair para estrear
seu chapéu de pluma.
– “Vai minha menina divina!”
Diz o pai , e lhe dá um beijo.
– “Vai meu passarinho preso
e traz-me areia fina!”.
– “Eu vou com minha menina formosa!”
Disse a mãe com voz de sereia;
– “E não sujes na areia
teus sapatinhos cor-de-rosa!”.
Los zapaticos rosa
Hay sol bueno y mar de espuma,
Y arena fina, y Pilar
Quiere salir a estrenar
Su sombrerito de pluma.
–“¡Yaya la niña divina!”
Dice el padre, y le da un beso.
–“¡Vaya mi pájaro preso
A buscarme arena fina!”
–“Yo voy con mi niña hermosa”–
Le dijo la madre buena.
“¡No te manches en la arena
Los zapaticos de rosa!”
11
Seguiram para um jardim
pela rua do louro:
a mãe colheu um cravo
e Pilar um jasmim.
Ela leva todos os brinquedos,
balde, colher e bola.
A bola é amarela,
e o balde violeta.
Todos as veem passar.
ninguém as quer ver ir:
a mãe começa a rir
e um velho começa a chorar.
Fueron las dos al jardín
Por la calle del laurel:
La madre cogió um clavel
Y Pilar cogió um jazmín.
Ella va de todo juego,
Com aro, balde y paleta.
El balde es color violeta;
El aro es color de fuego.
Vienen a verlas passar:
Nadie quiere verlas ir:
La madre se echa a reir,
Y um viejo se echa a llorar.
12
O vento emaranha
os cabelos de Pilar
Que corre vaidosa, a gritar;
“Mãe, sabes o que é uma rainha?”
Para que não voltem
à noite da beira do mar,
o pai as manda buscar,
num carro, a mãe e Pilar...
A praia está muito linda,
todos estão na praia,.
leva os óculos a aia
da francesa Florinda.
El aire fresco despeina
A Pilar, que viene y va
Muy oronda: “¿Di, Mamá:
Tu sabes qué cosa es reina?”
Y por si vuelven de noche
De la orilla de la mar,
Para la madre y Pilar
Manda luego el padre el coche.
Está la playa muy linda:
Todo el mundo está em la playa:
Lleva espejuelos el aya
De la francesa Florinda.
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Alberto, o militar,
saiu em procissão
com boné e bastão,
lançando um bote ao mar.
E como Madalena é arteira,
com tantos cintos e laços,
uma boneca sem braços
que enterra na areia!
Conversam nas cadeiras,
sentadas com os senhores,
as senhoras, como flores,
debaixo dos sombreiros.
Está Alberto, el militar
Que salió em la procesión
Com tricórnio y com bastón,
Echando un bote a la mar.
¡Y qué mala, Magdalena,
Con tantas cintas y lazos,
A la muñeca sin brazos,
Enterrándola en la arena!
Conversan allá en las sillas,
Sentadas con los señores,
Las senhoras, como flores,
Debajo de las sombrillas.
14
O mar está com uns modos
tão sérios, está triste o mar:
mas está alegre ali, a quebrar
na frente de todos!
Dizem que as ondas sonham
quando na areia quebram
e que a areia é muito branca
por onde as meninas andam.
Para sua mãe corre Pilar:
– “Mãe, eu sou boa,
e até a areia quero ir
podes me ver daí!”
Pero está con estos modos
Tan sérios, muy triste el mar:
¡Lo alegre es allá, al doblar,
En la barranca de todos!
Dicen que suenan las olas
Mejor allá em la barranca,
Y que la arena es muy blanca
Donde están las niñas solas.
Pilar corre a su mamá:
– “¡Mamá, yo voy a ser buena;
Déjame ir sola a la arena:
Allá, tú me ves, allá!”
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