caderno de resumos - DCM

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caderno de resumos - DCM
CADERNO DE RESUMOS
II JORNADA DO [email protected]:
CONCEITOS E(M) REDE
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão
Preto- Universidade de São Paulo
1 e 2 de dezembro de 2011
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
COMISSÃO ORGANIZADORA
Coordenação geral
Profa. Dra. Lucília Maria Sousa Romão - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP/USP). Pesquisadora responsável do
[email protected] - Laboratório Discursivo (FAPESP 2010-510290)
Organização
Profa. Dra. Lucília Maria Sousa Romão - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP/USP)
Profa. Dra. Fernanda Silveira Correa Galli - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP/USP)
Monitores
Ane Ribeiro Patti
Camila Santos de Oliveira
Daiana de Oliveira Faria
Daniela Giorgenon
Francis Lampoglia
Gustavo Grandini Bastos
Iara Martins Vieira
João Guilherme Camargo dos Santos
Jonathan Bertassi Silva
Ludmila Ferrarezi
Mariane Leonel dos Santos
Mavi Galante Mancera Dall´Acqua Carvalho
Renata Estevam Geraldo de Campos
Thaís Harumi Manfré Yado
Vânia Lúcia Coelho
Vivian Lemes Moreira
Apoio Logístico:
Rita de Cássia Ribeiro
Apoio cultural:
Pró-Reitoria de Cultura e Extensão- FFCLRP/ USP
Pró-Reitoria de Pesquisa - FFCLRP/ USP
Instituto do Livro de Ribeirão Preto
Faculdades COC
1
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
SUMÁRIO
AS MEMÓRIAS DE FUTUROS APOCALÍPTICAS NA REVISTA SUPERINTERESSANTE:
REFLEXOS E REFRAÇÕES.............................................................................................................04
O JOGO DA POLISSEMIA DO DISCURSO: O MORRO E O FIEL EM DISCURSOS DE
CRIANÇAS E JOVENS DO NARCOTRÁFICO..............................................................................05
SILÊNCIO E ARQUIVO NA REDE ELETRÔNICA: O MORTO FEITO (DE) VIVO..............06
YES, WE CRÉU: TODOS NÓS - E MAIS A WEB 2.0 – DIANTE DAQUILO QUE A POLÍTICA
(NÃO) DIZ PARA A MÍDIA...............................................................................................................07
INTERNET: ESPAÇO DE MEDIAÇÃO E DIFUSÃO DE ARTE.................................................08
CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO NO ESPAÇO DIGITAL: HORIZONTES DE PESQUISA......09
DIZERES DE MÃES SOBRE FILHOS AUTISTAS: (NÃO) SABERES SOBRE A DOENÇA..10
SITES DE PESQUISA: ESPECIFICIDADES DO DISCURSO ELETRÔNICO..........................11
O SUJEITO NO ON-OFF LINE.........................................................................................................12
UM GIRO DISCURSIVO PARA A INCLUSÃO..............................................................................13
INCLUSÃO E EXCLUSÃO NO DISCURSO....................................................................................14
CYBERBULLYING: DISCURSOS HOSTIS QUE APRISIONAM O SUJEITO DE SE
MOVIMENTAR...................................................................................................................................15
A PRODUÇÃO DE SENTIDOS NA REDE ELETRÔNICA...........................................................16
BLOG: UM LUGAR DE ATRAVESSAMENTO DE VOZES ENCICLOPÉDIAS
ELETRÔNICAS: A MOVIMENTAÇÃO..........................................................................................17
ENCICLOPÉDIAS ELETRÔNICAS: A MOVIMENTAÇÃO DISCURSIVA..............................18
(HIPER)LEITURA: SENTIDOS EM (DIS)CURSO.........................................................................19
MEMÓRIA E SILENCIAMENTO NAS FICHAS DO DEOPS: A GREVE DOS
METALÚRGICOS DO ABC EM DISCURSO..................................................................................20
VOZES HETEROGÊNEAS EM PRIMEIRA PÁGINA: A DITADURA MILITAR
DISCURSIVIZADA NO/PELO JORNAL ÚLTIMA HORA...........................................................21
BLOGS GAYS: MOVIMENTOS DISCURSIVOS NA REDE ELETRÔNICA............................22
A CONSTRUÇÃO DO EFEITO-LEITOR NO LIVRO DIDÁTICO: O QUE SE PODE LER
NOS DISCURSOS QUE CIRCULAM NESSE MATERIAL?.........................................................23
ATÉ QUE A POLISSEMIA (N)OS SEPARE: MATRIMÔNIO E FAMÍLIA
(RE)SIGNIFICADOS EM “A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM”.......................................24
2
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
MERCANTILIZAÇÃO OU LIBERTAÇÃO?: (NOVOS) SENTIDOS SOBRE A MULHER
EM “NUNCA AOS DOMINGOS”......................................................................................................25
SENTIDOS DE SENSUALIDADE FEMININA EM “REPULSA AO SEXO” E “A BELA DA
TARDE” ...............................................................................................................................................26
EFEITOS DE (HIPER)LEITURA: A (RE)CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS NO DISCURSO
ELETRÔNICO.....................................................................................................................................27
NOS LABIRINTOS DA INTERNET: REDES EM MOVIMENTO...............................................28
SENTIDOS DE BIBLIOTECÁRIO NA VOZ DE SUJEITOS UNIVERSITÁRIOS DA CIDADE
DE RIBEIRÃO PRETO/SP.................................................................................................................29
AS REDES SOCIOPEDAGÓGICAS NA FAVELA DA MARÉ: UM ESTUDO SOBRE A
PRÁXIS DO CENTRO DE AÇÕES SOLIDÁRIAS.........................................................................30
EDUCAÇÃO E SAÚDE: UM ESTUDO SOBRE A CLASSE HOSPITALAR..............................31
ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS NO ENSINO DE INGLÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA:
COMPREENSÃO DE PALESTRAS COMO MATERIAIS AUTÊNTICOS................................32
"LA LOBA" DE ALFONSINA STORNI EM UMA OFICINA DE MULHERES, NA
PRISÃO.................................................................................................................................................33
O TIRO QUE ECOOU PELO MUNDO: A VOZ DA HIPERMÍDIA SOBRE A MORTE DE
CHICO MENDES.................................................................................................................................34
DISCURSIVIDADE NO TWITTER: QUANDO O DIZER INSTALA O EFEITO DE
EXTERMÍNIO......................................................................................................................................35
SUJEITOS E SENTIDOS: UM PERCURSO DISCURSIVO POR ENTRE (OS) NÓS DA/NA
REDE ELETRÔNICA.........................................................................................................................36
DISCURSO NÃO-VERBAL E SENTIDOS SOBRE “LIXO EXTRAORDINÁRIO” NO
YOUTUBE E FILMOW......................................................................................................................37
OS EFEITOS DE SENTIDOS SOBRE A AMAZÔNIA NAS ENCICLOPÉDIAS DE
CONTEÚDO COLABORATIVO NA WEB......................................................................................38
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II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
AS MEMÓRIAS DE FUTUROS APOCALÍPTICAS NA REVISTA
SUPERINTERESSANTE: REFLEXOS E REFRAÇÕES
Pugliese, Allan Tadeu.1 (MS); Miotello, Valdemir.1(O);
[email protected]
1
Programa de Pós-graduação em Ciência Tecnologia e Sociedade (UFSCar)
Quando observamos as matérias sobre possíveis “fim do mundo” na revista
Superinteressante, vemos o que Bakhtin chamaria de memórias de futuro. A partir disso,
nesse estudo nos preocupamos em observar a relação texto/ imagética/imagem e sua real
correspondência entre fatos. Também consideramos a discussão sobre a criação de uma
matéria jornalística científica ou apenas de uma literatura de ficção criada a partir dos novos
fatos da ciência misturados com antigos discursos sobre o apocalipse. Para isso analisaremos
a matéria “A Fúria da Natureza”, matéria de capa da revista Superinteressante de abril de
2011, seguindo a teoria dialógica Bakhtiniana e ancorando-nos também em outros autores,
tais como Bruno LATOUR (2000) e a leitura feita por Mateus Yuri PASSOS (2009) sobre a
relação jornalismo e o jornalismo literato.
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II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
O JOGO DA POLISSEMIA DO DISCURSO: O MORRO E O FIEL EM
DISCURSOS DE CRIANÇAS E JOVENS DO NARCOTRÁFICO
Patti, Ane R. (MS)1;
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Vamos partir de um acontecimento escrito, uma dissertação de mestrado para fazer
circular algumas idéias trabalhadas neste pequeno advento de discurso. A partir dos
pressupostos teóricos da Análise do Discurso de filiação francesa e da psicanálise lacaniana, e
da seleção de alguns recortes discursivos que trazem os significantes morro e fiel, propomos
uma discussão em torno da polissemia e de como alguns sentidos de criança são
(des)construídos na amarração discursiva em determinadas condições-de-produção. Estas
crianças e jovens emergem no discurso do narcotráfico, como sujeitos interpelados por este
discurso em diferentes lugares: nas vozes dos filhos e netos do narcotráfico, em relatos
coletados na mídia áudio-visual e em trabalhos científicos publicados no país nos últimos sete
anos. Faremos gestos de interpretação a partir de dizeres que vão entrelaçando efeitos de
morte, poder, realização no agora, marcando um modo de o sujeito realizar-se como pode em
meio às condições de produção e à forma como a ideologia o interpela como sujeito e ainda
ser criança. Apostamos que é no caminho da fala/escuta que possibilitamos a movência dos
sujeitos e as (des)fixações em pontos de ancoragem para se liberarem a um vir-a-ser diferente
do que se é, pois partimos da premissa de que a linguagem e o sujeito são opacos, causados
por uma falta estruturante que os constitui fragmentados, falhados, incompletos, errantes, o
que perpassa pelo que a psicanálise chama por inconsciente (Freud, [1915] 2006; Lacan,
[1964] 1998). Realizando gestos de interpretação, pressupomos a impossibilidade de uma
interpretação que dê conta do todo, de tudo, mas que porte um semi-dizer, um estranhamento
que permita abrir para a opacidade da linguagem, para a polissemia, e para a construção de
uma memória em detrimento de outras possíveis que ficarão silenciadas. Assim, memória e
esquecimento são inseparáveis, sendo o discurso o fio que liga os ditos, os não-ditos, os interditos e os já-ditos, numa constante negociação entre estrutura e acontecimento (ORLANDI,
2004, 2005b) aberta para o equívoco, falhas, non-sense, regras e irrupções, estabilização e
deslizamento, permanência e fraturas, metáforas e metonímias, condensação e deslocamento,
silêncios e bordados semânticos que velam e desvelam sentidos.
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II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
SILÊNCIO E ARQUIVO NA REDE ELETRÔNICA: O MORTO FEITO
(DE) VIVO
Patti, Ane R. (MS)1;
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Este trabalho é um recorte de meu projeto de doutorado, em que trabalharemos
ancorados na Análise de Discurso (AD) de matriz francesa, fundada por Michel Pêcheux no
bojo do estruturalismo dos anos 60. O conceito de sujeito ganha ênfase sobre os demais
conceitos da AD em meu percurso acadêmico, fazendo ponte entre minha iniciação científica
e do projeto atual. No doutorado: pretendemos investigar sobre um sítio discursivo que
inscreve a criança-boneco (reborn-babie) feito (de) vivo, em que o morto é discursivisado de
vivo, é (re)vestido de vivo, é inscrito no social (tra)vestido como um vivo. De nossa
perspectiva teórico-metodológica o sujeito está entrelaçado com a historicidade e atravessado
pela e na linguagem: Ideologia e Inconsciente fazem do sujeito um sujeito discursivo, não
somente um indivíduo empírico, mas um sujeito da linguagem, portanto, dividido, errante,
plural, capaz de dar vida ao que não tem e mortificar o que tem, ou é vida. Daremos privilégio
aos discursos coletados no ciberespaço, postados em blogues, sites e demais arquivos de redes
sociais, que serão tomados como representantes do discurso urbano, e que produzem uma
historicidade específica neste momento contemporâneo em que marcas indiciárias de
apagamento da alteridade se fazem presentes na ordem vigente que dita um gozo sem limites,
fortemente sustentado por um imaginário inflado de tudo se poder dizer, fazer, gozar. Mas o
sujeito tropeça, fantasia e topa com as porosidades deste ideal, premissa da psicanálise que
sustenta sobre a castração no sujeito falante. Estes discursos de reborneiras colocam em
movimento quais interdiscursos e efeitos de sentidos? Trabalharemos com o conceito de
silêncio conforme teorizado por Orlandi (2010), enquanto “respiração da significação”, e
também com a noção de silenciamento, como gesto necessário para que os sentidos possam
emergir e se encadear de uma determinada forma, e não de outra. Trabalharemos, ainda, com
os conceitos de Arquivo e arquivos (ROMÃO, 2006, 2008); Ideologia e ideologias
(ALTHUSSER, 1980, 1986; PÊCHEUX, 2009); Interdiscurso e intradiscurso (PÊCHEUX,
2009); Inconsciente (FREUD, s.d.; LACAN, 1998); língua e linguagem (SAUSSURE, 2006;
PÊCHEUX, 2009; FREUD, s.d.; LACAN, 1998) e discurso (PÊCHEUX, 2009)
6
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
YES, WE CRÉU: TODOS NÓS - E MAIS A WEB 2.0 – DIANTE
DAQUILO QUE A POLÍTICA (NÃO) DIZ PARA A MÍDIA...
Araújo, Angela A.1(DR); Pfeiffer, Claudia R. C.1(O);
[email protected]
1
Doutorado em Linguística / Programa de Pós-Graduação do Instituto de Estudos da
Linguagem (UNICAMP)
Em 2009, a escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos, colocou o
Brasil em posição de destaque no cenário político / na mídia internacional, pois pela primeira
vez um representante sul-americano conquistava o direito de sediar o maior evento esportivo
mundial. Neste trabalho, é destacada, para análise, a série enunciativa (Yes, we can; Sim, nós
vencemos; Sim, nós podemos, Sim, nós faremos; Yes, we créu) que circulou na mídia por
ocasião da vitória brasileira. Questiona-se como, no jogo de substituições contextuais,
formulações irremediavelmente equívocas (Yes, we... / Sim, nós...) funcionam na relação
mídia (de massa) – política (de massa) a partir da qual é construído um lugar de identificação
a uma coletividade que se marca na superfície linguística pelo pronome “nós”.
Discursivamente, constitui-se um lugar onde o eu (o locutor, aquele que se responsabiliza pelo
dizer), o nós (eu e vocês) e o todos (qualquer um, inclusive os atualmente significados como
“historicamente excluídos”) podem se encontrar. O (re)dizer vale-se não somente da
equivocidade presente na base das formulações, mas também da relação com a grande
audiência dos meios de comunicação (de massa). Na interpelação do “sujeito de mercado”
pela ideologia do “Capitalismo Mundial Integrado” pela grande imagem da mídia, se constitui
uma posição discursiva que, se sustentando a partir de um lugar aparentemente não
contraditório, tem como efeito sentidos de um novo país. Mas como o (re)dizer na mídia o
que discurso político, em sua retórica, diz para a mídia acaba por se materializar na forma do
equívoco (pelo viés da falta, do excesso, do repetido, do parecido, do absurdo, do nonsense,
etc)? Aquilo que indica ecos entre o uso político de alguns enunciados pelos presidentes dos
EUA e do Brasil teve uma nova formulação quando, no dia da vitória brasileira, o slogan de
campanha de Barack Obama (Yes, we can) foi reescrito (Yes, we créu) e postado no Twitter
(um dos ambientes virtuais da Web 2.0 que abre novas possibilidades de compartilhamento /
distribuição de informação), sete minutos após o anúncio do resultado pelo Comitê Olímpico
Internacional. A mensagem figurou como um dos assuntos mais comentados no Twitter,
provocando, inclusive, a criação de um verbete na enciclopédia Wikipédia inglês para permitir
ao não falante do português compreender o sentido de créu, que foi descrito como uma gíria
que significa o “intercurso sexual” e “uma feroz competição e disputa”. Mas como a irrupção
do equívoco faz ver, sem dizer, aquilo que, na ordem discursiva resta enquanto o silêncio de
uma negação? Percebe-se, nesta análise, que a irrupção do equívoco, ao subverter, através de
um chiste, a repetição concertada daquilo que fala cordialmente aqui e acolá, faz ver, sem
dizer, aquilo que se mostra aqui, mas não lá: os campos de disputa na arena política
internacional
CNPQ
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II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
INTERNET: ESPAÇO DE MEDIAÇÃO E DIFUSÃO DE ARTE
Rodrigues, Bruno Cesar.1(MS); Crippa, Giulia.1(O);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (USP)
Com o surgimento da Internet, aquilo que denominavam como "boom informacional"
tomou proporções ainda maiores. É cada vez mais comum as pessoas buscarem no ambiente
virtual pelas respostas aos mais diversos questionamentos. Estes vão desde a mais simples
curiosidade às questões mais elaboradas e até mesmo de rigor científico mais apurado. É
possível perceber que esta situação ocorre nas mais diferentes áreas, até mesmo nas
relacionadas artístico-culturais. Pelas disposições de informações relacionadas à cultura e à
arte, disponibilizadas na Internet, fazem-se buscas com o intuito de saberem o que acontece
nesse âmbito, bem como fazer programações de visitas às mais diversas exposições, ou
mesmo para conhecerem mais sobre arte e/ou artistas. Desse modo, a utilização do ambiente
da Internet como espaço de apresentação da obra de arte e as informações que se relacionam a
ela propicia uma maior difusão dos conceitos e conhecimentos, bem como abre espaço para
discussões daquilo que se apresenta. Isso sem entrar no mérito das produções coletivas de arte
contemporânea e/ou das denominadas "arte web" ou "arte virtual". Os museus de arte
passaram a fazer parte das mais variadas tecnologias tanto para realização de suas exposições
quanto para comunicarem-se com outros sujeitos que compõem o sistema de arte, sendo eles
os artistas, os curadores, os historiadores, os críticos, os públicos e outras instituições.
Inicialmente, a utilização da Internet pelos museus restringia-se à comunicação com estes
sujeitos e, aos poucos, começaram a desenvolver sites próprios e a disponibilizar informações
referentes à instituição e suas exposições. Aos poucos começaram a apresentar acesso a seus
bancos de dados, os quais continham reproduções fotográficas de imagens de obras de arte
que compunham seus acervos ou daquelas que passaram pela instituição em exposição.
Mesmo antes dessa disponibilização, já havia começado algumas discussões indicando que
este seria o caminho a ser seguido pelos "museus do futuro", comumente denominado de
"museu virtual". Embora seja esta uma denominação falha, ou que não contempla de forma
eficaz aquilo que se apresenta e se quer chamar de "museu virtual", o foco mais importante a
ser observado é a mediação que promove tais disponibilizações de reproduções de imagens de
obras de arte na Internet. Se for entendido o conceito de mediação cultural como o processo
que se coloca no meio, entre o público e a cultura, e se for especificado o âmbito museológico
voltado às artes como ponto de observação, então estes sites que se pretendem denominar
"museus virtuais" são mediadores de fato, não importando a inconsistência em suas
nomenclaturas. Uma vez disponibilizada na Internet, as informações artístico-culturais podem
ser acessadas de qualquer parte do mundo e por qualquer pessoa que tenha acesso à rede
mundial de computadores
CAPES
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II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO NO ESPAÇO DIGITAL: HORIZONTES
DE PESQUISA
Wanderley, Claudia M.1(DR);
[email protected]
1
Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (UNICAMP)
Este trabalho é parte de um esforço de inserir um horizonte de pesquisa “não
europeu”, e particularmente brasileiro/periférico, na narrativa normativa eurocêntrica da
utilização dos conceitos na Análise de Discurso. O espaço digital, no contrapelo do discurso
da globalização, nos articula fortemente às condições de produção locais. A teorização do
outro neste caso se confunde: o outro do europeu no discurso do espaço digital não somos nós
desta vez, não é o proletário, a mulher, nem mesmo o cidadão de terceiro mundo, é o
computador este sujeito social constantemente apagado. Este apagamento estrutura a periferia
do discurso digital, e nosso interesse neste texto é colocar algumas questões que nos ajudem a
compreender que a infoestrutura não se determina da mesma forma em qualquer lugar. Ou
seja, que o encontro entre a ciência da computação e o discurso pode ser multilinear. O
método aqui é apontar pontos de entrada possíveis para trabalhar por distintas superfícies do
espaço digital e territorializar a relação do discurso com a ciência da computação. Em
Wanderley (2010, p.7) destaco a necessidade de se pensar a questão das condições de
produção no espaço digital. A questão especifica que queremos desenvolver aqui versa sobre
a representação do conhecimento em línguas portuguesas no digital, e os deslocamentos
possíveis a partir daí. Independentemente de quem promove a “correta” leitura do trabalho de
Michel Pêcheux – questão irrisória e já em seu excesso - é incontornável o fato de que seu
trabalho se inaugura com uma reflexão sobre a automatização. E isso não é banal, porque o
tecnológico e o racional andam de braços dados nos anos 70, daí os algoritmos, a lógica, a
inteligência artificial serem empreitadas que a Análise Automática do Discurso (Pêcheux, 69)
não recusou. As consequências de olhar para a automatização e para o discurso, assim como
para a automatização do discurso, são inúmeras. A diferença irresolvível da contínua
singularidade de produção de sentido em que a análise se estabelece é calculável. Mais do que
isso, é calculável para além da sintaxe ou da filosofia da linguagem. Outra questão
interessante é que essa lógica da AAD é transgredida pelo histórico geográfico, no Brasil por
exemplo, uma vez que nossa infoestrutura aponta para outros modos de exploração da língua
artificial, da língua natural e do “capital” simbólico e tecnológico em que estamos imersos.
São horizontes de pesquisa que apresento para interlocução.
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II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
DIZERES DE MÃES SOBRE FILHOS AUTISTAS: (NÃO) SABERES
SOBRE A DOENÇA
Telles, Cynara Maria A.¹ (MS);
[email protected]
¹ Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (UFSCar)
O objetivo deste trabalho, é a escuta de mães de filhos autistas sobre seus (não)
saberes sobre o autismo, buscando na materialidade desses discursos, novos sentidos e
significações sobre a doença e ao (não) lugar dado às mães, pelo universo científico. O
discurso das mães é significado por suas suspeitas, dúvidas e recusas em perceber algo de
estranho no filho, dizendo do que estranhavam, de como tentavam se convencer de que não
havia nada de anormal ou de terem certeza que algo estranho estava acontecendo com seu
filho. Por meio de entrevistas, empreendemos um gesto interpretativo da singularidade
discursiva desses sujeitos, utilizando como referencial teórico, a Análise do Discurso de
filiação francesa, que marca seu lugar na ciência apoiada na materialidade da língua falada,
escrita e documentada pelo homem que se contextualiza num determinado processo histórico.
Como disciplina de interpretação, a Análise do Discurso tem como metodologia, trabalhar a
circularidade de um já-dito, com sentidos já legitimados antes e em algum lugar, e a
possibilidade para a abertura de novos sentidos, por meio da deriva, da paráfrase e da
metáfora. O objetivo do trabalho foi explorar, pela escuta dessas mães, questões que
envolvem o sujeito em suas posições discursivas, a partir de um determinado contexto sóciohistórico e mergulhado no universo da linguagem, tomando o sujeito proposto pela Análise do
Discurso, como conceito principal desse trabalho. Foram flagrados os efeitos de um discurso
de autoridade (o discurso científico) sobre o discurso das mães, que se desautorizavam a
ocupar uma posição de saber sobre o problema
CAPES
10
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
SITES DE PESQUISA: ESPECIFICIDADES DO DISCURSO
ELETRÔNICO
Faria, Daiana Oliveira.1(MS);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
A partir da teoria da Análise do Discurso de matriz francesa, focamos nossa atenção
no funcionamento técnico dos mecanismos de busca na web. Ao abordarmos as condições de
produção e a materialidade específica deste espaço de significação, pretendemos observar
qual a relação da técnica com a discursividade instalada por estes mecanismos. A partir de
nossas pesquisas, verificamos que a cada varredura dos mecanismos de busca, parcelas
diferentes da web são vasculhadas. Diante disso, propomos observar que a totalidade da rede
nunca será, de fato, rastreada, haja visto o fato de que temos aí a linguagem em fluxo e, diante
desta, a completude se dá na ordem da ilusão necessária. Apostamos na assertiva de que,
discursivamente, esse funcionamento da rede se dá de forma rizomática e, diríamos ainda,
discursiva. A respeito desta, dizemos discursiva na medida em que os enunciados, divulgados
na rede e recuperados pelos sites de busca, fazem circular efeitos de arquivo dentro de uma
conexão de vários outros arquivos, ou seja, no momento de uma busca, arquivos distintos e
advindos de vários lugares da rede são alinhados em torno de uma mesma palavra, o que
instala movimentos de maleabilidade e fluidez, visto que outra busca com os mesmos nomes
pode inscrever uma listagem absolutamente diferente. Contudo, objetivamos mobilizar alguns
conceitos da AD para observar o funcionamento da linguagem nesse espaço peculiar.
11
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
O SUJEITO NO ON-OFF LINE
Giorgenon, Daniela1(MS); Patti, Ane Ribeiro1;
[email protected]; [email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Para articularmos sentidos sobre os movimentos do sujeito na (e fora da) rede
eletrônica, nos pautamos na Análise de Discurso de linha francesa, método que reconhece a
materialidade específica da língua(gem) e sua permeabilidade à história, ao inconsciente e a
ideologia. Nosso aporte teórico-analítico parte da concepção de sujeito discursivo, sujeito
incompleto tal qual a linguagem que o constitui, interpelado ideologicamente e desejante, para
partimos questões sobre o sujeito navegador, o qual é atravessado por uma impressão de tudo
poder dizer ao ser capturado pela/na rede. Lançamo-nos ao Museu da Pessoa, museu virtual
inaugural, a fim de navegarmos por novas formas de emergência do sujeito, que urgem na fala
e na imagem, as quais tomaremos como discursos da contemporaneidade. Rastreando
movimentos de dizer e silenciar, sinalizaremos a captura dos sujeitos (navegadores?) por
lugares ideológicos na rede, o lugar dos que supostamente querem-podem.
12
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
UM GIRO DISCURSIVO PARA A INCLUSÃO
Giorgenon, Daniela1(MS);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Ocupando uma posição discursiva que se interessa pelo que está e é opaco na
linguagem, interpretamos o discurso da inclusão em um corpus constituído pela capa da
Revista Nova Escola – Edição Especial de 2009 e por recortes de entrevistas feitas com
sujeitos-professores sobre o processo de inclusão de crianças e adolescentes considerados
deficitários nas salas de ensino regular. Analisamos essas formações discursivas a partir da
concepção de sujeito discursivo, inaugurada por Pêcheux, sujeito faltante, atravessado
ideologicamente e pelo recalque de origem inconsciente; da concepção de discurso
pedagógico proposto por Orlandi, discurso que tende ao autoritário, à reprodução de moldes
pré-fixados, supostamente aplicáveis aos considerados dentro dos padrões de normalidade; e
da concepção de debilidade mental, elaborada por Lacan. Isso para provocarmos um giro
discursivo no/do discurso da inclusão para o que chamamos de inclusão no discurso. Com
esse giro, pretendemos provocar uma escuta ao lugar ofertado ao considerado deficitário
mental, a fim de se incluir no discurso pedagógico um espaço para os embates de cada sujeito
com o saber, em detrimento da parafrástica massificação do “todos”.
13
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
INCLUSÃO E EXCLUSÃO NO DISCURSO
Giorgenon, Daniela1(MS);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Esse escrito traz fragmentos da dissertação de mestrado “Sentidos de inclusão e
exclusão na voz de sujeitos escolares: o deslocamento do déficit pela via da falta”, estudo
pautado no método da Análise de Discurso de Michel Pêcheux e especialmente no conceito de
sujeito discursivo. Na década de 60, na França, Pêcheux inaugura uma teoria que não se
separa da análise e que visa compreender o processo de produção de sentidos em determinado
contexto sócio-histórico. Para elaborar sua concepção de sujeito ele se ancorou na noção de
ideologia de Marx e Althusser e na noção de inconsciente de Freud e Lacan, e propôs um
sujeito incompleto tal qual a linguagem que o constitui. Explica ele que a ideologia, ao
produzir sentidos legitimados, juntamente com o inconsciente, que cinde o sujeito ao
apresentar-lhe o Outro, a anterioridade das palavras, o assujeitam ao mesmo tempo em que
produzem o efeito das evidências subjetivas que o afetam, que o constituem. Caracteriza então
essa noção como uma posição no discurso, dentre outras possíveis, assumidas por um sujeito
em determinadas condições de produção, o que acarreta, a este, filiar-se discursivamente a
alguns dizeres e não a outros, tendo em vista o recalque inconsciente de não poder tudo
dizer/saber bem como o efeito ideológico que condiciona o que pode e deve ser dito.
Advertidas por essa concepção, sinalizamos que temos escutado na contemporaneidade uma
suposta legitimação do processo de inclusão de pessoas consideradas com deficiência em
qualquer espaço social; outrora, a exclusão fora legitimada. E para analisarmos essa suposta
virada nos sentidos, efetuamos entrevistas com sujeitos-professores e sujeitos-coordenadores
de escolas públicas e particulares a fim de escutarmos os sentidos que tem circulado na
escola, especificamente sobre a inclusão de crianças e adolescentes considerados com
deficiência mental nas salas regulares do Ensino Fundamental. Nesse trabalho, nos
debruçaremos sobre um recorte dessas entrevistas. Ancoradas em Pêcheux, sinalizaremos a
circulação de sentidos de inclusão e de exclusão, embora os sujeitos tenham a impressão de
anunciar apenas o legitimado e de apagar a historicidade do déficit, as formações imaginárias
e ideológicas que já circularam sobre o indivíduo que é considerado fora dos padrões de
normalidade. Temos anunciado em nossos trabalhos que inclusão e exclusão caminham a
passos juntos e a partir da(s) análise(s), o que intentamos denunciar é o movimento ideológico
e inconsciente de exclusão da exclusão, o qual cria um efeito de sentido de que ela não existe
e que pode ser camuflada por meio da legitimação da “educação para todos”, tão divulgada
nos documentos oficiais e nas campanhas governamentais/particulares, e que perpetua, no
entanto, a exclusão.
14
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
CYBERBULLYING: DISCURSOS HOSTIS QUE APRISIONAM O
SUJEITO DE SE MOVIMENTAR
Patti, Elci A. M. R.1(DR); Andréo, Silvia G.1(ESP); Bittar, Liene2 (DR); Pimenta,
Leny1(ESP);
[email protected]
1
2
Universidade de Franca; Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo
Este estudo tem como objetivo fazer algumas reflexões sobre o fenômino
Cyberbullying, e seus efeitos na posição do sujeito adolescente enquanto desejante e falante.
Os parâmetros teóricos para a Análise, serão a Psicanálise com a releitura de Lacan e a
Análise do Discurso pêcheutiana. O corpus deste estudo constitui-se de depoimentos de dois
adolescentes, apresentados em blogs sobre o tema. O cyberbullying é um termo em inglês
utilizado para esclarecer uma diferente manifestação hostil enunciada nas comunicações
virtuais(e-mail, blogs, sites etc), com a intenção de causar danos ao outro. Na atualidade, há
um imperativo de gozo em que as necessidades dos outros ficam inferiorizadas diante da
pressa da própria satisfação e não aceitação de diferenças, geralmente inicia-se no ambiente
escolar. Nas relações escolares, reedita-se essa posição do sujeito de não aceitar aqueles muito
diferentes, ocorrendo um posicionamento subjetivo sado-masoquista diante das relações.
Nesse ambiente, o bullying é cada vez mais frequente, como indício desta desordem na qual
estamos inseridos. Para a Psicanálise o Sujeito é movido por dois sentimentos básicos, o amor
e a agressividade. Enquanto fenômeno que denuncia a hostilidade nas relações humanas, o
cyberbullying é considerado como um desvio desses dois sentimentos, faz parceria com a
hostilidade e a destrutividade. É um fenômeno que sempre esteve presente nas relações
humanas, mas que teve um crescimento histórico a partir das relações de poder que podem ser
assumidos ou não pelo sujeito, a depender das posições discursivas que este poderá ou não
ocupar em função do funcionamento da ideologia, o que ocorre de forma inconsciente.
Quando um ou mais sujeitos são capturados por este fenômeno, como algoz ou como vítima,
percebe-se desordens generalizadas na subjetividade de cada um, assim como no grupo
implicado. Nesta situação, o gozo perverso é o que impera e aprisiona o sujeito algoz na
satisfação pela dor do outro (sadismo), e a vítima fica aprisionada no gozo masoquista. É um
processo destrutivo que tampona o desejo pelo prazer de viver, tem repercussão nos laços
sociais, na aprendizagem, e na aquisição de novos conhecimentos.
15
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
A PRODUÇÃO DE SENTIDOS NA REDE ELETRÔNICA
Galli, Fernanda Correa Silveira1 (PD);
[email protected]
1
Programa de Pós-Doutorado (FFCLRP/USP)
Discutir os conceitos de arquivo e de memória, do ponto de vista da Análise do
Discurso de linha francesa, na interlocução com autores das Ciências Sociais e da Filosofia,
relacionando-os ao espaço digital da internet, tem sido um dos propósitos do desenvolvimento
do meu projeto de pesquisa de pós-doutorado, em andamento. Interessa-me, mais
especificamente, compreender o modo de inscrição do sujeito e a constituição do arquivo
discursivo no território fluido do ciberespaço, considerando as relações intra e interdiscursivas
que revelam a (im)possibilidade de o sujeito dizer o “novo” na/pela linguagem.
Compreendido como posição inscrita via memória e em condições de produção marcadas pela
contemporaneidade, o sujeito é afetado pelo funcionamento outro do ciberespaço, de onde
emergem os dizeres em rede – “já-ditos”, “já-dados” – que compõem a trama discursiva do
arquivo. Na presente discussão, a materialidade significante analisada é formada por alguns
recortes do blog “A Viagem do Elefante – Rota portuguesa” – disponível no site da Fundação
José Saramago (http://www.josesaramago.org), a partir dos quais procuro refletir sobre a
heterogeneidade das (várias) vozes que circulam ciberespaço e sobre os deslizamentos de
sentidos em e na rede. Pensar a produção dos sentidos na rede eletrônica é considerar a
(im)previsibilidade dos discursos, seus “pontos de deriva possíveis”, dado que “todo
enunciado é intrinsecamente suscetível de tornar-se outro, diferente de si mesmo, se deslocar
discursivamente de seu sentido para outro” (PÊCHEUX, 1990 [2002, p.53]). Nesse
deslocamento de sentidos, emerge o jogo da metáfora que, na condição de repetição, promove
o esburacamento da memória que vai se dobrando, se desdobrando, e acaba por apontar a
natureza movente do arquivo.
FAPESP
16
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
BLOG: UM LUGAR DE ATRAVESSAMENTO DE VOZES
Galli, Fernanda Correa Silveira1 (PD)
[email protected]
1
Programa de Pós-Doutorado (FFCLRP/USP)
Nesse trabalho, meu objetivo é apresentar um recorte das reflexões que venho
desenvolvendo, com base na perspectiva da Análise do Discurso francesa, a respeito da escrita
na rede eletrônica. Além dos conceitos de arquivo e de escrita que mobilizo, apresento
recortes de meu material de pesquisa, retirados do blog “Outros Cadernos de Saramago”,
situado na página da Fundação José Saramago. Refletir, então, sobre a re-produção e a
circulação dessas materialidades no espaço digital da internet, bem como problematizar a
autoria dos dizeres colocados na rede, é tomar o blog como um lugar de atravessamento de
vozes – do outro no um, levando em consideração a função-autor que, embora seja interna ao
discurso, carrega o efeito externo das determinações históricas e sociais. Esse processo faz vir
à tona o movimento, a aproximação e a colagem que, nas palavras de Mittmann (2010, p.86),
“se dão sob o trabalho do simbólico, na intervenção do histórico sobre o linguístico, o que
leva à opacidade” e permite, ainda, um modo outro de leitura do arquivo discursivo digital,
bem como de emergência da memória. Pensar a produção dos sentidos no espaço digital da
internet, nessa perspectiva, é considerar: a previsibilidade e a imprevisibilidade dos discursos;
a sua dispersão; o “já-lá” do interdiscurso (o nível da constituição dos enunciados – já-dito)
que, pela memória, funciona no intradiscurso (o nível da formulação – dito).
FAPESP
17
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
ENCICLOPÉDIAS ELETRÔNICAS: A MOVIMENTAÇÃO
DISCURSIVA
Galli, Fernanda Silveira Correa¹ (PD); Bastos, Gustavo Grandini² (MS);
Yado, Thaís Harumi Manfré² (MS)
fcs[email protected]; [email protected]; [email protected]
1
Programa de Pós-Doutorado (FFCLRP/USP); ² Programa de Pós-Graduação em Ciência,
Tecnologia e Sociedade (UFSCar)
No presente trabalho, discutimos a questão da internet como um espaço discursivo
profícuo para se investigar os deslocamentos tanto no que diz respeito aos sentidos quanto às
posições dos sujeitos que ali se inscrevem. Propomos, a partir dos pressupostos da Análise do
Discurso (AD) de matriz francesa, analisar como ocorre essa movimentação discursiva em
enciclopédias eletrônicas, consideradas espaços constituídos por conteúdos colaborativos na
internet, de acesso livre e gratuito. Elegemos, para essa abordagem, três enciclopédias
eletrônicas: a Wikipédia, a Desciclopédia e a Wikiquote, a partir das quais analisamos os
efeitos de sentido do/sobre o conjunto de significantes “Osama bin Laden”. Interessa-nos,
ainda, nessa investigação, refletir sobre a circulação desses sentidos, considerando: i) as atuais
condições de produção dos ‘saberes’ ali reunidos, dado que “em cada momento histórico
dado, as formas ideológicas não se equivalem, e o efeito simulação-recalque que elas
engendram não é homogêneo” (PÊCHEUX, 1990, p.77) e o ii) o papel da memória, que é
“um espaço móvel de divisões, de disjunções, de deslocamentos e de retomadas” (PÊCHEUX,
2007, p.56).
FAPESP, CNPQ
18
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
(HIPER)LEITURA: SENTIDOS EM (DIS)CURSO
Galli, Fernanda Correa Silveira1(PD); Ferrarezi, Ludmila1(DR); Bastos, Gustavo
Grandini2(MS); Romão, Lucília Maria Sousa1(O);
[email protected]; [email protected]; [email protected];
[email protected];
1
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP); 2 Centro de Educação e
Ciências Humanas (UFSCar)
Esse trabalho tem o interesse de pensar a questão da leitura na internet, utilizando
como base teórica e metodológica a Análise do Discurso de filiação francesa. A leitura, nessa
perspectiva discursiva, é um processo construído historicamente, no qual o sentido nunca se
encontra já posto, visto que ele depende da posição sócio-histórica ocupada pelo sujeito,
permitindo a ambiguidade, o equívoco, o furo, enfim, possibilitando entender que a
linguagem também é o lugar da não comunicação. Empreendemos um percurso analítico de
recortes obtidos através da proposta “Ler na internet é...”, corpus coletado a partir de um
exercício realizado em uma oficina na IV Jornada de Análise do Discurso – Leitura(s) no
Discurso e na Ciência da Informação, evento realizado na Universidade de São Paulo em
2011. Consideramos que a leitura realizada na rede eletrônica permite a inscrição de sentidos
outros: não se trata apenas de uma alteração de suporte, mas também outra forma de leitura e
de produção de sentidos. Em nossa análise, foram observadas duas regularidades presentes
nos recortes, a saber: i) a grandiosidade da rede eletrônica, que encanta o sujeito-leitor que,
por sua vez, crê ter acesso a todos os arquivos ali existentes; e ii) o caráter negativo da leitura
na tela, que causa desconforto e irritação diante de tantas possibilidades disponibilizadas para
a leitura.
CAPES, CNPq, FAPESP
19
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
MEMÓRIA E SILENCIAMENTO NAS FICHAS DO DEOPS: A GREVE
DOS METALÚRGICOS DO ABC EM DISCURSO
Lampoglia, Francis.1(MS);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (UFSCAR), 2Programa
de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Este trabalho visa construir um estudo sobre o funcionamento discursivo de
documentos do arquivo do DEOPS (Departamento de Ordem Política e Social) que tratam da
greve dos metalúrgicos do ABC paulista. Como embasamento teórico desse estudo, serão
mobilizados os conceitos da Análise do Discurso de matriz francesa, que concebe a
linguagem e os sentidos como não transparentes e não completos. Iremos interpretar os
documentos que compõem o recorte analítico do presente trabalho, flagrando regularidades e
deslocamentos de sujeitos e de sentidos. Através da análise de recortes do corpus de dados
coletados nos documentos oficiais, percebemos como a memória e arquivo discursivos,
inseridos em dado contexto sócio-histórico, fazem falar a discursividade de/sobre a repressão,
determinando a produção de sentidos. Observamos que esses movimentos de sentidos nos
documentos oficiais compreendem um gesto de leitura afetado pela historicidade e marcado
pela interdição dos efeitos de liberdade. A análise preliminar dos dados mostra a influência da
memória e do arquivo discursivo nos documentos selecionados, proporcionando uma releitura
dos escritos passados como uma confluência de fatores e não como uma evidência de um fato
isolado
FAPESP
20
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
VOZES HETEROGÊNEAS EM PRIMEIRA PÁGINA: A DITADURA
MILITAR DISCURSIVIZADA NO/PELO JORNAL ÚLTIMA HORA
Lampoglia, Francis.1(MS); Miotello, Valdemir.1(O);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (UFSCAR), 2Programa
de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
No presente estudo utilizaremos as bases teóricas da Análise de Discurso de matriz
francesa de Michel Pêcheux e os estudos de Mikhail Bakhtin a fim de observar o
funcionamento discursivo de uma capa sobre a ditadura militar brasileira de 19 de agosto de
1964 do jornal Última Hora, que se encontra disponível no site do Arquivo Público do Estado
de São Paulo. Objetivamos compreender a forma como são produzidos efeitos de sentido e o
modo com que o sujeito se posiciona diante da repressão e do silêncio em fotos e legendas do
jornal. Cientes de que o estudo da linguagem se inscreve nas práticas sociais, assim como o
estudo do discurso não existe fora da linguagem, já que história e língua se afetam
mutuamente, entendemos a relevância de se estudar as manchetes dos jornais como
materialidades discursivas que são atravessadas ideologicamente, marcando o contexto sóciohistórico em que foram produzidas e os efeitos de sentido que emanam das palavras. O
discurso jornalístico acrescido do fator tempo produz um material rico para os estudos da
Análise do Discurso de matriz francesa, permitindo o acesso aos sentidos que circulavam na
época da repressão e que refletem até hoje na sociedade brasileira
FAPESP
21
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
BLOGS GAYS: MOVIMENTOS DISCURSIVOS NA REDE
ELETRÔNICA
Bastos, Gustavo Grandini1(MS); Romão, Lucília Maria Sousa2(O);
[email protected]; [email protected]
1
Centro de Educação e Ciências Humanas (UFSCar); 2Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras de Ribeirão Preto (USP)
A Internet tem permitido novas possibilidades de inscrição e compartilhamento de
dizeres, dos sujeitos contemporâneos. O interesse desse trabalho é investigar como sujeitos
gays discursivizam algumas questões do seu cotidiano em blogs do tipo diário, promovendo
um campo de interlocução entre estudos provenientes das áreas de Ciência da Informação,
Sociologia da Informação e Análise do Discurso de linha francesa de Michel Pêcheux. O
ciberespaço permite que o sujeito se relacione de outra forma com a escrita e o tempo, por
decorrência da farta quantidade de ferramentas disponibilizadas no ciberespaço, fazendo falar
outros modos de estar na linguagem. Acreditamos que refletir e pensar esse lugar de
comunicação nos parece relevante e digno de análise, visto que o blog e a blogosfera ainda
são pouco pensados dentro das postulações de seu espaço enunciativo e discursivo, já que a
grande parte dos estudos acerca das temáticas centram-se apenas na discussão das questões de
cunho tecnológico. Pensar pontos que envolvam a circulação, movimentação e acesso aos
discursos nesses espaços enunciativos é tomado aqui como algo digno de análise.
CAPES, CNPq, FAPESP
22
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
A CONSTRUÇÃO DO EFEITO-LEITOR NO LIVRO DIDÁTICO: O
QUE SE PODE LER NOS DISCURSOS QUE CIRCULAM NESSE
MATERIAL?
Ronconi, Jacqueline M.1(IC); Pacífico, Soraya M. R.1(O);
[email protected]
1
Pedagogia/ Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP)
Nossa pesquisa investiga qual é a posição discursiva imaginada e permitida para o
sujeito-leitor que trabalha com o Livro Didático (LD) em sala de aula, ou seja, pretendemos
investigar como o material escolar apresenta os textos científicos, jornalísticos, literários,
informativos e, ainda, como o LD trata (ou adapta) estes gêneros textuais que são lidos por
sujeitos-alunos que frequentam o Ensino Fundamental I. Buscamos saber se, especialmente,
os textos literários, jornalísticos e científicos trazidos pelo LD são contextualizados e
interligados aos conteúdos, se estes são articulados com a disciplina, se é ensinado ao aluno
que cada tipo de texto é constituído a partir de um tipo de discurso, a saber, o discurso
literário, o discurso jornalístico e o discurso científico, sendo que, cada um tem suas
características próprias. Investigamos, também, se as atividades propostas, a partir da leitura
destes textos, saem da paráfrase, da repetição e permitem ao aluno, ao exercer o gesto de
interpretação, ocupar a posição de um sujeito-leitor que tenha acesso ao arquivo (PÊCHEUX,
1997) e que, com base nisso, possa participar do processo sócio-histórico de construção dos
sentidos. Desta forma, torna-se relevante buscar compreender qual é a posição imaginada para
o leitor do LD e, qual, na verdade, o sujeito-aluno pode ocupar, o que procuramos observar
por meio das nossas análises. Nosso corpus compreende uma pesquisa de campo com
diferentes livros didáticos adotados por uma escola Municipal, de Sertãozinho-SP, para o
Ensino Fundamental I. Para concretizar nossa pesquisa, fundamentamo-nos nos postulados
teórico-metodológicos da Análise do Discurso de “linha” francesa (AD), e nas teorias do
letramento. Percorrendo este “espaço discursivo”, Maingueneau (1987), levantamos alguns
recortes, retirados dos LD selecionados, a fim de analisar o uso que esse material faz do
discurso literário, do discurso jornalístico e se este sobrepõe-se ao científico, ou não. Há
tempos, o LD vem sendo utilizado por todas as séries e níveis escolares. O que se tem
observado e, torna-se importante destacar, é o uso frequente de vários tipos de discurso que se
cruzam no material didático e criam a ilusão de construção de um discurso pedagógico que
apaga as peculiaridades de cada tipo de discurso, dentre eles o jornalístico de divulgação
científica que tenta parecer científico. Ao longo de nossos estudos e pesquisas, percebemos
que a maioria dos LD trazem poucos textos científicos e trazem muitos textos de jornalismo
científico. Isso nos causa um estranhamento, pois ao silenciar o discurso científico e colocar
em curso, na sala de aula, o discurso do jornalismo científico, o LD cria um efeito-leitor de
um sujeito que não precisa ter acesso ao arquivo constituído por textos científicos; indo além,
imagina-se um leitor (e, aqui, entram sujeitos professores e alunos, pois ambos são leitores do
material didático) que não sabe ler o discurso científico e, por isso, precisa ler um discurso
mastigado, mascarado, como é o discurso do jornalístico de divulgação científica. Torna-se
importante destacar que as atividades que são propostas nos livros analisados são do tipo:
preenchimento de lacunas, complete as frases, diga se é verdadeiro ou falso, assinale as
alternativas corretas, perguntas e repostas que são facilmente localizadas no texto, enfim,
atividades parafrásticas que, segundo Pacífico (2007) trabalham com a repetição do sentido e
não com o questionamento e, assim, tais atividades silenciam as interpretações dos alunos e
dos próprios professores
23
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
ATÉ QUE A POLISSEMIA (N)OS SEPARE: MATRIMÔNIO E FAMÍLIA
(RE)SIGNIFICADOS EM “A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM”
Silva; Jonathan Raphael Bertassi1(MS); Romão, Lucília Maria Sousa2(O);
[email protected]; [email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Com este trabalho investigamos os sentidos inscritos no longa-metragem A Primeira
Noite de um Homem (The Graduate, 1967), de Mike Nichols, sobre o imaginário da mulher
nas instituições do casamento e da família. Para tal, empregamos postulados teóricometodológicos da Análise do Discurso (AD) de filiação francesa. Por meio deste referencial
teórico, visa-se o estudo da linguagem em suas práticas sociais, pois a compreensão do
discurso passa necessariamente pela sociedade, visto que história e linguagem se afetam e
alimentam mutuamente. Definindo a linguagem como trabalho, a disciplina desloca a
importância dada à função referencial da linguagem, a qual ocupa posição nuclear na
Lingüística clássica, que defende esse enfoque ma comunicação, ou na informação; assim, o
viés da AD entende a linguagem como ato sócio-histórico-ideológico, sem negar o conflito, a
contradição, as relações de poder que ela traz em seu bojo. Seguindo a AD, entendemos que
os sentidos não existem por si, mas são determinados pelas posições ideológicas do sujeito, o
que faz com que a interpretação das palavras mudem de acordo com essas posições. Isso
acontece porque a apropriação da linguagem pelo sujeito não se dá num movimento
individual, mas social. Consideramos imprescindível, pelo viés da AD, não separar na
análise a “forma” do “conteúdo”, ou seja, a materialidade significante é também por nós
levada em consideração. Deste modo, conceitos de autores da AD pecheutiana que dêem
conta do não-verbal, como o Discurso Artístico de Neckel (2004) ou as ponderações de Souza
(2001) nos auxiliaram a compreender os efeitos de sentido sobre a mulher em A Primeira
Noite de um Homem. Consideramos o longa especialmente válido para falar sobre os
conceitos de paráfrase e polissemia justamente porque lida, também por meio do processo
discursivo não-verbal, com a tensão entre o velho e o novo na significação sobre o sujeitomulher de modo bastante emblemático, quase uma “parábola” do cinema sobre estes
conceitos. Além disso, nos permite rastrear as condições de produção que emergem no cinema
dos anos sessenta e re-significam o imaginário sobre o feminino nas posições-sujeito mãe e
esposa, tão caras às restrições impostas pelo Código Hays na indústria cinematográfica
estadunidense, ao longo das décadas antecedentes. A memória discursiva resgatada no filme
de Nichols faz falar sentidos outros sobre (in)fidelidade e embates intra-familiares – sentidos
até então silenciados que, a partir desse período, são inscritos no cinema dominante dos EUA
e nos ajudam a compreender as marcas do sócio-histórico ali discursivizadas e como a
linguagem cinematográfica representou essa tensão da/sobre a mulher a partir de sua
materialidade.
FAPESP
24
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
MERCANTILIZAÇÃO OU LIBERTAÇÃO?: (NOVOS) SENTIDOS
SOBRE A MULHER EM “NUNCA AOS DOMINGOS”
Silva; Jonathan Raphael Bertassi1(MS);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Este trabalho aborda a os efeitos de sentido sobre a mulher entre libertação, resistência
e mercantilização frente ao sujeito-homem/patriarcado, tal como retratado no longa-metragem
Nunca aos Domingos (Pote tin Kiriaki, 1960), de Jules Dassin. Para tal, empregamos
postulados teórico-metodológicos da Análise do Discurso (AD) de filiação francesa. Por meio
deste referencial teórico, visa-se o estudo da linguagem em suas práticas sociais, pois a
compreensão do discurso passa necessariamente pela sociedade, visto que história e
linguagem se afetam e alimentam mutuamente. Definindo a linguagem como trabalho, a
disciplina desloca a importância dada à função referencial da linguagem, a qual ocupa posição
nuclear na Lingüística clássica, que defende esse enfoque ma comunicação, ou na informação;
assim, o viés da AD entende a linguagem como ato sócio-histórico-ideológico, sem negar o
conflito, a contradição, as relações de poder que ela traz em seu bojo. Seguindo a AD,
entendemos que os sentidos não existem por si, mas são determinados pelas posições
ideológicas do sujeito, o que faz com que a interpretação das palavras mudem de acordo com
essas posições. Isso acontece porque a apropriação da linguagem pelo sujeito não se dá num
movimento individual, mas social. Buscamos também bases metodológicas na própria AD
para rastrear o discurso inscrito em obras cinematográficas, buscamos trabalhar o não-verbal
em seu sentido amplo, indo além do conceito de narrativa. As imagens não “falam”, mas
significam por sua materialidade visual, portanto será analisada aqui a partir dessa
perspectiva. No caso de “Nunca aos Domingos”, trata-se de um filme grego dirigido por um
diretor exilado pela “caça às bruxas” do macarthismo, em cuja filmografia prévia já notamos
efeitos de sentido que rompem com o dominante sobre a mulher e acenam para a prostituição
como um espaço de resistência, ou mesmo libertação na relação com o homem, efeito
instalado de modo sutil em seus filmes da fase estadunidense por conta do silenciamento
promovido pelo Código Hays, mas que emerge em tons fortes e ainda hoje polêmicos no
filme de 1960. A posição-sujeito de cineasta ianque exilado e sobretudo as condições de
produção que re-significam essa (nova) visão sobre a mulher faz do filme ao mesmo tempo
um emblema das rupturas da/sobre a mulher características dos anos sessenta e uma metáfora
sobre a tentativa de conter os sentidos lúdicos (representado pela personagem de Melina
Mercouri) do Discurso Artístico pelo verbal e por sentidos de puritanismo e contenção da
sexualidade ressonantes dos EUA.
FAPESP
25
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
SENTIDOS DE SENSUALIDADE FEMININA EM “REPULSA AO
SEXO” E “A BELA DA TARDE”
Silva; Jonathan Raphael Bertassi1(MS);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Nesse trabalho, abordamos os efeitos de sentido sobre liberdade e repressão sexual
feminina em sequências discursivas coletadas nos filmes Repulsa ao Sexo (Repulsion, 1965) e
A Bela da Tarde (Belle de Jour, 1967). Para tanto, mobilizaremos como referencial teórico a
Análise do Discurso de matriz francesa para compreender os efeitos de sentido no discurso
sobre a sensualidade feminina inscritos nos processos discursivos verbal e não-verbal. Como
é nosso escopo apontar as muitas interpretações possíveis numa década de transição (dentro e
fora das telas) sobre a emancipação da mulher, encontramos na Análise do Discurso (AD) de
matriz francesa um referencial adequado para rastrear os múltiplos sentidos sobre o feminino
que se inscrevem nesses filmes. Por meio deste referencial teórico, visa-se o estudo da
linguagem em suas práticas sociais, pois a compreensão do discurso passa necessariamente
pela sociedade. Definindo a linguagem como trabalho, a disciplina desloca a importância dada
à função referencial da linguagem, a qual ocupa posição nuclear na Lingüística clássica, que
defende esse enfoque ma comunicação, ou na informação; assim, o viés da AD entende a
linguagem como ato sócio-histórico-ideológico, sem negar o conflito, a contradição, as
relações de poder que ela traz em seu bojo. As imagens não “falam”, mas significam por sua
materialidade visual, portanto será analisada a partir dessa perspectiva. A razão para a escolha
deste método é a possibilidade de buscar os efeitos de sentido no discurso dos quatro filmes
que compõem nosso corpus sem negar o olhar socialmente inscrito do analista para privilegiar
o estudo do processo e não do produto nos referidos filmes. Se sujeito e sentidos, como
postula a AD, se constituem simultaneamente, o mesmo deve ocorrer com o filme e seus
realizadores/espectadores, num eterno feedback entre arte e vida
FAPESP
26
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
EFEITOS DE (HIPER)LEITURA: A (RE)CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS
NO DISCURSO ELETRÔNICO
Ferrarezi Ludmila1(DR);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
À luz da Análise do Discurso de matriz francesa e, especialmente, dos conceitos
propostos por Michel Pêcheux, nós analisamos alguns arquivos discursivos sobre a leitura,
que foram materializados em blogs de bibliotecas comunitárias, refletindo sobre o sujeito, a
Rede, a (hiper)leitura e a produção de sentidos, dada pelas condições de produção do dizer
veiculado nas redes da Internet e pela memória discursiva, que atualiza ou faz retornar dizeres
já postos em circulação por outros sujeitos, ao longo da história. Essa pesquisa nos permite
refletir sobre como a língua significa em sua materialidade digital, ampliar a nossa
compreensão sobre o modo como os movimentos dos sujeitos são materializados na Internet,
além de investigar se/como está em curso uma mudança nas práticas de leitura no ciberespaço
e, também, na sociedade. Em nosso corpus, buscamos flagrar as regularidades, as repetições e
os deslocamentos, marcas que nos possibilitam refletir sobre como os sentidos são
construídos. Analisamos, portanto, o modo como as pistas significam no discurso, indiciando
as relações tecidas entre os diferentes discursos e sujeitos presentes nos vários textos
observados. Nós buscamos, também, flagrar como alguns sentidos sobre a leitura são
repetidos e ressignificados por diferentes sujeitos, constituindo um já-dito cristalizado e
legitimado. Enquanto isso, outros sentidos são interditados, mas aparecem nas bordas do dizer
e, também, no silêncio, que, para nós, é tão significativo quanto a presença de palavras; assim,
muito mais do que signos virtualizados em uma tela, trabalhamos com a materialidade do
funcionamento discursivo, atravessando a cortina do evidente e procurando romper com a
literalidade do sentido dominante
FAPESP
27
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
NOS LABIRINTOS DA INTERNET: REDES EM MOVIMENTO
Ferrarezi Ludmila1(DR);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Nosso objetivo é analisar discursivamente os movimentos do sujeito e dos sentidos nas
páginas eletrônicas sobre biblioteca escolar, escutar a discursividade eletrônica, os
movimentos de navegação de sujeitos inseridos em diferentes formações sociais, observando
se a rede eletrônica configura-se como o lugar da tão aclamada possibilidade de emergência
do sujeito e de dizeres polissêmicos, que façam surgir sentidos além do dominante. Após
apresentarmos algumas considerações acerca dos movimentos do sujeito e do sentido nas teias
da Internet, buscamos, embasadas pela Análise do Discurso de linha francesa, tecer alguns
gestos de interpretação dos discursos circulantes no blog Librarianship, em um post intitulado
“Biblioteca escolar: algumas considerações”, publicado em 7 de julho de 2009 e em uma
outra postagem, do dia 6 de novembro de 20083.Concebemos a rede eletrônica como um
espaço discursivo marcado pela heterogeneidade e pluralidade, assim como pela
incompletude, que faz com que o sentido possa sempre deslizar, significando a biblioteca de
diferentes formas, de acordo com as condições sócio-histórico-ideológicas que constituem o
dizer. Não é apenas a fluida materialidade virtual que é posta, pelos sujeitos-navegadores, em
contínuo deslocamento, mas também os discursos que nela se sustentam e podem ser
atualizados ou esquecidos, conforme o modo como eles se trançam com a história, a memória
e a ideologia, que afetam a produção e circulação dos sentidos na rede. A virtualidade da rede
parece escancarar a multiplicidade que constitui todo discurso, instalando novas formas de ler
e produzir sentidos, de relacionar-se com discursos outros, nos quais se pode intervir. A
fragmentação dos discursos e dos gestos de leitura fazem, também, com que os sujeitos
possam “escapar”, migrar para outras regiões de sentido, desviarem-se da rotas que
começaram a percorrer. Associamos o sujeito-navegador a um leitor ativo, um construtor de
labirintos2, múltiplas possibilidades de atualização de sentidos, que configuram uma nova
forma de ler, a qual pensamos ser mais aberta à polissemia, a um vir-a-ser constante. Apesar
de propiciarem inúmeras possibilidades de se ocupar outros espaços discursivos, as redes da
Internet também são feitas de lacunas, de ausências; tais fronteiras indiciam o caráter nãohomogêneo da navegação pelas redes virtuais da Internet. Para que os sujeitos sejam
realmente incluídos no ciberespaço é preciso mais do que o acesso à Internet e outras
ferramentas de comunicação e informação, sendo fundamental que eles se relacionem com os
sentidos postos em circulação nas redes eletrônicas, que participem ativamente dos jogos de
(re)construção e interpretação dos discursos que elas sustentam. Apesar de não podermos
desconsiderar as restrições que impedem o alcance do “todo”, sugerimos que a Internet abre
espaço para a circulação de outros sentidos e para que o sujeito-navegador a experimente de
muitas formas, valendo-se, frequentemente, do apagamento dos nomes, imagens, ou
marcadores sociais do espaço físico; ocupando lugares que, muitas vezes, são impossíveis no
mundo real, trançando-os a às vozes e discursos de outros sujeitos dispersos na rede.
FAPESP
28
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
SENTIDOS DE BIBLIOTECÁRIO NA VOZ DE SUJEITOS
UNIVERSITÁRIOS DA CIDADE DE RIBEIRÃO PRETO/SP
Carvalho, Mavi Galante Mancera Dall´Acqua¹(IC);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
O bibliotecário enquanto sujeito que discursa, possibilita a aproximação ou interdição
entre acervo e usuário, e que pela presença de estereótipos tornam maiores os obstáculos ao
acesso da informação. Sendo assim, a proposta desta pesquisa intenta conhecer e flagrar
sentidos de bibliotecário no discurso de sujeitos universitários. Com base na AD de origem
francesa, proposta por Michel Pêcheux, realizou-se coleta e analise discursiva de dados a
partir de questionário semi-estruturado com dez questões, aplicado em duas universidades
(particular e pública), localizadas na cidade de Ribeirão Preto: os resultados parciais acerca da
imagem ou lembrança do/de bibliotecário, flagrou-se entradas discursivas que apresentam a
regularidade (o já-lá) na existência de esteriótipos construídos de “zelador dos livros”, ser
erudito; de pessoas sérias que assumem posição de interdição (distanciamento) do acervo e
leitura com o usuário; e das rupturas/quebras de paradigmas quando citado como mediador,
educador e gestor de informação. Estas representações remetem conceitos de formação
imaginária, tornando estas características relevantes na busca de mudanças pelos estudantes e
profissionais da área, pois afetam o conhecimento teórico, os paradigmas, o mercado de
trabalho e comportamento do bibliotecário, e da mesma forma os efeitos de reconhecimento
da identidade e da percepção de sua importância pela sociedade.
29
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
AS REDES SOCIOPEDAGÓGICAS NA FAVELA DA MARÉ: UM
ESTUDO SOBRE A PRÁXIS DO CENTRO DE AÇÕES SOLIDÁRIAS
NA MARÉ (CEASM)
Costa, Reginaldo1(DR); Leher, Roberto1(O)
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Educação (UFRJ)
O trabalho analisa a experiência educacional desenvolvida pela Organização Não
Governamental (ONG) Centro de Ações Solidárias na Maré (CEASM) expresso no seu
projeto-político pedagógico baseado nas redes sociopedagógicas. Nesta análise será
ressaltado o manejo dos conceitos de sujeito e memória para fundar a identidade do
“mareense”, o morador da favela da Maré.
30
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
EDUCAÇÃO E SAÚDE: UM ESTUDO SOBRE A CLASSE
HOSPITALAR
Campos, Renata E. G. de1 (IC); Sampaio, Renato1 (O);
[email protected]
Pedagogia/Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP)
Esta pesquisa foi realizada com o intuito de fazer um estudo sobre a classe hospitalar e
oferecer subsídios aos professores para o trabalho nesta modalidade. As informações foram
adquiridas por meio de revisão de literatura e posteriormente completadas com uma pesquisa
de campo realizada com as professoras pedagogas de um hospital público do interior do
Estado de São Paulo, utilizando entrevista direcionada às professoras atuantes nas Classes
Hospitalares. Por classe hospitalar entende-se que são ambientes que possibilitam o
acompanhamento de crianças e jovens que estão afastados da sala de aula regular por motivos
de tratamento de saúde. Estas classes funcionam dentro dos hospitais em salas de aulas
equipadas e também há atendimento nos leitos para os alunos que não conseguem se
locomover. O objetivo desta pesquisa é apresentar e suscitar a reflexão quanto à importância
da garantia do direito a educação para crianças e adolescentes que ficam hospitalizadas por
um longo período, sempre respeitando suas limitações e ajudando estas crianças a viverem
sem traumas após passarem por um processo de internação hospitalar e depois pela alta
médica. Este trabalho foi dividido em duas partes. A primeira é Revisão de Literatura e os
tópicos gerais importantes são: A Criança Hospitalizada e a Classe Hospitalar, Histórico e
Funcionamento da Classe Hospitalar, e na segunda parte é apresentada uma Pesquisa de
Campo com elaboração de entrevista contendo um questionário com 20 perguntas
relacionadas ao trabalho desenvolvido pela equipe de docentes. A entrevista foi realizada com
quatro professoras que atuam em três Classes Hospitalares de um hospital do interior do
Estado de São Paulo. De acordo com o resultado da entrevista realizada, pude perceber que as
professoras seguem o projeto desenvolvido pelo hospital juntamente com escola vinculada, o
trabalho é dedicado constantemente às crianças hospitalizadas, pois existem alguns obstáculos
que impedem a realização da aprendizagem. Falam muito em crianças doentes, mas pouco em
pedagogos para levar educação, pois não querem acreditar que essa mudança no ambiente
hospitalar possa colaborar com a sua recuperação. A Classe Hospitalar é muito descrita na
literatura segundo a maneira como a equipe de saúde aceita esta modalidade de trabalho
dentro do hospital, pois existem dificuldades de conciliação entre o atendimento médico e o
atendimento pedagógico. A Classe Hospitalar é uma oportunidade de continuar a
aprendizagem para crianças e adolescentes hospitalizados, é uma forma de demonstrar
carinho e atenção para estas crianças e adolescentes que se sentem abandonados neste
momento de suas vidas, em meio a médicos, remédios e horários. Portanto, a classe hospitalar
é um meio de auxiliar estas crianças para que continuem aprendendo sem medo de perder o
ano letivo. Nos dias atuais, o número de classes hospitalares vem crescendo e com isto há um
número menor de alunos fora da escola, pois as crianças recebem alta médica e continuam
suas vidas, voltando para escola e se recuperando de uma forma mais rápida. A assistente
social que lutou por este projeto tem uma participação fundamental no hospital do interior do
estado de São Paulo. Para realizar esta pesquisa visitei o Hospital por várias vezes, participei
de projetos como a Biblioteca Viva em Hospitais e Projetos de Voluntariado. Esta pesquisa
não se fecha aqui, acredito que pode ser objeto de estudo para outros educadores e
pesquisadores que queiram conhecer este projeto
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II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS NO ENSINO DE INGLÊS COMO
SEGUNDA LÍNGUA: COMPREENSÃO DE PALESTRAS COMO
MATERIAIS AUTÊNTICOS
Carvalho, Ricardo Fagundes1(ESP); Toniazzo, Gladys S. L.1 (O);
[email protected]
1
Pós-Graduação em Educação a Distância (UNISEB)
No ensino de inglês como segunda língua, o uso de vídeos com palestras sobre
diversos assuntos disponíveis na internet tem se tornado muito frequente, porém nem sempre
adequadamente estruturado. Este trabalho visa mapear uma estrutura pedagógica básica, ou
diretrizes possíveis, na abordagem e seleção de um material considerado autêntico para uso
em Ensino de Inglês como língua estrangeira. Também considerado pertinente na escolha e
estratégia para estes vídeos, é sua riqueza de conteúdo, seu potencial para desencadeamento
de discussões sobre aspectos sociais e educacionais mais amplos. Como exemplo de fonte de
material, serão utilizadas duas palestras de um website - www.ted.com - que como vários
outros websites, têm por objetivo a divulgação de palestras para fins educacionais, científicos
e lazer. A bibliografia de apoio utilizada foi selecionada a partir de uma revisão bibliográfica
sobre o uso de materiais autênticos de comunicação no ensino de inglês como segunda língua.
Esta revisão será realizada no Scielo, biblioteca científica eletrônica, e iteslj.org, The Internet
TESL Journal, for Teachers of English as a Second Language, uma publicação especializada
em artigos de pesquisa em ensino de inglês como segunda língua.
32
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
"LA LOBA" DE ALFONSINA STORNI EM UMA OFICINA DE
MULHERES, NA PRISÃO
Anselmo, Simone L. S.¹ (MS);
[email protected]
1
Universidade Federal de Santa Catarina
Este estudo tem como tema uma experiência realizada com dezesseis mulheres no
Presídio de Florianópolis/SC, em 2009, tendo como objetivo desenvolver uma alternativa de
ressocialização através do ensino da literatura crítica. Utilizou-se dentre vários autores, o
método da redação criativa do professor Samir Curi Meserani (PUC/SP, 2001), cujos
procedimentos de leitura e avaliação são efetuados por todas as pessoas envolvidas, no
processo de criação, incentivando o trabalho de conscientização com uma atividade
intelectual significativa e prazerosa. A metodologia desenvolvida embora tenha como ponto
de partida a redação criativa, baseia-se também em exercícios corporais de caráter lúdico,
técnica da profª. Alai Garcia Diniz (UFSC/SC), seguida de leitura poética e incentivo à escrita
livre de prosas ou poesias. Nesta experiência utilizou-se a poesia “La Loba” de Alfonsina
Storni. O estudo mostra como em ambientes privados de liberdade, a literatura pode ser além
de terapêutica, motivo de criação, reflexão e possibilidades de mudança.
FAPESP, CNPQ
33
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
O TIRO QUE ECOOU PELO MUNDO: A VOZ DA HIPERMÍDIA
SOBRE A MORTE DE CHICO MENDES
Yado, Thaís Harumi Manfré¹(MS);
[email protected]
¹Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (UFSCar)
Procura-se observar como se dá a construção dos dizeres das novas mídias, como a
mídia eletrônica faz falar de/sobre a morte anunciada do seringalista, ambientalista, líder
sindical Chico Mendes, assassinado em 22 de dezembro de 1988, sua morte ocorreu por
ordem de fazendeiros da região amazônica. E a partir do recorte do corpus a ser analisado,
procura-se observar o movimento que o discurso, presente no campo de estudos que se
denomina Análise do Discurso (AD) de matriz francesa. Para a AD, a língua não é somente
um código, assim, não se pode dizer que há uma separação entre emissor, receptor, nem a
sequência de fala e decodificação. As relações de linguagem são relações de sujeitos e de
sentidos e seus efeitos são múltiplos e variados. Daí a definição de discurso: o discurso é
efeito de sentidos entre locutores (ORLANDI, 2005: 21). Entrelaçado ao conceito de discurso,
temos o conceito de memória discursiva que se constitui como um saber discursivo de
acontecimentos de dizer exteriores e anteriores à constituição do discurso. Assim, trabalhando
com esses conceitos tão importantes no campo teórico da AD, busca-se observar o movimento
discursivo presente nos dizeres midiáticos, especialmente o dizer midiático eletrônico hipermídia. Que com o desenvolvimento da multimídia e a mudança de suporte, a internet
proporcionou uma nova forma de escrita – lúdica, recuperada, “superior”. A organização
multilinear presente no hipertexto proporciona que a leitura de tal documento seja realizada de
qualquer ponto, causando a quebra do paradigma de início, meio e fim presente na leitura de
documentos impressos (ROMÃO, 2005). Tais conceitos serão mobilizados tendo em vista
entender a relação entre as mídias, a sociedade e os discursos, ou seja, visando a promoção de
um campo de saberes e dizeres que levem em conta o jogo da língua e da história.
34
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
DISCURSIVIDADE NO TWITTER: QUANDO O DIZER INSTALA O
EFEITO DE EXTERMÍNIO
Moreira, Vivian Lemes1(MS); Romão, Lucília M. S.1(O);
[email protected]; [email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Nos últimos anos, o número de pessoas conectadas à rede mundial de computadores
(Internet) tem crescido de forma vertiginosa e, consequentemente, a utilização das redes
sociais virtuais tem ganhado seus dias de fama. Com isso, o cotidiano de muitos sujeitosnavegadores passou a ser discursivizado na rede com o efeito de relatar experiências pessoais,
trocar e divulgar informações de uma localidade ou comunidades específicas, fazer falar
posicionamentos sobre temas cotidianos e ainda estabelecer laços afetivos. O microblog
Twitter é um exemplo disso. Apresenta como traço a particularidade de colocar em circulação
dizeres simples e curtos, desenhados pela rápida e curta troca de formulações que a todo
momento são atualizadas e com acesso que pode ser realizado por diferentes suportes e
dispositivos tecnológicos. Como analistas do discurso, vemos nesse traço de dizer com poucas
letras a inscrição da temporalidade do on-line na própria língua, ou seja, o instante de um
clique, de um toque na tela, de abertura e passagem a outro link e de apressamento da própria
navegação dá-se a conhecer no Twitter pelo próprio modo de dizer, rápido e curto. Do ponto
de vista da AD, temos um espaço discursivo heterogêneo, em que o sujeito-navegador marca,
pela inscrição da história na língua, seu modo de dizer telegráfico, atribui-se a si mesmo uma
formulação descritiva como atrativo ao outro na rede e reclama, o tempo todo, a resposta de
navegadores que podem segui-lo para continuar a alimentar o torvelinho de sua palavra. Ao
mobilizar o referencial teórico da Análise do Discurso de filiação francesa, temos como
intento analisar os efeitos heterogêneos de sentidos fissurados por diferentes regiões da
memória no microblog Twitter, e as condições de produção em que se dão as práticas sociais
na ferramenta do referido sistema de microblogging, especialmente em relação a dizeres que
circularam em outubro de 2010, período da eleição da primeira presidente brasileira. Ocorreu
que diante da apuração das urnas do nordeste que davam a vitória para presidente Dilma
Rousseff, foram disseminados, no Twitter, ataques e convites ao extermínio de nordestinos,
culpabilizando-os pela continuidade do Partido dos Trabalhadores (PT) no governo federal.
Em nosso corpus, identificamos sentidos de xenofobia contra os nordestinos, marcando, na
ordem da língua, deslizamentos instaurados a partir de fragmentos deixados pelos sujeitosnavegadores no referido microblog.
CAPES
35
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
SUJEITOS E SENTIDOS: UM PERCURSO DISCURSIVO POR ENTRE
(OS) NÓS DA/NA REDE ELETRÔNICA
Moreira, Vivian Lemes1(MS);
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Os efeitos de rede criados por uma arquitetura de participação no contexto da Web 2.0,
possibilitou o maior compartilhamento e disseminação das informações e arquivos entre os
internautas, como também recursos para uma gestão coletiva no que tange a organização
desses conteúdos por meio do processo da folksonomia; este conhecido também por sistema
colaborativo de rotulação/classificação realizado pelo sujeito através da linguagem natural, ou
seja, de sua “própria” linguagem e vocabulário por meio das palavras-chave/etiquetas.
Buscamos realizar um mapeamento e uma análise discursiva sobre as formas como o sujeito
(PÊCHEUX, 1969) tem se posicionado discursivamente na organização das informações e
arquivos midiáticos no ambiente do Twitter através das hashtags (etiquetas); visando uma
reflexão sobre as possibilidades de interpretação da materialidade linguística e histórica. Com
o intento de fornecer uma melhor compreensão sobre a problematização realizada, neste
trabalho será feito uma análise discursiva das etiquetas utilizadas para nomear/indexar as
informações e arquivos circulantes no Twitter sobre os acontecimentos ocorridos no Egito,
entre janeiro e fevereiro de 2011. Investigaremos o modo de inscrição do sujeito através da
folksonomia; esta que aparece como uma forma de subsídio para tarefas de recuperação de
informações e que especialmente nos deixa margem para os estudos das formas de
classificação e organização das informações, utilizando-se da inteligência coletiva (LÉVY,
2004). Foi possível observar que se tem início, desta forma, um ciclo na rede que investiga as
interações do sujeito, que objetiva subsídios para a construção de ferramentas na organização
e circulação do conhecimento, que discursiviza o quanto o sujeito-navegador precisa ser
incluso e considerado nesse processo, como posição no discurso, marcando o social.
Intentamos assim flagrar, na ordem da língua, o modo como os sujeitos fazem falar e circular,
através das etiquetas, e investigando o sistema de organização da forma de inscrição de uma
memória social, através dos arquivos contidos na rede.
CAPES
36
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
DISCURSO NÃO-VERBAL E SENTIDOS SOBRE “LIXO
EXTRAORDINÁRIO” NO YOUTUBE E FILMOW
Moreira, Vivian Lemes1 (MS); Faria, Daiana Oliveira1(MS); Silva; Jonathan Raphael
Bertassi1(MS); Romão, Lucília Maria Sousa2(O);
[email protected]; [email protected]; [email protected];
[email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP)
Discorreremos neste trabalho os efeitos de sentidos instalados pelos sujeitosnavegadores a respeito do documentário Lixo Extraordinário, inscritos na página eletrônica do
sistema de compartilhamento de vídeos YouTube e na rede social sobre cinema Filmow. Sob
á ótica teórico-metodológica da Análise do Discurso de filiação francesa, interpretaremos as
marcas discursivas deixadas pelos sujeitos-navegadores no campo destinado á “comentários”
nas referidas páginas, investigando assim o posicionamento dos sujeitos ao discursivizarem
sentidos sobre o verbal e o imagético sobre o Lixo Extraordinário nas tessituras da web. Na
composição do corpus deste trabalho, iremos verificar como as condições de produção da
contemporaneidade, fazem emergir outras possibilidades de assunção da subjetividade. Temos
nesse novo cenário, um imbricamento de vozes, instalado por diversas materialidades que se
con-fundem no ambiente da rede eletrônica. Dentro desse espaço (re)mexido constantemente
pelos sujeitos-navegadores, buscaremos também compreender o funcionamento da
heterogeneidade discursiva dos dizeres e dos sentidos, e a importância do arquivo discursivo
(PÊCHEUX, 1997) na retomada do interdiscurso sobre os discursos sobre o filme. Notamos
como a convergência de materialidades con-fundidas na rede eletrônica que eiva sentidos de
filiações e rupturas com a campanha de marketing propagada pelos produtores do
documentário Lixo Extraordinário. Notamos que o sujeito-navegador recorta a memória e faz
circular seus sentidos a partir dela de modo distinto em duas páginas eletrônicas: a paráfrase
com a publicidade do trailer do longa-metragem é bastante intensa no YouTube, o que ocorre
em parte por conta das possibilidades técnicas do site que privilegiam a repetição de dizerem
elogiosos, além da postagem do vídeo ter ficado por conta da produtora. Em contrapartida, no
Filmow as contradições são mais evidentes e trazem diálogos mais estreitos com outros
produtos ou artistas cinematográficos no arquivo sobre o “lixo” e a FD marginalizada que
essa região de sentidos. Coloca-se que o modo como a memória é recortada não é o mesmo
nos dois sites.
FAPESP
37
II Jornada do [email protected]: conceitos e(m) rede, dezembro de 2011
OS EFEITOS DE SENTIDOS SOBRE A AMAZÔNIA NAS
ENCICLOPÉDIAS DE CONTEÚDO COLABORATIVO NA WEB
Moreira, Vivian Lemes1(MS); Yado, Thaís H. M.2(MS);
[email protected]; [email protected]
1
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP/USP), 2Programa de Pós- graduação
em Ciência, Tecnologia e Sociedade (UFSCAR)
Este trabalho tem como intento refletir, a partir da perspectiva da Análise do Discurso
de linha francesa, a inscrição dos saberes e os efeitos de sentidos sobre o significante
“Amazônia”, instalado pelos sujeitos-navegadores nas enciclopédias de conteúdo
colaborativo, a Wikipédia e Desciclopédia, no ambiente da Web 2.0. Investigaremos as
condições de produção do discurso através da escrita coletiva na rede e as marcas ideológicas
deixadas pelos sujeitos nas enciclopédias online. Interessa-nos compreender, na ordem da
língua, os deslizamentos e as rupturas de sentidos dentro dessa escrita coletiva. Para tal,
realizaremos uma comparação entre recortes das duas enciclopédias, observando, a partir do
jogo de forças sobre os sentidos possíveis ao sujeito, os modos de descrição de “Amazônia”,
seja no âmbito da paródia e do humor negro tratado na Desciclopédia ou nos moldes de
descrição enciclopédicos ditos “tradicionais” discursivizados pela Wikipédia. Buscamos,
ainda, formular um estudo sobre a materialidade linguística e histórica a respeito da
Amazônia, observando, dessa forma, regularidades, rupturas e deslocamentos de sentido sobre
a questão da terra no país e, quiçá, construindo um gesto de interpretação do movimento da
linguagem que enfoque a noção de discurso, formação discursiva, sujeito, sentido e
heterogeneidade. Discutiremos também, o confronto de sentidos instalados na Desciclopédia,
sob a forma de desconstrução dos “moldes tradicionais” de funcionamento de uma
enciclopédia, com o discurso próximo à paródia e ao non-sense. Assim, buscamos refletir
sobre como se dá o processo de constituição, produção e circulação de discursos de/sobre a
construção coletiva de uma enciclopédia
CAPES, FAPESP
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