- Indubrasil

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- Indubrasil
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Palavra do Presidente
ABCI - Associação Brasileira
dos Criadores de Indubrasil
Diretoria
Presidente: Roberto Fontes de Goes
1° Vice Presidente: José Henrique Fugazzola de Barros
2° Vice Presidente: Renato Miranda Caetano Borges
1° Secretário: João Carvalho Pinto
2° Secretário: Jairo André Gurczevsk
1° Tesoureiro: Waldyr Barbosa de Oliveira Junior
2° Tesoureiro: Elair Bachi
Diretor Internacional: Cláudio Silveira Resende
Diretora Relações Públicas e Marketing: Patricia Sibin
Gregório
Conselho Fiscal: Luana Custódio Barros
Conselho Fiscal: Cláudio Silveira Resende
Conselho Fiscal: Rodrigo Caetano Borges
Suplente Conselho Fiscal: Acrisio Cruz Neto
Suplente Conselho Fiscal: Henrique Cajazeira Figueira
Suplente Conselho Fiscal: Paulo Sergio de Ávila Lemos
Conselho Técnico: Clarindo Irineu Miranda
Conselho Técnico: Enilice Cristina Cadetti Garbellini
Conselho Técnico: Ivo Ferreira Leite
Conselho Técnico: Marcos Brandão Dias Ferreira
Conselho Técnico: Paulo Sergio de Ávila Lemos
---------------------------------------------------------------Escritório Nacional
Pça. Vicentino Rodrigues da Cunha, n. 110
Parque Fernando Costa - Uberaba, MG
Fone: (34) 3336-4400
e-mail - [email protected]
site - www.indubrasil.org.br
Revista INDUBRASIL n. 04 - Maio - 2016
Editor: Rinaldo dos Santos
Projeto gráfico: Kelly Magalhães @designpb
Fotografias: Jadir Bison, José Maria Mattos, Rinaldo
dos Santos, colaboradores/associados.
Colaboradores editoriais: Clarindo Irineu de
Miranda, Henrique Cajazeira Figueira, Roberto Fontes de Góes, Rodrigo Caetano Borges, José Henrique
Fugazzola, Djenal Tavares Queiroz Neto, Jairo André
Gurczevsk, Elair Bachi, Sergio Silveira Fonteles
Ilustrações: Toninho Cartoon.
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A atual Diretoria tem realizado um trabalho de congraçamento, de integração,
aliada a novas estratégias de promoção do
Indubrasil, tendo em vista que o histórico e
notável gado demonstra uma real capacidade de ocupar espaços como melhorador
dos rebanhos produtores de carne e leite,
no Brasil e no mundo. O Indubrasil já foi o
alicerce da História da Pecuária do Brasil;
já foi exemplo de correção no Melhoramento Genético; já foi exemplo de abnegação de seus criadores, reduzindo os rebanhos, para melhor promover acertos de
caráter zootécnico; vem sendo a bússola
da pecuária de vários países.
Agora, promove o Primeiro Seminário
Internacional e, para que o evento seja
brilhante, esta edição da Revista INDUBRASIL traz matérias com todos os temas
que merecem discussão em plenário internacional. Permite, então, que o Seminário
não só discuta, como finalize com uma
Carta de Intenções, inserindo-se no cenário mundial de produção de carne e leite.
O Indubrasil cumpre sua função de como no passado - ser soberana nos cruzamentos; rústica por sua genética milenar, enfrentando os climas gelados, tanto
quanto os desérticos e tórridos; ser encantadora pela beleza; admirável pela docilidade; desmamando crias saudáveis devido ao leite materno e produzindo animais
longevos. Isso é a raça Indubrasil: esse é
o trabalho dos indubrasilistas; esse é o trabalho da ABCI e de todas as entidades da
raça no mundo.
Roberto Fontes de Góes
Presidente da ABCI - Associação
Brasileira dos Criadores de Indubrasil
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INDUBRASIL
Um futuro radiante,
depois de longo aprendizado
ZEBU:
GENÉTICA CAPAZ DE MUDAR.
A PRODUTIVIDADE:
Um touro registrado
gera lucro até
5,3x
Fotos: JM Matos e Ney Braga
MAIOR*
AO VALOR
INVESTIDO
A SUA PERCEPÇÃO:
Propriedades
produtivas chegam a
ter eficiência ambiental
54%
MAIOR que
o convencional!*
O ser humano destaca-se pela
inteligência, que é a capacidade
de reconhecer um problema, enfrentá-lo e resolvê-lo, de forma
progressista. Os animais, em geral, reconhecem um problema e
preferem fugir. Alguns poucos resolvem enfrentá-lo, apenas como
instinto de preservação de seu
território. Por isso, o ser humano evoluiu, saindo das cavernas,
construindo cidades e hoje viaja
pelo espaço. Para o Homem, os
problemas continuam surgindo, e
as soluções sempre levam para
um futuro. A humanidade, portanto, é o resultado do correto uso da
inteligência.
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Os caminhos - Algumas vezes, o Homem escolhe caminhos
errados, mas logo muda de rumo
- isso faz parte do aprendizado.
Na pecuária, diante da imensidão
dos campos, o fazendeiro usa as
ferramentas que têm por perto.
Assim, hoje o sucesso pode estar
com uma raça, mas amanhã esta
pode ser trocada por alternativas.
O Brasil viveu 350 anos cultivando raças pirenaicas, europeias, ou
britânicas. Era elegante exibir um
touro Durham, importado da Inglaterra “para salvar a pecuária brasileira” até 1850.
Havia, porém, além dos carrapatos, outro problema insolúvel: os animais europeus não se
prestavam a puxar os carroções
de café nas montanhas do Rio de
Janeiro. Eles não aceitavam comando de marcha-a-ré e, então,
eram inviáveis nas montanhas.
Manuel Ubelhart Lemgruber visitou um Zoológico na Europa e,
por acaso, descobriu o Zebu, com
enorme giba que podia sustentar
a canga dos carroções nas montanhas fluminenses: poderia ser o
milagre nos cafezais. Comprou os
primeiros animais: eram Nelores,
mas mostraram-se fracos para
a região e situação. O Barão de
Duas Barras descobriu que havia
outros Zebus e descobriu o Guzerá. Este deu certo nas montanhas
e, além disso, produzia boa carne
e muito leite.
Estava pronta a receita inicial
do Indubrasil: Guzerá + Nelore,
desde 1870 até 1920. Os primeiros
50 anos consolidaram um animal
chamado “Zebu”, mestiço Guzonel, de grande porte, grande força,
ideal para fabricar bois-de-carro,
além de carne e leite. Surgiam
animais de longas orelhas e logo
os brasileiros passaram a avaliar o
“Neozebu” pelo comprimento das
orelhas. A partir de 1911 começou
a chegar o Gir, destacando-se a
partir de 1918. O Gir, cruzado com
o Neozebu brasileiro, aumentou
A PRODUTIVIDADE:
Propriedades de leite que
investem em genética
têm retorno até
2,6
VEZES
MAIOR*
A VIDA:
O salário nas
fazendas que investem
em genética provada
chega a ser
50%
MAIOR*
* Média feita pelo estudo.
Pesquisa desenvolvida pelo CEPEA
(Centro de Estudos Avançados em
Economia Aplicada da Esalq/USP)
entre 2014 e 2015.
ABCZ. GENÉTICA CAPAZ DE MUDAR.
Acesse nosso site e conheça formas de investir em genética:
www.abcz.org.br
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O Indubrasil ocupa todos os biomas, com sucesso.
ainda mais as orelhas, implantou
o “gavião”, deu pujança de carnes,
levando ao nascimento de “Induberaba”, com esplêndida carcaça
para a época. Logo nasciam várias alternativas de Zebus brasileiros: Induaraxá, Indugoiás, Indubelém, Induporã. Depois de muitas
discussões, prevaleceu o nome de
Indubrasil, que era a mais lucrativa imagem da pecuária brasileira,
naquela época, pois tinha tudo: altura, comprimento, arqueamento,
massa muscular, couro sobrando.
O Indubrasil era um acerto.
Indubrasil, hoje - Se perguntar
a um nelorista sobre qual raça é
melhor para alguma região, ele
imediatamente dirá que é o Nelore. Ele enxerga apenas a pecuária
de largas vastidões. De fato, a pecuária extensiva tem como base o
Nelore, pois a definição de gado
certo é a soma de “Região + Situação”. Caso a situação, porém, exigir que a pecuária se modernize,
para produzir mais carne/leite em
área cada vez menor, em menos
tempo, com maior lucratividade,
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no suceder das progênies, então
o gado anelorado terá que mudar de fisionomia. A História humana é uma máquina em eterno
movimento, sempre procurando o
melhor caminho. O gado de hoje
não será o de amanhã, necessariamente, pois muda a “situação”.
No passado, o Guzerá foi o
grande gado dos cafezais flumi-
nenses; depois o Indubrasil foi
o grande gado; depois foi o Gir;
agora vem sendo o Nelore; mas a
evolução continua.
O momento de ocupação de
largos espaços brasileiros já passou e, agora, chegou o momento
da racionalização: as fazendas serão menores, mais sustentáveis,
exigindo produção de animais de
múltiplas aptidões. Muitos já descobrem que o Indubrasil, acasa
lado com o gado anelorado, garante o grande rendimento de carne, soma leite, mantém a rusticidade. O Indunel é uma alternativa
para novos tempos.
Afirma Fugazzola que “para
a pecuária extensiva o Nelore é
imbatível”. Com o crescimento da
população humana, todavia, o leite torna-se importante e, então, o
Indubrasil é solução, sem perder
outras características do gado
anelorado, na maioria das regiões.
Rodrigo Caetano Borges diz
que “a razão escolhe o caminho
certo. Toda raça tem suas vantagens e seus problemas, pois não é
possível preencher as exigências
de todas as regiões e de todas as
situações - sempre com o mesmo
gado. Cada região e cada situação
exige um gado diferente. Assim,
com o passar do tempo, mudam
as situações e o gado do passado é descartado, para dar lugar
ao novo. O Indubrasil já pagou o
preço do passado e, agora, surge
como ferramenta de progresso”.
Clarindo é sintomático: “o Indubrasil teve o maior rebanho do
Brasil e pagou o preço por isso.
Decaiu, por não ter adotado as
modernizações, mas, agora já
está com nível excelente e pode
ajudar a nova situação da pecuária brasileira e do mundo”. O Indubrasil, portanto, é uma história
bonita, da superação de proble-
mas pelos homens.
O gado do futuro - O bom leite e a boa carne são produzidos
no clima ensolarado, em regime de pasto. São esses fatores
que garantem o equilíbrio entre o
Ômega-3 e Ômega-6. Nos Estados Unidos, muitas empresas de
“Fast-Food” já se recusam a comprar carne produzida no Hemisfério Norte, devido ao descompasso
entre os dois hormônios. Já se
verificou que o animal confinado,
Animais típicos para o regime de campo
com rações artificiais e hormônios
de crescimento, longe do pasto,
pode ter um desequilíbrio de até
50 vezes entre os dois hormônios:
um absurdo. O desequilíbrio provoca muitas doenças, incluindo o
câncer. Por isso, os países ricos
já buscam a pecuária do Brasil
e logo estarão exigindo o boi-de
-pasto. Vão exigir do Brasil o que
não conseguiram fazer no Hemisfério Norte.
O boi do futuro, então, será
criado a pasto, de porte compatível, boa massa muscular, boa
habilidade materna, garantindo
muito leite para a cria. Terá tetas
medianas, bainha curta. O bezerro
será esperto, logo acompanhando
a vaca. São as características que
condenaram o Indubrasil, no passado, pois não eram importantes.
Agora - já corrigidas no novo Indubrasil, indicam o gado do futuro.
O novo Indubrasil, portanto, é
uma mostra da inteligência do Homem que enfrenta problema e os
soluciona, rumo ao futuro radiante.
Meu Cantinho
Paola Gotz, da Fazenda
Lobo Guara
Maria Eduarda
brincando com seu
animal de
estimalção
Jairo, com o filho Artur
Telles Gorczevski,
de 6 meses
Jairo André Gorczevski,
encantado com
a mansidao
Vovô Roberto
com Maria Luisa
em seu cavalo
A raça é muito bem constituída por carcaça exemplar.
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O Indubrasil nos bastidores da História
O Indubrasil foi o General da
pecuária brasileira durante várias
décadas, promovendo a abertura
de grandes espaços. Depois, a
pecuária mudou o rumo e o Indubrasil ficou em segundo plano. Os
principais motivos estão abaixo.
Henrique Figueira acha que todas as alternativas abaixo descritas estão corretas e contribuíram
para o rebaixamento da cotação
do Indubrasil, no passado. “Mesmo hoje” - continua - “muitos criadores têm dificuldade em entender que os dados de desempenho
são importantes, pois o mercado
modernizou-se, e vai continuar se
modernizando, exigindo mais e
mais avaliações genéticas e zootécnicas. O criador de Indubrasil
ficou para trás por ser teimoso,
por achar que o Brasil não iria se
modernizar. A pecuária é uma atividade como qualquer outra, exige empresários com olho no lucro.
A pecuária entrou na era das avaliações e números, inicialmente
na década de 1950, com Villares,
mas, decididamente, na década
de 1980”. Henrique conclui: “A
falta de dados espalhou em todo
Brasil uma visão e opinião negativas sobre o Indubrasil. A culpa
não foi do animal, mas dos criadores que dormiram no ponto”.
1) Surgimento de novas gramíneas - O gado antigo vivia ao
redor das casas grandes dos cafezais. O capim era o Gordura, o
Angola, e outros. Quando surgiu
o capim Jaraguá, grandes espaços puderam ser abertos para um
gado de maior porte. O Indubrasil dominou nesse período. Mais
tarde, o capim Colonião - que já
vinha se espalhando desde 1940
- ganhou formidáveis espaços,
para melhor empregar as economias da Segunda Guerra Mundial,
quando a pecuária foi a nocaute.
O gado para as longínquas fron-
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O Indubrasil permitiu ao Brasil ocupar todos os espaços, na época.
teiras tinha que ser muito rústico,
andejo e muito barato. Um vaqueiro deveria cuidar de, no mínimo,
1.000 vacas.
2) Início das Provas Zootécnicas - Foi o cientista João
Barisson Villares que deu início,
em 1952, às Provas de Ganho-de
-Peso. Ninguém acreditava nessa
novidade e o cientista teve que
se contentar com gado barato, da
época, o Nelore. As Provas mostravam as vantagens de serem
utilizados os reprodutores provados. O Indubrasil, o Gir e o Guzerá
não entraram nessas Provas - que
promoveram largamente o uso do
Nelore. Clarindo Miranda realça
que o Professor Villares usou o
que tinha em mãos, o Nelore; as
demais raças preferiram ficar do
lado de fora e, assim, ficaram para
trás.
Rodrigo Caetano Borges lembra que as vantagens do Nelore,
como facilidade de parto, capaci-
dade de perambular, habilidade
materna, lepidez do bezerro, foram decisivas diante do público.
Era um gado melhor para o corte, nas fronteiras. Segundo ele,
as Provas Zootécnicas só viriam
a ter valor mais tarde. “Naquela
época, o Indubrasil tinha tetas longas, não ficava em pé ao nascer,
o bezerro não era lépido - não era
gado para as longínquas fronteiras”. Ademais, logo depois da
guerra, o Nelore era barato, ficava
vivo, não exigia custeio como o Indubrasil, etc.
O fato histórico é que os indubrasilistas estavam tão satisfeitos que nem perceberam que
um novo mundo estava surgindo:
dormiram no ponto. Os neloristas,
com seu gado miúdo, apelidados
de “veados desengonçados”, ocuparam as brechas. Na Exposição
de 1944 havia apenas meia dúzia
de Nelore, em Uberaba. Os neloristas enxergaram o novo mundo,
começaram as provas, rumaram
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Animais bem constituídos, no campo.
para os Sertões, viajaram para a
Índia para buscar um novo sangue, vislumbraram que o Governo
iria prestigiar as novas fronteiras (Sudene e Sudam). Eram os
jovens pecuaristas que abriram
uma nova realidade.
3) Implantação da Sudene e
Sudam - que somaram mais de
2.000 propriedades agropecuárias no Nordeste e na Amazônia.
Para abertura dessas propriedades o gado indicado era o Nelore, nos campos, e o Holandês,
nas cidades, entre 1968 a 1988.
Eram grandes propriedades, que
somaram mais de 10 milhões de
cabeças, registradas, no período.
O único gado que existia em profusão, barato, era o Nelore. Com
a Sudene e a Sudam, o Nelore
tornou-se o campeão de Registro
Genealógico, do dia para a noite. Nesse período também houve
o uso maciço de raças brancas
europeias (Chianina, Piemontesa, Marchigiana, Charolesa) para
cruzar com o Nelore e formar as
boiadas de corte, dando origem
ao mito do “gado branco” que era,
de fato, maior e mais pesado, de
umbigo curto.
O Nordeste era um reduto de
Indubrasil, tendo até um monumento na praça de Recife. O mito
do “gado branco” de orelhas curtas chegou, pela Sudene, dando
lugar ao Nelore.
Clarindo Miranda lembra que
foi um período de “guerra contra
as orelhas longas”. Conta que, na
Amazônia, ninguém tomava leite,
preferindo o açaí, nas manhãs,
quando a Sudam começou a implantar várias fazendas, ao redor
de grandes cidades, para criar o
gado Holandês - como também
aconteceu no Nordeste. O leite
de Zebu foi substituído pelo de
Holandês; o gado orelhudo foi
trocado pelo de orelhas curtas.
As boiadas exibiam meia-orelha
e continuariam encurtando essa
característica que vinha do Indubrasil.
Fugazzola lembra que o financiamento público, ou bancário,
acoberta distorções, quando se
leva em conta a realidade climática e econômica do setor rural. Não
existe, até hoje, um real casamento entre a qualidade do financiamento e o que é verdadeiro para
o campo. Lembra que a ABCZ,
para corrigir essa distorção, vem
promovendo o Progenética, distribuindo tourinhos registrados, em
feiras regionais.
A distorção continua até hoje,
pois faltam 400 mil tourinhos registrados e os relatórios da ASBIA mostram que 50% das vacas
são inseminadas com raças europeias. Isso porque o financiamento é garantido, desde que seja
Docilidade ao manejo; homogeneidade.
para sêmen de gado europeu. O
Zebu é o sucesso, dentro das porteiras, mas o melhoramento genético ainda continua sendo ditado,
em boa parte, pelos financiamentos bancários: é o que provam os
relatórios anuais da ASBIA.
O símbolo do folclore nordestino e amazônico é um boi orelhudo, ou de meia-orelha. Basta
analisar “Garantido” e “Caprichoso”, bem como os bois-bumbás de
antigamente, para ter a influência
do Indubrasil. Hoje, o boi-bumbá
já mostra orelhas curtas, contrariando a origem. A importância do
Indubrasil foi enorme, a ponto de
ter um monumento próprio, em
Recife. No Nordeste, o mestiço
leiteiro era o Pardo-Suíço com
Indubrasil, nos Sertões. Só mais
tarde, entraria o Guzerá. A bacia
leiteira de Batalha, em Alagoas, já
fazia o 5/8 holandês, cruzando o
importado com o nacional - algo
jamais tentado em outra região para se adequar ao clima das caatingas.
4) Avanço para novas fronteiras agropecuárias do Centro
-Oeste e Norte - onde somente
a vaca Nelore tinha condições
de habilidade materna. Fugazzola lembra que o avanço para as
fronteiras já haviam sido feitos, no
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passado, com a raça Indubrasil no Mato Grosso e nas caatingas
do Nordeste. Bem mais tarde, o
Nelore iria despontar. “A barriga
milagrosa era do Indunel, da década de 1960, quando aconteceram as importações da Índia, com
excelente Nelore e, ao mesmo
tempo, começava o uso das raças
brancas europeias. O ventre Indunel respondeu bem, com mestiços
vigorosos e lucrativos. Depois,
veio o mito do “gado branco” que
persiste até hoje, em grande parte
do território. Na base, porém, estava o ventre Indubrasil, branco.
“Monumento ao Indubrasil, em Recife,
de 1943. O touro-modelo foi FARRAPO, de João Teobaldo de Azevedo”.
Foi muito grande a publicidade do gado branco, Nelore e europeus, por meio da Sudene e
Sudam, durante 20 anos. O Indubrasil não fez propaganda diante
dessa avalanche.
Rodrigo Caetano lembra que,
na verdade, o que interessa é o
retorno do investimento. O Nelore era imbatível, na época: barato,
com resposta garantida em regime de campo.
Clarindo recorda que, nas fronteiras pecuárias, não era possível
esgotar as vacas leiteiras, nem
ficar usando mamadeira para bezerros. O umbigo comprido provocava ferimentos nos capins
taludos. Nas épocas secas, os
carrapatos utilizam os talos compridos para agredir os animais
umbigudos. As longas orelhas,
em boiadas de milhares de cabeças, sofriam acidentes. A boiadade-corte ideal era anelorada; nem
poderia ser outra e, com a consolidação dos territórios, as demais
raças zebuínas poderiam ser utilizadas, como já vem acontecendo.
O gado antigo usava a mãode-obra das fazendas de café, podendo criar um “gado trabalhoso”,
mas nas fronteiras teria que ser
um “gado da preguiça”, ou seja,
que economizasse mão-de-obra.
Deu Nelore. Foi bom para o Brasil que estabeleceu um fantástico
lastro anelorado para ser utilizado
por outras raças, com excelente
vigor híbrido.
5) A segunda infusão de sangue Gir - foi problemática. Alguns
dizem que reduziu a aptidão de
carne do Indubrasil, na década de
1950; outros dizem que equilibrou
os exageros do Indubrasil da época e também agregou valor leiteiro ao Indubrasil. Rodrigo Caetano
Borges diz que foi boa influência.
“Vai crescer, agora. O antigo Indubrasil ninguém quer mais. O Indubrasil moderno deve-se à infusão
do Gir. A cabeça mais girada é
preferida à guzeratada. O animal
apresenta mais costela, mais lei-
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De norte a sul, em todos os climas, nota-se a influência do Indubrasil.
te, menos perna, mais gavião,
mais orelha, tetas menores”.
6) Preocupou-se com Porte
e Peso, mas não com qualidade da musculatura na carcaça
- A tendência da época era que o
maior deveria ser também o mais
produtivo. O Nelore utilizou todas
raças brancas para fazer o anelorado, o gado branco. O Indubrasil
sofreu por isso.
Abatia-se boi com 5-6 anos,
a tendência era o peso (25 arrobas) e não a qualidade de carne.
Era comum escutar: “Se tiver um
cofre que cabe 1.000 notas, você
vai guardar notas de 100 ou de
1.000 cruzeiros”? A boiada somente era vendida em momentos
de picos econômicos e, por isso,
quanto mais arrobas tivesse, tanto melhor. O fazendeiro segurava
a boiada, como faz o cafeicultor
moderno para vender no pico. O
boi elogiado era aquele que “entortava o gancho do frigorífico e o
focinho encostava no chão”.
No começo, o Nelore usado no
Indubrasil não era grande: tinha
orelha pesada, cabeça chata, carnudo. Ao ser cruzado com o Indubrasil, deu produtos com bom
tamanho, boa ossatura e muita
carne. Os neloristas colocaram
em cena o “rendimento de carcaça”, preconizando a redução de
tudo que não tinha valor: cabeça,
rabo, barbela, umbigo. O Nelore
tinha defeitos: osso sacro alto,
cernelha elevada, couro mínimo,
celerípede, mas foi em frente. A
Animais de ótima constituição, no Sertão nordestino.
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importação de 1962 trouxe excelentes Nelores que corrigiram
a ossatura e a musculatura. Os
neloristas nunca pararam de trabalhar corretamente o gado, tendo em vista o mercado mundial. E
assim continuam até hoje.
Hoje, muitos já estão testando
o Indubrasil no meio de boiadas
aneloradas. No Mato Grosso do
Sul, Milton Andrade (em Campo
Grande), usa Indubrasil num rebanho de 15.000 vacas aneloradas.
Como ele, muitos outros produzem os touros próprios, de sangue
Indunel, para garantirem grandes
boiadas dentro do que elogiam os
frigoríficos. O uso do Indubrasil é
lucro para muita gente.
f) Preocupou-se com Porte,
Peso, Beleza, mas não com Habilidade Materna -.
Inicialmente o que importava
eram o Porte, a Beleza e o Peso.
Ninguém se preocupava com Habilidade Materna, porque não era
importante. Clarindo lembra que,
antigamente, a ossatura era muito
grossa; o bezerro nascia pesado;
crescia muito rapidamente, com
ossatura sem formação e, por
isso, era frágil. A vaca, por seu
lado, tinha tetas longas, grossas,
dificultando o acesso do bezerro.
Não havia seleção para tais características.
Hoje, o correto é o bezerro
nascer e logo procurar as tetas da
vaca. O bezerro nasce com 30-34
kg, e em 5-20 minutos já levanta,
de 30-60 minutos já mama. Um
grande progresso. A média de surgimento de tetas grossas e longas
não pode chegar a 10%, devendo
se extinguir já na próxima geração.
Fugazzola lembra que “o caminho do meio é o da virtude”;
os bichos grandes são inférteis,
pela Lei da Natureza. Conta que
os rebanhos de seu avô e de seu
pai eram formados por gado de
tamanho médio, cruzados de Pardo-Suíço com Nelore, tetas curtas.
“Bicho graúdo só serve para monumento” - finaliza.
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1- Raça Mewati, na Índia
(foto: Abel P. Borden, p. 50)
Mewati:a raça-mãe do Indubrasil
A FAO estima que existem
61 raças, ou grupamentos, de
bovinos na Índia, sendo que ao
redor de 30 raças são bem definidas, tendo base na literatura
indiana. A Índia, com tamanha
riqueza genética, corre perigo,
pois os governos têm estimulado
programas de cruzamentos com
raças europeias, substituindo as
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raças nativas por mestiças Jersey, Pardo-Suíça, Holandesa e
outras raças. Alguns acusam os
governos de corrupção, por estarem trocando a milenar fonte de
combustível renovável para dar
lugar aos combustíveis fósseis
importados. (The Cow indiana
abril-junho, 2006, p. 29).
A região - Mewat é uma região
histórica ao sul da província de Haryana, mas com
partes dentro da província de Rajasthan. Mewat
não tem limites definidos,
medindo 1.912 km2, com
população de um milhão
de habitantes. O nome
Mewat deriva de “Mina
vati”, que significa “terra
abundante de pei-xes”. A
História da região é anotada desde 500 aC. A linguagem é o Mewati.
Mewat é uma região semiárida; a economia é a agricultura elementar, principalmente de
sequeiro. A capital de Mewat é
a cidade de Nuh. O distrito tem
1.200 aldeias, 500 em Haryana, 600 em Rajasthan e mais
50 em Uttar Pradesh. O Governo de Haryana quer transformar
um antigo lago seco, criando em
seu lugar um grande açude de 72
hectares e vários outros.
O gado - Recebe o nome de
Mewati, mas também de “Kosi”,
que é nome da pequena cidade no distrito de Mathura, onde
acontece a histórica e famosa
Feira de Gado, em que a raça
Mewati é a estrela principal.
Centros de criação: Gurgaon
e Faridabad, na província de
Haryana. Também em Alwar e
Bharatpur, na província de Rajasthan. Também em Mathura,
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semelhado ao Haryana, mas
apresenta algumas características do Gir; às vezes, apresenta
traços da raça Malvi e também
das raças Rath e Nagori, vizinhas. Geralmente, o Mewati é
de cor branca, mas surgem animais castanhos, com pescoço,
ombros e quartos mais escuros.
Ocasionalmente, surgem alguns
com manchas, lembrando o Gir.
O crânio é comprido e estreito,
com a testa ligeiramente saliente. Os chifres, pequenos, ou
médios, saem para fora, para
cima, para trás, para dentro,
mas com grande variação. Os
olhos são proeminentes,
às vezes rodeados por
uma mancha muito escura. O focinho é largo e
quadrado, com lábio superior grosso e saliente.
O focinho é escuro como
breu.
As orelhas são pendulosas, alongadas. Surgem animais com orelhas
2 - O gado indiano está em muitos países. Aqui, em
enormes, mas a maioria
Mandalay, Myanmar (foto: www.123rf.com).
é de tamanho mediano e
surgem orelhas curtas.
Não há um padrão definido para as orelhas.
A cabeça e o pescoço
são normalmente eretos,
com certa elegância. O
pescoço e toda a estrutura
é forte, mas os membros
são relativamente longos,
dando impressão de se3 - Gado de rua, com longas orelhas (foto: asfarasi- rem fracamente constitucantell.com596).
ídos, com pernas finas,
distrito de Uttar Pradesh.
O Mewati é um animal muito
resistente às secas. Poderoso no
serviço e dócil. Muito utilizado na
lavoura pesada, transportes (carroças e carroções), e implementos (tirar água de poços profundos, olarias, etc.). Normalmente,
as vacas produzem pouco leite,
mas os habitantes insistem em
afirmar que é “muito boa” (“A
Vaca indiana” - abril-junho, 2006,
p. 35). As vacas normalmente
têm tetas bem desenvolvidas,
com produção entre 900 a 1.000
kg.
Descrição - O Mewati é as-
4 - Touro Mewati, lembrando a raça Malvi.
(foto: Animal Breeding Group, NDDB)
5 - Mewati, com pelagem de Gir
(foto: alamy).
redondas, mas com cascos grandes e fortes, bem arredondados.
O peito é profundo, mas as
costelas são planas, sem arqueamento.
A barbela, embora pendulosa,
não é muito espessa. A bainha
também é livre, leve, pouco pendente. A cauda é longa, a vassoura quase atingindo os calcanhares, naturalmente.
Referência básica:
Joshi, N. R., Phillips, R. W. (1953)
Zebu gado da Índia e do Paquistão,
Estudos Agricultura FAO No. 19, Publ.
pela FAO, em Roma, 256 pp.
Orelha & Mansidão
Normalmente, animais de longas orelhas, tendem à mansidão.
As orelhas são alvos fáceis para
os predadores e, então, o orelhudo evita predadores. Nas fugas,
as orelhas longas podem se ferir
em galhos, porteiras, paredes e,
então, o orelhudo evita as correrias. Tornam-se, por isso, mais
mansos. Podem surgir animais
ligeiros, lépidos, mas a regra é a
16
mansidão no andamento.
Isso quer dizer que, se o Indubrasil tivesse orelhas curtas, seria
bravo? Os fazendeiros não têm
certeza, mas dizem que os bezerros de longas orelhas são - de
fato - mais dóceis que nas demais
raças.
Este assunto da Etologia
merece um estudo mais amplo,
pois alguns acham que a brave-
za é questão de manejo e não
apenas de orelhas longas. Será,
porém, que o bom martelo não
ajuda a bater o prego, mais acertadamente? Que o bom forno não
melhora o sabor do assado? Não é
à toa que a Natureza fez os cães,
gatos e coelhos de longas orelhas
- e o Indubrasil - para serem “animais domésticos” muito apreciados pela docilidade e poesia.
17
Indubrasil multicolorido ?
Black Indu Cow
18
Diz o Padrão Racial da ABCZ:
“A pelagem do Indubrasil é branca,
cinza e vermelha, uniforme,
podendo as extremidades
ser escuras. São permissíveis: amarela uniforme; cinza
avermelhada e suas nuances;
uma ou outra mancha não muito
definida ou carregada na cor, nas
pelagens: branca, cinza e amarela.
São desclassificantes: preta; pintada de preto; manchas no vermelho
e no amarelo; sarapintado”.
Para se expandir em novos
mercados, o Indubrasil pode flexibilizar a coloração? A discussão é aberta, pois em outros
países já ocorre a abertura
de pelagens. “Um grande
erro do Indubrasil, no passado, foi trabalhar com
emoção e não com a
razão” - lembra Clarindo. Na modernidade,
é preciso dar muita
atenção à razão,
pois o mercado
é muito aberto e competitivo. Não
há, porém,
consenso
entre os
criadores
sobre a pelagem.
Henrique
Figueira salienta
que a multicor seria até natural, uma
vez que o Indubrasil foi
formado por raças com
pelagens bem variadas.
Fugazzola acrescenta que
o Indubrasil deve se abrir para as
novidades, mesmo prestigiando a
tradição. “É uma tendência moderna; o multicolorido está no Nelore,
no Paint-Horse; em muitas raças;
faz parte da modernidade”. Ademais, explica que - quando se cruza
o Indubrasil Vermelho com o tradicional, podem surgir variedades de
pelagens, como o amarelo, o pintado com até três cores. É já comum
encontrar bezerros com cabeça
vermelha, lombo pouco avermelhado, às vezes com manchas. Parece
que, no clima tropical, a pelagem
multicolorida garante a flexibilidade perante o clima. No clima muito
quente, destaca-se a branca; no
clima um pouco mais frio destacase o animal mais escuro. Segundo
Fugazzola, o clima é o comandante:
ele escurece os animais, no inverno; e os clareia no verão.
Afora isso, a pelagem é uma regra do Homem, e não propriamente
do animal. As pessoas reúnem-se
ao redor de uma mesa e ditam um
Padrão Racial. Nada impede que se
reúnam e mudem o Padrão, para
que o animal tenha mais chances
mercadológicas.
A discussão é aberta. Rodrigo Borges diz: “Não! Não convém
abrir. O branco e vermelho são os
padrões históricos; não há porque
mudar, agora. É um perigo, pois para fazer outra coloração - é preciso misturar com sangue exógeno
e vamos perder a tradição, ou seja,
podemos perder todo o trabalho
que foi feito até aqui”.
O Indubrasil, sendo um Neozebuíno, tem a vantagem de poder realizar misturas, em busca de novas
pelagens, principalmente se dentro
do próprio Bos indicus. Não é preciso deixar de um “zebu puro-sangue” para ostentar toda gama de
pelagens.
Clarindo Miranda apostrofa:
“Não! Não podemos fugir de 100
anos de busca de um padrão. Hoje,
o Indubrasil funciona bem sobre
qualquer raça e dá certo: cabeça,
rabo, orelhas, pelagem. Só a raça
pura pode garantir isso. Quanto
mais pura fora a raça, melhores serão os descendentes. A discussão
de mudar a pelagem não é para
agora, mas apenas para quando a
raça tiver um enorme rebanho nacional e mundial. No momento, há
poucos rebanhos e essa discus-
são é de incrível
inutilidade. O Indubrasil não precisa
acrescentar novas
pelagens para conquistar mercados.
Precisa, sim, de
mais
rebanhos,
com ou sem Registro Genealógico.
Afinal, quanto mais
se abre a pelagem,
criam-se nichos de
“pets”, ou seja, de
bibelôs, animais-de
-estimação, mas com pouco a ver
com o próprio mercado.
Rodrigo Borges também é taxativo: “O Indubrasil
já está feito; não
precisa fazer mais
nada”. Para ter uma
nova pelagem seriam necessários
mais de 50 anos
para fixação: um
enorme tempo a ser
considerado. Não
é discussão para
agora.
Novo mundo pecuário - Por outro
lado, a FAO preconiza que a África
terá a maior expansão pecuária do planeta, devendo acontecer até o ano 2050 e lá
muitas raças são multicoloridas. O
Brasil e a África irão
abastecer o mundo
com carne e leite. A
população africana
irá dobrar, constituindo um fabuloso
mercado para a pecuária. Esse é um
grande terreno para
o Indubrasil.
Tendo em vista a África e outros
países, o Indubrasil
poderia admitir variedades multicoloridas? Como já fez o
Nelore? Como faz o
Brahman? O Sindi poderá importar
HK Mr. America, nos EUA.
Indu Black, nos EUA.
Busy Bee Pedro, nos EUA.
19
Diamante Negro
Brahman-male
(www.dreamstime.com)
Blac Indubrasil
(blackbrahmans.com)
20
o Cholistani multicolorido e também terá
sua variedade pintada. Assim, o Nelore,
o Gir e o Sindi teriam
suas variedades pintadas. Todas as raças do Brasil, menos
o Indubrasil. Será
que, de novo, o Indubrasil vai ficar para
trás, por não aceitar
a modernidade?
Henrique Figueira acredita que o Indubrasil poderia admitir pelagens
multicoloridas, pintadas, malhadas, manchadas, lavradas, mas
nunca chitadas pois as chitas são
características
exclusivas do Gir.
Ele enxerga uma
grande abertura
de mercado para
os que desejam
essas variedades,
no Brasil e no
mundo.
Fugazzola enxerga o futuro:
“Os criadores de
pequenas e médias propriedades
querem um Zebu
Leiteiro, que tenha cara de Indubrasil - agregando valor do Gir,
Guzerá e do Nelore - não importando a coloração
da pelagem. Os
selecionadores,
sim, continuariam
com o Indubrasil
tradicional, mas
teriam que admitir
que outros selecionem variedades de pelagens.
Podemos produzir
animais multicoloridos e exportar
para quem tiver
interesse. Temos
a “indústria” nas
mãos e não devemos deixar que
os concorrentes produzam aquilo
que podemos produzir. Alguém irá
produzir Indubrasil multicolorido e
nós teremos perdido esse mercado. Afinal, não podemos impor sobre o cidadão: cada um cria o que
quer. A abertura trará nova gente,
multiplicação de rebanhos, para
todos os gostos. O Indubrasil é um
Neozebuíno e, então, pode fazer
da pelagem multicolorida, um trunfo, uma vitória.
Clarindo vai longe, lembrando:
“Quem coloriu o Nelore não foi
para frente. Basta observar quantos novos rebanhos Nelores escolheram o pintado. Hoje são alguns
poucos rebanhos para enfeitar
porta de sede de fazenda. Como
se fosse um capricho do selecionador. Se pelagem multicolorida
fosse uma vantagem comercial, o
Nelore estaria cheio de coloridos
por todo lado, mas não é o que se
vê: todo mundo prefere o Nelore
branco. Eu sou radical, temos um
padrão que sustentou a raça até
hoje. O problema do Indubrasil
nunca foi a cor, mas algumas características que não se modernizaram, no passado, cuidaram das
orelhas, mas se esqueceram dos
aprumos, do umbigo, da quartela,
das tetas, do úbere, etc. Hoje, porém, os modernos indubrasilistas
já têm animais excelentes. Somos
vitoriosos e o momento é de conquistar mercados, ao invés de ficar inventando modismos”.
A pelagem monocolorida é uma
conquista, para facilitar a seleção.
Não há motivo para complicar o
que é fácil. O Padrão descreve:
“do branco ao escuro, mas tudo
definido”. Não convém aprovar
medidas que levem a um retrocesso.
Existem muitos depoimentos
de Indubrasil negro. Clarindo diz:
“Eu vi Indubrasil a 10 graus negativos, nos Estados Unidos (fazenda
de James Clean, Texas/Oklahoma), onde haviam animais totalmente pretos, como defesa diante
do gelo. Também vi Indubrasil a
58 graus, na Tailândia (fazenda
Rsiamindu
(board.kobalnews.com)
Spotted cow
(blackbrahmans.com
do Sr. Narong,
ministro no país) são vantagens de
adequação.
O norte-americano, porém, é o
“rei da mistura”,
não se importa
com
raça-pura,
ao usar o Bos
indicus. Isso porque o Bos indicus
é um “adendo” e
admite toda sorte
de variações. Já
nas raças continentais (Hereford, Holandês, etc.) o norte-ame-
Spotted cow
(blackbrahmans.com)
ricano não admite mudanças. O
maior exemplo é o Holandês Vermelho e Branco que não é aceito
na maioria dos países. Para sorte
do HVB o Brasil o acolheu e tem o
maior rebanho do planeta, embora a presença do HPB é maciça.
Ou seja, o HVB nunca conseguiu
um lugar de grande destaque,
mesmo no Brasil.
A Filogenia ensina que não
havia Bos indicus multicolorido,
inicialmente. O Gir buscou sua
pelagem multicolorida na África; o Nelore buscou nos antilopogíneos; o Cholistani foi formado por adoção da pelagem
multicolorida do Gir.
Tailândia firma-se como comprador de Indubrasil
Normalmente, animais de longas orelhas, tendem à mansidão.
As orelhas são alvos fáceis para
os predadores e, então, o orelhudo evita predadores. Nas fugas, as
orelhas longas podem se ferir em
galhos, porteiras, paredes e, então, o orelhudo evita as correrias.
Tornam-se, por isso, mais mansos.
Podem surgir animais ligeiros, lépidos, mas a regra é a mansidão no
andamento.
Isso quer dizer que, se o Indubrasil tivesse orelhas curtas, seria
bravo? Os fazendeiros não têm
certeza, mas dizem que os bezer-
ros de longas orelhas são - de fato mais dóceis que nas demais raças.
Este assunto da Etologia
merece um estudo mais amplo,
pois alguns acham que a braveza é questão de manejo e não
apenas de orelhas longas. Será,
porém, que o bom martelo não
ajuda a bater o prego, mais acertadamente? Que o bom forno não
melhora o sabor do assado? Não é
à toa que a Natureza fez os cães,
gatos e coelhos de longas orelhas
- e o Indubrasil - para serem “animais domésticos” muito apreciados pela docilidade e poesia.
21
O gado bom, ou
o gado melhor
muito, mas não dá para comparar
o nível de seleção, por enquanto.
Faltam animais, faltam criadores,
já reduzimos muitas características negativas, mas não fizemos
tudo. O criador de Indubrasil não
deve se preocupar em ser o maior,
pois há coisas mais importantes,
como a precocidade, a qualidade
da carne, etc. O progresso rumo
ao futuro é visível, pois o moderno
Indubrasil já é um pouco mais baixo do que os antigos.
A vantagem do Indubrasil é que
ele agregou o que havia de melhor
Bom no seco, bom no verde.
O mundo é torpedeado com
frases como: “o maior produtor
de carne é o Brahman”; “o bovino
mais eficiente é o Nelore”; “o mais
versátil é o Guzerá”; “o maior é o
Indubrasil”, etc. Nenhuma acumula as virtudes e seria ótimo se fosse possível dizer: “o mais versátil,
eficiente e de maior porte é o Indubrasil, campeão produtor de carne”. Por que isso não é possível?
Todas as raças inventam refrões, slogans, para sua propaganda, mas todas sabem que o
melhor caminho é o do meio. Os
extremos são inimigos da perfeição. Quando o animal é “ótimo”,
então é inimigo do “bom”. Os extremos acarretam subfertilidade,
queda de rusticidade, perda em
acabamento, no correr do tempo.
O Brahman tem fama, como
raça, não como indivíduo. Os Es-
22
tados Unidos são o maior produtor
de carne e não, necessariamente, o Brahman. Na média geral,
o Nelore e o Indubrasil pesam
mais, em carne limpa. Nas exportações de carne para a Venezuela, oito frigoríficos abateram mais
de 1.000 cab/dia; mais de 54 mil
toneladas de carne. Muita gente
dizia que o Nelore nunca chegaria
ao Brahman, em carne. Quando
viram as planilhas dos frigoríficos,
os Nelores foram pouco melhor
que o Brahman em rendimento de
carcaça. O Nelore teve 52,2 % e
Brahman deu 51,8%.
O Zebu tem menos carne no
dianteiro que europeu, mas tem
mais no traseiro. Isso é um trunfo.
O que interessa é o comprimento das peças, significando filés e
contrafilés maiores.
Um Chianina com carne seria
ideal; é o maior e mais alto do planeta, mas não é o maior produtor
de carne.
O boi não precisa ser grande,
nem pequeno, mas produtivo. Às
vezes, é grande produtor de carne, mas não é o mais lucrativo,
pois consome muito. O mais lucrativo é o que gera receita maior que
a despesa. Interessa a produção
“econômica” da fazenda e não o
gigante. A receita é: maior produção, em menor tempo, num ciclo
de tempo, com economicidade.
Também é importante observar
o resultado da boiada no campo:
não adianta criar animais que comem com cinco bocas, ou seja, a
própria boca e mais as quatro patas que estragam o capim.
Rodrigo Borges diz que o Indubrasil não tem a precocidade que
outras raças têm. Já melhorou
no Nelore, Guzerá, e Gir. O Nelore
entrou com a habilidade materna;
o Guzerá entrou com o arqueamento das costelas e a rusticidade; o Gir com o leite.
Por ser um Neozebuíno, a seleção do Indubrasil será eterna,
sempre melhorando, ou adaptan-
do alguma coisa à região, ou situação. O Neozebuíno é maleável,
pois tem o sangue de três raças.
Hoje, a habilidade materna já
foi bem corrigida: tamanho das tetas, tamanho dos bezerros, firmeza do bezerro ao nascer, umbigo,
etc. O bezerro nasce com 30-34
kg, e em 5-20 minutos já levanta,
de 30-60 minutos já mama. Um
grande progresso.
Henrique Figueira deixa claro
que “tamanho não tem tanta relação com precocidade. Nesse
momento, é mais importante para
o Indubrasil prestar atenção à precocidade, qualidade e rendimento
de carcaça, do que no tamanho.
Afinal, a ciência já provou há décadas que o peso exagerado ao
nascer é prejudicial. Por isso, o
Angus colocou no Padrão Racial
que o animal deve nascer ao redor
de 25 kg e disparar no crescimento já fora do ventre materno”. Também lembra que o grande porte,
não raramente, está relacionado
com pouca longevidade e produtividade na idade adulta. “Não há
mais motivo para elogios ao grande porte, pois o mais importante
na pecuária é a visão empresarial,
é o lucro e, para ele, é importante cortar custos desnecessários
e, em boa parte, o grande porte é
apenas custo” - conclui.
Indubrasil chitado é Grande Campeão
A exposição “Michigan State Fair” teve início no
longínquo 1849. Cabe lembrar que, no Brasil, a primeira foi a Exposição Comemorativa da Abertura dos
Portos, em 1908. Michigan tem, portanto, uma enorme
tradição.
Em 2013, a Exposição passou a ser gerenciada pela
iniciativa privada. Em 2014, a Exposição teve número
recorde de expositores de gado. A grande novidade foi
que o Campeonato Entre Todas as Raças foi um touro
e uma vaca da raça Indubrasil.
Para os brasileiros, que já aboliram o Grande
Campeonato Entre Todas as Raças, pareceria muito
estranho, pois o Campeão é chitado, embora com as
longas orelhas do Indubrasil. (foto: Brahman Journal)
23
Cruzar o Indubrasil com o quê ?
Historicamente, nas décadas
de 1940/50/60 o ventre mais utilizado foi do Indubrasil, prestigiando
touros Nelores. Agora já acontece
o inverso: touro Indubrasil sobre
vacas Nelore. A situação mudou,
melhorou e o Indubrasil tem grande contribuição a dar à pecuária de
campo.
Rodrigo Borges lembra que a
cria do gado anelorado com touro
Indubrasil será ótima, de maior,
muito rústica, menos andeja, com
boa precocidade.
Clarindo Miranda acha que o
correto foi o que aconteceu no passado e que deu tanta fama para o
Nelore: o uso de touro Nelore sobre vaca Indubrasil. O resultado é
espetacular, mas hoje não há mais
fartura de rebanhos de ventres
Indubrasil. Por isso, o jeito é usar
touro Indubrasil sobre vaca anelorada. O uso contínuo vai formando vacadas esplêndidas, no Pará,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
goiás, Sertão nordestino, sertão
mineiro, etc.
Muitos criadores de gado de
corte mantêm um pequeno lote de
vacas Indubrasil para fazer próprios touros. São vacas excepcionais, orelhudas, com muito couro,
ossatura forte e boa aptidão leiteira
para as crias. Uma das vantagens
é que o touro pode ser alternado
entre os lotes, antes de chegar à
idade de descarte.
Economicamente o ventre Nelore é mais producente, mais barato, mas qualquer receita utilizando
Indubrasil vai dar certo. Na verdade, depende da logística, ou seja,
da região e da situação onde está
a propriedade. O que determina a
escolha do gado correto é o pedaço do céu acima da cabeça e o pedaço de chão abaixo dos pés.
Rodrigo Borges afirma que o
Nelore é um gado fácil de parto, de
criação, de bezerros firmes e saudáveis. O touro Indubrasil garante
progênies de maior porte, ossatura forte, maior produção de carne,
sem perder a rusticidade.
Novas alternativas
Alguns pecuaristas vão alternando as raças zebuínas na vacada de corte: ora usam o Indubrasil
e suas filhas serão acasaladas com
Guzerá. Depois retorna o touro Nelore sobre as netas. Existem muitas receitas praticadas nos campos
brasileiros e, por isso, o país já é
o maior exportador de carne. Brevemente será também o maior produtor.
Henrique Figueira acha que ainda vai durar um bom tempo o uso
do touro Indubrasil sobre vacada
anelorada, pois é a única que exibe
ventres disponíveis para os cruzamentos.
“Os resultados são muito bons
e, então, a maioria vai continuar
investindo nessa direção” - conclui.
O gado Indunel (Indubrasil + Nelore) é muito lucrativo.
24
25
O Indubrasil e o
desempenho no gancho
Indunel - Um lote de novilhos
gordos, meios-sangues Indubrasil/Nelore chama sempre a atenção. “É um gado maravilhoso, um
brahmanizado”, cheio de carne.
Clarindo Miranda diz que o meiosangue é maior que os pais, ou
seja, maior que o Nelore e o próprio Indubrasil, com rendimento ao
redor de 55% a 55% de carcaça.
Afirma, categoricamente, que o
meio-sangue obtido de ventre Nelore é um pouco inferior ao produto
obtido com ventre Indubrasil. Por
isso, muitos criadores de Nelore
estão adquirindo vacas Indubrasil, ou fortemente indubrasiladas,
para melhorar o peso dos lotes de
novilhos.
Fugazzola mantém a tradição
do avô e do pai, criando Indubrasil, Nelore e Gir. Paga as contas,
enviando lotes de novilhos para
abate, regularmente. “São animais
de campo, naturais, sem qualquer
artifício”, garante. A planilha do
dia 23 de julho de 2015, de sua
Fazenda Amazonas, em Naviraí
(MS), mostra 31 novilhos, com
idade média de 33 meses, rendimento no gancho de 54,0%, peso
médio de 529,23 kg, ou 19,05 arrobas.
Desmama - Outra planilha
mostra os nascimentos entre setembro e outubro de 2012, des-
26
mamando as crias em julho de
2013. Eram 41 fêmeas, com peso
de 215,4 kg. A planilha de machos, de novembro e dezembro de
2012, desmamados em setembro
de 2013, soma 30 animais, com
peso médio de 202,4 kg - menos
que as fêmeas. “São planilhas re-
O Indubrasil em vacada Nelore.
alistas, do que está acontecendo
no campo”, lembra Fugazzola.
“Não adianta fantasiar, pois este é
o dinheiro que leva a propriedade
adiante” - finaliza.
Clarindo Miranda cita animais
sendo desmamados, aos 6 meses, em cocho privativo ( “creep-
feeding”), pesando 210-220 kg, na
Bahia.
Indulando - Os Indulandos, na
desmama, pesam entre 270-280
kg, aos 9 meses - afirma Rodrigo
Borges. Clarindo lembra que os
pesos do Indulando superam folgadamente o Girolando. Muitos
machos Indulando são utilizados
sobre vacadas leiteiras em pequenas e médias propriedades, para
melhorar a ossatura e peso da novilhada.
Mestiço europeu - Rodrigo
Borges diz que não há necessidade de abater animais antes dos
30 meses. Há uma tendência de
usar mais tecnologia e reduzir a
idade de abate, mas por enquanto não tem compensado. O próprio gado anelorado é abatido
entre 24 a 36 meses. O uso de
touro europeu (Limousin, Charolês, Aberdeen Angus, etc.) pode
reduzir a idade de abate, pois os
novilhos apresentam acabamento
já a partir de 15 meses. A rigor,
no Brasil, a média é o novilho comum, de pasto, atingir 17 arrobas
é aos 24 meses. “Se alguém disser que tem boiadas pesando 17
arrobas antes de 24 meses estará
mentindo” - finaliza.
27
Os 10 Mandamentos na hora de comprar um Indubrasil
O comprador está na porteira. O que será que ele irá escolher? Quais são as prioridades
do comprador? Afinal, o que o
comprador mais deseja encontrar no lote onde vai escolher
28
seus futuros animais?
Em casos de exportações,
muitas vezes, os compradores
querem animais de acordo com
seu estágio cultural. Então, podem preferir animais com ca-
racterísticas raciais acentuadas,
como o comprimento de orelhas
e “gavião”.
A tabela mostra a ordem anotada pelos criadores de Indubrasil
em seus currais.
A maratona do leite de Zebu
Quando uma região atinge um
bom desempenho leiteiro, o Governo desestimula o uso de Zebu
e estimula o de Taurino (Holandês,
Jersey), como em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul. Esse cenário pode mudar?
As opiniões são muito divergentes, entre economistas, políticos e pecuaristas. Henrique
Figueira afirma: “Claro que pode
mudar. Tudo pode mudar, na vida.
Na verdade o que todos buscam é
produtividade com lucratividade e
sustentabilidade. Sem isso, qualquer negócio vai morrer”.
Fugazzola acha difícil mudar:
“Acho que não vai mudar, pois o
Governo tem a mídia a seu favor
e divulga ao povo que está acontecendo um melhoramento da produção, o que realmente acontece.
A produção aumenta, mas o número de produtores despenca. Só
no Paraná foram mais de 40 mil.
Entre São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,
talvez 200 mil. Então, o Governo
prejudica pequenos e médios criadores, mas favorece os consumidores urbanos e os oligopólios do
leite. É uma aberração política,
pois liquida milhares de empregos
rurais. Resumo: o mesmo Governo diz que defende os pequenos
produtores, mas está favorecendo
os grandes laticínios”. Antigamente, em cada cidade havia um laticínio; mas todos foram fechados,
para abrir caminho para os oligopólios do leite.
O fato é que o Governo ainda
não assumiu o Brasil real. O leite
das pequenas e médias propriedades é leite rico em proteínas,
mas o Governo estimula o leite de
gado taurino, com excesso de ração, hormônios, e confinamento.
Isso é muito ruim para a população que sequer é avisada.
O Governo, ao invés de esti-
Latão de leite (Embrapa)
mular um modelo brasileiro, optou
pela importação do modelo europeu. O resultado é a contínua importação de animais que chegam
ao Brasil, já com artrites e outras
doenças. Depois, as vacas mal
conseguem andar, ficam em galpões específicos, arejados, com
a única função de produzir leite.
São animais doentes, caquéticos,
num clima tropical, produzindo um
leite que também causa malefícios à saúde humana, durante três
ou quatro lactações. Em poucos
anos, são animais liquidados, destruídos. Esse é o modelo europeu,
enquanto no Brasil, a vaca Zebu
leiteira vive mais de quinze anos,
em lactação.
Mestiços de Indubrasil, bom de leite e de carne.
Leite de alta teor de sólidos, ideal para queijos.
29
Antigamente, o leite era algo
precioso, de gado Zebu, todo
mundo bebia, sem preocupações,
mas hoje, o gado europeu introduziu 180 doenças no Brasil, incluindo a alergia ao produto. Muitos
médicos já condenam o uso do
leite fluído, nas cidades, quando
deveriam condenar apenas o leite
de vacas equivocadas!
Insistir no modelo europeu é
burrice política com ares científicos; é tirar dinheiro dos brasileiros
para entregar a empresas multinacionais. Os bancos financiam
essa tolice científica há muitas décadas e também não aprenderam.
Mais de 50% do sêmen utilizado
subir. Muita gente vai consumir
lácteos, ao invés de leite fluído”.
Os dois leites
A Nova Zelândia descobriu o
caminho, para benefício do produtor: produção de “leite fluído” - com
Ordenha manual nos pequenos e
médios rebanhos.
gado taurino - e “leite indústria” com gado mais rústico. O mesmo
“modelo” poderia ser aplicado no
co o melhor seria ordenhar o Zebu
Brasil. Os laticínios, hoje, pagam
puro. Na maior parte do Brasil adum “extra” para o teor de sólidos,
mite o meio-sangue; mas jamais
mas poderia ser muito melhor.
subir para 3/4 europeu. Algumas
Fugazzola afirma: “A Nova Zepoucas regiões podem admitir o
lândia achou seu caminho, que já
3/4 e até o 7/8. Cada região climáé utilizado no Nordeste brasileiro
tica tem sua própria solução: ficar
há muito tempo. O Brasil criou
fugindo dela é tolice. O Governo
sistemas próprios,
erra, tremendamente, ao subjugar
em Minas e São
o produtor de leite, algemando a
Paulo, com bezerprodução.
ro ao pé, durante
Clarindo Miranda afirma que
os 500 anos desa Economia da Nova Zelândia é
de o descobrimencompletamente diferente da brasito. Mudar esse
leira. O leite fluído ainda vai funregime é um equícionar por muito tempo. O leite
voco; é prejuízo
de caixa (longa-vida), em superpara o fazendeiro.
mercados, sofre com a deficiência
Uma vaca rústica
de refrigeração e transportes. O
produz o valor de
Brasil está dando adeus ao leitetrês bezerros ao
de-latão.
ano, ou seja, proO pequeno produtor que não
duz o leite, a carne
consegue se adaptar, vai produe o esterco. Nada
zir queijo, por algum tempo, mas
melhor que isso.
logo irá desistir. Seus filhos não
Tudo
sem
venegostam de ver a pobreza dos pais
Vacas de bons úberes, nas linhagens selecionadas.
nos. O leite de Zebu
e, então, desistem do trabalho, mino Brasil é importado para vacas
tem acima de 4,5% de sólidos:
gram, transformando-se em mãoleiteiras europeias: um absurdo.
uma riqueza; já o gado Holandês
de-obra barata para as cidades:
Rodrigo Borges diz: “Isso não
mal chega a 3,0%”.
um formidável desperdício da poirá mudar, pois a Genética necesRodrigo Borges lembra que a
tencialidade rural.
sária à produção de leite é muito
maior parte do leite vem de mesHenrique Figueira informa que
cara e o Governo escolhe o camitiços, no resto do
nho político, não se importando
Brasil. A “geogracom os produtores. Ao Governo
fia pecuária” está
interessa o leite, já fora das portraçada. Onde a
teiras. As terras tornam-se muito
rusticidade é exigicaras e, para manter a pecuária,
da, produz-se leite
o gado precisa ser altamente procom mais sólidos.
dutor, acima de 25 kg de leite/dia.
No Brasil Central,
Então, só mesmo taurinos. As tero leite é produziras mais frias serão, sempre, do
do por mestiços
gado Holandês”.
abaixo de 3/4 de
Clarindo Miranda diz que há alsangue europeu.
ternativa: “A tendência é melhorar
No Brasil catina higiene e o preço do queijo vai
gueiro e amazôni- Manejo leiteiro típico na maioria dos currais sertanejos.
30
Vacas Indulandas, de alto valor genético.
“existe uma gama de possibilidades a serem exploradas pelo leite
de Zebu. Existem pesquisas a respeito disso. O leite de Zebu pode
ser usado até como remédio, em
certos casos. O leite do Indubrasil é rico e pode ajudar nas contas
das fazendas. É preciso aproveitar
tudo que a pecuária pode dar”.
Manejo leiteiro tropical
O normal é produzir 70% do leite na primeira ordenha, com apenas um funcionário. Depois, soltam-se os bezerros com as vacas.
O funcionário terá, então, mais
sete horas para a lavoura e outros
trabalhos. Se implantar a ordenha
da tarde, para somar mais 30%
do leite, irá precisar de um novo
funcionário. O custo do novo funcionário inviabiliza a propriedade
que, logo a seguir, terá que optar:
ou leite com vacas taurinas, ou lavoura.
O tropicologista Preston, analisando o assunto, concluiu que a
melhor opção é a criação de vacas
que produzam entre 3,5 a 7,0 kg
de leite com alta porcentagem de
sólidos. O cientista diz que podese liberar o leite de domingo, para
poupar o funcionário. Ou seja, a
propriedade de clima rústico não
pode ter vacas de alta produção
de leite fluído. Preston afirma que
- ao aumentar a produção de leite
para 15, ou 20 litros/dia por vaca
- a qualidade da renda (relação
pasto/grãos, etc.) despenca. O caminho, portanto, estaria numa exploração racional do gado tropical,
o Zebu, mas isso exige postura
política.
Hoje, com alta tecnologia, a
Donzela do Cassu - Grande Campeã, Matriz Modelo, e
no Torneio Leiteiro, Expozebu/2013. Atingiu 39 kg.
família (pai e filho na ordenha),
consegue a média de 800 a 1.000
litros/dia. Depois, ambos trabalham nos campos. A média é de
50 vacas, com pasto rotacionado
e suplementação (silagem milho e
ração). É comum ver boas fazendas com manejo autossustentável, vivendo de lavoura-pecuária,
rebanho de 90 cabeças em 40
hectares e, ainda, arrendam áreas
para soja.
Sem tecnologia, não há chance de sobrevivência. O antigo tirador de leite, de 100 vacas, não
consegue manter duas filhas na
faculdade, ou pintar a casa a cada
5 anos. Para incorporar alta tecnologia, irá atender os laticínios, com
leite fluído e, então, o Zebu fica
para escanteio, cada vez mais.
Fugazzola afirma que um dos
problemas são as despesas particulares, na cidade. Aqueles que
moram apenas na fazenda, sobrevivem. É um modelo de vida,
otimizando a economia com a
existência humana, sem ambições inúteis. O filho vai para a escola urbana, tem sua época de ser
doutor, depois retorna para o campo, em busca de melhor “filosofia
de vida”. Então, o Zebu leiteiro é
o equilíbrio da existência simples,
poética, frugal, mas feliz.
A vaca leiteira
Rodrigo Borges lembra que o
Zebu, como o Indubrasil, sempre
irá produzir carne e leite. Uma
boa vaca pode pesar até 800 kg
e produzir 30 kg de leite. Ou seja,
31
a vaca Zebu é formidável chance
de riqueza. Cita a famosa “Donzela do Cassú, com 39 kg em 24
horas, pique em sua 3a. lactação.
Também lembra a recordista mundial, “Bela do Cassu”, com 46 kg
(Torneio Leiteiro da Expozebu), na
2a. cria, com 5.048,4 kg e lactação ainda em andamento. O Zebu
pode produzir leite: basta o Governo permitir.
Clarindo Miranda diz que não
dá para acreditar em Indubrasil
Leiteiro, nem em Zebu Leiteiro, no
atual regime globalizado. Se uma
parte do Brasil tem condições para
criar vaca europeia, então logo estará exportando leite para outros
países. Nenhum empresário rural
irá ordenhar vaca Zebu se pode
Boa habilidade materna.
ordenhar vaca europeia. Clarindo
afirma que “até pode haver Zebu
Leiteiro, mas sempre será exceção dentro do mercado, pois o
produto final que enche o balde
será o cruzado”. A valorização das
terras, a redução do tamanho das
propriedades, obriga o produtor
a procurar vacas de alta produtividade e ele acaba optando pelo
gado europeu que tem os bancos
à disposição.
Mesmo assim, o Zebu continuará influenciando a maioria das
propriedades leiteiras. Essa influência é visível. Clarindo diz que
a influência do Indubrasil é nítida
nos cruzados leiteiros. “o animal
32
gente muito rica tinha 500
vacas de leite.
meio-sangue
tem
a orelha abaixo do
olho; o animal 5/8
na altura dos olhos
e o 3/4 acima dos
olhos - quando o
animal está em estado de alerta”.
A carne que vem do leite
O futuro do leite
de Zebu no mundo
O gado taurino tem já 300 anos
de seleção leiteira e o Zebu está
apenas começando. Rodrigo Borges é taxativo: “Não vejo futuro
para o leite de Zebu, no mundo.
O que se diz como “leite de Zebu”,
na verdade, é de mestiços. Ora, o
mesmo Zebu que produz um mestiço leiteiro também
irá produzir outro
para abate. O Zebu
puro-sangue
jamais será capaz de
abastecer cidades,
no atual regime político e econômico.
A Índia mantém o
Zebu, ao lado de
búfalos, e o resultado é uma imensa
pobreza.
Clarindo Miranda afirma que “o
Zebu puro não tem
vez na produção
mundial de leite, mas é o Zebu, no
entanto, que produz os cruzados
para leite”. Num regime sofisticado, a vaca é europeia; num regime menos sofisticado, a vaca será
mestiça; num regime mais rústico,
a vaca será Zebu. O que determina a “vaca correta” é a região e a
situação. As boas
terras, de clima
ameno, utilizarão o
gado europeu; já as
terras mais fracas
permanecerão com
o Zebu.
O leite de Zebu,
por ser rico em sólidos, vem de uma
vaca que, biologi-
camente, nunca irá produzir muito
leite. Quanto maior for a produção
leiteira da vaca, menor será a produção de sólidos. Para transformar a vaca Zebu em produtora de
leite fluído seria necessário mudar
sua estrutura orgânica. Seria desmontar o que a Natureza levou milênios para fazer.
Henrique Figueira é taxativo:
“Toda zona tropical e também a
temperada precisa do Zebu para
produzir, satisfatoriamente. O
Zebu não é apenas uma máquina
leiteira, é uma ferramenta de bem
-estar social, é fixador de população no campo, gerando renda e
felicidade. Para nossa vantagem,
o Indubrasil é a raça zebuína com
maior capacidade de adaptação a
altas e baixas temperaturas, como
se pode analisar a história da raça
nos Sertões nordestinos e nos
Pampas gaúchos, bem como nas
pré-florestas da Amazônia. É gado
ideal para pequenas e médias propriedades”.
Fugazzola é otimista: “Diz um
antigo provérbio indiano que uma
vaca Zebu no quintal da casa é sinônimo de vida longa. Hoje, a moderna ciência comprova a verdade
do provérbio. Na época do café-
com-leite, o custeio fundamental
da fazenda era pago pelo leite.
Continua assim na maior parte do
Brasil. É o “caixa” mensal, ou semanal, com o leite, o valor da cria
e o esterco. O sistema permitia
até o plantio de “lavouras brancas”
(arroz, milho, mandioca), tudo baseado no dinheiro do leite. O resto da renda era para aumentar o
patrimônio, ou seja, para comprar
novas terras. Naquela época, só
O que vale mais: o leite
no balde, para consumo humano, ou o leite transformado em carne, pelo alto peso
do bezerro na desmama
e, depois, aos 12 meses?
O Brasil é um dos grandes
produtores de carne, mas
esconde o fato de que mais
de 30 milhões de vacas leiteiras produzem machos
que vão para o abate, com
bom peso. Mais do que em muitos
países. Então, a pecuária leiteira
tem muito a ver com a produção de
carne.
Henrique Figueira salienta:
“Existem muitos lugares, eu diria
até que se trata da maioria de propriedades brasileiras e em muitos
países, que precisam de uma vaca
que seja boa de leite e, ao mesmo
tempo, possa produzir animais que
sejam aproveitados para o corte. É
excelente maneira de complementar a renda da fazenda. Também
nas regiões longínquas, há muitos
pecuaristas de corte que mantêm
um lote de suas vacas mais leiteiras
somente para produzir algum leite
fluído e bastante queijo, para vender na cidade. São pecuaristas de
corte, mas não excluem a chance
de somar algum dinheiro produzindo leite e queijo para seus funcionários e até para o comércio. Então, o
mercado para o leite é muito vasto,
no mundo tropical e semitemperado”. Concluindo, Henrique lembra:
“É bom afirmar que, consultando o
IBGE, é fácil verificar que todos os
dados de leite do Brasil estão referidos a poucas centenas de laticínios
e coletores de leite. Na maioria das
cidades brasileira, nem laticínios
há. No resto do mundo acontece
a mesma coisa. Então, o mercado
para vaca rústica leiteira é muito
grande e isso não vai mudar facilmente. Essa é a vaca de dupla aptidão, especialmente Zebu”.
Avaliação Genética do Indubrasil
O resultado divulgado pela
ABCZ dos últimos levantamentos estão nas Figuras abaixo.
Peso no Sobreano - No
cômputo geral, o Indubrasil
Figura 7 - Tendência e médias genéticas da
raça Indubrasil para peso no sobreano
Idade ao Primeiro Parto O melhoramento é evidente,
nos últimos anos, mostrando o esforço dos criadores na
vai melhorando o peso ao Sobreano. Por ser raça que está
presente no clima Semiárido e
também no extremo frio - no
Brasil - os dados refletem as
variações que acontecem, em
épocas diferenciadas no correr do ano. No geral, porém,
a raça vai progredindo, firmemente.
Figura 8 - Tendência e médias genéticas da
raça Indubrasil para idade no primeiro parto
aplicação das boas regras da
Zootecnia. O Indubrasil destaca-se pelo pequeno intervalo
entre a máxima e mínima: in-
dicando que desde o início das
avaliações esta já era uma característica muito elogiada na
raça.
33
34
35
O Indubrasil e o boi que
o mercado está querendo
Hoje, o mercado quer o animal
“lucrativo”, para ser mantido num
regime sustentável: isso é a moderna
pecuária, em que o Indubrasil tem
relevante papel.
O mercado mundial está querendo um animal de “grande porte”
e “grande massa muscular”. Com
o surgimento de tecnologias, os
países desejam um animal precoce, de bom acabamento, tanto em
carne como em leite, que seja produzido com sustentabilidade, ou
seja, sem estragar o ambiente. Em
resumo: a Economia quer maior
produtividade, em menos tempo,
em menor área, com progênies semelhantes.
1) Será um tipo de Brahman?
- Rodrigo Borges afirma que o animal mundial terá uma fisionomia
de um cruzado entre Indubrasil e
Brahman, já visível nos Estados
Unidos, Austrália e outros países.
“O Indubrasil aumenta o porte, dá
rusticidade. O Brahman dá acabamento de carne” - conclui.
Clarindo Miranda diz que, na
Colômbia, o Brahman é menor que
o do Brasil; já nos Estados Unidos, em média geral, é maior, mas
tem nítida influência de taurinos. O
Brahman mundial é uma colcha de
retalhos; admite influências exógenas até hoje. O Brahman tem o
mesmo problema que o Indubrasil,
ou seja, faltam fêmeas no mercado.
Clarindo afirma que “o Indubrasil
vai subir, cada vez mais, ocupando
espaços que foram do Brahman,
em muitos países”.
2) Será um misto de várias
raças Zebu? - Fugazzola afirma
que será um Neozebuíno, com características brasileiras. Nem baixo, nem alto, nem muito arqueado,
com as qualidades já aprovadas
pelos brasileiros. Pode ser produzido através do PMGZ - CCG. Cabe
aos indubrasilistas chegar a esse
animal, rapidamente, pois é a raça
que tem maior variedade genética
já estabelecida. As outras raças estarão no começo (Gir, Guzerá, Nelore), tentando produzir aquilo que
o Indubrasil já é. O animal do futuro
poderá variar conforme a região,
deverá ser ecologicamente correto, ou seja, terá mais pelos no Sul;
mais barbela no Nordeste; mais
glândulas sudoríparas na Amazônia; mais carcaça no Sudeste
e Centro-Oeste, etc.). Enfim, será
um Indubrasilado, com cara de
Marta Rocha e Lampião - somando
todas as versatilidades exigidas.
Rodrigo Borges diz que será
um produto cruzado, comum, de
tipo produtivo bem reconhecido,
mas sem fixidez racial. Clarindo
diz que é questão de cuidado:
a tendência do mercado é obter
resultados mais uniformes. Se
misturar raças, os resultados não
serão uniformes; o meio-sangue
sempre é espetacular, mas não
há sequência. Além disso, a vaca
precisará de leite para a cria, para
O Indubrasil é compatível com
todas as realidades brasileiras.
36
37
melhorar a economicidade
do empreendimento.
3) Será uma raça independente? Fugazzola lembra que, antes, havia o rebanho sudestino puxando para
o Brahman e o nordestino
puxando para o Guzerá. Ficando no caminho do meio
(Centro-Oeste) evoluiu em
todos os sentidos. Seria um
Indubrasil “moderno”, com
flexibilidade para todas as
alternativas econômicas e
ecológicas possíveis. Raça
única e unida, com incrível
variabilidade genética, invejável. Clarindo conclui que
os criadores tenderão a utilizar a ABCZ, que já tem estrutura montada, com visitas
periódicas e programadas
às fazendas. No futuro, irá
assumir os Registros do Girolando, Guzolando, Indulando e outras variedades,
ecótipo, ou raças, pois tratase de questão de Economia,
e não apenas de Zootecnia.
Nos sertões, o Indubrasil é bem visto.
Conclusão
Henrique Figueira conclui: “O mercado pecuário
já evoluiu; não há mais
tanta gente procurando
animais de grande porte.
No mundo moderno, tempo
é dinheiro; pecuarista não
viaja mais a cavalo, mas de
caminhonete. Não adianta
ter um rebanho com vacas
enormes que só vão parir
de 24 em 24 meses - sendo otimista. Ninguém mais
quer isso. Vaca tem que
parir todo ano, se possível.
Ninguém mais quer um
touro, no campo, pesando
1.000 kg. Isso é o “peso
potencial”, ou seja, o peso
para ser exibido em exposições, mas não é o “peso
prático”, do dia-a-dia, em
trabalho, no campo. Touro
38
Nos Cerrados, o Indubrasil tem lugar apreciado.
A pelagem vermelha tem muitos adeptos.
acima de 1.000 kg não
dá conta do recado, não
consegue andar atrás
das vacas, não suporta
o calor, além de outros
problemas. Touro grande é crendice do passado; teve seu tempo; teve
seu mérito; mas hoje é
carta fora do baralho.
Touro grande só serve
para propaganda”.
O mercado não admite mais a o “fancy cattle”,
ou “gado-fantasia”, grandalhão, para encher os
olhos, mas que não consegue encher o bolso, se
colocado no campo. Não
adianta ter um rebanho
de animais que necessitam de muito volume e
riqueza de alimentação.
Afinal, o Zebu, se tratado de maneira artificial,
acabará dando uma resposta equivocada: ele é
um animal de campo e
ali deve ser observado.
Ficar observando Zebu
em cocheira é uma anomalia, obsessão do passado, tarefa dos antigos
mascates que tinham
que preparar os animais
para a venda. Hoje, tudo
é diferente: o mercado
compra lotes inteiros,
analisando números de
desempenho.
O mercado quer análises de “massa muscular”, qualidade de carne,
precocidade de carcaça, precocidade sexual,
precocidade de acabamento: são fatores modernos, que interessam
ao mundo inteiro. Henrique Figueira acha que
“o Indubrasil tem que
se filiar, rapidamente, a
tudo isso, pois é exatamente o que o mercado está querendo, cada
vez mais”.
Bainha do Indubrasil - uma reflexão
Bainha ideal
Bainha aceitável
Bainha indesejável (Bainha (Foto:
dpi.nsw.gov.au)
Bainha rejeitável
Antigamente, o Zebu vitorioso tinha que ser o oposto do
gado europeu, que sucumbia
diante do calor e dos carrapatos. Muita gente reconhecia a
“pureza” do Zebu pela quantidade de couro, pois o gado
europeu era atarracado, sem
couro, com orelhas também
curtíssimas.
O Zebu tinha que ter muito
couro e, então, as orelhas muito longas eram um elogio no
animal grandalhão. Também o
umbigo era sinônimo de “mais
área”.
Mais tarde, o Brasil adotou
o capim Colonião e começou a
desbravar terras longínquas. O
Indubrasil retraiu-se, nas terras
antigas de capim Jaraguá, enquanto o Nelore, mais barato,
podia ser enviado para o papel
de “bandeirante”. Para valorizar
a nova tendência, as acusações
contra o “velho gado” ganharam
força: o grande tamanho era típico de gado subfértil; a gran-
Bainha condenável
Bainha com prolapso
de altura indicava um animal
inadequado; as orelhas longas
eram alvo de predadores; o umbigo longo era cenário de muitas infecções; as crias nasciam
molengas, exigindo cuidados.
O umbigo longo foi adotado
como bandeira para os críticos
interessados na demolição do
Indubrasil. As fêmeas foram utilizadas em cruzamentos com
Nelore. O Indubrasil perdeu o
trono de “imperador”.
Hoje, a pecuária evoluiu e
todos querem um umbigo corrigido (de curto a médio), com
ângulo correto. Não adianta o
animal ter um umbigo curto e
pendular; a angulação correta é
importante.
Paradoxalmente, com a ascensão do Gir leiteiro, os currais passaram a disseminar
as crendices do passado. É
comum escutar que “umbigo
comprido é característica de
leite”. Assim, o umbigo comprido está de volta, principalmente nos currais leiteiros.
O Indubrasil, porém, aprendeu a lição. Não há mais Indubrasil com umbigo abaixo
dos jarretes. O Indubrasil vai
melhorando,
rapidamente,
enquanto outras raças fazem
de conta que não enxergam
os umbigos crescendo, talvez
devido aos cruzamentos. Clarindo Miranda diz que é visível o “pioramento” do umbigo,
no Nelore e no Gir, sobrando
também para o Guzerá. Estas
raças já deveriam ter abolido, definitivamente, o umbigo
longo, mas estão admitindo o
encompridamento, estranhamente.
Fugazzola vai longe e diz
que o Indubrasil já reduziu o
umbigo. “Nas pistas de Exposições, o Indubrasil ganha de
muito Gir, de muito Guzerá e
39
até de um bocado de Nelore”.
Proclama: “Eu topo o desafio,
com meu gado. Todos os indivíduos com umbigo classificados entre 1 e 3, ou seja, 50%
do trajeto até o jarrete”.
Rodrigo Borges diz que,
hoje, não há mais umbigo lon-
go, na fazenda. No cenário
nacional, segundo ele, o melhoramento do Indubrasil foi
acima de 90%, em termos de
comprimento de umbigo.
Clarindo lembra que o problema não é apenas o comprimento, mas também o pro-
lapso. “Já está começando no
Nelore; cada ano surgem mais
animais com prolapso, mesmo
com umbigos curtíssimos. O
prolapso é um problema muito
grave. É mais fácil curar prolapso de umbigo longo do que
de umbigo curto” - conclui.
As perspectivas do Indubrasil
Indubrasil Vermelho em destaque
Os Estados Unidos comenta
que há uma “febre vermelha” no
gado Brahman (Albert Banuet, em
“A epidemia do Red Brahman”, revista Brahman Journal, 30 de abril,
2015), em grande parte promovida
Você sabia ... ?
... que a moderna pecuária deseja
a maior produção possível no
menor espaço de tempo, com
melhor qualidade, com garantia de
transmissão às progênies futuras?
Isso tem nome: “sustentabilidade”.
Você sabia ... ?
... que a humanidade é um eterno aprendizado? Por isso, quando
os criadores rejeitaram as Provas Zootécnicas, na década de 1950,
levaram um “tombo”. Hoje, todas as raças zebuínas praticam Provas
e fazem pesquisas paralelas. O mundo moderno é “caçador de informações”. Por isso, o moderno Indubrasil é muito diferente do antigo.
Melhorando o Brahman
TRIQUI - é o touro
importado do México
em 2013, para a Butler Farms, nos Estados
Unidos. Foi Campeão
Internacional Indubrasil
em 2013, em Acapulco.
Tem lotes de fêmeas
Indubrasil e também
fêmeas Brahman. (foto:
butlerfarms.us)
40
pela importação de
sêmen de Indubrasil. Além do Brahman vermelho, há
o próprio Indubrasil
vermelho, nos Estados Unidos e também na Austrália.
Outros países também apreciam a coloração vermelha,
originada no Brasil.
A pelagem vermelha,
portanto,
tem um vasto mercado a ser explorado e ainda há muito sêmen raro
guardado em botijões, garantindo a
vitalidade diante do futuro.
Você sabia ... ?
... que a raça mais famosa, para
corte, no mundo, é a Angus? É
muito interessante que o Padrão
Racial do Angus determina que o
bezerro deve nascer com peso ao
redor de 25 kg. Exatamente: apenas 25 kg. O bezerro deve nascer
pequeno e disparar, imediatamente, no crescimento, já fora do
ventre materno. Ensinamento que
serve para todas as raças: nascer
pequeno não é defeito. O defeito
é não disparar no crescimento...
1) Perspectivas imediatas
Variabilidade genética - A raça
fez um notável trabalho de correção fenotípica e, hoje, apresenta
animais de excelente qualidade.
Sem dúvida, o gado da atualidade é muito superior ao de 50 anos
atrás. Sendo um Neozebuíno, o
Indubrasil é resultado da união de
todas as demais raças zebuínas.
A ABCZ vem praticando o CGC
(Carta Controle de Genealogia)
para formar um Neozebuíno e o Indubrasil é parte importante. A raça
Indubrasil está com pouca variabilidade genética e várias alternativas
estão sendo estudadas.
Rebanhos - São poucos criadores, todos com gado excelente. Faltam fêmeas, pois a demanda pelo
Indubrasil está crescendo muito rapidamente. As boiadas aneloradas,
nas fronteiras de desenvolvimento,
já começaram a divulgar os bons
resultados do uso do Indubrasil. O
uso de sêmen sexado pode acelerar a produção de fêmeas. A FIV
- Fertilizanção in Vitro garante um
salto numa única geração.
Animal moderno - O moderno Indubrasil é de dupla aptidão,
com linhagens para carne e outras
para leite. Os animais frequentam
a mesma pista de julgamento. A
produtividade do Indubrasil é de
atingir 18 arrobas entre 24-30 meses. A vaca produz entre 3,5 a 6,0
litros de leite, em regime de pasto,
com lactação entre 270-300 dias,
desmamando um bezerro saudável. As linhagens leiteiras podem
apresentar produtividade muito superior. Animal longevo, com vida
produtiva acima de 15
anos.
O animal moderno
apresenta tetas curtas;
o úbere não é penduloso; o bezerro nasce
pesando entre 28 a
36 kg; mama sozinho;
logo está andando.
Hoje, o novo Indubrasil é ferramenta a favor
da pecuária nacional.
“Bezerro que levanta
e logo mama: esse é o
caminho da pecuária” finaliza Clarindo.
Cruzamentos - É normal avaliar os resultados de cruzamentos com Nelore (Indunel), Holandês (Indulando), com Brahman
(Indubrahman) e Itapetinga (Pardo-Suíço) no próprio curral. As
vendas são imediatas e, por isso,
os animais cruzados sequer chegam ao Registro Genealógico.
Outros mestiços são com as raças: Aberdeen, Hereford, Limousin, Charolês.
41
O Indubrasil pode viabilizar o
aumento do desfrute pecuário em
cada região, por ser um Neozebuíno já levando consigo o vigor de
três raças: Nelore, Guzerá e Gir. É
uma economia de tempo.
Muitos pecuaristas já estão
utilizando touro Indubrasil sobre
vacas Nelore, para fazer seus próprios reprodutores nas grandes
vacadas. O Indubrasil já vai dispu-
tando espaço, ao lado de outras
raças.
Tecnologia - Para efeito de
divulgação, o Indubrasil vai reunindo dados estatísticos de desempenho, em Torneios Leiteiros,
Provas de Carcaça e de Abates.
“Quando os animais valiosos recebem um preço superior, tudo
melhora” - esclarece Clarindo. Na
atualidade, o preço do Indubrasil
está muito bom.
2) Perspectivas de
Médio Prazo
Espalhar modernos animais para todas as regiões.
Promover os cruzamentos com muitas raças.
Congregar os países que
já criam Indubrasil, como
o México, Estados Unidos,
Tailândia, Camboja, América
Latina e África.
Preparar caminho para
modernidade: leilões, cruzamentos, no Brasil. Mesmo
O bom ano de 2016
2015 foi ano de destaque histórico, com os criadores investindo
em várias frentes, ao mesmo tempo. O Indubrasil esteve presente
em grandes exposições, como
a Expozebu, a Expointer, a Expo
Nordestina - ganhando novos territórios. A ABCI introduziu o programa oficial do PMGZ (Programa
42
de Melhoramento Genético do
Zebu), em parceria com a ABCZ.
O ano de 2016 poderá ser o
ano do “diagnóstico”, em que os
criadores analisarão todas as
virtudes e todas as alternativas
de progresso para a raça, durante o Seminário Internacional,
em Maio.
para exterior.
Mudar a literatura da tradição
para modernidade.
3) Perspectivas de
Longo Prazo
Consolidar cruzamentos com
outras raças zebuínas, mantendo o
Bos indicus. Na Índia, houve grande
uso de raças europeias, estragando
o celeiro de animais de utilidade para
o Brasil. No futuro, o Brasil terá que
reformar a pureza genética do gado
da própria Índia. Caberá ao Brasil
devolver à Índia sua “vaca sagrada”,
de absoluta pureza genética.
O sonho seria conquistar os zebuzeiros para produção de Neozebuínos como alternativa mais válida
para o futuro da humanidade - em
vários países.
A Associação vai observar as
bases do sucesso: congregar
os criadores, estabelecer metas
para o corte e para o leite, estabelecer política de promoção
nacional e internacional.
Você sabia ... ?
... que o boi do futuro será de
porte médio a grande, mas
não graúdo? Terá habilidade
materna, tetas medianas,
bainha curta, com crias espertas. O cruzado do moderno Indubrasil garante todas
essas virtudes.
43
O Indubrasil do quase-tudo
O Indubrasil - Rodrigo Borges
diz que o Indubrasil já chegou num
ponto de excelência, como animal,
e esta é a base do futuro. “É o animal que todos desejavam, mas que
no passado não era importante ser
produzido, pois não havia concorrência”. Hoje, o Indubrasil somou
conhecimentos de outras raças,
somou virtudes, excluiu problemas,
com todas as vantagens de ser um
Neozebuíno. Esse trabalho de melhoramento é histórico, é uma conquista dos brasileiros. O moderno
Indubrasil apresenta umbigo bom,
leite bom, carcaça boa, rusticidade
boa, versatilidade boa, habilidade
materna boa. O que mais poderia
ser desejado?
Clarindo Miranda lembra que o
Indubrasil tolera pasto ruim, como
sempre. “O Sertão nordestino é
exemplo de animais orelhudos, até
hoje, mesmo depois de décadas
seguidas de descaso e descrédito. Havendo comida, na caatinga,
o Indubrasil moderno vai tão bem
quanto em outras regiões do Brasil. Historicamente, o Indubrasil já
dominou os Sertões. O problema
do Nordeste são as secas, que liquidam as tradições. As secas enfraquecem os velhos proprietários;
cedendo aos novatos que acreditam poder enfrentar o flagelo, apenas mudando o gado. Também eles
aprenderão, em cada seca, os valores de um bom Zebu.
Fugazzola informa que o Indu-
44
brasil precisa somar Provas Zootécnicas, tanto
para carne como para
leite. “As Provas aceleram o melhoramento
genético e são poderosa
fonte de divulgação” conclui.
Também os produtos
cruzados precisam de
mais atenção, por parte
da Associação, podendo constituir nichos de
mercado, tanto no Brasil, como
no Exterior. A maior divulgação de
um produto é o próprio comprador,
ou seja, o usuário que deseja boiadas cada vez mais lucrativas.
O indubrasilista - Fugazzola
lembra que chegou o momento
de união dos criadores, relegando as pequenas diferenças que
provocam grandes divergências,
sem acrescentar vantagens para
a raça. “Raça vitoriosa
é raça feliz, empolgante, criando uma cultura
própria, respeitando as
tradições, mas adotando
todas as tecnologias rumo
ao futuro” - conclui.
Rodrigo Borges também lembra a importância
da união. Um gado correto é a soma de Região +
Situação e, então, muitos
núcleos devem se formar,
cada um com suas vitó-
rias. “Que cada vitorioso de sua
região, faça sempre uma festa
agregadora, reunindo todos para
festejar: esse é o caminho”.
Clarindo Miranda afirma que o
Indubrasil tem uma brilhante história que merece ser conhecida e
contada, de boca em boca. Não foi
um gado “do passado”, mas foi o
gado que possibilitou muita gente
ficar rica, no passado. Era o gado
do momento. Hoje, o gado do momento é de umbigo curto, sem
prolapso, com muito couro, muito peso, muita carne, precoce, de
boa habilidade materna. Ora, é o
próprio Indubrasil, com cara nova,
moderna, usando novas tecnologias, novas Genéticas, aplicando
tudo que se sabe sobre Ciência
pecuária. Deixou para trás um fabuloso período em que vigoravam
crendices, superstições, e hoje vai
somando novos conhecimentos
que serão a nova tradição para o
futuro. Essa, sim, é a história que
merece ser contada: o Indubrasil é
a alma do próprio Brasil”.
45
O Indubrasil nos
Pampas gelados
O Indubrasil chegou ao Rio
Grande do Sul há muito tempo,
mas não houve registro oficial
de seleção sistemática, pois não
havia escritório da ABCZ local.
O boi de orelhas longas, vindo do Triângulo Mineiro, voltou
a ganhar notoriedade gaúcha
quando o criador Elair Bachi, de
Paim Filho, no Noroeste do Estado, começou a criar no Sítio
Tio Fiorindo, sendo o primeiro
criador gaúcho a registrar o Indubrasil na Associação Brasileira
dos Criadores de Zebu (ABCZ).
Elair começou com seis animais
e, hoje, já são quase cem. Entre
eles, Grandes Campeões das
pistas da Expointer. Elair já é
tradicional campeão da Expointer e, agora, junto com Jairo André Gorczevski, adquiriu o touro
Tupi da Natureza, na ExpoZebu
que, logo em seguida, sagrouse o Grande Campeão no RS.
Em 2015, Lúdica da Natureza,
propriedade do Fazenda Lobo
46
Guará, foi a Grande Campeã da
Expointer.
Ventos cortantes - Jairo, da
Fazenda Lobo Guará, na Serra
gaúcha, está situado na região
dos Campos de Cima da Serra,
no Município de Muitos Capões
(RS) próximo a Vacaria. É região
de muito frio e ventos cortantes.
Ali os animais já enfrentaram 6
graus negativos. Normalmente
a época de frio mais intenso começa da metade de abril, alongando-se por maio, junho e julho.
Depois, começa a esquentar,
mas acontecem geadas até o dia
de Finados (2 de novembro).
O Indubrasil, no RS, enfrenta temperaturas negativas todo
ano. Os animais já pegaram
neve e, em seguida, calor extremo. Jairo observou que, no
Inverno, o Indubrasil muda sua
coloração. Adapta-se, passando
do branco para outra tonalidade,
bem mais escura. Os pelos ficam
mais compridos. Surgem, ou au-
explicando o nome de “Muitos
Capões”. Estes matos são um
alívio para o gado. Os animais
agrupam-se, naturalmente, tentando dividir o calor do corpo. As
vacas deitam ao redor das crias,
para aquecê-las, hábito também
de outros animais. Espertamente, os animais jamais colocam a
cara na direção do vento; sempre se protegendo da frieza e
das águas geladas.
O indubrasil - comparado com
o europeu - sofre mais que o
gado europeu, no inverno, como
esperado. Afinal, o Indubrasil é
um Zebu, ou seja, tem 30% a
mais de glândulas sudoríparas
que, no inverno, são extremamente judiadas. Também o sis-
mentam os pelos nas orelhas e
no úbere.
Jairo conta que viu casos de
orelhas “queimadas”, bem como
de extremidades da barbela: o
frio é muito forte, os ventos são,
de fato, cortantes. O couro dos
animais parece que fica mais
duro, para suportar o frio. O temperamento do animal também se
modifica: fica mais amuado, mais
taciturno, evitando respirar os
ventos cortantes gelados.
Nos dias muito frios, os animais escondem-se no mato, para
evitar os ventos; saem apenas
para comer. Na região há muitos
“capões de matos” de araucárias;
tema de irrigação sanguínea do
Zebu é periférico, enquanto do
gado europeu é mais profundo,
justamente para enfrentar o frio.
O Zebu não é uma máquina orgânica para clima extremamente
frio, por isso é mantido, como os
demais animais, em regime de
boa alimentação, para compensar. Nossa região, porém, não é
“extremamente fria”, mas apenas “fria” e, então, o Indubrasil
tem se comportado muito bem.
No pico do Verão, há dias
em que a temperatura atinge 40
graus e, então, o gado europeu
sofre, enquanto o Indubrasil parece fazer festas. A integração
do gado europeu, com o Indu-
brasil, no Rio Grande do Sul,
portanto, é uma boa “escola”
para analisarmos o desempenho
do Bos taurus e do Bos indicus.
No geral, somando anos muito
gelados, de ventanias, com outros de calor, temos verificado
que o Indubrasil leva vantagem,
pois sofre, sim, no frio, mas se
recupera, facilmente, quando
chega o calor.
Nutrição - Todos os animais
recebem a mesma alimentação,
não importando a raça: Gir Leiteiro, Holandês, Indubrasil. Apenas os animais destinados à
venda recebem algum cuidado
melhor, durante o dia. Todos os
animais permanecem no pasto e,
somente à noite, são recolhidos
para baias cobertas.
O manejo normal é o de integração lavoura-pecuária e, por
isso, de maio a outubro, os animais ficam na pastagem de aveia
e resteva de milho e soja. É um
tempo de abundância de pasto e,
em outubro, quando saem desse
regime, os animais estão muito
gordos.
No verão, surgem dificuldades para a alimentação do gado.
Vão para piquetes menores de
Tífton. Caso não haja chuva, então é preciso complementar com
silagem.
O Indubrasil vai conquistando o extremo sul.
47
Cruzamentos - As propriedades, na região, são pequenas, ao
redor de 50-100 hectares, mantendo ao redor de 100 animais.
Jairo diz que produz 500 litros
de leite e, em 2017, vai chegar a
1.000 - com suas vacas Indulandas e Girolandas. Os tourinhos
são vendidos para fazendeiros
da Serra, para cruzamentos.
Também vem crescendo o uso
do touro Indubrasil sobre vacas
Angus, com notáveis resultados,
“mas sequer temos condição de
atender a tamanha demanda,
pois seriam necessários muitos
animais”.
Jairo conta: “Comecei há pouco tempo o cruzamento de touro
Indubrasil com vacas Holande-
48
sas e estamos bem otimistas, pois as Indulandas demonstram muita
rusticidade, capacidade de ganho-de-peso
e são muito mansas.
Como esperado, estão
mostrando muita força
leiteira, principalmente
quando
comparadas
com as Girolandas, que
também mantemos nas
mesmas condições. As
novilhas, bem como os tourinhos
Indulandos, no quando geral (inverno-verão) parecem ser mais
rústicos que as Girolandas. A
grande diferença é o ganho-de
-peso que, visivelmente, é muito
maior no Indulando que no Girolando.
Embora muita gente acredite
na dupla aptidão
do Indubrasil, a
aposta mais forte é mesmo na
carne. O Zebu
leiteiro é para
ajudar o custeio
da fazenda, mas
a contribuição
do Zebu na produção de car-
surpreende pela beleza e mansidão, conta Vitor.
Futuro - “Nunca escolhi animais baseado no tamanho das
orelhas, mas em fatores funcionais, como a docilidade. Agora,
com visão mais criteriosa, também escolho animais precoces e
leiteiros”. Ao mesmo tempo, Elair
e Jairo informam que os gaúchos
apreciam, sim, animais de grande porte e também grandes orelhas. “Se o animal for moderno,
bem constituído, o grande porte
e grandes orelhas serão atributos positivos, a mais”.
Em 2011, Elair expôs seis animais para mostrar que o Indubrasil gaúcho tem tudo para ganhar
espaço.
Em 2015, fortes chuvas dificultaram a preparação dos animais para a Expointer e Elair teve
trabalhar “em cima do barro”,
dia após dia. “Aqui, o Indubrasil
mostra sua rusticidade, de fato:
ele aguenta chuva, frio, anda no
barro, e o calor de 40 graus que
ne é muito mais evidente, muito
maior. Edon Rocha Braga, Responsável Técnico da Associação
Brasileira dos Criadores de Zebu
(ABCZ) no Rio Grande do Sul,
garante que “o caminho para o
Indubrasil é o cruzamento industrial com as raças europeias”.
Um exemplo é Vitor Hugo Fin, indubrasilista, da Cabana Zebusul,
em Gravataí, com criação desde
1997 e que acredita que o Indubrasil tem como função essencial produzir carne.
É um gado muito bom para
cruzamentos. Temos clientes
que estão cruzando o Indubrasil
com o Angus e obtido resultados
muito bons, com mais peso e
qualidade, conseguindo escapar
do carrapato e ganhando muito
peso. Além disso, é um gado que
O Indubrasil vai conquistando o extremo sul.
enfrentamos em janeiro”. Os bezerros nascem e logo estão subindo e descendo os morros da
propriedade. “É uma seleção natural para rusticidade”, comenta.
Os criadores da raça mantêm
a chama acesa da pesquisa, da
presença na Expointer, de viagens a Uberaba, atualizando
conhecimentos e trocando informações. Confessam estar muito
otimistas quanto ao Indubrasil e,
principalmente, quanto aos cruzamentos. “O Indulando vai bem
e os cruzamentos de corte dão resultados fantásticos” - garantem.
A data magna da Fazenda
Lobo Guará será 2017 (31 de dezembro), quando atingir os 1.000
litros de leite/dia e as terras estiverem totalmente formadas.
Será, então, uma propriedade
autossustentável, com Indubrasil, pronta para receber amigos e
mostrar que é possível, sim, criar
Zebu, ao lado do europeu, no clima gelado dos Pampas.
49
O Indubrasil
e o tropeção do passado
“Não, o Indubrasil não foi um
erro” - afirma Clarindo Miranda. Pelo contrário, foi um acerto
naquele tempo; foi um estágio
na História. O gado vitorioso é a
soma de “região + situação”. Ora,
antigamente a situação era outra
e as regiões também eram outras.
Então, para bem analisar a História é preciso compreender cada
momento.
50
No passado, o ruralista tinha
outra fonte de renda: madeira,
agricultura, etc. Estava derrubando mato para implantar a fazenda
e, então o gado devia ser “bandeirante”. Não importava se o gado
fosse orelhudo, umbigudo, etc.,
pois o importante era ficar vivo,
enfrentando os carrapatos.
Mais tarde, com a terra já limpa, a pecuária pode saltar de posição. Ao invés
de melhorar o
gado
antigo,
indubrasilado,
o
pecuarista
preferiu cruzar
o pequeno e
barato
Nelore, com raças
brancas
europeias. Deu
certo, produzindo milhões
de cabeças em
pouco tempo.
Foi um tombo
para o Indubrasil e o Gir que permaneceram perto das antigas fazendas, enquanto o “novo mundo”
era conquistado pelo Nelore. Ora,
o Nelore fez - a partir de 1970 - o
que o Indubrasil havia feito desde
a década de 1920: ocupar novos
territórios.
Historicamente, o Guzerá dominou a pecuária de 1870 a 1920;
o Indubrasil de 1920 a 1970; o Nelore deverá chegar a 2020. Todas
com 50 anos de duração. São ciclos da pecuária desbravadora. O
Gir ocupou um nicho específico,
desde 1940, junto de propriedades menores, produzindo leite e
carne ao mesmo tempo.
Rodrigo Borges lembra que
“antigamente, com todos os problemas, o Indubrasil enchia os
pavilhões”. O Nelore teve o ventre
Indubrasil para se expandir. Na
verdade, a pujança da moderna
pecuária foi alicerçada sobre o Indubrasil.
O Indubrasil pagou o preço da
51
formação cultural do povo brasileiro, do marasmo típico do campo
naqueles tempos. Quando a “civilização do Indubrasil” estava envelhecida, surgiu o Nelore, com ousadia, aventurando-se para novos
mundos. A História é a sucessão
da luta de novos contra velhos,
sempre. Se os velhos não cedem
espaço aos novos, serão derrubados por eles.
Fugazzola afirma que “não
houve erro”, mas apenas uma
mudança na direção da seleção.
Hoje, o Gir tem sucesso no leite,
mas durante muito tempo o seu
sucesso era a carne. De fato, durante a 2a. Guerra Mundial, o Frigorífico Anglo pagava mais caro
pela carne de Gir, por ser a melhor do país. As épocas mudam;
as situações mudam.
Famosa na Tailândia
Essa é Carena, notável vaca
Indubrasil, que faz sucesso na
Tailândia. Os criadores, mesmo
sendo recentes, já promovem
muitas festas, feiras, e shows,
destacando o grande porte da
raça. Carena pertence à D-8
Farm.
52
O Homem faz e o Homem desfaz: quando derruba florestas, a
madeira sobe de preço e, então,
surgem outros que irão plantar
florestas. Na pecuária acontece
o mesmo: para abrir novas fronteiras, o gado deveria ser barato,
sem longas orelhas, sem umbigo
longo, sem tetas longas. O Indubrasil tornou-se um “gado do
passado”.
Reduzindo o rebanho nacional,
os criadores trataram de “modernizar” o Indubrasil. Hoje, há animais courudos, de longas orelhas
e umbigo corrigido. A beleza inclui
a funcionalidade, exigindo o equilíbrio. Num rebanho pequeno, a
consanguinidade tanto é mágica
para o bem, como feitiço para o
mal. Sabendo usar, provoca uma
revolução a favor de um lucrativo
novo tempo. O Indubrasil moderno
é prova dessa mágica.
Hoje, o Indubrasil é um gado
que continua graúdo, de umbigo curto, tetas medianas, muito
couro, ossatura forte, excelente
carcaça, com linhagens leiteiras.
Um grande gado para abrir fronteiras em outros países que exigem
gado de dupla aptidão.
Você sabia ... ?
... que a SUDENE e a SUDAM estimularam a fixação de mais de 10 milhões
de cabeças, registradas, nas fronteiras
do Nordeste e da Amazônia? Os bancos financiavam apenas o gado branco
de orelhas curtas e, perto das cidades,
financiava a raça Holandesa. O Indubrasil pagou um preço muito caro, por
ter orelhas longas, na ocasião. Nestas
regiões, porém, o gado “meia-orelha”
continuou vigorando, até hoje.
53
54
55
Os Campeões da Carne
1) Maiores produtores de carne (de gado)
Os Estados Unidos são o maior
produtor de carne, seguidos pelo
Brasil e pela União Europeia. Os
Estados Unidos produzem cerca
de 19% da carne mundial; o Brasil
produz 16%; a China produz 12%.
Somando Estados Unidos, Brasil
e União Europeia tem-se 48% da
carne produzida no mundo.
2) Campeões de consumo per cápita
O mundo produz carne suficiente para 5,56 kg por pessoa.
Hong-Kong é a região que mais
consome carne, per cápita, seguida pela Argentina e Uruguai.
Hong Kong consome 55,79 kg
por pessoa. O país de menor
consumo é o Congo, com 0,45
kg por pessoa.
56
3) Maiores Exportadores do Mundo
O Brasil atingiu o patamar de
Maior Exportador de Carne de
gado, mas a posição não é sólida, disputada pela Austrália, antiga detentora do título. Já a Índia
é a Maior Exportadora de Carne
Vermelha, incluindo os búfalos.
Quatro países exportam mais de
um milhão de toneladas
(métricas) de carne: Índia, Brasil, Austrália e Estados Unidos. Em 2015,
a Austrália sofreu queda
menor que o Brasil, ocupando o posto de Maior
Exportadora.
57
4) Maiores rebanhos do mundo
O mundo tem 7 bilhões de
cabeças, em 2016. O rebanho
mundial, em 2016, é de 971.482
milhões de cabeças, cresci-
58
mento de 7,032 milhões acima
de 2015.
O rebanho da Austrália, em
2016, caiu 1,45 milhões de ca-
beças. O rebanho do Brasil, em
2016, aumento 6,058 milhões de
cabeças, foi o maior aumento no
planeta.
59
Indubrasil - o bovino indiano do Brasil
Hoje a seleção do Indubrasil passa pelo caminho do meio, o caminho
da união do melhor Zebu indiano com
o melhor de cada região brasileira,
levando a animais produtivos para
carne, leite e trabalho. Como brinde:
excelente conversão alimentar e rusticidade, provadas em todo território
nacional.
É impressionante observar como
o Indubrasil parece com o povo de
sua região, pois é talhado pelo meio
ambiente, em luta diária pela sobrevivência da espécie.
Do Nordeste, entre as boas qualidades, destaca-se a rusticidade: indivíduos de grandes cupins, para armazenamento de água e energia em
forma de gordura; cabeça mais aguzeratada; estrutura óssea volumosa;
orelha menos gavionada; barbelas
soltas para boa ventilação e dissipação do calor; pernas grandes e fortes,
em equilíbrio para caminhadas e superação de obstáculos na busca de
alimentos na caatinga.
A produção de leite, em condições
deficitárias extremas, como a seca de
2012/2013, gera animais de excelente conversão alimentar. O Indubrasil é
aguerrido, lutador, como seus criadores, das linhagens de Djenal, Roberto
Góes, João Pinto, Acrísio. Na costa do
cacau e dendê, a qualidade de animal
de trabalho, penetrando na floresta,
buscando o alimento para si e para o
homem, como o gado de Alex Portela,
Genuíno, João Newton (Bahia).
O pessoal do Nordeste deu sustentação financeira ao Indubrasil.
No Norte e Centro-Oeste, o aventureiro Indubrasil desbravou a floresta
e o Cerrado, como uma criança passeia pelos jardins da Natureza. Na
fartura das novas terras ressaltam
suas qualidades: animais de médio a
grande porte, carcaça larga, profunda
e precoce; umbigo e tetas corrigidas.
Com seus cruzamentos, como o caboclo, o mulato e o cafuso, leva carne
e leite às fronteiras de um novo Brasil. Utilizando as qualidade de grande
caminhador embrenha pela floresta,
levando mantimentos e sementes de
60
José Henrique Fugazzola
pastagens, abrindo e formando novas
áreas. Em Tocantins: Torres Homem.
Em Goiás: Pedro Lemos. Antônio
Martins de Barros: no Mato Grosso
do Sul e Rondônia.
No Sul, absorve a tenacidade dos
gaúchos, a resistência ao frio e ao
vento minuano que sopra, insistentemente, habilidade de resistência
ao frio, já comprovada em criatórios
americanos, na divisa do Texas e
Arkansas, onde vai cruzando com raças taurinas, acrescentando tamanho
e rusticidade na produção de carne
e leite. Destaques para o trabalho da
Associação Gaúcha de Zebu, Natan,
Alair e outros.
O Sudeste mandava gado, de vapor, para o Nordeste - lá pelas década
de 30 e 40. O Indubrasil conserva as
tradições das pessoas. Em Minas Gerais: linhagens leiteiras como a 55 de
Dona Albertina. Touro Indu 55 muito
leiteiro, carne e morfologia, com bons
aprumos, cabeça mais girada e orelhas gavionadas. Clarindo Miranda,
Dr. Renato Borges, os Lemos, com
destaque para Paulo Lemos.
A migração nordestina para São
Paulo traz o Indubrasil em sua bagagem que, com árduo trabalho, constrói um Estado e um gado. Exemplo:
Espinho Preto, Santa Terezinha. O
espírito empreendedor, aliado à técnica rural dos modelos de produção in-
tegrada, absorve a totalidade da raça:
trabalho, esterco, leite e corte.
Trabalho sobre carros-de-boi. O
esterco é levado aos cafezais. O café
consolida São Paulo. Na integração
do café com leite, uma vaca Indubrasil
produz três bezerros por ano.
O primeiro é o próprio bezerro,
utilizado para reprodutor, trabalho ou
corte.
O segundo é o leite.
O terceiro é o esterco para os cafezais, canaviais, cereais, hortaliças,
em perfeita integração orgânica entre
lavoura e pecuária como nos criatórios de José Henrique Fugazzola de
Barros e Valdir Junqueira.
Em Uberaba, a Associação Brasileira dos Criadores de Indubrasil promove a união de todas as linhagens
das diversas regiões do Brasil. Na
pesquisa e genética avançada, parcerias da ABCI com a Universidade de
Uberaba, Faculdade de Zootecnia de
Uberaba e também com a Embrapa,
no novíssimo Centro de Tecnologia
do Zebu Leiteiro, em Brasília, produzem gado do caminho do meio, que
serve de Norte a Sul, de Leste a Oeste, ao país e ao mundo.
Através dos anos de inspiração,
com diligentes práticas de trabalho como a integração orgânica entre lavoura e pecuária - com trabalho, respeito, amor e união de regiões como
o Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e
Centro-Oeste; tanto quanto de países
como Índia, Tailândia, Brasil, México,
Costa Rica, Panamá, e outros somando 24, o Indubrasil vai ampliando
sua influência na moderna pecuária.
A união de raças: Nelore, Guzerá
e Gir abriu o caminho; mostrou que o
Neozebuíno Indubrasil é uma grande
vitória para a pecuária mundial, a ponto de todos poderem dizer que “nós e
a Mãe Natureza somos um”, com prato cheio de nobres proteínas produzidas com sustentabilidade. As outras
raças zebuínas seguem o mesmo
caminho aberto pelo Indubrasil: este
é o venturoso patrimônio cultural do
Zebu para o mundo. (Uberaba, 13 de
março de 2016).
61
Indubrasil em Festa
Roberio e Roberto
Henrique Figueira, Djenal e Roberto
Dr Joao e Roberto
Mario Marcio e Roberto
62
Henrique Figueira e Roberto
Sergio Fonteles esposa e sua
filha e Roberto
Roberio Neves com seu filho
Davi e Roberto
Sergio Fonteles e Roberto
Jose Henrique Fugazola e
Renato Caetano
Antônio João com seu filho
e Roberto
Márcia,Sandra e sua Nora
Rodrigo Caetano e esposa
Claudia Leonel e amiga
Daliene,Renata Thomazi,
Ana Carolina
Dona Diva, Claudia Leonel
e Helena
Luana e Estelar
Carlos Cavalari,
Jose Henrique Fugazola
Estelar, Lia e amiga
Confraternização Indubrasil Ano 2015
Eduardo de Paiva e Clarindo Miranda
Confraternização Indubrasil Ano 2015
Claudio Silveira, Sergio
e Roberto
Josakian,Fred,Adaldio,
Claudio Paranhos e amigos
Márcia e Roberto
Otacilio e Roberto
Paula com seu filho e Roberto
Roberio Com sua familia e Roberto
63
O Indubrasil
no Semiárido
AUMENTE SUAS
EXPORTAÇÕES
Fotos: Banco de Imagens Brazilian Cattle
COM O BRAZILIAN CATTLE!
Na História, o Indubrasil foi um
“achado”: os brasileiros cruzaram
Guzerá com Nelore e obtiveram
um poderoso Zebu (Indunel) para
arrastar carroções nas montanhas
fluminenses, para os trabalhos no
campo, para produzir leite e carne.
Era o gado certo para o momento
certo e região certa. Depois, houve
a Abolição da Escravidão, a Proclamação da República, a grande
geada paulista e, em 1911, começou a chegar o Gir. Se o cruzamento de duas raças já fizera sucesso, os brasileiros começaram a
cruzar com a terceira, que estava
chegando da Índia. Novamente, os
brasileiros tiveram vitória: o animal
lucrou em pujança muscular e aptidão leiteira e, como presente, ganhou longas orelhas, jamais vistas
e acreditadas. Logo, as orelhas do
novo gado transformaram-se no
símbolo da excelência, ganhando
vários nomes: Induberaba, Induaraxá, Induporã, Indubelém, etc..
Iria prevalecer o nome Indubrasil.
64
O Super Boi - O Brasil inteiro
festejou o novo Zebu, de braços
abertos. Afinal, era o maior, o mais
possante, o melhor, já surgido no
Brasil. Como todos os outros zebuínos, ele tinha 90% de vantagem
“A raça tem,
agora, que
multiplicar a
semente que já
é excelente.”
no enfrentamento aos carrapatos
que liquidava o gado europeu desde o já longínquo descobrimento.
O Zebu era a salvação da pecuária brasileira, depois de quase 400
anos de Pedro Álvares Cabral.
No Nordeste, o Indubrasil logo
ganhou destaque, pelo grande
porte, pela rusticidade diante da
seca, pela produtividade dos mestiços nos currais leiteiros. Os Sertões logo estavam cheios de gado
apresentando “meia-orelha”, sinal
da influência do vigoroso Zebu.
De 1925 a 1985, sempre foi nítida a influência no gado mestiço
sertanejo de longas orelhas. Depois, com a pressão exercida pela
SUDENE, o gado começou a encurtar as orelhas, mas os antigos
sertanejos guardaram na memória
os bons tempos do gado muito
rústico, manso, e motivo para muitas cantorias e cordéis na cata do
algodão e na “Civilização do Couro”.
A glória sertaneja - O Nordeste teve glórias com o Indubrasil,
com longas boiadas enchendo os
olhos, ao passarem pelos povoados empoeirados. Os nordestinos
produziram o Indubrasil Vermelho,
em Pernambuco, logo se estendendo para a Bahia e Sergipe.
Uma novidade que logo estaria
B
R
A
S
PROSPECÇÃO E CONSOLIDAÇÃO
DE MERCADO
I
L
ARTICULAÇÕES
• Abertura de protocolos sanitários
• Viabilização da abertura de novos mercados
• Manutenção de mercados já existentes
• Missões prospectivas
• Desenvolvimento de Workshop Técnico
EVENTOS INTERNACIONAIS
SALÃO INTERNACIONAL DA ABCZ
• Stand com layout atrativo
• Contatos e negociações
• Acompanhamento da APEX
• Suporte técnico da ABCZ
• Reuniões e ações dos associados
• Recepção de visitantes internacionais
durante todo o ano
• Lounge especialmente preparado durante
a ExpoZebu
CAMPANHA PUBLICITÁRIA
PROJETO BRAZILIAN CATTLE
• Materiais de divulgação do projeto
• Guias promocionais e técnicos
• Vídeo institucional
• Parceria ABCZ e APEX-Brasil
• Levar ao mundo tropical soluções
tecnológicas ligadas a zebuinocultura
WWW.BRAZILIANCATTLE.COM.BR | [email protected]
LIGUE, FAÇA PARTE DO BRAZILIAN CATTLE E DIVULGUE SUA EMPRESA PARA O MUNDO.
3
4
3
3
1
9
3
9
7
1
65
sendo exportada para os Estados
Unidos e, hoje, avermelha o gado
de corte também na Austrália e
outros países.
Era tão marcante o valor do
Indubrasil que os criadores ergueram, no Parque de Exposição
de Recife, na praça principal, um
monumento ao touro valoroso.
Era o único monumento a um boi,
no Brasil. (Mais tarde, Pavilhão e
Bombaim dividiriam essa glória,
na forma de monumentos).
Ali, no Ceará, o gado teve origem com matrizes compradas na
Bahia, nos finais de 1950 e início
de 1960.
40ºC - Sérgio Fonteles, do Ceará, diz que num calor de 40oC o
Indubrasil mantém sua faina diária, sem demonstrar qualquer mudança no temperamento. “Os bezerros nascem pesando entre 28
a 30 kg, com partos fáceis. Logo
estão mamando, sem uso de mamadeira”.
Fonteles utiliza inseminação
artificial e monta controlada, no
Semiárido, salientando que os resultados são bons, mesmo sem
qualquer medicação, ou hormônios. “Os sertanejos dizem que
o Sol é um santo remédio para o
gado; a gente acaba acreditando
que é mesmo” - adianta.
Mesmo no pique do sol, a mortalidade normal é menor que 1%,
ou praticamente nada. As terras
são de argila branca, típicas das
grandes plantações de caju, no
Nordeste. Não é raro ver a “pecuária de dois andares”, na região,
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ou seja, “gado
por baixo e caju
por cima”. O
gado, para ser
econômico, passa o ano inteiro
no pasto; apenas
os destinados às
exposições permanecem confinados por alguns
meses.
Houve tempo de tumulto,
na criação, pois
surgiram várias
alternativas pecuárias na década de 1960, muito divulgadas no
cenário e, como
consequência, o
mercado encolheu em 1970,
1980 e 1990.
“Foi ruim, porque
o dinheiro sumiu; mas também
foi bom, pois exigiu uma reflexão
profunda sobre o destino da raça.
Não se poderia jogar fora um gado
com quase 80 anos de seleção no
Brasil e, então, percebemos que
- ao invés de perder o trem da
História, deveríamos, sim, embarcar também no mesmo trem. Tratamos, então, de acrescentar as
qualidades que o mercado estava
elogiando nas novas alternativas
pecuárias, ou seja, tratamos de
modernizar o Indubrasil.
Futuro - Hoje, os mestiços de
Indubrasil são encontrados em
todo o Semiárido,
sendo gado considerado de fácil
manejo e grande
rusticidade.
Diz
Fonteles que, durante 50 anos em
sua propriedade, o
gado sempre correspondeu,
com
bezerrada sadia,
de bom porte, e
notável nos cru-
zamentos. “Quem usa Indubrasil,
sempre vai usar, mesmo quando
mistura com outras raças zebuínas” - lembra.
A fazenda pratica Fertilização
in Vitro (FIV) para ganhar tempo,
tendo em vista o gado mais moderno possível, já. O mercado não
espera” - saliente Fonteles. As
vendas acontecem em todo Ceará, Piauí, Maranhão, norte do País
e vários Estados nordestinos. “A
raça tem, agora, que multiplicar
a semente que já é excelente. O
mercado está esperando. Os antigos indubrasilistas ergueram a
glória da raça e cabe a nós, agora,
mantê-la, nesse novo patamar a
que chegamos, com sucesso” - finaliza.
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