Revista nº. 2 - Ateneu Comercial do Porto

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Revista nº. 2 - Ateneu Comercial do Porto
boletim ~ abril 2006
ATHENEU
COMMERCIAL DO PORTO
Edição Quadrimestral - Ateneu Comercial do Porto N. 2
>> 2 euros
“NÃO TERÍAMOS FÉ PARA CONTINUAR
SE NÃO TIVESSEMOS AMIGOS COMO VÓS”
Ramos Horta em 13 de Março
EDITORIAL
Caros leitores
Estimados Consócios
Cumprindo mais um compromisso assumido em Dezembro de 2005, voltamos a editar um novo número da “ATHENEU”,
que passará a ser uma publicação quadrimestral com edição nos meses de Abril (após aprovação do Relatório e Contas do
ano anterior), Agosto (mês do aniversário do Ateneu) e em inícios do mês de Dezembro, de forma a divulgar as actividades
de final do ano, nomeadamente o Aniversário da Biblioteca.
Continuamos a fazer tudo para que esta publicação seja cada vez mais um meio privilegiado de comunicação entre os Senhores
Associados, bem como um instrumento fundamental para dar a conhecer a toda a comunidade em geral, às instituições
públicas e seus responsáveis em particular, as actividades desenvolvidas pelo nosso ATENEU.
Mesmo com algumas dificuldades, esta é mais uma edição sem custos para a nossa Instituição. Continuamos a encontrar
quem veja a colaboração nesta publicação como um excelente meio de divulgar os seus produtos. É de salientar ainda que
praticamente a totalidade dos textos deste número são fruto da colaboração dos Senhores Associados, o que significa que
também este objectivo foi conseguido uma vez que temos contado com a entusiástica adesão dos Sócios e amigos do Ateneu.
Neste número, pela sua importância para a nossa Instituição, merecem especial referência as notícias relativas a algumas
das iniciativas desenvolvidas no último quadrimestre, das quais destacamos: A Festa da Biblioteca, com a conferência proferida
pelo Exm.º Sr. Doutor António Arnault; o debate sobre a OTA e TGV apresentado nos meios de comunicação social como
“uma verdadeira cimeira sobre os transportes”; o jantar e conferência com o Sr. Dr. José Ramos Horta, ilustre Ministro dos
Negócios Estrangeiros de Estado e da Cooperação de Timor-Leste; o Festival de
Bridge, que reuniu mais de uma centena de praticantes, graças ao empenhamento
e excelente trabalho desenvolvido pela Sr.ª Directora, D. Carlota Teixeira da
Rede, a quem deixo os meus públicos agradecimentos; e ainda ao sucesso do
43.º leilão organizado pelo Núcleo Filatélico.
As iniciativas enunciadas, bem como muitas outras desenvolvidas, nomeadamente,
os concertos de música, as exposições e o lançamento de livros, são a melhor
prova de que o nosso Ateneu está no bom caminho, pese embora o enorme
esforço financeiro que é necessário fazer para “inventar” recursos que nos
permitam levar a cabo um tão vasto conjunto de iniciativas.
Nunca será demais referir que - embora nos últimos anos a Câmara Municipal
do Porto não tenha atribuído qualquer apoio à nossa Instituição, face à última
resposta recebida: “informando que está a ser ultimado um regulamento que
irá determinar a colaboração da autarquia em função das actividades
desenvolvidas” - depositamos fortes esperanças de que brevemente esse apoio
aparecerá, atendendo ao enorme número de acções desenvolvidas pelo Ateneu,
à qualidade das mesmas e, ainda porque todas as actividades são de acesso
gratuito e abertas à comunidade.
Não resistimos por isso, a parafrasear com a devida vénia o Senhor Presidente da Assembleia Municipal do Porto, Dr. José
Pedro Aguiar-Branco ao considerar que “inquietar os nossos espíritos, motivar a nossa solidariedade, interpelar as nossas
consciências, aguçar o nosso engenho, dar sentido à nossa existência promovendo a nossa realização como seres inteligentes
e pensantes” é o desafio da actualidade das instituições que são a alma da nossa cidade. Pela nossa parte, no Ateneu, esse
desafio há muito que faz já parte do nosso quotidiano.
É pois com esperança num futuro mais risonho que vos damos conta do enorme esforço desenvolvido para levar a cabo tão
grande conjunto de realizações, sendo certo que a vontade de todos os Corpos Gerentes é fazer cada vez mais e melhor.
O Presidente da Direcção
Hélder Firmino Ribeiro Pereira
pags 1
MENSAGEM
O tempo que cada um vive é necessariamente transitório.
Mas a matriz do modo de viver esse tempo pode e deve ter
características de perpetuidade, assente no exemplo, do
passado, de que nos orgulhamos, no trabalho presente, que
queremos deixar como testemunho e no apontar de objectivos,
para o futuro, com que queremos motivar as gerações
vindouras.
Essa estruturação sustentada passa pela discussão empenhada
dos temas mais marcantes que, hoje, provocam o nosso
conforto intelectual - como sejam, por exemplo a procriação
assistida, o conceito de família, a exclusão social ou o modelo
de desenvolvimento - tudo o que, ajudando a apurar o que
nos separa uns dos outros, contribui decisivamente para o
reforço do nosso regime democrático, para a descoberta de
novos valores que nos orientem ou para a sedimentação dos
O fio condutor dessa matriz tem a ver com os valores que
que se devem manter para lá das conjecturas específicas de
uma instituição ao longo dos tempos vai sedimentando como
uma determinada época.
seus, não só através da palavra ou do pensamento mas,
também, por força dos actos que concretiza.
Elevar o plano da discussão das matérias de cidadania,
convocar o maior número de nós para uma participação
A alma de uma região busca-se, assim, igualmente, nas
influente na determinação do bem comum são exigências
instituições que, permanecendo no tempo - para lá da distância
que se impõem aos que, como nós, não desejam entregar os
curta do horizonte… - vão contando, de geração em geração,
comandos da vida ou a gestão da fazenda aos que se movem
a história viva de uma comunidade.
mais pela lógica do interesse próprio do que pelo verdadeiro
As instituições transmitem e fazem emergir os sentimentos
sentido do interesse público.
nobres que distinguem os seus membros e permitem a
O Porto é sinónimo de resistência, de tolerância e de
afirmação do orgulho da respectiva cidadania quer no universo
empreendorismo. Tudo o que é necessário para o despertar
regional quer nacional quer mesmo internacional.
das vontades que, navegando na onda da maioria, se refugiam
O Ateneu Comercial do Porto é uma instituição de referência
no aconchego do seu egoísmo, desprezando o que de mais
da nossa cidade e um espaço de encontro do espírito liberal
nobre se pode esperar da actividade do homem: a realização
que caracteriza as nossas gentes.
do bem comum, proporcionando ao outro a igual oportunidade
Espaço tanto mais importante quanto é cada vez mais evidente
a natureza de crise do nosso tempo.
Vivemos uma época em que se exige uma
militância activa contra o pessimismo, contra
a atracção pela futilidade, contra a
desvalorização do ideológico, contra a
elevação do pragmatismo ao patamar
cimeiro dos valores a preservar.
A afirmação de uma sociedade
dinâmica, crente nas suas
potencialidades, com vontade
de elevar a sua auto estima,
confiante na sua capacidade
que nos foi concedida e a todos o direito a ser feliz.
É esse o desafio da actualidade das instituições que são a
alma da nossa cidade. Inquietar os nossos espíritos,
motivar a nossa solidariedade, interpelar as nossas
consciências, aguçar o nosso engenho, dar sentido
à nossa existência promovendo a nossa
realização como seres inteligentes e pensantes.
Com tudo isso, ajuda-se a criar lideranças fortes,
competentes e com capacidade para alcançar e
exercer o verdadeiro poder, o que transporta
as reformas e se impõe aos arcaísmos
que bloqueiam o nosso desenvolvimento
colectivo.
para ultrapassar as agruras
É esse o desafio do Porto no início
sociais e económicas em que se
do século XXI: ser a referência, o
move, obriga à estruturação,
modelo, a vanguarda de uma
sustentada, de uma massa crítica
sociedade que acredita no futuro.
política que dimensione o
reconhecimento à escala nacional
das suas élites.
José Pedro Aguiar-Branco
Advogado
NA FESTA DA BIBLIOTECA
Pai do Serviço Nacional de Saúde
analisa Estado de Direito, Autoridade e Ética
o poder democraticamente legitimado, e as pessoas colectivas
e os cidadãos, estão sujeitos à Lei, e que esta é o produto
da vontade popular expressa pelos seus genuínos
representantes”. Por outro lado, Autoridade, explicou, “é o
direito ou o poder de emitir comandos e de os fazer cumprir,
obtendo, assim, de outrem, um certo comportamento positivo
ou negativo”. Quanto à Ética, “pode definir-se como o
conjunto de valores que devem reger o comportamento do
homem na sua vida de relação, de modo a alcançar-se a
paz social e o bem colectivo”. O problema, disse, é fazer o
enquadramento prático destes três conceitos, “ou seja, de
ajuizar como deve ser exercida a autoridade políticoadministrativa no Estado de Direito democrático”. Mas a
questão é “delicada” retorquiu. “Vivemos um tempo em que
os grandes valores éticos parecem arredados da sociedade
e da administração pública. A preocupação individual pelo
sucesso, o nepotismo, a ânsia desmedida de enriquecimento,
António Arnault, personalidade emblemática da sociedade
a corrupção, a mediocridade, a falta de escrúpulos e do
portuguesa, pai e fundador do Serviço Nacional de Saúde
sentido de servir a causa pública, tornam o mundo numa
em Portugal, foi o convidado de honra do Ateneu Comercial
selva, onde predomina a lei do mais forte, ou num pântano,
do Porto para desenvolver a palestra sobre “Estado de Direito,
onde reina a regra do salve-se-quem-puder”. O problema,
Autoridade e Ética”, que juntou uma forte assistência no
portanto, “consiste em conciliar a ética com a política”,
Ateneu, a 12 de Dezembro de 2005.
afirma. Porque “democracia é uma construção permamente
e exige a participação de todos. O civismo e a cultura são as
Autoridade e Ética são conceitos “intimamente ligados” entre
suas traves-mestras. É que o Estado de direito é também o
si. Para Arnault, Estado de Direito significa que “o Estado,
Estado dos deveres. É da conjugação destes dois valores que
entendido como o conjunto de entidades públicas que detêm
se alcança a paz social”.
O Dr. António Arnaut deu uma verdadeira lição de cidadania
O almoço da Festa da Biblioteca foi o mais participado dos últimos
anos e na mesa de honra sentaram-se alguns dos sócios mais antigos
do Ateneu
Arnault provou, por A mais B, porque considera que Direito,
pags 2, 3
EXEMPLO DE INTEGRAÇÃO
DE ESTRANGEIROS
Numa época em que a integração das
comunidades imigrantes constitui um
dos mais preocupantes temas da vida
portuguesa, é justo, mais uma vez,
recordar o extraordinário desempenho
do Ateneu Comercial do Porto nessa
matéria, ao longo dos seus venerandos
136 anos de actividade.
Boullosa Camiña de 32 anos,
Com efeito, nos seus salões convivem,
desde há décadas, sócios de várias
nacionalidades cuja integração é tão
perfeita que nem nos damos conta da
sua origem.
Guerra, é admitido o industrial José
empregado comercial e Pablo Gali,
industrial, morador na Rua do Amial.
Giacomo Mazzoni, da Rua da Boavista
e o Conde Alain du Doré, proprietário
em Vila do Conde, ambos engenheiros,
entram para sócios no ano de 1937 e,
após um hiato compreensível devido à
Vasques Enriques, em 1940.
A partir de 1942 assistimos ao aumento
acentuado do número de sócios,
incluindo estrangeiros. A este facto que
não será estranha a remodelação das
instalações iniciadas em 1941, segundo
(admitido sócio em 1941). O edifício
(Vice-Presidente da Direcção)
DRA. ISA BARBOSA
a traça do Arquitecto Amoroso Lopes
ganhou um ar moderno, sem contudo
perder a sua imponência. O
Restaurante, as novas Salas de Jogo e
sobretudo o Salão Nobre, que manteve
os seus enormes espelhos onde se
reflectiam as elegantes toilettes das
senhoras e dos cavalheiros, atraíram
novos associados.
Como exemplo, foram estudados os
boletins de admissão de sócios no
período de 1936 a 1946. Uma década
marcada pela tragédia das guerras e
pela chegada de muitos refugiados que
procuravam no Porto a paz necessária
para desenvolverem os seus negócios
e, concomitantemente, criar os seus
filhos.
Foi certamente a época de ouro do
Dado que nos boletins de inscrição não
se fazia referência à nacionalidade dos
associados, só o apelido e o
conhecimento pessoal, nalguns casos,
possibilitou o seu conhecimento.
recordam, com uma nostalgia
Lembremos, então, alguns desses
associados.
saborosas… voltemos ao nosso tema.
Em 1936 foram admitidos os ingleses
Edmond Francis Riley, morador na Rua
da Bandeirinha 78, proposto por seu
pai e Alexander Young Smart, de 62
anos, morador no Hotel Sul Americano,
juntamente com os espanhóis Álvaro
verificam-se as admissões dos
Ateneu Comercial do Porto no que diz
respeito a actividades recreativas.
Ficaram famosos os Bailes e Chás
Dançantes animados por novos ritmos
onde imperava o Tango, dançado a
primor e com garbo, sobretudo pela
comunidade espanhola.
Ainda hoje muitos associados se
perfeitamente justificada, desses serões
onde a alegria e o glamour andavam
de mãos dadas!
Depois deste momento de recordações
Relativamente ao ano de 1942
comerciantes Edouard Henry, da Rua
do Paraíso, 95, e de José Vaquero, da
Rua de Cedofeita; de Duvet M.
Beaumont, agente comercial da
Sociedade L’Air Liquide; de Raymond
Schwab, químico industrial e dos
catalães João e Luís Villaderprat Muns,
industriais, moradores em Gaia, aos
quais se viria a juntar posteriormente
seu irmão Miguel, em 1944.
A partir do ano de 1943 os formulários
para admissão de sócios tornam-se mais
completos, embora continuem a não
fazer referência à nacionalidade. Nesse
ano são admitidos Saul Finkelstein,
industrial, Maurice Palman, jornalista,
os comerciantes Ernest Balduin Simon,
e Alfredo Stocker, Nicolás Juárez
Montero, e Gilbert Guitton, proprietário.
Em 1944 é admitido o Engenheiro
Robert Journot, nascido em Besançon,
França, com residência na Avenida da
Boa-Vista.
No triénio de 45/47 assistimos à
admissão de um número considerável
de estrangeiros, sobretudo sócios de
origem espanhola. Estão neste caso os
comerciantes Armindo Vaquero dos
Santos, José Fermoselle González,
Alejandro Sendín Lozano e Óscar José
Flores Marcos, curiosamente todos
parentes, oriundos de Fermoselle,
Zamora; e António-Luís Morró y Arroyo
Arroyo de Aguilar, director artístico.
Além destes deram entrada também
Alfred Rost, engenheiro de minas, Enrico
Guiseppe Girardi, estudante, e Achille
Prisse d’Avennes, inspector do Serviço
de Águas e Saneamento.
Do exposto pode-se portanto concluir
que foram em número significativo os
imigrantes - espanhóis, italianos,
franceses, alemães e ingleses - de várias
gerações, exercendo profissões diversas,
que contribuíram com as suas
experiências para enriquecer a nossa
vida associativa.
O Ateneu, espelho de uma cidade
aberta onde a hospitalidade é timbre,
contribuiu para a integração de cidadãos
estrangeiros, promovendo o intercâmbio
cultural e social, negócios e romances
mas sobretudo …quebrou solidões!
III FESTIVALDE BRIDGE
FOI UM ÊXITO ABSOLUTO
Os grandes vencedores do Torneio, o Par Juliano Barbosa/ João Barbosa,
quando receberam os respectivos prémios das mãos da Direcção do
Ateneu
A realização do III Festival de Bridge do Ateneu Comercial do
Porto, nos passados dias 17 e 18 de Março, foi, uma vez mais,
um êxito absoluto.
O Festival registou uma enorme adesão (cerca de uma centena
de participantes, incluindo alguns pares espanhóis), provando
que o interesse dos bridgistas na realização de torneios em
local próprio - vulgo clubes ou associações - continua vivo.
Quanto às melhores classificações, foram as seguintes:
Geral
1.º Par Classificado - Juliano Barbosa / João Barbosa
2.º Par Classificado - Nuno Dâmaso / Pedro Pratas
3.º Par Classificado - Ricardo Braga / Rafael Braga
4.º Par Classificado - Ernesto Ferreira / Lax Gocaldas
5.º Par Classificado - N. C. Oliveira / A. Barbosa
1.º Par Senhoras - Gely Rodriguez / Flor Perez
Categorias Especiais
2.º Par Senhoras - Maria de Lurdes Pedrosa / Teresa Miranda
1.º Par 2.as Categorias - Maria Ana Jordão / Anante Rajani
2.º Par 2.as Categorias - Fátima Alegre / Cipriano Alegre
3.º Par 2.as Categorias - Maria Deolinda Alexandrino /
Luciano Alexandrino
1.º Par Juniores - Max Enes / Paulo Bettencourt
1.º Par Sócios do Ateneu - Luísa Costa Lima / Teixeira Lopes
2.º Par Sócios do Ateneu - Carlindo Sá Ribeiro / António
Fernandes
1.º Par 3.as Categorias - A. Castro / José Meireles
2.º Par 3.as Categorias - Nestor Rodrigues / António Cerquinho
1.º Par da Média - Sofia Sarmento / Carlos Araújo
3.º Par 3.as Categorias - Carlota Rêde / João Ambrósio
O Torneio, que foi patrocinado uma vez mais pelo BPI,
1.º Par Mistos - Filomena Braga / L. M. Ribeiro
terminou com um jantar de confraternização e, naturalmente,
2.º Par Mistos - Paula Lima / João Paulo Rocha Pinto
a entrega de prémios.
As imagens não enganam sobre o êxito de participação do Festival de Bridge
pags 4, 5
O Núcleo de Filatelia do Ateneu retomou uma velha tradição:
a dos leilões, com a organização da 43.ª edição
NÚCLEO DE FILATELIA
REALIZOU 43.º LEILÃO
Está mais uma vez de parabéns o
Núcleo de Filatelia do Ateneu
Comercial do Porto que, no passado
dia 1 de Abril, realizou o seu 43.º
Leilão público.
Uma razoável quantidade de selos
raros estiveram em exibição perante
numerosa plateia interessada. As
transacções foram de muito bom nível.
Destaque para uma peça bonita e de
extrema raridade que foi uma das
“vedetas” do certame: um sobrescrito
circulado em Novembro de 1926,
com selo Ceres de 2 avos de Macau
com sobrecarga local e com etiqueta
de propaganda da Exposição Industrial
de 1926 que foi a leilão por dois mil
euros.
A organização, impecável, prometeu
já outro certame, o 44.º Leilão, para
o dia 18 de Novembro e que está já
a ser organizado, sendo os lotes aceites
até ao próximo dia 15 de Junho.
Com mais de um quarto de século de
existência, o Núcleo de Filatelia do
Ateneu Comercial do Porto é um dos
mais antigos do país e também um
dos de maior prestígio, que volta dar
sinais de grande vitalidade, após um
curto
período
de
letargia,
nomeadamente aquando do
falecimento de um dos seus maiores
impulsionadores, o Eng.º Armando
Vieira.
in Jornal “Correio da Manhã” de 2006.03.26
de outras economias.
entre o sistema público de segurança
O actual sistema português já incorpora
social (que é financiado em repartição
esta componente através do Fundo de
das despesas dos pensionistas pelos
Estabilização Financeira da Segurança
contribuintes em idade activa) e o
Social (FEFSS, vulgo Fundo de
sistema complementar dentro de
Capitalização) que tem contribuído
limites contributivos pré-definidos. O
positivamente para o reforço da
sistema complementar compreende
garantia dos direitos dos beneficiários
regimes legais, regimes contratuais e
do sistema de Segurança Social,
esquemas facultativos.
apresentando nos últimos 3 e 5 anos
DR. HENRIQUE CRUZ
prevê a livre opção dos beneficiários
uma rentabilidade anual média real
Os regimes complementares legais
visam a cobertura de eventualidades
ou a atribuição de prestações em
articulação com o sistema público de
segurança social, vislumbrando-se
neles um carácter sucedâneo em
relação ao sistema público.
Já os regimes complementares
contratuais visam a atribuição de
prestações complementares do
(4.2% e 2.1%) superior ao crescimento
Tal como é mencionado no relatório
real dos salários em Portugal (1.3% e
sobre a sustentabilidade da segurança
0.7%). Trata-se, portanto, digamos
social anexo à proposta de Orçamento
assim, de um pilar de comple-
de Estado para 2006, a simulação da
mentaridade de acesso universal a
introdução de tectos contributivos a 5
todos os beneficiários do sistema.
Salários Mínimos Nacionais (SMN)
Todavia, ainda assim, o sistema de
protecção social Português paga
pensões, em termos absolutos,
subsistema (do sistema público)
consideradas baixas para o conjunto
previdencial na parte não coberta por
de países da União Europeia, pelo que
este, bem como a protecção face a
é desejável um sistema complementar
eventualidades não cobertas por aquele
de financiamento de uma protecção
mesmo subsistema. Estes regimes têm,
social adicional ao sistema de
portanto, um cariz suplementar.
repartição que contribua para o
reduz a receita de contribuições em
cerca de 14% podendo antecipar o
esgotamento do FEFSS em 5 anos. Para
o limiar de 12 SMN estima-se uma
redução de 3% da receita e a ruptura
do FEFSS para 2013.
O desenvolvimento do sistema
complementar coloca dois desafios
distintos:
aumento da taxa de substituição dos
Finalmente, os esquemas comple-
rendimentos do trabalho por pensões.
mentares facultativos visam o reforço
d a a u t o - p r o t e c ç ã o vo l u n t á r i a
A materialização do princípio da
assumindo, entre outras, a forma de
complementaridade assenta em duas
planos de poupança-reforma, seguros
componentes:
de vida, seguros de capitalização e de
modalidades mútuas.
1 › A articulação dos regimes
complementares legais com o
A introdução de uma componente de
sistema de repartição
capitalização no sistema de protecção
1 › O encontro de formas de mitigar
a redução transitória de receita do
sistema de repartição por via da
introdução do plafonamento para
viabilizar os regimes complementares legais e
2 › O desenvolvimento no imediato
de regimes complementares
social permite a “aquisição” de
2 › A criação de um quadro geral de
contratuais por iniciativa das
crescimento real de outras economias
confiança e de transparência para
associações sindicais, patronais ou
a t r av é s d a r e n t a b i l i d a d e d o s
o desenvolvimento do sistema
profissionais, através da negociação
investimentos realizados sobre activos
complementar.
colectiva.
(resumo da intervenção na Conferência “Novos Desafios para as Pensões em Portugal” organizada pela Associação Portuguesa
de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimómios no dia 17.03.2006)
pags 6, 7
(Sócio do Ateneu)
A Lei de Bases da Segurança Social
Vice-Presidente do Instituto de Gestão de
Fundos de capitalização da Segurança Social
DESENVOLVIMENTO DOS REGIMES
COMPLEMENTARES EM PORTUGAL
RAMOS HORTA LEMBROU NO ATENEU QUE O
POVO DO NORTE SERÁ SEMPRE AMIGO DE TIMOR
o primeiro presidente de câmara do país, a doar um cheque
de dois mil contos para a Resistência Timorense”. Mais tarde,
já em Lisboa, continuou, “lancei o desafio aos clubes
portugueses, no sentido de boicotarem os produtos desportivos
produzidos na Indonésia, à força da exploração de mão-deobra, como a Reebock e a Nike. O primeiro a responder foi
Pinto da Costa, Presidente do Futebol Clube do Porto, dizendo
que não compraria mais produtos made in Indonésia”. O
gesto, disse, “nunca mais o esqueci”. Mas até hoje, confessa,
nunca sequer conheceu Pinto da Costa.
A emoção de Ramos Horta esteve ao rubro noite dentro.
O Ateneu “engalanou-se” para o Jantar e Conferência do Dr. José Ramos Horta
Clima que se generalizou junto da assistência: “Não teríamos
fé para continuar, se não tivéssemos amigos como vós”,
As vozes femininas, por poucas que fossem, ecoaram pelo
afirmou o ministro. Recordando ainda o esforço levado a
salão nobre do Ateneu, unindo, uma vez mais, dois povos
cabo pelo ex-primeiro ministro António Guterres: “Em 1999,
distantes. E foram motivo suficiente para Luciano Vilhena,
as Nações Unidas, de forma célere e eficaz, entraram em
Presidente da Assembleia Geral do Ateneu, lembrar que a
Timor. Portugal teve um papel decisivo, pela mão do
música “espelha a unidade que existe entre o povo de Timor
Engenheiro António Guterres”. Porém, só mais tarde Ramos
Leste e o povo português”, mostrando o que é “cooperação,
Horta saberia disso: “Bill Clinton, então presidente dos EUA,
harmonia, beleza”. No dia 13 de Março, o Ateneu encheu,
disse-me que o que mais o comoveu e persuadiu a avançar
com mais de duas centenas de pessoas que quiseram participar
foi António Guterres. Durante a crise em Timor, em 1999,
no jantar-conferência, subordinado ao tema “Timor-Leste:
Guterres, que estava no Porto, telefonou do seu carro para
Progressos e Desafios da Década”, que contou com a presença
Bill Clinton, dizendo-lhe que se os EUA não alinhassem com
de Ramos Horta, Ministro dos Negócios Estrangeiros e
Portugal na causa de Timor, seria muito difícil segurar o povo
Cooperação de Timor.
português e que, além disso, Portugal teria de sair da Bósnia,
onde estava com tropas, no âmbito da NATO”. Essa ameaça,
Emocionado, Horta começou por recordar “as várias vezes”
que esteve no Porto, a primeira das quais há cerca de 20
garantiu, “foi decisiva para nós, timorenses”.
anos, e as gentes do Norte, “sempre amigas de Timor”:
Mas nem tudo foi bom em Timor com a presença da ONU,
“Fernando Gomes, então Presidente da Câmara do Porto, foi
confessou o ministro. Que esbanjou dinheiro, sem construir
O Presidente da Assembleia Geral do Ateneu, Dr. Luciano Vilhena Pereira,
fez oferta ao ilustre visitante do nosso Álbum de Memórias…
… assinando, entretanto, na presença do Presidente da Direcção, Dr. Hélder
Pereira, o Livro de Honra do Ateneu
OTA E TGV NO ATENEU
nada. Em contrapartida, disse,
As actividades do Ateneu Comercial do Porto continuam a merecer
“Portugal, desde 1999, sempre foi
destaque, habitual, nos órgãos de comunicação social. Dos jornais,
o que mais ajudou Timor em
às rádios, das televisões às edições informativas on-line, o Ateneu
dinheiro e a nossa obrigação é
lembrar sempre isso”. Foi também
não pára de surpreender...
Os prós e os contras, gerados em Portugal, por causa dos dois mega-projectos anunciados
Depósitos, referiu, que “em dois
pelo Governo – OTA e TGV – motivaram o Ateneu a efectuar um debate sobre o assunto.
anos injectou 100 milhões de
A “importância dos grandes projectos estruturantes na afirmação da Área Metropolitana
dólares na Economia timorense,
do Porto no contexto do Noroeste Peninsular Nacional” foi o mote do encontro, que
dando mais que a ONU, porque
decorreu a 17 de Fevereiro. O debate, moderado por Jorge Fiel, editor de Economia
investiu em transportes públicos,
do semanário Expresso, trouxe ao Ateneu os intervenientes António Guilhermino
em casas. Fez pela nossa
Rodrigues, Presidente do Conselho de Administração da ANA/NAER; Alberto José
Economia, o que nunca fizeram
Castanho Ribeiro, Administrador da
as agências das Nações Unidas”.
REFER/RAVE; Carlos Brito, Provedor do
Um painel de gabarito debateu a
OTA e TGV, numa sala pejada de
interessados
o caso da Caixa Geral de
Cliente do STCP; e Paulo Morais, ex-viceActualmente, completou Ramos
Presidente da Câmara Municipal do Porto
Horta, a Economia de Timor está
e Professor Universitário.
a crescer, com o esforço de todos:
“Hoje, Timor está classificado, em
termos de desenvolvimento,
abaixo de Cabo Verde ou S. Tomé,
mas acima de Angola e
Moçambique. A pobreza continua,
muitos não têm ainda acesso a
água e a luz, não tem assistência
médica, mas estamos a crescer”.
Com a ajuda de todos: “Neste
momento, a partir de um programa
que estabelecemos com Cuba,
O objectivo do debate era apresentar os
principais argumentos, contra e a favor, quer
da OTA, como do TGV. Do lado dos que
estão a favor das duas grandes obras, o
público presente no salão nobre ouviu garantias de que o Novo Aeroporto de Lisboa
– que será construído na freguesia da OTA, em Alenquer, a cerca de 50 km da capital,
não vai colocar em causa a sustentabilidade da gare do Porto. Guilhermino Rodrigues
frisou, mesmo, que o futuro do Aeroporto do Porto não depende do gestor da infraestrutura, mas sim das forças vivas da região: “Quando estiverem os dois a funcionar”,
disse, “a área de influência da infra-estrutura, a 90 minutos da OTA, vai sobrepor-se
somente em cerca de 500 mil passageiros por ano, ao do Porto”.
temos cerca de 400 médicos
Alberto Ribeiro, da RAVE, lançou, por seu turno, a ideia de que será, sobretudo, o
cubanos em Timor e vários
interior do país a beneficiar com a futura rede ferroviária (TGV). Questionado pela
timorenses a estudar naquele país”.
assistência se o Governo não teria dado primazia aos interesses espanhóis na definição
E Timor tem mais. Tem petróleo,
das ligações internacionais, o Administrador referiu que “Espanha não queria o traçado
tem “um grande potencial de
Aveiro-Salamanca e tinha muitas reticências em relação ao de Porto-Vigo”. Sendo certo,
investimento”, que ajudará o
adiantou, que o interesse do Estado se norteia exclusivamente pelo euro Lisboa-Madrid.
pequeno país a erguer-se.
Aos que estão no contra preocupa, basicamente, os milhares de euros que vão ser
A sessão terminou com a entrega,
gastos com as duas obras. Paulo Morais não pode, por isso, deixar de questionar o
a Ramos Horta, do Álbum de
Memórias do Ateneu. E um pedido
de Luciano Vilhena: “Espero que
venha a criar em Timor um Ateneu
Administrador da ANA sobre as garantias que o Governo pode dar para evitar as
potenciais derrapagens de custos: “Houve a preocupação de fazer estudos”, respondeu
Guilhermino Rodrigues, “com especial destaque para os factores de derrapagem,
nomeadamente os geotécnicos, geológicos e hidrológicos”.
igual a este, porque esta instituição
O debate serviu, acima de tudo, para mostrar à assistência porque existe uma ala da
também nasceu como embrião da
sociedade que está contra a OTA e o TGV; e uma outra a favor. Depois do que se ouviu
democracia”.
no Ateneu, fica na consciência de cada um tomar posição sobre o assunto.
pags 8, 9
PINCELADAS DO PORTO
Que diz além, além entre montanhas,
O Rio Doiro, quando a tarde passa?
Que diz ao vê-lo, o rosto da cidade
Onde as velas são ruas com mil vidas?
(Sócio do Ateneu)
LUCÍLIA ABREU
Pedro Homem de Melo “Balada do Rio Doiro”
Toda a cidade com as agulhas dos Templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em
que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto pendurados e o
estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha.
Agustina Bessa Luís
Numa idade em que a memória parece apostada em fazer o
levantamento de todos os ambientes e afectos que ajudaram a
moldar a nossa personalidade e também porque acredito na
integridade das coisas que amamos, sinto que há ainda, e sempre,
pedaços do velho Porto – “concretos como frutos, nítidos como
pássaros” – que aprendi a amar desde a minha meninice, quer
na eloquência dos seus monumentos, quer na simplicidade das
suas gentes.
sendo muitos dos seus espaços ocupados por quintais e hortas.
No entanto, as casas aí existentes, abstraindo de uma ou outra
mais fraca ou térrea, eram, na maioria, de boa arquitectura e a
construção então emergente, bastante significativa. Dos vários
prédios que davam corpo à Rua do Rosário, o mais importante
era, sem dúvida, o denominado Palacete dos Albuquerques,
(com uma das mais apetrechadas cocheiras do Porto) pertença
do ilustre fidalgo João de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres.
Como eu gostava de “descobrir” a magia tão própria desta
cidade agreste quando, em passeios curtos, com a minha mãe,
entrava nos ronceiros eléctricos – estávamos longe da era
informática, electrónica e cibernética e de uma visão holística
da vida! – e tinha todo o tempo para “saborear” a cor Única do
velho jacarandá da Rua da Bandeirinha, a explosão multicolor
das japoneiras que impunham uma presença aristocrata junto
dos velhos muros dos velhos quintais, a silhueta da Torre dos
Clérigos parada nos séculos, aquela Fonte dos Leões que deu
o nome à Praça… E que espanto para os meus olhos de criança,
a visão daquelas figuras aladas, moldadas em bronze, deitando
água pela boca num movimento imparável! Muitas tardes da
minha meninice vivi-as no velho Palácio de Cristal, ora vivo,
pleno de riso e das brincadeiras das crianças, ora silencioso,
tranquilo, gerador de sonhos e de fantasias, quando no Outono,
já frio, pisávamos, deliciadas, as primeiras folhas secas dos
velhos plátanos, num último aceno de Verão!
Quanto à parte comercial e industrial, expandira-se numa
diversidade apreciável de lojas. Para só citar algumas, registarei,
nessa época, (meados do século XIX) uma carvoaria, uma loja
de fabrico de brinquedos, uma fábrica e forno de cozer telha,
tijolo e outros objectos de barro. Uma curiosidade: o forno ficava
quase encostado ao muro da propriedade dos Morais e Castro
(ou dos Carrancas) que se estendia até à Rua do Rosário. Havia
também uma loja de peso ou mercearia, com as armas reais
apostas na tabuleta da fachada, uma oficina de torcedor, uma
estrebaria com aluguer de cavalgaduras, serralharia de Rosa
Violante, uma barbearia, uma venda de vinhos da Companhia,
outra loja de peso, com as armas reais estampadas numa vistosa
tabuleta. Era, pois, uma zona do velho Porto cheia de vitalidade
e com certo prestígio, ao qual não foi certamente alheio a
instalação do Colégio Inglês, dirigido por Miss Brown, bem
como o edifício do Hotel dos Ingleses. Acrescentarei ainda que,
no amplo edifício da esquina da RUA D. Manuel II, funcionou,
no 3º quartel do século XIX, o Hotel do Louvre, dirigido por D.
Henriqueta de Melo Lemos e Alvelos. Neste Hotel, considerado
justamente um Hotel de Luxo, estiveram hospedados em Março
de 1872, o Imperador do Brasil, D. Pedro II e sua esposa, a
Imperatriz Teresa Cristina Maria. Nesse mesmo prédio, em 1 de
Janeiro de 1881, é inaugurada a Casa de Saúde Dr. António
Bernardino de Almeida e, já por volta de 1930, ali esteve assente
o Orfeão Lusitano.
Quando já adulta, quis o acaso que, no meu percurso profissional,
assentasse arraiais, durante duas décadas, na Escola Pêro Vaz
de Caminha, nascida na Rua do Rosário, em 1970.
O nome da Rua deve-se ao negociante Domingos do Rosário
de Almeida, morador e proprietário de uma fábrica de chapéus
com o honroso título de Real, nessa artéria. Domingos do Rosário
de Almeida (tio de Almeida Garrett) devia ser muito devoto de
Nª Sª do Rosário, como prova o nome “de devoção” que
acrescentou ao seu.
O piso da Rua do Rosário, até meados do século XIX, era
cascalhoso, terrento e não possuía, como hoje, passeios laterais,
O nome da escola atrás referida e “nascida” precisamente na
Rua do Rosário, vem-lhe do escrivão com esse nome que fez
parte da frota de Pedro Álvares Cabral e cuja notoriedade está
ligada à “Carta” que, do Brasil, dirigiu ao Rei D. Manuel, acerca
POESIA
da terra recém-descoberta e das suas gentes. “Carta” que, como alguém escreveu, é a
certidão de idade de um país, lavrada junto ao berço em que nasceu.
A Escola “Pêro Vaz de Caminha” começou por funcionar num edifício alugado,
apresentando já um certo grau de degradação e no qual estivera sedeada uma antiga
pensão. Situada, pois, numa rua estreita, com velhas casas encostadas umas às outras,
com frontarias enegrecidas pelo tempo, e ainda com pequenas lojinhas de variado
comércio, também, ela não tinha, exteriormente, tal como a RUA, qualquer sinal de
juventude. Juventude havia dentro dela: vida, risos, tropelias, em perfeito contraste com
a sua estrutura interior que, como pensão, albergara, por certo, gerações com as suas
alegrias, segredos, mas nunca com um tão grande pulsar de vida nova.
Os quartos haviam sido adaptados a salas de aula. Nas que se situavam na cave –
antigas cavalariças – os alunos, curiosamente, espreitavam para a rua através de uns
postigos e viam os pés das pessoas que passavam…Outras, situadas no sótão, tinham
acesso por uma velha escada carcomida, que os jovens galgavam num fôlego. Lá dentro,
num preâmbulo de aula, esperava-nos uma luz suave, doce, vinda de pequenas clarabóias
– essas clarabóias tão características do velho Porto! – e de velhas janelas de guilhotina.
Atrás de nós, não raro, entrava sem cerimónia, o gato preto, gordo…Não sei se alguma
coisa aprendeu nas nossas aulas, mas lá que tinha ar de sabichão, isso tinha!
Havia as salas que davam para as traseiras do edifício e, através de altas portadas,
debruçavam-se sobre o pequeno quintal, com muros de pedra cobertos de musgo e em
que as japoneiras floridas em cada Inverno, eram uma promessa de Primavera. Quando
esta chegava, e os alunos, logo esbaforidos, reclamavam as vidraças abertas, as aulas
saíam das quatro paredes e corriam pelo quintal fora numa maravilhosa sinfonia com
o chilrear dos pássaros, felizes porque eram livres! Livres eram também todas aquelas
crianças quando, ao toque da campainha se precipitavam pelas escadas, saltando,
gritando, enchendo de juventude e de alegria, os gastos degraus que, de “tanto bater
de asa”, estremeciam…era a hora de todos os recantos do quintal se encherem: as
raparigas com pequenos grupos, talvez numa troca de primeiras confidências, os rapazes
jogando à bola ou “às caçadinhas”. Risos, sol, em todas as estações, esquecendo o
desaconchego do vento que assobiava pelas frinchas das velhas portas.
A exiguidade dos espaços fazia de nós uma grande família, sempre a encontrar-se. A
sala dos professores, acanhada, era apenas iluminada por uma janela que deitava para
a rua, suja e barulhenta. Mas cabíamos todos e havia um ambiente muito especial, de
correspondência plena aos acenos amigos…
Como dizia Baudelaire, “as cidades mudam mais depressa do que o coração dos
homens.” Também o Porto mudou muito: novas vias se abriram, amplas, congestionadas
de trânsito, em que as gentes fervilham, num ritmo de vida frenético.
No lugar da “velha Pêro”, ergue-se agora uma moderníssima unidade hoteleira – o
Hotel Eurostars das Artes” – com 82 quartos e as mais modernas tecnologias e
equipamentos, salas de reuniões, business centre. Há pouco, entrei lá e localizei um
pedaço do velho quintal, com as velhas japoneiras, carregadas de flores de todas as
belezas, sim, precisamente essas que, em cada Inverno, foram promessa de muitas
Primaveras, naquela idade em que os sonhos de juventude vão adiante de nós, alados…
Ponto de reencontro com uma época já tão distante, a minha alma roçou pelas
pedras dos velhos muros e, naquele entardecer lento, apeteceu-me encostar a
ACIDENTES
ACIDENTAIS
suplicaria a sua sombra tal era a
intensidade imaginada em
rotação á perna junto á coxa pelo
lado interior ao cimo a visão o
tráfico das crinas quando gemeu
num aborto de égua solta-me
solta-me presa e só toquei no
mamilo esquerdo que o direito
era propriedade dum recepiente
no instituto de oncologia estupor
murmurou ela e sua mão
estendeu-se para pegar no livro
de santa teresinha mater virtude
de cabeceira e chicotear-me as
costas de segredos oh que belo
sacrificio em que nos
envolviamos em honra de todos
os restantes divinos santos
assistindo ao nosso amor parado
virtude da humildade ela prostada
já ressonava não valia mais a pena
o amor estava esgotado
perto de ti vive a situação o meu
caso ou então o meu ocaso
consoante a resposta que tens
num envelope de concurso para
sortear se disseres para ficar subo
só para buscar uma roupa mas
melhor pensando nem roupa
preciso porque se fico é para
enfeitar a nudez confirmar a
nitidez do belo enquanto a vela
de cheiro cintila se disseres talvez
não sei se devas ficar subo para
buscar um livro ler-te enquanto
preparas um chá que já entendi
ser melhor saborear umas tostas
bimbo que imaginar comer maças
no teu rosto mas se disseres vai
que é tarde subo em definitivo
para me deitar vestido sem tirar
a gabardine para chorar sem
molhar alguém que me assassine
também
Manuel Barroca 2006
(Sócio do Ateneu)
elas e agarrar o tempo…
pags 10, 11
O BARBEIRO DO… ATENEU
Cabelo e Barba
a Cinco Euros
Sento-me, pela sétima ou oitava vez, naquela cadeira, ainda assim sem conseguir
disfarçar o incómodo que me causa a “infidelidade” que cometi, há cerca de dois
anos, quando troquei o Toni pelo Senhor Luís.
A Barbearia do Ateneu Comercial
do Porto foi inaugurada em 1931,
tendo anexo um serviço de…
engraxadoria, como não podia
deixar de ser, olhando à época.
Contudo, a ideia nascera já em
1925, quando a Direcção de então
pensou nas obras a efectuar para a
sua instalação.
Eu explico: o Senhor Luís é o barbeiro do Ateneu Comercial do Porto. Isso mesmo,
barbeiro, designação à antiga portuguesa que lhe assenta como uma luva e como
os habituais clientes o gostam de denominar. Quanto ao Toni…. Bom, o Toni foi o
cabeleireiro que, durante mais de duas décadas, eu “persegui” por toda a cidade
do Porto para me tratar das extensões capilares e já algum tempo depois de, sujeito
à “ditadura” do meu pai, ser obrigado a cortar o cabelo sempre que ele cortava o
dele e deixava o serviço pago para a minha vez.
Em cada Sócio,
o Senhor Luís tem um amigo…
Acomodado numa das duas cadeiras da Barbearia do Ateneu, rara é a vez que não
dou comigo a divagar entre o barbeiro de figura austera do meu pai e o Toni,
aproveitando os longos silêncios do Senhor Luís, enquanto volteia o pente e a
tesoura por sobre a minha cabeça que entretanto desloca daqui para ali em toques
de alguma rudeza.
D e s t a ve z , p o r é m , i a
predisposto a quebrar-lhe a
rotina. Afável, mas de poucas
falas – contrariando a
tradicional figura do barbeiro
que põe a vidinha de todos
nós em dia –, Luís Barroso
não renega as origens de
homem do campo que a PSP
teve depois no activo e que,
já reformado, continua a
tratar da “barba e cabelo” da
Polícia e dos Associados do
Ateneu Comercial do Porto.
“Aqui, já lá vão catorze anos!”, conta-nos, alertando depois para a curiosidade de
ser quase uma tradição os barbeiros do Ateneu terem a “escola” da Polícia.
Sem a quantidade de trabalho de outrora, efectuadas antecipadamente as respectivas
marcações, “hoje apenas é necessário vir à quinta-feira à tarde”, o Senhor Luís
continua a ter em cerca de duas dezenas de Sócios “clientes fiéis”. A relação de
confiança que os anos cimentaram obriga-o mesmo a deslocar-se amiúde a casa
de qualquer Associado, normalmente acamado, que o solicite, ou mesmo ao Ateneu
fora das normais quintas-feiras. A sua quase total disponibilidade granjeia-lhe uma
simpatia sem paralelo entre a população associativa, apesar de alguns, cujo grau
de exigência no que respeita a horários e particularidades atinentes ao pêlo, quase
roçarem o anedótico. Afinal, a Barbearia não foi criada para servir os Sócios!? Faria
sentido, nesta Casa, um serviço prestado por um cabeleireiro em vez de um barbeiro?
E aí volto eu a mergulhar nos meus fantasmas: o Toni e o barbeiro austero do meu
pai.
Já despojado do lençol transparente que me envolvia o corpo, desperto pelo reflexo
da minha própria imagem no espelho que o Senhor Luís me coloca à frente.
“Está bem assim?” – pergunta.
“Está óptimo”. Que diabo! – penso - Em Roma… sê romano!
Em 75 anos, o mais longo período
de encerramento registou-se de
1982 a 1994, explicando os nossos
arquivos “por motivo de doença do
barbeiro”, depois substituído.
Também ao longo dos anos foram
várias as formas que pautaram a
relação entre o prestador de serviços
(barbeiro) e a Instituição: desde um
contrato de concessão (com fiador)
para exploração de Serviços – com
pagamento ou não da respectiva
energia eléctrica -, até à simples
cedência a título gratuito das
instalações, desde 1948, como
ainda hoje acontece.
Ainda assim, os primeiros tempos
revelaram algumas dificuldades,
quer nos pagamentos por parte dos
Concessionários (com atrasos
sistemáticos), quer nos serviços, que
não teriam a qualidade exigível
pelos Sócios que frequentemente
lavravam os seus protestos junto das
direcções.
Cerca de uma dezena de barbeiros
prestaram serviços nestas
instalações, sendo que houve
períodos em que ao principal se
somava um ajudante (daí as duas
cadeiras) e outros de horários
completos nos sete dias da semana.
As próprias instalações, nem sempre
no mesmo local do edifico, foram
alvo de melhoramentos por diversas
vezes.
A título de curiosidade, aqui a actual
Tabela de Preços da Barbearia:
Cabelo e Barba: € 5,00;
Cabelo: € 3,75; Barba: € 1,25;
Barba à Tesoura: € 2,00;
Cortar, Lavar e Pentear: € 5,00.
O ATENEU NA ENCRUZILHADA
O Ateneu Comercial do Porto é uma
“velha” Instituição da Cidade, nascida
há 136 anos com o nome de Nova
Euterpe, por vontade dos caixeiros
portuenses, que sentiram necessidade
de terem uma “estrutura associativa”
que fosse ponto de encontro e de
dinamização das suas ambições sociais
e culturais. Pegou “de estaca” e deu
azo ao enraizamento de uma árvore
encorpada por vultos da política e da
cultura, que fizeram desta Instituição
uma referência incontornável da vida
portuense do último século.
Hoje o Ateneu reflecte muitas das
dificuldades que atravessa o Porto, onde
a falta de motivação cívica é patente e
a perda de dinamismo e de procura de
r e j u ve n e s c i m e n t o d e ve d e i x a r
preocupados todos os seus associados,
pois o seu envelhecimento pode revelarse fatal se não for contrariado por uma
estratégia de refundação voltada para
as novas exigências que o presente e o
que se vive ao nível do associativismo
futuro exigem.
e da participação de índole cívica e
Não é caso único de Instituição do
cultural.
Porto que enfrenta estes problemas,
O Ateneu foi sempre uma “Escola de
porque outras mais recentes e que
Civismo” e não há razões para que o
perseguem similares objectivos também
não o continue a ser, através da procura
os têm, mas o processo de formação e
de parcerias que levem até ele “sangue
o trajecto histórico do Ateneu exigem
novo” pelas veias de temas e iniciativas
dos seus dirigentes, e o mais importante,
que sempre foram caras ao
do corpo dos seus associados, um
inconformismo portuense.
esforço de procura de “nova alma” para
De há muito que a Cidade está em
a sua regeneração em moldes de
perda, mais acentuada depois da
exigência cívica e cultural mais
retirada que lhe fizeram de sectores e
apelativos.
actividades comerciais e de serviços
Não diria ainda, vamos salvar o Ateneu,
que a integração europeia desencadeou,
porque seria um exagero, mas pode
aliados ao envelhecimento do seu corpo
dizer-se, sem dúvida de errar, que é
social e produtivo e às mutações
preciso haver consciência das grandes
urbanas de repercussão cultural que
dificuldades por que passa a nossa vida
tais perdas originaram. Não admira que
associativa e cultural e o empenho que
o “comércio tradicional” acuse estas
é preciso colocar para contrariar esta
fragilidades e que Instituições a ele
tendência de alheamento e desinteresse,
ligadas também o sintam, como é o
caso do nosso Ateneu, que tem de ir à
procura de “novos públicos alvo” e ser
capaz de atrair novos associados, sem
perda da sua “alma” intrínseca, mas
demonstrando ser um campo apetecível
também para as gerações mais novas.
A finalizar, direi que o Ateneu também
está à espera que “a Baixa portuense”
se renove, mas não pode “esperar
sentado”, porque não há renovação
melhor do que aquela que começa de
dentro para fora, ou seja, que resulta
da punção regeneradora do próprio
corpo, neste caso do seu corpo e alma.
Este é, porventura, o grande desafio que
se coloca ao Ateneu nos tempos mais
próximos, e os seus dirigentes têm a
incumbência de o fazer sentir, em
primeira linha aos seus associados e,
também à Cidade, junto da própria
Câmara, que não pode alhear-se de tal
responsabilidade, tem de entender esta
velha Instituição como um verdadeiro
parceiro do futuro cultural portuense.
Arqto. Gomes Fernandes
(Sócio do Ateneu)
pags 12, 13
AGENDA
ATENEU COMERCIAL DO PORTO
OUTROS RECITAIS E
CONCERTOS
Dr. Eduardo Simões (Jurista e Director da
Associação Fonográfica Portuguesa)
7 de Maio
Dr. Miguel Guedes (Jurista e músico)
ECAP – Encontro de Coros da Academia
do Porto
Maestro Pedro Osório (Director da
Sociedade Portuguesa de Autores)
Hora: 21.30, Local: Salão Nobre
Isidro Lisboa (Radialista)
Dia 1 de Junho
O debate será moderado por Ricardo
Salazar, Advogado.
Conservatório de Música do Porto
Entrada livre
Orquestra de Cordas com Piano
Sob a Direcção do Maestro KAMEM
GOLEMINOV
Hora: 21.30, Local: Salão Nobre
A entrada é livre
ACTIVIDADE LÚDICA
O Ateneu Comercial do Porto vai reatar os
seus passeios turístico-culturais, abertos a
sócios e não sócios, tendo já agendadas:
VISITA A VALONGO
Dia 12 de Maio
Dia 20 de Maio
Organização da Associação Cultural
“Euterpe”
Preço para Sócios: € 25,00
Preço para Não Sócios: € 35,00
Recital de Canto
Hora: 21.30, Local: Salão Nobre
A entrada é livre
Inclui: Transporte em Auto-Pullman Visita
guiada ao Concelho pelo Sr. Presidente da
C.M. Valongo, Dr. Fernando Melo
Almoço em Ermesinde
Dias 7 e 8 de Julho
MÚSICA
Concertos Internacionais
de Música do Ateneu/ 2006
Depois da realização do primeiro Recital,
no passado dia 6 de Abril, com os pianistas
Inês Várzea, Carlota Amado e Jan Wierzba,
este Ciclo prossegue
Organização da Associação Cultural
“Euterpe”
Concerto do Final do Ano Lectivo
Hora: 21.30 (dia 7), 18.00 (dia 8)
Local: Salão Nobre
A entrada é livre
Ementa: Entradas, Sopa, Churrasco de
Carnes Misto com Batata a Murro,
Legumes, Salada de Fruta, Vinho e Bebidas,
Café
Partida do Ateneu Comercial do Porto
12.00 horas
Chegada ao Ateneu Comercial do Porto
EXPOSIÇÕES
19.00 horas
Dia 4 de Maio
De 25 Junho a 2 de Julho
Vlad Dimulescu (piano)
VISITA A PONTE DE LIMA
Organização do Grupo Desportivo e
Culturaldos Empregados do Banco BPI
Dia 23 de Setembro
De referir que, durante a estadia deste
conceituado pianista romeno, o Ateneu
leva a efeito uma MASTERCLASS de Piano
nos dias 5, 6 e 7 de Junho, com um
Concerto final pelos melhores alunos no
final da tarde do próprio dia 7.
Dia 8 de Junho
Bruno Monteiro (violino)
João Paulo Santos (piano)
Exposição de trabalhos criados pelos
associados do GDCEBBPI,
que frequentam cursos de formação
artística
Patente das 14 às 23.00 horas
Local: Sala de Exposições do Ateneu
Preço para Sócios: € 40,00
Preço para Não Sócios: € 50,00
Inclui: Transporte em Auto-Pullman, Visita
guiada a Ponte de Lima pelo Sr. Cônsul
José Pires da Silva
Almoço no Solar de Calheiros
Dia 22 de Junho
DEBATES
Ementa: Aperitivos,Creme de Legumes,
Bifinhos estufados à minhota, Mousse de
chocolate, Fruta Laminada, Café e Vinho
do Port, Vinhos: Vinho Verde e Vinho Dão
Daniel Filipe Cunha (piano)
Dia 3 de Maio
Partida do Ateneu Comercial do Porto
Dia 26 de Outubro
Organização do Ateneu Comercial do Porto
e Associação Jurídica do Porto
9.30 horas
Afonso Fesh (violino)
Evgueny Nefedov (piano)
Todos os concertos realizam-se às 21.30
horas no Salão Nobre do Ateneu Comercial
do Porto e têm o Patrocínio da JUNTA DE
FREGUESIA DE SANTO ILDEFONSO,
GOVERNO CIVIL DO PORTO,
MONTEPIO GERAL
A entrada é livre
Entrada livre
Local: Salão Nobre, Hora: 21.30
Tema: “ Soluções legislativas e funcionais
para uma Indústria Musical em Portugal”
Chegada ao Ateneu Comercial do Porto
19.30 horas
Dr. Adolfo Luxúria Canibal (Jurista e
músico)
Em ambos os casos, as inscrições devem
ser efectuadas junto dos Serviços de
Secretaria, em horas normais de
expediente, através dos
Artur Ribeiro (Director da Associação
Portuguesa de Lojistas de Audiovisual)
telefones: 22 3395410/7
e-mail:[email protected]
Com as presenças de:
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CARO CONSÓCIO
Só com a sua colaboração podemos tornar o Ateneu Comercial do Porto ainda maior. Proponha mais um Associado.
Para tal, basta que nos envie, devidamente preenchida, esta PROPOSTA DE ADESÃO
ATENEU
REGISTO ANUAL N.º
COMERCIAL DO PORTO
Proponho para sócio o Exmo(a). Sr.(a)
Profissão
Empresa
Com sede em
Telef.
Ramo de Actividade
Data do Nascimento
Bilhete de Identidade n.º
do Arq.º
, de
Filiação
Estado
Cônjuge
Residência
Telef.
Cobrança por conta bancária
Banco
NIB
Quais as colectividades de que faz ou fez parte
Porto,
de
de 200
O Proponente
Sócio n.º
Assinatura do Proposto,
Aprovado em sessão de Direcção
de
de
de 200
O Secretário,
Sócio n.º
Anexo
2 fotos tipo passe
/
/
Ficha Técnica | Periodicidade Quadrimestral Distribuição Correio Sede de Redacção Rua de Passos Manuel, 44 - 4000-381 Porto
Telefone 22 339 5410/2 Fax 22 339 5419 E-mail [email protected] Site www.ateneucomercialporto.pt Director
Hélder Firmino Ribeiro Pereira Director Adjunto Dra. Iza Maria Barbosa Flores Marcos Vieira Editor Ateneu Comercial do Porto Responsável Editorial
Direcção Ateneu Grafismo, Pré-impressão, Impressão e Acabamento Empresa Diário do Porto, Lda. Depósito Legal 231656/05 Tiragem 2000
J. D. Sanches “Amendoeiras em Flor”
(da colecção particular do Ateneu Comercial do Porto)

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