Relato de Caso

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Relato de Caso
Ciência Veterinária
nos Trópicos
v. 17 nº 3
setembro-dezembro/2014
CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA
VETERINÁRIA DE PERNAMBUCO – CRMV-PE
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e Agrobase.
PERIODICIDADE
Quadrimestral
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Trópicos estão disponíveis no site
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2
Sumário
11 Informações Gerais
12 Editorial
13
14
Acidente ofídico em equino no município
de Marechal Deodoro-AL
VALENÇA, S.R.F.A.; SOUZA, B.D.F.; OLIVEIRA, C.C.M.,
JABOUR, F.F.; CRUZ, J.A.L.O.
Administração perineural de toxina
botulínica tipo A (Prosigne®) não
bloqueia estímulos dolorosos da
claudicação experimental em equinos –
experimento piloto.
BERKMAN, C.; PEREIRA, M.C.; TEIXEIRA, L.G.;
BUSTAMANTE-FILHO, I.
15
Alterações em vias respiratórias e
parâmetros laboratoriais de cavalos
carroceiros do município de Pinhais- PR
21
SILVA, E.J.; PAULA JUNIOR, A.R.; SILVA, A.C.P.; KÜNG, E.S.;
MAIA FILHO, R.C.; BARTOLOMEU, C.C.
22
Associação fitoterápica no tratamento em
feridas de equinos.
23
Avaliação bioquímica e microbiológica
de plasma equino resfriado coletado por
aférese automatizada.
17
Amputação alta de membro pélvico em
um asinino – Relato de Caso.
BOTELHO-ONO, M.S.; SOUTO, P.C.; CRUZ, J.A.L.O.;
SIQUEIRA FILHO, R.; PENAFORTE JUNIOR, M.A.; DANTAS,
A. C.
Aplicação de células-tronco adiposo
derivadas em um equino com
sindesmopatia metatarsal: Relato de Caso.
SILVEIRA, M.D.; NARDI, N.B.; CANUTO, L.; MARTINS, C.F.
18
19
Aspectos clínicos e levantamento
sorológico da leptospirose em equídeos de
carga do município de Marechal Deodoro,
estado de Alagoas, Brasil.
TEIXEIRA, L.G.; SARMENTO, E.C.; SILVA, M.C.P.; SILVA, D.B.;
ABREU, S.R.O; LANGONI, H.
20
24
Aspergilose sistêmica em um cavalo –
relato de caso.
Avaliação da fragilidade osmótica
eritrocitária de equinos em provas de
vaquejada.
RAILSON DE SOUSA SANTOS, ANTONIO FRANCISCO
DA SILVA LISBOA NETO, ADRIANA DE SOUSA ARAÚJO,
EREMILTON LOPES DA SILVA, LUCIANA PEREIRA
MACHADO
25
Aspectos clínicos e levantamento
sorológico da brucelose em equídeos de
carga do município de Marechal Deodoro,
estado de Alagoas, Brasil.
OLIVEIRA, N.G.F.; RAPHAEL, U.B.; MEDEIROS, J.M.Q.;
BORGES, J.M.; ABREU, S.R.O.; TEIXEIRA, L.G.
CINTHIA CRISTINA JARDIM; ISADORA MACEDO BARBON;
BÁRBARA LUIZ DE SANTANA.
JACKELLYNE LAÍS FERREIRA LINS, KARINA PESSOA DE
OLIVEIRA, GEORGE TENÓRIO PEREIRA DE OLIVEIRA,
PIERRE BARNABÉ ESCODRO, KARLA PATRÍCIA CHAVES
SILVA, MÁRCIA KIKUIO NOTOMI.
FINGER, M.A.P.; BIAVA, J.S.; AMARO, F.P.; BARROS FILHO,
I.R.; PEROTTA, J.H.; DORNBUSCH, P.T.
16
Associação de benzoato de estradiol e
progesterona na preparação de éguas
acíclicas como receptoras.
Avaliação da susceptibilidade
antimicrobiana in vitro, produção
de betalactamase e ocorrência de
Staphylococcus aureus meticilina-resistente
em equinos atendidos no hospital
veterinário de Patos-PB.
AQUINO, S.S.; SILVA, L.C.A.; ROCHA, L.L.L.; PESSOA, D.A.N.;
SANTOS, M.R.P.; GARINO JUNIOR, F.
26
Avaliação da viabilidade espermática de
garanhões da raça nordestina pelo teste de
termo-resistência.
SANTOS, M.A.M.; MORAES, E.A.; GRADELA, A.
27
Avaliação estrutural e bioquímica de
fibras musculares esqueléticas de equinos
participantes de provas de vaquejada.
SILVA, M.A.G.; ALMEIDA, J.D.M.; D’ANGELIS, F.H.F.; QUEIROZ
NETO, A.; RIBEIRO, A.P.C.; ALMEIDA, K.S.
SILVA, J.R.; CASTRO, M.L.; BUSATO, E.M.; DECONTO, I.;
SOUSA, R.; DORNBUSCH, P.T.
3
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 4 - setembro/dezembro, 2014
28
Avaliação subjetiva e objetiva dos
bloqueios anestésicos no membro pélvico
equino.
37
AZEVEDO, M.S.; FLÁVIO DESESSARDS DE LA CÔRTE
29
30
Babesiose equina por Theileria equi –
relato de caso.
SOUTO, P.C.; CRUZ, J. A.L.O.; BOTELHO-ONO, M.S.;
DANTAS, A.C.; GUIMARÃES, J.A.; DUTRA VAZ, B.B.
Biomarcadores lipídicos no plasma de
equinos suplementados com uma mistura
de óleos.
DINIZ, A.I.A; ALMEIDA, T.L.A.C.; BARBOSA, B.L.; VALDELIRA
LIMA DE LIRA, V.L.; MANSO, H.E.C.C.C.; MANSO FILHO, H.C.
31
Biomarcadores sanguíneos de minerais e
lipídeos em potros neonatos em regime de
pasto.
LINS, J.L.F.; OLIVEIRA, K.P.; SANTOS NETO, F.B.; ESCODRO,
P.B.; SILVA, K.P.C.; NOTOMI, M.K.
38
39
40
HUNKA, M.M.; SILVA, E.R.R.; VASCONCELOS, J.L.A.;
JABREU, J.M.G.; MANSO, H.E.C.C.C.; MANSO FILHO, H.C.
32
Coleta de embrião de égua com folículo
hemorrágico induzido à ovulação com
hcg: relato de caso.
Cólica em equino por tromboembolismo
no ramo cólico direito da artéria
ileocólica- relato de caso.
Criptorquidismo inguinal bilateral em
equino: relato de caso.
ANDRADE, F.P.C.; SANTOS, H.A.; NUNES, R.S.; SANTOS,
K.P.S.V.; NANTES, J.H.; FERREIRA, H.N.
Dermatite em equino causada por
Aspergillus nigger e Sporotrix schenckii.
SANTOS, K.P.S.V.; NUNES, R.S.; ANDRADE, F.P.C.;
MARINHO, G.A.; SILVA, J.C.F.; FERREIRA, H.N.
Deslocamento dorsal intermitente de
palato mole em equino (Equus caballus)
da raça Puro Sague Inglês: Relato de caso
CAMPOS, D.G; PINNA, A.E.; MOURA, R.B.; VIANA, A.M.; C.M.
CARVALHO
41
SILVA, A.C.P.; FARIAS, M.C.; BOUDUX, F.S.; OLIVEIRA, M.A.L.;
LIMA, P.F.; BARTOLOMEU, C.C.
33
Controle de qualidade de plasma
equino congelado coletado por aférese
automatizada: resultados preliminares.
Desmotomia do check inferior à campo
como tratamento de contratura do tendão
flexor digital profundo: relato de caso.
AZEVEDO, N.M.S.; AZEVEDO, M.V.; SILVA, J.C.F.; LIMA, P.F.;
OLIVEIRA, M.A.L.; MANSO FILHO, H.C.
42
LIMA, J.T.B.; FARIAS, A.F.A.; BAPTISTA FILHO, L.C.F.
Detecção da hipersensibilidade do tipo
tardia (HTT) à maleína produzida no
brasil em equinos sensibilizados em
Alagoas.
SILVA, M.C.C.; SÁTIRO, S.R.M.C; SILVA, K.P.C
34
Concentração de Cálcio, Fósforo
e Magnésio no plasma de cavalos
marchadores atletas.
FERREIRA, L.M.C.; VASCONCELOS, J.L.A.; SILVA, G.B.; VAZ,
S.G.; MANSO, H.E.C.C.C.; MANSO FILHO, H.C.
43
Determinação da concentação de
mieloperoxidase e elastase como
marcadores da hemorragia pulmonar
induzida por exercício em equinos.
BIAVA, J.S.; GONÇALVES, R.C.;
35
Concentração de ureia e creatinina em
cavalos marchadores submetido ao teste de
marcha.
MÉLO, S.K.M.; MARIANO, S.R.G.; VAZ, S.G.; SILVA, C.J.F.L.;
MANSO, H.E.C.C.C.; MANSO FILHO, H.C.
36
Contagem de Strongylus spp. em equinos
situados na mesorregião leste de Nossa
Senhora do Socorro-SE
SANTOS, K.P.S.V; ANDRADE, F.P.C.; NUNES, R.S.; CASTRO,
A.C.F.S.; SANTANA, F.S.; FERREIRA, H.N.
44
Determinação das variáveis fisiológicas e
bioquímicas de equinos durante prova de
marcha.
SILVA, M.C.P.; SARMENTO, E.C.L.B.; OLIVEIRA, N.G.F.;
RAPHAEL, U.B.; BERKMAN, C.; TEIXEIRA, L.G.
45
Diagnóstico coproparasitológico de
infusórios em amostras fecais de equinos
cultivadas através da técnica de Roberts e
O’Sullivan.
CASTRO FILHO, G.A.; FLORENCE, C.O.; GRAÇA FILHO, U.C.;
LEITE, LEV.; SIQUEIRA, C.C.
4
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 5 - setembro/dezembro, 2014
46
47
Diagnóstico e tratamento de cistite em
equino quarto de milha: relato de caso.
CARINHANHA, E.F.L.; MOTA, J.V.S.; CARVALHO, S.L.S.;
SANTOS, K.P.S.V.; NANTES, J.H.; FERREIRA, H.N.
Dinâmica dos metabólitos colesterol,
triglicérides e glicose nas fases de gestação
de éguas da raça mangalarga machador.
MARTINS, L.E.P.; OLIVEIRA, L.G.O.; OLIVEIRA, I.M.S.; LIMA,
C.C.V.; GUSMÃO, A.L.; AYRES, M.C.C.
48
Distocia materno-fetal seguido de
cesariana com posterior quadro de
laminite em asinino: relato de caso.
CRUZ, J.A.L.O; GUIMARÃES, J.A.; DANTAS, A.C.; SOUTA,
P.C.; ONO, M.B.; DUTRA VAZ, B.B.
49
Doença periodontal entre terceiro e quarto
pré-molar da arcada superior direita em
equino- relato de caso.
55
CAMPOS, R.N.S.; CAMPOS, F.J.O.; SANTOS, A.A.; LIMA,
C.B.N.; SILVA, I.M.A.; BACCI, L.
56
50
51
FIRMINO, P.R.; SOARES, G.S.L.; ALCOFORADO, A.S.;
MIRANDA NETO, E.G.; ASSIS, D.M.; MEDEIROS, J.M.
Efeito da idade de matrizes crioulas sobre
as características morfométricas de suas
crias até o desmame.
57
Enfermidades múltiplas associadas em
égua quarto de milha - Relato de Caso
58
Enfisema subcutâneo decorrente à
perfuração faringeana em um equino.
59
Enterotomia jejunal seguida de massagem
para tratamento de compactação de íleo:
relato de caso.
52
MARTINS, L.E.P.; OLIVEIRA, L.G.O.; MAIA, A.P.L.; LIMA,
C.C.V.; GUSMÃO, A.L.; AYRES, M.C.C.;
53
Efeito do triptofano em disturbios
comportamentais de estresse observados
em um equino – relato de caso.
BOTELHO-ONO, M.S.; SOUTO, P.C.; CRUZ, J.A.L.O.;
SANTOS, J.M.; DUTRA VAZ, B.B.
54
Eficácia da alantoína e do óxido de zinco
(Alantol®) na cicatrização de feridas em
equinos.
ARRIVABENE, M.; CAVALCANTE, T. V, NEVES, C.A.;
FEITOSA, L. C. S.; SOUSA JÚNIOR, V. R.; FERREIRA, S. B.
OLIVEIRA, C.F.; MAZZO, H.C.; SILVA, L.A.T.; NEMESIO, B.L.;
CAJU, F. ESCODRO, P.B.
J.M.R.P. ARAÚJO; A. GRADELA
60
SEGABINAZZI, L.; PFEIFFER, J.P.H.; FOLLE, V.; LAU, L.;
CANUTO, L.; MARTINS, C.F.
Efeito das fases de gestação sobre enzimas
do metabolismo hepático em éguas
mangalarga marchador
Elevação transitória da atividade sérica
das enzimas musculares em equinos após
exercício de vaquejada.
SOUZA, T.M.S.; REGO, G.M.S.; NUNES, G.S.; PARAGUAIO,
P.E.; MACHADO, L.P.
NASCIMENTO, K.A.; SILVA, D.M.S.; VIANA, A.R.; PONTES,
J.F.; SOUZA, G.S.
Duodeno-jejunite proximal em equino.
Eficiência de óleos essenciais e produtos
comerciais em parâmetros reprodutivos do
carrapato Amblyoma cajennense.
61
Estabilização de fratura transversa de
metatarso com o uso de fixador externo.
NANTES, J.H.; LOUZADA, A.C.S.C.; SILVA, J.C.F.; SILVA,
T.M.M.; ESMERALDO, B.A.M.; FERREIRA, H.N.
Estro pós-parto subsequente a prolapso
uterino: relato de caso.
NEVES, D.S.; LIMA, P.F.; SILVA, A.C.P.; COUTINHO, C.B.;
DINIZ, D.D.M.; FARIAS, M.C.
62
Estudo da microbiota de vulva e vagina de
éguas.
63
Estudo retrospectivo de videoendoscopias
do trato respiratório em equinos da raça
quarto de milha utilizados para vaquejada
atendidos no hospital de equinos clinilab.
ARAÚJO, D.K.G.O.; SANTOS, E.M.C.; SILVA, K.P.C.; SILVA,
M.C.C.; SÁTIRO, S.R.M.C.
SIQUEIRA, C.C.; LEITE, L.E.V.; MOSQUERA, A.; MEDRADO,
C.; FLORENCE, C.O.; GRAÇA FILHO, U.C.;
SILVA, M.A.G.; CANOLA, P.A.; RIBEIRO, A.P.C.; MENDONÇA,
C.C.; TRENTO, T.; SCHMIDT, A.B.
5
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 6 - setembro/dezembro, 2014
64
Exérese cirúrgica de um cisto dentígero
realizada a campo em potro da raça
mangalarga machador - relato de caso.
74
ROCHA, L. L. L.; REBOUÇAS, R. E.; SILVA, P. R.;
MENDONÇA, M. F. F.
65
Fístula enterocutânea decorrente de
traumatismo em hérnia umbilical em
equino – relato de caso.
MEDRADO, C.; FLORENCE C.; GRAÇA FILHO, UC.; LEITE,
LEV.; MOSQUEIRA, A.; SIQUEIRA, C.C.
75
NEVES, J.P.L.; SILVEIRA, A.E.S.; ARAÚJO, M.; DOMINGUES,
G.N.; MARQUES FILHO, W.C.; SILVA, F.G.O.;
66
Fístula gastro-cutânea em equino - relato
de caso.
67
Fotossensibilização primária em eqüino
por Froelichia humboldtiana (ervanço)
REBELO, P.H.V.; OLIVEIRA, F.S.; CAVALCANTE, R.G.; SILVA
JUNIOR, F.L.; FEITOSA JUNIOR, F.S.; BARBOSA, R.D.
SOARES, G.S.L.; FIRMINO, P.R.; ALCOFORADO, A.S.; SILVA,
M.S., MIRANDA NETO, E.G.; ASSIS, D.M.
68
Fratura de ulna em pônei – relato de caso.
69
Fratura do osso incisivo em potro: relato
de caso.
70
Gastrite hemorrágica induzida pelo uso de
ácido acetilsalicílico em equino adulto.
71
77
73
Hérnia inguino-escrotal neonatal
associada ao criptorquismo unilateral na
idade adulta: relato de caso.
Influência do exercício sobre eletrólitos
séricos em equinos submetidos à atividade
de salto.
OLIVEIRA, L.G.O.; RAMOS, S.C.J.; SILVA, J.B.R.; SILVA, W.B.;
DIAS, D.C.R.; AYRES, M.C.C.
78
Intoxicação por zilpaterol em equino:
relato de caso.
79
Jejunocecostomia em equino: relato de
caso.
80
SILVA, E.R.R.; HUNKA, M.M.; CABRAL, LM.S.; ABREU, J.M.G.;
MANSO, H.E.C.C.C.; MANSO FILHO, H.C.
72
Infecção por Strongyloides westeri em éguas
receptoras e potros mangalarga machador
provenientes de dois haras de Cabaceiras
do Paraguaçu, Bahia, Brasil.
SILVA, R.M.; BRITO, J.A.; SILVA NETO, A.F.; SILVA, S.M.;
RIBEIRO, R.R.
ANDRADE, L.R..; PASSOS, M.B.; SALES, J.V.F.; FÁTIMA , C.J.
T.; MELOTTI, V.D.; SAQUETTI, C.H.C.
81
FARIAS, M.C.; BOUDUX, F.S.; KUNG, E.S.; MAIA FILHO,
J.C.C.; LIMA, P.F.; BARTOLOMEU, C.C.
SILVA, A.C.P.; SOUZA, N.M.; LIMA, P.F.; COUTINHO, C.B.;
MANSO, H.E.C.C.C.; MANSO FILHO, H.C.
6
76
ALCOFORADO, A. S.; SOARES, G. S. L.; ASSIS, D. M.;
MEDEIROS, J. M.; MIRANDA NETO, E. G.; SANTOS JÚNIOR,
D. A.
Gnrh como indutor de múltiplas
ovulações em égua: relato de caso.
Índice de aceitação e de conscientização
da importância da vacinação antirrábica
em dois municípios atendidos pelo projeto
carroceiro da Univasf.
GRADELA, A.; MELO, C.C.S.; NUNES, A.K.R.; OLIVEIRA,
J.S.M.; FARIA, M.D.
SANTOS JÚNIOR, D.A.; ASSIS, D. M.; MEDEIROS, J. M.;
MIRANDA NETO, E.G.; ALCOFORADO, A.S.; SOARES, G .S.L.
Glutamina e glutamato no colostro de
éguas mantidas a pasto.
Incidência da sindrome cólica em
equinos atendidos no hospital de equinos
CLINILAB em 2013.
OLIVEIRA FILHO, J.P.; DIAS, N.M.; GONÇALVES, R.C.;
AMORIM, R.M.; CHIACCHIO, S.B.; ANDRADE, D.G.A.; PIRES,
P.C.D.; BORGES, A.S.
PASSOS, M.B.; ANDRADE, L.R..; SALES, J.V.F.; FÁTIMA , C.J.
T.; OLIVEIRA, N.F.O.; SAQUETTI, C.H.C.
Lavado peritoneal como adjuvante à
terapia da peritonite em equinos.
OLIVEIRA, N.F.O.; SALES, J.V.F.; TRINDADE C.J.T.; PASSOS,
M.B.; MELOTTI, V.D.; SAQUETTI, C.H.C.
Levantamento de afecções dentárias em
equinos da raça crioula mantidos em
sistema de criação extensiva.
DUARTE, C.A.; LEITE, C.T.; ROSA, B.K.; PINTO, H.F.; LEONI,
I.S.; PORCIUNCULA, M.
82
Linfangite ulcerativa com
comprometimento tendíneo em equinos:
relato de caso.
BARBON, I.M.; JARDIM, C.C.; SANTANA, B.L.; SOUZA, L.H.;
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 7 - setembro/dezembro, 2014
83
Linfopenia é observada em cavalos
marchadores após o teste de simulação de
marcha.
92
FERREIRA, L.M.C.; MANSO FILHO, H.C.; MENDES, S.K.M.;
BARBOSA, B.L.; ALBUQUERQUE, J.G.S.S.; MANSO,
H.E.C.C.C.
84
Malformações ortopédicas congênitas em
pônei.
85
Métodos para determinação da
concentração de hemácias no lavado
broncoalveolar de equinos.
FIRMINO, P.R.; SOARES, G.S.L.; ALCOFORADO, A.S.; SILVA,
N.S.; MIRANDA NETO, E.G.; ASSIS, D.M.
SILVA, R.M. BRITO, J.A.; SILVA NETO, A.F.; SILVA, S.M.;
RIBEIRO, R.R.
93
Osteíte séptica em falange distal em potro
– relato de caso.
94
Osteodistrofia fibrosa em equinos – relato
de caso.
95
Osteodistrofia fibrosa em pônei – relato de
caso.
96
Osteomielite em potro – relato de caso.
97
Paralisia de nervo radial em muar
ocasionado por objeto perfurocortante:
relato de caso.
BIAVA, J.S.; GONÇALVES, R.C.; FERREIRA, E.M.
86
Mioglobinuria paralitica e insuficiencia
renal aguda (IRA) em equino: relato de
caso.
ARRIVABENE, M.; CAVALCANTE, T. V.; DIAS, F. E. F.; COSTA,
T. N.; NEVES, C.A.; SILVA. A. C. A.
87
88
Mionecrose traumática em equino: relato
de caso.
BANDEIRA, J.T.; MORAIS, R.S.M.M., MARQUES, S.R.;
SANTOS, F.L.
Motilidade de sêmen de garanhões
crioulos submetidos à seleção espermática
por centrifugação em camada única
SANTOS, F.C.C.; NUNES, M.M.; ANSELMO, A.; NOGUEIRA, C.
E.W.; GUIMARÃES, J.D.; CURCIO, B.R.;
89
Necrose da cartilagem colateral da falange
distal em equino: relato de caso.
90
Neuropatia recorrente laringeana grau III
em equino quarto de milha de vaquejada relato de caso.
91
Ocorrência da placa aural em equinos de
diferentes regiões do brasil: dados clínicos
e epidemiológicos.
SARTORI, V.C.; ARAUJO, M.A.; SANTOS, V.H.; GUIRAO, R.A.;
FERREIRA, H.N.
SANTOS, E.C.; VASCONCELOS, K.R.; FONTES, B.L.; LIVEIRA,
F.S.; LOPES, M.C.S.; MATOS, P.F.
CAVALCANTE, R.G.; OLIVEIRA, F.S.; REBELO, P.H.V.;
ARRIVABENE, M.; BARBOSA, R.D.; SOARES, R.A.
BARROS, M.B.S.; MOTA, A.E.R.; LIMA, P.F.; FLEURY, L.A.M.;
VIEIRA, C.A.; OLIVEIRA, A.L.; MANSO FILHO, H.C.
OLIVEIRA, A.C.G.; CARVALHO, R.S.; SORTE, M.S.; AVANZA,
M.P.B.; SPADETO JUNIOR, O.
98
Penectomia como tratamento para
habronemose cutânea em um equino –
relato de caso.
BOTELHO-ONO, M.S.; CRUZ, J.A.L.O.; SIQUEIRA FILHO,
R.S.; SOUZA, A.M.; LIMA, P.F.
MUNHOZ, T.C.P.; KUHN, M.E.; PINHEIRO, J.C.M.N.; SOUZA,
C.N.; TOMA, H.S.; CARVALHO, A.M.
SANTOS JÚNIOR, D. A.; ASSIS, D. M.; MEDEIROS, J. M.;
MIRANDA NETO, E. G.; ALCOFORADO, A. S.; SOARES, G.
S. L
Ocorrência de endoparasitos em equinos
provenientes de dois haras da região
de Cabaceiras do Paraguaçu, recôncavo
baiano.
99
100
Penfigóide bolhoso em equino, SalvadorBahia, Brasil - Relato de caso.
BISPO, T.N.S.; SANTOS, E.C.; VASCONCELOS, K.R.; PAIM
JUNIOR, E.S.; LOPES, M.C.S.; MATOS, P.F.
Perfil clínico e de isolamento da
Salmonella sp. em equídeos de carga do
município de Marechal Deodoro, estado de
Alagoas, Brasil.
RAPHAEL, U.B.; OLIVEIRA, N.G.F.; MEDEIROS, J.M.Q.; SILVA,
Z.P.; AZEVEDO, A.C.O.; TEIXEIRA, L.G.
HERMAN, M. HERNÁNDEZ, J.M.; SILVEIRA, J.A.; PANTOJA,
J.C.F.; BORGES, A.S.; OLIVEIRA-FILHO, J.P.
7
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 8 - setembro/dezembro, 2014
101
Perfil dos biomarcadores minerais no
plasma de equinos suplementados com
uma mistura de óleos.
110
DINIZ, A.IA.D.; RODRIGUES, A.K.S.; MUNIZ, S.K.O.; DUARTE,
T.L.; MANSO, H.E.C.C.C.; MANSO FILHO, H.C.;
102
103
104
Perfusão regional para tratamento de
ferida em casco - relato de caso.
FONTES, A. F.; FLORENCE, C.O.; GRAÇA FILHO, U.C.;
SIQUEIRA, C.C
Pitiose cutanea - relato de caso.
NUNES, R.S.; SANTOS, K.P.S.V.; ANDRADE, F.P.C.; NANTES,
J.H.; ANDRADE, R.L.F.S.; FERREIRA, H.N.
Pneumonia por Klebsiella pneumoniae em
potro – relato de caso.
SOUTO, P.C.; CRUZ, J.A.L.O.; BOTELHO-ONO, M.S.;
DANTAS, A.C., GUIMARÃES. JANAINA AZEVEDO; DUTRA
VAZ, BEATRIZ BERLINCK
105
Polidactilia unilateral em uma potra –
relato de caso.
106
Postectomia e falectomia para exérese
de tecido de granulação exuberante em
jumento (Equus asinus).
OLIVEIRA, F.S.; REBELO, P.H.V.; CAVALCANTE, R.G.; SILVA
JUNIOR, F.L.; FEITOSA JUNIOR, F.S.; ARRIVABENE, M.
CRAVEIRO, J.V.S.; SOUZA, Y.B.; PINHEIRO, G.O.; SANTOS
NETA, M.O.; OROZCO, C.A.G.
111
Projeto “bom carroceiro” em Cruz das
Almas – BA.
112
Prolapso de reto em equino - relato de
caso.
113
Rabdomiólise em muar: relato de caso.
114
Raiva em equinos no estado de alagoas:
relato de sete casos.
115
Realização de colonostomia em um equino
com laceração retal grau IV.
116
Reconstrução de períneo em égua à
campo: relato de caso.
117
Relato de caso: muar com tétano e
funiculite após orquiectomia
118
Relato de caso: potra com otite média por
Proteus mirabilis e abcesso na base externa
do conduto auditivo
RIBEIRO, A.P.C.; SILVA, M.A.G.; CORDOVA, F.M.; BURNS, L.V.
107
Potenciais biocarrapaticidas no controle
de larvas do carrapato estrela Amblyomma
cajennense.
CAMPOS, R.N.S.; CAMPOS, F.J.O.; OLIVEIRA, A.P.; LOPES,
L.J.O.; SANTANA, A.S.; SANTOS, A.C.C.; BACCI, L.
108
Prática construtiva em aulas de
biodinâmica muscular do aparelho de
suporte dos equinos.
ALBUQUERQUE, L.F.R.C.; YUKENDO, V.; SOUZA, E.K.M.;
ARAÚJO, S.H.R.; XAVIER, G.A.A.
109
Prevalência da obstrução recorrente das
vias aéreas (ORVA) nos equinos da Polícia
Militar do estado do Rio Grande do Norte.
ROCHA, J.M.; SILVA, J.C.F.; FERREIRA, H.N.; ALENCAR, S.P.;
LIMA, P.F.; MANSO FILHO, H.C.
8
Primeira aplicação terapêutica com células
tronco em equino da raça quarto de milha
com tendinopatia no estado de sergipe:
relato de caso.
CORDEIRO, V.L.; RIBEIRO, I.F.; NASCIMENTO J.S.; RIBEIRO,
K.S.; FREIRE, R.C.; ANDREA, M.V.
SANTOS K.P.S.V.; ANDRADE, FAGNER P.C.; NUNES, R.S.;
SILVA, J.C.F.; NANTES, J.H.; FERREIRA, H.N.
ALCOFORADO, A.S.; FIRMINO, P.R.; ASSIS, D.M.; MEDEIROS,
J.M.; MIRANDA NETO, E.G.; TOLENTINO, M.L.D.L.
VALENÇA, S.R.F.A.; OLIVEIRA, C.C.M.; COSTA, D.F.F.;
CAVALCANTI, A.L.B.; JABOUR, F.F.; VASCO NETO, H.L.S..
OLIVEIRA, N.F.O.; SALES, J.V.F.; ANDRADE, L.R.; PASSOS,
M.B.; MELOTTI, V.D.; SAQUETTI, C.H.C
FARIAS, M.C.; SILVA, A.C.P.; BOUDUX, F.S.; BARTOLOMEU,
C.C.; OLIVEIRA, M.A.L; LIMA, P.F.
FARIA, T.T.R; BORGHESAN, A.C.; GONÇALVES, M.F.H;
RIBEIRO, M.A.P.
FARIA, T.T.R.; BORGHESAN, A.C.; TAKIGWA, F
119
Ressecção de cólon maior devido à vólvulo
em equino
SALES, J.V.F.;MELOTTI, V.D.; ANDRADE, L.R..; PASSOS, M.B.;
OLIVEIRA, N.F.O.; SAQUETTI, C.H.C
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 9 - setembro/dezembro, 2014
120
Retorno à reprodução de garanhão
mangalarga marchador acometido por
habronemose em prepúcio submetido à
cirurgia corretiva: relato de caso.
129
OLIVEIRA, R.A.; DUARTE, M.D.; SILVEIRA, J.A.S.;
ALBERNAZ, T.T.; SILVA, N.S.
DALANEZI, F.M.; ARAUJO, E.A.B.; SILVA, L.F.M.C.; OLIVEIRA,
S.N.; SEGABINAZZI, L.; PAPA, F.O.
121
Ruptura de ligamento suspensório do
boleto em equino.
FIRMINO, P.R.; ALCOFORADO, A.S.; SOARES, G.S.L.;
MIRANDA NETO, E.G.; ASSIS, D.M.; SOUSA, A.B.
122
Sarna psoróptica equina- relato de dois
casos.
123
Síndrome cólica em equino por capim
Panicum maximum cv. Tanzânia: relato de
caso.
124
Síndrome cólica por evisceração de flexura
esternal - Relato de caso.
SOUTO, P.C.; COSTA, J.H.M.; CRUZ, J.A.L.O.; DANTAS, A.C.;
GUIMARÃES, J.A.; DUTRA VAZ, B.B.
125
Tetano em equino – relato de caso.
126
Tétano em potro com persistência de
úraco.
127
Tratamento cirurgico de harpejamento
clássico em equino - relato de caso.
131
Tratamento de desmite do ligamento
supraespinhoso em equino por meio de
aplicações de plasma rico em plaquetas
(PRP).
SOARES, G.S.L.; ALCOFORADO, A.S.; SANTO JUNIOR, D. A.;
MIRANDA NETO, E.G.; MEDEIROS, J. M.
Torção de jejuno e compactação de íleo em
equino quarto de milha vaquejada – relato
de caso.
Tratamento cirúrgico à campo de úraco
persistente: relato de caso.
AZEVEDO, N.M.S.; AZEVEDO, M.V.; SILVA, JOSÉ CARLOS
FERREIRA DA; LIMA, P.F.; OLIVEIRA M.A.L.; MANSO FILHO,
H.C.
LIMA, J.T.B.; FARIAS, A.F.A.; BAPTISTA FILHO, L.C.F.
SILVA, J.F.C.; FREITAS, J.S.; RIBEIRO, D.S.; FIGUEIREDO,
M.A.F.
132
Trombectomia jugular em um cavalo –
relato de caso.
133
Úlcera corneana em melting em equinos:
relato de caso.
134
Uso da artroscopia para retirada de
fragmento osseo do terceiro osso carpiano,
em cavalo quarto de milha de vaquejada relato de caso.
ARRIVABENE, M.; CAVALCANTE, T. V.; ALVES, F. R., COSTA,
T. N.; NEVES, C.A.; SOUSA, P. M. V.
SANTOS JÚNIOR, D. A.; ASSIS, D. M.; MEDEIROS, J. M.;
MIRANDA NETO, E. G.; ALCOFORADO, A. S.; SOARES, G.
S. L.
128
130
LIMA, V.F.S.; PIEDADE, G.C.; SOUZA, A.P.C.; OLIVEIRA, V.S.;
RODRIGUES, P.G.; OROZCO, C.A.G.; MEIRA-SANTOS, P.O.
ALCOFORADO, A. S.; SOARES, G. S. L.; ASSIS, D. M.;
MEDEIROS, J. M.; MIRANDA NETO, E. G.; SANTOS JÚNIOR,
D. A.
Tratamento cirúrgico a campo em equino
portador de laceração do tendão extensor
digital comum - Relato de caso.
FELICIANA, C.B.O.; CASTRO, M.L.; SILVA, J.R.; BASSO, F.Z.;
DECONTO, I.; DORNBUSCH, P.T.
AZEVEDO, N.M.S.; AZEVEDO, M.V.; SILVA, J.C.F.; LIMA, P.F.;
OLIVEIRA, M.A.L.; MANSO FILHO, H.C.
MEDRADO, C.; FLORENCE C.O.; GRAÇA FILHO, U.C.; LEITE,
L.E.V.; CASTRO FILHO, G.A.; SIQUEIRA, C.C.
135
Uso do PRP na terapêutica da tendinite do
tendão flexor digital superficial, em cavalo
paint horse de vaquejada –relato de caso
CASTRO FILHO, G.A.; FLORENCE, C.O.; GRAÇA FILHO, U.C.;
LEITE, LEV.; SIQUEIRA, C.C.
136
Uso tópico de óleo de côco na cicatrização
de ferida em equino.
137
Uso do imiquimode creme 5% no
tratamento de placa aural equina:
avaliação clínica e molecular.
MAZZO, H.C.; OLIVEIRA, C.F.; LINS, J.L.F.; ESCODRO, P.B.;
BERNARDO, J.O.
ZAKIA, L.S.; BASSO, R.M.; OLIVO, G; BORGES, A.S.;
OLIVEIRA-FILHO, J.P.
9
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 10 - setembro/dezembro, 2014
138
Utilização da técnica de Göetze para
reparação da laceração perineal de terceiro
grau em uma égua quarto de milha.
141
OLIVEIRA, C.F.; ESCODRO, P.B.; BERNARDO, J.O.;
PRESTES, N.C.
139
Utilização de células tronco para o
tratamento de ruptura do ligamento
colateral medial longo em equino – relato
de caso.
NASCIMENTO, K.A.; SILVA, D.M.S.; VIANA, A.R.; SOUZA,
W.F.; FARIAS, A.F.A.
140
Utilização de duas placas implantadas por
técnica minimamente invasiva em fratura
diafisária de terceiro metatarso em equino:
relato de caso.
ARAÚJO, F.F.; CASTRO, M.L.; SILVA, J.R.; DALL’ANESE, J.;
DECONTO, I.; DORNBUSCH, P.T.
10
Utilização de plasma rico em plaquetas
(PRP) no tratamento de ruptura total dos
tendões extensores em equino: relato de
caso.
OLIVEIRA, A.C.G.; CARVALHO, R.S.; SORTE, M.S.; OLIVEIRA,
A.P.L.; AVANZA, M.F.B.; SPADETO JUNIOR, O.
142
Valores do RDW-CV e RDW-SD em
jumentos nordestinos (Equus africanus
asinus)
SILVA, G.B.; RAMOS M.B.; RODRIGUES, A.K.S.; TALMEIDA,
T.L.A.C.; MANSO, H.E.C.C.C.; MANSO FILHO, H.C.
143
Volvulo de jejuno secundário a um
leiomioma.
LEANDRO, E.E.S; TINOCO, A.A.C.; COSTA, M.S.; OLIVEIRA
FILHO, J, C.; ARAUJO, J.M.R.P.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 11 - setembro/dezembro, 2014
Informações Gerais
A
revista Ciência Veterinária nos Trópicos é editada quadrimestralmente pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária de Pernambuco (CRMV – PE), e destina-se a divulgação de trabalhos técnico-científicos (trabalhos originais de interesse
na área de ciência veterinária e zootecnia, ainda não publicados, nem encaminhados a outra revista para o mesmo fim) e de notícias de cunho profissional, ligadas
a área de ciência veterinária em meio digital.
Reconhecida como veículo de divulgação técnico-científica pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (Resolução no 652, de 18 de novembro de 1998).
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA:
Conselho Regional de Medicina Veterinária de Pernambuco (CRMV – PE)
Rua Conselheiro Theodoro, 460 - Zumbi. CEP 50711-030 Recife, PE, Brasil.
Telefone: (081) 3797.2506 e fax (081) 3797.2514
Informações a respeito do Regulamento Editorial e Normas de Estilo poderão ser obtidas através do site: http://www.rcvt.org.br e do e-mail [email protected]
Os artigos publicados nesta Revista são indexados nas bases de dados:
CABI ABSTRACTS, AGRIS E AGROBASE
Ciência Veterinária nos Trópicos, v. 17, n 3 (set-dez 2014) – Recife:
CRMV – PE, 2014
Quadrimestral
ISSN 1415-6326
1. Veterinária – Ciência – Periódico I. Conselho
Regional de Medicina Veterinária de
Pernambuco, Recife, PE.
CDD 636.08905
11
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 12 - setembro/dezembro, 2014
Editorial
A
lguns anos atrás a RCVT participou do Congresso dos Médicos Veterinários de
Equídeos - ABRAVEQ, realizado em Porto de Galinhas, publicando dos cerca
de 80 resumos do congresso.
Então esse ano, com a realização do evento em Maceió, não poderíamos
ficar de fora de tão importante evento, não só para a Medicina Equina regional
mas para a nacional, e estamos colocando a disposição de todos os anais do Simpósio
ABRAVEQ Nordeste e Simpósio Alagoano de Medicina Equina.
Este volume contempla os 131 trabalhos apresentados durante o VIII Simpósio
ABRAVEQ Nordeste e III Simpósio Alagoano de Medicina Equina, que foi realizado no
Centro de Convenções do Hotel Ritz Lagoa das Antas, em Maceió-AL. Os trabalhos são das
diferentes regiões do Brasil, demonstrando o grande interesse dos profissionais e estudantes
da medicina veterinária pelo assunto. Aqui também gostaríamos de agradecer a comissão
científica do evento e em especial a Drª. Luisa G. Teixeira, organizadora de todo o processo
de avaliação e preparação das comissões avaliadoras dos trabalhos.
Palavra do Presidente dos Simpósios
O belo Estado de Alagoas, aonde o Agronegócio apresenta-se como uma das principais
atividades econômicas, tem na criação e na medicina de cavalos importante representação
na região Nordeste, e por que não dizer do Brasil. Essa região brasileira, é berço da criação de
cava-los Quarto-de-Milhas, tanto para as vaquejadas como as provas de tambor e balizas, e
também para as raças Marchadoras, como o Campolina e o Mangalarga Marchador. Sem
falar que foi um dos locais de introdução desses animais no Brasil, no século XVI.
Devido às características descritas acima e a importante cooperação entre o grupo de médicos veterinários alagoanos e os colegas de outros estados do Brasil, Alagoas foi escolhida
para sediar o VII Simpósio ABRAVEQ Nordeste, que ocorrerá simultaneamente com o III
Simpósio Alagoano de Medicina Equina. Durante o evento ainda ocorrerá o importante
forum para dis-cussão dos “projetos carroceiros” na região e no Brasil, envolvendo assuntos
como o bem-estar e a sua importância sócio-econômcia dessa atividade.
Finalmente deve-se ressaltar que no evento, além dos palestrantes internacionais,
have-rão importantes discussões associadas à hipiatria, em seus mais variados temas, e
apresentação de mais de 130 resumos científicos e relatos de casos, de diferentes partes do
Brasil, demonstran-do a pujança desse segmento para a formação de capital intelectual dos
presentes no evento e dos que, no futuro, poderão se utilizar desse material para a sua
educação e formação.
COMISSÃO CIENTÍFICA
Dr. Rui Carlos Vincenzi
Presidente Nacional da ABRAVEQ
Dr. Pierre Barnabé Escodro
Presidente dos Simpósios
Dr. Helio Cordeiro Manso Filho
Presidente da Comissão Científica
Dr. Eldinê Gomes de Miranda Neto
Dr. Domingos C. Dias
Drª. Luisa Gouvêa Teixeira
12
Dr. Thiago A. P. de Moraes
Dr. Luiz André R. de Lima
Drª. Candida Conrado
Drª. Karla Patrícia Chaves
Dr. Tobyas Mariz
Dr. Geraldo Eleno s. Alves
Dr. Armen Thomassian
Dr. Marco Augusto Giannoccaro da Silva
Dr. Marco Alvarenga
Dr. Wagnner Porto
Drª. Beatriz Berlink D’Utra Vaz
Dr. Paulo Fernandes de Lima
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 13 - setembro/dezembro, 2014
Acidente Ofídico em equino no
município de Marechal Deodoro-AL
Sandra Regina Fonseca de Araújo VALENÇA1; Bruno Daby Figuerêdo de SOUZA2; Carla
Cristina Moura de OLIVEIRA2; Flávia Figueiraujo JABOUR3; Jefferson Ayrton Leite De
Oliveira CRUZ4.
No Brasil, acidentes ofídicos são comumente relatados em áreas rurais, sendo as serpentes
do gênero Bothrops responsáveis por
​​ mais de 70% de todos os acidentes ofídicos notificados. A
“Jararaca” é a representante desse grupo no Nordeste e o seu veneno apresenta ação necrosante,
hemoaglutinante, hemorrágica, nefrotóxica com rápida absorção e dispersão entre os tecidos.
Visando auxiliar na identificação das características clínicas causadas por picada de Jararaca
em equinos, objetivou-se relatar um caso de acidente ofídico em um cavalo no município de
Marechal Deodoro, Alagoas. Equino, macho, adulto, sem raça definida, foi atendido por veterinários após cair abruptamente no local de pastejo habitual. O animal permaneceu em decúbito
lateral, em sofrimento e entrou em óbito em poucos minutos. O equino foi encaminhado para
exame anatomopatológico. Fragmentos de tecido muscular, intestino, baço, rim, fígado e sistema nervoso central foram fixados em formol a 10%, incluídos em parafina, cortados em 5μ e
corados por hematoxilina-eosina para estudo histológico. Os achados de necropsia revelaram
cianose de mucosas, edema na região do focinho estendendo-se para a cabeça, duas perfurações
paralelas com aproximadamente 1,5 cm de distância e hemorragia local. Ao corte da região edematosa, observou-se edema gelatinoso misturado com sangue vermelho escuro. Foram observadas sufusões e equimoses nas serosas, intestino, baço, rim, fígado, cérebro e o tecido muscular
ao redor da lesão. As lesões histológicas foram congestão e hemorragia severa da musculatura,
intestino, baço, rim, fígado e no cérebro, além de áreas de necrose no tecido muscular próximo
do ferimento e no baço. Os achados de necropsia e histopatologia convergem com as descrições
de lesões citadas em acidente ofídicos do gênero Bothrops. A ação direta dos componentes da
peçonha no sistema circulatório local aumenta a permeabilidade dos capilares determinando o
aparecimento do edema gelatinoso com aspecto hemorrágico. A hemorragia local é decorrente
da ação de proteínas de peso molecular alto que agem direto nos capilares induzindo extravasamento. Os achados histopatológicos renais parecem derivar da ação direta do veneno sobre o
endotélio vascular dos rins ou pela ação coagulante do veneno que causa microcoágulos capazes de provocar obstrução da microcirculação; as miotoxinas presentes no veneno de Bothrops
são responsáveis pela necrose muscular observada, pois agem na membrana plasmática das
células musculares resultando no desenvolvimento de isquemia produzindo lesões graves nos
vasos e capilares presentes na região. Os achados clínicos causados pelo veneno de serpentes
do gênero Bothrops são específicos e devem ser diferenciados das lesões causadas por outras
inúmeras causas de morte súbita em animais pecuários. Com esse caso, demonstra-se a presença
desse tipo de serpente na região e o risco de exposição dos animais aos acidentes, sugerindo a
adoção de medidas profiláticas como o controle de roedores nas instalações, os quais atraem
serpentes, suas predadoras naturais.
PA L AV RAS - C H AV E
1 Professora Clínica/Semiologia de
Grandes Animais – DMV – UFRPE,
Recife-PE;
[email protected]
² Graduando (a) em Medicina Veterinária
– UFRPE, Recife-PE;
3 Patologista Veterinária – Laboratório
Jabour Histopatologia e Necropsia –
Maceió-AL;
4 Médico Veterinário Residente - Clínica
Médica, Cirúrgica e da Reprodução de
Grandes Animais – UFRPE, Recife-PE.
Cavalos, Serpentes, Clínica, Patologia.
13
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 14 - setembro/dezembro, 2014
Administração perineural de toxina
botulínica tipo A (Prosigne®)
não bloqueia estímulos dolorosos
da claudicação experimental em
equinos – Experimento Piloto
Carolina BERKMAN1; Marsel de Carvalho PEREIRA2; Luisa Gouvêa TEIXEIRA3; Ivan
BUSTAMANTE-FILHO4
1 FCAV-Unesp Campus de Jaboticabal–
SP;
2 Universidade Federal do Mato Grosso,
Campus Sinop–MT;
3 Centro Universitário CESMAC, Maceió–
AL;
4 Centro Universitário Univates, LajeadoRS
Afecções podais que culminam em claudicação aguda ou crônica, representam desafios
que exigem compreensão anatomo-fisiológicadas rotas nociceptivas. Em humanos, a toxina
botulínica tipo A (TBA) é terapia antálgica inovadora, devido ao bloqueio neuromuscular
pré-sináptico e supressão temporária da secreção de acetilcolina (ACh) nos ramos nervosos
terminais. Em cavalos, a TBA mostrou resultados positivos na redução da tonicidade tendínea
para controle da rotação da terceira falange e na analgesia da claudicação com administração
intra-articular, mas ainda não foi testada como analgésico perineural, apesar dos resultados
promissores em humanos. Avaliou-se a dor podal controlada e temporária e o efeito antálgico da TBA perineural, após a indução da claudicação experimental (ferradura com parafusos
soleares ajustáveis), administrou-se TBA perineural aos nervos palmares lateral e medial do
membro torácico esquerdo de cinco equinos machos castrados (7±3 anos, 380±10 Kg) volume
de 1ml de TBA nas concentrações (25U, 50U, 100U e 150U) com avaliações clínicas, escore de
claudicação e nível de sensibilidade local (Filamentos de Semmes-Weinstein-FWM) nos tempos
(T0-antes, T1h, T2h, T3h, T4h, T5h, T6h, 12h, 24h, 48h e 72h).A TBA não provocou redução
da claudicação, que desapareceu sem sequelas imediatamente após a retirada dos parafusos.
Não foram identificados efeitos colaterais da TBA e a análise porFSW (Kgf/cm2),revelou aumento da sensibilidade local em todas as dosagens, com mínimo e máximo de:25U (T0=0,01
e T3=0,002), 50U (T0=0,01 e T48=0,00005), 100U (T0=0,004 e T4=0,00005), 150U (T0=0,004
e T3=0,00005).O presente experimento propôs o aprofundamento da compreensão da ação
analgésica da TBA.Esperávamos, com base em estudos humanos, comprovar a eficácia da TBA
no bloqueio da condução nervosa periférica sensorial setorial, evitando a sua transmissão para
as sinapses terminais culminando na atenuação do grau da claudicação, nosso resultado contrário pode ser justificado pela estrutura anatomo-fisiológica peculiar dos feixes nervosos e
neurotransmissores podais dos equinos, constituídos de terminações livres e com nociceptores
relacionados a fibras do tipo C, fazendo com que os estímulos sigam diretamente através da
medula espinhal ao córtex cerebral, não ocorrendo modulação prévia por neurotransmissores.
A amplificação do reconhecimento doloroso sugeriu a incidência de lesão inflamatória local e
temporária que se dirimiu naturalmente sem sequelas.A TBA não funciona como analgésico
por administração perineuralpodal em equinos submetidos à claudicação experimental. Particularidades anatomo-fisiológicas do sistema nervoso devem ser sempre consideradas ante a
escolha do controle da dor podal.
PA L AV RAS - C H AV E 14
Equinos, Toxina Botulínica A, Filamentos de SemmesWeinstein, Claudicação
experimental, Bloqueio
Perineural.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 15 - setembro/dezembro, 2014
Alterações em vias respiratórias
e parâmetros laboratoriais de
cavalos carroceiros do município de
Pinhais-PR
Mariane Angélica Pommerening FINGER1, Janaina Socolovski BIAVA2, Flávia do Prado
AMARO3, Ivan Roque de BARROS FILHO4, João Henrique PEROTTA4, Peterson Triches
DORNBUSCH4.
Cavalos carroceiros são utilizados como animais de tração no transporte de material reciclável e podem percorrer longas distâncias carregando peso elevado, de modo que, assim
como um cavalo atleta, dependem do correto funcionamento de seu aparelho respiratório para
desempenhar satisfatoriamente sua função. O objetivo do estudo foi avaliar a presença de alterações em vias aéreas em cavalos carroceiros no município de Pinhais/PR e associar a volume
globular (VG), fibrinogênio e proteína plasmática total (PPT). Foram realizadas endoscopias
de vias aéreas de nove cavalos carroceiros. As avaliações foram realizadas com vídeo colonoscópio marca Storz durante o dia do Carroceiro, evento de extensão universitário em Pinhais/
PR. Foram utilizados 9 animais, sendo 8 machos e uma fêmea, sem raça definida, separados
aleatoriamente. Os animais foram contidos fisicamente e sedados com 1 mg/kg PV de xilazina.
Observou-se que 2 animais apresentaram secreção nasal, sendo que um apresentou secreção bilateral e o outro somente na narina esquerda. Dois animais apresentaram hiperplasia folicular
linfoide (HFL) e um animal cisto em epiglote. Observou-se hemiplegia laríngea (HL) esquerda
grau 3 em 2 cavalos; presença de secreção muco purulenta na traqueia em 8 cavalos, sendo que
em 5 cavalos a secreção muco purulenta estava presente em toda a extensão da traqueia. Em
dois cavalos a secreção estava localizada apenas nos terços proximal e médio, enquanto em
um cavalo a secreção foi observada nos terços médio e distal. Em um animal a secreção muco
purulenta foi observada somente terço distal. Dois cavalos apresentaram bifurcação traqueal
edemaciada. Os animais apresentaram em média: VG 30 ±0,04%, fibrinogênio 122,2 ± 61,8 mg/
dL e PPT 8,2 ± 0,3 g/dL. Nenhum animal apresentou valores alterados de fibrinogênio e PPT. A
maioria dos animais estava anêmico (VG abaixo dos valores de referência), sendo que somente
três apresentaram VG normal. Destes, dois apresentaram HFL; os três secreção em traqueia e
um HL e secreção nasal, o que sugere que estas alterações não afetam o VG. Anemia vem sendo
relatada em cavalos carroceiros e provavelmente está associada à nutrição inadequada. A hiperplasia folicular linfoide é considerada normal em animais jovens. A presença de cisto pode obstruir as vias aéreas interferindo a ventilação. A presença de secreção na traqueia é indicativa de
processo inflamatório em vias aéreas, que pode estar presente nesses animais pela condição de
baixa imunidade a que podem estar expostos bem como pelo fato de transitarem no meio urbano e possivelmente estarem expostos a diversos poluentes. Porém, não se observou alterações
nos valores do fibrinogênio. Este, quando elevado, indica a presença de processo inflamatório.
A hemiplegia laríngea é mais comumente relatada na cartilagem aritenóide esquerda, como
observado no presente estudo. O edema de bifurcação traqueal pode estar associado a reação
inflamatória presente nas vias aéreas. Conclui-se que cavalos carroceiros podem apresentar diversas alterações em trato respiratório que possivelmente afetem seu desempenho e que, provavelmente, seus proprietários não teriam conhecimento se este estudo não fosse realizado em
parceria com o Projeto Carroceiro na UFPR/PR. Apesar de todos os cavalos apresentarem-se
anêmicos, a PPT e fibrinogênio não estavam alterados em cavalos carroceiros, mesmo naqueles
com alterações visíveis à endoscopia.
PA L AV RAS - C H AV E
1 Doutoranda em Ciências Veterinárias
UFPR;
2 Docente Departamento de Zootecnia
da UEPG;
3 Acadêmica de Medicina Veterinária da
UFPR;
4 Docente Departamento Medicina
Veterinária da UFPR
.
Equinos, vias aéreas, doenças, parâmetros laboratoriais
15
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 16 - setembro/dezembro, 2014
Amputação alta de membro pélvico
em um asinino – relato de caso
Mayumi Santos BOTELHO-ONO1*; Pollyanna Cordeiro SOUTO1; Jefferson Ayrton Leite
de Oliveira CRUZ2; Robério SIQUEIRA FILHO3; Mauro de Araújo PENAFORTE JUNIOR1;
Alexandre Cruz DANTAS4
1 Discente do Curso de Especialização
Latu Sensu Práticas Hospitalares e
Laboratoriais em Medicina Veterinária,
Universidade Federal Rural de
Pernambuco. *E-mail: [email protected]
hotmail.com (Apresentador)
2 Médico Veterinário Residente do
Ambulatório de Grandes Animais,
Universidade Federal Rural de
Pernambuco.
3 Médico Veterinário do Hospital
Veterinário, Universidade Federal Rural de
Pernambuco.
4 Médico Veterinário do Ambulatório de
Grandes Animais, Universidade Federal
Rural de Pernambuco.
Em equídeos, as afecções do sistema locomotor são muito comuns, sendo uma das principais responsáveis pelo atendimento desses animais em hospitais e clínicas veterinárias, sobretudo no que diz respeito a traumatismos por arame liso, cordas, cercas, dentre outros. Assim, é de
grande importância a instituição de um tratamento de forma rápida e eficaz com a finalidade
de evitar possíveis consequências, a qual destaca-se a necrose tecidual que pode se estender por
todo um membro, resultando na perda funcional do mesmo além de riscos de sepse comprometendo o estado de saúde do animal. Uma vez que em sua maioria esses animais tem como
finalidade de uso a tração, com a redução da mobilidade de um dos membros, a eutanásia é
realizada. Entretanto, alternativas a esta como a amputação de membro vem sido utilizada
principalmente em animais que além do valor comercial apresentam também o sentimental.
Em grandes animais, sobretudo equídeos, esta é uma técnica ainda em ascensão e que vem
apresentando bons resultados, principalmente, quando associadas ao uso de próteses ortopédicas visando auxiliar o processo de adaptação desses animais a nova vida. Este relato trata de
um asinino, macho, com quatro meses de idade, pesando 38 kg, atendido no Ambulatório de
Grandes animais da UFRPE, com histórico de traumatismo por corda no membro pélvico direito, quatro dias antes do atendimento. Foi realizado o tratamento em casa pelo proprietário
com limpeza da ferida e aplicação de repelente associado a administração oral de Amoxicilina
(500 mg) mas sem resposta satisfatória. Durante o exame clinico foi observado que o animal
apresentava claudicação de apoio grau IV deste membro o qual encontrava-se enegrecido, com
odor fétido, friável do terço médio do metatarso até a região do casco, sem sensibilidade ao teste
de dor profunda e com ausência de resposta ao teste proprioceptivo, sugerindo processo de necrose nessa região. Considerando o bom estado de saúde e o tipo de criação do animal, optou-se
por encaminhar o mesmo a cirurgia para realização da amputação alta do membro pélvico. A
técnica cirúrgica teve como objetivo principal remover toda área de necrose tecidual existente
no membro do animal. Foi realizada a incisão no terço médio do fêmur com posterior secção
na porção mais proximal do mesmo. A musculatura foi aproximada utilizando padrão de sutura “Sultan”. Para redução de espaço subcutâneo foi utilizado padrão contínuo-simples e a pele
foi suturada com “Wolf”. Foi realizada a administração de soro antitetânico e estabelecido um
protocolo pós-operatório de tratamento a base de penicilina. O curativo foi feito diariamente
com iodopovidine e repelente prata. Após três dias da execução do procedimento cirúrgico, foi
informado pelo proprietário do animal que o mesmo já se encontrava em estação e em plena
atividade. Assim, pode-se concluir que a técnica da amputação de membro constitui uma opção de tratamento para esses animais cuja apenas a eutanásia seria considerada.
PA L AV RAS - C H AV E 16
Equinos, Toxina Botulínica A, Filamentos de SemmesWeinstein, Claudicação
experimental, Bloqueio
Perineural.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 17 - setembro/dezembro, 2014
Aplicação de células-tronco adiposo
derivadas em um equino com
sindesmopatia metatarsal: Relato de
Caso
João Pedro Hübbe PFEIFER¹; Lorenzo SEGABINAZZI²; Maiele Dornelles SILVEIRA³; Nance
Beyer NARDI³; Lucas CANUTO4; Charles Ferreira MARTINS5
Sindesmose é um tipo de articulação de fibras de colágeno, permeada por tecido conjuntivo
fibroso, de modo a constituir uma membrana, assim determinando um maior ou menor grau
de movimentação. As lesões das membranas interósseas estão relacionadas a animais jovens de
3-5 anos, quando esses passam a intensificar a vida atlética. Tais episódios promovem estresse
das fibras dessas membranas, desenvolvendo uma reação de mineralização hipertrófica, e consequentemente, queda de desempenho atlético. Até o momento não há estudos descrevendo o
resultado terapêutico do uso de células-tronco derivadas de tecido adiposo em sindesmopatia
intermetatarsiana. As células-tronco derivadas do tecido adiposo (CTAD) são multipotentes,
não-imunogênicas e podem se diferenciar em células de outras linhagens celulares, podendo
auxiliar na recuperação destas lesões. O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito das
CTAD alogênicas em um equino com sindesmopatia intermetatarsiana. Foi submetida a tratamento com CTAD, uma égua da raça Crioula de três anos de idade, apresentando sindesmopatia intermetatarsiana, e sinais clínicos de aumento de volume (4,5 cm) na face próximo-medial
intermetatarsiana esquerda, sensibilidade álgica à palpação, claudicação de grau II e redução da
fase anterior do passo. Previamente a aplicação de CTAD a região intermetatarsiana foi avaliada
radiologicamente, sendo o animal submetido às projeções dorso-plantar, latero-medial, dorsolateral-plantaromedial-oblíqua (D45L-PlMO). O diagnóstico registrou sindesmopatia, uma
área de mineralização hipertrófica perpendicular ao espaço interósseo, proximal entre os II e III
ossos metatarsianos. Posteriormente o animal foi submetido a tratamento com terapia celular,
através da seguinte metodologia: um garrote distal à lesão foi posto com intuito de promover a
permanência das CTAD na região. Subsequentemente foi infiltrado 5 mL de CTAD perilesional (concentração de 2 x 107) e 1 mL de CTAD intralesional (concentração de 2 x 107), totalizando a concentração de 4 x 107. Após a aplicação das CTADs foram aguardados vinte minutos
antes da remoção do garrote e posterior bandagem protetora. Após trinta dias da aplicação de
CTAD, ao exame específico do membro afetado foram verificados os seguintes sinais clínicos:
ausência de encurtamento da fase anterior do passo, o aumento de volume permaneceu inalterado, redução álgica a palpação e ausência de calor na região intermetatarsiana, caracterizando
redução do processo inflamatório. No exame radiográfico, manteve-se aparência de mineralização hipertrófica de tecido conjuntivo fibroso perpendicular ao espaço interósseo, entre os II
e III ossos metatarsianos, porém, sinais marginais de inatividade proliferativa estavam presentes, contrapondo o observado previamente a utilização de CTAD. Acredita-se que, as CTAD
tenham contribuído com efeitos antiálgicos e contido a hipertrofia da membrana interóssea,
demonstrando assim, ser uma possível terapia adjunta àquelas já estabelecidas e comprovadas
clinicamente, como os revulsivos. Contudo, o tempo de repouso para recuperação do paciente,
maior número de aplicações de CTADs, a necessidade de avaliar simultaneamente com um
grupo controle e o uso criterioso da terapia celular, devem ser preconizados, pois são essenciais
para comprovar o potencial terapêutico das CTADs na sindesmopatia em equinos.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Universidade Federal de Pelotas
[email protected]
² Universidade Estadual Paulista “Júlio de
Mesquita Filho”
³ CellVet Medicina Veterinária
Regenerativa
4
Universidade Federal de Alagoas
5
Universidade Federal de Pelotas
Células tronco, sindesmopatia, terapia celular
17
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 18 - setembro/dezembro, 2014
Aspectos clínicos e levantamento
sorológico da brucelose em equídeos
de carga do município de Marechal
Deodoro, estado de Alagoas, Brasil
Nielma Gabrielle Fidelis OLIVEIRA¹; Ulisses Barbosa RAPHAEL¹; Jéssica Monteiro Queiroz
de MEDEIROS¹; Jonas de Melo BORGES²; Sílvio Romero Oliveira de ABREU¹; Luisa
Gouvêa TEIXEIRA1,3
¹ Centro Universitário Cesmac, Marechal
Deodoro, Alagoas – Brasil.
² UFRPE/UAG, Garanhuns, Pernambuco
- Brasil;
³ FCAV/UNESP, Jaboticabal, São Paulo
– Brasil.
18
A brucelose é uma doença infectocontagiosa crônica causada por bactérias gram-negativas,
aeróbias, intracelulares facultativas pertencentes ao gênero Brucella, a qual acomete os seres
humanos e diferentes espécies de animais domésticos. A partir deste estudo, objetivou-se analisar a presença da Brucella abortus e dos sinais clínicos relacionados à brucelose nos equídeos
utilizados em veículos de tração animal, residentes no Município de Marechal Deodoro, Estado
de Alagoas, Brasil. No período de Fevereiro a Maio de 2014, amostras foram obtidas por meio
de venopunção jugular de 82 equídeos escolhidos aleatoriamente, independente de sexo, raça
ou idade, utilizando-se tubos sem anticoagulante. Estas foram centrifugadas a 3.000 rpm para
obtenção do soro sanguíneo e avaliação sorológica. Como preconizado pelo Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), tais amostras séricas
foram submetidas ao teste do Antígeno Acidificado Tamponado (AAT) como triagem e, caso
a aglutinação estivera presente, a amostra do soro seria submetida aos testes confirmatórios de
Soroaglutinação Lenta em Tubos (SAL) associada ao 2-Mercaptoetanol (2ME). À anamnese
questionou-se o histórico de aborto nas fêmeas e o contato dos equídeos com bovinos. Ao
exame físico dos equídeos mensurou-se a temperatura retal e identificou-se da presença ou não
de tendossinovites e bursites carpais, cervicais, nucais e interescapulares, com presença ou não
de fístulas e, ainda, a ocorrência de orquite nos equídeos machos. Destes 82 equídeos avaliados,
apenas três (3,65%) apresentaram histórico de fístula e drenagem de secreção purulenta na
região interescapular (cernelha), com difícil cicatrização. Houve histórico de aborto em três
fêmeas (3,65%) e cinco equídeos (6,09%) habitavam terrenos comuns à presença de bovinos. À
coleta dos dados, observou-se alteração na região da cernelha em apenas dois animais (2,43%),
sendo um com discreto edema e dor à palpação local, e outro com a ferida em fase final de
cicatrização, sem processo inflamatório. Quatro animais (4,87%) apresentaram alterações no
sistema locomotor, sendo três com bursite carpal e um com tendossinovite. Um animal apresentou orquite (1,21%). Nenhum equídeo apresentou hipertermia, bursite nucal, osteomielite
ou osteoartrite, observadas clinicamente. À análise laboratorial das 82 amostras séricas, não se
constatou a aglutinação empregando-se o teste do AAT. Devido às amostras negativas ao teste
de triagem, não foi necessária a submissão destas aos testes confirmatórios supracitados. A prova do AAT consiste na soroaglutinação em placa, onde o antígeno é tamponado em pH 3,65.
Esta acidificação do antígeno reduz a atividade da imunoglobulina M, proporcionando maior
aglutinação das imunoglobulinas da subclasse IgG1, considerada esta de maior especificidade
no diagnóstico da doença. Isto torna o AAT um teste confiável e eficiente para a triagem de
casos de brucelose. Animais utilizados em veículos de carga comumente apresentam feridas
cutâneas, como o abscesso de cernelha, considerado também um dos principais achados relacionados à presença desta doença. Logo, exames laboratoriais de triagem e confirmatórios
são essenciais, evitando-se a ocorrência de erros diagnósticos baseados apenas nas alterações
clínicas. A partir deste estudo, considera-se de baixa importância epidemiológica a brucelose
nos equídeos utilizados em veículos de tração animal, residentes no Município de Marechal
Deodoro, justificado principalmente pelo baixo índice de convivência entre estes animais e os
bovinos. Acredita-se serem necessários estudos mais amplos na população de equídeos, para
que se obtenha o real delineamento epidemiológico da brucelose equina neste Município, no
Estado de Alagoas e nos demais Estados do Brasil. O presente estudo pesquisou pela primeira
vez a presença de anticorpos contra a Brucella abortus em equídeos de carga residentes no município de Marechal Deodoro, Estado de Alagoas, Brasil.
PA L AV RAS - C H AV E Equus asinus, ortopedia, técnica cirúrgica
AGRADECIMENTOS
Centro Universitário CESMAC e Laboratório de Análises
Clínicas da Unidade Acadêmica de Garanhuns/UFRPE.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 19 - setembro/dezembro, 2014
Aspectos clínicos e levantamento
sorológico da leptospirose em
equídeos de carga do município
de Marechal Deodoro, estado de
Alagoas, Brasil
Luisa Gouvêa TEIXEIRA1,2; Emilio Carlos SARMENTO3; Mayra Carla Pedrosa da SILVA3;
Daniela Barbosa da SILVA4; Sílvio Romero de Oliveira ABREU1; Hélio LANGONI4
A leptospirose, enfermidade causada por bactérias do gênero Leptospira, é uma das zoonoses mais difundidas no mundo, a qual acarreta grandes prejuízos na produção equina. A partir
deste estudo, objetivou-se avaliar a ocorrência de alterações clínicas relacionadas à leptospirose
e a presença de aglutininas anti-Leptospira spp. em amostras de soros sanguíneos dos equídeos
de carga residentes no município de Marechal Deodoro, Estado de Alagoas - Brasil. Foram realizados, no período de Outubro de 2012 à Março de 2013, exames físicos e oftálmicos para avaliação da presença de sinais clínicos característicos da leptospirose em 90 equídeos escolhidos ao
acaso, independente de sexo, raça e idade. À anamnese, os proprietários destes foram questionados sobre a ocorrência de aborto nas éguas, vacinação contra leptospirose e a condição sanitária
à qual os equídeos eram submetidos. Foram coletadas amostras de 10 mL de sangue destes
animais, por meio de venopunção jugular, utilizando-se tubos estéreis sem anticoagulante. As
amostras foram centrifugadas a 3000 rpm para obtenção de soro sanguíneo e analisadas pelo
Teste de Soroaglutinação Microscópica (SAM) para pesquisa de aglutininas anti-Leptospira spp.,
como preconizado pela Organização Mundial de Saúde. Dos 90 animais avaliados, 35 equídeos
(38,89%) foram soronegativos para os 13 sorovares e 4 sorovariantes testados, enquanto, 55
(61,11%) reagiram positivamente a um ou mais sorovares, com diluição até 1:1600. O sorovar
Icterohaemorrhagiae foi o mais frequente, com 29 animais soropositivos (32,22%), seguido do
Djasiman com 25 animais (27,77%); 23 (25,55%) para Canicola; 21 (23,33%) para Copenhageni;
11 (12,22%) para Castellanis; 11 (12,22%) para Hebdomadis; 6 (6,66%) para Hardjo C.T.G; 7
(7,77%) para H. Prajtino; 4 (4,44%) para H. Bovis; 7 (7,77%) para Wolffi; 3 (3,33%) para Hardjo; 3
(3,33%) para Pyrogenes; 3 (3,33%) Pomona; 2 (2,22%) para Bratislavia e 1 (1,11%) para Gryppotyphosa. Constatou-se que 19 equídeos (21,11%) apresentavam alterações oftálmicas, no entanto,
apenas 10 desses animais (52,63%) foram soropositivos à SAM. As alterações oftálmicas observadas incluíram a opacidade de córnea (31,57%); ausência ou diminuição de reflexo de ameaça
(15,78%); ausência de reflexo pupilar direto à luz (10,52%); miose (10,52%); sinéquia (10,52%);
despigmentação da íris (10,52%); ausência de reflexo palpebral (5,29%); hipópio (5,19%); uveíte (5,19%); blefaroespasmo (5,19%); catarata (5,19%); edema de córnea (5,19%); neovascularização da córnea (5,19%); phitisis bulbis (5,19%); blefarite (5,19%) e epífora (5,19%). Ao exame
clínico, sete animais (7,77%) apresentavam coloração ictérica nas membranas mucosas, sendo
seis deles (85,71%) positivos para Leptospira spp. À anamnese, duas fêmeas (2,22%) apresentaram histórico de aborto, as quais foram soronegativas à SAM. Nenhum equídeos era vacinado
contra a leptospirose e todos habitavam em terrenos alagadiços, com condições higiênico-sanitárias precárias e fácil acesso ao lixo doméstico e roedores. A maior ocorrência do sorovar
Icterohaemorrhagiae corrobora esta informação, o qual está associado à presença de ratos, sendo
estes são os maiores portadores deste sorovar e, uma vez infectados, se tornam fontes fixas de
infecção. Neste estudo houve baixa prevalência de equídeos que apresentassem ao mesmo tempo alterações clínicas características da leptospirose e a soropositividade para Leptospira spp.,
indicando que os animais do presente estudo são portadores assintomáticos desta bactéria, em
sua maioria, confirmando a necessidade da realização do Teste de SAM para o diagnóstico de
leptospirose. A soropositividade maior do que 50% revelou elevada prevalência de equídeos de
carga residentes no município de Marechal Deodoro infectados pela Leptospira spp. O contato
direto destes animais com indivíduos de outras espécies, inclusive os seres humanos, ratifica a
importância desta bactéria na saúde pública da região.
PA L AV RAS - C H AV E
Células tronco, sindesmopatia, terapia celular
AGRADECIMENTOS
Centro Universitário CESMAC e Centro Nacional de
Desenvolvimento Científico e Pesquisa (CNPQ).
FCAV/UNESP, Jaboticabal, São Paulo
– Brasil;
1
Centro Universitário Cesmac, Marechal
Deodoro, Alagoas – Brasil;
2
Médico(a) Veterinário(a)
Autônomo(a);
3
4
FMVZ/UNESP, Botucatu, São Paulo
– Brasil.
19
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 20 - setembro/dezembro, 2014
Aspergilose sistêmica em um cavalo
– relato de caso
Jéssica Rodrigues da SILVA1, Monalisa Lukascek de CASTRO2, Eduarda Maciel BUSATO1,
Ivan DECONTO3, Renato SOUSA3, Peterson Triches DORNBUSCH3
Residentes de Clínica Médica e Cirúrgica
1
de Grandes Animais da UFPR
Pós Graduanda em Ciências Veterinárias
2
na UFPR
Professores do Departamento de Medicina
3
Veterinária da UFPR
A aspergilose é uma enfermidade micótica oportunista causada por Aspergillus fumigatus,
A. nidulans, A. flavus entre outros agentes. Estes se encontram no solo, matéria orgânica em
decomposição e ar, sendo sua principal forma de entrada no organismo por via respiratória,
pela inalação de esporos ou através de ingestão e inoculação transcutânea (trauma). Dentre os
animais domésticos, a espécie equina é a terceira mais acometida por afecções micóticas, sendo
pitiose a principal doença. A infecção por Aspergillus sp. é considerada rara e acredita-se que
alguns fatores como terapia antibiótica prolongada e/ou com glicocorticóides e estresse, predispõem ao aparecimento da doença.Os principais sinais clínicos incluem febre, dispneia, perda
de peso progressiva e descarga nasal. Concomitante a estes sinais pode haver aparecimento de
uveite e laminite. Alguns animais infectados podem não apresentar sinais clínicos. Um cavalo,
de seis anos de idade, da raça Quarto de Milha, apresentava emagrecimento progressivo, apetite
depravado, alopecia multifocal, com crostas em algumas regiões, hiperqueratose, seborréia e
era altamente responsível à estímulos externos. O proprietário relatou que o animal recebeu
tratamentos prolongados com antibióticos e antiinflamatórios e suspeitava da utilização de
drogas não prescritas. Foram realizados hemograma, bioquímico (AST, GGT, CK, bilirrubinas,
ferro sérico, uréia e creatinina) e urinálise, onde verificou-se leucocitose, aumento do valor da
bilirrubina indireta (5.78 mg/dL sendo o normal de 0.20 a 2.00 mg/dL) e isostenúria (densidade 1006, sendo o normal de 1020 a 1050). Foi instituída terapia antiinflamatória, antibiótica e
suporte nutricional, porém o animal não respondeu ao tratamento, chegando a caquexia. Dois
meses após chegada ao HV, o animal foi submetido a eutanásia. Os achados mais importantes
na necropsia foram pulmões de aspecto miliar, e ao corte grande quantidade de nódulos medindo entre 0,2 a 0,6cm de diâmetro preenchidos por material caseoso branco amarelado. Na
histopatologia, em meio às células inflamatórias haviam inúmeras hifas septadas, interpretadas
como Aspergillus sp. O fígado continha três nódulos e foco de necrose. Os rins apresentavam
múltiplas áreas focalmente extensas de hifas de Aspergillus sp. no interstício. No peritôneo parietal havia duas nodulações planas, semelhantes aos nódulos encontrados no pulmão. No encéfalo verificou-se áreas de malácia nos lobos parietal e temporal esquerdos do cérebro, que se
aprofundava até próximo da comissura dos hemisférios cerebrais, medindo 4,2x2,1x3cm. Na
substância branca havia múltiplas áreas focalmente extensas de necrose de liquefação acompanhadas por inúmeras hifas de Aspergillus sp. intralesionais. A partir dos achados de necropsia e
histopatologia, diagnosticou-se infecção sistêmica por Aspergillus sp., sugerindo-se que a porta
de entrada do agente infeccioso no organismo foi a via respiratória. O diagnóstico de aspergilose é confirmado pós mortem na maioria dos casos, o que muitas vezes torna o tratamento inadequado, visto que os animais não respondem as terapias convencionais, baseadas em tratamento
de suporte, antibioticoterapia e uso de antinflamatórios.
PA L AV RAS - C H AV E 20
Equino; fungo; malácia
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 21 - setembro/dezembro, 2014
Associação de benzoato de estradiol
e progesterona na preparação de
éguas acíclicas como receptoras
Elizabete Julia da SILVA1; Alexandre Rodrigues de PAULA JUNIOR2; Adelaide Caroline
Primo da SILVA2; Eugênio Souza KUNG2; Roberto Clício MAIA FILHO2; Cláudio Coutinho
BARTOLOMEU2;
O Brasil é um centro de referência no estudo e na utilização de Biotécnicas aplicadas à
Reprodução Equina, como a Inseminação Artificial (IA) e a Transferência de Embriões (TE). A
utilização da TE tem aumentado bastante, possibilitando a exploração máxima de animais de
alto valor genético. Um dos fatores mais importantes para o sucesso da TE em equinos, é a seleção e o manejo das éguas receptoras, já que esta irá reconhecer o embrião e terá que fornecer
as condições necessárias ao seu desenvolvimento. Devido às influências do fotoperíodo, ocorre
certa limitação na utiização de éguas receptoras, sendo assim, faz-se necessário o estudo com
protocolos hormonais que possibilitem a utilização de receptoras de embrião com ciclo artificial. Este trabalho teve como objetivo, comparar taxas de prenhez de éguas receptoras em anestro ou na fase de transição, submetidas à hormonioterapia (Benzoato de Estradiol – BE – dose
única, e progesterona – P4 – de longa ação), com receptoras cíclicas. O estudo foi realizado em
um haras em Vitória da Conquista/Bahia, onde foi feito um acompanhamento folicular, por
meio de palpação retal e ultrassonografia nas éguas doadoras, e as fêmeas que apresentavam folículo com diâmetro maior ou igual a 35,0 mm receberam 2500 UI de gonadotrofina coriônica
humana (hCG), intravenoso (IV), ou 1,0 mg de análogo de GnRH (deslorelina) intramuscular
(IM), como agente indutor de ovulação. As doadoras foram inseminadas com sêmen fresco
(duas palhetas contendo 200 milhões de espermatozóides viáveis) 24 horas após a indução. O
D0 foi considerado o dia da ovulação e o D8 o dia da colheita do embrião. Foram utilizados 39
embriões coletados pela via transcervical, e lavados de três a cinco vezes, com um litro de solução Ringer com lactato de Sódio em cada procedimento. Em uma placa de Petri, os embriões
foram analisados e classificados com auxílio de lupa estereoscópica. Depois, foram transferidos
para outra placa, contendo meio de cultivo BotuEmbryo® para manutenção dos embriões, e
remoção das sujidades aderidas aos mesmos. Os embriões de graus 1 e 2 foram envazados em
palhetas de 0,25 mL e transferidos em inovuladores específicos. Imediatamente antes da inovulação embrionária (via transcervical), as receptoras foram analisadas com exames de palpação
retal para avaliar o tônus e ultrassonografia para avaliação da morfoecogenicidade uterina. As
39 receptoras, foram divididas em dois grupos: Grupo 1 – 22 éguas cíclicas. Nas fêmeas que
apresentavam diâmetro folicular maior ou igual a 35,0 mm em sincronia com as doadoras, era
administrado 1 mL de deslorelina, para induzir a ovulação. Essas foram inovuladas entre os
dias 4 e 8 pós-ovulação. Grupo 2 – 17 éguas acíclicas, onde foi administrado 10mg de BE e 48
horas após, verificou-se a presença de edema uterino, as fêmeas que apresentavam edema entre
3 e 4 foi feita aplicação de 10 mL de P4 oleosa de longa ação, concentração de 200mg/mL, IM e
com repetições semanais até o 120º dia de gestação. Essas foram inovuladas entre 4 e 8 dias após
aplicação de P4. O diagnóstico de gestação foi executado no D14, mediante exame ultrassonográfico. A taxa de prenhez alcançada com a hormonioterapia, não apresentou significância estatística (P>0,05) quando comparada às éguas cíclicas, sendo 76,43% (13/17) e 63,63% (14/17),
respectivamente. O protocolo utilizado no Grupo 2 mostrou ser uma alternativa satisfatória na
preparação de receptoras de embrião.
PA L AV RAS - C H AV E Programa de Pós Graduação em
Sanidade e Reprodução de Ruminantes
– UFRPE/UAG
1
2
Departamento de Medicina
Veterinária - UFRPE
biotécnicas, hormonioterapia, ultrassonografia, ovulação.
21
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 22 - setembro/dezembro, 2014
Associação fitoterápica no
tratamento em feridas de equinos
Cinthia Cristina JARDIM1; Isadora Macedo BARBON1; Bárbara Luiz De SANTANA1
Jockey Club Brasileiro, Rio de Janeiro - RJ
1
- BRASIL.
Os fitoterápicos são obtidos empregando-se matérias-primas ativas vegetais. A diferença entre eles e os medicamentos alopáticos, é que os fitoterápicos atuam de modo mais amplo, pois
vários componentes atuam ao mesmo tempo (efeito sinérgico). Ao longo do tempo, tem havido uma prática de colocar substâncias em feridas com o objetivo de melhorar a cicatrização.
A cicatrização é uma resposta do organismo a uma injúria e consiste de uma ação coordenada
e eficiente de elementos dos sistemas imune e celular, para a reconstituição do tecido lesionado. Atualmente há um interesse crescente em produtos naturais, existindo diversos fármacos
produzidos a partir de plantas medicinais. As feridas podem ser abertas ou fechadas, limpas,
contaminadas, ou infectadas. Embora o processo cicatricial esteja dividido em quatro fases,
na realidade elas são interdependentes e sobrepostas dinamicamente no tempo. Na maioria
dos fitoterápicos de aplicação tópica o local de ação é superficial. Poucas vezes a ação ocorre
na epiderme, derme e hipoderme. O objetivo do presente trabalho é relatar os efeitos do uso
tópico de produto a base de plantas medicinais em feridas cutâneas decorrentes de acidentes
em cavalos de corrida, quando se buscou alternativas satisfatórias para a cicatrização por segunda intenção. Para tal,utilizou-se feridas em 3 equinos adultos, PSI,alojados no Jockey Club
Brasileiro. As lesões eram abertas e localizadas em diferentes regiões (metatarso, abdômen e
antebraço). As mesmas eram tratadas diariamente empregando-se a solução higienizadora de
ferimentos Fitoclean® (Organnact) composta por plantas que promovem limpeza profunda
com ação adstringente. Evidenciou-se melhora na cicatrização após a segunda semana de uso,
quando havia quase completa re-epitelização da área lesionada. Foi possível observar contração
da área lesionada em sua maioria, por volta de 15 dias de tratamento, diferentemente de outros
casos em que não se utilizou o produto no mesmo período de tratamento. Concluiu-se que o
uso tópico de Fitoclean® nas feridas beneficiou o processo de cicatrização.
PA L AV RAS - C H AV E 22
Equinos, ferida, fitoterápico
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 23 - setembro/dezembro, 2014
Avaliação bioquímica e
microbiológica de plasma equino
resfriado coletado por aférese
automatizada
Jackellyne Laís Ferreira LINS¹, Karina Pessoa de OLIVEIRA², George Tenório Pereira de
OLIVEIRA¹, Pierre Barnabé ESCODRO³, Karla Patrícia Chaves SILVA³, Márcia Kikuio
NOTOMI³
O plasma fresco tem sido utilizado na terapia adjuvante de afecções de equinos, principalmente neonatos, fornecendo imunoglobulinas, fatores de coagulação, enzimas e proteínas
plasmáticas, além de auxiliar na manutenção da pressão vascular oncótica. Foi selecionado um
equino sadio, castrado, nove anos, sendo imunizado contra Raiva, Encefalomielite, Tétano, Influenza e Rodococose, recebendo reforço vacinal após 28 dias. O animal, após 21 dias da segunda vacinação, foi submetido à coleta automatizada de plasma por meio do equipamento
Fresenius Kabi® modelo AS104. Foram fracionadas 72 alíquotas de 5 mL de plasma, sendo
mantidas sob refrigeração a 5 ºC. As amostras foram avaliadas em relação ao controle microbiológico (cultura bacteriana) e concentração de eritrócitos, proteínas totais, albumina, fibrinogênio e globulinas séricas, no momento após a coleta, 7, 14, 23 e a cada 30 dias até 180 dias
(6 meses), em sistema experimental por triplicata, Em relação às concentrações séricas de proteínas totais até 30 dias, a média foi de 8,13± 0,69 g/dl, apresentando normalidade entre médias.
Avaliando-se a concentração plasmática de albumina notou-se média de 2,45± 0,17 g/dl, pouco
abaixo da média para a espécie 2,60-3,70± g/dl, valor que já foi inferior na primeira avaliação,
apresentando-se como característica do doador. Em relação às globulinas avaliou-se média de
5,675± 0,286 g/dl, ressaltando que, a média encontrada foi 40,5 % superior à média máxima
para a espécie, que varia entre 2,62-4,04 g/dl. Na avaliação de 30 a 180 dias, as concentrações
séricas de proteínas totais tiveram média de 6,54± 0,64 g/dl. Essa média encontra-se dentro dos
limites preconizados para espécie. Observou-se a média de 2,51± 0,09 g/dl para a albumina,
apresentando normalidade entre médias. As globulinas não variaram significativamente suas
concentrações até 180 dias, indicando que até então não há degradação da amostra. As concentrações de fibrinogênio diminuíram em 50 % na avaliação de 14 dias. Em nenhum momento de
avaliação foi detectado presença de bactérias nas amostras. A qualidade do plasma fresco resfriado (a 5ºC), coletado por aférese automatizada, para uso em equinos é mantida em até 15 dias
para fibrinogênio e em 120 dias para proteínas plasmáticas, albumina e globulinas, indicando
seu uso até esse tempo, podendo ser mantido sob refrigeração à 5ºC. . Ainda, conclui-se que em
até 180 dias de estocagem de plasma fresco resfriado a 5ºC, coletado por aférese automatizada,
não há contaminação microbiológica das amostras, mostrando que a técnica automatizada é
de alta biossegurança.
PA L AV RAS - C H AV E 1
Acadêmicos de Medicina VeterináriaUFAL
² Médica Veterinária autônoma
³ Professores Adjuntos do Curso de
Medicina Veterinária–UFAL
Automação. Controle de Qualidade. Refrigeração.
Plasma Equino.
23
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 24 - setembro/dezembro, 2014
Avaliação da fragilidade osmótica
eritrocitária de equinos em provas
de vaquejada
Railson de Sousa SANTOS, Antonio Francisco da Silva LISBOA NETO, Adriana de Sousa
ARAÚJO, Eremilton Lopes da SILVA, Luciana Pereira MACHADO
Universidade Federal do Piauí, Campus
1
Profa Cinobelina Elvas, Bom Jesus/PI
O aumento do fluxo sanguíneo, hemoconcentração, alterações de pH, temperatura e aumento das espécies reativas de oxigênio induzem estresse físico e químico aos eritrócitos, podendo causar hemólise. Na vaquejada já foi observado aumento do número de eritrócito após
o exercício, porem os estudos não avaliaram se existe lesão nos eritrócitos. O aumento da fragilidade osmótica eritrocitária (FOE) é um importante indicador de hemólise intravascular, sendo
assim, o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do exercício de vaquejada no eritrograma e
na fragilidade osmótica eritrocitária, de modo a verificar se o exercício de vaquejada é capaz de
causar hemólise em equinos. Foram utilizados oito equinos machos da raça Quarto de Milha,
que participaram como cavalos de “puxada” em uma prova de vaquejada, na qual realizaram
de duas a três corridas por dia, durante três dias consecutivos. Foram colhidos 5 mL de sangue
nos momentos: entre 7:00 e 9:00h no dia anterior a prova (M0); logo após a primeira corrida
(M1); 30 minutos (M2) e 24 horas (M3) após a última corrida realizada pelo animal na prova. Foi realizada a determinação do volume globular (VG) por método de microhematócrito;
contagem absoluta de eritrócitos em câmara hemocitométrica; concentração de hemoglobina
em espectrofotômetro pelo método da cianometahemoglobina. A FOE foi determinada pela
porcentagem de hemólise em 16 soluções com concentrações crescentes de cloreto de sódio
(NaCl) tamponado, variando de 0 a 0,85%, em pH 7,4. As absorbâncias foram determinadas
nos sobrenadantes em espectrofotômetro a 540 nm, após centrifugação a 350g por 10 minutos,
com o resultado final indicando a concentração de NaCl correspondente a 50% de hemólise
(H50), calculado a partir da curva dos percentuais de hemólise nas concentrações e ajustada por
um modelo linear generalizado para as proporções, com função de ligação probit. Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) pelo procedimento GLM do SAS e comparação de médias utilizando o teste de Duncan com nível de significância de 0,05. No M0 a média
do número de hemácias (6,83±1,8 x106/µL) e hemoglobina (11,6±1,6 g/dL) estiveram dentro
dos valores de normalidade para equinos embora o VG (30,6±3,4%) estivesse discretamente
inferior, porém semelhante aos valores de repouso observados em outros estudos com equinos
em provas de vaquejada. Foi observado aumento significativo do número de hemácia (8,68 ±
1,66 x106/µL), hemoglobina (15,7 ± 2,1 g/dL) e VG (42,3±5,1%) no M1 (p<0,05). Este aumento
é transitório e reflete a hemoconcentração, que ocorre por ação das catecolaminas, com esplenocontração e mobilização de eritrócitos do baço para a circulação, além de redução do volume
plasmático, devido à redistribuição do volume vascular e perda de fluido, por meio do suor e
respiração. No momento M2 ainda observa-se o efeito das catecolaminas, porém em menor
proporção e não significativo, indicando retorno dos eritrócitos ao baço, e no M3 os valores já
são semelhantes aos basais. Os valores da FOE antes do exercício (0,50±0,04 H50) foram semelhantes aos observados em estudos com equinos da raça Árabe e Mangalarga e demonstram a
inexistência de hemólise prévia. Não houve efeito do exercício na FOE, os valores pós-exercício
foram semelhantes aos valores basais. A influência do tipo do exercício nas alterações da FOE
estão relacionada principalmente ao pH, a acidose no exercício de alta intensidade aumenta a
FOE, enquanto a alcalose no exercício de baixa intensidade diminui a FOE. No presente estudo
os valores da FOE permaneceram constantes e dentro dos valores de referência para a espécie,
provavelmente as alterações no pH foram discretas e o exercício realizado não provocou hemólise. Considerando-se que os animais eram adaptados ao exercício de vaquejada e mantidos nas
mesmas condições ambientais do local de prova, concluiu-se que o estresse da vaquejada não é
suficiente para promover alteração na fragilidade osmótica eritrocitária e hemólise detectável,
nos equinos que realizam o exercício de puxada.
PA L AV RAS - C H AV E 24
Cavalos, hemograma, corrida, hemólise.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 25 - setembro/dezembro, 2014
Avaliação da susceptibilidade
antimicrobiana in vitro, produção
de betalactamase e ocorrência de
Staphylococcus aureus meticilinaresistente em equinos atendidos no
hospital veterinário de Patos-PB
AQUINO, S.S.1; SILVA, L.C.A.1; ROCHA, L.L.L.2; PESSOA, D.A.N.1; SANTOS, M.R.P.1; GARINO
JUNIOR, F.1
Staphylococcus spp. é um dos principais patógenos causadores de infecções em animais,
participando desde processos infecciosos simples à septicemias. Por ser uma bactéria comensal
do organismo, o mesmo, pode ser encontrado na pele, em mucosas, no trato genital, no sistema
respiratório e como microrganismo transitório do trato gastrointestinal. Staphylococcus aureus
meticilina resistente (MRSA) é um dos principais patógenos responsáveis por causar infecções
nosocomiais e, portanto o maior responsável pelas altas taxas de morbidade e mortalidade em
hospitais de todo o mundo, vem emergindo como um dos principais causadores de doenças
em comunidades. Em decorrência ao movimento de MRSA em humanos, infecções por esse
agente são cada vez mais relatadas em animais e pessoas que lidam com o seu manejo. A resistência a meticilina ocorre devido à presença do gene MEC-A que permite ao MRSA ser resistente a todas as penicilinas, cefalosporinas e carbapenêmicos, podendo apresentar resistência a
uma variedade de outros antimicrobianos, como, aminoglicosídeos, macrolídeos, lincosamida,
estreptomicina, tetraciclina, cloranfenicol, fluorquinolonas e rifampicina. Outro fator importante na resistência antimicrobiana é a presença de betalactamases, enzimas que clivam o anel
dos betalactâmicos inativando o antimicrobiano. Este trabalho teve como objetivo avaliar a
susceptibilidade antimicrobiana in vitro, a produção de betalactamases e ocorrência de Staphylococcus aureus meticilina resistente em equinos atendidos na Clínica de Grandes Animais
do Hospital Veterinário de Patos-PB. Foram coletados 30 swabs nasais de equinos, que posteriormente foram imersos em meio Stuart, acondicionados em caixas isotérmicas refrigeradas e
transportados para laboratório de microbiologia da Universidade Federal de Campina Grande/
Campus- Patos, onde foram processados os exames microbiológicos. As amostras foram semeadas em meios de cultura Ágar Sangue ovino (5%) e Ágar manitol, incubadas a 37ºC em aerobiose, realizando leituras seguidas 24 e 48 horas. Para a identificação dos microrganismos isolados
foi realizado a coloração pelo método de Gram, e provas bioquímicas. O teste de susceptibilidade aos antimicrobianos: ampicilina, cefalexina, cefalotina, cefotaxima, gentamicina, neomicina,
norfloxacina, tetraciclina, penicilina, amicacina, azitromicina, kanamicina e amoxicilina+ácidoclavulônicofoi realizado de acordo com o método de Kirby-Bauer.Para confirmação da resistência a meticilina, as bactérias isoladas foram submetidas ao cultivo em Agar biomériux). Já na
verificação de produção de betalactamases, foi realizado o método da cefalosporinacromogênica em disco. As culturas foram incubadas a 37 °C e sua leitura realizada após 24 h. Foi utilizada
como controle a cepa de Staphylococcus aureus ATCC 25923. Os maiores índices de resistência
foram observados para os antimicrobianos, penicilina 83,3%, ampicilina 73,0% e tetraciclina
50,0%. Sendo verificados altos índices de sensibilidade frente à cefalotina 90,0%, seguida de
cefalexina 80%, gentamicina 76,6%, amoxicilina+ ácido clavulônico 73,3%, azitromicina 66,6%,
kanamicina 66,6%, amicacina 56,6%, norfloxacina 56,6%, cefotaxima 26,6%, neomicina 23,3%.
Das 30 amostras de Staphylococcus aureus avaliadas, 63,3% foram identificadas como produtoras de betalactamases e 26,6% foram meticilina resistente. Conclui-se que os equinos podem ter
a presençaem sua microbiota nasal de cepas de Staphylococcus aureus produtoras de betalactamases e meticilina resistentes, essas, em casos de imunosupressão podem se manisfestar como
agentes patogênicos, demonstrando alta resistência a antimicrobianos, colocando a vida dos
animais em risco. Sendo necessário o uso de práticas adequadas de antibioticoterapia em meio
à medicina veterinária evitando seu uso indiscriminado e aumento da resistência.
PA L AV RAS - C H AV E 1
Universidade Federal de Campina
Grande;
2
Médico Veterinário Autônomo
resistência, antimicrobianos, sensibilidade, Staphylococcus
spp.
25
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 26 - setembro/dezembro, 2014
Avaliação da viabilidade
espermática de garanhões da raça
Nordestina pelo teste de termoresistência
M.A.M. SANTOS1; E.A. MORAES1,2; A. GRADELA3
¹Programa de Pós-Graduação em Ciência
Animal, Universidade Federal do Vale do
São Francisco (UNIVASF);
²Colegiado de Zootecnia, UNIVASF;
³Colegiado de Medicina Veterinária,
UNIVASF. E-mail: [email protected]
Avaliou-se a motilidade total e progressiva do sêmen diluído e descongelado de garanhões da raça
Nordestina submetido ao teste de termo resistência (TTR). Ejaculados (N= 18) de dois garanhões clinicamente saudáveis, férteis e com média de 9,5 anos, foram diluídos (1:1) com Botu-Sêmen® a 37°C,
tiveram a motilidade total (MT) e progressiva (MP) avaliadas utilizando-se o CASA® (T0) e após
centrifugação a 2200rpm/15min, e resuspensão com diluente Botu-Crio®, congelados em palhetas de
0,5mL. Após descongelamento em banho maria a 37°C/30s, palhetas de sêmen diluído e descongelado
foram incubadas em banho-maria a 37°C observando-se os tempos de 10 (T10), 30 (T30) e 150 (T150)
minutos para avaliação da MT e MP. As variáveis foram avaliadas pela ANOVA com post hoc teste
de SNK (P<0,05). Este estudo foi aprovado pelo CEDEP/UNIVASF (protocolo nº 0006/161012). No
sêmen diluído a MT foi de 71,29±2,11% (T0); 68,41 ± 2,57% (T10); 66,20 ± 2,64% (T30) e 54,52 ±
5,01% (T150) e a MP de 58,62 ± 2,99% (T0); 55,10 ± 2,96% (T10); 52,24 ± 3,50% (T30) e 39,00 ±
5,22% (T150). A MT e MP foram decrescentes à medida que aumentava o tempo transcorrido no TTR
proposto. No sêmen descongelado a MT foi 30,24 ± 3,07% (T0); 26,10 ± 3,30% (T10); 23,64 ± 3,13%
(T30) e 14,18 ± 2,90% (T150) e a MP de 17,10±2,83% (T0); 12,88±2,78% (T10); 11,83±3,02%
(T30) e 5,44±1,53% (T150). Conclui-se que os animais podem ser classificados como de sêmen de baixa
congelabilidade, pois tiveram motilidade progressiva abaixo de 25% pós-descongelamento, com queda
gradual na motilidade durante o TTR aos 150 min para sêmen diluído e descongelado.
PA L AV RAS - C H AV E Criopreservação, Motilidade
progressiva; Sêmen diluído.
A G R A D E C I M E N T O S FACEPE
26
total;
Motilidade
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 27 - setembro/dezembro, 2014
Avaliação estrutural e bioquímica
de fibras musculares esqueléticas de
equinos participantes de provas de
vaquejada
Marco Augusto Giannoccaro da SILVA*, Jefferson Douglas de Moura ALMEIDA, Flora
Helena de Freitas D’ANGELIS, Antonio de QUEIROZ NETO, Ana Paula Coelho RIBEIRO,
Katyane de Sousa ALMEIDA
Introdução: inúmeras pesquisas foram desenvolvidas para a determinação dos tipos de fibras musculares esqueléticas em diferentes raças de cavalos, treinamento e modalidades esportivas. Porém, não há publicações pertinentes à caracterização e distribuição dos diferentes tipos
de fibras em equinos participantes de provas de vaquejada. Objetivos- caracterizar as variações
existentes na composição estrutural e bioquímica de fibras musculares estriadas esqueléticas de
equinos participantes de provas de vaquejada. Material e Métodos- foram utilizados 14 equinos,
da raça Quarto-de-milha, machos ou fêmeas, com peso médio de 428 kg, que foram previamente selecionados por exame físico completo, sendo incluídos no estudo aqueles que não
apresentavam sinais compatíveis com lesões músculo-esqueléticas. Para a realização da biópsia,
os animais foram colocados em tronco de contenção e as amostras do músculo Gluteus medius
coletadas de acordo com a técnica preconizada por Snow e Guy (1976). As amostras de tecido
muscular coletadas foram pré-resfriadas imediatamente após a colheita pela imersão em N-hexana por 40 segundos e congeladas em nitrogênio líquido à -160oC. Posteriormente, foram
cortadas em criostato frio (-20oC) para obtenção de seções transversais (12µm) e preparadas em
lâminas de vidro para colorações (adenosina trifosfato miofibrilar – mATPase; nicotinamida
adenina dinucleotídeo tetrazólio redutase - NADH –TR e, peroxidase anti-peroxidase - PAP). As
análises morfométricas seguiram o protocolo de D’Angelis et al. (2005) e avaliou-se a área de
secção transversal (AST), a frequência (F) e área total relativa (ATR) de cada tipo de fibra por
campo microscópico analisado. Os dados foram submetidos à análise de variância seguidos de
comparação de médias pelo Teste T para os tipos de fibra e Scott-knott para animal. Resultados
e Discussão- embora não tenha sido evidenciada diferença estatística entre a frequência das
fibras tipo IIA e IIX, o músculo Gluteus medius dos animais estudados foi classificado como
glicolítico, possuindo menor capacidade oxidativa e quantidade de lipídeos. Tal fato se explica
pela fibra tipo IIX apresentar uma maior ATR dentro do músculo. D’ANGELIS et. al., (2006)
detectaram maior F e maior ATR para as fibras tipo IIX quando estudaram o mesmo músculo
em equinos da raça Brasileiro de Hipismo, correlacionando tais achados à influência do cavalo
PSI na formação da raça. Em consonância com Martins et. al., (2007) e Rivero et. al., (2002),
os achados deste estudo para F e ATR são resultantes do treinamento ao qual os animais são
submetidos (alta intensidade e curta duração). Referente à AST, se observou que a das fibras
tipo IIX é estatisticamente maior que a das fibras tipo I e IIA, corroborando com D’Angelis
et. al., (2008) e Martins et. al., (2007), quando avaliaram cavalos Brasileiro de Hipismo e Puro
Sangue Árabe, respectivamente. A maior AST evidenciada nas fibras tipo IIX contribuíram para
os maiores valores de ATR detectados para o mesmo tipo de fibra. Esse achado também tem
estreita correlação com a atividade e treinamento realizados. Conclusões- os resultados indicam
que: o músculo Gluteus medius de equinos da raça Quarto-de-milha participantes de provas de
vaquejada apresentam metabolismo glicolítico com maior capacidade anaeróbica; o rendimento dos animais bem como os resultados obtidos em competições podem ser melhorados com
um menor risco de lesões, se um novo programa de treinamento for realizado, visando melhor
adaptação muscular, traduzido pelo aumento na F, na AST e na ATR das fibras tipo IIA; a técnica da biópsia percutânea é simples, segura e pode ser utilizada mesmo durante o treinamento
de cavalos de vaquejada.
PA L AV RAS - C H AV E resistência, antimicrobianos, sensibilidade, Staphylococcus
spp.
AGRADECIMENTOS
ao CNPQ pela bolsa concedida e ao Grupo de Pesquisa
do Laboratório de Fisiologia Equina (LAFEQ) da
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”,
Campus de Jaboticabal.
*Autor para correspondência:
[email protected]
Escola de Medicina veterinária e
Zootecnia da Universidade Federal do
Tocantins
27
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 28 - setembro/dezembro, 2014
Avaliação subjetiva e objetiva dos
bloqueios anestésicos no membro
pélvico equino
Marcos da Silva AZEVEDO; Flávio Desessards DE LA CÔRTE
¹ Universidade Federal De Santa Maria,
Santa Maria, Rs, Brasil
A claudicação nos membros pélvicos é uma importante condição que acomete cavalos de
esporte e sua localização é particularmente difícil. Os bloqueios anestésicos são importantes
nesta investigação, no entanto existem limitações quanto a sensibilidade e especificidade dos
resultados. A interpretação subjetiva pode ser fator limitante em alguns casos onde a resposta
ao bloqueio é baixa, mas não menos importante. O conhecimento, por parte do avaliador,
dos bloqueios realizados pode resultar em graus de claudicação menores nas avaliações após a
realização dos bloqueios, fato este que pode ser negativo em determinadas situações. A utilização dos sensores inerciais sem fio (Lameness Locator®), como forma de avaliação objetiva,
na rotina de exames de claudicação pode minimizar erros de avaliação. Objetivou-se verificar
se existe diferença na avaliação subjetiva quando o avaliador conhece ou não o bloqueio realizado. Para isso se utilizou uma égua Crioula adulta. Os vídeos (n=6) para avaliação subjetiva
e objetiva foram obtidos durante a avaliação pré-bloqueio (PB), bloqueio das articulações distais do tarso (ADT), bloqueio da articulação tibiotarsiana (ATT), bloqueio volar baixo (VB),
bloqueio da origem do ligamento suspensório (OLS) e avaliação 7 dias após o tratamento
(PT), respectivamente. Em um primeiro momento 12 avaliadores foram solicitados a avaliar
os vídeos desconhecendo a ordem ou bloqueio realizado e os resultados foram tabulados. Em
um segundo momento esses mesmos avaliadores avaliaram os vídeos conhecendo a ordem e os
bloqueios realizados, sendo esses resultados também tabulados para posterior comparação com
a primeira avaliação subjetiva e avaliação objetiva. Para avaliação subjetiva foi utilizada a escala
da AAEP modificada com intervalos de 0,5. Os resultados das avaliações subjetivas (144 avaliações) revelaram que: nenhum dos 12 avaliadores foi capaz de identificar e graduar a claudicação
de forma igual para os dois momentos. Cinco avaliadores, em determinados momentos da avaliação, não concordaram com a maioria dos avaliadores em identificar o membro claudicante
corretamente. Alguns avaliadores identificaram a claudicação do membro torácico esquerdo
(MTE) sendo mais grave que a do membro pélvico direito (MPD), principalmente quando não
tinham conhecimento dos bloqueios. Quando os avaliadores sabiam dos bloqueios realizados
existiu uma tendência para que o escore médio de claudicação do MPD fosse mais elevado,
contrariando a maioria dos trabalhos desta natureza. No entanto, durante a avaliação PT o
escore médio da claudicação do MPD foi menor quando os avaliadores tinham conhecimento
dos bloqueios. Quando os avaliadores identificaram o percentual de melhora dos bloqueios,
uma média de melhora superior a 50% foi identificada apenas na OLS (51,7%) e PT (77,1%).
A avaliação objetiva identificou uma claudicação do MTE e MPD de moderada a severa no PB.
Após o ADT a claudicação do MTE passou a ser moderada e a do MPD seguia moderada a severa, no entanto com 44% de melhora na claudicação de elevação e 74% na de impacto. O ATT
e VB não alteraram a condição visualizada pelo ADT. Após o OLS, a claudicação (MPD) passou
a ser leve com 90% de melhora da claudicação de elevação e ausência do componente impacto,
permanecendo, no entanto, moderada no MTE. Sete dias após o tratamento a claudicação no
MPD foi praticamente eliminada, sendo a claudicação residual em função da claudicação leve
do MTE. A utilização dos sensores inercias no exame de claudicação demonstra ser importante,
visto que as avaliações subjetivas realizadas demonstraram diferença entre os 12 avaliadores,
assim como diferença entre o mesmo avaliador quanto a identificação e graduação correta do
membro claudicante.
PA L AV RAS - C H AV E 28
Claudicação, equinos, Lameness Locator.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 29 - setembro/dezembro, 2014
Babesiose equina por Theileria equi
– Relato de caso
Pollyanna Cordeiro SOUTO1;Jefferson Ayrton Leite de Oliveira CRUZ2; Mayumi Santos
BOTELHO-ONO1; Alexandre Cruz DANTAS², , Janaina Azevedo GUIMARÃES2; Beatriz
Berlinck Dutra VAZ3
A babesiose trata-se de uma enfermidade transmitida por carrapatos, causada pela infecção
de hemácias por parasitas protozoários, seja Babesia caballi ou Theileria equi. A doença caracteriza-se em sua forma aguda, pelo surgimento de febre, às vezes de natureza intermitente, anemia,
icterícia, hepato e esplenomegalia, bem como bilirrubinúria e hemoglobinúria podem estar
presentes na fase final da doença. Apesar da gravidade da infecção aguda, a maioria dos animais
desenvolve a forma crônica, podendo apresentar reagudizações em situações que determinem
a diminuição da taxa de anticorpos, como stress. Esta condição provoca prejuízos diretos, representados principalmente pela queda de performance dos animais,moderada inapetência e
perda de peso. O diagnóstico se dá através da anamnese, exame físico, hematológico com pesquisa de hematozoários e urinálise. O tratamento é a base de antiparasitários e monitoramento
do paciente, fluidoterapia também pode ser realizada a fim de evitar lesões renais. O presente
relato trata-se de um equino macho, mestiço de puro sangue inglês e quarto de milha com nove
anos de idade, atendido no Hospital Veterinário – Ambulatório de Grandes Animais – UFRPE. Segundo o tutor, o animal após ser exercitado apresentava urina de coloração escura, esse
quadro possuiu uma evolução de três meses. O paciente recebeu atendimento de um médico
veterinário o qual suspeitou de Erliquiose e instituiu um tratamento a base de terramicina L.
A. por dez dias (volume não informado) e 20 ml de mercepton diluído em 500 ml de solução
de ringer com lactato, intravenoso, durante cinco dias, porém não obteve êxito. No exame clínico, o animal apresentou mucosas ictéricas e urina de coloração escura, os demais parâmetros
estavam dentro da normalidade. Foi solicitado um hemograma, PPT e FP com pesquisa de hematozoário, revelando apenas uma leve anemia normocítica e normocrômica, e não foram observados hemoparasitas no esfregaço sanguíneo. Realizou-se então a pesquisa de hematozoário
de sangue capilar (ponta da orelha) o qual foi positivo para Theileria equi. Também foi realizada
bioquímica sérica para avaliação da função renal (uréia e creatinina), hepática (AST, GGT, FA,
Proteína Total, Albumina e Globulina) e muscular (CK) onde não houve alteração em nenhum
destes parâmetros. A urinálise revelou apenas hemoglobinúria. O tratamento instituído foi
fluidoterapia intensa até clareamento da urina; repouso; administração de imidocarb, 2,4 mg/
kg, intramuscular, com repetição em 24 horas e suplemento vitamínico a base de ferro, 20 ml
por via oral, uma vez ao dia, durante 50 dias. O animal respondeu bem ao tratamento, porém,
após 33 dias do tratamento o paciente retornou ao hospital veterinário com histórico de apetite caprichoso, com sinais de dor abdominal e mantendo a coloração da urina escura quando
submetido a exercício. O exame clínico revelou mucosa ocular levemente ictérica, hipomotilidade intestinal e ausência de apetite ao alimento oferecido. Todos os exames laboratoriais
foram repetidos, não sendo observada nenhuma alteração, nem a presença de hemoparasitas.
O tratamento instituído anteriormente foi repetido e o animal se recuperou. Os achados clínicos são compatíveis com os descritos em outros relatos. A T. equi é mais patogênica, apresenta
baixa parasitemia quando comparada a B. caballi e é mais facilmente encontrada em sangue
periférico, o que corrobora os achados do presente relato. Nos casos de infecção por T. equi o
índice de recidiva é maior e o animal pode reagudizar o quadro quando submetido a situações
de estresse, como ocorreu com animal descrito. Em geral os animais acometidos por babesiose
sobrevivem à infecção, porém, os tutores devem ser orientados no sentido de que estes animais
permanecem persistentemente infectados representando uma fonte de transmissão aos equinos susceptíveis. Embora na maioria dos casos de infecção por B. caballi a quimioterapia seja
eficaz, ainda não se identificou o tratamento que elimine a infecção por T. equi.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Departamento de Medicina
Veterinária da Universidade Federal
Rural de Pernambuco (UFRPE). E-mail:
[email protected]
carrapato, icterícia, bilirrubinúria, hemoglobinúria.
29
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 30 - setembro/dezembro, 2014
Biomarcadores lipídicos no plasma
de equinos suplementados com uma
mistura de óleos
Ana Isabela Alves DINIZ², Telga Lucena Alves Craveiro de Almeida², Bruno de Lima
BARBOSA¹; Valdelira Lima de LIRA¹; Helena Emília Cavalcanti da Costa Cordeiro
MANSO¹,², Hélio Cordeiro MANSO FILHO¹,²
¹ Núcleo de Pesquisa Equina, Universidade
Federal Rural de Pernambuco, Recife-PE;
² BIOPA – Laboratório de Biologia
Molecular Aplicada á Produção
Animal, Universidade Federal Rural de
Pernambuco, Recife-PE
30
O uso de fontes de óleo sobre o concentrado na dieta dos equinos tem demonstrado vantagens para os praticantes de exercícios. As respostas à suplementação têm sido avaliadas, principalmente, a partir de testes hematológicos, bioquímicos e ensaios de digestibilidade. Oobjetivo
deste trabalho foi avaliar o efeito do uso de uma mistura de óleos (Mega Energy®) sobre a
concentração plasmática do Colesterol total ([COLE-T]) e suas frações ([LDL]) e ([HDL])e
Triglicerídeo ([TGL]). Foram utilizados 10 cavalos MangalargaMarchador, adultos (~7 anos),
de ambos os sexos e em atividade física (40% passo, 60% marcha em 3,5 m/s, durante 60’ em
dias alternados). Cada animal foi suplementado com 300mL do óleo via oral durante 60 dias.
As coletas de sangue foram realizadas em três fases: antes da suplementação (T0 = controle),
com 30 (T1) e 60 dias (T3) de suplementação. As amostras de plasma foram analisadas em
espectrofotômetro semiautomático (Doles 500, Doles®) com kits comerciais (Doles®). Os resultados foram submetidos ao ANOVA, para medidas repetidas e com um fator, e ao teste de
Tukey, em ambos os casos com P estabelecido em 5%, com uso do programa SigmaStat® 3.0
para Windows®. Observou-se diferença significativa (p<0,05) apenas para a[COLE-T] entre T0
e T1, tendo se elevado de 41,50 mg/dL para 69,85 aos 30 dias de suplementação não variando
em T2. Embora os demais parâmetros estudadosnão tenha ocorridodiferença significativa, os
valores médios da [LDL] manteve-se entre 13,00 e 16,31 mg/dL e da [HDL] entre 58,97 e 90,50
mg/dL apresentando níveis mais elevados em T2.Já para [TRG]as médias variaram entre 49,58
e 54,54 mg/dL com níveis mais reduzidos em T2.O Uso de óleo na dieta pode elevar as concentrações de colesterol total no sangue não somente pela quantidade de óleo disponível, como
também pela ação da enzima lipoprotéica lipase durante o exercício atuando na hidrólise dos
triglicerídeos, que neste estudo observou-se redução em T2. A elevação sérica da [LDL] e [HDL]
é evidenciada pela maior absorção digestiva do colesterol total para formação dos sais biliares
em cavalos com dietas ricas em gorduras.A alteração na [COLE-T] e redução sérica na [TGL] indicam que o os lipídeos estavam sendo utilizados como fonte de energia pelos equinos atletas.
Conclui-se então que a suplementação com óleo pode modificar a concentração do colesterol
total em equinos atletas.
PA L AV RAS - C H AV E colesterol, bioquímica, exercício, equinos
PA L AV RAS - C H AV E Haras Cascatinha (Camaragibe-PE), CAPES e Integralmix
Nutrição Animal (Fortaleza-CE).
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 31 - setembro/dezembro, 2014
Biomarcadores sanguíneos de
minerais e lipídeos em potros
neonatos em regime de pasto
Monica Miranda HUNKA1,2, Elizabeth Regina Rodrigues da SILVA1,2, João Luís de
Albuquerque VASCONCELOS1 ,José Mário Girão ABREU3, Helena Emília Cavalcanti da
Costa Cordeiro MANSO1,2, Hélio Cordeiro MANSO FILHO1,2
Na nutrição equina, talvez o conhecimento da nutrição e metabolismo dos minerais seja
o tópico menos estudado e entendido, ao mesmo tempo, de importância reconhecida para
permitir aos potros um crescimento e desenvolvimento equilibrados. Observa-se que o excesso
ou escassez destes nutrientes causam prejuízos no desempenho e até no bem estar dos equinos.
Objetivou-se com este estudo, conhecer os níveis sanguíneos de Cálcio, Fósforo, Magnésio e
Ferro e ainda Colesterol Total e Triglicerídeos em potros neonatos. Foram utilizados 22 potros
da Raça Quarto de Milha, as amostras de sangue foram coletas por meio de venopunção da
jugular, no dia do nascimento, até 6h após. As éguas mães haviam sido mantidas, durante toda
a gestação, em uma fazenda comercial em pastagens de capins Panicum maximum, cv. Massai
e Cynodon dactylon, cv. Tifton85 e tinham à disposição água e sal mineralizado comercial. As
amostras foram analisadas e identificou-se os parâmetros sanguíneos. Os dados estão expressos
em média e desvio padrão. Os valores encontrados foram: Cálcio (9,92+/-0,14mg/dL), Fósforo(5,06+/-0,27mg/dL), Magnésio(1,01+/-0,02mg/dL), Ferro(165,77+/-15,92μg/dL), Colesterol
Total(203,99+/-19,54mg/dL) e Triglicerídeos(45,29+/-3,46mg/dL). Na literatura costuma-se encontrar parâmetros para animais adultos, porém entende-se a necessidade de conhecer os valores destes biomarcadores em outras fases fisiológicas visando-se o interesse em promover uma
nutrição equilibrada e de acordo com cada necessidade. Sabendo-se que a absorção de Cálcio
depende da ação da vitamina D que por ser lipossolúvel está vinculada à presença de lipídeos,
estudou-se também estes níveis. Estes valores podem permitir uma avaliação comparativa entre
os níveis reais no animal e os níveis fornecidos no alimento, sendo nesta fase o leite o principal
deles. É importante destacar que as éguas mães dos potros estudados foram mantidas à pasto,
em condição de fazenda de criação. Concluiu-se que os valores médios de Cálcio, Fósforo e
Magnésio no sangue de potros avaliados foi menor do que nos animais adultos enquanto que
Ferro, Colesterol Total e Triglicerídeos apresentaram médias mais altas que os valores de referência em animais adultos, de acordo com a literatura atual.
PA L AV RAS - C H AV E
cavalo, cálcio, fósforo, metabolismo de minerais, nutrição
equina
AGRADECIMENTOS
Ajinomoto do Brasil, Fazenda Uberaba (Lagoa do Carro
- PE) e Guabi Nutrição Animal
¹ Departamento de Medicina
Veterinária da Universidade Federal
Rural de Pernambuco (UFRPE). E-mail:
[email protected]
31
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 32 - setembro/dezembro, 2014
Coleta de embrião de égua com
folículo hemorrágico induzido à
ovulação com HCG: relato de caso
Adelaide Caroline Primo da SILVA1, Matheus Cavalcanti de FARIAS1, Felipe Sales
BOUDUX1 Marcos Antônio Lemos de OLIVEIRA1, Paulo Fernandes de LIMA1, Claudio
Coutinho BARTOLOMEU 1
¹ Departamento de Medicina Veterinária,
UFRPE, Recife - PE
A falha na ovulação em éguas pode ser proveniente de um folículo hemorrágico anovulatório, o qual deixa de romper ou ovular, com subsequente organização no fluido folicular de
trabéculas ocorrendo em algumas ocasiões a luteinização da parede folicular. Este processo é
bastante relevante, pois pode ocorrer em animais de qualquer idade ou raça e acarreta diminuição nos índices reprodutivos. Os folículos anovulatórios podem persistir por mais de dois
meses e causar um aumento do intervalo interovulatório, com manifestações irregulares de
estro, presença de estro persistente ou ainda infertilidade. A falha na ovulação se deve a um
problema de natureza endócrina, podendo estar associada a uma liberação insuficiente das
gonadotrofinas para induzir a ovulação ou manter o desenvolvimento normal do corpo lúteo.
A maioria desses folículos anovulatórios regride espontaneamente em uma a quatro semanas.
Pode-se administrar gonadotrofina coriônica humana (hCG) ou hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) para se tentar induzir a ovulação desses folículos anovulatórios, embora sua
resposta ainda não produza resultados satisfatórios. Geralmente, a ovulação desses folículos
persistentes, seja natural ou induzida, não suscita uma gestação, principalmente por causa do
envelhecimento do oócito. Objetivou-se relatar a ovulação de um folículo hemorrágico anovulatório induzido por hCG gerando a coleta de um embrião. O presente estudo foi realizado no
Rancho Venneza, haras de cavalos de raça Quarto de Milha, situado no município de Vitória da
Conquista na mesorregião do centro-sul baiano que apresenta clima tropical de altitude. Foi
utilizada uma égua doadora de embriões, com doze anos e pesando 500kg. A égua permaneceu
em baia de 4m², sob luz artificial das 17h às 22h, sendo alimentada com 6kg de concentrado
comercial fracionado em três vezes ao dia além de cestas de capim tifton 85 Cynodon spp entre as refeições. Água e sal mineral eram ofertados ad libitum. O ciclo estral foi acompanhado
através de palpações retais e exames ultrassonográficos (SIUI CTS – 3300V®, transdutor linear 5,0mHerz). A égua apresentava um folículo no ovário direito medindo aproximadamente
35mm no dia da indução da ovulação. Para realização desta, foram utilizadas 2000 UI de hCG
(Vetecor – Hertape Calier) por via intravenosa. Oito dias após a indução realizou-se uma nova
ultrassonografia para averiguar sua eficácia e foram observadas imagens compatíveis com um
folículo hemorrágico anovulatório. Porém, na lavagem uterina, coletou-se um embrião. Fez-se
a transferência do embrião confirmando-se a prenhez por palpação retal e ultrassonografia
aos 30 dias sendo a mesma reconfirmada aos 60 dias. Muitas hipóteses a respeito do folículo
hemorrágico anovulatório são levantadas, entretanto sua causa ainda não é bem definida. A
presença do embrião viável no lavado uterino configura-se como caso atípico evidenciando a
necessidade de estudos para um completo entendimento dos processos envolvidos na formação dos folículos hemorrágicos. Além do desenvolvimento e aprimoramento de técnicas que
proporcionem a solução do problema e consequentemente um melhor aproveitamento reprodutivo dos animais acometidos.
PA L AV RAS - C H AV E 32
éguas, folículos, hemorragia
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 33 - setembro/dezembro, 2014
Cólica em equino por
tromboembolismo no ramo cólico
direito da artéria ileocólica - relato
de caso
Jorge Tiburcio Barbosa de LIMA1, Antônio Fernando de Amorim FARIAS1, Luiz Carlos
Fontes BAPTISTA FILHO2.
O tromboembolismo é a causa mais comum de infartos não estrangulantes no intestino
grosso de equinos. Dentre as etiologias mais frequentes de tromboembolismo estão as arterites
verminóticas causadas pela migração de larvas de Strongylus vulgaris, coagulação intravascular
disseminada secundária a sepse aguda e colonização bacteriana focal na parede do vaso. Não
são incomuns as tromboses na vasculatura intestinal e na jugular. Trombos liberados de locais
distantes podem causar obstruções em diversos órgãos, porém a maior probabilidade é no
intestino grosso. A obstrução vascular via isquemia acarreta diferentes distúrbios e lesões nos
segmentos acometidos, podendo se estender além da área acometida. O objetivo deste trabalho
é de relatar um caso de cólica ocasionado por tromboembolismo do ramo cólico da artéria
ileocólica. Uma égua, Quarto de Milha, 2 anos, foi encaminhada para a Clínica de Equinos
Dr. Fernando Farias- CEFF apresentando quadro de desconforto abdominal há aproximadamente 12h, sem resposta a medicação analgésica. Pelo exame físico observou-se taquicardia,
taquipnéia, desidratação leve, dor moderada e intermitente, hipomotilidade intestinal e pela
palpação transretal não foi identificada qualquer alteração. Observou-se a presença de uma ferida de aproximadamente 15cm de diâmetro no terço proximal do sulco jugular esquerdo, flebite
jugular externa bilateral e edema facial. A análise do liquido peritoneal evidenciou aumento
na concentração de proteínas totais. Realizou-se reposição hidroeletrolítica e posteriormente
celiotomia exploratória, devido ao quadro de dor intermitente e diagnóstico indefinido. Pela
celiotomia foram reveladas lesões no cólon maior na área da flexura esternal, compatível com
distúrbio circulatório regional, onde havia áreas apresentando diferentes lesões, tais como edema da parede intestinal com espessura aproximada de 3cm, congestão, necrose e trombo localizado no ramo cólico da artéria ileocólica com aproximadamente 15cm de extensão. Através da
celiotomia exploratória foi possível estabelecer a causa do abdômen agudo, como sendo infarto
em parte do cólon maior na área da flexura esternal decorrente de tromboembolismo do ramo
cólico da artéria ileocólica. Devido aos achados foi decidida a realização da eutanásia, em razão
do comprometimento do órgão acometido. Segundo relato do proprietário, a flebite jugular
foi decorrente de administração errônea de fenilbutazona. Em decorrência da lesão jugular
trombótica foi aventada a hipótese de ter ocorrido desprendimento de coágulos que podem
ter ocasionado a obstrução do ramo arterial no cólon. As cólicas decorrentes de tromboembolismo possuem manifestação clínica semelhante a outras causas de cólica sem estrangulamento
do intestino grosso e muitas vezes seu diagnóstico é definido durante a cirurgia ou necropsia.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico Veterinário da Clínica de
Equinos Dr. Fernando Farias- CEFF,
Caruaru/PE
2Professor da Unidade Acadêmica de
Garanhuns/Universidade Federal Rural
de Pernambuco
e-mail: [email protected]
Equino, trombose, abdômen agudo.
33
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 34 - setembro/dezembro, 2014
Concentração de cálcio, fósforo
e magnésio no plasma de cavalos
marchadores atletas
Lucia Maia Cavalcanti FERREIRA1, João Luís de Albuquerque VASCONCELOS1,2, Gisele
Barbosa da SILVA1,2, Simone Gutman VAZ2, Helena Emília Cavalcanti da Costa Cordeiro
MANSO2, Hélio Cordeiro MANSO FILHO1
¹ Núcleo de Pesquisa Equina,
Universidade Federal Rural de
Pernambuco, Recife-PE
² BIOPA - Laboratório de Biologia
Molecular Aplicada à Produção
Animal, Universidade Federal Rural de
Pernambuco, Recife-PE
34
Os Biomarcadores sanguíneos tem sido alvo de pesquisas nos equinos, especialmente na
relação entre o estresse oxidativo e as alterações hematológicas . Os estudos sobre as raças
marchadoras tem avançado no Brasil, quanto a resposta fisiológica ao exercício, a capacidade
atlética e as variações na biometria. Entretanto, há poucas comparações dos biomarcadores
bioquímicos entre as raças e conforme o tipo de andamento. Esse trabalho teve como objetivo comparar as concentrações de cálcio ([Ca]), fósforo ([P]) e magnésio ([Mg]) entre animais
das raças Campolina (CAMP) e Mangalaga Marchador (MM), de marcha batida ou picada
e teve aprovaçao pela Comissão de Ética para Uso dos Animais através da CEUA-UFRPE
N°026/2013. Foram colhidas amostras de sangue de 100 equinos, adultos, de ambos os sexos,
participantes em competições regulares de marcha, no Estado de Pernambuco. Os animais foram divididos em grupos CAMP batida (n=25), CAMP picada (n=25), MM batida (n=25) e MM
picada (n=25), possuíam manejo alimentar intensivo semelhantes (forragem: capim elefante
(Pennisetum purpureum, Schum) e concentrado comercial, além de sal mineralizado e água à
vontade. Eram treinados de duas a três vezes por semana à marcha, por cerca de 40-50 minutos.
As amostras de sangue foram obtidas com os animais em jejum e no mínimo após 24 horas do
treinamento. Elas foram centrifugadas e as amostras de plasma obtidas foram analisadas para
determinação da [Ca], [P] e [Mg] em equipamento semiautomático (D-500, Doles®) e com kits
comerciais (Doles®). Os resultados foram submetidos ao ANOVA e ao teste de Tukey, em ambos os casos com P estabelecido em 5%. As [Ca] e [P] foram diferentes entre as raças e tipo de
marcha (P<0,01), o mesmo não ocorrendo com a de [Mg] (P>0,05). A média da [Ca] observada
nos animais MM batida (~8,54mg/dL) foi inferior aos demais grupos (P<0,01) e a mais elevada
no CAMP batida (~9,12mg/dL). Quanto a [P], observou-se que a mais baixa foi a do grupo MM
picada (~4,42mg/dL) diferindo dos demais grupos analisados (P<0,01); a [P] mais elevada foi
observada no grupo MM batida (~4,78mg/dL). Para a [Mg] houve uma tendência para variação
(P=0,08), com a concentração mais elevada observada nos animais CAMP picada (~1,12m/gdL)
e a mais baixa no grupo MM picada (1,05mg/dL) . Os valores encontrados estavam dentro dos
parâmetros fisiológicos para a espécie equina.Contudo, essas diferenças devem ser levadas em
consideração quando esses grupos de animais são avaliados, sob diferentes condições de saúde e
treinamento. Concluiu-se que as [Ca] e [P] variam entre as raças CAMP e MM e que também
ocorrem diferenças nessas variávéis entre os animais e os tipos de marcha picada e batida.
PA L AV RAS - C H AV E equinos, biomarcadores, marcha picada, marcha batida.
AGRADECIMENTOS
Guabi Nutrição Animal e CAPES
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 35 - setembro/dezembro, 2014
Concentração de ureia e creatinina
em cavalos marchadores submetido
ao teste de marcha
Stephânia Katurchi Mendes MÉLO2, Suzana Rute Gomes MARIANO1, Simone Gutman
VAZ2, Carolina Jones Ferreira Lima da SILVA2, Helena Emília Cavalcanti da Costa Cordeiro
MANSO2, Hélio Cordeiro MANSO FILHO1
O exercício físico produz grandes níveis de estresse sobre o organismo, pois submete ele
à grandes alterações visando à adaptação do atleta a diferentes condições. O conhecimento da
bioquímica sérica é usado para definir a capacidade adaptativa do cavalo atleta. Objetivou-se
mensurar os biomarcadores proteicos no plasma de equinos submetidos ao teste de simulação
de marcha. Foram utilizados doze animais da raça Mangalarga Marchador, adultos, de ambos
o sexo, pesando ~400kg. Eles foram alimentados com capim elefante (Pennisetum purpureum
Schumach) in natura picado (~15kg/dia/animal) e suplementados com concentrado comercial
três vezes ao dia, de forma a obterem energia necessária para animais em exercícios de média
duração e média intensidade. Esses animais foram submetidos a Teste de Simulação de Marcha
(TSM), que consistia em 10 minutos de aquecimento ao passo, 30 minutos à marcha e 15 minutos ao passo para recuperação, todos no período matinal com os animais em jejum. Amostras
de sangue foram coletadas nos seguintes tempos: jejum (T1), imediatamente após o TSM (T2),
após 15 minutos de recuperação (T3) e após 4 horas do TSM (T4). As amostras de plasma foram
utilizadas para avaliar a [URE] e [CREAT] em equipamento semiautomático (D-500, Doles®) e
com kits comerciais (Doles®). Os resultados foram submetidos ao ANOVA e ao teste de Tukey,
em ambos os casos com P estabelecido em 5%. As análises dos resultados demonstraram que
ocorreu uma variação nos valores das [URE] e [CREAT] (P<0,05). No que se refere a [URE]
os valores elevaram-se conforme as fases, sendo o menor valor encontrado no T1 (29,65±5,72)
e maior valor no T4 (35,43±6,00). Na avaliação da [CREAT] menor valor foi observado no T1
(1,30±0,27) quando comparado aos T2 (1,47±0,22), T3 (1,49±0,20) e T4 (1,34±0,24). Entretanto
deve-se observar que todos os valores encontrados para ambos biomarcadores estavam dentro
do valor de normalidade para a espécie estudada, mesmo com o estresse produzido pelo TSM.
A avaliação das concentrações de URE e CREAT podem ser utilizadas para avaliar o metabolismo proteico e também a função renal dos animais, além de poderem estar modificadas nas
afecções do sistema renal e nos casos graves de desidratação, esses resultados corroboram com
estudos que demonstram que os biomarcadores elevam-se durante o exercício físico, devido
ao desvio do fluído intercelular e a perda de fluídos e a possível degradação de aminoácidos
e proteínas durante os exercícios. Conclui-se que as alterações nos biomarcadores estudados
demonstram a adaptação metabólica submetidos a TSM, todavia, essas alterações não foram capazes de alterar a clínica dos animais atletas. Espera-se que bom programa de treinamento seja
essencial para preparar o organismo para intensas modificações que ocorre no desempenho
atlético sem comprometer o bem-estar dos animais.
PA L AV RAS - C H AV E Equino, trombose, abdômen agudo.
AGRADECIMENTOS
Integralmix Nutrição Animal, Ajinomoto do Brasil e
CAPES.
¹ Núcleo de Pesquisa Equina,
Universidade Federal Rural de
Pernambuco, UFRPE, Recife-PE
² BIOPA - Laboratório de Biologia
Molecular Aplicada àProdução
Animal, Universidade Federal Rural de
Pernambuco, Recife-PE
35
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 36 - setembro/dezembro, 2014
Contagem de Strongylus spp. em
equinos situados na mesorregião
leste de Nossa Senhora do SocorroSE
Kerly Priscila de Santana Vieira SANTOS1, Fagner Paulo Cruz ANDRADE1, Raissa Souza
NUNES1, Allan Crispim Fonseca Souza CASTRO1, Francisvalter Souza de SANTANA1, Heder
Nunes FERREIRA2.
¹ Discentes da Faculdade Pio Décimo;
2 Docente da Faculdade Pio Décimo
Os equinos apresentam uma grande variedade de parasitas em sua fauna gastrointestinal,
podendo apresentar já nas primeiras semanas de vida uma vasta possibilidade de infecções
parasitárias, tendo como principal e mais importante os nematódeos do gênero Strongylus. Os
animais parasitados podem apresentar apatia, pelagem áspera, crescimento lento, cólicas e diarreias. Os danos causados pelas parasitoses em equinos vão desde lesões no trato gastrointestinal
até graves distúrbios em processos enzimáticos e hormonais. O objetivo deste trabalho foi verificar o nível de parasitose por Strongylus spp. em equinos da raça quarto de milha criados em
sistema semi-extensivo em um haras situado no município de Nossa Senhora do Socorro-SE.
Foram coletadas fezes de 116 animais de ambos os sexos e diferentes idades, divididos em nove
grupos: Matrizes prenhes (08), receptoras prenhes (08), potros (32), receptoras paridas (06),
matrizes paridas (15), garanhões (5), éguas vazias (20), receptoras vazias (18) e matrizes apartadas (04), que anteriormente haviam apresentado um histórico parasitário de Strongylus spp, no
qual foi instituído o tratamento com vermífugos específicos para equídeos. Diante do presente
perfil, foi idealizado um projeto de pesquisa de contagem de Strongylus spp. para verificar o
nível de infestação após 3 meses do tratamento instituído. As coletas de fezes foram obtidas
diretamente da ampola retal com auxilio de luvas de palpação individuais e etiquetadas para
identificação de cada animal e em seguida acondicionados em caixa isotérmica contendo gelo
e transportadas ao laboratório de parasitologia do hospital veterinário Dr. Vicente Borelli da
Faculdade Pio Décimo em Aracaju-SE. No laboratório cada amostra de fezes foi homogeneizada, pesada e separada para realização dos exames conforme a técnica de ovos por grama de fezes
(OPG) e sedimentação simples, de acordo com. Para analise dos dados, foi utilizado o valor
de média de cada lote, nos quais se apresentaram da seguinte forma: doadoras prenhes 3.150
opg/fezes, receptoras prenhes 2.425 opg/fezes, potros 1.922 opg/fezes, receptoras paridas 2.017
opg/fezes, matrizes paridas 2.733 opg/fezes, garanhões 1.300 opg/fezes, éguas vazias 2.030 opg/
fezes, receptoras vazias 3.050 opg/fezes e matrizes apartadas 3.000 opg/fezes. Foi encontrado um
valor médio de 2069 opg/fezes nos 116 animais analisados. Foi observado que a média geral
de ovos pela contagem por grama de fezes nos equinos foi de 2069 opg/fezes, demonstrando
o quanto estes animais estavam eliminando parasitas no ambiente, sugerindo uma parasitose
significativa no sistema digestório dos mesmos. Onde o grupo que apresentou a média maior
de parasitose foi o de matrizes prenhas, receptoras vazias e matrizes apartadas, respectivamente,
e o grupo que apresentou menor média foi o de garanhões, podendo considerar que o manejo
entre os grupos estudados e a condição de imunossupressão em animais se apresentou nos
grupos de menor zelo, podendo ser um fator para justificar a diferença dos resultados entre os
grupos. Concluindo que as amostras das fezes dos equinos de ambos os sexos e idades analisados, apontou níveis elevados de infestação de Strongylus spp. comprovando o histórico antes
informado e caracterizando um tratamento ineficaz para o parasita em questão.
PA L AV RAS - C H AV E 36
gastrointestinais; nematódeos; parasitas.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 37 - setembro/dezembro, 2014
Controle de qualidade de plasma
equino congelado coletado por
aférese automatizada: resultados
preliminares
Jackellyne Laís Ferreira LINS¹, Karina Pessoa de OLIVEIRA², Fausto Barbosa dos SANTOS
NETO¹, Pierre Barnabé ESCODRO³, Karla Patrícia Chaves SILVA³, Márcia Kikuio NOTOMI³
A plasmaférese transfusional é uma técnica que consiste na retirada de sangue de um doador, seguida por separação do plasma e reintrodução dos elementos celulares na circulação
sanguínea, podendo ser realizada de maneira manual ou automatizada. Em equinos, o plasma
fresco congelado é indicado para o tratamento de patologias que resultam em redução das
proteínas plasmáticas, quando da necessidade de expansão aguda de volemia, em casos de falha
na transferência de imunidade passiva ou quando se pretende fornecer imunidade específica.
Desta forma, esse trabalho visou avaliar as características bioquímicas e microbiológicas de
plasma equino congelado obtido por aférese automatizada. Foi selecionado um equino sadio,
castrado, nove anos e previamente imunizado (Raiva, Encefalomielite, Tétano, Influenza e Rodococose), o qual foi submetido a coleta automatizada de plasma por meio do equipamento
Fresenius Kabi® modelo AS104. Foram fracionadas 72 alíquotas de 5 mL de plasma, sendo
mantidas sob congelamento a -20 ºC, observando as mesmas a cada 30 dias durante 300 dias
(10 meses), em sistema experimental por triplicata, visando mapear a queda de concentrações
de proteínas séricas plasmáticas e possível contaminação microbiológica em relação ao tempo
de estocagem, obtendo resultados preliminares em relação ao controle microbiológico (cultura
bacteriana), concentração de eritrócitos, proteínas totais, albumina, fibrinogênio e globulinas
séricas. Avaliando as concentrações séricas de proteínas totais no plasma congelado, a média foi
de 8,48± 0,3174 g/dl, apresentando normalidade entre médias. Em relação a concentração plasmática de albumina observou-se média de 2,48± 0,08 g/dl, valor pouco abaixo da média para a
espécie 2,60-3,70 g/dl, apresentando-se como característica do doador. Em relação às globulinas
avaliou-se média de 5,65± 0,183 g/dl, apresentando-se fora da normalidade, que varia entre 2,624,04 g/dl. O que foi relevante é que a média encontrada foi 40,4 % superior à média máxima
para a espécie, o que mostra uma efetividade da imunização realizada pré-coleta, podendo avaliar-se um aumento absoluto nos valores das globulinas. Em relação ao fibrinogênio não houve
variação entre as amostras nos momentos de avaliação. Foi possível concluir que, a qualidade
do plasma fresco congelado (a -20ºC), coletado por aférese automatizada, para uso em equinos
é mantida em até 300 dias para proteínas plasmáticas, fibrinogênio albumina e globulinas. Não
foi observado contaminação microbiológica nas amostras. A pesquisa continuará até 36 meses
de estocagem do plasma fresco congelado equino, buscando comprovar os dados de Razouk e
Reiche (2004) para plasma congelado humano, que mantém suas propriedades bioquímicas a
-20ºC e a -30ºC, respectivamente por 12 e 24 meses, já que estudos direcionados à espécie ainda
são restritos.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Núcleo de Pesquisa Equina,
Universidade Federal Rural de
Pernambuco, UFRPE, Recife-PE
² BIOPA - Laboratório de Biologia
Molecular Aplicada àProdução
Animal, Universidade Federal Rural de
Pernambuco, Recife-PE
Cavalo. Plasmaférese. Qualidade. Estocagem.
37
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 38 - setembro/dezembro, 2014
Criptorquidismo inguinal bilateral
em equino - relato de caso
Fagner Paulo Cruz de ANDRADE¹, Hiderley de Almeida SANTOS¹, Raissa Souza NUNES¹,
Kerly Priscila de Santana Vieira SANTOS¹ Jonathan Henrique NANTES², Heder Nunes
FERREIRA³
¹ Discente da Faculdade Pio Décimo;
² Docente da Faculdade Pio Décimo;
³ Médico Veterinário da Faculdade Pio
Décimo
Criptorquidismo significa a não descida de testículo para a cavidade da bolsa escrotal. Pode
ser classificado em uni ou bilateral, abdominal, inguinal, inguino-abdominal ou inguino-escrotal. O tipo unilateral é o mais comum em equídeos. Os cavalos criptorquidas bilateral são
estéreis mantendo o comportamento de garanhões. Nos criptorquidas unilateral o comportamento sexual é normal, porém a concentração espermática é reduzida, não sendo aconselhável
para reprodutores devido a chance elevada de etiologia hereditária, sendo indicada a orquiectomia. São importantes para o diagnóstico o histórico, a inspeção, a palpação externa e transretal,
a ultrassonografia e a dosagem de testosterona sérica. O tratamento é cirúrgico que pode ser
pelas técnicas: Inguinal, pré-inguinal, pré-púbica, paramediana, paraprepucial, pelo flanco e
transendoscópica. O presente trabalho tem o objetivo de relatar o atendimento de um equino,
6 anos, 400kg aproximadamente, Quarto de Milha, no HV Dr. Vicente Borelli - Aracaju-SE. O
proprietário relatou que o equino manifesta alterações de comportamento quando na presença
de éguas. Pelo exame físico os parâmetros se apresentavam normais. Na inspeção evidenciou-se
ausência dos testículos na bolsa escrotal. Pela ultrassonografia localizaram-se os testículos nos
canais inguinais, sendo indicada e realizada a criptorquidectomia pelo acesso parainguinal. O
exame macroscópico dos testículos permitiu verificar a condição de hipoplásia de ambos os
testículos, sendo que em um as dimensões foram de 6x2,7x2,7cm, e no outro 5,5x2,5x2,3cm .
O animal foi mantido internado sob observação e cuidados pós-operatórios, constituídos por
curativos diários com solução diluída de iodopovidona tópico, seguida de rifamicina spray
sobre as feridas e repelente ao redor. Para uso sistêmico foi administrada gentamicina 4mg/
kg/iv/SID/7dias, benzilpenicilina procaína, benzatina e potássica 22000UI/kg/im/BID/5dias,
flunexim meglumine 1,2mg/kg/iv/BID/4dias. Aos 7 dias de internação o equino recebeu alta
e foi encaminhado de volta a propriedade, onde foram retirados os pontos após 15 dias da
criptorquidectomia. A técnica cirúrgica empregada e a conduta pós-operatória apresentaram-se
satisfatórias.
PA L AV RAS - C H AV E 38
Cirurgia, garanhão, testículo.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 39 - setembro/dezembro, 2014
Dermatite em equino causada
por Aspergillus nigger e Sporotrix
schenckii
Kerly Priscila de Santana Vieira SANTOS¹, Raissa Souza NUNES¹, Fagner Paulo Cruz
de ANDRADE¹, Genivaldo de Amorim MARINHO¹, Jose Carlos Ferreira da SILVA², Heder
Nunes FERREIRA³
As dermatites acometem diversas espécies domésticas, tendo como agentes etiológicos
muitas vezes uma grande variedade de fungos denominados coletivamente como dermatófitos.
A dermatite afeta principalmente áreas de pele despigmentadas e os animais tendem a se recuperam após serem retiradas as condições que favorecem o crescimento de fungos oportunistas.
A pele pode ser infectada por Aspergillus spp durante processos disseminados, ou mesmo, de
modo primário, devido a alguma ferida ou queimaduras, em pacientes com sistema imunológico baixo, as infecções micóticas apresentam uma grande distribuição mundial, em equinos
é raro ser encontrado este fungo em dermatite, os principais agentes infecciosos de pele são
Pythium insidiosum, Trichopython equinum e Sporotrix schenckii, Microsporum gypseus. As
lesões podem se apresentar como pápulas, pústulas, nódulos, abscessos subcutâneos, granulomas ou lesões necróticas, além de lesões em órgãos internos, como fígado, pulmão e placenta. O
Objetivo em questão é relatar o diagnóstico de dermatite causado por Apergillus níger, Sporotrix
schenckiii, secundaria a lesão traumática de um equino SRD, macho, usado em carroça para
serviços de tração de uma propriedade situada no município de Nossa Senhora do Socorro-SE,
que durante o atendimento, foi constatada uma ferida suja de acordo com o grau de contaminação, fechada de acordo com o grau de exposição tecidual e de característica contusa na região
do dorso, provavelmente pelo uso inadequado da carroça. Realizada uma raspagem com o auxilio de um bisturi, e o material coletado e armazenado em coletor seco estéril, sendo em seguida
transportado até o laboratório de microbiologia do Hospital Veterinário Dr. Vicente Borelli em
Aracaju-SE. A amostra foi submetida a vários exames microbiológicos dentre os quais: semeio
em Ágar Sangue, usando a técnica de semeadura para isolamento e no final da semeadura, picar o meio com a alça para verificar hemólise em profundidade e incubar à 35ºC em estufa e
observar após 24 horas, semeio em Ágar sabouraud, incubar o meio semeado em temperatura
ambiente e outro à 37ºC,observar diariamente a presença ou não de crescimento, inoculação
em caldo BHi ,com o auxílio de uma alça ou fio bacteriológico, inocula-se a colônia ou o
material a ser testado - realizar o teste proliferação em 18 a 24 horas, incubados a 35°C e para
o isolamento de fungos incubar por até 5 dias. Após os cultivos conseguidos com os métodos
supracitados foram encontrados os seguintes fungos: Aspergillus níger e Sporotrix schenckii.
Fatores estressantes como desmama precoce, carência alimentar e traumatismos por manejo
inadequado, associados a períodos chuvosos e quentes, levam ao desequilíbrio das barreiras superficiais de defesa imunológica e inespecíficas quebrando a integridade da pele e permitindo
a instalação da dermatofitose. Assim, acredita-se que o presente caso seja resultado da interação
de alguns fatores desencadeadores, como a imunossupressão, traumatismo da pele e ambiente
favorável. O diagnóstico diferencial deve incluir a dermatofilose, alergia a picadas de insetos,
pênfigo foliáceo, dermatite de contato, sarcóide e as demais foliculites. Assim, reitera-se que o
diagnóstico definitivo requer o auxílio de exames laboratoriais complementares, como citologias, cultura e/ou biópsia. Diante do exposto, podemos ressaltar a importância da realização de
exames complementares para auxiliar no diagnóstico de dermatites, destacando neste resumo a
presença de um agente etiológico incomum, Aspergillus niger, na espécie em questão.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Núcleo de Pesquisa Equina,
Universidade Federal Rural de
Pernambuco, UFRPE, Recife-PE
² BIOPA - Laboratório de Biologia
Molecular Aplicada àProdução
Animal, Universidade Federal Rural de
Pernambuco, Recife-PE
dermatofilose, fungos, equídeos.
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Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 40 - setembro/dezembro, 2014
Deslocamento dorsal intermitente
de palato mole em equino (Equus
caballus) da raça puro sangue inglês:
relato de caso
D. G. CAMPOS1; A. E. PINNA2; R. B. MOURA3; A. M. VIANA4; C.M. CARVALHO5
¹ Mestrando Universidade Federal Rural
do Rio de Janeiro.
2Professora Adjunta UFF .
3Veterinária Autônoma.
4,5Professor Unifeso.
E-mail: [email protected]
Dentre as anormalidades mais comuns encontradas em equinos estão as do sistema respiratório, que são descritas como a segunda maior causa de queda de performance nestes animais, ficando atrás apenas dos distúrbios do sistema musculoesquelético. Estas afecções podem
estar ligadas ao trato respiratório superior ou inferior, sendo que os ruídos respiratórios estão
frequentemente associados às afecções do trato respiratório superior. O deslocamento dorsal
do palato mole ocorre quando a epiglote, que normalmente se encontra na parte superior do
palato mole, é deslocada para baixo. Relata-se o caso de uma égua Puro Sangue Inglês, de três
anos de idade e com histórico de redução de performance, principalmente no terço final das
provas em que competia, tendo participado de três corridas, com duas descolocações (oitavo
lugar). Realizou-se um exame clínico completo, porém a égua não apresentou nenhuma alteração respiratória, tanto pré como pós-exercício. No pós-exercício também não apresentou
nenhuma alteração de ruídos expiratórios. Os ruídos apenas surgiam quando em esforço máximo, ocasionando uma queda no desempenho da égua durante a corrida. Para diagnosticar
foi feita uma avaliação por endoscopia em repouso do trato respiratório superior e inferior pré
e pós-exercício, onde a égua também não apresentou nenhuma alteração. Com isso foi procedeu-se uma avaliação do trato respiratório superior com a utilização de endoscopia dinâmica. A
endoscopia dinâmica foi realizada através de exercício no centro de treinamento, por um trabalho na distância de 1200m. Após o exercício foi feita nova endoscopia convencional, onde não
foi detectada nenhuma alteração. Porém, na avaliação do vídeo gravado durante a endoscopia
dinâmica, foi observado o deslocamento dorsal do palato mole, sendo que o mesmo deslocava
somente durante o esforço máximo, retornando para a posição normal em seguida. A opção
escolhida para tratamento foi o procedimento cirúrgico para correção do deslocamento dorsal
do palato mole intermitente, e a técnica cirúrgica utilizada foi a Tie Forward, com o objetivo
de deslocar dorsalmente e caudalmente o osso basihioide e mover a laringe dorsal e rostralmente para evitar o deslocamento dorsal do palato mole. O controle da dor no pós-cirúrgico
foi implementado acompanhamento através de exames clínicos duas vezes ao dia, onde foram
aferidos todos os parâmetros da paciente, além de administração diária de antinflamatório,
antibióticos e curativos. Para avaliação da técnica cirúrgica foram realizadas radiografias pré e
pós-cirúrgicas, sendo que na radiografia pós-cirúrgica se observou uma alteração de posição do
osso basihoide e epiglote. Após 30 dias da cirurgia, a égua retornou ao treinamento. Em 90 dias
após a cirurgia foi realizada nova endoscopia dinâmica onde não se observou o deslocamento
dorsal do palato mole, e o animal retornou para competição com vitória em uma distância de
1400 metros, em seguida nova corrida com uma quarta colocação e mais duas corridas com
duas vitórias. A redução da performance atlética e a presença de ruídos expiratórios em um
equino durante a corrida são os principais sintomas do deslocamento dorsal do palato mole
intermitente. A endoscopia dinâmica se mostrou um exame diagnóstico eficaz para detectar o
deslocamento dorsal do palato mole intermitente. A técnica cirúrgica de Tie Forward foi neste
caso um método eficiente para a correção do deslocamento dorsal intermitente do palato mole
do equino.
PA L AV RAS - C H AV E 40
Palato mole. Deslocamento. Equino.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 41 - setembro/dezembro, 2014
Desmotomia do check inferior
à campo como tratamento de
contratura do tendão flexor digital
profundo: relato de caso
Natália Matos Souza AZEVEDO1*, Márlon de Vasconcelos AZEVEDO1, José Carlos Ferreira
da SILVA2, Paulo Fernandes de LIMA3, Marcos Antônio Lemos de OLIVEIRA3, Hélio
Cordeiro MANSO FILHO4
As deformidades flexurais são caracterizadas pelo desvio da orientação normal do membro,
detectadas pela permanente flexão (contratura) de uma ou mais regiões articulares. As deformidades flexurais podem atingir um ou mais membros e em potros podem ser classificadas
em leves, moderadas e severas, sendo o tratamento específico para cada grau de alteração. As
contraturas tendíneas são mais comuns, porém, a flacidez do tendão pode ocorrer em alguns
casos. Para o tratamento da enfermidade existem duas linhas de abordagem, sendo uma conservadora, com correção de casco, uso de talas, exercícios e analgesia e a outra nos casos em que
terapias conservadoras não demonstraram resultados e a abordagem cirúrgica se faz necessária.
Foi atendida uma potra, 6 meses de idade, que apresentava apoio em pinça nos dois membros
anteriores e, consequente, elevação de talão, enrijecimento dos tendões, principalmente do flexor profundo. Os demais parâmetros (frequência cardíaca, respiratória, tempo de preenchimento capilar, motilidade intestinal e temperatura) encontravam-se dentro da normalidade. Clinicamente foi emitido o diagnóstico de contratura de tendão flexor digital profundo (TFDP). O
proprietário não soube relatar ha quanto tempo o animal apresentava essa alteração, por isso,
inicialmente, tentou-se o tratamento clínico com o uso de 3 g de oxitetraciclina diluída em 500
ml de solução fisiológica administrado lentamente por via endovenosa 1 vez ao dia durante 5
dias consecutivos. Não se colocou talas ou gesso porque na manipulação manual dos membros
afetados não foi possível retorna-los à posição anatômica. Após esse período, o animal foi reavaliado, constando-se não haver melhora com o tratamento clínico, razão pela qual procedeu-se
o tratamento cirúrgico. Optou-se pela desmotomia do ligamento acessório do TFDP (check
inferior) ao invés da tenotomia do TFDP por ser menos agressiva, causar menos dor e favorecer
o reestabelecimento da função do membro a longo prazo e possibilitar o animal ter uma vida
atlética futura. Anteriormente ao ato cirúrgico foi instituído jejum hídrico e alimentar, respectivamente, de 6 e 12 horas. Realizou-se ampla tricotomia na face medial do 3º metacarpiano
e 2º metacarpiano acessório de ambos os membros anteriores. O animal foi sedado, por via
endovenosa, com 1 mg/kg de xilazina a 10% e 10 minutos após foi realizada a indução anestésica com 2,2 mg/kg de quetamina a 10% associada a 0,5 mg/kg diazepan pela mesma via. Para
manutenção anestésica foi realizada infusão tripla de EGG a 5% associada a xilazina a 10% e
quetamina a 10% com o dobro da dose de indução. Efetuou-se rigorosa antissepsia cirúrgica
com o uso de iodo degermante, iodo povidine e álcool a 70%. Em seguida, procedeu-se uma
incisão de aproximadamente 5 cm na pele, entre o terço proximal e médio do 3º metacarpiano,
sobre o tendão flexor digital superficial. Posteriormente, separou-se o subcutâneo da estrutura tendínea, permitindo a visualização das estruturas vasculares. Foi realizada palpação para
identificar o tendão flexor digital profundo e seu ligamento acessório. Com o auxílio de uma
pinça o ligamento acessório foi separado e seccionado. O paratendão e o subcutâneo foram
suturados com fio catgut 2-0 no padrão de sutura contínuo simples e a pele com fio de naylon
2-0, padrão de sutura isolado simples. Foi realizada limpeza da ferida operatória e bandagem
a qual foi trocada dois dias após a cirurgia. Como tratamento pós operatório foi utilizado, por
via intramuscular, 20.000UI/Kg de pencilina benzatina 1 vez ao dia por 7 dias e 1,1mg/kg de
flunixin meglumine 1 vez ao dia por 5 dias pela mesma via, além da limpeza da ferida com gaze
e solução de pvpi, pomada antibiótica e bandagem 2 vezes ao dia até a cicatrização. Os pontos
foram retirados 10 dias após a cirurgia. Com a realização desse trabalho conclui-se que, mesmo
em casos graves de contratura do tendão flexor digital profundo, é conveniente tentar primeiro
a desmotomia do ligamento acessório visando um menor comprometimento das estruturas
tendíneas e possibilitar que o animal tenha uma vida atlética futura. Além disso, fica demonstrado a possibilidade dessa cirurgia ser realizada a campo.
PA L AV RAS - C H AV E contratura, TFDP, cirurgia, equinos.
¹ Doutorando do Programa de Pós
Graduação em Ciência Veterinária da
UFRPE, Recife-PE
² Graduando do Curso de Medicina
Veterinária da UFRPE, Recife-PE
³ Professor Orientador da Área de
Reprodução Animal da UFRPE, RecifePE
4 Núcleo de Pesquisa Equina,
Departamento de Zootecnia, UFRPE,
Recife-PE
41
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 42 - setembro/dezembro, 2014
Detecção da hipersensibilidade
do tipo tardia (HTT) à maleína
produzida no Brasil em equinos
sensibilizados em Alagoas
SILVA, M.C.C.*; SÁTIRO, S.R.M.C; SILVA, K.P.C
O mormo é uma enfermidade infecto-contagiosa causada por uma bactéria denominada
Burkholderia mallei, um bacilo Gram-negativo, aeróbio, imóvel e intracelular facultativo. Acomete principalmente os equinos, asininos e muares, e o homem é hospedeiro acidental, sendo,
geralmente, uma doença ocupacional e fatal. Geralmente, a maleína e os testes sorológicos,
são utilizados no diagnóstico da doença. A maleinização é similar à tuberculização, sendo a
maleína uma glicoproteína extraída a partir de culturas de B. mallei que é utilizada como antígeno no teste intradermo-palpebral em equídeos. Objetivou-se detectar a Hipersensibilidade
do Tipo Tardia (HTT) à PPD-maleína produzida no Brasil em equinos sensibilizados em uma
propriedade no estado de Alagoas. Preparou-se o inóculo de B. mallei com amostra da bactéria
já caracterizada por provas fenotípicas e por biologia molecular no Laboratório de Bacterioses
da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), de acordo com Mota et al e Silva et al.
Utilizou-se cinco fêmeas da espécie equina, mestiças, adultas, diferentes idades, não gestantes e
com bom estado nutricional. De acordo com MAPA os animais foram submetidos ao teste de
FC antes da sensibilização. Administrou-se 0,1ml do inóculo inativado de B. mallei por via subcutânea nas fêmeas. Colheu-se o sangue para confirmação da sensibilização com 15, 30 e 60 dias
pós-aplicação. Com 30 dias da inoculação e após a confirmação da sensibilização nas fêmeas
por FC, realizou-se a maleinização com a PPD-maleína produzida no Brasil de acordo com
Silva et al. Aplicou-se por via intradérmica na pálpebra inferior direita de cada fêmea 0,1ml da
maleína e a comprovação da inoculação foi feita por meio da observação da formação de pápula intradémica. Avaliou-se a área de aplicação 48h após a inoculação, obedecendo aos critérios
estabelecidos na IN. N°24 (7), que caracteriza como reação positiva a presença de edema palpebral persistente com ou sem presença de secreção ocular. Detectou-se anticorpos específicos nas
fêmeas sensibilizadas contra B. mallei a partir de 15 dias pós-sensibilização. O nível maior de
anticorpos foi observado com 30 dias, e uma diminuição sensível destes com 60 dias pós-sensibilização. Estes resultados corroboram com a leitura realizada nos soros dos animais obtidos na
segunda coleta no estudo de Teles et al que observaram um aumento dos anticorpos em todos
os animais testados, quando comparado com a primeira coleta, seguindo um decréscimo aos 60
dias da inoculação da bactéria inativada. De acordo com Hagebock et al, a redução na quantidade de anticorpos observada aos 60 dias após a inoculação com a B. mallei inativada provavelmente está relacionada ao período de soroconversão causado pelas proteínas desse agente que
é de no máximo dois meses. Realizou-se a maleinização 30 dias após a inoculação e 48h depois
observou-se a formação do edema no olho direito em todas as fêmeas com presença de secreção
ocular. De acordo com a OIE, uma reação positiva é caracterizada por edema ou inchaço da pálpebra, e pode haver uma descarga purulenta do canto interno do olho ou conjuntiva, podendo
geralmente ser acompanhado por um aumento da temperatura. O olho esquerdo de todos os
animais apresentaram-se normais, comprovando a reação de Hipersensibilidade do Tipo Tardia
à maleína em fêmeas sensibilizadas com B. mallei inativada. Estes resultados foram semelhantes
ao encontrado nos estudos realizados por Silva et al utilizando animais oriundos de infecção
natural por B. mallei, onde a PPD-maleína testada induziu resposta inflamatória nos animais
doentes que desenvolveram reação alérgica e exibiram as reações de hipersensibilidade do tipo
tardia. Estudos realizados com equinos sadios e infectados consideram que o teste da maleína é
perfeitamente confiável, mesmo nos casos iniciais da doença, e que outros testes como a reação
de aglutinação, inibição da hemaglutinação e imunoeletroforese são inferiores em especificidade e sensibilidade quando comparados com a maleína. Apesar do pequeno número de animais
testados, a maleína produzida foi eficiente em detectar a reação de HTT em animais sensibilizados com inóculo inativado de B. mallei, confirmando a potência desta PPD-maleína brasileira
e indicando seu uso para o diagnóstico do mormo.
¹
PA L AV RAS - C H AV E 42
PPD-maleína, Equus caballus, diagnóstico.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 43 - setembro/dezembro, 2014
Determinação da concentação
de mieloperoxidase e elastase
como marcadores da hemorragia
pulmonar induzida por exercício
em equinos
Janaina Socolovski BIAVA1 e Roberto Calderon GONÇALVES2
A Mieloperoxidase (MPO) e elastase desempenham papéis fisiológicos importantes nos
mecanismos fisiopatológicos associados a certas doenças, nomeadamente as que envolvem inflamação e ativação neutrofílica. Nesse sentido, a avaliação dos níveis plasmáticos destas duas
substâncias é utilizada com frequencia como um marcador indireto de ativação dos neutrófilos. O exercício intenso em cavalos induz uma mudança na contagem de células brancas
e na ativação dos neutrófilos e ainda pode levar a ruptura dos capilares pulmonares e consequentemente a Hemorragia pulmonar induzida pelo exercício (EIPH), a qual pode estar
associada a inflamação das vias aéreas. O objetivo deste estudo foi avaliar a concentração de
mieloperoxidase (MPO) e elastase pelo ensaio imunoenzimático (ELISA) no plasma de cavalos
com EIPH e sem EIPH antes e após o exercício em esteira de alta velocidade e correlacionar
estes como marcadores de EIPH. Oito cavalos foram analisados com vídeo endoscópio (200-cm
comprimento e 9-mm diâmetro), sendo três EIPH positivos e cinco EIPH negativos. Os cavalos
foram considerados EIPH positivos quando apresentaram alguma quantidade de sangue visível
à endoscopia. Todos os cavalos foram treinados em esteira de alta velocidade SATO I; Equine
Dynamics, Lexington, Kentucky, USA (5 vezes por semanas durante seis semanas) seguindo do
passo ao trote de 9 a 13m/s com inclinação de 5%. O teste foi interrompido quando os animais
demonstraram sinais de fadiga (incapaz de manter-se na esteira). Os dados foram analisados utilizando o PROC MIXED do pacote estatístico SAS (2002). As médias de cada tratamento foram
obtidas utilizando o comando LSMEANS. As variáveis foram submetidas a análise de variância,
quando significativas, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey. Realizou-se o teste de
correlação entre a concentração de MPO e elastase utilizando-se o PROC CORR (SAS, 2012).
Os efeitos foram declarados significativos quando P<0,05. O exercício aumentou a concentração de MPO (T1= 411,6 ± 87,9; T15=807,7 ± 93,9; T90=597,1 ± 87,9ng/ml; P=0,02; média ± EP)
e elastase (T1= 25,7 ± 12,3; T15=72,6 ± 13,2; T90=33,1 ± 12,3ng/ml; P=0,04; média ± EP) no
plasma após 15 minutos do teste ergométrico em esteira. No entanto, a concentração de MPO
e elastase determinada nos cavalos em repouso não diferiu da concentração determinada aos 90
minutos após o teste ergométrico o que indica que a concentração de MPO e elastase retornou
aos seus valores normais. Houve uma correlação positiva entre a MPO e elastase no plasma dos
cavalos 15 minutos (r=0,99; P<0,001) e 90 minutos (r=0,75; P=0,03) após o teste ergométrico.
A concentração de MPO (557,0ng/ml e 641,79g/ml ) e elastase (35,0ng/ml e 50,59g/ml) não
diferiu entre os cavalos EIPH positivo e negativo, respectivamente. Conclui-se que o exercício
intenso induziu a liberação de MPO e elastase no plasma. Apesar disso, a MPO e elastase não se
mostraram eficientes como marcadores para a síndrome EIPH.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Docente Departamento Zootecnia da
Universidade Estadual de Ponta Grossa/
PR.
2 Docente do Departamento Medicina
Veterinária da Universidade Estadual
Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
Botucatu/SP.
cavalos, EIPH e aparelho respiratório
43
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 44 - setembro/dezembro, 2014
Determinação das variáveis
fisiológicas e bioquímicas de
equinos durante prova de marcha
Mayra Carla Pedrosa da SILVA1, Emílio Carlos Leão Bittencourt SARMENTO1; Nielma
Gabrielle Fidelis OLIVEIRA2, Ulisses Barbosa RAPHAEL2, Carolina BERKMAN3, Luisa
Gouvêa TEIXEIRA2,4.
¹ Médico (a) Veterinário (a) autônomo (a);
2 Centro Universitário Cesmac, Marechal
Deodoro, Alagoas- Brasil;
3 Laboratório de Farmacologia e Fisiologia
do Exercício – LAFEQ – FCAV /UNESP,
Jaboticabal, São Paulo- Brasil;
4 FCAV/UNESP, Jaboticabal, São PauloBrasil.
O estudo de variáveis fisiológicas como frequência cardíaca e temperatura retal, e das variáveis bioquímicas como o lactato e glicose sanguíneos, auxiliam na determinação do grau de
condicionamento de equinos atletas. Neste estudo, objetivou-se quantificar a intensidade de
esforço realizado por equinos da raça Mangalarga Marchador por meio da lactatemia, glicemia
e aferições da frequência cardíaca e temperatura retal, durante prova de marcha realizada no
Parque de Exposições José da Silva Nogueira, situado na Cidade de Maceió, Alagoas - Brasil.
Este estudo foi realizado no mês novembro de 2012, avaliando-se 18 equinos machos, em plena atividade atlética, distribuídos em duas categorias de prova de marcha, sendo estas cavalo
júnior e cavalo jovem. Em cada uma destas categorias, cinco animais realizaram marcha picada
e quatro animais marcha batida. Realizou-se a aferição da frequência cardíaca (bpm) por meio
de estetoscópio, da temperatura retal (ºC) utilizando-se termômetro digital e do tempo de cada
prova (min.). Foram mensuradas com auxílio de termo-higrômetro digital, a temperatura do
ar e a umidade do ambiente no qual foi realizada a prova equestre. Por meio de venopunção
jugular, realizou-se a coleta de sangue em frascos contendo fluoreto de sódio, para a mensuração de lactato e glicose plasmáticos. As aferições dos parâmetros clínicos, ambientais e coletas
de sangue foram realizadas 60 minutos antes do início de cada prova de marcha (T0), um (T1),
cinco (T2) e dez minutos (T3) após o término desta. A análise estatística foi realizada utilizando-se o programa SAS (Statistical Analysis System®) considerando-se nível de probabilidade de
5% com p≤0,05 e as médias submetidas ao Teste de Tukey. Compararam-se estatisticamente as
médias relacionadas ao T0 com os demais momentos, sendo T1, T2 e T3, em uma mesma categoria e tipo de marcha. A temperatura ambiente variou de 25 ± 0,04 a 30± 0,52ºC e a umidade
do ar de 65± 0,48 a 89± 1,10%. As frequências cardíacas apresentaram aumento significativo
(p≤0,05) no T1 quando comparadas ao T0, nas categorias cavalo jovem marcha batida (T0 = 44
± 4,90; T1 = 67,5± 3,30) e picada (T0 = 39,2 ±2,33; T1 = 73,8± 4,15) e cavalo júnior marcha batida
(T0 = 43,0 ± 6,61; T1 = 70,5± 5,62). Este aumento é fisiologicamente mediado por estímulos ao
sistema nervoso simpático, a partir da liberação das catecolaminas pelas terminações nervosas
durante o exercício. Em relação à temperatura retal, houve diferença significativa (p≤0,05) nos
momentos T1, T2 e T3, quando comparados ao T0, para as categorias cavalo jovem marcha batida (T0 = 37,9 ± 0,19; T1 = 39,6 ± 0,29; T2 = 39,5±0,24; T3 = 39±0,08) e marcha picada (T0 = 37,8
± 0,17; T1 = 39,6 ± 0,23; T2 = 39,0±0,32; T3 = 38,9±0,23) e cavalo júnior marcha batida (T0 =
37,9 ± 0,09; T1 = 39,6 ± 0,33; T2 = 39,3±0,35; T3 = 39,3±0, 21). Tais resultados relativos à temperatura retal são esperados, visto que equinos submetidos ao exercício comumente apresentam
esta variável em torno de 40,1ºC, no momento de desaquecimento. No presente estudo, observou-se aumento significativo (p≤0,05) somente em T1 (39,9± 0,11) na categoria de cavalo júnior
marcha picada para esta variável, sugerindo que este grupo estava mais adaptado ao exercício
em relação aos demais. Os valores de lactato e glicose obtidos neste estudo não foram significativos estatisticamente (p≥0,05). A ausência de diferença significativa das variáveis bioquímicas,
aliado a tendência do retorno das variáveis fisiológicas aos valores basais aos 10 minutos após o
término do exercício, sugere que os equinos estavam aptos para exercer tais provas.
PA L AV RAS - C H AV E 44
Mangalarga Marchador; Exercício; Lactatemia; Glicemia.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 45 - setembro/dezembro, 2014
Diagnóstico coproparasitológico
de infusórios em amostras fecais de
equinos cultivadas através da técnica
de Roberts e O’Sullivan
Victor Fernando Santana LIMA1;Gabriela da Cruz PIEDADE1; Taynar Lima BEZERRA1;Aiala
Priscila Conceição SOUZA1;César Andrey Galindo OROZCO2; Patrícia Oliveira MEIRASANTOS2
A espécie equina vem sendo acometida cada vez mais por parasitosgastrointestinais, os
quais causam perda de apetite, fraqueza, enterites, retardo no crescimento, obstruções e peritonites. As principais espécies de parasitas dos equídeos é composta por várias famílias/gêneros
distintas, como é caso dos Pequenos estrôngilos eou cyathostominos:Cyathostomum spp.,Triodontophorus spp., Cylicostephanus spp., os Grandes estrôngilos: Strongylusvulgaris, S. equinus, S.
edentatuse ainda, Parascaris equorum, Oxyuris equi, Strongyloides westeri, Trichostrongylus axei, Gasterophilusspp., Habronema spp., Dictyocaulus arnfield, Anoplocephala spp.A técnica de Roberts e
O’Sullivan é uma técnica parasitológica bastante empregada na rotina laboratorial para o cultivo de larvas e nematódeos gastrintestinais, através da incubação de ovos de helmintos presentes
nas fezes até sua eclosão e liberação das larvas. Dentre os limites na utilização dessa técnica
estão a proliferação de fungos, excesso de bactérias, degradação das amostras, dificuldade de
manutenção da umidade e alterações relacionadas à composição da serragem. Os infusórios
são protozoários ciliados, componentes da microbiota ruminal de ruminantes, responsáveis
pela produção de ácidos graxos voláteis, dióxido de carbono, metano e amônia. O identificação
e cultivo desses protozoários ciliados em amostras fecais de equinos ainda não está descrita na
literatura, sendo assim, o objetivo do presente trabalho é relatar o diagnóstico coproparasitológico de infusórios em amostras fecais de equinos cultivadas através da técnica de Roberts
e O’Sullivan (Coprocultura). Para tanto, foram utilizadas amostras de fezes de fezes de oito
equinosde diferentes idades, sexos e sem raça definida, procedentes da apreensão realizada pela
Polícia Rodoviária Federal, residentes no Curral de Apreensão (CA) da prefeitura municipal de
Aracaju, Sergipe. Informações pregressas sobre ambiente, alimentação, manejo, vermifugação
ou administração de qualquer medicação nos animais eram inexistentes. A coleta de fezes foi
realizada diretamente na ampola retal, e em seguida as amostras foram identificadas, armazenadas e encaminhadas ao Laboratório de Parasitologia Veterinária do Departamento de Medicina
Veterinária da Universidade Federal de Sergipe. A coprocultura foi realizada a partir do pool
de fezes de todos os animais, no qual foi adicionado em três recipientes uma mistura composta
por: 10 g de fezes, 20 g de serragem estéril, as quais foram umedecidas com água, acondicionadas a temperatura ambiente e incubadas por 10 dias. Ao 11º dia foi realizada a avaliação
microscópica através da objetiva de 100 X e 400 X sendo observado em todas as amostras infusórios de diferentes tamanhos e formas. O parasitismo por Trichostrongylusaxei e Cyathostomum
spp. também foi observado em 8/8 (100%) e 3/8 (27,5%) das amostras respectivamente. Conclui-se que o parasitismo por Trichostrongylusaxei e Cyathostomum spp.é um achado comum em
equinos e que a coprocultura pode ser utilizada para a pesquisa de infusórios nas fezes dessas
espécies, o qual é um achado incomum nos equídeos.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Graduando (a) do curso de Medicina
Veterinária, Universidade Federal
de Sergipe, São Cristóvão, Sergipe.
E-mail:[email protected]
com
² Docente do Departamento de
Medicina Veterinária, Universidade
Federal de Sergipe, Sergipe. E-mail:
[email protected]
amostras fecais, coprocultura, equinos, protozoários.
45
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 46 - setembro/dezembro, 2014
Diagnóstico e tratamento de cistite
em equino quarto de milha: relato
de caso
Eraldo Fredson Lopes CARINHANHA¹, João Victor de Santana MOTA¹, Sodré Luiz Santos
CARVALHO¹, Kerly Priscila de Santana Vieira SANTOS¹, Jonathan Henrique NANTES²,
Heder Nunes FERREIRA³
¹ Discente da Faculdade Pio Décimo
² Médico Veterinário da Faculdade Pio
Décimo
³ Docente da Faculdade Pio Décimo
Objetivou-se com este resumo relatar um caso de cistite em um potranco de 2 anos e 5
meses, Quarto de Milha. O proprietário relatou que após cavalgada o animal apresentou incomodo e dificuldade de micção, além de declarar que o animal foi adquirido sem histórico de
vacinação e vermífugação e, até então, não tinha apresentado nenhum problema de saúde. No
exame fisico constatou-se que o animal apresentava mímica de dor no momento de urinar e
ao ser palpado nos flancos, e comportamento agitado no momento de urinar. FC 48bpm, FR
20mpm, TEC 3seg, TR 38°C, motilidade intestinal normal, mucosas normocoradas, volume
globular 36%. A suspeita diagnóstica foi de inflamação urinária, possivelmente cistite. Para
definir o diagnóstico foram realizados exames laboratoriais de sangue e urina, sendo avaliadas
a bioquímica sérica, o hemograma, a urinálise e a cultura bacteriologica. Os resultados foram:
Creatitina 2,9 mg/dl, fibrinogênio 600 mg/dl, proteinúria, leucocitúria, intensa quantidade de
cristais de carbono de cálcio e moderada quantidade de bactérias de morfologia cocos, definidas na cultura a presença de Streptococcus spp. Pela ultrassonografia foi observada a presença
de sedimentação na bexiga, caracterizados por células de descamação. Com os resultados dos
exames complementares, foi confirmada a suspeita de infecção no sistema urinário inferior.
O tratamento preconizado foi administração de enrofloxacina 10% 2,5mg/kg/iv/SID/7 dias;
Flunexim meglumine 1,1mg/kg/iv/BID/3 dias; DMSO 1g/kg/iv/SID/ 3dias diluídos a 10% em
fisiológico. Após finalizar a administração dos anti-inflamatórios, esses foram substituídos pela
administração de Meloxicam gel 0,6mg/kg/vo/BID/6 dias. Fluidoterapia foi administrada todos
os dias do tratamento, iniciando-se com 20L de Ringer com Lactato, visando forçar a micção do
animal, seguindo-se com 8L/SID por nove dias. O uso de Furosemida 1mg/kg/iv/SID/10 dias,
o medicamento era administrado após a fluidoterapia para intensificar a eliminação de urina e
gerando assim uma dinâmica de limpeza no órgão. Depois de realizado a terapêutica instituída,
o paciente apresentou melhora significativa, culminando com a alta do mesmo.
PA L AV RAS - C H AV E 46
bexiga, infecção, urinário,
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 47 - setembro/dezembro, 2014
Dinâmica dos metabólitos
colesterol, triglicérides e glicose nas
fases de gestação de éguas da raça
mangalarga machador
Laura Emilia Panelli MARTINS1, Laise Gonçalves Oliveira e OLIVEIRA2, Ingryd Maneylla
Sousa de OLIVEIRA2, Carla Caroline Valença de LIMA1, Alberto Lopes Gusmão3, Maria
Consuêlo Caribé AYRES3
O agronegócio do cavalo movimenta cerca de R$ 7,3 bilhões na economia brasileira e o
Mangalarga Marchador é responsável pelo maior rebanho de equinos no Brasil. Na criação de equinos uma das fases fisiológicas mais importantes é a gestação. Um dos fatores que
influencia positivamente a concepção e o desenvolvimento da gestação é uma boa condição
corporal, a qual está relacionada com uma alimentação equilibrada. Os parâmetros bioquímicos podem auxiliar na formulação de dietas e no monitoramento das fases reprodutivas e
entre eles destacam-se os componentes do metabolismo energético. O objetivo desta pesquisa
foi avaliar a dinâmica dos metabólitos colesterol, triglicérides e glicose, durante as fases da gestação em éguas Mangalarga Marchador. O experimento deu-se na Central de Reprodução do
Haras EAO, na Faz. Reunidas Boa Vista da EAO Empreendimentos, localizada no distrito de
Ibitupã (14° Lat Sul e 39° Long Oeste), município de Ibicuí–Ba, durante as estações reprodutivas de 2011/2012 e 2012/2013. Para tanto foram utilizadas 73 éguas em fase reprodutiva, em
sistema extensivo e manejadas em piquetes com: Digitaria decumbens, Cynodon nlemfuensis,
Panicum maximum cv. Sempre Verde, Panicum maximum cv. Colonião, Panicum maximum
cv. Aruana, Brachiaria humidicola e Brachiaria dictyoneura, com a lotação de 1UA/há, com
bebedouro e cocho para suplementação mineral, ad libitum. Os animais foram divididos em 5
grupos: G1- éguas vazias, G2- início de gestação, G3- fase intermediária, G4- final da gestação
e G5- 24h pós-parto. Amostras de sangue foram colhidas por venopunção da jugular, em tubos
à vácuo, sem anticoagulante para obtenção do soro, e as determinações dos parâmetros do
metabolismo energético foram determinadas por “kits” comerciais em analisador bioquímico
semi-automático (BIOPLUS 2000). No resultados, os grupos G1 a G5 apresentaram valores de
57±10,64; 58±14,14; 68±6,89; 60±4,84 e 78±12,20mg/dL, referente à glicose sérica, respectivamente. Os menores níveis séricos deste metabólito foram demonstrados no G1 e G4. Desta
forma, entende-se que as alterações no final da gestação incluem menor sensibilidade à insulina e um maior sequestro de glicose para o útero, resultando numa menor concentração
sérica. Ainda observou-se um pico glicêmico no G5 proveniente do estresse físico associado a
parição (Aoki e Ishii, 2012). Com relação à dosagem dos triglicérides, os grupos expressaram
valores de 24±7,14; 38±24,18; 29±12,48; 35±14,30 e 21±7,32 mg/dL, respectivamente aos grupos
G1 a G5. Neste parâmetro as concentrações séricas exibiram os menores valores nos grupos
G1 e G5. Os níveis deste variam de acordo com sua utilização no corpo, e a primeira fase na
qual apresentou valor baixo pode estar relacionada ao recrutamento tecidual do mesmo para
oxidação e utilização como substrato para síntese de esteroides (kedzierski et al., 2006), já na
fase do G5 a expressão de valores menores decorre por corresponder ao momento no qual os
animais estavam em pós-parto, fase esta, que necessita de maior aporte energético para formação da glândula mamária e produção leiteira (Aoki e Ishii,2012). No que tange as dosagens de
colesterol os grupos, de G1 a G5, apresentaram, respectivamente, 79±13,89; 95±14,60; 87±12,05;
81±10,10; 82±13,07mg/dL. Verificou-se que a maior concentração sérica de colesterol ocorreu
no grupo G2. Assim sabe-se que durante o período de expansão do alantocório, entre os dias 40
e 120 de gestação, as células trofoblásticas adquirem capacidade de sintetizar diversos hormônios, sendo produzidos pela utilização exclusiva de fontes maternas de colesterol (Allen, 2001).
Frente ao exposto, conclui-se que o conhecimento da dinâmica do perfil energético em éguas,
principalmente na fase de gestação, é fundamental para identificação de distúrbios metabólicos
que possam comprometer a sanidade da mesma e do feto, além de favorecer a monitoração de
um possível desbalanço nutricional.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Doutoranda do programa de ciência
animal nos trópicos da Escola de
medicina veterinária e zootecnia da
UFBA;
² Bolsista de iniciação científica da
escola de medicina veterinária e
zootecnia da UFBA;
³ Professor da escola de medicina
veterinária e zootecnia da UFBA. e-mail
para correspondência: ([email protected]
gmail.com;
[email protected])
equino, metabolismo energético, prenhez
47
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 48 - setembro/dezembro, 2014
Distocia materno-fetal seguido de
cesariana com posterior quadro de
laminite em asinino: relato de caso
Jefferson Ayrton Leite de Oliveira CRUZ1; Janaina Azevedo GUIMARÃES2; Alexandre Cruz
DANTAS2; Pollyanna Cordeiro SOUTA3; Mayumi Botelho ONO3; Beatriz Berlinck DUTRA
VAZ4
¹ Médico Veterinário Residente da
área de Clínica Médica, Cirúrgica e
da Reprodução de Grandes Animais –
Departamento de Medicina Veterinária
– UFRPE – Recife – PE – Brasil. E-mail
para correspondência: [email protected]
hotmail.com
² Médico (a) Veterinário (a); Técnico
(a) do Hospital Veterinário de Grandes
Animais do Departamento de Medicina
Veterinária – UFRPE – Recife – PE –
Brasil;
³ Médica Veterinária; Especialização
Lato Senso em Práticas Hospitalares e
Laboratoriais do Hospital Veterinário de
Grandes Animais do Departamento de
Medicina Veterinária – UFRPE – Recife –
PE – Brasil;
4
Médica Veterinária; Profa. Associada
da área de Clínica do Departamento de
Medicina Veterinária - UFRPE - Recife –
PE – Brasil.
As distocias fetal ou materna em asininos são pouco relatadas e consequentemente pouco estudadas nesta espécie. Este relato tem como objetivo descrever um caso de distocia materno-fetal com realização de cesariana e posteriormente desenvolvimento de um quadro de
laminite, três situações pouco vistas e vivenciadas para esta espécie. Foi atendido um asinino
de aproximadamente 3,5 anos, primípara, em trabalho de parto há um dia. Ao exame clínico
o animal ainda apresentava contrações abdominais e uterinas, mucosas congestas, apático, abdômen abaulado bilateralmente e presença dos membros do feto no canal do parto. Ao exame
obstétrico o feto encontrava-se em apresentação longitudinal anterior, posição dorso-ilíaca e
atitude flexionada (flexão lateral esquerda do pescoço), além de apresentar-se enfisematoso.
A mãe apresentava dilatação insuficiente do canal do parto. Foi tentada manobra obstétrica,
porém sem êxito. Optou-se então por uma cesariana. O animal foi pré-anestesiado com quetamina e diazepam endovenosa, lidocaína 2% epidural seguida de indução endovenosa com
detominidina. Durante a cirurgia foram realizados quatro repiques de quetamina. O animal
foi posto em decúbito dorsal, realizou-se tricotomia e antissepsia local. Uma incisão de aproximadamente 50 centímetros (cm) foi realizada na linha alba, tendo acesso ao peritônio e posteriormente ao útero o qual foi luxado na tentativa de minimizar a contaminação da cavidade
abdominal. Com uma incisão de 30 cm na curvatura maior do útero foi possível a retirada de
um feto macho e enfisematoso. O útero apresentava-se com secreção acastanhada e fétida. Após
o procedimento o útero foi lavado com solução fisiológica e suturado com fio nylon 3-0, padrão
Cushing-cushing e antes de fechar por completo foi injetado 20 mL de gentamicina diluída em
80 mL de solução fisiológica intrauterina. O órgão foi colocado em sua posição anatômica e se
fez o fechamento da cavidade (peritônio, musculatura e pele) com fio Nylon 2-0 e realizado o
curativo com pomada à base de penicilina e bandagem fixa. Como tratamento pós-operatório
instituiu-se o uso de antibioticoterapia a base de gentamicina e penicilina a cada 24 horas durante 10 dias, flunixim meglumine (dose 1.1 mg/Kg) a cada 12 horas durante 5 dias e aplicação
de análogo de PGF2α intramuscular (dose única) para auxiliar na expulsão da placenta. Após
24 horas da cirurgia o animal encontrava-se com abdômen tenso, sensível à palpação, presença
de secreção purulenta pela vulva e apresentando pulso digital nos membros anteriores. Após
72 horas, o pulso digital tornou-se forte nos quatro membros acompanhado de aumento de
temperatura dos cascos. O animal passou a ser tratado para laminite com Fenilbutazona (1º dia
dose 4.4 mg/Kg, 2º e 3º dia dose 2.2 mg/Kg a cada 12 horas, 4º e 5º dia dose 2.2 mg/Kg a cada
24 horas), flunixim meglumine dose anti-endotoxêmica (0,25 mg/Kg por 30 dias), acepran 1%
(dose 0,05 mg/Kg por 30 dias), heparina sódica (40 UI/kg) a cada 12 horas durante 5 dias, omeprazol uma vez ao dia via oral na dose profilática (1,5 mg/Kg). Também foi realizada lavagem
uterina com solução fisiológica via sonda transvaginal durante três dias seguido de infusão de
13 mL de gentamicina e 10 mL de peróxido de hidrogênio intrauterino. O animal recebeu alta
após 30 dias de internamento. Os procedimentos obstétricos nesta espécie são raros, porém
podem ser realizados sem maiores contratempos.
PA L AV RAS - C H AV E 48
distorcias, asinino, cesariana, laminite.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 49 - setembro/dezembro, 2014
Doença periodontal entre terceiro e
quarto pré-molar da arcada superior
direita em equino - relato de caso
Karla Adrielen do NASCIMENTO1, Débora Mirelly Sobral da SILVA1, Andreza Rodrigues
VIANA1, Juliana Ferreira PONTES1 Geymenson dos Santos SOUZA2
O agronegócio do cavalo movimenta cerca de R$ 7,3 bilhões na economia brasileira e o
Mangalarga Marchador é responsável pelo maior rebanho de equinos no Brasil. Na criação de equinos uma das fases fisiológicas mais importantes é a gestação. Um dos fatores que
influencia positivamente a concepção e o desenvolvimento da gestação é uma boa condição
corporal, a qual está relacionada com uma alimentação equilibrada. Os parâmetros bioquímicos podem auxiliar na formulação de dietas e no monitoramento das fases reprodutivas e
entre eles destacam-se os componentes do metabolismo energético. O objetivo desta pesquisa
foi avaliar a dinâmica dos metabólitos colesterol, triglicérides e glicose, durante as fases da gestação em éguas Mangalarga Marchador. O experimento deu-se na Central de Reprodução do
Haras EAO, na Faz. Reunidas Boa Vista da EAO Empreendimentos, localizada no distrito de
Ibitupã (14° Lat Sul e 39° Long Oeste), município de Ibicuí–Ba, durante as estações reprodutivas de 2011/2012 e 2012/2013. Para tanto foram utilizadas 73 éguas em fase reprodutiva, em
sistema extensivo e manejadas em piquetes com: Digitaria decumbens, Cynodon nlemfuensis,
Panicum maximum cv. Sempre Verde, Panicum maximum cv. Colonião, Panicum maximum
cv. Aruana, Brachiaria humidicola e Brachiaria dictyoneura, com a lotação de 1UA/há, com
bebedouro e cocho para suplementação mineral, ad libitum. Os animais foram divididos em 5
grupos: G1- éguas vazias, G2- início de gestação, G3- fase intermediária, G4- final da gestação
e G5- 24h pós-parto. Amostras de sangue foram colhidas por venopunção da jugular, em tubos
à vácuo, sem anticoagulante para obtenção do soro, e as determinações dos parâmetros do
metabolismo energético foram determinadas por “kits” comerciais em analisador bioquímico
semi-automático (BIOPLUS 2000). No resultados, os grupos G1 a G5 apresentaram valores de
57±10,64; 58±14,14; 68±6,89; 60±4,84 e 78±12,20mg/dL, referente à glicose sérica, respectivamente. Os menores níveis séricos deste metabólito foram demonstrados no G1 e G4. Desta
forma, entende-se que as alterações no final da gestação incluem menor sensibilidade à insulina e um maior sequestro de glicose para o útero, resultando numa menor concentração
sérica. Ainda observou-se um pico glicêmico no G5 proveniente do estresse físico associado a
parição (Aoki e Ishii, 2012). Com relação à dosagem dos triglicérides, os grupos expressaram
valores de 24±7,14; 38±24,18; 29±12,48; 35±14,30 e 21±7,32 mg/dL, respectivamente aos grupos
G1 a G5. Neste parâmetro as concentrações séricas exibiram os menores valores nos grupos
G1 e G5. Os níveis deste variam de acordo com sua utilização no corpo, e a primeira fase na
qual apresentou valor baixo pode estar relacionada ao recrutamento tecidual do mesmo para
oxidação e utilização como substrato para síntese de esteroides (kedzierski et al., 2006), já na
fase do G5 a expressão de valores menores decorre por corresponder ao momento no qual os
animais estavam em pós-parto, fase esta, que necessita de maior aporte energético para formação da glândula mamária e produção leiteira (Aoki e Ishii,2012). No que tange as dosagens de
colesterol os grupos, de G1 a G5, apresentaram, respectivamente, 79±13,89; 95±14,60; 87±12,05;
81±10,10; 82±13,07mg/dL. Verificou-se que a maior concentração sérica de colesterol ocorreu
no grupo G2. Assim sabe-se que durante o período de expansão do alantocório, entre os dias 40
e 120 de gestação, as células trofoblásticas adquirem capacidade de sintetizar diversos hormônios, sendo produzidos pela utilização exclusiva de fontes maternas de colesterol (Allen, 2001).
Frente ao exposto, conclui-se que o conhecimento da dinâmica do perfil energético em éguas,
principalmente na fase de gestação, é fundamental para identificação de distúrbios metabólicos
que possam comprometer a sanidade da mesma e do feto, além de favorecer a monitoração de
um possível desbalanço nutricional.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Doutoranda do programa de ciência
animal nos trópicos da Escola de
medicina veterinária e zootecnia da
UFBA;
² Bolsista de iniciação científica da
escola de medicina veterinária e
zootecnia da UFBA;
³ Professor da escola de medicina
veterinária e zootecnia da UFBA. e-mail
para correspondência: ([email protected]
gmail.com;
[email protected])
equino, metabolismo energético, prenhez
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Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 50 - setembro/dezembro, 2014
Duodeno-jejunite proximal em
equino
P. R. FIRMINO1; G. S. L. SOARES1; A. S. ALCOFORADO1; E. G. MIRANDA NETO1; D. M.
ASSIS1; J. M. MEDEIROS2
¹ Universidade Federal de Campina
Grande, Campus de Patos – PB.
A duodeno-jejunite proximal (DJP) é uma enterite catarral caracterizada pela inflamação
do seguimento anterior do intestino delgado dos equinos que cursa com alterações na motilidade e transporte de líquidos e eletrólitos, causando aumento das secreções, diminuição
da reabsorção e aumento da permeabilidade intestinal. Como resultado ocorre um marcado
acúmulo de líquido na porção anterior do trato digestivo, principalmente no estômago, que se
não aliviado rapidamente pode levar o animal a morte por ruptura do órgão. A desidratação,
azotemia, acidose metabólica e choque hipovolêmico são achados presente na maioria dos
casos relatados. A etiologia desta afecção ainda é desconhecida, porém a multiplicação de bactérias Clostridium e Salmonella no trato entérico tem sido relatada como possível causa, sendo
priorizado o tratamento clínico baseado na sintomatologia e controle da infecção. Um equino,
macho, 4 anos de idade, da raça Quarto de Milha, pesando aproximadamente 450 kg, foi encontrado na sua baia, em um hotel de cavalos no município de Sousa PB, com sinais de dor
abdominal, sendo atendido por um profissional ainda na fazenda, que realizou os primeiros
procedimentos, estes incluíram sondagem nasogástica com refluxo sanguinolento, fluidoterapia intravenosa com NaCl 0,9% e utilização de analgésicos como flunixin meglumine e meloxicam. Dois dias depois, não apresentando melhoras, o animal foi encaminhado ao Hospital Veterinário da Universidade Federal de Campina Grande-Campus Patos-PB. O histórico alimentar
revelou que o animal recebia em média 6 kg de concentrado diários (3 refeições) e que nos 7
dias anteriores ao caso da cólica o mesmo tinha sido privado totalmente do volumoso. À inspeção, o animal se encontrava inicialmente apático, mucosas cianóticas, com halo endotoxêmico,
sem distensão abdominal, respiração ofegante, fezes diarreicas, fétidas e de coloração amarelo
palha. Após pouco tempo de atendimento o animal começou a se jogar no chão, ficando em
estação com muita dificuldade e sempre tendendo a desequilibrar e cair novamente. O exame
físico revelou um tempo de preenchimento capilar de 4 segundos, frequência cardíaca de 100
batimentos por minuto (BPM) e a respiratória de 80 movimentos por minuto (MPM) (80).
Na ausculta abdominal a motilidade intestinal estava diminuída em todos os quadrantes e o
animal apresentava uma desidratação estimada de 8 %. Na sondagem nasogástrica foi obtido
refluxo espontâneo de coloração amarronzada, odor fétido, pH 6, e de aproximadamente 20 litros durante o atendimento. Com base nos achados da anamnese e do exame físico foi possível
chegar ao diagnóstico presuntivo de duodeno-jejunite proximal (DJP). O animal foi submetido
a uma fluidoterapia IV com solução de ringer com lactato e medicado com flunixin meglumine (1,1 mg/kg IV), sulfadiazina (40mg/kg IV) e dipirona (25mg/kg IV). Após 3 horas de
atendimento o animal entrou choque e em seguida em óbito. O diagnóstico presuntivo de DJP
foi confirmado na necrópisa, onde se observou uma intensa reação inflamatória com áreas hemorrágicas em toda a extensão do duodeno e porção inicial do jejuno. Alteração na dieta com
privação de volumoso e fornecimento de grandes quantidades de concentrado, como ocorrido
no presente caso, tem sido associada a quadros de DJP. O tratamento clínico é o de eleição para
casos de DJP, porém as graves alterações hidroeletrolíticas e endotoxêmicas observadas na admissão do paciente indicavam um prognóstico ruim e inviabilizaram a reversão do quadro. A
taxa de sobrevivência relatada na literatura varia de 25 a 94% dependendo da intensidade das
lesões, duração dos sinais clínicos e da resposta do animal ao tratamento médico. Portanto, em
virtude do rápido desequilíbrio hidroeletrolítico e acidobásico, que diminuem a chances de
sobrevivência do animal, o rápido reconhecimento e instituição da terapia médica correta são
fundamentais para melhorar o prognóstico dos casos de DJP.
PA L AV RAS - C H AV E 50
equino, cólica, duodeno-jejunite proximal, refluxo.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 51 - setembro/dezembro, 2014
Efeito da idade de matrizes
crioulas sobre as características
morfométricas de suas crias até o
desmame
Lorenzo SEGABINAZZI1, João Pedro Hubbe PFEIFER2, Vinicius FOLLE2, Lucas LAU2, Lucas
CANUTO3, Charles Ferreira MARTINS4
Considera-se genericamente que a égua contribui com cerca de 5 a 10% a mais que o
garanhão devido aos fatores não genéticos de influência materna no feto e no crescimento
do potro. Ao nascimento, a altura da cernelha do potro já é superior a 60% de seu valor final,
apesar de seu peso só representar 10% do seu peso adulto. Até o primeiro mês de vida o potro
dobra seu peso vivo e na desmama (6-7 meses) ele multiplicou seu peso por 5. Sua altura de
cernelha representa cerca de 88% de sua altura de cernelha final. Por este motivo na criação
de cavalos uma das principais preocupações é a obtenção de taxas de crescimento apropriadas
dos potros. O objetivo do presente estudo foi avaliar o desenvolvimento de potros e verificar
o efeito da idade materna nas características morfométricas durante a amamentação. Foram
utilizados para este estudo 43 potros da Raça Crioula de uma propriedade em Jaguarão – RS,
divididos em potros descendentes de éguas jovens (idade entre 5 e 10 anos, média 5,9 anos)
e velhas (idade entre 10 e 18 anos, média 13,6 anos). Todos os animais foram mensurados
mensalmente, do nascimento até o desmame (oito meses), no período de setembro de 2010 a
maio de 2011. Os animais são filhos de sete garanhões, sem índices significativos de endogamia.
Durante o período experimental, os potros foram mantidos em um ambiente homogêneo, sob
mesmas condições nutricionais extensivas. O peso corporal e o perímetro torácico foram obtidos utilizando fita de peso e fita métrica respectivamente. Posicionava-se a fita logo após o final
da cernelha, entre os processos espinhosos T8 e T9, passando pelo espaço intercostal da 8ª e 9ª
costelas, até a articulação da última costela com o processo xifoide. A altura de cernelha era aferida na região interescapular, localizada no espaço definido pelo processo espinhoso de T5 e T6
até o solo. Para a análise dos dados foi utilizada análise de variância e correlação do programa
Genes. No presente estudo os animais apresentaram diferença significativa (p<0,05) para peso,
altura e perímetro torácico a partir dos 60 dias de vida, onde potros filhos de éguas de mais
idade apresentaram maior desenvolvimento. Este fato, provavelmente, tenha sido influenciado
pela habilidade materna das éguas mais maduras, já que éguas multíparas apresentam maior
produção de leite que as primíparas, e esse leite também contem maior teor de gordura e um
maior balanço energético. Pode-se constatar que as éguas mais velhas produziram animais mais
pesados e maiores que as éguas mais jovens a partir dos 60 dias até 90 dias (p<0,05), e dos 90
aos 240 dias (p<0,01). Estes resultados já haviam sido identificados por outros pesquisadores,
em cavalos árabe e puro sangue inglês, respectivamente. Conclui-se que potros filhos de éguas
Crioulas com mais de dez anos de idade, apresentam maior peso e altura ao desmame, e seu
desenvolvimento é mais homogêneo comparado aos potros de éguas mais jovens, sendo estas
diferenças aparentes a partir dos 60 dias de vida do potro.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Pós-graduandos em Biotecnologia
Animal, Universidade Estadual Paulista
“Júlio de Mesquita Filho” Unesp Botucatu, SP;
² Graduando em Medicina Veterinária/
UFPel;
³ Graduando em Medicina Veterinária/
UFAl;
Professor do Departamento de
Reprodução Animal e Radiologia
Veterinária, Universidade Estadual
Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
Unesp - Botucatu, SP
4
Idade materna, peso ao nascer, potro, características
morfométricas, desmame.
51
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 52 - setembro/dezembro, 2014
Efeito das fases de gestação sobre
enzimas do metabolismo hepático
em éguas mangalarga marchador
Laura Emilia Panelli MARTINS1, Laise Gonçalves Oliveira e OLIVEIRA2, Ana Paula de Lima
MAIA3, Carla Caroline Valença de LIMA1, Alberto Lopes GUSMÃO4, Maria Consuêlo Caribé
AYRES4
¹ Doutoranda do programa de ciência
animal nos trópicos da Escola de medicina
veterinária e zootecnia da UFBA;
² Bolsista de iniciação científica da escola
de medicina veterinária e zootecnia da
UFBA;
³ Médica veterinária da Central de
Reprodução do Haras EAO, Ipiaú-Ba;
4
Professor da escola de medicina
veterinária e zootecnia da UFBA. e-mail
para correspondência: ([email protected]
com; [email protected]
A equinocultura constitui um importante segmento do agronegócio brasileiro e a raça
Mangalarga Marchador tem grande destaque por formar o maior rebanho de eqüinos do país.
Rebanhos de alta produção necessitam de adequado balanço nutricional, especialmente nos
períodos reprodutivos. A análise do perfil metabólico complementa a avaliação clínica das
fases reprodutivas dos rebanhos. No entanto, vários fatores podem influenciar sobre os constituintes bioquímicos entre eles a fase de gestação. O objetivo desta pesquisa foi avaliar o perfil
da atividade de ezimas do metabolismo hepático, AST, GGT e FA, durante as fases da gestação
em éguas da raça Mangalarga Marchador. Para tanto o experimento foi realizado na Central
de Reprodução do Haras EAO, sediada na Fazenda Reunidas Boa Vista, pertencente à EAO
Empreendimentos, localizada no distrito de Ibitupã (14° Latitude Sul e 39° Longitude Oeste),
município de Ibicuí – Bahia, durante as estações reprodutivas de 2011/2012 e 2012/2013. Utilizaram-se 73 éguas em fase reprodutiva, mantidas em sistema extensivo e manejados em piquetes plantados aleatoriamente com as gramíneas: Digitaria decumbens, Cynodon nlemfuensis,
Panicum maximum cv. Sempre Verde e Panicum maximum cv. Colonião, Panicum maximum
cv. Aruana, Brachiaria humidicola e Brachiaria dictyoneura com a lotação de uma unidade animal por hectare e equipados com bebedouro e cocho para suplementação mineral, ad libitum.
Os animais foram divididos em cinco grupos: G1 - éguas vazias, G2 - início de gestação, G3 - fase
intermediária, G4 - final da gestação e G5 - 24 horas pós parto. As amostras de sangue foram
colhidas por venopunção da jugular, em tubos siliconizados sem anticoagulante para obtenção
do soro, e as determinações dos parâmetros do metabolismo hepático foram determinadas por
utilização de “kits” comerciais em analisador bioquímico semi-automático (BIOPLUS 2000).
Observaram-se diminuição gradativa das médias dos valores séricos de AST entre os grupos
relacionados com as fases analisadas: o maior valor foi obtido no grupo G1 (320,65±38,92
UI/L) e o menor no grupo G5 (194,56±29,19 UI/L). Devido ao grande crescimento fetal no
final da gestação a atividade metabólica está intensamente voltada para a constituição dos tecidos fetais com os aminoácidos sendo destinados à constituição protéica dos diferentes tecidos,
com conseqüente diminuição da atividade da AST. O valor da média da atividade da FA foi
maior no inicio da gestação (G2 = 209,00±78,25 UI/L) e menor no grupo de éguas vazias (G1
=142,25±29,21 UI/L). É conhecido que a elevação na atividade dessa enzima durante a gestação
coincide com o período de ossificação fetal. O valor da média de GGT foi maior no G2,(15,24
±7,12) e menor na fase de 24 horas após o parto (G5=13,44 ±2,87 UI/L). Apesar das observações
de que em equinos, o aumento da atividade de GGT sérica está associado com uma variedade
de distúrbios hepáticos, a exemplo da hepatopatia, a grande demanda do útero gravídico na
gliconeogênese apresenta uma resposta fisiológica do fígado, semelhante ao estado de colestase.
As fases da gestação apresentaram efeito sobre a dinâmica da atividade das enzimas hepáticas
avaliadas em éguas da raça Mangalarga Marchador e esses parâmetros devem ser considerados
no monitoramento do estado de saúde nos períodos reprodutivas da espécie.
PA L AV RAS - C H AV E 52
aspartato aminotrasferase, fosfatase alcalina, gama
glutamil transferase, égua, prenhez
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 53 - setembro/dezembro, 2014
Efeito do triptofano em distúrbios
comportamentais de estresse
observados em um equino – relato
de caso
Mayumi Santos BOTELHO-ONO1; Pollyanna Cordeiro SOUTO1; Jefferson Ayrton Leite de
Oliveira CRUZ1; Jaqueline Maria dos SANTOS1; Beatriz Berlinck DUTRA VAZ1
O comportamento dos equinos está relacionado a diversos fatores, entre os quais podemos
destacar o sistema de criação, a quantidade e qualidade dos alimentos e a socialização com
outros cavalos. Em animais estabulados e/ou que foram submetidos a mudanças de manejo
observa-se a presença de distúrbios comportamentais característicos de estresse, os quais podem
incluir vícios, agressividade e distúrbios sexuais, entre outros. Esta situação de estresse é prejudicial ao animal, podendo afetar não só seu desenvolvimento físico, como também mental.Uma
correlação entre o manejo alimentar e alterações comportamentais tem sido observada em
cavalos mantidos em situação de estresse e com restrições dietéticas, como por exemplo acesso
reduzido aos alimentos volumosos. Estes animais desenvolvem de forma aguda sinais e comportamentos indicadores de desconforto com tais situações. Atualmente, vários suplementos
alimentares têm sido disponibilizados no mercado com o propósito de auxiliar na redução do
nível de estresse, sem que sua ingestão possa vir caracterizar “dopping”. Tais produtos procuram
minimizar os sinais clínicos e comportamentais de estresse e, deste modo, contribuir para a
melhora no desempenho dos pacientes com a melhora da qualidade de vida dos mesmos. O
triptofano é o aminoácido precursor da síntese de serotonina, a qual participa nos processos de
percepção e avaliação do meio e na capacidade de resposta aos estímulos ambientais. Assim, variações nos níveis séricos do triptofano podem alterar a concentração de serotonina no cérebro,
sendo esta traduzida em alterações de comportamento que evidenciam o estresse. Na literatura
disponível existem relatos que demonstram a participação do triptofano na dieta como responsável pela redução do comportamento agressivo. O presente relato de caso é sobre um equino,
macho, 08 anos de idade, com aproximadamente 400kg, raça Quarto de Milha, encaminhado ao Ambulatório de Grandes Animais da Universidade Federal Rural de Pernambuco com
comprometimento do sistema locomotor no membro anterior direito.Em virtude das graves
alterações decorrentes da afecção que motivou seu atendimento, foi necessário a instituição de
um protocolo de tratamento longo, permanecendo o paciente confinado cerca de 20 horas por
dia. Quando do seu internamento, o animal apresentava um comportamento calmo, tranquilo
e dócil, entretanto, cerca de 30 dias após o início do tratamento, o mesmo apresentou sinais
de irritação (coices, mordidas, entre outros) a toda e qualquer manipulação e/ou aproximação,
redução do apetite, alternando a atitude entre permanecer em posição quadrupedal e decúbito. A princípio tais atitudes e comportamentos foram interpretados como sendo decorrentes
depossíveis alterações sistêmicas, porém os exames realizados mostraram os parâmetros pesquisados dentro da normalidade para a espécie. Assim, estabeleceu-se a hipótese de estresse, pois é
sabido que alterações comportamentais estão relacionadas ao baixo grau de bem-estar.Como
a literatura relata a associação da diminuição dos níveis de estresse ao uso do triptofano, este
foi adicionado ao protocolo terapêutico, na dose de 30g, via oral, SID (CalmynEqui Turbo®).
Cerca de duas semanas após o início do uso foram observados resultados positivos: o animal
apresentou-se mais calmo, com menos relutância a realizar a deambulação, tendo voltado a sair
da baia espontaneamente, o apetite melhorou e houve redução considerável da agressividade.
Devido tais resultados e a melhora no quadro clínico com o uso do triptofano, este foi utilizado
até o final do tratamento. Desse modo, conclui-se que a administração deste aminoácido em
situações de estresse resulta em efeito positivo sobre o bem-estar, este último traduzido nas
mudanças positivas ocorridas no comportamento deste animal.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Departamento de Medicina
Veterinária, Universidade Federal Rural
de Pernambuco (UFRPE).
estresse, bem-estar, aminoácidos.
53
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 54 - setembro/dezembro, 2014
Eficácia da alantoína e do óxido de
zinco (Alantol®) na cicatrização de
feridas em equinos
Marco Augusto Giannoccaro da SILVA1, Paulo Aléscio CANOLA, Ana Paula Coelho
RIBEIRO, Cinthian Cássia MENDONÇA, Taís TRENTO, Aline Beatriz SCHMIDT
¹ Autor para correspondência:
[email protected]
Escola de Medicina Veterinária e
Zootecnia da Universidade Federal do
Tocantins
Os ferimentos de pele representam uma das mais frequentes ocorrências na clínica de equinos e embora tenham geralmente prognóstico favorável, possuem um potencial significativo
quanto a decorrências indesejáveis, tornando o processo de cicatrização lento e complicado.
Com o presente estudo objetivou-se avaliar a eficácia do uso de uma pomada comercial como
promotora da cicatrização de feridas cutâneas induzidas em equinos. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética CEUA/UFT n°23101.000845/2014-76. Utilizou-se cinco éguas da raça
Quarto-de-Milha que foram avaliadas clinicamente antes do início do experimento, pesadas,
desverminadas e receberam tratamento carrapaticida. Realizou-se tricotomia ampla em ambos
os lados da garupa, tranquilização com acepromazina 1% na dose de 0,05 mg/kg pela via intravenosa e anestesia local infiltrativa com 6mL de solução de lidocaína a 2% com vasoconstrictor.
Para a confecção das feridas cirúrgicas utilizou-se um molde de 5cm2, para a incisão de pele um
bisturi e para a divulsão do tecido subcutâneo e retirada do fragmento de pele, tesoura metzenbaum romba. Por sorteio, um lado foi selecionado como tratado e o outro como controle. Nos
primeiros 14 dias, realizou-se curativo duas vezes ao dia, sendo, os dois lados igualmente lavados com água e detergente neutro e, apenas o lado tratado foi seco com gaze estéril e recebeu
a aplicação da pomada. Ato contínuo, procederam-se com os curativos apenas uma vez ao dia
até completar 42 dias. As avaliações foram realizadas no 1o, 3o, 7o, 14o, 21o, 28o, 35o e 42o dias
de pós-operatório e envolveram: análises macroscópicas com observação de sensibilidade dolorosa à palpação digital ao redor da ferida, presença de tecido de granulação, secreções, crostas,
hemorragia e edema (estimados em graus de 0 a 3, onde 0 indicava a ausência dos parâmetros
avaliados; 1 a ocorrência em até 30% da lesão, 2 a ocorrência em 30% a 60% e, 3 a ocorrência em
60% a 100%); delineamento das feridas em plástico transparente com caneta de retroprojetor e
posterior análise pelo programa computacional ImageJ, para obtenção da área de cada lesão no
decorrer da evolução cicatricial; biópsias da borda das lesões para histopatologia, onde se sorteava apenas um animal por coleta, objetivando evitar a reagudização do processo inflamatório
e possível interferência no processo cicatricial. Os valores das áreas das feridas bem como os de
contração foram submetidos à análise pelo Teste t pareado, com nível de significância de 5%.
Os parâmetros clínicos mensurados por escores foram analisados pelo teste não paramétrico
Wilcoxon Signed Rank Test. Macroscopicamente, notou-se que o lado tratado apresentou menor edema, com superfície mais lisa e com menos crostas secas do que o lado controle, devido
provavelmente à ação epitelizante da alantoína e a atividade adstringente do óxido de zinco.
Histologicamente, nos dias 1 e 3 detectou-se infiltrado inflamatório neutrofílico com presença
de macrófagos, edema e necrose tanto no lado tratado quanto no controle. Entretanto, no lado
tratado o infiltrado inflamatório era de menor intensidade. Aos 21 dias, ambos os lados apresentavam espessamento da epiderme, proliferação e neovascularização intensa, porém, o lado
controle ainda apresentava áreas de edema e com infiltrado inflamatório, caracterizando atraso
na cicatrização. Nesse mesmo período, verificou-se a formação de tecido de granulação em
ambos os lados, sendo que o lado controle apresentou maior grau de granulação. Em relação
à área da ferida, não foi observado diferença estatística entre os lados, porém, a partir do 14°
dia evidenciou-se maior contração no lado tratado, o que clinicamente permite inferir que o
uso da pomada promoveu um período cicatricial mais reduzido o que possibilita o retorno do
animal mais rapidamente às suas atividades. Concluiu-se que a utilização da pomada é benéfica
na promoção da cicatrização de feridas induzidas em equinos e que reduz o tempo de recuperação dos animais.
PA L AV RAS - C H AV E 54
cavalo, granulação, histopatologia.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 55 - setembro/dezembro, 2014
Eficiência de óleos essenciais e
produtos comerciais em parâmetros
reprodutivos do carrapato
Amblyoma cajennense
Roseane Nunes de Santana CAMPOS¹; Fabrício Juliano de O. CAMPOS2; Abraão A.
SANTOS3; Cecília B.N. LIMA3; Indira M.A. SILVA3; Leandro BACCI3
O carrapato estrela Amblyoma cajennense está amplamente distribuído no território brasileiro. Este ectoparasita pode infestar diversas espécies de animais domésticos e silvestres, contudo,
os equídeos são os hospedeiros preferenciais. Este artrópode é responsável pela transmissão de
uma importante zoonose, a febre maculosa. A grande quantidade de carrapaticidas organossintéticos que é aplicada nos animais tem gerado problemas ao meio ambiente e a organismos não
alvos. Óleos essenciais têm sido amplamente estudados como método alternativo de controle
do carrapato estrela. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência dos óleos essenciais
de gengibre (Zingiber officinale) e patchouli (Pogostemon cablin) e os produtos comerciais Natuneem® e Butox® P CE25 sobre fêmeas ingurgitadas de A. cajennense. As fêmeas foram imersas
por dois minutos em uma emulsão com óleos essenciais diluídos em Triton X-100 (agente
surfactante) e água destilada nas concentrações 1, 10, 20 e 50 µl ml-1. Os produtos Natuneem®
e Butox® P CE25 foram diluídos conforme recomendação comercial. Para o controle negativo
foi utilizado o Triton X-100 e água destilada. Após 14 dias foram avaliados os seguintes parâmetros reprodutivos: i) Índice de postura (IP) = massa dos ovos (g) / massa de fêmeas antes do
tratamento (g); ii) Inibição de oviposição (IO) (%) = [(IP grupo controle - IP grupo tratado)/
IP grupo controle]*100. Os valores dos parâmetros reprodutivos foram menores para todos os
tratamentos em relação ao controle negativo (Triton X-100 e água). Os menores valores do índice de postura de ovos (g) foram registradas nas concentrações de 20 µl.ml-1 do óleo essencial
de patchouli e gengibre sendo o índice 0,065 e 0,386 respectivamente. O óleo essencial de patchouli inibiu 78,47% da oviposição na concentração de 20 µl.ml-1, o óleo essencial de gengibre
inibiu 28,66% da oviposição na mesma concentração. O índice de postura do Natuneem® e
Butox® P CE25 nas concentrações comerciais preconizadas foram de 0,528 e 0,359 e a inibição
de oviposição foi de 14,20% e 8,07% respectivamente. No geral, os produtos comerciais apresentaram menor inibição de oviposição em relação a quase todas as concentrações dos óleos
essenciais. Estes resultados demonstram que óleos essenciais podem ser eficientes no controle
do carrapato A. cajennense.
PA L AV RAS - C H AV E Ixodidae, controle alternativo, acaricida.
AGRADECIMENTOS
CAPES, CNPQ, FAPITEC e UFS.
¹ Programa de Pós Graduação em
Ciências da Saúde- Universidade
Federal de Sergipe (UFS), roseane_
[email protected];
² Médico Veterinário autônomo, com
especialização em diagnóstico, cirurgia e
reprodução eqüina;
³ Departamento de Engenharia
Agronômica- Universidade Federal de
Sergipe (UFS),
[email protected]
55
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 56 - setembro/dezembro, 2014
Elevação transitória da atividade sérica
das enzimas musculares em equinos
após exercício de vaquejada
Tereza Maria dos Santos SOUSA; George Magno Sousa do RÊGO; Gladiane dos Santos
NUNES; Patrick Elvis PARAGUAIO; Luciana Pereira MACHADO
¹ Autor para correspondência:
[email protected]
Escola de Medicina Veterinária e
Zootecnia da Universidade Federal do
Tocantins
O estresse promovido pelo exercício físico promove alterações bioquímicas nos equinos e
o efeito do exercício nas células musculares pode ser avaliado pela determinação das enzimas
musculares, existindo poucos estudos sobre essas enzimas nos equinos de vaquejada. Sendo
assim o objetivo do trabalho foi avaliar o efeito do exercício de vaquejada na atividade sérica
das enzimas creatina quinase (CK), aspartato aminotransferase (AST) e lactato desidrogenase
LDH) em equinos. Foram utilizados 12 equinos da raça Quarto de Milha, com idade de 3 a 12
anos, que participaram como cavalos de “puxada” em uma prova de vaquejada, na qual realizaram de duas a três corridas por dia, durante três dias consecutivos. Foram colhidos 10 mL de
sangue nos momentos: entre 7:00 e 9:00h no dia anterior a prova (M0); logo após a primeira
corrida (M1); 30 minutos (M2); 6 horas (M3) e 24 horas (M4) após a última corrida realizada
pelo animal na prova. O sangue foi centrifugado e o soro foi estocado a -20°C até o momento
da análise. As análises bioquímicas foram realizadas em analisador bioquímico semiautomático, utilizando kits comerciais e soro controle universal, conforme orientação dos fabricantes.
A concentração da CK foi determinada segundo o método ultravioleta/IFCC, a LDH segundo
o método do piruvato-lactato e a AST seguindo a metodologia cinética UV-IFCC. Os dados
foram submetidos à análise de variância (ANOVA) pelo procedimento GLM do SAS e comparação de médias utilizando o teste de Duncan com nível de significância de 0,05. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal da instituição (Protocolo
n.074/11). A média e desvio padrão da atividade enzimática da CK, AST e LDH no M0 foram
respectivamente: 125,4±39,2; 261,0±104,9 e 715,7±250,1 UI/L. O exercício promoveu aumento
transitório das enzimas musculares. Logo após a primeira corrida de vaquejada (M1) observa-se
aumento significativo de LDH (1.283,9±422,4 UI/L) (p<0,05), em relação ao M0 e elevação
não significativa da CK (173,3±50,5 UI/L) e AST (261,0±104,9 UI/L). As enzimas apresentaram
um aumento no M2 sendo significativo para CK (239,3±108,1 UI/L) e LDH (1.423,9±660,1
UI/L) (p<0,05). O aumento da AST no M2 (324,0±65,4 UI/L) foi significativo apenas quando
comparado aos valores do M3 (241,0±67,4 UI/L) e M4 (236,7±83 UI/L), nos quais se observa
decréscimo (p<0,05) de todas as enzimas em relação ao M2. Sendo os valores de CK e LDH
respectivamente no M3 (241,0±67,4; 543,7±262,6 UI/L) e M4 (236,7±83,1; 622,3±216,4 UI/L)
inferiores ao M2 e estatisticamente iguais ao M0. Concordando com a literatura que cita para
a CK aumentos em período curtos e sob exercícios intensos, relacionados com o aumento da
permeabilidade da membrana das células musculares. O pico de atividade da CK no equino no
caso de aumento por lesão muscular é de 3 a 6 horas, momentos nos quais a CK já estava em valores semelhantes ao repouso e dentro dos valores de referência para equinos atletas, indicando
que não houve lesão muscular, que causaria elevação persistente da CK. A LDH teve o mesmo
comportamento, porém acima dos valores de referência em todos os momentos, podendo ser
resultado em diferença de técnicas utilizadas entre autores, em outro estudo que também utilizou metodologia cinética os resultados de LDH ao repouso foram semelhantes. Estados não
patológicos também podem elevar a LDH, assim como os métodos de coleta e mensuração utilizados. Poucos estudos avaliaram as enzimas musculares no exercício de vaquejada e diferente
do presente estudo não observaram elevação significativa das enzimas. A dinâmica de variação
da AST, que apresentou aumento discreto e transitório também indica que não houve lesão
muscular, pois em caso de lesão a concentração sérica de AST apresenta seu pico em 24 horas.
Os valores de CK ao repouso foram superiores aos de outros estudos com equinos de vaquejada
o que pode indicar que o treinamento realizado pelos proprietários não está adequado, pois
em outras modalidades de exercício é relatado que a atividade basal desta enzima apresenta
redução significativa com o treinamento. Conclui-se que o exercício de vaquejada promove
aumento apenas transitório das enzimas musculares nos equinos que realizam o exercício de
puxada, com retorno a normalidade entre 6 e 24 horas e não caracterizando a indução de lesão
muscular.
PA L AV RAS - C H AV E AGRADECIMENTOS
56
esforço físico, enzimas musculares, cavalo.
FAPEPI e CNPq
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 57 - setembro/dezembro, 2014
Enfermidades múltiplas associadas
em égua quarto de milha - relato de
caso
ARRIVABENE, M1.; CAVALCANTE, T. V1, NEVES, C.A3.; FEITOSA, L. C. S.1; SOUSA JÚNIOR, V.
R.2; FERREIRA, S. B.2
O casco desempenha melhor suas funções quando o cavalo está em liberdade ou recebe
manejo e casqueamento corretos. Contusões na região coronária induz inflamação localizada
ou extensa que pode resultar em alterações funcionais da locomoção. Obstruções esofágicas
constitui uma emergência já que o aumento de pressão na mucosa pode ocasionar lesão extensa, com consequente tecido fibroso, estenose ou perfuração. Pneumonia normalmente acompanhada por bronquite/bronquiolite e pleurisia tem etiologia vasta, incluindo a iatrogênica
por aspiração quando da sondagem nasogástrica e administração de líquidos sem os cuidados
necessários. A ocorrência de aborto em éguas é estimada entre 8 e 15%, sendo classificado
segundo a etiologia em infeccioso ou não. O objetivo deste resumo é relatar o caso de uma
égua, Quarto de Milha, 17 anos, portadora de quatro enfermidades simultâneas. O proprietário
relatou que a égua apresentou aumento de volume no terço inicial do pescoço, sua dieta era
composta de forragem e ração, sendo administrados antitóxico e antibiótico, além de repelente
nos cascos que já apresentavam lesão. Ao exame físico observou-se secreção esverdeada pelas
narinas, aumento de volume no terço inicial do pescoço, coronite nos membros torácicos, com
desprendimento do casco no direito, FC 60bpm, FR 24mpm, TPC 2-3seg, TR 38,4ºC, mucosas
oculares hipercorada e oral normacorada, e peristalse normal. A suspeita diagnóstica foi obstrução esofagiana, pneumonia aspirativa e coronite. O prognóstico feito foi reservado. Como
tratamento, além da passagem de sonda nasoesofágicacom deslocamento do corpo estranho,
administrou-se 60mL de DMSO diluídos em 1L de soro glicosado 5% iv/SID/5dias; penicilina 40.000UI/kg/im/SID/5dias; Biotina e Zinco 15g vo/SID no período; curativo diário com
Digluconato de Clorexidina 07 mg em algodão e atadura; fluidoterapia acrescida de 60 ml de
antitóxico iv/SID/5 dias; Fluniximmeglumine 1,1mg/kg/iv/SID/5dias; glicopan 25 ml vo/SID; e
hemolitan (20ml) vo/BID; Acetilcisteína 20 ml vo/SID. A égua iniciou aborto, sendo retirado o
feto e anexos placentários, quando se observou secreção purulenta de odor fétido. Realizou-se
então lavagem uterina por três dias; soro antitetânico (5.000 UI) /im/dose única; Extrato de
lóbulo posterior de Hipófise 0,5 ml im/SID/3dias; enronfloxacina 10 ml/im/SID/3dias. A égua
foi mantida em observação e o tratamento tópico da coronite por mais 30 dias, recebendo alta
completamente recuperada. Constatou-se, conforme literatura consultada, que quanto mais
precoce for o atendimento, realizado o diagnóstico e iniciado o tratamento, maior a chance de
recuperação do animal.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Departamento de Clinica e Cirurgia
Veterinária – Centro de Ciências
Agrárias (CCA) – Universidade Federal
do Piauí (UFPI),
2 Médico Veterinário Liberal,
3 Graduanda Curso de Medicina
Veterinária/CCA/UFPI
Equino, esôfago, aborto, laminite.
57
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 58 - setembro/dezembro, 2014
Enfisema subcutâneo decorrente à
perfuração faringeana em um equino
Cícero Ferreira de OLIVEIRA¹, Hortência Campos MAZZO², Lucas Adonys Teixeira da
SILVA³, Deborah Bruna Loureiro NEMESIO³, Fernanda CAJU¹, Pierre Barnabé ESCODRO4
¹ Medicos Veterinários autônomos
² Acadêmica de Medicina VeterináriaUESC
³ Acadêmicos de Medicina VeterináriaUFAL
4 Prof Adjunto Curso de Medicina
Veterinária–UFAL
Enfisema subcutâneo é o acúmulo de gás no tecido subcutâneo e pode ocorrer por diferentes causas, sendo as mais comuns as feridas axilares, as perfurações torácicas e em pós operatorios de trato respiratório superior. Os sinais clínicos mais comuns são: aumento de volume da
região dos membros torácicos com crepitação à palpação, porém pode se estender nas direções
do pescoço e mandíbula e também caudalmente para o arco costal, abdômen e membros pélvicos. Em casos extremos poderá atingir o corpo todo. Na maioria dos casos não ocorre alteração
nos parâmetros fisiológicos e o animal se alimenta normalmente. O prognóstico para os casos
de enfisema subcutâneo equino é favorável. Foi atendido no ambulatório do Grupo de Pesquisa e Extensão em Equinos da Universidade Federal de Alagoas (GRUPEQUI-UFAL) um equino
da raça Mangalarga Machador, macho, de 3 anos, pesando 390 quilos, apresentando enfisema
subcutâneo generalizado. Na anamenese observou-se que o animal não havia sido submetido a
nenhum procedimento cirúrgico ou apresentava perfurações aparentes externas. Ao exame clínico inicial o paciente apresentava aumento de volume e presença generalizada de crepitação,
com os parâmetros fisiológicos e hematológicos sem alterações dignas de nota. A partir deste
foi necessário a realização de endoscopia nasotraqueal. Ao exame verificou-se a presença de um
orifício erratio no recesso faringeo sendo este a causa o influxo de ar no subcutaneo. Após o
diagnóstico e consequente dificuldade do acesso cirúrgico optou-se pelo tratamento conservativo da ferida faringeana, associada a traqueostomia, visando diminuir o enfisema subcutâneo
até a granulação e fechamento por segunda intenção do oríficio. A traqueostomia possibilita
uma comunicação da traquéia com o meio externo, criando assim uma via área cirúrgica na
porçao cervical do pescoço e redução de 10% a 50% no espaço morto anatômico, diminuindo
a resistência e aumentando a complacência pulmonar. O tratamento pós operatorio consistiu
em: Benzilpenicilina benzatina (20000 UI/kg/IM/72h/3aplicações), Enrofloxacina (5 mg/kg/
IV/24h/5dias), Dexametasona (0,1 mg/kg/IM/24h/3dias), curativos locais com Cloridrato de
benzidamina (5ml a 0,15 %/8h/20dias). O enfisema subcutâneo regrediu na primeira semana
após a inserção do traqueotubo. Após 20 dias foi realizada nova endoscopia constatando epitelização no orificio do recesso faringeo, sendo retirado o traqueotubo. A cicatrização da abertura
cirurgica da traqueostomia ocorreu por segunda intenção em 8 dias, através de curativos locais
com Rifocina spray local. Conclui-se que a traqueostomia temporária é metodo cirurgico eficaz para regressão de enfisema subcutâneo decorrente às perfurações faringeanas, podendo ser
mantida até a cicatrização das mesmas.
PA L AV RAS - C H AV E 58
Cavalo.
Enfisema
Traqueostomia.
subcutâneo.
Endoscopia.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 59 - setembro/dezembro, 2014
Enterotomia jejunal seguida de
massagem para tratamento de
compactação de íleo: relato de caso
J.M.R.P. ARAÚJO1; A. GRADELA1
Uso da enterotomia para tratamento de compactação de íleo é menos frequente que o da
massagem do conteúdo para o ceco, pois pode provocar resposta inflamatória intestinal com
íleo adinâmico. Relata-se um caso de enterotomia jejunal seguida de manipulação cuidadosa
das alças intestinais para desfazer compactação de íleo. Uma égua, PSI, 12 anos, alimentada
com 4 kg de ração peletizada, feno de capim tifton, água e sal mineral à vontade e treinada 3
a 5 vezes por semana, recebeu flunixin meglumine (10 mL, IV) após intensa sudorese e rolamento ao fim de um treino de hipismo. No Hospital de Equinos de Batatais a ultrassonografia
evidenciou deslocamento dorsal esquerdo de cólon, resolvido por tratamento clínico, como
evidenciado à palpação transretal e ultrassonografia, pois o mesmo não foi mais visualizado no
espaço nefroesplênico.Na sequência retomou-se a fluidoterapia, mas a égua voltou a apresentar
desconforto abdominal e refluxo de oito litros pela sonda nasogástrica. Como não apresentou
melhoras à administração de N-butilbrometo de hiocina e dipirona sódica ou cloridato de detomidina (5 mg), foi submetida à laparotomia exploratória pela linha alba, após administração
de 0,01 mg/kg, IV, de detomidina seguida de ketamina (2,2 mg/kg, IM) e diazepam (0,1 mg/Kg,
IV) e mantida com isofluorano. O ceco estava repleto de gás e o íleo compactado. Após enterotomia jejunal longitudinal o excesso de conteúdo líquido presente foi direcionado manualmente para a incisão, evitando-se manipulação excessiva das alças intestinais e a compactação
desfeita com o auxílio de uma mangueira e água corrente. O conteúdo do cólon foi também
retirado através de enterotomia na flexura pélvica, seguida de lavagem abundante. Conclui-se
que enterotomia jejunal seguida de massagem foi eficiente para desfazer compactação de íleo e
segura, pois o animal foi liberado 14 dias após a cirurgia.
PA L AV RAS - C H AV E Cirurgia. Cólica. Equino. Enterotomia. Fenilefrina.
AGRADECIMENTOS
Hospital de Equinos de Batatais.
¹ Colegiado de Medicina Veterinária,
Universidade Federal do Vale do São
Francisco (UNIVASF).
E-mail: [email protected]
59
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 60 - setembro/dezembro, 2014
Estabilização de fratura transversa de
metatarso com o uso de fixador externo
Jonathan Henrique NANTES¹, Andressa Carla Silva de Castro LOUZADA², José
Carlos Ferreira da SILVA³, Thailson Monteiro Menezes da SILVA4, Bruno Alencar Maia
ESMERALDO¹, Heder Nunes FERREIRA5
¹ Médico veterinário da Faculdade Pio
Décimo
² Discente da Faculdade Pio Décimo
³ Discente da Universidade Federal Rural
de Pernambuco
4
Médico Veterinário Autônomo
5
Docente da Faculdade Pio Décimo
Fraturas de ossos metatársicos podem ser classificadas em fraturas do terço proximal, terço
médio e do terço distal, aberta ou fechada. A resolução destas fraturas pode ser realizada com a
utilização de técnicas que permitam a fixação e boa estabilidade dos segmentos ósseos acometidos. A fixação externa pode ser empregada com viabilidade em equinos, permitindo manter o
membro hiper-extendido com estabilidade no foco da fratura sem interferir no local lesionado.
Objetivou-se com esse trabalho relatar a osteossíntese de uma fratura transversa de metatarso
em equino através da utilização de fixador externo. Foi atendido no Hospital Veterinário Dr. Vicente Borelli em Aracaju-SE um potro de 8 meses de idade, SRD, no qual apresentava instabilidade no membro posterior esquerdo após ter sido atropelado. Ao exame clínico foi constatado
taquicardia, taquipnéia. Durante a palpação do membro acometido observou-se instabilidade
e crepitação na região do metatarso, sendo requisitada a radiografia do membro afetado, onde
pôde ser constatada fratura completa e transversa em terço médio de metatarso esquerdo, foi
realizado hemograma completo constatando leucocitose. Optou-se pelo tratamento cirúrgico
de osteossíntese utilizando fixador externo tipo 2. Para realização do procedimento foi feito
MPA à base de xilazina 10% na dose 0,5mg/kg e indução com cloridato de cetamina na dose de
2mg/kg associado a diazepam na dose de 0,2mg/kg e manuntenção com isoflurano. Realizada o
protocolo de antissepsia cirúrgica no local acometido, iniciou-se a fixação com auxílio de uma
furadeira ortopédica transfixando, no sentido látero medial 6 pinos lisos de Steinnman, sendo
3 distais e 3 proximais ao foco da fratura angulados à 70 graus em relação a superfície óssea.
Os diâmetros dos pinos utilizados foram de 5mm, 4mm e 3mm, respeitando a distância de 2
cm do foco da lesão e entre eles.Em seguida as hastes metálicas foram encurvadas, formando
uma haste de sustentação, e para manter estabilidade do foco da fratura fez-se a aplicação de
resina acrílica. No pós-operatórioa ferida foi protegida com curativo de bandagem de crepe,
algodão e ganadol®. Foi prescrito Penicilina Benzatina 22500UI/kg, Gentamicina 6.6mg/kg,
Metronidazol 15mg/kg e Fenilbutazona 2.2mg/kg, após 3 dias a fenilbutazona foi substiutida
pelo meloxicam gel 0,6mg/kg, realizado curativo diário com iodo povidona tópico, ganadol®
e bandagem. Foi efetuada avaliação radiográfica a cada 15 dias até a consolidação da fratura.
Após 10 dias de antibioticoterapia o animal ainda apresentava leucocitose (16000 leucócitos).
Foi instituída Sulfa + trimetropim 24mg/kg onde não se obteve uma resposta positiva (21000
leucócitos) e na radiografia pôde perceber que já existia um processo de osteólise e presença de
secreção no orifício dos pinos. Sendo assim, foi realizada nova troca de antibiótico para o Ceftiofur 6.6mg/kg realizado por 10 dias e em associação 4 sessões de antibioticoterapia regional
com o mesmo princípio ativo na dose de 2g/peso total. Com 40 dias de pós-operatorio retirou-se os pinos e uma tala de gesso sintéticofoi realizada, permanecendo por 30 dias, somente
realizando o controle da dor durante esse período sem a necessidade do uso de antibióticos. A
técnica de fixação externa mostrou-se eficaz na estabilização da fratura de metatarso em potro
permitindo a formação de calo ósseo. Desta forma, podendo assim ser uma alternativa de fácil
execução e baixo custo a ser empregada nesse tipo de fraturas em potros.
PA L AV RAS - C H AV E 60
Cirurgia, Equídeo, Osso.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 61 - setembro/dezembro, 2014
Estro pós-parto subsequente a
prolapso uterino: relato de caso
Débora da Silva NEVES1, Paulo Fernandes de LIMA1, Adelaide Caroline Primo da SILVA1,
Cláudio Bartolomeu COUTINHO1, Diogo Diógenes Medeiros DINIZ1, Matheus Cavalcanti
de FARIAS1
O prolapso uterino é caracterizado pela exteriorização, no pós-parto imediato, de todo
útero, sendo um acontecimento pouco frequente em éguas. Atonia do útero, partos distócicos
ou laboriosos, edema exagerado dos órgãos genitais, administração empírica de medicamentos
e éguas com idade avançada, são causas corriqueiras de prolapso uterino. O diagnóstico se estabelece a partir da observação do útero exteriorizado. Este resumo tem como objetivo relatar um
caso de uma égua que apresentou estro pós-parto subsequente a prolapso uterino. Deu entrada
no Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco um animal SRD, com
dez anos de idade, pesando 350 Kg, pelagem castanha. O proprietário informou que a égua
estava aproximadamente com dez meses de gestação e observou que a mesma havia abortado
durante a madrugada. Ocorreu retenção de placenta, sendo esta tracionada pelo proprietário
na tentativa de retira-la, não obtendo êxito. Posteriormente a égua apresentou fortes contrações,
seguida de exteriorização do útero. Ao exame clínico apenas a frequência cardíaca estava fora
dos padrões, 54 batimentos por minuto (bpm). No exame geral foi observada a exteriorização
do útero caracterizando um prolapso uterino completo. Foram administrados 2 ml de acepromazina a 1% por via intravenosa (IV) como tranquilizante, flunixinameglumina (1.1 mg/kg)
(IV), e 5 ml de cloridrato de lidocaína em solução a 2% sem vasoconstrictor como anestesia
epidural caudal baixa. Realizou-se a lavem do endométrio exteriorizado com solução desgermante a base de clorexidina, e em seguida o útero foi submerso em água morna com o intuito
de torna-lo mais maleável. A mucosa prolapsada foi lubrificada com pomada antibiótica a base
de gentamicina e realizou-se a manobra de redução reconduzindo o órgão a sua posição fisiológica. Após este procedimento foi realizado uma infusão de 30 ml de cloridrato de lidocaína
em solução a 2% sem vasoconstrictor na submucosa vulvar e procedeu-se a sutura de Bünner,
com o intuito de se evitar a recidiva da patologia. O animal recebeu durante sete dias cobertura
antibiótica (Benzilpenicilina G Procaína e G Benzatina 10.000.000 UI, Sulfato de Dihidroestreptomicina 10.500 mg, Piroxicam 1.000 mg em Veículo q.s.p. 100 mL) por via intramuscular
profunda sendo utilizado 20.000 UI/Kg, e 5000 UI de soro antitetânico repetindo a dose após
três dias. Após dez dias da redução do prolapso foi procedida à retirada da sutura. No dia do
retorno ao hospital observou-se que a fêmea apresentou sinais característicos de estro, sendo
indicativo de uma involução e função fisiológica uterina adequada, tendo em vista a égua estarciclando. Logo, conclui-se que os cuidados que foram adotados a partir do momento da exteriorização do útero e durante todo o tratamento foram adequados e favoráveis à manutenção
da integridade reprodutiva e fisiológica da égua.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Departamento de Medicina
Veterinária, UFRPE, Recife-PE
prolapso uterino, aborto, cio pós-parto.
61
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 62 - setembro/dezembro, 2014
Estudo da microbiota de vulva e vagina
de éguas
Dayane Kelly Gomes de Oliveira ARAÚJO¹, Egbely Maria Cordeiro dos SANTOS1,
Karla Patrícia Chaves da SILVA1, Maria Clara Carlos da SILVA1, Sidney Rivaldo Martins
Cavalcante SÁTIRO1
¹ Universidade Federal de Alagoas - UFAL
– Viçosa/AL – Brasil
A subfertilidade e a infertilidade de éguas na equinocultura promovem um notório e negativo impacto econômico. Uma das afecções mais relevantes é a endometrite, que se define
como a inflamação do endométrio em resposta a uma agressão, geralmente causada por microrganismos, podendo, ainda, ser aguda ou crônica, infecciosa ou não infecciosa (ou também
reconhecidas como endometrite bacteriana, fúngica, virótica, subclínica, clínica, pós-parto e
pós-cobertura, entre outras. A genitália da égua tem uma microflora normal e microrganismos
oportunistas que podem ser patogênicos em animais susceptíveis. Nas éguas sadias o útero é
bem protegido de contaminação externa por barreiras físicas que consistem na vulva, vestíbulo,
vagina e cérvix; qualquer falha nessas barreiras pode predispor a égua à infecção uterina. Objetivou-se estudar a microbiota da vulva e vagina de éguas em fase não reprodutiva. Estudou-se
20 éguas da raça Mangalarga Machador provenientes de propriedade localizada na Zona da
Mata do Estado de Alagoas. As fêmeas se encontravam em bom estado nutricional, sem lesões
características de vulvovaginite, fora do estro e não prenhe. Procedeu-se a colheita das amostras
através da abertura da vagina e passagem de Swab (zaragatoa) na mucosa da vulva e vagina
das fêmeas. Os swabs foram enviados sob refrigeração em caixas isotérmicas ao laboratório
de Microbiologia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). As amostras foram inoculadas
em placas de Petri contendo Ágar base Sangue de ovino (10%) e ágar Sabouraud. As placas de
Petri foram incubadas a 37º C por até 72 horas, procedendo-se a leitura a cada 24 horas. As
colônias bacterianas e fúngicas caracterizadas morfologicamente foram submetidas à técnica
de coloração segundo Gram e visualizadas em microscopia óptica de imersão 100x. Em seguida
as amostras foram classificadas de acordo com as características fenotípicas, segundo Koneman
et al, 2001.Após as análises, observou-se uma média de 2,45 microrganismo por égua, destes
13,95% (6/49) foram fungos e 86,05% (43/49) bactérias. Os microrganismos isolados foram
Staphylococcus sp 28,57% (14/49),Streptococcus sp 16,34% (8/49),Enterobacteriaceae 14,29%
(7/49),Bacillus sp 12,24% (6/49),Candida sp 12,24% (6/49), Corynebacterium sp 10,20% (5/49)
e Micrococcus sp 6,12% (3/49). As bactérias isoladas em vulva e vagina diferenciam em carga
microbiana das causadoras de endometrite em éguas, onde as Enterobacteriaceae são as frequentemente isoladas dentre estas Escherichia coli (20,4%). Outras bactérias como Staphylococcus sp (3,1%), Corynebacterium sp (1,6%) e Bacillus sp (1,6%), são encontrados em menor
frequência em endometrites. A microbiota de vulva e vagina de fêmeas equinas criadas em
propriedades tipo haras, é constituída primordialmente por bactérias Gram-positivas seguida
por Enterobacteriaceae e fungos, os quais tem a capacidade de causar distúrbios do sistema
reprodutivo como vulvo-vaginite ou endometrite, na dependência de fatores condicionantes.
PA L AV RAS - C H AV E 62
Infecção,sistema genital, éguas, microbiota.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 63 - setembro/dezembro, 2014
Estudo retrospectivo de
videoendoscopias do trato
respiratório em equinos da raça
quarto de milha utilizados para
vaquejada atendidos no hospital de
equinos CLINILAB
Siqueira, C.C.; Leite, L.E.V.; Mosquera, A.; Medrado, C.; Florence, C.O.; Graça Filho, U.C.;
Distúrbios respiratórios constituem a segunda maior causa de limitação do desempenho
atlético em equinos, ficando atrás apenas dos distúrbios musculoesqueléticos, gerando perdas
econômicas diretas. O presente trabalho objetivou descrever os principais achados de um levantamento retrospectivo dos exames videoendoscópicos realizados em equinos da raça Quarto de
Milha utilizados para a vaquejada, internados e atendidos no Hospital de Equinos CLINILAB.
Os exames foram realizados com um videoendoscópio 1800 Endoscope, de 12,9 mm e 3 m de
comprimento, com animal em estação, sob contenção física em tronco e uso de cachimbo. No
ano de 2013, foram avaliados por meio de videoendoscopia vinte e quatro equinos, adultos,
sendo estes 16 do sexo masculino e 8 do sexo feminino, com idades variando de 7 a 14 anos,
todos com queixas de problemas respiratórios, tendo sido observadas as seguintes alterações:
condroma das cartilagens aritenóides 1/24 (4,1%), deslocamento dorsal do palato mole 1/24
(4,1%), hemiplegia laríngea esquerda grau dois 2/24 (8,3%), hemiplegia laríngea esquerda
grau três 2/24 (8,3%) e hemiplegia laríngea esquerda grau quatro 7/24 (29,1%), bronquite 3/24
(12,5%), desvio axial do processo corniculado da cartilagem aritenoide 1/24 (4,1%), estenose
de carina 1/24 (4,1%), hiperplasia folicular linfoide 1/24 (4,1%), condrite das cartilagens aritenóides 1/24 (4,1%), empiema de bolsa gutural 1/24 (4,1%), encarceramento epiglótico 1/24
(4,1%) e hemorragia pulmonar induzida por esforço grau três 2/24 (8,3%). A afecção das vias
respiratórias mais frequentes em equinos da raça Quarto de Milha utilizados para a vaquejada
e atendidos no Hospital de Equinos Clinilab no ano de 2013 foi hemiplegia laríngea em seus
variados graus. A hemiplegia da laringe em cavalos atletas pode ocasionar a redução da performance, intolerância ao exercício e ruídos respiratórios anormais audíveis, em decorrência da
diminuição da passagem de ar expirado e inspirado, com isso, os criadores tendem a procurar
auxilio diagnostico para corrigir e tratar os sinais clínicos apresentados pelo animal. O exame
endoscópico é um excelente meio semiológico para diagnóstico de patologias e afecções das
vias aéreas respiratórias. A precocidade do diagnóstico e correto tratamento contribuem para o
reestabelecimento do animal, na prevenção de complicações secundárias e no rápido retorno
as atividades atléticas.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Hospital de Equinos CLINILAB,
[email protected]
Equino, vídeo endoscopia, afecções do trato respiratório.
63
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 64 - setembro/dezembro, 2014
Exérese cirúrgica de um cisto dentígero
realizada a campo em potro da raça
mangalarga machador - relato de caso
ROCHA, L. L. L.1; REBOUÇAS, R. E.1; SILVA, P. R.2; MENDONÇA, M. F. F.2
¹ Médico Veterinário, Natal, RN
² Alunos do Curso de Medicina
Veterinária, UFCG, Patos, PB
A separação do folículo da coroa de um dente pode fazer com que resulte uma formação
cística revestida de epitélio e fluido em seu interior, denominada cisto dentígero. Estes cistos
em cavalos são relativamente raros de se ver, contém consistência firme e pode transformar-se
em lesão fistulosa com secreção. Por ser uma anormalidade congênita, geralmente é diagnosticada em potros uni ou bilateralmente. O tratamento é a completa remoção cirúrgica da estrutura. Um potro de quatro meses de idade, pelagem castanho, 110kg, macho, foi atendido em
uma propriedade rural no município de São Gonçalo do Amarante-RN situada a 19Km de
Natal. A queixa do proprietário era um aumento de volume próximo à região da base do pavilhão auricular esquerda que excretava um liquido. Durante o exame físico foi observado um
aumento de volume de consistência firme e levemente flutuante, porém com consistência rígida na região do osso temporal, de onde a secreção serosa era drenada. A cirurgia foi realizada
sete dias após a avaliação, na mesma propriedade. Apenas duas horas antes do procedimento, o
animal foi separado de sua mãe, em jejum. A medicação pré-anestésica (MPA) foi xilazina 10%
(Sedomin®) na dose 1,1mg/kg via intravenosa. Após uma boa sedação, o animal permitiu ser
feito a tricotomia do local e realizada uma fixação de cateter (nº16) na veia jugular esquerda.
Após 15 minutos, o animal foi induzido com Cetamina 10% (Cetamin®) na dose 2mg/kg via
intravenosa. Ao posiciona-lo em decúbito lateral direito, foi acoplado ao cateter uma solução
de glicose 5% e éter gliceril guaiacol (EGG) na dose de 100mg/kg formando uma solução a 5%,
por infusão contínua. De acordo com a monitoração, era regulada a velocidade de infusão do
fármaco. Ainda foi realizado anestesia local infiltrativa no subcutâneo sob a linha de incisão
e um bloqueio do nervo aurículo palpebral (3ml) utilizando lidocaína sem vasoconstrictor
(Dopaser®) na dose de 7mg/kg. Cinco minutos até a incisão. Nesse tempo, houve introdução
no trajeto fistuloso, um scalp (nº 21) que teve sua agulha cortada para servir de guia na cirurgia. Foi realizada uma incisão elíptica na pele sobre o cisto. Com a tesoura de Metzembaum
divulsionou-se todo tecido ao redor do cisto, encontrando uma resistência aderida na base de
contato do cisto com a porção petrosa do osso temporal. Em seguida, foi divulsionado também
ao redor da fístula (canulada) cuja fazia comunicação com o pavilhão auricular. Enfim o cisto
foi removido por completo, não havendo possibilidade de reincidir. Antes da sutura foi aplicado spray com oxitetraciclina e hidrocortisona (Terra-Cortril®). A redução de espaço morto,
com fio Poligalactina 910 (Vicryl®, 2-0) usando sutura tipo zigue-zague. Na pele foi usado fio
monofilamentar preto (Shalon®, nº0) usando sutura simples contínuo. No total a cirurgia
durou 45 minutos. Ao termino da cirurgia, houve recuperação anestésica sem complicações.
Como medicação pós-cirúrgica utilizou-se anti-inflamatório Meloxicam (Maxicam Gel®) durante cinco dias na dose de 0,6mg/kg via oral e antibiótico associado Benzilpenicilina Procaína
e Benzilpenicilina Benzatina (Penikel LA®), durante sete dias na dose de 10.000UI via intramuscular. Além de um soro antitetânico liofilizado (Vencosat®), dose única via intramuscular.
Na ferida foi usado spray (Terra-Cortril®) e unguento (Vallée®) para auxiliar a cicatrização. No
pós-cirúrgico não houve imprevistos, a ferida cicatrizou e os pontos foram retirados onze dias
depois. Este tipo de cirurgia possui exigência na precisão, para isso, a contenção anestésica do
paciente precisa trazer eficiência com segurança, principalmente em animais jovens. O procedimento é simples e não invasivo. O prognóstico é favorável, apesar da cirurgia a campo possuir
alguns riscos e limitações.
PA L AV RAS - C H AV E 64
Cirurgia, cisto, fístula, prognóstico.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 65 - setembro/dezembro, 2014
Fístula enterocutânea decorrente de
traumatismo em hérnia umbilical
em equino – relato de caso
Juliana Paniago Lordello NEVES1; Ana Eliza dos Santos SILVEIRA1; Márcio de ARAÚJO1;
Gabriel Novaes DOMINGUES1; Wolff Camargo MARQUES FILHO1; Frederico Guilherme
Oliveira SILVA1
As hérnias umbilicais ocorrem frequentemente em equinos jovens, de caráter congênito ou
adquirido, podendo eventualmente resultar em fístulas estercorais, caracterizadas por comunicação anormal entre o trato gastrointestinal e superfície cutânea drenando conteúdo digestivo.
Entre estas, a fístula enterocutânea, que resulta da comunicação entre alças intestinais e pele,
drenando conteúdo fecal, estão às vezes relacionadas à hérnia umbilical. Objetiva-se descrever
um caso, até o momento pouco referenciado na literatura, de fístula enterocutânea em equino. Foi atendida no Hospital Veterinário da Universidade Anhanguera-Uniderp, uma égua,
Quarto de Milha, 5 anos, cujo histórico remetia a um aumento de volume próximo a cicatriz
umbilical, tratado e não solucionado há alguns anos, evoluindo com sinais de cólica e extravasamento de conteúdo intestinal por orifício na área do aumento de volume. Ao exame físico, o
animal apresentava-se alerta, parâmetros fisiológicos normais e uma fístula envolta por tecido
necrosado na região umbilical, por onde drenava conteúdo intestinal. Pelos achados de exames
físico e laboratorial descartou-se a possibilidade de peritonite aguda difusa, sendo preconizada
a laparotomia exploratória. Com a cavidade exposta observou-se aderências abrangendo segmento de jejuno à parede abdominal ventral direita, com alteração de aproximadamente 10cm,
mantendo-se íntegros os demais trajetos do trato intestinal. Desfez-se o possível as aderências
e optou-se pela enterectomia segmentar da área alterada, seguida de enteroanastomose término-terminal. Durante o período pós-cirúrgico o animal evoluiu sem intercorrências, mantendo-se estável, com a utilização de gentamicina IV, penicilina IM, dexametasona IM e flunixin
meglumine IV, sendo alterado no 9o dia o protocolo antimicrobiano para metronidazol VO e
ceftiofur IM, devido à suspeita de abscesso de parede, e a fim de obter uma maior proteção antimicrobiana do animal. O curativo local era realizado com clorexidine 2% e ganadol mantido
em bandagem compressiva abdominal. No 16º dia após a cirurgia o animal apresentou sinais
de dor abdominal aguda, com aumento das frequências cardíaca e respiratória e desidratação
de 10%, contudo a motilidade intestinal apresentou-se normal. Pela sondagem nasogástrica
avaliou-se o refluxo de aproximadamente 15L, sendo o animal medicado para controle da dor
e enterite anterior, sem resposta ao tratamento. No 21º dia o animal foi a óbito. Pela necrospia,
constataram-se aderências envolvendo íleo, ceco e musculatura abdominal, necrose de alças intestinais e de abscesso. O diagnóstico de hérnia umbilical é considerado simples e, quando realizado precocemente promove melhor prognóstico ao caso. O histórico de base remeteu para
a presença de hérnia umbilical caracterizada por anel, saco e conteúdo, sendo esse, no caso descrito, o segmento de jejuno que resultou em desconforto abdominal, culminando em fístula.
Tal patologia, denominada fístula estercoral ou enterocutânea foi confirmada por laparotomia.
O encarceramento, fístulação e formação de aderências, certamente a princípio, restringiram
o estabelecimento de peritonite difusa. Equinos submetidos a procedimentos cirúrgicos desta
magnitude não estão isentos dos riscos de complicações manifestadas por cólicas devido a
aderências intestinais, abscessos entre outras, como evidenciado pela necropsia do animal em
relato. De acordo com o exposto, conclui-se que inicialmente se tratava de hérnia umbilical
encarcerada que complicou ao evoluir para fístula enterocutânea sem peritonite aguda difusa.
PA L AV RAS - C H AV E equino, trauma, hérnia umbilical, aderência, fístula
enterocutânea.
AGRADECIMENTOS
à Pró-reitoria de pós-graduação da Universidade
Anhanguera-Uniderp.
¹ Departamento de Medicina
Veterinária da Universidade
Anhanguera-Uniderp;
65
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 66 - setembro/dezembro, 2014
Fístula gastro-cutânea em equino relato de caso
REBELO, P.H.V.¹; OLIVEIRA, F.S.¹; CAVALCANTE, R.G.¹; SILVA JUNIOR, F.L.¹; FEITOSA
JUNIOR, F.S.²; BARBOSA, R.D.3
¹ Médico Veterinário Residente da Clínica
de Grandes Animais Da Universidade
Federal do Piauí – UFPI, Av. universitária,
Bairro Ininga, Teresina, Piauí, CEP 64049550. E-mail: [email protected];
² Prof. Adjunto da Universidade Federal do
Piauí; 3Médico Veterinário da UFPI.
O estômago apresenta duas curvaturas, maior e menor, sendo a porção dilatada do tubo
digestivo entre o esôfago e o duodeno. A parede gástrica é constituída pela serosa, três camadas
musculares, submucosa e mucosa. Nos equinos, o estômago é relativamente exíguo, com capacidade média de 15 a 18 litros, em relação ao total do trato digestório. Não são raros os casos
de ruptura gástrica após sobrecarga fermentativa, quando não se pratica a drenagem via sondagem naso-gástrica, sendo o prognóstico desfavorável, pois o óbito ocorre em poucas horas.
Em situações raras, devido a traumas ou causas iatrogênicas pode ocorrer fístula gastro-cutânea
sem contaminação peritoneal. Neste trabalho, descreve-se a presença de fistula gastro-cutânea
em um equino, macho, SRD, 5 anos, encaminhado ao HV Universidade Federal do Piauí. O
proprietário relatou que pelo menos há dois anos, o animal apresentou um “caroço” na região
abdominal, que posteriormente rompeu formando uma ferida, não sendo informado sobre
ocorrência de trauma, e o animal não foi medicado. Ao exame físico o animal apresentava condição física adequada, mucosas normocoradas, TR 38,2ºC, FR 26mpm, FC 36bpm. Apresentava
ferida com tecido de granulação na região ventral do abdome na linha média caudal ao processo xifóide. Exames laboratoriais revelaram leucocitose discreta com neutrofilia e linfopenia
absolutas, anemia normocitica normocrômica e plaquetas normais e bem distribuídas. Realizaram-se limpeza e curativo na ferida com antisséptico e repelente, além de antibióticoterapia e
antinflamatório esteroidal. Posteriormente observou-se redução de volume e presença de conteúdo digestivo na ferida, o que levou a suspeita de fistula gastro-cutânea. Sob anestesia intravenosa total o animal foi operado, quando se confirmou o diagnóstico de fistula gastro-cutânea,
executou-se a exérese das bordas da fistula, seguida de gastrorrafia, síntese da parede abdominal.
Durante o período pós-cirúrgico manteve-se o curativo da ferida cirúrgica com antisséptico e
repelente, administração de penicilina e gentamicina, Flunixin meglumine durante cinco dias,
controle da alimentação constituída de capim em pequenas quantidades, aumentando gradativamente. O animal recebeu alta 15 dias após a cirurgia.
PA L AV RAS - C H AV E 66
Equino, fístula, gastrorrafia.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 67 - setembro/dezembro, 2014
Fotossensibilização primária em
eqüino por Froelichia humboldtiana
(ervanço)
SOARES, GSL1; FIRMINO, PR1; ALCOFORADO, AS1; SILVA, MS1, MIRANDA NETO, EG2,
ASSIS, DM2
A fotossensibilização primária caracteriza-se por uma dermatite causada pela ingestão de
plantas que possuem agentes fotodinâmicos. Estes agentes são substâncias ativadas pela luz
solar e quando em concentração suficiente na pele causam morte celular local e edema do
tecido. A Froelichia humboldtiana, conhecida popularmente como ervanço, está presente em
todo o semiárido do Nordeste e afeta equinos, muares, asininos, ovinos e bovinos, nos quais
a suscetibilidade a intoxicação por esta planta pode variar entre as espécies. A intoxicação é
conhecida popularmente como “sarna” e ocorre durante o período de chuvas onde as pastagens estão invadidas por grandes quantidades do ervanço. O diagnóstico de fotossensibilização
primária se dá pela presença da planta no local de pastejo do animal, pelas características das
lesões da pele em áreas despigmentadas ou de pelagem branca e pela ausência de elevação das
enzimas hepáticas. O tratamento primário consiste em abrigar o animal da luz solar direta e
evitar que o mesmo continue a ingerir a planta. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de
fotossensibilização primária por F. humboldtiana (ervanço) em equino, ocorrido no município
de Patos localizado no sertão do Estado da Paraíba. Foi atendido no Hospital Veterinário da
Universidade Federal de Campina Grande, no mês de abril do corrente ano, um equino, macho
com três anos e quatro meses de idade, sem raça definida. De acordo com informações do proprietário, há aproximadamente dois meses o animal começou a apresentar lesões na pele, apenas nas partes brancas do corpo. Este ainda confirmou a presença de ervanço no pasto onde o
animal ficava. O sistema de criação era extensivo e o animal era suplementado com sal mineral
e comum. No exame físico constatou-se temperatura (40,3°C), frequência cardíaca (44bpm) e
frequência respiratória (92mpm) elevadas. Na pele havia lesões crostosas e hiperêmicas distribuídas apenas nas áreas despigmentadas. O diagnóstico foi realizado através de dados obtidos
na anamnese, exame clínico, exames bioquímicos e biopsia do fragmento de pele. Diante do
diagnóstico definitivo instituiu-se um tratamento com corticosteróide (dexametasona 0,2 mg/
kg, IV, uma vez ao dia, duas aplicações) e antibioticoterapia preventiva (penicilina benzantinica,
20.000 UI/kg a cada 48 hora, duas aplicações). Além do tratamento parenteral recomendou-se
uma mudança do sistema de criação, de extensivo para intensivo, e a limpeza diária das lesões
com clorexidine degermante 2% e água, além da aplicação de pomada fitoterápica a base de
extrato hidroalcoólico de Plectranthusneochilus, após secar as lesões. O caso ocorreu no mês
de abril o que condiz com a literatura, que relata que a intoxicação por F. humboldtiana ocorre
principalmente no período de chuvas. O diagnóstico de fotossensibilização primária foi baseado nos dados obtidos na anamnese, com a afirmação da presença da planta na propriedade,
características das lesões na pele e ausência de elevação das enzimas hepáticas, do mesmo modo
que foram diagnosticados dois casos de intoxicação primária por F. humboldtiana em equinos
na região de Mossoró-RN. No presente trabalho, a biopsia da pele revelou áreas multifocais,
erosivas e ulcerativas na epiderme e formação de microabscessos, assim como relatado na histopatologia da pele de ovinos intoxicados por F. humboldtiana. O animal apresentou recuperação
rápida, dez dias após ser retirado do pasto e abrigado do sol apresentava boa cicatrização das
lesões, recebeu alta e ao proprietário foi recomendado mantê-lo abrigado do sol até a completa
recuperação das lesões e não mais colocá-lo no pasto onde há presença do ervanço. Diante do
relato conclui-se que a fotossensibilização primária por F. humboldtiana ocorre em equinos no
sertão do Estado da Paraíba.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico Veterinário, Residente em
Clínica e Cirurgia de Grandes Animais
da UFCG, Campus de Patos-PB, e-mail:
[email protected];
² Médico Veterinário, Hospital
Veterinário UFCG, Campus de PatosPB;
Dermatite, intoxicação por planta, pele.
67
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 68 - setembro/dezembro, 2014
Fratura de ulna em pônei – relato de
caso
SANTOS JÚNIOR, D. A.1; ASSIS, D. M.2; MEDEIROS, J. M.2; MIRANDA NETO, E. G.2;
ALCOFORADO, A. S.3; SOARES, G. S. L3.
¹ Médico Veterinário, Mestrando do
Programa de Pós-graduação em Medicina
Veterinária (PPGMV) da UFCG,
Campus de Patos-PB; e-mail do autor:
[email protected]
² Médico Veterinário, Hospital Veterinário
UFCG, Campus de Patos-PB;
³ Médico Veterinário, Residente em Clínica
e Cirurgia de Grandes Animais da UFCG,
Campus de Patos-PB.
Usualmente quando ocorre uma fratura, o osso perde continuidade estrutural e sua função
é impedida em algum grau. O nível de função alterada e o osso específico fraturado determinam, muitas vezes, o tipo e grau de claudicação. Por exemplo, uma fratura deslocada do
olecrano ou um osso de maior sustentação produzir claudicação intensa. Fraturas devem ser
sempre consideradas uma possível causa de claudicação. Objetivou-se relatar um caso de fratura
em pônei, macho, 6 anos,140 Kg., internado no Hospital Veterinário da Universidade Federal
de Campina Grande (UFCG), Campus Patos-PB. O animal era mantido em regime semi-intensivo e alimentado com 1Kg/dia de concentrado (trigo, soja e milho) e forragem ad libitum
(Brachiaria spp.), durante o dia. O animal era solto à noite junto com equinos de maior porte,
o que levou a suspeita de traumatismo por coice, o que resultou em claudicação de apoio grau
IV do membro torácico direito, aumento de volume e da sensibilidade no local à palpação.
Encaminhado ao setor de Diagnóstico por Imagem (DI) da UFCG constatou-se radiograficamente fratura tipo 6 do corpo da ulna. O diagnóstico tem como base o histórico, inspeção,
palpação e imagens radiográficas. O diagnóstico diferencial é com fratura distal de úmero e
luxação úmero-rádio-ulnar. Apesar da maioria das fraturas no olecrano poder ser visualizada
pela imagem radiológica lateral, as imagens mediolateral e craniocaudal devem ser obtidas
para identificar a configuração da fratura, classifica-la e determinar a técnica de redução mais
indicada. Para o referido pônei prescreveu-se apenas repouso em baia reduzida, mantendo-o
em observação para reavaliação futura. O prognóstico do animal com esse tipo de fratura é
bom devido a proteção muscular, baixo risco de exposição da fratura pela penetração da pele e,
sobretudo, pela menor carga biomecânica, considerando tratar-se de pônei. A consolidação de
fraturas completas em equinos depende, em parte, do osso específico afetado, do temperamento, da idade e do tamanho do animal, das características específicas da fratura e das condições
cirúrgicas. A estabilização adequada da fratura antes do transporte para o local de cirurgia é
crucial para obter um resultado favorável. Em geral apenas as fraturas ulnares (Tipo 1 e 4) não
articulares, minimamente ou não deslocadas, e as envolvendo a incisura semilunar distal (Tipo
6) da articulação úmero-rádio-ulnar podem ser tratadas de forma conservadora com repouso
absoluto por seis a oito semanas.
PA L AV RAS - C H AV E 68
trauma, osso, equino, cotovelo.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 69 - setembro/dezembro, 2014
Fratura do osso incisivo em potro:
relato de caso
ALCOFORADO, A. S.¹; SOARES, G. S. L.¹; ASSIS, D. M.²; MEDEIROS, J. M.²; MIRANDA NETO,
E. G.³; SANTOS JÚNIOR, D. A.4
O osso incisivo no equino é a estrutura da região rostral do crânio que suporta os dentes
incisivos e forma uma parte do palato. Fraturas de osso incisivo são pouco comuns nos equinos. Sua etiologia pode ser produzida por diferentes causas como: traumatismos diretos, resultando de coices de outros equinos ou atropelamentos, iatrogênicos pela remoção dos dentes,
patológicas como consequência de uma periostite alveolar crônica ou auto-inflijidas quando o
animal fica com o pescoço ou os incisivos presos dentro de um objeto fixo e puxa para trás repentinamente. Este trabalho descreve um caso de redução de fratura do osso incisivo por meio
de osteossíntese. Um equino foi atendido no Hospital Veterinário-UFCG-Patos/PB, macho, de
raça quarto de milha, com um ano de idade, pesando 340Kg de peso vivo, com a queixa que
dois dias atrás o paciente estava na baia mordendo a fechadura da porteira, os dentes ficaram
presos e ao puxar foram arrancados. No exame clínico geral o paciente apresentava bom estado
nutricional, em estação, ativo, parâmetros vitais e motilidade intestinal normais. No exame da
cavidade oral foi observado deslocamento dorso rostral dos dentes incisivos (501 e 502), com
acúmulo de alimento caudalmente e odor fétido. No exame da cavidade oral os dentes não
caíram como o proprietário tinha relatado na queixa principal. No exame radiográfico foi constatado fratura no osso incisivo, sendo indicado tratamento cirúrgico. O animal ficou em jejum
alimentar 12 horas, o procedimento cirúrgico foi realizado com o animal em estação, após
tranquilização com acepromazina a 1% na dose 0,07mg/kg após 15 minutos, de sedação com
detomidina a 1% na dose de 0,05 mg/Kg, ambas por via endovenosa. Realizou-se anestesia local
infiltrativa com 10ml de lidocaína 2% com vasoconstrictor em cada forame infra-orbitário. Procedeu-se a curetagem para retirada do tecido necrosado na região do palato duro e redução da
fratura com fio de aço n° 1 passando entre os dentes incisivos em forma de oito. Após verificar
a oclusão e o alinhamento dentário de forma correta, foi feito uma proteção de resina a base de
polimetilmetacrilato envolvendo os dentes incisivos, terminado a osteossíntese. No pós-cirúrgico foi feita limpeza diária da cavidade oral com solução a base de Gluconato de clorexidina a
0,12%, flunixim meglumine (1,1mg/Kg/IV/24h) por três dias e gentamicina (6,6mg/Kg/IV/24h)
perfazendo 5 aplicações. Após dois dias o animal foi para casa, onde um médico veterinário
faria o acompanhamento para retirar a proteção e, posteriormente, o fio de aço. Após três meses
o animal estava recuperado e foi vendido em leilão. Uma boa resolução do caso clínico depende
de um pronto atendimento de forma correta, sendo considerado uma condição de emergência.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico(a) Veterinário(a) – Residente
- HV/UFCG/CSTR - Campus de PatosPB, Av. Universitária,s/n, Santa Cecília,
Cep: 58708-110, Patos-PB. E-mail:
[email protected];
² Médico(a)Veterinário(a) - HV/UFCG/
CSTR;
³ Médico(a)Veterinário(a) - Professor(a)
– HV/UAMV/CSTR/UFCG;
4
Mestrando -PPGMV/CSTR/UFCG.
Cavidade oral, dente, osteossíntese.
69
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 70 - setembro/dezembro, 2014
Gastrite hemorrágica induzida pelo
uso de ácido acetilsalicílico em equino
adulto
ANDRADE, L.R..¹; PASSOS, M.B. ¹; SALES, J.V.F.¹; FÁTIMA , C.J. T¹.; MELOTTI, V.D. ¹;
SAQUETTI, C.H.C.2
¹ Residente no Hospital Escola de Grandes
Animais da Universidade de Brasília
([email protected])
² Medico Veterinário Doutor da Policia
Militar do Distrito Federal e Universidade
de Brasília
Os antiinflamatórios não esteroidais são rotineiramente utilizados na clínica de equinos
atletas para o tratamento de afecções do aparelho locomotor estando seus efeitos colaterais
sobre o trato gastrointestinal associados a redução dos mecanismos de defesa gástricos principalmente pela inibição da produção de prostaglandina a qual reduz a quantidade de secreção
de muco e bicarbonato. O ácido acetilsalicílico é um antiinflamatório não esteroidal cujo efeito
colateral no estômago é devido à inibição inespecífica da enzima cicloxigenase (COX). Um
equino macho, da raça Brasileiro de Hipismo, da modalidade salto, foi encaminhado ao Hospital Veterinário de Grandes Animais da UnB após apresentar sintomatologia de desconforto
abdominal (cavar intermitente). Foi informado que o mesmo estava sendo tratado há quinze
dias com ácido acetilsalicílico devido a sucessivas infiltrações em vista de uma claudicação em
membro torácico esquerdo. Foi realizada sondagem nasogástrica a qual revelou presença de
conteúdo gástrico de quantidade moderada e de coloração enegrecida. Devido à suspeita de
gastrite o animal foi também submetido a uma avaliação gastroscópica a qual revelou hiperemia em região glandular porém nenhuma úlcera gástrica foi evidenciada. Os achados clínicos
e a resposta ao tratamento corroboram com o diagnóstico de gastrite moderada, possivelmente
associada a utilização de antiinflamatório não esteroidal. Foi instituído tratamento com omeprazol (4 mg/kg, VO, SID, durante vinte e oito dias) e sucralfato (20 mg/kg, VO, TID, durante
quatro dias consecutivos). O animal recebeu alta quatro dias após a internação com remissão
total do quadro clínico apresentado bem como retorno de apetite normal.
PA L AV RAS - C H AV E 70
anti-inflamatório não esteroidal, gastrite, omeprazol,
prostaglandina, sucralfato.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 71 - setembro/dezembro, 2014
Glutamina e glutamato no colostro
de éguas mantidas a pasto
Elizabeth Regina Rodrigues da SILVA¹; Monica Miranda HUNKA¹; Lais Marques Soeiro
CABRAL²;José Mário Girão ABREU³; Helena Emília Cavalcanti da Costa Cordeiro
MANSO¹,² ; Hélio Cordeiro Manso FILHO¹,²
A Glutamina é o aminoácido livre mais abundante e é considerada um aminoácido condicionalmente essencial. Além de ser significativa fonte energética para os enterócitos e as células
do sistema imune, a glutamina (GLN) é precursora de nucleotídeos, moléculas importantes no
desenvolvimento e reparo de células imunes e intestinais. A lactação induz a um desafio no metabolismo protéico, onde altos níveis de proteína são conduzidos à glândula mamária, mas ainda é pouco conhecido o metabolismo da GLN e do Glutamato (GLU) no tecido mamário e a
sua concentração no colostro e leite dos equídeos. Objetivou-se com este trabalho determinar a
concentração da Glutamina [GLN] e Glutamato [GLU] no colostro de éguas. Foram utilizadas
21 éguas, da raça Quarto-de-Milha, mantidas à pasto numa propriedade no Agreste Pernambucano, em pastagens de capins Panicum maximum, cv. Massai e Cynodon dactylon, cv. Tifton85
e tinham à disposição água e sal mineralizado comercial. As [GLU] e [GLN] foram analisadas
pelo método de detecção enzimática com leitura em espectrofotometria a 340nm. Os resultados indicam que a [GLU] foi de 0,359±0,24umoles/mL, e a [GLN] foi de 0,632±0,46umoles/mL,
perfazendo um total [GLU+GLN] de 0,991±0,66umoles/mL. Esses resultados se assemelham
a outros descritos na literatura em animais mantidos em diferentes sistemas de criação, e pode
indicar que mesmo animais mantidos exclusivamente a pasto têm uma elevada concentração
desses aminoácidos no colostro. Ainda é importante observar o papel da glutamina como aminoácido funcional regulador das vias metabólicas durante o desenvolvimento fetal e neonatal.
Conclui-se que o colostro apresenta-se como importante fonte de GLN e GLU livre para animais lactentes mesmo em animais mantidos a pasto.
PA L AV RAS - C H AV E aminoácido, leite, equino.
AGRADECIMENTOS
Fazenda Uberaba (Lagoa do Carro-PE), Ajinomoto do
Brasil, Guabi Nutrição Animal, CAPES e CNPQ.
¹ Médico(a) Veterinário(a) – Residente
- HV/UFCG/CSTR - Campus de PatosPB, Av. Universitária,s/n, Santa Cecília,
Cep: 58708-110, Patos-PB. E-mail:
[email protected];
² Médico(a)Veterinário(a) - HV/UFCG/
CSTR;
³ Médico(a)Veterinário(a) - Professor(a)
– HV/UAMV/CSTR/UFCG;
4
Mestrando -PPGMV/CSTR/UFCG.
71
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 72 - setembro/dezembro, 2014
GnRH como indutor de multiplas
ovulações em égua: relato de caso
Matheus Cavalcanti de FARIAS1, Felipe Sales BOUDOUX2, Eugênio Sousa KÜNG3,
José Roberto Clicio MAIA FILHO3, Paulo Fernandes de LIMA4, Cláudio Coutinho
BARTOLOMEU4
¹ Graduando do curso de Medicina
Veterinária da UFRPE, Recife-PE;
² Mestrando do Programa de Pós
Graduação em Ciência Veterinária da
UFRPE, Recife-PE;
³ Veterinário Autônomo;
4
Professor Doutor da Área de Reprodução
Animal da UFRPE, Recife-PE;
As éguas são animais classificados como poliéstricos estacionais monovulatórios, pois possuem estação reprodutiva na primavera e no verão. Três são os fatores básicos, que explicam
o caráter estacional dos ciclos estrais nesta espécie: nutrição, temperatura e fotoperíodo. A
superovulação é uma técnica artificial em que se empregam hormônios da reprodução com o
objetivo de promover a co-dominâcia em um grupo de folículos. O número de folículos que
se desenvolvem em resposta a hormônios exógenos é limitado em éguas, comparado a outras
espécies como bovinos e ovinos. Em aproximadamente 25% das coletas realizadas em éguas
superovuladas não se obtém embriões. Diversos hormônios, comopreparados de gonadotrofina
coriônica equina (eCG), hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), e hormônio folículo
estimulante porcino (FSH-porcino), vêm sendo usados e testados, como agentes superovulantes, em diferentes concentrações e fases do ciclo gerando resultados variáveis. Atualmente esta
técnica apresenta sucesso limitado tendo em vista taxas de recuperação embrionárias inconsistentes e abaixo das expectativas, assim maiores embasamentos científicos sobre o tema são validos e necessários. Objetiva-se com este trabalho relatar a ocorrência de superovulação em uma
égua da raça Quarto de Milha com 19 anos de idade, submetida a tratamento hormonal com
acetato de deslorelina, análogo do GnRH. O caso ocorreu no Haras Rancho Venezza, localizado
em Vitória da Conquista, na mesorregião do centro-sul baiano. Tratava-se de uma égua pesando
450 kg, mantida em baia, sob regime de luz artificial das dezessete às 22 horas, recebendo 6,0 kg
de concentrado comercial fracionado em três vezes ao dia, e capim tifton (Cynodonspp), água
e sal mineralizado ad libitum. O ciclo estral da fêmea foi acompanhado por meio de palpação
retal e exames ultrassonográficos (SIUI CTS-3300V®, transdutor linear 5,0mHerz). Realizou-se
a coleta de embrião no ciclo estral anterior, e no momento da coleta foi administrado 5mg de
dinoprost, análogo da PGF2α, e após 48h se iniciou o protocolo de superovulação, dia zero
(D0), com a aplicação por via intramuscular profunda de 0,125 mg de acetato de deslorelina,
duas vezes ao dia em intervalos de doze horas, sendo realizadas sete aplicações. Às 18 horas do
dia três (D3) foi realizada a indução da ovulação com 0,25 mg de acetato de deslorelina associado à 3,5 mg de dinoprost, repetindo esse mesmo procedimento após 8 horas, isto é as duas
horas do dias quatro (D4). No início do tratamento foi observado a presença de três folículos
no ovário esquerdo e um no ovário direito, todos com diâmetro aproximado de 20 mm. O
protocolo em estudo apresentou resultado satisfatório tendo os quatro folículos estimulados
atingido diâmetro ≥35 mm, ovulando entre 48 a 60 horas, após a indução no D4. Na literatura
observam-se estudos com outros hormônios como o hormônio folículo estimulante equino
(FSH-e), extrato de pituitária equina (EPE), com resultados positivos, contudo comparando-se
do ponto de vista de custo, vê-se uma vantagem em utilizar análogos do GnRH, por serem
menos onerosos, não ocasionarem diminuição de efeito do hormônio sintético devido ao uso
repetido, como ocorre com a gonadotrofina coriônica equina (eCG) que geralmente entre a
segunda e quinta aplicação perde efeito por induzir resposta imunológica. Conclui-se que o
acetato de deslorelina apresenta efeito positivo em protocolos de superovulação em égua, podendo ser utilizado como uma alternativa mercadológica tendo em vista seu custo econômico.
PA L AV RAS - C H AV E 72
Acetato de deslorelina, Superovulação, Reprodução,
Equinos.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 73 - setembro/dezembro, 2014
Hérnia inguino-escrotal neonatal
associada ao criptorquismo
unilateral na idade adulta: relato de
caso
Adelaide Caroline Primo da SILVA1, Natalia Matos SOUZA1, Paulo Fernandes de LIMA1,
Claudio Bartolomeu COUTINHO1, Helena Emília Cavalcanti da Costa Cordeiro MANSO2,
Hélio Cordeiro MANSO FILHO2
A hérnia inguino-escrotal e o criptorquismo representam sérios problemas em alguns
grupos raciais de equinos. Nos casos de hérnias inguino-escrotais ocorrem, com frequencia,
encarceramento/ estrangulamento de alças intestinais associados ou não à comprometimento
testicular que desencadeam a necessidade emergencial de orquiectomia. . Já em relação ao criporquidismo, unilateral ou bilateral, a regra é que animais não recebam os registros definitivos,
sendo excluídos da reprodução. Este resumo tem como objetivo relatar o caso de uma cria que
ao nascer apresentava-se com uma hérnia inguino-escrotal e quando atingiu a idade de reprodução apresentou criporquidismo unilateral. O potro era da raça Campolina, com pais sem
relação direta de parentesco, que nasceu com 47 kg e 100 cm de altura a cernelha. O parto foi
normal e no dia seguinte o animal apresentava aumento de volume na bolsa escrotal esquerda.
A inspeção observa-se edema na bolsa escrotal esquerda, mas sem a visualização do testículo. Já
na palpação sentia-se crepitação e na auscultação foi possível escutar sons intestinais. O exame
ultrasonográfico demonstrou presença de alças intestinais e do testículo na bolsa escrotal. Devido ao baixo valor do semovente, optou-se por recolocar o intestino manualmente, o que foi
realizado com facilidade após a colocação do animal em decúbito dorsal, mas com permanência do testículo na bolsa escrotal. Acompanhando a redução manual da hérnia, a cria passou
a fazer exercícios forçados ao trote e galope, diariamente, durante 10 minutos e duas vezes ao
dia, durante 15 dias, favorecendo o rápido fortalecimento da musculatura abdominal da cria.
Não houve reicidiva da hérnia. Entre o primeiro mês de vida e o 23° mês nada anormal foi observado no animal, entretanto com a migração do testículo direito observou-se que o testículo
esquerdo não estava inserido na bolsa escrotal. Aos 37 meses o animal foi submetido à castração
bilateral, sendo que o testículo esquerdo não se apresentava na bolsa escrotal. O animal, que
pesava 500kg, foi anestesiado com uma mistura de EGG (100mg/kg) e tiopental sódico(4mg/
kg), após a sedação com xilazina 10% (0,7mg/kg). O testículo direito foi retirado pelo método
aberto, seguido da emasculação. Enquanto o testículo retido foi identificado pelo acesso inguino-escrotal, estando ele junto a entrada do canal inguinal e com tamanho reduzido quando
comparado com o testículo que estava na bolsa escrotal. O tratamento pós-operatório incluiu
exercício controlado, por condução a mão, antibióticos (Pencivet® 20 mL IM, SID, durante
10dias), soro antitetânico (5000 UI, IM, dose única), e higienização diária do ferimento. O animal teve boa recuperação e após 30 dias já estava sendo montado. No exame físico do neonato
uma atenção particular deve ser dada para identificação de qualquer má-formação congênita.
As hérnias inguino-escrotais são malformações mais comuns do sistema musculoesquelético.
A descida testicular incompleta ou anormal é supostamente uma anormalidade genética. Acredita-se que o tipo de hereditariedade em equinos seja dominante, embora estudos de produtos
de alguns garanhões criptorquídeos sugiram que a hereditariedade da condição possa envolver
mais de um fator genético. Em equinos, há uma predominância na criptorquidia unilateral
esquerda sobre a direita. Isso é explicado pelo descenso relativamente lento do epidídimo e testículos esquerdos, associado ao fechamento regularmente constante do anel interno ao redor
da época do nascimento. Esse relato de caso demonstra diferentes aspectos da programação
fetal, e como eles podem influenciar os diferentes aspectos do desenvolvimento dos potros. A
combinação de aspectos genéticos e o aporte nutricional e hormonal, que estão intimamente
relacionados com a programação fetal, ainda são pouco estudados na espécie equina e quando
melhor compreendidos poderão resultar em melhores sistemas de criação e ainda contribuir
para a saúde dos equinos jovens.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Departamento de Medicina
Veterinária, UFRPE, Recife-PE
² Núcleo de Pesquisa Equina,
Departamento de Zootecnia, UFRPE,
Recife-PE
hérnia escrotal, criptorquidismo, programação fetal.
73
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 74 - setembro/dezembro, 2014
Incidência da sindrome cólica em
equinos atendidos no hospital de
equinos CLINILAB em 2013
MEDRADO, C.; FLORENCE C.; GRAÇA FILHO, UC.; LEITE, LEV.; MOSQUEIRA, A.;
SIQUEIRA, C.C.
¹ Hospital de Equinos CLINILAB
A síndrome cólica é a terceira maior causa de morte em equinos no mundo, perdendo
apenas para a idade avançada e traumas. Estudos indicam que existem cerca de 138 possíveis
etiopatogenias para tal síndrome, sendo ainda difícil precisar qual delas tem maior impacto e
significância nos altos índices existentes de mortalidade na espécie. Foi realizado um estudo de
incidência sobre os equinos portadores de síndrome cólica e atendidos no Hospital de Equinos
CLINILAB, no período de janeiro a dezembro de 2013. Buscou-se observar qual o segmento
do aparelho gastrointestinal apresenta-se com maior alteração e frequência, bem como o índice
de mortalidade. Ao dar entrada no Hospital, os animais eram submetidos à avaliação clínica,
e, a partir das informações obtidas, o paciente era encaminhado para o tratamento indicado,
cirúrgico ou clínico. Dos 38/66 (57,58%) animais encaminhados para tratamento cirúrgico, 29
(76,31%) apresentaram afecções de intestino grosso, os quais 13 (44,82%) eram compactações
de cólon maior, 4 (13,79%) encarceramento do cólon esquerdo no espaço nefroesplênico, 4
(13,79%) vólvulo de colón, 4 (13,79%) deslocamentos diversos de cólon, 3 (10,34%) presença
de enterólito no cólon menor e 1 (3,45%) aderência. Afecções no intestino delgado ocorreu
em 9 (23,68%) animais atendidos, sendo 8 (88,88%) hérnia inguinoescrotal estrangulada e 1
(11,11%) compactação de íleo. A taxa de sobrevivência de animais atendidos cirurgicamente
foi 86,84%, ou seja, 33/38. Dos 28/66 equinos (42,42%) tratados clinicamente, 22 (78,57%) apresentavam acometimento de intestino grosso, sendo 14 (63,64%) portadores de compactação de
colón, 3 (13,63%) com rupturas de alças intestinais, 2 (9,1%) com vólvulo de colón e 3 (13,63%)
apresentando outros acometimentos. O intestino delgado representou 6 (21,43%) dos animais
atendidos clinicamente, sendo 4 (66,66%) com cólicas espasmódicas e 2 (33,34%) com enterites. A taxa de sobrevivência em equinos tratados clinicamente foi de 75%, ou seja, 21/28. De
modo geral, independente do tratamento instituído, o segmento mais afetado foi o intestino
grosso. Os resultados obtidos corroboram com os índices de mortalidade descritos em trabalhos nacionais. A única discordância foi a incidência elevada de hérnia inguinal estrangulada
verificada, sendo esta a afecção mais comum do intestino delgado. Dados de incidência podem
prover informações importantes sobre as taxas de mortalidade em casos de síndrome cólica,
bem como ajudar a estabelecer condutas preventivas.
PA L AV RAS - C H AV E 74
equinos, cólica, incidência,
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 75 - setembro/dezembro, 2014
Índice de aceitação e de
conscientização da importância
da vacinação antirrábica em dois
municípios atendidos pelo projeto
carroceiro da UNIVASF
A. GRADELA¹; C.C.S. MELO¹; A.K.R. NUNES¹; J.S.M. OLIVEIRA¹; M.D. FARIA¹
Nas cidades o uso de equídeos para tração de carroças oferece sérios riscos à saúde de outros animais e da população. Objetivou-se avaliar o tipo de equídeo (espécie e idade) e o índice
(baixo: < 33%; médio: 34% a 66% e alto:> 67%) de aceitação da vacinação antirrábica e de conscientização de sua importância. Foi realizada uma visita por mês, de março a agosto de 2012 em
Petrolina-PE (N= 6) e de fevereiro a junho e de agosto a novembro de 2013 em Casa Nova-BA
(N= 9). Animais receberam 2 mL de vacina antirrábica (LaboVet®), IM e após 30 dias a dose
de reforço. Dados foram tabulados no EXCEL e transformados em porcentagem. Em Petrolina
41,7% dos animais eram asininos (15/36); 38,9% equinos (14/36) e 19,4% muares (7/36), destes
11,1% (4/36) tinham de 0-4 anos; 77,8% (28/36) de 5-10 anos e 11,% (4/36) de 11-15 anos. Em
Casa Nova 40,7% eram asininos (37/91); 47,2 % equinos (43/91) e 12,1% muares (11/91), sendo
18,7% (17/91) de 0-4 anos; 60,4% (55/91) de 5-10 anos; 15,4% (14/91) de 11-15 anos e 5,5%
(5/91) de 16 ou mais. O índice de vacinação em ambas as cidades foi de 100,0% e o índice de
conscientização de 30,5% (11/36) em Petrolina e de 50,05% (46/91) em Casa Nova. Conclui-se
que os animais utilizados são principalmente equinos e asininos com até 10 anos de idade e que
embora a aceitação da vacinação seja alta a conscientização de sua importância variou de baixa
a média, demonstrando a necessidade de campanhas de conscientização em ambas as cidades.
PA L AV RAS - C H AV E Equídeos, Tração; Carroceiros; Equina; Asinina; Muar.
AGRADECIMENTOS
PROEX; UNIVASF.
¹ Colegiado de Medicina Veterinária,
Universidade Federal do Vale do
São Francisco – UNIVASF. E-mail:
[email protected]
75
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 76 - setembro/dezembro, 2014
Infecção por Strongyloides westeri em
éguas receptoras e potros mangalarga
marchador provenientes de dois haras
de Cabaceiras do Paraguaçu, Bahia,
Brasil
Rodrigo Machado SILVA1; Juliana Albuquerque de BRITO1; Adolfo Firmino da SILVA
NETO2; Sydnei Magno da SILVA3; Raul Rio RIBEIRO1,
¹ Centro de Ciências Agrárias, Ambientais
e Biológicas, Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia – UFRB, Cruz
das Almas, BA, Brasil. *Autor para
correspondência: [email protected]
² Instituto de Ciências Biológicas,
Departamento de Medicina Veterinária,
Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF, Juiz de Fora, MG, Brasil.
³ Instituto de Ciências Biomédicas,
Departamento de Imunologia,
Microbiologia e Parasitologia,
Universidade Federal de Uberlândia UFU, Uberlândia, MG, Brasil.
Entre as diferentes causas infecciosas de enterite em potros, encontra-se a de cunho parasitária causada por Strongyloides westeri, cuja transmissão ocorre, principalmente, por meio do
colostro ou leite de éguas infectadas. Ainda que geralmente assintomática, os distúrbios gastrintestinais da estrongiloidíase podem resultar em diarreia, desidratação, anorexia, apatia, perda
de peso ou taxa de crescimento reduzida, alterações metabólicas, desequilíbrio acidobásico e
hidroeletrolítico, podendo culminar em morte de potros. Este trabalho teve como finalidade
avaliar a infecção por S. westeri em éguas receptoras SRDs (Sem Raça Definida), animais de baixo valor zootécnico, e seus potros Mangalarga Machador, de alto valor comercial, pertencentes
a dois haras da região de Cabaceiras do Paraguaçu, Bahia, Brasil. Para tal, amostras fecais foram
colhidas diretamente da ampola retal de sete receptoras (de seis a dez anos) e seus potros (<seis
meses), totalizando 14 amostras. Ademais, informações acerca de nutrição, manejo e esquema
de controle antiparasitário adotado na propriedade foram registradas. As amostras fecais foram
processadas pelo método de Contagem de Ovos por Grama de Fezes (OPG). Em ambos os
haras, os animais eram criados a pasto, vermifugados a cada três a seis meses, normalmente
com produtos à base de ivermectina, sem histórico de avaliação de resistência anti-helmíntica
(OPG antes e depois do tratamento). A análise de resultados demonstrou a presença de ovos de
S. westeri em 100% (7/7) das amostras fecais dos potros, com contagens variando de 100 a 5.150
OPG (X= 1.185,7 OPG). Apenas três éguas demonstraram ovos larvados nas fezes (42,8%; 3/7)
e, ainda assim, com baixas contagens: 0 a 100 OPG (X= 28,5 OPG). Analisados em conjunto,
os resultados demonstraram evidente susceptibilidade dos animais jovens (alta prevalência de
infecção e elevadas contagens de OPG) e, por outro lado, relativa resistência das éguas adultas.
É sabido que a susceptibilidade à verminose é inversamente proporcional à idade, o que é ainda
mais patente no caso da estrongiloidíase. É exatamente durante as primeiras semanas e meses
de vida que os potros estão sujeitos à enterite parasitária devido S. westeri, gerando preocupação
na clínica de neonatos. Embora a fase de vulnerabilidade seja passageira, o diagnóstico laboratorial neste período apresenta limitações, pois verifica-se, muitas vezes, falta de correlação entre
as contagens de OPG e a manifestação de diarreia. Diante do exposto e do fato que a transmissão de S. westeri ocorre predominantemente por via lactogênica, podendo afetar animais de
grande valor genético, como os avaliados no presente trabalho, é fundamental a realização de
controle estratégico das verminoses tanto nas éguas receptoras, antes da parição, quanto nos
potros, durante os primeiros meses de vida. Os dados apresentados reiteram a importância da
estrongiloidíase na criação de equinos e reforçam a necessidade de um eficiente controle antiparasitário, a fim de garantir o pleno desenvolvimento dos animais.
PA L AV RAS - C H AV E 76
Equinos, Potros, Receptoras, Endoparasitas, Strongyloides
westeri.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 77 - setembro/dezembro, 2014
Influência do exercício sobre
eletrólitos séricos em equinos
submetidos à atividade de salto
Laise Gonçalves Oliveira e OLIVEIRA¹; Silvia Coutinho de Jesus RAMOS¹; João Batista
Ribeiro da SILVA¹; Waléria Borges da SILVA¹; Domingos Cachineiro Rodrigues DIAS²; Maria
Consuêlo Caribé AYRES²
O estudo da fisiologia do exercício dos eqüinos tem aumentado mundialmente, e este interesse foi, inicialmente, gerado pelo papel do cavalo na agricultura e intensificado pela utilização
desses animais no lazer, e mais atualmente, devido à sua utilização para o esporte. A realização
do exercício físico durante treinamentos ou competições gera variações em diversos parâmetros fisiológicos, tanto em humanos como nos animais, e a compreensão de tais mecanismos
e sua caracterização são fundamentais na avaliação do desempenho desses animais. A dinâmica dos eletrólitos representa um fator de importância para a manutenção do estado atlético
durante o exercício físico. O objetivo desta pesquisa foi estudar o efeito do exercício, sobre a
concentração de componentes minerais séricos (Cálcio, Fósforo, Potássio e Sódio) de cavalos
atletas, submetidos à prova de Hipismo Clássico, na modalidade salto, sob condições naturais
de competição. Foram utilizados 20 eqüinos sadios com idade entre oito e 12 anos, da raça
Brasileira de Hipismo (BH), com peso médio de 450 kg, mantidos sob regimes de treinamento
para provas de hipismo clássico, em clube eqüestre do Município de Salvador. Os animais eram
submetidos a manejos sanitário e nutricional semelhantes, incluindo-se vermifugações periódicas e vacinações. A alimentação dos animais constituída por água à vontade, 7,5 kg de feno de
capim Coast Cross (Cynodon dactylon), 7,5 kg de capim Elefante (Pennisetum hybridum) e ração
comercial, era ofertada em quantidade correspondente entre 1 a 1,5 % do peso vivo, divididas
em duas refeições. Os animais encontravam-se a mais de 90 dias sob regime de treinamento
físico e técnico para provas de hipismo a qual era constituída por: duas a quatro sessões de treinamento físico (passo, trote e galope) e em sessões de saltos semanais e descanso semanal. Após
o período de padronização, os animais foram submetidos ao exercício que se constituiu de uma
prova de Hipismo Clássico na categoria de 1,00 metro de altura. O tempo de aquecimento, o
número de obstáculos, bem como o grau de dificuldade foi padronizado e composto por 25 minutos de exercício, sendo 10 minutos ao passo, 10 ao trote, 5 minutos de galope com um total
de seis saltos de preparação. A prova foi constituída por dupla passagem em uma pista de nove
obstáculos, perfazendo um total de 18 saltos com duração de cerca de três minutos. Por punção
da veia jugular externa 5ml de sangue foi colhido dos animais em tubos a vácuo para obtenção
do soro, antes e imediatamente após a realização da prova eqüestre. As concentrações séricas
de Cálcio, Fósforo, Potássio e Sódio foram determinadas pela utilização de “kits” comerciais,
em analisador bioquímico semi-automático (BIOPLUS 2000). Os dados foram submetidos à
análise estatística. Os resultados obtidos das concentrações dos eletrólitos séricos antes e após a
prova de Hipismo foram, respectivamente: Cálcio (10,28 ± 1,54 e 9,63 ± 1,37 mg/dL); Fósforo
(3,05 ± 0,7 e 5,98 ± 0,6 mg/dL); Potássio (3,10 ± 1,20 e 4,9 ± 1,6 mEq/L); Sódio 149,60 ± 9,34 e
128,32 ± 6,72 mEq/l). Houve diferença estatisticamente significativa (P<0,05) nos tempos avaliados para o Fósforo e o Sódio. O fósforo representa um fator fundamental no metabolismo
energético da célula e assim ocorre rápida translocação entre o fósforo intracelular e o sérico,
alterando a concentração após a realização do exercício. Esta dinâmica possivelmente ocorre
pelo aumento do metabolismo energético e a necessidade desse mineral para o fornecimento
de energia durante o esforço muscular. A diminuição do Sódio pode ser observado em cavalos
atletas durante o exercício devido a perda deste eletrólito pela sudorese, pois o suor dessas espécie apresenta considerável quantidade tanto de sódio, como de potássio e cloro. O exercício em
cavalos atletas, submetidos à prova de Hipismo Clássico apresentou efeito sobre os eletrólitos
sérico Fósforo e Sódio.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Bolsistas de Iniciação Científica –
EMVZ – UFBA.
² Professores do Depto de Anatomia,
Patologia e Clínicas – EMVZ-UFBA.
e-mail para correspondência:
([email protected];
[email protected])
cavalo atleta, fisiologia do exercício, minerais, bioquímica
77
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 78 - setembro/dezembro, 2014
Infecção por Strongyloides westeri em
éguas receptoras e potros mangalarga
marchador provenientes de dois haras
de Cabaceiras do Paraguaçu, Bahia,
Brasil
Jose P. OLIVEIRA-FILHO¹*; Natalia M. DIAS²;Roberto C. GONÇALVES¹; Rogério M.
AMORIM¹; Simone B. CHIACCHIO¹, Danilo Giorgi A. ANDRADE²; Paula C. D. PIRES²;
Alexandre S. BORGES¹
¹ Docentes da FMVZ/UNESP, Botucatu SP – Brasil
² Residentes da Clínica de Grandes
Animais da FMVZ/UNESP, Botucatu SP – Brasil
*Autor para correspondência:
[email protected]
O cloridrato de zilpaterol é um agonista β-adrenérgico utilizado para melhorar a eficiência
alimentar de ruminantes e a performance atlética de equinos. Os agonistas β-adrenérgicos são
amplamente utilizados, pelo seu efeito broncodilatador, no tratamento de algumas doenças
inflamatórias das vias aéreas. Em equinos, a ingestão de 0,17mg/kg de zilpaterol é suficiente
para induzir em poucos minutossudorese, taquicardia e tremores musculares.Entrentanto, a
intoxicação ocasionada por agonistas β-2 adrenérgicos, utilizados na pecuária ainda é pouco
relatada nesta espécie. Descreve-se um caso de um equino, fêmea, Quarto de Milha, com 10
anos de idade e 350 kg de PV atendido no serviço de Clínica de Grandes Animais da FMVZ,
Unesp, Botucatu com sinais clínicos caracterizados por:agitação, sudorese profusa, taquicardia
(120 bpm), mucosas congestas, fasciculações musculares (principalmente do grupo muscular
dos membros pélvicos), hipermotilidade intestinal, mas sem alterações no exame de palpação
retal. Inicialmente suspeitou-se de um quadro de desconforto abdominal e o animal foi medicado comBuscopan® composto e submetido à lavagem gástrica. Entretanto, a investigação
clínica evidenciou que o animal teve acesso acidental a um núcleo mineral destinado a bovinos
(Zilmax® - Cia do Sal) que continha em sua formulação 264 ppm de cloridrato de zilpaterol.
Suspeita-se que foram consumidos cerca de 30g de sal, suficientes para promover os sinais
clínicos descritos anteriormente e, compatíveis com intoxicação β-2 adrenérgica. As principais
alterações evidenciadas nos exames complementares (hemograma, hemogasometria,bioquímica sérica [uréia, creatinina, AST, FA, GGT, globulinas, albumina e bilirrubinas], análise do
líquido peritoneal e coproparasitológico [OPG e Faust]) foram o aumento na contagem de
segmentados (7,1 x 10³/µL) e acidose metabólica (pH, 7,240; bicarbonato, 12,8 mmol/L; BE,
-14,5mmol/L; K+, 1,83 mmol/L). Intituiu-secomo terapia a fluidoterapia (20L de solução de
Ringer® com lactato, 1.250 mL de bicarbonato de sódio e 124mEq de potássio), ceftiofur (4,4
mg/kg, SID, por 4 dias), flunixim meglumine (1,1 mg/kg, SID, por3 dias) e omeprazol (4,0 mg/
kg, SID, por 4 dias). Após a realização do tratamento o animal ainda apresentava taquicardia
(80 bpm) e fasciculações musculares, porém em menor frequência e ahemogasometriarevelou
pH 7,270, bicarbonato = 19,4 mmol/L e BE = -7,0 mmol/L. O animal foi internado e submetido à fluidoterapia contínua com 20 litros de solução de Ringer®simples. No dia seguinte, a
égua não apresentava nenhuma sintomatologia clínica e o terceiro exame hemogasométrico
constatou valores normais. O animal ficou em observação durante dois dias e não apresentou
nenhuma sintomatologia clínica. Conclui-se que o animal sofreu uma provável intoxicação
pelo zilpaterol, presente no núcleomineral. O tratamento contra os efeitos diretos do zilpaterol
seria o uso de cloridrato de propranolol na dose 0,3mg/kg a cada 8 horas até a remissão dos
sinais clínicos, associado à correção hidroeletrolítica e do equilíbrio ácido básico, entretanto,
neste caso, apenas com as reposições hidroeletrolíticas os sinais clínicos foram debelados. Este
relato ressalta à importância clínica do uso inadequado de substâncias espécie-específicas, mesmo que acidentamente.
PA L AV RAS - C H AV E 78
equino, zilpaterol, β-adrenérgico, intoxicação.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 79 - setembro/dezembro, 2014
Jejunocecostomia em equino: relato
de caso
M.B. PASSOS¹; L.R. ANDRADE¹; J.V.F. SALES¹; C.J.T. FÁTIMA; N.F.O OLIVEIRA; C.H.C.
SAQUETTI²
Os distúrbios gastrointestinais constituem um dos principais receios de quem lida com
equinos. Apesar dos avanços científicos quanto à nutrição e saúde animal, esta enfermidade ainda se destaca como causa de óbito nos equinos. Assim sendo, é responsável por perdas econômicas significativas em decorrências de gastos com tratamento e serviços profissionais, tempo de
afastamento do animal das atividades normais e óbito. As alterações decorrentes do intestino
delgado podem ocorrer devido a lesões estrangulantes como o encarceramento através de fendas no mesentério ou forame epiplóico, tornando-se uma emergência cirúrgica. Um equino
macho, 10 anos, PSI, com histórico de desconforto abdominal agudo, foi encaminhado ao
HV de Grandes Animais da Universidade de Brasília. Por sondagem nasogástrica removeu-se
refluxo enterogástrico de odor fétido e coloração verde-escura. Pelo exame transretal constatou-se distensão de alças intestinais e à avaliação do fluido peritoneal revelou aspecto turvo e
coloração sanguinolenta. Com base nos achados de exames clínico e complementares optou-se
pela celiotomia exploratória, diagnosticando-se encarceramento de íleo no forame epiplóico e
torção do jejuno na raiz do mesentério, estando este segmento de intestino com intensa alteração vascular. A opção de técnica cirúrgica foi pela jejunocecostomia. No dia seguinte à cirurgia,
o animal apresentou um quadro grave de sepse, e apesar do tratamento o animal foi a óbito.
Durante a necropsia constatou-se pontos de necrose na região próxima ao sítio anastomótico,
sendo interpretado como a provável causa que possibilitou o extravasamento de conteúdo para
a cavidade abdominal, culminando com peritonite séptica difusa que evoluiu para sepse.
PA L AV RAS - C H AV E 1
Residente no Hospital Escola de Grandes
Animais da Universidade de Brasília
([email protected])
² Medico Veterinário Doutor da Policia
Militar do Distrito Federal e Universidade
de Brasília
Equino, cólica, jejunocecostomia.
79
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 80 - setembro/dezembro, 2014
Lavado peritoneal como adjuvante à
terapia da peritonite em equinos
N.F.O. OLIVEIRA¹; J.V.F. SALES ¹; C.J.T. TRINDADE ¹; M.B. PASSOS ¹; V.D. MELOTTI¹; C.H.C.
SAQUETTI²
1
Residente no Hospital Escola de Grandes
Animais da Universidade de Brasília
([email protected])
2 Médico Veterinário Doutor da Polícia
Militar do Distrito Federal e Universidade
de Brasília
A peritonite (inflamação do peritônio visceral e/ou parietal) pode ocorrer em resposta a
diversos estímulos, sejam eles infecciosos ou não infecciosos (traumas, agentes químicos e neoplasias). Independente da causa, a peritonite leva a alterações no exame do líquido peritoneal
e no hemograma. A taxa de mortalidade em equinos com peritonite varia de 30 a 67%. Foram
tratados no Hospital Veterinário de Grandes Animais três equinos apresentando peritonite
bacteriana moderada por causas diversas, sendo um dos casos devido a evisceração, outro caso
devido a uma alteração na permeabilidade intestinal ocasionada por uma torção incompleta de
raiz do mesentério e o último caso devido a contaminação no transoperatório. Foi realizado o
lavado peritoneal durante 3 dias consecutivos nos dois primeiros casos e 5 dias no terceiro caso.
Para a realização dos lavados os animais foram submetidos à laparotomia em posição quadrupedal pelo flanco esquerdo para a colocação do cateter de Foley nº24 paralelo à incisão e, uma
sonda traqueal nº6 foi colocada paralelo a linha média ventral no antímero esquerdo, através
de uma incisão de 1,5 cm, sendo alocada por trás do baço. Dos 33 cm de extensão da sonda
traqueal, 23 cm foram introduzidos na cavidade. Ambas as sondas foram fixadas na pele com
fio polipropileno nº1. Para a realização do lavado peritoneal foi utilizado 30 litros de solução
ringer com lactato por dia, sendo infundidos 10 litros da solução por vez. Após a infusão dos
10 litros os animais foram puxados ao passo para a movimentação e homogeinização da solução infundida com o liquido peritoneal, a fim de melhorar a eficácia do lavado, e o líquido era
drenado pela sonda traqueal. Após o último drenado, infundiu-se metronidazol injetável (20
mg/kg) e heparina sódica (60 UI/kg) no interior na cavidade abdominal. Como adjuvante ao
lavado, os animais receberam Ceftiofur sódico (4,4 mg/kg), uma vez ao dia, durante sete dias,
Gentamicina (6,6 mg/kg), uma vez ao dia durante sete dias, heparina sódica (60 UI/kg), três
vezes ao dia, durante três dias, flunixin meglumina (1,1 mg/kg) uma vez ao dia, durante quatro
dias e dipirona sódica (20 mg/kg), duas vezes ao dia, durante 4 dias. Durante todo o tratamento
foram realizados hemogramas e bioquímicos seriados para avaliação da resposta do animal
além de sua função renal e hepática, e contagem de proteína plasmática total. Nos três animais
observou-se inicialmente uma leucopenia por neutropenia seguido por leucocitose por neutrofilia. A contagem de proteínas plasmáticas totais foi progressivamente caindo, de modo que
este foi um dos fatores para decisão de retirada das sondas de lavagem. Dois dos três animais
apresentaram edema ventral e de prepúcio, sugerindo uma grande perda de proteínas através
do lavado, que foi confirmado pelo proteinograma. O líquido peritoneal dos animais estava
inicialmente turvo, indicando um aumento de celularidade, incluindo aumento de proteínas,
com viscosidade aumentada e presença de fibrina. Também possuíam um odor fétido. Com o
decorrer do tratamento, o líquido se tornou mais claro, fluido e com coloração amarelo-palha.
Porque o líquido peritoneal é um filtrado do sangue do animal a decisão da instituição do lavado deve ser cautelosa, tendo em vista a agressividade da terapia devido aos seus efeitos colaterais, como perda de eletrólitos e proteínas. A decisão é tomada através de uma junção de fatores
como exame clínico do animal e análise do líquido peritoneal. A escolha da sonda traqueal nº6
e da alocação desta atrás do baço foi tomada na tentativa de diminuir as chances de oclusão da
sonda pelo omento. A leucopenia por neutropenia inicial mostrou um recrutamento da primeira linha de defesa para a cavidade peritoneal, já a leucocitose mais tardia demonstrou uma
resposta do organismo à injuria. Os animais passaram a não mais apresentar sinais clínicos de
peritonite (febre, dor abdominal, apatia, desidratação) e em conjunto com a melhora dos exames do liquido peritoneal e laboratoriais obtevese o sucesso da terapia instituída.
PA L AV RAS - C H AV E 80
equino, lavado, peritônio, peritonite
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 81 - setembro/dezembro, 2014
Levantamento de afecções dentárias
em equinos da raça crioula
mantidos em sistema de criação
extensivo
Cláudia Acosta DUARTE¹*, Carla Teixeira LEITE², Bruna Karollini ROSA³, Hirya Fernandes
PINTO³, Igor Soares LEONI³, Marcelo PORCIUNCULA³
A raça Crioula, atualmente, está sendo direcionada para provas equestres de alta performance, o que exige mudança nas suas condições de criação. Contudo, estudos a respeito da
odontologia equina nesta raça são escassos nos diferentes sistemas de manejo. Dessa forma,
o presente estudo teve por finalidade identificar e quantificar as afecções odontológicas em
equinos da raça Crioula criados exclusivamente em regime extensivo. Avaliou-se 254 cavalos
Crioulos, machos e fêmeas não prenhes, com idades superiores a dois anos, mantidos exclusivamente em campo nativo com predomínio de Eragrostis plana (Capim Annoni) no município
de Uruguaiana/RS. Os animais foram divididos em dois grupos de acordo com a categoria
etária: ≤5 anos (G1) e >5 anos (G2). O diagnóstico das afeções dentárias baseou-se na anamnese,
inspeção e palpação da face e cavidade oral, além de exame específico. Observou-se que 25,0%
dos animais do G1 e 30,0% dos animais do G2 apresentaram dois ou mais distúrbios de incisivos, 62,5% do G1 e 48,6% do G2 demonstraram um ou mais achados nos dentes caninos; 44,2%
dos animais do G1 e 38,7% do G2 tiveram três ou mais achados nos 2o, 3o e 4o pré-molares e
molares. A principal afecção que acometeu os incisivos foi curvatura irregular, em 47,1% dos
animais com idade ≤5 anos e, 46,7% daqueles >5 anos. Em relação aos caninos, o cálculo dentário ocorreu em 9,4% dos equinos do G1 e em 35,7% dos animais do G2. A alteração de maior
ocorrência nos 2o, 3o e 4o pré-molares e molares foi ponta excessiva de esmalte em 95,2% dos
animais com idade ≤5 anos. Contudo, naqueles >5 anos, cálculo dentário foi observado em
88,7%. Apesar de todos os cavalos estudados serem criados extensivamente, as alterações dentárias foram muito frequentes na raça Crioula, sob estas condições de manejo.
PA L AV RAS - C H AV E 1
Professora adjunta – UNIPAMPA –
Uruguaiana, RS
*[email protected]
²Aluna de pós-graduação – UNIPAMPA –
Uruguaiana, RS
³Aluno(a) de graduação – UNIPAMPA –
Uruguaiana, RS
Afecções odontológicas, cavalos, raça Crioula
81
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 82 - setembro/dezembro, 2014
Linfangite ulcerativa com
comprometimento tendíneo em
equinos: relato de caso
Isadora Macedo BARBON¹, Cinthia Cristina JARDIM¹, Bárbara Luis de SANTANA¹,
Lindiane Henriques de SOUZA¹
1 Jockey Club Brasileiro, Rio De JaneiroRj Brasil.
A linfangite é uma forma severa de celulite, onde a inflamação acomete progressivamente
os vasos linfáticos dos membros, geralmente decorrente da ação de microganismos. A patogênese é pouco entendida. As infecções dos vasos linfáticos dos membros, consideradas de
etiopatogenia primária, são a linfangite ulcerativa e a linfangite epizoótica. No entanto, o que
mais comumente pode ser observado é a linfangite aguda simples, secundária à contaminação
de lesões cutâneas por bactérias e fungos como,C. pseudotuberculosis, com Staphylococcus, Streptococcus, Rhodococcus equi, Pasteurella haemolytica e Fusobacterium Necrophorum. As complicações
das linfangites apresentam um quadro clínico praticamente direcionado ao local do comprometimento, porém dependendo da etiologia, patogenicidade do agente etiológico e resistência
do paciente, sinais clínicos de ordem sistêmica podem ser observados, incluído desidratação,
septicemia e insuficiência renal aguda. O presente trabalho relata um caso de linfangite ulcerativa aguda, com comprometimento tendíneo no membro posterior direito de um equino da
raça Puro Sangue Inglês (PSI), fêmea de 6 anos de idade. O animal foi encaminhado ao Hospital Veterinário Octávio Dupont do Jockey Club Brasileiro, apresentando escoriações e edema
generalizado no membro afetado, febre (39,0°C), taquicardia (56 bpm) e taquipnéia (32 mpm).
Após a tricotomia do local, a pele se rompeu abrindo uma ferida de grande extensão. Após
alguns dias de tratamento os tendões flexores superficial e profundo ficaram expostos na face
lateral do membro, terço médio do metacarpo e a ferida aumentou de tamanho, tanto medialmente quanto lateralmente. Os exames laboratoriais iniciais indicaram uma leucocitose com
desvio para esquerda. Com o decorrer do tratamento os exames apresentaram uma melhora,
voltando aos padrões de normalidade. O protocolo inicial utilizado para o tratamento de linfangite foram: Oxitetraciclina (20mg/kg 24/24h, EV 20 ml diluídos em 1L de Ringer Simples –
20 dias), Flunixina Meglumina (1,0mg/kg 24/24h, EV – 5 dias), Diuzon® (Triclormetiazida 1,0g
+ Dexametasona 0,05g 2 frascos IM – 1 dia), Dimetilsulfóxido (DMSO) (1g sol. 10% em glicose
5%, 24/24h, EV – 5 dias) e Agrosil® (Benzilpenicilina procaína+ Benzilpenicilina potássica +
Benzilpenicilina benzatina 2.000.000 UI 24/24h IM 2 frascos, 5 dias), na intenção de reduzir
o edema, infecção, inflamação e aumentar a perfusão tecidual. A partir da segunda semana de
tratamento foram introduzidos, a Gentamicina (6,8mg/kg 24/24h, EV – 12 dias), Fenilbutazona
(5mg/kg 24/24h, EV – 6 dias) e Omeprazol (2mg/kg 24/24h VO – 16 dias). O curativo na primeira semana foi feito com ducha de 20 minutos no local, compressa com água morna e permanganato de potássio, limpeza da ferida com PVPI degermante e solução fisiológica, rifocina na
ferida e solução concentrada de barbatimão, realizou-se massagem com Riocim® (Nitrofural
2mg), DMSO no membro e envolveu-o com filme de pvc (somente 3 dias), o membro foi ligado
com algodão e ataduras de crepom Cremer®,do casco até o jarrete afim de diminuir o edema.
Em 28 dias desde o início do tratamento, as feridas reduziram substancialmente de tamanho,
houve perda parcial das fibras tendíneas por necrose na face lateral e na fase final os tendões
foram encobertos por tecido de granulação sem alterações na locomoção do animal, sendo que
o mesmo voltou a rotina normal dos treinos logo após a alta do Hospital Veterinário. Esse foi
um caso típico de linfangite aguda, em que o edema se manifesta principalmente unilateral, no
membro afetado. De acordo com a literatura, as lesões são mais frequentemente encontradas
nos membros posteriores, raramente acima do jarrete, o que corrobora com o relato de caso
citado. Sinais sistêmicos foram observados nos primeiros dias de tratamento. Autores relatam
que a ocorrência desses sinais acontece devido ao quadro de síndrome da resposta inflamatória
sistêmica (SRIS) secundária à infecção generalizada do tecido cutâneo. Podemos concluir que o
tratamento iniciado precocemente nos casos de linfangite, é essencial para um prognóstico favorável e boa recuperação do animal, que apesar de responder bem ao protocolo básico requer
bastante atenção e tratamento intensivo.
PA L AV RAS - C H AV E 82
Cavalos, Sistema Linfático, Jockey Club Brasileiro.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 83 - setembro/dezembro, 2014
Linfopenia é observada em cavalos
marchadores após o teste de
simulação de marcha
Helio Cordeiro MANSO FILHO¹, Lúcia Maia Cavalcanti FERREIRA¹, Stephânia
Katurchi Melo MENDES¹ , Bruno de Lima BARBOSA1,2, João Gustavo Souza Sales de
ALBUQUERQUE¹, Helena Emília Cavalcanti da Costa Cordeiro MANSO²
Em diferentes modalidades equestres observa-se que, após exercícios prolongados, pode
ocorrer redução de alguns tipo de células brancas, principalmente os linfócitos. A marcha é
exercício de média intensidade e de média a longa duração, entretanto não há detalhes de
como essas células reagem ao exercício. Esse trabalho objetivou determinar as concentrações
de ([LEUC]) e linfócitos ([LINF]) no sangue de cavalos marchadores durante e após teste de
simulação de marcha e teve aprovação pela Comissão de Ética para Uso dos Animais através
da CEUA-UFRPE N°026/2013. Foram utilizados 12 equinos da raça Mangalarga Machador,
adultos, de ambos os sexos, que treinavam regularmente três vezes por semana (~50 [email protected]
marcha) e estavam em regime intensivo de criação.O teste de simulação de marcha (TSM)
consistia em: 10 minutos de aquecimento ao passo, 30 minutos à marcha e 15 minutos de recuperação ao passo. Após o teste os animais permaneceram nos boxes com livre acesso à água
e a forragens. As amostras de sangue foram colhidas nas seguintes ocasiões: pré-teste com os
animais em jejum de 12 horas (T1), após a fase de marcha (T2), após a fase de 15 minutos recuperação (T3) e após 4 horas de finalizado a fase de marcha (T4). Essas amostras foram analisadas
em equipamento semiautomático (Poch-100iV diff), Roche®) e os resultados foram analisados
pelos ANOVA, com medidas repetidas e um fator, e pelo teste de Tukey, em ambos os casos com
P estabelecido em 5%. O teste de simulação de marcha provocou elevação na [LEUC] (P<0,05),
que foi acompanhada de uma redução na [LINF] (P<0,05) ao final das quatro horas após o
TSM. A [LEUC] modificou-se de ~10.342/mm3 no jejum (T1), para 12.842/mm3 imediatamente após a fase de marcha (T2), chagando até 15.092/mm3 após as 4 horas de finalizado o TSM
(T4). Já os linfócitos, no jejum (T1) eram 5.075/mm3, passando para 7.192/mm3 ao final da fase
de marcha (T2), e reduzindo-se para 3.400/mm3 no final das quatro horas após o TSM (T4). Na
amostra T1 com os animais em jejum a [LINF] representava ~49% da [LEUC] já no T4 a [LINF]
só representava ~22% da [LEUC], demostrando claramente que a linfopenia pós-exercícios, tão
comum nas diferentes modalidades esportivas equinas de longa duração, também ocorre em
cavalo marchadores após exercício de marcha. Concluiu-se que o TSM é capaz de provocar elevação de ~50%na [LEUC] acompanhada de redução de ~33% na [LINF] quando as amostras de
sangue são analisadas após quatro horas do exercício. Essas informações são importantes para
o melhor entendimento das adaptações que os cavalos marchadores sofrem após os exercício
e podem contribuir para o desenvolvimento de programas de treinamento e competições que
tenham como objetivo o bem estar desses animais atletas.
PA L AV RAS - C H AV E equinos, linfócitos, marcha picada, marcha batida.
AGRADECIMENTOS
Ajinomoto do Brasil, Guabi Nutrição Animal, e CAPES
83
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 84 - setembro/dezembro, 2014
Malformações ortopédicas
congênitas em pônei
FIRMINO, P.R.¹; SOARES, G.S.L.¹; ALCOFORADO, A.S.¹; SILVA, N.S.¹; MIRANDA NETO, E.G.¹;
ASSIS, D.M.¹
¹ Universidade Federal de Campina
Grande, Campus de Patos – PB.
Potros recém-nascidos podem ser afetados por Doenças Ortopédicas do Desenvolvimento (DOD) de origem congênita, entre as principais se destacam as deformidades angulares e
flexurais dos membros, as primeiras estão relacionadas a desequilíbrio no crescimento longitudinal dos ossos longos resultando em animais do tipo varus ou valgos, já as segundas ocorrem
devido a um encurtamento ou flacidez das unidades musculotendinosas causando hiperflexão
ou hiperextensão das articulações envolvidas. Etiologias de origem genética, nutricional, hormonal, posicionamento intrauterino e teratogênicas são atribuídas a essas malformações sendo
que, na maioria dos casos ocorre a interação entre alguns fatores para que a enfermidade se
apresente. O tratamento conservador é priorizado nos casos leves a moderados, já correções
cirúrgicas, apesar de questionadas, são destinadas a casos graves ou àqueles que não responderam ao conservador. Foi encaminhado ao Hospital Veterinário da Universidade Federal de
Campina Grande-Campus Patos-PB, um pônei, macho, com seis dias de vida, pesando 13 kg,
com o histórico de que tinha nascido com as patas curvadas e que se locomovia com o apoio
sobre as superfícies laterais dos membros posteriores. À inspeção, observou-se que o animal
apoiava o peso sobre a superfície lateral da quartela e do boleto de ambos os membros posteriores, demostrando uma grave deformidade angular do tipo varus metacárpico, defeito esse que
provocou lesão traumática no aspecto lateral do boleto posterior direito. Observou-se ainda a
presença de um forte achinelamento dos membros anteriores, que induzia o animal a andar
sobre os bulbos dos talões. Na palpação dos quatro membros foi percebida a presença de uma
acentuada lassidão dos tendões flexores digitais superficial e profundo em todos os membros,
além de uma flacidez dos ligamentos colaterais laterais das articulações metacarpofalangeana
e interfalangeanaproximal dos membros pélvicos. Como outras malformações o animal apresentava prognatismo e tamanho desproporcional de crânio em relação ao resto do corpo. O
animal foi submetido a exame de raio-x em todos os membros, confirmando o desvio angular
dos membros posteriores. Apesar de todas as malformações o animal tinha suas funções vitais
como alimentação, micção e defecação preservadas. Como tratamento o animal foi submetido
a imobilização com talas de PVC e bandagens acolchoadas nos quatro membros. Uma tala foi
utilizada em cada superfície palmar da região metacárpica e digital dos membros anteriores, e
duas em cada membro posterior, uma plantar e outra lateral, na tentativa de forçar o apoio doscascos, que foram deixados expostos nas bandagens. O animal era estimulado a fazer pequenas
caminhadas diariamente e as bandagens eram trocadas a cada 7 dias. O animal recebeu 5 aplicações preventivas de penicilina (20.000 UI/kg IM 48/48h) e uma suplementação diária de 5 ml
de cálcio oral. Após3 meses de tratamento o quadro do paciente estava inalterado e mantinha
os mesmos defeitos e dificuldades locomotoras, porém o proprietário decidiu por prolongar o
tratamento indefinidamente com bandagens e talas.Com 140 dias de tratamento o animal foi
encontrado na sua baia em óbito.Na necropsia foi revelada uma obstrução esofágica por um
pequeno bolo de capim, além de uma recente pneumonia por aspiração. A resposta ao tratamento não foi satisfatória, provavelmente devido ao conjunto de malformações locomotoras
e da gravidade apresentada pelas mesmas. O uso de talas e bandagens, apesar de questionado,
fez necessário pra evitar lesões nos membros devido ao apoio incorreto dos membros, como
indicam alguns autores. O desvio angular dos membros e flacidez de tendões e ligamentos em
neonatos são relatadas como de resolução espontânea ou com terapia clínica em quadros leves.
Porém, quando a enfermidade se apresenta grave, como no presente caso,as terapias clínicas
têm pouco valor terapêutico, sendo as técnicas cirúrgicas de eficácia questionada.
PA L AV RAS - C H AV E 84
deformidade, tendões, flacidez, pônei.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 85 - setembro/dezembro, 2014
Métodos para determinação da
concentração de hemácias no lavado
broncoalveolar de equinos
Janaina Socolovski BIAVA1, Roberto Calderon GONÇALVES2, Evandro Maia FERREIRA¹
A Hemorragia pulmonar induzida pelo exercício (EIPH) é uma síndrome de alta ocorrência nos equinos atletas, sendo o lavado broncoalveolar (BAL), com auxílio de endoscopia, um
instrumento importante na avaliação das vias aéreas posteriores, permitindo seu diagnóstico
mais preciso. Alguns cavalos tem evidência de hemorragia no pulmão, mas não apresentam
sangue visível na traqueia, podendo apresentar resultados falso-negativos. A contagem de células vermelhas no BAL faz com que aumentem as chances de diagnóstico nas EIPH subclínicas.
O objetivo do estudo foi avaliar o efeito do método de análise de células vermelhas obtidas em
diferentes diluições, bem como avaliar a correlação entre a concentração de células vermelhas
determinadas pelo método pelo aparelho CELL-DYN 3700 e a câmara de Neubauer. Foram
realizados lavados broncoalveolares em 10 cavalos Standardbred sem histórico de EIPH. Os
animais foram sedados com 1 mg/kg PV de xilazina. Em cada 10 ml de BAL foram misturadas
quantidades diferentes de sangue, colhido por venopunção jugular, do mesmo animal, e criadas
amostras com diferentes diluições, para que resultassem em concentrações conhecidas:1 μL, 1,5
μL, 2,5 μL, 3,5 μL e 5 μL de sangue. A contagem de células vermelhas foi realizada automaticamente pelo aparelho CELL-DYN 3700 (Abbott Laboratories, Aboott Park, IL) e manualmente,
pela câmara de Neubauer. Os dados foram analisados utilizando o PROC MIXED do pacote
estatístico SAS (2002). As médias de cada tratamento foram obtidas utilizando o comando
LSMEANS. O efeito do método de contagem de células vermelhas nas diferentes diluições foi
definido pelo teste F de análise de variância. Realizou-se o teste de correlação entre a concentração de células vermelhas, obtida pelo método automatizado e o utilizando-se o PROC CORR
(SAS, 2012). Os efeitos foram declarados significativos quando P<0,05. Nas diluições de 1 μL e
1,5 μL não houve efeito do método de análise sobre a concentração de células vermelhas. No
entanto, nas diluições de 2,5 a 5 μL, a concentração de células vermelhas foi superior (P<0,05)
quando determinada utilizando o aparelho CELL-DYN 3700, em comparação à contagem na
câmara de Neubauer. As contagens médias observadas para as concentrações de 1 μL, 1,5 μL,
2,5 μL, 3,5 μL e 5 μL no aparelho CELL-DYN 3700 foram 1625, 3100, 5400, 7300 e 9700 cells/
μL, respectivamente. Quando utilizou-se a câmara de Neubauer as médias observadas para as
diluições 1 μL, 1,5 μL, 2,5 μL, 3,5 μL e 5 μL foram 1259, 2155, 3613, 5911 e 7958 cells/μL, respectivamente. Houve correlação positiva entre a contagem de células vermelhas determinadas
utilizando o aparelho CELL-DYN 3700 e a câmara de Neubauer no BAL (r=0,88; P<0,0001).
Como conclusão, o método automático superestimou a contagem de células vermelhas no
BAL a partir da diluição 2,5 μL. Portanto, a utilização deste aparelho para a determinação de
células vermelhas no BAL não é indicada, uma vez que pode aumentar o número de animais
falso-positivos para EIPH.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Docente Departamento Zootecnia da
Universidade Estadual de Ponta Grossa/
PR.
² Docente do Departamento Medicina
Veterinária da Universidade Estadual
Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
Botucatu/SP.
cavalos, células vermelhas, EIPH e aparelho respiratório
85
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 86 - setembro/dezembro, 2014
Mioglobinúria paralítica e
insuficiência renal aguda (IRA) em
equino: Relato de Caso
ARRIVABENE, M¹.; CAVALCANTE, T. V¹.; DIAS, F. E. F.²; COSTA, T. N.³; NEVES, C.A4.; SILVA.
A. C. A4
1 Departamento de Clinica e Cirurgia
Veterinária – Centro de Ciências Agrárias
(CCA) – Universidade Federal do Piauí
(UFPI);
2 Escola de Medicina Veterinária e
Zootecnia -Universidade Federal do
Tocantins;
3 Médica Veterinária Liberal, 4
Graduanda Curso de Medicina
Veterinária/CCA/UFPI
A mioglobinúria paralitica também pode ser chamada de azotúria, paralisia, miosite e mal
da segunda-feira. É uma patologia que afeta as fibras musculares do tipo II, que são fibras de
contração rápida com baixa capacidade oxidativa, alta capacidade anaeróbica e capilaridade
reduzida, resultando na perda da condição atlética. No exercício intenso, o músculo trabalha
em anaerobiose, produzindo ácido lático, destruindo a miofibrilas e liberando mioglobina.,
esta atinge corrente sanguínea, passa pelos rins levando a azotúria ou azotemia, causando insuficiência renal aguda (IRA) pode ser definida como declínio abrupto e sustentado da filtração
glomerular. Os animais apresentam intensa sudorese e FC e FR aumentadas; a temperatura
retal pode atingir até 40,5 °C. A urina apresenta coloração “avermelhada”, “marrom” ou até mesmo “enegrecida”, dependendo do grau de severidade das lesões musculares e da mioglobina eliminada pelos rins, dando aspecto de “cor de café” à urina. A sequela mais grave da liberação de
mioglobina pelos músculos são as lesões provocadas nas estruturas tubulares dos rins durante
a filtração, causando nefrose que pode levar o animal à morte por insuficiência renal. A enfermidade deve ser diferenciada das demais que produzem aspectos clínicos semelhantes, como a
laminite, pleurites, cólica, intoxicação por Casia ocidentalis, babesiose. O objetivo desse trabalho é relatar um caso de mioglobinuria paralitica de um equino. Foi atendido no Rancho SM,
Teresina - PI, um equino, macho, 07 anos da raça Quarto de Milha, 413 kg. Segundo o relato do
proprietário o animal apresentou cólica, tratado com fluido 12 L, glicose, sorbitol e flunixim
meglunime, não urinava, administraram 10ml furosemida, urina turvo e avermelhado,o mesmo foi levado para competição e apresentou posteriormente edema generalizado. Ao exame
clinico o animal apresentava edema generalizado, sensibilidade muscular, região lombar, urina
enegrecida, parâmetros fisiológicos dentro da normalidade. Os exames laboratoriais revelaram
Linfócitos 6.200mm3, Hematocrito 30,1%, Hemoglobina 10,5g/dL, Plaquetas 216x10³/uL, PPT
3,6g/dL, Creatinina 1,24 mg/dL, Uréia 75,0 mg/dL. Com o hemograma, bioquímico e através
dos sinais clínicos, conclui-se que o animal apresentava lesão muscular caracterizando a mioglobinúria paralitica e presença de lesão renal. Foi realizado tratamento à base de: Ampicilina
sódica 2,0 g, 6mg/kg, via intramuscular profunda, 24/24 horas, por 7 dias; Vitamina E e selênio
20g/dia/VO; Dexametazona + Triclorometiazida 10mL IM, 24/24 horas, 3 aplicações; Dimetilsulfóxido injetável 60 mL diluídos em 1 litro de solução de glicose 5%, via endovenosa lenta,
24/24 horas, 5 aplicações; duchas de água fria e infra vermelho por 10 minutos em cada região
edemaciada; antinflamatório tópico, uma vez ao dia sobre as áreas edemaciadas. Gluconato de
cálcio 50 mL diluídos em 1 litro de solução fisiológica, via endovenosa lenta. Fluidoterapia à
base de Solução de Sódio 0,9% diariamente; enrofloxacino 2,5mg/kg, via endovenosa, 72/72 horas, três aplicações e repouso absoluto. O animal teve uma ótima recuperação. Conforme literatura quanto mais rápido o atendimento e diagnóstico maior chance de sucesso no tratamento,
no caso relatado podemos apontar a rapidez do diagnóstico e inicio do tratamento como fator
determinante para seu sucesso do tratamento.
PA L AV RAS - C H AV E 86
equino, mioglobinúria, renal
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 87 - setembro/dezembro, 2014
Mionecrose traumática em equino:
Relato de Caso
Jéssica de Torres BANDEIRA¹; Renato Souto Maior Muniz de MORAIS²; Sílvio Romero
MARQUES²; Fernando Leandro dos SANTOS³
Mionecrose em equídeos é uma achado comumente relacionado a deficiência mineral,
como o selênio, ou clostridioses, sendo raros os relatos dessa patologia relacionada a traumas.
Objetivou-se relatar um caso de mionecrose flegmonosa em uma égua. Um equino, fêmea, 4
anos, Quarto de Milha, alazã, e prenha, apresentou incoordenação motora, desequilíbrio, dificuldade de locomoção e dor exacerbada na região cervical, logo após ter sido transportada até
o seu local de destino. Efetuaram-se tratamento com corticoide, antibiótico, analgésico e coccidiostático. Realizaram-se hemograma e bioquímica sérica, constatando alteração apenas na taxa
de aspartato aminotransferase (AST). Sem obter resultado com os tratamentos prévios, suspeitou-se de trauma na região cervical, podendo estar exercendo compressão na medula espinhal.
O tempo de evolução clínica até o óbito foi de aproximadamente 40 dias. Procedeu-se o exame
necroscópico. Ao exame externo notou-se algumas soluções de continuidade na pele, provavelmente devido ao decúbito do animal após a morte e sua movimentação para mudança de local
a fim de realizar a necropsia. Ao exame interno evidenciou-se edema gelatinoso na região distal
do pescoço em sua face lateral esquerda. Observou-se a presença pequena de líquido espumoso
na luz da traqueia na sua porção distal. Constatou-se edema e congestão pulmonar bem como,
congestão hepática. A fêmea estava gestante no momento da necropsia, sendo retirado um feto
de seu útero. Os músculos da região cervical, superfície dorsal, ao longo de toda extensão do
pescoço, encontravam-se com necrose flegmonosa. Ao examinar o sistema nervoso, não foram
encontradas alterações na medula, entretanto o cérebro estava amolecido. Constatou-se embebição hemolítica, hipóstase cadavérica e um pouco de enfisema cadavérico, sem que essas alterações cadavéricas prejudicassem as avaliações macroscópicas. Embora a AST não seja a enzima
mais adequada para se verificar lesão muscular, pode ser um indicador de necrose muscular,
principalmente se associada a creatina quinase (CK). Diante dos achados anatomopatológicos,
sugere-se que o óbito tenha ocorrido por choque toxêmico, devido à extensa lesão muscular
cervical. Lesão provavelmente causada por trauma. Na literatura encontra-se vastos relatos de
mionecrose associada a ação de bactérias do gênero Clostridium, entretanto, nesse caso não
realizou-se análise microbiológica por falta de histórico e achados macroscópicos sugestivos.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Mestranda em Ciência Veterinária pela
UFRPE.
² Médico Veterinário autônomo.
³ Prof. Adjunto do curso de Medicina
Veterinária da UFRPE.
Equino, Mionecrose, Necropsia, Trauma.
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Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 88 - setembro/dezembro, 2014
Motilidade de sêmen de garanhões
crioulos submetidos à seleção
espermática por centrifugação em
camada única
Fernanda Carlini Cunha dos SANTOS¹*, Márcio Menezes NUNES2,3, Amauri ANSELMO4,
Carlos Eduardo Wayne NOGUEIRA1, José Domingos GUIMARÃES2, Bruna da Rosa
CURCIO1
1 Professor da Universidade Federal de
Pelotas, Pelotas, Rio Grande do Sul (RS),
Brasil.
*Correspondência:
[email protected]
2 Universidade Federal de Viçosa, Viçosa,
Minas Gerais (MG), Brasil.
3Médico Veterinário, Minitub do Brasil
Ltda, Porto Alegre, RS, Brasil.
4 Médico Veterinário,Cabanha do Parque,
Canela, RS, Brasil.
A centrifugação de sêmen visa principalmente o aumento da concentração espermática e
a remoção do plasma seminal, sendo na reprodução equina assistida umprocedimento utilizado principalmente durante o congelamento seminal. O processo de centrifugação convencionalcausa danos irreversíveis por estresse físico às células espermáticas, sendo a centrifugação
com gradiente de concentração em camada únicauma alternativa para evitar estas lesões. Além
disto, esta técnica seleciona espermatozoides morfologicamente normais, com alto potencial
mitocondrial, com cromatina, membrana plasmática e acrossoma íntegros, sendo características associadas à maior motilidade espermática e que, consequentemente, podem resultar em
um ejaculado de melhor qualidade.O objetivo deste experimento foi avaliar o efeito da seleção
espermática por centrifugação emcoloide de camada única sobre a motilidade espermática
de garanhões Crioulos. Durante a estação reprodutiva, foram utilizados 10 garanhões da raça
Crioula, sendo coletado 1 ejaculado de cada animal (n=10) com auxílio de vagina artificial
modelo Hannover e uma égua em estro como manequim. Após a coleta, o gel e impurezas
dos ejaculados foram removidos porfiltros descartáveis de celulose e todos foramdiluídos com
EquiPlus® para a concentração de 50x106 espermatozoides/mL. Posteriormente, as amostras
foram bipartidas e submetidas a dois tratamentos: Centrifugação convencional (600G x 20’)
e Centrifugação em gradiente de densidade com camada única (AndrocollEquine®/ 300G x
20’). A motilidade progressiva (%) foi avaliada por análise computadorizada de movimentos
espermáticos (CASA - AndroVision®)10 minutos após a diluição com EquiPlus® etambém
após a resuspensão do pellet formado na centrifugação. Para a avaliação estatística foi realizada
análise descritiva, análise de variância (ANOVA)e comparação entre médias pelo teste de Tukey
utilizando o programa Statistix9®(p<0,05). Após a diluição com EquiPlus®,foi constatadaa
média de motilidade de 68,6±4,1% e após centrifugação foi de 57,1±4% no T1 e 66,1±3,7% no
T2.As amostras centrifugadas com AndrocollEquine® apresentaram um percentual médio de
motilidade 15% superior quando comparadas àsda centrifugação convencional. Em conclusão,
os ejaculados submetidos à centrifugação em camada única apresentaram percentual de motilidade progressiva superior aos submetidos à centrifugação pelo método convencional.
PA L AV RAS - C H AV E 88
neuropatia, hemiplegia, recorrente, eqüino.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 89 - setembro/dezembro, 2014
Necrose da cartilagem colateral da
falange distal em equino: Relato de
Caso
Thayanne Caroline Pereira MUNHOZ¹; Maria Eduarda Paulino KUHN¹; Jeandra Carla
Mattos do Nascimento PINHEIRO¹; Cauê Natam de SOUZA¹; Hugo Shisei TOMA¹;
Armando de Mattos CARVALHO¹.
A necrose da cartilagem colateral também denominada “quittor” é decorrente de uma lesão penetrante na região distal da quartela que resulta na infecção e subsequente necrose da
cartilagem colateral, resultando na drenagem de material purulento através de fístulas formadas na região proximal à banda coronária. Relata-se o atendimento de equino, seis anos, Quarto
de Milha, com histórico de lesão há três meses na região medial da quartela do membro torácico direito, que evoluiu para drenagem de conteúdo purulento não responsivo a curativos locais
e antibióticos. O animal foi encaminhado ao Hospital Veterinário da Universidade de Cuiabá
(UNIC) onde foi realizado exame físico, além de exames complementares, hemograma e radiografia. No hemograma notou-se leucocitose, e radiograficamente foi constatada a ossificação da
cartilagem colateral da falange distal e irregularidade das margens ósseas com presença de áreas
focais de osteólise, indicando osteíte. Sendo assim, optou-se pelo debridamento cirúrgico de
toda cartilagem calcificada que se apresentava necrosada na região proximal a banda coronária,
após a injeção de solução de azul de metileno na fistula para delimitação do trajeto fistuloso e
área acometida pelo processo infeccioso. Foi realizada perfusão regional intravenosa com 1000
mg de amicacina. Também foi realizada antibióticoterapia sistêmica com ceftiofur sódico, 4,4
mg/kg, IM, SID, durante 21 dias, além do uso de fenilbutazona 2,2 mg/kg, IV, BID, durante
três dias. O animal permaneceu com bandagem até a completa cicatrização da ferida cirúrgica
e do trajeto fistuloso. Outra análise radiográfica foi realizada após sete dias da cirurgia, onde
observou a completa remoção da estrutura ossificada acometida. A terapia medicamentosa é
irresponsiva, e frequentemente prolonga a decisão pela intervenção cirúrgica. Após a remoção
cirúrgica do tecido acometido somada a antibióticoterapia, o prognóstico é favorável, no entanto requer atenção quanto a não penetração da articulação interfalangeana distal, que poderia
resultar na piora do quadro clínico.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Faculdade de Medicina Veterinária
(FMV), Universidade de Cuiabá (UNIC)
Autor para correspondência:
[email protected]
equino, ossificação, infecção, fístula, cartilagem colateral.
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Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 90 - setembro/dezembro, 2014
Neuropatia recorrente laringeana
grau III em equino quarto de milha
de vaquejada - Relato de Caso
SANTOS JÚNIOR, D. A.¹; ASSIS, D. M.²; MEDEIROS, J. M.²; MIRANDA NETO, E. G.²;
ALCOFORADO, A. S.³; SOARES, G. S. L³.
¹ Médico Veterinário, Mestrando do
Programa de Pós-graduação em Medicina
Veterinária (PPGMV) da UFCG,
Campus de Patos-PB; e-mail do autor:
[email protected]
² Médico Veterinário, Hospital Veterinário
UFCG, Campus de Patos-PB;
³ Médico Veterinário, Residente em Clínica
e Cirurgia de Grandes Animais da UFCG,
Campus de Patos-PB
A hemiplegia laringeana é descrita na sua forma clássica como uma doença espontânea
resultante da degeneração primária do nervo laríngeo recorrente. Predominantemente o nervo
afetado é o esquerdo, o que resulta em uma atrofia neurogênica dos músculos em cerca de
95% dos casos observados, levando à alterações na movimentação (adução/abdução) da cartilagem aritenóide, dificultando a passagem do ar que gera um ruído inspiratório característico
quando o animal se movimenta. Devido a paralisia do músculo resultar em perda progressiva
da mielinização dos axônios no nervo laríngeo recorrente esquerdo, a neuropatia recorrente
laringeana é atualmente o termo mais apropriado para essa condição. A neuropatia laringeana recorrente de grau III se caracteriza por movimento assimétrico da cartilagem aritenóide
esquerda/direita durante todas as fases da respiração e abdução completa não é obtida ao estimular-se a deglutição ou realizar-se a oclusão nasal. Objetivou-se relatar um caso de um equino
que deu entrada no Hospital Veterinário (HV) da Universidade Federal de Campina Grande
(UFCG), Campus de Patos-PB, da raça Quarto de Milha, macho, 4,6 anos, pesando 420 Kg.
Na anamnese, o proprietário relatou que o animal, quando forçado, “roncava” e quanto mais
esforço era demandado, mais “faltava ar”, chegando próximo ao ponto de cair ao chão, também,
referiu secreção amarelada nas narinas sendo medicado pelo veterinário do haras, não obtendo
melhora. Ao exame clínico em repouso não houve alterações dignas de nota. O paciente foi
encaminhado para o setor de diagnóstico por imagem onde foi sedado com cloridrato de detomidina na dose de 0,02 mg/Kg IV para realização da endoscopia, sendo diagnosticado com
a neuropatia laríngeana recorrente de grau III no antímero esquerdo da cartilagem aritenóide.
Foi então encaminhado para correção cirúrgica, único tratamento possível nesses casos. Deve-se
fazer o diagnóstico diferencial para condritearitenóide que possui sinais clínicos semelhantes
(dispnéia, produção de ruído respiratório e intolerância ao exercício). A técnica utilizada foi a
laringoplastia associada à ventrilectomia. No pós-cirúrgico, foi instituída a terapia antimicrobiana: Penicilina benzatina, 20.000 UI/Kg IM, a cada 48 horas, em 3 aplicações; Gentamicina
IV, 4mg/Kg, SID, durante 7 dias. Terapia antiinflamatória: Flunixim meglumine IV, 1.1mg/Kg,
BID, durante 5 dias. Terapia tópica: limpeza diária com solução fisiológica e gaze e aplicação de
Rifamicina spray ®. Foi aconselhado alimentar o animal com comedouro ao nível do solo a fim
de facilitar a drenagem natural da ferida operatória, mantendo-o embaiado por 6 semanas e
reavaliação endoscópica antes de retornar ao treinamento. Existe consenso entre os clínicos que
as neuropatias de grau I e II não interferem com a função atlética, entretanto, as de grau III e IV
comprometem a função atlética do cavalo causando diminuição no trânsito de ar pela laringe,
produzindo o ruído inspiratório característico e tendo como único tratamento o cirúrgico.
PA L AV RAS - C H AV E 90
neuropatia, hemiplegia, recorrente, eqüino.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 91 - setembro/dezembro, 2014
Ocorrência da placa aural em
equinos de diferentes regiões
do Brasil: Dados clínicos e
epidemiológicos
Mariana HERMAN¹; Juliana M. HERNÁNDEZ¹; Juliana A. SILVEIRA²; José C.F. PANTOJA³;
Alexandre S. BORGES³; Jose P. OLIVEIRA-FILHO³*.
Placa Aural é uma enfermidade infecciosa provocada pelo Equus caballus papillomavirus,
sem predileção de sexo, raça ou idade e caracterizada pela presença de lesões planas, despigmentadas e/ou puntiformes na fase interna do pavilhão auricular de equinos, que podem ser
únicas, múltiplas ou coalescentes. O objetivo deste estudo foi verificar a prevalência da placa
aural em equinos de diferentes regiões do Brasil (Sudeste, Centro-Oeste e Sul), além de avaliar
clinicamente as lesões. Foram avaliados 337 equinos, provenientes de 17 propriedades localizadas nos municípios de Itapetininga/SP, Uberaba/MG, Goiânia/GO, Indiara/GO, Jandaia/GO,
Castro/PR, Carambeí/PR, Ponta Grossa/PR e Joinville/SC. As propriedades foram selecionadas
aleatoriamente e visitadas de acordo com a disponibilidade do proprietário, com o intuito
de diversificar a amostragem foram coletadas propriedades com diferentes tipos de manejo e
número de animais (variando de 2 a 250). Dados relacionados as propriedades (total de animais, estabulação, função, trânsito de animais, comparecimento a eventos com aglomeração
de equídeos, manejo de limpeza das orelhas e instrumento utilizado para este procedimento),
bem como, aos animais clinicamente positivos (idade, sexo, raça, função, pelagem e presença de
ectoparasitas no pavilhão auricular no momento da coleta, evolução da doença e a presença ou
ausência de sensibilidade dolorosa na região acometida e tratamentos realizados) foram registrados em fichas individuais. As lesões foram classificadas quanto à presença, uni e/ou bilateral
e apresentação clínica, lesões puntiformes ou placas (lesões múltiplas que coalesceram). Dentre
as propriedades avaliadas 94,1% apresentavam ao menos um animal clinicamente positivo.
Dos 337 equinos inspecionados 35 (10,3%) eram da região Sudeste, 175 (51,9%) da região Centro-Oeste e 127 (37,7%) da região Sul do Brasil. Um total de 64 (19,0%) animais apresentava
lesões compatíveis com placa aural equina, sendo 31 da região Sul, 20 da região Centro-Oeste
e 13 da região Sudeste. Destes, apenas 49 animais foram avaliados individualmente, sendo 5
anos (min.=1,5-max.=22) a idade mediana destes animais. Em 55,1%(27/49) dos animais foram
observadas lesões bilaterais, enquanto que em 44,9% (22/49) dos animais observou-se lesões
apenas em uma das orelhas (12 orelhas esquerdas e 10 orelhas direitas). Considerando os dados
referentes ao manejo destes animais com placa aural constatou-se que em 20,4% dos animais
era realizado procedimentos de limpeza da orelha e 51,0% dos animais possuíam carrapatos na
orelha no momento da coleta. A distribuição dos tipos de lesão não foi homogênea, em 63,0%
dos animais foram encontrados apenas lesões puntiformes, 8% apresentavam lesões em placa
e 28,6% dos animais apresentavam ambas. Apenas em dois dos animais foram realizadas tentativas de tratamento pelo proprietário, mas sem sucesso. Quando avaliados os tipos de lesões
entre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, observou-se diferença estatística entre lesões puntiformes, placas e ambas quanto à sua distribuição (p<0,5). A literatura descreve que em seres
humanos o tipo de lesão e sua localização apresenta correlação com um tipo de papilomavírus
causador. Tendo isso em vista e os resultados iniciais apresentados, mostrando que existe diferença estatística do tipo de lesão entre as regiões avaliadas e que o tipo de lesão não apresenta
uma correlação significativa com a idade do animal, espera-se encontrar uma correlação semelhante na espécie equina em futuros estudos. A ocorrência da enfermidade nas propriedades
avaliadas de 94,1% e a frequência de detecção clínica de 19,0% dentre os animais avaliados em
três regiões diferentes do país demonstram a difusão da enfermidade pelo território nacional e
reforçam a importância desta enfermidade na equideocultura.
PA L AV RAS - C H AV E dermatologia, papilomatose, placa aural, equinos.
AGRADECIMENTOS
à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo (processo, 13/15995-8).
¹ Pós-graduanda da FMVZ/UNESP,
Botucatu, SP – Brasil.
² Aluna de Iniciação Científica da FMVZ/
UNESP, Botucatu, SP – Brasil.
³ Docentes da FMVZ/UNESP, Botucatu,
SP – Brasil.
*Autor para correspondência:
[email protected]
91
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 92 - setembro/dezembro, 2014
Ocorrência de endoparasitos em
equinos provenientes de dois
haras da região de Cabaceiras do
Paraguaçu, Recôncavo Baiano
Rodrigo Machado SILVA¹; Juliana Albuquerque de BRITO¹; Adolfo Firmino da SILVA
NETO²; Sydnei Magno da SILVA³; Raul Rio RIBEIRO1,2*
1 Centro de Ciências Agrárias, Ambientais
e Biológicas, Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia – UFRB, Cruz das
Almas, BA, Brasil.
*Autor para correspondência:
[email protected]
2 Instituto de Ciências Biológicas,
Departamento de Medicina Veterinária,
Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF, Juiz de Fora, MG, Brasil.
3Instituto de CiênciasBiomédicas,
Departamento de Imunologia,
Microbiologia e Parasitologia
Universidade Federal de Uberlândia UFU, Uberlândia, MG, Brasil.
A equinocultura é uma atividade econômica que movimenta significativo capital a partir
de animais com diversificada aptidão funcional, envolvendo, entre outros, equinos de trabalho,
lazer e esporte. Independentemente do manejo, um dos principais entraves para o desenvolvimento dos animais são as enfermidades parasitárias, com destaque para as helmintoses, cujos
quadros clínicos manifestados variam desde infecções assintomáticas, predominantemente, até
a ocorrência de cólicas e, em última instância,óbito. A fim de contribuir para o desenvolvimento de futuros programas racionais de controle parasitário na região, o presente estudo avaliou
a ocorrência de infecção das principais endoparasitoses em equinos criados em haras na região
de Cabaceiras do Paraguaçu, Bacia do Lago Pedra do Cavalo, Recôncavo da Bahia. Para tal, 34
equinos, entre um e quinze anos de idade, SRD e Mangalarga Marchador, provenientes de dois
haras da região, foram aleatoriamente selecionados. Amostras fecais foram obtidas diretamente
da ampola retal de todos os animas e, logo, encaminhadas ao Laboratório de Parasitologia e
Doenças Parasitárias do Hospital Universitário de Medicina Veterinária (HUMV) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), onde foram analisadas pelo método de contagem de ovos por grama de fezes (OPG). Em ambos os haras, os animais eram criados a pasto,
vermifugados a cada três a seis meses, normalmente com produtos à base de ivermectina, sem
histórico de avaliação de resistência anti-helmíntica (OPG antes e depois do tratamento). Em
nenhuma das análises realizadas foram registradas alterações de coloração, odor e consistência
significativas, tampouco presença de parasitos sólidos e corpos estranhos. A análise de resultados revelou ainda infecção helmíntica em 91,2% (31/34) das amostras. Os ovos de helmintos
identificados, em ordem decrescente de ocorrência, foram Strongylidae (91,2%; 31/34), Strongyloides westeri (38,2%; 13/34) e Parascaris equorum (8,8%; 3/34). Oocistos de Eimeria spp. não
foram visualizados. A análise quantitativa demonstrou que mais de 1/3 dos animais (38,2%;
13/34) apresentaram contagens de ovos de Strongylidae acima do limite recomendado, sugerindo necessidade de tratamento anti-helmíntico. Cerca de 53,8% (7/13) das amostras com ovos
larvados de Strongyloides westeri e 100% das amostras com ovos de Parascaris equorum foram
provenientes de equinos com idade igual ou inferior a seis meses de idade, o que reforça o
aspecto do desenvolvimento da imunidade na ocorrência desses parasitos. Os resultados obtidos no presente trabalho reiteram a importância do acompanhamento coproparasitológico de
equinos criados na região de Cabaceiras do Paraguaçu, Recôncavo Baiano, a fim de propiciar o
desenvolvimento de programas de controle antiparasitários racionais, voltados às necessidades
locais, minimizando assim a pressão de resistência anti-helmíntica e os prejuízos no desenvolvimento animal.
PA L AV RAS - C H AV E 92
Equinos, Ocorrência, Endoparasitas, Cabaceiras do
Paraguaçu, Recôncavo Baiano.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 93 - setembro/dezembro, 2014
Osteíte séptica em falange distal em
potro – Relato de Caso
Vitor Cibiac SARTORI¹; Marcelo Augusto ARAUJO²; Vitor Hugo dos SANTOS³; Rodrigo
Tavares GUIRAO4; Heder Nunes FERREIRA5
A osteíte séptica da falange distal é um processo infeccioso caracterizado por dor, claudicação, aumento de volume da coroa do casco bem como aumento da temperatura. Seu diagnóstico é realizado por inspeção do casco, associado ao exame radiográfico, que pode revelar sequestro e remodelamento ósseo da falange distal. O tratamento inclui antibioticoterapia sistêmica
ou perfusão regional, anti-inflamatórios, abertura do casco e curetagem da terceira falange.
O casqueamento e ferrageamento promovem estabilidade e crescimento do casco de forma
ordenada. Objetivou-se relatar o caso de um equino de 7 meses de idade, atendido no hospital
veterinário da Faculdade Integrado de Campo Mourão – PR, com histórico de claudicação de
início súbito em membro torácico direito, grau de claudicação 4 (1-5), apresentando dor severa
a flexão e rotação das articulações interfalangeanas proximal e distal. Ao exame específico de
pinçamento do casco manifestação de dor severa. Ao realizar o casqueamento foi observado
ponto enegrecido que ao ser curetado proporcionou extravasamento de secreção purulenta.
No exame radiográfico foi observada área de osteólise focal e irregularidade do bordo solear
da terceira falange. Sob anestesia geral inalatória e cuidados de antissepsia foram realizadas
abertura da sola do casco, curetagem cirúrgica da terceira falange e retirada dos fragmentos
ósseos. A administração de penicilina potássica (30.000 UI/kg, IV, QUID, por 7 dias) e gentamicina (6.6mg/kg, IV, SID, por 5 dias) por via sistêmica, associada a amicacina (400mg, 72/72h, 5
aplicações) administrada por perfusão regional em veia digital palmar abaxial, flunexim meglumine (1,1mg/kg, IV, BID, por 3 dias) e ao termino do flunexim meglumine, iniciou-se o uso de
meloxicam gel (0,6mg/kg, VO, SID, por 10 dias), além do uso de protetor gástrico, omeprazol
(2mg/kg, VO, SID) durante toda a terapêutica, que se mostrou eficaz para resolução do processo
infeccioso. Ao exame físico realizado 152 dias após a cirurgia não foram observados claudicação
ou dor na região da cirurgia. O exame radiográfico possibilitou observar remodelamento e deposição óssea no bordo da falange distal. A terapêutica instituída durante a fase aguda da dor e
posteriormente a suplementação com biotina, sulfato condroitina e glucosamina, bem como o
casqueamento mostraram resultados favoráveis para recuperação do paciente.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico Veterinário da Universidade de
Uberaba
² Médico Veterinário da Universidade
Federal do Mato Grosso do Sul
³ Residente de Clinica Cirurgia de
Grandes Animais da Universidade
Estadual Paulista – Botucatu
4
Médico Veterinário da Faculdade
Integrado
5
Docente da Faculdade Pio Décimo
podologia, infecção, neonato.
93
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 94 - setembro/dezembro, 2014
Osteodistrofia fibrosa em equinos –
Relato de Caso
Ester Cardoso dos SANTOS¹, Karen Rocha de VASCONCELOS¹, Brisa Lopes FONTES¹,
Flávia dos Santos OLIVEIRA¹, Maristela Cassia Seúdo LOPES², Paulo Ferreira de MATOS³
¹ Graduando em Medicina Veterinária,
Escola de Medicina Veterinária e
Zootecnia (EMEVZ)/ Universidade
Federal da Bahia (UFBA);
² Profª. Departamento de Anatomia,
Patologia e Clínicas da Escola de Medicina
Veterinária e Zootecnia da UFBA;
³ Profº. Departamento de Anatomia,
Patologia e Clínicas da Escola de Medicina
Veterinária e Zootecnia da UFBA.
A osteodistrofia fibrosa é uma enfermidade metabólica, conhecida popularmente como
“Doença cara inchada”, caracterizada por uma acentuada reabsorção óssea, acarretada pela deficiência de cálcio (Ca), podendo ser resultante de uma deficiência nutricional, bem como a
ingestão de oxalato presente nas pastagens e deficiência de vitamina D, a qual é adquirida pela
irradiação solar ultravioleta, necessária para a absorção do cálcio pela pele. Este trabalho tem
como objetivo relatar um caso de osteodistrofia fibrosa em eqüino decorrente de uma alimentação inadequada. Este animal foi atendido em uma propriedade rural localizada no Município
de Catu - Ba, de quatro anos de idade, sem raça definida, albino, o qual vivia na baia. O proprietário relatou um aumento de volume nos ossos da face, região do maxilar superior esquerdo
e direito e uma perda significativa de peso há três meses. O animal estava sendo submetido a
regime alimentar de baixa qualidade, era oferecido duas vezes ao dia capim elefante moído,
farelo de milho e milho moído. Após a visualização do aumento de volume, o proprietário administrou 20 mL de cálcio durante três dias e soltou no pasto. No exame clínico foi observado
aumento de volume nos ossos da face bilateral, os ossos apresentam aspecto mole. As funções
vitais estavam dentro dos valores fisiológicos. Devido essas deformações podem ocorrer obstruções da passagem nasal, o que de fato estava ocorrendo, assim como à substituição do tecido
fibroso. O diagnóstico foi clínico e realizado uma colheita de sangue para dosagem de fósforo
e cálcio, o qual a relação Ca: P estava abaixo do valor de referência. Após o exame clínico e
diagnóstico, foi solicitado à troca da alimentação, onde a mesma foi substituída por farelo de
soja, ração balanceada e adicionamento do sal mineral, sendo este o tratamento adotado até o
presente momento. A Osteodistrofia Fibrosa é uma doença que esta diretamente associada à
alimentação inadequada, com baixa concentração de cálcio na dieta.
PA L AV RAS - C H AV E 94
Doença metabólica; Equino; Osteodistrofia.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 95 - setembro/dezembro, 2014
Osteodistrofia fibrosa em pônei –
relato de caso
CAVALCANTE, R.G.¹; OLIVEIRA, F.S.¹; REBELO, P.H.V.¹; ARRIVABENE.M.²; BARBOSA, R.D.³;
SOARES, R.A.4
A osteodistrofia fibrosa é uma doença metabólica óssea caracterizada por osteopenia devido à intensa reabsorção óssea, sofrendo substituição por tecido conjuntivo fibroso, e formação
de cisto. Essa enfermidade é resultado direto da ação contínua e excessiva do paratormônio
sobre os ossos, deixando-os facilmente fraturáveis e doloridos ao sustentarem peso. A enfermidade é consequente de um estado nutricional deficiente em Cálcio (Ca), podendo ser resultante de uma deficiência primaria ou secundária. A primária é decorrente de uma baixa ingestão
de Ca, ou devido a grande oferta de alimentos ricos em Fósforo (P). Outra causa frequente no
desencadeamento de osteodistrofia fibrosa é a ingestão de Brachiaria humidicula como alimento volumoso. Na deficiência de Ca secundária poderá ocorrer uma deficiência de vitamina D,
por insuficiente irradiação solar ultravioleta na pele. Em éguas é possível que a ocorrência de
alterações no equilíbrio de Ca: P, principalmente no final da gestação e início de lactação, venha
a desencadear uma séria deficiência de Ca. No presente trabalho, foi acompanhado o caso de
um pônei, fêmea, três anos de idade, que tinha como queixa principal um aumento de volume
na face e emaciação que iniciaram há dois meses. O animal é criado em sistema semi-intensivo
e alimenta-se de capim-tangola, um híbrido natural de Brachiaria arrecta e Brachiaria mutica,
e ração comercial, sendo que o mesmo nunca foi suplementado com sal mineral. Ao exame
físico o animal apresentava-se com escore corporal ruim, pelos opacos e eriçados, mucosas
oculares róseas, 28 movimentos respiratórios por minuto, 32 batimentos cardíacos por minuto,
temperatura retal de 38,0 ºC, apetite presente, porém com mastigação dificultosa, aumento de
volume na região da face com sensibilidade dolorosa à percussão dos seios paranasais. Os sinais
clínicos observados são frequentemente encontrados em animais com osteodistrofia fibrosa.
Foram realizados exames complementares, sendo que o exame radiográfico revelou perda de
definição óssea em região de seio frontal e osso nasal com diminuição de radiopacidade óssea
em maxila e mandíbula, sendo esses achados característicos da enfermidade devido à reabsorção óssea e consequente substituição compensatória por tecido fibroso. No bioquímico sérico
observou-se que os níveis de cálcio encontravam-se abaixo do normal e os níveis de fósforo dentro da normalidade para espécie, o qual, de acordo com a literatura, é comum a ocorrência de
hipocalcemia nesses casos. Com base na anamnese, achados clínicos e exames complementares
diagnosticou-se um caso de osteodistrofia fibrosa. Após o diagnóstico foi instituído o tratamento no qual consistiu de aplicação de solução de cálcio a 10% na dose de 0,5 mL/Kg/IV/uma vez
ao dia totalizando 10 aplicações, 50g de carbonato de cálcio diariamente, alimentação com feno
de boa qualidade e fornecer sal mineral ao animal.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico Veterinário Residente da Clínica
de Grandes Animais Da Universidade
Federal do Piauí – UFPI, Av. universitária,
Bairro Ininga, Teresina, Piauí, CEP
64049-550.
Email: [email protected];
² Profa. Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal do Piauí;
³ Médico Veterinário da UFPI;
4
Graduando em Medicina Veterinária
- UFPI.
deficiência mineral, cálcio, pônei.
95
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 96 - setembro/dezembro, 2014
Osteomielite em potro – Relato de
Caso
Mychelle Bruna da Silva BARROS¹, Ana Emília Rodrigues da MOTA², Paulo Fernandes de
LIMA¹, Luís Américo Marmo FLEURY³, Catharina de Albuquerque VIEIRA4, Marcos Antônio
Lemos de OLIVEIRA¹, Hélio Cordeiro MANSO FILHO¹.
¹ Departamento de Medicina
Veterinária/UFRPE, Recife/PE. E-mail:
[email protected];
² Médica Veterinária. Especialista em
Clínica, Cirurgia e Reprodução de
Equinos, Recife/PE;
³ Médico Veterinário Autonômo, João
Pessoa/PB;
4
Graduanda do Curso de Medicina
Veterinária/UFRPE.
A osteomielite é a inflamação óssea séptica, envolvendo o canal medular, exceto quando
a infecção é introduzida por lesões traumáticas ou via hematógena. Os sinais clínicos podem
incluir claudicação, edema generalizado dos tecidos moles, dor à palpação da região acometida,
drenagem séptica persistente. Nas imagens radiográficas observa-se sequestro necrótico com
perda da densidade, sequenciada por proliferação óssea. A instituição de terapia exclusivamente
clínica geralmente não é favorável, devido à limitada vascularização óssea e inacessibilidade da
infecção. Em casos com áreas de necrose extensa ou de longo curso, cirurgias são recomendadas
para remoção dos tecidos desvitalizados e tratos fistulosos. Porém, nos acometimentos articulares, não se observam diferenças na recuperação quando submetidos a tratamento cirúrgico ou
conservador. Um equino, macho, da raça Campolina, dois anos de idade, foi transportado do
estado de Minas Gerais para Pernambuco, e durante a viagem, utilizou ligas de descanso mal
colocadas, causando isquemia na região metatarsiana do membro pélvico esquerdo, com áreas
de necrose, apresentando claudicação grau III. Tratamentos veterinários prévios foram realizados sem êxito, com antibióticos sistêmicos (Agrovet PPU PLUS®), não havendo nenhuma
melhora pelo baixo poder de penetração nos dígitos, devido à limitada vascularização. Houve
um agravamento do quadro, diminuindo a credibilidade e o poder aquisitivo do proprietário,
inviabilizando uma conduta mais onerosa, embora mais eficaz. Instalou-se então, um abcesso
subsolear que culminou em osteomielite. O exame radiográfico só foi realizado posteriormente
ao tratamento inicial por falta de condições, onde se observou imagens sugestivas de osteoartrite na articulação interfalângica e osteomielite nas falanges média e distal, havendo perda
severa da densidade óssea na margem solear da falange distal, com perda total da face medial.
A partir do laudo radiográfico, a muralha e parte da sola do casco foram abertas para remoção
das áreas de necrose, limpeza e acesso para o tratamento local, que consistia em curativos, com
utilização de soro fisiológico 0,9%, soluções antissépticas como o peróxido de hidrogênio e
Iodo 2%, bandagens que eram trocadas duas vezes ao dia, uso tópico de Fitocasco Organnact®
para hidratação do casco, casqueamento regular a cada 20 dias, fornecimento de suplemento
vitamínico e mineral que auxiliam na formação dos tecidos queratinizados (Casco e Pelo Organnact®). Devido a questões financeiras e descrença por parte do proprietário na evolução do
caso, tratamentos como perfusão regional não puderam ser realizados, sendo feito apenas um
tratamento paliativo, a fim de evitar maiores danos ao paciente. O animal permaneceu em baia
com cama abundante, e após 12 meses, recebeu alta com a indicação de fazer casqueamento
corretivo frequente, evitando desordens no crescimento do casco, e suplementação à base de
biotina para fortalecimento do estojo córneo.
PA L AV RAS - C H AV E 96
abcesso, casqueamento, falange, séptica.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 97 - setembro/dezembro, 2014
Paralisia de nervo radial em
muar ocasionado por objeto
perfurocortante: Relato de Caso
Ana Carla Garcia de OLIVEIRA¹; Renan Silva de CARVALHO²; Matheus Spala
SORTE¹; Marcel Ferreira Bastos AVANZA³ ; Odael SPADETO JR4
A paralisia do nervo radial pode ser ocasionada por diversos motivos, tais como: compressão durante decúbito, processos inflamatórios circunvizinhos, abcessos, ou devido a traumas.
A mesma resulta na incapacidade de extensão da região da articulação úmero-rádio-ulnar, do
carpo e do dígito. Na maioria dos casos, a paralisia do nervo radial é o resultado de um trauma
na região da escápula, causado pela hiperextensão do membro anterior ou extrema abdução
do ombro. Um muar, macho, de 12 anos de idade, pesando 405 kg, utilizado como animal de
tração deu entrada no hospital veterinário “Professor Alexandre Hippler” – UVV, com histórico
de acidente com projétil, disparado por arma de fogo, na região da articulação escapulo-umeral esquerda. No exame físico, o animal apresentou uma pequena lesão de pele com diâmetro
aproximado de 02 cm, o membro torácico esquerdo flexionado, com incapacidade de extensão
(claudicação grau V numa escala 0-V). A articulação escapulo-umeral apresentava-se mais distal
em relação ao membro contralateral (“ombro caído”), relaxamento da musculatura do membro
afetado, superfície dorsal do casco em contato com o solo e encurtamento da passada ao andar.
Nos testes de flexão e extensão do membro, não foi possível observar crepitação ou instabilidade osteoarticular. No exame ultrassonográfico foi observado apenas área de hipercogenicidade
na musculatura braquial caracterizado por edema. No exame radiográfico não foi observado
nenhum envolvimento osteoarticular ou corpo estranho metálico. Com histórico, sinais clínicos e exames complementares o animal foi diagnosticado com paralisia de nervo radial e foi
instituído o tratamento. O tratamento consistiu na administração de dexametasona por via
intravenosa durante três dias (fase aguda) na dose de 0,2 mg/kg SID, dimetilsulfóxido (DMSO)
por via intravenosa durante três dias diluído em um litro de soro fisiológico na dose de 10mg/
kg SID, uso tópico de DMSO e ducha com água corrente durante 30 minutos no membro afetado por quinze dias. Uma tala de policloreto de vinila (PVC) foi colocada no aspecto caudal do
membro, desde a articulação úmero-radio-ulnar até abaixo da articulação metacarpo-falangeana, mantendo o membro em extensão. No décimo dia de tratamento, foi feita a retirada da tala
e, o animal apoiava e estendia o membro voluntariamente, mas ainda com alguma limitação
quando estimulado a andar. No vigésimo dia, foi notada total recuperação do animal em relação ao apoio, extensão e locomoção, mostrando que o tratamento instituído foi bem sucedido.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Discente em medicina veterinária,
Universidade Vila Velha; (UVV) –
[email protected]
2
Residente em clínica, cirurgia e
anestesiologia de grandes animais,
Universidade Vila Velha; (UVV)
3
Docente em Medicina Veterinária,
Universidade Vila Velha; (UVV),
doutorando em Medicina Veterinária,
Universidade Federal de Viçosa; (UFV)
4
Docente em Medicina Veterinária,
Universidade Vila Velha (UVV),
doutorando ciência animal, Universidade
Federal de Minas Gerais; (UFMG)
Muar. Perfurocortante. Paralisia. Nervo. Radial.
97
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 98 - setembro/dezembro, 2014
Penectomia como tratamento
para habronemose cutânea em um
equino – Relato de Caso
Mayumi Santos BOTELHO-ONO¹*; Pollyanna Cordeiro SOUTO¹; Jefferson Ayrton Leite
de Oliveira CRUZ ²; Robério Silveira SIQUEIRA FILHO³; , Adriano Machado SOUZA4; Paulo
Fernandes de LIMA5
¹ Discente do Curso de Especialização
Latu Sensu Práticas Hospitalares e
Laboratoriais em Medicina Veterinária,
Ambulatório de Grandes Animais,
Universidade Federal Rural de
Pernambuco.
*E-mail: [email protected]
(Apresentador)
2
Médico Veterinário Residente do
Ambulatório de Grandes Animais,
Universidade Federal Rural de
Pernambuco.
3
Médico Veterinário do Hospital
Veterinário, Universidade Federal Rural de
Pernambuco.
4
Mestrando no Programa de Pós-graduação
em Ciência Veterinária, Universidade
Federal Rural de Pernambuco.
5
Professor Adjunto do Departamento
de Medicina Veterinária, Universidade
Federal Rural de Pernambuco.
A Habronemose cutânea uma das dermatopatias comuns nos equinos. É causada por larvas do nematoide do gênero Habronema. Tem como vetor moscas doméstica e dos estábulos,
que depositam em feridas abertas na pele possibilitando a para feridas ulceradas exsudativas
e granulomatosas, com tecido de granulação exuberante. O tratamento varia de acordo com a
intensidade das lesões, com frequência não se observa resposta ao tratamento conservativo. Por
isso o tratamento cirúrgico deve ser considerado. Este relato objetiva a descrição de um caso
de habronemose cutânea peniana com posterior penectomia. Deu entrada no Ambulatório de
Grandes Animais da Universidade Federal Rural de Pernambuco um equino, macho, SRD, 10
anos, com o histórico de presença de tumor amorfo no pênis, incapacidade de recolhimento
do mesmo e presença local de miíase. Na propriedade tentou-se cuidar do animal com limpeza
local, retirada de larvas, aplicação de larvicida e administração de anti-inflamatório e antibiótico. Não sendo observada melhora, o animal encaminhado ao ambulatório. Ao exame clínico,
observaram-se as constantes fisiológicas, sendo que no pênis foi encontrada uma massa amorfa
com aproximadamente 15 cm de diâmetro, presença miíase e ao urinar o animal eliminava
secreção purulenta. Devido ao estado de evolução do tecido de granulação optou-se pela penectomia. Com o animal em decúbito lateral direito e sob anestesia, um torniquete para reduzir o
fluxo sanguíneo foi posicionado na direção proximal ao local da amputação. Não foi possível
realizar a sondagem uretral devido a um falso trajeto existente. Realizou-se uma incisão triangular na face ventral do pênis, sendo o ápice voltado caudalmente. Após localizar a uretra, esta
foi incisada longitudinalmente, sendo suas bordas suturadas na pele ao longo dos lados da incisão triangular com sutura interrompida simples. A seguir, procedeu-se a transecção transversal
a partir da base do triângulo, seguindo um ângulo levemente oblíquo em direção ao dorso do
pênis. A túnica albugínea foi fechada sobre o corpo cavernoso utilizando-se sutura interrompida simples, sendo a primeira posicionada na linha mediana e as próximas duas dividindo em
duas partes estas metades. A base da mucosa uretral seccionada foi suturada à pele com sutura
interrompida simples. Foi instituído um protocolo pós-operatório constituído de dexametasona e soro antitetânico em aplicações únicas logo depois da cirurgia, penicilina 20.000UI/kg/
im/SID/10dias, flunixin meglumine 1,1mg/kg/im/3dias. O cuidado com a ferida cirúrgica era
realizado diariamente com solução fisiológica (NaCl 0,9%), clorexidine 2%, iodopovidine 1%
e posterior aplicação de repelente. Para reduzir do edema local, realizaram-se compressas frias.
A evolução foi satisfatória ainda que tenha ocorrido edema e secreção serosanguinolenta até o
17º dia. O animal apresentou anemia normocítica normocrômica. Os pontos foram retirados
após 25 dias com a ferida apresentando evolução cicatricial satisfatória. O exame histopatológico evidenciou a presença significativa de neutrófilos e eosinófilos em uma abundante matriz de
colágeno vascularizada, sugerindo uma reação de hipersensibilidade caracterizando um quadro
de habronemose. Em casos de habronemose peniana, a penectomia pode ser uma indicação.
A técnica cirúrgica é relativamente de fácil realização, requerendo hemostasia cuidadosa para
evitar possível perda de sangue e consecutivas consequências, entre elas anemia grave.
PA L AV RAS - C H AV E 98
Equinos, habronemose, penectomia.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 99 - setembro/dezembro, 2014
Penfigóide bolhoso em equino,
Salvador-Bahia, Brasil - Relato de
Caso
Tâmiles Naiara dos Santos BISPO¹, Ester Cardoso dos SANTOS¹, Karen Rocha de
VASCONCELOS¹, Edward Silveira PAIM JUNIOR¹, Maristela Cassia Seúdo LOPES², Paulo
Ferreira de MATOS³
O penfigóide bolhoso é uma dermatose crônica auto-imune rara, que pode acometer cães,
suínos, felinos e, ocasionalmente, eqüinos e humanos. Este trabalho tem como Objetivo relatar
a primeira ocorrência de penfigóide bolhoso em equino diagnosticado no Hospital Veterinário
da Universidade Federal da Bahia. O animal deu entrada em 12/02/14 no Hospital de Medicina Veterinária Renato Rodermburg de Medeiros Netto da Universidade Federal da Bahia.
Adulto, mestiço de Mangalarga marchador, pelagem tordilha, sete anos de idade, apresentava
lesões crostosas, eritematosas e perda tecidual em diversas áreas do corpo, além de prurido e
conjuntivite há cerca de 2 meses. A suspeita inicial foi fotossensibilização, sendo descartada
devido ao histórico do animal e a permanência do mesmo na baia sem incidência direta dos
raios solares, além de exame Gama GT no qual obteve-se valores dentro dos níveis de referência. Foi administrado dexametasona 8 mg/mL em virtude do prurido. Para tratamento tópico
das lesões foi utilizado sulfato de cobre a 1% por duas semanas e em seguida substituído pela
limpeza diária com clorexidina e iodo a 2%. Realizou-se antibioticoterapia (benzilpenicilinas
10.000 UI/kg por 7 dias consecutivos, oxitretaciclina 5mg/kg por uma semana e Meloxicam na
dose de 6 mg/kg, usado quando a temperatura encontrava-se elevada). Foram realizados três
raspados cutâneos para pesquisa de ácaros causadores da sarna, cultura fúngica e bacteriana. Os
resultados obtidos foram negativos. Devido à localização e características das lesões de pele e
secreção oculares suspeitou-se de oncocercose eqüina e pênfigo, sendo instituída a administração de ivermectina 1% de acordo o peso corpóreo do animal e repetido após uma semana via
oral e uso de antibiótico já descrito anteriomente. Antes foram coletadas seis amostras de pele
(biópsia) e encaminhadas para exame histopatológico, onde foi observada uma dermatite crônica. Houve uma discreta melhora dos sinais clínicos após o tratamento, mas com retorno ao
quadro inicial, particularmente do prurido, tão logo cessada a medicação. Posteriormente, as
lesões de pele se disseminaram por todo o corpo. Uma Estomatite severa desenvolveu-se concomitantemente com glossite e gengivite, além de disfagia, sialorréia intensa, inapetência e perda
de peso acentuada e rápida. Para tentar minimizar a situação houve alteração na dieta para
capim picado com água e higiene bucal com digluconato de clorexidine a 0,12%, sem sucesso.
Após agravamento do quadro clínico a higienização das lesões passou a ser realizada com iodo
glicerinado, aplicação de pomada a base de penicilina (Ganadol) e administração de Flunixina
meglumine 1,1 mg/kg de peso vivo, além de trimetoprin / sulfametoxazol (Trissulfin) e ampicilina anidra (Agroplus). Após uma semana sem resultado satisfatório, foi usado dexametasona
e prednisona durante uma semana, mas devido os custos e o agravamento do quadro clínico
indicou-se a eutanásia do paciente, suspeitando-se de uma doença auto-imune, sendo o pênfigo bolhoso, apenas confirmado pós-morten, por meio do exame histopatológico. A demora
para se trazer o paciente ao hospital, somada dificuldade de fechar o diagnostico nas primeiras
biópsias de pele realizadas e o estado debilitado do paciente, contribuíram para o insucesso
do tratamento. Dessa forma, quadros com lesões alopécicas multifocais ou generalizadas em
eqüinos constituem um desafio para o diagnóstico clínico, pois podem estar relacionados a
diferentes enfermidades. A ocorrência deste caso serve de alerta para a existência da doença em
território nacional e também confirmam a importância do exame histopatológico nas lesões
alopécicas e crostosas da espécie equina, sendo o pênfigo bolhoso em equinos de prognóstico
reservado a pobre.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Graduando em Medicina Veterinária,
Escola de Medicina Veterinária e
Zootecnia (EMEVZ)/ Universidade
Federal da Bahia (UFBA);
² Profª. Departamento de Anatomia,
Patologia e Clínicas da Escola de Medicina
Veterinária e Zootecnia da UFBA;
³ Profª. Departamento de Anatomia,
Patologia e Clínicas da Escola de Medicina
Veterinária e Zootecnia da UFBA.
Equino; Auto-imune; Penfigóide bolhoso.
99
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 100 - setembro/dezembro, 2014
Perfil clínico e de isolamento da
Salmonella sp. em equídeos de carga
do município de Marechal Deodoro,
estado de Alagoas, Brasil
Ulisses Barbosa RAPHAEL¹; Nielma Gabrielle Fidelis OLIVEIRA¹; Jéssica Monteiro Queiroz
de MEDEIROS¹; Zenaldo Porfírio da SILVA1,2; Alice Cristina Oliveira AZEVEDO¹; Luisa
Gouvêa TEIXEIRA1,3
¹ Centro Universitário Cesmac, Marechal
Deodoro, Alagoas – Brasil.
² Instituto de Ciências Biológicas e da
Saúde, Microbiologia, UFAL, Maceió,
Alagoas - Brasil.
³ Doutoranda em Cirurgia Veterinária
pela FCAV/UNESP, Jaboticabal, São Paulo
– Brasil
100
A salmonelose é uma causa conhecida de doença entérica em diferentes espécies de animais e no homem, ocasionada por uma variedade de estirpes da Salmonella spp. Considerando
que esta bactéria, ao ser eliminada nas fezes dos cavalos, representa uma ameaça potencial para
a saúde de seres humanos e outros animais, objetivou-se pesquisar a incidência da salmonelose e associar os sinais clínicos desta enfermidade à presença da bactéria na microbiota fecal
dos equídeos. O exame físico e coleta de amostras de fezes, obtidas diretamente da ampola
retal, foram realizados em 83 equídeos escolhidos aleatoriamente, utilizados em veículos de
tração animal, residentes no Município de Marechal Deodoro (Alagoas/ Brasil), no período
de Fevereiro à Maio de 2014. Efetuou-se a observação da coloração das membranas mucosas,
mensuração do tempo de preenchimento capilar (TPC), do retorno da prega cutânea e da temperatura retal, presença de diarréia, ileus adinâmico, dor ou distensão abdominal. O histórico
da ocorrência de diarréia nos animais ou seres humanos foi questionado aos proprietários dos
equídeos. As amostras de fezes foram semeadas em caldo seletivo tetrationato, a 37ºC, durante
48 horas, seguido de cultivo em ágar Salmonella-Shiguella. Colônias com halo transparente e
centro enegrecido foram consideradas suspeitas de Salmonella spp. e submetidas à caracterização bioquímica por meio dos testes em ágar ferro lisina (LIA), ágar sulfeto-indol-mobilidade
(SIM), ágar tríplice açúcar e ferro (TSI), citrato e uréia, além da aglutinação gênero-específica
utilizando-se soro polivalente comercial anti-Salmonella spp. À anamnese, três (3,6%) equídeos
apresentaram histórico de diarréia, a qual cessou após a administração de antiendoparasitários,
não sendo observada no momento do exame físico. Não foi relatada (0%) a ocorrência de diarréia em outros animais domésticos ou seres humanos residentes nas propriedades onde estes
habitavam. Equideos com salmonelose tendem a apresentar hipertermia, congestão das membranas mucosas ou halo toxêmico, aumento do tempo de preenchimento capilar e do tempo
de retorno da prega cutânea, diarréia fétida de coloração verde-amarelada, dor ou distensão
abdominal e ileus adinâmico. No entanto, sabe-se que a diarréia também ocorre em casos de
infestação por entrogilóides. Ao exame físico, 14 equídeos (16,8%) apresentaram hipertermia
(38,5 a 39,2 ºC) e seis (7,2%) apresentaram aumento do tempo de preenchimento capilar e do
tempo de retorno da prega cutânea para 3 segundos. Tais sinais estão, provavelmente, relacionados ao exercício realizados pelos animais até chegarem ao local de coleta. Adicionalmente,
estes foram avaliados após a rotina diária de trabalho, apresentando-se levemente desidratados
clinicamente. Nenhum animal (0%) demonstrou alterações ao exame do sistema digestório,
congestão das membranas mucosas ou halo toxêmico. Doze amostras de fezes (14,4%) apresentaram colônias sugestivas de Salmonella spp., no entanto, ao serem submetidas aos testes bioquímicos e sororaglutinação subsequentes, nenhuma destas amostras foi positiva à presença da
bactéria. A Salmonella spp. é de difícil isolamento a partir da microbiota fecal, por apresentar
excreção intermitente e de modo rápido nas fezes, levando à incerteza por ocasião de um único
teste bacteriológico negativo. Outros exames laboratoriais também podem ser empregados, indicando-se aqueles com maior sensibilidade à detecção do agente. Os resultados desta pesquisa
são compatíveis com as condições físicas que os animais avaliados se encontravam, inferindo-se
que os achados clínicos anormais observados decorreram da presença de helmintos intestinais
e do trabalho físico exercido. O presente estudo pesquisou pela primeira vez a presença da Salmonella spp. nas fezes de equídeos de carga residentes no Município de Marechal Deodoro e, a
partir dos resultados obtidos, conclui-se que a salmonelose não tem ocorrido nesta população
ou não possui intensidade nesta região.
PA L AV RAS - C H AV E Diarréia; Salmonella-Shiguella; Salmonelose; Soroaglutinação.
AGRADECIMENTOS
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas
(FAPEAL) e Centro Universitário CESMAC.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 101 - setembro/dezembro, 2014
Perfil dos biomarcadores
minerais no plasma de equinos
suplementados com uma mistura de
óleos
Ana Isabela Alves DINIZ², Armele Karina da Silva RODRIGUES², Sandra Karoline de
Oliveira MUNIZ¹; Thaisa Lima DUARTE¹; Helena Emília Cavalcanti da Costa Cordeiro
MANSO¹,², Hélio Cordeiro MANSO FILHO¹,²
As pesquisas em nutrição equina têm dado ênfase a suplementação da dieta com óleos
na tentativa de maximizar a performance animal e reduzir a carga de amido ingerido pelos
animais atletas. Os macrominerais são necessários em quantidades relativamente altas na dieta,
pois estão envolvidos com a estrutura animal e funções vitais, sendo perdidos diariamente durante a execução das atividades físicas.O Objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do uso de
uma mistura de óleos (Mega Energy®) sobre a concentração plasmática do cálcio ([Ca]), fósforo ([P]), magnésio (Mg]) e cloretos ([Cl]). Foram utilizados 10 cavalos Mangalarga Marchador,
adultos (~7 anos), de ambos os sexos e em atividade física (40% passo, 60% marcha em 3,5 m/s,
durante 60’ em dias alternados). Cada animal foi suplementado com 300mL do óleo via oral
durante 60 dias. As coletas de sangue foram realizadas em três fases: antes da suplementação
(T0 = controle), com 30 (T1) e 60 dias (T3) de suplementação. As amostras de plasma foram
analisadas em espectrofotômetro semiautomático (Doles 500, Doles®) com kits comerciais
(Doles®). Os resultados foram submetidos ao ANOVA, para medidas repetidas e com um fator, e ao teste de Tukey, em ambos os casos com P estabelecido em 5%, com uso do programa
SigmaStat® 3.0 para Windows®. Os resultados demonstraram haver diferenças significativas
(P<0,05) apenas para as [Ca] e [Cl]. A [Ca] reduziu-se significativamente saindo de 10,31 mg/
dL no T1 para 9,90 mg/dL no T2. Já a [Cl] elevou-se significativamente saindo de 97,63 mg/dL
no T1 para 107,08 mg/dL no T2. Os demais minerais não variaram significativamente as suas
concentrações, onde a [P] manteve-se entre 4,52 e 4,64 mg/dL e a [Mg] entre 1,13 e 1,14 mg/
dL.As modificações nas [Ca] e [Cl], apesar de significativas não comprometem a atividade física
dos animais, já que as variações observadas indicam que esses parâmetros analisados ainda se
mantêm dentro dos valores esperados para a espécie, quando analisadas amostras dos animais
em jejum. O mesmo ocorre com as [P] e [Mg]. Entretanto, deve-se observar que devido a essas modificações, as concentrações desses biomarcadores minerais devem ser analisadas com
regularidade, nos animais atletas suplementados com elevados níveis de óleo. Os resultados
demonstram que a ingestão da mistura não compromete a saúde dos animais e que os mesmos
estavam condicionados ao tipo de exercício imposto, pois embora tenha ocorrido alteração no
perfil plasmático dos biomarcadores minerais Ca e Cl, os níveis encontram-se dentro da normalidade para espécie e os níveis de P e Mg foram semelhantes e normais ao longo do tempo.
Conclui-se então que a suplementação com óleo pode modificar a concentração do cálcio e dos
cloretos em cavalos atleta.
PA L AV RAS - C H AV E exercício, óleo, equino, minerais
AGRADECIMENTOS
Haras Cascatinha (Camaragibe-PE), CAPES e Integralmix
Nutrição Animal (Fortaleza-CE).
¹ Núcleo de PesquisaEquina, Universidade
Federal Rural de Pernambuco, Recife-PE;
² BIOPA- Laboratório de Biologia
Molecular Aplicada á Produção Animal,
Universidade Federal Rural de
Pernambuco, Recife-PE
101
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 102 - setembro/dezembro, 2014
Perfusão regional para tratamento
de ferida em casco – Relato de Caso
A. F. FONTES; C.O. FLORENCE; U.C. GRAÇA FILHO; C.C SIQUEIRA
¹ Hospital de Equinos CLINILAB
A medicina veterinária equina dispõe de poucas alternativas no manejo e tratamento de
feridas contaminadas, principalmente as localizadas nos cascos. Uma técnica que tem apresentado excelentes resultados é a Perfusão Regional Intravenosa (PRI), que consiste em administrar fármacos em uma determinada região do corpo do animal, utilizando o sistema venoso
regional.O presente trabalho tem como objetivo abordar o uso da Perfusão Regional como
tratamento médico veterinário, relatando o caso específico de um eqüino da Raça Quarto de
Milha, fêmea, com sete anos e meio de idade, que foi internada no Hospital Veterinário Clinilab, localizado na Estrada Cia/Aeroporto, km 3, Salvador-Ba. A pacienteapresentou uma laceração no casco do membro anterior esquerdo, após ter se enrolado em uma cerca de arame
farpado enquanto estava no piquete. Foi submetida a exame radiológico, por meio do qual foi
detectado um corpo estranho no interior do casco, o que foi removido em ato cirúrgico, imediatamente após o diagnóstico radiológico. Concluído o procedimento cirúrgico foi decidido
pelo tratamento por perfusão regional, utilizando-se 8 ml de Amicacina 2g, 42 ml de Solução
de DMSO 20% e 10 ml de Lidocaina, num volume total de 60 ml, com cinco aplicações em
dias alternados, com o objetivo de aumentar a concentração de antibióticos no local da ferida
contaminada e combater o processo infeccioso local. Foi instituído um protocolo de curativos
com bandagem todos os dias, durante os cinco primeiros dias, e a partir daí em dias alternados. Para completar o tratamento foi utilizado de forma sistêmica, Benzil penicilina procaina,
Benzil penicilina protássica, Benzil penicilina benzatina,estreptomicina (Sulfato) na dosagem
de 25.000 Ul/Kg e Fenilbultazona na dosagem de 4,4 mg/Kg, durante cinco dias consecutivos,
com objetivo de reduzir o processo inflamatório e a dor.Após 60 dias, o animal voltou ao Haras, onde complementaria a recuperação do casco. A Perfusão Regional é um método eficiente,
simples, prático e economicamente viável, que consegue levar até os tecidos infectados, uma
concentração inibitória mínima (CIM), sem correr o risco de uma intoxicação devido à administração de uma dose elevada de antibiótico, por via sistêmica, para se alcançar um resultado
satisfatório na região acometida pela infecção, assim como torna economicamente viável a
utilização de fármacos que, se fossem utilizados por via sistêmica, tornariam o tratamento bastante dispendioso.
PA L AV RAS - C H AV E 102
equino, perfusão regional, tratamento do casco, ferida.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 103 - setembro/dezembro, 2014
Pitiose cutânea - Relato de Caso
Raissa Souza NUNES¹, Kerly Priscila de Santana Vieira SANTOS¹, Fagner Paulo Cruz
de ANDRADE¹, Jonathan Henrique NANTES², Rachel Livingstone Felizola Soares de
ANDRADE³, Heder Nunes FERREIRA³
A pitiose é uma doença piogranulomatosa do tecido cutâneo causada pelo oomiceto aquático Pythium insidiosum, uma enfermidade crônica, cosmopolita, que pode acometer várias
espécies inclusive o homem, porém é mais frequente em equinos. O objetivo deste resumo e relatar um caso clinico de pitiose em uma égua, sem raça definida, com 8 anos de idade, gestante
e pesando aproximadamente 330kg, procedente do município de Telha no estado de Sergipe,
sendo atendido pelos médicos veterinários da Clínica Médica de Grandes Animais do Hospital Veterinário Dr. Vicente Borelli da Faculdade Pio Décimo. No exame clínico foi constatada
uma lesão localizada ulcerativa e granulomatosa na região abdominal ventral, caracterizada
por uma tumoração de localização subcutânea e consistência firme, com apresentação intensa
de prurido. A pele que revestia a lesão apresentava ulcerações, com bordas edemaciadas e irregulares, de onde exsudava constantemente uma secreção serosanguinolenta. Na caracterização
macroscópica, foram observadas massas necróticas de coloração branco-amarelada, de forma
irregular e ramificada (“kunkers”), para obter um diagnóstico definitivo, foi realizado biopsia
da região acometida para realização de exame histopatológico, onde foi constatada presença de
áreas multifocais de necrose contendo imagens negativas de hifas fungicas em cortes transversais e longitudinais, além de abundante tecido de granulação caracterizado por proliferação de
fibroblastos e intenso infiltrado inflamatório de eosinófilos, sendo o mesmo conclusivo para o
quadro clinico de pitiose. A paciente foi tratada através de drogas quimioterápicas e imunotárapicas. O tratamento imunoterápico foi realizado com uso da vacina Pythium-Vac® pela via
de administração subcutânea, em 5 sessões com intervalo de aplicação de 14 dias. O tratamento
quimioterápico foi realizado por via endovenosa com Cetroprofeno 10% (2.2mg/kg) e Ampicilina Sódica (30mg/kg). Também foi realizada a higienização diária da ferida com água e sabão,
barbatimão e iodo tópico. Após o nascimento do potro, percebendo que a patologia não respondeu à terapêutica e a paciente se apresentava debilitada, foi decidido pela eutanásia no animal utilizando o protocolo de MPA com xilazina 10% (1,5mg/kg), indução com cloridato de
cetamina (2mg/kg) por via endovenosa e lidocaína 2% (3mg/kg) por via intratecal e realizada a
necropsia, onde durante a excisão do granuloma, observou-se na região acometida um núcleo
ao centro da lesão repleta de massas branco-amareladas, chamadas de “kunkers”, porém não
constatou envolvimento de órgãos internos e lesão no tecido ósseo do animal. A pitiose equina
é uma doença que pode estar presente em todas as regiões do Brasil principalmente em regiões
com baixadas sujeitas a alagamentos, condição esta que é comumente observada em inúmeras
propriedades do nosso país durante o período chuvoso. Neste caso de pitiose, foram observados
granulomas ulcerados com abundante secreção serossanguinolenta, prurido intenso e presença
de “kunkers” de forma semelhante a outros relatos da literatura. Os autores descrevem evolução rápida desta patologia, acompanhado de aumento progressivo das lesões e emagrecimento
culminando com debilidade generalizada para os animais portadores da pitiose, normalmente
ocasionado no óbito desses pacientes acometidos, principalmente aqueles que apresentam lesões extensas. Pelas características da lesão e pela evolução do quadro clínico, acredita-se que a
porta de entrada do microrganismo foi uma pequena lesão na região ventral, certamente durante o pastejo do animal em áreas alagadiças, característica epidemiológica peculiar dos casos
pitiose cutânea em equinos e outras espécies. Diante do exposto, podemos concluir que para
o relato de caso em questão não foi observado uma resposta terapêutica satisfatória, devido o
quadro clinico já avançado em que o animal chegou ao hospital veterinário.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Discente da Faculdade Pio Décimo
2
Médico Veterinário da Faculdade Pio
Décimo
3
Docente da Faculdade Pio Décimo
Ferida, Fungo, Equino.
103
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 104 - setembro/dezembro, 2014
Pneumonia por Klebsiella
pneumoniae em potro –
Relato de Caso
Pollyanna Cordeiro SOUTO¹; Jefferson Ayrton Leite de Oliveira CRUZ¹; Mayumi Santos
BOTELHO-ONO¹; Alexandre Cruz DANTAS¹, Janaina Azevedo GUIMARÃES1; Beatriz
Berlinck DUTRA VAZ¹.
¹ Departamento de Medicina
Veterinária, Universidade Federal Rural
de Pernambuco. Av. Dom Manuel de
Medeiros Gonçalves s/n, Dois Irmãos,
Recife-PE, CEP 52171-900.
E-mail: [email protected]
(e-mail para correspondência).
Pneumonias são afecções graves que se caracterizam pela inflamação do parênquima pulmonar, estando frequentemente associada à inflamação dos brônquios, bronquíolos e pleura.
As causas são variáveis, podendo ser viral, bacteriana, fúngica, parasitária, falhas imunológicas
e iatrogênicas. Os potros são frequentemente acometidos, sendo esta enfermidade considerada a causa mais importante de morbidade e mortalidade em potros com mais de um mês de
vida. A sintomatologia está diretamente ligada ao grau de lesão do parênquima pulmonar. O
diagnóstico é baseado nos sinais clínicos, auscultação e percussão do campo pulmonar. O tratamento deve incluir antibioticoterapia e cuidados auxiliares tais como, proteção do vento e
frio, antitérmico, broncodilatadores, expectorante, oxigenioterapia e fluidoterapia. O presente
relato refere-se a um quadro de pneumonia por Klebsiella pneumoniae em um potro, macho,
de dois meses de idade atendido no Hospital Veterinário – Ambulatório de grandes animais –
UFRPE, com histórico de cansaço, apatia e falta de apetite com evolução de um dia. No exame
físico foram observadas as seguintes alterações, dispneia mista com posição ortopnéica, apatia,
hipertermia, mucosas cianóticas, desidratação, taquicardia, som de roce em toda área de ausculta pulmonar bilateral, narinas dilatadas e midríase, sugerindo um quadro de pneumonia. O
hemograma revelou policitemia normocítica normocrômica, na série branca se observou uma
leucopenia com desvio a esquerda regenerativo, condizente com o quadro clínico apresentado
pelo paciente, podendo indicar uma severa infecção bacteriana. O paciente veio a óbito minutos após o atendimento. A necropsia foi realizada logo em seguida e se observou os seguintes
achados, hepatomegalia e congestão hepática, pulmões consolidados e com pequenos pontos
multifocais mais firmes, principalmente na porção dorsal. Enfisema subpleural nos lobos craniais e coloração vermelha escura, mesclada com áreas mais claras. Ao corte, drenou líquido
seroso amarelado com pouca espuma. Porção caudal da traquéia com líquido seroso amarelado,
confirmando o diagnóstico de pneumonia. Um fragmento pulmonar foi colhido e solicitou-se
o exame bacteriológico o qual foi positivo para Klebsiella pneumoniae. Agentes como a Klebsiella penetram no organismo do potro por inalação, ingestão ou pelo umbigo disseminando-se
hematogenamente para os pulmões e provocando doença em indivíduos imonologicamente
deprimidos, principalmente em casos onde não houve transferência de imunidade passiva pelo
colostro. A deficiência imunológica, em virtude da falha de transferência de imunidade passiva
em potros jovens predispõe a alto índice de mortalidade neonatal, por isso, cuidados adequados tais como, ambiente ao abrigo do frio e da chuva, vacinação, boa alimentação, adequada
ingestão de colostro e cuidados higiênicos sanitários devem ser tomados a fim de evitar o desenvolvimento de tal doença.
PA L AV RAS - C H AV E 104
parênquima pulmonar, infecção, enfisema.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 105 - setembro/dezembro, 2014
Polidactilia unilateral em uma potra
– Relato de Caso
F.S. OLIVEIRA¹; P.H.V. REBELO¹; R.G. CAVALCANTE¹; , F.L. SILVA JUNIOR¹; , F.S. FEITOSA
JUNIOR²; M. ARRIVABENE²
A polidactilia é a presença de dígitos extras, podendo acometer todos ou apenas um membro, sendo mais frequente no torácico. Caracteriza-se pela duplicação parcial ou completa, com
origem genética, sendo rara na espécie equina, onde a causa ainda não foi esclarecida. Para o
diagnóstico, mesmo tratando-se de uma anormalidade diagnosticada clinicamente, o exame radiográfico é indispensável, pois proporciona avaliação precisa das estruturas envolvidas. A amputação do dígito extranumerário e preservação do dígito principal é o método de tratamento
indicado nestes casos. Objetivou-se com esse trabalho descrever a ocorrência de polidactilia
unilateral em um equino fêmea de um ano e dois meses de idade, da raça Quarto de Milha. O
animal foi atendido no Setor de Clínica Médica e Cirurgia de Grandes Animais do Hospital
Veterinário da Universidade Federal do Piauí, onde o proprietário trouxe o animal com o propósito de retirada do dedo extranumerário. Assim, ao exame físico constatou-se que o comportamento e parâmetros vitais estavam normais. A alteração física constituiu de presença de 2º
dígito localizado na face medial do membro torácico esquerdo, foi examinado e radiografado
nas projeções dorsopalmar e lateromedial oblíqua, no qual identificou-se a persistência do II
metacarpiano esquerdo desenvolvido, incluindo a região medular, e falange rudimentar esquerda. Segundo a literatura a remoção cirúrgica dos dígitos supranumerários é por questão estética
e para prevenir injúrias no dígito. Portanto a potra foi submetida ao tratamento cirúrgico, com
retirada da falange rudimentar. No pós-operatório o tratamento da ferida cirúrgica foi realizado com limpeza e aplicação tópica de antissépticos e repelente, além de antibioticoterapia e
antinflamatório não esteroidal.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico Veterinário Residente da Clínica
de Grandes Animais Da Universidade
Federal do Piauí –UFPI, Av. universitária,
Bairro Ininga, Teresina, Piauí, CEP
64049-550.
E-mail: [email protected];
² Prof. Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal do Piauí.
dedos extranumerários, anomalia genética, equino.
105
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 106 - setembro/dezembro, 2014
Postectomia e falectomia para
exérese de tecido de granulação
exuberante em jumento (Equus
asinus)
Ana Paula Coelho RIBEIRO¹; Marco Augusto Giannoccaro da SILVA²; Fabiano Mendes de
CORDOVA³; Leonardo Vaz BURNS4
1,2,3
Professor Adjunto – Universidade
Federal do Tocantins
4
Méd. Vet. – Universidade Federal do
Tocantins
O tecido de granulação exuberante é o mais comum dos tumores não neoplásicos, seguido
pela habronemose e pitiose. Os equídeos são susceptíveis à essas formações, as quais impedem
o processo cicatricial por inibir a reepitelização e contração da ferida. Uma vez formado, o
tecido de granulação exuberante predispõe às infecções e traumas adicionais, culminando em
agravamento da lesão. O diagnóstico diferencial deve ser feito por meio de biópsia e exame
histopatológico ou citologia aspirativa por agulha fina. Foi atendido no Hospital Veterinário da
Universidade Federal do Tocantins, um jumento, três anos de idade, com histórico de traumas
repetidos em prepúcio, causados por cerca de arame liso, e consequente crescimento tecidual
local com evolução de um ano e meio. À inspeção e palpação da região afetada observou-se lesão proliferativa indicativa de tecido de granulação exuberante, de caráter vegetativo e ulcerado
acometendo prepúcio, com áreas de fibrose, intenso edema, presença de larvas de Cochliomyia
hominivorax na extremidade prepucial e drenagem de secreção purulenta por diversos pontos.
A área palpável alterada acometia toda a região prepucial, distal e proximal, e possuía dimensão
estimada em 15 cm de diâmetro sendo que o pênis encontrava-se íntegro. Ao exame de citologia aspirativa por agulha fina, observou-se apenas presença de células inflamatórias. Optou-se
então pela ressecção em bloco de todo o prepúcio e pênis e uretroplastia. O protocolo anestésico consistiu na utilização de acepromazina (pré anestesia), cetamina e diazepam (indução),
infusão contínua de cetamina (manutenção) e lidocaína (anestesia infiltrativa local), na região
cirúrgica. A avaliação histopatológica demonstrou tecido de granulação com degeneração de
colágeno, recoberto por áreas de epitélio hiperplásico com interface epidermo-dérmica ondulada, com alongamento desigual da rede de pregas (padrão irregular). O epitélio apresentou
ainda pregas epidérmicas ramificadas e anastomosadas, com interdigitação profunda com fibras colágenas da derme (padrão hiperplásico pseudocarcinomatoso), presença de infiltração
neutrofílica e esparsos eosinófilos subepidérmicos. Tais observações confirmaram a suspeita
diagnóstica de tecido de granulação exuberante. Embora o procedimento cirúrgico tenha se
desenvolvido sem intercorrências, a evolução pós operatória foi desfavorável e sete dias após o
procedimento, o animal veio a óbito. Os procedimentos cirúrgicos envolvendo pênis e prepúcio apresentam complicações potenciais, dentre elas, estenose uretral, formação de hematoma
regional, deiscência dos pontos, retenção e infecção urinária e cistite. No caso em questão, a
cronicidade e a extensa área de comprometimento prepucial, compeliu a exérese quase total
do prepúcio e pênis, fato que caracterizou um procedimento cirúrgico bastante cruento e delongado. Este pode ter determinado a instalação do relevante hematoma local pós operatório,
em conjunto à contaminação subcutânea subsequente e deiscência total de pontos. Ademais a
opção pela preservação da sonda uretral no pós cirúrgico, pode ter contribuído para a instalação da grave cistite observada. A despeito de todos os cuidados pós operatórios, que incluíram
antibioticoterapia de amplo espectro, utilização de antiinflamatório não esteroidal, curativos
sistemáticos e aplicação de duchas frias na área operada, pode-se considerar que a associação
dos elementos complicantes (cronicidade da enfermidade, cirurgia extensa e cruenta e o pobre
estado geral do animal), além da instalação de um grave processo infeccioso, inicialmente local
e após sistêmico, podem ter sido responsáveis pela pobre evolução pós operatória do caso em
questão.
PA L AV RAS - C H AV E 106
equídeos; penectomia; prepúcio; tecido de granulação.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 107 - setembro/dezembro, 2014
Potenciais biocarrapaticidas no
controle de larvas do carrapato
estrela Amblyomma cajennense
Roseane Nunes Santana CAMPOS¹; Fabrício Juliano de O. CAMPOS²; Alexandre P.
OLIVEIRA³; Lázara J.O. LOPES³; Alisson S. SANTANA³; Ane C.C. SANTOS³; Leandro
BACCI³
O carrapato estrela (Amblyomma cajennense) é um ectoparasita que tem como principal
hospedeiro o equino. Este constitui um dos grandes problemas enfrentados pelos pecuaristas
por provocar lesões nos animais hospedeiros e transmitir importante zoonose. Em humanos
é responsável pela transmissão da bactéria Rickettsia rickettsii, causadora da febre maculosa. O
método comum de controle consiste na aplicação de carrapaticidas organossintéticos. Porém,
estes produtos podem desencadear reações adversas nos hospedeiros e no ambiente. Uma alternativa para diminuir esses problemas é o uso de plantas com ação carrapaticida. Assim o
objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial carrapaticida dos óleos essenciais de Patchouli
(Pogostemon cablin), Marmeleiro (Croton sonderianus) e Gerânio (Pelargonium graveolens) sobre
as larvas da espécie A. cajennense. Dessa forma envelopes de papel filtro (2 x 2 cm) foram tratados com 0,1ml das soluções dos óleos essenciais de C. sonderianus, P. cablin e P. graveolens diluídos em acetona. Para a testemunha utilizou-se apenas o solvente acetona. Após a evaporação do
solvente cerca de 200 larvas foram depositadas no interior do envelope, o qual foi lacrado com
clipes do tipo “buldogue”. Decorridas 48 horas após a montagem dos bioensaios o número de
indivíduos vivos e mortos foram contabilizados e dessa forma calculado as concentrações letais
(CL) para matar 1% das larvas (CL01), matar 50% das larvas (CL50) e matar 99% das larvas (CL99).
Os resultados gerados pelas curvas de concentração-mortalidade mostraram eficiente atividade
acaricida nos testes com as larvas, com CL01 de 0,002 μl ml-1para P. graveolens; 0,08μl ml-1 para P.
cablin e 0,98μl ml-1para C. sonderianus, já a CL50 foi de 0,13; 0,22 e 1,41 μl ml-1 para P. graveolens,
P. cablin e C. sonderianus, respectivamente. A CL99 foi de 1,10μl ml-1 P. graveolens; 0,38μl ml-1 para
P. cablin e 1,71μl ml-1 e C. sonderianus. Sendo assim, o óleo que apresentou em média menor
concentração para matar as larvas foi o que apresentou maior toxicidade e neste experimento
o óleo essencial mais tóxico foi o P. cablin, porém todos os óleos essenciais aqui apresentados
demonstraram atividade carrapaticida sobre as larvas da espécie A. cajannense e são estratégias
importantes e promissoras para o controle dos carrapatos.
PA L AV RAS - C H AV E Ixodidae, controle alternativo, acaricida.
AGRADECIMENTOS
CAPES, CNPq, FAPITEC e UFS.
¹ Programa de Pós Graduação em Ciências
da Saúde- Universidade Federal de Sergipe
(UFS), [email protected];
2
Médico veterinário autônomo, Médico
Veterinário autônomo, com especialização
em diagnóstico, cirurgia e reprodução
eqüina;
3
Departamento de Engenharia
Agronômica- Universidade Federal de
Sergipe (UFS), [email protected]
107
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 108 - setembro/dezembro, 2014
Prática construtiva em aulas de
biodinâmica muscular do aparelho
de suporte dos equinos
Leimah de Fatima Ramos Consoni ALBUQUERQUE¹; Vitória YUKENDO¹, Evellin Karoline
Marques de SOUZA¹, Silvio Henrique Ramos de ARAÚJO¹; Gileno Antonio Araújo XAVIER².
¹ Graduandos do Curso de Medicina
Veterinária, Monitores de Anatomia,
Departamento de Morfologia e Fisiologia
Animal - DMFA, Universidade Federal
Rural de Pernambuco - UFRPE.
² Professor de Anatomia, DMFA, UFRPE.
O “ficar em estação” dos cavalos consiste em um conjunto de estruturas do esqueleto apendicular que permite ao cavalo um esforço muscular reduzido. Essas estruturas são compostas
por tecido conjuntivo fibroso (de tendões, ligamentos e fáscias profundas) e resistem à tendência para um colapso articular sob influência gravitacional. Durante o repouso as articulações
dos membros são fixadas por ligamentos e músculos. Neste caso, agem certos extensores e flexores como aparelhos estáticos, em um sincronismo. As propostas sobre inovações de aprendizagem em sala de aula têm sido muito aplicado atualmente, na tentativa de que se possa alcançar
um processo de ensino cada vez mais qualitativo. O presente trabalho teve como objetivo destacar a importância dos músculos esqueléticos apendiculares, torácicos e pélvicos, envolvidos na
posição natural dos equinos, demonstrados por meio do uso de objetos representativos em aula
prática. Para isso, foram utilizados um esqueleto de cavalo montado artificialmente, fitas adesivas de dupla face para reproduzirem as estruturas do aparelho de suporte, fitas de cores variadas.
Após demonstração do assunto em peças anatômicas previamente dissecadas, foi solicitado aos
alunos que fixassem as fitas coloridas no esqueleto, de modo que representassem os correspondentes músculos e estruturas formadores do aparelho de sustentação, com ênfase para àqueles
de maior importância no momento em que o animal encontra-se em estação, como também
para àqueles que, no processo, são submetidos a um maior esforço. Durante o exercício da técnica os alunos mostraram-se interessados e participativos, com a liberdade de construir e aplicar, na prática, os princípios vistos em sala de aula teórica, o que favoreceu a contextualização
da importância na biomecânica muscular do cavalo em estação. O desenvolvimento prático da
atividade lúdica como mais um instrumento didático, e não como uma estratégia alternativa,
permitiu um maior rendimento da aprendizagem.
PA L AV RAS - C H AV E 108
Anatomia Equina, Aparelho Locomotor, Esqueleto
Apendicular, Aprendizagem.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 109 - setembro/dezembro, 2014
Prevalência da obstrução recorrente
das vias aéreas (ORVA) nos equinos
da Polícia Militar do estado do Rio
Grande do Norte
Jorge Mota ROCHA¹, José Carlos Ferreira Silva¹*, Heder Nunes FERREIRA¹, Sylvana
Pontual ALENCAR², Paulo Fernandes LIMA¹, Hélio Cordeiro Manso FILHO³
A obstrução recorrente das via aéreas (ORVA), anteriormente chamada doença pulmonar
obstrutiva crônica, é uma afecção frequente em equinos atletas que interfere no desempenho
por determinar intolerância ao exercício, dispneia expiratória, tosse seca e perda de peso nos
casos mais severos. O corrimento nasal, quando presente, pode ser abundante, espesso e mucopurulento, todavia, mesmo que em pequena quantidade, esse corrimento é suficiente para
diminuir o espaço das vias respiratórias inferiores por liberar mediadores químicos que provocam bronco-espasmo. A obstrução recorrente das vias aéreas caracteriza-se pela obstrução
parcial da luz bronco-alveolar causada por bronco-constrição, edema da mucosa bronquial e
alta produção de muco com pouca capacidade de eliminação devido à redução da atividade ciliar. O processo tem início após uma hiper-reação a alérgenos ambientais, como fungos, poeira,
fumaça, dentre outros agentes. O objetivo foi realizar um estudo da prevalência de patologias
do trato respiratório inferior, com ênfase na obstrução recorrente das vias aéreas, nos equinos
do Regimento de Policiamento Montado da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte (RPMON/PMRN). Os animais acometidos apresentaram tosse, dispnéia expiratória e em
alguns casos, secreção nasal, queda de desempenho, emagrecimento e intolerância a qualquer
tipo de exercício. O diagnóstico foi realizado através do exame clínico auxiliado pelo histórico, anamnese e endoscopia da porção inferior do sistema respiratório. Concomitantemente
ao tratamento farmacologico que consistiu na administração de bronco-dilatadores, anti-inflamatórios esteroidais, mucolíticos e antibióticos, quando necessário, foi realizada melhoria
das condições ambientais em que os animais eram mantidos. Dos 75 animais examinados, 06
(8,0%) foram diagnosticados com obstrução recorrente das vias aéreas, 01 (1,33%) com broncopneumonia e 05 (6,66%) com bronquite. Os resultados permitiram sugerir modificações
nas instalações e no manejo visando minimizar a ação dos alergenos que desencadeiam essas
patologias respiratorias.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Laboratório de Biotecnologia aplicada
à Reprodução Animal do Departamento
de Medicina Veterinária/UFRPE, Recife.
Brasil.
2
Área de Clínica do Departamento de
Medicina Veterinária/UFRPE
3
Área de Equideocultura do
Departamento de Zootécnia/UFRPE,
Recife. Brasil.
ORVA, prevalência, endoscopia.
109
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 110 - setembro/dezembro, 2014
Primeira aplicação terapêutica com
células tronco em equino da raça
quarto de milha com tendinopatia
no estado de Sergipe: Relato de Caso
João Vinicius Santos CRAVEIRO¹; YancaBizerra SOUZA¹; Gabryelle Oliveira PINHEIRO¹;
Magnólia Oliveira SANTOS NETA¹; Cesar Andrey Galindo OROZCO²
¹ Discentes de Iniciação Científica do
Curso de Medicina Veterinária da
Universidade Federal de Sergipe
2
Docente de Clínica de Equinos e Cirurgia
de Grandes Animais do Departamento
de Medicina Veterinária da Universidade
Federal de Sergipe – DMV/UFS
Nos equinos de esporte, duas das mais frequentes lesões são tendinopatias e desmopatias
ocasionadas por esforço excessivo ou pela alta intensidade de exercícios físicos repetitivos durante o treinamento e competições esportivas. As células tronco são conhecidas como as células
progenitoras, que possuem duas propriedades básicas. A primeira é quando se dividem, podendo originar duas células filhas iguais, e a segunda é a capacidade de se diferenciar em outros
tipos celulares. Estas podem se dividir segundo o tipo de potencial de divisão e de acordo com
a sua origem, como é o caso das células tronco do tecido adiposo. No presente relato, objetivou-se utilizar células tronco de tecido adiposo, avaliando a eficácia desta técnica inovadora
no tratamento clínico de lesões multifocais do tendão flexor digital superficial (TFDS) em
equino atleta da raça Quarto de Milhano estado de Sergipe. O relato foi registrado no Município de São Cristóvão, após participação em prova de vaquejada. Na avaliação clínica o cavalo
apresentava grau de claudicação 4/5, do membro anterior direito (MAD), inflamação, dor na
palpação, e aumento da temperatura da região palmar do metacarpo e do boleto. Durante
avalição ultrassonográfica foram observadas múltiplas lesões multifocais com ruptura parcial
do TFDS em toda a região palmar do metacarpo, caracterizando uma tendinopatia severa com
comprometimento de 70% do tendão, apresentando vários pontos anecóicos no terço médio
e distal do metacarpo assim como na região palmar do boleto com ruptura e perda de continuidade das fibras. Para a obtenção das células tronco foi realizada a coleta de tecido adiposo
na região da base da cauda, durante procedimento cirúrgico. O cavalo foi sedado com Xilazina
na dose de 0,7 mg/kg i.v. e em seguida foi aplicada anestesia com lidocaína a 2% no ponto da
incisão. Foram coletados aproximadamente 70g de tecido e enviados para o laboratório aonde
foi feita a análise e cultura celular. Para aplicação das células tronco o cavalo foi mantido sobre
sedação profunda em estação com detomidina na dose de 0,02 mg/kg i.v. Posteriormente foi
feita tricotomia e antissepsia de toda a região palmar do metacarpo e boleto e em seguida realizaram-se os bloqueios anestésicos perineurais dos quatro pontos altos e quatro pontos baixos
com lidocaína. Foi refeita a antissepsia e realizadas as respectivas infiltrações de células tronco
guiadas por ultrassonografia nos diversos pontos de lesão do TFDS, sendo um total de seis infiltrações de 1mL. Posteriormente houve uma única aplicação de Fenilbutazona na dose de 4,4
mg/kg i.v. Nos dias15, 30, 60 e 90 após aplicação do material celular, foram feitas avaliações com
acompanhamento clínico e ultrassonográfico. Em cada avaliação foram feitos exames clínicos
rigorosos do sistema músculo esquelético incluindo teste de sensibilidade na palpação, teste
de flexão da articulação metacarpofalangiana, avaliação do trote, grau de claudicação e exame
ultrassonográfico de toda a região palmar do metacarpo e boleto. Os resultados encontrados
foram satisfatórios e com melhoras em cada fase de avaliação. O cavalo sempre obteve melhora
clínica de forma progressiva com diminuição no grau de claudicação para 1/5, e as imagens
obtidas pelo ultrassom apresentaram alinhamento total das fibras, preenchimento dosespaços
com tecido regenerado, reorganização, homogeneização e normoecogenicidade do TFDS em
todos os pontos que houve lesão. Pode-se concluir que o equino apresentou resposta e melhora
satisfatória com a terapêutica clínica de células tronco de tecido adiposo após um período de
90 dias.
PA L AV RAS - C H AV E 110
Terapia Celular Autóloga; Tendinite; Claudicação;
Ultrassom.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 111 - setembro/dezembro, 2014
Projeto “Bom Carroceiro” em Cruz
das Almas – BA
Verena Lima CORDEIRO¹; Isis Freitas RIBEIRO¹; Jucilene da Silva NASCIMENTO¹; Kelly
Soares RIBEIRO¹; Rita de Cassia FREIRE¹; Maria Vanderly ANDREA².
As cidades brasileiras estão em constante crescimento e desenvolvimento, desde as grandes
capitais às cidades interioranas. Os condutores de carroças não deixaram de fazer parte desse
cenário urbano, estando presentes tanto nas pequenas cidades como nas metrópoles. Eles realizam diversas atividades desde mudanças familiares, condução de compras de supermercados,
da feira livre, retirada de entulhos oriundos de construções, resíduos de limpeza de jardins,
coleta de matérias recicláveis e até retirada de utensílios domésticos descartados. Os condutores de carroças pertencem a uma classe socialmente desfavorecida e enquadrada no trabalho
informal, o que os deixa sem os serviços e benefícios prestados pela Previdência Social, além
disso, eles também enfrentam outros problemas sociais como o alcoolismo, o uso de drogas, e
o analfabetismo. Os animais que são usados para esse tipo de atividade, geralmente percorrem
grandes distancias, com cargas excessivas, trabalham machucados, além de não receberem alimentação e manejo apropriados. O município de Cruz das Almas-BA, também faz parte deste
contesto, contando com um grande número de condutores espalhados por toda a cidade. O
projeto Bom Carroceiro, em parceria com a Prefeitura Municipal de Cruz das Almas, buscou
reorganizar e reintegrar os carroceiros, partindo do princípio das metodologias participativas,
visando incorporar técnicas adequadas de criação, manejo nutricional e sanitário e reprodutivo, combate aos maus-tratos, além de estimular o uso de técnicas de bem estar animal, sem
perder o enfoque na Saúde Pública e a inserção social dos proprietários propondo uma visão
unificada do condutor, equídeos e comunidade Cruzalmense. Além disso, estimular e auxiliar
os condutores de carroças a se organizarem através da criação de uma associação que criará possibilidades legais e força conjunta, facilitando a firmação de convênios e aquisição de recursos
que propiciem o desenvolvimento da atividade no município, melhorando a qualidade de vida
dos mesmos. A capacitação dos condutores ocorre através de cursos, Dias de Campo, oficinas,
participação de reuniões, com amplas discussões, sobre as reais necessidades e seus anseios, com
o objetivo de traçar estruturar a organização de uma Associação. Estas reuniões são realizadas
periodicamente na biblioteca municipal de Cruz das Almas, onde o associativismo da ênfase
nas relações de produtividade e de qualidade na produção, buscando a comercialização do
trabalho, permitindo, desta forma, agregar valor ao produto (prestação de serviço), a fim de
que possa melhorar a situação socioeconômica dos condutores envolvidos. Temas relacionados
ao manejo nutricional, sanitário e reprodutivo também são de importância relevantes para o
conhecimento deste público e discutidos em conjunto. Até o presente momento as carroças
foram padronizadas em cores comuns com identificação dos nomes e os números dos telefones dos condutores, o que gerou facilidades para visualização dos clientes. Foi realizado ainda
o cadastro e resenha de todos os animais, bem como, em andamento um questionário sócio
econômico dos condutores. É de fundamental importância hoje para a continuidade deste
prestador de serviço para a comunidade, é o estabelecimento do Ponto de Carroça. Desta forma
conta-se com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente para a realização desta etapa, na qual
foi definido e com a aprovação dos condutores a área destinada para esta localização. Assim, o
projeto “BOM CARROCEIRO” em Cruz das Almas está favorecendo uma maior visibilidade
sobre os temas de bem estar animal, Saúde Pública e inserção social dos condutores de carroças,
gerando reflexos positivos na qualidade de vida dos animais.
PA L AV RAS - C H AV E 1
Graduandos do Centro de Ciências
Agrarias, Ambientais e Biológicas.
Universidade Federal do Recôncavo da
Bahia (UFRB).
2
Professora do Centro de Ciências
Agrarias, Ambientais e Biológicas.
Universidade Federal do Recôncavo da
Bahia (UFRB).
Condutor de carroça, bem-estar animal, equídeos.
111
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 112 - setembro/dezembro, 2014
Prolapso de reto em equino - Relato
de Caso
Kerly Priscila de Santana Vieira SANTOS¹, Fagner Paulo Cruz de ANDRADE¹, Raissa Souza
NUNES¹, José Carlos Ferreira da SILVA², Jonathan Henrique NANTES³, Heder Nunes
FERREIRA4
¹ Discente da Faculdade Pio Décimo;
² Discente da Universidade Federal Rural
de Pernambuco;
³ Médico Veterinário da Faculdade Pio
Décimo;
4
Docente da Faculdade Pio Décimo;
O prolapso retal é a inversão da mucosa e suas estruturas através do esfíncter anal. É uma
patologia que ocorre em qualquer espécie, tendo maior frequência em fêmeas sendo pouco
frequente nos equinos. Em equinos a causa do prolapso retal está associada a tenesmo secundário, e uma variedade de condições: parto, distocia, prolapso uterino, diarreia, verminoses. É
classificado em: tipo 1- Exposição da mucosa retal e submucosa; tipo 2- Exibição da espessura
total da parede do reto e ampola retal; tipo 3-Exibição da espessura total da parede do reto
mais eversão do cólon menor terminal e o tipo 4- Exibição da espessura total da parede do
reto mais intussuscepção do reto peritoneal. O objetivo do resumo em questão é explanar um
caso de prolapso retal em uma égua SRD, com 07 anos de idade, aproximadamente com 345
kg, oriunda de uma propriedade do Município de Aracaju - SE, foi encaminhado ao HVGA do
Hospital Veterinário Dr. Vicente Borelli no dia 01/04/12. Alimentava-se somente com farelo de
milho e farelo de trigo e água ad libitum, segundo relato do proprietário o animal apresentava
diarreia por 4 dias e pela manhã do dia 29/03/2012 foi encontrada com aumento de volume na
região retal. O animal apresentava estado de consciência em alerta, postura em estação, estado
nutricional normal, pelagem áspera e mucosa hipocorada, com presença de carrapatos. Após a
identificação do prolapso de reto tipo 2,visto que foi uma consequência da dieta desequilibrada, foi realizada a higienização com água para retirada de debris e crioterapia para diminuição
do processo inflamatório do prolapso, foi conduzida lubrificação da mucosa retal com Furanil® e realizada uma primeira tentativa de reversão somente com contenção mecânica, porém
houve resistência, sendo assim foi instituída a anestesia epidural alta com lidocaína 2% sem
vasoconstritor, permitindo então a redução de forma satisfatória, em seguida realizou-se a sutura de bolsa de tabaco para evitar uma possibilidade de recidiva. A paciente foi medicada com
pentabiótico por via de administração intramuscular na dosagem de 40.000 UI/Kg 2x ao dia
por 7 dias, metronidazol por via de administração endovenosa na concentração de 20 mg/Kg 2x
ao dia por 5 dias, flunexim meglumine por via de administração endovenosa na dose de 1,1mg/
kg 1 x ao dia por 3 dias. Dimetilsufóxido por via de administração endovenosa na dose de 1 g/
Kg em solução de 10% em soro fisiológico 1x ao dia por 3 dias e soro antitetânico na dose única
de 5000 UI por via de administração intramuscular, sendo esta terapêutica realizada no dia do
atendimento, e então emitido um receituário para continuação do protocolo terapêutico de
antibioticoterapia, por mais 6 dias, totalizando 7 dias e a cada dois dias fazer o afrouxamento
da sutura de tabaco. E quanto ao manejo, foi feito a recomendação de dar somente volumoso
ao animal, e utilizar a ração como um complemento alimentar e não como base da nutrição. O
animal respondeu satisfatoriamente ao procedimento de reversão do prolapso, sendo o mesmo
liberado para continuação do tratamento na propriedade.
PA L AV RAS - C H AV E 112
diarreia, equino, epidural.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 113 - setembro/dezembro, 2014
Rabdomiólise em muar: Relato de
Caso
A. S. ALCOFORADO¹; P. R. FIRMINO¹; D. M. ASSIS²; J. M. MEDEIROS²; E. G. MIRANDA
NETO³; M. L. D. L. TOLENTINO4
A rabdomiólise é caracterizada pela necrose das células musculares esquelética, com liberação dos componentes celulares na circulação que ao serem filtrados no glomérulo podem
levar a disfunção renal, representando uma patologia com potencial letal. Acomete equinos
que foram submetidos a esforços físicos após ficarem em repouso por longos períodos sendo
alimentados com rações ricas em carboidratos. Tem sido observada também em equinos que se
alimentam somente de pastagens, que são submetidos a esforços prolongados após longos períodos de descanso. Os sinais clínicos caracterizam-se por disfunção muscular com dificuldades
para a locomoção, principalmente dos membros posteriores, e relutância a se locomover. Observam-se tremores musculares e sudação. Nos casos mais graves os cavalos podem permanecer
em decúbito e/ou apresentar mioglobinúria. Os músculos das regiões glútea, femoral e lombar
são mais afetados, apresentando consistência firme e dor à palpação. O objetivo desse trabalho
foi descrever um caso clínico de rabdomiólise em muar. Foi atendido no Hospital Veterinário
da UFCG – Patos-PB, um muar, macho, pesando 175kg, sem raça definida e com um ano de
idade. O animal era criado solto, se alimentava de pastagem nativa e bebia água em açude. Foi
pego para ser domado no intuito de ser utilizado na tração de carroça. Porém, a contenção foi
inadequada e o animal foi submetido a esforço físico severo, sendo puxado por outro animal
para poder caminha após ter sido colocado no cabresto. Após tal procedimento, o animal não
conseguia permanecer em estação e deitava. No dia seguinte, o animal estava em estação e com
dificuldade de locomoção, mesmo assim foi colocado na carroça e novamente submetido a
exercício forçado. Os sinais clínicos se agravaram, o decúbito tornou-se permanente e o proprietário resolveu procurar atendimento veterinário para o animal. No exame clínico o animal
encontrava-se em decúbito lateral e ao ser auxiliado ficou em estação, apático, com desidratação
moderada, relutante ao movimento, apetite ausente e musculatura da garupa firme. A urinálise
revelou proteinúria pré-renal, mioglobinúria, coloração âmbar, traços de sangue e ausência de
hematúria. Na bioquímica muscular o valor da creatinaquinase (CK) alcançou 1044 UI/L, sendo bastante elevado em relação aos valores normais para equino (250 UI/L). O animal foi tratado com fenilbutazona (4,4mg/Kg/IV/q24h), perfazendo 3 aplicações; dexametasona (0,1mg/
Kg/IV), dose única; e 12 litros de solução ringer com lactato por via endovenosa. Após três dias
de tratamento o valor da creatinaquinase (CK) reduziu para 582 UI/L (queda de 44,3%). Com
os achados clínicos, resultados dos exames complementares e a melhora do paciente após o
tratamento confirmou-se o quadro de rabdomiólise. O animal recebeu alta, sendo orientado
para que ele permanecesse em repouso e que o exercício fosse retomado.
PA L AV RAS - C H AV E 1
Médico(a) Veterinário(a) – Residente -
HV/UFCG/CSTR - Campus de Patos-PB,
Av. Universitária,s/n, Santa Cecília, Cep:
58708-110, Patos-PB.
E-mail: [email protected];
2
Médico(a)Veterinário(a) - HV/UFCG/
CSTR;
3
Médico(a)Veterinário(a) - Professor(a) –
HV/UAMV/CSTR/UFCG;
4
Graduando -UAMV/CSTR/UFCG
mula, mioglobinúria, creatinaquinase.
113
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 114 - setembro/dezembro, 2014
Raiva em equinos no estado de
Alagoas: relato de sete casos
Sandra Regina Fonseca de Araújo VALENÇA¹; Carla Cristina Moura de OLIVEIRA¹; DENISE
FORTES FEITOSA COSTA²; Antônio Laurênio Braga CAVALCANTI²; Flávia Figueiraujo
JABOUR³; Hélio Lauro Soares VASCO NETO¹.
¹ Departamento de Médicina Veterinária
UFRPE, Recife-PE;
2
Médico(a) Veterinário(a) Autônomo(a)
– AL;
3
Patologista Veterinária – Laboratório
Jabour Histopatologia e Necropsia –
Maceió-AL;
A Raiva é uma doença pouco comum nos equinos, mas em razão do seu potencial zoonótico, deve ser considerada no diagnóstico diferencial dos quadros neurológicos agudos com evolução menor que 10 dias. As lesões são geralmente limitadas ao sistema nervoso central (SNC)
de onde são retirados os tecidos para o diagnóstico laboratorial compreendendo os fragmentos
de hipocampo, tronco cerebral, tálamo, córtex, cerebelo e medula oblongata como materiais de
escolha. De acordo com a Organização Mundial Saúde (WHO) o diagnóstico é feito através do
teste de Reação de Imunofluorescência Direta (IFD), uma técnica rápida, sensível e específica
considerada de triagem padrão. Objetivou-se relatar sete casos de raiva em equinos criados no
Município de Marechal Deodoro e Coruripe, Alagoas. Foram realizados atendimentos clínicos
a sete equinos com sinais neurológicos, criados em propriedades peri-urbanas nos referidos
municípios. Cinco animais eram adultos e dois eram potros menores de 6 meses, todos sem
raça definida. Os adultos eram utilizados para trabalho de tração em carroças durante o dia e
permaneciam em um piquete pertencente a uma usina local, onde eram criados bovinos de
corte. Nenhum dos animais havia sido vacinado contra o vírus da raiva e foram relatados casos
de bovinos com paralisia e morte em anos anteriores na propriedade citada. Os principais sinais
clínicos apresentados pelos equinos foram incoordenação motora (7/7), paralisia dos membros
pélvicos (7/7), depressão (5/7), agressividade (2/7), paralisia de cauda e ânus (7/7), decúbito
lateral (7/7), movimentos musculares involuntários de membros anteriores ou “pedalagem”
(3/7) e morte em um período de 2 a 5 dias. Inicialmente os animais apresentavam fraqueza dos
membros pélvicos que posteriormente evoluía para o decúbito permanente até o óbito. Apenas
dois animais, do município de Coruripe, apresentaram comportamento agressivo mordendo
tratadores e objetos em movimento como pneus de tratores. Foram observadas cicatrizes sugestivas de mordeduras provocadas por morcegos hematófagos da espécie Desmodus rotundus em
três dos sete equinos enfermos bem como lesões recentes em animais sem sintomas aparentes
criados na região. Após o óbito, os animais foram submetidos à necropsia, onde foram coletados fragmentos de SNC para exame histopatológico e de IFD para raiva. Não foram observadas
alterações no exame necroscópico. O exame histopatológico revelou manguitos perivasculares
linfoplasmocitários, sugerindo infecção viral, porém não foram identificados Corpúsculos de
Negri. Os resultados da IFD dos sete animais foram positivos para raiva. Os sinais clínicos dos
equinos estudados foram semelhantes aos descritos por outros autores, que destacam nessa
espécie tanto a forma paralítica mais frequente em herbívoros, decorrentes de lesões da medula
espinhal e tronco encefálico, quanto a forma furiosa da doença com sinais de agressividade
ou depressão profunda, decorrente de lesão cerebral, ambas observadas nesse estudo. Na histopatologia alterações caracterizadas por meningoencefalite e meningomielite não supurativa
com presença de corpúsculos de Negri são descritas na literatura, porém na espécie equina,
somente em algumas oportunidades é possível identificar corpúsculos de Negri pelo método
histológico, sendo a ausência dos corpúsculos de inclusão relacionada com o estágio da doença
e com a cepa de vírus circulante, pois algumas não produzem corpúsculos de Negri. O exame
de IFD foi utilizado nesse trabalho onde todas as amostras foram positivas, no entanto, outros
casos suspeitos deram negativos ao IFD e não foram incluídos nesse relato. Outros pesquisadores demonstraram a importância da Imunohistoquímica (IHQ) como ferramenta auxiliar no
diagnóstico de raiva em equídeos, especialmente nos casos em que a IFD é negativa. Os casos
diagnosticados nesse estudo demonstram a presença do vírus e a exposição dos equinos aos
transmissores da doença em dois municípios do Estado de Alagoas.
PA L AV RAS - C H AV E 114
Cavalos, Raiva, Sistema Nervoso, Clínica, Diagnóstico.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 115 - setembro/dezembro, 2014
Realização de colonostomia em um
equino com laceração retal grau IV
N.F.O. OLIVEIRA¹; J.V.F. SALES¹; L.R. ANDRADE¹; M.B. PASSOS¹; V.D. MELOTTI¹; C.H.C
SAQUETTI.²
A colonostomia é indicado para os casos de lacerações retais em que o reto precisa de repouso absoluto para reparação, como as de grau III e IV. A colonostomia de volta é preferível
em relação à colonostomia terminal, isso por ser de mais fácil realização e posterior reversão.
Essa cirurgia é preferencialmente realizada com o animal em estação pelo fato de a anatomia
ser mantida durante todo o procedimento. É importante que este procedimento seja realizado
logo após ocorrida a laceração, para se evitar a contaminação da cavidade peritoneal. Deve-se
tomar cuidado para que a abertura do cólon seja grande o suficiente para que não ocorra
posterior obstrução, e pequena o suficiente para diminuir o risco de herniação e prolapso. As
complicações da colonostomia incluem herniação, auto-mutilação do stoma e atrofia do colon
distal. Uma vez que a laceração esteja granulada (14-21 dias), a colonostomia é revertida.
Foi atendido no Hospital veterinário de Grandes Animais da UnB uma égua, mangalarga
marchador, 4 anos com laceração retal ocorrida durante a cobertura por um garanhão. Durante
a avaliação clínica do animal, através da palpação retal, suspeitou-se que a serosa do reto permanecia íntegra e optou-se pela realização da colonostomia de volta com o animal em estação.
Para a realização da cirurgia o animal foi submetido à sedação e anestesia local e foi realizada
uma laparotomia pelo flanco esquerdo para manipulação do cólon menor onde observou-se
que a laceração do reto era total (grau IV). Uma abertura de aproximadamente 6 cm de diâmetro foi feita na transição do flanco para o abdome, imediatamente abaixo das últimas costelas
para fixação e abertura do cólon. O segmento fixado estava a pelo menos um metro de distância
do reto para facilitar a posterior reversão da cirurgia. A sutura do cólon na pele foi realizada
com padrão cushing, sendo utilizado fio polipropileno nº1. Ao final da sutura foi removido a
serosa, a muscular e a mucosa da face antimesentérica do cólon menor, comunicando a luz do
órgão com o meio externo. No pós-operatório, o animal recebeu Ceftiofur sódico (4,4 mg/kg),
uma vez ao dia, durante sete dias, Gentamicina (6,6 mg/kg), uma vez ao dia durante sete dias,
heparina sódica (60 UI/kg), três vezes ao dia, durante três dias, flunixin meglumina (1,1 mg/kg)
uma vez ao dia, durante quatro dias e dipirona sódica (20 mg/kg), duas vezes ao dia, durante 4
dias. Além disse, foi realizado lavado peritoneal durante três dias. O animal recebeu 500 ml de
vaselina líquida, uma vez ao dia, pela sonda nasogástrica, durante o início do tratamento. Foram
realizados hemogramas seriados para o acompanhamento da evolução do caso. No terceiro dia
de pós-operatório a égua apresentou piora em seu quadro clínico. Na avaliação suspeitou-se de
formação de aderência e o animal foi submetido a outra laparotomia exploratória em estação
para que parte das aderências pudessem ser desfeitas. 4 dias após a segunda laparotomia o animal apresentou considerável piora em seu estado geral sendo submetido à eutanásia. Durante
a necropsia foi observado uma peritonite difusa e múltiplas aderências em diversos segmentos
do intestino. A intervenção cirúrgica nos casos de laceração retal grau IV deve ser realizada o
mais rapidamente possível após a injúria. Devido a grande distância que o animal se encontrava
do centro cirúrgico e a contaminação da cavidade peritoneal com conteúdo fecal foi decisivo
para o insucesso da terapia instituída.
PA L AV RAS - C H AV E 1
Residente no Hospital Escola de Grandes
Animais da Universidade de Brasília
([email protected])
2
Médico Veterinário Doutor da Polícia
Militar do Distrito Federal e Universidade
de Brasília
cólon, colonostomia, laparotomia.
115
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 116 - setembro/dezembro, 2014
Reconstrução de períneo em égua à
campo: Relato de Caso
Matheus Cavalcanti de FARIAS¹, Adelaide Caroline Primo da SILVA¹, Felipe Sales
BOUDUX², Cláudio Coutinho BARTOLOMEU³, Marcos Antonio Lemos de OLIVEIRA³,
Paulo Fernandes de LIMA³
¹ Graduando do curso de Medicina
Veterinária da UFRPE, Recife-PE
2
Mestrando do Programa de Pós
Graduação em Ciência Veterinária da
UFRPE, Recife-PE
3
Professor Doutor da Área de Reprodução
Animal da UFRPE, Recife-PE
As lacerações perineais estão entre as injurias do trato reprodutivo caudal mais comum em
éguas, estando geralmente relacionadas ao parto, podendo resultar em pneumovagina, urovagina, vaginite, endometrites, com consequente quadro de infertilidade, e em casos graves a morte
da fêmea. Com base na extensão da lesão estas são classificas em: Laceração de primeiro grau
envolvem somente a mucosa do vestíbulo e a pele da comissura dorsal da vulva; Lacerações de
segundo grau que implicam em lesão da mucosa e submucosa vestibular continuando-se com
os músculos do corpo perineal, incluindo o músculo constritor da vulva, bem como a mucosa
e a pele da vulva e Lacerações de terceiro grau que resultam em ruptura do corpo perineal, esfíncter anal, assoalho do reto e teto do vestíbulo vaginal, resultando em uma perda tecidual que
caracteriza uma abertura anatômica comum entre o reto e o vestíbulo. O diagnóstico clínico
é com base na inspeção da região, sendo de fácil estabelecimento. Várias técnicas com ou sem
modificações tem sido descritas na literatura para lacerações perineais de terceiro grau, porem
todas com o princípio básico da reconstrução de uma divisória entre o reto e o vestíbulo, e a
restauração de um corpo perineal funcional por meio de uma plena aposição tecidual com um
mínimo de tensão sobre a linha de sutura, para se obter êxito com o tratamento. Objetiva-se
com este trabalho relatar um caso de laceração perineal de terceiro grau tratado cirurgicamente
a campo. Foi atendido um equino, fêmea, cinco anos de idade, pelagem tordilha. Ao exame clínico geral o animal apresentou todos os parâmetros vitais dentro da normalidade, e por meio
da inspeção da vulva, vestíbulo e vagina, foi diagnosticada uma laceração perineal de terceiro
grau e urovagina. Para se proceder com o tratamento cirúrgico, o animal foi submetido a uma
dieta especifica, no pré e pós- operatório, a base de capim verde, com intuito de diminuir a consistência do bolo fecal de modo a ficar pastoso. Utilizou-se 0,5 mg/kg de xilazina 10% por via
endovenosa como pré-anestésico e 4 mg/kg de cloridrato de lidocaína em solução a 2% sem vasoconstrictor para anestesia epidural caudal baixa. Adicionalmente utilizou-se 30 ml do mesmo
anestésico na genitália externa para conseguir uma maior dessensibilização da região abordada.
A técnica cirúrgica utilizada foi a de reparo em um estágio, onde duas divisões de tecidos foram
criadas, com o flape do tecido retal mais espesso que o flape vestibular. A dissecação continuou
até ambos os flapes alcançarem a linha média com uma mínima tensão. A sutura utilizada foi
do tipo Götze com fio de monofilamento não absorvível nº 1 e agulha em meio círculo com
ponta trifacetada. A mucosa do reto foi preservada com parte dos fios voltados para o vestíbulo
para facilitar retirada dos pontos de sutura. A pele do períneo foi fechada com sutura do tipo
simples separado com o mesmo tipo de fio. No pós-operatório a égua foi mantida por vinte
dias comendo apenas capim verde para as fezes permanecerem com consistência pastosa. O
animal foi submetido à antibioticoterapia durante sete dias (Benzilpenicilina G Procaína e G
Benzatina 10.000.000 UI, Sulfato de Dihidroestreptomicina 10.500 mg, Piroxicam 1.000 mg em
Veículo q.s.p. 100 mL) por via intramuscular profunda sendo utilizado 20000 UI/Kg; flunixina
meglumina (1.1 mg/kg BID por via intravenosa) e 5000 UI de soro antitetânico repetindo a
dose após quinze dias. Após vinte dias da cirurgia foram retirados os pontos, e o animal teve
alta. Observamos que para o sucesso do tratamento pontos chaves como a dieta e o momento
de se realizar a cirurgia, devem ser respeitados. Com base neste relato de caso concluí-se que
as lacerações perineais constituem uma realidade frequente na clínica cirúrgica de equinos e
podem ser tratadas a campo.
PA L AV RAS - C H AV E 116
Cirurgia ginecológica, Equídeos, Laceração perineal e
Reprodução.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 117 - setembro/dezembro, 2014
Relato de Caso: Muar com tétano e
funiculite após orquiectomia
T.T.R. FARIA¹*; A.C. BORGHESAN²; M.F.H. GONÇALVES³; M.A.P. RIBEIRO³
Foi atendido no HVET da Fundação de Ensino Superior de Bragança Paulista (FESB)-SP,
um animal da espécie muar, sem raça definida, macho, com 2 anos de idade pesando 300kg,
com histórico de orquiectomia recente, aproximadamente 20 dias, realizado por prático, com
início dos sinais clínicos compatíveis com tétano há 3 dias. Ao exame clínico o animal apresentava Frequência Respiratória alterada (70 mov./min.), prolapso de 3° pálpebra, cauda em
bandeira, membros pélvicos apoiando em pinça com marcha rígida e orelhas em “tesoura”.
Quando submetido a estímulos sonoros ou luminosos observava-se a exacerbação dos sinais
clínicos. Apresentava também cordão espermático espessado, de consistência endurecida quando palpado, sugestivo de funiculite espermática. O animal apresentava capacidade de ingerir
água e de se alimentar. Além disso, embora apresentando espasmos involuntários por todo o
corpo, mantinha-se em estação. Pelo histórico e pelos achados de exame clínico fechou-se o
diagnóstico final de Tétano, com provável origem em infecção pós-cirúrgica da orquiectomia.
O tratamento instituído para a funiculite foi cirúrgico com retirada do foco de infecção. A
terapia medicamentosa instituída para o tétano foi realizada do seguinte modo: Soro antitetânico na dose de 120.000 UI no 1° dia, dividindo a dose total entre aplicações subcutânea (SC)
e endovenosa (EV); nos dias seguintes utilizou-se o soro antitetânico na dose de 15.000 UI, por
via SC, sendo nos primeiros 7 dias realizado a cada 24 horas depois por mais 7 dias a cada 48
horas por via SC, totalizando 15 dias de tratamento; foi utilizado também flunixin meglumine
na dose de 1,1 mg/kg, SID, por via Intramuscular (IM) durante 5 dias. Como antibioticoterapia
utilizou-se a associação de metronidazol na dose de 15 mg/kg, por via Endovenosa (EV), por 3
dias, e penicilina na dose 60.000 UI por via IM, nos primeiros 7 dias, diminuindo depois para
40.000 UI por mais 7 dias. Foi realizada a imunização através da vacinação para Tétano em dose
única durante o tratamento (5° dia de tratamento) e também a aplicação de relaxante muscular
(Coltrax®) a cada 72 horas por via IM. O animal também foi mantido em baia escura, longe
de ruídos ou quaisquer outros estímulos externos durante todo o tratamento. Após 15 dias de
tratamento o animal se mostrava hígido. O tratamento utilizado, nas doses e frequências acima
mencionadas se mostraram eficientes para espécie em questão, podendo ser utilizada para o
tratamento frequente de tétano.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Residente de Clínica e Cirurgia de
Grandes Animais, FESB- Bragança
Paulista/SP
([email protected]);
² Docente do Curso de Medicina
Veterinária da FESB- Bragança Paulista/
SP;
³ Graduandos do Curso de Medicina
Veterinária da FESB-Bragança Paulista/SP
Muar, Tétano, Funiculite, Orquiectomia.
117
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 118 - setembro/dezembro, 2014
Relato de Caso: Potra com otite
média por Proteus mirabilis e
abscesso na base externa do conduto
auditivo
Matheus Cavalcanti de FARIAS¹, Adelaide Caroline Primo da SILVA¹, Felipe Sales
BOUDUX², Cláudio Coutinho BARTOLOMEU³, Marcos Antonio Lemos de OLIVEIRA³,
Paulo Fernandes de LIMA³
¹ Residente de Clínica e Cirurgia de
Grandes Animais, FESB- Bragança
Paulista/SP
([email protected]);
² Docente do Curso de Medicina
Veterinária da FESB- Bragança Paulista/
SP;
³ Graduando do curso de Medicina
Veterinária FESB-Bragança Paulista-SP.
Foi atendido no HVET da Fundação de ensino Superior de Bragança Paulista (FESB)-SP,
uma potra da raça Mangalarga Marchador, com 4 meses de idade, pesando 100 kg, com histórico de otite média recidivante e formação de abscesso na base externa do mesmo conduto
auditivo. O animal apresentava ainda lesão do Nervo facial esquerdo, clinicamente notada
pela paralisia facial unilateral e úlcera de córnea superficial do mesmo antimero. Por se tratar
de um caso crônico e recidivante, optou-se pela ablação total do conduto auditivo (conduto
vertical e horizontal) esquerdo e curetagem do abscesso sob Anestesia Geral Inalatória. Optou-se pelo envio do material purulento de aspecto caseoso encontrado no conduto para cultura
e antibiograma, isolou-se a bactéria gram negativa Proteus mirabilis. Dentre os antibióticos
sensíveis através do antibiograma, optou-se pelo uso pós-operatório de gentamicina, na dose
de 6 mg/kg, por via EV, SID, por 7 dias. Utilizou-se também curativo local com pomada à
base de neomicina e bandagem compressiva. Para o tratamento da úlcera de córnea utilizou-se
colírio a base de tobramicina, 4 vezes ao dia, pomada epitezan® 2 vezes ao dia, colírio com
soro autólogo a cada 48 horas, sendo utilizados por 30 dias. Para a lesão do N. facial utilizou-se
tratamentos fisioterápicos como: massagem com Reparil gel® durante 20 minutos, 2 vezes ao
dia; kinesio Taiping para tonificar alguns músculos mastigatórios e evitar o acumulo de alimento do lado lesionado e sessões de Acupuntura. Após 30 dias o animal se mostrava hígido. A
Técnica de Ablação total do conduto auditivo embora invasiva foi necessária diante do caráter
recidivitante e do potencial patogênico do microorganismo envolvido. A associação de colírio
contendo antibiótico e soro autógeno para o tratamento da úlcera de córnea aparece como um
tratamento atual e eficiente. Já a pomada Epitezan® utilizada sozinha no período noturno
atuou de maneira somatória para resolução da lesão de córnea já que contém aminoácidos e
cloranfenicol acelerando o processo de cura da afecção, e principalmente por apresentar ação
mais prolongada que os colírios. A utilização de Acupuntura e Kinesio Taiping mostraram-se
eficientes para a recuperação da lesão neurológica periférica existente e recuperação da função
da musculatura facial. O índice de sucesso desse caso se deveu à associação de diferentes formas
de terapia, tanto com intuito de eliminar a origem do problema quanto para corrigir as demais
alterações secundárias a ele.
PA L AV RAS - C H AV E 118
otite média, ablação, conduto auditivo.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 119 - setembro/dezembro, 2014
Ressecção de cólon maior devido à
vólvulo em equino
J.V.F. SALES¹; V.D. MELOTTI¹; L.R. ANDRADE¹; M.B. PASSOS¹; N.F.O. OLIVEIRA¹; C.H.C.
SAQUETTI²
Devido às peculiaridades anatômicas no aparelho digestivo dos equinos, uma das principais afecções que acometem esta espécie é a síndrome cólica a qual pode ser classificada
como: timpanismo, obstrução simples, obstrução estrangulativa, infarto não estrangulante, inflamação de alças e ulceração.O cólon maior nos equinos é uma parte do intestino grosso de
aproximadamente 3,5m de comprimento de grande importância do ponto de vista da digestão
microbiana da ingesta e absorção de água e eletrólitos. É fixado na cavidade abdominal apenas
pelo ceco e pelo cólon transverso estando predisposto à deslocamentos não estrangulante e
estrangulante sendo este último mais associado à vólvulo o qual se manisfestará mais intenso
na clínica quanto maior for o grau de rotação. As afecções que envolvem o cólon maior representam, em média, 28,6% dos casos de cólica em equinos, sendo a taxa de óbito estimada em
40,5%. As obstruções estranguladas representam apenas 7,2% dos casos de cólica, no entanto, a
taxa de óbito é alta, representando 71,5% dos casos. Devido ao prognóstico desfavorável a conduta clinica é quase sempre a eutanásia contudo, técnicas de ressecção e anastomose do cólon
maior têm sido desenvolvidas com taxa de sobrevivência de 66%. Dentre as complicações da
técnica listam-se: a exposição dificultada e a extensa área a ser retirada e as lesões de isquemia
e rápida desvitalização da parede intestinal. Um equino macho, adulto, Quarto de Milha, foi
encaminhado ao Hospital Veterinário de Grandes Animais da UnB com síndrome cólica. Na
anamnese foi relatado que o animal apresentava sinais de cólica (cavar, rolar) há aproximadamente dois dias de maneira intermitente. No exame clínico inicial foi observado taquicardia
severa (92bpm), taquipnéia (40mpm), desidratação, mucosas oral e ocular hiperêmicas, temperatura retal 37,1ºC e leve abaulamento do flanco bilateral. À sondagem nasogástrica revelou
pequena quantidade de refluxo, à palpação retal revelou tênias de cólon maior e ceco bem tensas assim como distensão moderada do ceco e a paracentese revelou líquido peritoneal turvo
de coloração levemente sanguinolenta sendo assim, o animal foi encaminhado à laparotomia
exploratória. Após diérese da pele, subcutâneo e linha alba foi desinflado o ceco do animal
e foi observado um vólvulo de cólon maior severo visto que o mesmo se encontrava afetado
em aproximadamente dois terços, friável e de coloração arroxeada. O vólvulo foi desfeito e o
cólon maior foi colocado sobre a mesa de cólon. Foi realizada ressecção do mesmo na altura
das flexuras esternal e diafragmática e sutura com o padrão sultan e Cushing com fio absorvível
2. Posteriormente, a cavidade abdominal foi lavada com 10L de soro fisiológico NaCl 0,9%, as
vísceras foram reposicionadas, a linha alba suturada com o padrão de sutura Sultan com fio
absorvível 2, o subcutâneo foi reduzido com o padrão de sutura Zigue-zague com fio absorvível 2.0 e na pele foi realizado o padrão de sutura Simples interrompido com fio inabsorvível
0,6. O animal foi submetido à tratamento pós operatório baseado em gentamicina (6,6mg/kg,
IV, SID, sete dias consecutivos), penicilina benzatina (40.000UI,IM, SID, três dias alternados),
flunixin meglumine (1,1mg/kg,IV, SID, quatro dias consecutivos), dimetilsulfóxido (0,5g/kg,
IV, SID, três dias consecutivos), heparina sódica (60UI/Kg, IM, TID, quatro dias consecutivos) e
dipirona sódica (20mg/kg, IV, BID, quatro dias consecutivos). Devido à endotoxemia severa o
animal acabou desenvolvendo peritonite sendo realizada lavagem peritoneal durante dois dias.
Três dias após a cirurgia o animal começou a apresentar taquicardia intensa, taquipnéia, febre e
refluxo enterogástrico espontâneo e fétido. Diagnosticou-se duodeno-jejunite proximal devido
provavelmente ao íleo adinâmico que o mesmo apresentava desde o pós-operatório imediato.
Foi realizado tratamento para a enterite anterior porém o animal não respondeu vindo à óbito.
A necropsia revelou peritonite severa com sinais de endotoxemia e alças de intestino delgado
friáveis e de coloração esverdeada confirmando-se assim as suspeitas de peritonite e duodeno-jejunite proximal. Conclui-se que o prognóstico de cólicas causadas por vólvulo de cólon
maior severo é desfavorável pela grande endotoxemia que as mesmas carreiam podendo desenvolver quadros de peritonites severas além disso, sua ressecção pode levar à diminuição da digestão das fibras e das proteínas e redução da absorção de água resultando em emagrecimento.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Residente no Hospital Escola de Grandes
Animais da Universidade de Brasília
([email protected])
² Medico Veterinário Doutor da Policia
Militar do Distrito Federal e Universidade
de Brasília
enterectomia, intestino grosso, obstruções estrangulativas,
119
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 120 - setembro/dezembro, 2014
Retorno à reprodução de garanhão
mangalarga marchador acometido por
habronemose em prepúcio submetido à
cirurgia corretiva: Relato de Caso
Felipe Morales DALANEZI¹, Endrigo Adonis Braga de ARAUJO¹, Luis Fernando Mercês
Chaves SILVA¹, Sidnei Nunes de OLIVEIRA¹, Lorenzo SEGABINAZZI¹, Frederico Ozanam
PAPA².
¹ Pós-graduandos em Biotecnologia
Animal, Universidade Estadual Paulista
“Júlio de Mesquita Filho” Unesp Botucatu, SP;
² Professor do Departamento de
Reprodução Animal e Radiologia
Veterinária, Universidade Estadual
Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Unesp Botucatu, SP.
E-mail: [email protected]
A habronemose cutânea é uma patologia caracterizada pela presença de tecido de granulação proliferativo, induzido por reação inflamatória local causada pelas larvas do agente
etiológico, levando a prurido, granulação, fibrose, úlceras e, muitas vezes, uma lesão incurável.
Eosinófilos, células gigantes multinucleadas, grânulos, e, por vezes, as secções transversais das
larvas podem ser vistas examinando-se tecido afetado histologicamente. Objetivou-se relatar
um caso de habronemose cutânea em prepúcio, cujo animal foi submetido à cirurgia corretiva
retornando, em seguida, a reprodução. Um equino da raça Mangalarga Marchador, 15 anos,
tordilho, 427,0 Kg, foi atendido no Ambulatório do Setor de Reprodução Animal e Obstetrícia
Veterinária da Universidade Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Unesp – Botucatu – SP, com
aumento de volume prepucial contendo tecido de granulação, áreas fibrosadas e lesionadas,
que ocasionaram o estreitamento do óstio prepucial externo, impedindo a exposição do pênis.
À anamnese, o proprietário informou que o quadro evoluiu no período de aproximadamente
quatro meses. Ao exame clínico, o animal apresentava-se em bom estado geral, testículos móveis, simétricos, sem sensibilidade dolorosa e consistência flácida. O animal foi sedado (2,0mL
de Acepromazina) para exame do pênis que foi tracionado pelo óstio, chegando-se a conclusão da integridade. Para diagnóstico definitivo e conclusão do caso clínico realizou-se biópsia
prepucial, sendo visualizado nas lâminas secção de larvas. Para combater as larvas e reduzir o
tecido de granulação foi dado início a um tratamento local, com pomada composta de 500g de
pomada a base de Digluconato de Clorexidina, 20mL de Dexametasona, 20mL de Dimetilsulfóxido (DMSO), 12mL de Doramectina e 100g de Organofosforado, além de duas aplicações
de 10mL de Ivermectina intramuscular. Após 60 dias do tratamento supracitado realizou-se a
cirurgia para retirada de anel fibroso e reconstituição do óstio prepucial externo para exposição
do pênis. Efetuou-se a tração do prepúcio, seguida de uma incisão circunscrita distal (caudal
à lesão) e uma proximal (cranial à lesão), sendo a porção delimitada entre as duas incisões
o tecido a ser removido. Antes da retirada dessa porção, para facilitar a sutura e não ocorrer
torção da mucosa prepucial, efetuou-se a colocação de quatro pinças Kocher equidistantes no
ponto de união com a pele, sendo uma anterior, duas laterais e uma posterior. Uma terceira
incisão longitudinal conectando as duas circunferências foi realizada para facilitar a dissecção.
Após a retirada da porção fibrosada as bordas foram unidas e suturadas com pontos tipo Wolf
e fio Supramid®. No período pós-operatório o animal foi tratado com Penicilina (30.000 UI/
Kg/IM, duas aplicações com intervalo de 72h), Flunixin Meglumine (1,1mg/kg/IV/BID, por 3
dias), além de tratamento local constituído de iodo tópico (10%) e ectoparasiticida-repelente
a base de Carbaryl e Cipermetrina. Transcorrido sete dias foram retirados os pontos e iniciado a realização de ducha bilateral duas vezes ao dia, além de utilização de suspensório para o
prepúcio, com o objetivo de controlar o edema gravitacional. Transcorrido 22 dias da cirurgia
realizou-se a primeira coleta de sêmen, em manequim, obtendo-se os seguintes parâmetros: volume: 20mL, concentração: 15x106sptz/mL, motilidade total: 40%, motilidade progressiva 20%
e espermatozoides rápidos 28% (CASA; HTM-IVOS 12; Hamilton Thorne Research, Beverly,
MA, USA). Passados 10 dias da primeira, realizou-se a segunda coleta de sêmen, obtendo-se os
parâmetros: volume: 25mL, concentração: 52x106sptz/mL, motilidade total: 56%, motilidade
progressiva 25% e espermatozoides ápidos 41%. Sendo assim, com o restabelecimento da saúde
e da capacidade reprodutiva o animal teve alta hospitalar. Durante a estação de monta subsequente obteve-se 4 prenhezes deste garanhão, determinando assim a eficiência do tratamento
realizado, por permitir o retorno da capacidade reprodutiva.
PA L AV RAS - C H AV E 120
equino, habronema, correção cirúrgica
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 121 - setembro/dezembro, 2014
Ruptura de ligamento suspensório
do boleto em equino
P.R. FIRMINO¹; A.S. ALCOFORADO¹; G.S.L. SOARES¹; E.G. MIRANDA NETO²; D.M. ASSIS²;
A.B. SOUSA³.
O aparelho suspensório do boleto tem a função de impedir a extensão exagerada da articulação metacarpofalangeana na sustentação do peso e fase de apoio na locomoção. O aparelho suspensório é formado pelas seguintes estruturas: ligamento suspensório do boleto (LSB),
ossos sesamóides proximais e ligamentos sesamóideos distais. Ruptura ou quebra de alguma
dessas estruturas leva a perda da função do aparelho, causando a disfunção flexora e deslocamento palmaro-distal da articulação metacarpofalangeana. O tratamento preconizado se baseia
na imobilização da articulação e controle da dor. Relato de caso: Foi encaminhado ao Hospital
Veterinário da Universidade Federal de Campina Grande-Campus Patos-PB, um equino, macho, da raça quarto de milha, pesando aproximadamente 450 quilos, com 5 anos de idade. Na
anamnese foi relatado que no dia anterior o animal estava em um piquete, e, ao abrir a porteira
o animal saiu em alta velocidade, na fuga, saltou um obstáculo semelhante a uma “barreira”
formada por pedras e areia, de aproximadamente 1 metro de altura, durante a aterrissagem
ao apoiar os membros anteriores o animal sofreu uma queda, sendo observado logo após, um
“afundamento” de ambos os boletos dos membros anteriores. No exame físico foi observado
dor intensa, sudorese e acentuado edema na região metacárpica palmar nos dois membros
anteriores. O animal se apresentava em decúbito lateral e, quando estimulado, conseguia ficar
pouco tempo em estação, executando alguns passos com relutância e logo voltando ao decúbito. Os parâmetros vitais estavam dentro da normalidade, com exceção de taquicardia. A
claudicação de ambos os membros anteriores era evidente e com marcada hiperextensão da
articulação metacarpofalangeana que, alguma vezes, chegava a tocar o solo com a sua superfície
palmar, dessa forma, a formação ferimentos na pele na região palmar do boleto já se evidenciava. O animal foi submetido ainda a exames de ultrassom e raios-X. Com os achados do exame
clínico e de imagem, foi possível diagnosticar uma ruptura bilateral do ligamento suspensor
do boleto. O tratamento se baseou na imobilização da articulação do boleto com a elevação
do talão e administração de fenilbutazona (4,4 mg/kg IV a cada 24h) e dexametasona (0,2 mg/
kg IV a cada 24 h) durante 7 dias. Inicialmente foi utilizado gesso comum, porém o mesmo
não conseguiu suportar o peso do animal. Após 10 dias foi feita uma nova imobilização com
gesso sintético a base de fibra de vidro (ScotchcastMR ®), apesar da boa estabilidade do boleto
proporcionada por esse material, onde o animal passou a ficar mais tempo em estação, após 15
dias percebeu-se um odor desagradável na lesão, além de escaras de decúbito na articulação do
cotovelo e bilateralmente na pelve. Foi retirado o gesso e observou uma ferida com secreção
purulenta e tecido necrosado no boleto. A evolução clínica não foi satisfatória, tendo em vista o
sofrimento progressivo do animal optou-se pela eutanásia. Na necropsia foi observada a presença de uma grande quantidade de fibras rompidas nos ramos lateral e medial do LSB de ambos
os membros anteriores na mesma altura, aproximadamente 3 centímetros distal a bifurcação
do ligamento. Apesar das lesões não caracterizarem ruptura total, a gravidade da injúria foi
suficiente para desestabilizar a articulação metacarpofalangeana. A terapia recomendada indica
uma imobilização por um tempo necessário para a formação de um tecido fibrótico capaz de
dar um mínimo de estabilidade para o boleto e assim preservar a vida do animal, objetivo esse
não alcançado devido a dor contínua e intensa não controlada pelos antiinflamatórios, formação de ferimentos na região das articulações e das escaras do decúbito. Portanto, a ruptura do
LSB é uma patologia de diagnóstico relativamente simples devido sua apresentação clínica, mas
de difícil recuperação como destacam vários autores, sobretudo quando a enfermidade ocorre
de forma rara acometendo mais de um membro, impossibilitando o animal de distribuir o seu
peso no membro contralateral.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico Veterinário, Residente em
Clínica e Cirurgia de Grandes Animais
da UFCG, Campus de Patos-PB, e-mail:
[email protected];
² Médico Veterinário, Hospital Veterinário
UFCG, Campus de Patos-PB;
³ Aluno do Curso de Medicina Veterinária,
Unidade Acadêmica de Garanhus, UFRPE,
Garanhuns, PE.
equino, ligamento, ruptura, boleto, imobilização.
121
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 122 - setembro/dezembro, 2014
Sarna psoróptica equina - Relato de
dois casos
Victor Fernando Santana LIMA¹; Gabriela da Cruz PIEDADE¹; Aiala Priscila Conceição
SOUZA¹; Vivian Santos OLIVEIRA¹; Paula Gomes RODRIGUES²;César Andrey Galindo
OROZCO³;Patrícia Oliveira MEIRA-SANTOS³
¹ Graduando (a) do curso de Medicina
Veterinária, Universidade Federal de
Sergipe, São Cristóvão, Sergipe.
E-mail:
[email protected]
² Docente do Departamento de Zootecnia,
Universidade Federal de Sergipe, Sergipe.
E-mail: [email protected]
³ Docente do Departamento de Medicina
Veterinária, Universidade Federal de
Sergipe, Sergipe.
E-mail: [email protected]
Ácaros do gênero Psoroptes são os principais causadores da sarna psoróptica em herbívoros,
acometendo principalmente caprinos, bovinos e ovinos. Os animais parasitados apresentam-se clinicamente debilitados, com alopecia, crostas, prurido, queda na produção/performance,
podendo ocorrer óbito. Infestações por Psoroptes spp. na espécie equina (Equus caballus) são
escassas na literatura. Inglaterra, Austrália e alguns países da África do Sul e América do Norte
relataram casos desta ectoparasitose em equinos. No Brasil, a maioria dos casos foi descrito em
alguns estados das regiões Sul e Sudeste. Sendo assim, objetivou-se com este trabalho relatar a
ocorrência de sarna psoróptica em dois equinos do estado de Sergipe. Os dois animais (de ambos os sexos e sem raça definida), procedentes da apreensão realizada pela Polícia Rodoviária
Federal, foram examinados no Curral de Apreensão (CA) da prefeitura municipal de Aracaju,
Sergipe. Informações pregressas sobre ambiente, alimentação, manejo, vermifugação ou administração de qualquer medicação nos dois animais eram inexistentes. No CA, o ambiente
era arenoso, a alimentação era exclusivamente de ração farelada e capim, havendo equídeos,
cães, gatos e aves como contactantes. À avaliação clínica, foram observados carrapatos e sinais
clínicos compatíveis com sarna: alopecia, prurido, presença de crostas e caspas, escoriações, seborreia, anorexia e pelos opacos. Foram verificados, também, gengivite, mucosas hipocoradas,
linfadenopatia, feridas no conduto auditivo, secreção nasal e aumento de volume na articulação metacarpofalangeana. Ambos os equinos foram submetidos ao raspado cutâneo, sendo o
material biológico depositado em tubo coletor umedecido com óleo mineral, identificado e
transportado para análise no Laboratório de Parasitologia Veterinária do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Sergipe. A análise foi realizada por microscopia
óptica com aumento de até 400 X, após leve maceração com hidróxido de potássio 10%. Ovos
e formas adultas de ácaros do gênero Psoroptes foram visualizados. Os resultados obtidos na
avaliação clínica, exame clínico e raspado cutâneo levaram ao diagnóstico de Sarna Psoróptica
Equina. O presente relato é demonstra a existência de infestação por Psoroptes em equinos no
Estado de Sergipe, ampliando assim, a distribuição geográfica dessa parasitose pelo território
brasileiro. As alterações macroscópicas associadas ao diagnosticado laboratorial, são ferramentas fundamentais para um diagnóstico precoce e sucesso terapêutico nos animais parasitados.
PA L AV RAS - C H AV E 122
ácaros, equinos, raspado cutâneo.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 123 - setembro/dezembro, 2014
Síndrome cólica em equino por
capim Panicum maximum cv.
Tanzânia: relato de caso
A. S. ALCOFORADO¹; G. S. L. SOARES ¹; D. M. ASSIS ²; J. M. MEDEIROS ²; E. G. MIRANDA
NETO³; D. A. SANTOS JÚNIOR4
A síndrome cólica é uma das enfermidades que mais acometem os equinos, sem distinção
de raça, idade e sexo. As principais causas estão relacionadas ao manejo alimentar incorreto. Na
maioria dos casos, os sinais clínicos são bem evidenciados, o que torna fácil reconhecer que o
equino apresenta síndrome cólica. Por outro lado, frequentemente há dificuldade de elucidar
a etiopatogenia. Este trabalho teve como objetivo relatar um caso de cólica gasosa por capim
Panicum maximum cv. Tanzânia, em uma égua, Quarto de Milha, 4 anos, 460Kg, gestante de
aproximadamente 6 meses, atendida no Hospital Veterinário-UFCG Patos-PB com histórico
de confinamento em baia durante o dia, alimentada com 5Kg de ração concentrada divididos
em duas ofertas, um pela manhã e outra à tarde. Após 1,5h da oferta de ração concentrada era
disponibilizada forragem constituída de gramínea Pennisetum purpureum picado em máquina forrageira. Durante a noite o animal era mantido solto em piquete com acesso a pasto de
Panicum maximum cv. Tanzânia e água a vontade. Na anamnese o proprietário relatou que na
manhã anterior a condução do animal ao HV, ele notou que o paciente estava apático e que
não comeu a ração oferecida diariamente. De tarde apresentou dor, deitando e levantando
constantemente, quando foi chamado o MV que sondou a égua, administrou 32L de solução
NaCl 0,9% iv e duas aplicações de Flunixim meglumine com intervalo de 3h. Sempre após 2h
da aplicação a égua voltava a apresentar dor. Pela manhã, antes de ser conduzida para o HV,
foram administrados laxante via sonda e dipirona iv, mas não houve melhora. Pelo exame físico
observou-se bom estado nutricional, apatia, desidratação de aproximadamente 8%, mucosas
congestas e halos cianóticos na mucosa oral, TEC 4seg, FC 96bpm, FR 36mpm, distensão abdominal bilateral com som timpânico à percussão, hipomotilidade no ceco e cólon maior direito.
Demais alças intestinais com atonia. Coletou-se líquido peritoneal de coloração rosa-moderado. Pelos sinais clínicos e falta de sucesso no tratamento anteriormente realizado ainda na propriedade, optou-se pelo tratamento cirúrgico após estabilizar o paciente. Foram administrados
32L de Ringer lactato iv. Pela celiotomia exploratória com enterotomia, as anormalidades que
mais chamaram atenção foram fibras mal digeridas e muitas bolhas de gás no intestino grosso.
Após a cirurgia a égua foi observada em piquete com água a vontade e a pastagem nativa. O
tratamento pós-cirurgico foi Flunixim meglumine 1,1 mg/Kg/iv/SID/3 dias, gentamicina 6,6
mg/Kg/iv/SID/7dias, penicilina benzatina 22.000UI/Kg/im/q48h/ 3 aplicações, soro antitetânico 5.000UI/ dose única, suplemento vit/min/aminoácidos/pro e prebiótico 8 g/vo/SID/7dias,
Ringer lactato 10L/iv/3 dias, contendo 50 ml de gluconato de cálcio 10%. A égua se recuperou
sem intercorrências, ficando claro que o MV deve juntar os resultados dos exames físico e
complementares para optar pelo tratamento correto ou encaminhar o mais rápido possível se
o tratamento necessário for cirúrgico ou em caso de dúvida, a fim de otimizar o prognóstico e
as chances de sucesso.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico(a) Veterinário(a) – Residente HV/UFCG/CSTR - Campus de Patos-PB,
Av. Universitária,s/n, Santa Cecília,
Cep: 58708-110, Patos-PB. E-mail:
[email protected];
² Médico(a)Veterinário(a) - HV/UFCG/
CSTR;
³ Médico(a)Veterinário(a) - Professor(a) –
HV/UAMV/CSTR/UFCG;
4
Mestrando -PPGMV/CSTR/UFCG.
Equino, Cólica gasosa, Panicum maximum.
123
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 124 - setembro/dezembro, 2014
Síndrome cólica por evisceração de
flexura esternal - Relato de Caso
Pollyanna Cordeiro SOUTO¹; Jorge Henrique Magalhães COSTA¹; Jefferson Ayrton Leite de
Oliveira CRUZ1; Alexandre Cruz DANTAS¹, Janaina Azevedo GUIMARÃES¹; Beatriz Berlinck
DUTRA VAZ¹
1
Departamento de Medicina Veterinária,
Universidade Federal Rural de
Pernambuco. Av. Dom Manuel de
Medeiros Gonçalves s/n, Dois Irmãos,
Recife-PE, CEP 52171-900.
Autor para correspondência:
[email protected]
A evisceração tem como característica a saída de vísceras de uma cavidade para fora do corpo, ficando essas em contato com o ambiente externo. Pode ser decorrente de uma deiscência
de ferida operatória ou por ferida traumática. O diagnóstico é simples e o prognóstico varia de
reservado a ruim. O presente relato refere-se à ocorrência de evisceração da flexura esternal com
estrangulamento, em uma égua da raça Mangalarga Machador, 6 anos, que teve o abdômen
perfurado na região crânio ventral direita, por uma estaca de cerca. Segundo o proprietário, a
égua se feriu ao tentar pular a cerca, quando então ficou presa a estaca. Ao se retirar a estaca foi
possível observar uma ferida com exposição de intestino. Relatou ainda que tentou colocar a
víscera para dentro e, como não conseguiu, decidiu encaminhar o animal ao Hospital Veterinário da UFRPE. No exame físico o paciente apresentava-se inquieto, com mímica de dor intensa,
taquicardia, taquipnéia, mucosas congestas e a flexura esternal exteriorizada apresentando comprometimento circulatório. Após o exame físico foi constatada a inviabilidade do tratamento
devido à gravidade do quadro apresentado pelo animal e, assim, optou-se pela eutanásia. Pela
necropsia foi observado que no antímero direito na área crânio ventral do abdômen, havia uma
ferida perfuro contusa medindo cerca de 20 cm de diâmetro, com reação inflamatória nas bordas. Por esta estava presente à flexura esternal, a qual se encontrava suja de areia, com coloração
vermelha escura e edemaciada. A cavidade abdominal apresentava volume aumentado do líquido peritoneal de coloração avermelhada. O segmento esquerdo do cólon ventral apresentava-se
com coloração arroxeada e com os vasos sanguíneos ingurgitados. A flexura esternal, pela área
lesionada da parede abdominal, foi exteriorizada ao ambiente o que ocasionou contaminação
e caracterizou a evisceração. As chances de recuperação foram consideradas mínimas por se
tratar de lesões graves, desvitalização tissular, espécie sensível a peritonite e tempo prolongado
de exposição visceral. Estas situações devem ser consideradas como emergência e o tratamento
cirúrgico deve ser realizado o mais rápido possível.
PA L AV RAS - C H AV E 124
equino, abdômen agudo
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 125 - setembro/dezembro, 2014
Tetano em equino – Relato de Caso
M. ARRIVABENE¹; T. V. CAVALCANTE¹; F. R. ALVES², T. N. COSTA³; C.A. NEVES4; P.M.V.
SOUSA4
O tétano é uma doença infecciosa grave que pode levar à morte, é causada por neurotoxinas produzidas pelo Clostridium tetani. A bactéria é introduzida nos tecidos através de
ferimentos, em ambiente anaeróbio, se prolifera e produz neurotoxinas, posteriormente ocorre
liberação das neurotoxinas tetanolisina, tetanospasmina e toxina não-espasmogênica, desencadeando a doença. O período de incubação varia de uma a várias semanas, mas em média é de
10 a 14 dias, o diagnóstico é realizado pelo exame clínico e dados epidemiológicos, os sintomas
são contraturas espasmódicas e tônicas dos músculos, febre alta, orelhas eretas “orelhas em tesoura”, a cauda rígida e estendida “cauda em bandeira”, narinas dilatadas e a terceira pálpebra
prolapsada, a marcha torna-se difícil, podendo cair após estímulos, a rigidez da musculatura
dos membros faz com que o animal assuma postura de “cavalo de pau” com os membros estirados e abertos, constipação e retenção urinária são comuns. O presente trabalho relata um caso
de tétano em um equino, fêmea, raça Quarto de Milha, atendido no Rancho SM em Teresina
– PI, o animal sofreu uma lesão por chifre de boi na fronte, realizada sutura por um leigo, não
foi administrado nenhuma medicação e posteriormente só curativos com repelente, cinco dias
após a lesão, foi a decúbito, com dificuldade respiratória, apático, com a musculatura enrijecida,
momentos de apatia intercalados com espasmos, fronte edemaciada, nistagmo, FR=60mpm,
FC=44bpm, TR=38,9°C, TPC=2seg, mucosas normocoradas, movimentos intestinais diminuídos, orelhas em tesoura e cauda em bandeira. Diagnóstico de Tétano, realizado tratamento à
base de: 100mL de Dimetilsulfóxido diluídos em 1 litro de solução de glicose 5%/ EV/24-24horas/7aplicações, 10000 UI de soro antitetânico via IM, antibiótico à base Penicilina benzatina e procaína 80.000UI/kg/IM/24-24horas/7aplicações, 1,1 mg/kg de Flunixin meglumine via
EV/24-24 horas/7aplicações, 10 mg de Triclorometiazida, 0,5mg de Dexametazona via IM/24-24
horas/3 aplicações, Fluidoterapia à base de Solução de Ringer com Lactato associado a 60ml
de antitóxico durante todo o tratamento, retirado os pontos do ferimento e feita limpeza com
H2O2 10v, aplicação de pomada cicatrizante e repelente diariamente até completa cicatrização,
o animal levantou-se, com postura típica de tétano, voltando a decúbito após uma hora, respondendo a estimulo auditivo e luminoso; mantido em ambiente protegido de luz e som, após
24 horas levantou-se em postura de cavalete, inquieto, sem visualização, movimentação a esmo,
orelha em tesoura, cauda em bandeira, tentando alimentar-se, sem deglutição, não defecou, urinou pouco e andar cambaleante. Oito dias após inicio do tratamento o animal não apresentava
sintomatologia de tétano, retornando todos os parâmetros à normalidade ficando em observação por mais 10 dias, recebendo alta. Concluímos que a falta de atendimento emergencial
pode gerar várias complicações, entre elas o tétano, e que o tratamento descrito na literatura é
eficaz desde que seja realizado no inicio da afecção.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Departamento de Clinica e Cirurgia
Veterinária – Centro de Ciências Agrárias
(CCA) – Universidade Federal do Piauí
(UFPI);
² Departamento de Morfofisiologia
Veterinária – Centro de Ciências Agrárias
(CCA) – Universidade Federal do Piauí
(UFPI);
³ Médica Veterinária Liberal;
4
Graduanda Curso de Medicina
Veterinária/CCA/UFPI
espasmos, músculo, equídeos, Clostridium tetani.
125
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 126 - setembro/dezembro, 2014
Tétano em potro com persistência de
úraco
G.S.L. SOARES¹; A.S. ALCOFORADO¹; D.A. SANTO JUNIOR²; E.G. MIRANDA NETO³; J.M.
MEDEIROS³
¹ Médico Veterinário, Residente em
Clínica e Cirurgia de Grandes Animais da
UFCG, Campus de Patos-PB,
E-mail: [email protected];
² Médico Veterinário, Mestrando em
Medicina Veterinária pelo Programa de
Pós Graduação em Medicina Veterinária
da UFCG, Campus de Patos-PB;
³ Médico Veterinário, Hospital Veterinário
UFCG, Campus de Patos-PB
Tétano é uma doença infecciosa, caracterizada pela rigidez muscular e morte causada por
parada respiratória. Exotoxinas produzidas pelo Clostridium tetani são as responsáveis pela
causa da doença. O C. tetani é uma bactéria anaeróbia que está presente no trato intestinal dos
herbívoros e no solo. A doença ocorre em todo o mundo e atinge todas as espécies de animas de
interesse zootécnico. A infecção ocorre geralmente através de uma porta de entrada que pode
ser uma ferida perfuro-cortante, procedimentos cirúrgicos como a castração e o corte de cauda,
aplicação de medicamentos parenterais e em animais neonatos através da infecção umbilical.
Os sinais clínicos consistem em rigidez muscular, tremor, trismo mandibular, prolapso da terceira pálpebra, orelhas eretas, postura de cavalete, calda em bandeira, espasmos musculares e,
dificuldade de deglutição. O diagnóstico de tétano é realizado através do histórico do animal
juntamente com os sinais clínicos característicos, geralmente os exames clínico-laboratoriais
são inconclusivos para o diagnóstico definitivo da doença e há ausência de lesões post mortem. O tratamento visa promover o relaxamento muscular, eliminar a bactéria produtora da
toxina, neutralizar a toxina, manter a hidratação e a nutrição do animal, garantir um ambiente
tranquilo e uma cama macia, além dos cuidados de enfermagem necessários. O objetivo deste
trabalho é relatar um caso de tétano em um potro, oriundo do município do Congo, localizado
no Cariri do Estado da Paraíba. Um equino macho, com 18 dias de vida, mestiço, foi atendido
no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Campina Grande. O animal era mantido
junto à mãe, sua alimentação era exclusivamente leite materno. O proprietário relatou que há
aproximadamente quatro dias o animal cai no chão e não conseguia levantar sozinho e quando
colocado em estação apresentava dificuldade para caminhar e andar rígido. Foi relatado também que após o nascimento o mesmo teve uma inflamação do umbigo que foi tratada com
repelente em spray. Ao exame clínico observou-se que o animal apresentava-se em decúbito
lateral permanente, levantando-se apenas com ajuda, protrusão de terceira pálpebra, orelhas
eriçadas, calda em bandeira, hipermetria, rigidez do pescoço, posição de cavalete e dificuldade
de deglutição com refluxo do leite pelas narinas. Na inspeção do umbigo constatou-se cordão
umbilical espessado com presença de pequena quantidade de secreção purulenta e drenando
urina. Diante dos achados clínicos e da anamnese, chegou-se ao diagnóstico de tétano, possivelmente associado a um quadro de infecção do cordão umbilical e a persistência de úraco. Foi
instituída terapia antimicrobiana com benzilpenicilinaprocaína (40.000 UI/kg, IM, três aplicações a cada 24 horas) seguida de duas aplicações de benzilpenicilinabenzatinacom intervalo de
48 horas, soro antitetânico (15.000 UI, IM, dose única), acepromazina (0,05 mg/kg, IV, a cada
8 horas), reposição hidroeletrolítica diariamente e administração de 25 mg de permanganato
de potássio diluído em 500mL de solução cloreto de sódio a 0,9% a cada 24 horas. Além disso, foi realizada a limpeza do umbigo com solução fisiológica, clorexidin degermante e água
oxigenada. A doença começou a se manifestar num intervalo de uma a duas semanas após a
infecção do umbigo o que está de acordo com a literatura. O diagnóstico definitivo de tétano
foi estabelecido de acordo com os sinais clínicos característicos da doença, sem a necessidade de
exames complementares, como relatam os livros. O animal começou a apresentar melhora imediatamente após o início do tratamento e após 15 dias recebeu alta hospitalar o mesmo ocorreu
com búfalos no estado do Pará que tiveram tétano após aplicação de vacina intramuscular com
agulhas contaminadas. O tratamento realizado seguiu o sugerido pela literatura, obtendo-se
um bom resultado. Com este relato conclui-se que infecções umbilicais podem ser a causa do
tétano em potros neonatos.
P A L A V R A S - C H A V E equino, Clostridium tetani, Umbigo.
126
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 127 - setembro/dezembro, 2014
Torção de jejuno e compactação
de íleo em equino quarto de milha
vaquejada – Relato de Caso
D.A. SANTOS JÚNIOR¹; D. M. ASSIS²; J. M. MEDEIROS²; E.G. MIRANDA NETO²; A.S.
ALCOFORADO³; G. S. L. SOARES³.
A etiologia da síndrome cólica é múltipla e controversa. Em alguns animais a causa pode
ser evidente, como na sobrecarga de grãos ou por obstrução por corpo estranho, mas muitas vezes a determinação do fator desencadeante torna-se impossível para o clínico. As compactações
formam-se preferencialmente em locais onde ocorre diminuição do diâmetro intestinal como
por exemplo flexura pélvica e transição do cólon dorsal direito para o cólon transverso e podem
ocorrer próximo a esfíncteres como o íleo-cecal e ceco-cólico. Objetivou-se relatar um caso de
um equino que deu entrada no Hospital Veterinário (HV) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campus de Patos-PB, macho, 4 anos, 470 Kg, criado em regime intensivo
(embaiado), alimentado a base de concentrado comercial (6Kg em 3 porções diárias) + capim
elefante (Pennisetum purpureum) picado, água de rio e sal mineral próprio para equinos ad
libitum. Na anamnese, a queixa principal era que o animal teria sofrido um acidente durante
uma prova de vaquejada, onde levou uma chifrada de boi na região das costelas e encontrava-se
edemaciado, até então esse era o problema encontrado. Ao exame clínico foi constatado ruptura da musculatura no 9° espaço intercostal e o tratamento local foi instituído: 15 minutos de
gelo, massagem com Ekyflogyl® e meloxicam IV, 0,6 mg/Kg, SID, durante 10 dias. O animal
ficou interno no HV para observação, recebendo feno de Tifton (Cynodon spp.) e água ad
libitum. No sexto dia de tratamento o paciente foi encontrado na baia com sintomatologia
característica da síndrome cólica, sendo examinado pela equipe técnica e encaminhado para o
setor de cirurgia. À cirurgia, foi observado distensão gasosa moderada de ceco, jejuno e íleo. No
íleo foi observado compactação e aneurisma na porção íleo-cecal de aproximadamente 4 cm de
diâmetro e diminuição da motilidade. Foi observado torção de jejuno, ainda sem comprometimento de alças, sendo desfeita a torção e seu conteúdo ordenhado para o ceco desfazendo a
compactação ileal. No pós-operatório, foi instituída a antibioticoterapia: penicilina benzatina
IM (20.000 UI/Kg a cada 48 horas em 4 aplicações); gentamicina IV (4 mg/Kg, SID, por 5 dias).
Terapia antiinflamatória: Flunixin meglumine IV (1.1 mg/Kg, SID, durante 3 dias). Foi realizada profilaxia antitetânica e tratamento de suporte adicionado de solução de borogluconato de
cálcio IV (100ml diluído em solução fisiológica, durante 3 dias). O paciente ficou interno até a
retirada dos pontos. A exata etiopatogenia da formação das compactações permanece incerta.
Alterações de manejo e dieta, alterações da motilidade do trato gastrointestinal, forragem com
alto teor de lignina, acesso restrito a água, paralisia das terminações nervosas, alterações odontológicas, alterações climáticas, a restrição do exercício, assim como o confinamento abrupto
podem predispor a formação das compactações. As alterações do manejo e o fornecimento de
alimentação adequada são essenciais para o sucesso do tratamento, portanto, restrição alimentar, até a resolução do quadro clínico, fornecimento de água fresca à vontade, alimentação com
forragem de qualidade no período de convalescença, devem ser realizados. O controle da dor
durante o atendimento inicial, bem como durante o período de internamento /tratamento, é
essencial para impedir que o animal se machuque durante quadros agudos de dor e promovem
um bem estar ao animal durante o período de tratamento.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico Veterinário, Mestrando do
Programa de Pós-graduação em Medicina
Veterinária (PPGMV) da UFCG, Campus
de Patos-PB;
E-mail do autor: [email protected]
yahoo.com.br
² Médico Veterinário, Hospital Veterinário
UFCG, Campus de Patos-PB;
³ Médico Veterinário, Residente em Clínica
e Cirurgia de Grandes Animais da UFCG,
Campus de Patos-PB.
torção, compactação, íleo, jejuno, cólica
127
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 128 - setembro/dezembro, 2014
Tratamento cirúrgico à campo de úraco
persistente: Relato de Caso
Natália Matos Souza AZEVEDO¹*, Márlon de Vasconcelos AZEVEDO¹, José Carlos Ferreira
da SILVA², Paulo Fernandes de LIMA³, Marcos Antônio Lemos de OLIVEIRA³, Hélio
Cordeiro MANSO FILHO4
¹ Doutorando do Programa de Pós
Graduação em Ciência Veterinária da
UFRPE, Recife-PE
2
Graduando do Curso de Medicina
Veterinária da UFRPE, Recife-PE
³ Professor Orientador da Área de
Reprodução Animal da UFRPE, Recife-PE
4
Núcleo de Pesquisa Equina,
Departamento de Zootecnia, UFRPE,
Recife-PE
O úraco é um pequeno canal que corre junto aos vasos umbilicais, cuja finalidade é a de
eliminar a urina fetal para a cavidade alantoideana, formando o líquido alantoide. A persistência ou não-regressão do conduto urinário fetal, que em condições normais se oblitera logo
após o nascimento, possibilita a eliminação da urina através do umbigo. A urina escorre gota
a gota pelo coto umbilical, que em sua base está sensível, quente e úmido. Ocasionalmente, a
afecção regride espontaneamente após alguns dias, no entanto, deve-se iniciar o tratamento
imediatamente, aplicando-se tintura de iodo entre 2 e 5% ou nitrato de prata a 1% em torno
do anel umbilical, uma vez ao dia. Porém, o paciente deve ser monitorado frequentemente,
pois se houver alterações de frequência cardíaca, respiratória, congestão de mucosas, apatia e
outros sinais indicativos de septicemia deve-se intervir, de imediato, cirurgicamente. Foi atendido, um potro de 5 dias de vida apresentando sintomatologia de úraco persistente. Ao exame
clínico observou-se gotejamento de urina pelo umbigo, congestão de mucosas e sinais de dor,
sendo indicado tratamento cirúrgico. A cirurgia foi realizada a campo, sedando-se o animal
com xilazina a 10% na dose de 0,5 mg/kg. Após 15 minutos foi feita a indução com 2,0 mg/kg
de quetamina a 10% associada a 0,5 mg/kg de diazepan. Posteriormente a indução, realizou-se
a manutenção anestésica através da infusão tripla de EGG a 5% associada com xilazina a 10%
e quetamina a 10% com o dobro da dose de indução. Realizou-se a tricotomia da região abdominal ventral, rigorosa antissepsia cirúrgica com o uso de iodo degermante, iodo povidine e
álcool a 70%. Com o auxílio de um bisturi foi realizada incisão de pele e subcutâneo e a linha
Alba foi incidida com uma tesoura para acesso da cavidade abdominal. Após a identificação do
trígono vesical foi realizada a sutura do úraco, fechando a comunicação ùraco/umbigo, com fio
cat-gut 2-0. Posteriormente, suturou-se a linha Alba com fio de naylon de 50 mm, subcutâneo
com fio cat-gut 2-0 e pele com fio de naylon 2-0. O tratamento pós-operatório consistiu na administração intramuscular de 30.000 UI/Kg pencicilina benzatina, 1 vez ao dia por 7 dias, 6,6
mg/kg gentamicina, via intramuscular, 1 vez ao dia por 5 dias, flunixin meglumine 1,1mg/kg,
1 vez ao dia por 5 dias e soro antitetânico em dose única. Para o tratamento da ferida cirúrgica
foi prescrito limpeza, 2 vezes ao dia, com solução de iodo povidine a 5%, pomada antibiótica e
bandagem. Após a cirurgia observou-se que o animal urinava apenas pelo pênis e sete dias do
pós-operatório, os pontos encontravam-se íntegros, sem secreção e sujidades. Quinze dias após
a cirurgia, retiraram-se os pontos e o animal recebeu alta. O tratamento pode ser clínico ou
cirúrgico, existindo controvérsias na literatura quanto a essas opções. O conservativo, segundo
alguns autores, coloca em risco a vida do animal, haja vista que a urina na cavidade abdominal
pode culminar com um quadro de septicemia e o paciente vir a óbito rapidamente, caso o
mesmo não esteja sendo monitorado, razão pela qual se optou pelo tratamento cirúrgico. Com
esse relato é possível sugerir que a cirurgia de úraco persistente pode ser realizada com sucesso
a campo.
PA L AV RAS - C H AV E 128
neonatologia, cirurgia, úraco patente.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 129 - setembro/dezembro, 2014
Tratamento cirúrgico a campo em
equino portador de laceração do
tendão extensor digital comum Relato de Caso
Renato A. OLIVEIRA¹*, Marcos D. DUARTE², José Alcides S. SILVEIRA², Tatiane T.
ALBERNAZ² E Natalia S. SILVA³
A ruptura do tendão do extensor digital comum (TEDC) é relativamente frequente em
equinos. Os acidentes por arame liso constituem as causas da maior parte dos casos, sendo que
a laceração geralmente ocorre entre o boleto e o carpo. O histórico e os sinais clínicos, como
incapacidade de estender o boleto e “emboletamento”, facilitam a definição do diagnóstico. No
caso de secção dos tendões extensores, recomenda-se a intervenção cirúrgica. Foi atendido no
município de Castanhal - PA, um equino, macho, raça Árabe, 3 anos. O animal mantido em
piquete cercado por arame liso foi encontrado apresentando uma ferida lacerada na face dorsal
do membro torácico direito, na área entre o boleto e o carpo. Durante a locomoção, o animal
apresentava incapacidade de estender o boleto, mantendo as articulações distais em flexão. Pelo
exame físico o animal mostrava-se ativo, mucosas rosadas, TPC = 1seg, TR e turgor cutâneo
normais, FC e FR aumentadas. Pela inspeção pormenorizada da lesão observou-se a ruptura do
TEDC. Decidiu-se pela intervenção cirúrgica a campo. Realizou-se pré-anestesia com cloridrato
de acepromazina 1% (0,1mg/kg/iv) + midazolan (0,1mg/kg/iv) e após 15 min. quetaminaa 10%
(2,0mg/kg/iv). A manutenção anestésica foi feita com quetamina 10% (1mg/kg/iv), sendo realizada anestesia local com cloridrato de lidocaína 2% SVC. Após tricotomia, a ferida foi lavada
e higienizada com soro fisiológico e iodopovidona 0,1% durante 5 minutos. Incidiu-se a pele e
o paratendão no trajeto do TEDC seccionado, aproximando adequadamente as extremidades.
Para a união dos cotos tendíneos empregou-se o padrão de sutura “locking-loop”, utilizando-se
fio náilon monofilamentar 0.60mm. A pele foi suturada em padrão simples separado utilizando-se fio náilon monofilamentar 0.30mm. Durante o período pós-cirúrgico administrou-se penicilina (20.000 UI/Kg/im/SID/5dias); Flunixin meglumine (1,1mg/Kg/iv/SID/3dias). A ferida
cirúrgica foi limpa diariamente com solução de iodopovidona 0,1%, recoberta com pomada de
nitrofurazona e protegida por bandagem de gaze, algodão, atadura e esparadrapo. Além do que
se utilizou uma liga de descanso no membro. O animal foi mantido em baia com cama de maravalha por 90 dias, com dieta de 40kg/dia de capim Tangola (Branchiaria mutica x Branchiaria
arrecta). Após esse período começou a ser solto em piquete durante algumas horas durante o
dia. Após cinco meses apresentou movimentação normal. Se o diagnóstico for precoce e dependendo da gravidade da lesão, o prognóstico pode ser favorável, mesmo com procedimento
cirúrgico realizado a campo.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Graduando de Medicina Veterinária.
Universidade Federal do Pará (UFPA) Campus: Castanhal.
Email: [email protected]
² Médico Veterinário da Universidade
Federal do Pará (UFPA) - Campus:
Castanhal.
³ Professora da Universidade Federal Rural
da Amazônia (UFRA).
Equino, tendão, ruptura, cirurgia a campo.
129
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 130 - setembro/dezembro, 2014
Tratamento cirúrgico de harpejamento
clássico em equino - Relato de Caso
Jorge Tiburcio Barbosa de LIMA¹, Antônio Fernando Amorim FARIAS¹, Luiz Carlos Fontes
BAPTISTA FILHO².
¹ Médico Veterinário da Clínica de
Equinos Dr. Fernando Farias- CEFF,
Caruaru/PE
² Professor da Unidade Acadêmica de
Garanhuns/Universidade Federal Rural de
Pernambuco
e-mail: [email protected]
O harpejamento é uma condição que acomete equídeos caracterizado clinicamente pela
flexão exagerada e involuntária do jarrete quando o animal se movimenta, podendo acometer
um ou ambos os membros. A enfermidade pode ser dividida em duas formas: harpejamento
clássico, quando a condição persiste em envolver apenas um dos membros e tem causa ainda desconhecida e o harpejamento Australiano ou bilateral, que envolve os dois membros,
ocorrendo em surtos, geralmente de resolução espontânea e causada quando os animais são
expostos a grandes quantidades de plantas tóxicas, como Taraxarum officinale, Malva parviflora
e Hypochaeris radiata. O efeito patológico se inicia na axonopatia dos nervos periféricos longos,
provocando atrofia muscular neurogênica, afetando em maior frequência as fibras do tipo 2. A
fisiopatologia da hiperflexão ainda permanece desconhecida, a teoria mais aceita é que os músculos extensores debilitados pela ação são sobrepujados pelos flexores do membro acometido,
que são minimamente afetados. O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de
tratamento cirúrgico para harpejamento clássico em equino. Uma égua, Quarto-de-Milha, com
cinco anos de idade, destinada à reprodução foi encaminhada a Clínica de Equinos Dr. Fernando Farias- CEFF, logo após o proprietário perceber alteração na passada do membro pélvico
esquerdo. No exame clínico, observou-se a flexão súbita do membro ao caminhar, bem característico, sendo definindo o diagnóstico como harpejamento clássico. Como essa forma não tem
causa definida, a cirurgia é o tratamento de eleição, uma vez que a recuperação espontânea é
incomum. Assim sendo, foi instituída a retirada do tendão e parte do músculo extensor digital
lateral. A técnica cirúrgica utilizada foi com animal em estação, a sedação foi com Detomidina
0,005 mg/kg associada a anestesia local com cloridrato de lidocaína a 2%. Foram realizadas
duas incisões, uma sobre o músculo extensor digital lateral logo acima do jarrete e outra na
porção distal do tendão, sendo o tendão seccionado na incisão distal e tracionado através da
incisão proximal, retirando-se o tendão com parte do músculo. Em seguida os locais de incisão
foram suturados utilizando padrão Wolff e aplicada uma bandagem sobre o local. O animal
apresentou melhora no andamento logo após a cirurgia e apresentou-se sem complicações pós-cirúrgicas, voltando a caminhar normalmente após três semanas. Com a melhora do animal,
ele voltou a ser introduzido no plantel para ser utilizado com fins reprodutivos, visto que não
há evidências de fatores genéticos envolvidos. O tratamento cirúrgico para o harpejamento
é uma opção que se mostra como principal forma de resolução da enfermidade, embora sua
recuperação possa ser prolongada e algumas vezes não ter o êxito desejado
PA L AV RAS - C H AV E 130
Claudicação; cirurgia; cavalo; flexão; jarrete.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 131 - setembro/dezembro, 2014
Tratamento cirúrgico a campo em
equino portador de laceração do
tendão extensor digital comum Relato de Caso
Renato A. OLIVEIRA¹*, Marcos D. DUARTE², José Alcides S. SILVEIRA², Tatiane T.
ALBERNAZ² E Natalia S. SILVA³
A ruptura do tendão do extensor digital comum (TEDC) é relativamente frequente em
equinos. Os acidentes por arame liso constituem as causas da maior parte dos casos, sendo que
a laceração geralmente ocorre entre o boleto e o carpo. O histórico e os sinais clínicos, como
incapacidade de estender o boleto e “emboletamento”, facilitam a definição do diagnóstico. No
caso de secção dos tendões extensores, recomenda-se a intervenção cirúrgica. Foi atendido no
município de Castanhal - PA, um equino, macho, raça Árabe, 3 anos. O animal mantido em
piquete cercado por arame liso foi encontrado apresentando uma ferida lacerada na face dorsal
do membro torácico direito, na área entre o boleto e o carpo. Durante a locomoção, o animal
apresentava incapacidade de estender o boleto, mantendo as articulações distais em flexão. Pelo
exame físico o animal mostrava-se ativo, mucosas rosadas, TPC = 1seg, TR e turgor cutâneo
normais, FC e FR aumentadas. Pela inspeção pormenorizada da lesão observou-se a ruptura do
TEDC. Decidiu-se pela intervenção cirúrgica a campo. Realizou-se pré-anestesia com cloridrato
de acepromazina 1% (0,1mg/kg/iv) + midazolan (0,1mg/kg/iv) e após 15 min. quetaminaa 10%
(2,0mg/kg/iv). A manutenção anestésica foi feita com quetamina 10% (1mg/kg/iv), sendo realizada anestesia local com cloridrato de lidocaína 2% SVC. Após tricotomia, a ferida foi lavada
e higienizada com soro fisiológico e iodopovidona 0,1% durante 5 minutos. Incidiu-se a pele e
o paratendão no trajeto do TEDC seccionado, aproximando adequadamente as extremidades.
Para a união dos cotos tendíneos empregou-se o padrão de sutura “locking-loop”, utilizando-se
fio náilon monofilamentar 0.60mm. A pele foi suturada em padrão simples separado utilizando-se fio náilon monofilamentar 0.30mm. Durante o período pós-cirúrgico administrou-se penicilina (20.000 UI/Kg/im/SID/5dias); Flunixin meglumine (1,1mg/Kg/iv/SID/3dias). A ferida
cirúrgica foi limpa diariamente com solução de iodopovidona 0,1%, recoberta com pomada de
nitrofurazona e protegida por bandagem de gaze, algodão, atadura e esparadrapo. Além do que
se utilizou uma liga de descanso no membro. O animal foi mantido em baia com cama de maravalha por 90 dias, com dieta de 40kg/dia de capim Tangola (Branchiaria mutica x Branchiaria
arrecta). Após esse período começou a ser solto em piquete durante algumas horas durante o
dia. Após cinco meses apresentou movimentação normal. Se o diagnóstico for precoce e dependendo da gravidade da lesão, o prognóstico pode ser favorável, mesmo com procedimento
cirúrgico realizado a campo.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Graduando de Medicina Veterinária.
Universidade Federal do Pará (UFPA) Campus: Castanhal.
Email: [email protected]
² Médico Veterinário da Universidade
Federal do Pará (UFPA) - Campus:
Castanhal.
³ Professora da Universidade Federal Rural
da Amazônia (UFRA).
Equino, tendão, ruptura, cirurgia a campo.
131
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 132 - setembro/dezembro, 2014
Tratamento de desmite do ligamento
supraespinhoso em equino por meio de
aplicações de plasma rico em plaquetas
(PRP)
João Fillipe Carvalho da SILVA ¹; Jéssica de Souza FREITAS¹; Daian Santos RIBEIRO¹;
Maria Amélia Fernandes FIGUEIREDO².
¹ Discente do curso de Medicina
Veterinária, Departamento de Ciências
Agrárias e Ambientais/UESC;
² Docente do curso de Medicina
Veterinária, Departamento de Ciências
Agrárias e Ambientais/ UESC
Foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), um
cavalo mestiço de Mangalarga Marchador, de passeio, com cinco anos de idade, com queixa de
sensibilidade na região do dorso de evolução crônica. Ao exame em dinâmica não foi observada
claudicação, mas ao exame físico o equino respondia à palpação da coluna com hiperextensão
da região dorsal. Ao exame ultrassonográfico foi diagnosticadadesmite do ligamento supraespinhoso, entre as vértebras T7-T8 e T18-L1. Optou-se então pelo tratamento com Plasma Rico em
Plaquetas (PRP) intralesional. Foram utilizadas duasinjeções de PRP em cada ponto de lesão,
guiadas por ultrassom, no volume de 2 mL, com intervalo de 15 dias entre as aplicações. O protocolo para o preparo do PRP utilizoudupla centrifugação com força relativa (FCR) de 200g
por 5 minutos e uma segunda centrifugação com FCR de 300g por 10 minutos, obtendo-se um
PRP com concentração média de 370 x 103 plaquetas por microlitro. O equino permaneceu
em repouso com exercícios leves por 70 dias. Após este período, o exame ultrassonográfico
mostrou ecogenicidade normal, indicando recuperação completa da lesão localizada entre T7T8 e apenas uma discreta região hipoecóica no ligamento entre a T18-L1. Ao exame físico,
equino não manifesta reação dolorosa à pressão sobre a região. Conclui-se que o tratamento
com PRP na concentração de 370 x 103 plaquetas por microlitro foi eficaz no tratamento da
desmitecrônica do ligamento supraespinhoso no equino.
PA L AV RAS - C H AV E 132
Desmite; PRP; Ligamento Supraespinhoso; Equino.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 133 - setembro/dezembro, 2014
Trombectomia jugular em um
cavalo – Relato de Caso
Clarissa Bastos de Oliveira FELICIANA¹, Monalisa Lukascek de CASTRO², Jéssica
Rodrigues da SILVA³, Fernando Zanlorenzi BASSO³, Ivan DECONTO4, Peterson Triches
DORNBUSCH4
A trombose da veia jugular é um problema frequente na medicina equina, sendo a tromboflebite e a laminite as doenças vasculares de maior ocorrência. A tromboflebite pode ser séptica
ou asséptica e sua principal causa é iatrogênica, resultante do uso prolongado de cateteres venosos ou injeções intravenosas. Os principais sinais clínicos são enrijecimento do segmento venoso acometido, dor variável e aumento de temperatura local. Em casos agudos e bilaterais ocorre
drástica redução do retorno sanguíneo da cabeça e o animal apresenta edema de face, língua,
faringe, laringe e região parotídea, podendo haver dificuldade respiratória, letargia e depressão.
Em casos mais severos ocorre obstrução completa da veia pela formação de coágulos, sendo
assim, o fluxo sanguíneo poderá ser restaurado pela circulação colateral ou pela recanalização a
longo prazo. O diagnóstico é baseado no histórico de administrações sucessivas de medicamentos intravenosos, nos sinais clínicos e na ausência do fluxo venoso avaliado por exame ultrassonográfico. O tratamento é baseado no uso de pomadas antitrombóticas, aplicações de heparina
via subcutânea e antiinflamatórios não esteroidais. Nos casos onde o trombo obstruiu grande
parte do lúmen venoso, pode-se realizar trombectomia com auxílio do cateter de Fogarty. Um
cavalo, de cinco anos de idade, Crioulo, com histórico de aplicações sucessivas de fenilbutazona
intravenosa apresentava febre persistente e edema de cabeça, membros e abdome, apatia, mucosa oral congesta e tempo de preenchimento capilar aumentado. Foi realizada ultrassonografia da veia jugular esquerda, onde visualizou-se imagem com hiperecogenicidade obstruindo
completamente seu fluxo, desde a porção do triângulo de Viborg, até cerca de dez centímetros
antes da entrada do tórax. Os achados ultrassonográficos sugeriram obstrução venosa por trombo. O tratamento de escolha foi a intervenção cirúrgica realizada com o animal em estação,
sob sedação e anestesia local, com infiltração de lidocaína 2% na pele e subcutâneo da região
a ser incisada. Realizou-se duas incisões de pele para ter acesso a jugular esquerda seguidas de
interrupção do fluxo venoso com o auxílio de dois fios de algodão nos limites cranial e caudal
ao trombo. Pela incisão na porção caudal da jugular foi introduzida uma sonda endotraqueal
tamanho 6mm no lúmen vascular e insuflação do balonete fazendo o papel de uma sonda de
Fogarty. A sonda endotraqueal foi retirada e a pressão exercida pelo balão facilitou o carreamento do trombo para fora da veia. O procedimento foi encerrado após venorrafia e sutura de
pele. A terapia pós-operatória instituída incluiu antinflamatórios, ácido acetilsalicílico como
inibidor de agregação plaquetária, antibióticos de largo espectro, protetor gástrico e antitrombótico, por via subcutânea e tópica, sendo o tratamento tópico realizado através de massagens
locais com pomada a base de cumarina. Foram realizados curativos diários até a cicatrização das
feridas cirúrgicas e alta do animal. A curetagem realizada neste animal mostrou-se eficaz para
remoção dos trombos maiores, porém, o fluxo da jugular ficou parcialmente comprometido.
PA L AV RAS - C H AV E 1 Acadêmica da Faculdade Evangélica do
Paraná – FEPAR;
2 Pós Graduanda em Ciências Veterinárias
na UFPR;
3 Residentes de Clínica Médica e
Cirúrgica de Grandes Animais da UFPR;
4 Professores do Departamento de
Medicina Veterinária da UFPR.
Equino; trombo; coágulo
133
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 134 - setembro/dezembro, 2014
Úlcera corneana em melting em
equinos: Relato de Caso
Natália Matos Souza AZEVEDO¹, Márlon de Vasconcelos AZEVEDO¹, José Carlos Ferreira
da SILVA², Paulo Fernandes de LIMA³, Marcos Antônio Lemos de OLIVEIRA³, Hélio
Cordeiro MANSO FILHO4
¹ Doutorando do Programa de Pós
Graduação em Ciência Veterinária da
UFRPE, Recife-PE
2
Graduando do Curso de Medicina
Veterinária da UFRPE, Recife-PE
3
Professor Orientador da Área de
Reprodução Animal da UFRPE, Recife-PE
4
Núcleo de Pesquisa Equina,
Departamento de Zootecnia, UFRPE,
Recife-PE
As úlceras corneanas estão entre as afecções oculares mais comuns em equinos e não é
raro, resultar em perda da visão. Clinicamente, o animal apresenta epífora, blefaroespasmo,
fotofobia, congestão de conjuntivas e opacidade da córnea. A dissolução corneal ou melting
manifesta-se como uma opacidade cinza e gelatinosa na região periférica ou axial da córnea.
As úlceras de córnea são classificadas conforme sua profundidade em superficial, profunda ou
descemetocele. As superficiais degeneram o epitélio, as profundas chegam ao estroma podendo
levar ou a não a liquefação, as quais são denominadas de úlcera em melting. O diagnóstico é
realizado através do uso dos corantes vitais fluoresceína e rosa bengala que, quando positivos,
indicam, respectivamente, perda do epitélio seguido ou não de perda do estroma corneal e
instabilidade do filme lacrimal sobre a córnea. Existem várias opções de tratamento descritos
na literatura com várias medicações e diferentes intervalos de aplicação entre eles e o que irá
determinar sua utilização é a gravidade da lesão. Comparativamente, às pesquisas na área de
oftalmologia equina nos Estados Unidos e na Europa estão mais avançadas que no Brasil, onde
existem poucos profissionais nesta área, tornando a literatura nacional escassa quanto a ocorrência e alternativas no tratamento da enfermidade. Portanto, objetiva-se relatar um caso de
um equino com ulceração corneana em melting tratado clinicamente. Foi atendido um macho
com 3 anos de idade, pelagem baia amarilha, apresentando, segundo o proprietário, uma gosma
branca no olho. Foi realizado bloqueio do nervo aurículo-palpebral para facilitar o exame clínico com 5 ml de lidocaína sem vasoconstrictor a 2% e sedação com xilazina a 10% na dose de
1mg/kg via endovenosa. Ao exame clínico, observou-se blefaroespasmo, congestão de mucosa,
fotofobia, lacrimejamento e liquefação do epitélio estromal (melting). Ao utilizar o colírio de
fluoresceína foi possível perceber a úlcera em melting. Foi prescrito o Flunixin meglumine na
dose de 1,1mg/kg, via intramuscular, 1 vez ao dia por 7 dias. Como tratamento tópico utilizou-se 2 gotas do colírio de tobramicina como agente antibacteriano, 2 gotas de soro autólogopois
possui fatores de crescimento, fibronectina e vitaminas, especialmente a vitamina A e 2 gotas de
diclofenaco sódico colírio,apenas nos primeiros 5 dias. Todos os colírios, com exceção da atropina, foram utilizados com intervalo de 2 horas por 5 dias. A atropina 1% foi utilizada 1 gota, 1
vez ao dia. A dilatação pupilar protege o eixo visual da oclusão e minimiza o desenvolvimento
de sinéquias. O relaxamento dos músculos ciliares elimina o espasmo ciliar, responsável por
causar dor. Nas pálpebras passava-se nistatina pomada. Após os 5 primeiros dias aumentou-se
o intervalo de aplicação das medicações tópicas passando a ser utilizadas com intervalos de 3,
4 e 6 horas a cada 7 dias. Após os 5 primeiros dias de tratamento observou-se que o animal não
apresentava blefaroespeamo, epífora e congestão das mucosas. Nos 10 primeiros dias verificou-se neovascularização da úlcera indicando processo cicatricial e diminuição da úlcera. Depois
de 3 semanas, a úlcera já havia reduzido de tamanho, não sendo mais possível cora-la com a
fluoresceína. Para diminuir a cicatriz foi prescrito colírio de dexametasona 3 vezes ao dia por
10 dias. O resultado desse relato permite concluir que a úlcera de córnea é uma emergência veterinária que deve ser tratada de forma intensiva e que a associação entre as medicações citadas
foi eficaz para o tratamento.
PA L AV RAS - C H AV E 134
oftalmologia, equinos, úlcera.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 135 - setembro/dezembro, 2014
Uso da artroscopia para retirada de
fragmento ósseo do terceiro osso
carpiano, em cavalo quarto de milha
de vaquejada - Relato de Caso
C. MEDRADO¹; C.O. FLORENCE¹; U.C. GRAÇA FILHO¹; L.E.V. LEITE; G.A¹. CASTRO FILHO;
C.C. SIQUEIRA¹
A técnica da artroscopia é um método cirúrgico endoscópico, minimamente invasivo, que
tem como objetivo visualizar o interior das articulações, por meio de um sistema visual de lentes com fonte luminosa, contribuindo para o diagnóstico e tratamento de afecções traumáticas
e degenerativas intrarticulares. Cavalos de vaquejada estão sujeitos a uma grande variedade de
lesões musculoesqueléticas devido ao esforço físico repetitivo em treinamentos e competições.
A hiperextensão do carpo durante a corrida é a causa do estresse mecânico nos ossos e ligamentos que compõe esta articulação, e resultam em fraturas carpianas e outras lesões intraarticulares. Um equino macho, de 07 anos, da raça quarto de milha, em rotina diária de treinamento
para vaquejada, deu entrada no Hospital de Equinos CLINILAB em 18/08/2014, com relato de
trauma e queixa de claudicação do membro anterior esquerdo, e foi encaminhado para realização de diagnóstico e tratamento. A inspeção em deambulação o animal demonstrou um grau
de claudicação II, segundo a classificação da AAEP, sem qualquer outra alteração visível nos
exames de inspeção e palpação do membro. O teste de flexão do carpo resultou na intensificação da claudicação para grau IV. No exame ultrassonográfico do carpo foi evidenciado um fragmento ósseo deslocado do terceiro osso carpiano. No estudo radiológico digital, observou-se,
na projeção skyline da fileira distal do carpo um fragmento em lasca na articulação carpometacarpiana, oriundo de fratura no terceiro osso cárpico. Foi realizado um bloqueio anestésico
intrarticular com 10 mL de lidocaína na articulação intercárpica para confirmação da origem
da dor, o que resultou na normalização da deambulação do animal. Foi realizado procedimento
cirúrgico por artroscopia para retirada do fragmento utilizando-se acesso clássico sob anestesia geral inalatória e em decúbito dorsal. Utilizou-se radiografias digitais durante o momento
transcirúrgico, a fim de confirmar a retirada total do fragmento ósseo. No pós-operatório, o
animal não apresentou nenhum aumento de volume ou claudicação, os pontos foram retirados
com 14 dias e o paciente teve alta do hospital encaminhado a propriedade, orientado repouso
e retornar aos treinamentos com seis semanas após o procedimento. A cirurgia artroscopica
contribui no diagnóstico e tratamento de lesões osteocondrais dos ossos do carpo de forma
efetiva e minimamente invasiva, facilitando a recuperação do animal e o retorno mais rápido
ao esporte. Estudos futuros são necessários para avaliar a incidência das patologias carpianas em
animais de vaquejada de alta exigência física, bem como a mensuração de taxas de recuperação
satisfatórias e resultados em sua vida desportiva.
PA L AV RAS - C H AV E 1 Hospital de Equinos CLINILAB
Artroscopia, vaquejada, fratura carpiana, claudicação.
135
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 136 - setembro/dezembro, 2014
Uso do PRP na terapêutica da tendinite
do tendão flexor digital superficial,
em cavalo paint horse de vaquejada –
Relato de Caso
G. A. CASTRO FILHO¹; C.O. FLORENCE¹; U.C. GRAÇA FILHO¹; L.E.V. LEITE¹; C.C. SIQUEIRA¹
¹ Hospital de Equinos CLINILAB ,
Salvador/BA
O PRP é um derivado de sangue total que contém até cinco vezes os níveis séricos fisiológicos de plaquetas. Trata-se de uma forma de obtenção de fatores de crescimento autógenos
que atuam na reparação tecidual devido à ação mitogênica, quimiotática e neovascular. O uso
do PRP no tratamento em lesões tendíneas tem sido proposto como uma alternativa terapêutica econômica e eficiente. O objetivo deste tratamento é reduzir o tempo de cicatrização e a
possibilidade de recidivas, situação comum nas tendinites tratadas com terapêuticas convencionais. Um equino macho, 09 anos, da raça Paint Horse, em rotina diária de treinamento para
vaquejada, deu entrada no Hospital de Equinos CLINILAB em abril de 2012, relatando trauma
no membro posterior esquerdo, seguido de claudicação. O animal apresentava edema na face
plantar do metatarso e claudicação grau III, segundo a AAEP. Realizada a avaliação clínica e
ultrassonográfica, diagnosticou–se lesão intratendinea no tendão flexor digital superficial, apresentando no sonograma uma área de imagem anecoica na avaliação transversal do tendão com
perda do paralelismo das fibras colágenas na sua avaliação longitudinal. A terapêutica instituída foi a infiltração de PRP na lesão tendínea. O protocolo de obtenção do PRP utilizado consistiu na coleta de sangue em tubos de citrato de sódio com duas centrifugações consecutivas a
900 e 1800 RPM a 10 e 3 minutos respectivamente. O PRP obtido apresentou concentração de
450 mil plaquetas por microlitro. O procedimento foi realizado com animal em estação, sob
sedação com xilazina a 10% e bloqueio dos seis pontos altos, sendo a aplicação guiada por ultrassom. Nos dias subsequentes ao tratamento foi instituído repouso, antinflamatório sistêmico
(fenilbutazona na dose de 4.4 mg/kg, SID, durante cinco dias), ducha de 10 minutos duas vezes
ao dia, seguida de massagem com pomada a base de dimetilsulfóxido, dexametasona e lidocaína. O animal em questão teve alta após 30 dias de internação, sendo recomendados repouso e
afastamento desportivo temporário. Foram realizadas novas avaliações a cada 30 dias, notando
progressivamente uma efetiva redução na área lesionada e realinhamento de fibras colágenas.
Após 120 dias da infiltração com o PRP, o animal foi liberado para voltar aos treinamentos de
forma gradativa e permanece em plena atividade atlética, sem histórico de recidivas até o presente momento. O uso do PRP constitui uma alternativa terapêutica que em estudos recentes
comprovou propiciar menor intensidade de variáveis clínicas (edema e dor à palpação), maior
conforto para o animal, maior redução da área da lesão e melhor organização tecidual.
PA L AV RAS - C H AV E 136
oftalmologia, equinos, úlcera.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 137 - setembro/dezembro, 2014
Uso tópico de óleo de côco na
cicatrização de ferida em equino
Hortência Campos MAZZO¹, Cícero Ferreira de OLIVEIRA², Jackellyne Laís Ferreira LINS³,
Pierre Barnabé ESCODRO4, Juliana de Oliveira BERNARDO5
Os ferimentos de pele representam uma das mais frequentes ocorrências na clínica de
equídeos, principalmente feridas localizadas nos membros. Feridas localizadas nas extremidades distais possuem maior importância devido as complicações inerentes a região, como a falta
de tecido de revestimento, a má circulação, uma maior predisposição a contaminação e consequente infecção. O objetivo desse trabalho foi demonstrar a eficiência da utilização do óleo de
côco no tratamento de ferida em equino. Um equino macho, da raça Mangalarga Machador, 5
anos, 350 Kg, foi atendido no ambulatório do Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos da
Universidade Federal de Alagoas (GRUPEQUI-UFAL). O animal apresentava uma ferida traumática lacerativa exsudativa na face caudo-lateral do terço distal do rádio com 18 centímetros
de comprimento e 12 centímetros de largura. Realizou-se a limpeza e tricotomia do local e
divulsionou-se a pele para limpeza das bordas da ferida. Os músculos acometidos pela laceração
foram: flexor digital profundo, flexor digital superficial, flexor radial do carpo, flexor ulnar do
carpo e extensor digital lateral. Realizou-se a sutura dos músculos envolvidos na lesão, porém
após 24 horas houve deiscência dos pontos. Sendo assim, optou-se pela cicatrização por segunda intenção com o uso experimental da aplicação tópica do óleo de côco. Os curativos locais
eram realizados duas vezes ao dia com a limpeza da ferida comliquido de Dakin e aplicação tópica do óleo de côco extra virgem por toda a extensão da lesão e em seguida a proteção da ferida
por bandagem. Foi instuída antibioticoterapia a base de bezilpenicilina benzatina (20.000 UI/
kg/IM/72h/5aplicações) e enrofloxacina (5mg/kg/IV/24h/6dias) e terapia antinflamatória com
cetoprofeno (2mg/kg/IM/24h/5dias). Para evitar a granulação exuberante, utilizou-se também
o óleo de côco com sulfato de cobre. Após 15 dias, observou-se boa cicatrização da ferida, formação de tecido de granulação, dimunição do exsudato e considerável redução de sua extensão.
Após este período, o tratamento local foi realizado por mais 65 dias apresentando excelente
organização do tecido conjuntivo e redução de sua extensão para 10cm de comprimento por
0,5cm de largura. Conclui-se que, o óleo de côco extra virgem revelou um efeito benéfico na
cicatrização de feridas de equinos, por ser uma alternativa de fácil aplicação e baixo custo pode
ser considerada em tratamento de feridas cutâneas com bons resultados pode ser considerada
a sua utilização na rotina.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Discente do Curso de Medicina
Veterinária-UESC;
² Médico Veterinário Instituto Veterinário
Tec –Animal, Alagoas;
³ Discente do Curso de Medicina
Veterinária-UFAL;
4 Professor de Clínica Médica e Cirúrgica
de Equídeos da Universidade Federal de
Alagoas (UFAL);
5 Mestranda do Departamento de
Cirurgia e Anestesiologia Veterinária –
FMVZ – UNESP/BOTUCATU-SP;
Cavalo. Óleo de côco. Ferida. Tratamento
137
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 138 - setembro/dezembro, 2014
Uso do Imiquimode Creme 5% no
tratamento de placa aural equina:
Avaliação clínica e molecular
L.S. ZAKIA¹; R.M. BASSO¹; G. OLIVO¹; A.S. BORGES¹; J.P. OLIVEIRA-FILHO¹*
¹ Laboratório de Biologia Molecular da
Clínica Veterinária da FMVZ / Unesp,
Botucatu.
*Autor para correspondência:
[email protected]
138
A placa aural é uma doença cosmopolita que causa desconforto aos animais e prejuízos aos
proprietários. Sete tipos de Equus caballus papillomavirus (EcPV) foram identificados, sendo
quatro associados à placa aural, EcPV 3, 4, 5 e 6. Apesar das lesões não regredirem espontaneamente, um estudo prévio demonstrou sucesso no tratamento de placas aurais com imiquimode
creme 5%. Contudo, este estudo foi realizado previamente à associação dos EcPVs com a placa
aural equina, sendo assim, estudos que verifiquem a presença do DNA viral após o tratamento
ainda não foram realizados. O objetivo desse estudo foi avaliar a eficácia clínica do tratamento
da placa aural com imiquimode creme 5% e verificar a presença do DNA dos EcPV 3, 4, 5 e 6
por PCR antes e após três meses do término do tratamento. Quatro animais infectados naturalmente com placas aurais unilaterais (n = 2) ou bilaterais (n = 2) foram utilizados no estudo.
Um total de seis orelhas com lesões foram submetidas ao tratamento tópico com imiquimode
creme 5% sobre a região do pavilhão auricular interno em dias alternados até a cura clínica
das lesões. Os animais foram avaliados clinicamente 90 (M90) e 180 (M180) dias após o final
do tratamento. O DNA foi extraído de biópsias das lesões colhidas com punch (0,6 cm) antes
do início do tratamento e três meses após o final do tratamento (M90). A PCR previamente
padronizada utilizou o DNA, GoTaq® Green Master Mix e primers específicos para cada um
dos quatro EcPVs associados à placa aural. Durante o tratamento verificou-se presença de dor,
calor, rubor e exsudação, que se iniciavam entre a quarta e quinta aplicações, sendo necessária a
sedação dos animais para a continuação do tratamento. O tratamento foi suspenso quando verificou-se remissão total das lesões clínicas, sendo em média necessárias 12,5 (8 - 20) aplicações do
imiquimode para se obter a cura clínica das lesões. Previamente ao início do tratamento o DNA
do EcPV 3 e 4 foi detectado em 3 (75%) e 4 (100%) animais, respectivamente. Quando avaliou-se a detecção dos vírus em relação ao número de orelhas (n = 6), observou-se que o EcPV 4 foi
detectado em todas as orelhas avaliadas. Enquanto que, o DNA do EcPV 3 foi detectado em três
orelhas, sendo em uma das orelhas de um animal com lesões bilaterais e nas orelhas dos dois
animais com lesão unilateral. O DNA EcPV 5 e 6 não foi detectado em nenhuma das lesões.
Nenhum sinal de recidiva foi observado no M90 ou M180 e não foi detectado DNA viral nas
orelhas dos quatro animais no M90. O tratamento proposto proporcionou a cura clínica das
lesões de placa aural e o DNA dos EcPVs avaliados não foi mais detectado 90 dias após o final
do tratamento, logo pode-se concluir que ele é eficiente. Devido aos sinais inflamatórios locais,
sugere-se que sejam realizadas inicialmente 12 aplicações do produto e caso haja sinais de recidiva retomar o tratamento. Como não houve casos de recidiva e nem a detecção de DNA viral
após três meses do término do tratamento, este é um período confiável para atestar a cura da
enfermidade. Contudo, não se pode garantir que o tratamento confira imunidade a uma nova
infecção viral e, consequentemente, uma nova ocorrência da doença.
PA L AV RAS - C H AV E dermatologia, papilomavírus, placa aural, imiquimod,
PCR.
AGRADECIMENTOS
à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo, processos 13/13973-7 e 13/15995-8.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 139 - setembro/dezembro, 2014
Utilização da técnica de Göetze para
reparação da laceração perineal de
terceiro grau em uma égua quarto
de milha
Cícero Ferreira de OLIVEIRA¹, Pierre Barnabé ESCODRO², Juliana de Oliveira
BERNARDO³, Nereu Carlos PRESTES4
As afecções traumáticas reprodutivas constituem um dos maiores desafios para os médicos
veterinários no campo. As lacerações perineais ocorrem comumente em éguas primíparas e
com maior frequência nas de temperamento nervoso. As lacerações de terceiro grau resultam
em ruptura do corpo perineal, esfíncter anal, assoalho do reto e a porção superior da mucosa
vaginal. Reparos imediatos das lacerações de terceiro grau devem somente ser considerados se
forem executadas com menos de 12 horas de evolução e houver chances de sucesso mediante
avaliação clínica. Numerosas técnicas com ou sem modificações tem sido descritas, mas todas
com o princípio básico da reconstrução de uma divisória entre o reto e a vagina, e a restauração
de um corpo perineal funcional. Göetze, em 1929, foi o primeiro a descrever o reparo cirúrgico
de laceração perineal de terceiro grau em égua, sendo esta técnica realizada em apenas um estágio, diferentemente de AANES (1964) que desenvolveu uma modificação da técnica, realizando
em dois estágios, aguardando a completa cicatrização entre a primeira e segunda etapa, sendo
mais preconizado atualmente. Este relato tem como objetivo descrever o caso de uma égua
com laceração perineal de terceiro grau onde optou-se pela realização da cirurgia através da
técnica de Göetze. Uma égua da raça Quarto de Milha, 3 anos, 420 Kg, primípara, foi atendida
três horas após o parto em uma propriedade no interior do Estado de Alagoas apresentando laceração perineal com 23 centímetros de extensão, o que caracterizou-se por laceração de
terceiro grau, optando-se pelo procedimento em uma única etapa. O animal foi tranquilizado com acepromazina 1% (0,05 mg/kg) e xilazina 10% (0,5mg/kg) e mantido em tronco de
contenção. Realizou-se anestesia epidural caudal no primeiro espaço intercoccígeo (Co1-Co2)
com associação de 80mg cloridrato de lidocaína 2% e 100mg de cloridrato de tramadol. Após
a divulsão do tecido, foram criadas duas divisões, um flap do tecido retal e um flap da mucosa
vaginal com aproximadamente 5 centímetros de extensão. Utilizando-se nylon monofilamentar nº 2, a sutura realizada foi do tipo Donatti modificado aproximando-se as bordas cruentas
da ferida cirúrgica. Passou-se primeiro pelo flap vestibular esquerdo, após a submucosa do
flap retal esquerdo, a submucosa do flap retal direito, emergindo no vestíbulo através do flap
vestibular direito, retornando pela mucosa do mesmo flap para atravessar o flap esquerdo no
sentido submucosa-mucosa. Cada ponto foi tracionado para promover a justaposição do tecido
cruento da mucosa retal e uma eversão da mucosa vaginal divulsionada. Os fios de sutura foram
deixados longos para facilitar a remoção. Foi instituída antibioticoterapia a base de penicilina
benzatina (20.000 UI/kg/3 aplicações com intervalo de 72 horas) e gentamicina (6,6 mg/kg/7
dias) e terapia antinflamatória com flunixin meglumine (1,1 mg/kg/5 dias). A alimentação
instituída no trans e pós-operatório foi a base de Cynodon dactylon (capim Tifton). Foram
realizados curativos locais até a retirada dos pontos, que ocorreu após 14 dias da cirurgia. Um
mês após a reparação, foi realizada a episioplastia com a técnica de Caslick para evitar possível
pneumovagina, conforme citado por TURNER e McILWRAITH (1989). O animal apresentou
boa recuperação e após 3 meses foi submetida a colheita de embriões, com resultado positivo.
Podemos concluir que a reconstrução da laceração perineal de terceiro grau pode ser realizada
em apenas uma etapa sem sequelas reprodutivas futuras ao animal e a chance de sucesso desta
técnica está relacionada com a precocidade na intervenção cirúrgica, com os cuidados no pós-operatório e a importância da instituição de uma dieta que facilite o trânsito intestinal para
não pressionar a síntese da ferida cirúrgica.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico Veterinário Instituto Veterinário
Tec –Animal, Alagoas;
² Professor de Clínica Médica e Cirúrgica
de Equídeos da Universidade Federal de
Alagoas (UFAL);
³ Mestranda do Departamento de Cirurgia
e Anestesiologia Veterinária – FMVZ –
UNESP/BOTUCATU-SP;
4
Professor Adjunto do Departamento
de Reprodução Animal e Radiologia
Veterinária – FMVZ – UNESP/
BOTUCATU-SP;
Equino, Parto, Reparação Perineal, Complicações.
139
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 140 - setembro/dezembro, 2014
Utilização de células tronco para o
tratamento de ruptura do ligamento
colateral medial longo em equino –
Relato de Caso
Karla Adrielen do NASCIMENTO¹, Débora Mirelly Sobral da SILVA¹, Andreza Rodrigues
VIANA¹, Wagner Ferreira de SOUZA¹, Antônio Fernando Amorim FARIAS²
¹Graduando em Medicina Veterinária
pela Universidade Federal Rural de
Pernambuco, Unidade Acadêmica de
Garanhuns;
² Graduado em Medicina Veterinária
pela Universidade Federal Rural de
Pernambuco. Especialista em Clínica e
Cirurgia de Equino – Universidade de
Jaguariuna (EMBRAPEC).
Os ligamentos são estruturas especializadas que ligam os ossos entre si, sendo constituídos
por fibras colágenas ordenadas em feixes paralelos e compactos, permitindo estabilidade articular. A principal função dos ligamentos é prevenir movimentos exacerbados ou anormais. O
ligamento colateral medial longo é superficial, surge na região caudal do maléolo medial da
tíbia, tornando-se mais largo distalmente, está inserido na tuberosidade distal do talo, no segundo e terceiro ossos metatársicos e na superfície dos ossos társicos distais aos quais recobre.
Os ligamentos colaterais longos estão tensos na extensão da articulação, enquanto que os curtos
na flexão. A ruptura do ligamento colateral medial longo é pouco comum, podendo ocorrer
devido a pressão lateral intensa na região. Quando afetado, o animal apresenta claudicação
grave ao passo, enquanto que a tumefação é localizada. Quando não tratada adequadamente,
o prognóstico é desfavorável. O diagnóstico de ruptura do ligamento colateral medial longo
pode ser facilmente confirmado através de radiografia e ultrassonografia. Como opção de tratamento, observa-se que a utilização de células troncomesenquimais (CTM) parece ser bastante
eficaz, podendo ser extraída da medula óssea, sangue do cordão umbilical, sangue periférico,
tecido adiposo, matriz do cordão umbilical e líquido amniótico. O objetivo deste trabalho foi
relatar o uso de CTM em ruptura de ligamento colateral medial longo. Um equino de esporte
(vaquejada), raça quarto de milha, macho, 420 kg,7 anos, atendido na clínica de equinos Dr.
Fernando Farias (CEFF), Caruaru, Pernambuco, com histórico de claudicação devido a lesão
durante a prática do esporte. Ao exame físico, observou-se deformidade angular do membro
posterior direito, imediatamente caudal a articulação do jarrete e claudicação grau 4. O diagnóstico foi de ruptura do ligamento colateral medial longo. Inicialmente o animal foi mantido
em baia e seu membro imobilizado com bandagem compressiva. Para controle da dor utilizou-se fenilbutazona (4,4 mg/kg , IV). Como terapêutica definitiva, optou-se por tratamento com
células tronco, obtidas através de tecido adiposo. A colheita de material foi realizada na região
do músculo glúteo dorsal, próximo a base da cauda, onde previamente realizou-se tricotomia,
antissepsia e bloqueio anestésico local, as amostras foram devidamente acondicionadas e encaminhadas a laboratório especializado para procedimento de isolamento e cultura de células
tronco. A aplicação das CTM foi realizada através de infiltração guiada por ultrassonografia
exatamente no ponto da ruptura ligamentar. A aplicação foi realizada dez dias após a ocorrência da lesão. O animal foi avaliado 45 dias após a aplicação de CTM e retirada a imobilização,
onde observou-se estabilidade da articulação e ausência de claudicação. Em nova avaliação por
ultrassonografia, após 60 dias da aplicação, notou-se processo ativo de regeneração da estrutura
do ligamento e mostrava manutenção da melhora clínica inicial. Conclui-se que a utilização
de CTM obtidas de tecido adiposo, teve resultado satisfatório para tratamento da ruptura do
ligamento colateral medial longo, proporcionando regeneração satisfatória da estrutura, assim
permitindo a deambulação fisiológica do animal. Porém, será necessária nova avaliação para
que o paciente possa retornar as atividades esportivas.
PA L AV RAS - C H AV E 140
Ligamento, células tronco, ruptura, claudicação.
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 141 - setembro/dezembro, 2014
Utilização de plasma rico em
plaquetas (PRP) no tratamento de
ruptura total dos tendões extensores
em equino: relato de caso
Ana Carla Garcia de OLIVEIRA¹; Renan Silva de CARVALHO²; Matheus Spala
SORTE¹; Alvaro De Paula Lage de OLIVEIRA³; Marcel Ferreira Bastos AVANZA4; Odael
SPADETO JR5
O PRP (Plasma Rico em Plaquetas) é um derivado do sangue adquirido através do material colhido do próprio animal, podendo conter entre três a cinco vezes mais plaquetas que os
níveis fisiológicos que, nos eqüinos, podem variar entre 100.000 e 350.000 plaquetas.µL-1. O
mesmo é obtido através de uma, ou até mesmo duas, centrifugações de 200-2000g, durante 3-5
minutos. A alta concentração de plaquetas é o responsável pela reparação e cicatrização dos tecidos, possibilitando uma recuperação mais rápida e tecidos mais resistentes; Por nesse método
ser utilizado o sangue do próprio animal, não corre risco de reações alérgicas, além de ser uma
técnica fácil e pouco invasiva. Tendões costumam ter cicatrização lenta e, muitas das vezes, por
uma diminuição da elasticidade tendínea no local da lesão, o que pode vir a causar recidivas,
levando então, o animal, a ter sua carreira abreviada ou até mesmo encerrada por consequência da mesma. O objetivo deste trabalho é relatar a utilização de plasma rico em plaquetas no
tratamento de ruptura total do tendão extensor comum do membro torácico esquerdo de um
equino, castrado, da raça quarto de milha, de quatro anos de idade que foi atendido no Hospital
Veterinário “Prof. Ricardo Alexandre Hippler” da UVV, com histórico de acidente traumático
contra veículo automotivo na região proximal do metacarpo esquerdo. No exame clinico, o
animal apresentava claudicação de grau quatro com flexão intermitente, onde a face dorsal da
falange proximal encontrava-se em contato com o solo (“Emboletamento”) e ruptura total dos
tendões extensores, digital comum e lateral, registrada pelo exame ultrassonográfico. O tratamento instituído foi à aplicação de PRP intralesional, por duas vezes, com intervalo de 30 dias
e imobilização com tala confeccionada com gesso sintético na face palmar do membro durante
30 dias. O animal foi acompanhado durante esse tempo, sendo observado melhora significativa
na extensão do membro quando colocado o animal para caminhar. Conclui-se então que, o
tratamento conservador associado à terapia celular, pode ser uma opção acertada em casos de
lesões tendíneas.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Discente em medicina veterinária,
Universidade Vila Velha; (UVV)
[email protected]
² Residente em clínica, cirurgia e
anestesiologia de grandes animais,
Universidade Vila Velha; (UVV);
³ Mestre em ciência animal pela UVV,
pesquisador voluntário do laboratório de
células tronco e terapia celular – LCET;
4
Docente em Medicina Veterinária,
Universidade Vila Velha; (UVV),
doutorando em Medicina Veterinária,
Universidade Federal de Viçosa; (UFV);
5
Docente em Medicina Veterinária,
Universidade Vila Velha (UVV),
doutorando ciência animal, Universidade
Federal de Minas Gerais; (UFMG)
Cavalo. Cicatrização. Tendão.
141
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 142 - setembro/dezembro, 2014
Valores do RDW-CV e RDW-SD em
jumentos nordestinos (Equus africanus
asinus)
Gisele Barbosa da SILVA², Mayran Barbosa RAMOS², Armele Karina da Silva
RODRIGUES², Telga Lucena Alves Craveiro de ALMEIDA², Helena Emília Cavalcanti da
Costa Cordeiro MANSO1,2, Hélio Cordeiro MANSO FILHO1,2
¹ Núcleo de Pesquisa Equina, Universidade
Federal Rural de Pernambuco, Recife-PE
² BIOPA - Laboratório de Biologia
Molecular Aplicada à Produção
Animal, Universidade Federal Rural de
Pernambuco, Recife-PE
142
Ainda há poucos dados hematológicos relativos aos asininos, principalmente nas raças brasileiras. Sabe-se que existem dois índices hematológicos novos que avaliam a variação de tamanho das hemácias por meio de automação, são eles: o RDW-CV e RDW-SD. Sendo assim, objetivou-se avaliar os índices hematimétricos de RDW-CV e RDW-SD em jumentos nordestinos.
Foram avaliados 62 jumentos nordestinos de ambos os sexos, adultos, oriundos de três cidades
no Nordeste: Limoeiro-PE (n=18; machos: 9; fêmeas: 9), Natal-RN (n=18; machos: 11; fêmeas:
7) e Mirandiba-PE (n=26; machos: 12; fêmeas: 14). As amostras sanguíneas foram colhidas,
durante o período seco do ano, e analisadas em equipamento semiautomático hematológico
(Poch 100iv, Roche®). Os resultados das análises hematológicas obtidos foram submetidos ao
ANOVA e ao teste de Tukey, em ambos os casos com nível de significância estabelecido em
5% e utilizando-se o programa SigmaStat 3.0® para Windows®. Os resultados demostraram
que não houve diferenças estatísticas entre os grupos analisados (P>0,05) para os índices RDW-CV e RDW-SD. Os animais de Limoeiro-PE apresentaram média para RDW-SD para machos 40,72±0,84fL e fêmeas de 39,82±1,01fL. Já os animais de Natal-RN foram de 43,05±0,84fL
(machos) e 44,04±1,26fL (fêmeas). Enquanto os de Mirandiba-PE 41,40±0,65fL para machos
e 42,9±0,90fL para fêmeas. Avaliando o parâmetro RDW-CV, os animais de Limoeiro-PE apresentaram valores de 18,65±0,33% para machos e 19,21±0,47% para fêmeas. Já os animais de
Natal-RN apresentaram para machos 17,89±0,39% e para fêmeas 18,75±0,61% e os de Mirandiba-PE, 18,20±0,33% para os machos e 18,89±0,39% para fêmeas. Ainda não há uma definição
clara desses parâmetros para a espécie asinina, independente da raça e do sexo, por isso esses
dados são importantes, pois podem ser utilizados por outros pesquisadores e veterinários como
base inicial para avaliação desses parâmetros, assim como podem ser utéis para facilitar na
interpretação do eritrograma desses animais. Entretanto, como foram as primeiras avaliações,
um número maior de animais deve ser pesquisado no futuro para melhor compreensão desses
índices nesta espécie. Sendo assim, conclui-se que os resultados encontrados podem ser utilizados como valores de referência uma vez que são escassos valores destes parâmetros para a
espécie em questão.
PA L AV RAS - C H AV E Asininos,
hematologia,
hematimétricos.
FINANCIAMENTO
Guabi Nutrição Animal, CNPq.
anisocitose,
índices
Ciência Veterinária nos Trópicos, Recife-PE,
v. 17, n. 3, p. 143 - setembro/dezembro, 2014
Volvulo de jejuno secundário a um
leiomioma
E.E.S LEANDRO¹; A.A.C TINOCO¹; M.S. COSTA¹; J.C. OLIVEIRA FILHO²; J.M.R.P. ARAUJO³
Os tumores do trato gastrointestinal são raros no cavalo representando apenas 3,2% das
neoplasias nesta espécie. O leiomioma trata-se de um tumor benigno com origem nas células
musculares lisas, que pode atingir qualquer órgão contendo estas células. Devido a sua raridade
e a escassez de trabalhos sobre este tumor em equinos, os autores tem o objetivo de relatar um
vólvulo de jejuno, secundário a um leiomioma. Um equino da raça Quarto de Milha, macho,
7 anos, 550 kg da raça quarto de milha foi encaminhado para a Clínica do Rancho com sintomas de desconforto abdominal. Ao exame clínico o animal apresentava frequência cardíaca 48
bpm, frequência respiratória 20 mpm, temperatura retal 38,6º, TPC de 2 segundos, mucosas
normocoradas, distensão abdominal, ausência de refluxo, hipomotilidade e líquido peritoneal
macroscopicamente normal. O animal começou a apresentar um quadro de dor não responsivo a seguidas administrações de xilazina (0,5 mg/Kg), apresentou ectopia de alças intestinais
no exame de exploração retal o que nos levou a opção por uma laparotomia exploratória. O
intestino delgado apresentava-se enovelado e bastante distendido cranialmente a uma estenose
provocada por uma massa tumoral presente aproximadamente na interseção do jejuno com
íleo, que foi confirmado posteriormente através de histopatologia como leiomioma. Para remoção do tumor e da região comprometida do intestino, foi realizado enterectomia e anastomose termino-terminal de cerca de dois metros do jejuno, meio metro a frente do tumor, meio
metro posterior a sua localização. Esta decisão do tamanho a ser extirpado foi tomada devido
à isquemia presente nos vasos mesentéricos. No pós-operatório foram utilizados, firocoxib (0,3
mg/Kg, VO, SID), DMSO solução a 10% (1g/Kg, IV, TID), heparina (40.000 UI/Kg, SC, BID),
além de fluidoterapia com ringer com lactato acrescidos de lidocaína, cloreto de potássio e cálcio para tratamento do íleo paralítico desenvolvido. Após 15 dias do procedimento cirúrgico
o paciente manifestou um quadro de forte endotoxemia vindo a óbito. Cólicas causadas por
leiomioma são uma condição rara e apesar desta ser uma neoplasia benigna, as complicações
secundárias sua a presença e a remoção cirúrgica desta massa em um segmento de intestino delgado, tornam o prognóstico reservado, como neste caso, em que houve estreitamento do lúmen
intestinal e a massa tumoral devido ao seu tamanho e peso, tracionou o jejuno ventralmente,
facilitando a ocorrência do vólvulo.
PA L AV RAS - C H AV E ¹ Médico Veterinário - Clínica do Rancho
– Camaçari - BA
2
Médico Veterinário – Patologista –
Salvador - BA
3
Estagiário da Clínica do Rancho –
Camaçari – BA
leiomioma, vólvulo , equinos.
143

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