1 – conhecendo os bairros de guaratiba

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1 – conhecendo os bairros de guaratiba
1 – CONHECENDO OS BAIRROS DE GUARATIBA
Assim como a Barra da Tijuca, Guaratiba também pertence a uma determinada
Área de Planejamento e está submetida a uma Administração Regional. A Região Administrativa
de Guaratiba e Santa Cruz fazem parte da AP5, subdivisão 5.3 (AP 5.3), que é administrada pela
Subprefeitura de Campo Grande. (ver anexo 5 e 6)
A Área de Planejamento 5 portanto, está subdividida em três áreas:
AP 5.1 – XVII RA – Bangu e XXXIII RA – Realengo;
AP 5.2 – XVIII RA – Campo Grande;
AP 5.3 – XIX RA – Santa Cruz e XXVI RA – Guaratiba.
Porém, a Subprefeitura de Campo Grande administra apenas a XVIII RA –
Campo Grande; XIX RA – Santa Cruz e a XXVI RA - Guaratiba, ou seja, AP 5.2 e AP 5.3.
Logo, os bairros que veremos a seguir, fazem parte da região conhecida como
Guaratiba, mas na realidade seu território integra os seguintes bairros: Pedra de Guaratiba, Barra
de Guaratiba e Guaratiba, propriamente dita, também conhecida como Ilha de Guaratiba. Todos
submetidos a XXVI Administração Regional – Guaratiba.
É uma região de grande interesse, pois seus aspectos históricos e culturais são
ricos, podendo exercer forte atração a visitantes curiosos e interessados em conhecer um pouco
mais o modo de vida de seus moradores, que parecem viver numa pequena cidade do interior,
bem distante deste movimentado Rio de Janeiro.
1.1 – Pedra de Guaratiba (ver anexo 18)
O aconchegante bairro de Pedra de Guaratiba é um pequeno povoado de
pescadores com algum comércio, voltado para as necessidades dos moradores, e que apesar de
ser um local utilizado também para veraneio, seus moradores são humildes, prestativos e vivem
alegres neste belo recanto.
Hoje,
Pedra
de
Guaratiba carrega suas lembranças da
origem pesqueira que inspirou uma
tradição artística e criou sua vocação
turística. O bairro, situado entre Santa
Cruz e Ilha de Guaratiba, recebeu o
nome “Pedra” por ter sido um bairro
onde
as
primeiras
residências
começaram a ser construídas próximo
a um local onde eram extraídos pedras
e granitos de variadas espécies. Este
material também era utilizado para
Pescadores de Pedra de Guaratiba. Foto de
Nilson Pinto.
construí-las.
Noronha Santos em “As Freguesias do Rio Antigo” afirma que, “Um dos
melhores lugares da vasta freguesia é o Arraial da Pedra, situado na enseada da Pedra de
Guaratiba (Enseada vasta e com regular ancoradouro), já pela sua população, já pelo seu
comércio (Exportava a freguesia outrora pelos portos de Sepetiba, Guaratiba e Sernambetiba)”.
Naquela época, o comércio era mais desenvolvido. Hoje, o pequeno comércio
fecha cedo, não há grandes supermercados, apenas armazéns. Os pescadores após enfrentarem
horas no mar, embaixo de sol e chuva, se vêem obrigados a vender seus peixes na principal rua
de Pedra – a Barros de Alarcão. Em meio a casas e restaurantes, isopores se espalham ao longo
da rua, com uma grande variedade de peixes e frutos do mar, bem fresquinhos. Alguns desses
peixes são vendidos para os próprios restaurantes do bairro, mas o restante é comercializado neste
improvisado mercado de peixes da rua Barros de Alarcão.
O pôr do sol na
praia de Pedra de Guaratiba é um
dos mais bonitos do Rio de Janeiro.
A vista de parte da Restinga de
Marambaia é deslumbrante.
As
inúmeras canoas, barcos e garças
complementam o visual. Paisagem
esta que é fonte de inspiração de
vários artistas plásticos e escultores
Pôr do sol em Pedra de Guaratiba. Foto de Nilson
Pinto.
da região.
O casario da beira da praia é bem diversificado. Casas simples ainda preservam
seus telhados feitos de telhas canal, portas e janelas típicas de tempos coloniais contrastando com
algumas casas mais modernas, de arquitetura arrojada.
A água que banha o litoral de Pedra faz parte da Baía de Sepetiba, que recebe as
águas do Oceano Atlântico pelo mar da Ilha Grande e pela foz da Barra de Guaratiba em
renovadas enchentes e vazantes de marés, num ciclo permanente que a natureza renova para o
equilíbrio de todas as espécies. Nesta Baía os pescadores praticam a pesca de currais, para peixes
de variadas espécies e o camarão de rede e tarrafa.
Pescadores de Pedra montando a cercada. Essa é a chamada pesca de currais, onde são
capturados peixes de variadas espécies. Fotos de Nilson Pinto.
Os bravos pescadores utilizam até hoje a canoa, de origem indígena, como meio
de locomoção marítima para a pesca litorânea. Entre as variedades temos a canoa de voga – para
vários pescadores; a canoa de dois e a canoa de um, todas com nome e registradas pela Capitania
dos Portos. Inicialmente, elas se locomoviam através da tração manual, com remos e velas, hoje
a maioria usa motor.
Praia da Venda Grande – Pedra de Guaratiba. Foto de Nilson Pinto.
Infelizmente, não há nenhum tipo de embarcação voltada para passeios
turísticos, que também poderiam constituir uma fonte de renda para o bairro. O local mais
próximo onde são organizados passeios de saveiro margeando toda a Baía de Sepetiba e
contornando a Restinga da Marambaia, fica em Itacuruçá, no caminho para Angra dos Reis.
Como já havia citado
acima, a bela paisagem inspirou muitos
artistas que vivem no anonimato.
Suas
obras ficam expostas nos ateliês que se
desenvolveram,
principalmente
neste
bairro.
A CASA das Artes –
Casa das Artes
Centro de Apoio Sociedade Amigos das
Artes, localizada na Rua Barros de Alarcão
nº 503, sob a direção do simpático Hugo Gruenwald – poeta e artista da região, reúne uma
variedade de quadros, esculturas e artesanatos em geral.
Peças esculpidas diretamente na
madeira, sem emendas, feitas pelo próprio Hugo, são surpreendentes. A CASA é também uma
Associação de Artistas e Artesãos da região, e é utilizada por alguns artistas para ensinar a seus
alunos as técnicas artísticas. Infelizmente sabemos que artistas e poetas no Brasil não são
valorizados como deveriam ser. É o caso desses artistas de Pedra que são pouco divulgados.
Hugo também costuma organizar a chamada “Ciranda Musical”, onde poetas e compositores têm
a oportunidade de expor seus trabalhos de maneira alegre e descontraída.
Entre as festas mais
populares de Pedra, estão a Folia de
Reis e a de São Pedro. A primeira,
realizada no mês de janeiro, vai até o
dia 20 – Dia de São Sebastião, onde
grupos representam a viagem dos Reis
Magos e a Vida de Cristo, além de
Procissão Marítima em homenagem a São Pedro
– padroeiro dos pescadores. Acervo Nilson Pinto.
falarem também sobre a vida do
padroeiro da Cidade do Rio de Janeiro.
A segunda, festa característica do padroeiro dos pescadores, é festejada com procissão marítima –
onde os barcos ficam todos enfeitados, e terrestre – pelas ruas de Pedra e adjacências. Em frente
à Igreja de São Pedro é realizada uma festa junina que dura um final de semana, com
barraquinhas e comidas típicas.
À esquerda, crianças brincam no coreto montado durante a Festa de São Pedro, organizada
em frente à Igreja. À direita, pescadores enfeitando os barcos para a procissão marítima.
Este ano a procissão foi realizada no dia 29 de junho (sábado) – Dia de São
Pedro e também no dia 30 de junho (domingo), para assim reunir a procissão marítima e terrestre.
A imagem de São Pedro saiu da Colônia de Pescadores carregada pelos fiéis e percorreu as
principais ruas do bairro. Após o percurso, a imagem foi colocada num barco enfeitado, que
percorreu toda a costa de Pedra, desde a Praia da Capela até Ponta Grossa. Ao retornar muitos
fogos saudaram o Padroeiro dos Pescadores. É uma festa que realmente vale a pena conferir!
Procissão Terrestre em homenagem a São Pedro.
A Igreja de São Pedro,
localizada na Rua Belchior da Fonseca, foi
construída por moradores e veranistas, em
1925, porém por ter sido mal construída e estar
repleta de rachaduras e infiltrações, a antiga
capela foi demolida para em 1956 ser
construída outra no mesmo local.
Atual Igreja de São Pedro
Já a famosa Igreja Nossa Senhora do Desterro, construída em 1629 é motivo de
orgulho para os moradores. Segundo o historiador Rivadávia Pinto, esta Igreja é a terceira mais
antiga do Rio. Ele afirma que a primeira mais antiga é a de Nossa Senhora Bonsucesso, perto da
Santa Casa de Misericórdia, e a segunda é a de Santa Luzia, na Rua Santa Luzia, ambas
localizadas no centro da cidade.
Uma outra festa popular e muito animada é o Carnaval de Pedra. Desde o
início do século XX já havia uma Sociedade Carnavalesca chamada “O Relâmpago”, que
desfilava pelas ruas da Pedra com seus carros alegóricos e era patrocinada pelo Deputado Raul
Capelo Barrozo.
Com o passar dos anos, novos blocos foram surgindo, entre eles: Filhos do
Oceano; Estrela de Prata; Nunca Vi Nem Sei Quem é; União das Rosas; entre outros. Em torno
de l988, três novos blocos atraiam a atenção de moradores e veranistas da localidade pela riqueza
do seu desfile, que acontecia ao longo da Rua Barros de Alarcão – o Coqueirinho; o Cruc
(Unidos do Catruz) e Unidos da Venda Grande, que mais tarde formaram o Unidos da Pedra.
Atualmente, o Unidos da Ilha, entre outros blocos que desfilam pelas ruas do bairro e os famosos
“Clóvis” dão um colorido a festa.
Rivadávia, em seu acervo particular, costumava relatar fatos pitorescos
narrados pelos próprios moradores de Pedra, que fizeram parte da história. Veremos abaixo
algumas destas figuras:
João Correa Filho (“João Pequeno”) – Nascido em 18 de dezembro de 1895 foi um dos
melhores pescadores da região, um dos mais valentes homens do mar. Residia na Praia da Ponta
Grossa e era proprietário de redes e embarcações.
Pescava de todo tipo de rede e cercada (“curral de peixe”) e era conhecido como o maior
corredor de vela, nas famosas regatas que eram realizadas na festa do padroeiro São Pedro.
Conhecia a fúria dos ventos e percebia a aproximação dos temporais. Grande devoto de São
Pedro, não tinha vícios e faleceu aos 80 anos de idade.
Deodoro Pereira Pinto – Músico da “Banda Dezessete de Abril” – dirigida pelo seu irmão
Deozílio Pinto e fundada em 1870, ficando conhecida mais tarde como “Banda Deozílio Pinto”.
Pescador profissional pescou durante toda a vida.
Em depoimento ao Jornal do Brasil, Caderno B
de 18 de Fevereiro de 1975, disse ter muito orgulho de
estar à frente da Banda que tocou para o Cardeal
Arcoverde nas duas vezes em que esteve na Pedra. “–
Eu me lembro bem – afirma Deodoro Pinto, antigo
pescador e clarinetista na banda, hoje com 83 anos –
foi em 1915 e eu estava logo na frente, toquei pertinho
do primeiro Cardeal da América Latina, que veio aqui
para se hospedar num convento que não existe mais.
Ele elogiou muito. Foi nosso maior sucesso”.
Deodoro Pereira Pinto em
entrevista ao Jornal do Brasil de
1975.
Costumava contar as velhas “rixas” entre Pedrestes (designa o natural ou habitante de
Pedra de Guaratiba) e os Sepetibanos. Para combater a rede miúda – utilizada para a pesca de
camarão, que prejudica a produção, os Pedrestes apanharam os Sepetibanos de surpresa,
apreendendo suas redes e levando-as para a Praia da Pedra para ali serem queimadas, a vista de
todos.
Vítimas da fúria dos Pedrestes, os Sepetibanos clamavam “vingança”, “rogando pragas”.
Passado alguns meses, a pesca em Pedra estava arruinada, peixes e camarões sumiram, obrigando
os pescadores pedrestes a procurar Sepetiba. Lá, se sujeitaram a represálias por parte dos
Sepetibanos.
Entre as lembranças de Deodoro estão: a chegada do Rebocador “11 de Junho”, ancorado
junto a Restinga da Marambaia em 1908, quando se inscreveu como pescador; e os Armazéns e
Casas de Tecidos que vendiam de tudo, cujos donos, em sua maioria, eram turcos.
Nascido em Abril de 1890 – logo após a Proclamação da República, por isso o nome
“Deodoro”, faleceu em 1980, aos 90 anos, de morte natural. Filho do segundo casamento de
Porcina Maria da Conceição com Manoel Luis Pinto – português e comerciante de Guaratiba.
Como seu pai faleceu no início de sua infância foi criado pelos irmãos, por isso aprendeu a tocar
muito cedo com seu irmão Deozílio, passando a fazer parte da banda.
Hildegarda Barrozo Alves Ribeiro – Pertencia a uma das famílias mais tradicionais de
Guaratiba – A Família Barrozo. Morou por muitos anos no Convento da Pedra, onde assistiu a
vários casamentos, batizados e visitas de figuras importantes, como por exemplo, o Cardeal
Arcoverde e o cantor Catulo da Paixão Cearense.
Por ocasião de seu casamento com Vicente Alves Ribeiro, lavrador na Ilha de Guaratiba e
possuidor de muitos bens, foi alterada parte da Igreja Nossa Senhora do Desterro. A marquise e a
varanda da frente foram retiradas, sendo colocados azulejos portugueses e forro em toda a Igreja.
Já idosa, lembrava ainda dos famosos bailes da Ilha, onde os convidados chegavam em
suas carroças e cavalos, e bailavam uma a duas noites consecutivas, sob a luz de lamparinas e
lampiões. Recordava também a chegada de Dom Pedro II e o almoço debaixo das mangueiras; a
visita de Marechal Hermes; a Revolta de Custódio de Mello; a chegada da água encanada em
Pedra e a vinda dos bondes a burro.
Faleceu em 15 de Novembro de 1973, em Campo Grande.
Joaquim Alves de Souza (“Seu Quinquim”) – Velho negociante da região e famoso pelo seu
Armazém São Joaquim, cujo prédio ainda de pé está localizado na Estrada da Pedra. Foi uma
casa comercial de grande importância para os moradores, pois lá podia-se encontrar de tudo.
Inaugurada pelo pai de “Seu Quinquim”, entre 1880 e 1885, a casa parou de funcionar em 1983,
quando estava sob direção de seu filho Alberto Sant’Anna de Souza.
Beth Vasques, na coluna Raízes do Jornal “A Pedrada” nº 25, de outubro de 2001,
escreveu detalhes sobre este armazém.
“O armazém era muito organizado. Seu Quinquim fazia questão de trazer todos os seus
empregados registrados e sempre dava o exemplo de que a palavra valia mais que uma
assinatura. Era muito humano também, muitos fregueses, mesmo sem condições de pagar,
continuavam “comprando” na loja. Como naquela época não havia as nossas embalagens de
hoje, o próprio armazém possuía uma fábrica para confecção de sacos de papel”.
“Os doces eram muito procurados (...)”.
“Lá pelos idos de 1930, não havia muitos recursos para gelar as bebidas. Um pouco mais
tarde é que surgiram as geladeiras a querosene. Os bares, então, se utilizavam da criatividade:
quem tinha poço no quintal, amarrava as garrafas e as deixava mergulhadas durante toda a
noite. Pela manhã, elas estavam na temperatura ideal para consumo. Uma outra forma muito
usada era, no inverno, abrir um buraco no chão, próximo ao balcão, e colocar as garrafas ali,
com a umidade também elas ficavam bem geladas”.
Pedra sempre foi um local de muitas histórias, muitas delas contadas por
antigos pescadores.
Certa vez, um pescador da antiga Colônia Z-8, se surpreendeu ao encontrar
entre os peixes de seu “viveiro”, a presença de um enorme e simpático animal, que mais parecia
uma foca. Isso aconteceu em agosto de 1952 e causou grande alvoroço entre moradores e
pescadores.
O fato foi esclarecido pelo Comandante Armando Pinna, que constatou que
realmente se tratava de um “Leão-Marinho”, da família das focas e que pesava,
aproximadamente, 600 quilos.
Colônia de Pescadores de Pedra de
Guaratiba
Concluindo, podemos afirmar que Pedra de Guaratiba é um bairro realmente
encantador, de ricas histórias, mas com poucas opções de lazer e trabalho. Apenas os
restaurantes, o pequeno comércio e a pesca oferecem oportunidades na região. A juventude do
bairro se vê obrigada a procurar bairros próximos, como a Barra da Tijuca, Recreio, Campo
Grande ou Santa Cruz, onde encontram com mais facilidade trabalho e diversão.
1.2 – Barra de Guaratiba (ver anexo 19)
Assim como Pedra,
Barra de Guaratiba é um verdadeiro
paraíso, de belas paisagens naturais,
boa gastronomia e histórias curiosas,
contadas
Francisco
principalmente,
Alves
Siqueira
por
(antigo
morador do local), mais conhecido
como “Seu Chiquinho”.
Praia da Barra de Guaratiba
Descendo a Serra da Grota Funda avistaremos uma placa, que indica o retorno à
esquerda, para alcançarmos a Estrada de Barra de Guaratiba – atualmente conhecida como
Estrada Roberto Burle Marx, onde estão concentrados mais de trinta restaurantes especializados
em peixes e frutos do mar, popularmente conhecidos como “Cabanas das tias” – Tia Palmira, Tia
Penha, que fazem sucesso nos fins de semana.
Chegando
ao
final
desta estrada veremos primeiro as
pontes que ligam o bairro à Restinga da
Marambaia – uma enorme praia, que
até
hoje
o
Exército
mantém
a
hegemonia, com a instalação em 1945,
do
atual
Campo
de
Provas
da
Marambaia, estando proibida a entrada
do público. Mais a frente a pequena
Ponte que liga o bairro à Restinga da Marambaia.
Foto de Nilson Pinto.
Praia de Barra de Guaratiba, que já foi
inclusive cenário de filmes e novelas.
Como
já
sabemos, a ocupação da região
começou com a chegada de
Manoel Veloso Espinha, em
marco de 1579.
Porém, a
Família Alves Siqueira foi
proprietária das terras na Barra
de Guaratiba desde 1683. Na
Fazenda e Engenho de Manoel
Siqueira e sua esposa Brites
Dórea,
estando
presentes
algumas testemunhas e como
procurador
Belchior
da
Vista da Restinga da Marambaia
Fonseca Dórea (cunhado de Manoel Siqueira), foi concretizada a doação da Igreja São Salvador
do Mundo, primitiva da Barra de Guaratiba, construída em 1676. Sabe-se porém, que em 1686
este templo encontrava-se arruinado logo, a sede paroquial foi transferida para a Capela de Santo
Antonio da Bica, na Fazenda da Bica, propriedade de Belchior da Fonseca, onde se conservou até
o mês de setembro de 1690, quando voltou para o antigo templo, então reformado.
No ano de 1755, a antiga Igreja de São Salvador do Mundo passou a se chamar
Igreja de Nossa Senhora das Dores da Barra de Guaratiba. Em 12 de Janeiro de 1755, uma outra
Igreja foi construída em Ilha de Guaratiba homenageando São Salvador do Mundo.
Além da Igreja de Nossa Senhora das Dores, a Igrejinha de Nossa Senhora da
Saúde, localizada no alto do Morro da Vendinha, teve dupla finalidade, segundo “Chiquinho” –
autor do livro Barra de Guaratiba, sua vida, seu povo, seu passado. Consta que a Igreja por ter
sido edificada num local de difícil acesso e com visão total da enseada de Barra de Guaratiba e do
antigo ancoradouro, não foi exclusivamente construída para atos litúrgicos, ali o tráfico negreiro
era fiscalizado e havia um controle de entrada e saída dos barcos para mar aberto.
Os
livros
escritos
por
“Chiquinho”
oferecem
lendas
e
histórias
interessantíssimas, como a de “Bitinho”, que foi homenageado pelo Imperador D. Pedro II por
sua valentia. Pescador destemido enfrentou um naufrágio em l874, salvando dois pescadores.
Um deles havia atacado Bitinho com um canivete na tentativa de tomar dele um pedaço de
madeira e salvar-se. Bitinho conseguiu livrar-se da agressão escorando o canivete com um
pedaço do mastro, onde o mesmo ficou fincado. Mesmo assim Bitinho auxiliou o agressor, o
trazendo para a terra com seu próprio esforço. A prova deste ocorrido, a carta escrita por
D.Pedro II homenageando Bitinho, está sob a posse de seu bisneto Renato de Carvalho.
Outros fatos narrados neste livro são de impressionar qualquer leitor: como as
5000 tainhas pescadas num só cerco, em 1919; o primeiro e maior tubarão pescado em Barra de
Guaratiba por volta de 1930, de 1200 quilos; o mero de aproximadamente 200 quilos e medindo
nove palmos, pescado por Parlon e Chiquinho; a lula de 5 quilos, capturada pelo pescador Atílio
Soares, cujo tamanho ultrapassava a altura de seu neto Bruno de 3 anos. E não é história de
pescador não! Várias fotos estão estampadas no livro, comprovando que são realmente fatos
verídicos.
Hoje, já não existe a Colônia de Pescadores de Barra de Guaratiba, a antiga Z-7.
Os pescadores legalizados estão filiados a Colônia Z-14 da Pedra de Guaratiba.
Na praia da Barra de Guaratiba, banhada pelo Oceano Atlântico, os pescadores
costumam utilizar a rede grande e a rede de malhar para pescar. Já os crustáceos e moluscos
podem ser encontrados nos manguezais, próximo a Barra de Guaratiba. Siri e caranguejo são
abundantes, já a ostra é escassa.
Naquela região é comum aparecerem tubarões, pois as restingas da Marambaia
e de Sepetiba têm muitas saídas de rios e de mangues. Como a região é rica em diversas espécies
de peixes e crustáceos, os tubarões se aproximam para se alimentar. As fêmeas, principalmente,
escolhem aquelas águas para terem seus filhotes, mas a espécie não oferece perigo ao homem.
No dia 22 de maio de 2002, o Jornal O Globo
publicou uma matéria dizendo que um trio de pescadores de Barra
de Guaratiba havia conseguido pescar 16 tubarões da espécie galha
preta, de uma só vez.
Os maiores tinham quase 2 metros de
comprimento, 80 quilos de peso e foram pegos graças a uma rede
de espera, colocada próxima a Restinga da Marambaia, feita para
este tipo de pesca. “O biólogo da UERJ, Ulysses Leite Gomes,
explica que os galhas pretas são encontrados freqüentemente em
Tubarões capturados
em Barra de
Guaratiba.
Muitos
toda a costa do país.
No mar de Guaratiba também são
encontrados tubarões das espécies martelo, cação-frango e
marracho”.
dos
que
aqui
chegaram tinham propósito de gozar das
delícias do lugar, da tranqüilidade, da bela
paisagem e do espetacular pôr-do-sol.
As
casas foram sendo construídas em toda a
encosta do morro que circunda o bairro, e já
não há mais local para se construir. Muitos
artistas e pessoas ilustres mantêm suas
mansões de veraneio nesta encosta.
Casas construídas na encosta do morro.
Não poderia esquecer de falar sobre
Izabel Brum de Oliveira – A Centenária Dama de
Guaratiba, homenageada num pequeno livro também
escrito por Francisco Alves Siqueria (Seu Chiquinho).
Nascida em 08 de Julho de 1896, Izabel presenciou
diversos
fatos
que
contribuíram
desenvolvimento de Barra de Guaratiba.
para
o
Entre os
principais, temos: a abertura da estrada até a praia da
Barra de Guaratiba pelo Governo de Washington Luiz;
a construção do Campo de Provas da Marambaia e a
ponte que liga a Barra à Ilha da Marambaia; a
inauguração dessas obras pelo então Presidente da
República Getúlio Vargas; a presença constante de
autoridades na Barra de Guaratiba em conseqüência
Izabel Brum de Oliveira – A
Centenária Dama de Guaratiba
das obras existentes, pois a placa, com a inscrição
sobre a inauguração do evento, fica em frente a sua
casa; a Segunda Guerra Mundial onde vários jovens de Guaratiba, tiveram que integrar a Força
Expedicionária Brasileira; o Zeppelim que passava muito próximo a Barra de Guaratiba, indo ou
voltando de Santa Cruz; entre outros fatos.
A beleza da Restinga da Marambaia
pode ser observada de diversos pontos da Barra de
Guaratiba. Para aqueles que gostam de se aventurar, as
trilhas ecológicas levam às praias de Búzios, do Inferno,
Funda, do Meio e do Perigoso, que só podem ser
alcançadas a pé ou de barco. A Pedra do Telégrafo,
existente no pico do morro é muito procurada pelos
turistas, pois ali se tem uma bela vista da Pedra da
Praia do Inferno.
Gávea, ao longe. A pedra recebeu este nove porque
serviu de marco para observação e transmissão de
acontecimentos importantes da época passada.
À esquerda Praia do Meio. À direita Praia do Perigoso
À esquerda Praia dos Búzios. À direita Praia Funda.
O Grupo Frade de caminhadas ecológicas criado por barrenses há vários anos,
está sempre programando caminhadas por toda a Guaratiba e adjacências e não há limite de
idade, crianças e idosos também participam. A caminhada também tem o apoio dos salva-vidas
do corpo de bombeiros. O nome Frade nasceu em homenagem a pequenina ilha existente em
frente a praia de Barra de Guaratiba, chamada Ilha do Frade. O grupo também trabalha em
defesa da natureza, recolhendo todo o lixo que é encontrado no caminho; levar saquinhos de lixo
é obrigatório. Geralmente, na volta de caminhada, um “sopão” de camarão é oferecido pelo
grupo aos participantes que certamente estarão cansados e famintos.
Caminhada Ecológica Grupo do Frade. À direita Ilha do Frade.
Além da praia, das caminhadas e dos restaurantes, Barra também reúne artistas
e artesãos. A loja de artesanato – Arte Nativa, vende peças artesanais com preços variados, como
panelas de barro, abajur de galho de goiabeira, bolsas de palha, pufes de couro, entre outras.
Loja de Artesanato Arte Nativa
Para aqueles que gostam de estar em contato com a natureza, conhecendo uma
variada coleção de plantas ornamentais, tropicais e semitropicais, de várias partes do mundo, não
poderá deixar de visitar o sítio Roberto Burle
Marx, localizado na Estrada Roberto Burle
Marx (antiga Estrada da Barra de Guaratiba).
Em seus 365 mil metros quadrados, estão
distribuídas cerca de 3500 espécies diferentes
de plantas.
Comprado por Burle Marx em
1949, o sítio pertence hoje ao Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN), mas é na verdade um patrimônio da
humanidade.
Sítio Roberto Burle Marx
A exuberância das espécies espalhadas pelo sítio, muitas raras, atrai ao local
pesquisadores de várias partes do planeta. E facilita a vida dos estudantes brasileiros, que não
precisam atravessar o Atlântico, por exemplo, para ver de perto um Acácia seial, árvore típica da
savana africana. Nem viajar até Madagascar para sentir os aromas exóticos das pulmérias, uma
espécie de jasmim colorido com aromas diferentes em cada cor.
O acervo do sítio reúne, além de plantas, mais de duas mil peças de arte, entre
elas, telas, gravuras, aquarelas, desenhos, esculturas em madeira e cerâmica. Algumas dessas
obras são do próprio Burle Marx. Outras fazem parte de suas coleções particulares. Há também
uma imensa biblioteca com aproximadamente três mil títulos.
A casa principal é mantida intacta, exatamente como Burle Marx a deixou. Ali
estão algumas das coleções de arte popular, como as de Cerâmica do Vale do Jequitinhonha
(MG), com 150 peças, e a da era pré-colombiana, com 125 peças.
O tempo da caminhada varia de 1h30m até 3h30m e é preciso energia para as
subidas e descidas nas ladeiras de paralelepípedos. A paisagem é tão exuberante, que serve de
fôlego. Os guias do local auxiliam na identificação das plantas e flores, além de contarem fatos
que fazem parte da história do sítio.
Dentro do sítio, encontra-se a Capela de Santo Antônio da Bica, construída em
1690, pelo Capitão-mor Belchior da Fonseca Dórea. Em 1710, este templo foi saqueado e
incendiado
pelos
invasores
por
Duclerc,
comandados
posteriormente
restaurado
franceses,
mas
pelo
foi
próprio
Capitão. Em razão destas modificações, Burle
Marx
precisou
pesquisar
muito
para
reconstituir o tom barroco de seu interior. A
Capela passou a se chamar Santo Antônio da
Bica, pois a fonte d’água que existia na
Fazenda, abastecia a população local. O sítio é
Capela Santo Antônio da Bica
visitado por mais de 1000 pessoas por mês,
mas
a
visita
deve
ser
agendada
com
antecedência.
Após o fim da caminhada é importante “reabastecer” num dos restaurantes
localizados no bairro. O restaurante César fica bem próximo ao sítio. Os pratos são excelentes e
o atendimento de qualidade.
O Carnaval em Barra de Guaratiba também é tradicional. Os famosos Clóvis
saem pelas ruas em seus trajes bordados com pedrarias e lantejoulas. A cada ano uma nova
fantasia é feita, sempre de acordo com o tema definido pelo grupo de Clóvis.
Barra de Guaratiba é realmente um local fascinante; rico em histórias e belezas
naturais que merecem ser contempladas.
1.3 – Guaratiba e Ilha de Guaratiba (ver anexo 18)
Guaratiba e Ilha de Guaratiba são os últimos e mais extensos bairros da região.
Como podemos perceber, os dois primeiros que vimos acima sempre foram mais voltados para a
pesca, por serem bairros litorâneos. Guaratiba e Ilha são diferentes. Seus campos de solo fértil
sempre favoreceram as atividades agropecuárias. Sítios e chácaras produzem grande variedade
de produtos hortifrutigranjeiros e flores.
Mas como pode o bairro receber o nome de “Ilha” se não é um local cercado de
água por todos os lados? Segundo levantamento de Beth Vasques, pesquisadora da região, há
três justificativas: “teria recebido o mesmo nome de um morro próximo; ou seria em
conseqüência da construção de canais de irrigação para as plantações deixando o aspecto do
lugar com características de uma ilha; ou, de acordo com o folclore local, teria sido o resultado
da pronúncia errada do nome Willian de um antigo negociante daquela área”. Esta última
versão é a mais utilizada pela maioria dos moradores para explicar a origem deste nome.
Como bairros essencialmente agrícola desde sua colonização, o crescimento
deve-se a cultura da cana-de-açúcar, do café
e da laranja.
Com o passar dos anos, a
região continuou explorando a agricultura,
cultivando
arroz,
milho,
mandioca,
amendoim, chuchu, berinjela, quiabo, alface,
bertalha, almeirão, chicória, além de frutas
como o jambo, coco e principalmente, a
manga.
Largo da Ilha de Guaratiba
Hoje, a banana continua sendo
muito cultivada.
Ilha de Guaratiba fica entre a Grota Funda e o Retiro, onde nasce o Rio
Portinho, que recebe água das cachoeiras locais e deságua na Baía de Sepetiba. Por esse Rio,
durante muitos anos, toda a produção agrícola era escoada, alcançando o mar, daí sua
importância.
Infelizmente, algumas pequenas propriedades rurais que ainda existem na
região, estão passando por vários problemas. Muitos agricultores deste bairro estão vendendo
suas pequenas propriedades para veranistas, pois não estão tendo lucro com as plantações. Viver
como pequeno agricultor é duro e desgastante. Quando ocorre uma boa safra de algum produto, a
oferta aumenta e os preços despencam, gerando um grande prejuízo ao agricultor.
Como a região é distante do Ceasa e dos grandes centros urbanos, o transporte
também fica muito caro, pois falta um mercado distribuidor próximo, porém, segundo eles, esses
problemas só poderão ser resolvidos com uma política voltada para os pequenos agricultores.
Além dos produtos agrícolas, a região também é grande produtora de plantas
ornamentais. Vários sítios e chácaras estão se dedicando a comercialização de plantas e flores.
Muitos dos atuais proprietários desses locais, já foram auxiliares do paisagista Burle Marx em seu
sítio, em Barra de Guaratiba.
Grande parte desses floricultores mantém suas chácaras próximo a beira da
estrada, pois o movimento é maior, principalmente de turistas, garantindo a venda das mudas. A
produção é bem diversificada, destacando-se samambaias, rucélias, dracenas, buganviles e
arvoredos do tipo muraína, ipê, amendoeira, plantas medicinais e árvores frutíferas.
Assim como acontece na agricultura, o problema mais comum é a falta de
mercado distribuidor próximo e a falta de incentivo, que prejudica pequenos e médios
floricultores.
Uma antiga e importante fazenda que sempre produziu legumes e verduras,
além de criar gado, porcos, perus e galinhas é a atual Fazenda Modelo. Com tanta fartura seus
donos forneciam parte do cultivo a hospitais, creches e até banquetes diversos. Foi assim que
surgiu o nome “modelo” dado a Fazenda, pois quando o prefeito da época veio visitá-la,
exclamou: “– É uma fazenda modelo”!
Antes de ser intitulada como Fazenda Modelo, recebeu várias denominações:
Colônia Agrícola; Granja de Criação; Companhia Transporte de Café; Granja Pastoril Agrícola e
Companhia Reunida Normandia.
Primeiramente, a Fazenda pertencia ao Dr. Miguel Rangel de Souza Coutinho.
Com a sua morte, herdaram este patrimônio o seu filho e posteriormente sua neta. O prédio da
fazenda ainda existe, e sua frente esta voltada para a Estrada do Mato Alto em Guaratiba, numa
pequena elevação cercada de pequenas casas.
Ilha também tem o
famoso O Alambique dos Mudos,
localizado no Sítio Ceará. Trata-se de
uma propriedade, que cultiva desde
1928 a cana-de-açúcar, produzindo
cachaça,
rapadura,
melado
e
aguardente. No retiro ainda se produz
hortaliças, chuchu e maracujá com
Getúlio Vargas visitando o Alambique dos
Mudos. Acervo Rivadávia Pinto.
abundância.
Pertencendo a uma
família de mudos, o imóvel encontra-se mal conservado, merecendo atenção especial, caso venha
ser explorado turisticamente. Consta em sua história, a visita do Presidente Getúlio Vargas, em
1945.
O “Castelo dos Guimarães”, localizado na Estrada da Ilha de Guaratiba, tinha
como proprietário o Sr. Joaquim Fernandes de Carvalho Guimarães, que exercia a função de
Subdelegado de Polícia de Guaratiba. O prédio era conhecido como “Castelo” porque era um
casarão e parecia um forte. Há aproximadamente 20 anos atrás, ainda se podia observar, entre as
ruínas, uma parede gigantesca, feita de pedra e cal. Segundo os vizinhos do Castelo, certo dia o
Sr. Guimarães abusou de uma escrava, na presença de seus filhos, também escravos. Com o
passar do tempo, os dois rapazes se vingaram, assassinando o Subdelegado dentro do casarão.
Este crime aconteceu na Ilha de Guaratiba em 1888 e teve grande repercussão.
Já a Capela Magdalena, localizada na
Estrada do Mato Alto em Guaratiba, transformou-se desde
1990 em um dos principais atrativos turísticos e culturais
da região. Decorada com afrescos em estilo bizantino e
barroco, situada numa área de 28 mil metros quadrados,
com jardins iluminados por tochas, oferece como principal
atração, a apresentação do renomado cravista, Professor
Roberto de Regina. Roberto interpreta, ao vivo, peças de
Mozart, Bach, Albinoni, entre outros. Após o concerto é
servido um jantar de cardápio variado e de bom gosto, de
inspiração indiana.
Capela Magdalena, área externa
e interna.
Entre as Igrejas temos a Igreja Matriz Salvador do Mundo, em Guaratiba e a
Igreja Nossa Senhora de Santana, em Ilha de Guaratiba. A primeira, tombada pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1938, teve grande importância na
proteção contra a invasão dos franceses – que desembarcaram em 1710 no Rio de Janeiro, por
estar localizada no alto de um pequeno morro de onde pode se avistar uma extensa planície. A
visão vai até Barra de Guaratiba, onde se encontra a Igreja Nossa Senhora da Saúde, também
posicionada estrategicamente. Já a Igreja Nossa Senhora de Santana, em estilo colonial, data de
1909 e passou por uma recente reforma. Localiza-se no Largo da Ilha e está bem conservada.
Igreja Matriz São Salvador do Mundo
Assim como em Pedra e em Barra de Guaratiba, o carnaval em Ilha é bem
animado. O bloco Unidos da Ilha desfila pelas ruas da região fazendo a alegria dos foliões.

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