Apresentação - Associação Betel de Evangelismo e Missões

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Apresentação - Associação Betel de Evangelismo e Missões
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Revista Betel
Apresentação
D
eus glorifica-Se a Si mesmo quando Se revela. Tudo isto, pois, é para louvor da glória da
Sua graça, segundo a qual Ele nos fez aceitos
no Amado; Para fazer brilhar a glória da sua
graça, pela qual nos tornou agradáveis a Si (a seus olhos)
em Seu amado Filho (Efésios 1:6).
É por esta razão que Deus nosso Pai, nos torna interessados nos Seus planos quanto ao Seu propósito de glória para o Seu Filho. E, o Seu propósito é reunir todas as
coisas na Pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo; De fazer
convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas
as coisas, tanto as do céu, como as da terra. Efésios 1:10.
E nós, como vasos, fomos chamados por Deus para
cumprir o Seu propósito - a exaltação do Seu Filho. Portanto, que este propósito se realize em cada um de nós!
Nada nesta vida pode satisfazer o coração dos filhos de
Deus a não ser no conhecimento da Pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo.
E, que Deus nos leve a fazer parte do Seu grande propósito. A nossa oração é para que Deus continue nos usando
na divulgação destas mensagens para que, juntos, sejamos
edificados no pleno conhecimento do nosso grande Deus e
Salvador Cristo Jesus.
Os Editores
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Revista Betel
“Cristo é tudo em todos” • Ano 7 • Nº 2 • Primavera 2011
Sumário
Apresentação, 1
Estudo Bíblico
As Bem-aventuranças V, 3
O Pecado, 8
Humberto X. Rodrigues
Glenio F. Paranaguá
Riqueza
da
Graça
Deus Responde Além do que Pedimos nas Orações!, 13
David Wilkerson
O Sacrifício de Deus Pai, 25
Legado
A Cruz: O Evangelho Universal ou a
Lei do Sacrifício Cristão relacionado a Missões, 35
Unidade e Verdade, 41
William MacCallum Clow
Henry Clay Mabie
Dave Hunt
Associação Betel, 47
Revista Betel
Estudo Bíblico
As Bemaventuranças V
3
Humberto X. Rodrigues
Bem-aventurados os limpos de
coração, porque eles verão a
Deus. Mateus 5:8.
A
palavra grega para limpos é katharos que agrega outros significados
como: sem mancha,
imaculado e puro. A palavra grega
para coração é kardia, simbolizando
o centro da vida interior como um
todo: as emoções, a vontade e a mente. Ser puro de coração remete para o
fato de que os nascidos de novo são
possuidores de um amor não dividido. Eles consideram Cristo o seu
maior bem. Esta bem-aventurança
pode ser assim entendida: Bem-
-aventurados aqueles que deixam
ir a sua duplicidade e deixam que
Deus seja a sua única visão.
A pureza de coração corresponde
à simplicidade dos olhos. Isto significa que o nosso Senhor é o único
objeto de nossa atenção. Trata-se de
uma vida que está totalmente voltada ou devotada ao Senhor. O salmista definiu e expressou o que significa ser puro de coração: Dispõe-me
o coração para só temer o teu nome.
Salmos 86:11. A dificuldade dos filhos de Deus é a duplicidade de seus
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Estudo Bíblico
corações. A batalha que se trava no
íntimo de cada filho de Deus é o fato
de possuir uma mente voltada unicamente para o Senhor e sob o seu
governo.
Por isso o salmista orou ao Senhor para que lhe dispusesse o coração “para só temer o teu nome”. É
como se ele tivesse expressado assim:
“faze meu coração tornar-se singelo; tira dele as duplicidades que lhe
ofuscam a visão, e deixa-o puro, sincero, inteiramente isento de qualquer
hipocrisia” O coração puro é o coração que não está dividido; um coração que vive para a glória de Deus em
todos os aspectos da vida, sendo este
o supremo propósito de nossa existência.
Pureza de coração significa simplesmente um estado em que não
há nada obstaculando ou nos impedindo de ver Deus. Mas, o que se
faz necessário, antes que possamos
ver Deus? Considerando que todos
os homens nascem espiritualmente
cegos, por causa do pecado. Então,
o primeiro obstáculo a ser removido
do homem é o pecado. A conseqüência logo após a queda do homem foi
que os seus olhos foram abertos para
si mesmos e fechados para Deus: Então foram abertos os olhos de ambos, e
conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para
si aventais. Gênesis 3:7.
Revista Betel
Abriram os seus olhos para a sua
própria condição. Condição esta de
“desgraçado, miserável, pobre, cego,
e nu. Tornaram-se aviltados, impotentes, escravos de Satanás, com uma
consciência culpada, - triste fruto da
árvore do conhecimento. Assim, no
caso de Adão e Eva, a descoberta da
sua nudez foi seguida por um esforço próprio para ocultá-la: ...e coseram
folhas de figueira, e fizeram para si
aventais. É este o primeiro relato que
temos do esforço do homem para remediar, por seu próprio expediente,
a sua condição de cegos diante de
Deus.
Aqui, pois, está a posição terrível
do homem diante de Deus: Impuros,
maculados, sem olhos para ver Deus
e essencialmente corruptos: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Esse
coração enganoso que herdamos de
nossos pais (Adão e Eva), é a fonte de
toda a desordem dos homens. O senhor Jesus se dirigiu aos fariseus que
se limitavam apenas a observar estritamente certo número de formas
exteriores e tradições, com estas palavras: Porque do coração procedem os
maus pensamentos, mortes, adultérios,
prostituição, furtos, falsos testemunhos
e blasfêmias. Mateus 15:19.
O Senhor, que conhece bem o coração do homem, não Se deixa enganar pelas aparências. Dirigindo-Se a
Revista Betel
Estudo Bíblico
seus discípulos que também estavam
desconcertados com Suas palavras,
expõe a maldade do coração humano
e a sua total ruína. Sim, as mãos podem estar impecavelmente lavadas,
enquanto o coração está cheio de
sujeiras. Esse coração, também nós
o possuímos. Reconheçamos quão
horrível é o conteúdo do coração
humano, de nosso próprio coração,
mesmo que o ocultemos sob uma
aparência respeitável e agradável. As três primeiras bem-aventuranças discorrem sobre a nossa necessidade espiritual, sobre a nossa necessidade de um espírito humilde, um
choro de lamento em face do estado
de pacaminosidade que nos encontrávamos; sobre a necessidade de sermos mansos, isto é, a consciência de
que não temos direitos a reivindicar.
Depois se segue as bem-aventuranças que tem como propósitos satisfazer as nossas necessidades, “fome
e sede”, serão “fartos”; Os “misericordiosos que alcançarão misericórdia;
os limpos de coração, porque verão
a Deus.
Quem são esses que são puros de
coração? Deus não vê como o homem, o homem vê o exterior, mas
Deus vê o que está no interior do homem. O Evangelho do nosso Senhor
Jesus se interessa pelo estado do coração; toda a sua ênfase recai sobre o
coração. Basta lermos os ensinamen-
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tos de Jesus que logo descobriremos
a advertência: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior
está cheio de rapina e de iniqüidade.
Fariseu cego! limpa primeiro o interior
do copo e do prato, para que também o
exterior fique limpo.
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente
parecem formosos, mas interiormente
estão cheios de ossos de mortos e de
toda a imundícia. Assim também vós
exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios
de hipocrisia e de iniqüidade. Mateus
23:25-26-27-28. A grande advertência de Jesus contra os fariseus é que
eles estavam interessados no exterior
de copos, pratos e vasos, mas ignoravam o interior. Estes homens vistos
por fora pareciam sem defeitos, mas
seus interiores cheios de cobiças e de
iniqüidades.
Por isso, o Evangelho concentra-se
sobre o coração do homem. Aquele
que deseja um coração puro descobre
que não há forças em si mesmo para
tal. E, é neste ponto que a cruz entra
com o seu trabalho. Inicialmente a
cruz opera a troca de coração ou da
vida. Tudo que o homem precisa saber é que em Cristo ele encontra tal
pureza. A cruz entra para fazer a cisão, isto é, tirar fora aquilo que não
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Estudo Bíblico
serve para nada: Mas é judeu o que
o é no interior, e circuncisão a que é do
coração, no espírito, não na letra; cujo
louvor não provém dos homens, mas de
Deus. Romanos 2:29;
O processo de purificação começa pela justificação, na justificação se
dá o início da nossa caminhada com
Deus. Na justificação Deus nos leva
ao fim de nós mesmos, isto significa
que a nossa velha vida que herdamos de nossos pais é deixada para
trás pela nossa morte com Cristo. E,
juntamente com Ele somos ressuscitados para andarmos em novidade
de vida. De sorte que fomos sepultados
com ele pelo batismo na morte; para
que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim
andemos nós também em novidade de
vida. Romanos 6:4.
A Justificação nos coloca no caminho, e a caminhada é o processo pelo
qual a graça de Deus vai nos aperfeiçoar e nos purificar: Quem é injusto,
faça injustiça ainda; e quem está sujo,
suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda. Apocalipse 22:11.
O que deve ser entendido acerca
desta bem-aventurança quando diz
que “veremos” a Deus? Em primeiro
plano não é uma visão externa, não é
uma visão dos olhos da carne. É uma
visão espiritual. É uma visão subjetiva conferida pela palavra de Deus.
Revista Betel
O profeta Isaías expressou seu anelo
por Deus assim: Com minha alma te
desejei de noite, e com o meu espírito,
que está dentro de mim, madrugarei a
buscar-te; porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo
aprendem justiça. Isaías 26:9.
A visão de Deus, como a busca
por Ele, se dá em nosso espírito, “e
com o meu espírito, que está dentro
de mim”. O nascido de novo pode ver
Deus em um sentido que ninguém
mais pode vê-lo. Além de poder contemplar Deus no seu espírito, os nascidos de novo podem ver Deus nos
acontecimentos históricos, podem
ver Deus em cada situação de suas
vidas. Uma visão que é possível pelos
olhos da fé.
Podemos dizer também que “hoje”
estamos vendo Deus, e “amanhã” o
veremos mais. “Agora vemos como
um espelho, obscuramente” “amanhã” haveremos de vê-lo como Ele é:
Amados, agora somos filhos de Deus,
e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando
ele se manifestar, seremos semelhantes
a ele; porque assim como é o veremos. I
João 3:2. Não podemos duvidar que
essa é a mais maravilhosa declaração
que nos foi dada , isto é, nós haveremos de ver Deus face a face.
O apóstolo Paulo escrevendo aos
crentes de Éfeso orou por eles, não
porque eles não tinham uma expe-
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Estudo Bíblico
riência com Deus, rogou por eles,
não para pedir benções, pois eles já
tinham sido informados que já as
possuíam em Cristo. Mas, para que
Deus iluminasse os seus olhos para
ver as riquezas contidas em Cristo. Por isso, ouvindo eu também a fé
que entre vós há no Senhor Jesus, e o
vosso amor para com todos os santos,
Não cesso de dar graças a Deus por
vós, lembrando-me de vós nas minhas
orações: Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos
dê em seu conhecimento o espírito de
sabedoria e de revelação; Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento,
para que saibais qual seja a esperança
da sua vocação, e quais as riquezas da
glória da sua herança nos santos. Efésios 1:15-18.
Podemos dizer que os crentes de
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Éfeso começaram a ver, mas precisavam ver mais, “tendo iluminados
os olhos do vosso entendimento” ou
“coração”. Eles possuíam olhos, mas
precisavam de luz para ver mais.
Eram puros, mas precisam de mais e
mais pureza. Fomos justificados, isto
é, recebemos a “Luz” nossos olhos
foram abertos, mas precisamos crescer nessa visão, precisamos ver mais
e mais a pessoa de Cristo. E quanto
mais intensa a luz, mais claro fica o
ambiente. E, o princípio que opera
nessa pureza é o princípio da cruz.
“levar o morrer de Jesus no viver diário”. Trazendo sempre por toda a parte
a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se
manifeste também nos nossos corpos. II
Coríntios 4:10.
O que se percebe na pregação dos dias atuais é a falta de um sentido de urgência. Isto porque,
o que tem sido pregado nada mais é do que uma mensagem sociológica. Ela parece sugerir que o
Cristianismo é apenas um movimento destinado a melhorar as pessoas. O trabalho evangelístico
tem sido claramente negligenciado.
-- William McCallum Clow (1853-1930)
“Eis uns homens: eles sabem tudo sobre Deus. Algumas das coisas preciosas que são ditas
sobre Deus no livro de Jó são ditas, não por Jó, mas por seus amigos. Os amigos de Jó disseram
algumas das passagens que você ama. Eles estavam certos, eles conheciam tudo a respeito de
Deus; no entanto, quão absolutamente diferentes Dele eram: duros, cheios de censura e faltos
de graça. Isto é um desafio para nós. Você pode conhecer tudo sobre Deus e, ainda assim, não
ser como Ele.”
-- T. Austin-Sparks, Discipline Unto Prayer
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Estudo Bíblico
O Pecado
Revista Betel
Glenio F. Paranaguá
A vida estava nele e a vida era
a luz dos homens. João 1:4.
A
palavra pecado, no original hebraico, chata’, significa errar a pontaria ou
incidir fora do alvo. Teologicamente, pecar é discordar voluntariamente da vontade de Deus,
em razão de uma vontade própria
insurreta, insubmissa e insolente. É
desobediência voluntária da criatura
orgulhosa, arrogante e atrevida, favorecida pelo desejo incontrolável de
ser como o Criador.
Lúcifer, o querubim brilhante, foi
o primeiro a pecar, e pecou no plano espiritual, de forma autógena ou
autocentrada, isto é, sem qualquer
causa externa de tentação. Ele mesmo tornou-se inconformado por ser
apenas uma criatura e propôs ser o
Criador. Quando Adão foi criado,
no mundo material, já havia uma
rebelião cósmica rolando pela esfera
Revista Betel
Estudo Bíblico
espiritual.
O pecado de Adão foi causado
por tentação externa e induzido de
fora para dentro; bem diferente do
pecado de Lúcifer, que foi auto produzido de dentro para fora. Ainda
que o pecado luciferiano seja o mais
sério episódio negativo do cosmo,
com os resultados mais desastrosos,
em razão de sua origem, ambos são
gravíssimos em suas consequências
relacionais, pois o pecado é o único
lance que separa a criatura do Criador.
Adão, como uma pessoa genérica
e cabeça de uma raça em processo de
existência, despencou coletivamente
quando descreu da palavra de Javé
Elohim. O pecado, antes de tudo, é
a incredulidade diante da palavra de
Deus. A desobediência é desovada
pela incredulidade, e esta, por uma
vontade antagônica à do Criador. É a
vontade rebelde que conduz a pessoa
à descrença, mas é a incredulidade
subjetiva quem financia a desobediência pessoal.
Javé Elohim, encarnado no Jesus histórico, definiu o pecado com
precisão ao demonstrar o ministério
do Espírito Santo, nestes termos:
Quando ele vier, convencerá o mundo
do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; João
16:8-9.
Fica muito claro aqui, que o peca-
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do é a incredulidade diante da pessoa
de Cristo Jesus. É uma birra contra o
Deus-Homem. Não se trata de uma
aversão teológica em geral, mas de
uma obstinação de cunho cristológica em particular, uma vez que, até os
demônios creem em Deus, mas são
avessos a Cristo.
Uma vez que eu não sou Deus,
não posso admitir que Deus se revele
aqui na terra através de um homem.
Se eu, como homem, não posso ser
Deus, também não posso aceitar que
Deus pouse neste mundo na estatura
de um ser humano.
As Escrituras Sagradas dizem
que, tudo o que não é de fé, é pecado.
Dizem, também, que a fé vem pelo ouvir a palavra de Cristo, além de apresentar Jesus como o autor e o executivo da fé.
Elohim é o nome plural da Divindade, expressando o mistério da coesão coletiva. A Trindade é o segredo
admirável da unidade na diversidade.
Javé Elohim é um dos membros desta Divindade trinitária que fez Adão
do pó da terra. Foi ele quem fez o homem e quem falou com Adão, dando-lhe uma ordem para não comer
do fruto da árvore do conhecimento
do bem e do mal.
Segundo o apóstolo João, no seu
Evangelho, quem deu a vida ao homem foi o Verbo e este Verbo era
Deus. A vida estava nele e a vida era a
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Estudo Bíblico
luz dos homens. João 1:4. A vida estava no Verbo e o Verbo era a energia
vital dos homens.
De acordo com o livro de Gênesis,
quem deu vida a Adão foi Javé Elohim, traduzido por Senhor Deus.
Então, formou o SENHOR Deus ao
homem do pó da terra e lhe soprou nas
narinas o fôlego de vida, e o homem
passou a ser alma vivente. Gênesis 2:7.
No Verbo divino achava-se arraigada a vida que dá vida aos seres
humanos. Javé Elohim a soprou no
homem genérico, isto é, em Adão,
de uma maneira criada e provisória;
portanto não eterna. Não se tratava
da própria vida incriada do Criador.
Tratava-se da vida criada e interina,
embora adequada a capacitá-lo em
sua decisão, quando Adão tivesse
de eleger a sua existência como uma
criatura divina, que era, ou como um
filho de Deus, que poderia ser.
Agora não é difícil concluir: o
Verbo, em que estava a vida, era,
nada mais e nada menos do que Javé
Elohim, aquele que soprou a vida no
barro, sendo ele mesmo, o Cristo, o
Messias, o Filho eterno de Abba, que
se encarnou no homem histórico, Jesus de Nazaré. E o Verbo se fez carne
e habitou entre nós, cheio de graça e de
verdade, e vimos a sua glória, glória
como do unigênito do Pai. João 1:14.
Ora, se tudo o que não é de fé, é
pecado; e, se a fé vem ao ouvir a pa-
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lavra de Cristo, então, o pecado de
Adão é a incredulidade diante da
ordem de Javé Elohim ou de Cristo,
o Filho eterno de Deus, que é a segunda pessoa da Trindade Divina.
Aqui temos a essência do pecado em
sua origem. A rebeldia é a declaração
de independência de Cristo feita por
um homem incrédulo.
Adão não creu na ordem de Javé
Elohim, por isso a desobedeceu voluntariamente. A desobediência é
fruto da descrença; a descrença veio
da inveja e esta, do orgulho.
No plano espiritual, foi o orgulho
que levou Lúcifer a se rebelar contra
o Criador. Ele não aceitou, intimamente, ser uma criatura. Para ele,
ser apenas um querubim era pouco
para quem almejava ser como Deus,
o Criador de tudo.
No plano material a palavra foi
dada a Adão e não a Eva. Apesar de a
mulher ter comido primeiro do fruto embargado, o pecado não entrou
por ela, mas por ele. Quem ouviu a
palavra de Deus foi Adão. Quem não
creu foi Adão. Quem desobedeceu
foi quem recebeu a ordem. Este é um
princípio elementar do direito.
Ainda que Eva tenha tomado todas as iniciativas da transgressão, a
responsabilidade pela introdução
do pecado no mundo recaiu sobre
os ombros de quem foi instruído. A
conversa da Javé Elohim, antes do
Revista Betel
Estudo Bíblico
pecado, foi com Adão. Neste caso, a
transgressão foi do homem e não da
mulher.
Veja como a Palavra de Deus
demonstra a entrada do pecado no
mundo. Portanto, assim como por um
só homem entrou o pecado no mundo,
e pelo pecado, a morte, assim também
a morte passou a todos os homens,
porque todos pecaram. Romanos 5:12.
Por um só homem.
Mas, não foi Eva quem comeu primeiro do fruto? Sim. Todavia não foi
ela quem transgrediu o mandamento, uma vez que a ordem não fora
dada a ela. Mesmo sendo a primeira
a saborear do fruto proibido, não havia sabotagem em sua violação, porquanto não havia nenhuma lei que a
vedasse de comer do fruto, dirigida
diretamente a ela. Temos que ler a
Bíblia como ela está escrita.
A proibição ao manjar foi dada a
Adão, como homem coletivo, antes
da própria criação de Eva. A Bíblia
não assinala nenhum encontro agendado por Javé Elohim com Eva, antes do pecado. Tudo o que ela sabia
sobre o bloqueio da árvore, provavelmente adivinhasse de sua conversa
com Adão. Mesmo, porque, há algumas imprecisões grotescas em sua
compreensão sobre o assunto.
Deus não dá informações erradas
a ninguém. Eva se referiu a árvore
proibida como se fosse a árvore da
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Vida, que se encontrava no meio do
Jardim. Ela disse também que não
deveria tocar no fruto. Omitiu o
termo “livremente” da ordem divina,
quando era para comer livremente de
todas as árvores, bem como, excluiu o
“certamente” do morreras, caso Adão
comesse do fruto proibido; além do
que, passou essa ordem para o plural, quando ela foi dada no singular,
isto é, a proibição foi feita somente a
Adão e não ao casal.
Talvez, por estas razões, Eva não
foi responsabilizada pela introdução
do pecado na raça humana e acabou
se tornando a alternativa para a solução de Deus, no que tange a salvação do pecado. Foi através do óvulo
da mulher que o Pai pode fecundar
Aquele que viria esmagar a cabeça da
serpente.
Adão, sendo o depositário da
ordem proibitiva, foi quem a desobedeceu e quem causou a catástrofe
do pecado na raça humana. Ele foi o
representante universal da queda e o
assassino pessoal de toda a humanidade, por meio de sua incredulidade
particular.
Apesar de o casal ter caído junto,
a responsabilidade do pecado recaiu
sobre a cabeça de Adão. Eva se tornou tão pecadora quanto Adão, no
momento da transgressão, entretanto, segundo a Bíblia, o pecado é
transmitido pelo espermatozóide de
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Estudo Bíblico
Adão e não pelo óvulo de Eva. Como
você pode afirmar isto? Foi por um
só homem, diz a Escritura. Ele e não
ela é a matriz da pecaminosidade
humana. Se as mulheres pecadoras
transmitissem o pecado, então Jesus
nasceria contaminado pelo pecado
de Adão.
Os homens da raça humana são
os únicos transmissores do pecado
e da morte. Jesus foi gerado pelo Pai
através de sua Palavra ou a semente
divina (esperma, no grego) e, consequentemente, você verá que ele não
possuía pecado, nem era mortal em
si mesmo. Jesus não continha o princípio da morte agindo em seu corpo
físico.
A raça adâmica é dirigida pelo
pecado em suas entranhas e a prova
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deste fato é a morte comendo as suas
vísceras. Eu posso até duvidar da pecaminosidade humana, só não posso
negar a sua mortalidade. A questão
capital agora é: como elucidar a aparição da morte sem a existência do
pecado?
O pecado de Adão é um pecado
genérico, radical e com proporções
funestas. Todos nós já nascemos,
neste mundo, contaminados pelo
egoísmo e debaixo da sombra tenebrosa da morte. Somos uma espécie
insatisfeita, orgulhosa, presunçosa,
mentirosa e cheia de uma multiplicidade de fobias por causa do pavor
da morte.
Extraído do livro
A Tumba de Adão,
Glenio F. Paranaguá, Editora IDE.
Meu Amado é meu…
A alma vê também que Jesus é um Salvador completo, perfeito, que oferece ao pecador,
não apenas perdão, mas perdão abundante e sem medida; que não apenas lhe dá justiça, mas
uma justiça maior que a justiça humana, uma justiça completamente divina; não apenas lhe dá
o Espírito, mas dá rios de água viva e inundações sobre o sedento e árido terreno da alma dele.
A alma descobre isso em Jesus, e nada pode fazer a não ser escolhê-Lo e deleitar-se Nele com
um novo e particular amor, que diz: ‘Meu Amado é meu!’ E se alguém lhe pergunta: ‘Como tu
te atreves, verme vil, a dizer que o Salvador é teu?’, a resposta é esta: ‘Porque eu sou Dele. Ele
me escolheu desde antes da fundação do mundo, mesmo que eu nunca O houvesse escolhido;
Ele derramou Seu sangue por mim, apesar de eu, por Ele, jamais ter derramado nem uma única
lágrima; Ele clamou por mim, apesar de eu nunca ter-me preocupado com Ele; Ele me viu a mim,
mesmo quando eu jamais houvesse me preocupado em conhecê-Lo. Ele me amou primeiro; por
isso, eu O amo. Ele me escolheu; por isso eu O escolhi para sempre.’ Meu Amado é meu, e eu sou
Dele.
-- Robert McCheyne, em Mensajes Bíblicos, publicado por The Banner of Truth Trust.
Traduzido por Francisco Nunes.
Revista Betel
Riqueza
da
Graça
Deus Responde
Além do que Pedimos
nas Orações !
13
David Wilkerson
Uma das frases mais ouvidas
na igreja é: “Deus responde as
orações!”. Mas isto é só metade
da verdade. A verdade inteira
é: “Deus responde além do que
pedimos nas orações!”
V
ou agora agir como se
fosse um advogado.
Produzirei um caso
que vai lhe provar que
em todas as gerações - em toda a Bíblia e até os dias atuais - Deus sempre responde em excesso à oração de
Seus filhos. Continuamente Ele dá
muito mais do que pedimos - e muitas vezes dá coisas que nem pensamos em Lhe pedir!
Vou diretamente aos registros bíblicos para desenvolver esta minha
produção. Será feita em cima de caso
após caso na história - todos provando que Deus responde além do que
14
Riqueza
pedimos nas orações!
1. Deus Respondeu Além do
Que Foi Pedido por Israel em
Oséias 14!
Eis um quadro muito claro de
como Deus não só respondeu as orações - mas respondeu além do que foi
pedido!
Oséias profetizou a Israel: Vocês
se desviaram - mas ainda são o povo
de Deus. Agora voltem para o Senhor
e orem. Tomai convosco palavras, e...
dizei-lhe: Expulsa toda a iniquidade, e
recebe o bem...(Oséias 14:2).
A oração deles era simples. Israel
só pediu que Deus levasse o seu pecado e que o recebesse com graça. Senhor, tenha misericórdia. Limpe-nos;
nos receba de volta em Sua graça.
Contudo Deus não apenas perdoou as suas iniquidades - Ele não
apenas os limpou e os recebeu graciosamente de volta: Ele também
acrescentou bênçãos além do que se
podia imaginar!
Eu sararei a sua perversão, eu voluntariamente os amarei; porque a
minha ira se apartou dele. Eu serei
para Israel como orvalho; ele florescerá
como o lírio, e espalhará as suas raízes
como o Líbano. Estender-se-ão as suas
da
Graça
Revista Betel
vergônteas, e a sua glória será como a
da oliveira, o seu odor como o do Líbano. Voltarão os que se assentarem à
sua sombra; serão vivificados como o
trigo, e florescerão como a vide; a sua
memória será como o vinho do Líbano
(Oséias 14: 4-7).
Agora o orvalho do céu é a presença do Senhor. Até este ponto havia sequidão - tudo estava morrendo,
pois o favor de Deus havia sido removido. Mas agora, devido a um arrependimento genuíno e ����������
��������
uma oração vinda do fundo do coração, Deus
disse que Ele faria com que a vida
florescesse por todos os lados. Israel
não só seria perdoado, mas também
reavivado! Ele iria crescer, ficar bem
enraizado, expandido, florescente!
Eles só haviam pedido misericórdia, perdão e aceitação. Mas em vez
disto, Deus abriu as janelas do céu
e derramou sobre eles bênçãos que
não ousavam sequer imaginar! Deus
respondeu suas orações amplamente
além do que foi pedido!
Amado, Deus fez o mesmo por
você! Ao se arrepender, tudo que
você pediu a Deus era um coração
limpo, perdão e paz. Porém veja
como Ele respondeu além do que
você havia pedido: Ele lhe deu um
coração faminto, sede para mais e
Revista Betel
Riqueza
mais de Jesus! Deu- lhe olhos para
ver e ouvidos para ouvir. Ele lhe deu
amor pelo Seu corpo.
Ele colocou em você ódio pelo pecado. Ele lhe protegeu de um diabo
raivoso e feroz. Ele inundou a sua
alma com esperança, alegria e satisfação!
Jesus tornou-se como o seu orvalho da manhã! Ele água diariamente
a sua alma com a Sua palavra. E você
está crescendo - você não morreu e
não está morrendo, mas está muito
vivo nEle!
Você só pediu para ser salvo e ser
limpo. Mas Deus derramou bênçãos
e mais bênçãos sobre você! Ele respondeu além do que você havia pedido!
2. Deus Respondeu Além do
Que Salomão Pediu Em Sua Oração !
Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para
que prudentemente discirna entre o
bem e o mal; pois quem poderia julgar
a este grande povo? (I Reis 3: 9).
Salomão orou : Senhor, tudo o que
quero é sabedoria para saber como conduzir o Teu povo. Só desejo ser um rei e
um senhor justo para com eles.
da
Graça
15
Era um pedido simples e direto.
Mas Deus respondeu à oração de
Salomão de uma maneira incrível:
Disse-lhe Deus: Já que pediste esta
cousa e não pediste longevidade, nem
riquezas, nem a morte de teus inimigos;
mas pediste entendimento, para discernires o que é justo; eis que faço segundo
as tuas palavras: dou-te coração sábio e
inteligente, de maneira que antes de ti
não houve teu igual, nem depois de ti o
haverá (I Reis 3: 11-12).
Aqui vemos como Deus fica ansioso para responder “em excesso” às
preces não egoístas! Salomão apenas pediu um coração compreensivo
para ter discernimento. Mas Deus
não apenas lhe deu o coração que pedira - mas também prometeu torná-lo mais sábio do que qualquer outro
na história da humanidade!
Mas Deus não parou por aqui.
Ele disse a Salomão: Também até o
que me não pediste eu te dou, tanto riquezas como glória; que não haja teu
igual entre os reis, por todos os teus
dias. Se andares nos meus caminhos e
guardares os meus estatutos e os meus
mandamentos, como andou Davi, teu
pai, prolongarei os teus dias (I Reis 3:
13-14).
Que resposta incrível! Deus acrescentou honra e riqueza às bênçãos de
16
Riqueza
sabedoria para Salomão, tais como
nenhum outro homem havia recebido. E ainda por cima, deu a ele uma
vida longa: Prolongarei os teus dias.
Mais uma oração com resposta
além do que foi pedido!
3. Deus Respondeu Além do
Que Foi Pedido por Israel em Relação aos Amonitas !
Os filhos de Amom passaram o Jordão para pelejar...de maneira que Israel
se viu muito angustiado ( Juizes 10: 9).
Amom havia sido usado por Deus
para corrigir os pecados de Israel. E
agora seu exército marchava contra
Israel! O povo de Deus se encontrava perplexo e abatido - e começaram
a confessar os seus pecados.
Mas os filhos de Israel disseram ao
Senhor: Temos pecado; faze-nos tudo
quanto te parecer bem; porém livra-nos
ainda esta vez, te rogamos (versículo
15).
Eles estavam tão assombrados
pelo pecado que não cogitavam de
pedir a Deus nada além da salvação de suas vidas. A oração deles foi
das mais simples: Senhor, livre-nos
só esta vez! Não deixe que sejamos
derrotados ou vencidos pelo inimigo!
Oraram só por uma vitória. Mas
da
Graça
Revista Betel
Deus tinha algo mais em mente, e
poderosamente respondeu em excesso às suas orações! Não só Israel
recebeu proteção - como deram a
palavra final! Eles aniquilaram totalmente os amonitas!
Assim, Jefté foi de encontro aos filhos de Amom, a combater contra eles;
e o Senhor os entregou nas mãos de Jefté. Este os derrotou desde Aroer até as
proximidades de Minite (vinte cidades
ao todo)...Assim, foram subjugados os
filhos de Amom diante dos filhos de Israel ( Juizes 11:32-33).
Deus não apenas livrou Israel,
como também lhe deu a coragem e
a orientação para derrotar os amonitas! Eles os subjugaram a partir
daí - e nunca mais foram por eles
importunados! Tiveram uma vitória
absoluta!
É exatamente assim que Deus
deseja responder em excesso ao
que é pedido pelo Seu povo hoje!
A maioria dos cristãos ora assim:
“Senhor, me dê a����������������������
vitória só nesta batalha”. Mas o Senhor responde: “Eu
vou lhe dar o que pediu - contudo
tenho muito mais aguardando por
você! Quero aniquilar o seu inimigo de modo que você não precise ter
uma vitória de cada vez. Desejo que
você tenha uma vitória absoluta!”
Revista Betel
Riqueza
Amado, Ele deseja lhe dar poder
não apenas para vencer - mas para
aniquilar qualquer inimigo! Ele deseja que você não apenas vença o pecado - mas que seja mais do que vencedor! Que tenha não apenas vida,
mas vida em abundância! Que tenha
não apenas alegria - mas tenha alegria indizível e plena de glória! Que
esteja livre do medo não só por um
dia, uma semana ou um mês, mas
por todos os dias de sua vida!
4. Deus Respondeu em Excesso a Oração de Davi Para
Que Lhe Salvasse a Vida!
Ele te pediu vida... (Salmo 21: 4).
O pedido de Davi era simples: ele
pediu que Deus o salvasse da morte.
E Deus respondeu sua oração: ...e tu
lha deste; sim, longevidade para todo o
sempre (verso 4).
Mas Deus foi muito além ao responder a oração de Davi. Ele não só
lhe deu vida - mas também colocou
uma coroa sobre sua cabeça, tornando-o rei de Israel! E derramou sobre
ele honra e majestade: ...pões-lhe na
cabeça uma coroa de ouro puro...de esplendor e majestade o sobre vestiste (vs.
3, 5). Davi exclamou: Senhor, Tu realmente cobristes-me de bênçãos!
da
Graça
17
E ainda para culminar, Deus
...(enche) de gozo com a tua presença:
Pois o puseste por bênção para sempre
e o encheste de gozo com a tua presença
(verso 6).
Não é de se admirar que Davi
tenha escrito: ...nele há abundante
redenção (Salmo 130: 7). Ele estava
dizendo: “Senhor, Tu não apenas me
salvastes, mas derramastes a Tua redenção sobre mim!”
Os patriarcas e os profetas do
Velho Testamento conheciam bem
esta inclinação tão amorosa da parte
de Deus. Sabiam que Ele se deleita
em ser pródigo, abundante, transbordante de bênçãos para conosco.
Isaías diz: Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos;
converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus,
porque é rico em perdoar. (Isaías 55: 7).
Deus não apenas perdoa os pecados - mas responde em excesso à
nossa súplica por aceitação com misericórdia abundante e com perdão!
Não Deveríamos Nos Surpreender Com o Prazer que Deus tem
em Responder e em Dar em Excesso Porque Homens e Mulheres Também Fazem Isto com Freqüência !
As pessoas têm respondido além
do que é pedido em suas doações -
18
Riqueza
quão muito mais o nosso Deus!
Um casal piedoso em Suném preparou um quarto em seu lar para o
profeta Eliseu usar. Eliseu ficou tão
agradecido que mandou seu servo
Geazi perguntar: Vocês têm se preocupado tanto conosco - o que poderíamos
fazer por vocês? Mas a esposa respondeu: “Nada”.
O servo voltou e disse a Eliseu
que ela não desejava nada. Mas algo
no coração do profeta não estava em
paz. Ele disse: Ela fez tanto por mim!
De repente o servo se lembrou:
ela não tinha filhos e desejava ter um.
Era isto! Então Eliseu a chamou:
Disse Eliseu: Chama-a. Chamando-a ele, ela se pôs à porta. Disse-lhe o
profeta: Por este tempo, daqui a um
ano, abraçarás um filho... (2 Reis 4:
15-16).
Eliseu se prendeu a Deus, o Senhor ouviu sua oração - e a mulher
deu à luz um filho! Apesar de nunca
haver pedido nada, teve satisfeito o
desejo de seu coração!
Talvez você se lembre de Naamã,
que foi curado da lepra. Eliseu lhe
disse: Não quero nada de você. Isto foi
uma dádiva gratuita da parte de Deus.
Porém mais tarde Geazi, ambicioso, parou Naamã e lhe disse: O meu
mestre mudou de opinião. Ele gostaria
da
Graça
Revista Betel
de receber: um talento de prata e duas
vestes festivais. (2 Reis 5:22).
Ora, um talento era muito dinheiro naquele tempo. Possivelmente daria para comprar uma fazenda. Mas
Naamã imediatamente respondeu:
...sê servido tomar dois talentos (v. 23).
O Senhor havia tocado Naamã
de tal maneira - ele estava tão feliz
e abençoado, que desejou responder
em excesso ao pedido! Algo em seu
coração desejava abençoar Eliseu!
Eu lhe pergunto: como podemos
nós creditar a homens como Eliseu
e Naamã a qualidade de dar em excesso, e ainda assim achar que Deus
possa ser pior e amoroso conosco?
Agimos muitas vezes como se Ele
fosse avarento! Achamos que temos
de arrancar as coisas dEle, que temos
de agonizar para conseguir o que
queremos. Não - o nosso Pai ama
nos dar coisas! Ele ama nos dar além
do que Lhe suplicamos!
Ora, se vós, que sois maus, sabeis
dar boas dádivas aos vossos filhos,
quanto mais vosso Pai, que está nos
céus, dará boas cousas aos que lhe pedirem? (Mateus 7:11).
Agora Vamos Para o Novo
Testamento e Reflitamos Sobre
Uma Visão Ainda Mais Gloriosa a Respeito da Natureza Que
Revista Betel
Riqueza
Deus Tem de Responder Além do
Pedido !
Veja estes exemplos:
1. E o homem paralítico, que foi
trazido a Jesus sobre uma cama?
E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito... (Mateus 9:2).
Este paralítico procurou a Jesus
em busca de cura - mas Jesus respondeu além do que lhe fora pedido em
oração! Tem bom ânimo, filho; estão
perdoados os teus pecados...disse então
ao paralítico: Levanta-te, toma o teu
leito e vai para tua casa (versículo 6).
Este enfermo pediu cura - mas Jesus lhe deu muito mais do que isto.
Ele acrescentou a maior dádiva que
poderia dar! O homem se curou mas melhor do que isto, recebeu perdão, vida eterna, e bom ânimo para
substituir seus anos de tristeza!
Jesus sabia o tempo todo o que iria
fazer; sabia que o homem iria andar
outra vez. Mas disse: “Primeiro, quero lhe abençoar, quero lhe responder
em excesso. Sim, curarei o seu corpo
- mas também vou curar a sua alma e
a sua mente. Agora pegue a sua cama
e vá para casa!”
2. E o ladrão na cruz?
O ladrão que estava pendurado
da
Graça
19
ao lado de Cristo só Lhe pediu uma
coisa: ...lembra-te de mim quando vieres no teu reino (Lucas 23: 42). Seu
pedido era simples: “pense em mim”
Jesus verdadeiramente respondeu
além do pedido feito por este homem: Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no
paraíso (v. 43). Ele disse: “Vou me
lembrar de você - porque você virá
comigo!”
Eis uma oração respondida além
do que foi pedido! Este ladrão malévolo não podia nem conceber a idéia
de ser salvo. Mas foi lhe dito que em
poucas horas estaria caminhando
pelo paraíso - ao lado de Jesus! 3. e
o mendigo coxo que pediu esmolas
para Pedro e para João quando entravam no templo?
...um homem, coxo de nascença...
vendo ele a Pedro e João, que iam entrar no templo, implorava que lhe dessem uma esmola (Atos 3: 2-3). Mais
uma vez, um pedido simples - só um
pouco de dinheiro. Contudo, que
resposta gloriosa o mendigo recebeu!
As escrituras dizem: Pedro, fitando-o (v. 4). O mendigo provavelmente pensou: “Agora eu ganho uns
25 centavos - talvez um dólar. Hoje
é o meu dia de sorte”. Em vez disto,
recebeu algo que todo o dinheiro no
20
Riqueza
mundo não compraria: um corpo
novo!
Pedro, porém, lhe disse: Não possuo
nem prata nem ouro, mas o que tenho,
isto te dou: em nome de Jesus Cristo,
o Nazareno, anda!...imediatamente, os
seus pés e tornozelos se firmaram; de
um salto se pôs em pé, passou a andar
e entrou com eles no templo, saltando e
louvando a Deus (Atos 3: 6-8).
Este pedinte não apenas foi curado - mas também recebeu um derramamento do Espírito Santo! O
espírito de louvor veio sobre ele, e ele
dançava e adorava. Esta é com certeza uma oração que foi respondida
além do que foi pedido! 4. Cornélio
orou diligentemente por uma revelação da palavra de Deus, e Deus maravilhosamente respondeu além do
que pedira em oração!
O Senhor havia falado com Cornélio a respeito de Pedro em uma
visão. Então o centurião enviou três
servos à Jope para buscar a Pedro,
para ouvir as tuas palavras (Atos 10:
22). Eis o seu único pedido - ouvir
o evangelho: “Queremos ouvir a palavra de Deus”
Contudo, veja como Deus respondeu sua oração além do que foi pedido: Ainda Pedro falava estas cousas
quando caiu o Espírito Santo sobre to-
da
Graça
Revista Betel
dos os que ouviam a palavra. E...também sobre os gentios foi derramado o
dom do Espírito Santo; pois os ouviam
falando em línguas e engrandecendo a
Deus (Atos 10: 44-46).
Foi como se Deus estivesse tão
satisfeito, que não pudesse esperar
Pedro parar de pregar - e Ele interveio com uma resposta acima do
pedido! As pessoas que estavam lá
não só receberam a palavra - como
também receberam o Espírito Santo! E não só o Espírito Santo, mas
também o dom de línguas. E não só
as línguas, mas também o batismo
em água! E (Pedro) ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo (v. 48).
Cornélio queria só o evangelho mas Deus derramou o céu sobre ele!
O Novo Testamento Está Cheio
de Promessas Provando Que
Deus Ama Responder em Excesso
às Orações do Seu Povo !
A mais conhecida de todas as
promessas é Efésios 3: 20. Todos a
conhecem - mas só poucos de nós
vivemos como se crêssemos nela:
Ora, àquele que é poderoso para fazer
infinitamente mais do que tudo quanto
pedimos ou pensamos, conforme o seu
Revista Betel
Riqueza
poder que opera em nós....
Deus não é só poderoso para responder às nossas orações. Ele quer
fazer por nós infinitamente mais do
que tudo que possamos imaginar!
Ele não deseja nos responder segundo os nossos insignificantes desejos,
mas de acordo com as Suas riquezas
e o Seu poder. Ele deseja nos dar em
excesso!
Em outro lugar a Bíblia diz que
Ele é inclinado a nos responder mais
do que em abundância: Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante... (Lucas 6: 38).
Mas, como está escrito: Nem
olhos viram, nem ouvidos ouviram,
nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para
aqueles que o amam. Mas Deus no-lo
revelou pelo Espírito... (I Coríntios 2:
9-10).
Pelas quais nos têm sido doadas
as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis
co-participantes da natureza divina,
livrando-vos da corrupção das paixões
que há no mundo (2 Pedro 1: 4).
...Em Deus, que abundantemente
nos dá todas as coisas para delas gozarmos (I Timóteo 6: 17).
Deus está praticamente suplicando que peçamos coisas grandes!
da
Graça
21
Gostamos de chamar o Senhor de
“nosso Rei”. Mas você ora com pedidos segundo a extensão da grandeza
do nosso Rei? Um rei tem a obrigação de cuidar dos seus súditos. E o
seu povo o honra com pedidos em
grande escala, crendo que ele tem
tudo que eles necessitam e lhes proverá com abundância. Prezado santo,
você não pode chamar Deus de “rei”
e depois acusá-lO de deixar que um
dos Seus súditos continue tendo necessidades!
Um filósofo muito conhecido
aproximou-se de Alexandre o Grande para lhe fazer um pedido, em troca de lhe ter feito uma boa ação. Ele
pediu ao rei um presente no valor de
cem talentos - uma fortuna em prata
- para as suas filhas.
Todos os presentes ficaram horrorizados. Mas Alexandre mostrou um
enorme sorriso. Disse: “Dêem-lhe o
presente! É um pedido digno do rei
Alexandre. É digno da minha riqueza e da minha capacidade de dar!”
Eu lhe pergunto: será que você
tem constrangido a Deus com os
seus pedidos insignificantes? Provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos,
se eu não vos abrir as janelas do céu
e não derramar sobre vós bênção sem
medida (Malaquias 3: 10).
22
Riqueza
Podemos Entristecer a Deus - e
Até Mesmo Encolerizá-lO - Por
Não Pedirmos !
Achamos que é espiritual dizer:
“Apenas adoro a Deus - não Lhe
peço nada. Tudo que Ele quiser para
mim está bom”. Isto pode soar muito santificado - mas não é, de acordo
com a palavra de Deus!
Vez após vez Jesus nos implora:
“Peça! Peça em Meu nome! Peça e
receberá. Peça qualquer coisa - seja o
que for. Peça o que quiser. Você não
tem porque não pede. Deus dá coisas boas àqueles que pedem. Ele sabe
do que você necessita antes de pedir.
Peça ao Pai em Meu nome, e Ele dará
a você...”
E será que, antes que clamem, eu
responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei (Isaías 65:24). Deus
está dizendo: “Vocês não têm a fé ou
a coragem para pedir aquilo que Eu
realmente desejo lhes dar. Então vou
chegar primeiro! Vou lhes responder
antes mesmo que peçam, porque os
seus pensamentos são muito pequenos. Sei que os seus pedidos não
chegam nem perto do que desejo realizar!”
E continuou o Senhor a falar com
Acaz, dizendo: Pede ao Senhor, teu
da
Graça
Revista Betel
Deus, um sinal, quer seja embaixo, nas
profundezas, ou em cima, nas alturas.
Acaz, porém, disse: Não o pedirei, nem
tentarei ao Senhor (Isaías 7: 10-12).
A resposta de Acaz pode ter soado
santificada - “Não tentarei a Deus”.
Mas ela irritou o Senhor! Era hipócrita - porque Deus sabia que Acaz
havia perdido a fé muito antes disto!
Acaz representa a igreja desviada - os cristãos que perderam a fé
em Deus, que não crêem em Seus
grandes recursos; eles dizem assim:
“Não peça cura para Deus. Você está
tentando a Deus”. Soa bem - mas
é hipocrisia! Acaz não queria que
testassem a sua fé - porque não a
possuía! E muitos cristãos hoje em
dia não pedem nada a Deus porque
isto vai testar uma fé que eles não
têm!
Veja, Israel estava precisando de
libertação. Então Deus convidou
Acaz para que pedisse confirmação
da fidelidade dEle através de qualquer sinal que o rei quisesse - dos
céus ao inferno. Mas Acaz já havia
planejado chamar o rei �������
Tigath-Pilneser e a Samaria para ajudá-lo.
Deus disse: Não! Eu lutarei em sua
batalha. Quero que você confie em
Mim! ...Ouvi, agora, ó casa de Davi:
acaso, não vos basta fatigardes os ho-
Revista Betel
Riqueza
mens, mas ainda fatigais também ao
meu Deus (Isaías 7:13).
Em hebraico a palavra “fatigar” significa “desgostar”. Deus estava dizendo: “Até quando vocês vão me deixar
desgostoso por temerem se firmar
na minha palavra? Quando será que
aprenderão que possuo tudo aquilo
que necessitam - e que cuidarei de
vocês porque sou Rei e Senhor?”
Isaías disse a Israel: Vocês não
pediram um sinal - mas Deus mesmo
assim vai lhes dar um”. “Portanto, o
Senhor mesmo vos dará um sinal: eis
que a virgem conceberá e dará à luz um
filho e lhe chamará Emanuel (v. 14).
Amado, eis a maior resposta além
do que foi pedido de todas as orações
na história! O povo ficava pedindo:
“Envie-nos um libertador” - na expectativa de algum homem, mas
Deus respondeu: “Eu lhes darei um
homem. E sim, Ele será um libertador - para toda a humanidade!” Deus
respondeu além do que foi pedido
trazendo a promessa do Emanuel!
Em Jesus Cristo - Emanuel - temos a mais gloriosa de todas as respostas acima das expectativas. Ele é
a plenitude de Deus. Nele abundam
todas as riquezas e as bênçãos. Ele é
a maior de todas as nossas fontes. E
nEle há infinitamente mais do que
da
Graça
23
possamos pedir ou pensar!
As escrituras dizem: Crescia Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhuma de suas palavras deixou cair em
terra (I Samuel 3: 19).
Este versículo significa que as orações de Samuel, bem como as suas
profecias - nenhuma caiu inutilmente sobre a terra! Nem uma oração
deixou de ser respondida. Todas as
palavras das promessas de Deus que
Samuel repetia em oração eram uma
semente que trazia infinitamente
mais frutos!
Prezado santo, ao se dirigir para o
seu lugar secreto de oração, lembre-se: ...é necessário que aquele que se
aproxima de Deus creia que ele existe
e que se torna galardoador dos que o
buscam (Hebreus 11: 6). Cite sempre este versículo; introjete-o em
seu interior, orando: “Venho a Ti,
Jesus, porque sei que és Deus Todo-Poderoso. Tu tens todas as fontes
que necessito. Estás além da minha
compreensão em grandeza - mas
creio que recompensas aqueles que
Te buscam!”
Traga todos os seus pedidos ao
Pai. Ore, crendo que Ele se deleita
em lhe responder acima do que foi
pedido, à Sua maneira, em Seu tempo. Comece pedindo hoje pela cura
24
Riqueza
daqueles que você achava estarem
desenganados. Confie nEle em relação à sua desesperada situação financeira, pelos seus queridos que não
são salvos.
da
Graça
Revista Betel
Ele irá lhe dar - respondendo além
do que foi pedido em sua oração - infinitamente mais do que tudo que
você possa pensar ou imaginar!
Comunhão, uma necessidade
O que impede a comunhão? Quatro coisas, pelo menos.
O primeiro obstáculo é a auto-suficiência. Não pode haver comunhão enquanto as pessoas
não percebem que dependem umas das outras para receberem ajuda espritual. Uma atitude de
auto-suficiência espiritual pode refletir o estado de morte espiritual do não-convertido, para quem
todas as coisas espitiuais parecem irreais; ou pode refletir a miopia espiritual de crentes indolentes
(Hebreus 5.12; Romanos 12.1-3) , os quais podem ser até mesmo velhos na fé. Esta atitude
também pode ser a racionalização de alguém que, pelo orgulho, pelo senso de culpa ou pela
hipocrisia consciente, ou mesmo por todos esses três defeitos, não está disposto a compartilhar
suas necessidades espirituais e a pedir a ajuda de outros. Porém, qualquer que seja a causa, a autosuficiência exclui a comunhão desde o seu início.
O segundo obstáculo é o formalismo. Alguns compreendem que a comunhão cristã se resume
em envolver-se na adoração pública com uma postura correta, sobretudo na ocasião da Ceia do
Senhor, e evitam qualquer comunhão mais íntima. Essa atitude tem diminuído em nossos dias,
especialmente através do informalismo do movimento carismático, embora haja lugares onde ela
persiste. Uma vívida adoração litúrgica, certamente é comunhão cristã, mas esta não se limita à
adoração litúrgica, e eu espero que isto já esteja claro para meus leitores.
O terceiro obstáculo é a amargura, que se expressa por constantes atitudes de hostilidade.
Hebreus 12.15 nos adverte sobre a perturbação que uma raiz de amargura pode causar. A
amargura parece derivar-se mais freqüentemente do orgulho ferido e da malícia defensiva, de
algum senso de injustiça, de maus tratos ou de traição, ou então da inveja que se ressente em
face dos dons, da posição ou do sucesso de outrem. A inveja, em particular, torna-se uma raiz
oculta de amargura, expremindo-se em controvérsias, em frieza pessoal, em maledicência (que
alguém definiu como a arte de confessar os pecados alheios), em protesto ou em divisionismo.
Na comunhão autêntica, cujo alvo é tornar a outra pessoa mais hábil para Deus, há um lugar
próprio para crítica construtiva. A crítica pode ser exigida pelo amor, como os pais o sabem,
mas ela precisa ser construtiva, e não destrutiva, oferecida com gentileza e restrição, por alguém
que esteja consciente de ser ele mesmo um pecador e que reconhece que todos nós aceitamos
bem pouco qualquer crítica. Entretanto, quando o motivo por trás da crítica é a amargura, ela
acontecerá de modo arrogante e desenfreado, que nega comunhão, ao invés de promovê-la.
O quarto obstáculo é o elitismo, uma atitude de superioridade que produz “panelinhas”
alicerçadas sobre o exclusivismo. Trata-se de uma imitação satânica da verdadeira comunhão, da
qual nada é excluído, exceto a incredulidade. Quando grupos superentusiasmados se reúnem para
formar associações baseadas em pequenas peculiaridades doutrinárias ou na atração magnética de
um líder, o orgulho sobressai e a comunhão definha. Essa lista de obstáculos à comunhão poderia
ser mais minuciosa, mas sem dúvida não há necessidade disso.
-- Extraído do livro Vocábulos de Deus, J. I. Packer, Editora Fiel
Revista Betel
Riqueza
O Sacrifício
de Deus Pai
da
Graça
25
William MacCallum Clow
A Igreja de Deus, a qual ele
comprou com o seu próprio
sangue . Atos 20:28
A
lguns momentos de
ponderação serão suficientes para que possamos perceber o quanto
é ousado e surpreendente este enunciado das Escrituras. A declaração
de que a Igreja de Cristo foi comprada pelo sangue de Deus, parece não
só ir além da reverência, mas também além da verdade. A leitura de
vários manuscritos antigos evidencia
o quanto os homens contribuíram
para diminuir o significado dessas
palavras.
Assim sendo, em muitos manuscritos pode-se ler: A Igreja do Senhor,
a qual ele comprou com o seu próprio
sangue. Mas os revisores do Novo
Testamento, com louvável coragem
e sabedoria, olhando para o teste-
26
Riqueza
munho da maioria dos manuscritos
antigos, confiantes naquela regra
segundo a qual a mais difícil, provavelmente, deva ser a leitura correta e,
cientes da grande tentação que existe
para se alterar tão “estranha palavra”,
decidiram manter a expressão “a
Igreja de Deus” na Versão Revisada.
Eles admitiram a leitura anterior
– a Igreja do Senhor – como uma
concessão, e estabeleceram que as dificuldades interpretativas, ainda que
ricas e sugestivas, indicam claramente que as palavras “a Igreja de Deus”
realmente foram pronunciadas pelos
lábios do apóstolo Paulo.
Há outra razão que confirma esta
decisão deles: estas palavras ocorrem
no contexto de um grande e amplo
pronunciamento. Elas são parte de
um discurso de despedida, evidenciando ardente emoção do orador.
Memórias do passado estão congestionando a sua mente. Sombrios
pressentimentos do futuro estão
sombreando o seu coração.
Acima de tudo, ele está olhando
nas faces de homens que ele não veria novamente. Não há tempo para
lógica formal, para termos precisos,
exatos e aprimoradamente equilibrados para definições que pudessem se
ajustar apropriadamente à confissão
de fé. É um momento de lágrimas,
de intensa visão espiritual, e que expressa poeticamente a verdade em
da
Graça
Revista Betel
toda a sua grandeza.
Paulo não está inventando argumentos para evidenciar a divindade
de Cristo. A divindade de Cristo não
é dependente de nenhum texto. É
a contextura e a urdidura do Novo
Testamento. Paulo está falando
sob o poder do Espírito de Deus e,
num momento de elevada inspiração, ele está referindo, direcionando
e aproximando a obra da salvação à
sua fonte. Ele está declarando que
o grande sacrifício que comprou a
Igreja é o sacrifício de Deus.
Agora, esta declaração sepulta
uma antiga e já morta heresia. Nos
séculos imediatamente após a morte
de Cristo, a Igreja cristã diligenciou
esforços para entender e formular
as verdades envolvidas em sua obra.
Uma das heresias que então perturbou os cristãos era chamada de patripassionismo. Ela mantinha que foi
Deus o Pai que sofreu na Cruz.
O equívoco que subjaz ao raciocínio dessa heresia era o de que Cristo
não tinha humanidade real; Ele era
somente uma manifestação de Deus,
e que, Ele não possuía vida real à parte de Deus. Portanto, era Deus o Pai
que havia agonizado no Getsêmani.
Era Deus o Pai que havia sofrido na
cruz, à semelhança do Filho.
Aquela heresia era um estereótipo
da Igreja. Ela foi debatida em concílios. Ela foi exposta como falsidade
Revista Betel
Riqueza
pelos fatos históricos. Ela foi expelida dos corações dos homens que tinham um conhecimento pessoal do
Cristo vivo. Não obstante, ela tinha,
como todas as heresias - ainda que
os seus defensores não pudessem viver e capturar a mente dos homens
- uma verdade a sugerir. É aquela
verdade expressada com magnífica
ousadia nas palavras de Paulo. Não
que Deus o Pai morreu na Cruz, ou
que Deus o Pai tenha derramado seu
sangue por nós. Somos redimidos pelo
precioso sangue de Cristo (1 Pedro
1:19). Carregando ele mesmo em seu
corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados (1 Pedro 2:24).
Porém, se o sacrifício visível foi o
de Cristo, o sacrifício invisível foi o
de Deus. Se houve uma cruz no lugar chamado calvário, também existiu uma cruz no céu. Se uma espada traspassou o coração de Cristo,
uma espada traspassou o coração de
Deus. Isto nos diz nada mais que, a
fonte e a origem do sacrifício são encontradas no amor, na compaixão e
na vontade de Deus Pai. Eis a verdade sugerida na velha heresia - a
verdade da palavra de Deus: Porque
Deus amou ao mundo de tal maneira
que deu o seu Filho unigênito, para que
todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna ( João 3:16). Nisto
consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos
da
Graça
27
amou, e enviou o seu filho como propiciação pelos nossos pecados (1 João
4:10). Nisto conhecemos o amor de
Deus, porque ele deu sua vida por nós
(1 João 3:16). Mas Deus prova o seu
próprio amor para conosco, pelo fato de
ter Cristo morrido por nós, sendo nós
ainda pecadores (Romanos 5:8). Esta
é a verdade sustentada nas arrebatadas palavras do apóstolo Paulo.
Consideremos então, o sacrifício
de Deus Pai na redenção da Igreja de
Deus. Neste sacrifício percebo três
elementos, os quais vamos considerar na seguinte ordem:
1
O primeiro elemento no sacrifício
de Deus Pai foi o esvaziamento da
divindade. Um estranho e repetido
enunciado da Escritura é que, o Cordeiro foi imolado, desde a fundação
do mundo. Este enunciado é suficientemente claro em seu significado,
mas ele parece estar coberto por uma
sombra de mistérios inescrutáveis.
Os mistérios são aqueles envolvidos
na criação do mundo, os quais requerem o sacrifício do cordeiro.
Mas, o pleno significado é o propósito da redenção, carregado como
uma carga, um sofrimento e um sacrifício no coração de Deus, muito
antes das estrelas da manhã cantarem juntas, ou os filhos de Deus
28
Riqueza
darem gritos de alegria.. Mas, o momento chegou quando o propósito
que estava posto como uma peso no
coração de Deus foi manifestado no
tempo. Como Milton canta em seu
nobre hino:
“Os pastores no campo,
Quase ao amanhecer,
Falavam ao mesmo tempo,
Produzido um ruído rude e indecifrável
Quando, aquela música tão doce
Acariciou os seus ouvidos
de tal modo que, o dedo de um mortal
jamais poderia tê-lo feito”,
porque Cristo nasceu em Belém.
Mas, que música tocava no coração
de Deus Pai? O que significou para a
divindade - Pai, Filho e Espírito Santo - quando o Filho partiu, deixando
o Pai e o Espírito? Isto significou o
empobrecimento da divindade. O sacrifício da encarnação não foi apenas
a dor e a perda de Cristo, mas a dor e
a perda de Deus o pai também. “Eis
que vos mostro um mistério”. Contudo, apenas debilmente podemos
conceber o empobrecimento da divindade quando o Filho esvaziou a
si mesmo de Sua glória e deixou o
trono.
Diga-me você que tenha perdido
um filho. Um filho “sobre o qual a
da
Graça
Revista Betel
morte anoiteceu”; não um bebê cuja
palavra nunca respondeu às suas,
mas um filho em cuja palavra e caráter você tenha começado a encontrar deleite, em cuja comunhão você
tenha encontrado consolo? Diga-me se não houve empobrecimento?
Empobrecimento, não somente em
sua vida, em sua experiência interior,
mas também em seu ser, quando o
seu cordeiro foi imolado?
Lembre-se daquela patética passagem em Vida do Dr. Pusey, a qual
nos diz que sempre que ele cruzava
o pátio onde ele tinha visto a mortalha que cobria o esquife de sua
mulher, ele mantinha os olhos grudados ao chão a fim de que, em sua
imaginação, ele pudesse rememorar
os “ornamentos” do sofrimento, podendo assim, vivenciar novamente o
“empobrecimento” de sua vida com
uma agonia maior do que ele podia
suportar.
E assim, na manjedoura, estava
não somente o objeto do labor feminino e a alegria de um coração
materno, mas o sacrifício de um pai
empobrecido e despojado da presença e comunhão do Filho. Mas, a
plena verdade, nenhuma analogia
humana pode representar. A comunhão e a intimidade de Deus o Pai
e Deus o Filho nunca podem ser
completamente figuradas por coisas
terrenas. Por isso, isto não é simples
Riqueza
Revista Betel
como a perda de um querido filho
ou uma amada esposa. É uma parte
de si mesmo que se vai, através da
qual a divindade foi empobrecida.
Entretanto, Paulo no arrebatamento
de sua inspiração disse: A Igreja de
Deus, a qual foi comprada com o seu
próprio sangue.
2
O segundo elemento no sacrifício
do Deus Pai repousa em sua infinita
solidariedade com os sofrimentos de
Cristo. Existe uma solidariedade que
pode ser intensa, dolorosa beirando a
tortura. Dando vazão à imaginação,
no sentido de discernir a dor alheia
vinda de um coração terno e altruísta, podemos avaliar que essa dor que
é sentida por conta de um sofrimento solidário pode ser extremamente
aguda e comovente; como um poderoso golpe, difícil de suportar.
John Howard raramente entrava
naqueles depressivos cárceres da Europa sem soltar lágrimas. ( John Howard é autor da obra: “O estado das
prisões na Inglaterra e País de Gales
- 1777) Com freqüência, ele permanecia algum tempo entre os prisioneiros, cujo estado era de miséria
abjeta, e lá se sentia o mais miserável
homem entre todos eles. Macaulay
nos conta que seu pai, quando governador de Serra Leoa, sempre que via
da
Graça
29
um grupo de moças escravas passar
por ele, não podia evitar em pensar,
com sua vívida solidariedade, sobre a
vida de vergonha e tortura à qual elas
estavam submetidas. E, toda vez que
via essa cena ficava atordoado e chocado por muitas horas.. O biógrafo
da Senhora Booth assevera que ela
não podia ver qualquer negligência
quanto à dor alheia, ou testemunhar
erros grosseiros, sem que sentisse
dores físicas tão fortes a ponto de lhe
causar náuseas.
É de se questionar se o sofrimento
do portador de solidariedade, muitas
vezes não é maior do que o sofrimento real do seu próximo! Quando uma nação manda seus filhos à
guerra, a dor mais aguda não é sentida pelos homens que marcham pelas
ruas ao som da música, produzindo
estrépitos selvagens em obediência à
voz de comando, ou por aqueles que
perecem todas as noites nos campos
de batalha. O mais alto sacrifício
pode ser daquelas mulheres e mães
as quais nos lares distantes esperam
e vigiam e oram com passiva agonia.
Elas temem ler os relatórios com os
nomes dos mortos, antevendo a dor
que sentirão se porventura neles
constarem os nomes daqueles que
elas amam. Elas sofrem e são abatidas com o lamento que vão carregar
com elas até suas sepulturas.
Naquela antiga história, em que
30
Riqueza
a mulher do vigilante do Farol da
Marinha permaneceu imóvel sobre
o penhasco, observando o marido
que foi ao mar em meio a uma terrível tempestade, para salvar alguns
náufragos que se batiam desesperadamente, o sacrifício e a dor pesava
muito mais sobre ela do que sobre
ele, que lutava para atravessar a arrebentação. Na verdade, toda a pressão
daquele momento pesava sobre ela
que olhava fixamente os movimentos do marido, apertando as mãos,
com o coração em disparada, vendo,
impassível, e orando enquanto o
pequeno bote imergia e emergia ao
sabor dos vagalhões. Isto porque, a
dor passivamente sofrida é muitas
vezes muito maior do que a dor real.
O chamado para a ação, o conflito e
o conseqüente ímpeto do pensamento e do sentimento pode entorpecer
a dor, a qual se desvia e cai em um
coração solidário, como uma dor que
nada pode aliviar.
Este era um elemento no sacrifício de Deus o Pai. Em todos os sofrimentos de Cristo, Deus participou com solidariedade infinita. Nós
não temos necessidade e, não temos
como dizer que o sacrifício de Deus
Pai foi muito maior do que o do
Cristo Filho. Ambos foram infinitos
e, em se tratando de coisas infinitas,
não há nada maior ou menor. Para
nós é o suficiente não esquecer o cus-
da
Graça
Revista Betel
to do sacrifício de Cristo. Nenhum
coração cristão pode em qualquer
tempo ponderar sobre este fato sem
uma santa reverência; uma adoração
de gratidão, e um devoto e profundo
amor.
Mas, é muito importante para nós
elevarmos nossos pensamentos a esse
Custo Solidário de Deus Pai. Se um
perfeito conhecimento, um completo
discernimento e, um infinito amor,
faz com que as agudas estocadas da
solidariedade sejam muito intensas
então, podemos imaginar a intensidade dos sofrimentos de Deus.
Desde a hora em que a divindade de
Cristo se revestiu de carne, através de
todo o curso daquela vida de fome e
sede, de fadiga e desamparo, de dor e
desolação, o coração de Deus carregou o peso da aflição.
Quando Cristo foi traído pelos
homens, quando eles o abandonaram
e o negaram, quando eles zombaram
dele e cravaram nele uma coroa de
espinhos; quando eles o golpearam e
cuspiram nele, o coração de Deus foi
dilacerado pela dor. No momento da
crucificação a face invisível de Deus
estava aflitivamente identificada com
aquela agonia. Legiões de anjos voaram sobre ele contudo, Deus os conteve e os trouxe de volta ao circulo
restrito dos Seus braços.
Em todo o curso do Seu ministério de dores, Deus vigiou e esperou,
Riqueza
Revista Betel
reteve sua poderosa mão auxiliadora,
“repreendeu” o Seu coração e carregou Sua infinita dor, solidária com os
sofrimentos de Cristo. Por esta razão, Paulo pode usar com admirável
veracidade esta grandiosa palavra, a
Igreja de Deus, a qual ele comprou com
o seu próprio sangue.
3
O terceiro elemento no sacrifício
de Deus Pai é o seu compartilhar na
agonia da cruz. A relação de Deus
Pai com a Cruz de Cristo, tem sido
deixada de lado; não tem sido levada
devidamente em conta. Não somente
nossas concepções sobre a expiação,
mas também o caráter e o propósito
de Deus têm sido desfigurados por
esta negligência. Tem sido esquecido
o segredo que subjaz oculto na cruz;
ele não é lembrando quando da leitura da história da paixão.
Nenhuma história tem sido contada de modo tão conciso e pleno,
como aquela da Semana da Paixão e
o ultimo dia da vida de Cristo aqui
na terra. Nos Evangelhos a história
da morte de Cristo é escrita com
riquezas de detalhes em contraste
com a resumida narrativa da vida de
Cristo. O significado dessa história
nunca foi e nunca será exaustivamente compreendido pelas mentes humanas. Nós temos lido esta história
da
Graça
31
com mais entendimento - quanto ao
seu amor e graça - na medida em que
os séculos passam.
Nos dias atuais, o lado humano
dessa história aparece e se firma diante de nós de modo muito mais claro.
Podemos ver que morte de Cristo
na Cruz era o desfecho inevitável
daquela história. Sabemos que se
algum homem lançar-se a si mesmo
em confronto contra o Mal Moral,
este mal, de modo colérico avançará
sobre ele como um lobo atacando
uma presa; percebemos que o curso
dos eventos corre na direção de um
desfecho natural.
A inveja dos fariseus, o ódio dos
saduceus, a esperteza de Caifas, a
traição de Judas e os cuidados de Pilatos com seus próprios interesses;
tudo isso trabalhando conjuntamente para que o mal seja direcionado
contra Aquele que é o Amado de
Deus.
Mas, aquele que ler a historia novamente, olhando para ela à luz da
própria Palavra de Deus, elevando
o pensamento a Deus Pai, verá o trabalho de uma outra mão. Verá que
era Deus Pai que sacrificava o Filho.
Ele ouvirá o profeta dizer: Todavia,
ao senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua
alma como oferta pelo pecado (Isaías
53:10). Ele ouvirá o evangelista proclamar: sendo este entregue pelo deter-
32
Riqueza
minado desígnio e presciência de Deus,
vós o matastes, crucificando-o por mãos
de iníquos (Atos 2:23). Ouvirá a própria voz de Cristo dizendo: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de
cima não te fosse dada ( João 19:11).
Poderá ver-se diante do mais profundo mistério que agora tem sido
revelado ao homem; um mistério
mais profundo do que o mistério da
encarnação, mais difícil de ser crido
do que o óbvio milagre da ressurreição – estabelecido nestas palavras:
Aquele que não poupou a seu próprio
filho, antes, por todos nós o entregou
(Romanos:8:32).
Que grande sacrifício foi para
Deus! O que o sofrimento do Filho
foi para o Pai nós não podemos expressar, mas existe um incidente no
Velho Testamento dentro do qual
podemos olhar e ver, ainda que de
modo incipiente, como em um espelho, a imagem do sacrifício de Deus.
Sigamos os passos de Abraão até o
lugar onde ele entregou o seu filho
“inocente”:
Monte Moriá, o lugar do sacrifício. Podemos avaliar a
dor derivada do propósito que ele
guardava em seu coração; podemos
conceber o empobrecimento e o esvaziamento de sua vida, que a perda do seu filho poderia lhe causar.
Podemos imaginar o coração do pai
quase desfalecido em solidariedade,
quando tomou a lenha do holocaus-
da
Graça
Revista Betel
to e a colocou sobre seu filho Isaque.
Mas, o momento de indizível agonia veio quando aquele velho homem
tomou o cutelo para sacrificar o seu
filho. Sua mão foi detida pelo misericordioso coração de Deus. Porém,
quando Deus “pregou” o Seu Filho
no altar mais alto do mundo, não
houve nenhuma voz para impedir.
Ao grito de: Meu Pai: se possível, passe de mim este cálice! (Mateus: 26:39),
tudo o que se viu naquele momento
foi somente a mais clara provisão da
cruz, e a luz sobre o doloroso caminho até o Calvário.
Abrão não estava depositando
somente o seu filho, mas o seu coração, sua vontade, ele mesmo sobre
o altar. O sacrifício e a agonia eram
muito maiores para Abraão do que
para Isaque. Então, será que não
podemos perceber que Deus estava entregando o Seu coração, Sua
vontade, Ele mesmo, sobre o altar do
sacrifício de Cristo? E assim a grandiosa palavra de Paulo se justifica: “a
Igreja de deus, a qual ele comprou com
o seu próprio sangue”.
Existem duas verdades fluindo
deste rico manancial doutrinário, as
quais tentarei expressar com a maior
clareza possível. A primeira é a mais
simples e, ao mesmo tempo, a mais
profunda verdade do Evangelho, ou
seja, a prova do amor inacreditável e
inesgotável de Deus. Vede que grande
Revista Betel
Legado
amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus
( 1 João 3:1) - através do sacrifício
de seu Filho. Quando os homens
aceitarão esta verdade com o coração
íntegro, sem questionamento? Nós
nos recusamos a crer nesta verdade
por causa da nossa ignorância – nossa ignorância de Deus. Porque Deus
ainda não é para nós o Nome mais
amado, o Nome que é todo Santo,
amável, o nosso refúgio e fortaleza,
nossa esperança, nosso amparo, a
eterna morada dos homens.
Nós nos recusamos a crer Nele
por cauda da nossa surdez e por
causa de nossa estupidez. Nós não
entendemos os caminhos do amor
celestial. Nós não percebemos a mão
amorosa de Deus em nossas dores e
sofrimentos, que são nada mais do
que os grandes dedos de Deus nos
modelando. Nós nos recusamos a
crer Nele, acima de tudo, por causa
do nosso pecado. É o nosso pecado que deforma e deturpa a face de
Deus e, ás vezes, nos cega completamente para não vê-lo. Entretanto, a
verdade é que Deus tem um inacreditável e inextinguível amor por nós.
Ele o ama, não somente porque
você o conhece, ama e confia Nele,
mas pelo amor que lhe é próprio.
Ele o ama em sua ignorância, em sua
estupidez e pecado. A maior prova
do Seu amor pode ser encontrada,
33
não na ordem e beleza do mundo, no
conforto que você possa ter diariamente ou, nos caminhos agradáveis
que os seus pés percorrem. O amor
de Deus pode ser encontrado, não
em olhos que não precisam verter
lágrimas, ou em faces não marcadas
pela dor. Isto porque, Ele leva o seu
povo para o deserto. Ele faz o seu
povo experimentar a taça do sofrimento. Deus dá a Seu povo o pão da
aflição. A prova do Seu amor está no
esvaziamento da sua divindade; está
no infinito sofrimento solidário com
a aflição do Seu único Filho. A prova
do seu amor está na verdade de que
ele comprou a Igreja com o seu próprio sangue.
A segunda verdade é a dor infinita de Deus com o pecado. Nós
sempre estamos tentando lançar luz
sobre o que significa o pecado para
Deus. Desde os tempos do salmista
os homens vêm pensando que Deus
considera o pecado tal como eles
mesmos, mas Deus diz: pensavas que
eu era o teu igual? (Salmos 50:21). O
pecado é um fardo - se eu posso tomar emprestada a ousada linguagem
de Amós - o pecado é como que pisar
em Deus. É um peso opressivo que faz
os ombros de Deus arquear.
Você tem alguma noção de como
o pecado aflige o coração de Deus?
Se você já testemunhou uma determinada ação de opressão ou injustiça
34
Legado
impiedosa, contra alguém em posição mais fraca e, se este fato provocou profunda indignação moral, de
tal modo a ser compelido a doar-se
na tentativa de reparar o erro; se você
passou por esta experiência, isto significa que agora está na condição de
imaginar, ainda que impuramente e
debilmente, a dor de Deus por causa
do pecado.
O pecado é um peso aflitivo para
Deus, não somente porque ele colide com a ordem moral do universo,
mas porque ele corrompe as almas
dos homens. Pense na sua planta
favorita, aquela que você cuida com
todo zelo e carinho. Repentinamente, percebe que a sua beleza foi severamente ferida e sua vida destruída
pelas mãos perversas e cruéis de um
vândalo, fazendo você sentir uma
mágoa ferver em seu coração. Se isto
lhe aconteceu, novamente digo que
você debilmente e timidamente experimentou, e impuramente entrou
na dor infinita de Deus por causa do
pecado.
Mas, esse fardo alcança o seu clímax quando o pecado aflige e fere o
amor infinito. Você já viu uma irmã
Revista Betel
sentada no banco de uma corte de
leis tendo que ouvir as evidências
vergonhosas sobre o seu irmão serem expostas sem piedade? Você já
teve que abordar uma mãe para contar a ela todos os atos pervertidos e
desonrosos praticados por seu filho?
Estas experiências poderão, eventualmente, fazer você ver o amor aflitivo e entenderá quão aterrador pode
ser a agonia do amor.
Pelo fato de Deus ter em si essa
infinita dor em face do pecado e, ao
mesmo tempo, um inacreditável e
inextinguível amor pelos pecadores é
que Ele esvaziou-se da sua divindade. Ele suportou solidariamente as
estocadas e feridas, Com Cristo. Ele
afligiu o Seu único Filho para que
pudesse vir à existência a Igreja de
Deus, comprada com o seu próprio
sangue, por isso deveis ser como os que
vivem em santo procedimento e piedade (2 Pedro 3-11)
Extraído do livro
“A Cruz na experiência Cristã”
de William MacCallum Clow.
Publicado em
Glasgow - Escócia – 1908.
Cuidado com as pessoas que lhe dizem que a vida é simples. Aproximar-se de Jesus não
simplifica a vida, mas simplifica o meu relacionamento com Deus.
-- Oswald Chambers
Revista Betel
Estudo Bíblico
35
A Cruz: O Evangelho Universal
ou a Lei do Sacrifício Cristão
relacionado a Missões Henry Clay Mabie
Em verdade, em verdade vos
digo; se o grão de trigo, caindo
na terra, não morrer, fica ele
só; mas se morrer, produz
muito fruto. João 12:24
T
A ocasião:
erceiro dia da semana
da paixão. O último dia
do ministério público
do Senhor ao seu próprio povo – Israel. O dia em que Ele
retirou-se, ocultando-se deles ( João
12:36). Ele viera para o que era Seu,
e os seus não O receberam ( João1:11).
Porque a casa de Israel não conheceu
o dia de sua visitação, ela fez de si
mesmo uma desolação.
Exatamente nessas circunstâncias
ocorreu um evento de grande significado. Em meio à multidão que se
deslocava para Jerusalém tendo em
vista a festa da Páscoa, havia muitos
gentios prosélitos que, em principio,
haviam crido que Jesus era o “desejado das nações” (Ageu 2:7). Entre eles
havia alguns gregos os quais queriam
ver a Jesus.
36
Estudo Bíblico
Jesus acabara de realizar sua entrada triunfal em Jerusalém, e o Seu
nome era pronunciado por todas as
línguas. Aqueles gregos não podiam
perder a oportunidade para um encontro, uma audiência pessoal com
Aquele a quem entoavam Hosanas.
O anúncio desta visita veio sobre o
espírito de Jesus em um momento
psíquico. Era um momento histórico
em que se podia antever o alvorecer
de uma nova era – um tempo de
evangelização universal.
Aquela espécie de visita podia
ter-se constituído numa tentação
para Jesus. Todo o Império Romano estava historicamente próximo
de se abrir aos tempos apostólicos.
A futura Europa seria o Seu teatro
de operações. O mundo britânico
seria todo Seu para ser explorado. Jesus, antecipadamente, via um
novo mundo para Ele. Sua visão estendia-se por todos os oceanos, envolvendo Japão, China, Índia, África e todas as ilhas do mar. – todos
esperando por sua vinda. Era uma
perspectiva e uma possibilidade,
que nunca antes havia sido imaginada por qualquer estadista ou conquistador mundial.
Porém, por mais fascinante pudesse ser aquele cenário, ele não se
prestava para a realização de Sua
carreira pessoal nesta terra. Um
grande dia de verão, rico para colhei-
Revista Betel
ta, aguardava por outros segadores,
além Dele mesmo. Mas, para Ele, o
inverno, a morte, a morte de Cruz
interveio. Não obstante aqueles novos magos estarem batendo à Sua
porta, a Cruz apareceu mais alta no
horizonte. Não havia sequer uma
pequena pausa para dar resposta a
um pedido tão incomum, Sua réplica foi imediata: E chegada a hora de
ser glorificado o Filho do homem. Em
verdade, em verdade vos digo; se o grão
de trigo, caindo na terra, não morrer,
fica ele só; mas se morrer, produz muito
fruto ( João 12: 23-24).
Isso não significa que Jesus não
apreciava o aparecimento desse novo
dia estelar em seu escuro horizonte,
ou que Ele não desse valor à espera
da rica colheita futura – quando os
frutos estivessem maduros. Ele simplesmente o afastou do momento
presente. Naquele exato momento
Ele estava simplesmente pondo as
coisas mais importantes em primeiro lugar. A expiação tinha que ser
realizada. Aquele era o momento
supremo em que, tudo o que estava
na vontade do Pai, como algo eternamente concebido, tinha de ser cumprido. Assim que, Jesus, desprezando
outros prazeres que tentavam a Sua
imaginação, num brado de completa
autoentrega exclamou: Pai, glorifica
o teu nome. Esta é a mais completa
autorrendição jamais vista em toda
Revista Betel
Estudo Bíblico
a história.
É muito significativo que aqueles
gregos aparecessem justamente no
momento especifico em que Jesus
se entregava à Sua Cruz. Até aquele
momento Cristo havia magnificado
sua mensagem “senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” mas agora,
antes do perfume se espalhar pelo
mundo, o vaso de alabastro contendo o precioso Nardo tinha que ser
quebrado.
Os inimigos de Jesus pressionavam para que Ele fosse levado à
Cruz Romana. Porém, a vontade do
Pai trabalhando no Seu intimo O
constrangia ao Seu sacrifício voluntário. Todas as muralhas que faziam
separação entre Judeus e Gentios,
agora tinham que ser demolidas. O
Cristianismo tinha que ser universalizado. Os pés de Cristo estavam
postos no limiar de um Novo Mundo que havia de nascer. Porém, antes Dele avançar um paço Ele tinha
que experimentar a morte. Era algo
muito amargo, mas era a salvação,
assim como uma lealdade a toda a
realidade moral implícita naquele
momento.
Aspectos do sacrifício:
Estamos, agora, levando à consideração a oferta em si mesma, a favor do mundo, a qual é uma morte
única, singular em seu valor e signi-
37
ficado, constituída na pessoa de Jesus. É sobre a lei que está subjacente
àquela morte, usualmente chamada
“A Lei do Sacrifício” que agora vamos falar.
Vamos considerar esta lei em dois
aspectos. Primeiro, como uma oferta
redentora oferecida por Cristo em
favor do mundo e, segundo, como
um arquétipo do autossacrificio cristão em beneficio de outras pessoas.
Primeiramente, vamos considerar
aquela oferta objetiva feita por Cristo – de si mesmo – para a redenção
do mundo. Na expressão do versículo 24, a não ser que o grão de trigo
caia na terra e morra toda a redenção está implicada. Mas, nos versos
31 e 32 Jesus reitera este principio
em linguagem inequívoca, como que
estabelecendo o caráter e as relações
significativas envolvidas no tipo de
morte que Ele havia de suportar.
Ele exclamou: Chegou o momento de
ser julgado este mundo, e agora o seu
príncipe será expulso. E eu, quando
for levantado da terra, atrairei todos a
mim mesmo. O pleno significado dessas passagens nos compele a concluir
que o sacrifício de Cristo em favor do
mundo foi uma ( Judgment-death)
morte judicial. Mas, antes de definir
a que isso diz respeito, algumas considerações preliminares são necessárias no sentido de dar claro entendimento aos termos.
38
Estudo Bíblico
O termo “julgamento”
na Escritura.
O significado deste termo tem
sido concebido de modo até mesmo grosseiro, e também superficial.
Em conseqüência, existe uma infeliz
aversão ao seu uso no pensamento
contemporâneo. Para muitos o termo tem sido considerado como sinônimo de uma sentença de reprovação
e condenação. Porém, isto acontece
em razão de certo descuido quanto
aos diferentes e graciosos sentidos
nos quais a Bíblia usa o termo.
Esta palavra é frequentemente
empregada no sentido de intervenção, vindicação – considerada também uma vindicação da santidade
divina. Por exemplo: No Salmo 54
encontramos a oração: “Ó Deus
salva-me pelo teu nome, e faze-me
justiça pelo teu poder”. O profeta Jeremias declara sobre o redentor que
havia de vir: Ele julgará a causa do
pobre e necessitado. Isto significa que,
Ele os libertará do opressor, revertendo a falsa posição imposta sobre
eles pelos cruéis perseguidores. Mateus citando Isaias diz: Ele anunciará juízo aos gentios ... não esmagará a
cana quebrada, nem apagará a torcida
que fumega, até que faça vencedor o juízo. E no seu nome esperarão os gentios.
O que poderia ser mais afetivo? À
semelhança de milhares de pombos
formando uma nuvem após terem
Revista Betel
sido soltos de suas gaiolas, as almas
prisioneiras dos pagãos são postas
em liberdade podendo regressar à
casa do Pai. Após Cristo ter curado
um cego de nascimento, milagre descrito no nono capítulo de João, Ele
promulgou Sua grande Lei da Graça
com a seguinte expressão: Eu vim a
este mundo para juízo, a fim de que os
que não vêem vejam, e os que vêem se
tornem cegos.
Reconhecimento do fator moral
na obra de Cristo:
Mas, o que deve ser, necessariamente, posto como premissa é o reconhecimento do aspecto e do valor
moral implicados na obra de Cristo,
fato este que vai muito além da dor
que Ele suportou.
Em algumas concepções, supostamente mais ortodoxas da expiação, uma ênfase mais ampla tem
sido dada aos sofrimentos de Cristo,
como se as dores fossem a causa do
perdão; ou como se o perdão decorresse dos sofrimentos. A velha visão
de uma “expiação limitada” disseminou a convicção de que na mente
divina existia uma avaliação exata da
quantidade de sofrimentos requeridos para os pecados de um certo número de pessoas da raça humana..É
o que algumas vezes foi chamada de,
“ä visão comercial” da expiação. Esta
visão recebe objeções por razão simi-
Revista Betel
Estudo Bíblico
lar àquela em que, certa quantidade
de sofrimento é concebida como
uma compensação para um montante definido de pecados. Deste modo,
a expiação seria apenas uma questão
de pagamento de débitos. Mas, essa
concepção é completamente incongruente com a necessidade de perdão
de qualquer pecado.
Quando Jesus estava entre nós,
nas vezes em que fez referência à
real profundidade de Suas dores,
Ele nunca magnificou e tampouco apelou por piedade em face do
volume de sofrimentos que havia de
suportar. Até mesmo à caminho do
Calvário quando, seguia-o numerosa
multidão de povo, e também mulheres
que batiam no peito e o lamentavam,
Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por
mim; chorais antes por vós mesmas e
por vossos filhos.
Portanto, Jesus não teve mera
compaixão. Algumas concepções
medievais expressas em pinturas
representam Jesus como um objeto de piedade, causando impressões
enganosas. Muitas dessas obras O
apresentavam uma figura afeminada
e sicofântica. A verdade é que Cristo,
a despeito dos enormes sofrimentos,
mostrou-se como tal apenas incidentalmente. Até o último momento,
em que o seu coração se rompeu, ele
sempre agiu pelos princípios do mais
39
alto respeito próprio, sempre dando
a clara impressão de autocomando,
se movendo na direção do mais sublime objetivo moral.
Havia algo inequivocamente mais
profundo para ser despertado pela
Cruz do que a simples simpatia do
ser humano. O reconhecimento, no
domínio moral, das justas e graciosas
relações com as quais Jesus estava lidando era o fator fundamental. Disse
o Dr. Godet: “Quando Cristo deu o
Seu último grito de submissão sobre
a Cruz, o fez com a consciência íntegra de que este julgamento do pecado do mundo, era o eco do que Deus
pronunciava nos Céus. Porém, como
existe apenas uma racionalidade em
toda mente inteligente, do mesmo
modo existe apenas uma mesma
consciência em todos os seres morais
e, deste modo, aquele grito veio daquela perfeita consciência para ecoar
em todas as consciências humanas”.
A coisa mais valiosa sobre a humilhação de Cristo é que Ele a assumiu
com inquestionável submissão. Na
Epístola aos Hebreus ela é chamada
de “obediência”. Este é o seu ponto
final: o reconhecimento daquela obediência realizada em sua inteireza, tal
com o era vindicada por Deus.
Deste modo, a oferta de Cristo era
uma resposta a algo final no universo de Deus. O Dr. P.T. Forsyth, líder
do Hackney College, London, em
40
Estudo Bíblico
vários escritos recentes (ver Christian World Pulpit, Oct. 1, 1902, and
may 20,1903) lançou muitas luzes
sobre a expiação; mostrou que os
mais recentes pensadores teológicos
entendem o Principio do Sacrifício
como um mero altruísmo, reduzindo
o julgamento a um conceito limitado de justiça, contrariando o seu
pleno sentido bíblico, o qual, está
relacionado à Graça, tanto quanto à
Revista Betel
lei. Esta concepção é profundamente
compartilhada por este escritor.
...continua na próxima edição.
Secretário da União Missionário
Americana, Boston, Mass.
Pronunciado na sexta conferência missionária realizada na Igreja
União Trinitária Metodista episcopal em 09 de março de 1904.
Justificados, pois, mediante a fé, tenhamos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;
Romanos 5:1
Nestas palavras o aposto Paulo nos revela um lugar seguro. É um lugar de segurança,
não apenas sustentado por seus argumentos, mas também por sua experiência. É a triunfante
declaração de sua posição estável e segura diante de Deus – sua libertação do passado e sua
segurança futura. Ele evidencia que acaba de passar para um novo mundo. Ele está em uma nova
vida. Mas, a sua experiência não é, segundo o seu ponto de vista, uma experiência somente dele.
“Nós estamos justificados”, ele disse, escrevendo a homens e mulheres que ele nunca havia visto
antes. “Nós temos paz com Deus”. “Nós temos” acesso a esta graça na qual estamos firmes e,
gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. Esta é a única e universal experiência cristã..
-- Selecionado
O sofrimento do Filho
“O caminho que trilhava na terra era escabroso. Como poderia ser de outra maneira num
mundo onde tudo estava em oposição direta à Sua natureza santa e pura? Ele teve de suportar
a contradição dos pecadores contra Si mesmo. Teve de suportar a afronta dos que se opunham
a Deus. O que não teve Ele de suportar? Foi mal compreendido, mal interpretado, injuriado,
difamado, acusado de estar fora de Si e de ter demônio. Foi traído, negado, abandonado,
escarnecido, esbofeteado, cuspido, coroado de espinhos, expulso, condenado e cravado entre
dois malfeitores. Todas estas coisas Ele sofreu às mãos dos homens juntamente com os terrores
indizíveis com que Satanás atormentou o Seu espírito; mas, deixai-me repetir mais uma vez e com
ênfase, depois de os homens e Satanás terem esgotado o seu poder e inimizade o nosso bendito
Senhor e Salvador tinha de suportar alguma coisa comparada com a qual tudo o mais era como
nada, e isto era a ocultação da face de Deus – as três horas de trevas e terrível escuridão, durante
as quais sofreu aquilo que ninguém senão Deus pode conhecer”.
-- Mackintosh
Revista Betel
Estudo Bíblico
Unidade e Verdade
41
Dave Hunt
Um só Senhor, uma só fé e um
só batismo. Efésios 4:5
D
everia ser evidente
para qualquer observador das notícias e tendências que estamos
sendo levados (como previu a Bíblia)
a um governo e uma religião mundiais - e que ambos serão unificados.
Qualquer “separação entre Igreja e
Estado” acabará. Deveria também
estar claro que uma exigência básica da religião mundial (passos em
cuja direção são recompensados pelo
“Prêmio Templeton Para o Progresso na Religião”) é que seja inofensiva
e universalmente aceita.
Babel, o modelo de unidade
A “correção político-religiosa” é
essencial para a falsa unidade desejada por este mundo. A regra para
isto será “espiritualidade” sem verdade. O mundo retornará a Babel,
onde a “cidade” (o governo secular) e
a “torre” (a religião) eram unificados:
42
Estudo Bíblico
Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos
céus... (Gênesis 11.4). Aqueles que
persistirem em afirmar que alguns
ensinos são errados serão silenciados para o bem da sociedade. Essa
tendência já é notada na “Trinity
Broadcasting Network” (maior rede
de TV evangélica dos EUA - N. R.)
de Paul Crouch, cuja oração demanda imunidade à correção: “Deus, nós
declaramos a destruição de qualquer
coisa ou pessoa que se levante contra
este ministério...”1
Esse tipo de unidade, integralmente estabelecida em Babel, agrada à sabedoria humana. Contudo,
a resposta de Deus foi confundir ali
a sua linguagem, ...e dispersá-los dali
pela superfície da terra (vv. 7-8). No
Areópago, Paulo explicou o propósito de Deus em fazer tal coisa: [Ele]
havendo fixado... os limites da sua habitação; para buscarem a Deus... (Atos
17.26-27).
Ao invés de buscar ao Senhor, o
homem tem procurado tornar-se o
senhor do Universo. A sua capacidade de invenção cumpre a declaração
de Deus: é mau o desígnio íntimo do
homem desde a sua mocidade (G����
��
nesis 8.21), e prova a exatidão do terrível aviso divino: não haverá restrição
para tudo que intentam fazer�������
(G����
��
ne-
Revista Betel
sis 11.6). A maldade e violência do
mundo aumentaram com o desenvolvimento da educação, do conhecimento e da tecnologia humanos. De
fato, somos “uma geração de gigantes
nucleares, mas anões morais”.
E agora, em rebelião contra o julgamento de Deus em Babel, o homem está determinado a unificar o
mundo como foi naquela época. A
Lockheed Corporation, num anúncio na revista Scientific American,
vangloria-se de que através de seus
computadores está “desfazendo o
efeito Babel”, unificando, novamente,
o mundo em uma linguagem. A IBM
e outras corporações científicas têm
feito alardes similares. Imagina-se
que a unificação do mundo colocará
um fim à competição e aos conflitos
entre as nações, e conduzirá a uma
era venturosa de paz e prosperidade.
Na realidade, ela trará o reinado do
anticristo e a ira de Deus derramada
sobre a terra.
A verdadeira unidade
O mundo nunca terá unidade e
paz até que Cristo, o Príncipe da
Paz, governe em pessoa do trono
de Davi. E mesmo assim, depois de
1.000 anos de Seu reinado, milhões e
milhões daqueles que foram forçados
a obedecer se rebelarão contra Ele
Revista Betel
Estudo Bíblico
(Apocalipse 20.7-9). O Milênio será
a prova final da incorrigível maldade
do coração humano. A única esperança está na criação de uma nova
raça que morreu em Cristo, aceitando a morte dEle como a sua própria,
e que “nasceu de novo” do Espírito
Santo para ser habitada pelo Espírito de Cristo. Cada um destes que
herdam novos céus e nova terra pode
dizer confiantemente: Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem
vive, mas Cristo vive em mim... (G����
��
latas 2.19b-20a).
A verdadeira unidade só é encontrada em Cristo. Aqueles que pertencem a Ele são “um corpo”, tendo uma
só esperança... um só Senhor, uma só
fé , um só batismo, um só Deus e Pai
de todos... (Efésios 4.4-6). Estes são
o Seu corpo, Sua Igreja, Sua noiva.
A respeito destes Jesus disse: Eles
não são do mundo, como também eu
não sou ( João 17.14,16). A verdadeira Igreja nunca poderia ser popular
com o mundo, muito menos unida a
ele numa causa comum. Cristo disse:
Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não
sois do mundo, pelo contrário, dele vos
escolhi, por isso, o mundo vos odeia...
Se me perseguiram a mim, também
perseguirão a vós outros... ( João 15.1920).
43
Estas poucas palavras das Escrituras são suficientes para condenar
a igreja católica romana. Sua longa
história de parceria com e até mesmo
de domínio sobre os governos (como
foi predito em Apocalipse 17.18), e
o poder que ela exerce nos círculos
seculares marcam-na como apóstata. O papa recebe embaixadores de
todos os principais países que vêm
suplicar favores, e por onde vai ele
é recebido com muita pompa e cerimônia pelos chefes de Estado, do
presidente Clinton a Arafat ou Fidel
Castro.
Do mesmo modo, reconhecemos
o erro dos evangélicos que se esforçam para exercer influência política
através de acordos com os ímpios,
procurando ter domínio dentro de
governos em cooperação com católicos e adeptos de outras religiões - e
o fazem em nome de Cristo que foi
odiado, zombado e crucificado pelas
lideranças religiosas e políticas.
“Não rogo pelo mundo”
Na oração de Cristo por unidade, Ele disse especificamente: Não
rogo pelo mundo, mas por aqueles
que me deste [fora do mundo], porque são teus ( João 17.9). Não existe
na Bíblia qualquer referência de que
os cristãos devam “mudar o mundo”
44
Estudo Bíblico
(que está debaixo do julgamento de
Deus) ou “atender às necessidades da
comunidade”. Nós devemos chamar
para sair deste mundo um povo para
o seu nome (Atos 15.14). O interesse
de Cristo foi por Sua Igreja: a fim de
que todos sejam um; e como és tu, ó Pai,
em mim e eu em ti, também sejam eles
em nós... como nós o somos; eu neles, e
tu em mim, a fim de que sej�����������
am aperfeiçoados na unidade... ( João 17.21-23).
A oração de Cristo foi respondida
pelo fato do Filho e do Pai habitarem
nos cristãos por meio do Espírito
Santo. Tornando-nos filhos de Deus
mediante a fé em Cristo Jesus (G����
��
latas 3.26), somos unidos à família de
Deus para sempre. Essa unidade não
pode ser compartilhada fora dessa
família. Ela é expressa pela adesão
em palavras e atos à Palavra de Deus
e à verdade ( João 17.6, 8, 14, 17).
Nunca nos foi ordenado estabelecer a unidade, mas preservar a
unidade do Espírito (Efésios 4.3), que
já temos em Cristo. Nossas vidas e a
doutrina sobre a qual estão fundamentadas devem revelar a Palavra
de Deus e a Sua verdade. Qualquer
desvio disso nega a unidade que é
nossa em Cristo. Aqueles que não
são membros do corpo de Cristo
por não crerem no Evangelho não
podem fazer parte dessa família,
Revista Betel
e não há “unidade” que os crentes
possam fabricar para conseguir tal
coisa.
Divisões entre “cristãos”
Ao menos certas divisões entre os
que se chamam cristãos são devidas
a sérias diferenças doutrinárias. Há
fartas evidências atestando a falsidade do evangelho de salvação do catolicismo romano por sacramentos,
obras, sofrimentos no purgatório,
indulgências, orações a Maria, etc.;
e que ele, por sua própria natureza,
não oferece nenhuma segurança.
Tais diferenças doutrinárias criam
uma barreira intransponível à unidade cristã; e, na verdade, mostram
que os católicos romanos (e os ortodoxos cujas doutrinas de salvação
são as mesmas) estão fora da família
de Deus. Promover o engano destas
almas perdidas, acolhendo-as como
cristãs, é falta de bondade.
Minha esposa Ruth e eu passamos recentemente um tempo muito
proveitoso na Romênia com boas
reuniões em cinco cidades, inclusive
na Universidade de Bucareste, num
anfiteatro esportivo e em outros lugares seculares. A reação foi boa,
com vidas salvas e transformadas.
Em todo lugar vimos o mal da igreja
ortodoxa, que cooperou com o co-
Revista Betel
Estudo Bíblico
munismo e agora está perseguindo
os evangélicos. Esta igreja não faz
objeção que seus membros sejam
comunistas ateus. O último censo
na Romênia teve duas categorias de
ortodoxos: fiéis e ateus.
Durante essa visita, vimos com
tristeza os fiéis ortodoxos enfileirados numa grande catedral para beijar
os ícones que acreditam serem janelas para o céu, e para tocar os sarcófagos dos “santos”, como um passo
duvidoso para a salvação, ou para
pagarem ao sacerdote por orações
especiais que poderiam aproximá-los de merecerem o céu. Típica foi
a conversa que tive com o principal
sacerdote na catedral ortodoxa:
Dave (D):Como posso ir para o
céu?
Sacerdote (S): Você tem de rezar.
D: Quanto devo rezar?
S: Você precisa rezar em todo
tempo, em todo lugar.
D: Posso ter certeza se conseguirei ir ao céu?
S: Você nunca pode saber. As seitas, como os batistas, ensinam que
você pode ter a certeza, mas a doutrina oficial da igreja ortodoxa é que
você nunca sabe se irá para o céu.
D: Mas o que Jesus fez na cruz?
S (levando-me para o centro da
45
igreja e apontando para uma suposta
pintura de Jesus no alto do teto): Ele
está olhando por todos nós! (Neste
momento, um grupo de convidados
de um casamento entrou. Recém-casados no civil, precisavam da bênção
da igreja, pela qual pagaram o salário
de um mês. Tendo de atendê-los, o
sacerdote terminou a nossa conversa
- que me deixou interiormente triste
pelo engano em que vivem os “fiéis”
ortodoxos!)
Fortes movimentos rumo ao
ecumenismo
É um despropósito total acolher
o catolicismo romano e a ortodoxia
oriental como verdadeiro evangelho,
mas tal insensatez reflete a tendência
atual. Até mesmo o mundo busca a
unidade religiosa. Há algum tempo
surgiu nos EUA o movimento Promise Keepers, uma organização que
reuniu milhões de homens e dezenas
de milhares de pastores em defesa do
mais flagrante ecumenismo.
No início de 1997 os Promise
Keepers reuniram 39.000 pastores em Atlanta (Geórgia, EUA). A
conferência juntou representantes
dos apóstatas Conselho Mundial de
Igrejas e Conselho Nacional de Igrejas, dos evangélicos, dos mórmons
e dos católicos romanos, incluindo
46
Estudo Bíblico
600 padres. O vice-presidente do
Ministério Pastoral dos Promise Keepers, Dale Schlafer, afirmou que esta
nova unidade não está baseada em
doutrinas (isto é, em verdade), mas
em relacionamentos. Em contraste, a
unidade bíblica é uma doutrina que
deve ser definida. Algumas diferenças doutrinárias são tão vastas quan-
Revista Betel
to a distância entre o céu e o inferno.
O que impressiona é o número
de homens e pastores que se deixam
levar por este e por movimentos semelhantes. Quanto a nós, “mantenhamos a unidade do Espírito” através do apego à sólida doutrina em
obediência ao nosso Senhor. (Dave
Hunt - TBC 4/98)
Uma cruel profecia que se cumpriu na vida de Jesus foi dita pelo salmista Davi, como se lê
a seguir: O opróbrio partiu-me o coração e desfaleci; esperei por piedade, por alguém que tivesse
compaixão, mas debalde, por consoladores e não os achei, ninguém apareceu. Salmos 69:20. (As
palavras escritas em negrito e itálico neste versículo foram emprestadas de outras versões e
acrescentadas aqui).
A profecia se refere à hora da prisão de Cristo, o que resultaria na sua crucificação e morte.
Isso para os seus discípulos seria um teste de maior magnitude, porquanto se tornariam homens
indefesos, em meio a uma comunidade hostil e carregada de ódio.
Naquela hora os discípulos sumiram, cumprindo o que foi dito em João 1:11, Veio para o que
era seu, e os seus não o receberam. A ausência dos discípulos deve ter sido muito difícil para Jesus;
a deserção mesmo temporária dos companheiros, na hora de maior necessidade, deve ter ferido
no íntimo o seu ser. Contudo, a ausência do auxílio humano foi contrabalançada pela presença
confortadora do Pai celeste; porque naquela hora Cristo se mostrou calmo e sereno acima das
nuvens da solidão provocadas pela a infidelidade dos homens.
Jesus teve de enfrentar sozinho o julgamento injusto de que foi vítima voluntária; enquanto
os discípulos estavam ocultos na suposta segurança de seus lares, temerosos de se mostrarem
ao público, e não suficientemente corajosos para saírem em seu socorro para testificarem em
favor dele; ou pelo menos para estarem ao lado dele para mostrarem que simpatizavam com
a sua causa. Até mesmo Pedro e João que antes mostravam tão amigos, ficaram de longe, nas
proximidades da cena do julgamento. Foi nesta hora que a profecia se cumpriu: O opróbrio partiume o coração e desfaleci; esperei por piedade, mas debalde, por consoladores e não os achei, Salmos
69:20.
Contudo, Cristo foi consolado, assistido e fortalecido unicamente pelo Pai. Porém, tão
profunda seria a sua prova, que até mesmo essa presença confortadora do Pai haveria de
desaparecer por alguns momentos – Mateus 27:46. Jesus morreu na mais profunda solidão, e no
pior desamparo interior possível ao um ser humano. Mas, foi um abandono temporário, o Pai não
o desamparou totalmente, tudo terminou numa brilhante vitória.
Muita gente já sentiu na pele vários tipos de solidão. Porém, quero afirmar aqui com toda a
certeza: Quem tem o Pai e o Filho, pode ser deixado – mas não está só.
-- Sinval T. da Silva
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Revista Betel
Associação Betel
A
Associação Betel é uma entidade juridicamente
organizada, sem quaisquer vínculos denominacionais ou fins lucrativos, mantida por recursos
advindos de colaboração espontânea de pessoas
que apóiam seus objetivos, cujo fim é viabilizar a pregação do
Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo.
Os objetivos da Associação Betel:
a) Apoiar missionários e pregadores (uma vez confirmados
em seus compromissos com a verdade do Novo Nascimento
pela nossa morte e ressurreição com Cristo) para a pregação
do Evangelho de Cristo;
b) Produzir e adquirir literatura e material evangelístico
para uso dos missionários e dos grupos por eles atendidos,
como: folhetos, livretos, estudos dirigidos, livros evangelísticos, Bíblias, fitas de áudio e afins;
c) Assistência Social, sempre vinculada ao Evangelismo,
pois “a fé sem obras é morta em si mesma”.
A Associação Betel é mantida por colaborações espontâneas de pessoas físicas ou jurídicas, que apóiam seus objetivos.
São basicamente pessoas regeneradas, contribuintes muitas vezes anônimos, mas que se fazem participantes da pregação, para que também outras pessoas, até mesmo por eles
desconhecidas, possam gozar da mesma graça e esperança.
São aqueles que compreendem com amor e dedicação as
Palavras do Senhor Jesus Cristo: “Indo por todo o mundo,
pregai o Evangelho a toda criatura”.
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